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Numero do processo: 16707.001572/2003-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº35.
Súmula CARF 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Numero da decisão: 9101-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Procuradoria da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso de Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº35. Súmula CARF 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº35. Súmula CARF 35: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos da Procuradoria da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 15 72 /2 00 3- 40 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso de Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recursos Especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 872/889) e pelo Contribuinte (fls. 964/966), com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007, contra o acórdão nº 10808.634, proferido pelos membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO EXTRATOS BANCÁRIOS PROVAS ILÍCITAS — DESVIO DE PODER Os extratos bancários regularmente requisitados pela autoridade administrativa, com fundamento no artigo 11 da Lei Complementar n° 105/01, artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e artigo 8° da Lei n° 7.021/90, não podem ser taxados como provas obtidas de forma ilícita e nem com desvio de poder. A Lei Complementar n° 105/01 e Lei n° 10.174/01 tem aplicação retroativa face ao comando expresso no § único, do artigo 144, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — INDEFERIMENTO DE PERÍCIA O pedido de realização de perícia está sujeito ao que determina o inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Além disso, ela também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático, mormente quando a negativa é fundamentada na inexistência de início de prova que a justificasse. IRPJ DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Decadente a exigência do IRPJ no primeiro trimestre do Fl. 989DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 16707.001572/200340 Acórdão n.º 9101001.623 CSRFT1 Fl. 989 3 anocalendário de 1998 quando a ciência da autuação pelo interessado ocorreu em 23/05/2003. IRPJ — PESSOA FÍSICA EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA — PRÁTICA DA ATIVIDADE DE FACTORING A prática reiterada de atos de comércio, com habitualidade e intenção de lucro, concernentes a troca de cheques caracteriza a atividade de factoring e enseja a equiparação do negociante factor à empresa jurídica individual. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. 1RPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração pelo lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. CSL LANÇAMENTO DECORRENTE — 0 decidido no julgamento da exigência principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no lançamento dela decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência acolhida. Preliminares de nulidade rejeitadas. Pedido de perícia rejeitado. Recurso negado.” A fazenda Nacional insurgiuse contra a parte do acórdão em que, por maioria de votos, foi acolhida a preliminar de decadência quanto aos fatos geradores ocorridos no 1º trimestre de 1998. Afirmou a existência de divergência jurisprudencial (i) quanto ao termo inicial da contagem do prazo decadencial aplicável ao lançamento do IRPJ, argumentando que este será da data da entrega da declaração e não da data do fato gerador e (ii) quanto ao prazo decadencial aplicável ao lançamento da CSLL, argumentando que este deve ser regido pelo artigo 45 da lei 8212/91. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 949/950) foi dado seguimento ao Recurso na parte relativa ao prazo decadencial do IRPJ e negado em relação ao prazo decadencial da CSLL em razão da edição da súmula vinculante nº 08. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Quanto à decadência do IRPJ trouxe como paradigma o acórdão CSRF/01 02.403, assim ementado: "Decadência O seu prazo tem inicio no momento em que inexiste impedimento a sua constituição" Para melhor esclarecer o entendimento adotado no acórdão paradigma, cumpre transcrever trecho do voto proferido: “(...) É que na verdade inexiste no atual sistema o regime puro segundo a classificação do CTN, com raras exceções. Na conjuntura atual há prevalência do sistema misto. O imposto de renda, presentemente, tem que ser pago com a entrega da declaração de rendimentos, que deve ser entregue segundo uma escala nos primeiros 5 (cinco) meses do ano, ainda que parceladamente. Isto, antes de qualquer verificação pelo Fisco. A recorrida entregou a sua declaração de rendimentos em 20/05/86, correspondente ao anobase de 1985 (fls. 69). 0 inicio da ação fiscal deuse em 02/10/90. (...) Diante de tudo, no caso em exame, mesmo aceitando que o IR tenha a natureza de imposto por homologação, considerando a circunstância, que a entrega da declaração de rendimentos só se deu em 20/05/86, nesta data vencendose a 1ª parcela do imposto (fls. 69), entendo que o prazo de decadência, por tudo o que foi exposto, só podia ser contado a partir da entrega da declaração de rendimentos ou do pagamento da primeira parcela, momento a partir do qual tinha o Fisco a informação suficiente que lhe permitia exercer o controle, estando liberado para lançar. (...)” O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 961/963, por meio da qual argumentou que o acórdão paradigma citado pela Fazenda Nacional não é aplicável ao caso, pois trata de decadência relativa a fatos geradores ocorridos quando o lançamento tinha a modalidade de" lançamento por declaração". Observou que a partir do ano calendário de 1992, o lançamento passou à modalidade de"lançamento por homologação", regendose pelo artigo 150, § 4º do CTN, que define a data de ocorrência do fato gerador como sendo o início do lapso decadencial do IRPJ e da CSLL, tributos enquadrados naquela hipótese. Por fim, requereu seja negado provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Em relação ao Recurso Especial do contribuinte, este foi interposto contra o acórdão recorrido na parte em que consignou que a Lei Complementar nº 105/01 e a Lei nº 10.174/01 tem aplicação retroativa, autorizando, portanto, a utilização pela SRF de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário de outras contribuições ou impostos, relativamente a fatos geradores do IRPJ, ocorridos até a edição da lei. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 16707.001572/200340 Acórdão n.º 9101001.623 CSRFT1 Fl. 990 5 Afirmou que a tese adotada não está condizente com o que estabelecia a Lei nº 9.311/96, que vedava o uso dos dados bancários para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições ou impostos distintos da CPMF. Trouxe como paradigma os acórdãos nºs 10321890, da 3ª Câmara e 106 15535, da 6ª Câmara, assim ementados: “LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO COM BASE EM INFORMAÇÕES DA CPMF. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A norma que revogou a vedação de utilização de informações da CPMF para fins de constituição de outros impostos e contribuintes tem caráter material, não se enquadrando na hipótese de aplicação a fatos geradores anteriores prevista pelo art. 144, parágrafo 1º, do CTN." (10321890) “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS LANÇAMENTO CONSTITUlD0 EM RAZÃO DA LEI N° 10.174/2001 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A regra do artigo 11, § 3°, da Lei 9.311/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, não pode ser aplicada de forma retroativa. Estava expressamente vedada a utilização pela SRF das informações referentes CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, no que se refere aos fatos geradores do imposto sobre a renda pessoa física ocorridos ate a data de publicação da referida Lei n°10.174.” (10615535) Por fim, pugnou pela anulação do lançamento relativo ao presente processo. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões afirmando que a Lei nº 10.174/2001 é norma que regula a forma de agir do agente, oferecendo ferramentas e meios para consecução da atividade fiscal e apenas descortina o direito já existente, o qual enquanto não extinto, torna o lançamento obrigatório, por ser atividade vinculada. Argumentou que a Lei nº 10.174/2001, ao permitir a utilização dos dados referentes à CPMF para a fiscalização de outros tributos, nada mais fez que ampliar os poderes investigatórios das autoridades fazendárias, razão pela qual é legitima sua aplicação retroativa. Por fim requereu seja negado provimento ao Recurso do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator Os recursos são tempestivos, entretanto não preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 A Fazenda Nacional afirmou a existência de divergência jurisprudencial em relação ao entendimento consignado no acórdão recorrido quanto à decadência e argumentou que o prazo para lavratura do auto de infração relativo ao IRPJ se inicia da data da entrega da declaração de rendimento para o ano calendário em que ocorreram os fatos geradores. Ocorre que a Recorrente não comprovou a divergência alegada, senão vejamos. O acórdão recorrido trata do prazo decadencial do IRPJ, cujo fato gerador se deu no ano de 1998, período em que o lançamento já se dava na modalidade “por homologação”. Por outro lado, o acórdão paradigma tratou de situação fática diversa, pois cuida de prazo decadencial relativo ao IRPJ, cujo fato gerador ocorreu no ano de 1985, ou seja, quando o lançamento tinha a modalidade de" lançamento por declaração" e era regido por legislação diversa, antes da edição da lei nº 8383/91. Cumpre transcrever trecho do voto proferido no acórdão paradigma: “(...) O imposto de renda, presentemente, tem que ser pago com a entrega da declaração de rendimentos, que deve ser entregue segundo uma escala nos primeiros 5 (cinco) meses do ano, ainda que parceladamente. Isto, antes qualquer verificação pelo Fisco. A recorrida entregou a sua declaração de rendimentos em 20/05/86, correspondente ao anobase de 1985 (fls. 69). 0 início da ação fiscal deuse em 02/10/90. (...) Diante de tudo, no caso em exame, mesmo aceitando que o IR tenha a natureza de imposto por homologação, considerando a circunstância, que a entrega da declaração de rendimentos só se deu em 20/05/86, nesta data vencendose a 1ª parcela do imposto (fls. 69), entendo que o prazo de decadência, por tudo o que foi exposto, só podia ser contado a partir da entrega da declaração de rendimentos ou do pagamento da primeira parcela, momento a partir do qual tinha o Fisco a informação suficiente que lhe permitia exercer o controle, estando liberado para lançar. (...)” Desta forma, temse que as situações fáticas enfrentadas em ambos os acórdãos cotejados são diversas, pois o acórdão recorrido trata de prazo decadencial para constituição de crédito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, cuja apuração se deu após a vigência da lei 8383/91, enquanto o acórdão paradigma cuida de prazo decadencial para constituição de crédito relativo a tributo sujeito ao lançamento por declaração, apurado, portanto, antes da vigência da lei 8383/91. Neste ponto, cumpre esclarecer que antes da vigência da lei 8383/91 o tributo devido deveria ser pago com a entrega da declaração de rendimentos e, a partir de sua vigência, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser apurado e exigido mensalmente. O artigo Fl. 993DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 16707.001572/200340 Acórdão n.º 9101001.623 CSRFT1 Fl. 991 7 38 da lei 8383/91 dispõe: “Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos.” Portanto, a partir de janeiro de 1992, o IRPJ passou a incidir sobre bases correntes, sua apuração passou a ser mensal, seu recolhimento antecipado, sem qualquer prévio exame da autoridade administrativa. Assim, tendo em vista que a apuração do tributo cujo fato gerador ocorreu no ano de 1985 se dava de maneira diversa da apuração do tributo cujo fato gerador se deu a partir da vigência da lei 8383/91, evidenciase a diversidade de situações fáticas. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. Em relação a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma é nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: “RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.” (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) “RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido.” (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Assim, não conheço do Recurso apresentado pela Fazenda Nacional. O recurso do Contribuinte é tempestivo, entretanto também não preenche os demais requisitos de admissibilidade. O contribuinte afirmou a existência de divergência jurisprudencial e, em suas razões recursais, argumentou que a tese adotada no acórdão recorrido não está condizente com o que estabelecia a Lei nº 9.311/96, que vedava o uso dos dados bancários para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições ou impostos distintos da CPMF. Ocorre que, a matéria que se pretende discutir foi sumulada e aprovada pelo Pleno em sessão realizada em 08/12/2009. A súmula nº 35 do CARF dispõe: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Fl. 994DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 Nesse passo, se faz importante observar o que dispõe o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF: (...) § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (...)” Do exposto, resta clara a existência de vedação expressa quanto a possibilidade de interposição de recurso especial contra decisão que trata de matéria sumulada pelo CARF. É o que ocorre o presente caso, razão pela qual não conheço o Recurso Especial do Contribuinte. Portanto, voto no sentido de não conhecer dos Recursos interpostos. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 995DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 9/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004488/2007-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 01/11/2004
DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FALTA DE CLAREZA E PRECISÃO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2803-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que negam provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 01/11/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FALTA DE CLAREZA E PRECISÃO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. Recurso Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 01/11/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FALTA DE CLAREZA E PRECISÃO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que negam provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 44 88 /2 00 7- 07 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 432 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 35.900.4202, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, que lhes prestam serviços, relativamente a rubrica Diárias, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 30 a 35. O sujeito passivo foi cientificado da notificação, em 09/11/2006, conforme – AR, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 204; 206 a 228, recebida, em 24/11/2006, a qual foi acompanhada do documento, de fls. 205. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 233 e 234. A primeira instância exarou o Acórdão nº 1513.044 7ª Turma da DRJ/SDR, em 03/07/2007, fls. 240 a 252, no qual o lançamento foi considerado procedente. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 02/04/2009, AR, de fls. 260. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 263 a 280, recebida, em 04/05/2009, acompanhado dos documentos, de fls. 281 a 425, as teses recursais estão assim resumidas. Preliminar. A preliminar sobre a inconstitucionalidade do depósito recursal não será sumariada, o que se explicará no voto. · que os fatos geradores ocorridos anteriormente a 09/11/2001 estão decadentes ante a redação da Súmula Vinculante Nº 08/2008 do STF, devendo a mesma ser reconhecida e decretada; · que a fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições diárias e ajuda de custo, sem observar as leis e a verdade material, a recorrente protestou por perícia para prova, uma vez que se faz necessário a indicação precisa dos funcionários que receberam tais verbas e se essas verbas superaram o salário em mais de 50%, bem como se houve o pagamento de ajuda de custo; · que o fisco se baseou apenas no documento intitulado “normas e procedimentos” para determinar que em 1999, 2003 e 2004 que a recorrente atuando em erro de interpretação na conceituação alguma situações não os considerou fatos geradores, o fisco, também, considerou a ajuda de custo de natureza meramente indenizatória, paga aos funcionários lotados ou com substituição provisória seria na Fl. 863DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 433 3 verdade remuneração, pois não atenderia as previsões do artigo 28, da Lei 8.212/91, assim, ambas matérias dependem da verificação da realidade para definição de sua natureza, ferindo a verdade material a sua não verificação, ou seja, para está apuração deve ser promovida a perícia requerida, sendo está indeferida na primeira instância sem qualquer justificativa; · que os valores exigidos nesta notificação foram objeto de lançamento na notificação 35.308.8072, sendo está retificada para exclusão deste valores, havendo assim bis in idem, pois não se demonstra o que foi excluído de uma para inclusão na outra, o que por si só geraria a nulidade de uma das notificações, devendo ser reconhecido o duplicidade para o período de 07/2003 a 10/2004; · que deve este conselho reconhecer a nulidade e decretála em razão do indeferimento da prova pericial sem motivação, baixando os autos em diligência para a realização da perícia, na forma do quesitos apresentados; Mérito. · que os valores pagos a título de diárias são meramente indenizatórios, destinados ao reembolso de despesas, com deslocamento provisório, além do que a ratio legis favorece a recorrente, pois só quando a diária é paga acima de 50% da remuneração é que esse se torna base de cálculo e isso não ocorreu, nos meses 03, 10 e 12/1998; 02/2003 e 06/2003 a 10/2004 meses objeto do lançamento, cita o artigo 28, da Lei 8.212/91, sendo a diária paga no caso concreto de forma incidente, sazonal e pontual · que o fisco não indica os valores e quais a rubricas que comporiam a remuneração dos empregados, bem como não separou o percentual de 2,5% do salário educação, não constando do DAD a base de cálculo e tão pouco os dados utilizados para tal, resultando isso em nulidade, pois impossibilita o exercício da defesa; · que a ajuda de custo e eventual e pontualmente paga aos colaboradores, estando a contribuição sobre esta excepcionada pelo artigo 28, §9º, “g”, da Lei 8.212/91, o que se conforme ao artigo 470, da CLT, cita a recorrente precedente do TRF5, numa postura ortodoxa; · que o fisco de forma desautorizada converte ajuda de custo em diária a partir de interpretação, como se diária e ajuda de custo, pagas eventualmente, não fossem coisa distintas, devendo as duas terem tratamento diferenciados; · Na conclusão requer; EM PRELIMINAR a) provimento ao recurso, com a anulação da notificação; b) declaração da decadência para fatos geradores com mais de cinco anos na data do lançamento; c) Fl. 864DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 434 4 conhecimento e provimento do recurso; NO MÉRITO – d) provimento do recurso, com a reversão da decisão de primeiro grau, em razão da não ocorrência dos fatos geradores indicados; e) a recorrente indica assistente técnico e apresenta os quesitos. O órgão preparador não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 429. É o Relatório. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 435 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cabe esclarecer que a tese recursal relativa a inconstitucionalidade do depósito para manejo do recurso, não foi resumida por desnecessária, tendo em vista que tal exigência foi revogada pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. No que tange a alegação da decadência, assiste razão a recorrente com a publicação da SV Nº 08 – STF a decadência para fins de contribuição previdenciária passou a se regulada pelos artigo 150, § 4º ou 173, I e II, todos, da Lei 5.172/66. Assim, necessário se faz fixar qual a regra decadência aplicável ao caso concreto, entendo que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, conforme caso abaixo consolidou a regra. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Nos autos ora em análise não consta a ocorrência de pagamento e assim a regra a aplicar é a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66. O presente lançamento se deu, em 09/11/2006, data da ciência pessoal do contribuinte, fls. 01. Desta forma, retroagindo cinco anos desta e aplicando a regra do artigo 173, I terseá o marco da decadência como sendo 01/01/2001, logo estavam decadentes quando do lançamento as competências anteriores a 11/2000, inclusive, uma vez que 12/2000 só venceu e 03/01/2001. Destarte, devem ser excluídas do crédito as competências 03/1998; 10/1998 e 12/1998, conforme Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 08. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 436 6 Ainda, que por motivo diverso dos suscitados pela recorrente, reconheço a existência de defeito no lançamento, defeito este que na data do lançamento, 09/11/2006, violava o artigo 37, caput, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, caput, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Embora, tenha o agente lançador dito no REFISC, de fls. 30 a 35, bem como no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 11 a 13, o que abaixo se transcreve, as planilhas acostadas aos autos, as fls. 47 a 140, não permitem separar os valores relativos as diárias, do valores referentes a ajuda de custo, pois inclusas em uma única coluna da planilha. REFISC. Os valores das diárias considerados para a emissão desta NFLD foram os que excederam 50% dos valores das remunerações mensais de cada segurado empregado. RL. pagamento de diária acima de 50% da remuneração. A título de exemplo observese o trecho da planilha, de fls. 50, onde constam as informações transcritas abaixo. Fica evidente que a coluna AJUDA/DIÁRIAS não permite separar o que é um e o que é o outro, sendo impossível verificar qual o valor de diárias, que cada trabalhador recebeu, o que não permite averiguar se tal valor era ou não acima do limite de cinquenta por cento da remuneração para configurar o fato gerador da contribuição social previdenciária. A simples afirmação de que são superiores é insuficiente ante o princípio da legalidade, incluso no artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 37, caput, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, caput, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004488/200707 Acórdão n.º 2803002.819 S2TE03 Fl. 437 7 Com esses esclarecimentos devido a falta de precisão e clareza na descrição dos fatos geradores, reconheço a nulidade material da notificação e determinando a anulação do crédito restante. Ainda, que o agente lançador tenha entendido que a rubrica ajuda de custo seja em realidade diária travestida de outra denominação deve explicitar seus motivos, conclusões e comprovações de forma clara, precisa e objetiva, o que não ocorre no presente caso. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento. I – em razão da decadência das contribuições lançadas nas competências 03/1998; 10/1998 e 12/1998; II – decretar a nulidade do restante do crédito, em razão da existência de vício material, uma vez que o fato gerador das diárias não foi claramente identificado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10070.000056/2003-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa fisica ou jurídica, desde que a interessada possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa fisica ou jurídica, desde que a interessada possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa fisica ou jurídica, desde que a interessada possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 00 56 /2 00 3- 45 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000056/200345 Acórdão n.º 1402001.537 S1C4T2 Fl. 3 2 Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Trata o presente processo de pedido administrativo de restituição (fl. 190 que retifica o pedido de fl. 02), no valor de R$ 18.271.831,49, decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao 4° trimestre do anocalendário de 2000, e das Declarações de Compensação DCOMP (fls. 01 a 43 e fls. 01 e 05, do processo apenso de n° 10070.000349/200322). A Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) reconheceu parcialmente o direito creditório da interessada, no valor de R$ 9.035.988,23, conforme despacho decisório de fls. 241 a 245. A autoridade administrativa informa que o saldo negativo em comento originase do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 18.271.831,49, declarado pela contribuinte na DIPJ 2001. Entretanto, somente foi possível localizar parte desse valor, mais precisamente R$ 9.035.988,23, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Este foi, portanto, o crédito reconhecido. Logo em seguida, declara que o valor restante, de R$ 9.235.764,88, referente ao IRRF devido em função do recebimento de juros sobre o capital próprio (JCP) pagos pela empresa Valepar S/A não foi devidamente comprovado, já que o comprovante acostado aos autos indica que o rendimento bruto e a retenção do IRRF referemse ao mês de janeiro de 2001. Ademais, diz que o valor não foi declarado pela Valepar S/A por intermédio da DIRF e da DCTF, do respectivo período de apuração, mas apenas na DIPJ 2001. Arremata informando que parece que a Valepar S/A não efetuou o recolhimento do valor devido. Desta forma, conclui a autoridade fiscal que não há elementos suficientes para assegurar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pelo contribuinte, tal como requer o art. 170 do Código Tributário Nacional. A interessada foi cientificada da decisão em 22/12/2007 (fl. 273) e apresentou sua manifestação de inconformidade em 21/01/2008 (fls. 274/279), alegando, em apertada síntese, que a retenção feita pela Valepar S/A, considerada não comprovada pela autoridade fiscal, pode ser demonstrada pelo comprovante de rendimentos acostado aos autos, de acordo com o art. 733 do RIR/1999. Por fim, requereu (i) a realização de diligência para que sejam feitas verificações junto ao contribuinte denominado Valepar S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 01.772.413/000157; (ii) que fosse reconhecido o direito creditório pleiteado, assim como as compensações procedidas por meio do presente procedimento administrativo; e (iii) a suspensão da exigibilidade dos débitos cujas compensações não houverem sido homologados pela decisão ora impugnada. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000056/200345 Acórdão n.º 1402001.537 S1C4T2 Fl. 4 3 A 7ª Turma da DRJ/RJO1 (fls. 352/356) indeferiu o pedido de restituição e não homologou as declarações de compensação, sob o argumento de que não restou devidamente comprovado que a empresa Valepar S/A efetivamente reteve na fonte o valor pleiteado pela contrtibuinte. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 362/368) repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade, inclusive o pedido de diligência junto à Valepar S/A. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Para logo, digase que a Recorrente possui comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (Valepar S/A), nos termos do art. 55 da Lei n° 7.450/85, e do § 2° do art. 943 do RIR/99, vide fl. 16. Contudo, a decisão recorrida indeferiu o pleito da Recorrente sob o argumento de que (i) o comprovante de pagamento ou crédito a pessoas jurídicas de juros sobre capital próprio anocalendário 2000, acostado aos autos (fl. 16), indica como mês do rendimento bruto e do IRRF o mês de janeiro de 2001; (ii) a Valepar S/A não confirmou a realização do mencionado pagamento de JCP, assim como a retenção e o recolhimento do IRRF, por intermédio da DIRF ou da DCTF do respectivo período de apuração, ou seja, para o anocalendário de 2000; e (iii) em consulta aos sistemas da RFB não consta nenhum pagamento de IRRF pela Valepar S/A no valor apresentado no referido comprovante. Corroboro o entendimento da Recorrente no sentido de que ela não tem o dever legal de pedir outros documentos, ou mesmo questionar, às suas fontes pagadoras, outros elementos (cópia de DIRF, DARF, etc.) que não o Informe de Rendimentos na forma e com a observância dos requisitos formais determinados pela Secretaria da Receita Federal em obediência aos ditames legais que regulamentam a matéria. Com efeito, vale lembrar que o art. 55 da Lei n° 7.450, de 23/12/1985, assim dispõe: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Portanto, o comprovante de rendimentos anexado pela Recorrente (fl. 16) constitui documento hábil e idôneo para a comprovação do montante do imposto retido pela fonte pagadora dos rendimentos, devendo ser deferido o pedido de restituição e homologadas as declarações de compensação em discussão. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10070.000056/200345 Acórdão n.º 1402001.537 S1C4T2 Fl. 5 4 Notese que o cômputo das receitas correspondentes ao JCP na base de cálculo do imposto de renda a ser pago pela Recorrente não foi objeto de discussão nos autos, tendo sido comprovado, desde o início, conforme DIPJ 2001 (anocalendário 2000) (fls. 304/305). Destarte, no que diz respeito à possível compensação de tais valores em períodos posteriores, vale destacar que a própria autoridade fiscal, às fls. 244, consignou que “não há outras compensações registradas em DCTF além das informadas neste processo conforme pesquisa ao sistema DCTFGER e SIEF/PERDCOMP (fl. 240)”, não havendo que se falar, portanto, em utilização do crédito por parte da Recorrente para compensação do imposto devido em períodos posteriores. Acrescentese ainda que não causa surpresa o Informe de Rendimentos referirse ao mês de janeiro de 2001, pois, conforme comando do artigo 83, inciso I, alínea “d” da Lei nº. 8.981/95 e do artigo 865 do RIR/99 – com redação vigente à época , o IRRF deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador. Assim, caso a diretoria da Valepar tenha deliberado pelo pagamento dos JCP nos últimos dias do anocalendário 2000 o que digase de passagem é praxe no pagamentos de JCP o IRRF poderia ter sido recolhido até janeiro de 2001. Corroborando isso, o Ato Declaratório COSAR nº 53, de 26 de dezembro de 2000, que estabeleceu a Agenda Tributária do mês de janeiro de 2001, indica que o IRRF incidente sobre o pagamento de JCP cujos fatos geradores (deliberação) tenham ocorrido no período de 24 a 30 de Dezembro/2000 deveriam ter sido recolhidos até o dia 4 de janeiro de 2001. De mais a mais, é bem provável que nova consulta aos sistemas da RFB para o anocalendário de 2001 (mês de janeiro) apontaria o pagamento de IRRF pela Valepar S/A no valor apresentado no referido Informe de Rendimentos, bem assim como tais valores devem estar declarados na DIRF e DCTF da Valepar no período de apuração janeiro de 2001. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para deferir o pedido de restituição e homologar as declarações de compensação relacionadas ao crédito tributário em discussão, até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002236/2003-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE.
O entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recurso repetitivo, de que a taxa Selic deve ser aplicada no período compreendido entre a data de apresentação do pedido pelo contribuinte e a data do efetivo ressarcimento pela Administração, toma como pressuposto, para sua aplicação, a oposição da Administração em realizar o efetivo ressarcimento.
Esta oposição, segundo o mesmo Tribunal, não se configura apenas pela existência de um ato normativo, mas pela resistência da Administração em reconhecer o direito do contribuinte.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. O entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recurso repetitivo, de que a taxa Selic deve ser aplicada no período compreendido entre a data de apresentação do pedido pelo contribuinte e a data do efetivo ressarcimento pela Administração, toma como pressuposto, para sua aplicação, a oposição da Administração em realizar o efetivo ressarcimento. Esta oposição, segundo o mesmo Tribunal, não se configura apenas pela existência de um ato normativo, mas pela resistência da Administração em reconhecer o direito do contribuinte. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
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OMISSÃO INEXISTENTE. O entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recurso repetitivo, de que a taxa Selic deve ser aplicada no período compreendido entre a data de apresentação do pedido pelo contribuinte e a data do efetivo ressarcimento pela Administração, toma como pressuposto, para sua aplicação, a oposição da Administração em realizar o efetivo ressarcimento. Esta oposição, segundo o mesmo Tribunal, não se configura apenas pela existência de um ato normativo, mas pela resistência da Administração em reconhecer o direito do contribuinte. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 22 36 /2 00 3- 29 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.387, de 26 de janeiro de 2012, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os valores relativos às exportações de produtos não tributados (NT) devem integrar tanto a receita de exportação como a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação, pois o art. 3º da Lei nº 9.393/96 determina expressamente a utilização das leis que regem as contribuições sobre o faturamento, para o fim a definição destes conceitos. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso provido. A d. Procuradoria interpôs embargos alegando a existência de “omissão/contradição/obscuridade”, em razão de o Acórdão não ter apontado os fundamentos fáticos que assemelhariam o presente feito àquele no qual foi proferido o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, em regime de Recurso Repetitivo (REsp 1035847/RS). Argumenta que, diferente do caso analisado pelo STJ, no presente caso não restou configurada a oposição estatal à utilização do crédito pleiteado. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10120.002236/200329 Acórdão n.º 3403002.604 S3C4T3 Fl. 875 3 Considerando, assim, que o acórdão embargado teria se baseado em decisões cujas premissas fáticas seriam diferentes das do presente caso concreto, pleiteia o acolhimento dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recurso repetitivo, de que a taxa Selic deve ser aplicada no período compreendido entre a data de apresentação do pedido pelo contribuinte e a data do efetivo ressarcimento pela Administração, toma como pressuposto, para sua aplicação, a oposição da Administração em realizar o efetivo ressarcimento. Esta oposição, segundo o mesmo Tribunal, não se configura apenas quando existe uma recusa baseada em um ato normativo, mas pela resistência da Administração em reconhecer o direito do contribuinte. O texto dos acórdãos dos Recursos Repetitivos que tratam do tem referemse de maneira ampla a “atos normativos ou administrativos”, de maneira que também alcançam os atos das autoridades administrativas, inclusive as julgadoras, que recusam o direito do contribuinte. O raciocínio do Recurso Repetitivo é de que, quando a Administração posterga a concretização do direito de crédito pelo contribuinte, seja por atos administrativos seja por atos normativos, deve haver a atualização do direito de crédito em relação ao período em que houve a delonga, caracterizando a oposição estatal. Confirase uma outra vez as ementa dos Recursos Repetitivos que tratam do tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta Fl. 876DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do Fl. 877DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10120.002236/200329 Acórdão n.º 3403002.604 S3C4T3 Fl. 876 5 crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp Fl. 878DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 879DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10120.002236/200329 Acórdão n.º 3403002.604 S3C4T3 Fl. 877 7 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. IN SRF 23/97.EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. QUESTÃO DECIDIDA EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP.1.035.847/RS, REL. MINISTRO LUIZ FUX, DJE 03.08.2009. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. INVIABILIDADE DA UTILIZAÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS APENAS PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado; não podem, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato judicial regularmente proferido. 2. In casu, inexiste omissão no aresto recorrido, que enfrentou a controvérsia relativa à correção monetária de forma clara, inclusive com referência a Recurso Especial anterior julgado sob o regime de recurso repetitivo, explicitandose que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 3. Esta Superior Corte de Justiça não é competente para apreciar matéria constitucional em sede de Recurso Especial ou de Embargos de Divergência, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. 4. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 993164/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/10/2011, DJe 16/11/2011) Como visto, a causa da atualização é a oposição estatal em reconhecer o direito, a qual fica suficientemente configurada pela existência de ato administrativo comissivo ou omissivo – que postergue o reconhecimento do direito pleiteado, donde surge a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Ora, tanto existe oposição estatal ao aproveitamento dos créditos que o contribuinte se viu obrigado a lançar mão do Processo Administrativo Fiscal, apresentando manifestação de inconformidade e recorrendo ao CARF, quando apenas então teve o seu direito reconhecido, afinal superando a oposição da Administração. Não existe, pois, nenhum contraste entre os pressupostos de fato do Recurso Repetitivo e do presente processo, em relação ao motivo da aplicação da atualização. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Não se configura nenhum dos pressupostos dos embargos de declaração, razão pela qual, voto pela rejeição dos embargos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 881DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001116/2010-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA ATRASO DACON. DACON MENSAL.
Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON - Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega.
Numero da decisão: 1803-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior (suplente) e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA ATRASO DACON. DACON MENSAL. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON - Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega.
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DACON MENSAL. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior (suplente) e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 16 /2 01 0- 25 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório D ANGELO INCOPAR CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I , interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o processo de notificação de lançamento por atraso na entrega da DACON mensal relativa ao fato gerador DEZEMBRO/2009. Tempestivamente, apresentou a contribuinte impugnação ao lançamento onde alega em síntese: a) Que não estava obrigada a entrega da DACON mensal pois é tributada pelo Lucro Presumido; b) Que houve equívoco na indicação de periodicidade mensal pois pretendia informar estar sujeita à entrega Semestral; c) Que entregou na mesma data (08/04/2010) as DACON dos fatos geradores de Julho a Dezembro de 2009, indicando equivocadamente estar sujeita à DACON mensal; d) Que a data de entrega coincide com o prazo de entrega da DACON do 2º Semestre/2009, demonstrando ter havido equívoco na indicação da periodicidade. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1242.856, de 08 de dezembro de 2011 (fls. 23/25), julgou procedente o lançamento, assentando que mesmo tendo ocorrido por equívoco a informação de periodicidade mensal é cabível a multa acessória pelo atraso na entrega da DACON. Ciente da decisão em 22/02/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 34), apresentou o recurso voluntário em 23/03/2012 fls. 35/37, onde pugna pela insubsistência da penalidade considerando que houve entrega da DACON mesmo a destempo. É o relatório Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11543.001116/201025 Acórdão n.º 1803001.971 S1TE03 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega da DACON mensal relativa ao fato gerador Dezembro de 2009. O recurso voluntário apresentado, de certa forma desconectado com o teor da impugnação alega em síntese: a) Que houve problemas na hora da transmissão mas que as informações da DACON mensal foram prestadas mesmo a destempo; b) Que a aplicação de multa representa um exagero já que houve a prestação das informações e que somente houve inadimplemento parcial da obrigação acessória, fato que afastaria a multa pelo atraso na entrega; Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se depreende da notificação de lançamento (fl. 09/10), a recorrente deixou de apresentar no prazo regulamentar a DACON relativa ao mês de Dezembro/2009. Embora possa realmente haver alguma verossimilhança nas alegações aviadas na impugnação, não há qualquer prova de que a recorrente não estava sujeita à apresentação da DACON mensal. A Instrução Normativa RFB 940/2009, que disciplinou a entrega das DACON do segundo semestre de 2009, dispunha: Da Periodicidade de Apresentação Art. 2 º As pessoas jurídicas obrigadas ou optantes pela entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) devem apresentar o Dacon Mensal. § 1 º O demonstrativo deve ser apresentado para cada mês do anocalendário, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. § 2 º As pessoas jurídicas que não entregam mensalmente a DCTF podem, mediante opção, entregar o Dacon Mensal. § 3 º A opção de que trata o § 2 º será exercida em cada ano calendário pela entrega na modalidade mensal do 1 º (primeiro) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o mês correspondente ao do demonstrativo apresentado. § 4 º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 2 º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao 1 º (primeiro) mês do anocalendário, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação do(s) demonstrativo(s) relativo(s) ao mês ou aos meses anteriores daquele ano, observado o disposto no Capítulo II. Art. 3 º As pessoas jurídicas não obrigadas ou não optantes pela entrega do Dacon Mensal devem apresentar Dacon Semestral. Parágrafo único. O demonstrativo deve ser apresentado para cada semestre do anocalendário, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. No mesmo sentido a Instrução Normativa SRF 590/2005, que tratava da entrega das DACON até o primeiro semestre de 2009: Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e não cumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pela IN SRF nº 708, de 9 de janeiro de 2007) §1 º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. §2 º A opção de que trata o § 1 º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. §3 º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1 º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. §4 º Na hipótese de que trata o § 3 º , será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado. (NR) Art.3 º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar o Dacon Semestral, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. Art.4 º O Dacon apresentado com periodicidade diversa do primeiro demonstrativo entregue, relativo ao mesmo ano calendário, não produzirá efeitos legais. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11543.001116/201025 Acórdão n.º 1803001.971 S1TE03 Fl. 67 5 Estavam sujeitas à DCTF mensal de acordo com a Instrução Normativa RFB 903/2008: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao 2º (segundo) anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); III cuja massa salarial constante das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) no 2º (segundo) anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido igual ou superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais); IV cujo valor total dos débitos declarados na GFIP no 2º (segundo) anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido igual ou superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou V sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. § 1º A partir do anocalendário de 2005, uma vez enquadrada em uma das hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da DCTF Mensal, a pessoa jurídica permanecerá obrigada a sua apresentação nos anoscalendário posteriores, independentemente da alteração dos parâmetros considerados. § 2º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. SEÇÃO III DA OPÇÃO PELA APRESENTAÇÃO DA DCTF MENSAL Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da 1º (primeira) DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da 1º (primeira) DCTF apresentada, sendo devida multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica no caso de pessoa jurídica dispensada da apresentação da DCTF no período considerado. Ou seja, para que as alegações da recorrente tivessem o condão de eximila das penalidades aplicadas, deveria comprovar inicialmente de que não estava sujeita à DCTF mensal conforme comando das Instruções Normativas citadas. Da mesma forma, deveria comprovar de que não utilizou da faculdade prevista de entrega mensal quanto às DCTF e DACON relativas ao primeiro semestre de 2009. Destarte, por absoluta falta de comprovação de não estar sujeita à entrega mensal das DACON relativas aos fatos geradores julho a dezembro/2009, seja por falta de opção no primeiro semestre/2009, seja por não estar sujeita à entrega mensal da DCTF, não é possível acolher as alegações apresentadas na impugnação e tampouco no recurso voluntário que na verdade limitase apenas a alegar problemas na transmissão da DACON. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10950.902984/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 84 /2 01 1- 41 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902984/201141 Acórdão n.º 3803005.112 S3TE03 Fl. 99 2 decorrência da emissão de despacho decisório que homologara somente em parte a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado parcialmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902984/201141 Acórdão n.º 3803005.112 S3TE03 Fl. 100 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902984/201141 Acórdão n.º 3803005.112 S3TE03 Fl. 101 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902984/201141 Acórdão n.º 3803005.112 S3TE03 Fl. 102 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15563.720033/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E VEDAÇÃO À MIGRAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo na qual se discute a exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL não possui relação com os processos em que tratam de tributos cujos fatos geradores são de data posterior à vigência da LC nº. 123/2006, que instituiu o SIMPLES NACIONAL, quando para o ingresso no novo regime simplificado, a empresa apresenta vedação que impossibilita a sua migração automática.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91,( art. 61 da lei nº9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa da obrigação acessória de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11,941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo na qual se discute a exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL não possui relação com os processos em que tratam de tributos cujos fatos geradores são de data posterior à vigência da LC nº. 123/2006, que instituiu o SIMPLES NACIONAL, quando para o ingresso no novo regime simplificado, a empresa apresenta vedação que impossibilita a sua migração automática. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 33 /2 01 2- 13 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91,( art. 61 da lei nº9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa da obrigação acessória de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11,941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 2403002.307 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 12 55.288, fls. 214/220, que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito previdenciário, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD 37.306.4373 ( Contribuição patronal e SAT/RAT – R$ 170.324,92); AI DEBCAD 37.306.4381 (Contribuição de Terceiros – R$ 39.703,27); AI DEBCAD 37.306.4365 (Descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e § 3º, da Lei nº.8212/91 – R$ 35.576,64). Os Autos de Infração abrangem o período de 01/2008 a 12/2008, incluído o 13º salário, e foi consolidado em 23/02/2012. Segundo fiscal, a empresa informou em GFIP que era optante pelo SIMPLES quando na verdade não o era, uma vez que foi excluída do SIMPLES FEDERAL e não migrou para o SIMPLES NACIONAL. O Relatório Fiscal, fls. 28/37, assim consigna: 3. Da análise da documentação da empresa e das informações constantes dos Sistemas da Receita Federal – Telas CCORGFIP, verificouse: 3.1 Que a Empresa informou opção pelo SIMPLES Nacional da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP, documento previsto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, de conformidade com o inciso IV, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, para todo o período fiscalizado, não obstante não ter sido optante pelo Programa, conforme verificase na tela “Consulta Optantes do SIMPLES NACIONAL”, extraída do sítio da RFB. (...) 3.1.2 A Empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 01, de 07/02/2012, a prestar esclarecimentos quanto ao registro de opção pelo SIMPLES em GFIP, uma vez que não consta do banco de dados dos Sistemas da RFB opção pelo Programa, tendo apresentado à Receita Federal, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ ano calendário (AC) 2008 como Lucro Presumido e, para o AC de 2009, DIPJ como Lucro Real. 3.1.3 Em resposta, a empresa, na pessoa de seu mandatário Sr. José Amâncio Pereira, apresentou duas declarações (anexas) assinadas pelos contadores José Carlos de Oliveira e José Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Ricardo Salgueiro de Castro. O primeiro contador, responsável pela contabilidade da empresa até o ano de 2009, esclareceu que a empresa efetuou opção pelo regime de tributação federal diferenciado no Simples Federal em 01/01/2002 e que em 2004, foi cientificada de sua exclusão do SIMPLES pela Receita Federal. Informa, ainda, que apresentou Manifestação de Inconformidade quanto à exclusão, a qual entendeu suspender os efeitos da mesma. Como até o momento não houve decisão final, a empresa continuou com o entendimento de que era do SIMPLES. Acrescentou que apresentou a DIPJ do exercício de 2009 (AC 2008) como Lucro Presumido pelo fato de não ter conseguido transmitir para aquele exercício, por motivo desconhecido, a Declaração Anual do Simples Nacional. (...) 