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Numero do processo: 10665.902462/2010-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
Numero da decisão: 3803-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, e Juliano Eduardo Lirani. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, e Juliano Eduardo Lirani. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 24 62 /2 01 0- 83 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Trata o presente processo da PER/DCOMP de número 35676.01430.150207.1.3.044977, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original de R$ 5.000,87, informado em PER/DCOMP de número 15674.66397.150207.1.3.041419, com o qual o contribuinte pretende compensar débito de COFINS do período de apuração janeiro de 2007 no valor total de R$ 4.300,28. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega preliminarmente a nulidade do Despacho Decisório por ele ser desprovido de qualquer fundamentação, violando os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Defende que inexiste norma que determine a retificação das DCTF’s nos casos de compensações por pagamento indevido ou a maior, exceto para as contribuições previdenciárias e para o reembolso de valores de quotas de saláriofamília e salário maternidade. Afirma que de acordo com a lógica e com a regra geral, o PER/DCOMP deveria prevalecer sobre a DCTF, pois o Fisco deveria levar em consideração a declaração posterior, no caso o próprio PER/DCOMP. Requer que o despacho, caso não seja declarado nulo, seja julgado improcedente, com a consequente homologação das compensações. A 2ª Turma da DRJ/BHE através do acórdão 0239.803 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde reafirma a nulidade do despacho decisório por deficiência de fundamentação, o que não permite ao litigante a ampla defesa e o contraditório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10665.902462/201083 Acórdão n.º 3803004.618 S3TE03 Fl. 11 3 Reafirma a inexistência de norma que determine a retificação das DCTF’s nos casos de compensações por pagamento indevido ou a maior e reafirma que as informações do PER/DCOMP deveriam prevalecer sobre a DCTF, pois esta assumiria a função de retificadora do PER/DCOMP. Ao final pede o provimento do recurso para que, declarando nulo o despacho decisório ou julgado improcedente o acórdão recorrido no mérito, haja a homologação das compensações realizadas ou, no mínimo, a determinação para que o Fisco se manifeste sobre o mérito do crédito utilizado nas compensações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do pedido preliminar de nulidade. O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório por falta de fundamentação, o que impossibilitou sua defesa. As nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. Observase que o Despacho Decisório identificou o pagamento alegado pelo contribuinte, contudo, tal pagamento foi integralmente utilizado para pagamento de débitos declarados em DCTF pelo próprio contribuinte, informação esta, ratificada pelo contribuinte em sua defesa. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O mesmo Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, tanto isto é verdade que o contribuinte defendeuse plenamente dos fatos, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Superada a preliminar de nulidade, passemos ao mérito da questão. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito liquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, nem mesmo aventa em seus recursos o que teria dado causa à existência do crédito, limitase a informar que o pedido de compensação, por si só, seria suficiente a comprovar o seu crédito. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10665.902462/201083 Acórdão n.º 3803004.618 S3TE03 Fl. 12 5 No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação da redução da base de cálculo e, consequentemente, do imposto inicialmente declarada em DCTF. Em manifestação de inconformidade e em Recurso voluntário não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar seu direito creditório. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO, mantendose incólume o Acórdão da DRJ. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000773/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL.
O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo do PIS não-cumulativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo do PIS não-cumulativo. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000773/200923 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.304 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente HUHTAMAKI FILMES BRASIL LTDA (atual denominação de PRISMA PACK INDÚSTRIA DE FILMES TÉCNICOS E EMBALAGENS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo da Cofins não cumulativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. O valor do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados da Federação, independente do objetivo e da classificação contábil adotada pelo contribuinte, se constitui receita e integra a base de cálculo do PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 73 /2 00 9- 23 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa HUHTAMAKI FILMES BRASIL LTDA (atual denominação de PRISMA PACK INDÚSTRIA DE FILMES TÉCNICOS E EMBALAGENS LTDA) foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2005 e novembro de 2006, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a contribuinte deixou de incluir na base de cálculo das exações o valor do crédito presumido do ICMS recebido do Estado da Bahia, pelo programa denominado BAHIAPLAST. