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Numero do processo: 15578.000206/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CABIMENTO.
Verificada contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração com o fito de alterar o resultado do julgamento publicado erroneamente.
Numero da decisão: 1201-000.829
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Verificada contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração com o fito de alterar o resultado do julgamento publicado erroneamente.
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Verificada contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração com o fito de alterar o resultado do julgamento publicado erroneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 06 /2 00 7- 57 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (VicePresidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado). Relatório Tratase Embargos de Declaração opostos por conselheiro deste Colegiado com fundamento no artigo no artigo 65, § 1º do Regimento Interno do CARF, em face do acórdão 1201000.737, exarado por este Colegiado no dia 08 de agosto de 2012. A finalidade dos presentes Embargos é o saneamento de contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado, ou seja, ao disposto nos votos proferidos e que integram o acórdão nº1201000.737, ora embargado. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. No caso, tendo em vista que na data do julgamento do Recurso Voluntário apresentado neste processo também foram julgados outros três recursos interpostos pelo mesmo contribuinte, todos em razão de lançamento que se deu com base nos mesmos fatos, por equívoco, constou do acórdão ora embargado, o resultado de julgamento do processo nº 15578.000207/200700. Assim, o resultado de julgamento do acórdão 1201000.737 constante da ata publicada, foi: “DERAM provimento parcial ao recurso, por unanimidade de votos, para homologar a compensação relativa ao benefício da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o benefício e, pelo voto de qualidade, não homologar a compensação do crédito apurado em virtude da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.” O resultado transcrito é contraditório ao efetivo julgamento realizado, ou seja, ao disposto nos votos proferidos e que integram o acórdão embargado. Para sanear a contradição exposta, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração opostos para que o resultado de julgamento do acórdão nº 1201000.737 seja alterado, devendo constar a seguinte redação: Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.829 S1C2T1 Fl. 964 3 “NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima que votaram para cancelar o auto de infração referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.” É como voto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721613/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
Ementa:
PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato.
CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
Numero da decisão: 3201-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 13 /2 01 1- 19 Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve integralmente a exigência formalizada em face do contribuinte MK Eletrodomésticos Ltda., decorrente de glosa de créditos. Na descrição dos fatos que integra o auto de infração, consta que o estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o IPI, devido à utilização indevida de créditos fiscais. O procedimento fiscal compreendeu um conjunto de verificações efetuadas nas empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda.; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., que levaram a autoridade fiscal a concluir que as 4 empresas, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A constituição de diferentes empresas, segundo a autoridade fiscal, foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente. Ressalta o autuante que, atualmente, a MK Eletrodomésticos Ltda. é a única empresa que mantém atividade industrial e comercial utilizando a marca “Mondial”, além de ter em seu quadro societário o efetivo responsável pelas operações das empresas, o sócio Alberto Baggiani. Relata que a partir de suas conclusões, foi necessário consolidar as operações das empresas para se apurar o efetivo resultado tributário da empresa única. A empresa resultante da consolidação foi a MK Eletrodomésticos Ltda., na qual foi efetuado o lançamento. Descreve ainda outros fatos que levaram a esta conclusão, e que a seguir reproduzo, a partir do que consta da decisão recorrida: 1) Mesmo endereço: A empresa MK Eletrodomésticos foi criada em agosto de 2005, com a sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a, Centro, mas somente iniciou suas atividades em novembro de 2006, após transferir sua sede , em junho de 2006, para a cidade de Conceição do Jacuípe/BA., Estrada da Volta, 1200, galpão 2, Colônia Brasília. Nesse mesmo endereço funcionam/funcionavam as outras 3 outras empresas: (i) ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., CNPJ nº 06.272.816/000150, constituída em 2004, na cidade de Simões Filho/BA. Em maio de 2006, abriu uma filial em Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 4 3 Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, Colônia Brasília, local para onde foi transferida a matriz, no mês de setembro, ocasião em que o estabelecimento de Simões Filho foi fechado e aberta uma filial em Lauro de Freitas/BA.; (ii) AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda., CNPJ nº 08.387.026/000146, constituída em outubro de 2006, com sede em Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a. Centro. Em maio de 2007, transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Trav. da Volta, 155, galpão 2, Colônia Brasília, iniciando efetivamente suas atividades a partir de julho de 2007; e (iii) Mondial Eletrodomésticos Ltda., CNPJ nº 08.002.985/000104, criada em abril de 2006, com sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1° travessa 11a, Centro. Em outubro de 2006 transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, galpão 3B, Colônia Brasília, onde iniciou suas atividades em fevereiro de 2007. A empresa tem atualmente como sócios a MK Eletrodomésticos e ME Indústria Eletrônica 2) Mesma Atividade As empresas MK Eletrodomésticos, ML Indústria Eletrônica e AlphaPro Cuidados Pessoais, conforme contrato social, têm como principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A empresa Mondial Eletrodomésticos tem como atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. 3) Uso da mesma marca comercial/Licenciamento da marca Todas as empresas fabricam, importam e comercializam produtos com a marca comercial "Mondial". Conforme informação do site da empresa (www.mondialine.com.br), sob essa marca são comercializados eletroportáteis (ventiladores, batedeiras, liquidificadores, aquecedores, etc.), produtos para cuidados pessoais (secadores, prancha cerâmica, etc.), eletroeletrônicos e ferramentas; Os manuais dos produtos comercializados com a marca "Mondial" mostram ora uma empresa, ora outra como fabricante/importador dos produtos. Em todos os manuais consta o mesmo número da central de atendimento ao consumidor; A empresa Crowland S/A., sócia majoritária da ME Indústria Eletrônica, solicitou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o registro da marca "Mondial" para produtos da linha eletroportáteis e eletroeletrônicos. A Crowland também solicitou, nos Estados Unidos da América, o registro da marca '"Mondial". A empresa Sillman International S/A. também solicitou o registro da marca "Mondial" para ventilador, liquidificador, aquecedor, cafeteira, aspirador de pó, ferro de passar, entre outros; No site da empresa sempre aparece a marca "Mondial" como referência. A página principal mostra o galpão da empresa em Conceição do Jacuípe como sendo a empresa "Mondial", inclusive com o logo pintado no teto, ou seja, não há distinção entre MK, ME, ALPHA ou Mondial eletrodomésticos. Tudo é Mondial. A única referência feita às empresas é quando se refere aos certificados ISO obtidos pela ME e MK, quando as duas empresas aparecem em destaque, porém, abrigadas dentro do site "mondialine.com.br". 4) Mesma Direção Fl. 6763DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 5 4 A Marca ''Mondial" começou a ser fabricada na Bahia em 2002, na cidade de Camaçari, por meio da empresa ML do Nordeste Ltda. CNPJ nº 04.871.016/000120, que tinha o seguinte quadro societário: Sócio CPF/CNPJ Participação Sillman doBrasil 04.757.321/000196 85% Alberto Baggiani 576.799.75868 7,5% Giovanni Marins Cardoso 371.336.67991 7,5% A empresa Sillman do Brasil tem como sócio majoritário (99.99%) a Sillman sociedade anônima, estabelecida nas Bahamas, cujo representante no Brasil é Luis Henrique Aguilar Monteiro, também sócio da Sillman do Brasil, com 0,01% de participação; Posteriormente, em 2003, o sócio Alberto Baggiani transferiu suas cotas na ML, para Giovanni Marins, o qual, em 12/2006, transferiu suas cotas para a Sillman (95%) e Manoel Nascimento Weber Neto (5%), após o que o capital social da ML ficou 99% para Sillman e 1% para Manoel Weber (087.149.32504). Manoel Weber mora em Mussurunga, bairro popular de Salvador/BA, e não aparenta possuir capacidade econômica, tendo feito recentemente concurso para agente de trânsito na cidade de Lauro de Freitas/BA. De 2003 a 2009 foi funcionário do escritório contábil PLIMA, responsável pela escrituração contábil das empresas MK, ML, AlphaPro e Mondial, e pertencente a Valdirene Pinto Lima. A partir de janeiro de 2010 passou a ser funcionário da empresa Valdirene Pinto Lima ME; Alberto Baggiani é um dos sócios da empresa MK eletrodomésticos, com 18% do capital social. Os outros 82% pertencem à empresa Estremoz S/A., sediada no Uruguai, e que, através de procuração, concedeu a Alberto Baggiani amplos poderes para representála; Os bancos onde as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial possuem conta corrente foram intimados a apresentar os dados cadastrais, procurações, autorizações e fichas de assinatura referentes às contas correntes mantidas pelas empresas. Da análise destes documentos, verificamos que Alberto Baggiani possui procurações outorgadas pelas empresas AlphaPró e ME eletrônica lhe concedendo amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive para movimentar as contas correntes das respectivas empresas. Também é o responsável pela conta corrente das empresas MK, na qualidade de acionista direto, e Mondial, na qualidade de acionista indireto. Giovanni Marins possui procuração outorgada pelas empresas ME Indústria Eletrônica, MK Eletrodomésticos, M. Climatização (atualmente AlphaPró cuidados pessoais); Alberto Baggiani e Giovanni Marins figuravam como representantes das empresas MK e MONDIAL nos contratos comerciais celebrados por estas empresas com clientes (MAKRO Atacadista S/A., Supermercado da Família Ltda., G. Barbosa Comercial Ltda., WalMart Ltda., Magazine Luiza, Ricardo Eletro, Lojas Insinuante Ltda.), assinando os contratos e assumindo obrigações perante terceiros em nome das empresas. Nesses contratos, o Sr. Giovani Marins assina ora como presidente da Eletrodomésticos Mondial, ora como Diretor Comercial/Marketing ou apenas representante do Fl. 6764DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 6 5 fornecedor, quando os contratos são celebrados em nome da MK. O Sr. Alberto Baggiani tem sido designado nesses contratos ora com o termo genérico de representante, ora como diretor; A contabilidade da empresa ME Indústria Eletrônica registra, em 2008 e 2009, lançamentos em contas contábeis de clientes, e também na conta de resultado "devedores inadimplentes", cujo histórico aparece as seguintes informações: "liquidação duplicatas/solução, Sr. Alberto solicitou que fosse baixado na conta", "liquidação duplicata ex funcionários sr. Alberto aut. lançar em perdas". Estes lançamentos são feitos em conta de despesa, com contrapartida em conta de ativo, reduzindo o valor a receber de clientes. A contabilidade da empresa MK Eletrodomésticos também registra esse tipo de lançamento, conforme escrituração na conta de resultado devedores inadimplentes, em 16/10/2009, com o seguinte histórico: "liquidação duplicata sem solução – baixa em perdas aut. pelo Sr. Alberto". Não foi identificado na folha de pagamento da empresa ME nenhum funcionário com nome Alberto. Na MK, o único funcionário com esse prenome é Alberto dos Santos Bastos, que ocupa a função de auxiliar de produção. Este fato sugere que a pessoa que autorizou a baixa das duplicatas nas empresas ME e MK é a mesma e, pela natureza da autorização, de baixa de créditos de clientes com valores elevados, essa pessoa possui poderes de gestão nas empresas, levando a crer que se trata de Alberto Baggiani; Quando se pesquisa a marca "Mondial" na internet, com data inicial em 2002, Giovanni Marins é o único que aparece em reportagens sobre a empresa, ora figurando como presidente, ora como diretor comercial e de marketing. Em matéria sobre o lançamento de um novo produto, Giovanni Marins figura como pessoa responsável pela aprovação da campanha publicitária. 5) Sócios majoritários com sede no Uruguai As empresas MK, ME e ALPHA têm como acionistas majoritários empresas constituídas no Uruguai. Todas elas foram fundadas da mesma forma e pelas mesmas pessoas, e possuem o mesmo endereço: Rua Juncal, 1327, unidade 2201, Montevidéu, Uruguai. Todos os sócios das empresas são sócios/funcionários da empresa Posadas, Posadas e Vecino, também com sede em Montevideu, Uruguai. Outra característica comum é que os sócios brasileiros possuem procuração outorgada pelos sócios estrangeiros concedendo amplos poderes sobre as empresas. Abaixo quadro com a composição acionária das empresas: MK Eletrodoméstico Sócio País Participação Estremoz S.A. Uruguai 82% Alberto Baggiani Brasil 18% ME Indústria Eletrodoméstico Sócio País Participação Crowland S.A. Uruguai 97% Carlos Eduardo Marchi Brasil 3% Fl. 6765DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 7 6 AlphaPró Cuidados Pessoais Sócio País Participação Racan Corp S.A. Uruguai 98,5% Geraldo Terrível Brasil 1,5% Reportagens publicadas em jornais e revistas de circulação nacional mostram que a empresa Posadas, Posadas e Vecino, e alguns de seus sócios/funcionários, são utilizados para criar empresas de fachada, conforme reportagens da revista ISTO É, edição 1671, publicada em 10/10/2001, jornal Folha de São Paulo, edição de 03/01/2001, e revista Época, de 16/08/1999. 6) Utilização de terceiros na constituição de empresas: Valdirene Pinto Lima, proprietária da empresa PLIMA Serviços Ltda., é contadora das 4 empresas. Constatouse junto aos cadastros da Receita Federal que familiares e funcionários de Valdirene Pinto foram utilizados na constituição das empresas ML do Nordeste, Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró; As empresas Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró tiveram, respectivamente, como sócias iniciais: (i) Tanildes Pinto Lima e Yeda Pinto dos Santos; e (ii) Angela Lima Batista e Noeliton Pinto Lima; Conforme cadastro da Receita Federal, Tanildes Lima, Ângela Lima e Noeliton Lima são filhos de Eronildes Maria Pinto Lima, que também é irmã de Yeda Pinto dos Santos; Informações de DIRF e GEFIP mostram que à época da constituição da Mondial, Tanildes Lima era funcionária da empresa Escola Lopes de Assis Ltda. Nas declarações de Imposto de Renda Pessoa física (DIRPF) de Yeda Pinto e Ângela Lima não consta nenhuma informação sobre a constituição ou posse de cotas de empresas. Tanildes Pinto informou deter cotas da empresa MEP Montagens, e Noeliton Pinto informou a posse de cotas da empresa Premoldados Lima. A situação patrimonial desses contribuintes era a seguinte: Tanildes Pinto Lima 0,00 9.000,00 Yeda Pinto dos Santos 0,00 0,00 Ângela Lima Batista 0,00 0,00 Noelilon Pinto Lima 100,00 100,00 Yeda Pinto também é sócia da empresa Global Injeções, que funciona no mesmo endereço das 4 empresas, e presta serviço de industrialização por encomenda para a AlphaPró. Essa empresa é inscrita no SIMPLES, e também foi objeto de autuação para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salário, pois ficou comprovado que a empresa foi constituída com o fim de abrigar funcionários da AlphaPró, e, por estar inscrita no SIMPLES, evadir o pagamento da contribuição previdenciária patronal. Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 8 7 7) Divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação A análise dos dados da folha de pagamento das empresas mostra que as funções de gerência/coordenação/análise foram divididas entre as empresas. Cada empresa possuía pelo menos um funcionário em cargos que são essenciais em uma estrutura fabril e comercial, que foram divididos entre as empresas, conforme se segue: CARGO MK ME ALPHAPRO Gerente de Produção * X X Gerente de Engenharia X Gerente de Suprimento X Coordenador de Produção * X X Coordenador de Qualidade X Coordenador de Sistemas de Materiais X Coordenador de Recursos Humanos X Coordenador de Comércio Exterior X Analista de Exportação X Analista de Importação ** X Analista de Suporte * A empresa Alpha tinha em sua folha de pagamento o funcionário Moisés Santos da Costa que, de outubro/2007 a janeiro/2008, ocupava o cargo de gerente de produção e, a partir de fevereiro/2008, passou a ocupar o cargo de coordenador de produção. ** A Alpha passou a ter um funcionário desempenhado esta função a partir de julho de 2008. 8) Transações entre as empresas As empresas ME e MK vendiam os produtos com a marca '"Mondial"' diretamente aos clientes finais – empresas varejistas como Casas Bahia, WalMart, Carrefour, Bom Preço, Insinuante, entre outros. A partir de agosto de 2007 passaram a vender exclusivamente para a Mondial Eletrodomésticos, que revendia para os clientes finais. A empresa Alpha só efetuou vendas para a Mondial Eletrodomésticos, pois iniciou suas operações em julho de 2007; A análise dos preços praticados pelas empresas mostram que esta transição foi apenas aparente, pois o valor dos produtos vendidos aos clientes finais não sofreu nenhuma alteração. Os preços dos produtos, que antes eram vendidos da ME e MK para os clientes finais, continuou o mesmo após a Mondial Eletrodomésticos vender para estes mesmos clientes. Ou seja, a relação comercial continuou a mesma. Outro detalhe é que, na passagem do mês de julho para agosto, a ME e MK aumentaram o preço dos produtos vendidos à Mondial, resultando, na maior parte dos casos, em um preço maior do que o vendido aos clientes finais. 9) Processos Trabalhistas As empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como "plúrima réu”, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada. Em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas. 10) Mesmo contador/contabilidade Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 9 8 As empresas têm a mesma contadora, Valdirene Pinto Lima, e apresentam idêntica estrutura contábil, com as contas contábeis com a mesma denominação e o mesmo número. 11) Compartilhamento de contas de consumo As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas. A empresa que possuía o contrato com a COELBA era a ME Indústria Eletrônica. Depois, o contrato passou para o nome da AlphaPró, com o detalhe de que o número do contrato permaneceu o mesmo, ou seja, houve apenas a troca de titularidade do contrato. 12) Compartilhamento de informações contábeis e financeiras As empresas foram cientificadas das conclusões acerca da existência da empresa única e intimadas a apresentar a consolidação contábil e também a apuração consolidada dos tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI (intimação lavrada em 21/12/2010). Tal intimação foi atendida pelas empresas, que informaram também os valores pagos dos tributos. Esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas. 13) Encerramento de atividades e transferência de empresas para Osasco/São Paulo A empresa ME Indústria Eletrônica manteve suas atividades comerciais até dezembro de 2009. Em 12/05/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, baixando sua filial, modificando seu nome empresarial e objeto social para gestão e administração de bens próprios e participação em outras sociedades. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa AlphaPró desenvolveu suas atividades até o mês de dezembro de 2009. Em 13/04/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, e alterando seu objeto social para escritório administrativo. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa ML, precursora da marca '"Mondial" na Bahia, operou até abril de 2009 na cidade de Camaçari, tendo sido a primeira que se transferiu para Osasco/SP. Mudou também de atividade, passando a ter como objeto social ''administração de escritórios em geral”; A Mondial Eletrodomésticos continua com sede na cidade de Conceição de Jacuípe, porém, reduziu suas atividades a quase zero, demonstrando intenção de descontinuidade das operações; Todo esse conjunto de indícios levou à conclusão de que as empresas MK, ME, Mondial e AlphaPró, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos; Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 10 9 Essa conclusão vai ao encontro do conceito de estabelecimento previsto no art. 518 do Dec. nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002); De acordo com o Parecer Normativo CST n° 572/71, a doutrina civil conceitua o "prédio" como o terreno com as edificações nele implantadas. Assim, a expressão "estabelecimento" não está vinculada à edificação, mas às edificações situadas em um mesmo e determinado terreno, ainda que estejam separadas. A constituição de diferentes empresas foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa, conforme se segue: 1. IRPJ e CSLL As empresas MK e ME optaram pela apuração pelo lucro presumido nos anos calendário de 2007 e 2008. Nesta modalidade, pagavam Imposto de Renda e CSLL sobre o lucro presumido calculado às alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, incidentes sobre a receita bruta. A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e CSLL a pagar; A existência das empresas MK e ME, como optantes pelo lucro presumido, possibilitou uma redução na base tributável de R$ 4.469.125,43 e R$ 13.715.674,05 em 2007 e 2008, respectivamente. As outras 2 empresas, Mondial e AlphaPró optaram pela apuração com base no lucro real anual, apurando os seguintes resultados: Ano calendário 2007 2008 Empresa Mondial AlphaPró Mondial AlphaPró Receita bruta 112.028.63,67 30.994.998,51 274.186.094,63 63.702.795,74 Lucro antes do IR 82.392,86 597.674,76 107.178,38 5.639.285,21 Como se vê, as empresas optantes pelo lucro presumido obtiveram uma margem de lucro bastante superior às de lucro real. Isto se explica em parte pelas vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos, conforme explicado no item 31. Outra explicação é a concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como, por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC. transportes, etc. 2. ICMS As empresas MK, ME a ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém, ao venderem para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. O ICMS era calculado pelas empresas à alíquota aplicável para operações dentro do estado (17%). Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com a alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretariada Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos; 14) Critérios de Consolidação Fl. 6769DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 11 10 Em resposta à intimação, para apresentar a apuração consolidada do IPI, anos calendário de 2007 a 2009, a empresa entregou planilha em que soma os saldos dos créditos e débitos mensais das 4 empresas, consolidandoos em uma só empresa; A forma de consolidação utilizada pela contribuinte não é a correta, pois diante dos indícios que apontam a existência real de uma única empresa na Estrada da Volta, 1200, conforme demonstrado anteriormente, a tributação do IPI deve ser feita considerando esse fato, ou seja, as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto. Cita e transcreve o art. 518, do Dec. nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), que define o conceito de estabelecimento; Desta forma, na apuração do IPI efetuada pela fiscalização, foram eliminados os créditos e débitos decorrentes das transações entre as empresas MK, ME, Alphapró e Mondial; Para fins de apuração do IPI, foram utilizados os arquivos de notas das empresas, sendo que os arquivos referentes ao período de 2007 e 2008 foram entregues pela contribuinte e os arquivos do período de 2009 foram extraídos do SINTEGRA, conforme convênio firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a Receita Federal; Para apuração dos créditos do imposto, consideramos as disposições do RIPI/2002, capítulo X, seções I, II e III. Foram levantados os valores das entradas, de acordo com as notas fiscais respectivas, bem como as devoluções de vendas. O crédito considerado foi o IPI destacado nas notas fiscais, conforme disposto no artigo 163, sendo concedido o crédito a partir da entrada dos produtos no estabelecimento; Os produtos que foram considerados no cálculo do crédito do IPI são aqueles que se enquadram no conceito de matériaprima e produto intermediário, conforme disposto no art. 164 do RIPI/2002; As empresas lançaram, no livro registro ele apuração do IPI, valores a título de "outros créditos'". De acordo com as informações dos arquivos de notas fiscais, estes valores não estavam destacados nas notas fiscais de entrada. Intimadas a explicar a origem destes créditos, e apresentar a documentação comprobatória, as empresas se limitaram a responder que os valores se referiam a créditos de operações próprias oriundas de fornecedores diversos. Não foram apresentados documentos que corroborassem esta afirmação. Assim, considerando que o artigo 163 do RIPI dispõe que o contribuinte pode se creditar do imposto relativo a produtos entrados nos seu estabelecimento, e que o direito ao crédito está condicionado à apresentação de documentação comprobatória, os valores escriturados pelos contribuintes sob o título “outros créditos” não foram incluídos na apuração do IPI realizada pela fiscalização; O crédito referente ao IPI importação, pago pelo contribuinte sob código 1038 (IPI vinculado à importação), foi creditado no mês em que ocorreu a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento, conforme notas fiscais de entrada; Para apuração dos débitos, consideramos as saídas tributadas, conforme as notas fiscais de saída, bem como as devoluções de compras. O valor tributável foi o imposto destacado nas notas fiscais; Do IPI apurado, abatemos os valores declarados em DCTF pelas empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial; Fl. 6770DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 12 11 De acordo com os fatos narrados nesse Termo de Verificação Fiscal, as empresas ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos foram arroladas como sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); As empresas escrituraram créditos indevidos nos livros de apuração do IPI, sob o título “outros créditos”. Dessa forma, reduziram o tributo devido nos períodos de apuração. Esta infração é prevista no inciso II, artigo 1º da Lei n° 8.137, de 1990, que dispõe sobre os crimes contra a ordem tributária. Em vista disso, e atendendo ao disposto no artigo 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, formalizamos representação fiscal para fins penais, de acordo com o artigo 4° da citada portaria. Cientificada da exigência fiscal, em 31/03/2011, a autuada apresentou, em 02/05/2011, impugnação às fls. 6.273 a 6.310, assim sintetizada no relatório que integra a decisão recorrida: 1. Dos fatos A empresa autuada MK Eletrodomésticos Ltda., juntamente com as empresas ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., AlphaPró Cuidados Pessoais Ltda. (antiga MC Climatização Ltda., que por sua vez, antes se chamava Supreme) e Mondial Eletrodomésticos Ltda., faz parte de um grupo econômico que fabrica, importa e vende, para todo o Brasil, os eletrodomésticos da marca Mondial; Cada empresa do grupo tem área de atuação específica, não se confundindo, em momento algum, quais os tipos de eletrodomésticos que cada uma fabrica ou importa e para quais clientes vende. Além disso, todas as empresas têm os seus próprios empregados, contabilidade própria, onde são registradas as respectivas despesas e receitas e, apesar de estarem no mesmo parque industrial, cada uma tem o seu galpão específico (sede própria); 2. Dos motivos da existência das 4 empresas A marca Mondial decidiu se instalar na Bahia em razão do benefício fiscal de ICMS oferecido por este Estado (Dec. Estadual n°. 4316/1995). Para tanto foi criada a empresa M.L. do Nordeste Ltda., em Camaçari/BA, no ano de 2002; Em face do alto grau de endividamento da ML do Nordeste Ltda., mas diante da percepção de que a marca já havia obtido uma boa penetração no mercado, decidiuse, em 2004, criar a ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., inicialmente instalada em Simões Filho/BA, que era uma empresa que, essencialmente, iria apenas realizar importações de produtos prontos da China (pranchas alisadoras, cafeteiras, etc.), os quais eram totalmente diferentes daqueles produzidos pela ML do Nordeste Ltda.; Como a criação da ME foi um sucesso, e as operações da ML ainda continuavam problemáticas (falta de lucratividade, endividamento, alta rotatividade de pessoal, etc.), no final de 2005 foi decidido que deveria ser feita a transferência das operações de Camaçari/BA para outra localidade; Assim, criouse a MK Eletrodomésticos Ltda., que nasceu para produzir liquidificadores, batedeiras e espremedores, os quais deixaram de ser produzidos pela ML, e Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 13 12 também para importar outros itens de cozinha (forninho e tostadeira, por exemplo), que também não eram produzidos ou importados por nenhuma outra empresa do grupo; A ME, então, comprou um terreno em Conceição do Jacuípe/BA e começou a construção de galpões para as suas instalações, como também para as da MK. Frisese, desde já, que a ME sempre cobrou um aluguel da MK pela locação do espaço físico (doc. 02). A MK iniciou as operações em Conceição do Jacuípe/BA em janeiro de 2006 e, para tanto, comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MK (produtos de cozinha); A situação financeira da ML continuava piorando e, assim, no final de 2006, foi iniciada a segunda etapa de transferência da fabricação dos produtos (Ventilação), ficando prevista a mudança definitiva para Julho de 2007, quando foi criada a M. Climatização Ltda. (MC) (atual Alpha Pro), dandose início à construção de mais dois galpões no terreno da ME para a acomodação da fábrica da MC; Assim como no caso da MK, a MC também pagava à ME o aluguel pela utilização dos balcões (doc. 02). Além disso, após as suas instalações ficarem totalmente prontas, a MC comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MC (produtos de ventilação); A criação das empresas ME, MK e MC decorreu de decisões administrativas que visaram tornar o negócio mais viável do ponto de vista operacional, buscando reduzir o risco financeiro, pois o mercado brasileiro de eletro portáteis é muito competitivo: são pelo menos 18 concorrentes fortes (Arno, Britânia, Walita, Faet, Mallory, Contei, De Lar, Eletrolux, Blacker & Decker, Ion, Suggar, Cadenee, Fan Kitichen NKS, Precisión, Vicini, Zcex, Eterny); Os riscos do negócio, que antes eram concentrados na ML, foram assim divididos. A ME atuou essencialmente com importações, ramo no qual o risco é a variação cambial. A MC ficou concentrada em produtos sazonais (ventiladores e aquecedores), ramo no qual há grande risco de se ter estoques elevados e não vender em virtude do tempo. Já a MK se concentrou em produtos de cozinha, os quais possuem vendas mais estáveis durante o ano inteiro não sofrendo oscilação em virtude do clima; As empresas enfrentavam a dificuldade de realizar vendas para fora do Estado da Bahia, em razão da guerra fiscal travada entre os Estados da Federação. Explicase: as três empresas (ME, MK e MC) gozavam do benefício fiscal de ICMS previsto no Dec. Estadual n° 4316/1995 (doc. 03); assim, quando iam realizar vendas para outros Estados, tinham dificuldades, pois as empresas adquirentes (localizadas fora da Bahia) não conseguiam se apropriar do crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores perante os seus Estados (SP, MG etc.), os quais não reconheciam o crédito do ICMS, nada obstante o imposto estar destacado nas notas fiscais (requer juntada posterior de tais documentos); assim, em razão da impossibilidade de se creditar do ICMS, as empresas de fora da Bahia preferiam não comprar produtos das empresas MK, ME e MC, pois acabavam tendo que arcar com uma carga tributária muito maior de ICMS (cumulativo), o que gerava grandes prejuízos para as três empresas. Cita e transcreve legislação dos Estados de São Paulo (§ 3º do art. 36 da Lei nº 3.674/1989 e Comunicado CAT nº 36/2004) e Minas Gerais (art. 62 do Dec. nº 43.080/2002 e Resolução nº 3.166/2001), que vedavam a apropriação de créditos do ICMS oriundos de benefício fiscal na origem; Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 14 13 Diante de tal situação, o grupo decidiu criar uma quarta empresa (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) com o fim exclusivo de vender os produtos fabricados ou importados pelas outras três empresas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia. Como essa quarta empresa (Mondial) não se utilizava do benefício fiscal concedido às outras empresas, a antiga clientela da ME, MK e MC localizada fora da Bahia pode voltar a comprar os produtos da marca Mondial, pois não tinham mais problemas perante os seus Estados quanto ao creditamento do ICMS incidente nas operações anteriores, uma vez que a empresa vendedora (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) não gozava de benefício fiscal; A Mondial Eletrodomésticos Ltda., inicialmente, teve a sua sede instalada em Lauro de Freitas/BA, transferindose, depois, para o parque industrial localizado em Conceição do Jacuípe/BA, onde alugou um galpão específico, pagando o respectivo aluguel para a ME (doc. 02). A partir do surgimento desta nova empresa, a ME, MK e MC continuaram vendendo os seus produtos diretamente para os clientes localizados dentro da Bahia e passaram a vender outra parte de seu estoque para a Mondial, para que esta realizasse as vendas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia (em razão da citada guerra fiscal). As três primeiras praticamente não mais faziam venda para fora da Bahia, salvo raríssimas exceções, nos casos de clientes que não tinham problemas com o aproveitamento do crédito fiscal de ICMS. Já a Mondial realizava, em praticamente 95% das suas vendas, operações interestaduais (doc. 07). Fica claro, portanto, que não há que se falar em fraude ou em criação de empresas fictícias com o único fim de redução do tributo a ser pago, pois, conforme amplamente explanado, cada uma das empresas possuía sede e empregados próprios, além de fabricar e importar produtos diversos, os quais eram vendidos para clientes diversos. Ou seja, cada empresa tinha a sua razão de existir, e não foram criadas para "reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa", como alegam os Agentes Fiscais Autuantes; 3. Do direito Ainda que a criação das várias empresas tivesse como objetivo a redução da carga tributária, ainda assim, nenhum ilícito teria cometido à autuada, acaso a criação de cada empresa fosse verdadeira, tivesse funcionalidade. O que é vedado pelo ordenamento é a utilização do formal pelo formal, do formalismo, para servir de meio a se atingir determinado objetivo. Nesse sentido cita e transcreve trecho do acórdão relatado pelo Ministro Américo Luz (Ap. Cic. Nº 115.478RS, julg. 18.02.87); Não cabe falar que a situação em análise se trata de um “plano concebido”, uma vez que a criação de cada uma das empresas teve uma razão e um motivo empresarial: a) criouse a ME para a realização de importações; b) resolveuse dividir os riscos das atividades da ML, criandose duas novas empresas, em duas etapas, primeiro, uma parte dos produtos que eram fabricados por ela passou a sêlo pela MK, e, depois, a parte restante passou a ser fabricada pela MC, ambas já alocadas em Conceição do Jacuípe/BA, pois a ML enfrentava muitos problemas financeiros e também com a contratação de pessoal; e c) criouse a Mondial Eletrodomésticos para que fosse possível realizar as vendas dos produtos fabricados ou importados para fora da Bahia, a fim de fugir da guerra fiscal. Cita trecho de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 15 14 Existe um grupo econômico legítimo, e não uma empresa única, conforme quiseram fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. A constituição de um grupo econômico, além de ser plenamente permitido pelo ordenamento jurídico pátrio, não tem como objetivo a prática de uma suposta evasão tributária, como tentam demonstrar os Agentes Fiscais Autuantes. Tratase, no máximo, de um procedimento de elisão fiscal, uma vez que é direito do contribuinte planejar a sua atuação na economia da maneira que melhor lhe convier, desde que atue licitamente. Cita trecho de textos dos tributaristas Paulo de Barros Carvalho, Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Lucena de Menezes, e Sacha Calmon Navarro Coelho; Que não houve nenhuma tentativa de evasão tributária. O que ocorreu foi um caso típico de elisão fiscal, a qual é plenamente permitida pelo ordenamento jurídico, não havendo que se falar na constituição de uma empresa única; 4. Dos pretensos indícios que motivaram a conclusão dos agentes fiscais autuantes Alegam os Agentes Fiscais Autuantes que as empresas estão localizadas no "mesmo endereço", o que caracterizaria, portanto, a seu ver, uma suposta identidade societária. Da simples leitura dos endereços citados, já se nota que não há que se falar em endereços idênticos (doc. 09); Apesar de estarem localizadas lado a lado, formando um parque industrial, cada empresa tem o seu galpão específico. Aliás, nada diferente de qualquer outro grupo econômico brasileiro. A empresa dona do imóvel é a ME, enquanto que as outras três empresas são locatárias da primeira. Ademais, o fato de algumas empresas serem vizinhas não significa que se trata de uma única empresa. É perfeitamente possível que várias sociedades se utilizem cada uma de um espaço (um galpão, como no caso em análise) situado em um espaço maior, como ocorre, por exemplo, no pólo industrial de Camaçari/BA, no qual estão aglomeradas diversas indústrias que comumente partilham gastos, com o fito de maximizar a sua operacionalidade e minimizar as suas despesas, como é de praxe em qualquer atividade empresária. Cita decisão do CARF sobre o tema; Quanto à alegação de que as quatro empresas exerciam a "mesma atividade" e que, por isso, deveriam ser consideradas uma empresa única, há de se observar que ela não tem pertinência. Conforme amplamente demonstrado acima, a MK, ME e MC eram responsáveis isoladamente pela fabricação/importação de produtos específicos, e acabados, cada qual sendo fabricado ou importado por apenas uma dessas empresas. Assim, uma empresa fabrica ventilador, outra fabrica liquidificador e espremedor de fruta etc. Não há partilhamento na fabricação dos produtos para montagem posterior; além disso, a ME, MK e MC vendiam, precipuamente (salvo raras exceções), para dentro do Estado da Bahia, enquanto que a Mondial Eletrodomésticos (exclusivamente, revendedora) comprava dessas três empresas para vender os produtos para fora da Bahia, fugindo da guerra fiscal. Assim, resta claro que as empresas tinham atividades distintas. Os objetos das empresas, constantes dos seus contratos sociais, têm uma conotação genérica em relação à atividade indicada, como sempre acontece. É preciso focar os documentos que revelam a atividade em si de cada uma das empresas. Estes sim dirão da atividade específica praticada por cada uma delas. Cita e transcreve trecho do acórdão CARF nº 10323.357 sobre indícios de simulação; Da mesma forma, não há qualquer problema na utilização da mesma marca comercial (Mondial) pelas quatro empresas que juntas compõe o polo passivo da presente autuação fiscal. Este fato em nada implica na existência de uma empresa única, como quiseram Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 16 15 fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. Conforme amplamente discorrido acima, resta claro que essas empresas compõem um grupo econômico, no entanto, isso não significa que elas constituam uma empresa única. Também aqui é esta a prática do mercado; No pertinente às alegações de que as empresas têm a mesma direção, igualmente há de se perceber que as conclusões dos Agentes Fiscais Autuantes apenas atestam o que nunca foi negado pelas empresas, ou seja, que o Sr. Alberto Baggiani, além de sócio da empresa MK, era também o executivo responsável pelo grupo econômico; A transferência de ínfimo 1% do capital social da ML para o Sr. Manoel Weber, que é uma pessoa sem muitas posses, em nada implica fraude ou simulação. A transferência decorreu da confiança que o Sr. Manoel adquiriu dos sócios da empresa, para os quais prestava serviço. Ademais, há de se ressaltar que a empresa ML era uma empresa praticamente falida; portanto, essa participação tinha pequeno valor. Por fim, note se que os outros 99% do capital social continuaram com a empresa Sillman do Brasil, a qual detém totais condições de arcar com as obrigações da ML. Ora, acaso a intenção fosse de fraude, o sócio majoritário seria uma pessoa sem posses ("laranja"), e não uma empresa com liquidez”. Quanto à constatação de que as empresas têm "sócios majoritários com sede no Uruguai", não há nada a ser acrescentado, pois tal fato não constitui fraude alguma. Todavia, a presunção feita pelos Agentes Fiscais Autuantes de que tais sócios estão relacionados à criação de empresas de fachada e que, portanto, as quatro empresas fiscalizadas configuram uma empresa única, é um completo absurdo; Vejase que os Agentes Fiscais Autuantes utilizam reportagens de revistas e em pesquisas na Internet para fundamentar as suas conclusões; Notese que as notícias colacionadas pelos Agentes Fiscais Autuantes nem mesmo informam sobre alguma condenação dos supostos sócios das empresas fiscalizadas no Uruguai pela prática de algum crime ou fraude. São meras denúncias vazias. Logo, resta impossível subtrair de tais denúncias alguma relação com as empresas fiscalizadas; Da mesma forma, a suposta "utilização de terceiros na constituição de empresas", aduzida pelos Agentes Fiscais Autuantes, também não tem qualquer relação com a tese de que as quatro empresas fiscalizadas representariam uma empresa única. O fato de alguns sócios (todos eles super minoritários) serem parentes entre si e um deles ser funcionário da Sra. Valdirene Pinto Lima não significa dizer que são interpostas pessoas. Ademais, observese que essas pessoas apenas constaram como sócias das empresas fiscalizadas na fase inicial de constituição dessas, saindo, todas elas, logo depois, antes mesmo das empresas começarem as suas atividades, conforme comprovam as alterações contratuais anexadas (docs. 05 e 06). Isso foi feito apenas para agilizar os trâmites burocráticos, em razão da urgência de se obter a inscrição no CNPJ, inscrição estadual, habilitação no benefício de ICMS etc.; Por sua vez, a "divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação" também não representa fato capaz de induzir à existência de uma empresa única. Ora, nada impede que uma pessoa exerça um cargo administrativo em mais de uma sociedade. É para isso que se formam os grupos econômicos, para que haja a minimização de despesas e a uniformização das operações; Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, as "transações entre as empresas" eram apenas aparentes, pois a Mondial Eletrodomésticos vendia os produtos aos clientes pelos Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 17 16 mesmos preços praticados pelas empresas MK e ME. Ora, conforme já explicitado, a criação da Mondial Eletrodomésticos se deu exclusivamente para fugir da guerra fiscal do ICMS. Ela era uma mera revendedora assim, não tinha porque aumentar os preços praticados pelas outras empresas do grupo; Por outro lado, a ocorrência eventual de vendas aos clientes, pela Mondial, em preço menor do que o da venda das outras empresas do grupo para ela, reflete estratégias comercias (promoções), que decorrem das leis do mercado (oferta e procura), não tendo, portanto, qualquer relação com fraude ou simulação. Vale notar que os próprios fiscais registraram que isto ocorreu em apenas um mês ("na passagem do mês de Julho para Agosto de 2007"), pois não era prática corriqueira da empresa. Tratouse, como dito, de estratégia comercial pontual. Cita ementas e trecho de relatório do CARF sobre o tema; Comparando com a situação da autuação fiscal ora impugnada, percebese que duas das premissas utilizadas no caso citado no parecer do CARF não se aplicam, pois, as quatro empresas fiscalizadas (MK, ME, MC e Mondial) têm quadro de funcionários próprio (doc. 08), além disso, a MK, ME e MC não vendiam seus produtos exclusivamente para a Mondial, haja vista que as vendas para os clientes internos (dentro da Bahia) era feita diretamente pelas três empresas (MK, ME e MC); O fato das empresas figurarem no pólo passivo de "processos trabalhistas", bem como a declaração em um dos processos de que há um grupo econômico, reconhecendo a solidariedade das empresas, apenas corroboram a tese aqui esposada, ou seja, de que as empresas configuram um grupo econômico, e não uma empresa única. Ademais, a solidariedade para fins de responsabilização na Justiça do Trabalho em nada guardam similitude com a responsabilização solidária para pagamento de tributo. E prática corriqueira na Justiça do Trabalho a indicação, como responsável solidária, de empresa que mantenha a mínima relação de qualquer tipo com a empresa reclamada; Da mesma forma, a existência de "mesmo contador/contabilidade" também apenas atesta a existência do grupo econômico, mas não da empresa única. Outra prática corriqueira no mercado, a fim de uniformizar o tratamento das operações e minimizar os seus custos; O "compartilhamento de contas de consumo", no caso as contas de energia perante a COELBA, também corroboram a existência do grupo econômico, pois, conforme atestaram os próprios Agentes Fiscais Autuantes: "as contas de energia são rateadas perante as empresas". A empresa que possui contrato perante a COELBA é a ME (dona do imóvel). O contrato da COELBA com a MC (atual AlphaPro) se refere exclusivamente ao galpão em que está localizada esta empresa, pois, quando ela foi instalada, se decidiu assim proceder, ao invés de manter a conta total em nome da ME e permanecer fazendo o rateio das despesas, como continuou sendo feito com as demais empresas (MK e MC). Tudo isto está provado através das contas e do contrato, os quais serão apresentados posteriormente. O rateio das despesas, como visto, foi atestado pela própria fiscalização, o que dispensa a apresentação de novas provas; Sobre o "compartilhamento de informações contábeis e financeiras", há de se perceber que o Termo de Intimação lavrado em 21/12/2010 determinou que as empresas apresentassem a consolidação contábil e a apuração consolidada das quatro empresas juntas, como se fossem uma só. No termo de intimação, os Agentes Fiscais Autuantes determinam às empresas: 01 Apresentar a apuração consolidada do resultado das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 18 17 Eletrodomésticos, bem como a apuração dos tributos IRPJ e CSLL, de acordo com o regime de apuração do lucro real trimestral; 2. Apresentar a apuração consolidada do IPI, PIS e COFINS das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos, sendo que o PIS e COFINS devem ser apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade; Notese, portanto, que os documentos apresentados pelas empresas decorreram de uma exigência dos Agentes