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Numero do processo: 15374.900015/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 15 /2 00 8- 64 Fl. 115DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 60/65, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 48/52, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 01167.92487.191103.1.3.044588, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 16.419,38, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 16.852,85. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 103 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos auto; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 48/52): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano, calendário: 2003.. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 32). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 117DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 59 e a tela de consulta dos Correios de fl. 81, apresentou o recurso voluntário de fls. 60/65 em 08/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 2233/98, que tramitou na 24ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 90/94). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 15.904,04 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 90/92). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 16.419,38 (fl. 82). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 15.904,04 (fl. 94). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 14, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 06/09/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTFs originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 104 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 119DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 002233/98, que tramitou na 24ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 105 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da verdade material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 121DF CARF MF 8 Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722087/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Interposto recurso voluntário após o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade.
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO.
Valor exonerado pela decisão de primeira instancia inferior àquele definido na Portaria MF nº 63/17.
Numero da decisão: 1301-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade e não conhecer do recurso de ofício em razão do valor de tributo e multa exonerado pela decisão de primeira instância ser inferior ao limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. Interposto recurso voluntário após o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Valor exonerado pela decisão de primeira instancia inferior àquele definido na Portaria MF nº 63/17.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade e não conhecer do recurso de ofício em razão do valor de tributo e multa exonerado pela decisão de primeira instância ser inferior ao limite de alçada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. Interposto recurso voluntário após o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, resta caracterizada sua intempestividade. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Valor exonerado pela decisão de primeira instancia inferior àquele definido na Portaria MF nº 63/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 87 /2 01 1- 69 Fl. 12272DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.273 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade e não conhecer do recurso de ofício em razão do valor de tributo e multa exonerado pela decisão de primeira instância ser inferior ao limite de alçada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 12273DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.274 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: O interessado foi autuado, em 30/12/2011, no IRPJ e reflexos, em razão de infrações que teriam sido cometidas nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 85.143.713,30, incluindo imposto, contribuições, multas de ofício de 150% e 75%, além de juros de mora calculados até 30/11/201. Também foram lançadas multas isoladas (50%) sobre estimativas de IRPJ não recolhidas nesses anoscalendário, bem como multas isoladas (50%) sobre estimativas de CSLL não recolhidas nos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 1 a 1703). O Termo de Constatação e Verificação Fiscal (TV) aponta as seguintes infrações (fls. 1611 a 1645): “(...) A. Receitas originárias do estabelecimento filial final CNPJ 000554 Três Rios/RJ, em 2006 ... de R$ 1.898.315,93, não contabilizadas, caracterizando omissão de receitas, com agravamento da multa (150%), com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; B. Resultados Operacionais do AC 2006 não declarados e não oferecidos à tributação do IRPJ e CSLL, apurados após os ajustes ..., conforme ... planilha ... ‘RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO TRIBUTADOS’, anexa a este Termo (DOC 11) e, resumido ... abaixo, no montante de R$ 438.711,38: C. Receitas originárias do estabelecimento filial final CNPJ 000392 Contagem/MG, vendas para outros estados, sob o CFOP 6102, nos meses de junho, julho e agosto do AC 2007 ... de R$ 396.497,85, não contabilizadas, caracterizando omissão de receitas, com agravamento da multa (150%), com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; D. Diferença apurada entre o ... IRPJ declarado/recolhido e o ... escriturado no DRE do Livro Diário n° 18, em dezembro de 2008 ... de R$ 87.815,48, após a retificação da base de cálculo do adicional de IRPJ, implicando na alteração ... do adicional de IR, transcrito nos DRE a partir do mês de julho de 2008, com a consequente alteração do IRPJ devido ... conforme ... planilha "Anexo E" do Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal de 23/08/11 (DOC 9 linhas 14 e 16). E. Considerando a diferença apurada entre os valores de IRPJ e CSLL Estimativa devidos (conforme balanços ajustados) e os valores declarados em DCTF Fl. 12274DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.275 4 e recolhidos através de DARF's, sob os códigos de receita 5993 e 2484, respectivamente, procedeuse à constituição da multa isolada (50%) sobre o valor das diferenças apuradas de IRPJ e CSLL Estimativa, nos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro de 2006; fevereiro e julho a dezembro de 2007 e de IRPJ Estimativa de janeiro a dezembro de 2008, ... demonstrada na Planilha ... ‘DEMONSTRATIVO VR. IRPJ E CSLL ESTIMATIVA APURADO X VR. DECLARADO AC 2006, 2007 e 2008 CÁLCULO DA MULTA ISOLADA’, anexa a este Termo (DOC 12): (...) F. Passivo fictício caracterizado pela falta de comprovação integral dos saldos de passivo, registrados na Conta "Fornecedores Diversos" 2.1.1.01.00001 (reduzida 20004), nos anoscalendário de 2007 e 2008, ... culminando na presunção de omissão de receitas das diferenças apontadas ... abaixo, com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL: G. Passivo fictício caracterizado pela falta de comprovação, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, do crédito constituído em 31/12/2007, no total de R$ 5.287.813,87 na conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos", tendo sido desconsiderado o lançamento 6928, que debitou o valor de R$ 4.523.665,74, transferido da conta 1.2.1.01.90000 (reduzida 00060) "Empréstimos", com o histórico "baixa nesta data conforme relatório gerencial', tendo em vista que o referido valor referese à soma de diversas saídas da conta Banco do Brasil (conta reduzida 10124) com destino à filial RJ, por transferência, conforme históricos registrados à época dos fatos "Vr. ref. transferência para Radial RJ" ou "Transferência BB para caixa Radial Rio", não podendo agora dizer o contribuinte que se refere a pagamento de empréstimos, culminando na presunção de omissão de receitas ... de R$ 5.287.813,87, com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL; Dessa forma, o saldo da conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos", em 31/12/2007 e em 01/01/2008, é de R$ 5.287.813,87 e não R$ 764.148,13, como consta no balancete; H. De maneira análoga à descrita no item "G" ..., desconsiderase o lançamento 2695 de 31/12/08, com histórico "pagamento empréstimo mútuo nesta data", cujo débito de R$ 376.429,26, tem como contrapartida a conta 2.2.1.01.00027 (reduzida 00054) "Empréstimos", sendo que este valor é composto por lançamentos cujos históricos não representam pagamento do empréstimo registrado na conta 2.1.4.03.0001 (reduzida 00042) "Empréstimos" sendo que os créditos constituídos no decorrer do ano de 2008 perfazem o saldo de R$ 1.102.217,22, caracterizandose como passivo fictício, pela falta de efetiva comprovação ..., culminando na Fl. 12275DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.276 5 presunção de omissão de receitas, ... com reflexos de PIS e COFINS não cumulativos e CSLL;” O interessado apresentou impugnação, em 26/01/2012 (fls. 1704 a 1764), por meio de seus advogados (fls. 1764 a 1773). Explica que à época dos fatos, o Sr. Paulo Cezar Tavares, seu titular, estava muito doente, vindo a falecer, o que seria a razão de tantas divergências (como a intimação recebida em 24/8/2011, que reportaria que (I) não teria considerado todas as devoluções, descontos e abatimentos a que tinha direito, e (II) teria calculado o adicional do IRPJ de forma prejudicial aos seus interesses). O mesmo teria corrido em 2008 e os valores recolhidos também são relevantes. Em resumo: os equívocos decorrentes da doença do titular (que empregava familiares) eram tais que alguns valores recolhidos não foram declarados. Isso demonstra a boafé e que não houve dolo, seja à época dos fatos geradores, seja no decorrer da fiscalização. Além disso, apesar do excelente momento do mercado interno, o estado de saúde do Sr. Paulo Cezar Tavares fez com que muitas obrigações não fossem adimplidas, do que resultou um passivo muito alto, razão pela qual a autuada recorria a empresários parceiros para obter empréstimos para capital de giro. O interessado traz, em resumo, as seguintes alegações, acompanhada de elementos (fls. 1774 a 10806): 1 os autos de infração são nulos; 2 o crédito tributário do ano de 2006 foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN; 3 não há omissão de receita da filial Contagem, no anocalendário de 2007, que resultaria da falta de contabilização de receitas de vendas sob o CFOP 6102 (vendas para outros Estados), entre junho e agosto de 2007: 4 não foram analisadas as notas fiscais dessas operações, que mostrariam que, por equivoco, o CFOP 6102 foi usado em operações de transferências da filial 00392 para a filial 000554. Quanto à presunção de passivo fictício, o interessado contesta sua utilização no caso concreto e discorre a respeito das condições que permitem sua aplicação, que seriam inexistentes, neste caso, pois (I) existiria prova em sentido contrário, e (II) os indícios não seriam graves, precisos e concordantes. Após vasta argumentação nesse sentido, o interessado passa à refutação objetiva de pontos e motivos da autuação, como segue. Assim, quanto à acusação fiscal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício manutenção, na Conta "Fornecedores Diversos" 2.1.1.01.00001 (reduzida 20004), de obrigação já paga ou cuja exigibilidade não foi comprovada, nos anoscalendário de 2007 e 2008 , fundamentada no art. 281, inciso III, do RIR/99, informa que finalizou a composição dos saldos da Conta Fornecedores Diversos dos anos 2007 e 2008, conforme planilhas (PLANILHA FORNECEDORES AC 2007 e 2008), que mostram que (exceto as operações com Kraft Foods do Brasil S/A, Pepsico do Brasil Ltda e Diageo Brasil Ltda., cujas obrigações contraídas em 2007 foram pagas em 2008) o saldo tributado referese aos fornecedores que estão em aberto até o momento, sendo certo que é impossível fazer Fl. 12276DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.277 6 prova negativa (provar que não pagou). Em outras palavras, com exceção dessas três empresas, todas as obrigações com os fornecedores abaixo relacionados (ligadas aos anoscalendário 2007 e 2008) não foram adimplidas; eis o resumo da composição dessa conta (as planilhas anexadas às fls. 1859 a 1905): Portanto, seria de se esperar que a fiscalização circularizasse para averiguar a veracidade das informações contabilizadas. Alternativamente, pleiteia que o valor consignado no auto de infração seja compensado com créditos (de R$ 202.415,97, conforme balanço) de PIS e de COFINS não cumulativos, nos moldes do artigo 368, do Código Civil Brasileiro e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Contesta a multa de 150%, conforme a Súmula 21 (sic) do CARF, alegando falta de prova concreta do evidente intuito de fraude, dolo, simulação ou máfé. Em face de milhares de notas fiscais emitidas diariamente, referentes a diversos tipos de operações de vendas, transferências, devoluções e cancelamentos, podem ocorrer erros esporádicos, o que é normal e demonstra que não houve intenção de lesar o fisco. Sustenta ser ilegal a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, pois essa penalidade representa dupla punição pelo mesmo ato, nos moldes do artigo 44 da Lei 9.430/96, conforme argumentos de praxe. (fl. 11173) 3) Diante das verificações efetuadas nos livros da empresa, documentos anexados durante a fiscalização e junto com a impugnação apresentada, os quais são partes componentes do processo nº 19515.722.087/201169 (PAD), constatase que Fl. 12277DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.278 7 o contribuinte comprovou o que segue, cabendo à autoridade julgadora decidir se procederá à exoneração dos referidos valores e respectivos reflexos da autuação: 3.1) AC 2007 – conforme discorrido no item 2.2.1 acima, houve equívoco no registro das notas fiscais (cópias anexadas ao processo – às páginas 1844 a 1858), sendo que embora tenha sido utilizado o CFOP 6102, tratavase de operações de transferências de mercadorias da filial final CNPJ 000392 para o estabelecimento filial final CNPJ 000554, no montante de R$ 377.706,00; 3.2) AC 2008 – Conforme demonstrado no item 2.3.1.3.2.4 acima, na planilha de composição do saldo de fornecedores AC 2008, juntada com a impugnação, o contribuinte informou a existência de novos pagamentos efetuados, em 2009, ao fornecedor: PEPSICO DO BRASIL LTDA – CNPJ 31.565.104/028349, acrescentando um total de R$ 949.015,22, ao montante considerado comprovado pela fiscalização. Entretanto, foram localizados no razão 2009, conforme letra b e Quadro 2 do referido item, restando comprovada a efetividade do pagamento de R$ 377.277,83; 3.3) AC 2008 – Com relação aos pagamentos informados aos fornecedores KRAFT e DIAGEO, mencionados nos itens 2.3.1.3.2.2 e 2.3.1.3.2.3, o contribuinte relacionou um acréscimo de pagamento, em relação aos que foram comprovados durante a fiscalização no montante de R$ 861.126,00, entretanto, constatouse que os valores das notas fiscais registradas no Livro Registro de Entradas, não correspondiam ao valor do pagamento indicado na planilha da impugnação. Assim, após verificação dos lançamentos de baixa das respectivas notas fiscais, na conta FORNECEDORES DIVERSOS – do Razão 2009, constatouse que houve um acréscimo no valor de pagamento efetuado, em 2009, relativo ao saldo em aberto na conta de fornecedoresAC 2008, além do valor informado durante a fiscalização, no montante de R$ 352.620,30. Entretanto, o contribuinte está sendo intimado a apresentar as notas fiscais referidas no quadro do item 2.3.1.3.2.2 e respectivos pagamentos, para comprovar o “real” valor das notas fiscais, em razão da divergência constatada. 3.4) AC 2008 o contribuinte juntou com a impugnação os documentos anexados às folhas 1974 a 2004 do PAD, demonstrando a efetividade dos ingressos de recursos, classificados como mútuos recebidos das empresas ATOS DISTRIBUIÇÃO, BLITZ E SUPERMIX, no montante de R$ 1.102.217,22. 4) Considerando a falta de comprovação das demais alegações constantes da impugnação, o contribuinte foi INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados do recebimento do Termo de Ciência da Conclusão de Diligência e Intimação Fiscal de 15/12/14, a proceder a juntada ao processo nº 19515.722.087/201169 (PAD), dos documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, conforme relacionado no quadro abaixo, identificando cada documento, indicando a qual item se refere, bem como indicar a respectiva contabilização, a fim de comprovar os fatos alegados. Diante do relatório apresentado em pedido de diligencia, a autoridade de primeira instancia, então, julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 12.064 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PRIMEIRO PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Fl. 12278DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.279 8 Após tomar ciência do relatório de conclusão da diligência, o interessado tem o prazo de 30 dias para manifestarse a respeito, ocasião em que a prova documental deve ser apresentada. Pedido indeferido. SEGUNDO PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Recesso de fim de ano não justifica prorrogação de prazo. O fato de o porteiro do condomínio não ser empregado do interessado não altera a data de ciência. Não há previsão legal para efetuar intimação ao sujeito passivo por via postal endereçada ao escritório de procurador ou advogado. Não há provas do alegado incêndio e tampouco de quais documentos teriam sido afetados. Por fim, não está claro como o material supostamente incendiado poderia ser recuperado pelo interessado. Pedido indeferido. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Desde que antes se tenha tentado intimar por via postal, nada impede a intimação por edital. Preliminar indeferida. O contribuinte pode ser intimado pessoalmente, ou por via postal, ou, ainda, por meio eletrônico. Resultando improfícuo um desses meios, a intimação poderá ser feita por edital. Preliminar indeferida. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A impugnação apresentada evidencia que o direito de defesa não foi cerceado. Preliminar indeferida. PRESUNÇÃO. A presunção utilizada neste caso não foi presunção humana (meio de prova), mas, sim, presunção legal, à qual pode ser contraposta prova em contrário. Argumento improcedente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. O prazo quinzenal para que a ciência do Edital pelo interessado se tornasse presumida na forma da lei esgotouse no 15º dia, qual seja, em 30/12/2011, 6ª feira, antes, portanto, do decurso do prazo decadencial referente ao ano calendário de 2006. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. A não contabilização de receitas configura prova direta da respectiva omissão, salvo prova em contrário. Exonerase a parte do valor tributável cuja correta contabilização foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A presunção legal admite prova em contrário. Exonerase a parte do valor tributável decorrente do passivo cuja veracidade foi comprovada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ADICIONAL DO IRPJ. Fl. 12279DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.280 9 Matéria não impugnada. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. Indeferese o pleito de compensar o valor autuado com créditos do interessado, pois a compensação de créditos possui rito próprio, exigindo o preenchimento do formulário eletrônico PER/DCOMP. MULTA. 150% A multa de 150% foi aplicada apenas à omissão de receita caracterizada por receita não contabilizada, ou seja, não se trata de presunção legal, mas, sim, de infração apurada por meio de prova direta. A não contabilização de receitas aponta a existência do evidente intuito de fraude, visando a sonegação, razão pela qual deve ser mantida. MULTA ISOLADA. ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de suposta ilegalidade da legislação tributária. Em decorrência dos valores tributáveis provados na diligência, há que se exonerar algumas multas isoladas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente, exceto que diz respeito à decadência de PIS e COFINS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Considerando o valor exonerado, houve interposição de Recurso de Ofício. Cientificado da decisão de primeira instancia em 20/03/2015, o contribuinte apresentou, fl. 12.128 e segs, em 25/05/2015, recurso voluntário, apenas repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. Em sessão de 30 de abril de 2016 este colegiado entendeu por bem converter o processo em diligencia pelas razoes a seguir transcritas( fl. 12.226): Adiante, a autoridade responsável pelo procedimento de diligência apresenta quadros que, pelo que se pode supor, representam as matérias que remanesceram após a análise da documentação aportada ao processo por meio da peça impugnatória. Contudo, ao promover confronto entre as conclusões estampadas nos fragmentos antes reproduzido, correspondentes aos itens 3 e 4 do Relatório de Diligência, os quadros que se supõe sejam demonstrativos das matérias remanescentes e o decidido em primeira instância, identifico relevantes divergências. Diante de tal circunstância, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante, tomando por base o quadro abaixo (elaborado com base nas infrações descritas no auto de infração de IRPJ), indique, de forma objetiva, as matérias que entende que devem ser canceladas, apontando, de forma sucinta, os Fl. 12280DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.281 10 motivos ou os itens do Relatório de fls. 11.153/11.177 que servem de suporte para a proposição. (grifei). Encerrada a diligencia, os autor retornaram a este colegiado para prosseguimento da ação em dezembro de 2016. É o relatório. Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 20/03/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no portal virtual do eCAC, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 12126. Houve interposição de recurso voluntário em 25/05/2015, conforme verifica se do Termo de Analise de Solicitação de Juntada (fl. 258), em que a empresa apresenta alegações de defesa, alegando, em relação a tempestividade que intimação ocorreu via postal no dia 23/04/2015, no entanto sem juntar qualquer prova de tal alegação. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Fl. 12281DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.282 11 Nesse sentido, resta claro que a Recorrente não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso voluntário. Recurso de Ofício Admissibilidade Delimitação da lide Cuida a lide de exigências de IRPJ, reflexos e MULTA ISOLADA, relativas aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) receitas relativas ao ano calendário de 2006 não contabilizadas, no montante de R$ 1.898.315,93 (infração apenada com multa qualificada de 150%); ii) diferença entre a receita escriturada no Razão e a registrada no LALUR, relativa ao ano calendário de 2006, no montante de R$ 438.711,38; iii) receitas relativas ao ano calendário de 2007 não contabilizadas, no montante de R$ 396.497,85 (infração apenada com multa qualificada de 150%); iv) diferença entre o IRPJ declarado e o escriturado, relativa ao ano calendário de 2008, no montante de R$ 87.815,48; v) insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), decorrente da recomposição das correspondentes bases de cálculo de IRPJ e de CSLL; vi) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação dos saldos da conta FORNECEDORES relativos aos anos de 2007 (R$ 36.086.816,44) e 2008 (R$ 47.685.553,82); vii) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação do passivo constituído em 31/12/2007 (EMPRÉSTIMOS), no valor de R$ 5.287.813,87; e viii) omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação dos valores registrados no passivo no ano de 2008, na conta EMPRÉSTIMOS, no valor de R$ 1.102.217,22. Diante dos argumentos trazidos por meio da peça impugnatória, o Relator designado para apreciar a controvérsia em primeira instância propôs (e o presidente da Turma acolheu) converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização se pronunciasse sobre as alegações trazidas pela autuada (fls. 10.822/10.825). Em atendimento à diligência requisitada, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo produziu o Relatório de fls. 11.153/11.177, e, pelo que foi possível depreender, pronunciouse pelo cancelamento das exigências incidentes sobre as seguintes matérias: Fl. 12282DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.283 12 a) omissão de receitas relativas ao ano calendário de 2007 de R$ 377.706,00,em virtude da comprovação da ocorrência de equívoco no registro de notas fiscais (embora tenha sido utilizado o CFOP 6102 venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros , foi constatado que as operações diziam respeito a transferência de mercadorias entre filiais); b) passivos (conta FORNECEDORES), em 2008, nos montantes de R$ 377.277,83 e R$ 352.620,30, haja vista a comprovação dos pagamentos no ano de 2009; e c) mútuos no montante de R$ 1.102.217,22, haja vista a comprovação da efetividade dos ingressos dos recursos. Uma vez esclarecido pelo Relatório de Diligencia que, de fato, os valores acima descritos foram aqueles cancelados pela primeira instancia, apesar da divergência apresentada nos quadros demonstrativos ao final da mesma, temo que o valor total exonerado foi superior a R$ 1.000.000,00, o que teria ensejado a interposição de Recurso de Ofício com base na então vigente Portaria MF nº 03/2008, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Sem embargo, tal limite foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/2/2017, que revogou a Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Tratandose de norma de ínsito caráter processual, deve ser ela aplicada de imediato aos julgamentos em curso, nos termos da Súmula nº 103 do CARF: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, totalizando a exoneração promovida pela vergastada montante inferior ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, não deve ser conhecido o recurso de ofício. Fl. 12283DF CARF MF Processo nº 19515.722087/201169 Acórdão n.º 1301002.828 S1C3T1 Fl. 12.284 13 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário em razão da sua intempestividade e NÃO CONHECER do Recurso de Ofício em razão do valor exonerado pela decisão de primeira instancia ser inferior àquele definido na Portaria MF nº 63/17. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 12284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721454/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC.
Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC.
ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL
Indedutíveis as despesas financeiras e gastos pré-operacionais escrituradas na contabilidade da Fiscalizada, quando comprovado que as despesas pertenciam, na verdade, a sua Controladora.
MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO.
Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.
RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO.
Uma vez afastada a conduta dolosa da recorrente, pela patente ausência de provas neste sentido, não há como sustentar-se a responsabilidade atribuída à seus agentes.
Os pressupostos para a responsabilização de sócios-gerentes, diretores e administradores das pessoas jurídicas de direito privado, nos termos do art. 135 do CTN, residem no elemento dolo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. PRECLUSÃO.
A responsabilidade tributária deve ser objeto de contestação pelas próprias pessoas físicas e jurídicas às quais tal condição foi imputada pela fiscalização. A empresa fiscalizada, sem quaisquer provas de que tenha recebido procuração dos responsáveis para apresentação de defesa em seus nomes, não possui legitimidade processual para contestar aquela imputação. Eventual recurso apresentado, nestas condições, não deve ser conhecido nesta parte.
Numero da decisão: 1201-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação aos tributos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; em relação à multa qualificada: por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou o voto do relator pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Eva Maria Los que mantinha a multa qualificada de 150%, portanto, negava provimento ao recurso voluntário e dava provimento ao recurso de ofício na parte que reduziu a multa para 75%; em relação à responsabilidade tributária, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício no que se refere ao Sr. Odilson Silva Nobrega, e, por maioria de votos não conhecer da matéria, no que se refere aos demais coobrigados tendo em vista a ausência de impugnação/recurso voluntário dos responsáveis: Elfio Mendes, Willians Domingues de Oliveira, Antonio Geraldo Pinto Maia e Marcelo Abelaira Vizoto, nos termos do voto vencedor. Vencido o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e os conselheiros Gisele Barra Bossa e Eduardo Morgado Rodrigues que conheciam do recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica sem instrumento procuratório dos coobrigados. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor em relação à responsabilidade tributária.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC. Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL Indedutíveis as despesas financeiras e gastos préoperacionais escrituradas na contabilidade da Fiscalizada, quando comprovado que as despesas pertenciam, na verdade, a sua Controladora. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO. Uma vez afastada a conduta dolosa da recorrente, pela patente ausência de provas neste sentido, não há como sustentarse a responsabilidade atribuída à seus agentes. Os pressupostos para a responsabilização de sóciosgerentes, diretores e administradores das pessoas jurídicas de direito privado, nos termos do art. 135 do CTN, residem no elemento “dolo”. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. PRECLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 54 /2 01 1- 11 Fl. 1767DF CARF MF 2 A responsabilidade tributária deve ser objeto de contestação pelas próprias pessoas físicas e jurídicas às quais tal condição foi imputada pela fiscalização. A empresa fiscalizada, sem quaisquer provas de que tenha recebido procuração dos responsáveis para apresentação de defesa em seus nomes, não possui legitimidade processual para contestar aquela imputação. Eventual recurso apresentado, nestas condições, não deve ser conhecido nesta parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação aos tributos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; em relação à multa qualificada: por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou o voto do relator pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negavam provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Eva Maria Los que mantinha a multa qualificada de 150%, portanto, negava provimento ao recurso voluntário e dava provimento ao recurso de ofício na parte que reduziu a multa para 75%; em relação à responsabilidade tributária, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício no que se refere ao Sr. Odilson Silva Nobrega, e, por maioria de votos não conhecer da matéria, no que se refere aos demais coobrigados tendo em vista a ausência de impugnação/recurso voluntário dos responsáveis: Elfio Mendes, Willians Domingues de Oliveira, Antonio Geraldo Pinto Maia e Marcelo Abelaira Vizoto, nos termos do voto vencedor. Vencido o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e os conselheiros Gisele Barra Bossa e Eduardo Morgado Rodrigues que conheciam do recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica sem instrumento procuratório dos coobrigados. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor em relação à responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 3 3 Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente aos anoscalendário de 2006 e 2007, no total de R$ 10.377.566,26. Destaca a fiscalização, inicialmente, que houve contabilização a menor do valor do reembolso da conta de consumo de Combustíveis Fósseis (CCC). Esclarece que referida conta é um fundo com recursos arrecadados das concessionárias de energia elétrica do sistema interligado. Sua finalidade seria reembolsar parte dos custos de aquisição do óleo diesel ou combustível utilizados na geração de energia termelétrica das áreas isoladas, cujos custos são sensivelmente superiores aos da energia gerada por sistema hidráulico. Os recursos da CCC são administrados pela Eletrobrás. Esse reembolso teria a natureza jurídica de subvenção para custeio e os valores recebidos pela BREITENER JARAQUI, ora fiscalizada, teriam sido escriturados na contabilidade na conta 3.2.1.02.01.03 – () REEMBOLSO CCC, como redutora de custos do grupo CUSTO DA ENERGIA ELÉTRICA PRODUZIDA, conforme balancetes. Entendeuse que esse modo de escrituração não altera o resultado do exercício e estaria de acordo com a finalidade do reembolso. No entanto, no ano de 2007 o contribuinte teria recebido a título de reembolso o valor de R$ 118.380.334,77, mas escriturado o valor de R$ 110.579.295,93. Então a diferença omitida, no montante de R$ 7.801.038,84, foi lançada no Auto de Infração referente a diferença ao IRPJ e à CSLL. Referente ao PIS e à COFINS não cumulativos, os valores dos reembolsos CCC foram inscritos no DACON na apuração da base de cálculo dos créditos dos “Bens utilizados como insumos”, como redutores do custo de aquisição de óleo combustível (item 02, da Ficha 06ª – Apuração dos créditos do Pis/PASEP e item 2, ficha 16 A Apuração dos créditos da COFINS), mas também neste caso, os reembolsos foram parcialmente omitidos, conforme planilha fls. 425. Ademais, a autoridade fiscalizatória aponta que houveram adições não computadas na apuração do lucro real, relativas a custos e despesas indedutíveis. Neste sentido, expõe o que segue. A Breitener Energética ao assinar o Contrato OC 1816/2005 teria assumido o compromisso de produzir energia elétrica para a Manaus Energia. Para cumprir o contrato seria necessário que instalasse uma usina geradora de energia em Manaus. Como já era proprietária da energia para a Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica Emergencial (CBEE), Fl. 1769DF CARF MF 4 decidiu desativar sua usina naquela cidade (MaracanaúCe) e transferir os seus equipamentos para a implantação da nova usina em Manaus, em terreno adquirido para este fim. Nessa operação de mudança para as novas instalações, incorreu nos gastos já mencionados acima (transporte e instalações). O valor desses gastos teria sido posteriormente repassado para a BreitenerJaraqui, e contabilizados como gastos préoperacionais, gerando despesas de amortização e de juros creditados à Breitener Energética. Concluiu a fiscalização, no entanto, que a Jaraqui recebeu a usina pronta para funcionar. Isso significaria a impossibilidade de tratarse de custo de construção ou benfeitorias para o uso próprio em terreno locado. Assim, não caberia discutir se a Jaraqui poderia assumir os gastos com a implantação da usina, como se lhe fossem próprios. Adicionouse o fato de que desde a cessão do contrato OC 1816/2005 a Breitener Energética teria cessado sua atividade de produtora de energia elétrica e passara a auferir receitas exclusivamente da locação de bens móveis e imóveis, conforme suas DIPJ AC 2006 e 2007. Logo, todos os gastos efetuados com a implantação da usina em Manaus estariam vinculados à realização de suas receitas. Dessa forma, o valor de R$ 40.503.232,46 referente ao total desses gastos, deveria ter sido integralmente acrescido ao imobilizado e permanecido em sua própria contabilidade para a devida amortização das parcelas. Em face do exposto, entendeuse que seria ineficaz para a produção de efeitos tributários, por falta, de fundamento legal, o pacto celebrado entre a Breitener Energética e a BreitenerJaraqui, quer seja chamado de “assunção de dívidas” ou de “contrato de mútuo”. Em consequência, consideraramse indedutíveis as despesas com juros e depreciação escrituradas na contabilidade da BreitenerJaraqui, que tiveram como origem o referido pacto. Apontouse ainda que a conduta do contribuinte fora dolosa sobre a omissão parcial do reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis fósseis (CCC), incorrendo em sonegação, e sobre os gastos com a implantação da usina, realizados pela Breitener Energética e depois transferidos para BreitnerJaraqui, incorrendo, neste caso, em fraude e conluio, sendo lhe imputada a multa qualificada, no patamar de 150%. Foram arrolados como responsáveis tributários as pessoas abaixo identificadas, em decorrência de suas participações na administração da BreitenerJaraqui, ou da Breitener Energética, nos ditames do art. 135 e 137, incisos I e II, ambos do CTN. Tendo em vista a existência de conluio, foram responsabilizados administradores que mantinham vinculo apenas com a Breitener Energética, de acordo com o disposto no art. 158, da lei nº 6.404/76. 1) ELFIO ROCHA MENDES –CPF 012.794.320 – 04. Diretor Administrativo da Breitener Energética S.A, e Diretor da Breitener Jaraqui S.A. Assinou o Contrato de Locação de Usina Termelétrica celebrado entre a Breitener Energética e a Breitener Jaraqui, com data de 23/12/2005. 2) WILLIANS DOMINGUES DE OLIVEIRA – CPF 173.637.86860 Gerente Financeiro da Breitener Jaraqui S.A. Assinou o Contrato de Locação de Usina Termelétrica celebrado entre a Breitener Energética e a Breitener Jaraqui, com data de 23/12/2005. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 4 5 3) ANTONIO GERALDO PINTO MAIA – CPF 011.117.10325 Diretor Técnico da Breitener Energética S.A. Assinou o Contrato de Locação de Usina Termelétrica celebrado entre a Breitener Energética e a Breitener Jaraqui, com data de 23/12/2005. 4) ODILSON SILVA NOBREGA – CPF 847.276.75749 Representante da Breitener Energética S.A, de acordo com as DIPJ A 2006 e 2007. 5) MARCELO ABELAIRA VIZOTO – CPF 066.585.888 – 48 Representante da Breitener Energética S.A, de acordo com as DIPJ 2006 e 2007. Impugnação Os argumentos trazidos em sede de defesa foram sintetizados de forma contundente pela 1ª Turma da DRJ/BEL, de modo que peço vênia para aqui reproduzilos: “3.1 – SOBRE OS FATOS RELACIONADOS À INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL. Breitener Energética celebrou contrato com a Manaus Energia para suprimento de energia elétrica, o qual deveria ser executado por duas sociedades de propósito específico, sendo uma delas a Contribuinte autuada Breitener Jaraqui S/A.; Breitener Energética S/A., celebrou com a Breitener Jaraqui S/A., dois contratos, sendo um deles de mútuo, e o outro de locação; As Autoridades Fazendárias desconsideraram os contratos acima, por considerálos carentes de “fundamentação legal”; A autoridade Fazendária entendeu que o valor do contrato de locação foi acima do valor de mercado, o que estaria causando uma redução indevida na arrecadação do IRPJ e da CSLL; Esta premissa adotada resulta de uma presunção simplória e reducionista que equiparou o aluguel de uma usina ao aluguel de qualquer imóvel residencial; Verificase, pois, que o valor do aluguel aplicado foi absolutamente coerente, afastandose, assim, qualquer alegação de sonegação, fraude ou conluio; Na sua conclusão o Auditor considerou que as despesas de aluguel seriam necessárias e, portanto dedutíveis; (...) Fl. 1771DF CARF MF 6 Por não ter capital para arcar com as despesas, mostrou necessária obter capital mediante financiamento obtido da Breitener Energética; A Breitener Energética financiou tais gastos com recursos obtidos de terceiros, com os seguintes lançamentos contábeis: Mensalmente, a Breitener Energética DEBITA despesas com juros, creditando sua conta empréstimo. Ainda, a Breitener Energética debita mútuo Tambaqui e credita receita. Mensalmente, a Jaraqui então debita despesas com juros, e credita mútuos com a Energética. Posteriormente, a jaraqui dá saída CREDITANDO em seus disponíveis, DEBITANDO A conta do passivo do mútuo, valores esses que entram no fluxo de caixa da Breitener Energia. Ao contrário do que afirma a Autoridade Fazendária, verifica se que a operação possui sim natureza de mútuo, não podendo ser desconsiderado; O Auditor apoia sua tese de que teria ocorrido sonegação fiscal, o que é, no mínimo, um absurdo; A Manaus Energia, exigiu que a Breitener Energética criasse uma SOCIEDADE DE PROPOSITO ESPECIFICO, e esta e que deveria operar a usina, sob a sua responsabilidade; A clausula apontada não teria o condão de proibir a celebração de contrato de mútuo entre a Breitener Energética e a Breitener Jaraqui; O pacto celebrado entre a Breitener Energética e a Manaus Enérgia seria a causa do fato posterior, qual seja a obtenção de renda, esse sim relevante para a incidência do IRPJ, da CSLL, e demais tributos; Logo, resta absolutamente improcedente o auto de infração, não podendo a autoridade fazendária desconsiderar o mútuo celebrado entre a Breitener Energética e a Breitener Jaraqui, bem como suas despesas que lhe são decorrentes, para fins de cálculo de IRPJ e CSLL. 3.2 – DOS FATOS RELACIONADOS À INCIDÊNCIA DO IRPJ, da CSLL, DO PIS, E DA COFINS. CONTABILIZAÇÃO A MENOR DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS – CCC Neste ponto o Auditor se limitou a dizer que houve omissão de receita de R$ 1.795.325,64 em 2006, e R$ 7.801.038,84 em 2007, decorrente de reembolso pela CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS FOSSÉIS(CCC); O Auditor se utilizou desse fato para, mais de uma vez, defender a hipótese de fraude e sonegação fiscal; Ocorre que a diferença foi constatada e devidamente recolhida pela Breitener Jaraqui, no dia 28/10/2008, e os respectivos valores foram considerados ainda na apuração e recolhidos de Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 5 7 IRPJ e CSLL, pelo todo tributo devido foi devidamente recolhido; Na época indicada na autuação não se tinha conhecimento exato da forma de cálculo da Eletróbras, do que decorreu, em alguns meses, a previsão de reembolso a menor do efetivamente aprovado, reduzindo assim a receita base de cálculo dos tributos federais objetos da autuação; A partir de 2007 o problema deixou de ocorrer, e, uma vez identificado, em 2008 toda a diferença foi devidamente recolhida, conforme se verifica nos documentos anexos (RAZÃO ANALÍTICO EM REAL de 2006/2007/2008 e COMPARATIVO DE 2006/2007/2008 – docs. 06 e 07); As explicações são suficientes para se verificar a inexistência de dolo por parte de qualquer dos sócios ou administradores da Breitener Jaraqui ou da Breitener Energética, afastando assim qualquer acusação de sonegação fiscal, fraude, simulação o conluiu; Os tributos recolhidos em decorrência da CCC foi inclusive objeto de Reunião e consta nas ATAS. 3.3 – DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA EM DECORRÊNCIA DE ILÍCITOS COMETIDOS MEDIANTE CONDUTA DOLOSA(SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO). Afora todos os motivos já alegado, o auto de infração se montra improcedente, eivado de nulidade, posto que houve erro quanto à tipificação da cobrança da multa. Isto porque não procede o agravamento da multa em decorrência de suposta sonegação fiscal, quando, nos termos dos esclarecimentos prestados foram espancados quaisquer indícios possíveis para fundamentar uma acusação de sonegação fiscal. 3.4 – DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DE TERCEIROS. Ainda, e pelos mesmos motivos do que foi ressaltado no tópico acima, resta impossível a pretensão de estender aos sócios e administradores qualquer responsabilidade tributária, ainda que se alegue aplicação dos arts. 135 e 137 do CTN. Conforme restou comprovado, não houve a prática de qualquer ato de máfé, de fraude, simulação ou sonegação tributária, pelo que consequentemente, não há que se falar em conluio. Além disso, não se pode simplesmente indicar os sócios e administradores de uma pessoa jurídica, para pretender estender a responsabilidade tributária aos mesmos, posto que, em casos de acusação de sonegação fiscal, faz necessário delinear os atos dos mesmos, para que neste configurado o elemento subjetivo Fl. 1773DF CARF MF 8 qual seja o dolo, ou má fé, conforme entendimento pacífico da doutrina e jurisprudência. 3.4.1 – DO ARROLAMENTO DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. Por fim, resta nulo, o auto de infração que imputa a terceiros a acusação de sonegação fiscal e conluio, mais ainda quando na mesma acusação se faz referência a possível ocorrência de crime tributário, quando os mesmos não foram devidamente intimados para poder se defender, o respeito ao que determina art. 5º, LV, da CF. “LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” Ressaltase que os Responsáveis Tributários arrolados (item 2.4.1 – DO RELATÓRIO) não apresentaram as suas defesas individualizadas, no entanto, a Empresa Breitener Jaraqui apresentou as suas defesas de forma genérica, conforme item 3.4 acima. (...)” Acórdão nº 0125.891 1ª Turma da DRJ/BEL Voto Vencido Sustentouse, inicialmente, que se equivocou a contribuinte ao expor que a causa da autuação foi o valor do aluguel acima do valor de mercado, esclarecendose que o real o motivo da autuação fora as despesas da Implantação da Usina no valor de R$ 40.503.232,26, que a Breitener Energética (locadora) teria transferido para sua subsidiária BreitenerJaraqui (Locatária) a título de mútuo para futuro aumento de capital, arcando assim a BreitenerJaraqui com os custos e as despesas financeiras dos gastos com a Implantação da Usina objeto da Locação. Aditouse que, na realidade, o que se observara seria um suposto “planejamento tributário”, na qual a controladora (já deficitária) teria transferido para a controlada custos e/ou despesas, na intenção de “amortizar” prováveis lucros a serem auferidos pela controlada. Para confirmar o exposto, bastaria observar a DIPJ da Breitener Energética. Concluiuse que mesmo transferindo estas despesas de implantação da Usina para a sua subsidiária BreitenerJaraqui amealhou um prejuízo de R$ 42.617.368,82 no anocalendário de 2006 (fls. 612), e um prejuízo de R$ 31.676.572,89 no anocalendário de 2007(fls. 636). Teria restado claro que as despesas de implantação da Usina Termelétrica são da Locadora e não da Locatária, que por utilização de atos dissimulados através “Contratos de Mútuos” e/ou lançamentos contábeis teria transferido todo este custo para BreitenerJaraqui (locatária), que amealhou um prejuízo fiscal de R$ 11.598.762,84, no anocalendário de 2006 (fls. 443), e prejuízo fiscal no montante de R$ 10.402.823,32 no anocalendário de 2007. Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 6 9 Entendeuse, no entanto, que transferindo estes custos/despesas para BreitenerJaraqui, a mesma não pagaria os tributos devidos (IRPJ e CSLL), como calculados nos Autos de infrações. Logo, fora considerada correta a tributação. Quanto a omissão das receitas oriundas da subvenção de custeio, também reputouse que não assistiria razão a Impugnante. Fora argumentado que os documentos apresentados, principalmente o razão analítico, assim como os comparativos da Conta do Resultado do Exercício, não seriam esclarecedores a ponto de vir mostrar que as diferenças calculadas pela Fiscalização, que geraram as bases de cálculos do IRPJ, da CSLL, e do PIS, e da COFINS, foram devidamente oferecidas à tributação, e pagas. Reputouse que deveria a contribuinte ter demonstrado, através de documentos hábeis e idôneos, que as diferenças apontadas pela Auditoria foram devidamente contabilizadas (oferecidas à tributação), e pagas, respeitando o período de competência à que pertenciam, mas que não o teria feito adequadamente a BreitenerJaraqui. Pelo exposto, a autuação foi mantida neste ponto. Qualificação da Multa Segundo a autoridade julgadora, teria restado claro que a transferência dos custos para a fiscalizada, e a omissão de parte do reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fosseis – CCC, comprovariam que a fiscalizada impedira e retardara o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária de forma dolosa. Estes fatos, então teriam ocasionado as bases de cálculos omitidas, e desencadeado o lançamento, cuja exação originou um crédito tributário no valor de R$ 10.377.566,26 (fls. 02 e 03). Pelo exposto, foi mantida a multa qualificada. Responsabilidade Entendeuse que os Diretores Elfio Rocha Mendes (Diretor Administrativo da Energética, e Diretor Presidente da Jaraqui), Willians Rodrigues de Oliveira (Diretor Financeiro da Jaraqui), e Antonio Geraldo Pinto Maia (Diretor Técnico da Breitener Energética), participaram diretamente das causas que originaram as infrações ao firmarem o Contrato de Locação (fls. 97). No entanto, o fato dos Diretores Odilson Silva da Nobrega, e Marcelo Abelaira Vizoto serem responsáveis pela empresa perante a Receita Federal do Brasil, como apontada no Arrolamento dos Responsáveis (fls. 431), por si só não justificaria a imputação da Responsabilidade Tributária. Definiuse que deveria a Fiscalização ter apontado quais foram as suas participações dolosas (Conluio). Em resumo, constatouse que o Termo de Fl. 1775DF CARF MF 10 Responsabilização encontrarase carente da indicação dos crimes, contra a ordem tributária, praticados pelos dois Diretores acima arrolados, de modo que a responsabilidade fora afastada nestes casos. Reputouse relevante informar, por fim, que o Sr. Odilson Silva da Nobrega, como acima verificado, não tomou ciência do Auto de Infração, logo faltara o elemento essencial para a sua defesa, que seria o conhecimento dos fatos, cerceando desta forma o seu direito de defesa. Voto Vencedor Multa Qualificada Apenas neste ponto houve a divergência de entendimento, constatandose, de início, que a omissão que resulta na redução do tributo, por si, já ensejaria aplicação da multa de ofício regulamentar de 75% (art. 44, I, Lei nº 9.430/96). Foi ponderado que para que houvesse a qualificação da mesma, mister a comprovação inequívoca do dolo do sujeito passivo na conduta, nos termos do art. 44, inciso I, §1º, c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Expôsse que, no caso vertente, a omissão representaria menos de 3% do valor declarado, no anocalendário 2006 (PIS e COFINS), e menos de 8% do valor do reembolso declarado, no ano 2007 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Ainda a constatação de ausência de comprovação do dolo na conduta que ensejou a infração de contabilização a menor do valor do reembolso da conta de consumo de combustíveis, culminou na desqualificação da multa para o patamar de 75%. Por fim, sustentouse que a parcela do IRPJ correspondente à infração seria maior que o imposto apurado no anocalendário 2007. O mesmo se aplicaria à CSLL, que só teve crédito tributário apurado para o anocalendário 2007. Assim, a multa incidente sobre os créditos destes tributos, anocalendário 2007, fora reduzida para 75%. Ante todo o exposto, concluiuse que apenas os créditos de IRPJ, ano calendário 2006, permanecem sujeitos à multa qualificada (150%), os demais submetidos à multa de 75% Recurso Voluntário e Recurso de Ofício Inconformada, a recorrente e os diretores ofertaram recurso voluntário, que, exceção feita ao pedido de diligência para que a Receita Federal se pronunciasse sobre o cumprimento das obrigações tributárias oriundas da subvenção para custeio, reiteram os argumentos trazidos na peça de impugnação. Foi ofertado recurso de ofício. Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 7 11 Resolução nº 1103000.164 – 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária Tendo em vista a alegação da recorrente e os elementos trazidos aos autos, resolveram, os membros do colegiado, converter o processo em diligência para que a unidade de origem examinasse os elementos trazidos pela recorrente e procedesse as verificações necessárias com vistas a confirmar a procedência das alegações da interessada de que efetuou espontaneamente, e antes do início do procedimento fiscal, o recolhimento dos tributos apurados e lançados em face de omissão de receitas decorrente da referida subvenção para custeio. Reputouse que a autoridade fiscal, responsável pelas diligências deveria elaborar relatório conclusivo, do qual deveria ser cientificada a interessada, observandose o disposto no art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito Omissão de Receitas Reembolso da conta de consumo de Combustíveis Fósseis CCC Em atendimento à resolução proferida neste conselho, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Manaus (AM) elaborou um relatório de diligência fiscal. As conclusões ali constantes, no entanto, não corroboram efetivamente e de maneira eficaz na busca pela verdade dos autos. Sinteticamente, a autoridade administrativa revela que, em consulta perante o sistema SIEF da RFB, não puderam ser confirmadas quaisquer das alegações trazidas pela recorrente, essencialmente no que concerne aos supostos recolhimentos em atraso correspondentes as receitas de subvenção de custeio recebidas em períodos anteriores (valor do reembolso da conta de consumo de Combustíveis Fósseis CCC). Em suas alegações, a recorrente afirma que “a diferença foi constatada e devidamente recolhida pela Breitener Jaraqui, no dia 28.10.2008, e os respectivos valores foram considerados ainda na apuração e recolhimento de IRPJ e CSLL, pelo que todo o tributo foi devidamente recolhido.”. Fl. 1777DF CARF MF 12 A pesquisa da fiscalização, em resposta à diligência requerida, alcançou o período de 01102008 a 31122008, abarcando, portanto, a data mencionada pela recorrente. No entanto, não foram constatados os recolhimentos mencionados pela entidade. Diante destas premissas, a conclusão do Relatório elaborado pelo Auditor Fiscal Sérgio Luís Amaral Michiles deuse no seguinte sentido: “Desta forma, como as informações disponíveis na Receita Federal não comprovam as afirmações feitas pela recorrente, caberá a ela apresentar as provas dos pagamentos que afirma ter efetuado, conforme dispõe o Decreto nº 7574/2011, art. 28, parte inicial, (...)” A recorrente, em contrapartida, limitouse a traçar os motivos pelos quais o reconhecimento da receita ocorrera em atraso, apenas em outubro de 2010, mas não comprovou o principal: o pagamento efetivo da diferença recolhida a posteriori. Veja que a construção lógica desenvolvida no recurso voluntário culmina na alegação final a seguir transcrita: “Ora, com base em tudo o que foi dito, a informação do recolhimento do PIS e da COFINS a posteriori se encontra com a própria Receita Federal. Assim, para que se verifique a realização do recolhimento, solicitase: a) Que baixe o processo em diligência, para comprovar junto aos órgãos competentes da própria Receita Federal as informações ora prestadas; b) Que baixe o processo em diligência para realização de perícia contábil, com o objetivo de comprovar o recolhimento a posteriori do tributo (...)” A recorrente, portanto, sequer cita de que modo poderia ser obtida a evidência do recolhimento do IRPJ e CSLL em relação às receitas supostamente omitidas. No que diz respeito ao PIS e a COFINS, pugna pela conversão em diligência, e fora exatamente o que ocorreu adiante, mas, conforme já demonstrado, sem qualquer resultado frutífero. Em manifestação ao Relatório de Diligência Fiscal, a recorrente reitera os mesmos argumentos trazidos em recurso voluntário, reconstruindo o cenário em que se deram as contabilizações em período posterior, através de tabelas e demonstrativos, mas novamente se exime de comprovar o efetivo pagamento dos tributos incidentes sobre estes rendimentos. Assim, ainda que o presente julgador acate e valide o contexto no qual se deu o reconhecimento de parte das receitas da subvenção de custeio em atraso, qual seja, a imprevisibilidade dos valores a serem reembolsados pela Eletrobrás e a consequente constituição da provisão em valor a menor, não há um documento que comprove o pagamento definitivo e inconteste dos tributos correspondentes. O recorrente traz inúmeras provas, dentre elas o razão analítico demonstrando a contabilização da diferença e/ou a correção dos registros contábeis, as atas de reunião, de 15 de outubro de 2008, que supostamente deliberavam acerca da aprovação para recolhimento dos Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 8 13 tributos “devidos à reversão das provisões efetuadas pelos recebimentos a mais da CCC pelo óleo combustível por R$ 5.611.650,08”. No entanto, mesmo que observados conjuntamente, são frágeis, pois unilaterais. Revelam apenas provas enviesadas internamente, sem qualquer chancela externa, ou seja, sem a validação ou a contraposição com as informações prestadas e apuradas junto à RFB. Em última ratio, então, não há comprovação do real recolhimento dos tributos. Sob um olhar direto e objetivo, o que remanesce como principal função da Administração Tributária é promover a arrecadação e posterior financiamento do Poder Público. Se o pagamento do tributo não fora identificado em alinho com a identificação exata da capacidade contributiva da entidade, inclusive por ela atestada, cumpre a este órgão perpetuar a cobrança até que esta seja definitivamente satisfeita. Os autos carecem de elementos probantes robustos e idôneos, capazes de validar o direito invocado pela recorrente, razão pela qual reputo correta a tributação neste ponto. Custo/Despesa Indedutível Para análise específica deste item reputase essencial a consideração do princípio da essência sobre a forma, aliado ao princípio da verdade material. A operação que culminou na dedutibilidade dos chamados gastos pré operacionais pela contribuinte é estruturada de tal forma que perdese de vista a sua real e genuína intenção. O contrato de mútuo formalizado e o fluxo financeiro e econômico dele decorrente está completamente discrepante do objeto transferido. Neste sentido, a fiscalização é certeira no documento que acompanha a constituição definitiva dos créditos tributários, qual seja, a “Motivação do Ato de Lançamento”, a fls. 418 a 438. Veja, inicialmente a Breitener Energética captou recursos em instituições financeiras para prover os gastos com a implantação do empreendimento, tais como a desmontagem da usina em MaracanaúCE, o transporte dos equipamentos e sua posterior montagem em Manaus, etc. Ato contínuo, mediante o firmamento do contrato de locação da usina entre a Breitener Energética e a ora recorrente, houve o repasse dos gastos supracitados. O que se estranha de forma latente é a concomitância e correlação desta transferência de gastos à recorrente, com a celebração de um contrato de mútuo. A contabilização perpetrada escancara, no mínimo, a estranheza da operação. O contrato de mútuo, então, vem acompanhado de uma cláusula (11.1) em que a ora recorrente declara e garante que assumirá parte dos custos suportados pela Breitener Fl. 1779DF CARF MF 14 com o transporte, a desmontagem, a montagem e a adaptação dos equipamentos para a construção da usina. O primeiro ponto se destacar é que não houve um repasse de dinheiro ou de disponíveis, mas de dívidas, o que certamente já desvirtua por completo a essência ordinária e corriqueira de um contrato de mútuo. Tratamse de passivos contraídos pela Breitener Energética e repassados para a recorrente, sob o invólucro de uma operação de empréstimo de numerários. Ademais, é cediço que a sistemática que envolve o mútuo necessariamente remete à cobrança de juros do mutuário. Neste esteio, ainda mais incabível é cogitar que a contrapartida de uma assunção de dívidas é o pagamento de juros. Mas não é só isso. As dívidas contraídas pela mutuária seriam futuramente satisfeitas mediante aumento de capital na empresa “credora” (Breitener Energética). A definição adota pela fiscalização é contundente: “a assinatura do contrato promoveu um fenômeno de transubstanciação: as dívidas as Breitener Energética se transformaram em créditos.”. Tratase de patente anomalia operacional. Olhando isoladamente ou conjuntamente para a essencialidade destes atos, não é possível caracterizar o acordo entre as partes como mútuo, tampouco como uma assunção de dívidas, pois o objeto emprestado é totalmente discrepante das nuances normais da operação. O ônus financeiro dos juros, neste cenário, é algo que destaca a evidente inadequação das medidas perpetradas. Avançar neste raciocínio e concluir que a forma como tal fora engendrada se deu sob o respaldo de uma intenção dolosa, culminando em artificialidade cometida para produzir efeitos tributários que não seriam gerados senão por meios ilícitos, é assertiva que não está comprovada de forma inequívoca nos autos, mas que será pormenorizadamente enfrentada em parte posterior deste voto. A fiscalização conclui: “(...) desde a cessão do contrato OC 1816/2005 a Breitener, cessou sua atividade de produtora de energia elétrica e passou a auferir receitas exclusivamente da locação de bens móveis e imóveis, conforme consta de suas DIPJ AC 2006 e 2007(fls. 608/664). Logo, todos os gastos efetuados com a implantação da usina em Manaus estão vinculados à realização de suas receitas. Dessa forma, o valor de R$ 40.503.232,46 referente ao total desses gastos, deveria ter sido integralmente acrescido ao imobilizado e permanecido em sua própria contabilidade para a devida amortização das parcelas.” O que está neste trecho intrínseco é o conceito contábil de passivos (formadores de ativos) e, principalmente a manifestação do princípio da confrontação de receitas e despesas. Quando estamos falando de empresas controladas é difícil enxergarmos o alcance e o escopo de cada operação de forma individual, devemos olhar para o Grupo Econômico. A mesma pessoa que assina pela Breitner Energética como Diretor Administrativo Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 9 15 o faz pela Breitener Jaraqui com Diretor Presidente. Não há como negar a cumplicidade de interesses entre as entidades para um fim comum. No entanto, não acredito que a assertiva acima exposta coadune com o resto das conclusões até então atingidas. Olhando isoladamente para a situação, podemos atestar que os gastos pré operacionais são inerentes ao início e desempenho das atividades da usina, de modo que não é possível estabelecerse uma relação direta e clara entre tais dispêndios e as receitas de aluguel da locadora. Ao ver deste julgador, o que caracteriza o efetivo remetente destes gastos como a Breitener Energética é a essência contratual e todo o contexto fático que envolve a operação. Nos termos do Contrato de Locação, a Breitener Energética se obriga a entregar a usina em estado de servir ao uso a que se destina. Aliás, o próprio contrato adota como premissa que “para a construção da Usina, a Breitener (Energética) incorreu em custos relacionados a transporte e desmontagem dos equipamentos que estavam instalados na cidade de Maracanaú, Estado do Ceará, e respectiva montagem e adaptação na planta em Manaus, Estado do Amazonas, custos esses que alcançam a importância de R$ 40.503.232,46 (...)” No íntimo desta operação vemos uma sociedade em plena atividade (Breitener Energética) estruturando e criando, por obrigação contratual, uma sociedade de propósito específico (Breitener Jaraqui). Assim, é nítido que o dispêndio de recursos, em seu âmago fundamental, advém daquela empresa com recursos efetivos e reais para tanto. A transferência destes gastos através da operação desvendada, então, desvia completamente sua natureza, sendo destinados à recorrente para nela serem incorporados como próprios de maneira completamente equivocada. Aqui evidenciouse, portanto, que os gastos não foram de fato incorridos pela recorrente, de modo que não poderiam ser deduzidos, reduzindo indevidamente a base de cálculo dos tributos em cobro. Também neste ponto se mantém a autuação. Multa Qualificada e Recurso de Ofício Conforme já adiantado, o passo adiante que se dá ao presumirse que os atos perpetrados pela entidade recorrente teriam como finalidade impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou o seu conhecimento por parte da Autoridade Fazendária, deve ser olhado com cautela. Ao ver deste julgador, apesar da completa anormalidade da operação que resultou na absorção dos gastos préoperacionais pela recorrente, não há nos autos provas robustas que tornem inequívoco o fato de tal medida visar tão somente a produção de efeitos tributários. Fl. 1781DF CARF MF 16 Carecem os autos de elementos que atestem uma intenção dolosa do Grupo Econômico, objetivando tão somente a formação de um prejuízo fiscal na entidade responsável pela atividade operacional. Não há um conjunto hábil e idôneo, apto a comprovar que o intuito maior dessa sequência de medidas deuse para que a recorrente se esquivasse da tributação correspondente. Os autos estão eivados de dúvida, neste sentido. Diante deste cenário, cabe a exposição de uma corrente que vêm crescendo no âmbito deste Conselho, absorvendoa como verdade para a resolução desta controvérsia. Tratase da utilização do art. 112 do CTN, e do princípio do in dubio pro reo (ou como alguns julgados preferem in dubio pro contribuinte), como fundamentos expressos da ratio decidendi que versa sobre a desqualificação da multa. Eis a redação do supracitado dispositivo legal: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A dúvida – seja quanto aos fatos, quanto ao sujeito ou quanto ao conteúdo normativo – resultará sempre em um dilema de subsunção. E desta forma vem sendo encarado o tema no CARF, centrada principalmente na ausência de elementos fáticos autorizadores da multa qualificada e do dolo do agente: “(...) num significativo número de casos, o conteúdo normativo desse enunciado é aplicado sem a identificação expressa do seu fundamento legal no âmbito do direito tributário. Em outras palavras, seu conteúdo teleológico (norma de julgamento que direciona o juiz a decidir em favor do contribuinte no caso de dúvida) não é olvidado nessas situações; uma vez que, em sendo constatada a carência de elementos probatórios que evidenciem o intuito fraudulento, as decisões do CARF são sempre pela desqualificação da multa. (...)” (“Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF”, Edição Fundação Getúlio Vargas SP/ Escola de Direito e Editora Max Limonad) Do racional ora declinado, segue a transcrição de ementa do Acórdão nº 2403002.988, de 12 de Março de 2015: Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 10 17 MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. No caso presente instaurase uma situação de dúvida razoável quanto a natureza e as circunstâncias materiais do fato, o que traz o permissivo de aplicação do art. 112 do CTN. Deste modo devese adotar a medida mais benéfica ao contribuinte, optandose pela pena menos gravosa, desqualificando a multa de ofício e reclassificandoa para o patamar de 75%. O mesmo racional deve validar o afastamento da multa promovido pela autoridade julgadora de primeira instância. A omissão de receitas, por si, não autoriza a qualificação da multa. Este entendimento é consolidado na jurisprudência deste Conselho e inclusive sumulado: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Reiterase que aqui também não é possível estabelecerse um nexo causal entre a conduta da recorrente e um evidente intuito de fraude. Além dos numerários omitidos serem insignificantes perto do total tributado, o que pende muito mais para um lapso do que para uma conduta efetivamente dolosa, os autos não apontam de forma inequívoca e inconteste que as receitas não tributadas significam uma intenção da entidade. A recorrente se prontificou a demonstrar, através de inúmeros documentos e alegações, o contexto no qual se deu a contabilização tardia destas receitas em outubro de 2008. O que lhe restou demonstrar fora efetivo pagamento dos tributos correspondentes. É verdade, tal medida invalida todo o raciocínio construído, para fins de cobrança do tributo, mas não para a identificação da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 44 da Lei nº 9430/96. Portanto, voto no sentido de desqualificar a multa aplicada sob toda a infração, neste passo negando provimento ao recurso de ofício. Responsáveis Tributários Neste tópico, contradito a posição da DRJ/BEL, para excluir a responsabilidade tributária que recai sob os agentes: Elfio Mendes (Diretor Administrativo), Willians Domingues de Oliveira (Gerente Financeiro) e Antonio Geraldo Pinto Maia (Diretor Técnico). Fl. 1783DF CARF MF 18 Todos têm amplo poder de gestão dentro do Grupo Econômico “Breitener” e essencialmente quanto à aprovação do Contrato de Mútuo e do Contrato de Locação de Usina Termelétrica, estiveram diretamente envolvidos (participando de sua assinatura) e presumidamente cientes da operação que culminou na transferência indevida de gastos na monta de R$ R$ 40.503.232,46. No entanto, uma vez afastada a conduta dolosa da recorrente, pela patente ausência de provas neste sentido, não há como sustentarse a responsabilidade atribuída à seus agentes. Conforme salientado inclusive pela fiscalização, os pressupostos para a responsabilização de sóciosgerentes, diretores e administradores das pessoas jurídicas de direito privado, nos termos do art. 135 do CTN, residem no elemento “dolo”. Não há aqui demonstrada qualquer infração à lei, contrato social ou estatutos, capaz de atestar um ato voltado para a ocultação da ocorrência do fato gerador dos tributos, de modo que não há como manter a responsabilidade pessoal dos sujeitos acima elencados pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias. Os autos são frágeis na composição de um cenário doloso. Uma vez retirada esta intenção de desvio da tributação por parte da recorrente, não há como perpetuála em relação aos seus agentes. Pelos mesmo argumentos reputo correta a decisão de afastar a responsabilidade dos Srs. Odilson Silva Nobrega e Marcelo Abelaira Vizoto. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a multa qualificada de 150% para o patamar de 75% e para afastar a responsabilidade Elfio Mendes (Diretor Administrativo), Willians Domingues de Oliveira (Gerente Financeiro) e Antonio Geraldo Pinto Maia (Diretor Técnico) e CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10283.721454/201111 Acórdão n.º 1201002.128 S1C2T1 Fl. 11 19 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, no que tange ao conhecimento do recurso voluntário na parte relativa aos responsáveis tributários Elfio Mendes, Willians Domingues de Oliveira, Antonio Geraldo Pinto Maia e Marcelo Abelaira Vizoto. Como se vê nos autos, a defesa dos arrolados como responsáveis tributários foi veiculada no mesmo recurso da pessoa jurídica autuada, o que já havia ocorrido na impugnação, sem que aqueles tivessem outorgado procuração ao patrono desta. De se concluir, portanto, que a pessoa jurídica fiscalizada não possuía legitimidade para defender qualquer um dos terceiros arrolados pelo fisco como responsáveis tributários. Esse entendimento é consentâneo com precedente desta Turma Ordinária, conforme ementa abaixo transcrita: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. PRECLUSÃO. A responsabilidade tributária deve ser objeto de contestação pelas próprias pessoas físicas e jurídicas às quais tal condição foi imputada pela fiscalização. A falta de questionamento, pelas pessoas físicas e jurídicas arroladas, no prazo legal, de sua condição de responsáveis pelo crédito tributário lançado, leva à preclusão desta matéria na esfera administrativa. A empresa fiscalizada, sem quaisquer provas de que tenha recebido procuração das responsáveis para apresentação de defesa em seus nomes, não possui legitimidade processual para contestar aquela imputação. Eventual recurso apresentado, nestas condições, não deve ser conhecido nesta parte. (Acórdão nº 1201001.401 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Relator Cons. João Otávio Oppermann Thomé) Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso, na parte relativa à defesa dos coobrigados: Elfio Mendes, Willians Domingues de Oliveira, Antonio Geraldo Pinto Maia e Marcelo Abelaira Vizoto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934626/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Reproduzo relatório de primeira instância: Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade contra despacho decisório da autoridade fazendária da DERAT/SÃO PAULO, que não homologou a declaração de compensação – DCOMP de fl. 2/6, que apontava crédito de pagamento a maior de PIS/Pasep do período de apuração do período de apuração (PA) encerrado em 31/05/2005. Ciente do despacho decisório em 28/04/2009, a pessoa jurídica propôs sua peça de defesa em 27/05/2009 alegando falha por ela cometida nas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 34 62 6/ 20 09 -5 3 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10880.934626/200953 Resolução nº 3201001.303 S3C2T1 Fl. 315 2 declarações apresentadas – DCTF e DACON e informando que o valor correto da PIS/Pasep devida para o PA em referência era de R$ 39.526,91 e não R$ 36.281,20 como originalmente declarado. Argumenta ainda que elaborou um relatório explicativo com documentos anexos que comprovaria a nova composição do “imposto”, retificando as declarações e seus valores para fins de análise para fins de se homologar a compensação declarada. Requer seja revisto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. A DRJ/Fortaleza/CE – 4ª Turma, por meio do Acórdão 0831.090, de 16/09/2004, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. DCOMP. CERTEZA E LIQUIDEZ. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.Inexistindo certeza e liquidez, não se homologa a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: ALEGAÇÃO. PLANILHA INDICATIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Se as provas não foram juntadas aos autos é de se indeferir a manifestação de inconformidade. A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. Sustenta ainda: que os documentos trazidos na Manifestação de Inconformidade são idôneos; que a prova é dever tanto do contribuinte quanto do Fisco; O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A retificação da DCTF para os valores que a recorrente pretende serem corretos, foi posterior à ciência do Despacho Decisório. Desse modo, não havia espontaneidade para a retificação, permanecendo válida a DCTF original, no valor original. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificá lo é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10880.934626/200953 Resolução nº 3201001.303 S3C2T1 Fl. 316 3 respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). O ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). No presente caso, a recorrente efetivamente trouxe documentos que constroem plausibilidade a suas alegações. Há demonstrativos de apuração (fls. 38/40), folhas de livros de escrituração (fls. 42/54), e explicação da origem do erro (fl. 147). O Despacho Decisório foi do tipo eletrônico, no qual somente são comparados o Darf e DCTF, sem qualquer outra investigação. Corrobora ainda, pela recorrente, o fato de que o Dacon original (fl. 20), anterior ao Despacho Decisório, continha os valores que pretende verídicos, restando que somente a DCTF estaria incorreta. No exercício de aferição do equílibrio entre a preclusão e o princípio da verdade material, entendo configurados, no presente caso, os pressupostos para que o processo seja baixado em diligência, a fim de se aferir a idoneidade e consistência dos valores apresentados nos documentos acostados junto à Manifestação de Inconformidade. Assim, com base no artigo 293 do PAF, combinado com artigo 16, §6º4, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco proceda à auditoria dos documentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, e outras que entender cabíveis, formulando relatório conclusivo sobre a procedência ou improcedência do valor de Pis de maio de 2005, alegado pela recorrente. Marcelo Giovani Vieira Relator 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 4 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720011/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Aplica-se ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3201-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeu-se desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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CONEXÃO COM PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Aplicase ao processo de ressarcimento o que decidido no processo de Auto de Infração, em julgamento conjunto. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 18/07/2003, vencido, quanto à preliminar de decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Pelo voto de qualidade, entendeuse desnecessária a realização da diligência suscitada, durante o julgamento, pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi acompanhada pelos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. No mérito, ficaram vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisário acompanhou o relator pelas conclusões. Ficaram de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 11 /2 00 7- 63 Fl. 359DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que na homologou a compensação dos débitos declarados no presente processo, em razão do saldo credor pleiteado ter sido completamente absorvido pelo crédito tributário lançado de oficio, por falta de lançamento do imposto em virtude da saída de produtos com classificação fiscal e aliquota incorretas, e, também, por glosa de créditos indevidos referentes a aquisições de insumos de fornecedores optantes pelo SIMPLES, de acordo com a reconstituição da escrita fiscal' elaborada no âmbito do auto de infração lavrado (processo n° 11444.000553/200825, cuja cópia consta nos autos). Tempestivamente o contribuinte manifestou sua inconformidade alegando , em síntese, que: a) o julgamento da manifestação de inconformidade deve ocorrer conjuntamente com o da impugnação ao lançamento de oficio referente ao processo n° 11444.000553/200825; b) tendo dado saída a construções préfabricadas enquadradas na posição 94.06.00.92 da TIPI, com aliquota zero, e não no código 73.08.90.90, equivocadamente pretendido pela fiscalização, com aliquota de 5%, a interessada acumulava créditos na escrita fiscal e que foram utilizados para compensação de débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 74, c/c a Lei n° 9.779/99, art. 11, mediante a transmissão eletrônica das DCOMP em questão; c) a classificação utilizada pela interessada, 9406.00.92, já fora objeto de análise pela RFB em outros processos relativos a pedidos de ressarcimento c/c pedidos de compensação e atestada; a atividade exercida pela empresa se amolda perfeitamente à referida classificação fiscal, já que os contratos têm por objeto o fornecimento de toda a estrutura metálica que compõe a obra, sendo todas as peças elaboradas no estabelecimento industrial para serem simplesmente parafusadas ou pinadas no canteiro de obras; d) requer o processamento da manifestação de inconformidade para apreciação pela DRJ em Ribeirão Preto/SP com respectivo provimento e reforma da decisão, com o reconhecimento do Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 360 3 crédito pleiteado e a homologação total da compensação efetuada. A DRJ/Ribeirão Preto/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR. Reconstituida a escrita fiscal do sujeito passivo em virtude de lançamento de oficio, indeferese integralmente o pedido de ressarcimento/compensação em virtude da conseqüente redução a zero do saldo credor no período de apuração respectivo. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde reteira os argumentos de defesa de mérito da classificação fiscal, e pede pelo julgamento conjunto com o processo 11444.000553/200825. Houve Resolução para julgamento conjunto dos processos conexos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. O resultado do presente processo depende inteiramente do que se apurar no processo 11444.000553/200825, onde se recorre das mesmas razões de mérito, e que está sendo julgado conjuntamente com o presente. Desse modo, transcrevo o acórdão lavrado naquele processo. Preliminar de decadência A decadência, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dáse no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de existência de pagamentos, conforme. decisão do Superior Tribunal de Justiça – Resp 973.733/SC, no regime dos recursos repetitivos. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II Fl. 361DF CARF MF 4 do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. 1 No caso do IPI, a existência de compensações entre débitos e créditos equivale ao pagamento, nos termos do art. 124, § único, inciso III do Decreto 4.544/2002 – Regulamento do IPI2, caso em que o termo de início de contagem do prazo de decadência é o fato gerador. O lançamento foi cientificado em 18/07/2008 (fl. 7). Desse modo, encontravamse decaídos os fatos geradores anteriores a 18/07/2003. Neste aspecto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. A recorrente refere, também, no Recurso Voluntário, a eventual decadência de cálculo dos créditos a serem aproveitados. Entende que, antes de 18/07/2003, portanto, os créditos de IPI escriturados restariam “homologados tacitamente”. Nesse particular, a pretensão é descabida. A homologação tácita se dá somente ao crédito tributário constituído via confissão, ou à Declaração de Compensação apresentada conforme art. 74 da Lei 9.430/96. Não existe previsão legal de homologação de apropriação de créditos de IPI. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer crédito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. Ressaltese que não se está alterando as bases de cálculo para efetuar novo lançamento, mas sim aferindo a legalidade, a certeza e liquidez dos créditos, para cumprimento do disposto no art. 1703 do CTN. 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF 2 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 361 5 Os prazos decadenciais citados protegem o contribuinte de novas cobranças tributárias, para sua segurança jurídica, mas não conferem direito de crédito inexistente. A certeza e liquidez dos créditos é premissa inalienável, segundo os princípios de interesse público, e a administração pública não pode, em nenhum caso, conceder créditos ilegais ao contribuinte. A Fazenda pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos, seja qual for a data de sua origem, vedado, no entanto, lançar novos tributos não confessados – decadência do art. 150, §4º e cobrar débitos constantes em declaração de compensação, após o prazo previsto no §5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Assim, não acata a preliminar suscitada nesse ponto. Mérito Classificação fiscal das mercadorias A empresa fabrica e venda galpões industriais, e as define como mercadorias classificadas na posição TIPI 9406, como construções préfabricadas. O Fisco aponta a posição 7308, partes de construções. A recorrente sustenta que vende a totalidade da construção, e não apenas suas partes, razão pela qual seria correta a posição 9406. O fundamento do Fisco é que as construções em foco são edificações civis, e como tais, não caracterizam industrialização. Desse modo, as saídas da recorrente são de partes de construções, e não de construções. Com efeito, as construções civis estão fora do conceito de industrialização do IPI. A construção civil não se confunde com a “reunião de partes no local em que são instaladas”, fora das dependências do estabelecimento industrial, por força do Regulamento do IPI então vigente, art. 5º VII, “a”: Art. 5º Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); Desse modo, tais edificações não são mercadorias, e sequer podem ser classificadas na TIPI. Ora, em sendo assim, quais seriam então as mercadorias objeto da posição 9406 – construções préfabricadas ? Observemos inicialmente a Nota 4 do respectivo capítulo: “4. Consideramse “construções préfabricadas”, na acepção da posição 94.06, as construções acabadas e montadas na fábrica, bem como as apresentadas em conjuntos de elementos Fl. 363DF CARF MF 6 para montagem no local, tais como habitações, instalações de trabalho, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens ou construções semelhantes. “ Vejamos como as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pela OMA – Organização Mundial das Aduanas, que são a interpretação oficial, em nível internacional, do Sistema Harmonizado, e aprovadas no Brasil, segundo a competência conferida pela Portaria MF 91/1994, pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.260/2012, esclarecem: “Esta posição abrange as construções préfabricadas, também denominadas “construções industrializadas”, de quaisquer matérias. Essas construções, concebidas para os mais variados usos, tais como habitação, barracas de canteiros (estaleiros) de obras, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens e estufas, apresentamse, geralmente, sob a forma: – de construções completas, inteiramente montadas, prontas para serem utilizadas; – de construções completas, não montadas; – de construções incompletas, montadas ou não, mas apresentando, nesse estado, as características essenciais de construções préfabricadas.” Assim, o objeto da posição 9406 são mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque, e não projetados sob demanda, o que, via de regra, aplicase a empreendimentos de maior porte. No presente caso, o que é vendido globalmente não são mercadorias, de catálogo. O que é vendido, no presente caso, são projetos de construções civis. Conforme se verifica nos contratos juntados (fls. 1.300/2.847), cada venda é sob demanda de projeto específico, normalmente de grande porte. O próprio laudo técnico assim o afirma, às fls. 3.558, e ainda fluxograma à fl. 3.562. A recorrente também afirma, diversas vezes, tratarse de empresa de construção civil. Assim, a empresa vende uma construção civil, e não uma mercadoria, e fornece todas, ou quase todas, as partes para a construção civil. Em suma, não se confunde um projeto de construção civil com uma mercadoria préfabricada. Portanto, correto o Fisco na classificação fiscal adotada. Duplicidade da multa A infração falta de destaque do IPI na nota fiscal, com ou sem insuficiência de recolhimento do imposto, enseja o lançamento da multa, conforme art. 80, I da Lei 4.502/64, na redação então vigente4. 4 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Produção de efeito) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 362 7 A infração de glosas de créditos apropriados somente gera multa quando ocasiona saldo devedor não confessado/recolhido, atraindo a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96. O cálculo dessas multas é excludente, ou seja, somente se lança a multa por falta de destaque de IPI nas notas fiscais, na parte com cobertura de crédito, ou seja, quando as infrações resultam em saldo devedor, parte da multa recai sobre o saldo devedor, e parte sobre o valor das infrações com cobertura de crédito. Portanto, não há, matematicamente, a alegada duplicidade de multas, porque incidem sobre parcelas diferentes das infrações. Não procedem as alegações da empresa de que foram aplicadas multas sobre a infração de glosas de credito e sobre a infração de falta de destaque de IPI. Conforme verifico nos demonstrativos de multa, partes integrantes dos Autos de Infração, a multa sobre a falta de destaque de IPI somente incidiu na parte com cobertura de crédito, ou seja, toda a contribuição da infração relativa à glosa de mercadorias para formação do saldo devedor multado, foi descontado na base de cálculo da multa relativa à falta de destaque de IPI, com cobertura de crédito. Quanto à alegada desarrazoabilidade das multas, o colegiado não pode apreciar a constitucionalidade da penalidade legalmente prevista, nos termos da Súmula Carf nº 25, art. 26A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos lançamentos de fatos geradores anteriores a 18/07/2003.” Marcelo Giovani Vieira Relator I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 365DF CARF MF 8 Declaração de Voto A presente declaração de voto decorre da análise dos autos quando da vista concedida em sessão de votação anterior. O que deve nortear a classificação dos produtos industrializados como uma construção préfabricada são os textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das Notas Explicativas da posição 94.06. Da leitura dos textos das referidas Notas, já reproduzidas no voto do Relator, extraemse os requisitos para que se considere uma construção como préfabricada. O primeiro deles não comporta dúvida pois a construção se apresenta acabada e montada na fábrica, e sua identificação ou caracterização como préfabricada tornase elementar e evidente visualmente. Assim, aquelas não acabadas e/ou não montadas na fábrica, ou na saída do estabelecimento industrial, carecem de elementos objetivos para se identificarem ou não como construções préfabricadas. Neste sentido, podese formular duas possibilidades de apresentação da construção préfabricada e o requisito para sua identificação como tal: 1. Quando não apresentada acabada e montada na fábrica deve ser apresentada em conjunto de elementos para montagem no local; 2. Quando incompleta, deve apresentar as características essenciais de construções préfabricadas A formulação proposta conduz a outras duas indagações. Uma primeira, quais as características essenciais de uma construção pré fabricada? Vislumbro uma resposta elementar, qual seja, o conjunto de elementos que se apresentam reunidos e que se identificam como pertencentes a uma específica construção de alguma obra. Quando os textos das Notas utilizam a expressão "apresentadas" ou "apresentando" quer se referir a possibilidade de identificação do conjunto na saída do estabelecimento fabricante. À vista disso, decorre a segunda indagação: qual seria a forma de se identificar o produto/conjunto, visualmente? Mas essas expressões ("apresentadas" ou "apresentando" ) são utilizadas justamente quando a construção préfabricada está inacabada, incompleta ou desmontada, e a depender de suas dimensões, tornase impossível o carregamento e o transporte em um só veículo e no mesmo período. Ademais, não há vedação para que a montagem seja após a entrega de todo o conjunto. Entendo que a solução quanto à identificação/caracterização da construção préfabricada está na análise das características do projeto, do contrato e a discriminação nas notas fiscais que devem apontar claramente para a natureza de uma industrialização realizada no estabelecimento da pessoa jurídica que lhe der saída. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 363 9 Outro requisito decorre dos textos da Nota 4 do Capítulo 94 e das NE da posição 94.06 e se torna intuitivo: não basta que a mercadoria permita a identificação somente após a montagem. Portanto, ao meu sentir a classificação somente se torna possível com a análise de cada conjunto de projeto/contrato e conjunto de notas fiscais de saída. Contratos celebrados e projetos de clientes As cláusulas do contrato padrão celebrado entre a recorrente e seus clientes revelam que não se trata de uma construção préfabricada, pois a natureza é de prestação de serviço com fornecimento de materiais e não de venda de construção préfabricada. Aponto para os dispositivos contratuais que expressam a prestação de serviços, ou descaracterizam como a venda de uma construção préfabricada: Não se referem a montagem de um conjunto préfabricado, mas sim em execução de serviço; As nota fiscal consignam usinagem, montagem da estrutura metálica e colocação de telhas; Há previsão de rescisão contratual na hipótese da contratada decidir não executar os serviços contratados; A contratada entregará projeto para aprovação do cliente, o que pressupõe a personalização do serviço; Há a possibilidade de alteração nas estruturas a serem fornecidas, bem como do projeto; Os preços podem ser alterados em razão de modificações nas quantidades, dimensões ou forma das estruturas discriminadas na proposta, o que se mostra incompatível com uma construção préfabricada; O inicio de fabricação ocorre somente quando a obra estiver apta a receber os materiais para sua execução; No fornecimento de materiais de fechamento, portas, venezianas, cobertura, revestimentos acústicos (folhas: 1840, 1863, 1874, 1887, 1944, 1956, 1983, 1997, 2040) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento (significa que o fornecimento desses materiais é de terceiros fornecedor, e não industrializado no estabelecimento do recorrente); Os materiais fornecidos, apontados como préfabricados, incluem grande variedade de estruturas metálicas para cobertura e fechamento de: portaria, vestiário, alojamento, escritório, restaurante, garagem. Todas executadas conforme projeto do cliente (o tipo de material faz presumir várias possibilidades de serviço a serem executado e não uma variedade de tipos de construções préfabricadas). Há contratos e projetos de reforma em estruturas existentes com o reaproveitamento de material do cliente; Fl. 367DF CARF MF 10 Os contratos prescrevem prazos de conclusão para as obras, não para instalação/montagem da construção préfabricada; Em todos os contratos, há sempre referência a "materiais próprios" empregados na obra, e para efeito de cálculo de tributo, referese ao item 32 da lista de serviços do DecretoLei 406/68, ou seja, não se trata de montagem de construção préfabricada, mas de prestação de serviço para fins de tributação; Cláusula especifica estipula e discrimina o preço total do serviço; Há casos em que fica nítida a contratação de execução de serviço, quando na proposta especifica a diferença entre o serviço executado e contratado. A análise dos contratos/projetos de alguns de seus clientes revelam igualmente a natureza de contrato de prestação de serviços ou situações em que o fornecimento de produtos industrializados não é da contribuinte. Vejamos alguns deles. JACTO: Vários contratos possuem a peculiaridade de reaproveitamento de materiais do cliente (cobertura, painéis, fechamento); Casos em que não há "construções" novas, mas simples ampliação das já existentes; No fornecimento de materiais de cobertura (fls. 1840, 1863) prevê o faturamento direto para o cliente para evitar refaturamento; Há especificação do cliente de como será fabricada a estrutura, ou seja, tipo de material, dimensões, etc. (não se caracteriza venda de uma construção préfabricada); Tem aditamento de contrato em razão de alterações dos serviços contratado (Proposta 198/04 fl. 2417/) COCAM (Contrato 040/04, 049/04 e Proposta Técnica 071/70 (fls. 2240/2253) Natureza de reforma e alteração da estrutura com troca de telha e transformação da estrutura metálica da fábrica (torrefação) com reaproveitamento de material já instalado; Coberturas, cumeeiras, parafusos e venezianas serão faturadas para o cliente e a contratada se responsabiliza pela qualidade dos produtos. (indagase por que somente neste caso há responsabilidade da contratada pelo produto fornecido? Quer dizer que os demais produtos fornecidos não seriam? Entendese que a responsabilidade decorre dos produtos não serem fabricados e fornecidos pela contratada) JACKS: Descrição da obra a ser executada: apoio, reforço e suporte de estrutura, aumento e revisão de telhado (fl. 2374) Das notas fiscais Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 364 11 Procedendo à análise das notas fiscais constatamse elementos suficientes para infirmar tratarse de saída parcelada de uma construção préfabricada, ainda que incompleta e/ou inacabada. 1. As datas, e principalmente o prazo decorrido entre a primeira e última saída de material de determinados contratos demonstram que ultrapassaram, em alguns casos, mais de 06 (seis) para a "entrega" total da suposta construção préfabricada. O quadro abaixo fornece um exemplo da situação: Número contrato Data da 1ª saída Data da última saída Tempo decorrido entre a primeiras e última saída 07/02 06/01/2003 09/09/2003 + de 8 meses 030/05 22/07/2005 29/03/2006 + de 8 meses 027/05 27/06/2005 14/03/2006 + de 8 meses 039/04 29/07/2004 05/08/2005 + de 11 meses 055/03 20/04/2004 08/11/2004 + de 6 meses 049/03 04/03/2004 18/10/2004 + de 7 meses 2. A informação do código da operação de saída CFOP: 5.999 aponta, indubitavelmente para uma "remessa para execução de obra", e não uma saída de venda de uma construção préfabricada. 3. Em todas as notas fiscais, a descrição é de mercadorias como partes de estrutura metálica, não como uma construção préfabricada. No mesmo sentido das constatações e conclusões apontadas nesta declaração de voto, a decisão no Acórdão nº 3403001.254, sessão de 06 de outubro de 2010, relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Classificamse na posição 9406 da TIPI/2002 (alíquota zero) as construções préfabricadas que se enquadrem no conceito da Nota 4 do Capítulo 94. Devem ser classificadas na posição 7308 (alíquota de 5%) as estruturas metálicas que não se relacionem ao fornecimento de uma construção préfabricada. Tendo a fiscalização lançado de ofício o imposto em relação às notas fiscais que consignavam a saída de “estruturas metálicas”, é ônus processual da recorrente comprovar que aquelas estruturas metálicas integravam o fornecimento de uma construção metálica préfabricada. Recurso Provido em Parte. Trago excerto daquele voto que se aplica perfeitamente ao presente caso: Fl. 369DF CARF MF 12 (...) se as estruturas metálicas não pertencerem ou não constituírem um conjunto capaz de formar uma edificação completa ou incompleta, ou se essas partes em conjunto não possuírem as características essenciais de uma construção pré fabricada, deverão ser classificadas na posição 7308.90.90. Conclusão: Como fundamento principal para negar provimento ao recurso voluntário na matéria é o fato de que nos contratos e nas notas fiscais não há provas de que os materiais produzidos ou fornecidos pela recorrente constituem uma construção préfabricada, ainda que incompleta ou inacabada. Ao contrário, as mercadorias sempre foram identificadas como ou destinadas a estruturas metálicas a serem fornecidas em obras dos clientes. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de voto tem por finalidade explicitar as razões pelas quais, em sessão de julgamento, propus a realização de diligência. Conforme bem fundamentadas razões de decidir expostas pelo Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira e pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, a questão posta em debate vai além de se definir a classificação fiscal de estruturas metálicas préfabricadas. Não há dúvida acerca da correta classificação fiscal adotada pelo contribuinte quando se trata de "mercadorias padronizadas, de catálogo, isto é, são oferecidos projetos padronizados para escolha dos clientes, atendidos, via de regra, por mercadorias já em estoque", conforme preceitua o Relator. Não obstante, pelo exame dos autos, notase a existência de estruturas projetadas sob demanda, customizadas, e que não formam um conjunto único, mas, sim, adições a estruturas já existentes (reforma e ampliação). Conforme bem examinado pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, existem contratos com a descrição de "Reforço e Suporte", "Serviço na Cobertura existente", "troca de telhas", dentre outros. Tais objetos, efetivamente, demonstram se tratar da prestação de serviços de construção civil, e não da entrega de uma estrutura préfabricada. Lado outro, notase que em algumas situações, ocorreu o típico fornecimento de estruturas completas, pré fabricadas, cuja contratação da Recorrente se deu para a entrega de um conjunto completo, formador de uma estrutura única, como, por exemplo, o fornecimento de "Passarela e suporte para tubo sobre a fábrica". Assim, entendo que, para a adequada compreensão dos fatos ensejadores do lançamento, é prudente que se realize uma diligência fiscal de modo a identificar fielmente o Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201003.638 S3C2T1 Fl. 365 13 objeto de cada uma das notas fiscais objeto de autuação fiscal, sob pena de se permitir a inadequada reclassificação de itens que, de fato, caracterizamse como estrutura préfabricada. É este meu posicionamento acerca da necessidade de realização de diligência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721301/2015-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:
NULIDADE. PRESSUPOSTOS
Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA - EVENTO SOCIETÁRIOS - INCORPORAÇÃO - ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR - OCORRÊNCIA.
