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5660783 #
Numero do processo: 10630.003116/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionando-lhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Flávio Araújo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/2008­01  Acórdão n.º 2801­003.759  S2­TE01  Fl. 69          2 Por bem descrever os fatos, adota­se o “Relatório” da decisão de 1ª instância  (fls. 46/47 deste processo digital), reproduzido a seguir:  Em  nome  do  contribuinte  acima  identificado  foi  emitida  Notificação de Lançamento relativa ao ano­calendário 2003, que  apurou  crédito  tributário  total  de  R$  18.348.60,  sendo  R$  7.756,10  de  IRPF  Suplementar,  com  ciência  do  sujeito  passivo  em 24/09/2008.  Motivou  o  lançamento  de  ofício  a  constatação  de  dedução  indevida  com  dependentes,  no  valor  de  R$  3.816,00,  com  despesas  de  instrução,  no  valor  de R$  2.208,00,  e  de  despesas  médicas, no valor de R$ 22.180.00, tendo em vista que, intimado  a  comprovar  as  despesas  ou  justificá­las,  o  contribuinte  não  o  fez.  Inconformado,  o  interessado  apresentou  impugnação  em  16/10/2008,  alegando  não  ter  tomado  ciência  da  intimação  inicial para apresentação de documentos, anexando­os agora a  fim de comprovar as despesas declaradas.  Esclarece que declarou como seus dependentes, por custear suas  despesas,  sua  irmã  Viviane  Teixeira  Vargas,  para  quem  não  requereu a guarda judicial por desconhecer a lei, e seus pais que  não possuem aposentadoria ou qualquer outro rendimento.  Por meio do Despacho n° 28/2011, da 6ª Turma de Julgamento  de Juiz de Fora, o processo retornou em diligência a fim de que  fosse requerido ao impugnante elementos adicionais relativos às  despesas  médicas  e  odontológicas  glosadas  relativas  aos  profissionais  Assendino Marques  das  Aleluias,  no  valor  de  R$  10.000,00,  e  Ana  Paula  Braga  Maranhão,  no  valor  de  R$  12.000,00, para que o relator do processo pudesse formar juízo  sobre o direito alegado.  Como  resultado  da  diligência  foram  juntados  ao  processo  os  documentos de fls. 40/43.  A  impugnação  apresentada  foi  julgada  procedente  em  parte.  A  decisão  recorrida restabeleceu deduções de dois dependentes e despesa com o cirurgião­dentista Erildo  Machado Loredo no valor de R$ 180,00.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  18/10/2011  (fl.  55),  o  Interessado interpôs, em 17/11/2011, o recurso de fls. 57/58, acompanhado dos documentos de  fls. 59/62. Na peça recursal aduz, em síntese, que:   ­ Acata com resignação as glosas da dependente Viviane Teixeira Vargas e  de despesas com instrução realizadas com a mesma.  ­ A profissional de saúde Ana Paula mudou­se de Estado, tornando difícil o  contato, motivo  pelo  qual  não  pode  acrescer  informações  em  relação  à  glosa  com a  referida  profissional.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/2008­01  Acórdão n.º 2801­003.759  S2­TE01  Fl. 70          3 ­ Em relação aos pagamentos efetuados ao profissional de saúde Assendino  Marques das Aleluias, entende que cabe reconsideração, haja vista que o mesmo declarou ter  recebido  os  valores  em  moeda  corrente,  e,  mesmo  assim,  esta  prova  foi  considerada  insuficiente.  Ao final, requer nova apreciação em relação às glosas de despesas médicas.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo digital, que  difere da numeração de folhas do processo físico.  A insurgência  recursal se restringe à glosa de despesas médicas no valor de  R$ 22.000,00.  O art. 73 do vetusto Decreto­Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, faculta  à Autoridade  lançadora  solicitar  outros  elementos  que  comprovem  o  efetivo  pagamento  das  despesas deduzidas e/ou a efetiva prestação dos serviços (Todas as deduções estarão sujeitas a  comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora).  No  caso  concreto,  no  entanto,  impossível  à  Autoridade  lançadora  solicitar  qualquer elemento adicional de prova em relação à documentação apresentada, haja vista que  as glosas de despesas médicas se deram por falta de atendimento à  intimação (Descrição dos  Fatos  e Enquadramento Legal,  à  fl.  5),  sendo que  a  apresentação dos  recibos  só ocorreu por  ocasião da impugnação.  Embora a faculdade de solicitação da comprovação do efetivo pagamento das  despesas  tenha sido atribuída à Autoridade lançadora, nada obsta que a Autoridade julgadora  de 1ª  instância, para  formar a sua  livre convicção,  também o faça em hipóteses excepcionais  como  esta,  em  que  a  Notificação  foi  lavrada  por  falta  de  atendimento  à  intimação,  mas  a  documentação  relacionada  às  deduções  somente  foi  apresentada  no  curso  do  contencioso  administrativo.   Por força do Despacho de Diligência da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 32/33), o  Recorrente  foi  intimado  a  comprovar  o  efetivo  pagamento  das  despesas  realizadas  com  os  profissionais de saúde Assendino Marques das Aleluias, no valor de R$ 10.000,00, e Ana Paula  Braga Maranhão, no valor de R$ 12.000,00 (Intimação às fls. 35/36).   Em  resposta  à  diligência  fiscal  o  Interessado  apresentou  declaração  de  Assendino Marques das Aleluias, por meio da qual o profissional de saúde declara que recebeu,  em  dinheiro,  do  Sr.  Fábio  Teixeira Vargas,  ora  Recorrente,  a  importância  de R$  10.000,00,  referente a serviços odontológicos diversos prestados a este e seus familiares.  É  sabido  que  o  contribuinte  não  está  obrigado  a  efetuar  os  pagamentos  mediante  a  utilização  de  título  de  crédito,  sendo­lhe  lícito  fazê­lo  em  dinheiro.  Contudo,  se  nesta  hipótese  for  instado  a  comprovar  o  efetivo  pagamento,  deve  evidenciar  a  posse  do  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003116/2008­01  Acórdão n.º 2801­003.759  S2­TE01  Fl. 71          4 numerário  em  valores  e  datas  compatíveis  com  os  recibos  apresentados,  podendo,  ainda,  demonstrar  que  houve  a  efetiva  prestação  dos  serviços,  nos moldes  propostos  na  diligência  fiscal solicitada pelos julgadores de 1ª instância, a ver:  ­  Apresentar  documentos  que  comprovem  o  efetivo  pagamento  dos valores lançados como dedução a título de despesas médicas  e odontológicas em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto  de  Renda  exercício  2004,  ano­calendário  2003,  pagos  aos  profissionais Assendino Marques das Aleluias, dentista, no valor  de  RS  10.000,00  e  Ana  Paula  Braga  Maranhão,  referentes  a  serviços médicos, no valor de RS 12.000,00. Essa comprovação  poderá  ser  feita  com  cópias  dos  cheques  utilizados,  ordens  de  pagamento,  transferências  bancárias,  extratos  bancários,  por  onde  podem  ser  verificados  os  saques  efetuados,  especialmente  nos  casos  de  pagamentos  feitos  em  espécie,  desde  que  coincidentes em data e valor, ou qualquer outro documento que  possa comprovar de maneira  inequívoca a efetiva transferência  dos  recursos  do  patrimônio  do  contribuinte  para  o  patrimônio  dos beneficiários dos pagamentos.  ­  Apresentar  documentos  que  comprovem  a  efetividade  dos  serviços  prestados,  tais  como:  exames  médicos,  resultado  de  radiografias, laudos, receitas médicas, etc.  Importante frisar, por oportuno, que o entendimento acima exposto não está  fundamentado na falsidade dos documentos carreados aos autos pelo contribuinte. A motivação  está  alicerçada  na  falta  de  comprovação  do  efetivo  pagamento  e/ou  da  efetiva prestação  dos  serviços. Isso não implica, necessariamente, falsidade documental, mas sim a imprestabilidade  dos recibos/declaração apresentados para fruição das deduções pleiteadas.   CONCLUSÃO  Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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5693451 #
Numero do processo: 13869.000004/99-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedidos formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação poderá implicar o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-20T23:58:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-20T23:58:00Z; Last-Modified: 2014-10-20T23:58:00Z; dcterms:modified: 2014-10-20T23:58:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:f86d1666-5744-4b9f-900e-842cbab033c1; Last-Save-Date: 2014-10-20T23:58:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-20T23:58:00Z; meta:save-date: 2014-10-20T23:58:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-20T23:58:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-20T23:58:00Z; created: 2014-10-20T23:58:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-10-20T23:58:00Z; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-10-20T23:58:00Z | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 3          1 2  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13869.000004/99­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.085  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  RESSARCIMENTO DE IPI  Recorrente  INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA.(antigo Curtume Monte Aprazível  Ltda)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998  RESSARCIMENTO DO IPI.   Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a  apreciação  de  pedidos  formulado,  o  não  atendimento  no  prazo  fixado  pela  Administração  para  a  respectiva  apresentação  poderá  implicar  o  indeferimento do pleito.  ÔNUS DA PROVA  Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de  ressarcimento.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 04 /9 9- 89 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente da  turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern,  Ivan Allegretti, Domingos  de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).      Relatório  O requerente pediu  ressarcimento de credito presumido apurado no período  de  01/10/1998  a  31/12/1998,  a  ser  utilizado  na  compensação  dos  débitos. O  pleito  teve  seu  indeferimento pois embora intimado e reintimado, não apresentou documentos necessários para  analise do pedido.   A  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  inconformidade  alegando  que  documentos pedidos encontravam­se em posse do fisco estadual e do federal, mas entende, o  contribuinte,  que  a  documentação  apresentada  já  seria  suficiente  para  ter  o  seu  direito  a  compensação garantidos pela legislação e princípios constitucionais.  Toda  e  qualquer  escrituração  efetuada  nos  livros  contábeis  fiscais  deverá  estar  respaldada em documentação hábil  e  idônea, não  só pelos princípios da  legislação mas  também os contábeis. Levando­se em conta que o interessado quer utilizar­se do ressarcimento  para compensar débitos declarados dos autos, vale  lembrar que a modalidade da extinção do  crédito tributário, foi estipulada no artigo 170 do CTN.  O artigo 170 do CTN, determina que a compensação só se dará com créditos  líquidos  e  certos  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Publica  e  o  simples  pedido  de  ressarcimento ou compensação do crédito não confere liquidez nem certeza .para esse fim.  Afim de comprovar a certeza e liquidez do ressarcimento, a autoridade fiscal  solicitou  documentos  ou  informações  complementares  para  o  exame  do mérito  do  processo,  porem a contribuinte nada apresentou.   Os  princípios  e  a  legislação  argüidos  pela  defesa,  possuem  formalidades  previstas na legislação tributária. E o Despacho Decisório emanado pelo órgão competente não  é  improcedente  como  afirma  o  interessado,  mas  sim  uma  imposição  legal  decorrente  da  preclusão.  Para  a  instancia  julgadora  admitir  a  intempestividade  da  documentação,  impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido precisa se  de fundamentos legal que ampare o caso de preclusão.  Como a Lei 9.784/99 não trouxe nenhuma exceção quanto a apresentação de  provas depois de expirado o prazo, aplica­se, por analogia, as situações previstas no parágrafo  4 do artigo 16 do Decreto n 70.235/72.  A defesa alega força maior ou teria sido impedida de tirar de tirar cópias da  “documentação” pedida pela autoridade fiscalizadora.  Com relação ao ônus da prova dispõem o artigo 333 do CPC:  "Art. 333. 0 Ônus da prova incumbe:  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13869.000004/99­89  Acórdão n.º 3403­003.085  S3­C4T3  Fl. 4          3 I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do  direito do autor".  O momento propício para a defesa da contribuinte e a apresentação da peça  impugnatória.  As  provas  documentais  se  apresentam  em  impugnação  ou  manifestação  de  inconformidade.  Caberia  a  defesa  o  ônus  da  prova  dos  fatos  modificativos,  impeditivos  ou  extintivos  da  pretensão  fazendária,  do  qual  poderia  ter  se  desincumbido  por  meio  da  mera  juntada de documentos e a impugnante não se desincumbiu do ônus de provar a existência dos  créditos alegados.  Não  se  desincumbindo  do  ônus  processual  e  não  apresentando  nenhuma  justificativa legal, precluiu o direito da impugnante para fazer prova dos supostos créditos. A  impugnante  ao  formular  seu  pedido  de  diligência,  para  apresentação  de  documentos,  tenta  inverter indevidamente o ônus da prova razão pela qual o pedido dee ser indeferido com base  nos artigos 18 e 28 do Decreto Lei 70.235/72.  Diante  da  improcedência  de  sua  manifestação  de  inconformidade  a  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário,  em  que  reitera  os  seus  argumentos  e  requer  a  conversão do julgamento em diligência para provar o seu crédito.  É o Relatório.    Voto             Nego provimento ao Recurso Voluntário.  A Recorrente foi intimada e reintimada a apresentar prova de seu crédito.  Quando  da  negativa  de  seu  pleito  de  ressarcimento,  a  Recorrente  teve  a  oportunidade de apresentar na Manifestação de Inconformidade as respectivas provas, mas não  o fez, de modo que não há efetivamente como se aferir o quantum de seus supostos créditos e  sequer se são líquidos e certos, e se a Recorrente realmente tem direito ao crédito decorrente do  ressarcimento do IPI.  Trata­se de matéria de prova, em que a Recorrente não se desincumbiu de seu  ônus. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista                  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     4                  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA

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Numero do processo: 16327.001390/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais - RepLeg” e a “Relação de Vínculos - VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE - ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC - INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)- convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 915          1 914  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.001390/2009­39  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.958  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2014  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  CREDIT SUISSE HEDGING­GRIFFO ASSET MANAGEMENTE S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007  RELATÓRIO DE CO­RESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.  A Relação de Co­Responsáveis ­ CORESP”, o “Relatório de Representantes  Legais ­ RepLeg” e a “Relação de Vínculos ­ VÍNCULOS”, anexos a auto de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade meramente informativa.”  INCONSTITUCIONALIDADE ­ ADICIONAL DE 2,5%.  Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não  tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.  TAXA SELIC ­ INCIDÊNCIA  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA  LEI  10.101/00.  DATA  DE  ASSINATURA  DOS  ACORDOS  E  DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS  A  Lei  10.101/2000  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  como  instrumento  de  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI,  da  Constituição.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante:  a)  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria;  e  b)­  convenção  ou  acordo  coletivo.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  entre  empresa  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 90 /2 00 9- 39 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     2 empregados/sindicato  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência  e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária  concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por  lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem  os  resultados  já  estiverem no  passado. Como no  presente  caso  a  assinatura  dos  acordos  foi  após  o  período  para  aferição  das  metas  o  incentivo  à  produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo  que  já  ocorreu,  proibindo,  conforme  a  Lei,  a  concessão  de  isenção  desses  valores,  por  ausência  de  requisito  determinado,  motivo  da  negativa  de  provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto.  A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas  pontos que devem reger  todos os acordos. É muito comum e normal que no  curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas  primordiais  que  se  buscam  alcançar,  não  se  podendo  afirmar  que  os  empregados,  quando  da  assinatura  do  acordo  desconheciam  os  objetivos  a  serem perseguidos.  Não  descumpre  a  legislação  o  fato  de  os  empregados  receberem  valores  diversos,  na  medida  em  que  a  Lei  10.101/00  não  exige  que  todos  sejam  agraciados  igualmente,  situação  essa  que  conspiraria  com  a  própria  norma  que  pretende  o  comprometimento  e o  cumprimento  das metas  pelas  partes,  sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados,  podendo receber mais ou menos.  MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Incide  na  espécie  a  retroatividade  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional,  devendo  a multa  lançada  na  presente  autuação  ser  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de 1991,  com a  redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações  principais, se mais benéficas ao contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a);  Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em  manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura  do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do  Redator.  Vencidos  os  Conselheiros  Wilson  Antônio  de  Souza  Correa  e  Adriano  Gonzáles  Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade:  a) em dar provimento  ao  recurso,  na questão da  substituição  salarial,  nos  termos do voto do  Relator. Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete  de Oliveira  Barros, Wilson Antônio  de  Souza  Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade  de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de  Co­Responsáveis ­ CORESP", o "Relatório de Representantes Legais ­ RepLeg ­ e a ­ Relação  de Vínculos  ­ VÍNCULOS  ­  ,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 916          3 contra pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às pessoas  ali  indicadas nem  comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade  meramente  informativa,  nos  termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso  nas  demais  alegações  da Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a) Relator(a). Redator: Marcelo  Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Presidente e Redator Designado        (assinado digitalmente)  Adriano Gonzales Silvério  Relator.        Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel  Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     4   Relatório  O  presente  processo  administrativo  fiscal  tem  por  objeto  os  seguintes  lançamentos:  i)  AIOP  n°  37.133.472­1,  correspondendo  a  contribuições  sociais  apuradas  pela fiscalização e incidentes sobre as remunerações dos empregados, correspondentes à parte  destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação ­ FNDE (Salário­Educação) e à  parte destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ­ INCRA.  Fundamentando  a  lavratura  dos  relacionados  autos  de  infração,  a  D.  Autoridade fiscal informa, em relação ao PLR, que:  Em 08/2007, a empresa efetuou pagamentos de verbas a titulo de  •  "participação  nos  resultados"  (rubrica  311  —  Participação  Resultados  Empresa  –  da  folha  de  pagamento)  aos  seus  empregados,  com  base  no  Acordo  de  Participação  nos  Resultados  das Empresas  do Grupo Hedging­Griffo  (doravante  denominado  simplesmente  acordo  próprio  ou  plano  próprio),  mas  em  desacordo  com  a  legislação,  pelos  motivos  a  seguir  expostos.  Cabe  mencionar  que,  com  o  fim  de  conferir  maior  fluência a  leitura do presente Relatório,  adotamos a  sigla PLR  para nos referir aos pagamentos das verbas em questão.  5.10 Da análise do acordo próprio mencionado no item anterior,  datado  de  02  de  julho  de  2007,  verificou­se  que  o  mesmo  somente  foi  firmado após o encerramento do semestre a que se  referia, com a fixação de vigência retroativa.  (...)  Já  com  relação  à  distribuição  da  PLR  e  sabendo­se  que  257  empregados receberam PLR em 08/2007, verificamos que os 29  empregados  constantes  da  tabela  acima,  que  correspondem  a  aproximadamente  ii% do  total,  fizeram  jus a 71,50%, enquanto  os  outros  228  empregados  (89%  do  total)  receberam  apenas  28,50% da PLR distribuída.  5.20 Percebe­se claramente que, na realidade, as verbas pagas  pela empresa a titulo de PLR, nada mais são do que instrumento  de  premiação/gratificação/bonificação  ou  qualquer  que  seja  a  sua  nomenclatura,  travestido  de  PLR,  com  nítido  caráter  retributivo  e  em  substituição  salarial.  Além  disso,  vimos  que  a  maior parte do valor total distribuído foi destinada a um grupo  seleto e reduzido de empregados que receberam entre 24 e 305  vezes  a  sua  remuneração  mensal,  na  forma  de  PLR,  sem  incidência  de  contribuição  social  alguma.  E  evidente  que  tais  pessoas  não  estão  prestando  serviços  à  empresa  por  conta  do  salário  "oficial"  pelo  qual  foram  contratadas.  A  verdadeira  remuneração  dessas  pessoas  não  é  o  salário  "oficial"  que  recebem  e  sim  os  valores  exorbitantes  travestidos  de  "participações nos resultados".  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 917          5   Devidamente  notificada,  a  Recorrente  opôs  impugnação  alegando,  basicamente, que (i) os empregados já tinham devido conhecimento das regras reguladoras do  PPL, muito antes da assinatura do instrumento de Acordo, sendo a assinatura apenas mero ato  de  formalização  das  disposições  previamente  fixadas  e  comunicadas;  (ii)  cumprimento  dos  requisitos legais quanto à clareza e objetividade das regras previstas nos acordos, bem como a  mudança de entendimento sentido de que as disposições contidas nos acordos não seriam claras  e objetivas, inovou no critério jurídico da fiscalização, o que ocasionou no desrespeito ao artigo  146 CTN; (iii) deixou a Fiscalização de comprovar que o pagamento a título de participação de  lucros  possuíam  caráter  salarial;  necessidade  de  proceder  a  revisão  na multa  aplicada;  (iv)  é  indevido  o  adicional  de  2,5%;  (v)  é  indevida  a  aplicação  da  Taxa  Selic;  (vi)  ilegítima  a  responsabilidade pessoal dos gestores, conforme lista co­resp.  A  instância  a  quo  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo­se,  dessa  forma, o lançamento integralmente no período subsequente.  Objetivando a  reforma da decisão a quo o  sujeito passivo  interpôs Recurso  Voluntário  a  esse  Conselho,  por  meio  do  qual  reitera  os  argumentos  já  despendidos  anteriormente.  É o relatório.  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     6   Voto Vencido  Conselheiro Adriano Gonzales Silvério    O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço.  Preliminarmente  Inclusão dos sócios como co­responsáveis pelo crédito tributário  Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co­  responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de co­responsáveis é meramente  informativa do vinculo  que os dirigentes  tiveram com a  entidade  em  relação  ao período dos  fatos geradores.   Aplica­se ao caso, portanto, a Súmula CARF nº 88, cuja redação é a seguinte:  “Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.”  Ademais, os relatórios de co­responsáveis e de vínculos fazem parte de todos  processos  apenas  como  instrumento  de  informação,  a  fim  de  se  esclarecer  a  composição  societária  da  empresa  no  período  do  lançamento  ou  autuação,  relacionando  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas,  representantes  legais  do  sujeito  passivo,  indicando  sua  qualificação  e  período de atuação, não atribuindo a responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas.  Acolho, portanto, essa alegação.  Inconstitucionalidade – Adicional de 2,5%  No  tocante  a  essa  matéria,  aplico  a  Sumula  CARF  nº  02,  segundo  a  qual  pontifica que esse Conselho não é competente para decidir sobre inconstitucionalidade de lei.  Também não é o caso de, a meu ver, determinar o sobrestamento da matéria,  pois  não  houve  determinação  expressa  do  Supremo  Tribunal  Federal  para  que  todos  os  processos envolvendo essa matéria fossem suspensos, conforme Portaria CARF nº 01/2012.  Taxa Selic  No caso em análise aplica­se a Taxa Selic, conforme Sumula 04 do CARF:  Súmula  CARFnº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 918          7 inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Participação nos Lucros e Resultados – Lei nº 10.101/00  A  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  7°,  inciso  XI,  instituiu  a  participação  dos  empregados  nos  lucros  e  resultados  da  empresa,  como  forma de  integração  entre capital e trabalho, desvinculando­a, nos termos da lei regulamentadora, expressamente da  remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue:  "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XI  —  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;"  Muito  se  discute  acerca  das  qualidades  da  norma  imunizante  do  disposito  supra,  isto  é,  se  de  eficácia  plena  e  com  aplicabilidade  imediata  ou  de  eficácia  contida  e  dependente de lei que talhe os requisitos para a sua fruição.  Até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado no  sentido de que o dispositivo constitucional supra depende, para sua aplicabilidade, de lei que o  regulamente. É o que se vê nos julgados abaixo:  “EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  A  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ART.  7º,  XI,  DA  CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  MP  794/94.  Com  a  superveniência  da  MP  n.  794/94,  sucessivamente  reeditada,  foram  implementadas  as  condições  indispensáveis  ao  exercício  do  direito  à  participação  dos  trabalhadores  no  lucro  das  empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do  MI  n.  102, Redator  para  o  acórdão o Ministro Carlos Velloso,  DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o  direito  dos  empregados  àquela  participação  e  desvincule  essa  parcela  da  remuneração,  o  seu  exercício  não  prescinde  de  lei  disciplinadora  que  defina  o  modo  e  os  limites  de  sua  participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja  para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição  previdenciária.  Precedentes.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.(RE  505597  AgR­AgR,  Relator(a):  Min.  EROS  GRAU,  Segunda  Turma,  julgado  em  01/12/2009,  DJe­237  DIVULG 17­12­2009 PUBLIC 18­12­2009 EMENT VOL­02387­ 08 PP­01391)”  “DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  A  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ART.  7º,  XI,  DA  CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94.  1. A  regulamentação  do  art.  7º,  inciso XI,  da Constituição Federal  somente  ocorreu  com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     8 cobrança da contribuição previdenciária em período anterior à  edição  da  Medida  Provisória  794/94.