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Numero do processo: 37342.000536/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 34 2. 00 05 36 /2 00 5- 87 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 175DF CARF MF Processo nº 37342.000536/200587 Acórdão n.º 2201004.242 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 176DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 37342.000536/200587 Acórdão n.º 2201004.242 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 178DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora.” Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901945/2014-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 94 5/ 20 14 -7 5 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10675.901945/201475 Resolução nº 1201000.468 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10675.901945/201475 Resolução nº 1201000.468 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.720028/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2007 a 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE.
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
Numero da decisão: 3401-005.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 28 /2 01 2- 32 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 261 2 Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de exigência do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI formalizada em auto de infração, para os períodos de 10/01/2007 a 28/02/2007 no valor de R$2.990.226,21. Segundo a descrição dos fatos de fl. 04 e o relatório fiscal de fls. 11/14, houve recolhimento a menor de IPI, em janeiro e fevereiro de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. A contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 35/63, que foi julgada pela DRJ de Ribeirão Preto, acórdão nº 1438.747, de 26/09/2012, e por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário devido. Inconformada a empresa apresentou recurso voluntário aduzindo em sua defesa as seguintes razões: por contratar o frete nas vendas dos seus produtos, bem como computálo no preço de venda, faz jus ao crédito presumido de IPI instituído pelo art. 56 da MP nº 2.158 35/2001; é incontroverso o fato de que a impugnante contratou a empresa prestadora do serviço de transporte dos produtos por ela vendidos; faz jus ao crédito presumido porque na formação do preço de venda dos produtos industrializados inclui as demais despesas incorridas pela empresa, entre as quais as despesas com frete; conforme demonstrativo fica comprovado que o frete foi considerado no cálculo da margem de contribuição e, conseqüentemente, na fixação do preço de venda; a doutrina também sustenta que as despesas são consideradas pelas empresas na formação do preço de venda; em sua contabilidade gerencial, como contrapartida à receita de venda, escritura separadamente a parcela do frete que integrou o preço de venda; não podem ser exigidas importâncias correspondentes às saídas ocorridas entre os dias 1º e 8 de janeiro de 2007, em razão do decurso do prazo de cinco anos até a ciência do auto de infração; conseqüentemente, as glosas dos créditos presumidos decorrentes das notas fiscais emitidas nesse período, também não podem ser mais efetuadas, razão pela qual esperase a declaração de decadência para essas saídas; Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 262 3 o auto de infração deve ser cancelado por falta de amparo legal, inclusive porque baseado em instrução normativa; contesta a futura aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; requer a realização de diligência, com base no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de apurar a verdade dos fatos; apresenta os quesitos. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente a recorrente entende que o auto de infração deve ser cancelado porque foi baseado em Instrução Normativa, não havendo base legal para sua lavratura. Entendo não assistir razão à recorrente já que consta no Auto o enquadramento legal do dispositivo infringido: E ademais o art. 56 da MP 2.15835/2001 autoriza a Secretaria da Receita Federal a estabelecer termos e condições para o usufruto do regime, e ela assim o fez ao editar a Instrução Normativa nº 91/2001: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.(grifos meus) Portanto, rejeito o pedido de cancelamento do auto de infração já que o mesmo possui fundamentação legal pertinente e a Secretaria da Receita Federal possui competência legal para editar norma para o usufruto do regime. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 263 4 Quanto ao pedido que seja declarada a decadência para as saídas ocorridas entre os dias 1º e 8 de janeiro de 2007, pelo decurso de prazo de cinco anos, o assunto já foi enfrentado pela DRJ no acórdão recorrido. É certo que o IPI é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre após cinco anos do fato gerador, expressa ou tacitamente pela administração. Somente que no caso em análise estamos diante de glosa de crédito presumido de IPI, que deveria ser escriturado ao final de cada decêndio. Para o período de 1º a 8 de janeiro de 2007 a escrituração foi efetuada em 10/01/2007, conforme consta do Livro de Registro do IPI acostado aos autos, e a ciência do auto de infração ocorreu em 09/01/2012, portanto, apesar de no último dia, mas dentro do prazo legal. A DRJ assim se manifestou no acórdão recorrido: Além disso, no que diz respeito às infrações relativas às glosas de crédito, podemos abstrair que quando o artigo 150 do CTN prescreveu em seu parágrafo 1º que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, fica evidenciado que não é a partir do creditamento (escrituração) no RAIPI do contribuinte, do crédito que ele entende correto, que o fisco teria o prazo para homologar o lançamento, e sim a partir da data da sua efetiva utilização que o prazo de decadência começa a fluir. Mesmo porque os artigos 150, § 4º, e 173 do CTN tratam de decadência tributária, ou seja, decadência do crédito tributário. Também está claro no art. 150 do CTN, em seu § 2º, que o pagamento antecipado é um ato apenas do sujeito passivo, e não do fisco, e que este ato do sujeito passivo só tem motivação de ser por estar vinculado ao fato gerador do tributo, que é o principal na relação fiscocontribuinte. Dizse que o acessório segue o principal, por isso a homologação se dá a partir do principal, ou seja, a partir do fato gerador do tributo, e que este pagamento antecipado por parte do contribuinte é que extingue o crédito tributário principal sob condição resolutória, e é a combinação do fato gerador com o pagamento antecipado que está sujeito a homologação pelo fisco, e não da atividade de se creditar em um RAIPI de um valor (suposto crédito) que o sujeito passivo entende correto. Da mesma forma é o parágrafo 3º, do mesmo artigo 150, quando prevê que quaisquer atos exercidos pelo sujeito passivo antes da homologação, pelo fisco, no intuito de extinguir o crédito tributário, total ou parcialmente, não influenciam na obrigação tributária. Perguntase, quais são esses atos? Um exemplo desses atos é exatamente o creditamento por parte do sujeito passivo em seu RAIPI de um crédito que entende possuir perante o fisco que depois é usado para compensar com o débito do IPI. Este também é um dos motivos de que o creditamento puro e simples por parte do contribuinte, sem a sua utilização não gera consequência tributária alguma. Não há um crédito tributário a ser lançado, não ocorre o fato gerador do tributo no momento do creditamento, não há que se falar em lançamento tributário, pois esse fato não se amolda aos Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 264 5 conceitos de tributo, de sua natureza jurídica, dos conceitos de imposto, de obrigação tributária, de crédito tributário, de lançamento (conceitos esses definidos nos artigos 3º, 4º, 16º, 113, 114, 139, 140, 142, 149, 150 do CTN, respectivamente). O uso indevido do crédito que o contribuinte diz ter é que gera consequências tributárias, pois ao usálo (deduzindo do imposto devido – aqui sim ocorre o fato gerador do tributo) deixase de pagar o tributo devido. Consequentemente, não há que se falar em decadência na glosa dos créditos indevidamente escriturados pelo sujeito passivo. Acompanho o pronunciamento da DRJ sobre a contagem do prazo para a decadência do crédito tributário no caso de utilização de crédito presumido do IPI e rejeito a preliminar de decadência. A recorrente solicita que os autos sejam baixados em diligência para que possa comprovar suas alegações e apresenta os quesitos que entende ajudarão a esclarecer a situação e alcançar a verdade material. O PAF, no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 dá a autoridade julgador a prerrogativa sobre decidir se a diligência é necessária ou não. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) E também o PAF dispõe que a apresentação de provas deverá ser efetuada no momento da impugnação, conforme art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 265 6 processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). A solicitação de diligência é prerrogativa da autoridade julgadora que a determina quando existem dúvidas quanto aos documentos acostados no processo, não se prestando para suprimir a deficiência probatória. Entendo que nos autos estão presentes todos os documentos e informações para o esclarecimento da lide, não vejo como a juntada de outros documentos extemporâneos poderia alterar a verdade que se encontra nos autos. Por isso indefiro o pedido de diligência. A recorrente entende que a informação do frete na nota fiscal não é obrigatória para usufruto do regime conforme estipulado no art. 56, §1º, II, b da MP nº 2.158 35/2001, vigente à época dos fatos: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput, em todas as operações de saída do estabelecimento industrial; Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 266 7 c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. [...] Esse assunto já foi objeto de decisão do CARF no acórdão nº 3402003.119, de 22/06/2016, no voto do conselheiro Waldir Navarro Bezerra para a mesma empresa, nos seguintes termos: Verificase nos autos que a controvérsia limitase à comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos veículos automotores fabricados e comercializados pela Volkswagen do Brasil e neste cenário, a manutenção da autuação pela DRJ, foi sustentada exatamente pela ausência dessa comprovação. Por outro lado, a Recorrente em seu recurso, baseiase na tese de que na composição do preço de venda dos produtos está incluído o frete, e por isso, atendia as exigências para legitimar a escrituração do crédito presumido. No seu entendimento, todas as despesas são incluídas na formação do preço de venda, e, como consequência, no preço cobrado está sendo embutido também o valor do frete contratado. Discordo da Recorrente, explico. Entendo que acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea "b" do inciso II, do artigo 56 da MP n° 2.15835/2001, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto. Vejase (grifei): [...] Podese verificar nas cópias de notas fiscais de fls. 70, 76, 80 e 84, que não há nenhum destaque do valor do frete nas referidas notas ficais (NF) de venda emitidas. A autuada não juntou nenhuma cópia de NF que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 1.241, 1.244 e 1.247), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, salvo as telas (prints) anexadas do sistema contábil (corporativo) da empresa. Ou seja, o Fisco concluiu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. A Recorrente alega também em seu recurso que a legislação não condiciona a fruição do benefício ora tratado ao destaque do frete na nota fiscal, vale dizer que, inexiste, na legislação que trata do tema, dispositivo que vincule o aproveitamento do benefício à emissão da nota fiscal com o destaque do frete. Neste aspecto, veja o que dispõe o art. 3º da IN (SRF) nº 91, de 2001, que normatizou essa matéria: [...] Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 267 8 Já o parágrafo 1º, inciso II, do art. 56 da MP nº 2.15835/2001 estabelece que o regime especial seria concedido mediante opção e quando atendidas as condições elencadas nas alíneas “a”, “b” e “c”, a saber: (i) que os serviços de transporte fossem executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; (ii) que fossem cobrados juntamente com o preço dos produtos, nas operações de saída do estabelecimento industrial; e (iii) que compreendessem a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Quanto aos itens (i) e (iii) acima, a própria fiscalização reconhece que foram cumpridos, restando a exigência que faz o artigo 56, § 1°, II, "b", da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Então, por ser o único ponto controverso no presente caso, focase a análise no § 1°, II, "b", do referido dispositivo legal, que trata da comprovação da cobrança do frete em conjunto com o preço dos veículos automotores comercializados, uma vez que o Fisco se manifesta no sentido de que os contribuintes somente fazem jus ao crédito se o valor do transporte da mercadoria estiver explicitamente indicado na nota fiscal. Pois bem. Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010), estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal: [...] E, como já comentado, consta dos autos e pode ser verificado nas cópias de notas fiscais citadas, que não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas. Constatou a fiscalização, nos espelhos das notas fiscais de vendas dos veículos, a indicação do frete como sendo "zero" o valor, constando que o mesmo seria por conta do emitente. Assim, concluiu o Fisco que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, restando caracterizado o descumprimento de condição do regime especial e a consequente falta de recolhimento do IPI. Argumenta a Recorrente que registra contabilmente, de forma segregada, o valor da receita com a venda do serviço da parcela do frete computada no preço e que essa segregação contábil, corrobora a afirmação de que o valor do frete foi incluído no preço de venda dos veículos, apresentando como provas alguns "prints" do sistema contábil da empresa que confirma a alegada segregação contábil. No entanto a vertente de que o valor do frete deve ser destacado no corpo da nota fiscal pode ser verificada pela inteligência do disposto no artigo 56, §1°, II, "a" da MP n° 2.15835/2001, ao lastrear o crédito presumido de IPI à condição de que os serviços de transporte "sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial". Veja que a alternativa "ou" denota duas situações admitidas pela Lei. Os Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 268 9 serviços de transporte contratados, naturalmente são aqueles contraídos de terceiros pelo estabelecimento industrial, como é o caso dos serviços tomados pela Recorrente. Assim, de posse do valor correspondente ao transporte, poderseia reclamar o destaque do valor do frete no campo próprio da nota fiscal de venda. No entanto, é fato que a Lei também admite o cálculo do crédito presumido de IPI sobre os serviços de transporte executados pelo próprio contribuinte. E sendo executados por frota própria, não haverá preço do frete, mas nem por isso a Lei deixou de garantir o crédito. Nessa hipótese, as despesas de manutenção da frota própria serão embutidas no preço de venda dos produtos. Ressaltase que os "prints" do sistema contábil informatizado da Recorrente, e toda a demais documentação juntada e acima citada, sem estarem as mesmas revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis alegados devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros documentos. Concluindo, o fato de, eventualmente, as despesas comerciais (ou de vendas) das empresas em geral serem consideradas na determinação do preço de venda dos produtos ou serviços, nada diz sobre as operações de venda sob análise, para as quais a recorrente não logrou êxito em demonstrar de fato que o valor do frete foi cobrado juntamente com o preço do produto, conforme prevê o art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. De forma que, por essas razões, entendo que a exigência fiscal deve ser mantida na parte do crédito presumido sobre o frete. Acompanho o pronunciamento do acórdão referenciado, por entender que se subsumi inteiramente ao caso em análise, diferindo apenas quantos aos meses da atuação, permanecendo os fatos e provas apresentados no presente auto equivalentes aos debatidos no acórdão citado. A recorrente junta aos seus pleitos um pedido em tese “caso sejam cobrados juros de mora sobre multa de ofício”. No presente auto a exigência de juros de mora sobre multa de ofício não foi aplicada, sendo cobrados apenas os juros de mora sobre o imposto não pago. Cabe informar que os juros de mora serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento quando da fase de cobrança do crédito tributário, após decisão definitiva na esfera administrativa. Extrapola à competência desse órgão julgador decidir sobre matéria em tese, por isso deixo de conhecer o pedido nesse aspecto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10860.720028/201232 Acórdão n.º 3401005.030 S3‐C4T1 Fl. 269 10 Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002213/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada
Numero da decisão: 1301-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 13 /2 00 7- 89 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 563 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente de omissão de receitas no anocalendário de 2004, o que culminou com a lavratura dos autos de infração, exigindo os créditos tributários no montante de R$ 3.103.965,42, relativos ao Simples. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 1617.273 prolatado pela 1ª Turma da DRJ/SPOI (fl. 497/500): “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/08/2007 (fls. 221, 231, 241, 251 e 261), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, à Contribuição para a Seguridade Social INSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 196 a 199) e demonstrativos anexos, a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, e por depósitos bancários também não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, mas que possuem históricos que configuram vendas efetivamente realizadas; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de percentual do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 209 a 214. (...) 4. O enquadramento legal das multas de ofício aplicadas no percentual de 75% sobre a receita omitida caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996, e o das multas de ofício aplicadas no percentual de 150% sobre a receita omitida caracterizada por depósitos bancários Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 564 3 com históricos que configuram vendas efetivamente realizadas é o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 217, 227, 237, 247 e 257). 5. Irresignada com os lançamentos, em 19 de setembro de 2007, a empresa apresentou, representada por procurador (fls. 290 a 298) a impugnação de fls. 277 a 290, instruída com os documentos de fls. 291 a 376, na qual alega em síntese, o seguinte: 5.1. a impugnante, que é tradicional no ramo das batatas (constituída em 20/12/1979), e seus sócios são pessoas de reputação ilibada e ótimo conceito perante clientes, fornecedores, instituição financeiras, órgãos governamentais e sociedade em geral, cumpridores de suas obrigações, principalmente no que se refere ao pagamento de impostos, mantenedores de documentação em dia e de acordo com a legislação; 5.2. a impugnação é tempestiva, pois tomou ciência dos lançamentos em 29/08/2007, e o prazo legal de trinta dias para apresentação da impugnação encerrar seá no dia 28/09/2007; 5.3. os lançamentos são nulos devido a cerceamento do direito de defesa, já que no demonstrativo da segunda folha do Termo de Verificação Fiscal (fl. 197) o auditor fiscal apenas sintetizou mensalmente a movimentação financeira, não demonstrando de forma analítica qual a origem dos depósitos e de que forma houve omissão de receitas, ao passo que o § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 diz que os créditos deverão ser analisados de forma individualizada; 5.4. outro motivo que caracteriza o cerceamento do direito de defesa é que no demonstrativo de fl. 198 são utilizadas abreviaturas (COB COMPE, COB DH AG, COB DH LOT, SICOB OlD e COB/CNR DISPONÍVEL) não encontradas nos dicionários da Língua Portuguesa, a respeito das quais em momento algum foi intimada a esclarecer e que segundo interpretação do auditor fiscal tratase de vendas efetivamente realizadas sujeitas à multa agravada de 150%, a respeito da qual "a impugnante sequer foi informada do que seria a multa agravada de 150%, pois no referido Termo de Verificação Fiscal não consta o Direito aplicado ao fato"; 5.5. "a impugnante em momento algum foi intimada a demonstrar as razões das diferenças apontadas no Termo de Constatação de Irregularidades"; 5.6. o Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu que a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica nulidade da decisão de primeira instância e ofensa aos artigos 9° e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, e 5°, inciso LV, da Constituição Federal; 