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: • O fato de o benefício fiscal concedido pelo Estado da Bahia à Impugnante ter inequívoca natureza fiscal de subvenção para investimento implica em dizer que sua contabilização deve, de fato, ser feita em conta reserva de capital no Patrimônio Líquido e não no resultado, como quis fazer crer a fiscalização. • Ainda que, por absurdo, se admitisse que os valores incentivados pelo benefício fiscal não devessem ser contabilizados como reserva de capital, eles jamais integrariam as bases de cálculo do PIS e da Cofins, uma vez que não representam um efetivo ingresso de dinheiro no patrimônio da Impugnante, mas sim, uma recuperação de despesas, que, embora repercuta patrimonialmente, não configura receita. • Por fim, admitindose a remota possibilidade de se entender que o crédito presumido concedido pelo Estado da Bahia à Impugnante deve ser caracterizado como uma receita, subsistiria uma lacuna ideológica na legislação, hipótese em que, utilizandose da analogia e da equidade, ambas previstas no art. 108 do CTN, seria aplicável ao caso concreto o mesmo tratamento fiscal conferido às reversões de provisão pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, sendo excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 4 3 A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1528.544, de 11/10/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Por não estar inserido no rol das exclusões da base de cálculo da Cofins previstas na legislação de regência, mantémse a autuação dos valores relativos a esse benefício fiscal. [...] BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Por não estar inserido no rol das exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS previstas na legislação de regência, mantémse a autuação dos valores relativos a esse benefício fiscal. Ciente desta decisão em 06/01/2012, conforme Termo de Ciência, a interessada ingressou, no dia 07/02/2012, com Recurso Voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumido. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. A empresa Recorrente foi autuada porque deixou de incluir na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor do crédito presumido do ICMS recebido do Governo da Bahia dentro do Programa BAHIAPLAST. Sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS, cujo crédito foi autorizado por Lei Estadual, os dispositivos do art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo reproduzidos, não deixam dúvidas de que a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita bruta mensal auferida, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A autorização legal dada pelo Estado da Federação para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita e, conseqüentemente, tributada pelo PIS e pela Cofins no regime da não cumulatividade. Lei nº 10.637, de 2002: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Como bem disse o acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto, o crédito presumido em tela tratase de receita e, portanto, está sujeito à incidência do PIS e da Cofins não cumulativos. Para que não houvesse incidência seria necessário haver lei específica, concedendo isenção, à vista do que dispõe o art. 150, § 6º, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2º, XII, g. Coerente com esse entendimento é que a Lei nº 11.945/2009, por exemplo, reduziu a zero a alíquota do PIS e da Cofins sobre receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados e Municípios aos contribuintes do ICMS e do ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços, e autorizou a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins do valor da receita decorrente da transferência onerosa de créditos do ICMS originados de operações de exportação (arts. 5º, 15, 16 e 17 da Lei nº 11.945/09). A classificação contábil adotada pela Recorrente, na escrituração do crédito presumido do ICMS, inclusive para fins de tributação pelo IRPJ, em nada afeta a sua natureza de receita e nem afasta a sua tributação pelo PIS e pela Cofins, conforme expressamente determina a legislação de regência, acima transcrita. Portanto, à mingua de previsão legal, não há como excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos a receita do crédito presumido do ICMS escriturado e utilizado pela Recorrente, dentro e nos moldes do programa BAHIAPLAST. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Declaração de Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO. Primeiramente, importante ressaltar que o relatório da DRJ não reflete adequadamente o conteúdo técnico envolvido na controvérsia. O auditor autuante foi simplório afirmando que simplesmente teria havido um erro na contabilização do contribuinte, que teria lançado diretamente à conta de PL algo que deveria ter sido contabilizado em conta de resultado, e ai residiria a infração do contribuinte. Tampouco a defesa do contribuinte resumiu se a alegar que: "O fato de o benefício fiscal concedido pelo Estado da Bahia à Impugnante ter inequívoca natureza fiscal de subvenção para investimento implica em dizer que sua contabilização deve, de fato, ser feita em conta reserva de capital no Patrimônio Líquido e não no resultado, como quis fazer crer a fiscalização. Ainda que, por absurdo, se admitisse que os valores incentivados pelo benefício fiscal não devessem ser contabilizados como reserva de capital, eles jamais integrariam as bases de cálculo do PIS e da Cofins, uma vez que não representam um efetivo ingresso de dinheiro no patrimônio da Impugnante, mas sim, uma recuperação de despesas, que, embora repercuta patrimonialmente, não configura receita" Ou ainda que: "Por fim, admitindose a remota possibilidade de se entender que o crédito presumido concedido pelo Estado da Bahia à Impugnante deve ser caracterizado como uma receita, subsistiria uma lacuna ideológica na legislação, hipótese em que, utilizandose da analogia e da equidade, ambas previstas no art. 108 do CTN, seria aplicável ao caso concreto o mesmo tratamento fiscal conferido às reversões de provisão pelas Leis Fl. 510DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 7 6 nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, sendo excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins" Muito pelo contrário, o contribuinte defendese por três linhas bem definidas, que se complementam. A uma, de que a legislação especifica, do programa Bahiaplast, apesar de não requerer diretamente a implantação de uma fabrica, com compromissos relativos a imobilização, ou valores de maquinas e equipamentos, ou mesmo na criação de empregos, o faz indiretamente, ao ser um programa destinado apenas a empreendimentos novos, o que pude depreender da legislação. Mais, a lei afirma categoricamente que se não for empreendimento novo, as condições dadas a esses contribuintes exigiriam a elaboração de um projeto especifico, ai sim, demonstrando e assumindose determinados compromissos. A duas, a de que credito presumido não é nem deveria ser uma receita, seria sempre uma recuperação de despesas. Finalmente, discorre não sobre uma razão "ideológica" da lei, pelo contrario, discorre muito bem sobre o fato de que a legislação do PIS e da Cofins conter dispositivo que exclui da incidência das contribuições a reversão de provisões, o que seria uma “atecnia”, e que induziria o interprete ao erro de considerar que qualquer credito no resultado seria uma receita, o que de fato não o é, nem poderia. Do contrário, considerando a premissa principiológicos de que inexistem palavras desnecessárias na lei, bastaria o legislador ter eliminado a expressão "faturamento" ou ter inflingido a base de calculo sobre todos os créditos contábeis. A cabo, o i. Julgador da DRJ ao proferir sua decisão também confundiu conceitos e premissas, na opinião desse julgador. Afirmou, como razões de decidir que: "As Subvenções para Investimento, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. Mas esse fato em nada altera a tributação para o PIS e a Cofins. Para estas contribuições inexiste hipótese de exclusão ou isenção que contemple as subvenções (sejam de custeio ou de investimento), sendo que tais valores integram a base de cálculo e deverão sofrer a tributação. A impugnante deseja ainda ver estendido ao presente caso o mesmo tratamento fiscal dado às reversões de provisões, que são excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins (§3º, inciso V, alínea “b” do artigo 1º da Lei nº 10.637/02 e §3º, inciso V, alínea “b” do artigo 1º da Lei nº 10.833/03). Todavia, não há como atender à pretensão da impugnante, pois, como dito, as exclusões das bases de cálculo previstas nessas leis são taxativas. Ademais, retirar as subvenções da tributação do PIS e da Cofins seria entender não se constituírem em receita, oque vai de encontro ao Parecer Normativo CST nº 112, de 1978" Como razões de decidir sobre o assunto, inclusive ter opinião formada, apresentarei algumas razões que possam ser apreciadas pelos nobres pares. Como opinião formada, já transposta em votos e em artigos, bem resumidamente, em minha opinião independentemente de ser subvenção para custeio ou investimento, em meu entender tal faria imensa diferença para fins de tributação pelo IRPJ, mas nunca para Pis e Cofins, pela simples razão de que tal não e receita, esteja ou não contabilizada no PL, no resultado, ou em qualquer conta em qualquer lugar (aliás, a própria Lei Fl. 511DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 8 7 me permite fazêlo ao trazer a afirmação "independentemente da sua classificação ou denominação contábil......) Creio no entanto que de acordo com uma interpretação inicial, mais superficial, essa seria uma subvenção para custeio sim, e como tal demandaria uma contabilização em resultado, ainda que o fosse a credito da própria conta de ICMS como sua redutora. Em minha percepção continuaria inaplicável a incidência das contribuições. Porem, o contribuinte lançounos uma nova visão subvenção para empreendimento novo seria necessariamente subvenção para investimento? Nesse sentido, hei de concordar. Obviamente qualquer subvenção em uma fase inicial deve ser aplicada necessariamente no negócio, sob pena deste não progredir. Se em ativo fixo ou capital de giro, impossível distinguirse pois "dinheiro não tem carimbo". O contribuinte, então, lançou mão de uma constatação, a de que o ativo imobilizado no seu balanço, adquirido na implantação