Fiscais Autuantes, exigência essa a qual as empresas estavam obrigadas a cumprir, sob pena de multa. No entanto, os documentos apresentados em nada refletem a realidade já amplamente discorrida na presente Impugnação e, portanto, devem ser desconsiderados. Ao contrário, deduzse ser fruto de uma tentativa, ardilosa, dos fiscais em fazer a autuada construir uma prova contra si. Ocorre que tais apurações consolidadas de resultado das empresas em conjunto, encomendadas pelos fiscais, não servem para nada, pois não refletem a realidade; A conclusão dos Agentes Fiscais Autuantes de que "esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas" está em total consonância com tudo o quanto foi esposado até aqui, ou seja, de que as empresas formam um grupo econômico que, logicamente, compartilha informações contábeis e financeiras. Contudo, isso não acarreta, repita se, a existência de uma empresa única; O "encerramento das atividades e transferência de empresas para São Paulo" decorreu de decisão administrativa sobre a qual as dificuldades em encontrar mão de obra qualificada no Estado da Bahia tiveram muito peso. Tal fato em nada acarreta a configuração de empresa única, ademais, decorre da livre iniciativa garantida constitucionalmente; Por sua vez, os conceitos de estabelecimento, citados no Termo de Verificação Fiscal, prescritos no Regulamento do IPI e no Parecer Normativo CST n° 572/71, não vedam que existam empresas, situadas lado a lado em terrenos contíguos, estabelecidas em regime de condomínio. Acaso prevaleça o entendimento dos Agentes Fiscais Atuantes, chegar seia à conclusão absurda de que um condomínio com várias salas comerciais representaria uma empresa única. Ademais, conforme exposto no ponto 39, o CARF admite a existência de mais de uma empresa em um mesmo espaço geográfico; Ao analisarem os recolhimentos de IRPJ e CSLL das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes aduzem que as empresas MK e ME (optantes pelo lucro presumido) obtiveram lucro líquido contábil bastante superior ao presumido: "A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e o CSLL a pagar" (item 44 do Termo de Verificação Fiscal); Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, os motivos de o lucro contábil verificado ter sido muito maior do que o presumido teriam sido o seguinte: "as vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos" e a "concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC, transportes, etc." (trechos retirados do item 46 do Termo de Verificação Fiscal); Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 19 18 No pertinente ao primeiro "motivo", já foi explicitado amplamente no item 52 que os próprios Agentes Fiscais Autuantes somente identificaram tais vendas "na passagem de julho para agosto" de 2007, as quais decorreram de questões comerciais (promoções); Quanto ao segundo "motivo", observese que os Agentes Fiscais fazem acusações genéricas e sem provas de que as despesas seriam concentradas nos registros contábeis das empresas de lucro real. Ora, tal fato não é verdade, pois cada uma das empresas registrava as suas próprias despesas. Notese que os próprios Agentes Fiscais Atuantes atestam tal fato no item 34 do Termo de Verificação Fiscal, quando prescrevem que "As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas; E concluise, então, que a diferença entre o lucro contábil e o lucro presumido da MK e da ME decorreram exclusivamente da opção feita por essas empresas. Frisese, desde já, que salvo algumas exceções previstas em lei, as quais não se aplicam ao caso das empresas MK e ME, a apuração do IRPJ/CSLL pelo lucro presumido é uma faculdade do contribuinte e não representa evasão fiscal o fato dessa opção gerar economia tributária; Ao analisarem a questão dos recolhimentos do ICMS das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes demonstraram desconhecer totalmente a sistemática de apuração do imposto, como também a legislação (Dec. Estadual n° 4.346/95) referente ao benefício fiscal gozado pelas empresas MK, ME e MC (atual AlphaPró). Segundo eles, a Mondial Eletrodomésticos teria acumulado crédito de ICMS indevido; Vejase o que dizem os Agentes Fiscais Autuantes: "As empresa MK, ME e ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém ao venderam para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretaria da Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos." (item 47 do Termo de Verificação Fiscal)”. Note se que tal procedimento é totalmente normal e está de acordo com a legislação aplicável ao ICMS, não merecendo, portanto, qualquer reparo”. O Benefício fiscal em tela prevê que as empresas de eletroeletrônicos podem "lançar como crédito em sua escrita fiscal, em cada período de apuração, o valor equivalente ao saldo devedor do imposto apurado em cada mês, relativo às operações e prestações com tais produtos" (Dec. 4.316/95, art. 2ºA6). Assim, a MK, ME e MC (atual Alpha) destacavam normalmente o ICMS em cada nota fiscal, pois sobre tais vendas é cobrado o imposto, e, ao final do mês, quando da apuração do imposto mediante a conta corrente fiscal (encontro de débitos com créditos), lançavam como crédito eventual saldo devedor que fosse identificado; Primeiramente, há de se ressaltar que o creditamento feito pela Mondial é autorizado pela Constituição (art. 155, §2° da, I, da CF/88) e pela legislação infraconstitucional Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 20 19 (art. 19 da LC 87/96, art. 28 da Lei estadual 7.014/96 e art. 114 do RICMS/BA), uma vez que ICMS é um imposto não cumulativo, assim, o contribuinte deve lançar como crédito o imposto incidente nas operações anteriores, o qual vem destacado em cada nota fiscal. Assim, como as notas fiscais das vendas realizadas pelas empresas MK, ME e MC para a Mondial, vinham com o destaque do ICMS incidente sobre elas (documento idôneo, conforme prescrição do art. 23 da LC/87/ 967), o creditamento do imposto, feito pela Mondial, está em total consonância com a legislação; Frise se que o fato das empresas, quando da apuração mensal do ICMS, lançarem como crédito o eventual saldo devedor de imposto, em razão do benefício fiscal concedido, não impede que a empresa adquirente escriture o crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores e que veio destacado nas notas fiscais. As únicas hipóteses de exceção ao princípio da não cumulatividade são a isenção e não incidência, as quais não se confundem com a hipótese ora analisada, haja vista que, no caso, houve a incidência do ICMS sobre cada venda. Cita e transcreve trecho de decisão do STF sobre lançamento de crédito; Conforme demonstrado nos pontos 1718, alguns Estados da Federação criam dificuldades para o aproveitamento dos créditos em aquisições interestaduais de empresas que gozam de benefício fiscal, no entanto, as vendas realizadas pela MK, ME e MC para a Mondial foram realizadas dentro do Estado da Bahia, o qual não cria nenhuma dificuldade à utilização do referido crédito de ICMS. Pelo contrário, o Estado da Bahia, à época, além de reconhecer o crédito referente ao ICMS destacado na nota fiscal, que é garantido por lei, conferia ainda mais um crédito presumido de ICMS no percentual 5% do valor da nota fiscal (art. 3° do Dec. Estadual n° 4.316/95)”: Art. 3º. O estabelecimento comercial que promover a saída interna de produtos resultantes da industrialização, com aplicação de componentes, partes e peças, desde que oriundos de estabelecimento industrial deste Estado que os tenha recebido com o tratamento previsto no art. 1º lançará a crédito o montante equivalente a 5% (cinco por cento) do valor da operação. Destarte, não há qualquer irregularidade no fato da Mondial se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de venda emitidas pelas empresas MK, ME e MC, pois tal procedimento é permitido e incentivado pela legislação; também não há qualquer irregularidade na tributação à alíquota de 12% sobre as vendas realizadas pela Mondial. Conforme amplamente já explicitado, a Mondial realizava, precipuamente, vendas interestaduais, as quais são tributadas a uma alíquota menor, uma vez que a empresa adquirente paga, complementa, ao Estado de origem, o diferencial de alíquota (alíquota interna alíquota interestadual), tal sistemática está prevista no art. 155, §2°, VII, "a" e VIII, da CF/88; Em suma vejase que os Agentes Fiscais Autuantes tentam sustentar que: "esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto". Conforme explicitado acima, o procedimento de recolhimento do ICMS adotado pela Mondial está em total conformidade com a lei, ademais, o suposto preço elevado aduzido pelos Agentes Fiscais Autuantes foi verificado em 01 mês apenas (vide ponto 52). Por fim, a venda dos créditos de ICMS acumulados, pela Mondial, também é totalmente legal e permitido pelo Estado da Bahia; Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 21 20 O artifício retórico utilizado pelos Agentes Fiscais Autuantes não merece guarida, uma vez que todos os indícios e presunções por eles utilizados, para tentar embasar a sua autuação, caem perante a verdade material dos autos: a de que não existe nem jamais existiu uma única empresa, que seria dissimulada na pessoa de várias outras, mas, sim, um conglomerado de várias sociedades, as quais compõem um grupo econômico; Confirase, por oportuno, a lição de Marco Aurélio Greco: “Em matéria tributária, e tratandose da ocorrência do fato gerador, o respectivo ônus da prova é expressamente atribuído ao Fisco, por força do artigo 142, caput do CTN. Com efeito, este dispositivo prevê que o lançamento é o procedimento "tendente a verificar a ocorrência do fato gerador". Ou seja, o ônus da prova da ocorrência (pelos diversos meios admitidos em Direito) é do Fisco. Fato gerador é fato constitutivo do direito do Fisco. Não cabe ao contribuinte o ônus da prova negativa, vale dizer, prova da inexistência do fato gerador (p.189 190)”. “Misabel Derzi, por sua vez, aduz que”: “A simulação tem de ser demonstrada pela Fazenda Pública, a quem cabe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos em geral. Competelhe o ônus de provar que o negócio jurídico é mera aparência ou oculta uma outra relação jurídica de natureza diversa, ou seja, esconde a ocorrência do fato gerador (p.226)”. Confirase, também, o posicionamento de Aurélio Pitanga Seixas: Quando o fato econômico puder ser representado juridicamente de mais de uma forma, sem disfarce ou camuflagem, não é vedado ao contribuinte escolher a alternativa que resulte em menor pagamento de tributo. Cabe à autoridade fiscal provar o artifício ou disfarce utilizado pelo contribuinte para se evadir do pagamento do tributo, e, naturalmente, ao Judiciário, fixar a interpretação consentânea com o fato questionado (p.19). “O CARF tem constantemente repelido autuações iguais à discutida no presente caso, como pode ser verificado nos acórdãos abaixo”: IPI MULTA REGULAMENTAR RECURSO DE OFICIO – Cabe à fiscalização detectar e provar por meios e elementos precisos a efetiva ocorrência do ilícito fiscal, não sendo seus indícios ou fatos que possam dar idéia de uma elisão fiscal, circunstâncias capazes de ensejar a pretendida exigência tributária. Recurso de ofício negado. (2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara Relator Valdemar Ludvig Acórdão 20309634 Recurso 124415 16/ 06/2004). IRPJ — EVASÃO ILÍCITA — Improcede o lançamento se não restou suficientemente caracterizada a evasão ilícita, uma vez que não ficou provado que os negócios praticados com empresa interligada foram feitos com objetivo único de escapar ao tributo, mas efetuado sob a justificativa de atender legítimos Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 22 21 interesses empresariais (Recurso 101.351, Acórdão 10184.907, Relator Raul Pimentel). Os Agentes Fiscais Autuantes não poderiam, à míngua de qualquer previsão legal que os autorizassem a tanto, ter reunido as receitas de todas as empresas mencionadas na autuação, para concluir que, em verdade, se trataria de uma única receita, uma vez que, como dito, são oriundas de sociedades diversas e autônomas entre si, com objetos sociais distintos muito embora Integrem um mesmo grupo econômico. Se as autoridades autuantes entenderam se tratar de uma sociedade única, elas deveriam ter cabalmente demonstrado as suas alegações, o que não o fizeram, tendose baseado tão somente em meros indícios e presunções, oriundas de reportagens veiculadas em revistas populares e em informações pesquisadas na Internet, para embasar o seu pleito temerário. Cita e transcreve texto de diversos tributarista sobre planejamento fiscal; Em verdade, o que pretende o Fisco é instituir um inconstitucional, ilegal e novel "imposto sobre planejamento fiscal", diante da situação de perda de receita que se deparou em virtude da prática crescente e perfeitamente lícita dos contribuintes em adotar meios contábeis e jurídicos para que economizem com o recolhimento de tributos; Diante do exposto, resta claro que o lançamento deve ser julgado nulo de pleno direito, diante da carência de provas que comprovem as alegações fiscais e diante da total irrazoabilidade que a macula, ao confundir os institutos da evasão fiscal (conduta ilícita, que visa ao não pagamento de tributo) com o da elisão fiscal (conduta lícita, que visa promover uma economia tributária por meio do planejamento fiscal da empresa) para que, à míngua de qualquer previsão legal, fossem somadas as receitas de todas as empresas com o único fim de aumentar a arrecadação tributária; 5. Critérios de consolidação – IPI A discussão acerca dos critérios de consolidação utilizados na autuação fiscal, ora objurgada, resta totalmente prejudicada, posto que o lançamento foi estribado em premissa falsa, qual seja, a existência de uma única empresa. Foi vastamente comprovado no bojo da presente Impugnação, que, na realidade, existe sim um grupo econômico e não uma mesma empresa; Para o caso dos julgadores, por absurdo, vierem afastar toda a argumentação trazida alhures, o que não se espera, a Impugnante vem apresentar outros equívocos materiais da consolidação efetivada no presente lançamento; Inicialmente, logo no ponto "49" do Termo de Verificação Fiscal, emerge mais uma prova da inexistência da suposta empresa única, que teria o intuito de cometer fraude. Isto porque ali consta que, durante o período fiscalizado, cada empresa fez a sua opção pelo regime de apuração do resultado, demonstrando a autonomia existente entre elas; A ME e MK apuraram os seus resultados em 2007 e 2008 pelo lucro presumido; Neste mesmo período as empresas AlphaPró e a Mondial apuraram os seus resultados pelo lucro real anual; já em 2009, todas as empresas optaram pelo regime de apuração do lucro real anual. Esta constatação fora feita pela fiscalização no ponto "49"; Perguntase: se as empresas foram criadas para fraudar o fisco, com base na opção diferenciada de regime de apuração das empresas, por qual motivo elas optaram, em Fl. 6781DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 23 22 2009, pelo regime de apuração do lucro real? A resposta a esta pergunta fulmina a elucubração indiciária da existência de uma empresa única; Diante de equívoco tão significativo na autuação fiscal, o lançamento está completamente destoante da realidade, prejudicando, de certo modo, a própria defesa da impugnante neste. Nesse sentido, o lançamento não merece outra sorte que não a nulidade; 6. Conclusão Diante de todo o exposto, requer o reconhecimento da NULIDADE/IMPROCEDÊNCIA do auto de infração ora impugnado; Requer, ainda, a juntada posterior de documentos. Pede deferimento. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão nº1528. 134, de 30/08/2011, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito que instruíram o lançamento fiscal. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza dessa matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantémse a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 16/09/2011, a interessada interpôs recurso em 18 de 10 seguinte, reiterando, os argumentos suscitados em sua impugnação, bem com apresentando novos documentos. Os sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação nem interpuseram recurso voluntário. O recurso foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que declinou a competência para a Primeira Câmara. Fl. 6782DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 24 23 É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Reconheço a competência declinada, nos termos do artigo 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por se tratar de exigência de IPI lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, objeto do processo nº 10530.721612/201166, julgado pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em 05/03/2013 (Acórdão nº 1101000.852). O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do extenso relatório, o litígio tem por base a acusação fiscal de que as empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só. A partir dessa conclusão, assentou autoridade fiscal que as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto e fez nova apuração do IPI, eliminando os créditos e débitos decorrentes das transações entre as mencionadas empresas. Portanto, esta é a questão preliminar a ser resolvida: a existência real de uma ou de quatro empresas. Essa matéria, a meu ver, foi com muita profundidade analisada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, relator do recurso relativo ao IRPJ, lastreado nos mesmos fatos, e que esse é decorrente. Peço vênia ao ilustre Conselheiro para adotar suas razões de decidir, que transcrevo: “ (...) cabe analisar a linha central da auditoria para esgotar o exame da lide. Para tanto, é necessário examinar se cada uma das empresas perseguia seus objetivos sociais com recursos físicos e humanos próprios. Ou seja, cabe examinar se as empresas: tinham vontade própria; tinham um espaço físico específico, mantido às suas custas; possuíam maquinários próprios ou alugados; adquiriam seus próprios insumos, matériasprima, ou mercadorias; eram as contratantes de seus empregados; efetuavam suas vendas; respondiam por seus contratos, produtos, empréstimos e atos; etc. Quanto a haver ou não uma vontade própria de cada empresa, a análise feita pela fiscalização do quadro social da ML do Nordeste, empresa da qual teriam se originado as quatro empresas, em nada respalda a tese do lançamento. De fato, tal análise apenas apontaria os membros da direção da ML como possíveis membros da direção das quatro empresas, já que estas Fl. 6783DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 25 24 são resultantes do desmembramento da ML. Restaria que a fiscalização conseguisse demonstrar que as quatro empresas tinham órgãos de direção compostos por membros da direção da ML e que todas as empresas perseguiam em conjunto um mesmo objetivo social. A análise do fiscal do quadro social da MK, ME, e MC (Alpha Pró), também não traz nenhum esclarecimento. Ela apenas indica os nomes dos sócios formais como potenciais membros da direção da aventada empresa única. Já a acusação de que as empresas uruguaias, que participam das três sociedades, foram criadas pelo escritório Posadas, Posadas e Vecino, que seria especializado em criar empresas de fachada, pouco colabora com a tese da fiscalização. Primeiro, porque não foi feita a demonstração de que as empresas uruguaias eram empresas de fachada, já que o Fisco simplesmente fez a afirmação tomando por base matérias de jornais e revistas, sem qualquer outro elemento de prova. Segundo, porque, mesmo que as empresas uruguaias fossem de fachada, seria preciso identificar e comprovar a existência de uma verdadeira sociedade e direção escondidas por trás de tais empresas de fachada, conduzindo as quatro empresas para um objetivo social comum. Mas isso não foi feito. Ao fim, este ponto da análise fiscal apenas sugere que os verdadeiros sócios das empresas buscam se manter anônimos, já que as empresas uruguaias são sociedades de ação ao portador. Também a informação da fiscalização de que participaram do quadro social inicial da ML, Mondial e MC (AlphaPró) pessoas ligadas à contadora das quatro empresas, não corrobora a tese base do lançamento, porque isso não refuta o quadro social e a direção das quatro empresas nos períodos autuados, nem indica uma determinada composição societária nas quatro empresas, nem demonstra confusão de objetivos sociais. Por outro lado, nos itens do relatório fiscal que essa matéria é abordada, a fiscalização consigna que a empresa Global Injeções presta serviço de industrialização por encomenda para a MC (AlphaPró) e que foi autuada para cobrança do INSS sobre folha de salários, por ter ficado provado que existia para abrigar empregados da MC (AlphaPró). Ora, tal autuação a um passo indica que a fiscalização reconhece que a MC (AlphaPró) tem atividade específica e empregados próprios (embora, em tese, alocados na Global), e a outro passo sugere que a fiscalização deveria ter considerado mais uma empresa (a Global) como componente da empresa única que disse existir. No fim, a menção à Global trabalha contra o que a fiscalização afirma no presente auto de infração. Em resumo, mesmo tomadas em conjunto, estas análises da fiscalização não conseguem de modo algum refutar o quadro social e direção das quatro empresas formalmente registrados. Muito menos conseguem demonstrar a existência de uma mesma Fl. 6784DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 26 25 direção em todas as quatro empresas atuando para a realização de um objetivo social único. Ainda pretendendo comprovar a direção única, a fiscalização diz que: 1) Alberto, sócio da MK e exsócio da ML, possui procurações da ME e AlphaPró para representar estas duas empresas em bancos, bem como da Mondial; 2) Giovanni também representa a MK, ME e AlphaPró junto a bancos; 3) Alberto e Giovani representam a MK e Mondial junto a clientes; 4) a ME e MK têm registros contábeis que indicam que Alberto era o gestor das empresas; 5) pesquisa na internet aponta Giovanni como membro da direção. Por sua vez, o contribuinte diz que jamais negou o fato de que as empresas teriam a mesma direção e que Alberto era o executivo responsável pelo grupo econômico. O que o contribuinte não admite é a acusação de que as quatros empresas formassem uma única empresa. Neste aspecto, o contribuinte está correto. O fato de existir um mesmo diretor, ou até a mesma direção, não implica haver identidade ou confusão de objetivos sociais das empresas e confusão de recursos com os quais estes objetivos são perseguidos. Deste modo, as investigações da fiscalização que apontam Alberto e Giovanni como efetivos gestores da empresa, fato que é admitido pelo contribuinte, poderiam servir para apontar e responsabilizar estas pessoas como diretores das empresas (se os demais requisitos legais estivessem presentes), mas não servem como prova de que as quatro empresas seriam apenas uma empresa. Portanto, para verificar a tese da fiscalização, é preciso verificar se os outros pontos de seu relatório demonstram a mistura de recursos e finalidades. O ponto de partida do relatório fiscal é sustentar que as quatro empresas “funcionavam no mesmo endereço”. Para manter a acusação, a fiscalização informa a localização inicial da sede de cada empresa e conta que elas se transferiram para Conceição do Jacuípe. Indica o endereço de cada empresa dizendo que: a MK se localizava na Estrada da Volta, 1200, galpão 2; a ME, na Estrada da Volta, 1200; a Alpha, na Trv. da Volta, 155, galpão 2; e a Mondial, na Estrada da Volta, 1200, galpão 3B. Já o contribuinte explica que as empresas ocupavam galpões vizinhos, construídos em terreno da ME, e que pagavam alugueis pelo uso do espaço. Para comprovar suas alegações, juntou o registro contábil dos alugueis pagos por diversas empresas (MK, MC, AlphaPró, M Service, Margel, Global, Mondial, SPD) para a ME (proc. fls. 18893 a 18899). Também, juntou cópia dos cartões CNPJ, que mostram os endereços cadastrados (proc. fls. 19010 a 19014). Portanto, percebese que a fiscalização e o contribuinte concordam em que as empresas estavam localizadas em