5.7. os lançamentos são nulos de pleno direito, padecendo dos princípios da segurança e certeza, pois estão baseados em depósitos bancários que não constituem renda, nem disponibilidade econômica de renda e proventos, mas são apenas meros indícios, inexistindo, no presente caso, a necessária prova, cujo ônus é das autoridades fiscais a teor do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, do nexo causal entre os depósitos bancários e a omissão de receitas; Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 565 4 5.8. a pretensão da Receita Federal não pode prosperar porque está calcada em atos administrativos que quebraram, sem autorização judicial, o sigilo bancário da contribuinte baseados, por sua vez, em legislação inconstitucional (Decreto n° 3.724/2001, artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996 e Leis Complementares 104 e 105) em razão de ferir os incisos X (direito à intimidade e à vida privada) e XII (inviolabilidade do sigilo de dados) do artigo 5° da Constituição Federal; 5.9. o § 30 do artigo 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, veda expressamente a utilização de informações obtidas junto às instituições financeiras para fins de lançamento do imposto de renda; 5.10. a Receita Federal descumpriu o § 1° do artigo 4° da Lei Complementar n° 105/2001, pois deveria primeiro pedir informações ao autuado e somente depois aos bancos e não, como fez, primeiramente às instituições financeiras; 5.11. a multa qualificada de 150% é indevida, pois o lançamento é decorrente de presunção e a legislação aplicável (§ 1°, inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996) exige a presença de evidente intuito de fraude, e em momento algum houve a evidente intenção de prática de fraude; 5.12. a exclusão do Simples a partir do anocalendário 2005, referida no Termo de Verificação Fiscal, deve permanecer sobrestada até o trânsito em julgado do presente processo administrativo, já que a impugnação tempestivamente apresentada possui efeito suspensivo; 5.13. conforme artigos 22, inciso I, e 24, inciso I, da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 355/2003, a exclusão se dará por opção do contribuinte e não através de excesso de receitas apurado pela fiscalização; 5.14. requer que as publicações e intimações sejam remetidas ao advogado e procurador que assina a impugnação. A DRJ, ao analisar a impugnação apresentada, julgoua improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (424/437), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Este Colegiado, por meio da Resolução nº 110300.053, sobrestou o feito, uma vez a exigência fiscal, uma vez que a material relativa a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial era objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314 do STF, a qual estava pendente de análise. Nesse sentido, a decisão deste colegiado devolveu os autos ao tribunal de origem repercussão geral reconhecida no referido RE nº 601.314, a exemplo dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e 765.714. Os autos retornaram novamente para este Colegiado para prosseguimento do feito. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 566 5 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. PRELIMINAR NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a Recorrente que houve cerceamento de defesa, em razão de estar consignada a omissão de rendimentos, não havendo prova da ocorrência do fato gerador do tributo. Adiante, destaca que no Termo de Constatação e Instimação, o agente fiscal apenas sintetizou mensalmente oss valores constantes nos extratos bancários com as abreviaturas, a saber: COB COMPE, COB DHAG, COB DH LOT, SICO 01D e COB/CN DISPONIVEL, lançadas a crédito na conta corrente, deixando de explicar o significado dos referidos créditos e tampouco intimou a empresa a prestar esclarecimento sobre eles. Ainda, argumento que as bases imponíveis e respectivas memórias de cálculo, devem estar de modo inteligível, a fim de que se permita a qualquer pessoa a exata compreensão dos seus termos, consignando as razões. Argüindo que não foi intimado a demonstrar as razões das diferenças apontadas no referido Termo. Dessa forma, estaria caracterizado a preterição do direito de defesa acerca da matéria apresentada como diferença apontada pelo Fisco. A decisão da DRJ rebate tais argumentos. No tocante a intimação, cita a lei tributária que determina que a administração tributária tem a obrigação de enviar as intimações ao domicílio tributário do sujeito passivo, o qual é fornecido pelo próprio contribuinte. Confirase: PAF (Decreto 70.235/72) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II — por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a)envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 567 6 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (.) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (...) Além disso, a decisão destacou que o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 173/174 e respectivos anexos de fls. 175/192, foram entregues aos mesmo sócio da autuada que assina a procuração de fls. 292. Dessa forma, a alegação da recorrente de que não tinha o conhecimento dos depósitos que a fiscalização se refere, de que nunca foi intimada sobre as abreviaturas contidas no extratos bancários e de que nunca foi intimada a esclarecer razões das diferenças apontadas pela autoridade fiscal não prospera. Vejamos o excerto do referido Termo às fls 173/174: 13.Com efeito, referido Termo de fls. 173 e 174 diz textualmente: "O QuadroResumo abaixo apresenta os valores extraídos dos extratos bancários relativo ao anocalendário de 2004. Confrontandose com os • valores declarados na 'Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES', ficou constatada as divergências em todos os meses do referido anocalendário. Neste sentido, intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente, conforme relação detalhada no Anexo 1 (CEF) e Anexo 2 (HSBC) a esta Termo e cujo resumo está demonstrado no quadro abaixo. Informamos que os valores apresentados representam depósitos de terceiros, igual ou acima de R$ 1.000,00, efetuados nas contas bancárias, tendo sido já eliminados todos os valores creditados a título de transferências de mesma titularidade, empréstimos, resgate de aplicações, créditos diversos relativos a operações de câmbio e demais créditos que não representam depósitos de terceiros." A esse respeito a decisão ainda dispõe que: 14. Nos referidos Anexos 1 e 2 (fls. 175 a 189) ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, todos os depósitos bancários que compõem o QuadroResumo mensal de fls. 173/174, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal (fl. 197), estão relacionados por banco, agência, conta, mês e tipo de histórico e com número de documento e valor. Portanto, a contribuinte foi cientificada da divergência entre os valores mensais dos depósitos bancários e a receita bruta declarada mensalmente e foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados individualmente com elementos que os permitissem identificar, agrupados por conta, mês e histórico (inclusive aqueles cujos valores foram considerados vendas efetivamente realizadas), já expurgados os depósitos inferiores a R$1.000,00 e os referentes a transferências, empréstimos, resgate de aplicações, créditos relativos a operações de câmbio e demais créditos que não representam depósitos de terceiros. O § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 assim dispõe: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 568 7 § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 15. Como se observa, para a validade do procedimento fiscal quanto à análise individual dos créditos bancários que beneficiam pessoa jurídica basta o cumprimento do inciso I do § 3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, requisito que foi satisfeito no lançamento ora em análise. 16. O fato de as abreviaturas utilizadas nos históricos não constarem nos dicionários não é de se estranhar, a menos que fossem dicionários de abreviaturas. De qualquer forma, todos os históricos dos depósitos considerados vendas efetivamente realizadas contém a expressão "COB", cuja única palavra do léxico bancário a qual pode estar relacionada é cobrança, e, a respeito destes depósitos bancários, como já dito, a contribuinte foi intimada a esclarecer a origem, o que não fez, nem por ocasião do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 173 e 174, nem por ocasião da impugnação. Não se pode esquecer que estes históricos constam de extratos de conta de titularidade da própria contribuinte que teve acesso aos mesmos desde 2004, ano em que os créditos bancários aqui discutidos lhe favoreceram. 17. Portanto, o que se observa é que a autuada recebeu todos os demonstrativos, termos e elementos mencionados nos lançamentos e teve inteira ciência de como a infração que lhe foi imputada foi constatada, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem em conseqüente nulidade dos lançamentos. Concordo com a decisão nesse tocante, não há que se falar aqui em cerceamento de defesa. Ademais, vejamos o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, o qual estabelece as seguintes hipóteses de nulidade das decisões: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 569 8 Assim, os argumentos trazidos em sede de impugnação e replicados em sede recursal não devem prosperar. Portanto, julgo no sentido de não acatar as preliminares de nulidades argüidas pela Recorrente. MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITA Como visto, a origem da ação fiscal foi em razão de omissão de receita apurada por presunção legal a partir da falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta corrente de titularidade da Recorrente. A Recorrente foi intimada em 04/04/07 a apresentar seus extratos bancário, seus livros contábeis, entre outros documentos, bem como seu livro caixa relativo aos fatos ocorridos no anocalendário de 2004 De posse dos documentos, a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar documentação comprobatória sobre a origem e natureza dos valores lançados, que circularam pelas contas correntes mantidas nos Bancos Caixa Econômica Federal e HSBC, conforme listado pela fiscalização às fls.175 a 192. Todavia, o contribuinte não apresentou nada nesse sentido. Nesse ponto, a decisão destacou que: (...) mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. E como o optante pelo Simples está obrigado a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios embasadores, diante da disposição do acima transcrito artigo 18, ele também está sujeito à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada. (...) O § 1° do artigo 7° e o artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, assim dispõe: "Art. 7°(... § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 570 9 b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. "(negrito meu) Desse modo, as movimentações financeiras realizadas no período (valores creditados nas contas bancária do contribuinte) foram consideras como receitas omitidas pela fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, foram lavrados autos de infração com a exigência do crédito tributário na monta de R$ 3.103.965,42, relativo ao anocalendário de 2004. Adiante com relação as diretrizes do processos de criação das presunções legais, à medida em que Recorrente defende que não há nexo causal entre o depósito bancário e rendimento omitido ressalto que: Com o advento de legislações supervenientes, especificamente a Lei nº 9.430/96, o objeto da tributação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas a omissão de receitas por eles representada e exteriorizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no referido artigo 42. Portanto, o objeto da autuação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas sim a omissão de receita por eles representada e exteriorizada, nos termos do artigo 42 supra. Assim, as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento com fulcro em depósitos bancários são ilegítimos pelo fato de não podermos conceituar tais atos jurídicos como renda tributável são improcedentes. Destaco, por oportuno, que o enquadramento legal utilizado nos autos de infração é o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso equivale dizer que omissão de receitas caracteriza Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 571 10 pelos valores creditados em contas de depósito mantida perante as instituições financeiras, as quais a contribuinte regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos usados nos depósitos bancários. Na situação atual, a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Incube, portanto, a Recorrente o ônus da prova, por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo este negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação,. No caso em análise, foi constatada a manutenção de conta bancária com expressiva movimentação (no presente caso R$9.709.194,17 diante de uma receita bruta anual declarada em R$1.091.371,53). A presunção não foi afastada, visto que não houve comprovação da origem dos valores depositados/creditados por parte do contribuinte, mesmo tendo sido intimada para tanto. Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária foi regularmente intimado e não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. DA ILEGAL QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Recorrente alega que ocorreu a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial. Destaca, ainda, que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base nas informações prestados a Secretaria da Receita FEderal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei 9.311/96. Verificase que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancária tem fundamento na Constituição Federal, destacase: Art. 145 (...) § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Por sua vez, encontra guarida no CTN, a saber: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 572 11 II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Lei Complementar nº 105/2001 regulou os pormenores da solicitação de informações às instituições financeiras. Confirase: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 573 12 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Notese que também foram editados Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Inferese do apanhado legislativo a acima que o acesso às informações bancária não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que as autoridades administrativas possuem tal condão durante todo o procedimento fiscalizatório. Isso, pois as informações se prestam apenas à constituição do crédito tributário ou eventual apuração do ilícito penal. Observase ainda que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, feita pelo Auditor Fiscal no curso da fiscalização efetuada em face da Recorrente, tem como matriz legal o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que determina: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, o fiscal agindo dentro das hipóteses específicas, em que o acesso é permitido, utilizando destes com o fim na constituição do crédito tributário, a prova obtida é válida para este fim. Nesse sentido, a mais recentemente decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314 SP, em 24/02/2016, tratou da matéria, com reconhecimento da repercussão geral prevista no art. 543 B do antigo CPC, tendo proferido acórdão assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Em sua decisão, o Supremo Tribunal Federal fixou as seguintes teses na sistemática da repercussão geral: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 574 13 contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para fiscal”. Embora a referida decisão do STF ainda não tenha transitado em julgado, restou confirmado a constitucionalidade da LC 105/01, afastando qualquer violação ao dispositivo constitucional relativo ao sigilo de dados. Ademais, esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este Colegiado competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, por estar o acesso às informações bancárias regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, regulares são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da exigência. Por fim,conforme (fl. 04) os extratos bancários foram solicitados pela fiscalização, sendo que estes fornecidos pela própria Recorrente, conforme fls. 63/162 Assim, entendo que a pretensão da Recorrente nesse sentido não deve prosperar. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA E COMPROVAÇÃO DO DOLO Em relação à aplicação da multa qualificada, a fiscalização entendeu que houve dolo, em razão da conduta da Recorrente relativa aos depósitos bancários listado às fls. 175 a 192. Apesar da apuração de receitas, com base na movimentação financeira considerada não comprovada, por si só não justifica a aplicação da multa qualificada nos termos da Súmula CARF n º 25, in verbis: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 No presente caso, o dolo por parte da Recorrente ficou comprovado em virtude da prática reiteirada de omissão de receita com relação a omissão e a falta de documentação comprobatória sobre a origem e natureza os valores lançados, que circularam pelas contas correntes, inclusive pela caracterização de vendas efetivamente realizadas (não presumidas) no montante total anual de R$7.178.559,83 (fl. 198), sendo que a Recorrente declarou apenas uma receita bruta anual de R$1.091.371,53, o que demonstra o dolo (intenção) de praticar as condutas descritas nos artigos 71 e 72 da Lei n°4.502/1964. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.002213/200789 Acórdão n.º 1301003.027 S1C3T1 Fl. 575 14 Note que as demais parcelas do crédito tributário decorrentes das receitas omitidas pelas demais depósitos bancários que não possuem vinculação com abreviaturas em seus históricos, foram lançadas com a multa de oficio regular de 75%. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720257/2016-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
Numero da decisão: 2001-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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score : 1.0
Numero do processo: 10855.003423/2008-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 34 23 /2 00 8- 40 Fl. 115DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 12/16), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, anocalendário de 2005, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 27.760,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. Foi objeto da autuação, também, omissão de rendimentos (aluguel), no valor de R$ 2.987,55. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/09), que foi julgada, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 74/81, que manteve integralmente a glosa das despesas médicas. A Decisão exclui do lançamento o valor referente a omissão de rendimentos. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 99/104. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão posta aqui para análise cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10855.003423/200840 Acórdão n.º 2001000.088 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10855.003423/200840 Acórdão n.º 2001000.088 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000227/2010-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Ailton Neves da Silva - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente MUNICIPIO DE CHARRUA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 02 27 /2 01 0- 89 Fl. 47DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 37 à 41) interposto contra o Acórdão n° 0242.914, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (efls. 27 à 29), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o reconhecimento da denúncia espontânea. Pugna, também, pela constitucionalidade das normas que regem o cumprimento da obrigação acessória da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13027.000227/201089 Acórdão n.º 1002000.185 S1C0T2 Fl. 48 3 1. Da ausência da denúncia espontânea Sustenta a Recorrente que a entrega da DCTF, embora a destempo, enseja a incidência do art. 138 do CTN. Advoga, portanto, que a penalidade imposta seria afastada pelo instituto da denúncia espontânea. Ademais, entende que não caberia a multa, haja vista sua suposta ilegalidade. Não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. No que se refere à jurisprudência, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN). O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 Fl. 49DF CARF MF 4 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação para manter a exigência do crédito tributário lançado. Pontuo, ainda, que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, também, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. 2. Da impossibilidade de cotejo constitucional Quanto à alegação de incompatibilidade das normas infralegais, as quais impõem obrigações acessórias, à ordem constitucional, reforço que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13027.000227/201089 Acórdão n.º 1002000.185 S1C0T2 Fl. 49 5 Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35403.000857/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/05/2005
CIÊNCIA. VIA POSTAL. REGULARIDADE.
