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Numero do processo: 13888.722840/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida negar provimento.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Cassio Shappo e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida negar provimento. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Cassio Shappo e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 28 40 /2 01 5- 25 Fl. 3018DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de impugnações de lançamentos de créditos tributários lavrados através de Autos de Infração (fls. 2.3392.362) contra a contribuinte em epígrafe, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para Programa de Integração Social PIS dos períodos 02/2011 a 12/2011, 01/2012, 03/2012 a 06/2012 e 08/2012 a 12/2012. Exigemse neste processo os seguintes créditos tributários (valores atualizados até nov/2015): Os sócios administradores, à época dos fatos geradores, Fernando César Xavier, CPF nº 294.810.07634; José do Carmo de Souza, CPF nº 231.164.39672; Bruno Pertence de Souza, CPF nº 060.036.28685; e a sócia, à época da lavratura dos autos de infração, Carole Louise de Reynier, CPF nº 148.803.12827, foram responsabilizados solidariamente, nos termos do Art. 135 da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional CTN (Responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto). DO RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO A autoridade fiscal, no Relatório de Fiscalização, fls. 2.366 a 2.397 e anexos, parte integrante do Auto de Infração, em síntese, relata que: 1. A fiscalizada retificou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF para os períodos de 02/2011 a 12/2011, 01/2012, 03/2012 a 06/2012 e 10/2012 a 12/2012; 2. As DCTFretificadoras zeraram os débitos de contribuições sociais para o PIS e de Cofins; 3. A contribuinte apresentou demonstrativos mensais de apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes aos períodos de 01/2011 a 12/2012. 4. A contribuinte não apresentou à fiscalização documentos comprobatórios da origem do suposto crédito protocolizado, em papel, na Divisão de Dívida Ativa da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional em São Paulo (processo administrativo nº 16191.020495/201275); 5. Houve circularizações a clientes e fornecedores; 6. A apuração da base de cálculo do lançamento foi através de informações extraídas do Sped Contribuições e do Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 13888.722840/201525 Acórdão n.º 3201003.635 S3C2T1 Fl. 3 3 PIS/Cofins de folhas 669 e 685 apresentado pela fiscalizada; 7. A empresa tinha conhecimento de valores a recolher de PIS e Cofins fiscalizado e, portanto, não havia motivação para a transmissão de DCTFretificadoras (zeradas). Assim, houve sonegação fiscal, motivo pelo qual foi aplicada a multa qualificada de 150%, nos termos da Lei nº 9.430/96, art. 44, I, e § 1º, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007 e foram responsabilizados por excessos de poderes, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto (inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional) os sócios administradores à época dos fatos geradores; 8. Houve a dissolução irregular da empresa. A sócia administradora, à época do encerramento irregular, Carole Louise de Reynier, foi responsabilizada solidariamente; e 9. Formalizou representação fiscal para fins penais ao Ministério Público. DAS IMPUGNAÇÕES A ciência dos Autos de Infração foi dada à contribuinte em 24/11/2015 (fls. 2.6072608); à responsável solidária Carole Louise de Reynier, CPF nº 148.803.12827 (fl. 2.619), em 18/12/2015; aos responsáveis solidários Bruno Pertence de Souza, CPF nº 060.036.28685 e José do Carmo de Souza, CPF nº 231.164.39672, em 15/12/2015 (fls. 2.634 e 2.643); ao responsável solidário Fernando César Xavier, CPF nº 294.810.07634, em 22/01/2016 (fl. 2.654). Dentro do prazo regulamentar, apenas a contribuinte e a responsável solidária Carole Louise de Reynier apresentaram suas defesas, alegando, em apertada síntese, o que se segue: 1. IMPUGNAÇÃO DA ECOLOGY PLASTIC Após fazer um relato sucinto dos fatos, a contribuinte discorre sobre as seguintes matérias de direito: 1.1. Da alegação de Fato Impeditivo ou Modificativo do Crédito Tributário A impugnante afirma que os débitos apontados foram liquidados com créditos constantes do requerimento protocolizado junto à Receita Federal (Processo Administrativo nº 16191.020495/201275). Diz que a fiscalização não poderia sumariamente ter ignorado o aludido requerimento, em face do disposto no §2º do art. 74 da Lei 9430/19961. Ao final do tópico conclui: Fl. 3020DF CARF MF 4 Sendo assim, e em face do que alude o disposto no art. 144 do CTN que impõe apuração concreta dos fatos determinantes da existência do tributo e de todas as circunstâncias que possam ensejar sua modificação ou mesmo extinção, imposição essa de que se descurou a fiscalização, entende a impugnante, data máxima vénia, padecer o lançamento realizado de insanável nulidade, como espera e requer também seja reconhecido por essa d. instância julgadora. 1.2. Da Correta Reconstituição da Base de Cálculo das Contribuições Na sequência, afirma que a inclusão do ICMS e demais impostos na base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é medida arbitrária e ilegal, em frontal violação ao suporte conceitual mínimo plasmado na letra "b", inciso I, do art. 195 da CF, e no art. 110 do Código Tributário Nacional CTN. Para corroborar com seu entendimento, transcreveu os conceitos de insumo dados por José Luiz Bulhões Pereira e por José Antônio Miantel, e duas decisões judiciais sobre o tema. 1.3. Da conclusão No final, apresentou a seguinte conclusão: Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, as autuadas esperam e requerem seja a presente impugnação integralmente acolhida pela procedência de seus fundamentos e para os efeitos pleiteados, como medida da mais pura e inequívoca aplicação do DIREITO e de JUSTIÇA. 2. IMPUGNAÇÃO DE CAROLE LOUISE DE REYNIER Após fazer um relato sucinto dos fatos e afirmar que ingressou na sociedade anos depois do fato gerador do tributo e da apresentação das DCTFretificadoras, a contribuinte alega: 2.1. Da Não Ocorrência de Dissolução Irregular da Empresa Neste tópico, a responsável solidária teceu extenso arrazoado alegando, em síntese, que: O simples fato da empresa não estar em funcionamento no endereço cadastrado na Receita Federal é mero indício, não uma certeza ou presunção absoluta de dissolução irregular; Deve o fisco instaurar regular processo administrativo para respaldar a conclusão de dissolução irregular da pessoa jurídica. O ônus probante compete ao fisco; Houve apenas o descumprimento da obrigação acessória de informar à RFB o novo endereço da empresa, mas este descumprimento não gerou a dissolução irregular da sociedade; Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 13888.722840/201525 Acórdão n.º 3201003.635 S3C2T1 Fl. 4 5 A mudança de endereço não foi uma ação dolosa, mas em face da ação de despejo; Não houve esvaziamento de bens; Comunicou a alteração de endereço junto à RFB; Afirma que o auto de infração não se sustenta, em face de o prazo para o contribuinte comunicar à DRF a mudança de endereço ser de 30 (trinta) dias (o art. 195 do Decreto Lei nº 5.844/43), mas entre a data da constatação de que os portões da empresa estavam fechados (28/10/2015) pelo fisco e a data da lavratura do auto de infração (24/11/2015) transcorreu menos de 30 (trinta). 2.2. Da Impossibilidade de Responsabilização Solidária pela Dissolução Irregular Após reproduzir parcialmente o voto proferido pela Ministra Nancy Andrighi, a impugnante diz: Assim, a imputação de responsabilidade pela presunção de dissolução irregular deve ser sopesada a luz dos fatos concretos e da existência ou não de conduta dolosa, pois o simples descumprimento da obrigação acessória não é apto a provocar a responsabilização dos sócios pelas obrigações fiscais da empresa. 2.3. Da Indevida Responsabilização da Responsável Solidária pelos Débitos Tributários anteriores ao seu Ingresso na Sociedade Neste item, em síntese, a requerente afirma que não lhe podem imputar a conduta dolosa de ato a qual ela não teve qualquer ingerência. E é incabível a sua responsabilização pela multa qualificada de 150% decorrente do enquadramento do fato típico previsto no inciso I do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Para corroborar com seu entendimento, transcreveu diversas decisões judiciais e finalizou o tópico dizendo: Nesse condão, mesmo que se mantenha o entendimento da dissolução irregular da empresa pelo mero descumprimento da obrigação acessória, não se pode atribuir à Sra. Carole a responsabilização por fatos geradores e atos fraudulentos ocorridos antes de seu ingresso na sociedade, e muito menos servirem estes de base, por absoluta falta de amparo legal, de fixação de multa para o descumprimento futuro de alguma obrigação acessória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. ICMS E ISS. INCLUSÃO. Fl. 3022DF CARF MF 6 A base de cálculo da Cofins e do PIS Faturamento é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão dos valores do ICMS e do ISS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado que reduzirem conscientemente o pagamento das contribuições devidas mediante transmissão DCTF retificadoras e/ou encerrarem irregularmente empresa respondem pessoalmente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (Art. 135 do CTN e Súmula nº 435 do STF). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ÔNUS DA PROVA. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pela própria contribuinte ou em seu poder, cabe a esta última o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. INCOMPETÊNCIA As DRJ não têm competência material para revisar a declaração de inaptidão de inscrição no CNPJ proferida pelas DRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificadas da decisão da DRJ. Somente apresentaram recurso voluntário, os responsáveis solidários Bruno Pertence de Souza e José do Carmo de Souza, que alegam a nulidade da ciência da DRJ, pois o AR foi assinado por outro pessoa que não os Recorrentes, prossegue o recurso alegando a nulidade do termo de sujeição passiva e no mérito apresenta questionamentos sobre as penalidades aplicadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, os responsáveis solidários que interpuseram os recursos voluntários não apresentaram impugnação. Considerando que existe a alegação nos recursos voluntários quanto a validade da ciência do Auto de Infração, entendo que para esta matéria, estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Quanto ao restante das matérias que enfrentam o mérito e a sujeição passiva, entendo que estão preclusas não sendo possível de conhecimento por parte desta instância de julgamento. Assim, conheço em parte o recurso para enfrentar a matéria referente as alegações de ilegalidade na ciência dos Termos de Sujeição Passiva e do Auto de Infração. Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 13888.722840/201525 Acórdão n.º 3201003.635 S3C2T1 Fl. 5 7 A ciência dos atos do Processo Administrativo Fiscal estavam assim previstos no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 3024DF CARF MF 8 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. " As alegações dos Recorrentes partem da premissa que a ciência do Termo de Sujeição Passiva e do Auto de Infração não foram entregues pessoalmente, sendo realizado por meio de Aviso de Recebimento AR realizado pela Empresa Brasileira de Correios, que foi recebido por terceiro. Quanto a procedência da intimação por via postal com Aviso de Recebimento AR, a matéria já foi objeto da Súmula nº 9 do CARF, publicada no DOU de 22/11/2009, que considera válida a intimação por via postal, realizada no domicílio do contribuinte, confirmada por assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. "Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 13888.722840/201525 Acórdão n.º 3201003.635 S3C2T1 Fl. 6 9 Portanto, no caso em tela, vale a regra geral de andamento e prazo processuais, onde o contribuinte cientificado da autuação da Receita Federal, terá o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar sua impugnação ao lançamento. Considerando que o litígio administrativo nasce com a impugnação válida, a ausência da impugnação determina a ausência de litígio. Portanto, as demais questões de mérito suscitadas no recurso voluntário não podem ser conhecidas por este colegiado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. Winderley Morais Pereira Fl. 3026DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.913704/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
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ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 37 04 /2 00 9- 99 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.889, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913699/200914, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.889): Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 4º trimestre do anocalendário de 2007, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 5 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 6 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: [...] Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 7 6 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10480.913704/200999 Acórdão n.º 1301002.894 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907608/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOSCALENDÁRIO 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 76 08 /2 01 1- 17 Fl. 1096DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 38659.76495.171207.1.3.040087,,visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 3 3 Dessa decisão da qual tomou ciência em 28/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo Fl. 1098DF CARF MF 4 definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 4 5 (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, Fl. 1100DF CARF MF 6 geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 5 7 se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 1102DF CARF MF 8 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 6 9 Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, Fl. 1104DF CARF MF 10 uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 7 11 II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Fl. 1106DF CARF MF 12 Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 8 13 Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultasmédicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: Fl. 1108DF CARF MF 14 a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Portanto, por todo o exposto, como indica, claramente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.907608/201117 Acórdão n.º 1001000.474 S1C0T1 Fl. 9 15 · o erro de fato no preenchimento da DCTF não poderá, à luz da verdade real, obstar o direito à restituição e compensação do crédito de IRPJ indevidamente recolhido. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. Reproduzo aqui parte da decisão da DRJ: Como se pode verificar não consta na IN SRF nº 127/98, que cuida da DIPJ, dispositivo segundo o qual o saldo a pagar, relativo aos débitos apurados, será inscrito em Dívida Ativa, tal como consta nos atos que cuidam da DCTF, especialmente no art. 1º da IN SRF 077/98, que transcrevo: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 1110DF CARF MF 16 É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000582/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/01/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer.
Numero da decisão: 2402-006.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 421/460) em face da Decisão Notificação DN n. 17.401.4/0533/2005 Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro (e fls. 401/410) que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.683.2694 consolidado em 31/03/2004 e constituído em 05/04/2004 no valor total de R$ 523.401,04 Competências: 06/1994 a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 05 82 /2 00 8- 47 Fl. 558DF CARF MF 2 01/1999 (efls. 03/36), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social: i) contribuição da empresa (cota patronal) e ii) contribuição dos segurados empregados, inclusive aquelas destinadas ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) até a competência 06/1997, bem assim ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), para as competências a partir de 07/1997, observandose que as contribuições em apreço foram apuradas por responsabilidade solidária e lançadas por arbitramento no tomador, baseadas na aplicação de percentuais sobre o valor das notas fiscais ou faturas emitidas pela empresa prestadora de serviços Valentim Serviços De Eletrocontroles Ltda. CNPJ 85.048.858/000189, em decorrência de execução de obras e serviços de construção civil, junto à INEPAR S/A Indústria e Construções CNPJ 76.627.504/001412 (contribuinte fiscalizado), no período de 06/1994 a 01/1999, conforme discriminado no Relatório Fiscal de e fls. 45/48. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 45/48), verbis: O Relatório Fiscal (efls. 45/48) também informa que o contribuinte fiscalizado (INEPAR) não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal e/ou fatura vinculada aos serviços executados pela empresa prestadora (Valentim), embora intimada para este fim, através de guias de recolhimento, no prazo e valores estabelecidos na legislação vigente à época dos fatos, defluindo, destarte, a responsabilidade solidária pelos encargos decorrentes da prestação de serviços. Irresignada com o lançamento, a Recorrente (fiscalizada) INEPAR S/A Indústria e Construções CNPJ 76.627.504/001412 apresentou a impugnação de efls. 82/104, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, que considerou, portanto, procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.683.2694 (efls. 03/36), nos termos da DecisãoNotificação DN n. 17.401.4/0533/2005 (efls. 401/410), sumarizada na ementa abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 12259.000582/200847 Acórdão n.º 2402006.185 S2C4T2 Fl. 102 3 A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo o INSS exigir o total do crédito tributário constituído da empresa contratante, a teor dos art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91, com a redação vigente à época dos fatos geradores, c/c art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66). LANÇAMENTO PROCEDENTE É relevante destacar que a empresa prestadora de serviços Valentim Serviços De Eletrocontroles Ltda. CNPJ 85.048.858/000189 foi notificada do lançamento consignado na NFLD DEBCAD n. 35.683.2694 (efls. 03/36) por via editalícia (efls. 320/326), e não compareceu aos autos (não apresentou impugnação/recurso voluntário). A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação DN n. 17.401.4/0533/2005 (efls. 401/410) na data de 13/07/2005 quartafeira (efl. 412), e, inconformada, interpôs Recurso Voluntário em 15/08/2005 segundafeira (efls. 421/460). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Inicialmente, é oportuno destacar a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo, nos termos exatos da Súmula Vinculante STF n. 21. Assim, resta prejudicado o entendimento da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, esposado no despacho de efls 555/556, no sentido de considerar deserto o recurso voluntário (efls. 421/460) interposto pelo recorrente, com fulcro no art. 126, § 1°., da Lei n. 8.212/91. Todavia, o Recurso Voluntário (efls. 421/460) é intempestivo e, assim, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, não havendo, portanto, dele de se conhecer. Com efeito, a Recorrente foi cientificada da DecisãoNotificação DN n. 17.401.4/0533/2005 (efls. 401/410) na data de 13/07/2005 (quartafeira), consoante recibo de entrega emitido junto à Secretaria da Receita Previdenciária/RJ de efl. 412 e interpôs Recurso Voluntário em 15/08/2005 (segundafeira), conforme protocolo (SIPPS 18879831) na efl. 421, inexistindo notícia nos autos de feriados, inclusive local, ou de quaisquer outras ocorrências nas datas de 14/07/2005 (quintafeira) e de 12/08/2005 (sextafeira), que interferissem no início e no fim da contagem do prazo para interposição do retrocitado recurso. Fl. 560DF CARF MF 4 Desta forma, resta caracterizada a intempestividade, forte no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário de efls. 421/460. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905791/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: 31154744825 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 141, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/PR de fls. 127, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 7. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 05 79 1/ 20 12 -0 5 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 225 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face da não homologação de declaração de compensação Dcomp, de nº 39638.07517.240712.1.3.040247, nos termos do despacho decisório emitido em 04/09/2012 pela DRF/Jundiaí (rastreamento nº 031099359). A referida Dcomp não foi homologada uma vez que o crédito informado de R$ 57.678,91, correspondente à parte do pagamento de Cofins com incidência não cumulativa (código 5856) de R$ 2.242.323,84, efetuado em 20/02/2008, já estava integralmente utilizado para quitação de débito da Cofins, no valor de R$ 2.242.323,84 (código 5856, correspondente ao PA de 31/01/2008). Cientificada dessa decisão em 14/09/2012, bem como da cobrança do débito declarado na Dcomp, a Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em 17/10/2012, argumentando que está sujeita à apuração do IRPJ pelo lucro real e, assim, enquadrada na sistemática da não cumulatividade do PIS e Cofins, cujas regras estabelecem a desoneração para as exportações, bem como a redução à zero das alíquotas de determinados produtos. I – Dos Fatos Relata que a empresa atua na fabricação e comercialização de produtos químicos aplicados na produção de adubos e fertilizantes classificados no capítulo 31 da TIPI e, com base no artigo 1º , inciso I da Lei nº 10.925 de 2004, as receitas auferidas com a venda desses produtos estão reduzidas a zero. Contudo, a manifestante somente constatou isso a partir da realização de trabalho de consultoria especializada em tributos, mediante a qual foi detectado que no período de julho/2007 a setembro/2010, ocorreu a tributação indevida de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes da comercialização do produto “ácido sulfúrico”, classificado na posição 2807.00.10 da TIPI. Dessa forma, em consonância com o entendimento da Receita Federal do Brasil, procedeu à retificação dos Dacon e das DCTF dos períodos em que detectou a inclusão de valores tributados indevidamente. Especificamente em relação ao mês de janeiro de 2008, aduz a manifestante que incluiu indevidamente na base de cálculo da contribuição o valor de R$ 148.817,36, relativa à venda de ácido sulfúrico. Idêntico fato ocorreu no período de julho a dezembro de 2007, o que ensejou a retificação dos Dacon desse período para excluir o valor de R$ 46.368,70. Esse valor somado ao saldo credor de dezembro de 2007, totalizou R$ 600.280,15. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 226 3 Assim, devido às retificações efetuadas nos meses de julho a dezembro de 2007, o Dacon de janeiro de 2008 também foi retificado para se adequar ao saldo transmitido no Dacon de dezembro de 2007. Com as retificações efetuadas, a manifestante apurou crédito no valor de R$ 57.678,91 (46.368,70 relativo a saldos anteriores e 11.310,12 relativo a janeiro de 2008), o qual foi utilizado no PER/Dcomp nº 39638.07517.240712.1.3.040247. Explica que, a despeito das retificações efetuadas, em 17/09/2012, sem qualquer prévia providência investigativa ou mesmo intimação que oportunizasse a produção de provas quanto à existência e ao montante do crédito, foi surpreendida com a não homologação da Dcomp citada. Nesta esteira, conclui a manifestante que a não homologação decorreu da ausência de processamento das declarações retificadoras. Aduz que o despacho decisório carece de reforma pelos seguintes motivos: a) por força das declarações retificadoras (Dacon e DCTF) há um indébito tributário de R$ 57.678,91; b) a DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 903/2008, vigente à época da retificação; c) a retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor do contribuinte; d) o despacho decisório não faz qualquer menção em relação ao Dacon e DCTF retificadoras, fato esse que leva à conclusão que o sistema não visualizou as alterações. Para fundamentar o seu direito a manifestante traz aos autos os seguintes comprovantes: Dacon e DCTF retificadores (doc. 04 e 05); Dcomp que utiliza o crédito compensado de IPI relativo ao mês de junho de 2012, datado de 25/07/2012 (doc. 06); Razão contábil da conta 2160.1000.00100, referente à contabilização do DARF correspondente ao período de apuração de 31/01/2008 (doc. 7); Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 227 4 Folha do razão contábil da conta 1130.1000.00100, referente à contabilização da Cofins a recuperar, no valor de R$ 57.678,84 e compensação do IPI (doc. 8) e composição analítica do produto ácido sulfúrico contabilizado que foi indevidamente tributado pelo PIS e Cofins nãocumulativos sobre a receita do produto. II – Do Direito Informa a manifestante que produz e comercializa o produto “ácido sulfúrico”, classificado na posição 2807.11.10 da TIPI, o qual é utilizado como matériaprima para a produção de adubos e fertilizantes da posição 31 da TIPI. Aduz que sua pretensão encontra respaldo no art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925, de 2004 que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita auferida com a venda de produtos utilizados como matériaprima na produção de adubos e fertilizantes classificados na capítulo 31 da TIPI. Argumenta que a Receita já se manifestou sobre o assunto em diversas soluções de consulta e anexa algumas ementas sobre o tema em debate. Explica que tributou indevidamente as receitas decorrentes da venda do produto “ácido sulfúrico” e é de “lhe ser assegurado o direito de recuperar tais valores”. Para tanto, retificou o Dacon e a DCTF a fim de informar a nova base de cálculo das contribuições e o débito apurado. Assim, a diferença entre o novo débito e o efetivamente recolhido deverá ser tratada como pagamento indevido ou maior que o devido. Aduz que o despacho decisório parte da falsa premissa de que o crédito é inexistente e sobre o assunto o CARF vem consolidando entendimento no sentido de que se o despacho decisório é posterior à DCTF retificada, a compensação haveria de ser homologada. O tempo decorrido, de 41 dias, entre a data em que foi transmitida a DCTF retificadora e data da emissão do despacho decisório deveria ter sido suficiente para o regular processamento com vista a não indeferir a Dcomp. Anexa Acórdãos do CARF. Alega que a decisão em questão foi proferida sem qualquer prévia providência investigativa ou mesmo intimação que oportunizasse à manifestante a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito. Neste caminho, aduz que o despacho decisório não lhe deu a oportunidade para, em momento anterior a sua expedição, apresentar justificativa acerca do seu pedido e que não contém fudamentação legal Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 228 5 coerente que desse a conhecer as razões que levaram a não homologação da Dcomp. III – Conclusão Finaliza, argumentanto que o despacho decisório não merece prosperar em função das seguintes premissas: a) O DARF do código 5856, no valor de R$ 2.242.323,84 configura pagamento indevido no montante de R$ 57.678,91, em virtude da tributação indevida sobre a receita do produto ácido sulfúrico; b) Em face da existência do crédito, encontra justificativa a compensação levada a efeito pela Dcomp em tela, e, portanto, não há que se falar em débito de imposto relativa à importância utilizada de R$ 83.954,65, correspondente ao valor principal de R$ 57.678,91 mais autalização Selic, no mês de junho de 2012; c) Portanto, no processamento das obrigações acessórias, em específico Dacon e DCTF, do mês de janeiro de 2008, após as retificações realizadas, fica claro que o DARF descrito na letra “a”, diminuído das receitas que foram tributadas indevidamente, apresenta a importância de R$ 57.678,91 disponível como crédito para compensação com outros tributos federais. IV – Do Pedido Requer a Manifestante: O reconhecimento do processamento das declarações retificadoras (DCTF e Dacon) do mês de janeiro de 2008, transmitidas em 24/07/2008 e em data anterior ao despacho decisório; Que a Dcomp em análise seja declarada válida em face da existência do crédito; Que caso se considerem insuficientes os elementos de provas apresentados, que seja enviado um AuditorFiscal para proceder diligência para análise dos documentos fiscais e contábeis da manifestante, para se constatar os fatos aqui apresentados; Que o despacho decisório seja julgado improcedente com a conseqüente homologação da declaração de compensação. Por último requer provar o alegado por todos os meios de prova, bem como a juntada de novos documentos, perícias técnicas, diligências necessários ao deslinde da demanda. É o relatório." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 229 6 Data do fato gerador: 20/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a contribuinte teve acesso a todas as informações constantes do despacho decisório e o seu direito de resposta se encontrou plenamente assegurado, não se configura o cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. As provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada, ressalvadas as hipóteses previstas em Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/02/2008 DCTF. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE TRIBUTO. A alteração de débitos declarados, em valores menores que os originalmente declarados, por meio de DCTF retificadora, exige a apresentação de provas suficientes e adequadas a comprovar suposto erro de preenchimento, conforme dispõe o art. 147, § 1º, do CTN. VENDA DE MATÉRIAPRIMA PARA PRODUÇÃO DE ADUBOS E FERTILIZANTES. ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota da Cofins, no caso de venda, no mercado interno, de matériaprima para a fabricação de adubos e fertilizantes, aplicase somente nos casos em que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante desses produtos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 230 7 Voto. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ, por sua vez, entendeu que o contribuinte não comprovou a razão da retificação da DCTF. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins e retificou sua DCTF. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação à DCTF tempestivamente retificada. Conforme atestou a própria decisão de primeira instância, o despacho decisório analisou somente a DCTF original: "Constatouse que, de fato, quando da emissão do Despacho Decisório, em 04/09/2012, a DCTF retificadora já havia sido transmitida à RFB. Contudo o processamento dessa DCTF só se efetivou em 20/12/2012, razão pela qual, quando da emissão do despacho decisório, foi considerado o débito de Cofins de R$ 2.242.323,84, como informado na DCTF recepcionada em 23/04/2008. Em que pese a declaração retificadora haver sido recepcionada antes da emissão do despacho decisório, a retificação continua submetida ao regramento estabelecido no Código Tributário Nacional. Sobre o assunto, estabelece o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (CTN), que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13839.905791/201205 Resolução nº 3201001.318 S3C2T1 Fl. 231 8 O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto que o contribuinte juntou aos autos as Notas Fiscais e Declarações dos adquirentes que comprovariam a condição de fabricantes dos produtos e, portanto, em acordo com a própria legislação exposta na decisão de primeira instância, sujeitos à alíquota zero da Cofins e, portanto, passível de ter gerado o pagamento indevido requerido em PERDCOMP. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a DCTF retifcada e válida e a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a legislação mencionada; após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.724668/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/04/2008 a 31/12/2008
Ementa:
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. DELIMITAÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. PARECER NORMATIVO COSIT N. 7/2014.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1). Só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato - ou causa de pedir remota - e de direito - ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida), conforme elucida o Parecer Normativo COSIT no 7/2014.