Verificada a existência de evento societário - incorporação - ocorre a antecipação do fato gerador do IRPJ e da CSLL, iniciando-se, aí, a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 150, § 4º, do CTN.
CONTRATOS DE CESSÃO DE DIREITOS DE SOFTWARE - TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA - ROYALTIES
Tratando-se de contrato de cessão de direitos de software em que se observa a transferência também dos respectivos códigos-fonte (tecnologia), observa-se o pagamento de royalties como contraprestação das avenças tratadas no predito contrato de cessão.
DESPESAS DEDUTÍVEIS - ROYALTIES PAGOS À EMPRESA PERTENCENTE A UM MESMO GRUPO ECONÔMICO
São dedutíveis os royalties pagos à empresa com a qual não se mantenha relacionamento societário, ainda que pertencente a um mesmo grupo econômico, por falta de previsão legal expressa.
Numero da decisão: 1302-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em acolher a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários relativos ao período de apuração entre 01 de janeiro e 01 julho de 2010, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). O conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho solicitou apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA - EVENTO SOCIETÁRIOS - INCORPORAÇÃO - ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR - OCORRÊNCIA. Verificada a existência de evento societário - incorporação - ocorre a antecipação do fato gerador do IRPJ e da CSLL, iniciando-se, aí, a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. CONTRATOS DE CESSÃO DE DIREITOS DE SOFTWARE - TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA - ROYALTIES Tratando-se de contrato de cessão de direitos de software em que se observa a transferência também dos respectivos códigos-fonte (tecnologia), observa-se o pagamento de royalties como contraprestação das avenças tratadas no predito contrato de cessão. DESPESAS DEDUTÍVEIS - ROYALTIES PAGOS À EMPRESA PERTENCENTE A UM MESMO GRUPO ECONÔMICO São dedutíveis os royalties pagos à empresa com a qual não se mantenha relacionamento societário, ainda que pertencente a um mesmo grupo econômico, por falta de previsão legal expressa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em acolher a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários relativos ao período de apuração entre 01 de janeiro e 01 julho de 2010, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). O conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho solicitou apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA EVENTO SOCIETÁRIOS INCORPORAÇÃO ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR OCORRÊNCIA. Verificada a existência de evento societário incorporação ocorre a antecipação do fato gerador do IRPJ e da CSLL, iniciandose, aí, a contagem do prazo decadencial, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. CONTRATOS DE CESSÃO DE DIREITOS DE SOFTWARE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA ROYALTIES Tratandose de contrato de cessão de direitos de software em que se observa a transferência também dos respectivos códigosfonte (tecnologia), observase o pagamento de royalties como contraprestação das avenças tratadas no predito contrato de cessão. DESPESAS DEDUTÍVEIS ROYALTIES PAGOS À EMPRESA PERTENCENTE A UM MESMO GRUPO ECONÔMICO São dedutíveis os royalties pagos à empresa com a qual não se mantenha relacionamento societário, ainda que pertencente a um mesmo grupo econômico, por falta de previsão legal expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 01 /2 01 5- 93 Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.221 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e em acolher a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários relativos ao período de apuração entre 01 de janeiro e 01 julho de 2010, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). O conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho solicitou apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de auto de infração lavrado em 2015 em face de Oracle do Brasil Sistemas Ltda., por meio do qual, após glosar despesas relativas à remessas para a empresa Oracle International Corporation, localizada no exterior, "em contraprestação pelo direito de duplicação e comercialização de software, para revenda ao cliente final, que receberá uma licença (ou sublicença) de uso do software copiado", efetuouse o lançamento do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2010. Em linhas gerais, a Fiscalização teria classificado os pagamentos realizados pelo contribuinte como royalties (tendo em vista as disposições conjugadas dos arts. 2º da Lei 9.609/98 e 22, "d", da Lei 4.506/64), invocando, neste passo, os preceitos do art. 353, I, do RIR/99 para considerar indedutíveis tais pagamentos. Cientificado da autuação em 29 de dezembro de 2015, o contribuinte opôs sua impugnação, sustentando, em apertada síntese: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de "embasamento fático e jurídico" já que o art. 353, I, do RIR, vedaria a dedução de despesas com royalties pagos à sócios, afirmando, neste passo, que a Oracle International Corporation não seria sua sócia; b) no mérito: b.1) a decadência dos períodos verificados entre janeiro e julho de 2010, quando então teria ocorrido evento de uma incorporação (da empresa Sun Microsystems do Brasil Indústria e Comércio Ltda. pela recorrente) que importou em recolhimento dos tributos por força das disposições do art. 220 do RIR; Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.222 3 b.2) a improcedência do auto de infração sob alegação de não ser aplicável a espécie as disposições do art. 22, "d", da Lei 4.506/64, já que o aludido diploma regraria os pagamentos efetuados à pessoas físicas e, mais, que afastaria, expressamente, a equiparação entre "remuneração de direito autorais" e a figura dos royalties; demais a mais, a taxa paga pela recorrente visava remunerar o direito de redistribuição do software da empresa americana no Brasil, o que, tambem, afastaria a sua classificação como royaltie; b.3) ainda que de royaltie se trate, o art. 353, I, do RIR impede a dedução dos royalties apenas quando pagos à sócios da empresa contratante, fato não verificado, como já sustentado anteriormente, no caso da recorrente; b.4) ultrapassadas as questões anteriores, as vedações à dedução de despesas concernentes à royalties pagos se limitariam ao IRPJ, não havendo previsão legal expressa a vedar tais deduções em relação a CSLL, de sorte que, quando menos, o auto de infração deveria ser cancelado quanto a esta contribuição. Instada à apreciação da impugnação, a DRJ/RJ houve por bem afastar a preliminar de nulidade, sustentando não se ter verificado quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235; passo seguinte, afastou também a arguição de decadência parcial do lançamento por entender que os pagamentos realizados quando do advento da incorporação noticiada nos autos seriam mera antecipação dos tributos e não dos seus respectivos fatos geradores. Quanto a questão central dos autos, afirmou que os pagamentos realizados seriam, de fato, classificáveis como royalties, invocando as mesmas disposições legais já tratadas pela Auditoria Fiscal e afirmou a aplicabilidade dos preceitos do art. 353, I, também aos casos em que tais pagamentos ocorram entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico. Julgou, por conseguinte, totalmente improcedente a impugnação. O recorrente, devidamente cientificado por meio eletrônico do resultado do julgamento (termo de ciência por abertura de documento datado de 13/02/2017 doc. de fl.1.890), interpôs seu recurso voluntário em 10/03/2017 (conforme termo de juntada constante da fl. 1.891), reprisando, em quase tudo, os seus argumentos de impugnação, acrescendo, tão só, que o rol do art. 353, I, seria taxativo e que, mais, a própria Lei 4.506/64 deixaria evidente a impossibilidade de extensão da vedação em espeque à outras situações que não aquelas por ela expressamente contempladas. A fls. 1990 e ss, a União, por meio da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN , apresentou as suas contrarrazões ao recurso voluntário, reiterando as considerações da DRJ quanto a preliminar de mérito e a decadência. No mérito, se opôs ao argumento do contribuinte de que os pagamentos realizados destinavamse a remunerar o autor dos obras literárias/programas de computador (hipótese que se enquadraria na ressalva descrita na alínea "d" da Lei 4.506) e que, por isso, não seriam classificáveis como royalties. Neste particular a PGFN afirma que as pessoas jurídicas não são "autores" de obras literárias, não obstante poder deter o direitos sobre tais obras, o que, só por isso, não permitiria a aplicação das ressalvas constantes da parte final da aludida alínea "d" do art.22 da Lei 4.506/64. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.223 4 Ao fim, reforçou a aplicabilidade das disposições do art. 353, I, do RIR, também aos pagamentos realizados entre pessoas do mesmo grupo econômico, premendo, outrossim, pela aplicação de tais regras também à CSLL. Os autos, então, foram distribuídos à esta D. Turma Julgadora para apreciação e julgamento. Este o relatório Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de cabimento e, por isso, dele conheço. I. Da alegada nulidade do auto de infração. Esta alegação repousa, especificamente, no fato de ter, a Auditoria Fiscal invocado o art. 353, I, do RIR para glosar as despesas relativas ao contrato de distribuição de fls. 1.637 e ss, sem, contudo, se ocupar de comprovar a existência de vinculo societário entre a cedente dos direitos de uso de software e o contribuinte. A tese, no caso, repousa tanto nas disposições do art. 142 do CTN, como no art. 9º do Decreto 70.235/75, cujo teor peço vênia para reproduzir a abaixo: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Primeiramente, vale dizer, todos os documentos necessários à identificação da composição societária do contribuinte foram, sim, juntados ao processo pela própria Auditoria Fiscal, como se observa daqueles constantes de fls. 3 a 243 o que, per se, afastaria a alegação de descumprimento da regra acima transcrita. O fato, de outro turno, da fiscalização não se reportar aos preditos documentos em seu relatório fiscal, nem tampouco se preocupar com a relação jurídica havida entre a recorrente e a empresa Oracle International Corporation, tem a sua justificativa na própria premissa (correta ou não) de que a existência de um vínculo societário efetivo ser irrelevante para aplicação do preceito do art. 353, I, do RIR; para o fisco, como posto na própria decisão da DRJ, este preceito teria seus efeitos estendidos à grupos econômicos e não só à existência de uma relação societária formalmente estabelecida. Vale destacar que a alegação de nulidade no caso resvalaria numa possível afronta ao direito de ampla defesa do contribuinte (ainda que não explicitamente tratada no recurso voluntário), calcado na falta, parcial, de indicação dos motivos de fato do auto de infração (um dos elementos de validade do ato administrativo). E, de fato, haveria inegável Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.224 5 vício formal do ato em testilha, caso tivesse, a fiscalização, embasado suas conclusões na existência do já citado vinculo societário sem se apontar a prova que demonstraria tal fato. Como dito, todavia, não foi esta a premissa utilizada; os fundamentos de fato e de direito da imposição fiscal estão suficientemente expostos; não por outra razão o contribuinte conseguiu expor as suas razões de defesa sem dificuldades. Neste passo, cumpre invocar os ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins: A clareza do texto constitucional e a utilização de expressões esclarecedoras como: ‘litigantes’, acrescido de ‘acusados em geral’ e ‘contraditório’, acrescido de ‘ampla defesa’, sobre não distinguir o cabimento de tais meios nos ‘processos administrativos e judiciais’, dá a cristalina, meridiana, exuberante demonstração de que não qualquer ‘defesa protocolar’, mas a defesa ‘ampla’, ‘lata’, ‘larga’, ‘sem obstáculos’ é assegurada pelo constituinte (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Processo Administrativo Tributário. 1.ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999, pp. 56). Não se verificando a existência de barreiras efetivas ao exercício da "ampla" "lata", "larga" defesa pelo recorrente (e, portanto, não se demonstrando a hipótese do art. 59, III, do Decreto 70.235/75), não se vislumbra, também, qualquer nulidade no auto de infração. Se a premissa adotada pela Fiscalização está errada, semelhante discussão afetará o mérito do recurso devendo, pois, ser tratada no momento oportuno. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar em análise. II Do mérito. II.1 Decadência. O cerne da questão cinge a saber se, em se demonstrando a existência do evento "incorporação" no curso do anocalendário, observarseia antecipação do dever de pagar o tributo ou, lado outro, se estaria diante de antecipação do próprio fato gerador da exação. Para tanto, vale trazer a colação as seguintes disposições normativas, em especial, o preceitos do art. 220 e 221 do RIR, cujos dizeres transcrevo abaixo: Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). §1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). §2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 2º). Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.225 6 Art.221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 3º). Parágrafo único. Nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 220, o lucro real deverá ser apurado na data do evento. Notem que os citados preceitos, tanto no caso de encerramento da atividade, como na hipótese de incorporação, fusão ou cisão (em que se observa, também, a extinção de uma ou das duas pessoas jurídicas), impõem a "apuração do lucro real" na data do evento. Objetivamente, os dispositivos em análise aventam a necessidade de verificação do aspecto quantitativo da norma jurídica tributária e não, simplesmente, a antecipação da obrigação de se recolher a exação. Há, efetivamente, a necessidade de concretização do fato signo presuntivo de riqueza e, ato contínuo, da tipificação concreta deste. Lado outro, vejase o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1028, de 30 de abril de 2010, mormente o seu art. 1º: Art. 1º Todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ 2010) de forma centralizada pela matriz. § 2º A DIPJ 2010 também deverá ser apresentada pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou incorporadas. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica à incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. Esta norma não só determina a entrega da DIPJ (declaração que, não obstante não deter caráter "constitutivo", encerra, em substância, a apuração dos tributos federais) no ato do evento, como dispensa tal obrigatoriedade apenas no caso em que a incorporação se der entre partes relacionadas (hipótese em que não se observaria verdadeiramente o surgimento de uma nova realidade econômica que pudesse afetar a apuração do lucro real), Mais que isso, vale destacar que, como já dito, na incorporação há, inegavelmente, a extinção da pessoa incorporada; não há, aqui, como se pretender verificar antecipação da obrigação de recolher o tributo dado que o seu fato gerador, em especial em relação à empresa incorporada, não ocorrerá no futuro. Ele ocorre, e impõe a apuração do lucro tributável, no momento do evento quando, como afirmado pelo Recorrente, ocorre a verificação da disponibilidade econômica e jurídica da renda, observandose, neste particular, a antecipação do próprio fato gerador do tributo. Neste sentido, há decisão deste Eg. Conselho, inclusive, recente: IRPJ. INCORPORAÇÃO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência constitui matéria de ordem pública, razão pela qual não é atingida pela preclusão. Para os tributos lançados por homologação, caso do IRPJ, havendo antecipação de pagamento, e desde que não seja constatado Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.226 7 dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, no caso de extinção de empresa por incorporação, é a data da ocorrência do fato gerador, que correspondente à data do evento societário (Acórdão 1201001.643, julgado em 11/04/2017). E a fiscalização reconhece e sabia disso já que, como alertado pelo contribuinte, segregou no próprio auto de infração os períodos de apuração (janeiro a 1º de julho de 2010 e julho a dezembro do mesmo ano). No feito, observase nos documentos de fl. 244 e ss (DIPJ período de apuração compreendido entre 01/01/2010 a 01/07/2010) que foi noticiada uma incorporação realizada pelo contribuinte (comprovada pela alteração contratual de fl. 137/157), que, em razão disto, levantou o respectivo balanço conforme determinado pelo Regulamento do Imposto de Renda (doc. de fls. 1.854/1.855). Neste mesmo período, o recorrente comprovou ter efetuado o recolhimento do IR e da CSLL, conforme guias anexadas a fls. 1.845/1853. Ante tais provas, verificado que o fato gerador, efetivamente, ocorreu em julho de 2010 e que, ao longo do período compreendido entre 01/01/2010 e 01/07/2010, o recorrente recolheu valores concernentes aos tributos tratados no processo, e inocorrentes quaisquer hipóteses de fraude ou dolo, há que se aplicar à espécie o entendimento fincado no REsp 973.733/SC julgado sob o regime dos arts. 543B e 543C do antigo CPC, cuja ementa transcrevo a seguir, até atender ao comando inserto no art. 62, § 2º, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.227 8 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp 973733/SC; Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009 e publicado em no DJe de 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). No caso em apreço a decadência se rege pelos preceitos do art. 150, § 4º, do CTN e, por isso mesmo há que se reconhecer a procedência, nesta parte, das alegações da recorrente; os créditos relativos ao período compreendido entre 01 de janeiro e 01 julho de 2010 já encontravam extintos por força dos preceitos do art. 156, V, do CTN. Pelo exposto, voto por dar provimento a recurso voluntário, neste ponto, a fim de reconhecer a decadência dos créditos relativos ao período de 01 de janeiro a 1 de julho de 2010. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.228 9 II.2 Das despesas glosadas Neste particular, existem duas questões que, não obstante autônomas, merecem atenção. Primeiramente, tratarseiam tais despesas de pagamento de simples direitos autorais e, neste passo, seriam dedutíveis na forma dos art. 290 e 299 do RIR c/c com o art. 22, "d", da Lei 4.506/64 ou, lado outro, configurariam royalties pagos pela cessão de uso de software, incidindo, na espécie, a vedação a sua apropriação prevista no art. 353, I, do diploma regulamentar do Imposto de Renda? Ultrapassa a questão anterior, considerando que o destinatário dos pagamentos, sediado no exterior, não é sócio da recorrente mas compõe, com este, grupo econômico, seriam extensíveis a tal situação os efeitos do precitado art. 353, I? Ainda que prejudiciais, até para que os demais membros deste colegiado possam formar seu convencimento, passo a tratar de cada um destes argumentos. II.2.1 Dos valores descritos no contrato de distribuição de software e a sua natureza Primeiramente, não me parece correta a alegação de que a definição constante da lei 4.506 se restrinja à valores percebidos por pessoas físicas; ainda que, realmente, o predito diploma legal verse sobre a tributação de pessoas físicas, não há qualquer impedimento para que utilize definições ali dispostas para integrar outras normas tributárias, mormente quando estas encerrem o uso de institutos e fatos signopresuntivos de riqueza sem, contudo, os definir (norma em branco). Mais que isso, as disposições do RIR que tratam dos royalties foram extraídas, inclusive, da própria Lei 4.506... Nada obstante, é importante lembrar que a Lei 4.506, quando publicada, não tratava, e nem tinha como tratar, de softwares (por razões óbvias, já que, à época, o uso de programas de computador não estava disseminado e nem era disponibilizado à população e às empresas em geral, mas apenas aos órgãos governamentais e à grandes conglomerados empresariais). A comercialização de softwares, vejam bem, só teve início a partir da década de 1970, com o anúncio da venda de programas de computador separadamente do respectivo hardware (intentado pela IBM vejase, neste sentido o texto extraído do seguinte link, https://pt.wikipedia.org/wiki/História_do_software_livre). Por isso mesmo, a aplicação da Lei 4.506 ao caso concreto deve ser precedida de uma necessária cautela já que esta norma não considerava as nuances deste tipo de "obra intelectual". Pois bem, o art. 22 da citada lei busca definir "royalties" a partir da descrição, exemplificativa (não taxativa), de situações predefinidas: Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.229 10 “Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra.” E aqui cabem algumas indagações: primeiro, como os softwares não foram, de fato, contemplados explicitamente pelo legislador, aplicase a Lei 4.506 ao caso? Lado outro a exceção contemplada na segunda parte da alínea "d", acima, se aplicaria à empresa detentora dos direitos autorais do software? Mais especificamente, poderseia equiparar o "autor da obra" com o titular dos direitos desta? Quanto ao segundo questionamento, a D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões recursais, assevera que a "titularidade não se confunde com autoria"; o fato da empresa ser titular dos direitos autorais (até por autorização legal expressa, a teor dos preceitos do art. 4º, caput, da Lei 9.609/08), não induz, necessariamente, a conclusão de que esta seria "autora" propriamente da obra. Muito antes pelo contrário, como alertado pela PGFN, o art. 11 da Lei 9.610 (Lei de Proteção aos Direitos Autorais, expressamente referenciada pela Lei 9.609) é suficientemente explícito ao definir "autor" como sendo "a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica". A seguir o parágrafo único deste preceito confirma a assertiva de que a "titularidade não se confunde com autoria" ao dispor, literis: Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Todavia, é preciso reprisar que a Lei 4.506 foi editada em outro contexto histórico totalmente diverso e não contemplava, por certo, os programas de computador; a sua aplicação literal, pois, é por demais perigosa; até porque, se é certo que não é possível equiparar o titular dos direitos autorais à figura do autor ou criador da obra, também não é possível pretender afirmar que o software seja, de qualquer forma, comparado à obra intelectual para os fins da Lei 4.506. Notem que a Lei 9.610/98 não define como obra os programas de computador; em verdade, ela nem trata dos softwares; tal definição está disposta na Lei 9.609 que também não equipara a obra intelectual aos programas de computador, limitandose, aqui, à estender à estes últimos as mesmas proteções fixadas pela Lei 9.610, destinadas às obras literárias, científicas ou artísticas. Ou seja, a Lei 9.609 somente determina que os efeitos decorrentes da proteção autoral sejam destinados aos os titulares dos direitos de uso e gozo havidos sobre os softwares. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.230 11 Lado outro, em momento algum a Lei 9.609 trata da autoria dos programas; ela contempla, tão só, a figura do titular do direitos afeitos ao software, como se observa de seu art. 4º e § 2º: Art. 4º Salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou órgão público, os direitos relativos ao programa de computador, desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou de vínculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, contratado de serviço ou servidor seja prevista, ou ainda, que decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos. (...) § 2º Pertencerão, com exclusividade, ao empregado, contratado de serviço ou servidor os direitos concernentes a programa de computador gerado sem relação com o contrato de trabalho, prestação de serviços ou vínculo estatutário, e sem a utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, da empresa ou entidade com a qual o empregador mantenha contrato de prestação de serviços ou assemelhados, do contratante de serviços ou órgão público. Tais disposições inclusive afastariam as alegações da PGFN de que o contribuinte não teria logrado demonstrar a "autoria" dos programas tratados no contrato de distribuição, já que, "salvo disposição em contrário", a titularidade destes se presume. Neste passo, a partir, exclusivamente, da leitura das leis 9.609 e 9.610, qualquer interpretação é possível: a) é razoável afirmar que não só a exceção descrita na alínea "d" do art. 22 da Lei 4.506, como o próprio preceito não se aplicaria aos programas de computador por falta expressa de previsão; b) ou, noutra esteira, não é absurdo equiparar a figura do "autor ou criador" à do titular do direitos inerentes ao software (já que a Lei 9.609 trata dos direitos inerentes aos software, nada tratando sobre a autoria). Ou seja, para se permitir, de fato, concluir sobre aplicação da Lei 4.506 aos programas de computador ou, mesmo, sobre qual seria a natureza dos valores recebidos ou pagos pela cessão de uso de software, é preciso ir além... De se notar, que a tributação de royalties não está adstrita ao Imposto de Renda, à CSLL e, também, ao ISSQN. No ano de 2003 foi editada a Lei 10.168 que instituiu a chamada CIDE/Royalties, dispondo em seu art. 1º, § 1º, o que se segue: § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.231 12 comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Considerando que o fato gerador do tributo em questão é a remuneração paga pela exploração de direitos autorais (fatotipo da expressão "royaltie") e, mais, que o §1ºA, acima, exclui explicitamente da hipótese de incidência as operações com programas de computador em que não se observe a "transferência de tecnologia", é mais que razoável assumir que haverá pagamento de royalties pela cessão de direito de uso de software se e quando se verificar "a transferência de aludido direito". Até porque, a simples aquisição da licença de uso, sem a transferência da respectiva tecnologia, vem sendo tratada, inclusive, pela Receita Federal, como operação com mercadorias. Neste sentido, confirase a Solução de Consulta Disit de nº 149/2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. A remessa ao exterior em pagamento pela aquisição de softwares de prateleira obtidos através de download na rede mundial de computadores não está sujeita à incidência de IRRF. Dispositivos Legais: Lei nº 9.609, de 1998, art. 2º; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º, inciso XII; Decreto nº 3.000, de 1999, art. 710; Portaria MF nº 181,de 1989; Solução de Divergência Cosit nº 27, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE. SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. REMESSA AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. A remessa ao exterior em pagamento pela aquisição de softwares de prateleira obtidos através de download na rede mundial de computadores não está sujeita à incidência da Cide/Royalties Dispositivos Legais: Lei nº 9.609, de 1998, art. 2º; Lei nº 9.610, de 1998. art. 7º, inciso XII; Lei nº 11.452, de 2007, art. 20; Portaria MF nº 181, de 1989; Solução de Divergência Cosit nº 27, de 2008. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. FATO GERADOR. A aquisição de programa de computador na modalidade software de prateleira desenvolvido e comercializado no exterior e obtido através de download na rede mundial de computadores não constitui fato gerador do II. Dispositivos Legais: Regulamento Aduaneiro, art. 72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. FATO GERADOR.A aquisição de programa de computador na modalidade software de prateleira desenvolvido Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.232 13 e comercializado no exterior e obtido através de download na rede mundial de computadores não constitui fato gerador do IPI. Dispositivos Legais: RIPI, arts. 2, parágrafo único e 35. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. FATO GERADOR. A aquisição de programa de computador na modalidade software de prateleira desenvolvido e comercializado no exterior e obtido através de download na rede mundial de computadores não constitui fato gerador do Cofins/Importação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º a 4º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOFTWARES DE PRATELEIRA. DOWNLOAD. FATO GERADOR. A aquisição de programa de computador na modalidade de software de prateleira desenvolvido e comercializado no exterior e obtido através de download na rede mundial de computadores não constitui fato gerador do PIS/Importação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º a 4º. Aqui, peço vênia para transcrever, também, a definição constante dos preceitos do art. 1º da Lei 9.609: Art. 1º Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê los funcionar de modo e para fins determinados. É este "conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada" que comporia a tecnologia a ser transferida; representaria o chamado códigofonte dos programas, definível como sendo o "conjunto de palavras ou símbolos escritos de forma ordenada, contendo instruções em uma das linguagens de programação existentes, de maneira lógica" (definição, confesso, extraída mais uma vez da internet em 21/09/2017 https://pt.wikipedia.org/wiki/Códigofonte). Somente a disponibilização deste códigofonte, pois, juntamente com a cessão da licença de uso, seria, a meu sentir, hábil a classificar os pagamentos realizados em decorrência de tal licença como "royalties". Fora daí, estarseia diante de operação de simples compra e venda de "mercadorias". Assentada, finalmente, a premissa acima, vejamos, agora, qual é, efetivamente, o objeto do contrato de distribuição que, ao fim e ao cabo, é o objeto da celeuma. Da análise da citada avença, juntada à fls. 1.637 a 1677, a questão se resolve de forma, até, simples. Isto porque, conforme se extrai da Cláusula 2.3, verificase que o citado contrato contempla a licença de uso e também a cessão dos códigosfonte dos programas. Vejase: Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.233 14 2.3. LICENÇA DE MATERIAIS FONTE Mediante solicitação da ORASUB, a OIC deverá oferecer a ORASUB os Materiais Fontes dos Programas. A ORASUB deverá ter o direito não exclusivo de modificar o Material Fonte para de (a) Porting, (b) Localização, (c) Tradução do Programa em outro(s) idioma(s), (d) Customização dos Programas para Sublicienciados e Subdistribuidores e (e) qualquer outro tipo de finalidade acordada pelas partes por escrito. O desempenho de tais serviços e a remuneração destes serão regidos, conforme adequado, pelo Contrato Máster de Serviços entre o s Membros do Grupo Oracle. A cláusula acima, a meu sentir, põe uma pedra no assunto; considerando o conceito de "Materiais Fontes" contido no próprio contrato (cláusula 1.7), donde se extrai que, por "'Material fonte'" entendese "determinados códigos fonte de software", e a luz das premissas assentadas anteriormente, e, mais, a cessão destes mesmos códigos ao recorrente, há, inegavelmente, a transferência de tecnologia e, consequentemente, há a tipificação, inclusive, do fato gerador da CIDE/Royalties. Neste passo, não se sustenta, a tese do contribuinte, pois tais pagamentos seriam, sim, qualificáveis como royalties, sujeitandose, pois, às regras dos artigos 352 e 353 do RIR. II.2.2 Assentado se tratar de royalties, aplicarseia ao caso concreto a vedação descrita no art. 353, I, do RIR? Pois bem. Por todo o exposto anteriormente, entendo que os pagamentos realizados pelo contribuinte são, sim, royalties e, neste passo, a regra de dedução aplicável seria aquela encartada no art. 352 do RIR, observadas as vedações contidas no art. 353 do mesmo diploma normativo. Não se discute (e nem o fisco e nem a PGFN aventam outra hipótese) que o recorrente não é sócio da, e nem é controlado pela, Oracle International. Aliás, os documentos acostados ao feito demonstram, ad absoluto, a inexistência de uma relação societária entre o contribuinte e o destinatário dos royalties, não obstante não se pode discutir, também, que estas empresas compõe um grupo econômico (o próprio contrato de distribuição assim se refere às empresas contratantes Grupo Oracle). No entanto, o art. 353, I, versa sobre a indedutibilidade de royalties pagos à sócios da empresa pagadora... este preceito não trata, expressamente, dos grupos econômicos, limitandose a dispor sobre as tratativas pactuadas entre partes relacionadas. Vejase: Art.352. A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71). Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes (...). Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.234 15 Ou seja, a extensão da vedação aí contida pressupõe um exercício hermenêutico já que, de sua literalidade, não se pode extrair as consequências pretendidas pela Fiscalização. E, neste particular, perguntase: seria possível integrar a norma para atingir fatos não descritos nela explicitamente? E, caso afirmativo, quais seriam os limites para tal exercício hermenêutico? Estarseia diante de mera interpretação extensiva ou, lado outro, se estaria utilizando de analogia para emprestar à norma tributária efeitos que, na sua literalidade, não são observados? Que as disposições do art. 353 são taxativas, não me parece haver dúvidas, até porque, entender se tratar de numerus apertus representaria iniludível afronta ao princípio da segurança jurídica (o contribuinte não pode ficar ao bel prazer da subjetividade que semelhante entendimento comportaria). Assim, para abarcar a situação tratada neste feito, isto é, uma operação realizada por empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, somente seria possível mediante: a) uso de uma interpretação extensiva; ou b) analogia. Invoco, aqui, o seguinte trecho da ementa do REsp 121.428, da lavra do C. Superior Tribunal de Justiça acerca da importante diferenciação entre a interpretação extensiva/analógica (sim, trato estas duas como sinônimos) e a analogia: (...) 3. Não se pode confundir analogia com interpretação analógica ou extensiva. A analogia é técnica de integração, vale dizer, recurso de que se vale o operador do direito diante de uma lacuna no ordenamento jurídico. Já a interpretação, seja ela extensiva ou analógica, objetiva desvendar o sentido e o alcance da norma, para então definir lhe, com certeza, a sua extensão. A norma existe, sendo o método interpretativo necessário, apenas, para precisarlhe os contornos (RECURSO ESPECIAL REsp 121428 RJ 1997/00140407 STJ). Os contornos da lei são precisos... não há que se perquirir o intento do legislador, no caso, para se definir o seu alcance. A vedação contida no art. 353 se estende aos sócios e gerentes da empresa, até, porque, a intenção do legislador aí é de coibir a fraude, a distribuição disfarçada de lucros e a "fabricação" de despesas. Para, contudo, estender tais efeitos à outras situações ali não descritas, não se utilizaria, propriamente, de um método interpretativo: seria necessário empregar, de fato, analogia. Vejam bem, não existe norma que vede a dedução de despesas incorridas por uma empresa, decorrentes do pagamento de royalties à empresa para com a qual não mantenha qualquer relação societária; não existe norma, propriamente, que disponha sobre tal vedação quando as operações ora tratadas sejam realizadas por empresas pertencentes a um "grupo econômico", lembrando que, quando assim o quis, o legislador o disse de forma explicita (v.g., quando trata da responsabilidade tributáriaprevidenciária ex vi do art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91). Ou seja, para que a vedação contida no art. 353, I, do RIR, seja aplicada também às operações praticadas dentro de um grupo econômico, terseá, insistase que lançar mão de analogia. Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.235 16 Só que, no direito tributário, o uso da analogia tem aplicação mais restrita, mormente quando o seu emprego importe na cobrança de tributos. O art. 108 do Código Tributário Nacional, digase, permite o uso deste método integrativo, todavia, se e quando observadas as limitações constantes de seus §§ 1º e 2º: Art. 108. (...) (...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Vale lembrar que estas disposições são decorrência lógica do principio maior da legalidade, vetor e norte da relação jurídica havida entre Estado e Administrado e que tem, objetivamente, consequências bem distintas para um e para outro; se, para o Estado, a legalidade impõe a prática de atos determinados pela lei, para o Administrado, ela faculta a prática de atos não vedados pela norma jurídica. Com muita propriedade, já o dizia Celso Antõnio Bandeira de Mello: Michel Stassinopoulos, em fórmula sintética e feliz, esclarece que , além de não poder atuar contra legem ou praeter legem, a Administração só pode agir secundum legem. Aliás, no mesmo sentido é a observação de Alessi, ao averbar que a função administrativa se subordina à legislativa não apenas porque a lei pode estabelecer proibições e vedações à Administração, mas também porque esta só pode fazer aquilo que a lei antecipadamente autoriza (...). No Brasil, o princípio da legalidade, além de assentarse na própria estrutura do Estado de Direito, e, pois, do sistema constitucional como um todo, está radicado especificamente nos arts, 5º, II, 37 e 84, IV, da Constituição Federal. Estes dispositivos atribuem ao princípio em causa uma ciompostura muito estrita e rigorosa, não deixando vávlula para que o Executivo se evada de seus grilhões (...). Nos termos do art. 5º, II, " ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Aí não se diz "em virtude de" decreto, regulamento, resolução, portaria ou quejandos. Dizse "em virtude de lei". Logo, a Administração não poderá proibir ou impor comportamento algum a terceiro, salvo se estiver previamente embasada em determinada lei que lhe faculte proibir ou impor algo a quem quer que seja (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 12.ª ed., São Paulo: Malheiros Editores, 2000, p.p. 72/74) A luz deste super princípio, vejam bem, entendo que a vedação contida no § 1º do citado artigo 108 não restringe às hipóteses explicitas de competência tributária, nem tampouco se restrinja ao aspecto material da hipótese de incidência (que deduz o fatosigno presuntivo objeto, precisamente, da regra de competência tributária); a vedação ali tratada, ao menos em minha visão (sabendo que tal entendimento não é unânime), se estende a todos os Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.236 17 demais aspectos da norma de incidência, até mesmo, como decorrência lógica do entendimento fixado há mais de cinquenta anos, por Becker e Ataliba, e muito bem explicitado por Paulo de Barros: Abundam motivos para que recebamos com prudência e certa desconfiança o texto cru do nosso direito positivo. As elaborações da Ciência, todavia, encontraram na base de cálculo o índice seguro para identificar o genuíno critério material da hipótese, ofertandonos instrumento sólido e eficiente para confirmar, infirmar ou afirmar o enunciado da lei, surpreendendo o núcleo lídimo da incidência jurídica. Não foi por menos que Alfredo Augusto Becker divisou nesse elemento a pedra angular das investigações em torno da natureza jurídica dos tributos (...). A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa (...). Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 4.ª ed. São Paulo: Saraiva, 1991, p. 229/230). A relação de pertinência lógica entre os aspectos da norma de incidência é, em verdade, a essência da validade da própria norma jurídica; é o "portoseguro" à identificação da espécie tributária e o atendimento desta aos contornos constitucionais e legais visceralmente essenciais à sua própria validade. Assim, se a legalidade estrita impede o uso da analogia sobre determinado fato não descrito no aspecto material de sorte que não seja observada a concretização do comando da norma jurídica tributária, por óbvio, não se pode pretender usar este mesmo método integrativo para estender à grandeza não contemplada no aspecto quantitativo, pena de se quebrar a necessária paridade entre este e seu aspecto material. Lembrando que a as permissões para dedução de despesas compõem o aspecto quantitativo da norma de incidência tanto do IRPJ como da CSLL, assentar, neste particular, o uso da analogia para fechar, ao contribuinte, a porta relativa a prática de determinado ato seria, a toda monta, indiscutível desrespeito ao princípio da legalidade e, diga se, ao seu espelho mais restrito, qual seja, a tipicidade; por analogia, não se pode, a meu ver, vedar a dedução de despesas com royalties pagos à empresa que não mantenha relação societária com a fonte pagadora, a mingua de previsão legal explícita. Não bastasse isso, digase, há uma questão de cunho prático/operacional, que resvalaria, também, num princípio de razoabilidade: ora, a Oracle International não é sócia da recorrente, e isto já foi estabelecido; mas a Oracle é, efetivamente, a detentora dos direitos inerentes aos softwares comercializados no mundo inteiro (só pra lembrar, um deles é muito utilizado por este Conselho o JAVA). A mingua da existência de uma relação societária entre o contribuinte e a detentora dos direitos deste softwares não se poderia, seriamente, exigir que a cessão destes Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.237 18 direitos fosse feita de forma gratuita (a Oracle International tem que responder a seus acionistas pelos lucros que deixar de perceber), mesmo que tal cessão se dê entre empresas pertecentes a um mesmo grupo econômico! Neste particular, vedar a dedução de royalties pagos entre empresas de determinado "grupo econômico" representaria uma ingerência indevida na gestão coorporativa empresarial... Lembremse que, ainda que dotada de objetivos antievasivos, a disposição do art. 353 está inserida no tópico do RIR que trata dos resultados operacionais; no caso, o pagamento de royalties pelo recorrente é essencial a consecução de sua atividade fim ou, de outra sorte, não teria nem mesmo como justificar a distribuição ou sublicenciamento dos softwares cuja propriedade é da Companhia internacional Nesta esteira, na minha opinião, data venia, o entendimento externado pela Fiscalização, pela DRJ e pela própria PGFN carece, não só de legalidade, mas, também, razoabilidade... Em resumo, ainda que de royalties se trate, entendo a que vedação constante do art. 353, I, do RIR não se estende aos pagamentos realizados entre empresas que não mantenham, entre si, relações societárias, mesmo que pertencentes a um mesmo grupo econômico. II.3 CSLL Em relação à CSLL, seja qual for o prisma de análise, a conclusão será a mesma: se se considerar inaplicável a legislação do imposto de renda à contribuição em análise, então a glosa terá sido feita sem que haja previsão legal explícita a lhe dar suporte; se, lado outro, se entender aplicável também à CSLL os preceitos do art. 353, I, por tudo o que expus nos tópicos anteriores, temse que os pagamentos realizados pelo contribuinte eram, sim, dedutíveis, já que efetuados à parte com a qual não mantinha relação societária, portanto, sem que lhes sejam extensíveis os efeitos do predito preceptivo normativo. III. Conclusão. A vista de todo o exposto voto por dar total provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Declaração de Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.238 19 O ilustre relator formula suas razões de decidir com a lucidez de praxe, e com elas concordo exceção feita à negativa de enquadramento do fato à norma do artigo 71 da Lei nº 4.506, de 1964 (reproduzido no RIR/99, artigo 353), in verbis: Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: (...) Parágrafo único. Não são dedutíveis: (...) d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes;(grifei) Embora o Relator concorde que a norma em destaque engloba a pessoa jurídica, afasta sua aplicação nos casos em que, embora não seja sócio direto, o recebedor dos royalties pertença ao mesmo grupo econômico do pagador, sob o controle da matriz no exterior. Entendo que, no caso, devese buscar o sentido teleológico da norma, sob pena de retrocedermos ao tempo em que a aplicação extremada da legalidade estrita, impondo um sentido literal absoluto às normas, exigia a promulgação anual de novas leis fiscais a cercar supostos planejamentos tributários, o que produzia um jogo de gato e rato prejudicial apenas ao País. Ao buscar esse sentido teleológico valhome de doutrina apresentada nas contrarazões da Procuradoria, excerto de obra de Noé Winkler (“ Imposto de Renda”, Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 526 e 528), que bem traduz o meu entendimento: “É vedado o pagamento de “royalties” a sócios ou dirigentes de empresas e a seus parentes e dependentes. Quanto aos sócios, tanto podem ser pessoas físicas como jurídicas. Não esclarece a lei o grau de parentesco, ou tipo de dependência. [...]A regra estabelecida no dispositivo legal alcança tanto as pessoas físicas como as jurídicas, de sócios ou acionistas (CC.Ac. 1110.0446, de 25.2.76 RT2 38/77). Esclarece a decisão que o fato de ter a lei se referido a parentes ou dependentes, objetivou alcançar também pessoas ligadas à pessoa física, já que, como é obvio, a pessoa jurídica não tem parentes. Daí não caber o entendimento no sentido de que só as pessoas físicas estão sujeitas à norma da lei.” Vejamos novamente a determinação legal: Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: [...]Parágrafo único. Não são dedutíveis: [...]d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Como admitir que um resultado Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.239 20 expressamente vedado pela lei (royalties pagos a dirigentes e seus parentes) seja atingido por via oblíqua, ou seja, tendo uma empresa veículo como aparente beneficiária destes pagamentos? Ora, conforme apurou e comprovou a fiscalização, os sócios de todas as empresas mencionadas, diretamente ou indiretamente, são os mesmos proprietários, ou seja, Srs(as) Noemy Almeida Oliveira Amaro, João Francisco Amaro, Mauricio Rolin Amaro, Maria Claudia Oliveira Amaro, Marcos Adolfo Tadeu Amaro. O ilustre Auditor Fiscal verificou, ainda, que os sócios proprietários da marca, por intermédio da TAM MILOR S.A., são exatamente aqueles que diretamente administram o grupo de empresas; Esses elementos amparam a conclusão fiscal, qual seja: o pagamento de royalties à TAM Milor S.A. pela Tam Linhas Aéreas S.A, enquadrase na vedação veiculada no art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, e retira o propósito negocial desta estipulação de royalties. A Fiscalização, ao evidenciar o quadro societário dos envolvidos, demonstrou cabalmente a vedação à dedutibilidade das despesas com royalties para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Repito: dentro de uma interpretação finalística e teleológica dos dispositivos legais citados, que é a mais adequada e plausível, levandose em conta a infinita possibilidade de artifícios e “procedimentos formalmente legais” que os interessados podem adotar visando reduzir o montante dos tributos por eles devidos.