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Numero do processo: 13830.000334/2005-75
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.076
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
EDITADO EM: 28/09/2012
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente EDITADO EM: 28/09/2012 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente EDITADO EM: 28/09/2012 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .0 00 33 4/ 20 05 -7 5 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório MARIA DE LOURDES CAGNONI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SPO II (fls. 55) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 14/19, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 6.955,78, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 14.344,80. Segundo o relatório fiscal, tratase de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial em processo trabalhista. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os rendimentos em questão referemse a verba de natureza indenizatória recebida por conta de diferenças de remuneração decorrentes de reajuste do salário mínimo de janeiro de 1992 e que, portanto, não está sujeita à incidência do imposto; que, se não foi feita a retenção do imposto é porque a pagadora entendeu indevido o imposto. A DRJSÃO PAULO/SPO II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, diferentemente do alegado, tratase de verba trabalhista e, como tal, sujeita à incidência do imposto, e de que, tratandose de rendimento sujeito ao ajuste anual, não existe responsabilidade concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/08/2008 (fls. 65), a Contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 66/88 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Voto Como se colhe do relatório, versa o presente processo sobre rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal STF acolheu como sendo de repercussão geral matéria que versa sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em períodos diversos daquele de sua competência, conforme leading case RE 614.406, que tem a seguinte descrição extraída do sítio do STF: Recurso extraordinário interposto pela alínea “b” do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em que se discute a constitucionalidade, ou não, do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, que trata da incidência do imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, tendo em conta a declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo, por Tribunal Regional Federal, após o pronunciamento do Plenário Virtual no sentido da inexistência da repercussão geral da matéria — efetuado no RE 592211/RJ (publicado no DJe de 21.11.2008) — e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, à unidade do ordenamento jurídico, à uniformidade da tributação federal e à isonomia tributária (artigo 543A, § 5º, do Código de Processo Civil). []E, como se sabe, o Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, determinou o sobrestamento do julgamento dos recursos que versem sobre matérias Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13830.000334/200575 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.076 S2C2T1 Fl. 4 3 acolhidas como de repercussão geral, até decisão final do SRF, conforme art. 62, a seguir reproduzido: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o exposto, encaminho meu voto o sentido de que seja sobrestado o presente recurso até decisão do STF. Assinatura Digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000069/2007-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins). Antonio Carlos Atulim Presidente Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
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score : 1.0
Numero do processo: 10935.907064/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2004
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2004 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 64 /2 01 1- 15 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015069999) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp 11197.30280.211205.1.2.041951, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.313, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/07/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907064/201115 Acórdão n.º 3803005.093 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907064/201115 Acórdão n.º 3803005.093 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em novembro de 2013. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11075.721104/2011-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente
(assinado digitalmente)
Solon Sehn - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn - Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 11 04 /2 01 1- 65 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que manteve a exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇOẼS ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11075.721104/201165 Acórdão n.º 3802003.406 S3TE02 Fl. 70 3 Crédito Tributário Mantido A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 53 e ss., alega que o fundamento legal do auto de infração remete ao art. 7º da Lei nº 10.246/2006, já revogado, não podendo ser aplicado ao caso concreto. Requer o provimento do recurso, para fins de declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 09/10/2013 (fls. 48) e o protocolo do recurso, em 07/11/2013 (fls. 53). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, embora intempestiva a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), cumpre destacar que este foi extinto pela Instrução Normativa RFB nº 1.441/2014: “Art. 1º Fica extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase também aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2014. Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 4º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010.” Ao extinguir o demonstrativo, a IN RFB nº 1.441/2014 fez com que a sua não apresentação e sua transmissão extemporânea deixassem de ser tratadas como contrárias à exigência de ação prevista nas INs RFB nº 1.015/2010, nº 940/2009 e nº 590/2005, que, como se sabe, estabeleceram, entre 2005 e 2014, a obrigatoriedade desse dever instrumental. Assim, à medida que não se trata de ato definitivamente julgado, fraudulento ou que tenha implicado a falta de pagamento de tributo, deve ser aplicado deofício o disposto no art. 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Com efeito, a revogação da regra de obrigatoriedade do Dacon implica a desoneração da multa decorrente do seu descumprimento. Isso ocorre porque toda violação de um dever instrumental constitui uma infração. Logo, a extinção do dever afasta também a infração. Há, na linha do que ensina Paulo de Barros Carvalhos, uma equivalência entre as alíneas “a” e “b”, o que também é ressaltado pela doutrina de Hugo de Brito Machado e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “As duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 94). “Não conseguimos ver qualquer diferença entre as hipóteses da letra ‘a’ e da letra ‘b’. Na verdade, tanto faz deixar de definir um ato como infração, como deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 77). “Dáse que o contribuinte praticou o ato vedado ou não praticou o ato obrigatório. Cometeu em qualquer dos casos uma infração. Lei posterior risca do mapa jurídico o dever de fazer que foi descumprido ou o dever de nãofazer que, não obstante, foi exercido. A lei posterior e nova, pois, aplicase retroativamente para apagar os deveres, as infrações e as penalidades às infrações. Por que punir o desrespeito a algo que, se reconhece, nao era assim tão importante, tanto que pôde ser desjuridicizado?” (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 566). Votase, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário, com a consequente afastamento da multa pelo atraso na entrega do Dacon. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: O litígio trata da exigência de multa por atraso na entrega do DACON do primeiro e do segundo semestres de 2006. Em função da edição da IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014, cujo artigo 1º extinguiu o demonstrativo em tela, entende o i. relator que a não Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11075.721104/201165 Acórdão n.º 3802003.406 S3TE02 Fl. 71 5 apresentação e a transmissão extemporânea da declaração deixaram de ser tratadas como contrárias à exigência da correspondente ação por parte do sujeito passivo. Assim, uma vez que não se trata de ato definitivamente julgado, votou o nobre relator pela desoneração da multa objeto da lide, com fundamento no artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional. Com efeito, entendimento similar ao seu encontra guarida na jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ATRASO NA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE 'TORNA GUIAS' DESTINADAS A DEMONSTRAR A CONCLUSÃO DE OPERAÇÃO DE TRÂNSITO ADUANEIRO, NOS TERMOS DA IN SRF N. 84/89. NORMA SUPERVENIENTE (IN SRF Nº 70/97) QUE DESOBRIGA O BENEFICIÁRIO DESSA COMPROVAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA MAIS BENIGNA (ART. 106, II, "A" OU "C" DO CTN). 1. Execução fiscal que tem origem em auto de infração lavrado com aplicação de multa por atraso na comunicação da conclusão de trânsito aduaneiro simplificado, com fundamento no art. 521, III, "c", do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto nº 91.030/85). 2. A Instrução Normativa SRF nº 70/97 suprimiu o dever instrumental tributário (a "obrigação acessória") de comprovar, na origem, a entrega dos bens no destino. Encargo que foi transferido para a própria repartição de destino (e não mais ao beneficiário do trânsito aduaneiro). 3. Se a conduta em questão deixou de ser obrigatória e, por extensão, não mais autoriza a imposição de qualquer sanção, impõese reconhecer a retroatividade da lei tributária mais benigna a que se refere o art. 106, II, "a", do CTN. Precedente da Turma. 4. Podese argumentar, é certo, que não se trata, propriamente, de um ato que deixou de ser uma infração, mas de um ato que se tornou desnecessário por força da norma superveniente. Ainda assim, tais fatos estariam subsumidos à hipótese do art. 106, II, "c" do CTN, isto é, em que a norma superveniente deixa de tratar o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo". 5. Condenação da União em honorários de advogado. 6. Apelação a que se dá provimento. [nota: na verdade, a transcrição da alínea “c” corresponde à alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN] (TRF 3ª Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 1.648.600. Relator: Renato Barth. Data do acórdão: 14/06/2012. Publicado em 22/06/2012) (Grifos nossos) Porém, com a devida vênia, penso de forma diferente, vez que o caso presente me parece ter uma peculiaridade que o torna distinto da jurisprudência supra, a ponto de o mesmo não se subsumir è hipótese de que trata o artigo 106, II, “b”, do CTN. A IN RFB nº 1.441, de 2014, com efeito, extinguiu o demonstrativo em comento, mas apenas em relação “aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014” (artigo 1º). Tanto isso é verdade que o artigo 2º da norma em tela prescreve que “a Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso”. Assim, a nova instrução normativa, em relação aos fatos geradores anteriores a 2014, não deixou de tratar o ato omissivo como contrário à exigência de sua apresentação, de sorte que é inaplicável, à presente realidade, o disposto no artigo 106, II, “b”, do CTN. De fato, a extinção do DACON a partir de 1º de janeiro de 2014 foi motivada pela implantação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita – EFD Contribuições, no âmbito do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. Tal implantação vem ocorrendo de forma paulatina desde de 1º de janeiro de 2012, seguindo o cronograma traçado pela IN RFB nº 1.252, de 1º/03/2012. Na EFD Contribuições passaram a ser detalhadas as informações que outrora eram disponibilizadas no DACON, tornando esta obsoleta a partir de então. Tanto isso é verdade que, relativamente aos períodos anteriores a 2014 (quando o SPED ainda não operava plenamente), ainda há necessidade de se utilizar programa gerador do DACON no caso desta não haver sido transmitida, ou, ainda, na hipótese de retificação da declaração. Logo, não se cogita de que a norma tenha deixado de tornar obrigatória a apresentação do DACON com respeito aos períodos anteriores a 2014, motivo pelo qual, penso, é inaplicável ao caso a retroatividade benigna prevista no CTN. No mais, a multa pela apresentação extemporânea da obrigação tributária acessória do DACON, instituída por instrução normativa da Receita Federal, está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. Quanto à argüição de nulidade do lançamento, também não merece maior sorte o sujeito passivo. Ainda que considerado eventual erro de grafia na transcrição da Lei nº 10.426 (segundo a recorrente, o dispositivo legal constante do auto de infração seria a Lei nº 10.246), tal fato não levaria à nulidade do lançamento, uma vez que tal erro não se reveste em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, a clareza na descrição dos fatos, que, por sinal, faz menção ao artigo 19 da Lei nº 11.051/2004, cujo caput remete ao artigo 7º da Lei nº 10.426/2002, asseguram plenamente o exercício do direito de defesa da autuada, razão pela qual não há que se falar em prejuízo a aludido direito. E a ausência de prejuízo impede seja acolhida a tese da nulidade, e isso em vista do princípio pas de nullité sans grief. Com efeito, o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. De fato, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Segundo o princípio pas de nullité sans grief (que, literalmente, significa: não há nulidade sem prejuízo), não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. Por fim, importa ressaltar que nos autos de infração de fls. 31 e 32 a Lei nº 10.426/2002 encontrase grafada corretamente. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11075.721104/201165 Acórdão n.º 3802003.406 S3TE02 Fl. 72 7 Inaplicável a retroatividade benigna e constatada a legitimidade do lançamento, deverá o mesmo ser mantido. Com efeito, a dispensa do cumprimento de obrigação acessória há que ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, inciso III, do CTN. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10880.915940/2008-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 40 /2 00 8- 56 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/01/2002). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 4.799,59 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 3801003.857 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10665.001518/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA.