(RE  393764  AgR,  Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma,  julgado em  25/11/2008, DJe­241 DIVULG 18­12­2008 PUBLIC 19­12­2008  EMENT  VOL­02346­09  PP­01971  RTJ  VOL­00209­02  PP­ 00864)”  “EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição  Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O  exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição  Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para  regulamentá­lo, diante da imperativa necessidade de integração.  2.  Com  isso,  possível  a  cobrança  das  contribuições  previdenciárias  até  a  data  em  que  entrou  em  vigor  a  regulamentação  do  dispositivo.  3.  Recurso  extraordinário  conhecido  e  provido.(RE  398284,  Relator(a):  Min.  MENEZES  DIREITO,  Primeira  Turma,  julgado  em  23/09/2008,  DJe­241  DIVULG 18­12­2008 PUBLIC 19­12­2008 EMENT VOL­02346­ 09 PP­02087 RTJ VOL­00208­03 PP­01221)”  Não obstante os precedentes ora colacionados o Augusto Supremo Tribunal  Federal,  nos  autos  do  recurso  extraordinário  nº  569.441/RS,  reconheceu  a  densidade  constitucional  da  matéria  e  sua  repercussão  geral,  submetendo  o  caso  a  julgamento  pelo  Plenário, de modo a dar contornos definitivos acerca da interpretação do inciso XI, do artigo 7º  da Constituição.  A  legislação  tributária,  ao  tratar  da  matéria,  impôs  condição  para  que  as  importâncias  concedidas  aos  segurados  empregados  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9°, alínea "j",  que assim preceitua:  "Art. 28. (...)  § 9° Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  lei:  (...)  j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  para ou creditada de acordo com a lei específica."   Em  atendimento  ao  estabelecido  na  norma  encimada,  a Medida  Provisória  794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte:  "Art.  2°  Toda  empresa  deverá  convencionar  com  seus  empregados,  mediante  negociação  coletiva,  a  forma  de  participação destes em seus lucros ou resultados.  Parágrafo  único.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão constar  regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participacão  e  das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vivência  e  prazos  para revisão do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 919          9 a)  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b)  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art. 3° A participação de que trata o artigo 2° não substitui ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou  previdenciário.”  (...)  §  2°  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  titulo  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre.  (...)"  Após reedições a Medida Provisória retro foi convertida na Lei n° 10.101, de  19  de  dezembro  de  2000,  trazendo  em  seu  bojo  algumas  inovações,  notadamente  quanto  a  forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos:  "Art. 2° A participação nos  lucros ou resultados será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1°  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2°  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art.3°  A  participação  de  que  trata  o  art.  2°  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     10 §  2°  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  titulo  de  participação  de  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.”  Como se extrai da legislação existem alguns requisitos basilares para que os  valores  pagos  a  título  de  participação  nos  lucros  não  sejam  tributados  por  meio  das  contribuições previdenciárias, quais sejam, exemplificativamente:   i)  negociação  entre  empresa  e  empregados,  representados  por  suas  respectivas  comissões mediante  acordo,  com  a participação  do  representante  do  sindicato  da  categoria, ou mediante acordo ou convenção coletiva;  ii) o acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva  deverá prever  regras claras e objetivas,  isto é, do conhecimento de  todos, quanto à  forma de  atingimento  das  metas,  índices  de  produtividade,  lucratividade,  etc.  (regras  substantivas),  e  conter mecanismos de aferição de como esses valores serão apurados;   iii)  dada  a  predileção  normativa  para  a  livre  negociação  entre  empresa  e  empregados, podem ser adotados os critérios de antemão exemplificados nos incisos I e II do §  1º do artigo 2º ou outros de interesse das partes;  iv) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores;  v)  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  não  pode  substituir  ou  complementar a remuneração devida a qualquer empregado;  vi)  os  pagamentos  a  esse  título  não  podem  ser  efetuados  em  periodicidade  inferior a um semestre ou mais de duas vezes ao ano.  Importante  registrar que,  por  um  lado,  se  a  empresa  instituir  a participação  nos lucros ou resultados deverá atender a todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101/00, por  outro, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam.  Esse Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  vem,  em  seus  julgados,  privilegiando a interpretação normativa no sentido da liberdade de negociação entre as partes  envolvidas e da atenção ao cumprimento dos requisitos que expressamente constem da lei de  regência.  Nesse  sentido  destaco  voto  do  Conselheiro  Elias  Sampaio  Freire,  condutor  do  Acórdão nº 9202­00.503:  “Mais uma vez há de se insistir na questão de que, procurando  não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e  atento  ao  verdadeiro  conteúdo  do  inciso  XI  do  art.  7º  da  Constituição, o legislador ordinário, no art. 2º da Lei nº 10.101,  de  19  de  dezembro  de  2000,  fruto  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  794/94  e  reedições,  limitou­se  a  prever  que  dos  instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos direitos substantivos da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos para a revisão do acordo.  A  lei  não  prevê  a  obrigatoriedade  de  que  no  acordo  coletivo  negociado  haja  a  expressa  previsão  fixação  do  percentual  ou  montante a ser distribuído em cada exercício.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 920          11 Existe sim a obrigatoriedade de se negociar com os empregados  regras  claras  e  objetivas,  combinando  de  que  forma  e  quando  haverá  liberação  de  valores,  caso  os  objetivos  e  metas  estabelecidas e negociadas forem atingidas.  A  Constituição  reconhece  amplamente  a  validade  das  convenções  e  acordos  coletivos  de  trabalho  (art.  7º, XXVI)  e  a  função  da  negociação  coletiva  é  obter  melhores  condições  de  trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco.  Se  por  um  lado  cabe  ao  fisco  verificar  se  os  requisitos  legalmente  estabelecidos  estão  sendo  cumpridos  pela  empresa,  por  outro  lado  é  defeso  a  este  mesmo  fisco  exigir  requisitos  desprovidos de previsão legal.”  No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal,  os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em  relação ao cumprimento dos requisitos legais:  a) o acordo foi assinado após o período a que se  referia e, portanto, não há  que se falar em metas pré­estabelecidas;  b)  divergência  nos  valores  pagos  aos  empregados,  sendo  que  os  29  empregados  constantes  da  tabela  elaborada  pela  fiscalização,  que  correspondem  a  aproximadamente  11%  do  total,  fizeram  jus  a  71,50%,  enquanto  os  outros  228  empregados  (89%  do  total)  receberam  apenas  28,50%  da  PLR  distribuída.,  o  que  evidencia  também  a  substituição salarial.  Seguindo a linha de raciocínio entendemos que prevalece o princípio do “ubi  lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o  intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto.  Nesse  sentido  o  voto  do  Conselheiro  Oseas  Coimbra  Junior,  condutor  do  Acórdão nº 2803­00.254:  “As regras das PLR foram estatuídas ao final do exercício, com  acordos  assinados  no  mês  de  dezembro  dos  respectivos  anos  envolvidos na PLR. A lei 10.101/00 não traz limite temporal para  a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de  aplicação  da  norma.  Não  cabe  ao  julgador  estabelecer  limites  que dificultem a efetivação de direitos, onde a lei  assim não se  manifestou.”  Posição essa que vem encontrando ressonância nesse Conselho, conforme se  vê do voto do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, condutor do Acórdão nº  2401­00.828:  “Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a  efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em  outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não  poderão  deixar  de  observar  os  pressupostos  legais  de  caracterização  de  tal  verba,  sendo  defeso,  igualmente,  a  atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos  dispositivos  legais  que  regulamentam  a  matéria,  a  partir  de  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     12 meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas  que  não  constam  dos  autos,  sob  pena,  inclusive,  de  afronta  ao  Princípio da Legalidade”  Dessa  forma,  entendo  que  não  podem  constituir  como  desrespeito  à  Lei  nº  10.101/00 os itens acima descritos, já que não se configuram como requisitos exigidos para a  validade do Plano. De fato a Lei 10.101/00 não estipula prazo para a assinatura dos acordos de  PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano  imediatamente anterior ao exercício no qual  serão apuradas as metas.  Como  visto,  a  legislação  privilegia  a  livre  negociação  entre  as  partes,  ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. Nesse mister, é muito comum e  normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas  primordiais que  se buscam alcançar,  não  se podendo afirmar que os  empregados,  quando da  assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos.  No caso dos autos verifica­se, em adição, que as negociações iniciaram­se no  período  de  aferição,  tendo  em  vista  que  a  própria  fiscalização  afirma  que  a  comissão  dos  empregados foi eleita em março de 2007 conforme demonstram os documentos de fls. 99/101  (ata de eleição da comissão dos empregados e lista de presença à assembléia dos funcionários,  respectivamente):    Deve­se atentar ainda para o  fato de que os próprios membros  da  Comissão  dos  Empregados  só  foram  eleitos  em  16/03/2007,  ou  seja,  já  transcorrido  quase  metade  do  primeiro semestre.  E  o  pagamento  somente  foi  realizado  após  as  negociações  e  assinatura  do  respectivo  acordo.  Destaco  o  julgado  abaixo  de  relatoria  do  Conselheiro  Rogério  de  Lellis  Pinto:  “PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NFLD  SALÁRIO  INDIRETO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA.  I  A  discussão  em  tomo  da  tributação  da PLR  não  cinge­se  em  infirmar  se  esta  seria  ou  não  vinculada  a  remuneração,  até  porque  o  texto  constitucional  expressamente  diz  que  não,  mas  sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente  a distribuição de lucros;  II Para a alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91, e para  este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que  seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de  forma  que  apenas  a  afronta  aos  critérios  ali  estabelecidos,  desqualifica  o  pagamento,  tomando  o  mera  verba  paga  em  decorrência  de  um  contrato  de  trabalho,  representando  remuneração para fins previdenciários;  III  —  Os  instrumentos  de  negociação  devem  adotar  regras  claras  e  objetivas,  de  forma  a  afastar  quaisquer  dúvidas  ou  incertezas,  que  possam  vir  a  frustrar  o  direito  do  trabalhador  quanto a sua participação na distribuição dos lucros;  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 921          13 IV  —  A  legislação  regulamentadora  da  PLR  aceita  que  a  negociação  quanto  a  distribuição  do  lucro,  seja  concretizada  após  sua  realização,  é  dizer,  a  negociação  deve  preceder  ao  pagamento,  mas  não  necessariamente  ao  advento  do  lucro  obtido.”(CARF, PAF Nº 35488.000520/200756, Cons. Rogério de  Lellis Pinto, Sessão de 13/02/2008)  Também nesse diapasão não se sustenta o argumento de que os empregados  receberam  valores  diversos,  na medida  em  que  a  Lei  10.101/00  não  exige  que  todos  sejam  agraciados  igualmente,  situação  essa  que  conspiraria  com  a  própria  lei  que  pretende  o  comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à  álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos.  Nesse sentido o Acórdão 205­01.331:  “ (...) a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação  nos  lucros  devem  ser  idênticos  e  uniformes  para  todos  os  beneficiários  do  programa.  Os  aumentos  de  lucratividade  da  empresa  resultam  participação  variável  pela  aplicação  de  percentual  incidente  sobre  os  salários.  Dai  a  necessidade  do  ajuste  anual  para  que  as  regras  pactuadas  previamente  sejam  adequadas à realidade dos  fatos. Não há nenhuma restrição da  lei nesse sentido”  Igualmente não se pode caracterizar, data vênia, como salário simplesmente  o fato de um dado empregado ter recebido valores próximos a 100% do seu salário anual como  participação nos lucros e resultados. A Lei 10.101/00 ao passo que não impõe limites objetivos  nesse patamar não permite que se criem regras nela não subsistentes, tal como descrito acima.    Multa  Em  relação  à  multa  há  de  se  registrar  que  o  dispositivo  legal  que  lhe  dá  supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão  relativa à  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 106, da Lei nº  5.172, de 25 de outubro de 1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a  gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91,  já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à  época do  lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser  verificado o fato punido.   Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a  novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado.   Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     14 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,  do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo  a multa  lançada  na  presente  autuação  ser  calculada nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009,  se mais benéfica ao contribuinte.   Ante  o  exposto, VOTO  no  sentido  de CONHECER  o  recurso  voluntário  e  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL para, preliminarmente, aplicar a Súmula CARF 88 em  relação  aos  co­responsáveis,  e,  no mérito,  reconhecer  que  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  seguiram  os  ditames  da  Lei  nº  10.101/00,  não  podendo,  portanto,  constituírem  em  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas.  A multa,  para  a  obrigação  principal,  deverá  ser  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212/91,  se mais  benéfica  ao  contribuinte.        (assinado digitalmente)  Adriano Gonzales Silvério  Relator  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16327.001390/2009­39  Acórdão n.º 2301­003.958  S2­C3T1  Fl. 922          15 Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado,  Com  todo  respeito,  divirjo  do  nobre  relator  e  fui  designado  para  redigir  o  voto vencedor na questão dos acordos  terem sido formalizados, celebrados, assinados após o  período de aferição das metas.  A legislação determina, por lógica, que os acordos sejam celebrados antes do  término de aferição das metas.  Lei 10.101/2000:  t. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros  ou resultados da empresa como instrumento de integração entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos  termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Art.  2o A  participação nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Cabe destacar que há acusação fiscal e o próprio relator informa em seu voto  que o acordo foi assinado após o período a que se referia e, portanto, não há que se falar em  metas pré­estabelecidas.  Ora, como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca:  1.  Integrar capital e trabalho; e  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     16 2.  Incentivar a produtividade.  Por  lógica,  não  há  como  incentivar  a  produtividade  se  o  período  a  que  se  referem os resultados já estiverem no passado.  Não há como alcançar algo que já foi alcançado.  Como  no  presente  caso  a  assinatura  dos  acordos  foi  após  o  período  para  aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, proibindo, conforme a Lei,  a concessão de isenção desses valore, por ausência de requisito determinado.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, divirjo do voto do relator e nego provimento ao recurso  voluntário  do  sujeito  passivo  neste  ponto,  prevalecendo  o  voto  do  Relator  nos  demais,  nos  termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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Numero do processo: 10830.007903/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001 FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. A partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais de fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, para os quais foi criada, estão isentas da Cofins, independente de terem ou não cunho contraprestacional, nos termos do art. 14, inc. X da MP nº 1.858-6/99 e suas reedições. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001 FUNDAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. A partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos objetivos sociais de fundação de direito privado, instituída ou mantida pelo Poder Público, para os quais foi criada, estão isentas da Cofins, independente de terem ou não cunho contraprestacional, nos termos do art. 14, inc. X da MP nº 1.858-6/99 e suas reedições. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 760          2 Crédito Tributário Exonerado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o  advogado Gustavo  Froner Minatel,  OAB/SP  210198.    Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.     Andrada Márcio Canuto Natal – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas, Mônica  Elisa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal.    Fl. 804DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 761          3 Relatório  O  contribuinte  teve  lavrado  contra  si  auto  de  infração  para  exigência  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins,  no  montante  de  R$  19.556.753,79,  já  incluído  tributo,  multa  de  ofício  e  juros.  As  razões  da  autuação  estão  descritas no Termo de Verificação Fiscal, fls. 12/13, e decorreram do entendimento de que as  receitas de prestação de serviços excluídas da tributação pelo sujeito passivo, por terem cunho  contraprestacional,  não  se  encaixariam  na  isenção  prevista  no  art.  14  da MP  nº  1.858­6/99.  Abaixo transcrevo trecho do Termo de Verificação Fiscal:  1.6 Ocorre que, apesar de a Entidade não  ter  fins  lucrativos, e as atividades  que geraram tais  receitas estarem compreendidas no rol de objetivos da Fundação,  tais  receitas  foram  geradas  por  prestação  de  serviços,  como  fica  demonstrado  nos  contratos  e  notas  fiscais  apresentados.  Tais  receitas  tiveram,  portanto,  o  cunho  contraprestacional. São serviços prestados, mediante contratos comerciais, passíveis  de mediação e recebidos pela entidade, como qualquer empresa do ramo.   1.7 A Lei 9718/98, que teve aplicação para fatos geradores ocorridos a partir  de  01/02/99,  define  que  as  pessoas  jurídicas,  sem  fins  lucrativos,  passaram  a  ser  contribuintes da COFINS sobre a totalidade da receita. Já a MP 1.858­6 de 29­06­ 99, dispõe em seu artigo 14, que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de  01/02/99, são  isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias da  entidade a que se refere o art. 13, onde se situaria o contribuinte em tela.  1.8 A Receita Federal já firmou entendimento sobre a matéria, (decisões 31 no  DOU de 13­09­00 e 162 no DOU de 14­09­00), que as entidades sem fins lucrativos  estão isentas da COFINS sobre as receitas relativas a suas atividades próprias, assim  entendidas  suas  receitas  típicas,  como  contribuições,  doações  e  anuidades  ou  mensalidades  de  seus  associados  e  mantenedores,  destinadas  ao  custeio  e  manutenção da instituição, mas que não tenham cunho contraprestacional.   1.9 Conforme exposto acima e demonstrado, pelos documentos anexados, por  amostragem,  tais  receitas  foram  indevidamente excluídas,  por  terem nitidamente o  cunho  contraprestacional,  caracterizando­se  como  uma  atividade  tipicamente  comercial.  Tanto  isto  é  verdade,  que  a  própria  entidade,  em  suas  Declarações  de  Rendimentos  para  o  Imposto  de  Renda,  inclui  tais  receitas  para  oferecê­las  à  tributação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, IRPJ, e para a Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido, CSLL. (os destaques constam do original).  O contribuinte apresentou  impugnação ao  lançamento, com argumentos que  podem assim ser resumidos:  ­  alega  preliminarmente  nulidade  do  lançamento  por  irregularidades  decorrentes  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF.  Que  o  MPF  foi  extinto  sem  prorrogação de prazo, pois quando teria tomado ciência da prorrogação já havia sido extinto o  mandado  original.  Também  afirma  que  o  MPF­C,  que  prorrogou  o  prazo,  não  teria  sido  assinado pelo representante legal da autuada; não podendo gerar qualquer efeito jurídico, sendo  nulo o  lançamento por  inobservância dos  requisitos de validade do processo de  fiscalização.  Afirma  também  que  o  MPF  só  teria  autorizado  a  fiscalização  do  IRPJ,  portanto  houve  extrapolação de poderes quando o auditor fiscal efetuou o lançamento da Cofins;  Fl. 805DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 762          4 ­ alega também nulidade do lançamento por ter afastado a isenção da Cofins  sem observância do rito estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430/96;  ­ que a Fundação CPQD, é uma fundação de direito privado, criada por meio  do Decreto  nº  2.546,  de  14/04/1998,  em  atendimento  à  Lei  Federal  nº  9.472/97,  sendo  que  coube à Telebrás S/A  instituir  a  fundação,  através de  escritura pública, mediante dotação de  acervo  patrimonial,  tendo  sido  consignado  em  seu  estatuto  as  receitas  previstas  para  sua  manutenção;   ­  após  fazer  um  estudo  sobre  a  evolução  legislativa  do  PIS  e  da  Cofins,  afirma que a partir da edição da MP nº 1.858­6/99, a qual teve várias reedições, que culminou  por  fim  na MP  nº  2.158­35/2001,  ficou  determinada,  art.  14,  a  partir  de  1º  de  fevereiro  de  1.999, a isenção da Cofins relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13,  entre  elas  a  interessada,  já  que  se  trata  de  uma  fundação  de  direito  privado,  conforme  consignado no item anterior;   ­  que  não  teria  fundamento  jurídico  o  fisco  definir  “receitas  relativas  a  atividades  próprias”  como  sendo  contribuições,  donativos,  anuidades  ou mensalidades  pagas  pelos  associados  para  manutenção  da  instituição.  Neste  sentido,  transcreve  o  art.  4º  de  seu  Estatuto  Social,  para  afirmar  que  a  impugnante  não  aufere  receitas  divorciadas  de  suas  atividades estatutárias, mas tão somente para as quais foi instituída pelo Poder Executivo;  ­  cita  algumas  decisões  em  consulta,  às  quais  viriam  ao  encontro  de  seu  entendimento,  qual  seja,  o  intuito  de  demonstrar  que  os  ingressos  financeiros  obtidos  pela  entidade  são  estatutários,  qualificando­se  como  “receitas  relativas  às  atividades  próprias”,  porque  provenientes  da  prestação  de  serviços  para  os  quais  foi  instituída,  colocados  à  disposição do grupo de pessoas a que se destinam e sem fins  lucrativos. Que na ausência de  definição  legal  tem­se  que  receitas  de  atividades  próprias  são  aquelas  que  estão  previstas  estatutariamente no objeto  social da entidade e que são utilizadas como fontes exclusivas de  sua manutenção e que este conceito estaria insculpido no art. 15 da Lei nº 9.532/97;  ­ que em atendimento ao disposto no art. 111, II do CTN a interpretação de  norma que concede isenção deve ser feita de forma literal;  ­ que houve lançamento em duplicidade da Cofins relativa ao fato gerador de  outubro/99, que já teria sido paga por meio de compensação no processo nº 10166.021008/99­ 11. Solicitou perícia para conferência da correta apuração e pagamento da Cofins relativa a este  período;  ­  que  a  multa  de  ofício  aplicada  de  75%  é  ilegal  pois  teria  efeito  confiscatório;  ­  contesta  também  a  aplicação  da  taxa  de  juros  Selic,  por  carecer  de  sustentação  legal  e por  contrariar dispositivos  constitucionais basilares  do  sistema  financeiro  nacional e do regime tributário.  Analisando  referida  impugnação  a  1ª  Turma  da  DRJ/Campinas,  proferiu  o  Acórdão nº 610, de 04/03/2002, cuja ementa transcreve­se abaixo:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Fl. 806DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 763          5 Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2001  Ementa:  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  DE  FISCALIZAÇÃO  (MPF­F)  E  COMPLEMENTAR  (MPF­C).  SUBSITÊNCIA DO PRIMEIRO EM FACE DO SEGUNDO. Se o  MPF­C  é  emitido  para  o  só  propósito  de  dilatar  o  prazo  de  validade de MPF­F que lhe precede, a alteração promovida é de  fundo  formal.  Ainda  que  a  intimação  do MPF­C  se  dê  após  o  termo ad quem de validade do MPF­F original,  o  contribuinte,  nesta  hipótese,  não  é  surpreendido  (1)  quer  por  quebra  da  relação  de  confiança  inicialmente  instalada  na  pessoa  de  determinado  AFRF,  responsável  pela  condução  do  MPF­F  pretérito,  (2)  quer  por  infirmar  a  expectativa  da  máxima  autuação possível. Resta intacta a segurança jurídica.  INTIMAÇÃO.  REPRESENTANTE  LEGAL.  DESNESCESSIDADE.  O  art.  23,  e  incisos,  do  Decreto  no70.235/72, permite a conclusão de que a intimação pessoal de  atos havidos no curso do procedimento de  fiscalização é válida  se  feita  na  pessoa  de  empregado  da  pessoa  jurídica,  sem  qualquer poder especialmente conferido para tanto.  COFINS.  ISENÇÃO E  SUA  SUSPENSÃO.  A  isenção  conferida  pela MP no1.858/99, art. 14, X, c/c art. 13, desde que não seja  questão  controversa  a  natureza  da  entidade  autuada  (i.é,  que  seja  uma  dentre  as  elencadas),  não  está  sujeita  à  qualquer  condição. Destarte,  inaplicável  o  comando  da  Lei  nº  9.430/96,  art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão  de isenções.   COFINS.  ISENÇÃO DAS  PESSOAS  JURÍDICAS  REFERIDAS  NO ART. 13 DA MP No1.858/99. RECEITAS DAS ATIVIDADES  PRÓPRIAS. CONCEITO. Das receitas que afluem ao caixa das  entidades  referidas  na  MP  nº  1.858/99,  art.  13,  estarão  ao  amparo da isenção da Cofins apenas as contribuições, doações,  anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores,  destinadas  ao  custeio  e  manutenção  da  própria  instituição.  E  este  não  é  um  critério  que  se  afere  pela  simples  previsão  de  qualquer ordem de receita em dispositivo estatutário. As receitas  que têm cunho contraprestacional não são isentas da Cofins.   CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. A  norma  jurídica  posta sob o controle jurisdicional de constitucionalidade terá no  ordenamento  jurídico  presente  (CF/88  pós­EC  no20/98)  seu  paradigma.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  DE  CONTENCIOSO  TRIBUTÁRIO.  É  a  atividade  onde  se  examina  a  conformidade  dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de  regência em vigor (i.é, com força vinculante), sem perscrutar da  legalidade  ou  constitucionalidade  dos  fundamentos  daqueles  atos (validade da norma jurídica).  Lançamento Procedente  Fl. 807DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 764          6 Não  concordando  com  citada  decisão,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário, fls. 521/581, por meio do qual alega, em síntese, as mesmas razões expendidas na  impugnação.  Quanto  ao  apontado  equívoco  relativo  ao  fato  gerador  de  outubro/99,  cujo  lançamento teria sido efetuado em duplicidade em face da compensação efetuada no processo  10166.021008/99­11,  a  decisão  recorrida  afirmou  que  o  pedido  de  compensação  teria  sido  indeferido.  