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Numero do processo: 10980.017727/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF
Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
Numero da decisão: 1101-001.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 Error! Unknown document property name. 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.017727/200859 Recurso nº Acórdão nº 1101001.022 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2013 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente NOVAS IDEIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Manoel Mota Fonseca, substituindo a conselheira Nara Cristina Takeda Taga, ausente justificadamente. Relatório Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – que seria atividade que não poderia ser exercida pelos optantes do regime. A exclusão da empresa do SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 3º trimestre de 2004. Quanto ao processo em que se discutia a exclusão (processo n. 10980.003919/200454,), temos que a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ. Dessa decisão recorreu a interessada a este Conselho, e o processo que tratava da exclusão, foi distribuído a este relator. O Ato de Declaratório de Exclusão foi analisado por esta Turma em 13 de setembro de 2012, ocasião na qual, por maioria, foi dado provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte e revertido o acórdão da DRJ. Tendo restado vencido este relator, a conselheira Nara Cristina Takeda Taga foi designada para redigir o voto vencedor, em que aduziu que: A expressão “ou assemelhados” constante do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 constitui verdadeira cláusula geral, ou seja, uma janela aberta deixada pelo legislador para ser preenchida pelo aplicador do Direito caso a caso, e na situação em análise vêse que não se aplica a vedação do dispositivo supra mencionado. A Recorrente atua no ramo de decoração de interiores prestando serviços de decoração, por meio de projetos de balcões e estantes, bem como de arremates de gesso. Entendo que tais atividades não implicam em “alteração do espaço arquitetônico original”, “modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado”, “modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso”, ou ainda na “modificação da parte externa da edificação”, atividades estas arroladas como excludentes do conceito de decoração de interiores segundo a Deliberação Normativa nº 024/2000 da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. (...) Ademais, as atividades exercidas pela Postulante não exigem “habilitação profissional legalmente exigida” como preceitua o fim do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 ao arrolar os impedidos de optar pelo SIMPLES. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para afastar a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Já este processo, que trata dos efeitos da exclusão, chegou a este Conselho, mas foi distribuído à conselheira Ana de Barros Fernandes da 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento. Por se tratar de processo decorrente do processo que fora a este relator sorteado, a 1ª Turma Especial decidiu, com força do art. 49 do RICARF, remeter o processo a esta turma, para que os processos fossem julgados concomitantemente. O presente processo foi julgado em 07 de agosto de 2012, ou seja, antes da apreciação do processo principal; porém sua distribuição por conexão ocorreu apenas em 2013, momento em que o processo principal já havia há muito sido julgado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.017727/200859 Acórdão n.º 1101001.022 S1C1T1 Fl. 2 Error! Unknown document property name. 3 Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator O Recurso é tempestivo, dele conheço. A multa cominada ao sujeito passivo decorre do atraso na entrega de DCTF. Esse atraso exsurge dos efeitos da exclusão do SIMPLES, na medida em que da contribuinte só poderia ser exigida tal declaração se ao regime especial ela não fizesse jus. Sendo assim, uma vez revertida a exclusão do SIMPLES operada pelo ADE n. 439.172, a Contribuinte realmente não estava obrigada à entrega de DCTF no anocalendário de 2004, e, portanto, não podem subsistir as multas por atraso na entrega destas declarações. Este Conselho já se pronunciou a esse respeito no acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012, em que se analisou a exigência de multa derivada de ato de exclusão, que fora revertido. Da lavra do conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção, o acórdão restou assim ementado: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.” (acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR . Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004126/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/05/2009
MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO.
Aplica-se multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/05/2009 MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. Aplica-se multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Recurso Voluntário Negado
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REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. Aplicase multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 41 26 /2 00 9- 05 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem relatar os fatos, assumo o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Trata o presente processo de auto de infração de fls.01 a 06, lavrado para a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 1.598,25, referente à multa prevista no,artigo 72, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003,, regulamentada no artigo 724 do Decreto n° 6.759, de 2009 (RA/09), concernente ao descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para a aplicação do Regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo. A autoridade lançadora fundamenta a exigência no descumprimento do prazo concedido para o retorno dos bens exportados para reparo temporariamente, ao amparado da nota fiscal n° 089414, emitida em 22.01.2007, da declaração de exportação (DDE) n° 2070095041/9 e do registro de exportação (RE) n° 7/0112308001, uma vez que até 01.02.2009, data em que os bens estavam autorizados a permanecer no exterior, não se constatou seu retorno ou o cumprimento das formalidades legais para extinção do regime. Salienta a fiscalização que tempestivamente a beneficiária informou que mencionadas mercadorias não mais retornariam ao pais, apresentando, para tanto, o RE n° 09/001676900, no entanto, pendente de efetivação pela Secex; razão pela qual foi lavrado, em 23.03.2009, o ‘Termo de Intimação GDEXP n° 0717700/00045/09’, para que a beneficiária apresentasse, no prazo de cinco dias, a documentação necessária para regularização do citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser, uma das modalidades de extinção regular do regime. Nesse passo, em 06.04.2009, a, beneficiaria pleiteou a dilação do referido, a fim de atender a intimação, razão pela qual o prazo foi prorrogado até 13.05.2009. No entanto, a pretendida regularização não foi providenciada, o que ensejou a constituição da presente exigência fiscal Cientificada do auto de infração em 14.07.2009 (fls. 10/11), a contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, em 12.08.2009, de fls. 13 a 21, acompanhada dos documentos de fls. 22 a 50, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do referido Decreto, a impugnante alegou resumidamente que: dos autos do processo administrativo nº 10715.000381/2007 17que se encontra juntado ao presente, por apensação, conforme Aviso 10032 (fl.69), observa que a, operação de exportação temporária em causa foi convertida em exportação definitiva antes de expirado o prazo de permanência dos bens no exterior (01/02/2009); Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 144 3 o inciso I do artigo 15 da IN/SRF n° 285/2003 aplicase perfeitamente na hipótese em tela, pois cumpriu com um dos requisitos para a extinção do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, que é a reexportação; deve ser declarado nulo o lançamento, por estar embasado em dados que não condizem com a realidade dos fatos, uma vez que efetuou a reexportação tempestivamente;conforme se depreende do extrato do RE n° 09/0016769001, por contrariar ao principio da verdade material que norteia o procedimento de constituição de débitos fiscais, e que estipula que deve ser perquirida a real ocorrência dos fatos. Por fim, protesta, com amparo no principio da ampla defesa e do contraditório, pela produção de prova documental superveniente. Diante do exposto, pugna pelo cancelamento do auto de_ infração e conseqüente extinção do respectivo crédito tributário”. A 2ª Turma da DRJ/FNS , por meio do ACÓRDÃO 0727.098, proferido em 13 de janeiro de 2012, decide, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/05/2009 REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. Cabível o lançamento, mediante auto de infração, de multa por descumprimento de requisitos ao regime especial de exportação temporária quando se constata que a beneficiária não logrou extinguilo regularmente , no prazo de vigência, uma vez que o registro de exportação pendente de regularização não é documento apto a permitir a conclusão da operação de exportação definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 09/02/2012 (AR à fl. 91) e inconformada apresenta, em 08/03/2012, recurso voluntário no qual refuta os argumentos da decisão por meio dos seguintes itens de argumentação: 1 DA TEMPESTIVIDADE 2 DOS FATOS, DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 3 DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA 4 DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA 5 DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS 6 CONCLUSÃO Nos termos regimentais, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Passase, assim, ao voto, considerandose os itens de argumentação apresentados pela recorrente, que serão, porém, analisados na ordem a seguir disposta, levandose em conta tratarse de questões preliminar ou de mérito: DA PRELIMINAR DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA Neste item de recurso, a contribuinte discorda da decisão proferida que indeferiu a solicitação de diligência para produção de provas supervenientes por entendêla ser prescindível com base no disposto no art. 18 do decreto nº 70.235/72, sob o argumento de que tal prescindibilidade não se aplica ao caso, posto que o não fornecimento da documentação exigida pela autoridade alfandegária se deu por culpa exclusiva da empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e a qual se nega a emitir a documentação, ficando a Recorrente impossibilitada de cumprir a exigência legal da Alfândega. Citando doutrina e jurisprudência acerca de instrução probatória ressalta o seu direito de provar os fatos alegados por todos os meios de prova admitidos em lei em face do princípio da ampla defesa e, assim, reitera seu protesto pela produção de prova documental superveniente, solicitando à autoridade julgadora para que baixe o julgamento em diligência com a finalidade de notificar a empresa estrangeira para que apresente a documentação exigida pela Alfândega. Sem razão a recorrente. Como é sabido, a autoridade julgadora, para formar sua convicção, pode entender prescindível a produção de novas provas, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 145 5 no presente caso, cuja autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre a mencionada solicitação, assim pronunciouse: “A diligência para produção de prova, por representar, um instrumento que tem por escopo aperfeiçoar o convencimento do julgador, poderá ser justificadamente negada por este, não representando, pois, um direito subjetivo da impugnante. No caso presente, conforme se verá no mérito, é prescindível a realização de qualquer providência tendente a esclarecer quaisquer fatos, posto que os elementos que constam dos autos possibilita conhecer integralmente a matéria litigada. Por esse motivo, não há razão para a produção de novas provas conforme aventa a impugnante.” Corroboro com as razões e os mesmos fundamentos da decisão recorrida, posto que os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção do julgador sobre o mérito do litígio. Ademais, é ônus da contribuinte a apresentação de documentos hábeis a efetivar o despacho aduaneiro que só se concretiza com a devida averbação no SISCOMEX, consoante ressaltou a autoridade julgadora de 1ª instância quando da análise do mérito, sendo, portanto, indevida a intenção desta de inverter o ônus da prova, quando requer a realização de diligência com a finalidade de a autoridade administrativa notificar a empresa estrangeira para que essa apresente a documentação exigida pela Alfândega. No caso, caberia à contribuinte efetuar gestão junto à empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e que, segundo suas alegações é a responsável pelo o seu descumprimento quanto à apresentação da documentação exigida, no sentido de adquirir desta a referida documentação necessária para cumprir a exigência legal da Alfândega. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS. Reprisando os argumentos apresentados na impugnação, insiste a contribuinte na alegação de ser imperiosa a busca pela verdade material em detrimento da verdade formal, e, portanto, necessário investigar com profundidade todos os aspectos que norteiam a obrigação tributária, inclusive o alcance das definições do fato gerador e de sua correspondente base de cálculo, sob pena de não o fazendo, tornar sem efeito a exigência fiscal.e que, sendo assim, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova pode, e deve, ser trazido ao conhecimento dos julgadores em qualquer fase processual, vez que a prioridade é a busca da verdade material que, logicamente, tem amparo nas garantias constitucionais ao contraditório e a ampla defesa. Cita doutrina e jurisprudência do CARF no sentido de que “a apresentação de prova documental, após o decurso do prazo de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, a fim de que a decisão não contrarie os princípios da legalidade e da verdade material.” Insiste na nulidade do lançamento sob a alegação de que não se pode admitir a segurança de um prognóstico efetuado sem qualquer critério sistemático e minucioso, tudo em atenção ao Princípio da Verdade Material. E aduz que, se a empresa estrangeira localizada no exterior se nega a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX, a recorrente, empresa nacional, não pode ser penalizada. Portanto, argúi que as suas alegações, quanto à comprovação da exportação definitiva devem ser consideradas como Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 verdadeiras em consideração ao princípio da verdade material e da boa fé objetiva, sob pena de penalizála, sem que houvesse incorrido em qualquer infração. Requer, assim, a reforma da decisão ora recorrida. Não obstante o título do item de argumentação acima transcrito fazer referência à nulidade da decisão recorrida, verificase dos seus argumentos de defesa, que a contribuinte, na verdade, tal qual se deu em sua impugnação, busca a decretação da nulidade do lançamento sob o argumento de que o mesmo foi realizado contrariamente aos princípios que regem o contencioso administrativo e em desacordo com o artigo 142 do CTN, desejando ver a decisão recorrida ser reformulada neste sentido. Constatase que a fiscalização, em procedimento de controle do cumprimento de prazos e demais obrigações acessórias do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, apurou que não houve registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, descrevendo os fatos ensejadores da penalidade lançada e fundamentando o lançamento nas regras legais específicas, cuja assunção dos fatos à legislação será analisada no mérito. Tal como devidamente decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, é de se concluir, portanto, que o lançamento não contém imprecisão que conduza à decretação de sua nulidade, quer no tocante ao levantamento da base de cálculo da penalidade aplicada, quer quanto à fundamentação legal adotada, quer quanto à alíquota aplicada, ou ao montante do crédito tributário apurado, posto que elaborado em conformidade com as regras legais processuais aplicáveis ao processo administrativo tributário. Sobre a alegação de seu direito de poder trazer aos autos, em qualquer fase processual, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova, para o proporcionar aos julgadores o devido conhecimento da verdade material, afastando assim a questão da preclusão, fazse necessário efetuar breve comentários acerca de provas, ônus da prova e princípios informadores do Processo Administrativo Fiscal PAF. Vejamos: É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei n.o 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/721: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 146 7 tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, por se tratar de lançamento de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, à contribuinte caberia carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei, tendo em conta que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, visando o atendimento da exigência legal. Tal ressalva se faz, em face da alegação da contribuinte de que não pode ser penalizada pelo o fato de a empresa estrangeira localizada no exterior se negar a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX. A juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado2. No caso em questão, a contribuinte não fez referência à qualquer uma dessas hipóteses, ressalvando, para o devido esclarecimento, que “força maior” é um acontecimento relacionado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. Esses fatos externos podem ser: ordem de autoridades (fato do príncipe), fenômenos naturais (raios, terremotos, inundações, etc.) e ocorrências políticas (guerras, revoluções, etc.). (consoante art.. 393 do Código Civil), não abrangendo, pois, a alegação específica da contribuinte. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Entretanto, tal limitação tem sido alvo de divergências no âmbito dos órgãos julgadores administrativos, haja vista a corrente de defesa de que tal limitação fere os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, além da responsabilidade de os agentes públicos zelarem pela legalidade dos atos administrativos. De fato, no processo Administrativo Fiscal não se pode se ater apenas à verdade formal. Mas, a busca da verdade material não deve, também, ultrapassar os limites do rito processual, sob pena de, igualmente, ferir outros princípios informadores do PAF, tais quais o da duração razoável do processo, o da necessidade de estabilização das relações jurídicas, etc., principalmente quando o ônus da prova cabe à contribuinte, como se dá no presente caso. Tendo em conta, porém, a questão do zelo pela legalidade do ato administrativo litigado, poderseia defender a análise de provas preclusas de alegações já efetuadas na impugnação. Entretanto, tal possibilidade, a meu ver, só deve ocorrer, no caso em que as provas sejam hábeis, por si só, a comprovar concludente e definitivamente as alegações, sem necessidade de desdobramentos processuais complementares para a sua análise, posto que assim, atrasaria de modo desmesurado o julgamento. Em caso contrário, para acatar as provas preclusas, necessitaria a demonstração, por parte da contribuinte, da ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos, a contribuinte não trouxe, contudo, em seu recurso voluntário, nenhuma nova prova que possibilite demonstrar a alteração dos fatos que ensejaram o lançamento ora sob litígio e cujo mérito será analisado adiante. A contribuinte efetua apenas alegações genéricas desprovidas de provas e genericamente defende a produção de novas provas. De fato. os elementos de prova constantes dos autos, desde o lançamento, e, portanto, já submetidos à análise das autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância administrativa são: 1. efl. 8 Nota Fiscal de Saída nº 89414, de 22/01/2007; CFOP 7949, que operacionalizou a exportação temporária de produtos ali mencionados para submetêlos à reparos; 2. e Fls. 03 a 10 do processo nº 10715.000381/200717, a este apensado – Extrato do Siscomex atinente ao RE n° 07/0112308001, de 24/01/2007; 3. eFls. 21 do processo nº 10715.000381/200717, a este apensado – Ofício GIGZD nºs019/07, da contribuinte, emitido em 18/01/2007, por meio do engenheiro devidamente registrado no CREA, identificando a classificação e peça para aeronave enviada aos EUA no regime de exportação temporária para reparo em garantia; 4. eFl. 35 do processo nº 10715.000381/200717, a este apensado – Comunicação efetuada pela contribuinte, em 08 de janeiro de 2009, sobre a transformação do regime temporário de exportação em exportação definitiva pela R.E. 09/0016769001, ainda aguardando a efetivação junto ao SECEX; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 147 9 5. e Fls. 36 a 44 do processo nº 10715.000381/200717, a este apensado – Extrato do Siscomex atinente ao RE n° 09/0016769001, de 08/01/2009, pendente de efetivação; Assim, diante do que foi acima exposto, não há motivos para se declarar a nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida. DO MÉRITO DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA Como dito alhures, a autuação deuse pela ausência de cumprimento dos requisitos legais para a regularização do regime de exportação temporária , dentro do prazo de vigência, seja pelo retorno dos bens ao país, seja pela transformação do regime para a exportação definitiva. Conforme se constata dos autos e consoante consta do relatório, a fiscalização salientou que tempestivamente a contribuinte teria informado no processo nº 10715.000381/200717, formalizado para a concessão do regime de exportação temporária e a este apensado, que as mercadorias relacionadas no RE 7/011230800 referente a tal regime de exportação temporária, não mais retornariam ao pais, apresentando, para tanto, requerimento tempestivo em 08/01/2009 (fl. 35 daquele processo) solicitando a transformação para o regime de exportação definitiva e novo RE n° 09/001676900, este, no entanto, pendente de efetivação pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX); consoante se denota nos termos proferidos no item “26Mensagem de advertência”, proferidos pelo SECEX (fl. 42, também daquele processo), razão pela qual foi lavrado, em 23/03/2009, o ‘Termo de Intimação GDEXP n° 0045/09’ (fl. 46 do Processo nº 10715.000381/200717), para que a contribuinte apresentasse, no prazo de cinco dias (este dilatado até 13.05.2009, em atendimento ao pleito da contribuinte) “o extrato do Registro de Exportação RE n° 09/001676900 efetivado com a codificação especifica da transformação de Exportação Temporária em Definitiva do(s) bem(ns) que não retornou(aram), conforme dispõe o art. 454, inciso do Regulamento Aduaneiro, com base no Decreto n.° 6.759/2009, segundo os preceitos legais contidos na Instrução Normativa SRF n° 443/04 e §3° do art. 181 da Portaria SECEX n.° 25/2008, relativamente ao Regime de Exportação Temporária dos bens desembaraçados pela DDE n° 2070095041/9 (RE n.° 7/011230800), processo n ° 10715.000381/200717, cujo prazo autorizado de permanência no exterior se encerrou em 01/02/2009”, documentação esta necessária para regularização do citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser, uma das modalidades de extinção regular do regime. No entanto, a pretendida regularização não foi providenciada, o que ensejou a constituição da presente exigência fiscal, nos termos previsto no art. do Decreto nº 6.759/2009 REGULAMENTO ADUANEIRO, que assim dispõe: “Art.724.Aplicase a multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, inciso II). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 §1oO valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §1º). §2oA aplicação da multa a que se refere o caput não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §2º).” A controvérsia estabelecida nos termos da impugnação apresentada cingese à. alegada conversão tempestiva do regime de exportação temporária em regime de exportação definitiva, sob o argumento de que tal transformação teria ocorrido antes do término do prazo de permanência das respectivas mercadorias no exterior, encerrado em 01/02/2009, consoante o RE n° 09/0016769001 (fls. 36 a 44 do processo n° 10715.000381/200717). Em seu recurso voluntário, visando reformar a decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte alega que a decisão recorrida é absolutamente carente de fundamentação plausível, posto que, em suas palavras, apenas transcreve dispositivos legais que entende serem aplicáveis ao caso em tela, quais sejam, arts. 92 e 93 do DecretoLei n° 37, de 1966; arts. 449, 450, 454 a 457 do Decreto 6.759 de 2009; IN SRF 443/2004 alterada pela IN SRF 684/2006; IN SRF 28/94; Portaria SECEX 25/2008, sem explanar as razões desta aplicabilidade, refutandoa por entender que a mesma ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos e ratificando o seu entendimento esposado na sua peça de Impugnação. Não merece guarida tais alegações, que mais soam como meramente protelatórias, haja vista que a autoridade julgadora de primeira instância não só transcreveu todos os artigos da legislação pertinente ao caso sob litígio acima citados, como também motivou o seu entendimento, efetuado com base na legislação reproduzida, com o qual corroboro, no sentido de que a multa questionada é aplicável aos casos em que não são adotadas as providências legais para a extinção regular do regime concedido às mercadorias beneficiadas, inclusive quanto à sua exportação definitiva e que, para produzir os efeitos esperados, a exportação definitiva tem que ser realizada na forma da legislação de regência, cujas normas3 exigem, dentre outras providências, a averbação, como ato final do despacho de 3 A Instrução Normativa SRF nº 443, de 12 de agosto de 2004, que trata sobre o despacho de exportação de bens que saíram do Pais ao amparo do regime de exportação temporária, alterada pela IN SRF nº 684, de 16 de outubro de 2006, dispõe: Art 1º O despacho aduaneiro de exportação de bens que se encontrem no exterior em regime de exportação temporária, inclusive no caso de veículos de transporte comercial brasileiro, aéreo ou marítimo, que se encontrem no exterior ao amparo do inciso III do art 394 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, observará o disposto nesta Instrução Normativa. Art 2 2 0 despacho aduaneiro será processado com base em declaração de exportação registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), instruída com a fatura comercial respectiva ou qualquer outro documento que comprove a tradição de propriedade do bem no exterior, bem assim da primeira via da Nota Fiscal. Parágrafo único. (.) Art. 6º Relativamente à mercadoria objeto do despacho de exportação, o procedimento de que trata esta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) (...); Parágrafo único:O procedimento de que trata esta Instrução Normativa também será aplicado para fins de extinção do regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. (Incluído pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) Art. 7º Aplicase ao despacho aduaneiro dos bens de que trata esta Instrução Normativa, subsidiariamente, o disposto na Instrução Normativa SRFn° 28, de 27 de abril de 1994, e alterações posteriores, que disciplina o despacho aduaneiro de exportação. Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 148 11 exportação e requisito para ser considerada concluída a operação de exportação de saída definitiva do Pais dos bens submetidos anteriormente a despacho aduaneiro de exportação temporária, ainda que referida providência se dê de forma automaticamente no SISCOMEX. A autoridade julgadora de 1ª instância devidamente efetuou o esclarecimento abaixo transcrito, cujos fundamentos adoto e ratifico com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: “Para que mencionada averbação se efetive regularmente, é necessário o prévio desembaraço aduaneiro para exportação, que será realizado à vista da declaração de exportação (DDE) e dos demais documentos apresentados pelo exportador, dentre eles o registro de exportação (RE) isento de qualquer pendência, pois enquanto apresentar quaisquer divergências referido registro de exportação não estará juridicamente apto a instruir a respectiva declaração de exportação (DDE), não havendo, por conseguinte, o que se averbar, posto que nestas circunstâncias, sequer as normas autorizam a efetivação do desembaraço aduaneiro dos respectivos bens. Portanto, diferentemente do que pretende a impugnante; o RE n° 09/0016769001 (fls. 35 a 43 do processo n° 10715.000320/200741), não tem o condão de permitir a conclusão da operação de exportação definitiva, posto que dependente de averbação no sistema, oportunidade em que será fornecido , ao exportador, se solicitado, o documento comprobatório da exportação; emitido pelo SISCOMEX. Ademais, a legislação supra transcrita esclarece que ‘somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, dispõe: AVERBAÇÃO DE EMBARQUE E DE TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRA Art 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. COMPROVANTE DA EXPORTAÇÃO Art. 50. Concluída a operação de exportação, com a sua averbação, no Sistema,será fornecido ao exportador, quando solicitado, o documento comprobatório .da exportação, emitido pelo SISCOMEX , Parágrafo único. Nos casos em que a unidade da SRF de despacho for diferente da unidade de embarque, caberá a primeira emitir a documento de que trata este artigo. Art 51. Somente será considerada exportada para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. Parágrafo único: É irrelevante, para os feitos deste artigo: I a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e, II a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades; competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado , no Sistema. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 averbado, no SISCOMEX’, sendo ‘irrelevante ... a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema’ não bastando, por conseguinte, que a beneficiária tenha providenciado o registro de exportação (RE) especifico para exportação definitiva antes do prazo de extinção do regime exportação temporária, se esse documento é impróprio para o fim que se destina, posto que, conforme se depreende dos autos, ainda se encontra pendente de efetivação pelo órgão anuente (Secex), não obstante as oportunidades ofertadas pela fiscalização aduaneira no sentido de a interessada regularizar respectivas operações de exportação (fls, 44 e seguintes do processo n° 10715.000320/2007—41)” Desta forma, resta demonstrado ser descabida a acusação da recorrente de que a decisão recorrida ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos. Também, não tem fundamento o entendimento esposado pela contribuinte em sua peça de impugnação e ratificado no recurso ora sob análise, no sentido de que providenciou a extinção regular do regime aduaneiro de exportação temporária ao efetuar a reexportação dos bens conforme disposição contida no inciso I do artigo 15 da IN/SRF nº 285, de 2003, haja vista que, conforme já ressaltado pela autoridade julgadora de 1ª instância, referida instrução normativa “referese ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, aquele que permite a permanência de bens estrangeiros no Pais por prazo determinado com suspensão de tributos ou com pagamento proporcional ao tempo de permanência, ou seja, o oposto do que subsidia o regime sob apreço”, caracterizando, portanto, um equivoco da contribuinte ao pretender a equiparação da norma aventada ao caso sob exame. Portanto, confirmado nos autos que não houve o registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, fazse pertinente o lançamento referente à multa regulamentar, com incidência da alíquota de 5% (inciso II do artigo 72 da Lei n° 10.833, de 29 de Dezembro de 2003) sobre o preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, conforme consta do Auto de Infração. CONCLUSÃO Em face das fundamentações acima postas, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004126/200905 Acórdão n.º 3302002.324 S3C3T2 Fl. 149 13 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15165.003215/2010-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/12/2005 a 31/03/2010
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MICROPROCESSADORES.