(grifos do original) No caso presente não estamos falando da criação de uma empresa veículo para receber os valores em nome da matriz, mas de empresa existente e ativa, pertencente ao grupo, que, como não sócia, recebe os valores, o que determinaria a dedutibilidade dos royalties no caso de interpretação literal da norma. Devemos entender que a Lei 4.506 foi publicada em uma época (1964) em que não havia a proliferação de grupos econômicos supraestatais, havendo as figuras simples de sociedades, responsáveis por todas as atividades relacionadas à produção. Hoje, temos uma sociedade que produz, outra que vende, uma terceira que recebe e cobra, uma quarta que concentra todas as decisões do grupo e une todas ao seu redor, muitas vezes localizadas em países diferentes, conforme a conveniência do negócio. Então, buscar o sentido teleológico nada mais é do que atribuir eficácia à norma, ou o aplicador seria forçado a entender, como veladamente aconteceu no caso citado, que a interposição de integrante nãosócio do grupo econômico entre o beneficiário final (a matriz, no caso) e o pagador de royalty nada mais seria do que fraude à lei, uma atitude que por si só não seria ilegal, mas que visaria ao rompimento da estrutura lógica de todo o sistema jurídico. Sim, porque, agindo legalmente, por hipótese, estaria contornando a norma proibitiva e autorizando o favorecimento indireto de poucos (sócios, dirigente e seus parentes) Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.240 21 em detrimento do Fisco e de outros sócios ou acionistas da sociedade, como bem fundamentado pelo Conselheiro Antônio José Praga de Souza, no acórdão nº 1402000.905, de sua relatoria, citado nas contrarazões da Procuradoria da Fazenda: (...) Isso porque, a intenção da norma é vedar, de forma ampla, a destinação de royalties em benefício de sócios, dirigentes ou seus parentes. A nítida finalidade da norma é obstaculizar o favorecimento irregular, ou, no mínimo questionável, de poucos (sócios, dirigentes ou seus parentes.), em detrimento do Fisco (verificado com a redução do lucro tributável da empresa que paga os royalties) ou em detrimento de outros sócios ou acionistas da sociedade (verificado com a redução dos lucros a serem distribuídos). O artigo 71 da Lei nº 4.506, de 1964, tem amplo alcance e sequer limita o grau de parentesco que há com os sócios e diretores. Frisese, de plano, que não se trata de uso da analogia para ampliar a hipótese de incidência tributária, mas tão somente verificando o alcance da norma jurídica. Para isso, lanço mão de interpretação finalística e sistemática dos institutos. Ademais, como aponta o I. Relator do acórdão recorrido: Por outro lado, a forma com que o contribuinte (OB) se refere à destinatária das remessas ao exterior, a fim de explicar as despesas em discussão, denota o vínculo entre as empresas: Explicação referente ao item 7 Tabela 9 As despesas referente a esta conta referese a sublicenciamento dos software Oracle. Sobre nossas receitas de licenciamento são calculados 58% e repassados a nossa matriz de acordo com o contrato entre Brasil e a matriz. (gn) (1º arquivo não paginável do processo, termo à fl. 1591) Apresentamos a composição dos lançamentos indicados na tabela 9 Ficha 04A, do respectivo termo de intimação fiscal, com a composição dos valores que resultaram nos 58% da taxa de licenciamento, de acordo com o contrato firmado entre a Oracle Brasil e sua controladora. (gn) (fl. 1634 e 1694)(grifo do original) Por outro lado, a existência do Grupo Oracle é reconhecido e explicado no contrato, além deste disciplinar que o pagamento que a ORASUB faz à OIC pode ser feito a qualquer membro do referido Grupo, conforme seja mais "adequado", como se vê do trecho do acórdão da DRJ/RIO: Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.241 22 No Contrato de Distribuição (Alterado e Consolidado) (fl. 1637 e ss) entre Oracle International Corporation (OIC) e Oracle do Brasil (OB) explicitase a existência do Grupo e, mais ainda, definese sua estrutura. A menos que acordado de outra maneira, "Membro do Grupo Oracle" ou "Membro" significa a Oracle Corporation ou qualquer corporação, sociedade, firma, associação ou qualquer outra entidade da qual a Oracle Corporation, direta ou indiretamente, detenha 50% (cinqüenta por cento) ou mais de direito de participação de tal entidade ou tenha controle efetivo de tal entidade através de outros meios.(gn) Na sequência, no mesmo item do contrato, é fornecido esclarecedor significado de "controle" no contexto: Para a finalidade desta definição, "controle" significa o poder de dirigir a administração e as políticas de qualquer tipo de entidade, direta ou indiretamente, seja através de propriedade de ações com direito a voto, por contrato ou de outra maneira.(gn) Observese ainda que o pagamento devido pela OB (ou ORASUB) pode ser efetuado a OIC ou a qualquer membro do Gupo Oracle: A ORASUB pagará a OIC ou a outro Membro do Grupo Oracle, conforme adequado, diretamente ou através de um agente de pagamento ou de representante de tal agente de pagamento, todas as taxas e outros rendimentos devidos no máximo dentro de 90 (noventa) dias corridos depois do Trimestre em que tal pagamento couber (...). (gn) (item 5.9.A, fl. 1659) Por todo o exposto, reconhecer a eficácia normativa com interpretação literal restritiva, no caso em julgamento, não satisfaz o real sentido da norma enquanto integrante de um sistema jurídico. A lógica deste sistema, de um lado, impede uma interpretação que permita que decisões unilaterais invertam seus valores e, de outro, permite que se determine o alcance da lei para que o conjunto normativo mantenha sua integralidade. Nestes termos, a Recorrente não tem direito à dedutibilidade da despesa de pagamento de royalty de 58% de sua receita de licenciamento, pois o pagamento feito à empresa pertencente ao mesmo grupo econômico é alcançado pela norma do artigo 71, parágrafo único, inciso "d", da Lei nº 4.506, de 1964. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Cabe aqui uma adequação à norma recente, de caráter interpretativo e que visa a execução da lei tributária, qual seja a Instrução Normativa nº 1.700, de 14 de março de 2017, publicada no DOU de 16 de março de 2017. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 19515.721301/201593 Acórdão n.º 1302002.695 S1C3T2 Fl. 2.242 23 Esta Instrução estabelece de forma objetiva quais são as adições à base de cálculo que afetam o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido, de forma que, em seu Anexo I Tabela de Adições ao Lucro Líquido define sobre qual tributo incide a norma analisada. Assim, transcrevo o item 99 da referida tabela (Anexo I): Nº Assunto Descrição do Ajuste Aplica se ao IRPJ? Aplicase à CSLL? Dispositivo na IN 99 Royalties e Assistência Técnica, Científica e Administrativa O valor dos royalties e das importâncias pagas a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que forem indedutíveis nos termos: (1) dos arts. 52 e 71, caput, alínea ‘a’, e parágrafo único, alíneas ‘c’ a ‘g’, da Lei nº 4.506, de 1964; (2) do art. 50 da Lei nº 8.383, de 1991; (3) do art. 74, caput, da Lei nº 3.470, de 1958; (4) do art. 12 da Lei nº 4.131, de 1962; e (5) do art. 6º do DecretoLei nº 1.730, de 1979. SIM NÃO Arts. 85 a 88 (grifei) Tratandose de royaltie indedutível por aplicação do artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei nº 4.506, de 1964, há que ser afastada a tributação sobre a CSLL, por ausência de previsão de sua adição ao lucro líquido para este fim. Desta forma entendo que deveria ser afastada a preliminar de nulidade, acatada a decadência do período de 1º de janeiro a 1º de julho de 2010 e, no mérito, deveria ser dado provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a indedutibilidade do royaltie quanto à CSLL. É o meu voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Fl. 2042DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.000716/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
PRELIMINAR DE NULIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Portanto, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
EXCLUSÃO SIMPLES.. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317/1996. Tendo, portanto, a contribuinte excedido ao limite estabelecido para permanecer no Simples, correto o procedimento de exclusão adotado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1301-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. PRELIMINAR DE NULIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Portanto, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. EXCLUSÃO SIMPLES.. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317/1996. Tendo, portanto, a contribuinte excedido ao limite estabelecido para permanecer no Simples, correto o procedimento de exclusão adotado pela autoridade fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 16 /2 00 8- 74 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 627 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente omissão de receitas no anocalendário de 2005, o que culminou com a lavratura dos autos de infração (fls. 375/404) exigindo os créditos tributários no montante de R$ 4.043.177,16 relativos ao Simples, bem como na exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2006. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 1233.118 prolatado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 541/544): O presente processo tem como objeto : 2. Auto de infração relativo ao SIMPLES, fato gerador 2005,fundamentado em omissão de receitas (fls 337/398) 1.1 Valores lançados, acrescidos de multa de 75% e juros de mora: · IRPJ simples R$ 140. 602, 61 · PIS simples R$ 140.602,61 · CSLL simples R$ 216.311. 71 · COFINS simples R$ 432.623,44 · INSSsimples R$ 930.140,31 1.2 Ciência I 28/11/2008 (fls 335) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 628 3 3. Ato Declaratório Executivo n° 44, de 05/ll/2008, (fls 24), que excluiu a interessada do Regime de Tributação Simplificado a partir de 01/01/2006 2.1 Ciência: 28/11/2008( fis 335) Foram os seguintes os fundamentos e fatos que respaldaram os atos administrativos acima referidos: 1. Auto de Infração A tributação de oficio incidiu sobre pessoa jurídica optante pelo Simples e teve como suporte fático omissão de receitas apurada por presunção legal (art 42 da Lei 9.430/1996) a partir da falta de comprovação da origem de depósitos efetuados nas seguintes contas correntes, cujos extratos constam das fls 85 a 318: A base sobre a qual incidiu a tributação corresponde aos depósitos tidos como não comprovados, discriminados na tabela de fls 320 a 331 e totalizados por mês às fls 335. Faz registro a autoridade autuante de que teriam sido expurgados os créditos correspondentes a cheques devolvidos, baixas de aplicações financeiras, transferências interbancárias e empréstimos. Embora no termo que formalizou a descrição dos fatos que embasaram a autuação não haja menção específica, constatase que foi ainda objeto de dedução, da base de cálculo efetivamente tributada, a receita bruta informada em DIPJ. Ao longo da auditoria foram formalizadas , com o intuito de solicitar o esclarecimento da origem dos créditos tributados, as intimações de fls 72 e 319. 2. Ato Declaratório de Exclusão O Ato Declaratório Executivo 44/2008 excluiu a interessada do SIMPLES a partir de 01/01/2006 em decorrência de ter ela auferido, no ano de 2005, receitas em montante superior ao limite máximo previsto para permanência no SIMPLES. O excesso se deu em função do auto de infração que é objeto do presente, através do qual apurouse que, no ano de 2005, teriam sido auferidas receitas tributáveis no valor de R$ 19.037.967,90. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fis 422 a 455, na qual alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, assim fundamentada: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 629 4 · A quebra do sigilo bancário da pessoa jurídica foi efetuada por deliberação administrativa, sem autorização judicial, fato este que implica ofensa ao ordenamento jurídico estabelecido; · Em 23/l2/2008 o processo ainda não se encontrava na agência de jurisdição da interessada, havendo o funcionário atendente informado que, tendo em vista o acúmulo de serviços, não seria possível extrair cópias e nem ter vistas dos autos antes de l9/03/09. Diante da existência de prazo limite para impugnação da exigência, a dificuldade de acesso aos documentos que a fundamentaram efetivamente obstou a plena defesa da autuada; · No auto de infração foram apresentados, às fls 358/359, valores tributáveis diversos daqueles indicados no termo de verificação fiscal fls 335. Restaram incertezas, portanto, sobre quais foram os efetivos valores tributados e suas respectivas origens; · Na infração relativa ao item 02 da autuação a descrição dos fatos que teriam embasado a exigência se resume aos seguintes dizeres: “...insuficiência de valor recolhido apurada conforme termo de verificação fiscal”. O referido termo, porém, não faz qualquer referência ao tópico da autuação em questão, situação esta que efetivamente impediu o pleno entendimento da parcela da autuação em questão; Quanto ao mérito, as alegações de defesa apresentadas foram, em síntese, , as que seguem: · Os extratos bancários foram utilizados como elemento fundamental de prova para a constituição do crédito tributário, de forma que devem ser desconsiderados da base tributável os valores cuja origem tenha sido por ele mesmo apontada; · Por meio de operações de factoring, descontos de títulos e de cheques prédatados a interessada negociou com as instituições financeiras créditos futuros, decorrentes de vendas a prazo, por créditos presentes. Parte destes, foi equivocadamente tributada de oficio , apesar de constar dos próprios extratos referência à origem dos aportes. Os valores equivocadamente tributados foram discriminados às fls 438 (operações de factoring) e 440 (títulos e cheques pré datados descontados); · Foram, igualmente, considerados como créditos sem comprovação valores de cujo histórico, no extrato, consta a expressão “amortização de empréstimo”. Ao contrário do que sugere a referida expressão, no caso concreto a mesma sinaliza concessão de empréstimo por parte da instituição financeira (banco 409) , fato este que afasta a tributação por falta de comprovação da origem dos aportes. Os depósitos correspondentes a empréstimos, equivocadamente tributados, foram discriminados às fls 441; · Todos os créditos constantes do extrato da interessada com o históricos “conta garantida” ou “conta vinculada” referemse à utilização do limite de crédito autorizado pelo banco. Equivocada, portanto, a consideração de tais valores, relacionados às fls 442/443, como sendo de origem desconhecida; Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 630 5 · Os valores cujo histórico, no extrato é o de “liquidação o de cobrança”, correspondem a vendas a prazo não honradas, cujas cobranças das duplicatas correspondentes foram promovidas pelas instituições financeiras. Assim, restando comprovada a origem dos recursos, incabível, também neste caso, a tributação com base no art 42 da Lei 9.430/1996.Os valores que devem ser expurgados da base tributável, por corresponderem a recebimentos de duplicatas, foram listados às fls 444/445. · Não podem ser considerados sem comprovação da origem os TEDS, transferências entre agências e Docs, uma vez que para tais hipóteses o próprio extrato identifica o remetente do crédito. Os valores referentes às citadas rubricas, que devem ser desconsiderados da base tributável do lançamento, foram listados às fls 445/446 e 447 (TEDs) e 449 (transferências bancárias); · Os montantes correspondentes a cheques devolvidos não representam créditos que se efetivaram, devendo portanto ser expurgados da base tributável. Tais valores foram listados às fls 450. Devem ainda ser desconsideradas as transferências interbancárias listadas às fls 449; · Conforme comando dos arts 287, § 2° e 849, ambos do RIR/1999, comprovada a origem dos depósitos e não havendo os correspondentes valores sido tributados, submeterseão os mesmos às normas previstas na legislação de regência. Significa que, afastada a presunção de que trata o art 42 da Lei 9.430/1996, regida pelo regime de caixa, cabe a tributação pela modalidade de opção do sujeito passivo, conforme as efetivas datas de ocorrência dos fatos geradores; · Tendo em vista que, no presente caso, os próprios extratos bancários indicam a origem dos depósitos, eventuais diferenças deveriam ter sido exigidas mediante prova direta de omissão de receitas e adoção do regime tributário de opção da interessada. Conforme Resolução 57 da 6” Turma da DRJRJOI, datada de13/05/2010, (fls 478), foi concedido à interessada o prazo adicional de 30 dias para que ela, querendo, aditasse à impugnação originalmente apresentada novas razões de defesa Havendo sido cientificada da dita resolução em 28/05/2010 (fls 479/480), não foram juntados aos autos, até 26/07/2010, novos documentos. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 545/555, julgou procedente em parte, para manter a exigência quanto aos valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (principais) especificados nas tabelas reproduzidas no corpo do voto condutor do acórdão, sobre os quais incidirão as multas de ofício nelas registradas e juros de mora, na forma da legislação aplicável. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (567/590), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 631 6 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. PRELIMINARES CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a Recorrente que houve cerceamento de defesa, pelas seguintes razões: (l) Dificuldade de acesso aos autos no prazo de que dispunha a interessada para a interposição de defesa administrativa; (2) Divergências entre as bases tributáveis indicadas no termo de verificação fiscal (fls 335) e no documento que formalizou a exigência (fls 358/359); (3) Insuficiência de elementos que permitissem a compreensão dos fatos que teriam motivado o item 02 da autuação. A decisão da DRJ acatou a nulidade do item (3) preliminar suscitada, Adentremos apenas nas preliminares não acatadas em relação as razões (1) e (2), acima objeto do recurso, de forma individualizada. Quanto ao primeiro item, a Recorrente alega que teve dificuldade de acesso ao processo quando do prazo para interposição de recurso. Nesse ponto, a decisão da DRJ rebate informando que a ciência à exigência fiscal ocorreu em 28/11/08 e que em 10/12/08 os autos já se encontravam na Agência da Receita Federal em Duque de Caxias, aguardando impugnação. A decisão revelou ainda que, se a contribuinte entendesse ter tido seu direito obstado em relação a vistas e extração de cópias, esta deveria ter formalizado, por meio de petição, para que constasse o indeferimento do seu pedido ou ainda solicitação prorrogação do prazo para impugnação, com base no art. 16, §5º do Decreto 70.235. Além disso, destacou que a Resolução DRJRJOI nº 56 concedeu mais 30 (trinta) dias para a juntada de novas provas e o aditamento de outras razões de defesa, não havendo, porém, sido adicionados aos autos quaisquer elementos adicionais. Concordo com a decisão nesse tocante, não há que se falar aqui em cerceamento de defesa. Com relação ao segundo item, a Recorrente aduz que teria sido impedida que a defesa atuasse de forma ampla em razão da divergência entre as bases tributáveis elencadas no termo de verificação fiscal (335) e no documento que formalizou a exigência (358/359). Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 632 7 Nesse mister, a decisão da DRJ reconhece a divergência apontada decorrente do abatimento da receita informada em DIPJ na base tributável apurada pela autoridade autuante. Porém, ressalta, que tal fato não acarretou prejuízo à ampla defesa, conquanto a contribuinte ter expressado a referida dedução em sua impugnação (fls. 437, 2º parágrafo), demonstrando pleno conhecimento da origem dos valores que lhes foram imputados. Concordo com a decisão da DRJ Ademais, vejamos, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 estabelece as seguintes hipóteses de nulidade das decisões: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Assim, os argumentos trazidos em sede de impugnação e replicados em sede recursal não devem prosperar. Portanto, julgo no sentido de não acatar as preliminares de nulidades argüidas pela Recorrente. DA ILEGAL QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Recorrente se insurge contra a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Verificase que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancária tem fundamento na Constituição Federal, destacase: Art. 145 (...) § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Por sua vez, encontra guarida no CTN, a saber: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 633 8 disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Lei Complementar nº 105/2001 regulou os pormenores da solicitação de informações às instituições financeiras. Confirase: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 634 9 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Notese que também foram editados Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Inferese do apanhado legislativo a acima que o acesso às informações bancária não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que as autoridades administrativas possuem tal condão durante todo o procedimento fiscalizatório. Isso, pois as informações se prestam apenas à constituição do crédito tributário ou eventual apuração do ilícito penal. Observase ainda que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, feita pelo Auditor Fiscal no curso da fiscalização efetuada em face da Recorrente, tem como matriz legal o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que determina: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, o fiscal agindo dentro das hipóteses específicas, em que o acesso é permitido, utilizando destes com o fim na constituição do crédito tributário, a prova obtida é válida para este fim. Nesse sentido, a mais recentemente decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314 SP, em 24/02/2016, tratou da matéria, com reconhecimento da repercussão geral prevista no art. 543 B do antigo CPC, tendo proferido acórdão assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Em sua decisão, o Supremo Fl. 634DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 635 10 Tribunal Federal fixou as seguintes teses na sistemática da repercussão geral: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para fiscal”. Embora a referida decisão do STF ainda não tenha transitado em julgado, restou confirmado a constitucionalidade da LC 105/01, afastando qualquer violação ao dispositivo constitucional relativo ao sigilo de dados. Assim, entendo que a pretensão da Recorrente nesse sentido não deve prosperar. MÉRITO Como se depreende às fls. 334/336, a origem da ação fiscal foi em razão de omissão de receita apuradas por presunção legal a partir da falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta corrente de titularidade da Recorrente. A Recorrente foi intimada e reintimada (fls. 72 e 319) a apresentar seus extratos bancários e demais documentação comprobatório de sua movimentação financeira listados às fls. 320 a 331 oriundos dos extratos de fls. 85 a 318 no anocalendário de 2006. Todavia, a Recorrente nada juntou aos autos. Não tendo o contribuinte apresentado a documentação exigível pela fiscalização, bem como sendo a obtenção dos mesmos indispensável para o desenvolvimento da ação fiscal, foram Requisições de Movimentação Financeira (fls 32/45) para obtenção dos extratos bancários listados às fls. 73/84 para confrontar a receita declarada pelo regime simplificado no anocalendário de 2006 com a movimentação financeira expressiva neste ano que revelas gastos superiores à renda disponível, nos termos do art. 6 da LC 105/01 c/c art. 4º §6º do Decreto 3.724/01. Desse modo, as movimentações financeiras realizadas no período (valores creditados nas contas bancária do contribuinte) foram consideras como receitas omitidas pela fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Passemos as razões de defesa da Recorrente. A Recorrente sustenta que deveriam ter sido expurgados da base de cálculo os valores cuja origem tenha sido apontada pelo próprio extrato auditado. Assim, entende que, por meio desses extratos, as origens dos depósitos foram conhecidas, por meio das referências constantes do próprio documento bancário. Desse modo, a Recorrente conclui que estaria afastada a possibilidade da presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 já que o único regime de tributação cabível, nos termos do §2º do referido artigo, o de opção da interessada à época dos fatos geradores respectivos. Nesse ponto, a decisão reconhece que constam referências no histórico dos extratos auditados. A exemplo "operações de factoring", "crédito de conta garantida", "crédito de conta vinculada", "liquidação de cobrança", "ted" e "doc". Fl. 635DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 636 11 Ocorre que, como bem observado pela decisão da DRJ, tais referências não são suficientes para combater a autuação fiscal, exceto com relação aos descontos. Confirase: Lei 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição I financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferida ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; O § 2° do artigo supra dirige comando ao agente público com competência para lançar no sentido de que , sendo conhecidas as origens dos créditos e havendo dúvidas quanto a tributação dos recursos, prossiga este na auditoria até que , sem os benefícios da presunção, reúna os elementos de prova necessários e, sendo o caso, formalize o lançamento conforme as normas gerais de tributação aplicáveis. A esse respeito a decisão a quo trouxe à baile que: (...)“origem do crédito” hábil a ilidir a autuação a título da presunção de que trata o art 42 da Lei 9430/96 deve ser tal que permita ao autuante, no decorrer da auditoria, prosseguir nas investigações e concluir se os depósitos correspondem a receitas e se foram estas efetivamente tributadas. Sem tal condição mínima, fica o mesmo impedido de escolher dois de três caminhos: 0 primeiro, 0 de não autuar e o segundo, o de autuar por prova direta, restandolhe, tão somente, a terceira opção, de formalizar o lançamento mediante a presunção autorizada por lei. No presente caso, foi esta última opção que se apresentou como possível. Apesar de intimada e reintimada, a autuada não juntou aos autos quaisquer documentos que justificassem a origem dos créditos investigados, sendo, por outro lado, insuficientes as informações do próprio extrato bancário para que, por ocasião da auditoria, fosse seguido o procedimento subjacente ao § 2° do art 42 da Lei 9.430/96. Concordo com a argumento esposada pela decisão, de forma que não é possível aferir a origem dos recursos, bem como saber se foram objetos de tributação por parte da Recorrente com as meras referências nos extratos bancários. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 637 12 Notese que, por meio dos extratos, não é possível inferir o correntista pagante, bem como a motivação do aporte, além da data e acerca do negócio jurídico praticado que deram causa a trânsito financeiro, o que caracteriza a omissão de receita. Nesse sentido a decisão destacou. Da mesma forma, a menção, nos extratos, a "factoring", “descontos de cheques predatados”, “descontos de títulos" e “liquidação de cobrança " não fornece informações sobre as datas e nem sobre os negócios jurídicos que deram causa ao trânsito financeiro. Uma cobrança, por exemplo, pode decorrer da venda de mercadoria, da prestação de serviços ou até mesmo de empréstimo cuja garantia se deu por nota promissória. Igualmente sem fundamento a alegação da defesa de que deveriam ser expurgados da base tributável os valores apontados às fls 449 e identificados pelo histórico “transferência eletrônica". O fato, em si, de o crédito ter sido efetuado por meio eletrônico nada indica sobre sua origem e não ilide a presunção de que trata o art 42 da Lei 9.430/96. Assim, entendo que deve ser mantida a exigência desses valores como depósitos de origem não comprovada, por força do art. 42 da Lei 9.430/96. com exceção aos cheques devolvidos, creditos c/c garantia vinculada, amortização de empréstimo, transferência entre contas da mesma titularidade, conforme exonerados da base tributável pela decisão da DRJ. Adiante, a Recorrente questiona a disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, com base na realização de depósitos em conta bancária a ele pertencente. Ressalta que os depósitos bancários, quando muito, poderiam configurar como mero indícios da aferição da renda, mas não como a própria renda ou provento exigido no caso em tela, sob pena de macular o lançamento fiscal. O referido argumento não deve prosperar. O objeto da tributação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas a omissão de receitas por eles representada e exteriorizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 supracitado. Tal legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no referido artigo 42. Portanto, o objeto da autuação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas sim a omissão de receita por eles representada e exteriorizada, nos termos do artigo 42 supra. Assim, as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento com fulcro em depósitos bancários são ilegítimos pelo fato de não podermos conceituar tais atos jurídicos como renda tributável são improcedentes. Destaco, por oportuno, que o enquadramento legal utilizado nos autos de infração é o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso equivale dizer que omissão de receitas caracteriza pelos valores creditados em contas de depósito mantida perante a instituição financeira, a quais a contribuinte regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos usados nos depósitos bancários. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 638 13 Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária pessoa física, o qual foi regularmente intimado não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Diante o exposto, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da Recorrente como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não ter apresentado qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. Irretocável, portanto, a decisão da DRJ nesse ponto. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Verificouse que a receita bruta no anocalendário de 2005 excedeu ao limite estabelecido para ingressar no Simples (R$ 1.200.000,00), uma vez que a empresa auferiu receita neste ano na monta de R$ 1.699.156,16 (fls. 505), já descontadas as transferências de numerários havidas em suas contas bancárias Por tal razão, impõese que Recorrente seja excluída do regime simplificado, nos termos do art. 9 da Lei 9.317/96 c/c arts. 13, II, “a”, e 14, I, da citada Lei, com efeitos a partir de 01/01/2006, a teor do art. 15, IV, da Lei nº 9.317/1996. (fls 20/25) Como já visto, a Recorrente não logrou êxito em comprovar os valores levantados pelo fisco como receitas omitidas. Conforme já exposto, os argumentos trazidos pela Recorrente não prevaleceram, de modo que a exclusão do sistema simplificado deve ser confirmada, a partir do exercício seguinte ao da constatação da ocorrência, isto é, 01/01/2006. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 638DF CARF MF Processo nº 15563.000716/200874 Acórdão n.º 1301003.002 S1C3T1 Fl. 639 14 Fl. 639DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.944913/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.572
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de venda com suspensão, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de venda com suspensão, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1) por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2) quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão”, e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN nº 660/06; 3) quanto à aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4) quanto à NF 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5) quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6) quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7) quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8) caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; 9) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; e 10) retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 91 3/ 20 13 -5 8 Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.844 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Na origem, a DRF analisou os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) e Declarações de Compensação (DCOMP) a eles vinculadas, por meio dos quais a empresa pretende ressarcir e compensar, neste último caso, quando houver DCOMP para o período, créditos da nãocumulatividade da COFINS e do PIS/Pasep vinculados a receitas tributadas à alíquota 0 (zero) no mercado interno e oriundos do 3º e 4º trimestres de 2007; 1º trimestre de 2009; 1º trimestre de 2010 ao 4º trimestre de 2012; bem como, no caso exclusivo dos créditos de Cofins, do 2º ao 4º trimestre de 2009, que, segundo o contribuinte, montam em R$ 146.939.599,93 (cento e quarenta e seis milhões, novecentos e trinta e nove mil, quinhentos e noventa e nove reais e noventa e três centavos). Tratase de julgamento em conjunto de 33 (trinta e três) processos conexos: 1. 10880.944897/201301; 2. 10880.944898/201348; 3. 12585.000324/201083; 4. 12585.000325/201028; 5. 12585.000326/201072; 6. 12585.000328/201061; 7. 10880.944921/201302; 8. 10880.944917/201336; 9. 10880.944918/201381; 10. 10880.944920/201350; 11. 10880.944910/201314; 12. 10880.944911/201369; 13. 10880.944902/201378; 14. 10880.944900/201389; 15. 10880.944913/201358; 16. 10880.944903/201312; 17. 10880.944906/201356; 18. 10880.944923/201393; 19. 10880.944896/201359; 20. 10880.944899/201392; 21. 12585.000327/201017; 22. 10880.944915/201347; 23. 10880.944919/201325; 24. 10880.944914/201301; 25. 10880.944916/201391; 26. 10880.944912/201311; 27. 10880.944908/201345; Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.845 3 28. 10880.944909/201390; 29. 10880.944904/201367; 30. 10880.944901/201323; 31. 10880.944905/201310; 32. 10880.944907/201309 e, 33. 10880.944922/201349. Tais processos foram analisados em conjunto na origem, tendo sido emitida apenas uma informação fiscal para todos os períodos, a qual embasou os Despachos Decisórios, e neste relatório, remetese a essa informação fiscal. Na DRF, foram deferidos parcialmente os pedidos eletrônicos de ressarcimento, e, em consequência, homologadas as declarações de compensação apresentadas até o limite do direito creditório reconhecido, quando existentes. Informação Fiscal Extraise da Informação Fiscal os detalhes das glosas efetuadas pela fiscalização: DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA • o sujeito passivo apurou créditos básicos de bens para revenda calculados em relação à aquisição de leite fresco in natura nos períodos de apuração julho/2007, setembro/2007 e dezembro/2007, nos seguintes montantes: Por outro lado, ao analisar a planilha enviada pela contribuinte em 15/01/2014 com a relação de todos os produtos vendidos, acompanhados de sua descrição e montante total no período, constatouse que ela obteve receitas de vendas de leite fresco in natura inferiores aos valores adquiridos no mês, conforme relação abaixo: Assim, tendo em vista que o leite fresco in natura é produto com alto grau de perecibilidade e tornase, em reduzido intervalo de tempo, impróprio para a utilização ou comercialização, é razoável concluir que os valores adquiridos que excedem as receitas de vendas desse produto certamente não foram destinados à revenda e, portanto, não devem compor o crédito básico da rubrica sob análise. Nesse sentido, desconsiderada a possibilidade de as quantidades excedentes terem perecido e, assim, sido desperdiçadas, o que anularia totalmente os créditos do sujeito passivo, é natural inferir que tenham sido utilizadas como insumos na industrialização dos laticínios que compõem a carteira de produtos do sujeito passivo. Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.846 4 Por essa razão, foram realocados os valores que excedem as receitas de venda de leite fresco in natura para a rubrica créditos presumidos e mantidos sob a rubrica bens adquiridos para revenda os valores dentro dos limites das receitas acima discriminadas; • a contribuinte foi intimada a apresentar descrição sucinta de alguns itens presentes em suas planilhas de crédito, bem como a sua destinação no âmbito do processo produtivo. A explicação fornecida deixa claro que se trata de embalagem ou material de embalagem utilizados no transporte das mercadorias vendidas, não se integrando aos produtos finais vendidos. Não é de se cogitar o enquadramento desses produtos como insumo, tendo em vista que, para tanto, o material em questão deveria ser aplicado na embalagem de apresentação destinada ao consumidor final, e não de forma acessória apenas na embalagem de transporte. Por essa razão, os lançamentos referentes à aquisição de CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR e CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR foram integralmente glosados; • a autuada apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens para revenda, uma vez que descreveu essas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, com a utilização do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949. Dessa forma, essas operações foram integralmente glosadas; DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • de modo análogo ao caso dos bens adquiridos para revenda, as aquisições de “Leite fresco produtor granel” e “Leite fresco usina granel” para insumo são hipóteses de apuração de crédito presumido, a teor do disposto no art. 8º, § 1º, inciso II, da Lei nº 10.925, de 2004, não podendo gerar créditos com alíquota cheia. Por isso, esses valores devem ser realocados para a rubrica adequada, qual seja, “Créditos Presumidos Calculados sobre a Aquisição de Insumos de Origem Animal”; • pelas razões já acima expostas, foram glosados os créditos decorrentes da aquisição dos seguintes produtos, tendo em vista que se enquadram no conceito de embalagem ou material de embalagem de mero transporte de mercadorias, não integrados ao produto destinado ao consumidor final: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA CHAMY FRUTESS T REX 1000G REFR BR, CAIXA CHANDELLE 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA CHBNH 38X90G YGT24X130G REFR BR, CAIXA DE GAXETA ACO, CAIXA ESPECIALIDADE LACTEA REFR BR, CAIXA EXPEDICAO MOUSSE 14X150G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO NECTAR LARANJA 12X1L, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA FRUTESS T PRISMA 12X315G REFR BR, CAIXA GAXETA TRI CLOVER PN J324B0002, CAIXA PAP ONDULADO IOG POLPA 12X400G, CAIXA PO AUTM IOG LIQ 48X180G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X450G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X720G REFR BR, CAIXA PO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PO ERCA DECOR 3 12X400G REFR BR, CAIXA PO MOCA FESTA 20X180G BR, CAIXA PO NESTLE IOG NAT 21X170G REFR BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO BIG 22X720G BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO CHOC 20X480G BR, CAIXA PO REFR CHANDELLE MOUSSE 14MP BR, CAIXA PO REFR ERCA DECOR 4 600G BR, CAIXA PO REFR NESTLE NINHO 100G BR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 32MMBR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 35MMBR, CAIXA PO REFR REQUEIJAO 19X220G BR, CAIXA POICAO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PUDIM MOCA 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA SEM ABAS CHMYT 30X4P 22X6P REFR BR, CAIXA UNICAYGT 6 BANDEJAS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.847 5 26X130G REFR BR, CAIXA YGT BAG 1 X 10KG REFR BR, CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, CAIXA YGT LIQ 45X200G9X800G REFR BR, CAIXA YGT LIQUIDOS 10X850 900G REFR BR, CAIXA YGT MOLICO 21X150G REFR BR e CAIXAPO REFRCHDEL MSE INDVIDUAL 14X75GBR, ACESSORIO CONTAINER 1200KG, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413136, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167, CONTAINER PREP FRT 1200KG, CX TRANSPORTE FRASCOS FORNECEDOR, DIVISORIA DE PAPELAO, DIVISORIA PAPELAO 1 00MX1 20M, ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR, ETIQUETA PAPEL AADSV AUTOMACAO FABRICA, ETIQUETA PAPEL AUTO ADESIVA C75MM L104MM, FILME ENCOLHIVEL CHAMYTO 6P REFR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 450G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 720G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM720G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT TT FR 450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL PEBD CHAMYTO 6X75G PR, FILME PEBD CHAMY MRG REFR BR, FILME PEBD PELBD NESTLE MRG REFR 900G, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO 6X75G TT FR PR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO UVA 6X75G, FILME SHRINK PEBD CHMYT BIG FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD FCHAMYTO BIG 6X120G PR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO 4X3G PRBR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO BIG BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEI FERMENTADO BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEIFERMENT 7X1 BR, FILME TERMOENC CHAMYTO TT FR 6 POTES BR, FITA ARQUEAR PP VERDE C2000MX L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008, PAPELAO VELOMOIDE 1 64 ESPES X1 20 LARG e STRETCHFILME 500MM X 24 5UM. • os lançamentos descritos como CAPA DESCARTAVEL TAMANHO UNICO, DESINFETANTE DIVOSAN S1, DESINFETANTE ACIDO PERACET LIQ 30KG, LUVAS DESCARTAVEL 340X270X006MM, MANGOTE DESCART POLIPR BRANCO GRAM 20, MANGOTE DESCARTAVEL POLIPROPILENO, MANGOTES EM POLIPROPILENO BRANCA 30GR, PANO DE LIMPEZA ALVEJADO 60CMx35CM, PANO LIMPEZA AZUL BAINHA MED 30X40CM, PANO LIMPEZA BAINHA BRANCO MED42X75CM, PANO PARA LIMPEZA OVERLOQUE AZUL40X20CM, PAR DE LUVA DE POLITILENO TRANSPARENTE, SABONETE LIQUIDO SUMASEPT, TOUCA DESC AZUL C ELASTICO 50CM GRAM 30, TOUCA DESCARTAVEL 50CM GRAMATURA 30 e TOUCA PROT DESC PP BR UN referemse à aquisição de material de limpeza, no caso do desinfetante, e de material descartável de proteção pessoal e higiene nos demais casos, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumo. As Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, ao explicitarem o que se deve ter por insumo para os fins colimados pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, definiram que se entende como insumo as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Não é o caso, por óbvio, dos bens supramencionados, que são utilizados apenas para proteção pessoal e manutenção das condições de higiene do ambiente em que são utilizados, não sendo consumidos ou integrados ao produto final durante a fabricação, devendo, portanto, ser integralmente glosados. Igual tratamento merece a aquisição de FITA ISOLANTE, material acessório utilizado em reparos de máquinas, equipamentos ou instalações elétricas não necessariamente ligadas ao processo produtivo, que sequer é incluída quando da substituição de peças que sofrem desgaste Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.848 6 em decorrência da fabricação do produto. O mesmo pode se dizer dos lançamentos descritos como 7 SERVICOS CONSULTORIA EM RH, BRINDE E RELACOES PUBLICAS e BRINDES DIVERSOS, uma vez que os serviços de consultoria em recursos humanos destinamse, preponderantemente, ao auxílio no recrutamento e gerenciamento de pessoal, não se encaixando, por óbvio no conceito de insumos. Assim como os brindes, usualmente destinados a clientes e fornecedores, e não direcionados ao processo produtivo, não ensejando apuração de créditos. As aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP também foram integralmente glosadas tendo em vista que, em resposta à intimação que lhe foi feita, a contribuinte esclareceu que os referidos itens são utilizados como “combustível para empilhadeiras” ou na “preparação de alimento não se encaixando, portanto, no conceito de insumos. Por essa razão, os créditos decorrentes dos lançamentos supracitados foram integralmente glosados; • a aquisição de LEITE DESNATADO GRANEL, LEITE DESNATADO GRANEL TERCEIROS, LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, LEITE EM PO DESNATADO MSK, LEITE PO INTEGRAL 26 25KG, LEITE PO MSK 25KG e SORO MILK PO 25KG são operações sujeitas à alíquota zero, pois se tratam de aquisição de leite industrializado, desnatado, integral ou em pó, bem como de soro de leite, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, XI e XIII, da Lei nº 10.925, de 2004. Aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito, nos termos do § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que determinam que “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Dessa forma os referidos lançamentos foram integralmente glosados. Assim como a aquisição de leite industrializado, a aquisição no mercado interno de frutas e produtos hortícolas classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI também se sujeita a alíquota zero, de acordo com o art. 28, inciso III, da Lei nº 10.865, de 2004. Por essa razão, os créditos decorrentes das aquisições de produtos hortícolas e frutas, todos classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI, descritos como AMEIXA POLPA PASTEURIZADA 20KG, AMORA POLPA 8BRIX CONGELADA 20KG, BANANA POLPA LIQUIDA 24BRIX PAST 20KG, COCO RALADO 0JAN 004 MM 25KG, FRAMBOESA POLPA 8BRIX 10KG, KIWI POLPA 13 BRIX, MAMAO POLPA 8 11 BRIX PASTEURIZADO 210KG, MELAO POLPA 4 7BRIX CONGELADO 12KG, MORANGO POLPA SEM SMT 4 5 8 5BRIX 10KG, PERA POLPA 8 13BRIX CONGELADA 20KG, PESSEGO POLPA 8 11BRIX CONGELADO 12KG, POLPA DE MORANGO, POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 200KG e POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 210KG, foram integralmente glosados; • a contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens utilizados como insumos, uma vez que descreveu essas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada” e “Compra de material para uso ou consumo”, com a utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949, 2949, 1556 e 2556. Por conseguinte, os créditos decorrentes dessas operações