do empreendimento (incentivo foi valido ate 2007), perfez mais de R$ 10 milhões, enquanto a reserva de capital era de RS 9 milhões. Alias, nesse mister, sorte a do contribuinte se eventualmente "errou" em sua contabilidade, pois só assim lhe foi possível apresentar esse dado a esse colegiado. Ao fim, o contribuinte apresenta a informação de que atualmente fatura mais que seu projeto inicial e que, alem dos 40 empregos mencionados no seu projeto de fls., hoje emprega 6 vezes mais, ou seja, 240 pessoas. Isso posto, diante das peculiaridades do caso, creio que devemos buscar a verdade material do caso, mais que seguirmos verdades preconcebidas, como fez o ilustre julgador a quo. Há jurisprudência (inclusive mencionada pelo contribuinte) no sentido de que determinadas subvenções de credito presumido de ICMS do Ceará não são sujeitas as contribuições. Há decisões divergentes na CSRF sobre outros programas, o Probahia e o Prodepe, no sentido desse primeiro ser subvenção para custeio, o segundo para investimento, mas repito, programas com características distintas desse que ora analisamos. Há diversos precedentes nesse sentido, dentre os quais cito três mais recentes, um dessa 3a Seção, outros dois da 1a Seção desse CARF. Acórdão 340301.556 Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa:RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 9 8 pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. (..)” Acórdão 110300.555 – 1ª Câmara / 3ª Turma SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO E DIFERIMENTO DO ICMS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, estáse diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento, registrável como reservas de capital, e não como receita. Se a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits, a transferência é de renda, e, pois, é subvenção para custeio, registrável como receita (ainda que os recursos venham a ser aplicados em algum empreendimento). Se um incentivo fiscal é concedido como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o custo desse incentivo representa subvenção para investimento. É o que se dá no caso vertente, com os incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Bahia. Finalmente: Acórdão 110100.661 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive Fl. 513DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.000773/200923 Acórdão n.º 3302002.304 S3C3T2 Fl. 10 9 qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como precondições à fruição da benesse. Pelas razões acima mencionadas, portanto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, considerando que a referida subvenção fora aplicada nas atividades da companhia (matéria de prova), e que esses valores não representaram acréscimo patrimonial da forma como entendida pelo legislador seria tributável pelas contribuições (questão de direito). . (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13839.900635/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Numero da decisão: 3801-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 35 /2 00 9- 44 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900635/200944 Acórdão n.º 3801002.454 S3TE01 Fl. 131 2 Relatório A Contribuinte transmitiu em 13/01/2005 sua DCOMP compensando débito de Cofins do período de apuração dez/2004 com vencimento em 14/01/2005, com suposto crédito de Cofins decorrente de pagamento indevido ou a maior, referente ao período de apuração de fev/2000, vencido e arrecadado em 15/03/2000.. Uma vez eletronicamente confrontadas as informações, o pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.”. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que seus créditos teriam origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e da COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo 14, § 2°, inciso 1º, da Medida Provisória n.º 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. A DRJ de origem julgou improcedente a defesa apresentada, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900635/200944 Acórdão n.º 3801002.454 S3TE01 Fl. 132 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário, através do qual renova os argumentos utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade, com as devidas atualizações legislativas concernentes ao tema e requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação efetuada. É o que importa relatar. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900635/200944 Acórdão n.º 3801002.454 S3TE01 Fl. 133 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e comporta os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, merece exame preliminar a questão final abordada pelo acórdão recorrido, que diz respeito à comprovação do direito creditório alegado, senão vejamos: Registrese que, ainda que se admitisse a tese da contribuinte, não existem neste processo provas de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus nem comprovação, suportada por documentação contábil fiscal, da inclusão das receitas decorrentes dessas operações na base de cálculo do pagamento formador do apontado indébito. A contribuinte, limitouse a trazer aos autos, às fls. 10, planilha com mera menção de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Cofins e a informar que as notas fiscais de venda para a Zona Franca de Manaus encontramse à inteira disposição da Fiscalização, nada provando. Em que pese o fato deste Conselheiro compactuar com a tese meritória, há que se reconhecer, no entanto, que estamos diante de um pedido de compensação e que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900635/200944 Acórdão n.