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Numero do processo: 11030.720596/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 05 96 /2 01 0- 15 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 162), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720596/201015 Acórdão n.º 3802002.284 S3TE02 Fl. 164 3 Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 133 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 162), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2009. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 91 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 133 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720596/201015 Acórdão n.º 3802002.284 S3TE02 Fl. 165 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720596/201015 Acórdão n.º 3802002.284 S3TE02 Fl. 166 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001689/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
LANÇAMENTO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Numero da decisão: 2803-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Eduardo Oleari, OAB/ES nº 21.540.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), EDUARDO DE OLIVEIRA, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, CARLOS CORNET SCHARFSTEIN.
Nome do relator: Gustavo Vettorato - Relator
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Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Eduardo Oleari, OAB/ES nº 21.540. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 89 /2 00 9- 70 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), EDUARDO DE OLIVEIRA, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, CARLOS CORNET SCHARFSTEIN. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório O recurso voluntário em questão busca a reforma da decisão que manteve parcialmente claramente o lançamento realizado de obrigação principal (SalárioEducação) de créditos tributários do período das competências 01/01/2006 a 31/10/2006, diferenças de pagamento e não declarados em GFIP. A ciência do auto de infração inaugural foi em 24.12.2009. Tempestivamente, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi encaminhado à presente Turma Especial do CARF/MF, alegando que a decisão não analisou dos documentos e argumentos trazidos, e que não foram aproveitados pagamentos realizados pela contribuinte, irretroatividade da legislação referente à administração dos tributos em questão (Lei n.11.457/2007). Em razão dos documentos trazidos com o recurso voluntário nos autos do processo n. 15586.001685/200991, conexo ao presente, converteuse o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal analise e informe de validade dos documentos, inclusive confrontando com as apropriações e os créditos lançados. Após, seja a contribuinte cientificada do resultado da diligência, facultando a 30(trinta) dias para manifestação, para depois retornar os autos à presente Turma Especial para julgamento.A resposta da fiscalização à diligência foi a seguinte, juntada nos autos do processo n. 15586.001685/200991: Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 5 4 A recorrente foi intimada da manifestação fiscal, apresentando resposta tempestiva, mas que basicamente repetiu os fundamentos do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Realmente as questões levantadas pela recorrente, que repetiu integralmente a impugnação, foram plenamente abordadas pela decisão a quo, em que apenas não concordamos quanto à aplicação da multa, mas de resto não deve ser retocada, podendo ser plenamente adotada a parte transcrita transcrito os trechos abaixo: 7. Aduz inicialmente a defendente que, no seu entender, houve violação ao principio da irretroatividade da lei tributária, insculpido no art. 150, III, "a" da CF, uma vez que o crédito teria sido constituído com base no art. 3º da Lei n° 11.457/2007, sendo que os fatos geradores se referem ao ano de 2006, período este anterior ao referido diploma legal, o que implicaria a nulidade do lançamento por vicio insanável. Não é este, no entanto, o entendimento que deverá prevalecer, consoante se verá a adiante. 8. É sabido que, nos termos do art. 144 do CTN, em regra, o lançamento deve ser disciplinado pela legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, ainda que esta tenha sido modificada ou revogada. Dizse em regra porque, em determinados casos, expressamente previstos no referido diploma, a lei vigente A época do lançamento deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos, como é o caso, por exemplo, da hipótese de que trata a alínea "c" do inciso II do seu art. 106, a saber, em matéria de infração, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei em vigor ao tempo de sua prática. 9. Ocorre que, examinandose o item "Fundamentos Legais das Rubricas", constante do relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD", As fls. 07/08, constatase a discriminação clara e pormenorizada de todos os dispositivos legais que embasam as contribuições devidas ao SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e DPC — dispositivos estes anteriores aos fatos geradores. Por sua Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 7 6 vez, o item "4.4" do Relatório Fiscal, As fls. 26/27, dispõe expressamente acerca da natureza das informações consignadas no citado relatório, nos seguintes termos: "FLD — Fundamentos Legais do Débito — Informa ao contribuinte sobre o dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos. fatos geradores" 10. Assim, pela simples leitura dos relatórios que compõem o presente lançamento seria perfeitamente possível à defendente conhecer toda a base legal em que se funda a exigência, o que parece não ter feito. Talvez a impugnante esteja se referindo à remissão feita na capa do AI (fls. 01) dispondo que "nos termos dos arts. 2°c 3" da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte intimado do levantamento objeto do presente AI”, olvidandose, entretanto, de mencionar a redação do texto logo abaixo, nos seguintes termos: "A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal constam expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: FLD — Fundamentos Legais do Débito; REFISC — Relatório Fiscal." 11. Considerandose, então, que não pode existir mais de um fundamento legal para uma mesma exigência tributária, vejamos o que consta do citado dispositivo da Lei 11.457/07, cuja leitura deve ser feita juntamente com o art. 2° do mesmo diploma legal, in verbis: "Art. 2 Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a titulo de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). (...) Art. 3' As atribuições de que trata o art. 2' desta Lei se estendem ás contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto n°6.103, de 2007)." 12. Ora, pelo que se depreende sem maiores dificuldades, cuidou o aludido dispositivo, tãosomente, de atribuir à Secretaria Receita Federal do Brasil, dentre outras, a competência para fiscalizar e cobrar as contribuições devidas a terceiros, não tendo instituído uma nova contribuição, como quer nos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 8 7 fazer crer a defendente. Tratase, portanto, de norma de caráter procedimental, que, por sua natureza, se aplicará a todos lançamentos efetuados após a sua entrada em vigor, como ocorreu na espécie. 13. No tocante ao pretenso recolhimento oportuno das contribuições previdenciárias, examinando as competências e valores constantes das fls. 35/36, verificase que, ao contrário do que alega, todo o crédito que o sujeito passivo possuía em seu favor foi devidamente aproveitado pela fiscalização. Insta ressaltar, nesse ponto, a informação expressamente consignada no corpo do Relatório Fiscal, no item "3.2.", As fls. 26 dos autos: "Todas as (.) GPS recolhidas foram aproveitadas para abatimento do débito (.). A relação das GPS e a forma de apropriação das mesmas constam, respectivamente, dos relatórios RDA (..) e RADA (.) anexados ao presente. "RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — Que demonstra como os seguintes documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscaliza cão: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota .fiscal ainda não recolhidos)." 15. 0 que se constatou na espécie é que a fiscalização, de forma acertada, aproveitou o crédito decorrente dos mencionados recolhimentos, prioritariamente, nas contribuições previdenciárias devidas em função dos fatos geradores declarados em GFIP. Em outras palavras, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo foi utilizado, antes de mais nada, para extinguir a obrigação tributária por ele reconhecida de forma voluntária, através das informações prestadas no aludido documento de confissão de divida tributária. Somente as importâncias então remanescentes foram apropriadas nos créditos tributários apurados de oficio pela autoridade fiscal, como é o caso do presente. 16. A nosso ver, nada mais correto, uma vez que, nos termos do art. 150 do CTN, em se tratando de lançamento por homologação, como é o caso, o pagamento é feito de forma espontânea pelo contribuinte, de acordo com o montante do tributo que este entende ser devido, sem a necessidade de uma prévia providência administrativa, ressalvada, obviamente, a verificação posterior, pela fiscalização, da acurácia do valor por ele apurado. Portanto, é plenamente razoável que o pagamento seja apropriado primeiramente aos fatos que o própriosujeito passivo reconheceu como tributáveis. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 9 8 17. Podemos citar, somente a titulo ilustrativo, o recolhimento efetuado através de GPS no valor de R$ 6.002,08, relativo à competência 09/2006 (estabelecimento 0006), suscitado ás fls. 36. Desse montante, a importância de R$ 4.148,15 foi recolhida a titulo de contribuição previdenciária, enquanto R$ 1.853,93 foi recolhido a titulo de contribuição destinada a Terceiros (que é o que nos interessa neste Al), conforme consta do relatório RADA, às fls. 65 do AI n°37.255.410 5. 18. Pois bem, no citado relatório de apropriação de créditos consta consignado, de forma clara, que todo o valor de R$ 6.002,08 recolhido pelo sujeito passivo foi completamente absorvido pelo documento "EXCL 09.462.7554" (contribuição reconhecida como devida pelo contribuinte). Nessa competência, não restou, sequer, qualquer valor remanescente a ser aproveitado em outro débito, o que poderia ter ocorrido, hipótese em que a referida sobra deveria ter sido utilizada para extinguir os valores devidos mas não reconhecidos pelo contribuinte em GFIP. Não merece prosperar, portanto, o argumento aventado pela defesa de que todas as contribuições previdenciárias teriam sido pagas época própria. 19. A impugnante também protesta genericamente pela produção das demais provas admitidas em direito e perícias que se fizerem necessárias no decorrer do processo. No entanto, releva anotar que no rito do processo administrativo fiscal a apresentação da prova documental deve ser feita juntamente com a peça de defesa, sob pena de ocorrer a precluso consumativa para o aludido ato processual, conforme parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Por outro lado, quanto à perícia ora requerida, o inciso IV do mesmo dispositivo legal impõe que tal pretensão probatória seja acompanhado dos motivos que justifiquem a medida, bem como dos quesitos relativos ao objeto do exame pericial, requisitos estes sem os quais considerarse á como não formulado o pedido, nos termos do parágrafo 1' do citado artigo. 20. Por fim, a defendente requer seja reconhecida a insubsistência da Representação Fiscal para Fins Penais formalizada no curso da ação fiscal. No entanto, destacamos que as questões concernentes A. ocorrência ou não de ilícitos penais transpassa os limites do objeto deste contencioso administrativo, pelo que deverá a autoridade Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001689/200970 Acórdão n.º 2803003.359 S2TE03 Fl. 10 9 julgadora, no exercício de suas atribuições funcionais, cingirse unicamente aos fatos relacionados ao deslinde da controvérsia acerca do crédito tributário constituído, motivo pelo qual não nos manifestaremos a respeito. 21. De todo o exposto e considerando a inexistência de qualquer elemento capaz de desconstituir no todo ou em parte o crédito tributário ora constituído, resolvo não dar provimento A pretensão do sujeito passivo, mantendo na integra a presente exigência. 22. É o meu voto. No que tange a resposta da diligência, verificase que todas as contribuições pagas antes do lançamento foram apropriadas, contudo os pagamentos posteriores não afetam o lançamento, talvez apenas quanto ao cálculo de multa, e que devem ser considerados no momento do cálculo liquidação do crédito ao final do contencioso administrativo. No referente às GFIP´s retificadoras juntadas, as mesma também não afetam o presente lançamento de créditos tributários de obrigação principal, pois não vieram acompanhados de provas da incorretude do que foi lançado, tratandose de apenas declaração do contribuinte. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, vedação ao confisco, ou ofensa à legalidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Realmente, todos os pontos da defesa foram abordados mesmo que por meio de agrupamento, o que demonstrou a coerência e corretude da decisão a quo. Os pontos eu entendemos equivocados estão na seqüência. Isso posto, voto por reconhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003482/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990.
O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
(assinado digitalmente)
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 82 /2 00 9- 11 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Adoto o relatório da decisão recorrida para descrever os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade: (...) Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 385/424) apresentada contra Despacho Decisório de efls. 367/368, que indeferiu o direito creditório relativo ao crédito presumido do IPI no valor de R$133.365,34, homologou parcialmente a compensação de créditos de ressarcimento de IPI relativos ao 1º trimestre/2003, transmitida no PER/DCOMP. Às efls. 214/360, foi juntada a cópia do Termo de Verificação FiscalTVF da DRF/Florianópolis, no qual a fiscalização apontou e descreveu supostas infrações que apuradas demonstram três tipos de fraudes contábeis, lá descritas. A Fiscalização esclareceu que: · a verificação fiscal abrangeu em conjunto as quatro empresas do mesmo grupo, coligadas à época, Indústria de Molduras Moldurarte, Indústria de Molduras Catarinense Ltda, Indústria de Molduras H. Effting Ltda, Incomarte Indústria e Comércio de Molduras Ltda, denominadas como “Moldureiras”, tendo a análise relativa aos pedidos de ressarcimento de IPI, constituídos de créditos básicos e presumidos, oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados pelas empresas, concluído que não fazem, as referidas contribuintes, jus ao crédito presumido haja vista a prática reiterada de fraudes contábeis no pagamento de matériasprimas, nos anos calendários de 2002 e 2006, que desqualificou a escrita contábil quanto ao Documentário Fiscal apresentado; · as empresas tinham como objeto social, à época, a fabricação de molduras para decoração, tendo como matéria prima principal a madeira. Em média, quase metade dos pagamentos efetuados pelas quatro empresas fiscalizadas (Incomarte, Modurarte, H. Effting e Catarinense) na aquisição de madeira foi efetuada por meio “pagamentos antecipados”. A conta contábil era utilizada para registrar adiantamentos e Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.153 3 devoluções de adiantamentos, “nem sempre com respaldo em registros bancários”; · o crédito presumido baseado na Lei 10.276, de 2001, tendo por base de cálculo os pagamentos antecipados aos fornecedores não foram devidamente demonstrados, pois mostraramse inexatos e inconsistentes, supervalorizando os custos, pagamentos sem causa. Os cheques relativos aos pagamentos foram emitidos em nome das próprias moldureiras, e não em nome dos fornecedores. Segundo o contador da empresa, “esses cheques eram transformados em moeda corrente, para que fossem assim repassados aos fornecedores, ‘em mãos’”; · observaramse casos em que os adiantamentos eram reduzidos, “supostamente pelos mesmo fornecedores adiantados”, a título de “devolução de adiantamentos realizados a maior”, muitas vezes na mesma data do próprio adiantamento. As devoluções, ao contrário dos adiantamentos, seriam efetuadas por transações bancárias e não em moeda corrente, conforme descrição no TVF: Os valores contabilizados são deveras significativos e o que mais chamou a atenção, já numa avaliação inicial, é que mesmo quando ainda existiam valores consideráveis de créditos (adiantamentos) atribuídos a um fornecedor, antes mesmo de se fazer um abatimento desses créditos (com o esperado fornecimento da madeira), constatava se novas transferências a titulo de adiantamento. Tudo isso lançado na contabilidade, mas nem sempre com respaldo nos registros bancários, pois nesses as transações que se tem são outras, especialmente diferentes, conforme se detalhará no decorrer deste Termo. · vários fornecedores nunca entregaram as madeiras compradas e nem devolveram os adiantamentos, equivalentes a milhões de Reais, mas continuavam a receber os tais adiantamentos, inclusive até a data de encerramento da ação fiscal em 2010; · a Fiscalização efetuou diligência em vários fornecedores e os intimou a apresentar os lançamentos contábeis e extratos bancários, tendo obtido resposta de apenas duas empresas: Madeireira Menagali Ltda, que tinha os registros contábeis dos adiantamentos, mas não das devoluções e a Madedino Madeiras Ltda, esta que não tinha registros contábeis. Uma não foi localizada e as demais não atenderam às intimações; · as irregularidades observadas são enquadradas na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1º, inciso II, que levaram a aplicação do art. 59 da Lei 9.069, de 1995, e proposta de glosa do crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal à exportação: Ressaltese também que as irregularidades contábeis encontradas nos pagamentos dos adiantamentos de madeira, assim como nos pagamentos diretos desta, que é a principal matéria prima para Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 produção de varetas para molduras, além da supervaloração de custos, pagamentos sem causa sugerindo a possibilidade de manutenção de "caixa dois" – entre outras irregularidades encontradas, possibilitaram não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos. E, como tais créditos presumidos (fraudados) foram utilizados para pagamento de tributos, mediante declarações de compensação (Dcomp's), caracterizouse de forma ainda mais evidente a redução indevida de tributação. Por isso, os fatos adiante narrados enquadramse duplamente na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1 0, inciso II, acima referido. Isto posto, não restam dúvidas que deve ser aplicado o art. 59 da Lei 9.069/95 para glosar o crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal ã exportação, o que não pode prosperar num ambiente maculado pelos atos aqui encontrados. · a Fiscalização requereu aos bancos do Brasil e o Bradesco, cópias de alguns cheques e de “fitas detalhe de caixa”, relativamente aos valores superiores a R$ 5.000,00, concluindo o seguinte: O cotejamento POR AMOSTRAGEM destas fitas de caixa com os registros contábeis das Moldureiras permitiu a esta auditoria compreender o "modus operandi" destas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e incorrendo nos crimes tributários anteriormente citados. Foram identificadas três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes, que passaremos a descrever: O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque !!!. [...] Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.154 5 Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente, contra entrega deste insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Grifos nossos (...) · relacionou várias operações bancárias que demonstraram os procedimentos e tratou de cada tipo de fraude, discriminando várias operações nos dois bancos, descrevendo as; · a suposta beneficiária dos pagamentos inexistentes, a empresa Madecamp Indústria e Comércio, fora objeto de um processo por falsidade ideológica, o que seria uma confirmação da suposta falsidade ideológica de documentos emitidos; · citase a “Operação Isaías”, reproduzindo partes do Inquérito Policial n. 44, de 2006, o que demonstraria a grande proximidade entre as empresas de moldura e as madeireiras, vindo acrescentar as apurações nos seguintes termos: Não se pretende aqui afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas de seus fornecedores de madeira, mas, mesmo não sendo este um dos motivos para as glosas dos créditos ora em discussão, não se pode deixar de apresentar os cálculos feitos referentes aos recolhimentos de Pis/Cofins destas empresas. Conforme planilha abaixo, estimouse que, no mínimo, em torno de 64% dos recolhimentos de Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados: [...] · a interessada foi intimada a justificar a falta de contabilização de pagamentos e a divergência de beneficiários nos depósitos bancários. Ao final a fiscalização concluiu que: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange Aqueles decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 Consta à efolha 361, que os documentos originais utilizados pela Fiscalização, e ora também juntados ao presente, estão anexados ao processo 11516.002223/201006 (Ressarcimento de IPI). Segundo informação fiscal e o despacho decisório cientificado em 16/07/2010 (efl.372), com subsídio na diligência, foram constatadas e descritas diversas irregularidades, que levaram a conclusão de que as informações relativas a crédito presumido prestadas no PER diferem do escriturado no livro RAIPI. Conforme informações constantes do item IV do Termo de Verificação Fiscal, relativo a aquisição irregular de madeira, constatouse que o grupo de empresas formado por INCOMARTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS H. EFFTING LTDA e INDÚSTRIA DE MOLDURAS CATARINENSE LTDA praticaram reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis, que se constituem indubitavelmente em crimes contra a ordem tributária, irregularidades previstas no artigo 1º, incisos I e II, da Lei 8.137/90 e no artigo 59 da Lei 9.069/95. Assim, considerando a inexistência de controles de entrada e de consumo de madeira, porém existente e razoável o controle dos demais materiais, levandose ainda em conta que os adiantamentos para pagamento de madeira e os próprios pagamentos eram realizados com cheques nominais à própria contribuinte, constatouse que somente são ressarcíveis os créditos decorrentes de entradas de Matériasprimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Material de Embalagem (ME) no trimestre de referência no valor de R$49.174,65. Os documentos disponíveis apresentados foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal. Em sua manifestação de inconformidade, a Interessada informa que: · é sucessora por incorporação; · tinha como principal objeto social a fabricação e a importação e exportação de molduras de madeira, consoante comprova a inclusa cópia de seu contrato social inicialmente; · narrou as operações que realizava, os fatos ocorridos e a legislação que ampara seu pedido, reproduzindo trechos relevantes do termo de verificação fiscal TVF e do despacho decisório que fundamentou o indeferimento do crédito; · entende que não merece prosperar a decisão atacada em relação ao crédito presumido, pois não praticou nenhuma fraude na aquisição dos insumos que dão direito ao Crédito Presumido do IPI postulado. Não omitiu informações sobre a origem, quantidade e valores dos insumos adquiridos e, principalmente, não cometeu nenhum crime de sonegação fiscal; · as supostas fraudes contábeis (que não ocorreram, conforme será demonstrado em item específico), além de Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.155 7 configurarem crime por si só, teriam colaborado para o não recolhimento de tributos e a prática de crimes contra a ordem econômica e a flora, pelos quais foi indiciada a empresa Madecamp Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., a qual fornecia madeira à ora recorrente e diante disso a DRF/Florianópolis entendeu que a interessada não faz jus ao aproveitamento do Crédito Presumido do IPI correspondente aquele anocalendário, nos termos do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995. · transcreve legislação e doutrina que entende apoiar sua defesa contra o indeferimento; · alega que não se aplica ao presente o art. 59 da Lei n. 9.069, de 1995, como causa impeditiva ao crédito pois inexiste ação penal (denúncia) ou decisão judicial imputando e reconhecendo a prática de crime; não se teria configurado crime pela atipicidade das condutas (irregularidades contábeis), à vista da ausência de constituição de crédito tributário; seria impossível imputar a prática de crime sem comprovação da conduta; não teria ocorrido nenhuma das hipóteses dos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990; impossibilidade para estender a responsabilidade fiscal dos fornecedores à Interessada; inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes pela tributação pelo lucro presumido, com a finalidade de suprimir ou reduzir ou eximirse dos pagamentos de seus tributos; · a Receita Federal não indicou no processo administrativo