As mercadorias objeto da autuação consistem, basicamente, de um substrato de isolamento que incorpora elementos passivos obtidos através da tecnologia thin film [película fina], um circuito integrado monolítico montado em um substrato de isolamento e elementos passivos discretos, mais especificamente capacitores, fixados ao substrato e visíveis na embalagem. Da forma como são constituídas, as mercadorias em questão se qualificam como circuitos integrados híbridos, classificáveis na posição 85.42 da NCM.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Anna Paola Zonari, OAB no. 1.928/A.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/12/2005 a 31/03/2010 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MICROPROCESSADORES. As mercadorias objeto da autuação consistem, basicamente, de “um substrato de isolamento que incorpora elementos passivos obtidos através da tecnologia thin film [película fina], um circuito integrado monolítico montado em um substrato de isolamento e elementos passivos discretos, mais especificamente capacitores, fixados ao substrato e visíveis na embalagem”. Da forma como são constituídas, as mercadorias em questão se qualificam como “circuitos integrados híbridos”, classificáveis na posição 85.42 da NCM. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Anna Paola Zonari, OAB no. 1.928/A. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 32 15 /2 01 0- 57 Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Ao ensejo de revisão aduaneira, a IRF em CuritibaPR procedeu à reclassificação fiscal de mercadorias importadas pela ora recorrente entre 19/12/2005 e 31/03/2010 e, como conseqüência, lhe impôs: (i) o recolhimento de diferenças de imposto de importação (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), PIS e COFINS, acrescidas dos respectivos consectários; e (ii) a multa prevista pelo artigo 84, inciso I e §1o da Medida Provisória no 2.15835/01, tendo por base de cálculo o valor aduaneiro das mercadorias incorretamente classificadas. Indústria de microcomputadores, a recorrente importou sistematicamente, ao longo de todo o período fiscalizado, mercadorias que classificou sob a posição 8542 da NCM (“circuitos integrados eletrônicos”). Tratavase de diversos modelos de processadores industrializados, na sua maioria, pela Intel, e em menor volume, por AMD e VIA, adquiridos para aplicação na montagem de desktops e laptops produzidos nas plantas que a recorrente mantém em funcionamento no Brasil. Instaurada a revisão aduaneira, a fiscalização submeteu à recorrente questionário por meio do qual requisitou a prestação de informações técnicas sobre a composição e o método de confecção dos aludidos processadores. Em função das respostas que obteve às fls. 2.020/2.039 e do exame de laudo técnico confeccionado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) a pedido da recorrente (fls. 2.252/2.254), a autoridade processante concluiu ter sido incorreta a classificação adotada no registro das declarações de importação. Convenceuse a fiscalização de que, mais do que microprocessadores, as mercadorias importadas pela recorrente eram placas de microprocessamento constituídas por uma série de componentes, entre os quais, como núcleo, um microprocessador. Segundo se lê do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.689/1.708: “As NCMs do capítulo 85 devem ser utilizadas na importação apenas do microprocessador sozinho (placa de silício minúscula) e, ainda não montado numa placa de microprocessamento, mercadoria bem diferente das placas de microprocessamento das fabricantes INTEL, AMD, etc. Os ‘PROCESSADORES’ importados pelo sujeito passivo correspondem, em termos técnicos, a placas de microprocessamento montadas com diversos componentes, dentre os quais um microprocessador.” Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 15 3 Por este motivo, entendeu a unidade de origem que mais correto seria classificar as mercadorias na posição 8473 da NCM, como “partes e acessórios” exclusiva ou principalmente destinados a maquinas de processamento de dados (microcomputadores). Vencida esta etapa, classificouas como “circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados” e, ato contínuo, dividiuas sob os códigos 8473.30.43 e 8473.30.49, posicionando no primeiro grupo as “placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor” e, no segundo, aquelas em que identificou a ausência deste dispositivo. Inconformada, a recorrente interpôs impugnação tempestiva (fls. 2.338/2.367). Depois de expor acerca da composição e do processo de construção dos processadores importados, reafirmou a correção dos critérios de classificação por ela adotados e, para corroborálos, trouxe aos autos: (i) declarações subscritas pela Intel Semicondutores do Brasil Ltda., subsidiária local da norteamericana Intel Corporation, fabricante dos insumos, no sentido de que os mesmos constituem espécie de circuitos integrados eletrônicos e, como tais, se inserem na posição 8542 do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – SH (“Harmonized Tariff Schedule”); (ii) laudo de vistoria aduaneira encomendado pela Alfândega do Aeroporto Internacional Afonso Pena, no Paraná, ao ensejo do desembaraço de declarações de importação registradas pela recorrente em maio de 2009, no qual o perito, engenheiro eletricista, examina modelos de processadores Intel semelhantes aos debatidos neste feito e conclui se tratar de circuitos integrados, suscetíveis de classificação na posição 8542 da NCM; (iii) solução de consulta expedida pela alfândega dos Estados Unidos da América, a propósito da classificação fiscal de processador similar aos que são objeto deste feito, no sentido de que a mercadoria constitui circuito integrado do tipo híbrido e, pois, posicionável no código 8542 do SH; (iv) laudo técnico confeccionado pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSITEC) a pedido da ABINEE – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e de Eletrônica, em que, igualmente, se conclui que as mercadorias em debate consubstanciam circuitos integrados eletrônicos, do tipo híbrido, e não circuitos eletrônicos impressos ou placas de microprocessamento. Sustentou a impugnante, ainda, que mesmo na eventualidade de prevalecer a classificação pretendida pela fiscalização, o auto de infração não poderia subsistir em razão do disposto no artigo 146, do CTN, de acordo com o qual “a modificação introduzida (...) nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. É que – argumenta a interessada – ao convalidar o laudo de vistoria aduaneira anteriormente referido, a alfândega da 9a Região Fiscal expressamente ratificou os critérios de classificação fiscal até então adotados, razão pela qual os novos critérios, se julgados procedentes, não poderiam retroagir a fatos geradores consumados antes da alteração. Por último, a recorrente postulou pela realização de perícia, acaso se entendesse insuficientemente elucidadas as questões técnicas pertinentes. Apresentou quesitos e indicou, como seu assistente técnico, engenheiro elétrico. Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Por meio do acórdão no 0727.036, cuja ementa segue abaixo, a Segunda Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou a impugnação improcedente: “REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Em se tratando de classificação fiscal, a adoção de critério jurídico de que trata o art. 146 do CTN ocorre no ato do lançamento e não de desembaraço da mercadoria, logo, incabível a alegação de nulidade do auto de infração por conta de mudança de critério jurídico, porquanto a revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação, e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita. PROVA PERICIAL. PEDIDO DESPICIENDO. Despicienda a realização de perícia, quando integram os autos elementos suficientes ao deslinde do litígio. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PLACAS DE MICRO PROCESSAMENTO. Placa de micro processamento, com ou sem dispositivo de dissipação de calor classificase na posição 84.73, por se tratar de um conjunto de componentes eletrônicos, ativos e passivos, dentre outros, inseridos em um único corpo único (sic), destinada exclusivamente às máquinas automáticas para processamento de dados da posição 84.71.” Sobreveio, então, o recurso voluntário de fls. 2.566/2.605, ao ensejo do qual a interessada reitera os fundamentos da sua impugnação, argumentando, ainda, pela nulidade do v. acórdão recorrido, no que, injustificadamente, lhe negara a realização de perícia técnica nas mercadorias objeto da contenda. Este, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Os pressupostos de admissibilidade do recurso estão atendidos, inclusive o pertinente ao prazo da interposição, eis que, intimada do v. acórdão recorrido em 13.01.2012, uma sextafeira, a interessada protocolizou a peça em 13.02.2012, um dia antes do encerramento do trintídio aplicável. Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 16 5 1 Nulidade do Acórdão Recorrido Por meio do v. acórdão de fls. 2.544/2.560, a DRJ Florianópolis/SC indeferiu o pedido de perícia que a ora recorrente formulara em impugnação, o que motivou a articulação do argumento de nulidade no recurso voluntário em julgamento. Segundo se lê do julgado recorrido, o requerimento de perícia teria faltado com a observância de pressupostos formais impostos pelo artigo 16 do Decreto no 70.235/72 e, além disso, a produção da prova seria prescindível, na medida em que “os elementos constantes dos autos permitem o pleno exame da matéria”. Desde logo, não vislumbro o descumprimento dos requisitos formais que o requerimento da perícia exige. Depois de justificar o cabimento da providência, a ora recorrente formulou na própria impugnação os quesitos que pretendia ver respondidos e, ainda, indicou o profissional que acompanharia os trabalhos como seu assistente técnico, qualificandoo e declinando seu endereço, de forma a satisfazer o que lhe impõe o referido artigo 16, inciso IV, do PAF. Mesmo pecando neste aspecto, porém, o v. acórdão recorrido andou bem no que considerou prescindível a produção da prova, em razão da suficiência dos elementos técnicos na ocasião já constantes dos autos. Constam do processo não só os esclarecimentos prestados pela própria recorrente em resposta aos quesitos que lhe endereçou a fiscalização, como também dois laudos técnicos trazidos pela interessada, o primeiro deles elaborado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) (fls. 2.252/2.254) e, o segundo, encomendado ao Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (fls. 2.462/2.485), além, é claro, do próprio laudo de vistoria aduaneira produzido a pedido da alfândega do Aeroporto Afonso Pena/PR. E os documentos em questão me parecem se complementar na solução das questões técnicas – atinentes à composição e ao processo fabril das mercadorias objeto das importações – de que a solução da controvérsia depende. A própria recorrente o reconhece, aliás. Mesmo protestando pela realização da perícia, a interessada assim se manifestou na impugnação, afirmando: “Embora entenda a impugnante que os documentos e demais elementos apresentados são mais do que suficientes para a comprovação da correção do procedimento adotado, requer, para evitar a preclusão, a realização de perícia”. É, pois, por julgar prescindível a realização da prova pericial que desprovejo a alegação de nulidade. 2 Classificação Fiscal das Mercadorias Importadas Durante todo o período alcançado pela fiscalização, a recorrente registrou seguidas declarações de importação, classificando as mercadorias em análise no Capítulo 85 da NCM (“máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes”), e reconhecendoas, mais especificamente, como espécies de “circuitos integrados eletrônicos” da posição 85.42. Por considerar que o objeto da importação compreende mais do que meros circuitos integrados – isto é, compreende circuitos integrados e componentes adicionais que, a eles agregados, caracterizam os produtos como “placas de microprocessamento” – a auditoria fiscal depreendeu que o correto seria classificálos na posição 84.73 da NCM, onde se inserem Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 “partes e acessórios ... reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados” às máquinas automáticas para processamento de dados. A Nota 8b, do Capítulo 85, da NCM, define o que seja “circuito integrado” para os fins da posição 85.42. Se a percorrermos por inteiro, nos depararemos, ao final, com enunciado de acordo com o qual “para fins de classificação dos artefatos na presente Nota, as posições 85.41 e 85.42 têm prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura, exceto a posição 85.23, suscetível de os incluir devido, em especial, à sua função”. Em sentido convergente, dois dispositivos das NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias) orientam em igual direção. O primeiro deles se encontra nas “Considerações Gerais” do Capítulo 84 – isto é, do capítulo em que o auto de infração pretende classificar as mercadorias – e textualmente consigna que: “No que diz respeito mais especificamente às partes elétricas de máquinas ou aparelhos do presente Capítulo, devese notar que as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições do Capítulo 85 incluemse neste último. É este o caso, principalmente, dos motores elétricos (posição 85.01), (...) dos circuitos integrados e microestruturas eletrônicas (posição 85.42) (...). Estas disposições são aplicáveis mesmo aos artefatos que sejam especialmente concebidos para serem utilizados com uma determinada máquina do presente Capítulo, salvo nos casos em que, combinados com outros elementos, percam a característica intrínseca de artefatos especificamente elétricos.” O outro enunciado se insere nas NESH à própria posição 84.73 e, segundo ali se lê: “Excluemse também desta posição: a) As bobinas e suportes semelhantes para as máquinas ou aparelhos das posições 84.69, 84.70, 84.71 ou 84.72 (classificação segundo a matéria constitutiva: posição 39.23, Seção XV, etc.); b) Os estênceis de papel para duplicadores (posição 48.16) ou de outras matérias (classificação segundo a matéria constitutiva); c) As fichas impressas para uso estatístico (posição 48.23); d) Os carregadores de discos magnéticos (disk packs) e outros suportes preparados para registro magnético (posição 85.23); e) Os circuitos integrados (posição 85.42); Da integração destes dispositivos todos, inferese que, para fins de classificação, mercadorias que satisfaçam os requisitos necessários a que se reputem “circuitos integrados eletrônicos” inseremse na posição 85.42, inclusive quando sejam exclusiva ou principalmente destinadas à montagem de maquinas automáticas para processamento de dados. De acordo com os enunciados em questão, portanto, a classificação fiscal dos “circuitos integrados” se determina em função da sua natureza intrínseca – que, por sua vez, está Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 17 7 associada ao respectivo processo produtivo e aos componentes eletrônicos que os integram – e não da sua destinação. Significa que, se algo constitui parte ou acessório de máquinas automáticas de processamento de dados, não necessariamente se classificará na posição 84.73 da NCM. Contanto que preencha os requisitos a que se caracterize como “circuito integrado eletrônico”, estará na posição 85.42. Por isso, penso eu, o iter classificatório das mercadorias objeto do auto de infração principia pelo teste de subsunção aos critérios da posição 85.42. Se os satisfizerem, é ali que devem permanecer. Pois bem. Conquanto as declarações de importação aqui em revisão tenham tido por objeto modelos diferentes de microprocessadores produzidos por três fabricantes também distintos, a figura (extraída do manual da Intel reproduzido às fls. 1840/1841) e a ilustração abaixo revelam a composição e a aparência de todos eles, segundo se infere do Termo de Verificação Fiscal: O que se vê nas ilustrações acima é uma cápsula (“package”) composta de quatro elementos fundamentais. No centro, encontrase o die (ou chip). É o núcleo do microprocessador, constituído por uma ou mais pastilhas finíssimas de um material semicondutor – geralmente o silício – onde deposição de materiais e outras etapas de um processo industrial de alta complexidade formam, na própria superfície do material, um circuito eletrônico. Numa única pastilha de pouco mais de 1cm de lado, esses processos permitem obter centenas de milhões de (i) transistores, espécies de componentes “ativos” do circuito, cuja função é amplificar sinais elétricos, e de (ii) componentes “passivos” – resistências, capacitores – assim chamados porque cumprem o papel de dissipar ou de armazenar energia elétrica. Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 O die é o que se obtém do corte de uma placa maior de silício, de forma arredondada, chamada wafer (ou disco). Quer dizer, o processo fabril de construção do processador iniciase sobre o wafer que, ao final seccionado em centenas de pequenas pastilhas, os dies, resultará na formação, em cada qual, de um circuito eletrônico cujos elementos estarão dispostos na própria lâmina, à base do material. Ainda na fábrica do processador, o processo culmina com o “encapsulamento” (packaging) do die. No caso dos processadores em discussão, a cápsula que os envolve contém: (i) um “substrato” de material isolante (não condutor), à base do qual se pode visualizar a presença de (ii) componentes eletrônicos passivos (capacitores). Na parte superior do conjunto, os processadores concebidos para instalação em desktops contêm, ainda, (iii) uma cobertura de alta condutividade térmica, o IHS (Integrated Heat Spreader), cuja função é difundir o calor interno gerado pelo funcionamento do chip. Esta cápsula, contendo em seu interior o die, foi a mercadoria objeto das importações realizadas pela ora recorrente. Já nas suas próprias plantas industriais, no Brasil, as cápsulas são fixadas através de soquetes a placas de circuito impresso (placamãe ou mother board), onde tantos outros periféricos são depois conectados (memórias, hard disk, dispositivos de entrada e saída). Sobre as características de composição e montagem definidoras de um “circuito integrado”, vejamos, inicialmente, a já referida Nota 8b, do Capítulo 85: “8. Na acepção das posições 85.41 e 85.42 consideramse: (...) b) Circuitos integrados: 1o) os circuitos integrados monolíticos em que os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, condensadores, indultâncias, etc.) são criados essencialmente na massa e à superfície de um material semicondutor (por exemplo, silício impurificado (‘dopé’), arsenieto de gálio, silíciogermânio, fosfeto de índio), formando um todo indissociável; 2o) os circuitos integrados híbridos que reúnam de maneira praticamente indissociável, por interconexões ou cabos de ligação, sobre um mesmo substrato isolante (vidro, cerâmica, etc.) elementos passivos (resistências, condensadores, indultâncias, etc.), obtidos pela tecnologia dos circuitos de camada fina ou espessa e elementos ativos (diodos, transistores, circuitos integrados monolíticos, etc.), obtidos pela tecnologia dos semicondutores. Estes circuitos também podem incluir componentes discretos; 3o) os circuitos integrados de múltiplos chips, constituídos por dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados, combinados de maneira praticamente indissociável, dispostos ou não sobre um ou mais substratos isolantes, mesmo com elementos de conexão, mas sem outros elementos de circuito ativos ou passivos.” Auxiliam a compreensão acerca do tema as notas à posição 85.42 encontráveis nas NESH, em particular o trecho que envolve a conceituação dos circuitos integrados dos tipos (i) monolítico e (ii) híbrido. Eilas: Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 18 9 “Os circuitos integrados eletrônicos compreendem: I – Os circuitos integrados monolíticos. Os circuitos integrados monolíticos são microestruturas nas quais os elementos do circuito (diodos, transistores, resistências, capacitâncias, indultâncias, etc.) são criados na massa (essencialmente) e na superfície de um material semicondutor, mesmo composto (silício dopado, por exemplo) e formam então um todo indissociável. Os circuitos integrados monolíticos podem ser digitais, lineares (analógicos) ou digitais analógicos. Os circuitos integrados monolíticos podem apresentarse: 1o) Montados, isto é, já providos das suas conexões, encapsulados ou não nos seus invólucros de metal, de cerâmica ou de plástico. Estes invólucros podem ter, por exemplo, a forma de cilindros ou de paralelepípedos; 2o) Não montados, isto é, sob a forma de microplaquetas (chips), freqüentemente retangulares, em geral de alguns milímetros de lado; 3o) Sob a forma de discos (wafers) ainda não cortados em microplaquetas (chips). (...) II – Os circuitos integrados híbridos. Os circuitos integrados híbridos são microestruturas eletrônicas construídas sobre um substrato isolante no qual um circuito de camada fina ou espessa foi formado. A formação deste circuito permite obter, simultaneamente, alguns elementos passivos (resistências, capacitâncias, indultâncias, por exemplo). Contudo, para constituir um circuito integrado híbrido da presente posição, elementos semicondutores devem ser incorporados, quer sob a forma de microplaquetas (chips), encapsuladas ou não, quer sob a forma de semicondutores previamente encapsulados, por exemplo, dentro de invólucros miniaturas especialmente concebidos para este fim. Os circuitos integrados híbridos podem também possuir elementos passivos obtidos individualmente e colocados no circuito da camada de base, da mesma maneira que os semicondutores. Tratase geralmente de componentes, tais como condensadores, resistências ou bobinas, sob a forma de microplaquetas (chips). (...) Os componentes que formam um circuito integrado híbrido devem estar reunidos de maneira praticamente indissociável, isto é, a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente rentáveis.” Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Dos enunciados se infere serem três as espécies de “circuitos integrados” classificáveis na posição 85.42: os “monolíticos”, os “híbridos” e os de “múltiplas microplaquetas”. Como estes últimos – os circuitos integrados de múltiplas microplaquetas – não passam de “dois ou mais circuitos integrados monolíticos interconectados” – o desafio do julgador se resume em compreender as notas características dos dois primeiros. Circuitos integrados monolíticos – a própria nomenclatura já o sugere – são circuitos eletrônicos cujos componentes, ativos e passivos, formamse diretamente na superfície da lâmina do material semicondutor que lhe serve de base. Não são montados ou fixados, mas obtidos a partir da própria plaqueta, como resultado do complexo processo a que é submetida. Daí serem absolutamente indissociáveis entre si, como requer a Nota 8 mais acima transcrita. Também de acordo com o dispositivo, os circuitos integrados do tipo monolítico são reconhecíveis sob três diferentes apresentações, cada qual coincidente com uma fase do respectivo processo produtivo: (i) wafers, (ii) chips ou microplaquetas, e (iii) cápsulas, isto é, invólucros nos quais as microplaquetas sejam montadas, a fim de que sejam posteriormente conectadas a placas de circuito. Isso já revela não ser tecnicamente preciso o Termo de Verificação Fiscal, no que define como microprocessador tão somente a pastilha de silício encontrável no interior da cápsula externa (“as NCMs do capítulo 85 devem ser utilizadas na importação apenas do microprocessador sozinho (placa de silício minúscula)”). Como se vê claramente das NESH, o circuito integrado pode apresentarse conectado a um invólucro e, nem por isso, deixará de se posicionar no Capítulo 85 da NCM. Na seqüência, os circuitos integrados do tipo híbrido parecem estruturas eletrônicas mais complexas, construídas em torno de um circuito monolítico. Com base nos requisitos dispostos na Nota 8b do Capítulo 85 e nos enunciados das NESH à posição 85.42, podese identificar como características identificadoras da espécie: (a) o circuito integrado híbrido é composto por uma plataforma de material isolante, o substrato, no qual processos de deposição de camadas finas ou espessas forma um circuito elétrico; (b) elementos passivos, com a função de armazenar ou dissipar energia (capacitores, resistências etc.), são obtidos no processo de construção do circuito impresso no substrato; (c) ao substrato são incorporadas microplaquetas de material semicondutor, encapsuladas ou não (circuito monolítico); (d) o circuito impresso pode – sem perder as características de um circuito híbrido – ser acrescido de componentes eletrônicos ditos “discretos”, assim chamados os elementos que desempenham somente uma função elétrica, ativa ou passiva; e, finalmente (e) o conjunto assim construído deve constituir um todo “praticamente indissociável”, no sentido de que “a Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 19 11 retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente viáveis”. Examinando as características das mercadorias nacionalizadas pela recorrente à luz destes conceitos, a fiscalização não as reconheceu como circuitos integrados da espécie monolítica, no que procedeu com acerto. Embora a apresentação em cápsula não obste que se classifique dado produto como circuito monolítico – como visto acima – o fato é que as peças aqui em debate são todas compostas por elementos não inteiramente criados na superfície do material semicondutor que constitui o chip. Mas a autoridade lançadora também recusou que pudesse se tratar de circuitos do tipo híbrido. Sua conclusão se baseia, em primeiro lugar, nas declarações prestadas pela própria recorrente em resposta ao questionário que lhe fora submetido durante o procedimento fiscal (“Concluindo, os microprocessadores listados no Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação no 1 da Inspetoria da Receita Federal de Curitiba não podem ser considerados como circuitos integrados híbridos na acepção das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado”, fls. 1.693). Se baseia também no suposto desatendimento a dois dos requisitos a que acima se fez referência. Para a fiscalização, os componentes passivos, sobretudo capacitores, encontráveis no substrato isolante da cápsula não seriam obtidos diretamente das camadas finas ou espessas do circuito ali impresso. Mais do que isso, referidos capacitores seriam removíveis sem prejuízo para o funcionamento do processador, razão pela qual os elementos do circuito seriam dissociáveis uns dos outros. Confirase: “4.9 Para que o produto seja considerado um circuito integrado híbrido é necessário que os componentes que o formam estejam reunidos de maneira praticamente indissociável, isto é, a retirada ou a substituição de alguns elementos é possível teoricamente, mas tal só pode ser feito mediante operações minuciosas e delicadas que, em condições normais de produção, não seriam economicamente viáveis. Não é o que ocorre com ele, pois os componentes passivos estão dispostos de forma que podem ser removidos e não foram criados em um circuito de camada fina ou espessa. (...) E, por fim, ressaltese que as NESH da posição 8542 excluem da presente posição, para os circuitos integrados híbridos, os conjuntos obtidos por adição de um ou mais dispositivos, tais como os diodos, transformadores, resistências, a uma microestrutura eletrônica.” É verdade que, nos esclarecimentos que prestou à fiscalização, a recorrente afirmou que as mercadorias não constituíam circuitos integrados híbridos. Mas é verdade também que os laudos técnicos e os demais documentos constantes dos autos, inclusive aqueles entregues para exame da autoridade fiscal antes da lavratura do auto de infração, desde o princípio apontavam o contrário. Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 12 Consta do laudo técnico confeccionado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR) que os processadores importados pela recorrente estão equipados com capacitores, componentes “discretos” com função passiva, fixados individualmente no substrato isolante do conjunto. Nesse sentido: “Os microprocessadores trabalham a altas freqüências, o que faz com que apareçam oscilações nas linhas de alimentação de energia do componente. Estas oscilações, que podem ser comparadas a oscilações e interferências da rede elétrica de uma residência quando utensílios domésticos são ligados, afetam o funcionamento do microprocessador. Para sanar este problema, alguns componentes externos são necessários. Estes componentes, normalmente capacitores, funcionam como filtros, eliminando essas oscilações (...). Para economia de espaço, (...) eles são colocados diretamente no corpo do microprocessador.” (fls. 2254) Sucede que a presença dos tais capacitores, se de um lado é desnecessária à formação de um circuito integrado híbrido, de outro não o descaracteriza. Equivocase, pois, a autoridade de origem, no que fundamenta o auto de infração na existência de componentes discretos montados na cápsula dos microprocessadores. Na seqüência, o Termo de Verificação Fiscal nega a condição de circuitos integrados às mercadorias em análise, afirmando que os componentes eletrônicos presentes nos respectivos substratos isolantes não provêm da tecnologia de camadas finas ou espessas. O argumento, todavia, parece fundamentarse mais uma vez apenas em informações prestadas pela própria interessada (fls. 2030), cuja exatidão, especialmente em matéria de elevada complexidade técnica, a autoridade nada fez para confirmar. Neste particular, o único respaldo em que o julgador pode se fiar é o laudo produzido pelo LSITEC e trazido aos autos pela própria recorrente, já que, como dito, a fiscalização nada produziu no sentido de desabonálo. Confirase: “Por isso, é indispensável a implementação de um acoplamento sofisticado para realizar a conexão ótima dos parâmetros internos da pastilha ao meio externo. A solução mais econômica encontrada foi a utilização de circuito híbrido. Por isso, a ele são acrescidos na parte inferior, interna ou superior do substrato do encapsulamento, componentes passivos – componentes elétricos com funções de acoplamento e tunning de características de trabalho do processador, como, por exemplo, resistores e capacitores depositados com tecnologias de filmes finos e espessos e eventualmente alguns microcomponentes discretos em sua superfície – com a função como colocamos de um ajuste fino no comportamento dinâmico.” (fls. 2.474). O último motivo em que o auto de infração se apega para subtrair das mercadorias a condição de circuitos integrados diz com o requisito da “indissociabilidade” entre os componentes do conjunto. Realmente, de acordo com a Nota 8b do Capítulo 85, os circuitos híbridos se caracterizam pela conexão “praticamente indissociável” de seus componentes, de forma que, segundo as NESH, a retirada ou a substituição de quaisquer deles, embora teoricamente possível, requer procedimentos economicamente inviáveis em condições normais de produção. Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15165.003215/201057 Acórdão n.º 3403002.595 S3C4T3 Fl. 20 13 Neste ponto, um comentário me parece pertinente. Enquanto os componentes de um circuito do tipo monolítico hão de ser indissociáveis entre si, os elementos de um circuito híbrido devem conectarse de forma “praticamente” indissociável, conforme se viu acima. Certamente, não é sem sentido que eles se distingam neste particular. Afinal, se os primeiros são construídos diretamente na superfície (ou na massa, como diz a nota) da lâmina semicondutora, os segundos agregam a esta microestrutura, por posterior interconexão, uma placa de material isolante e elementos passivos que, como visto, podem ser simplesmente montados sobre o conjunto. Como, num circuito híbrido, estes últimos componentes são fixados no substrato de base – e não “obtidos” diretamente dele – a montagem de uns sobre o outro não deve ser entendida como uma espécie de interconexão inconciliável com o requisito da “indissociabilidade” entre os elementos do circuito. Sim, porque se assim fosse, a norma posta na nota 8b do Capítulo 85 careceria de sentido, na medida em que dela emanariam dois pressupostos inconciliáveis entre si. É com este sentido, assim me parece, que devem ser compreendidas as observações a respeito das conexões entre os componentes do processador postas nos laudos técnicos do TECPAR e do LSITEC, de acordo com os quais, respectivamente: “A retirada de qualquer um destes componentes, mencionados acima, impede o funcionamento do microprocessador. A retirada dos componentes de desacoplamento pode ser feita facilmente (isso impede o uso do microprocessador), já a retirada da pastilha, sem o uso de procedimentos especiais, economicamente inviáveis, certamente irão (sic) causar danos irreversíveis ao microprocessador, destruindoo”. “Algumas pessoas leigas podem considerar eu alguns destes componentes podem eventualmente ser retirados com recursos mais simples, como um microsoldador, e sem dúvida podem, mas não é prática de boa engenharia, pois a retirada destes componentes, como já deixamos claro, pode comprometer a operação dinâmica do sistema como um todo, introduzindo erros aleatórios e, em alguns casos, podem levar a operações catastróficas e a total inutilização do processador. Em nossa opinião, é uma idéia e procedimento insólitos considerar esse acoplamento como se fosse um circuito impresso com componentes removíveis, como também é insólito considear que estes componentes externos podem ser removidos e recolocados sem que se comprometa drasticamente a operação dinâmica do sistema.” Daí porque, pelo que depreendo da prova técnica, também o requisito da “quase” indissociabilidade dos elementos do circuito está devidamente atendido. Para dar fundamento às suas alegações, a recorrente produziu, por fim, a juntada aos autos de solução de consulta expedida por órgão alfandegário dos Estados Unidos da América (US Customs and Border Protection) justamente a propósito do posicionamento, no Sistema Harmonizado, de microprocessador também fabricado pela Intel e, ao que se infere, similar aos analisados nos presentes autos. Por coincidirem com as conclusões aqui expostas, pedese vênia para transcrever seus fundamentos: Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 14 “A mercadoria está descrita como um Processador de Mídia Intel® CE 4100 (Sodaville) que é, essencialmente, um system onachip [sistema sobre chip] baseado no núcleo processador Intel® Atom®. O Processador de Mídia Sodaville Intel® consiste, basicamente, de um substrato de isolamento que incorpora elementos passivos obtidos através da tecnologia thin film [película fina], um circuito integrado monolítico montado em um substrato de isolamento e elementos passivos discretos, mais especificamente capacitores, fixados ao substrato e visíveis na embalagem. Da forma como é atualmente constituído, o Sodaville se enquadra na descrição de circuito integrado híbrido.” O que se tem aqui é, também, um invólucro contendo (i) um circuito integrado monolítico (die), montado sobre um (ii) substrato isolante, onde componentes passivos são obtidos pela tecnologia de camadas finas ou espessas de deposição, e no qual (iii) elementos discretos (capacitores) foram acrescidos com a função de atenuarem as interferências elétricas, tudo isso formando um (iv) todo praticamente indissociável. Tratase, pois, de um circuito eletrônico híbrido, classificável na posição 85.42 da NCM. 3 Conclusões Prejudicado o exame da argüição de contrariedade ao artigo 146 do Código Tributário Nacional, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de que seja cancelado o auto de infração. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 36266.007340/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thalisson Campos. OAB: 31652/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thalisson Campos. OAB: 31652/SP. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de NFLD lavrada, por meio do qual foram lançadas contribuições previdenciárias corresponde à parte patronal e ao financiamento da complementação das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 66 .0 07 34 0/ 20 06 -9 1 Fl. 5370DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 36266.007340/200691 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.402 S2C3T1 Fl. 5.469 2 prestações por acidentes de trabalho SAT, bem como para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal o sujeito passivo teve sua isenção cancelada desde 01/01/1993, por meio do Ato Cancelatório nº 02/2004. Além disso, o Ministério Público Federal ingressou com a Ação Civil Pública nº 2004.61.00.0077842 requerendo a suspensão da imunidade tributária conferida à FAAP. Diante desse quadro a fiscalização considerou como salário indireto a concessão de bolsas de estudo fornecidas a segurados empregados. Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, sustentando, em síntese, que: (i) nulidade na apuração do crédito previdenciário com base na aferição indireta; (ii) ocorrência da decadência; (iii) que o Ato Cancelatório está suspenso em virtude de recurso interposto; (iii) inconstitucionalidades do SAT, SalárioEducação, Incra, Sesc e Sebrae. Os autos foram convertidos em diligência para a elaboração e envio de Relatório Fiscal Aditivo para incluir a fundamentação legal pertinente à aferição e análise e manifestação a respeito da documentação ora apresentada. Do resultado da diligência fiscal, a qual concluiu por retificar os valores apurados em determinadas competências, o sujeito passivo foi devidamente intimado e repisou seus argumentos iniciais. A DRJ em São Paulo acolheu a preliminar de decadência, bem como o relatório fiscal complementar para retificar os valores inicialmente apurados, o que ensejou a interposição dos recursos de ofício e voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Antes de adentrar ao mérito da questão alguns pontos necessitam de melhores esclarecimentos. Isto, porque não há a informação nos autos de que o processo administrativo que se instaurou com o Ato Cancelatório nº 02/2004 transitou em julgado, uma vez que o sujeito passivo sustenta, em sede de recurso voluntário, que o processo encontrase em trâmite, não obstante haver cópia de acórdão do CRPS acostado nesses autos. Ademais, verificase que do breve material colhido nesse processo sobre a ação civil pública nº 2004.61.00.0077842, há discussão acerca da vigência da imunidade inicialmente conferida ao sujeito passivo em períodos atingidos pelo presente lançamento. Por fim, em sede de recurso voluntário, sustenta o sujeito passivo que para fins de cálculo das contribuições previdenciárias foram incluídos como segurados empregados alunos e estagiários os quais haviam sido beneficiados com as bolsas de estudo. Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 36266.007340/200691 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.402 S2C3T1 Fl. 5.470 3 Diante da ausência de elementos seguros, nesse processo, necessário é que se converta o julgamento em diligência para o seguinte: i) informe a autoridade administrativa se o processo administrativo instaurado por ocasião do Ato Cancelatório nº 02/2004 transitou em julgado na esfera administrativa, trazendo a esses autos todas as decisões nele proferidas; ii) intime o sujeito passivo para trazer cópia da petição inicial, sentença e eventuais acórdãos proferidos na ação civil pública nº 2004.61.00.0077842, bem como certidão de objeto e pé; iii) informe a autoridade administrativa se na base de cálculo apurada relativa às bolsas de estudo foram incluídos alunos e estagiários, explicando as suas razões; iv) informe a autoridade administrativa se os dados para o lançamento fiscal foram entregues por qualquer meio antes de sua efetivação; e v) informe a autoridade administrativa se a bolsa de estudos foi fornecida a todos os segurados da recorrente. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam tomadas as providências elencadas nos itens “i” a “v” acima descritas e, após, intimar o contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13876.000036/89-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1985
Concomitância. Renúncia à Esfera Administrativa:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n º 1.)