3.2 Verificamos a existência do processo 13727.000112/2004 59, em andamento, que se encontra em fase de recurso no CARF, ou seja, ainda sem decisão final. Observase que o autuado, em face desse processo, mantevese como se fosse optante do SIMPLES, declarandose, nessa condição, em GFIP até 07/2009. Contraditoriamente, verificamos em nossos sistemas informatizados que, de 2005 a 2008, a empresa apresentou DIPJ como Lucro Presumido. Essa informação reiterada ao longo de 4 anos, nos leva a crer que a opção por esse regime de tributação não tenha sido decorrente de decisão momentânea e circunstancial para atender a sua obrigação de declarar, conforme declarado pela empresa, através de seu contador à época. Para o período de 01/2009 a 07/2009, o contribuinte apresentou DASN, na qual aparece não optante, informando o nº do processo administrativo referente ao SIMPLES federal para justificála. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.119/128. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 55.288, fls. 214/220, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída da sistemática do SIMPLES FEDERAL, sujeitarseá às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, não havendo previsão legal para o seu sobrestamento enquanto em julgamento o procedimento de exclusão. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 2403002.307 S2C4T3 Fl. 4 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 224/235, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Não há qualquer fato que autorize a Receita Federal do Brasil excluir a empresa do SIMPLES, assim como a mora de mais de sete anos para julgamento da impugnação nos autos do processo em que se discute a exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL; Impossibilidade de retroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES; É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 222 e 243, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E VEDAÇÃO À MIGRAÇÃO PARA O SIMPLES NACIONAL – IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO DE PROCESSO ALHEIO AO MÉRITO DA PRESENTE LIDE A Recorrente era optante do SIMPLES FEDERAL até a promulgação do Ato Declaratório Executivo DRF/VRA nº 44.821, de 07/08/2003, com efeitos retroativos de 01/02/2002, na qual foi excluída do regime simplificado por possuir desiderato social incompatível com esta opção. Diante da exclusão, apresentou Manifestação de Inconformidade no processo nº. 13727.000112/200459, a qual foi julgada improcedente, razão pela qual interpôs Recurso Voluntário, ainda pendente de julgamento perante o CARF. Em que pese as alegações de violação ao princípio do devido processo legal, diante do retardo do desfecho da lide administrativa tributária, é certo que tais argumentos não são passíveis de análise perante o processo em epígrafe, por se tratar de matéria alheia ao mérito presentemente analisado. É que independentemente da sua exclusão e discussão acerca do SIMPLES FEDERAL, temse que após o advento da Lei Complementar nº. 123/2006, as empresas até então optantes por esse regime migraram automaticamente para o SIMPLES NACIONAL, desde que não possuíssem vedações para opção pela nova sistemática. Tendo em vista que o objeto social da empresa, conforme contrato social, fl. 03, consiste na exploração do ramo de industrialização, comercialização e distribuição de refrigerantes, bebidas energéticas e bebidas em geral, assim como o engarrafamento de águas minerais de sua fabricação ou de terceiros, temse que tal desiderato concerne a uma das vedações ao ingresso no SIMPLES NACIONAL, previsto no art. 17, X, “b”, 2 da LC nº. 123/2006, in verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) X que exerça atividade de produção ou venda no atacado de: (...) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 2403002.307 S2C4T3 Fl. 5 7 2 – refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas; Portanto, patente a vedação que a empresa possuía e ainda possui à época de migração para o SIMPLES NACIONAL, não há que se falar em contribuição previdenciária a ser recolhida com base nesta opção. Ademais, cumpre repisar que o processo do SIMPLES FEDERAL em nada intervém na presente exação, eis que só teria valia para discussão dos tributos devidos durante o período de 01/02/2002 (data de atribuição dos efeitos da exclusão pelo Ato Declaratório Executivo) até 01/07/2007 (marco inicial da vigência do SIMPLES NACIONAL). Considerando que se trata de contribuições devidas durante o exercício de 2008, não há que se falar em sobrestamento do feito em razão de pendência de julgamento de processo de exclusão do SIMPLES FEDERAL, quando não deve se levar em consideração as questões ali discutidas. DAS MULTAS APLICADAS No que se refere à multa aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 2403002.307 S2C4T3 Fl. 6 9 ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA No que tange ao cálculo da multa imputada em razão do descumprimento da obrigação acessória preceituada no art. 32, IV da Lei nº. 8.212/91, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II docaputdeste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Considerando que as incorreções ocorreram nas competências de 01/2008 a 12/1008, devese recalcular a multa até 11/2008. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora até 11/2008, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), assim como o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória, até 11/2008, de acordo com o Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 2403002.307 S2C4T3 Fl. 7 11 determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13161.001295/2003-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF - MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO - REQUISITOS.
Apenas os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é que estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052/2004, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250/95. No caso, a instrução processual comprova que o contribuinte é portador de uma espécie de cegueira, fazendo jus à isenção pretendida.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Apenas os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é que estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052/2004, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250/95. No caso, a instrução processual comprova que o contribuinte é portador de uma espécie de cegueira, fazendo jus à isenção pretendida. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 12 95 /2 00 3- 91 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 65 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Yassuo Shinma protocolou o pedido de restituição de fls. 01, instruído com os documentos de fls. 0208, sob o fundamento de que é aposentado por invalidez permanente, sendo portador da Síndrome de Meige, também chamada de distonia orofacial idiopática (blefaroespasmo), motivos pelos quais faz jus à isenção do imposto de renda desde a data da aposentadoria. A pretensão restou rejeitada pela Delegacia da Receita Federal em Dourados (MS) e pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), através das decisões de fls. 1215 e 2126, respectivamente. Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo interessado, proferiu o acórdão n° 10249.049, que se encontra às fls. 4046, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF MOLÉSTIA GRAVE COMPROVAÇÃO ISENÇÃO REQUISITOS. Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, e a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 66 3 de moléstia grave prevista no inc. XXXIII do art. 39 do RIR/99, como ficou comprovado neste autos. Recurso provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, reconhecendo a moléstia grave e, conseqüentemente, o direito à restituição pleiteada, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura. Intimada do acórdão em 31/07/2008 (fls. 47), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 5054, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo; b) Contra o contribuinte foi negada Certidão de Isenção do Imposto de Renda sobre seus proventos. Ele alegou que é portador da Síndrome de Meige, também chamada de Distonia Orofacial Idiopática, doença progressiva e incurável, e em conseqüência foi aposentado por invalidez permanente pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através do Decreto "P" n° 1329/2003 de 07/04/2003, publicado no D. O. E. n° 5974 de 08/04/2003, por apresentar total incapacidade de manter os olhos abertos, provocando situação análoga à cegueira (paralisia irreversível e incapacitante) e com tratamento neurológico continuado; c) A decisão da DRJ de origem, mediante análise circunstanciada da legislação respectiva e das provas juntadas aos autos, foi no sentido de negar a insurreição do contribuinte; d) O acórdão recorrido deu provimento ao recurso do contribuinte, por maioria de votos, permitindose que seja expedida a referida Certidão de Isenção do IR; e) Data venia, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso para demonstrar o equívoco do voto, que enseja a reforma do acórdão, pois ele viola preceitos de lei e as provas dos autos; f) A não tributação dos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos por portador de moléstia grave encontrase expresso nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/1999, que definem critérios a serem observados para o reconhecimento da isenção; g) De acordo com tais preceitos normativos, concluise que, existindo laudo médico, emitido na forma especificada no decreto, comprovando que, antes ou após a concessão da aposentadoria ou pensão, o contribuinte contraiu uma das doenças citadas na legislação, a ele cabe o direito à isenção do imposto de renda sobre tais proventos a partir do mês da emissão do laudo ou da data em que a doença foi contraída, quando devidamente identificada no laudo. Todavia, este não é o caso do Recorrido; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 67 4 h) Deveras, o Recorrido não possui a doença que está prevista como hipótese de isenção do IR. Isto porque, de acordo com os laudos médicos juntados aos autos, ele possui Síndrome de Meiges, cujo resultado é a perda duradoura da visão. Ocorre que o contribuinte está enquadrado na causa da síndrome e não nos seus efeitos. Explicase; i) A "Síndrome de Meiges" não se confunde com a "cegueira" prevista no art. 39, XXXIII do Decreto 3000/99. A bem da verdade, tal moléstia provoca perda "transitória" da visão, conforme se depreende do laudo de fls. 09, vale dizer, não se trata de cegueira, que induz a idéia de definitividade. Percebese que o acórdão recorrido, data venia, antecipou a moléstia ao confundir a causa e a conseqüência da Síndrome. Logo, a pessoa pode ser portadora da Síndrome de Meiges e não ser portadora de cegueira. Apenas esta característica — cegueira – é que permite a aplicação da norma de isenção. Nesse contexto, não há nos autos comprovação de que o Recorrido é portador de "cegueira", de tal modo que a legislação, em especial o Decreto 3000/99, não pode ser interpretada de forma extensiva, isto é, no sentido de equiparar a "Síndrome de Meiges" à "cegueira"; j) Dessa forma, o acórdão recorrido, ao equiparar os institutos, confundiu causa "Síndrome de Megues" com a sua conseqüência (cegueira), que por sua vez não restou comprovada nos autos, mas, somente, na qualidade de "perda transitória da visão"; k) Em se tratando de concessão de isenção, e de acordo com a Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN), o acórdão recorrido violou o art. 111, II do CTN na medida em que interpretou extensivamente a legislação de isenção tributária; l) Requer seja o presente recurso conhecido e provido, reformando o acórdão para denegar a expedição da Certidão de Isenção de IR requerida pelo Recorrido. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 102155.144 (fls. 5556), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 5961, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 68 5 contribuinte, reconhecendo a moléstia grave prevista em lei e, conseqüentemente, o direito à isenção pleiteada. Segundo a recorrente, a doença grave que acomete o interessado não está prevista na legislação como hipótese de isenção do imposto de renda, motivo pelo qual a decisão de segunda instância não pode prosperar. Eis a matéria em litígio. Pois bem, a isenção do imposto de renda para os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, está prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052/2004, da seguinte forma: Art. 6°. Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI – os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doenças tenha sido contraída após a concessão da pensão. A legislação ordinária trata do assunto, ainda, no artigo 30 da Lei n° 9.250/95, que assim dispõe: Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Já o RIR/99 traz as seguintes previsões a respeito da matéria, em seu artigo 39, inciso XXXIII e § 5°: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 69 6 (...) XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XIV, Lei n° 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n° 9.250, de 1995, art. 30, § 2°); (...) § 5°. As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos percebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Da redação desses dispositivos podese constatar que, para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, devem concorrer, concomitantemente, dois requisitos: a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, exigese que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. O benefício em questão retroage à data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial oficial. Com o objetivo de contextualizar a controvérsia, trago à colação as seguintes passagens do votocondutor do acórdão recorrido (fls. 4546): Analisandose os documentos trazidos pela Recorrente relevantes ao tema, temos: 1. Documento emitido pela NUNESP — Nutrição e Neurologia São Paulo (fls. 02/03 com instrução de medicamentos e da Dra. Patricia Helena G. Pires Teixeira declarando que o Recorrente se encontra em tratamento neutroclínico e que o mesmo foi afastado do trabalho em caráter definitivo. 2. Guia de solicitação de parecer da junta médica, datado de 30/01/2003, com o seguinte laudo: "Paciente portador da Sindrome de meige com 2 anos de evolução sem sucesso com as Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 70 7 condutas médicas utilizadas. A meu ver, a melhor conduta é a aplicação da toxina butolínica". 3. Declaração do governo do Estado do Mato Grosso do Sul (fls. 06/07) de que o Recorrente é ocupante de cargo efetivo de fiscal de rendas, classe E, referência 547, matrícula 02412291, do quadro permanente do Estado do Mato Grosso do Sul, e aposentouse conforme Decreto "P" n. 1329 de 07 de abril de 2003, publicado no Diário Oficial n. 5.974 de 08 de abril de 2003, página 33. 4. Laudo médico oficial do Dr. Oldemiro Hardoim Júnior — Titular da Academia de Neurologia, datado de 04/12/2003, fls. 09, descrevendo: "O paciente supra apresenta quadro de blefaroespasmo idiopático, Síndrome de Meiges, CID X. G24.5, o que lhe ocasiona perda transitória e duradoura da visão com atividade frequente de bloqueio visual bilateral por oclusão involuntária das pálpebras. Esta patologia decorrente de disfunção no Sistema Nervoso Central, faz parte dos Distúrbios de Movimento com tratamento neurológico continuado." 5. Por ocasião do Recurso Voluntário, anexa publicação do Diário Oficial de 21/05/2004, página 27, despacho do Sr. Secretário de Estado de Gestão Pública, Processo n. 11/050617/03, nos seguintes termos: "DEFIRO, com fundamento no incido XXXIII, do artigo 39, do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, o pedido de exclusão dos proventos de aposentadoria do cômputo do rendimento bruto, para fins de cálculo do IRF." Assim, entendo que no caso concreto foram cumpridos os requisitos necessários para caracterização de hipótese de isenção prevista na legislação, visto que tratamse de valores recebidos por ocasião de aposentadoria e por haver comprovação suficiente, por laudo oficial emitido pelo Estado do Mato Grosso do Sul, além de outros documentos complementares, da doença adquirida pela Recorrente. Isso porque, a consequência da Síndrome de Meiges é a "Perda Duradoura da Visão com Atividade Frequente de Bloqueio Visual Bilateral por Oclusão Involuntária das Pálpebras", ou seja, Cegueira por Disfunção Neurológica, e portanto, dentro das hipóteses de isenção prevista na legislação. Nestas circunstâncias, é de se DAR provimento ao recurso do Recorrente. Segundo os laudos médicos trazidos aos autos, o contribuinte é portador da chamada Síndrome de Miege, também conhecida como distonia orofacial idiopática (blefaroespasmo). Pesquisando na internet o que vem a ser a doença denominada de blefaroespasmo, encontrei a seguinte descrição, no endereço http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Saude+Sustentavel/94409,,Contracao+involuntaria+pode+gerar+cegueira+funcional.aspx: Você está sentado trabalhando, assistindo TV ou fazendo qualquer atividade e começa a sentir como se seu olho estivesse Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 71 8 tremendo, e passa a piscar sem parar. No começo, você não dá muita importância, mas aos poucos a situação fica incômoda a ponto de você pedir para alguém ver o que está acontecendo, só que a pessoa mal consegue perceber a contração. O que é isso? Essa contração é o blefaroespasmo, que caracterizase pelo fechamento repetitivo e involuntário da pálpebra provocado por contrações dos músculos orbiculares dos olhos. Acomete principalmente pessoas do sexo feminino e pacientes acima de 60 anos de idade, mas pode atingir também homens e pessoas mais novas. Nos estágios iniciais, o blefaroespasmo pode afetar somente um olho, mas ambos os olhos acabam sendo envolvidos. Normalmente, a doença começa de forma discreta e, aos poucos, vai se intensificando. A pessoa pisca sem parar, a ponto de não enxergar. O indivíduo com blefaroespasmo pode apresentar “cegueira funcional”, o que o incapacita para atividades normais do dia a dia, como dirigir, ler, escrever ou cozinhar, por exemplo. Ao que parece pela instrução processual, a doença do interessado é uma espécie de cegueira, que o incapacita definitivamente para o trabalho. Não se pode olvidar, de acordo com o laudo médico de fls. 08, que o contribuinte tem “... perda transitória e duradoura da visão com atividade frequente de bloqueio visual bilateral por oclusão involuntária das palpebras. Esta patologia, decorrente de disfunção no Sistema Nervoso Central, faz parte dos Distúrbios de Movimento com tratamento neurológico continuado.” Nesse sentido, entendo que faz jus à isenção pretendida. A decisão recorrida, portanto, deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.001295/200391 Acórdão n.º 9202002.996 CSRFT2 Fl. 72 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13830.720417/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. AMENDOIM DESCASCADO NÃO TORRADO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito presumido do IPI é destinado exclusivamente a contribuintes do imposto, entendidos como tal aqueles que exercem atividade produtiva conceituada como industrialização e da qual emirja produto situado dentro do campo de incidência, situação em que não se enquadra o amendoim descascado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Recorrente AMENCO AGROINDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. AMENDOIM DESCASCADO NÃO TORRADO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido do IPI é destinado exclusivamente a contribuintes do imposto, entendidos como tal aqueles que exercem atividade produtiva conceituada como industrialização e da qual emirja produto situado dentro do campo de incidência, situação em que não se enquadra o amendoim descascado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 04 17 /2 00 9- 16 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 3/128) correspondente a crédito presumido de IPI do período de fevereiro de 2003 a março de 2007. A Delegacia da Receita Federal de Marília/PR (DRF) indeferiu o pedido de ressarcimento (fls. 455/459) por entender que apenas haveria direito ao crédito presumido se o produto exportado fosse classificado como produto industrializado sujeito à incidência do IPI, não assistindo direito ao contribuinte pelo fato de exportar exclusivamente amendoim não torrado, classificado como produto nãotributado (NT) na TIPI. A Fiscalização concluiu o seguinte: 1 A empresa industrializa, de acordo com sua própria informação, apenas amendoim sujeito à classificação fiscal 1202.20.90 (amendoins não torrados nem de outro modo cozidos — descascados, mesmo triturados outros). Essa informação foi confirmada através da análise, efetuada por amostragem, de suas notas fiscais, onde apuramos somente vendas de amendoim sem casca, não torrado. 2 O amendoim descascado está fora do campo de incidência do IPI, sendo, portanto, um produto não tributado (NT). Dessa forma, não há como a empresa cogitar o seu enquadramento ao beneficio do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 10.276/2001. A Fiscalização também apurou que o contribuinte havia incluído indevidamente, na apuração do crédito, valores referentes a: a) aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) prestações de serviços decorrente da industrialização de terceiros, sendo que o inciso II, do parágrafo 1, do art. 1 da Lei nº 10.276/2001 somente admite a inclusão desses gastos quando o encomendante é contribuinte do IPI; c) gastos gerais com energia elétrica, quando somente poderia ter incluído tais gastos caso a energia elétrica houvesse sido consumida no processo.produtivo. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 466/499) sustentando: 1) que a Lei garante o benefício às empresas produtoras e exportadoras e não faz distinção quanto ao tipo de produto, e que a própria Fiscalização reconhece que a requerente produz e exporta amendoim nãotorrado; 2) ser cabível a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no crédito que pleiteia, pois a Lei não distingue a origem dos insumos; 3) ser cabível a inclusão da industrialização por encomenda com fundamento na Lei nº 10.276/2001; 4) ter direito à correção dos valores pela taxa Selic, além do reconhecimento integral do crédito requerido. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13830.720417/200916 Acórdão n.º 3403002.657 S3C4T3 Fl. 568 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1436.775, de 27/02/2012 (fls. 512/518), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não sendo, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos não tributados (NT). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ entendeu que: 1) em razão do teor do art. 6º da Lei nº 10.451/2002, são condições indispensáveis para a obtenção do direito ao crédito presumido do IPI que: (a) a empresa seja produtora e exportadora e que (b) o produto tenha sido por ela industrializado e se encontre dentro do campo de incidência do IPI, sendo que no caso concreto não teria sido cumprida esta última condição, pois o contribuinte realiza vendas de amendoim não torrado, produto classificado como NT, isto é, fora do campo de incidência do IPI, e que seria irrelevante que tais produtos tenham sido submetidos a operações de beneficiamento para posterior comercialização, pois tal beneficiamento por si só seria insuficiente para alterar a sua classificação como NT. 2) no cálculo do crédito presumido não podem ser consideradas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas porque essas aquisições não são oneradas por PIS/Cofins, além de que o art. 1º c/c o art. 2º da Lei nº 9.363/96, determinam que o benefício foi instituído para ressarcir essas contribuições incluídas no custo dos insumos (fl. 517); 3) nada obstante exista previsão na Lei nº 10.276/2001 para a inclusão do valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, tal medida não se aplica à recorrente, pois o inciso II, do parágrafo 1º, do art. 1º da referida Lei estabelece que a inclusão está condicionada ao fato de a encomendante ser contribuinte do imposto (fl. 517). 