No  recurso  voluntário  o  recorrente  afirma  que,  por  ter  apresentado  recurso  administrativo  naquele processo,  enquanto  não  houver  decisão  definitiva que  referido  débito  não pode ser objeto de cobrança.   A  2ª  Câmara  do  2º Conselho  de Contribuintes  em  sessão  realizada  no  dia  19/10/2005, proferiu  a Resolução nº 202­00.861,  fls.  662/664,  convertendo o  julgamento  em  diligência para que a repartição de origem apurasse se a recorrente atende ao disposto em seus  atos constitutivos e também se atenderia expressamente ao disposto no art. 14 do CTN.  O  relatório  de  diligência  encontra­se  às  fls.  741/744  e  dele  pode  extrair­se  que  a  recorrente  efetivamente  é  uma  fundação  de  direito  privado,  sem  fins  lucrativos  e  que  atende  precipuamente  aos  objetivos  sociais  para  a  qual  foi  criada.  Que  possui  escrituração  contábil  regular em todos os exercícios, não se evidenciando a existência de  transferência de  patrimônio e ou rendas e que seus lucros são reinvestidos na própria fundação.  Instado a se manifestar quanto ao resultado da diligência, o recorrente afirma  que embora não sejam notas determinantes para o gozo da isenção pretendida no caso em tela,  constata­se  que  a  auditoria  fiscal  confirma  o  cumprimento  pela  entidade  dos  requisitos  estabelecidos no art. 14 da MP nº 2.158­35/2001.   É o relatório.  Fl. 808DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 765          7 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  EM  FACE  DE  IRREGULARIDADES  FORMAIS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF  O contribuinte afirma que o MPF foi extinto sem prorrogação de prazo, pois  quando teria tomado ciência da prorrogação já havia sido extinto o mandado original. Também  afirma que o MPF­C, que prorrogou o prazo, não teria sido assinado pelo representante legal da  autuada;  não  podendo  gerar  qualquer  efeito  jurídico,  sendo  nulo  o  lançamento  por  inobservância  dos  requisitos  de  validade  do  processo  de  fiscalização. Afirma  também que  o  MPF  só  teria  autorizado  a  fiscalização  do  IRPJ,  portanto  houve  extrapolação  de  poderes  quando o auditor fiscal efetuou o lançamento da Cofins.  O  auto  de  infração  somente  seria  nulo  se  tivesse  sido  lavrado  por  pessoa  incompetente  ou  sem  fundamentação  legal,  conforme  dispõe  o  Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março de 1972, art. 59, inciso I:  “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  [...].  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.”  Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 os pré­requisitos necessários  ao auto de infração:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  Fl. 809DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 766          8 VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  No presente caso, o auto de infração em discussão foi  lavrado por Auditor­ Fiscal  da Receita  Federal  (RFB),  servidor  competente  para  exercer  fiscalizações  externas  de  pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias,  por  parte  da  fiscalizada,  tem  competência  legal  para  a  sua  lavratura,  com  o  objetivo  de  constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício.  Do  seu  exame,  verificamos  que  nele  estão  demonstradas  as  infrações  imputadas  à  recorrente,  a  fundamentação  da  exigência  do  imposto  e  das  cominações  legais,  bem como consta com clareza a descrição dos fatos e o enquadramento legal.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória  nos  termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor­ Fiscal  identificar uma  infração à  legislação  tributária,  ele  tem o dever  funcional de efetuar o  lançamento  correspondente  a  esta  infração.  No  caso  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e  não  tem  o  condão  de  modificar  a  competência  privativa  do  Auditor­Fiscal  de  efetuar  o  lançamento de ofício.  Somente  para  destacar,  a  Cofins  objeto  do  presente  lançamento  está  consubstanciada  no  MPF,  fl.  2,  no  item  “Verificações  Obrigatórias”  o  qual  determina  a  “correspondência  entre  os  valores  declarados  e  os  valores  apurados,  pelo  sujeito  passivo  em  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  em  relação  aos  tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF, nos últimos cinco anos”.  Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e  das  prorrogações,  ainda  que  comprovadas  devem  ser  resolvidas  no  âmbito  do  processo  administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu  aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10.  Neste  sentido  tem  sido  a  jurisprudência  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais, em decisão unânime nas duas ementas citadas abaixo:  Assunto:  Ausência  de  autorização  no  MPF  ­  Mandado  de  Procedimento Fiscal  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não  inclusão,  de  forma  expressa  no MPF,  de  exigência  de  tributos  que  se  encontram  inclusos  nas  verificações  obrigatórias  constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  negar  provimento  ao  recurso. Os Conselheiros  Antonio  Praga,  Karem  Jureidini  Dias,  Adriana  Gomes  Rêgo,  Ivete  Malaquias  Pessoa  Monteiro;  João  Carlos  de  Lima  Junior,  Alexandre  Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto  acompanham  o  relator  pelas  conclusões,  sob  o  entendimento  que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração  Tributária,  conforme  entendimento  reiterado  da  CSRF,  nos  Fl. 810DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 767          9 termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.(Grifei)  (Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  1ª  Turma,  Processo  nº  13819.001388/2001­82, Sessão de 03/10/2009, Acórdão nº 9101­ 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri).    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário:  1998,  1999,  2000,  2001,  2002, 2003  NORMAS PROCESSUAIS ­ MPF ­ É de ser rejeitada a nulidade  do  lançamento,  por  constituir  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  não  influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Grifei)  Recurso especial negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  da  Primeira  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento  ao  recurso  especial,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  (Grifei)  (Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  1ª  Turma,  Processo  nº  10120.002508/2003­91,  Sessão  de  11/11/1998,  Acórdão  nº  01­ 06.085. Relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade de Lima da  Fonte Filho).  Portanto afasto esta preliminar de nulidade do lançamento.  INOBSERVÂNCIA  PROCESSUAL  DO  RITO  ESTABELECIDO  PELO  ART. 32 DA LEI Nº 9.430/96  O contribuinte alega também a nulidade do lançamento com o argumento de  que a isenção da Cofins foi afastada sem observância do rito processual estabelecido pelo art.  32 da Lei nº 9.430/96.  Assim dispõe o art. 32:  Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta  de  observância  de  requisitos  legais,  deve  ser  procedida  de  conformidade com o disposto neste artigo.    § 1º  Constatado  que  entidade  beneficiária  de  imunidade  de  tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150  da  Constituição  Federal  não  está  observando  requisito  ou  condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25  de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional, a fiscalização  tributária  expedirá  notificação  fiscal,  na  qual  relatará  os  fatos  que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a  data da ocorrência da infração.  Fl. 811DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 768          10   § 2º A  entidade poderá, no prazo de  trinta dias da  ciência da  notificação,  apresentar  as  alegações  e  provas  que  entender  necessárias.    § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre  a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  do  benefício,  no  caso  de  improcedência,  dando,  de  sua decisão, ciência à entidade.  (...)  § 10. Os  procedimentos  estabelecidos  neste  artigo  aplicam­se,  também,  às  hipóteses  de  suspensão  de  isenções  condicionadas,  quando  a  entidade  beneficiária  estiver  descumprindo  as  condições ou requisitos impostos pela legislação de regência.  Percebe se pela leitura do dispositivo que são duas as hipóteses previstas para  inauguração do citado procedimento. Uma relativa à suspensão da imunidade prevista no art.  150, VI, “c” da CF, quando descumpridas as condições previstas nos art. 9º, § 1º e 14 do CTN.  A outra, prevista no § 10 do art. 32, acima transcrito, relativa às  isenções condicionadas, nos  casos em que as entidades beneficiárias estiverem descumprindo referidas condições.  Verifica­se  nitidamente  que  no  presente  processo  de  lançamento  não  estão  presentes  nenhuma  das  hipóteses  para  inauguração  do  referido  procedimento.  A  imunidade  prevista no art. 150, VI, “c” da CF é relativa a impostos, quando neste processo a matéria em  discussão é referente a uma contribuição social.   Quanto a hipótese prevista no § 10, do art. 32 da Lei nº 9.430/96, trata­se de  processo de suspensão de isenção condicionada, quando a entidade não estiver cumprindo os  requisitos  legais  para  fruição  do  benefício.  Também  não  é  o  caso  dos  presentes  autos.  O  lançamento fiscal não traz como elementos de controvérsia as questões atinentes à constituição  do sujeito passivo, que ele não se encaixaria como Fundação de Direito Privado nos termos do  inc. VIII do art. 13 da MP nº 1.858­6/99 e não poderia usufruir da isenção da Cofins prevista  no art. 14,  inc. X do mesmo dispositivo legal. O que se discute no presente processo é se as  receitas indicadas no auto de infração são ou não relativas às atividades próprias da recorrente,  como  exige  a  lei  isentiva.  Trata­se  apenas  de  verificar  se  referidas  receitas  estão  ou  não  no  campo de incidência da Cofins.  A  fiscalização  teria  incorrido  em  erro  caso  tivesse  aberto  processo  de  suspensão da isenção do contribuinte para o presente caso. Não se discute se o contribuinte tem  direito  ou  não  à  isenção  da  Cofins  prevista  no  art.  14,  X  da MP  nº  1.858­6/99.  O  próprio  Auditor­Fiscal,  na  descrição  dos  fatos,  reconhece  o  enquadramento  da  recorrente  como  destinatária desta isenção, porém discorda de que as receitas objeto da autuação sejam relativas  ás atividade próprias por  terem caráter contraprestacional. Este é o mérito da questão, não se  trata de suspensão de isenção condicionada. Estamos aqui a discutir a questão do lançamento  tributário: fato gerador, incidência ou isenção tributária, não havendo necessidade de processo  prévio de suspensão da isenção.  Portanto, afasto também esta preliminar de nulidade.  MÉRITO    Fl. 812DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 769          11 Como já dito a controvérsia de mérito do presente processo é se as receitas de  caráter contraprestacional auferidas pela recorrente encaixam­se ou não como receitas próprias  da fundação, sendo neste caso isentas da Cofins nos termos dos art. 13, inc. VIII e art. 14, inc.  X, da MP nº 1.858­6/99, atual MP nº 2.158­35/2001, in verbis:    Art. 13.  A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  será  determinada  com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas  seguintes entidades:    (...)    VIII ­ fundações  de  direito  privado  e  fundações  públicas  instituídas ou mantidas pelo Poder Público;    (...)    Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:    (...)    X ­ relativas  às  atividades  próprias  das  entidades  a  que  se  refere o art. 13.    (...)  Portanto  está  claro,  pela  simples  leitura  do  dispositivo,  que  as  receitas  relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, caso da recorrente, são isentas  da Cofins a partir de 1º de fevereiro de 1999.   Como  já  foi  dito  a  recorrente  é  uma  fundação  de  direito  privado,  sem  fins  lucrativos,  cuja  criação  foi  autorizada  pelo  art.  190  da  Lei  nº  9.472/97,  e  sua  instituição  efetuada  pelo  Poder  Público  por  meio  do  art.  4º  do  anexo  aprovado  pelo  Decreto  nº  2.546/1998.  Lei nº 9.472/97:  Art.  190.  Na  reestruturação  e  desestatização  da  Telecomunicações  Brasileiras  S.A.  ­  TELEBRÁS  deverão  ser  previstos  mecanismos  que  assegurem  a  preservação  da  capacidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico existente  na empresa.    Parágrafo  único.  Para  o  cumprimento  do  disposto  no  caput,  fica  o  Poder  Executivo  autorizado  a  criar  entidade,  que  incorporará  o  Centro  de  Pesquisa  e  Desenvolvimento  da  TELEBRÁS, sob uma das seguintes formas:    I  ­  empresa  estatal  de  economia  mista  ou  não,  inclusive  por  meio da cisão a que se refere o inciso I do artigo anterior;    II ­ fundação governamental, pública ou privada.          Fl. 813DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 770          12 Anexo aprovado pelo Decreto 2.546/98:  Art.  4º  Fica  a  Telecomunicações Brasileiras  S.A.  ­  TELEBRÁS  autorizada a instituir uma fundação privada, para incorporar o  seu  Centro  de  Pesquisa  e  Desenvolvimento,  nos  termos  aprovados pela Comissão Especial de Supervisão instituída pelo  Ministro de Estado das Comunicações, em conformidade com o  disposto no art. 195 da Lei nº 9.472/97.   Parágrafo único  ­ Poderá ser exigido das empresas  resultantes  da  reestruturação  societária  da  TELEBRÁS,  no  edital  de  desestatização, o compromisso de participar financeiramente da  manutenção  das  atividades  da  fundação,  por  um  prazo  de  até  três anos, a contar de sua instituição.   Nos  termos  autorizados  pelo  poder  executivo,  o  Conselho  Curador  da  Fundação CPQD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações – em reunião  realizada  em  30/09/1999,  aprovou  o  seu  Estatuto  Social,  fls.  20/40,  estabelecendo  que  seria  uma  fundação  sem  fins  lucrativos,  com  prazo  de  duração  indeterminado,  com  a  seguinte  finalidade:  Art.  2º.  O  CPqD  tem  o  objetivo  primordial  e  permanente  de  preservar  a  capacidade  em  pesquisa  e  desenvolvimento  em  telecomunicações  existente,  no  Centro  de  Pesquisa  e  Desenvolvimento  da  Telecomunicações  Brasileiras  S/A  TELEBRÁS,  conforme previsto na Lei 9.472, de 16 de  julho de  1997,  fornecendo  soluções  científicas  e  tecnológicas  que  contribuam  para  o  desenvolvimento,  progresso  e  bem  estar  da  sociedade brasileira, podendo, para  tanto, realizar as seguintes  atividades:  I pesquisa aplicada, isoladamente ou em conjunto com empresas,  universidades,  instituições  de  pesquisa,  desenvolvimento  ou  fomento;  II estudos, projetos especializados e especificações de solução;  III desenvolvimento de sistemas e programas de computador;  IV desenvolvimento de produtos industriais;  V  desenvolvimento  institucional,  através  de  programas,  ações,  projetos  e atividades,  inclusive de natureza  infraestrutural,  que  levem  à  melhoria  das  condições  tecnológicas  ou  missão  institucional de instituições públicas ou privadas;  VI serviços de consultoria e assessoria técnica especializada;  VII educação,treinamento e capacitação de recursos humanos;  VIII  serviços  especializados  de  manutenção,  testes  de  conformidade,  medição,  calibração,  certificação  de  produtos,  normalização, aferição, ensaios e testes de padrões, aplicáveis a  instrumentos, equipamentos e produtos;  Fl. 814DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 771          13 IX  comercialização  de  programas  de  computador  e  produtos  desenvolvidos ou produzidos por si ou por terceiros;  X  concessão  de  licença  de  uso  de  marcas,  patentes  e  de  programas de computador;  XI transferência de tecnologias adquiridas ou desenvolvidas pelo  CPqD;  XII  instituição  ou  participação  em  organizações  para  o  desenvolvimento de atividades relacionadas aos seus objetivos;  XIII incentivo à produção e à formação cultural;  XIV congressos, seminários, simpósios e conferências;  XV  concessão  de  bolsas  de  estudo  para  estágios,  assistência  a  estudiosos  e  pesquisadores,  cujas  atividades  possam  contribuir  para a realização de seus objetivos;  XVI instituição de prêmios para o estímulo e o reconhecimento a  pesquisadores  que  tenham  contribuído  ou  venham  a  contribuir  para  o  desenvolvimento  científico,  técnico  e  cultural  da  sociedade;  XVII  outras,  relacionadas  com  os  seus  objetivos,  não  expressamente  elencadas  neste  artigo,  conforme  decisão  do  Conselho Curador e aprovação do Ministério Público.  Parágrafo  único.  O  CPqD  deve  atuar  preferencialmente  em  atividades  relacionadas  às  áreas  de  telecomunicações  e  de  tecnologia da informação.  O Auditor­Fiscal ao elaborar o auto de infração assim expôs no item 1.6 do  Termo de Verificação Fiscal:  “1.6 Ocorre que, apesar de a Entidade não ter fins lucrativos, e  as atividades que geraram tais receitas estarem compreendidas  no  rol  de  objetivos  da  Fundação,  tais  receitas  foram  geradas  por prestação de serviços, como fica demonstrado nos contratos  e  notas  fiscais  apresentados.  Tais  receitas  tiveram,  portanto,  o  cunho  contraprestacional.  São  serviços  prestados,  mediante  contratos  comerciais,  passíveis  de  medição  e  recebidos  pela  entidade, como qualquer empresa do ramo.” (Grifei)  Está  evidente,  portanto,  que  não  há  controvérsia  de  que  as  receitas  foram  oriundas  de  atividades  compreendidas  no  rol  dos  objetivos  sociais  da  Fundação  CPQD.  O  ponto de divergência consiste no fato de saber se as receitas que decorrerem de atividades de  cunho contraprestacional estão ou não isentas da Cofins nos termos do Art. 14, inc. X da MP nº  2.158/­35/2001.  A  fiscalização,  conforme  consta  no  Termo  de Verificação  Fiscal,  firmou  o  entendimento  de  que  “receitas  relativas  a  atividades  próprias”  referem­se  às  suas  receitas  típicas  como  contribuições,  doações  e  anuidades  ou  mensalidades  de  seus  associados  e  mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição, mas que não tenham cunho  Fl. 815DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 772          14 contraprestacioanal, citou neste sentido duas decisões da Receita Federal (decisões 31 no DOU  de 13/09/00 e 162 no DOU de 14/09/00).  Por  sua  vez  a  1ª  Turma  da  DRJ/Campinas  manteve  este  entendimento,  citando como fonte de sustentação o PN CST nº 5, de 22/4/92, o qual teria analisado a questão  de  quais  receitas  das  associações,  dos  sindicatos,  das  federações  e  confederações,  das  organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Este parecer  teria concluído que as  receitas derivadas de contribuições, anuidades ou mensalidades destas  entidades estaria  fora do campo de  incidência  tributária, uma vez que a  lei elegeu como fato  gerador  o  faturamento,  stricto  sensu.  Concluiu  assim,  que  as  receitas  de  cunho  contraprestacional,  por  configurarem  faturamento,  estavam  no  campo  de  incidência  e  não  existia lei isentiva. Posteriormente com a edição da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de  faturamento para abranger a totalidade das receitas, foi necessária a edição da MP nº 1.858/99,  isentando somente aquelas receitas antes fora do campo de incidência e agora isentas, ou seja, a  medida provisória teria sido editada para estabelecer o status quo anterior.  Com todo respeito aos entendimentos da fiscalização e também da autoridade  julgadora de 1ª instância administrativa, estes argumentos não se sustentam diante da leitura da  norma isentiva. A MP nº 1858­6/99 e suas reedições foram editadas após o PN CST nº 5, de  22/04/92, e das decisões citadas no Termo de Verificação Fiscal que remontam ao ano de 2000.  Dizer que a norma foi editada em função do referido parecer é puro exercício de imaginação,  pois se assim o fosse sua redação poderia e deveria ser explícita. Não se pode querer que os  destinatários da norma, remontem a pareceres infra­legais de anos atrás, para poder decifrar o  seu real sentido. O seu real sentido, neste caso, na minha opinião, está claramente expresso na  norma  em  questão.  São  isentos  da  Cofins  as  receitas  relativas  às  atividade  próprias  das  entidades listadas no art. 13 da MP nº 2.158­35/2001.  Concordo com o recorrente de que os ingressos decorrentes de mensalidades,  anuidades, contribuições, etc não correspondem a atividades fins destas entidades e nem teria  sentido  se  fossem.  Na  verdade  são  fontes  de  receitas  para  que  elas  possam  atingir  os  seus  objetivos.  As  receitas  de  cunho  contraprestacional,  ou  seja  remuneradas,  podem  vir  naturalmente  de  atividades  relacionadas  com  suas  atividades  estatutárias  ou  não.  Quando  decorrentes de suas atividades estatutárias a lei lhes concedeu isenção.  Também não concordo com o argumento de que esta interpretação dá azo que  as  próprias  entidades  possam  em  seus  estatutos  definir  quais  atividades  seriam  objeto  da  isenção.  As  entidades  relacionadas  no  art.  13  da MP  nº  2.158­35/2001,  para  serem  criadas,  devem  obedecer  a  legislações  próprias  que,  em  regra,  são  restritivas  quanto  ao  seu  objeto  social. No caso em exame, quanto às Fundações, de acordo com o parágrafo único do art. 62 do  Código  Civil,  Lei  nº  10.406/2002,  as  fundações  somente  poderão  ser  constituídas  para  fins  religiosos, morais, culturais ou de assistência e serão veladas pelo Ministério Público do Estado  de onde se situarem, bem como as regras para as alterações estatutárias, são bem rígidas a teor  do que dispõe o art. 67 do CC, abaixo transcrito.  Art.  67.  Para  que  se  possa  alterar  o  estatuto  da  fundação  é  mister que a reforma:  I ­ seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e  representar a fundação;  II ­ não contrarie ou desvirtue o fim desta;  Fl. 816DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 773          15 III  ­  seja  aprovada  pelo  órgão  do Ministério  Público,  e,  caso  este  a  denegue,  poderá  o  juiz  supri­la,  a  requerimento  do  interessado.(Grifei)  No presente caso a própria fiscalização reconheceu que as receitas objeto da  autuação são relativas ao “rol de objetivos da Fundação”. Portanto, concluo que estas receitas  são  isentas  da  Cofins  por  serem  relativas  às  suas  atividades  próprias,  tal  qual  como  está  literalmente constante do art. 14 da MP nº 1858­6/99 e suas reedições.  Inclusive,  neste  sentido,  esta  turma  de  julgamento,  em  processo  do mesmo  contribuinte assim se manifestou:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006  FUNDAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO  As  fundações  criadas, mediante  autorização  do Poder Público,  em relação as suas receitas decorrentes de atividades estranhas  aos seus objetivos sociais, estão sujeitas à Cofins com incidência  cumulativa.  FUNDAÇÃO.  RECEITAS  DE  ATIVIDADES  PRÓPRIAS.  ISENÇÃO.  As  receitas  decorrentes  de  atividades  próprias  dos  objetivos  sociais  de  fundação  de  direito  privado,  instituída  ou mantida  pelo Poder Público,  para os  quais  foi  criada,  estão  isentas da  Cofins.(Grifei)  BASE  DE  CÁLCULO.  ALUGUÉIS.  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS. EXCLUSÃO.  No julgamento do RE 585.235QO/MG, julgado sob o regime do  art.  543­B  da  Lei  nº  8.869,  de  11/01/1973  (CPC),  o  Supremo  Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do §  1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo  da Cofins; assim, em face do disposto no art. 62­A do Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Ricarf),  aplica­se  ao  presente  julgamento,  aquela  decisão,  excluindo­se  da  base  de  calculo  da  contribuição  as  receitas  de  aluguéis.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO  (1ª  TO  da  3ª  Câmara/3ª  Seção  de  Julgamento.  Processo  nº  10830.009660/2008­01, Sessão de 21/08/2012, Acórdão nº 3301­ 001.578. Relatoria do Conselheiro José Adão Vitorino Morais).      Fl. 817DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10830.007903/2001­91  Acórdão n.º 3301­002.195  S3­C3T1  Fl. 774          16 Diante  do  exposto,  voto  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar a exigência tributária.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                               Fl. 818DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS

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Numero do processo: 10380.900751/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 541          1 540  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.900751/2009­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3101­001.711  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de setembro de 2014  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  CGTF CENTRAL GERADORA TERMELÉTRICA FORTALEZA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.  Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em  proporção  inferior  à  variação  ponderada  de  seus  insumos,  não  é  descaracterizado  o  preço  predeterminado,  com  a  incidência  cumulativa  das  contribuições de PIS e COFINS.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no  período  em questão,  seja  feita  no  regime  cumulativo,  com o  retorno  dos  autos  à  unidade de  origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite  do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº  117.908, advogado do sujeito passivo.    Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente    Rodrigo Mineiro Fernandes ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 51 /2 00 9- 09 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 542          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  Amauri  Amora  Câmara  Junior,  Elias  Fernandes  Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  declaração  de  compensação  (DCOMP)  eletrônica  na  qual  o  interessado  alega  possuir  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior  da  contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos.  A  análise  do  direito  creditório  concluiu  que  o  pagamento  informado  como  origem do crédito encontrava­se totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da  própria  contribuição,  não  restando  saldo  disponível  para  ser  utilizado  para  a  compensação  pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi  reconhecido, com a conseqüente não  homologação  da  compensação,  conforme  Despacho  Decisório  e  Detalhamento  da  Compensação.  Regularmente  cientificada,  a  interessada  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade,  acompanhada  de  documentos  ao  seu  ver  probatórios  de  seus  direitos,  alegando,  em  síntese:  que  seu  crédito  decorre  de  pagamento  a  maior  em  virtude  de  ter  calculado  a  contribuição  indevidamente  com  alíquota  de  não­cumulatividade;  que  embora  tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não  pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu  objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e  toda a sua energia fornecida no ano­calendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética  do  Ceará,  cujo  contrato  de  compra  e  venda  foi  celebrado  em  31/08/2001  (aditivos  em  10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições  calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso  XI  do  art.  10  da  Lei  nº  10.833/2003;  que  indicou  indevidamente  na  DCTF  o  valor  da  contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não­ cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a  maior  e  a  registrou  no  ativo;  que  apresentou  o  PER/DCOMP  em  tela  declarando  a  compensação  relativa  à  diferença  acima  apontada,  mas  se  ouvidou  de  retificar  a  DCTF  correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente  a compensação declarada.   A  DRJ  em  FORTALEZA/CE  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  mantendo  a  não­homologação  da  compensação  do  débito  fiscal  declarado.  Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da  Cofins,  o  preço  predeterminado  é  descaracterizado  após  o  1º  reajuste,  salvo  quando  demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao  acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos  custos dos insumos utilizados.  Discordando  da  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário  onde  basicamente  reproduz  o  alegado  em  primeira  instância,  reforçando  notadamente  a  importância  do Ofício  nº  1.431/2006SFF/ANEEL,  que  acredita  fazer  prova  a  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 543          3 seu  favor.  Por  fim,  requereu  a  reforma  do  acórdão  recorrido  e  a  subsistência  total  da  compensação efetivada.  Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma  de  julgamento,  em  sua  composição  anterior,  determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente  intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento  do processo de produção da  energia  elétrica  fornecida no período em que  a  recorrente  alega  possuir  crédito,  indicação  dos  insumos  utilizados,  a  variação  dos  preços  dos  respectivos  insumos  e  a  memória  dos  reajustes  do  preço  da  energia  elétrica  fornecida,  bem  como  a  conclusão  acerca  da  questão  controversa  se  os  índices  utilizados  ultrapassaram,  ou  não,  os  custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos.  Após  ser  regularmente  intimada,  a  recorrente  apresentou  o  Laudo  Pericial  solicitado,  com  o  detalhamento  do  processo  de  produção  de  energia  elétrica,  indicação  dos  insumos  utilizados,  variação  dos  preços  dos  insumos  e  memória  dos  reajustes  do  preço  da  central  geradora  termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros  José Mario  Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado  ­ Consultoria Empresarial em Energia e Regulação.  Após  o  atendimento  do  disposto  na  Resolução,  a  unidade  de  origem  encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação.  Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  trazer  aos  autos  complemento  do  laudo  pericial,  com  a  informação  completa  da  composição  final  do  preço  de  venda  de  energia  para  a  COELCE,  informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição  do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia  vendida para a COELCE no ano de 2005.  Após ser regularmente  intimada, a  recorrente apresentou o complemento do  Laudo  Pericial  Técnico  elaborado  pelos  engenheiros  José  Mario  Miranda  Abdo  e  Eduardo  Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado ­ Consultoria Empresarial  em Energia  e Regulação,  contendo  a  composição  final  do  preço  de venda  de  energia  para  a  COELCE, com o detalhamento da ponderação dos  insumos na composição do preço final de  energia.  Após  o  atendimento  do  disposto  na  Resolução,  a  unidade  de  origem  encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e,  considerando  o  preenchimento  dos  requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 544          4 A questão meritória  a  ser apreciada por esse  colegiado é  a  sujeição ou não  das  receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega  ter  apurado de  forma equivoca  a  contribuição  com  incidência não­cumulativa,  quando o  correto  seria  a  incidência  cumulativa,  existindo,  segundo  seu  entendimento,  saldo  de  contribuição  recolhida  indevidamente  e  passível  de  restituição  e  compensação.  Entretanto,  não  foi  esse  o  entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não  reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o  fundamento  de  que  a  contribuição  seria  devida  pelo  regime  não­cumulativo  e  inexistia  o  crédito declarado.  A  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  de  que  tratam  a  Lei  n°  10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela  relativa  às  receitas originadas de  contratos  firmados  anteriormente  a 31  de outubro de 2003,  com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado  (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática  cumulativa.  Regulamentando  esse  diploma  legal  e  definindo  preço  predeterminado,  foi  editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004.  A  Lei  nº  11.196,  de  21  de  novembro  de  2005,  de  caráter  interpretativa,  esclareceu  a  questão  do  reajuste  de  preços  para  a  caracterização  ou  não  de  preço  predeterminado, para fins de incidência não­cumulativa das contribuições, assim dispondo:  Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do  art.  10  da  Lei  no  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  o  reajuste  de  preços  em  função do  custo  de  produção ou  da  variação de  índice que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  nos  termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de  1995,  não  será  considerado  para  fins  da  descaracterização  do  preço  predeterminado.  Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se desde 1o de novembro  de 2003.  Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho  de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as  receitas decorrentes de contratos  firmados  anteriormente  a 31  de  outubro  de 2003,  com produção  de  efeitos  a  partir  de  1°  de  fevereiro de 2004, nos seguintes termos:  Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que  a  pessoa  jurídica  esteja  sujeita  a  incidência  não­cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  as  receitas  relativas  a  contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003:  II ­ com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou  de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;  Art. 3° Para efeito desta  Instrução Normativa, preço predeterminado é  aquele  fixado  em moeda nacional  como  remuneração da  totalidade  do  objeto do contrato.  [...]  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 545          5 §2°  Ressalvado  o  disposto  no  §3º,  o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art.  2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação:  I ­ de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou  II ­ de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio   §3°  0  reajuste  de  preços,  efetivado  após  31  de  outubro  de  2003,  em  percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos  de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada  dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art.  27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego  predeterminado.  Art.  5°  Consideram­se  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano  os  contratos  com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de  1 (um) ano, contado da data em que foram firmados.  Parágrafo  único,  Aplica­se  aos  contratos  mencionados  no  caput  o  disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°.  Art.  7  Esta  Instrução  Normativa  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação, produzindo efeitos:  I  ­  a  partir  de  1°  de  fevereiro  de  2004,  em  relação  às  receitas  decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º;  Importa­nos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de  preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da  variação  de  índice que  reflita  a  variação  ponderada dos  custos  dos  insumos  utilizados. Caso  positivo,  não  será  considerado  para  fins  da  descaracterização  do  preço  predeterminado,  sujeitando­se  a  recorrente  à  alíquota  cumulativa  das  contribuições,  subsistindo  indébito  tributário passível de repetição e compensação.   Portanto,  há  duas  possibilidades  para  a  sujeição  ao  regime  cumulativo  de  incidência  das  contribuições:  (i)  a  adoção  de  um  percentual  que  reflita  o  custo  de  produção  (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada  dos custos de insumos utilizados (índice setorial).   O  ponto  principal  para  a  sujeição  ao  regime  cumulativo  é  a  comprovação  de  que  o  reajuste  praticado  não  foi  superior  à  variação  dos  custos  de  produção.  A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda  de  energia  elétrica  com  a Companhia Energética  do Ceará  – COELCE,  por  um prazo  de  20  anos,  contados  a  partir  da  data  inicial  de  fornecimento,  que  foi  devidamente  aprovado  pela  ANEEL através do Ofício nº 243/2002­SFF/ANEEL, de 09/04/2002.  Conforme  informado  no  Laudo  Técnico,  a  recorrente,  Central  Geradora  Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor.  Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal,  com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.  Foi  concluída  em  2003,  com  capacidade  instalada  de  326,60 MW  e  318,5 MW  de  energia  assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em alta­tensão.  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 546          6 A defesa  da  recorrente  é  toda  calcada  no  esforço  para  provar  que  o  índice  previsto  para  reajuste  do  preço  predeterminado,  constante  do  contrato  de  fornecimento  de  energia  elétrica  para  a  Companhia  Energética  do  Ceará  –  COELCE,  não  restou  descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos  custos  de  produção  de  energia  elétrica,  nos  exatos  termos  condicionados  pela  legislação  aplicável,  tendo  como  consequência  a  tributação  de  suas  receitas  pelo  PIS  e  COFINS  no  sistema cumulativo.  Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro  de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o  índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi  da Silva):  Em  que  pese  o  alentado  trabalho  de  convencimento  do  patrono  da  recorrente,  que  acredita  firmemente  ter  trazido  prova  de  que  o  pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento  de preços previstos no contrato de  fornecimento de energia elétrica da  recorrente,  reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos  custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido  Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e  k3,  respectivamente  fatores  de  ponderação  dos  índices  IGPM,  de  combustíveis  e  de  variação  cambial)  estão  no  formato  previsto  na  legislação  apontada,  até  porque  o  Ofício  reporta­se  explicitamente  apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu  último  parágrafo.  Nesse  sentido,  concordo  com  o  órgão  judicante  de  primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos  não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº  70.235/72,  que  trata  de  peças  técnicas  com  o  escopo  de  identificar  produtos  para  posterior  classificação  fiscal,  as  quais  têm  caráter  específico e não genérico.  A Cláusula  6.3  do  Contrato  de  Fornecimento  estabelece  que  a  fórmula  de  reajuste  dos  preços  seria  determinada  com  base  na Resolução ANEEL  22/2001,  que  previa,  para  aplicação  do  limite  de  repasse  dos  preços  contratuais,  o  Valor  Normativo  estabelecido  para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo  com a seguinte fórmula:    Onde:  VNi  ­  Valor  Normativo  reajustado  no  mês  do  reajuste  das  tarifas  de  fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição;  VNoi  ­  Valor  Normativo  vigente  no  mês  de  registro  do  contrato  de  compra de energia referido ao mês de publicação da resolução;  K1 = fator de ponderação do índice IGP­M;  K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis;  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 547          7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli ­ valor  do  índice  geral  de  preços  ao  mercado,  estabelecido  pela  Fundação  Getúlio Vargas ­ FGV, no mês anterior a data de atualização do VN;  IGPMOi ­ valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela  Fundação Getúlio Vargas ­ FGV, no mês anterior à data de entrada em  vigor da Resolução;  COMBli  ­  valor  do  índice  do  combustível,  no  mês  anterior  a  data  de  atualização do VN;  COMBOi  ­  valor  do  índice  do  combustível,  no mês  anterior  à  data  de  entrada em vigor da Resolução;  IVCli ­ média da cotação de venda do dólar norte­americano, divulgada  pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do  VN;  IVC0i = R$ 1,9633/US$.  Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de  atualização  dos  Valores  Normativos,  considera  80%  da  parcela  do  preço  com  reajuste  estipulado pelas variações da  taxa cambial e do  índice de preços ao atacado no mercado dos  Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM.  Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseia­se em índices que captam a  variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse,  por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas  vezes  na  composição  da  fórmula  de  reajuste  de  preços.  Estes  índices,  apesar  de  contratualmente  estipulados  e  aprovados  pela  agência  reguladora,  não  representam  necessariamente  a  variação  dos  custos  da  produção  ou  dos  insumos  utilizados,  mas  sim  a  recomposição de preços de mercado.   Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da  fórmula de  reajuste de preços  e  a variação dos  custos de produção. A utilização dos  fatores,  mesmo  ponderados,  e  dos  índices  geral,  setorial  e  especialmente  o  cambial,  tendem  a  restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os  custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos.   Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice  refletor  da  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  resta­nos  analisá­la  em  função da variação do custo de produção.  O  Laudo  apresentado,  em  atendimento  ao  determinado  por  essa  turma  de  julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na  recente  história  do  setor  elétrico  brasileiro  e  no  arcabouço  legal  e  regulatório  em  que  está  inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços  da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos  insumos.  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 548          8 Questionados se os reajustes de preços no CGTF­COELCE ultrapassaram ou  não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta:  Nesse  contexto  de  forte  definição  por  parte  do  Estado,  os  reajustes  aplicados  desde  o  início  do  suprimento  CGTF­COELCE  não  ultrapassaram  os  custos  de  produção  ou  a  variação  ponderada  dos  insumos pelas seguintes razões:  · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação  setorial;  · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL;  · As  regras  de  reajuste  contratual  definidas  pela  legislação  setorial  visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos,  em  consonância  estrita  com  o  princípio  da  legalidade,  observado  com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o  que  dispõe  o  art.  27  da  Lei  nº  9.069/1995  no  que  diz  respeito  às  condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e  · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.  O  Laudo  apresentado  definiu  como  insumos  da  produção  de  energia  os  seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST).   O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em  abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002,  considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior  do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão  (TUST) de 312,88%.  A  recorrente  apresentou,  em  atendimento  à  Resolução  desta  turma  de  julgamento,  o  complemento  do Laudo Técnico,  no  qual  consta  a  composição  final  do  preço  com base nos nesses insumos:    Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto:  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900751/2009­09  Acórdão n.º 3101­001.711  S3­C1T1  Fl. 549          9   Constata­se,  que  em  todos  os  anos  do  período  apresentado,  a  evolução  acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de  seus  insumos,  ficando demonstrado que a  correção no preço da  energia  elétrica praticada no  período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos.  Dessa  forma,  o  reajuste  praticado  não  será  considerado  para  fins  da  descaracterização  do  preço  predeterminado,  sujeitando­se  a  recorrente  à  alíquota  cumulativa  das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação.   Diante  dos  fatos  apurados,  dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  que  a  apuração  da  contribuição,  no  período  em  questão,  seja  feita  no  regime  cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito  e o processamento da compensação até o limite do valor deferido    Rodrigo Mineiro Fernandes                              Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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5730119 #
Numero do processo: 10166.005140/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE CONSULTOR NO ÂMBITO DO PNUD. ISENÇÃO. PREVALÊNCIA DO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STJ NO RESP 1.306.393 SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. ART. 62-A RICARF. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Os rendimentos do trabalho percebidos de consultor contratado no âmbito do PNUD são isentos do imposto de renda, dado o entendimento consolidado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.306.393 realizado sob o rito do art. 543-C do CPC, entendimento o qual deve ser aplicado nos julgamentos do CARF consoante regra o art. 62-A do RICARF. A Administração Pública tem como dever de coerência adotar comportamento concertado e harmônico face às mesmas circunstâncias de fato e jurídicas, sob pena de atuar contraditoriamente perante os administrados. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci Assis Júnior (relator) que votou por realização de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Júnior, Relator. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 474          1 473  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.005140/2008­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­003.249  –  2ª Turma Especial   Sessão de  06 de novembro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  JOSÉ DARCY ALVES DA SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  RECEBIDOS  DE  CONSULTOR  NO  ÂMBITO DO PNUD. ISENÇÃO. PREVALÊNCIA DO ENTENDIMENTO  FIRMADO PELO STJ NO RESP 1.306.393 SOB O RITO DO ART. 543­C  DO CPC. ART. 62­A RICARF. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  Os rendimentos do trabalho percebidos de consultor contratado no âmbito do  PNUD  são  isentos  do  imposto  de  renda,  dado  o  entendimento  consolidado  pelo  STJ  no  julgamento  do REsp  nº  1.306.393  realizado  sob  o  rito  do  art.  543­C do CPC,  entendimento  o  qual  deve  ser  aplicado  nos  julgamentos  do  CARF consoante regra o art. 62­A do RICARF.  A  Administração  Pública  tem  como  dever  de  coerência  adotar  comportamento  concertado  e  harmônico  face  às  mesmas  circunstâncias  de  fato  e  jurídicas,  sob  pena  de  atuar  contraditoriamente  perante  os  administrados.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  maioria  de  votos  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e votos integrantes do julgado.  Vencido  o  Conselheiro  Jaci  Assis  Júnior  (relator)  que  votou  por  realização  de  diligência.  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.  (Assinado digitalmente)  Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 51 40 /2 00 8- 09 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 (Assinado digitalmente)  Jaci de Assis Júnior, Relator.  (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson, Redator designado.  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros  Jaci  de Assis  Júnior,  Julianna  Bandeira  Toscano,  Ronnie  Soares  Anderson,  Vinícius  Magni  Verçoza  (Suplente  Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).   Relatório  Trata­se  de  exigência  de  crédito  tributário  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa Física  –  IRPF,  conforme Notificação  de Lançamento,  fls.  19  a  22. De acordo  com a  Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 20, tal lançamento decorreu da constatação de  omissão de  rendimentos  recebidos, no valor de R$ 52.800,00, de pessoa  física e do exterior,  informados  na  Declaração  de  Informações  Sobre  Atividades  Imobiliárias  (Dimob)  e  na  Declaração  de  Rendimentos  Pagos  a  Consultores  por  Organismos  internacionais  (Derc).  Complementa essa descrição a seguinte informação:  “O  contribuinte  no  comprovou  vinculo  empregatício  com  o  Organismo Internacional.”  O  interessado  apresentou  impugnação,  fls.  01  a  15,  assim  resumida  pela  decisão de primeira instância:  “Inicialmente, tece comentários a respeito da Organização das Nações Unidas  —  ONU  e  dos  trabalhos  desenvolvidos  com  a  finalidade  de  promover  o  desenvolvimento econômico c social dos povos.  Explica  que,  visando  à  agilização  e  à  maior  integração  com  a  comunidade  alvo, a ONU contrata profissionais nacionais dos Países Membros. Tais profissionais  podem  ser  contratados  como  servidores  das  equipes­base  que  mantém  vínculo  laboral  permanente  ou  como prestadores  de  serviços  autônomos,  remunerados  por  tarefa ou hora trabalhada. Os servidores das equipes­base, como o impugnante, tem  seus  rendimentos  pagos  com  recursos  da  ONU  e  estão  sujeitos  às  normas  e  aos  procedimentos estabelecidos pela ONU.  O contribuinte é servidor do quadro do(a) Programa das Nações Unidas para o  Desenvolvimento — PNUD, conforme comprovantes de pagamentos em anexo, que  demonstram o exercício de função específica junto ao Organismo.  A Constituição Federal (art. 5º, § 2º) e o Código Tributário Nacional — CTN  (art. 98) asseguram a vigência dos tratados e convenções internacionais dos quais o  Brasil  signatário,  bem  como  a  supremacia  dos  mesmos  em  relação  à  legislação  brasileira.  Em  relação  aos  servidores  do(a)  Programa  das  Nações  Unidas  para  o  Desenvolvimento  PNUD,  aplicam­se  os  benefícios  previstos  na  Convenção  Sobre  Privilégios e  Imunidades das Nações Unidas,  promulgada pelo Decreto n° 27.784,  de  1950).  Tais  benefícios  incluem  a  isenção  de  impostos  sobre  salários  e  vencimentos pagos pelas agências especializadas (art. V da Seção 18).  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 475          3 Já as relações entre o Brasil e o Organismo Internacional são reguladas pelo  Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas  Agências Especializadas  e  a Agência  Internacional  de Energia Atômica,  aprovada  pelo  Decreto  nº  59.308,  de  1966.  O  Acordo  não  estabelece  distinções  entre  os  diversos  servidores  do  Organismo  Internacional,  estendendo  os  benefícios  nele  previstos para peritos, agentes e funcionários.  No  tocante à  legislação  interna, assevera que o direito à  isenção é garantido  pelo art. 22, II do RIR/1999, que tem como base legal o art. 5º da Lei nº 4.506, de  1964 e o art. 30 da Lei nº 7.713, de 1988.  A seguir, aborda o disciplinamento da matéria por atos internos da Secretaria  da Receita Federal do Brasil — RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio  de  Pareceres  CST  e  no  Manual  "Perguntas  e  Respostas"  são  no  sentido  de  que  somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora  são  tributados pelo Imposto de Renda. Cita especificamente os Pareceres CST nºs.  717, de 1979 e 03, de 1996.  Entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam  do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, assegura que possui vínculo  laboral com o(a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD.  A  relação  jurídica  celebrada  implica  na  existência  de  vinculo  jurídico­laboral,  porquanto  presentes  os  requisitos  que  caracterizam  a  existência  de  contrato  de  trabalho,  tais  como  subordinação  hierárquica,  dependência  econômica  e  a  habitualidade da prestação dos serviços.  Ressalta, ainda, algumas características especificas do contrato celebrado com  o(a)  Programa  das  Nações  Unidas  para  o  Desenvolvimento  —  PNUD.  Como  funcionário  do  Organismo,  aufere  salário  e  esta  sujeito  às  normas  contratuais  especificas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdenciária.  Conclui  que,  à  vista  das  leis  vigentes  e  das  orientações  emanadas  da RFB,  inclusive  a publicação denominada  "Perguntas c Respostas", qualquer  contribuinte  nas condições do impugnante inclui­se na categoria de funcionários do Organismo.  Desqualifica a obrigação de seu nome constar em lista prevista na IN SRF nº  208, de 2002, pois as normas que prevêem a isenção não podem ser afrontadas por  obrigações acessórias constantes de instruções normativas.  Segundo  ele,  há  diversos  precedentes  jurisprudenciais  do  Conselho  de  Contribuintes favoráveis em cases análogos ao seu.  Face  ao  exposto,  requer  a  declaração  de  insubsistência  da  Notificação  de  Lançamento, com a finalidade de tornar inexigível o crédito tributário lançado.”  A  DRJ  em  Brasília/DF  julgou  procedente  o  lançamento  nos  termos  da  seguinte ementa:  “ASSUNTO:  IMPOSTO)  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA ­ IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  RECEBIDOS  DE  ORGANISMOS  INTERNACIONAIS.  Sujeitam­se  à  tributação  sob  a  forma  de  recolhimento  mensal  obrigatório  (carnê­1eão),  sem  prejuízo  do  ajuste  anual,  os  rendimentos  recebidos  por  residentes  ou  domiciliados  no  Pais  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 decorrentes  da  prestação  de  serviços  a  Organismos  Internacionais de que o Brasil faça parte.  Lançamento Procedente”  De acordo  com o  voto  condutor  do  acórdão  proferido  pela DRJ,  o  autuado  não se enquadra na categoria dos funcionários do Organismo que gozam da isenção de Imposto  de Renda  sobre  os  vencimentos  recebidos,  pela  simples  razão  de  não  ser  funcionário  e  sim  técnico contratado, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos.  Ressaltou  a  decisão  em  referência  que  “(...)  para  os  técnicos  que  prestam  serviços a estes Organismos, sem vinculo empregatício, a isenção de impostos não foi arrolada  dentre os privilégios e imunidades a que têm direito (Dec. nº 27.764, de 1950, art. VI, Secão  22)”.  Cientificado em 15/01/2009, fls. 57, o interessado interpôs recurso voluntário  em 03/02/2009, fls. 58 a 74, alegando, em síntese, que:  ­ a relação laboral com o PNUD não veio a ser aceita pela decisão, mas pode  ser devidamente comprovada pelos contracheques emitidos pela fonte pagadora, que estão nos  autos, nos quais está caracterizado que o recorrente  recebia salários mensais,  tinha descontos  de benefícios e desempenhava função especifica no PNUD;  ­  a  isenção  prevista  no  inciso  II,  do  art.  22  do  RIR/99  se  aplica  aos  rendimentos decorrentes do trabalho, sem restrições, auferidos pelos servidores de organismos  internacionais, tanto os estrangeiros como os nacionais;  ­  o  exame  dos  dispositivos  da  legislação  internacional  que  veio  a  ser  integrada ao direito brasileiro demonstra que o objetivo é isentar a percepção dos rendimentos  dos servidores brasileiros contratados pelo organismo internacional, no âmbito da cooperação  técnica;  ­ as disposições do Acordo Básico são primordiais no disciplinamento tanto  da forma como se dará a prestação de serviços, como no tratamento tributário a ser dispensado  aos  rendimentos  auferidos  pelos  brasileiros  prestadores  de  serviços  aos  organismos  internacionais e a ONU;  ­  o  Acordo  Básico  determina  a  aplicação  das  normas  convencionais  em  relação  às  "Facilidades,  Privilégios  e  Imunidades"  aos  funcionários  e  peritos  de  assistência  técnica, deixando de pronto evidenciado que não estabelece distinção entre esses servidores no  que toca à fruição daqueles benefícios;  ­  o  referido  Acordo  Básico,  consubstanciado  em  lei  ordinária,  por  ficção  jurídica,  passou  a  tratar  os  demais  servidores  dos  organismos  internacionais  como  se  funcionários fossem;  ­ reitera que o recorrente é contratado segundo normas próprias estabelecidas  pelo  organismo  internacional  e  não  faz  jus  a  qualquer  beneficio  da  lei  brasileira  —  previdenciária e trabalhista;  ­  os  servidores  brasileiros  contratados  pelos  organismos  internacionais  para  exercerem  suas  atividades  no  âmbito  da  cooperação  técnica,  portanto  junto  a  órgãos  da  administração pública, seja direta ou indireta, são de conhecimento do governo brasileiro, tanto  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 476          5 que  a  contratação  é  respaldada  pelo  Ministério  das  Relações  Exteriores.  