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Numero do processo: 15586.720538/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2007 a 30/11/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração.
APRESENTAÇÃO DE DIRPJ. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA.
As informações de tributo devido constantes das declarações de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não configuram confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se os débitos não foram confessados em DCTF ou declaração de compensação
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. AUSÊNCIA DE PROVA.
O termo insumo, para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas apenas os bens ou serviços empregados direta ou indiretamente no processo produtivo do bem ou na prestação de serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Inexistindo nos autos qualquer comprovação de que o gasto efetuado enquadra-se no conceito de insumo, incabível a correção do valor da contribuição indicado pela própria contribuinte durante o procedimento fiscal.
JUROS DE MORA . TAXA SELIC. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A apresentação de DIPJ, DACON e DCTF com os valores zerados, mas com a indicação de que a empresa se encontrava em atividade e com a realização de alguns recolhimentos dos tributos, não indica a prática de sonegação, fraude ou conluio, mas somente importa em inconsistência nas informações, mostrando-se tal fato insuficiente para o agravamento da multa de ofício.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2.
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso de Ofício negado.
Recurso Voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, rejeitada a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I.Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. II. Quanto ao recurso voluntário: a) por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; b) pelo voto de qualidade, no mérito, em negar provimento ao recurso . Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama, que excluíam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente YARA ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 30/11/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. APRESENTAÇÃO DE DIRPJ. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de tributo devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não configuram confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se os débitos não foram confessados em DCTF ou declaração de compensação INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. AUSÊNCIA DE PROVA. O termo “insumo”, para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas apenas os bens ou serviços empregados direta ou indiretamente no processo produtivo do bem ou na prestação de serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Inexistindo nos autos qualquer comprovação de que o gasto efetuado enquadrase no conceito de insumo, incabível a correção do valor da contribuição indicado pela própria contribuinte durante o procedimento fiscal. JUROS DE MORA . TAXA SELIC. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 38 /2 01 2- 10 Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A apresentação de DIPJ, DACON e DCTF com os valores zerados, mas com a indicação de que a empresa se encontrava em atividade e com a realização de alguns recolhimentos dos tributos, não indica a prática de sonegação, fraude ou conluio, mas somente importa em inconsistência nas informações, mostrandose tal fato insuficiente para o agravamento da multa de ofício. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2007 a 30/11/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restando presentes todos os requisitos formais e materiais de validade ato administrativo praticado, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. APRESENTAÇÃO DE DIRPJ. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de tributo devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não configuram confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se os débitos não foram confessados em DCTF ou declaração de compensação INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. AUSÊNCIA DE PROVA. O termo “insumo”, para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.597 3 que onere a atividade econômica, mas apenas os bens ou serviços empregados direta ou indiretamente no processo produtivo do bem ou na prestação de serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Inexistindo nos autos qualquer comprovação de que o gasto efetuado enquadrase no conceito de insumo, incabível a correção do valor da contribuição indicado pela própria contribuinte durante o procedimento fiscal. JUROS DE MORA . TAXA SELIC. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. INEXISTÊNCIA. DESAGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da prática, pela contribuinte, de quaisquer das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A apresentação de DIPJ, DACON e DCTF com os valores zerados, mas com a indicação de que a empresa se encontrava em atividade e com a realização de alguns recolhimentos dos tributos, não indica a prática de sonegação, fraude ou conluio, mas somente importa em inconsistência nas informações, mostrandose tal fato insuficiente para o agravamento da multa de ofício. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Recurso de Ofício negado. Recurso Voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, rejeitada a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, recurso voluntário negado. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I.Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. II. Quanto ao recurso voluntário: a) por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; b) pelo voto de qualidade, no mérito, em negar provimento ao recurso . Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama, que excluíam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da COFINS, nos períodos de apuração 01/2007 a 12/2008, sendo exigida a contribuição de R$ 8.296.086,69, multa de ofício (150%) de R$ 12.444.130,08 e juros de mora de R$ 3.650.572,11, com valor total de crédito tributário na importância de R$ 24.390.788,88 – fl.1.329. Igualmente foi lavrado Auto de Infração pela falta de recolhimento da contribuição ao PIS, nos mesmos períodos de apuração, sendo exigida a contribuição de R$ 1.801.139,41, multa de ofício (150%) R$ 2.701.709,17 e juros de mora de R$ 792.565,84, totalizando R$ 5.295.414,42 – fl. 1.361, sendo consolidado o crédito tributário em um único processo fiscal por força do Artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, com redação pelo art. 13 da Lei nº 11.196/05. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante esclarece em linhas gerais que: 1.O contribuinte utilizou durante os anoscalendário 2007 e 2008, créditos de PIS e COFINS decorrentes da não cumulatividade, apurados sobre aquisições no mercado interno e outros, em valor idêntico ao das Receitas de Vendas de Bens e Serviços, às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente; 2. Tal prática resultou na apuração de créditos a descontar iguais aos débitos do PIS e da COFINS e, portanto, no cálculo das contribuições a recolher igual a zero; 3. Após análise dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte, apurados e confirmados durante o procedimento fiscal, foi devidamente constatado que a pessoa jurídica deixou de recolher e declarar em suas DACON e DCTF valores de PIS e COFINS não cumulativo; Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.598 5 4. Considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores das contribuições PIS/Cofins lançados em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins; 5. A conduta foi considerada dolosa, pois o contribuinte, reiteradamente durante os 24(vinte e quatro) meses dos anos 2007 e 2008 declarou em suas DACON valores inferiores de receita e valores superiores de créditos de forma a zerar o valor das contribuições de PIS e COFINS a pagar. Na DCTF dos anos 2007 e 2008, o contribuinte declarou nada a pagar de PIS e COFINS não cumulativo; 6. A qualificação da multa de ofício está prevista na Lei nº 9.430/96 com nova redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. Os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, definem sonegação e fraude fiscais. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos citados artigos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de ofício prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; 7. Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei nº 8.137/90, de forma inequívoca, evidencia que prestou declarações falsas em suas DACON e DCTF, reiteradamente durante 24 meses, inserindose no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. Irresignado, o contribuinte apresentou em 10/08/2012, a impugnação às fls. 1.400/1.416, alegando em síntese que: 1. A autoridade fiscal incumbida do lançamento não identificou os fatos geradores, não determinou a matéria tributável, nem efetuou o cálculo do montante do tributo devido. Não consubstanciando seu trabalho, pois, em lançamento de ofício como determina o artigo 142 do CTN; 2. As identificações dos fatos geradores, a determinação das matérias tributáveis e o cálculo do tributo devido são partes integrantes e imprescindíveis ao lançamento de ofício. Não existindo na peça inaugural é nulo o simulacro que sequer chega a constituir se, juridicamente, em lançamento; 3. Os autos de infração, da forma como foram efetuados, ferem, ainda, o requisito do inciso III, artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, pois, como discorrido, por não conter a descrição do fato tributável e nem a correta determinação da exigência, se impõe o cancelamento da exigência na forma do art. 59, II do referido Decreto; 4. O débito já foi objeto de confissão de dívida por meio da DIPJ. Nas competências de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, foram autuados os valores informados pela contabilidade por meio de relatórios de apuração do PIS e COFINS; 5. Considerando que o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, o conceito de insumo contido na lei não é aquele insumo que se aplica no processo produtivo como no caso do ICMS e do IPI, visto que a lei expressamente autoriza créditos que não guardam qualquer correlação com os créditos do ICMS e IPI; 6. Insumo, para fins de IPI, tem um sentido técnico. Já em relação ao PIS e a COFINS, o conceito de insumo se relaciona a totalidade das receitas auferidas pelo Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 contribuinte, as quais, para ser obtidas, exigem que o contribuinte incorra em despesas e custos. O conceito aqui deve ser entendido de forma abrangente devendo abarcar todo fato econômico ou funcional de produção que integre o processo que resulta na prestação de serviços ou na produção de bens e produtos; 7.Não tendo as Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 conceituado insumo para efeito de créditos de PIS/COFINS e sendo a base de cálculo dessas contribuições muito mais ampla do que a do IPI e do ICMS, concluise que o conceito restritivo de insumo exposto nas Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 não tem amparo nem na letra da lei nem na sua interpretação sistemática; 8. Para assegurar o direito de aproveitar créditos de PIS e COFINS não admitidos pelas Instruções Normativas mencionadas, alguns contribuintes têm entrado com ações judiciais ou apresentado defesas na esfera administrativa (em caso de autuação). Muitos estão obtendo êxito no seu intento, pois o CARF e o Poder Judiciário estão admitindo créditos controversos; 9. Diversos insumos utilizados na venda de mercadorias deixaram de compor os créditos lançados nas planilhas apresentadas na fiscalização, tal fato foi ocasionado pelo exíguo prazo para atendimento da fiscalização, logo deixou de informar vários créditos a serem abatidos dos débitos com o PIS e COFINS; 10. Esses créditos se referem ao crédito presumido na aquisição de leite, por parte da nossa indústria de laticínios, conforme consta na linha 37 da planilha de apuração do PIS e COFINS, cujo os valores não foram apresentados à época da fiscalização; 11. Assim como deixou de ser abatido o crédito sobre o contrato de arrendamento de bens móveis, despesas com juros bancários, tarifas de cobrança, despesas com material de escritório e vendas, embalagens, lanches e refeições pagos a pessoa jurídica, hospedagem, viagens, ou seja, todas as despesas inerentes a atividade e funcionamento da empresa, despesas primordiais ao funcionamento da mesma, e em conformidade com a jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário; 12.Não pode prevalecer a cobrança dos juros aplicados no presente auto de infração, pela taxa SELIC, eis que inexiste previsão legal para o mister, consoante, aliás, se depreende da simples leitura do § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96; 13.Urge asseverar, relativamente à multa imposta de 150% do valor do tributo, que o patamar em que a mesma foi arbitrada, por si só, é veementemente repudiada em nosso direito, dado seu caráter nitidamente confiscatório e expropriatório, infringindo violentamente o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 14.Imperiosa total anulação do ato administrativo em que se consubstancia este Auto de Infração, de vez que, ainda que não fosse a absoluta ilegalidade do seu conteúdo, a imposição do mesmo decorrente, por inadmissível no ordenamento jurídico pátrio, o torna absolutamente viciado, por evidente desvio de finalidade, nos termos da lei, doutrina e da unanimidade da jurisprudência que se ocupou do tema; 15. Cabe salientar que descabe a aplicação da multa de 150% sobre a suposta alegação de dolo, o que é um absurdo, visto que autuada jamais omitiu rendimentos como jamais deixou de apresentar documentação comprobatória dos valores a recolher; 16. A impugnante apresentou todas as planilhas solicitadas, toda a documentação requerida e dentro dos prazos concedidos, não estando caracterizado Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.599 7 o dolo. Está claro que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a impugnante sempre apresentou toda a documentação solicitada no tempo hábil, jamais omitiu quaisquer informações para suprir o pagamento do imposto; 17. Logo, a multa de 150% do valor do tributo devido demonstra, portanto, ser julgada totalmente insubsistente, por imperativo da lei e da justiça; Requer ao final o cancelamento do Auto de Infração.” A DRJRio de Janeiro I/RJ, em decisão cuja ementa abaixo se transcreve, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo o lançamento efetuado, porém exonerando a contribuinte da qualificação da multa de ofício, reduzindolhe o percentual para 75% (efls. 1.520/1.532). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para aplicação da multa qualificada é necessária a comprovação da atitude dolosa do contribuinte. A apresentação de DIPJ, DACON e DCTF com os valores zerados, mas com a indicação de que a empresa se encontrava em atividade e com a realização de alguns recolhimentos dos tributos, indicam inconsistências nas informações, que são insuficientes para a comprovação da intenção dolosa de sonegação. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividadefim(conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão, recorre a Fazenda Nacional de ofício, em razão de o crédito tributário exonerado pela DRJRio de Janeiro I/RJ ser superior ao limite de alçada. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo perante este Colegiado (efls. 1.456/1.566), alegando idênticos argumentos de defesa expendidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.600 9 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Ao teor do relatado, trata a lide de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte já qualificada nos autos, para exigência das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, referentes aos anoscalendários de 2007 e 2008, no valor total de R$ 29.686.203,30, aí computados o valor das contribuições, juros de mora e multa de ofício agravada. Verificou a Fiscalização que a contribuinte haviase utilizado, durante os referidos períodos, de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos em valores idênticos ao das Receitas de Vendas de Bens e Serviços, o que resultou na apuração de créditos a descontar iguais aos débitos e, portanto, no cálculo das contribuições a recolher igual a zero. Em função de tal verificação, a contribuinte foi intimada a apresentar memórias de cálculo de Apuração do PIS e da COFINS nãocumulativos, assim como as respectivas relações de notas fiscais das aquisições sujeitas ao crédito das vendas tributadas e não tributadas. Após análise dos demonstrativos apresentados, os quais foram considerados corretos pela Fiscalização, verificouse que a contribuinte havia deixado de recolher e declarar em seus DACON e nas DCTF diversos valores do PIS e da COFINS, decorrendo a autuação em relação à diferença entre os valores dos créditos informados e comprovados durante o procedimento fiscal e as importâncias elencadas nos DACON. Em julgamento, pois, os recursos de ofício e voluntário, cujas matérias argüidas serão tratadas a seguir. 