Numero da decisão: 1801-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius de Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1985 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n º 1.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius de Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 00 36 /8 9- 78 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRF em Sorocaba que não tomou conhecimento da impugnação apresentada pela interessada contra a exigência de IRRF consubstanciada nos autos, por considerála intempestiva. 1 Dos Fatos Através da Notificação a que se refere o documento de fl. 01, foi a empresa em epígrafe, intimada a recolher o IRRF no valor equivalente a Cz$ 51.039,45 que, acrescido de correção monetária, multa de 50% e juros de mora, constituiuse em crédito tributário no montante total de Cz$ 7.317.559,62, relativamente ao exercício de 1986 , anobase de 1985, tributada exclusivamente na fonte à razão de 25% ( vinte e cinco por cento ) como lucros automaticamente distribuídos aos sócios. nos termos do art. 8o.do Decreto L? 2065/83, como exigência reflexa da autuação principal de IRPJ, em cujo procedimento foi constatada omissão de receita na pessoa jurídica acima identificada, decorrente do confronto dos valores referentes à receita com revenda de mercadorias e às compras constantes da declaração de rendimentos, com os dados informados pelos fornecedores. A interessada foi cientificada da notificação, em 14/01/89, como demonstra a cópia do AR à fl. 27 e ingressou com impugnação, em 16/02/89, refutando, através de vasta argumentação, o procedimento adotado pela Secretaria da Receita Federal, na apuração da omissão de receita da empresa. A autoridade administrativa não tomou conhecimento da impugnação, por considerála intempestiva, nos termos do artigo 15 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF, e por decorrência, aplicou o mesmo entendimento à exigência de IRRF (fls. 30/31). Notificada da decisão, em 28/04/89 (AR fl. 32), apresentou, em 04/05/89, recurso voluntário (fls. 33/40). Nas razões recursais alegou, em preliminares, que as devoluções de mercadorias por motivos diversos seriam essenciais não só para fins do IRPJ, mas vitais para o PIS onde, ressalvado o PISdedução, só o faturamento seria a base de cálculo. Assim, se por qualquer motivo a mercadoria não é entregue, não seria possível admitir que a mesma gerou um fato econômico perfeito e acabado. Afirma que diante da dificuldade em demonstrar as falhas e equívocos praticados pelo SERPRO – que teria feito as vezes da fiscalização – teria conseguido através de outros autuados pelo mesmo Sistema FISGAS, prova de que a distribuidora Esso Brasileira de Petróleo S.A., emitiu várias "Notas Fiscais de Entrada", por motivos vários, tornando sem efeito a pretendida entrega da mercadoria. Conclui, assim, que não tendo o ordenador de dados do SERPRO detectado tais devoluções, em virtude da não ordenação dessas informações, teria simplesmente acolhido índices que não traduziriam a realidade, baseado num processo indiciário destituído de valor probante legal para os fins de direito. Aduz ter anexado aos autos Notas Ficais Fatura devidamente acompanhadas das Notas Fiscais de Entrada da mencionada distribuidora no aludido período do levantamento FISGAS, com observações que provariam que não houve a entrega daquelas mercadorias. Observa que a fiscalização não teria provado a entrega das mercadorias e que sua escrituração, mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais, faria prova a seu favor, dos fatos nela registrados. E prossegue, em suas palavras: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 3 3 “ É fato notório, corriqueiro, saberse que quando um posto atinge sua quota de combustível, previamente prevista em contrato, o combustível continuará sendo entregue ao mesmo, contra pagamento é óbvio, mas lançada em nome de terceiros. Dessa forma, quem paga o suposto fato neste tipo de processo por lançamento indiciário, são os terceiros que ainda não atingiram suas quotas, mas que as distribuidoras lançam para proteger os que já excederam não ficarem sem o combustível e os que precisam atingir a sua quota, não ficarem sujeitos às severas penalidades, previstas nos famosos contratos de CVM Contrato de Venda Mercantil. Como pode a fiscalização ter certeza que o Recorrente recebeu determinada quantidade de combustível, se não comprovou a real e efetiva entrega do mesmo, algo foi descarregado em seu nome só para atender a quota de alguém!” No mérito inicialmente tece considerações a respeito da possível nulidade da notificação, eis que o Coordenador do Sistema de Fiscalização não teria competência para lavrála, assim como o SERPRO não teria competência para fiscalizar e autuar. Prossegue no sentido de que a questão nuclear, in casu, seria o conceito jurídico de renda, na demonstração do patrimônio líquido da empresa e na análise de suas mudanças e que somente a avaliação direta do lucro do exercício é que poderia discernir o acréscimo patrimonial tributável, em outras palavras, 'renda' (C.T.N., art. 43, inc. I ). Afirma que a unilateralidade dos elementos computados pela Fiscalização Fazendária (dados fornecidos pelas Distribuidoras) teria ignorado, sem nenhum embasamento jurídico plausível, a bilateralidade ínsita ao negócio comercial entre Fornecedora e Posto de Revenda, e que o simples levantamento de notas fiscais de venda, nos estabelecimentos das Distribuidoras, seria insuficiente para deduzir pela omissão de receita, uma vez que não consultados, por exemplo, os respectivos canhotos daquelas notas, de posse dos Postos autuados. Tece considerações a respeito dos conceitos jurídicos que envolvem as expressões “fato gerador”, “presunção”, e “tributação indireta”, para concluir que a exigência foi desmedida, também porque resultou em bitributação reflexa nas pessoas dos sócios. Ao final pediu pelo acolhimento do recurso e conseqüente reforma da decisão de 1a. instância. Pelo Acórdão n º 10179.049, de 15/08/89, o então 1o. Conselho de Contribuintes confirmou a intempestividade da impugnação. Constou do julgado que, como no recurso apresentado a interessada não recorreu dessa questão à instância superior, declarou a perempção das razões de defesa e não conheceu do recurso (fls. 97/99 e verso). Cientificada da decisão, em 22/09/89 (AR. Fl. 101) e, inconformada, a interessada apresentou pedido de "Retificação de Acórdão", fls. 102/109, sendo a petição indeferida pelo Presidente da 1a. Câmara, "por inexistência do pretendido erro material, o que importa dizer que nada há a retificar no acórdão questionado", conforme despacho de fls. 199/200. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Diante do indeferimento do pedido de retificação de acórdão, a contribuinte apresentou "Pedido de Reconsideração", fls. 202/210, igualmente indeferido, nos termos do despacho de fls. 211/212. Sobreveio, em 04/02/2013, o despacho da DRF em Sorocaba (fls. 333 e verso) que tem o seguinte teor: 1. O presente processo administrativo trata de impugnação a Notificação de Lançamento, de Oficio, referente a Imposto de Renda Fonte, declarados na DPJ de 1986, conforme fls. 26 destes autos. 2. Impugnação apresentada pelo contribuinte não foi conhecida por intempestividade, fls. 28/31, assim como, por Acórdão proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, não se tomou conhecimento do Recurso Voluntário apresentado, vide fls. 93/96. 3. Inconformado, o interessado apresentou pedido de "Retificação de Acórdão", fls. 102/109, sendo a petição indeferida pelo Presidente da 1a. Câmara, "por inexistência do pretendido erro material, o que importa dizer que nada há a retificar no acórdão questionado", conforme despacho de fls. 199/200. 4. Diante do indeferimento do pedido de retificação de acórdão, o contribuinte apresentou"Pedido de Reconsideração", fls. 202/210, o qual foi indeferido nos termos do despacho de fls.295. 5. Objetivando dar seguimento ao seu recurso, o interessado impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o n° 90.00030269, que tramitou na 4aVara Cível da Justiça Federal de São Paulo. 6. Nesta Ação houve concessão de medida liminar para que o recurso voluntário apresentado pelo autor fosse encaminhado à instância superior. 7. Sobreveio sentença de mérito concedendo a Ordem e confirmando medida liminar deferida. 8. Recurso de Apelação apresentado pela União, bem como a remessa oficial não foram conhecidos pelo TRF 3a Região. Também não foi admitido Recurso Especial interposto pela União, e, finalmente, o Superior Tribunal de Justiça negou seguimento ao Agravo apresentado pela União. Esta decisão transitou em julgado, e os autos retornaram ao Juízo de origem. 9. Intimados da baixa dos autos, ambas as partes nada requereram. 10. Compulsando os autos do Processo Administrativo de Acompanhamento da Ação Judicial respectiva, processo n° 10855.000094/9059, verifiquei que houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio de Parecer, fls. 59/62, concluindo pela impossibilidade de seguimento do Pedido de Reconsideração de Acórdão apresentado pelo contribuinte. Houve, ainda, orientação da PFN para que fossem suspensos os processos administrativos respectivos, apensandoos ao PAJ em comento, para aguardar decisão judicial no âmbito do Mandado de Segurança citado, o que foi providenciado em 13/03/1990. 11. Em razão dessa juntada, os processos administrativos n°s 13876.000016/8961, 13876.000037/8931 e 13876.000036/8978 ficaram sem cadastramento no sistema de controle de débitos da época (PROFISC), o que dificultou, a identificação dos mesmos nesta Equipe, onde chegaram em novembro de 1992. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 4 5 12. Da análise das Decisões proferidas no âmbito do Mandado de Segurança em questão e, considerando que ocorreu o trânsito em julgado da ação, concluo que o presente processo administrativo, deve ser encaminhado ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para apreciação do Pedido de Reconsideração de Acórdão apresentado pelo contribuinte, ainda que o interessado não tenha manifestado interesse em dar seguimento ao referido recurso após a baixa dos autos ao Tribunal de origem, nos termos do despacho judicial de 01/08/2008. 13. v Registro, ainda, que os créditos tributários objetos da Impugnação e do Recurso Voluntário do contribuinte estão sendo discutidos no âmbito da Ação Judicial n° 001065327.1990.403.6100, ação esta que, por desmembramento, deu origem à Ação n° 001081380.2012.403.6100, em face da delimitação de litisconsórcio determinado pelo Juízo competente. Vide cópia do andamento processual respectivo, bem como das principais decisões extraídas no Sítio do TRF 3a Região. 14. O estágio atual destas ações é o de saneamento dos processos para prolação de sentença de Primeiro Grau, uma vez que as sentenças prolatadas anteriormente foram canceladas pela Instância Superior. 15. Frente ao exposto, encaminho o presente processo administrativo ao setor responsável para cadastramento dos débitos no sistema de controle adequado (SIEF ou PROFISC), e remessa ao CARF, em cumprimento à determinação Judicial. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Em cumprimento a expressa determinação judicial, transitada em julgado, como constou do relatório acima e, unicamente por tal razão, tomo conhecimento da petição denominada “Pedido de Reconsideração”, admitindoa como Recurso Voluntário, para o fim de apreciar as razões de defesa nela deduzidas. 2 Preliminarmente. Nesse contexto a recorrente insurgese contra o julgado que considerou intempestiva a impugnação afirmando, em suas palavras, que: a) a autoridade julgadora de primeira instancia não observou o disposta no art. 23, II do Decreta n º 70.235/72, isto é, a mesma não observou a data da prova do Fl. 376DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 recebimento da intimação, somente a data da expedição da intimação, conforme determina a referido dispositiva legal a saber: art. 23 Farseá a intimação: II Por via postal ou telegráfica, COM PROVA DE RECEBIMENTO b) A autoridade julgadora de 1a. instancia não só deixou de observar esta providencia legal, como também não exigiu a exibição da referida prova de recebimento no processo. Deu por cumprida a intimação, com a simples expedição, contrariando frontalmente o dispositivo legal, não podendo dessa forma alegar intempestividade. c) outro fato, somente "ad argumentandum tantum" tendo a Requerente postado não na dia 16/02/89, mas no dia 15/02/89 (vide docs. anexos ns 1 e 2), por si só já estaria dentro do prazo, seguindo a mesma raciocínio da autoridade de 1a. instancia. d) Ad Argumentandum tantun", a Requerente passa também a relatar o Acórdão proferido pelo Egrégio 1o. Conselho de Contribuintes, confirmado pela CSRF, a saber: "PRAZO DE IMPUGNAÇÃO CONTAGEM. Se a contribuinte é notificada em um sábado, dia em que não ha expediente na repartição fiscal, a contagem do prazo para impugnação só se inicia na terçafeira seguinte, porque o dia do início foi a segundafeira (se de expediente normal) e está excluído da contagem" (Art. 210 e paragrafo único do CTN). (Ac. Recorrido n9 1041.990, de 040581, da 4 ª Camara do 1o. CC e Ac. na CSRF/010.188, de 261181 ) . Como se verifica dos autos a recorrente foi cientificada das Notificações de Lançamento do IRPJ, IRRF e PIS, em14/01/89, como demonstra a cópia do AR à fl. 27. 14/01/89 foi a data em que a notificação foi recepcionada no endereço cadastral da empresa, foi aposta a mão e assinada pelo recebedor, Sr. João Camargo, como pode ser visto com clareza cristalina. Á época da ciência das Notificações de Lançamento, os artigos 5o. e 23 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o PAF, tinham a seguinte redação: Dos Prazos Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu Fl. 377DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 5 7 mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento; III por edital, quando resultarem improfícuo os meios referidos nos incisos I e II. § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II na data do recebimento, por via postal ou telegráfica; se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postaltelegráfica; III trinta dias após a publicação ou a afixação do edital, se este for o meio utilizado. No caso sob exame o dia 14/01/89 recaiu num sábado. Como os prazos do PAF somente se iniciam em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo, não se considera, para efeitos de contagem do prazo, nem o sábado, dia 14/01/89, nem o domingo, dia 15/01/89. O primeiro dia útil seguinte ao domingo, segundafeira, dia 16/01/89 deve ser excluído da contagem, porque foi o dia do início. Assim, o dia 17/01/89, terçafeira, é o dia 1 do prazo e o dia 15/02/89, é o 30o. e, portanto, último dia do prazo para apresentação tempestiva da impugnação, nos exatos termos do artigo 5o. do PAF, acima reproduzido . De acordo com carimbo da agencia dos correios constante do envelope remetido à repartição contendo a impugnação (fl. 63 e verso, processo principal do IRPJ), a peça de defesa foi postada em 16/02/89, quartafeira, fora, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias determinado pelo Decreto n º 70.235, de 1972, para sua apresentação. A impugnação apresentada é, portanto, intempestiva e, nessas condições, acertadamente não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1a. instância. A recorrente alega, ainda em sede inicial, a nulidade das Notificações de Lançamento ao argumento de que o agente signatário não seria competente para sua lavratura. Eis os argumentos da defesa: e) "Ad Argumentandum Tantum" nos termos da art. 7o., I do Decreto n º 70.235/72, a autoridade que efetuou a autuação o Coordenador do Sistema de Tributação não tinha poderes para tal, sendo conseqüentemente nula e irrita de pleno direito o auto lavrado a saber: art. 79 0 procedimento fiscal tem inicio com: I o primeiro ato de oficio escrito, praticado par servidor competente... Fl. 378DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Em que pese a afirmação, a recorrente não expôs os motivos pelos quais considerou que o agente fiscal – Coordenador do Sistema de Tributação – não teria competência para lavrar as notificações combatidas. De todo modo, este órgão colegiado de julgamento já possui sólido entendimento, no sentido de que o Auditor Fiscal, independentemente da função que ocupe, é competente para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário, nos termos do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional – Lei n º 5.172, de 1966: Art. 142.Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Mérito. Muito embora a impugnação apresentada pela recorrente tenha sido claramente intempestiva, incapaz, assim, de instaurar o contencioso administrativo fiscal, como prescrevem os artigos 14 e 15 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF abaixo reproduzidos o que implicaria no não conhecimento das razões recursais há, como foi consignado anteriormente, determinação judicial expressa, transitada em julgado, com ordem para que o recurso seja conhecido na esfera administrativa. Art. 14.A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Entretanto, após o transito em julgado da ação que determinou o conhecimento das razões de defesa – preclusas na esfera administrativa – Mandado de Segurança – a recorrente ingressou com a ação judicial de rito ordinário n° 0010653 27.1990.403.6100, que, por desmembramento deu origem à ação ordinária n° 0010813 80.2012.403.6100 (litisconsórcio), com o fim de discutir, naquela esfera judicial, o mérito das autuações de que tratam as Notificações de Lançamento do IRPJ, IRF (objeto dos presentes autos) e PIS, como demonstram as pesquisas anexadas às fls. 315 a 332, em especial decisão de fls. 326/328. Esse novo fato impede , agora por outro motivo, o conhecimento das razões meritórias de defesa, já que as ações judiciais tem por objeto as mesmas razões de fato e de direito que também são tratadas nas notificações de lançamento combatidas. Nesse sentido, este Órgão Colegiado de Julgamento já possui sólido e pacifico entendimento no sentido de não ser possível apreciar as razões recursais que forem Fl. 379DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 6 9 objeto de ação judicial, uma vez que à Esfera Judicial caberá a última palavra e é o poder que, de fato, irá decidir sobre o assunto em discussão na esfera administrativa. À propósito, transcrevo a seguinte súmula, que, de acordo com o artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF – é de observação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF n º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RICARF – Portaria MF 256, de 2009 ( e alterações): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto voto por tomar conhecimento do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10715.000014/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex.