foram integralmente glosados; DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a autuada foi intimada, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica “Serviços Utilizados como Insumos” deveria conter o detalhamento das prestações em questão, contendo “Mês de Referência”; Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.849 7 “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor”; “Razão Social do Fornecedor”; "Número do Item/Bem/Serviço da Nota Fiscal"; "Código do Item/Bem/Serviço"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem”; "Descrição do Item/Bem/Serviço"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável”. Nesse sentido, foram glosados os créditos decorrentes de todas as aquisições de serviços utilizados como insumos descritos como “GENERICOS” nas planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, contratados de EMPRESA DE TRANSPORTES SOPRODIVINO S.A., NESTLE BRASIL LTDA e PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, tendo em vista que somente com as informações fornecidas não é possível assegurar se os serviços em questão enquadram se, de fato, no conceito de insumo; • foi feito ajuste negativo no valor de R$ 4.679.264,48 da base de cálculo dos créditos apurados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 013645, de fevereiro/2009, emitido por LOGOPLASTE DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.359.256/000513, para refletir o seu real valor de face, que monta em R$ 4.663,40, e foi erroneamente registrado pelo sujeito passivo pelo valor de R$ 4.683.927,88. Da mesma forma, foi feito ajuste negativo no valor de R$ 28.607,49 da base de cálculo dos créditos apurados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 000202233, de setembro de 2012, emitido por TETRA PAK LTDA, CNPJ nº 61.528.030/000160, para refletir apenas o valor dos produtos e serviços adquiridos, que montam em R$ 418.390,89, e retirar o IPI incidente, recuperável pelo sujeito passivo, e os encargos financeiros, que não compõem a base de cálculo de créditos; • conforme inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, não darão direito a crédito os valores de mãodeobra pagos a pessoa física. É mister destacar que a referida norma não deve ser compreendida em sentido meramente literal, restrito, de modo a admitir que o pagamento a título de mãodeobra a pessoa física por intermédio de uma pessoa jurídica contratada para tal fim garanta direito a creditamento. Entender dessa forma é subverter o sentido da norma, que visa evitar que as pessoas jurídicas possam indevidamente apurar créditos sobre a folha de pagamento com utilização de empresas de mãodeobra ou contratação de autônomos. Por essa razão, glosamos as operações relativas à contratação de mão de obra temporária, descritas pelo sujeito passivo em sua memória de cálculo como “SERV DE MAO DE OBRA TEMPORARIA”, contratados preponderantemente da empresa SOCIEDADE EMPRESARIAL DE TERCEIRIZACAO E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 04.842.349/000121; • a aquisição de LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER é operação sujeita à alíquota zero, pois se trata de aquisição de leite industrializado desnatado, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, inciso XI, da Lei nº 10.925, de 2004. Aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito, nos termos do § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Dessa forma, os créditos referentes a esses lançamentos foram integralmente glosados; • foram glosados os créditos referentes aos serviços contratados de LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454, e de PAULISTANIA LOCADORA DE VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.339.638/0004 92, tendo em vista que ambos têm como atividade principal o serviço de locação de automóveis sem condutor, prestação que, considerada a atividade do sujeito passivo (produção de laticínios), não se encaixa no conceito de serviços utilizados como insumos; Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.850 8 • a empresa MONTIN MEC MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, CNPJ nº 15.023.132/000106, tem como objeto a instalação de máquinas e equipamentos industriais. Tomando como exemplo a nota fiscal nº 79, de dezembro de 2012, o serviço prestado é de fabricação e instalação de pórtico para manutenção das torres de resfriamento, serviço que não se integra ou agrega valor aos produtos comercializados pelo sujeito passivo, não se enquadrando como insumo, sendo integralmente objeto de glosa por parte da fiscalização os créditos decorrentes das aquisições desse fornecedor; • a empresa PASCOTTI SERVICOS DE TERRAPLENAGEM LOCACAO DE MAQUINAS E VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.887.120/000140, presta serviços de obras de terraplenagem, obras de urbanização em ruas, praças e calçadas, construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas, exceto obras de irrigação, serviços de preparação do terreno, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes, atua nos setores de terraplenagem, pavimentação asfáltica, infraestrutura em geral, locação de equipamentos e fornecimento de materiais básicos para construção civil em empreendimentos comerciais, industriais e residenciais. Nenhum desses serviços se enquadram no conceito de insumo, ao se considerar o ramo de atuação do sujeito passivo (produção de laticínios), devendo, portanto, ser glosados os créditos relativos às aquisições de serviço do fornecedor em questão; • a empresa PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 70.059.043/ 000128, tem como atividade principal a locação de mãodeobra temporária, atuando também nos serviços de conservação e limpeza, serviços temporários e terceirização de mão de obra. Nesse sentido, em obediência ao inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, as aquisições do referido fornecedor foram integralmente glosadas; • foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de serviços de TITO CADEMARTORI ASSESSORIA, CNPJ nº 93.911.147/000386, que presta serviço de assessoria e gestão aduaneira, o qual não se enquadra no conceito de serviços utilizados como insumos; • foram glosados os créditos relativos às operações descritas como MATERIAIS PARA MONTAGEM ELETRICA, MEDICINA VETERINARIA E ZOOTECNIA., MOLDES, SERV USINAGEM, SERV ARMAZENAGEM E LOGISTICA (SERV FRETE), SERV ASSESSORIA ADUANEIRA, SERV CONST CIVIL MONT ELET MEC E HIDR, SERV CONSULTORIA E ADMINISTRACAO, SERV DE ASSIST TEC EM EQUIP DE FABR, SERV DE MANUT EM EQUIP DE FABR, SERV ENG CIVIL, SERV IMPR PUBLICIDADE PROMOCOES, SERV LOCACAO EQUIP TELEC, SERV SUPORTE CONSTR LOCACAO ESTRUTURAS e SERV TELEFONIA FIXA, tendo em vista que, consideradas as próprias descrições fornecidas pelo contribuinte, não se enquadram como serviços utilizados como insumos; • foram glosados os créditos relativos à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 9774, de novembro de 2007, contratado de outro estabelecimento da própria pessoa jurídica, DAIRY PARTNERS AMERICAS BRASIL LTDA, CNPJ nº 05.300.331/001647, no valor de R$ 8.111,59. É naturalmente vedada a apuração de créditos com base em bens e serviços adquiridos de outros estabelecimentos da pessoa jurídica justamente em função de os créditos das contribuições serem apurados de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica; • foram glosados os créditos decorrentes da aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 000223, de novembro de 2012, contratado de NESTLE BRASIL Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.851 9 LTDA, CNPJ nº 60.409.075/000667, no valor de R$ 216.527,07, tendo em vista ter sido lançado em duplicidade pelo contribuinte em suas memórias de cálculo; DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS • a aquisição de LEITE PO INTEGRAL 26 25KG é operação sujeita à alíquota zero, pois se trata de leite industrializado integral, em pó, conforme o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925, de 2004, razão pela qual foram glosados os créditos referentes a esses lançamentos; • foram glosados os créditos oriundos da nota fiscal nº 24.558, de 14/07/2010 emitida por CENTRES DE RECHERCHE ET DEVELOPPEMENT NESTLE S.A., tendo em vista ter sido ela cancelada pelo emitente, conforme os dados constantes nas planilhas do sujeito passivo; DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO • o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a fiscalização foi expressa em indicar que as rubricas em epígrafe deveriam ter suas composições demonstradas nas planilhas de cálculo a serem apresentadas. A contribuinte apresentou respostas em diversos momentos, contudo, até o fim do procedimento fiscal o contribuinte não havia apresentado nenhuma memória de cálculo referente às rubricas sob análise. Limitouse a esclarecer, em resposta apresentada no dia 23/01/2014, que os valores lançados na ficha 16A, linha 09, “créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação)”, e na ficha 16B, linha 01, “importação de bens para revenda”, referemse na verdade a insumos. Dessa forma, tendo em vista a não apresentação de planilhas específicas para essas duas rubricas e o esclarecimento supra, assumimos que os seus valores estão inseridos nas planilhas referentes aos créditos de aquisição de insumos do mercado interno e importação, de modo que a análise desses valores foi realizada no âmbito das referidas rubricas relativas à aquisição de insumos, e, naturalmente, realocadas para tais linhas. Nesse sentido, com o objetivo de evitar a apuração de tais créditos em duplicidade, desconsideramos a integralidade dos valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda. Já os valores pleiteados pelo contribuinte a título de importações de serviços utilizados como insumos foram integralmente glosados, por falta de comprovação do crédito pleiteado, tendo em vista a não apresentação de nenhuma planilha com as memórias de cálculo dos créditos lançados nos Dacons; DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA • intimado em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de energia elétrica, o sujeito passivo, em 03/06/2014, apresentou a contento uma parte relevante dos documentos fiscais requeridos, deixando de apresentar, contudo, os documentos fiscais nos 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVICO, CNPJ nº 02.328.280/000197; e nos 450, 464 e 293, emitidas por LIGHT SERVICOS DE ELTRICIDADE S/A, CNPJ nº 60.444.437/000146. Em consequência, foram glosados integralmente os créditos apurados com base nas aquisições de energia elétrica cujos documentos não foram apresentados, por falta de comprovação do crédito pleiteado; Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.852 10 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • as operações firmadas com o locador Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154, são meramente descritas como “Serv. Leasing Locação de Imóvel” e, tendo em vista a completa ausência de informações acerca do endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado, não permitem constatar se os valores referemse de fato a uma locação de imóvel, de modo que os créditos delas decorrentes foram integralmente glosados; • as operações firmadas com o locador Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118, além de incorrerem no mesmo problema anterior, de ausência de informações elementares para a identificação do imóvel locado, são descritas como “Serv. Administração Imobiliária”, restando evidente que não se referem de fato a locação de imóvel, mas sim a serviços imobiliários acessórios à locação. Por isso, os créditos referentes a essas operações também foram integralmente glosados; • as operações firmadas com o locador Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/0001 52, foram descritas como “Aluguel predial”, de modo que os correspondentes contratos de locação foram requeridos pela fiscalização, acompanhados dos demonstrativos atualizados das despesas de aluguel, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. O contribuinte apresentou em 03/06/2014 os contratos de aluguel a contento, por meio dos quais constatamos que se referem de fato a dois imóveis locados pelo sujeito passivo. Contudo, deixou de apresentar uma parte relevante dos recibos com os comprovantes de pagamento, bem como quase que a integralidade dos demonstrativos dos valores atualizados das despesas de aluguel. Ademais, não foi possível encontrar correspondência entre quaisquer dos recibos com os comprovantes apresentados e os valores inicialmente demonstrados pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, tendo em vista que os valores de face dos recibos e os informados nas planilhas não coincidiam ou sequer eram compatíveis entre si. Anexados a alguns recibos de pagamento, o contribuinte apresentou demonstrativos com a discriminação fornecida pelo locador com todas as rubricas que compõem o montante devido pelo sujeito passivo, e notase pela análise destes documentos que apenas uma parcela do valor total devido referese, de fato, à locação do imóvel. As demais rubricas se referem a despesas acessórias com energia elétrica; malote; telefone; despesas legais e impostos diversos; ginástica laboral; cantina e alimentos; serviços de manutenção em câmaras/incêndio/predial; manutenção e reparo de móveis e utensílios; serviço de manutenção e limpeza em geral; serviço de segurança ambiental; manutenção de câmaras (peças e materiais); correio; IPTU; pagamento de alvará de funcionamento; e nobreak. As despesas acima não integram o valor do aluguel e, portanto, não ensejam direito ao crédito das contribuições, de forma que, para compor a base de cálculo da rubrica em questão, consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que o contribuinte apresentou apenas o recibo, comprovante de pagamento total, sem o demonstrativo com a discriminação e individualização das rubricas componentes da despesa total de aluguel, estimamos a parcela referente ao valor do aluguel propriamente dito obtendo a média aritmética dos meses em que houve apresentação, tendo em vista que os valores mostravam pouca variação mês a mês. Vale dizer que, nos meses em que não houve apresentação do demonstrativo com a discriminação da despesa total de aluguel e do correspondente recibo, comprovante do pagamento total efetuado, a base de cálculo considerada foi nula, por falta de comprovação do crédito pleiteado. Ressaltase que, no dia 06/06/2014, o contribuinte apresentou uma série de comprovantes de transferências ou depósitos bancários em Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.853 11 nome do locador que serviriam, em tese, para liquidar as despesas de aluguel. No entanto, mais uma vez os valores em questão não coincidiam ou sequer eram compatíveis com os valores apresentados nas planilhas com as memórias de cálculo, não sendo possível assegurar se, de fato, referemse à liquidação de aluguéis. Esses documentos bancários foram integralmente desconsiderados pela Fiscalização; DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • a contribuinte foi intimada, em 24/12/2013 e 29/04/2014, a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Descrição do Bem Locado"; “Finalidade do Bem Locado no Processo Produtivo”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável”. A despeito do solicitado, nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, a autuada apresentou planilhas de aluguéis de bens incompletas furtandose a apresentar na relação dados elementares como a descrição do bem locado, sua finalidade, e, em alguns casos, os dados do locador, Razão Social e CNPJ. De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada e constatamos que o contribuinte tem como um de seus fornecedores a empresa LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454. A referida empresa tem como atividade a locação de veículos automotores, bens que, considerada a atividade do sujeito passivo, não se encaixam no conceito de bens utilizados nas atividades da empresa e, portanto, os créditos decorrentes foram integralmente glosados. Foram glosados também os créditos referentes a todas as operações em que não há a identificação do locador (CNPJ e Razão Social), tendo em vista que não é possível sequer verificar a natureza do locador – pessoa jurídica ou física. Nas referidas operações também não há a descrição do bem locado e foram identificados pela contribuinte apenas como “LEASING” ou como “N/D”, além de não ter a identificação do número do documento (nota fiscal ou contrato) que lastreia e ampara o crédito pleiteado, ou seja, não há nenhuma informação que possibilite a identificação e análise de procedência dos créditos calculados em relação a essas operações; DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA • o sujeito passivo informou que possui mandado de segurança (MS nº 2008.61.00.0025770) versando sobre a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins nas operações de fretes entre estabelecimentos da pessoa jurídica, com decisão favorável ao contribuinte. Em 23/01/2014, apresentou a Certidão de Objeto e Pé relativa a esse mandado de segurança, contendo o teor da decisão judicial, que julgou procedente o pedido e concedeu a segurança postulada, assegurando ao sujeito passivo impetrante o direito de manter e deduzir integralmente os créditos calculados sobre as despesas com armazenagem e fretes nas transferências de mercadorias entre seus estabelecimentos, com vistas à posterior venda a terceiros. Essa decisão garante ao contribuinte o direito de manter e deduzir os créditos, não se estendendo o direito garantido à seara do ressarcimento e da compensação, institutos plenamente distintos daqueles; • o direito à compensação não se estende a qualquer crédito apurado com base na não cumulatividade de um tributo, como ocorre com a dedução. Pelo contrário, são garantidos única e exclusivamente nos casos expressamente previstos em lei, como o Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.854 12 direito à compensação de créditos vinculados a receitas de exportação, autorizados pelas normas contidas no art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833, de 2003. Sobre o assunto, vale ressaltar o disposto no art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina que será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Nesse sentido, é mister, para o presente exame, apurar se o crédito ora pleiteado engloba efetivamente as operações discutidas judicialmente ou se os valores discutidos judicialmente foram excluídos do pedido administrativo; • nas oportunidades em que apresentou resposta à intimação para esse fim, a saber, em 15/01/2014, 23/01/2014, 06/05/2014 e 16/05/2014, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes incompletas furtandose a apresentar alguns dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a descrição da operação. Em função da insuficiência de dados, em 29/04/2014, o sujeito passivo foi reintimado a apresentar as memórias de cálculo de todas as rubricas do Dacon, com menção expressa aos dados da rubrica “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”. Novamente, na resposta de 03/06/2014, apresentou planilhas incompletas, pois não continham alguns dos dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados. Assim, pela completa ausência de informações relativas ao CNPJ e à razão social do remetente e do destinatário do frete contratado, bem como da descrição da operação em questão, o que permitiria determinar se as operações em questão podem ou não compor o crédito destinado ao ressarcimento e à compensação, glosamos a integralidade dos créditos relativos à rubrica sob análise; DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS • foram glosados os créditos referentes à devolução de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero; • foram glosados os créditos apurados em relação aos documentos fiscais nº 5062 e nº 5063, emitidos por Nestlé Brasil Ltda., tendo em vista que eles não se referem a devolução de vendas, mas sim a emissões fiscais complementares de preço, praticadas com o objetivo de realizar correções financeiras decorrentes de alteração de valor ou erro no preenchimento do documento fiscal anterior. Nas planilhas disponibilizadas pelo contribuinte, não há nenhuma informação a respeito dos itens constantes desses documentos fiscais complementares, sua descrição, classificação fiscal, alíquota aplicável, ou qualquer outra forma de identificar os itens supostamente devolvidos, de modo que não é possível assegurar que o crédito pleiteado, amparado pelos referidos documentos, é realmente procedente; DAS OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO • com relação à rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, a contribuinte apurou créditos para os períodos de apuração dezembro/2007, dezembro/2010, dezembro/2011, janeiro/2012, fevereiro/2012, março/2012, abril/2012 e maio/2012. A despeito de ter sido intimado em 24/12/2013 e 29/04/2014 para detalhar essas operações, a autuada deixou de apresentar a contento os esclarecimentos solicitados, mormente aqueles relacionados à devida identificação da natureza do crédito pleiteado; • novamente intimada em 27/05/2014, a contribuinte esclareceu que os créditos de dezembro/2007 refeririamse a itens tributados em períodos anteriores à alíquota de 9,25%, quando deveriam ter sido tributados à alíquota zero, sendo, pois, um ajuste. Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.855 13 Ocorre que, no período em questão, a tributação excessiva não resultou necessariamente em saldo de tributo a recolher, pois ela dispunha de saldo credor suficiente para realizar integralmente a dedução, acarretando apenas a redução indevida do saldo credor. Logo, não se trata de repetição de indébito, mas de estorno contábil de conta do ativo reduzida indevidamente. Em quaisquer das duas situações, estorno ou repetição de indébito, é inapropriada a utilização do Dacon como instrumento de anulação dos efeitos fiscais, contábeis ou financeiros da tributação indevida realizada pelo sujeito passivo. Vale dizer que o próprio contribuinte no âmbito do exame amparado pelo MPFD nº 08.1.80.002010000510 e ao MPFF nº 08.1.90.002012 002304 já havia informado sobre essa prática e reconhece que utilizou a forma errada – Dacon – para realizar os ajustes cabíveis. O estorno contábil de conta do ativo reduzida indevidamente e a repetição de indébito não estão previstas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, como hipóteses de apuração de créditos, não possuindo o valor lançado a esse título amparo legal para tanto. Por essa razão, os créditos decorrentes do lançamento em questão foram integralmente glosados; • os créditos de abril/2009, segundo a autuada, não seriam créditos extemporâneos, mas refeririamse a créditos de leasing, que, por conta de dificuldades sistêmicas foram lançados nessa rubrica. Sobre esse ponto, digase que ela não apurou créditos para a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, para abril/2009, como se infere dos esclarecimentos prestados. Na realidade, a contribuinte apurou os referidos créditos sob a rubrica “Outros Créditos a Descontar”, linha 21, que não foram objeto de questionamento por parte da Fiscalização; • a fiscalizada informou também que os créditos de fevereiro/2012 e março/2012 referemse a diversas rubricas (aluguéis, energia elétrica, armazenagem e insumos), apurados durante o mês, que, em decorrência de dificuldades sistêmicas, foram lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13. Apresentou na mesma ocasião planilha contendo os mesmos dados de planilhas apresentadas em 06/05/2014 e 16/05/2014, com acréscimo tão somente, para cada rubrica, da linha à qual a referida operação deveria ser imputada no Dacon (aluguéis, energia elétrica, armazenagem e insumos). Vale dizer que os dados continuavam desacompanhados de uma descrição detalhada da origem do crédito pleiteado, bem como da legislação que autorizasse a sua apropriação, como requerido nas intimações, tendo em vista que os dados de 02/2012 e 03/2012 ainda não continham a identificação da operação, bem, serviço, ou quaisquer outros dados que possibilitassem sua identificação, tais como razão social e CNPJ do fornecedor ou número da nota fiscal ou documento que desse lastro para o crédito. As planilhas nada mais eram que valores dispostos em sequência sem nenhum outro dado adicional, como em um rascunho; • devido à falta de comprovação do crédito, foram glosados integralmente os créditos lançados sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, nos meses de 02/2012 e 03/2012, por insuficiência de dados e documentos comprobatórios do crédito pleiteado, e nos meses de 12/2010, 12/2011, 01/2012, 04/2012 e 05/2012, por ausência total de quaisquer dados, documentos ou esclarecimentos a respeito do crédito pleiteado; DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM ANIMAL • intimada em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de crédito presumido, o sujeito passivo apresentou a contento os documentos fiscais requeridos, de modo que foram aceitos integralmente os valores apresentados nos Dacons do período. Ressaltese que foi realizado um ajuste positivo nos créditos presumidos decorrentes Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.856 14 das operações que foram realocadas de Bens para Revenda e de Bens Utilizados como Insumos; DOS CRÉDITOS CALCULADOS A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS • por meio da análise da planilha de créditos da rubrica “Créditos calculados a Alíquotas Diferenciadas”, depreendese que eles se referem a aquisições de mercadorias produzidas por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, qual seja a METALMA DA AMAZONIA S.A., CNPJ nº 06.207.412/000183. A apuração de créditos das contribuições nesses casos é regrada pelo § 12 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep, e pelo § 17 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, no caso da Cofins. Excetuandose os casos específicos, essas normas determinam que o crédito nesses casos sejam apurados com a alíquota de 1%, no caso do PIS/Pasep, e de 4,6%, no caso da Cofins. De volta às operações apresentadas pelo contribuinte em sua planilha de cálculo, após confronto com os dados da base da Nota Fiscal Eletrônica, foram validados e aceitos os valores apresentados para base de cálculo. Sobre as referidas bases aplicaramse as alíquotas de 1% e 4,6% para apurar as contribuições devidas; DOS DEMAIS VALORES • os demais valores informados nos Dacons que não foram acima mencionados se mostraram compatíveis com os valores apresentados pela contribuinte em seus memoriais de cálculo e, por isso, foram aceitos pela fiscalização. Manifestação de Inconformidade Em manifestação de inconformidade, alegou a empresa: Preliminar • diversas rubricas foram objeto de indeferimento pela autoridade fazendária, por entender que a ora manifestante não teria logrado êxito na apresentação de planilhas de memórias de cálculo, com informações extremamente detalhadas, como se essas informações não fossem possíveis de serem verificadas em sua escrita fiscal e contábil; • possui diversas filiais e, embora a apuração do PIS/Pasep e da Cofins seja de forma centralizada, não conseguiu atender a todas as informações no grau de detalhamento estipulado. Todavia, esse fato isoladamente não poderia dar ensejo ao indeferimento do crédito referente a diversas rubricas, como se esses custos de produção e despesas operacionais não existissem. O auditor fiscal não pode glosar o crédito de determinada rubrica baseado na presunção de que se as informações não foram detalhadas como desejava é porque o crédito não existe; • a autoridade fiscal poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a liquidez e a certeza do crédito pleiteado por meio de diligência fiscal no estabelecimento da contribuinte, a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, como prevê o art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. É importante dizer que apresentou os arquivos digitais como exigido por esse mesmo art. 76, sem os quais, inclusive, não seriam admitidos seus pedidos eletrônicos de ressarcimento. Também transmite regularmente a EFD – Contribuições, após janeiro/2012, e a EFD – ICMS/IPI no período anterior. Desse modo, o auditor fiscal ainda teria outros meios para a verificação das informações a respeito da composição dos créditos pleiteados; Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.857 15 • no presente caso, verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, eis que, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos é medida proporcional, para que a Autoridade Fiscal tenha acesso a todos os documentos pertinentes ao crédito pleiteado. A manifestante encerra suas alegações preliminares com os seguintes dizeres: Contudo, a ora Manifestante está providenciando o detalhamento das informações, porém, em razão do prazo de 30 (trinta) dias ser exíguo para adequar ao nível de informações exigidas, considerando que se tratam de trimestres de 2007 a 2012, a ora Manifestante juntará as complementações das informações das memórias de cálculo nos próximos 120 (cento e vinte) dias, que certamente irão demonstrar a legitimidade dos créditos às Vossas Senhorias, razão pela qual, requer a concessão da juntada posterior destes documentos no prazo supra referido. Ademais, se Vossas Senhorias não entenderem como suficientes, a ora Manifestante solicita que seja determinada a baixa em diligência, a fim de que em observância a verdade material, a eficiência e finalidade administrativa, seja verificada a legitimidade do crédito pleiteado com o cotejo das informações prestadas pela ora Manifestante e a análise pela Autoridade Fiscal de origem das escriturações fiscal e contábil da ora Manifestante como possibilita o art. 76 da aludida IN/RFB nº 1300/2012. Esta medida de determinação de baixa em diligência, será necessária, pois, a busca pela verdade material não pode ficar restringida ao exame das alegações de indeferimento do fiscal, mas, que se valha de outros elementos que possam influir o seu convencimento, no presente caso, através da conversão do presente julgamento em baixa em diligência. Mérito BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA Aquisição de leite fresco produtor granel em operação tributada • a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, inciso II, dessa instrução normativa; • a quase totalidade dos fornecedores da manifestante desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, juntamse aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; • juntamse aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.858 16 • mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. Com esse entendimento, citase o acórdão 3302 001.989 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, juntamse ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; Aquisição de embalagem • na atividade de comercialização, a manifestante utiliza serviços de armazenagem, bem como embalagens destinadas ao transporte de seus produtos. Essas embalagens são essenciais à conservação e proteção dos produtos durante o transporte e integram o custo de venda dos produtos, fazendo parte do processo produtivo, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final; • apesar de a embalagem de transporte não ser a própria embalagem do produto, sem ela o produto sequer chegaria ao consumidor final em condições de ser consumido; • a embalagem para transporte tem aplicação direta no processo produtivo, sendo um gasto essencial, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção; • por essas razões, devese considerar o material de transporte como insumo, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Esse é o entendimento dos acórdãos do CARF nº 3803003.300 e nº 3803 002.983, bem como do acórdão do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1125253/SC; Operações não enquadradas como aquisição de bens para revenda – entradas no CFOP 1949; • em razão de erro formal de preenchimento, foram contabilizadas no CFOP 1949 mercadorias que foram objeto de devolução dos clientes. Juntase, em anexo, a própria planilha formulada pela autoridade fiscal, demonstrando que a origem desses produtos decorre dos próprios clientes da manifestante; • como se trata de devolução de venda, é forçoso reconhecer o direito ao crédito sobre essas operações, nos termos do art. 3º, inciso VIII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Do conceito de insumo para a apropriação de crédito do PIS/Pasep e da Cofins Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.859 17 • o legislador ordinário não definiu o conceito de insumo aplicado na apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa. Buscando suprir essa lacuna a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou as Instruções Normativas nº 247, de 2002 (art. 66), e nº 404, de 2004 (art. 8º), tentando definir esse conceito. Essas instruções normativas interpretam o termo insumo em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI, o que não é a melhor interpretação, pois esse entendimento não se coaduna com o critério material do PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita vinculada à atividade fim da empresa; • a jurisprudência do CARF evoluiu no sentido de que os custos e as despesas necessários para a atividade produtiva também devem ser albergados pelo conceito de insumo para a apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa, na forma dos art. 290 e 299 do RIR/99. Citase o processo administrativo nº 11020.001952/200622, julgado no CARF. No julgamento desse processo, o voto do conselheiro relator Gilberto de Castro Moreira Júnior, que foi acompanhado pelos demais, descreve que, para fins de classificação de insumo para o PIS/Pasep e a Cofins, devem ser considerados todos os custos e despesas necessários, usuais e normais na atividade da empresa, aproximando esse conceito ao de despesas dedutíveis para a apuração do IRPJ; • insumos são os custos e despesas que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou seu aprimoramento. Noutros termos, insumos são todos os bens, serviços, custos e despesas necessários à obtenção da receita proveniente da atividade econômica da pessoa jurídica. De acordo com essa concepção, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja indispensável para a sua atividade econômica; • todos os insumos dos quais a manifestante apurou créditos são extremamente vinculados e essenciais ao exercício de sua atividade econômica com o objetivo de obter receita, de modo que também se subsome ao critério da essencialidade, recentemente invocado pela 3ª Turma do CARF, ao negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional, nos autos dos processos administrativos nº 13053.000112/200518 e nº 13053.000211/200672; Aquisição de leite fresco produtor granel e leite fresco usina granel em operação tributada • a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, inciso II, dessa instrução normativa; • a quase totalidade dos fornecedores da manifestante desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, juntamse aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; • juntamse aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.860 18 a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; • mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. Com esse entendimento, citase o acórdão 3302 001.989 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, juntamse ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; Aquisição de embalagem • na atividade de comercialização, a manifestante utiliza serviços de armazenagem, bem como embalagens destinadas ao transporte de seus produtos. Essas embalagens são essenciais à conservação e proteção dos produtos durante o transporte e integram o custo de venda dos produtos, fazendo parte do processo produtivo, que só se encerra com a aquisição pelo consumidor final; • apesar de a embalagem de transporte não ser a própria embalagem do produto, sem ela o produto sequer chegaria ao consumidor final em condições de ser consumido; • a embalagem para transporte tem aplicação direta no processo produtivo, sendo um gasto essencial, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção; • por essas razões, devese considerar o material de transporte como insumo, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Esse é o entendimento dos acórdãos do CARF nº 3803003.300 e nº 3803 002.983, bem como do acórdão do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1125253/SC; Aquisição de produto enquadrado como insumo • a fiscalização glosou créditos referentes a uma série de produtos que, supostamente, seriam bens utilizados apenas para proteção pessoal e manutenção das condições de higiene do ambiente em que são utilizados, não sendo consumidos ou integrados aos produtos finais durante a fabricação. Também glosou a aquisição de fita isolante, serviços de consultoria em recursos humanos, brindes e aquisições de gás liquefeito de petróleo; • novamente o auditor fiscal utilizou o conceito de insumos conferido pela legislação do IPI, que se restringe basicamente às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. No entanto, Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.861 19 no caso do PIS/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos aos parâmetros adotados no IPI; • toda industrialização do leite é fiscalizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o qual, por meio da Resolução nº 10, de 2003, estabeleceu o Programa Genérico de Procedimentos – Padrão de Higiene Operacional – PPHO, a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e derivados que funcionam sob o regime de inspeção federal. Assim, os materiais de limpeza, como por exemplo, desinfetantes e panos, bem como os demais itens glosados como mangotes, toucas, capas, luvas não são exclusivamente para a proteção dos empregados, mas especialmente para que o produto possa ser industrializado e comercializado. Por isso, as despesas com esses materiais são essenciais, sendo eles utilizados diretamente no processo produtivo, se enquadrando, pois, no conceito de insumo; • as fitas isolantes são utilizadas em reparos de máquinas e equipamentos vinculados ao processo produtivo e, portanto, dão direito a crédito na apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa; • o gás liquefeito de petróleo é utilizado como combustível para as empilhadeiras no processo produtivo. O art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, e o art. 8º, inciso I, alínea b, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, permitem expressamente o aproveitamento de créditos referentes a despesas com combustíveis utilizados no processo produtivo; Aquisição de mercadoria ou produto “sujeito à alíquota zero” e o direito à não cumulatividade • a glosa de créditos decorrentes da aquisição de leite desnatado, leite em pó, frutas e produtos hortícolas, por não serem eles sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessas matériasprimas utilizadas pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que se originam delas; • o art. 195, inciso I, alínea b, § 12, da Constituição Federal, ao promover uma incidência nãocumulativa das contribuições, faz referência a um instituto já existente no direito pátrio e, portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais de tal instituto, não lhe sendo concedido o poder de restringir essa sistemática; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade. Caso contrário, a legislação em comento não encontra fundamento no referido preceito constitucional e, por conseguinte, representa apenas uma forma de majoração de tributo, ferindo o princípio do nãoconfisco, consagrado no art. 150, § 4º, da Constituição Federal; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Operações não enquadradas como aquisição de bens utilizados como insumos • em relação aos créditos decorrentes de operações com os CFOPs n° 1949 e 2949, devido a erro formal de preenchimento, foram contabilizadas nesses códigos Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.862 20 mercadorias que foram objeto de devolução pelos clientes. Juntase aos autos planilha formulada pela autoridade fiscal que demonstra a origem desses produtos. Por essa razão, deve ser reconhecido o direito creditório sobre essas operações, pois a legislação é expressa ao permitir a apuração de créditos nesses casos; • em relação às operações com CFOPs n° 1556 e 2556, verificase que se trata de “compra de material para uso e consumo”, ou seja, correspondem à aquisição de partes e peças de máquinas, parafusos, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros, termostatos, entre outras peças de reposição e materiais de consumo utilizados na manutenção do processo produtivo. Anexase planilha elaborada pelo auditor fiscal contendo o fornecedor e a descrição de cada produto objeto dessas operações, em que a simples leitura permite verificar que são utilizados como materiais consumidos no processo produtivo. Em face da essencialidade desses materiais é evidente que se consubstanciam em insumos e, como tais, devem ter o respectivo crédito reconhecido; DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Aquisição de serviços que supostamente não permitem identificálos como insumos • o auditor fiscal efetuou glosas dos créditos referentes aos serviços descritos como “genéricos” nas planilhas apresentadas, contratados com as seguintes empresas: Empresa de Transportes Soprodivino S.A., Nestlé Brasil Ltda. e Pleno Consultoria de Serviços Ltda.; • quanto aos serviços prestados pela Empresa de Transportes Soprodivino S.A., cabe elucidar que se trata de serviços de frete na aquisição de matériaprima, o qual é indiscutivelmente essencial ao processo produtivo e, como tal, enquadrase no conceito de insumo, gerando direito ao crédito pleiteado. No entanto, a autoridade fiscal relatou que a planilha da memória de cálculo na qual estavam discriminados esses serviços não estaria correta. Após isso, intimou a contribuinte a comprovar os valores apontados na referida planilha, oportunidade em que a empresa apresentou os comprovantes dos serviços, bem como os contratos que possui com a empresa. Todavia, mesmo depois disso, o auditor fiscal entendeu por não reconhecer o crédito sob o argumento de que o serviço não se trataria de insumo e as planilhas estariam incorretas. Cabe salientar que, muito embora o auditor fiscal tenha alegado que as notas fiscais nos 119851, 120030, 120047, 120087, 120109, 120142, 120173, 120187 seriam serviços genéricos, é possível verificar que nas outras notas fiscais da empresa Soprodivino, isto é, nas outras cinquenta e quatro notas fiscais apresentadas, fica claramente demonstrado que se trata de prestação de serviços de armazenagem, logística e frete; • em relação à empresa Nestlé Brasil Ltda., não houve uma exaustiva análise quanto às atividades realizadas por essa empresa à autuada. Nesse sentido, cumpre demonstrar que os serviços tidos como “genéricos” são serviços de performance industrial, engenharia de manutenção e utilidade de energia, de fornecimento de água e de tratamento de efluentes, os quais são claramente essenciais ao processo produtivo. Os serviços de performance industrial são atividades que visam a segurança para com as pessoas operantes das máquinas e de todos os equipamentos integrantes do processo produtivo e, dessa forma, são necessários à linha de produção. Quanto aos serviços de engenharia de manutenção e utilidade de energia, são atividades que visam a prevenção e manutenção dos equipamentos responsáveis por todo o processo produtivo, sem os quais seria impossível manter a produção de empresa. Quanto aos fornecimentos de Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.863 21 água e tratamento de efluentes, é demasiadamente óbvia a essencialidade do serviço, tendo em vista que a matéria é regulamentada e fiscalizada pelos órgãos de vigilância sanitária, os quais devem ser atendidos sob pena de a empresa ser interditada; • com relação aos serviços prestados pela Pleno Consultoria, os correspondentes créditos foram glosados porque o auditor fiscal entendeu que se trataria de serviços de mãodeobra pagos a pessoa física. No entanto, tal serviço é pago diretamente à empresa Pleno Consultoria e a atividade consiste no recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias. Esse serviço é obviamente essencial ao processo produtivo, gerando crédito nos termos da legislação vigente; Aquisições que sofreram ajustes negativos na base de cálculo correspondente para refletir o valor de face dos documentos fiscais • lançou corretamente o valor de R$ 4.663,40 referente à nota fiscal nº 013645 da Logoplaste do Brasil Ltda. O valor de R$ 4.682.449,79, que seria o total do reajuste negativo no Dacon, referese às anulações dos lançamentos realizados em duplicidade, em razão de erro de preenchimento; Operações relativas à contratação de mãodeobra • a autoridade fiscal glosou os valores referentes às operações de contratação de serviços de mãodeobra temporária com a empresa Sociedade Empresarial de Terceirização de Serviços Ltda., porque entendeu que se trataria de serviços de mãode obra pagos a pessoa física. No entanto, tal serviço é pago diretamente à empresa Sociedade Empresarial de Terceirização de Serviços Ltda., e a atividade consiste no recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias. Esse serviço é obviamente essencial ao processo produtivo, gerando crédito nos termos da legislação vigente; Aquisição de mercadoria ou produto sujeito à alíquota zero e o direito à não cumulatividade • o despacho decisório efetuou a glosa do crédito referente à aquisição do leite industrial Copacker. A glosa sobre as aquisições desse produto resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessa matériaprima utilizada pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que dela se originam; • o art. 195, inciso I, alínea b, § 12, da Constituição Federal, ao promover uma incidência nãocumulativa das contribuições, faz referência a um instituto já existente no direito pátrio e, portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais de tal instituto, não lhe sendo concedido o poder de restringir essa sistemática; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade. Caso contrário, a legislação em comento não encontra fundamento no referido preceito constitucional e, por conseguinte, representa apenas uma forma de majoração de tributo, ferindo o princípio do nãoconfisco, consagrado no art. 150, § 4º, da Constituição Federal; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.864 22 Aquisição de serviços não enquadrados como insumo • o CARF pacificou o entendimento de que o conceito mais correto para que o produto ou o serviço se torne insumo e possa gerar créditos na apuração do PIS/Pasep e da Cofins é ser considerado essencial ao processo produtivo. Por ser essencial entende se que o produto ou o serviço deve ser necessário ao processo produtivo e sem