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Numero do processo: 10980.001479/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de leis, aplicando-se ao caso a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3302-005.277
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de leis, aplicando-se ao caso a Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciarse sobre inconstitucionalidade de leis, aplicandose ao caso a Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 79 /2 00 2- 39 Fl. 199DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS/1997, de fls. 16/19, decorrente de auditoria interna na DCTF dos segundo e quarto trimestres de 1997, onde constatouse “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”, exigindo R$ 18.169,40 de PIS, R$ 13.627,05 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais. No “DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS” (fl. 18), constam valores informados em DCTF a título de “COMP S/ DARF – OUTROS JUD”, referente ao Processo nº 95.00144107, nos valores de R$ 5.200,00, R$ 3.596,00 e R$ 4.191,00, relativos aos períodos respectivos de 04/1997, 05/1997 e 06/1997, cujos créditos não foram confirmados; e R$ 5.182,40 do período de 12/1997, cujo pagamento não foi localizado. Tem como enquadramento legal os arts. 1º e 3º, “b”, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 83, III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 2º, I e parágrafo único, 3º, 5º, 6º e 8º, inciso I, da Medida Provisória nº 1.495/9611 e reedições, arts. 2º, I e § 1º, 3º, 5º, 6º e 8º, inciso I, da Medida Provisória nº 1.546/96 e reedições, arts. 2º, I e § 1º, 3º, 5º, 6º e 8º, inciso I, da Medida Provisória nº 1.623/9727 e reedições. A multa de ofício está fundamentada no art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 1º da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 44, I e § 1º, I, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou por intermédio de seu representante legal, a impugnação de fls. 01/12, em 19/01/2002, argüindo em preliminar a nulidade do auto de infração, por não ter sido lavrado no estabelecimento do fiscalizado e por não haver menção à tipificação tributária e à sanção aplicável, em desacordo com o que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Alega que inexistindo a descrição dos fatos em que se baseou a autoridade fiscal para promover a autuação, deixaram de ser fornecidos elementos fundamentais perante o texto legal, que implicam o cerceamento ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta que o pagamento de R$ 5.182,40 apontado como não confirmado se comprova por meio do DARF Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10980.001479/200239 Acórdão n.º 3302005.277 S3C3T2 Fl. 200 3 que faz juntar aos autos. E os créditos vinculados que não foram confirmados referemse à Medida Judicial em trâmite sob nº 95.00144107 perante o Superior Tribunal de Justiça, conforme extrato que anexa, estando inclusive suspensa a exigibilidade de tais créditos. Entende que não houve qualquer ocorrência de ato de transgressão pela autuada, inexistindo a figura da multa, porque falta relação jurídica de direito material a lhe dar causa de existência. Diz que sendo os fatos geradores exigidos posteriores a 1º de janeiro de 1997 é impossível a aplicação do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E que a aplicação do percentual de 75% caracteriza em verdadeiro confisco tributário. Por fim, questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Em 20 de outubro de 2004, foi julgado o processo pela 3ª Turma desta Delegacia de Julgamento, proferindo o Acórdão nº 7.200, onde foram rejeitadas as preliminares de nulidade, considerando procedente em parte o lançamento, para exclusão da exigência relativa ao pagamento espontâneo que restou comprovado. Analisando o recurso interposto pela interessada, o então Segundo Conselho de Contribuintes emitiu o Acórdão nº 204 01.006, em 20/02/2006, que decidiu, por maioria de votos, anular o processo a partir da decisão recorrida, por ser considerado nulo o ato administrativo praticado com cerceamento de direito de defesa do contribuinte, em razão de que a ausência de análise pela DRF da documentação trazida aos autos pela contribuinte terminou por ocasionar cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a decisão recorrida manteve o lançamento exatamente em virtude da análise desta documentação. A DRF em Curitiba, em atendimento à decisão do então Conselho de Contribuintes, realizou revisão de ofício do lançamento, manifestandose de acordo com a Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19 de fevereiro de 2002, sobre a documentação trazida aos autos pela contribuinte, sendo acordado pela manutenção do lançamento em relação aos períodos de apuração abril, maio e junho de 1997 e decidindose pela extinção do débito referente ao período de apuração dezembro de 1997. Cientificada da revisão de ofício, em 17/11/2014, a interessada apresentou impugnação em 08/12/2014, pela qual acrescenta aos argumentos já lançados a incidência de prescrição intercorrente do Processo Administrativo Fiscal, já que, apesar de suspensa a exigibilidade do crédito, diz que o prazo para conclusão do processo administrativo não é indefinido e que o atraso na apreciação do processo, sem justificativa plausível que o embase, comprova verdadeira desídia da Administração Pública. Por isso, entende que deve ser reconhecida a prescrição intercorrente, já que decorridos quase doze anos de sua tramitação, sob pena de se aceitar a própria imprescritibilidade da exação. Cita o art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal e a Lei nº 11.457, de 2007, que estabeleceu em seu artigo 24 o prazo máximo para decisões administrativas como Fl. 201DF CARF MF 4 sendo de 360 dias, contados a partir da apresentação do pleito do contribuinte. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997 LOCAL DA LAVRATURA. O fato de a fiscalização proceder à lavratura do auto de infração fora do estabelecimento da fiscalizada não caracteriza a nulidade do procedimento, já que a determinação legal é que se faça a lavratura no local de verificação da falta. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Contendo no lançamento a descrição dos fatos e enquadramento legal suficiente para o conhecimento da infração cometida, referindose à falta de recolhimento e declaração inexata, pela não localização de pagamento e não confirmação de créditos vinculados, decorrentes de processo judicial, informados em DCTF, o procedimento encontrase em conformidade com os dispositivos legais que regem a matéria, não havendo que se falar em nulidade. PRAZO PARA CONCLUSÃO DE LITÍGIO. Inexiste previsão legal que autorize a extinção de obrigação tributária devidamente formalizada em função da mera demora da autoridade administrativa em concluir o litígio instaurado em procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DARF. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Estando comprovado o pagamento espontâneo do débito por meio de DARF, cancelase a exigência constituída em razão de procedimento de ofício. Período apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.001479/200239 Acórdão n.º 3302005.277 S3C3T2 Fl. 201 5 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO INEXATA. Presente a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, uma vez que os créditos vinculados decorrentes de processo judicial e utilizados para a redução do débito declarado não foram confirmados, autorizada está a formalização de ofício do crédito tributário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados com base na taxa Selic são exigidos por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 17/03/2015, conforme AR de fl. 163, apresenta em 15/05/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 183, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 184/196, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória. À fl.184 há um carimbo do CAC/CTA/CENTRO, cuja data é 14/04/2015. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Prescrição Intercorrente Quanto à prescrição intercorrente arguida no curso do processo administrativo fiscal, em razão da demora da Administração Pública para conclusão do processo administrativo, cabe destacar que embora a Lei nº 11.457, de 2007, tenha introduzido no âmbito administrativo um prazo para análise das petições e recursos, esse prazo é considerado impróprio para ultimar a tutela administrativa já que não existe nas normas especificas, ex vi do Decreto nº 70.235, de 1972, um lapso temporal para findar o processo administrativo fiscal. Ressaltese ainda quanto à prescrição intercorrente, que referida matéria encontrase sumulada por esse Egrégio Conselho, conforme a seguir transcrito. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Fl. 203DF CARF MF 6 Da multa confiscatória Com relação à natureza confiscatória das multas, por forma regimental, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Quanto à suposta ilegalidade/inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, a matéria também se encontra sumulada neste E. Conselho, conforme transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 4, cujo enunciado segue transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000327/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO.
Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
Numero da decisão: 3302-005.210
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 20/12/2000.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 20/12/2000. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adotase o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 14/07/1999 a 21/02/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 27 /2 00 6- 11 Fl. 1150DF CARF MF 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 20/12/2000. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 275/339. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos de julho de 1999 a agosto de 2003, constituiu crédito tributário no montante de R$ 1.205.428,25, incluídos principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até o mês anterior ao de lavratura. No TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 275/284, a autoridade autuante relata, em síntese, que o valor apurado é decorrente de falta de recolhimento de CPMF em virtude de medida judicial posteriormente revogada (liminar concedida no Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0277675). Afirma ainda aquela autoridade que os débitos foram apurados com base nas informações fornecidas pelo HSBC Bank Brasil S/A, instituição financeira junto à qual a fiscalizada mantinha conta corrente, através do demonstrativo denominado VALORES INFORMADOS PELOS DECLARANTES (fls. 278/283), que foram prestadas em atendimento ao disposto no art. 45, inciso IV, da Medida Provisória n° 2.11330, de 2001. Cientificada da exigência em 22/02/2006, em 24/03/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 341/356, na qual alega, preliminarmente, que 1. não houve renúncia à esfera administrativa, porquanto a matéria tratada nas ações de Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 19515.000327/200611 Acórdão n.º 3302005.210 S3C3T2 Fl. 1.151 3 mandado de segurança é diversa da que se discute através dessa impugnação; 2. nos termos do art. 150, § 4 o do Código Tributário Nacional, o prazo decadencial para tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. Assim, sustenta que teria decaído o crédito relativo aos fatos geradores ocorrido até 21/02/2001. No mérito, a interessada argumenta que 3. A responsabilidade pela retenção e recolhimento da referida contribuição, após a revogação da medida liminar, é da instituição financeira, a quem caberia ser dirigida a exigência efetuada pelo Fisco. Aduz que somente nas hipóteses de insuficiência de fundos ou encerramento da conta a instituição estaria desobrigada de proceder à retenção e recolhimento do tributo; 4. O disposto no art. 63, § 2 o da Lei n° 9.430, de 1996, em face da decisão judicial que cassou a liminar anteriormente concedida, somente se aplica em relação ao Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0277675, que j á transitou em julgado, sendo inaplicável em relação ao Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0139840, o qual ainda estaria pendente de julgamento; Caso se entenda que os 30 dias devem ser contados da cassação das liminares, a mora somente poderia ser considerada a partir de 18/03/2000, no primeiro caso e a partir de 24/08/2002, no segundo; 5. A composição dos valores dos encargos moratórios quase triplica o valor do crédito tributário, afrontando a ordem jurídica e contrariando princípios éticos e morais; Como a impugnante não concorreu para a mora, não pode ser condenada ao pagamento da multa e dos juros de mora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira C P M F Período de apuração: 14/07/1999 a 06/08/2003 CPMF. Decadência. Prazo. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à CPMF é de dez anos, contado a partir do I o dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia ter sido constituído, consoante art. 45 da Lei n° 8.212/91. Lançamento de Ofícío. Falta de Recolhimento pela instituição financeira. Responsabilidade Supletiva do Sujeito Passivo. Confirmada pela Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, está correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o Fl. 1152DF CARF MF 4 sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Lançamento de Ofício. Multa de Ofício. Juros de Mora. Taxa Selic. Legitimidade. Correta a imposição da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora, equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. CRÉDITO SUSPENSO. JUROS D E MORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora durante a vigência de liminar que suspende a exigência do crédito tributário. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Lançamento Procedente Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 28/07/2008, conforme AR de fl. 738, apresenta em 26/08/2008, fl. 743/760 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória, cabendo destacar a Súmula Vinculante nº 08, do STF, quanto à contagem do prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Existindo discussão judicial quanto ao mérito, a lide administrativa prendese às seguintes questões. Da decadência Quanto à decadência, de fato é de se reconhecer a mudança jurisprudencial invocada pela recorrente, visto que esta é superveniente à decisão de piso, nesse sentido, ao dispor a Súmula Vinculante STF nº 8, que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, adotase o prazo decadencial e prescricional disposto no Código Tributário Nacional CTN. No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 22/02/2006, fl.285, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de julho de 1999 a agosto de 2003, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 20/12/2000, fl.323. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19515.000327/200611 Acórdão n.º 3302005.210 S3C3T2 Fl. 1.152 5 Da ilegitimidade passiva Quanto à ilegitimidade passiva arguida, importa ressaltar quanto à responsabilidade tributária, as disposições do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifei) Em consonância com as referidas prescrições, dispôs a Lei n°9.311, de 1996: Art. 5o É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: 1 às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2o; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2o. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7o sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2a Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.(grifei). Constatase portanto, das disposições do § 3º acima transcrito que o lançamento da CPMF, na falta de retenção desta pela Instituição Financeira pode ser efetuado em nome do contribuinte, visto que a lei lhe atribui a responsabilidade supletiva. Assim, não há que se cogitar de ilegitimidade passiva uma vez que o lançamento foi efetuado conforme as disposições legais pertinentes, acima destacadas. Da multa de ofício Quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1154DF CARF MF 6 de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, está explicitado nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido §3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19515.000327/200611 Acórdão n.º 3302005.210 S3C3T2 Fl. 1.153 7 títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Com efeito, sobre a matéria, decidiu o STF, no julgamento do RE 582.461/RG, a seguir ementado: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 1156DF CARF MF 8 No mesmo sentido já sumulou este E. Conselho, nos termos a seguir: Súmula Carf nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à mora arguída, assim dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996: Débitos com Exigibilidade Suspensa Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Verificase que o § 2º dispõe sobre a incidência de multa moratória, o que não é o caso dos autos. Com relação à matéria litigada, assim se manifesta a decisão de piso: Ora, o referido dispositivo é claro ao dispor que a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, nada dispondo sobre a necessidade da definitividade da decisão. Assim, não tendo efetuado o recolhimento do tributo dentro dos 30 dias da publicação da decisão que cassou a liminar, ou seja, até o dia 18/03/2000, sujeitase o contribuinte à aplicação da multa de ofício, conforme preceitua o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. E importante ressaltar que, conforme informado pela própria impugnante (fl.351), a instituição financeira HSBC BANK BRASIL S/A não foi incluída na ação mandamental n° 2002.61.00.0139840 (ver fls. 249/250), e, portanto, a liminar concedida em tal ação judicial é estranha a este processo. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19515.000327/200611 Acórdão n.º 3302005.210 S3C3T2 Fl. 1.154 9 Por fim, argumenta a impugnante que, caso se entenda que os 30 dias devem ser contados da cassação das liminares, a mora somente poderia ser considerada a partir dos 30 dias após a cassação dessas. O centro da controvérsia reside na possibilidade ou não de incidência de juros sobre o crédito tributário que se encontra com a exigibilidade suspensa. A tese da autuada, entretanto, não merece acolhida. A esse respeito, vejamos inicialmente o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal acerca dos efeitos da cessação da eficácia da liminar, expresso na súmula 405: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária, (destaques acrescidos). Em julgados posteriores à sumula, assim tem decidido o STF, expressamente ratifica: ● Natureza precária das medidas cautelares antecipatórias "Com efeito, é decorrência natural do regime das medidas cautelares antecipatórias que a sua concessão se cumpra sob risco e responsabilidade de quem as requer, que a sua natureza é precária e que a sua revogação opera automáticos efeitos 'ex tunc'. Em se tratando de mandado de segurança, há até mesmo súmula do STF a respeito (Súmula 405: (...). A matéria tem, atualmente, disciplina legal expressa, aplicável a todas as medidas antecipatórias, sujeitas que estão ao mesmo regime da execução provisória (CPC, art. 273, § 3º). Isso significa que a elas se aplicam as normas do art. 475O do Código: o seu cumprimento corre por conta e responsabilidade do requerente (inciso I), que, portanto, tem consciência dos riscos inerentes; e, se a decisão for revogada, 'ficam sem efeito', 'restituindose as partes ao estado anterior' (inciso II). O mesmo ocorre em relação às medidas cautelares, cuja revogação impõe o retorno das partes ao 'status quo ante', ficando o requerente responsável pelos danos oriundos da indevida execução da medida (art. 811 do CPC)." (RE 608482, Relator Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgamento em 7.8.2014,DJede 30.10.2014) Revogação de liminar e efeitos ex nunc em casos excepcionais "Esta Corte vem reconhecendo que a revogação da liminar operase, excepcionalmente, com efeitos ex nunc nos mandados de segurança denegados com base no entendimento resultante do RE 596.663RG, mas que tiveram a medida precária concedida anteriormente com fundamento na jurisprudência vigente à época, favorável aos impetrantes. Proteção da confiança legítima. Nesse sentido:MS 25.430(Rel. Min. Eros Graus, redator para o acórdão Min. Edson Fachin) eMS 30.556 AgR(Rel. Min. Rosa Weber)." (MS 34350 AgR, Relator Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, julgamento em 7.11.2017, DJe de 17.11.2017). Fl. 1158DF CARF MF 10 Cabíveis portanto, os acréscimos legais exigidos. Das Notificações e Intimações Quanto à solicitação de que as notificações e intimações referentes ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, é de se esclarecer que o Decreto nº 70.235, de 1972, norma que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, em seu artigo 23, incisos I, II e III, estabelece as formas de intimação e precisamente no inciso II do referido dispositivo determina que [...por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo]. Nesse sentido, indeferese a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio do procurador da Recorrente. Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 20/12/2000, fl.323,e REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 1159DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904176/2012-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/03/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3001-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri- Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/03/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri- Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
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ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 76 /2 01 2- 14 Fl. 215DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.718 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29240991 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 27875.30053.200208.1.3.046065. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10925.904176/201214 Acórdão n.º 3001000.296 S3C0T1 Fl. 216 3 O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 995,28, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/04/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior.. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. Fl. 217DF CARF MF 4 O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Ainda, informa ter ofertado à tributação, itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Vez que excluo os itens relativos aos brindes, doações e produtos submetidos à monofasia, por ter sido argumento de cunho inovador, vez que surgiu apenas no momento do Recurso Voluntário, considerando, portanto, estar precluso seus argumentos. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10925.904176/201214 Acórdão n.º 3001000.296 S3C0T1 Fl. 217 5 Não há, entretanto, nos autos, notícia das razões e fatos, do apontado erro na apuração do tributo tido como causador do pagamento a maior. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS, mas, até o presente momento processual, desvirtuouse da questão central. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Afinal, porque os R$ 515.173,56, são o valor correto? O que mudou na sistemática de cálculo, anteriormente utilizada pelo contribuinte? O Fisco tem o Dever de conhecer tais razões. Em busca de equilibrar tal relação, e pela concretude da verdade material, trazse fundamentos desta casa para justificar o entendimento aqui exposto. Que em sede de Recurso Voluntário, devese enfrentar a questão central da discussão, a ocorrência ou não do alegado pagamento indevido. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. Fl. 219DF CARF MF 6 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.904176/201214 Acórdão n.º 3001000.296 S3C0T1 Fl. 218 7 relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da Fl. 221DF CARF MF 8 verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.904176/201214 Acórdão n.º 3001000.296 S3C0T1 Fl. 219 9 parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova Fl. 223DF CARF MF 10 parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Conclusão Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.904176/201214 Acórdão n.º 3001000.296 S3C0T1 Fl. 220 11 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000160/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2005 a 16/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA REGULAR. PROCURADOR DESAUTORIZADO. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Restando demonstrado nos autos que a intimação do sujeito passivo solidário, através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE pela RFB, foi efetivada nos termos do § 2º, inciso III, alínea 'b', do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, descabe a arguição de nulidade da referida intimação, por ter sido acessada por funcionário não habilitado para tal atividade.