Assim  sendo,  é  despicienda qualquer comunicação por parte do organismo internacional;  ­ são dezenas as decisões proferidas no âmbito dos processos administrativos,  cuja  matéria  examinada  naquelas  lides  está  presente  nesses  autos,  qual  seja,  a  isenção  de  imposto  de  renda  pessoa  física  para  os  rendimentos  pagos  por  organismo  internacional  a  brasileiros por prestação de serviços, em função especifica, com vinculo empregatício;  ­  requer  o  cancelamento  do  lançamento  de  ofício  e,  por  absurdo  este  seja  mantido, que sejam aplicadas as disposições do art. 100, do CTN, dada a orientação reiterada  da SRF e a comprovação da prestação de serviços ao PNUD com vinculo empregatício.  Em petição juntada em 17/03/2014, fls. 82 a 88, o recorrente alega que:  ­  desde  o  julgamento  do  Resp  1.306.393/DF,  submetido  à  sistemática  dos  recursos  representativos  de  controvérsia  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  ficou  pacificado  o  entendimento  de  que  são  isentos  os  rendimentos  auferidos  por  servidores  brasileiros  que  prestam serviços técnicos aos organismos internacionais componentes do sistema ONU;  ­ tendo em vista que a matéria guarda total identidade com o caso tratado nos  presentes autos, requer a aplicação do entendimento firmado pelo STJ;  ­  informa  que,  em  15/02/2014,  obteve  a  documentação  anexa  emitida  pelo  PNUD/ONU,  a  qual  comprova  o  exercício  das  funções  técnicas  durante  todo  o  vínculo  funcional com o aludido Organismo;  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator   O  recurso  foi  tempestivamente  apresentado,  em  04/02/2009,  e  preenche  os  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  A decisão recorrida, com base nas alegações e nos elementos probatórios que  constariam  dos  presentes  autos,  entendeu  que  o  contribuinte  não  seria  funcionário  da ONU,  mas técnico contratado.  O recorrente contesta  tal entendimento dizendo que a relação laboral com o  PNUD poderia  ser  comprovada pelos contracheques emitidos pela  fonte pagadora, que  alega  estariam  nos  autos  dos  autos.  Compulsando­se  os  elementos  que  os  instruem  constata­se  a  existência de apenas um “RELATÓRIO DE PAGAMENTOS”, fls. 18, sem identificação e assinatura  da pessoa responsável por sua elaboração.  Por outro  lado, diante do entendimento proferido pelo STJ, em 24/10/2012,  quando do julgamento do Resp 1.306.393/DF, sob o rito de recursos repetitivos, o interessado  requereu  a  juntada  do  documento  que  alega  comprovar  o  vínculo  funcional  com  o  PNUD/ONU, fls. 85 a 88.  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6 Da análise desse documento – que ora se faz em consonância com o disposto  no na alínea “b”, do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972 – se observa que, embora  nele  haja  identificação  do  contribuinte  como  “consultor”  e  declara­o  como  prestador  dos  serviços aos projetos que relaciona, dele não consta a identificação acompanhada da assinatura  da pessoa responsável por tal declaração.  Diante do exposto, por entender que a solução a ser dada para o caso, ora sob  exame, necessita da comprovação documental da existência ou não do vínculo contratual com  o PNUD, proponho a conversão do julgamento do presente processo em diligência para que a  autoridade preparadora intime o contribuinte para apresentar o(s) contrato(s) e também outros  elementos  (contracheque,  etc)  que  possam  identificar  a  natureza  do  vínculo  funcional  estabelecido com o PNUD.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Jaci de Assis Júnior  Voto Vencedor  Ronnie Soares Anderson, Redator designado  Não  obstante  as  ponderadas  razões  do  ilustre  Conselheiro  Relator,  dele  divirjo, particularmente na avaliação dos fatos atinentes ao caso concreto.   Cabe, entretanto, examinar primeiramente as questões de direito aplicáveis na  espécie, o que passo a realizar na seqüência.  A matéria de fundo há tempos vem sendo submetida à apreciação da 2ª Seção  de Julgamento do CARF, em debate que culminou na edição da Súmula CARF nº 39:  Súmula  CARF  nº  39:  Os  valores  recebidos  pelos  técnicos  residentes  no  Brasil  a  serviço  da  ONU  e  suas  Agências  Especializadas,  com  vínculo  contratual,  não  são  isentos  do  Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.  O exame dos respectivos acórdãos paradigmas1 revela as principais razões de  decidir sobre os quais se amparou o enunciado sumular supra, que podem ser do modo a seguir  resumidas no pertinente às Agências Especializadas da ONU, entre as quais se inclui a Unesco:  ­ os incisos II e parágrafo único do art. 5º da Lei nº 4.506, de 30/11/1964 (art.  22 do Decreto nº 3.000, de 26/3/1999  ­ RIR/99) devem ser  interpretados  conjuntamente,  em  exegese  que  estabelece  que  a  isenção  do  imposto  de  renda  relativa  aos  servidores  de  organismos internacionais não contempla os que possuam domicílio no Brasil;  ­  ainda  que  se  considerasse  ditos  dispositivos  aplicáveis  a  nacionais  residentes no país, por força do art. 98 do Código Tributário Nacional, o art. V.1. b do Acordo  Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas [ONU], suas Agências  Especializadas  e  a Agência  Internacional de Energia Atômica",  promulgado pelo Decreto n°                                                              1  Acórdão  nº  102­48758,  de  17/10/2007  Acórdão  nº  104­22074,  de  06/12/2006  Acórdão  nº  104­22239,  de  28/02/2007 Acórdão nº 106­16231, de 29/03/2007 Acórdão nº 192­00.005, de 08/09/2008 Acórdão nº CSRF/04­ 00.6676, de 19/09/2007.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 477          7 59.308,  de  23/09/1966,  regra  que  o  Governo  aplicará  aos  Organismos,  bem  com  a  seus  funcionários, inclusive peritos de assistência técnica, com respeito às Agências Especializadas,  a  'Convenção  sobre Privilégios  e  Imunidades das Agências Especializadas',  promulgada pelo  Decreto nº 52.288, de 24/7/1963';  ­ Segundo o art. 6º, 19ª Seção, 'b' dessa Convenção, os funcionários gozarão  de  isenções  de  impostos,  quanto  aos  salários  e  vencimentos,  a  eles  pagos  pelas  agências  especializadas em idênticas condições às que gozam os funcionários das Nações Unidas, sendo  que  conforme  a  18ª  Seção  do  referido  artigo  6º,  cada  agência  especificará  as  categorias  dos  funcionários  às  quais  se  aplicarão  os  dispositivos  desse  artigo,  comunicando  aos  Governos  partes na Convenção;  ­ A isenção de impostos só pode ser compreendida em conjunto com outras  vantagens previstas na Convenção, tais como facilidades imigratórias e cambiais, as quais por  incompatibilidade  lógica  não  se  aplicam  a  funcionários  brasileiros,  aqui  recrutados  e  residentes,  mas  sim  a  funcionários  internacionais  de  mais  alto  nível,  consoante  a  leitura  conjunta dos mencionados dispositivos da Convenção sobre as Agências Especializadas e das  Seções 17  e 18 do  art. V da Convenção  sobre Privilégios  e  Imunidades das Nações Unidas,  promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/2/1950;  ­  Nesse  sentido,  cita­se  a  doutrina  especializada  em  Direito  Internacional  Público, particularmente as lições de Celso de Albuquerque Mello, e faz­se referência à restrita  facilidade conferida aos peritos das agências especializadas para a obtenção de vistos (art. 8º,  29ª Seção da Convenção sobre as agências);  ­ Conclui­se então que há dois grupos distintos de funcionários da ONU e de  suas  agências  especializadas,  os  funcionários  internacionais,  dotados  de  diversos  privilégios,  entre os quais o da isenção tributária sobre os rendimentos daquelas percebidos, e os técnicos a  serviço  desses  organismos,  sem  essas  vantagens.  Como  fecho,  são  citados  Pareceres,  orientações e decisões administrativas.  O  enunciado  da  Súmula  CARF  nº  39,  que  consolidou  o  entendimento  ao  norte exposto, foi aprovado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em  sessão de 8/12/2009, e publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.) em 22/12/2009, data a  partir da qual passou a ser de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos  do  caput  do  art.  72  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF  ­  Portaria  MF  nº  256,  de  22/6/2009):  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros do CARF.   Vale  consignar,  ainda,  que,  com  a  publicação  em  14/7/2010  no  D.O.U  da  Portaria MF nº 383, de  12/7/2010,  foi  atribuído à Súmula CARF nº 39  efeito vinculante em  relação à administração tributária federal.  Posteriormente  à  edição  dessa  Súmula,  entretanto  ­  mais  precisamente  em  8/6/2011  ­  foi  julgado  pela  1ª  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  o  REsp  nº  1.159.379/DF, sendo relator o Ministro Teori Albino Zavascki, o qual resultou na prolação do  acórdão cuja ementa reproduzo:  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8 TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  POR  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  AO  PNUD.  ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ.  1.  O  Acordo  Básico  de  Assistência  Técnica  firmado  entre  o  Brasil,  a  ONU  e  algumas  de  suas  Agências,  aprovado  pelo  Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66,  assumiu,  no  direito  interno,  a  natureza  e  a  hierarquia  de  lei  ordinária  de  caráter  especial,  aplicável  às  situações  nele  definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU  em sentido estrito, mas  também aos que a ela prestam serviços  na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere  a  essas  atividades  específicas,  os  benefícios  fiscais  decorrentes  da  Convenção  sobre  Privilégios  e  Imunidades  das  Nações  Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50.  2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada,  na  condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações  Unidas  para  o  Desenvolvimento  ­  PNUD,  de  quem  recebia  a  correspondente  contraprestação.  Assim,  os  valores  recebidos  nessa  condição  estão  abrangidos  pela  cláusula  isentiva  de  que  trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II,  do RIR/99.  3.  Nos  termos  da  Súmula  98/STJ,  embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de  prequestionamento  não  têm caráter protelatório.  4. Recurso especial provido.  O  ilustre  Ministro  Relator  amparou  suas  razões  no  fato  de  que  o  já  mencionado art. V do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações  Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, conferiu  aos  peritos  de  assistência  técnica  as  vantagens  previstas  nas  respectivas  convenções  sobre  privilégios,  sendo  que  o  art.  IV  do  Acordo  dispõe  que  a  expressão  "perito",  compreende,  também, qualquer outro pessoal de assistência técnica designado pelos Organismos para servir  no país, nos termos do acordo.  Trilhando essa senda, rematou o Ministro, reportando­se a anterior voto­vista  de  sua  lavra  (REsp  1.031.259/DF,  1ª  T.  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  3/6/2009),  que  os  assistentes técnicos passíveis de enquadramento como peritos fazem jus à isenção do imposto  de renda sobre os rendimentos percebidos daqueles Organismos, conforme prescrito no art. 22,  II do RIR/99.  O entendimento supra foi submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543­ C do Código de Processo Civil ­ CPC), sendo ratificado no julgamento pela 1ª Seção do STJ do  REsp nº 1.306.393/DF em 24/10/2012, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques.  Transcreva­se a respectiva ementa:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA  (ART.  543­C  DO  CPC).  ISENÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  OS  RENDIMENTOS  AUFERIDOS  POR  TÉCNICOS  A  SERVIÇO  DAS  NAÇÕES  UNIDAS,  CONTRATADOS NO BRASIL  PARA ATUAR COMO  CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 478          9 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob  a  relatoria  do  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  firmou  o  posicionamento  majoritário  no  sentido  de  que  são  isentos  do  imposto  de  renda  os  rendimentos  do  trabalho  recebidos  por  técnicos  a  serviço  das  Nações  Unidas,  contratados  no  Brasil  para  atuar  como  consultores  no  âmbito  do  Programa  das  Nações  Unidas  para  o  Desenvolvimento  ­  PNUD.  No  referido  julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o  Acordo  Básico  de  Assistência  Técnica  com  a Organização  das  Nações  Unidas,  suas  Agências  Especializadas  e  a  Agência  Internacional  de  Energia  Atômica,  promulgado  pelo  Decreto  59.308/66,  estão  ao  abrigo  da  norma  isentiva  do  imposto  de  renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico  de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes  da  Convenção  sobre  Privilégios  e  Imunidades  das  Nações  Unidas,  promulgada  pelo  Decreto  27.784/50,  não  só  aos  funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a  ela  prestam  serviços  na  condição  de  "peritos  de  assistência  técnica", no que se refere a essas atividades específicas.  2. Considerando a função precípua do STJ ­ de uniformização da  interpretação da legislação federal infraconstitucional ­, e com a  ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso  a orientação firmada pela Primeira Seção.  3.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art. 543­C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08.  Nas  páginas  5  a  6  desse  julgado  se  expõe  o  conceito  de  "perito"  então  firmado:  (...)  Pois  bem,  analisando  tais acordos  observo que  a qualidade  de  "funcionário"  advém  da  existência  de  um  vínculo  permanente  com  a  ONU  ou  organismo  internacional,  e  a  qualidade  de  "perito"  deriva  de  um  contrato  temporário  com  período  pré­ fixado ou por empreita se realizada (apresentação ou execução  de projeto e/ou consultoria). Para esta distinção, pouco importa  se o contrato de perito tenha sido renovado por diversa vezes e  períodos  ou  não,  resultando  em  uma  sequência  contínua  e  mensal de contracheques, como no presente caso. Tal convenção  não retira qualidade de perito do contrante.  Cabe  agora  transcrever,  por  oportuno,  o  art.  62­A  do  RICARF  (com  as  alterações introduzida pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     10 Ora, do quadro até o momento descortinado, tem­se que resta configurado no  caso sob análise conflito entre duas regras jurídicas2, de cunho administrativo, a saber:  1ª  ­  O  art.  72,  caput,  do  RICARF,  que  prescreve  ser  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF o entendimento sumulado por esse Órgão, no particular a  Súmula  CARF  nº  39,  cogente  nesses  termos  a  partir  de  sua  publicação  no  D.O.U  de  22/12/2009. Conforme tal Súmula, os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil das  Agências Especializadas da ONU, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a  Renda da Pessoa Física.  2ª  ­  O  art.  62­A  do  RICARF,  que  determina  deva  ser  reproduzida  pelos  Conselheiros  do  CARF  decisão  definitiva  de  mérito  do  STJ  sob  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  no  caso  a  decisão  proferida  no  REsp  nº  1.306.393/DF,  publicada  no  DJe  em  7/11/2012.  E  consoante  a  norma  jurídica  de  alcance  geral  extraída  da  fundamentação  dessa  decisão, são isentos os rendimentos do trabalho recebidos de técnicos a serviço da ONU e de  suas Agências Especializadas, ainda que contratados no Brasil, desde que prestem serviços na  condição de peritos de assistência técnica, situação da autuada, consoante verificado.   Têm­se, então, duas normas igualmente válidas e emanadas da mesma fonte  formal, qual seja, Portaria do Ministério da Fazenda, o que afasta o critério hierárquico como  modo  de  solução  da  aparente  antinomia.  Também  não  guardam  entre  si  relação  de  especialidade, que permita aplicar o preceito segundo o qual prevalece a regra especial sobre a  geral.  Contudo,  pode  ser  constatado  que  a  norma  que  o  art.  62­A  do  RICARF  permite incidir na análise do litígio ­ a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, publicada  em 7/11/2012 ­ é posterior à regra que advém mediante o disposto no art. 72 do RICARF, a  saber, a Súmula nº 39 desse Conselho, datada de 8/12/2009.  Por  conseguinte,  aplicando­se  o  critério  cronológico,  que  estabelece  que  a  norma  posterior,  em  rota  de  incompatibilidade,  prepondera  sobre  a  anterior,  prevalece,  na  interpretação  do  caso  em  tela,  a  tese  jurídica  de  cunho  geral  estabelecida  no  multicitado  precedente do STJ, restando dessa maneira solucionado o aparente conflito de normas.  Ouso asseverar,  inclusive, que muito provavelmente a Súmula CARF nº 39  sequer houvesse sido editada, se à época da sessão da CSRF que aprovou o seu enunciado já  tivesse  ocorrido  o  julgamento  do  REsp  nº  1.306.393/DF,  pois  a  partir  de  então  diversos  julgamentos administrativos poderiam estar refletindo esse posicionamento do STJ.  Ademais, não é preciso maior esforço hermenêutico para notar que a eventual  opção  pela  aplicação  do  entendimento  sumulado  pelo  CARF,  implica,  sob  outro  viés,  em  violação  ao  princípio  da  eficiência  e  da  celeridade  processual,  pois  se  por  essa  razão  restar  vencido  determinado  contribuinte  na  via  administrativa,  de  pronto  poderá  ele  dirigir­se  ao  poder  judicante  para  se  beneficiar  do  entendimento  já  consolidado  naquela  esfera.  Estéril  e  ineficiente, no final das contas, resultaria a atividade administrativa de composição de litígios.  Não  bastassem  os  motivos  já  trazidos,  merece  realce  o  fato  de  que  a  Administração  Pública  deve  observar  o  princípio  da  vedação  às  posturas  contraditórias,                                                              2  Como  já  lecionava  Hans  Kelsen,  "Existe  um  conflito  entre  normas,  se  o  que  uma  fixa  como  devido  é  incompatível com aquilo que a outra estabelece como devido   e, portanto, o cumprimento ou aplicação de uma  norma  envolve,  necessariamente  ou  possivelmente,  a  violação  da  outra"  (KELKSEN,  Hans.Teoria  geral  das  normas. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editora, 1986, p.157.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 479          11 projeção dos princípios da boa­fé e da segurança jurídica no que tange ao comportamento do  Estado perante os administrados.  Inaceitável,  desse modo,  que  os  diversos Órgãos  do Ministério  da  Fazenda  tenham  orientação  diversa  e  contraditória  acerca  das  mesmas  circunstâncias  de  fato  e  de  direito, já que estão submetidos ao mesmo centro decisório.  Nessa linha de pensar, deve ser trazida à colação a Nota PGFN/CRJ nº 1.549  de  2012,  em  razão  da  qual  a  matéria  ora  versada  foi  incluída  na  lista  de  dispensa  de  contestação/recurso pela PGFN, sob o nº 87:  Em  complementação  à  Nota  PGFN/CRJ  nº  1114/2012,  que  delimitou  a  matéria  decidida  nos  julgamentos  submetidos  à  sistemática dos artigos 543­B e 543­C, do Código de Processo  Civil,  com  a  finalidade  de  subsidiar  a  aplicação,  por  parte  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  do  Parecer  PGFN  CDA  nº  2025/2011,  encaminha­se  a  presente  nota,  correspondente ao Recurso Especial nº 1.306.393/DF.  2.  Em  razão  de  o  referido  julgado  ter  repercussão  na  esfera  administrativa  e  requerer  atuação  efetiva  da  RFB,  e  em  observância  do  que  foi  definido  na  Nota  PGFN/CRJ  nº  1114/2012,  que  cumpre  o  disposto  no  Parecer  PGFN/CDA  nº  2025/2011,  procede­se  à  delimitação  do  tema  decidido  no  Recurso Especial acima mencionado.  3. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça que estão isentos  do  imposto  de  renda  os  rendimentos  recebidos  por  técnicos  a  serviço  da  Organização  das  Nações  Unidas  contratados  no  Brasil para atuarem no Programa Nacional das Nações Unidas  para  o  Desenvolvimento  (PNUD).  Estão  abarcados  por  esta  isenção  tanto  os  funcionários  do  PNUD  quanto  os  que  a  ela  prestam  serviço  na  condição  de  peritos  de  assistência  técnica,  categorias  equiparadas  em  razão  da  aprovação,  via  decreto  legislativo,  do  Acordo  Básico  de  Assistência  Técnica  firmado  entre o Brasil, a ONU e suas agências. Por  fim, a condição de  perito, segundo se extrai da decisão no referido recurso especial,  deriva de um contrato temporário com período pré­fixado ou por  meio de empreitada a  ser  realizada  (apresentação ou execução  de projeto e/ou consultoria).  4. Concomitantemente, sugiro a inclusão do tema na lista do art.  1º, V da Portaria PGFN nº. 294/2010.  Por  sua  vez,  a  própria  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  vem  acolhendo  o  posicionamento do e. STJ como vinculante, como demonstra a ementa da Solução de Consulta  nº 64, de 7 de março de 2014:  IRPF.  ISENÇÃO.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  POR  TÉCNICOS A SERVIÇO DA ONU CONTRATADOS NO BRASIL  PARA  ATUAREM  NO  PNUD.  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.306.393/DF.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  ao  julgar  o  Recurso  Especial nº 1.306.393/DF, no âmbito da sistemática do art. 543­ Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     12 C  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  estabeleceu  que  estão  isentos  do  imposto  de  renda  os  rendimentos  recebidos  por  técnicos  a  serviço  da  Organização  das  Nações  Unidas  (ONU)  contratados no Brasil para atuarem no Programa Nacional das  Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).  O STJ entendeu que a isenção se aplica tanto aos funcionários  do PNUD quanto aos que a ela prestam serviço na condição de  peritos de assistência técnica, categorias equiparadas em razão  da  aprovação,  via  decreto  legislativo,  do  Acordo  Básico  de  Assistência  Técnica  firmado  entre  o  Brasil,  a  ONU  e  suas  agências.  A  condição de perito,  segundo  se  extrai da decisão no  referido  recurso especial, deriva de um contrato temporário com período  pré­fixado  ou  por  meio  de  empreitada  a  ser  realizada  (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria).  Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  nº  1,  de  2014,  e  na  Nota  PGFN/CRJ nº 1.549, a Secretaria da Receita Federal do Brasil  (RFB) encontra­se vinculada ao referido entendimento.(grifei)  Extraio do Relatório dessa Solução de Consulta a seguinte passagem, por sua  relevância:  12. Por fim, cabe registrar que a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de  2012,  foi  editada  sem  referência  a  qualquer  modulação  de  efeitos,  de  forma  que  o  entendimento  consignado  no  Recurso  Especial nº 1.306.393/DF possui efeito vinculante junto à RFB,  com  eficácia  retroativa,  respeitados  os  prazos  que  limitam  o  exercício de direitos por parte dos contribuintes.  Evidencia­se,  então,  que  tanto  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  quanto  a Receita Federal  do Brasil  já  vem pautando  suas  respectivas  atuações  respeitando o  entendimento consubstanciado no REsp nº 1.306.393/DF.  Em suma, entendo não prosperar o argumento segundo o qual, enquanto não  cumprido o rito previsto no art. 74 do RICARF para a revogação da Súmula CARF nº 39, aos  Colegiados componentes desse Órgão estaria tolhida a possibilidade de aplicar o entendimento  do  STJ  consolidado  no  REsp  nº  1.306.393/DF.  Pelo  contrário,  há  dispositivo  explícito  no  RICARF assim prevendo, o art. 62­A desse Regimento.  A  par  disso,  mas  não  de  somenos,  há  um  imperativo  de  coerência  a  fundamentar  a  atuação  administrativa,  a  qual,  respeitadas  as  devidas  competências  e  especificidades  legais,  deve  procurar  tratar  de  modo  isonômico  os  cidadãos­administrados  diante das mesmas situações de fato e de direito, a despeito das diversas feições sob as quais  perante eles se apresenta.   Passando  ao  exame  das  peculiaridades  do  caso  em  tela,  deve  ser  frisado,  inicialmente, que a Notificação de Lançamento foi lastreada em dados obtidos em Declaração  de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), a qual é de entrega  obrigatória  por  órgãos  e  entidades  da  administração  pública  federal  direta  e  indireta  que  contratam consultorias e serviços técnicos especializados, no âmbito de acordos e instrumentos  congêneres  de  cooperação  técnica  com  organismos  internacionais  celebrados  nos  termos  do  Decreto nº 5.151, de 22 de julho de 2004.  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005140/2008­09  Acórdão n.º 2802­003.249  S2­TE02  Fl. 480          13 Desse modo, a própria autoridade lançadora assumiu como dado fático que os  rendimentos omitidos foram percebidos de Organismo Internacional, consoante informado em  Derc,  do  que  se  depreende  tratarem­se  de  rendimentos  advindos  da prestação  de  consultoria  e/ou serviços técnicos especializados (fl.20).  Também em sede do julgamento de primeiro grau, firmou­se a convicção de  que o contribuinte é técnico contratado de Organismo Internacional, ainda que não funcionário,  "de acordo com as alegações e provas contidas nos autos" (fls. 46 e 50).  Destarte, o litígio estabelecido nos autos cinge­se não à efetiva percepção de  rendimentos ou à comprovação da existência de vínculo com organismo internacional, mas sim  à  questão  de  que  se  esse  vínculo  contratual  suportaria  o  benefício  da  isenção  sobre  aqueles  rendimentos.  Não bastasse a inexistência de controvérsia a respeito da efetividade do liame  contratual,  este  é  corroborado  pela  declaração  do  PNUD  de  fls.  85/88  no  qual  o  recorrente  consta  como  "Consultor",  documento  emitido  por  sistema  automatizado  em  15/2/2014;  outrossim,  apresentou  o  notificado  à  fl.  16  "Relatório  de  Pagamentos"  do  exercício  2007  referente a Projeto BRA/98/020 do mencionado programa.  Entendo  estar  assim  suficientemente  atestado  nos  autos,  além  de  repito,  incontroverso, ser o contribuinte consultor no âmbito do PNUD e que os rendimentos por ele  percebidos e tidos por omitidos foram decorrentes dessa sua atuação.  Ora, como visto à saciedade parágrafos acima, o STJ firmou posicionamento  segundo o qual peritos de assistência técnica têm o direito à isenção. Portanto, cabe aplicar o  referido  precedente  judicial,  em  virtude  do  que  devem  ser  reconhecidos  como  isentos  os  rendimentos do trabalho percebidos pelo contribuinte no âmbito do PNUD, no decorrer do ano­ calendário 2006.  Ante  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.  (Assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 12448.720154/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. CARÁTER ECONÔMICO. CSLL. Não caracteriza entidade sem fins lucrativos a previsão e efetiva distribuição de resultados aos diretores ao final do ano calendário, quando apurado superávit. Existe uma lógica na vedação de remuneração aos diretores das entidades sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade, com distribuição de resultados positivos aos associados, como o fazem as sociedades aos sócios e acionistas com o lucro. A concessão do benefício fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não implica dizer que a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri-la. O que pede a lei é que aquelas pessoas colocadas como detentoras da titularidade da entidade não sejam remunerada por esta condição. No caso dos autos, analisando o Estatuto da Contribuinte, tem-se que o conselho diretor é eleito com “mandato permanente”, somente podendo ser destituído com voto da unanimidade dos demais pares. Ainda, o conselho diretor é indicado pelos chamados “controladores”, personificados nos mesmos membros do Conselho Diretor, em uma cadeia que garante o controle direto e certa da entidade como em uma empresa, com nítido caráter econômico.