1. Da Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, aduz a contribuinte que os Autos de infração seriam nulos, por ofensa aos artigos 142, do CTN, e 10, III, do Decreto nº. 70.235/72, em razão de terem deixado de indicar os fatos geradores, determinado a matéria tributável ou formulado o cálculo do montante devido. Em que pese o entendimento da recorrente, tal afirmação se mostra de todo absurda, vez que os Autos de Infração preenchem, claramente, todos os requisitos formais e materiais de validade. Ao contrário do alegado, os Autos de Infração (efls. 1.329/1.394) de certo não deixaram de descrever os fatos, conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal anexo aos Autos (efls. 1.322/1.327). Tampouco verificase que o crédito tributário tenha sido constituído por meio de lançamento de ofício sem que se tenha verificado a ocorrência do fato Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 gerador, determinado a matéria tributável ou calculado o montante do tributo devido. O fato gerador foi identificado em seus vários aspectos (subjetivo, material, temporal) e o montante do tributo devido está detalhado e quantificado. Tal se verifica facilmente diante do fato de a contribuinte haver apresentado farta defesa, contestando as glosas efetuadas uma a uma, detalhando, inclusive, os valores glosados. Incabível, portanto, a preliminar argüida. 2. Da Alegada Confissão de Dívida Afirma a contribuinte que o débito já havia sido confessado por meio da DIPJ. Tal posicionamento é deveras equivocado, visto que a DIPJ não se constitui em instrumento de confissão de dívida, sendo que esta se dá por meio da DCTF. Essa questão encontrase pacificada no âmbito do CARF, que, em decisão proferida pela CSRF, já firmou jurisprudência no sentido de que as informações de tributo devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não configuram confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se os débitos não foram confessados em DCTF ou declaração de compensação. Nesse ponto, valhome do voto proferido no Acórdão nº 1402001.515, cujos fundamentos abaixo transcrevo e adoto como razões de decidir: “(...) A questão de a DIPJ constituir ou não confissão de dívida foi muito discutida no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, não sendo uniforme a jurisprudência. Predominava o entendimento de que: (i) a partir do exercício 2000, ano calendário 1999, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não mais se constitui em meio próprio para confissão de dívida; (ii) a partir do período de apuração de janeiro de 1999, somente por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é que os débitos tributários são confessados; (iii) os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. Essa não era a interpretação abraçada pela antiga Primeira Câmara. Os argumentos que respaldavam a interpretação divergente eram, em resumo, que: (i) Os §§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 dispõem que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória informando o crédito constitui confissão de dívida, e o crédito tributário confessado poderá ser inscrito na dívida ativa da União; (ii) Como a entrega da DIPJ é uma obrigação acessória que informa o crédito apurado, não resta dúvida de que a DIPJ é instrumento de confissão de dívida, e os saldos a pagar dela constantes podem ser inscritos na dívida ativa. Esse dissídio jurisprudencial foi uniformizado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Acórdão nº 910100.503, relatada pelo Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto na sessão de 25 de janeiro de 2010, que dispôs: Acórdão n° 910100.503 Primeira Turma CSRF ASSUNTO: Obrigações Acessórias Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.601 11 Anocalendário:2003, 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Com o advento da DCTF, a partir do anocalendário de 1998 o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou não mais representar confissão de dívida passível de inscrição em Dívida Ativa. Sob esse prisma, correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF. Convém ainda retratar as razões de decidir do precedente citado: O Decreto lei n° 2.124/84, no qual a decisão recorrida foi embasada para excluir a multa, estabelece: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Entendeuse que a DIPJ enquadrarseia no dispositivo citado e representaria a confissão de dívida que permitiria a cobrança do tributo nela informado. De fato, durante um certo tempo foi isso que ocorreu. Entretanto, a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30/10/1998, criou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) estabelecendo que o valor do saldo a pagar referente aos tributos nela informados poderia ser encaminhado diretamente à Dívida Ativa da União, se não recolhido no prazo. Portanto, a norma deu ao documento então instituído os atributos estabelecidos no art.5° do Decreto n° 2.124/84. Por outro lado, a partir daí essa característica não mais se aplicou à DIPJ que passou a ter um caráter eminentemente informativo. Ilustra bem a questão o fato de que até aquele momento não havia que se falar em DIPJ mas sim em Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ). A criação da Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídicas(DIPJ) ocorreu com a Instrução Normativa SRF n° 127/1998, imediatamente após a instituição da DCTF. Vejase a preocupação da Administração em substituir a DIRPJ por um documento de cunho informativo, característica essa ressaltada na própria denominação. Registrese ainda que no preâmbulo do instrumento normativo que criou a DCTF fica patente a definição desse documento como instrumento de Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 confissão de dívida, pois o já transcrito 5° do Decreto n°2.124/84 é textualmente mencionado. Portanto, tratandose de valores informados em DIPJ, mas não confessados em DCTF ou declaração de compensação, correta a exigência mediante lançamento de ofício.” Improcedentes, mais uma vez, as alegações da defendente, mostrandose acertada a Fiscalização ao lançar de ofício os valores tributáveis informados na DIPJ e não declarados em DCTF. 3. Das pretendidas correções na Planilha de Apuração do PIS e COFINS Alega a querelante que alguns valores deveriam ser excluídos da planilha de apuração do PIS e da COFINS que ela própria apresentou à Fiscalização (fls.64/87), ao argumento de que se tratam de insumos, visto constituíremse em despesas com aquisição de leite e “contrato de arrendamento de bens móveis” (despesas com juros bancários, tarifas de cobrança, despesas com material de escritório e vendas, embalagens, lanches e refeições pagas a pessoa jurídica, hospedagem, viagens, inerentes ao funcionamento da empresa). No meu entendimento, o termo “insumo”, para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas apenas os bens ou serviços empregados direta ou indiretamente no processo produtivo do bem ou na prestação de serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Na linha de pensamento que adoto em relação ao conceito de insumos, para fins de tributação do PIS e da COFINS, por óbvio que os ditos gastos referentes ao que a recorrente denominou de “contrato de arrendamento de bens móveis” não se enquadram como insumos. Já os gastos com aquisição de leite poderiam enquadrarse nesse conceito, mas a contribuinte nada trouxe aos autos que pudesse comprovar tais gastos, nem mesmo que pudesse identificar a sua natureza, limitandose a apenas trazer nova planilha com outros valores, que não sequer foram informados nos DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais. Em seu recurso voluntário, a recorrente se limitou a repetir os argumentos expendidos na impugnação, ou seja, a afirmar, de forma genérica, que apurou custos/despesas que se constituem insumos utilizados no seu processo produtivo, sem, contudo demonstrar tal alegação. Neste ponto, valem as observações feitas pela autoridade julgadora de base e que não foram contraditadas pela recorrente: “Sob esse aspecto, podemos observar que no presente lançamento a autoridade fiscal apurou a base de cálculo das contribuições em tela com base nas Planilhas de Apuração informadas pela própria contribuinte, conforme acostados às fl.64/87, acompanhados da Relação das Notas Fiscais de Compras originário dos créditos e dos comprovantes das despesas com Energia Elétrica, dos períodos de apuração de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. O lançamento é proveniente justamente da diferença entre os valores dos créditos informados e comprovados durante o procedimento fiscal e as importâncias Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.602 13 elencadas nos DACON do período – fl.634/1.305. Com a presente impugnação, a contribuinte apresenta novas Planilhas de Apuração das contribuições indicando além dos créditos relacionados anteriormente, crédito proveniente de Bens e Serviços Utilizados como Insumos na Produção/Fabricação, mas não junta qualquer elemento que comprove suas alegações. De plano, podemos constatar que os valores do crédito inserido na rubrica Bens e Serviços Utilizados como insumos na Produção/Fabricação apresentados na planilha junto com a presente impugnação não foram informados nos DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, dos períodos autuados. (...) o contribuinte não carreou aos autos qualquer outro elemento com força comprobatória dos valores de créditos, se limitando a listar um montante superior de créditos nas Planilhas de Apuração. Observese, ainda, que o protesto genérico não tem efeitos no âmbito administrativo, haja vista que o Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 16.A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos,a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) § 6º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) Logo, há preclusão do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto. E, se este for o caso, existe forma a observar: Decreto nº 70.235/72, artigo 16, § 4º.” Incabível, portanto, a exclusão dos valores pretendido,s no cálculo do PIS e da COFINS devidos, a título de insumos. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 4. Da Incidência dos Juros de Mora Aduz a recorrente que inexiste previsão legal para cobrança dos juros de mora pela taxa SELIC, bem como seriam estes pertinentes somente em relação ao principal devido, sendo incabível a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto à utilização da taxa SELIC, temse que esta matéria há muito se encontra sumulada neste CARF: Súmula CARF nº. 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, temse que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme será demonstrado linhas abaixo. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Por outro lado, o art. 1391 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem de dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária), vêse o crédito tributário; de outro ponto, ao se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso: uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário corresponde à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. 1 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.603 15 Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 1612, dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária. O legislador ordinário, entretanto, para não deixar margem à qualquer outra interpretação, foi preciso ao estabelecer que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei nº. 9.430/1996. Vejase: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, descabe razão à recorrente quando afirma não haver previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre a multa que lhei foi aplicada, visto que o crédito tributário quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento 5. Da Multa de Ofício A autoridade julgadora de piso reduziu a multa de ofício ao percentual de 75% A recorrente manifesta, em seu recurso voluntário, o entendimento de que, se a multa de ofício foi reduzida para o percentual de 75%, em razão de inexistência de dolo, não haveria razão para a sua aplicação, visto que em momento algum teve o intuito de sonegação. Alega, ainda, que a multa de ofício, ainda que no percentual de 75%, tem efeito confiscatório, o que violaria o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. 2 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 Equivocase a recorrente, mais uma vez, em seu entendimento. A inexistência do dolo respalda o desagravamento da multa, isto é, a inaplicabilidade do percentual de duplicado, mas não exime a contribuinte da incidência da multa de ofício em seu percentual regular, qual seja, de 75%. O não recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a multa de ofício referida, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. Por outro lado, mostrase acertada a decisão da DRJ, que reduziu o percentual aplicado, nada havendo a reparar na decisão a quo neste sentido. O agravamento da multa de ofício decorre da aplicação do disposto no §1º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, estabelece a Lei nº. 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.720538/201210 Acórdão n.º 3202001.075 S3C2T2 Fl. 1.604 17 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso em questão, pela descrição dos fatos constantes da autuação, verificase inexistir a caracterização de qualquer uma das três condutas que permitem a qualificação da multa, seja por sonegação, seja por fraude ou, ainda, por conluio, conforme bem asseverou a autoridade julgadora a quo: “Para ficar caracterizada a sonegação há necessidade da comprovação do dolo, conforme caput do citado art. 73. Ao caso, o interessado apresentou a DIPJ, o DACON e a DCTF dos anos calendários de 2007 e 2008, sem valor de COFINS e PIS a pagar. Em verdade, entendo que o contribuinte, ao apresentar seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, dos anoscalendários 2007 e 2008,relacionando as Receitas Auferidas bem como os valores das Bases de Cálculo do crédito de que trata a sistemática da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e COFINS, além de informar tais valores na DIPJ, não impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Pelo contrário, cumpriu suas Obrigações Acessórias perante à repartição fazendária e ficou sujeito a auditoria fiscal, gerando o presente lançamento de ofício, visto a glosa dos créditos da nãocumulatividade, no confronto do que fora informado no DACON e durante o procedimento fiscal. Registrese que a contribuinte não adotou qualquer outra ação ou procedimento para ocultar ou retardar o conhecimento da repartição fazendária das importâncias pertinentes à apuração das contribuições ao PIS e a COFINS. Com efeito, nos parece que a questão revelase mais uma inconsistência de informações, e erro na aplicação da legislação tributária do que a intenção dolosa de sonegar. Ao apresentar suas declarações, há um claro indício do auferimento de receitas e de compras com direito a crédito e de que a contribuinte se encontrava em plena atividade empresarial. Se havia inconsistências, nada impedia a administração tributária de proceder as devidas investigações, o que, repitase, ocorreu no caso sob exame, cuja impugnação é objeto do presente contencioso administrativo. Por essa razão, entendo não ser possível, somente pelos fatos descritos, sem que haja nenhuma prova nesse sentido, concluir pela ocorrência de conluio, simulação ou fraude (definidos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), razão pela qual não se pode manter o agravamento da multa aplicada, devendo ser reduzido seu percentual para setenta e cinco por cento.” Por tais razões, deve ser mantida a multa de ofício, porém desagravada, reduzindose o seu percentual para 75%, conforme decidiu a DRJ. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 Por fim, quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, temse que a análise desse tema passa necessariamente pela constitucionalidade da norma impositiva da penalidade, o que foge do campo de competência das instâncias administrativas. Isto porque, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade por este Poder seja com efeitos erga omnes (no controle concentrado de constitucionalidade), seja com efeito inter partes (no controle difuso) a lei gozará, sim, de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. Tal questão encontrase sumulada no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de (i) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e, (ii) em relação ao recurso voluntário, CONHECER EM PARTE do recurso; na parte conhecida, REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720950/2011-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 50 /2 01 1- 87 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 25/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 500,00, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a janeiro de 2009. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 25/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.720950/201187 Acórdão n.º 1801001.656 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 25/04 /2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10945.720090/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS.
