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Numero do processo: 10630.003116/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionando-lhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Flávio Araújo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionando-lhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionandolhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Flávio Araújo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 31 16 /2 00 8- 01 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/200801 Acórdão n.º 2801003.759 S2TE01 Fl. 69 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 46/47 deste processo digital), reproduzido a seguir: Em nome do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativa ao anocalendário 2003, que apurou crédito tributário total de R$ 18.348.60, sendo R$ 7.756,10 de IRPF Suplementar, com ciência do sujeito passivo em 24/09/2008. Motivou o lançamento de ofício a constatação de dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.816,00, com despesas de instrução, no valor de R$ 2.208,00, e de despesas médicas, no valor de R$ 22.180.00, tendo em vista que, intimado a comprovar as despesas ou justificálas, o contribuinte não o fez. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 16/10/2008, alegando não ter tomado ciência da intimação inicial para apresentação de documentos, anexandoos agora a fim de comprovar as despesas declaradas. Esclarece que declarou como seus dependentes, por custear suas despesas, sua irmã Viviane Teixeira Vargas, para quem não requereu a guarda judicial por desconhecer a lei, e seus pais que não possuem aposentadoria ou qualquer outro rendimento. Por meio do Despacho n° 28/2011, da 6ª Turma de Julgamento de Juiz de Fora, o processo retornou em diligência a fim de que fosse requerido ao impugnante elementos adicionais relativos às despesas médicas e odontológicas glosadas relativas aos profissionais Assendino Marques das Aleluias, no valor de R$ 10.000,00, e Ana Paula Braga Maranhão, no valor de R$ 12.000,00, para que o relator do processo pudesse formar juízo sobre o direito alegado. Como resultado da diligência foram juntados ao processo os documentos de fls. 40/43. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte. A decisão recorrida restabeleceu deduções de dois dependentes e despesa com o cirurgiãodentista Erildo Machado Loredo no valor de R$ 180,00. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/10/2011 (fl. 55), o Interessado interpôs, em 17/11/2011, o recurso de fls. 57/58, acompanhado dos documentos de fls. 59/62. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Acata com resignação as glosas da dependente Viviane Teixeira Vargas e de despesas com instrução realizadas com a mesma. A profissional de saúde Ana Paula mudouse de Estado, tornando difícil o contato, motivo pelo qual não pode acrescer informações em relação à glosa com a referida profissional. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/200801 Acórdão n.º 2801003.759 S2TE01 Fl. 70 3 Em relação aos pagamentos efetuados ao profissional de saúde Assendino Marques das Aleluias, entende que cabe reconsideração, haja vista que o mesmo declarou ter recebido os valores em moeda corrente, e, mesmo assim, esta prova foi considerada insuficiente. Ao final, requer nova apreciação em relação às glosas de despesas médicas. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. A insurgência recursal se restringe à glosa de despesas médicas no valor de R$ 22.000,00. O art. 73 do vetusto DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, faculta à Autoridade lançadora solicitar outros elementos que comprovem o efetivo pagamento das despesas deduzidas e/ou a efetiva prestação dos serviços (Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora). No caso concreto, no entanto, impossível à Autoridade lançadora solicitar qualquer elemento adicional de prova em relação à documentação apresentada, haja vista que as glosas de despesas médicas se deram por falta de atendimento à intimação (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 5), sendo que a apresentação dos recibos só ocorreu por ocasião da impugnação. Embora a faculdade de solicitação da comprovação do efetivo pagamento das despesas tenha sido atribuída à Autoridade lançadora, nada obsta que a Autoridade julgadora de 1ª instância, para formar a sua livre convicção, também o faça em hipóteses excepcionais como esta, em que a Notificação foi lavrada por falta de atendimento à intimação, mas a documentação relacionada às deduções somente foi apresentada no curso do contencioso administrativo. Por força do Despacho de Diligência da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 32/33), o Recorrente foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas realizadas com os profissionais de saúde Assendino Marques das Aleluias, no valor de R$ 10.000,00, e Ana Paula Braga Maranhão, no valor de R$ 12.000,00 (Intimação às fls. 35/36). Em resposta à diligência fiscal o Interessado apresentou declaração de Assendino Marques das Aleluias, por meio da qual o profissional de saúde declara que recebeu, em dinheiro, do Sr. Fábio Teixeira Vargas, ora Recorrente, a importância de R$ 10.000,00, referente a serviços odontológicos diversos prestados a este e seus familiares. É sabido que o contribuinte não está obrigado a efetuar os pagamentos mediante a utilização de título de crédito, sendolhe lícito fazêlo em dinheiro. Contudo, se nesta hipótese for instado a comprovar o efetivo pagamento, deve evidenciar a posse do Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/200801 Acórdão n.º 2801003.759 S2TE01 Fl. 71 4 numerário em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados, podendo, ainda, demonstrar que houve a efetiva prestação dos serviços, nos moldes propostos na diligência fiscal solicitada pelos julgadores de 1ª instância, a ver: Apresentar documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores lançados como dedução a título de despesas médicas e odontológicas em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda exercício 2004, anocalendário 2003, pagos aos profissionais Assendino Marques das Aleluias, dentista, no valor de RS 10.000,00 e Ana Paula Braga Maranhão, referentes a serviços médicos, no valor de RS 12.000,00. Essa comprovação poderá ser feita com cópias dos cheques utilizados, ordens de pagamento, transferências bancárias, extratos bancários, por onde podem ser verificados os saques efetuados, especialmente nos casos de pagamentos feitos em espécie, desde que coincidentes em data e valor, ou qualquer outro documento que possa comprovar de maneira inequívoca a efetiva transferência dos recursos do patrimônio do contribuinte para o patrimônio dos beneficiários dos pagamentos. Apresentar documentos que comprovem a efetividade dos serviços prestados, tais como: exames médicos, resultado de radiografias, laudos, receitas médicas, etc. Importante frisar, por oportuno, que o entendimento acima exposto não está fundamentado na falsidade dos documentos carreados aos autos pelo contribuinte. A motivação está alicerçada na falta de comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços. Isso não implica, necessariamente, falsidade documental, mas sim a imprestabilidade dos recibos/declaração apresentados para fruição das deduções pleiteadas. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13869.000004/99-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
RESSARCIMENTO DO IPI.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedidos formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação poderá implicar o indeferimento do pleito.
ÔNUS DA PROVA
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedidos formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação poderá implicar o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedidos formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação poderá implicar o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 04 /9 9- 89 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório O requerente pediu ressarcimento de credito presumido apurado no período de 01/10/1998 a 31/12/1998, a ser utilizado na compensação dos débitos. O pleito teve seu indeferimento pois embora intimado e reintimado, não apresentou documentos necessários para analise do pedido. A Recorrente apresentou Manifestação de inconformidade alegando que documentos pedidos encontravamse em posse do fisco estadual e do federal, mas entende, o contribuinte, que a documentação apresentada já seria suficiente para ter o seu direito a compensação garantidos pela legislação e princípios constitucionais. Toda e qualquer escrituração efetuada nos livros contábeis fiscais deverá estar respaldada em documentação hábil e idônea, não só pelos princípios da legislação mas também os contábeis. Levandose em conta que o interessado quer utilizarse do ressarcimento para compensar débitos declarados dos autos, vale lembrar que a modalidade da extinção do crédito tributário, foi estipulada no artigo 170 do CTN. O artigo 170 do CTN, determina que a compensação só se dará com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Publica e o simples pedido de ressarcimento ou compensação do crédito não confere liquidez nem certeza .para esse fim. Afim de comprovar a certeza e liquidez do ressarcimento, a autoridade fiscal solicitou documentos ou informações complementares para o exame do mérito do processo, porem a contribuinte nada apresentou. Os princípios e a legislação argüidos pela defesa, possuem formalidades previstas na legislação tributária. E o Despacho Decisório emanado pelo órgão competente não é improcedente como afirma o interessado, mas sim uma imposição legal decorrente da preclusão. Para a instancia julgadora admitir a intempestividade da documentação, impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido precisa se de fundamentos legal que ampare o caso de preclusão. Como a Lei 9.784/99 não trouxe nenhuma exceção quanto a apresentação de provas depois de expirado o prazo, aplicase, por analogia, as situações previstas no parágrafo 4 do artigo 16 do Decreto n 70.235/72. A defesa alega força maior ou teria sido impedida de tirar de tirar cópias da “documentação” pedida pela autoridade fiscalizadora. Com relação ao ônus da prova dispõem o artigo 333 do CPC: "Art. 333. 0 Ônus da prova incumbe: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13869.000004/9989 Acórdão n.º 3403003.085 S3C4T3 Fl. 4 3 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". O momento propício para a defesa da contribuinte e a apresentação da peça impugnatória. As provas documentais se apresentam em impugnação ou manifestação de inconformidade. Caberia a defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, do qual poderia ter se desincumbido por meio da mera juntada de documentos e a impugnante não se desincumbiu do ônus de provar a existência dos créditos alegados. Não se desincumbindo do ônus processual e não apresentando nenhuma justificativa legal, precluiu o direito da impugnante para fazer prova dos supostos créditos. A impugnante ao formular seu pedido de diligência, para apresentação de documentos, tenta inverter indevidamente o ônus da prova razão pela qual o pedido dee ser indeferido com base nos artigos 18 e 28 do Decreto Lei 70.235/72. Diante da improcedência de sua manifestação de inconformidade a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que reitera os seus argumentos e requer a conversão do julgamento em diligência para provar o seu crédito. É o Relatório. Voto Nego provimento ao Recurso Voluntário. A Recorrente foi intimada e reintimada a apresentar prova de seu crédito. Quando da negativa de seu pleito de ressarcimento, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar na Manifestação de Inconformidade as respectivas provas, mas não o fez, de modo que não há efetivamente como se aferir o quantum de seus supostos créditos e sequer se são líquidos e certos, e se a Recorrente realmente tem direito ao crédito decorrente do ressarcimento do IPI. Tratase de matéria de prova, em que a Recorrente não se desincumbiu de seu ônus. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001390/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
INCONSTITUCIONALIDADE - ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
TAXA SELIC - INCIDÊNCIA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS
A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)- convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto.
A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos.
Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzales Silvério
Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 90 /2 00 9- 39 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 916 3 contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório O presente processo administrativo fiscal tem por objeto os seguintes lançamentos: i) AIOP n° 37.133.4721, correspondendo a contribuições sociais apuradas pela fiscalização e incidentes sobre as remunerações dos empregados, correspondentes à parte destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação) e à parte destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA. Fundamentando a lavratura dos relacionados autos de infração, a D. Autoridade fiscal informa, em relação ao PLR, que: Em 08/2007, a empresa efetuou pagamentos de verbas a titulo de • "participação nos resultados" (rubrica 311 — Participação Resultados Empresa – da folha de pagamento) aos seus empregados, com base no Acordo de Participação nos Resultados das Empresas do Grupo HedgingGriffo (doravante denominado simplesmente acordo próprio ou plano próprio), mas em desacordo com a legislação, pelos motivos a seguir expostos. Cabe mencionar que, com o fim de conferir maior fluência a leitura do presente Relatório, adotamos a sigla PLR para nos referir aos pagamentos das verbas em questão. 5.10 Da análise do acordo próprio mencionado no item anterior, datado de 02 de julho de 2007, verificouse que o mesmo somente foi firmado após o encerramento do semestre a que se referia, com a fixação de vigência retroativa. (...) Já com relação à distribuição da PLR e sabendose que 257 empregados receberam PLR em 08/2007, verificamos que os 29 empregados constantes da tabela acima, que correspondem a aproximadamente ii% do total, fizeram jus a 71,50%, enquanto os outros 228 empregados (89% do total) receberam apenas 28,50% da PLR distribuída. 5.20 Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a titulo de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/gratificação/bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Além disso, vimos que a maior parte do valor total distribuído foi destinada a um grupo seleto e reduzido de empregados que receberam entre 24 e 305 vezes a sua remuneração mensal, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. E evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas. A verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 917 5 Devidamente notificada, a Recorrente opôs impugnação alegando, basicamente, que (i) os empregados já tinham devido conhecimento das regras reguladoras do PPL, muito antes da assinatura do instrumento de Acordo, sendo a assinatura apenas mero ato de formalização das disposições previamente fixadas e comunicadas; (ii) cumprimento dos requisitos legais quanto à clareza e objetividade das regras previstas nos acordos, bem como a mudança de entendimento sentido de que as disposições contidas nos acordos não seriam claras e objetivas, inovou no critério jurídico da fiscalização, o que ocasionou no desrespeito ao artigo 146 CTN; (iii) deixou a Fiscalização de comprovar que o pagamento a título de participação de lucros possuíam caráter salarial; necessidade de proceder a revisão na multa aplicada; (iv) é indevido o adicional de 2,5%; (v) é indevida a aplicação da Taxa Selic; (vi) ilegítima a responsabilidade pessoal dos gestores, conforme lista coresp. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, mantendose, dessa forma, o lançamento integralmente no período subsequente. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Preliminarmente Inclusão dos sócios como coresponsáveis pelo crédito tributário Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Aplicase ao caso, portanto, a Súmula CARF nº 88, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos apenas como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, não atribuindo a responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas. Acolho, portanto, essa alegação. Inconstitucionalidade – Adicional de 2,5% No tocante a essa matéria, aplico a Sumula CARF nº 02, segundo a qual pontifica que esse Conselho não é competente para decidir sobre inconstitucionalidade de lei. Também não é o caso de, a meu ver, determinar o sobrestamento da matéria, pois não houve determinação expressa do Supremo Tribunal Federal para que todos os processos envolvendo essa matéria fossem suspensos, conforme Portaria CARF nº 01/2012. Taxa Selic No caso em análise aplicase a Taxa Selic, conforme Sumula 04 do CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 918 7 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Participação nos Lucros e Resultados – Lei nº 10.101/00 A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7°, inciso XI, instituiu a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho, desvinculandoa, nos termos da lei regulamentadora, expressamente da remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI — participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" Muito se discute acerca das qualidades da norma imunizante do disposito supra, isto é, se de eficácia plena e com aplicabilidade imediata ou de eficácia contida e dependente de lei que talhe os requisitos para a sua fruição. Até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado no sentido de que o dispositivo constitucional supra depende, para sua aplicabilidade, de lei que o regulamente. É o que se vê nos julgados abaixo: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.(RE 505597 AgRAgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe237 DIVULG 17122009 PUBLIC 18122009 EMENT VOL02387 08 PP01391)” “DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 cobrança da contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94.(RE 393764 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234609 PP01971 RTJ VOL0020902 PP 00864)” “EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido.(RE 398284, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL02346 09 PP02087 RTJ VOL0020803 PP01221)” Não obstante os precedentes ora colacionados o Augusto Supremo Tribunal Federal, nos autos do recurso extraordinário nº 569.441/RS, reconheceu a densidade constitucional da matéria e sua repercussão geral, submetendo o caso a julgamento pelo Plenário, de modo a dar contornos definitivos acerca da interpretação do inciso XI, do artigo 7º da Constituição. A legislação tributária, ao tratar da matéria, impôs condição para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9°, alínea "j", que assim preceitua: "Art. 28. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica." Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: "Art. 2° Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participacão e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vivência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 919 9 a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3° A participação de que trata o artigo 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário.” (...) § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. (...)" Após reedições a Medida Provisória retro foi convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: "Art. 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Como se extrai da legislação existem alguns requisitos basilares para que os valores pagos a título de participação nos lucros não sejam tributados por meio das contribuições previdenciárias, quais sejam, exemplificativamente: i) negociação entre empresa e empregados, representados por suas respectivas comissões mediante acordo, com a participação do representante do sindicato da categoria, ou mediante acordo ou convenção coletiva; ii) o acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva deverá prever regras claras e objetivas, isto é, do conhecimento de todos, quanto à forma de atingimento das metas, índices de produtividade, lucratividade, etc. (regras substantivas), e conter mecanismos de aferição de como esses valores serão apurados; iii) dada a predileção normativa para a livre negociação entre empresa e empregados, podem ser adotados os critérios de antemão exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º ou outros de interesse das partes; iv) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; v) a participação nos lucros ou resultados não pode substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado; vi) os pagamentos a esse título não podem ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes ao ano. Importante registrar que, por um lado, se a empresa instituir a participação nos lucros ou resultados deverá atender a todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101/00, por outro, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem, em seus julgados, privilegiando a interpretação normativa no sentido da liberdade de negociação entre as partes envolvidas e da atenção ao cumprimento dos requisitos que expressamente constem da lei de regência. Nesse sentido destaco voto do Conselheiro Elias Sampaio Freire, condutor do Acórdão nº 920200.503: “Mais uma vez há de se insistir na questão de que, procurando não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e atento ao verdadeiro conteúdo do inciso XI do art. 7º da Constituição, o legislador ordinário, no art. 2º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, fruto da conversão da Medida Provisória nº 794/94 e reedições, limitouse a prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para a revisão do acordo. A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 920 11 Existe sim a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. A Constituição reconhece amplamente a validade das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a função da negociação coletiva é obter melhores condições de trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco. Se por um lado cabe ao fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal.” No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal, os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em relação ao cumprimento dos requisitos legais: a) o acordo foi assinado após o período a que se referia e, portanto, não há que se falar em metas préestabelecidas; b) divergência nos valores pagos aos empregados, sendo que os 29 empregados constantes da tabela elaborada pela fiscalização, que correspondem a aproximadamente 11% do total, fizeram jus a 71,50%, enquanto os outros 228 empregados (89% do total) receberam apenas 28,50% da PLR distribuída., o que evidencia também a substituição salarial. Seguindo a linha de raciocínio entendemos que prevalece o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. Nesse sentido o voto do Conselheiro Oseas Coimbra Junior, condutor do Acórdão nº 280300.254: “As regras das PLR foram estatuídas ao final do exercício, com acordos assinados no mês de dezembro dos respectivos anos envolvidos na PLR. A lei 10.101/00 não traz limite temporal para a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de aplicação da norma. Não cabe ao julgador estabelecer limites que dificultem a efetivação de direitos, onde a lei assim não se manifestou.” Posição essa que vem encontrando ressonância nesse Conselho, conforme se vê do voto do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, condutor do Acórdão nº 240100.828: “Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade” Dessa forma, entendo que não podem constituir como desrespeito à Lei nº 10.101/00 os itens acima descritos, já que não se configuram como requisitos exigidos para a validade do Plano. De fato a Lei 10.101/00 não estipula prazo para a assinatura dos acordos de PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. Como visto, a legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. Nesse mister, é muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. No caso dos autos verificase, em adição, que as negociações iniciaramse no período de aferição, tendo em vista que a própria fiscalização afirma que a comissão dos empregados foi eleita em março de 2007 conforme demonstram os documentos de fls. 99/101 (ata de eleição da comissão dos empregados e lista de presença à assembléia dos funcionários, respectivamente): Devese atentar ainda para o fato de que os próprios membros da Comissão dos Empregados só foram eleitos em 16/03/2007, ou seja, já transcorrido quase metade do primeiro semestre. E o pagamento somente foi realizado após as negociações e assinatura do respectivo acordo. Destaco o julgado abaixo de relatoria do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. I A discussão em tomo da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; II Para a alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tomando o mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; III — Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 921 13 IV — A legislação regulamentadora da PLR aceita que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido.”(CARF, PAF Nº 35488.000520/200756, Cons. Rogério de Lellis Pinto, Sessão de 13/02/2008) Também nesse diapasão não se sustenta o argumento de que os empregados receberam valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria lei que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. Nesse sentido o Acórdão 20501.331: “ (...) a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação nos lucros devem ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários do programa. Os aumentos de lucratividade da empresa resultam participação variável pela aplicação de percentual incidente sobre os salários. Dai a necessidade do ajuste anual para que as regras pactuadas previamente sejam adequadas à realidade dos fatos. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido” Igualmente não se pode caracterizar, data vênia, como salário simplesmente o fato de um dado empregado ter recebido valores próximos a 100% do seu salário anual como participação nos lucros e resultados. A Lei 10.101/00 ao passo que não impõe limites objetivos nesse patamar não permite que se criem regras nela não subsistentes, tal como descrito acima. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para, preliminarmente, aplicar a Súmula CARF 88 em relação aos coresponsáveis, e, no mérito, reconhecer que os valores pagos a título de PLR seguiram os ditames da Lei nº 10.101/00, não podendo, portanto, constituírem em base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. A multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/200939 Acórdão n.º 2301003.958 S2C3T1 Fl. 922 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado, Com todo respeito, divirjo do nobre relator e fui designado para redigir o voto vencedor na questão dos acordos terem sido formalizados, celebrados, assinados após o período de aferição das metas. A legislação determina, por lógica, que os acordos sejam celebrados antes do término de aferição das metas. Lei 10.101/2000: t. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Cabe destacar que há acusação fiscal e o próprio relator informa em seu voto que o acordo foi assinado após o período a que se referia e, portanto, não há que se falar em metas préestabelecidas. Ora, como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca: 1. Integrar capital e trabalho; e Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 2. Incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Não há como alcançar algo que já foi alcançado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valore, por ausência de requisito determinado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, divirjo do voto do relator e nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo neste ponto, prevalecendo o voto do Relator nos demais, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10830.007903/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001
FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
A partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais de fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, para os quais foi criada, estão isentas da Cofins, independente de terem ou não cunho contraprestacional, nos termos do art. 14, inc. X da MP nº 1.858-6/99 e suas reedições.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001 COFINS. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RITO DO ART. 32 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A isenção conferida pela MP n° 2.158, de 2001, art. 14, X, c/c art. 13 não é condicionada, sendo inaplicável o comando da Lei n° 9.430, de 1996, art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão de isenções. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001 FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. A partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais de fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, para os quais foi criada, estão isentas da Cofins, independente de terem ou não cunho contraprestacional, nos termos do art. 14, inc. X da MP nº 1.8586/99 e suas reedições. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 79 03 /2 00 1- 91 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 760 2 Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 761 3 Relatório O contribuinte teve lavrado contra si auto de infração para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no montante de R$ 19.556.753,79, já incluído tributo, multa de ofício e juros. As razões da autuação estão descritas no Termo de Verificação Fiscal, fls. 12/13, e decorreram do entendimento de que as receitas de prestação de serviços excluídas da tributação pelo sujeito passivo, por terem cunho contraprestacional, não se encaixariam na isenção prevista no art. 14 da MP nº 1.8586/99. Abaixo transcrevo trecho do Termo de Verificação Fiscal: 1.6 Ocorre que, apesar de a Entidade não ter fins lucrativos, e as atividades que geraram tais receitas estarem compreendidas no rol de objetivos da Fundação, tais receitas foram geradas por prestação de serviços, como fica demonstrado nos contratos e notas fiscais apresentados. Tais receitas tiveram, portanto, o cunho contraprestacional. São serviços prestados, mediante contratos comerciais, passíveis de mediação e recebidos pela entidade, como qualquer empresa do ramo. 1.7 A Lei 9718/98, que teve aplicação para fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/99, define que as pessoas jurídicas, sem fins lucrativos, passaram a ser contribuintes da COFINS sobre a totalidade da receita. Já a MP 1.8586 de 2906 99, dispõe em seu artigo 14, que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/99, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias da entidade a que se refere o art. 13, onde se situaria o contribuinte em tela. 1.8 A Receita Federal já firmou entendimento sobre a matéria, (decisões 31 no DOU de 130900 e 162 no DOU de 140900), que as entidades sem fins lucrativos estão isentas da COFINS sobre as receitas relativas a suas atividades próprias, assim entendidas suas receitas típicas, como contribuições, doações e anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição, mas que não tenham cunho contraprestacional. 1.9 Conforme exposto acima e demonstrado, pelos documentos anexados, por amostragem, tais receitas foram indevidamente excluídas, por terem nitidamente o cunho contraprestacional, caracterizandose como uma atividade tipicamente comercial. Tanto isto é verdade, que a própria entidade, em suas Declarações de Rendimentos para o Imposto de Renda, inclui tais receitas para oferecêlas à tributação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, IRPJ, e para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL. (os destaques constam do original). O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, com argumentos que podem assim ser resumidos: alega preliminarmente nulidade do lançamento por irregularidades decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Que o MPF foi extinto sem prorrogação de prazo, pois quando teria tomado ciência da prorrogação já havia sido extinto o mandado original. Também afirma que o MPFC, que prorrogou o prazo, não teria sido assinado pelo representante legal da autuada; não podendo gerar qualquer efeito jurídico, sendo nulo o lançamento por inobservância dos requisitos de validade do processo de fiscalização. Afirma também que o MPF só teria autorizado a fiscalização do IRPJ, portanto houve extrapolação de poderes quando o auditor fiscal efetuou o lançamento da Cofins; Fl. 805DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 762 4 alega também nulidade do lançamento por ter afastado a isenção da Cofins sem observância do rito estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430/96; que a Fundação CPQD, é uma fundação de direito privado, criada por meio do Decreto nº 2.546, de 14/04/1998, em atendimento à Lei Federal nº 9.472/97, sendo que coube à Telebrás S/A instituir a fundação, através de escritura pública, mediante dotação de acervo patrimonial, tendo sido consignado em seu estatuto as receitas previstas para sua manutenção; após fazer um estudo sobre a evolução legislativa do PIS e da Cofins, afirma que a partir da edição da MP nº 1.8586/99, a qual teve várias reedições, que culminou por fim na MP nº 2.15835/2001, ficou determinada, art. 14, a partir de 1º de fevereiro de 1.999, a isenção da Cofins relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13, entre elas a interessada, já que se trata de uma fundação de direito privado, conforme consignado no item anterior; que não teria fundamento jurídico o fisco definir “receitas relativas a atividades próprias” como sendo contribuições, donativos, anuidades ou mensalidades pagas pelos associados para manutenção da instituição. Neste sentido, transcreve o art. 4º de seu Estatuto Social, para afirmar que a impugnante não aufere receitas divorciadas de suas atividades estatutárias, mas tão somente para as quais foi instituída pelo Poder Executivo; cita algumas decisões em consulta, às quais viriam ao encontro de seu entendimento, qual seja, o intuito de demonstrar que os ingressos financeiros obtidos pela entidade são estatutários, qualificandose como “receitas relativas às atividades próprias”, porque provenientes da prestação de serviços para os quais foi instituída, colocados à disposição do grupo de pessoas a que se destinam e sem fins lucrativos. Que na ausência de definição legal temse que receitas de atividades próprias são aquelas que estão previstas estatutariamente no objeto social da entidade e que são utilizadas como fontes exclusivas de sua manutenção e que este conceito estaria insculpido no art. 15 da Lei nº 9.532/97; que em atendimento ao disposto no art. 111, II do CTN a interpretação de norma que concede isenção deve ser feita de forma literal; que houve lançamento em duplicidade da Cofins relativa ao fato gerador de outubro/99, que já teria sido paga por meio de compensação no processo nº 10166.021008/99 11. Solicitou perícia para conferência da correta apuração e pagamento da Cofins relativa a este período; que a multa de ofício aplicada de 75% é ilegal pois teria efeito confiscatório; contesta também a aplicação da taxa de juros Selic, por carecer de sustentação legal e por contrariar dispositivos constitucionais basilares do sistema financeiro nacional e do regime tributário. Analisando referida impugnação a 1ª Turma da DRJ/Campinas, proferiu o Acórdão nº 610, de 04/03/2002, cuja ementa transcrevese abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 806DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 763 5 Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) E COMPLEMENTAR (MPFC). SUBSITÊNCIA DO PRIMEIRO EM FACE DO SEGUNDO. Se o MPFC é emitido para o só propósito de dilatar o prazo de validade de MPFF que lhe precede, a alteração promovida é de fundo formal. Ainda que a intimação do MPFC se dê após o termo ad quem de validade do MPFF original, o contribuinte, nesta hipótese, não é surpreendido (1) quer por quebra da relação de confiança inicialmente instalada na pessoa de determinado AFRF, responsável pela condução do MPFF pretérito, (2) quer por infirmar a expectativa da máxima autuação possível. Resta intacta a segurança jurídica. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. DESNESCESSIDADE. O art. 23, e incisos, do Decreto no70.235/72, permite a conclusão de que a intimação pessoal de atos havidos no curso do procedimento de fiscalização é válida se feita na pessoa de empregado da pessoa jurídica, sem qualquer poder especialmente conferido para tanto. COFINS. ISENÇÃO E SUA SUSPENSÃO. A isenção conferida pela MP no1.858/99, art. 14, X, c/c art. 13, desde que não seja questão controversa a natureza da entidade autuada (i.é, que seja uma dentre as elencadas), não está sujeita à qualquer condição. Destarte, inaplicável o comando da Lei nº 9.430/96, art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão de isenções. COFINS. ISENÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS REFERIDAS NO ART. 13 DA MP No1.858/99. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. CONCEITO. Das receitas que afluem ao caixa das entidades referidas na MP nº 1.858/99, art. 13, estarão ao amparo da isenção da Cofins apenas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da própria instituição. E este não é um critério que se afere pela simples previsão de qualquer ordem de receita em dispositivo estatutário. As receitas que têm cunho contraprestacional não são isentas da Cofins. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. A norma jurídica posta sob o controle jurisdicional de constitucionalidade terá no ordenamento jurídico presente (CF/88 pósEC no20/98) seu paradigma. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor (i.é, com força vinculante), sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos (validade da norma jurídica). Lançamento Procedente Fl. 807DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 764 6 Não concordando com citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 521/581, por meio do qual alega, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação. Quanto ao apontado equívoco relativo ao fato gerador de outubro/99, cujo lançamento teria sido efetuado em duplicidade em face da compensação efetuada no processo 10166.021008/9911, a decisão recorrida afirmou que o pedido de compensação teria sido indeferido. No recurso voluntário o recorrente afirma que, por ter apresentado recurso administrativo naquele processo, enquanto não houver decisão definitiva que referido débito não pode ser objeto de cobrança. A 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes em sessão realizada no dia 19/10/2005, proferiu a Resolução nº 20200.861, fls. 662/664, convertendo o julgamento em diligência para que a repartição de origem apurasse se a recorrente atende ao disposto em seus atos constitutivos e também se atenderia expressamente ao disposto no art. 14 do CTN. O relatório de diligência encontrase às fls. 741/744 e dele pode extrairse que a recorrente efetivamente é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos e que atende precipuamente aos objetivos sociais para a qual foi criada. Que possui escrituração contábil regular em todos os exercícios, não se evidenciando a existência de transferência de patrimônio e ou rendas e que seus lucros são reinvestidos na própria fundação. Instado a se manifestar quanto ao resultado da diligência, o recorrente afirma que embora não sejam notas determinantes para o gozo da isenção pretendida no caso em tela, constatase que a auditoria fiscal confirma o cumprimento pela entidade dos requisitos estabelecidos no art. 14 da MP nº 2.15835/2001. É o relatório. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 765 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO EM FACE DE IRREGULARIDADES FORMAIS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF O contribuinte afirma que o MPF foi extinto sem prorrogação de prazo, pois quando teria tomado ciência da prorrogação já havia sido extinto o mandado original. Também afirma que o MPFC, que prorrogou o prazo, não teria sido assinado pelo representante legal da autuada; não podendo gerar qualquer efeito jurídico, sendo nulo o lançamento por inobservância dos requisitos de validade do processo de fiscalização. Afirma também que o MPF só teria autorizado a fiscalização do IRPJ, portanto houve extrapolação de poderes quando o auditor fiscal efetuou o lançamento da Cofins. O auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 os prérequisitos necessários ao auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 766 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Do seu exame, verificamos que nele estão demonstradas as infrações imputadas à recorrente, a fundamentação da exigência do imposto e das cominações legais, bem como consta com clareza a descrição dos fatos e o enquadramento legal. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor Fiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração. No caso o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Somente para destacar, a Cofins objeto do presente lançamento está consubstanciada no MPF, fl. 2, no item “Verificações Obrigatórias” o qual determina a “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados, pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos”. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, ainda que comprovadas devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime nas duas ementas citadas abaixo: Assunto: Ausência de autorização no MPF Mandado de Procedimento Fiscal MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos Fl. 810DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 767 9 termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão nº 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Grifei) Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 10120.002508/200391, Sessão de 11/11/1998, Acórdão nº 01 06.085. Relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho). Portanto afasto esta preliminar de nulidade do lançamento. INOBSERVÂNCIA PROCESSUAL DO RITO ESTABELECIDO PELO ART. 32 DA LEI Nº 9.430/96 O contribuinte alega também a nulidade do lançamento com o argumento de que a isenção da Cofins foi afastada sem observância do rito processual estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430/96. Assim dispõe o art. 32: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 768 10 § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. Percebe se pela leitura do dispositivo que são duas as hipóteses previstas para inauguração do citado procedimento. Uma relativa à suspensão da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF, quando descumpridas as condições previstas nos art. 9º, § 1º e 14 do CTN. A outra, prevista no § 10 do art. 32, acima transcrito, relativa às isenções condicionadas, nos casos em que as entidades beneficiárias estiverem descumprindo referidas condições. Verificase nitidamente que no presente processo de lançamento não estão presentes nenhuma das hipóteses para inauguração do referido procedimento. A imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF é relativa a impostos, quando neste processo a matéria em discussão é referente a uma contribuição social. Quanto a hipótese prevista no § 10, do art. 32 da Lei nº 9.430/96, tratase de processo de suspensão de isenção condicionada, quando a entidade não estiver cumprindo os requisitos legais para fruição do benefício. Também não é o caso dos presentes autos. O lançamento fiscal não traz como elementos de controvérsia as questões atinentes à constituição do sujeito passivo, que ele não se encaixaria como Fundação de Direito Privado nos termos do inc. VIII do art. 13 da MP nº 1.8586/99 e não poderia usufruir da isenção da Cofins prevista no art. 14, inc. X do mesmo dispositivo legal. O que se discute no presente processo é se as receitas indicadas no auto de infração são ou não relativas às atividades próprias da recorrente, como exige a lei isentiva. Tratase apenas de verificar se referidas receitas estão ou não no campo de incidência da Cofins. A fiscalização teria incorrido em erro caso tivesse aberto processo de suspensão da isenção do contribuinte para o presente caso. Não se discute se o contribuinte tem direito ou não à isenção da Cofins prevista no art. 14, X da MP nº 1.8586/99. O próprio AuditorFiscal, na descrição dos fatos, reconhece o enquadramento da recorrente como destinatária desta isenção, porém discorda de que as receitas objeto da autuação sejam relativas ás atividade próprias por terem caráter contraprestacional. Este é o mérito da questão, não se trata de suspensão de isenção condicionada. Estamos aqui a discutir a questão do lançamento tributário: fato gerador, incidência ou isenção tributária, não havendo necessidade de processo prévio de suspensão da isenção. Portanto, afasto também esta preliminar de nulidade. MÉRITO Fl. 812DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 769 11 Como já dito a controvérsia de mérito do presente processo é se as receitas de caráter contraprestacional auferidas pela recorrente encaixamse ou não como receitas próprias da fundação, sendo neste caso isentas da Cofins nos termos dos art. 13, inc. VIII e art. 14, inc. X, da MP nº 1.8586/99, atual MP nº 2.15835/2001, in verbis: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Portanto está claro, pela simples leitura do dispositivo, que as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, caso da recorrente, são isentas da Cofins a partir de 1º de fevereiro de 1999. Como já foi dito a recorrente é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, cuja criação foi autorizada pelo art. 190 da Lei nº 9.472/97, e sua instituição efetuada pelo Poder Público por meio do art. 4º do anexo aprovado pelo Decreto nº 2.546/1998. Lei nº 9.472/97: Art. 190. Na reestruturação e desestatização da Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS deverão ser previstos mecanismos que assegurem a preservação da capacidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico existente na empresa. Parágrafo único. Para o cumprimento do disposto no caput, fica o Poder Executivo autorizado a criar entidade, que incorporará o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas: I empresa estatal de economia mista ou não, inclusive por meio da cisão a que se refere o inciso I do artigo anterior; II fundação governamental, pública ou privada. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 770 12 Anexo aprovado pelo Decreto 2.546/98: Art. 4º Fica a Telecomunicações Brasileiras S.A. TELEBRÁS autorizada a instituir uma fundação privada, para incorporar o seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, nos termos aprovados pela Comissão Especial de Supervisão instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações, em conformidade com o disposto no art. 195 da Lei nº 9.472/97. Parágrafo único Poderá ser exigido das empresas resultantes da reestruturação societária da TELEBRÁS, no edital de desestatização, o compromisso de participar financeiramente da manutenção das atividades da fundação, por um prazo de até três anos, a contar de sua instituição. Nos termos autorizados pelo poder executivo, o Conselho Curador da Fundação CPQD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações – em reunião realizada em 30/09/1999, aprovou o seu Estatuto Social, fls. 20/40, estabelecendo que seria uma fundação sem fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado, com a seguinte finalidade: Art. 2º. O CPqD tem o objetivo primordial e permanente de preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações existente, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telecomunicações Brasileiras S/A TELEBRÁS, conforme previsto na Lei 9.472, de 16 de julho de 1997, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o desenvolvimento, progresso e bem estar da sociedade brasileira, podendo, para tanto, realizar as seguintes atividades: I pesquisa aplicada, isoladamente ou em conjunto com empresas, universidades, instituições de pesquisa, desenvolvimento ou fomento; II estudos, projetos especializados e especificações de solução; III desenvolvimento de sistemas e programas de computador; IV desenvolvimento de produtos industriais; V desenvolvimento institucional, através de programas, ações, projetos e atividades, inclusive de natureza infraestrutural, que levem à melhoria das condições tecnológicas ou missão institucional de instituições públicas ou privadas; VI serviços de consultoria e assessoria técnica especializada; VII educação,treinamento e capacitação de recursos humanos; VIII serviços especializados de manutenção, testes de conformidade, medição, calibração, certificação de produtos, normalização, aferição, ensaios e testes de padrões, aplicáveis a instrumentos, equipamentos e produtos; Fl. 814DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 771 13 IX comercialização de programas de computador e produtos desenvolvidos ou produzidos por si ou por terceiros; X concessão de licença de uso de marcas, patentes e de programas de computador; XI transferência de tecnologias adquiridas ou desenvolvidas pelo CPqD; XII instituição ou participação em organizações para o desenvolvimento de atividades relacionadas aos seus objetivos; XIII incentivo à produção e à formação cultural; XIV congressos, seminários, simpósios e conferências; XV concessão de bolsas de estudo para estágios, assistência a estudiosos e pesquisadores, cujas atividades possam contribuir para a realização de seus objetivos; XVI instituição de prêmios para o estímulo e o reconhecimento a pesquisadores que tenham contribuído ou venham a contribuir para o desenvolvimento científico, técnico e cultural da sociedade; XVII outras, relacionadas com os seus objetivos, não expressamente elencadas neste artigo, conforme decisão do Conselho Curador e aprovação do Ministério Público. Parágrafo único. O CPqD deve atuar preferencialmente em atividades relacionadas às áreas de telecomunicações e de tecnologia da informação. O AuditorFiscal ao elaborar o auto de infração assim expôs no item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal: “1.6 Ocorre que, apesar de a Entidade não ter fins lucrativos, e as atividades que geraram tais receitas estarem compreendidas no rol de objetivos da Fundação, tais receitas foram geradas por prestação de serviços, como fica demonstrado nos contratos e notas fiscais apresentados. Tais receitas tiveram, portanto, o cunho contraprestacional. São serviços prestados, mediante contratos comerciais, passíveis de medição e recebidos pela entidade, como qualquer empresa do ramo.” (Grifei) Está evidente, portanto, que não há controvérsia de que as receitas foram oriundas de atividades compreendidas no rol dos objetivos sociais da Fundação CPQD. O ponto de divergência consiste no fato de saber se as receitas que decorrerem de atividades de cunho contraprestacional estão ou não isentas da Cofins nos termos do Art. 14, inc. X da MP nº 2.158/35/2001. A fiscalização, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, firmou o entendimento de que “receitas relativas a atividades próprias” referemse às suas receitas típicas como contribuições, doações e anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição, mas que não tenham cunho Fl. 815DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 772 14 contraprestacioanal, citou neste sentido duas decisões da Receita Federal (decisões 31 no DOU de 13/09/00 e 162 no DOU de 14/09/00). Por sua vez a 1ª Turma da DRJ/Campinas manteve este entendimento, citando como fonte de sustentação o PN CST nº 5, de 22/4/92, o qual teria analisado a questão de quais receitas das associações, dos sindicatos, das federações e confederações, das organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Este parecer teria concluído que as receitas derivadas de contribuições, anuidades ou mensalidades destas entidades estaria fora do campo de incidência tributária, uma vez que a lei elegeu como fato gerador o faturamento, stricto sensu. Concluiu assim, que as receitas de cunho contraprestacional, por configurarem faturamento, estavam no campo de incidência e não existia lei isentiva. Posteriormente com a edição da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para abranger a totalidade das receitas, foi necessária a edição da MP nº 1.858/99, isentando somente aquelas receitas antes fora do campo de incidência e agora isentas, ou seja, a medida provisória teria sido editada para estabelecer o status quo anterior. Com todo respeito aos entendimentos da fiscalização e também da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, estes argumentos não se sustentam diante da leitura da norma isentiva. A MP nº 18586/99 e suas reedições foram editadas após o PN CST nº 5, de 22/04/92, e das decisões citadas no Termo de Verificação Fiscal que remontam ao ano de 2000. Dizer que a norma foi editada em função do referido parecer é puro exercício de imaginação, pois se assim o fosse sua redação poderia e deveria ser explícita. Não se pode querer que os destinatários da norma, remontem a pareceres infralegais de anos atrás, para poder decifrar o seu real sentido. O seu real sentido, neste caso, na minha opinião, está claramente expresso na norma em questão. São isentos da Cofins as receitas relativas às atividade próprias das entidades listadas no art. 13 da MP nº 2.15835/2001. Concordo com o recorrente de que os ingressos decorrentes de mensalidades, anuidades, contribuições, etc não correspondem a atividades fins destas entidades e nem teria sentido se fossem. Na verdade são fontes de receitas para que elas possam atingir os seus objetivos. As receitas de cunho contraprestacional, ou seja remuneradas, podem vir naturalmente de atividades relacionadas com suas atividades estatutárias ou não. Quando decorrentes de suas atividades estatutárias a lei lhes concedeu isenção. Também não concordo com o argumento de que esta interpretação dá azo que as próprias entidades possam em seus estatutos definir quais atividades seriam objeto da isenção. As entidades relacionadas no art. 13 da MP nº 2.15835/2001, para serem criadas, devem obedecer a legislações próprias que, em regra, são restritivas quanto ao seu objeto social. No caso em exame, quanto às Fundações, de acordo com o parágrafo único do art. 62 do Código Civil, Lei nº 10.406/2002, as fundações somente poderão ser constituídas para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência e serão veladas pelo Ministério Público do Estado de onde se situarem, bem como as regras para as alterações estatutárias, são bem rígidas a teor do que dispõe o art. 67 do CC, abaixo transcrito. Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II não contrarie ou desvirtue o fim desta; Fl. 816DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 773 15 III seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz suprila, a requerimento do interessado.(Grifei) No presente caso a própria fiscalização reconheceu que as receitas objeto da autuação são relativas ao “rol de objetivos da Fundação”. Portanto, concluo que estas receitas são isentas da Cofins por serem relativas às suas atividades próprias, tal qual como está literalmente constante do art. 14 da MP nº 18586/99 e suas reedições. Inclusive, neste sentido, esta turma de julgamento, em processo do mesmo contribuinte assim se manifestou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 FUNDAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO As fundações criadas, mediante autorização do Poder Público, em relação as suas receitas decorrentes de atividades estranhas aos seus objetivos sociais, estão sujeitas à Cofins com incidência cumulativa. FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais de fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, para os quais foi criada, estão isentas da Cofins.(Grifei) BASE DE CÁLCULO. ALUGUÉIS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO. No julgamento do RE 585.235QO/MG, julgado sob o regime do art. 543B da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo da Cofins; assim, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), aplicase ao presente julgamento, aquela decisão, excluindose da base de calculo da contribuição as receitas de aluguéis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (1ª TO da 3ª Câmara/3ª Seção de Julgamento. Processo nº 10830.009660/200801, Sessão de 21/08/2012, Acórdão nº 3301 001.578. Relatoria do Conselheiro José Adão Vitorino Morais). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/200191 Acórdão n.º 3301002.195 S3C3T1 Fl. 774 16 Diante do exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência tributária. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 818DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10380.900751/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 51 /2 00 9- 09 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 542 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 543 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 544 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 545 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 546 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 547 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 548 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/200909 Acórdão n.º 3101001.711 S3C1T1 Fl. 549 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10166.005140/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE CONSULTOR NO ÂMBITO DO PNUD. ISENÇÃO. PREVALÊNCIA DO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STJ NO RESP 1.306.393 SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. ART. 62-A RICARF. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Os rendimentos do trabalho percebidos de consultor contratado no âmbito do PNUD são isentos do imposto de renda, dado o entendimento consolidado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.306.393 realizado sob o rito do art. 543-C do CPC, entendimento o qual deve ser aplicado nos julgamentos do CARF consoante regra o art. 62-A do RICARF.