É regular a ciência por via postal do auto de infração para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias.
PENALIDADE. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a relevação de penalidade aplicável quando a exigência imposta pela legislação que a previa não foi atendida.
Numero da decisão: 2201-004.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2005 CIÊNCIA. VIA POSTAL. REGULARIDADE. É regular a ciência por via postal do auto de infração para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias. PENALIDADE. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a relevação de penalidade aplicável quando a exigência imposta pela legislação que a previa não foi atendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 3. 00 08 57 /2 00 5- 94 Fl. 168DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração por inobservância ao comando contido no art. 32, IV, §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, por ter a empresa deixado de informar, por meio da GFIP, os fatos geradores de contribuições previdenciárias da competência 05/2004, relativos aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Originalmente, a empresa não contestou a autuação, tendo ela sido mantida pela DecisãoNotificação nº 21.437.4/0183/2005 (fls. 37/39). Inconformada com essa decisão, a empresa interpôs recurso tempestivo (fls. 42/51) dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, alegando, em síntese, que: 1. O auto é nulo, uma vez que não há demonstrativo evidenciando como foi efetuado o cálculo da multa aplicada. 2. O auto foi remetido pelo correio, quando deveria ser entregue na sede da empresa. 3. Não foi concedido prazo para regulamentação da falta antes da autuação. 4. A falta de demonstração dos critérios utilizados na gradação da multa implica ofensa aos princípios da legalidade e razoabilidade. 5. O valor da multa foi incorretamente calculado e deveria se limitar a R$ 318,08. 6. A multa deve ser relevada, já que a empresa atende aos pressupostos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. A fiscalização apresentou contrarazões (fls. 115/118) alegando a existência de inconsistências nas informações prestadas pela empresa. De acordo com a autoridade fiscal: 1. A empresa comprovou a entrega da GFIP referente ao mês de maio/2004, mas ela foi preenchida "sem movimento". Na Relação Anual de Informações Cadastrais RAIS, declarou a transferência dos segurados empregados em 01/05/2004, apesar de haver remuneração a esses empregados no mesmo mês, sem declaração em GFIP. 2. Apesar de ter apresentado GFIP sem movimento em maio de 2004, não declarou os afastamentos em 04/2004, de forma que os vínculos remanesceram em aberto. 3. Embora os segurados tenham sido declarados na GFIP de 05/2004 pela empresa para a qual foram supostamente transferidos, os recolhimentos foram realizados no CNPJ da autuada. 4. A falta não foi corrigida, já que a GFIP foi entregue sem movimento embora haja pagamento de remuneração. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 35403.000857/200594 Acórdão n.º 2201004.559 S2C2T1 Fl. 169 3 Neste CARF, o julgamento do processo foi convertido em diligência pelo documento de fls. 120/123. O relatório de diligência fiscal (fl. 130) apresenta constatações que podem ser assim sumariadas: 1. Constam recolhimentos de contribuições previdenciárias nas competências 05 e 06/2004 no conta corrente da empresa autuada. 2. Consta da RAIS/2004 que os últimos empregados foram transferidos em 01/05/2004, e esta informação foi prestada após o auto de infração. 3. A contribuinte declarou receita de revenda e serviços de maio/2004 a setembro/2004. 4. A GFIP sem movimento foi entregue em 14/03/2006, data posterior à lavratura do auto de infração. Intimada acerca do conteúdo desse relatório (fl. 153), a empresa autuada deixou transcorrer in albis o prazo para manifestação (fl. 155). Novamente neste Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta relatora. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar nulidades A autuada alega, inicialmente, a nulidade do auto de infração, uma vez que não teria evidenciado como foi efetuado o cálculo da multa aplicada. A multa exigida neste processo é de R$ 2.279,02. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 4), "o valor foi obtido conf. Portaria 479 do Ministério Previdência Social de 07/05/2004". À fl. 7 do processo consta planilha evidenciando como se chegou ao valor aplicado. Fl. 170DF CARF MF 4 Confrontandose essa planilha com as normas mencionadas, vêse que ela contém informação suficiente para sua perfeita compreensão. Rejeito, portanto, a alegação de nulidade. Alega também a recorrente, como evidência de vício no procedimento adotado, que o auto foi remetido pelo correio, quando deveria ser entregue na sede da empresa. Essa alegação tem cunho genérico, uma vez que não evidencia a regra na qual estaria amparada. Fato é que não existe tal previsão no Decreto nº 3.048, de 1999, e a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 2003, em vigor à época dos fatos, continha as seguintes regras acerta da ciência do sujeito passivo: Seção III Da Cientificação do Sujeito Passivo Art. 692. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, ocorrendo recusa de recebimento dos documentos, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, a expressão "recusouse a assinar" seguida da identificação do responsável pela recusa, considerandose, dessa forma, cientificado o sujeito passivo. § 2º Quando da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo será juntada cópia autenticada da procuração que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. § 3º Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, considerandose cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, quinze dias após a data da expedição da intimação. § 4º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. § 5º Na hipótese do inciso III do caput, o edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência do órgão encarregado da intimação, franqueada ao público, considerandose cientificado o sujeito passivo quinze dias após a publicação ou afixação do edital. § 6º A ciência a órgão do poder público farseá mediante ofício Fl. 171DF CARF MF Processo nº 35403.000857/200594 Acórdão n.