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Numero do processo: 18471.000373/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IMUNIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. ISENÇÃO. LEI ORDINÁRIA. DISTINÇÃO. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA DO CTN E DA LEI 9532.
A imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social (decorrente da Constituição Federal e relativa ao impostos) e a isenção tributária das entidades sem fins lucrativos (decorrente da lei e relativa aos impostos e contribuições) poderão ser suspensas, pela Receita Federal do Brasil, caso haja inobservância das condições fixadas em lei para o gozo da isenção ou imunidade, condições estas previstas no artigo 9º, parágrafo 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e parágrafo 2°, salvo a alínea "f" e o parágrafo 3° da Lei 9532/97, correndo ambos os procedimentos de suspensão sob o rito do artigo 32 da Lei 9430/96.
ADIN 1802-3/98. ALCANCE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E SUSPENSÃO DA VIGÊNCIA DO ARTIGO 14 DA LEI 9532. RITO LEGAL PARA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO.
A suspensão da vigência de dispositivos da Lei 9532/97 operada pela ADIN 1802-3 tem eficácia tanto em relação à suspensão da imunidade quanto em relação à suspensão da isenção, em razão da própria redação do artigo 32 e parágrafo 10º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO.
Para o gozo da isenção as instituições filantrópicas estão obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Comprovada a imprestabilidade da escrita contábil, deve ser mantida a suspensão da isenção.
ARBITRAMENTO
Comprovado que a escrituração contábil da empresa possui vícios e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real, cabível é o arbitramento do lucro.
Recurso Voluntário Desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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MATÉRIA CONSTITUCIONAL. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. ISENÇÃO. LEI ORDINÁRIA. DISTINÇÃO. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA DO CTN E DA LEI 9532. A imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social (decorrente da Constituição Federal e relativa ao impostos) e a isenção tributária das entidades sem fins lucrativos (decorrente da lei e relativa aos impostos e contribuições) poderão ser suspensas, pela Receita Federal do Brasil, caso haja inobservância das condições fixadas em lei para o gozo da isenção ou imunidade, condições estas previstas no artigo 9º, parágrafo 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e parágrafo 2°, salvo a alínea "f" e o parágrafo 3° da Lei 9532/97, correndo ambos os procedimentos de suspensão sob o rito do artigo 32 da Lei 9430/96. ADIN 18023/98. ALCANCE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E SUSPENSÃO DA VIGÊNCIA DO ARTIGO 14 DA LEI 9532. RITO LEGAL PARA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO. A suspensão da vigência de dispositivos da Lei 9532/97 operada pela ADIN 18023 tem eficácia tanto em relação à suspensão da imunidade quanto em relação à suspensão da isenção, em razão da própria redação do artigo 32 e parágrafo 10º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Para o gozo da isenção as instituições filantrópicas estão obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Comprovada a imprestabilidade da escrita contábil, deve ser mantida a suspensão da isenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 73 /2 00 8- 65 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 3 2 ARBITRAMENTO Comprovado que a escrituração contábil da empresa possui vícios e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Recurso Voluntário Desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 115/128), cumulado com juros e multa de ofício, relativo ao anocalendário de 2004, lavrado em razão da suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL, na forma do artigo 32 da Lei nº. 9.430/96, formalizada pelo Ato Declaratório Executivo Defis/RJO n° 019/08 e da consequente apuração de valores a pagar. O presente processo tem origem na Representação Fiscal de fls. 01/03, relativa à suspensão da isenção da autuada. Quanto aos fatos, relata a Representação Fiscal que, após a análise dos Livros comercias, Diário e Razão, dos extratos bancários e da folha de pagamentos da autuada, solicitou esclarecimentos, por escrito, e a apresentação de documentação hábil e idônea que comprovasse o lançamento a débito na conta n° 31010409002 Material de Uso e Consumo, no valor de R$1.331.353,57, com histórico "REC DEPÓSITO NESTA DATA", em 01/06/2004. A empresa apresentou por escrito (fl. 14/15) o seguinte esclarecimento: "Com relação ao valor de R$1.331.353,57, em 01/06/2004, não localizamos qualquer documentação comprobatória. A probabilidade é de um erro contábil por parte da antiga contadora. Por analogia, penso que o lançamento a crédito deveria ter sido feito na conta estoque e não na conta Diversos Convênios, embora não há relatórios comprobatórios para afirmar tal declaração. O que provavelmente pode ter ocorrido é que durante o ano de 2004, a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 4 3 contabilidade não registrou as entradas e saídas do estoque, lançando a movimentação deste diretamente em despesas". Assim, uma vez que não foi apresentada nenhuma documentação comprobatória da referida despesa, esta ficou sem comprovação, alterando em conseqüência, o resultado do exercício/2005, anocalendário de 2004, passando de déficit para superávit. Por tais razões, o Fisco concluiu que restou comprovado que no ano calendário de 2004, a contribuinte deixou de observar os requisitos condicionadores do favor fiscal, previstos nos artigos 15 e 12 da Lei n° 9.532/97, pois não conservou, em boa ordem, os documentos que comprovariam a efetivação de suas despesas, deixando de apresentálos; e, uma vez que passou a ter superávit, teria de destinálos, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, dando ensejo à suspensão do benefício. Em virtude de tais fatos, em conformidade com o disposto no § 2°do artigo 32 da Lei n°. 9.430/96, a contribuinte foi notificada para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, as alegações e provas que entendesse necessárias. Transcorrido esse prazo sem qualquer manifestação por parte da contribuinte, foi elaborado o despacho de fls. 21/22, solicitando a formalização da suspensão da isenção de tributos. Em 21/05/2008 foi emitido o Ato Declaratório Executivo Defis/RJO n° 019, suspendendo a isenção da contribuinte (fl. 24), tendo em vista o disposto no artigo 32 da Lei n° 9.430/96, itens "c" e "d" do § 2° do artigo 12 c/c as disposições previstas no artigo 15 da Lei n° 9.532/97 e o Despacho Decisório de fl. 23. Prosseguindo, a contribuinte foi intimada em 05/06/2008 (fl. 81) a apresentar planilha com a composição dos valores das receitas de prestação de serviços, mês a mês, do anocalendário de 2004, além de todas as notas fiscais emitidas. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 83/85), pelo fato de a contribuinte deixar de escriturar, diariamente, em seus livros obrigatórios, a totalidade de notas fiscais de sua emissão e suas despesas, exigência do art. 170 do RIR/99, sua escrituração foi considerada insuficiente para apurar o lucro real, sendo proposto o arbitramento do lucro com base no artigo 530, inciso II, do RIR/99, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos (fl.82). O total da autuação perfaz a importância de R$ 1.223.563,75, conforme demonstrativo de fl. 26 e a base de cálculo utilizada para o arbitramento e apuração dos tributos devidos foi obtida através de informações prestadas pela própria autuada (fls. 98/99). Devidamente cientificada do lançamento e do ADE Defis/RJO n°. 019 (fls. 114, 116 e 123), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 141/155, instruída com os documentos de fls. 156/193, alegando, em resumo, o que segue: é uma entidade imune, possuidora de todos os títulos necessários para gozo da imunidade, obtidos em processos devidamente formalizados; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 5 4 a Receita Federal não pode fazer incidir, mesmo que sob arbitramento fiscal, o IRPJ e a CSLL sobre o resultado positivo de instituições de assistência social, sem fins lucrativos; além de cumprir todos os requisitos para o gozo da imunidade e possuir todos os títulos necessários ao benefício, está amparada por decisão judicial confirmada no TRF da 2ª Região; possui o reconhecimento do seu direito à imunidade do IRPJ em decisão da 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 178/180) proferida em sede de Mandado de Segurança impetrado exatamente contra a Lei n° 9532/97, citada no Relatório Fiscal, que em seu art. 12 e § 1º e 2°, pretendia fazer incidir o IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa ou variável de instituições de assistência social. Acrescenta que essa decisão judicial, confirmada pelo TRF da 2ª Região (181/182), garantiu à contribuinte gozo da imunidade indicada no art. 150, VI, letra “c” da CF; como imunidade é decorrente da limitação constitucional ao poder de tributar, a regulamentação dessa limitação só poderia ser regulada por Lei Complementar. Por essa razão, o art. 12 da Lei nº. 9532/97 foi atacado pela ADI n° 1802/98 DF que fulminou a indicação de incidência pela via de lei ordinária; tem alguns de seus serviços sob a responsabilidade de empresas terceirizadas, sob rígido contrato de prestação de serviços, as quais devem pagar e pagam seus impostos; a autuação não pode prosperar ao amparo do art. 32 da Lei nº. 9430/96, eis que nem a imposição da Lei Ordinária nº. 9532/97 fez incidir, pela determinação do seu art. 12, o IRRF, a ser retido de suas eventuais aplicações financeiras; a entidade, dentro do pleno exercício de defesa, irá buscar e apresentar os documentos necessários à comprovação de seus lançamentos contábeis havidos; as exigências contidas no art. 14 do CTN, que trata da matéria, foram extraídas do DecretoLei n° 179/75. Assim, uma vez que a entidade possui Declaração fornecida pela Secretaria de Estado de Justiça, que comprova o atendimento aos requisitos do DecretoLei nº.179/75, e, conseqüentemente, em face da identidade dos dispositivos, aos requisitos do art. 14 CTN, a entidade faz jus ao gozo da imunidade de impostos; é entidade inscrita no Conselho Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro Certificado de Inscrição expedido em 22/01/08 em grau de recurso pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos/Conselho Estadual de Assistência Social/RJ (fl. 190); havendo decisão judicial que resguarda a imunidade de impostos em vigor, não poderia haver lançamento de IR ou CSLL, haja vista que a autuada possui o reconhecimento formal dos Governos Federal, Estadual e Municipal, como instituição beneficente de assistência social e, declarada de utilidade pública (fls. 191/192); deve ser anulado o ADE Defis/RJO n° 019/08 e os autos de infração de IRPJ e CSLL. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 6 5 A 7ª Turma da DRJ/RJ1 (fl. 201/213), no entanto, julgou improcedente a impugnação apresentada (fl. 834/850), mantendo a suspensão da isenção e o lançamento em sua totalidade, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Para o gozo da isenção as instituições filantrópicas estão obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Comprovada a imprestabilidade da escrita contábil, deve ser mantida a suspensão da isenção. ARBITRAMENTO Comprovado que a escrituração contábil da empresa possui vícios e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 289/294), acompanhado dos documentos de fls. 295/362, repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Da suspensão da isenção tributária Inicialmente, sobre o tema da imunidade e da isenção tributária, cabe tecer alguns esclarecimentos. A imunidade das instituições de educação e de assistência social está prevista no artigo 150, VI, alínea "c" da CF/88, o qual dispõe que, sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 7 6 inclusive suas fundações, das entidade sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Preliminarmente, verificamos que imunidade disposta no artigo 150, VI, alínea "c" da CF/88, com as limitações previstas no seu § 4°, não é absoluta, uma vez que somente abrange impostos (não se aplica a taxas, contribuições sociais ou de melhoria) e está condicionada a determinados requisitos impostos pela própria CF/88, quais sejam: somente abriga o patrimônio, renda ou serviços, e desde que relacionados com as finalidades essenciais da instituição; as instituições não devem ter fins lucrativos; e, devem ser atendidos os requisitos da lei. Neste aspecto, instaurase o debate sobre a questão de ser esta matéria regulada por lei ordinária ou lei complementar. Não obstante, pelo menos quanto aos requisitos estabelecidos em lei complementar, não há dúvidas quanto à necessidade de as instituições de educação e de assistência social cumprilos, os quais encontramse dispostos no artigo 9°, § 1° da Lei n°. 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN, recepcionado como lei complementar pela Carta Constitucional de 1967), qual seja, a atribuição, por lei, às entidades imunes, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caibam reter na fonte, e a dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros, bem como os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I a III do mesmo CTN, quais sejam: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo (Redação dada pela Lei Complementar d. 104, de 10/01/2001); II aplicarem integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Por sua vez, o artigo 12, caput da Lei nº. 9.532/97 dispõe que, para efeito do disposto no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da CF/88, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Para o gozo da imunidade, as instituições de assistência social, tais como a Recorrente, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos, dispostos no artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "h" da Lei nº. 9.532/97: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 8 7 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim Cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos estabelecido em lei específica, relacionados com, o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Como se vê, a manutenção da escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, exigência do artigo 12, § 2°, alínea "c" da Lei n°. 9.532/97, já constava do CTN. E, nesse passo, a exigência do artigo 12, § 2°, alínea "d" da Lei n°. 9.532/97 nada mais é do que decorrência da exigência prevista na alínea “c”. O artigo 12, § 3° da Lei nº. 9.532/97, com a redação dada pela Lei nº. 9.718/98, dispõe que considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. O artigo 13 da Lei n°. 9.532/97 dispõe que sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade e da isenção a que se referem os artigos 12 e 15, relativamente aos anoscalendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Por sua vez, o artigo 14 dispõe que à suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no artigo 32 da Lei nº. 9.430/96. Finalmente, o artigo 15, § 3° da Lei n°. 9.532/97 dispõe que às instituições isentas aplicamse as disposições do artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos artigos 13 e 14 da Lei n°. 9532/97. Nesse contexto, como o artigo 146, inciso II da CF/88 dispõe que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e como a Lei Ordinária n°. 9.532/97 trata, em seus artigos 12 a 14, de requisitos impostos e da suspensão do gozo da imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social sem fins lucrativos, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 9 8 nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "c" da CF/88, o STF, através da ADIN n° . 1.8023, entendeu que, por se tratar de limitação constitucional ao poder de tributar, a demarcação do objeto formal e material da imunidade das referidas instituições é matéria afeita à lei complementar, tendo declarado a inconstitucionalidade formal da alínea “f” do § 2° do artigo 12, o caput do artigo 13 e o artigo 14, bem como a inconstitucionalidade formal e material do § 1 ° do artigo 12 da Lei Ordinária n°. 9.532/97. A Ementa da ADIN n°. 1.8023 esclarece que o que a CF/88 remete à lei ordinária é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade imune. Entretanto, o que diz respeito aos lindes (limites) da imunidade, quando suscetíveis de disciplina infraconstitucional, devem ser reservados à lei complementar. A luz desse critério distintivo, o artigo 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3°, bem como o artigo 13, parágrafo único da Lei nº. 9.532/97 foram considerados como INCÓLUMES à inconstitucionalidade formal argüida. Há, entretanto, um aspecto relevante a ser abordado, que se refere à "suspensão da vigência" dos arts. 12, § 1°, alínea “f” do § 2° e § 3°; caput do art. 13, e art. 14 da Lei 9.532/97 pela ADIN nº. 1.8023 DF. O Acórdão 10321.076 do 1° Conselho de Contribuintes, DOU de 28/11/2002, dispõe que a ADIN nº. 1.8023, que suspendeu liminarmente a vigência de dispositivos da Lei nº. 9.532/97, tem eficácia tãosomente quanto à suspensão da imunidade que trata o artigo 32 da Lei nº 9.430/96, não tendo aplicabilidade ao instituto da isenção de tributos e contribuições federais. Por suas vezes, os relatórios dos votos dos Acórdãos 101 94.657 e 10195.343 do 1° CC, sessões realizadas em 12/08/2004 e 25/01/2006, e o Acórdão 110300.269 da 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção do CARF, DOU de 30/03/2011, dispõem que há quem entenda que o alcance da suspensão da eficácia do artigo 14 da Lei nº. 9.532/97 não se refere à adoção do procedimento nele previsto, mas em aplicar o procedimento nos casos de descumprimento dos requisitos para a imunidade acrescentados pela mesma lei e suspensos pelo STF. Entretanto, como as interpretações acima apresentadas ainda não são pacíficas no âmbito deste Conselho, entendo que a suspensão da vigência de dispositivos da Lei nº. 9.532/97 operada pela ADIN nº. 1.8023 tem eficácia tanto em relação à suspensão da imunidade quanto em relação à suspensão da isenção, e que também não há como flexibilizar a suspensão imposta pelo STF. Considerando isso, apesar de o rito para a suspensão da imunidade tributária previsto no artigo 32 da Lei nº. 9.430/96 se referir única e exclusivamente aos requisitos previstos na CF/88 e no CTN, o § 10º deste mesmo artigo dispõe que os procedimentos ali estabelecidos aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência, qual seja, a própria Lei nº. 9.532/97, ficando, assim, suprida a suspensão da vigência do artigo 14 da Lei n °. 9.532/97 pela ADIN n°. 1.802. Ou seja, o rito do artigo 32 da Lei nº. 9.430/96 é aplicável aos casos de suspensão da imunidade tributária pelo descumprimento dos requisitos previstos na CF/88 e no CTN, conforme determina sua própria redação; e, aplicável aos casos de suspensão da isenção tributária pelo descumprimento dos requisitos da Lei nº. 9532/97, em razão da redação do seu § 10 (e não mais em razão do que dispõe o artigo 14 da Lei nº. 9532/97). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 10 9 Esclareçase que o artigo 32, §§ 1º ao 10° da Lei nº. 9.430/96 não estabelece limitações ao poder de tributar, mas, tãosomente, discorre sobre procedimento de natureza administrativa. Neste caso, não há necessidade de lei complementar para regular a questão, bastando uma lei ordinária, no caso, a própria Lei n°. 9.430/96, uma vez que a essência instrumental das normas, sem direta ligação com o campo tratado na imunidade das entidades, está livre da reserva complementar. Ademais, a inconstitucionalidade do referido artigo não foi argüida na ADIN nº. 1.8023. Finalmente, salientese que a Lei nº. 9.532/97 constituise na lei isentiva de que trata o artigo 176 do CTN relativamente às instituições entidade sem fins lucrativos de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis , e a aplicabilidade de seu artigo 15, c/c o artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° não foi afetada pela ADIN nº. 1.802, estando em pleno vigor. Com efeito, a IMUNIDADE tributária das instituições de educação ou de assistência social (decorrente da CF e relativa ao impostos) e a ISENÇÃO tributária das entidades sem fins lucrativos (decorrente da lei e relativa aos impostos e contribuições) poderão ser suspensas, pela Receita Federal do Brasil, caso haja inobservância das condições fixadas em lei para o gozo da isenção ou imunidade, condições estas previstas nos arts. 9º, § 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3° da lei nº. 9532/97, correndo ambos os procedimentos de suspensão sob o rito do art. 32 da Lei nº. 9.430/96. Dito isso, passo a analisar o presente caso. A expedição do ADE Defis/RJO n° 019/08 suspendeu a isenção tributária do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2004, em decorrência da falta de comprovação, por parte da Recorrente, de despesas escrituradas, hipótese que restou caracterizada pela fiscalização como infração ao disposto no artigo 32 da Lei n° 9.430/96, itens "c" e "d" do § 2° do artigo 12 c/c as disposições previstas no artigo 15 da Lei n°. 9.532/97. Assim, para logo, vale dizer que é descabida a alegação da Recorrente no sentido de que o requisito infringido era imposto por lei ordinária, quando deveria ter sido imposto por lei complementar para ser capaz de afastar a “imunidade” da Recorrente. O ADE trata de suspensão da isenção e por isso remete exclusivamente às leis ordinárias. Se estivesse tratando da suspensão da imunidade tributária, talvez fosse o caso de exigir a remissão à infração de lei complementar, mas não é esse o caso dos autos. Lembrando que, como já foi dito, a manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, requisito do artigo 12, § 2°, alínea "c" da Lei n°. 9.532/97, também consta entre os requisitos do CTN (artigo 14) para fruição da imunidade tributária. Superada essa questão, a Recorrente sustenta, ainda, que possui o reconhecimento do seu direito à imunidade do IRPJ em decisão proferida em sede de Mandado de Segurança (fls. 178/180), pela 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro, confirmada, por decisão unânime do TRF da 2ª Região (181/182). No entanto, como registrou a decisão recorrida, o objeto da ação judicial não se confunde com a matéria em julgamento. O Mandado de Segurança cuidou de afastar a incidência do IRPJ sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, de fundos de investimento, em face da cobrança instituída pelo §1º, do art. 12 da Lei nº. 9.532/97. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 11 10 E, limitandose à análise desse objeto, as decisões proferidas no referido processo apenas cuidaram de consignar que na época a Recorrente fazia jus ao benefício da imunidade tributária, já que era instituição de assistência social. A Recorrente parece olvidarse, contudo, que a fruição do gozo do benefício da imunidade e da isenção tributária depende não só da condição de entidade de assistência social sem fins lucrativos, mas do cumprimento dos “requisitos da lei”. A imunidade tributária conferida pela Constituição Federal às instituições de educação ou de assistência social não é absoluta, pois, conforme redação do próprio dispositivo constitucional (art. 150, VI, alínea "c"), ela está condicionada ao cumprimento dos “requisitos da lei”. E, a lei a que se referiu o legislador constitucional é a Lei nº. 5.172/66 (CTN), naquilo que se refere à demarcação do objeto formal e material da imunidade, e a Lei nº. 9532/97, no que toca aos procedimentos de ordem administrativa. Assim, o que aconteceu no presente caso foi que, em momento posterior ao da discussão do referido Mandado de Segurança, ao fiscalizar o cumprimento dos requisitos necessários para fruição dos benefícios da imunidade e isenção tributária que possuía a Recorrente, a fiscalização deparouse com o descumprimento das condições impostas pelos itens "c" e "d" do § 2° do artigo 12 da Lei nº. 9532/97. Com efeito, para a manutenção da imunidade e/ou da isenção tributária da Recorrente era necessário que ela continuasse, ano a ano, observando as condições previstas nos arts. 9º, § 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3° da Lei nº 9532/97. Uma vez descumpridos os requisitos legais para fruição dos favores fiscais, o Delegado da Receita Federal viuse obrigado a expedir ato declaratório suspensivo dos benefícios. Portanto, descabem os argumentos da Recorrente no sentido de que teria havido a suspensão da isenção e a manutenção da imunidade, haja vista que ambos constituem o mesmo benefício, sendo, tão somente, o primeiro mais amplo (abrangendo impostos e contribuições) e concedido por lei ordinária e a segundo mais restrito (abrangendo apenas impostos) e concedido pela Constituição. Havendo a suspensão da isenção do IRPJ e da CSLL, como aconteceu no presente caso, está claro que também terá ocorrido, por via de conseqüência, a suspensão da imunidade tributária do IRPJ, possibilitando o lançamento para cobrança de valores devidos. In casu, a Recorrente (i) não manteve escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurassem a respectiva exatidão; e (ii) não conservou em boa ordem os documentos que comprovassem a origem de suas despesas, não conseguindo comprovar a despesa da ordem de R$ 1.331.353,57, conforme relatou a Representação Fiscal. Vale ressaltar que, muito embora tenha afirmado em sua peça impugnatória que buscaria os documentos comprobatórios das referidas despesas, a Recorrente, até o momento, não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse o destino dos valores. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.000373/200865 Acórdão n.º 1402001.475 S1C4T2 Fl. 12 11 Os documentos trazidos aos autos pela Recorrente só comprovam que ela atuava na área de assistência social, tendo sido declarada de utilidade pública. Tal condição, contudo, como já foi esclarecido, não a exime de atender aos requisitos da lei, para gozar dos benefícios da imunidade e da isenção. Registrese, por fim, que a empresa também deixou de atender aos Termos de Intimação de fls. 65/71, onde outros lançamentos contábeis foram questionados. Por tudo isso e ausente qualquer vício formal na expedição do ADE Defis/RJO nº. 019/08, deve ser mantida a suspensão da isenção tributária da Recorrente. Dos autos de infração lavrados A Recorrente valese dos mesmos argumentos acima combatidos para contestar os valores da autuação. Não foram contestadas as razões do arbitramento, base de cálculo ou qualquer outra matéria de fato contida nos autos de infração. Assim, diante da suspensão da isenção tributária, devem ser mantidos os valores lançados. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a suspensão da isenção tributária e o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10925.000206/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Alissiano Francisco Miotto - OAB/SC 33.768.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator).