Numero da decisão: 3302-005.372
Decisão: RO Negado e RV Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da recorrente MERCOCAMP e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário da SIMM - SOLUÇÕES INTELIGENTES e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA REGULAR. PROCURADOR DESAUTORIZADO. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Restando demonstrado nos autos que a intimação do sujeito passivo solidário, através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE pela RFB, foi efetivada nos termos do § 2º, inciso III, alínea 'b', do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, descabe a arguição de nulidade da referida intimação, por ter sido acessada por funcionário não habilitado para tal atividade. RO Negado e RV Não Conhecido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da recorrente MERCOCAMP e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário da SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 01 60 /2 01 0- 41 Fl. 1833DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, na data de 03/01/2011, para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, além de multa isolada do Imposto de Importação, no valor de R$ 6.785.363,02 em virtude dos fatos a seguir descritos. No período de 2005 a 2008 a empresa fundapeana MERCOCAMP promoveu a importação por contas e ordem da empresa SIMM (denominado ADQUIRENTE) aparelhos moveis da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER) de origem chinesa (Taiwan). Até março de 2008 descreviaos em campo próprio nas Declarações de Importação como "MAQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS" . De abril a maio/2008 passou a denominálos "COMPUTADOR DE BOLSO POCKET PC". Acreditase que tenhamno feito para diferenciálos dos conhecidos DESKTOPS (computadores de mesa). A MERCOCAMP utilizouse de duas classificações fiscais da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) em suas operações, a saber: 8471.41.10 (OUTRAS MAQUINAS DIGITAIS RARA PROCESSAMENTO DE DADOS, CONTENDO NO MESMO CORPO, PELO MENOS UMA UNIDADE CENTRAL DE PROCESSAMENTO E, MESMO COMBINADAS, UMA UNIDADE DE ENTRADA E UMA DE SAÍDA, DE PESO INFERIOR A 750 GR.,SEM TECLADO, COM RECONHECIMENTO DE ESCRITA, ENTRADA DE DADOS E DE COMANDOS POR MEIO DE UMA TELA ("ÉCRAN") DE AREA INFERIOR A 280 CM2), com alíquotas de II e de IPI de, respectivamente, 12% e 15%; Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.834 3 8471.41.90 (OUTRAS MAQUINAS DIGITAIS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS), com alíquotas de II e IPI de, respectivamente, 16% e 15%. A utilização das classificações fiscais acima parte da premissa de que os vários modelos de aparelhos móveis da marca HTC são PDAs ("Personal Digital Assistants"). A fiscalização constatou que os aparelhos do fabricante HTC importados por conta e ordem da empresa SIMM são SMARTPHONES e não simplesmente PDAs (ou "handhelds"). Concluise, seguindo a 1a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI1), que a classificação correta é 8525.20.22 (para importações registradas até 31/12/2006) ou 8517.12.31 (a partir de 01/01/2007) da NCM/SH/TEC. O ADQUIRENTE das mercadorias é RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO pelo recolhimento dos créditos tributários, seja porque ambos tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. O contribuinte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL SA foi cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 02/02/2010 (fls.5), através do seu despachante aduaneiro. Em 30/04/2010, o contribuinte MERCOCAMP foi intimado através de CARTA DE COBRANÇA, via Aviso de Recebimento (folhas 356/357 do processo digital),para efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento da intimação. O contribuinte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL SA protocolizou PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE, em 02/02/2010.(grifei) O impugnante alegou que: Conforme se depreende da "descrição dos fatos" ás fls. 04/14, as infrações verificadas, tiveram como objeto, a importação por conta e ordem da SIMM —SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA O MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A (adquirente), de aparelhos móveis da marca HTC (High Tec Computer), provenientes da China. As operações que serviram de objeto da fiscalização ocorreram nos anos de 2005 a 2008. De acordo com a Douta Autoridade Fiscal, a Requerente, quando do registro da Declaração de Importação, até março de 2008 descrevia os respectivos aparelhos no campo próprio, como "MÁQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS". Já de abril a maio de 2008, foi utilizada a classificação referente à "COMPUTADOR DE BOLSO — POCKET PC". Transcreve os textos dos códigos NCMs 8471.41.10 e 8471.41.90. Fl. 1835DF CARF MF 4 Contudo, entendeu a Autoridade Alfandegária, que "em sentido comum os aparelhos do fabricante HTC importados por conta e ordem da empresa SIMM são SMARTPHONES e não simplesmente PDAs (ou "handhelds). Ao final, efetuou o lançamento de oficio da diferença verificada no que se refere aos tributos incidentes na operação, com a aplicação de juros de mora e multa, perfazendo um crédito tributário de R$ 6.785.363,02. DA AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO — NOTIFICAÇÃO IRREGULAR — INSTRUMENTO PROCURATÓRIO COM PRAZO EXPIRADO A Requerente foi intimada do referido auto de infração, através de ciência pessoal de despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, que apôs sua assinatura ás fls. 03 do processo administrativo em referência, no dia 02/0212010.(sic). Ocorre, porém, que o preposto que tomou ciência, não mais tinha poderes para a prática de tal ato, haja vista que o prazo de validade da procuração expirara no dia 31/01 12010, conforme comprova o instrumento procuratório acostado às fls.196/198 do processo administrativo em referência.(sic) Desta feita, comprovada a irregularidade na notificação, não pode ser considerada como para declarar a intempestividade da impugnação administrativa ao Auto de Infração. Quadra enfatizar, que a Requerente tomou conhecimento da existência de um auto de infração, apenas quando do recebimento da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010, vindo a ter ciência de seu conteúdo no dia 13/05/2010, quando se dirigiu até a Alfândega do Porto de Vitória, e foi pronta e diligentemente atendida pelo Auditor Fiscal, Sr. Luciano Rocha Madeira, que forneceu todas as informações necessárias. A essa altura, em que aparentemente não havia mais nada a ser feito na esfera administrativa (o vicio na notificação foi constatado alguns dias depois), os administradores da Requerente passaram a empreender todos os esforços, no sentido de localizar a origem do crédito tributário objeto da carta cobrança, sendo possível constatar, a improcedência do auto de infração, tendo em vista que grande parte das diferenças lançadas de oficio, já haviam sido recolhidas espontaneamente, quando apontada a diferença da classificação pela fiscalização em um processo de importação do ano de 2008. Certo é, que se a Requerente tivesse sido regularmente intimada à época, o fato já estaria elucidado, eis que não teria qualquer dificuldade em demonstrar o alegado no parágrafo acima, sem ter de adentrar em discussões jurídicas de cunho instrumental. No entanto, haja vista o vicio na notificação, não obstante a aparente ciência (pela aposição da assinatura de despachante aduaneiro sem poderes de representação)em 02/02/2010, a Requerente se vê obrigada a perquirir, como matéria preliminar ao mérito, a TEMPESTIVIDADE de sua impugnação (na Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.835 5 hipótese de V. Sa. não acatar o pedido principal deste petitório), cujas razões segue em anexo. No entanto, utilizase, primeiramente, de seu direito de petição esculpido na Constituição Federal, no intuito de demonstrar, através de prova incontroversa, o pagamento das diferenças apontadas pela fiscalização à época. Cabe salientar, na oportunidade, que o pagamento das diferenças (que serão detalhadas adiante), se deu de forma espontânea pela Requerente, com o objetivo exclusivo de evitar qualquer autuação ou questionamento por parte da autoridade fazendária. DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO QUE ENSEJAM A REVISÃO ADMINISTRATIVA DO LANÇAMENTO Esclarece a Requerente que não pretende através do presente requerimento, discutir qualquer fundamento de fato ou de direito em que se funda o auto de infração em referência (o que é objeto da impugnação em anexo, cujo recebimento constitui pedido subsidiário do presente requerimento, caso não seja declarado nulo o auto de infração). Mas, apenas, solicitar a revisão do lançamento, haja vista a não apreciação de fato relevante, não conhecido quando da lavratura do auto de infração, consubstanciado no pagamento espontâneo de grande parte das diferenças apontadas, com o condão de alterar significativamente a base tributável. A intenção da Requerente veiculada no presente requerimento, não obstante não ter previsão na legislação que regula o processo administrativo tributário federal, encontra amparo no direito de petição esculpido no artigo 5°, inciso XXXIV da Constituição Federal, e no artigo 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional. Transcreve os respectivos incisos. Isto posto, será demonstrado adiante, de maneira detalhada pagamentos efetuados espontaneamente pela Requerente em 2008, que foram novamente lançados no auto de infração. DOS FUNDAMENTOS DE FATO QUE ENSEJAM A REVISÃO DO LANÇAMENTO — PAGAMENTOS EFETUADOS ESPONTANEAMENTE PELA REQUERENTE O impugnante colaciona de folhas 363 a 374 do processo digital tabelas com o número da fl. do processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração) onde se encontra o lançamento da diferença, também identificado pelo número da Declaração de Importação (DI). Conforme se depreende da relação dos recolhimentos efetuados espontaneamente pela Requerente, é de se verificar que quase a metade do total das diferenças apuradas no procedimento administrativo fiscal é absolutamente inexigível. Fl. 1837DF CARF MF 6 No intuito de demonstrar o impacto na base tributável, segue abaixo, demonstrativo do montante da diferença apurada (Impostos e contribuições), e o montante já recolhido espontaneamente, em relação a cada tributo incidente nas operações de origem. Dessa forma, notase, que praticamente a metade do valor principal, que acrescido de juros, multas e etc. deu origem ao lançamento em foco, já havia sido recolhido no dia 29/0812008, espontaneamente pela requerente, fato não conhecido na ocasião da lavratura do auto de infração. Quadra ressaltar, que os valores recolhidos espontaneamente pela Requerente, foram devidamente atualizados, conforme comprovam os DARFs em anexo, o que demonstra sua patente boafé, e retidão de conduta perante a Administração Tributária, premissas inarredáveis em suas atividades empresariais. A propósito, é de se verificar que a classificação fiscal utilizada nos casos em que não houve o recolhimento espontâneo da diferença, teve como fator determinante, a Solução de Consulta n°. 338, de 10 de novembro de 2003, da lavra da Superintendência Regional da Receita Federal da r Região Fiscal (DOC n°. 30), que entendeu que o Código TEC para "computador de bolso, com telefone celular integrado, não possuindo teclado alfanumérico físico, utilizado para telefonia móvel", é o 8471.41.10, utilizado pela Requerente. Evidente, portanto, que não houve qualquer tentativa por parte da Requerente de reduzir a carga tributária através da escolha de classificação mais benéfica, até mesmo pelo fato de que se embasou em pronunciamento da própria autoridade fazendária, restando claro que a revisão teve como motivação a modificação de critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.836 7 DO RECEBIMENTO DA IMPUGNAÇÃO — SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CREDITO — IMPUGNAÇÃO QUE SUSCIDA PRELIMINAR DE TEMPESTMDADE — ADNCOSIT n°. 15/96 Caso o pedido de revisão de oficio do lançamento em foco, com a conseqüente decretação de NULIDADE do auto de infração em referência não seja acolhido de plano, o que se admite somente ad argumentandum, requer a V. Sa., o recebimento da IMPUGNAÇÃO, cujas razões segue em anexo, nos termos do artigo 15 do Decreto n°.70.235/72. Transcreve o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15/96, que dispõe sobre o tratamento que deve ser dado pela administração federal às impugnações apresentadas fora do prazo legal. Nos casos em que a tempestividade é suscitada como preliminar da impugnação, há a instauração da fase litigiosa do procedimento, a suspensão da exigibilidade do crédito, além de comportar o julgamento em primeira instância. Presentes os dois requisitos constantes da ADNCOSIT n°. 15/96, quais sejam, a demonstração cabal de vicio na notificação da Requerente, e a arguição da tempestividade em sede de preliminar da impugnação cujas razões seguem anexo. Isto posto, caso V. Sa., ad argumentandum, não acolha o pedido der revisão de oficio do lançamento enfocado, com o imediato cancelamento (anulação) da exigência fiscal e lavratura de um novo auto de infração, se for o caso, pugna a Requerente, pelo recebimento da impugnação, cujas razões segue em anexo, operandose, de imediato, a suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração em referência, com fulcro na ADNCOSIT n°. 15/96. DOS PEDIDOS Face ao todo exposto, requer a V. Sa.: a) A SUSPENSÃO IMEDIATA dos atos de cobrança do crédito constituído por meio do auto de infração que se objetiva a revisão, haja vista o teor da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010; b) A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CREDITO enquanto não apreciado o pedido contido no presente petitório, com supedâneo na ADNCOSIT n°. 15/96; c) A REVISÃO do lançamento em foco, tendo em vista o vicio de notificação e a existência de prova inequívoca do pagamento espontâneo pela Requerente, de impostos e contribuições que representam quase a metade das exações lançadas no auto de infração, pugnando, com efeito, pela: c.1) ANULAÇÃO do auto de infração em referência; e c.2) LAVRATURA de novo auto de infração, desconsiderando os Fl. 1839DF CARF MF 8 tributos cujo pagamento se demonstra de forma incontroversa através dos documentos acostados; d) Caso assim não entenda V. Sa., requer o RECEBIMENTO DA IMPUGNAÇÃO, cujas razões segue em anexo, nos termos do artigo 15, do Decreto n°. 70.235/72, ressaltando a argüição em sede de preliminar, da sua TEMPESTIVIDADE, devendo a mesma, ser remetida à primeira instância julgadora, haja vista a instauração da fase litigiosa do procedimento, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do ADN COSIT n°. 15/96. O contribuinte empresa MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A, PROTOCOLIZOU IMPUGNAÇÃO, intempestivamente em 02/06/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 379 à 416 do processo digital. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO A primeira preliminar suscitada, se refere à PATENTE TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO, não obstante constar formalmente no processo administrativo que a ciência (notificação) ocorrera no dia 0210212010. Doutos Julgadores, a tentativa de notificação da Impugnante do teor do auto de infração, se deu através de ciência pessoal de despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, que apôs sua assinatura às fls. 03 do processo administrativo em referência, no dia 02/02/2010. Ocorre, porém, que o preposto que tomou ciência, não mais tinha poderes para a prática de tal ato, haja vista que o prazo de validade da procuração expirara no dia 31/01/2010, conforme comprova o instrumento procuratório acostado ás fls. 196/198 do processo administrativo em referência. Quadra enfatizar, que a Impugnante tomou conhecimento da existência de "um" auto de infração, apenas quando do recebimento da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010, vindo a ter ciência de seu conteúdo somente no dia 13/05/2010, quando se dirigiu até a Alfândega do Porto de Vitória, e foi pronta e diligentemente atendida pelo Auditor Fiscal, Sr. Luciano Rocha Made, que forneceu todas as informações necessárias. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto: o. (TRF 1 a R. AG 01000253692 (200201000253692) DF e T. Rela Desa Fed.Maria Isabel Gallotti Rodrigues DJU 10.02.2003); (2° CC, 3a Câmara. Acórdão n°. 203 09140, dj. 09/09/2003) e TRF4aR. Proc. 2005.71.12.0029500 6 T. Rel. Desemb. João Batista Pinto Silveira DD 23.02.2007) Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.837 9 É de se verificar, e isso não passará despercebido ao crivo de vossas senhorias, que além de ser uma prática usual na área de comércio exterior, a fixação de prazo determinado foi justamente para balizar o tempo de atuação daquele profissional na defesa dos interesses da Impugnante junto à Alfândega do Porto de Vitória. Com efeito, é de se constatar a flagrante nulidade da ciência dada ao despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, no dia 0210212010, haja vista a inexistência de poderes para representar a impugnante junto ao órgão autuante, de forma que a presente impugnação afigurase manifestamente TEMPESTIVA. Isto posto, é indispensável que o Termo de Revelia lavrado ás fls. 351 seja tornado sem efeito, com o conseqüente conhecimento da presente Impugnação. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO DA DEVEDORA SOLIDÁRIA SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA O MERCADO MÓVEL BRASIL SA Além da nulidade da intimação do sujeito passivo, ora Impugnante, verificase, ainda, a nulidade da intimação da devedora solidária, haja vista a inexistência de comprovação de sua ciência inequívoca pela via postal. Conforme se depreende da análise da intimação SECAT/ALF/Porto Vitória n° 39, acostado às fls. 349 do processo administrativo, de 04/0212010, constatase apenas o código SL491909545BR escrito a mão. Já ás fls. 350, encontrase o relatório de rastreamento dos Correios, supostamente relativo à correspondência por meio da qual teria sido enviada a intimação a que se refere o documento de fls. 349. De acordo com o rastreamento dos Correios, a correspondência postada sob o código de registro SL491909545BR foi entregue ao seu destinatário (sem especificação de conteúdo, endereço ou até mesmo remetente da correspondência) no dia 13/02/2010, não constando dos autos o Aviso de Recebimento ("AR"), emitido e controlado pelos Correios, relativo à suposta intimação. Dessa forma, não havendo o documento comprobatório do envio e seu conseguinte recebimento, não há como se decretar a revelia da devedora solidária, haja vista a total e incontestável ausência de prova de ciência inequívoca do conteúdo do auto de infração. Vale ressaltar, que os Avisos de Recebimento pertinentes às Cartas Cobrança acostadas às fls. 353/354 foram devidamente juntados aos autos do processo administrativo com a aposição das assinaturas dos recebedores. Fl. 1841DF CARF MF 10 Verificase, ainda, que o Termo de Revelia (fls. 352) está datado de 13/01/2010, ou seja, foi assinado em data anterior à suposta Intimação. Sendo assim, é absolutamente factível que a correspondência relativa ao código alfanumérico SL491909545BR não se refira à Intimação. Resta, portanto, evidente, a ilegalidade do procedimento de intimação adotado, que violou de maneira contundente a regra inserta no artigo 23, inciso II, do Decreto n°. 70.235/72, fazendose mister, a nulidade da intimação da devedora solidária SIMM —SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA 0 MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A, tornando sem efeito o Termo de Revelia acostado ás fls. 352, com a realização de nova intimação, e conseqüente reabertura do prazo de impugnação. NULIDADE DO LANÇAMENTO (AUTO DE INFRAÇÃO) — IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO — ERRO DE DIREITO Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Paulo de Barros Carvalho e Hugo de Brito Machado. Sendo assim, no que se relaciona com o caso sob análise, é de se verificar que não é possível a revisão de lançamento de oficio para reclassificação fiscal de mercadoria importada, após a homologação expressa pelo Fisco, através da conclusão do desembaraço aduaneiro. Entendimento contrário representaria para a Administração Tributária, permissivo para equívocos de interpretação que poderiam ser sanados indiscriminadamente através de ato de revisão. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (REsp 1112702/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 06/11/2009) e (STJ, Segunda Turma, RESP – RECURSO ESPECIAL — 700371, publicado no DJ em 16/08/2007). Face ao exposto, concluise que o lançamento sub occulis, consubstanciado no auto de infração combatido, deve ser declarado nulo, haja vista que possui como fundamento, a ocorrência de suposto erro de direito (classificação fiscal das mercadorias importadas), não encontrando guarida no ordenamento jurídico pátrio. DO MÉRITO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA IMPUGNANTE— AUSÊNCIA DE ERRO — CORRETA NCM Conforme se depreende dos manuais acostados às fls. 202/233 do processo administrativo em foco, os aparelhos móveis em referência, tratamse, efetivamente, de computadores móveis de bolso (com ou sem teclado), possuidores das mais diversas funções, dentre as quais se encontra a de telefone. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.838 11 Tais aparelhos são conhecidos no mercado, e possuem como especificação técnica, a denominação de Personal Digital Assistant (PDA). Com a evolução destes equipamentos para a transmissão de dados por meio do sistema de telefonia móvel, tais computadores de bolso passaram também a ser vulgarmente conhecidos como "Smartphonesn. Não obstante a nomenclatura Smartphone seja de fato utilizada vulgarmente como referência popular aos computadores de bolso da HTC, os aparelhos possuem diversas funções interativas, tais como sistema operacional, editores de texto, jogos, câmera fotográfica, leitores de arquivos, navegadores de internet, gerenciador de emails, GPS, etc. A propósito, a avançada tecnologia desses aparelhos faz com que sejam vendidos a preços equivalentes aos computadores pessoais de mesa (desktops), e até mesmo aos computadores portáteis (notebooks), em muito se distanciando, em termos de utilidade, dos simples telefones celulares regularmente comercializados. Por conseguinte, os consumidores de tais aparelhos, ao adquiri los, pagam um preço muito mais alto, se comparados aos aparelhos celulares comuns, haja vista a essencialidade das múltiplas funções que esses computadores oferecem. Com efeito, a impugnante, ao importar os computadores de bolso da HTC por conta e ordem da SIMM — SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA o MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A, classificouos como máquinas digitais para processamento de dados, adotandose as posições NCM 8471.41.10 15 , 8471.41.90 16 e 8471.30.19 17 . Todavia, a autoridade fiscal encarregada do procedimento administrativo fiscal que deu origem ao auto de infração combatido, entendeu que a classificação fiscal adotada pela Impugnante para classificar tais equipamentos, s6 seria cabível para dispositivos móveis sem a função de telefonia, utilizando a denominação "FDA", contrapondose aos Smartphones, os quais deveriam ser classificados como telefones portáteis na posição |NCM 8525.20.22 até 31 de dezembro de 2005, posteriormente convertido para o NCM 8517.12.31 18 . Não passará despercebido ao crivo desta Turma, que a posição adotada pela autoridade fiscal, encontra supedâneo em publicações "postadas" na "Wikipédia", enciclopédia digital notoriamente conhecida em razão da possibilidade de qualquer usuário, cuja intenção seja até mesmo fazer pilhéria na Internet, realizar a inclusão, modificação e exclusão de artigos e noticias sobre determinado assunto. É público e notório que a "Wikipedia" não constitui fonte de consulta confiável na WORLD WIDE WEB, sem qualquer credibilidade técnica ou cientifica. A fundamentação encontrada na fonte em referência (frisase, de credibilidade no mínimo duvidosa), vai de encontro ao próprio posicionamento da Fl. 1843DF CARF MF 12 Receita Federal do Brasil, especialmente, o da lavra da própria 7' Região Fiscal, que classifica computador de bolso com telefone integrado, fabricado pela HTC, na posição 8471.41.10, evidenciando a correta classificação fiscal dos equipamentos in foco. Nos termos da solução de consulta acima, independentemente da função de telefonia, tais equipamentos devem efetivamente ser classificados na posição. A classificação do computador de bolso se dá em virtude da capacidade de processamento de dados, sendo irrelevante a eventual integração com funções típicas da telefonia móvel celular. Além disso, a modificação da denominação de "PDA", para smattphone não ocorreu devido à função integrada de telefonia móvel, e sim, começou a ser comercialmente adotada a partir da ampliação dos serviços de transmissão de dados (principalmente envio e recebimento de emails), sendo certo que o simples nome comercial adotado, por si só, não altera a natureza do produto para efeitos de classificação fiscal. Portanto, em se tratando de computador de bolso, com ou sem o serviço de telefonia integrada, sua posição na TIPI, para efeito de classificação fiscal deve ser a 8471. Transcreve a Solução de Consulta n° 13/2009, da 4ª Região Fiscal. Transcreve a Resolução CAMEX n° 43/2009. Notese, que o primeiro critério para o enquadramento de determinado bem é a verificação da compatibilidade do item com a descrição contida em cada seção e capitulo da TEC, interpretandose em consonância com as determinações contidas nas respectivas notas explicativas. Com base em interpretação canhestra, com supedâneo em informações equivocadas obtidas em textos desprovidos de qualquer credibilidade técnica ou cientifica (extraídas do Wikipédia), e calcandose na Nota 5D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n° 43/06, entendeu a autoridade fiscal, que os aparelhos importados não poderiam ser classificados no capitulo 84 da NCM. Quadra ressaltar que em verdade, o item 2 da Nota 5D inclui os aparelhos para transmissão ou recepção de voz como item "não classificável" na posição NCM 8471, todavia, o ilustre auditor fiscal não se atentou ao item 2, relativamente ao caput da nota 5D, o qual restringe a adoção da posição 8471 tão somente em relação àqueles bens que possuam isoladamente a transmissão ou recepção de voz, de forma que apenas os equipamentos que possuem única e exclusiva função de telefonia móvel, não podem ser classificados na NCM 8471. Com efeito, não se aplica a restrição em comento aos equipamentos importados pela impugnante, haja vista que possuem diversas outras funções e utilidades, prioritárias em comparação A simples função de telefonia. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.839 13 Transcreve Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC. Notase, que a combinação de máquinas (assim entendidas como os bens classificados nos itens 84 e 85) em um s6 corpo deve ser classificada de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, de forma que os equipamentos objeto da indevida reclassificação, só podem ser classificados na posição NCM 8471, utilizado para máquinas automáticas para processamento de dados, haja vista se constituírem em computadores móveis de bolso equipados com diversos recursos que pressupõem a existência de complexo e potente sistema de processamento e armazenamento de dados, a fim de possibilitar a execução de aplicativos como editor de texto, câmera fotográfica, gerenciador de email, navegador de internet, recursos multimídia, jogos, GPS, etc. Resta evidente que a função principal dos equipamentos em exame, é a alta capacidade de processamento de dados para a execução de diversas funções, assim como um computador de mesa ou lap top, sendo a função de telefone celular, apenas mais uma das diversas funções. Desta forma, utilizandose o primeiro critério para interpretação do Sistema Harmonizado, o qual prega pela harmonização entre os textos e notas da TEC atinentes As seções em que cada produto pode ser enquadrado, fica claro que a aplicação lógica das Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC, levam à conclusão de que a correta classificação dos computadores de bolso, é a posição NCM 8471, não havendo outras subposições cabíveis a não ser aquelas adotadas quando do registro da declaração de importação. DO RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO REALIZADO PELA LMPUGNANTE FATO NÃO CONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL No intuito de demonstrar de maneira inequívoca os pagamentos efetuados, bem como, otimizar a análise por VV. Sas., os comprovantes encontramse anexados presente peça impugnatória, fazendo referência, como elemento de identificação, à Declaração de Importação, de forma a possibilitar o confronto com os lançamentos constantes do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO elaborados pela autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração. O impugnante colaciona de folhas 399 a 412 do processo digital tabelas com o número da fl. do processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração) onde se encontra o lançamento da diferença, também identificado pelo número da Declaração de Importação (DI). No intuito de demonstrar o impacto na base tributável, segue abaixo, demonstrativo do montante da diferença apurada (Impostos e contribuições), e o montante já recolhido espontaneamente, em relação a cada tributo incidente nas operações de origem. Fl. 1845DF CARF MF 14 Vale ressaltar, que o recolhimento efetuado pela Impugnante encontra amparo na denúncia espontânea regulada no artigo 138 do Código Tributário Nacional, que afasta a pecha de infração à legislação tributária. Transcreve o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Hugo de Brito Machado. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: . (03 04.315, 3ª Turma, CSRF, 22/02/2005). DOS PEDIDOS Isto posto, requer: a) o RECEBIMENTO DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO, nos termos das razões aduzidas nesta pega, nos termos do artigo 15, do Decreto n° 70,235/72, ressaltando a argüição em sede de preliminar, da sua TEMPESTIVIDADE, haja vista o flagrante vicio de notificação da Impugnante devidamente comprovado, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do ADNCOSIT n°.15/96; b) seja a presente impugnação RECEBIDA, CONHECIDA e TOTALMENTE PROVIDA para: b.1) DECRETAR A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, tendo em vista se tratar de lançamento originado em procedimento administrativo de revisão de oficio fundado em erro de direito, o que é inadmissível de acordo com a legislação em vigor, mormente os artigos 146 e 149 do Código Tributário Nacional; e b.2) caso assim não entendam VV. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.840 15 Sas., o que se admite somente por hipótese, JULGAR ABSOLUTAMENTE IMPROCEDENTE 0 LANÇAMENTO, com fulcro nos argumentos expendidos no item 3.1. c) Por derradeiro, na remota hipótese dos pedidos acima não serem acolhidos, requer que os valores recolhidos, devidamente comprovados nos termos do item 3.2, sejam considerados, com o CANCELAMENTO dos créditos respectivos, constantes do auto de infração. O contribuinte SIMM — SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL DO BRASIL S.A. foi cientificado do Auto de Infração, em 13/02/2010, via Aviso de Recebimento (folhas 353 do processo digital).(grifei) Em 03/05/2010, o contribuinte empresa SIMM foi intimado através de CARTA DE COBRANÇA, via Aviso de Recebimento (folhas 354/355 do processo digital),para efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento da intimação. Protocolizou impugnação, intempestivamente em 02/06/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 973 à 1.000. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES DA TEMPESTIVIDADE A NULIDADE DA SUPOSTA INTIMAÇÃO Consoante se verifica pela simples análise da Intimação SECAT/ALF/Porto Vitória nº 39 (fls. 349), datada de 04 de fevereiro de 2010, inferese a existência de rubrica manuscrita (em área próxima a seu rodapé) com o seguinte código alfanumérico: SL491909545BR. Em documento contido às fls. 350 encontrase o relatório de rastreamento dos Correios, supostamente relativo à correspondência por meio da qual teria sido enviada a intimação a que se refere o documento de fls. 349. Neste documento de controle de rastreamento realizado pelos Correios, apontase como data de entrega como tendo ocorrido em 13/02/2010. Nas folhas seguintes dos autos do processo em referência se encontram os "Termos de Revelia" respectivamente da MERCOCAMP COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A. ("MERCOCAMP") — fls. 351, já devidamente qualificada nos presentes autos (fls.01), bem como da ora IMPUGNANTE (fls. 352). Ocorre que, contrariamente à cediça praxe administrativa, não foi juntado aos autos o chamado Aviso de Recebimento ("AR"), emitido e controlado pelos Correios, relativo à suposta Fl. 1847DF CARF MF 16 intimação a que se refere a correspondência SL491909545BR, apontado no documento de fls. 349. Por mais que os atos praticados pelas Autoridades Administrativas gozem presunção de veracidade e legalidade, seus atos administrativos necessitam ser detidamente comprovados, a simples menção de envio de intimação, sem qualquer documento comprobatório de seu envio (e, pior, de seu respectivo recebimento), implicaria presunção absoluta sem qualquer lastro documental, prática esta vedada pelo Direito Administrativo. Transcreve o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Ac.No 10196532, Rela. Sandra Maria Faroni); (Ac. 10194898, Rel. Paulo Roberto Cortez) e (Ac. 10246574, Rel. José Oleskovicz). Junta textos da doutrina a respeito do assunto de James Marins e de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinéz Lopes. Deste modo, não tendo sido juntado o AR pelas Autoridades Autuantes, como se poderia afirmar que a alegada correspondência (supostamente contendo a Intimação da ora Impugnante) foi efetivamente recebida no domicilio do contribuinte? Notese que não se questiona o endereço encaminhado, nem mesmo o envio de alguma correspondência que contenha o código de rastreabilidade SL491909545BR. Em vista da inquestionável ausência do AR, o que a IMPUGNANTE questiona o efetivo recebimento da referida correspondência. DA NULIDADE DO TERMO DE CIÊNCIA DO SUPOSTO REPRESENTANTE DA MERCOCAMP Reitera os argumentos já apresentados pela MERCOCAMP 8 DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE SUPOSTO ERRO DE DIREITO Com efeito, é cediço que o lançamento nas operações de importação é feito por homologação, modalidade na qual, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional ("CTN"), ocorre quanto aos tributos que a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Hugo de Brito Machado. Salientese que relativamente às importações em questão, houve efetiva verificação documental e física especificadamente em relação às seguintes DIs:05/10911620, 07/05916116, 08/04758772 e 08/07199065, submetidas aos procedimentos inerentes ao denominado "Canal Vermelho". Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.841 17 Deste modo, em decorrência de todos os elementos inerentes a apuração fiscal terem sido disponibilizados h fiscalização no momento do desembaraço aduaneiro, frisese, momento em que lhe é oferecida a possibilidade da conferência documental ou física dos bens importados (efetivamente realizado em várias DIs), naquela oportunidade é dever da Autoridade Fiscal apurar todos os elementos de fato e de direito inerentes ao lançamento, para somente após sua aferição ser adimplido o desembaraço aduaneiro. Transcreve o artigo 149 do Código Tributário Nacional. Porém, é de se notar que o artigo 149, CTN não traz nenhuma hipótese para revisão de oficio do lançamento tributário relacionada a erro de direito, como ocorre nos casos de suposto erro na classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Em outras palavras, o mencionado dispositivo legal não autoriza que a autoridade fazendária revise o lançamento tributário com base em erro fundado pela diversa aplicação e/ou interpretação da legislação tributária pelas autoridades fazendárias em relação a tributo já homologado, como ocorre relativamente ao questionamento acerca da classificação fiscal adotada pelo contribuinte Transcreve o artigo 146 do Código Tributário Nacional. Deste modo, quando do desembaraço aduaneiro, munida de toda a documentação necessária para a aprovação de tal procedimento, a autoridade fiscal poderia muito bem ter exigido a alteração da classificação fiscal (ou ao menos questionado o importador), podendo, até mesmo, ter realizado eventual conferência física/documental de tais bens. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. DO MÉRITO. DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA IMPUGNANTE Tal como mencionado no tópico factual, durante os anos de 2005 a 2008 a IMPUGNANTE importou, por conta e ordem da MERCOCAMP, aparelhos móveis de diversos modelos da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER). Como se verifica dos manuais juntados às fls. 202/233, tratase de efetivos computadores móveis de bolso (com ou sem teclado), possuidores das mais diversas funções, dentre as quais se encontra a função de telefone. Os mencionados aparelhos são comumente conhecidos como Personal Digital Assistant ("PDA"). Com a evolução destes equipamentos para a transmissão de dados por meio da telefonia móvel, tais computadores de bolso passaram também a serem vulgarmente conhecidos como "Smartphones". Fl. 1849DF CARF MF 18 Independente da terminologia que se dê aos computadores de bolso da HTC, certo é que tais computadores possuem diversas funções interativas, tais como sistema operacional (muitas vezes em versões muito similares aos utilizados em computadores de mesa), editores de texto, jogos, câmera fotográfica, leitores de arquivos, navegadores de Internet, gerenciador de emails, GPS, etc. Bem por isso, a IMPUGNANTE, ao importar os computadores de bolso da HTC por conta e ordem da MERCOCAMP, classificouos como máquinas digitais para processamento de dados classificados, adotandose as posições NCM 8471.41.10 4 , 8471.41.90 5 e, ainda, 8471.30.19 6 . Contudo, a R. Autoridade Autuante entendeu que a classificação fiscal adotada pela IMPUGNANTE para classificar tais equipamentos deveria ser utilizada apenas para dispositivos móveis sem a função de telefonia. Relativamente a tais equipamentos, a R. Autoridade Autuante os denominou como PDAs, contrapondose aos Smartphones, os quais deveriam ser classificados como telefones portáteis na posição NCM 8525.20.22 até 31 de dezembro de 2005, posteriormente convertido para o NCM 8517.12.31. Frisese que a suposta restrição da classificação do chamado PDA somente aos computadores de bolso sem telefonia móvel integrada está "fundamentada" em artigos e apontamentos publicados no "Wikipédia", enciclopédia digital notoriamente conhecida em razão da abertura que qualquer usuário da Internet pode realizar para a inclusão de artigos e noticias sobre determinado verbete. Em razão do inconteste e cristalino entendimento apresentado pela própria 7a Região Fiscal da RFB, que classifica computador de bolso com telefone integrado, fabricado pela HTC, na posição 8471.41.10. Transcreve a Solução de Consulta n° 338/03, 7a Região Fiscal, publicada no DOU em 10/12/2003. Fazse relevante apontar que o bem objeto da consulta foi denominado como PDA, porque à época de sua publicação (2003), pouco se comentava no mercado sobre a figura dos Smartphones. Frisese, à época da consulta a denominação comumente utilizada para tais equipamentos se restringia aos termos: PDAs, Handhelds, Palms e congêneres. Transcreve a Solução de Consulta nº 13/2009, emitida pela 4a Região Fiscal. Notese, por importante, que por ser mais recente (meados de 2009) a Solução de Consulta em questão já equipara a denominação PDA e Smartphone. Segundo este novel entendimento fiscal (que ratifica a Solução de Consulta 7a RF, no 338/2003), contrariamente ao pretendido pela D. Autoridade Autuante, verificase que inexiste qualquer diferenciação entre Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.842 19 um e outro equipamento. Seja denominado Smartphone ou PDA, tais computadores de bolso devem serem ambos apontados na posição NCM 8471. Esclarecida a infundada discriminação entre Smartphone e PDA (comprovadamente idênticos, sendo irrelevante a eventual integração de telefonia móvel), resta necessário apontar a correta interpretação decorrente da Resolução CAMEX no 43/2009. Transcreve a Resolução CAMEX no 43/2009. Baseada em interpretações equivocadas extraídas do Wikipédia, bem como fundamentandose na Nota 5D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n° 43/06, entendeu a R. Autoridade Autuante que os bens importados pela IMPUGNANTE não poderiam ser classificados no capitulo 84 da NCM. Em resumo, segundo a interpretação da D. Autoridade Autuante, a Nota 5D do capitulo 84 da NCM supostamente vedaria a classificação de bens contendo a função de telefonia em qualquer posição com o inicio 8471. Nada obstante, a R. Autoridade Autuante olvidouse de interpretar o item 2 relativamente ao caput da nota 5D, o qual restringe a adoção da posição 8471 tão somente em relação àqueles bens que possuam ISOLADAMENTE a transmissão ou recepção de voz. Assim, apenas os aparelhos que apresentem, única e exclusiva função de telefonia, devem ser excluídos da posição NCM 8471. Ocorre que tal situação não é aplicável aos bens importados pela IMPUGNANTE; posto que tais bens, como já exposto, claramente possuem diversas outras funções e utilidades além da simples função de telefonia. Não é necessário grande esforço dialético para se concluir que a Nota 5D apenas exclui da posição 8471 os aparelhos de telefonia móvel que possuam (isolada e tão somente) as funções de transmissão ou recepção de voz, ainda que se utilizem de redes restritas. Transcreve as Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC. Como se verifica da redação das notas em comento, a combina e máquinas (assim entendidas como os bens classificados nos itens 84 e 85) em um só corpo deve ser classificada de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Ora, os bens importados pela IMPUGNANTE, sejam eles denominados PDAs ou Smartphones, só podem ser classificados em posição NCM 8471, a qual é aplicável em relação às máquinas automáticas para processamento de dados. Isso porque, os bens importados, tal como já mencionado acima, são verdadeiros computadores móveis de bolso equipados com Fl. 1851DF CARF MF 20 diversos recursos que pressupõem a existência de complexo e potente sistema de processamento e armazenamento de dados, a fim de possibilitar a execução de aplicativos como editor de texto, câmera fotográfica, gerenciador de email, navegador de internet, recursos multimídia, jogos, GPS, etc. E notável que se não fosse a avançada central de processamento e armazenamento de dados dos bens importados pela IMPUGNANTE, tais bens não seriam hábeis a executar nenhum de seus programas e dispositivos. Nesse particular, fica facilmente perceptível que a função principal do conjunto importado pela IMPUGNANTE é a ampla capacidade de processamento de dados para a execução de diversas funcionalidades, tal como se um computador de mesa fosse; sendo que a função de telefone celular é apenas mais uma das diversas utilidades existentes em tais bens. Transcreve a Regra 3b das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado. Uma rápida leitura do item 3b acima exposto permite concluir que, na hipótese de classificação de bens compostos por mais de um item ou produto, o critério de classificação a ser adotado deve observar a matéria ou artigo que lhe confere a característica essencial. No presente caso, a característica essencial dos bens importados pela IMPUGNANTE é a existência de um potente e compacto processador de dados, o qual permite a execução de diversos aplicativos e funcionalidades inerentes a um computador de bolso, tal como já exaustivamente mencionado. E justamente essa alta capacidade de processamento de dados que diferencia os bens importados pela IMPUGNANTE de um simples aparelho de telefonia celular, por meio do qual apenas é possível realizar e efetuar chamadas e enviar mensagens simples de texto. Portanto, em síntese do até aqui exposto, fica evidente que os aparelhos HTC importados pela IMPUGNANTE são verdadeiros computadores móveis de bolso, em que a função ou característica essencial é o processamento e o armazenamento de dados, os quais são realizados por meio de um potente processador de dados. Em conclusão, em razão de todo o exposto, não poderia a IMPUGNANTE ter classificado os bens por ela importados em qualquer item da posição NCM iniciada com 85, na qual devem ser enquadrados apenas os bens classificáveis como simples telefones celulares. Em vista de todo o acima exposto, deve ser o auto de infração ora combatido julgado integralmente improcedente. DO PAGAMENTO ESPONTÂNEO REALIZADO PELA IMPUGNANTE Reitera os argumentos já apresentados pela MERCOCAMP. DO PEDIDO Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.843 21 Diante de todo o acima exposto, antes às razões aduzidas em sede de preliminares, requer a IMPUGNANTE seja a presente pega impugnativa conhecida e recebida por inequívoca tempestividade, seja face à ausência de comprovação do envio e recebimento da intimação ao domicilio da IMPUGNANTE, seja em vista da nulidade do termo de intimação ter sido preenchido por pessoa desprovida de procuração vigente. Neste contexto, em vista da suscitação da tempestividade ser tratada em sede de preliminar, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT no 15/2006, requer a imediata suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário objeto do lançamento ora cobatido.