Na circunstância de a Recorrente, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e com a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto será determinado com base nos Critérios do lucro arbitrado.
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ.
Inexiste autorização legal para exclusão do ICMS da apuração da base de cálculo do IRPJ.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Presentes os requisitos do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/1964, qualifica-se a multa de ofício a que se refere o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Em se tratando de lançamento decorrente, mantém-se a tributação original.
Numero da decisão: 1202-001.143
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA. Na circunstância de a Recorrente, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e com a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto será determinado com base nos Critérios do lucro arbitrado. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. Inexiste autorização legal para exclusão do ICMS da apuração da base de cálculo do IRPJ. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Presentes os requisitos do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/1964, qualifica-se a multa de ofício a que se refere o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantém-se a tributação original.
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RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA. Na circunstância de a Recorrente, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e com a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto será determinado com base nos Critérios do lucro arbitrado. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. Inexiste autorização legal para exclusão do ICMS da apuração da base de cálculo do IRPJ. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Presentes os requisitos do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/1964, qualificase a multa de ofício a que se refere o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantémse a tributação original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 15 18 /2 00 9- 47 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Consta do relatório do Acórdão DRJ/BHE n° 0224.797, de 09/12/2009, (Fls. 394 a 425): Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/16, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 2.895.399,01, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente a infrações apuradas em relação aos seguintes fatos geradores: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008 e 31/12/2008. Em decorrência, exigiramse, também, os créditos tributários da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 543.531,46, conforme Auto de Infração de fls. 17/31, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 2.508.770,08, conforme Auto de Infração de fls. 32/46 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 1.375.924,87, conforme Auto de Infração de fls. 47/60. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 04/06, os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte que apurou infrações à legislação tributária, conforme segue: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ: ARBITRAMENTO DO LUCRO. "Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros contábeis, Diários Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 4 3 e Razões, da sua escrituração, conforme diversas Intimações, principalmente a de n° 003, mesmo assim deixou de apresentá los, muito embora nessa última intimação (003) a empresa tenha sido notificada, nos considerandos, quanto às impossibilidades da opção pela tributação pelo Lucro Presumido, com base nos dispositivos legais descritos no Termo de Verificação Fiscal, nos seus itens 7 a 13, que faz parte integrante desta descrição dos fatos e incisos I e III, do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n°3.000, de 1999." (ipsis litteris) Enquadramento legal: arts. 530, inc. III do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999— RIR de 1999. 001. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA. "Omissões das receitas da venda de produtos de fabricação própria e de serviços de transportes de carga, com emissões de documentos fiscais escrituradas nos livros fiscais de Registros de Saídas, de Apuração do ICMS e de Apuração do IPI, da Matriz e das duas Filiais em funcionamento, conforme demonstrado no Anexo 6 "RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS E SERVIÇOS DOS ANOS DE 2006 A 2008" do Termo de Verificação Fiscal. Para esses anos, constatouse que o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento ou informação de débitos nas DCTFs (Declarações de Débitos de Contribuições e Tributos Federais), relativo a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido cujos valores devidos desses .tributos constam neste Auto de Infração. Fazem parte integrante da descrição dos fatos, o Termo de Verificação Fiscal, principalmente os seus itens 07 a 13, e seus Anexos." (ipsis litteris) Enquadramento legal: arts. 532, 536 e 537 do RIR de 1999. 002. GANHOS DE CAPITAL — VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. Serão acrescidos à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o lucro Liquido, os ganhos de capital auferidos nas vendas do Ativo imobilizado, conforme demonstrado no Anexo 7 do Termo de Verificação Fiscal "GANHOS DE CAPITAL NAS VENDAS DE ATIVO IMOBILIZADO NOS ANOS DE 2006 A 2008". Destacamos que os valores das depreciações no decorrer no período da compra do bem e sua venda foram incluídos para reduzir o lucro tributável, e que o lucro presumido é o valor liquido das Receitas menos todos os custos e despesas. Faz parte complementar desta descrição dos fatos, o Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos, principalmente os itens 14 a 20 do mesmo. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 5 4 Enquadramento legal: art. 52, inc. I e parágrafo único, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 536, e § 6°, do RIR de 1999. Composição do crédito tributário do IRPJ Imposto 1.061.203,51 Juros de mora 242.390,28 Multa proporcional 1.591.805,22 soma 2.895.399,01 Contribuição para o PIS/Pasep: De acordo com a descrição dos fatos as fls. 19/21 o lançamento da contribuição para o PIS/Pasep decorre da constatação de "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS" e está consubstanciado em: "Falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, incidente sobre as receitas de vendas de produtos e serviços de transportes, apurados conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, principalmente no seu item 21 e demonstrado no seu ANEXO 8: "PIS DEVIDO SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DOS ANOS 2006 A 2008", que fazem parte desta descrição dos fatos. Enquadramento legal: art. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inc. I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins De acordo com a descrição dos fatos as fls. 34/36, o lançamento da Cofins decorre da constatação de "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS" e está consubstanciado em: "Falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidente sobre as receitas de vendas de produtos e serviços de transportes, apurados conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, principalmente no seu item 21 e demonstrado no seu ANEXO 9: "COFINS DEVIDO SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DOS ANOS 2006 A 2008", que fazem parte desta descrição dos fatos. Enquadramento legal: arts. 2°, inc. II e parágrafo único; 3°, 10, 22 e 51, do Decreto n° 4.524, de 2002. Composição do crédito tributário da Contribuição para o PISPasep Contribuição 197.670,39 Juras de mora 49.355,57 Multa proporcional 296.505,50 soma 543.531,46 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 6 5 Composição do crédito tributário da COFINS Contribuição 912.381,93 Juros de mora 227.815,35 Multa proporcional 1.368.572,80 soma 2.508.770,08 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. De acordo com a descrição dos fatos As fls. 49/50, o lançamento da CSLL teve por base as infrações enunciadas nos itens "001" e "002" do Auto de Infração do IRPJ. Enquadramento legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Composição do crédito tributário da CSLL Contribuição 504.481,07 Juros de mora 114.722,23 Multa proporcional 756.721,57 soma 1.375.924,87 A contribuinte foi cientificada dos autos de infração por via postal em 15 de outubro de 2009, conforme evidencia o Aviso de Recebimento — "AR", à fl. 342, e inconformada com as exigências, por seu procurador, instrumento de mandato à fl. 384, apresentou a impugnação de fls. 343/383, que foi recepcionada na Repartição em 16 de novembro de 2009, expendendo, em síntese, as seguintes razões: I — DOS FATOS EM BREVES SÍNTESES .transcreve a descrição dos fatos e o enquadramento legal dos lançamentos do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, transcritos em item antecedente desse Relatório, bem como o Demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo, à fl. 01; II— NO MÉRITO MULTA CONFISCA TÓRIA .reportase, a doutrina e à jurisprudência administrativa, transcrevendo excertos de obras atribuídas a tributaristas de escol e ementas de acórdãos atribuídos ao Conselho de Contribuintes, para contestar a imposição da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) e suscitar ofensa ao principio constitucional do não confisco; .especificamente, quanto à qualificação, contrapõe que seria necessário a fiscalização ter comprovado e demonstrado que houve evidente intuito defraude, definida nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 7 6 Lei n° 4.502,de1964, sendo descabida a mera presunção com base em indícios; .suscita a regra de interpretação mais favorável ao acusado (CTN, art. 112, inc. II); .ressalta que a declaração com valores inexatos pode até ser considerada indício de sonegação. No entanto, indício apenas não seria prova bastante para qualificacão da multa de oficio, sem a prova da ocorrência do disposto nos art. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964; DO REGIME DE TRIBUTA CÃO. LUCRO PRESUMIDO .aduz que a manifestação da opção pelo regime de tributação se efetiva com o pagamento da 1ª parcela ou quota única do imposto devido, correspondente ao 1° primeiro período de apuração de cada anocalendário ( art. 26, § 1", da Lei n°9.430, de 1996; art. 516, § 4", do RIR de 1999); .a fiscalização deveria se pautar pela utilização de critérios uniformes. Porém, assim não teria procedido, pois que em relação aos anoscalendário de 2007 e de 2008, teria considerado, para determinação da opção de tributação, o fato de a fiscalizada ter entregado DCTF, DACON, etc, em que teria feito constar, por equívoco, segundo alega, opção pela sistemática do lucro real, EMBORA NÃO TIVESSE RECOLHIDO IRPJ E CSLL; (destaques como no original); .já, no anocalendário de 2006, a fiscalizada teria apresentado DCTF, DACON, etc., fazendo menção opção pelo lucro presumido. No entanto, a fiscalização não teria considerado tal opção sob o argumento de que, como ela teria recolhido o IRPJ e a CSLL, a opção não teria sido eficazmente exercida. .suscita que esse critério seria diverso do informado no item anterior, adjetivando de lastimável o comportamento adotado pela fiscalização; .seu ver, o critério da fiscaliza cão deve ser único, sob pena de o fiscalizado ficar sujeito a critério de escolha aleatório, variando de caso a caso; .reafirma que a empresa tem como regime de tributação o LUCRO PRESUMIDO, haja vista não existir qualquer hipótese de vedação ao regime; .tal fato teria sido, oportunamente, declarado pelo contador da empresa, tal como poderia ser verificado no item, 10a do Termo de Verificação Fiscal; .enfatiza que o regime de tributação, em face de tudo isso, deve ser o LUCRO PRESUMIDO, à conformidade com as provas e documentos constantes dos autos; DO ARBITRAMENTO PROCEDIDO PELO FISCO Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 8 7 .discorda do arbitramento, precipuamente, porque ele somente seria cabível, a seu ver, na hipótese em que não se pudesse evidenciar a receita bruta tributável. Esta situação não ocorreria nas circunstâncias dos presentes autos; .aduz que a receita bruta da empresa é conhecida, quer seja por meio da escrituração fiscal, quer seja por meios dos próprios documentos e que sempre apurou os tributos e contribuições com base na sistemática do lucro presumido; .por isso mesmo, que comprova sua receita bruta operacional pelos meios legalmente previstos nas legislações, tanto estaduais, quanto federais; .exemplifica que sua receita bruta é plenamente conhecida, com citação da "DAMEF — Declaração Anual do Movimento Econômico e Fiscal; "DAPI —Demonstrativo de Apuração e Informação do ICMS", "Apuração de ICMS e IPI"; e "Registro de Saidas"; .por esse motivo, a seu ver, não se pode falar em arbitramento, já que possui todos os livros fiscais em que escritura sua receita bruta, bem como todos os documentos fiscais; .sustenta que dessa forma não existem diferenças relativas as declarações (lucro real x presumido) em favor do fisco. Então, sem fato gerador não há tributo; .recorre à doutrina e jurisprudência administrativa, transcrevendo excerto de obra atribuída ao jurista Samuel Monteiro e de ementa de acórdão atribuído ao Conselho de Contribuintes para sustentar seu posicionamento de que o arbitramento seria o último recurso, cabível somente em situações em que haveria falhas insanáveis, o que não seria, pois, o caso; .cita exemplo de falha insanável que seria a ausência de identificação da receita por motivo de força maior (incêndios, extravios, inundações, etc), que caracterizaria a receita bruta não conhecida; .nesse caso, a seu ver, só restaria ao fisco lançar mão do arbitramento; faz referência ao "caput" e ao § 2°, do art. 24, da Lei n°9.249, de 1995, que transcreve, para destacar que verificada a omissão de receitas, a autoridade tributária deverei determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados d4Acortio com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão; .diz, ainda, que mesmo que se considerasse como omissão de receita, o que seria admitido apenas "ad argumentandum tantum", os cálculos e critérios adotados pela fiscalização estariam equivocados, porque em dessintonia com a lei, doutrina e jurisprudência; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 9 8 .reportase ao "caput" e § 1", do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, que transcreve, que versa sobre a aplicabilidade à contribuição social das mesmas normas de. apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda, e sobre base de cálculo da contribuição social, para concluir que caberia à fiscalização exigir a contribuição social presumida e não a arbitrada; .conclui que não pode prevalecer a obrigação tributária se inexistente o fato gerador, sem o que não haveria tributo (art. 113, § 1° do CTN); PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Reportase à norma emanada do § 1° do art. 145, da Constituição Federal de 1988, suscitando caráter confiscatório da exigência. DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS. ILEGALIDADE .diz que os tributos e contribuições objeto da exigência, rim como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica, na forma da lei; .no entanto a base de cálculo deles não poderia extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar; .o ICMS, no entanto, seria despesa do sujeito passivo e receita do Erário Estadual , razão pela qual seria antijurídico tentar englobálo na hipótese de incidência dos tributos e contribuições, objeto da presente exigência, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte; .para arrimar sua tese, recorre à jurisprudência judicial, mediante a transcrição de excerto do voto do ministro Marco Aurélio do STF, em Recurso Extraordinário que menciona; .conclui que é necessário expungir das base de cálculo das exigências do IRPJ e da CSLL a parcela relativa ao ICMS, pois embora ele seja faturado junto com a receita de vendas, é na verdade receita pertencente ao erário público estadual; III DOS PEDIDOS: REQUER: 1. o recebimento da impugnação, porque tempestiva e cabível, em consonância com o Decreto n° 70.235, de 1972; 2. que sejam apreciadas, conhecidas e recebidas todas as argüições relevantes contidas nos fatos e fundamentos da pega impugnatória, decotandose do auto de infração os valores em excesso, na forma das razões fáticas e legais deduzidas. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 10 9 (...) A 3ª Turma da DRJ/BHE julgou IMPROCEDENTE a impugnação e manteve os lançamentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ; da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Pasep; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins; e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, sujeitos à multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) e aos juros de mora, em acórdão com síntese na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA. Na circunstância de a contribuinte, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e com a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto será determinado com base nos Critérios do lucro arbitrado. GANHOS DE CAPITAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. Serão acrescidos à base de cálculo os ganhos de capital auferidos no período de apuração. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantida a tributação original, aplicase a este o mesmo destino. Impugnação Improcedente Intimada da referida decisão em 18/12/2009 (Fls. 433), a Recorrente interpôs o presente recurso em 18/01/2010 (Fls. 435 a 453), sob os seguintes argumentos: DO RECURSO CONTRA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO (...) Como bem demonstrou a Impugnante, ora Recorrente, não houve, como presumido pelo fisco, atitude dolosa com o objetivo de encobrir o fato gerador do tributo devido à União. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 11 10 Ocorreu, isto sim, por um lapso, falta de apuração do valor a pagar, o que, por si só, não configura infração prevista nos arts. 71/73 da Lei n° 4.502/64, passível de gerar agravamento da multa de mora. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO (...) Ao contrário do acima exposto, para os Anos Calendários de 2007 e 2008, relativos aos Exercícios de 2008 e 2009, respectivamente, o fisco considerou, para a determinação da opção de tributação, o fato de a impugnante ter entregado declarações (DCTF, DACON, etc.), nas quais constou, por equívoco, opção pela sistemática do lucro real, EMBORA NÃO TIVESSE RECOLHIDO IRPJ e CSLL. (...) Não obstante o anteriormente exposto, a empresa tem como regime de tributação o LUCRO PRESUMIDO, haja vista inexistir qualquer hipótese de vedação ao regime. DO ARBITRAMENTO PROCEDIDO PELO FISCO (...) Assim, com base na DAMEF Declaração Anual do Movimento Econômico e Fiscal, apuração de ICMS e IPI, ou mesmo com base nos DAPI's Demonstrativos de Apurações e Informações do ICMS, e ainda, com base nos livros registros de saídas, é plenamente conhecida a receita bruta da autuada, pelo que, inequivocamente, não se pode falar em arbitramento. DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS. ILEGALIDADE. (...) Se o ICMS é despesa do sujeito passivo e receita do Erário Estadual, é injuridico tentar englobálo na hipótese de incidência dos tributos e contribuições, objeto deste auto de infração, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte. (...) Dessa forma, deve ser reformada a decisão, nos termos deste recurso e/ou das razões deduzidas na peça de impugnação, oportunamente interposta, por ser medida de direito e imperativo da mais lidima JUSTIÇA. É o que se REQUER. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 12 11 Os presentes autos subiram ao CARF em 21/01/2010 e foram sorteados a este relator em agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de autos de infração de IRPJ e reflexos, decorrentes de arbitramento de lucro, no período de 01/01/2006 a 31/12/2008, cujo crédito tributário constituiuse, inicialmente, da seguinte forma (Fls. 61): CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 2.895.399,01 Contribuição Social s/Lucro Liquido R$ 1.375.924,87 Programa de Integração Social R$ 543.531,46 Contribuição p/Financiamento da S.Social R$2.508.770,08 Conheço do presente recurso quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação da decisão em primeira instância e a interposição deste, constante deste relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Passo à análise dos pontos levantados pela Recorrente e constantes deste relatório. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO (...) O fisco, no desempenho da nobre missão que desempenha, deve utilizar critérios uniformes nos procedimentos de fiscalização, de modo a evidenciar coerência na aplicação das normas inerentes.Sobre esta questão, a ilustre autoridade julgadora de primeira instância, nada manifestou. Ao contrário do acima exposto, para os Anos Calendários de 2007 e 2008, relativos aos Exercícios de 2008 e 2009, respectivamente, o fisco considerou, para a determinação da opção de tributação, o fato de a impugnante ter entregado declarações (DCTF, DACON, etc.), nas quais constou, por equívoco, opção pela sistemática do lucro real, EMBORA NÃO TIVESSE RECOLHIDO IRPJ e CSLL. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 13 12 (...) Não obstante o anteriormente exposto, a empresa tem como regime de tributação o LUCRO PRESUMIDO, haja vista inexistir qualquer hipótese de vedação ao regime Entendo não assistir razão à Recorrente pelas razões da decisão em primeira instância, as quais passo a adotálas neste voto, com o seguinte destaque: b) alegação de que a fiscalização não teria levado em conta que a contribuinte tem como regime de tributação o lucro presumido; Desde já, deve ser destacado que os valores tributáveis são incontroversos, já que a defendente não contesta os montantes das receitas e dos ganhos de capital apurados. O que ela contradita, isso sim, é a sistemática de apuração adotada pela fiscalização, que foi o lucro arbitrado, enquanto ela, impugnante, entende fazer jus A tributação com base no lucro presumido. Ademais disso, ela não contesta também as circunstâncias acerca da falta de apresentação de declarações, nem da apresentação de declarações consignando valores zerados, em frontal descompasso com a escrituração fiscal que apontava auferimento de receitas nos períodos. A defendente alega que adotou nos períodos autuados a sistemática de tributação pelo lucro presumido. No entanto, a opção por essa sistemática de tributação teria sido desconsiderada pela fiscalização, sob o crivo de critérios que reputa não uniformes. Ou seja, em relação aos anoscalendário de 2007 e de 2008, ainda que não tivessem ocorrido recolhimentos de IRPJ e de CSLL, a fiscalização teria entendido que a contribuinte fiscalizada sujeitouse A tributação pelo lucro real pelo fato dela ter consignado, por equivoco segundo enfatiza, que adotou essa "opção" em DCTF e DACON entregues à Receita Federal. Porém, em relação ao anocalendário de 2006, justamente por ter recolhido o IRPJ e a CSLL (segundo sua alegação), ainda que tivesse apresentado DCTF, DACON, etc. consignando que adotou a opção pelo lucro presumido, essa opção teria sido desconsiderada pela fiscalização por não ter sido eficazmente exercida. Contrapondo ao exposto, além de objetar que a fiscalização deveria pautarse pela utilização de critérios uniformes, e de que não há qualquer hipótese de vedação ao regime no seu caso, apegase, fundamentalmente, ao enunciado de que "a manifestação da opção pelo regime de tributação se efetiva com o pagamento da lª parcela ou quota única do imposto devido, correspondente ao P primeiro período de apuração de cada ano calendário (art. 26, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996; art. 516, § 4°, do RIR de 1999)". Seu entendimento, ainda que obliquo, é de que a opção pela tributação na sistemática de tributação pelo lucro presumido é Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 14 13 uma faculdade que, desde que não haja vedação expressa na legislação, o que não seria o seu caso, para ser exercida dependeria apenas do aspecto volitivo do contribuinte, sem se sujeitar A observância de pressupostos autorizativos. Inferese de sua verberação que ela quer mitigar as referências da fiscalização a quaisquer aspectos outros, pois que o fisco não poderseia firmar sendo naquele de que a manifestação da opção pelo regime de tributação se efetiva com o pagamento da 1a parcela ou quota única do imposto devido, correspondente ao 1° primeiro período de apuração de cada anocalendário, para efeito de desconsiderar a "opção" pelo lucro presumido que teria feito nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. A propósito, para desconstituir de vez a argumentação da defendente, a própria fiscalização mencionou, expressa e destacadamente, no item "8" do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 72 dos autos, que "A opção pela apuração do imposto de renda com base no lucro Presumido é irretratável para o ano calendário (ad 13, § 1°, da Lei 9.718, de 1998 e ad. 516, § 1°, do RIR de 1999; e essa opção será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, ad. 26, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996 e ad 516, § 40, do RIR de 1999. (destaque como no original) Sendo assim, toda essa argumentação, ainda que destituída de eficácia, mesmo porque meras alegações de equivoco no preenchimento de declarações, desacompanhadas de elementos de prova, não têm condição de surtir qualquer efeito, se dissipam e perdem substância ante a evidenciação incontrastável de que a defendente também não faz prova de que tivesse atendido ao requisito formal e indispensável de ter promovido o pagamento da 1ª parcela do imposto devido, correspondente ao 1° período de apuração de cada anocalendário, manifestando no DARF, mediante a aposição do código de arrecadação correspondente, a sua opção pela sistemática de tributação pelo lucro presumido. Averbese que a regra é a tributação pelo lucro real. A adoção do lucro presumido é uma faculdade passível de ser exercida por aquelas pessoas jurídicas que por preencherem determinados pressupostos estão autorizadas a optar. No caso da defendente, a fiscalização assevera que a contribuinte não efetuou a entrega da DIPJ relativa ao ano calendário de 2006, exercício de 2007. Foi apresentado a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008, consignando opção pelo lucro Real Anual, com todos os valores zerdos: A DIPJ do anocalendário de 2008, exercício de 2009 tem prazo para entrega até 16/10/2009, conforme INSRFB n° 962 de 13/08/2009. No entanto, em relação a esse último ano calendário (2008), "O Contribuinte apresentou DCTF relativa ao 2° semestre de 2008, informando a opção pelo lucro Real Trimestral". Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 15 14 Então, além disso, ela não teria manifestado eventual opção de forma eficaz, pois não teria efetivado o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração dos anoscalendário autuados. A propósito, na Pergunta 003, do "Capitulo XIV — IRPJ — LUCRO PRESUMIDO", do "Manual de Perguntas e Respostas — IRPJ — 2007", editado pela Receita Federal, consta a seguinte orientação da Administração tributária: "Como deve ser exercida, pela pessoa jurídica, a opção pela tributação com base no lucro presumido? Via de regra, a opção é manifestada com o pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração, sendo considerada definitiva para todo o anocalendário. " (grifamos) A demonstração do cumprimento dessa formalidade legal é essencial. O art. 516, § 4°, do RIR de 1999, preleciona que a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a quarenta e oito milhões de reais, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, sendo que referida opção será manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Consoante regramento emanado do art. 42, §§ 4° e 5°, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996, o fato de a pessoa jurídica não ter efetuado o pagamento nos prazos legais ou ter pago com insuficiência o imposto devido, inclusive adicional, não impede o exercício da opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, submetendose, obviamente, aos acréscimos legais. No entanto, a espontaneidade da contribuinte foi afastada pelo inicio do procedimento fiscal, em 15 de maio de 2009, que é a data da ciência, por via postal, do Termo de Inicio de Fiscalização, ao passo que até essa data, não há nos autos qualquer evidência de que tenham sido efetuados pagamentos dessa natureza em relação a cada um dos anos calendário objeto da autuação. A esse respeito, assim se manifestou a Administração Tributária no "Manual de Perguntas e Respostas — IRPJ", Pergunta n° 005, do Capitulo XIV— IRPJ — Lucro Presumido: "005. Como deverá proceder para regularizar sua situaç do a pessoa jurídica que, embora preenchendo as condições exigidas para o lucro presumido, não tenha efetuado o respectivo pagamento da primeira quota ou quota única em tempo hábil, com vistas à opção? Nessa hipótese, estará ela impedida de adotar essa forma de tributação? Atendidos os requisitos elencados na Pergunta 007 deste capitulo, a pessoa jurídica poderá optar pelo lucro presumido, se ainda não tiver efetuado o pagamento do imposto com base Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 16 15 em outro tipo de tributação naquele anocalendário e desde que faça o pagamento do imposto e respectivos acréscimos legais (multa e juros de mora) incidentes em razão do atraso no recolhimento do imposto. NOTAS: A pessoa jurídica não poderá optar f ora do prazo para o pagamento, caso tenha sido iniciado qualquer procedimento fiscal de oficio contra ela. A opção pelo lucro presumido deverá ter sido informada em DCTF." (grifamos) A propósito, por sua relevância cumpre transcrever excerto da cronologia elaborada por Ricardo Mariz de Oliveira, in "Guia IOB Imposto de Renda Pessoa Juridica", que explicita: "1. REGRA GERAL DE TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL FUNDAMENTO LEGAL: O Código Tributário Nacional CTN, permite que a base de cálculo do imposto de renda seja um montante real, arbitrado ou presumido. A regra geral original era de que as pessoas jurídicas deviam ser tributadas de acordo com o lucro real determinado anualmente a partir das demonstrações financeiras. Com a introdução do sistema de tributação mensal, não se modificou o principio de que a tributação deve operarse com base no lucro real, que é a regra geral a partir da qual são admitidas opções por recolhimentos estimados ou pelo lucro presumido. A Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, manteve o sistema de tributação mensal, com opção para o lucro real anual, e manteve a regra geral de tributação pelo lucro real, sendo os regimes de lucro arbitrado e lucro presumido excepcionais. A lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para vigorar a partir dos períodos base de 1997 em diante, alterou o sistema de apuração mensal para apuração trimestral, com a possibilidade de opção pelo lucro real anual. Ela também manteve os regimes de lucro real, arbitrado ou presumido. (...) 2. EXCEÇÕES EM QUE A TRIBUTAÇÃO A" PELO LUCRO ARBITRADO OU PELO LUCRO PRESUMIDO TRIBUTAÇÃO ESTIMADA: Excepcionalmente, a base do imposto é o lucro arbitrado ou presumido. As exceções decorrem de duas razões fundamentais: .ou a empresa não mantém escrita que se preste ao fim de apuração do lucro real, hipótese em que seu lucro tributável é arbitrado, havendo também outras situações similares em que o lucro arbitrado; nestes casos o arbitramento é compulsório; .ou a empresa é de porte no qual não se justificam a manutenção de todos os controles contábeis necessários a apurar o lucro real, hipótese em que seu lucro tributável é presumido; nestes casos, o lucro presumido é uma opção do contribuinte. Não se deve confundir lucro arbitrado ou lucro presumido com tributação por estimativa, autorizada pelos arts. 27 a 35 da Lei n° 8.981, de 1995, com base nos quais as pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real anual pagam o imposto mensalmente durante o ano." Em síntese, a regra geral é o lucro real. Se atendidos os pressupostos e não estando presentes hipóteses legais de vedação, o contribuinte pode optar pelo lucro presumido. Essa opção somente é eficaz e, conseqüentemente, oponível ao fisco, se efetuado o pagamento do tributo e da contribuição em relação Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 17 16 ao primeiro período de apuração. Não confirmado esse pagamento a regra geral prevalece e o contribuinte somente pode ser tributado pelo regime do lucro real ou do lucro arbitrado. Ao se manter na vala comum do lucro real, o contribuinte somente escapa do arbitramento se mantiver e apresentar à fiscalização, quando intimado, os elementos da escrituração comercial e fiscal. Como visto, na situação fática dos presentes autos, além de a defendente não ter cumprido os pressupostos para eficácia de eventual exercício da opção pelo lucro presumido, ela muito menos nem sequer entregou declarações de rendimentos consignando a adoção dessa opção. A fiscalização assevera na alínea "b", do subitem 7 do "Termo de Verificação Fiscal ", que foi constatada "a falta de recolhimento do imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o lucro Liquido, nos anos de 2006,2007 e 2008, ou seja, não