A partir de 01 de janeiro de 1997, presume-se omissão de receitas, os valores depositados e/ou creditados em conta de instituição financeira, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. A partir de 01 de janeiro de 1997, presume-se omissão de receitas, os valores depositados e/ou creditados em conta de instituição financeira, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. A partir de 01 de janeiro de 1997, presumese omissão de receitas, os valores depositados e/ou creditados em conta de instituição financeira, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 00 90 /2 01 2- 94 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.246 2 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.247 3 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida por bem retratar o litígio até aquele momento: “Trata o processo de autos de infração do IRPJ e reflexos, dos anos calendários 2007 a 2009. O auto de infração de IRPJ (fls. 1104/1135) exige o recolhimento de R$ 347.475,10 de imposto e R$ 369.025,93 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1054/1103: Depósitos bancários de origem não comprovada: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007, 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 06/2009, 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 537 do RIR/1999. Multa de 150%; Receitas da atividade – Receitas de revenda de mercadorias: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007, 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 532 do RIR/1999. Multa de 75%; O auto de infração de CSLL (fls. 1136/1165) exige o recolhimento de R$ 187.263,50 de contribuição e R$ 204.427,93 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1054/1103: CSLL – CSLL sobre Receitas Omitidas: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007, 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 06/2009, 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 29, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; arts. 2° e 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 150%; CSLL – CSLL sobre Receitas escrituradas e não declaradas: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007, 12/2007, 03/2008, 06/2008, 09/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 29, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 75%; O auto de infração da Cofins (fls. 1166/1179) exige o recolhimento de R$ 512.469,24 de contribuição e R$ 558.078,78 de multa de lançamento de ofício, além Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.248 4 dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1054/1103: Cofins – Omissão de receitas sujeita à Cofins: nos períodos de 01/2007 a 12/2007, 02/2008 a 12/2008, 06/2009, 08/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3° e 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Multa de 150%. Cofins – Falta/Insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3° e 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 75%. O auto de infração do PIS (fls. 1180/1191) exige o recolhimento de R$ 111.021,99 de contribuição e R$ 120.896,47 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1054/1103: PIS – Omissão de receitas sujeita ao PIS: nos períodos de 01/2007 a 12/2007, 02/2008 a 12/2008, 06/2009, 08/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3° e 8°, inciso I da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 2° e 3° da arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 150%; PIS – Falta/Insuficiência de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3° e 8°, inciso I da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 2° e 3° da arts. 2°, 3° e 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Multa de 75%; A ciência dos autos de infração do IRPJ e reflexos deuse em 31/01/2012, conforme AR de fl. 1191. Tempestivamente, em 11/06/2012, foi encaminhada a impugnação de fls. 1198/1205, através do procurador, procuração às fls. 1206/1207, acompanhada dos documentos de fls. 1208/1211, que se resume a seguir: Cita o art. 153, inciso III da CF/88 e art. 43 do CTN, e alega que, segundo a doutrina, a expressão rendas e proventos de qualquer natureza devem ser interpretados como acréscimo ao patrimônio. Argumenta que não devem ser considerados, como renda, os dinheiros que foram depositados na conta corrente do autuado, pois os recursos não significam rendas conforme dispositivo legal; Cita o art. 16 do PAF, acórdão do CARF, e doutrina, a respeito do pedido de perícia. Entende que a nomeação do perito é fundamental para comprovar que os recursos encontrados na conte corrente não se trata de renda. Requer como perito do contribuinte o contador Hyon Jin Choi, portador do documento de identidade profissional CRC sob n° PR034489/O3, escritório profissional na Travesso maranhão, 73, telefone 30271777, com seguintes quesitos: 1 Os valores que consta no auto de infração este devidamente registrado no diário ou nos livros comerciais? 2 Os valores que foram autuados como renda estão lançadas em que conta? 3 Podem considerar que as contas contábeis lançadas se considerado como renda? Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.249 5 Requer o conhecimento da defesa, a sua procedência, e a declaração da total insubsistência do auto de infração. Foi lavrado processo de representação fiscal para fins penais, de número 10945.720091/201239. A turma julgadora de primeira instância julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. ABSOLUTA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO NA FISCALIZAÇÃO E IMPUGNAÇÃO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia para eventual comprovação da origem de depósitos bancários, quando o contribuinte não apresenta um único documento que suportasse suas alegações dadas tanto durante a fiscalização quanto na impugnação, o que o torna desnecessário para o deslinde do litígio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INDÍCIOS DE FRAUDE. Quando a escrituração do contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para apuração do lucro real, autorizase o arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 01 de março de 2013 (fl. 1231). Irresignado, apresentou em 27 de março de 2013 recurso voluntário de fls. 12321241. Em resumo, alega que boa parte dos recursos movimentados em suas contas correntes referiase a valores de terceiros e que o indeferimento do pedido de perícia inviabilizaria a comprovação de suas alegações. Aduz ainda que depósito bancário não corresponde a renda, requerendo, ao final, ao cancelamento da exigência. Os extratos bancários em que se baseia a autuação, ante a negativa de fornecimento por parte do ora recorrente, foram obtidos por meio da expedição de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF por parte autoridade fiscal, dirigidas diretamente às instituições financeiras, com esteio no disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. A constitucionalidade dos referidos diplomas normativos encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal, que, na análise de admissibilidade do Recurso Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.250 6 Extraordinário nº 601314, reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Sobre o reconhecimento de repercussão geral pelo STF, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil.” Diante de tal dispositivo regimental, o processo foi sobrestado até que sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema. Contudo, a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.251 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 DO PEDIDO DE PERÍCIA O interessado requereu em sua impugnação a realização de perícia técnica contábil a fim de demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores adiantados por terceiros para pagamentos de despesas atreladas a importações. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado é confuso e não indica com clareza se o objetivo seria anular a decisão recorrida ou se deseja que este Colegiado acate o pedido de perícia. Sobre o tema, escreve De Plácido e Silva em seu Vocabulário Jurídico (Rio de Janeiro: Forense, Vol. III, 1993, p. 352): (...) A perícia, segundo princípio da lei processual, é portanto a medida que vem mostrar o fato, quando não haja meio documental para mostrálo, ou quando se quer esclarecer circunstâncias a respeito dos mesmos que não se acham perfeitamente definidas. Quanto à legislação, o inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.252 8 Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. O pedido de perícia deve ser expresso, sendo necessária, além da qualificação do perito, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. A perícia é um meio de prova que apenas deve ser determinado para esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a juntada de documentos ou pela realização de diligência. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila qualquer elemento que pudesse comprovar suas alegações. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de prova pericial. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia, concluindo também, a respeito do tema, inexistir qualquer mácula no julgamento de primeira instância que igualmente indeferiu o pleito do recorrente. 2 DA OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.253 9 A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.254 10 A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Porém, não apresentou a comprovação solicitada, limitandose a alegar que boa parte dos valores movimentados em suas contas bancárias diziam respeito a valores depositados por terceiros (importadores) para fazerem frente às operações de importações cujos trâmites burocráticos seriam realizados pela própria Recorrente. Frisese: em nenhum momento houve comprovação de suas alegações. Essas alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.255 11 a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.256 12 De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 por vezes citadas pelos recorrentes, convém ressaltar, primeiramente, que não foi expedida por qualquer Tribunal Regional Federal, mas sim pelo extinto Tribunal Federal de Recursos. Ademais, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, a omissão de receita, bem como sua quantificação, devem ser mantidas integralmente, eis que não restou comprovada a origem dos valores que foram depositados ou creditados nas suas contas bancárias. 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, mantido o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720090/201294 Acórdão n.º 1402001.581 S1C4T2 Fl. 1.257 13 § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos. 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir o pedido de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.004214/2001-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Verifica-se nos autos que o presente lançamento refere-se a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Desnecessário é o retorno dos autos ao colegiado a quo, posto que as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte já foram devidamente apreciadas e, ainda porque, em sede de primeira instância, que inicialmente declarou a decadência parcial, a única matéria submetida a apreciação foi justamente a decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 13/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que o presente lançamento referese a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Desnecessário é o retorno dos autos ao colegiado a quo, posto que as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte já foram devidamente apreciadas e, ainda porque, em sede de primeira instância, que inicialmente declarou a decadência parcial, a única matéria submetida a apreciação foi justamente a decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 42 14 /2 00 1- 73 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2201 00.810, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 22 de setembro de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário. Seguem abaixo as suas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 1996 DECADÊNCIA IRRF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ART. 150, § 4° do CTN. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. PAGAMENTOS IDENTIFICADOS EFETUADOS Á BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS FALTA DE PROVAS. Não procede a alegação de que a fiscalização não fez o seu trabalho investigatório a fim de instruir o auto de infração, sendo que o ônus de provar a quem foram realizados os pagamentos efetuados é do contribuinte, sob pena de ser autuado pelo Imposto de Renda sobre pagamentos à beneficiários não identificados. Recurso de Ofício negado. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.004214/200173 Acórdão n.º 9202003.119 CSRFT2 Fl. 7 3 Recurso Voluntário negado. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entende que o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pelo CARF sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento do tributo, devendo, portanto, ser reformado. Argumenta que o acórdão recorrido aplicou o art. 150, § 4º do CTN, indistintamente, sem aferir sobre a existência ou não de pagamento antecipado. Considerou apenas que, pelo IRRF tratarse de tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, deveria ser aplicado o dispositivo mencionado, afastando implicitamente a aplicação do art. 173, inciso I do CTN, mesmo diante da ausência de comprovação de recolhimento antecipado do tributo nos autos. Assim, acolheu a preliminar de decadência com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro do anocalendário de 1996. Frisa que, a respeito do prazo para a constituição de créditos tributários relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o acórdão recorrido diverge do adotado pelas Câmaras Superiores das 1ª e 2ª Seções, cujas ementas seguem abaixo: 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I. do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP ns 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. CSRF/0203.331 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I);(b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN ART. 150, § 4º). Para a Fazenda, está claro no caso em tela, que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo. Em face da ausência de pagamento, entende ser cabível a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Ao final, requer o provimento do seu recurso, para que se aplique ao presente caso o art. 173, I do CTN. Nos termos do Despacho nº. 220000.463/2011, foi dado seguimento ao pedido em análise. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O contribuinte não apresentou contrarrazões. Alertase para o fato de que todo o crédito tributário mantido na decisão de 1ª instância consta como tendo sido objeto de parcelamento pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.004214/200173 Acórdão n.º 9202003.119 CSRFT2 Fl. 8 5 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que o presente lançamento referese a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Desnecessário é o retorno dos autos ao colegiado a quo, posto que as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte já foram devidamente apreciadas e, ainda porque, em sede de primeira instância, que inicialmente declarou a decadência parcial, a única matéria submetida a apreciação foi justamente a decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10803.720034/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA.
São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA.
Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada.
LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL
Na inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para efetuar o lançamento é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 2201-002.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão, nos termos do voto da Redatora-Designada. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
(Assinatura digital)
Nathalia Mesquita Ceia Relatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL Na inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para efetuar o lançamento é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão, nos termos do voto da Redatora Designada. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 34 /2 01 1- 93 Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 2 (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator (Assinatura digital) Nathalia Mesquita Ceia –Relatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário de 2005 a 2008 sobre omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 1456 a 1462), com ciência em 14.07.2011 (AR fls. 1626), do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, sobre omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa de Walter Flamengo Salles, que seria sócio formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo autuado, Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernâni Bertino Maciel (E), assim relatado na autuação: OMISSÃO DE RECEITA APURADA, resultante de ação fiscal desenvolvida no contribuinte WALTER FLAMENGO SALLES, CPF n° 116.909.09820, amparado pelo MPFF n° 08.1.13.00 2010002014, em decorrência de SIMULAÇÃO, com interposição de pessoa, nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, em face do recebimento de rendimentos percebidos com infração à lei, os quais foram depositados em suas contas bancárias, tendo sido identificado como interposta pessoa, controlada pelo grupo K/E, cujos integrantes são CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, e que informou em sua declaração de imposto de renda, como supostos empréstimos, recebidos através de contratos de mútuo da BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 05.927.775/000120, atualmente na situação cadastral INAPTA, por prática irregular de operação do comércio exterior, com efeitos a partir de 14/02/2005 (Processo n° 10314005235/2007 92), e, da COMTEC COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA CNPJ 07.047790/000100, na situação cadastral SUSPENSA, por inexistência de fato, a partir de 05/08/2010 (Processo n° 10803 Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 3 3 000022/201068), interpostas empresas, comandadas e gerenciadas por CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, os verdadeiros sujeitos passivos, participantes do esquema fraudulento denominado OPERAÇÃO PERSONA, como sendo as pessoas que têm relação direta e pessoal com o fato jurídico, e deste modo, se encontram no polo passivo da obrigação tributária; respondendo individualmente por 50% da receita omitida apurada, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, parte integrante do presente Auto de Infração. Houve Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF em nome de Walter Flamengo Salles (fls. 297 a 314). O Termo de Verificação de Infração (fls. 1463 a 1610) relata: Em sua "PARTE B DA OPERAÇÃO PERSONA" (fls. 1471 a 1478), que, em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da Ia Subseção Judiciária de São Paulo (SP), foi deflagrada a "Operação Persona", pela qual a Receita Federal do Brasil, conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, investigou um esquema fraudulento de importações que se utilizava de empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal, sendo os reais beneficiários das operações a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 04.867.975/000172, e a multinacional americana CISCO SYSTEMS INC., ambas ocultas pelas diversas operações simuladas de compra e venda de mercadorias. Segundo a Fiscalização, restou comprovado que o grupo K/E, controlado por CID GUARDIA FILHO (KIKO) e ERNÂNI BERTINO MACIEL, participou ativamente da logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO, formada pela sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos EUA e, no Brasil, por uma cadeia de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial e de despacho aduaneiro, aparentemente distintas umas das outras, mas que, de fato, constituíam uma organização sob comando único, conforme vínculos de seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais e excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE. O fluxo das mercadorias, que se inicia com a negociação realizada entre o encomendante e a CISCO DO BRASIL LTDA, materializase através do pedido da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. à fabrica da CISCO SYSTEM INC, nos Estados Unidos, e por uma série de operações comerciais simuladas de venda de mercadorias ocorridas entre as empresas de fachada, que assumem os papéis de exportadoras, importadoras e distribuidora, até chegar à MUDE, que, ao Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 4 recebêlas já nacionalizadas, as transfere ao cliente final (encomendante). Relativamente à parte operacional do esquema, foram identificados os grupos a seguir: SOUTH, em referência à empresa de logística responsável pelas operações de comércio exterior SOUTH e outras a ela associadas; K/E, em referência a CID GUARDIA FILHO, o KIKO, e ERNÂNI BERTINO MACIEL, que controlavam, de fato, as interpostas exportadoras (3 TECH, LATAM e ROMFORD), importadoras (PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA, D'LUCK COM. IMP. EXPO. LTDA, ARCO EQUIPAMENTOS LTDA, BRASTEC TECNOLOGIA E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA LTDA) e distribuidoras (TECNOSUL DIST. PROD. ELETROELETRÔNICOS E INFORM. LTDA., NACIONAL DISTR. DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA, SPCOM PREST. DE SERVIÇOS EM INFORMÁTICA LTDA e COMTEC COM. E DISTR. PROD. ELETROELETRÔNICOS LTDA); MUDE, em referência à MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., líder na venda de produtos CISCO no Brasil; e CISCO, em referência à CISCO BRASIL, BENEFICIÁRIA última do >quv ia, pois conseguiu abastecer o mercado nacional com produtos bem abaixo dos de mercado, bem como reduzir a carga tributária e evitar o controle de fiscalização de Preços de Transferência e Tributação em Bases Universais. Além desses grupos, identificouse mais um nível de blindagem, pois a CISCO USA simulava a venda dos produtos, como se fosse uma operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do esquema, que atuava entre a CISCO USA e as exportadoras interpostas. As empresas interpostas normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshores sediadas em paraísos fiscais e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos e experiência em atos de comércio (desconhecem o significado de TI Tecnologia da Informação embora atuem no segmento eletroeletrônico e informática), vulgarmente denominadas "laranjas", como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório, ferramenteiros, etc. Para a distribuição dos recursos financeiros obtidos (lucros e remuneração) às pessoas que comandavam o Grupo K/E, CID e ERNÂNI, foram constituídas as empresas de fachada CMGUARDIA ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO S/C LTDA., CNPJ n° 04.900.813/000199 (em nome de CID 99% e sua esposa Marilena 1%), e CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., CNPJ n° 08.350.057/000122 (50% CID e 50% ERNÂNI), que emitiram notas fiscais de prestação de serviços de assessoria junto à rede de interpostas empresas sob seu controle e demais empresas participantes do esquema fraudulento. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 4 5 Na "PARTE G DA SIMULAÇÃO" do Termo de Verificação de Infração (pág. 133, fl. 1595), a Fiscalização noticia que foram proferidas sentenças na esfera criminal, conforme transcrição a seguir (os destaques constam do termo em referência): 2.1DA SENTENÇA JUDICIAL PROFERIDA EM 17/02/2011 Os fatos apreciados e decididos na Ia Sentença (Diretores da MUDE) proferida em 17/02/2011 nos auto de n° 0005827 49.2003.403.6181, pelo Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4a Vara Federal Criminal/SP, dizem respeito única e exclusivamente à interposição fraudulenta em operações de importação. Nesta sentença foram condenados seis executivos e funcionários das empresas Mude e Whafs Up, reconhecida pela Justiça como o setor de importação da Mude. 2.2NOVA SENTENÇA PROLATADA EM 06/04/2011 (Grupo K/E) Na 2a Sentença (Grupo K/E), prolatada em 21/03/2011, o Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, condenou CID GUARDIÃ FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL do grupo K/E, e MARCOS ZENATTI, suposto sócio da TECNOSUL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS E INFORMÁTICA LTDA e da ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, "pela prática de 16 delitos capitulados no art. 334, § 1°, "c" do Código Penal, em continuidade delitiva, além do delito capitulado no art. 288, caput do Estatuto repressivo", (fls.1330/1441) Após transcrever as conclusões do Juízo, no tocante à materialidade do delito " sinala a Fiscalização o que segue (destaques de acordo com o Termo de Verificação de Infração): Nesta sentença concluiuse que o grupo MUDE realizava operações fraudulentas de importação por meio de interpostas empresas importadoras, dentre as quais a BRASTEC, que não tinham estrutura física e de pessoal para realizar o montante das operações realizadas. Estas interpostas empresas eram constituídas por sócios formais, interpostas pessoas, e eram controladas por CID GUARDIA (KIKO) e ERNÂNI BERTINO MACIEL sócios da empresa CIDER ASSESSORIA. Nos interrogatórios, CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL confirmaram que efetuavam controle e gerenciamento das interpostas empresas, ABC, BRASTEC, PRIME, por meio da CIDER, enquanto CID GUARDIA FILHO cuidava da área operacional das importações, ERNÂNI BERTINO MACIEL, como auditor aposentado, tratava da área de tributos internos, e os sócios formais das interpostas empresas administravam outros assuntos menores. Foi confirmado que todas as empresas importadoras valiamse das mesmas distribuidoras TECNOSUL e NACIONAL, Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 6 reforçando a tese de interposição fraudulenta, e que todo o processo de importação era controlado pela MUDE. Na PARTE H DAS CONCLUSÕES" do Termo de Verificação de Infração, em seu item 7.9 (págs. 139 a 141, fls. 1601 a 1603), são arrolados elementos que, segundo a Fiscalização, evidenciam que CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL constituem o núcleo de comando e controle da rede de empresas interpostas integrantes do esquema de importação fraudulenta investigado no bojo da Operação Persona. Impugnação (fls. 1629 a 1646) A Decisão Recorrida (fls. 1707 a 1726) ,com ciência em 14.06.2012 (AR fls. 1732), manteve a autuação pela existência de diversos indícios de os recurso financeiros que transitaram pela conta bancária do sócio formal da BRASTEC, Walter Flamengo Salles, era feita por conta e ordem de seus administradores de fato, o autuado Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), identificados como os efetivos responsáveis pelo comando e controle do Grupo K/E uma rede de interposta empresas exportadoras, importadores e distribuidoras. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. MULTA QUALIFICADA Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 5 7 É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente No Recurso Voluntário (fls. 1733 a 1757) protocolado em 10.07.2012, sustenta em síntese: a) Ausência de prévia intimação do Recorrente e ao outro cotitular dos valores depositados na contacorrente que se reputam serem rendimentos omitidos de titularidade de ambos; b) Erro na sujeição passiva. Não há qualquer prova da retirada de valores das contas bancárias de Walter Flamengo Salles que tenham beneficiado o Recorrente; c) A fiscalização não apontou as origens e o destino dos valores depositados nas contas bancárias de Walter Flamengo Salles; d) Incabível a multa qualificada pois não qualquer prova da infração pelo autuado ; e) Decadência em relação as exigências do IRPF de janeiro de 2005 a junho de 2006. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF com acusação da omissão de rendimentos, com multa qualificada de 150%, recebidos por intermédio de interposta pessoa de Walter Flamengo Salles, que seria apenas sócio apenas formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo autuado, Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernâni Bertino Maciel (E). A omissão de rendimento apurada na operação persona deflagrada pela Policia Federal, Ministério Público, Receita Federal, com ramificações nos Estados Unidos – EUA, na importação e exportação realizadas, entre outros, pelo Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), Auditor aposentado da Receita Federal. Sustenta o Recorrente 1) Quebra do sigilo bancário; 2) Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; 3) Falta de intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários; 4) Erro na eleição do sujeito passivo; 5) Indevida imposição da multa qualificada. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 8 Passo ao exame das questões postas no recurso. Sigilo bancário Observo que houve quebra do sigilo bancário da interposta pessoa com a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF em nome de Walter Flamengo Salles para obtenção dos extratos bancários e autuação a omissão dos rendimentos, conforme vemos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 297 a 314). Em face disso, os autos deveriam ser sobrestados na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, diante da Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário reconhecida pelo C. STF no RE nº 601.314SP. Contudo, este não é o entendimento majoritário da douta 1ª Turma Julgadora da 2ª Câmara, assim, vencido nessa prejudicial e preservando minha convicção pessoal sobre a matéria, passo ao exame das demais preliminares trazidas pelo Recorrente nas razões de recurso. Prévia intimação Sustenta inicialmente o Recorrente não houve a prévia intimação para explicar a origem dos depósitos bancários. Faz diversas considerações nas razões de recurso sobre a obtenção das informações bancárias para concluir que a autuação deveria ser feita sobre omissão de rendimentos pelos depósitos bancários, com a necessidade da prévia intimação do autuado para explicar a origem dos depósitos, na forma do art. 42, da Lei 9.430, de 1996. Na impugnação também sustentou a nulidade da autuação pela ausência da prévia intimação para explicar a origem dos depósitos bancários em nome de Walter Flamengo Salles. Contudo, embora a autuação tenha por base os depósitos bancários existentes nas contas de Walter Flamengo Salles, ela não se fez pelo rito e procedimento dos depósitos bancários, com a inversão do ônus da prova e a presunção de os depósitos serem rendimento tributável omitido, se intimado, o autuado não comprove a origem dos depósitos. Não se adotando o procedimento da inversão do ônus da prova e presunção, de que cuida o art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, não cabe a intimação prévia. Esse o equívoco do autuado ao tentar a nulidade da autuação por esse fundamento, se ela se fez por outro motivo. A consequência de não se adotar esse procedimento é não existir a inversão do ônus da prova e a presunção legal do art. 42, da referia lei, mas a obrigação de a fiscalização identificar a fonte, a origem e comprovar se a omissão – dos depósitos bancários – pertence ao autuado e corresponde a rendimento tributável. Vejase, não examina a autuação sob o prisma da presunção legal do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, mas da efetiva comprovação de os depósitos pertencerem ao autuado e corresponderem a rendimento tributável omitido pelo Recorrente. Por essas razões, afasto a prejudicial, relativa a ausência de prévia intimação para explicar os depósitos bancários. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 6 9 Decadência. Sustenta o Recorrente a extinção do direito de o fisco lançar as exigências correspondentes aos fatos geradores dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006, uma vez que se trata de tributo de lançamento por homologação, realizado após do decurso do prazo previsto no artigo 150, § 4o, do CTN. De fato, tratase do imposto de renda da pessoa física, de lançamento por homologação, mas com fato gerador complexivo e continuado, sujeito a ajuste anual, que se completa no final do exercício. Ao contrário do que pensa o Recorrente o fato gerador não é mensal, com tributação exclusiva e definitiva na fonte, mas anual. Com isso o lançamento somente se torna possível a partir o dia primeiro do anos seguinte. Não havendo prova de pagamento e com acusação de fraude na omissão dos rendimentos, por serem eles recebidos por intermédio de interposta pessoa, o prazo decadencial regulase pelo art. 173, I do CTN e jurisprudência pacifica do C. STJ em Recurso Repetitivo no REsp 973.733/SC, de observância obrigatória por este Conselho, a teor do art. 62A, do RI, Assim, o inicio da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador. Com isso, o termo inicial da decadência, para examinarmos o exercício mais, de 2005, sem prova de pagamento e com existência de fraude, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, dia 01.01.2007, para a exigência do ano de 2005. A notificação do lançamento (fls. 1456 a 1462) ocorreu em 14.07.2011 (AR fls. 1626). Não há prova de pagamento. Logo, não houve lapso temporal superior aos cincos anos entre o termo inicial, em 01.01.2007 e final em 14.07.2011. Erro na eleição do sujeito passivo Sustenta inicialmente erro na eleição do sujeito passivo porque os depósitos bancários não são de suas contas bancária, mas de terceiro, Walter Flamengo Salles. Afasto esta prejudicial por se confundir com o mérito da autuação e assim deverá ser apreciada e decidida. Mérito O exame do recurso é relativo à omissão de rendimentos recebidos por intermédio de Walter Flamengo Salles, sócio formal das empresas Brastec Tecnologia e Informática Ltda. e Comtec Com. e Dist. de Prod. Eletro Eletrônicos Ltda., controladas pelo Recorrente e Ernani Bertino Maciel (E). Comprovam os autos a existência de diversas empresas e grande estrutura empresarial, entre elas a Brastec e a Comter, destinadas a importação e exportação, com Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 10 simulação de interpostas pessoas (laranjas), comandada, de fato, pelo Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), por intermédio da empresa Cider Assessoria Empresarial Ltda., de titularidade de ambos, mediante contrato de prestação de serviços de gestão empresarial. O Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e o Ernani Bertino Maciel (E) foram condenados e presos pela Justiça Federal juntamente com outros participantes do esquema criminoso de importação e exportação, fraudulentas. Esta comprovado nos autos que Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio das Brastec e Comter, não detinha o poder de mando e gerencia da sociedade Brastec embora constituída por ele. Além de não deter o poder da sociedade não possuía conhecimento dos negócios, não tinha capacidade econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais. Ao ser ouvido na Policia Federal Walter, declarou desconhecer as atividades desenvolvidas pela filial da empresa Brastec em outro Estado. Comprovam os autos, sem contrariedade, que os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do autuado, Cid Guardia Filho (Kiko), sócio da empresa Cider. A autuação não se fez na modalidade da presunção da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, mas foram os depósitos bancários de 50% feitos na conta de Walter que motivaram a autuação. Essa diferença do critério ou forma da autuação traz consequências no plano formal e material decorrente da prova na constituição do crédito tributário. Walter foi intimado a explicar a origem dos depósitos bancários, disse que se tratava de empréstimo – mutuo da empresa Brastec, juntou contrato de mutuo. O Relatório de Fiscalização, não contrariado, explica que não se comprovou a efetividade da operação de mutuo entre a empresa e Walter Flamengo Salles, daí a desconsideração do empréstimo. Na fase do contraditório nada foi comprovado do suposto empréstimo. A simulação da interposta pessoa de Walter e o motivo da autuação, ocorreu pela existência de indícios de os saques dos depósitos bancários na conta de Walter beneficiarem o autuado, sócio controlador de fato da empresa Brastec, gerida por intermédio da empresa Cider, controlada pelo autuado. Comprovamse nos autos o efetivo comando e controle das empresas Brastec e Comter, pelo autuado, tendo como sócio formal (laranja) Walter Flamengo Salles. Há índicos, com esse comando das empresas, de as contas presumivelmente serem de titularidade do autuado, mas esses mesmo indícios, sem outros elementos de prova, ainda que indiciários, não são suficientes para corroborar, firmar e comprovar presunção segura de os saques feitos na conta de Walter se destinar ou pertencer, de fato, ao autuado e, mais, de esses saques serem rendimento tributável na pessoa física do autuado. Esses indícios, para comprovar o fato – rendimento tributável do autuado exigem outros elementos de prova, ainda que indiciários. Vários indícios podem configurar Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 7 11 prova do fato, mas aqui, na autuação de omissão de rendimento do Imposto de Renda, temos apenas os indícios comprovados de o Recorrente, Cid, com Ernani, sócios da empresa Cider, controlar a empresa Brastec e Comter, de titularidade formal de Walter. Essa presunção, autorizada pelos indícios de ser o Recorrente gestor administrador as empresas Brastec e Comter, constituída pela interposta pessoa de Walter, não autoriza, queremos crer, indícios seguros e suficientes de os depósitos bancários, em nome de Walter, pertencer ao autuado Recorrente e mais, de serem esses depósitos rendimentos tributáveis, sem a existência de qualquer outro indício nesse sentido. Foram aprendidas, é certo, agendas e passagens aéreas do Recorrente com apontamentos das empresas Brastec e Comter, mas não se apontou qualquer vinculação ou indícios de os depósitos bancários existentes na conta de Walter pertencer ao Recorrente ou de os depósitos serem rendimento tributável do Recorrente. Ao afastamos a preliminar prévia intimação do autuado para explicar a origem dos depósitos, por não se cuidar da presunção do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, temos a conseqüência lógica da exigência da prova segura do fato tributável, ainda que por presunção, mas presunção segura de os depósitos pertencerem ao autuado e de ser rendimento tributável. Identificada a origem, não cabe autuação por depósitos bancários como fez a fiscalização, precisa identificar a fonte e comprovar, ainda que de forma indiciária, repetimos, se a omissão – dos depósitos corresponde a rendimento do autuado. Ante o exposto, afasto a decadência e as prejudiciais e, mérito, por não vislumbrar elementos ou índicos suficientes, firmes e seguros de prova do fato tributável – omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa , pelo meu voto, dou provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 12 Voto Vencedor Conselheira Nathália Mesquita Ceia, Redatora designada. Em que pese o bem elaborado voto do nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao mérito, em especial por entender que houve omissão de rendimentos passíveis de tributação por parte do Contribuinte em face da utilização de interposta pessoa, e, por consequência, restando aplicável a multa qualificada de 150%. 1. Mérito 1.1. Rendimentos Tributáveis – Interposta Pessoa Insurgese o Contribuinte em face de lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa de Sr. Walter Flamengo Salles, que é sócio formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo Contribuinte, Sr. Cid Guardia Filho. O Contribuinte alega que: (i) houve erro na sujeição passiva, pois não há qualquer prova da retirada de valores das contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles que tenham beneficiado o Contribuinte; (ii) a fiscalização não apontou as origens e o destinos dos valores depositados nas contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles e (iii) incabível a multa qualificada pois não restou comprovada simulação. A decisão da DRJ manteve a autuação pela existência de diversos indícios de que os recursos financeiros que transitaram pela conta bancária do sócio formal da BRASTEC, Sr. Walter Flamengo Salles era feita por conta e ordem de seu administrador de fato, Sr. Cid Guardia Filho, identificado como o efetivo responsável pelo comando e controle do Grupo K/E uma rede de interposta empresas exportadoras, importadores e distribuidoras. O Contribuinte sustenta que os depósitos bancários não são de suas contas bancárias, mas de terceiro, Sr. Walter Flamengo Salles, por isso houve erro de sujeição passiva, bem como alega que não houve comprovação de que os depósitos nas contas bancárias do Sr. Walter Flamengo Salles foram usufruídos em seu benefício. Pois bem. Da instrução probatória trazida aos autos verificase que: Sr. Walter Flamengo Salles, sócio formal da Brastec, não possui recursos econômicos e experiência em atos de comércio. Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio da Brastec não detinha o poder de mando e gerência da sociedade, embora constituída por ele. a BRASTEC não apresenta capacidade operacional (estrutura física e de pessoal) para efetuar o montante das operações realizadas. Sr. Cid Guardia Filho nos interrogatórios confirmou que efetuava o controle e gerenciamento da BRASTEC por meio de outra empresa a CIDER, mediante contrato de prestação de serviços de gestão empresarial. Os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do Sr. Cid Guardia Filho, sócio da empresa Cider. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 8 13 Em face do exposto, entendo restar comprovado que o Sr. Walter Flamengo Salles age como interposta pessoa do Contribuinte, em uma estrutura que objetiva a omissão de rendimentos tributáveis do Contribuinte, que é o real beneficiário da renda. A interposição de pessoa com o fulcro na omissão de rendimentos tributáveis é entendida como simulação, em linha com o disposto nos art. 167 do Código Civil Brasileiro, pois na interposição de pessoa, há um negócio simulado, no qual se aparenta transmitir direito a uma pessoa, e um dissimulado, de transmissão real a outra. Ou melhor, aparentase que o Sr. Walter Flamengo Salles é sócio e titular dos rendimentos da empresa, porém na verdade, o Sr. Cid Guardia Filho que resta como real beneficiário da renda. A simulação apresenta os seguintes elementos essenciais: (i) é sempre combinada com a outra parte e (ii) é feita com a intenção de iludir terceiros. Sendo que na simulação nenhuma das partes é iludida, ambas têm conhecimento da burla, levada a efeito para ludibriar terceiro. De acordo com o disposto no Código Civil, o ato simulado é nulo. Ainda, no tocante à interposição de pessoa com o intuito de fraudar o Fisco, defende Onofre Alves Batista Junior: “o que se verifica, é que no Brasil vem se alastrando como “erva daninha”, é a constituição de sociedades em que um sócio se apresenta, “apenas no papel” como minoritário e sem funções gerenciais, e, no entanto, é o verdadeiro gestor e administrador da sociedade, utilizandose de terceiro para evadir tributos e proporcionar verdadeiros prejuízos ao Erário Público. Tratase do sabido e consabido uso dos “famosos laranjas”, que vem levando o país à bancarrota, destruindo instituições como a Previdência Social, e porque não até o Erário dos Estados Membros”. Portanto, a participação do Sr. Walter Flamengo Salles na operação deve ser desconsiderada (nulidade do ato) e a renda imputada ao mesmo deve ser atribuída ao seu real beneficiário, ou seja, Sr. Cid Guardia Filho. Desta feita, resta comprovado que Contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa nos anoscalendário de 2005 a 2008 e não os ofereceu à tributação, devendo ser mantido o lançamento. 1.2. Multa Qualificada A fiscalização aponta que houve simulação do Recorrente quando da interposição do Sr. Walter Flamengo Salles com o objetivo de omitir rendimentos passíveis de tributação. Em face dessa constatação, a fiscalização qualifica a multa em 150%. O Contribuinte se insurge quanto à qualificação da multa argumentando que não restou comprovado durante o processo de fiscalização a alegada simulação. Pois bem. Da análise dos autos, resta comprovado que Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio das Brastec, não detinha o poder de mando e gerência da sociedade Brastec, embora constituída por ele. O Sr. Walter Flamengo Salles, além de não deter o poder de mando ou gerência da sociedade, não possuía conhecimento dos negócios, não tinha capacidade Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 14 econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais. Ao ser ouvido na Polícia Federal, o Sr. Walter Flamengo Salles, declarou desconhecer as atividades desenvolvidas pela filial da empresa Brastec em outro Estado. Os autos comprovam, sem contrariedade, que os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do autuado, Sr. Cid Guardia Filho, sócio da empresa Cider. A autuação não se fez na modalidade da presunção da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, mas foram os depósitos bancários feitos na conta do Sr. Walter Flamengo Salles que motivaram a autuação de 50% dos valores dos depósitos. O Sr. Walter Flamengo Salles foi intimado pela explicar a origem dos depósitos bancários e disse que se tratava de empréstimo – mútuo da empresa Brastec. Juntou contrato de mútuo. O Relatório de Fiscalização explica que não se comprovou a efetividade da operação de mútuo entre a empresa e o Sr. Walter Flamengo Salles, daí a desconsideração do empréstimo. A simulação da interposta pessoa do Sr. Walter Flamengo Salles e o motivo da autuação, ocorreu pela comprovação de os saques dos depósitos bancários na conta do Sr. Walter Flamengo Salles beneficiaram o Contribuinte. Resta comprovado nos autos o efetivo comando e controle das empresas Brastec, pelo Contribuinte, tendo como sócio formal (“laranja”) o Sr. Walter Flamengo Salles. A interposição do Sr. Walter Flamengo Salles na operação pelo Contribuinte já comprova a intenção do Contribuinte em omitir rendimentos passíveis de tributação. Logo, tendo em vista que o Contribuinte se valeu de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, resta caracterizada simulação e com isso devida a multa qualificada de 150%. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nathália Mesquita Ceia Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA
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Numero do processo: 17883.000290/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 06/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 09/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 06/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 06/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 09/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 06/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 90 /2 01 0- 86 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, para as competências 01/2005 a 06/2005 e 09/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal informa que os valores lançados são decorrentes de retenções constatadas na conta contábil "211031001 INSS a Pagar", conforme o Razão desta conta (Anexo XXII), sendo que os valores não foram devidamente recolhidos. Esse Relatório informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamento CM à Construtora Lourenço Maia Ltda (CNPJ 07.142.874/000122); 2. Levantamento FS à Forte Sul Serviços Especiais Ltda (CNPJ 03.687.081/000138), Anexo XXV; 3. Levantamento LM à Conservadora Lourenço Maia Ltda ME (CNPJ 05.252.048/0001 00), Anexo XXV; 4. Levantamento SS à Servi Sa Auto Guindaste Locação Ltda (CNPJ 31.187.412/000106); e 5. Levantamento VF à Vila Forte Vigilância e Segurança Ltda (CNPJ 01.354.797/000198), Anexo XXV. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. o Recurso contra o Ato Cancelatório é dotado de efeito suspensivo, inclusive como já assentou entendimento a 12A Turma da DRJ/SP1. Assim é necessária a suspensão deste processo até ulterior trânsito em julgado administrativo; 2. ocorreu a decadência das competências até outubro de 2005; 3. não há prova nos autos do não pagamento da Contribuição Previdenciária de 11% sobre as notas fiscais das prestadoras de serviço; 4. requer a reunião de todos os processos advindos desta ação fiscal e questiona a representação fiscal para fins penais. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.038 da 13a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 312/318) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que foram excluídos os valores declarados extintos pela decadência até a competência 06/2005, inclusive. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que ela é uma entidade beneficente de assistência social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Volta Redonda/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que, antes do lançamento, estava amparada por recurso com efeito suspensivo contra o Ato Cancelatório de sua imunidade (processo n° 17883.000049/200913), e, portanto, ainda gozava da isenção previdenciária, assim solicita a anulação do presente lançamento ou, no mínimo, a suspensão da exigibilidade do credito tributário até a superveniência do trânsito em julgado dos autos do processo que trata da matéria de cancelamento da sua imunidade tributária (processo n° 17883.000049/200913). Inicialmente, cumpre esclarecer que os valores apurados no presente lançamento fiscal são decorrentes da retenção de 11% da contribuição previdenciária, incidente sobre a mão de obra utilizada na prestação de serviços contratados. Por sua vez, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, posteriormente foram substituídos pela Lei 12.101/2009, ficam imunes (isentos) do pagamento das contribuições, a cargo da empresa, descritas no art. 22 da Lei 8.212/1991. Todavia, continuam sendo obrigadas a descontar as contribuições previdenciárias dos segurados obrigatórios do RGPS (empregado, trabalhador avulso e contribuintes individuais) que lhe prestam serviços – conforme art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e art. 4o da Lei 10.666/2003 –, bem como estão obrigadas a descontar e recolher as contribuições previdenciárias oriundas da incidência de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra – nos termos do art. 31 da Lei 8.212/1991 –, e da incidência sobre a receita bruta da comercialização da produção rural adquirida de segurado especial ou de produtor rural pessoa física – conforme art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Com isso, percebese, então, que a imunidade atinge somente as contribuições a cargo da própria pessoa jurídica imune (cota patronal) previstas nos incisos I a IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, mas não atinge as contribuições que ela é obrigada a descontar de outros contribuintes. Logo, todas as contribuições que a pessoa jurídica imune for obrigada a descontar de outros contribuintes, ela será obrigada a recolher os valores descontados. Sendo assim, a alegação de que a Recorrente seria uma entidade beneficente de assistência social, imune à incidência de contribuição previdenciária, é impertinente ao presente processo, eis que este objetiva apurar, exclusivamente, a contribuição previdenciária oriunda da incidência de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, portanto, fora do campo da imunidade. Diante desse contexto jurídico e fático, entendese que não há espaço na legislação previdenciária para acatar a alegação da Recorrente de que, antes do lançamento fiscal, gozava de imunidade da contribuição previdenciária, já que o presente processo tratase, exclusivamente, da contribuição que ela é obrigada a descontar dos prestadores de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. Logo, essa alegação da Recorrente é impertinente, inoportuna e genérica, não ensejando qualquer nulidade ou suspensão da exigibilidade do credito tributário. A Recorrente alega que seja declarada em parte a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 10/2005 foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 5 7 Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 6 9 portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2005 a 06/2005 e 09/2005 a 12/2006 e foi efetuado em 11/11/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). Posteriormente, por meio da decisão de primeira instância, os valores compreendidos entre as competências 01/2005 a 06/2005 foram excluídos (fls. 319/327) em decorrência da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, pois ficou constatado que, nessas competências, houve recolhimentos parciais. Constatase ainda que, para as competências 08/2005 a 02/2006, não há qualquer recolhimento (pagamento) de contribuições previdenciárias, conforme documento de Consulta ContaCorrente da Recorrente (fl. 70, processo 17883.000283/201084). Assim, a partir da competência 08/2005 não há espaço jurídico para o reconhecimento da decadência tributária, não cabendo a aplicação da regra estampada no § 4º do art. 150 do CTN, nem a regra prevista no art. 173 do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal remanescente referese às competências 09/2005 a 12/2006 e não está abarcado pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame de mérito. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 DO MÉRITO: Insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referente à obrigação da Recorrente de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que o estabelecimento matriz não pode responder por débitos cujos fatos geradores decorreram de atividades realizadas, prestadas ou de responsabilidade da filial, bem como não houve a caracterização da cessão de mão de obra pelo Fisco, e, com isso, entende que é imperiosa a anulação do presente lançamento. Com relação à alegação de que o fato gerador somente ocorreu na filial da Recorrente, entendese que tal fato não influência no lançamento fiscal, eis que a configuração da empresa prevista no art. 15 da Lei 8.212/1991 abrange tanto a matriz quanto às filiais, sendo que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária lançada é da pessoa jurídica, enquadrada como uma associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. Logo, essa alegação da Recorrente não será acatada. Lei 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com relação à caracterização da cessão de mão de obra, tal fato está materializado nos próprios contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e as empresas contratadas, estas prestadoras de serviços de limpeza, conservação, reparos e vigilância. Ademais, os valores lançados decorrem de retenções constatadas na conta contábil “211031001 INSS a Pagar”, assim não há como acata a alegação da Recorrente. Noutro giro, a cessão de mão de obra está nitidamente configurada nos seguintes termos (contratos de prestação de serviços, fls. 245/269): “[...] 1 ) A CONTRATADA comprometese a fornecer a pedido da CONTRATANTE os serviços assim especificados: 1.1) Colocação de 01 (um) vigilante fardado e armado, em regime de 12 horas noturnas, de Segunda à Sexta; 1.2) Colocação de 01 (um) vigilante fardado e armado, em regime de 24 horas, aos Sábados, Domingos e Feriados; 1.3) 0(s) Agente(s) portará (ão) arma(s) de fogo fornecida (s) pela CONTRATADA, ficando acordado que a manutenção e reparos por eventuais danos causados a(s), ficará sob a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 7 11 responsabilidade da CONTRATADA, como também serão colocados munições adicionais; (fl. 248) ....................................................................................................... A CONTRATADA obrigase a prestar à SOBEU, os serviços de limpeza e conservação, limpar os banheiros (diariamente das 6:00 às 23:00 hs) e fazer o café da manhã e tarde, nos seguintes setores: (...) (fl. 251) [...]” Verificase ainda que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com as contratadas, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que as contratadas colocavam os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado nos itens 5 e 6, com seus subitens, do Relatório Fiscal (fls. 27/32), bem como nas notas fiscais (fls. 93/243) e nos contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e as empresas contratadas (fls. 245/269). Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. Por sua vez, a Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições Fl. 391DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E, o Fisco, ao constatar a prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra – acompanhada da retenção dos valores evidenciados nas notas fiscais (fls. 93/243), ou evidenciado a ocorrência da sua falta –, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração. Nesse caminhar, deixo consignado que o simples fato de haver a prestação de serviços executados por meio de cessão mão de obra, isso já obriga a Recorrente a recolher os valores de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991. Esse entendimento decorre do fato de que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária retida na fonte, incidente sobre a mão de obra utilizada na prestação de serviços contratados nos termos do art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991, é exclusiva do tomador de serviço (Recorrente), não havendo falar em responsabilidade supletiva da empresa cedente (STJ, REsp. 1131047MA, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 24/11/2010 – informativo 457/2010). Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, não há razão nos argumentos da Recorrente retromencionados. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13209.000184/2007-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
ALTERAÇÃO CONTRATUAL.EFICÁCIA.
O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes.
Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico , retroagem à data da transmissão da FCPJ.
OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL.
A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a
microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista.
Numero da decisão: 1801-000.499
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, retroagem à data da transmissão da FCPJ. OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL. A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 34 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente solicitou em 17/07/2007, fl. 04, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 05.968.837/000142 Atividade econômica vedada: 74901/04 Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 14/09/2007, fl. 01/02, com as alegações abaixo transcritas. I Sr. Delegado; a referida empresa tratase de microempresa e que como tantas outras do Brasil faz um esforço enorme para manter suas atividades, pois a carga tributária elevada, as despesas operacionais e a grande concorrência requer um esforço demasiado para sua existência. Foi o que levou a mesma a fazer a Solicitação da Opção pelo Simples Nacional em 17/07/2007, e através do acompanhamento constatouse que a Atividade Econômica é Vedada. II — Sr. Julgador, a atividade da mesma é comercio varejista entre outras atividades e que a intermediação ou agenciamento não ocorre. Por esta razão foi feita a Alteração nas atividades nos órgãos competentes JUNTA COMERCIAL, RECEITA FEDERAL E SEFA dentro do prazo legal conforme cópias em anexo do Contrato de Alteração, Cartão do CNPJ e Inscrição Estadual. III Face ao exposto, requer a Autuada o Deferimento da Opção pelo Simples Nacional por uma questão de Justiça. N. Termos P. Deferimento Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 35 3 Em conformidade com o Despacho, fl. 08, consta: Tendo em vista que a partir de 28/08/2007 ter sido a data definida, no portal do Simples Nacional, para as empresas tomarem conhecimento do resultado de sua opção pelo novo regime de tributação, a impugnação é tempestiva. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0111.752, de 18/08/2008, fls. 09/11: “Solicitação Indeferida”. Consta que 8. Esta Secretaria estabeleceu o prazo de 28.08.2007 no Portal do Simples Nacional, para as empresas tomarem conhecimento do resultado de sua opção pelo novo regime de tributação, e pelos documentos acostados ao processo verificouse que o sujeito passivo tomou as providências necessárias no sentido de regularizar a atividade exercida, quando procedeu alteração contratual devidamente arquivada na JUCEPA, na data de 26.07.2007, com alteração de atividade, unicamente as permitidas para a opção de tributação estabelecida pela Lei Complementar n° 123, datada de 14 de dezembro de 2006. 9. Entretanto, de acordo com as instruções emanadas desta Secretaria a alteração procedida na data de 26.07.2007, fl 03, terá validade para o exercício subseqüente (pergunta 2.5 do Livro Perguntas e Respostas do Simples Nacional). Notificada em 23/09/2008, fl. 12, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/09/2008, fls. 13/15, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita E nosso caso se enquadra dentro do Livro Perguntas e Respostas do Simples Nacional no item 2.8. A OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL PODE SER EFETUADA A QUALQUER TEMPO? Não. A opção pelo Simples Nacional somente poderá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção. Nota: 1. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007 a opção pôde ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até o dia 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1° de julho de 2007. Respaldamosnos ainda no Comunicado CGSN/SE n° 2/2008 de 06 de março de 2008. Esclarecimentos acerca das inclusões de oficio, item 2, letra C.3 "Empresa fez a opção até 20/08/2007, mas houve pendências com pelo menos um dos entes federativos; [...] uma vez que as pendências tenham sido resolvidas dentro do prazo (ou seja, ate dia 20/08/2007 para os entes que não prorrogaram o prazo, e até 31/10/2007 para os que prorrogaram), a "dataefeito 01/07/2007; Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 36 4 IV Face ao exposto, requer a Autuada o Deferimento da Opção pelo Simples —Nacional por uma questão de Justiça. N. Termos P. Deferimento É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; [...] § 2o Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. A hipótese de indeferimento de opção pelo Simples Nacional com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, pressupõe a obtenção de receita oriunda de atividade vedada qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. O indeferimento não prescinde da caracterização Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 37 5 inequívoca da situação considerada impeditiva, bem como da comprovação de que a atividade econômica exercida pela pessoa jurídica seja considerada vedada para fins de opção pelo Simples Nacional. A legislação não impede a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista. A Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, determina: Art. 119. A existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. (Renumerado do art. 120 pela Lei nº 6.216, de 1975). A Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que trata sobre o registro público da empresa mercantil, prevê: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; [...] Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado do Pará (JUCEPA) em 26/07/2007, consta, fl. 03: 1ª Cláusula — ALTERAÇÃO DE ATIVIDADE A Sociedade altera neste ato suas atividades para: Comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho CNAE: 47555/03; Comercio varejista de artigos do vestuário e acessórios CNAE 47814/00; Comércio varejista de calçados CNAE 47822/01; Comércio varejista de móveis CNAE 47547/01; Comércio varejista de artigos de armarinho CNAE 47555/02; Comércio varejista de utilidades domésticas em geral: CNAE 47598/99; Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal CNAE 47725/00; O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Assim, desde 26/07/2007, com o arquivamento da alteração contratual na Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 38 6 JUCEPA, este ato jurídico produziu todos os efeitos legais de modo, inclusive, a comprovar que a Recorrente exerce atividade expressamente permitida para opção pelo Simples Nacional. O litígio nos autos se limita à análise da tempestividade da regularização cadastral de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Sobre a matéria, a Resolução CGSN nº 04 de 30 de maio de 2007, prevê: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) [...] Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN no 19, de 13 de agosto de 2007) A Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007, que trata das alterações cadastrais, determina: Art. 8º Constituem atos a serem praticados perante o CNPJ: [...] II alteração de dados cadastrais; III alteração de situação cadastral; [...] § 1º Os atos perante o CNPJ serão solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, observado o seguinte: I as solicitações dos atos darserão por meio de FCPJ, de QSA preenchido com a qualificação constante do Anexo III, no caso de estabelecimento matriz de entidade, e de Ficha Específica, quando a requerente estiver localizada em unidade federada ou município conveniado, gerados pelo Programa CNPJ, ou por meio de outro aplicativo aprovado pela RFB; Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 39 7 II a solicitação será formalizada: a) pela remessa, por via postal, pela entrega direta ou por outro meio aprovado pela RFB, à unidade cadastradora de jurisdição do estabelecimento, do DBE ou do Protocolo de Transmissão da FCPJ e de cópia autenticada do ato constitutivo, alterador ou extintivo da entidade, devidamente registrado no órgão competente, observada a tabela de documentos constante do Anexo IV; ou [...] § 2º O DBE: I ficará disponível, na página da RFB na Internet, no endereço eletrônico referido no § 1º, na opção "Consulta da Situação do Pedido Referente ao CNPJ", pelo prazo de noventa dias, para impressão e respectivo envio ou entrega previsto no inciso II do § 1º; II deverá ser assinado pela pessoa física responsável perante o CNPJ, por seu preposto ou mandatário, com reconhecimento da firma do signatário; e III será substituído pelo Protocolo de Transmissão da FCPJ quando a entidade for identificada pela atribuição de: a) certificação digital; ou b) senhas eletrônicas e demais formas de identificação atribuídas pelas administrações tributárias, conforme previsto em convênio. [...] § 5º O disposto no inciso I do § 2º aplicase ao Protocolo de Transmissão da FCPJ. No acompanhamento do resultado da Solicitação de Opção está registrado, fl. 07: Como resolver as pendências: [...] No caso de .pessoa jurídica; com demais pendências cadastrais: se for o caso ratifique no CNPJ a informação .cadastral impeditiva à opção pelo Simples Nacional; por meio da Internet, mediante utilização do Programa Gerador de Documentos (PGD) do CNPJ e a entrega da documentação correspondente à Unidade da RFB de sua jurisdição. No Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral emitido em 31/07/2007 consta como atividade econômica o comércio varejista dos seguintes artigos, dentre outros: cama, mesa, banho, vestuário, calçados, móveis, armarinho, cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal, fl. 28. Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, retroagem à data da transmissão da FCPJ. Analisando toda a situação fática verificase que Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 40 8 houve o protocolo de transmissão da FCPJ e as foram informações processadas mediante o DBE e em 31/07/2007 já produzia o efeito da conduta positiva livre e consciente da Recorrente de atualizar seus dados cadastrais no prazo legal. Restou comprovado, portanto, que ela regularizou eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 41 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 22 de fevereiro de 2011. _____________________________ Moema de Souza Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 42 10
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722250/2010-26
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2010
AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO NOVO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a nova multa determinado pelo artigo 32 - A , I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2010 AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO NOVO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a nova multa determinado pelo artigo 32 A , I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 22 50 /2 01 0- 26 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 320 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 321 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.270.7284, CFL.68, decorre de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, objetivando o lançamento de multa punitiva por descumprimento de dever instrumental determinado por lei, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 10 a 17, com período de apuração de 01/2006 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 05 e 06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/07/2010, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição, as fls. 36, recebida, em 25/08/2010, com razões de defesa, as fls. 37 a 97, acompanhada dos documentos, de fls. 98 a 238. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 240 e 241. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0230.801 7ª, Turma DRJ/BHE, em 08/02/2011, fls. 242 a 258. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/03/2011, AR, de fls. 259. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 266, recebido, em 31/03/2011, conforme carimbo de recepção, com razões recursais, as fls. 267 a 314, acompanhado dos documentos, de fls. 315 a 317. Mérito. · que a recorrente é entidade beneficente de assistência social, conforme consta de seus estatutos, do exercício de suas atividades e dos certificados e demais documentos que atestam este condição, sendo usados os códigos FPAS 639 e de GPS 2305 isenção, pois não existem código para imunidade, usandoos por aproximação, não sendo os códigos que definem a situação da recorrente, sendo legítima a utilização desses códigos pela recorrente; · que a recorrente pugna pela aplicação da regra do artigo 195, § 7º c/c o artigo 14 do CTN, aplicação da imunidade; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 322 4 · que a interpretação da norma deve atender aos seus fins sociais e aos valores que esta visa garantir, cita Maria Helena Diniz; · que a norma a prever os requisitos da imunidade é a Lei Complementar, pois cuidase de limitação ao poder de tributar, cita Aliomar Baleeiro, sendo esta o CTN, cita Mizabel Abreu M. Derzi, entre outros; · que em razão das atividades da recorrente de exercer atividades beneficentes de assistência social, o que é atestado pelos órgãos controladores da política de assistência social, a recorrente não tem que recolher contribuição social previdenciária patronal, até porque amparada pelo artigo 195, § 7º, da CF/88 c/c o artigo 14, do CTN; · que por estar adstrito ao princípio da legalidade a Administração Pública deve aplicar ao caso o artigo 195, § 7º, da CF c/c o artigo 14, uma vez que se cuida de imunidade; · que o dispositivo do artigo 195, § 7º, no que tange a imunidade não traz nenhuma condicionante, mas tão somente a observação do requisitos em lei, ou seja, artigo 14, do CTN, não dependendo a fruição do benefício de autorização ou reconhecimento pelo poder público, cita decisão do STF e Roque Antônio Carrazza, bem como o TJMG, e, ainda, o STJ, o TJDFT, devendo a Administração Pública com base na moralidade administrativa, do artigo 37, caput, da CF/88 afastar as interpretações formalistas, desprovidas de valoração e do fins da norma antes de promover o lançamento, cita Carmem Lúcia Antunes Rocha, pois a moralidade exige proporcionalidade entre meios e fins; · que a recorrente não concorda com sua equiparação a empresa, uma vez que o Código Civil tratou das pessoas jurídicas de forma diferente e com acerto, estando a sociedade empresa no artigo 44 e objetivando fins econômicos ou lucrativos e as fundações como a recorrente no artigo 62, com fins religiosos, morais, culturais e de assistência, exercendo a recorrente múnus público; · que deve ser aplicado ao caso o artigo 112, do CTN, pois na dúvida a interpretação mais favorável é a que se aplica ao acusado, pois demonstrando aos fatos a condição de entidade beneficente de assistência social esta é imune de impostos e contribuições sociais; · que no PAF existe a previsão da observância do contraditório e ampla defesa, conforme artigo 2º, inciso X, da Lei 9.784/99, tendo a recorrente alegado vastos argumentos e fundamentos em contraposição ao lançamento, porém nem todos foram analisados pela autoridade julgadora a quo, sendo isso direito da recorrente, elenca a recorrente ao seu sentir situações determinadas em lei, não devendo a decisão prescindir da adequada motivação, citando o artigo 31, do Decreto 70.235/72 e 458, do CPC, cita Marcos Neder e Tereza Lopes, Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 323 5 bem como a CSRF, entende a recorrente que a decisão de primeiro grau é nula por falta de motivação, volta a citar vários juristas e decisões dos antigos CC’s; · que para corroborar os argumentos da recorrente resgata e traz os pontos não apreciados pela decisão a quo: a) imunidade tributária e sua aplicação no caso da recorrente; b) busca da verdade material ou real; c) falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária; d) dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas; e) da prevalência do interesse público; f) incongruências na apuração do crédito tributário · Dos pedidos – requer a recorrente: a) regular recebimento, conhecimento, com acolhimento ao final; b) cancelamento do Acórdão a quo; c) cancelamento do crédito tributário e seus acréscimos e d) arquivamento do PAF. O presente auto de infração foi juntado por apensação ao auto do processo PAF Nº 10680.722249/201000, conforme, fls. 318. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 379, do auto principal. Os autos subiram ao CARF, fls. 379, do auto principal. É o Relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 324 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A entidade recorrente está equivocada não é seu estatuto ou a execução de suas atividades que lhe conferem o direito a usufruir da imunidade/isenção, pois aplicase aqui o artigo o artigo 123, da Lei 5.172/66 e nos termos do artigo 195, § 7º, da CRFB/88 quem concede tal direito é a lei. A recorrente busca lançar nuvem de fumaça sobre o assunto, misturando as palavras o que a Administração chama de isenção, a doutrina e a jurisprudência chamam de imunidade, mas na pratica isto é irrelevante o nome do instituto não interfere em sua fruição, pois para usufruílo, basta preencher os requisitos da lei exigida pelo artigo 195, §7º, da CRFB/88, independentemente, do nomem iuris do benefício imunidade/isenção. Desta forma, os códigos FPAS 639 e GPS 2305 só poderiam ser usados por quem realmente preenche os requisitos da lei de conformação do benefício da imunidade/isenção, o que não é o caso da entidade recorrente como se demonstrará a seguir. Assim sendo, a utilização desses códigos por parte da recorrente e a fruição do benefício, a que não faz jus implicam em violação a lei tributária, não sendo legítima e legal a sua utilização. A imunidade/isenção do artigo 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil/88 era regulamentada pelo artigo 55, da Lei 8.212/91 e não pelo artigo 14, da Lei 5.172/66 em razão do critério da especialidade, bem como a alínea “c”, do inciso IV, do artigo 9º, da Lei 5.172/66 se aplica a impostos e não a contribuições sociais previdenciárias. A polêmica sobre a constitucionalidade ou não do artigo 55, da Lei 8.212/91 é irrelevante no âmbito administrativo, pois se a lei era existente, vigente e eficaz é de observação obrigatória pelos agentes da administração. Aliás, o citado dispositivo nunca foi declarado inconstitucional e o próprio Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a validade da norma, ainda, que de forma reticente, observe o arresto. EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 325 7 desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 326 8 estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) (destaque meu). Ademais, em nosso sistema jurídico a regra é de que os projetos de veículos introdutores de norma que passaram pelo processo legislativo e alcançaram aprovação, promulgação e sanção são presumivelmente constitucionais, até prova em contrário, o que no presente caso não existe em relação ao artigo 55, da Lei 8.212/91. Além do que dito, acima as contribuições previdenciárias foram excluídas da Ordem Tributária pela EC 0877 à EC 0169 (Constituição Federal de 1969) e assim mesmo readquirindo tal caráter com a CRFB/88 da conjugação do artigo 195, § 7º com o artigo 150, § 6°, só lei especifica poderia estipular esta limitação e tal lei só pode ser a Lei 8.212/91 e não a Lei 5.172/66, pois não atende ao critério constitucional exigido, sobre a perda da natureza tributária o Supremo Tribunal Federal – STF, conforme abaixo transcrito já firmou posição. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 327 9 Aliás, no que se refere a imunidade/isenção nunca é demais lembrar que a entidade recorrente nunca, jamais em tempo algum foi detentora da condição de entidade beneficente pelo simples fato de que ela não possuía todos os requisitos exigidos em lei. Tal situação é patente da leitura da certidão, de fls. 118, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Conselho Nacional de Assistência Social – MDS/CNAS, uma vez que tal documento deixa claro que a entidade recorrente não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, seja na vigência do Artigo 55, da Lei 8.212/91, na vigência da MP 446/2008 ou da Lei 12.101/2009. A inexistência da certificação viabilizada pelo CEBAS por si só é situação que impossibilita a fruição do benefício constitucional pela requerente, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, veja, a transcrição, no presente caso não de cuida de renovação, mas simplesmente a inexistência da certificação, o que implica em jamais terem sido as exigências legais atendidas. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 328 10 EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. (RMS 27093, EROS GRAU, STF.)(o destaque é meu). No que tange a interpretação da norma tributária esta deve ser literal nos termos dos artigos 195, §7º c/c o 150, § 6º, ambos, da CRFB/88 c/c os artigos 108, § 2° c/c o artigo 111, da Lei 5.172/66, não se conformando com este sistema a interpretação dos institutos da legislação de natureza civil, este é o pensamento do Pretório do Excelso, observe a decisão. EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (RE 566259, RICARDO LEWANDOWSKI, STF.) (os destaques são meus). O fato da recorrente exercer atividade de beneficência não lhe atribuía anteriormente e, ainda, hoje, não lhe atribui de forma automática a imunidade/isenção da cota patronal da contribuição previdenciária para fazer jus a tal benefício a entidade deve atender várias exigências legais. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 329 11 A Administração Pública deve aplicar a norma que rege a matéria que esta sendo ventilada e na situação posta e como definido anteriormente esta não é o artigo 14 c/c o artigo 9º, ambos, da Lei 5.172/66, pelas várias razões já expostas. A observação dos requisitos de lei para a obtenção da imunidade/isenção já são condições suficientes a serem observadas, respeitadas e comprovadas para possibilitar a fruição do benefício legal. O parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei 8.212/91 até sua revogação trazia exigência expressa de que a isenção, como diz a lei, deveria ser requerida ao INSS, obviamente apresentandose todas os documentos que demonstrassem o preenchimento dos requisitos legais. Não há interpretação formalista, mas apenas esta havendo respeito as determinações legais que devem ser observadas, aplicadas, respeitadas e cumpridas pelos agentes públicos e nada mais. A entidade recorrente tem o direito de discordar de tudo que lhe entender adequado, mas sua discordância não implica em acatamento de suas argumentações e teses. A I. julgadora de primeiro grau em momento algum pretendeu mudar a finalidade institucional da entidade. Aquela, apenas, asseverou que para fins das contribuições sociais previdenciárias, nos termos do artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 todos os tomadores de serviços – empregadores ou não, independentemente, de sua natureza jurídica são considerados empresas, no que tange a contribuição social previdenciária, ou seja, devem contribuir nos termos do artigo 195, I, “a”, “b” e “c”, da CRFB/88 e nada mais. A interpretação que a entidade pretende obter do artigo 112, da Lei 5.172/66, não pode ocorrer, pois não há dúvidas no lançamento quanto a ausência do direito a imunidade/isenção, estando a situação expressamente demonstrada pelo agente lançador, bem como não há dúvidas sobre a ocorrência da infração, uma vez que a entidade por se auto enquadrar como entidade beneficente de forma indevida deixou de declarar contribuições em GFIP e, ainda, a preencheu como informações incorretas. No que tange a alegação de aplicação da lei 9.784/99 ao PAF equivocase a recorrente tal dispositivo não se aplica a este procedimento, uma vez que ele possui regramento próprio, assim diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a transcrição. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 330 12 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 331 13 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Todavia, isso não implica que os princípios reguladores do processo não serão respeitados de forma alguma, pois isso é determinação constitucional, mas apenas e tão somente que o devido processo legal, com a ampla defesa e contraditório nesta seara tem outro regramento e é dentro desse regramento que aqueles devem ocorrer e se desenvolver. A simples observação do acórdão vergastado não deixa dúvidas, de que este atende ao que determinado na legislação e suscitado pela recorrente. A decisão está composta por todas as suas partes integrantes identificação, ementa, decisão, ordem de intimação, relatório, voto, conclusão, assim não se aplica ao acórdão recorrido a decisões citadas, haja vista que a decisões paradigmas não se conformam com a decisão a quo. Aliás, podese observar que todas as matérias dito como não tratadas no acórdão foram expressamente citadas e rejeitadas pela decisão de primeiro grau, tais como imunidade, fls. 250 a 255; verdade real, fls. 253 e 254; falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária, fls. 255; dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas, fls. 254; da prevalência do interesse público, fls. 254 e finalmente incongruências na apuração do crédito tributário, fls. 255. Podese concluir que todos os temas que a entidade impugnante diz que não foram tratados em verdade o foram e de forma clara e objetiva, sendo que os argumentos da recorrente foram afastados pelo julgador de primeiro grau, estando a decisão devidamente fundamenta e esclarecida. No presente acórdão a questão da imunidade foi amplamente discutida e esclarecida de forma objetiva e simples, sendo que a recorrente não faz jus a tal benefício, uma vez que não preenche os requisitos legais. A verdade material está mais que demonstrada, desde a ação fiscal, pois esta se verifica dentro do conjunto probatório e da realidade encontrada e tratada e a entidade recorrente não pode ser considerada beneficente, pois como exaustivamente demonstrado não preenche os requisitos legais. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 332 14 A questão da falsidade ideológica e sonegação não é questão que se submeta a competência desta instância julgadora, súmula 28, do CARF. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. A questão da proporcionalidade e razoabilidade das decisões administrativas em matéria tributária ficam demonstradas quando estas atendem em primeiro lugar os princípios constitucionais do artigo 37, caput, da CRFB/88, pois dessa mandamento a administração não pode se desviar, haja vista que não se pode abraçar tese jusfilosófica em detrimento do ordenamento jurídico posto. O prevalência do interesse público está atendido quando todos que se encontram na mesma situação fática, ou seja, tomam serviços de terceiros, independentemente, da forma jurídica de vinculação, ficam sujeito a tributação determinada por lei. As alegadas incongruências no lançamento não existem, podese verificar das folhas de pagamento anexadas por amostragem, fls. 53 e 63, que as bases de cálculo são as que estão definidas pelo agente lançador no Relatório de Lançamentos – RL, fls. 13 a 18, e no Discriminativo de Débito – DD, 04 a 12, relativamente, as competências 06/2006 e 12/2008, o que o julgador de primeiro grau já esclareceu, inclusive citando o item 12, do REFISC que descrimina os documentos utilizados para compor a base de cálculo, que vão além das GFIP’s, pois utilizados folha de pagamento, GPS, GFIP e contabilidade, basta ler o item, constando tudo do processo principal 10680.722247/201011. Todavia, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – sob vergasta foi calculado de forma incorreta. A Lei 11.491/2009 introduziu o artigo 32 A, I, na Lei 8.212/91 e este trouxe nova sistemática de cálculo para essa infração, qual seja R$ 20,00 reais para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, assim basta aplicar o novo preceito secundário, sem a necessidade de aplicar somatórias de quaisquer outras multas ou espécies para se apurar o valor devido. Assim sendo, não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pleitos da recorrente, porém, ainda, que por motivo diverso determino que a multa punitiva do AIOA em análise seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009, devido o que determina o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 333 15 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta, mas de ofício determino a retificação da multa como esclarecido. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar a nova multa determinada pelo artigo 32 – A – I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10140.720340/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
EMPRESA. CONCEITO JURÍDICO PARA OS FINS DA LEI Nº 8.212/91.