(sic) Requer ainda se dignem V.Sas decretar a nulidade do auto de infração lavrado, em razão da violação aos artigos 146 e 149, ambos do CTN, por ser fundamentado em suposto erro de direito. A luz do principio da eventualidade, na hipótese remota de não ser decretada a nulidade do auto de infração ora combatido, em vista de todo o acima exposto e confiante no elevado grau de justiça que sempre norteou as decisões proferidas por este D. Colegiado, requer a IMPUGNANTE que os lançamentos sejam julgados integralmente improcedentes, uma vez que decorrem de equivocada aplicação das regras de interpretação do Sistema Harmonizado, baseado em presunções sem qualquer critério técnico ou cientifico, em nítida afronta à Solução de Consulta no 338/2003 emitida pela 7a Região Fiscal (também corroborada pela Solução de Consulta no 13/2009 emitida pela 4a Região Fiscal), especifica e expressamente aplicável a equipamento fabricado pela HTC, que clara e inequivocadamente aponta tais equipamentos na posição NCM 8471, sendo irrelevante a existência de função de telefone móvel integrado. Por fim, na remota hipótese da manutenção das razões do lançamento, sejam considerados os valores comprovadamente recolhidos pela IMPUGNANTE, pagamento este realizado de forma espontânea, cujos valores foram ignorados quando da apuração do lançamento pela Autoridade Autuante. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16000.410, de 26 de fevereiro de 2014, indagando à autoridade preparadora o seguinte: 1. o quadro, presente às folhas 374 do processo digital, bem como as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital, PROCEDEM? Se procedem enquanto RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO, o valor apontado no quadro acima pode ser exonerado do crédito tributário devido na presente autuação? 2. A informação trazida pelo impugnante empresa MERCOCAMP é pertinente? O Despachante Aduaneiro Sr. Fl. 1853DF CARF MF 22 Arles Tebaldi da Silva tomou ciência com o prazo de procuração expirado? Ou havia uma outra procuração que possibilitou essa ciência? Findada a instrução, intimouse a parte interessada, via ciência eletrônica (folhas 1.382) concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011.(sic). A parte se manifestou no sentido de reforçar as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/10/2005 Importação de aparelhos moveis da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER) de origem chinesa (Taiwan). Até março de 2008 o importador descreviaos como "MAQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS".De abril a maio/2008 passou a denominálos "COMPUTADOR DE BOLSO POCKET PC, com classificação tributária nos códigos NCM 8471.41.10 e 8471.41.90. A mercadoria em análise é um SMARTPHONE, ou um aparelho para transmissão ou recepção de voz, de imagens ou de outros dados. O texto da Nota 5 D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n°82, de 15/12/2009, exclui a classificação tributária na posição 8471. Se o equipamento possui a função de telefone, necessariamente deve ser classificado na posição 8517 por aplicação direta da Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Em resposta à Resolução, a autoridade preparadora reconheceu que parte dos tributos devidos foram pagos espontaneamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A, foi regularmente intimada da decisão de primeira instância, através da Intimação nº: 121/2015, fl.1.479, em 15/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1505. Em 18/06/15, foi lavrado o TERMO DE PEREMPÇÃO , fl.1507. Em 18/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1511, foi apresentado Recurso Voluntário de fls.1.512/1.535, com data de sua feitura em 13/08/2015, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a ciência realizada por Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.844 23 seu procurador 826.884.35787 ANGELO RAFAEL ZARDO, na data de 15/05/2015 15:44:35, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72” é absolutamente nula, eis que o procurador identificado não tem procuração específica para atuação no processo que encarta o v. Acórdão recorrido. Em 27/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1539, foi apresentada Petição Inicial em MS nº 012388651.2015.4.02.5001, cuja autoridade coatora é o Inspetor Chefe da Alfândega do Porto de Vitória/ES, tendo como pedidos: a) que seja deferido o pedido de concessão de Liminar; para que a autoridade coatora seja obrigada a processar imediatamente o Recurso Voluntário tempestivamente protocolado, e assim, seja emitida certidão positiva com efeito de negativa(grifei) b) seja Notificada a autoridade coatora, a fim de que preste informações (...) Em 16/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1606, foi apresentado o MANDADO JUDICIAL , fls.,1607/1614, com o objetivo de notificar o Presidente do CARF da decisão judicial que INDEFERIU O PEDIDO DE LIMINAR. SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MOVEL DO BRASIL S.A. foi regularmente intimada da decisão de primeira instância, através da Intimação nº 122/2015, fl.1.490, em 14/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1504. Em 18/06/15, foi lavrado o TERMO DE PEREMPÇÃO , fl.1508. Em 18/09/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1555, foi apresentada petição para juntada de mandato procuratório. Em 19/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1627, foi apresentado Recurso Voluntário de fls. 1.628/1.654, cujo carimbo do CAC/Paulista é 11/09/2015, fl.1628, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, pois conforme é possível verificar pela simples análise do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 1515), datado de 14 de maio de 2015, inferese que a intimação do resultado do julgamento ora combatido foi realizado por procurador alheio à RECORRENTE, O que determinaria como termo para a propositura do presente recurso o dia 15 de junho de 2015. Acrescenta que referido procurador não possui poderes para representar os interesses da RECORRENTE nos autos do processo em epígrafe, tampouco para representar a SIMM em qualquer ato perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, de tal sorte que a contribuinte nunca teve, até o presente momento, ciência do auto aqui combatido, tornando nula a intimação via eCac. Destaca ainda que no caso em tela, a pessoa cientificada é integrante da sociedade responsável pela elaboração das demonstrações contábeis da MERCOCAMP COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A. (doravante "MERCOCAMP"), responsável solidária no presente processo, não possuindo poderes para atuar no processo em epígrafe, tampouco para Fl. 1855DF CARF MF 24 autuar em nome da RECORRENTE. Assim, por uma falha na plataforma digital do eCac, não pode o contribuinte ser penalizado pela má gestão dos recursos digitais fornecidos pelo ente público. Em 20/10/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1658, a empresa MERCOCAMP, solicita a juntada das peças processuais de fls.1659/1725, entre as quais a decisão proferida no Agravo de Instrumento AO 002879052.2016.4.01.3400, que deu provimento ao agravo e suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Em 08/11/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1.727, a empresa MERCOCAMP, solicita a juntada das peças processuais de fls. 1728/1816, entre as quais a decisão proferida no Agravo de Instrumento AO 002879052.2016.4.01.3400. Em 21/02/2017, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1.818, são juntadas as peças de fls.1.821/1.832, tais como extrato da movimento dos processos judiciais, cópia da decisão em Agravo de Instrumento, já apresentada e um despacho da unidade ,nos seguintes termos: Atento à solicitação contida na mensagem em anexo, e à vista das demais informações obtidas junto ao sítio do TRF da 1ª Região, vide dossiê 10120.005305/101617, verifiquei que a decisão proferida no AI nº 0031670 32.2016.4.01.0000 permanece em vigor, de modo que os créditos tributários lançados no presente AI seguem alcançados pelos efeitos do disposto no art. 151, inc. IV, da Lei nº 5.172/66, razão pela qual registrei junto ao SIEF a subsistência da condição suspensiva. . É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício se refere ao recolhimento espontâneo realizado pela EMPRESA MERCOCAMP, objeto da FATO NÃO CONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL, objeto da Resolução/DRJ/SPO nº 16000.410, de 26 de fevereiro de 2014, nos seguintes termos: A) Se o quadro às folhas 374 do processo digital, bem como B) as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal nº 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital, Procedem? C) Se procedem enquanto RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO, D) o valor apontado no quadro acima pode ser exonerado do crédito tributário devido na presente autuação? Informa o Relatório Fiscal de fls. 1.376/1380: 1A Foi feita uma analise nos DARF papel e nos comprovantes de pagamento de DARF/ DARF SIMPLES e verificouse que PROCEDE. “Na folha 374 do processo digital” verificouse que Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.845 25 o montante apurado pela fiscalização no auto de infração condiz com o Auto de Infração e que o valor de *R$ 1.473.307,31* que a requerente diz ter recolhido espontaneamente em 29/08/2008 está bem próximo do valor apurado após levantamento feito com os comprovantes de pagamento de DARF/ DARF SIMPLES. O valor apurado foi um pouco maior, foi de R$ 1.473.311,05*. 1B Quanto as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal nº 12466.000160/2010 41 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital verificouse que também PROCEDE, mas foi verificado um pequeno erro no valor constante para DI 08/04578405 que está no item 5.28 da folha 373 do Processo digital, pois este indicava que teve a diferença apurada para PIS no valor de R$ 330,42, enquanto no Auto de Infração a diferença apurada para o PIS é o valor de R$ 493,93 (fls. 114 do Processo digital). 1C PROCEDE QUANTO A RECOLHIMENTO EXPONTANEO. Foi verificado que os valores recolhidos foram pagos acrescidos de juros de mora com data retroativa a data do registro da DI respectiva e também que foram feitos antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, isto é, foi verificado que os pagamentos foram recolhidos em 29/08/2008, isto é, antes do RPF (com data 08/12/2009, conforme a folha 02 do processo digital), antes da intimação (com data 09/12/2009, conforme a folha 197 do processo digital) e antes do auto de infração 12446.000160/201041 (com data 20/01/2010, conforme a folha 01 do processo digital). 1D Segundo o SACAT a exoneração dos créditos em comento, através da alocação dos pagamentos aos respectivos débitos, não teria êxito caso o recolhimento seja considerado espontâneo, porque o sistema efetuaria a cobrança com incidência da multa de mora, em desacordo com os princípios da denuncia espontânea. Também não é certo que o sistema aceitaria a alocação de pagamentos anteriores à data de lavratura do auto. Quanto ao procedimento adequado para a supressão dos lançamentos, o SACAT entende ser conveniente aguardar decisão a ser proferida pelo órgão julgador, que poderá manter os créditos, extinguilos ou determinar a reforma do auto de infração. Diante da Informação Fiscal acima referida, concluiu a decisão de piso: Portanto, assiste razão aos impugnantes. Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase PROCEDENTE EM PARTE a impugnação constante no presente processo, MANTENDO o crédito Fl. 1857DF CARF MF 26 tributário no valor de R$ 3.765.271,92 e EXONERANDO o crédito tributário no valor de R$ 3.020.091,10. Estando comprovado o aludido recolhimento, inferese que não há reparos na decisão de piso, cujos créditos exonerados e mantidos estão demonstrados às fls.1.437/1.441, negandose portanto provimento ao Recurso de Ofício. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Dos requisitos de admissibilidade Analisase a seguir as petições apresentadas, com o fim de conferir os pressupostos legais de admissibilidade, já que ambas as empresas apresentam preliminar de tempestividade do recurso voluntário. Empresa MERCOCAMP Conforme relatado a empresa MERCOCAMP regularmente intimada da decisão de primeira instância, em 15/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1505, apresentou em 18/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1511, Recurso Voluntário de fls.1.512/1.535, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a ciência realizada por seu procurador 826.884.35787 ANGELO RAFAEL ZARDO, na data de 15/05/2015 15:44:35, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72” é absolutamente nula, eis que o procurador identificado não tem procuração específica para atuação no processo que encarta o v. Acórdão recorrido. Em vista do TERMO DE PEREMPÇÃO, lavrado em 18/06/15, fl.1507, a empresa impetrou MS nº 012388651.2015.4.02.5001, com vistas à obtenção de liminar que determinasse o processamento "o Recurso Voluntário tempestivamente protocolado", cuja decisão foi assim prolatada: Pretende a impetrante seja reconhecida a nulidade da intimação feita ao contador da empresa impetrante, em 15/05/2015, sobre o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, bem como do Termo de Perempção lavrado em 18/06/2015, a fim de ver processado o Recurso Voluntário protocolado em 18/08/2015 para que, assim, o débito oriundo do Auto de Infração n.°07276002009009834 tenha sua exigibilidade suspensa, com a consequente emissão da certidão positiva com efeito de negativa. O deferimento do pedido liminar pressupõe os seguintes requisitos previstos no art. 70, III, da Lei n°. 12.016/2009: fundamento relevante (fumus boni iuris) e risco de ineficácia da medida (periczdum in mora). Não vislumbro a presença do primeiro requisito. As Leis n° 11.196/2005 e n° 12.865/2013, o Decreto n° 70.235/1972, e a Portaria MF n° 527/2010, que regulamentam o Processo Administrativo Fiscal a ser observado no âmbito do Ministério da Fazenda e órgãos da Receita Federal do Brasil, dispõem taxativamente que a intimação do contribuinte por meio eletrônico em procedimento administrativo fiscal somente é válida no caso de autorização expressa do sujeito passivo. Como Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.846 27 ainda literalmente previsto no art. 23 do referido Decreto n° 70.235/72, não existe preferência entre os meios de intimação pessoal, postal e eletrônica. Na hipótese, resta claro da narrativa e documentos da inicial, a inequívoca opção da impetrante para ser intimada por meio do seu endereço eletrônico e, nos termos da legislação de regência, deverá arcar com as consequências de sua escolha. Com efeito, não prospera a tese de que o profissional da empresa, certificado digitalmente, não possui poderes específicos para receber notificação eletrônica, resultando nulas as intimações realizadas pela administração fazendária. Isso porque, caberia à empresa credenciar profissional que efetivamente acompanhasse a empresa, pois não se mostra razoável pretender seja autorizada, pela Administração, uma espécie de sistema híbrido de utilização da via eletrônica, isto é, por um lado interpõe recursos, consulta andamento dos processos e manifesta ciência do que lhe convém, etc., mas, lado outro, não admite a intimação de determinados atos administrativos, exceto se por meio de procurador com poderes específicos para tanto. Aliás, sequer indica a requerente quem seria o responsável ou mesmo em que data ocorreu a ciência de ato lavrado em seu desfavor, limitando se a dizer que recentemente teve a noticia. Dessa forma, certo é que, a partir do momento em que autoriza a criação de seu endereço eletrônico por parte da RFB, por sua livre e espontânea vontade, nos termos dos normativos, a impetrante deverá orientar seus funcionários habilitados a acessar o sistema em relação as providencias a serem tomadas em relação às intimações lavradas pela RFB. Se houve eventual negligencia por parte do profissional (contador) da empresa, tal ônus não pode ser transferido Receita Federal porque, a adotar o entendimento da inicial, restaria inviabilizado o próprio funcionamento sistema eletrônico. Ressaltese que, caso a Autora não tivesse autorizado a criação de seu endereço eletrônico previamente, o setor competente da administração fazendária não conseguiria encaminhar, pela via eletrônica, a intimação dando conta do Acórdão prolatado desde 29/10/2014, nem teria lavrado e encaminhado o Termo de Perempção por ter decorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Termo de ciência por abertura de mensagem, situação na qual estaria a Receita obrigada a realizar as intimações através da via postal. Ou seja, não há como a impetrante alegar prejuízo à sua defesa porque indubitavelmente teve ciência da intimação dos atos administrativos por via eletrônica, porém, optou por interpor o recurso somente dois meses após ter sido lavrado Termo de Perempção. No que tange à alegação de necessidade de processamento do recurso apresentado ao CARF, ainda que intempestivo, ante o Fl. 1859DF CARF MF 28 que preceitua o Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/96 , tenho que melhor sorte não assiste à impetrante.(grifei) Transcrevo o instrumento normativo, in verbis: (...) De fato, segundo estabelece o Ato, as defesas apresentadas "extemporaneamente" devem, sim, ser apreciadas, em caso de preliminar de tempestividade, com a devida suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Todavia, a norma é clara ao tratar da revelia e não da perempção. Estabelece que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Dessa forma, na espécie, não houve a declaração de revelia, o que conduz à lógica de prosseguir o recurso aviado, mas verificouse a própria declaração de extinção do processo administrativo fiscal. Posto isso, por entender ausente o requisito da prova inequívoca da verossimilhança da alegação, INDEFIRO o pedido de liminar.(grifei). Ante o exposto, depreendese que a questão relativa à preliminar de tempestividade suscitada na petição de fls.1.512/1.535, posta na via administrativa está submetida ao crivo do Poder Judiciário, já que expressamente analisada na peça decisória acima demonstrada. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.847 29 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Como bem ressaltou o i.magistrado, não há como a impetrante alegar prejuízo à sua defesa porque indubitavelmente teve ciência da intimação dos atos administrativos por via eletrônica, porém, optou por interpor o recurso somente dois meses após ter sido lavrado Termo de Perempção e ainda, [No que tange à alegação de necessidade de processamento do recurso apresentado ao CARF, ainda que intempestivo, ante o que preceitua o Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/96 , tenho que melhor sorte não assiste à impetrante.] Pelo que está posto, deixase de conhecer da preliminar de tempestividade, visto que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, conforme acima delineado. SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES A empresa SIMM, regularmente intimada da decisão de primeira instância, em 14/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1504, apresenta em 19/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1627, Recurso Voluntário de fls. 1.628/1.654, cujo carimbo do CAC/Paulista é 11/09/2015, fl.1628, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a intimação do resultado do julgamento , conforme análise do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 1515), datado de 14 de maio de 2015, foi realizado por procurador alheio à RECORRENTE, O que determinaria como termo para a propositura do presente recurso o dia 15 de junho de 2015. Cumpre destacar as disposições previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1861DF CARF MF 30 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.848 31 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei) Observese que no caso em exame, quando de opção do Contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM”, fl. 1.504, conforme disciplina o inciso III, alínea "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, quando efetivamente ocorrido o referido evento, conforme se constata pela transcrição do citado termo: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 12466.000160/201041 INTERESSADO: 05521163000133 MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A DESTINATÁRIO: 06964587000488 SIMM SOLUCOES INTELIGENTES PARA MERCADO MOVEL DO BRASIL S.A. TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 14/05/2015 15:51:41, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 14/05/2015 13:38:07 Acórdão de Impugnação Documentos Diversos Outros Demonstrativos II exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo IPI exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo COFINS exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo PIS exonerado x mantido. Intimações Outros 122/2015 SIMM No presente caso , estando demonstrado que o sujeito passivo tomou ciência do Acórdão de Impugnação no dia 14/05/2015 (quintafeira), pela abertura dos arquivos correspondentes, situação prevista no art. 23, § 2º, III, "b" do Decreto nº 70.235, de 1972, tem se assim iniciada a contagem no dia 15/05/2015 (sextafeira) e finda em 15/06/2015 (segunda feira), como ratifica a própria recorrente, o Recurso Voluntário de fls. fls. 1.628/1.654, apresentado tão somente em 11/09/2015, conforme comprova o carimbo do CAC/Paulista, fl.1628, é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 56 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Fl. 1863DF CARF MF 32 Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência. Cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso. Nesse mister, por força das disposições do 1art. 35 do já citado Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Com efeito, tratandose a contagem dos prazos processuais, de regras objetivas e sistematizadas no Decreto nº 70.235, de 1972, como acima exposto, inexistindo neste caso controvérsia quando às datas acima destacadas, visto que a própria recorrente reconhece que o dia 15/06/2015 (segundafeira), é o 30º dia para apresentação tempestiva do recurso, cabe então avaliar a nulidade do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl. 1.504, visto que argui a empresa que a ciência realizada em 14/05/2015, foi efetuada por procurador alheio à RECORRENTE. Repisando o já citado § 4º do art. 23. Decreto nº 70.235, de 1972, verificase a seguinte disposição: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei) Observese que a legislação processual tributária admite que os atos e termos processuais possam ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, estando a prática de tais atos e termos processuais em forma eletrônica, bem como a digitalização e armazenamento de documentos digitais no âmbito do Ministério da Fazenda, disciplinada pela Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010: (...) Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet. § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: 1 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.849 33 I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo aos órgãos competentes do MF de Termo de Opção, por meio do centro virtual, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico.(grifei). Observase que a recorrente ao questionar a referida nulidade não infirma a sua opção pelo domicílio tributário, não existindo dúvida no processo quanto ao envio da Intimação nº 122/2015, fl.1.490 e documentos anexados, tal como o Acórdão de Intimação, ao seu domicílio tributário eletrônico eleito, inexistindo na regra posta, condições para a efetividade da intimação, exceto a expressa autorização do sujeito passivo e essa não foi questionada, logo se a caixa postal do referido sujeito foi acessada por pessoa não autorizada pela referida empresa, essa é uma questão administrativa, de controle interno da empresa, sem qualquer efeito sobre a efetividade da intimação pela RFB, visto que referida instituição observou as disposições legais do inciso III, do art. 23. Decreto nº 70.235, de 1972, notadamente as disposições do § 4º, para efetuála. Por oportuno, tomo de empréstimo a fundamentação da decisão proferida no MS nº 012388651.2015.4.02.5001, acima já destacado, repisandose apenas a parte de interesse: não prospera a tese de que o profissional da empresa, certificado digitalmente, não possui poderes específicos para receber notificação eletrônica, resultando nulas as intimações realizadas pela administração fazendária. Isso porque, caberia à empresa credenciar profissional que efetivamente acompanhasse a empresa, pois não se mostra razoável pretender seja autorizada, pela Administração, uma espécie de sistema híbrido de utilização da via eletrônica (...) certo é que, a partir do momento em que autoriza a criação de seu endereço eletrônico por parte da RFB, por sua livre e espontânea vontade, nos termos dos normativos, a impetrante deverá orientar seus funcionários habilitados a acessar o sistema em relação as providencias a serem tomadas em relação às intimações lavradas pela RFB. Se houve eventual negligencia por parte do profissional (contador) da empresa, tal ônus não pode ser transferido Receita Federal porque, a adotar o entendimento da inicial, restaria inviabilizado o próprio funcionamento sistema eletrônico. (...) Fl. 1865DF CARF MF 34 Ressaltese que, caso a Autora não tivesse autorizado a criação de seu endereço eletrônico previamente, o setor competente da administração fazendária não conseguiria encaminhar, pela via eletrônica, a intimação dando conta do Acórdão(grifei). Pelos fundamentos acima, não se vislumbra a nulidade arguida, visto que a intimação por meio eletrônico do Acórdão de Impugnação observou a norma processual de regência, nos termos acima ressaltados. Assim, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal à interessada. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto: 1) POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO; 2) POR NÃO CONHECER da preliminar de tempestividade do Recurso Voluntário, apresentado pela empresa MERCOCAMP, em virtude da concomitância da matéria e respectiva renúncia à via administrativa; 2) POR CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário, apresentado pela empresa SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES, E NA PARTE CONHECIDA, relativa à preliminar de tempestividade, negarlhe provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1866DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721246/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em sobrestar o julgamento; retornando os autos à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/2014-76 e 16561.720147/2014-16, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Resolvem os membros do colegiado, em sobrestar o julgamento; retornando os autos à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/201476 e 16561.720147/201416, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, com os complementos necessários: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 21 24 6/ 20 15 -6 3 Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase da manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório da DRF Bauru (SP) que indeferiu o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2011 e não homologou as compensações relacionadas ao crédito. O pedido de restituição foi formulado no PER/DCOMP 40794.35869.240712.1.2.023067, pelo valor de R$ 15.139.286,35. O saldo negativo foi obtido a partir de retenções de imposto de renda na fonte, das quais, registramse como de maior relevância as realizadas por Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti, nos valores de R$ 11.995.212,97 e R$ 4.055.364,83. A incidência tributária deveuse à remuneração de debêntures adquiridas por Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos e Companhia Agrícola Zillo Lorenzetti, sociedades incorporadas pela interessada. Todas as empresas citadas – inclusive a interessada – eram ou foram integrantes do mesmo grupo econômico. A DRF Bauru não reconheceu o saldo negativo em face de as retenções na fonte terem sido realizadas sobre operações inoponíveis ao fisco. A decisão sofreu reflexo dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados contra as emissoras das debêntures, visando a retirar os efeitos tributários dos títulos. As autuações são conduzidas nos processos administrativos 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476. A fiscalização reputou que as operações com debêntures seriam desprovidas de substrato negocial e objetivariam a redução drástica do pagamento de tributos. No entender fiscal, somente o fato de emitentes e subscritoras serem empresas pertencentes aos mesmos sócios justificaria a emissão das debêntures, uma vez que não houve captação de recursos novos, os acertos de direitos e obrigações entre as partes ocorreram sem transferência de recursos (por mero encontro de contas) e a remuneração dos títulos se deu, além dos juros de 12% a.a., pela elevada participação nos lucros no percentual de 50%. Segundo a unidade fiscal, a vantagem tributária para as emissoras dos títulos dar seia pela redução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, decorrentes de despesas registradas com a remuneração dos títulos, bem como pela não tributação dos prêmio na emissão dos títulos (art. 442, III, do RIR/99); e, para a sucessora das debenturistas, pelo impacto tributário nulo representado pelas remunerações, uma vez que habitualmente apresenta resultado negativo em suas atividades e tem prejuízo ou base de cálculo negativa a compensar (atividade rural não se submete à trava dos 30%), e pela possibilidade de amortizar prêmio pago na aquisição das debêntures. A DRJ Belo Horizonte indeferiu as impugnações apresentadas pela emitente (contribuinte) e adquirente (responsável, sucedida pela interessada) para cancelar os lançamentos. As autuadas impetraram recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Tais recursos encontramse pendentes de julgamento. Nos termos do despacho decisório recorrido, a glosa do imposto de renda retido na fonte deduzido do IRPJ pela contribuinte na declaração do anocalendário 2011 foi consequência lógica da desconsideração das operações com debêntures. Ademais, a unidade fiscal alertou para possível duplicidade na utilização dos valores recolhidos, tendo em conta que as empresas autuadas (emissoras das debêntures) pleitearam o expurgo das quantias retidas nas impugnações aos autos de infração. Assim, as Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 4 3 compensações não foram homologadas em razão do descumprimento dos requisitos do art. 170 do CTN (liquidez e certeza do crédito). A analista do crédito consignou que a compensação do lucro da atividade geral com prejuízos fiscais da mesma atividade, oriundos de períodos anteriores, no valor de R$ 1.806.803,58, excedeu a disponibilidade de R$ 351.793,23, controlada pelo sistema SAPLI (fls. 715/717). Com isso, o lucro real e, consequentemente, o imposto de renda devido teriam sido reduzidos irregularmente. A interessada foi intimada do despacho decisório em 27/5/16 e apresentou manifestação de inconformidade em 27/6/16. Inicialmente, a autuada esclarece ter cometido erro formal na DIPJ, ao informar que a compensação de prejuízos fiscais foi realizada integralmente com o saldo existente da atividade geral, de R$ 1.806.803,58: o Lalur comprova o aproveitamento do saldo de R$ 351.793,23 dos prejuízos fiscais das demais atividades e R$ 1.455.010,35 dos prejuízos fiscais da atividade rural. A contribuinte pede o reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações. Supletivamente, requer o desmembramento do processo e posterior reunião aos de número 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, de acordo com as respectivas proporções, de forma a possibilitar o julgamento conjunto das demandas, porque discutiriam o tratamento a ser dado às mesmas operações com debêntures das quais participaram pessoas incorporadas por ela. Quanto ao menos, requer o sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo dos processos 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476. As razões da inconformidade são, basicamente, estas: a) o saldo negativo apurado é regular e independe da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures; b) a decisão deste litígio é reflexo do resultado consignado para os autos de infração; c) a regularidade dos efeitos fiscais das transações com debêntures só poderia ser questionada até 2007, uma vez que os títulos foram emitidos no ano de 2002 (decadência, conforme art. 150, § 4º, do CTN); d) as justificativas para o indeferimento da restituição e compensações não demonstram a prática de operações abusivas, uma vez que não foi avaliado se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora e se o prêmio pago e percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, considerando o retorno esperado com o montante recebido, além de não ter sido comparada a redução da carga tributária mediante financiamento via debêntures com participação no lucro (DPL) face a obtenção de empréstimo bancário ou pagamento de juros sobre o capital próprio; e) a transação praticada tem fundamentos econômicos, pois os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos em resgate à debenturista são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos de um financiamento perante instituição independente ou por pagamento de juros sobre o capital próprio, ao passo que a transação também foi lucrativa para a requerente; f) as autoridades fiscais são incompetentes para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN; e g) transcorreu o prazo fixado no direito civil para anulação de atos considerados abusivos. Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 5 4 Pela referida decisão, a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011 REUNIÃO DE PROCESSOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL E RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TITULARES DIFERENTES. QUESTÕES DE FUNDO SIMILARES. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal não prevê a reunião de processo de exigência tributária de IRPJ com de restituição/compensação de saldo devedor de IRPJ, sobretudo quando são distintos os titulares e porque já houve julgamento em primeira instância. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. Não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2011 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes envolvidas, não possuindo caráter normativo, exceto nos casos previstos em lei. DEBÊNTURES. ATOS CONSIDERADOS ABUSIVOS. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÕES. São inoponíveis ao fisco as operações com debêntures realizadas apenas entre empresas do mesmo grupo, sem captação efetiva de recursos novos, dissociada de realidade negocial efetiva e levada a efeito em condições anormais e não usuais, com o objetivo de eliminar a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO BASEADA EM REMUNERAÇÃO CUJA CAUSA FOI DESCONSIDERADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. TITULARIDADE SOBRE EVENTUAL CRÉDITO. Com a descaracterização dos efeitos da operação sobre a qual se baseou a retenção de imposto de renda na fonte, o pagamento deve ser considerado sem causa, passível de tributação por alíquota diferenciada, tributação exclusiva na fonte e base de cálculo reajustada. Na hipótese de existir eventual indébito, o titular para reivindicálo seria a fonte pagadora. Protocolado o competente Recurso Voluntário, foi alegado, em apertada síntese: Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 6 5 Regularidade do saldo negativo apurado independentemente da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures. Admitindose, somente para argumentar, que as debêntures em exame deveriam ter o seu tratamento fiscal afastado a partir dos elementos expostos, mesmo assim é inafastável o direito ao saldo negativo. Afinal, a Recorrente recebeu rendimentos tributados na fonte como antecipação do devido e no encerramento do período não tinha IRPJ a recolher em razão de o lucro apurado ser compensável com prejuízo fiscal sem o limite de 30%, como faculta a própria legislação. Decadência. Impossibilidade de o Fisco impugnar as operações mais de 5 anos após terem sido realizadas, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. As debêntures resgatadas em 2011 foram emitidas em 2002. Logo a regularidade dos efeitos fiscais da transação só poderia ser questionada até 2007 e não como feito em 2016 por meio do despacho decisório inicialmente recebido. Reunião do presente feito ao processo originário dos autos de infração em que glosadas as despesas com as debêntures. Na eventualidade de os argumentos anteriores não serem acatados, requerse a reunião do presente feito com os PA’s ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476 – decorrente dos AIs com as glosas das despesas com as debêntures pois ambos tratam da mesma transação e, se decididas separadamente, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável. Quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que sejam encerrados os PAs ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, na medida em que esses constituem feitos principais, enquanto o presente qualificase como reflexo. A solução que vier a ser dada no processo principal vinculará o resultado do presente, que trata de um reflexo (saldo negativo fruto de IRRF) da transação lá impugnada. Inexistência de operação abusiva. Ausência de demonstração da prática de operação abusiva. Os elementos levantados não se mostram hábeis e suficientes a autorizar a conclusão adotada, no sentido de que teria se dado a prática de operações abusivas. Para que pudesse realizar tal avaliação, seria necessário verificar/avaliar: (1) se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora; (2) se o prêmio pago e o percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, bem como confrontar o retorno esperado com o montante recebido; e (3) se houve redução de carga tributária, a partir de demonstração comparativa, com a opção pelo financiamento via DPLs, ao invés de obtenção de empréstimo bancário ou JCPs. Nenhuma das medidas descritas foi adotada no caso concreto, o que era imprescindível. A título de homologar o saldo negativo, o despacho e a DRJ se apressaram em concluir pela existência de operação abusiva tão só em razão de a emissora e emitente possuírem os mesmos acionistas, as debêntures preverem remuneração parcial em lucros e a Recorrente, sucessora por incorporação da subscritora original, possuir resultados fiscais negativos passíveis de compensação sem a necessidade de observância da trava de 30%, circunstâncias insuficientes para servirem de motivação à glosa realizada; e A transação praticada tem fundamentos econômicos. Os parâmetros Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 7 6 definidos na emissão das debêntures e os valores pagos à debenturista em resgate são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos que seriam incorridos caso houvesse a opção pela obtenção de financiamento junto à instituição independente ou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Do lado da Recorrente, a transação foi igualmente lucrativa. Logo, o tratamento tributário aplicado configura exercício regular de direito. Impossibilidade de desconsideração dos efeitos fiscais ao argumento da ocorrência de abuso de direito. Incompetência das autoridades fiscais para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da edição de lei regulamentando o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Ainda que representassem abuso de direito, assunção aceita unicamente a título de argumentação, as operações não poderiam ser impugnadas sob tal fundamento, na medida em que a Lei Complementar 104/01, que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN justamente com o objetivo de afastar os efeitos fiscais de operações abusivas, é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária inexistente até o presente. Impossibilidade de qualificação das operações como abusivas com fundamento na legislação de direito privado. Transcurso do prazo prescricional fixado. Mesmo que pudessem ser classificadas como abuso de direito, tal como disciplinado no direito privado, ilação admitida tão só para argumentar, as operações avaliadas não permitiriam a glosa dos créditos realizada, haja vista o transcurso do prazo, igualmente fixado no direito civil, para a anulação de atos abusivos. Existência de prejuízos fiscais no montante de R$ 1.806.803,58, suficiente a autorizar a dedução no lucro tributável e a regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Preliminar. Conexão. Informa a recorrente que existem dois processos em face de Açucareira Zillo Lorenzetti S.A e Usina Barra Grande de Lençóis S.A., respectivamente, nº 16561.720070/201476 e nº 16561.720147/201416, decorrentes de Autos de Infração relativos às glosas das despesas com as debêntures. Nesses dois processos, a recorrente foi arrolada com responsável solidária. Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 8 7 Argumenta que aqueles, assim como este processo, "tratam da mesma transação e, se decididas separadamente, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável". Pugna pela reunião dos feitos ou, "quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que sejam encerrados os PAs ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, na medida em que esses constituem feitos principais, enquanto o presente qualificase como reflexo. A solução que vier a ser dada no processo principal vinculará o resultado do presente, que trata de um reflexo (saldo negativo fruto de IRRF) da transação lá impugnada". Na decisão de primeira instância, com base na Súmula nº 235 do Superior Tribunal de Justiça, no artigo 11 da Lei nº 9.784 e nos artigos 1º e 2º da IN RFB 666/2008, substituída pela IN RFB nº 356/2016, assim se pronunciou o relator: O Código de Processo Civil (CPC) expressa que duas ou mais ações são entendidas como conexas quando o pedido ou a causa de pedir lhes forem comuns (art. 55). Assim, a conexão permitiria deslocar a competência relativa originária de um juízo para outro, desde que não haja julgamento prévio de um deles, como orienta súmula do STJ: Súmula 235. A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Os dois autos de infração já foram julgados pelas DRJ Rio de Janeiro e Belo Horizonte e aguardam decisão do Carf, em sede de recurso voluntário. Dessa forma, não seria possível realizar a reunião dos processos, sob o prisma do CPC. As regras do CPC somente são aplicáveis supletivamente ao processo administrativo fiscal quando nenhuma norma disponha explicitamente sobre o tema. Para o caso, no entanto, há normas específicas contempladas no processo administrativo fiscal. A Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo da administração pública federal, assim dispõe: Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Por sua vez, a Portaria RFB 666/08 estabeleceu: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...]II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 9 8 dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. [...]Art. 2º Os autos serão apensados nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; ou (Redação dada pela Portaria 2.324/10.) II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a não homologação da Declaração de Compensação originais."(NR) (Redação dada pela Portaria 2.324/10.) III de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às Contribuições Previdenciárias e àquelas relativas a terceiros. [...]A Portaria RFB 354/16 substituiu a Portaria RFB 666/08 a partir de 14/3/16, sem promover alterações substanciais a influenciar no presente caso. Como visto, a legislação do processo administrativo fiscal não determinou a reunião dos processos tal como pleiteado pela recorrente. Por outro lado, não há vinculação desta decisão em relação aos acórdãos proferidos pelas DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ainda que a peticionária tenha figurado com responsável solidária naqueles processos e as causas sejam relacionadas (insubsistência das debêntures), as partes são distintas e os objetos também. Igualmente não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. Quanto à reunião destes autos com os dos outros dois processos, nenhum reparo merece a decisão de piso, haja vista eles terem como sujeitos passivos pessoas jurídicas diversas (muito embora o arrolamento da recorrente como responsável solidária nestes últimos). Contudo, em que pese o brilhante voto do i. relator da decisão de piso, não há como não se reconhecer a questão da prejudicialidade. Se nos processos em que glosadas as despesas com as debêntures houver decisão em favor dos sujeitos passivos, o IRRF que compôs o saldo negativo considerado como crédito no presente processo há de ser reconhecido e homologadas as compensações até o limite do crédito. Se, noutro rumo, a decisão for contrária aos sujeitos passivos, a discussão se instaura em torno das alegações do recurso voluntário que não restarem prejudicadas. Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 10 9 Cabe a citação da declaração de voto emitida pelo julgador Leomar Wayerbacher relativamente ao julgamento do presente processo na DRJ/POA: Esta declaração de voto destinase a registrar divergência em relação ao entendimento adotado no voto do relator de que (i) a autonomia de escopo havida entre o presente litígio e aqueles que foram objeto de apreciação pretérita pelas DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro (ii) autoriza a apreciação, pela 1ª Turma da DRJ/POA, dos argumentos apresentados pela interessada em defesa da regularidade das operações de resgate de debêntures, que teriam originado o crédito tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF em discussão nos presentes autos. Salvo melhor juízo, entendo que a discussão atinente à desconsideração de efeitos, para fins tributários, das operações de emissão e resgate de debêntures formalizadas pelas empresas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti (i) representam um antecedente lógico (uma questão prejudicial) em relação à discussão sobre a origem do crédito de IRRF reclamado nos presentes autos, (ii) cuja solução, no âmbito da primeira instância administrativa, já ocorreu no contexto do julgamento das impugnações apresentadas contra os lançamentos de ofício realizados contra as empresas emissoras das debêntures, (iii) sendo portanto insuscetível de nova apreciação na primeira instância administrativa. Conforme orientação recentemente introduzida pelo art. 503 do novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16/03/2015) – que é aplicável subsidiariamente no âmbito do processo administrativo fiscal –, a eficácia da coisa julgada passa a abarcar não apenas os limites “da questão principal expressamente decidida” (ver texto do art. 503, transcrito abaixo), mas também “à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentalmente no processo”, se “dessa resolução depender o julgamento do mérito”. Senão, vejamos o inteiro teor do citado art. 503: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1º O disposto no caput aplicase à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I dessa resolução depender o julgamento do mérito; II a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvêla como questão principal. Entendo que a situação ora enfrentada subsumese, precisamente, a essa hipótese normativa, como fica flagrante no seguinte encadeamento: (i) os lançamentos de ofício pretéritos tiveram por objeto a análise da validade e eficácia de negócios jurídicos formalizados em torno da suposta emissão de debêntures por parte das pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti; (ii) a autoridade lançadora concluiu pela ocorrência de planejamento tributário abusivo, desconsiderou os efeitos dessas operações para fins tributários, constituiu o crédito tributário em relação às pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti (emitentes das debêntures), aplicou multa de ofício Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 11 10 qualificada e classificou a pessoa jurídica Companhia Agrícola Quatá como responsável tributário, em face do interesse comum havido em relação aos fatos (hipótese do art. 124, I, do CTN); (iii) os autos de infração foram contestados pelas interessadas, que alegaram a regularidade dos negócios jurídicos; (iv) no julgamento do mérito, as DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro acataram a tese da fiscalização e concluíram pela desconsideração de efeitos dos atos praticados pelos respectivos sujeitos passivos, mantendo a aplicação da multa qualificada, em face da constatação de dolo; (v) as conclusões firmadas naqueles processos repercutem diretamente no julgamento do presente feito, visto que o crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF reclamado pela Companhia Agrícola Quatá é derivado de retenções de imposto de renda levadas a efeito pelas pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti, cuja causa estaria pretensamente atrelada ao suposto resgate das debêntures. Nesse contexto, e à luz do referido art. 503 do CPC, entendo que não é possível à DRJ/POA concluir em sentido diverso das DRJ congêneres, no que se refere à desconsideração dos efeitos, para fins tributários, dos negócios jurídicos envolvendo a emissão de debêntures pelas pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti. Essa matéria já foi objeto de decisão anterior na primeira instância administrativa, sendo suscetível de reforma somente no âmbito do CARF, a quem cabe a apreciação do recurso voluntário apresentado pelas partes, nos respectivos processos. Assim sendo, e em que pese concordar integralmente com as conclusões adotadas pelo relator quanto à apreciação do tópico “Operações com debêntures” – que, aliás, estão inteiramente alinhadas com o decidido anteriormente pelas DRJs Belo Horizonte e Rio de Janeiro –, entendo que cumpre à DRJ/POA – especificamente quanto a esse tópico – manifestar que a resolução da questão prejudicial já foi exaurida na primeira instância administrativa, cabendo tãosomente prosseguir no julgamento das demais questões levantadas pela interessada. Além de todo o arrazoado supra, temse que, na impugnação relativa aos autos de infração (processos nº 16561.720147/201416 e nº 16561.720070/201476) foi pedida a compensação do IRRF com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício. Vejase: Processo nº 16561.720147/201416. Relatório do acórdão de impugnação juntado às fls. 2.015 a 2.030: que “é descabida, por incongruente, a requalificação fiscal feita, no sentido de tratar as remunerações pagas como distribuição de lucros, na medida em que a CAQ não era sócia da Impugnante”, mas que, ainda que fosse este o caso, “o IRRF em nome da CAQ deve ser compensado com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício, na medida em que, assim como os dividendos pagos, não representam despesas dedutíveis, tampouco configuram rendimentos tributados”; (Grifo acrescido) Processo nº 16561.720070/201476. Relatório do acórdão de impugnação juntado às fls. 2.956 a 2.975: Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 12 11 4.6. Incongruência da requalificação feita pela Fiscalização. Impossibilidade de ser dado o tratamento de distribuição de lucros. Ao menos, deveria haver a compensação do IRPJ e da CSLL lançadas de ofício com IRRF recolhido sobre as remunerações pagas ao debenturista. (Grifo acrescido) É muito provável (praticamente certo) que esses pedidos também tenham sido veiculados no recurso voluntário. Conclusão. Em face do exposto, voto pelo sobrestamento do presente feito, retornando os autos à DRF da circunscrição do sujeito passivo para que seja aguardada a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/201476 e nº 16561.720147/201416. Não mais cabendo recurso administrativo relativamente aos citados processos, os acórdãos relativos aos recursos neles interpostos deverão ser juntados a estes autos, com o retorno ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3826DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.902501/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 25 01 /2 01 0- 86 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 254 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 213 a 226) interposto pelo Contribuinte, em 30 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.162 (fls. 200 a 208), de 5 de setembro de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 179 a 197). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: A contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins do mês de apuração de novembro de 2004, com vencimento em dezembro de 2004, para fins de compensação com débitos e recebimento em espécie, conforme Dcomps de fls.02/24. A DRF de origem apreciou o pleito da contribuinte, indeferindoo parcialmente, conforme Despacho Decisório Nº 0012/2011, de fls.93. Neste, fundamentado na Informação Fiscal, de fls.86/92, foi negado parcialmente o pleito de restituição/compensação devido à não inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores relativos à título de crédito presumido de ICMS, oriundo de incentivo fiscal previsto no art. 32, incisos LXIX (redação dada pelo Decreto Estadual Nº 42.563/2003 e alterações posteriores) do Regulamento do ICMS do estado do Rio Grande do Sul (Decreto Estadual No 37.699/1997), o qual não estaria incluído nas hipóteses enumeradas no §3o incisos I a VI do art. 10 da Lei 10.833/2003. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.179/197. Nesta, inicia fazendo um resumo do pedido e da decisão da DRF, para depois fazer suas alegações. Pertinente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos presumidos de ICMS nada mais são do que um benefício fiscalescritural (relacionado à redução de custos na industrialização da farinha de trigo para que a Empresa obtenha maior competitividade em relação aos produtos derivados do trigo), não configuram receita auferida pela empresa a ensejar capacidade contributiva, sendo equivocado o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Aduz como suporte à sua tese, doutrina e precedentes do CARF (relativo à Lei 9.718/98), do TRF da 4a Região e do STJ . Segundo a contribuinte, admitir que os créditos presumidos de ICMS como receita bruta, para fins de incidência da contribuição, seria aceitar a intervenção federal em matéria privativa dos Estados, pois o benefício do ICMS teria sua eficácia limitada pela União, conforme Jurisprudência do TRF da 4a Região. Por fim, argumenta ainda que a RFB incorre em “bis in idem”, uma vez que a impugnante já é obrigada a recolher o PIS e a Cofins sobre o valor do ICMS destacado nas operações de vendas de mercadorias, sendo que, mantido o entendimento da Fiscalização, teria que adicionar o crédito presumido do ICMS na Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 255 3 base de cálculo destas contribuições federais. Transcreve Acórdão do TRF da 4a Região relativo a caso análogo e que seria aplicável a sua tese. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.162 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Observase que o Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, visa a reforma da decisão consubstanciada no ora analisado Acórdão para que se afaste a incidência de PIS e Cofins dos créditos presumidos de ICMS, reconhecendo o direito integral do Contribuinte sobre à restituição dos valores recolhidos a maior destes tributos. Nesse sentido, cito trecho do referido Recurso em que o Contribuinte explicita as razões de reforma do Acórdão ora recorrido (fl. 226): Ocorre que tal decisão não encontra guarida na legislação atinente ao caso em comento, tampouco está em concordância com a jurisprudência, seja do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seja dos Tribunais Regionais Federais, seja do Superior Tribunal de justiça, conforme restou devidamente comprovado por meio de todo o aqui exposto. Assim, cotejando os documentos apresentados pela recorrente ao longo do processo administrativo com a legislação aplicável à espécie e o entendimento dos respeitáveis Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Tribunal Regional Federal da 4ª Região e Superior Tribunal de justiça, chancelando o direito ora pleiteado, não merece prosperar o entendimento exarado na decisão da Segunda Turma da DRJ/POA. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 256 4 Já o entendimento trazido pelo voto no referido Acórdão é no sentido de que o crédito presumido de ICMS deve integrar a base de cálculo do PIS e Cofins, uma vez que se trata de uma receita que não tem previsão legal de exclusão ou mesmo isenção, conforme se verifica neste seguinte trecho do voto: O crédito presumido de ICMS enquadrase no conceito de receita – outras receitas operacionais, conforme previsto no art. 392, inciso I do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR) e deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Não há dúvida de que a autora obtém vantagens financeiras com o crédito presumido do ICMS, qual seja, a dispensa do pagamento do imposto estadual nas saídas tributadas, podendo assim dispor dos recursos próprios (não despendidos) como capital de giro ou mesmo na aplicação em investimentos. Outrossim, considerando que tal crédito é presumido, inferese que o mesmo constitui receita nova, ou melhor “receita decorrente de benefício fiscal”, concedido pela Fazenda Estadual, no caso de ser compensado com o ICMS devido. Portanto, em síntese, tratase de receita auferida pelas empresas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Do ponto de vista jurídico, podemos dizer que o crédito presumido não significa devolução de algo indevido, eis que nada foi pago pela autora de forma indevida, mas sim estímulo de ordem financeira a prestigiar o setor contemplado. O crédito presumido não deixa, pois, de ser espécie de subvenção governamental para este setor, uma subvenção de custeio, já que, por ela, recuperamse custos, conforme previsto no art. 392, inciso I do Regulamento do Imposto de Renda: Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Esse dispositivo é claro no sentido de que o crédito presumido do ICMS é receita e, portanto, entra no cômputo do Lucro como rendimento das pessoas jurídicas. Subvenção, sob o ângulo da legislação do imposto renda das pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor, ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. As subvenções, quando feitas pelo Poder Público, podem se traduzir através de redução, isenção ou dedução de impostos, como no caso presente. As subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (art. 335 do RIR, de 1994 ou art. 392 do RIR, de 1999). E como o próprio nome diz, subvenção são créditos, concedidos por lei, cujo objetivo é beneficiar determinado setor da economia, caracterizandose assim como benefício fiscal. No caso em comento, como o crédito presumido é compensado com o ICMS devido pela Impugnante fica evidenciada a sua natureza de “receita decorrente de benefício fiscal”, desonerando o valor devido do imposto estadual. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 257 5 Juridicamente, podese afirmar que o crédito presumido do ICMS não significa devolução de um pagamento indevido, posto que nada foi recolhido indevidamente pela impugnante, mas implica, isto sim, um estímulo financeiro para prestigiar o setor contemplado. E esta forma de renúncia fiscal caracteriza uma subvenção de custeio. O incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. (grifouse). Em que pese o entendimento da DRJ/POA, acredito que se encontra consolidada a jurisprudência no sentido de o crédito presumido de ICMS não integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar apenas de mera recuperação de custos. Nesse sentido, considero relevante citar na íntegra o voto vencedor do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, consubstanciado no Acórdão nº 9303005.783 da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proferido em 20 de setembro de 2017 no processo nº 13401.000483/200675, que bem elucida a questão e que serve de razões para decidir: Está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, por constituirse, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 258 6 Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). PROCESSUAL REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4a Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 259 7 FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 260 8 governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento de tais decisões judiciais reside no disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento também foi compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: PARECER No 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 261 9 fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Com isso, me filio a posição adotada no voto supracitado, uma vez que considero que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal às pessoas jurídicas não integram a base de cálculo de PIS e Cofins nãocumulativo. Reforço a posição com a decisão proferida por maioria de votos no Acórdão 3301004.055, de 27 de setembro de 2017, de relatoria do il. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS. Neste mesmo sentido temse a decisão proferida em 07 de dezembro de 2017 pelo Superior Tribunal de Justiça no AgInt no REsp 1606998/SC de relatoria da il. Ministra Regina Helena Costa: Ementa TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. IRPJ. CSLL. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II O crédito presumido de ICMS, concedidos pelos EstadosMembros, configura incentivo voltado à redução de custos, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo pelo qual não Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 262 10 compõe a base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. III Revelase incabível a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV Tratandose de recurso especial sujeito ao Código de Processo Civil de 1973, impossibilitada a majoração de honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015. V A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (grifouse). Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e a jurisprudência mais recente sobre o tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.720678/2012-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