ele, no mínimo, comprometerseia a qualidade do produto, bem como a continuação da produção e, por conseguinte, a atividade econômica da empresa; • os serviços de manutenção em equipamento de fábrica são extremamente necessários e, assim sendo, essenciais para o processo produtivo da empresa. Consistem eles na montagem e manutenção das tubulações nas linhas de produção e em linhas de utilidades por onde passam água, vapor ou até mesmo ar comprimido. Sem tais serviços, resta óbvio que os equipamentos da empresa seriam danificados pelo uso intenso que sofrem, o que comprometeria toda a linha de produção; • os serviços de armazenagem e logística são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles seria impossível continuar a produção. Tratase de serviços industriais prestados, nos quais está incluso o fornecimento de água, os tratamentos de efluentes, os quais a empresa é obrigada a realizar, e os serviços de construção civil em plataforma de manutenção de torre de resfriamento de água industrial, todos eles obviamente necessários ao processo produtivo e, portanto, geradores de crédito na apuração do PIS/Pasep e da Cofins; • os serviços de assistência técnica em equipamento de fábrica fazem a revisão preventiva, a montagem, bem como a manutenção em tubulações nas linhas de produção e em linhas de utilidades por onde passam o leite ou a água, sendo, pois, essenciais ao processo produtivo; • os serviços de mãodeobra temporária são essenciais para momentos do processo produtivo. A atividade baseiase no serviço de movimentação de produtos terminados destinados à venda e transferências (separação de produtos de acordo com o pedido de clientes e carregamentos). Dessa forma, dá direito ao crédito reclamado; • os serviços de assessoria aduaneira são essenciais ao processo produtivo, tendo em vista que consistem nos serviços de desembaraço aduaneiro, sem os quais é impossível continuar a linha de produção; • os serviços de consultoria e administração, são insumos, tendo em vista que sem eles não há como continuar a produção. As atividades de consultoria e administração são serviços industriais necessários como, por exemplo, fornecimento de água e tratamento de efluentes que, conforme já dito, é extremamente necessário e essencial à produção; • os serviços com a descrição de genéricos também tiveram os respectivos créditos glosados pelo auditor fiscal. Porém, cabe elucidar que esses são os serviços com tratamento de efluentes e fornecimento de água, que, conforme já relatado, são essenciais ao processo produtivo e, como tais, são insumos; • os serviços de medicina veterinária e zootecnia são atividades consistentes no serviço de evitar a contaminação das tubulações em linhas, por onde passa a matéria Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.865 23 prima, mantendo dessa forma a higiene, a qualidade e o controle exigido pelos órgãos da vigilância sanitária; • os serviços de construção civil e montagem elétrica, mecânica e hidráulica são essenciais ao processo produtivo da empresa. Tratase dos serviços de construção civil e montagem de linhas elétricas, mecânicas e hidráulicas das plataformas de carregamento de produtos terminados. Por isso, geram direito ao crédito pleiteado; • os serviços de locação de equipamentos de telecomunicação são essenciais ao processo produtivo, pois consistem na locação de impressoras de videojet utilizadas para a datação de produtos terminados. Sem esses serviços seria impossível realizar qualquer marcação nos produtos, impossibilitando a continuação da produção; • os serviços de engenharia civil consistem na atividade em plataforma de manutenção de torre de resfriamento de água industrial, sendo, dessa forma, essencial para o processo produtivo e, portanto, deve ser considerado como insumo; • os serviços de suporte de construção e locação de estrutura, que se constituem na atividade de armazenagem de equipamentos obsoletos, ao contrário do que considerou o auditor fiscal, enquadramse como insumos, tendo em vista seu caráter essencial ao processo produtivo da empresa; • os serviços de impressão de publicidade de promoções também tiveram os respectivos créditos glosados pela autoridade fiscal. Todavia, tal serviço consiste na impressão de material publicitário da empresa, sendo atividade essencial para a promoção e divulgação dos seus produtos e, portanto, essencial para o processo produtivo, devendo, assim, dar direito ao crédito reclamado; DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Aquisição de mercadoria ou produto sujeito à alíquota zero e o direito à não cumulatividade • o auditor fiscal efetuou a glosa dos créditos decorrentes da importação de leite em pó integral, por entender que na aquisição do referido produto não incidiu tributação. Essa glosa resulta em mitigação do princípio da nãocumulatividade, não permitindo que se deduza os custos de aquisição dessa matériaprima utilizada pela empresa em oposição à receita obtida com os produtos que dela se originam; • a ora manifestante está levantando diversas informações e documentos em suas filiais e, no decorrer deste processo, providenciará a juntada das Declarações de Importações, a fim de demonstrar que no desembaraço do referido leite em pó integral houve a tributação do PIS/Pasep e da Cofins, razão pela qual deve ser deferido o crédito pleiteado; • o despacho decisório ora combatido, ao negar o crédito nas aquisições de matériaprima, acaba gerando o efeito cumulativo na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, em sentido contrário ao que prescreve o art. 195, § 12, da Constituição Federal; • a sistemática criada no art. 195, § 12, da Constituição Federal deve possuir elementos suficientes para enquadrála no conceito jurídico existente de não cumulatividade; • é um dos requisitos para se promover a nãocumulatividade a neutralização da tributação, o que no presente caso não ocorre; Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.866 24 DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO • os créditos referentes aos bens adquiridos para revenda, a importação de serviços utilizados como insumos e os créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação) adquiridos no mercado interno somente foram glosados devido à não apresentação de planilhas específicas ou pela suposta falta de comprovação. Esse argumento não pode ser utilizado para embasar a glosa dos créditos pleiteados. A fiscalização deixou de examinar o mérito do pedido de ressarcimento e apenas o indeferiu com base na presunção de que o crédito não é legítimo em face de a contribuinte não ter logrado sucesso em juntar os documentos julgados necessários; • em que pese o suposto desatendimento às solicitações do auditor fiscal, é necessário dizer que ele poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Deve ficar claro que no presente caso não se trata de a ora manifestante não ter comprovado o crédito pretendido, ônus que sabidamente incumbe ao autor do pedido, e sim da impossibilidade de atender aos termos de intimação da forma como foi requerido; • devese ter em mente que se está diante de um volume de documentos gigantesco, muitos deles espalhados em diversas filiais. Em momento algum se recusou ou não quis colaborar com a fiscalização para a comprovação dos créditos pleiteados. Apenas não teve condições de cumprir as exigências feitas pela fiscalização. No entanto, isso não quer dizer que o auditor fiscal não tenha acesso aos documentos comprobatórios dos créditos, para o que seria necessário que se dispusesse a analisar a documentação no estabelecimento da manifestante, como possibilita o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; • verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, pois, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos, é medida proporcional que seja concedido o prazo de cento e vinte dias, para que a contribuinte possa realizar a juntada dos documentos e planilhas de cálculos exigidas pela fiscalização ou então deve ser determinada a baixa em diligência para que a autoridade fiscal analise todos os documentos pertinentes ao crédito; DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA • apesar de ter aceitado a memória de cálculo, o despacho decisório não reconheceu a integralidade do crédito referente às despesas de energia elétrica, em razão de algumas notas fiscais não terem sido apresentadas, quais sejam: 999246, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por Elektro Eletricidade e Serviço, CNPJ nº 02.328.280/000197; e 450, 464 e 293, emitidas por Light Serviços de Eletricidade S.A., CNPJ nº 60.444.437/000146; • a ausência de algumas notas fiscais poderia ter sido plenamente satisfeitas com todas as notas fiscais que foram apresentadas, pela amostragem dos documentos, eis que a memória de cálculo dessas despesas foi aceita pelo auditor fiscal. Se esse não for o melhor entendimento, ainda assim, os créditos referentes a essas despesas poderão ser reconhecidos mediante a juntada dos comprovantes. Contudo, em razão de a manifestante possuir diversas filiais e não ter ainda conseguido localizar as notas fiscais em apreço, providenciará a juntada delas no decorrer do processo, em prazo não superior aos cento e vinte dias requeridos para juntar os demais documentos com os detalhes questionados no despacho decisório; Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.867 25 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • o auditor fiscal glosou os créditos referentes às despesas com aluguéis de prédios locados das seguintes pessoas jurídicas: Maconetto Empreendimentos Imobiliários S.C. Ltda., CNPJ nº 02.479.601/000152; Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº 74.192.097/000118; e Nestlé Brasil Ltda., CNPJ nº 60.409.075/000152, sob o fundamento de que não foram apresentados os devidos esclarecimentos sobre endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado e que os comprovantes de pagamento não foram apresentados em sua integralidade; • a contribuinte não conseguiu preencher a memória de cálculo com todas as informações que a fiscalização entendeu como necessárias. Entretanto, entende que foram entregues outros elementos de prova que atestam a habitualidade da despesa de aluguel, tais como os contratos que foram entregues e os comprovantes de pagamento; • os próprios contratos de aluguéis demonstram a relação de locação e, sobretudo, as obrigações de pagamentos que a manifestante deve cumprir mensalmente. Por isso, não haveria necessidade de glosa se os comprovantes não estão de acordo com as quantias pagas, pois o que gera o direito ao crédito é a despesa de locação e não o seu pagamento. Pode haver pagamentos que correspondam a mais de um mês de locação. Contudo, para que essa dúvida seja afastada, está providenciando a reunião dos contratos, dos comprovantes de pagamento e das memórias de cálculos dessas informações, que irão comprovar a legitimidade desses créditos; DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS • a apropriação de créditos referentes a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos é amparada pelo art. 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Contudo, o despacho decisório glosou esses créditos, por entender que eles não foram suficientemente comprovados, dizendo que as memórias de cálculo estariam incompletas, por não trazer a relação de dados complementares que seriam necessários para a legitimidade; • a fiscalização poderia ter verificado a legitimidade dos créditos e das informações fornecidas na memória de cálculo, se tivesse escolhido exaurir a verdade material por meio de diligência fiscal; • neste momento processual, a ora manifestante não se exime de que há inversão do ônus da prova e que cabe a comprovação do fundamento alegado, no entanto, em razão do volume de notas fiscais de aluguéis e de serem créditos apropriados pela matriz e pelas filiais da ora manifestante, a contribuinte irá juntar em momento posterior uma planilha com o registro dos dados (nos moldes solicitados pela fiscalização) e documentos fiscais por amostragem, a fim de que seja cabalmente demonstrada a legitimidade do seu crédito e seja consequente o reconhecimento de Vossas Senhorias acerca da sua legitimidade; DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS, FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA E ARMAZENAGEM • é necessário esclarecer que na mesma linha do Dacon referente aos fretes de venda e armazenagem, a contribuinte também registrou os custos de fretes de aquisição de insumos. Desse modo, em relação a essa rubrica, aqui se está defendendo não só os créditos de despesas de frete de venda e armazenagem, mas também os fretes na aquisição de insumos; Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.868 26 • os créditos de fretes entre estabelecimentos não fazem parte de seu pedido de ressarcimento, pois, conforme informado à fiscalização, esses créditos são objeto do mandando de segurança nº 2008.61.00.0025770. Logo, esses créditos não poderiam ser objeto de glosa; • o despacho decisório glosou os fretes de aquisição, os fretes de venda e as despesas de armazenagem sob o argumento de que não teriam sido preenchidas todas as informações que seriam necessárias nas memórias de cálculo e na segregação dessas despesas; • a ora Manifestante esclarece que a memória de cálculo não há segregação, pois, nela constam apenas os fretes de aquisição, os fretes de venda e as despesas de armazenagem; não havendo que se falar em fretes entre estabelecimentos por ser esta despesa objeto de reconhecimento de ação judicial; • em razão das diversas filiais e da grande quantidade de operações de fretes de aquisição e fretes de venda, a ora Manifestante não conseguiu apresentar as memórias de cálculo segregadas entre os referidos fretes de venda e de aquisição, nos moldes requeridos e com o detalhe de informações desejadas pela fiscalização. Isto não significa que a memória de cálculo não tenha sido entregue pela ora Manifestante, tampouco, que seria um óbice para a análise da Autoridade Fazendária de origem, pois, conforme foi salientado no tópico preliminar, a Autoridade Fiscal poderia ter esgotado a verdade material através de diligência fiscal no estabelecimento da ora Manifestante, conforme prevê o art. 76, da IN/RFB 1.300, de 2012. • assim que recebeu a ciência do presente despacho decisório, começou a elaborar a planilha de memória de cálculo e a separar a documentação pertinente aos créditos de frete de aquisição de insumos, frete de venda de produtos e despesas de armazenagem. Junto à presente manifestação, apresenta planilha com operações por amostragem e conhecimentos de transporte, nas operações de frete na aquisição e frete na venda, assim como de armazenagem, em razão de ainda não ter finalizado a análise de forma exauriente; • reitera os pedidos anteriores de que seja permitida a juntada da documentação comprobatória do seu crédito no decorrer da tramitação deste processo, em prazo não superior a cento e vinte dias, bem como a determinação de baixa em diligência para a confrontação da documentação juntada com a escrituração contábil, caso se entenda que as memórias de cálculos não sejam suficientes; • na linha dos fretes de venda e armazenagem, incluiu os fretes de aquisição, quando deveria inserilos na linha de bens/serviços adquiridos como insumo, por fazer parte do custo de aquisição da matériaprima. Embora tenha cometido esse lapso, em razão da verdade material, é medida razoável que os créditos de frete na aquisição sejam reconhecidos; • junta em anexo, por amostragem, notas fiscais que demonstram que arcou com despesas de fretes na aquisição de insumos, de fretes sobre vendas e de armazenagens, bem como relação das notas fiscais que estão sendo juntadas nesse primeiro momento; • em razão do volume de conhecimentos de transporte (em torno de 400.000), está fazendo a análise e separação deles, a fim de complementar as planilhas de memória de cálculo com os dados que foram solicitados pela fiscalização de origem, bem como a devida segregação e planilha de controle dos créditos de frete de transferência, que, como dito, não foi objeto do presente pedido de ressarcimento. Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.869 27 DA DEVOLUÇÃO DE VENDAS Devolução de produtos sujeitos à alíquota zero • o auditor fiscal enumerou vários produtos que foram devolvidos, glosando o respectivo crédito, sob o argumento de que teriam sido vendidos com alíquota zero. Ocorre que, como se verifica nos Dacons dos períodos em exame, esses produtos (tais como: nesvita, molico tentação cassis, ninho soleil, chamyto, chambinho, chandele, entre outros) tiveram suas vendas lançadas em receita de mercado interno tributada. Dessa forma, mesmo que sejam produtos que estariam sujeitos à alíquota zero, em face da verdade material de que foram vendidos com tributação, sua devolução gera direito a crédito, nos termos do art. 3º, inciso VIII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; • para exemplificação, juntase o Dacon do período de apuração junho/2012 e a relação desses bens que foram vendidos com tributação (lembrando que todos os Dacons podem ser acessados pela RFB); Operações relativas à emissão de nota fiscal que seria supostamente complementar de preço • em relação às notas fiscais nos 5062 e 5063, emitidas pela Nestlé Brasil Ltda., esclarece que as mesmas não foram lançadas como notas complementares de preço, mas como estorno de lançamento de duplicidade, foram lançadas como devolução; • foram feitos, em 28/12/2007, lançamentos a crédito na conta 2062240/30, evidenciando que os valores foram provisionados para pagamento/compensação. Posteriormente, por erro de preenchimento, foram feitos novamente, poucas horas depois, os mesmos lançamentos, ou seja, em duplicidade. São lançamentos idênticos, apenas com números de controle diferentes. Para corrigir esse equívoco, verificado dentro do mesmo mês, foi efetuado, em 31/12/2007, lançamentos de estorno a débito nas contas de provisão; • quando era feito o Dacon, a massa de dados trabalhada era muito grande e, por isso, era impossível separar cada caso. Dessa forma, todos os lançamentos de estorno de provisão eram tratados como devolução e classificados na linha “Devolução de vendas” na ficha de créditos do Dacon. Em contrapartida, as provisões em duplicidade eram registradas na ficha de “Cálculo da contribuição”, na linha 01; OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO • a fiscalização glosou créditos referentes a aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguéis de prédios, energia elétrica, armazenagem, insumos e serviços de manutenção, devido à não apresentação de planilhas específicas ou pela suposta falta de comprovação dos referidos créditos; • esse argumento não pode ser utilizado para embasar a glosa dos créditos pleiteados. A fiscalização deixou de examinar o mérito do pedido de ressarcimento e apenas o indeferiu com base na presunção de que o crédito não é legítimo em face de a contribuinte não ter logrado sucesso em juntar os documentos julgados necessários. Em que pese o suposto desatendimento às solicitações do auditor fiscal, é necessário dizer que ele poderia ter esgotado a verdade material e, assim, examinado a Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.870 28 liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Deve ficar claro que no presente caso não se trata de a ora manifestante não ter comprovado o crédito pretendido, ônus que sabidamente incumbe ao autor do pedido, e sim da impossibilidade de atender aos termos de intimação da forma como foi requerida; • devese ter em mente que se está diante de um volume de documentos gigantesco, muitos deles espalhados em diversas filiais. Em momento algum se recusou ou não quis colaborar com a fiscalização para a comprovação dos créditos pleiteados. Apenas não teve condições de cumprir as exigências feitas pela fiscalização. No entanto, isso não quer dizer que o auditor fiscal não tenha acesso aos documentos comprobatórios dos créditos, para o que seria necessário que se dispusesse a analisar a documentação no estabelecimento da manifestante, como possibilita o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005; • verificase a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade, pois, para a finalidade e a eficiência da atividade fiscal e em face do volume de documentos, é medida proporcional que seja concedido o prazo de cento e vinte dias, para que a contribuinte possa realizar a juntada dos documentos e planilhas de cálculos exigidas pela fiscalização ou então deve ser determinada a baixa em diligência para que a autoridade fiscal analise todos os documentos pertinentes ao crédito; DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC • a taxa Selic, por expressa previsão legal, é o fator de correção utilizado pela Administração Pública tanto para cobrança dos valores que lhe são devidos, como também para os créditos a que fazem jus os contribuintes; • a não incidência da taxa Selic desde o protocolo dos pedidos implica em ressarcimento a menor dos créditos a que tem direito a manifestante; • não pode a contribuinte suportar o ônus decorrente do ato de a autoridade fiscal glosar seus créditos e, quando houver deferimento pela turma julgadora, os créditos lhe serem disponibilizados sem a devida correção monetária; • registre o entendimento do Superior Tribunal de Justiça consubstanciado na Súmula nº 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco. • o CARF vem reconhecendo esse direito, em decorrência de recurso repetitivo no STJ, como demonstra o acórdão nº 3401.002.075. Decisão recorrida A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, negando provimento à manifestação de inconformidade. Recurso voluntário Em recurso voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação, para pleitear o reconhecimento de todos os créditos. No recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos) anexa aos autos novos documentos. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.871 29 Recentemente, a empresa também juntou o laudo técnico de avaliação do uso de materiais e serviços no processo produtivo, laudo n° 059/2018, produzido em 27/03/2018. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fazse nesta oportunidade, a análise conjunta dos 33 processos de titularidade da Recorrente, por configurarem inegável unidade de julgamento. Tratamse de processos conexos, nos termos do art. 6°, §1º, I, do RICARF: 1. 10880.944897/201301; 2. 10880.944898/201348; 3. 12585.000324/201083; 4. 12585.000325/201028; 5. 12585.000326/201072; 6. 12585.000328/201061; 7. 10880.944921/201302; 8. 10880.944917/201336; 9. 10880.944918/201381; 10. 10880.944920/201350; 11. 10880.944910/201314; 12. 10880.944911/201369; 13. 10880.944902/201378; 14. 10880.944900/201389; 15. 10880.944913/201358; 16. 10880.944903/201312; 17. 10880.944906/201356; 18. 10880.944923/201393; 19. 10880.944896/201359; 20. 10880.944899/201392; 21. 12585.000327/201017; 22. 10880.944915/201347; 23. 10880.944919/201325; 24. 10880.944914/201301; 25. 10880.944916/201391; 26. 10880.944912/201311; 27. 10880.944908/201345; 28. 10880.944909/201390; 29. 10880.944904/201367; 30. 10880.944901/201323; 31. 10880.944905/201310; 32. 10880.944907/201309 e, Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.872 30 33. 10880.944922/201349. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente. Ocorre que um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, sendo aplicáveis os art. 290 e 299 do RIR/99, para “albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa”. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são a fabricação, transformação, beneficiamento, conservação, distribuição comercial, importação e exportação de produtos alimentícios, produtos acabados, semiacabados e matériasprimas alimentares e alimentos in natura e alimentos refrigerados, congelados e supercongelados, principalmente leite e seus derivados, as quais, em tese, podem depender das despesas ora pleiteadas como crédito. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico de avaliação do uso de materiais e serviços no processo produtivo, laudo n° 059/2018, produzido em 27/03/2018. O laudo descreve o processo produtivo dos iogurtes, desde o transporte de aquisição de leite fresco até o transporte da fábrica até o ponto de comércio (vide itens 8.1 a 8.15). Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.873 31 Ademais, o laudo discorre sobre a essencialidade de despesas que seriam integrantes do processo produtivo, sem os quais, sustenta, não seria possível obter o produto em condições adequadas para o consumo, bem como dispor de instalações suficientemente higienizadas, obtendo desta forma a liberação pelos órgãos fiscalizadores, pelos mercados específicos atendidos pela empresa. E o faz nos itens 9.1 a 9.21. De antemão já vislumbro a necessidade de conversão em diligência por duas razões: a) a negativa de creditamento em parte foi pela aplicação do conceito restrito de insumo, ao passo que a Recorrente busca a aplicação ampla do conceito. Sendo assim, há dúvidas a serem dirimidas sobre a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente e b) por ser o laudo fato novo, isso demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Somese a esses dois fatores, a juntada de novos documentos no recurso voluntário da Recorrente, os quais, em análise desta relatora, são aptos a afastarem algumas glosas, total ou parcialmente. Logo, analiso a seguir uma a uma das glosas para delimitar o objeto da diligência proposta por esta Relatora. DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA AQUISIÇÃO DE LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL A Fiscalização apontou: Preliminarmente, destacamos que o sujeito passivo apurou créditos básicos de bens para revenda calculados em relação à aquisição de leite fresco in natura nos meses de julho, setembro e dezembro de 2007, nos montantes a seguir: Por outro lado, ao analisarmos a planilha enviada pelo sujeito passivo em 15/01/2014 com a relação de todos os produtos vendidos, acompanhados de sua descrição e montante total no período, constatamos que o sujeito passivo obteve receitas de vendas de leite fresco in natura inferiores aos valores adquiridos no mês, conforme relação abaixo: Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.874 32 Assim, tendo em vista que o leite fresco in natura é produto com alto grau de perecibilidade e tornase, em reduzido intervalo de tempo, impróprio para a utilização ou comercialização, é no mínimo razoável concluir que os valores adquiridos que excedem as receitas de vendas do leite fresco in natura no período certamente não foram destinados à revenda e, portanto, não devem compor o crédito básico da rubrica sob análise. Nesse sentido, desconsiderando a possibilidade de as quantidades excedentes terem perecido e, assim, desperdiçadas, o que anularia integralmente os créditos do sujeito passivo, é natural inferir que tenham sido utilizadas como insumos na industrialização dos laticínios que compõem a carteira de produtos do sujeito passivo. Vale lembrar que a aquisição de leite fresco in natura, LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL, NCM 04011090, por pessoa jurídica que, cumulativamente, apure o imposto de renda com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido como insumo na fabricação das mercadorias de origem animal previstas na legislação tributária, entre as quais encontramse os derivados de leite, classificados no capítulo 4 da TIPI, é operação sujeita à apuração de créditos presumidos, nos termos do art. 8º, caput, e parágrafos, da Lei nº 10.925, de 2004. Por essa razão, como o sujeito passivo enquadrase nas condições acima, realocamos os valores que excedem as receitas de venda de leite fresco in natura para a rubrica créditos presumidos e mantivemos sob a rubrica bens adquiridos para revenda os valores dentro dos limites das receitas supracitadas. Vale lembrar que a apuração do crédito presumido, nas hipóteses em que é aplicável, é obrigatória e não opcional para o sujeito passivo, de modo que os lançamentos referentes a essas operações obrigatoriamente devem ser realocados para a rubrica correspondente. Segue síntese dos valores realocados para crédito presumido. (...) A Recorrente pleiteia o crédito base e não o presumido pelas seguintes razões: · a aplicação da suspensão do PIS/Pasep e da Cofins não tem implicação imediata sobre a aquisição de leite fresco, estando submetida a determinados requisitos prescritos pela Instrução Normativa RFB nº 660/2006. O primeiro requisito é que o fornecedor exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, conforme pode ser verificado no art. 3º, II, dessa instrução normativa; · a quase totalidade dos fornecedores da empresa desempenham as atividades de resfriamento e de venda de leite a granel, contudo, não exercem a atividade de transporte de leite. Para corroborar essa alegação, junta aos autos a relação dos fornecedores e os cartões de CNPJ, que demonstram que a quase totalidade são pessoas jurídicas que desempenham a atividade de industrialização de leite, mas sem exercer a atividade de transporte de leite; Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.875 33 · junta aos autos notas fiscais por amostragem, para demonstrar que o frete foi prestado por terceiro, reforçando o fato de que seus fornecedores não desempenham a atividade de transporte e, portanto, que a aquisição do leite in natura não é operação com tributação suspensa, mas com incidência “cheia” do PIS/Pasep e da Cofins; · mesmo nos poucos casos em que houve fornecedor que desempenhou as três atividades (resfriamento, venda a granel e transporte), ainda assim verificase que não seria o caso de suspensão do PIS/Pasep e da Cofins, pois, além desse requisito, a Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006, determina que, nos casos em que se aplica a suspensão, deve constar obrigatoriamente a observação na nota fiscal de venda de que é operação com tributação suspensa. Na análise das notas fiscais emitidas pelos fornecedores que exercem as três atividades, foi constatado que não preencheram esse requisito, pois não continham a expressão obrigatória de que a venda seria com tributação suspensa. Desse modo, não havendo o preenchimento desse requisito, a operação é tributada pelas alíquotas básicas e gera direto a crédito de PIS/Pasep e Cofins ao adquirente do leite fresco. · além das notas fiscais que demonstram que o frete foi prestado por terceiro, de planilha demonstrando em quais casos há o preenchimento das atividades cumulativas de resfriamento, venda a granel e transporte e dos cartões do CNPJ de seus fornecedores, junta ainda aos autos os atos constitutivos da Nestlé, sua maior fornecedora; O laudo salienta que o leite é a principal matériaprima do iogurte, que o frete é suportado pela Recorrente e que tal frete prestado por terceiro é seu próprio custo de aquisição do leite. A Recorrente juntou, nos DOC. 4 a 6 do Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), para sustentar as suas alegações: cópia dos cartões CNPJ dos fornecedores, amostragem de notas fiscais que demonstrariam que o frete foi prestado por terceiro e, o contrato social da Nestlé, sua maior fornecedora, a qual não realiza o transporte do leite. Entendo que este ponto deve ser investigado. Logo, solicitase à autoridade fiscal a análise dos documentos indicados pela Recorrente para verificar, se: 1 O transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente e o fornecedor. Cotejar as notas fiscais com os conhecimentos de transporte (Vide tópico FRETES); 2 As notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão”; 3 Se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN n° 660/06. AQUISIÇÃO DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE OU MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.876 34 Tratase das glosas de: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR e CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, que no entendimento da fiscalização se tratam de embalagem ou material de embalagem utilizados no transporte das mercadorias vendidas, não se integrando aos produtos finais vendidos pelo sujeito passivo. A autoridade fiscal distinguiu “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, para aplicar as instruções normativas e negar o crédito. Por sua vez, o laudo descreve a essencialidade nos itens 9.6 e 9.9. No Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 7, constam planilha e fotos das embalagens. Confrontando o motivo da glosa, o laudo e DOC. 7, entendo que não há razão para outros esclarecimentos em diligência. OPERAÇÕES NÃO ENQUADRADAS COMO AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA Apontou a fiscalização que o contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cuja natureza não se encaixa no conceito de bens para revenda, uma vez que descreveu as referidas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço". Por sua vez, a Recorrente alega que, em razão de erro formal de preenchimento, foram contabilizadas no CFOP 1949 mercadorias que foram objeto de devolução dos clientes. Prossegue, informando que indicou as notas fiscais dessas operações, que demonstrariam que a origem desses produtos decorre dos próprios clientes da empresa, razão pela qual restaria evidenciado que se tratam de devoluções de vendas. Entretanto, esta Relatora não localizou a indicação de tais notas. Ademais, foi juntado o DACON de 2012 já em impugnação, para demonstrar que em eventual devolução, haverá crédito em razão da operação de venda ter sido tributada. Diante disso, não vislumbro a necessidade de realização de diligência nesse ponto. DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL e LEITE FRESCO USINA GRANEL Tratase da mesma situação anterior, relativa ao caso dos bens adquiridos para revenda, as aquisições de LEITE FRESCO PRODUTOR GRANEL e LEITE FRESCO USINA GRANEL, que nos dizeres da fiscalização são hipóteses de apuração de crédito presumido, pois se tratam de aquisição de leite in natura, nos termos do art. 8º, § 1º, II, da Lei nº 10.925/2004, e, portanto, não podem ser enquadradas na rubrica sob análise, com crédito cheio, devendo, obrigatoriamente, ser realocadas para rubrica adequada, qual seja, “créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos de origem animal”. Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.877 35 Os argumentos da Recorrente são os mesmos do outro tópico. À semelhança, aqui também considero que se trata de uma questão que deve ser objeto da presente diligência, como já exposto anteriormente. AQUISIÇÃO DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE OU MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE Como mencionado anteriormente, tratase da glosa de despesas relacionadas ao transporte do produto perecível pronto. Também como já dito, para a fiscalização, não seria de se cogitar o enquadramento como insumo tendo em vista que, para tanto, o material em questão deveria ser aplicado na embalagem de apresentação, destinada à venda ao consumidor final, e não de forma acessória, na embalagem de transporte, destinada ao mero transporte da mercadoria. Nesta rubrica foram glosados: CAIXA CHAMBINHO 360 520G REFR BR, CAIXA CHAMY FRUTESS T REX 1000G REFR BR, CAIXA CHANDELLE 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA CHBNH 38X90G YGT24X130G REFR BR, CAIXA DE GAXETA ACO, CAIXA ESPECIALIDADE LACTEA REFR BR, CAIXA EXPEDICAO MOUSSE 14X150G REFR BR, CAIXA EXPEDICAO NECTAR LARANJA 12X1L, CAIXA EXPEDICAO YGT NATURAIS REFR BR, CAIXA FRUTESS T PRISMA 12X315G REFR BR, CAIXA GAXETA TRI CLOVER PN J324B0002, CAIXA PAP ONDULADO IOG POLPA 12X400G, CAIXA PO AUTM IOG LIQ 48X180G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X450G REFR BR, CAIXA PO AUTM LEI FERM 20X720G REFR BR, CAIXA PO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PO ERCA DECOR 3 12X400G REFR BR, CAIXA PO MOCA FESTA 20X180G BR, CAIXA PO NESTLE IOG NAT 21X170G REFR BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO BIG 22X720G BR, CAIXA PO REFR CHAMYTO CHOC 20X480G BR, CAIXA PO REFR CHANDELLE MOUSSE 14MP BR, CAIXA PO REFR ERCA DECOR 4 600G BR, CAIXA PO REFR NESTLE NINHO 100G BR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 32MMBR, CAIXA PO REFR PTSIS 16 UNI ALTURA 35MMBR, CAIXA PO REFR REQUEIJAO 19X220G BR, CAIXA POICAO CHAMY SACO 12X1000G REFR BR, CAIXA PUDIM MOCA 2 E 4 POTES REFR BR, CAIXA SEM ABAS CHMYT 30X4P 22X6P REFR BR, CAIXA UNICAYGT 6 BANDEJAS REFR BR, CAIXA YGT 21X200G CHBNH 26X130G REFR BR, CAIXA YGT BAG 1 X 10KG REFR BR, CAIXA YGT BICAMADA 24X150 G REFR BR, CAIXA YGT LIQ 45X200G9X800G REFR BR, CAIXA YGT LIQUIDOS 10X850 900G REFR BR, CAIXA YGT MOLICO 21X150G REFR BR e CAIXAPO REFRCHDEL MSE INDVIDUAL 14X75GBR. E ainda, ACESSORIO CONTAINER 1200KG, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413136, ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167, CONTAINER PREP FRT 1200KG, CX TRANSPORTE FRASCOS FORNECEDOR, DIVISORIA DE PAPELAO, DIVISORIA PAPELAO 1 00MX1 20M, ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR, ETIQUETA PAPEL AADSV AUTOMACAO FABRICA, ETIQUETA PAPEL AUTO ADESIVA C75MM L104MM, FILME ENCOLHIVEL CHAMYTO 6P REFR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 450G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT FRTVERM 720G PRBR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT LEIFERM720G PR BR, FILME ENCOLHIVEL CHMYT TT FR 450G PR BR, FILME ENCOLHIVEL PEBD CHAMYTO 6X75G PR, FILME PEBD CHAMY MRG REFR BR, FILME PEBD PELBD NESTLE MRG REFR 900G, FILME SHRINK PEBD Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.878 36 CHAMYTO 6X75G TT FR PR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD CHAMYTO UVA 6X75G, FILME SHRINK PEBD CHMYT BIG FRUTASVERMBR, FILME SHRINK PEBD FCHAMYTO BIG 6X120G PR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO 4X3G PRBR, FILME SHRINK PEBD REFR CHAMYTO BIG BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEI FERMENTADO BR, FILME SHRINKPEBD NINHO LEIFERMENT 7X1 BR, FILME TERMOENC CHAMYTO TT FR 6 POTES BR, FITA ARQUEAR PP VERDE C2000MX L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM, FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008, PAPELAO VELOMOIDE 1 64 ESPES X1 20 LARG e STRETCHFILME 500MM X 24 5UM. Sobre alguns desses itens a fiscalização informou: Em resposta apresentada em 31/07/2013, o contribuinte esclareceu que o STRETCHFILME 500MM X 24 5UM é “utilizado no fracionamento de paletes para venda de produtos Não relacionado ao processo produtivo”. O sujeito passivo esclareceu também que a FITA DE ARQUEAR PP C2500M L12MM 2008 é utilizada “na amarração dos paletes de produtos terminados”. Já o ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413115 é “complemento utilizado na caixa de expedição com a finalidade de evitar o tombamento do produto” e o ACESSORIO PAPELAO ONDULADO CAIXA 413167 é “complemento utilizado com a finalidade de reforçar a caixa de expedição”. Por sua vez, a ETIQUETA IDENTIFICACAO PALETE REFR BR é utilizada “na identificação do produto paletizado” (Documentos Diversos – Outros 20130731 Resp Contr Destin Insu Exame MPF Anterior; fl. 746). O stretch filme, ou filme esticável, bem como o filme shrink, ou filme encolhível, são largamente utilizados como materiais acessórios à embalagem de transporte utilizados durante o fracionamento de paletes para remessa do produto aos clientes. Nesse mesmo grupo incluise a fita de arquear, bem como os acessórios e divisórias de papelão, utilizados durante o transporte dos produtos. Na mesma toada, a autoridade fiscal distinguiu “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, para aplicar as instruções normativas e negar o crédito. Por sua vez, o laudo descreve a essencialidade nos itens 9.6 e 9.9. E, constam planilha e fotos anexadas ao documento. Como já dito anteriormente, entendo que não há razão para outros esclarecimentos em diligência. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO NÂO ENQUADRADO COMO INSUMO Tratase de glosas referentes à aquisição de material de limpeza, no caso do desinfetante, e de material descartável de proteção pessoal e higiene: CAPA DESCARTÁVEL TAMANHO UNICO, DESINFETANTE DIVOSAN S1, DESINFETANTE ACIDO Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.879 37 PERACET LIQ 30KG, LUVAS DESCARTÁVEL 340X270X0 06MM, MANGOTE DESCART POLIPR BRANCO GRAM 20, MANGOTE DESCARTÁVEL POLIPROPILENO, MANGOTES EM POLIPROPILENO BRANCA 30GR, PANO DE LIMPEZA ALVEJADO 0 60CM 0 35CM, PANO LIMPEZA AZUL BAINHA MED 30X40CM, PANO LIMPEZA BAINHA BRANCO MED42X75CM, PANO PARA LIMPEZA OVERLOQUE AZUL40X20CM, PAR DE LUVA DE POLITILENO TRANSPARENTE, SABONETE LIQUIDO SUMASEPT, TOUCA DESC AZUL C ELÁSTICO 50CM GRAM 30, TOUCA DESCARTÁVEL 50CM GRAMATURA 30 e TOUCA PROT DESC PP BR UN. Tais itens foram glosados, nos termos das instruções normativas, por não serem consumidos ou integrados ao produto final durante a fabricação. Na mesma rubrica houve a glosa de FITA ISOLANTE, que nos dizeres da fiscalização: “aquisição de FITA ISOLANTE, material acessório utilizado em reparos de máquinas, equipamentos ou instalações elétricas não necessariamente ligadas ao processo produtivo, que sequer é incluída quando da substituição de peças que sofrem desgaste em decorrência da fabricação do produto.” Glosados também as despesas com 7 SERVIÇOS CONSULTORIA EM RH, BRINDE R RELAÇÕES PUBLICAS e BRINDES DIVERSOS, “uma vez que os serviços de consultoria em recursos humanos destinamse, preponderantemente, ao auxílio no recrutamento e gerenciamento de pessoal, não se encaixando, por óbvio no conceito de insumos. Assim como os brindes, usualmente destinados a clientes e fornecedores, e não direcionados ao processo produtivo, não ensejando apuração de créditos”. E ainda, foram glosadas as aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP, pois “o contribuinte esclareceu que os referidos itens são utilizados como ‘combustível para empilhadeiras’ ou na “preparação de alimentos no restaurante não relacionado ao processo produtivo”. O laudo da Recorrente trata dessas rubricas no item 9.10. Segundo este documento: 1 a industrialização do leite é fiscalizada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA, através da Resolução n° 10, de 22 de maio de 2003, que estabelece o Programa Genérico de Procedimentos Padrão de Higiene Operacional – PPHO, a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e derivados que funcionam sob o regime de inspeção federal; 2 as fitas isolantes são utilizadas em reparos de máquinas e equipamentos para isolar conexões e outros componentes elétricos, garantindo maior segurança para quem manuseia aparelhos elétricos ou está trabalhando com algum serviço que envolva energia elétrica e 3 o Gás Liquefeito de Petróleo é uma energia convertida em movimentos das empilhadeiras. Entendo que, de todas as glosas listadas acima, é necessária a intervenção da autoridade fiscal apenas para verificar a possibilidade de segregação entre as aquisições de GAS LIQUEFEITO DE PETROLEO BOT, GAS LIQUEFEITO PETROLEO EM BOTIJAO 45 KG e GAS LIQUEFEITO PETROLEO BOTIJAO 20KG EMP – para área administrativa e para o processo produtivo. Para as demais glosas, entendo que os elementos dos autos são suficientes para o julgamento, não sendo, portanto, necessária diligência sobre os demais itens. Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.880 38 AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase das glosas de bens adquiridos classificados nos capítulos 7 e 8 da TIPI, que estão sujeitos à alíquota zero das contribuições, nos termos do art. 28, III, da Lei nº 10.865/2004, bem como de leite, nos termos art. 1º, XI e XIII, da Lei nº 10.925/2004. As glosas tiveram como fundamento o § 2º, II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003, que dispõem que as aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito. Assim, foram glosados LEITE DESNATADO GRANEL, LEITE DESNATADO GRANEL TERCEIROS, LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, LEITE EM PO DESNATADO MSK, LEITE PO INTEGRAL 26 25KG, LEITE PO MSK 25KG e SORO MILK PO 25KG, bem como frutas e produtos hortícolas, AMEIXA POLPA PASTEURIZADA 20KG, AMORA POLPA 8BRIX CONGELADA 20KG, BANANA POLPA LIQUIDA 24BRIX PAST 20KG, COCO RALADO 0JAN 004 MM 25KG, FRAMBOESA POLPA 8BRIX 10KG, KIWI POLPA 13 BRIX, MAMAO POLPA 8 11 BRIX PASTEURIZADO 210KG, MELAO POLPA 4 7BRIX CONGELADO 12KG, MORANGO POLPA SEM SMT 4 5 8 5BRIX 10KG, PERA POLPA 8 13BRIX CONGELADA 20KG, PESSEGO POLPA 8 11BRIX CONGELADO 12KG, POLPA DE MORANGO, POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 200KG e POLPA MORANGO PAST SEM SMT 28BRIX 210KG. A Recorrente alega que são as suas essenciais matériasprimas e que negar crédito sobre elas implica em ferir a sistemática da nãocumulatividade. No mesmo sentido, apontou o laudo. Claramente, estáse diante de questão de direito, que não será objeto da diligência. OPERAÇÕES NÃO ENQUADRADAS COMO AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Aponta a fiscalização que o contribuinte apurou parte de seu crédito com base em operações cujas naturezas não se encaixam no conceito de bens utilizados como insumos, uma vez que descreveu as referidas operações como “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada” e “Compra de material para uso ou consumo”, com a utilização dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nº 1949, 2949, 1556 e 2556. Quanto aos CFOP n° 1949 e 2949, “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, aduz a Recorrente que foram escriturados erroneamente, pois contabilizou neste CFOP as mercadorias objeto de devolução de seus clientes. Da mesma forma, não indicou as notas fiscais que comprovariam tal argumento. Assim, não foram especificadas as notas que poderiam atestar se a empresa incorreu em erro formal, se se tratam de devoluções de vendas. Com relação ao CFOP 1556 e 2556, “compra de material para uso e consumo”, alega a Recorrente que são aquisições de partes e peças de máquinas, parafusos, Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.881 39 peças, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros, termostatos, entre outras peças de reposição e consumo utilizadas na manutenção do processo produtivo. O laudo, no item 9.12, trata apenas dos “materiais para uso e consumo”, afirmando que estes “elementos são essenciais para o processo de forma que seja possível efetuar o reparo da máquina, por meio de manutenções, permitindo que ela retorne ao fluxo produtivo.” A Recorrente indicou em seu recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 9, os materiais para uso e consumo que são integrantes do processo produtivo: partes e peças de máquinas, parafusos, graxas, mangueiras, rolamentos, molas, anéis, retentores, cilindros necessários a manutenção das máquinas no processo produtivo. Por conseguinte, não vislumbro a necessidade de diligência nesses itens. DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS CUJAS DESCRIÇÕES NÃO PERMITEM IDENTIFICÁLOS COMO INSUMOS Tratase das glosas de serviços utilizados como insumos descritos como “GENÉRICOS” nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, contratados de EMPRESA DE TRANSPORTES SOPRODIVINO SA, NESTLE BRASIL LTDA e PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA. O laudo descreve os serviços no item 9.13 como essenciais: I) Empresa de Transportes Soprodivino S.A. – transportadora contratada para realizar o transporte do açúcar que é uma matéria prima do processo produtivo. Sem o transporte do produtor até a empresa, o açúcar não estaria disponível para ser adicionado ao iogurte, consequentemente não estaria apto para o consumo. II) Nestlé Brasil Ltda empresa correlacionadas com a DPA em realizar alguns serviços industrias na planta, tais como: Performance Industrial: o termo utilizado para os indicadores de performance da manutenção em uma fábrica é o KPI (em inglês, Key Performance Indicators ou KPI, Indicadores de Performance na tradução). As KPIs podem mensurar diferentes performances abrangendo desde o tempo de parada das máquinas até o processo produtivo e são atividades que visam segurança para as pessoas operantes das máquinas e todos os equipamentos integrados com o processo industrial. Sem esses indicadores o sistema fabril entraria em colapso e pane geral, paralisando a produção do produto final. Engenharia de Manutenção e utilidades de energia: são atividades que visam toda a prevenção, manutenção, confiabilidade e Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.882 40 disponibilidade dos equipamentos responsáveis por todo o processo produtivo, nos quais sem eles seria impossível manter a produção da empresa; Fornecimento de água e tratamento de efluentes: efluente industrial é o despejo de resíduos líquidos poluentes oriundos de processos fabris que abrange desde rejeitos provenientes dos próprios processos industriais, até o esgoto doméstico. Ou seja, é toda água que é utilizada em uma indústria e que, depois, precisa ser descartada. Na empresa pode utilizar a água com diversas finalidades, como para a lavagem do chão de fábrica ou de algum equipamento do processo de produção, para a incorporação ao próprio produto e para o resfriamento de sistemas e geradores de vapor. Em todas essas utilizações citadas, a indústria está produzindo resíduos que precisam ser tratados, para que a água apresente as condições estabelecidas no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal RIISPOA além de atender aos princípios e objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010, antes de serem lançados à natureza, tendo em vista que esse tratamento é regulamentada e fiscalizada pelos órgãos de vigilância sanitária, dos quais devem ser atendidos sob pena da empresa ser interditada, caracterizando crime contra o meio ambiente, conforme menciona a Lei de Crimes Ambientais n° 9605/98. III) Pleno Consultoria de Serviços Ltda: recrutamento de trabalhadores para atividades temporárias, por exemplo: quando a empresa necessita realizar embalagens de iogurte promocionais nos formatos de “pague 2 leve 3”. Nestes momentos, a empresa necessita de um contingente maior do que o normal temporariamente para que consiga atender a demanda. A Recorrente juntou no DOC. 11 do Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), algumas notas de despesas com serviços. Mas, não constam nos autos mais documentos sobre esses serviços, tampouco a conciliação entre as notas fiscais com os referidos serviços. Assim, como a glosa foi em decorrência da falta de informações que permitissem assegurar se os serviços em questão enquadramse no conceito de insumo, entendo que não há necessidade de outros esclarecimentos por parte da autoridade fiscal em diligência. AQUISIÇÕES QUE SOFRERAM AJUSTES NEGATIVO NA BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE PARA REFLETIR O VALOR DE FACE DO DOCUMENTO FISCAL Aduz a fiscalização que: Procedemos ao ajuste negativo no valor de R$ 4.679.264,48 da base de cálculo dos créditos calculados em relação à aquisição do serviço lastreado pelo documento fiscal nº 013645, de fevereiro de 2009, emitido por LOGOPLASTE DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 00.359.256/000513, para refletir o seu real valor de face, que monta em R$ 4.663,40, e foi erroneamente registrado pelo sujeito passivo pelo Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.883 41 valor de R$ 4.683.927,88 (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação NF13645; fl. 747). Nesse ponto alega a Recorrente que lançou corretamente o valor de R$ 4.663,40 referente a essa nota fiscal. Segundo ela, o valor de R$ 4.682.449,79, que seria o total do reajuste negativo no Dacon, referese às anulações dos lançamentos realizados em duplicidade, em razão de erro de preenchimento. A Recorrente reiterou o pleito em sede de recurso voluntário, bem como apontou no item IV.III.2 da peça recursal os registros do DACON a que se refere, dessa forma esse ponto dever ser investigado na diligência. Então, solicitase à autoridade fiscal que verifique se a NF 013645 da Logoplaste do Brasil Ltda. foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa. OPERAÇÕES RELATIVAS À CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA Foram glosadas as operações relativas à contratação de mão de obra temporária, descritas pelo sujeito passivo em sua memória de cálculo como “SERV DE MAO DE OBRA TEMPORÁRIA”, contratados preponderantemente da empresa SOCIEDADE EMPRESARIAL DE TERCEIRIZACAO E SERVICOS LTDA, por entender a fiscalização que o pagamento a título de mão de obra a pessoa física por intermédio de uma pessoa jurídica contratada para tal fim é vedado. Afirma a empresa que essa mão de obra é alocada no processo produtivo. Junta notas fiscais. O laudo se refere a esse item no tópico 9.14. Solicitase a autoridade fiscal que coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase da glosa da aquisição de LEITE DESNATADO INDUSTRIAL COPACKER, por se tratar de operação sujeita à alíquota zero, já que é aquisição de leite industrializado desnatado, cujas alíquotas das contribuições são iguais a zero, conforme reza o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925/2004. Logo, tais aquisições sujeitas à alíquota zero não geram direito a crédito. Foi tratado no laudo, no item 9.15. Outrossim, como já manifestado, tratase de questão de direito, que será oportunamente julgada, não sendo, portanto, objeto desta diligência. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.884 42 AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS COMO INSUMOS A glosa referiuse a: Glosamos os serviços contratados de LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/0094 54, e de PAULISTANIA LOCADORA DE VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.339.638/000492, tendo em vista que ambos têm como atividade principal o serviço de locação de automóveis sem condutor, prestação que, considerada a atividade do sujeito passivo, a produção de laticínios, não se encaixa no conceito de serviços utilizados como insumos, devendo, portanto, ser integralmente glosadas. A empresa MONTIN MEC MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, CNPJ nº 15.023.132/000106, tem como objeto a instalação de máquinas e equipamentos industriais. Tomando como exemplo a nota fiscal nº 79, de dezembro de 2012, o serviço prestado é de fabricação e instalação de pórtico para manutenção das torres de resfriamento, serviço que não se integra ou agrega valor aos produtos comercializados pelo sujeito passivo, não se enquadrando como insumos, sendo integralmente objeto de glosa por parte da Fiscalização todas as aquisições desse fornecedor (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação NF 79; fl. 750). A empresa PASCOTTI SERVICOS DE TERRAPLENAGEM LOCACAO DE MAQUINAS E VEICULOS LTDA, CNPJ nº 03.887.120/000140, presta serviços de obras de terraplenagem, obras de urbanização em ruas, praças e calçadas, construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas, exceto obras de irrigação, serviços de preparação do terreno, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes, atua nos setores de terraplenagem, pavimentação asfáltica, infraestrutura em geral, locação de equipamentos e fornecimento de materiais básicos para construção civil em empreendimentos comerciais, industriais e residenciais. Nenhum dos serviços descritos acima se enquadram no conceito de insumo ao se considerar o ramo de atuação sujeito passivo, a produção de laticínios, devendo, nesse caso, ser glosados todas as aquisições de serviço do fornecedor em questão. A empresa PLENO CONSULTORIA E SERVICOS LTDA, CNPJ nº 70.059.043/000128, tem como atividade principal a locação de mão deobra temporária, atuando também nos serviços de conservação e limpeza, serviços temporários e terceirização de mão de obra. Nesse sentido, em obediência ao inciso I do § 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, de idêntico teor, as aquisições do referido fornecedor foram integralmente glosadas. Mesmo tratamento foi dispensado às aquisições de serviços de TITO CADEMARTORI ASSESSORIA, CNPJ nº 93.911.147/000386, que presta serviço de assessoria e gestão aduaneira, principalmente Classificação Fiscal de Mercadorias, Valoração Aduaneira, Efetivação de Ex tarifários e Recuperação de impostos pagos, etc. Em outras palavras, presta serviço de assessoria aduaneira, que, por óbvio, não se enquadra no conceito de serviços utilizados como insumos, devendo, Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.885 43 portanto, ser integralmente glosados os créditos relacionados às aquisições desse fornecedor. Glosamos também as operações descritas como MATERIAIS PARA MONTAGEM ELETRICA; MEDICINA VETERINARIA E ZOOTECNIA.; MOLDES; SERV USINAGEM; SERV ARMAZENAGEM E LOGISTICA (SERV FRETE); SERV ASSESSORIA ADUANEIRA; SERV CONST CIVIL MONT ELET MEC E HIDR; SERV CONSULTORIA E ADMINISTRACAO; SERV DE ASSIST TEC EM EQUIP DE FABR; SERV DE MANUT EM EQUIP DE FABR; SERV ENG CIVIL; SERV IMPR PUBLICIDADE PROMOCOES; SERV LOCACAO EQUIP TELEC; SERV SUPORTE CONSTR LOCACAO ESTRUTURAS; e SERV TELEFONIA FIXA, tendo em vista que, consideradas as próprias descrições fornecidas pelo contribuinte, não se enquadram como serviços utilizados como insumos. Alega a Recorrente que são serviços essenciais, tais como: Serviços de Manutenção de equipamentos de Fábricas; Serviços de Armazenagem e Logística; Serviços de Assistência Técnica em Equipamento de Fábrica; Serviços de Mão de Obra Temporária; Serviços de Consultoria e Administração; Serviços de Medicina Veterinária e Zootecnia; Serviços de Construção Civil e Montagem Elétrica, Mecânica e Hidráulica; Serviços de Locação de Equipamentos de Telecomunicação; Serviços de Engenharia Civil; Serviços de Suporte de Construção e Locação de Estruturas e Serviços de Impressão de Publicidade de Promoções. Aduz que juntou notas fiscais por amostragem. O laudo se refere a esse item no tópico 9.16, que descreve cada serviço e sua utilização. Entretanto, não houve a interligação entre cada serviço e as respectivas notas. Diante disso, entendo desnecessária a realização de diligência nesse tópico. DA IMPORTAÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS AQUISIÇÃO DE MERCADORIA OU PRODUTO SUJEITO À ALIQUOTA ZERO Tratase da glosa de aquisição de LEITE PÓ INTEGRAL 26 25KG, por ser sujeita à alíquota zero, nos termos do o art. 1º, XI, da Lei nº 10.925/2004. O laudo referese a essa aquisição no tópico 9.17. Mais uma vez, tal como já tratado acima, não é objeto desta diligência. DA IMPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, DA IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS e DOS CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (DEPRECIAÇÃO) ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO Relatou a fiscalização o seguinte: No caso em tela, o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.886 44 RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que as rubricas em epígrafe deveriam ter suas composições demonstradas nas planilhas de cálculo a serem apresentadas (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). O contribuinte apresentou respostas à Fiscalização em diversos momentos, conforme se depreende do relatório desta Informação Fiscal, contudo, até o fim do procedimento fiscal o contribuinte não havia apresentado quaisquer memórias de cálculo referentes as rubricas sob análise. Limitouse a esclarecer, em resposta apresentada no dia 23/01/2014, que os valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado (depreciação), e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda, referemse na verdade a insumos (Documentos Diversos Outros 20140123 Resposta Intimação Protocolo; fl. 483). Dessa forma, em vista da não apresentação de planilhas específicas para essas duas rubricas e do esclarecimento supra, assumimos que os seus valores estão inseridos nas planilhas referentes aos créditos de aquisição de insumos do mercado interno e importação, de modo que a análise desses valores fora automaticamente realizada no âmbito das referidas rubricas relativas à aquisição de insumos, e, naturalmente, realocadas para tais linhas. Nesse sentido, com o objetivo de evitar a apuração de tais créditos em duplicidade, desconsideramos a integralidade dos valores lançados na ficha 16A, linha 09, créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, e na ficha 16B, linha 01, importação de bens para revenda. Já os valores pleiteados pelo contribuinte a título de importações de serviços utilizados como insumos foram integralmente glosados, por falta de comprovação do crédito pleiteado, tendo em vista a não apresentação de quaisquer planilhas com as memórias de cálculo dos créditos lançados nos Dacons. O laudo não abordou essa temática. E a Recorrente não trouxe novos elementos em recurso voluntário, apenas afirma que o auditor fiscal glosou créditos baseado na presunção de que, se as informações não foram detalhadas como solicitado, é porque o crédito não existe. Logo, esse item está fora do objeto da diligência. DAS DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA Relata a fiscalização que: Intimado em 27/05/2014 a apresentar uma amostra de notas fiscais de energia elétrica, o sujeito passivo, em 03/06/2014, apresentou a Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.887 45 contento uma parte relevante dos documentos fiscais requeridos, deixando de apresentar, contudo, os documentos fiscais nº 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673, emitidas por ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVICO, CNPJ nº 02.328.280/0001 97; e 450, 464 e 293, emitidas por LIGHT SERVICOS DE ELTRICIDADE SA,CNPJ nº 60.444.437/000146 (Termo de Intimação Fiscal Número 3 20140527; Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação Protocolo; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140603 Resposta à Intimação Mídia; fls. 540 a 573). Dessa forma, a autoridade fiscal glosou integralmente os créditos apurados com base nas aquisições de energia elétrica cujos documentos não foram apresentados. Informa a Recorrente que juntou ao seu recurso voluntário, as notas fiscais n° 999249, 1746, 774027, 873446, 527588, 6151 e 510673 emitidas por Elektro Eletricidade e Serviço (CNPJ 02.328.280/000197) e notas fiscais n° 450, 464 e 293, emitidas por Light Serviços de Eletricidade S/A (CNPJ 60.444.437/000146). A essencialidade da energia elétrica para o processo produtivo é objeto do item 9.18 do laudo. Assim, solicitase a autoridade fiscal que faça a conciliação dessas notas, DOC. 13 do recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos. DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Relata a fiscalização que: O contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Endereço do Imóvel Locado"; "Descrição do Imóvel Locado"; “Finalidade do Imóvel Locado”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). Nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, o contribuinte apresentou planilhas de aluguéis de prédios incompletas furtandose a apresentar na relação a identificação do imóvel locado, e dados elementares, como o endereço do imóvel locado, sua descrição e finalidade, bem como os valores originais de locação e o valor efetivamente pago. Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.888 46 De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada em 16/05/2014 e constatamos que o contribuinte apura créditos de aluguéis de imóveis oriundos de contratos firmados com três locadores distintos, quais sejam, Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154; Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118; e Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/000152. As operações firmadas com o locador Maconetto Empreendimentos Imobiliários SC Ltda, CNPJ nº 02.479.601/000154 são meramente descritas como “Serv. Leasing Locação de Imóvel” e, tendo em vista a COMPLETA AUSÊNCIA de informações acerca do endereço, descrição ou finalidade do imóvel locado, não permitem constatar se os valores referemse de fato a uma locação de imóvel, de modo que foram integralmente glosados (Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; fl. 538). Já as operações firmadas com o locador Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ nº 74.192.097/000118, além de incorrerem no mesmo problema anterior, de ausência de informações elementares para a identificação do imóvel locado, são descritas como “Serv. Administração Imobiliária”, restando evidente que não se referem de fato a locação de imóvel, e, sim, de serviços imobiliários acessórios à locação. Essas operações também foram integralmente glosadas (Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; fl. 538). Por outro lado, as operações firmadas com o locador Nestle Brasil Ltda, CNPJ nº 60.409.075/000152, foram descritas como “Aluguel predial”, de modo que os correspondentes contratos de locação foram requeridos pela Fiscalização acompanhados dos demonstrativos atualizados das despesas de aluguel bem como os respectivos comprovantes de pagamento (Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Memórias de Cálculo Dacon Parte 1; e Termo de Intimação Fiscal Número 3 20140527; fl. 538; e fls. 540 a 556). O contribuinte apresentou em 03/06/2014 os contratos de aluguel a contento, por meio dos quais constatamos que se referem de fato a dois imóveis locados pelo sujeito passivo. Contudo, deixou de apresentar uma parte relevante dos recibos com os comprovantes de pagamento, bem como quase que a integralidade dos demonstrativos dos valores atualizados das despesas de aluguel (Documentos Diversos Outros 20140603 Resposta Intimação Protocolo; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140603 Resposta à Intimação Mídia; fls. 557 a 573). Ademais, não foi possível encontrar correspondência entre quaisquer um dos recibos com os comprovantes apresentados e os valores inicialmente demonstrados pelo sujeito passivo em suas memórias de cálculo, tendo em vista que os valores de face dos recibos e os informados nas planilhas não coincidiam ou sequer eram compatíveis entre si. Anexados a alguns recibos de pagamento, o contribuinte apresentou demonstrativos com a discriminação fornecida pelo locador com todas as rubricas que compõem o montante devido pelo sujeito passivo ao Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.889 47 locador, e notamos pela análise destes documentos que apenas uma parcela do valor total devido referese, de fato, à locação do imóvel (Documentos Diversos Outros 20140603 Demonstrativos Despesas Aluguel Mensal, fls. 697 a 722). As demais rubricas se referem a despesas acessórias com energia elétrica; malote; telefone; despesas legais e com impostos diversos; ginástica laboral; cantina e alimentos; serviços de manutenção em câmaras/incêndio/predial; manutenção e reparo de móveis e utensílios; serviço de manutenção e limpeza em geral; serviço de segurança ambiental; manutenção de câmaras (peças e materiais); correio; IPTU; pagamento de alvará de funcionamento; e nobreak (Documentos Diversos Outros 20140603 Demonstrativos Despesas Aluguel Mensal, fls. 697 a 722). As despesas acima não integram o valor do aluguel e, portanto, não ensejam direito ao crédito das contribuições, de forma que, para compor a base de cálculo da rubrica em questão, consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que o contribuinte apresentou apenas o recibo, comprovante de pagamento total, sem o demonstrativo com a discriminação e individualização das rubricas componentes da despesa total de aluguel, estimamos a parcela referente ao valor do aluguel propriamente dito obtendo a média aritmética dos meses em que houve apresentação, tendo em vista que os valores mostravam pouca variação mês a mês. Vale dizer que, nos meses em que não houve apresentação do demonstrativo com a discriminação da despesa total de aluguel e do correspondente recibo, comprovante do pagamento total efetuado, a base de cálculo considerada foi nula, por falta de comprovação do crédito pleiteado. Ressaltase que no dia 06/06/2014, o contribuinte apresentou uma série de comprovantes de transferência ou depósitos bancários em nome do locador que serviram, em tese, para liquidar as despesas de aluguel. No entanto, mais uma vez os valores em questão não coincidiam ou sequer eram compatíveis com os valores apresentados nas planilhas com as memórias de cálculo, não sendo possível assegurar se referem se, de fato, à liquidação de aluguéis. Esses documentos bancários foram integralmente desconsiderados pela Fiscalização (Documentos Diversos Outros 20140606 Resposta Intimação SVA; Documentos Diversos Outros 20140606 Resposta Intimação Comprovantes Aluguel; e Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável 20140606 Resposta Intimação Planilha Aluguel; fls. 574 a 685). BASE DE CÁLCULO RECONSTITUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Para compor a base de cálculo de créditos para a rubrica em questão, desconsideramos a planilha com a memória de cálculo inicialmente apresentada à Fiscalização e consideramos exclusivamente os valores descritos como “Aluguéis Filiais” nos demonstrativos com a Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.890 48 discriminação das despesas de aluguel apresentados pelo sujeito passivo. Nos meses em que houve apresentação apenas dos comprovantes, sem a discriminação que pudesse identificar a parcela relativa, de fato ao aluguel, estimamos esse valor com a utilização da média aritmética dos valores disponíveis, tendo em vista que apresentavam pouca variação mês a mês. Seria temerário admitir e aceitar a integralidade do crédito pleiteado, tendo em vista que o sujeito passivo evidenciou, quando da apresentação dos demonstrativos com as discriminações fornecidas pelo locador, que apenas uma parte daqueles valores referese, de fato, a despesas de aluguel. Nos meses em que não houve apresentação nem da discriminação nem dos comprovantes de pagamento de aluguel, o valor considerado foi nula. Vale ressaltar que não há o que se falar em planilha de valores glosados tendo em vista que a memória de cálculo fornecida pelo sujeito passivo foi integralmente desconsiderada pela Fiscalização para apurar a base de cálculo de créditos e que a apuração se deu exclusivamente com base nos comprovantes de pagamento e demonstrativos com a discriminação das despesas de aluguel apresentados em 03/06/2014. Quanto a essas despesas, o laudo afirma: 9.19. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS Em visita à empresa, verificamos que prédios locados pela empresa tiveram como finalidade a expansão do seu prédio produtivo, de modo a proporcionar o aumento da produção já realizada pela empresa. Concluímos que os prédios foram locados com autorização do o art. 3º, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, além da sua finalidade ser de proporcionar o aumento do processo produtivo. No recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), DOC. 14 e 15, a Recorrente anexou contratos e recibos de pagamento de aluguel. Apresentou o contrato de locação firmado com a empresa Maconetto Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 02.479.601/000154, bem como os comprovantes de pagamento de aluguéis: Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.891 49 Ademais, junta cópia do contrato de locação firmado com a empresa Patriarca Empreendimentos e Participações Ltda, bem como os comprovantes de pagamento: Observase que os referidos imóveis são conjuntos comerciais em edifícios comerciais. Quanto aos contratos com a Nestlé, apenas afirma o desacerto da fiscalização, sem novos elementos. Logo, não tal rubrica não compõe a presente diligência. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.892 50 DAS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Relata a fiscalização: O contribuinte foi intimado, em 24/12/2013 e 29/04/2014 a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Nas referidas intimações, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas deveria conter o detalhamento das locações em questão, contendo “CNPJ do Locador”; “Razão Social do Locador”; "Descrição do Bem Locado"; “Finalidade do Bem Locado no Processo Produtivo”; "Valor Original do Contrato de Locação"; “Valor do Aluguel Pago no Mês”; "Data do Pagamento do Aluguel"; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; e Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls. 239 a 246; e fls. 496 a 501). A despeito do solicitado, nas diversas oportunidades em que trouxe como resposta às intimações as memórias de cálculo, o contribuinte apresentou planilhas de aluguéis de bens incompletas furtandose a apresentar na relação dados elementares como a descrição do bem locado, sua finalidade, e, em alguns casos, os dados do locador, Razão Social e CNPJ. (...) De qualquer sorte, analisamos a planilha apresentada e constatamos que o contribuinte tem como um de seus fornecedores a empresa LOCALIZA RENT A CAR SA, CNPJ nº 16.670.085/030496 e nº 16.670.085/009454. A referida empresa tem como atividade a locação de veículos automotores, bens que, considerada a atividade do sujeito passivo, a produção de laticínios, não se encaixam no conceito de bens utilizados nas atividades da empresa e, portanto, foram integralmente glosados. Glosamos também todas as operações em que não há a identificação do locador (CNPJ e Razão Social), tendo em vista que não é possível sequer verificar a natureza do locador pessoa jurídica ou física. Nas referidas operações também não há a descrição do bem locado e foram identificados pelo contribuinte apenas como “LEASING” ou como “N/D”, além de não ter a identificação do número do documento (nota fiscal ou contrato) que lastreia e ampara o crédito pleiteado, ou seja, não há quaisquer informações que possibilitem a identificação e análise de procedência dos créditos calculados em relação a essas operações. Em recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), a Recorrente informa que juntou, por amostragem, DOC. 16, os pedidos de serviços e faturas de locação de bem móvel, em que é possível verificar com clareza o tipo de bem locado, a finalidade e valores envolvidos. Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.893 51 O laudo trata da locação de máquinas, nos tópicos 9.20 e 9.21: 9.20. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS Consistem na locação de impressoras da marca Markem Imaje nas quais, são utilizadas para a datação de produtos terminados. Sem as impressoras seria impossível realizar processo automático de impressão da data de fabricação, validade, código de barras e lote na embalagem em cada produto final, impossibilitando, por corolário lógico, a continuação da produção e a sua comercialização. Como no item Serviços de Locação de Equipamentos de Telecomunicação citado acima o intuito desta atividade é manter desta forma o controle exigido órgãos governamentais tais como: Departamento Nacional de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA, da portaria 4 de 03 de janeiro de 1978 no capítulo 7 – Rotulagem e Particularidades; Portaria Inmetro n° 157, de 19 de agosto de 2002 na qual estabelece a forma de expressar a indicação quantitativa do conteúdo líquido dos produtos tais como: prémedidos, conteúdo nominal ou conteúdo líquido, indicação quantitativa, peso drenado, rotulagem e vista principal. 9.21. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS – LOCAÇÃO DE AUTOMÓVEIS Conforme o fluxograma do item 8, destacamos a comercialização como a etapa do processo produtivo antecedente ao frete de venda. Em visita à empresa, verificamos que há a locação de automóveis para proporcionar visita comercial a clientes, de modo que a locação de automóveis está ligada à atividade comercial da empresa. Considerando que, sem a atividade comercial, não haveria venda da produção, concluise que faz parte do ciclo produtivo. O laudo não veio acompanhado da indicação das notas fiscais das impressoras Markem Imaje, tampouco com contratos. Já no recurso voluntário, a Recorrente junta poucas faturas da Markem Imaje e pedidos de serviço. Por outro lado, as faturas se referem ao contrato 0040013367 de 15/03/2011 que não foi juntado aos autos. Já quanto às despesas com a Localiza, essas são efetuadas para proporcionar visita comercial, desnecessários outros esclarecimentos. Logo, tal rubrica está fora do objeto da diligência. DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Relata a autoridade fiscal: Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.894 52 Ocorre que, em 15/01/2014, o sujeito passivo informou que possui mandado de segurança (MS nº 2008.61.00.002577 0) versando sobre a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS nas operações de fretes entre estabelecimentos da pessoa jurídica, com decisão favorável ao contribuinte (Documentos Diversos Outros 20140115 Resposta Intimação Info Mandado Segurança; fl. 264). Em 23/01/2014, apresentou a Certidão de Objeto e Pé relativa ao MS nº 2008.61.00.0025770 contendo o teor da decisão judicial, que julgou procedente o pedido e concedeu a segurança postulada, assegurando ao sujeito passivo impetrante o direito de manter e deduzir integralmente os créditos de PIS e COFINS calculados sobre as despesas com armazenagem e fretes nas transferências de mercadorias entre seus estabelecimentos, com vistas à posterior venda a terceiros (Documentos Diversos Outros 20140123 Certidão de Objeto e Pé Mandado Segurança; fls. 486 e 487). Sobre o teor da decisão, vale, de antemão, traçar os limites de seu alcance uma vez que garante ao contribuinte o direito de manter e deduzir os créditos de PIS de COFINS, não se estendendo o direito garantido à seara do ressarcimento e da compensação, institutos plenamente distintos daqueles. A dedução é inerente aos tributos não cumulativos e indissociável dessa sistemática, elemento básico de operacionalização da própria não cumulatividade, que permite alcançar o objetivo primário do instituto, qual seja, a anulação do quantum de tributo incidente na operação anterior, desonerando as etapas posteriores da cadeia de um produto. Diferente instituto é a compensação, que, autorizada por lei, é benefício fiscal concedido nos rigorosos limites da norma instituidora. O direito à compensação não se estende a qualquer crédito apurado com base na nãocumulatividade de um tributo, como ocorre com a dedução, pelo contrário, são garantidos única e exclusivamente nos casos expressamente previstos em lei, como o direito à compensação de créditos vinculados a receitas de exportação, autorizados pelas normas contidas no art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.637, de 2002, e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833, de 2003. Sobre o assunto, vale ressaltar o disposto no art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina que “será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado”. Nesse sentido, é mister para o presente exame apurar se o crédito ora pleiteado engloba efetivamente as operações discutidas judicialmente ou se os valores discutidos judicialmente foram excluídos do pedido administrativo. Isso porque, acaso existam créditos apurados sobre transferências de mercadorias ou produtos inacabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, os referidos créditos, em obediência ao art. 74, § 12, II, d, da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos em que se baseiam as compensações, ainda que, por força de decisão judicial, devam permanecer na contabilidade do sujeito Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.895 53 passivo e continuar disponível para a dedução das contribuições devidas. Nesse sentido, o contribuinte foi intimado, em 24/12/2013, a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Na referida intimação, a Fiscalização foi expressa em indicar que a rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda deveria conter o detalhamento das operações em questão, contendo “Mês de Referência”; “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; “Razão Social do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; "CNPJ do Remetente"; "Razão Social do Remetente"; "CNPJ do Destinatário"; "Razão Social do Destinatário"; "Número do Item/Bem Transportado"; "Código do Item/Bem Transportado"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem Transportado”; "Descrição do Item/Bem Transportado"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Início de Diligência Fiscal; fls. 496 a 501). A despeito do solicitado, nas oportunidades em que apresentou resposta à intimação supra, a saber, em 15/01/2014, 23/01/2014, 06/05/2014 e 16/05/2014, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes incompletas furtandose a apresentar alguns dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”, bem como o "CNPJ do Remetente", a "Razão Social do Remetente", o "CNPJ do Destinatário" e a "Razão Social do Destinatário". Em função da insuficiência de dados supracitada, em 29/04/2014 reintimamos o sujeito passivo a apresentar as memórias de cálculo de TODAS AS RUBRICAS do Dacon. Na referida intimação, a Fiscalização mais uma vez foi expressa em indicar que a rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda deveria conter o detalhamento das operações em questão, contendo “Mês de Referência”; “Data de Apropriação do Crédito”; “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”; “CFOP da Operação”; “Número da Nota Fiscal”; "Data da Nota Fiscal"; “CNPJ do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; “Razão Social do Fornecedor do Frete/Armazenagem”; "CNPJ do Remetente"; "Razão Social do Remetente"; "CNPJ do Destinatário"; "Razão Social do Destinatário"; "Número do Item/Bem Transportado"; "Código do Item/Bem Transportado"; “Classificação Fiscal TIPI do Item/Bem Transportado”; "Descrição do Item/Bem Transportado"; “Valor da Nota Fiscal”; “Base de Cálculo para fins de Créditos”; e “Alíquota Aplicável” (Termo de Intimação Fiscal Número 2 20140429; fls.496 a 501). Novamente, a despeito do solicitado, em 03/06/2014, oportunidade em que apresentou resposta à intimação supra, o contribuinte apresentou planilhas de armazenagem e fretes igualmente incompletas, pois ainda Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.896 54 não continham alguns dos dados elementares à correta validação dos créditos pleiteados, quais sejam a “Descrição da Operação (Armazenagem / Frete Venda / Frete Insumos / Frete entre Estabelecimentos)”, bem como o "CNPJ do Remetente", a "Razão Social do Remetente", o "CNPJ do Destinatário" e a "Razão Social do Destinatário". Como explicitado anteriormente, é essencial identificar em cada serviço de frete ou contratado a natureza da operação (frete sobre vendas, sobre insumos ou entre estabelecimentos) a fim de assegurar que o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação não contemplem créditos decorrentes de operações sem amparo legal, como é o caso das transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Assim, pela completa ausência de informações relativas ao CNPJ e à Razão Social do remetente e do destinatário do frete contratado, bem como da descrição da operação em questão, o que permitiria determinar se as operações em questão podem ou não compor o crédito destinado ao ressarcimento e à compensação, glosamos a integralidade dos créditos relativos a rubrica sob análise. Informa a Recorrente que anexou ao Recurso Voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e outros processos), três planilhas, DOC. 19, relativas aos fretes de compra (aquisição), fretes entre estabelecimentos (que são objeto do mandado de segurança n° 2008.61.00.0025770 e não compõem o pedido de ressarcimento) e os fretes de venda. E ainda, que anexou cópia dos conhecimentos de transporte, bem como das notas fiscais relativas a esses conhecimentos de transportes, ao menos um jogo de documentos por mês objeto do pedido de ressarcimento em debate. No laudo, os fretes de aquisição são tratados no item 9.1, que afirma que o frete de aquisição foi tomado pela Recorrente, sendo prestado por transportadores distintos dos remetentes das mercadorias, e, para possibilitar o recebimento de insumos e embalagens adquiridos, o frete foi custado pela própria Recorrente. Já os fretes de venda foram tratados no item 9.2 do laudo, que aponta que o frete de venda foi arcado pela Recorrente, sendo prestado por transportadores distintos dos seus clientes, para possibilitar a entrega das mercadorias vendidas por ela. Sobre o frete de transferência, o laudo, no item 9.3, atesta que tais despesas não fizeram parte dos pedidos de ressarcimentos do período analisado. O laudo ratifica a planilha de segregação elaborada pela Recorrente: A empresa nos informou que produziu prova para demonstrar que os fretes de compra, os fretes de venda e os fretes de transferência estão segregados. Elaborou planilha para cada modalidade de frete, adotando os seguintes critérios: 1. Conhecimentos de frete em que terceiro consta como remetente e a DPA consta como destinatário, classificou o transporte em frete de Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.897 55 compra. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de compra de insumo. 2. Conhecimentos de frete em que a DPA consta como remetente e terceiro consta como destinatário, classificou o transporte em frete de venda. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de venda de mercadoria industrializada. 3. Conhecimentos de frete em que a DPA consta como remente e como destinatária, classificou o transporte em frete entre estabelecimentos. Em conferência da nota fiscal referenciada no conhecimento de transporte, constatou que se trata de operação de mercadoria remetida em transferência. Entendo ser necessária a análise dessas planilhas, não apenas para deliberação quanto ao creditamento dos fretes de aquisição, mas também para revisar a concomitância imposta aos fretes de transferência entre estabelecimentos da Recorrente pela DRJ. Diante do descrito, solicitase à autoridade fiscal que analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência. DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Em 24/12/2013, o contribuinte foi intimado a apresentar planilhas digitais em formato .xls ou equivalente referentes a todos os produtos vendidos que contenham o "Gênero do Produto", a "Descrição Produto", o "Código do Produto"; a "Classificação Fiscal do Produto", a "Alíquota Aplicável nas Vendas do Produto" e o "Valor Total Vendido do Produto". A empresa apresentou a planilha requerida em 15/01/2014, da qual a fiscalização extraiu todos os produtos comercializados à alíquota zero. Aduziu a fiscalização: As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, permitem a apuração de créditos calculados em relação aos bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tenha sido tributada. A possibilidade de apuração de créditos sobre as devoluções de vendas tem o objetivo de anular os efeitos fiscais e financeiros das vendas realizadas anteriormente e que por alguma razão foram devolvidas ao vendedor. Decidiu o legislador que, para promover a referida anulação, os valores das vendas devolvidas não devem ser abatidos da Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.898 56 receita bruta e sim lançados como créditos da não cumulatividade no Dacon. Como decorrência lógica da explanação supra, é razoável entender que somente as devoluções de vendas relacionadas a operações tributadas à sua época são passíveis de apuração de créditos. Não impor tal restrição promoveria um enriquecimento ilícito por parte do contribuinte que calcularia créditos da não cumulatividade em operações relacionadas a vendas nas quais não houve “débitos” correspondentes. Nesse sentido, os referidos diplomas legais foram expressos em condicionar a admissibilidade de apuração de créditos calculados sobre as devoluções de vendas à efetiva tributação das receitas oriundas das vendas ora devolvidas. Então, foram glosados da base de cálculo os lançamentos relacionados a devoluções dos produtos sujeitos à alíquota zero. Entende a Recorrente que, como os bens em devolução sofreram pagamento de tributo na sua venda, é legítima a apropriação dos créditos de PIS e COFINS, nos casos em que houve a devolução. Alega que o DACON demonstraria que tais bens foram tributados na venda. Não foram trazidos novos elementos em recurso voluntário, de forma que tal item não é objeto da diligência. OPERAÇÕES RELATIVAS A EMISSÃO DE NOTA FISCAL COMPLEMENTAR DE PREÇO Foram glosados os créditos calculados em relação aos documentos fiscais nº 5062 e 5063, emitidos por Nestle Brasil Ltda., tendo em vista que os mesmos não se referem a devoluções de vendas e sim a emissões fiscais complementares de preço, praticadas com o objetivo de realizar correções financeiras decorrentes de alteração de valor ou erro em preenchimento no documento fiscal anterior. A fiscalização relatou que nas planilhas disponibilizadas pelo contribuinte, não há quaisquer informações a respeito dos itens constantes desses documentos fiscais complementares, sua descrição, classificação fiscal, alíquota aplicável, ou qualquer outra forma de identificar os itens supostamente devolvidos, de modo que não é possível assegurar que o crédito pleiteado, amparado pelos referidos documentos, é realmente procedente. A Recorrente defende que essas duas notas não foram lançadas como notas complementares de preço, mas como estorno de lançamento em duplicidade, foram lançadas como devolução. Faz indicações de lançamentos contábeis que demonstrariam tal situação, contudo junta ao recurso apenas as próprias notas fiscais. Sem fatos novos, não é esse item objeto da diligência. DAS OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO Foram glosados a integralidade dos créditos pleiteados pelo contribuinte sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, devido à falta de comprovação do crédito, Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.899 57 foram glosados integralmente os créditos lançados sob a rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, na linha 13, nos meses de 02/2012 e 03/2012, por insuficiência de dados e documentos comprobatórios do crédito pleiteado, e nos meses de 12/2010, 12/2011, 01/2012, 04/2012 e 05/2012, por ausência total de quaisquer dados, documentos ou esclarecimentos a respeito do crédito pleiteado. A Recorrente culpou o grande volume dos documentos, todavia nada de novo trouxe aos autos. Dessa forma, esse item não é objeto da diligência. Conclusão Por todo o exposto e considerando: a) a unidade de julgamento dos 33 processos da Recorrente (para PIS e COFINS, bem como diversos trimestres de apuração) e b) os documentos juntados no recurso voluntário do processo n° 12585.000324/201083 (e também neste e nos outros processos conexos), voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que a autoridade fiscal: 1 Por ser o laudo n° 59/2018 fato novo, que se manifeste a autoridade fiscal sobre ele; 2 Quanto à aquisição de leite fresco, analise os documentos indicados pela Recorrente para verificar, se: a) o transporte do leite foi feito por terceiros, que não a Recorrente ou fornecedor; b) as notas fiscais indicadas contêm a informação de “venda com suspensão” e c) se foram cumpridos os requisitos para suspensão, dispostos na IN n° 660/06; 3 Quanto a aquisição de GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO BOT, GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO EM BOTIJÃO 45 KG e GÁS LIQUEFEITO PETRÓLEO BOTIJÃO 20KG EMP, verifique a possibilidade de segregação entre as aquisições para área administrativa e para o processo produtivo da Recorrente; 4 Quanto à NF n° 013645, da Logoplaste do Brasil Ltda., verifique se essa nota foi lançada corretamente, no valor de R$ 4.663,40, em virtude do erro de preenchimento alegado pela empresa; 5 Quanto à contratação de mão de obra, coteje as notas fiscais juntadas e as indicadas no recurso voluntário, no DOC. 10 e 11, e o laudo, bem como os demais elementos que constam nos autos para atestar se tal mão de obra foi aplicada no processo produtivo da Recorrente; 6 Quanto às despesas de energia elétrica, faça a conciliação das notas, DOC. 13 do recurso voluntário, com a escrituração da Recorrente, com vistas a atestar a legitimidade do creditamento com base nesses documentos; 7 Quanto às despesas de fretes, analise as planilhas juntadas pela Recorrente no recurso voluntário, para atestar a correta segregação entre frete de aquisição, frete de venda e frete de transferência, com apoio dos conhecimentos de transporte e notas fiscais correspondentes às operações de compra, venda e transferência; 8 Caso entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, tais como planilhas ou outros documentos; Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10880.944913/201358 Resolução nº 3301000.572 S3C3T1 Fl. 2.900 58 9 Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; e 10 Retorne os 33 processos juntos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.721262/2016-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2011, 2012
PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei nº 37/1966.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADES. PERDIMENTO.CONVERSÃO EM MULTA
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, inciso V, §2º do Decreto-Lei nº 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. INDEVIDA IMPUTAÇÃO DE DISPOSITIVOS DO CTN. ERRO DE DIREITO.
Em se tratando de sanção estritamente aduaneira (pena de perdimento convertida em multa), as normas que devem reger eventual responsabilização do ocultado são aquelas capituladas nos art. 95, inciso I do Decreto-lei nº 37/66 e art. 603, inciso I do Regulamento Aduaneiro, mas jamais dispositivo do CTN (art. 124, inciso I). Erro de direito configurado.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. IMPUTAÇÃO DE DIFERENTES E CONFLITANTES DISPOSITIVOS LEGAIS PARA FINS DE RESPONSABILIZAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO VICIADO POR CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E MITIGAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA.