º 3801002.454 S3TE01 Fl. 134 5 Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Ante o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004017/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 17 /2 01 0- 44 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 372 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 314/320), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. O presente processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração DEBCAD nº 37.255.8488, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo à contribuição previdenciária prevista no Art. 22, III, da Lei nº 8.212/91 incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, a título de pro labore, nas competências 01/2006 e 12/2006 não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. 1.1. Importa o crédito no valor de R$ 174.213,45 (cento e setenta e quatro mil e duzentos e treze reais e quarenta e cinco centavos), consolidado em 04/11/2010. 1.1. O Relatório Fiscal de fls. 217 a 224, informa que: • A ação fiscal foi iniciada em 20/04/2010, data da ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, onde foi solicitada a apresentação da documentação necessária à verificação do regular cumprimento das obrigações tributárias. • Da documentação apresentada a fiscalização constatou omissão de receitas, por meio das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e a presunção de omissão de receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário, razão pela qual foi lavrado o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003427/201078) com as infrações de omissão de receitas e presunção de omissão de receitas. • Da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o anocalendário de 2006, foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 1029100 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, razão pela qual a empresa foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários. A empresa informou que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. • O Contribuinte entregou a DIPJ 2007, anocalendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições; • Ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatou a Fiscalização que o Contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido; • Tendo em vista que o Contribuinte não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa. • As remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço; • Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas, e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários),resultando nos Valores Distribuídos a Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.2 do Relatório Fiscal. • Conforme o disposto no artigo 725, do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), foi efetuado o reajuste dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais – sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de cálculo para obtenção do rendimento bruto de acordo com o artigo 20 da Instrução Normativa nº 15/2001. A tabela do item 5.2.4 demonstra o reajuste efetuado; • O item 7.1 do Relatório Fiscal relaciona os documentos examinados; • Conforme consta no item 8.3 do Relatório Fiscal, embora o período de apuração auditado seja anterior à edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, foi observado, na aplicação da multa, o principio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a imposta pela legislação superveniente, a fim de verificar qual a penalidade menos onerosa ao Contribuinte. Conforme a planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 4, coluna “MULTA MAIS BENÉFICA”, existem duas situações: “ANTERIOR” – multa de mora de 24% e Auto de Infração código 68 – competências 02/2006 a 06/2006; 08/2006, 09/2006, 11/2006 e 12/2006 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 373 5 “ATUAL” – multa de ofício de 75%, competências 01/2006, 07/2006 e 10/2006. • O item 10.1 relaciona os demais Autos de Infração lavrados, referentes à contribuições previdenciárias; • Por não informar a remuneração dos contribuintes individuais –sócios na GFIP, ficou configurada, “em tese”, a prática do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei nº 9983/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada à autoridade competente; DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada, cientificada do Auto de Infração em 27/11/2010 conforme AR fl. 274, impugnou o lançamento, tempestivamente, em 27/12/2010, através do instrumento de fls. 250/254, com juntada de cópia da impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.003999/201057, fls.421/447. (...) (destaques nossos) A 14ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 312/330). A recorrente foi intimada da decisão em 03/01/2013 (fls. 334), apresentado Recurso Voluntário em 01/02/2013 (fls. 336/365), no qual alega: * a lavratura decorreria do quanto apurado no 19515.003999/201057. Portanto, deveria ser reconhecida a conexão; * a recorrente, no anocalendário de 2006, teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003999/201057 