houve a efetiva opção pelo Lucro presumido para esses anos, como determinado pela legislação". Quanto a comprovação de eventuais pagamentos, que seria essencial, a defendente não faz qualquer alusão nas razões expendidas. A propósito, a Administração Tributária manifestou entendimento no "Manual de Perguntas e Respostas — IRPJ", editado pela Receita Federal para o ano calendário de 2006, Exercício de 2007, Pergunta n° 037, do Capitulo XIV— IRPJ — Lucro Presumido" de que "se a pessoa jurídica optar indevidamente ou deixar de cumprir alguma das condições estabelecidas para opção pelo lucro presumido, inicialmente deverá ser verificada a possibilidade de apuração da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro real, caso a empresa mantenha escrituração regular com base nas leis comerciais e fiscais. Na impossibilidade de adoção de tal procedimento, deverá ser arbitrado o lucro da pessoa jurídica no respectivo período de apuração". Fato inconteste circunstanciado pela fiscalização no subitem 10 do "Termo de Verificação Fiscal ", é de que "mesmo após várias informações do contribuinte sobre a inexistências das escriturações contábeis, indispensáveis para a tributação pelo lucro Real, o sujeito passivo foi cientificado da impossibilidade de tributação pelo Lucro Presumido e foi novamente intimado a apresentar a escrituração contábil completa, conforme Termo de Intimação n° 003, de 21/09/2009." Em resposta a essa intimação especifica, a própria contribuinte fiscalizada teria informado à fiscalização que "a empresa não possui livros diário, razão e balancetes para o ano de 2006, 2007 e 2008 por ter optado pela tributação com base no Lucro Presumido." Por isso que a fiscalização concluiu e assinalou no subitem 11 do "Termo de Verificação Fiscal que: "assim sendo, a única forma de apuração dos resultados tributáveis pelo imposto de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 18 17 Renda da Pessoa Jurídica e pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é o arbitramento do lucro, tendo em vista a falta de apresentação dos livros contábeis, inclusive o livro Razão, e a informação da falta da sua escrituração, nos termos dos Incisos I, III e VI do artigo 530 do RIR de 1999. Nesse contexto, releva destacar que o arbitramento procedido não constitui penalidade, mas mera forma de tributação do lucro, dado que nas circunstâncias, a falta de apresentação dos elementos revelou descumprimento e inobservância das formalidades e requisitos da legislação comercial e fiscal. Mesmo diante da insofismável falta de apresentação dos elementos, também não se pode olvidar que a peça impugnatória, além de desprovida de documentação comprobatória das alegações expendidas, também não se funda em argumentação substanciosa que tivesse o condão de elidir a essência do feito, quais sejam as razões do arbitramento do lucro efetuado e a constituição de oficio do crédito tributário e da qualificação da multa. Diante disso, nos termos da fundamentação supra citada, ha que subsistir o arbitramento, diante da falta de atendimento dos pressupostos do lucro presumido e da impossibilidade de a fiscalização aferir a fidedignidade de eventual lucro real. Destarte, ao contrário do argumentado pela Recorrente, o procedimento adotado pelo Fisco seguiu todas as exigências legais e regulamentares, como demonstram os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal e confirmados pelos esclarecedores fundamentos do acórdão recorrido. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso contra a desconsideração da apuração da base de cálculo pelo lucro presumido no lançamento de ofício do IRPJ. DO ARBITRAMENTO PROCEDIDO PELO FISCO Segundo os argumentos recursais: Também, não concorda a empresa/Recorrente com o arbitramento utilizado pela ilustre autoridade fiscalizadora, porquanto este é somente cabível em casos extremos, em que não se pode evidenciar a receita bruta tributável, situação esta ausente no caso dos autos. (...) Assim, com base na DAMEF Declaração Anual do Movimento Econômico e Fiscal, apuração de ICMS e IPI, ou mesmo com base nos DAPI's Demonstrativos de Apurações e Informações do ICMS, e ainda, com base nos livros registros de saídas, é plenamente conhecida a receita bruta da autuada, pelo que, inequivocamente, não se pode falar em arbitramento. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 19 18 (...) Não obstante o anteriormente exposto, ainda que se considerasse como omissão de receita, o que se admite tãosomente "ad argumentandum tantum", os cálculos e critérios adotados pela ilustre autoridade fiscalizadora estão equivocados, porquanto em total dessintonia, com a lei, a doutrina e a melhor jurisprudência de nossos tribunais pátrios, inclusive com a dominante no egrégio Conselho de Contribuintes (...). Não assiste razão à Recorrente. Segundo os fundamentos do acórdão recorrido: c) alegação de que o arbitramento procedido pela fiscalização seria descabido diante da circunstância de a receita bruta ser conhecida: A defendente envereda por uma linha de discordância pontual de que o arbitramento do lucro somente seria cabível na hipótese em que não se pudesse evidenciar a receita bruta tributável, mas que a receita da empresa era conhecida por meio da escrituração fiscal. Arrimado nesse ponto, desenvolve alentada tese abarcando inclusive omissão de receitas, justificação do arbitramento somente diante da ocorrência de falhas insanáveis, e aplicabilidade à contribuição social das mesmas regras de apuração e de pagamento do imposto de renda. Em relação a esse enfoque, ao que tudo indica parece incorrer em um equívoco conceitual a defendente, haja vista que a fiscalização citou, expressamente, no enquadramento legal da infração, o art. 532 do RIR de 1999, que preceitua que o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519, e seus parágrafos, acrescido de vinte por cento. Ademais disso, é inequívoca a circunstanciação desenvolvida pela fiscalização no subitem 11 do "Termo de Verificação Fiscal", onde ficou patenteado que: "Como a receita é conhecida, com base nas vendas realizadas as quais foram registradas nos livros Registro de Saídas, de Apuração do IPI e de Apuração do ICMS, os lucros trimestrais tributáveis são os resultados da aplicação da alíquota de 9,6% incidente sobre as receitas de vendas de mercadorias e de serviços de transporte de cargas, acrescidos dos ganhos de capital, conforme artigos 532, 536 e 537 do RIR de 1999" (grifamos) "12) A base de cálculo do IRPJ na forma do lucro arbitrado é a aplicação do percentual de 9,6% sobre as receitas de vendas de produtos e mercadorias, bem como as receitas de serviços de transporte de carga, conforme discriminado no ANEXO 1: "RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS E SERVIÇOS DOS ANOS 2006 A 2008", acrescidos dos ganhos de capital nas vendas de bens do ativo imobilizado, conforme apurado no Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 20 19 ANEXO 2: “GANHOS DE CAPITAL NAS VENDAS DE ATIVO IMOBILIZADO NOS ANOS DE 2006 A 2008". Portanto, a circunstância de a receita bruta ser conhecida foi observada pela fiscalização e, justamente esse aspecto é que ensejou a determinação da base de calculo e a apuração do lucro tributável com base no artigo 532 do RIR de 1999 e não com base nos critérios do dispositivo legal do Regulamento que estipula que o lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de oficio, mediante a utilização de uma das alternativas de cálculo que enumera, a saber o art. 535 do RIR de 1999. Consignese, ainda, que em se tratando de "Receita bruta conhecida", desde que ocorrida qualquer das hipóteses de arbitramento previstas na legislação fiscal, pode a contribuinte efetuar o pagamento do imposto de renda correspondente com base nas regras do lucro arbitrado, porém, antes do inicio do procedimento fiscal. Conforme o exposto, o Fisco seguiu para o caso o que determina o artigo 532 do RIR/99. Por conseguinte, quanto à base de cálculo do lucro arbitrado, não há reparos na decisão recorrida, a cujo recurso nego provimento. DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS. ILEGALIDADE. (...) Se o ICMS é despesa do sujeito passivo e receita do Erário Estadual, é injuridico tentar englobálo na hipótese de incidência dos tributos e contribuições, objeto deste auto de infração, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte. (...) Assim, ainda, para o cálculo dos tributos e contribuições exigidos neste auto de infração há necessidade de se expungir das bases de cálculos a parcela relativa ao ICMS, pois, embora faturado juntamente com a receita de vendas, tratase de receita pertencente ao erário público estadual. (...) Não assiste razão à Recorrente. Segundo os fundamentos do acórdão recorrido: (...) e) alusão à que a base de cálculo dos tributos e das contribuições estaria majorada em face da inclusão do ICMS, que deveria ser excluído. Quanto à alegação em comento, não se pode descurar que a fixação de alíquota e base de cálculo de tributos é matéria Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 21 20 reservada à lei ordinária conforme dispõe o art. 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional. As legislações de regência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, definiram claramente a base de cálculo desse imposto e dessa contribuição, estabelecendo expressamente a metodologia de sua determinação, sem jamais nem sequer cogitar da exclusão do ICMS da base de cálculo. No caso de tributação por arbitramento de oficio não há como deduzir o ICMS para obtenção da receita bruta operacional, em face de que esse imposto estadual integra o preço de venda, e que o percentual para obtenção do lucro arbitrado se aplica sobre o valor total da venda (receita bruta), já que o lucro que se apura neste sistema é o arbitrado e não o real. Devese ressaltar, pois, a legislação de regência da matéria, citada pela fiscalização no enquadramento legal da infração, transcrevendo os dispositivos: RIR DE 1999: "Base de cálculo quando conhecida a Receita Bruta: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescido de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inc. I) Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7° do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1° e 25, e inciso I). Base de Cálculo Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. "Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n2 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n° 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Decreto n° 4.524, de 2002 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 22 21 "TÍTULO III BASE DE CÁLCULO CAPITULO I CONTRIBUICÕES INCIDENTES SOBRE 0 FATURAMENTO Seção I Faturamento e Receita Bruta Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9°, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar n2 70, de 1991, art. 12, Lei n 2 9.701, de 1998, art. 12, Lei n2 9.715, de 1998, art. 22, Lei n2 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 52, e Lei n2 9.718, de 1998, arts. 22 e 39. Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capitulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei n2 9.718, de 1998, art. 32): I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; V das reversões de provisões; VI das recuperações de créditos baixados como perdas, limitados aos valores efetivamente baixados, que não representem ingresso de novas receitas; VII dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta de Participação (SCP); e VIII das receitas decorrentes das vendas de bens do ativo permanente. § 1° Não se aplica a exclusão prevista no inciso V na hipótese de provisão que tenha sido deduzida da base de cálculo quando de sua constituição. § 2° Na hipótese de o valor das vendas canceladas superar o valor da receita bruta do mês, o saldo poderá ser compensado nos meses subseqüentes. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 23 22 Em tempo, no que se refere As exclusões, o ICMS não integra a receita bruta apenas quando o vendedor dos bens ou prestador de serviços revestirse da condição de substituto tributário. No discurso impugnativo, a defendente não produz nenhuma prova de que os produtos que comercializa estejam submetidos ao regime especial de tributação supracitado. A propósito, Ira Pergunta 017, do "Capitulo XV — IRPJ — LUCRO ARBITRADO", do "Manual de Perguntas e Respostas — IRPJ — 2007", editado pela Receita Federal, consta a seguinte orientação da Administração tributária: "Qual o conceito de receita bruta para fins do lucro arbitrado? Compreendese no conceito de receita bruta o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Na receita bruta se inclui o ICMS e deverão ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário." (grifamos) Em relação à jurisprudência judicial A que a defendente também recorreu para arrimar essa razão de discordância, cumpre tão somente ratificar o entendimento anteriormente mencionado de que tratandose de ementas de acórdãos de Tribunais Superiores, as decisões a que se referem têm efeito apenas inter partes, de forma tal que é imprescindível que a defendente fizesse prova de que fosse parte das ações para que o decidido nos acórdãos, se fosse o caso, lhe aproveitasse. Destarte, por restar demonstrado na decisão recorrida não haver autorização legal para não exclusão do ICMS da base de cálculo na apuração do IRPJ, nego provimento ao presente recurso. DO RECURSO CONTRA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO (...) Como bem demonstrou a Impugnante, ora Recorrente, não houve, como presumido pelo fisco, atitude dolosa com o objetivo de encobrir o fato gerador do tributo devido à União. Ocorreu, isto sim, por um lapso, falta de apuração do valor a pagar, o que, por si só, não configura infração prevista nos arts. 71/73 da Lei n° 4.502/64, passível de gerar agravamento da multa de mora. Prova disto é que a autuação fiscal foi lastreada em informações e documentos preenchidos e entregues pelo contribuinte que, por si só, certifica que não houve camuflagem dos dados relativos aos fatos geradores. Em circunstancias como estas, onde se pode dizer que a apuração e/ou sua falta é, que foi feita de modo incongruente Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 24 23 com o que determina a norma, não se pode, por mera presunção, atribuir dolo ou mafé ao ato do contribuinte. É por todo sabido que dolo ou má fé não comporta presunção, exigindo, isto sim, prova cabal da intenção, no caso, de encobrir o fato gerador. Ora, consabidamente, para sancionar atos comprovadamente dolosos, o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) que, é uma exceção, carece de comprovação dos pressupostos para tornarse justa, legal e cabível. (...) A jurisprudência do CARF manifestase no sentido de que a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, a qualificação da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Nesse sentido, vide Acórdãos 9101001.468, de 16/08/2012; 9101000.766, de 13/12/2010; 10197.110, de 04/02/2009; 10707.922, de 27/01/2005; 1202000.990, de 12/06/2013; 1301001.202, de 07/05/2013; 1301001.233, de 12/06/2013; 1302000.993, de 03/10/2012; 1302000.393, de 10/11/2010; 1401000.788, de 09/05/2012; 1402001.416, de 10/07/2; 10323.005, de 26/04/2007; 10708.642, de 26/7/2006; 10195.544, de 24/05/2006; 10194.147, de 19/3/2003. Sobre a multa qualificada, leciona Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 25. ed. – São Paulo: Saraiva, 2013, pp. 492 e 493): É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação de penalidade em decorrência de dolo, fraude ou simulação na prática do ato jurídico tributário. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Para caracterizar a multa agravada, é necessário, outrossim, a existência de fato doloso, fraudulento ou simulado, devidamente provado, para se produzir a correta subsunção do fato infracional à norma autorizadora do agravamento da penalidade. A constituição do crédito tributário sancionatório dáse por ofício, sendo, portanto, também do tipo “multas de ofício”. Decorrem da prática de determinadas infrações, ações ou omissões do sujeito infrator contrárias à lei fiscal, deste modo, também chamadas multas punitivas ou por infração. É geralmente aplicada no percentual de 150%, objetivando com isso intimidar a prática da infração e, por fim, evitar situações dessa gravidade nos casos concretos. Por exemplo, quando dissonantes as informações na DCTF e nos livros fiscais, entendese por demonstrado na situação concreta o intuito de fraudar a Administração Pública, justificandose a aplicação da multa agravada de 150%. Em termos de linguagem das provas, sendo as informações de valores na DCTF e DIPJ diversas das dos livros fiscais dáse por caracterizada a disposição de ludibriar o Fisco, de simular uma situação, o que fundamenta a aplicação da multa agravada, neste caso, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 25 24 O STJ só admite a qualificadora se o intuito de fraude restar devidamente comprovado, conforme destaca a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. AUFERIÇÃO INDIRETA. MULTA DO ART. 44, II, DA LEI 9.430/96. NECESSIDADE DE MANIFESTO INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA. ART. 136 DOCTN C/C ART. 112 DO CTN. AUSÊNCIA DE MÁFÉ CONSIGNADA PELO TRIBUNAL A QUO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A responsabilidade do agente pelo descumprimento das obrigações tributárias principais ou acessórias, via de regra, é objetiva, na dicção do Código Tributário Nacional: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário , a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." 2. Deveras, a constatação objetiva da infração tributária é matéria diversa da dosimetria da sanção. É que, na atividade de concreção, o magistrado há de pautar a sua conclusão iluminado pela regra de hermenêutica do artigo 112, do CTN, verbis : "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." 3. Doutrina de escol leciona que: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14ª edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107) Embora o artigo diga que a responsabilidade por infrações independe da extensão dos efeitos do ato, não se deve perder de vista o que dispõe o art. 112 do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;" (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Ed. Livraria do Advogado, 2006, págs. 1.053/1.054) Fl. 567DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 26 25 4. Precedentes de ambas Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 982.224/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 27/05/2010; REsp 777.732/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 20/08/2008; Resp 254.276/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2007, DJ 28/03/2007; REsp 743.839/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/11/2006, DJ 30/11/2006; REsp 423.083/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/06/2006, DJ 02/08/2006; REsp 323.982/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2004, DJ 30/08/2004. 5. In casu, resta incontroversa nos autos a irregularidade na escrituração contábil da recorrida, uma vez que as operações financeiras (depósitos e pagamentos) ocorridas no ano de 1998, em conta corrente cadastrada em nome de funcionário da empresa autora, compunham a declaração de rendimentos à tributação realizada pela empresa no referido ano base, razão pela qual parte do faturamento decorrente da referida movimentação financeira não foi oferecida à tributação. 6. O Juízo singular aplicou multa de 150%, com base no art. 44, II, da Lei 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 7. O Tribunal a quo entendeu pela ausência de máfé a ensejar a redução da multa aplicada pelo Juízo singular, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor: fraude, requisito indispensável à incidência da multa de 150%, na dicção do art. 44, II, da Lei 9.430/96, o que se coaduna com a ressalva do art. 136 do CTN: "Salvo disposição de lei em contrário (...)", consoante denotase da seguinte passagem do decisum singular, litteris: "Com efeito, o proceder do autor não foi correto e a sua contabilidadenão traduz efetivamente a sua movimentação. Entretanto, pelo que consta dos autos, este proceder ocorreu apenas no ano de 1998 em razão do problema de saúde do sócio E.G. E. E considerando o rígido controle da CIDASC (documentos constantes dos autos) é razoável entenderse que parte da movimentação da conta está inserida Fl. 568DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 27 26 no faturamento da empresa." (RECURSO ESPECIAL Nº 1.095.822 SC (2008/02158036), DJE 22/02/2011, Relator Ministro Luiz Fux) No caso, o Fisco enquadrou a conduta da Recorrente no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" Por conseguinte, qualificouse a multa de ofício nos seguintes termos da Lei n° 9. 430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Com efeito, segundo o constante do Termo de Verificação Fiscal: A — 0 contribuinte efetuou vendas em todos os meses dos anos de 2006, 2007 e 2008 e as escriturou nos livros fiscais, sem a escrituração contábil, conforme informações da própria empresa e nada recolheu ou informou em DCTF de Imposto de Renda da pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o lucro Liquido recolhendo apenas dois valores das Contribuições PIS e Co fins (inferiores aos valores efetivamente devidos) para os 36 (trinta e seis) fatos geradores de cada contribuição ocorridos nesse período, ou seja, para cada uma dessas contribuições nada recolheu pare os outros trinta e quatro meses, mesmo havendo valores devidos. B — A empresa apresentou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário 2007 totalmente zerada, encontrandose omisso quanto à entrega da declaração referente ao anocalendário 2006. Deixou também de apresentar várias DCTF — Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, e vários DACON — Demonstrativos de Apuração das Contribuições sociais. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 28 27 C — Em ação fiscal anterior, já havia sido constatado que o contribuinte omitiu receitas em Declarações de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e não efetuou recolhimentos ou declaração em DCTF dos impostos e contribuições devidas corretamente, objetivando a lavratura de Autos de Infração, ou seja, o contribuinte é contumaz no procedimento de omitir receitas para não pagar e não confessar os débitos vinculados aos impostos e contribuições devidos. D — 0 contribuinte apresentou D1PJ referente ao ano calendário 2007 totalmente zerada, com opção pelo Lucro Real anual, com pagamento de imposto mensal por estimativa, e informou que não escriturou os livros contábeis, indispensáveis para essa forma de tributação." (...) Conclusões: 15) Por todo o exposto, e considerando que o contribuinte não prestou todas as informações obrigatórias à Receita Federal, prestandoos de forma inexata, inclusive declarando valores iguais a zero para as receitas de todo o anocalendário 2007, omissões e ações que tendem a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária de suas operações, conciliado ao fato da contumaz falta de recolhimentos ou informações dos débitos em DCTF, dos impostos e contribuições devidos, durante todos esses anos de 2006, 2007 e 2008, mesmo após ação fiscal realizada em períodos anteriores com apuração das mesmas infrações, entendemos caracterizada a sonegação, nos termos do artigo 71, inciso I, da Lei 4.502/1964 (...). Destarte, demonstrado nos autos o intuito de sonegação, como recomendam a doutrina e jurisprudência do CARF e do STJ, voto para negar provimento ao presente recurso contra a qualificação da multa de ofício. Lançamentos Decorrentes: Devemse manter os lançamentos do PIS, da Cofins e da CSLL, em razão da decorrência da manutenção do lançamento do IRPJ. Em face de todo o exposto, nego provimento ao presente recurso. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 570DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10665.001518/200947 Acórdão n.º 1202001.143 S1C2T2 Fl. 29 28 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 18108.000370/2007-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá-lo, re/ratificando o Acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para anular a decisão do Acórdão nº 2803.003.286 3ª Turma Especial e a decisão de primeira instância (DECISÃO-NOTIFICAÇÃO n° 21.401.4/0480/2006), devendo ser expedida nova decisão de primeira instância com analise das impugnações apresentadas pelas empresas do grupo econômico.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá-lo, re/ratificando o Acórdão. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementálo, re/ratificando o Acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para anular a decisão do Acórdão nº 2803.003.286 – 3ª Turma Especial e a decisão de primeira instância (DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.401.4/0480/2006), devendo ser expedida nova decisão de primeira instância com analise das impugnações apresentadas pelas empresas do grupo econômico. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 03 70 /2 00 7- 99 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.000370/200799 Acórdão n.º 2803003.531 S2TE03 Fl. 310 2 Relatório Tratase de embargos ao Acórdão nº 2803.003.286 – 3ª Turma Especial, Segunda Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sessão de 13 de maio de 2014, interposto pela Fazenda Nacional (PGFN), onde alega: Em Preliminar: que não houve interposição de recurso voluntário; o fisco expediu intimação às empresas integrantes do Grupo Econômico para que as mesmas oferecessem impugnação. As impugnações deveriam ser apreciadas pela primeira instância (DRJ) e não no CARF. Houve a supressão de instância por parte do acórdão embargado; No Mérito: O acórdão embargado, com arrimo nos recursos extraordinários nº: 363.852 e 596.177, proveu o recurso voluntário para afastar a sujeição da contribuição social incidente sobre o valor da comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial. Contudo, há delimitação do alcance da decisão do STF. Ocorre que os fatos geradores do lançamento ocorreram sob a vigência da Lei 10.256, que alterou a Lei 8.212, art. 25, caput. A Lei 10.256/2001 está válida de deve ser aplicada. Nesse sentido é o Acórdão nº 2402 001.955 da 2a Seção do CARF. a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandando de segurança n.º 1998.38.00.0339353, gênese do RE n.º 363.852/MG, nada afetando a contribuição do segurado especial, na redação original do art. 25 da lei 8.212/91 cuja alíquota era de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. A Lei n.º 8.540/92, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II): Redação original: Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. Redação conferida pela Lei n.º 8.540/92 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.000370/200799 Acórdão n.º 2803003.531 S2TE03 Fl. 311 3 I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho.; a decretação de insubsistência da obrigação tributária por subrogação do adquirente da produção do empregador rural pessoa física, ordenada no RE 363.852/MG, somente permanece se presente o quadro jurídico analisado pelo STF, isto é, ausência de previsão no art. 195, I, da CF para cobrança de contribuição sobre receita bruta e lei ordinária tratando da matéria (Lei 8.540/92). Alterado esse contexto por novel legislação, in casu, a Lei 10.256/2001, editada após a EC 20/98, valida a arrecadação da contribuição por meio da técnica da substituição tributária, nos termos do art. 30, inciso IV, da LCPS, que permaneceu vigendo no ordenamento em relação ao segurado especial; no caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram após a Lei 10.256/2001, editada com arrimo na EC 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração por fim, requer o conhecimento e provimento dos embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.000370/200799 Acórdão n.º 2803003.531 S2TE03 Fl. 312 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Tratase de embargos de declaração ao Acórdão nº 2803.003.286 – 3ª Turma Especial em razão de haver possíveis contradição e omissão. Consta do relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, fls. 47/55 dos autos digitalizados, que a autuação se deu em razão de entrega de GFIP, competências 07/2002 a 02/2004, sem informação dos valores da comercialização de bovino para abate, adquirido de produtores rurais pessoas físicas e de valores relativos à rubrica "Dia do Comerciário", pagos aos empregados do EstabelecimentoMatriz CNPJ 04.503.503/000130, considerados como integrantes do salário de contribuição de acordo com os artigos 20 e 28 da Lei 8.212/91. Consta dos autos digitalizados a cientificação, em 06/10/2006, fl. 189, de Luan Comércio de Alimentos Ltda/Luiz Carlos Schlby Moraes das decisões de primeira instância (DN). Foi emitido Termo de Trânsito em Julgado da empresa: Luan Comércio de Alimentos Ltda, fl. 193, em 20/12/2006, em razão do transcurso do prazo para interposição de recurso, recebido pela empresa em 04/01/2007 (fl. 194). Em 23/01/2007, a empresa Frigorífico Jales Ltda, inscrita no CNPJ/MF: 49.683.873/000135, fls. 195/211, apresenta requerimento alegando que não foi cientificada da autuação fiscal como devedor solidário com cópia integral dos lançamentos fiscais arrolados, não lhe sendo dado direita à defesa eficaz e que não faz parte do grupo econômico. Inexistem os requisitos necessários, inclusive a direção econômica única. O Frigorífico foi cientificado do Termo de Cientificação em 08/01/2007 (fl. 247), portanto, requerimento tempestivo. Consta dos autos, fls. 237/239, Termo de Cientificação do grupo econômico, informando que a 2a via dos documentos constitutivos dos créditos (notificações e autuações), bem como os relatórios e elementos que vinculam a empresa ao grupo econômico foram encaminhados para as respectivas empresas, através dos Registros Postais: APR Comércio de Alimentos Ltda A.R. n° SS 802488061; Frigorífico Jales Ltda A.R. n° SS 798326842 BR; Frigorífico 3J Ltda A.R. n° 118.617034; 4 Comércio e Representação Times Ltda A.R. n° 584881671; Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda A.R. n° SS 822638216 BR, e possibilidade de apresentação de impugnação aos Lançamentos (itens 4 e 5). Anexas aos autos cópias dos comprovante de recebimento do Termo de Cientificação pelo grupo econômico, fl. 241/252. A empresa Comércio e Representação Times Ltda apresentou requerimento, em 16/05/2007, fls. 255/259, alegando que foi enquadrada em grupo econômico por termo de cientificação, entretanto, a fiscalização não apresentou qualquer fundamento do ato, não esclareceu quais os tributos cobrados, o período das autuações, a base de cálculo dos lançamentos e as alíquotas utilizada, caracterizando cerceamento de defesa. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.000370/200799 Acórdão n.º 2803003.531 S2TE03 Fl. 313 5 Assevera a Comércio e Representação Times Ltda que adquiriu o parque industrial no qual funcionou o Frigorífico Jales Ltda por via judicial, não sendo responsável por possíveis falta de recolhimento de tributo do frigorífico, assim requer a exclusão do grupo econômico. O imóvel adquirido em juízo se encontrava arrendado para empresa "APR", sendo que, naquela ocasião, optou por locar a indústria à dita "APR", que já exercia atividade econômica no local. Jamais exerceu qualquer ato de gerência ou gestão na empresa "APR" e seus sócios jamais exerceram atividades de administração ou gerenciamento nas empresas elencadas como grupo econômico pela fiscalização. Assim, requer a exclusão do grupo econômico e que seja oportunizada toda a argumentação e documentação a embasar a equivocada responsabilidade solidária da Comércio e Representação Times Ltda, reabrindose o prazo para defesa, assim como a posterior juntada de documentos. Não foi possível visualizar nos autos o comprovante de ciência do Termo de Cientificação da Comércio e Representação Times Ltda. A DRF/DERAT em São Paulo (Equipe de Orientação da Recuperação de Créditos EQREC/ANÁLISE, em 25/09/2008, fls. 279, tendo em vista que a anexação dos documentos de débito ao Termo de Cientificação não está prevista explicitamente no § 2o, do artigo 779, da IN INSS/DC 100, sugeriu o encaminhamento dos autos para o 2° Conselho de Contribuintes, para que o mesmo decida quanto ao julgamento das manifestações das empresas. A DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.401.4/0480/2006, fls. 175/181, apenas examinou a impugnação da empresa Luan Comércio de Alimentos Ltda, não apreciando os argumentos das empresas solidárias do grupo econômico, Frigorífico Jales Ltda e Comércio e Representação Times Ltda. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos, de respeitar o princípio da verdade material, o contraditório e a ampla defesa, de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, bem como, determinar a produção de prova indispensável à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). Pelo exposto, analisando a preliminar dos embargos de declaração, foi constatado que houve manifestação das empresas solidárias do grupo econômico apontado pela fiscalização, Frigorífico Jales Ltda e Comércio e Representação Times Ltda, e que não foram examinadas pela decisão de primeira instância. Destarte, anulamse as decisões do Acórdão nº 2803.003.286 – 3ª Turma Especial e da primeira instância (DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.401.4/0480/2006), devendo ser expedida nova decisão de primeira instância com analise das impugnações apresentadas pelas empresas do grupo econômico. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em acolher os embargos de declaração, para anular a decisão do Acórdão nº 2803.003.286 – 3ª Turma Especial e a decisão de primeira instância (DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.401.4/0480/2006), devendo ser expedida nova decisão de Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.000370/200799 Acórdão n.º 2803003.531 S2TE03 Fl. 314 6 primeira instância com analise das impugnações apresentadas pelas empresas do grupo econômico. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902358/2012-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 58 /2 01 2- 23 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.664, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 00336.93663.260207.1.2.041608, rastreamento nº 029224092, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 7.491,45, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 2172), do período de 31/12/2002, efetuado em 15/01/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2003 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902358/201223 Acórdão n.º 3802002.514 S3TE02 Fl. 122 3 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902358/201223 Acórdão n.º 3802002.514 S3TE02 Fl. 123 5 VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902358/201223 Acórdão n.º 3802002.514 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10865.002430/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 02 43 0/ 20 10 -2 0 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.002430/201020 Resolução nº 1302000.334 S1C3T2 Fl. 1.751 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. SIGILO BANCÁRIO. As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto à forma de apuração do lucro se que se dará segundo as regras do lucro real, caso mantenha a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, ou segundo as regras do lucro arbitrado no caso de impossibilidade de apuração do lucro real. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.002430/201020 Resolução nº 1302000.334 S1C3T2 Fl. 1.752 3 Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 377.206,75 (fl. 644), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 123.189,82 (fl. 655), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 480.625,61 (fl. 668), Contribuição para o PIS no valor de R$ 106.111,66 (fl. 682), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.373.360,37 (fl. 01). A exigência tributária decorreu de omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada efetuados na conta bancária n.º 130015881, da Agência 0670 do Banespa/Stander (créditos/depósitos relacionados individualmente às fls. 565/572 e por totais trimestrais às fls. 571/572) tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou satisfatoriamente a origem dos recursos depositados/creditados. Consta do Termo de Verificação (fls. 562/584) que dos depósitos foram excluídos os valores referentes aos cheques devolvidos e a diferença apurada foi levada à tributação como omissão de receita com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, entre outros dispositivos legais. Consta do mesmo Termo de Verificação que a fiscalização constatou que no anocalendário de 2004 os sócios da empresa fiscalizada, Alcides Bucchi e José Luiz Buchi, também participaram como sócios (participação superior a 10%) das pessoas jurídicas Paramount Faucets Metais (CNPJ 04.216.707/000190) e Buckfer Materiais de Construção (CNPJ 05.319.776/000192) e cuja receita global acumulada das 03 (três) empresas até o mês de agosto de 2004 superou o limite de R$ 1.200.000,00 para permanência no Simples Federal, razão pela qual foi a empresa fiscalizada excluída do Simples com efeito a partir de agosto de 2004 por meio do Ato Declaratório Executivo n.º 024/2009, publicado no Diário Oficial da União em 26/11/2004. Além disso, verificouse que a receita bruta declarada pela empresa fiscalizada no ano de 2004, somada à receita omitida apurada nos autos desse processo, superou o limite de 1.200.000,00 para permanência no simples no anocalendário de 2005. Diante da exclusão do Simples, a fiscalização adotou o regime de lucro real trimestral tendo em vista que a contabilidade da empresa, após alguns ajustes fiscais feitos de ofício, apresentou condições de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Foram atribuídas responsabilidades solidárias pelos créditos tributários apurados contra a empresa Forusi Metais Sanitários Ltda à FUNDIÇÃO BUNI LTDA (CNPJ 47.300.629/000110) e a JOSÉ LUIZ BUCCHI (CPF 783.048.22849), tendo em vista os fatos relatados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 265/285. Cientificada dos lançamentos em 15/07/2010, a empresa apresentou, em 13/08/2010, a impugnação de fls. 697/714, instruída com os Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.002430/201020 Resolução nº 1302000.334 S1C3T2 Fl. 1.753 4 elementos de fls. 715/724, alegando, PRELIMINARMENTE, nulidade dos autos de infração tendo em vista que: 1 – a empresa não foi definitivamente excluída do Simples uma vez que o processo de exclusão se encontra em fase de recurso administrativo e, em razão disso, eventual crédito tributário decorrente da exclusão deve permanecer suspenso, nos termos do art. 151, III, do CTN, bem assim o presente processo até decisão final do processo nº 10865.003623/200964 que tratou da exclusão; 2 – a autoridade fiscal não verificou a ocorrência do fato gerador; não determinou a matéria tributável; não demonstrou de forma correta o montante do tributo devido; não individualizou os créditos bancários e não observou que diversos lançamentos são decorrentes de empréstimos, vendas, transferências entre contas de mesmo titular e desconto de títulos e cheques, etc; 3 – a documentação que originou o auto de infração foi obtida através de meios ilegais uma vez que não houve o esgotamento de outras vias antes da quebra do sigilo bancário; Quanto ao MÉRITO alegou, em síntese, que os depósitos bancários, por si só, não constituem renda passível de tributação, pois eles não constituem fato de gerador do IRPJ, nem da CSLL, e que cabe ao Fisco a comprovação do nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a omissão de rendimentos, conforme entendimento que vem sendo adotado pelos julgadores administrativos. Além disso, deveria a autoridade fiscal individualizar créditos bancários, um a um, e intimar a contribuinte a dar explicações, para só depois concluir que os numerários representariam ou não renda tributável. Contestando a forma de tributação alegou que uma eventual tributação deve se dar pelo lucro presumido e não pelo lucro real, pois se tratando de empresa optante pelo Simples que industrializa por encomenda, a tributação pelo lucro presumido é menos onerosa. Em seguida alegou que a sua exclusão do Simples não se deu de forma definitiva, pois o recurso contra a exclusão ainda se encontra pendente de decisão e, por conseguinte, eventual crédito tributário deveria ser apurado com base no Simples. Contestou a multa aplicada de 75% alegando ser ela abusiva e ter caráter confiscatório. Por último solicitou que as intimações sejam remetidas tanto para o endereço da impugnante como para o endereço de seus procuradores. Não houve qualquer manifestação por quem de direito quanto às responsabilidades solidárias atribuídas à FUNDIÇÃO BUNI LTDA e a JOSÉ LUIZ BUCCHI. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) preliminarmente, por estar suspenso o crédito tributário, uma vez que o julgamento da exclusão do Simples não está esgotado, também deve permanecer suspenso este processo até decisão final no PA nº 10865.003623/200964; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.002430/201020 Resolução nº 1302000.334 S1C3T2 Fl. 1.754 5 b) ao não excluir as transferências entre contas de mesma titularidade, a fiscalização feriu o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e os art. 287 e 288 do RIR/99, bem como o art. 42 da Lei nº 9.430/96; c) o auto de infração é nulo pela quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e sem o esgotamento de outras vias, anteriormente à quebra; d) no mérito, ultrapassadas as preliminares, alega que a mera existência de depósitos em conta corrente não caracteriza por si só a disponibilidade econômica de renda e proventos, devendo haver a comprovação do nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a omissão de rendimentos. Além disto, há depósitos que não correspondem a receita da pessoa jurídica no lançamento e os créditos não foram individualizados, um a um, com a intimação para explicações; e) o cálculo deveria ter sido feito com base no Simples e não no lucro real, base de cálculo que, por ser muito onerosa, fere a capacidade contributiva do contribuinte (art. 145, §1º da Constituição Federal). A recorrente prefere o critério de apuração pelo lucro presumido; f) a apuração dos tributos desde 01/08/2004 fere a irretroatividade, pois há duplicidade de interpretação e o ato declaratório de exclusão data de 23/11/2009. A data da situação excludente somente pode ser a data da ciência do ADE (art. 112, CTN). Violação, também, dos princípios da não surpresa, segurança jurídica e legalidade tributária; g) requer improcedência do auto de infração e extinção do crédito tributário. Caso mantido o auto, requer apuração com base no lucro presumido ou o Simples. É o relatório. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10865.002430/201020 Resolução nº 1302000.334 S1C3T2 Fl. 1.755 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Alega a recorrente, como preliminar, a prejudicialidade do julgamento a ser proferido no PAF 10865.003623/200964, cujo resultado deverá influir no mérito do caso vertente. Naquele processo se discute a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/08/2004, com base na violação do art 9º, IX, da Lei nº 9.317/96. O supracitado PA está para ser distribuído nesta Primeira Seção de Julgamento, conforme atesta o eprocesso. Tendo em vista a relação de dependência entre uma matéria e outra, e para garantir maior segurança jurídica pela harmonia de decisões, é salutar que sejam ambos julgados pelo mesmo colegiado, e conjuntamente. A questão foi prevista no art. 49, §7º do RICARF, verbis: § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Desta forma, tendo em vista que o mérito a ser aqui decidido possui relação de decorrência com aquele a ser decidido no PAF 10865.003623/200964, voto para converter o julgamento em diligência, para que o PAF supracitado seja distribuído a este relator, independentemente de sorteio, nos termos do art. 49, §7º, do RICARF, sendo sobrestado o presente julgamento até que a referida distribuição se aperfeiçoe. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.906240/2012-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/10/2004
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 40 /2 01 2- 74 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2004 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906240/201274 Acórdão n.º 1802003.207 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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