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Alissiano Francisco Miotto OAB/SC 33.768. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 20 6/ 20 08 -2 7 Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.560 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2007, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. As glosas efetuadas podem ser assim resumidas: a) aquisições de bens para revenda b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: b.1) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros. b.2) Aquisição de produtos com alíquotas zero: Citrato de sódio, nisina, lenha e produtos químicos. b.3) Peças em geral: Adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, e etc. b.4) Material de Construção: Cimento, brita, tijolo, areia, arame, tinta acrílica, ferragem, e etc. b.5) Conservação e limpeza: Ácido nítrico, soda líquida, detergente, e etc. b.6) Outros itens: boné, avental, botas, luvas, cadeado, grama, desratização e etc; c) aquisições de serviços não enquadrados como insumos valores excluídos da Linha 03 Serviços utilizados como insumos sem comprovação por parte do contribuinte. d) energia elétrica e) frete na operação de venda – por conta da ausência de comprovação hábil f) depreciação de bens do Ativo Imobilizado g) despesas com lubrificantes e combustíveis h) crédito presumido do art 8º da Lei 10.925/04 A Manifestação de inconformidade foi assim resumida pelo acórdão Recorrido: A contribuinte, inicialmente, alega ilegalidade das glosas procedidas pela Autoridade Fiscal em face da ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade, "termo utilizado pelo § 12, do art. 195 da CF/88". Nesse sentido, argumenta que, como a contribuição para o PIS e a Cofins, a teor das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incidem sobre "o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", seus respectivos créditos também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção das receitas e não somente sobre insumos e bens adquiridos para revenda, sob pena de tornar tais contribuições cumulativas, ainda que em parte, numa "clara infração ao art. 111 do CTN". Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.561 3 2. Reclama, a contribuinte, que do montante informado a título de bens adquiridos para revenda, houve glosas em duplicidade e lista as notas fiscais que foram computadas duas vezes na planilha que apresenta a base de cálculo glosada Anexo I. 3. Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços utilizados como insumos argumentando que os dispositivos legais que tratam da possibilidade de desconto de créditos referemse a insumos em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Bens utilizados como insumos 4. Segue contestando as glosas dos valores referentes a aquisição de embalagens para transporte dizendo que os itens glosados pela fiscalização, aplicados no final do processo de industrialização, consistem de embalagens de apresentação, não podendo ser considerados como embalagens utilizadas apenas para o transporte. Explica que o processo de acondicionamento ao qual o leite e seus produtos derivados são submetidos possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade. A fim de demonstrar o que defende traz fotos das referidas embalagens. Em que pese esta alegação, argumenta ainda: que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte industrializados são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram o custo final do produto, da mesma forma que a matéria prima; que a legislação que trata da contribuição para o PIS e da Cofins não faz distinção entre as "embalagens de apresentação" e as "embalagens para transporte", não cabendo, portanto, à fiscalização desconsiderar as disposições normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte, quando a lei não o fez; que a distinção entre embalagem de apresentação e para transporte, estabelecida no caput do art. 6o Regulamento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, é válida somente "Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto" e não pode ser transposta para o âmbito da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. 5. A interessada contesta a glosa dos valores de aquisição de nisina defendendo que tal produto, enquanto "conservante utilizado em requeijão", é utilizado como insumo na elaboração e ou beneficiamento de laticínios. Segue argumentando que a lenha, que, informa, é utilizada como fonte de combustível para alimentação de caldeiras utilizadas no seu processo industrial, também consiste de insumo para efeito de cálculo de créditos relativos à contribuição para o PIS e da Cofins. E informa que junta em cópia de notas fiscais de aquisição de lenha, por amostragem. Argumenta, ainda, que a Autoridade Fiscal classifica tais produto como tributado à alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal infringido em que se baseia. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.562 4 6. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em geral os quais lista como "(adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, etc)" , sob o argumento de que tais bens não se enquadram no conceito de insumos, inicialmente a contribuinte alega que a Autoridade Fiscal "não aponta com exatidão todos os bens glosados sob este fundamento e sequer quantifica o montante dos créditos glosados, prejudicando o direito de defesa do Contribuinte". A seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua linha de produção", conforme lista em planilha que traz em anexo — Doe. 08. Segue, então, argumentando que referidos materiais destinamse à manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que a possibilidade de desconto de créditos sobre os materiais de manutenção está amparada pelo art. 3o , inciso II da Lei n° 10.833/2003 e pelo art. 8o , § 4o , inciso I, alínea "a" da Instrução Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09. 7. Em relação à glosa de valores relativos às aquisições de produtos de conservação e limpeza — os quais lista como (ácido nítrico, soda líquida, detergente, etc.)" , reclama que "Da mesma forma como descrito no item anterior, não houve a adequada individualização de todos os produtos e do respectivo montante glosado no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal" e diz que apresenta em anexo planilha com relação dos referidos produtos (Doe. 09). Traz um quadro onde lista os produtos e sua destinação, e menciona a Solução de Corfsulta n° 13, de 06 de janeiro de 2010, da DISIT por meio da qual, argumenta, a Secretaria da Receita Federal afirma que a Contribuinte tem direito de incluir na base de cálculo os produtos de limpeza. 8. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros insumos, os quais lista em planilha que consta de sua Manifestação de Inconformidade que, ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, considerando sua descrição/aplicação, consistem de insumos gerando direito a crédito que alega, informa que junta planilha demonstrativa das aquisições dos produtos listados (Doe. 10) e as respectivas notas fiscais. Serviços utilizados como insumos 10. A interessada, inicialmente, informa que dentre os valores glosados há valores que se referem a serviços que são utilizados como insumo. Argumenta, então, que a Autoridade Fiscal agiu de forma arbitrária ao glosar todo o valor informado a esse título, mesmo considerando o fato de a memória de cálculo apresentada estar em desconformidade com o solicitado. A fim de comprovar a existência de valores que geram créditos, junta uma amostra das notas fiscais relacionadas à presente glosa, fls. 412/417. Por fim, pugna pela realização de diligência, caso se entenda que os Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.563 5 documentos acostados não sejam suficientes a comprovar o que pretende. 11. A fim de comprovar a despesa com energia elétrica, referente à junho/2006, traz cópia do documento e relatório denominado "CAEFTARR/CAEFTARR Relatório de faturas arrecadadas", Doe 12, fornecidos pela agência regional da CELESC em Joaçaba. 12. Em relação aos fretes nas operações de venda, alega que, conforme consta do termo fiscal, em atendimento a Intimação SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido pela própria Autoridade, comprovando as aquisições dos serviços de fretes. Conclui, então, que a Autoridade Fiscal, apesar de reconhece a existência das mencionadas notas fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas operações de venda, desconsiderando, inclusive, os valores das notas fiscais que já se encontram anexadas ao presente processo. Defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes na aquisição de insumos, fretes de transferências de matéria prima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria) está assegurado em lei e argumenta que a inclusão de tais valores na linha do Dacon própria para informar fretes na venda tratase de mero equívoco, que não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda, a contribuinte alega que os custos com tais fretes consistem de despesas de venda, pois a operação é realizada com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado. Aduz que a despesa de frete na venda pode ocorrer de forma direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente para o estabelecimento do adquirente, ou de forma indireta, como é o caso, quando os produtos são remetidos do estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que "O envio do produto final para os ponto de venda é uma etepa essencial à sua comercialização, sem o qual não seria possível fornecêlos às mais diversas e longínquas regiões do país". Encargos de Depreciação 12. Em relação à glosa dos encargos de depreciação, inicialmente, a interessada diz que não pretende discutir a glosa dos bens adquiridos anteriormente a 01/05/2004, dos bens usados, dos veículos da administração, da correção monetária do imobilizado e outros bens, por concordar que não são utilizados em sua linha de produção. No entanto, entende indevida a glosa relativa a uma parcela dos bens que, conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da descrição de sua aplicação/destinação constante da planilha (Doe. 13) e das respectivas imagens que anexou ao presente processo (Doe. 14). Defende que, de acordo com o parecer normativo n° 7, de 23 de julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação CST definiu quando uma máquina ou equipamento é utilizado no processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na esfera do imposto de renda e IPI , consideramse utilizados na produção as Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.564 6 máquinas e os equipamentos "empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico". Conclui, então, que como os bens indicados são máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda (e não para fins comerciais ou domésticos), e foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dão direito a crédito, já que preenchem todos os requisitos legais a sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade Fiscal, "sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a singela alegação de que os equipamentos e máquinas apresentadas pela Recorrente nos pedidos administrativos não são utilizados na produção de seus bens destinados à venda". Combustíveis e lubrificantes 13. Contesta a glosa dos valores com aquisição de combustível e lubrificantes, cujos valores de aquisição foram informados como na linha 13 do Dacon, própria para informar "Outras Operações com Direito de Crédito", alegando que dentre os valores glosados constam aquisições de óleo diesel e de gás ultrasystem, que são insumos adquiridos em grandes quantidades (a granel) para consumo no processo de fabricação de laticínios, conforme descrição/aplicação dos produtos que traz em sua Manifestação de Inconformidade. Argumenta que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto dos créditos da Cofins sobre as aquisições de insumos de combustíveis e lubrificantes, e que no caso específico do óleo diesel, utilizado em substituição à energia elétrica adquirida das concessionárias usuais, defende que, mesmo que seja considerado como despesa, deve integrar a base de cálculo dos créditos em face do disposto no art. 3o , inciso III da Lei n° 10.833/2003. Com o objetivo de demonstrar que os gastos com combustíveis e/ou lubrificantes consistem de custos de produção, traz uma amostragem dos lançamentos contábeis dos dispêndios que constam do livro Diário e o Plano de Contas (Doe. 15). Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade e reformado o Despacho Decisório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, afastando, em parte, às glosas efetuadas em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.565 7 A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda, somente dão direito à crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de.embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma "operação de venda", não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.566 8 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada em relação às glosas que restaram mantidas. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende da leitura do relatório acima transcrito, a Recorrente teve seu pedido de ressarcimento parcialmente provido tendo em vista a ocorrência de glosas sobres créditos por ela utilizados em sua apuração. Em relações as glosas mantidas, destaco, neste momento processual, quatro delas, quais sejam: (i) fretes nas operações de venda; (ii) aquisição de serviços (iii) encargos de depreciação e (iv) embalagens de apresentação. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.567 9 As justificativas apresentadas para manutenção destas glosas são basicamente a ausência de comprovação por parte da Recorrente do direito que pleiteia, ou ainda, que os documentos e informações apresentadas seriam insuficientes. Da decisão recorrida pinço os seguintes enxertos: Inicialmente, em relação aos fretes na operação de venda, como do relato acima se vê, as glosas ocorreram, não pela falta de apresentação das notas fiscais de fretes, mas pela impossibilidade de se fazer a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda. A contribuinte não só deixou de individualizar o número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticinios Tirol, referente á\cada frete dito como sendo de operação de venda, como também, quando intimada a apresentar uma amostra de notas de fretes, dentre os conhecimentos de transporte apresentados trouxe vários relacionados a fretes na aquisição de insumos e fretes entre estabelecimentos da empresa. Destarte, para que reste efetivamente comprovada uma despesa com frete na venda, para fins de creditamento, o contribuinte deve ser capaz de demonstrar, de forma clara e individualizada, e comprovar, documentalmente, que os fretes de cujos custos pretende se utilizar de fato estão vinculados a alguma operação de venda de seus produtos, efetivamente realizada. Em assim não tendo agido a contribuinte, deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe de comprovar os créditos pleiteados, conforme visto no item 1.1 deste voto, não havendo, portanto, como reconhecêlos. (...) De início que se diga que não se contesta o direito de crédito decorrente da aquisição de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. (...) Todavia, a interessada, como se viu, não indicou todos os serviços que constam do Anexo III que entende aplicados diretamente a seu processo produtivo, razão pela qual resta prejudicada a análise do crédito pretendido em razão de ser impossível aferir a natureza destes serviços. De outro turno, trazer apenas uma amostragem das notas fiscais dos serviços, cujo montante foi glosado, não é suficiente para comprovar nem a totalidade e nem a natureza dos serviços informados. Em relação à notas juntadas à folhas, pelo que consta do campo próprio para descrição dos serviços, verificase estas não se referem a serviços aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda e, portanto, não podem ser tidos como insumo, a teor do conceito de insumo que já se firmou no item 1.2 deste voto. No mais, digase que se mostra totalmente descabido a intenção da contribuinte de ter o processo baixado em diligência, a fim de que se comprove o crédito aqui em discussão. Isso em razão de nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cabe o ônus, que a legislação lhe atribui, de trazer os Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.568 10 elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Ou seja, em qualquer dos tipos de repetição cabe ao contribuinte/pleiteante a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Neste caso, o equívoco de inserir custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes em linha imprópria do Dacon prejudica totalmente o reconhecimento, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, de eventuais créditos a que tenha direito a esse título, decorrentes dessas aquisições. Como é sabido, deve prevalecer no âmbito do processo administrativo fiscal o princípio da verdade material e tal determinação vem sendo aplicada por este colegiado em decisões reiteradas. Ainda que se trate de pedidos de ressarcimento, que trazem para a contribuinte o dever de prova do direito que se pleiteia, não se pode olvidar que em alguns casos a juntada de todos os documentos pode ser inviável, e é por este motivo que a legislação prevê a possibilidade de realização de diligências e perícias. Importante destacar também em outros processos da mesma Recorrente, julgados, inclusive por esta turma e com relatório do conselheiro José Antonio Francisco, houve a conversão do processo em diligência para apuração inclusive de fatos semelhantes aos tratados no presente processo. Neste contexto, o presente processo deve ser convertido em diligência para que seja oportunizada a Recorrente a prova do direito que busca relacionados a todas as glosas efetuadas, e em especial para que em relação: a) às embalagens de apresentação, junte planilha detalhada relativa as aquisições de embalagens e aponte sua destinação (apresentação ou transporte) com a respectiva demonstração; b) às peças e partes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; c) aos combustíveis e lubrificantes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; d) a aquisição de serviços, demonstrativo relacionando os serviços e sua aplicação nas atividades da Recorrente; e) aos fretes, elabore demonstrativo informando a utilização dos serviços de frete; Em todos os casos acima listados e em relação aos demais eventualmente não apontados, caberá a Recorrente disponibilizar a autoridade preparadora os documentos necessários à comprovação dos direitos pleiteados. Neste contexto, voto por converter por converter o julgamento do presenet recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.000206/200827 Resolução nº 3302000.280 S3C3T2 Fl. 1.569 11 demonstrar as questões tratadas no presente processo. Caberá a Fiscalização lavrar termo de conclusão a respeito dos temas e demonstrativos apresentados na presente diligência, e outros mais que entendam necessários ao bom deslinde do processo, do qual dará ciência à Interessada para se manifestar. Após retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11080.724533/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO.
O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91.
É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, incidente à alíquota de quinze por cento sobre os serviços contidos em nota fiscal/fatura de prestação de serviços emitida em seu nome.
CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 2302-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei n.º 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, incidente à alíquota de quinze por cento sobre os serviços contidos em nota fiscal/fatura de prestação de serviços emitida em seu nome. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 33 /2 01 1- 15 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei n.º 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 927 3 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Data da lavratura dos Autos de Infração: 28/07/2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/07/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.342.8910, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre rubricas remuneratórias pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 52/63. Em resenha sucinta, informa a Autoridade Lançadora haverem sido lavrados em desfavor do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul os seguintes Autos de Infração: 1) AI DEBCAD nº 37.342.8910: referente a contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados através de sistema de premiação, por contrato firmado pela autuada com a empresa Incentive House S.A; incidentes sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais, mediante emissão de Recibo de Pagamento a Autônomo – RPA; pagamento de diárias a diretoria e membros do conselho, pela presença em reuniões e assembleias; pagamentos efetuados a título de Ajuda de Custo; e contribuição previdenciária de quinze por cento (15%) incidente sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, prestado por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. – Unimed Porto Alegre e Uniodonto Porto Alegre – Cooperativa Odontológica Ltda., nas competências 01/2007 a 12/2008; 2) AI DEBCAD nº 37.342.8928: referente a contribuições a cargo de segurados contribuintes individuais, incidentes sobre valores pagos mediante emissão de RPA e pagamento de diárias a diretoria e membros do conselho, pela presença em reuniões e assembleias, nas competências 01/2007 a 12/2008; 3) AI DEBCAD nº 37.342.8936: referente a contribuições para outras entidades e fundos: Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, tendo como base de cálculo a remuneração paga através de sistema de premiação, por contrato firmado pela autuada com a empresa Incentive House S.A, nas competências 01/2007 a 03/2008; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 928 5 4) AI DEBCAD nº 37.338.0836 (Código de Fundamentação Legal 30): por deixar a empresa de emitir folhas de pagamento para a totalidade dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, como previsto no artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/1991; 5) AI DEBCAD nº 37.338.0844 (Código de Fundamentação Legal 59): por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, como previsto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/1991 e no artigo 4º da Lei nº 10.666/2003; e 6) AI DEBCAD nº 37.342.8944 (Código de Fundamentação Legal 68): por declarar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, como previsto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991. Conforme despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário a fl. 898, os Auto de Infração DEBCAD nº 37.338.0836 e DEBCAD nº 37.338.0844 foram objeto de recolhimento, estando extintos os créditos tributários neles consignados. Além disso, os valores lançados mediante os Autos de Infração DEBCAD nº 37.342.8928, DEBCAD nº 37.342.8936 e DEBCAD nº 37.342.8944, foram objeto de parcelamento, controlado pelo processo administrativo nº 11080.727889/201119. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 823/848. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1037.624 – 7ª Turma da DRJ/POA, a fls. 902/907, julgando procedente a autuação em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17/04/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 910. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 912/920, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que os serviços são prestados pelas cooperativas, através de seus trabalhadores cooperados; · Que o Regulamento da Previdência Social estabelece o critério do que seja atividade preponderante para fins de classificação de grau de risco. Entende o Recorrente ter havido violação a dispositivos do CTN, em virtude de o Regulamento da Previdência Social ter veiculado fatos geradores in abstrato de tributos quando o contido no art. 114 do CTN exige lei formal. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Ao fim, requer a anulação do lançamento. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 929 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17/05/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes aos Autos de Infração cujos créditos tributários neles veiculados foram objeto de recolhimento e/ou de parcelamento administrativo por iniciativa espontânea do Sujeito Passivo, as quais serão consideradas como não contestadas e assentidas pelo Autuado. Igualmente não constarão na pauta de debate desta 2ª Turma Ordinária as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA EXIGÊNCIA FISCAL. Alega o Recorrente que os serviços são prestados pelas cooperativas, através de seus trabalhadores cooperados. Sem razão. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Em primeiro lugar, há que se observar que, nos termos dispostos no art. 4º da Lei nº 5.764/71, “as sociedades cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características...”. De outro canto, o art. 3º do citado Diploma Legal dispõe que “celebram contrato de sociedade cooperativa pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro”. Dessai da Lei das Sociedades Cooperativas as marcantes diferenças entre as cooperativas e as sociedades mercantis típicas: a) aquelas são sociedades de pessoas e estas sociedades de capital; b) as cooperativas têm como objetivo essencial a prestação de serviços aos cooperados ao passo que as sociedades mercantis visam o lucro; c) o cooperativado é o próprio dono, havendo uma relação interna não mercantil, diferentemente das sociedades mercantis, nas quais o usuário é estranho ao dono, há uma relação comercial de consumo; d)Nas cooperativas reúnemse um número limitado de cooperativados, já nas sociedades mercantis restringese ao máximo o número de acionistas; e) na cooperativa, o controle é democrático, cabendo um voto para cada cooperado, enquanto nas mercantis a força do voto é ditada pelo número de quotas; f) nas cooperativas, as quotas partes são intransferíveis a não associados, enquanto que nas sociedades mercantis a transferência de ações é livre; g) nas cooperativas, os excedentes são retornados na proporção das operações dos cooperativados, enquanto que nas sociedades mercantis o lucro é vertido aos sócios na proporção de suas quotas parte. Assim, não são as cooperativas de trabalho que prestam serviços a outras pessoas, físicas ou jurídicas, mas, sim, os cooperados, tidos pela lei de custeio da Seguridade Social como segurados contribuintes individuais, que prestam serviços, através da cooperativa, a empresas. Em segundo lugar, a contribuição social previdenciária, a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Cabe observar que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) Fl. 933DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 930 9 §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da República a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (grifos nossos) (...) Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Fl. 934DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (grifos nossos) II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa toada, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada, já sob a nova ordem constitucional, a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, não somente o inciso III, estabelecendo o regramento da exação previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, como, também, o inciso IV, o qual estatuiu a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos mesmos segurados contribuintes individuais, agora quando tais serviços são prestados, à empresa, mediante cooperativas de trabalho. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999) (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, na ordem jurídica inaugurada pela EC nº 20/1998, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a Fl. 935DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 931 11 qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, não demanda mais, para a sua instituição, de Lei Complementar, mas mera lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais é prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabeleceu duas hipóteses distintas: a) Se o serviço for prestado diretamente à empresa pelo segurado contribuinte individual – Subsunção à hipótese descrita no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 , a Contribuição previdenciária a cargo da empresa será à alíquota de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. b) Se o serviço for prestado à empresa pelo segurado contribuinte individual, por intermédio da cooperativa de trabalho – Subsunção à hipótese descrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 , a Contribuição previdenciária a cargo da empresa será à alíquota de quinze por cento incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe forem prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o valor bruto global mensal das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços referentes aos serviços que foram prestados à empresa por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. A exação ora em debate referese à contribuição patronal destinada ao custeio da Seguridade Social, a qual será suportada pela empresa, nos termos da lei, conforme as circunstâncias da contratação de mão de obra: a) Se a contratação for direta de segurados contribuintes individuais: a empresa contratante recolherá 20% sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestarem serviços (art. 22, III da Lei nº 8.212/91); Fl. 936DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 b) Se a contratação for de segurados contribuintes individuais por intermédio de cooperativa de trabalho: a empresa contratante (não a cooperativa) recolherá 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços (art. 22, IV da Lei nº 8.212/91) Conforme já salientado, a cooperativa não se configura como empregadora dos cooperados (segurados contribuintes individuais prestadores de serviços), tampouco se assela como o contribuinte nem mesmo como o responsável tributário da exação em comento. Na hipótese em estudo, segurados contribuintes individuais se reúnem em cooperativa para prestar serviços a terceiros, por intermédio da cooperativa. A contribuição patronal associada a tal prestação de serviços é da empresa contratante, jamais da cooperativa. Os contratos acostados aos autos revelam que Autuado se consubstancia no real contratante dos serviços prestados por cooperados mediante cooperativas de trabalho, em favor dos usuários que a contratante incluir no contrato. De outro canto, mas não menos relevante, registrese que as faturas referentes aos serviços prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho em foco houveramse por estas emitidas diretamente em desfavor SIMERS na qualidade de sacado, circunstância que corrobora a compreensão de ser o Autuado o efetivo Sujeito Passivo da exação ora em exame. 2.2. DO SAT. Pondera o Recorrente que o Acórdão da DRJ não apreciou alguns dispositivos invocados na impugnação. Revelase oportuno salientar ab initio que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 932 13 Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a Fl. 938DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. No caso em exame, verificamos que o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou em seu Acórdão todas as matérias de efetivo relevo para a formação da convicção permeada na decisão proferida. E diga DRJ/POA, in verbis: “Da contribuição para o RAT Em relação à contribuição destinada ao RAT, o artigo 22, inciso II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.732/98, fixou com precisão a sua hipótese de incidência, havendo definido o contribuinte, a base de cálculo e a alíquota correspondente a essa exação previdenciária. Em consequência, exatamente porque tais elementos foram estabelecidos pelo legislador, não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária no tocante à definição, através de decreto regulamentador – no caso, Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 –, do que seja atividade preponderante para fins de classificação do grau de risco.” Mesmo que algumas questões subjacentes não tenham sido ventiladas pela DRJ, estando a sua decisão sobre a questão nuclear do processo devidamente fundamentada no Acórdão proferido, não há que se falar em nulidade por falta de motivação. Alega o Autuado que o Regulamento da Previdência Social estabelece o critério do que seja atividade preponderante para fins de classificação de grau de risco. Entende o Recorrente ter havido violação a dispositivos do CTN, em virtude de o Regulamento da Previdência Social ter veiculado fatos geradores in abstrato de tributos quando o contido no art. 114 do CTN exige lei formal. Tais alegações não merecem a guarida pretendida. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 939DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 933 15 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados Fl. 940DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as Fl. 941DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 934 17 alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Atentese que o Pretório Excelso, em decisão plenária no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91 instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) Fl. 942DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder Executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 935 19 Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (...) Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; Fl. 945DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 936 21 II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU de 12/2/2007) Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. De molde a espancar qualquer dúvida, o §3º do transcrito art. 202 esclarece que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. De outro canto, os §§ 5º e 6º do já citado art. 202 do RPS, estipula ser da responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo Fl. 946DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 hoje à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB revêlo a qualquer tempo. Nesse cenário, verificado erro no auto enquadramento, caberá à RFB adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos. O auto enquadramento será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme estatuído no §3º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. O critério é por demais simples e pueril. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Aditese que a competência para o estabelecimento do grau de risco de acidentes de trabalho foi outorgada pela Lei nº 8.212/91 ao Regulamento da Previdência Social, e não à empresa, ao seu inteiro alvedrio e interesse. A esta foi imputada a responsabilidade pelo auto enquadramento na atividade preponderante, segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil revêlo de ofício, a qualquer tempo. Assim, verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus Auditores Fiscais, tem por dever de ofício a atribuição de adotar as medidas necessárias à sua correção, orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e proceder à notificação dos valores devidos, atividades essas que se concretizam com o vertente lançamento. De outro canto, enfocandose a questão da constitucionalidade aventada pelo Recorrente por um outro prisma, mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Registrese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 937 23 De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Por todo o exposto, há se se concluir pela procedência do lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal, inexistindo arestas a serem reparadas. 2.3. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Fl. 949DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 938 25 Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 951DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 939 27 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.342.8910, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 940 29 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui Fl. 955DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 941 31 multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois assim estarseia promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como demonstrado, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: Fl. 957DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 942 33 a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, tão somente a contar de então, a Fl. 958DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.724533/201115 Acórdão n.º 2302002.854 S2C3T2 Fl. 943 35 É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000245/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, devendo ser reconhecida a relevação parcial da falta, considerando as GFIP´s entregues até a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/1991, na redação anterior ao Decreto n° 6.032/2007, e, quanto às faltas remanescentes, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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GRUPOS GERADORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, devendo ser reconhecida a relevação parcial da falta, considerando as GFIP´s entregues até a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/1991, na redação anterior ao Decreto n° 6.032/2007, e, quanto às faltas remanescentes, para que a multa seja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 02 45 /2 00 7- 29 Fl. 8181DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 8182DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10552.000245/200729 Acórdão n.º 2302002.964 S2C3T2 Fl. 409 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou o lançamento procedente em parte (fls. 311/327). Adotamos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 313/317), que bem resume o quanto consta dos autos: Stemac S.A. Grupos Geradores foi autuada por haver apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs do período de janeiro de 1999 a julho de 2005, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 08/54) refere que a empresa entregou, na rede bancária, as GFIPs de seu estabelecimento matriz, sem que delas constasse (a) o nome dos contribuintes individuais e sua remuneração, no período de janeiro de 1999 a janeiro de 2005; (b) o valor de prólabore pago indiretamente a segurados contribuintes individuais, no período de abril de 1999 a julho de 2005; e (c) os valores pagos como salário indireto a segurados empregados, no período de janeiro de 1999 a julho de 2005. Os dados relativos a cada uma dessas situações vêm identificados nas tabelas de fls. 08/35, 35/45 e 45/54, respectivamente. O lançamento atingiu o montante de R$ 233.482,47 (duzentos e trinta e três mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e quarenta e sete centavos). A empresa impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fls. 84/93. A ciência do AutodeInfração AI ocorreu em 18 de outubro de 2006, e a protocolização da impugnação, em 03 de novembro de 2006. Alega, preliminarmente, que os débitos lançados em relação ao período anterior a 18 de outubro de 2001, mormente de janeiro de 1999 a outubro de 2001, foram fulminados pela decadência, devendo ser excluídos do lançamento. No mérito, refere, inicialmente, em relação ao nome e remuneração dos segurados contribuintes individuais, que, respeitado o prazo prescricional qüinqüenal, estaria procedendo ao recolhimento e retificação das GFIPs naqueles casos em que deveria ter havido tal recolhimento e lançamento da informação nessas guias. Requer, em conseqüência, a relevação da multa aplicada, ou a sua atenuação. Em relação aos valores considerados como prólabore indireto, alega, no tocante a despesas incorridas no exterior — Uruguai Fl. 8183DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 (Punta Del Este, Chui), Estados Unidos (Las Vegas, Miami, Sao Francisco, Monterrey), Europa (Paris, Bélgica, Amsterdan, Noruega) —, que tais viagens foram a trabalho, visando a captação de novos clientes no âmbito internacional, devendo ser descaracterizado o caráter de prólabore indireto. Tratamse de despesas inerentes ao cargo e objetivos comerciais da empresa, incorridas no exterior, as quais enquadramse no conceito de "verba de representação". Em relação às despesas incorridas com vestuário, alimentação, medicamentos, equipamentos, dentre outras, alega que estariam elas ao abrigo do disposto no parágrafo 9°, incisos XII, XVI e XVII, do artigo 214 do Decreto n.° 3.048/99. Afirma, ainda, que as despesas de ordem pessoal lançadas nos cartões de crédito e notas fiscais, relacionadas A aquisição de bens para a residência dos diretores (tapetes, reformas como pintura, cortinas, presentes, mobiliário, etc), foram por eles reembolsadas A empresa, desnaturando, destarte, o caráter de concessão pelo trabalho. Assim também quanto aos salários indiretos pagos a segurados empregados, cujas despesas de ordem pessoal lançadas nos cartões de crédito e notas fiscais foram reembolsadas A empresa, descaracterizando o caráter de concessão pelo trabalho. Já em relação aos valores pagos a titulo de aluguel, não haveria qualquer fundamento legal que caracterizasse a incidência de encargos previdenciários; pelo contrário: a legislação trabalhista não considera salário o valor pago ao empregado, a titulo de aluguel e condomínio subsidiados para o trabalho e não pelo trabalho. Em face do exposto, a empresa requer seja recebida a presente defesa, e julgada procedente, para o fim de excluir a multa correspondente aos salários e prólabore indiretos, bem como determinar a relevação ou atenuação da multa aplicada no presente AI, no tocante As GFIPs retificadas em relação aos segurados contribuintes individuais. Em 26 de março de 2007, o expediente foi encaminhado de oficio em diligência Fiscalização, conforme despacho de fl. 100. A Fiscalização manifestouse, a fl. 141, informando (a) que a autuada apresentou GFIPs impressas, entregues no decorrer da diligência, relativas às competências outubro de 2001 a janeiro de 2005, através das quais pretendia sanar parcialmente a infração decorrente da não declaração, nessas guias, de valores pagos a contribuintes individuais; (b) que, examinado o sistema Plenus (CVALDIV) e Gfip Web, restou constatado que até então — 19 de julho de 2007 — apenas as GFIPs relativas às competências janeiro de 2004 a junho de 2004 e agosto de 2004 a janeiro de 2005 haviam entrado no sistema; e (c) que, assim, foram elaboradas as planilhas de fls. 142/162, demonstrando, por nome de segurado, os valores efetivamente retificados em GFIP, separando o que foi corretamente enviado, e consta do sistema, dos valores ainda não disponíveis para análise naquela data. Fl. 8184DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10552.000245/200729 Acórdão n.º 2302002.964 S2C3T2 Fl. 410 5 Anexou, ainda, Protocolos de Envio de Arquivos Conectividade Social (fls. 102/136). A empresa teve ciência da informação de fls. 141 e das planilhas de fls. 142/162, em 22 de outubro de 2007, conforme termo de fl. 169, havendo se manifestado através do instrumento de fls. 175/177, protocolizado em 20 de novembro de 2007. Alega, inicialmente, ser inaceitável haver a Fiscalização considerado apenas as GFIPs que entraram nos sistemas Plenus (CVALDIV) e Gfip Web, referentes aos períodos janeiro de 2004 a junho de 2004 e agosto de 2004 a janeiro de 2005, quando foram entregues as GFIPs retificadas, em relação ao período de outubro de 2001 a janeiro de 2005. Entende que cabe à Fiscalização, em âmbito administrativo, com base na prova documental produzida, revisar sua decisão, não podendo a empresa ser penalizada pela morosidade dos sistemas adotados pelos órgãos fiscalizatórios. Não obstante, anexa a totalidade das GFIPs retificadas, e requer, uma vez que a correção da falta ocorreu antes do julgamento da autuação, seja esta reformulada, para atenuar a multa aplicada, com fundamento na Instrução Normativa n.° 03, de 14 de julho de 2005, da SRP, artigo 656, parágrafos 2.° e 6.°. 0 presente processo é composto, ainda, pelas cópias de GFIPs das competências outubro de 2001 a abril de 2004, junho de 2004, julho de 2004 e setembro de 2004 a janeiro de 2005, as quais compõem os Anexos I a XXIII. E o relatório. A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 311/327). A recorrente foi intimada da decisão em 26/05/2009 (fls. 342), apresentado Recurso Voluntário em 25/06/2009 (fls. 347/361) e razões adicionais em 03/11/2009 (fls. 383/389), nos quais, em síntese: * Alega a decadência dos valor referentes ao período anterior a 18 de outubro de 2001; * Requer seja reconhecida relevação ou atenuação da multa aplicada; * Requer a aplicação do disposto no art. 32A da Lei n° 8.212/91, acrescido pela Lei n° 11.941/2009, para, sendo mais benéfica, aplicar a retroatividade da lei, com base no art. 106, II, c, do CTN. É o relatório. Fl. 8185DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Alega a recorrente a decadência parcial do lançamento, com base no artigo 173, I, do CTN, sendo que deveriam ser desconsiderados os fatos geradores anteriores a 18 de outubro de 2001. É sabido que se sujeitamse também ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. A recorrente, em curiosa argumentação suscita o artigo 173, I, do CTN, mas requer a desconsideração dos fatos geradores anteriores a 18 de outubro de 2001. Ora, se o lançamento ocorreu em 18/10/2006 e a referida regra dispõe que o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, equivocado o cálculo da recorrente e correta a contagem do acórdão a quo que reconheceu a decadência para as competências de janeiro de 1999 a novembro de 2000. Portanto, nenhuma outra retificação deve ser procedida com base na contagem do prazo decadencial, senão aquela já reconhecida na decisão de primeira instância administrativa. Atenuação. Relevação. A recorrente requer seja reconhecida relevação ou atenuação da multa aplicada. Conforme consta do relatório supra, a impugnação foi ofertada em 03 de novembro de 2006 quando o artigo 291 do Regulamento da Previdência Social previa que a correção da falta poderia ocorrer até decisão da autoridade julgadora competente. Tal pressuposto para a relevação foi alterado com o advento do Decreto n° 6.032/2007, que passou a exigir que a correção da falta ocorresse “até o termo final do prazo para impugnação”. Todavia, a redução do lapso temporal não pode atingir a recorrente que já havia inclusive interposto a impugnação quando da alteração legislativa. Portanto, se a recorrente corrigiu a falta até a decisão a quo, isso deveria ter sido considerado. O decisório atacado consigna que: Fl. 8186DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10552.000245/200729 Acórdão n.