Recurso Voluntário provido em parte.
Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte.
Numero da decisão: 3202-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REGISTRO. TRANSPORTADOR. DATA DO EMBARQUE DA MERCADORIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, quando o transportador descumpre a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no Siscomex, no prazo e condições estabelecidos pela RFB. Na contagem desse prazo, excluise o dia de início e incluise o de vencimento, conforme o caput do art. 210 do CTN, não sendo de aplicar, porém, a regra encartada em seu parágrafo único. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 14 /2 01 0- 19 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 50.000,00, com origem em transportes de carga realizados em fevereiro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 50.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segundo a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fls. 09 e 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 15 a 31, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 200, para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Drecretolei n° 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 131 3 ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal. Com esses argumentos, a interessada propugna pela insubsistência do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 21.458, de 08/10/2010 (fls. 57/72), em decisão assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 77/108, por meio do qual sustenta, em síntese, depois de defender a sua tempestividade e de relatar os fatos: Os prazos só vencem em dia de expediente normal na repartição. A questão encontrase absolutamente livre de controvérsias. Desde 2004, a própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRF/9ª RF n° 215, de 16 de agosto de 2004, não deixou dúvidas quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem do prazo para registro das informações no Siscomex às sextasfeiras, sábados, domingos, vésperas de feriados e feriados. A interpretação atribuída pela r. decisão a quo é exatamente o inverso daquela que se poderia admitir considerandose o princípio do in dubio pro contribuinte. Tratase, desta forma, de nítida violação também ao art. 106 do Código Tributário Nacional. O art. 112 do CTN deve ser observado primeiramente pela Administração Pública. Há impossibilidade prática de se realizar a averbação em dias não úteis. A Recorrente, da mesma forma que a Receita Federal, realiza suas operações 7 (sete) dias por semana. Aos sábados, domingos e feriados, todavia, o faz em regime de plantão. Nestas ocasiões não é viável a manutenção da totalidade de seus funcionários e pessoal técnico especializado para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex, sob pena de aumentar imensamente e injustificadamente os seus custos operacionais. A manutenção da cobrança da multa para averbações realizadas dentro do prazo contado de acordo com a legislação brasileira vai de encontro direto aos princípios da Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 motivação e da finalidade dos atos administrativos, bem como implica em desobediência à lei e a questão já definitivamente decidida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, apesar de o art. 37 da Instrução Normativa – IN n° 28 estar em vigor desde 1994, nenhuma multa era aplicada às companhias aéreas justamente pela indefinição da norma. Somente com a edição da Instrução Normativa n° 510, de 2005, é que se passou a ter ciência que o prazo para inserção dos dados de embarque era de 02 dias, mas ainda sem definição acerca da forma de contagem do prazo. É nulo o auto de infração em relação a alguns voos (vide fl. 87), eis que a empresa inseriu as informações de embarque no sistema dentro do prazo de dois dias úteis, conforme a Solução de Consulta n° 215, de 2004. Não existe prova de que o registro efetuado pela Recorrente se deu a destempo. Segundo art. 46 da IN nº 28, de 1994, a averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira do embarque. Ou seja, depreendese do referido dispositivo que a planilha de embarques que acompanha o auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. O auto de infração apresenta uma lista de datas de informação de embarque que não é correta porque o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Frisese ainda que até o ano de 2008 o sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO registrava alterações aos registros tempestivamente realizados como novos registros. Assim, caso fosse verificado, por exemplo, divergência de peso que impossibilitasse a averbação automática, as companhias aéreas tinham que excluir a informação equivocada, apagála do sistema e, em seguida, incluir a informação correta. Todavia, tal alteração somente era possível com a intervenção da fiscalização, nos termos do que dispõe o art. 49 da IN n° 28, de 1994. Para efeitos de contagem de prazo, portanto, e por defeito no sistema, levavase em conta a data da inserção da informação correta. Ou seja, a empresa aérea poderia até ter inserido a informação no prazo e com base no AWB, mas, em face de informação divergente da DDE, apenas a data da retificação ficava registrada. Daí porque não há como se considerar as informações constantes do auto de infração impugnado como corretas para fins de afirmação de que o registro se deu a destempo, porque o sistema era falho em guardar a data do primeiro registro efetuado pela Recorrente. Este fato foi objeto inclusive de análises da própria Receita Federal em várias Soluções de Consulta (Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT/N° 215, de 16 de agosto de 2004). É fato frequente nos dias de hoje, e ainda mais frequente em anos anteriores, que as companhias tentem acessar o SISCOMEX e não obtenham êxito, tendo que aguardar o sistema retornar ao seu status regular após diversas horas ou mesmo dias. A constatação da infração não leva em consideração as indisponibi1idades do sistema e sequer as aponta. Considera o mundo ideal em que o SISCOMEX está à disposição ininterruptamente. Por esta razão todas as empresas de aviação, bem como os agentes de carga, sem exceção, consideram injusta a aplicação da multa pelo atraso na inserção de dados no sistema, eis que não podem ser responsabilizadas por fato alheio às suas vontades. Visando comprovar o alegado, a Recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, razão pela qual é absurda a imposição de multa à Recorrente considerandose as diversas falhas do Siscomex (referente a datas dos anos de 2002 a 2005). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 132 5 As obrigações acessórias previstas no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 têm por finalidade auxiliar o controle de conferência e estatístico da exportação. A inobservância daqueles prazos somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadação do Fisco. Tal ocorre, por exemplo, quando a averbação é corrigida para enquadrar a remessa em regime especial tributário (drawback). De fato, é o exportador, e não o Fisco, o maior interessado na averbação, pois o fechamento do câmbio e o consequente recebimento das receitas de exportação só se dão com a conclusão desta formalidade. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação encerrase com a autorização para o embarque da mercadoria, na forma do artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994. Todos os voos de que trata o auto de infração impugnado na instância a quo são voos de exportação. O regime tributário brasileiro desonera ampla e irrestritamente a exportação. Mesmo as receitas derivadas das exportações são imunes de contribuições sociais por determinação constitucional. Neste sentido, as obrigações acessórias relativas ao despacho de exportação existem para fins de controle de conferência e estatístico. Sendo assim, a aplicação da multa somente poderia se dar se o atraso da averbação efetivamente ocasionasse prejuízo ao interesse público ou ao fisco o que não ocorreu em qualquer das ocorrências listadas no Termo de Constatação. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, dispõe que é vedado ao Estado impor aos administrados obrigações e sanções em medida desnecessária ao atendimento do interesse público. Vale ressaltar, por fim, que a Receita Federal possui diversas soluções de consulta afirmando que a multa por embaraço à fiscalização somente pode ser aplicada quando restar comprovado o impedimento ou o embaraço à atividade fiscal, conforme soluções transcritas no Recurso, o que não ocorre no caso em exame. Há uma absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa pela alegada infração da Recorrente. A Receita Federal vem aplicando multas à Recorrente por praticamente todos os voos realizados nos anos de 2004 a 2009. A Recorrente presta informação completa em relação a todos os AWBs voados. Isto sugere que o atraso era decorrente de questões operacionais (falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa. É importante lembrar que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria. A obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da Instrução Normativa 28/94 é complexa. A intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques. A multa prevista no DecretoLei n° 37/66 não foi concebida considerandose a prática do negócio de exportação aérea. Ela é uma multa única para situações totalmente diversas. Quanto mais AWBs embarcados, mais chances de atrasos existem por força da lei universal e inafastável da estatística. No presente caso, devese observar que a aplicação de multa à Recorrente pela inserção intempestiva de dados no Siscomex não obedece aos requisitos do art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional, eis que não visa ao interesse da fiscalização ou da arrecadação de tributos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A multa aplicada tem caráter confiscatório. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente principia as suas razões de defesa com a alegação de que nulo é o lançamento, ao fundamento de que a multa aplicada não corresponde à infração praticada, o que cerceou o seu direito de defesa. Acresce também que não haveria provas do cometimento da infração. O equívoco, em ambos os casos, é evidente. Primeiro, porque basta verificar o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar, acostado à fl. 3 dos autos, para constatar que a fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, não alínea “c” do mesmo dispositivo. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga Portanto, enquadramento incorreto não há. Segundo, porque que os dados que embasaram o lançamento foram extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema informatizado que reflete, num único ambiente, todas as informações relativas ao comércio exterior e no qual é exercido o controle governamental brasileiro, a partir inclusive, impende ressaltar, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregos ou representantes legais. Se alguma delas está incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Contudo, nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas na planilha de fls. 11/12. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 133 7 Pelo mesmo motivo, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas com algumas que se teriam verificado inclusive em anos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. No mérito, a questão litigiosa já foi inúmeras vezes apreciada por esta Turma – a multa pelo não registro no Siscomex, no prazo assinalado na legislação aduaneira, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Em julgamento recente, expus o entendimento de que o prazo que deveria regrar a obrigação do transportador era o estabelecido na legislação vigente na data do embarque, independentemente de sua ampliação por legislação superveniente. Depois de meditar sobre o assunto com maior detença, cheguei à conclusão de que, de fato, é de se aplicar a tese da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN. Por comungar com o entendimento firmado pelo il. Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator do Acórdão n.º 3202000643, de 27/02/2013, adotoo como razão de decidir, motivo pelo qual passo a transcrever a parte que se refere ao tema: A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).” (grifei) Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a aplicação da retroatividade benigna a situações Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 134 9 como a que se apresenta nesse litígio, estou alterando entendimento anterior já adotado nessa Turma (quando acompanhei a i. relatora no Acórdão nº 3202000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender que a situação fática posta nesses autos amoldase perfeitamente à hipótese de retroatividade benigna. Senão vejamos. A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Nesse diapasão, o CTN consagrou no artigo 106, inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. O professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª edição, p. 95) afirma que “as duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”. Muito embora concorde que a ponderação do jurista é extremamente pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amoldase melhor à situação fática. Isto porque a legislação nova (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de tratar o ato praticado não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias (previstos na IN SRF n° 28/94 alterada IN SRF n° 510/05) – como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão (alínea “b”), uma vez que a nova norma prescreve, agora, o prazo de 7 dias. Em outras palavras, o ato de não registrar os dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova norma. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para aqueles casos em que o registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex tenham ocorrido em até 7 dias nos termos do que dispõe a IN SRF n° 1.096, norma que atualmente regula a matéria. Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou na Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à retroatividade benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex: “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (Grifei) Portanto, devem ser excluídas da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 (sete) dias. De conseguinte, deve ser mantida a autuação apenas quanto aos embarques a seguir mencionados (extraídos da tabela de fls. 10/11): DDE Data de Embarque Data de Informação no Sistema Voo Dias transcorridos para o registro Multa 20601208765 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 20601246357 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 20601269624 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 5.000,00 20601148673 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601217756 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601235258 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601303849 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 5.000,00 20601554906 14/02/2006 14/03/2006 AF/443 28 5.000,00 Na contagem dos prazos, a decisão recorrida acertadamente considero a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN, que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 135 11 O nosso entendimento, como se vê, é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT n.º 215, de 2004. Contudo, além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/voo, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 15.000,00. O argumento de que a multa tem caráter confiscatório (ou que viola qualquer outro princípio constitucional), bem como que confronta com o Código Tributário Nacional, não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes (Súmula CARF n.º 2). Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração adicional. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.012697/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 69 7/ 20 10 -2 2 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012697/201022 Resolução nº 2403000.190 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 38/52, interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, de n. 0533.487, prolatada na sessão de 19 de abril de 2011. A Recorrente afirma que em 18/02/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08104002010000640, o qual o cientificou acerca dos procedimentos de fiscalização para o período de 2006 e 2007, que decorreu na lavratura do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.286.5569, objetivando a cobrança do crédito tributário no importe de R$ 56.041,57 (cinqüenta e seis mil, quarenta e um reais e cinqüenta e sete centavos). O Recorrente alega ausência de descrição com clareza e precisão das infrações, supostamente violando o princípio da ampla defesa, bem como a impossibilidade da tributação do reembolso de despesas, denominados de premiação. Também argui o caráter confiscatório da multa aplicada, ao arrepio do art. 150 da Constituição Federal, art. 150, VI, requerendo ao final, a reforma do acórdão recorrido, determinandose por conseguinte a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012697/201022 Resolução nº 2403000.190 S2C4T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.53, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A partir da análise da fl. 53 do processo principal (10830.012696/201088), percebese que o presente processo era, originalmente, de papel e foi convertido em digital pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, que atestam a tempestividade do recurso e informam que o processo 10830.012696/201088 (DEBCAD 37.286.5550) é o principal e os processos 10830.012695/201033 (DEBCAD 37.286.5542) e 10830.012697/201022 (AI 37.286.5569) foram a eles apensados. No entanto, nos arquivos disponíveis no eprocesso, consta apenas a capa do Volume I dos autos, fl. 01, além dos termos de apensamento e recursos voluntários. Tal situação inviabiliza o julgamento por parte deste colegiado, sendo necessário a realização de diligência para fins de busca dos documentos físicos para digitalização e posterior indicação para julgamento. CONCLUSÃO Do exposto, converto o julgamento em diligência a fim de determinar a digitalização completa do processo. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000759/96-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994
IRPJ - CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO - MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS - DECRETO Nº 332/91.
Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei.
Numero da decisão: 9101-001.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994 IRPJ - CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO - MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS - DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior votaram pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior votaram pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 07 59 /9 6- 37 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 9 2 Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 10194.766, proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração exige IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1991 a 1994. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo que julgou o lançamento procedente em parte, “exonerando parcela do valor correspondente à correção monetária da restituição de Imposto de Renda — particularmente as variações seguintes ao início da compensação desses valores com tributos apurados no auto, despesa de CSLL no cálculo do IRPJ — e a parcela da multa que excede 75%, mantendo as demais exigências que ensejaram o lançamento do IRPJ, CSLL e multa regulamentar, com as compensações alteradas conforme demonstrativos de fls. 199/200, parte integrante dessa decisão, e o demonstrativo dos valores exigidos de fls. 223/224”. Sobrevieram Recurso Voluntário, Recurso de Ofício e o acórdão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer em parte a exigência relativa à correção monetária do IRFonte e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para: 1) excluir da matéria tributável a correção monetária, a partir de 30 de outubro de 1993, incidente sobre a parcela do IRRF vertido para a empresa J. Walter Thompson Publicidade; 2) cancelar a exigência relativa à correção monetária de mútuos; e 3) reconhecer o direito à dedução, da base de cálculo do IRPJ, da CSLL lançada de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A decisão restou assim ementada: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não configurado cerceamento de defesa, eis que não caracterizadas as alegadas insuficiências na narrativa das infrações e ausência de demonstrativos, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. IRPJ RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. A restituição do Imposto de Renda está sujeita à variação monetária que, por sua vez, é considerada receita operacional, devendo ser apropriada ao resultado segundo o regime de competência. MÚTUO ENTRE COLIGADAS CORREÇÃO MONETÁRIA. Com o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 10 3 advento do Decreto 332/91, as contas representativas dos mútuos entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas passaram a se sujeitar à correção monetária do balanço. Porém, como sua inclusão entre as contas sujeitas à correção monetária deuse através de decreto, e não de lei, a jurisprudência deste Conselho firmouse no sentido de sua invalidade. GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A NOTAS FISCAIS EM NOME DE CLIENTES. Não comprovado, pelo contribuinte, que as notas fiscais emitidas em nome de clientes integraram as receitas tributadas, não há como admitir sua dedução como custo, sendo de se manter a respectiva glosa. DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei 9.316/96, o valor da contribuição, lançado de ofício, deve ser considerado como despesa dedutível na determinação do imposto de renda apurado no mesmo procedimento. FALTA DE ENQUADRAMENTO LEGAL. VALORES ARROLADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO PARA EFEITO DE CÁLCULO. A falta de enquadramento legal expressamente declarada no auto de infração não o invalida, uma vez esclarecido que os valores arrolados não correspondem a infração, tendo sido considerados somente para efeito de cálculo, tratandose de artifício empregado para utilização do programa de lavratura eletrônica de auto de infração, sem importar em resultados diferentes aos que se obteria sem a utilização do programa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. Comprovado que ao apurar os valores a tributar o autuante realizou a compensação dos prejuízos fiscais, inclusive dos referentes ao período autuado, não fica caracterizado o vício de cálculo alegado. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL. O decidido em relação ao IRPJ aplicase ao lançamento da CSLL, naquilo que influenciou sua base de cálculo e se não houver razões específicas para tratamento diferente.Aplicase ao lançamento reativo BASE DE CÁLCULO NEGATIVA TRAZIDA DO ANOBASE 1991. Somente pode ser compensada a base de cálculo negativa da CSLL quando apurada a partir de janeiro de 1992. DEDUÇÃO DA CSLL DE SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO Demonstrado ter sido considerada na ação fiscal, a dedução da CSLL de sua própria base de cálculo, descaracterizado o vício alegado. OMISSÃO DE RECEITA. CORREÇÃO MONETÁRIA. A falta de contabilização de receita de correção monetária pode ser compensada, de oficio, com bases de cálculo negativas de períodos anteriores,.não podendo ser considerada omissão de receita, nos termos da legislação que veda a compensação de valores omitidos, apurados em procedimento de ofício, com prejuízos acumulados ou do período. RETROATIVIDADE DE LEI. MULTA DE OFÍCIO. Excluise, de ofício, a exigência da multa superior ao percentual de 75%, por haver, a lei posterior ao fato gerador, cominado penalidade menos severa. Recurso de ofício e recurso voluntário providos em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual requer a reforma do acórdão no tocante à correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladas e controladoras, conforme Decreto nº 332/91 (que regulamentou a Lei nº 7.799/89). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 11 4 O despacho de fls. 811/812 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista ter sido interposto contra decisão não unânime proferida antes do atual Regimento Interno do CARF. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 824/829. Ato contínuo, o contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls. 856/866), requerendo a reforma do acórdão recorrido quanto à correção monetária sobre os créditos de IRRF. O despacho de fls. 928/930 entendeu por negar seguimento, uma vez que não constatou divergência jurisprudencial. Cientificado do referido despacho, o contribuinte manifestouse pela adesão aos benefícios da Lei nº 11.941/2009, efetuando pagamento a vista considerando saldo atualizado dos depósitos efetuados (petição de fls. 952/953 e informação de fls. 965). As informações de fls. 965 esclarecem, ainda, que: Como o Recurso Especial da Fazenda Nacional ainda não foi julgado, o procedimento normal seria apartar o processo: a parte paga ficaria aguardando as providências para reconhecimento dos benefícios da Lei e então seria encerrada enquanto que a parcela objeto de Recurso Especial seria encaminhada ao CARF para julgamento. Mas neste caso este procedimento seria extremamente complicado porque a parcela em discussão (item 1.2 da autuação) faz parte da base de cálculo e, como se pode ver pelo demonstrativo de fl. 937, o cálculo é bem complexo para chegar ao valor devido. Dessa forma, o processo não será apartado e será encaminhado ao CARF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Após seu retorno e de acordo com o acórdão proferido, deverão ser tomadas as providências para a concessão dos benefícios da Lei 11.941/2009, considerando os pagamentos e os depósitos efetuados. Os autos foram então distribuídos a esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O presente julgamento tem por objeto o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de acórdão não unânime, proferido na vigência do antigo Regimento Interno do CARF, razão pela qual dele conheço. Ao Recurso Especial do contribuinte foi negado seguimento, tendo este posteriormente aderido ao parcelamento. Quanto à adesão ao parcelamento, a petição de fls. 952 noticia que: “A Requerente foi intimada, em 14/07/09, do despacho proferido pelo Presidente da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do qual foi negado Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 12 5 seguimento ao recurso especial da empresa. Junto com a intimação, veio a determinação para recolhimento do débito correspondente. 3. Conforme amplamente divulgado e também apontado pela referida intimação, a Lei n° 11.941/2009 instituiu condições especiais para parcelamentos de débitos no âmbito federal, alcançando a dívida cobrada por meio deste processo administrativo. 4. Desta forma, a Requerente adianta que pretende aderir ao Programa, confirmando, portanto, que tomará as medidas cabíveis para informar os débitos que serão parcelados, os descontos cabíveis, etc. Ou seja, sobre a parte que o Recorrente não se sagrou vencedor, o mesmo desistiu de prosseguir na discussão. No tocante ao Recurso Especial da Fazenda, a discussão se limita à necessidade de correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas. As demais questões não foram objeto de Recurso Especial. Assim, delimitando a lide, a controvérsia se cingese à necessidade de correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas. Segundo a Recorrente, a Lei nº 7.799/89 determinou a correção monetária de uma série de contas. O Decreto nº 332/91, ao regulamentar a referida lei determinou que as contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladas e controladoras deveriam sofrer correção monetária. Para a Recorrente, o mencionado decreto não ampliou ou inovou no ordenamento jurídico, tampouco ofendeu os limites da Lei nº 7.799/89. Aduz que a mencionada lei teria permitido ao Executivo incluir outras contas no rol de contas sujeitas à correção monetária previsto na Lei nº 7.799/89. A recorrente menciona nesse sentido o acórdão 10320.052. Dispõem as referidas normas: Lei nº 7.799/89: Art. 4° Os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do períodobase serão computados na determinação do lucro real mediante os seguintes procedimentos: (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) a) das contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, e das provisões para atender a perdas prováveis na realização do valor de investimentos; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) b) das contas representativas do custo dos imóveis não classificados no ativo permanente; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 13 6 c) das contas representativas das aplicações em ouro; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) d) das contas representativas de adiantamentos a fornecedores de bens sujeitos à correção monetária, salvo se o contrato previr a indexação do crédito; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) e) das contas integrantes do patrimônio líquido; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) f) de outras contas que venham a ser determinadas pelo Poder Executivo, considerada a natureza dos bens ou valores que representem; Decreto 332/91: Art. 4º Os efeitos de modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do períodobase serão computados na determinação do lucro real mediante os seguintes procedimentos: I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: (...) e) das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas ou associadas por qualquer forma, bem como dos créditos da empresa com seus sócios ou acionistas; O acórdão recorrido, a despeito de admitir a inclusão das contas representativas de mútuos entre pessoas coligadas/interligadas no rol de contas sujeitas à correção monetária, entendeu que tal inclusão não poderia ter sido feita por decreto, reconhecendo sua invalidade. Cita nesse sentido o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 794). A discussão se refere à período em que vigia a correção monetária de balanço, o que foi revogado pela Lei n 9.249/95. Naquela época, por ocasião da análise da determinação do artigo 4º da Lei 7.799/88 e do Decreto 332/91, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes era ampla no sentido de afastar a necessidade de correção monetária de contas representativas de mútuo entre pessoas coligadas. Referidos acórdãos mencionam inclusive jurisprudência judicial, verbis: Acórdão CSRF/0104.580, sessão de 10.06.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 14 7 correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Acórdão CSRF/0104.550, sessão em 09.06.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Acórdão CSRF/0104.644, sessão de 12.08.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91 Em fade da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Recurso especial a que se nega provimento. Fato é que tal discussão cingese a um período em que vigorou a possibilidade e o dever de corrigir monetariamente as contas do balanço patrimonial e que em nada impactam doravante nos procedimentos do contribuinte e da fiscalização. Se assim é, entendo que até pelo princípio da segurança jurídica e da isonomia, devo reportarme à posição tão sedimentada na Câmara Superior de Recursos Fiscais e cuja alteração de posicionamento nesse momento afetaria tão somente aqueles poucos casos ainda não analisados e não se prestaria a dirimir dúvida jurisprudencial sobre situações ou matérias que pudessem implicar em efeitos futuros. De todo o exposto, nos termos das reiteradas manifestações da Câmara Superior de Recursos Fiscais, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso da d. Procuradoria. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2013. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 15 8 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001542/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF. 13º SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PRÉ-QUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não levadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PRÉQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não levadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 15 42 /2 00 9- 61 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 107 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor original de: (...) Conforme a Descrição dos Fatos de fl. 05 (verso), o lançamento é decorrente de deferimento parcial de SRL (Solicitação de Retificação de Lançamento). Após análise dos documentos apresentados, constatouse compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O valor foi alterado para R$ 17.915,14 em razão da glosa de R$ 3.888,48 referente à parcela de rendimento sujeito a tributação exclusiva na fonte (13° salário), que não pode ser compensado na declaração de ajuste anual. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando que: “1 PRELIMINAR Solicito que seja revisto e cancelado o valor glosado, uma vez que, baseado em documentos comprobatórios, anexos à presente impugnação, comprovase o valor por mim declarado, como valor realmente retido e recolhido a Receita Federal por meio de DARF autenticado eletronicamente. Alega o auditor que o valor glosado referese parcela de 13° salário sujeita à tributação exclusiva na fonte, porém o referido valor foi deduzido do valor que eu deveria receber e foi repassado à Receita Federal, conforme DARF anexo, portanto novo recolhimento acarretaria em dupla tributação; 2 MÉRITO (inciso II e IV do art. 16 do dec. 70.235/72) Estou anexando à presente petição, os documentos comprobatórios : DARF recolhido pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 22.616,06, devidamente autenticado e o documento de comprovante de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda na base; ano calendário 2005, também fornecido pelo Banco do Brasil, onde comprovam o valor por mim declarado (R$ 22.616,06); Por fim, pede o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento do débito. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 108 3 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 91/93, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte relativo ao décimo terceiro salário não pode ser compensado com o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, pois tratase de rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/01/2012 (fl. 97), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 98/100, em 15/02/2012. Em sua defesa, aduz que o valor do IRRF de R$ 17.915,14 incidiu sobre juros moratórios, férias indenizadas e reflexos de horas extras sobre férias indenizadas, acréscimos estes sobre os quais é indevido o imposto de renda, conforme entendimento do Colendo STJ. Também alega que o valor glosado não poderia ter sido deduzido do valor líquido a que tinha direito de receber à época da liquidação da ação trabalhista, pois, se o referido valor glosado (R$ 3.888,48) foi deduzido do montante que faria jus, o valor está sendo bitributado na medida que estão lhe querendo imputálo novamente. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida de o presente lançamento de glosa de imposto de renda, que foi mantida acertadamente pela decisão recorrida, uma vez que restou comprovado nos autos que se refere à parcela do 13° salário que não se sujeita ao ajuste anual. Ademais, conforme esclarecido pela decisão de primeira instância, não se verifica, no caso, a alegada dupla tributação, pois, o Contribuinte teve descontado IRRF sobre seus rendimentos em razão de ter recebido valores a título de terceiro salário que são rendimentos de tributação exclusiva. Assim, o que ocorreu no lançamento foi apenas a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 109 4 correção dos valores compensáveis de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, tudo nos termos da Lei. Melhor sorte não socorre o Recorrente no que se refere ao argumento de que o valor do IRRF de R$ 17.915,14 incidiu sobre juros moratórios, férias indenizadas e reflexos de horas extras sobre férias indenizadas, acréscimos estes sobre os quais é indevido o imposto de renda, conforme entendimento do Colendo STJ, haja vista que a fiscalização considerou corretos os rendimentos tributáveis declarados. Isto é, as parcelas excluídas da tributação pelo Contribuinte não foram objeto do presente lançamento, tratandose, portanto, de matéria estranha ao presente litígio. Além disso, tratase de matéria preclusa da qual não se toma conhecimento, por não ter sido levada a debate em primeira instância. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13411.720018/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.720018/200805 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202002.552 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrentes EDILBERTO DE CARVALHO COELHO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 18 /2 00 8- 05 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado). Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, EDILBERTO DE CARVALHO COELHO, foi lavrado o auto de infração de fls. 4 a 17, no qual é cobrado o imposto de renda pessoa física (IRPF) relativamente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, no valor total de R$ 2.746.115,61, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 30/04/2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.767.979,10. A ação fiscal foi precedida de investigações realizadas pelo Departamento da Polícia Federal, Ministério da Justiça por determinação judicial, conforme documentos de fls. 21 a 156. – Por meio do Ofício de fls. 19 a 20 o Exmo. Juiz da 1ª Vara da Justiça Federal no Piauí determina a realização de ação fiscal relativa ao sujeito passivo e, às fls. 742 a 747 autoriza a transferência de seu sigilo bancário. Constam do processo, entre outros, os seguintes documentos relativos à citada investigação: (i) Laudos de Exame Econômico Financeiro nº 53/2006 (fls. 28 a 36), nº 111/2006 (fls. 37 a 45), 130/2007 (fls. 49 a 54) decorrentes da análise da movimentação financeira do contribuinte, nos anos de 2003 a 2006; (ii) depoimento prestado pelo investigado junto ao Departamento da Polícia Federal (fls. 46 a 48), em que informa ser servidor público estadual e que “além de seu salário da fazenda, aufere renda em razão da troca de cheques que realiza no Município de Araripina/PE, cobrando comissão de dois a dois e meio por centro de cada cheque trocado” (fls. 46), utilizando para esse fim a conta corrente do Banco do Brasil nº 16.5816, agência 0600Araripina; (iii) Ofício da Delegacia da Receita Federal informando à autoridade judicial sobre o início da ação fiscal, como determinada (fls. 157). Foi expedido o termo de início de fiscalização de fls. 161 a 163, pelo qual foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação aos anos calendário de 2003 a 2006, comprovação dos rendimentos auferidos bem como os extratos bancários de todas as contas mantidas em instituições financeiras. Em atendimento foram fornecidos por cópia os seguintes elementos: (i) documento de identidade (fls. 166); (ii) recibos de entrega e, parcialmente, declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 167 a 177); (iii) DARF relativo a quota de IRPF do exercício 2007, no valor de R$ 355,71 (fls. 179); (iv) comprovantes de despesas com instrução(fls. 178 a 182); Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 (v) extratos bancários da conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 183 a 667). A fiscalização, então, de posse da documentação coletada, procedeu à elaboração de planilhas contendo os depósitos bancários de valor superior a R$ 3.000,00 efetuados na conta corrente acima citada (fls. 678 a 696) e as encaminhou ao contribuinte, mediante termo de intimação de fls. 674, solicitando que comprovasse a origem dos recursos depositados. – Foram apurados os seguintes valores anualmente, conforme consolidação de fls. 705: (i) ano calendário de 2003: R$ 2.634.174,16; (ii) ano calendário de 2004: R$ 2.505.194,43; (iii) ano calendário de 2005: R$ 1.926.751,33; e (iv) ano calendário de 2006: R$ 2.943.707,78. Em atendimento, o contribuinte apresentou a carta resposta de fls. 697 a698, argumentando haver atuado como gerente geral da filial de Araripina do Armazém Nordeste Ltda, recebendo comissões das vendas da referida empresa, conforme a seguir transcrito: “O contribuinte, por mais de 08 (oito)anos, exerceu a função e confiança, na qualidade de Gerente Geral, da filial de Araripina, do Armazém Nordeste Ltda, grupo este que tem sua Matriz na Cidade de PicosPI, perfazendo, nesse período, rodízios em várias cidades do Nordeste, como: SimõesPI, TauáCE, OuricuriPE, entre outras. Durante o pacto laboral, percebia uma remuneração sobre a totalidade das comissões das vendas das referidas loja.” (fls. 697). Nesta mesma carta resposta negou a aquisição da disponibilidade de renda pois os valores decorreriam de operações realizadas por terceiros, com utilização de sua conta corrente, como se lê abaixo: “Descabe, por conseguinte, cogitar se da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte, tendo em vista que as operações financeiras realizadas foram realizadas por terceiros, na conta corrente do contribuinte, entretanto, sobre o montante dessas operações ora investigadas, houve a incidência do imposto devido: a CPMF !!.” (fls. 698). Esclareceu que, nesse período, esteve licenciado do serviço público estadual e que não há relação entre os depósitos bancários e os gastos por ele realizados, visto que a movimentação financeira não caracterizou disponibilidade de renda e de proventos. Em relação aos valores contidos nas planilhas, solicitou fossem excluídos valores relacionados a cheques devolvidos e estornados. Constam ainda do processo as declarações de ajuste anual do contribuinte (DIRPF) dos anos calendário de 2003 a 2006, exercícios 2004 a 2007 (fls. 706 a 721) , e as declarações de imposto de renda retido na fonte (DIRF) dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 722 a 726). Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 4 5 A autoridade lançadora procedeu, então, à lavratura do auto de infração, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 6 a 11: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (omissão no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003; omissão no valor de R$ 2.505.194,43, no ano calendário de 2004; omissão no valor de R$ 1.926.751,33, no ano calendário de 2005; e omissão no valor de R$ 2.943.707,78, ano calendário de 2006). Foi aplicada multa qualificada no percentual de 150% sobre a infração. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, protocolada em processo nº 13411.720020/200876, cancelado em razão do prévio conhecimento do ação fiscal pela autoridade judicial (fls. 828 a 831). Cientificado da exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 749 a 756, juntamente com cópia do auto de infração (fls. 757 a 772), dos termos de intimação recebidos no curso da ação fiscal (fls. 773 a 774), da carta resposta anteriormente apresentada (fls. 775 a 776) e de transcrição de jurisprudência relativa a terceiros (fls. 777 a 780), alegando em síntese: – que o auto de infração é nulo, inclusive no que tange à exorbitante multa aplicada; – que a renda bruta, base de cálculo utilizada no lançamento, está em desacordo com o conceito de renda previsto no inciso III do art. 153 da Constituição Federal (CF/1988) e no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN); – que o Tribunal Federal de Recursos (TRF) emitiu a Súmula nº 182, ainda em plena validade, declarando a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base apenas em depósitos bancários; – que a exigência de imposto de renda sobre os depósitos bancários caracteriza bitributação, uma vez que parte dos valores já sofre a incidência de outros tributos; – que com o advento da Lei Complementar nº 105/2001, autorizando a quebra do sigilo bancário dos contribuintes, a permissão prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 para utilização da presunção juris tantum da omissão de receita, passou a exigir da fiscalização a real apuração dos fatos, por meio de investigação e auditoria; – que, conforme arts. 1º, 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, a administração tributária pode obter os extratos bancários por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) , mas não pode simplesmente lançar o tributo pelos saldos das contas bancárias, sem verificar outras circunstâncias, tais como os sinais exteriores de riqueza ou acréscimos patrimoniais; – que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 foi tacitamente revogado pela Lei Complementar nº 105/2001; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 – que com a edição do DecretoLei nº 2.471/1988 os créditos tributários constituídos com base exclusivamente em depósitos bancários foram cancelados, como previsto em seu art. 9, inciso VII. Cita doutrina e jurisprudência em apoio a suas alegações; – que a autoridade fiscal não levou em consideração as razões apresentadas durante o curso da ação fiscal conforme cartaresposta anexada ao processo; – que a multa aplicada no percentual de 150% é confiscatória, caracterizando afronta ao disposto no inciso IV do art. 150 da CF/1988. Que deveria ter sido aplicada a multa no percentual de 50% prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 pois, ainda que tivesse havido omissão de rendimentos como arbitrada pela fiscalização, a multa no percentual de 75% seria confiscatória; – que, ainda em relação à multa de 150%, não foi demonstrado o intuito de fraude; – “que os depósitos bancários anotados pela fiscalização referiram0se às atividades do defendente, como Gerente da filial de Araripina da empresa Armazém Nordeste Ltda, donde já se afastou, retornando ao cargo público, não tendo, em princípio, como provar documentalmente, por agora, a origem da movimentação bancária apontada” (fls. 756); – por fim, requer o acolhimento da impugnação e a decretação da nulidade do auto de infração e do crédito tributário lançado, protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas. Tendo em vista a necessidade de dirimir dúvidas quanto à apuração dos valores considerados omitidos relativamente a estornos, cheques devolvidos e proventos, o processo foi baixado em diligência conforme Despacho nº 964 de fls. 785 a 793. . Realizada a diligência, foi elaborado o termo de encerramento de fls. 796 a 797, contendo planilhas com os valores dos créditos efetivamente depositados em conta corrente, conforme quadro abaixo: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 5 7 A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência de uma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 6 9 Em razão das parcelas eximidas terem ultrapassado o limite de R$ 1.000.000,00 (imposto e multas), deve o Acórdão ser levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grau de recurso de ofício. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos previstos na legislação tributária. NULIDADE. LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ votou por julgar procedente em parte a impugnação, de acordo com a decisão, foram apuradas omissões de rendimentos no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003, no valor de R$ 2.505.194,43 no ano calendário de 2004, no valor de R$ 1.926.751,33 no anocalendário de 2005 e no valor de R$ 2.943.707,78 ano calendário de 2006, decorrentes de depósitos bancários na conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil. Em razão de diligência realizada, objetivando a exclusão de cheques devolvidos, de estornos e de valores relativos a proventos, foram elaborados novos demonstrativos de depósitos bancários sujeitos à comprovação da origem conforme fls. 796 a 930, resultando na apuração de menores omissões de rendimentos anuais nos seguintes valores Desse modo foram afastadas importâncias relativas a omissão de rendimento nos anos calendários de 2003 a 2006. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Que os depósitos bancários não caracterizam rendimentos tributáveis. Inexistência de acréscimo patrimonial; Inversão do ônus da Prova não cabimento no Processo administrativo tributário; Do alcance e sentido dos art. 42 da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Está sob exame o recurso de ofício formulado pelo julgador recorrido, procedente em parte a impugnação, de acordo com a decisão, foram apuradas omissões de rendimentos no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003, no valor de R$ 2.505.194,43 no ano calendário de 2004, no valor de R$ 1.926.751,33 no anocalendário de 2005 e no valor de R$ 2.943.707,78 ano calendário de 2006, decorrentes de depósitos bancários na conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil. Em razão de diligência realizada, objetivando a exclusão de cheques devolvidos, de estornos e de valores relativos a proventos, foram elaborados novos demonstrativos de depósitos bancários sujeitos à comprovação da origem conforme fls. 796 a 930, resultando na apuração de menores omissões de rendimentos anuais nos seguintes valores A autoridade julgadora acolheu o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, representado pelo relato de fls. 403/407, em atenção à diligência propugnada pelo despacho de fls. 400/402. A informação fiscal de fls 403/407, representa o resultado do escorreito e esmerado o trabalho desenvolvido pela Fiscalização. Reconhecendo que parte do lançamento era indevido. Uma vez que não identifico qualquer vício no trabalho da fiscalização que revisou o montante de depósitos bancários, acompanho as razões de votar da autoridade de primeira instância. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, este reune os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da presunção baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). No que toca a nova diligência, não há necessidade da mesmo pois os elementos de prova poderiam ter sido apresentados na forma documental. Descabe diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 8 13 Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntario, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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