galpões vizinhos. Fl. 6785DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 27 26 Mas, se as empresas ocupam cada uma um galpão diferente, não é possível dizer que dividem um mesmo espaço físico. Ou seja, mesmo admitindose que o endereço do terreno onde estão localizados os galpões pudesse ser um só, cada empresa tem suas instalações em um local (galpão) diferente. Assim, não se pode falar em compartilhamento de espaço físico. Além disso, as empresas pagavam aluguel pelo uso do espaço físico, sendo irrelevante que os galpões fossem de propriedade de uma delas. Quanto à efetividade desses alugueis, a fiscalização teve acesso aos livros que registram esses aluguéis e não fez qualquer exame adicional para verificar se foram ou não pagos. Inclusive, sequer mencionou que as empresas pagavam alugueis pelos galpões que ocupavam. Portanto, não é possível falar em confusão de espaço físico e nem em empréstimo gracioso de espaço. Até onde está demonstrado nos autos, cada empresa ocupava um galpão e arcava com os custos deste imóvel. Por oportuno, a alegação da fiscalização de que as empresas rateavam a conta de energia, também é explicada pelo aluguel dos galpões. Ou seja, se as empresas alugavam os galpões da ME, é razoável que a energia fosse rateada entre elas. Além disso, é a própria fiscalização que diz que cada empresa pagava sua despesa, já que a conta era rateada, e não põe em cheque o critério de rateio, obrigando que este seja aceito como correto. Por outro lado, o contribuinte explica que a dona do terreno (ME) é a titular do contrato com a Coelba e que divide as despesas com a MK. Também, informa que a AlphaPró tem seu próprio contrato com a Coelba, em relação ao seu galpão alugado. Deste modo, nenhumas das acusações acima são aptas para demonstrar que, ao invés de quatro empresas, existia uma única empresa. Por esta razão, cabe continuar o exame das demais acusações da fiscalização, para verificar se comprovariam a confusão de objetivos e recursos. Outro ponto levantado pelo Fisco para sustentar suas conclusões é que a MK, ME e a AlphaPró têm por principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletrônicos e a Mondial tem por atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletrônicos, sendo que todas comercializam os produtos e mercadorias sob a marca Mondial. A fiscalização explica que marca é de titularidade de empresas ligadas (Crowland SA e Silman Internacional SA) e que o logo da Mondial aparece no teto dos galpões. Com base nisso, conclui que não existe distinção entre a MK, ME, AlphaPró e Mondial, pois tudo é Mondial. Por sua vez o contribuinte explica que se trata de um grupo econômico e que cada uma das empresas tinha uma linha de produto e atividade específica. Explica que: 1) a ME importa alguns tipos de produtos da China, diferentes dos produzidos pelas outras empresas; 2) a MK produz a linha de cozinha e Fl. 6786DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 28 27 importa alguns produtos afins; 3) a AlphaPró produz a linha de ventilação e aquecedores; 4) a Mondial comercializa os produtos das três empresas quando os cliente são de outro estado. Enfatiza que cada empresa possui seu próprio maquinário e moldes, que compram sua própria matéria prima, e que não existe partilhamento na fabricação dos produtos. Insiste que o uso da mesma marca não faz as empresas perderem a personalidade. Quanto a estes aspectos, cabem algumas ponderações. Inicialmente, vale notar que o uso da mesma marca pelas quatro empresas não permite concluir que elas seriam uma só. As empresas podem vender produtos com uma mesma marca sem perder sua personalidade. Inclusive, a própria fiscalização destaca, que a titularidade da marca é de outras empresas (Crowland SA e Silman Internacional SA) que não foram afetadas pelo lançamento. Isso fragiliza a tese do lançamento, pois de um lado a própria fiscalização admite o uso da marca de titularidade de uma empresa por outra empresa, mas de outro lado argumenta que o uso da mesma marca caracteriza confusão de personalidade. Além disso, o contribuinte informa que a MK e a AlphaPró compraram todas as máquinas e moldes da ML. Isso mostra que cada empresa tinha no seu galpão os seus próprios maquinários e equipamentos, necessários para sua atividade. Assim, não se pode falar em compartilhamento de instalações. De outra banda, a fiscalização teve acesso às instalações, livros e documentos. Portanto, é de supor que tenha verificado se as máquinas, moldes e demais ativos haviam sido adquiridos por cada uma das empresas, se estavam registrados na contabilidade, e se estavam instalados no galpão correto. Logo, se a fiscalização nada disse sobre este aspecto tão importante, é necessário admitir como verdadeira a informação do contribuinte de que as instalações de cada empresa era da própria empresa. A fiscalização também não efetuou qualquer diligência para demonstrar que as empresas dividiam maquinário na fabricação de seus produtos. Portanto, também é preciso supor que não existe partilhamento de equipamentos na produção. Assim, se os bens são das empresas, se estão instalados nos seus respectivos galpões, e se cada empresa usa suas próprias máquinas, o fato das empresas usarem a mesma marca para comercializar seus produtos apenas indica tratarse de um grupo econômico, e não de uma única empresa. De qualquer modo, cabe continuar a análise das demais afirmações do Fisco. Outro ponto levantado pela fiscalização para sustentar suas conclusões é a divisão de empregados. Para sustentar esta posição a fiscalização diz que analisou a folha de pagamento e concluiu que as empresas dividiam alguns quadros gerenciais, Fl. 6787DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 29 28 pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Para informar quais gerentes seriam compartilhados, o Fisco apresenta uma tabela. Mas, tal tabela não permite compreender quais gerencias seriam divididas, nem a descrição dos fatos traz qualquer explicação. Além disso, a falta de indicação da localização nos autos dos elementos comprobatórios impede a verificação do afirmado e um maior esforço de compreensão da posição da fiscalização. Portanto, este ponto da acusação fica parcialmente prejudicado. Também para comprovar esta acusação de compartilhamento de empregados, a fiscalização diz que “as empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como ‘plúrima réu’, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada” e que “em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas”. No entanto, a simples menção a ações trabalhistas, onde as empresas teriam relações com a reclamada, não é suficiente para se concluir que o processo trabalhista indique uma ou várias pessoas que trabalhassem para as quatro empresas. Se acaso algum destes processos tivessem elementos que demonstrassem a utilização do mesmo empregado pelas 4 empresas, a fiscalização deveria ter detalhado tal situação. Do mesmo modo, a existência de sentença reconhecendo o grupo econômico ou a solidariedade entre as empresas não obra em favor da tese da fiscalização. Ao contrário, tal sentença confirma que existe um grupo econômico e não uma empresa. Por sua vez, o contribuinte afirma que cada empresa tem seus próprios funcionários e junta a folha de pagamento das quatro empresas (proc. fls. 18962 a 19009). Ora, se a fiscalização examinou as folhas de pagamentos e os locais de trabalho, e se não encontrou empregados de uma empresa trabalhando no espaço físico de outra, não é razoável afirmar que haveria divisão de empregados. De fato, a fiscalização poderia ter feito diligências nas sedes das empresas e anotado os nomes das pessoas que lá se encontravam, para verificar se eram ou não empregadas pela empresa onde estavam atuando. Mas, tal exame não foi feito e o Fisco pretende dizer que existe divisão de empregados pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Mesmo supondo a hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas fabris e que as duas empresas compartilhariam gerentes nesses postos (o que não restou provado), seria preciso ponderar a significância desta circunstância com o total da mão de obra empregada em cada empresa. Mas, esta ponderação não foi apresentada pelo Fisco. Por isso este ponto do relatório não é apto a comprovar a tese da fiscalização. Ao contrário, a juntada das folhas de pagamento Fl. 6788DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 30 29 pelo contribuinte e a ausência de exames fundamentais, que poderiam ser feitos pela fiscalização, demonstram não haver divisão ou confusão no uso da mão de obra. Deste modo, cabe analisar se as outras acusações da fiscalização têm o condão de comprovar a tese do lançamento. Outro aspecto levantado pela fiscalização é que a ME, MK e AlphaPró deixaram de vender seus produtos diretamente para clientes finais e passaram a vendêlos para a Mondial, que revendia para os antigos clientes das três empresas pelo mesmo preço anteriormente praticado. O Fisco adiciona que no mês da transição, as vendas para a Mondial foram por preços acima dos praticados quando das vendas diretas e que a Mondial manteve o preço que os clientes costumavam pagar. Conclui que as transações entre as empresas era apenas aparente. Por sua vez o contribuinte explica que a constituição da Mondial buscou concentrar em uma empresa comercial as vendas para fora do estado, visando resolver questões de ICMS. Também, esclarece que a fiscalização só fez a comparação de preços em um mês e os valores se justificam por questões comerciais. A contraposição das posições mostra alguns aspectos. Em primeiro lugar, o fato de empresas fabris e importadoras do mesmo grupo venderem seus produtos para uma empresa comercial do grupo, não revela nenhuma confusão de objetivos ou recursos. Tratase de decisão empresarial sobre a organização do negócio. De outro lado, a explicação dada pelo contribuinte, independente da adequação ou não à legislação do ICMS, é bastante razoável para explicar a criação da Mondial e justificar a alteração na forma de venda para antigos clientes. Além disso, não foi comprovada pela fiscalização, que só fez o levantamento para alguns produtos e em um mês, a alegação de que as três empresas venderam para a Mondial por um preço acima do praticado pela Mondial. Ainda, a explicação dada pelo contribuinte, de que foram concedidos descontos pela Mondial, é plausível. Ademais, mesmo que ficasse comprovada a prática de venda para a Mondial por valor acima do de mercado, isso poderia implicar em glosa de custos na Mondial (por simulação), mas não implicaria em nenhuma convicção sobre existir confusão de objetivos e de recursos das quatro empresas. Refutada mais esta linha de argumento, cabe continuar a análise das acusações. O Fisco também diz haver confusão na contabilidade das empresas. Sustenta esta posição dizendo que a contadora é a mesma e que a contabilidade apresenta a mesma estrutura. A fiscalização também diz que intimou o contribuinte a consolidar a contabilidade das quatro empresas e que o contribuinte apresentou tal consolidação, embora apenas fazendo a soma de cada conta. Afirma que este compartilhamento de dados, que seriam sigilosos, mostra a ligação entre as empresas. Fl. 6789DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 31 30 O contribuinte diz que isso não demonstra nenhuma confusão entre as empresa e que é comum um grupo empresarial ter um mesmo escritório de contabilidade e ter contabilidade com estrutura semelhante. Também, transcreve texto de intimação no qual o Fisco exige a apresentação da consolidação das quatro contabilidades sob pena de aplicação de multa e explica que apenas atendeu ao exigido pela fiscalização. Ora, salta aos olhos que o fato das empresas terem o mesmo responsável pela contabilidade e mesma estrutura de contas não implica em qualquer confusão. No caso, o que a fiscalização poderia ter pesquisado era se as empresas assumiam cada uma o custo do escritório de contabilidade ou se este era arcado por apenas uma delas ou por um caixa comum. Mas, este trabalho não foi feito. Quanto ao fato das empresas apresentarem a consolidação exigida pelo Fisco, isso também não comprova a existência de uma empresa única, mas sim de um grupo com acesso a informações uma das outras, fato admitido pelo contribuinte. Também a circunstância das empresas serem criadas e extintas em momento semelhante e de terem suas sedes nas mesmas cidades não implicam na perda da personalidade jurídica. Ainda mais se for considerado que as empresas se originam do desmembramento racional da ML. Ou seja, como o nascimento e atividade de cada empresa foi planejado, alguns dos pontos indicados pela fiscalização seriam de se esperar em um desmembramento planejado. Assim, se constata que nenhum dos argumentos apresentados pela fiscalização consegue demonstrar a existência de uma empresa única no lugar das quatro empresas. Mesmo considerando o conjunto probatório, a fiscalização não comprovou sua tese. Inclusive, alguns dos aspectos levantados pela fiscalização são naturais em empresas componentes de um grupo econômico. Também, se percebe que a fiscalização buscou enfatizar apenas os aspectos que considerou relevante para sua tese. Em contrapartida, fica evidente que desconsiderou outros aspectos mais relevantes que não foram examinados. Assim, também pela falta de demonstração do fato imputado, o lançamento não é procedente. Por oportuno, cabe destacar que a decisão da turma julgadora, além de referendar o lançamento, adicionou alguns argumentos. De fato, a turma buscou sustentar o lançamento afirmando que tudo não passou de um planejamento tributário feito para reduzir a carga tributária. Quanto a este ponto da decisão, a par do desborde de competência, pois a turma julgadora não pode acrescentar argumentos para fundamentar o lançamento, a turma incorre em erro. Fl. 6790DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 32 31 O planejamento não é proibido, nem implica em fraude à lei, abuso de direito, ou simulação. Também, os negócios feitos com base em planejamento tributário não podem ser desconsiderados sob a alegação de não terem conteúdo negocial. Cabe analisar as teses sustentadas pela turma da DRJ. Uma das teses diz que é possível usar as figuras de abuso de direito e de fraude a lei, existentes no Código Civil, para efetuar o lançamento. Mais especificamente, se argumenta ser possível refutar planejamentos tributários com a simples afirmação de que os efeitos legais pretendidos pelo contribuinte não são oponíveis ao Fisco porque estaria havendo abuso de direito ou fraude a lei. Para avaliar a procedência desta tese, é necessário examinar se o uso destas figuras extrapola ou não os poderes referentes ao lançamento. Constatado que implica em inovação de poderes, cabe pesquisar se existe permissão no sistema para que o Fisco utilize estas figuras. Portanto, inicialmente, é preciso comparar o que o lançamento permite, com o que a aplicação das figuras permitiria. No lançamento, o Fisco diz os fatos ocorridos e o direito aplicável a estes fatos, mesmo contradizendo os fatos declarados e o direito aplicado pelo contribuinte. Já com a aplicação das figuras de abuso de direito ou de fraude a lei, o Fisco não reconhece a incidência do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional, e em consequência deixa de reconhecer os efeitos de determinada situação ou negócio. Assim, é evidente que a aplicação dessas figuras do Código Civil vai além do que o lançamento permite. Resta ver se o sistema permitiria ao Fisco o uso delas na formalização do crédito tributário. Porém, só se o planejamento tributário fosse proibido é que se poderia dizer que os atos e os negócios motivados por economia fiscal seriam casos de abuso de direito ou de fraude a lei. Mas, este pressuposto não é verdadeiro, pois o sistema jurídico não proíbe o planejamento tributário. Ademais, o fato do sistema positivar o abuso de direito e a fraude a lei não defere ao Fisco o poder de utilizálas para efetuar lançamento. Estas figuras existem para serem utilizadas por juízes imparciais nas soluções de litígios judiciais e não pela própria parte. Logo, sem previsão legal, essas figuras não poderiam ser usadas pelo Fisco, muito menos agindo no seu próprio interesse. Assim, a tese defendida pela turma julgadora não procede. Na verdade, a tese inverte o princípio de que a Administração só pode o que a lei permite, e que o administrado é livre, salvo norma em contrário. Fl. 6791DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 33 32 A outra tese da DRJ é a de que os atos praticados na execução de planejamento tributário poderiam ser desconsiderados porque não teriam conteúdo econômico ou propósito negocial, já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Novamente, o exame da procedência da tese consiste em verificar se sua aplicação implica em atuação além dos poderes inerentes ao lançamento. Constata diferença de alcance, caberá indagar se o sistema autorizaria a formalização do crédito tributário por este mecanismo. Como é evidente, também esta teoria pretende autorizar a formalização do crédito, não pela aplicação do direito aos fatos, mas pela desconsideração do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional. Assim, é claro que a aplicação desta formulação estende os poderes da fiscalização inerentes ao lançamento. Frente a ausência de base legal que permita a constituição de crédito tributário por tal mecanismo, a tese só seria viável partindose da idéia de que o planejamento tributário é proibido e que esta motivação viciaria o negócio. Só assim, haveria amparo no sistema para considerar o negócio nulo. Resta testar esta hipótese. Para tanto, é preciso distinguir motivo do negócio e causa do negócio. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos partícipes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum às partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Portanto, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicado, sequer por juízes, aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. Muito menos, poderia ser aplicado pela fiscalização, para efetuar lançamento de ofício. Destarte, não há nenhuma característica específica na motivação “reduzir a carga tributária” que implique em ineficácia ou nulidade nos negócios em que tal motivação esteja presente, mesmo se for a única motivação. Deste modo, o dispositivo do Código Civil não pode ser aplicado para descaracterizar negócios que visam economia tributária. Fl. 6792DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 34 33 De outra banda, não existe nenhuma outra regra tributária, federal ou nacional, que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia fiscal. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios praticados por economia tributária. Assim, também a adoção desta tese pela turma julgadora implica em atuação além da lei. Novamente, existe uma inversão dos princípios que regem a atuação da Administração e dos administrados. Deste modo, se vê que os argumentos com os quais a turma julgadora inovou a fundamentação são improcedentes.” Portanto, tendo o Nobre Relator do processo principal esgotado a análise da acusação fiscal, e sendo este decorrente daquele, aplicase aqui a mesma decisão, razão porque, DOU provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 07 07 de novembro de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 6793DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10735.004489/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RECURSO NÃO CONHECIDO. A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 44 89 /2 00 8- 13 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 22/23 : O contribuinte acima qualificado foi autuado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar(IRPF), relativo ao exercício 2006, anocalendário 2005, no total do credito tributário de R$ 11.264,00, conforme Notificação de Lançamento e demonstrativos de fls. 0204 e 9. O lançamento decorre da revisão de sua declaração onde apurouse dedução indevida de despesas médicas de R$ 20.000,00, pois os recibos emitidos por Camila B. Licurci, Maria Otacília M. Porcello e Joyce Procópio da Silva, não informam o usuário dos serviços, nem o endereço do beneficiário dos pagamentos; e o recibo emitido por Daniele L. Correa não informa o usuário dos serviços. A fundamentação legal encontrase às fls. 09. Intimado em 13/10/2008 (fls. 10), o contribuinte apresentou impugnação em 05/11/2008 (lis. 01), alegando, em síntese, que em virtude dos recibos apresentados estarem incompletos, anexa aos autos as declarações dos profissionais que o trataram comprovando assim, as deduções efetuadas. Juntou os documentos de fls. 05 e seguintes. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o valor do imposto para R$1.925,00, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração os gastos com despesas médicas que sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado o sujeito passivo acerca do julgamento na DRJ, fl. 24, foi apresentado o documento de fl. 25, requerendo pelo restabelecimento da despesa de R$7.000,00 referente a fisioterapeuta Daniele Leite da Silva. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 4 3 É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE De pronto devese analisar a preliminar de legitimidade passiva do recurso. A unidade de origem, recepcionou o documento de fl. 25, entregue em 04/08/2011, como recurso voluntário e deu seguimento para julgamento de segunda instância, conforme DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO de fl. 36, emitido em 01/09/2011. Contudo, o documento de fl. 25, tratase apenas de uma declaração da prestadora de um dos serviço glosado, Daniele Leite Correa da Silva, fisioterapeuta. De outro lado, não encontramos nos autos qualquer procuração do interessado, outorgando poderes para a Sra. Daniele. A legitimidade de parte ou legitimidade para a causa (ad causam) se refere ao aspecto subjetivo da relação jurídica processual e nesse aspecto Daniele Leite Correa da Silva não possui legitimidade para figurar no pólo passivo da lide em que se discute a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar(IRPF) em nome de Norival Rangel Pereira, senão vejamos: Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que institui o Código de Processo Civil. Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 4oO interesse do autor pode limitarse à declaração: I da existência ou da inexistência de relação jurídica; II da autenticidade ou falsidade de documento. Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. Art. 5o Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. (grifei) Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 5 4 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 12898.000055/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro, que rejeitaram a preliminar de diligência suscitada pelo Relator. O Conselheiro José Paulo Puiatti participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP nº 257.324, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiatti (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Relatório