4) não existe direito de aplicação da Selic na hipótese de pedido de ressarcimento, pois a legislação tributária distingue as hipóteses de restituição e ressarcimento, sem considerar esta última uma espécie da primeira. Os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996 e o art. 39, § 4º, da Lei nº Fl. 569DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 9.250/1995 prevêem a aplicação da taxa Selic apenas nos casos de restituição e compensação, não contemplando o ressarcimento (fl. 518). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 522/565) no qual reitera os mesmo fundamentos da sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando apenas, que a aplicação da Súmula 13 do Conselho dos Contribuintes (“Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”) seria um artifício manifestamente ilegal e discriminatório da autoridade fiscal para cercear os direitos do contribuinte no caso em concreto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 11/05/2012 (fl. 522), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 12/04/2012 (fl. 521). Por ser tempestivo e veicular fundamentos de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. 1. Exportação de produto NT – amendoim. Dispõe o art. 1º da Lei nº 9.363/96 que “A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Entendo que interpretação adequada deste dispositivo é de que não se restringe a aplicação do crédito presumido à exportação de produtos que estejam sujeitos à incidência do IPI, mas, de acordo com os termos utilizados pela Lei, aplicase na exportação de mercadorias que sejam produzidas pelo contribuinte, mesmo que não sejam mercadoria sujeitas à incidência do IPI. No caso concreto, o contribuinte executa atividades de beneficiamento de amendoim, descascandoo e embalandoo para, então, realizar a exportação. Se a legislação tributária recusa ao produto resultante de tal atividade a qualidade de produto industrializado sujeito ao IPI, não há como deixar de reconhecer que existe uma atividade produtiva, ou seja, de que o contribuinte executou atividades de beneficiamento sobre o produto que adquiriu. Pareceme que o referido dispositivo de Lei exigiu a condição de “empresa produtora” apenas para excluir a empresa meramente revendedora, e não para alcançar exclusivamente as empresas contribuintes do IPI, ou apenas os produtos sujeitos à incidência do IPI, por isso utilizando os termos “produtora” e “mercadoria” e não “industrialização” e “produto industrializado” ou “ sujeito ao IPI”. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13830.720417/200916 Acórdão n.º 3403002.657 S3C4T3 Fl. 569 5 Embora não seja este o posicionamento atual, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestando o mesmo entendimento: IPI CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 —. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COM NÃO TRIBUTADOS — O artigo 1° da Lei n° 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI, faz referência apenas a mercadorias nacionais. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0201.888, RD 201117629, PA 13804.001417/9737, Relator Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) IPI CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96. PRODUÇÃO DE PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NT. A Lei n° 9.363/9 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI. AQUISIÇÃO DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DO PIS/COFINS. A base de cálculo do crédito presumido de IPI, nos termos do art. 2° da Lei n° 9.363/96, é o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que adquiridos de fornecedores não contribuintes do PIS/COFINS. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. CSRF/0202.191 (RD nº 201117782, PA nº 13931.000042/99 95), sendo relatores os e Adriene Maria de Miranda Em muito apertada síntese, entendese que a finalidade e os termos da Lei seriam bastante claros ao perseguir o efeito de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e que a utilização dos termos "processo produtivo", ao invés de industrialização, e de "mercadoria", ao invés de produto industrializado, sinalizam justamente que tais que os conceitos não estão confinados àqueles restritos ao IPI. Assim, existindo um processo produtivo que resultou de mercadoria que foi exportada pelo contribuinte, tem direito ao crédito presumido da Lei nº 9.363/96, que é dado na forma de crédito de IPI para desonerar os custos de PIS e Cofins que são suportados pelo contribuinte, com isso incentivando a exportação realizada pelo contribuinte. Voto pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, redator designado Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Peço vênia ao ínclito Conselheiro Ivan Allegretti, para dele discordar quanto à possibilidade de deferir ressarcimento de Crédito Presumido de IPI – CPIPI a não contribuintes do imposto. O entendimento predominante no colegiado é no sentido de que o benefício, tal como definido na legislação de regência, destinase, exclusivamente, a contribuintes, entendidos como tal aqueles que exercem atividade fabril conceituada como industrialização e da qual emirja produto situado dentro do campo de incidência. Obviamente, este não é o caso do amendoim descascado, fabricado pelo ora recorrente. Assim sendo, a decisão recorrida mantémse por seus próprios fundamentos. Com essas considerações e com os próprios fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 28 de novembro de 2013 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 11020.721530/2008-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Direito Creditório. Saldo Negativo de IRPJ Composto por Antecipações a Titulo de IRRF. Empresa em Fase Pré-Operacional.
Em fase pré-operacional, deve-se confrontar, contabilmente, as despesas e receitas pré-operacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas pré-operacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1801-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ANTECIPAÇÕES A TITULO DE IRRF. EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL. Em fase préoperacional, devese confrontar, contabilmente, as despesas e receitas préoperacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas préoperacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 15 30 /2 00 8- 39 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Por economia processual reproduzo relatório adotado na Resolução n º 1801 000.126: HISTÓRICO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI. Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMPs abaixo relacionadas, cujo crédito pleiteado referese a saldo negativo de IRPJ do 3o. trimestre de 2004, no valor de R$ 426.018,45. PER/DCOMP 04328.86967.061004.1.3.02732 32412.77679.131004.1.3.025721 15527.46817.201004.1.3.02105 08613.94870.271004.1.3.021749 30574.34535.041104.1.3.021602 30414.26439.101104.1.3.026717 06541.46059.181104.1.3.020621 13342.09361.241104.1.3.022701 21413.12055.011204.1.3.023080 30384.33835.081204.1.3.024833 07340.52600.151204.1.3.022100 17723.70573.221204.1.3.020828 02788.45042.120105.1.7.028330 40593.47794.120105.1.3.020406 23389.63788.190105.1.3.028904 38863.87857.260105.1.3.025255 37405.11976.020205.1.3.02982 21730.83384.110205.1.3.023930 22131.04857.230205.1.3.028656 26501.38093.020305.1.3.020901 15502.48607.090305.1.3.029050 04598.56689.160305.1.3.028002 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721530/200839 Acórdão n.º 1801001.793 S1TE01 Fl. 3 3 25158.45345.020407.1.7.021468 04665.19862.020407.1.3.020674 Em análise da DIPJ verificouse que o saldo negativo era composto de imposto de renda retido na fonte, contudo, as receitas que lhe deram origem não foram oferecidas à tributação. A interessada foi intimada (fls. 110/111) a demonstrar e comprovar a tributação das receitas, por meio de demonstrativo embasado com escrita contábil. Em resposta (113/114) a contribuinte informou que:"estava em fase pré operacional, com isso suas receitas não transitavam pelo resultado'" e não apresentou a escrita contábil. A DRF Caxias do Sul (RS) proferiu o despacho decisório n° 27/2009 (127/131) não homologando as compensações alegando que: "As receitas e despesas financeiras compõem o resultado do período em que incorridas, enquanto as despesas préoperacionais são ativadas para posterior amortização, nos termos do art. 179, V, da Lei 6.404/76, vigente a época dos fatos, combinado com o art. 325, II, "a ", do RIR/99. Assim, podemos dizer que as receitas e despesas financeiras deveriam ser levadas ao resultado do exercício de forma que sejam tributadas, conforme ocorre com as pessoas jurídicas em geral, já os gastos préoperacionais são lançados no ativo diferido para posterior amortização." Diante do exposto, recalculou o imposto de renda devido considerando as receitas financeiras e apurou imposto a pagar e não saldo negativo. A interessada foi cientificada em 11/03/2009 (fl. 148) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 150/151) em 17/03/2009, alegando que: •os pressupostos quanto ao registro das despesas e receitas financeiras estabelecidos pela IN 54/1988 permanecem válidos. "A ativação das despesas parte da presunção de que no período pré operacional não há receita. Essa presunção, contudo, não é absoluta, e havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haveria apuração do imposto." "a DIPJ enviada apresenta as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas corretamente no ativo e o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, foram registrados na ficha correspondente" o procedimento adotado pela Companhia está embasado na Solução de Consulta n° 289/2007 da DISIT/SRRF 09 e na solução de consulta n° 73. A Turma Julgadora de 1a. instância consignou que a interessada estaria correta quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas préoperacionais registradas, mas não teria comprovado, nem por ocasião da intimação, nem no momento da impugnação, o registro das despesas pré operacionais que alega possuir, o que impossibilitaria a análise da diferença entre o valor das Fl. 554DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 despesas préoperacionais e o saldo das receitas e despesas financeiras, informações que não poderiam ser extraídas da DIPJ. Como conseqüência o pleito foi indeferido, o direito creditório não reconhecido e as compensações pleiteadas, não homologadas. Notificada da decisão, em 17/06/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 193, postou, a interessada, em 08/07/2011, como demonstra o incluso envelope, recurso voluntário. Aduz que, conforme permitido pela notificação, estaria a apresentar a escrita contábil comprobatória da contabilização das receitas e despesas financeiras, através de seu livro razão dos períodos 2004 e 2005, quando se encontrava em fase préoperacional. Nesse sentido, em relação a 2004, o balanço publicado demonstraria receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, conforme páginas 35 e 36 do respectivo Livro Razão. Na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – teria sido preenchido o valor de R$ 214.400.503,40, e, nesse total, estariam incluídos os valores de despesas e receitas financeiras mencionados. Tratandose de concessionária de geração de energia elétrica, os gastos pré operacionais devem ser classificados no grupo de contas do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade que deve ser obrigatoriamente seguido pelas empresas desse setor e, independentemente da classificação contábil, estaria comprovado que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Aduz que, apesar de ainda não ter seu empreendimento em operação, a empresa poderia auferir receitas – como no caso de aplicações financeiras dos recursos levantados para a construção, mas ainda não gastos no empreendimento – de modo que tais receitas devem ser confrontadas com as despesas a elas relativas no período, o que estaria comprovado pela documentação apresentada. Salienta que no ano de 2005 a empresa entrou em operação no mês de novembro e, de janeiro a outubro, teriam sido registradas no Ativo Imobilizado em Curso as receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, conforme demonstrado no Livro Razão, páginas 41 e 42. Na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – foi preenchido o valor de R$ 127.564.640,45, resultado negativo financeiro, que não constituiria base para a tributação. Pelo exposto e documentação apresentada, entende comprovar que suas despesas financeiras foram maiores que suas receitas financeiras e, dessa forma, seria indevida a cobrança de impostos, pois não teria apresentado lucro no período préoperacional. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 12/06/2012, esta 1a. TE / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligências para que fossem analisados os elementos de prova apresentados pela defesa, a fim de que ficasse demonstrada a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721530/200839 Acórdão n.º 1801001.793 S1TE01 Fl. 4 5 Realizada a diligência com a anexação, ao processo, dos documentos inclusos às fls. 240/523, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório de fls. 524/527, contendo respostas aos quesitos formulados na Resolução n º 1801000.126. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência fiscal, em 07/06/2013, como demonstra a cópia do AR à fl. 528 e, em resposta encaminhada a repartição em 28/06/2013, manifestouse (fl. 529) no sentido de estar ciente da suficiência do direito creditório e reiterando o pedido de homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato a recorrente pleiteia, neste processo, a homologação de compensações de débitos vinculados a direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do 3o. trimestre de 2004, no valor de R$ 426.018,45, composto, basicamente, de imposto de renda retido na fonte. Seu pedido foi indeferido pelo órgão de origem porque na respectiva DIPJ apresentada, as receitas que teriam dado origem à retenção não teriam sido oferecidas à tributação. A recorrente defendeuse afirmando que estava em fase préoperacional e, com isso, suas receitas não transitavam pelo resultado. Mas, na decisão recorrida, a Turma Julgadora de 1a. instância motivou a não homologação das compensações pleiteadas nos presentes autos na ausência de comprovação, por parte da requerente, do quanto alegado, em especial na existência de despesas préoperacionais registradas em sua escrituração contábil e fiscal. No recurso voluntário apresentado a defesa tratou de apresentar elementos de sua escrituração a fim de comprovar a existência das referidas despesas préoperacionais, o que motivou a solicitação de diligência fiscal por parte desta Turma de Julgamento do CARF. Contudo, antes de adentrarmos à análise dos fatos, julgo pertinente contextualizar o tema. Caracterizamse como despesas préoperacionais ou préindustriais as despesas necessárias, consideradas indispensáveis à implantação e organização ou a Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 ampliação da empresa, pagas ou incorridas pela pessoa jurídica anteriormente ao início de suas operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. As despesas préoperacionais ou préindustriais em nada se assemelham as despesas operacionais, uma vez que não se destinam a exploração do objeto social nem à manutenção das atividades. Desse modo, conceituamse como despesas incorridas aquelas relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas operações da empresa, de competência do período de apuração, pagas ou não. Portanto, para a apropriação das despesas deverá ser observado o período de apuração em que os bens foram empregados ou os serviços consumidos, segundo o regime de competência. As despesas aqui tratadas poderão surgir em dois momentos distintos, quais sejam: anteriormente ao início das operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. (*) Fundamentação legal: Parecer Normativo CST nº 72/75; artigo 299 do Decreto nº 3.000/99). São consideradas despesas préoperacionais ou préindustriais todas as despesas necessárias à implantação e a organização ou a ampliação da empresa, até mesmo as despesas administrativas. (*) Fundamentação legal:art. 325, II RIR/99. Os recursos aplicados na realização de despesas préoperacionais que contribuiriam para a formação do resultado de mais de um exercício social deveriam ser registrados no ativo diferido, sujeitandose a amortização a partir do início da operação normal ou da sua utilização. (*) Fundamentação legal: Lei 6.404, de 1976; Art. 179, V. 1 Como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1a. instância, a COSIT pôs fim as divergências sobre o tema, por meio da Solução de Divergência n° 32, de 21 de julho de 2008 e n° 45 de 21 de novembro de2008, concluindo que: "Em vista do exposto, concluise que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positivo, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. " Assim, a ativação das despesas parte da suposição de que no período pré operacional não há receita. Mas, havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haverá apuração do imposto. Caso as despesas préoperacionais sejam superiores às receitas auferidas, a empresa não terá lucro tributável pelo IRPJ. 1 Disponível em www.fiscosof.com.br Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721530/200839 Acórdão n.º 1801001.793 S1TE01 Fl. 5 7 Dessa forma, tem razão a recorrente quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas pré operacionais registradas. Nesse sentido afirmou que a DIPJ enviada apresentaria as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas no ativo e que o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, teriam sido registrados na ficha correspondente. Com o objetivo de comprovar suas alegações e demonstrar a existência do registro das despesas préoperacionais alegadas, a defesa apresentou, junto ao recurso voluntário, elementos da escrita contábil e fiscal a fim de que fossem identificados os valores das receitas e despesas financeiras e das despesas préoperacionais. Passemos, pois, ao exames dos fatos. Com base na documentação apresentada no Recurso Voluntário esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem respondidos os quesitos constantes da Resolução n º 1801000.126: Em atendimento à Resolução, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório pertinente e, em relação aos quesitos formulados, respondeu: 1. Em relação ao anocalendário 2004 Quesito: 1.1) demonstração do registro de receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e de despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, e a inclusão desses valores no total informado na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – de R$ 214.400.503,40. 1.2) a correção do registro dos gastos préoperacionais em conta do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade das empresas do setor de geração de energia elétrica; Resposta (itens 4.1 e 4.2 da Informação Fiscal): 4.1 Na declaração original e nas retificadoras referente ao anocalendário 2004, a linha 45 da ficha 45 A não foi preenchida apenas (a coluna ano da declaração) na do anocalendário 2005, para a coluna “último balanço do ano imediatamente anterior” com o valor de R$ 214.400.503,40. Esse valor resulta do desmembramento do total do imobilizado no valor de R$ 1.087.479.888,37 em R$ 873.079.384,97 (imobilizado) e R$ 214.400.503,40 (despesas préoperacionais). Assim, a resposta ao quesito 1.1 é de que pelos arquivos digitais apresentados as receitas e despesas financeiras do anocalendário 2004 foram contabilizadas no imobilizado em curso. 4.2 De acordo com a planilha comparativa de fls. 463/466, percebese que, no balancete de 31/12/2004, apenas a conta provisão para contingências cíveis não constava do imobilizado em curso. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Conclusão: O valor de R$ 214.400.503,40 referese ao total de despesas pré operacionais do anocalendário 2004 e foram contabilizadas no ativo imobilizado. Quesito: 1.3) demonstração de que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Resposta (item 4.3 da Informação Fiscal): 4.3 Quanto ao item 1.3, as despesas financeiras apresentam valor superior às receitas financeiras, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Conclusão; A despesa financeira, no anocalendário 2004, foi maior que a receita financeira, não sendo produzido resultado passível de gerar base para tributação. Quesito: 1.4) se foram auferidas receitas de aplicações financeiras de recursos adquiridos no período em que o empreendimento ainda não estava em operação, e não empregados no empreendimento por conta dessa inoperância, devendo ser intimada a empresa a esclarecer quanto ao critério de sua contabilização. Resposta (item 4.4 da Informação Fiscal): 4.4 Com relação ao item 1.4, da análise dos arquivos digitais entregues, depreendese que os recursos obtidos por meio de empréstimos foram, em parte, objeto de aplicações financeiras no período préoperacional. As receitas de aplicações financeiras foram ativadas no Imobilizado em curso nesse período. Conclusão: Houve apropriação de receitas financeiras decorrentes do período pré operacionais, contabilizadas no ativo imobilizado do respectivo período. Quesito: 1.5) o resultado líquido do confronto das receitas mencionadas no item acima com as despesas a elas relativas. Resposta (item 4.5 da Informação Fiscal): 4.5 O resultado líquido do confronto das receitas e despesas financeiras, requerido no item 1.5, de acordo com os arquivos digitais, é: Final do Trimestre 31/03/2004 30/06/2004 30/09/2004 31/12/2004 Receitas Financeiras R$ 8.103.363,10 C R$ 7.946.958,90 C R$ 8.498.233,94 C R$ 10.288.477,38 C Fl. 559DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721530/200839 Acórdão n.º 1801001.793 S1TE01 Fl. 6 9 Despesas Financeiras R$ 55.071.034,22 D R$ 78.563.612,04 D R$ 78.860.087,50 D R$ 89.780.504,94 D Resultado Líquido R$ 46.967.671,12 D R$ 70.616.653,14 D R$ 70.361.853,56 D R$ 79.492.027,56 D Conclusão: As Despesas Financeiras superaram as Receitas Financeiras, em todos os trimestres do anocalendário 2004. Em relação ao anocalendário 2005: Quesito: 2.1) o registro, no Ativo Imobilizado em Curso, das receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, e sua correlação com o valor consignado na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – como resultado negativo financeiro de R$ 127.564.640,45. Resposta (item 4.6 da Informação Fiscal): 4.6 De acordo com o balancete de 31/10/2005, doc. de fls. 523, a soma algébrica dos valores salientados no referido balancete, que se reportam a despesas e receitas financeiras, monta R$ 127.564.640,45, valor equivalente ao resultado financeiro negativo. Conclusão: No anocalendário 2005, até o momento em que a empresa entrou em operação, foi apurado resultado financeiro negativo, no valor de R$ 127.564.640,45. Finalmente, quanto a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 3o. trimestre de 2004, composto por antecipação a título de IRRF, o agente fiscal assim se manifestou: 5. Com a relação à suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2004, no valor de R$ 426.018,45, a consulta da DIRF constante do volume I comporta o valor de IRRF informado. 6 Assim, proponho que seja dada ciência à contribuinte desta Informação, entregandolhe cópia desta, da planilha comparativa de fls. 518/521 e do balancete de 31/10/2005 de fls. 523. Como, também, cientifiquese a contribuinte que fica, nos termos da legislação pertinente, concedido o prazo de trinta dias a partir da data da ciência, para a interessada apresentar suas considerações sobre o referido relatório, se assim desejar. Conclusão: No caso em apreço, comprovouse que no 3o. trimestre de 2004, as despesas préoperacionais foram superiores às receitas auferidas, e, assim sendo, não houve apuração de lucro tributável pelo IRPJ. Nessas condições, o imposto de renda Fl. 560DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 retido na fonte compôs a apuração final, resultando em saldo negativo de IRPJ, passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório reivindicado relativo a saldo negativo de IRPJ do 3o. trimestre de 2004, no valor de R$ 426.018,45, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 561DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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