DEPÓSITO INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. IMPEDIMENTO. ENTENDIMENTO DO STJ.
O depósito do montante integral do débito suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo a cobrança, posterior ao lançamento, e não o lançamento, em si, conforme entendimento do STJ no RESp no 1.140.956/SP, de acolhida obrigatória pelo CARF, por força do art. 62, § 2o do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015.
Numero da decisão: 3401-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2008 a 31/12/2008 Ementa: CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. DELIMITAÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. PARECER NORMATIVO COSIT N. 7/2014. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1). Só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato ou causa de pedir remota e de direito ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida), conforme elucida o Parecer Normativo COSIT no 7/2014. DEPÓSITO INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA. IMPEDIMENTO. ENTENDIMENTO DO STJ. O depósito do montante integral do débito suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo a cobrança, posterior ao lançamento, e não o lançamento, em si, conforme entendimento do STJ no RESp no 1.140.956/SP, de acolhida obrigatória pelo CARF, por força do art. 62, § 2o do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 46 68 /2 01 1- 21 Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 08/12/2011 (fls.4758 a 4768)1, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 6.406.105,28, a ser acrescido de juros de mora, pela inexistência de declaração em DCTF de valores de IPI depositados no período de abril a dezembro de 2008, com indicação de ação judicial (Ação Ordinária no 2008.61.12.0048048). Informase, à fl. 4764, que a autuação é lavrada para prevenir a decadência, e que o contribuinte não comprovou a decisão judicial autorizadora, mas efetuou depósitos ao amparo do art. 151, II do Código Tributário Nacional (CTN), conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF (fls. 4769 a 4775), narra a fiscalização que: (a) a recorrente foi intimada a apresentar a DCTF referente aos valores de IPI depositados em conta da Caixa Econômica FEderal (CEF) sob a identificação 3967.635.47675, bem como para se pronunciar sobre os valores depositados; (b) em resposta, informou que segundo entendimento manifestado na ação judicial proposta pela empresa, o IPI que incidiria sobre a canadeaçúcar não poderia ser exigido em função de inconstitucionalidade e ilegalidade dos instrumentos normativos utilizados para cobrança, e daí a não declaração em DCTF e o depósito judicial; (c) verificouse que as notas fiscais de saída sujeitas à tributação de IPI (NCM 1701.11.00 alíquota de 5%) foram emitidas sem destaque o imposto; (d) a recorrente havia ingressado com a Ação Ordinária no 2008.61.12.0048048, em 17/04/2008, buscando calcular o IPI com a alíquota aplicável a produtos da cesta básica (zero), mas não apresentou qualquer decisão judicial em seu favor; e (e) foram incluídas na tributação as saídas com suspensão para empresas optantes pelo SIMPLES, não havendo manifestação contrária da recorrente. Cientificada da autuação em 13/12/2011 (AR à fl. 4777), a empresa apresenta Impugnação em 11/01/2012 (fls. 4778 a 4789), alegando, em síntese, que: (a) a realização de depósito judicial independe de decisão judicial, e, segundo jurisprudência do STJ, impede a lavratura de auto de infração; e (b) a empresa faz jus à alíquota zero nas operações, porque o Decreto no 6.006/2006, com fundamento no Decretolei no 1.199/1971, não pode modular a alíquota para além de zero, por haver determinação específica na Lei no 7.798/1989 sobre a matéria, ainda vigente, e não prejudicada pela Lei no 8.383/1991. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.894 3 A decisão de primeira instância, proferida em 12/11/2014 (fls. 4863 a 4872) é pela improcedência da impugnação, acordandose unanimemente que: (a) a matéria não impugnada se tornou definitiva administrativamente; (b) na análise da ação judicial interposta, percebese que há coincidência de objeto entre o processo judicial e o administrativo, no que se refere à alíquota aplicável às saídas, operandose a renúncia à discussão administrativa do tema, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996; e (c) o lançamento para prevenir a decadência tem fundamento expresso no art. 63 da Lei no 9.430/1996, com a incidência de juros de mora, prevista no art. 161 do CTN. Após ciência ao acórdão de primeira instância (conforme termo de fl. 4875) em 10/12/2014, apresentase o recurso voluntário de fls. 4877 a 4884 (em 17/12/2014), no qual se reitera que a realização de depósito judicial independe de decisão judicial, e, segundo jurisprudência do STJ, impede a lavratura de auto de infração. Defende ainda a recorrente a não aplicação do Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996, alegando que no processo administrativo defende que o Decretolei no 1.199/1971 não pode ser invocado como fundamento de validade para o aumento de alíquota promovido no Decreto no 6.006/2006, enquanto que no processo judicial, que aguarda julgamento de recurso de apelação pelo TRF da 3a Região, buscase demonstrar a inconstitucionalidade da fixação da alíquota do IPI em 5% para o açúcar, por violação aos princípios da seletividade, da igualdade, da proporcionalidade e da legalidade. Assim, o argumento desenvolvido na impugnação, sobre a ilegalidade da cobrança, em razão da vigência da Lei no 7.798/1989, não foi desenvolvido na ação judicial. Acrescenta também que a outra ação judicial detectada pela DRJ (Mandado de Segurança Preventivo no 97.12049280) também não autoriza a aplicação do Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996, pois a liminar obtida não alcança o período do lançamento. E, por fim, menciona que em outro processo de autuação administrativa, lavrada pela falta de recolhimento de IPI (processo no 10835.001763/9912) sua impugnação foi julgada improcedente "sob o fundamento de que a existência de lei posterior à sentença justificaria a cobrança do IPI com alíquota superior a zero, tendo sido expendidas considerações sobre o alcance da coisa julgada", o que foi confirmado pelo então Conselho de Contribuintes. Pede, assim, o a anulação da decisão de piso, com determinação de novo julgamento, para que não se promova supressão de instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator No que se refere à alegação de que a realização de depósito judicial independe de decisão judicial, e, segundo jurisprudência do STJ, impede a lavratura de auto de infração, o recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No que se refere à eventual identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial, segundo tópico tratado na peça recursal, a questão da admissibilidade será a analisada a seguir. Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Na ação judicial mencionada na autuação Ação Ordinária no 2008.61.12.0048048 (cópia da inicial às fls. 127 a 175), sustentase que: (a) o açúcar foi incluído na cesta básica do trabalhador pelo Decretolei no 399/1938; (b) com exceção do açúcar, todos os demais produtos da cesta básica são tributados com alíquota zero de IPI; (c) o Decreto no 6.006/2006, que tributou com alíquota de IPI de 5% o produto é inconstitucional, por ferir o princípio da seletividade, a regra de competência do tributo, a igualdade, o postulado da proporcionalidade, o princípio da legalidade e até a dignidade da pessoa humana, mediante violação à imunidade do mínimo existencial. A menção às Leis no 7.798/1989 e no 8.383/1991 (fls. 166/167) são apenas para sustentar a irrelevância da discussão sobre sua vigência/aplicação, diante do cenário da Constituição de 1988. Na própria petição inicial da ação judicial se informa (fl. 173) que o IPI deixará de ser destacado nas notas fiscais, e será depositado mensalmente em conta à disposição do juízo, para efeitos do art. 151, II do CTN. Ao final, o pedido é o seguinte (fl. 174): Conforme se percebe, a demanda é pelo afastamento da aplicação do Decreto no 6.006/2006, e pela tributação do IPI, no caso de açúcar, pela alíquota zero, a mesma aplicável aos outros produtos da cesta básica. A sentença judicial obtida em primeiro grau pela recorrente não é juntada aos autos, mas sua parte dispositiva está disponível no sítio web da Justiça Federal em São Paulo (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais): "ISTO POSTO e considerado tudo mais que dos autos consta, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, extinguindo o feito com resolução de mérito, com fundamento no artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil. Fixo os honorários advocatícios devidos pela Autora em R$ 3.000,00 (três mil reais), nos termos do art. 20, 4º do CPC. Custas na forma da lei. Publiquese. Registrese. Intimemse." (grifo nosso) E, em consulta ao sítio web do Tribunal Regional Federal da 3a Região (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais), verificase que o processo se encontra concluso ao relator (Desembargador Federal Nery Junior) desde 04/03/2015. Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.895 5 Como exposto, aquilo que a recorrente considera judicialmente que é irrelevante diante do cenário da Constituição de 1988 (aplicação, no tempo, da Lei no 7.798/1989), administrativamente constitui sua linha mestra da defesa. A DRJ, ao apreciar a matéria, menciona o Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996, no qual a RFB (por meio de sua CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação): "DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); (...)" Tal entendimento, que é o reconhecimento positivado da existência de unidade de jurisdição, é exatamente o externado na Súmula no 1, deste CARF: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (grifo nosso) Importante destacar que o Ato Declaratório Normativo COSIT no 3/1996 foi recentemente aprimorado pelo Parecer Normativo COSIT no 7/2014, publicado no DOU de 27/08/2014, do qual se transcreve o excerto a seguir, que chega a discutir o que constitui efetivamente uma "identidade de objeto" entre os processos administrativo e judicial: "PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 7, DE 22 DE AGOSTO DE 2014. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. (...) A emissão do presente Parecer Normativo se justifica tanto pela relevância da matéria, com esteio no art. 8º da Ordem de Serviço (OS) Cosit nº 1, de 8 de abril de 2013, quanto pela necessidade de adaptação dos termos utilizados no ADN Cosit nº 3, de 1996, e no Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 1996, diante das inovações legislativas, promovendolhes a revogação. Esta, portanto, não se deve à alteração do entendimento contido naqueles atos, mas ao seu aprimoramento, evitandose, ainda, a existência de atos normativos diversos versando sobre a mesma matéria. (...) 6.1. Vêse que é possível a apreciação do processo na esfera administrativa quando seu objeto seja diferente ou mais amplo que o da ação judicial, como, por exemplo, na concomitância de um processo judicial em que se discute a constitucionalidade da norma impositiva da exação e um processo administrativo fiscal cujo objeto seja alguma questão de fato, tal como a apuração do valor devido ou outra forma de verificação do controle de legalidade do lançamento do crédito tributário porventura existente. Conforme concluiu o STJ no REsp nº 1.279.422SP, há hipóteses, no entanto, em que a "seleção" da situação de fato atinge uma tal profundidade que, ao final de sua análise, também já se realizou a apreciação jurídica: Embora tradicionalmente se distinga "questão de fato" da questão de saber "o que aconteceu" (fato) se subsume à norma jurídica (direito), por vezes, uma situação de fato somente pode ser descrita com as expressões da ordem jurídica. Assim, para que se possa perguntar com sentido pela "existência" de um acontecimento, é preciso que esse acontecimento seja apreciado, interpretado e valorado de forma jurídica (cf. Karl Larenz, Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.896 7 "Metodologia da Ciência do Direito", 2ª ed., Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 295/296). 6.2. Neste caso, de acordo com a súmula do CARF, serão apreciadas na instância administrativa apenas as matérias que não estão sendo discutidas no âmbito judicial Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão "mesmo objeto" a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato ou causa de pedir remota e de direito ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão "mesmo objeto" diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. (...)" (grifo nosso) Na linha do parecer, são idênticos os objetos das ações administrativas e judiciais se houver, em ambas, identidade de partes (no caso, indubitavelmente existente), de pedido (no caso, em ambas se pede o afastamento da aplicação do Decreto no 6.006/2006, o que culmina na tributação do açúcar à alíquota de IPI de 0%, e não de 5%), e de razões de pedir (daí surgindo a alegação da recorrente de inexistência de concomitância, pelo fato de na ação Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.897 9 judicial se buscar demonstrar a inconstitucionalidade da fixação da alíquota do IPI em 5% para o açúcar, por violação aos princípios da seletividade, da igualdade, da proporcionalidade e da legalidade, e na ação administrativa, objetivarse demonstrar a ilegalidade da cobrança, em razão da vigência da Lei no 7.798/1989). Realmente, a ação judicial da empresa questiona aspectos eminentemente constitucionais, que, por certo, não poderiam ser discutidos administrativamente, em função de nem a DRJ nem o CARF poderem promover análise de constitucionalidade, estando, neste tribunal administrativo, inclusive sumulada a matéria: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." E, no processo administrativo, a recorrente alega em sua defesa questões atreladas à sucessão das leis que tratam da matéria no tempo. Alega que o Decretolei no 1.199/1971 (utilizado como fundamento de validade do Decreto no 6.006/2006), foi derrogado, no que se refere a açúcar, pela Lei no 7.798/1989, que tratou especificamente do tema, fixando alíquota zero para o produto, sem que houvesse alteração pela Lei no 8.383/1991, pois esta não pode ser invocada com o fim da política de preços unificados. Essa alegação administrativa da recorrente estava presente em ação judicial anterior da empresa, que a DRJ traz aos autos: o Mandado de Segurança Preventivo no 97.12049280. A própria recorrente, após a decisão de piso, reconhece que no referido Mandado de Segurança sustentou (fl. 4881): Assim, em relação a tal ação judicial restariam nítidas as três identidades relativas à concomitância entre processo administrativo e judicial: identidade de partes, pedido e razões de pedir. E o processo judicial abarcaria totalmente as matérias tratadas no processo administrativo, trazendo ainda discussão adicional sobre constitucionalidade. Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 A única mudança entre um pedido e outro é a substituição do Decreto no 2.092/1996 pelo Decreto no 6.006/2006. E a alteração é irrelevante, pois tanto o Decreto no 2.092/1996, que aprovava a Tabela do IPI (TIPI), quanto os aprovadores de TIPI que o sucederam (Decreto no 3.777/2001, Decreto no 4.070/2001, Decreto no 4.542/2002, e Decreto no 6.006/2006) invocaram como fundamento o mesmo Decretolei no 1.199/1971. A recorrente afirma ainda que naqueles autos judiciais obteve sentença que concedeu a segurança para "impedir a autuação da impetrante por não recolhimento do IPI sobre o açúcar, com base no Decreto no 2.092/1996", e que a liminar foi revogada em 07/11/2007, pelo TRF da 3a Região, passando a recorrente, a par disso, a promover a ação ordinária que questiona inconstitucionalidades atreladas a compor o açúcar a cesta básica. De fato, a DRJ apurou que o Mandado de Segurança em comento restava ainda pendente de apreciação judicial, no que se referia aos recursos especial e extraordinário interpostos. No sítio web do Tribunal Regional Federal da 3a Região (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais), obtémse, respectivamente, as ementas dos acórdãos proferidos na referida ação judicial, respectivamente, em 27/07/2007, e em 07/05/2008 (com embargos de declaração rejeitados): "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. AÇÚCAR DE CANA. ALÍQUOTA DE 18%. PREÇO UNIFICADO. LEI N 8.383/91 E PORTARIA Nº 4/92. PRECEDENTES. 1. Apelação da União Federal não conhecida. 2. O artigo 4º do Decretolei n. 1.199/71, devidamente recepcionado pela Constituição de 1988, autorizou a alteração da alíquota do IPI pelo Poder Executivo com a finalidade de atender à política econômica ou evitar distorções, observado o Princípio da Seletividade em função da essencialidade do tributo. 3. As alterações da alíquota do imposto sobre o açúcar de cana, desde a vigência da Lei n. 8.393/91, têm por escopo atender aos objetivos da política econômica para o setor açucareiro. 4. Encerrada a política nacional de unificação dos preços, deixou de vigorar a alíquota zero, de forma que o Poder Executivo poderia fixar a alíquota que convier, sempre com vistas a ultimar o objetivo da lei, respeitado o interesse nacional. Precedentes jurisprudenciais. 5. É pacífico o entendimento que o art. 2° da Lei n. 8.393/91 perdeu eficácia com o final da política de preço único do açúcar de cana, o que, por outro lado, não importa reiterar a vigência da Lei n. 7.798/89, que estabelecia alíquota zero de IPI. 6. Remessa oficial provida." (TRF3, Terceira Turma, Rel. Des. Nery Junior, unânime, 25.jul.2007) (grifo nosso) Mesmo diante da flagrante coincidência de argumentos e de conteúdo entre o presente processo administrativo e o referido Mandado de Segurança, no recurso voluntário se sustentou não haver concomitância de objeto, visto que o mandado de segurança não alcançaria o período do lançamento (abril a dezembro de 2008), tanto que no TVF a autoridade fiscal justificou inexistir medida judicial que afastasse o lançamento, e ainda restavam pendentes de análise os recursos especial e extraordinário. Há que se recordar, no entanto, que à data de lavratura do TVF (08/12/2011) a empresa efetivamente não detinha nenhuma medida judicial que a amparasse. E não faz prova a recorrente de que havia restrição temporal em seu pedido judicial no MS, sendo que no relatório do acórdão do TRF3 no Mandado de Segurança em comento não se percebe delimitador temporal: Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.898 11 "Tratase de Mandado de Segurança impetrado em face do Ilmo. Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente SP, com o escopo de suspender a exigibilidade de crédito tributário, com base no artigo 2.º da Lei n.º 8383/91, consistente no pagamento de IPI nas saídas de açúcar de cana, afastandose a possibilidade de sofrer penalidade administrativa pelo não recolhimento do tributo. Sustenta que, de acordo com a lei supra, deve recolher o IPI em ofensa ao Princípio da Seletividade em razão da essencialidade do produto. Alega que o Decreto n.º 2092/96 viola o Princípio da Legalidade. O pedido liminar foi deferido, após o que o MM. Juiz a quo julgou procedente, sob o fundamento de que, quando da edição do Decreto n.º 2092/96 não havia lei em vigor. Relativamente ao açúcar, prescrevendo limites e condições para a alteração da alíquota." (TRF3, Terceira Turma, Rel. Des. Nery Junior, unânime, 25.jul.2007) Adicionese, que, em consulta ao sítio web do Tribunal Regional Federal da 3a Região (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais), podese obter a situação atualizada do Mandado de Segurança Preventivo no 97.12049280, desde a data de rejeição dos embargos de declaração ao acórdão do TRF3: Data Descrição 29/07/2015 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2015178490 Destino: JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE PRESIDENTE PRUDENTE >12ªSSJ 28/07/2015 APENSAMENTO A/DE OUTROS AUTOS Apensado ao processo: 2008.03.00.0409117. Descrição : AGREXT 23/07/2015 JUNTADA DE PETIÇÃO ORIGEM Petição Número 2015096812 23/07/2015 RECEBIDO DA VARA/COMARCA DE ORIGEM ORIGEM JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE PRESIDENTE PR 18/05/2015 REQUISIÇÃO DOS AUTOS PELA DPAS OF.364/2015 07/12/2013 REMESSA PELA RSAU À ORIGEM RES.CJF237/2013 GR.2013259148 Destino: JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE PRESIDENTE PRUDENTE >12ªSSJ 07/12/2013 REATIVAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL 20/04/2010 RECEBIDO AUTOS FÍSICOS DE PROCESSO DIGITALIZADO (EM TRAMITE NO STJ) ORIGEM SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA 04/08/2009 REMESSA PELA PASSAGEM DE AUTOS AOS TRIBUNAIS SUPERIORES GR.2009162929 Destino: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA 03/08/2009 RECEBIDO DA VARA/COMARCA DE ORIGEM ORIGEM JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE PRESIDENTE PR 07/07/2009 REQUISIÇÃO DOS AUTOS POR OFICIO À PRIMEIRA INST. A PEDIDO DO STJ OF.875/2009 11/12/2008 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2008288637 Destino: JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE PRESIDENTE PRUDENTE >12ªSSJ 11/12/2008 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2008286618 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 09/12/2008 REMESSA PELA DINT À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA GUIA NR.: 2008286618 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS 27/11/2008 INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO DE DESPACHO DENEGATORIO EM RE E RESP 200803000409129 E 200803000409117 14/11/2008 ALTERAÇÃO DE CLASSE AMS para AMS 24/10/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO Petição Número 2008212521 23/10/2008 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR. : 2008238876 Fl. 4903DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 ORIGEM : ROSA ALMEIDA DE CARVALHO (OAB:SP157231) 15/10/2008 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR GUIA NR.: 2008238876 DESTINO: ROSA ALMEIDA DE CARVALHO (OAB:SP157231E) 10/10/2008 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO DECISÃO(õES) DE RECURSO(s) NÃO ADMITIDO(s) E/OU ADMITIDO(s) PUBLICAÇÃO: 13/10/2008 BLOCO 138.100 DINT 40 A/D 09/10/2008 CERTIDÃO EXPEDIENTE 137/08DINT/RCED PARA CIÊNCIA DA FN(RECORRIDA) DAS R.DECISÕES EXARADAS DINT 40 A/D 07/10/2008 RECEBIDO PELA DINT C/ DESPACHO/DECISÃO AGUARDANDO PUBLICAÇÃO AJUV 26/09/2008 REMESSA GUIA NR.: 2008222102 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 02/09/2008 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2008197175 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 01/09/2008 CONCLUSOS AO DES.FED.VICE PRESIDENTE DO TRF P/DEC.ADMIS. RECURSO GUIA NR.: 2008197175 DESTINO: ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICEPRESIDENCIA 27/08/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES Petição Número 2008162373 27/08/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE CONTRARAZOES Petição Número 2008162374 22/08/2008 DEVOLVIDO PELO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL ORIGEM UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) 05/08/2008 RETIRADO PELO PROCURADOR DA F.N. PARA CONTRA RAZÕES AO RESP/REX GUIA NR.: 2008172491 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 04/08/2008 CERTIDÃO HOUVE ALEGAÇÃO DE REPERCUSSÃO GERAL Petição Número 2008100633 11/07/2008 RECEBIDO PARA PROCESSAMENTO DE RECURSO(S) EXCEPCIONAL(IS) GUIA NR. : 2008151936 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA 10/07/2008 REMESSA GUIA NR.: 2008151936 DESTINO: SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 02/07/2008 RECEBIDO(A) DO MPF*** 18/06/2008 REMESSA GUIA NR.: 2008133662 DESTINO: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 13/06/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RE Petição Número 2008100633 13/06/2008 JUNTADA DE PETIÇÃO DE RES Petição Número 2008100636 12/06/2008 RECEBIDO(A) DA FN C/ CIENCIA DE ACORDAO 27/05/08 26/05/2008 REMESSA GUIA NR.: 2008111396 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 07/05/2008 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO ACORDÃO Conforme consulta ao sítio web do Superior Tribunal de Justiça STJ (http://www.stj.jus.br), foi negado seguimento ao recurso especial, em 31/03/2015, pela Ministra Regina Helena Costa, que reiterou que o acórdão recorrido adotou o entendimento pacificado naquela Corte, incidindo a Súmula no 83/STJ. Pelas informações, o processo está com baixa definitiva à Seção Judiciária de origem. Diante da verificação do conteúdo do Mandado de Segurança impetrado e do teor do presente processo administrativo, é de se acordar com o julgador de piso no sentido de que efetivamente há coincidência de objeto, em qualquer das três vertentes aqui analisadas. Mas, ainda em relação ao tema da concomitância, há que se analisar derradeiro argumento da recorrente, com apelo à analogia, afirmando que em processo administrativo similar (no 10835.001763/9912) foi negada a existência de concomitância de objeto com o mesmo Mandado de Segurança. Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.899 13 Consultandose o julgamento efetuado naquele processo no sítio web do CARF (carf. fazenda.gov.br), verificase que o voto condutor proferido no Acórdão no 120.891, ao tratar do tema, concluiu, no tema que se está aqui a discutir, que a promulgação da Lei no 9.493/1997 teria afetado o arcabouço normativo sobre o qual se baseou a sentença proferida no mandado de segurança, fazendo incidir nova alíquota sobre a produção de açúcar. Apesar de discordarmos veementemente de tal conclusão, pois a referida lei trata de crédito presumido de IPI, e não de alíquota, em sentido estrito, respeitamos seu conteúdo, que foi referendado por tribunal competente para apreciação da matéria, entendemos que seu teor não se apresenta como contraponto necessário ao que se está aqui discutindo. Se naquele processo administrativo a autoridade julgadora entendeu que houve afetação da decisão judicial por legislação posterior, aqui entendemos simplesmente que há concomitância de objeto entre o processo administrativo e o referido mandado de segurança, nenhum deles trazendo o novel diploma à baila nas discussões. Ou seja, não há divergência necessária entre as decisões. E ainda que houvesse, é cediço que as decisões administrativas adotadas por colegiados diversos não vinculam os julgamentos da presente turma. Pelo exposto, reconhecese a concomitância de objeto entre o citado Mandado de Segurança e o presente processo administrativo, o que implica a negativa de conhecimento do recurso voluntário em relação à matéria judicialmente discutida (alegação de que o Decretolei no 1.199/1971, utilizado como fundamento de validade do Decreto no 6.006/2006, foi derrogado, no que se refere a açúcar, pela Lei no 7.798/1989, que tratou especificamente do tema, fixando alíquota zero para o produto, sem que houvesse alteração pela Lei no 8.383/1991, pois esta não pode ser invocada com o fim da política de preços unificados). Em relação à matéria que restou analisar, referente à possibilidade de lavratura da autuação, diante da existência de depósito judicial do montante, é de se recordar que a finalidade da lavratura da autuação é declaradamente a prevenção da decadência, relativa ao IPI com exigibilidade suspensa na forma do inciso II do art. 151 do CTN, como se depreende do TVF (fls. 4774): Assim, não se está a aqui a tratar especificamente das situações referidas nos incisos IV e V do mesmo art. 151 do CTN (que demandam a concessão de medida liminar, e culminam na exclusão da multa de ofício no lançamento), para as quais incide o comando do art. 63 da Lei no 9.430/1996, mas somente de depósito em processo judicial (inciso II). E, sobre a relação entre a suspensão referida no inciso II do art. 151 e a cobrança de créditos tributários e a lavratura de auto de infração, já se manifestou o STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), no RESp no 1.140.956/SP (tema no 271): Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 “1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. [...] 