º 2201004.559 S2C2T1 Fl. 170 5 a seu dirigente, subscrito pela chefia da Divisão ou Serviço de Receita Previdenciária da GerênciaExecutiva circunscricionante do órgão. § 7º No procedimento fiscal em empresa sob regime especial de falência, se o síndico renunciou ou foi destituído do cargo, não tendo sido nomeado o substituto, a remessa da NFLD farseá mediante ofício ao juízo da falência. Portanto, as normas de regência não estabelecem ordem a ser seguida entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, sendo válida qualquer uma das adotadas. Esse regramento está de acordo com a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelecendo em seu art. 23, § 3º, o que segue: § 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. A comprovação da regular entrega efetuada pelos correios está no AR de fl. 17, fato que não foi contestado pela fiscalizada. Portanto, há certeza acerca da ciência da interessada, fato suficiente para evidenciar a regularidade do procedimento no que diz respeito à comunicação dos atos. Improcedente, neste caso, o questionamento quanto à regularidade do método de intimação adotado. Ainda com o objetivo de combater o procedimento da autoridade fiscal, a contribuinte alega que não foi concedido prazo para regulamentação da falta antes da autuação. Também essa alegação é efetuada de forma genérica, sem apresentar qualquer fundamento legal. É de se registrar que, à época dos fatos, a legislação concedia à autuada o benefício de relevação da penalidade caso houvesse correção da falha até a data da ciência da decisão da autoridade julgadora do auto de infração (art. 684, §1º). Evidenciase, assim, que existia possibilidade de correção da falha em momento posterior à autuação. A despeito disso, a informação fiscal de fl. 104, de data bastante posterior à autuação (23/03/2006), dava conta de que a empresa não havia corrigido a falta até então, já que teria apresentado a GFIP em 14/03/2006, sem movimento, embora tenha havido recolhimento da contribuição na mesma competência. Assim, também essa alegação deve ser rejeitada. Mérito Em relação ao mérito, é alegada ofensa aos princípios da legalidade e razoabilidade, já que não teriam sido demonstrados os critérios utilizados na gradação da multa. Fl. 172DF CARF MF 6 Essa alegação não merece acolhida, já que o cálculo da multa aplicada é bastante simples e foi evidenciado pelo documento de fl. 7. Da mesma forma, deve ser rejeitada a alegação de que o valor da multa foi incorretamente calculado, devendo ser limitado a R$ 318,08. No caso dos autos, foi identificada a ausência de informações relativas a 19 segurados. Neste caso, o art. 284, I, do RPS estabelece que o valor mínimo deve ser multiplicado por 2. O art. 373 desse regulamento prevê o reajustamento do valor mínimo, o que foi feito pela Portaria 479 do Ministério Previdência Social de 07/05/2004, cujo valor foi adotado pela fiscalização como base para o cálculo (R$ 1.032,92). O acréscimo de 5% (cinco por cento) por mês calendário ou fração foi aplicado de acordo com o art. 284, §1º, do RPS. Portanto, nenhum reparo deve ser feito em relação ao cálculo da multa. No que diz respeito ao pedido de relevação da penalidade, vêse ser inaplicável ao caso concreto já que, conforme foi anteriormente mencionado, a falta não foi corrigida até a data da ciência da decisão que julgou o auto de infração DecisãoNotificação nº 21.437.4/0183/2005 (fls. 37/39) ciência em 31/08/2005 (fl. 41). Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer do recurso apresentado para lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914244/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo.
De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
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ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considerase a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 44 /2 00 9- 75 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 235 2 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1633.455 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da DCOMP nº 40033.04199.200409.1.3.048336, protocolizada em 19/11/2009. A manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 848708603 (fl. 12), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 20/02/2009, de R$ 5.975.661,67, código de receita 0561, relativo ao período de apuração de 31/01/2009, declarado na DCOMP como indevido ou a maior, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para compensação. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 486.960,58, de principal, R$ 22.887,14, de juros, e de R$ 97.392,11, de multa. Cientificado da decisão, em 19/10/2009 (fl. 26), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 477.552,79, seria líquido e certo porque integraria o pagamento a maior de “IRRF Rendimento do trabalho assalariado”, código 0561, efetuado mediante recolhimentos que totalizariam R$ 5.975.611,67, referentes ao período de apuração 31/01/2009, em lugar do total correto, de R$ 5.498.058,88 (R$ 477.552,79 = R$ 5.975.611,67 R$ 5.498.058,88); ii) declarado, equivocadamente, o débito de R$ 5.975.611,67 na DCTF que teria sido retificada em 29/10/2009 (fl. 13) para conter o valor correto (fl. 16); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 236 3 Foi prolatado o Acórdão nº 1633.455 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 144/149), que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito. Impugnação Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 08/09/2011 (fl.152) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 06/10/2011 (fls. 153/165), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: A tempestividade do recurso voluntário; Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; Que, ao contrário do alegado pela DRJ, há sim prova nos autos de que a intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto no artigo 23, II, do Decreto 70.235/72. O sistema de rastreamento dos correios não é prova da ocorrência da regular intimação. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e, caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 237 4 Mérito O julgamento da presente lide se restringe à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias. De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de Recebimento AR). Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o comprovante de recebimento da intimação deverá ser considerada realizada 15 (quinze) dias após a sua expedição. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Grifouse). Ocorre que, também não há nos autos a cópia da intimação para se aferir a data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o Despacho Decisório foi emitido em 07/10/2009, a expedição da intimação só poderá ter se dado em data igual ou posterior à sua emissão. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.914244/200975 Acórdão n.º 2201004.447 S2C2T1 Fl. 238 5 Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, temse que o 15º dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada a intimação, nos termos das disposições normativas do Decreto nº 70.235/1972 supra transcritas. Com base nessas considerações, temse que a decisão de primeira instância padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972, culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte. Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720721/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996
A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade.
MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: 09482231708 - CPF não encontrado.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente PAPEL. COM COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 A presunção legal de omissão de receitas reverte ao contribuinte o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. MULTA. CONFISCO. Súmula CARF no. 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 21 /2 00 9- 56 Fl. 1328DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de tributos referentes ao ano calendário de 2005, na sistemática do Simples, por ter sido constatada movimentação financeira superior à receita declarada pela pessoa jurídica na DSPJSimples, não tendo o seu titular comprovado no curso da fiscalização a origem dos recursos utilizados nessas operações. Presumiuse omissão de receitas nos termos do art. 199 combinado com o art. 287 do RIR/99 (art. 42 da Lei 9.430/1996) e apurou se, também, insuficiência de recolhimento dos tributos em face da alteração das alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada. Consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal: A Ação Fiscal em questão decorreu da constatação, pela equipe responsável pela seleção, da discrepância entre os valores declarados de receita bruta na PJSI 2006, quer dizer, R$ 742.035,76 (setecentos e quarenta e dois mil, trinta e cinco reais e setenta e seis centavos) e as informações, presentes no sistema da RFB Dossiê Integrado, das compras efetivadas frente a terceiros, no anocalendário de 2005, pelo fiscalizado, as quais totalizaram R$ 6.639.131,08 (seis milhões, seiscentos e trinta e nove mil, cento e trinta e um reais e oito centavos). Face ao exposto, foi aberta a sobredita ação fiscal, para o Sistema de Tributação SIMPLES, relativa ao anocalendário de 2005, determinando a realização dos procedimentos concernentes à operação CLIENTES X FORNECEDORES COMPRAS. Compulsadas os demais informes componentes do conteúdo denominado dossiê integrado, esta fiscalização decidiu por ampliar a ação fiscal incluindo a operação MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA PJ, para o mesmo sistema tributário e período, em decorrência da averiguação que a movimentação financeira no ano calendário sob fiscalização consistiu no montante de R$ 28.586.992,11 (vinte e oito milhões, quinhentos e oitenta e seis mil, novecentos e noventa e dois reais e onze centavos). (...) Diante da explicação supra e perante a constatação nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que há movimentações financeiras nas seguintes Instituições: Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A, Itaú S/A, Mercantil do Brasil S/A, Rural S/A, Safra S/A, Sudameris Brasil S/A, HSBC BANK BRASIL S/A e UNIBANCO S/A, as quais, conjuntamente, demonstram uma movimentação financeira extremamente superior às receitas declaradas na PJSI 2006 SIMPLES. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.329 3 O supramencionado fato cominado com a não manifestação pelo contribuinte, embora intimado, quanto à apresentação dos extratos bancários relativos as suas operações financeiras no período de 2005, acarretou a subsunção ao disposto no art. 33, I, da Lei n° 9.430/96, c/c com o art. 3º, VII, do Decreto n° 3.724/2001, abrindose precedente para autorização, por parte do Gestor da Delegacia que o jurisdiciona, em favor da emissão da Requisição de Movimentação Financeira, para que os dados pudessem ser obtidos diretamente das próprias instituições financeiras envolvidas. Da materialização da mencionada requisição, decorreu as respectivas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira: (...) Averiguados, tratados e conciliados todas as movimentações financeiras apresentadas pelas instituições bancárias, em estrito cumprimento as determinações dispostas no art. 849 do RIR/99, onde, é importante, destacar, que fundamentandose no princípio da materialidade, foram descartados todos os créditos inferiores a R$1.000,00 (mil reais), elaboraramse planilhas dos VALORES CREDITADOS NAS CONTAS CORRENTES, segregadas por instituição financeira. Em favor de dar possibilidade ao Sujeito Passivo de se manifestar sobre as citadas movimentações financeiras e de cumprir as normatizações impostas pelo mencionado ordenamento legal em vigor, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 0001, cientificado através do EDITAL SEFIS/DRF/SDR/BA Nº 14/09, cuja afixação se deu em 11/02/2009 e a desafixação em 26/0272009, no qual foram anexadas as supraditas planilhas e requerida a comprovação, concedendo um prazo de 20 (vinte) dias, a partir da regular intimação, da origem dos depósitos/créditos bancários, mediante documentação hábil e idônea, alertandoo que a não comprovação ensejaria presunção legal de omissão de receitas sujeitas a a lançamento de ofício, sem prejuízos de outras sanções legais cabíveis. O Sujeito Passivo não se pronunciou quanto à intimação sobredita, ou seja, quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários. Quer dizer, não buscou, através de documentação hábil e idônea, justificar a demanda, configurando, perante a documentação sob a posse da fiscalização, a presunção de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários. Diante do sobredito, procederemos a seguir a elaboração das planilhas e descrição do modo como foram levantadas as bases de cálculo passíveis de lançamento de ofício do SIMPLES. A partir das planilhas, relativas a cada banco, dos VALORES CREDITADOS NAS CONTACORRENTES, incluíramse as colunas referentes aos totais mensais e anuais, cujos montantes alimentaram a planilha que consolidou todos os valores creditados nos bancos e não comprovados, denominada "PLANILHA DE CONSOLIDAÇÃO DOS VALORES CREDITADOS NAS CONTASCORRENTES E NÃO Fl. 1330DF CARF MF 4 COMPROVADOS AC 2005". Estes dados foram transferidos para a coluna "RB OMITIDA TOTAL" da planilha de "APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA AC 2005". Através desta planilha buscouse demonstrar a Receita Bruta Total, isto é, a omitida e a declarada. Em prol deste intento, foram somados os valores omitidos aos declarados findando na coluna RECEITA BRUTA TOTAL MENSAL E ACUMULADA, redimensionando os percentuais a serem aplicados para apuração do SIMPLES EPP, e, por fim, culminando nas colunas SIMPLES DEVIDO EPP BASE DECLARADA e SIMPLES DEVIDO EPP BASE OMITIDA. Cotejando o conteúdo da coluna SIMPLES DEVIDO EPP BASE DECLARADA com os montantes de SIMPLES declarados na PJSI 2006 SIMPLES, chegase à diferença passível de lançamento de ofício por insuficiência de recolhimento, constante da coluna DIF. REC DECLARADA. Portanto, as colunas em destaque, na sobredita planilha, são reflexos da receita omitida e representam as diferenças de SIMPLES passíveis de lançamento de ofício, as quais foram rateadas no Auto de Infração, do qual este Termo de Verificação faz parte, pelos tributos: IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, de acordo com os enquadramentos legais vigentes à época dos fatos. (...) A qualificação da multa de ofício, quer dizer, a aplicação da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor do imposto e das contribuições acima elencados, oriundos dos lançamentos de ofício fundamentados na omissão de depósitos bancários, segue a determinação do Art. 957, II, do RIR 99, concomitante com o Art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, pois houve evidente intuito de sonegação por parte do contribuinte em epígrafe, quando visou impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, uma vez que à luz dos elementos demonstrados acima, em especial o fato do contribuinte não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos/créditos bancários efetuados nos Bancos (...), presumindose omissão de receita, conforme supra relatado. O relatório da decisão recorrida assim descreve o desenvolver do processo após a apresentação da impugnação: Cientificada do lançamento de ofício por meio do Edital nº 29/09 (fl. 866), afixado em 20/03/2009, a contribuinte apresentou impugnação em 07/05/2009 (fls. 885/898), considerada intempestiva nos termos da Informação SECAT/SDR nº 858/2009 (fl. 1070), da qual a contribuinte foi cientificada em 04/08/2009 (fls. 1071/1078). Os débitos foram, então, encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 1096/1115). À folha 1117 consta o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 002, de 20 de março de 2009, excluindo a contribuinte do Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2006, do qual foi cientificada através do Edital nº 28/09 (fl. 1118), também afixado em 20/03/2009. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.330 5 Por meio do Ofício nº 493/2009 (fl. 1120), a DRF/Salvador foi intimada acerca de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.33.00.0163040 (fls. 1121/1124), nos seguintes termos: Assim, defiro, em parte, o pleito de concessão de liminar, para o fim de determinar à autoridade impetrada que adote todas as providências para que, no processamento do recurso apresentado pela impetrante nos autos do procedimento administrativo n. 10580.720721/200956, não seja levado em conta, para o fim de formação do juízo de admissibilidade recursal, o fato de ser, ou não, intempestiva a impugnação anteriormente apresentada. Como consectário lógico, se o motivo da inadmissibilidade do recurso for apenas este, deverá o recurso ser integralmente processado, permanecendo igualmente suspensa, até o julgamento final do recurso administrativo, a exigibilidade do crédito tributário respectivo. Desta forma, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 1143/1162), ao qual foi dado provimento pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do Acórdão nº 140200.749 (fls. 1180/1186), para rejeitar a preliminar suscitada pelo relator, de que a competência para o exame da contestação da revelia é da DRJ, e, no mérito, reconhecer a tempestividade da impugnação, em face da nulidade do edital, encaminhando os autos à DRJ para julgamento em primeira instância administrativa. Desta forma, são essas as razões de defesa apresentadas pela impugnante, em síntese: 1. No caso presente, a quebra do sigilo se deu de maneira ilegal, porque inidônea, desnecessária, ou, ainda, desproporcional aos