A Administração Pública tem como dever de coerência adotar comportamento concertado e harmônico face às mesmas circunstâncias de fato e jurídicas, sob pena de atuar contraditoriamente perante os administrados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci Assis Júnior (relator) que votou por realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jaci de Assis Júnior, Relator.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ISENÇÃO. PREVALÊNCIA DO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STJ NO RESP 1.306.393 SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. ART. 62A RICARF. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Os rendimentos do trabalho percebidos de consultor contratado no âmbito do PNUD são isentos do imposto de renda, dado o entendimento consolidado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.306.393 realizado sob o rito do art. 543C do CPC, entendimento o qual deve ser aplicado nos julgamentos do CARF consoante regra o art. 62A do RICARF. A Administração Pública tem como dever de coerência adotar comportamento concertado e harmônico face às mesmas circunstâncias de fato e jurídicas, sob pena de atuar contraditoriamente perante os administrados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci Assis Júnior (relator) que votou por realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 51 40 /2 00 8- 09 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Júnior, Relator. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, conforme Notificação de Lançamento, fls. 19 a 22. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 20, tal lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos recebidos, no valor de R$ 52.800,00, de pessoa física e do exterior, informados na Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) e na Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos internacionais (Derc). Complementa essa descrição a seguinte informação: “O contribuinte no comprovou vinculo empregatício com o Organismo Internacional.” O interessado apresentou impugnação, fls. 01 a 15, assim resumida pela decisão de primeira instância: “Inicialmente, tece comentários a respeito da Organização das Nações Unidas — ONU e dos trabalhos desenvolvidos com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico c social dos povos. Explica que, visando à agilização e à maior integração com a comunidade alvo, a ONU contrata profissionais nacionais dos Países Membros. Tais profissionais podem ser contratados como servidores das equipesbase que mantém vínculo laboral permanente ou como prestadores de serviços autônomos, remunerados por tarefa ou hora trabalhada. Os servidores das equipesbase, como o impugnante, tem seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos às normas e aos procedimentos estabelecidos pela ONU. O contribuinte é servidor do quadro do(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, conforme comprovantes de pagamentos em anexo, que demonstram o exercício de função específica junto ao Organismo. A Constituição Federal (art. 5º, § 2º) e o Código Tributário Nacional — CTN (art. 98) asseguram a vigência dos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil signatário, bem como a supremacia dos mesmos em relação à legislação brasileira. Em relação aos servidores do(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, aplicamse os benefícios previstos na Convenção Sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 1950). Tais benefícios incluem a isenção de impostos sobre salários e vencimentos pagos pelas agências especializadas (art. V da Seção 18). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 475 3 Já as relações entre o Brasil e o Organismo Internacional são reguladas pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, aprovada pelo Decreto nº 59.308, de 1966. O Acordo não estabelece distinções entre os diversos servidores do Organismo Internacional, estendendo os benefícios nele previstos para peritos, agentes e funcionários. No tocante à legislação interna, assevera que o direito à isenção é garantido pelo art. 22, II do RIR/1999, que tem como base legal o art. 5º da Lei nº 4.506, de 1964 e o art. 30 da Lei nº 7.713, de 1988. A seguir, aborda o disciplinamento da matéria por atos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio de Pareceres CST e no Manual "Perguntas e Respostas" são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora são tributados pelo Imposto de Renda. Cita especificamente os Pareceres CST nºs. 717, de 1979 e 03, de 1996. Entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, assegura que possui vínculo laboral com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD. A relação jurídica celebrada implica na existência de vinculo jurídicolaboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho, tais como subordinação hierárquica, dependência econômica e a habitualidade da prestação dos serviços. Ressalta, ainda, algumas características especificas do contrato celebrado com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD. Como funcionário do Organismo, aufere salário e esta sujeito às normas contratuais especificas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdenciária. Conclui que, à vista das leis vigentes e das orientações emanadas da RFB, inclusive a publicação denominada "Perguntas c Respostas", qualquer contribuinte nas condições do impugnante incluise na categoria de funcionários do Organismo. Desqualifica a obrigação de seu nome constar em lista prevista na IN SRF nº 208, de 2002, pois as normas que prevêem a isenção não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes de instruções normativas. Segundo ele, há diversos precedentes jurisprudenciais do Conselho de Contribuintes favoráveis em cases análogos ao seu. Face ao exposto, requer a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento, com a finalidade de tornar inexigível o crédito tributário lançado.” A DRJ em Brasília/DF julgou procedente o lançamento nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO) SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê1eão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Pais Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Lançamento Procedente” De acordo com o voto condutor do acórdão proferido pela DRJ, o autuado não se enquadra na categoria dos funcionários do Organismo que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, pela simples razão de não ser funcionário e sim técnico contratado, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos. Ressaltou a decisão em referência que “(...) para os técnicos que prestam serviços a estes Organismos, sem vinculo empregatício, a isenção de impostos não foi arrolada dentre os privilégios e imunidades a que têm direito (Dec. nº 27.764, de 1950, art. VI, Secão 22)”. Cientificado em 15/01/2009, fls. 57, o interessado interpôs recurso voluntário em 03/02/2009, fls. 58 a 74, alegando, em síntese, que: a relação laboral com o PNUD não veio a ser aceita pela decisão, mas pode ser devidamente comprovada pelos contracheques emitidos pela fonte pagadora, que estão nos autos, nos quais está caracterizado que o recorrente recebia salários mensais, tinha descontos de benefícios e desempenhava função especifica no PNUD; a isenção prevista no inciso II, do art. 22 do RIR/99 se aplica aos rendimentos decorrentes do trabalho, sem restrições, auferidos pelos servidores de organismos internacionais, tanto os estrangeiros como os nacionais; o exame dos dispositivos da legislação internacional que veio a ser integrada ao direito brasileiro demonstra que o objetivo é isentar a percepção dos rendimentos dos servidores brasileiros contratados pelo organismo internacional, no âmbito da cooperação técnica; as disposições do Acordo Básico são primordiais no disciplinamento tanto da forma como se dará a prestação de serviços, como no tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos auferidos pelos brasileiros prestadores de serviços aos organismos internacionais e a ONU; o Acordo Básico determina a aplicação das normas convencionais em relação às "Facilidades, Privilégios e Imunidades" aos funcionários e peritos de assistência técnica, deixando de pronto evidenciado que não estabelece distinção entre esses servidores no que toca à fruição daqueles benefícios; o referido Acordo Básico, consubstanciado em lei ordinária, por ficção jurídica, passou a tratar os demais servidores dos organismos internacionais como se funcionários fossem; reitera que o recorrente é contratado segundo normas próprias estabelecidas pelo organismo internacional e não faz jus a qualquer beneficio da lei brasileira — previdenciária e trabalhista; os servidores brasileiros contratados pelos organismos internacionais para exercerem suas atividades no âmbito da cooperação técnica, portanto junto a órgãos da administração pública, seja direta ou indireta, são de conhecimento do governo brasileiro, tanto Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 476 5 que a contratação é respaldada pelo Ministério das Relações Exteriores. Assim sendo, é despicienda qualquer comunicação por parte do organismo internacional; são dezenas as decisões proferidas no âmbito dos processos administrativos, cuja matéria examinada naquelas lides está presente nesses autos, qual seja, a isenção de imposto de renda pessoa física para os rendimentos pagos por organismo internacional a brasileiros por prestação de serviços, em função especifica, com vinculo empregatício; requer o cancelamento do lançamento de ofício e, por absurdo este seja mantido, que sejam aplicadas as disposições do art. 100, do CTN, dada a orientação reiterada da SRF e a comprovação da prestação de serviços ao PNUD com vinculo empregatício. Em petição juntada em 17/03/2014, fls. 82 a 88, o recorrente alega que: desde o julgamento do Resp 1.306.393/DF, submetido à sistemática dos recursos representativos de controvérsia prevista no art. 543C do CPC, ficou pacificado o entendimento de que são isentos os rendimentos auferidos por servidores brasileiros que prestam serviços técnicos aos organismos internacionais componentes do sistema ONU; tendo em vista que a matéria guarda total identidade com o caso tratado nos presentes autos, requer a aplicação do entendimento firmado pelo STJ; informa que, em 15/02/2014, obteve a documentação anexa emitida pelo PNUD/ONU, a qual comprova o exercício das funções técnicas durante todo o vínculo funcional com o aludido Organismo; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado, em 04/02/2009, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A decisão recorrida, com base nas alegações e nos elementos probatórios que constariam dos presentes autos, entendeu que o contribuinte não seria funcionário da ONU, mas técnico contratado. O recorrente contesta tal entendimento dizendo que a relação laboral com o PNUD poderia ser comprovada pelos contracheques emitidos pela fonte pagadora, que alega estariam nos autos dos autos. Compulsandose os elementos que os instruem constatase a existência de apenas um “RELATÓRIO DE PAGAMENTOS”, fls. 18, sem identificação e assinatura da pessoa responsável por sua elaboração. Por outro lado, diante do entendimento proferido pelo STJ, em 24/10/2012, quando do julgamento do Resp 1.306.393/DF, sob o rito de recursos repetitivos, o interessado requereu a juntada do documento que alega comprovar o vínculo funcional com o PNUD/ONU, fls. 85 a 88. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Da análise desse documento – que ora se faz em consonância com o disposto no na alínea “b”, do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972 – se observa que, embora nele haja identificação do contribuinte como “consultor” e declarao como prestador dos serviços aos projetos que relaciona, dele não consta a identificação acompanhada da assinatura da pessoa responsável por tal declaração. Diante do exposto, por entender que a solução a ser dada para o caso, ora sob exame, necessita da comprovação documental da existência ou não do vínculo contratual com o PNUD, proponho a conversão do julgamento do presente processo em diligência para que a autoridade preparadora intime o contribuinte para apresentar o(s) contrato(s) e também outros elementos (contracheque, etc) que possam identificar a natureza do vínculo funcional estabelecido com o PNUD. É como voto. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Júnior Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, Redator designado Não obstante as ponderadas razões do ilustre Conselheiro Relator, dele divirjo, particularmente na avaliação dos fatos atinentes ao caso concreto. Cabe, entretanto, examinar primeiramente as questões de direito aplicáveis na espécie, o que passo a realizar na seqüência. A matéria de fundo há tempos vem sendo submetida à apreciação da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em debate que culminou na edição da Súmula CARF nº 39: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. O exame dos respectivos acórdãos paradigmas1 revela as principais razões de decidir sobre os quais se amparou o enunciado sumular supra, que podem ser do modo a seguir resumidas no pertinente às Agências Especializadas da ONU, entre as quais se inclui a Unesco: os incisos II e parágrafo único do art. 5º da Lei nº 4.506, de 30/11/1964 (art. 22 do Decreto nº 3.000, de 26/3/1999 RIR/99) devem ser interpretados conjuntamente, em exegese que estabelece que a isenção do imposto de renda relativa aos servidores de organismos internacionais não contempla os que possuam domicílio no Brasil; ainda que se considerasse ditos dispositivos aplicáveis a nacionais residentes no país, por força do art. 98 do Código Tributário Nacional, o art. V.1. b do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas [ONU], suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica", promulgado pelo Decreto n° 1 Acórdão nº 10248758, de 17/10/2007 Acórdão nº 10422074, de 06/12/2006 Acórdão nº 10422239, de 28/02/2007 Acórdão nº 10616231, de 29/03/2007 Acórdão nº 19200.005, de 08/09/2008 Acórdão nº CSRF/04 00.6676, de 19/09/2007. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 477 7 59.308, de 23/09/1966, regra que o Governo aplicará aos Organismos, bem com a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica, com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', promulgada pelo Decreto nº 52.288, de 24/7/1963'; Segundo o art. 6º, 19ª Seção, 'b' dessa Convenção, os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas em idênticas condições às que gozam os funcionários das Nações Unidas, sendo que conforme a 18ª Seção do referido artigo 6º, cada agência especificará as categorias dos funcionários às quais se aplicarão os dispositivos desse artigo, comunicando aos Governos partes na Convenção; A isenção de impostos só pode ser compreendida em conjunto com outras vantagens previstas na Convenção, tais como facilidades imigratórias e cambiais, as quais por incompatibilidade lógica não se aplicam a funcionários brasileiros, aqui recrutados e residentes, mas sim a funcionários internacionais de mais alto nível, consoante a leitura conjunta dos mencionados dispositivos da Convenção sobre as Agências Especializadas e das Seções 17 e 18 do art. V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/2/1950; Nesse sentido, citase a doutrina especializada em Direito Internacional Público, particularmente as lições de Celso de Albuquerque Mello, e fazse referência à restrita facilidade conferida aos peritos das agências especializadas para a obtenção de vistos (art. 8º, 29ª Seção da Convenção sobre as agências); Concluise então que há dois grupos distintos de funcionários da ONU e de suas agências especializadas, os funcionários internacionais, dotados de diversos privilégios, entre os quais o da isenção tributária sobre os rendimentos daquelas percebidos, e os técnicos a serviço desses organismos, sem essas vantagens. Como fecho, são citados Pareceres, orientações e decisões administrativas. O enunciado da Súmula CARF nº 39, que consolidou o entendimento ao norte exposto, foi aprovado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, e publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) em 22/12/2009, data a partir da qual passou a ser de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Vale consignar, ainda, que, com a publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído à Súmula CARF nº 39 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Posteriormente à edição dessa Súmula, entretanto mais precisamente em 8/6/2011 foi julgado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o REsp nº 1.159.379/DF, sendo relator o Ministro Teori Albino Zavascki, o qual resultou na prolação do acórdão cuja ementa reproduzo: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido. O ilustre Ministro Relator amparou suas razões no fato de que o já mencionado art. V do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, conferiu aos peritos de assistência técnica as vantagens previstas nas respectivas convenções sobre privilégios, sendo que o art. IV do Acordo dispõe que a expressão "perito", compreende, também, qualquer outro pessoal de assistência técnica designado pelos Organismos para servir no país, nos termos do acordo. Trilhando essa senda, rematou o Ministro, reportandose a anterior votovista de sua lavra (REsp 1.031.259/DF, 1ª T. Min. Francisco Falcão, DJe de 3/6/2009), que os assistentes técnicos passíveis de enquadramento como peritos fazem jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos daqueles Organismos, conforme prescrito no art. 22, II do RIR/99. O entendimento supra foi submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543 C do Código de Processo Civil CPC), sendo ratificado no julgamento pela 1ª Seção do STJ do REsp nº 1.306.393/DF em 24/10/2012, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques. Transcrevase a respectiva ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 478 9 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Nas páginas 5 a 6 desse julgado se expõe o conceito de "perito" então firmado: (...) Pois bem, analisando tais acordos observo que a qualidade de "funcionário" advém da existência de um vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional, e a qualidade de "perito" deriva de um contrato temporário com período pré fixado ou por empreita se realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria). Para esta distinção, pouco importa se o contrato de perito tenha sido renovado por diversa vezes e períodos ou não, resultando em uma sequência contínua e mensal de contracheques, como no presente caso. Tal convenção não retira qualidade de perito do contrante. Cabe agora transcrever, por oportuno, o art. 62A do RICARF (com as alterações introduzida pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Ora, do quadro até o momento descortinado, temse que resta configurado no caso sob análise conflito entre duas regras jurídicas2, de cunho administrativo, a saber: 1ª O art. 72, caput, do RICARF, que prescreve ser de observância obrigatória pelos membros do CARF o entendimento sumulado por esse Órgão, no particular a Súmula CARF nº 39, cogente nesses termos a partir de sua publicação no D.O.U de 22/12/2009. Conforme tal Súmula, os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil das Agências Especializadas da ONU, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. 2ª O art. 62A do RICARF, que determina deva ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF decisão definitiva de mérito do STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, no caso a decisão proferida no REsp nº 1.306.393/DF, publicada no DJe em 7/11/2012. E consoante a norma jurídica de alcance geral extraída da fundamentação dessa decisão, são isentos os rendimentos do trabalho recebidos de técnicos a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas, ainda que contratados no Brasil, desde que prestem serviços na condição de peritos de assistência técnica, situação da autuada, consoante verificado. Têmse, então, duas normas igualmente válidas e emanadas da mesma fonte formal, qual seja, Portaria do Ministério da Fazenda, o que afasta o critério hierárquico como modo de solução da aparente antinomia. Também não guardam entre si relação de especialidade, que permita aplicar o preceito segundo o qual prevalece a regra especial sobre a geral. Contudo, pode ser constatado que a norma que o art. 62A do RICARF permite incidir na análise do litígio a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, publicada em 7/11/2012 é posterior à regra que advém mediante o disposto no art. 72 do RICARF, a saber, a Súmula nº 39 desse Conselho, datada de 8/12/2009. Por conseguinte, aplicandose o critério cronológico, que estabelece que a norma posterior, em rota de incompatibilidade, prepondera sobre a anterior, prevalece, na interpretação do caso em tela, a tese jurídica de cunho geral estabelecida no multicitado precedente do STJ, restando dessa maneira solucionado o aparente conflito de normas. Ouso asseverar, inclusive, que muito provavelmente a Súmula CARF nº 39 sequer houvesse sido editada, se à época da sessão da CSRF que aprovou o seu enunciado já tivesse ocorrido o julgamento do REsp nº 1.306.393/DF, pois a partir de então diversos julgamentos administrativos poderiam estar refletindo esse posicionamento do STJ. Ademais, não é preciso maior esforço hermenêutico para notar que a eventual opção pela aplicação do entendimento sumulado pelo CARF, implica, sob outro viés, em violação ao princípio da eficiência e da celeridade processual, pois se por essa razão restar vencido determinado contribuinte na via administrativa, de pronto poderá ele dirigirse ao poder judicante para se beneficiar do entendimento já consolidado naquela esfera. Estéril e ineficiente, no final das contas, resultaria a atividade administrativa de composição de litígios. Não bastassem os motivos já trazidos, merece realce o fato de que a Administração Pública deve observar o princípio da vedação às posturas contraditórias, 2 Como já lecionava Hans Kelsen, "Existe um conflito entre normas, se o que uma fixa como devido é incompatível com aquilo que a outra estabelece como devido e, portanto, o cumprimento ou aplicação de uma norma envolve, necessariamente ou possivelmente, a violação da outra" (KELKSEN, Hans.Teoria geral das normas. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editora, 1986, p.157. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 479 11 projeção dos princípios da boafé e da segurança jurídica no que tange ao comportamento do Estado perante os administrados. Inaceitável, desse modo, que os diversos Órgãos do Ministério da Fazenda tenham orientação diversa e contraditória acerca das mesmas circunstâncias de fato e de direito, já que estão submetidos ao mesmo centro decisório. Nessa linha de pensar, deve ser trazida à colação a Nota PGFN/CRJ nº 1.549 de 2012, em razão da qual a matéria ora versada foi incluída na lista de dispensa de contestação/recurso pela PGFN, sob o nº 87: Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA nº 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial nº 1.306.393/DF. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. 3. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça que estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por técnicos a serviço da Organização das Nações Unidas contratados no Brasil para atuarem no Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Estão abarcados por esta isenção tanto os funcionários do PNUD quanto os que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica, categorias equiparadas em razão da aprovação, via decreto legislativo, do Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e suas agências. Por fim, a condição de perito, segundo se extrai da decisão no referido recurso especial, deriva de um contrato temporário com período préfixado ou por meio de empreitada a ser realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria). 4. Concomitantemente, sugiro a inclusão do tema na lista do art. 1º, V da Portaria PGFN nº. 294/2010. Por sua vez, a própria Receita Federal do Brasil (RFB) vem acolhendo o posicionamento do e. STJ como vinculante, como demonstra a ementa da Solução de Consulta nº 64, de 7 de março de 2014: IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DA ONU CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAREM NO PNUD. RECURSO ESPECIAL Nº 1.306.393/DF. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.306.393/DF, no âmbito da sistemática do art. 543 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 C do Código de Processo Civil (CPC), estabeleceu que estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por técnicos a serviço da Organização das Nações Unidas (ONU) contratados no Brasil para atuarem no Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O STJ entendeu que a isenção se aplica tanto aos funcionários do PNUD quanto aos que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica, categorias equiparadas em razão da aprovação, via decreto legislativo, do Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e suas agências. A condição de perito, segundo se extrai da decisão no referido recurso especial, deriva de um contrato temporário com período préfixado ou por meio de empreitada a ser realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria). Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 1.549, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento.(grifei) Extraio do Relatório dessa Solução de Consulta a seguinte passagem, por sua relevância: 12. Por fim, cabe registrar que a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012, foi editada sem referência a qualquer modulação de efeitos, de forma que o entendimento consignado no Recurso Especial nº 1.306.393/DF possui efeito vinculante junto à RFB, com eficácia retroativa, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes. Evidenciase, então, que tanto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto a Receita Federal do Brasil já vem pautando suas respectivas atuações respeitando o entendimento consubstanciado no REsp nº 1.306.393/DF. Em suma, entendo não prosperar o argumento segundo o qual, enquanto não cumprido o rito previsto no art. 74 do RICARF para a revogação da Súmula CARF nº 39, aos Colegiados componentes desse Órgão estaria tolhida a possibilidade de aplicar o entendimento do STJ consolidado no REsp nº 1.306.393/DF. Pelo contrário, há dispositivo explícito no RICARF assim prevendo, o art. 62A desse Regimento. A par disso, mas não de somenos, há um imperativo de coerência a fundamentar a atuação administrativa, a qual, respeitadas as devidas competências e especificidades legais, deve procurar tratar de modo isonômico os cidadãosadministrados diante das mesmas situações de fato e de direito, a despeito das diversas feições sob as quais perante eles se apresenta. Passando ao exame das peculiaridades do caso em tela, deve ser frisado, inicialmente, que a Notificação de Lançamento foi lastreada em dados obtidos em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), a qual é de entrega obrigatória por órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta que contratam consultorias e serviços técnicos especializados, no âmbito de acordos e instrumentos congêneres de cooperação técnica com organismos internacionais celebrados nos termos do Decreto nº 5.151, de 22 de julho de 2004. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/200809 Acórdão n.º 2802003.249 S2TE02 Fl. 480 13 Desse modo, a própria autoridade lançadora assumiu como dado fático que os rendimentos omitidos foram percebidos de Organismo Internacional, consoante informado em Derc, do que se depreende trataremse de rendimentos advindos da prestação de consultoria e/ou serviços técnicos especializados (fl.20). Também em sede do julgamento de primeiro grau, firmouse a convicção de que o contribuinte é técnico contratado de Organismo Internacional, ainda que não funcionário, "de acordo com as alegações e provas contidas nos autos" (fls. 46 e 50). Destarte, o litígio estabelecido nos autos cingese não à efetiva percepção de rendimentos ou à comprovação da existência de vínculo com organismo internacional, mas sim à questão de que se esse vínculo contratual suportaria o benefício da isenção sobre aqueles rendimentos. Não bastasse a inexistência de controvérsia a respeito da efetividade do liame contratual, este é corroborado pela declaração do PNUD de fls. 85/88 no qual o recorrente consta como "Consultor", documento emitido por sistema automatizado em 15/2/2014; outrossim, apresentou o notificado à fl. 16 "Relatório de Pagamentos" do exercício 2007 referente a Projeto BRA/98/020 do mencionado programa. Entendo estar assim suficientemente atestado nos autos, além de repito, incontroverso, ser o contribuinte consultor no âmbito do PNUD e que os rendimentos por ele percebidos e tidos por omitidos foram decorrentes dessa sua atuação. Ora, como visto à saciedade parágrafos acima, o STJ firmou posicionamento segundo o qual peritos de assistência técnica têm o direito à isenção. Portanto, cabe aplicar o referido precedente judicial, em virtude do que devem ser reconhecidos como isentos os rendimentos do trabalho percebidos pelo contribuinte no âmbito do PNUD, no decorrer do ano calendário 2006. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12448.720154/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. CARÁTER ECONÔMICO. CSLL.