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidadeexecução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). [...] 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10950.724668/201121 Acórdão n.º 3401003.149 S3C4T1 Fl. 4.900 15 suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. (REsp 1140956/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 03/12/2010)" E as decisões do STJ na sistemática do art. 543C do CPC são de acolhida obrigatória por este tribunal administrativo, por força do art. 62, § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015 (em verdade, depois da Lei no 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19, V e § 5o da Lei no 10.522/2002, passaram a ser de acolhida obrigatória por toda a RFB, inclusive as DRJ, após expressa manifestação da PGFN). A própria RFB, em seu sítio web (http://idg.receita.fazenda.gov.br), em tópico intitulado "Decisões Vinculantes do STF e do STJ (repercussão geral e recursos repetitivos)" disponibiliza as manifestações da PGFN sobre os diferentes julgamentos que vinculam a RFB, trazendo, no que se refere ao RESp no 1.140.956/SP, a seguinte mensagem, na Nota PGFN/CRJ no 1.114/2012: "RESP 1.140.956/SP (...) Resumo: O depósito do montante integral do débito, nos termos do art. 151, II do CTN, feito no bojo de ação anulatória de crédito, declaratória de inexistência de relação jurídico tributária ou mandado de segurança ajuizados antes da execução fiscal, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal. Isto porque, as causas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário impedem o Fisco de realizar os atos de cobrança. Julgada improcedente a ação proposta pelo contribuinte, o depósito feito será convertido em renda em favor da Fazenda, extinguindo o crédito tributário, em conformidade com o art. 156, VI do CTN. Observação: Destaquese que a jurisprudência do STJ restou pacífica no entendimento de que o depósito judicial constitui o crédito tributário, tornando desnecessário o lançamento, não havendo que se falar em decadência. Precedentes: REsp 961.049; Resp 1.008.788; REsp 822.032. Data da inclusão: 19/04/2011 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o ponto controvertido da interpretação do repetitivo acima diz respeito aos efeitos do depósito judicial em relação ao lançamento do tributo. Isto porque, nos Pareceres CAT 941/2007, 796/2011 e 232/2012, a PGFN consolidou o entendimento de que o depósito do montante integral em ações que discutam a cobrança de crédito tributário não impede o lançamento, mas apenas o torna desnecessário. No entanto, a Corte pareceu consignar que o depósito também impediria o lançamento. Percebese que faltou técnica no uso dos termos pelo julgador na ementa da decisão. O melhor é fazer a exegese do julgado no sentido de que o depósito impede os atos de cobrança posteriores ao lançamento." (grifo nosso) Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Bem percebe a PGFN que há imprecisão na utilização de termos técnicos pelo STJ, que faz referência ora à cobrança, ora à própria lavratura da autuação. Vejamse, por exemplo, os itens 2 e 4 da ementa do RESp no 1.140.956/SP, aparentemente contraditórios. Enquanto no item 2 se afirma que a suspensão impede a realização de "atos de cobrança", posteriores ao lançamento, na mesma linha do item 1 da ementa, que expressa o impedimento do ajuizamento da "execução fiscal", o item 3 afirma que a cobrança ocorre mediante o lançamento, que, segundo o item 4, estaria impedido. Tal qual redigida, é de difícil exegese a reprodução a decisão do STJ, havendo que se fazer uma leitura sistemática e contextualizada, para que se possa garantir sua observância, mormente em face do art. 62, § 2o do Anexo II do RICARF. E. a nosso ver, é coerente a leitura efetuada pela Fazenda na "delimitação da matéria decidida pelo STJ", no sentido de que resta obstada a cobrança posterior ao lançamento, e não o lançamento, em si, do crédito tributário. Assim, no presente processo, o fato de o montante lançado estar com exigibilidade suspensa em virtude de depósito (não havendo discussão sobre este ser ou não integral), não impede a lavratura da autuação (lançamento, em si), mas a cobrança que o sucede (o que deve ser observado pela unidade local, na execução deste julgamento administrativo), seguindo entendimento do STJ, de observância obrigatória pelo CARF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, na matéria passível de análise por este colegiado. Rosaldo Trevisan Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10530.723053/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 30 53 /2 01 3- 91 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723053/201391 Acórdão n.º 2201003.171 S2C2T1 Fl. 50 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 37), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O interessado impugna lançamento do anocalendário 2009, onde foi glosada pensão alimentícia judicial de R$ 163.650,00. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte apresentara apenas sentença judicial determinando o pagamento da pensão, mas não os comprovantes de pagamento, como havia sido intimado. O impugnante argumenta, em síntese, que tem direito à dedução de pensão alimentícia determinada judicialmente. Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Para a dedução de pensão alimentícia não basta a prova da sua determinação judicial. É indispensável a comprovação dos pagamentos. Cientificado em 25/09/2013 (Fls. 44), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/10/2013 (fls. 45), argumentando: (...) Considerando que o voto do relator informa que o comprovante de rendimentos não se encontra nos autos; Considerando que o desconto da pensão alimentícia é efetuada pelo próprio Ministério da Fazenda, conforme cópia do comprovante em anexo. REQUER seja RECONSIDERADO a decisão para reformar, julgando procedente, para manter a dedução correspondente à Pensão Alimentícia, por ser de justiça. Junta em anexo o comprovante de rendimentos (fls. 46). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723053/201391 Acórdão n.º 2201003.171 S2C2T1 Fl. 51 3 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que trata o presente litígio de glosa de pensão alimentícia no valor de R$ R$ 163.650,00 por falta de comprovação dos pagamentos. Entendeu a DRJ que para a dedução de pensão alimentícia não basta a prova da sua determinação judicial, sendo indispensável a comprovação dos pagamentos, que não foi feita pelo contribuinte. Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública Assim estabelece a legislação: Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 Art. 21. O inciso II do caput do art. 4º e a alínea f do inciso II do caput e o § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , passam a vigorar com a seguinte redação: II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar o pagamento, o contribuinte juntou aos autos Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 46), emitido pelo Ministério da Fazenda, referente ao Anocalendário 2009. Pelo que se percebe do Comprovante de Rendimentos anexado aos autos, foi descontado no ano de 2009, a título de pensão alimentícia o valor de R$163.650,00; Valor equivalente a 30 salários mínimos do referido ano, como previsto na decisão judicial da Ação de Alimentos constante às fls.09 a 14 dos autos. Pelo exposto, entendo que o Comprovante de Rendimentos faz prova do pagamento; posto que preenche os requisitos legais e dá quitação ao pagamento da pensão alimentícia. Assim, perante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.723053/201391 Acórdão n.º 2201003.171 S2C2T1 Fl. 52 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10903.720003/2012-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem qualquer lógica negocial, sem alteração do controle das sociedades envolvidas e sem qualquer desembolso constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização.
A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas.
Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida.
MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL - A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos. No mérito, do tema ágio, negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, votaram pelas conclusões. No mérito do tema multa isolada, negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Recurso Especial da Fazenda Nacional dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Multa de ofício qualificada. Cobrança concomitante de multa isolada e multa de ofício. Recorrentes FAZENDA NACIONAL BARIGUI VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem qualquer lógica negocial, sem alteração do controle das sociedades envolvidas e sem qualquer desembolso constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 3. 72 00 03 /2 01 2- 95 Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 3 2 A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos. No mérito, do tema ágio, negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, votaram pelas conclusões. No mérito do tema multa isolada, negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Recurso Especial da Fazenda Nacional dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte BARIGÜI VEÍCULOS LTDA., ambos com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Registrese que a PGFN protocolou seu recurso em 22/08/2014, quando o RICARF vigente ainda era aquele aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Já a contribuinte apresentou seu recurso em 06/08/2015, quando já vigia o atual regimento, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. A despeito disso, cada uma das peças recursais cumpriu os requisitos exigidos e foi admitida para apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Os recorrentes questionam as partes que lhes foram desfavoráveis no Acórdão nº 1201000.967, por meio do qual os membros da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, apreciando as alegações que a contribuinte reuniu em seu recurso voluntário, decidiram: i) por unanimidade de votos, manter a glosa da dedução da despesa com ágio; ii) pelo voto de qualidade, manter a cobrança de multa isolada e; iii) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Tal como ocorre na determinação do lucro líquido apurado para fins societários, é indedutível das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social a amortização do ágio gerado a partir de reorganização de empresas sob controle comum. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. MULTA QUALIFICADA. DOLO. DÚVIDA RAZOÁVEL. Devese afastar a qualificação da multa de ofício quando houver dúvida razoável acerca do dolo do sujeito passivo quanto aos atos que vieram a Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 5 4 retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.” Devidamente cientificada do acórdão em 30/07/2014, a PGFN interpôs recurso especial tempestivo insurgindose contra a desqualificação da multa de ofício imposta à contribuinte autuada (parte final da ementa). Com o intuito de ver reformada tal parte da decisão, aquela procuradoria alegou que o acórdão recorrido teria dado à lei tributária, no tocante às hipóteses em que a multa de ofício aplicável é de 150%, interpretação diversa da que tem sido dada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso aponta dois julgados administrativos que comprovariam a divergência jurisprudencial. O primeiro deles remete ao Acórdão nº 120200.753, que tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. (Grifouse) Para comprovar a semelhança fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e na decisão apontada como paradigma, a PGFN enumera uma série de circunstâncias que seriam encontradas em ambos os casos: as operações de reestruturação societária ocorreram entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico; inexistiu substrato econômico na aquisição do investimento; a aquisição dos investimentos se deu por meio de mera escrituração artificial; Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 6 5 não houve, na aquisição do investimento, o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e um ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar em aquisição, e, como consequência, no surgimento de ágio ou deságio; o propósito negocial que deu origem ao ágio era a sua própria criação, ou seja, um fim em si mesmo; o objetivo único do aumento de capital era gerar um ágio que posteriormente seria utilizado para reduzir a tributação da empresa incorporadora, qual seja, a recorrente; a negociação se deu fora de um mercado livre e aberto, utilizandose de empresas ditas veículo; as autuadas conseguiram converter a própria rentabilidade futura em custo para deduzir em sua base tributável; etc. Em que pese as situações objeto de análise nos dois julgamentos serem bastante similares, os entendimentos das turmas responsáveis pelas decisões teriam divergido em relação ao correto percentual a ser aplicado a título de multa de ofício: a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara entendeu, no acórdão recorrido, que existiria dúvida razoável a respeito da existência de dolo na conduta da contribuinte autuada, determinando a redução da multa de 150% para 75%; já a 2ª Turma Ordinária da mesma câmara, no acórdão paradigma, concluiu que a simples operação de reorganização societária sem qualquer outro fim que não fosse a geração artificial de ágio posteriormente amortizável já seria suficiente para se caracterizar o intuito de fraudar o Fisco, opinando pela manutenção do percentual qualificado. O recurso especial da PGFN apontou ainda um segundo acórdão paradigma para comprovar a divergência jurisprudencial sobre a multa de ofício aplicável ao caso. O Acórdão nº 10196.724 (erroneamente apontado como nº 10196.668 no trecho em que é reproduzido na peça recursal, mas corretamente identificado nas demais passagens) apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2001 e 2002 Ementas: NULIDADE REEXAME DE FATOS JÁ VALIDADOS EM FISCALIZAÇÃO ANTERIOR A Secretaria da Receita Federal não valida ou invalida fatos, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige o tributo porventura deles decorrentes. No caso, a repercussão tributária dos fatos só surgiu com a amortização do suposto ágio. ATOS SIMULADOS. PRESCRIÇÃO PARA SUA DESCONST1TUIÇÃO. No campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade (que opera no plano da validade), a simulação nocente tem outro efeito, que se dá plano da eficácia: os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente sua anulação. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 7 6 mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada. COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS DEDUTIBILIDADE. Para que sejam dedutíveis as despesas com comprovante em nome de uma outra empresa do mesmo grupo, por terem sido as mesmas rateadas, é imprescindível que, além de atenderem os requisitos previstos no Regulamento do Imposto de Renda, fique justificado e comprovado o critério de rateio. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDO COMO DESPESA. Não caracterizada a infração pelo fisco, não prospera a glosa das despesas contabilizadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Se nenhuma razão especifica justificar o contrário, aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz. Recurso voluntário e de oficio negados.” (Grifouse) Também em relação ao segundo paradigma apontado, o recurso aponta as semelhanças com o caso recorrido: fiscalização glosou despesas de amortização de ágio gerado na incorporação de empresa do mesmo grupo econômico; não houve desembolso ou investimento efetivos; o ágio decorreu de reavaliação dos ativos de empresa do grupo. Após apontar os dois acórdãos paradigmas, em atendimento ao disposto no art. 67, caput e § 4º do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, a PGFN passa apresentar razões para a reforma do julgado, na parte atinente à redução da multa de ofício. Em suma, a recorrente argumenta que: Embora a contribuinte tenha declarado que o ágio amortizado teria decorrido de uma verdadeira reorganização societária e da aquisição de investimento (pela empresa MARUMBI) com base na rentabilidade futura da empresa adquirida (BARIGÜI), a fiscalização demonstrou que os atos formalmente praticados não correspondiam à realidade dos fatos; O fato de a contribuinte ter retornado exatamente ao mesmo status quo ante, após uma breve, injustificável e injustificada série de atos societários, torna incontestável o intuito doloso do grupo econômico de criar uma contabilidade artificial; A ausência de propósito negocial e de substrato econômico nas operações, além de impedir a existência material do ágio que se pretendeu amortizar, atesta o evidente intuito de fraude da contribuinte; O evidente intuito de fraude da contribuinte resta caracterizado frente à diferença constatada entre a sua vontade declarada (aquisição pelo valor de mercado das cotas da BARIGÜI pela MARUMBI, seguida da versão do patrimônio da empresa investidora pela investida) e a sua vontade real (criação de um investimento artificial com o objetivo de geração de ágio que seria utilizado pela BARIGÜI para reduzir sua tributação após a extinção da MARUMBI); Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 8 7 As operações praticadas pela contribuinte, ao lado dos demais integrantes de seu grupo econômico, caracterizam negócios simulados à luz do art. 167, § 1º, inciso II, do Código Civil Brasileiro, uma vez que seu conteúdo não era verdadeiro: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (Grifo no original) A contribuinte e seu grupo econômico não observaram as condições de validade que EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO aponta como necessárias para operações celebradas entre partes relacionadas (operações em circuito fechado): ter uma causa, ter um conteúdo econômico e ser efetivamente realizadas; Por meio de sua reorganização societária, a contribuinte retardou parcialmente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária; A simulação praticada pela contribuinte tinha o objetivo de amortizar a perda de um investimento inexistente; O fato de a contribuinte ter tentado induzir a Fazenda Nacional a erro, fingindo, de maneira formal e documental, uma reorganização societária que nunca quis, nunca fez materialmente e que nada alterou no mundo dos fatos, é prova de seu evidente intuito doloso. Com base em todos os argumentos que apresentou, a PGFN considera ter sido cabalmente demonstrado que o ágio amortizado pela contribuinte foi registrado de forma simulada e com evidente intuito fraudulento e pede, ao final, o provimento de seu recurso especial para que o acórdão recorrido seja reformado em relação à qualificação da multa de ofício. Após o recurso especial da PGFN ter sido admitido pela 2ª Câmara do CARF, dele se deu ciência à contribuinte em 23/07/2015, em obediência ao art. 69 do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (já vigente àquela época). A contribuinte então, observando as disposições infralegais, protocolou junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Curitiba/PR, em 06/08/2015, dois documentos: i) contrarrazões aos argumentos constantes do recurso especial da PGFN e; ii) seu Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 9 8 próprio recurso especial, em que combate os aspectos do Acórdão nº 1201000.967 que lhe foram desfavoráveis. Nas contrarrazões apresentadas, a contribuinte reproduz o trecho do voto do Conselheiro Relator do acórdão recorrido, em que é fundamentada a decisão de reduzir o percentual da multa de ofício aplicável ao caso. Ali, o nobre Relator explica seu entendimento de que sempre remanesce dúvida razoável acerca do dolo com que age o sujeito que opera uma reorganização societária nos moldes prescritos pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002. No entendimento exposto, o surgimento de um "ágio interno" decorrente da reorganização societária pode levar a empresa investidora a um erro de direito, concernente à crença da validade jurídica de sua amortização para fins fiscais. Sendo assim, diante desta possibilidade, o Conselheiro Relator conclui que "não há como afirmarse, para além de qualquer dúvida razoável, que a contribuinte agiu dolosamente ao amortizar o "ágio interno".". Com base nesta conclusão houve proposta, acatada por unanimidade pelos membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de desqualificação da multa de ofício. Em seguida, a contribuinte apresenta dois julgados do CARF que teriam chegado à mesma conclusão do acórdão recorrido em situações semelhantes: nº 1402001.893 e nº 1402001.954. Reproduzemse aqui os trechos das respectivas ementas conforme foram trazidos à luz pela contribuinte: ACÓRDÃO Nº 1402001.893 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. MULTA QUALIFICADA DE 150%. REDUÇÃO. Não havendo o autuante demonstrado a ocorrência de fraude, que imputa à conduta do contribuinte para fins de qualificação da multa de oficio, deve esta ser reduzida para 75%. (Grifouse) ACÓRDÃO Nº 1402001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 RECURSO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 10 9 A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A simples omissão de receitas, mesmo sendo de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Assim, para se proceder a qualificação da multa de ofício exigese que a mesma seja devidamente comprovada e justificada nos autos do processo. Além disso, exigese que o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. (...) Além destes, vários outros julgados do CARF são mencionados pela contribuinte em suas contrarrazões, todos alcançando a mesma conclusão: independentemente da situação fática específica, a aplicação de multa de ofício em sua modalidade qualificada exige a comprovação inequívoca do dolo e do intuito fraudulento do agente, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Afora tais argumentos, a contribuinte relaciona uma série de teses, cujo resumo se passa a relatar: A ocorrência de fraude é inequívoca apenas em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas), notas fiscais frias, calçadas, paralelas ou fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela, contas bancárias fictícias, falsidade ideológica, declarações falas ou errôneas reiteradas; Na atuação da contribuinte e do grupo econômico a que pertence, não houve qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido; Não constam dos autos registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contáveis ou de qualquer natureza, tendo sido todos os atos societários devidamente registrados nos órgãos competentes e na escrituração contábil e fiscal da empresa; Os procedimentos adotados pela contribuinte e pelo grupo econômico que ela integra não são expressamente vedados pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, motivo pelo qual não há que se falar em fraude à lei: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 11 10 balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; (...) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Na atuação da contribuinte, o máximo que se pode afirmar ter havido seria um erro na interpretação da lei, nunca dolo ou configuração de uma fraude; Todo o procedimento foi realizado às claras pela contribuinte e pelas demais empresas do grupo econômico, a partir de uma interpretação literal e formal das normas que regem a matéria, com a devida publicidade e registro de todas as operações societárias; O procedimento se baseou na opinião de uma renomada empresa de consultoria especializada em reestruturações societárias; Não se pode classificar como dolosa uma conduta quando ela é amparada por farta doutrina e jurisprudência, inclusive do próprio CARF (haveria no máximo uma dúvida jurídica, nunca dolo ou fraude); A contribuinte fecha suas contrarrazões reafirmando que as provas reunidas nos autos evidenciam a inexistência de ato doloso com intuito de fraude, razão pela qual deve ser mantida a multa de ofício nos termos previstos no acórdão recorrido: 75%. Conforme se adiantou, na mesma data em que protocolou suas contrarrazões junto à DRF em Curitiba/PR, a contribuinte apresentou também o seu recurso especial, com o objetivo de contestar o posicionamento exposto no acórdão recorrido em relação a dois dos temas ali tratados: I) indedutibilidade da amortização do "ágio interno" e; II) possibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, a contribuinte apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF que teriam dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada no acórdão recorrido. Em relação à primeira matéria, ou seja, à possibilidade ou não de se deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a amortização do ágio constituído em operações Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 12 11 realizadas entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, a recorrente apresentou como paradigmas os seguintes acórdãos: nº 1402001.954 e nº 1101000.708. A contribuinte reproduziu apenas parcialmente a ementa do primeiro acórdão indicado como paradigma, mas cumpriu o requisito imposto pelo § 9º do art. 67 do Anexo II do RICARF ao instruir seu recurso com cópia do inteiro teor dos acórdãos. Sendo assim, extraem se das ementas integrais, constantes dos acórdãos, os trechos relevantes à discussão da matéria arguida pela contribuinte em seu recurso: ACÓRDÃO Nº 1402001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 (...) RECURSO VOLUNTÁRIO (...) DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão de o Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. SIMULAÇÃO. SUBSTANCIA DOS ATOS. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO. NEXO DE CAUSALIDADE. A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 13 12 Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. ACÓRDÃO Nº 1101000.708 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO.REQUISITOS DOÁGIO. O art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos sac) a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio,cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 14 13 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. O fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não ha base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. A contribuinte alega que os dois acórdãos divergentes mencionados possuem o mesmo pressuposto fático do acórdão recorrido, qual seja, a discussão a respeito da possibilidade de amortizar, na apuração do IRPJ e da CSLL, o ágio apurado em operações com empresas do mesmo grupo. A divergência jurisprudencial decorreria do fato de o acórdão recorrido ter concluído que a amortização de tal ágio seria indedutível na base de cálculo dos tributos, enquanto os acórdãos paradigmas teriam o entendimento de que "o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo, de forma que" poderia ser amortizado nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 15 14 Além da questão da possibilidade ou não de se deduzir a amortização do ágio interno na apuração do IRPJ e da CSLL, a contribuinte questiona em seu recurso especial a cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. Para que o recurso especial pudesse ser admitido em relação a esta matéria, a contribuinte apontou acórdãos que, no seu entendimento, trazem teses que lhe são favoráveis sobre o tema. Assim, foram elencados dois acórdãos: nº 1402001.954 e nº 1103001.153. Ressaltese que o primeiro dos acórdãos foi também apontado como paradigma pela contribuinte na parte em que ela se insurge contra a impossibilidade de dedução da amortização do ágio interno. Seguem transcritas as passagens das ementas que são relevantes para a discussão acerca da cobrança simultânea das multas isolada e de ofício: ACÓRDÃO Nº 1402001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009 (...) MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. ACÓRDÃO Nº 1103001.153 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 (...) MULTA ISOLADA E MULTA SOBRE IRPJ E CSLL EFETIVOS CONCOMITÂNCIA Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 16 15 ofício de 150% sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% A contribuinte defende que os dois acórdãos paradigmas tratam das mesmas circunstâncias fáticas abordadas no acórdão recorrido: no caso de ausência do recolhimento de tributo, é possível ocorrer a cumulação das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996? O acórdão recorrido entende que tal cobrança é possível, uma vez que "inexiste impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano calendário". Já os acórdãos paradigmas abraçariam tese diversa, no sentido de que a cobrança concomitante das multas seria vedada, por significar dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração, além de ofender o princípio da consunção. Sendo assim, estaria plenamente caracterizado o dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial. Por fim, afirmase que o Superior Tribunal de Justiça também entende que é impossível a cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. O recurso especial se encerra com o pedido de que seja dado o provimento almejado, no sentido de reforma do acórdão recorrido em relação aos dois pontos desfavoráveis à contribuinte. Em 09/09/2015, deuse ciência à PGFN da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, nos termos do art. 70 do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 10/09/2015, contrarrazões às alegações da contribuinte. Com o objetivo de que fosse mantida a decisão contida no acórdão recorrido, em relação à não permissão de dedução da amortização do ágio interno na apuração do IRPJ e da CSLL, a PGFN apresentou as seguintes alegações: As operações societárias capitaneadas pelo grupo controlado por ANTONIO BORDIN, IVO LUIZ ROVEDA e BORDIN ADM. INC., que levaram à reavaliação patrimonial da BARIGÜI, foram um simulacro cujo único objetivo foi a geração artificial de ágio para posterior redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Entre 27/09/2004 e 27/12/2004, foi realizada uma verdadeira "engenharia societária" que, ao seu final, deixou a empresa BARIGÜI sob o controle exatamente das mesmas pessoas e nas mesmas proporções verificadas no início do processo; Ocorreu apenas uma movimentação intestina de cotas de empresas pertencentes aos titulares da BARIGÜI que, inexplicavelmente, gerou um milionário ágio que a contribuinte entende amortizável e oponível ao Fisco; Quando as empresas PINE (pertencente a IVO LUIZ ROVEDA), GRALHA (pertencente a ANTONIO BORDIN) e BORDIN ADM. INC. subscreveram e integralizaram o aumento de capital social da MARUMBI com as cotas da BARIGÜI reavaliadas com Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 17 16 fundamento na expectativa de rentabilidade futura, ocuparam simultaneamente as posições de alienante e de adquirente, ou seja, cobraram ágio de si mesmas; O grupo econômico realizou a mesma "engenharia societária" também com outras empresas, entre elas a CENTER AUTOMÓVEIS LTDA, que teve lavrados contra si autos de infração pelos mesmos motivos que levaram à autuação da BARIGÜI; A autuação sofrida pela CENTER AUTOMÓVEIS LTDA já foi objeto de análise pelo CARF, em sede de julgamento de recurso voluntário que culminou na manutenção dos lançamentos (Acórdão nº 110300.501), por se ter entendido que o ágio só é oponível ao Fisco se decorrer de atos econômicos efetivamente existentes; que é artificial a geração de ágio dentro de um mesmo grupo econômico, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa veículo e; que caracteriza abuso de direito a utilização de formalismos inerentes ao registro público com a finalidade de afeiçoar a legitimidade de tais atos; A própria contribuinte BARIGÜI também já havia sofrido autuações pela dedução indevida da amortização de ágio interno na apuração do IRPJ e da CSLL devidos em relação aos anoscalendário 2005 e 2006, tendo o Acórdão nº 1101000.404 (processo nº 10980.017339/200878) negado provimento ao recurso voluntário e mantido os lançamentos tributários; Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e o art. 386 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR) concedem um benefício fiscal, gozável quando um pessoa jurídica absorve, por incorporação, fusão ou cisão, o patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado nos termos do art. 385 do RIR/1999 e fundamentado economicamente na previsão de resultados futuros da sociedade adquirida; Em conformidade com o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), a situação prevista no art. 386 do RIR/1999, por ser uma benesse tributária, deve ser interpretada de forma literal e as condições ali estipuladas devem ser estritamente observadas; O ágio tratado no art. 386 do RIR/1999 deve ter um propósito negocial, ou seja, uma lógica econômica, uma razão que enseje a efetiva aquisição de um investimento por um valor superior àquele que custou à alienante; O ágio tratado no art. 386 do RIR/1999 deve decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições negociais opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais; O ágio tratado no art. 386 do RIR/1999 deve ser amparado em um substrato econômico, ou seja, em uma transação econômica que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante; Não há que se falar de surgimento de ágio se não há efetiva troca de riquezas (dispêndio de um gasto, econômico ou patrimonial, pelo adquirente, e o respectivo ganho, também econômico ou patrimonial, pelo alienante) e troca efetiva de titularidade; Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 18 17 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já se pronunciou, em seu OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, contrariamente à possibilidade de geração de ágio em operações efetuadas dentro de um mesmo grupo econômico e sem o efetivo dispêndio; O OfícioCircular da CVM afirma que "do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação"; Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis já analisou tal questão, em sua Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação"; No caso da empresa BARIGÜI, não se pode deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a amortização do ágio, em razão de este ter se originado de uma mera escrituração artificial, sem a real materialização no mundo econômico e sem observar os requisitos exigidos pela lei que concede o benefício fiscal (propósito econômico real, substrato econômico, efetivo dispêndio, independência entre os contratantes); Não há propósito negocial a embasar o procedimento praticado pela BARIGÜI e pelas demais empresas de seu grupo econômico, sendo que nem mesmo a genérica justificativa de uma "reestruturação societária" se sustenta frente à constatação de que a situação societária da empresa retornou exatamente ao que era antes de iniciados os atos; Não há substrato econômico que justifique o aparecimento do ágio registrado e indevidamente utilizado pela BARIGÜI, uma vez que não houve circulação de riquezas (o grupo formado por PINE, GRALHA e BORDIN controlava tanto a BARIGÜI quanto a MARUMBI e o acerto pelas cotas transferidas foi meramente contábil, "no papel", sem qualquer entrada ou saída de riquezas); O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 cuidava do tratamento tributário (diferimento) a ser dado ao ganho de capital auferido por uma empresa controladora com a integralização de capital de sua controlada, por meio da cessão da participação societária sobre uma terceira empresa, e não do ágio contabilizado em tal controlada; A existência econômica deste ganho de capital (e a consequente tributação pelo IRPJ e pela CSLL) só será verificada quando o investimento que lhe deu origem for transferido para fora do grupo econômico, quando haverá efetivamente circulação de riquezas; O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 reconhece a neutralidade tributária nas operações de reorganização societária, segundo expressamente mencionado no item 28 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na mencionada lei (o art. 39 da MP converteuse no art. 36 da lei); Sendo reconhecida a neutralidade tributária do ganho de capital gerado em operações entre empresas de um mesmo grupo econômico, o mesmo aplicase ao "outro lado da moeda": se não há ganho de capital tributável, não pode haver ágio amortizável; Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 19 18 Diante do exposto a respeito do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, o dispositivo, ao invés de legitimar a amortização do ágio gerado artificialmente em operações intragrupo, como defende a contribuinte, na verdade depõe em sentido contrário, pela impossibilidade de ocorrência de tal amortização; Também contrariamente ao defendido pela contribuinte, existe uma incompatibilidade finalística entre o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 e os arts. 385 e 386 do RIR/1999, que impede sua aplicação em conjunto: o primeiro referese a uma operação intragrupo, em que são gerados um ganho de capital não tributável e um "ágio interno" não amortizável; já os dispositivos do RIR tratam necessariamente de operações onde há a participação de terceiros, com propósito negocial e substrato econômico; O artigo acadêmico assinado pelos Professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Júnior, intitulado "A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade" e utilizado como fundamento pela contribuinte e pelo Acórdão nº 110101.708 (apontado como paradigma), não comprova ou fundamenta sua afirmação de que o "ágio artificial" seria amortizável e dedutível nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apenas tomando tal fato como premissa incontroversa e apontando como fundamento atos normativos infralegais da Receita Federal do Brasil que não tratam especificamente da questão; A conclusão alcançada pelos autores, no sentido de que o "ágio de si mesmo" deve ser expurgado da contabilidade (por não encontrar guarida nas regras e nos princípios que governam os registros contábeis), já deveria levar à conclusão de que também não se operam efeitos fiscais, uma vez que as bases de cálculo do IRPJ e da CSSL partem do lucro contábil, registrado na contabilidade, e não há lei que autorize a adição ou a exclusão do "ágio de si mesmo" na base de cálculo destes tributos; O artigo, em sua conclusão não devidamente fundamentada, afirma que a Fazenda Pública permitiria a amortização do ágio "a depender da forma pela qual a operação seja realizada", deixando claro que mesmo a apregoada permissão não seria ampla e contemplaria condições, não tratadas no trabalho acadêmico; O núcleo do artigo acadêmico é a questão do diferimento da cobrança do IRPJ e da CSSL sobre o ganho de capital, conforme previsão do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, sendo a questão do "ágio interno" e de sua possível amortização tratada apenas de forma incidental, provavelmente porque à época da publicação do trabalho, a questão da dedutibilidade do "ágio interno" ainda não havia suscitado os acerbos questionamentos que veio a sofrer posteriormente por parte do Fisco; Não procede a afirmação da contribuinte, presente também no Acórdão nº 110101.708, que ela aponta como paradigma, de que a legislação tributária, autorizada pelo art. 109 do CTN, teria dado ao "ágio" definição diversa daquela concebida pela ciência contábil: em ambas as searas, tratase da diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial à época da aquisição; No caso da aquisição das cotas da BARIGÜI pela MARUMBI, incabível o custo de aquisição apontado pela contribuinte, de R$ 71.043.000,00, visto que tal número seria seu "valor justo de mercado", apontado por laudo independente, e não o efetivo custo de aquisição, que é definido no Manual de Contabilidade FIPECAFI como "o valor efetivamente Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 20 19 despendido na transação por subscrição relativa ao aumento de capital, ou ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago"; O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução CFC nº 1.303/2010, aprovou a "NBC TG 04 ATIVO INTANGÍVEL", também já se manifestou de forma desfavorável ao reconhecimento como ativo do "ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente", defendendo ainda que as diferenças entre o valor de mercado de uma entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade; Para a contabilidade, o ágio interno, gerado na subscrição de capital de uma empresa com cotas de outra empresa de mesma titularidade, não existe, não opera efeitos patrimoniais legitimamente mensuráveis e não se impõe como custo para quem o "paga"; Portanto, não existindo para a contabilidade, o ágio interno também não existe para fins fiscais, já que o ágio contábil é o mesmo a que se reporta a lei societária e a lei tributária; O recurso especial apresentado pela contribuinte questiona também o que decidiu o Acórdão nº 1201000.967 a respeito da possibilidade de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. A este respeito, afirma a PGFN em suas contrarrazões: É correto o pagamento pela contribuinte tanto da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 quanto da multa disposta no art. 44, § 1º, inciso IV, da mesma Lei (atual redação contida no inciso II, alínea b), pois o seu caso não configura hipótese que dispense nenhuma destas exigências; As infrações apenadas pela multa de ofício (art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996) e pela multa isolada (atualmente prevista no art. 44, inciso II, alínea b, da mesma Lei) são diferentes e cuidam de infrações que não se confundem: a primeira decorre da falta ou insuficiência de pagamento de tributo devido pelo contribuinte, enquanto a segunda decorre do descumprimento da obrigação de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL; A multa isolada é devida mesmo quando o contribuinte tiver apurado, ao final do anocalendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, o que depõe a favor da total independência entre as multas; As duas multas tampouco incidem sobre a mesma base de cálculo: a multa de ofício é calculada sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte ao final do período de apuração, enquanto a multa isolada incide sobre o valor do pagamento mensal que deveria ser recolhido a título de estimativa; A BARIGÜI cometeu dois atos ilícitos, cujas punições específicas são distintamente cominadas em lei, não havendo que se falar em confisco ou excesso punitivo; O art. 97 do CTN, em seu inciso VI, prevê que somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades tributárias, o que impediria o aplicador da legislação tributária de operar tal inovação no ordenamento jurídico; Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 21 20 A equidade somente pode ser utilizada pelo intérprete da legislação tributária para dispensa de crédito tributário quando existir previsão legal que assim permita, o que não ocorre no caso dos autos; A eventual dispensa da cobrança de multa isolada no caso em análise representaria verdadeira injustiça com outros contribuintes que, cientes de suas responsabilidades, não foram negligentes e arcaram com o ônus de recolher mensalmente as estimativas devidas; Após o início da vigência da Lei nº 11.488/2007 (janeiro de 2007), não restaram mais dúvidas de que a multa isolada aplicase não "sobre a totalidade ou a diferença do tributo", mas apenas sobre o "valor do pagamento mensal " a título de recolhimento por estimativa; Após apontar alguns julgados do CARF que corroborariam sua tese a respeito da possibilidade de cobrança concomitante de multa de ofício e multa isolada, a PGFN encerra suas contrarrazões pedindo que seja negado provimento ao recurso especial manejado pela contribuinte. É o relatório. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 22 21 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Em reunião e sessão anterior em que se iniciou a votação deste processo, havia encaminhado meu voto no sentido de declarar a nulidade da decisão recorrida, a partir de uma preliminar, que eu estaria suscitando de ofício. Após iniciado o julgamento, o processo saiu em vistas, o que me permitiu refletir melhor sobre a questão. Assim, acabei trazendo para a reunião deste mês, uma proposta de convalidação ou saneamento desta nulidade. Não obstante, na sessão de ontem, situação parecida foi julgada por este colegiado, que acabou aprofundando o debate sobre a possibilidade de conhecimento de matérias de ofício. Assim, para manter coerência com o resultado da decisão de ontem, deixo de apreciar a questão de nulidade do acórdão recorrido, por força do XI do art. 3º do Anexo I do Regimento Interno do CARF, conforme definido ali de que não haverá o conhecimento de questões de ordem pública no âmbito do recurso especial de divergência, tendo em vista que o mesmo regimento interno é omisso sobre essa matéria. Não tendo sido apresentadas, pela contribuinte BARIGÜI VEÍCULOS LTDA. ou pela PGFN, por ocasião da exposição de suas contrarrazões, alegações preliminares de não conhecimento do recurso especial interposto pela outra parte, CONHEÇO de ambos os recursos e passo à análise de seus méritos. Em seu recurso especial, a PGFN suscita divergência a respeito de uma única matéria: o cabimento de qualificação da multa de ofício em situações como a tratada nos autos, em que ágio é gerado a partir de operações societárias realizadas entre empresas componentes de um mesmo grupo econômico. Já a contribuinte traz à discussão duas divergências jurisprudenciais: i) a possibilidade de dedução, na base de cálculo do IRPJ e da CSSL, das despesas com amortização do ágio e; ii) a cobrança concomitante de multa de ofício e de multa isolada. A dedutibilidade da amortização do ágio é o tema principal de embate no presente processo, sendo inclusive questão prejudicial à análise das outras duas matérias debatidas nos recursos especiais. Por isso, inicio a análise pelo recurso especial da contribuinte, deixando a matéria da qualificação da multa de ofício para o fim. 1) Despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários Para o julgamento de mérito sobre a despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários, da mesma forma como fiz para o processo nº 19647.010151/200783, parto da recente jurisprudência do CARF que considero mais adequada e que restou cinzelada no Acórdão nº 1103001.170, de 04/02/2015, da relatoria do nobre Conselheiro André Mendes de Moura. Seguem trechos do voto condutor: "Para se tratar em ágio, há que se, inicialmente, falar do investimento em sociedades coligadas e controladas avaliado pelo método de equivalência Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 23 22 patrimonial (MEP), conforme previsto no art. 384 do RIR/99. A principal característica do método é de se permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. Esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Dentre os três critérios, assume relevância, para o caso concreto, aquele que consiste no fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 24 23 determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. As variações no patrimônio líquido da investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela controladora. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) É por isso que a investidora, ao registrar o ágio em conta de ativo, não promove a sua amortização para fins fiscais. Não poderia ser diferente, vez que a “mais valia”, decorrente da expectativa de rentabilidade futura, foi paga em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, e que serão tributados na própria investida. Por sua vez, a repercussão de tais lucros na investidora darseá pelo MEP, que não é objeto de tributação. Dessa maneira, como os lucros não são tributados na investidora, não há que se falar em amortização do ágio na investidora. Não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. Portanto, percebese que, na regra geral, para fins fiscais, o ágio não é dedutível na apuração do lucro real. Contudo, tal cenário está sujeito a mudanças. O investimento adquirido com ágio pode ser alienado, liquidado, ou mesmo ser objeto de uma transformação societária. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 25 24 Passam a ser tratadas as situações específicas, como se pode verificar nos arts. 391 e 426 do RIR/99: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Verificase que o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa for objeto de alienação ou liquidação, oportunidade em que o ágio irá compor a apuração do custo de aquisição a ser considerado no ganho de capital auferido pelo alienante. Por sua vez, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação no art. 386 do RIR/99: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 26 25 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. A norma em debate tem repercussão direta na base de cálculo do tributo, o que permite a sua análise sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina (Geraldo Ataliba, Hipótese de Incidência Tributária). Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em debate se dirige à investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, sendo ela, e apenas ela a destinatária da prerrogativa de amortização do sobrepreço. A partir do momento em que o ágio é transferido ou repassado para outras pessoas (de A para B, de B para C, de C para D e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora, a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. A respeito do aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Sobre o aspecto material, há que se observar que apenas o ágio com fundamento econômico no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros é que tem a amortização autorizada em sessenta parcelas. Ainda, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 27 26 qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...), ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento." (Grifos no original) Naquela assentada, tratavase de caso em que a incorporação se deu conforme o caput do art. 386 do RIR/1999. Já no caso dos autos, tratase de cisão operada nos moldes do §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999 (que trata também da operação conhecida como incorporação "às avessas"): Art. 386. (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (Grifouse) Embora isso não vá impactar nas premissas de exegese da norma, fazse necessário tecer comentários adicionais quantos aos aspectos pessoal e material, de forma a adequálos a esse modelo de cisão ou incorporação. Registrese que tudo que se afirmar, de maneira genérica, a respeito da incorporação "às avessas" vale também para a cisão em que a empresa investida incorpora a fração cindida da investidora que contenha tanto o investimento nela realizado quanto o ágio que dele adveio. O §6º do art. 386 do RIR/1999, na realidade o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 (do qual este é mera cópia), se utilizou de uma técnica legislativa que faz uso da propriedade transitiva, assim o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale para o §6º do mesmo artigo, fazendose apenas a adaptação para contemplar a situação prevista. Portanto, o §6º do art. 386 do RIR/1999, sob o significado pessoal, se dirige à investida que incorporar a investidora, que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o valor do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação, pela investida, da investidora "original" ou investidora stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada a pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco) é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço. Da mesma forma que no aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material, para fins de enquadramento no §6º do art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 28 27 se fundem: o risco do investimento assim entendido os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investida e a investidora original, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que honrará a rentabilidade futura passa a ser detentora da mais valia (ágio) do investimento baseado na expectativa dessa rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Na atual redação destes dispositivos e para o caso de incorporação "às avessas", exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores a título de investimento da investidora (que será futuramente incorporada) na investida (futura incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes das operações societárias, não há sentido em clamarse pela aplicação do benefício fiscal instituído pelo art. 386 do RIR/1999. Este efetivo desembolso de valores relativos à "mais valia" do investimento não se verificou no caso dos autos. É fato incontroverso que a integralização do capital social da empresa MARUMBI se deu com a cessão gratuita, pelos controladores PINE, GRALHA e BORDIN, das quotas da BARIGÜI, após reavaliação que atualizou o valor desta última. Sendo assim, o ágio contabilizado na MARUMBI deveuse não a um investimento efetivo realizado com expectativa de resultados futuros positivos, mas a um procedimento de reavaliação do valor das quotas da BARIGÜI. Sendo assim, a amortização operada pela contribuinte não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, o benefício fiscal previsto no art. 386 do RIR/1999 só tem sentido diante do efetivo desembolso ou gasto na aquisição do investimento em outra empresa. No caso sob análise, o ágio contabilizado pela contribuinte decorreu de uma anterior reavaliação de seus ativos, não tendo sido verificado nenhum dispêndio que viesse a satisfazer os aspectos pessoal e material da hipótese de incidência da benesse estabelecida no art. 386 do RIR/1999. Em sua defesa, a contribuinte alega que a organização societária que foi promovida pelo grupo econômico de que faz parte, no final de 2004, estaria expressamente autorizada pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, dispositivo que, enquanto vigente, tinha a seguinte redação: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 29 28 que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. A contribuinte alega que a reorganização societária realizada na forma autorizada pela Lei nº 10.637/2002, associada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e aos arts. 385 e 386 do RIR/1999, autorizaria a posterior amortização do ágio decorrente da reavaliação patrimonial. Entretanto, a lógica do dispositivo legal reproduzido é justamente o contrário do que pretende a contribuinte. Por bem adequadas à discussão, transcrevo as palavras da recorrida constantes das suas contrarrazões: "A equivocada interpretação dada pelo recorrente ao artigo 36 não pode prosperar. Conforme será aqui demonstrado, o artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 confirma que o ágio gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico não existe materialmente. Tal como foi destacado no breve apanhado teórico já realizado, o substrato econômico de um ágio envolve a circulação de riquezas. Essa circulação, por sua vez, decorre do fato de o adquirente do investimento pagar uma “mais valia” ao correspondente alienante. Assim, o pagamento de um ágio (pelo adquirente) sempre corresponderá ao recebimento de um ganho de capital (pelo alienante). O ágio e o ganho de capital serão, assim, sempre os dois lados de uma mesma moeda. A sorte de um será a mesma do outro. Existindo o ágio, o ganho de capital também existirá. Por outro lado, a artificialidade de um afetará o outro. Nesse sentido, são comuns os casos onde, uma vez declarada a inexistência do ágio registrado por determinado contribuinte, automaticamente é reconhecida como devida a glosa do correspondente ganho de capital auferido pelo outro contribuinte que participou da operação. E, assim, viceversa: reconhecida a existência do ganho de capital (e a sua tributação), a amortização do correspondente ágio se torna devida (claro, se cumpridos os demais requisitos legais para tanto). Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 30 29 Bem, estabelecida esta indissolúvel conexão entre o ganho de capital e o ágio, partese agora ao multicitado artigo 36. O artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 previa que o ganho de capital auferido por uma empresa controladora com a integralização de capital de sua controlada, por meio da cessão da participação societária sobre uma terceira empresa, não era computado na apuração do IRPJ e da CSLL. Esse ganho só seria tributado quando o investimento (terceira empresa) fosse alienado, liquidado ou baixado a qualquer título, tanto pela empresa controladora, como pela controlada (que detinha o investimento de forma direta). Em outras palavras, o artigo 36 reconheceu que, quando uma empresa realiza determinado investimento em uma controlada cobrando uma “mais valia”, e essa “mais valia” é paga com quotas da própria adquirente, na verdade, o ganho da controladora ainda não existe, razão pela qual ele não deve ser tributado. A existência econômica desse ganho (relativo à alienação do ativo) somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for efetivamente transferido para fora do grupo econômico, quando, então, haverá circulação de riquezas. Nesse momento, como haverá a inevitável participação de terceiros, haverá circulação de riquezas e, portanto, disponibilidade econômica travestida como ganho de capital a ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL. Portanto, a Lei nº 10.637/2002 reconheceu a neutralidade tributária do ganho de capital gerado em um negócio realizado entre empresas de um mesmo grupo econômico e onde não há circulação de riquezas. Essa neutralidade é citada expressamente no item 28 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, a qual foi posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, senão vejamos: O art. 39 estabelece, igualmente, a neutralidade tributária nas operações de reorganização societária e, ao mesmo tempo, adequado controle fiscal para o acompanhamento dessas operações. (grifo nosso) De acordo com o artigo supracitado, operações que exclusivamente levam à reorganização societária de um grupo econômico não geram riquezas hábeis a serem tributadas. Como não há circulação de riquezas, não há fato gerador a reclamar a aplicação de uma regramatriz de incidência tributária. Aplicandose, então, ao artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 a expressão “dois lados de uma mesma moeda” anteriormente citada, concluise que operações realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico, onde não há circulação de riquezas, como não geram um ganho de capital tributável, também não geram um ágio amortizável. Como já dito, se o ganho de capital não existe, o ágio também não. Se o ganho de capital não deve ser tributado porque não existe materialmente, o correspondente ágio também não deve ser amortizado porque também não existe. A sorte de um deve ser aplicada ao outro. Destarte, percebese que, ao contrário do que imagina a recorrente, o artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 em nenhum momento legitimou o registro e amortização de um ágio artificial (que não existe); pelo contrário, ele reconheceu que esse ágio não deve ter qualquer efeito Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 31 30 tributário, haja vista que o correspondente ganho de capital também não o tem." (Grifos no original) A respeito do trecho reproduzido, esclareçase que o art. 39 a que se refere a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002 foi convertido no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Sendo assim, verificase que a amortização do ágio operada pela contribuinte, além de não ter o respaldo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos arts. 385 e 386 do RIR/1999, tampouco estava amparada pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, que trata, na verdade, do diferimento da tributação de IRPJ e de CSLL relativos ao ganho de capital decorrente de reavaliação patrimoniais de empresas controladas ou coligadas. Deve ser considerada na discussão travada nos presentes autos o fato de que tal ágio, que foi gerado dentro do grupo econômico a que pertence a contribuinte e posteriormente utilizado para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não tem sua existência contábil chancelada pela Comissão de Valores Mobiliários (cujo Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 se posicionou contrariamente à possibilidade de geração de ágio em operações efetuadas dentro de um mesmo grupo econômico e sem o efetivo dispêndio), pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (cuja Orientação Técnica OCPC nº 02/2008 dispôs que o ágio fundamentado na rentabilidade futura deve ser obrigatoriamente adquirido de terceiros, vedado a sua contabilização proveniente de reavaliação) ou pelo Conselho Federal de Contabilidade (cuja Resolução CFC nº 1.303/2010 se manifestou de forma desfavorável ao reconhecimento como ativo do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura gerado internamente). Existindo restrições quanto à existência de tal ágio dentro das próprias Ciências Contábeis e inexistindo lei que estabeleça tratamento fiscal diferenciado, forçoso se faz concluir pela inutilidade do denominado "ágio interno" para os fins tributários pretendidos pela contribuinte. Por fim, registrese que a prática contábil/tributária adotada pela contribuinte nos anoscalendários de 2007 a 2009, objeto de discussão no presente processo administrativo fiscal, já havia sido observada em anos anteriores, o que provocou a lavratura de autos de infração objeto do processo nº 10980.017339/200878. Embora não se estabeleça vinculação obrigatória para a decisão que prevalecerá nos presentes autos, consignese que naquele processo prevaleceu a seguinte decisão no Acórdão nº 110100.404, que julgou recurso voluntário apresentado pela contribuinte: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Somente em aquisição onerosa de investimentos por terceiros formase o ágio passível de amortização. Não se caracteriza como tal a valorização reconhecida internamente, ainda que fundada em laudo de rentabilidade futura e associada ao reconhecimento de ganho de capital por parte dos sócios. (...) A reavaliação do investimento pelos sócios não gera ágio passível de amortização redutora das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma que a possibilidade de tributação futura daquele ganho esperado não se presta a dispensar os tributos que deixaram de ser recolhidos em razão do registro de despesa indedutível. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 32 31 Diante de todo o exposto, relativamente à matéria da amortização de despesas de ágio, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. 2) Cobrança concomitante das multas isolada e de ofício A contribuinte defende a impossibilidade de cobrança simultânea da multa de ofício estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e da multa isolada objeto do inciso II, alínea b do mesmo artigo, sob o argumento de que isto representaria violação ao princípio da consunção e dupla incidência de multa sobre uma mesma infração. Examinese o artigo mencionado: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) A este respeito, consignese que existe Súmula do CARF que tratou da impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Observese, todavia, que a Súmula faz referência à multa isolada estabelecida na antiga redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/1006, que se apresentava assim: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 33 32 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; (...) Como o caput do artigo estabelecia que as multas seriam aplicadas "sobre a totalidade ou diferença de tributo", todas as multas ali tratadas, tanto nos incisos quanto nos parágrafos, incidiam sobre a mesma base de cálculo. Sendo assim, o CARF entendeu que não se sustentava a incidência concomitante das multas isolada e de ofício quando os fatos que ensejassem as penalidades fossem relacionados (teriam a mesma base de incidência). Ocorre que, em 22/01/2007, foi publicada a Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que deu ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 a redação que vige até os dias atuais. Por conta da alteração introduzida, a partir de janeiro de 2007 as multas de ofício e isolada por não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSSL não têm mais a mesma base de cálculo, não mais existindo a causa impeditiva que motivou a edição da Súmula nº 105 do CARF. Neste sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 34 33 dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifouse) Interpretando a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. No caso da contribuinte, houve a prática de duas infrações distintas: i) não foi realizado o recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL ao longo dos anos calendários 2007 a 2009 e; ii) não houve o pagamento integral do IRPJ e da CSLL apurados ao final dos anoscalendários 2007 a 2009. As multas cominadas para cada uma das infrações incidem sobre bases de cálculo diferentes, respectivamente: i) o valor do pagamento mensal estimado do tributo que deixou de ser pago e; ii) a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. Diante disso, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente à pretensa impossibilidade da cobrança concomitante de tais multas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. 3) Qualificação da multa de ofício Conforme relatado alhures, a PGFN apresentou recurso especial visando à reforma do Acórdão nº 1201000.967 na parte em que a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiu reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. A figura da qualificação da multa de ofício é regulada pelo já parcialmente reproduzido art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) No caso sob análise, a autoridade lançadora entendeu que a conduta da contribuinte teria configurado fraude, conforme definição do art. 72 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 35 34 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Justificouse tal decisão com base nas seguintes alegações, perfiladas no Termo de Verificações Fiscais: "Constatase que o resultado das citadas reestruturações societárias foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal. O que houve na Barigüi Veículos Ltda foi a contabilização do "ágio de si mesma". (...) Temos que reconhecer que a legislação permite a amortização do ágio. Contudo, evidentemente, a legislação se refere a ágio constituído com substância econômica, em decorrência de transações efetivas entre partes negociantes autônomas e não relacionadas, o que não foi o caso da Barigüi Veículos Ltda. (...) O que se observa é uma sucessão de negócios com empresas do mesmo grupo que originou ágio, criado artificialmente por intermédio da constituição de sociedades que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação. Nas várias operações já referidas, não houve uma aquisição de participação acionária ou integralização de capital com recursos monetários despendidos com este fim e com a interveniência de agentes econômicos independentes ou não relacionados. (...) Enfim, toda manobra/reorganização societária visou dar aparência de regularidade na formação do valor de ágio sobre investimento de R$ 57.043.000,00, em curto espaço de tempo, para implementação da fase seguinte, que consistia em redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma parcelada ao longo de cinco anos, a partir de 31/12/2004. (...) Fica sujeito a aplicação de multa qualificada de 150%, (...) acrescida aos valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexo apurados em decorrência dos valores apropriados indevidamente a título de despesas com amortização de ágio, discriminados no quadro constante do subitem 4.1 do presente Termo, considerando: a) Que a Marumbi Investimentos e Participações Ltda serviu de "veículo" para permitir a geração artificial de uma maisvalia e sua transferência para empresas do grupo econômico Barigui, dentre elas a fiscalizada, conclusão corroborada pela efêmera duração da (sic) daquela. Concluise que a contribuinte tinha ciência de que Marumbi somente cumpriu o papel de receber e devolver o ágio da própria; Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 36 35 b) Que a empresa fiscalizada agiu de maneira dolosa para criar condições artificiais para possibilitar a amortização indevida de ágio gerado internamente, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. Conforme já relatado no presente Termo, o ágio interno não foi aceito pela Contabilidade, pela CVM ou pelas regras tributárias; c) Que no caso, apesar de os atos societários estarem devidamente registrados na Junta Comercial do Paraná e na escrituração comercial e fiscal da contribuinte e da controladora por ela incorporada, a contribuinte estava perfeitamente ciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente, por meio de um investimento nulo realizado intragrupo. Dessa forma, foram criadas condições artificiais para possibilitar a dedução indevida de despesas com amortização de ágio interno e, em consequência, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos administrados pela RFB, situação enquadrada na hipótese prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964." (Grifouse) A aplicação da multa qualificada foi excluída por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela contribuinte, sob a seguinte fundamentação: "Pois bem, entendo que neste tipo específico de reorganização societária, que encontra previsão no art. 36 da Lei 10.637/2002, sempre remanescerá dúvida razoável acerca de se o sujeito passivo agiu, ou não, dolosamente. De fato, o referido dispositivo legal autoriza esse tipo de reorganização societária única e exclusivamente para possibilitar a reavaliação, na investidora, da participação que mantém em sua investida, reavaliação essa cuja incidência do IRPJ e CSLL devidos pela investidora poderá ser diferida. Mas esse tipo de reorganização societária traz como reflexo o surgimento de um "ágio interno", o qual, apesar de contabilizado, não pode ser amortizado nem para fins comerciais nem para efeitos fiscais por não ter sido fruto de uma arm's length transaction. Todavia, a contabilização desse ágio interno na investidora pode levála a erro de direito, concernente à crença da validade jurídica de sua amortização para fins fiscais. A possibilidade de ter a ora autuada incorrido nesse erro de direito não é remota, daí porque, a meu juízo, não há como afirmarse, para além de qualquer dúvida razoável, que a contribuinte agiu dolosamente ao amortizar o "ágio interno". Por fim, em razão de este tipo de reorganização societária estar autorizado por lei, não há que se perquirir sobre a existência de propósito negocial diverso daquele previsto na própria lei, qual seja, a reavaliação do investimento mantido pela investidora." (Grifouse) Com toda a vênia, não vislumbro, no presente caso, dúvida acerca da atuação dolosa da contribuinte. Conforme já foi tratado no tópico que cuidou especificamente da questão da amortização do ágio gerado em operações intragrupo, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 fixa Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 37 36 determinado efeito fiscal para operações societárias permitidas não por ele, mas pela legislação civil e comercial e pelas normas contábeis. O efeito fiscal que o dispositivo estabelecia era o diferimento da tributação de IRPJ e de CSSL sobre o ganho de capital proveniente da reavaliação do valor de sociedade investida. O fato de o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 mencionar determinada operação de reorganização societária não autoriza os contribuintes a atribuírem a ela efeitos outros que não aqueles especificamente descritos no dispositivo. Além disso, conforme análise desenvolvida no tópico que tratou da amortização do ágio, a própria análise do dispositivo levaria à conclusão de que seu intuito era o de estabelecer a neutralidade tributária da operação. Tal neutralidade não permitia que se chegasse à conclusão de que, embora a tributação do ganho de capital restasse diferida, o ágio contabilizado pudesse ser desde logo amortizável. Prova cabal de que a contribuinte e o grupo econômico a que pertence teriam praticado ação dolosa tendente a impedir a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal ou a modificar suas características de modo a reduzir o montante devido, o que atrai a aplicação do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, é o fato de nenhuma alteração de fato ter ocorrido no controle societário da empresa fiscalizada, após encerrada a reorganização. Ao final de dezembro de 2004, a contribuinte se encontrava submetida ao controle dos mesmos acionistas identificados ao final de setembro daquele ano, com percentuais de participação exatamente iguais aos anteriores. Em virtude principalmente deste fato, concluo que realmente não houve outro propósito a guiar a atuação da contribuinte senão o de simular uma reorganização societária com a finalidade de reduzir o montante de IRPJ e CSLL a ser recolhido nos cinco anos seguintes. Filiome, portanto, ao entendimento exposto pelo Julgador da DRJ, que, em seu voto condutor do acórdão que julgou a impugnação da contribuinte, discorreu: "É inegável que, caso não houvesse criado artificialmente esse ágio desprovido de qualquer fundamento econômico, a impugnante teria recolhido tributos em montantes muito superiores ao que recolheu. Logo, quando contratou consultoria especializada e praticou todos esses atos de reorganização – absolutamente desnecessários e sem qualquer propósito efetivo – para, ao final, permanecer tudo do jeito que estava anteriormente, sendo o ágio a única alteração, é evidente que seu objetivo sempre foi aliviar ilicitamente a carga tributária. E se o propósito exclusivo foi obter esse ganho ilícito, o dolo é evidente, ainda que sem utilização dos artifícios grosseiros apontados pela impugnante às fls. 1.078: adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc." (Grifouse) Assim, relativamente ao pleito de restabelecimento da multa de ofício em sua versão qualificada, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER dos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela contribuinte; Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10903.720003/201295 Acórdão n.º 9101002.300 CSRFT1 Fl. 38 37 NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte quanto ao pleito de anulação do lançamentos tributários de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de dedução relativa à amortização de ágio; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte quanto ao pleito de exclusão da cobrança de multa isolada por não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSSL, em vista de suposta incompatibilidade com a cobrança concomitante de multa de ofício; DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto ao pedido de restabelecimento da multa de ofício qualificada. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 15956.000497/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada.
ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL - DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA
Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da cana-de-açúcar.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA - IRPJ - CSLL
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105)
Numero da decisão: 1401-001.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a decadência, e no mérito, em DAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DAR provimento para manter as exclusões relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do PESA; II) Por maioria de votos, DAR provimento para manter depreciação acelerada incentivada da lavoura de cana. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Ricardo Marozzi Gregório; III) Por maioria de votos, DAR provimento para manter a depreciação acelerada incentivada dos equipamentos e veículos utilizados na lavoura de cana. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator); IV) Por unanimidade de votos, DAR provimento para cancelar as multas isoladas relativas ao ano-calendário de 2005. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da cana deaçúcar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA IRPJ CSLL O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 97 /2 01 0- 24 Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 3 2 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a decadência, e no mérito, em DAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DAR provimento para manter as exclusões relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do PESA; II) Por maioria de votos, DAR provimento para manter depreciação acelerada incentivada da lavoura de cana. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Ricardo Marozzi Gregório; III) Por maioria de votos, DAR provimento para manter a depreciação acelerada incentivada dos equipamentos e veículos utilizados na lavoura de cana. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator); IV) Por unanimidade de votos, DAR provimento para cancelar as multas isoladas relativas ao anocalendário de 2005. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1422.915, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram apuradas, no ano calendário de 2005, as seguintes infrações: 1) Redução indevida do lucro real. em virtude da exclusão não autorizada pela legislação de valores do lucro líquido do exercício; 2) redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão do lucro líquido das parcelas relativas à depreciação incentivadaatividade rural, sem que fossem observados os requisitos legais; 3) Falta de pagamento, nos meses de setembro a dezembro de 2005, do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão/redução. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 2 a 11. Imposto: R$4.846.138,50 Juros de mora: R$2.483.161,36 Multa Proporcional: R$ 3.634.603,87 Multa Isolada: R$ 1.271.381,74 Total: R$ 12.235.285,47 Enquadramento legal do imposto: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 221, 222, 230, 247. 248, 250, 305, 307, 313. 314 e 843; Lei n° 8.023, de 2000. art. 2o; Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § Io, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172, de 1966. 2 Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 12 a 20: Contribuição: R$1.753.249,86 Juros de mora: R$ 898.365,22 Multa Proporcional: R$ 1.314.937.39 Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 5 4 Multa Isolada: R$483.678,60 Total: R$4.450.231,07 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689. de 15 de dezembro de 1988. art. 2o e §§; Lei n° 9.249, de 1995. art. 20; Lei n° 9.430, de 1996, arts. Io e 28; Lei n° 8.981, de 1995, arts. 57; Lei n° 9.065, de 1995, art. 16; Lei n° 10.637. de 2002. art. 37; RIR. de 1999, arts. 219, 221. 222, 223, 224, 225, 247, 249, 250.275, 843; Lei n° 9.430, de 1996. art. 44. § Io, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172. de 1966. Notificada do lançamento a contribuinte, representada pelo procurador Elias Eduardo Rosa Georges (fls. 1166, 1168 a 1187). ingressou, em 28/10/2010, com a impugnação de fls. 1128 a 1165, alegando: • O lançamento deve ser cancelado em relação ao período de janeiro a agosto de 2005, uma vez que, nos termos do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional (CTN), operouse a decadência. A existência ou não do pagamento antecipado não tem o condão de deslocar a regra de decadência do art. 150, § 4o, para o art. 173, 1, do CTN. O próprio art. 150 não condiciona a homologação ao fato de se verificar ou não o pagamento antecipado do tributo; • Foram glosadas despesas relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos Pesa, criado pela Lei n° 9.138/95, por meio do qual os produtores rurais que possuíssem dívidas oriundas de crédito rural poderiam efetuar a securitização dessas dívidas mediante a aquisição de Certificados do Tesouro Nacional. Tais títulos eram adquiridos por um valor bastante inferior ao saldo devedor, mas com a previsão de serem atualizados com base em um determinado índice durante um tempo fixado (20 anos) até atingirem o valor do saldo da dívida que estava sendo renegociada. A atualização dos referidos títulos era utilizada para abater a atualização da dívida contraída entre o devedor e a instituição financeira credora, reduzindo os valores que iam sendo pagos pelo devedor a título de encargos decorrentes da dívida. Assim, deduziu a diferença entre o valor a maior da atualização da sua dívida e o valor decorrente da atualização dos títulos do Tesouro Nacional adquiridos, o que é permitido pelos arts. 299 e 374 do RIR, de 1999. Se fosse desconsiderada a existência dos referidos títulos teria sido deduzido um valor maior na apuração do lucro real. correspondente ao valor integral dos juros previstos nos contratos de empréstimos; • Com relação à depreciação acelerada incentivada, a Medida Provisória (MP) n° 2.15970, de 2001, art. 6o, apenas impõe como condição para o aproveitamento do benefício fiscal que a pessoa jurídica utilize, na atividade rural, o bem a ser depreciado;^ • A Instrução Normativa (IN) SRF n° 257, de 2002. ao regulamentar a Lei n° 8.023, de 1990, extrapolou o citado diploma, ao prever que "a pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades...''. O art. 314 do RIR. de 1999, não restringiu o benefício da depreciação acelerada incentivada apenas para as empresas que desempenham exclusivamente atividades rurais; • A cana de açúcar é considerada uma cultura permanente, já que proporciona mais de uma colheita sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. Uma vez que o ciclo da cana de açúcar envolve até 5 cortes ou colheitas, sua vida útil ultrapassa um ano. sendo Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 6 5 justificável o registro dos dispêndios com a sua formação em conta do ativo imobilizado. De forma simplificada e nos termos do art. 183, § 2o, da Lei n° 6.404, de 1976, na depreciação a diminuição do valor econômico decorre do desgaste, sem que ocorra a extinção física do ativo, e na exaustão a diminuição do valor decorre do esgotamento do ativo, ensejando o seu desaparecimento. Dessa forma, não resta dúvida de que a cultura da cana de açúcar fica sujeita à sistemática de depreciação (e não de exaustão), por essencialmente não se consumir durante o seu ciclo, já que é a partir das touceiras que brotam os colmos (canas) e essas permanecem no solo a cada colheita; • O cultivo da cana de açúcar deve ser equiparado à cultura da laranja, café e cacau. Embora a cana não seja tecnicamente um fruto, a parte subterrânea do canavial (touceira) permite, após a colheita, que novos colmos (canas) brotem, cresçam e atinjam o tamanho adequado para outro corte. Embora apresente rendimento decrescente ao longo de várias colheitas de cana, não se exaure nem se esgota, não podendo ser equiparada à atividade florestal ou à exploração de jazidas minerais, que são sujeitas à exaustão; • Nulidade do auto de infração pela ausência de recomposição da apuração do 1RPJ e CSLL relativamente ao próprio exercício a que se refere a autuação, como também quanto aos exercícios subseqüentes. Deveria ter sido considerado como dedutível parcela do valor por ela excluído, correspondente à depreciação normal ou à quota de exaustão aplicável, no próprio exercício da autuação e nos seguintes; • A multa isolada exigida é ilegal, pelo fato de inexistir à época da ocorrência dos fatos qualquer previsão normativa que autorizasse a sua aplicação. Somente a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, previa a aplicação da multa de ofício de 75% pela falta de recolhimento do tributo ou da multa isolada de 150%, que era aplicada apenas em caso de fraude. Assim, a multa isolada objeto do presente auto de infração somente passou a ser exigida no art 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com o advento da Lei n° 11.488, de 2007, art. 14. Ao aplicar a referida multa a fatos geradores anteriores a sua vigência, o Fisco está promovendo uma retroação da lei, o que só é admitido no Direito Tributário quando beneficiar o contribuinte, nos termos do art. 106. II, "c'\ do CTN; • E completamente inadequada a aplicação da multa isolada em cumulação com a multa de ofício sobre a mesma infração; • E flagrante a desproporcionalidade entre a suposta infração cometida e a multa cominada, de modo que fica evidente o fito confiscatório da multa de 125% (75% + 50%) imputada na autuação. Solicitou a juntada posterior de documentos, bem assim a produção de todas as provas em direito admitidas. Requereu que as intimações referentes ao presente processo sejam feitas somente cm nome de seus patronos Dr. Rodrigo Maito Silveira e Dr. José Roberto Martinez de Lima. no seguinte endereço: Avenida Paulista. n° 1294, 8o andar, CEP 01310100, município de São Paulo. SP. E o relatório. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 7 6 A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. LUCRO REAL. Somente se admite a exclusão do lucro líquido, na determinação do lucro real, dos valores cuja dedução seja autorizada pela legislação e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração, bem assim dos resultados e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que não sejam computados no lucro real. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. CANADEAÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6o da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § Io do art. 44 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 8 7 os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. Ajuntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignada com a decisão de primeira instância, tomou ciência do Acórdão n°. 1431.674 em 16/12/2010; conforme AR de fl. 1.345 e ingressou com recurso voluntário em 14/01/2011(fls. 1.348 a 1.403), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O feito foi baixado em diligência para averiguação da infração relacionada à glosa de despesas relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos – Pesa. É o relatório. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Delimitação da Lide redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão do lucro líquido das parcelas relativas à depreciação incentivadaatividade rural, sem que fossem observados os requisitos legais. No caso, a Recorrente excluiu do lucro real a título de depreciação acelerada incentivada a que se refere o art. 314 do RIR.de 1999. os valores referentes à aquisição de máquinas agrícolas e ao custo da lavoura de canadeaçúcar. glosa de despesas relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos Pesa Falta de pagamento meses de setembro a dezembro de 2005, do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão/redução. Decadência A Recorrente argúi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a agosto de 2005, argumentando que os fatos geradores são mensais; que a ausência ou não de pagamentos não deslocaria a regra de contagem para o prazo mais elástico previsto no art. 173, I e que também não houve dolo, fraude para que isso também acontecesse. A Recorrente equivocase com relação à tese da decadência cuja regra depende sim de haver ou não pagamentos. É que está consolidado no CARF cumprimento da jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4°, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 10 9 de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no RESP 112022O / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 11 10 Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973. 733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso concreto do IRPJ, conforme informação categórica da própria fiscalização no retorno de diligência não foram encontrados pagamentos. Mas mesmo que esse não fosse o caso, ou seja, independente de haver ou não pagamentos, e aplicandose regra mais benéfica à Recorrente, qual seja, a regra do art. art. 150, § 4o do CTN, a decadência também ficaria afastada. É que o contribuinte equivocase novamente em alegar que a contagem do prazo se daria de forma mensal. Ora, apurouseo lucro real anual, e considerase ocorrido o fato gerador no último dia do anocalendário, ou seja, 31/12/2005. Aplicandose, apenas para argumentar a regra mais benéfica do art. 150, § 4o do CTN o prazo decadencial teve início em 01/01/2006, com termo final em 31/12/2010. Tendo ocorrido a ciência da autuação em 28/09/2010, verificase que não ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Da CSLL Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei n° 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante n° 8: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, como para a CSLL a apuração foi também anual, produzindo o mesmo resultado do IRPJ, qual seja, de se afastar a decadência. Depreciação integral. Agroindústria Como já se relatou, a Recorrente excluiu do lucro real a título de depreciação acelerada incentivada a que se refere o art. 314 do RIR.de 1999. os valores referentes à aquisição de máquinas agrícolas e ao custo da lavoura de canadeaçúcar. Delimitação Para melhor delimitar a questão, cabe apontar alguns fatos relevantes. Conta do TVF que embora haja predomínio das receitas referentes à produção de álcool e açúcar, a fiscalizada também comercializa outros produtos em menor escala, auferindo por conseqüência receitas dessas atividades, que a fiscalização reconheceu como sendo produto de atividades rurais, quais sejam:. venda de melaço, cana de açúcar e de bagaço de cana. Dessa forma, ela fez o rateio e manteve as exclusões em favor do contribuinte Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 12 11 dos custos de depreciação proporcionalmente às receitas líquidas dessas atividades em relação à receita líquida total. Também por importante, cabe destacar matéria fática que considero isenta de divergência por parte deste colegiado. É que segundo o TVF, a Recorrente considerou dados de outros anoscalendário como base para depreciação acelerada referente ao anocalendário de 2005 e isso também foi glosado pelo fiscal, nos seguintes termos: É possível constatar, pelo Livro de Apuração do Lucro Real, que as adições utilizadas para a aplicação do Lucro Real não se referem unicamente às máquinas e implementos agrícolas adquiridos no ano calendário de 2005, tampouco os valores referente à lavoura são do anocalendário de 2005. Para que pudéssemos encontrar os valores adicionados referentes ao ano calendário de 2005, quanto às maquinas e implementos agrícolas, utilizamos as informações assentadas pela fiscalizada quanto aos bens objeto da depreciação acelerada incentivada, em resposta ao termo de intimação fiscal n° 599/20091. Foram utilizadas as informações referentes às notas fiscais de aquisição das máquinas e veículos relacionadas com o objeto da depreciação acelerada incentivada, bem como os demonstrativos de máquinas incentivadas fornecidas pela fiscalizada, onde consta o valor mensal da depreciação contábil para cada produto adquirido no anocalendário de 2005. Os valores encontrados encontramse abaixo: (...) Por fim, quanto à depreciação acelerada incentivada relativa às máquinas e implementos, atentese ao que a DRJ asseverou: (....) verificase que, apesar de a Recorrente não ter feito a segregação total das receitas, custos e despesas na contabilidade nem no Lalur, a autuante excluiu, no cálculo da infração apurada, os valores das máquinas e implementos agrícolas adquiridos no anocalendário de 2005, correspondentes ao percentual que a receita líquida da atividade rural representa em relação à receita líquida total. Deduziu, também, na mesma proporção, a depreciação das máquinas agrícolas que haviam constado nas adições ao lucro líquido na determinação do lucro real, conforme se vê nos demonstrativos de fls. 59. Motivação da autuação Posto isso, a fiscalização manteve referida exclusão da depreciação acelerada, basicamente por dois motivos cumulativos, quais sejam. Primeiro não considerou que a atividade sucroalcoleiro seja considerada uma atividade rural e, portanto, já de plano não teria direito ao benefício fiscal da depreciação acelerada. E cumulativamente ao atendimento dessa condição, asseverou também que se por hipótese a atividade agroindustrial sucroalcooleira fosse considerada como sendo atividade rural, mesmo em parte, ainda assim o benefício não lhe seria aplicável, pois o cultivo de cana de açúcar se enquadraria noutro tipo de instituto, o da "exaustão" e não o da "depreciação". Enfrentemos cada uma das duas questões de forma separada. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 13 12 A DRJ, por sua vez, subsidiariamente ainda lançou mão de um outro argumento para manter a infração, qual seja, no fato de a Recorrente não ter segregado contabilmente as receitas, os custos e as despesas da atividade rural beneficiada daquelas relativas às demais atividades não beneficiadas. Conceituação de Atividade Rural Primeiramente trazse à baila o dispositivo legal (art. 314 do RIR. de 1999) que trata de vincular o benefício da depreciação acelerada à prática da atividade rural: Art. 3I4. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória n° 1.74937, de 1999, art. 5"). Tratemos agora de saber a abrangência do termo "atividade rural", em termos do que foi positivado no nosso ordenamento jurídico. A partir de 1990, a tributação das empresas de atividade rural passou a reger se pela Lei n. 8.023, de 12 de abril de 1990, a qual revogou os Decretosleis n°s 902/69 e 1.382/74, implantandose por assim dizer uma nova disciplina tributária para a atividade rural. LEI No 8.023, DE 12 DE ABRIL DE 1990 (redação original) Conversão da Medida Provisória n° 167, de 1990 Altera a legislação do Imposto de Renda sobre o resultado da atividade rural, e dá outras providências. Art. 1° Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Art. 2° Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 14 13 utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. (...) Posteriormente, o art. 2° da Lei n° 8.023/90 sofreu nova modificação (Leis n° 9.250/95 e 9.430/96), alterando o inciso V e incluindo o inciso VI, respectivamente: (...) V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmlente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. (Destaquei) Da leitura dos dispositivos supra transcritos, vêse que, na vigência dos Decretoslei n°s 902/69 e 1.382/74, poderiam gozar do regime tributário favorecido as empresas constituídas para exploração agrícola ou pastoril e das indústrias extrativas vegetal e animal, com exclusão das de transformação de seus produtos e subprodutos. Com o advento da Lei 8.023/90, implantouse a bem dizer uma nova disciplina tributária para a atividade rural, onde se por um lado possa se dizer que foi ampliado o conceito de atividade rural, elencandose novas modalidades, tais como a exploração da avicultura, cunicultura etc, por outro lado, se restringiu o "procedimento", ou melhor o "meio" pelo qual são admitidas "transformações" , mesmo que nestas não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura. Vale a pena, transcrever novamente o art. 2°, inciso V da Lei n° 8.023/90: V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmlente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; (destaquei) Por óbvio que a lei cria sua própria realidade, podendo estabelecer presunções e ficções jurídicas. As definições legais geralmente são estipulatórias, estipulam definições dogmáticas com força cogente, mesmo que esteja em dissonância com a realidade. Ora, não posso fugir de uma analogia. A lei n° 8.023/90 tratou de deixar mais claro, mais distinto o conceito de atividade rural, no sentido de que o uso de equipamentos industriais seriam ou não compatíveis com as ferramentas empregadas nas propriedades rurais. Digo relevante, pois a distinção "com equipamentos e utensílios usualmlente empregados nas atividades rurais" ligada não ao fim (produto in natura, sem alteração de sua composição ou Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 15 14 característica), mas ao meio de se atingir esse fim, privilegiando obviamente a que os benefícios decorrentes do exercício dessa atividade sejam dados ao agricultor ou criador que promovam, eles próprios, a transformação de seus produtos agrícolas com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. Em resumo, em minha interpretação, o que se apresenta como relevante para caracterização da atividade rural não é meramente o fato de que o processamento da matéria prima originária da atividade rural tenha como resultado final os produtos na condição de in natura, embora esse fato também seja relevante. É que a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, que alterem a composição e as características do produto in natura, como é o caso da indústria sucroalcooleira, definitivamente não está incluída no rol das atividades rurais. Além é claro dessa condição básica a outra questão também que considero fundamental aqui em relevo diz respeito aos meios e não tão somente aos fins. É uma questão de limitação do método, sim, e não meramente do produto final que precisa também ser in natura. Enfim, a questão relevante diz respeito a saber se o uso de equipamentos industriais seriam ou não compatíveis com as ferramentas empregadas nas propriedades rurais. Digo relevante, pois a distinção "com equipamentos e utensílios usualm1ente empregados nas atividades rurais" ligada não ao fim (a manutenção do produto no estado ainda in natura, sem alteração de sua composição ou característica), mas ao meio de se atingir esse fim, privilegiando obviamente a que os benefícios decorrentes do exercício dessa atividade sejam dados ao agricultor ou criador que promovam, eles próprios, a transformação de seus produtos agrícolas com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. E nada disso aconteceu. Por outro lado, poderseia alegar uma contradição na última redação dada à Lei n° 8.023/90 ao manter a obrigatoriedade de utilização de "equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais' e ao mesmo tempo, por exemplo, permitir a pasteurização e acondicionamento do leite, que poderiam denotar a utilização de equipamentos não usualmente empregados nas atividades rurais. Porém a contradição é apenas aparente, pois não é questão de tudo ou nada no que se refere à mecanização, tanto é que foi retirada a expressão "não configure procedimento industrial", mas uma questão de grau (mecanização) que o intérprete tem que apreender quando está diante do caso concreto. O que a lei quis exemplificar e para isso acrescentou para tanto um rol de atividades indo da mais complexa (pasteurização e embalagem do leite) para as mais simples (embalagem do mel e do suco de laranja), foi apenas que a transformação de produtos agrícolas/pecuários pode ocorrer, desde que em grau diminuto (sem alteração na composição), realizada a partir da matériaprima produzida na própria área rural explorada, pelo próprio agricultor/criador, e com utilização de equipamentos e utensílios compatíveis com o grau limitado de transformação, assim delineado. Se apregoa que a expressão "equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais' é uma expressão vaga, cujo conceito não é fechado e que isso denotaria o uso de um conceito funcional visando a abertura para o futuro, para o progresso, para a mecanização e automatização em larga escala. Ora, qual o conceito que é totalmente fechado? Depois da reviravolta lingüísticopragmática no início do século XX, se percebeu que nenhum conceito é totalmente fechado. Ele sempre vai ter uma região de penumbra. Mas, existem regiões que claramente estão dentro do seu âmbito conceitual e outras que claramente estão fora. O que não se pode é Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 16 15 dizer que tudo estaria fora de um conceito, afinal tem que se respeitar um mínimo semântico trazido em seu bojo, expresso no texto da Lei. Dessa forma, não procede, portanto, o argumento daqueles que apregoam que equipamentos não usuais nada tem a ver com equipamentos de alta tecnologia, que implicariam ganho de produção em escala, afinal afirmam "o desenvolvimento tecnológico em matéria agrícola e mesmo pastoril ou pecuária temse dado a uma velocidade significativa". Digo isso e repito, porque senão a expressão em referência seria oca e vazia. Teria que se dar a ela um mínimo de conteúdo semântico, mas os opositores não se dão ao trabalho de fornecer esse mínimo, se contentando em fazer da expressão letra morta. Ora, não se nega que a alta tecnologia e a eficiência na atividade rural não sejam louváveis, mas não podemos nos esquecer de que estamos diante de uma definição de atividade rural para fins de obtenção de benefícios fiscais e, sendo assim, não é desarrazoado que o legislador queira dar tais benefícios apenas àqueles menos aquinhoados para suportar à incerteza e vulnerabilidade da atividade rural. Nessa linha de entendimento, claro está que a recorrente não se enquadraria nessa situação de gozo, uma vez que a empresa autuada desenvolve atividades tipicamente industriais, que por sua própria natureza (grau de transformação da matériaprima, grau de divisão do trabalho, investimentos em maquinário) revelamse incompatíveis com o conceito de "atividade rural" previsto no art. 2° da Lei n.° 8.023, de 1990, onde a utilização de equipamentos sofisticados com emprego maciço de capital, denotaria uma autosuficiência da empresa tornando dispensado qualquer usufruto de benefício fiscal. A Instrução Normativa SRF n° 257, de 2002, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural na apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, é bem mais específica que a Lei e não discrepa do que aqui defendemos: Atividade Rural Art. 2o A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, cm decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: 1 a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 17 16 empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: a) beneficiainento de produtos agrícolas: 1. descasque de arroz e de outros produtos semelhantes; 2. debulha de milho: 3. conserva de frutas b) transformação de produtos agrícolas: 1. moagem de trigo e de milho; 2. moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura: 3. grãos em farinha ou farelo; c) transformação de produtos zootécnicos: 1. produção de mel acondicionado cm embalagem de apresentação; 2. laticínio (pasteurização e acondicionamento de leite: transformação de leite em queijo, manteiga e requeijão); 3. produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação; 4. produção de adubos orgânicos: transformação de produtos florestais: produção de carvão vegetal; 1 produção de lenha com árvores da propriedade rural; 2 venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural; 3 produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos, em propriedade rural, independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização). § Io A atividade de captura de pescado in natura é considerada extração animal, desde que a exploração se faça com apetrechos semelhantes aos da pesca artesanal (arrastões de praia, rede de cerca, etc), inclusive a exploração em regime de parceria. § 2o Considerase unidade rural, para fins do imposto de renda, a embarcação para captura in natura do pescado, e o imóvel, ou qualquer lugar, utilizado pura exploração ininterrupta da atividade rural. Conforme relatado, a receita auferida pela recorrente é em sua maior parte decorrente de vendas de álcool e açúcar. Atividades essas realizadas através de procedimentos industriais, utilizandose de maquinaria atípica em relação àquela usualmente utilizável na atividade rural. A esse respeito vejamos o que constou do TVF: Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 18 17 Tratase da atividade agroindustrial, em que predomina a produção na visão industrial, própria do segundo setor da economia. Do que foi apurado no processo produtivo da usina, a produção de canadeaçúcar é próprio do setor primário, enquanto a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário. Em verdade a produção da cana é tão somente uma das etapas para a obtenção do álcool combustível e do açúcar cristal. Passa então a descrever pormenorizadamente todo o processo produtivo da Recorrente, que faço referência como se aqui todo processo produtivo do álcool e do açúcar cristal estivessem transcritos. A pormenorizada descrição do processo produtivo, pela fiscalizada, acima referido, podemos concluir facilmente que as agroindústrias auferem receitas das vendas de seus produtos acabados, no caso o açúcar cristal e o álcool, sendo, portanto, claramente perceptível não se tratar de receita da atividade rural e sim da atividade industrial, tanto pelo prisma da análise dos meios (processo, maquinário etc), quanto dos fins (transformação de produtos que não preservam a natureza do produto in natura) O TVF, por fim, tece considerações de direito com os quais me alinho, aduzindo ainda um outro motivo para não se considerar atividade rural afora os outros dois já bem destacados no meu voto (não alteração da composição do produto innatura e utilização de equipamentos usualmente empregados nas atividades rurais, qual seja, o descumprimento da condição de que é de que o produtor utilizese somente de matériaprima produzida na área rural de sua exploração. Eis suas palavras: Como é constatado pela letra da Lei n° 8.023/90, a transformação da produção agrícola exige as seguintes condições para se considerar como atividade rural: 1 Que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura. 2Que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. 3Que a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador. 4Que seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural. Os conceitos e contornos modelados pela norma evitam que a atividade de transformação ultrapasse o escopo protetivo legislado para os rurícolas. Assim, se por um lado permite que a transformação seja feita pelos produtores, de outro limita as atividades dos transformadores. Ou seja, do que se lê, fácil constatar que os benefícios tributários afetos aos produtores no desempenho de atividade rural não são elásticos como interpreta a fiscalizada ao fazer uso da depreciação acelerada incentivada De iníciar a limitação imposta atinge a fiscalizada, eis que na produção de açúcar v 4icool combustível há nítida alteração das características do produto in natura. Consta inclusive do artigo 2° inciso IV, alínea b da Instrução Normativa ríA3/2001 que a atividade permitida como rural ó a moagem de canadeaçúcar para K,odução de açúcar mascavo, melado, rapadura. Esta instrução permite a produção deste açúcar devido à manutenção das características e composição, ao ensejo de que da transformação do produto não derive produto de outra espécie. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 19 18 No caso sob análise ó claro que o açúcar fabricado em nada se aproxima do açúcar mascavo. Portanto, para ter seus resultados tributados como atividade rural, a usina não poderia produzir açúcar e álcool, mas tão somente açúcares como o mascavo, que mantém as características e composição do derivado em bruto da canadeaçúcar. No presente, o açúcar cristal produzido não mantém a característica, nem a composição do açúcar mascavo. Nos balancetes contábeis referentes aos custos de produção resta ciara a utilização de produtos químicos para fabricar o açúcar e o álcool, bem como na própria descrição do processo produtivo acima transcrito, de molde a alterar a composição e as características do açúcar fabricado. Quanto ao álcool combustível fabricado, maior ainda a distância entre o legislado e o produzido pela usina. Impossível esconder a alteração das características e composição da canadeaçúcar quando se transforma em álcool combustível. Sendo assim, claro está que também a transformação para o álcool descaracteriza a atividade como rural. A destacar o que toca à transformação da canadeaçúcar, cabe ver que a lei não traz os conceitos de legislação do imposto sobre produtos industrializados para limitar a atividade do produtor rural. Com efeito, pois que usa o vocábulo "transformação" quando poderia caracterizálo como industrialização. Também veda que as características e composição do produto in natura sejam alterados. Neste ponto não remete à classificação fiscal do produto, responsável pela definição da alíquota dos tributos não cumulativos. Sendo assim, a limitação de alteração é maior do que aquela constante na tabela de classificação fiscal, já que na tabela dois produtos pode ter características e composição distintas, mas possuírem a mesma por irão final. Quando o legislador Impede que o produto in natura perca suas características e composição, tomou imprópria a transformação do caldo de cana açúcar cristal, de aroma, sabor, cor, densidade, muito diferentes do açúcar mascavo, este sim obtido sem a inclusão dos componentes químicos aptos a afetarem a composição e características do caldo de cana. Quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as enormes moendas e caldeiras ou colunas de destilação encontradas no processo produtivo da usina para produzir açúcar e álcool com o moinho usado na atividade do produtor rural de açúcar mascavo. A se considerar similares ambos processos, desnaturada resta a singela atividade rural. Também dos balancetes contábeis afere se a alta complexidade e grandiosidade do maquinário utilizado no processo industrial, quando identificadas as contas de custos de produção sob a rubrica 3.01.01.01.02.02.01.14 Manutenção. Claro está que não é usual que seja encontrado na atividade rural um parque industrial como o produtor de açúcar e álcool. Na descaracterização de que a usina execute atividade rural, a diferença do processo desta com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial o verificado nas usinas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de álcool e de toneladas de açúcar cristal requer manejo industrial. Não pode, nem foi pensado na lei tributária, um tratamento em bases iguais do produtor rural com o industrial que se utilize de insumos agrícolas. Suas dimensões os desigualam, inclusive no que tange à capacidade contributiva. Nestes termos dispõe o artigo 3o, inciso I, da IN 257/2002 (Art 3o Não se considera atividade rural: I a industrialização de produtos, tais como bebidas Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 20 19 alcoólicas em geral, óleos essenciais, arroz beneficiado em máquinas industriais, fabricação de vinho com uvas ou frutas), ao vedar expressamente a inclusão na atividade rural das atividades de indústria como as implementadas pela fiscalizada. Outra condição para que haja atividade rural é de que o produtor utilizese somente de matériaprima produzida na área rural de sua exploração. Continuando o conceituação de referida atividade, observase que impedido está o produto rural de adquirir produtos de terceiros para que os transforme. No caso em tela, a usina não industrializa apenas o que planta. Também