fins a que se destina, sendo imprescindível a autorização judicial para a sua quebra, sob pena de considerarse ilícita, inconstitucional e absolutamente nula a prova dela decorrente, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 2. A quebra do sigilo pela administração tributária sem a prévia autorização do Poder Judiciário, prevista nos artigos 5°, §49 e 6° da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, não pode configurar invasão à privacidade do cidadão sem que haja motivo excepcional, o que significa muito mais do que a existência de "indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal" nas informações prestadas pelas instituições financeiras; 3. A quebra indevida do sigilo bancário fere, de maneira inequívoca, a intimidade e o devido processo legal, garantidos constitucionalmente, a par de configurar ilícito penal apenado com reclusão de um a quatro anos (art. 10 da Lei Complementar 105/01), daí resultando que as provas assim obtidas são ilícitas e, portanto, inadmissíveis no processo, nos termos do art. 5º, inciso LVI, da Constituição da República; 4. O Auto de Infração também deve ser declarado nulo porque foi efetuado com base na presunção júris tantum de que a autuada omitiu receitas, mas a existência apenas de indícios ou presunções não pode caracterizar o crédito tributário, uma vez que a autoridade fiscalizadora não conseguiu comprovar que os depósitos bancários advieram de operações que possam configurar receitas; 5. Ademais, a autoridade fiscalizadora não atentou para o fato de que a maioria dos depósitos, em verdade, consiste em transferências interbancárias entre contas de titularidade da autuada, conforme comprovam as planilhas anexadas, com as datas dos depósitos, os números dos cheques, os valores e as contas Fl. 1332DF CARF MF 6 bancárias de origem e destino, sendo as transferências também comprovadas através dos canhotos dos cheques e extratos bancários, o que desconstitui a tese da autoridade fiscalizadora, conforme dispõe o §3° do artigo 287 do RIR/99; 6. No que tange à multa de ofício, não há cabimento para a sua aplicação, uma vez que restou comprovada a inexistência de omissão de receitas por parte da autuada; 7. Ademais, a multa aplicada é escorchante, abusiva e confiscatória, ferindo os principios da proporcionalidade, do não confisco e da capacidade contributiva, sendo necessária a redução do seu percentual ao patamar de 2%; 8. A despeito de a impugnante apresentar os extratos bancários, os canhotos dos cheques e planilhas exemplificativas, não foi possível angariar os canhotos de grande parte dos cheques utilizados, em virtude do lapso temporal, razão pela qual requer que seja dilatado o prazo para apresentação de tais provas, visando solicitar as microfilmagens de tais cheques, ou, se for o caso, que esta Delegacia as solicite diretamente; 9. Por fim, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a posterior juntada de novos documentos. Em 15 de maio de 2012 a DRJ em Salvador BA julgou a impugnação parcialmente procedente, tendo sido excluídas da base de cálculo algumas das transferências interbancárias entre contas de sua titularidade apontadas na impugnação. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO SUJEITO PASSIVO. PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO FISCAL. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. AUTUAÇÃO. NULIDADE. O acesso às informações bancárias do sujeito passivo em sede de procedimento fiscal legalmente instaurado independe de autorização judicial. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRATOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS. Excluemse da apuração fiscal os valores decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. A conduta de não declarar a receita bruta ao Fisco caracteriza a figura típica da sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.331 7 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 12 de setembro de 2012 (fl. 1.282), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 9 de outubro de 2012 (fl. 1.283), alegando, em síntese: tempestividade do recurso sobre a quebra de sigilo bancário: (i) CARF pode aplicar diretamente decisões do Pleno do STF que considerem normas inconstitucionais mesmo que elas não tenha efeito erga omnes ou estejam sob o rito da repercussão geral, nos termos do artigo 62, par. 1o, I, do RICARF; (ii) nulidade do auto de infração em vista da ilegalidade da prova produzida (quebra de sigilo bancário); inexistência de certeza e liquidez do auto de infração, por estar baseado em mera presunção, já que a autoridade fiscalizadora não conseguiu comprovar que os depósitos bancários advieram de operações que possam configurar receitas; sob a alegação de que os mesmos não foram incluídos no demonstrativo elaborado pela Recorrente, ou em virtude de erros materiais como: falta de especificação dos centavos no valor transferido, erro na especificação da data do depósito não cabimento da multa de ofício, por seu caráter confiscatório Em 2013, em face da repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário 601.314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF vigente à época, o julgamento do presente processo foi sobrestado para aguardar a decisão do STF em tal RE. O processo teve andamento após alteração do Regimento Interno do CARF que deixou de estabelecer o sobrestamento nestes casos. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de março de 2018. Voto Fl. 1334DF CARF MF 8 Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Quanto ao acesso às informações bancárias do sujeito passivo em sede de procedimento fiscal legalmente instaurado, já resta pacificado inclusive nos tribunais superiores que este independe de autorização judicial. Não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. Em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade das normas. No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Assim, não vislumbro qualquer nulidade nos autos de infração sob análise. No mérito, entendo que também, não assiste razão à recorrente. O fato de o auto de infração estar baseado em presunção legal não lhe retira a certeza e a liquidez. É que, em caso de presunção, uma vez que autoridade fiscal comprove os fatos indicados pela norma como indício de omissão de receitas, cabe ao contribuinte a prova em contrário no caso, o contribuinte têm o ônus de comprovar a origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como a causa dos pagamentos (isto é, a natureza da operação que deu origem aos valores) referentes aos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, de forma que, em não o fazendo, o respectivo valor será considerado receita de sua atividade. Considerando que o Recorrente não teve sucesso em tal comprovação, opera se contra ele a presunção legal do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Transferências entre contas de mesma titularidade: A decisão recorrida reduziu o crédito tributário consolidado do auto de infração de R$6.342.403,19 para R$5.947.025,98 por identificar, a partir das provas trazidas pela empresa em sede de impugnação, que alguns depósitos consistiam em transferências entre contas de sua titularidade, nos seguintes termos (grifamos): Quanto à alegação da impugnante de que a maioria dos depósitos consiste em transferências interbancárias entre contas de sua titularidade, vejase, a partir dos demonstrativos por ela elaborados, que de fato há valores a excluir da apuração. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.332 9 Porém, nos quadros abaixo estão elencados valores indicados pela impugnante mas que não serão excluídos dos lançamentos de ofício, pelos motivos identificados na coluna “observações”. Notese que em algumas datas a impugnante listou transferências em montantes superiores aos depósitos de origem não comprovada considerados pelo autuante: Fl. 1336DF CARF MF 10 Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.333 11 Fl. 1338DF CARF MF 12 Em resposta, a Recorrente alega em seu recurso que a DRJ não considerou alguns depósitos "sob a alegação de que os mesmos não foram incluídos no demonstrativo elaborado pela Recorrente, ou em virtude de erros materiais como: falta de especificação dos centavos no valor transferido, erro na especificação da data do depósito". Nesse ponto, aparentemente a Recorrente não compreendeu bem a decisão da DRJ, não obstante esta tenha sido bem clara. Em sua maioria, os depósitos não foram aceitos porque não constaram dos demonstrativos elaborados pelo autuante, ou seja, porque não foram objeto do lançamento em questão. A recusa nada que teve a ver com os demonstrativos elaborados pela empresa mas sim com os demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal e que serviram de base para o cálculo da autuação. Além disso, outros depósitos não foram aceitos porque as datas e/ou valores não coincidiam, de modo que não serviriam para provar transferências de mesma titularidade. Isso porque, a menos que se prove o contrário e essa prova competia ao contribuinte em virtude da presunção legal que contra ele se operou se uma pessoa transfere a outra um determinado valor aquele exato determinado valor é creditado em conta, naquela data especifica, não fazendo sentido que haja datas diversas ou centavos faltando. Desse modo, nesse ponto mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar as penalidades aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e à preservação do direito de propriedade demandariam uma análise da constitucionalidade das exações, eis que expressamente previstas no artigo 44 da Lei 9.430/1996. Estando tal lei em vigor, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 2: Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10580.720721/200956 Acórdão n.º 1401002.640 S1C4T1 Fl. 1.334 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale ressaltar que a não observância de enunciado de súmula do CARF e de resolução do pleno da CSRF é, inclusive, causa de perda de mandato dos Conselheiros, nos termos do Regimento Interno do CARF (art. 45, VI do Anexo II da Portaria MF 343/2015). Diante de exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1340DF CARF MF
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