Não caracteriza entidade sem fins lucrativos a previsão e efetiva distribuição de resultados aos diretores ao final do ano calendário, quando apurado superávit.
Existe uma lógica na vedação de remuneração aos diretores das entidades sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade, com distribuição de resultados positivos aos associados, como o fazem as sociedades aos sócios e acionistas com o lucro. A concessão do benefício fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não implica dizer que a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri-la. O que pede a lei é que aquelas pessoas colocadas como detentoras da titularidade da entidade não sejam remunerada por esta condição.
No caso dos autos, analisando o Estatuto da Contribuinte, tem-se que o conselho diretor é eleito com mandato permanente, somente podendo ser destituído com voto da unanimidade dos demais pares. Ainda, o conselho diretor é indicado pelos chamados controladores, personificados nos mesmos membros do Conselho Diretor, em uma cadeia que garante o controle direto e certa da entidade como em uma empresa, com nítido caráter econômico.
Numero da decisão: 1401-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negaram provimento, nos termos do voto vencedor do Conselheiro Alkmim. Vencidos o Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando quanto aos fundamentos do voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. CARÁTER ECONÔMICO. CSLL. Não caracteriza entidade sem fins lucrativos a previsão e efetiva distribuição de resultados aos diretores ao final do ano calendário, quando apurado superávit. Existe uma lógica na vedação de remuneração aos diretores das entidades sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade, com distribuição de resultados positivos aos associados, como o fazem as sociedades aos sócios e acionistas com o lucro. A concessão do benefício fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não implica dizer que a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri la. O que pede a lei é que aquelas pessoas colocadas como detentoras da titularidade da entidade não sejam remunerada por esta condição. No caso dos autos, analisando o Estatuto da Contribuinte, temse que o conselho diretor é eleito com “mandato permanente”, somente podendo ser destituído com voto da unanimidade dos demais pares. Ainda, o conselho diretor é indicado pelos chamados “controladores”, personificados nos mesmos membros do Conselho Diretor, em uma cadeia que garante o controle direto e certa da entidade como em uma empresa, com nítido caráter econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negaram provimento, nos termos do voto vencedor do Conselheiro Alkmim. Vencidos o Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando quanto aos fundamentos do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 01 54 /2 01 0- 21 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o processo de auto de infração eletrônico lavrado pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro, (Demac/RJ), exigindo da Interessada, acima identificada, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), no valor de R$1.227.970,45, acrescida de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 31.05.2010. A descrição dos fatos no auto de infração, aponta que conforme DIPJ dos anos base de 2005 e 2006, o contribuinte declarou ser desobrigado a apurar a CSLL, pois, entende ser empresa sem fins lucrativos, razão pela qual não deveria sofrer a incidência da CSLL. Consta no termo de verificação que: o contribuinte é uma entidade aberta de previdência complementar, conforme seus estatutos sem fins lucrativos, organizada na forma da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, cujo objetivo é instituir e operar quaisquer planos de benefícios oficialmente admitidos como de previdência complementar, concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único conforme disposto nos artigos 1o e 2o do seu Estatuto Social; assim, o contribuinte não apurou a CSLL nos anos base de 2005 e 2006, sendo que essa conduta do contribuinte já fora verificado anteriormente desde os anos base de 2003 e 2004, tendo sido a fiscalizada submetida a um auto de infração, cujo processo é o 19740.000074/200876; o contribuinte informou que não podia apresentar as bases de cálculo do tributo por impossibilidade jurídica, pois, as entidades sem fins lucrativos não se submetem à legislação comercial; através dos balancetes mensais apresentados pelo contribuinte, a Fiscalização apurou as bases de cálculo da CSLL, em períodos trimestrais. o resultado, para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, foi o superávit resultante das receitas e despesas de cada trimestrecivil nos anos base de 2005 e 2006, ajustados pelas adições e exclusões previstas na legislação da CSLL; da análise dos lançamentos contábeis, refletidos nas contas de resultado e do patrimônio líquido, procedeuse às adições de despesas e provisões não dedutíveis; os fundamentos de direito estão expostos às fls.314/320, do termo de verificação. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 70 4 Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, do qual tomou ciência em 21.06.2010, a Interessada apresenta em 21.07.2010, sua impugnação instruída por documentos, no qual argui que: as intimações devem ser feitas sempre em nome de Rodrigo José de Kühl e Carvalho e entregues no escritório dos seus patronos, sob pena de nulidade; o auto de infração foi lavrado em desconformidade com a Lei, doutrina e jurisprudência, mormente do próprio Conselho de Contribuintes, uma vez que pretendese cobrar Contribuição Social Sobre Lucro Líquido de quem não tem lucro e sim superávit; lucro não se confunde com superávit; não se trata de entidade aberta de previdência privada com fins lucrativos; o mesmo equívoco já foi cometido para os anos de 2003 e 2004 no Processo Administrativo n°.19740.000074/200876, em afronta ao artigo 17 da INSRF n°. 588, de 2005, que determina que as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas da contribuição social sobre o lucro líquido; a interpretação da norma administrativa deve ser feita da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação, Lei 9.784, de 1999 e CF; a base de cálculo não pode ser apurada de acordo com legislação comercial, pois, tratase de sociedade civil sem fins lucrativos; houve violação ao § 1o, do artigo 69 da Lei Complementar n°.109/01, que impõe a não tributação das contribuições vertidas pela entidade aos planos de benefício; da mesma forma, foram violados os artigos 4o e 5o da lei n° 6.435/77, que dão o conceito de entidade sem fins lucrativos; da mesma forma, ao Decreto n°.81.402/78, artigo 4°., inciso II; não deve incidir juros de mora e taxa Selic, pois, é certo que existe controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos; deve ser aplicado o § 3o, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo único do art. 100 do CTN, que excluem a imposição de penalidades para quem observa os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, bem como a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; é ilícita a exigência de apresentar demonstrativos trimestrais de apuração da CSLL; a diferença entre a receita e despesa (superávit) não se confunde com o resultado apurado com observância da legislação comercial a que se refere o artigo 2°. da Lei 7.689/88; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 71 5 o Ato Declaratório Normativo CST n° 17, de 30.11.90, determina que não será devida a CSSL pelas pessoas jurídicas que desenvolvam atividades não lucrativas; o artigo 15 da Lei n° 9.532/97 dispõe expressamente que são isentas do pagamento do Imposto de Renda e da CSLL as associações; com fulcro no inciso IV, do art. 16 c/c arts. 17 e 18 do Decreto n° 70.235/72 requer prova pericial; a perícia objetiva demonstrar o equívoco da apuração feita levandose em conta a legislação comercial; requer prova documental superveniente. É o relatório. A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA. CSLL. A isenção do artigo 5o da Lei n°. 10.426, de 2002, alcança somente as entidades de previdência fechada. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 72 6 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. A presente lide cingese à possibilidade de cobrar a CSLL do contribuinte nos anoscalendário 2005 e 2006, diante dos argumentos trazidos no recurso de se tratar de entidade de previdência complementar aberta sem fins lucrativos, e por isso não poder auferir lucros . Perícia A contribuinte requer a realização de perícia/diligência, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. Cumpre esclarecer, por relevante, que a CSLL incide sobre a totalidade dos seus “resultados” positivos obtidos no exercício. A esse respeito, assim dispõe a Lei nº 7.689, de 1988, instituidora da referida contribuição, verbis: “Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda.” Observar que o referido artigo ao estabelecer a base de cálculo com base no resultado do exercício, nada diz respeito sobre apuração ou finalidade de lucro por parte dos contribuintes, o que será uma informação relevante para o desenvolvimento posterior deste voto. A Constituição Federal estabelece em seu art. 195 que a seguridade social deve ser financiada por toda a sociedade, tendo como fonte de recursos, entre outras, a Contribuição Social sobre o Lucro. Dispõe tal artigo no caput, inciso I, § 7°: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 73 7 “Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (…) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social às entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em Lei”. Por outro lado, as entidades de previdência privadas não se enquadram como entidades de assistência social de que trata a Constituição Federal (art. 150, VI, alínea “c), pois a concessão de benefícios aos filiados se dá mediante o recolhimento das contribuições pactuadas, e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade tributária. O STF já se pronunciou, de forma definitiva, neste sentido. Também não pode ser considerada beneficente de assistência social, pois tem que possuir o certificado correspondente, o que não é o caso. Por seu turno, ao instituir a Contribuição Social sobre o Lucro, a Lei n° 7.689, de 1988 atendeu ao princípio da universalidade e será financiada por toda a sociedade direta ou indiretamente. O disposto no referido caput do art. 195 da CF, por sua vez, definiu, no art. 4°, que “são contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária”. A mencionada Lei também não isentou as entidades de previdência privada do recolhimento da CSLL através do seu art. 2°, § 1°, alínea ‘c’, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 8.134, de 1990, que relaciona os valores que devem ser adicionados/excluídos do resultado do períodobase, na obtenção da base de cálculo. Da mesma forma, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que trata da organização da seguridade social, também não estabeleceu a referida isenção, e em sua conceituação abrangente do que seja empresa, abarcou indiretamente o conceito de entidade de previdência privada, pois o importante não é nem ter ou não lucro, mas sim assumir o risco de atividade comercial, como se vê dos seus artigos 10 e 15, a seguir transcritos: “Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma direta e indireta, nos termos do art. 195 da Constituição Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais. (...) Art. 15. Considerase: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 74 8 I — empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa , a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras.”(Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99, grifei). Como se deduz, não existe nenhum comando normativo isentando ou retirando do campo de incidência da CSLL os resultados positivos conseguidos pelas entidade de previdência privada. É de concluir, portanto, a intenção do legislador ao criar a mencionada contribuição foi que a mesma fosse financiada por toda sociedade, inclusive por essas entidades. Dizem que o fundamento de validade indicada no texto constitucional de 1988 para a instituição da CSLL é a “existência de lucro, termo de conteúdo semântico bem definido em nosso ordenamento jurídico e que expressa materialidade relacionada ao resultado obtido pela exploração de atividade mercantil” (103136.975). Esclarecem que o lucro como objetivo maior de qualquer atividade empresarial é obtido com a intenção de ser repassado aos sócios da pessoa jurídica e de ser repartido entre aqueles que possibilitam o desenvolvimento da atividade empresarial. Por outro lado, o superávit, por sua vez, consiste em resultado positivo que, por ser auferido por pessoa jurídica sem fins lucrativos, não é repassado a ninguém Decerto a hipótese de incidência tributária prevista na Lei nº 7.689/88 descreve a ocorrência de “resultado”, tanto importa qual a destinação que se dará ao mesmo: lucro ou superávit . O importante é a natureza do “resultado” obtido entre receitas e despesas em determinado período, perfeitamente calculável em qualquer atividade empresarial que assume risco de atividade econômico. Tanto é assim que os itens 6 a 8 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TE11 Entidade de previdência privada), demonstram cabalmente a possibilidade de aferição de resultados nesse tipo de entidade1: 6. A EFPC deve elaborar a escrituração contábil respeitando a autonomia de forma a identificar, separadamente, os planos de benefícios de natureza previdencial e assistencial por ela administrados, bem como o plano de gestão administrativa, para assegurar um conjunto de informações consistentes e transparentes. 7. O resultado superavitário ou deficitário de plano de benefícios de natureza previdencial, no exercício, é formado pelas adições, subtraídas das deduções, acrescidas ou deduzidas da cobertura e 1 Disponível em 21/07/010 em ´http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbcte11ind´ Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 75 9 da reversão de despesas administrativas, do fluxo de investimentos, da constituição e da reversão das contingências, das provisões matemáticas e dos fundos, contabilizado no grupo de contas de gestão previdencial.. 8. O fundo administrativo do plano de gestão administrativa é formado pelas receitas, deduzidas das despesas, acrescidas ou deduzidas do fluxo de investimentos, da constituição e reversão das contingências, contabilizadas no grupo de contas de gestão administrativa. Ora, admitido a tese contrária de nãoincidência nem mesmo os resultados financeiros positivos advindos de investimentos não seriam tributados, o que não é razoável. Observe que o item 9 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBCTE11 Entidade de previdência privada) assim dispõe a esse respeito: 9. O resultado dos investimentos, a ser transferido para as gestões previdencial e administrativa, é formado pelas rendas e variações positivas, subtraídas de deduções e variações negativas, acrescidas da cobertura e reversão de despesas administrativas, da constituição e reversão das contingências e dos fundos, contabilizadas no grupo de fluxo de investimentos.(grifei) Por óbvio que não pode ser a mera dificuldade operacional que vai impossibilitar o aferimento de lucro ou resultado desse tipo de entidade que podem transitar entre vários planos (previdencial, administrativo etc.) Como se percebe as entidades de previdência privada adotam sistema contábil peculiar, mais precisamente uma planificação contábil padrão, aprovada pela Portaria MPAS nº 4.858, de 26 de novembro de 1998. Por essa planificação contábil, os programas desenvolvidos por essas entidades dividemse em previdencial, assistencial, administrativo e de investimentos. O importante em termos de apuração do resultado, é que a Portaria MPAS nº 4.858, de 1998, estabelece, em seu ANEXO C, item “3”, a Demonstração do Resultado do Exercício, a qual abrange os quatro programas por elas desenvolvidos. Argumentos empíricos É princípio comezinho do Direito o princípio da presunção de constitucionalidade das leis. Pois bem, caso a tese aqui adotada não seja preterida estarseia ferindo tal princípio em relação a vários dispositivos legais, leis e Decretos, o vedado fazêlo em sede de julgamento administrativo sendo tal matéria inclusive sumulada. Refirome, em primeiro lugar, ao fato dessas entidades de previdência privadas figurarem no rol do artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91 estabelecendo as respectiva alíquotas, possibilita, sim, a cobrança da CSLL, pois como já visto são contribuintes da seguridade social, onde o seu § 1º do artigo 22 estabelece a contribuição adicional sobre as remunerações, “além das contribuições referidas neste artigo e no artigo 23 (...)”. que trata especificamente da Contribuição Social sobre o Lucro. Não convence o contraargumento afirmando que a Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 76 10 generalidade do art. 23 não poderia se referir à entidade de previdência privada. Ora, o princípio da universalidade da Contribuição Social sobre o Lucro cancela tal ilação. Além do artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91, a tese contrária a aqui defendida afasta o art. 204 c/c o § 6º do art. 201 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, tratando das alíquotas de CSLL aplicáveis, bem como fazendo referência as entidades fechadas de previdência privada. Outro argumento empírico que se observa contra a tese aqui combatida, é a existência de várias dispositivos legais que vêm alterando sistematicamente o regime tributário das entidades da previdência privada, demonstrando a possibilidade de se aferir os resultados obtidos por tais entidades e, assim, demonstrar que o resultado do exercício disposto na legislação comercial pode equivaler, sim, ao superávit técnico obtido por essas entidades. De outra banda, o sucesso da tese que ora se combate também deveria atuar no sentido de impedir que houvesse tributação do IRPJ, pois o ponto de partida deste é o mesmo da CSLL: lucro líquido comercial. A esse respeito, primeiramente, a Medida Provisória 2.222, de 04/09/2001, abriu a possibilidade dessas entidades, entre outras, optarem por um regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. Os argumentos até agora se amoldam perfeitamente para refutar tanto a não incidência da CSLL para a previdências privadas fechadas como as abertas. Porém, o caso concreto se refere à entidade de previdência aberta, mas sim fechada. Como se verá, a dificuldade para considerar fora da incidência tributária o resultado auferido pelas entidades de previdência privada abertas é muito maior! A partir da Medida Provisória 16, de 27/12/2001, posteriormente convertida na Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, isentou apenas as entidades fechadas de previdência privada da contribuição incidente sobre o lucro líquido – CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2002. Daqui se pode extrair duas ilações: Se para o gênero (entidade de previdência privada sem fins lucrativos) que dizem “não se concebe lucro”, havia aqui nãoincidência, como entender então o uso pelo legislador do instituto da “isenção” para a espécie entidades fechadas de previdência privada, que pressupõe a possibilidade de tributação e que a legislação resolveu excluir sua incidência? Se isentou apenas as entidades fechadas de previdência privada, por óbvio continuou no campo de incidência as entidades abertas, como é o caso da Recorrente. Outrossim, vejamos a redação da referida Lei: Art. 5º As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2002. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 77 11 Entendimento contrário levaria ao absurdo de dar como letra morta o conteúdo dessa Lei. É neste contexto que também deve ser interpretado o artigo 17 da Instrução Normativa SRF n°.588, de 2005, que determina: Art. 17 As entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Como bem colocou a DRJ: O alcance do artigo 17, da INSRF n°.588, de 2005, não pode ser aquele que inclua as entidades de previdência aberta, por duas razões: primeiro, as normas infralegais, (instruções normativas), não podem extrapolar os limites definidos por lei, no caso, o artigo 5°., da Lei n°.10.426, de 2002; segundo, porque, conforme já mencionado, a isenção somente pode ser concedida por lei, e a Lei n°. 10.426, de 2002, apenas concedeu a isenção da CSLL para as entidades fechadas de previdência complementar. Igualmente relevante é o fato de o inciso II do artigo 111 do CTN, impor que se interprete literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. O que o inciso II, do artigo 111, do CTN está a determinar é que a extensão que se deve dar ao conjunto de conceitos jurídicos abrangidos pelos termos contidos no texto legal deve ser restritiva. Neste sentido, à luz da hermenêutica, o alcance que deve ser dado à expressão "entidades de previdência complementar sem fins lucrativos" equivale, no presente contexto, ao de entidade de previdência fechada. Disse que a dificuldade para cogitar de não tributação das entidades abertas de previdência privada é maior do que a das entidades fechadas. Passo a tratar dessa questão. A DRJ soube muito bem desenvolver essa questão, que adoto também como minhas razões de decidir: No domínio dos fatos, chegase também a mesma conclusão pelas seguintes razões. No campo societário, revelase que as entidades fechadas de previdência privada administram planos fechados, como o próprio nome já anuncia, são de adesão restrita aos funcionários de empresas ou grupo de empresas patrocinadoras ou de instituidoras, associações de classe e sindicatos. As entidades fechadas são necessariamente sem fins lucrativos, funcionam sob a tutela da PREVIC ex Secretaria da Previdência Complementar (do Ministério da Previdência e Assistência Social). Já as entidades abertas de previdência privada são regulamentadas pela Susep e são acessíveis tanto a pessoas físicas quanto jurídicas. Assemelhamse a seguradoras ou mesmo bancos. Quanto aos aspectos contábeis, as entidades de previdência privada aberta devem seguir as normas da Superintendência de Seguros Privados e as fechadas, as normas da Secretaria da previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social. No campo econômico, considerase empresa toda organização de natureza civil ou mercantil destinada à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 78 12 atividade com fins lucrativos, (Lei n°.4.137, de 1962). Empresário é quem exerce profissionalmente atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, ( Código Civil). As sociedades civis também, regra geral, têm fins lucrativos. O objeto social consiste em prestação de serviços, ou realização de certas atividades econômicas. Os sócios deverão participar dos lucros, periodicamente, ou na partilha dos resultados finais. Em se tratando de associação civil, o objeto social consiste em fornecimento de bens e serviços aos associados, sem conotação lucrativa, em função das contribuições periódicas destes para a manutenção das atividades. Por fins não lucrativos, entendase aqueles cuja realização não envolva exploração de atividade mercantil, nem distribuição de lucros ou participação no resultado econômico final da entidade. Em conjunção com estas assertivas, Sacha Calmon Navarro Coelho, na sua obra Curso de Direito Tributário Brasileiro, 1a. Edição, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pg. 277 e ss., ensina que: "Por "sem fins lucrativos" devese entender aquelas que não se apropriam dos resultados operacionais, ou seja, que não distribuem resultados entre sócios ou mantenedores ou associados, reinvestindo tudo o que ganham e, cada vez mais, em atividadesmeio capazes de sustentar os planos educacionais e assistenciais próprios dessas entidades. (...) (Grifado agora) Idem, Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário, 13a. Edição, São Paulo, Malheiros, 1998, pg. 199: "Não ter fins lucrativos não significa, de modo nenhum, ter receitas limitadas aos custos operacionais. Elas na verdade podem e devem ter sobras financeiras, até para que possam progredir, modernizando e ampliando suas instalações. O que não podem é distribuir lucros. São obrigadas a aplicar todas as suas disponibilidades na manutenção dos seus objetivos institucionais ". (Grifado agora) Como se vê há uma conotação muito mais forte da entidade aberta de previdência privada no sentido de verdadeiramente explorar exploração de atividade mercantil, muito se aproximando do conceito de sociedade empresária definida no novo código civil onde empresa se caracteriza por exercer profissionalmente atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Afora esse fato, o que se verifica da prova dos autos é que o outro aspecto voltado para a distribuição de lucros ou participação final no resultado econômico da entidade, que caracterizaria também uma entidade sem fins lucrativos, aponta em sentido contrário às pretensões da Recorrente. Esse ponto foi determinante para o convencimento de alguns Conselheiros. Como se sabe, o art. 55 da referida Lei 8.212, de 1991 e modificações posteriores, reza, que: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 79 13 ou municipal; II seja portadora do certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência (nova redação da Lein°9.732, de 1998); IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (grifo nosso) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. É que a alínea "g" do artigo 13 do estatuto social da Interessada, (fls.287/288), constata se que Conselho Deliberativo tem competência para fixar anualmente a remuneração dos seus próprios membros e da Diretoria Executiva, quando houver resultado positivo (superávit), na forma prevista na legislação em vigor. Verificase também, (itens 3.8 e 3.9 das notas explicativas), constantes das demonstrações financeiras publicadas pela Interessada (exercícios sociais de 2005 e 2006), que houve distribuição de parte do chamado "superávit" naqueles períodos a seus dirigentes. Em 2005 a remuneração dos dirigentes foi de R$ 1.650.000,00 e em 2006 a remuneração foi de R$ 1.900.000,00, (fls.279/282). Cabe se afastar de pronto a hipótese de tais verbas possuírem a natureza de proventos e salários uma vez que estão condicionadas à existência de resultado positivo. E isso nada mais na prática do que distribuição de lucros. Base de Cálculo A esse respeito, por não trazer nenhum outro argumento novo ou prova que refutasse o que foi colocado pela decisão de piso, adoto como razão de decidir os mesmos fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Inicialmente, cabe registrar que a autuação não se baseou meramente no resultado apurado pela Interessada, mas, sim, conforme se verifica pelos demonstrativos de fls.269/270, o lançamento foi realizado a partir dos valores constantes dos balancetes contábeis (fls. 18/268) e das demonstrações contábeis publicadas, (fls.279/282), tudo conforme exige o artigo 2o da Lei 7.689, de 1988, abaixo transcrito. "Art. 2°A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1°Para efeito do disposto neste artigo: Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 80 14 (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Grifado agora) (...)" Da mesma forma, aplicouse o artigo 13, da Lei n°.9.249, de 1995, que determina: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Grifado agora) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e beneficios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2°; VII das despesas com brindes. (Grifado agora) O que se constata é que as provisões para contingências constituídas em decorrência de processos judiciais em andamento, assim como a provisão de créditos duvidosos calculada sobre a carteira de assistência a participantes, não podem deduzir a base de cálculo da CSLL, estando correta a Fiscalização quando adicionou tais valores a aqueles oriundos Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 81 15 dos balancetes analíticos de fls.18/268 e das demonstrações contábeis de fls.279/282, pois, atuou em conformidade com os diplomas legais acima transcritos. Da mesma forma, as despesas com contribuições a entidades de classe, brindes e promoções, por não estarem intrinsecamente relacionadas com a produção e comercialização de serviços da fiscalizada, foram adicionadas a base de cálculo da CSLL em conformidade com os incisos do artigo 13, da Lei n°.9.249, de 1995. Por todo o exposto, nego provimento. Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em relação à sua alegação de ter errado no código de recolhimento e têlo recolhido a título de juros de mora o que importa é que o referido valor já foi abatido do montante total devido a título de multa de mora. Como se está cancelando a multa de mora, a autoridade executora deverá considerar esse fato e abatêlo como se na rubrica certa tivesse sido recolhido. Por todo o exposto, REJEITO o pedido de perícia e NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Voto Vencedor Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 82 16 O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as sempre bem ponderadas razões do Conselheiro Antônio Bezerra Neto, a quem rendo minhas homenagens, cheguei à mesma conclusão de improcedência do presente recurso voluntário, mas por outros fundamentos. Tendo a maioria da Turma Julgadora acompanhado meu entendimento exposto quando do julgamento, passo a proferir o meu voto na qualidade de razões vencedoras do julgado. Há de se admitir que, parcialmente, os fundamentos do voto vendedor e do voto vencido se equivalem no que toca à remuneração dos diretores da Contribuinte – razão por si só suficiente à improcedência do apelo. É que, como se extrai do voto vencido – que nessa parte tem minha concordância: Em se tratando de associação civil, o objeto social consiste em fornecimento de bens e serviços aos associados, sem conotação lucrativa, em função das contribuições periódicas destes para a manutenção das atividades. Por fins não lucrativos, entendase aqueles cuja realização não envolva exploração de atividade mercantil, nem distribuição de lucros ou participação no resultado econômico final da entidade. Em conjunção com estas assertivas, Sacha Calmon Navarro Coelho, na sua obra Curso de Direito Tributário Brasileiro, 1a. Edição, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pg. 277 e ss., ensina que: "Por "sem fins lucrativos" devese entender aquelas que não se apropriam dos resultados operacionais, ou seja, que não distribuem resultados entre sócios ou mantenedores ou associados, reinvestindo tudo o que ganham e, cada vez mais, em atividadesmeio capazes de sustentar os planos educacionais e assistenciais próprios dessas entidades. (...) (Grifado agora) Idem, Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário, 13a. Edição, São Paulo, Malheiros, 1998, pg. 199: "Não ter fins lucrativos não significa, de modo nenhum, ter receitas limitadas aos custos operacionais. Elas na verdade podem e devem ter sobras financeiras, até para que possam progredir, modernizando e ampliando suas instalações. O que não podem é distribuir lucros. São obrigadas a aplicar todas as suas disponibilidades na manutenção dos seus objetivos institucionais ". (Grifado agora) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 83 17 Como se vê há uma conotação muito mais forte da entidade aberta de previdência privada no sentido de verdadeiramente explorar exploração de atividade mercantil, muito se aproximando do conceito de sociedade empresária definida no novo código civil onde empresa se caracteriza por exercer profissionalmente atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Afora esse fato, o que se verifica da prova dos autos é que o outro aspecto voltado para a distribuição de lucros ou participação final no resultado econômico da entidade, que caracterizaria também uma entidade sem fins lucrativos, aponta em sentido contrário às pretensões da Recorrente. Esse ponto foi determinante para o convencimento de alguns Conselheiros. Como se sabe, o art. 55 da referida Lei 8.212, de 1991 e modificações posteriores, reza, que: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência (nova redação da Lein°9.732, de 1998); IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (grifo nosso) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. É que a alínea "g" do artigo 13 do estatuto social da Interessada, (fls.287/288), constatase que Conselho Deliberativo tem competência para fixar anualmente a remuneração dos seus próprios membros e da Diretoria Executiva, quando houver resultado positivo (superávit), na forma prevista na legislação em vigor. Verificase também, (itens 3.8 e 3.9 das notas explicativas), constantes das demonstrações financeiras publicadas pela Interessada (exercícios sociais de 2005 e 2006), que houve distribuição de parte do chamado "superávit" naqueles períodos a seus dirigentes. Em 2005 a remuneração dos Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 84 18 dirigentes foi de R$ 1.650.000,00 e em 2006 a remuneração foi de R$ 1.900.000,00, (fls.279/282). Existe uma lógica na vedação de remuneração aos diretores das entidades sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade, com distribuição de resultados positivos aos associados, como o fazem as sociedades aos sócios e acionistas com o lucro. A concessão do benefício fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não implica dizer que a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri la. O que pede a lei é que aquelas pessoas colocadas como detentoras da titularidade da entidade não sejam remunerada por esta condição. No caso dos autos, analisando o Estatuto da Contribuinte, temse que o conselho diretor é eleito com “mandato permanente”, somente podendo ser destituído com voto da unanimidade dos demais pares. Ainda, o conselho diretor é indicado pelos chamados “controladores”. E quem são os controladores? Os membros do Conselho Diretor, em uma cadeia que garante o controle direto e certa da entidade como em uma empresa. Assim, existe uma relação diretamente relacionada à titularidade da associação, posto que os controladores e conselheiros diretores são exatamente as mesmas pessoas, gozando os mesmos da titularidade patrimonial da entidade Por fim, o estatuto prevê a possibilidade de conversão da entidade em sociedade anônima, o que demonstra, com maior rigor, o seu caráter patrimonial. Isso porque, na esteira do que ensina Misabel de Abreu Machado Derzi, ante os aspectos constitucionais e legais que diferenciam as sociedades das associações, chama a atenção que não é qualquer entidade que pode se beneficiar do regime fiscal privilegiado, nos termos da imunidade constitucional. Isso porque não basta dizer que a entidade não distribui lucros aos associados para que se esteja diante da hipótese de aplicação da imunidade. É necessário identificar que, mais do que uma entidade sem fins lucrativos, a entidade não possua fins econômicos. Vejase o seu poderoso escólio, in verbis: Compete à Administração Fazendária fiscalizar a ausência de capacidade econômica, de fins lucrativos e de aplicação de renda no exterior das instituições de educação e assistência social, razão pela qual não é suficiente verificar apenas a “não distribuição de lucros” durante a vida da associação ou sociedade civil por meio do exame de seus livros e de balanço. A interpretação correta da Constituição Federal e do art. 14 do Código Tributário Nacional exige que se investiguem os estatutos sociais (além da escrita contábil) dessas instituições para identificar: A natureza “nãolucrativa” da atividade e a aplicação de seus resultados; O destino do patrimônio líquido da sociedade, em caso de dissolução ou término de suas atividades; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/201021 Acórdão n.º 1401000.967 S1C4T1 Fl. 85 19 A impossibilidade de alienação onerosa, por parte de seus sócios, de “quotas” ou outras “participações”. É que muitas dessas sociedades civis, sem fins lucrativos, podem cumular patrimônio ao longo de certo período. Ora, não tem sentido reconhecer a imunidade, se encerradas suas atividades, ou no curso delas, o grupo restrito de seus associados se beneficiar com a incorporação desses bens ao seu patrimônio pessoal, bens formados à custa de uma renúncia à receita, que onera a coletividade. O Código Tributário Nacional proíbe não apenas a distribuição de lucros, de participação no resultado, mas ainda a de patrimônio, durante a vida da instituição ou no seu término”. (p. 319 – limitações). Por esses fundamentos, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 516DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13603.900013/2009-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.