a existência de qualquer processo ou ação penal judicial contra a interessada, muito menos de decisão judicial condenatória transitada em julgado, pois somente decisão de juiz federal teria o efeito de caracterizar a prática de crime, sendo inconcebível conceder à autoridade administrativa tal prerrogativa, para condenar antecipadamente mediante um simples despacho decisório; · o Conselho de Contribuintes teria decidido em sentido similar no julgamento do Recurso Voluntário nº112.565, cujo teor reproduziu. Citou também acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e outras decisões do Judiciário; · em relação ao crime contra a ordem tributária, mediante à Lei nº 8.137, de 1990, a consumação do crime dependeria da demonstração da supressão do pagamento do tributo pelo autor e da constituição definitiva do crédito tributário, sem a qual é obstada a condenação pela prática do delito de sonegação fiscal. Citou ementas e trechos de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal; · se não há demonstração clara e específica de que as irregularidades contábeis tipifiquem crime contra a ordem tributária e se não há lançamento não há mesmo que se falar crime. A utilização do crédito presumido do IPI é legítima, razão Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 pela qual também não há supressão ou redução de tributo neste ponto; · considerando que as supostas fraudes teriam ocorrido no ano de 2003, o lançamento fiscal e a conseqüente consumação do crime, nesse momento, são impossíveis, eis que nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a Fazenda decaiu do direito de constituir o suposto crédito tributário suprimido ou reduzido pela contribuinte, em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, sendo esse o entendimento consolidado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Habeas Corpus n° 81.6118, que afirmou a necessidade de constituição do crédito tributário para a consumação do crime previsto no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990; · supostas fraudes apontadas pelo Fisco, são, em verdade, apenas irregularidades contábeis, ainda que existentes, o que se admite apenas para argumentar, não teriam o condão de suprimir ou reduzir tributos devidos pela interessada e, por isso mesmo, não configuram crimes contra a ordem tributária; · de acordo com o inciso LVII do artigo 5º da CF, em face do princípio da presunção de inocência "toda pessoa se presume inocente até que tenha sido declarada culpada"; · a autoridade fiscal não identificou qual a conduta praticada pela empresa que configuraria o tipo penal tributário, limitandose a alegar genericamente o enquadramento da sua conduta nos artigo 1º e 2º da Lei n° 8.137/1990; · era optante pela tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com base no lucro presumido. Transcreve artigos da legislação que disciplina a tributação e dá as definições da base de cálculo, art.25 da Lei n° 9.430/1996, artigos 15 e 20 da Lei n° 9.249/1995, art. 31 da Lei n° 8.981/1995, e conclui que as irregularidades contábeis, rotuladas pela fiscalização como fraudes, relativas a contabilização dos pagamentos realizados a fornecedores não alteram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que incidiam sobre a receita da empresa, nem tem reflexo sobre a base de cálculo de Cofins e PIS, de modo que não poderiam caracterizar crime. Se não houve supressão ou redução de tributo, não há como se imputar a ela a prática de crime contra a ordem tributária; · a opção da interessada pela tributação com base no lucro presumido a desobriga de escrituração contábil completa, situação reconhecida pela própria Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal; · todos os tributos devidos foram pagos pela empresa, tanto que a Fiscalização não indica qualquer tributo que tenha sido suprimido ou reduzido pela empresa, o que reforça a inocorrência dos supostos crimes a ela imputados. Já aqueles débitos extintos mediante compensação com o crédito presumido Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.156 9 do IPI foram regularmente declarados à Receita Federal do Brasil; · a Fiscalização, igualmente, em nenhum momento afirmou que os insumos que formam a base de cálculo do Crédito Presumido do IPI não ingressaram na empresa. Também não afirmou que não foram industrializados, o que desautoriza o indeferimento do benefício fiscal; · as irregularidades constatadas são meramente formais, pois não há nenhum pagamento de fornecedor pendente. Aliás, a Fiscalização também não afirma e nem demonstra que os insumos ingressados na empresa não foram pagos; · ademais, o fato de a Interessada ter optado pelo lucro presumido e estar desobrigada à escrituração comercial implica que a “contabilidade da empresa que extrapola a exigência legal serve apenas para controle interno e gerencial da sua atividade. Não pode, portanto, ser oposta contra a interessada, em face da expressão "em documento ou livro exigido pela lei fiscal" contida no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990.”; · o Fisco pretende estender à Recorrente a responsabilidade fiscal/tributária e penal dos fornecedores de matériaprima mas tal ato fiscal não procede porque não se enquadra nos arts.121, 124, 134 ou 135 do Código Tributário Nacional, dada a ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária; · a Recorrente não é responsável solidária pelos tributos devidos pelas suas fornecedoras, porque não tinha qualquer interesse na venda da madeira, mas sim na sua aquisição. A solidariedade não se presume. Decorre de lei; · nos termos do parágrafo único do artigo 18 do Código Penal, salvo os casos previstos expressamente em lei, somente está sujeito a punição o agente que praticar conduta dolosa; · não tinha qualquer ingerência sobre a administração das suas fornecedoras, que possuíam diretores e personalidade jurídica própria; · a contabilidade da empresa não possui qualquer relação com a administração dos seus fornecedores. A relação entre eles é meramente de compra e venda de matériaprima, documentada em notas fiscais que deram ingresso em seu estabelecimento. A Recorrente não poderia supor que eventuais ATPF's não correspondessem à realidade; Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 · as origens dos recursos são perfeitamente identificáveis, porém há um equivoco nos registros contábeis que dificultam essa correlação; · não se verifica na hipótese qualquer intenção de fraudar o Fisco. A Recorrente não deixou de oferecer à tributação qualquer receita de fato auferida. A presumida omissão apontada pela Fiscalização é infundada. Os equívocos na escrituração da Recorrente não geraram qualquer falta de recolhimento de tributos, eis que não tiveram reflexos em contas de resultado, conforme passa a demonstrar; · eventuais aquisições em montantes um pouco superiores à pauta fiscal, como ocorreu em algumas operações acima listadas não levam à conclusão de que tenha havido superfaturamento. Isso é mera conjuntura do mercado; · a fiscalização apenas aventa uma suposta supervaloração das compras, mas em nenhum momento apontou um só parâmetro ou fato concreto que pudesse levar à conclusão e comprovação de superfaturamento; · nesse trimestre ante as altas vendas de varetas de madeira para moldura necessitou de aquisição de grande quantidade de madeira, matériaprima (madeira), não havendo como serem reputadas de ilegítimas as aquisições por ela realizadas; · consoante se pode extrair do quadro que apresenta, não só adquiriu a madeira, como esta ingressou no seu estoque, foi industrializada e revendida como varetas de madeira para moldura tanto no mercado interno como no mercado externo; · não se tem notícias de que alguma das notas fiscais de aquisição de madeiras tenha sido declarada inidônea. Conforme o Termo de Verificação Fiscal no inquérito policial instaurado contra a Madecamp somente foi declarado a inidoneidade do ATPF's expedidos pelo IBAMA e de responsabilidade das madeireiras e não os seus documentos fiscais; · as autoridades fiscais podem ter apurado o corte ilegal da madeira. Não obstante, como já antecipado, as notas apresentadas pelo fornecedor tinham aparência normal e continham carimbos das fiscalizações estaduais, não tendo a adquirente, por ocasião das compras, condições de saber se eram ou não eram idôneas, assim como as ATPF's que acompanhavam e acobertavam essas operações; · o inquérito policial instaurado para a verificação de crime das empresas Madecamp, CSS e A. B Abreu ME só se iniciou em 22/03/2006, não tendo o contribuinte como saber, na época das aquisições, que os seus fornecedores estavam fraudando o Fisco; · eventual operação de sonegação praticada pelos fornecedores da Recorrente não tem o condão de infirmar o Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.157 11 direito ao Crédito Presumido do IPI assegurado à ela exportadora, que adquiriu, pagou, industrializou e exportou; · a obrigação de se verificar a inidoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do Fisco e não do contribuinte. Permitir à autoridade administrativa criar a obrigação para o comprador de investigar a regularidade tributária do fornecedor é atribuir ao próprio Fisco uma função legislativa, no sentido de criar uma norma inexistente. Transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça que entende apoiar sua defesa; · a irregularidade contábil atribuída à Recorrente não se deu no vínculo obrigacional consistente no contrato de aquisição da matériaprima, documentado pelas notas fiscais. A irregularidade contábil se deu no registro do pagamento dos fornecedores, como está claramente demonstrado no próprio relatório fiscal. O pagamento é apenas satisfação de prestação; · as cópias dos livros de entrada (livros fiscais) demonstram que todas as notas fiscais de aquisição de madeira foram devidamente registradas. O Livro de Inventário, por sua vez, confirma o saldo anual de madeiras da empresa, conforme documentos anexados; · além da legítima aquisição de matéria prima, do seu ingresso e industrialização no estabelecimento da empresa, a empresa também efetuou todos os pagamentos aos seus fornecedores; · o fato de haver algumas inconsistências na contabilidade, que não causam qualquer prejuízo ao Erário, não infirma o que se quer comprovar, que é o efetivo recebimento das mercadorias adquiridas, inexiste demonstração da omissão de entradas pelo Fisco. Inclusive, as inconsistências na contabilidade já estão sendo corrigidas; · totalmente falaciosa a afirmação de que a Recorrente teria supostamente contribuído para as fraudes cometidas (e provadas) pelas madeireiras, ao manter uma escrituração contábil deficiente dos pagamentos relativos a aquisição da madeira; · não há como se verificar em relação as notas fiscais de aquisição a ocorrência de crime que possibilite a perda do Crédito Presumido do IPI. Mesmo que o fornecedor não tenha efetuado o recolhimento das contribuições que se pretende o ressarcimento, conforme alegado pela autoridade administrativa, tal fato não gera efeitos tributários para o contribuinte; · a Lei n° 9.363/1996 (estabeleceu o crédito presumido do IPI) não exige a comprovação do pagamento das contribuições pelos fornecedores, sendo suficiente o contribuinte Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 12 provar a aquisição do insumo com o documento hábil. Os documentos de aquisição são hábeis, mesmo que haja irregularidade contábil no registro dos pagamentos na escrita da Recorrente; · o art. 82 parágrafo único da Lei n° 9.430/1996 estabelece que não se pode presumir a máfé do adquirente quando houver prova do ingresso da mercadoria e do respectivo pagamento; · preenche os requisitos e condições para se beneficiar do crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei n. 9.363, de 1996. Optou pela apuração alternativa. Quanto às aquisições registradas entende que restou perfeitamente demonstrado o recebimento das mercadorias e a satisfação do preço (crédito), estando assim preenchidos os requisitos para o aproveitamento do Crédito Presumido do IPI estabelecido pela lei n° 9.363/1996, bem como afastado a aplicação de qualquer dolo da interessada e demonstra a boafé da empresa adquirente; · a cobrança dos tributos devidos pelas Madeireiras (fornecedores de matériaprima) é dever do Fisco. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento representativo de controvérsia, sob o rito do art. 543C do CPC, é pacífica no sentido de considerar terceiro de boafé o adquirente de mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea; · caso a empresa não pudesse utilizar os créditos decorrentes das aquisições de matériaprima das empresas Madecamp (Madecap), CSS e B.A. de Abreu ME, o que se admite apenas para fins de argumentação, deveriam ser desconsideradas somente tais notas; · ressalta que neste trimestre somente parte do percentual de madeiras foram adquiridas da empresa Madecamp e não houve nenhum recebimento das demais empresas referidas no termo de verificação fiscal, consoante comprova o livro de Registro de Entradas e planilha com nome dos fornecedores, conforme documento que anexa; · no relatório de verificação fiscal consta que o indeferimento do pleito da Recorrente se daria pela aplicação à hipótese do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995, no qual cita que a pessoa jurídica infratora perde no ano calendário correspondente os benefícios e incentivos da legislação tributária se praticado crime contra a ordem tributária; · os créditos fiscais e eventuais condutas ilícitas são fatos e circunstâncias distintas não havendo qualquer sustentação no argumento da autoridade fiscal, tendo assim direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de MP, PI, ME, para utilização no processo produtivo; Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.158 13 · requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, para reformar o Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retroexpostos e que os créditos tributários já extintos pela compensação com o Crédito Presumido do IPI sejam homologados; · requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Anexa documentos que relaciona ao fim da manifestação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB o processo foi encaminhado para esta DRJ para julgamento. (...) Mediante o Acórdão nº 1535.419, de 30 de abril de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SDR julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições. A contribuinte apresentou, em 16/12/2014, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, a tempestividade do recurso em face da nulidade Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 14 da intimação por edital da decisão de primeira instância, bem como a ilegalidade das provas obtidas da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Assiste razão à recorrente no que concerne à preliminar de tempestividade do recurso voluntário, eis que, não obstante já constasse nos sistemas da Receita Federal que a contribuinte tinha sido baixada por incorporação pela empresa de CNPJ nº 86.429.834/000132 (vide extrato do processo de 09/05/2014 na fl. 1043), a correspondência para a ciência da decisão de primeira instância foi enviada, pela autoridade preparadora, para empresa já baixada no seu endereço original. Desta forma, não se configurou a hipótese descrita no art. 23, §1° do Decreto nº 70.235/72 para a intimação por edital: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Como a contribuinte compareceu aos autos com a apresentação do recurso voluntário, considerase suprida a irregularidade processual quanto à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do §5º do art. 26 da Lei nº 9.784/99. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Quanto à preliminar suscitada pela recorrente relativa à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, efetuada pela fiscalização com base no art. 6º da Lei Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.159 15 Complementar 105/20011, como os argumentos utilizados pela recorrente estão no âmbito da verificação da constitucionalidade desse dispositivo de lei, entendo que se encontra fora da alçada desse Conselho examinar a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, não conheço da preliminar da recorrente relativa à ilegalidade das provas obtidas por quebra do sigilo bancário da recorrente. Passase à análise do mérito. Depreendese da leitura dos autos que, diante das irregularidades contábeis da contribuinte que possibilitaram "não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos", a fiscalização entendeu que se caracterizava o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Em decorrência desse fato, entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte não fazia jus aos Créditos Presumidos do IPI no período, em conformidade com o artigo 59 da Lei n° 9.069/95, o qual dispõe: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim 1 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 16 a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Cabe primeiro indagar se a autoridade fiscal teria competência para verificar a "prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Obviamente que não, segundo entendo. Como é consabido, a configuração de um crime somente se dá após o devido processo legal na esfera judicial. Assim, apenas após a manifestação do Poder Judiciário, mediante sentença penal condenatória, poderseá dizer que a prática de determinado ato pela contribuinte configurou um crime contra a ordem tributária. Em referência ao princípio da presunção de inocência, não é lícito que a autoridade administrativa antecipese à manifestação judicial para declarar que a prática de determinado ato configura um crime contra a ordem tributária. Com efeito, quando o AuditorFiscal identificar fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária, incumbelhe a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, para a devida comunicação ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. Nesse sentido, dispõe o art. 1º do Decreto nº 2.730/98: Art 1º O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese; I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. [grifos da Relatora] De forma que, ao AuditorFiscal, incumbe tão somente a comunicação ao Ministério Público do fato que configura, em tese, um crime contra ordem tributária, para que, sendo o caso, se instaure o correspondente processo penal para a verificação, pela autoridade judicial, se efetivamente ocorreu o referido crime. No sentido de que não cabe a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 quando ausente a sentença penal condenatória à contribuinte pelo crime contra a ordem tributária, muito bem se manifestou o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, em seu Voto, no Acórdão no 340200.887 4° Câmara / 2ª Turma Ordinária, em sessão de julgamento de 28 de outubro de 2010: (...) Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.160 17 Inicialmente anoto que o fato invocado na motivação, tanto da r. decisão ora recorrida, como do r, despacho decisório da DRJ (suposta "pratica, pelo interessado, nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, de atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, como consta no Relatório Fiscal das fls. 61/63 do procedimento fiscal"), por não apurado em processo criminal regular não autoriza as respectivas conclusões (perda do direito ao crédito), posto que somente autorizaria a perda do crédito, após de sentença condenatória transitada em julgado, cuja noticia não consta dos autos. De fato, inserido no "âmbito ou núcleo de proteção" dos direitos de defesa, a Constituição tutela o principio constitucional da "nãoculpabilidade" (art. 5°, inc. LVII da CF/88) que, no entendimento da Suprema Corte "consagra uma regra de tratamento que impede o Poder Público de agir e de se comportar, em relação ao suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido condenados definitivamente por sentença do Poder Judiciário" sendo certo que essa "prerrogativa jurídica da liberdade" por possuir "extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) não pode ser ofendida em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamadas pela Constituição"( cf. Ac. da 2' Turma do STF no HC n° 80.719, em sessão de 26/06/01, REI. Mm. Celso de Mello, publ. in DJU de 28/09/01, pág. 37, EMENT VOL0204501 pág. 143 e in RTJ vol. 180/262), não se expõe, nem deve submeterse, a qualquer juízo de oportunidade ou de conveniência, muito menos a avaliações discricionárias fundadas em razões de pragmatismo governamental" vez que "a relação do Poder e de seus agentes, com a Constituição, há de ser, necessariamente, uma relação de respeito" (cf. Ac. do STF Pleno, na ADInQO 2010DF, em sessão de 30/09/99, Rel. Min. Celso Mello, publ. in DJU de 12/04/02, pág. 51, e in RTJ vol. 181/73) (...) Sustentase também o Ilustre Conselheiro Relator em decisão anterior do Conselho de Contribuintes, proferida no Acórdão n° 20310.061, da 3° Câm. do antigo 2° CC, Rel. Cons. Walter Ludvig, cujo voto se transcreve parcialmente abaixo: (...) Portanto, quanto aos fatos em tela e à pretensa aplicação das penas do art. 59 da Lei n° 9.069/95, entendo que apenas as condutas que configurem crime, tal como o ordenamento jurídico pátrio entende o que seja crime, podem dar ensejo perda dos benefícios fiscais.. Não considero razoável pretender que o legislador tenha querido, com a norma em exame, conceituar uma nova modalidade de crime: aquela a ser utilizada apenas para efeitos .fiscais ou administrativos. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico determina a necessidade de que se conjugue, à hipótese de incidência do mencionado art, 59 atos que configurem crime o conceito do mesmo tal como entendido pelo legislador penal, pena de se ver Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 18 criada modalidade administrativa de crime, o que não pode ser aceito. Assim, para que seja dada aplicação ao art. 59 da Lei n° 9.060/95, é necessário que os atos cometidos pelo contribuinte sejam típicos (objetiva e subjetivamente) e antijuridicos. Sem tais pressupostos, inexistem atos que configurem crime. Desse modo, à vista de que a Lei n° 8137/90 não prevê a modalidade culposa dos tipos que descreve, apenas aqueles atos que, além de serem objetivamente descritos na norma penal, sejam informados pelo dolo do autor e, ainda, que não sejam acobertados por nenhuma das hipóteses de exclusão da antijuridicidade previstas no art. 23 do CP, podem dar ensejo aplicação das penalidades descritas na norma em exame. E, para comprovação do elemento subjetivo do tipo, a norma processual penal prevê um longo caminho a ser trilhado, de modo que fique aquele cabalmente demonstrado na instrução, caso contrário será o denunciado absolvido por ausência de prova. Em arremate, não incumbe ao Poder Executivo, através da Administração Tributária, considerar determinado fato como se crime fosse. Apenas a manifestação do poder Judiciário através de sentença penal condenatória dará ensejo aplicação da penalidades do artigo 59 da Lei n° 9069/95 A partir daí sim, poderá dar ensejo a aplicação da aludida norma no que se refere a perda de benefícios fiscais. Assim, a mencionada perda dos benefícios e incentivos constitui se inequívoca conseqüência de sentença penal, não cabendo à SRF, desprezando os dispositivos constitucionais do devido processo legal, da universalidade da jurisdição exclusivamente através do Poder Judiciário e da presunção de inocência criminal (CF, art. 50, incisos XXXV, LIII, LIV, LV, LVII), impor ao contribuinte a pena típica de condenação penal sem que a mesma se tenha verificado no caso. (...) Assim, diante da ausência de sentença penal condenatória à contribuinte por crime contra a ordem tributária, entendo que é incabível a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 ao presente caso concreto. Desta forma, não se configurou o justo motivo que prejudicava a análise do mérito do crédito presumido pleiteado, tendo sido, então, o Despacho Decisório, nesta parte, proferido com preterição do direito de defesa da contribuinte, devendo ser declarada a sua nulidade e dos atos posteriores dele decorrentes, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório e os atos dele decorrentes, a fim de que a autoridade fiscal, com o afastamento da norma veiculada pelo art. 59 da Lei n° 9.069/95, pronunciese sobre a legitimidade do crédito presumido pleiteado, retomandose, a partir desse ponto, o curso do devido processo legalmente previsto para o contencioso administrativo do ressarcimento e compensação tributários. (Assinatura Digital) Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.161 19 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 20 Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo da relatora quanto à conclusão de seu voto no sentido de anular o despacho decisório, medida extrema, para que outro seja prolatado afastando a incidência do art. 59, que a seguir transcrevo novamente, da Lei 9.069/95. Entende a ilustre relatora que a dicção legal "A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária..." só incide após sentença penal de crimes dessa natureza com trânsito em julgado. Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Já tive oportunidade de me debruçar sobre o tema há muito anos. A situação fática era outra, havendo ínfimos documentos fiscais com algum vício e, por isso, a fiscalização, glosou a todos. Naquela hipótese, entendi que não se aplicava a referida norma porque não restara provado o animus dolandi do contribuinte em relação aos crimes contra a ordem tributária. Naquele caso concreto, entendi que a prova do dolo seria formada nos autos de um processo penal, uma vez ausente tal prova nos autos. Aqui estamos diante de outra circunstância: há prova inexorável das fraudes perpetradas pelas empresas (que, em verdade, atuavam como se fosse um só "ser"), fazendo com que o Fisco, embasado em vastíssimo material probatório, desqualificasse, "tanto a escrita contábil quanto o documentário Fiscal apresentado". Na forma em que feita, levada a cabo para inflar artificialmente um crédito em prejuízo do Erário e ainda usar este crédito falseado propositalmente para quitar débitos seus líquidos e certo contra o Tesouro nacional, o animus dolandi da fraude é inexpugnável no caso vertente. A questão reside, a meu juízo, ao que se refere à expressão "a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Assim, a questão a ser deslindada é se os autos fraudulentos se subsumem aos fatos típicos da Lei 8.137/1990. Faço, antes, porém, um breve relato dos fatos. Versam os autos pedido de compensação com supostos créditos de IPI no período de apuração em epígrafe. O presente processo, conforme atesta a fiscalização, abrangeu quatro empresas de molduras (Incomarte Ind. e Comércio de Molduras Ltda. e Ind. de Molduras Catarinense Ltda., pela Ind. de Molduras Moldurarte Ltda., conforme de fls. 218 e segs, e Ind. de Molduras H. Effiting Ltda.), sendo a recorrida sucessora por incorporação. O extenso Termo de Verificação Fiscal (148 páginas) concluiu que a empresa não tem direito ao ressarcimento do crédito presumido "haja vista terem praticado, reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis no pagamento de matérias primas", ou seja, na aquisição de madeiras. Verificou o Fisco que os adiantamentos a fornecedores de madeira (identificados no Termo Fiscal) foram realizados em sua maior parte por intermédio de Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.162 21 cheques nominais às próprias moldureiras (Catarinense, Moldurarte, Effting, Incomarte), em vez de serem emitidos nominalmente às fornecedoras de madeira. Por que os cheques de adiantamento a fornecedores deixariam de ser emitidos diretamente aos fornecedores, mas sim, transformados em dinheiro (descontados pelas "moldureiras" na boca do caixa), para depois, então, supostamente, serem pagos em numerário (ou depositados nas contas dos fornecedores), questionouse a fiscalização? Surpreendeuse o Fisco ao perceber que nos registros contábeis das contribuintes um notável quantitativo desses "adiantamentos a fornecedores" que eram reduzidos, provavelmente pelos mesmos fornecedores adiantados, a titulo de "devolução de adiantamentos realizados a maior", devoluções essas que muitas vezes ocorriam concomitantemente com os supostos "adiantamentos" ("no mesmo dia, vindo do mesmo fornecedor supostamente adiantado"). Além disso, a auditoria fiscal concluiu, em face à contabilidade das contribuintes (moldureiras), que alguns desses fornecedores, ao final de vários anos recebendo tais "adiantados", terminavam por não quitar completamente o suposto compromisso de fornecer a madeira paga antecipadamente. Pontua o Fisco: "Isso acarretou um crédito às moldureiras de proporções milionárias, uma vez que seus fornecedores deviam vultosas quantias e continuavam recebendo tais adiantamentos (alguns supostamente até hoje em dia em 2010)." Estranhando esses adiantamentos/devoluções, o Fisco solicitou informações bancárias das empresas. Assim, foram analisadas as transações bancárias das recorrentes com os bancos do Banco do Brasil e Bradesco, obtidas conforme LC 105/2001, já tendo sido a questão acerca da legalidade da quebra do sigilo bancário enfrentada pela relatora, acompanhada à unanimidade pelos demais membros desta Câmara. A fiscalização solicitou além da cópia dos cheques, as FITAS DETALHE DE CAIXA dos adiantamentos (e devoluções), "superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para tentar descobrir o que mais poderia estar envolvido em tais singulares procedimentos." O cotejo por amostragem dessas fitas de caixa com os registros contábeis das moldureiras permitiu a auditoria compreender o modus operandi dessas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e, em consequência, incorrendo, com a fraude, em tese, do tipo penal da Lei 8.137/90. Foram constatadas pela fiscalização três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes: Foi identificado no Bradesco que uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu verificar que os valores eram sacados das contas de uma moldureira e, na seqüência, depositado na conta da outra moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas moldureiras. Identificouse também que em alguns casos, curiosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma moldureira que realizou o saque. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 22 Restou provado que o primeiro intento para aqueles procedimentos (desconto na boca do caixa dos cheques de adiantamento a fornecedores e surpreendentes devoluções, algumas até no mesmo dia) foi revelado pelas fitas de caixa fornecidas pelas instituições financeiras. Dessa análise, foi constatado, em exauriente trabalho fiscal, ao longo de no mínio mais de três anos (Termo de Constatação item II) que boa parte desses "adiantamentos a fornecedores" tiveram como destino final, em vez dos fornecedores que a contribuinte contabilizava como beneficiárias dos pagamentos/adiantamentos, as contas bancárias das próprias contribuintes (as moldureiras), que emitiram os cheques como se fossem para adiantamentos aos fornecedores (contabilizavam como se assim o fosse), descontaramnos em conjunto, e ao mesmo tempo, num mesmo caixa bancário (com se viu anteriormente, em seu próprio nome), para logo em seguida, minutos ou segundos depois, por intermédio do mesmo caixa bancário, depositálos de volta nas contas bancárias das mesmas empresas do grupo (II sob registros contábeis de "devolução de adiantamento" a fornecedor. O segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira, familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). O terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos, superestimando os valores do créditos supostamente ressarcíveis. Impende ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap), justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente contra entrega desse insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Gisese, conforme item IV do termo fiscal ( a partir página 138 deste), que o inquérito policial 44/2006 demonstrou uma enorme proximidade entre o grupo Moldurarte e algumas empresas ali denunciadas, tais como a "Madecamp" (ou "Madecap"), referida, a "CSS" (que segundo aquele relatório nada mais era do que uma ramificação da Madecamp, possuindo os mesmos sócios: Jairo Serra e Sueli Pires Campanhola, que também foram denunciados pela Justiça Federal), e "B. A de Abre ME", de propriedade dos senhores Benedito Almeida Abreu e José Antonio Almeida. Este último, José Antonio Almeida, inclusive, nos autos de inquérito policial, chegou a afirmar que "trabalhava para o grupo Moldurarte". Não se está aqui a afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas das madeireiras citadas, mas também não se pode olvidar que ao simular pagamentos Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.163 23 (ou antecipações) para as empresas em questão, maculadas por falsidades ideológicas, o grupo Moldurarte, no mínimo, colaborou para que os documentos emitidos pelas acusadas estejam à margem de qualquer tipo de controle fiscal, ou florestal, e também por isso se vejam alcançados por uma constante suspeita de inidoneidade (além daquelas suspeitas levantadas no inquérito policial 44/2006, que tinham como objetivo principal, apurar apenas falsidades ideológicas em documentos do IBAMA, as ATPF). Como dito alhures, minha divergência com a i. relatora é quanto à leitura que a mesma faz do art. 59 da Lei nº 9.06/1990. Enquanto ela entende que a norma se reporta à decisão condenatória penal com trânsito em julgado, eu entendo, atualizando meu alcance sobre a quaestio, que a norma, em verdade, incide quando estiver provado, mesmo que em nível administrativo, como in casu, o animus dolandi do contribuinte de modo que esse dolo possa ser enquadrado, em tese (A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária), como crime contra a ordem tributária a que alude a Lei 8.137. Em tese, por que a competência para editar a decisão penal é do Judiciário, por certo. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, assim dispõem: Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Ora, dúvidas não há que as fraudes levadas a efeitos pela recorrente (ou seja a prática de atos) se subsumem às hipóteses tanto dos incisos I e II do art. 1º da norma penal quanto do inciso I do art. 2º. Ao inflar fraudulentamente seus créditos e os compensando com débitos líquidos e certo perante à Fazenda Nacional, estreme de dúvida que teve como desiderato "suprimir ou reduzir tributo", bem como "fazer declaração falsa ..." "para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo". Ademais, inconteste que os valores declarados na PER/DCOMP divergiam daqueles escriturado no RAIPI. Não nos esqueçamos que alem da verificação da certeza do crédito, estamos frente à análise de um pedido de compensação. Nestes autos o que restou hialino é que de um lado temos um crédito absolutamente incerto e, portanto, ilíquido, com débitos do contribuinte que ele mesmo confessou sua dívida, em consequência, certos e liquidados. Nesse sentido, concluiu a CSRF no Acórdão CSRF/0202.995/2008, cujo excerto transcrevo: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 24 A questão diz respeito a saber, unicamente, se o referido dispositivo referese à hipótese de haver ou não sentença penal condenatória transitada em julgado. ... Dispõe o art. 59 da Lei n 9.069, de 1995: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Portanto, a hipótese legal referese a "atos que configurem crimes contra a ordem tributária", não exigindo a sentença transitada em julgado. Primeiramente, se houvesse a intenção de subordinar a perda dos incentivos ou benefícios aos casos em que houvesse condenação judicial, certamente a Lei terseia referido a esse requisito especificamente, estabelecendo que "a condenação por prática de crimes contra a ordem tributária" importaria a perda dos incentivos ou benefícios. Segundo o paradigma, a caracterização da hipótese do artigo dependeria da configuração específica de crime, que dependeria da tipicidade e da antijuridicidade dos atos praticados. Dai a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. Entretanto, o dispositivo referese à "prática de atos que configurem crimes" e não à prática de crimes ou, mais especificamente, à condenação por crime contra a ordem tributária, que seria a real condição da perda dos incentivos e benefícios, segundo o acórdão paradigma. Assim, a prática de atos passíveis de configurar crimes contra a ordem tributária é razão suficiente para a perda dos incentivos e benefícios fiscais, não havendo que se cogitar de sentença penal condenatória transitada em julgado. A redação do artigo, ademais, subentende, na expressão "a perda, no anocalendário correspondente", a possibilidade de perda imediata do incentivo ou beneficio, o que seria impossível se fosse necessária a sentença transitada em julgado.(grifei) No mesmo rumo, Parecer COSIT nº 75/99: "... b) a autoridade administrativa tributária constatando, no exercício de suas atribuições, a prática de atos que, em tese, configurem crimes contra a ordem tributária é competente para a aplicação, contra a pessoa jurídica, da sanção administrativa de decretação da perda de incentivos e benefícios fiscais, no anocalendário da infração, cominada no art. 59 da Lei nº Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003482/200911 Acórdão n.º 3402002.731 S3C4T2 Fl. 1.164 25 9.069, de 1995, independentemente de intervenção prévia do Poder Judiciário.(grifei) Por fim, apenas para argumentar, ainda divirjo da relatora quanto ao alcance processual versado em sua decisão. Se a conclusão é que a indigitada norma (art. 59 da Lei 9.069/90) não se aplica para fins de "perda do incentivo", a consequência processual, a meu sentir, é que o processo seria nulo ab initio, pois a informação fiscal fundou sua decisão de glosa na referida norma. Assim, forte em todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Numero do processo: 10980.010765/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO.
Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea.
Numero da decisão: 1201-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição até o limite apurado pela Delegacia de origem, no montante de R$ 37.043,00.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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IMP. E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição até o limite apurado pela Delegacia de origem, no montante de R$ 37.043,00. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 07 65 /2 00 5- 38 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de pedido de restituição de multas moratórias da COFINS, CSLL, IRPJ e de PIS recolhidas no período de janeiro/98 a maio/2005, no montante de R$ 105.081,36, que seriam indevidas ante o fato de que a Recorrente teria efetuado o pagamento a destempo, porém, de modo espontâneo, na forma do artigo 138 do CTN. Em 26 de setembro de 2006 a Delegacia da Receita Federal de Cascavel intimou o Contribuinte a apresentar esclarecimentos quanto ao crédito pleiteado. Em 13 de outubro de 2006 o Contribuinte protocolizou documentos, apresentou argumentos e prestou as informações que julgou pertinentes. Em 19 de outubro de 2006 houve despacho decisório da DRF em Cascavel (PR), que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que a legislação não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal, pois a multa de mora não se constitui em penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo, pois, com a multa de ofício, esta sim revestida de caráter punitivo. A Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório no dia 27 de outubro de 2006 e protocolizou Manifestação de Inconformidade em 8 de novembro de 2006, com os seguintes argumentos: 1. Que os tribunais pátrios reiteradamente abalizam a recuperação proposta; 2. Que a tese em voga também é amparada pelas cortes administrativas de julgamento; 3. Que a doutrina é favorável à tese ora advogada; 4. Que o caráter espontâneo incide quando inexiste qualquer procedimento fiscal a exigir a multa; 5. Todo o crédito pleiteado advém do pagamento efetivo, em DARF, dos tributos recolhidos em atraso, à vista e espontaneamente. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba, ao analisar a impugnação apresentada pelo Contribuinte, decidiu, em 27 de agosto de 2009, por unanimidade de votos, indeferir a restituição e considerar não homologada a compensação objeto da manifestação de inconformidade apresentada. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão e interpôs Recurso Voluntário, em 20 de outubro de 2009, no qual alega, em síntese, que: 1. Restou incontroverso o fato de o contribuinte ter efetivado o pagamento dos tributos em atraso, à vista, com os respectivos juros e mediante o acréscimo da multa de mora. 2. A Delegacia de Julgamento denegou o direito do contribuinte, mesmo diante da solidez jurídica e documental colacionada aos autos; 3. Que restou provado, nos autos, que o contribuinte pagou à vista todos os seus tributos, acrescidos de juros, correção e multa moratória, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal a reclamar o débito; 4. A assertiva de que a denúncia espontânea exclui apenas a multa de ofício (art. 44, da Lei 9.430/96) é carente de verossimilhança, pois esta sequer EXISTE NO CASO CONCRETO, porquanto é aplicada, nos termos da lei, quando da LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO, não havendo falar em espontaneidade nesta hipótese, sendo tal argumentação dissociada da quaestio em análise. Esta Turma do CARF decidiu, em 25 de maio de 2011, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que: 1. A recorrente seja intimada para apresentar em 30 dias a comprovação de que os valores pagos a destempo, e sobre os quais incidiram as multas de mora repetidas, não haviam sido declarados em DCTF anteriormente aos recolhimentos; 2. A recorrente indique minudentemente os valores dos débitos quitados, cotejando com as respectivas DCTFs, a fim de deixar bem documentado que, quando do recolhimento, os créditos tributários não estariam constituídos; 3. Se as DCTF apresentadas forem retificadoras, o contribuinte deverá apresentar e fazer o cotejo também da DCTF original, comprovando a inexistência de declaração desde a emissão da primeira DCTF; 4. A Procuradoria da Fazenda Nacional se manifeste no mesmo prazo sobre a prova documental. 5. Ao fim, devem os autos ser devolvidos ao CARF, para julgamento. O termo de intimação fiscal foi expedido em 27 de setembro de 2011 e entregue em 14 de outubro de 2011, conforme comprovante de entrega dos correios. A Recorrente se manifestou em 16 de novembro de 2011 e, em cumprimento ao termo de intimação fiscal, apresentou documentos e informações, bem assim anexou planilhas descritivas em que constam os impostos e contribuições, com os períodos de apuração, datas de pagamento e datas de entrega das DCTF originais. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 5 4 Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguimento. Na sessão de 07 de agosto de 2013 esta Turma decidiu, por unanimidade, converter novamente o julgamento em diligência para que: a) A autoridade fiscal elaborasse parecer conclusivo, sobre os pagamentos efetuados e os cálculos relativos às multas repetidas, com base nos documentos apresentados pela Recorrente; b) Após tal providência, os autos fossem remetidos para ciência e manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme determinou a Resolução anterior, de n.° 1201000.048/2011; A ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional se deu em 23 de outubro de 2013, conforme memorando de fls. 778 do processo digital. Quanto à análise dos documentos apresentados pela Recorrente e as conclusões da autoridade fiscal, convém reproduzir parte do parecer elaborado às fls. 774/775: Uma superficial análise das informações e documentos apresentados pela interessada revela que: a) os pagamentos que constam das planilhas de cálculo apresentadas (fls. 102/110) não correspondem fielmente aos pagamentos que constaram do relatório de atualização anexados originalmente pela interessada ao pedido (fls. 11/15); b) os comprovantes dos pagamentos (DARFs) não foram apresentados; c) embora os pagamentos refiramse, de acordo com o referido relatório de atualização de pagamentos (fls. 12/15), a débitos de períodos de apuração dos anos de 1996 (10), 1997 (10 e 12) 1999 (01 a 03 e 08), 2000 (02, 05, 10 e 12), 2001 (01,04, 06, 09 e 12), 2002 (11 e 12), 2003 (01, 09 a 12) e 2004 (01), as seguintes DCTFs foram apresentadas: 4o trimestre de 2000 (fls. 117/152); 1o ao 4o trimestres de 2001 (fls. 153/292); 3o e 4o trimestres de 2002 (fls. 419/454 e 293/334); 1o, 3o e 4o trimestres de 2003 (fls. 335/375, 376/418 e 455/500); e 1o trimestre de 2004 (fls. 501/560). Concluise, pois, que as informações e documentos apresentados pela interessada são insuficientes ou deficientes para atender a exigência do CARF. Diante dessa constatação, e partindo do relatório de atualização de pagamentos (fls. 12/15) originalmente anexado pela interessada ao pedido, foram realizadas consultas aos sistemas da Receita Federal, cujas telas foram juntadas às fls. 570/660. Com as informações obtidas, foi elaborado o demonstrativo de fls. 661/662 visando a atender a exigência contida na Resolução n° 1201000.048/2011 do CARF (fls. 95/101), devendo ser observado, nesse demonstrativo, que a apuração do valor de R$ 302,85 em face da denúncia espontânea (débito: CSLL código: Fl. 797DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 6 5 2484 período de apuração: 04/2001) foi apurado sobre o valor de R$ 1.514,28 (fl. 641), que corresponde à diferença entre o débito original declarado de R$ 2.330,00 e o débito posteriormente declarado (como complementar) de R$ 3.844,28. Posteriormente, houve nova conversão do julgamento em diligência para que a autoridade de jurisdição da Recorrente abrisse prazo de trinta dias para manifestação. Conquanto a ciência tenha sido efetuada, não houve manifestação da empresa, razão pela qual os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator O recurso foi apresentado de forma tempestiva e atende aos pressupostos legais, de forma que dele tomo conhecimento. Embora a questão de mérito em debate nos autos, relativa à exclusão da multa de ofício pela denúncia espontânea, possua entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, entendo que a análise deva ser iniciada com a apreciação da origem dos créditos pleiteados via restituição. Nesse sentido, a delegacia de jurisdição do contribuinte elaborou parecer, a partir de Resolução exarada por este Conselho, no qual consignou que: Uma superficial análise das informações e documentos apresentados pela interessada revela que: a) os pagamentos que constam das planilhas de cálculo apresentadas (fls. 102/110) não correspondem fielmente aos pagamentos que constaram do relatório de atualização anexados originalmente pela interessada ao pedido (fls. 11/15); b) os comprovantes dos pagamentos (DARFs) não foram apresentados; c) embora os pagamentos refiramse, de acordo com o referido relatório de atualização de pagamentos (fls. 12/15), a débitos de períodos de apuração dos anos de 1996 (10), 1997 (10 e 12), 1999 (01 a 03 e 08), 2000 (02, 05, 10 e 12), 2001 (01,04, 06, 09 e 12), 2002 (11 e 12), 2003 (01, 09 a 12) e 2004 (01), as seguintes DCTFs foram apresentadas: 4o trimestre de 2000 (fls. 117/152); 1o ao 4o trimestres de 2001 (fls. 153/292); 3o e 4o trimestres de 2002 (fls. 419/454 e 293/334); 1o, 3o e 4o trimestres de 2003 (fls. 335/375, 376/418 e 455/500); e 1o trimestre de 2004 (fls. 501/560). Fl. 798DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 7 6 13. Concluise, pois, que as informações e documentos apresentados pela interessada são insuficientes ou deficientes para atender a exigência do CARF. 14. Diante dessa constatação, e partindo do relatório de atualização de pagamentos (fls. 12/15) originalmente anexado pela interessada ao pedido, foram realizadas consultas aos sistemas da Receita Federal, cujas telas foram juntadas às fls. 570/660. 15. Com as informações obtidas, foi elaborado o demonstrativo de fls. 661/662 visando a atender a exigência contida na Resolução n° 1201000.048/2011 do CARF (fls. 95/101), devendo ser observado, nesse demonstrativo, que a apuração do valor de R$ 302,85 em face da denúncia espontânea (débito: CSLL código: 2484 período de apuração: 04/2001) foi apurado sobre o valor de R$ 1.514,28 (fl. 641), que corresponde à diferença entre o débito original declarado de R$ 2.330,00 e o débito posteriormente declarado (como complementar) de R$ 3.844,28. Reproduzimos, a seguir, a tabela com os com os valores apurados pela delegacia de jurisdição do contribuinte: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 8 7 A diligência reconheceu, portanto, que apenas o montante de R$ 37.043,00 seria relativo às multas beneficiadas com a denúncia espontânea, a partir de levantamentos efetuados nos sistemas da Receita Federal, porque a documentação apresentada pela empresa não foi capaz de comprovar a totalidade da restituição pleiteada. Definido o quantum passível de restituição, cabenos apurar se o instituto alcança as chamadas multa de mora. Entende o Superior Tribunal de Justiça que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, como na hipótese do autos. Nesse sentido, reproduzimos a seguir acórdão que bem descreve a situação debatida nos autos: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos Fl. 800DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 9 8 sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão n.º 1201001.269 S1C2T1 Fl. 10 9 A partir da consolidação do entendimento no STJ, este Conselho também tem adotado a tese de que as multas moratórias devem ser excluídas quando da comprovação de denúncia espontânea, a teor do acórdão da Câmara Superior a seguir reproduzido: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40106009 do Processo 109120001689991 Data 12/08/2008 Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA CTN. ART. 138 INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Tendo o contribuinte efetuado, após seu vencimento, o recolhimento do tributo devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, devendo, portanto, ser excluída pela denúncia espontânea. Em decorrência, a multa de mora recolhida por ocasião da denúncia espontânea caracteriza indébito tributário, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição dos respectivos valores. Recurso especial negado. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e VOTO por DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer o direito à restituição até o limite apurado pela delegacia de origem, no montante de R$ 37.043,00. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Fl. 802DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727733/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurando-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.
Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2302-003.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência..
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurandose a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 77 33 /2 01 1- 82 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 524DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.727733/201182 Acórdão n.º 2302003.713 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6588, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias (cota patronal) e à contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do riscos ambientais do trabalho GILRAT incidentes sobre a remuneração paga ou creditada em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais, e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos. Tratase de também de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6596, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias e à contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do riscos ambientais do trabalho GILRAT descontadas das remunerações pagas ou creditadas em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais, e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos. Tratase ainda de Auto de Infração por descumprimento de obrigação Principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6600, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias não descontadas das remunerações pagas ou creditadas em favor dos empregados, segurados contribuintes individuais (autônomos), e sobre o valor do frete pago a transportadores autônomos. Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6618, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições sociais previdenciárias para custeio de outras entidades e fundos (terceiros) não descontadas d o valor do frete pago a transportadores autônomos. Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação principal – AIOP com DEBCAD n° 37.326.6626, consolidado em 22/08/2011, lavrado em face do MUNICÍPIO DE ARATUBA – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes às contribuições Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 sociais previdenciárias de 11% (onze por cento) decorrentes da subrogação legal na contratação de empresas prestadoras de serviços com cessão de mão de obra. Consoante o Relatório Fiscal a empresa ora Recorrente não possui regime próprio de previdência. Neste mesmo documento há registro de que as diferenças apuradas nas bases de cálculos foram verificadas com a comparação das folhas de pagamento com as informações constantes em GFIPs, bem como, que a apuração das informações relativas aos autônomos em geral e aos transportadores autônomos foi realizada através da análise da contabilidade do Município, haja vista que não existia informações destes segurados em folhas de pagamento e em GFIPs. Por fim, destacou o fisco que todos os recolhimentos realizados pelo Município foram aproveitados e que foi formalizada a representação fiscal para fins penais em face da falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação e esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2009 DEBCAD: 37.326.6588; 37.326.6596; 37.326.6600; 37.326.6618; 37.326.6626. PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL. Válido o auto de infração lavrado na repartição, se o autuante dispunha dos elementos necessários ao lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de produção extemporânea de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.727733/201182 Acórdão n.º 2302003.713 S2C3T2 Fl. 4 5 Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Município Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, em suma: a) O lançamento é nulo em virtude: (i) da não lavratura do auto de infração na Prefeitura, o que cerceou o direito de defesa do Recorrente; (ii) por não ser a Receita Federal competente para fiscalizar o município no período de 2006 a 2009, posto que a fiscalização caberia ao INSS; e (iii) Da ausência de intimação do Município para prestar esclarecimentos; b) Parte do crédito previdenciário objeto do Auto de Infração está incluído em pedido de parcelamento especial, efetivado com base da Lei 11.960/2009; c) O fisco informa que os valores dos débitos serão consolidados pela Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, mas não indica qual será o momento da consolidação. d) A cobrança de 1/3 (um terço) de férias é ilegal, posto que esta verba tem caráter indenizatório; e) Quanto à contribuição previdenciária (parte patronal) incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais, alega que somente se mostra cabível o desconto de 20% (vinte por cento) da remuneração paga ao contribuinte individual – limite máximo da contribuição , não sendo possível, pois, a retenção de 11% (onze por cento) mais o desconto de 22% (vinte e dois por cento) da parte patronal da contribuição previdenciária cumulada com o SAT/RAT. f) Por fim , alega ainda que houve cerceamento do direito de defesa do Município em face da ausência de identificação nominal dos contribuintes individuais que não foram incluídos em GFIP, como também, qual a alíquota utilizada para o empregador e o empregado. Sem contrarrazões. Assim, vieram os autos a este Conselho, Na análise dos autos, verificouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência, diligência, para que a Fiscalização esclarecesse se o Recorrente, como alegado, efetivamente incluiu parte do débito objeto do presente lançamento em parcelamento especial com base na Lei 11.960/2009. O Fisco elaborou informação fiscal, nos seguintes termos: Atendendo solicitação do CARF , através da Resolução 2302 000.281 da Terceira câmara/Segunda Turma ordinária , informamos que Agência da Receita Federal de Baturité, responsável pelo parcelamento do município de Aratuba, incluiu despacho neste processo sobre se os débitos ou parte deles aqui presentes estão ou não incluídos em parcelamento. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Em tempo , informamos ainda, que essa fiscalização só levantou débitos não declarados e que os parcelamentos são de débitos constituídos ou declarados. ... Informo que os Debcad constantes deste Processo são todos passíveis de inclusão no parcelamento conforme Lei nº12. 810/2013 e que o contribuinte desistiu explicitamente de impugnações e recursos. Portanto, tão logo o processo retorne do CARF, os Debcad serão incluídos no parcelamento especial já citado. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.727733/201182 Acórdão n.º 2302003.713 S2C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido. Feito o registro. Conforme demonstram os autos, a recorrente desistiu de seu recurso, devido a pedido de parcelamento. O Regimento Interno do CARF (RICARF) possui determinação sobre o procedimento a ser adotado nesses casos. RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Portanto, como deixa claro a determinação regimental, como está configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, deste não devo conhecer. CONCLUSÃO: Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002601/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Afasta-se parcialmente a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte comprova a origem de parte dos depósitos bancários efetuadas em contas de sua titularidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. CONEXÃO.
É recomendável que o julgamento de processos conexos tenha o mesmo resultado. Isso não significa dizer que os equívocos verificados em um devam ser reproduzidos no outro.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA.
A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração nos anos-calendário 2001 e 2002, bem como para reduzir a base de cálculo, referente ao ano-calendário de 2000, para R$ 27.510,32. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que dava provimento em menor extensão.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Afasta-se parcialmente a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte comprova a origem de parte dos depósitos bancários efetuadas em contas de sua titularidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. CONEXÃO. É recomendável que o julgamento de processos conexos tenha o mesmo resultado. Isso não significa dizer que os equívocos verificados em um devam ser reproduzidos no outro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração nos anos-calendário 2001 e 2002, bem como para reduzir a base de cálculo, referente ao ano-calendário de 2000, para R$ 27.510,32. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que dava provimento em menor extensão. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Afastase parcialmente a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte comprova a origem de parte dos depósitos bancários efetuadas em contas de sua titularidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. CONEXÃO. É recomendável que o julgamento de processos conexos tenha o mesmo resultado. Isso não significa dizer que os equívocos verificados em um devam ser reproduzidos no outro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Preliminar Rejeitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 26 01 /2 00 5- 83 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 470 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração nos anoscalendário 2001 e 2002, bem como para reduzir a base de cálculo, referente ao anocalendário de 2000, para R$ 27.510,32. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que dava provimento em menor extensão. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância administrativa (fls. 377/379 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 239/242) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2000/2002 de R$ 94.391,34, de multa de oficio de R$ 70.793,49 e de juros de mora calculados até 31/08/2005 de R$ 57.680,29. A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 29/06/2005, com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 17/18, em que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de suas contas correntes e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos efetuados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, no ano calendário 2000/2002. Não tendo havido a comprovação exigida, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 471 3 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4° da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. O contribuinte toma ciência do auto de infração 29/09/2005, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 27/10/2005 de fls. 248/267, em que alega, em síntese, que: 1 não procede a alegação do agente fiscal de que teria ocorrido falta injustificada de atendimento à intimação fiscal pelo fato de não ter apresentado seus extratos bancários, pois além da guarda não ser obrigatória, os referidos documentos foram obtidos junto às instituições financeiras; 2 apesar de o agente fiscal ter afirmado que a impugnante tem assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, verifica se que este direito não lhe foi concedido; 3 apesar de ter solicitado prazo dilatório, o agente fiscal preferiu lavrar de imediato o presente auto de infração; 4 os depósitos relacionados na impugnação referemse a transferências entre contas bancárias de mesma titularidade; 5 o depósito efetuado em 20/03/2000, no valor de R$ 31.000,00 na CEF/0341/221573 referese a rendimento pago pela Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Funcionários da OwensCorninig Fiberglas S.A (docs. 33 a 35); 6 o depósito efetuado em 07/04/2000, no valor de R$ 43.700,00 na CEF/0341/208518, referese a empréstimo concedido por Maria Machado, mãe do cônjuge, dívida declarada da DIRPF (dos. 35); 7 o depósito efetuado em 12/12/2002, no valor de R$ 2.400,00 na CEF/0341/221573, referese a empréstimo concedido por Maria Machado, mãe do cônjuge, dívida declarada da DIRPF (doc. 45); 8 valores depositados, conforme relação na impugnação, são decorrentes de herança recebida e declarada na DIRPF; 9 diversos depósitos identificados em tabela na impugnação são decorrentes de pagamentos de empréstimos efetuados a Pastifício Pin Ltda, regularmente formalizados em contratos de mútuo; 10 em razão do grande volume de depósitos, foram comprovados por meio desta impugnação somente os valores acima de R$ 2.000,00. Os depósitos abaixo destes valores estão Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 472 4 abaixo dos R$ 80.000,00 mensais, estabelecidos pela norma de regência; 11 os depósitos bancários, por si sós, não constituem fato gerador do imposto de renda, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes; 12 a multa aplicada de 75% tem caráter confiscatório; 13 os juros moratórios foram calculados com base na taxa Selic que possui natureza jurídica de remuneração de capital, não cabendo seu uso para fins tributários, somente no mercado financeiro. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 375/385, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS. Para efeito de determinação da receita omitida com base na presunção de que trata o art. 42, da Lei 9.430/96, não devem ser considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário, não bastando a simples apresentação de contrato e a informação na DIRPF. TAXA SELIC INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação especifica, são acrescidos de juros Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 473 5 equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/05/2009 (fl. 390), a Interessada interpôs, em 16/06/2009, o recurso de fls. 394/410. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Nulidade da decisão recorrida por contrariar prova e por violar o princípio da motivação Não obstante a presunção da inexistência de origem ter sido completamente elidida pela prova acostada a este processo, consistente em contratos, comprovantes de depósitos bancários e DIRPF, os quais atestam a origem dos créditos existentes nas contas correntes, o lançamento foi mantido em parte, o que demonstra, de forma clara e inequívoca, ser nula a decisão recorrida, por ter ignorado prova constante dos autos. Ao não fundamentar a decisão recorrida, a Turma Julgadora acabou inquinandoa de nulidade, porquanto a fundamentação é essencial para a validade de qualquer decisão, já que, por meio dela, o julgador expõe as razões de decidir, deixando clara a maneira mediante a qual ele interpretou a prova produzida e o porquê de têla rejeitado, possibilitando, assim, que a Recorrente conheça, com precisão e clareza, os elementos que conduziram ao afastamento da prova e possa contestálos amplamente. MÉRITO Movimentação entre contas correntes As autoridades julgadoras de primeira instância não reconheceram as seguintes transferências entre contas de mesma titularidade: R$ 2.305,24, de 11/12/2000; R$ 3.211,10, de 02/02/2001; R$ 2.687,57, de 04/01/2002; R$ 2.005,19, de 28/02/2002; R$ 2.000,24, de 02/07/2002, R$ 2.005,23, de 30/09/2002; e R$ 4.432,40 de 23/12/2002. Ocorre que todas estas transferências foram devidamente comprovadas, consoante se aufere dos documentos 11, 15, 23 e 24, 27, 29, 31 e 32, anexos à defesa inaugural. Referidos documentos comprovam, inequivocamente, que os créditos em questão resultaram de transferências advindas de contas bancárias de titularidade da própria Recorrente. E mesmo que assim não fosse, a soma dos valores mantidos pela decisão recorrida perfaz valor inferior a R$ 12.000,00 mensais, somando, ainda, importância inferior à R$ 80.000,00 anuais, devendo, assim, ser desconsiderados para efeito de determinação de suposta receita omitida. Rendimento pago por cooperativa Não obstante a DIRPF relativa ao anocalendário de 2000 ser suficiente para comprovar que a Recorrente não omitiu receita, visto que os valores em análise constam da declaração, seguem anexados ao presente recurso a Resolução da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal da Cooperativa, que traz o demonstrativo de resultado do ano de 1999, acompanhada da planilha emitida pela própria Cooperativa no dia 24 de janeiro de 2000, bem Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 474 6 como os extratos do Banco Itaú e Caixa Econômica Federal, que comprovam, respectivamente, o valor do rendimento, o depósito deste valor na conta do cônjuge da Recorrente e a transferência da importância de R$ 31.100,00 para a conta conjunta do casal, mantida na Caixa Econômica Federal. Empréstimo A exigência de demonstração da transferência do numerário entre credor e devedor não pode subsistir por um motivo simples: os empréstimos foram efetuados em espécie. Ora, se nas declarações de Imposto de Renda de ambas as partes, mutuante e mutuário, constam menções ao empréstimo efetuado, e se este foi realizado em dinheiro, entre mãe e filho, não há como subsistir a tese de que a Recorrente teria omitido rendimentos do Fisco. Mas para que não pairem dúvidas quanto à veracidade das informações prestadas, anexa ao presente recurso o extrato da conta Itaú de titularidade da Sra. Maria Magdalena Machado (doc. 04), mãe do seu cônjuge, bem como os comprovantes dos DOC realizados deste Banco para conta de sua titularidade na Caixa Econômica Federal (docs. 05/07A), além do comprovante de resgate de cotas do Fundo Fac Executivo (doc. 08), perfazendo a soma dos valores constantes destes documentos a quantia de R$ 43.781,29. Para corroborar as alegações da Recorrente, segue anexado o extrato da Caixa Econômica Federal (doc. 09) que demonstra a retirada do valor de R$ 43.700,00 da conta da Sra. Maria Magdalena, quantia esta que foi depositada em dinheiro na conta mantida pela Recorrente e seu cônjuge junto àquela Instituição Financeira, em 07 de abril de 2000, conforme demonstra extrato bancário anexado (doc. 10). Recebimento de herança Os valores recebidos a título de herança foram depositados na conta corrente da Recorrente e devidamente informada na DIRPF (doc. 35 da Impugnação). A fim de afastar quaisquer dúvidas que possam subsistir, acosta ao presente recurso parte do formal de partilha extraído dos autos do Inventário nº 369/81, decorrente do falecimento de Francisco Gimenez e Antonia Pantoja Gimenez (doc. 11), pais da Recorrente, constando, dentre outros imóveis que foram deixados às herdeiras, aqueles descritos nos itens 14 e 23 das primeiras declarações, bem como informa que os imóveis em questão foram vendidos, conforme comprovam os recibos de pagamento acostados ao presente, pelos valores de R$ 15.010,32 e R$ 12.500,00 (docs. 12 e 13), importâncias depositadas na conta da CEF n. 221573 e 208518, de titularidade da Recorrente e seu marido, consoante demonstram os comprovantes de depósitos ora também acostados (docs. 14 e 15). Pagamento de mútuo Demonstrouse que ao longo de vários anos o marido da Recorrente efetuou empréstimos à sociedade Pastifício Pin Ltda. Esses empréstimos encontramse formalizados em contratos de mútuo firmados com aquela sociedade, os quais foram acostados à impugnação. Em face de toda a documentação acostada aos autos (contratos de empréstimos entre o cônjuge da Recorrente e Pastífico Pin, bem como os comprovantes de transferências bancárias que comprovam a liquidação destes empréstimos), não há como Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 475 7 remanescerem dúvidas no sentido de ser insubsistente, também por esse ângulo, o lançamento efetuado. Violação do art. 42, II, da Lei nº 9.430/1996 e do art. 4º da Lei nº 9.481/1997 No caso em apreço, o limite previsto nos dispositivos em destaque deve ser duplicado de R$ 80.000,00 para R$ 160.000,00, porquanto são dois os titulares das contas fiscalizadas. A soma de todos os depósitos inferiores considerados em cada exercício (2000, 2001 e 2002) não supera o limite de R$ 160.000,00 anuais. Caráter confiscatório da multa de 75% A multa aplicada possui nítido caráter confiscatório, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Pedidos Ao final, requer: que se promova a extinção dos créditos tributários apurados, haja vista a efetiva comprovação da origem dos rendimentos fiscalizados; ou que sejam acolhidas as preliminares argüidas, para que se declare a nulidade da decisão recorrida, ou, quando menos, seja determinada a baixa dos autos em diligência para que se analisem todas as provas constantes deste recurso, bem como reapreciadas todas as demais acostadas à impugnação, as quais demonstram a total improcedência das cobranças formuladas; em qualquer caso, deverá ser reconhecida a invalidade da cobrança da multa no percentual de 75%, por sua natureza confiscatória, sendo clamorosamente desproporcional à infração cometida; Protesta a Recorrente, por fim, pela produção de outras provas em direito admitidas, especialmente pela conversão do julgamento em diligência, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. Às fls. 441/442 foi anexado aditamento ao recurso, protocolizado em 13/05/2010 neste CARF, por intermédio do qual a Interessada pleiteia a juntada do acórdão de nº 0417.740, relativo ao processo nº 13888.002602/200528, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), por meio do qual foi declarada a improcedência do lançamento referente ao auto de infração lavrado em nome de Reinaldo Machado, cônjuge da Recorrente. O julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de origem (Resolução 2801000.316, de 07/10/2014, às fls. 448/454) promovesse a juntada aos autos do acórdão de primeira instância proferido no bojo do processo 13888.002602/200528, em nome do contribuinte Reinaldo Machado, cônjuge da Recorrente. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 476 8 Às fls. 456/465 foi anexado o Acórdão nº 0417.740, da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em 04/03/2015 o processo retornou a caixa de trabalho deste Relator. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. A controvérsia se restringe à preliminar de nulidade da decisão recorrida e à infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” em que metade dos depósitos sem comprovação foi imputada à Recorrente e a outra metade ao seu cônjuge (processo administrativo 13888.002602/200528), nos termos do § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (conta corrente conjunta e declarações de rendimentos dos titulares apresentadas em separado). PRELIMINAR A Recorrente alega que a Turma Julgadora ignorou o conjunto probatório acostado aos autos, inquinando a decisão recorrida de nulidade, porquanto a fundamentação é essencial para a validade de qualquer decisão, já que é por meio dela que o julgador expõe as razões de decidir, deixando clara a maneira mediante a qual ele interpretou a prova produzida e o porquê de têla rejeitado. Sem razão a Interessada. Após tecer considerações sobre a legislação que regula a infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”, o voto condutor do acórdão recorrido enfrentou as seguintes questões apresentadas na peça impugnatória: a) transferências entre contas de mesma titularidade; b) rendimentos pagos por Cooperativa; c) empréstimos tomados de Maria Machado, mãe do cônjuge da Recorrente; d) valores recebidos de herança; e 5) pagamentos de mútuo efetuados por Pastifício Pin Ltda.. Embora o resultado do julgamento não tenha sido integralmente favorável à Recorrente, fato é que a decisão encontrase devidamente motivada, inclusive com a discriminação de todos os depósitos que foram considerados como de origem comprovada e os fundamentos pelos quais os mesmos foram excluídos da base de cálculo do lançamento, além das justificativas que levaram à rejeição de parte das alegações apresentadas. O mero inconformismo com o resultado do julgamento não é causa de nulidade da decisão proferida, motivo pelo qual sou pela rejeição da preliminar suscitada pela Interessada. MÉRITO Conforme relatado acima, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para que a Unidade de origem promovesse a juntada aos autos do acórdão de primeira instância proferido no bojo do processo 13888.002602/200528, em nome do Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 477 9 contribuinte Reinaldo Machado, cônjuge da Recorrente. A diligência se fez necessária porque os créditos deste processo e do processo 13888.002602/200528 foram constituídos com base na mesma situação fática, sendo certo que o desfecho de um pode repercutir no outro. Embora fosse aconselhável que o resultado do julgamento de primeira instância dos dois processos fosse o mesmo, fato é que isto não aconteceu. Para tentar solucionar a controvérsia de forma satisfatória, buscarei, por primeiro, evidenciar as convergências/divergências das duas decisões proferidas em sede de impugnação de lançamento. De seguida, explicitarei a solução que, em meu entendimento, melhor se coaduna com as provas carreadas aos autos. Transferências entre contas de mesma titularidade Na decisão proferida no processo do cônjuge da Recorrente foram considerados como de origem comprovada depósitos que totalizaram R$ 81.810,24 no ano calendário de 2000, R$ 175.045,57 no anocalendário de 2001 e R$ 78.224,16 no ano calendário de 2002. Na decisão proferida neste processo foram considerados como de origem comprovada depósitos que totalizaram R$ 60.345,00 no anocalendário de 2000, R$ 169.843,87 no anocalendário de 2001 e R$ 67.544,16 no anocalendário de 2002. A diferença entre as duas decisões, em valores, corresponde à R$ 21.465,24 no anocalendário de 2000, R$ 5.201,70 no anocalendário de 2001 e R$ 10.680,00 no ano calendário de 2002. Compulsando os autos verificase que os julgadores de primeira instância do presente processo administrativo deixaram de considerar como comprovados todos os depósitos de valores inferiores a R$ 2.000,00, na conta 22.1573, que se originaram de resgates do fundo de investimento da Recorrente e de seu cônjuge e de outra conta corrente de titularidade dos mesmos (conta 20.8518). Pelo que se lê no acórdão de 1ª instância (fl. 381) apenas não estaria comprovado, nos três anoscalendário, sete depósitos. Confira: Em relação à primeira alegação, de fato, os depósitos relacionados pelo impugnante originaramse de contacorrente também de sua titularidade, com exceção dos depósitos de R$ 2.305,24, em 11/12/2000; R$ 3.211,10, em 02/02/2001; R$ 2.687,57, em 04/01/2002; R$ 2.005,19, em 28/02/2002; de R$ 2.000,24, em 02/07/2002; R$ 2.005,23, em 30/09/2002; e de R$ 4.432,40, em 23/12/2002. Estes depósitos cujas origens não podem ser consideradas comprovadas referemse a débitos em contas não consideradas no presente lançamento e cuja titularidade do contribuinte não restou demonstrada. À evidência, os valores abaixo de R$ 2.000,00 deveriam ter sido excluídos da base de cálculo do lançamento, porquanto devidamente comprovados, conforme reconhecido na decisão de primeira instância proferida no processo 13888.002602/200528. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 478 10 Neste processo menciono, a título exemplificativo, os seguintes resgates efetuados no fundo de investimento que coincidem, em data e valor, com aqueles considerados não comprovados pela Autoridade lançadora no mês de julho de 2000 (extrato à fl. 311): 07/07, R$ 1.000,00; 17/07, R$ 1.000,00, 26/07, R$ 1.500,00; e 26/07, R$ 2.500,00. Todos estes depósitos foram considerados comprovados no processo 13888.002602/200528, porquanto creditados na conta 22.1573 (fl. 224) na mesma data em que debitados na conta de aplicação 20.8518 (fl. 311), dos mesmos titulares. Neste processo, no entanto, apenas foi considerado comprovado o resgate no valor de R$ R$ 2.500,00, realizado em 26/07/2000. É o que revela o demonstrativo que consta na fundamentação da decisão recorrida, a ver: DATA VALOR 7/4/2000 28.300,00 26/5/2000 2.000,00 26/6/2000 2.700,00 26/7/2000 2.500,00 28/8/2000 3.300,00 31/10/2000 4.500,00 1/11/2000 2.000,00 29/12/2000 15.045,00 Total AC 2000 60.345,00 Quando a transferência era feita da conta corrente nº 20.8518 para a conta corrente 20.1573, o histórico na conta debitada evidenciava que os recursos transitavam entre contas de mesmos titulares (DEB S/CPMF). É o que se vê, por exemplo, no extrato de novembro de 2000 da conta 20.8518. No referido mês foram feitos cinco débitos na conta (fl. 314): 01/11, R$ 2.000,00; 03/11, R$ 500,00, 08/11, R$ 1.000,00; 09/11, 1.200,00; e 14/11, 1.000,00, todos considerados não comprovados pela Autoridade lançadora. A tabela acima demonstra que os julgadores da instância de piso só consideraram, como comprovado, o depósito de R$ 2.000,00, realizado em 01/11. Em resumo: diferentemente do processo 13888.002602/200528, os julgadores de 1ª instância deste processo não consideraram nenhum dos depósitos comprovados inferiores a R$ 2.000,00. Além dos depósitos inferiores a R$ 2.000,00, também não foram considerados comprovados os seguintes depósitos realizados na conta 22.1573: R$ 2.305,24, em 11/12/2000 (fl. 282); R$ 3.211,10, em 02/02/2001 (fl. 283); R$ 2.687,57, em 04/01/2002 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 479 11 (fl. 291); R$ 2.005,19, em 28/02/2002 (fl. 291); de R$ 2.000,24, em 02/07/2002 (fl. 293); R$ 2.005,23, em 30/09/2002 (fl. 294); e de R$ 4.432,40, em 23/12/2002 (fl. 295). A origem destes depósitos também se encontra comprovada nos autos. Todos eles tiveram origem em débitos efetuados na conta do Banco Itaú nº 37.2440 ou na conta do Banco Banespa nº 8281, conforme extratos de fls. 315, 319, 327/328, 331, 333, 335 e 336, cujas datas e valores são coincidentes. Anoto, ainda, por oportuno, que em relação aos depósitos superiores a R$ 12.000,00, decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, estão comprovados nos autos os seguintes depósitos, que também foram considerados comprovados no processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente: Anocalendário 2000 R$ 28.300,00 transferência/débito sem incidência de CPMF, à fl. 308. R$ 15.045,00 transferência/débito sem incidência de CPMF, à fl. 316. Anocalendário 2001 R$ 84.760,00 resgate de fundo de investimento, à fl. 318. R$ 13.000,00 resgate de fundo de investimento, à fl. 325. Anocalendário 2002 R$ 41.391,16 resgate de fundo de investimento, à fl. 334. Nesse contexto, entendo que deve prevalecer a decisão proferida no bojo do processo 13888.002602/200528, para considerar como de origem comprovada os seguintes montantes: R$ 81.810,24 no anocalendário de 2000, R$ 175.045,57 no anocalendário de 2001 e R$ 78.224,16 no anocalendário de 2002. Significa dizer que devem ser excluídos da base de cálculo do presente lançamento os seguintes valores, que correspondem a 50% do montante comprovado: R$ 40.905,12 no anocalendário de 2000, R$ 87.522,79 no anocalendário de 2001 e R$ 39.112,08 no anocalendário de 2002. Rendimentos recebidos da Cooperativa de Crédito Ao contrário da decisão proferida no processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente, a decisão de piso não considerou comprovado o depósito de R$ 31.100,00, que, segundo a Interessada, teria como origem o recebimento, por seu cônjuge, de rendimentos da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Funcionários da Owens Corning Fiberglass S/A, que fora originalmente depositado na conta de seu marido no Banco Itaú e posteriormente transferido para a conta da CEF. Os extratos de fls. 414/416 confirmam que o depósito na conta da CEF, realizado em 20/03/2000, é decorrente de transferência (DOC D) da referida conta do Banco Itaú, de titularidade do cônjuge da Recorrente. Essa transferência, em conjunto com o documento juntado pela Interessada nesta sede recursal (Resolução da Diretoria Executiva e do Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 480 12 Conselho Fiscal da Cooperativa estabelecendo as condições de participação nas sobras líquidas da Cooperativa, dentre elas a de que todos os depósitos seriam feitos em conta corrente do Banco Itaú a partir de 20/03/2000), é suficiente, em meu entendimento, para considerar como comprovada a origem do depósito de R$ 31.100,00. Portanto, deve ser excluído da base de cálculo do presente lançamento, no anocalendário de 2000, o valor de R$ 15.550,00, que corresponde a 50% do montante comprovado. Empréstimos tomados da genitora do cônjuge da Recorrente Ao contrário da decisão proferida no processo 13888.002602/200528, que considerou comprovados os depósitos de R$ 43.700,00 na conta nº 20.8518 da CEF, em 07/04/2000, e R$ 2.400,00 na conta nº 22.1573 da CEF, em 12/12/2002, os julgadores da instância de piso entenderam, neste processo, que “a simples presença de informação nas Declarações de ajuste e a existência de contrato particular não desobriga o contribuinte a fazer prova efetiva da transferência de numerário”. Os documentos de fls. 427/428, anexados aos autos nesta sede recursal, comprovam a origem do depósito de R$ 43.700,00. O extrato da CEF de fl. 427, da conta de titularidade da Sra. Maria Magdalena Machado, evidencia que a genitora do cônjuge da Recorrente efetuou uma retirada em espécie, no dia 07/04/2000, no valor de R$ 43.700,00. Este mesmo valor foi depositado na conta conjunta da Recorrente e seu cônjuge (conta 20.8518) na mesma data, em dinheiro. Embora não tenha encontrado neste processo prova material que comprove a efetiva transferência do valor de R$ 2.400,00, penso que também a origem desse valor deve ser considerada comprovada, porquanto no processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente, os julgadores da DRJ constataram que “E a cópia do extrato da conta nº 0341/217010, de sua mãe, confirma a sua alegação de empréstimo de R$ 2.400,00”. (fl. 462). Nessa conformidade, deve ser excluído da base de cálculo do presente lançamento, no anocalendário de 2000, o valor de R$ 21.850,00, que corresponde a 50% de R$ 43.700,00, e no anocalendário de 2002, o valor de R$ 1.200,00, que corresponde a 50% de 2.400,00. Recebimento de herança A Recorrente alegou, em sede de impugnação, que 11 (onze) depósitos no montante de R$ 68.324,38 referiamse a recebimentos a título de herança, que foram informados em DIRPF. Tanto na decisão proferida no processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente, quanto na decisão de 1ª instância exarada neste processo, a origem de tais valores foi considerada incomprovada. Nesta sede recursal a Interessada junta parte do Formal de Partilha extraído dos autos do Inventário nº 369/81 (fls. 429/433) em que consta parcela dos bens que integrou o espólio de seu pai (vários terrenos na cidade de Rio Claro SP). Argumenta que os imóveis descritos nos itens 14 e 23 foram vendidos pelos valores de R$ 15.010,32 e R$ 12.500,00, conforme declarações dos adquirentes de fls. 434/435 e comprovantes de depósitos de fls. 436/437. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 481 13 As alegações da Interessada se mostram contraditórias. É que embora conste da declaração de ajuste anual do cônjuge da Recorrente o recebimento de herança no ano calendário de 2000, no montante de R$ 60.299,00, os imóveis supostamente vendidos não estão elencados entre os bens e direitos lançados na mesma declaração. Em outras palavras: se os imóveis descritos nos itens 14 e 23 do Formal de Partilha tivessem sido vendidos em 2000, ano em que foram efetuados os depósitos nos valores de R$ 15.010,32 e R$ 12.500,00, tais imóveis deveriam figurar na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2000, ainda que a coluna “Situação em 31 de dezembro de 2000” estivesse zerada. Demais disso, o documento de fl. 429 evidencia que a sentença da ação de inventário transitou em julgado em 20/08/2007, quando, então, foi expedido, em favor dos interessados, o Formal de Partilha, de modo que se mostra inverossímil a alegação de que bens partilhados a partir de agosto de 2007 tivessem sido alienados no ano de 2000. Nesse ponto, portanto, não merece reparo a decisão recorrida. Recebimento de empréstimos concedidos à Pastifício Pin Ltda. Aduz a Recorrente que seu marido, ao longo de vários anos, efetuou empréstimos à sociedade Pastifício Pin Ltda.. Tais empréstimos, que teriam sido liquidados mediante transferências bancárias, estariam formalizados nos contratos de mútuo acostados aos autos em fls. 362/365. A decisão recorrida considerou as provas apresentadas insuficientes à comprovação de qualquer depósito apontado pela Autoridade lançadora como de origem não comprovada. O mesmo aconteceu no processo do cônjuge da Interessada. E não poderia ser diferente, haja vista que a simples existência de contratos particulares não desobriga o contribuinte, na infração de depósitos bancários com origem não comprovada, de fazer a prova efetiva do adimplemento contratual, de forma individualizada, para que se possa fazer a vinculação dos recursos recebidos com os depósitos objeto da autuação fiscal. O art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 A autuação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve observar os limites estabelecidos no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 9.481/1997, assim descrito: Art. 42. (...) § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000,00(doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 482 14 anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000.00 (oitenta mil reais). Em face da disposição normativa transcrita é aconselhável a elaboração de um resumo para verificar, em cada anocalendário, o montante que restou de depósitos com origem não comprovada. Anocalendário de 2000 Montante a comprovar Parcela imputada a cada cotitular Créditos com origem não comprovada (Fiscalização) R$ 241.491,86 R$ 120.745,93 () Transferência entre contas de mesma titularidade R$ 81.810,24 R$ 40.905,12 () Rendimentos recebidos da Cooperativa de Crédito R$ 31.100,00 R$ 15.550,00 () Empréstimos tomados da genitora R$ 43.700,00 R$ 21.850,00 Depósitos não comprovados (após a comprovação parcial) R$ 84.881,62 R$ 42.440,81 Anocalendário de 2001 Montante a comprovar Parcela imputada a cada cotitular Créditos com origem não comprovada (Fiscalização) R$ 321.421,75 R$ 160.710,88 () Transferência entre contas de mesma titularidade R$ 175.045,57 R$ 87.522,79 Depósitos não comprovados (após a comprovação parcial) R$ 146.376,18 R$ 73.188,09 Anocalendário de 2002 Montante a comprovar Parcela imputada a cada cotitular Créditos com origem não comprovada (Fiscalização) R$ 182.382,77 R$ 91.191,39 () Transferência entre contas de mesma titularidade R$ 78.224,16 R$ 39.112,08 () Empréstimos tomados da R$ 2.400,00 R$ 1.200,00 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 483 15 genitora Depósitos não comprovados (após a comprovação parcial) R$ 101.758,61 R$ 50.879,31 Evidenciado nos três anoscalendário que o montante de depósitos com origem não comprovada supera o valor de R$ 80.000,00, cabe a seguinte indagação: a não consideração dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, de que trata o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, deve ser verificada, no caso de conta conjunta, em relação ao montante total dos depósitos não comprovados ou em relação ao percentual de 50% atribuído a cada um dos titulares das contas conjuntas? A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF vem entendendo que o limite de R$ 80.000,00 deve ser considerado em relação ao percentual de 50% atribuído a cada um dos titulares. Menciono, a título exemplificativo, o Acórdão 9202002.621, proferido justamente para resolver divergência de entendimento entre Câmaras/Turmas deste Conselho, julgado em 23 de abril de 2013 por unanimidade de votos, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3ª, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado No voto condutor do acórdão consta a seguinte explicação: Entendo que a melhor aplicação do dispositivo, no caso de conta conjunta (de dois titulares, in cant) está em somar os depósitos de valor nominalmente inferior a R$ 12.000,00; dividir essa soma por 2; verificar se o resultado ultrapassa R$ 80.000,00; se não ultrapassar, excluir os depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 da atribuição proporcional. Embora ainda não esteja convencido do acerto desse entendimento, neste caso específico irei adotálo, haja vista que no processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente, os julgadores da 2ª Turma da DRJ/CGE optaram por acolhêlo e julgaram o lançamento improcedente, uma vez que, nos três anoscalendário, os valores que sobejaram de depósitos com origem não comprovada, se considerado o percentual de 50% atribuído a cada um dos titulares, não ultrapassaram o montante de R$ 80.000,00. Com isso, preservase a segurança jurídica e evitamse decisões contraditórias ou conflitantes. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.002601/200583 Acórdão n.º 2201002.903 S2C2T1 Fl. 484 16 Observo, no entanto, que no julgamento do processo 13888.002602/200528, em nome do cônjuge da Recorrente, ocorreu um equívoco por parte dos julgadores da DRJ. É que no montante de depósitos com origem não comprovada, cujo percentual de 50% atribuído a cada um dos titulares não ultrapassou o montante de R$ 80.000,00, encontramse dois depósitos de valor superior a R$ 12.000,00: um de 12.500,00, depositado em 05/09/2000 (fl. 225), e outro de R$ 15.010,32, depositado em 28/12/2000 (fl. 227). A infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”, em relação aos referidos depósitos, não poderia ter sido cancelada com base no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei 9.430/1996, porquanto inaplicável a depósitos de valor superior a R$ 12.000,00. Nesse ponto, portanto, não há como evitar o conflito de decisões, porquanto os valores de depósitos com origem não comprovada, superiores a R$ 12.000,00, devem ser tributados ainda que não ultrapassem o montante de R$ 80.000,00. Multa de Ofício A imposição da multa de ofício calculada com a utilização do percentual de 75% está em harmonia com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, cujo teor é o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” nos anoscalendário 2001 e 2002, bem como para reduzir a base de cálculo do lançamento, referente ao anocalendário de 2000, para R$ 27.510,32 (R$ 12.500,00 + R$ 15.010,32). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10805.907050/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE.