Não obstante o erro de direito em imputar responsabilidade aduaneira com base em dispositivos do CTN, também macula o ato administrativo o fato de a fiscalização, ao conformar a sujeição passiva da empresa ocultada fraudulentamente, valer-se de diferentes e conflitantes dispositivos legais para esse fim (artigos 121, inciso II, 128 e 135, inciso III, todos do CTN). Tal imprecisão legal redunda em ausência de motivação do ato administrativo e cerceamento de defesa em prejuízo do responsabilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, da seguinte forma (i) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência do período autuado até 03/07/2011, inclusive; (ii) por maioria de votos, para afastar a responsabilidade dos sócios Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira. Vencidos os Conselheiros Relator, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento integral ao Recurso pela ausência dos requisitos para a interposição fraudulenta presumida.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei nº 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADES. PERDIMENTO.CONVERSÃO EM MULTA A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, inciso V, §2º do DecretoLei nº 1.455/1976), configura se a interposição e aplicase o perdimento. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. INDEVIDA IMPUTAÇÃO DE DISPOSITIVOS DO CTN. ERRO DE DIREITO. Em se tratando de sanção estritamente aduaneira (pena de perdimento convertida em multa), as normas que devem reger eventual responsabilização do ocultado são aquelas capituladas nos art. 95, inciso I do Decretolei nº 37/66 e art. 603, inciso I do Regulamento Aduaneiro, mas jamais dispositivo do CTN (art. 124, inciso I). Erro de direito configurado. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. IMPUTAÇÃO DE DIFERENTES E CONFLITANTES DISPOSITIVOS LEGAIS PARA FINS DE RESPONSABILIZAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO VICIADO POR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 12 62 /2 01 6- 05 Fl. 7543DF CARF MF 2 CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E MITIGAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. Não obstante o erro de direito em imputar responsabilidade aduaneira com base em dispositivos do CTN, também macula o ato administrativo o fato de a fiscalização, ao conformar a sujeição passiva da empresa ocultada fraudulentamente, valerse de diferentes e conflitantes dispositivos legais para esse fim (artigos 121, inciso II, 128 e 135, inciso III, todos do CTN). Tal imprecisão legal redunda em ausência de motivação do ato administrativo e cerceamento de defesa em prejuízo do responsabilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, da seguinte forma (i) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência do período autuado até 03/07/2011, inclusive; (ii) por maioria de votos, para afastar a responsabilidade dos sócios Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira. Vencidos os Conselheiros Relator, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que davam provimento integral ao Recurso pela ausência dos requisitos para a interposição fraudulenta presumida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa TEIXEIRA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE PAPÉS EIRELI EPP, CNPJ 08.141.136/000123 (doravante denominada de TEIXEIRA), com ciência do contribuinte por via postal em 04/07/2016 (fl. 7.252), para exigir a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro, em face das mercadorias sujeita a perdimento, não terem sido localizadas para apreensão. A pena de perdimento foi convertido em multa, no valor de R$ 7.444.314,00 (valor das mercadorias). Consta do Relatório Fiscal (continuação do Auto de Infração), que a Recorrente (TEIXEIRA), não comprovou a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos aplicados em suas operações de comércio exterior. Para tal, foi imputada a infração de “interposição fraudulenta”, constante do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), no artigo 689, inciso XXII e § 6º e no DecretoLei nº 1.455/1976, artigo 23, inciso V e §§ 1º e 3º. Fl. 7544DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.544 3 Considerando também que a Recorrente não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações de importação, entendeu o Fisco, cabível ainda, a declaração de Inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), segundo o estabelecido no § 1º, do art. 81, da Lei nº 9.430/1996. Dessarte, realizouse representação para Inaptidão do número do CNPJ da TEIXEIRA através de PAF específico de nº 10314.721.263/201641. Ressaltase que foi imputada pela Fiscalização, a responsabilidade solidária dos sócios administradores Sr. Wagner Teixeira (WAGNER) e Sr. Ralph Marquetti Teixeira (RALPH), conforme fls. 27/28. Ambos foram intimados em 03/8/2016 (fls. 7.250/7.251). A Recorrente (TEIXEIRA), alegou em sua impugnação de fls. 7.211 e ss., resumidamente, que: 1. Decadência. O auto de infração foi lavrado em 4/7/2016 (data da intimação do interessado). Decaíram as competências anteriores a 4/7/2011, conforme artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN); 2. As declarações de importação (DI) autuadas foram fiscalizadas pela RFB no despacho aduaneiro. O desembaraço em canal verde comprova que não houve interposição fraudulenta. Se houvesse irregularidade, seriam aplicados os canais vermelho ou cinza; 3. É inadmissível a reanálise das importações. O auto de infração é nulo; 4. A fiscalização enquadrou erroneamente a tipificação no campo “enquadramento legal” do auto de infração. A redação dada ao § 3º do artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, vigente desde 2010, não é dada pela Lei nº 10.637/2002, mas pela Lei nº 12.350/2010; 5. A administração pública se subsume ao princípio da legalidade. Faz citações. Foram violados os artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. Deve o auto de infração ser instruído com todas as provas indispensáveis à comprovação do ilícito; 6. A fiscalização aplicou multa com base exclusivamente em presunções; Toda comercialização efetuada pela impugnante foi comprovada com documentação entregue ao Fisco e laudo contábil (fls. 5.137/6.985); 7. Bastava à fiscalização analisar a documentação acostada para concluir que os produtos mencionados nas DI foram regularmente comercializados. Fato constatável pela comparação entre os dados da DI e das notas fiscais de entrada e saída (fl. 7.227); 8. Laudo apresentado pela impugnante atesta sua capacidade econômica e financeira, mas foi desconsiderado pela Fiscalização; 9. As mercadorias importadas foram comercializadas, conforme notas fiscais. Toda negociação foi lícita, porque houve desembaraço aduaneiro, com análise dos responsáveis fiscais. Não houve interposição fraudulenta. 10. Requer o cancelamento do auto de infração e a produção de provas. Fl. 7545DF CARF MF 4 A impugnação de RALPH consta de fls. 7257 e ss. A de WAGNER foi juntada em fls. 7317 e ss. Os autuados alegam que: 1. Nulidade por falta de enquadramento legal da responsabilidade solidária; 2. Não há menção na conclusão do Auto de Infração à solidariedade dos impugnantes pelo crédito tributário; 3. Não há no enquadramento legal do Auto de Infração a tipificação que daria ensejo à responsabilidade solidária dos sócios; 4. Os Termos de Ciência e de Sujeição Passiva são nulos, devendo ser julgados improcedentes e afastada a responsabilidade solidária dos impugnantes; 5. Os impugnantes eram sócios da empresa autuada, conforme contrato social. Porém, é necessário que sejam praticados atos taxados e disciplinados no artigo 135 do CTN. A simples condição de sócio não caracteriza a responsabilidade solidária. Necessário agir com excesso de poderes ou infringir a legislação. Os sócios agiram com perícia e cautela; 6. O artigo 134 do CTN dispõe que a responsabilidade do sócio somente ocorre nos casos de liquidação de sociedade de pessoas, o que não é o caso dos autos. que os impugnantes não são responsáveis solidários. Faz citações. Ao final, requer a exclusão de RALPH e WAGNER do polo passivo. No entanto, por meio do Acórdão nº 1676.441, de 8 de março de 2017, a 22ª Turma da DRJ São Paulo (SP), julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa (fl. 7.377): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2011, 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta enseja a penalidade prevista no artigo 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei 1.455/1976. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Infração dolosa à legislação aduaneira (interposição fraudulenta). Sócios da empresa importadora autuada possuem interesse comum e agiram em “infração de lei”. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente (TEIXEIRA) foi cientificada da decisão que negou provimento à sua Impugnação em 25/3/2017 (via Edital, fl. 7.409) e, em 26/4/2017 (fl. 7.483), apresentou Recurso Voluntário tempestivo e com representação válida (fls. 7.484/7.518). Já os responsáveis solidários indicados nos autos (sócios administradores Sr. Wagner Teixeira (WAGNER) e Sr. Ralph Marquetti Teixeira (RALPH), foram cientificados da decisão que também negou provimento às suas respectivas impugnações em 17/03/2017 e, em Fl. 7546DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.545 5 17/04/2017, individualmente, apresentaram Recurso Voluntário tempestivo e com representação válida (fls. 7.414/7.480). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões da Impugnação, acrescentando que: b) Preliminarmente b.1) argumenta a ilegalidade da intimação por Edital: à fl. 7.409 consta que a Fiscalização fixou o edital de intimação do acórdão em debate na data de 10/03/2017, desafixando em 27/03/2017, termo inicial para a contagem do prazo recursal. A Fazenda entendeu que pelo fato da recorrente ter seu CNPJ declarado Inapto, lhe dá o direito de realizar a intimação por Edital. Todavia, a conduta da Fiscalização é totalmente arbitrária e não condiz com a boafé dos atos administrativos; b.2) argumento não enfrentado pela DRJ alega nulidade do acórdão n° 16 76.441 pela ausência dos requisitos da fundamentação/motivação: restou clara e evidente a nulidade do acórdão n° 1676.441 por expressa ausência de fundamentação e motivação, eis que deixou de apreciar e analisar argumentos relevantes suscitados pela recorrente, qual seja, a "nulidade pela falta de enquadramento legal correto" (citado e fundamentado no item c.2 de sua impugnação administrativa), a "inobservância aos artigos 9° e 10 do Decreto n° 70.235/72" (citado e fundamentado no item c.3 do inconformismo administrativo) e "da lícita comercialização das mercadorias" (citado e fundamentado no item c.4 da peça impugnatória); b.3) DA DECADÊNCIA: a DRJ entendeu não ter ocorrido a decadência porquanto não se aplica a regra do §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional (marco inicial do prazo decadencial fato gerador), mas, sim, a exceção do referido dispositivo, que determina que nos casos de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação deve ser aplicado o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional (marco inicial do prazo decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador); c) MÉRITO: c.1) Da não ocorrência da Interposição Fraudulenta: não há que se falar em interposição fraudulenta, eis que, além de todas as DI's já terem sido inspecionadas à época da fiscalização, lhe sendo aplicado o canal verde, não há prova nos autos de que houve fraude na importação, mas sim apenas presunções e indícios da fiscalização; c.2) da nulidade pela falta de enquadramento legal correto: a Fiscalização enquadrou erroneamente a tipificação no enquadramento legal do auto de infração, porquanto a redação dada ao §3º do artigo 23 do Decreto lei n° 1.455/76, vigente desde de 2010, não é a aquela dada pela Lei n° 10.637/02, mas, sim, a imposta pela Lei n° 12.350/10, eis que se trata de fatos geradores compreendidos entre 01/01/2011 a 31/12/2012; Portanto, o enquadramento legal aplicado no auto de infração é incorreto, eis que constante em legislação revogada, em total desrespeito ao artigo 144 do CTN; c.3) da inobservância aos artigos 9° e 10 do decreto n° 70.235/72: não há prova de qualquer ilícito cometido pela recorrente, exigência obrigatória disposta nos artigos 90 e 10 do Decreto n° 70.235/72; e por fim, porque a recorrente demonstrou pontualmente a regularidade de cada uma das operações tidas como suspeitas pelo auditor Fl. 7547DF CARF MF 6 fiscal, inclusive com laudo técnico contábil que demonstra a lisura nas suas importações e comercializações. c.4) da lícita comercialização das mercadorias. No que se refere aos responsáveis solidários indicados nos autos (sócios administradores Sr. Wagner Teixeira (WAGNER) e Sr. Ralph Marquetti Teixeira (RALPH), apresentaram as seguintes razões: a) Preliminarmente: a.1) seja determinada a baixa do feito, com nova intimação do Recorrente do resultado do acórdão aqui em debate, lhe sendo concedida imediata vista do feito com o fito de obter todo o prazo recursal de 30 (trinta) dias estabelecidos no artigo 33 do DecretoLei n° 70.235/72; a.2) seja declarado nulo o acórdão n° 1676.441 proferido pela DRJ/SPO, tendo em vista que o Órgão Julgador a quo deixou de enfrentar todos os argumentos deduzidos no feito pelo contribuinte, o que acarreta na falta de fundamentação e motivação do acórdão recorrido, impossibilitando o contribuinte de conhecer quais foram as razões pelas quais seus argumentos não foram acolhidos, determinando, assim, o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que ela se manifeste acerca de todos os pontos/argumentos suscitados pelo recorrente; ou b) no mérito, caso superada as preliminares supracitadas, seja excluído o Sr. Wagner Teixeira do polo passivo do procedimento fiscal n° 19515.722956/201317 (MPF 08190002012048983), eis que: b.1) não há menção na conclusão do relatório fiscal do referido processo administrativo a responsabilização solidária, tampouco consta no enquadramento legal a tipificação legal para que o recorrente seja responsabilizado solidariamente; e b.2) inexiste prova de que o Recorrente agiu com excesso de poderes ou infringiu qualquer dispositivo legal, requisitos obrigatórios dispostos no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Por fim, todos, requer que as intimações sejam efetivadas exclusivamente em nome do Dr. Márcio S. Pollet (OAB/SP 156.299, Dr. Felipe Ricetti Marques (OAB/SP 200.760B) e Dr. Maurício da Costa Castagna (OAB/SP 325.751), sob pena de nulidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos Recursos Os recursos voluntários interpostos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nos Recursos Voluntários (da TEIXIERA e dos sócios, Sr. WAGNER e Sr. RALPH), foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a Fl. 7548DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.546 7 uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. 2. Preliminares A Recorrente alegou ilegalidade da Intimação por Edital. Afirma que " (...) à fl. 7.409 consta que a Fiscalização fixou o edital de intimação do acórdão em debate na data de 10 de março de 2017, desafixando em 27 de março de 2017, termo inicial para a contagem do prazo recursal. A Fazenda entendeu que pelo fato da recorrente ter seu CNPJ declarado inapto, lhe dá o direito de realizar a intimação por edital. Todavia, a conduta da Fiscalização é totalmente arbitrária e não condiz com a boafé dos atos administrativos". Reclama ainda a Recorrente que a intimação por Edital é medida excepcionalíssima, porquanto o próprio §1° do artigo 23 do DecretoLei n° 70.235/72 é claro ao afirmar que somente quando improfícuo um dos meios previstos no caput (intimação pessoal, por via postal e/ou por meio eletrônico) que se dará a intimação por edital. No entanto, entendo que tal medida adotada pelo Fisco encontrase correta e se deu com base legal, conforme disposto no §1° do artigo 23 do DecretoLei n° 70.235/72, que assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 10. Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:" (Grifei). Verificase que o Fisco, destaca em seu Relatório Fiscal que, "(...) Ao sujeito passivo que não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações de importação, é cabível, ainda, a Declaração de Inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), segundo o estabelecido no § 1º, do art. 81, da Lei nº 9.430/1996. Dessarte, realizouse Representação para inaptidão do número do CNPJ da TEIXEIRA através de PAF específico, de nº 10314.721.263/201641". A própria Recorrente em seu Recurso também admite a sua situação cadastral de inaptidão declarada. Vejase: "(...) Mais que isso! Naquele feito a Fiscal também não intimou a recorrente da decisão, lançando a "intimação" por edital sem oportunizar à empresa o seu direito de defesa (devido processo legal), levando à declaração de inaptidão do seu CNPJ". (Grifei) Portanto, como pode ser visto, por força do dispositivo acima citado (§1° do artigo 23 do DecretoLei n° 70.235/72), a RFB entendeu que pelo fato da Recorrente ter seu Fl. 7549DF CARF MF 8 CNPJ declarado inapto, lhe deu o direito (base legal) de realizar a intimação por Edital, conforme consta de fls. 7.409/7.411. Quanto ao argumento de que, "(...) por qual razão os sócios foram intimados via postal (regra do procedimento administrativo fiscal doc. 03) e a empresa Recorrente sujeito passivo principal da relação não foi?". A resposta a essa pergunta é que, foi exatamente pela efetivação ou conclusão do processo da Declaração de Inaptidão do CNPJ da Recorrente (TEIXEIRA), enquanto que seus sócios administradores, conforme define a legislação (art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72), foram intimados por ARCorreios, em seus endereços cadastrais conforme declarados à RFB (doc. fls. 7.407 e 7.408). Vejase: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifei) Quanto o argumento dos sócios, para que seja determinada a baixa do feito, com nova intimação do resultado do acórdão aqui em debate, lhe sendo concedida imediata vista do feito com o fito de obter todo o prazo recursal de 30 (trinta) dias estabelecidos no artigo 33 do DecretoLei n° 70.235/72, não vislumbro tal necessidade. Explico. Os responsáveis solidários indicados nos autos (sócios administradores Sr. Wagner Teixeira (WAGNER) e Sr. Ralph Marquetti Teixeira (RALPH), foram cientificados da decisão que também negou provimento às suas respectivas impugnações em 17/03/2017 (fls. 7.407/7.408) e, em 17/04/2017, e apresentaram Recurso Voluntário tempestivo e com representação válida (fls. 7.414/7.480), rebatendo todas as posições adotadas no Acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas e bem interpretadas pelos Recorrentes em seus recursos. E o prazo de 30 dias, encontrase definido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Grifei) Portanto, não se vislumbra no caso qualquer ilegalidade nas intimações e nos prazos adotados pelo Fisco. Quanto ao argumento da TEIXEIRA, que restou clara e evidente a nulidade do acórdão n° 1676.441 por expressa ausência de fundamentação e motivação, eis que deixou de apreciar e analisar argumentos relevantes suscitados pela recorrente, qual seja, a "nulidade pela falta de enquadramento legal correto" (citado e fundamentado no item c.2 de sua impugnação administrativa), a "inobservância aos artigos 9° e 10 do Decreto n° 70.235/72" (citado e fundamentado no item c.3 do inconformismo administrativo) e "da lícita comercialização das mercadorias" (citado e fundamentado no item c.4 da peça impugnatória), também entendo que não assiste razão à Recorrente. Como é cediço, o ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Fl. 7550DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.547 9 Quanto à alegação da ausência de análise de quaetões de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. No caso sob exame, o auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou seu Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou de motivação no julgamento da primeira instância. Todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal e seu julgamento na primeira instância. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Fisco não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. Fl. 7551DF CARF MF 10 Por fim, o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Para tanto, a fiscalização, além de descrever os fatos constatados, trouxe ao processo a documentação hábil a comprovar os fatos imputados à Recorrente, sendo improcedente a alegação de nulidade por violação dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 . Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade da decisão recorrida, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, são improcedentes as alegações que sustentam o pleito de declaração de nulidade do Acórdão combatido. 3. Da DECADÊNCIA Aduz a Recorrente que o Auto de Infração foi lavrado em 04/07/2016 (data da intimação). Que, portanto, decaíram as competências anteriores a 04/07/2011, conforme artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Que as declarações de importação (DI) autuadas foram fiscalizadas pela RFB no despacho aduaneiro. O desembaraço em canal verde comprova que não houve interposição fraudulenta. Se houvesse irregularidade, seriam aplicados os canais vermelho ou cinza. E continua asseverando em seu recurso que, (...) "E o fato gerador da cobrança em discussão ocorre na data de registro da Declaração de Impostação no sistema SISCOMEX, conforme, inclusive, afirmado pela própria Fiscalização à fl. 28. Com efeito, tendo em vista que lançamento deste auto de infração somente ocorreu em 04 de julho de 2016, com a regular intimação da recorrente (fls. 7241/7242), TODAS AS COMPETÊNCIAS ANTERIORES A 04 DE JULHO DE 2011 ESTÃO DECAÍDAS, posto que ultrapassado o prazo decadencial quinquenal estabelecido no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional". Por outro lado, a DRJ entendeu não ter ocorrido a decadência porquanto não se aplica a regra do §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional (marco inicial do prazo decadencial fato gerador), mas, sim, a exceção do referido dispositivo, que determina que nos casos de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação deve ser aplicado o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional (marco inicial do prazo decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador). Com relação a discussão travada entre a instância de piso e a Recorrente, tenho que extrapola o necessário para o julgamento do presente processo. Entendo que, no presente caso, basta aplicar o expressamente disposto no artigo 139 do DecretoLei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 7552DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.548 11 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” (Grifei) Não se pode ler algo diferente do que o próprio artigo 139 acima cristalinamente estabelece no seu texto. E é neste sentido, que vem sendo decidido no âmbito deste CARF, como no Acórdão nº 3403002.865, de 26/03/2014, de Relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, com acolhida unânime, inclusive no caso, que também se refere à interposição fraudulenta: “PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei nº 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto Lei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” Por entender bem específica a norma estabelecida no artigo 139 do Decreto Lei nº 37/1966, aplico tal mandamento ao caso concreto, uma vez que o prazo decadencial em matéria aduaneira é dado por este artigo, sobretudo pro expressar literalmente em seu texto, (...) o direito de impor penalidade...". Portanto, no caso sob análise, as Declarações de Importação (DIs) autuadas, foram registradas em 2011 e 2012. Assim, em face da intimação do Auto de Infração ter ocorrido em 04/07/2016 (fl. 7.252), tornase imperioso reconhecer a decadência das Declarações de Importações autuadas registradas até o dia 03/07/2011, inclusive. 44.. MMÉÉRRIITTOO Primeiramente, cabe destacar que, conforme informado pela fiscalização, ao longo do período fiscalizado, a TEIXEIRA importou mercadorias, basicamente, papel com imunidade tributária, compreendido nas posições 48.02 e 48.10 da NCM. Fl. 7553DF CARF MF 12 Ressaltase ainda que, o fato de as declarações de importação (DI) autuadas terem sido objeto de desembaraço aduaneiro em canal verde não impede sua revisão a posteriori. O canal de conferência aduaneira disciplina as verificações que devem ser realizadas pelo Fisco no curso do despacho aduaneiro, conforme Instrução Normativa SRF nº 680/2006, artigo 21 (vigente a época dos fatos). Já o art. 638 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), prevê a possibilidade de revisão das declarações aduaneiras: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). (Grifei). Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização. A Recorrente afirma que não há que se falar em interposição fraudulenta, eis que, além de todas as DI's já terem sido inspecionadas à época da fiscalização, lhe sendo aplicado o canal verde, não há prova nos autos de que houve fraude na importação, mas sim apenas presunções e indícios da fiscalização. Nega a interposição fraudulenta, por entender que os documentos apresentados comprovam a origem dos recursos utilizados nas operações e que não procede a exigência do acórdão recorrido, no sentido de que a comercialização das mercadorias importadas foi comprovada mediante "laudo contábil" anexado aos autos às fls. 5.137/6.985. Afirma que o citado “laudo contábil” atesta sua capacidade econômica e financeira. Por outro lado, verificase no Relatório da Fiscalização e acatado pelo Acórdão recorrido, que no caso sob exame, ocorreu a imputação pelo Fisco, de interposição fraudulenta presumida. Vejase trecho destacado da decisão de piso (fl. 7.397): "(...) Rejeitase, portanto, a alegação de falta de provas. Foi corretamente aplicada a presunção legal em face da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos, conforme DL 1.455/1976, artigo 23: “§ 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” Acolho a imputação de interposição fraudulenta e a multa lançada". Desse modo, quanto ao mérito, resta analisar se foi elidida a presunção relativa de interposição fraudulenta, estabelecida no art. 23, V, § 2º, do DecretoLei nº 1.455/76, in verbis: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I a IV (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 7554DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.549 13 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o e 4º (...). Aduz a Recorrente também, a nulidade pela falta de enquadramento legal correto, uma vez que a Fiscalização enquadrou erroneamente a tipificação no enquadramento legal do Auto de Infração, porquanto a redação dada ao §3º do artigo 23 do Decreto lei n° 1.455/76, vigente desde de 2010, não é a aquela dada pela Lei n° 10.637/02, mas, sim, a imposta pela Lei n° 12.350/10, eis que se trata de fatos geradores compreendidos entre 01/01/2011 a 31/12/2012. Portanto, o enquadramento legal aplicado no Auto está incorreto, eis que constante em legislação revogada, em total desrespeito ao artigo 144 do CTN. Neste ponto tratase de alegação da Recorrente de que a fiscalização enquadrou incorretamente a infração. Teria sido citado o artigo 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, não vigente à época dos fatos. De fato, houve citação nesse sentido no campo “enquadramento legal” de fl. 5 do Auto de Infração. Entretanto, o auto de infração também é composto pelo Relatório Fiscal de fls. 8/30 (anexo de continuação ao Auto de Infração), em que a “descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)” apresenta a redação do §3º dada pela Lei nº 12.350/2010, conforme pode ser verificado à fl. 26 do Relatório Fiscal. Portanto, o enquadramento legal aplicado no auto de infração encontrase correto, conforme dispõe o artigo 144 do CTN. Inexistente, portanto, o alegado prejuízo ao direito de defesa dos autuados. Retornando as provas, insiste a Recorrente que não há prova nos autos de que houve fraude na importação, mas sim apenas presunções e indícios alegados pela fiscalização. Por outro giro, relata o Fisco que a TEIXEIRA não apresentou resposta integral aos Termos de Intimação lavrados no curso do procedimento fiscal (fls. 16/17). Afirma que foram “entregues diversos documentos não requeridos, sendo que, vários deles, foram apresentados mais de uma vez. Além disso, estes foram entregues de forma desorganizada com o claro intuito de dificultar a identificação do cumprimento da Intimação pela fiscalização”. A fiscalização relata que vários itens da Intimação não foram atendidos/apresentados pelo interessado, principalmente os Livros Contábeis e Fiscais, tais como: o Balanço Patrimonial da empresa devidamente registrados na JUCESP, do ano de 2012, assinado pelo contador e sócioadministrador da empresa; o Balancete de Verificação levantado no último dia do mês anterior à data de atendimento da intimação; o Demonstrativo de resultado relativo ao exercício de 2012 assinado pelo contador e sócioadministrador da empresa; os seguintes livros, referentes aos exercícios de 2011 e 2012: caixa; registro de Entradas (modelo 01); registro de Saídas (modelo 02); registro de Apuração do IPI (modelo 08); registro de Inventário (modelo 07); a totalidade dos contratos de câmbio e faturas comercias relativos às importações realizadas nos anos de 2011 e 2012; a totalidade dos extratos de todas as contas correntes e poupança da empresa, relativos aos anos de 2011 e 2012. Fl. 7555DF CARF MF 14 Pois bem. A exigência de que o contribuinte mantenha sua contabilidade (registros contábeis) organizada encontrase no art. 9º, § 1º, do Decretolei nº 1.598/76, in verbis: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. O referido dispositivo estabelece que o fisco tem o poder de verificar a apuração do resultado do contribuinte e que para se desincumbir desse mister pode verificar a escrituração e os documentos pertinentes ao giro do negócio. Além de conferir ao fisco essa faculdade, o dispositivo legal estabelece uma proteção para o contribuinte, em face do fisco, uma vez que os §§ 1º e 2º criaram uma presunção de legitimidade e de veracidade dos fatos registrados na escrita contábil, caso a escrituração seja mantida em conformidade com a legislação vigente, bem como que esteja acompanhada dos documentos fiscais e demais documentos correlatos, que derem lastro aos lançamentos. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais (§ 2º). E, de outro lado cabe ao contribuinte por força do § 1º, nos casos de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Diante da análise do art. 9º do DecretoLei nº 1.598/76, constatase que, ao contrário do alegado pela defesa, a apresentação dos livros e demais documentos não é apenas uma obrigação formal, mas sim uma obrigação legal do empresário a qual se constitui em meio de prova de fatos relacionados ao giro do seu negócio. Um dos objetivos do procedimento instaurado com base na IN 228/2002 foi a comprovação não só da disponibilidade e da transferência, mas também da origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, ou seja, quem depositou os recursos na contacorrente do contribuinte. Portanto, na visão deste relator, a situação da Recorrente permanece inalterada: não apresentou prova da origem, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, fato que rende ensejo à aplicação da presunção legal de interposição fraudulenta, a teor do art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002, o que legitima a aplicação da pena de perdimento em relação a todas as declarações de importação registradas, ou a sua conversão Fl. 7556DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.550 15 em multa, no caso da não localização das mercadorias importadas, como ocorreu no caso concreto. E mais. Observa a fiscalização em seu Relatório, que em resposta ao seguinte item da Intimação: "Informação do modo de contabilizar as operações de importação, com descrição do passo a passo da respectiva contabilização, desde o primeiro fato registrado (por exemplo, desde o embarque das mercadorias) até a venda e o recebimento correspondente, em sequência cronológica, abrangendo todas as possibilidades", relata que "(...) em seu lugar, a TEIXEIRA descreveu o modus operandi de suas operações de importação, o que não atende ao requerido. Inclusive, a TEIXEIRA afirma que outra empresa, a "Epapeis", que efetuava o contato com o exportador estrangeiro é que recebia as faturas comerciais das mercadorias importadas, que posteriormente eram repassadas à TEIXEIRA". Com a declaração acima, a fiscalização reforçou a conclusão que tal fato indicava que a TEIXEIRA não era a verdadeira importadora das mercadorias, tendo em vista os conceitos das modalidades de importação disposto no capítulo 2 do Relatório Fiscal (modalidades de Importação). No contexto do comércio internacional, uma interposição é considerada fraudulenta, quando uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser a responsável por uma operação que não realizou, interpondose entre uma parte (o Fisco) e outra (o real beneficiário responsável pela operação de comércio exterior), para ocultar o sujeito passivo. Isto é, simula se um fato jurídico com vistas a ocultar o verdadeiro responsável pelas operações de importação. Assim, com vistas a coibir essa prática irregular, houve alterações na legislação. Entre essas medidas, destacamse, as alterações ao art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e ao art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela Medida Provisória (MP) nº 66, de 2002, nos termos abaixo: "Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. Fl. 7557DF CARF MF 16 Como se vê, a partir da edição da MP nº 66/2002 supracitada, a interposição fraudulenta no comércio exterior passou a ser classificada de duas maneiras: (i) Interposição fraudulenta comprovada: quando se identifica o real responsável pela operação de importação (real adquirente), nos termos do inciso V, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, isto é, identificase o sujeito passivo que estava oculto; ou (ii) Interposição fraudulenta presumida tipificada: quando os responsáveis pela operação de importação (importador e/ou adquirente declarado na DI) não comprovam a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos aplicados em suas operações de comércio exterior. Nessa hipótese, não se identifica quem é, de fato, o promotor da importação, que permanece oculto, nos termos § 2º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976. Pois bem. Consta dos autos que a TEIXEIRA estava habilitada a operar no comércio exterior desde 13/09/2007. Realizou sua primeira importação em 17/10/2007 e, desde então, atuou sempre como importador direto. No entanto, a partir de 25/07/2015, a TEIXEIRA teve a sua habilitação suspensa devido a inatividade da empresa no comércio exterior no prazo de dezoito meses ininterruptos, de acordo com o imposto pelo inciso II, art. 22, da IN RFB nº 650, de 2006. Sua última importação ocorreu em julho de 2012. No Relatório de Fiscalização restou consignado no demonstrativo de fl. 20, os valores de suas importações, seus dispêndios, a receita bruta e a movimentação financeira que a TEIXEIRA apresentou, durante o período de 01/01/2011 a 31/12/2012. Destaca também, na relação de fl. 21, os seus principais clientes durante o período fiscalizado. O Fisco salienta em suas conclusões que, após verificações realizadas, nenhum dos principais clientes da empresa (elencados à fl. 21) possuía capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias de TEIXEIRA. Que nenhuma das empresas operava à época da autuação e não emitiam notas fiscais de saída (fl. 22). Informa que em 2011, a RFB realizou diligências nos “seguintes clientes do sujeito passivo (clientes da TEIXEIRA): JWF Graf e Editora Ltda., Arrieth Editora Com. de Livros Ltda. e Editora Fiuza Ltda. Essas diligências apontaram que essas empresas não operavam de fato, pois não dispunham de qualquer estrutura organizacional” (fl. 22). Relata que autuações realizadas pela RFB identificaram esquema fraudulento na importação de papéis importados (fls. 22/23): “(…) empresas importadoras que possuíam registro especial para importar papel imune adquiriam do mercado externo papéis sem o pagamento de impostos e os revendiam para empresas que não davam, a este papel, a finalidade constitucional exigida para a manutenção da imunidade". Para ocultar a fraude, as empresas importadoras simulavam a venda do papel importado a empresas que possuíam registro especial. Eram empresas "de fachada", criadas especificamente com o propósito de ocultar os reais adquirentes do papel. A simulação era feita através da emissão de notas fiscais de saída da importadora para essas empresas "de fechada", mas sem a efetiva transferência da mercadoria a essas empresas. As mercadorias eram enviadas, entretanto, para empresas clientes que não davam ao papel o destino abrangido pela imunidade tributária prevista pela Constituição Federal. Para viabilizar o esquema, as empresas clientes recebiam o papel com nota fiscal de venda emitida por uma outra empresa também "de fachada". Fl. 7558DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.551 17 Conclui a fiscalização que "apesar da 'aparente' capacidade econômica de TEIXEIRA, esta “simulava suas operações comerciais com a intenção de ocultar o real comprador de suas mercadorias” (fl. 24). “Temse, portanto, que a TEIXEIRA não comprovou a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos aplicados em suas operações de comércio exterior. Por conseguinte, foi presumida a ocorrência de interposição fraudulenta no comércio exterior, nos termos do parágrafo 2º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455 de 07 de abril de 1976 (incluído pela Lei nº 10.637/02).” Por outro lado, a Recorrente alega que sua comercialização foi comprovada mediante laudo contábil (fls. 5.137/6.985). Afirma que o citado “laudo técnico contábil” atesta sua capacidade econômica e financeira. Preliminarmente, há que se destacar que no item 3.02 do respectivo “laudo”, o perito inicialmente deixa claro suas responsabilidades. Vejase (fl. 5.146): “3.02) Outrossim, são inassumíveis, responsabilidades sobre documentos controversos, se suscitados e, sobre matéria jurídica, excluídas nestas, as implícitas para o exercício das funções profissionais na elaboração deste laudo técnico contábil, precisamente estabelecidas em leis, códigos e regulamentos próprios.” Na parte 05, em suas considerações finais, da seguinte maneira restou consignado no Laudo: "(i) Que de conformidade com a documentação apresentada pela empresa e após cotejamento minucioso das Notas Fiscais Saídas, com os lançados nos Relatórios de Cobrança, emitidos pelo Banco Bradesco, constatouse que as operações seguiram os trâmites normais de uma operação comercial; (ii) Que compulsando os documentos disponibilizados comprovase a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários ao pagamento das mercadorias em análise; (iii) Os documentos apresentados pela empresa TEIXEIRA IMP. EXP. DE PAPEIS LTDA., comprovam a origem dos pagamentos efetuados na conta corrente 67776 do Banco Bradesco, nos anos de 2011 e 2012. (iv) As Notas fiscais de Entradas e Saídas do período de janeiro/2011 a dezembro/2012, encontramse devidamente lançadas nos respectivos livros fiscais.” Pela análise do perito, contratado pelo interessado, teria sido comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários ao pagamento das mercadorias. Inclusive consta do “laudo” planilhas demonstrativas de créditos recebidos e origem dos recursos (fls. 5.151 e ss.). No entanto, as conclusões do “laudo técnico contábil”, foram consideradas ineptas para afastar os pontos ressaltados pela fiscalização, uma vez que restou comprovado que nenhum dos principais clientes da empresa (elencados à fl. 21), como já dito, possuía capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias da TEIXEIRA. Nenhuma das empresas operava à época da autuação e não emitiam notas fiscais de saída (fl. 22). Em que pese a aparente capacidade econômica e financeira da TEIXEIRA, as informações coletadas pelo Fisco e descritas no Relatório Fiscal (fls. 8/30), indicam que a Fl. 7559DF CARF MF 18 TEIXEIRA simulava suas operações comerciais com a intenção de ocultar o real comprador de suas mercadorias. Dessa forma, instituiuse procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos termos da IN SRF n° 228, de 2002. Intimada e passados mais de 60 dias contados da ciência da Intimação não houve atendimento integral por parte da Recorrente, mesmo após sucessivas Intimações reiterando a necessidade de apresentação dos mesmos documentos exigidos no Termo nº 39/2015. Destacase, novamente, que a TEIXERA alega que procedeu à entrega dos itens requeridos, quando na realidade não a fez. Ressaltase, ainda, que a TEIXEIRA procedeu à alteração do seu endereço após o início da fiscalização, estabelecendo como este o mesmo endereço residencial do sócio, o que impediu a execução de diligência e coleta de dados adicionais pela fiscalização. Verificase nos autos que, como a Recorrente não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações de importação, foi cabível, ainda, a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), segundo o estabelecido no § 1º, do art. 81, da Lei nº 9.430/19963. Dessarte, realizouse representação para inaptidão do número do CNPJ da TEIXEIRA através de PAF específico, de número 10314.721.263/201641. Desta forma, o “laudo” produzido para a Recorrente não possui força para afastar a autuação. Concluise que os recursos foram oriundos de “esquema fraudulento” e “empresas de fachada”, o que corrobora com o demonstrado no Relatório Fiscal (fls. 8/30). 5. Da penalidade aplicada Há que ser observado que a caracterização da importação (por conta e ordem de terceiro ou por encomenda), não decorre apenas da obediência por parte do importador e do terceiro aos requisitos das Instruções Normativas SRF nº 225/2002 e 634/2006, que pode ser definida como caracterização formal, mas também da realidade material, qual seja, da presença de simulação, em que o importador declara ser também o real comprador ou responsável pela operação (adquirente), sem observância das normas estampadas nas Instruções Normativas 225/2002 ou 634/2006. No caso de a importação ser materialmente destinada a terceiro, fato ocultado à fiscalização aduaneira, mediante a prestação de informação falsa na declaração de importação (DI), configurase a infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, com base no DecretoLei nº 1.455/1976, artigo 23, inciso V: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º (...). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota Fl. 7560DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.552 19 fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” (grifei). No caso de a mercadoria importada, passível de ser objeto da pena de perdimento prevista no Decretolei nº 1.455/1976, houver sido consumida ou revendida ou não for localizada, a pena de perdimento aplicável convertese em pena de multa. Noutras palavras, a pena aplicável em abstrato para as infrações capituladas no artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, deixa de ser o perdimento e passa a ser a multa. No caso, uma vez que essas não foram localizadas, uma vez que foram comercializadas pela TEIXEIRA (conforme informação prestada pela própria Recorrente), o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. O valor total correspondente a essa multa no valor de R$ 7.444.314,00, conforme verificase na tabela constante dos anexos XII e XIII, do Relatório Fiscal. 6. Da Responsabilidade dos Sócios Administradores Conforme pode ser verificado no item 4.2.1 do Relatório Fiscal, durante todo o período fiscalizado, haviam dois sócios administradores: o Sr. Wagner Teixeira, CPF nº 281.828.63104, e o Sr. Ralph Marquetti Teixeira, CPF 334.102.10865. Em seus recursos, ambos solidários, RALPH e WAGNER, admitem que eram sócios, na época dos fatos, da empresa TEIXEIRA. Entretanto, questionam a responsabilidade solidária. No entanto, o Fisco verificou no Relatório Fiscal (item 6 fls. 20/28) que, no Contrato de Locação entregue em resposta ao Termo de Intimação nº 178/2016, constam as assinaturas desses dois sócios administradores. Isto posto, conforme alterações efetuadas no Contrato Social (evolução fls. 19/20), restou claro que ambos os sócios supracitados são responsáveis pelas operações da empresa, sendo estes responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído pelo presente Auto de Infração, nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN (que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e também o art. 128 do mesmo diploma legal, dispondo sobre responsabilidade, e do art. 135, inciso III, do CTN. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” (Grifei). Isto posto, resta claro que ambos os sócios supracitados são responsáveis pelas operações da TEIXEIRA, sendo estes responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído pelo presente Auto de Infração, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN.” Constatase no Relatório Fiscal, bem como nos presentes relatório e voto, que houve infração dolosa à legislação aduaneira (interposição fraudulenta). Concluise que os Fl. 7561DF CARF MF 20 sócios da empresa importadora autuada possuem interesse comum e agiram em “infração de lei”, de sorte que se acolhe a imputação de responsabilidade solidária. 7. Das intimações Deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 8. Dispositivo Com esses fundamentos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do período autuado até 03/07/2011, inclusive. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 7562DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.553 21 Voto Vencedor Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Com a devida vênia ao ilustre Relator do caso, ousei dele divergir para dar provimento ao recurso voluntário em maior extensão e, com isso, excluir a responsabilidade tributária indevidamente atribuída às pessoas físicas de Wagner Teixeira e Ralph Marquetti Teixeira. As razões para tanto seguem abaixo desenvolvidas. I. Da responsabilização aduaneira e seu regime jurídico próprio 2. Insta registrar que a presente autuação referese à uma exigência aduaneira e não tributária, haja vista que a sanção aqui imposta é, exclusivamente, a aplicação de multa decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadoria importada mediante interposição fraudulenta. Nesse sentido, a exigência aqui tratada apresenta um regime jurídico próprio, i.e., aduaneiro, e não tributário, o que decorre de pressupostos jurídicos próprios, exatamente como tem ressaltado a nossa melhor doutrina: (...). Notese que os pressupostos jurídicos e ontológicos do exercício da competência administrativa aduaneira definem um regime jurídico completamente diferente do regime jurídico tributário. Enquanto na aduaneira o estado busca a proteção do mercado nacional, proteção das fronteiras com o controle do fluxo das transações comerciais internacionais, e a administração das zonas aduaneiras, na tributária, busca a arrecadação de tributos, suprir o erário de recursos decorrentes das relações jurídicas de direito privado de cunho econômico e hipoteticamente previstas nas normas jurídicas tributárias1. 3. Logo, em se tratando de responsabilidade para fins de exigência da sanção aqui tratada, o fundamento legal a ser invocado é aquele próprio do regime aduaneiro, i.e., o art. 95, inciso I do Decretolei n. 37/662. 4. Acontece que, ao se analisar o tópico do termo de verificação fiscal que versa acerca da responsabilidade tributária é possível observar que o fiscal fundamenta tal responsabilidade nos seguintes termos: (...). O inciso I, do art. 124, do CTN afirma que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação 1 DOMINGO, Luiz Roberto. "Direito aduaneiro e direito tributário regimes jurídicos distintos." "In": "Tributação aduaneira à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". DOMINGO, Luiz Roberto. PEIXOTO, Marcelo Magalhães. SARTORI, Angela (coordenadores). São Paulo: MP Editora, 2013. p. 193. 2 " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)." Fl. 7563DF CARF MF 22 que constitua o fato gerador da obrigação principal. Já o art. 128 do mesmo diploma legal, dispondo sobre responsabilidade, assim prescreve: (...). O capítulo a que se refere o art. 128 acima é o capítulo V do CTN, que trata da responsabilidade tributária. Nele encontrase o art. 135, suporte da responsabilização solidária dos sócios, dirigentes e mandatários: (...). Conforme pode ser verificado no item 4.2.1 deste relatório fiscal, durante todo o período fiscalizado, haviam dois sócios administradores na TEIXEIRA: o Sr. Wagner Teixeira, CPF nº 281.828.63104, e o Sr. Ralph Marquetti Teixeira, CPF 334.102.10865. Ademais, no Contrato de Locação entregue a esta Fiscalização em resposta ao Termo de Intimação EQFIA III/DIFIS I nº 178/2016 constam as assinaturas desses dois sócios administradores35. Isto posto, resta claro que ambos os sócios supracitados são responsáveis pelas operações da TEIXEIRA, sendo estes responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído pelo presente Auto de Infração, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN. (...) (fl. 28). 5. Percebese, pois, que o fiscal ignora essa distinção de regimes jurídicos e trata o presente caso como se tributário fosse, convocando, por conseguinte, para fins de responsabilização, o artigos 124, inciso I do CTN. Ao assim fazer, a fiscalização incorre em notório erro de direito. 6. O erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre a norma individual e concreta com a norma geral e abstrata que lhe dá fundamento. Já o erro de fato, por seu turno, é um problema intranormativo, decorrente de um erro na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar3. 7. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina alhures transcrita, consoante bem ilustram os julgados abaixo: Ementa TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.. Fl. 7564DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.554 23 ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (grifos não constantes no original). Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. 1. "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento" (Súmula 227 do TFR). 2. A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. 3. O lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, p. 245; REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 12904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp nº 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). 4. Recurso Especial desprovido. Fl. 7565DF CARF MF 24 (Superior Tribunal de Justiça STJ; 1ª Turma; REsp 1.112.702/SP; Relator: Ministro LUIZ FUX; Data do Julgamento: 20/10/2009; Data da Publicação/Fonte: DJe 06/11/2009) (grifos não constantes no original). 8. É exatamente o caso dos autos. A fiscalização apurou um fato imputado aos recorrentes pessoas físicas, mas o qualificou juridicamente de forma indevida, o que enseja o reconhecimento quanto à injuridicidade da responsabilização em comento. 9. Não obstante, existe ainda outro fundamento jurídico autônomo a macular a presente responsabilização. II. Da ausência de motivação do ato administrativo de responsabilização aduaneira 10. Como visto ao longo do presente voto, a fiscalização entendeu que a pessoa jurídica recorrente teria, na operação de importação aqui retratada, promovido interposição fraudulenta, o que ensejou na pena de perdimento, posteriormente convertida em multa, capitulada no 23, inciso V, § 1o do Decretolei n. 1.455/76, estendendo, de forma solidária, tal sanção às pessoas físicas. 11. Dito isso, convém destacar que uma sanção deste jaez, veiculada por agente público, ganha status de ato administrativo, i.e., apresentase como manifestação de vontade do Estado, enquanto poder público, individual, concreta, pessoal, na consecução do seu fim, de criação da utilidade pública, de modo direito e imediato, para produzir efeitos de direito4. E, em se tratando de ato administrativo, deve seguir com rigor todos os vetores valorativos que orientam tal conduta, com especial ênfase à motivação, esta última garantida constitucionalmente como desdobramento da ideia de moralidade pública4 (art. 37 da CF), bem como expressamente prescrita no art. 50 da lei n. 9.784/905. 12. Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige, (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda, (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação existente entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: 4 MELLO, Oswaldo Aranha Bandeira. "Princípios gerais do direito administrativo (vol. I)". Rio de Janeiro: Forense, 1968. p. 413. 5 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito." Fl. 7566DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.555 25 Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo6. 13. Dar este tratamento à motivação dos atos administrativos, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Público precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos7. 14. Feitas tais considerações e voltando ao caso decidendo, insta destacar que os atos administrativos de responsabilização aduaneira para as pessoas físicas aqui mencionadas são os lacônicos "termos de sujeição passiva" e o já citado Termo de Verificação Fiscal no tópico em que trata da responsabilização (fl. 28). Em tais documentos, portanto, deve estar delimitado o cenário fáticojurídico que implica o ato administrativo de responsabilização aduaneira. 15. É exatamente aí que aparece mais um problema em relação à responsabilização das pessoas físicas no caso decidendo. Vejamos. 16. Como visto acima, a motivação do ato administrativo deve ser precisa, em especial para aqueles atos chamados de vinculados, ou seja, sujeitos à ideia de legalidade estrita, haja vista tudo o que fora escrito alhures e, ainda, particularmente pelo fato de o presente ato administrativo potencialmente desembocar em um processo administrativo (e possível processo judicial), o que potencializa a necessidade de motivação do ato para que o administrado possa exercer de forma plena seu direito de defesa (isso no âmbito administrativo ou, ainda, seu substancial direito de ação, já falando aqui no plano judicial). Nesse sentido, compete à Administração precisar as circunstâncias fáticojurídicas que permeiam o ato administrativo, de modo que o Administrado saiba, com precisão, contra qual acusação jurídica deve se defender. Não é isso, todavia, o que ocorre no presente caso. 17. Isso porque, ao tratar da responsabilização aqui referida, a fiscalização fundamenta tal exigência nos seguintes dispositivos: artigos 124, inciso I, 128 e 135, inciso III, todos do CTN. 18. Em suma, o pretenso ato administrativo de responsabilização se fundamenta em três tipos de responsabilidades de diferentes naturezas: a do art. 121 do CTN, que prevê uma responsabilidade solidária em razão de um interesse jurídico comum8 na 6 MELLO, Celso Antônio Bandeira. "Curso de direito administrativo". 11a. ed. São Paulo: Malheiros, 1999. p. 69. 7 FREITAS, Juarez, "O controle dos atos administrativos e os princípios fundamentais". 3a. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 263. 8 Segundo professa a doutrina,. só possuem interesse comum "as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos tem 'interesse comum' na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos" (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 476.). No mesmo diapasão é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, quando prescreve que para a incidência do art. 124, inciso I do CTN não basta o mero interesse econômico, havendo a especial necessidade de haver um interesse jurídico no fato gerador do tributo: "Ementa Fl. 7567DF CARF MF 26 prática do fato gerador do tributo; a do art. 128, que prevê uma responsabilidade pessoal e, ainda, a do art. 135, inciso III do CTN, que prevê uma responsabilidade decorrente da prática de infrações. 19. São três hipóteses de responsabilidades díspares e que, portanto, pressupõe três situações fáticas também distintas. Não pode a fiscalização, sob o pretexto de "motivar" o ato administrativo, sair a esmo "catando" dispositivos legais (até conflitantes entre si) para esse fim. Seria o mesmo que admitir um lançamento tributário com fundamento nos dispositivos situados entre os artigos 145 a 156 da Constituição Federal ou, ainda, para fins de responsabilização tributária, admitir uma atribuição de sujeição passiva com base nos artigos 121, 122, 123, 124, 125, 128, 131, 134, 135 e 136, todos do CTN. 20. A motivação dos atos administrativos, em especial daqueles atos de natureza vinculada, deve ser precisa, sob pena, inclusive, de desnaturar o caráter vinculativo do ato para tornálo discricionário ou, o que é pior, transformálo em um ato arbitrário. "Fundamentar", pois, o ato administrativo em inúmeros dispositivos legais sem que haja TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) (g.n.). "Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos." (STJ; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) (g.n.). Fl. 7568DF CARF MF Processo nº 10314.721262/201605 Acórdão n.º 3402005.287 S3C4T2 Fl. 7.556 27 circunstância fáticojurídica para isso equiparase à não motivação do ato administrativo, o que torna indevida essa responsabilização "por rajada", inapropriadamente executada em concreto pela fiscalização. 21. Não há dúvida, também, que este "tiroteio" legislativomotivacional dificulta o exercício do direito de defesa do responsabilizado sob uma perspectiva substancial (substantive due process), mitigandoo, uma vez que tal pessoa não consegue identificar, com precisão, contra quais circunstâncias fáticojurídicas deverá articular sua defesa. 22. Com base em tais fundamentos reconheço a ilegitimidade passiva de Wagner Teixeira e Ralph Marquetti. 23. É como voto. (assinatura digital) Diego Diniz Ribeiro Redator Designado. Fl. 7569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000053/2007-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreemdem como despesas de armazenagem propriamente dita.
Numero da decisão: 9303-006.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13053.000053/200731 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.718 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria PIS CONCEITO DE INSUMOS Recorrente MITA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreemdem como despesas de armazenagem propriamente dita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 53 /2 00 7- 31 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. (assinado digitalmente) Demes Brito Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3801005273, de 18/03/2015, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. O presente processo trata de pedido de ressarcimento de PIS vinculado à receita de exportação, cujo pedido foi deferido parcialmente pela Unidade de Origem. Pelo que consta dos autos, a empresa produz "cavaco de madeira" e exporta praticamente 100% de sua produção. O objeto do recurso especial é referente à possibilidade de apropriação de créditos do PIS nãocumulativo sobre as despesas citadas como fretes e armazenagem. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, conforme despacho de admissibilidade proferido às efls. 1020/1025. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, solicitando o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Mérito Como meus pares já tem conhecimento, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Com base nessa premissa, passo a análise de cada um dos itens propostos no recurso especial. Créditos sobre frete A empresa apropriava das despesas ditas como fretes no Dacon como sendo "Serviços Utilizados como Insumos". Intimado a justificar o teor daqueles serviços efetuou a seguinte explicação: O transporte do produto acabado (cavaco de madeira) do pátio da empresa (TaquariRS) até o pátio da Tergrasa (Rio GrandeRS) é feito através de barcaças contratadas junto à Navegação Aliança Ltda. O carregamento é de responsabilidade da MITA e a descarga é de responsabilidade da Tergrasa. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 6 5 A fiscalização constatou que a empresa Tergrasa presta serviços portuários de descarga, armanezamento e movimentação do produto acabado produzido pela contribuinte e que somente após a venda do produto é que a Tergrasa providencia o carregamento do navio. Este procedimento, incontroverso nos autos, demonstra que antes da venda efetiva da mercadoria produzida, a empresa contrata frete para transportála até o armazém da Tergrasa. Ou seja, o frete é utilizado para o transporte do produto acabado para seu armazenamento. O contribuinte defende um conceito ampliado do termo insumo e pretende que este frete dê direito ao crédito da nãocumulatividade do PIS, com base no inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, pois seriam procedimentos necessários ao cumprimento do seu objeto social, o qual segundo sua ótica, não se restringe à produção de cavacos de madeira, comprendendo também toda a estrutura logística necessária a viabilizar a exportação de cavacos de madeira até o Japão. Defende ainda que, caso não se entenda este frete como insumo, o seu creditamento também é permitido pelo inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Vejamos o que diz tais dispositivos legais: Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 7 6 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; Da leitura de tais dispositivos, resta claro que este frete do produto acabado não pode ser caracterizado como insumo nos termos do inc. II do art. 3º, acima trancrito. Pois lá define que dará direito ao crédito os serviços utilizados na fabricação do produto destinado a venda. Hora, se o frete é do produto já acabado em hipótese nenhuma poderia caracterizarse como insumo na acepção legal. Portanto afastase esta possibilidade de creditamento pois esse frete não tem a natureza de insumo fabril. A outra possibilidade seria deste frete atender ao dispositivo do inc. IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, acima transcrito. Só que o dispositivo legal é claro em estabelecer o crédito em relação ao frete na operação de venda. Como vimos, este frete é realizado antes da venda do produto e, portanto não se encaixa nesse dispositivo legal e não existe outro permissivo para o seu aproveitamento. Definitivamente não se trata de insumo fabril e nem de frete na operação de venda. Créditos sobre armazenagem Da mesma forma o contribuinte informava essas despesas no Dacon como "Serviços Utilizados como Insumos". Conforme apurado nos autos, a contribuinte possui um Contrato de Serviços Portuários com a empresa Tergrasa S/A o qual abrange o recebimento, descarregamento, armazenamento e carregamento das lascas de madeira nos navios. De acordo com a fiscalização a Tergrasa emite a nota fiscal de serviços pelo preço global, o qual inclui os serviços de recebimento, descarregamento, armazenagem, movimentação e expedição das mercadorias. Portanto, pela mesma razão invocada no item anterior, evidente que referidos serviços não são insumos da atividade fabril, pois nesta fase os produtos já estão prontos e acabados. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 8 7 O acórdão recorrido negou o crédito pois as despesas incorridas não referem se somente aos serviços de armazenagem e não há como individualizálo quantitativamente em relação ao montante total do serviço. Veja o seguinte trecho do acórdão recorrido: (...) Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. (...) Portanto correta a decisão recorrida que não acatou o crédito de armazenagem ante a falta de sua comprovação individualizada. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito, redator designado Em que pese a excelente tese do Ilustre Relator. Com a devida vênia, divirjo dele na questão relativa ao frete na transferência de produtos acabados. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 10 9 Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 12 11 [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 13 12 Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 14 13 ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 15 14 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 16 15 Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 17 16 maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 18 17 Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13053.000053/200731 Acórdão n.º 9303006.718 CSRFT3 Fl. 19 18 "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Com essas considerações, dou provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para acatar a possibilidade de creditamento em relação ao frete na transferência de produtos acabados. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1059DF CARF MF
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