Considera-se empresa, para os efeitos das obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91, a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.
Equipara-se a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS.
O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101/2009, depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à EBAS que requerer tal benesse tributária ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima referido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONCEITO JURÍDICO PARA OS FINS DA LEI Nº 8.212/91. Considerase empresa, para os efeitos das obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91, a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Equiparase a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101/2009, depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à EBAS que requerer tal benesse tributária ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima referido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 03 40 /2 01 2- 51 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 335 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 Data da lavratura do AIOP: 07/03/2012. Data da Ciência do AIOP: 07/03/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nos 51.008.9356 e 51.008.9364 consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados contribuintes individuais, bem como as contribuições previdenciárias a cargo dessa categoria de segurados obrigatórios do RGPS, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/19. Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores que integram o lançamento são constituídos pelas remunerações pagas, devidas e/ou creditadas pelo Autuado em favor de segurados contribuintes individuais, as quais foram apuradas em folhas de pagamento e na contabilidade, porém não declaradas nas GFIP correspondentes, e lançadas mediante os seguintes Autos de Infração: · Auto de Infração nº 51.008.9356 Referese a contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "C.lnd/Adm/Aut". Levantamento: "C1 PREST SERVIÇOS CONT INDIVID" Neste levantamento foram lançados os valores mensais das contribuições relativas à rubrica "C.Ind/Adm/Aut" incidentes sobre as bases de cálculo apuradas pela fiscalização nas planilhas e balancetes apresentados pelo contribuinte. As bases de cálculo apuradas estão demonstradas nas planilha intitulada "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ANO 2009", a fls. 20/120. · Auto de Infração nº 51.008.9364 referese a contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Contrib Indiv", as quais não foram descontadas dos segurados contribuintes individuais. Levantamento: "CD CONTRIBUIÇÃO CONTRIBUINTE INDI": Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Neste levantamento foram lançados os valores mensais das contribuições relativas à rubrica "Contrib Indiv" incidentes sobre as bases de cálculo apuradas pela fiscalização nas planilhas e balancetes apresentados pelo contribuinte. No cálculo da contribuição devida pelo contribuinte individual considerouse os limites dos salários de contribuição vigentes à época dos fatos geradores e as contribuições recolhidas/declaradas pelo contribuinte individual/empregador decorrentes de múltiplos vínculos no período. Para tanto pesquisouse exaustivamente a planilha "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ANO 2009" no banco de dados CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais. As contribuições apuradas estão demonstradas nas planilha intitulada "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS – ANO 2009, a fls. 20/120. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 147/154. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0431.825 – 3º Turma da DRJ/Campo Grande/MS, a fls. 300/311, julgando procedente o lançamento tributário e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/07/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 317. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 319/324, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que o FUNSERV não se enquadra no conceito de empresa para o fim da tributação imposta pela União Federal e, portanto, encontrase fora do campo de exação; · Que a lei que rege as multas aplicadas em razão da não entrega da GFIP é do ano de 2009, não podendo ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, haja vista que o artigo 41 da lei nº 8.212/91, que previa multa ao agente político, foi revogado pela lei 11.941/09; · No que pertine à retenção relativa ao serviço prestado por Cooperativas, aduz que o município não pode ser considerado como responsável tributário, pois tais serviços são prestados diretamente ao servidor, que contribui com parcela de seus vencimentos para o custeio dos serviços de saúde, atuando o Fundo apenas como um intermediário entre o servidor e o médico; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 336 5 Ao fim, requer que o presente recurso seja conhecido e provido para reconhecer a inexistência do crédito tributário lançado, ante a inexistência do fato gerador da obrigação tributária, reconhecendose a equiparação do FUNSERV à entidade sem fins lucrativos para os efeitos do art. 195, §7º da Constituição Federal e anulandose o AI DEBCAD nº 51.008.9372. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05/08/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Pondera o Recorrente que, no que pertine à retenção relativa ao serviço prestado por Cooperativas, que o município não pode ser considerado como responsável tributário, pois tais serviços são prestados diretamente ao servidor, que contribui com parcela de seus vencimentos para o custeio dos serviços de saúde, atuando o Fundo apenas como um intermediário entre o servidor e o médico. Argumenta também que a lei que rege as multas aplicadas em razão da não entrega da GFIP é do ano de 2009, não podendo ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, haja vista que o artigo 41 da lei nº 8212/91, que previa multa ao agente político, foi revogado pela lei 11.941/09. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir arrazoado a respeito de questões inerentes a outros Lançamentos Tributários lavrados na mesma ação fiscal, as quais somente poderão ser apreciadas e decidas nos autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, não detendo este Conselho competência para, nestes autos, proferir decisão sobre matéria que não lhe é atávica. O lançamento relativo às contribuições sociais devidas pela empresa previstas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incidentes à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, houvese por formalizado mediante o Auto de Infração nº 51.008.9372, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10140.720752/20186, não detendo esta Turma Ordinária competência para, nestes autos, proferir decisões a respeito de litígios objeto de outros processos administrativos. Por outro viés, o Auto de Infração objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal não versa, de maneira alguma e em nenhum momento, sobre a aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias consistentes na não entrega de GFIP. Trata somente e tão somente de lançamento tributário de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 337 7 obrigação principal (contribuições previdenciárias) e seus acréscimos legais – juros e multa pela mora no recolhimento dos tributos devidos. Inexiste qualquer lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória a justificar as alegações referentes às multas aplicadas pela não entrega de GFIP. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste tópico. Com efeito, o lançamento em questão decorreu da constatação de pagamentos de remuneração a segurados contribuintes individuais, apurados nas folhas de pagamento e na contabilidade da Autuada, em relação aos quais a Recorrente não realizou o recolhimento das contribuições previdenciárias previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, tampouco procedeu à arrecadação das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais em tela, mediante o desconto das respectivas remunerações mensais, como assim determina o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, nada tendo a ver com as contribuições sociais devidas pela empresa incidentes à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, previstas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, tampouco com a não entrega de GFIP, fatos esses que são totalmente irrelevantes para o julgamento do presente Recurso Voluntário. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões acima ventiladas, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DO CONCEITO DE EMPRESA Pondera o Recorrente que o FUNSERV não se enquadra no conceito de empresa para o fim da tributação imposta pela União Federal e, portanto, se encontra fora do campo de exação. Sem razão. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 338 9 concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Anotese que o Constituinte Originário não restringiu o alcance do conceito de empregador às pessoas jurídicas de direito privado. Por outro lado, a CF/88 outorgou ao legislador ordinário a competência legislativa para dispor sobre o financiamento da Seguridade Social, cuja fonte de custeio seria suportada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, sem lhe assentar muros. Nos lídimos limites desenhados pelo Constituinte, por opção política legítima assegurada pelo citado art. 195, I, pautouse o legislador ordinário em estabelecer como financiador direto da Seguridade Social, dentre outros, todas as pessoas jurídicas que ostentassem a condição fática de empregador, fossem elas entidades públicas ou privadas. Nessa perspectiva, toda a vez que uma pessoa jurídica de direito público interno contratasse trabalhadores, não possuindo ela Regime Próprio de Previdência Social ou não sendo os aludidos obreiros sujeitos de direito ao ingresso no eventual RPPS, estaria assim configurada a condição de empregador da pessoa jurídica acima desenhada, ficando ela sujeita às obrigações assentadas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por questões de estilo redacional, optou o legislador por atribuir ao sujeito passivo ora em destaque não a denominação de “empregador”, mas, sim, a de ”empresa”, assim entendida a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. Tendo em vista que tal conceito não abraçaria as pessoas jurídicas de direito público e que estas, nas condições assinaladas no parágrafo penúltimo próximo, também estariam abraçadas pela qualificação de empregador fixada no inciso I do art. 195 da CF/88, viuse obrigado o legislador infraconstitucional a incluílas no polo passivo da obrigação tributária previdenciária, o que foi levado a efeito pelo ádito ao inciso I, in fine, do art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Não diverge o conceito de empresa aviado no art. 12 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/999) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Consoante tal delimitação legislativa, passaram a figurar como sujeitos passivos das obrigações previdenciárias assinaladas na Lei de Custeio da Seguridade Social não somente as empresas unidades econômicosociais integradas por elementos humanos, materiais e técnicos, com objetivo de obter utilidades através da sua participação no mercado de bens e serviços , como também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional que se enquadrassem na condição de empregador. Tudo de acordo com o art. 195, I da lex Excelsior. Dessarte, mesmo antes da Emenda Constitucional n° 20/98, de 15/12/1998, as disposições relativas ao sujeito passivo encartadas na Lei nº 8.212/91 já se encontravam em perfeita sintonia com os delimitadores estabelecidos na nossa Lei Soberana. Registrese que, mesmo após a promulgação da citada EC n° 20/98, o inciso I do art. 195 da CF/88 ainda mantém, como contribuintes da Seguridade Social, todos os empregadores lato sensu, como assim se qualificam todos os órgãos públicos que não possuem Regime Próprio de Previdência Social ou, possuindo, em relação aos trabalhadores a ele não vinculados. Conforme destacado no Relatório Fiscal, o Fundo de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Municipais FUNSERV foi criado pela Lei Municipal n° 3.636, de 02/07/1999, e regulamentado pelo Decreto Municipal n° 7.879, de 28/07/1999, e tem por finalidade prover os recursos financeiros necessários para assegurar a assistência à saúde dos servidores públicos municipais de Campo Grande/MS. Em nome do FUNSERV são feitos empenhos, liquidações e pagamentos de despesas com a finalidade de remunerar prestadores de serviços da área de saúde. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 339 11 Tratase de um órgão desconcentrado da administração direta do Município de Campo Grande, sem personalidade jurídica própria definida em lei, e, nessa vertente, não somente o Município de Campo Grande, como também o Fundo de Assistência à Saúde do Servidor Municipal encontramse abraçados pelo conceito de empresa, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose, portanto, a todas as obrigações tributárias principais e acessórias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não procede a alegação de que a atividade prestada pelo FUNSERV deve ser equiparada à entidade de assistência social, sem fins lucrativos, e, portanto, fazendo jus à isenção prevista no §7º do art. 195 da Constituição Federal. Para que a Entidade Beneficente de Assistência Social faça jus à isenção em relevo mostrase indispensável o atendimento aos requisitos fixados na lei vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, in casu, o art. 55 da Lei nº 8.212/91, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Conforme salientado, somente as Entidades Beneficentes de Assistência Social que demonstrem e comprovem o atendimento aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 são sujeitos de direito à isenção de contribuições previdenciárias prevista no §7º do art. 195 da CF/88, no período de apuração do presente débito fiscal, direito esse cuja fruição sujeitase a requerimento formal à Autarquia Previdenciária, que tem o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Nessa prumada, não havendo o Recorrente demonstrado ser Entidade Beneficente de Assistência Social, nem comprovado o cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados na lei, não há como atender ao pedido de reconhecimento de a equiparação do FUNSERV à entidade sem fins lucrativos para os efeitos do art. 195, §7º da Constituição Federal. Quanto ao pedido de anulação do Auto de Infração DEBCAD nº 51.008.937 2, este também não poderá ser deferido, uma vez que tal auto de infração é objeto do PAF nº 10140.720752/20186, não detendo esta Turma Ordinária competência para, nestes autos, proferir decisões a respeito de litígios objeto de outros processos administrativos fiscais. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10945.902130/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 30 /2 01 2- 14 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 16 8 prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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