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas; * discorda da decisão de primeira instância que afirma que o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006 não teria o condão de comprovar o montante do lucro efetivo e que tais documentos constituiriam meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício, de sorte que, somente através da contabilidade da empresa é que se tornaria possível apurar se o lucro distribuído corresponderia ao lucro efetivo da empresa. Alega que o Código Civil e a Lei das Sociedades Anônimas amparariam a aceitação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 * aduz que, diferentemente do quanto decidido na primeira instância, o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Também é inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível; * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas; * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic; * pleiteia seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 374 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no processo n° 19515.003999/201057, de sorte que deveria ser reconhecida a conexão entre os processos. Como já destacado na decisão de primeira instância, o processo n° 19515.003999/201057 trata da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de pro labore. Portanto, tributo completamente distinto daquele de que tratam os presentes autos. Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela constante do processo n° 19515.003999/201057, decorrem dos fatos apurados no processo n° 19515.003427/201078, que trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos. Aliás, cumpre destacar que não se tem notícia de que a recorrente tenha impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003427/201078, estes fatos originários, dos quais decorreram não só os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias, mas também o suscitado processo n° 19515.003999/201057. De toda sorte, sendo tributos de natureza diversa, com regulamentações amplamente distintas, mesmo havendo origem fática comum, nada há que justifique ou determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.003999/201057 e os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias. Demais disso, o processo verdadeiramente originário é o de n° 19515.003427/201078, que, como visto, trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Distribuição de Lucros x Prolabore. Como visto, da documentação apresentada à fiscalização durante o procedimento fiscal, apurouse que a recorrente omitiu receitas descritas em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, além de ter omitido as receitas apuradas em depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Destes fatos, decorreu, primeiramente, a lavratura do Auto de Infração relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003427/201078). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Ocorre que, da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o ano calendário de 2006, foram identificados também lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 1029100 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, a recorrente foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, sendo informado que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Como a recorrente entregou a DIPJ com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições, comparouse o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. De tal cotejamento, apurouse que a recorrente distribuiu lucro acima do valor permitido. Como a recorrente não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa (art. 201, § 5°, do RPS/99). Importante consignar que as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Em seu recurso, a recorrente aduz que teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003999/201057 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas. Ora, a recorrente entregou a DIPJ 2007 (anocalendário 2006) com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Como, então, pode ter observado as aludidas prescrições legais? É evidente que não respeito as normas aplicáveis. Ademais, é preciso considerar que não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido. Por tal razão, não há como se aceitar o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006. Como afirmado na decisão de primeira instância, somente com o exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa. Também alega a recorrente que o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Acrescenta que seria inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível. Na realidade, estes argumentos do decisório de primeira instância mostramse apenas como alegações adicionais, a reforçar o procedimento de aferição indireta e a demonstrar a obscuridade dos procedimentos adotados pela recorrente. Ao final, apenas atestam a esdrúxula situação da empresa não ter nenhuma espécie de mão de obra remunerada Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 375 9 e o não cumprimento das disposições societárias que estabelecem a remuneração dos sócios pelos serviços prestados. O fato que, verdadeiramente, importa destacar é apenas um: não foi comprovada a existência de lucro contábil acima do lucro apurado na sistemática do lucro presumido, razão pela qual foram tributados os valores pagos acima deste limite (reajustados nos