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro, que rejeitaram a preliminar de diligência suscitada pelo Relator. O Conselheiro José Paulo Puiatti participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral o Dr. Cássio Sztokfisz, OAB/SP nº 257.324, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiatti (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em virtude de alegadas diferenças apuradas entres os valores escriturados e os valores declarados/pagos da Cofins nos períodos de apuração 02, 03, 04, 06, 07, 08, 09, 11 e 12/2006; 12/2007; 02, 11 e 12/2008, e ainda de diferença entre o valor declarado antes e após o inicio da ação fiscal, no mês 01/2007, com exigência da contribuição, multa de ofício e juros de mora (fls. 42 a 50). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 00 05 5/ 20 10 -2 1 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12898.000055/201021 Resolução nº 3101000.346 S3C1T1 Fl. 4 2 A alegação fiscal fundamentase na falta de comprovação do recolhimento de COFINS dos valores provisionados em seus registros contábeis, conforme planilhas demonstrativas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. A autoridade lançadora afirma ainda que encontrou DCTF retificadora que majoraram valores já declarados, não caracterizando a espontaneidade, sujeitandose, portanto, à multa de ofício. Anexou planilha demonstrativa das DCTF analisadas, com as diferenças apuradas (fls. 5153). Devidamente cientificada em 04/02/2010, a interessada apresentou em 08/03/2010 a impugnação de fls. 81 a 123, na qual alegou, em síntese: (1) superficialidade da instrução probatória e ferimento ao principio da verdade material e ao artigo 142 do CTN; (2) cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, pela não anexação de respostas apresentadas pela impugnante; (3) inocorrência de fato gerador e impossibilidade de equiparação de provisões contábeis a créditos tributários, com a invalidade do lançamento com base em indícios e suposições; (4) subsidiariamente, da correção dos valores recolhidos a titulo de Cofins; (5) nulidade do lançamento de oficio quanto ao primeiro trimestre de 2007, visto que o débito de janeiro de 2007 já estava declarado em DCTF; e (6) ilegalidade da utilização da taxa selic para o cálculo dos juros moratórios. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, em sessão de julgamento realizada em 10 de outubro de 2012, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação apresentada, cancelando o crédito tributário exigido. O acórdão 1249.969 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 AJUSTES CONTÁBEIS. A escrituração dos ajustes contábeis que ensejaram a redução das provisões da contribuição devida faz prova em favor da interessada, salvo prova em contrário. PROVA INADEQUADA. INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE. Não é devida a glosa de abatimentos a título de retenção na fonte, sem o exame da legitimidade das quantias abatidas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Foi interposto recurso de ofício em virtude de o credito tributário exonerado ultrapassar o limite estabelecido pelo artigo 1° da Portaria MF n° 3/2008. A Repartição de origem encaminhou os autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12898.000055/201021 Resolução nº 3101000.346 S3C1T1 Fl. 5 3 O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal reconstituiu o crédito tributário da contribuição, após apurar divergência entre os valores declarados em DCTF e os valores provisionados em seus registros contábeis, apresentando planilhas demonstrativas do crédito tributário reconstituído. A impugnante alegou que a fiscalização indevidamente equiparou as provisões para pagamento de tributos registradas na contabilidade à própria obrigação tributária principal, utilizandose de provas superficiais, sem demonstrar a origem das diferenças encontradas. Afirma que não foram anexados aos autos diversas respostas apresentadas aos Termos de Intimação lavrados pela fiscalização. Ainda que o órgão julgador de primeira instância tenha entendido pela improcedência do lançamento fiscal pela inadequação das provas, entendo que as alegações da interessada e elementos de prova trazidos em sede de impugnação devem ser apreciados pela autoridade lançadora, bem como a alegação de supressão de documentos obtidos durante o procedimento fiscal, que não foram anexados aos autos. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem para que a autoridade lançadora adote as seguintes providências abaixo relacionadas: 1. Elaborar demonstrativo da base de cálculo da COFINS, com a indicação do valor devido, valor declarado, valor compensado, valores retidos na fonte e valor pago, com base no Razão analítico apresentado pelo sujeito passivo às fls. 696 e 747; 2. Manifestarse acerca do demonstrativo de correção dos valores recolhidos a titulo de COFINS e explicação quanto às diferenças apuradas, por mês de competência, apresentados pelo sujeito passivo às fls.98116; 3. Confrontar as alegações do sujeito passivo com a planilha anexada ao Auto de Infração (fls. 5153) e com o demonstrativo a ser elaborado com base no Razão (item 1 supra); 4. Manifestarse acerca da não anexação de respostas apresentadas pelo sujeito passivo (documentos às folhas 181254); 5. Manifestarse acerca da alegação de que o débito de janeiro de 2007 já estava declarado na DCTF retificadora nº 1002.007.2007.1830000784, apresentada em 05.03.2007, anterior ao procedimento fiscal, e extinto por meio da compensação declarada no PER/DCOMP nº 04853.61352.160207.1.3.035479, apresentada em 05.03.2007. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12898.000055/201021 Resolução nº 3101000.346 S3C1T1 Fl. 6 4 Sala das sessões, em 25 de março de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 15586.720289/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 28 9/ 20 11 -8 1 Fl. 72985DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. ELUCIDAÇÃO DE DÚVIDAS ACERCA DA AUTUAÇÃO. O fato de a interessada ter solicitado perícia e apresentado quesitos não vincula o julgador ao atendimento integral da solicitação. O pedido de perícia deve trazer dúvidas acerca de aspectos técnicos de determinado procedimento. À medida em que se necessita dirimir dúvidas acerca da matéria objeto de julgamento e se realiza diligência para elucidálas, o pedido de perícia formulado nos exatos moldes requerido pela interessada em sua impugnação, com todos os quesitos ali apresentados, tornase prescindível. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DESCONTOS CONCEDIDOS. COMPROVAÇÃO. A partir da comprovação pela interessada que parte dos descontos foram contabilizados por ela e oferecidos à tributação, mister se faz a exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A ausência de comprovação, através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, dos pagamentos escriturados na contabilidade da interessada, faz com que se ratifique as exigências fiscais com base na presunção legal estampada no artigo 40 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006,2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ao subsistir o auto de infração principal, igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco do auto de infração de IRPJ (fls. 16.600/16.604), no valor de R$ 11.665.502,96 e de CSLL (fls. 16.605/16.611), no valor de R$ 4.199.581,06, já acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. O entendimento do fisco se expressa no bojo do Termo de Verificação da Infração (fls. 16.580/16.598), conforme abaixo se segue: Fl. 72986DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 4 3 a) O procedimento fiscal foi motivado em virtude da movimentação financeira do contribuinte junto aos bancos em informações prestadas à RFB pelas referidas instituições financeiras, sendo esta incompatível com a receita declarada pelo contribuinte em sua DIPJ; b) Na análise dos extratos do fiscalizado, verificouse que os créditos em suas contas correntes estão de acordo com a sua contabilidade. A grande divergência entre a movimentação financeira e a receita declarada devese a empresa ser uma agente de navegação, onde recebe os valores dos custeios dos navios em suas contas correntes e repassa grande parte desses recursos para os seus fornecedores, restando como seu o valor da prestação de seus serviços; c) Durante a circularização dos fornecedores com o intuito de se verificar se houve o real repasse desses recursos, encontramos inconsistências entre o escriturado pela empresa e os valores informados pelos fornecedores. A partir de então foi solicitada a comprovação dos valores repassados aos maiores fornecedores, onde foram encontradas diferenças; d) Estas, podemos resumir como cartas de crédito concedendo descontos por fora das notas fiscais, sendo que o contribuinte não comprovou o repasse de tais descontos aos armadores dos navios (pagadores dos serviços prestados pela fiscalizada e seus fornecedores), de modo que o entendimento foi de omissão de receitas pelo fiscalizado; e) Além disto, o contribuinte não comprovou com documentos hábeis parte dos pagamentos aos fornecedores, de forma que se entendera que eles não foram realizados; portanto, tais valores também foram considerados como receitas omitidas da atividade, conforme descrito nos itens seguintes; f) Após as diligências fiscais realizadas tanto nos bancos com os quais a interessada trabalha, bem como junto aos fornecedores através de circularização, o fisco efetuou as seguintes constatações: ∙ A empresa NAUTICAL MANAGEMENTE ASSISTANCE, sediada na Holanda – Atua como DADESK (gerenciadora de recursos) de 90% dos agenciamentos de navios da fiscalizada, isto é, esta empresa recebe um custeio dos navios (total de despesas do navio durante sua atracação) e informa aos armadores o valor deste custeio (notas fiscais, faturas etc.). Os armadores transferem o valor do custeio para a empresa Nautical que administra tais valores e os repassa para a Brazshipping para que honre os compromissos com seus fornecedores assim como receba pelo serviço de agenciamento prestado; ∙ Verificouse que usualmente o contribuinte recebe notas fiscais de seus fornecedores juntamente com notas/cartas de crédito, isto é descontos concedidos pelos fornecedores por fora da nota fiscal, pagando ao fornecedor somente a diferença entre o valor da nota fiscal e as notas de crédito vinculadas a esta nota fiscal (vide planilha NOTAS DE CRÉDITO DOS FORNECEDORES – ANEXO 1); ∙ Considerando tais descontos como não usuais, foi solicitado ao contribuinte, através dos Termos de Intimação Fiscal nºs. 135 e 174/2011 que comprovassem que os descontos através de notas/cartas de crédito concedidos pelos fornecedores foram repassados para os armadores (donos dos navios), foi sugerido ao contribuinte fossem apresentados os extratos bancários da empresa NAUTICAL com os recebimentos dos armadores e respectivos repasses para a Brazshipping ou outros que o fiscalizado achasse necessário; Fl. 72987DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 5 4 ∙ Como resposta aos respectivos termos, alegou a interessada que ‘o referido extrato que V. Sa. solicita é o razão contábil da conta contábil nº 210400100010 e conta com o código reduzido 2330. Reiteramos que não existe um extrato da conta da BRAZSHIPPING com a NAUTICAL. A brazshipping não faz remessas bancárias para seus clientes no exterior, dos saldos em seu favor apurados nos custeios.’; ∙ Cabe esclarecer que a fiscalização solicitou o extrato da conta da NAUTICAL com a BRAZSHIPPING com o objetivo de se comprovar os repasses dos descontos. Se a empresa NAUTICAL faz a intermediação dos negócios dos armadores (donos dos navios que efetuam os pagamentos) com a BRAZSHIPPING, certamente a NAUTICAL possui uma conta corrente do cliente BRAZSHIPPING, pois a NAUTICAL administra volumes financeiros na ordem de R$ 200.000.000,00 anuais da fiscalizada, como podemos observar nos extratos de cambio e nos balancetes da empresa, valor este que é recebido pela NAUTICAL dos armadores para futuro repasse à BRAZSHIPPING através das remessas por contratos de câmbio; ∙ Sobre o contrato solicitado através do Termo de Intimação Fiscal 65/2010 da fiscalizada com a empresa NAUTICAL o contribuinte informou que ‘a relação é igual a que a BRAZSHIPPING mantinha com todas as 190 empresas no Brasil e no Exterior, que contrataram a empresa como Agente Marítima e com as quais manteve relacionamento comercial de prestação de serviços, que vem a ser o atendimento de todas as necessidades que os navios têm por ocasião de suas escalas em portos/terminais brasileiros. (...) Quanto ao contrato solicitado, no caso de Vossa Senhoria terse referido a Contrato Expresso, informamos que nas operações marítimas as práticas são consuetudinárias, sendo os mesmos de natureza TÁCITA, em função da dinâmica de transportes marítimos e a indicação continuada da BRZ como agente marítima. É uma atividade movida fundalmentalmente pela confiança que as entidades – principalmente as estrangeiras – têm nas empresas de agenciamento marítimo existentes em todo o mundo (...)’; ∙ Cabe a esta fiscalização esclarecer que a Brazshipping praticamente só utilizava a empresa NAUTICAL com sua DADESK, com 90% do volume dos seus agenciamentos, sendo as outras DADESKs citadas com volumes irrisórios. Os demais 10% dos agenciamentos eram diretamente com os armadores como Gearbulk Cosco e Vale do Rio Doce, como podemos comprovar em sua contabilidade; ∙ É muito improvável que empresas que se tem negócios na faixa de R$ 200.000.000,00 anuais não possuam um contrato formal de prestação de serviços; ∙ Através do Termo de Intimação Fiscal nº 124/2011, foi solicitado o endereço, email, telefone e contatos da NAUTICAL, a qual o contribuinte informou ser na Holanda; ∙ Em visita ao site da LBH GROUP (do qual a BRAZSHIPPING faz parte) verificamos que seu endereço na Holanda é idêntico ao da NAUTICAL, apenas com a alteração de um dígito no telefone, sendo seus emails idênticos ao da NAUTICAL; ∙ Entretanto, de acordo com a resposta dada pelo contribuinte quanto ao endereço, email, telefone etc. (fls. – Resposta ao Termo de Intimação Fiscal 135/2011), verificase que não se encontra de acordo com a realidade dos fatos apurados; ∙ Esclarecido que as empresas LBH GROUP, BRAZSHIPPING e NAUTICAL são do mesmo grupo, fica fácil de se imaginar que o trâmite provável da cobrança dos custeios pela fiscalizada é o seguinte: 1) São remetidos o custeio com o conjunto das Fl. 72988DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 6 5 notas fiscais dos serviços prestados, inclusive a nota fiscal de seu agenciamento; 2) Quando da cobrança da NAUTICAL aos armadores as notas/cartas de crédito por fora das notas fiscais não são inclusas nestes custeios para cobrança; 3) Quando do pagamento do valor do custeio pelos armadores a NAUTICAL, este se faz pelo valor total sem o desconto das cartas/notas de crédito; 4) Quando a NAUTICAL repassa os valores à BRAZSHIPPING, esta repassa somente o valor dos custeios apresentados a esta fiscalização com os descontos referentes às notas/cartas de crédito; 5) Por fim, a NAUTICAL retém esta diferença de valores (descontos das cartas/notas de crédito) para a LBH GROUP na Holanda (LBH NETHERLANDS) e os remete para as empresas que são os sócios estrangeiros da BRAZSHIPPING. Entendeuse que não existe outra explicação para se dar descontos por fora da nota fiscal senão este; ∙ Portanto, o repasse dos descontos concedidos através de cartas/notas de crédito para os armadores não foram comprovados, sendo, desta forma, considerados como omissão de receitas; ∙ Abaixo segue planilha resumo das notas/cartas de crédito, totalizados a partir da planilha em anexo: Empresa 2006 2007 Total Sulnorte Serviços Marítimos 828.001,62 484.873,45 1.312.875,07 Camorim Serviços Marítimos Ltda. 93.877,85 23.774,33 117.652,18 Tugbrasil Apoio Portuário S/A 132.362,07 167.874,30 300.236,37 Sobrare Servemar Ltda. 823.110,50 1.292.238,65 2.115.349,15 Saveiros Camuyrano 1.259.589,62 2.216.223,42 3.475.813,04 CBR Apoio Portuário Ltda. 154.327,18 4.520,66 158.847,84 Docenave – Navegação CVRD S/A 609.701,58 225.807,52 835.509,10 CVRD S/A 0,00 460.997,40 460.997,40 Tranship Transportes Marítimos Ltda. 296.081,78 32.522,58 328.604,36 Consórcio Rebocadores BSM 57.022,35 0,00 57.022,35 Navport Navegação e Serv. Portuários 118.372,71 141.442,10 259.814,81 Ocidental Transp. e Navegação Ltda. 0,00 12.391,00 12.931,00 Cia Operadora Portuária Itaqui 8.929,65 0,00 8.929,65 União dos Práticos da Bacia Am. 103.513,92 136.884,01 240.397,93 Total Geral 4.484.890,83 5.200.089,42 9.684.980,25 ∙ No anexo 1 deste termo, segue planilha das notas fiscais, suas respectivas notas/cartas de crédito (descontos concedidos em documento independente da nota fiscal) e cópia dos pagamentos realizados descontados os valores constantes das notas/cartas de crédito; Fl. 72989DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 7 6 ∙ Paralelo à verificação das cartas/notas de crédito, foi realizada a verificação dos efetivos pagamentos aos fornecedores e verificouse que uma série de pagamentos não foram efetivamente comprovados, isto é não foram apresentados os documentos hábeis para comprovação destes pagamentos. A falta de apresentação de documentos comprobatórios dos pagamentos aos fornecedores significa que não houve repasse dos valores recebidos para este fim, de forma que foram considerados como omissão de receitas; ∙ O contribuinte foi intimado a apresentar as notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamentos através do Termo de Intimação Fiscal nº 103/2011, respondendo que precisaria de até 8 meses para apresentação destes documentos. Em virtude da dificuldade da entrega de um volume enorme de documentos, em 24/02/2011, através do Termo de Intimação Fiscal nº 109/2011, foi solicitada planilha resumo das notas fiscais e seus respectivos pagamentos, sendo reintimado em 30/03/2011 e 28/04/2011 através dos Termos de Intimação Fiscal nºs. 113 e 115/2011. O fisco foi totalmente atendido em 22/06/2011; ∙ Com base nas planilhas entregues pelo contribuinte das notas fiscais com os seus respectivos pagamentos e identificações, foram verificados os pagamentos que coincidiam em data e valor com os escriturados nos livros fiscais. Após esta análise, foi solicitado ao contribuinte a apresentação dos comprovantes de pagamentos não identificados nas planilhas. O contribuinte comprovou parcialmente em 06/07/2011 e 15/07/2011 os pagamentos aos fornecedores. Após nova análise dos documentos apresentados, solicitouse nova comprovação dos pagamentos, cujas respostas foram apresentadas em 21/09/2011. Após terceira análise foi solicitada a comprovação dos pagamentos ainda não comprovados e outros, onde foram comprovados mais alguns pagamentos; ∙ Na análise dos documentos apresentados, verificouse uma série de pagamentos para um mesmo fornecedor, sendo que para alguns destes pagamentos foram apresentados boletos com autenticação bancária do pagamento e outros com boletos sem autenticação bancária. Todos os pagamentos onde foram apresentados boletos com autenticação ou cópias de DOC ou TED foram aceitos como comprovados; ∙ Os pagamentos a fornecedores que não foram apresentados os respectivos comprovantes de pagamentos, isto é, boleto com autenticação bancária ou cópia do cheque de pagamento com identificação do fornecedor, foram considerados como pagamentos não comprovados – omissão de receitas, e se encontram discriminados na planilha – Anexo 2, conforme abaixo: Empresa 2006 2007 Total Brandão Filhos – Fortship Ag. Marítima Ltda. 272.725,00 550.500,00 823.225,00 CODESP – Cia Docas Estado de São Paulo 401.899,42 374.344,49 776.243,91 DL Consultoria Marítima Ltda. 52.000,00 0,00 52.000,00 Porto Agencia Marítima e Oper. Portuário Ltda. 658.943,73 66.757,83 725.701,56 Sampayo Nickhorn S/A 368.051,00 686.603,52 1.054.654,52 Sulnorte Serv. Marítimo 684.041,56 309.263,87 993.305,43 Fl. 72990DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 8 7 Ltda. Transhem Agência Marítima Ltda. 202.467,88 178.742,01 381.209,89 Fornecedora de Navios Bandeirantes Ltda. 64.080,00 0,00 64.080,00 Pedreiras Transportes do Maranhão Ltda. 102.036,27 699.944,65 801.980,92 Cargil Santos 0,00 522.000,00 522.000,00 Docenave – Navegação CVRD 0,00 788.953,28 788.953,28 H. DANTAS REPAROS NAVAIS 0,00 140.518,00 140.518,00 CIA DOCAS RJ 57.503,85 15.820,00 73.323,85 TRANSHIP – TRANSPORTES TERRESTRES 0,00 34.843,61 34.843,61 Praticagem da Baixada Santista 1.345.807,35 3.002.437,69 4.348.245,04 Total Geral 4.209.556,06 7.370.728,95 11.580.285,01 Devidamente cientificada em 08/12/2011 (fls. 16.685), a interessada, em 05/01/2012, apresentou impugnação (fls. 16.709/16.744), alegando, em síntese, o que se segue: a) A impugnante é empresa especializada na prestação de serviços de agenciamento marítimo, atividade que consiste em encontrar prestadores de serviços no Brasil (rebocadores, práticos etc.) para empresas de transporte marítimo nacional e internacional e realizar a contratação dos mesmos por conta e ordem dos armadores (proprietários ou arrendatários de embarcações); b) Nesse contexto, recebe de clientes elevadas quantias a título de adiantamento para pagar, por conta e ordem destes todas as despesas relacionadas às atracações/desatracações das embarcações nos portos brasileiros; c) Vale destacar que tais adiantamentos são baseados em uma mera estimativa inicial enviada pela impugnante aos seus clientes, a qual é denominada próforma. Somente no encerramento da elaboração da prestação de contas ao cliente, denominada “custeio” é que de fato se fica sabendo os efetivos preços dos serviços que foram prestados à embarcação, ou seja, as estimativas ora são maiores, ora são menores que o custo final efetivo do atendimento; d) Importante mencionar que apesar de tais valores (adiantamentos baseados em estimativas) transitarem pelo patrimônio da impugnante, eles não lhe pertencem, já que se destinam ao pagamento dos prestadores de serviços de seus clientes; e) Assim, se após receber o adiantamento dos clientes a impugnante conseguir algum tipo de desconto com os prestadores de serviços, tais valores, dependendo do tipo de acordo que firmou com o cliente, poderão ser (i) contabilizados como crédito do cliente, para serem abatidos do próximo serviço prestado, ou (ii) contabilizados como uma receita da impugnante; f) Quando os descontos obtidos não são repassados aos clientes como créditos nas contas de custeio dos navios, a empresa os absorve como receitas e os oferece à tributação na forma legal; Fl. 72991DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 9 8 g) Por considerar existir discrepância entre a movimentação financeira da impugnante e as receitas por ela declaradas nas DIPJ, a RFB instaurou fiscalização para analisar a apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2006 e 2007; h) Com a devida vênia, o auto de infração não se sustenta, devendo ser totalmente julgado improcedente em primeiro lugar, porque é nulo por deficiência na fundamentação legal, na medida em que não comprovou quais fatos levaram à conclusão de que a impugnante teria omitido receitas; ademais houve claro cerceamento de defesa na instrução do auto, uma vez que a contabilidade e os documentos apresentados pela empresa foram desconsiderados com base em “cartas de circularização” que sequer foram disponiblizadas pela impugnante; no mérito, a empresa tem como comprovar que: a) quando se apropriou dos descontos obtidos para os serviços por ela agenciados, ofereceuos integralmente à tributação; e b) quando não foi este o caso, registrou esses descontos como créditos contábeis de seus clientes; no que se refere aos pagamentos não comprovados, a empresa traz aos autos documentação perfeitamente idônea que demonstra a saída de valores de suas contas bancárias e sua efetiva entrega aos prestadores de serviços; por fim, a planilha que acompanha o auto de infração tem várias inconsistências que resultaram na contabilização das mesmas notas fiscais mais de uma vez, ou ainda, na contabilização da receita em valor diverso daquele constante na nota fiscal; I Preliminarmente: Sobre o Serviço de Agenciamento Marítimo, Atividade da Impugnante a) As agências marítimas são empresas especializadas na prestação de serviços para os armadores (proprietários ou arrendatários de navios que realizam frete de cargas); b) Seria difícil para qualquer empresa de navegação possuir um escritório em cada porto do mundo. Nesse contexto, as agências marítimas prestam todo tipo de assistência necessária para os navios dos armadores (clientes), tais como a contratação dos serviços especializados de praticagem, rebocadores, combustível, suprimentos (alimentos), serviços médicos para os tripulantes, troca de tripulantes, compra de equipamentos e peças de reposição para o navio, contratação de oficinas especializadas em reparos navais, despacho de documentos, pagamento de taxas junto à capitania dos portos, ANVISA etc.; c) Ou seja, as agências marítimas representam o armador junto às autoridades brasileiras como verdadeiras mandatárias e contratam, por conta e ordem dele, todo o suporte