º 2302002.964 S2C3T2 Fl. 411 7 a) não foram apresentadas GFIPs das competências dezembro de 2000 a setembro de 2001, maio de 2004, agosto de 2004 e fevereiro de 2005 a julho de 2005: nada há, em conseqüência, a relevar ou atenuar em relação a elas; Neste ponto, nada a se acrescentar, porque não se cogita da correção da falta. Todavia, segue o decisório afirmando que: b) as GFIPs das competências outubro de 2001 a abril de 2004, junho de 2004, julho de 2004, e setembro de 2004 a janeiro de 2005, foram entregues somente entre os dias 08 de junho de 2007 e 04 de julho de 2007, sendo as correções efetuadas através delas de nenhum efeito, para fins de relevação ou atenuação da multa aplicada, porquanto efetuadas quando já em vigor o artigo 291, "caput", e seu parágrafo 1. 0 do RPS, na redação dada pelo Decreto n.° 6.032/2007, que condiciona esses benefícios a correção da falta dentro do prazo de defesa. Como afirmado, entendemos equivocada a conclusão do acórdão a quo, posto que a redução do lapso temporal não pode atingir a recorrente que já havia inclusive interposto a impugnação quando da alteração legislativa. Destarte, merece ser reconhecida a correção das competências outubro de 2001 a abril de 2004, junho de 2004, julho de 2004, e setembro de 2004 a janeiro de 2005. Outro ponto de discordância referese à impossibilidade de correção parcial da falta objeto de autuação. Entendeu a DRJ que a correção parcial da falta somente seria possível no período de 01 de agosto de 2005, data da entrada em vigor da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 3, de 14 de julho de 2005 (DOU de 15 de julho 0 de 2005), e 02 de maio de 2007, quando entrou em vigor a IN MPS/SRP n.° 23, de 30 de abril de 2007 (DOU de 02 de maio de 2007), revogando o parágrafo 6° do artigo 656 da IN MPS/SRP n.° 3/2005. Referido dispositivo autorizava, em relação à GFIP entregue com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais, a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, na hipótese de entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência. Entendemos que mesmo com a revogação do parágrafo 6° do artigo 656 da IN MPS/SRP n° 3/2005, impõese reconhecer a possibilidade de relevação parcial, pois, enquanto vigente, o artigo 291 do RPS/99 não impunha nenhuma restrição à relevação parcial. Ademais, cumpre ressaltar que o reconhecimento da relevação parcial alinhavase com o interesse público na captação do máximo de informações relativas aos fatos geradores e informações dos segurados advindas da GFIP, tanto do ponto de vista do custeio quanto do ponto de vista dos benefícios previdenciários, de sorte que uma interpretação teleológica, finalística ou sistemática não pode levar à restrições desse jaez. Destarte, despeito das GFIP´s retificadoras terem sido entregues no período de 08 de junho de 2007 a 04 de julho de 2007, i.e., posteriormente a 02 de maio de 2007, deve Fl. 8187DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 ser reconhecida a possibilidade de relevação parcial, em razão da ausência de restrição no artigo 291 do RPS/99. Multa. Retroatividade Benigna. A recorrente requer a aplicação do disposto no art. 32A da Lei n° 8.212/91, acrescido pela Lei n° 11.941/2009, para, sendo mais benéfica, aplicar a retroatividade da lei, com base no art. 106, II, c, do CTN. Com razão a recorrente. Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo Fl. 8188DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10552.000245/200729 Acórdão n.º 2302002.964 S2C3T2 Fl. 412 9 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo Fl. 8189DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 8190DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10552.000245/200729 Acórdão n.º 2302002.964 S2C3T2 Fl. 413 11 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser reconhecida a relevação parcial da falta, tomando em conta as GFIP´s entregues até a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos artigo 291 do RPS/99, na redação anterior ao Decreto n° 6.032/2007, e, quanto às faltas remanescentes, ser recalculada a multa, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 8191DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001304/2004-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência, quando há insuficiência recursal, ou seja, a divergência alegada somente se refere a um dos fundamentos do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-001.669
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência, quando há insuficiência recursal, ou seja, a divergência alegada somente se refere a um dos fundamentos do acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
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AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência, quando há insuficiência recursal, ou seja, a divergência alegada somente se refere a um dos fundamentos do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 04 /2 00 4- 83 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. A Recorrente insurgiuse contra o acórdão 10300.265 (fls. 176) proferido pela 1ª Turma, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido foi assim ementado: “PERC. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. Com vistas ao deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo Recurso Voluntário Provido” O voto condutor do acórdão recorrido apresentou dois fundamentos para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais. Primeiramente, apresentou argumento relativo ao momento em que deve ser produzida a prova da irregularidade fiscal do contribuinte: “O que deve ser objeto de avaliação é o motivo que gerou a não emissão do certificado no momento da opção, isto é, a regularidade fiscal na entrega da Declaração de Rendimentos correspondente ao ano calendário de 2001. (...) Dessa forma, penso ser equivocado condicionar o deferimento da solicitação à comprovação de quitação perante a Fazenda Pública no momento do pleito ou qualquer outro instante posterior. Tal exigência deveria ser direcionada à época de entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2001.” O segundo fundamento foi relativo a requisitos formais do ato de indeferimento da opção: “(...) Além disso, essa exigência deve seguir alguns requisitos formais cuja inexistência implicaria em nulidade do procedimento. Tais formalidades devem ser cumpridas não apenas na análise do PERC, mas desde o instante em que o sujeito passivo é cientificado do indeferimento da opção pelo incentivo fiscal que exerceu na Declaração de Rendimentos. Se o indeferimento tem origem na situação fiscal irregular, tal fato deve ser formalmente cientificado ao sujeito passivo em documento que especifique com clareza Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 16327.001304/200483 Acórdão n.º 9101001.669 CSRFT1 Fl. 101 3 a natureza do(s) débito(s) para permitir ao interessado, aí sim através do PERC, o pleno exercício de defesa. Na ausência dessa formalidade a exigência na qual deveria ter se baseado o indeferimento, ainda que correta, tornar seía inexequível.” A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração (fls. 184/187) afirmando que o acórdão proferido teria incorrido em omissão, pois manifestouse pela procedência do pedido sob a argumentação de que a regularidade fiscal deveria ser atestada na data de exercício da opção, mas não atentou que os extratos da situação fiscal trazidos aos autos indicam a existência de débitos vencidos em 1999 e 2000. Concluiu, portanto, que não caberia o deferimento nos moldes decididos pelo acórdão. Os Embargos foram rejeitados, pois os débitos mencionados pela embargante foram obtidos numa pesquisa efetuada em 2006. E, tendo em vista que o pedido foi formalizado em junho de 2002, quando a DIPJ foi entregue, não era possível saber se neste período existiam pendências. Nesse ponto, cumpre transcrever trecho do despacho proferido: “(...) um débito indicado como exigível há alguns meses, pode não estar mais nessa condição no momento atual. Ou vice versa, é claro. Daí porque, para efeitos de PERC, mais importante do que a indicação do(s) débito(s) é a data em que foi feita a pesquisa que o(s) indicou. (...) Caberia à autoridade tributária trazer aos autos a situação da requerente apurada naquele momento, e não no instante que analisou o pedido. (...)” Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional argumentou que ao contrário do que consta no acórdão recorrido, nem o art. 60 da Lei n° 9.069/95, nem a Súmula n° 37 do CARF, exigem que a irregularidade fiscal que configure óbice ao gozo do incentivo fiscal seja aquela indicada no sistema da SRF no momento da opção feita pelo contribuinte. Afirmou que, no caso, o indeferimento atende aos requisitos legais. O extrato de fl. 3 já indicava, por ocasião da opção feita na DIPJ referente ao anocalendário de 2001, a existência de débitos de tributos e contribuições federais, o que veio a se confirmar com a instrução do feito, às fls. 76/77, que indicam a pendência de débitos vencidos desde 1999 e 2000, cujos fatos geradores ocorreram nos respectivos anos. Ressaltou que o contribuinte, em momento algum, conseguiu se desincumbir do ônus da prova acerca da sua regularidade fiscal, não trazendo, desde a impugnação, qualquer prova que atestasse tal situação ou corroborasse as suas alegações. Afirmou a existência de divergência jurisprudencial neste Conselho e trouxe como paradigma o acórdão 9101.00.458, assim ementado: “IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. PERC. MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Os fatos geradores em relação aos quais deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, são aqueles ocorridos até a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, sendo do contribuinte o ônus da comprovação da regularidade, conforme art. 60 da Lei n. 9069/95.” A Recorrida apresentou contrarrazões (fls. 220) por meio da qual afirmou, em síntese, que o fisco não comprovou a existência de débito no momento da apresentação da DIPJ, mas o indeferimento justificouse pelo fato de que quando proferido o despacho decisório a empresa encontravase em situação ativa e não regular. Concluiu que a alegação de que o contribuinte não estava regular no momento da opção pelo PERC deve ser afastada, pois tal situação sequer foi comprovada. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. O acórdão recorrido apresentou dois fundamentos ao dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Em primeiro, tratou do momento em que deve ser produzida a prova da regularidade fiscal do contribuinte, afirmando que se o pedido foi realizado no período de 2002, a certidão relativa às possíveis pendências do contribuinte deveria ser produzida pela autoridade tributária naquele momento. Nesse ponto, esclareceu, em sede de Embargos de Declaração, que: “(...) um débito indicado como exigível há alguns meses, pode não estar mais nessa condição no momento atual. Ou viceversa, é claro. Daí porque, para efeitos de PERC, mais importante do que a indicação do(s) débito(s) é a data em que foi feita a pesquisa que o(s) indicou. (...) Caberia à autoridade tributária trazer aos autos a situação da requerente apurada naquele momento, e não no instante que analisou o pedido. (...)” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 16327.001304/200483 Acórdão n.º 9101001.669 CSRFT1 Fl. 102 5 O segundo fundamento, foi no sentido de que o indeferimento do pedido inicial do benefício deve preencher alguns requisitos formais, tais como apresentação de “documento que especifique com clareza a natureza do débito para permitir ao interessado, aí sim através do PERC, o pleno exercício do direito de defesa. Na ausência dessa formalidade a exigência na qual deveria ter se baseado o indeferimento, ainda que correta, tornase inexequível.” Nessa parte, o voto condutor do acórdão recorrido ultrapassou a análise do PERC e alcançou o pedido inicial do benefício, estabelecendo como requisitos essencial ao seu indeferimento, a especificação pela autoridade fiscal dos débitos que ensejaram a negativa, com a finalidade de permitir, em momento posterior (PERC), a adequada defesa do contribuinte. Em sede de Recurso Especial a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão 910100.458 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão paradigma sustenta entendimento no sentido de que o momento em que o contribuinte deve comprovar a regularidade fiscal é a data da entrega da DIPJ. Ressaltou que a legislação condiciona a quitação de débitos porventura existentes até o período da fruição do benefício, não abrangendo os períodos subsequentes. Nesse ponto cumpre transcrever trecho do voto condutor do acórdão paradigma: “A matéria sob exame referese ao momento da comprovação da regularidade fiscal, requisito para a fruição do incentivo fiscal do FINOR. (...) Com relação ao momento em relação ao qual o contribuinte deve comprovar a regularidade fiscal, entendo que seria a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. (...) Da análise da documentação constante nos autos, observase que a contribuinte não atendeu ao requisito constante na legislação para o reconhecimento do benefício, não tendo apresentado nenhum comprovante de regularidade fiscal perante a PGFN e INSS. (...) Poderia o contribuinte, até a data do despacho decisório, fazer prova de sua regularidade, em relação aos fatos geradores ocorridos até a entrega da DIPJ do ano calendário de 1997, o que não o fez.” Assim, notase que o acórdão apresentado como paradigma caracteriza a divergência de entendimento em relação ao primeiro fundamento do acórdão recorrido, entretanto, em nenhum momento, tratou do segundo fundamento relativo aos requisitos formais do indeferimento do pedido inicial do benefício. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 Desta feita, em que pese a Recorrente ter apresentado acórdão paradigma fundamentando seu recurso, este não versou sobre todos os fundamentos pelos quais se deram as razões de decidir do acórdão ora atacado. Neste mesmo sentido, em situação análoga, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, senão vejamos: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que apenas parte dos fundamentos do acórdão recorrido conflita com os paradigmas apresentados, existindo outro fundamento, suficiente por si só para respaldar o decidido, que não foi atacado pelo recurso especial. Recurso especial não conhecido. “ (Processo 18471.001698/200297. Acórdão 9202002.044) Diante do exposto, não tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial na totalidade dos fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 2/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 15277.000346/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA.
A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado
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Fatos Geradores Recorrente FUNDAÇÃO ENSINO SUPERIOR VALE DO SAPUCAÍ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mêscompetência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 27 7. 00 03 46 /2 00 9- 81 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15277.000346/200981 Acórdão n.º 2302002.300 S2C3T2 Fl. 106 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração de obrigação acessória, lavrado em 21/07/2009, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 17/08/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, os valores pagos a todos segurados empregados nas competências 01/2004 a 06/2004. O relatório fiscal da infração às fls.07, diz que a entidade teve o direito a isenção cancelado através do Ato Cancelatório emitido em 27/09/1995, com efeitos retroativos a 24/03/1993. Não conformada com a autuação, a entidade apresentou impugnação e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls.83/88 . Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso. Em síntese, a recorrente alega que: a) a Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, não pode ser aplicada a fatos passados; b) que a lei só pode retroagir para beneficiar o autuado e não para penalizar um fato que não era apenado; c) que é isenta das contribuições previdenciárias patronais e o código informado em GFIP está correto. Requer a procedência do recurso e a anulação do lançamento. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional pela manutenção da decisão recorrida. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora ad hoc O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 92, devendo ser conhecido. Quanto ao mérito, este auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, referese à falta de informação em GFIP de todas as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à entidade. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Portanto, mostrouse correta a autuação pela omissão ou incorreção nas informações prestadas em GFIP relativas às remunerações dos segurados empregados, o que infringiu ao disposto no art. 32, IV da Lei 8.212/91 na redação dada pela Medida Provisória n.° 449, convertida na Lei 11.941/2009, de 27/05/2009: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) A multa aplicada está fundamentada no artigo 32A, caput e §§2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15277.000346/200981 Acórdão n.º 2302002.300 S2C3T2 Fl. 107 5 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” É totalmente improcedente a arguição da recorrente quanto a inaplicabilidade da Lei n.º 11.941/2009, para os fatos geradores havidos em 2004/2005, pois a lei trouxe alterações na penalidade aplicada para o descumprimento da obrigação acessória já prevista na Lei n.º 8.212/91. Ou seja, não houve a instituição de nova obrigação acessória, apenas a modificação na penalidade aplicada, que se mostrou mais benéfica para o contribuinte e, por isso, com base no artigo 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional, foi acatada quando da lavratura do auto de infração. Quanto a alegada isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a recorrente teve o direito cancelado por meio da emissão do Ato Cancelatório nº 2 de 1995. Assim, qualquer argumento relativo à regularidade da emissão de tal ato deveria ter sido alegada em tais autos. Para a Administração Pública a decisão proferida quanto ao cancelamento da isenção da ora recorrente já se tornou definitiva, não cabendo nova rediscussão. Desse modo, ao contrário do afirmado pela recorrente, a mesma não possui direito adquirido à imunidade, pois o direito foi cancelado pela autarquia previdenciária com decisão já definitiva. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Liege Lacroix Thomasi – Relatora ad hoc Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11080.930859/2011-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 59 /2 01 1- 80 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043. 346, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930859/201180, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19679.002079/2004-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.558
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com a atribuição de efeitos modificativos no sentido de converter o julgamento em diligência.
O Conselheiro Jose Luiz Feistauer de Oliveira votou pelas conclusões.
Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os Embargos de Declaração com efeitos modificativos para dar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com a atribuição de efeitos modificativos no sentido de converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Jose Luiz Feistauer de Oliveira votou pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os Embargos de Declaração com efeitos modificativos para dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .0 02 07 9/ 20 04 -0 9 Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19679.002079/200409 Resolução nº 3801000.558 S3TE01 Fl. 4.645 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração promovidos pela Fazenda Nacional em decorrência do acórdão de fls. 4624 e seguintes. Aponta como fundamento aos embargos o seguinte excerto: Esse Colegiado, por meio do acórdão nº 3801001.621 (fls. 4624/4634), deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 290/292) por considerar ter ocorrido cerceamento do direito de defesa do contribuinte. As razões adotadas pela Turma podem se extraídas do seguinte trecho do voto condutor do acórdão, que ora se transcreve (fls. 4630/4631): Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972, implica em nulidade do despacho (...). A partir do citado excerto do voto, extraise que o Colegiado resolveu cancelar o lançamento com base em dois fundamentos, os quais podem ser assim sintetizados: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para apresentação de documentos dentro do prazo concedido pela autoridade fiscal, não havendo que se falar, pois, em inércia do interessado; 2) a DRF não examinou o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Ocorre que as duas premissas fáticas utilizadas pela Turma para justificar a anulação do despacho decisório e os atos dele decorrentes estão equivocadas. Com efeito, a partir da análise detida dos autos, percebese que: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação fora do prazo concedido pela autoridade fiscal, restando, portanto, inerte; 2) a DRF analisou expressamente o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte. Em relação ao primeiro ponto, cumpre destacar que o interessado teve ciência do termo de intimação fiscal no 04/2010 (fls. 282/283) – o qual fixava o prazo de 10 dias para apresentação de documentos –, em 15/01/2010, conforme comprova o AR de fl. 284. Não obstante, o Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19679.002079/200409 Resolução nº 3801000.558 S3TE01 Fl. 4.646 3 contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 333 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade (fl. 295). Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 27/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia. Nesse contexto, percebese que não há qualquer falha na fundamentação empregada pela autoridade fiscal, eis que de fato o contribuinte quedouse inerte, não havendo que se falar, portanto, em falsidade da premissa utilizada pela DRF, tampouco pela DRJ. Em relação ao segundo ponto, cabe salientar que a autoridade fiscal analisou expressamente a solicitação de prorrogação de prazo apresentada pelo contribuinte, tendolhe sido negado o pedido, conforme se extrai do despacho de fl. 286. Atentese, ainda, que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão que negou o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos, o que se percebe pela assinatura aposta no despacho por sua procuradora1, Sra. Ângela de Souza, a qual teve ciência da negativa da solicitação em 28/01/2010. Percebese, pois, que, diferentemente do que consta no acórdão ora embargado, não houve recusa tácita do pedido de prorrogação do prazo feito pelo contribuinte. Conforme já explanado, a autoridade fiscal analisou de forma expressa o pedido, consoante comprova o despacho de fl. 286. Requer, assim, o provimento dos embargos para que seja afastada a nulidade apontada. É o Relatório. Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19679.002079/200409 Resolução nº 3801000.558 S3TE01 Fl. 4.647 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme consta dos embargos o provimento parcial ao Recurso Voluntário se deu com fundamento de que houve cerceamento de direito à defesa porque o pedido de prorrogação apresentado não foi apreciado. Ocorre que, de fato, compulsando os autos o despacho decisório às fls. 290 apontou que “o contribuinte solicitou então dilação de prazo de 30 (trinta) dias em 28/01/2010 (fls. 285/286), pedido este negado por ter sido feito após o decurso de prazo para atendimento da intimação”. Apesar do meu entendimento de que esse pedido não teve apreciação específica e que a justificativa é meramente protocolar, insuficiente para que cumpra seus misteres e que a negativa somente foi noticiada quando da cientificação da contribuinte do despacho decisório, essa perfunctória negativa é suficiente para derrubar a nulidade apontada e quanto a isso dou efeitos modificativos à referida decisão. Entretanto, tenho que não há como se negar o exame das documentações juntadas posteriormente com a Manifestação de inconformidade. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação da correção do direito em exame. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 291, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 392. Além da verdade material, a aceitação da posterior juntada de documentação adicional, relacionada à matéria discutida em processo administrativo, baseiase no princípio 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19679.002079/200409 Resolução nº 3801000.558 S3TE01 Fl. 4.648 5 da ampla defesa e no permissivo contido no art. 38 da Lei n.º 9.784/1999. Neste sentido é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica do teor do Acórdão n.º 40304382 do Processo 102830054749633, julgado em 16/05/2005, in verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO PRELIMINAR JUNTADA DE DOCUMENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO ADMISSIBILIDADE PREVALÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do processo administrativo fiscal é a constatação da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação tributária. Tendo a Administração ciência de que o ato administrativo de lançamento não seguiu os ditames da legalidade, ainda que através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de ofício, rever o ato. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES ART. 526, II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO. (...) Retificase o acórdão para incluir a análise da matéria preliminar suscitada pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, ratificandose os demais termos da decisão. Embargos acolhidos. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 3. 3 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19679.002079/200409 Resolução nº 3801000.558 S3TE01 Fl. 4.649 6 Nesse sentido, voto por julgar procedente os presentes Embargos de Declaração para alterar o fundamento da decisão, retirando a declaração de nulidade do despacho decisório e determinar a conversão do presente processo em diligência para que o processo retorne para a Delegacia de Origem para que examine os documentos acostados aos autos e se posicione quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União, realizando, ainda, as diligências e os pedidos complementares que entender necessários para correta apuração dos créditos. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13971.004154/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.
O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo.
Numero da decisão: 1202-001.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de ilicitude na obtenção de provas, de vícios nas cópias dos arquivos digitais obtidos pela fiscalização e de nulidade do acórdão de primeira instância e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiro(a) Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Júlio C. Krepsky- OAB/SC 9589.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Relator.
EDITADO EM: 13/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo.