Numero da decisão: 1001-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 06 78 /2 01 2- 48 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 37 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1247.486, de 15/06/2012 (efls. 17/20), objetivando a reforma do referido julgado. Em 25/01/2010, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 23/02/2012 (efl. 12), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, nas seguintes situações impeditivas: Atividades econômicas vedadas: 73190/01 "Criação de estandes para feiras e exposições" e 74901/04 "Atividade de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários". O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que o código foi colocado por engano no Requerimento de Empresário quando da abertura da empresa e que efetuou a devida alteração, excluindo a atividade vedada. Acrescenta que por se tratar de erro material sanável, solicita o deferimento do seu pedido de inclusão no Simples Nacional. Na manifestação de inconformidade, o interessado alegou que promoveu alteração contratual retirando as atividades impeditivas, cujo registro na Junta Comercial se deu em 30/01/2012. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO. ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE. PRAZO. Mantémse o termo de indeferimento se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal de opção pelo regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 31/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 22, a recorrente apresentou recurso voluntário em 01/07/2013 (efls. 23/34), conforme envelope de postagem pelos correios à efl. 23. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 38 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do indeferimento foi o inciso XI, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) Nesse particular, mediante o art 7º, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: (grifos não constam do original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação de que promoveu alteração contratual retirando as atividades impeditivas, cujo registro na Junta Comercial se deu em 30/01/2012. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, completandoo ao final: (grifos no original) Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 39 4 Da consulta aos sistemas informatizados da RFB (CNPJ/CONSULTA/CNPJ) de fls. 15, vêse que o interessado, embora tenha efetuado a Solicitação de ingresso no Simples Nacional em 25.01.2010, somente alterou seu cadastro junto à RFB, em 19.01.2012, informando como data do evento: 30.01.2012. 12. Referida alteração no CNPJ, foi aceita pela unidade cadastradora de jurisdição do interessado e processada em 30.01.2012, permanecendo no CNPJ do interessado a atividade CNAE principal 7739003 e as seguintes atividades econômicas secundárias (fls. 14): (omissis) 13. Todas as atividades constantes no CNPJ constam no contrato social do interessado (fls.6), registrado no órgão competente em 30.01.2012. 14. Referidos códigos CNAE não constam nos Anexos I e II da Resolução CGSN nº 6, de 18.06.2007, que tratam, respectivamente, dos códigos previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional e os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. 15. Como o interessado inobservou o prazo estabelecido na norma para regularização da pendência (até o último dia útil do mês de janeiro de 2010), o indeferimento deve ser mantido. Acrescenta, ainda, a recorrente que "não praticava e nem nunca praticou a atividade 73190/01 (Criação de estandes para feiras e exposições)". Quanto à alegação de que nunca explorou a atividade, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se houver no contrato social da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar: (grifos não constam do original) 2.4. AS MICROEMPRESAS (ME) E AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (EPP) QUE EXERÇAM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, SENDO APENAS UMA DELAS VEDADA E DE POUCA REPRESENTATIVIDADE NO TOTAL DAS RECEITAS, PODEM OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO Á OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 40 5 ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 2.4). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. Assim, como o contribuinte tinha até o último dia de janeiro de 2010 para regularizar as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional e não o fez dentro deste prazo, há que se manter o indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Por todo o exposto, face à comprovada existência em seu contrato social de atividade econômica vedada na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902235/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 35 /2 00 8- 31 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720833/2013-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
DCTF. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL
A quarta-feira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações.
IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DCTF. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL A quarta-feira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
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Recorrente HDL ADMINISTRADORA DE BENS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DCTF. QUARTAFEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL A quartafeira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 08 33 /2 01 3- 67 Fl. 38DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 21/08/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0826.342, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Dezembro do AnoCalendário 2012, , deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 DCTF. QUARTAFEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL. A quartafeira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O auto de infração em espécie foi lavrado em 26/02/2013, na DRF Caruaru, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Dezembro/2012, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou, em outras palavras, que a quartafeira de cinzas não é dia útil para fins de contagem do prazo do termo final da entrega da DCTF. De qualquer sorte, invocou a tese do erro de tipo, erro desculpável, ponderando não haver ilicitude. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 39 3 Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. A agenda tributária era clara e contabilizou a quartafeira de cinza como dia útil e computável por ser dia em que há expediente normal após às 14 horas. Portanto, a DCTF foi apresentada extemporaneamente, sujeitandose a multa. Esses pleitos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos, desde logo, como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do § 1.º do art. 50 da Lei n.º 9.784/1999 e em atenção ao disposto no § 3.º do art. 57 do RICARF: 5. O artigo 5° da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, determina que: Art. 5 º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15 º (décimo quinto) dia útil do 2 º (segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. 6. O cerne da questão é determinar se a quartafeira de cinzas é dia útil ou não. 7. Segundo o Dicionário Houaiss (versão eletrônica), dia útil é “qualquer dia da semana, salvo domingos, feriados e dias santos; dia de branco; dia de trabalho; dia de semana”. Portanto, é qualquer dia de trabalho, ou seja, dia em que se possa receber explicações ou apresentar petições na repartição administrativa. 8. Na quartafeira de cinzas de 2013 (13/02/2013), o expediente nas repartições federais foi facultativo até às 14h, conforme artigo 1.º, inciso IV, da Portaria MPOG n.º 3, de 03/01/2013. A contrário senso, houve expediente das 14h até às 18h, período em que o contribuinte poderia realizar qualquer ato, ingressar com petições ou tomar Fl. 40DF CARF MF 4 esclarecimentos acerca da legislação tributária. Portanto, a quartafeira de cinzas é considerado dia útil para a Administração Tributária Federal. 9. Para dirimir quaisquer dúvidas referentes a prazos fiscais, a Receita Federal edita a agenda tributária, mês a mês. Na espécie, foi lavrado o Ato Declaratório Executivo Codac n.º 6, de 28/01/2013, cujo Anexo Único prescreve a data de 25/02/2013 como termo final para a apresentação da DCTF relativa a dezembro de 2012. 10. Tal entendimento da Receita Federal não é novidade no sistema jurídicotributário. Desde o Ato Declaratório Executivo Codac n.º 5, de 28/01/2008 (Agenda Tributária de fevereiro de 2008), quando o termo final se dava no 5º dia útil do 2° mês subsequente aos fatos geradores, a quarta feira de cinzas já era considerada dia útil. Vejase, a título exemplificativo, que no Ato Declaratório Executivo Codac n.º 5, de 24/01/2012 (Agenda tributária de fevereiro de 2012), o termo final para entrega da DCTF se deu em 23/02/2012, ou seja, considerouse a quartafeira de cinzas como dia útil. 11. O contribuinte invocou o artigo 5.°, parágrafo único, do Decreto n.° 70.235, de 1972: “Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Tal norma possui o mesmo texto do artigo 210, parágrafo único, do CTN e prescreve a prorrogação do prazo apenas quando seu termo inicial ou o final coincide com dia de expediente anormal da repartição. Todavia, resta inaplicável na espécie, tendo em vista que a quartafeira de cinzas não ocorreu no término do prazo para entrega da citada DCTF (15º dia útil de fev/2013), mas sim aconteceu no 7° dia útil de fev/2013. 12. Nessa linha de raciocínio, não cabem as alegações do contribuinte relativas à incidência de erro (de tipo ou de proibição) ou da dúvida mencionada no artigo 112 do CTN, pois a Administração declara expressamente (vide Atos Declaratórios acima mencionados), mês a mês, o termo final para entrega de todas as declarações obrigatórias, entre elas a DCTF Mensal. 13. Apenas para argumentar, até mesmo quando o prazo recursal findou na quartafeira de cinzas, o Superior Tribunal de Justiça entendeua como dia útil, conforme EDcl no AgRg no AREsp nº 69.665, de 27/03/2012. Como bem ponderou a decisão recorrida, a quartafeira de cinza é computável e a agenda tributária, amplamente publicizada, era suficiente para evitar quaisquer dúvidas. Tinha a recorrente o ônus de observála. Portanto, como o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, enuncia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de sanção, há que se manter a penalidade. Registrese, por oportuno, que é vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária que impôs a exigência e a multa correspondente, enquanto que a denúncia espontânea não se aplica no caso em tela estando sumulada a matéria no CARF. A Súmula CARF n.º 2 dispõe que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 40 5 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se afastar o momento do cumprimento do prazo e afastar a multa, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que impôs a multa, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Por sua vez, a denúncia espontânea, também está sumulada, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Portanto, não há reformas a serem acolhidas em relação a decisão vergastada. Observo, outrossim, que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo Fl. 42DF CARF MF 6 estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 41 7 facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Fl. 44DF CARF MF 8 Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 42 9 (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 46DF CARF MF 10 Por fim, no que se refere a insistência para que as intimações sejam pessoais no endereço domiciliar das sócias, reitero o afirmado pela DRJ no sentido de que o inciso II do art. 23 do Decreto n.° 70.235, de 1972, disciplina que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário do sujeito passivo, enquanto que o § 4.º dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser somente em dois locais, quais sejam, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído. Sendo assim, inferese que não há que se falar em violação ao direito de defesa se a intimação for encaminhada exclusivamente para o domicílio fiscal eleito pela pessoa jurídica. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 12157.000098/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
COFINS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, o qual deve ter como dies ad quem a manifestação da Administração Tributária por despacho decisório a respeito do pedido formulado pelo contribuinte, fato que, ocorrido dentro do quinquênio legal, retira-lhe da inércia capaz de levar à homologação tácita da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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VALORES DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, o qual deve ter como dies ad quem a manifestação da Administração Tributária por despacho decisório a respeito do pedido formulado pelo contribuinte, fato que, ocorrido dentro do quinquênio legal, retiralhe da inércia capaz de levar à homologação tácita da compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 00 98 /2 00 9- 47 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 422 2 Relatório Trata o presente processo em que a empresa HOLCIM BRASIL S/A., requer créditos tributários referentes a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), períodos de apuração de setembro a dezembro de 2001, compensados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), com crédito decorrente de Ação judicial Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042, que recebeu o n° 90.03.178674 na remessa oficial perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Tal ação judicial, tinha por objeto os pagamentos de FINSOCIAL realizados em 1982, dada a inconstitucionalidade de sua cobrança no mesmo exercício em que instituída e transitou em julgado favoravelmente à Recorrente em março de 1991. Na sequência, efetuou pedido de autorização judicial para a compensação dos créditos tributários ali reconhecidos, deferido em 05.09.2000. Diante disso, a Recorrente fez a compensação acima referida, declarandoa em DCTF (fls. 8/15). Em 18/05/2004, por intermédio do PAF n° 19515.000948/200425, a empresa foi autuada em virtude de insuficiência de crédito de FINSOCIAL, (decorrente da mencionada Ação Judicial), para compensação com débitos da COFINS, nos períodos de apuração 12/2001 e 01/2002. A exigência tributária constante do Auto de Infração foi impugnada perante a DRJ, a qual, por se tratar de débitos já confessados em DCTF, julgou improcedente o lançamento e recorreu de ofício ao CARF (2ª instância Administrativa), com ciência em 21/05/2008, que negou provimento ao recurso de ofício e manteve a decisão de 1ª instância (Acórdão proferido em 03/02/2010). Em 19/02/2010, a Recorrente requereu a desistência parcial da impugnação, para fins de parcelamento (pedido fl. 315), entretanto, em 03/02/2010 já havia ocorrido a decisão do CARF que confirmou a decisão da DRJ. Por conta disso, o presente processo foi enviado para a DERAT/SP, para análise dos procedimentos de compensação realizada pela Recorrente. Desta análise, conforme bem relatada pela decisão recorrida, resultou o Despacho Decisório, de 22/06/2012 (fls. 324/329), com ciência à contribuinte em 02/07/2012 (fl. 331), no qual restou decidido que o crédito de FINSOCIAL não foi suficiente para compensar todos os débitos relacionados pela contribuinte na DCTF, devendo ser convalidadas as compensações do crédito tributário da COFINS, referentes aos períodos de apuração de setembro/2001 e outubro/2001 e parcialmente convalidada a compensação do débito relativo a novembro/2001 no valor de R$ 160.609,69, devendo ser encaminhados a cobrança o débito parcial no valor de R$ 205.568,13 referente à COFINS, código 2172, relativo ao período de apuração de novembro/2001, e o débito total de COFINS, código 2172, referente ao período de apuração de dezembro de 2001, relativos às compensações não convalidadas em virtude da insuficiência do crédito. A interessada foi cientificada do Despacho Decisório em 02/07/2012 (fl. 330/331), sendolhe concedido o prazo para recurso de 10 (dez) dias do recebimento postal, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.784/99. Apresentou Manifestação de Inconformidade contra esta decisão a qual não foi analisada, sendo os débitos encaminhados para cobrança. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 423 3 No entanto a Recorrente teve deferido o pedido liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 001568456.2012.403.6100, para determinar que a sua Manifestação de Inconformidade fosse apreciada pela RFB, com a suspensão da exigibilidade dos créditos tributário discutidos (fls. 352/353). Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente limitouse a alegar a ocorrência da homologação tácita das compensações, considerando que foram efetivadas em DCTF transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002 e a intimação da negativa de homologação ocorreu em 02/07/2012, portanto, depois dos 5 anos previstos no art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430/96. No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0736.642, de 11/02/2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 365/368): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO EM DCTF. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 somente se aplica às compensações informadas em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimado da decisão DRJ via endereço eletrônico/Caixa Postal (DTE) em 15/01/2016 (fl. 373). Descontente com a decisão de primeira instância, em 16/02/2016 (fl. 375), protocolou o recurso voluntário de fls. 375/382, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação, que, em síntese, reproduzo: as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3º e 4º trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente; não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96, uma vez que o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer que o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto à compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado; cita jurisprudências administrativas e judiciais; com efeito, não há óbice à aplicação da homologação tácita às compensações efetuadas diretamente em DCTF, visto que essa última, assim como a DCOMP, também tem o condão de constituir o crédito tributário. Esse foi, inclusive, o fundamento que ensejou a anulação do Auto de Infração n° 19515.000948/200425, lavrado em face da Recorrente em virtude da suposta insuficiência dos créditos oferecidos à compensação; a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é inadmissível, já que traduz grave violação ao princípio da segurança jurídica, na medida em que concede ao Fisco prazo Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 424 4 indeterminado para homologar as compensações realizadas pelo contribuinte, expondoo ao risco de sofrer cobranças de débitos até mesmo décadas depois da sua compensação. por fim, ainda que se entenda que o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não pode ser aplicado ao caso dos autos, o que se admite apenas para argumentar, deverá ser reconhecida, desde já, a prescrição dos valores exigidos, nos termos do art. 174 do CTN. Ante o exposto, pede o provimento do recurso voluntário, para que seja reformado o acórdão combatido e reconheceremse como tacitamente homologadas as compensações em exame, com extinção dos débitos tributários pretendidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide O cerne da lide, diz respeito a ocorrência ou não da homologação tácita das compensações em questão, fundamentando no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. 3. Das Compensações efetuadas COFINS Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) No caso concreto, as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3o e 4o trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente. Por sua vez, a intimação da negativa de homologação data de 02.07.2012, muito além dos cinco anos previstos no art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96, quando de há muito já implementada a homologação tácita". "(...) De fato, não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Inclusive, o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer, o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto a compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado". Por outro giro, o acórdão recorrido consignou que o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não seria aplicável ao caso em debate, eis que as DCTFs foram transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, antes, pois, da entrada em vigor das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, que deram nova redação ao dispositivo acima. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 425 5 Deixou consignado também o acórdão recorrido que a homologação tácita não poderia ser reconhecida in casu, eis que o instituto seria aplicável unicamente às Declarações de compensação, já que essas possuem natureza constitutiva do crédito tributário compensado, o qual é considerado extinto sob condição resolutória de posterior homologação pela Administração Tributária. Desta forma, a equiparação prevista no art. 74, § 4o, também não incidiria neste caso, eis que a empresa não formulou o Pedido de Compensação, e apenas esses pedidos foram equiparados às DCOMPs, quando da entrada em vigor das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Já a Recorrente, em seu recurso aduz que "não há óbice à aplicação da homologação tácita às compensações efetuadas diretamente em DCTF, visto que essa última, assim como a DCOMP, também tem o condão de constituir o crédito tributário. Esse foi o fundamento que ensejou a anulação do Auto de Infração n° 19515.000948/200425, lavrado em virtude da suposta insuficiência dos créditos oferecidos à compensação". Pois bem. Consta dos autos que a compensação objeto desta análise foi informada pela Recorrente por meio das DCTF apresentadas entre novembro de 2001 e fevereiro de 2002, incluindo débitos de COFINS referentes aos períodos de apuração 09/2001 a 12/2001 e direito creditório decorrente da Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042. Em seu recurso, a Recorrente alega a ocorrência da homologação tácita das compensações em questão, fundamentando tal alegação no §5° do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Grifei. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 426 6 Como pode se extraído do texto acima, a homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das Declarações de Compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Este CARF vem decidindo que a regra estabelecida pelo §5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003, possui natureza processual, aplicandose imediatamente a todos os processos de compensação em curso na RFB. Neste diapasão, o §4º expressamente trouxe para o âmbito de aplicação da disciplina do novo texto da Lei n. 9.430/96 aqueles pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação em 30/10/2003. As datas importantes para o presente julgamento são as seguintes: (i) as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3º e 4º trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente. (ii) em 18/05/2004, por intermédio do PAF n° 19515.000948/200425, a empresa foi autuada em virtude de insuficiência de crédito de FINSOCIAL, (decorrente da mencionada Ação Judicial), para compensação com débitos da COFINS, nos períodos de apuração 12/2001 e 01/2002; (iii) a exigência tributária constante do Auto de Infração foi impugnada perante a DRJ, a qual, por se tratar de débitos já confessados em DCTF, julgou improcedente o lançamento e recorreu de ofício à 2ª instância Administrativa CARF (ciência em 21/05/2008), que negou provimento ao recurso de ofício e manteve a decisão de 1ª instância (Acórdão nº 3402000.441, de 03/02/2010); (iv) em 19/02/2010, a Recorrente requereu a desistência parcial da impugnação (para fins de aderir ao parcelamento), entretanto, em 03/02/2010 já havia ocorrido a decisão do CARF que confirmou a decisão de 1ª instância. Por conta disso, o presente processo foi enviado para a DERAT/SP para análise dos procedimentos de compensação realizada pela Recorrente; (v) desta análise resultou o Despacho Decisório, de 22/06/2012 (fls. 324/329), com ciência à Recorrente em 02/07/2012, no qual restou decidido que o crédito de FINSOCIAL não foi suficiente para compensar todos os débitos relacionados pela contribuinte na DCTF; (vi) a Recorrente foi cientificada do Despacho Decisório, sendolhe concedido o prazo para recurso de 10 (dez) dias do recebimento postal, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.784/99. Apresentou Manifestação de Inconformidade contra esta decisão a qual não foi analisada, sendo os débitos encaminhados para cobrança. A interessada impetrou e teve deferido o pedido liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 0015684 56.2012.403.6100, para determinar que a sua Manifestação de Inconformidade fosse apreciada pela RFB, com a suspensão da exigibilidade dos créditos tributário discutidos (fls. 350/352). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 427 7 Em síntese, o que sustenta a Recorrente é que "(...) Por sua vez, a intimação da negativa de homologação data de 02.07.2012, muito além dos cinco anos previstos no art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96, quando de há muito já implementada a homologação tácita". Como é consabido, o instituto da homologação tácita visa exteriorizar resposta da Administração Tributária em razão de seu silêncio, de sua inércia. No caso, não houve tal inércia, e sim a normal atividade da Receita Federal do Brasil que avaliou a compensação (em 18/05/2004) pretendida pela Recorrente pouco mais de dois anos depois de sua apresentação (DCTF transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002), não havendo espaço algum para se falar em homologação tácita. Saliente se que para fins de cumprimento do artigo 489, §1º, do CPC, todos os procedimentos colacionados pela Recorrente em sua defesa, corroboram o juízo aqui exposto, uma vez que se limitam a reconhecer a homologação tácita na hipótese de inércia da Administração Pública, o que, como já destacado, não se efetivou no presente caso. 4. Da alegada retroatividade da norma Trouxe ainda a Recorrente em seu recurso, argumentos sobre a possibilidade de aplicação retroativa da norma, alegando que "(...) De fato, não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Inclusive, o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer, o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto a compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado". Esta matéria, como bem pontuado pela decisão de piso, restou consignada que a legislação acima citada, corresponde às alterações efetuadas no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Considerando que a primeira foi publicada somente em 31/12/2002, concluise que tais alterações não estavam em vigor à época da entrega das DCTF em tela (11/2001 e 02/2002). As novas normas instituíram a chamada Declaração de Compensação DCOMP, por meio da qual o sujeito passivo deve formalizar, obrigatoriamente, qualquer compensação pretendida no âmbito da RFB. A DCOMP, ao contrário do anterior “Pedido de Compensação”, possui natureza constitutiva do crédito tributário compensado, o qual é considerado extinto sob condição resolutória de posterior homologação pela Administração da compensação informada, a qual deve ocorrer no prazo de cinco anos da entrega da declaração, sob pena de ser considerada a compensação homologada tacitamente. Além disso, a Lei equiparou os pedidos de compensação pendentes de apreciação à DCOMP. Assim é que, no presente caso, não há que se falar em homologação tácita das compensações. As inovações trazidas por tal legislação, assim como os efeitos delas decorrentes, inclusive a homologação tácita, estão vinculados à apresentação da DCOMP, a qual sequer existia quando da apresentação das DCTF em análise. Além disso, não foi apresentado pelo sujeito passivo o Pedido de Compensação previsto na norma aplicável anteriormente, não havendo, portanto, que se falar na equiparação trazida pela Lei nº 10.637/2002. 5. Da prescrição dos valores exigidos Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 428 8 Aduz a Recorrente que, "(...) Por fim, ainda que se entenda que o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não pode ser aplicado ao caso dos autos — o que se admite apenas ad ar gumentandum , deverá ser reconhecida, desde já, a prescrição dos valores exigidos, nos termos do art. 174 do CTN. Com efeito, se os débitos de COFINS foram constituídos pela Recorrente nas DCTFs transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, é evidente que não poderiam ter sido exigidos pela Fiscalização mais de dez anos depois da sua constituição, como se deu no presente caso". Como se vê, tratase de argumentos que se refere a prescrição intercorrente, ou seja, a análise de questões relativas à prescrição vinculadas à possibilidade de cobrança do crédito tributário declarado em DCTF, que estão sendo tratados neste processo. Assim, o CTN prevê em seu art. 174 que o prazo prescricional do crédito tributário começa a ser contado na data de sua constituição definitiva. Na esfera administrativa, existindo impugnação ao referido crédito tributário, suspendese sua exigibilidade, nos termos do que dispõe o art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em prescrição quando pendente recurso administrativo interposto pelo Contribuinte. Ainda sobre a prescrição intercorrente, é cediço que tratase de matéria sumulada no âmbito deste CARF, conforme define a Súmula nº 11 do CARF, que determina que: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Sendo as Súmulas, conforme definido no RICARF, de aplicação obrigatória pelo Colegiado, deve ser rechaçado esse argumento. 6. Dispositivo Forte em todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Na sessão de julgamento, ousei em divergir do I. Conselheiro Relator por entender que ocorreu efetivamente na hipótese a prescrição dos valores constituídos em DCTF, como passo a esclarecer a seguir. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 429 9 Como já tive a oportunidade de trazer um breve retrospecto da legislação aplicável às compensações de créditos judiciais no Acórdão n.º 3402003.843, a compensação de tributos federais foi autorizada originariamente pelo art. 66 da Lei n.º 8.383/19911, segundo o qual a compensação de tributos da mesma espécie e de mesma destinação constitucional poderia ser realizado de forma autônoma pelo contribuinte em seus documentos fiscais e contábeis, independentemente de requerimento prévio. Nesses moldes, a compensação era realizada pelo sujeito passivo e declarada nos documentos fiscais correspondentes (DCTF, GFIP ou similares). Contudo, essa disciplina legal foi alterada pelo art. 74 da Lei n.º 9.430/96, passando a ser exigido um requerimento prévio pelo interessado para a realização da compensação com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Vejamos a redação original deste dispositivo, vigente à época dos fatos geradores autuados e da transmissão da DCTF sob análise: "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." (grifei) Assim, diferentemente do que era viabilizado no regime anterior do art. 66 da Lei n.º 8.383/1991, com a disciplina introduzida pela Lei n.º 9.430/1996 o contribuinte não mais poderia proceder de forma autônoma com as compensações nos documentos fiscais (DCTF, GFIP ou equivalente). Passou a ser exigida a apresentação de requerimento prévio à Receita Federal. Essa questão foi muito bem elucidada pelo então Ministro do Superior Tribunal de Justiça Teori Albino Zavascki, no voto proferido no Recurso Especial n.º 548.161, na qual analisou caso de contribuinte que solicitou compensação em ação judicial protocolada em 1998. Vejamos primeiramente a ementa deste julgado: "TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRESCRIÇÃO. NOVA ORIENTAÇÃO FIRMADA PELA 1ª SEÇÃO DO STJ, NA APRECIAÇÃO DO ERESP 423.994/MG. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DIFERENTES. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. ÍNDICES. 1. A 1ª Seção do STJ, no julgamento do ERESP 423.994/MG, Min. Peçanha Martins, sessão de 08.10.2003, consagrou o seguinte entendimento, quanto ao prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação cuja cobrança foi declarada inconstitucional pelo STF: (a) se a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em sede de ação de controle concentrado, o prazo de cinco anos inicia na data da publicação do respectivo acórdão; e (b) se a inconstitucionalidade foi declarada na via do controle difuso, o prazo qüinqüenal tem início na data da resolução do Senado Federal suspendendo a execução da norma (CF, art. 52, X). Inexistindo resolução do Senado, aplicase a regra geral adotada para a repetição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual 1 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)" (grifei) Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 430 10 seja, a de considerar como termo inicial do cinco anos da prescrição a data da homologação do lançamento. Adotase o entendimento firmado pela Seção, com ressalva do ponto de vista pessoal. 2. No regime da Lei 9.430/96, a compensação dependia de requerimento à autoridade fazendária, que, após a análise de cada caso, efetuaria ou não o encontro de débitos e créditos. Essa situação somente foi modificada com a edição da Lei 10.637/02, que deu novas redação ao art. 74 da Lei 9.430/96, autorizando, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 3. Temse, assim, que, à época da propositura da demanda (1998), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, sendo indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal, razão pela qual o pedido veiculado na inicial não poderia, com base no direito então vigente, ser atendido. Fica ressalvado, contudo, o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 4. Recurso especial provido." (REsp 548.161/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 235 grifei) Da íntegra do julgado acima depreendese um claro histórico da legislação aplicável à compensação no âmbito federal, evidenciando a impossibilidade da compensação autônoma pelo sujeito passivo a partir de 27/12/1996: "2.À luz do quadro legislativo correspondente, e se atendendo à regra geral segundo a qual a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos, resulta que (a) até 30.12.91, não havia, em nosso sistema jurídico, a figura da compensação tributária; (b) de 30.12.91 a 27.12.96, havia autorização legal apenas para a compensação entre tributos da mesma espécie, nos termos do art. 66 da Lei 8.383∕91; (c) de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei 9.430∕96; (d) a partir de 30.12.02, com a nova redação do art. 74 da Lei 9.430∕96, dada pela Lei 10.637∕02, foi autorizada, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O pedido formulado na inicial, datada de 1998, está expresso nos seguintes termos: "que à impetrante seja reconhecido o direito em proceder com a compensação do valor pago indevidamente a título de FINSOCIAL, com impostos e contribuições devidos ao impetrado, conforme já pacificou o STJ, ratificado pelo Decretolei 2.138∕96" (fls. 13). O Decreto mencionado regulamentava o art. 74 da Lei 9.430∕96, estatuindo em pelo menos dois artigos que a compensação seria realizada pela própria Receita Federal — exigência que, conforme já se afirmou, não existia no regime do art. 66 da Lei 8.383∕91: Art. 1º, parágrafo único: A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 431 11 Art. 3º A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensará os dois valores. Temse, assim, que, à época da propositura da demanda (1998), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, sendo indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal, que, após a análise de cada caso, efetuaria ou não o encontro de débitos e créditos. O pedido veiculado na inicial não poderia, portanto, com base no direito então vigente, ser atendido. Sobrevieram, contudo, as modificações legislativas acima aludidas, relativas à abrangência e ao procedimento da compensação. Sobreveio também a Lei Complementar 104∕2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo o qual "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Agregouse, com isso, novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer, de acordo com o regime previsto na Lei 10.637∕02, isto é, (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifei) Inicialmente, no âmbito infralegal, a disciplina para a compensação trazida pela Instrução Normativa n.º 21/1997 (DOU 11/03/1997) conciliou os dois regimes trazidos pelos diplomas legais acima mencionados, autorizando a compensação por meio de documento fiscal somente de tributos da mesma espécie e destinação (art. 14), exigindo o requerimento prévio para a compensação de tributos de espécies distintas (art. 12). Entretanto, para quaisquer dessas situações, o requerimento prévio era exigido em se tratando de indébito reconhecido por sentença judicial transitada em julgado (como no caso sob análise), com a devida comprovação da desistência da execução na via judicial (art. 17). Vejamos a exata disciplina normativa, vigente à época do presente processo: "Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. l7. (...) Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 432 12 subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997)" Importante frisar que a disciplina da Instrução Normativa n.º 21/1997 acima transcrita é clara quanto aos casos semelhantes ao presente, que envolvem crédito reconhecido judicialmente por decisão judicial transitada em julgado. Em qualquer caso, o contribuinte deveria apresentar previamente pedido de restituição/ressarcimento e "comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios" (art. 17, §1º). No presente caso, como bem relatado pelo I. Conselheiro Relator, a empresa Recorrente exsurge contra o despacho decisório emitido que negou as compensações declaradas em DCTF com os créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente (Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042, que recebeu o n° 90.03.178674 na remessa oficial perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Em conformidade com a exigência normativa da época, a empresa efetuou um pedido formal junto à Receita Federal para a compensação, que foi deferida em 05/09/2000. Com fulcro nessa autorização e na disciplina normativa então vigente, a Recorrente procedeu com a compensação via DCTF de débitos de COFINS, transmitidas em 2001 (efls. 8/15). Por entender que a compensação não poderia ser homologada face a insuficiência do crédito judicial, foi lavrado Auto de Infração para a cobrança dos débitos declarados relativos ao período de 12/2001 e 01/2002, no PTA n° 19515.000948/200425. Naquele processo, a própria DRJ e o CARF reconheceram o equívoco procedimento cometido pela lavratura do Auto de Infração, vez que os débitos já estavam constituídos por estarem confessados em DCTF. Nas palavras do acórdão da DRJ proferido naqueles autos e acostados aos presentes às efls, 116/126, cujos termos foram mantidos pelo CARF após análise do recurso de ofício: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 433 13 "No entanto, a própria autoridade lançadora observa no referido termo que os valores de COFINS compensados foram objeto de informação em DCTF ( fl s. 322 a 337 e 373). (...) Os valores declarados em DCTF são, em princípio, passíveis de exigência imediata, no todo ou em parte, por meio da referida declaração, em decorrência de vinculação incorreta, caso assim também entenda a autoridade competente. Concluise, portanto, pela improcedência do presente lançamento em relação a tais períodos de apuração, tanto em relação à contribuição, uma vez que já declarada espontaneamente em DCTF, como em relação à multa de oficio, uma vez que não se verifica a ocorrência de nenhuma das hipóteses legais para sua constituição." (e fls. 121 e 126 grifei) Ora, uma vez já reconhecido que os débitos foram confessados em DCTF quando de sua apresentação, em 2001, e a correspondente desnecessidade de proceder com o Auto de Infração, evidente que o único caminho que poderia ser seguido pela Receita Federal era o direcionamento dos débitos para dívida ativa para cobrança executiva. Como evidenciado no acórdão da DRJ acima transcrito proferido no processo do Auto de Infração, os valores declarados são, em princípio, passíveis de exigência imediata com fulcro na própria Declaração, desnecessária outra providência por parte da Receita Federal. Contudo, para esse procedimento de cobrança judicial dos valores constituídos administrativamente, corre o prazo de prescrição de 5 (cinco) previsto no art. 174 do CTN constados de sua constituição definitiva, qual seja, sua declaração em DCTF: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva." Nesse sentido é a manifestação em sede de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, entendendo que a contagem do prazo prescricional deve se dar da data indicada para vencimento dos tributos declarados na DCTF: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. (...) 1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 434 14 em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis: (...) 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." 6. Consequentemente, o dies a quo do prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário declarado, mas não pago, é a data do vencimento da obrigação tributária expressamente reconhecida. (...) 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) Assim, uma vez que os débitos foram confessados e definitivamente constituídos pela Recorrente com a sua declaração em DCTF, incorrida em 2001, o prazo prescricional para sua cobrança transcorreu em 2006. A lavratura de um despacho decisório nos idos de 2012 foi somente uma tentativa, que deveria ser fatalmente frustrada, de novamente constituir valores já constituídos com sua declaração em DCTF, o que não poderia ser de qualquer forma admitido. Sob esta perspectiva que ousei em divergir do I. Conselheiro Relator para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para cancelar a exigência dos débitos objeto do despacho decisório por já estarem fulminados pela prescrição na forma do art. 174, do CTN. É como declaro o meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Conselheira Fl. 434DF CARF MF
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