necessário aos navios, cobrando para isso uma importância a título de agency fee (horários de agenciamento); Portanto, recebem a remuneração pelos serviços prestados; Do adiantamento de valores para cobrir despesas e repasse dos descontos a) Vale destacar que, frequentemente, a contrataçãodos serviços de agencimanto marítimo não se dá deforma escrita, mas tácita. Por exemplo, asindicações e nomeações às vezes ocorrem via email. Consuetudinariamente, as relações entre os armadores e as agências marítimas são baseadas na pura e simples confiança; b) Assim é que comumente o armador (ou o mandatário deste) entra em contato com a agência marítima devidamente cadastrada junto às autoridades brasileiras e solicita a prestação de uma série de serviços; c) Por sua vez, a agência marítima (in casu, a impugnante) envia por email uma previsão de custo para os serviços solicitados denominada próforma, incluindo os Fl. 72992DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 10 9 honorários pelos serviço de agenciamento. Caso o armador aceite o valor estimado dos serviços, este imediatamente, transfere à agência o numerário previsto na próforma; d) Posteriormente, a agência marítima repassa os valores aos prestadores de serviços, retendo o valor acordado como remuneração pelo serviço de agenciamento prestado, emitindo uma nota fiscal de prestação de serviços que fará parte da sua prestação de contas ao cliente; e) Todavia, uma vez que o valor indicado na “próforma” não passa de mera estimativa dos gastos muitas vezes o depósito efetuado pelo cliente pode se revelar insuficiente e, em outras, pode ser superior ao efetivo custo dos serviços prestados; f) Geralmente, o adiantamento a maior feito pelo cliente à impugnante decorre do fato de, neste momento, ser impossível saber quais e qual desconto a agência marítima vai obter dos prestadores de serviços ao longo da permanência do navio nos portos, bem como de serviços eventuais e emergenciais que podem ocorrer inesperadamente; g) Os descontos concedidos pelos prestadores de serviços dependem do volume de navios atendidos por eles, do histórico dos recebimentos quando das prestações de tais serviços, de o armador ser um cliente usual etc; h) Na maioria das vezes, esses descontos são repassados/devolvidos pela agência marítima aos clientes sob a forma de créditos contábeis que são depois utilizados como abatimentos no custeio dos próximos navios do cliente, vez que há um regime constante de contascorrentes entre os clientes e as agências marítimas; i) Em função de negociações entre a impugnante e seus clientes, dependendo da quantidade de navios que estes vão indicar para ela, do valor de “agency fee” acordado e por quanto tempo a nomeação da agência é estabelecido, pode restar ajustado entre as partes que os eventuais descontos que a agência vier a obter dos prestadores de serviços ficarão para ela, agência marítima, como compensação por valor de “agency fee” mais baixo que aceitou receber. É um risco de negócio. Contudo, destaquese que, nestes casos, a impugnante reconhece como receitas suas tais descontos e os oferece integralmente à tributação; j) Ao contrário do que sustentou a autuação fiscal às fls. 12/13, não é necessário um contrato expresso para cada navio ancorado que utiliza a impugnante como agenciadora dos serviços marítimos, ou mesmo uma conta corrente bancária para a restituição dos descontos obtidos, uma vez que ambas as partes mantêm uma relação de confiança mútua por se contratarem com frequência; k) Na dinâmica do comércio marítimo internacional há, sim, verdadeiro contrato tácito de constituição de mandatário (a agência marítima) nos termos dos artigos 656 c/c 658 do Código Civil; l) Entretanto, é evidente que o repasse desses descontos deve ser devidamente contabilizado com a observância das melhores práticas, e a contabilidade deve estar embasada em documentos idôneos. E tal cuidado foi tomado pela impugnante; Da forma de contabilização dos adiantamentos de clientes e dos descontos de fornecedores a) Como visto, a impugnante recebe valores de seus clientes e os repassa aos verdadeiros prestadores de serviços da seguinte forma: ∙ Um armador (ou seu representante) solicita à impugnante a prestação de determinados serviços marítimos; Fl. 72993DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 11 10 ∙ A impugnante envia uma estimativa com o custo dos serviços (denominada “próforma”) ao armador; ∙ Caso o armador aceite o valor estimado, este repassa imediatamente à impugnante o montante indicado na “próforma”; ∙ Ato contínuo, a impugnante entra em contato com os prestadores de serviços que emitem nota fiscal e repassa o valor acordado pela prestação de serviços; ∙ Caso a impugnante obtenha algum desconto junto ao prestador de serviços, e no acordo com o armador tenha ficado estabelecido seu integral repasse, são então esses valores contabilizados como crédito em nome do cliente (o armador ou seu representante), ou seja, não há devolução do numerário, muito embora tal remessa seja perfeitamente legal e prevista no RMCCI (Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, Título 1; Capítulo 9; Seção 2); ∙ Na próxima solicitação de agenciamento de serviço à impugnante, o crédito existente em nome do armador pode ser deduzido do valor a ser adiantado ou ficar como reserva para custear gastos inesperados; b) Ou seja, há uma verdadeira conta corrente entre a impugnante e seus clientes, mas essa conta corrente é meramente escritural, inexistindo a saída de recursos financeiros em favor dos clientes, sendolhes, no entanto, transferidos contabilmente os descontos quando assim for ajustado entre as partes; c) Tomando por exemplo uma “próforma” de R$ 200.000,00 com um “agency fee” de R$ 5.000,00 e um desconto de outros de R$ 5.000,00 concedido por um prestador de serviços, a operação seria contabilizada da seguinte forma: D – Banco C – Cliente – 200.000,00 D – Atendimento – 195.000,00 C – Rec. de Prest. Serviço (agency fee) – 5.000,00 C – Fornecedores – Prest. de Serviço – 190.000,00 D – Fornecedores (prestadores de serviço) C – Bancos – 190.000,00 D – Cliente C – Atendimento – 195.000,00 d) É evidente que o único lançamento contábil que revela o auferimento de receita pela impugnante é o crédito de receita de prestação de serviços à conta de resultados; e) Por sua vez, os descontos obtidos pela impugnante para os armadores são contabilizados como adiantamento de clientes e posteriormente devolvidos a eles sob a forma de abatimento nos preços; f) Como exposto ao fisco durante o procedimento fiscal, os descontos obtidos em favor do cliente NAUTICAL, por exemplo, estão devidamente contabilizados na conta nº 210400100010 (código reduzido 2330); Fl. 72994DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 12 11 g) E isso pôde ser devidamente constatado pela fiscalização, uma vez que a empresa forneceu tanto os extratos bancários das contas que operava em 2006 e 2007, quanto os Livros Diário e Razão sob a forma magnética (CD com toda a contabilidade da empresa – anos de 2006 e 2007); Do Direito Da nulidade do auto de infração por deficiência na fundamentação a) Ao longo do procedimento fiscal, o Auditor Autuante requereu ao contribuinte a comprovação de que os descontos pactuados com os prestadores de serviços foram devidamente repassados aos clientes e que houve o efetivo pagamento de diversas notas fiscais; b) Em cumprimento à ordem, a impugnante apresentou uma série de documentos, entre eles a contabilidade, notas fiscais, cheques e extratos bancários, que demonstraram de forma evidente o repasse dos descontos aos clientes, bem como o pagamento de todos os serviços agenciados; c) Contudo, após análise da documentação pertinente e a despeito de reconhecer que a contabilidade da impugnante estava em estrita consonância com sua movimentação financeira do período, a autoridade fiscal simplesmente sustentou que a empresa não teria apresentado provas dos fatos por ela alegados (repasse dos descontos aos clientes e pagamento dos serviços prestados); d) Com a devida vênia, houve uma clara inversão a respeito do ônus da prova, já que não é o contribuinte que cabe o dever de provar a inexistência de débito fiscal, mas, ao contrário, é dever do fisco demonstrar tal existência, ou seja, a atuação da administração deve buscar fundamento na “legalidade motivada”; e) Basta se compulsar os autos para se verificar que a empresa apresentou documentos que demonstram a inexistência de omissão de receitas, uma vez que os extratos bancários estão de acordo com a contabilidade; f) Assim, se houve omissão de receita, perguntase: onde está o dinheiro? Se não há qualquer valor de entradas e saídas de numerário em sua conta bancária que não tenham sido contabilizados, como há que se falar em receita omitida? É evidente que essas perguntas não têm respostas; g) Vejase que segundo o item 5 do relato do Fiscal, a impugnante receberia apenas o valor efetivo do custeio, sendo que a NAUTICAL seria a beneficiária da diferença entre o valor inicialmente acordado e o valor final após os descontos; h) Ou seja, segundo a própria autoridade fiscal, a beneficiária dos descontos seria a NAUTICAL e não a impugnante, o que demonstra a deficiência na fundamentação do auto de infração bem como a ausência de compreensão da dinâmica comercial dos serviços de agenciamento marítimo; i) Tendo sido apresentada documentação suficiente para a comprovação da transferência dos descontos aos clientes e da tributação dos descontos, quando assumidos pela empresa ora impugnante, e não havendo por parte da fiscalização nenhum apontamento concreto no sentido de questionar a validade dos documentos, claro está que o lançamento está a transferir indevidamente o dever de prova ao contribuinte; j) A situação demandaria justamente o inverso: caberia ao fisco demonstrar efetivamente que o contribuinte não repassou os descontos obtidos aos armadores que o contrataram ou a inidoneidade dos documentos que comprovam o pagamento dos serviços prestados. Repitase, a aludida atividade vinculada não se mostra compatível com a dúvida; Fl. 72995DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 13 12 k) Assim, ante o exposto, concluise que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador, gerando a insubsistência da autuação; Da nulidade do auto de infração por nítido cerceamento de defesa a) Além da deficiência na fundamentação do auto de infração, há ainda outro fato a ensejar a nulidade do auto de infração; b) É que a autoridade fiscal desconsiderou a contabilidade da empresa ao argumento de que os prestadores de serviços, ao serem intimados a se manifestar, apresentaram informações divergentes daquelas constantes na escrituração da impugnante; c) Como se sabe, a contabilidade regular faz prova a favor do contribuinte nos termos dos arts. 923 e 924 do RIR/1999, cabendo à autoridade fiscal demonstrar a sua inveracidade; d) Nesse contexto, uma vez que a escrituração absolutamente idônea (como reconhecido pelo fiscal) foi desconsiderada com base em informações apresentadas pelos fornecedores da impugnante, era essencial que tais documentos fossem apresentados à mesma; e) Entretanto, fato é que em nenhum momento a autoridade fiscal disponibilizou as respostas supostamente divergentes enviadas pelos fornecedores à impugnante; f) Essa conduta da autoridade fiscal trouxe evidente prejuízo ao direito de defesa da impugnante, que não pôde saber o motivo nem o valor das divergências entre suas informações e a de seus fornecedores, o que acarretaria a nulidade da autuação, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972; Da Inexistência de Omissão de Receitas: da comprovação do repasse aos clientes dos descontos obtidos e da tributação dos descontos apropriados pela impugnante a) Há duas situações que podem ocorrer quanto ao desconto obtido pela agência marítima, junto aos prestadores de serviço: (i) o desconto pode ser repassado para o cliente (o que ocorre na maior parte dos casos); b) o desconto é apropriado pela agência, hipótese em que se torna receita própria regularmente oferecida à tributação pela impugnante; b) Nos casos de repasse do desconto ao cliente, a empresa tem como demonstrar este efetivo repasse, mediante crédito contábil; c) Destaquese que há um determinado padrão adotado pela empresa para fins de repasse dos descontos obtidos junto aos prestadores de serviço para os armadores (clientes da impugnante). Este padrão, bem como sua forma de contabilização, será debitado no item 4.3.1; d) Entretanto, há algumas situações em que o repasse do desconto é feito de modo diferente do usual, o que levou, por consequência, à modificação na forma da contabilização do repasse dos descontos obtidos pela impugnante; e) Para não restar dúvidas quanto à lisura dos procedimentos adotados pela impugnante, cada uma destas situações de exceção será detalhada abaixo, sendo certo que, em todos os casos, a conclusão será a do efetivo repasse dos descontos para os armadores e, desta forma, pela inexistência de receita omitida; f) Por fim, nos casos em que a impugnante se apropriou dos descontos, estes foram efetivamente reconhecidos como receita, devidamente tributada; Fl. 72996DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 14 13 Do Repasse dos Descontos aos Armadores a) De forma geral, a impugnante, ao negociar descontos junto aos prestadores de serviço, segue um roteiro contábil no qual lança o desconto como crédito em favor do cliente; b) Vejase, por exemplo, o desconto indicado na linha 09 da fl. 12 da planilha que acompanha o auto de infração, no qual a impugnante conseguiu desconto de R$ 2.086,37 para os serviços prestados pela SOBRARE à NAUTICAL: Empresa NF nº Valor NF Nota de Crédito Valor Crédito Valor Pago Sobrare 07578 10.980,91 0611 2.086,37 8.894,54 c) Os valores indicados pelo fiscal na planilha estão devidamente contabilizados no razão da empresa, onde se constata que a impugnante agenciou diversos serviços ao navio “MV ARTHUR VGM”, dentre os quais se encontra o serviço prestado pela empresa “SOBRARE SERVEMAR LTDA.”, estimado em R$ 10.980,91; d) Posteriormente, a impugnante obteve desconto no valor de R$ 2.086,37, o que resultou em um valor final de R$ 8.894,54. Nesse contexto, a impugnante transferiu da conta adiantamento da NAUTICAL o valor de R$ 186.701,00, ou seja, o valor necessário para cobrir todas as despesas do navio “MV ARTHUR VGM”, deixando um saldo residual no exato valor do desconto; e) Dessa forma, resta comprovado o efetivo repasse do desconto obtido ao cliente (no caso, a NAUTICAL) uma vez que o gasto foi lançado com desconto na contabilização do saldo de adiantamentos da NAUTICAL com a impugnante; f) Vale destacar que a situação é a mesma para quase todos os outros 1.876 descontos equivocadamente considerados pelo fisco como receitas omitidas, como se comprova pela documentação anexa; Dos descontos incondicionais desconsiderados a) Em alguns casos o fiscal listou na planilha anexa ao auto notas ficais pelo seu valor líquidodo descontos incondicionais, ou seja, após serem abatidos os descontos incondicionais concedidos pelos prestadores de serviços; b) Entretanto, na contabilidade da impugnante, o valor da nota fiscal foi contabilizado pelo seu valor bruto, e os descontos obtidos (condicionais e incondicionais) foram somados; c) Assim, para confirmar que o desconto obtido foi repassado aos clientes da impugnante, será necessário segregar os descontos incondicionais (não considerados pelo fisco) dos condicionais; d) Tomese o seguinte exemplo da linha 133, fl. 04 da planilha que acompanha o auto de infração: Empresa Data emissão NF/Fatura Nº NF/Fatura Valor Nota Fiscal/Fat ura Nº da Nota/Carta de Crédito Valor Nota/C. Crédito Valor Pago Sulnorte Serviços Marítimos 05/01/2007 000815 25.840,92 3662/07 2.131,00 23.709,42 e) Notese que o valor do desconto condicional obtido pela empresa e repassado ao cliente é de R$ 2.131,00, valor este que foi considerado receita omitida pelo Fisco, valor este totalmente repassado ao cliente; Fl. 72997DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 15 14 f) Ocorre que na planilha que acompanha a autuação o Fisco desconsiderou os descontos incondicionais que constavam na própria nota fiscal 000815, o que pode ter causado divergência entre ela e a contabilidade da empresa que comprova o repasse deste valor ao armador; g) Na verdade, ao corpo da nota fiscal 000815 aponta um desconto incondicional de R$ 6.137,28; h) Esse valor foi somado ao valor da carta de crédito 3662/07, de R$ 2.131,00, alcançando R$ 8.268,28, que é exatamente o valor do desconto contabilizado pela empresa com referência à nota fiscal 000815, conforme abaixo (e os demais casos análogos): Empresa Nº Nota Fiscal Valor Bruto da Nota Fiscal Desconto Incondicional Destacado na NF Valor Nota/C. Crédito Total do desconto contabilizado Sulnorte Serviços Marítimos 000815 31.77,70 6.137,28 2.131,00 8.268,28 Dos descontos repassados como abatimento do preço dos serviços contratados em outros navios do mesmo cliente a) Nesses casos, a impugnante obteve descontos com o fornecedor quando os atendimentos aos navios já haviam sido concluídos, de modo que não foi possível aproveitar esse crédito no custeio dos mesmos navios; b) Entretanto, para não se apropriar desses descontos obtidos, a impugnante transferiu estes descontos como créditos para outros atendimentos de navios dos mesmos armadores (clientes); c) A impugnante teve o cuidado de identificar todos os casos em que esse procedimento ocorreu e juntar os lançamentos contábeis que comprovam o repasse do desconto a seus clientes, conforme abaixo Das notas fiscais com mais de um desconto a) Outro equivoco do Fiscal que precisa ser esclarecido é em relação aos casos em que a Impugnante conseguiu mais de um desconto condicional (e conseqüentemente emitiu mais de uma nota de crédito) para a mesma nota fiscal; b) A planilha que acompanha o auto de infração tratou separadamente esses casos, como se mais de um pagamento tivesse ocorrido. Em razão disso, o valor listado na planilha não coincide com o valor pago ao fornecedor, que foi contabilizado pela empresa; c) Vejase o seguinte exemplo, linhas 01 e 02 na fl. 01 da planilha que acompanha o auto de infração: Empresa Data emissão NF/Fatura Nº NF/Fatura Valor Nota Fiscal/Fat ura Nº da Nota/Carta de Crédito Valor Nota/C. Crédito Valor Pago Sulnorte Serviços 05/01/2006 014605 8.595,10 2442/06 1.719,02 6.876,08 Fl. 72998DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 16 15 Marítimos Sulnorte Serviços Marítimos 05/01/2006 014605 8.595,10 2443/06 859,51 7.735,59 d) como se vê, apesar de as notas de crédito 2442 e 2443, ambas de 2006, referiremse a descontos concedidos para os serviços prestados pela mesma nota fiscal 014605, o Fiscal considerou que se tratavam de notas fiscias distintas, de modo que existiriam dois pagamentos relacionados a elas, de R$ 6.876,08 e R$ 7.735,59; e) Evidentemente, por se tratarem de descontos que incidiriam sobre a mesma nota fiscal, os mesmos devem ser somados para chegar ao valor efetivamente pago pela empresa ao prestador de serviços que emitiu a fatura 014605; f) Assim, uma vez que o valor total da nota fiscal é de R$ 8.595,10 e o total dos descontos é de R$ 2.578,53 (1.719,02 + 859,51), o pagamento realizado foi de apenas R$ 6.016,57 e não de R$ 14.611,67 (6.876,08 + 7.735,59), como informado pelo Fiscal; g) Os casos em que o Fiscal cometeu o mesmo equívoco estão listados na planilha Anexo 1.5 (documento 5C); Dos descontos reconhecidos como receita pela impugnante: comprovação do oferecimento à tributação a) Como já anteriormente visto, em alguns casos ficava acordado entre as partes que os descontos obtidos não serão a eles repassados, isto é, serão apropriados pela impugnante como forma de compensação por honorários de agenciamento (agency fee) contratados em valor mais baixo que o usual; b) Entretanto, em todos esses casos, o desconto obtido foi contabilizado na conta de receita denominada “descontos obtidos” e devidamente oferecidos à tributação (em 2006 a conta contábil de descontos obtidos era a número 5.3.02.001.0002, e em 2007 era a número 5.2.02.001.0002); c) Vale destacar que as contas de descontos obtidos foram incluídas na apuração da receita bruta da empresa nos anos de 2006 e 2007, conforme Demonstração do Resultado do Exercício em anexo (doc. 06); d) Por fim, os lucros líquidos apurados contabilmente pela impugnante nos anos de 2006 e 2007 coincidem com aqueles utilizados no LALUR para cálculo do lucro real, de modo que é inequívoco que tais descontos foram oferecidos à tributação; e) Vale analisar, a título exemplificativo, a seguinte situação que consta na linha 11 da fl. 01 da planilha anexa ao auto de infração: Empresa Data emissão NF/Fatura Nº NF/Fatura Valor Nota Fiscal/Fat ura Nº da Nota/Carta de Crédito Valor Nota/C. Crédito Valor Pago Sulnorte Serviços Marítimos 27/01/2006 000013 17.842,68 2525/06 6.780,42 11.062,26 f) Nessa hipótese, a impugnante agenciou com a prestadora Sulnorte Serviços Marítimos a prestação de serviços para clientes no valor original de R$ 17.842,68. Posteriormente, obteve desconto no montante de R$ 6.780,42, o que resultou em R$ 11.062,26 como preço final do serviço; Fl. 72999DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 17 16 g) Nesse caso, a impugnante negociou com o armador (cliente) um agency fee reduzido e, como forma de compensação, os descontos obtidos seriam aproveitados em favor da própria impugnante (portanto, receita tributável). Entretanto, o Fiscal entendeu que o valor de R$ 6.780,42 foi obtido na prestação de serviços objeto da nota fiscal 000013 de 27/01/2006, como se verifica do razão da conta contábil de receita nº 5.3.02.001.0002 (descontos obtidos); h) Os casos em que a mesma situação foi contratada, bem como a documentação pertinente, estão enumerados na planilha Anexo 1.1 (doc. 06); i) Assim, resta comprovado o equívoco do auto de infração também neste ponto, de modo que estes valores devem ser excluídos da nova base de cálculo apurada; Dos erros na planilha que acompanha o auto de infração a) Vale apontar os equívocos cometidos pela autoridade fiscal quando da confecção da planilha que acompanha o auto de infração (bem como as informações corretas) dos 1876 descontos e mais de 600 pagamentos que o fisco considerou equivocadamente como apropriados pela impugnante e não tributados. São eles: ∙ Erros no número da nota fiscal (vide planilha Anexo 1.6, doc. n9 07A); ∙ Erros no valor da nota fiscal (vide planilha Anexo 1.7, doc. nº 07B); ∙ Erros no valor da nota de crédito (vide planilha Anexo 1.8, doc. nº 07C); ∙ Notas de crédito inexistentes indicadas pelo auto de infração (vide planilha Anexo 1.9, doc. nº 07D); ∙ Notas de crédito duplicadas, ou seja, o auto de infração exige tributo duas vezes sobre o mesmo desconto supostamente não repassado (vide planilha Anexo 1.4, doc. nº 07E). b) Vale destacar que esses erros por si só, já importariam no cancelamento da exigência fiscal relativa a esses débitos, uma vez que o equivoco na indicação das notas fiscais e de crédito prejudica o direito de defesa do contribuinte fiscalizado; c) Entretanto, para os três primeiros casos acima, a Impugnante recorreu a sua contabilidade e conseguiu encontrar os números de referência e valores corretos das notas fiscais e de crédito erroneamente identificadas pelo auto de infração; d) Todavia, para os dois últimos grupos (notas de crédito inexistentes e notas de crédito duplicadas) a impugnante simplesmente não conseguiu encontrar qualquer valor ou número de referência indicado em sua contabilidade, de modo que devem ser os mesmos desconsiderados; Da inexistência de omissão de receitas: da comprovação dos pagamentos das notas fiscais a) Em relação ao segundo ponto da autuação (falta de comprovação dos pagamentos aos fornecedores) o lançamento não merece melhor sorte; b) A impugnante traz aos autos comprovantes do pagamento de cada uma das mais de 600 notas fiscais supostamente inadimplidas, que comprovam por si só o equívoco na autuação (planilha Anexo 2, documento 08); Fl. 73000DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 18 