Numero da decisão: 1401-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negaram provimento, nos termos do voto vencedor do Conselheiro Alkmim. Vencidos o Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando quanto aos fundamentos do voto. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 67          1 66  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.720154/2010­21  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­000.967  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2013  Matéria  CSLL  Recorrente  PECÚLIO ABRAHAM LINCOLN ­ AMAL.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2005, 2006  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  ENTIDADE  SEM  FINS  LUCRATIVOS.  REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. CARÁTER ECONÔMICO. CSLL.  Não caracteriza entidade sem fins lucrativos a previsão e efetiva distribuição  de  resultados  aos  diretores  ao  final  do  ano  calendário,  quando  apurado  superávit.   Existe  uma  lógica  na  vedação  de  remuneração  aos  diretores  das  entidades  sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade,  com  distribuição  de  resultados  positivos  aos  associados,  como  o  fazem  as  sociedades  aos  sócios  e  acionistas  com  o  lucro.  A  concessão  do  benefício  fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não implica dizer que  a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri­ la.  O  que  pede  a  lei  é  que  aquelas  pessoas  colocadas  como  detentoras  da  titularidade da entidade não sejam remunerada por esta condição.  No  caso  dos  autos,  analisando  o  Estatuto  da  Contribuinte,  tem­se  que  o  conselho  diretor  é  eleito  com “mandato  permanente”,  somente  podendo  ser  destituído  com  voto  da  unanimidade  dos  demais  pares.  Ainda,  o  conselho  diretor  é  indicado  pelos  chamados  “controladores”,  personificados  nos  mesmos  membros  do  Conselho  Diretor,  em  uma  cadeia  que  garante  o  controle direto e certa da entidade como em uma empresa, com nítido caráter  econômico.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negaram provimento,  nos  termos  do  voto  vencedor  do  Conselheiro  Alkmim.  Vencidos  o  Antonio  Bezerra  Neto  (Relator) e Fernando quanto aos fundamentos do voto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 01 54 /2 01 0- 21 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 68          2 (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente  (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator  (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro,  Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 69          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra Acórdão da 8ª Turma da Delegacia da  Receita Federal do Rio de Janeiro I­RJ.   Adoto  e  transcrevo  o  relatório  constante  na  decisão  de  primeira  instância,  compondo em parte este relatório:  Trata  o  processo  de  auto  de  infração  eletrônico  lavrado  pela  Delegacia  Especial  de  Maiores  Contribuintes  no  Rio  de  Janeiro,  (Demac/RJ),  exigindo  da  Interessada,  acima  identificada,  a  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  (CSLL), no valor de R$1.227.970,45, acrescida de multa de ofício de 75%, e juros  de mora calculados até 31.05.2010.  A descrição dos fatos no auto de infração, aponta que conforme DIPJ dos anos  base de 2005 e 2006, o contribuinte declarou ser desobrigado a apurar a CSLL, pois,  entende  ser  empresa  sem  fins  lucrativos,  razão  pela  qual  não  deveria  sofrer  a  incidência da CSLL.  Consta no termo de verificação que:  ­  o  contribuinte  é  uma  entidade  aberta  de  previdência  complementar,  conforme  seus  estatutos  sem  fins  lucrativos,  organizada  na  forma  da  Lei  Complementar  n°  109,  de  29  de maio  de  2001,  cujo  objetivo  é  instituir  e  operar  quaisquer  planos  de  benefícios  oficialmente  admitidos  como  de  previdência  complementar,  concedidos  em  forma  de  renda  continuada  ou  pagamento  único  conforme disposto nos artigos 1o e 2o do seu Estatuto Social;  ­  assim, o contribuinte não apurou a CSLL nos anos base de 2005 e 2006,  sendo  que  essa  conduta  do  contribuinte  já  fora  verificado  anteriormente  desde  os  anos base de 2003 e 2004, tendo sido a fiscalizada submetida a um auto de infração,  cujo processo é o 19740.000074/2008­76;  ­  o contribuinte informou que não podia apresentar as bases de cálculo do  tributo  por  impossibilidade  jurídica,  pois,  as  entidades  sem  fins  lucrativos  não  se  submetem à legislação comercial;  ­  através  dos  balancetes  mensais  apresentados  pelo  contribuinte,  a  Fiscalização apurou as bases de cálculo da CSLL, em períodos trimestrais.  ­  o resultado, para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição,  foi  o  superávit  resultante  das  receitas  e  despesas  de  cada  trimestre­civil  nos  anos  base de 2005 e 2006, ajustados pelas adições e exclusões previstas na legislação da  CSLL;  ­  da análise dos lançamentos contábeis, refletidos nas contas de resultado  e  do  patrimônio  líquido,  procedeu­se  às  adições  de  despesas  e  provisões  não  dedutíveis;  ­  os  fundamentos  de  direito  estão  expostos  às  fls.314/320,  do  termo de  verificação.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 70          4 Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, do qual tomou  ciência  em  21.06.2010,  a  Interessada  apresenta  em  21.07.2010,  sua  impugnação  instruída por documentos, no qual argui que:  ­  as  intimações  devem  ser  feitas  sempre  em  nome  de Rodrigo  José  de  Kühl e Carvalho e entregues no escritório dos seus patronos, sob pena de nulidade;  ­  o auto de infração foi lavrado em desconformidade com a Lei, doutrina  e  jurisprudência,  mormente  do  próprio  Conselho  de  Contribuintes,  uma  vez  que  pretende­se cobrar Contribuição Social Sobre Lucro Líquido de quem não tem lucro  e sim superávit;  ­  lucro não se confunde com superávit;  ­  não  se  trata  de  entidade  aberta  de  previdência  privada  com  fins  lucrativos;  ­  o  mesmo  equívoco  já  foi  cometido  para  os  anos  de  2003  e  2004  no  Processo  Administrativo  n°.19740.000074/2008­76,  em  afronta  ao  artigo  17  da  INSRF  n°.  588,  de  2005,  que  determina  que  as  entidades  de  previdência  complementar sem fins lucrativos estão isentas da contribuição social sobre o lucro  líquido;  ­  a  interpretação  da  norma  administrativa  deve  ser  feita  da  forma  que  melhor  garanta  o  atendimento  do  fim  público  a  que  se  dirige,  vedada  aplicação  retroativa de nova interpretação, Lei 9.784, de 1999 e CF;  ­  a  base  de  cálculo  não  pode  ser  apurada  de  acordo  com  legislação  comercial, pois, trata­se de sociedade civil sem fins lucrativos;  ­  houve violação ao § 1o, do artigo 69 da Lei Complementar n°.109/01,  que  impõe a não  tributação das contribuições vertidas pela entidade aos planos de  benefício;  ­  da mesma forma, foram violados os artigos 4o e 5o da lei n° 6.435/77,  que dão o conceito de entidade sem fins lucrativos;    ­  da mesma forma, ao Decreto n°.81.402/78, artigo 4°., inciso II;  ­  não  deve  incidir  juros  de mora  e  taxa  Selic,  pois,  é  certo  que  existe  controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos;  ­  deve ser aplicado o § 3o, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo  único  do  art.  100  do  CTN,  que  excluem  a  imposição  de  penalidades  para  quem  observa os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, bem como  a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo  do tributo;  ­  é  ilícita  a  exigência  de  apresentar  demonstrativos  trimestrais  de  apuração da CSLL;  ­  a diferença entre a receita e despesa (superávit) não se confunde com o  resultado apurado com observância da legislação comercial a que se refere o artigo  2°. da Lei 7.689/88;  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 71          5 ­  o Ato Declaratório Normativo CST n° 17, de 30.11.90, determina que  não  será  devida  a  CSSL  pelas  pessoas  jurídicas  que  desenvolvam  atividades  não  lucrativas;  ­  o artigo 15 da Lei n° 9.532/97 dispõe expressamente que são isentas do  pagamento do Imposto de Renda e da CSLL as associações;  ­  com  fulcro  no  inciso  IV,  do  art.  16  c/c  arts.  17  e  18  do  Decreto  n°  70.235/72 requer prova pericial;  ­  a perícia objetiva demonstrar o equívoco da apuração feita  levando­se  em conta a legislação comercial;  ­  requer prova documental superveniente. É o relatório.    A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário: 2005, 2006 PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA. CSLL.  A  isenção  do  artigo  5o  da  Lei  n°.  10.426,  de  2002,  alcança  somente  as  entidades de previdência  fechada. É devida  a CSLL sobre as operações das  entidades de previdência privada aberta.    Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  interpôs  recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação.  É o relatório.  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 72          6 Voto Vencido  Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator  O recurso preenche os requisitos de admissibilidade.  A  presente  lide  cinge­se  à  possibilidade  de  cobrar  a  CSLL  do  contribuinte  nos  anos­calendário  2005  e  2006,  diante  dos  argumentos  trazidos  no  recurso  de  se  tratar  de  entidade de previdência complementar aberta sem fins lucrativos, e por isso não poder auferir  lucros .   Perícia  A contribuinte requer a realização de perícia/diligência, bem assim se insurge  contra  a  decisão  de  primeira  instância  que  a  considerou  prescindível.  Porém,  conforme  se  verificará na exposição mais adiante do mérito,  assim como também ficou bastante claro em  todo  o  contexto  da  decisão  de  primeira  instância,  os  elementos  indispensáveis  à  solução  do  litígio  encontra­se  nos  autos, motivo  pelo  qual  o  pedido  de  perícia  dever  ser  indeferido  nos  termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é  uma  decisão  do  âmbito  de  discricionariedade  do  julgador,  cabendo  a  ele  fazê­la  ou  não  a  depender  da  formação  de  sua  convicção  (diligência)  ou  mesmo  que  se  lhe  exigirá  conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia),  o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais  e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal.  Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência.    Cumpre esclarecer, por relevante, que a CSLL incide sobre a  totalidade dos  seus “resultados” positivos obtidos no exercício.   A esse respeito, assim dispõe a Lei nº 7.689, de 1988, instituidora da referida  contribuição, verbis:  “Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado  do exercício, antes da provisão para o imposto de renda.”  Observar que o referido artigo ao estabelecer a base de cálculo com base no  resultado do exercício, nada diz  respeito sobre apuração ou finalidade de  lucro por parte dos  contribuintes,  o  que  será  uma  informação  relevante  para  o  desenvolvimento  posterior  deste  voto.  A Constituição  Federal  estabelece  em  seu  art.  195  que  a  seguridade  social  deve  ser  financiada  por  toda  a  sociedade,  tendo  como  fonte  de  recursos,  entre  outras,  a  Contribuição Social sobre o Lucro. Dispõe tal artigo no caput, inciso I, § 7°:  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 73          7 “Art.  195  ­  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I  ­  dos  empregadores,  incidente  sobre  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o lucro;  (…)  § 7°  ­  São  isentas de  contribuição para a  seguridade  social às  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  as  exigências estabelecidas em Lei”.    Por outro lado, as entidades de previdência privadas não se enquadram como  entidades de assistência social de que trata a Constituição Federal (art. 150, VI, alínea “c), pois  a  concessão  de  benefícios  aos  filiados  se  dá  mediante  o  recolhimento  das  contribuições  pactuadas, e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade tributária. O STF já se pronunciou,  de forma definitiva, neste sentido.   Também não pode ser considerada beneficente de assistência social, pois tem  que possuir o certificado correspondente, o que não é o caso.  Por  seu  turno,  ao  instituir  a  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  a  Lei  n°  7.689, de 1988 atendeu ao princípio da universalidade e será financiada por toda a sociedade  direta ou indiretamente. O disposto no referido caput do art. 195 da CF, por sua vez, definiu, no  art.  4°,  que  “são  contribuintes  as  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País  e  as  que  lhes  são  equiparadas pela legislação tributária”.  A mencionada Lei  também não  isentou as entidades de previdência privada  do recolhimento da CSLL através do seu art. 2°, § 1°, alínea ‘c’, com a redação dada pelo art.  2° da Lei n° 8.134, de 1990, que relaciona os valores que devem ser adicionados/excluídos do  resultado do período­base, na obtenção da base de cálculo.  Da  mesma  forma,  a  Lei  n°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  que  trata  da  organização  da  seguridade  social,  também  não  estabeleceu  a  referida  isenção,  e  em  sua  conceituação abrangente do que seja empresa, abarcou indiretamente o conceito de entidade de  previdência privada, pois o importante não é nem ter ou não lucro, mas sim assumir o risco de  atividade comercial, como se vê dos seus artigos 10 e 15, a seguir transcritos:  “Art.  10.  A  Seguridade  Social  será  financiada  por  toda  sociedade, de forma direta e indireta, nos termos do art. 195 da  Constituição  Federal  e  desta  Lei,  mediante  recursos  provenientes  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal,  dos  Municípios e de contribuições sociais.  (...)  Art. 15. Considera­se:  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 74          8 I —  empresa  ­  a  firma  individual  ou  sociedade  que  assume  o  risco  de  atividade  econômica  urbana  ou  rural,  com  fins  lucrativos  ou  não,  bem  como  os  órgãos  e  entidades  da  administração pública direta, indireta e fundacional;  (...)  Parágrafo  único. Equipara­se  a  empresa,  para  os  efeitos  desta  Lei,  o  contribuinte  individual  em  relação  a  segurado  que  lhe  presta  serviço,  bem  como  a  cooperativa  ,  a  associação  ou  entidade  de  qualquer  natureza  ou  finalidade,  a  missão  diplomática  e  a  repartição  consular  de  carreiras  estrangeiras.”(Redação  dada  pela  Lei  n°  9.876,  de  26.11.99,  grifei).  Como  se  deduz,  não  existe  nenhum  comando  normativo  isentando  ou  retirando do campo de incidência da CSLL os resultados positivos conseguidos pelas entidade  de previdência privada. É de concluir, portanto, a intenção do legislador ao criar a mencionada  contribuição  foi  que  a  mesma  fosse  financiada  por  toda  sociedade,  inclusive  por  essas  entidades.  Dizem  que  o  fundamento  de  validade  indicada  no  texto  constitucional  de  1988 para a  instituição da CSLL é a “existência de  lucro,  termo de conteúdo semântico bem  definido  em  nosso  ordenamento  jurídico  e  que  expressa  materialidade  relacionada  ao  resultado obtido pela exploração de atividade mercantil” (103­136.975).  Esclarecem  que  o  lucro  como  objetivo  maior  de  qualquer  atividade  empresarial  é obtido  com a  intenção de  ser  repassado aos  sócios da pessoa  jurídica  e de  ser  repartido entre aqueles que possibilitam o desenvolvimento da atividade empresarial. Por outro  lado, o superávit, por sua vez, consiste em resultado positivo que, por ser auferido por pessoa  jurídica sem fins lucrativos, não é repassado a ninguém  Decerto  a  hipótese  de  incidência  tributária  prevista  na  Lei  nº  7.689/88  descreve a ocorrência de “resultado”,  tanto importa qual a destinação que se dará ao mesmo:  lucro ou superávit . O importante é a natureza do “resultado” obtido entre receitas e despesas  em  determinado  período,  perfeitamente  calculável  em  qualquer  atividade  empresarial  que  assume risco de atividade econômico.  Tanto é assim que os itens 6 a 8 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC­ TE­11­ Entidade de previdência privada), demonstram cabalmente a possibilidade de aferição  de resultados nesse tipo de entidade1:  6. A EFPC deve elaborar a escrituração contábil respeitando a  autonomia de  forma a  identificar,  separadamente, os planos de  benefícios  de  natureza  previdencial  e  assistencial  por  ela  administrados, bem como o plano de gestão administrativa, para  assegurar  um  conjunto  de  informações  consistentes  e  transparentes.  7. O resultado superavitário ou deficitário de plano de benefícios  de natureza previdencial, no exercício, é formado pelas adições,  subtraídas das deduções, acrescidas ou deduzidas da cobertura e                                                              1 Disponível em 21/07/010 em ´http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbcte11ind´  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 75          9 da  reversão  de  despesas  administrativas,  do  fluxo  de  investimentos, da  constituição e da reversão das  contingências,  das provisões matemáticas e dos fundos, contabilizado no grupo  de contas de gestão previdencial..  8. O  fundo  administrativo  do  plano  de  gestão  administrativa  é  formado  pelas  receitas,  deduzidas  das  despesas,  acrescidas  ou  deduzidas do  fluxo de  investimentos, da constituição e reversão  das contingências, contabilizadas no grupo de contas de gestão  administrativa.  Ora,  admitido  a  tese  contrária  de  não­incidência  nem mesmo  os  resultados  financeiros positivos advindos de investimentos não seriam tributados, o que não é razoável.  Observe  que  o  item  9  da Norma Brasileira  de Contabilidade  (NBC­TE­11­  Entidade de previdência privada) assim dispõe a esse respeito:  9.  O  resultado  dos  investimentos,  a  ser  transferido  para  as  gestões previdencial e administrativa, é formado pelas rendas e  variações  positivas,  subtraídas  de  deduções  e  variações  negativas,  acrescidas  da  cobertura  e  reversão  de  despesas  administrativas,  da  constituição e  reversão das contingências e  dos  fundos,  contabilizadas  no  grupo  de  fluxo  de  investimentos.(grifei)  Por  óbvio  que  não  pode  ser  a  mera  dificuldade  operacional  que  vai  impossibilitar  o  aferimento de  lucro ou  resultado desse  tipo de  entidade que podem  transitar  entre vários planos (previdencial, administrativo etc.)  Como  se  percebe  as  entidades  de  previdência  privada  adotam  sistema  contábil peculiar, mais precisamente uma planificação contábil padrão, aprovada pela Portaria  MPAS  nº  4.858,  de  26  de  novembro  de  1998.  Por  essa  planificação  contábil,  os  programas  desenvolvidos por essas entidades dividem­se em previdencial, assistencial, administrativo e de  investimentos. O  importante em  termos de apuração do  resultado, é que a Portaria MPAS nº  4.858,  de  1998,  estabelece,  em  seu ANEXO C,  item  “3”,  a  Demonstração  do Resultado  do  Exercício, a qual abrange os quatro programas por elas desenvolvidos.    Argumentos empíricos  É  princípio  comezinho  do  Direito  o  princípio  da  presunção  de  constitucionalidade das  leis. Pois bem, caso a tese aqui adotada não seja preterida estar­se­ia  ferindo tal princípio em relação a vários dispositivos legais, leis e Decretos, o vedado fazê­lo  em sede de julgamento administrativo sendo tal matéria inclusive sumulada.  Refiro­me, em primeiro lugar, ao fato dessas entidades de previdência privadas  figurarem no  rol do artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91 estabelecendo as  respectiva alíquotas,  possibilita, sim, a cobrança da CSLL, pois como já visto são contribuintes da seguridade social,  onde o seu § 1º do artigo 22 estabelece a contribuição adicional sobre as remunerações, “além  das  contribuições  referidas  neste  artigo  e  no  artigo  23  (...)”.  que  trata  especificamente  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro.  Não  convence  o  contra­argumento  afirmando  que  a  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 76          10 generalidade  do  art.  23  não  poderia  se  referir  à  entidade  de  previdência  privada.  Ora,  o  princípio da universalidade da Contribuição Social sobre o Lucro cancela tal ilação.  Além do artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91, a tese contrária a aqui defendida  afasta o art. 204 c/c o § 6º do art. 201 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprovou  o Regulamento da Previdência Social,  tratando das alíquotas de CSLL aplicáveis, bem como  fazendo referência as entidades fechadas de previdência privada.  Outro argumento empírico que se observa contra a  tese aqui combatida, é a  existência de várias dispositivos legais que vêm alterando sistematicamente o regime tributário  das entidades da previdência privada, demonstrando a possibilidade de se aferir os resultados  obtidos  por  tais  entidades  e,  assim,  demonstrar  que  o  resultado  do  exercício  disposto  na  legislação comercial pode equivaler, sim, ao superávit técnico obtido por essas entidades.  De outra banda, o sucesso da tese que ora se combate também deveria atuar  no  sentido  de  impedir  que  houvesse  tributação  do  IRPJ,  pois  o  ponto  de  partida  deste  é  o  mesmo da CSLL: lucro líquido comercial.   A esse respeito, primeiramente, a Medida Provisória 2.222, de 04/09/2001,  abriu  a  possibilidade  dessas  entidades,  entre  outras,  optarem  por  um  regime  especial  de  tributação,  no  qual  o  resultado  positivo,  auferido  em  cada  trimestre­calendário,  dos  rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de  renda à alíquota de vinte por cento.   Os argumentos até agora se amoldam perfeitamente para refutar tanto a não  incidência da CSLL para a previdências privadas fechadas como as abertas.  Porém, o caso concreto  se  refere à entidade de previdência aberta, mas sim  fechada. Como se verá, a dificuldade para considerar fora da incidência tributária o resultado  auferido pelas entidades de previdência privada abertas é muito maior!  A partir da Medida Provisória 16, de 27/12/2001, posteriormente convertida  na Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, isentou apenas as entidades fechadas de previdência  privada  da  contribuição  incidente  sobre  o  lucro  líquido  –  CSLL,  relativamente  a  fatos  geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2002.   Daqui se pode extrair duas ilações:  ­ Se para o gênero (entidade de previdência privada sem fins lucrativos) que  dizem  “não  se  concebe  lucro”,  havia  aqui  não­incidência,  como  entender  então  o  uso  pelo  legislador do instituto da “isenção” para a espécie entidades fechadas de previdência privada,  que pressupõe a possibilidade de tributação e que a legislação resolveu excluir sua incidência?  ­ Se isentou apenas as entidades fechadas de previdência privada, por óbvio  continuou no campo de incidência as entidades abertas, como é o caso da Recorrente.  Outrossim, vejamos a redação da referida Lei:  Art.  5º  As  entidades  fechadas  de  previdência  complementar  ficam  isentas  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de  1º de janeiro de 2002.  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 77          11 Entendimento  contrário  levaria  ao  absurdo  de  dar  como  letra  morta  o  conteúdo dessa Lei.  É  neste  contexto  que  também  deve  ser  interpretado  o  artigo  17  da  Instrução  Normativa SRF n°.588, de 2005, que determina:  Art. 17 ­ As entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas  do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido.  Como bem colocou a DRJ:  O alcance do artigo 17, da INSRF n°.588, de 2005, não pode ser aquele que  inclua as entidades de previdência aberta, por duas razões:  primeiro,  as  normas  infralegais,  (instruções  normativas),  não  podem  extrapolar  os  limites  definidos  por  lei,  no  caso,  o  artigo  5°.,  da Lei  n°.10.426,  de  2002;  segundo,  porque,  conforme  já  mencionado,  a  isenção  somente  pode  ser  concedida por lei, e a Lei n°. 10.426, de 2002, apenas concedeu a isenção da CSLL  para as entidades fechadas de previdência complementar.  Igualmente relevante é o fato de o inciso II do artigo 111 do CTN, impor que  se  interprete  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  outorga  de  isenção. O que o inciso II, do artigo 111, do CTN está a determinar é que a extensão  que se deve dar ao conjunto de conceitos jurídicos abrangidos pelos termos contidos  no texto legal deve ser restritiva.  Neste sentido, à luz da hermenêutica, o alcance que deve ser dado à expressão  "entidades de previdência complementar sem fins lucrativos" equivale, no presente  contexto, ao de entidade de previdência fechada.  Disse  que  a  dificuldade  para  cogitar  de  não  tributação  das  entidades  abertas  de  previdência privada é maior do que a das entidades fechadas. Passo a tratar dessa questão.  A  DRJ  soube muito  bem  desenvolver  essa  questão,  que  adoto  também  como  minhas  razões de decidir:  No domínio dos fatos, chega­se  também a mesma conclusão pelas seguintes  razões.  No  campo  societário,  revela­se  que  as  entidades  fechadas  de  previdência  privada  administram  planos  fechados,  como  o  próprio  nome  já  anuncia,  são  de  adesão  restrita aos  funcionários de empresas ou grupo de empresas patrocinadoras  ou  de  instituidoras,  associações  de  classe  e  sindicatos.  As  entidades  fechadas  são  necessariamente  sem  fins  lucrativos,  funcionam  sob  a  tutela  da  PREVIC  ­  ex­ Secretaria da Previdência Complementar (do Ministério da Previdência e Assistência  Social).  Já as entidades abertas de previdência privada são regulamentadas pela Susep  e  são  acessíveis  tanto  a  pessoas  físicas  quanto  jurídicas.  Assemelham­se  a  seguradoras  ou  mesmo  bancos.  