Se não há óbice de outra natureza, admite-se a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. LEGITIMIDADE DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez atendido os requisitos legais e comprovada da existência do crédito utilizado na compensação fica demonstrada a legitimidade do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE. Se não há óbice de outra natureza, admitese a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 70 50 /2 00 9- 54 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase Declaração de Compensação DComp (fls. 2/5) em que informada a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2007, com débitos das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins do mês de março de 2008. Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 22/24, o titular da Unidade da Receita Federal não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito não existia, pois, embora localizado na base dados, o pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 2007, não remanescendo crédito disponível para compensação dos débitos informados na DComp em apreço. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o valor débito declarado na DCTF original era indevido, mas, por equívoco, não retificara a referida Declaração previamente a apresentação da DComp, o que fora feito somente após a ciência do citado Despacho Decisório. Para fim de comprovação do alegado indébito, apresentou cópias da DCTF retificadora (fls. 33/38) e do Dacon (fls. 39/54), ambas do mês de janeiro de 2007. Sobreveio a decisão de primeira de instância (fls. 61/66), em que a 8ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas/SP, por unidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes argumentos: a) o crédito não existia, pois, no momento da análise da compensação, o pagamento informado estava integralmente alocado ao débito declarado na DCTF do respectivo período; b) a ciência do Despacho Decisório configurava início do procedimento fiscal, nos termos do inciso III do § 2° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007, logo, em face da perda da espontaneidade, a citada DCTF não podia mais ser retificada; c) a alteração da DCTF, com vista a reduzir ou excluir débito anteriormente declarado, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, somente era admissível mediante comprovação do erro alegado; d) a simples retificação na DCTF, acompanhada do Dacon, não constituía prova suficiente do direito creditório informado; e e) não houve comprovação do indébito tributário com documentação adequada, consistente nos livros contábeis e fiscais, acompanhados dos respectivos documentos fiscais que confirmassem a natureza da operação, ocorrência do fato gerador do tributo, base de cálculo e alíquota aplicável. Em 26/3/2012, a recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Inconformada, em 24/4/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 74/78, instruído com a documentação de fls. 87/107, em que reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) não havia norma procedimental que condicionasse a apresentação da DComp previamente à retificação da DCTF; b) não havia impedimento legal para retificação da DCTF, em qualquer fase do procedimento de restituição, porém, o deferimento do crédito dependeria da retificação da Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907050/200954 Acórdão n.º 3302002.953 S3C3T2 Fl. 396 3 DCTF, de ofício ou pelo contribuinte; c) a restrição da retificação da DCTF, estabelecida no III do § 2° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, não se aplicava aos pedidos do contribuinte, mas apenas aos procedimentos fiscais tendente à apuração dos débitos; d) em nenhum momento foi intimada a apresentar a documentação contábil adequada à comprovação do indébito informado; e e) a falta de apreciação da existência ou não direito creditório fez com que o mérito da compensação não fosse analisado, o que estaria em desacordo com princípio da verdade material. No final, requereu que a documentação apresentada fosse apreciada e o mérito da compensação declarada julgado. Em 24 de abril de 2013, por meio da Resolução nº 3102000.254 (fls. 110/116), os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converteram o julgamento do recurso em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem, adotasse as seguintes providências: a) a recorrente fosse intimada a apresentar cópia integral autenticada das folhas do Livro Razão analítico do período de apuração ou conferida com o original por servidor do Órgão de origem; b) cópia autenticada ou conferida com o original dos livros e documentos fiscais que corroborassem as informações consignadas no Dacon e nas respectivas cópias das folhas Livro Razão analítico do período; e c) emitido parecer conclusivo sobre a existência ou não de saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep passível de compensação. E após tais providências, a recorrente fosse cientificada do referido parecer, para dentro do prazo fixado, caso desejasse se manifestasse sobre as conclusões exaradas pela autoridade fiscal. Após, retornassemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento ao citado pedido de diligência, com base na documentação apresentada pela recorrente (fls. 125/126 e 345/356), por meio da Informação Fiscal de fl. 359, informou a autoridade fiscal que o valor total recolhido da COFINS do mês de abril de 2007, no montante de R$ 116.933,41, era passível de compensação. Entretanto, como a interessada não procedeu à retificação da DCOMP (o prazo se encerrou em 20/3/2013), o valor efetivamente passível de compensação era de R$ 114.682,67. Em 29/11/2013, a recorrente foi cientificada da citada Informação Fiscal. Todavia, embora tenha sido facultada a oportunidade para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre a conclusão exarada na citado Informação, não houve qualquer manifestação por parte da recorrente. Enfim, por meio do Despacho de fl. 393, em 11/2/2014, foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 De acordo com o contestado Despacho Decisório, o motivo da não homologação compensação em apreço foi a inexistência do crédito compensado, baseada no fato de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débito devido, declarado na DCTF do período. Pelo mesmo motivo (inexistência do crédito), a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a decisão não homologatória da compensação, porém, por razões diversas, a saber: (i) após a ciência do Despacho Decisório, a DCTF não poderia ser retificada, para reduzir ou excluir tributo, pois, tal fato configurava início do procedimento fiscal e perda da espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN; (ii) a simples retificação da DCTF, acompanhada apenas do Dacon, não fazia prova do suposto direito creditório; e (ii) as informação prestadas no Dacon, eventualmente, prestarseiam à comprovação do erro no preenchimento da DCTF, caso estivesse acompanhada da documentação contábil e fiscal comprobatória da existência do crédito informado. Em suma, para a manutenção do vergastado Despacho Decisório, a Turma de julgamento a quo apresentou duas questões relevantes: a) a impossibilidade da retificação da DCTF, em face da perda da espontaneidade; e b) a falta de comprovação das informações apresentadas no Dacon, mediante documentação contábil e fiscal hábil e idônea. Da necessidade de retificação da DCTF. Em relação a primeira questão, alegou a recorrente que a retificação da DCTF poderia ser feita em qualquer fase do procedimento de compensação ou restituição, porque na legislação não havia o impedimento suscitado no voto condutor do julgado recorrido, porém, a homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição dependeria de prévia retificação da DCTF de ofício ou pelo próprio contribuinte. A alegação da recorrente procede parcialmente. Se não havia na legislação anterior nem há na vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que trata dos requisitos formais atinente aos procedimentos de compensação e restituição, impedimento para retificação da DCTF, isso não significa que não haja restrições para retificação da desta Declaração. Atualmente, as condições para a retificação da DCTF encontramse dispostas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que, com pouquíssimas alterações, reproduz texto veiculado nas Instruções Normativas anteriores, cujos trechos relevantes seguem transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907050/200954 Acórdão n.º 3302002.953 S3C3T2 Fl. 397 5 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) Da leitura dos comandos normativos em destaque, verificase que a retificação da DCTF pode ser feita (i) pelo contribuinte, espontaneamente, (ii) ou pela Administração Tributário, de ofício, em atendimento ao pedido formulado pelo contribuinte, nos casos em que a retificação do sujeito passivo não mais produza os efeitos que lhe são próprios. Nesta última hipótese, a Administração Tributária tem a prerrogativa de proceder, ex officio, a retificação dos valores dos débitos informados na DCTF, desde que o pedido de retificação seja: (i) formulado antes do decurso do prazo preclusivo de 5 (cinco) anos, contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração a ser retificada; e (ii) acompanhado de prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da respectiva declaração. Por sua vez, a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte só não subsistirá e não substituirá a originária, se a retificação tiver por objeto a redução dos débitos Fl. 399DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU); b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso em tela, em 27/10/2009, data da entrega da DCTF retificadora de fls. 33/38, o débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2007 foi reduzido de R$ 33.640,67 para R$ 4.709,59. Essa retificação, evidentemente, não se enquadra em nenhuma das citadas hipóteses restritivas, pois, o referido débito não se encontrava inscrito em DAU, nem foi objeto de “exame em procedimento de fiscalização”, mas decorrente da confissão de dívidas realizada na própria DCTF retificada. Também não houve a alegada perda da espontaneidade, prevista no do § 1º do art. 147 do CTN e que trata de hipótese de retificação de declaração, por iniciativa do declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificado do lançamento, matéria estranha ao caso em apreço que trata de não homologação de compensação e não de procedimento de lançamento. Dessa forma, se não havia nenhum óbice para a retificação realizada pela recorrente, admitese a DCTF retificadora. Da comprovação do crédito compensado. No âmbito do procedimento de espontâneo de compensação, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2007. Segundo o Dacon do período (fl. 123), no referido mês, foi apurado um saldo de Contribuição para o PIS/Pasep a pagar no valor de R$ 4.101,18. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente pretendeu comprovar a origem do referido indébito com a apresentação apenas das cópias da DCTF retificadora e do Dacon do período, meio de prova reputado insuficiente, com razão, pelo relator do voto condutor do julgado recorrido A DCTF retificadora e do Dacon contêm dados e informações declaradas pelo próprio contribuinte que precisam ser corroborados com a correspondente documentação fiscal externa, hábil e idônea. A simples apresentação das cópias das referidas Declarações, embora oportuna e necessária, são insuficientes para comprovação dos valores das receitas auferidas e das compras realizadas no período, elementos imprescindíveis para confirmação da correta a apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e da Contribuição para o PIS/Pasep, no âmbito do regime não cumulativo. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10805.907050/200954 Acórdão n.º 3302002.953 S3C3T2 Fl. 398 7 Dessa forma, a falta de apresentação da respectiva documentação fiscal, inviabiliza a confirmação dos valores, informados no Dacon, relativos às receitas auferidas e compras realizadas no período. Entretanto, apesar de informada da necessidade de apresentar a documentação contábil e fiscal adequada, na atual fase recursal, a recorrente trouxe aos autos, sem autenticação, cópias não sequenciadas de algumas folhas do Livro Razão analítico. Em face dessa deficiência probatória, com finalidade de suprila, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que a recorrente fosse intimada a apresentar a documentação fiscal que corroborasse as informações consignadas no Dacon do período, bem como nas cópias das folhas do Livro Razão analítico colacionadas aos autos. Após ser intimada, a recorrente a apresentou a documentação de fls. 120/332. Com base nessa documentação e tendo em conta que os "valores inseridos nos demonstrativos (Receita Operacional (Venda, Revenda), compras para revenda/fabric. Insumos, devolução de vendas, outros créditos) estão todos informados no Balancete Mensal Analítico apresentado às fls. 125 e 126 do eprocesso e estão conformes com o DACON apresentado às fls. 345/356" (grifos do original), concluiu a autoridade fiscal que era passível de compensação o valor total remanescente do pagamento da Contribuições para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2007, no montante de R$ 29.539,49. Entretanto, como a interessada não procedera a retificação da DComp (o prazo se encerrara em 2/5/2013), o valor efetivamente passível de compensação era de R$ 28.931,08. Dessa forma, uma vez comprovada a existência do valor crédito compensado, fica demonstrado que a compensação em apreço foi realizada em conformidade com disposto na legislação vigente, portanto deve ser homologada conforme declarada na DComp de fls. 2/5. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO integral ao recurso, para reconhecer a legitimidade do procedimento compensatório informado na DComp de fls. 2/5. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 401DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002939/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 29 39 /2 00 7- 51 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11618.002939/200751 Acórdão n.º 2402004.406 S2C4T2 Fl. 234 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 18/05/2006. Segue transcrição da ementa que compõe o acórdão recorrido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DA GFIP. INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. A omissão de fatos geradores de contribuições sociais na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social configura infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória. RESPONSABILIZAÇÃO DO DIRIGENTE mÁximo. • 0 dirigente máximo, A. época da concretização da infração, da pessoa jurídica de direito público responde pelas multas decorrentes do descumprimento da legislação, por incorrer nas modalidades de culpa in eligendo, in vigi/ando e in instruendo, mormente por não ter apresentado nenhum ato normativo que conferisse a outro dirigente a competência para o cumprimento da obrigação. Lançamento Procedente em Parte ... Em Ação Fiscal desenvolvida na Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana — EMLUR, João Pessoa, foi lavrado, em 20/03/2006, Auto de Infração em função de cometimento de infração ao artigo 32, IV e § 5. °, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4. ° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 09, o órgão fiscalizado apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. A infração cometida referese As competências de 01/2003 a 12/2004. Contra a decisão o recorrente reiterou suas alegações iniciais: a) todas as informações prestadas pelo impugnante são corretas, sem imprecisões; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 b) incluiuse o nome de Antônio dos Anjos Lima como segurado, embora o mesmo seja locador de imóvel, conforme cópia do contrato de locação, em anexo; c) pagou apólices de seguro junto i Sul América S/A, referente aos estagiários, relativamente ao período de 07/2003 a 07/2005; d) que a multa deveria ser, caso estivesse presente o pressuposto jurídico, imputada ao Orgão Público do qual era dirigente, não havendo responsabilidade pessoal do Impugnante, nem a presença de dolo especifico; e) por fim, requer: a desconstituição do Auto de Infração, a suspensão de exigibilidade do crédito tributário e que seja julgado procedente seu pedido, eximindose do pagamento do crédito. É o Relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11618.002939/200751 Acórdão n.º 2402004.406 S2C4T2 Fl. 235 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo, em função da MP nº 449/2008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Ressaltase que atualmente a MP nº 449/2008 teve suas regras convalidadas com a sua conversão na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/12/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004468/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. Não merece prosperar o lançamento tributário cujos fatos apontados no Relatório descritivo do procedimento (Termo de Verificação Fiscal) não guardam relação com os dispositivos legais e normativos indicados nas peças de autuação.