17 c) Vale destacar que esses documentos já foram apresentados à fiscalização e, no entanto, foram desconsiderados em razão das supostas cartas de circularização citadas no Termo de Verificação Fiscal, às quais a impugnante nunca teve acesso; d) A título de exemplo, vejamse os pagamentos feitos em favor da empresa "Praticagem da Baixada Santista" em 03.07.2006 (fl. 05 da planilha de pagamentos não comprovados, anexada ao auto de infração): e) O pagamento do total das 3 notas fiscais indicadas acima pode ser comprovado pelo extrato da conta bancária da empresa que mostra a saída de numerário em valor equivalente (fls. 16.738); f) Por sua vez, o beneficiário do pagamento realizado é a própria empresa “Praticagem da Baixada Santista”, conforme extrato obtido recentemente junto à instituição bancária (fls. 16.739); g) Vejamse ainda os pagamentos realizados à empresa "Tranship Transportes Terrestres e Marítimos" indicados na fl. 12 da planilha de pagamentos não comprovados (anexada ao auto de infração): h) Tais serviços foram pagos em conjunto com os dois serviços citados abaixo, totalizando R$ 64.233,88: i) Por sua vez, o valor de R$ 64.233,88 foi pago à Tranship pelo cheque abaixo, emitido em 18/12/2007 (fls. 16.740), um dia após a emissão das 5 notas fiscais citadas; j) A situação é a mesma para todos os pagamentos que o fiscal considerou como não comprovados (doc. 08), de modo que não cabe aqui enumerar todos um a um; k) Há entretanto casos listados na planilha anexa ao auto de infração que necessitam explicações e documentos adicionais, pois à divergência entre os valores indicados pelo Fiscal a saída de numerário da conta da empresa tais como (i) casos em que houve retenção de tributos; (ii) casos que foram listados como pagamentos mas na verdade se referem a baixa de adiantamento a fornecedores; (iii) adiantamento a fornecedores; (iv) pagamentos parciais a subagentes, dentre outros; l) Segue a planilha com esses casos extravagantes: Fl. 73001DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 19 18 m) Não cabe tratar de cada um desses casos no corpo desta petição, mas a Impugnante traz notas explicativas (devidamente assinadas e rubricadas, que portanto fazem parte do presente recurso) e documentos que comprovam a inexistência de passivo fictício em cada um deles (Planilha Anexo 2.1 , doc. nº 08A); n) As colunas da planilha completa (que ora se junta aos autos) foram identificadas de A até H com a finalidade de facilitar as vinculações e citações do texto Fl. 73002DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 20 19 das notas explicativas. Também vale destacar que os débitos encontramse na mesma ordem da listagem da planilha anexa ao auto de infração (coluna A); Da Necessidade de Produção de Prova Pericial Contábil a) Com base nas considerações e na extensa documentação apresentada, resta afastada qualquer dúvida acerca da efetiva existência dos pagamentos apontados pelo fiscal, bem como do repasse dos descontos obtidos aos clientes; b) Como dito, a documentação fornecida durante o curso da fiscalização deixou de ser corretamente analisada, não se verificando no relato fiscal qualquer fundamento para a desconsideração dos valores apresentados. A autoridade administrativa apenas consignou que a documentação apresentada não faz prova dos fatos alegados, sem tecer maiores comentários; c) Diante do volume de documentos apresentados (mais de 6.000 folhas), revela se necessária a realização de perícia contábil, por se tratar de prova absolutamente indispensável na busca pela verdade material; d) E, para tanto, apresenta quesitos (fls. 16.743). Foi o julgamento, então, convertido em diligência, tendo em vista remanescerem dúvidas acerca da matéria, cuja resposta da fiscalização fora acostada às fls. 71.502/71.505, conforme a seguir, em síntese, reproduzo: Não haveria como comprovar os repasses para os clientes da fiscalizada, visto que não apresentara os documentos solicitados. Foi concluído, então, que o valor dos descontos das notas fiscais através das Notas de Crédito de seus fornecedores não são transferidos pela NAUTICAL para a BRAZSHIPPING, ficando esses valores retidos na empresa NAUTICAL que é do mesmo grupo da empresa BRAZSHIPPING. Parte dos descontos concedidos através das Notas de Crédito foram oferecidos à tributação através da conta Descontos Obtidos do ano de 2006 (extrato em anexo) e da conta descontos obtidos no ano de 2007 (extrato em anexo), onde os mesmos são considerados como Receitas Financeiras, devendo ser deduzidos da omissão de receitas. Os valores dos descontos obtidos considerados como Receitas Financeiras na contabilidade digital do fiscalizado, relativo às empresas emissoras das notas de crédito totalizam os valores de R$ 706.383,20 no ano de 2006 e R$ 1.893.685,51 no ano de 2007 (expurgados os valores dos fornecedores que não constavam das planilhas de relação das notas de crédito consideradas como omissão de rendimentos no Termo de Verificação de Infração), valores muito inferiores ao somatório das notas de créditos dos fornecedores analisados, no valor de R$ 4.484.890,83 no ano de 2006 e de R$ 5.200.089,42 no ano de 2007, que deveriam ter sido oferecidos em sua totalidade à tributação. Os valores a serem considerados como omissão de receitas, relativos às notas de crédito dos fornecedores analisados são os seguintes: Descrição 2006 2007 Total Total das Notas de Crédito Omissão 4.484.890,93 5.200.089,42 9.684.980,25 Descontos Obtidos – Receitas Tributadas 706.383,20 1.893.685,51 2.600.l068,71 Omissão a ser considerada 3.778.507,63 3.306.403,91 7.084.911,54 Fl. 73003DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 21 20 Em análise da contabilidade foi verificado por amostragem que existem lançamentos conforme dito pelo contribuinte, porém não em sua totalidade, conforme visto acima, onde parte dos descontos foram levados como receita para a apuração do resultado e outros que não conseguimos identificar as contrapartidas. Ressaltase que a conta informada pelo contribuinte em sua defesa referese à conta com a empresa NAUTICAL (código 2330), que o contribuinte informa como seu “cliente”. Conforme já exposto no Termo de Verificação de Infração, a empresa NAUTICAL não é um armador (dono dos navios), isto é, não é um cliente direto atendido pela BRAZSHIPPING e sim uma DADESKS que é responsável por 90% dos atendimentos da BRAZSHIPPING, sendo esta pertencente ao LBH Group, do qual a BRAZSHIPPING também pertence (vide constatações do Termo de Verificação de Infração). Analisando, ainda, objetivamente, deduziuse que descontos extras notas fiscais conforme “notas de créditos dos fornecedores” só podem servir para burlar pagamento de tributos, pois caso contrário estes descontos estariam no bojo da nota fiscal. Durante a fiscalização foi emitido os Termos de Intimação nºs. 065/2010, 135/2011 e 174/2011, solicitando a fiscalizada apresentar os contratos de câmbio entre os armadores e a empresa NAUTICAL que efetua a remessa dos recursos ao Brasil; os contratos de serviço entre a Nautical e a BRAZSHIPPING e a comprovação dos repasses dos descontos/cartas de crédito para os armadores e a NAUTICAL, assim como não haver extratos de conta entre as mesmas, de forma que não há como o contribuinte comprovar ser o valor recebido dos armadores pela NAUTICAL foi repassado integralmente pela BRAZSHIPPING. Em decorrência destas informações, concluímos que “as empresas LBH GROUP, BRAZSHIPPING e NAUTICAL são do mesmo grupo, ficando fácil de se imaginar que o trâmite provável da cobrança dos custeios (conjunto de despesas dos navios) pela fiscalizada é o seguinte: i) são remetidos o custeio com o conjunto das notas fiscais dos serviços prestados, inclusive a nota fiscal de seu agenciamento; ii) quando da cobrança da NAUTICAL aos armadores as notas/cartas de crédito por fora das notas fiscais não são inclusas nestes custeios para cobrança; iii) quando do pagamento do valor do custeio pelos armadores a NAUTICAL, este se faz pelo valor total sem o desconto das cartas/notas de crédito; iv) quando a NAUTICAL repassa os valores à BRAZSHIPPING, esta repassa somente o valor dos custeios apresentados a esta fiscalização com os descontos referentes às notas/cartas de crédito; v) por fim, a NAUTICAL retém esta diferença de valores (descontos das cartas/notas de crédito) para a LBH GROUP na Holanda e os remete para as empresas que são os sócios estrangeiros da BRAZSHIPPING (conforme já descrito no Termo de Verificação). As circularizações constavam dos autos durante o período entre a ciência dos lançamentos e apresentação da impugnação. Finalmente, aduz o fisco que a interessada não apresentou comprovação dos pagamentos escriturados em sua contabilidade, discriminados no anexo 2 (doc. nº 08), sendo que para parte deles não apresentou documento algum e para outra parte apresentou somente boletos bancários sem autenticação mecânica bancária. A circularização dos fornecedores serviram como base para a verificação de diferenças entre os pagamentos registrados na contabilidade do contribuinte e os efetivamente recebidos pelos fornecedores. A fiscalizada, apesar de ter sido várias Fl. 73004DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 22 21 vezes intimada a comprovar os pagamentos relacionados no anexo 2, não apresentou os documentos comprobatórios dos pagamentos. Cientificada do resultado da diligência, apresentou a interessada, em 29/08/2012, a petição de fls. 71.600/71.590, cujo teor, resumo a seguir: a) O fiscal autuante reitera na resposta à diligência que a interessada não apresentou documentação capaz de comprovar os repasses dos descontos para seus clientes; b) A interessada à época da impugnação já havia explicado detalhadamente (ex. Desconto indicado na linha 09 da fl. 12) como esses repasses eram feitos, tendo juntado dezenas de documentos para demonstrar isso; c) Além disso, através do documento nº 04, que acompanhou sua impugnação, explicou caso a caso todos os quase 2.000 descontos que o Fisco considerou como receitas omitidas e apresentou as cópias dos livros contábeis que demonstram o repasse aos clientes; d) Quanto à segunda pergunta efetuada no Termo de Diligência, verificase que houve equívoco do fiscal autuante e que a interessada teria oferecido à tributação o montante de R$ 2.600.068,71, anteriormente considerado como não tributado. Todavia, ao contrário do que foi dito pelo fiscal, fato é que em todos os casos em que a interessada apropriouse dos descontos, esses valores foram contabilizados na conta de receita denominada “descontos obtidos” e devidamente oferecidos à tributação; e) Apenas os descontos devidamente repassados aos clientes mediante carta de crédito contábil não foram adicionados ao Lucro Real pela interessada; f) Vale destacar que, conforme consta na Demonstração do Resultado do Exercício, as contas de descontos obtidos foram incluídas na apuração da receita bruta da empresa nos anos de 2006 e 2007; g) Por fim, também ficou demonstrado na impugnação apresentada que os lucros líquidos apurados contabilmente pela empresa nos anos de 2006 e 2007 coincidem com aqueles utilizados no LALUR para cálculo do lucro real, de modo que é inequívoco que tais descontos foram oferecidos à tributação; h) Também se defende a interessada quando questiona a resposta do Fisco à terceira pergunta da diligência, entendendo que suas informações constantes em sua impugnação, quanto a relação comercial entre ela e seus clientes foram por ele (Fisco) desconsideradas; i) Além disso, aduz que pela argumentação do fiscal a NAUTICAL seria a beneficiária do desconto não repassado, de modo que a essa empresa caberia oferecer os valores à tributação e não à BRAZSHIPPING; j) Afirma a interessada haver uma verdadeira conta corrente entre a interessada e seus clientes, mas essa conta corrente é meramente escritural, inexistindo a saída de recursos financeiros em favor dos clientes, sendolhes, no entanto, transferidos contabilmente os descontos quando assim for ajustado entre as partes; k) Ao contrário do que sustentou o Fisco, não seria necessário contrato expresso para cada navio ancorado que utiliza a interessada como agenciadora dos serviços marítimos, ou mesmo uma conta corrente bancária para a restituição dos descontos obtidos, uma vez que ambas as partes mantêm uma relação de confiança mútua por se contratarem com frequência; Fl. 73005DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 23 22 l) Afirma que quanto aos documentos de circularização o Fisco não os disponibilizou à interessada dentro do prazo para a impugnação, o que trouxe prejuízo à defesa da impugnante. Ao contrário, o Fisco afirma que anexou aos autos os documentos relativos à circularização no período entre a ciência do auto de infração e a apresentação da impugnação; m) Quanto à pergunta de número 5 do Termo de Diligência, o fiscal continua afirmando que não foram juntados documentos, ignorando, mais uma vez, a impugnação apresentada; n) Apesar de ser ônus do Fisco comprovar a inocorrência dos pagamentos realizados, a interessada preparou um “kit” completo com comprovantes do pagamento de cada uma das mais de 600 notas fiscais supostamente inadimplidas na ordem da planilha enviada pelo Fiscal, em anexo ao auto de infração, que comprovam por si só o equívoco na autuação; o) Vale destacar que esses documentos foram apresentados à fiscalização em dois momentos: durante o procedimento fiscalizatório e junto à impugnação; p) No entanto, o Fisco simplesmente desconsiderou esses documentos sem dar qualquer explicação plausível para isso; q) Reitera ainda a produção de prova pericial, por entender que a diligência foi realizada sem que fossem examinados os mais de 6.000 documentos juntados aos autos. Diante desses fatos, os autos retornaram a esta Relatora para julgamento.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte para deduzir dos valores apurados a título de omissão de receita pela não comprovação do repasse dos descontos obtidos os montantes de R$ 706.383,20 e R$ 1.893.685,51, referentes aos anos de 2006 e 2007, respectivamente, registrados na conta contábil 5.03.02.01.02 “Descontos Obtidos”, ante o reconhecimento de que tais receitas já teriam sido oferecidas à tributação pela Contribuinte. Entendeu o acórdão recorrido, preliminarmente, que não haveria nulidade no lançamento, ante a ausência de vício no auto de infração ou cerceamento de direito de defesa da Contribuinte. No mérito, o acórdão recorrido asseverou que (a) a natureza e vultuosidade das negociações exigiriam contratos escritos, o que não teria ocorrido no caso, descaracterizandose, assim, a alegação de que existiria “contacorrente” entre a Contribuinte e seus clientes; (b) noventa por cento dos repasses de descontos seriam para NAUTICAL, a qual, segundo a Fiscalização, seria empresa do Grupo Econômico da Contribuinte; (c) a Contribuinte não haveria logrado êxito em comprovar que os valores dos descontos recebidos pelos fornecedores teriam sido de fato repassados para os clientes; e (d) os documentos apresentados pela Contribuinte não teriam sido suficientes para comprovar os pagamentos aos seus fornecedores, seja pela inexistência de autenticação bancária, seja pelo descasamento de datas e valores, razão da manutenção da acusação de omissão de receitas sobre os valores respectivos. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria a esta Corte. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere às preliminares de nulidade do lançamento por: (i) deficiência na sua fundamentação legal; (ii) cerceamento de defesa, na medida em que a Fl. 73006DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 24 23 contabilidade e os documentos que a sustentam, apresentados à Fiscalização, foram desconsiderados com base em “cartas de circularização” que somente foram disponibilizadas à Contribuinte após o início de seu prazo de prazo para impugnação; e (iii) desconsideração por parte do acórdão impugnado da maioria dos documentos juntados. No mérito, a Contribuinte sustenta a improcedência dos lançamentos por (i) comprovação de que registrou os descontos obtidos como créditos contábeis em favor de seus clientes; e (ii) demonstração, mediante a apresentação de documentos, que houve o efetivo pagamento aos seus prestadores de serviço. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Os recursos voluntário e de ofício atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. a. Necessidade de Nova Diligência Em relação à autuação por omissão de receita em virtude da falta de comprovação dos pagamentos efetuados aos fornecedores, a Contribuinte afirma que (i) apresentou com a impugnação os documentos necessários para a referida comprovação, os quais não teriam sido analisados pela Delegacia de Julgamento; e (ii) que as cartas de circularização teriam sido juntadas ao processo após o início do prazo para a apresentação da impugnação. O órgão julgador de primeira instância determinou diligência fiscal para, entre outros pontos, questionar a Fiscalização acerca das duas questões acima. Conforme se verifica no Termo de Diligência, estes pontos foram objeto das perguntas nºs 4 e 5, verbis: “4. As respostas das circularizações efetuadas junto aos fornecedores constavam dos autos no período entre a ciência dos autos e a apresentação da impugnação? Resposta: Sim, as respostas estavam anexadas ao processo eletrônico. 5. De acordo com a planilha Anexo 2, doc. Nº 8, a interessada, através dos documentos apresentados ao fisco à época investigatória e através da impugnação, demonstra a comprovação dos pagamentos em relação às notas fiscais emitidas? Qual a relação entre as respostas da Fl. 73007DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 25 24 circularização e os documentos acostados que divergiram e dariam margem a presumir omissão de receitas? Resposta: A fiscalizada não apresentou comprovação dos pagamentos escriturados em sua contabilidade, discriminados no anexo 2 (doc. Nº 8), sendo que para parte deles não apresentou documento algum e para outra parte apresentou somente boletos bancários sem a autenticação mecânica bancária. A circularização dos fornecedores serviram com base para verificação de diferenças entre os pagamentos registrados na contabilidade do contribuinte e os efetivamente recebidos pelos fornecedores. A fiscalizada, apesar de ter sido várias vezes intimada a comprovar os pagamentos relacionados no anexo 2 (TIF nº 103/2011, 109/2011, 113/2011, 115/2011, 118/2011, 130/2011, 135/2011 e 181/2011), não apresentou os documentos comprobatórios dos pagamentos.” (grifos nossos) Sustenta a Fiscalização que os documentos juntados pela Contribuinte como “DOC. 08” não foram suficientes para a comprovação dos pagamentos, pois os boletos apresentados para parte dos casos não tinha autenticação bancária. Já para outra parte dos pagamentos, os comprovantes não foram apresentados. Informa também que as cartas de circularização foram apresentadas antes do prazo para a apresentação de impugnação, além do que o contribuinte teve a chance de se manifestar sobre tais cartas novamente quando da manifestação em relação ao Termo de Diligência. No tocante à comprovação dos pagamentos aos fornecedores, analisando os documentos juntados pela Contribuinte, verifico que há extratos bancários, conciliações e comprovantes que aparentemente comprovam os pagamentos efetuados. Verifico autorizações de TED em que o contribuinte demonstra o valor exato do pagamento constante no Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal, acompanhado do referido extrato bancário. Contudo, para alguns casos, aparentemente, o extrato bancário que acompanha a autorização do TED foi em parte ocultado no momento da digitalização do documento (ver fls. 22.417 a 22.428). Para outros casos, é possível verificar pagamentos indicados em extratos bancários, os quais apesar de não apresentarem o nome do fornecedor, coincidem em data e valor com o pagamento questionado pela Fiscalização, como é o caso, por exemplo, do pagamento efetuado no dia 06/06/2006 ao fornecedor “PORTO AGENC MART E POR PORTUÁRIO LTDA”, no valor de R$ 90.828,00, apontado no extrato bancário juntado (ver fls. 22.449), e que está sendo apontado no anexo II do Termo de Verificação Fiscal como não comprovado (ver fls. 16.667). Constatase também dos extratos bancários que neles são indicados valores para os quais a Contribuinte apresenta a composição do respectivo montante, demonstrandose que representam, a priori, o pagamento de mais de um título/débito perante o fornecedor. Fl. 73008DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 26 25 Por exemplo, verificase no extrato do Banco Real, juntado ás fls. 22.635, o pagamento sob a rubrica “PAGTO. FORNEC.”, em 18/12/2006, no valor de R$ 47.678,67. Logo às fls. 22.636 e 22.637, consta um extrato com a composição do valor, indicando que este pagamento é composto de um pagamento no valor de R$ 5.000,00 para a empresa “DEEP WATER OPERAÇÕES LTDA.” e um pagamento no valor de R$ 42.678,67 para a empresa “PRATICOS SERV PARTICAGEM DA BA”, totalizando o valor constante no extrato de R$ 47.678,67. Por sua vez, no anexo II do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16671 e 16672), verificase que foram apontados como não comprovados pagamentos efetuados à empresa “PRATICAGEM DA BAIXADA SANTISTA”, em 18/12/2006, que totalizam o importe de R$ 42.678,67. Ou seja, exatamente o valor indicado na composição dos valores debitados no extrato da conta corrente. Há, pois, indícios suficientes para concluir que a diligência efetuada não analisou com propriedade a documentação (DOC. 08) apresentada pela Contribuinte na impugnação. Quanto à infração relativa à omissão de receitas por ausência de comprovação do repasse de descontos a clientes, a diligência também não é conclusiva quanto à escrituração e manutenção pela Contribuinte de todos os valores correspondentes no passivo ou, ao contrário, se o conta corrente mantido com seus clientes/DA Desk ou a conta de passivo correspondente não contemplariam tais valores (no todo ou em parte). Por conseguinte, necessária a realização de nova diligência para as providências e verificações a seguir relacionadas: (i) dar ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia; (ii) solicitar ao contribuinte os extratos bancários que, aparentemente, foram ocultados pelas autorizações de TED no momento da digitalização do processo (ver fls. 22.417 a 22.428); (iii) levantar todos os valores que foram comprovados mediante a apresentação de extratos bancários em que haja coincidência da data e do valor, com aqueles apontados no anexo II do Termo de Verificação Fiscal, mesmo que não haja a indicação do nome do fornecedor no extrato bancário; (iv) e levantar todos os valores que foram comprovados mediante a apresentação de extratos bancários, cujas datas coincidem, contudo, cujos valores, apesar de não coincidirem com valores apontados no anexo II do Termo de Verificação Fiscal, foram demonstrados mediante a conciliação dos pagamentos que compuseram o valor registrado no extrato bancário. (v) apontar, de forma conclusiva e fundamentada, a base de cálculo dos tos que seriam lançados fossem excluídos os valores referidos nos itens (iii) e (iv) supra; (vi) esclarecer, de forma conclusiva e fundamentada, se os valores que serviram de base para a tributação de receitas decorrentes da ausência de repasse de descontos a clientes foram escriturados e mantidos durante o período fiscalizado em conta de passivo pela Contribuinte, indicandose, Fl. 73009DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15586.720289/201181 Resolução nº 1102000.195 S1C1T2 Fl. 27 26 com precisão, eventuais valores (cartas de crédito) cujos valores não teriam sido contabilizados/mantidos no passivo ou em conta corrente mantido pela Contribuinte com sua DADesk ou fornecedora. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 73010DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001002/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. IRPJ. SALDO NEGATIVO.
Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do período de apuração do imposto é que pode ser objeto de compensação com outros tributos.