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CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de ilicitude na obtenção de provas, de vícios nas cópias dos arquivos digitais obtidos pela fiscalização e de nulidade do acórdão de primeira instância e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiro(a) Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Júlio C. Krepsky OAB/SC 9589. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 41 54 /2 00 8- 09 Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 40 2 Orlando José Gonçalves Bueno Relator. EDITADO EM: 13/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratase de recurso voluntário a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Por meio dos Autos de Infração, às folhas 1946 a 2074, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, acrescidas de multa de ofício de 150% e de juros de mora: TRIBUTO VALOR (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 22.603.564,14 Contribuição para o Programa de Integração Social PIS 1.491.834,91 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS 625.712,42 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 8.137.283,07 Além dessas importâncias, são exigidas as seguintes multas: MULTA VALOR (R$) Multa Regulamentar 898.684,66 Multa Exigida Isoladamente 11.301.782,09 Essas exigências se referem aos anoscalendário de 2003 a 2007. DO RELATO DA FISCALIZAÇÃO No “Termo de Verificação de Infração” TVI (f. 277 a 283), a fiscalização revela que: 15. Conforme a leitura do Contrato social e alterações (DOC. 17) e dos dados das DIPJ 20042008 (DOC.2), a empresa SEGALAS ALIMENTOS LTDA, com sede em Blumenau/SC, dedicase principalmente ao ramo do comércio atacadista de alimentos, além de diversas outras atividades correlatas. 16. Em junho de 2003 ocorreu a abertura de filial no município de Biguaçu/SC, conforme a alteração contratual nº 7, sendo estes os únicos estabelecimentos da contribuinte. 17. Durante o período de 2003 a 2007 a empresa optou pela forma de tributação pelo lucro real anual, com apuração de estimativas de IRPJ e CSLL com base em balancetes de suspensão /redução. Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 41 3 [...] 21. Em junho de 2007, o Ministério Público Federal recebeu denúncia anônima que originou o Pedido de busca e apreensão criminal n. 2007.72.05.0043469/SC (DOC. 4). Conforme se verifica nos documentos acostados ao pedido de busca e apreensão, a denúncia basicamente descreveu que a empresa SEGALAS praticava “sonegação de impostos” mediante a venda de produtos sem emissão de nota fiscal, com a utilização de um sistema denominado “SOLPEN” e com a “operação fiscal 10”, sendo os valores destas vendas consignados à filial 99, destinada ao “caixa dois”. 22. Na investigação realizada pelo Ministério Público Federal, mantevese contato telefônico com a SEGALAS (transcrito no citado DOC), que apurou indícios de que tal procedimento estava efetivamente sendo praticado. O pedido de busca e apreensão de equipamentos de informática foi então acatado pelas Decisões judicial (DOC.5), incluindo seu acesso pela Receita Federal do Brasil. 23. Assim, cumprindo a determinação judicial de busca e apreensão, em 31/01/2008 os Oficiais de Justiça deram ciência ao responsável pela empresa, do mandado judicial. Do mesmo modo, exercendo suas prerrogativas legais, os AuditoresFiscais da RFB procederam ao exame de documentos e sistemas informatizados encontrados nas dependências da empresa, após cientificarem o responsável pela empresa do Termo de Início de ação fiscal (DOC.8) e do Termo de Intimação Fiscal 2008.00469/1 (DOC.9). A vistoria dos setores do estabelecimento foi acompanhada por pessoas designadas pelo responsável pela empresa, Alexandro Segala. 24. A fiscalização teve acesso à mesa de operações de telemarketing, onde foi comprovada a possibilidade de acesso ao sistema SOLPEN, contendo a denominação da filial 99. Também foi visto que era possível inserir pedidos tendo como CIOF 10 e 1, aparecendo a mesma descrição: vendas. [Posteriormente a fiscalização descobriu que CIOF é a sigla destinada ao indicador denominado Código Interno de operação fiscal, existente no sistema SOLPEN, usado para classificar, em uso interno, a natureza da venda. Assim, o que a denúncia enviada ao Ministério Público se referia a “operação fiscal 10” tratase de venda utilizando o CIOF10.] 25. Foram retidos diversos documentos, cuja relação consta do Termo de apreensão de livros e documentos (DOC.10), basicamente constituindose de Relatórios de faturamento e de comissões (DOC.11) e de Telas de consulta a notas fiscais de saída (DOC.12), os quais serão analisados no item V a seguir. [...] 27. Muito mais grave, no entanto, foi a ação confessada da empresa de apagar seus dados informatizados, desligando a conexão com o banco de dados principal. De fato tal intento se consumou, porém, detectado logo em seguida pela fiscalização. Por exemplo, os relatórios de notas fiscais de vendas obtidos não conseguiram ser mais acessados, tampouco pedidos e notas com CIOF 10. Tal situação e as ocorrências descritas também foram acompanhadas e registradas nas Certidões lavradas pelos Oficiais de Justiça (DOC.7). [...] Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 42 4 31. Uma vez restaurado o sistema informatizado, foi realizada a extração de arquivos magnéticos e a cópia do disco rígido contendo o sistema SOLPEN e a totalidade do banco de dados da matriz da empresa de acordo com o Auto de Busca e Apreensão (DOC.6), os quais foram devidamente guardados e lacrados na presença dos representantes da empresa, sendo então levados pelos Oficiais de Justiça para a secretaria da Vara Federal de Execuções Fiscais em Blumenau. Deve ser registrado que no processo de restauração do banco de dados não foi possível para a empresa recuperar os dados da filial de Biguaçu, fato constatado nas Certidões lavradas pelos Oficiais de Justiça (DOC.7). 32. Posteriormente, em 03/04/2008, na sede da Justiça Federal, por ocasião da abertura do lacre (DOC.21) aposto no volume contendo os materiais apreendidos, os AuditoresFiscais e os representantes da empresa acompanhados por seus advogados, retiraram cópias de todos os arquivos magnéticos e das impressões extraídas e apreendidas pela Justiça Federal (DOC.23), cujo conteúdo será analisado no item v deste Termo. [...] 39. Ou seja, o CIOF1 destinase a identificar vendas que são escrituradas enquanto o CIOF10 destinase a identificar aquelas que são omitidas dos livros fiscais. Tal constatação é fortalecida pela análise das impressões extraídas e apreendidas pela Justiça Federal (DOC.23), onde na fl.1 encontramos a tela extraída do SOLPEN descrevendo que “a CIOF [10] não é inclusa nos livros fiscais”. Tal consulta foi repetida nesta etapa de análise (fls. 2 e 3), confirmandose a informação de que operações de venda com CIOF10 não integram os relatórios do sistema SOLPEN relacionados aos livros fiscais, nos quais deveriam estar todas as saídas. [...] 72. As diligências efetuadas (DOC.73) objetivaram verificar, junto a clientes da SEGALAS, o reconhecimento do expediente utilizado pela empresa de venda de mercadorias desacompanhada de notas fiscais. 73. Para tanto, a fiscalização elencou amostragem contendo uma série de empresas clientes da SEGALAS, para as quais foram extraídos relatórios FA355 contendo vendas CIOF10 para o mês de Dezembro de 2007 e, para o período de 2003 a 2007, compreendendo vendas com CIOF1 e 10, alternadamente, como denotam as numerações de notas fiscais já comentadas anteriormente. Ou seja, são clientes contumazes e de longa data, e que, segundo os relatórios da empresa, também adquiriram produtos em operações acompanhadas de notas fiscais escrituradas. 74. Tais dados foram apresentados diretamente aos responsáveis pelas empresas, solicitando sua manifestação sobre os fatos ocorridos no período. Nesse sentido, foram reduzidos a Termo os depoimentos das pessoas ouvidas sendo que podem ser sumarizadas as seguintes constatações: . Todos os entrevistados confirmaram serem clientes da SEGALAS no período de 2003 a 2007. . Todos reconheceram que, no período, a SEGALAS efetuava a entrega de parte das mercadorias vendidas sem nota fiscal. Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 43 5 . Todos afirmaram que pagaram por toda a mercadoria, com ou sem nota fiscal, utilizando meios de pagamentos conhecidos, como dinheiro, cheques próprios ou de terceiros. . Todos fizeram observações a respeito de terem notado que em 2008 a SEGALAS passou a entregar seus produtos sempre acompanhados da nota fiscal correspondente. Essa observação tornase interessante pois denota uma mudança de postura da empresa após o início da fiscalização. Deste modo, com base em um conjunto de elementos de prova, a fiscalização identificou as operações não registradas na escrituração fiscal. Assim, essas receitas omitidas foram levadas às bases de cálculo do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, para fins de tributação. Foram recalculadas as estimativas mensais que foram originalmente apuradas com base em balancetes de suspensão/redução, indicando as eventuais ocorrências de multa isolada, conforme os anexos 1 e 2 ao TVI. Por entender que à conduta da contribuinte esteve associado o intuito de fraude, a fiscalização qualificou a multa de ofício calculada sobre os tributos devidos. É ressaltado que, pelo fato de o procedimento fiscal ter sido motivado por informações oriundas do Ministério Público Federal MPF, a Representação Fiscal para Fins Penais restringiuse à comunicação dos fatos apurados pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Por fim, a fiscalização revela que a autuada deixou de fornecer arquivos digitais de itens, de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, do anocalendário de 2006, o que a sujeitou à multa regulamentar prevista no inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/91. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de f. 2089 a 2182, acompanhada dos documentos de f. 2183 a 2257, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da falta de sustentação fática para a manutenção da notificação e o desprezo ao princípio da verdade material De acordo com a conclusão do trabalho fiscal, a impugnante teria obtido uma fantástica margem de lucro de aproximadamente 23% no período fiscalizado. Essa absurda e desproporcional margem de lucratividade, por si só, já demonstra que há algo de muito errado no ato fiscal; Somandose as receitas constante dos registros da empresa com a suposta omissão de receitas indicada pela fiscalização, temse um suposta receita total de R$478.339.492,81 (no período de março de 2003 a dezembro de 2007), para um suposto lucro tributável total de R$ 109.656.660,90 (no mesmo período). A margem de lucro seria, portanto, de aproximadamente 22,92%; Para o ramo de atividade da impugnante – comércio atacadista – a margem normal varia de 1,5% a 4,7%, conforme dados extraídos de publicações (docs. anexos); Conjugando as informações econômicas com as declarações juntadas pelos próprios agentes fiscais, não há como encontrar sustentação fática ao trabalho fiscal. Se no ano de 2008 a margem da impugnante é de aproximadamente 5% (lembrese que os agentes fiscais juntaram documento que contém afirmação de que no ano de 2008 a empresa vende todos os seus produtos com nota fiscal), como a empresa Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 44 6 poderia ter obtido uma fantástica margem de 23% nos anos anteriores?? Ao contrário, se consideradas as margens constantes nos registros da empresa nos exercícios de 2003 a 2007, não se verifica nenhum desvio relevante em relação à média apurada em 2008; A própria Receita Federal constatou, sem maior esforço, que não havia movimentações incompatíveis, na empresa ou nos sócios, que pudessem indicar a existência de receitas não faturadas; Ora, como seria possível conceber que estes R$ 90 milhões tenham “sumido” de todas as movimentações financeiras e patrimoniais da empresa e de seus sócios? Tal quantia não poderia ser escondida nem em empresas como Vale e Petrobrás; o que se dirá de uma pequena distribuidora de alimentos? A impugnante e seus sócios, absolutamente certos de que as conclusões fiscais não têm sustentação fática, autorizam acesso irrestrito às suas movimentações patrimoniais no Brasil ou exterior, a fim de que se verifique se existe algum fato que possa minimamente sustentar o ato fiscal agora atacado; Da ilicitude da “provas” A primeira nulidade evidenciada no procedimento adotado está na iniciação de persecução criminaltributária antes do término (e mesmo do início) de processo administrativo de lançamento tributário; É que, conforme tem decidido o E. Superior Tribunal de Justiça, não se pode iniciar processo de investigação criminaltributária antes de configurada a condição objetiva de punibilidade do delito, que é a existência de crédito tributário; Além da invalidade do procedimento adotado, observase, também, que a investigação criminal não poderia ter sido realizada pelo Ministério Público Federal, eis que não tem legitimidade/competência para tanto; O fato de a investigação que deu origem à coleta das “provas” que embasam a presente autuação ter sido realizada pelo MPF é facilmente verificado no presente auto de infração; Como se sabe, o ordenamento jurídico pátrio (constitucional e processual) – prevê que as investigações preliminares, que constituem a fase preparatória para a persecutio criminis, devem ser realizadas pelas autoridades policiais, e não pelo Ministério Público; Ainda que estivessem presentes as condições indispensáveis para a persecução criminal pelo MPF, a investigação feita é totalmente nula. Isto porque, conforme se depreende do auto de infração e documentos anexos, o MPF iniciou a sua investigação através de escuta telefônica sem autorização judicial; Lembrese que o MPF ligou para a autuada, forçou a suposta possibilidade de efetuar uma compra sem nota e gravou a ligação (repitase: sem qualquer autorização judicial); Como é de saber comum no meio jurídico, no Brasil não se permite a prática do chamado “flagrante preparado”, em que o agente investigador induz o investigado à prática de suposto crime; Como a presente autuação teve origem em “flagrante preparado”, caso em que não há que se falar em conduta ilícita da empresa, todos os atos relativos/decorrentes do “flagrante” são nulos, incluindo a presente autuação; Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 45 7 Todos os elementos de “prova” são decorrentes da quebra do sigilo telefônico sem autorização legal. E, sendo nulo o procedimento que deu origem a coleta da “prova originária”, nulas também são as “provas” dele derivadas; Para sua admissibilidade no processo, é necessário que a prova tenha sido produzida em processo formado entre as mesmas partes, perante o mesmo Juízo, e submetido ao contraditório; Como as “provas” que deram origem aos presentes autos de infração foram produzidas em processo nulo, conduzido por Juízos diversos e entre partes distintas, elas não poderiam ser “emprestadas” para fundamentar o presente processo de lançamento tributário. Dos vícios pela cópia dos arquivos A busca e apreensão realizada é abusiva e ilegal porque, diferentemente do determinado, foram copiados dados constantes nos computadores da autuada, e não apreendidos os equipamentos de informática pertinentes ao caso, conforme autorizado; Não cabe aos executores de ordem judicial fazer interpretações pessoais sobre o que pode e o que não pode ser apreendido. Cumprase a decisão, nada mais. Houve claro desatendimento ao comando judicial, o que invalida o procedimento e as informações colhidas; Arquivos eletrônicos apartados do hardware específico perdem sua integridade e autenticidade, e conseqüentemente seu valor probatório. Os dados foram apartados do ambiente eletrônico em que estavam depositados, considerando inclusive o estabelecimento de redes de informática com dados residentes em vários computadores. As cópias não consideram todas as informações que se interligam nesse ambiente; Os dados eletrônicos não foram validados, sendo impossível atestar sua autenticidade. O processo de cópia não foi realizado pela impugnante, sendo impossível saber, afinal de contas, qual a integridade dos dados copiados; Desta forma, verificase uma vez mais que as “provas” obtidas são inadmissíveis para os fins a que se destinam. Da decadência Sendo os tributos notificados sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para lançamento é de 5 anos contados do fato gerador. Considerando que a notificação ocorreu em 8 de outubro de 2008, constatase que os valores relativos ao período de março a setembro de 2003 foram atingidos pela decadência, segundo o que dispõe o art. 150, § 4º do CTN; Dúvidas não restam de que os fatos geradores encerramse em cada mês de apuração. Da clara ausência de provas Os trabalhos fiscais desenvolvidos não se preocuparam em investigar os fatos a partir dos supostos indícios colhidos nos arquivos apreendidos ilegalmente. Não houve preocupação em constatar a omissão de receitas; em verificar a existência de recursos não contabilizados; em apurar os supostos indícios de vendas sem nota fiscal. Nem mesmo prova da base de cálculo utilizada para a quantificação dos tributos existe no processo. Os agentes fiscais comparam planilhas contidas na “prova”, apontam diferenças, mas não as justificam. Também comparam a planilha Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 46 8 emitida com a unidade de Blumenau, sem fazer qualquer demonstração sobre os efeitos decorrentes da filial de Biguaçu. Se o sistema gerencial envolve toda a empresa, como comparar os relatórios dele decorrentes com apenas uma das unidades?; O máximo a que chegou a fiscalização foi adotar a cômoda – porém insuficiente e inconclusiva – atitude de colher declarações de alguns clientes no sentido de que recebiam mercadorias sem a nota fiscal. Percebese um vício da fiscalização em simplificar e reduzir a investigação a declarações; O argumento circular de que os arquivos são complementados pelas declarações e de que as declarações são complementadas pelos arquivos leva o intérprete sempre ao mesmo ponto de partida: afinal, quais são as provas contundentes do suposto ilícito?; Valendose dos termos do mandado, de que poderiam ser apreendidos equipamentos de informática, os agentes ameaçaram retirar todos os equipamentos indispensáveis ao funcionamento das operações mercantis, caso não houvesse “colaboração”. Lembrese que a impugnante tem como atividade o comércio atacadista de produtos com prazo de validade determinado e que a paralisação de suas atividades implicaria em prejuízos irreparáveis. Assim, a coação decorrente da ameaça de paralisação causou um temor imenso aos administradores; Nesse contexto foram concedidas as insólitas declarações ditas de “livre e espontânea vontade”. Ressaltese que as declarações foram redigidas pelos próprios agentes públicos, após um período de aproximadamente 15 horas de coação moral, com insinuações de ameaça de prisão e ameaça de paralisação e prejuízos incalculáveis. Afinal, agora se sabe qual a razão de tanta pressão para assinar aquelas declarações: elas constituem “prova” de omissão de receitas, obtida sob “livre e espontânea vontade”, de que pratica omissão de receitas?; Impossível utilizar tais declarações como “prova” de algo. Dos arquivos utilizados pela fiscalização Os agentes fiscais tiraram conclusões particulares sobre o conteúdo dos arquivos. Fixaramse na premissa de que havia informações de receitas não declaradas, e assim conduziram seus trabalhos do início ao fim. Ignoraram as declarações da empresa de que todas as vendas estavam contabilizadas, e de que não havia informação adicional a ser apurada. Ignoraram também a informação de que o sistema SOLPEN apreendido é um sistema gerencial, que apenas parte dessas informações são relacionadas com operações mercantis, e que as operações concretizadas são devidamente registradas em sistema próprio (Visor Fiscal, desenvolvido pela empresa Sistemas Blumenau Ltda.); O conteúdo analisado pela fiscalização não representava vendas concretizadas. Por tal razão as operações sob o código CIOF10 não podem constar dos registros fiscais e contábeis da impugnante. A afirmação contida no item 61 do Termo de Verificação de Infração não impressiona: é evidente que os orçamentos, levantamentos e simulações solicitados pelos clientes deve ser completo, incluindo toda a sequência da operação mercantil solicitada. Mas isso em nada comprova a omissão de receitas. A alimentação no banco de dados era única, com informações que poderiam levar a operações de vendas concluídas ou não. Somente as vendas finalizadas (código de operação CIOF1) eram faturadas, com as providências necessárias. Por essa razão, as informações utilizadas pelos agentes fiscais sobre receitas omitidas são relativas a operações que não se concretizaram no mundo real; Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 47 9 O que impressiona no trabalho fiscal é que os agentes não foram checar qualquer informação extraída dos arquivos utilizados como “prova”. Se essa “prova” era tão evidente e contundente, como querem fazer crer os agentes, qual a razão de não haver feito uma verificação específica de operações determinadas nesses “clientes”? Se os agentes tinham tanta certeza da omissão de receitas, qual a razão para não haver incluído esses clientes em sua verificação fiscal? Qual a razão de não ter pego sequer um dos supostos pagamentos e checado junto aos “clientes” para comprovar suas afirmações? Não se afirma, por despropositado e demasiadamente simplista, que as tais declarações, sem qualquer vinculação com operações específicas e obtidas em condições não reveladas, seriam a comprovação de tais fatos. O sujeito passivo não consegue fazer a prova negativa, principalmente em casos como o aqui analisado. Erro essencial – lançamento equivocado Os trabalhos fiscais partiram da suposta constatação de omissão de receita, aplicando o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/95. Essa norma legal não estabelece que a omissão de receitas será considerada como lucro tributável, como fizeram os agentes fiscais. O que o dispositivo estabelece claramente é que, quando identificadas omissões, sobre elas serão calculados os tributos pelo mesmo regime de tributação a que estiver sujeita a pessoa jurídica no mesmo período. Afastandose completamente da ordem legal, a fiscalização tomou como base de cálculo dos tributos a importância da suposta receita omitida. Ou seja, ignorou os possíveis dispêndios que seriam normais para a geração da suposta receita. Este procedimento levou à distorção dos valores notificados, retratando erro na apuração da base para efetuar qualquer lançamento; Não é crível que receitas supostamente omitidas em montante tão elevado representem ingressos líquidos no patrimônio da empresa. Parece óbvio constatar que, se tivesse havido omissão neste montante, custos e despesas incorridos em razão destas supostas receitas deveriam ser apurados pela fiscalização. O que mais impressiona é que nem as despesas contidas nos relatórios extraídos das “provas” utilizadas pelos agentes fiscais foram deduzidas quando da apuração da base de cálculo dos tributos. Afinal, os agentes falam de relatório de comissões e de fretes sobre as supostas receitas omitidas. Se essas “provas” fossem aceitáveis, qual a razão de não haver abatido sequer esses valores utilizados como “prova” do ilícito pelos agentes fiscais?; Lembrese que o lançamento não pode ser “acertado” pela autoridade julgadora, segundo recorrente jurisprudência administrativa; Se a “prova” apresentada (arquivos eletrônicos) pela fiscalização para justificar e quantificar o lançamento comprovasse a existência de omissão de receitas, nos moldes apontados pela fiscalização, então a situação seria de arbitramento de lucro, segundo o que dispõe o art. 530, inciso II, alínea “b” do RIR/99, e não tributação das omissões pelo lucro real; Se alguma irregularidade houvesse. E isto se admite apenas para argumentar, então a situação seria de desclassificação da contabilidade, implicando no consequente arbitramento do lucro, como reiteradamente tem decidido a jurisprudência administrativa; A consequência lógica, jurídica e necessária neste caso é o cancelamento da notificação, diante do erro na construção do suposto ilícito pelas autoridades notificadoras; Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 48 10 Nas palavras da fiscalização, através do sistema que forneceu dados ao lançamento, “a empresa gerencia compras e vendas de mercadorias e, dentre outras funções, registra os pedidos dos clientes, controla a numeração de notas fiscais e faturas e os dados das cargas de entrega dos produtos. Também faz o gerenciamento do ‘contas a receber’ e do ‘contas a pagar’, as comissões a serem pagas aos representantes e a escrita dos livros fiscais e contábeis” (fl. 1.950); Neste contexto, o mesmo banco de dados que forneceu suporte para apurar o suposto montante de omissão de receitas e sustentar a lavratura dos autos de infração deveria ser utilizado para pesquisar, quantificar e abater, do total das supostas receitas omitidas, eventuais custos e despesas supostamente suportados para sua geração e que ainda não houvessem sido deduzidos pela impugnante em seus registros contábeis; Não se poderá admitir o argumento fácil de que as informações de custos e despesas vinculadas às supostas receitas omitidas não podem ser aproveitadas por falta de prova de sua existência. Ora, a “prova” e a fonte para obtenção dos dados é a mesma. Não se pode considerar parte da “prova” válida e parte da “prova” inválida; Um banco de dados utilizado como prova única de suposta infração e de seu montante não pode ser aproveitado apenas para apurar dados favoráveis à Fazenda. Neste sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: IRPJ E CSL – OMISSÃO DE RECEITAS – DETERMINAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL – FORMA DE TRIBUTAÇÃO – Os valores correspondentes a custos e despesas omitidos, informados no documento lastreador da autuação por omissão de receitas, GIAs, devem ser considerados pelo Fisco na apuração da base de cálculo de IRPJ e CSL, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada. Não obedecida esta regra, são insubsistentes os lançamentos do IRPJ e da CSL, mormente quando o lucro real e a base positiva da contribuição foram preservados pela fiscalização, mesmo após a constatação de vultosa omissão de receitas, custos e despesas que tornava imprestável a escrituração contábil apresentada pela contribuinte (1º CC – 8ª Câmara – Ac. 10809137 – Recurso 153318 j. 06/12/06). No voto do Relator, a questão se aclara e fica demonstrada a pertinência a este caso concreto: Tem razão a empresa ao afirmar em seu recurso que foi incorreto o procedimento de apuração do valor tributável nos autos de infração do IRPJ e da CSL, por ter o Fisco deixado de apurar a verdadeira base de cálculo de tais tributos. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 255/259 está incluído um demonstrativo da receita omitida, elaborado com base nas informações das GIAs ao Fisco Estadual. Para tal levantamento, a fiscalização levou em conta apenas os valores contábeis das saídas por vendas para dentro e fora do estado e exportação, com exclusão das devoluções de vendas, considerandoos como receita total, comparando esse montante com a receita declarada para detectar a omitida. Entretanto, outras informações importantes relativas às operações da empresa compunham a GIA, elemento base para a tributação efetivada, tais como: compras realizadas (custo em potencial), ICMS sobre vendas, ICMS sobre compras, devolução de compras etc. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 49 11 É correto afirmar que a fiscalização detectou a ocorrência de significativa omissão de receitas, mas também é correto constatar que no mesmo documento de onde o Fisco extraiu os montantes omitidos, as GIAs, constavam valores de custos e despesas não registrados contabilmente, relacionados a essas receitas omitidas. [...] Regra geral, a legislação tributária prevê a imposição direta das alíquotas do IRPJ e da CSL sobre as receitas omitidas, na suposição de que os custos e despesas a elas vinculadas já teriam sido registrados pelo infrator. Na maioria dos casos deixa o contribuinte de registrar a receita, mas não os custos e despesas, pois o interesse de quem pratica essa infração é esconder do Fisco a receita tributável. Porém, quando for possível vincular custos e despesas às receitas omitidas, mesmo que não lançados na contabilidade, o procedimento de auditoria recomendado deve ser a apuração do lucro nestas operações não escrituradas, devendo ser levado em conta não só as receitas omitidas, mas, também, os custos e despesas não registrados a elas vinculados. Percebase que, sendo considerada válida a prova, neste caso seria possível detectar com facilidade as informações relevantes para o cálculo, já que a fiscalização afirmou que o sistema é bastante completo (fl. 1.965); Buscando entender melhor a “prova” utilizada pelos agentes fiscais para suportar o lançamento, a impugnante submeteu os arquivos irregularmente apreendidos ao crivo de uma empresa de auditoria contábil, de idoneidade atestada pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. De acordo com o documento anexo, atestaram os auditores que, limitandose à análise dos arquivos apresentados, fica evidente que nesses arquivos existe um grande registro de informações. Esses registros, se válidos os arquivos, seriam relativos a compras e despesas, todas elas guardando relação com as atividades indicadas no objeto social da impugnante. Registraram também os auditores que, se essa “prova” fosse válida e se referissem às operações desenvolvidas pela impugnante, então essas operações não estavam contidas nos registros contábeis da empresa; Ora, se os agentes fiscais baseiam seu trabalho numa “prova” que contém vários elementos (despesas, compras etc.) além das receitas supostamente omitidas e se tais elementos são relacionados com as atividades normalmente desenvolvidas pela empresa, então o princípio da unicidade da prova exige que tais informações sejam levadas em consideração pelos agentes fiscais quando da apuração e da quantificação do suposto ilícito; Todavia, adotando um atitude passiva, preferiram os agentes fiscais olhar apenas para uma parte da “prova” consubstanciada no arquivo irregularmente apreendido. Em assim procedendo, na medida em que consideraram válida a “prova”, incorreram os agentes fiscais em vício de mérito do lançamento, uma vez que deixaram de arbitrar o lucro (artigo 530 do RIR/99) sobre uma contabilidade que então conteria deficiências; Além de não adotar o procedimento estabelecido na legislação, sequer o art. 24 da Lei nº 9.249/95, utilizado como fundamente da autuação, foi observado pela fiscalização. Afinal, quando o dispositivo prevê: “Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão”, em nenhum momento está afirmando Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 50 12 que o valor da suposta omissão de receitas deve ser simplesmente somado à base de cálculo dos tributos. O que o dispositivo está a prever é a necessidade de inserir a suposta omissão na sistemática de apuração de lucro adotada pela pessoa jurídica; Como é sabido, o PIS e a Cofins passaram a ser apurados pelo sistema de débito menos crédito. Ocorre que os agentes fiscais novamente pautaram sua ação apenas com vistas ao débito, ou seja, retiraram da “prova” apenas a parte que lhes interessava; Seja pela inexistência de omissão de receitas, seja pelo erro na quantificação da “prova”, incorreram em erro na apuração dos referidos tributos. Da multa por omissão nos dados em arquivos magnéticos Efetuados os devidos procedimentos, a requerente não conseguiu recuperar os arquivos de itens, mas entregou os arquivos mestres, que contemplam os que foram utilizados pela empresa para suportar seus lançamentos contábeis e fiscais; Da forma como a fiscalização relatou os fatos, fica a impressão de que a empresa teria realmente “se omitido da entrega dos arquivos” (f. 1971). Mas não foi isto o que ocorreu; O arquivo mestre traz informações que representam o suporte para os lançamentos contábeis: dados do emitente e destinatário, valores de mercadorias, frete, impostos, despesas acessórias e data de emissão. O arquivo de itens traz informações operacionais das notas fiscais. Em comparação entre os arquivos, claramente se pode afirmar que o arquivo mestre é o arquivo principal, necessário e suficiente para representar os lançamentos contábeis e fiscais da empresa; Não se pode compreender que o legislador determine multa tão elevada somente porque não puderam ser entregues determinados arquivos, cujas informações estão, afinal, contidas em arquivos disponibilizados. A intenção legislativa da penalidade diz respeito à utilização dos arquivos magnéticos para omitir, por exemplo, receitas contidas nos livros, o que sem dúvida não ocorreu; Não podem possíveis problemas involuntários relacionados à informática e à manutenção/restauração de arquivos – normais em qualquer empresa, frisese – justificar multas exageradamente altas, ainda mais quando nenhum prejuízo causaram à fiscalização; Neste contexto, cumpre destacar que problemas relacionados à geração e à entrega de registros magnéticos, por si sós, não autorizam a aplicação da penalidade prevista no art. 12 da Lei nº 8.218/91. Para tanto, é indispensável a conjugação dos seguintes elementos: (a) erro doloso (b) visando à supressão de tributo devido, através da omissão intencional de informações que estão contidas nos livros do contribuinte; Se não houver descompasso entre a contabilidade e os registros magnéticos entregues, não há lugar para a imposição de pena. A propósito do assunto, citamse os seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MULTA REGULAMENTAR DECADÊNCIA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS DA ESCRITURAÇÃO ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – [...] Se a pessoa jurídica, obrigada a manter sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de sua escrituração, não atender intimação do Fisco para apresentação dos correspondentes arquivos magnéticos, fica sujeita à multa prevista no inciso II, do artigo 12, da Lei n° 8.218/1991, limitada a 1% (um por cento) da Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 51 13 receita bruta auferida no período, tendo por base, o valor das operações omitidas (1º CC 5ª Câmara – Ac. 105.14.032 – j. 26/02/03). MULTA REGULAMENTAR A multa prevista no artigo 72 inciso II da MP 2.15834/2001 incide sobre seus valores das divergências entre os dados contidos nos registros contábeis e aqueles recuperados dos arquivos mantidos em meios magnéticos fornecidos com incorreções (1º CC – 8ª Câmara – Ac. 10808.220 – j. 16/03/05). Conforme se verifica nas páginas 8 e 11 do Termo de Verificação de Infração, os agentes fiscais autuantes declararam (notas de rodapé 5 e 6) que os arquivos irregularmente apreendidos já continham um relatório (FA333) que permite consulta à listagem e a dados individuais de notas fiscais. Ora, se já estavam de posse dos arquivos de itens de notas fiscais, como é possível expedir uma multa por não fornecimento de dados que já estavam em seu poder? Esse tipo de procedimento bem demonstra o volume de inconsistência verificada na autuação agora atacada; A interpretação da lei tributária que prevê a aplicação da multa agora contestada deve ser operada da maneira mais favorável à empresa, considerando todas as peculiaridades do caso, conforme art. 112 do Código Tributário Nacional; ademais, não é cabível a aplicação de penalidade de quase R$ 900 mil quando as conclusões de conduta dolosa da impugnante partem apenas de conjectura dos agentes fiscais. Da impossibilidade de aplicação da multa de 150% O suposto evidente intuito de fraude, no caso presente, baseiase apenas em interpretação dos agentes fiscais sobre as informações que analisaram. Não se vislumbram aspectos concretos capazes de justificar a penalização; Nesse contexto, revelase novamente de vital importância o disposto no art. 112 do CTN; Independentemente da análise do mérito da questão, resta evidente que o percentual de 150% de multa representa um confisco disfarçado (art. 150, IV, CF/88), viola o direito de propriedade (art. 5º, caput, e XXII, CF/88) e inviabiliza o próprio empreendimento (art. 170, caput e § único) na medida em que retira injustificadamente soma considerável de recursos do patrimônio da impugnante. Da impossibilidade de aplicação de multa isolada O fundamento legal para a multa isolada foi indicado como sendo o art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96, dispositivo revogado pela Lei nº 11.488/07. a redação revogada do referido dispositivo era a seguinte: “§1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”; É possível verificar que o dispositivo iniciase com “as multas de que trata este artigo”. Ou seja, fica claro que não existem duas multas simultâneas a serem aplicadas previstas pelo artigo: uma de ofício e outra isolada. O que o dispositivo legal está a dizer é que, quando houver apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, deve ser aplicada a multa isolada. Caso contrario, aplicase a multa de ofício. Mas apenas uma multa, e não ambas cumuladas; Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 52 14 O assunto é conhecido no Conselho de Contribuintes, tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais sedimentado o entendimento no sentido de ser incabível a cumulação de ambas as multas: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (CSRF – Ac. 0104.987 – recurso nº 106 131314). O que se verifica, no caso, é uma dupla penalização do contribuinte pela mesma infração, o que agride, além do próprio dispositivo legal citado, os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, de garantia do direito de propriedade e da proibição de utilizar tributo com efeito de confisco. Das deduções relacionadas a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS O auto de infração impugnado traz exigências de IRPJ, CSLL, PISe Cofins. No entanto, na hipótese de ser mantido o auto de infração, importa destacar que não foram efetuadas as deduções entre os referidos tributos; Em tais casos, deve ser aplicado o disposto no art. 41 da Lei nº 8.981/95: “Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência”; Como conseqüência, devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados o PIS e a Cofins. Neste sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: IRPJ E CSL – BASE DE CÁLCULO – CORRETA APURAÇÃO – DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A OMISSAO DE RECEITA – Considerando que a legislação prevê a dedutibilidade das contribuições ao PIS e à COFINS, tanto para a apuração do IRPJ e da CSL, independentemente do seu pagamento a partir da revogação do art. 7o da Lei 8541/92 pelo art. 41 da Lei 8981/95, a apuração do valor da imposição não pode desobedecer tais comandos e deve respeitar o correto procedimento (1º CC – Ac. 10807.178 – j. 05/11/02). Da mesma forma, deve ser deduzida a CSLL da base de cálculo do IRPJ, em respeito à correta apuração do acréscimo patrimonial ensejador da tributação pelo Imposto de Renda. Considerando a estrutura normativa deste imposto, somente poderá incidir o imposto quando houver acréscimo patrimonial; Pelo mesmo motivo deve ser deduzido o IRPJ da base de cálculo da CSLL supostamente devida. Do pedido Reitera os argumentos já expendidos; para confirmar a firmação de existência de outros elementos nos arquivos utilizados como “prova” (cuja validade é questionada pela impugnante), elementos esses que seriam relevantes para a qualificação legal do suposto ilícito e da quantificação dos tributos dele decorrentes, requer seja realizada uma perícia contábil nos arquivos utilizados pelos agentes fiscais e que foram extraídos por cópia do processo 2007.72.05.0043469, que tramita na Vara Federal de Execuções Fiscais e Criminais de Blumenau, indicando como Assistente Técnico o contador Ricardo Lyra, inscrito no CRC/SC sob nº 021056/05. Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 53 15 Os fundamentos da decisão de primeira instância estão resumidos nas seguintes ementas: “ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. PROCEDIMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. TUTELA JUDICIAL. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A arguição de ilegalidade do procedimento adotado pelo Ministério Público Federal, sob tutela judicial, e das provas assim coletadas, extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado próprio de perito. CUSTOS E DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar a existência de custos ou despesas dedutíveis, além daqueles valores já escriturados. Entretanto, se a quantificação e a comprovação destes custos ou despesas fossem apresentadas à fiscalização, cumpriria a esta auditálas, posto que é direito do contribuinte deduzir os valores comprovados. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, não constituem despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, têm natureza de provisões e não de despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para constituição de créditos referentes a tributos, submetidos a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 54 16 gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixarem de recolher no curso do anocalendário as parcelas devidas a título de antecipação (parcelas de estimativa) do IRPJ ou da CSLL, sujeitamse à multa de ofício de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de ofício não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ ou a CSLL apurados no ajuste anual, não pagos no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. ARQUIVOS DIGITAIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS. PENALIDADE. A falta de entrega ao Fisco dos arquivos digitais de trata o art. 12 da Lei nº 8.218/91, em atendimento a intimação correspondente, sujeita o contribuinte à multa regulamentar de cinco por cento do valor da operação correspondente, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Lançamento Procedente” Cientificada da aludida decisão de primeira instância em 18/03/2009 (AR de fl 2.293), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/4/2009, às fls. 2.299 a 2.409, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, contesta os fundamentos da decisão recorrida requerendo sua nulidade e, ao final, pleiteia: "(...) 321. Diante dos argumentos de fato e de Direito acima expostos, requer seja recebido o presente Recurso para cancelar integralmente, desde logo, as notificações lavradas. 322. Caso não seja este o entendimento, requer o reconhecimento de nulidade da Decisão recorrida, pelos motivos já expostos. Quando menos, requer seja determinada a baixa dos autos para realização de diligências/perícia, nos moldes requeridos. 323. A Recorrente expressamente reitera, por fim, todos os pedidos sucessivos constantes da Impugnação e neste Recurso, relacionados à decadência; à exclusão da multa relativa aos arquivos magnéticos; à exclusão da multa de 150%, reduzindoa para 75%; exclusão da multa isolada; A. dedução do PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL, nos moldes expostos; à dedução de quaisquer outros valores relevantes para a apuração dos tributos exigidos e que foram citados na Impugnação e no presente Recurso. (...)". Grifos do original. É o relatório. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 55 17 Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência do IRPJ e Reflexos, anos calendário de 2003 a 2007, em face da imputação à autuada da prática de omissão de receitas, apurada em seus controles eletrônicos de operações. Também foram aplicadas multas de oficio isoladas por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais e multa regulamentar pela não entrega de arquivos digitais, bem como a multa de oficio proporcional de 150%. A Contribuinte dedicase ao ramo do comércio atacadista de alimentos, tendo optado por apurar os tributos devidos na sistemática do lucro real trimestral. Passo a apreciar as alegações recursais. DAS PRELIMINARES Preliminares de ilicitude das provas, decadência e alegados vícios nos arquivos digitais obtidos pelo Fiscalização. Vejamos a transcrição dos fundamentos da decisão recorrida nessa parte: "(...) Da ilicitude das “provas” A impugnante alega que: A primeira nulidade evidenciada no procedimento adotado está na iniciação de persecução criminaltributária antes do término (e mesmo do início) de processo administrativo de lançamento tributário; É que, conforme tem decidido o E. Superior Tribunal de Justiça, não se pode iniciar processo de investigação criminaltributária antes de configurada a condição objetiva de punibilidade do delito, que é a existência de crédito tributário; Além da invalidade do procedimento adotado, observase, também, que a investigação criminal não poderia ter sido realizada pelo Ministério Público Federal, eis que não tem legitimidade/competência para tanto; O fato de a investigação que deu origem à coleta das “provas” que embasam a presente autuação ter sido realizada pelo MPF é facilmente verificado no presente auto de infração; Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 56 18 Como se sabe, o ordenamento jurídico pátrio (constitucional e processual) – prevê que as investigações preliminares, que constituem a fase preparatória para a persecutio criminis, devem ser realizadas pelas autoridades policiais, e não pelo Ministério Público; Ainda que estivessem presentes as condições indispensáveis para a persecução criminal pelo MPF, a investigação feita é totalmente nula. Isto porque, conforme se depreende do auto de infração e documentos anexos, o MPF iniciou a sua investigação através de escuta telefônica sem autorização judicial; Lembrese que o MPF ligou para a autuada, forçou a suposta possibilidade de efetuar uma compra sem nota e gravou a ligação (repitase: sem qualquer autorização judicial); Como é de saber comum no meio jurídico, no Brasil não se permite a prática do chamado “flagrante preparado”, em que o agente investigador induz o investigado à prática de suposto crime; Como a presente autuação teve origem em “flagrante preparado”, caso em que não há que se falar em conduta ilícita da empresa, todos os atos relativos/decorrentes do “flagrante” são nulos, incluindo a presente autuação; Todos os elementos de “prova” são decorrentes da quebra do sigilo telefônico sem autorização legal. E, sendo nulo o procedimento que deu origem a coleta da “prova originária”, nulas também são as “provas” dele derivadas; Para sua admissibilidade no processo, é necessário que a prova tenha sido produzida em processo formado entre as mesmas partes, perante o mesmo Juízo, e submetido ao contraditório; Como as “provas” que deram origem aos presentes autos de infração foram produzidas em processo nulo, conduzido por Juízos diversos e entre partes distintas, elas não poderiam ser “emprestadas” para fundamentar o presente processo de lançamento tributário. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à impugnante. É que a ilegalidade/inconstitucionalidade do procedimento adotado pelo Ministério Público Federal, ou a ilicitude das provas que coletou, não poderão ser objeto de manifestação desta instância administrativa, já que o citado procedimento está sob a tutela judicial, de modo que a declaração de nulidade/ilicitude das provas decorrentes desse procedimento só poderá ser arguida junto ao próprio Poder Judiciário, em face do princípio da supremacia da decisão judicial em relação à administrativa. Assim é que toda a investigação realizada pelo Ministério Público Federal MPF, inclusive a gravação telefônica feita junto ao setor de atendimento da empresa, foi relatada em Juízo, no Pedido de Busca e Apreensão (f. 213 a 218). A autoridade judicial que apreciou o pedido deferiu, inicialmente, uma diligência nas dependências da empresa, para extração de cópias das informações, mas, atendendo a novo pedido do MPF, acolheu o pedido para apreensão de equipamentos da empresa (f. 223). Como se vê, a validade do procedimento do MPF foi referendada pela autoridade judicial que, inclusive, deferiu o Pedido de Busca e Apreensão. Dos vícios pela cópia dos arquivos A impugnante alega que: Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 57 19 A busca e apreensão realizada é abusiva e ilegal porque, diferentemente do determinado, foram copiados dados constantes nos computadores da autuada, e não apreendidos os equipamentos de informática pertinentes ao caso, conforme autorizado; Não cabe aos executores de ordem judicial fazer interpretações pessoais sobre o que pode e o que não pode ser apreendido. Cumprase a decisão, nada mais. Houve claro desatendimento ao comando judicial, o que invalida o procedimento e as informações colhidas; Arquivos eletrônicos apartados do hardware específico perdem sua integridade e autenticidade, e consequentemente seu valor probatório. Os dados foram apartados do ambiente eletrônico em que estavam depositados, considerando inclusive o estabelecimento de redes de informática com dados residentes em vários computadores. As cópias não consideram todas as informações que se interligam nesse ambiente; Os dados eletrônicos não foram validados, sendo impossível atestar sua autenticidade. O processo de cópia não foi realizado pela impugnante, sendo impossível saber, afinal de contas, qual a integridade dos dados copiados; Desta forma, verificase uma vez mais que as “provas” obtidas são inadmissíveis para os fins a que se destinam. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à impugnante. As informações digitais podem ser copiadas em mídia em disco (CD/DVD/HD) sem que haja perda de seu valor probante. Houve, inclusive, autorização judicial para “extração de cópias das informações obtidas” (f. 221 in fine). Os arquivos digitais com as informações extraídas dos arquivos mantidos pela fiscalizada foram acondicionados em caixas, as quais foram lacradas pelos Oficiais de Justiça que participaram da diligência à empresa, na presença dos representantes da autuada, conforme certidão de f. 231/234. O material foi entregue para guarda junto à Secretaria da Vara Federal de Execuções Fiscais de Blumenau. A alegação de que as informações obtidas carecem de autenticidade não está acompanhada de provas. Ademais, consta do TVI (item 32) que os representantes da empresa, acompanhados por seus advogados, retiraram cópias de todos os arquivos magnéticos e das impressões extraídas e apreendidas pela Justiça Federal. Por isso, competia à impugnante apontar objetivamente quais dados não são autênticos. Afinal, as informações analisadas têm origem nos equipamentos da impugnante, que então tem pleno conhecimento do que está registrado em seus arquivos. Como nada disso foi feito pela impugnante, suas assertivas carecem de qualquer valor probante. Da decadência A impugnante alega que: Sendo os tributos notificados sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para lançamento é de 5 anos contados do fato gerador. Considerando que a notificação ocorreu em 8 de outubro de 2008, constatase que os valores relativos ao período de março a setembro de 2003 foram atingidos pela decadência, segundo o que dispõe o art. 150, § 4º do CTN; Dúvidas não restam de que os fatos geradores encerramse em cada mês de apuração. Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à impugnante. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 58 20 Conforme exposto no item referente à qualificação da multa de ofício, deste voto, foram apurados fatos que indicam que à conduta da contribuinte esteve associado o intuito de fraude. O próprio texto do citado art. 150, § 4o, do CTN cuidou de excepcionar os casos de fixação de outro prazo em lei, se comprovada a ocorrência de dolo, de fraude ou de simulação. Entretanto, nesse último caso, a situação excepcionada não foi literalmente remetida a outra forma de contagem do prazo. Assim, a leitura perfunctória do comando legal parece sugerir a inexistência de prazo decadencial na hipótese em questão. Ocorre que é inafastável das relações jurídicas, mormente das de caráter obrigacional, o princípio da segurança jurídica, e o estabelecimento de prazos para pôr fim aos direitos obrigacionais é uma forma de materialização desse princípio. Destarte, há que se proceder a exame mais acurado da matéria com vistas a extrair a conclusão compatível com o escopo de preservar a segurança das relações jurídicas. Assim, a conclusão que se impõe é a de que a exceção para a contagem do prazo previsto no art. 150, § 4o, do CTN, em virtude da ocorrência de dolo, de fraude ou de simulação, visa associar à hipótese que envolva alguma dessas ilicitudes a regra geral prevista no art. 173, inc. I, desse mesmo Código. Tal conclusão também foi exposta no Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em Despacho de 18 de agosto de 2008, que trata da forma de contagem de prazos decadenciais relativos à contribuições previdenciárias, que são aplicáveis também às contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, afinal todas são contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social: f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art.173, do CTN; No caso em concreto, em relação ao anocalendário de 2003, período mais antigo lançado, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem ao final do período de apuração anual. Deste modo, poderiam ser objeto de lançamento no ano de 2004, razão pelo qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 1º de janeiro de 2005, terminando o prazo de cinco anos em 31 de dezembro de 2009. Entretanto, como os autos de infração de IRPJ e CSLL foram cientificados à contribuinte em 08/10/2008 (f. 1997/2055), não há impedimento legal à constituição do crédito tributário. Quanto às contribuições sociais PIS/Pasep e Cofins, cujo fato gerador mensal mais antigo ocorreu em 31/01/2003, poderiam ser objeto de lançamento no próprio exercício de 2003, de modo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 1º de janeiro de 2004, terminando o prazo de cinco anos em 31 de dezembro de 2008. Os respectivos autos de infração também foram cientificados à autuada em 08/10/2008. Deste modo, não houve constituição a destempo do crédito tributário. (...)" A meu ver, esses fundamentos não merecem reparos. É de se registrar que tais fundamentos da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 59 21 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Rejeito essas preliminares. Preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância. Aduz a Recorrente que a decisão de 1a. instancia deve ser anulada por falta de fundamentação, cerceamento do direito de defesa e argumentos contraditórios. A falta de fundamentação da Decisão estaria presente em vários momentos. Começa com a alta carga de presunções utilizada pelas autoridades julgadoras. O cerceamento do direito de defesa configurase na falta de fundamentação adequada da Decisão. De nada adianta assegurar uma suposta ampla defesa se o afastamento das alegações do contribuinte ocorrer sem a necessária fundamentação. Diz a Recorrente que a utilização de argumentos contraditórios e excludentes entre si, é verificada, por exemplo, quando os julgadores acatam as conclusões da fiscalização que levaram a uma absurda margem de lucro de 22,92%, totalmente irreal para um setor cuja margem varia de 1,5% a 4,7%, conforme dados extraídos de publicações do mercado. Pois bem. É importante frisar que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema faço referência às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 60 22 se aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” A recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Acerca das alegações de inconstitucionalidade, a despeito das objeções da contribuinte, importa observar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Deveras, o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal – art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. No Direito Brasileiro vigora o sistema de jurisdição única, cujo monopólio é do Poder Judiciário. Exerce a Administração Federal papel de órgão judicante por meio de suas Delegacias de Julgamento (DRJ), que não são reconhecidas como Tribunais Administrativos, pois não são dotadas de competência para exercer plenamente uma função jurisdicional na Administração, que culminasse com sentença irreversível (coisa julgada). Admitido que o objeto do processo administrativo tributário é o controle da legalidade do ato tributário (especialmente o lançamento), não poderia o órgão administrativo judicante decretar a anulação do ato tributário por incompatibilidade entre a lei que lhe serve Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 61 23 de fundamento e a Constituição. Deve se limitar o órgão julgador a verificar a legalidade do lançamento praticado, sem perscrutar da validade das normas jurídicas que lhe servem de fundamento, função reservada aos órgãos jurisdicionais. Nem se admite que possam os Tribunais Administrativos simplesmente afastar a aplicação de lei sob a alegação de sua incompatibilidade com a Constituição, porque estariam, ainda assim, usurpando a competência dos órgãos jurisdicionais, na medida que, para deixar de aplicar uma lei vigente ao caso concreto, impõese um juízo prévio acerca de sua incompatibilidade com o sistema, o que não é admitido para os órgãos administrativos, implicando afronta à cláusula pétrea da separação dos poderes. A esse respeito já foram editadas Súmulas do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigidas: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao contrário do que afirma a Recorrente, verificase que a decisão atacada enfrentou de forma didática todas a matérias em litígio trazidas na peça impugnatória. As questões foram abordadas tópico a tópico, na mesma ordem da impugnação, inclusive sintetizando as alegações de defesa, conforme já transcrito em parte neste voto. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e, caso este colegiado entenda que os fundamentos de 1a. instância sejam contraditórios, portanto insuficientes para confirmar as exigências, o correto não é cancelar a decisão recorrida e sim o auto de infração. Rejeito, também a preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância. MÉRITO Incorreta Adoção do Lucro Real no Lançamento de Oficio. Quanto a essa alegação entendo que cabe razão à contribuinte, isso porque o procedimento fiscal consistiu apenas em somar as receitas consideradas omitidas ao lucro real apurado pela Contribuinte nos trimestres fiscais sob auditoria (demonstrativos às fls. 1953 e 1954). Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 62 24 Desde a impugnação a Contribuinte alega que esse procedimento simplório implicou em distorção nas apurações dos tributos devidos, haja vista que as alíquotas incidiram diretamente sobre as receitas e não sobre os lucros. Aduz a Recorrente (verbis): “(...) 73. Em sua Impugnação, a empresa demonstrou o absurdo dos valores notificados, demonstrando claramente a total incongruência em afirmar que R$ 90 milhões teriam transitado sem deixar vestígios — considerando inclusive a informação da própria Receita Federal de que as movimentações da empresa e dos sócios não eram incompatíveis com a renda declarada. Também demonstrou que a margem de lucro apurada a partir das informações utilizadas pelas autoridades notificantes é completamente irreal e absurda, provando tal fato (fls.). 74. Em resposta, a autoridade julgadora limitouse a afirmar que o montante poderia "perfeitamente ter sido mantido à margem de sua escrituração contábil e fiscal" (fl. 2.268 — verso), e que os valores "podem não ter transitado por contas bancárias de titularidade da empresa ou de seus sócios" (fl. 2.268 — verso). Quanto à margem de lucro, afirmou que a variação "pode ser decorrente, por exemplo, de custos não escriturados [...] ou de despesas extraordinárias" (fls. 2.268 —2269). Por fim, conclui: "Deste modo, os fatos apresentados pela impugnante podem ser atribuidos a várias razões, não sendo possível qualquer conclusão." (fl. 2.269). 75. Não houve, como visto, fundamentação consistente para repelir os fatos descritos pela Recorrente, como já descrito acima. As constatações trazidas pela empresa são baseadas em argumentos robustos e provas contundentes, a denunciar a irrealidade dos números apurados pela fiscalização. t preciso ressaltar os principais aspectos. 76. Como demonstrado na Impugnação, a própria Receita Federal constatou a inexistência de movimentação incompatível da empresa ou de seus sócios (doc. anexo A Impugnação): (...) 80. A outra face do evidente absurdo da notificação, sem entrar em seu mérito, está na irreal margem de lucro apurada a partir do levantamento fiscal. As autoridades fiscais chegaram a conclusão de que haveria omissão de receitas no período de 2003 a 2007, no importe de mais de R$ 90 milhões, e de que a totalidade da omissão de receitas seria igual ao total do lucro apurado sobre essa suposta omissão, de forma que a base de lucro para tributação seria o mesmo montante de R$ 90 milhões. 81. Como consequência, os trabalhos fiscais resultaram na notificação do absurdo valor de R$ 126.114.854,64 (fl. 2.076), demonstrando a completa falta de sustentação do lançamento. 82. A empresa demonstrou que, de acordo com a notificação, teria obtido uma absurda margem de lucro de aproximadamente 23% (vinte e três pontos percentuais) no período fiscalizado. É uma margem absolutamente irreal considerando o ramo de atividade da Recorrente, cuja lucratividade não está no valor agregado aos produtos, mas no giro de seu estoque. (...) Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 63 25 85. Demonstrou também, em sua Impugnação, que esta fantástica margem de lucro, de 22,92%, não é encontrada em nenhum outro ramo de atividade (nem o bancário). Para o ramo de atividade da Recorrente — comercio atacadista — a margem normal varia de 1,5% a 4,7% (docs. anexos à Impugnação): (...) 232. Defendeu a Recorrente, na Impugnação, que se a "prova" apresentada (arquivos eletrônicos) pela fiscalização para justificar e quantificar o lançamento comprovasse a existência de omissão de receitas, nos moldes apontados pela fiscalização, então a situação seria de arbitramento de lucro (RIR/99, art. 530, inciso II, alínea 61..151) . 233. Não se afirmou que os livros da empresa, ou sua contabilidade, seriam imprestáveis para apurar o lucro tributável. Como já esclarecido, a situação a que foi levada a empresa, com a notificação em valores tão absurdamente elevados, e o conteúdo da "prova" utilizada pelos agentes fiscais para sustentar o ato agora atacado, leva ã. constatação de que, se essas provas realmente fossem consideradas válidas, tornase insustentável manter a apuração do lucro real, se adota das as premissas da fiscalização. 234. Se alguma irregularidade houvesse, e isto se admite apenas para argumentar, então a situação seria de desclassificação da contabilidade, implicando no conseqüente arbitramento do lucro, como reiteradamente tem decidido a jurisprudência administrativa: (...)” O colegiado de 1a. instância superou tais alegações sob o fundamento de que a simples apuração de receitas omitidas não implica o arbitramento do lucro, pois a presunção é de que os custos e despesas já foram considerados na escrituração. Assim não entendo. Os elementos reunidos na Auditoria Fiscal, cujo foco foi apurar as receitas omitidas implicam, por si só, na imprestabilidade da escrituração da empresa para apuração do IRPJ e CSLL pelo Lucro Real, bem como do PIS e Cofins não cumulativos. A base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/77, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Ao se deparar com omissões de receitas que representavam mais de 32% das vendas contabilizadas, que implicavam em elevar o Lucro Real da empresa para 23% das receitas apuradas, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor seria o arbitramento dos lucro, bem como a apuração do PIS e Cofins no regime cumulativo. Isso porque: i) no lançamento de ofício, se presentes as condições, o arbitramento é impositivo e não facultativo, inexistindo meio termo; Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 64 26 ii) Tal qual o lançamento de tributos de oficio, o Arbitramento não é penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em face da ocorrência do fato gerador. iii) O Arbitramento de lucros é uma modalidade de tributação que deve ser levada a efeito exatamente pela impossibilidade do lucro real ou do lucro presumido (cuja natureza não estamos tratando aqui). No caso dos autos, verificase, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais. Diante de todos esses elementos, há que se reconhecer a perfeita subsunção dos fatos apurados pela fiscalização à hipótese legal de arbitramento da base de cálculo do tributo, definida no art. 148 do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 in verbis: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora , mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujei to passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado , ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial” .Grifei Tal fato ocorre também nos casos em que a contabilidade da empresa apresentar deficiência ao ponto de registrar cerca de dois terços das operações, ou seja, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar volume tão expressivo das vendas realizadas. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, em que parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita e não sobre o resultado. No caso dos autos a falta de escrituração corresponde a valores vultosos, sendo que o correto seria mesmo a aplicação do arbitramento, o que não foi feito, implicando em grave distorção da base de cálculo, que deixou de ser o lucro e sim parte das receitas da contribuinte. Conforme bem elucidado por Maria Rita Ferragut In Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 137/152), a palavra arbitramento foi utilizada Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 65 27 neste contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais , ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato . Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que caracterizada a imprestabilidade da escrituração, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado) e, nas palavras da autora (págs. 138/139): “Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar , ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. (...) A questão da discricionariedade tornase relevante quando nos deparamos com a ocorrência de fato jurídico descritor de evento típico provado de forma direta ou indireta, mas que não permite a identificação da grandeza daquilo que a Lei dispõe como sendo a base de cálculo , ensejando assim a aplicação do atonorma de arbitramento” (Grifei). Nestes termos, a impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo originária é condição necessária e suficiente para a aplicação do arbitramento. Arbitrar a base de cálculo do tributo, nestes casos, é deverpoder da Administração Tributária, previsto no acima transcrito art. 148 do CTN. A referendar o entendimento acima esposado, as disposições da legislação infraconstitucional e infralegal, ao disciplinar as hipóteses de cabimento do arbitramento da base de cálculo, assim dispõem, in verbis: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real (...), não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e f iscais , ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identif icar a efetiva movimentação f inanceira , inclusive bancária; ou determinar o lucro real . III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os l ivros e documentos da escrituração comercial e f iscal (...); ................................................................................................ Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 66 28 VII – o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou f ichas uti l izados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário” . Decorre destes dispositivos, que a manutenção de escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, requer não apenas a simples apresentação dos registros realizados nos livros correspondentes, mas a individualização das operações ali consignadas e a identificação das partes envolvidas, de forma a possibilitar o confronto com a necessária documentação fiscal que lhe dá suporte. Afora destes pressupostos, não se pode admitir a existência de escrituração regular. Repitase o arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. O artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 530 do RIR/99 quando a escrituração do contribuinte tornarse imprestável à determinação do Lucro Real. A doutrina pátria corrobora o entendimento acima exposto, conforme se verifica do excerto da obra de Heleno Taveira Torres, Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites ao Uso do PRL60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03, abaixo transcrito: “(...)Da Constituição, no seu art. 145, § 1°, ao próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese vêse justificativa para tributação com base em presunções absolutas; o que vale do mesmo modo para a negativa de aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. (...) Ao Direito tributário importa, com exclusividade, só a verdade material, para a qual certas presunções legais somente valem como hipóteses sujeitas a confirmação pela base natural de testabilidade: a situação fática tomada como motivo para a edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha por ocorrido tal como o supunha a norma, deve ser aberto ao contribuinte o direito de demonstrar, mediante produção de prova em contrário, a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em louvor da verdade material. Sobre o uso das presunções legais no direito tributário, pela circunstância de alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis de serem alcançados para tributação e pela exigência de demonstração de provas, por parte das autoridades administrativas, a cada ato de lançamento tributário, em favor da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de afetar os princípios de segurança jurídica e interdição do arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito claros. Primeiro, tais presunções só poderão ser de ordem probatória (presunção simples ou hominis); e, quando criadas por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 67 29 de meios e formas. Segundo, a Administração deve respeitar o caráter de subsidiariedade dos meios presuntivos, pois só de modo excepcional se deve valer deles, na função de típica finalidade aliviadora ou igualdade de armas, nas hipóteses em que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque a verdade material é o parâmetro absoluto da tributação, qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada com estrito respeito aos direitos fundamentais, e a legalidade, acompanhada de devido processo legal e sem qualquer espécie de discricionariedade que leve ao abuso de poder (...).” Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – deve se apoiar em bases sólidas, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Isso porque, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal atuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A Jurisprudência deste Conselho é sedimentada neste sentido, a exemplo dos seguintes acórdãos, cujo ementa transcrevo: OMISSÃO DE RECEITAS Tratandose de medida extrema, o arbitramento do lucro somente se justifica quando a escrituração contábil mantida pelo sujeito passivo contiver erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinação do lucro real. Omissão no registro de receitas, principalmente quando apuradas as irregularidades e quantificado o montante desviado do giro normal, constituem fatos que não se enquadram nas hipóteses descritas pelos artigos 399 e 400 do RIR/80. (Acórdão nº 10184.644/93) “ESCRITURAÇÃO IRREGULAR E INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO – A escrituração em desacordo com a legislação comercial, como lançamentos não individualizados, sem identificação de compradores e vendedores e inexistência de ordem cronológica, e a falta de exibição dos documentos acarreta a sua desclassificação e o arbitramento do lucro” [Acórdão 1º CC 1051.767/86]. "IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbelhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (RIR/99, Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 68 30 art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. 0 arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida." (1° CC —3° Camara — Ac. 10323251 de 07/11/2007) "IRPJ/CSL — ARBITRAMENTO — ART. 42 DA LEI 9430/96 — DESPROPORCIONALIDADE — Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não sela proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b")." (1° CC — 8a Câmara — Ac. 10808953 de 16/08/2006) "IRPJ E CSLL, IRFONTE E PISREPIQUE DECORRENTES. OMISSÃO DE RECEITA COM AMPARO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. ADOÇÃO ESPONTÂNEA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL INEQUÍVOCA. "EXIGÊNCIA DE OFÍCIO COM AMPARO NA ESCRITURAÇÃO.LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. A tributação das receitas omitidas não pode alhearse ao regime de tributação a que estiver vinculado, por lei, o contribuinte. Se imprestável a escrituração contábil por inequívoca constatação, o lançamento de ofício deve curvarse às regras de arbitramento dos lucros, submissas aos requisitos, condições e capitulações próprias desse regime. Desatendidos tais postulados ou princípios, maculada estará a eficácia do ato praticado, com assinalado e insanável comprometimento da imposição fiscal. " Grifei (1o.CC 7a. Camara AC. 10707.132 de 13/05/2003). “ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciado a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b").” Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 1301000.425. em 11/11/2010). Frisese que o Acórdão 1301000.425, acima citado, cujo voto é da lavra do ilustre Conselheiro Fazendário Paulo Jackson de Lucas, foi decidido à unanimidade e não foi objeto de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou seja, inexiste paradigma em sentido contrário nessa materia. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 69 31 Verificase também a existência de julgados antigos deste Conselho no sentido de afirmar que o arbitramento dos lucros é salvaguarda do crédito tributário, posto a serviço da Fazenda Pública, não podendo ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado com base na escrituração. No entanto, tal Acórdão de nº 10174.262, de 14 de abril de 1983, relatado pelo saudoso Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, tratava de situação fática completamente distinta na qual já havia sido anteriormente cancelada a exigência formalizada com base no lucro arbitrado, por haver comprovado a empresa a existência de escrituração comercial e, conseqüentemente, pleiteado a utilização do lucro real como base de cálculo. Para bem elucidar a problemática e o contexto desta decisão, transcrevemse excertos do voto: “(...) Sua pretensão [da recorrente] foi aceita porque a regra é que a incidência do imposto se faça sobre os resultados contidos na contabilidade da empresa, ainda que, para tanto, a fiscalização tenha de promover as glosas e as adições necessárias a ajustálo aos ditames da Lei fiscal. Não se vai, contudo, ao extremo de reconstituir a escrita do contribuinte, mas, desde que seja possível , preservála , não deve realmente a autoridade fiscal considerála imprestável e, desde logo, arbitrarlhe os lucros. A determinação pela administração da base de cálculo do imposto é um procedimento excepcional que a Lei estabelece como salvaguarda do crédito tributário, portanto, no interesse da Fazenda Pública e só pode ser uti l i zado nas hipóteses expressamente autorizadas (DecretoLei nº 1.648/78, arts. 7º e 8º). Do exposto, inferese que o fiscalizado, que esteja sujeito ao pagamento de imposto com base no lucro real, não pode invocar o arbitramento dos seus lucros, pois, se assim fosse, tornarseia forma de evasão f iscal , com o desvirtuamento de suas f inalidades . Ao invés de proteger o crédito tributário, seria instrumento para sua elisão. Qualquer interpretação nesse sentido implica redução ao absurdo e, como tal, deve ser afastada. Se a Fazenda Pública conclui que a contabilidade da pessoa jurídica oferece condições para a tributação com base no lucro real, o contribuinte não pode oporse à forma estabelecida por Lei” [grifos acrescidos]. Naqueles autos, além de haver prova préconstituída da manutenção de escrituração comercial e fiscal a validar a tributação com base no lucro real, a contribuinte opôs dúvidas sobre a veracidade de sua escrituração simplesmente para obter o restabelecimento do lançamento original com base no lucro arbitrado, por lhe ser, afinal, mais favorável. Flagrante a manipulação pretendida dos dispositivos legais em favor de seus próprios interesses. No presente caso, reitero que a manutenção da exigência de omissão de receitas, no âmbito da tributação do lucro real, implicaria a deturpação da base de cálculo do tributo, na medida em que se estaria tributando diretamente o valor da receita omitida, sem a consideração dos custos e despesas correspondentes, também não regularmente escriturados e declarados. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 70 32 Portanto, em face da legislação em vigor, provada a imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, a imputação de omissão de receitas somente se sustentaria sob as regras do lucro arbitrado, devendo ser canceladas as exigências por ter sido indevidamente mantida a opção da contribuinte pelo lucro real. Cumpre então cancelar as exigências, inclusive do PIS e Cofins haja vista que no Arbitramento de Lucros tais contribuições devem ser apuradas no “regime cumulativo” sendo que os autos de infração tributaram as diferenças apuradas pelo “regime não cumulativo”. Pis e Cofins Lançados de Ofício. Dedução na base de cálculo do IRPJ/CSLL. Com a devida vênia, o nobre relator da decisão recorrida equivocase em suas premissas para não glosa essa dedução. Isso porque o lançamento de ofício não implica em suspensão automática da exigibilidade do crédito tributário, que somente irá ocorrer se o contribuinte apresentar impugnação com fulcro no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Outrossim, a penalidade em razão de infrações à legislação tributária, aplicadas em lançamento de oficio são as multas proporcionais estabelecidas no art. 44 da Lei 9.430/1996, tal qual aplicado neste processo, jamais a majoração indevida dos tributos (IRPJ e CSLL). Em verdade, não há qualquer dispositivo legal que vede essa dedutibilidade, ao contrário, o melhor entendimento da legislação é no sentido de que o autoridadefiscal deve reconstituir o lucro liquido e o lucro real do contribuinte para apurar os tributos devidos. Nessa reconstituição devem ser consideradas as deduções (custos e despesas) verificadas pelo Fisco, não só pela observância do art. 142 do CTN, mas também pelo próprio principio da lealdade da administração (tributária) para com os administrados (contribuintes). Esclareço que não se trata de uma despesa com dedução condicional. Na hipótese de erros ou exonerações que impliquem no cancelamento do PIS e Cofins, sem a possibilidade de ajuste no IRPJ/CSLL, cabe ao contribuinte, após o transito em julgado, oferecer a tributação esse ganho. Do contrário estará sujeito a novo lançamento de ofício. Neste sentido são várias as decisões deste Conselho, vejamos: PIS e COFINS BASE DE CÁLCULO IRPJ – DEDUÇÃO. A apuração da base de cálculo do IRPJ, quando há omissão de receitas pelo contribuinte, será eleita de forma direta, pois a omissão é tributada como renda isolada. Contudo, devese deduzir das referidas bases de cálculo os valores referentes a lançamentos de ofício das contribuições ao PIS e da COFINS e dos juros incidentes sobre tais contribuições, até a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Pelas mesmas razões é permitida a dedução da CSLL da base do cálculo de IRPJ para os anoscalendário de 1995 e 1996. 1a. Conselho. Acórdão 10809.526 Grifei. A Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou a questão em vários julgados, dentre os quais: Acordão CSRF/0105.750 de 3/12/2007, CSRF/0105.585 de 5/12/2006, CSRF/0105.368 de 6/1/2005, CSRF/0102.596 de 15/3/1998. Vejamos a ementas: Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 71 33 “IRPJ – DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ: Na ausência de proibição legal específica, o lucro real para ser correto deve ser reduzido por quaisquer rubricas que o afetam, independentemente da iniciativa de apuração partir da empresa ou do fisco. Até a edição da Lei nº 9.316/96 não havia norma que vedasse a referida dedução.” Acordão CSRF/0105.750 de 3/12/2007. “IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS – Correta a dedução de tributos, normalmente dedutíveis, no lançamento ex officio de outros tributos exigidos correlatamente, pois a natureza da obrigação não se desnatura por ser oriunda de ato de exigência do próprio fisco, sob pena de se tributar parcela não correspondente à base de cálculo.” Acórdão CSRF/0105.585 de 5/12/2006. Frisese que em relação à CSLL há expressa vedação legal para que seja deduzida da base de cálculo do IRPJ (Lei 9.316/1996). Concluo, pois, que o PIS e Cofins, lançados de oficio (na mesma ação fiscal), devem mesmo ser deduzidos da base de calculo do IRPJ e CSLL. Multa de oficio Isolada concomitante com a multa proporcional. Quanto a matéria em epígrafe, possuo entendimento sedimentado, no sentido da inaplicabilidade da multa de oficio isolada concomitante. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: "MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual." Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: “ (...) No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 72 34 ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 73 35 própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. (...)” Reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas, mesmo após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. Isso porque, é sabido que um dos fatores que levou a mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que a época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: “(...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; (...)” Grifei. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o. , excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é indevida. Portanto, as multas de oficio isoladas, por falta de recolhimento das estimativas devem ser mesmo exoneradas. Multa regulamentar por omissão de dados nos arquivos magnéticos (digitais) Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 74 36 No Termo de Verificação (pagina 26), fl. 1971 dos autos, esse item da autuação traz a seguinte descrição: "A omissão deliberada dos arquivos de itens de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias do anocalendário de 2006, equivale à omissão de todas as operações relacionadas aos respectivos campos destinados aos itens nas notas fiscais, ensejando a aplicação do percentual de 5% sobre todos os seus valores. Vale dizer, o percentual deve ser aplicado sobre os valores totais de todas as notas fiscais emitidas pela empresa." A penalidade foi mantida na decisão de 1a. instância pelos seguintes fundamentos: "(...) Pretende a impugnante diminuir a importância dos registros de itens que não foram fornecidos à fiscalização, asseverando que as informações do registromestre seriam suficientes, e que o relatório FA333 permitiria a consulta a dados individuais de notas fiscais. É preciso esclarecer que a apresentação de arquivos digitais, em formato padronizado, objetiva viabilizar o manuseio de informações referentes à atividade da empresa, pela fiscalização, mediante o uso de técnicas computacionais. A profusão de dados armazenados por determinadas empresas torna praticamente inviável a atividade de auditoria manual. Por isso é que a legislação prevê que arquivos digitais sejam colocados à disposição do fisco, em formatos pré definidos, obrigação esta que, se descumprida, sujeita o infrator às penas cabíveis, independentemente da intenção do agente, pois a lei não faz tal distinção. No caso em análise, consta que a empresa deixou de apresentar arquivos de itens referentes a operações de entradas e saídas do anocalendário de 2006. Os registrosmestre possuem valores totais, mas não possuem informações referentes a cada mercadoria objeto de uma nota fiscal, tais como classificação fiscal, preço e quantidade. Portanto, a ausência dessas informações impediria, por exemplo, a quantificação das entradas e saídas de determinada mercadoria, em determinado período, para fins de conferência do livro de registro de inventário. Ante a existência de milhares de registros de itens, é de se concluir pela inviabilidade de realizar essa apuração manualmente, ou mediante consulta ao relatório FA333 de notas fiscais. Por outro lado, a empresa possui um sofisticado sistema informatizado de controle de suas operações, como ficou demonstrado pelas telas do sistema, cujas cópias constam dos autos. Deste modo, tinha plenas condições de produzir os arquivos solicitados, que, em verdade, são simples cópias de dados constantes em determinados arquivos digitais mantidos no sistema informatizado, que só a empresa pode identificar. Ao negar apresentar essas informações, deixou clara a intenção de obstaculizar a ação fiscal. Evidenciandose, assim, o descumprimento de obrigação acessória, é de se referendar a aplicação da multa prevista expressamente para essa infração. (...)" Ocorre que tal qual alegou a Recorrente, nas páginas 8 e 11 do Termo de Verificação está registrado nas notas de rodapé ns. 5 e 6 que os arquivos apreendidos já continham um relatório (FA333) que permite consulta à listagem e a dados individuais de notas fiscais. Ora, se Fiscalização já estavam de posse dos arquivos de itens de notas fiscais não é cabível a aplicação da penalidade justamente pela Falta desses arquivos. E mais, o arquivo mestre fornecido pela Recorrente apresenta informações que representam o suporte para os lançamentos contábeis: dados do emitente e destinatário, valores de mercadorias, frete, impostos, despesas acessórias e data de emissão. O arquivo de Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 75 37 itens traz informações operacionais das notas fiscais. Logo, pode afirmar que o arquivo mestre é o arquivo principal, necessário e suficiente para representar os lançamentos contábeis e fiscais da empresa. Uma vez que os arquivos mestres fornecidos pela recorrente estavam em perfeita ordem, sem omissões ou incorreções final capazes de prejudicar a leitura e análise dos dados tributariamente relevantes para a Receita Federal e, principalmente, A Fiscalização pode apurar todos os dados que considerou relevante para lavratura dos autos de infração pelo Lucro real, revelase completamente contraditória a aplicação da penalidade por falta de dados nos arquivos magnéticos. Portanto, essa penalidade também deve ser cancelada. Multa de oficio qualificada No auto de infração exasperouse a penalidade ao percentual de 150%. No TVI (f. 1967 a 1971), a fiscalização fundamenta a qualificação da multa, da seguinte forma: " (...) 85. Numa análise objetiva, é claro o enquadramento da omissão de receitas de vendas praticada, na definição de sonegação contida no art. 71 da Lei nº 4.502/64. pois que caracterizada uma ação de caráter doloso e que impediu ou retardou o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. 86. Ficou absolutamente claro que, no período de 2003 a 2007, a empresa manifestamente empregou meios de manipular seus dados e registros comerciais, adequando a estrutura de seus sistemas informatizados à sua decisão de evitar a escrituração de parte de suas transações comerciais. Essa voluntariedade plena sobre sua conduta configura o dolo, pois que não há como negar que a SEGALAS agiu conscientemente de seus atos. 87. Assim, coube a fiscalização aplicar a multa qualificada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96." A penalidade mais gravosa foi mantida pela decisão de 1a. instância com base nos seguintes argumentos (fl. 2295): "(...) Conforme apreciação já feita, os registros digitais da empresa apontaram a existência de receitas omitidas da tributação, ao longo de cinco anoscalendário, em valores vultosos. Assim, o reiteramento da conduta e a expressividade dos valores corroboram o entendimento de que não se trata de ato involuntário, mas de conduta dolosa determinante de aplicação de multa qualificada. Os elementos de prova trazidos pela fiscalização não foram infirmados pela impugnante e demonstram claramente a intenção deliberada de subtrair da escrituração receitas auferidas, não cabendo, por isso, cogitar da aplicação do benefício da dúvida." Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 76 38 Todavia a conclusão de que a empresa incorreu em omissão de receitas está calcada em fatos indiciários, inexistindo nos autos prova cabal desse prática, conforme reconhecido pela propria decisão recorrida(fl. 2282): "(...) Embora a impugnante sustente que não existem provas contundentes da existência da omissão de receitas, verdade é que se as provas apresentadas pela fiscalização, consideradas individualmente, possam ser tidas, pela impugnante, como inconclusivas, o mesmo não se pode dizer em relação ao conjunto de elementos de prova. É que a comprovação material pode ser feita não somente pela apresentação de prova direta, por si só, concludente, mas também por meio de um conjunto de indícios ou provas indiretas, que se isoladamente nada provam, conjuntamente têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Sobre o assunto, o tributarista Alberto Xavier assim se manifesta (in “Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Editora Forense, 1998, pág. 133): Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta préconstituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras de experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que no caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. No caso em concreto, todos os elementos de prova e circunstâncias apontam para a mesma direção, ou seja, o conjunto probatório indica, sim, a existência de um sistema informatizado de controle de vendas não registradas na escrituração fiscal da empresa. De se ver. (...)" Ora, se a autuação está calcada no conjunto dos indicios, inexistindo prova material direta da omissão de receitas, tal pouco qualquer conduta do contribuinte enquadravel nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964, então a multa de oficio deve ser reduzida ao percentual de 75%. Consoante asseverado pela recorrente, as conclusões de "intenção deliberada" partiram de inferências pessoais e não servem para sustentar a aplicação de multa qualificada, que requer prova material dessa conduta. Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13971.004154/200809 Acórdão n.º 1202001.065 S1C2T2 Fl. 77 39 A simples omissão de receita não justifica a exasperação da multa, conforme enunciado na Súmula n° 14 do CARF. Nessa linha de entendimento destaco o seguinte acordão: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OF(C10. — EXASPERAÇÃO. — A qualificação da penalidade pecuniária por ocorrido simples apuração de omissão no registro de receitas está pacificada no âmbito deste Conselho, e foi traduzida na Súmula n° 14: 'A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. " (1° CC — 1a âamara — Ac. 101 95793 18/10/2006) No caso presente, a natureza ou as circunstâncias materiais do fato partem de suposições ou supostos "raciocínios lógicos", sem prova robusta dos fatos ou esforço dos agentes fiscais em buscar a verdade, logo, não se sustenta a aplicação da multa qualificada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar as exigências do IRPJ e Reflexos, ,bem como das penalidades isoladas, inclusive multa regulamentar e multa qualificada. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 31 /01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 13839.903617/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 140 1 139 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903617/200914 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.606 – 1ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto Compensação Recorrente BIC BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 03 61 7/ 20 09 -1 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903617/200914 Resolução nº 3801000.606 S3TE01 Fl. 141 2 Relatório Trata o presente caso de Declaração de Compensação transmitida pela Recorrente em 12/12/2005 através da qual se objetivou a compensação de débitos da COFINS referentes ao período de apuração de novembro/2005 . Segundo a Recorrente, os créditos que embasariam referida compensação teriam sua origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e do COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo artigo 14, § 2°, inciso 1, da Medida Provisória n°. 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. Anotese que referidos créditos foram objeto do Pedido de Ressarcimento n.º 20474.76519.170604.1.2.040083, em discussão no processo n.º 13839.912090/201133, transmitido em 17/06/2004, referentes ao período de apuração de setembro de 1999. O pleito foi indeferido conforme Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, que restou julgada improcedente pela DRJ de origem, conforme acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. PIS. CRÉDITO VEDADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903617/200914 Resolução nº 3801000.606 S3TE01 Fl. 142 3 Não poderá ser objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário de fls, perpetrando os mesmos argumentos suscitados em sua defesa inicial. É o que importa relatar. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903617/200914 Resolução nº 3801000.606 S3TE01 Fl. 143 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, o principal fundamento apontado pelo acórdão da DRJ de origem para o indeferimento do pleito consiste no fato do Pedido de Ressarcimento em que são efetivamente discutidos os créditos utilizados na Compensação ora pleiteada, estarem sendo tratados nos autos de outro processo administrativo, impossibilitando assim sua análise nos presentes autos. Nesse sentido, havendo vinculação desse processo ao ressarcimento supra apontado e dependendo o resultado da compensação do crédito ainda em discussão no processo administrativo n.º 13839.912090/201133, voto por converter o presente julgamento em diligência para os fins de remetêlo à DRF de origem para que aguarde o julgamento final do mesmo e após junte cópia integral a esse processo, retornandoo para julgamento nesse Conselho. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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