A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 13 /2 00 9- 80 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do Acórdão nº 0930.411, pela abordagem concisa e precisa acerca dos fatos e valores fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER/DCOMP nº 37978.73721.241005.1.1.012304, relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, do 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 62.985,66 apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205. Para a verificação da legitimidade do saldo credor foi instaurado procedimento fiscal de que resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 40/42. No referido ato, o auditor fiscal asseverou que: 2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Conforme admitido pelo próprio contribuinte, às fls. 05 do arquivo Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo ao SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações, o estabelecimento não industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais afirmarem que entre os objetivos sociais, à parte o comércio atacadista, atividade preponderante, encontrarse a "Indústria de Produtos de Panificação", não se observou a saída de qualquer tipo de pães e assemelhados, bem como não foi anotada, nos livros Registro de IPI, nenhuma saída de produto industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa a entrada de qualquer insumo: são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalha, adquiridos prontos, diretamente da fábrica, e comercializados por atacado no mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas fiscais de saídas. Portanto, estes valores solicitados em ressarcimento, e escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI pelo contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação nacional que são revendidos sem serem submetidos a qualquer tipo de industrialização pela empresa, não ocorrendo o fato gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento. Não se vislumbra como sua atividade e suas saídas de mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. [...] Diante do exposto, devese então proceder à glosa de todos os valores solicitados a título de ressarcimento pleiteados pelo Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900013/200980 Acórdão n.º 3803006.336 S3TE03 Fl. 7 3 contribuinte, uma vez que este não promove qualquer tipo de industrialização neste estabelecimento. Os pleitos formulados pela contribuinte foram indeferidos por meio do Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº 900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo. O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado, consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e § 2º do art. 195 do Dec. 4.544/02 (RIPI/02), uma vez que não promove nenhum tipo de industrialização em seus estabelecimentos, portanto não é contribuinte de IPI, posição esta admitida pela própria interessada, e comprovado por meio de termos de verificação fiscal, documentos que lhe serviram de base e análise dos créditos suscitados nos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.018800, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2002, pois transmitida em 10/09/04, que restou homologada por disposição legal, nos termos do § do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte. Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a própria TIPI equipara estabelecimentos atacadistas a estabelecimentos industriais, o que acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade. Aduziu, ainda, que no caso dos PAF nº 10603.903598/200817, 10603.903602/200839 e 10603.903604/200828, houve o reconhecimento parcial do ressarcimento de IPI e, que não poderia ser adotado outro critério neste momento, mesmo porque até os créditos solicitados têm os fundamentos legais. Entendeu que o processo cuja declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de IPI, para requer o cancelamento das glosas efetuadas pela fiscalização e o deferimento dos pedidos de compensação de IPI. Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por meio do Acórdão nº 0946.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório apurado pela interessada. O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de estabelecimento atacadista com o industrial, que essa tarefa diz respeito ao RIPI; que o RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº 4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mencionou que a extensa e exaustiva lista de produtos constantes do art. 9º desse mandamus, que poderiam ensejar a referida equiparação, dela não consta nenhum dos produtos comercializados pela interessada; que o estabelecimento, conforme com o relato fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições, não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao período em questão informa à fl. 156, que não há apuração e informações de IPI no período para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório. A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 23/08/2010, contra a mesma insurgindose interpôs recurso voluntário em 09/09/2010, reiterando os argumentos expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos de procedência estrangeira e dava saída a esses produtos, e que por longo tempo procedia à industrialização de produtos para panificação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim não é contribuinte de IPI, nem foi observada nenhuma saída de qualquer tipo de pães ou assemelhados, ou mesmo há registros nos Livros de Registro de IPI, de saída de qualquer produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. O referido Termo informou que a fiscalização ao proceder à análise das notas fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada de nenhum insumo. Ao contrário, são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalhas, adquiridos prontos, diretamente da fábrica e comercializados por atacado no mesmo estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas. Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. O direito ao crédito presumido do IPI, originariamente, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900013/200980 Acórdão n.º 3803006.336 S3TE03 Fl. 8 5 A recorrente não logrou refutar as acusações formuladas pela fiscalização seja com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos. É certo que o inciso I do art. 333 do CPC estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Neste sentido a fiscalização constatou no estabelecimento do sujeito passivo a inexistência de qualquer processo de industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados, inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o surgimento da incidência do dato gerador do IPI. Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a sua pretensão qual seja, de homologação das declarações de compensação e pedido de ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal. A própria DIPJ/2003 da recorrente, ano calendário de 2002, no que atine ao período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal. A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou jurídico que demonstrasse e que comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação e exportação, para lhe assegurar direito à compensação, nos termos da legislação atinente à matéria. Com isso, nos autos constatase apenas a alegação vazia da recorrente acerca do direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não há substância em sua narrativa. Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10935.906349/2012-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/01/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/01/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/01/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 49 /2 01 2- 10 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.797, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 18001.99199.110209.1.2.044471, rastreamento nº 041906770, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 43.617,61, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/12/2007, efetuado em 18/01/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/201210 Acórdão n.º 3802002.647 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 18/01/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/201210 Acórdão n.º 3802002.647 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/201210 Acórdão n.º 3802002.647 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/201210 Acórdão n.º 3802002.647 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.003938/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, pacificou o entendimento que o prazo é de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO
O CARF não conhece de matéria que não foi objeto do auto de infração e que deveria ser discutida em outro processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, pacificou o entendimento que o prazo é de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO O CARF não conhece de matéria que não foi objeto do auto de infração e que deveria ser discutida em outro processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 38 /2 00 8- 10 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/200810 Acórdão n.º 2301004.181 S2C3T1 Fl. 193 2 (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/200810 Acórdão n.º 2301004.181 S2C3T1 Fl. 194 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TAYKA CONFECÇÃO DE JEANS LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Blumenau (SC) que julgou procedente o lançamento relativo à competência 06/2005. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 16 a 18), o crédito tributário referese ao lançamento da diferença decorrente de recolhimento a menor de atualização monetária, juros e multa de mora sobre contribuição devida à Seguridade Social pelos segurados empregados que prestaram serviços para a recorrente. Foram lavrados termos de sujeição passiva (fls. 83/86), onde constam como sujeitos passivos solidários as empresas Terra Brasil Indústria de Confecções de Jeans Ltda. e Brasil Real Indústria e Confecções de Jeans Ltda. 3. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 45/75), tendo o colegiado de primeira instância julgado procedente o lançamento (fls. 89/94). 4. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 102/134), sustentando, em apertada síntese: a) preliminarmente, o caráter confiscatório da multa de 150%, a ilegalidade da taxa Selic e a improcedência das tributações reflexas no PIS, Cofins e CSLL; b) no mérito, sustenta o incomprovado dolo de sonegação fiscal, tecendo considerações sobre as restrições legais da multa de 150%; c) a ilegalidade da exclusão da empresa do Simples; d) a utilização do princípio da proporcionalidade na aplicação da penalidade pecuniária, remetendo novamente à multa de 150%, alegando que em nenhum momento foi comprovada a ação dolosa dos sócios ou a intenção deliberada de formação de grupo econômico; e) por fim, a nulidade dos lançamentos tributários, declarando a prescrição quinquenária, e, por corolário, a extinção dos autos de infração lavrados a partir do presente processo, pela falta de comprovação quanto a formação de grupo econômico, desconsiderandose a multa aplicada. 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/200810 Acórdão n.º 2301004.181 S2C3T1 Fl. 195 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO 2. Pela análise das questões aduzidas em sede de recurso voluntário, verifica se que a recorrente distanciouse da matéria tratada nos autos, que se refere ao lançamento da diferença decorrente de recolhimento a menor de atualização monetária, juros e multa de mora sobre contribuição devida à seguridade social pelos segurados empregados que lhe prestaram serviços. 3. Observo que diversas matérias arguidas pela contribuinte não foram objeto do Auto de Infração discutido nos presentes autos. Por estarem dissociadas controvérsia presente neste feito, deixo de apreciar os argumentos trazidos pela recorrente relativos à incidência da multa de 150% sobre o imposto de renda e a improcedência das tributações reflexas (PIS, COFINS e CSLL). DECADÊNCIA 4. A recorrente alega a existência de prescrição quinquenal, quando se trata, em verdade, do instituto da decadência. Quanto à decadência, entendo que a decisão recorrida não merece reparo neste ponto. 5. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, pacificou o entendimento que o prazo é de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constitui o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” 6. Dessa forma, observando que o fato gerador ocorreu em 06/2005 e o lançamento em 07/10/2008, não há que se falar em decadência. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/200810 Acórdão n.º 2301004.181 S2C3T1 Fl. 196 5 DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC 7. Aduz a recorrente ser ilegal a utilização da taxa Selic na apuração do crédito tributário. 8. Neste ponto, devese registrar, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencia SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora está disciplinada no art. 35 desta Lei).” 9. A propósito do tema, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” 10. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no art. 34 da Lei nº 8.212/91. EXCLUSÃO DO SIMPLES E GRUPO ECONÔMICO 11. A recorrente sustenta no recurso voluntário a ilegalidade de sua exclusão do Simples. Ao compulsar os autos, verifiquei que o referido assunto não foi objeto do Auto de Infração questionado, bem como não foi enfrentado pelo acórdão. 12. Como bem ressaltou o aresto guerreado, “os fatos trazidos aos autos pela fiscalização referemse às diferenças de acréscimos legais. Embora o tema sobre a exclusão do Simples seja recorrente em todas as defesas da impugnante e seja pertinente a vários dos lançamentos, verificase que não é o caso do presente. Não obstante a empresa ter sido excluída do Simples, a partir de 01/01/2003, o fato concreto que ora se analisa é a inadimplência quanto aos acréscimos legais incidentes sobre as contribuições dos segurados empregados, o que independe do enquadramento ao referido sistema.” Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/200810 Acórdão n.º 2301004.181 S2C3T1 Fl. 197 6 13. Diante disso, deixo de conhecer da matéria, por ser estranha ao Auto de Infração. 14. Quanto à caracterização de grupo econômico, extraise da decisão de primeira instância que, para que seja feita uma análise sobre a questão, “há que remeter ao processo nº 13977.003976/200864, mais precisamente ao relatório da representação administrativa de fls. 01/08, onde constam descritos os fatos que levaram à convicção fiscal de que as empresas em referência formavam um grupo econômico de fato”. 15. Assim, como este julgador desconhece as razões apontadas pela fiscalização como ensejadoras para a caracterização de grupo econômico e de forma a evitar decisões conflitantes dentro deste Conselho, deixo de apreciar, outrossim, esta matéria, por já estar sendo tratada em outros autos em trâmite neste órgão de julgamento administrativo. 16. Vale ressaltar que não há qualquer elemento nestes autos que permita que esta análise seja feita por este julgador, visto que constam destes autos apenas os termos de sujeição passiva solidária, não havendo sequer recurso por parte das empresas solidárias. CONCLUSÃO 17. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos acima alinhavados. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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