Quanto  aos  aspectos  contábeis,  as  entidades  de  previdência privada aberta devem seguir as normas da Superintendência de Seguros  Privados  e  as  fechadas,  as  normas  da Secretaria  da  previdência Complementar do  Ministério da Previdência e Assistência Social.  No  campo  econômico,  considera­se  empresa  toda  organização  de  natureza  civil ou mercantil destinada à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 78          12 atividade  com  fins  lucrativos,  (Lei  n°.4.137,  de  1962). Empresário  é  quem exerce  profissionalmente atividade organizada para a produção ou a circulação de bens ou  de serviços, ( Código Civil).  As sociedades civis também, regra geral, têm fins lucrativos. O objeto social  consiste em prestação de serviços, ou realização de certas atividades econômicas. Os  sócios deverão participar dos  lucros, periodicamente, ou na partilha dos  resultados  finais.  Em se tratando de associação civil, o objeto social consiste em fornecimento  de  bens  e  serviços  aos  associados,  sem  conotação  lucrativa,  em  função  das  contribuições periódicas destes para a manutenção das atividades.  Por  fins  não  lucrativos,  entenda­se  aqueles  cuja  realização  não  envolva  exploração  de  atividade  mercantil,  nem  distribuição  de  lucros  ou  participação  no  resultado econômico final da entidade.  Em  conjunção  com  estas  assertivas,  Sacha Calmon Navarro Coelho,  na  sua  obra  Curso  de  Direito  Tributário  Brasileiro,  1a.  Edição,  Rio  de  Janeiro,  Forense,  1999, pg. 277 e ss., ensina que:  "Por  "sem  fins  lucrativos"  deve­se  entender  aquelas  que  não  se  apropriam  dos  resultados  operacionais,  ou  seja,  que  não  distribuem  resultados  entre  sócios  ou  mantenedores  ou  associados,  reinvestindo  tudo  o  que  ganham  e,  cada  vez  mais,  em  atividades­meio capazes de sustentar os planos educacionais e assistenciais próprios dessas  entidades. (...) (Grifado agora)  Idem, Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário, 13a. Edição,  São Paulo, Malheiros, 1998, pg. 199:  "Não  ter  fins  lucrativos  não  significa,  de modo  nenhum,  ter  receitas  limitadas  aos  custos operacionais. Elas na verdade podem e devem  ter  sobras  financeiras, até para que  possam  progredir,  modernizando  e  ampliando  suas  instalações.  O  que  não  podem  é  distribuir lucros. São obrigadas a aplicar todas as suas disponibilidades na manutenção dos  seus objetivos institucionais ". (Grifado agora)  Como se vê há uma conotação muito mais forte da entidade aberta de previdência  privada  no  sentido  de  verdadeiramente  explorar  exploração  de  atividade  mercantil,  muito  se  aproximando  do  conceito  de  sociedade  empresária  definida  no  novo  código  civil  onde  empresa  se  caracteriza por exercer profissionalmente atividade organizada para a produção ou a circulação de bens  ou de serviços.   Afora esse fato, o que se verifica da prova dos autos é que o outro aspecto voltado para a  distribuição  de  lucros  ou  participação  final  no  resultado  econômico  da  entidade,  que  caracterizaria  também uma  entidade  sem  fins  lucrativos,  aponta  em  sentido  contrário  às  pretensões  da Recorrente.  Esse ponto foi determinante para o convencimento de alguns Conselheiros.  Como se sabe, o art. 55 da referida Lei 8.212, de 1991 e modificações posteriores, reza,  que:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade  beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:    I ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 79          13 ou  municipal;  II  ­ seja portadora do certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos,  fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos;  III  ­  promova,  gratuitamente  e  em  caráter  exclusivo,  a  assistência  social  beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência  (nova redação da Lein°9.732, de 1998);  IV  ­não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (grifo nosso)  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente, relatório circunstanciado de suas atividades.  É que a alínea "g" do artigo 13 do estatuto social da Interessada, (fls.287/288), constata­ se que Conselho Deliberativo tem competência para fixar anualmente a remuneração dos seus próprios  membros e da Diretoria Executiva, quando houver resultado positivo (superávit), na forma prevista na  legislação em vigor.  Verifica­se  também,  (itens  3.8  e  3.9  das  notas  explicativas),  constantes  das  demonstrações financeiras publicadas pela Interessada (exercícios sociais de 2005 e 2006), que houve  distribuição  de  parte  do  chamado  "superávit"  naqueles  períodos  a  seus  dirigentes.  Em  2005  a  remuneração dos dirigentes foi de R$ 1.650.000,00 e em 2006 a remuneração foi de R$ 1.900.000,00,  (fls.279/282).  Cabe se afastar de pronto a hipótese de tais verbas possuírem a natureza de proventos e  salários uma vez que estão condicionadas à existência de resultado positivo. E isso nada mais na prática  do que distribuição de lucros.  Base de Cálculo    A esse respeito, por não trazer nenhum outro argumento novo ou prova que  refutasse  o  que  foi  colocado  pela  decisão  de  piso,  adoto  como  razão  de  decidir  os mesmos  fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos:  Inicialmente,  cabe  registrar  que  a  autuação  não  se  baseou  meramente  no  resultado  apurado  pela  Interessada,  mas,  sim,  conforme  se  verifica  pelos  demonstrativos  de  fls.269/270,  o  lançamento  foi  realizado  a  partir  dos  valores  constantes  dos  balancetes contábeis (fls. 18/268) e das demonstrações contábeis  publicadas, (fls.279/282), tudo conforme exige o artigo 2o da Lei  7.689, de 1988, abaixo transcrito.  "Art. 2°A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado  do exercício, antes da provisão para o imposto de renda.  § 1°Para efeito do disposto neste artigo:  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 80          14 (...)  c)  o  resultado  do  período­base,  apurado  com  observância  da  legislação comercial, será ajustado pela:  (...)  3  ­  adição  do  valor  das  provisões  não  dedutíveis  da  determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de  Renda; (Grifado agora)  (...)"  Da  mesma  forma,  aplicou­se  o  artigo  13,  da  Lei  n°.9.249,  de  1995, que  determina:  "Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964:  I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento  de  férias  de  empregados  e  de  décimo­terceiro  salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro  de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de  1995,  e  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização, bem como das  entidades de previdência privada,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial  a  elas  aplicável; (Grifado agora)  III  ­  de  despesas  de  depreciação,  amortização,  manutenção,  reparo,  conservação,  impostos,  taxas,  seguros  e  quaisquer  outros  gastos  com  bens  móveis  ou  imóveis,  exceto  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços;  IV  ­  das  despesas  com  alimentação  de  sócios,  acionistas  e  administradores;  V  ­ das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas  a  custear  seguros  e  planos  de  saúde,  e  beneficios  complementares  assemelhados  aos  da  previdência  social,  instituídos  em  favor  dos  empregados  e  dirigentes  da  pessoa  jurídica;  VI  ­ das doações, exceto as referidas no § 2°;  VII  ­ das despesas com brindes. (Grifado agora)  O  que  se  constata  é  que  as  provisões  para  contingências  constituídas  em  decorrência  de  processos  judiciais  em  andamento,  assim  como  a  provisão  de  créditos  duvidosos  calculada  sobre  a  carteira  de  assistência  a  participantes,  não  podem  deduzir  a  base  de  cálculo  da  CSLL,  estando  correta  a  Fiscalização quando adicionou  tais  valores  a  aqueles  oriundos  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 81          15 dos  balancetes  analíticos  de  fls.18/268  e  das  demonstrações  contábeis  de  fls.279/282,  pois,  atuou  em  conformidade  com  os  diplomas legais acima transcritos.  Da mesma forma, as despesas com contribuições a entidades de  classe,  brindes  e  promoções,  por  não  estarem  intrinsecamente  relacionadas com a produção e comercialização de serviços da  fiscalizada,  foram  adicionadas  a  base  de  cálculo  da  CSLL  em  conformidade  com os  incisos  do  artigo  13,  da Lei  n°.9.249,  de  1995.  Por todo o exposto, nego provimento.    Legalidade dos Juros de Mora  Em  relação  aos  juros  de mora,  determina  a  legislação  que  sobre os  débitos  pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo  até  o mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no mês  de  pagamento.Não  cabe,  portanto,  a  este  órgão  do  Poder Executivo  deixar  de  aplicá­los, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 do CARF, in verbis:  “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.”  Em relação  à  sua  alegação de  ter  errado no código de  recolhimento  e  tê­lo  recolhido  a  título  de  juros  de  mora  o  que  importa  é  que  o  referido  valor  já  foi  abatido  do  montante total devido a título de multa de mora. Como se está cancelando a multa de mora, a  autoridade  executora  deverá  considerar  esse  fato  e  abatê­lo  como  se  na  rubrica  certa  tivesse  sido recolhido.    Por  todo  o  exposto, REJEITO o  pedido  de  perícia  e NEGO provimento  ao  recurso.     (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto      Voto Vencedor  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 82          16 O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira:    Em  que  pese  as  sempre  bem  ponderadas  razões  do  Conselheiro  Antônio  Bezerra  Neto,  a  quem  rendo  minhas  homenagens,  cheguei  à  mesma  conclusão  de  improcedência do presente recurso voluntário, mas por outros fundamentos.  Tendo  a  maioria  da  Turma  Julgadora  acompanhado  meu  entendimento  exposto quando do julgamento, passo a proferir o meu voto na qualidade de razões vencedoras  do julgado.  Há de se admitir que, parcialmente, os  fundamentos do voto vendedor e do  voto vencido se  equivalem no que  toca à  remuneração dos diretores da Contribuinte –  razão  por si só suficiente à improcedência do apelo.   É  que,  como  se  extrai  do  voto  vencido  –  que  nessa  parte  tem  minha  concordância:     Em se  tratando de associação civil, o objeto social consiste em  fornecimento de bens e serviços aos associados, sem conotação  lucrativa, em função das contribuições periódicas destes para a  manutenção das atividades.  Por  fins não lucrativos, entenda­se aqueles cuja realização não  envolva exploração de atividade mercantil, nem distribuição de  lucros ou participação no resultado econômico final da entidade.  Em  conjunção  com  estas  assertivas,  Sacha  Calmon  Navarro  Coelho, na sua obra Curso de Direito Tributário Brasileiro, 1a.  Edição, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pg. 277 e ss., ensina que:  "Por "sem fins lucrativos" deve­se entender aquelas que não  se apropriam dos resultados operacionais, ou seja, que não  distribuem  resultados  entre  sócios  ou  mantenedores  ou  associados,  reinvestindo  tudo  o  que  ganham  e,  cada  vez  mais,  em  atividades­meio  capazes  de  sustentar  os  planos  educacionais e assistenciais próprios dessas entidades. (...)  (Grifado agora)  Idem, Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário,  13a. Edição, São Paulo, Malheiros, 1998, pg. 199:  "Não ter fins lucrativos não significa, de modo nenhum, ter  receitas limitadas aos custos operacionais. Elas na verdade  podem e devem ter sobras financeiras, até para que possam  progredir,  modernizando  e  ampliando  suas  instalações.  O  que não podem é distribuir lucros. São obrigadas a aplicar  todas  as  suas  disponibilidades  na  manutenção  dos  seus  objetivos institucionais ". (Grifado agora)  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 83          17 Como  se  vê  há  uma  conotação  muito  mais  forte  da  entidade  aberta  de  previdência  privada  no  sentido  de  verdadeiramente  explorar  exploração  de  atividade  mercantil,  muito  se  aproximando  do  conceito  de  sociedade  empresária  definida  no  novo  código  civil  onde  empresa  se  caracteriza  por  exercer  profissionalmente  atividade  organizada  para  a  produção  ou  a  circulação de bens ou de serviços.   Afora  esse  fato,  o  que  se  verifica  da  prova  dos  autos  é  que  o  outro  aspecto  voltado  para  a  distribuição  de  lucros  ou  participação  final  no  resultado  econômico  da  entidade,  que  caracterizaria também uma entidade sem fins lucrativos, aponta  em sentido contrário às pretensões da Recorrente. Esse ponto foi  determinante para o convencimento de alguns Conselheiros.  Como  se  sabe,  o  art.  55  da  referida  Lei  8.212,  de  1991  e  modificações posteriores, reza, que:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts.  22  e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:  I­  seja  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal  e  estadual ou do Distrito Federal ou municipal;  II­ seja portadora do certificado ou do Registro de Entidade  de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de  Serviço Social, renovado a cada três anos;  III­  promova,  gratuitamente  e  em  caráter  exclusivo,  a  assistência  social  beneficente  a  pessoas  carentes,  em  especial  a  crianças,  adolescentes,  idosos  e  portadores  de  deficiência (nova redação da Lein°9.732, de 1998);  IV­não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título; (grifo nosso)  V­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais apresentando, anualmente ao órgão do  INSS  competente, relatório circunstanciado de suas atividades.  É  que  a  alínea  "g"  do  artigo  13  do  estatuto  social  da  Interessada,  (fls.287/288),  constata­se  que  Conselho  Deliberativo  tem  competência  para  fixar  anualmente  a  remuneração  dos  seus  próprios  membros  e  da  Diretoria  Executiva,  quando  houver  resultado  positivo  (superávit),  na  forma prevista na legislação em vigor.  Verifica­se  também,  (itens  3.8  e  3.9  das  notas  explicativas),  constantes  das  demonstrações  financeiras  publicadas  pela  Interessada  (exercícios  sociais  de  2005  e  2006),  que  houve  distribuição  de  parte  do  chamado  "superávit"  naqueles  períodos  a  seus  dirigentes.  Em  2005  a  remuneração  dos  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 84          18 dirigentes foi de R$ 1.650.000,00 e em 2006 a remuneração foi  de R$ 1.900.000,00, (fls.279/282).    Existe  uma  lógica  na  vedação  de  remuneração  aos  diretores  das  entidades  sem fins lucrativos: a de que a mesma não seja tratada como uma sociedade, com distribuição  de resultados positivos aos associados, como o fazem as sociedades aos sócios e acionistas com  o lucro. A concessão do benefício fiscal é diretamente relacionada a esta condição, o que não  implica dizer que a sociedade não possa contratar profissionais competentes e hábeis para geri­ la.  O  que  pede  a  lei  é  que  aquelas  pessoas  colocadas  como  detentoras  da  titularidade  da  entidade não sejam remunerada por esta condição.  No  caso  dos  autos,  analisando  o  Estatuto  da  Contribuinte,  tem­se  que  o  conselho diretor é eleito com “mandato permanente”, somente podendo ser destituído com voto  da  unanimidade  dos  demais  pares.  Ainda,  o  conselho  diretor  é  indicado  pelos  chamados  “controladores”.  E  quem  são  os  controladores?  Os  membros  do  Conselho  Diretor,  em  uma  cadeia que garante o controle direto e certa da entidade como em uma empresa.  Assim,  existe  uma  relação  diretamente  relacionada  à  titularidade  da  associação,  posto  que  os  controladores  e  conselheiros  diretores  são  exatamente  as  mesmas  pessoas, gozando os mesmos da titularidade patrimonial da entidade  Por  fim,  o  estatuto  prevê  a  possibilidade  de  conversão  da  entidade  em  sociedade anônima, o que demonstra, com maior rigor, o seu caráter patrimonial.   Isso porque, na esteira do que ensina Misabel de Abreu Machado Derzi, ante  os  aspectos  constitucionais  e  legais  que  diferenciam  as  sociedades  das  associações,  chama  a  atenção que não é qualquer entidade que pode se beneficiar do regime fiscal privilegiado, nos  termos da imunidade constitucional.  Isso porque não basta dizer que a entidade não distribui  lucros  aos  associados  para  que  se  esteja  diante  da  hipótese  de  aplicação  da  imunidade.  É  necessário identificar que, mais do que uma entidade sem fins lucrativos, a entidade não possua  fins econômicos. Veja­se o seu poderoso escólio, in verbis:  Compete  à  Administração  Fazendária  fiscalizar  a  ausência  de  capacidade  econômica,  de  fins  lucrativos  e  de  aplicação  de  renda  no  exterior  das  instituições  de  educação  e  assistência  social, razão pela qual não é suficiente verificar apenas a “não  distribuição  de  lucros”  durante  a  vida  da  associação  ou  sociedade civil por meio do exame de seus livros e de balanço.   A interpretação correta da Constituição Federal e do art. 14 do  Código  Tributário  Nacional  exige  que  se  investiguem  os  estatutos  sociais  (além  da  escrita  contábil)  dessas  instituições  para identificar:  A natureza “não­lucrativa” da atividade  e a aplicação de  seus  resultados;  O  destino  do  patrimônio  líquido  da  sociedade,  em  caso  de  dissolução ou término de suas atividades;  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.720154/2010­21  Acórdão n.º 1401­000.967  S1­C4T1  Fl. 85          19 A  impossibilidade  de  alienação  onerosa,  por  parte  de  seus  sócios, de “quotas” ou outras “participações”.  É que muitas dessas sociedades civis, sem fins lucrativos, podem  cumular  patrimônio  ao  longo  de  certo  período.  Ora,  não  tem  sentido reconhecer a  imunidade, se encerradas suas atividades,  ou  no  curso  delas,  o  grupo  restrito  de  seus  associados  se  beneficiar  com  a  incorporação  desses  bens  ao  seu  patrimônio  pessoal, bens  formados à custa de uma renúncia à  receita, que  onera a coletividade. O Código Tributário Nacional proíbe não  apenas  a  distribuição  de  lucros,  de  participação  no  resultado,  mas ainda a de patrimônio, durante a vida da instituição ou no  seu término”. (p. 319 – limitações).    Por esses fundamentos, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira                                  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 13603.900013/2009-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 6          1 5  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.900013/2009­80  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.336  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  Ressarcimento/Compensação  Recorrente  RYGON COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.  A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  e  a  inexistência  de  industrialização  no  estabelecimento  do  sujeito  passivo  desautorizam  o  reconhecimento de crédito de IPI.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso,.    (Assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 13 /2 00 9- 80 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2   Relatório  Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do  Acórdão  nº  09­30.411,  pela  abordagem  concisa  e  precisa  acerca  dos  fatos  e  valores  fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina.  Trata  o  presente  processo  de Pedido  de Ressarcimento  de  IPI,  PER/DCOMP  nº  37978.73721.241005.1.1.01­2304,  relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779,  de  19/01/1999,  do  4º  trimestre  de  2004,  no  montante  de  R$  62.985,66 apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205.  Para  a  verificação  da  legitimidade  do  saldo  credor  foi  instaurado  procedimento  fiscal  de  que  resultou  o  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 40/42. No referido ato, o auditor fiscal  asseverou que:  2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE  PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.  Conforme  admitido  pelo  próprio  contribuinte,  às  fls.  05  do  arquivo  Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo  ao  SCC  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações,  o  estabelecimento  não  industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais  afirmarem  que  entre  os  objetivos  sociais,  à  parte  o  comércio  atacadista,  atividade  preponderante,  encontrar­se  a  "Indústria  de  Produtos  de  Panificação",  não  se  observou  a  saída  de  qualquer  tipo  de  pães  e  assemelhados,  bem  como  não  foi  anotada, nos  livros Registro de  IPI, nenhuma  saída de produto  industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código  Fiscal de Operações CFOP.  Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com  destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa  a  entrada  de  qualquer  insumo:  são  produtos  de  limpeza,  guloseimas,  bebidas,  papéis  toalha,  adquiridos  prontos,  diretamente  da  fábrica,  e  comercializados  por  atacado  no  mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas  fiscais de saídas.  Portanto,  estes  valores  solicitados  em  ressarcimento,  e  escriturados  no  Livro  Registro  de  Apuração  de  IPI  pelo  contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação  nacional  que  são  revendidos  sem  serem submetidos a  qualquer  tipo  de  industrialização  pela  empresa,  não  ocorrendo  o  fato  gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento.  Não  se  vislumbra  como  sua  atividade  e  suas  saídas  de  mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto  no artigo 11 da Lei n° 9.779/99.  [...]  Diante  do  exposto,  deve­se  então  proceder  à glosa  de  todos  os  valores  solicitados  a  título  de  ressarcimento  pleiteados  pelo  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900013/2009­80  Acórdão n.º 3803­006.336  S3­TE03  Fl. 7          3 contribuinte,  uma  vez  que  este  não  promove  qualquer  tipo  de  industrialização neste estabelecimento.    Os  pleitos  formulados  pela  contribuinte  foram  indeferidos  por  meio  do  Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº  900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo.  O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado,  consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e §  2º  do  art.  195  do  Dec.  4.544/02  (RIPI/02),  uma  vez  que  não  promove  nenhum  tipo  de  industrialização  em  seus  estabelecimentos,  portanto  não  é  contribuinte  de  IPI,  posição  esta  admitida  pela  própria  interessada,  e  comprovado  por  meio  de  termos  de  verificação  fiscal,  documentos  que  lhe  serviram  de  base  e  análise  dos  créditos  suscitados  nos  pedidos  de  ressarcimento e declarações de compensação.  A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.01­8800, relativamente aos  créditos  do  4º  trimestre/2002,  pois  transmitida  em  10/09/04,  que  restou  homologada  por  disposição  legal,  nos  termos  do  §  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/96,  em  razão  da  ocorrência  de  decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte.  Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a  própria  TIPI  equipara  estabelecimentos  atacadistas  a  estabelecimentos  industriais,  o  que  acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus  ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade.  Aduziu,  ainda,  que  no  caso  dos  PAF  nº  10603.903598/2008­17,  10603.903602/2008­39  e  10603.903604/2008­28,  houve  o  reconhecimento  parcial  do  ressarcimento  de  IPI  e,  que  não  poderia  ser  adotado  outro  critério  neste  momento,  mesmo  porque  até  os  créditos  solicitados  têm os  fundamentos  legais. Entendeu  que o  processo  cuja  declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de  IPI,  para  requer  o  cancelamento  das  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  e  o  deferimento  dos  pedidos de compensação de IPI.  Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por  meio do Acórdão nº 09­46.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade  e  pelo  não  reconhecimento  do  direito  creditório apurado pela interessada.  O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de  estabelecimento  atacadista  com  o  industrial,  que  essa  tarefa  diz  respeito  ao  RIPI;  que  o  RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº  4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que  traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Mencionou  que  a  extensa  e  exaustiva  lista  de  produtos  constantes  do  art.  9º  desse mandamus,  que  poderiam  ensejar  a  referida  equiparação,  dela  não  consta nenhum dos  produtos  comercializados  pela  interessada;  que  o  estabelecimento,  conforme  com  o  relato  fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições,  não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao  período em questão  informa à  fl. 156, que não há apuração e  informações de  IPI no período  para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório.  A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 23/08/2010, contra a  mesma  insurgindo­se  interpôs  recurso  voluntário  em  09/09/2010,  reiterando  os  argumentos  expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos  de procedência  estrangeira e dava  saída  a  esses  produtos,  e que por  longo  tempo procedia  à  industrialização de produtos para panificação.  É o relatório.     Voto             Conselheiro Jorge Victor Rodrigues  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  necessários  à  sua  admissibilidade, dele conheço.  Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa  no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim  não  é  contribuinte  de  IPI,  nem  foi  observada  nenhuma  saída  de  qualquer  tipo  de  pães  ou  assemelhados,  ou  mesmo  há  registros  nos  Livros  de  Registro  de  IPI,  de  saída  de  qualquer  produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações ­ CFOP.  