Numero da decisão: 1102-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do período de apuração do imposto é que pode ser objeto de compensação com outros tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrente BRASFORT EMPRESA DE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do período de apuração do imposto é que pode ser objeto de compensação com outros tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 10 02 /2 00 3- 38 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório De início, esclareçase que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por BRASFORT EMPRESA DE SEGURANÇA LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 Compensação Imposto de Renda Retido na Fonte Impossibilidade com Tributos e Contribuições de diferentes Espécies O imposto sobre a renda retido na fonte IRRF, incidente na prestação de serviços, é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes, quando seu montante for superior ao devido, sendo incabível sua compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. Em 21/01/2003 o contribuinte protocolou o Pedido de Compensação de débito de CSLL (dezembro/2002), com créditos de IR Fonte retido por órgãos públicos, referente a 2002. No despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Brasília (fls. 22 25), a solicitação foi convertida em Declaração de Compensação, com o mesmo fim, e foi considerada não homologada, em síntese, pelos mesmos fundamentos posteriormente transcritos na ementa da decisão ora recorrida, acima transcrita. Em sede de recurso, reitera o contribuinte seus argumentos de defesa, alegando, em síntese, o exposto a seguir. O Código Tributário Nacional disciplina a compensação tributária, dispondo no seu art. 170, que esta poderá estar sujeita a vedações, restrições e condicionamentos impostos pelo legislador ordinário. No que diz respeito aos tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação tributária é regida pelos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, que expressamente prevê a compensação de créditos próprios com quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, como regra geral, sendo exceção a sua impossibilidade, nas situações em que devam ser observadas as legislações especificas de cada tributo, e as vedações previstas no parágrafo 3° do artigo 74 da referida lei. O caso sob exame não se enquadra em nenhuma das vedações elencadas no § 3° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nem há na legislação especifica dos tributos envolvidos — IRRF e Cofins — qualquer vedação à pretensa compensação. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 4 3 De fato, os dispositivos invocados pela autoridade administrativa na decisão recorrida (artigos 649, 650 e 653 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99) não se colocam como óbice à compensação pretendida. O art. 653, único a conter expressa vedação (no sentido de que o valor retido somente poderá ser compensado com o que for devido em relação ao imposto de renda), sequer se aplica à hipótese presente, pois não se trata de pagamento efetuado por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, como equivocadamente considerado pela autoridade administrativa, mas sim de remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica. Já os arts. 649 e 650, que tratam do imposto retido na fonte pela prestação de serviços por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, não contêm vedação semelhante. A dedução do imposto retido como antecipação do imposto devido é apenas uma faculdade posta pelo legislador, conforme se depreende da leitura do art. 229, parágrafo único, do RIR/1999, mas que em nenhum momento afasta a possibilidade de que o tributo indevidamente pago seja reavido pelo contribuinte por outro meio igualmente previsto em lei, como é o caso da compensação prevista no art. 74 da Lei n°. 9.430/96. Assim, diante da inexistência de expressa vedação legal, mas, ao contrário, da expressa existência de autorização legal, para a compensação pretendida, deve ser dado provimento do presente recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, há que se ressaltar a competência deste colegiado para analisar o recurso. O colegiado é competente porque, tanto as retenções efetuadas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, como as efetuadas entre pessoas jurídicas em decorrência da prestação de serviços, são consideradas antecipações do devido a título de IRPJ. Considerandose, portanto, o disposto no art. 2o, III, e art. 7o, § 1o, do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), abaixo transcritos, concluise que a competência é da Primeira Seção, e não da Segunda: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 5 4 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Alega a recorrente que os dispositivos invocados para o não reconhecimento do direito à compensação pretendida não possuem tal alcance. Em primeiro lugar, argui que o art. 653 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 64 da Lei nº 9.430/96, é inaplicável ao caso, pois não se trataria de pagamento efetuado por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, mas sim de remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica. A alegação não tem qualquer procedência. No requerimento apresentado à unidade administrativa (fls. 2), o contribuinte identifica o seu crédito como sendo de “saldo pelos créditos de IRPJ retido por Órgãos Públicos”. No Pedido de Compensação (fls. 4), novamente identifica o seu crédito como sendo de “Saldo de retenção de órgãos públicos”, e informa os códigos de receita a que se refeririam, os quais são os seguintes: 6147 – produtos – Retenção em pagamentos por Órgão Público 6190 – serviços – Retenção em pagamentos por Órgão Público Nos razões acostados para demonstrar as retenções sofridas, todos os lançamentos fazem menção à alíquota de 9,45%, sendo esta a alíquota aplicável justamente às retenções a serem feitas relativas ao código 6190, acima referido. De se ressaltar que o próprio contribuinte reconhece que, no caso de retenções feitas por órgãos públicos, haveria expressa vedação à compensação por ele pleiteada. De todo modo, a questão afeta a compensações de retenções de fonte com outros tributos não é nova neste colegiado, tendo sido objeto de análise recentemente por esta Turma na sessão de dezembro de 2013 (processo no 10166.904912/200889, acórdão ainda não formalizado), onde restou assente o entendimento de que, em não se tratando de retenção indevida, isto é, retenção feita em desacordo com a lei, o imposto de renda retido pelas fontes pagadoras como antecipação do IRPJ devido, por si só, não se afigura passível de restituição, logo, não se presta tampouco a eventual compensação tributária Neste mesmo sentido é também a remansosa jurisprudência do CARF, da qual são exemplos os seguintes precedentes: Acórdão 110200174, sessão de 07.04.2010, relator José Sérgio Gomes: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 6 5 IRPJ. SALDO NEGATIVO. Os recolhimentos mensais em bases estimadas efetuadas pela empresa optante do regime de tributação do lucro real anual, bem assim o imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF), caracterizam meras antecipações do tributo devido no final do período de competência e, tomadas isoladamente, são inservíveis para eventual compensação tributária que não na composição do próprio IRPJ do período. Acórdão 19500.021, sessão de 16.09.2008, relator Benedicto Celso Benício Junior: COMPENSAÇÃO IRRF O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, não pode ser compensado diretamente com tributos e contribuições Os valores retidos devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de imposto em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo de IRPJ . O IRRF não é, por si só, passível de restituição/compensação. O contribuinte insiste no argumento de que teria diversas alternativas para aproveitar as fontes retidas a seu dispor, e cita o art. 229 do RIR/99, sempre louvandose na referência ao vocábulo “poderá” que destaca no referido artigo: Art. 229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. Ora, o dispositivo não tem a conotação que a recorrente lhe quer dar. Não há dúvidas de que as alternativas ali postas são faculdades do contribuinte. Contudo, conforme se pode ver na transcrição acima, o dispositivo está voltado às hipóteses de dedução da fonte nas apurações mensais do imposto por estimativa, e, além disto, mesmo nestes casos, vincula o aproveitamento da fonte exclusivamente ao imposto de renda devido (a compensação pretendida pela recorrente é com a CSLL). Por outro lado, conforme a própria recorrente ressaltou, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 expressamente determina que, para fins da compensação nele prevista, devam ser observadas as restrições impostas pelas leis específicas de cada tributo ou contribuição. No caso das retenções decorrentes da remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por exemplo, desde a criação por lei da referida retenção, pelo DecretoLei nº 2.462, de 1988, já estava ali prevista a observância ao comando do DecretoLei nº 2.030, de 1983, art. 2º, § 1º, e que possui a seguinte redação: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 7 6 Art. 2o (...) § 1º O imposto de renda descontado na forma deste artigo será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos da beneficiária. Os dispositivos citados encontramse reproduzidos nos arts. 649 e 650 do RIR/99. E, no caso das retenções feitas por órgãos públicos, que é especificamente o caso concreto, o art. 64 da Lei n° 9.430/96 também contém determinação no mesmo sentido, ou seja, de que o valor retido seja compensado apenas com o devido relativo a cada respectivo imposto ou contribuição. O referido dispositivo encontrase reproduzido no art. 653 do RIR/99. Portanto, não há dúvidas quanto à obrigatoriedade de que as retenções do imposto de renda sobre as receitas auferidas sejam contrapostas ao imposto devido no final do período de apuração, sendo esta a forma consagrada de apuração do imposto de renda. Apenas no caso de apuração de saldo a seu favor (saldo negativo de imposto), é que se pode pleitear a sua restituição, nos exatos termos do que dispõe o art. 6o da mesma Lei n° 9.430/96. E, uma vez sendo passível de restituição, é este saldo que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 74 da mesma Lei n° 9.430/96, passa a poder ser objeto de compensação com outros tributos. Fora das hipóteses mencionadas, não há possibilidade de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte, sobre as receitas auferidas, para compensação com outros tributos. Assim, não tendo sido demonstrado que as retenções em questão seriam indevidas, necessário seria primeiro confrontálas com o valor do imposto devido ao final do período de apuração, para verificar a existência ou não de eventual saldo negativo, ou seja, de imposto recolhido a maior, o que não foi feito no caso. Sem qualquer procedência, portanto, o pleito da recorrente. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.001002/200338 Acórdão n.º 1102001.059 S1C1T2 Fl. 8 7 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916733/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O despacho decisório eletrônico funda-se nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A não homologação da declaração de compensação considera a inexistência do crédito apresentado pelo contribuinte.
Não obstante, se ainda não comprovada em manifestação de inconformidade a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O despacho decisório eletrônico funda-se nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A não homologação da declaração de compensação considera a inexistência do crédito apresentado pelo contribuinte. Não obstante, se ainda não comprovada em manifestação de inconformidade a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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COMPROVAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A não homologação da declaração de compensação considera a inexistência do crédito apresentado pelo contribuinte. Não obstante, se ainda não comprovada em manifestação de inconformidade a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 67 33 /2 00 8- 52 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.916733/200852 Acórdão n.º 3202000.962 S3C2T2 Fl. 94 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por INSTITUTO BIOCHIMICO INDUSTRIA FARMACÊUTICA LTDA contra Acórdão nº 1245.135, de 12 de abril de 2012 (de fls. 65 a 67), proferido pela 17ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 17506.65361.29094.1.3.049356, transmitida em 29/09/2004, cujo crédito pleiteado referese a valor que teria sido recolhido a maior em 17/05/2004, a título de COFINS (código:5629), atinente ao período de apuração 05/2004. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DERAT – Rio de Janeiro não homologou a compensação declarada, pois não foi confirmada a existência do crédito informado, visto que o DARF com recolhimento de R$ 8.423,22, em 17/05/2004, código de receita 5629, discriminado na PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A Interessada ingressou, em 19/09/2008, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese: 1. Preencheu incorretamente o PER/DCOMP informando como origem do crédito como sendo um DARF, ficando prejudicada a análise da declaração já que a administração tributária nunca acharia um DARF desse valor. Assim que recebeu a decisão, percebendo que o crédito só não foi reconhecido por força de erro no preenchimento da PER/DCOMP, a contribuinte procedeu com urgência a retificação da referida declaração, onde consta o valor correto do crédito, mas não conseguiu devido a DCOMP em tela já possuir despacho decisório; 2. que não foi intimado a retificar a informação e que tal fato compromete a decisão, e fere vários ditames da Lei 9.784/99. Encerra a manifestação afirmando não se conformar com a decisão que negou a homologação da compensação, pois ausente a intimação para esclarecimento em relação ao DARF de crédito, de resto facilmente localizável pela autoridade administrativa julgadora, ainda que com valor diferente. Tudo a autorizar a intimação para esclarecimentos sobre o crédito, omitida de forma absurda e lesiva ao interesse público e ao direito do administrado.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS/DÉBITO. COMPROVAÇÃO. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a não homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.916733/200852 Acórdão n.º 3202000.962 S3C2T2 Fl. 95 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do referido acórdão no dia 4 de maio de 2012 (fl. 91), o interessado apresentou recurso voluntário em 15 de maio de 2012 (fls. 73 a 76), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ, bem como se posicionando sobre os seguintes pontos: · De que houve cerceamento do direito de defesa da interessada, pois não houve intimação por parte da autirudade para que se confirmasse o valor correto do DARF que poderia ser facilmente encontrado no sistema da Receita Federal do Brasil, pois todos os dados estavam à disposição; · de que não se tem nos autos o necessário despacho decisório da autoridade competente que tenha reconhecido o direito creditório – o que, dessa forma, não poderseia realizar a análise da compensação sem antes se tenha decidico pela procedência ou não do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância no dia 4 de maio de 2012, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário. Da Manifestação de Inconformidade Consta da peça de defesa da empresa que cuidase de caso típico de compensação, onde a ora impugnante se utiliza de credito recolhido a maior – no entanto, por meio de despacho decisório emitido eletronicamente, o delegado da DERATRJ não homologou a compensação declarada, pois não oi confirmada a existência do crédito informado, visto que o DARF discriminado não fora localizado nos sistemas da Receita Federal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.916733/200852 Acórdão n.º 3202000.962 S3C2T2 Fl. 96 4 Aduz a recorrente que houve um equivoco quando do preenchimento da declaração de compensação, que indicou um DARF de recolhimento, e não um saldo de crédito restante considerado em declaração anterior. Traz a recorrente per si que houve tentativa de retificação com insucesso, haja vista que o sistema não mais permitiria tal procedência. O que, por conseguinte, a DRJ considerou que inexiste a possibilidade de proceder de ofício a retificação solicitada pela interessada na presente manifestação de inconformidade, considerando ainda que tal procedimento possui regramento próprio, não sendo cabível tal alteração após a Declaração de Compensação ter sido analisada pela autoridade administrativa, encontrandose a não homologação da compensação em fase litigiosa. Independentemente,vêse que, quanto a questão da verdade material, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente há o referido crédito tributário. Vêse que tampouco indicou a referência à declaração anterior que havia originado o crédito utilizado na compensação indeferida pela autoridade fazendária. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Apesar das argumentações trazidas pela contribuinte expondo o equívoco de preenchimento da declaração de compensação, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, tampouco documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 15374.916733/200852 Acórdão n.º 3202000.962 S3C2T2 Fl. 97 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/04/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13116.902565/2011-39
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 65 /2 01 1- 39 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902565/201139 Acórdão n.º 3803005.384 S3TE03 Fl. 82 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 813,22. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902565/201139 Acórdão n.º 3803005.384 S3TE03 Fl. 83 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902565/201139 Acórdão n.º 3803005.384 S3TE03 Fl. 84 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10166.012569/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DE ORGANISMO INTERNACIONAL. CONSULTORES. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço de Organismo Internacional, contratados no Brasil para atuar como consultores.
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANTE. REQUISITOS LEGAIS.
São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos de despesas com instrução dos filhos menores beneficiários de pensão alimentícia judicial, desde que comprovada a obrigatoriedade do pagamento por determinação judicial e observado o limite permitido para o respectivo exercício, nos termos do art. 81 do RIR.
Recurso Voluntário em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a omissão de rendimentos no valor R$ 48.000,24, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada que negavam provimento.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DE ORGANISMO INTERNACIONAL. CONSULTORES. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço de Organismo Internacional, contratados no Brasil para atuar como consultores. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANTE. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos de despesas com instrução dos filhos menores beneficiários de pensão alimentícia judicial, desde que comprovada a obrigatoriedade do pagamento por determinação judicial e observado o limite permitido para o respectivo exercício, nos termos do art. 81 do RIR. Recurso Voluntário em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a omissão de rendimentos no valor R$ 48.000,24, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada que negavam provimento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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CONSULTORES. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço de Organismo Internacional, contratados no Brasil para atuar como consultores. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANTE. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos de despesas com instrução dos filhos menores beneficiários de pensão alimentícia judicial, desde que comprovada a obrigatoriedade do pagamento por determinação judicial e observado o limite permitido para o respectivo exercício, nos termos do art. 81 do RIR. Recurso Voluntário em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a omissão de rendimentos no valor R$ 48.000,24, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada que negavam provimento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 25 69 /2 00 9- 25 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 200 2 Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 219), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2005, por AFRFB da DRF/Brasília. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: Ministério da Fazenda. Valor: R$ 2.921,88. Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura Unesco) informado indevidamente Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) 9.020,73 Multa de Ofício (passível de redução) 6.765,54 Juros de Mora (cálculo até 30/10/2009) 5.199,54 Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) Multa de Mora (não passível de redução) Juros de Mora (cálculo até 30/10/2009) Total do Crédito Tributário 20.985,81 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 201 3 como isentos e não tributáveis. A omissão foi apurada conforme informações prestadas pela Unesco e pelos contratos apresentados pelo contribuinte.. Valor: R$ 48.000,24. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial pleiteada indevidamente na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício. Valor: R$ 3.702,00. Motivo da glosa: O contribuinte estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia que correspondia às despesas com instrução e material escolar da filha e à entrega do ticket alimentação recebido da fonte pagadora. Tendo em vista que as despesas com instrução eram limitadas a R$ 1.998,00 por dependente, procedeuse à glosa do valor declarado a maior. A base legal do lançamento encontrase nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 27/10/2009, conforme documento de fl. 78 e, em 18/11/2009, apresentou impugnação, em petição de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10/68, na qual alega, resumidamente, o quanto segue: Informa que o pagamento de pensão alimentícia se deu em virtude de decisão judicial exarada nos autos do processo nº 1999.01.0128433, cujo trâmite ocorreu na 3ª Vara de Família do Distrito Federal. Para fazer prova do alegado, requer a juntada de cópias do citado processo, bem como dos extratos de depósito em conta corrente do valor relativo à pensão e dos comprovantes de gastos com plano de saúde e com educação da dependente. No tocante à omissão de rendimentos recebidos da Unesco, aduz, resumidamente, que era funcionário do Organismo Internacional e, de acordo com as leis internas e as convenções e tratados internacionais promulgados pelo Brasil, os rendimentos auferidos eram isentos e não tributáveis. Por fim, à vista do exposto, solicita o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Posteriormente, 31/05/2011, o contribuinte solicitou a juntada de novos documentos aos autos do processo (fls. 83/142). Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 202 4 Sujeitamse à tributação os rendimentos recebidos por técnicos residentes no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANTE. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos de despesas com instrução dos filhos menores beneficiários de pensão alimentícia judicial, desde que comprovada a obrigatoriedade do pagamento por determinação judicial e observado o limite permitido para o respectivo exercício. O valor que exceder ao limite permitido para o exercício não é dedutível como pensão alimentícia judicial. Cientificado em 06/09/2011 (Fls. 160), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2011 (fls. 161 a 174), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Resta em litígio a omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura Unesco). Valor: R$ 48.000,24, e a glosa da dedução de pensão alimentícia. Segundo o Acórdão recorrido, no que pertine ao rendimento recebido de organismo internacional, “o contribuinte era residente no País à época do fato gerador e prestava serviços com vínculo empregatício ao Organismo Internacional, por conseguinte, concluise que os rendimentos recebidos no valor de R$ 48.000,24 não gozavam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, e estavam sujeitos à tributação na DIRPF/2005”. (pág. 148 dos autos) Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos de Organismos Internacionais, contratados no Brasil para atuar como consultores. Processo: REsp 1306393 / DF, RECURSO ESPECIAL 2012/00134760 Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Fl. 202DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 203 5 Data do Julgamento: 24/10/2012 Data da publicação/fonte Dje 07/11/2012 EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART.543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Eliana Calmon, Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciado o Sr. Ministro Ari Pargendler. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 204 6 Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. Nota: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Deste modo, isento é o rendimento recebido pelo recorrente. Por oportuno, esclareço que a isenção é estabelecida por lei, em seu sentido amplo, independentemente da forma estabelecida em contrato entre as partes; e que a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ em sede de recurso repetitivo prevalece sobre a Súmula CARF, em virtude da jurisdição una adotada pelo direito brasileiro. Quanto a glosa da dedução com pensão alimentícia, adoto integralmente as razões de decidir adotadas pela DRJ; in verbis: “O contribuinte junta, às fls. 87/96, cópia da ação de separação consensual que dispunha sobre a guarda e manutenção da filha menor do casal. A ação de separação foi homologada judicialmente em audiência realizada no dia 10/11/1997 e ratificou os termos contidos na petição inicial da ação de separação (fl. 111). No acordo ficou estipulado o quanto segue (fl. 93): O REQUERENTE contribuirá, mensalmente, para a criação da criança, com o pagamento da mensalidade escolar e respectivo material didático, até o término do terceiro grau, mais a entrega dos vales alimentação que recebe em razão do seu emprego; A obrigação de prestação alimentícia judicial fixada no acordo homologado judicialmente é clara e se restringe às despesas com instrução da filha menor do casal até o término do terceiro grau, incluindo mensalidades e material escolar, e ao vale alimentação. A legislação tributária admite a dedução das importâncias pagas a título de despesas com instrução dos alimentandos na Declaração de Imposto de Renda, desde que em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. A dedução ficará sujeita aos limites legais previstos no art. 81 do RIR/1999, os valores que excederem ao limite individual estabelecido para o exercício serão considerados pagos por liberalidade do alimentante e não são dedutíveis. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.012569/200925 Acórdão n.º 2801003.399 S2TE01 Fl. 205 7 Dessa forma, fica claro que o contribuinte poderia deduzir as despesas com instrução da alimentanda desde que atendidos os requisitos previstos no art. 81 do RIR/1999, ou seja, os gastos feitos com estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido para o exercício. A legislação tributária não prevê a dedução de gastos com material escolar, portanto, os gastos com aquisição de livros e uniformes são indedutiveis. A Notificação de Lançamento considerou que as despesas feitas pelo contribuinte junto a Escola Paroquial Santo Antônio para a filha Renata Meireles Sobreira atendiam aos requisitos legais, tendo considerado a dedução de despesas a esse título até o limite anual individual de R$ 1.998,00. O contribuinte não logrou comprovar a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia judicial diversa do pagamento das despesas com instrução da filha menor, como por exemplo, a obrigatoriedade do pagamento de valor mensal em espécie. Registrese que inexiste, também, previsão legal para a dedução da base de cálculo de vale alimentação.” (pág. 148 dos autos) Razões pelas quais a glosa da dedução deve ser mantida. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a omissão de rendimentos no valor R$ 48.000,24. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 11030.904999/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 125 1 124 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904999/200973 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.968 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃOCOFINS Recorrente COOPERATIVA TRITICOLA DE ESPUMOSO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 49 99 /2 00 9- 73 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 126 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600842, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 30472.03760.030306.1.3.041258, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que: => efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; => após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; => requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 30472.03760.030306.1.3.041258.. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 128 4 da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresentou Recurso Voluntário utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Essa Turma converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intimasse a contribuinte para no prazo de 30 dias apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº 10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte; b) anexasse cópia da DCTF retificadora ativa referente ao 2º trimestre de 2004; c) apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornasse o processo a este CARF para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 130 6 da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Conforme informado pela Delegacia de origem e colacionado nos autos, o contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ao realizar a diligência e constatar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração em referência, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, restando caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, constante do presente processo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904999/200973 Acórdão n.º 3801002.968 S3TE01 Fl. 131 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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