compra canadeaçúcar de terceiros (Conta Código Estruturado 2.01.03 Fornecedores), uma vez que sua atividade lucrativa é a venda de açúcar e álcool, não dependendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. Entendo pois que a atividade sucroalcooleira nos moldes acima não se configura como atividade rural, a teor do art. 2°, VI da Lei 8.023/90, em que uma empresa faz uso intensivo de maquinário moderno em praticamente todas as etapas do processo produtivo. O detalhamento contido nas fls. do TVF, onde a fiscalização descreve toda a Cadeia Produtiva da Recorrente dá o verdadeiro tom da tecnologia empregada não condizendo com a restrição expressa naquele artigo, não havendo a menor possibilidade de comparação entre uma indústria do porte da interessada e um produtor rural. Pretender que o tratamento fiscal dado a esses dois extremos seja o mesmo, é negar vigência a dispositivo legal literal, como visto acima. A autoridade lançadora identificou nas atividades da interessada parte das receitas que seriam provenientes de atividades rurais, conforme o exigido na legislação mencionada (venda de bagaço de cana, de melaço e cana de açúcar ) e fez o rateio proporcional às receitas líquidas de cada uma delas, adequando corretamente o auto de infração. Outrossim, como bem colocou a DRJ em seu argumento subsidiário para também denegar o pleito, o fato de não ter segregado contabilmente as receitas, os custos e as despesas da atividade rural beneficiadas daquelas relativas às demais atividades não beneficiadas contribuiu ainda mais para a manutenção dos presentes autos. Eis as palavras da DRJ: Assim, caracterizado que a contribuinte exerce atividade rural em conjunto com outra atividade que não faz jus ao mesmo benefício, é essencial que ela segregue contabilmente as receitas, os custos e as despesas da atividade rural daquelas relativas às demais atividades, bem como demonstre no Lalur, separadamente, o lucro real ou prejuízo fiscal destas atividades. Nesse sentido disciplina de forma clara o art. 8o da IN SRF n° 257, de 2002: Segregação de receitas Art. 8o A pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades e demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 21 20 § 1A pessoa jurídica rural deverá ratear proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: I os custos e as despesas, comuns a todas as atividades; II os custos e as despesas não dedutíveis, comuns a todas as atividades, a serem adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real; III os demais valores comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. § 2 Na hipótese de a pessoa jurídica rural não possuir receita líquida no ano calendário, a determinação da percentagem prevista no § 1 será efetuada com base nos custos ou despesas de cada atividade explorada. Portanto, no caso em análise, no qual temos empresa com atividade rural de cultivo de cana, que fornece insumo para atividade agroindustrial, deve a contribuinte apresentar contabilidade por departamentos, apurandose de forma segregada o resultado do "departamento de atividade rural cultivo de cana" que será base para cálculo do insumo canadeaçúcar a ser utilizado pelo "departamento Agroindústria". Entender de forma diversa seria estender o benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício. Portanto, seja porque a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, que alterem a composição e as características do produto in natura, como é o caso da indústria sucroalcooleira, não está incluída no rol das atividades rurais; seja porque não fez a segregação de receitas, dos custos e das despesas da atividade rural daquelas relativas às demais atividades, a depreciação integral no próprio ano de aquisição dos bens do ativo imobilizado não se aplica à agroindústria. DEPRECIAÇÃO OU EXAUSTÃO Afora os argumentos acima descaracterizando a atividade como sendo rural ainda temos o fato de que o instituto aqui aplicável é o da exaustão e não o da depreciação. Nesse ponto, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as razões da Recorrente de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões deste voto: Além disso, citado art. 314 referese tãosomente à depreciação e a cultura da canadeaçúcar está sujeita à exaustão e não à depreciação. Vejamos/p O incentivo de depreciar integralmente os valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição estava previsto, inicialmente . no § 2o do art. 12 da Lei n° 8.023, de 1990, nos seguintes termos: *Art. 12. (...) § 2. Os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente, no próprio ano da aquisição'. O art. 12 da referida lei foi revogado pelo inciso III do art. 36 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sendo a matéria restabelecida mediante a edição da MP n° 1459. de 21 de maio de 1996, que. no seu art. T em redação quase idêntica à do texto revogado (§ 2° do art. 12 da Lei n° 8.023. de 1990), preceitua que 'os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 22 21 explore atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição'. A redação do art. 7ª mantevese inalterada nas sucessivas reedições da MP n° 1.459, de 1996, e. atualmente, vigora sem modificação no art. 6o da MP n° 2.159 70, de 24 de agosto de 2001. Diante da edição reiterada do dispositivo com a redação inalterada, podese concluir que o legislador manteve a intenção de só permitir que sejam realizados integralmente no próprio ano de aquisição os bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica que explore atividade rural sujeitos à depreciação no sentido estrito. Em nenhuma reedição, a norma incluiu cláusula abrangendo a realização integral dos ativos sujeitos à exaustão ou à amortização. E se não o fez, foi por inadequação da realização integral do ativo sujeito à exaustão ou à amortização. Isso porque, relativamente à exaustão que corresponde à perda do valor decorrente da exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, não seria coerente exaurir integralmente um ativo passível de exaustão no próprio ano de aquisição, visto que a parcela de exaustão é custo direto de produção de determinado bem, sendo a ele intrinsecamente vinculada, não possuindo limitação de prazo, em termos de legislação tributária, para fins da dedutibilidade de suas quotas dependendo do período projetado de exploração do recurso a ser exaurido. Disso deflui que os valores de exaustão a serem deduzidos no primeiro ano da aquisição do direito poderiam eventualmente ser valores excessivos e. na prática, impossíveis de serem deduzidos de um resultado tributável referente a apenas um ano de operações. Concluise. portanto, que somente poderá ser deduzido no mesmo ano da aquisição o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 305 do RIR, de 1999. A dedução integral não se estende aos ativos sujeitos à amortização e exaustão, tendo em vista que a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas contempla normas específicas para a amortização dos direitos de exploração de florestas (RIR, de 1999, art. 328) e para a exaustão dos recursos florestais (RIR, de 1999. art. 334). Assentada essa premissa fundamental, passase a perquirir sua relação com a cultura da canadeaçúcar, a ver se esta estaria sujeita à depreciação ou à exaustão. Para tanto, importa transcrever trechos da obra '"Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária. IRPJ", de José Carlos Marion, 4a edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs. 39, 41, 64, 65 e 71, tal qual o fez a Disit da 4a Região Fiscal quando da emissão das Decisões SRRF04/Disit n° 13 e n° 14, de 8 de setembro de 1998: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção. Normalmente, atribuise às culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais cie um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar ... cafeicultura etc. (pág. 39; grifouse). No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado jnota da Disit: conforme Parecer Normativo CST n° 108, de 28 de dezembro de 1978, item 8.1.a]. Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mão deobra. encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc. ... Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 23 22 para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como um Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de 'colheita em andamento', sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ...), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura, (op. cit., pág. 41; destacamos). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias em propriedades de terceiros etc". Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no caso específico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, às florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.) (pág. 64, op. cit.: grifos nossos). Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria árvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão, (pág. 65, op. cit.; grifamos). Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 24 23 Transcrevendo o item 5 do aludido Parecer Normativo, continua o autor na pág. 71: "não é difícil concluir que o custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas voltam a produzir novos troncos ou ramos e permitem um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada que engloba os diversos cortes. Obviamente, as empresas que estiverem nas situações desse tipo devem apresentar laudos de profissionais qualificados (engenheiros florestais, agrônomos), que possam seguramente servir de base aos cálculos mencionados.". Nas Normas Brasileiras de Contabilidade, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, item 10.14.5.6, declarase (in www.cfc.org.br; grifamos): 10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao início da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc, deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita. O Parecer Normativo CST n° 18, de 09 de abril de 1979, publicado no Diário Oficial da União n° 72, do dia 17 subseqüente, corrobora, em seu subitem 2, com clareza meridiana, toda a doutrina aqui ventilada. Também o Conselho de Contribuintes tem jurisprudência assentada no entendimento aqui firmado: Formação de lavoura canavieira A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem (sic) a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. (Ac. 3" Câmara do Io CC 10318.812/97 DOU de 20/10/1997). Dessa forma, tendo em vista que a contribuinte realiza o cultivo de lavoura canavieira sujeita à exaustão e não à depreciação, não se altera o presente lançamento na parte relativa à glosa da exclusão do custo da lavoura canavieira. Financiamentos Securitizados Quanto à glosa da exclusão do lucro real efetuada a título de "financiamentos securitizados", a contribuinte alega que são despesas relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos Pesa, criado pela Lei n° 9.138, de 1995, e que são necessárias à atividade da empresa, nos termos do art. 299 do RIR, de 1999, sendo permitido a sua dedução do lucro real, conforme arts. 249 e 250 do citado Regulamento. A DRJ negou provimento por dois motivos. Primeiro, por falta de previsão legal para sua dedução e, segundo por falta de provas: Analisando os documentos apresentados pela contribuinte, não se vislumbra o enquadramento do valor excluído em nenhuma das hipóteses acima citadas. Além disso, a contribuinte não comprova que o valor excluído na apuração do lucro real é relativo a juros pagos ou incorridos no período. Fica no campo das Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 25 24 alegações, apenas afirmando que é correspondente à diferença entre o valor a maior da atualização da sua dívida e o valor decorrente da atualização dos títulos do Tesouro Nacional adquiridos, sem anexar ao processo qualquer documento fornecido pelos bancos credores que comprovasse as suas alegações. O PESA é um programa cujo agente financeiro é o BB, permitindo ao agricultor trocar Títulos da União parte da dívida agrícola que tem com o banco referente a antigos financiamentos. Tais títulos tem prazo de resgate de até 20 anos, corrigidos por índices oficiais e juros. O agricultor pode usar esses títulos para quitar suas dívidas junto ao BB, que os carrega até o vencimento recebendo os juros. Assim justificou a Recorrente essa exclusão: Com base na Resolução n° 2471/98 do Banco Central do Brasil e outros diplomas legais vigentes, a Sociedade securitizou em 1998, 1999 e 2000 a dívida assegurada junto às instituições financeiras, através de aquisição, no mercado secundário, de Certificados do Tesouro Nacional CTN, como garantia de moeda de pagamento do valor do principal da dívida. Os financiamentos securitizados estarão automaticamente quitados nos seus vencimentos mediante o resgate dos Certificados do Tesouro Nacional, que se encontram custodiados pelas instituições financeiras credoras. Referidos certificados não são comercializáveis e destinamse exclusivamente à liquidação desta dívida. O desembolso da sociedade durante os 20 anos de vigência desta securitização limitase ao pagamento anual de montantes equivalentes à aplicação de percentuais variáveis entre 3,9% e 4,96% ao ano sobre o valor securitizado, atualizado monetariamente pelo IGPM, limitado a 9,5% ao ano até a data do pagamento anual. Esta obrigação foi registrada nas demonstrações financeiras de acordo com o valor destes desembolsos futuros. Em seu recurso, complementa: Em 26 de fevereiro de 1998, o Banco Central editou a Resolução n° 2.471, que possibilitou a diversas empresas do setor agrícola brasileiro renegociar suas dívidas decorrentes de operações de crédito rural com as instituições financeiras credoras, condicionando esta renegociação à securítização da dívida por meio de aquisição, por parte das empresas devedoras, de CTNs, que deveriam ser entregues às instituições financeiras credoras em garantia de pagamento do valor do principal das dívidas. A renegociação das dívidas envolveu, basicamente: (i) a formatação de prazo de vinte anos para reembolso do principal das dívidas; (ii) a denominação do IGPM como indexador do principal da dívida; (iii) a determinação dos encargos da dívida, a partir da renegociação, em juros de 8% a 10% ao ano, conforme o valor do débito apurado, para pagamento anual; (iv) a constituição de garantia ao pagamento do principal através da cessão dos CTNs; e (v) a determinação da forma de pagamento do principal, em uma única parcela, mediante resgate dos títulos oferecidos em garantia. Esta renegociação recebeu o nome de PESA Programa Especial de Saneamento de Ativos. Na adesão ao PESA, a subscrição dos CTNs, emitidos com valor nominal idêntico ao montante das dívidas renegociadas, foi realizada considerandose a taxa de desconto de 12% ao ano em relação ao prazo de vinte anos. Desta forma, os títulos foram adquiridos efetivamente por 10,3667% de seu valor de face, que também é corrigido pela variação do IGPM. Posteriormente, em 31 de julho de 2003, o Banco Central editou a Resolução n° 3.114, que autorizou a aplicação de um bônus de 5 pontos percentuais sobre as taxas de juros das operações renegociadas no âmbito do PESA, o que reduziu efetivamente os juros a serem pagos anualmente para taxas de 3 a 5% ao ano, conforme o valor das dívidas. Aderimos ao PESA entre 1998 e 2000, com o objetivo de quitar nossas dívidas entre 2018 e 2020. Pelo fato de os CTNs terem o mesmo valor nominal que o saldo Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 26 25 devedor da dívida renegociada até o prazo final, não será necessário contrairmos outras dívidas para amortizar a dívida do PESA. Conseqüentemente, no prazo de 20 anos, o nosso fluxo de saída de caixa anual estará limitado entre 3,0% e 4,96% sobre o valor da dívida refinanciada, ajustado pelo IGPM. O valor das obrigações em aberto nos termos do PESA [...] reflete o montante da saída do fluxo de caixa futura, ou seja, o fluxo futuro de juros nominal que deveria ser pago na data zero de referência. Nesse sentido, resta evidente que a Recorrente possuía uma dívida necessária ao desempenho de suas atividades. Para comprovar o valor da despesa necessária que foi excluída na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, segue adiante a atualização das dívidas, bem como dos CTNs no ano de 2005 Segundo a fiscalização: O montante excluído na apuração do Lucro Real do Exercício decorre da divergência entre o resultado contábil apurado com base no conceito de "essência" da securitização versus o resultado fiscal apurado com base nos índices de atualização determinados nos respectivos contratos de financiamento decorrentes de créditos rurais". 17 Controle de Adição / Exclusão PESA do período de 2004 e 2005. Considerando os documentos apresentados, intimamos a fiscalizada, por meio do termo de intimação fiscal n° SC 599/20091 a explicar, sinteticamente, cada lançamento correspondente aos Financiamentos Securitizados que redundaram na exclusão do valor de R$ 1.736.199,47 da apuração do Lucro Real, no cálculo do IRPJ no anocalendário de 2005. Foi solicitada, ainda, a apresentar a base legal utilizada para a exclusão do Lucro Real do Cálculo do IRPJ no anocalendário de 2005. Em resposta à intimação foram apresentados: 1 Demonstrativo de saldos das contas contábeis utilizadas na apuração dos valores excluídos na carga tributária Financiamento Securitizados e 2 Controle de Adição / Exclusão PESA, este último já apresentado anteriormente. No controle de Adição/Exclusão PESA, é possível constatar que o valor proveniente das adições foi calculado levando em consideração o saldo atualizado da dívida conforme contrato, o valor da Cédula do Tesouro Nacional, bem como o valor da "essência". Não é possível constatar, no entanto, os motivos da exclusão efetuada pela fiscalizada, mês a mês. Nesta oportunidade, não houve apresentação da base legal utilizada pela fiscalizada para efetuar as exclusões, nem os lançamentos correspondentes aos Financiamentos Securitizados, conforme solicitado no termo de intimação fiscal. Posteriormente, foi apresentado demonstrativo de saldos das contas contábeis utilizadas na apuração dos valores excluídos na carga tributária Financiamentos Securitizados onde se explicita detalhadamente a que se refere cada conta utilizada' para apuração da exclusão. (... ) Embora tenham sido apresentados os contratos de renegociação das dividas agrícolas, bem como o modo como foram calculadas as exclusões mês a mês, não restou claro o motivo, tampouco a base legal, pelo qual os valores foram excluídos Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 27 26 do lucro real, sendo que esta fiscalização decidiu pela glosa de tais valores excluídos da apuração do Lucro Real no anocalendário de 2005. A Recorrente, por sua vez, assevera que a base legal seria o art. 299 e 374, ambos do RIR/99, pois tratarseia de despesas financeiras de" juros pagos em decorrência de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, com o objetivo de incrementar as atividades contempladas no objeto social da Recorrente". . No intuito de comprovar a despesa financeira, trouxe em seu recurso tabela com a atualização das dívidas, dos CTNs no ano de 2005 e o valor a ser excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL: SÃO MARTINHO S/A MOVIMENTAÇÃO FINANCIAMENTOS SECURITIZADOS E CERTIFICADOS DO TESOURO NACIONAL 2004 2005 Banco Contrato Saldo atualizado considerando pagamentos de anos anteriores Pagtos Encargos Saldo .Brasil 1600759 2.841.822 782.301) .184.422 3.243.944 radesco 880000 .746.777 81.686) 15.287 .780.378 radesco 700032 5.971.165 601.916) 97.212 6.166.461 radesco 700033 .884.394 126.433) 73.944 .931.905 radesco 304 1 .073.821 218.281) 92.456 .147.997 radesco 101 7 0.082.995 376.428) 99.550 0.206.117 radesco 9.05.002 0.700.324 401.132) 31.790 0.830.982 radesco 87.313 3 .890.210 92.635) 27.944 .925.518 tau 19 00012800 8 .755.703 125.202) 71.097 .801.599 tau 19 00012600 2 .906.267 211.024) 83.187 .978.430 Total Financiamento (1) 94.853.480 (3.017.037) 4.176.888 96.013.332 .Brasil TN2020BR 5.670.506) 758.270) 6.428.776) radesco TN2018 4.749.179) 635.069) 5.384.248) radesco TN2020 5.092.794) 681.100) 5.773.894) tau TN2019 1.844.336) 246.628) 2.090.964) Total CTN (2) (17.356.815) (2.321.066) (19.677.882) Despesa necessária líquida (12) = 3 77.496.665 (3.017.037) 1.855.822 76.335.450 Ajuste Valor Presente do fluxo de caixa (4) (116.622) Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 28 27 Total excluído no Lucro Real e Base de cálculo da CSL (3+4) 1.739.200 Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a dúvidas quanto à natureza da glosa, propôsse baixar o feito em diligência: Para que a fiscalização investigasse melhor e esclarecese a seguinte assertiva: "divergência entre o resultado contábil apurado com base no conceito de 'essência' da securitização versus o resultado fiscal apurado com base nos índices de atualização determinados nos respectivos contratos de financiamento decorrentes de créditos rurais" Intimasse o contribuinte a demonstrar detalhadamente como se daria a contabilização dessa equalização de forma a melhor entender a operação. Verificasse a adição alegada em ano anterior que segundo a Recorrente, relacionarseia a essa exclusão. Calculasse qual seria o valor da depreciação/exaustão normal no próprio anocalendário de 2005, sem considerar a depreciação acelerada. Verificasse por amostragem se os valores da Tabela acima são verossímeis e condizentes com os contratos e a contabilidade, solicitando ao Contribuinte, se for o caso, que detalhasse e explicasse melhor de forma individuaal e analítica a formação da referida Tabela. Para efeito de aplicação da decadência, verificasse se houve ou não pagamentos dos tributos dentro dos fatos geradores, conforme afirmado pela Recorrente em seu Recurso. A fiscalização intimou o contribuinte a esclarecer detalhadamente tudo quanto foi requisitado na diligência e a Recorrente o fez na forma solicitada. O Relatório Fiscal é bastante extenso e detalhado, de forma que aqui será transcrito apenas os pontos mais relevantes. No que diz respeito aos Esclarecimentos Preliminares sobre os Financiamentos Securitizados assim foi relatado pelo fiscal os esclarecimento do contribuinte: (... ) A diligenciada, tal como diversas empresas agrícolas, principalmente na década de 80, possuía dívidas rurais representadas por Cédulas Rurais Pignoratícias junto a instituições financeiras originárias, que oneravam seu fluxo de caixa operacional. Que, nesse contexto, o governo federal, com o objetivo de alongar as dívidas rurais com condições especiais, decidiu por securitizálas por meio da instituição do Programa Especial de Saneamento de Ativos PESA através da Resolução BACEN n°2.471/98 do Banco Central do Brasil (anexou resolução citada, fls. 1494 a 1499). Que tal Programa, conforme prevê o §2° do artigo 1o da Resolução BACEN 2471/98, determinou que a renegociação das dívidas está condicionada à aquisição, pelos devedores, por intermédio de instituição financeira credora, de Títulos ou Certificados do Tesouro Nacional (CTNs), tipificado no anexo da Resolução, cujo Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 29 28 valor de face era equivalente ao da dívida renegociada e, além disso, com uma remuneração à taxa de desconto de 12% aa, acrescida de IGPM, com um prazo para reembolso de 20 anos. (grifei). Por sua vez, sobre as dívidas securitizadas são acrescidos os seguintes encargos financeiros: variação do IGPM, acrescido da taxa efetiva de juros, com vencimento em 20 anos, coincidindo com o resgate dos CTNs (Ao final do prazo de 20 anos, o valor do Certificado tornarseá equivalente ao valor atualizado da dívida rural), (grifei) Por conseguinte, durante os 20 anos de vigência da securitização, o único desembolso da diligenciada (recorrente) será o pagamento anual dos juros calculados sobre as dívidas securitizadas. (grifei) Complementa, ainda, explicando que a atualização dos Certificados do Tesouro Nacional à taxa de 12% aa, acrescida do IGPM, somada ao valor de face dos títulos adquiridos, ao final do prazo de 20 anos, equivalerá ao montante principal da dívida rural securitizada. Ou seja, ao final de 20 anos a diligenciada terá desembolsado apenas os juros da dívida securitizada, uma vez que o valor principal será quitado mediante o resgate dos Certificados do Tesouro Nacional. No que diz respeito ao Tratamento Contábil dos financiamentos securitizados, ainda respondendo à questão 1 da intimação: Segundo a diligenciada, a doutrina contábil defende a posição de que a contabilidade, nos casos em que haja conflito entre a forma e a essência, deve atentar à representação dos fatos econômicos, sempre se preocupando com a sua substância, a sua essência, ou seja, com a sua verdadeira natureza, mais do que com a forma jurídica de que se reveste, (grifei). Que isso não significa que a Contabilidade deve esquecerse das formas jurídicas. Contudo, quando as formas jurídicas estiverem dissimulando a realidade econômica dos fatos ou puderem provocar distorções nas informações ao usuário das demonstrações contábeis quanto à verdadeira posição patrimonial e de resultado de uma entidade, será preciso dar prioridade à realidade econômica. Que o conceito da contabilização dos fatos econômicos pela essência da operação foi ratificado com o advento da Lei n° 11.638/2007. Segundo a referida lei, os pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis passaram a trazer em seu bojo o principio da essência versus forma justamente para dar mais transparência às demonstrações contábeis, pois, deste modo, são capazes de divulgar a efetiva realidade econômica das entidades. Que até novembro de 2002, o PESA era contabilizado pela diligenciada de acordo com a forma. A contabilidade tinha o registro do passivo com as dívidas securitizadas e outro passivo (conta redutora) com os Certificados do Tesouro Nacional atualizados, resultando um efeito líquido da operação naquela data. Que a operação denotava as seguintes características: a)Os Certificados do Tesouro Nacional possuíam índices de atualização superior ao das dívidas securitizadas; b) Os Certificados do Tesouro Nacional são inalienáveis; c) A diligenciada continuaria pagando os juros das dívidas securitizadas; e d) Ao final do prazo de 20 anos, os Certificados do Tesouro Nacional atualizados quitariam as dívidas securitizadas. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 30 29 Que em razão disso, a diligenciada, ao analisar a operação em sua essência, verificou que, no momento em que securitizou as dívidas por meio da aquisição dos Certificados do Tesouro Nacional, não mais possuía as dívidas securitizadas nem os certificados adquiridos, mas apenas a obrigação de pagamento (desembolso) dos juros das dívidas securitizadas. E, sendo assim, em dezembro de 2002, a diligenciada decidiu refletir na contabilidade a essência da operação para demonstrar a verdadeira obrigação futura em seu passivo, que é o montante de juros futuros das dívidas. Demonstra esta situação, alegando que as demonstrações contábeis da diligenciada passaram a demonstrar no passivo somente os juros futuros que seriam efetivamente desembolsados, trazendoos a valor presente por uma taxa de desconto utilizada pelo mercado naquele momento, (grifei). Em dezembro de 2002, a diligenciada tinha os seguintes saldos: Dívida securitizada atualizada R$ 77.691.851,12 Certificados do Tesouro Nacional adquiridos atualizados R$ 26.479.833,72 Total de juros a serem desembolsados ﴾Essência﴿ R$ 45.632.985,18 Para demonstrar contabilmente somente o montante de juros futuros, foram realizados lançamentos contábeis resultando na seguinte movimentação: A fim de fazer o ajuste com o objetivo de equalizar a mudança de critério contábil da forma para a essência e demonstrar os efetivos juros futuros a serem desembolsados a diligenciada debitou R$ 5.579.032,22 no passivo e creditou o referido valor na conta de resultado. A referida mudança de critério contábil de registro do PESA com efeitos no resuÍfa'doJ contábil necessitava ser refletida na apuração do IRPJ e da CSLL. Em razão disso, para preservar e manter os mesmos efeitos fiscais que ocorreram se continuasse a contabilizar a dívida e os CTNs, a diligenciada também precisou ajustar os efeitos contábeis da apuração do IRPJ e da CSLL Desta forma, conforme apuração do Lucro Real no período de 2002, fls.1568 a 1574, foi feita uma exclusão da receita decorrente dos ajustes mencionados acima Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 31 30 no valor de R$ 5.579.032,00, uma vez que a contabilidade se pautou pela essência da operação e, assim, era preciso neutralizar os respectivos efeitos fiscais. Por sua vez, houve o registro desta operação na parte B do Lalur, fl. 1573, a fim de que houvesse controle fiscal destas operações. Que, devido a estes ajustes contábeis, a partir de 01/01/2003, passouse a considerar na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL os resultados do PESA com base no registro da operação pela essência. Assim, do ponto de vista contábil, mensalmente o saldo do passivo representado pelos juros a pagar (essência) é atualizado observando as taxas contratuais. E, por sua vez, do ponto de vista fiscal, o valor da dívida e os CTNs são atualizados mensalmente pelos encargos contratuais. O que se percebe das explicações acima e do que se transcreve abaixo a respeito do entendimento do fiscal é que o primeiro ponto que a fiscalização e a autuada entraram em acordo é o fato de que os ajustes em comento devido a essa equalização seria meramente para fins gerenciais e como afetou a contabilidade teria que ser anulado extracontabilmente através de adições ou exclusões no LALUR. Isso quer dizer que a base legal até então perseguida encontra esteio nessa constatação. Eis as palavras do Fiscal a esse respeito: Antes de analisar estas questões, claro está que a retificação da contabilidade para atender à realidade econômica (ajuste à essência em prejuízo da forma jurídica), justificase apenas como necessidade gerencial, para atender interesses de acionistas e demais usuários das demonstrações financeiras. Para a Receita Federal, no entanto, qualquer tipo de ajuste realizado pelo contribuinte neste sentido, no que diz respeito a este ano calendário, deve ser seguido de outro ajuste, de modo que não haja reflexo algum na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social, bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, em virtude da adoção do conceito de essência em detrimento da forma. Quanto a esta questão, a diligenciada está de pleno acordo conforme manifestação acima já mencionada. (destaquei) Passemos agora a se deter sobre o aspecto quantitativo dessa exclusão que foi glosada e verificarmos se esse ajuste de equalização para refletir na contabilidade "a essência sobre a forma" não produziu mesmo nenhum efeito fiscal como assevera a Recorrente. E continua o fiscal: Quanto à expressão "baixados na contabilidade" utilizada pela diligenciada acerca das contas de dívidas do financiamento securitizado e Certificado do Tesouro Nacional, cabe observar que a diligenciada ao utilizar o termo "baixa" na contabilidade equivocouse, uma vez que não houve o desaparecimento de tais contas da contabilidade após a mudança de critério contábil utilizada. Por meio do anexo II, apresentado em resposta ao termo de intimação fiscal (retificado posteriormente, fl.1517 ), é possível verificar que a diligenciada, ao proceder à mudança de critério contábil, ajustando a sua contabilidade pela "essência", repartiu a despesa com financiamento securitizado a que alega ter direito em dois tipos: Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 32 31 1)Contábil: tratase de despesa com financiamento securitizado cujo valor foi contabilizado (reflete a substância das operações); e 2)Fiscal: tratase do ajuste extracontábil utilizado para se chegar ao valor integral da despesa a que a diligenciada alega ter direito. Em números, temos no ano calendário de 2005, os seguintes valores, considerando planilhas retificadas, todos em Reais: Fiscal CONTRATO Contabilidade Dívida (Despesa Financeira) CTN (Receita Financeira) Equalização 1998 Equalização 112.724,21 1.083.726,45 635.068,69 ﴾361.376,60﴿ 1999e2000 365.274,66 3.093.161,76 1.685.997,79 Total 477.998,87 4.176.888,21 2.321.066,48 O fiscal então após rastrear todas as contas contábeis, detectou apenas aquelas que foram responsáveis por alterar a Demonstração de Resultado do Exercício e, conseqüentemente, a apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano calendário de 2005, no que diz respeito aos Financiamentos Securitizados: 425140 Juros sobre Empréstimos e Financiamentos, 425102 Juros Recebidos ou Auferidos e 425131 Juros Pagos ou Incorridos. E fazendo os expurgos de movimentações outras estranhas a essas operações, chegou no seguinte resultado: Desta maneira, constatamos que a diligenciada, ao apurar o Demonstrativo de Resultado de Exercício, deduziu o valor de R$ 477.998,86, durante o ano calendário conforme demonstrativo (anexo II) apresentado a esta fiscalização. Mensalmente teremos os seguintes valores Meses 425131 Juros 425102 Juros 425140 Juros Total Total Pagos/ Recebidos/Auferidos sobre Acumulado Incorridos ﴾saldo credor﴿ Empréstimos e no mês Saldo Financiamentos Devedor e saldo ﴾saldo credor﴿ devedor e ﴾saldo credor﴿ Janeiro 0,00 ﴾173.025,19﴿ 544.740,87 371.715,68 371.715,68 Fevereiro 0,00 150.519,99 451.193,95 300.673,96 672.389,64 Março 0,00 233.868,82 869.183,38 635.314,56 1.307.704,20 Abril ﴾942.267,80﴿ 237.325,00 889.334,63 ﴾290.258,17﴿ 1.017.446,03 Maio ﴾23.993,46﴿ ﴾104.671,66﴿ 122.480,29 ﴾6.184,83﴿ 1.011.261,20 Junho 66.981,47 ﴾67.448,44﴿ ﴾72.595,59﴿ ﴾73.062,56﴿ 938.198,64 Julho 37.397,80 ﴾84.184,81﴿ 1.740,82 45.046,19 893.152,45 Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 33 32 Agosto 135.981,77 ﴾43.840,82﴿ ﴾217.974,73﴿ ﴾125.833,78﴿ 767.318,67 Setembro 106.673,96 ﴾54.473,34﴿ ﴾145.386,25﴿ ﴾93.185,63﴿ 674.133,04 Outubro ﴾252.972,06﴿ ﴾211.231,80﴿ 662.937,45 198.733,59 872.866,63 Novembro ﴾198.206,21﴿ ﴾187.969,52﴿ 540.412,05 154.236,32 1.027.102,95 Dezembro ﴾669.794,92﴿ ﴾137.438,40﴿ 257.129,10 ﴾549.104,22﴿ 477.998,70 Total ﴾1.739.199,42﴿ ﴾1.685.997,79﴿ 3.903.196,10 477.998,70 E finalmente, consegue chegar ao mesmo número que produziu a autuação (R$ 1.739.562,07), ou seja, na diferença que foi excluída indevidamente na apuração do Lucro Real (R$ 1.739.562,07) a título de complemento da despesa não escriturada, resultando, assim, na exclusão objeto do lançamento. Eis essa conclusão nas palavras do fiscal: No que diz respeito aos valores apurados extracontabilmente segundo o que a diligenciada alegou, temos as seguintes informações para o ano calendário de 2005: Que a atualização da dívida foi de: F$$ 4.176.888,21 a título de despesa financeira. Que a atualização da Cédula do Tesouro Nacional foi de: R$ 2.321.066,48 a título de receita financeira, descontado o valor da equalização de R$ 361.376,60. As atualizações das dívidas e das Cédulas do Tesouro Nacional foram calculadas segundo as planilhas apresentadas pela fiscalizada denominadas: 1 )Resumo da atualização financeira das operações PESA Dívidas Securítízadas e dos Certificados do Tesouro Nacional, bem como planilhas individuais para cada Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária efetuada junto aos bancos Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, fls. 1517 a 1538. Por meio da análise das planilhas mencionadas (realizadas por amostragem), constatamos que a diligenciada possui um resultado líquido da operação de R$ 2.217.560,92 (resultante do valor de R$ 4.176.888,21 a título de despesa financeira, menos R$ 2.321.066,48 decorrente da atualização da Cédula do Tesouro Nacional a título de receita financeira, descontado o valor da equalização de R$ 361.376,60). Uma vez que a diligenciada registrou em sua contabilidade o valor de R$ 477.998,70, como já demonstramos anteriormente, a diferença foi excluída na apuração do Lucro Real (R$ 1.739.562,07) a título de complemento da despesa não escriturada, resultando, assim, na exclusão objeto do lançamento. (destaquei) Apesar de o fiscal não ser conclusivo, o que se verifica é que ele não infirmou a demonstração analítica feita pelo contribuinte no sentido de demonstrar que a Recorrente não tenha neutralizado os efeitos contábeis efetuados no seu resultado. Por outras palavras, a diligência não provou que os ajustes efetuados pela contribuinte em sua contabilidade (produziu qualquer efeito fiscal indevido, sem previsão legal. Tratouse apenas de neutralizar extracontabilmente as equalizações feitas pela Recorrente o que retira o fundamento da manutenção do auto de infração. Portanto, DOU provimento a este item. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS NÃO PAGAS Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 34 33 A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Em primeiro lugar, cabe salientar que tal raciocínio só é válido para os anos calendários anteriores a 2007, pois com fundamento no que tiveram tributos devidos. Portanto a Súmula n°105 só aplicase aos anoscalendários anteriores a 2007, eis que precisam se lastrear no art. 44 § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pela LEI N. , em assim que aja imposto devido e não apuração de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF n° 105) Como o caso que se cuida, as condições acima são satisfeitas, ou seja, restou imposto a pagar no ajuste final, caracterizando a chamada "concomitância", bem assim se trata do anocalendário de 2005, ou seja, foi lançada com fundamento na legislação anterior à 2007 que alterou a redação, devese cancelar as respectivas multas isoladas do IRPJ e da CSLL. Portanto, dou provimento ao recurso neste item. Lançamento Reflexo CSLL Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a decisão das exigências lançada por via reflexa. Por todo o exposto, DOU provimento parcial para cancelar as multas isoladas sobre as estimativas não pagas e também dou provimento para manter as exclusões relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do PESA (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 35 34 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado No recente acórdão 1401001.522, de 01 de fevereiro de 2016, enfrentei o tema da depreciação da lavoura canavieira. Lá proferi o seguinte voto: Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, divirjo em relação ao não reconhecimento do incentivo da depreciação incentivada em relação à cultura da canadeaçúcar. De fato, há decisão do CARF desfavorável à pretensão da defesa. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA FORMAÇÃO DE LAVOURA CANAVIEIRA A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202 000.795, de 12/06/2012: ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 36 35 exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Tenho para mim que a posição adotada é a correta. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canade açúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. A questão aqui tratada, contudo, possui outros contornos. No entender do ilustre relator, a própria atividade desempenhada pela autuada não se enquadraria como rural e, portanto, o benefício da depreciação acelerada não poderia ser usufruído sequer em relação às máquinas empregadas na cultura canavieira. Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, no qual promoveu minucioso e acalentado exame da legislação de regência, ouso discordar das suas conclusões. E minha discordância está assentada numa das premissas da acusação que foi adotada, ainda que implicitamente, pelo julgador: a de que a atividade de uma sociedade está vinculada ao fruto da sua produção final. Vale destacar que a autoridade fiscal reconheceu a depreciação acelerada atinente a uma parcela proporcional entre a receita da venda de bens, como melaço e canadeaçúcar, e a receita total da sociedade. Ora, a própria segregação promovida só foi possível, porque as despesas de depreciação acelerada não se referem a todos os equipamentos empregados na atividade de produzir açúcar e álcool, mas apenas àqueles destinados ao trato da cultura canavieira, que se perfaz da plantação à colheita. Nada obstante, o fato de a produção do contribuinte ser integrada ou seja, acoplar numa única pessoa jurídica e num único modo de produção a atividade rural de plantar e colher cana e a atividade fabril de transformar este insumo em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado. Pelas premissas adotadas pela autoridade fiscal, se a produção fosse horizontal, ou seja, repartida entre duas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, de modo a uma empresa produzir a canadeaçúcar e vender para outra que ficaria encarregada de produzir o açúcar e o álcool, não haveria óbices para a primeira reconhecer o benefício. Pior, se duas sociedades equivalentes à autuada vendessem, cada qual, a sua produção de cana para a outra, também não haveria óbices ao reconhecimento da despesa; afinal cada uma estaria a obter receitas da atividade rural. Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 15956.000497/201024 Acórdão n.º 1401001.524 S1C4T1 Fl. 37 36 Aparentanos incoerentes essas situações e a incoerência não está no caráter peculiar de cada uma delas, mas sim da própria regra geral fruto da interpretação promovida. As situações descritas só revelam a incoerência interna do significado normativo proposto. Com a devida vênia à posição oposta, para mim não faz sentido reconhecer o benefício fiscal da depreciação acelerada dos bens do ativo permanente empregados na exploração da atividade rural apenas quando os frutos dessa atividade são transferidos a terceiros, ou seja, alienados. Por todo o exposto, voto para manter a depreciação acelerada incentivada sobre o valor dos bens do ativo permanente usados na cultura na cultura da canadeaçúcar, bem como a depreciação acelerada incentivada sobre o valor dessa própria cultura. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O
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Numero do processo: 18471.001937/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - SÓCIOS - RECURSO INTERPOSTO PELA PESSOA JURÍDICA
Não deve ser conhecido o recurso apresentado pela pessoa jurídica relativamente à atribuição de responsabilidade tributária aos seus sócios. Os recursos devem ser interpostos, dentro dos prazos que se iniciam e fluem de forma independente, por cada um dos sujeitos passivos ou por seus representantes legais, condição que as sociedades não possuem em relação aos seus sócios.
NULIDADE - ERRO - BASE DE CÁLCULO
Os erros de cunho material atinentes à determinação da base de cálculo ensejam a sua correção na parte destinada à análise de mérito. Não dão ensejo, pois, à nulidade da acusação fiscal.
ARBITRAMENTO
O arbitramento é forma definitiva de aferição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não é um lançamento condicional. Uma vez caracterizada hipótese ensejadora do arbitramento, como a não apresentação da escrituração, a autoridade fiscal tem o poder-dever de arbitrar.
SIGILO BANCÁRIO
Acatar as alegações de violação de sigilo bancário implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
Numero da decisão: 1401-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - SÓCIOS - RECURSO INTERPOSTO PELA PESSOA JURÍDICA Não deve ser conhecido o recurso apresentado pela pessoa jurídica relativamente à atribuição de responsabilidade tributária aos seus sócios. Os recursos devem ser interpostos, dentro dos prazos que se iniciam e fluem de forma independente, por cada um dos sujeitos passivos ou por seus representantes legais, condição que as sociedades não possuem em relação aos seus sócios. NULIDADE - ERRO - BASE DE CÁLCULO Os erros de cunho material atinentes à determinação da base de cálculo ensejam a sua correção na parte destinada à análise de mérito. Não dão ensejo, pois, à nulidade da acusação fiscal. ARBITRAMENTO O arbitramento é forma definitiva de aferição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não é um lançamento condicional. Uma vez caracterizada hipótese ensejadora do arbitramento, como a não apresentação da escrituração, a autoridade fiscal tem o poder-dever de arbitrar. SIGILO BANCÁRIO Acatar as alegações de violação de sigilo bancário implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
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Os recursos devem ser interpostos, dentro dos prazos que se iniciam e fluem de forma independente, por cada um dos sujeitos passivos ou por seus representantes legais, condição que as sociedades não possuem em relação aos seus sócios. NULIDADE ERRO BASE DE CÁLCULO Os erros de cunho material atinentes à determinação da base de cálculo ensejam a sua correção na parte destinada à análise de mérito. Não dão ensejo, pois, à nulidade da acusação fiscal. ARBITRAMENTO O arbitramento é forma definitiva de aferição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não é um lançamento condicional. Uma vez caracterizada hipótese ensejadora do arbitramento, como a não apresentação da escrituração, a autoridade fiscal tem o poderdever de arbitrar. SIGILO BANCÁRIO Acatar as alegações de violação de sigilo bancário implicaria declarar inconstitucionais diplomas legais, competência vedada a órgãos administrativos, conforme Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 37 /2 00 7- 04 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório De início, registro que todas as folhas farão referência ao processo digital. Da autuação O presente feito referese a auto de infração de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, mais acréscimos legais de multa, no patamar qualificado de 150%, e juros, relativos aos anos calendário de 2002 e 2003. O lançamento do IRPJ foi pelo regime do lucro arbitrado, uma vez que o contribuinte, intimado a apresentar livros e documentos, deixou de os fornecer à fiscalização. No termo de constatação (fls. 301347), a autoridade fiscal registra que a empresa, cujo inicio de atividades se deu em 19/10/2000, nunca apresentou declaração de imposto de renda. Também não foi localizada, razão que levou a ser declarada inapta. Assim, a intimação foi endereçada aos seus sócios por via postal, que não atenderam. Desse modo, a empresa foi intimada do início da fiscalização, bem como a apresentar livros e documentos relativos à sua movimentação financeira por meio de edital. Relata ainda a autoridade fiscal que, em 10/05/2007, compareceu um procurador de três sócios e que apresentou cópia de um ofício em que teria sido comunicada a paralisação das atividades da empresa, em outubro de 2004. Mais uma vez a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos e, desta vez, a intimação foi assinada pelo referido procurador. Ainda segundo o relato da autoridade fiscal, nas declarações de CPMF, consta, para os anos de 2002 e 2003, elevada movimentação (acima de trinta milhões de reais em cada ano). Ademais, foram tomados depoimentos pelo Escritório de Investigação da 7ª Região Fiscal do Sr. Wender Barbosa Moreira, em que afirma, dentre outros pontos, que nunca foi sócio da empresa fiscalizada, assim como sua mãe (Maria D'ajuda Barboza), mas que teria sido convidado por uma pessoa chamada Marcelo e por outra, cujo nome não se recordava, para ser "laranja". Noutro depoimento, o Sr. Aldair Simões Vitorino declarou que nunca foi Fl. 709DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 18471.001937/200704 Acórdão n.º 1401001.554 S1C4T1 Fl. 709 3 sócio majoritário da fiscalizada, mas reconhece que pode ter assinado documentos para tal fim sem ter conhecimento. Em razão dos referidos depoimentos, a fiscalizada foi intimada por meio do procurador já citado a fim de justificar as declarações. Em atenção à intimação, declarou que o Sr. Wender e a Sra. Maria ingressaram na sociedade a pedido do Sr. Maurício José Pereira da Silva, em virtude de ser sócio de empresa cuja falência havia sido decretada. Com relação ao Sr. Aldair, respondeu "idem a resposta anterior". A empresa foi intimada a apresentar os extratos bancários, assim como foi solicitado aos bancos os referidos documentos. Tanto os bancos como a empresa apresentaram os extratos e, por meio da documentação apresentada pelos bancos, constatouse que as contas eram movimentadas pelos sócios já citados. A empresa foi intimada a comprovar a origem dos valores depositados no período. Em resposta, afirmou se tratarem de transações comerciais. Dessarte, e por não ter apresentado a escrituração, foi arbitrado seu lucro com base no valor desses depósitos. Foi ainda atribuída responsabilidade tributária aos sócios, bem como foi imputada a multa qualificada de 150%. Da impugnação A impugnação foi apresentada pela empresa (fls. 436445), por meio da qual aduz: a) preliminarmente, cerceamento do direito de defesa, pois teve todos os seus livros extraviados e não teve tempo hábil para apresentálos; em razão do que pede 180 dias para recompor a sua escrituração; b) nulidade do auto de infração em razão de que muitos dos valores que serviram de base da autuação se justificam pelos próprios extratos, tais como empréstimos e cheques devolvidos. c) contesta a imputação da responsabilidade aos sócios; d) violação do sigilo bancário; e) a elevada movimentação financeira decorre do fato de seus sócios terem decidido investir em atividade agrícola. Para tal, adquiriram diversas terras a prazo. Nesse ínterim, desistiram da empreitada e venderam as terras, cujos valores transitaram pelas contas bancárias da autuada. Assim, pede prazo para apresentar a documentação que comprova essas movimentações. Da decisão recorrida A decisão recorrida de fls. 643 a 663 manteve parcialmente as exigências nos termos que se seguem. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Inicialmente, consigna que o impugnante não se insurgiu contra a multa qualificada de 150%. No que tange ao pedido de nulidade do auto de infração, aduz que nenhum dos requisitos essenciais para a validade do procedimento foi violado, bem como não assevera que não teria havido qualquer violação do direito de defesa. Com relação à alegação de extravio de livros e documentos, registra que o impugnante não adotou os procedimentos previstos no art. 264 do RIR/99. No entanto, só consta nos autos a comunicação ao Fisco Estadual. Ademais, se o fato foi comunicado em janeiro de 2005, a empresa já teria tido prazo suficiente para recompor a sua escrituração. No tocante à responsabilidade dos sócios, tece minuciosa analise para manter a imputação a cada um deles. Quanto às alegações de violação do sigilo bancário, afirma que o procedimento foi adotado em conformidade com a legislação em vigor (art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 e Decreto nº 3.724/01). A decisão recorrida também não acatou as alegações relativas à origem dos depósitos bancários guardarem relação com a aquisição de terras em razão da ausência de apresentação de provas. Nada obstante, acatou a alegação do contribuinte de parcelas incluídas indevidamente, como devoluções de cheques. Assim, subtraiu valores conforme tabelas que constam do voto condutor da decisão. Do recuso voluntário O autuado apresentou recurso voluntário às fls. 685 a 696, mediante o qual repisa, em sua maioria, argumentos apresentados na impugnação: a) aduz que o fato de não ter publicado o extravio dos documentos em jornal de grande circulação não afasta o fato de comprovado o seu extravio e, assim, reitera o pedido para a concessão de 180 dias para recompor a sua escrituração; b) o auto de infração deve ser anulado uma vez que muitos dos valores adotados na autuação já estavam comprovados pelos próprios extratos bancários; c) reitera as alegações contra a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios; d) questiona a legitimidade da quebra de sigilo bancário, que seria reservada ao Poder Judiciário; e) repete também as alegações de que os depósitos teriam origem em operações com a aquisição e venda de terras e que estaria providenciando a juntada dos documentos "o mais rápido possível". É o relatório. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 18471.001937/200704 Acórdão n.º 1401001.554 S1C4T1 Fl. 710 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminares Responsabilidade tributária dos sócios As impugnações e recursos devem ser oferecidos pelo sujeito passivo acusado ou por seu representante legal. Não há previsão legal no sentido de a empresa representar seus sócio. Também não há nos autos procuração ou qualquer outro documentos que os sócios responsabilizados outorguem poderes à pessoa jurídica autuada. Aliás, até os prazos para a interposição de recursos pela pessoas jurídica e por cada um dos seus sócios são independentes e contamse das datas de intimação de cada um dos sujeitos passivos. Desse modo, não devem ser conhecido o recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica relativamente às questões de atribuição de responsabilidade tributária dos seus sócios. Nulidade Apesar de ter havido erro na inclusão de valores na base de cálculo da autuação, tais erros são de natureza material, passíveis, pois, de serem corrigidos, como, aliás, procedeu a Delegacia de Julgamento em seu julgado. Os erros de cunho material atinentes à determinação da base de cálculo ensejam a sua correção na parte destinada à análise de mérito. Não dão ensejo, pois, à nulidade da acusação fiscal. Está só pode ser declarada nas hipóteses previstas no art. 59 de Decreto nº 70.235/72, abaixo reproduzido: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pedido para recompor a escrituração O pedido para recompor a escrituração possui natureza evidentemente protelatória. Passaramse muitos anos (mais de dez) desde a suposta ocorrência de extravio e o autuado não foi capaz de recompor a sua escrituração. Ademais, ainda que hoje fosse capaz, é jurisprudência pacífica deste Colegiado que o arbitramento é forma definitiva de aferição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não é um lançamento condicional. Uma vez caracterizada hipótese ensejadora do arbitramento, como a não apresentação da escrituração, a autoridade fiscal tem o poderdever de arbitrar. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Comprovação da movimentação Também são claramente protelatórias as alegações de que os depósitos tiveram como origem operações de compra e venda de terras por sócios, uma vez que até hoje passados inúmeros anos desde o início do procedimento fiscal o autuado não juntou um único documento sequer para comprovar o que alega. Sigilo bancário Em relação à alegada violação do sigilo bancário, deixo de tomar conhecimento dos argumentos trazidos pela defesa, uma vez que, para tal, necessária seria a declaração incidental de inconstitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/01 – atividade de controle reservada a outro Poder. Órgãos de julgamento do Executivo não podem usurpar competência privativa estipulada pela Constituição Federal ao Judiciário, o que está inclusive assentado na Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, ainda que não tenha ainda sido publicada, cumpreme destacar recente julgado do Supremo Tribunal Federal (datado de 25/02/2016) que declarou constitucional a medida amparada na previsão legal acima indicada. Multa qualificada Evidentemente, se o valor principal não viesse a prosperar, a multa também pereceria. Isso implica dizer que a exigência da sanção pecuniária está suspensa. Todavia, como consignado pela autoridade julgadora de primeiro grau, o recorrente não impugnou a exigência com qualquer argumento específico. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 18471.001937/200704 Acórdão n.º 1401001.554 S1C4T1 Fl. 711 7 Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 714DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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