Numero da decisão: 1301-001.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. Não merece prosperar o lançamento tributário cujos fatos apontados no Relatório descritivo do procedimento (Termo de Verificação Fiscal) não guardam relação com os dispositivos legais e normativos indicados nas peças de autuação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.055 1 1.054 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004468/201081 Recurso nº 930.093 De Ofício Acórdão nº 130101.008 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria IRPJ AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA. Não merece prosperar o lançamento tributário cujos fatos apontados no Relatório descritivo do procedimento (Termo de Verificação Fiscal) não guardam relação com os dispositivos legais e normativos indicados nas peças de autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.056 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas ao anocalendário de 2005. Reproduzo a seguir relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados pela Fiscalização, bem como sobre as razões de defesa trazidas ao processo pela contribuinte autuada. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002010005233 e prorrogações (fls. 01), a Delegacia de Fiscalização – DEFIS/SPO, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 417 a 430): No presente processo foi tratada a questão da amortização de ágios decorrentes de incorporações efetuadas pela fiscalizada no anocalendário de 2005 . O operação de criação e incorporação de empresas envolveu as seguintes etapas: 2.1 Constituição das empresas ON SUL PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ/MF n° 07.681.534/000170 e PN SUL PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ/MF n° 07.681.512/000100. Ambas foram constituídas no mesmo dia (10/10/2005), no mesmo horário (10:00 horas), com o mesmo capital de abertura (R$ 3.000,00 três mil reais) e pelos mesmos sócios: ELECE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ/MF n° 87.431.490/000169 e ZHEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ/MF N° 86.816.527/000104. As empresas Elece e Zhepar, On Sul e PN Sul, tem como denominador comum , o mesmo sócio, sr Michael Lenn Ceitlin, CPF nº. 295.996.60072, que também é o sócio principal da fiscalizada. 2.2 Aumento do capital das empresas ON Sul e PN Sul pelos acionistas da fiscalizada com ações da própria fiscalizada. Pelas atas da Assembléia Geral Extraordinária da ON SUL realizada no dia 25/10/2005 (fls. 213/221) e da PN SUL realizada em 26/10/2005 (fls. 260/271), foram tomadas as seguintes deliberações, entre outras : Alteração da quantidade de ações Tanto da ON SUL como da PN SUL de 3.000 (três mil ações) para 1.557 ações, cancelandose 1.443 ações, mas mantendo o mesmo capital de R$ 3.000,00 (três mil reais) para ambas; Aumento de capital Aprovado o aumento do capital da ON SUL de R$ 3.000,00 (três mil reais) para R$ 41.682.046,00 (quarenta e um milhões, seiscentos e oitenta e dois mil e quarenta e seis reais), com aumento efetivo de R$ 41.679.046,00 (quarenta e um milhões, seiscentos e setenta e nove mil e quarenta e seis reais), mediante a emissão de 21.631.479 (vinte e um milhões, seiscentos e trinta e um mil, quatrocentos e setenta e nove) ações ordinárias nominativas sem valor nominal (fls.213/221); Aprovado o aumento do capital da PN SUL de R$ 3.000,00 (três mil reais) para R$ 9.595.234,00 (nove milhões, quinhentos e noventa e cinco mil e duzentos e trinta e quatro reais), com aumento efetivo de R$ 9.592.234,00 (nove Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.057 3 milhões, quinhentos e noventa e dois mil, duzentos e trinta e quatro reais), mediante a emissão de 4.978.382 (quatro milhões, novecentos e setenta e oito mil e trezentos e oitenta e duas) ações ordinárias nominativas sem valor nominal (fls. 260/271). 4 – As ações subscritas foram integralizadas pelos sócios da MUNDIAL S/A, pelo seu valor escritural, ou seja, sem o sobrepreço decorrente de "avaliação" do seu valor conforme laudo de avaliação comentado no tópico seguinte. Reavaliação das ações integralizadas pelos sócios da fiscalizada: As ações integralizadas nas novas empresas pelos novos sócios admitidos pela AGE de 25/10/2005 (ON SUL) e de 26/10/2005 (PN SUL) mais a sócia fundadora remanescente ELECE, todos acionistas da MUNDIAL S/A, sofreram sobrepreço através de laudo de avaliação, gerando os seguintes valores de aumento de patrimônio: ON SUL, o valor original da subscrição de R$ 41.679.046,00 passou a ser R$ 123.218.623,00 e PN SUL o valor original da subscrição de R$ 9.592.234,00 passou as ser R$ 28.588.325,00 . Na data base de 30/11/2005, o resultado do período tanto da empresa ON SUL como da PN SUL já refletiam o ágio criado pela reavaliação das ações : DESCRIÇÃO ON SUL (R$) PN SUL (R$) ATIVO Circulante/Caixa 3.000,00 3.000,00 Permanente Investimentos empresas ligadas 41.893.958,00 9.641.671,00 Ágio s/ investimento Mundial S/A 82.324.765,00 18.946.654,00 TOTAL DO ATIVO 124.221.623,00 28.591.325,00 PASSIVO PL Capital Social 41.682.046,00 9.595.234,00 Reserva de Capital – Ágio 82.324.764,78 18.946.653,03 Lucros Acumulados 214.812,22 49.437,97 TOTAL DO PASSIVO 124.221.623,00 28.591.325,00 Obs: O ágio gerado pela "avaliação" das empresas ON SUL e PN SUL, totalizou R$ 101.271.419,00 (cento e um milhões, duzentos e setenta e um mil, quatrocentos e dezenove reais), sendo R$ 82.324.765,00 na ON SUL e R$ 18.946.654 na PN SUL. O auditor fiscal relata que: “Cabe ressaltar que o patrimônio de ambas empresas ao serem incrementados de R$ 3.000,00 cada, para, respectivamente, R$ 124.221.623,00 (ON Sul) e R$ 28.591.325,00 (PN Sul), apesar das aprovações na mesma Ata da Assembléia de 25/10/2005 (ON Sul) e 26/10/2005 (PN Sul), foram mediante dois atos administrativos distintos a saber: Deliberação do item 3 da Ata – Aprova o aumento do capital de ambas empresas de R$ 3.000,00 para R$ 41.682.046,00 (ON Sul) e para R$ 9.595.234,00 (PN Sul); Deliberação do item 5 da Ata aprova o Laudo de Avaliação dos bens oferecidos pelas acionistas como pagamento pelas novas ações subscritas, atribuindo ao total das mesmas R$ 124.218.623,00 (ON Sul) e R$ 28.588.325,00 (PN Sul). Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.058 4 Dessa forma, não houve, previamente, uma avaliação das ações pertencentes aos acionistas da Mundial S/A para sua posterior integralização ao capital da ON Sul e PN Sul, já ao valor de "mercado", mas sim sua integralização pelo valor patrimonial escritural, aumentando o capital de ambas as empresas, de R$ 3.000,00 para R$ 41.682.046,00 e R$ 9.595.234,00 respectivamente (deliberação do item 3 supra). Após este evento, seguese a "avaliação" das participações acionárias vertidas, mas já dentro do patrimônio das novas empresas ON Sul e PN Sul gerando o "ágio" que se acresce ao patrimônio destas duas empresas conforme se depreende do quadro do Patrimônio Líquido de ambas, acima especificado, na rubrica contábil "Reserva de Capital Ágio" nos valores de R$ 82.324.764,78 e R$ 18.946.653,03 respectivamente. Da forma que foi engendrada, o aumento patrimonial ocorreu dentro dos "PL" das novas empresas ON Sul e PN Sul e não nas pessoas jurídicas detentoras das participações societárias na Mundial que foram vertidas a estas empresas.” 2.3 Incorporação das empresas ON SUL e PN SUL pela fiscalizada: Em 21/12/2005 as duas empresas em comento foram incorporadas pela MUNDIAL S/A, com a versão total de seus patrimônios à incorporadora e a extinção de ambas, com data base nas demonstrações contábeis (balanços) em 30/11/2005 conforme deliberações da Assembléia Geral Extraordinária realizada naquela data. Da operação acima descrita , o auditor fiscal comenta o seguinte: “Conforme se depreende da deliberação contida na alínea "E" acima, o capital da Mundial S.A. não sofreu qualquer alteração após a incorporação, mantendose as participações acionárias idênticas às existentes antes da incorporação, vez que os acionistas que criaram a ON SUL e PN SUL o fez com suas participações acionárias na Mundial, mantendo a mesma proporção no capital das novas sociedades. Quando o patrimônio das mesmas foram vertidos à Mundial, essas participações mantiveramse inalteradas. Apenas criouse o "ÁGIO" de R$ 101.271.419,00 (cento e um milhões, duzentos e setenta e um mil, quatrocentos e dezenove reais) que migrou para o patrimônio da Mundial S.A., cujos efeitos tributários passo a narrar nos tópicos seguintes. D) REGISTRO CONTÁBIL DO ÁGIO NA MUNDIAL S/A: Após a operação de incorporação, o ágio gerado foi escriturado no ativo permanente da Mundial na rubrica contábil 1336802 "Ágio na Incorporação", em 21/12/2005, tendo recebido os valores de R$ 82.324.765,00 da ON SUL e R$ 18.946.654,00 da PN SUL, totalizando R$ 101.271.419,00, registrado contabilmente.” Em seguida o auditor fiscal apresenta uma análise detalhada da legislação a respeito da geração de ágio, citando as leis e normas pertinentes ao assunto. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.059 5 Aborda também a questão de ausência de fundamento econômico do ágio no caso presente, a constituição de empresasveículo, a realização de operações intragrupo e o pouco tempo de existência das empresas ON SUL E PN SUL. Discorre ainda sobre a simulação no negócio jurídico e sobre a sonegação , fraude e conluio. Concluiu por aplicar ao caso a multa de ofício qualificada, de 150% sobre o crédito tributário apurado. Assim, em 16/12/2010, foram efetuados os seguintes lançamentos: – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 433 a 435): Total do crédito tributário lançado, R$ 76.892.856,65, incluídos o tributo, multa qualificada e juros de mora, calculados até 30/11/2010. Fundamento legal:, arts. 247, 248, 251 e parágrafo único e 430 do RIR/99. – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 438 a 440 ): Total do crédito tributário, R$ 27.681.428,39, incluídos o tributo, multa qualificada e juros de mora, calculados até 30/11/2010. Fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. Cientificada, a contribuinte protocolizou em 18/01/2011, competente impugnação relativa ao lançamento fiscal, apresentando suas razões, em apertada síntese, a seguir: 2.4 Apresenta primeiramente, relato dos fatos ocorridos, descrevendo também o auto de infração e os lançamentos efetuados. 2.5 Alega nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação legal, alegando que tanto a desconsideração do negócio jurídico, quanto a imposição das penalidade no percentual de 150%, carecem da devida fundamentação legal. 2.6 Alega que, com a extinção da correção monetária do balanço, as demonstrações financeiras deixaram de refletir o real valor patrimonial das sociedades e, por esse motivo, o governo teria editado a Medida Provisória nº 66/2002 cujo art. 39 teria estabelecido a neutralidade tributária de reorganização societária. 2.7 Alega que com conversão dessa MP em lei nº 10.637/2002, o assunto foi tratado no art. 36 dessa lei. 2.8 Alega que a fiscalizada decidiu reconhecer, contabilmente a defasagem da inflação passada, no ano de 2005 e argumenta que procedimento foi efetuado nas condições prescritas pelo art. 36 da citada Lei nº 10.637/2002, com observância de todos os procedimentos legais. 2.9 Alega que, para tanto, foram criadas as duas empresa ON SUL e PN SUL para onde foram transferidas as ações dos acionistas, e essas ações então foram avaliadas a preço de mercado, com base em laudo de avaliação emitido por empresa especializada. 2.10 Alega que a subscrição de ações se deu mediante a conferência , pelos acionistas, de bens de sua propriedade, correspondentes a 21.631.479 ações ordinárias nominativas escriturais representativas do capital social da fiscalizada, avaliadas pelo valor de mercado. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.060 6 2.11 Alega que para atingir os objetivos propostos pelo acionistas majoritários, a fiscalizada, controlada pela ON SUL e PN SUL, decidiu incorporar as controladoras. 2.12 Alega que as empresas acionistas das empresas PN SUL e ON SUL integralizaram o capital com bens (ações da Mundial), a valor de mercado, nos termos da ata da Assembléia Geral Extraordinária , e apuraram ganho de capital, os quais foram diferidos na parte B do LALUR, para fins de apuração do lucro real em 2005. 2.13 Alega que, o ganho de capital auferido, no valor de R$ 101.271.417,81, devidamente suportado pelo laudo de avaliação será tributado no momento da efetiva realização. 2.14 Alega que os ágios internos apurados foram segregados nas empresas PN SUL e ON SUL e no patrimônio líquido da impugnante, após as incorporações, para refletir os ajustes contábeis e societários. 2.15 Alega que a operação foi feita com vistas a tornar a fiscalizada mais competitiva através do aumento patrimonial, após a compensação de prejuízos contábeis acumulados, contra a reserva de capital no termos do art. 200 da Lei nº 6.404/76. 2.16 Alega que, com a mencionada incorporação, a fiscalizada adicionou ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, os valores das amortizações de 1/60 avos, da perda apurada com as incorporações das empresas ON SUL e PN SUL, conforme estaria demonstrado na parte A do LALUR. 2.17 Resume novamente todo o procedimento para alegar não ter havido fraude ou máfé na operação realizada, argumentando ainda que, para o pleno cumprimento do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, foi necessária a criação das empresas ON SUL e PN SUL, alegando ainda que o objetivo foi o aumento do patrimônio liquido. 2.18 Discorre sobre a legislação utilizada pela fiscalizada para justificar o seu procedimento. 2.19 Alega que: Assim, não há dúvidas acerca da validade e legalidade da operação realizada pelas empresas ON SUL e PN SUL e a posterior incorporação dessas empresas pela impugnante. Visando neutralizar os efeitos do artigo 36 da Lei n° 10.637/02, foi editada a MP 232/2004, cujo item 16, da exposição de motivos, fundamenta que a revogação do mencionado artigo se dá para evitar o planejamento tributário no âmbito de processo de cisão e incorporação de empresas, vejase: "16. A revogação do art. b3 da Lei n 10.996, de 15 de dezembro de 2004, disposta no art. 13 da medida, se faz necessária, tendo em vista que o assunto foi inteiramente tratado pelo art. 8— do Projeto de Lei de Conversão (PLV) n 63, de 2004, oriundo da Medida Provisória n 219, de 30 de setembro de 2004, e a revogação do art. 36 da Lei n 10.637, de 30 de dezembro de 2002, visa evitar planejamento tributário no âmbito de processos de cisão e incorporação de empresas."(grifouse) Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.061 7 Assim, tal previsão de revogação é a prova inequívoca que operações como as realizadas pela impugnante eram até então permitidas. Em vista disso, as operações realizadas durante a égide do artigo 36, da Lei 10.637/02, como no presente caso, se atendidos todos os requisitos legais, estavam expressamente autorizadas por lei. Tal fato é reconhecido pela autoridade fiscalizadora, conforme inferese da página 11 do Termo de Verificação Fiscal, verbis: "De fato, até 31/12/2005, não seria computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuasse a subscrição e integralização e o valor dessa mesma participação societária registrado na contabilidade da pessoa jurídica investidora." Caso as incorporações não ocorressem em 2005, no curto lapso de tempo alegado pelo Auditor Fiscal, o patrimônio líquido da "Mundial" não teria sido aumentado por ocasião do encerramento das demonstrações financeiras do ano em curso (pela compensação dos prejuízos contábeis acumulados, contra a reserva de capital, gerado nas empresas PN SUL e ON SUL) . Esse fato foi determinante, na época, para a captação de novos recursos financeiros, bem como expansão dos negócios e lucratividade da Mundial nos anos subsequentes (lucratividade que teve por efeito o recolhimento de tributos). A integralização total do capital ou o desdobramento em capital e reserva, não modificaria o montante do ganho de capital tributável (diferido de acordo com o artigo 36 da Lei n° 10.637/02), que foi auferido pelas acionistas das empresas ON SUL e PN SUL. Além disso, integralização do capital social das empresas ON SUL e PN SUL, sem o registro de reserva de capital, geraria diluição injustificada dos acionistas minoritários da Mundial, após as incorporações dessas empresas (Circular 319/99 da CVM), bem como não permitiria a compensação dos prejuízos contábeis acumulados e efetivação da redução do capital social em 31/12/2005, face as restrições previstas no artigo 174, da Lei n° 6.404/76 (prazo de 60 dias, após a publicação da ata da assembléia geral que tiver deliberado, para consumar a redução do capital social). Assim, caso não adotasse o procedimento legal, ficaria a companhia sujeita ao questionamento dos acionistas minoritários que seriam prejudicados na operação. Mais que isso, ao invés de ganhar confiança do mercado, como aconteceu, teria sua credibilidade seriamente comprometida. 2.20 Alega que tal operação contribuiu substancialmente para o desenvolvimento da impugnante, em virtude do aumento no patrimônio líquido da fiscalizada, da compensação de prejuízos contábeis acumulados e permitindo inclusive, a captação de novos recursos financeiros. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.062 8 2.21 Alega que o ofício circular CVM/SNC/SEP nº 1 de 14 de janeiro de 2007, que proíbe a criação de ágio intragrupo, não teria efeito retroativo a 31/12/2005, data da operação da fiscalizada, tendo as operações realizadas pela contribuinte todos os atributos de legalidade, uma vez que realizadas ao abrigo da legislação vigente à época. 2.22 Discorre sobre os verdadeiros objetivos da operação para alegar que o não pagamento de tributos não foi considerado sequer na ocasião. 2.23 Alega que existem contradições no procedimento fiscal e argumenta : Contudo,sequer é possível tal operação de reavaliação apontada pela fiscalização, eis que a impugnante não pode reavaliar bens de terceiros (ações dos acionistas das empresas ON SUL e PN SUL). Como visto anteriormente, o ágio ora tributado decorreu da integralização do capital das empresas PN SUL e ON SUL, com participações societárias de outras empresas, devidamente amparada por laudo de avaliação emitido por empresa especializada (Bureau Consultores Associados Ltda.). Notese que o fisco sequer requereu documentos das empresas acionistas da ON SUL e PN SUL, limitandose a criar seu precário juízo de convicção pela análise da documentação fiscal e contábil da impugnante e das empresas incorporadas. Assim , evidenciase que o ágio ora tributado não decorreu da reavaliação de bens tangíveis e intangíveis próprios da impugnante. ......................................................................................................... Ora, como visto, o ganho de capital tributado não decorreu da reavaliação espontânea de ativo próprio, mas do ágio gerado pela integralização do capital social dessas empresas, com participações societárias de suas acionistas em valores superiores aos que se encontravam registrados em suas escriturações contábeis. Isto é reconhecido pela própria fiscalização, uma vez que lançou crédito tributário também contra a empresa Hércules S/A Fábrica de Talheres, acionista das empresas PN SUL e ON SUL (glosa de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital auferido na operação, no valor de R$ 18.653.199,00 doc.10) Em assim agindo, o Fisco cai em contradição, uma vez que, partindo de um mesmo fato gerador, cria duas obrigações tributárias distintas, com sujeitos passivos diversos. De fato, partindo do mesmo fato, qual seja o ágio gerado pela integralização de capital social com participações societárias, exige o recolhimento de imposto de renda e CSLL tanto da impugnante quanto da Hércules S/A Fábrica de Talheres. 2.24 Alega ausência de prejuízo ao Erário explicando que: Após a incorporação das empresas veículos, a Mundial apurou uma perda no montante de R$ 101.271.419,00 (fls. 13 do Termo Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.063 9 de Verificação Fiscal), que corresponde ao ganho de capital auferido pelas acionistas investidoras. Referida perda poderia ter sido amortizada como despesa dedutível, à razão de 1/60 por mês, nos termos do artigo 7o , inciso IV, Lei 9.532/97 e artigo 386, inciso IV, do RIR/99, abaixo reproduzido: ......................................................................................................... Para se admitir o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, devese enxergála tecnicamente, abstraindo questões outras, similarmente a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social. Poderseia advogar que seu registro encontra amparo no fato de haver uma evidência persuasiva de sua substância econômica: um diploma legal que corrobora o seu surgimento. E, ainda dentro dessa corrente de pensamento, seria admitido como critério de mensuração contábil inicial, por analogia, o mesmo dispensado a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social, ou seja, mensuração a valores de saída, utilizando o método do fluxo de benefícios futuros trazidos a valor presente, no limite de benefícios nominais projetados para 10 anos. Por outro lado, haveria também como refutar o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, ao se enxergála tecnicamente como um intangível gerado internamente. Dentro do arcabouço conceitual contábil em vigor, considerando a mensuração a valores de entrada, não se admite o reconhecimento de um ativo que não seja por seu custo de aquisição. Para evitar a potencial discussão acerca da dedutibilidade do ágio interno, a impugnante adicionou ao lucro líquido os valores contabilizados como perdas nas incorporações (cópias Lalur da Mundial em anexo doc. 08), das empresas PN SUL e ON SUL, o que evidencia que a operação não teve como objetivo arrecadar menos tributos. Concluise, assim, que não houve qualquer prejuízo ao erário. 2.25 Alega não ocorrência de evasão fiscal, discorrendo detalhadamente sobre a elisão, evasão e fraude, citando autores tributaristas e ainda alegando a falta de fundamentação e comprovação da alegada ocorrência de fraude e conluio. 2.26 Alega ausência de regulamentação do § único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, o que no seu entender a tornaria inaplicável e apresenta sua argumentação a respeito. 2.27 Alega incorreto embasamento legal da multa de ofício de 150%, argumentando faltar relação entre a mesma, utilizada em casos de fraude ou simulação e a situação fática e requer a diminuição da mesma para 50%, entendendo se tratar de multa isolada aplicada pelo Fisco. 2.28 Requer perícia a se feita , nos seguintes termos: Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.064 10 Requer, expressamente, a realização de prova pericial, com base no inciso IV, artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, a fim de comprovar e confirmar que as operações realizadas pela impugnante estão ao abrigo da legislação. Buscase, com a perícia, a comprovação que o ágio ora tributado decorreu da integralização do capital das empresas PN SUL e ON SUL, com participações societárias de outras empresas, devidamente amparada por laudo de avaliação emitido por empresa especializada (Bureau Consultores Associados Ltda). Para tanto, a impugnante junta documentos das acionistas das empresas ON SUL e PN SUL, os quais não foram solicitados, muito menos analisados pelo fisco, contudo de extrema relevância para a demonstração da impropriedade do lançamento fiscal. Assim, demonstrarseá que o ágio não decorreu da reavaliação de bens tangíveis ou intangíveis da impugnante. Além disso, a perícia tornase indispensável para que fique comprovado "tecnicamente, nos autos, que o objetivo das operações fiscalizadas não foi o recolhimento a menor de tributos, demonstrando que não houve qualquer prejuízo ao erário. Por fim, a perícia também se faz necessária para demonstrar que o mesmo fato gerador que deu ensejo à lavratura do auto de infração contra a impugnante, também serviu de base para o lançamento fiscal contra a empresa Hercules S/A Fábrica de Talheres, fazendo com que haja a tributação em duplicidade. Desde já indica, como seu assistente técnico, o Sr. Edson Pereira de Carvalho, contador, portador do RG n° 4125100, com escritório profissional da Rua Vergueiro, 2016, 8o andar, (11) 21416300, na cidade de São Paulo/SP. E apresenta os seguintes QUESITOS a serem respondidos pela perícia: 1 Analisando o LALUR e Livro Razão das empresas acionistas Hercules S/A Fábrica de Talheres, Elece Administração e Participações Ltda. e Zenith Administração e Participações Ltda., é possível concluir que tais empresas registraram ganho de capital (art. 425 RIR) com a exclusão temporária do ganho auferido, na parte B do LALUR (art. 36, da Lei 10.637/02 e ADI SRF n° 14/2002) ? 2 A perda apurada no montante de 101.271.419,00 (fls. 13 Termo de Verificação Fiscal), em razão da incorporação das empresas ON SUL e PN SUL, foi amortizada como despesa dedutível, à razão de 1/60 mensais, nos termos do artigo 7o, inciso IV, Lei 9.532/97 e artigo 386, inciso IV, do RIR/99) pela impugnante? 3 – O mesmo fato gerador que deu ensejo à lavratura do auto de infração contra a impugnante, também serviu de base para o lançamento fiscal contra a empresa Hercules S/A Fábrica de Talheres? Caso positiva a resposta, isso configuraria cobrança de tributos "bis in idem"? Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.065 11 2.29 Por fim, requer que os autos sejam julgados totalmente improcedentes com o decorrente cancelamento da exigência do credito tributário formalizado. (GRIFOS DO ORIGINAL) A 5ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, tendo exonerado o crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de compra ou incorporação entre sociedades do mesmo grupo econômico, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. ERRO NO LANÇAMENTO FISCAL Considerase improcedente o auto de infração que é efetuado em desacordo com a legislação cabível. Por relevante, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor da decisão prolatada em primeiro grau. [...] Exoneração do lançamento 7 No entanto, o auto de infração está equivocado quando lança a totalidade do ágio criado contabilmente, na data de 31/12/2005. 8 De fato, além da descrição do lançamento e a base legal estarem incorretas no auto de infração, a data do fato gerador de incidência tributária também está. 9 Observase que o auditor fiscal ao efetuar o lançamento na fiscalizada, utilizouse da mesma descrição e base legal empregada para tributar o ganho de capital dos acionistas, quando deveria, na empresa Mundial, glosar a amortização de ágio, nos meses subseqüentes da operação. 10 Explicase, a criação de ágio contábil por parte da contribuinte, registrado nos livros fiscais não traz qualquer prejuízo aos Cofres Públicos. Esse ágio somente passa a ser causa de lançamento fiscal, no momento que a contribuinte começa a sua dedução, a razão de 1/60 mensais, durante os cinco anos subseqüentes ao mês de sua contabilização. 11 Melhor dizendo, apenas quando a fiscalizada começa a recolher menos tributos legitimamente devidos ao Fisco Federal, por dedução de ágio criado sem qualquer base negocial, por mera manipulação de registros contábeis, é que está sujeita ao lançamento fiscal por glosa de ágio gerado sem fundamento econômico. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.066 12 12 Desse modo, o lançamento fiscal deveria ter sido feito relativo aos cinco anoscalendário posteriores à data da criação do ágio, ou seja 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, glosando a despesa de ágio deduzida em cada exercício. 13 Assim sendo, embora a desconsideração do negócio jurídico tenha sido efetuada corretamente pelo auditor fiscal, o lançamento está incorreto e deve ser considerado improcedente. [...] (GRIFOS DO ORIGINAL) É o Relatório. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.067 13 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente processo de Recurso de Ofício, impetrado pela Turma Julgadora de primeira instância em razão da exoneração total do crédito tributário constituído. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 397/411 e das Atas das Assembléias Gerais Extraordinárias (fls. 213/216; 222/224; 260/263; e 273/274), extraio as seguintes informações: i) em 10 de outubro de 2005, foram constituídas as empresas ON SUL PARTICIPAÇÕES S/A e PN SUL PARTICIPAÇÕES S/A, ambas com capital de R$ 3.000,00 e com os mesmos sócios (ELECE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. e ZHEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., representadas, as duas, pelo Sr. MICHAEL LENN CEITLIN, que, à época dos fatos, era membro do Conselho de Administração da fiscalizada); ii) em 25 de outubro de 2005 (ON SUL) e em 26 de outubro de 2005 (PN SUL), por meio de Assembléias Gerais Extraordinárias, o capital da ON SUL foi aumentado de R$ 3.000,00 para R$ 41.682.046,00, mediante a emissão de ações ordinárias nominativas; o capital da PN SUL foi aumentado de R$ 3.000,00 para R$ 9.592.234,00, também mediante a emissão de ações nominativas; iii) as ações emitidas foram integralizadas pelos sócios da fiscalizada com ações dela própria (da fiscalizada); iv) as ações da fiscalizada entregues pelos seus sócios na subscrição das ações novas da ON SUL foram avaliadas, por meio de Laudo, em R$ 124.218.623,00; na PN SUL foram avaliadas em R$ 28.588.325,00; v) a diferença entre o valor das novas ações emitidas e o valor de avaliação das ações entregues, foi considerado ÁGIO1, justificado pela perspectiva de rentabilidade futura; 1 O Termo de Verificação Fiscal fala em "ágio gerado pela avaliação das empresas ON SUL e PN SUL", quando, em consonância com os itens 5 e 5.i das Atas das Assembléias Gerais Extraordinárias, referido ágio decorre da diferença entre o valor de mercado das ações da fiscalizada que foram entregues na subscrição das ações novas e o valor das novas ações emitidas por ON SUL e PN SUL. A justificativa para tal consideração, provavelmente, está na seguinte afirmação: "...não houve, previamente, uma avaliação das ações pertencentes aos acionistas da Mundial S/A para sua posterior integralização ao capital da ON Sul e PN Sul, já ao valor de mercado, mas sim sua integralização pelo valor patrimonial escritural aumentando o capital de ambas as empresas, de R$ 3.000,00 para R$ 41.682.046,00 e R$ 9.595.234,00 respectivamente (deliberação do item 3 supra). Após este evento, seguese a "avaliação" das participações acionárias vertidas, mas já dentro do patrimônio das novas empresas ON Sul e PN Sul gerando o ágio que se acresce ao patrimônio destas duas empresas conforme se Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.068 14 vi) em 21 de dezembro de 2005, as empresas ON SUL e PN SUL foram incorporadas pela fiscalizada; vii) da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da fiscalizada, datada de 21 de dezembro de 2005, releva destacar a seguinte passagem: [...] E) Aprovada a incorporação das sociedades ON SUL e PN SUL pela Companhia, com a conseqüente extinção das sociedades incorporadas, nos termos da lei e em conformidade com o Protocolo e Justificativa de Incorporação. As sociedades ON SUL e PN SUL foram constituídas por acionistas detentores de, respectivamente, 87,8% das ações ordinárias e 22,06% das ações preferenciais de emissão da Companhia, sendo seus patrimônios compostos exclusivamente pelas ações de emissão da Mundial S.A. conferidas a seu capital. Em decorrência da incorporação, as ações de emissão das sociedades incorporadas serão extintas e, em contrapartida, as ações de emissão da Companhia atualmente detidas por cada uma delas serão atribuídas a seus respectivos acionistas. Em vista disso, os acionistas da Companhia, após a conclusão da incorporação, manterão as mesmas participações societárias, não ocorrendo qualquer diluição. O valor do capital social da Companhia não será alterado em decorrência da incorporação, permanecendo em R$ 61.248.506,05, dividido em 47.401.013 ações nominativas sem valor nominal, sendo 24.638.175 ordinárias e 22.762.838 preferenciais; [...] viii) promovida a incorporação, o ágio referenciado no item “v” acima foi escriturado no ativo da fiscalizada na rubrica contábil 1336802 – ÁGIO NA INCORPORAÇÃO, em contrapartida à conta 2321006 – RESERVA DE ÁGIO. Por relevante, transcrevo os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal: [...] devese ressaltar que o caso em análise contemplando a operação de criação de empresa (ON Sul e PN Sul), com capital ínfimo (R$ 3.000,00 cada), aumento de seu capital com integralização de participações societárias de seus sócios em outra empresa (Mundial S/A), Reavaliação do patrimônio das empresas recém criadas (total de R$ 101.271.419,00) e posterior incorporação dessas empresas pela própria Mundial S/A, NÃO SE ENQUADRA nos dispositivos legais da Lei n° 10.637/2002, que previa o diferimento da tributação do ganho de capital quando da integralização de capital com participação societária em outra pessoa jurídica com valor superior ao que se encontrava registrado em sua escrituração contábil. De fato, até 31/12/2005, não seria computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuasse a subscrição e integralização e o valor dessa mesma participação societária registrado na contabilidade da pessoa jurídica investidora. O depreende do quadro do Patrimônio Líquido de ambas, acima especificado, na rubrica contábil "Reserva de Capital Ágio" nos valores de R$ 82.234.764,78 e R$ 18.946.653,03 respectivamente." Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.069 15 valor dessa diferença, controlada na parte "B" do LALUR, seria adicionado ao lucro real quando ocorresse a alienação, liquidação ou baixa da participação subscrita: [...] Embora a operação em pauta tenha sido executada nos auspícios da vigência dos dispositivos acima citados (foram revogados pela Lei n° 11.196 de 21 de novembro de 2005, mas com eficácia específica para o artigo 36 da Lei 10.637/2002 a partir de 1º de janeiro de 2006), os mesmos não se aplicam ao caso, pelas seguintes razões: Para a configuração do previsto nos dispositivos supra citados, teria que haver a efetiva integralização de capital com participação societária de uma empresa "A" em "B" na empresa "C" com valor acima do que estaria registrado na empresa "A". Abstraindo a questão da simulação retratada no tópico seguinte, a integralização da participação societária da Mundial nas empresas ON Sul e PN Sul pelos sócios da própria Mundial S/A relacionados no tópico "3C" deste Termo, foi realizada pelo valor escritural da participação de cada sócio, não havendo sobrepreço no ato da integralização. O efetivo aumento patrimonial ocorreu dentro do patrimônio das empresas recémcriadas (ON Sul e PN Sul) pela avaliação havida. Na seqüência, simplesmente é transferido para o patrimônio da própria Mundial S/A, pelo mecanismo da incorporação reversa. Embora o planejamento tributário ao que parece, tentasse dar à operação o contorno jurídico com ares dos dispositivos supra citados, fica claro que os fatos não se coadunam e nem se enquadram naquele contexto. (GRIFOS DO ORIGINAL) A partir de tais constatações, a autoridade fiscal promoveu os lançamentos tributários, servindose, para tal, dos seguintes fundamentos: a) efetiva ocorrência de ganho de capital, no montante de R$ 101.271.419,00, no momento do reconhecimento contábil nos patrimônios das empresas ON Sul e PN Sul e sua migração para o patrimônio da fiscalizada por meio da incorporação reversa, em 21/12/2005, com balanço na data base de 30/11/2005; b) a operação foi idealizada e implementada para gerar aumento patrimonial na fiscalizada, sem o devido suporte fático, inexistindo, ainda, base legal para o diferimento da tributação, quer sobre os aspectos legais que regem a matéria de ágio e deságio (artigos 385 ao 391 do RIR/99), quer sobre a diferença de valor na integralização de capital com participação societária comparada com o valor escritural, conforme disposto no artigo 36 da Lei n° 10.637 de 2002 . No Termo de Verificação Fiscal, foram elencados os seguintes dispositivos da legislação tributária: arts. 43, 116, 118 e 149 do Código Tributário Nacional; arts. 38 , 219 e 957 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99); e art. 51 da Lei nº 7.450, de 1985. Não obstante a fundamentação legal acima, no auto de infração de fls. 412/416 a autoridade responsável pela autuação indicou na descrição do enquadramento legal os arts. 247, 248, 251 e 430, todos do RIR/99. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.070 16 O voto condutor da decisão exarada em primeira instância apresenta as seguintes considerações: 1. na prática, o que ocorreu, foi a criação de empresas de papel que serviam apenas para criar ágios sem qualquer embasamento real, meras manipulações contábeis que serviam para contribuintes deixar de recolher impostos legitimamente devidos ao Fisco Federal e, do lado dos acionistas, o diferimento do ganho de capital relativo a reavaliação das ações da Mundial e posterior integralização ao patrimônio da própria Mundial por meio de incorporação; 2. justificando o lançamento tributário, a autoridade fiscal assevera que a prática de uma série de procedimentos, em intervalo de tempo exíguo, teria por objetivo o aproveitamento da amortização do ágio. 3. embora o auto de infração tenha se referido a ganhos e perdas de capital em participações em empresas extintas em fusão, incorporação ou cisão, citando inclusive a legislação pertinente ao assunto, o lançamento se refere claramente ao problema da amortização de ágio, o que se verifica por toda a fundamentação sobre o assunto tratada no Termo de Verificação Fiscal; 4. a defesa da legalidade das operações como um conjunto de práticas elisivas, apresentadas pela interessada, não dá sustentação ao afastamento da glosa da dedução da amortização do ágio; 5. a única justificativa plausível para a realização das diversas etapas que compuseram o negócio sob análise, consiste na pretensão da contribuinte de obter vantagem fiscal perante a legislação tributária; 6. para o fim almejado de beneficiarse da dedutibilidade da amortização do ágio, a contribuinte serviuse, no curso das operações, de “incorporação às avessas”, mediante interpretação literal da legislação, distorcendo o perfil objetivo do instituto da incorporação; 7. os fatos e documentos reunidos aos autos autorizam concluir pela ocorrência de abuso de direito; 8. de acordo com o Parecer Normativo nº 46/1987, a partir da edição da Lei nº 7.450/1985, também utilizada pelo autuante para sustentar a autuação, o artifício engendrado não pode produzir os efeitos fiscais planejados, porquanto o artigo 51 determina que esse tipo de operação, tida como simulada, realizada com o fim de gerar maiores vantagens do que aquelas que a lei fiscal proporcionaria, não deve inibir a aplicação de hipóteses de incidência do imposto de renda sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos; 9. os motivos de natureza não tributária alegados nos autos pela contribuinte não se mostraram suficientemente concretos para o fim de demonstrar que a verdadeira “vontade da interessada” não consistia, única e exclusivamente, em obter vantagem fiscal; 10. para o lado dos acionistas, a operação foi montada com o fito de evitar o pagamento imediato de ganho de capital gerado na reavaliação das ações da Mundial quando utilizadas para aumentar o capital das empresas PN SUL e ON SUL, posteriormente incorporadas pela fiscalizada, se aproveitando do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.071 17 para diferir o pagamento do tributo, através de seqüência de operações, sem qualquer outra finalidade que não fosse o não pagamento de tributos legitimamente devidos; 11. valores indevidamente deduzidos como ágio da base de cálculo do imposto nos meses subseqüentes aos da operação, devem ser glosados; 12. no presente caso, a Fiscalização poderia ter glosado os valores deduzidos mensalmente, a título de ágio, a razão de 1/60, nos anoscalendário de 2006 a 2010; 13. por outro lado, a operação gerou a conta de Reserva de Capital, utilizada para compensar prejuízos acumulados; 14. a verdadeira intenção da fiscalizada era de “sumir” com os prejuízos acumulados por compensação, descontar a suposta despesa de ágio gerado e ainda diferir o pagamento de ganho de capital por parte dos acionistas; 15. a argumentação de propósito negocial apresentada pela contribuinte não se sustenta diante dos fatos ocorridos; 16. o auto de infração está equivocado quando lança a totalidade do ágio criado contabilmente, na data de 31/12/2005 (além da descrição do lançamento e a base legal estarem incorretas no auto de infração, a data do fato gerador de incidência tributária também está); 17. o auditor fiscal ao efetuar o lançamento na fiscalizada, utilizouse da mesma descrição e base legal empregada para tributar o ganho de capital dos acionistas, quando deveria, na empresa Mundial, glosar a amortização de ágio, nos meses subseqüentes à operação; 18. embora a desconsideração do negócio jurídico tenha sido efetuada corretamente pelo auditor fiscal, o lançamento está incorreto e deve ser considerado improcedente. Embora não tenha concluído, a partir da análise das considerações apresentadas no Termo de Verificação Fiscal, que a fiscalização empreendida na contribuinte visou “claramente” investigar a amortização de ágio, como entendeu a Turma Julgadora de primeira instância, penso, em convergência com o que ali restou decidido, que os lançamentos tributários não podem prosperar. Como antes destacado, a autoridade fiscal, revelando incerteza acerca da infração a ser imputada à fiscalizada, apontou no Termo de Verificação Fiscal fundamentação legal distinta da indicada nos autos de infração lavrados. Por outro lado, ao descrever os motivos justificadores da autuação, indica infração (ausência de tributação de ganho de capital) que, a princípio, deveria ter como destinatários os detentores das participações societárias representativas do capital da contribuinte fiscalizada. Corrobora tal ilação o fato, apontado pela contribuinte em sede de impugnação e ratificado pela autoridade julgadora de primeiro grau, de o lançamento ter por Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 19515.004468/201081 Acórdão n.º 130101.008 S1C3T1 Fl. 1.072 18 lastro a mesma base legal empregada para tributar, em outro procedimento de fiscalização, o ganho de capital supostamente auferido pelos acionistas da contribuinte autuada. Assim, não merece reparo o decidido em primeira instância, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10680.900570/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa:
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-003.033
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 05 70 /2 01 0- 23 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI do estabelecimento de CNPJ 33.417.445/001798, relativo ao terceiro trimestre de 2007, com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, cumulado com declaração de compensação. A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos extemporâneos de IPI, escriturados em setembro de 2007, relativos a entradas realizadas entre maio/2003 em diante, em razão de a recorrente fabricar produtos classificados no código 2601.11.00 da TIPI enquadrados como NT (Não Tributado), não sendo, pois, considerada estabelecimento industrial para fins de IPI. Adicionalmente, efetuou a glosa de insumos que não tiveram contato direito com o produto em fabricação, conforme preconizado pelo Parecer Normativo nº 65/1979. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: 1. Que o princípio da nãocumulatividade do IPI é norma constitucional e não autoriza a vedação ao creditamento de IPI na saída de produtos isentos ou não tributados, mediante legislação infraconstitucional; 2. Que sua atividade é de industrialização por beneficiamento de minério de ferro, de acordo com o inciso II do artigo 4º do RIPI/2002 e que seu estabelecimento não poderia ser classificado como não industrial; 3. Que o artigo 7º da Lei nº 4.502/64 dispôs que o produto de origem mineral é isento de IPI e, portanto, pode manter o crédito de IPI; 4. Que o artigo 13 da Lei nº 9.493/97 não pode definir a condição de contribuinte, uma vez que tal matéria é reservada à lei complementar; 5. Que exportava mais de 80% de sua produção e, portanto, fazia jus ao crédito em razão do disposto no artigo 5º do Decretolei nº 491/1969; 6. Que a Lei nº 9.779/1999 autoriza o creditamento de IPI vinculado às saídas de produtos imunes; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 4 3 7. A necessidade de atualização monetária do saldo credor de IPI, por tal crédito não ser escritural e que o pedido de ressarcimento se equivale a pedido de restituição; 8. Que a glosa da autoridade fiscal relativa ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não contém elementos suficientes, impedindo o exercício do contraditório e da ampla defesa; 9. A homologação das compensações em decorrência das razões já aduzidas. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0941.580, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 1 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Não havendo o citado direito creditório, cabe indeferir o pedido de ressarcimento que nele se funda. 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. DENEGAÇÃO. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 5 4 Perícia ou diligência só se promovem para solucionar dúvidas com relação ao levantamento fiscal e sobre assuntos coerentes com a legislação tributária. Proposições do contribuinte que de plano são afastadas em face da legislação tributária não as justificam. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações já aduzidas na manifestação de inconformidade, exceto a concernente ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A questão central da lide referese à possibilidade de creditamento de IPI nas entradas de insumos vinculados a saídas de produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI como NT (não tributados). A recorrente fundamentou o direito ao referido creditamento no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal e no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer das alegações de ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI e à reserva material à lei complementar, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A1 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, destacase que a classificação dos produtos no código 2601.11.00 não foi contestada, de modo que é ponto incontroverso. A respeito transcrevese a descrição do código na TIPI: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 26.01 MINÉRIOS DE FERRO E SEUS CONCENTRADOS, INCLUÍDAS AS PIRITAS DE FERRO USTULADAS (CINZAS DE PIRITAS) 2601.1 Minérios de ferro e seus concentrados, exceto as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) 2601.11.00 Não aglomerados NT 2601.12.00 Aglomerados NT 2601.20.00 Piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) NT Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 2º dos Decretos nº 2.637/1998 (RIPI/98) e nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 2, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, ainda que, sujeitos aos processos de industrialização descritos no artigo 4º dos referidos decretos. Por outro lado, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64, matriz legal do artigo 8º3 dos decretos, dispõe que estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto, o que afasta da definição o estabelecimento recorrente. De fato, o crédito básico decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem somente é possível aos estabelecimentos industriais ou equiparados, conforme preconizam os artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, correspondentes aos artigos 147 e 171 do Decreto nº 2.637/98: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] 2 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). 3 Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Decreto nº 2.637/98 e nº 4.544/2002 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . Defluise que a recorrente não se sujeita à incidência do IPI, e, portanto, não apura créditos vinculados à fabricação de produtos NT, ainda que exportados, e, consequentemente, não se enquadra na faculdade do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 8 7 Transcrevese voto do Acórdão nº 20400.488, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, utilizado como um dos paradigmas para elaboração do enunciado da referida súmula: “Sem reparos a decisão vergastada. A questão é simples e decorre de expressa disposição legal. Primeiro, gizo que não há controvérsia quanto ao fato de que os produtos a que a empresa dá saída, frutas em geral, são classificadas como NT na TIPI. Com base nas transcrições do RIPI/98 feitas na r. decisão, resta evidenciado que a legislação do IPI exclui do campo de incidência deste imposto os produtos classificados como NT. Em conseqüência, mesmo que sobre estes produtos seja executada alguma operação que possa ser considerada como industrialização, no caso o alegado beneficiamento, resta não atendido o pressuposto para tal que é o fato de o produto estar dentro do campo de incidência do IPI, eis que os produtos classificados como NT estão fora deste, como expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493/97, norma reproduzida à fl. 55, no Parecer SORAT da DRF em Petrolina PE. Portanto, se tais produtos estão fora do campo de incidência do IPI, mesmo que haja beneficiamento das frutas, como parece ser o caso, em relação a esta operação o estabelecimento beneficiador não é industrial, desta forma não havendo direito a qualquer crédito na sua entrada, até porque não há destaque algum de IPI nessas operações e não há decisão alguma do STF que respalde creditamento de IPI de produtos NT, pelo que não há incidência da norma estatuída do artigo 11 da Lei n° 9.779, já que lhe falece legitimidade para creditarse dos valores de IPI, se créditos houvesse.” Portanto, desnecessário o debate sobre os demais argumentos deduzidos concernentes ao direito ao creditamento IPI em relação às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT, bem como resta prejudicada a matéria relativa à atualização monetária pleiteada. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10680.900570/201023 Acórdão n.º 3302003.033 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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