O  referido Termo  informou que  a  fiscalização ao proceder  à análise das notas  fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada  de  nenhum  insumo.  Ao  contrário,  são  produtos  de  limpeza,  guloseimas,  bebidas,  papéis  toalhas,  adquiridos prontos,  diretamente da  fábrica e  comercializados por  atacado no mesmo  estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas.  Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência  de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99.  A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos  industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo.  O  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI,  originariamente,  como  forma  de  ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins  incidentes  sobre as aquisições, no mercado  interno,  de MP,  PI  e ME,  de  que  trata  a  Lei  nº  9.363/1996,  está  disciplinada  na Instrução  Normativa SRF nº 419/2004.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900013/2009­80  Acórdão n.º 3803­006.336  S3­TE03  Fl. 8          5 A recorrente não  logrou  refutar as acusações  formuladas pela  fiscalização seja  com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos.  É  certo  que  o  inciso  I  do  art.  333  do  CPC  estabelece  que  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito.  Neste  sentido  a  fiscalização  constatou  no  estabelecimento  do  sujeito  passivo  a  inexistência  de  qualquer  processo  de  industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados,  inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o  surgimento da incidência do dato gerador do IPI.  Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência  de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a  sua  pretensão  qual  seja,  de  homologação  das  declarações  de  compensação  e  pedido  de  ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal.  A  própria  DIPJ/2003  da  recorrente,  ano  calendário  de  2002,  no  que  atine  ao  período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que  não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal.  A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em  sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou  jurídico que demonstrasse e que  comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito  à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação  e  exportação,  para  lhe  assegurar  direito  à  compensação,  nos  termos  da  legislação  atinente  à  matéria.  Com isso, nos autos constata­se apenas a alegação vazia da recorrente acerca do  direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não  há substância em sua narrativa.  Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto.  É como voto.    Jorge Victor Rodrigues ­ Relator                              Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6   Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10935.906349/2012-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/01/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 121          1 120  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.906349/2012­10  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­002.647  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  COFINS  Recorrente  JUMBO ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 18/01/2008  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO.  Diante das  regras vigentes,  não  é  cabível pedido de  restituição de COFINS  que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS  na base de cálculo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 18/01/2008  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  NECESSIDADE  DE  DEMONSTRAÇÃO  DA  MATERIALIDADE  DO  CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.  Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte,  no  rito  da  repetição  do  indébito  é  fundamental  a  comprovação  da  materialidade  do  crédito  alegado.  Diferentemente  do  lançamento  tributário  em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar  que possui a materialidade do crédito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  recurso voluntário.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 49 /2 01 2- 10 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2   (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'amorim  (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  O conselheiro Solon Sehn declarou­se impedido.  Relatório  O  contribuinte  JUMBO ALIMENTOS  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário contra o Acórdão nº 06­42.797, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da  DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo  em sede de manifestação de inconformidade, rejeitando­a.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:   “Trata  o  processo  de Despacho Decisório  emitido  pela DRF Cascavel/PR,  em 03/01/2013,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por meio  do Per/Dcomp nº  18001.99199.110209.1.2.04­4471, rastreamento nº 041906770, devido à inexistência de crédito  pleiteado de R$ 43.617,61, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período  de  31/12/2007,  efetuado  em  18/01/2008,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada  da  decisão  em  18/01/2013,  a  interessada  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o  conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por  se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o  Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Dessa  forma,  solicita  que  os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de  mora,  desde  seu  pagamento  indevido  até  a  data  da  restituição/compensação.  É o relatório.”  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma  da ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/2012­10  Acórdão n.º 3802­002.647  S3­TE02  Fl. 122          3 Data do fato gerador: 18/01/2008  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir  o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  Cofins,  pois  aludido  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a  interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados  em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS  A Recorrente  alega  que  possui  direito  de  crédito  amparada  no  fato  de  que  incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que  tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante  decorrente desse procedimento.  De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da  regra  (o  que  levaria  ao  não  conhecimento  do  presente  Recurso),  o  contribuinte  cerra  sua  discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo  STF  no  RE  346084,  no  qual  se  afastou  a  tributação  sobre  a  receita  bruta  e  se  limitou  ao  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 faturamento,  assim  entendido  como  as  receitas  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento.  Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da  COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente  do  regime de  tributação,  tem­se  em verdade  dois  únicos  tributos,  PIS  e COFINS),  comungo  com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o  mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  A  Recorrente  fundamenta  seu  pleito  defendendo  que  o  ICMS  não  seria  receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação:    Para tanto, espelha­se em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS  não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo,  mas apenas receitas de terceiros.  A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato  de  que  as  normas  vigentes  –  às  quais  o  julgador  administrativo  está  adstrito  –  impõem  a  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Assim dispôs a decisão recorrida:   “Pela manifestação de  inconformidade apresentada, vê­se, de pronto, que a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência  revisão  para  a  exclusão  do  valor  do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda  a  interessada, é parte  integrante do preço das mercadorias e  serviços vendidos, exceção  feita  para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário,  consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998:  (...)”  Entendo  que  a  DRJ  está  correta  em  suas  considerações,  apesar  de  uma  pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e  COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa.  As normas de direito vigentes,  às quais o CARF está vinculado,  impõem a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nesse  sentido,  veja­se  o  que  dispõem  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  em matéria  de  ICMS  autorizam  a  dedução  somente no caso de exportação:  Lei 10.637/2002  “Art.  1o  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/2012­10  Acórdão n.º 3802­002.647  S3­TE02  Fl. 123          5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  VII ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Lei 10.833/2003  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,  independentemente de sua  denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente  já não merece acolhida em  seu pleito, ao menos no âmbito administrativo.  E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo  2o  do  artigo  1o  das  leis  10.637/2002  e10.833/2003,  permitiria  inferir  que  o  ICMS  incidente  sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata­ se  de  afastamento  legal  da  base  de  cálculo,  apenas  para  o  caso  excepcional  do  ICMS  da  exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações.  De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se  entenda que a dicção do  inciso VI do § 3o do art. 1o das  leis de  regência da  sistemática não  cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de  cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS.  Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o  ICMS compõe a própria  base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não  há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela  Recorrente,  condições  de  se  decompor  o  valor  da  operação  entre  itens  que  integrariam  sua  receita,  e  outros  (em  especial,  o  ICMS)  que  implicariam  receitas  de  terceiros.  É  o  que  se  verifica,  inclusive,  do  julgado  do  RE  em  tela,  no  qual  o  Ministro  Marco  Aurélio,  relator,  confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a  resposta:  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6   Esse  raciocínio  foi  acompanhado  pelo  STJ,  o  qual,  nos  Edcl  no  REsp  no  1.413.129­SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  RECEBIDOS  COMO  AGRAVO  REGIMENTAL.  FUNGIBILIDADE.  RECURSO ESPECIAL  PROVIDO.  PIS  E COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  CONTRADIÇÃO  E  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  NÃO  OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO.  "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente  constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que  a  parcela  relativa  ao  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  (Súmulas  68  e  94/STJ).  Precedentes  atuais:  AgRg  no  REsp  1.106.638/RO,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma, DJe  8/2/2013; AgRg no REsp  1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari  Pargendler,  Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin,  Segunda Turma, DJe 12/6/2013).  A propósito, valho­me do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual  serviu  como  paradigma  para  as  Súmulas  68  (que  consagra  a  inclusão  do  antigo  ICM  na  base  de  cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo  Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões:  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/2012­10  Acórdão n.º 3802­002.647  S3­TE02  Fl. 124          7     Apesar  de  se  referir  ao  antigo  ICM,  a  discussão  travada  (assim  como  o  raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir.  Sem embargo, o  fato de o  ICMS ser  tributo de repercussão  jurídica não me  parece promover diferenças  relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é,  ao  fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política  econômica,  com o  fito de  evitar  a verticalização  da  cadeia produtiva. Assim  leciona Alcides  Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1978).  Entender que o  ICMS, por ser de  repercussão  jurídica, não significa  receita  própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável  admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além  da  inclusão do  ICMS na própria base de cálculo  (que  teria que ser  revista, pois perderia sua  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse  considerado receita de terceiros.  Esses  reflexos,  que  podem  ser  suscitados  como  marginais  ao  PIS  e  à  COFINS,  em  verdade  guardam  íntima  relação  com  essas  contribuições.  Basta  ver  que,  se  o  contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos  contábeis  decorrentes  disso  –  inclusive  lançando  a  parcela  de  ICMS  do  seu  preço  em  conta  contábil própria, de receita de terceiros.  De  um  modo  ou  de  outro,  seja  do  ponto  de  vista  legal,  de  finalidade  das  normas,  ou mesmo  contábil,  as  próprias  raízes  do  ICMS  impedem que  ele  seja  considerado  receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob  pena de  instabilidade e insegurança  jurídica absoluta. Os conceitos devem ser  trabalhados de  maneira uniforme.  Por  isso mesmo,  no  que  toca  os  fundamentos  do  seu  pedido  de  restituição,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  Da ausência de comprovação da materialidade do crédito  Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito  passivo também não resiste a uma análise mais acurada.  Apesar  de  o  despacho  decisório  afirmar  que  o  crédito  argüido  pelo  sujeito  passivo  foi  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  outros  débitos,  a  Recorrente  não  demonstrou,  por  meio  de  documentos  hábeis,  que  o  montante  pleiteado  refere­se  ao  ICMS  incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Isso  se verificou na manifestação de  inconformidade  e  também no presente  Recurso Voluntário.  Ora,  o  processo  administrativo  tributário  em  si  é  regido  pelo  princípio  da  verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a  revisão  administrativa.  Assim  é  que,  no  que  tange  ao  pedido  de  restituição,  é  de  responsabilidade  do  sujeito  passivo  demonstrar, mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que  sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165  do CTN.  Neste espeque, a Recorrente, mesmo  instada a  tanto pela DRJ, não acostou  aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado  se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Reitere­se aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição,  o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito.  Vale  repisar  que,  diferentemente  do  processo  de  revisão  do  lançamento  tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas  quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as  razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Assim  sendo,  não  há  nos  autos  fundamentos  que  legitimem  a  restituição  pleiteada  pela  Recorrente,  de  modo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  presente  Recurso  Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido.  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906349/2012­10  Acórdão n.º 3802­002.647  S3­TE02  Fl. 125          9 Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 13971.003938/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, pacificou o entendimento que o prazo é de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO O CARF não conhece de matéria que não foi objeto do auto de infração e que deveria ser discutida em outro processo. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antônio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 192          1 191  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.003938/2008­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.181  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de outubro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TAIKA CONFECÇÃO DE JEANS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005  DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  REsp  nº  973.733/SC,  ao  tratar  sobre  a  regra  decadencial  aplicável  às  contribuições  previdenciárias,  pacificou  o  entendimento que o prazo  é de  cinco anos  para o Fisco  constituir  o  crédito  tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do  contribuinte,  inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173,  I  do CTN.  TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 2.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO  O CARF não conhece de matéria que não foi objeto do auto de infração e que  deveria ser discutida em outro processo.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  I) Por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 39 38 /2 00 8- 10 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/2008­10  Acórdão n.º 2301­004.181  S2­C3T1  Fl. 193          2 (Assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira Dos Santos ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente  da  Turma),  Wilson  Antônio  de  Souza  Correa,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/2008­10  Acórdão n.º 2301­004.181  S2­C3T1  Fl. 194          3   Relatório  1.  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pela  empresa  TAYKA  CONFECÇÃO DE  JEANS  LTDA.  em  face  de  acórdão  proferido  pela Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  Blumenau  (SC)  que  julgou  procedente  o  lançamento  relativo  à  competência 06/2005.  2. Segundo o  relatório  fiscal  (fls.  16  a 18),  o  crédito  tributário  refere­se  ao  lançamento da diferença decorrente de recolhimento a menor de atualização monetária, juros e  multa de mora sobre contribuição devida à Seguridade Social pelos segurados empregados que  prestaram serviços para  a  recorrente. Foram  lavrados  termos de  sujeição passiva (fls. 83/86),  onde  constam  como  sujeitos  passivos  solidários  as  empresas  Terra  Brasil  Indústria  de  Confecções de Jeans Ltda. e Brasil Real Indústria e Confecções de Jeans Ltda.  3.  O  contribuinte  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  45/75),  tendo  o  colegiado de primeira instância julgado procedente o lançamento (fls. 89/94).  4.  Inconformado  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário  tempestivamente (fls. 102/134), sustentando, em apertada síntese:  a) preliminarmente, o caráter confiscatório da multa de 150%, a ilegalidade  da  taxa  Selic  e  a  improcedência  das  tributações  reflexas  no  PIS,  Cofins  e  CSLL;  b)  no  mérito,  sustenta  o  incomprovado  dolo  de  sonegação  fiscal,  tecendo  considerações sobre as restrições legais da multa de 150%;   c) a ilegalidade da exclusão da empresa do Simples;   d) a utilização do princípio da proporcionalidade na aplicação da penalidade  pecuniária,  remetendo  novamente  à  multa  de  150%,  alegando  que  em  nenhum momento  foi  comprovada  a  ação  dolosa  dos  sócios  ou  a  intenção  deliberada de formação de grupo econômico;  e)  por  fim,  a  nulidade  dos  lançamentos  tributários,  declarando  a  prescrição  quinquenária,  e,  por  corolário,  a  extinção  dos  autos  de  infração  lavrados  a  partir do presente processo, pela falta de comprovação quanto a formação de  grupo econômico, desconsiderando­se a multa aplicada.  5.  Sem  contrarrazões  do  fisco,  os  autos  foram  enviados  para  apreciação  e  julgamento por este Conselho.  É o relatório.  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/2008­10  Acórdão n.º 2301­004.181  S2­C3T1  Fl. 195          4   Voto             Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator.  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1.  Conheço  do  recurso  voluntário,  uma  vez  que  foi  tempestivamente  apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de  março de 1972 e passo a analisá­lo.  DO MÉRITO  2. Pela análise das questões aduzidas em sede de recurso voluntário, verifica­ se que a recorrente distanciou­se da matéria tratada nos autos, que se refere ao lançamento da  diferença decorrente de recolhimento a menor de atualização monetária, juros e multa de mora  sobre contribuição devida à seguridade social pelos segurados empregados que lhe prestaram  serviços.  3. Observo que diversas matérias arguidas pela contribuinte não foram objeto  do  Auto  de  Infração  discutido  nos  presentes  autos.  Por  estarem  dissociadas  controvérsia  presente  neste  feito,  deixo  de  apreciar  os  argumentos  trazidos  pela  recorrente  relativos  à  incidência  da  multa  de  150%  sobre  o  imposto  de  renda  e  a  improcedência  das  tributações  reflexas (PIS, COFINS e CSLL).  DECADÊNCIA  4. A recorrente alega a existência de prescrição quinquenal, quando se trata,  em verdade, do instituto da decadência. Quanto à decadência, entendo que a decisão recorrida  não merece reparo neste ponto.  5. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, ao tratar sobre a  regra decadencial  aplicável  às  contribuições previdenciárias,  pacificou o  entendimento que  o  prazo  é  de  cinco  anos  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário,  tendo  como  dies  a  quo  o  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  incorre,  sem  a  constatação  de  dolo  ou  fraude  ou  simulação  do  contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN, que assim  dispõe:  “Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constitui  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  –  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.”  6.  Dessa  forma,  observando  que  o  fato  gerador  ocorreu  em  06/2005  e  o  lançamento em 07/10/2008, não há que se falar em decadência.  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/2008­10  Acórdão n.º 2301­004.181  S2­C3T1  Fl. 196          5 DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC  7.  Aduz  a  recorrente  ser  ilegal  a  utilização  da  taxa  Selic  na  apuração  do  crédito tributário.  8.  Neste  ponto,  deve­se  registrar,  porque  importante,  que  a  legislação  de  regência,  sobretudo  a  Lei  nº  8.212/91,  afasta  literalmente  os  argumentos  erguidos  pela  recorrente.  De  fato,  as  contribuições  sociais  arrecadadas  estão  sujeitas  à  incidência  da  taxa  referencia SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do art. 34 da Lei  nº 8.212/91:  “Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada  pela  MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A  atualização  monetária  foi  extinta,  para  os  fatos  geradores  ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa  de mora está disciplinada no art. 35 desta Lei).”  9. A propósito do  tema, convém mencionar que o Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos:  “Súmula CARF nº 4:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.”  10. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora,  com fulcro no art. 34 da Lei nº 8.212/91.  EXCLUSÃO DO SIMPLES E GRUPO ECONÔMICO  11. A recorrente sustenta no recurso voluntário a ilegalidade de sua exclusão  do Simples. Ao compulsar os autos, verifiquei que o referido assunto não foi objeto do Auto de  Infração questionado, bem como não foi enfrentado pelo acórdão.   12. Como bem ressaltou o aresto guerreado, “os fatos trazidos aos autos pela  fiscalização referem­se às diferenças de acréscimos  legais. Embora o  tema sobre a exclusão  do Simples seja recorrente em todas as defesas da impugnante e seja pertinente a vários dos  lançamentos,  verifica­se  que  não  é  o  caso  do  presente.  Não  obstante  a  empresa  ter  sido  excluída  do  Simples,  a  partir  de  01/01/2003,  o  fato  concreto  que  ora  se  analisa  é  a  inadimplência quanto aos acréscimos legais  incidentes sobre as contribuições dos segurados  empregados, o que independe do enquadramento ao referido sistema.”  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13971.003938/2008­10  Acórdão n.º 2301­004.181  S2­C3T1  Fl. 197          6 13. Diante disso, deixo de conhecer da matéria, por ser estranha ao Auto de  Infração.  14.  Quanto  à  caracterização  de  grupo  econômico,  extrai­se  da  decisão  de  primeira  instância que,  para que seja  feita uma análise  sobre  a questão, “há que  remeter ao  processo  nº  13977.003976/2008­64,  mais  precisamente  ao  relatório  da  representação  administrativa de fls. 01/08, onde constam descritos os fatos que levaram à convicção fiscal de  que as empresas em referência formavam um grupo econômico de fato”.  15.  Assim,  como  este  julgador  desconhece  as  razões  apontadas  pela  fiscalização como ensejadoras para a caracterização de grupo econômico e de  forma a evitar  decisões conflitantes dentro deste Conselho, deixo de apreciar, outrossim, esta matéria, por já  estar sendo tratada em outros autos em trâmite neste órgão de julgamento administrativo.  16. Vale ressaltar que não há qualquer elemento nestes autos que permita que  esta  análise  seja  feita por este  julgador,  visto que  constam destes  autos  apenas os  termos de  sujeição passiva solidária, não havendo sequer recurso por parte das empresas solidárias.  CONCLUSÃO  17. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar­ lhe provimento, nos termos acima alinhavados.  (assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos                                  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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