termos do art. 725 do RIR/99, aprovado Decreto n° 3.000/99). Vejamos a apuração discriminada no Relatório Fiscal: Como visto, são claros e acertados os critérios utilizados pela autoridade fiscal, não remanescendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento. Nesse sentido, já se posicionou a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 76/2010: Solução de Consulta nº 76, de 3 de setembro de 2010 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: SOCIEDADE EMPRESÁRIA. LUCRO DISTRIBUÍDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores pagos aos sócios de sociedade empresária a título de lucro ou de antecipação de lucro não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária se houver escrituração contábil regular por meio dos livros Diário e Razão, com discriminação da remuneração decorrente do trabalho e da proveniente do capital social, independentemente do regime de tributação adotado pelo contribuinte. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 195, I, "a"; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/1999, art. 201, §§ 1º e 5º, art. 225, II e § 13; Instrução Normativa RFB Nº 971/ 2009, art. 57, II, e §§ 5º e 6º. (destaques nossos) Portanto, concluise que razão nenhuma assiste à recorrente. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não especifica qual prova pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, da mesma forma, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 376 11 Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 377 13 Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplicae a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em algumas competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.004017/201044 Acórdão n.º 2302002.855 S2C3T2 Fl. 378 15 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11516.000338/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Exclui-se de ofício do Simples por determinação legal, com efeitos a partir do ano seguinte ao de ocorrência da situação excludente, a pessoa jurídica que auferir receita bruta anual acima do limite previsto na legislação de regência.
OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Caracterizam omissão de registro de receita os valores creditados em conta corrente bancária, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. NULIDADE. DESCABIMENTO.
Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento também regida pelo mesmo diploma legal terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa.
OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Correta a qualificação da multa de ofício, conforme artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando estiverem presentes elementos que denotam o dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-001.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, pelo voto de qualidade. NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Excluise de ofício do Simples por determinação legal, com efeitos a partir do ano seguinte ao de ocorrência da situação excludente, a pessoa jurídica que auferir receita bruta anual acima do limite previsto na legislação de regência. OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Caracterizam omissão de registro de receita os valores creditados em conta corrente bancária, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. NULIDADE. DESCABIMENTO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento também regida pelo mesmo diploma legal terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 38 /2 00 9- 14 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a qualificação da multa de ofício, conforme artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando estiverem presentes elementos que denotam o dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, pelo voto de qualidade. NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório FRIGORIFICO SAO GREGÓRIO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Lavrouse, em 18/09/2008, termo de Início de Fiscalização, inaugurando ação fiscal com o objetivo de verificar a regularidade tributária, nos anos de 2004 e 2005, da empresa FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA. O procedimento fiscalizatório foi encerrado em 05/05/2009, com o seguinte resultado: • Representação Fiscal, com conseqüente edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 18/2009, com efeitos excludentes da contribuinte do regime de tributação simplificado – Simples – a partir de 01/01/2005; • Auto de Infração relativo aos anoscalendário de 2004 – com lançamento de ofício dos tributos com base no regime de tributação simplificado (Simples) – e de 2005 – com lançamento de ofício dos tributos com base no regime de tributação do lucro arbitrado. Considerando que a contribuinte apresentou contestação em relação à exclusão e aos lançamentos, foram formalizados os seguintes processos: • Processo nº 11516.000338/200914, tendo por objeto a Manifestação de Inconformidade em relação à exclusão do Simples e a Impugnação ao Lançamento relativo ao ano calendário de 2004 e • Processo nº 11516.000340/200993, tendo por objeto a Impugnação ao Lançamento relativo ao anocalendário de 2005 (lançamento com base no lucro arbitrado). O objeto de análise nesse processo é a Manifestação de Inconformidade em relação à exclusão do Simples e a Impugnação ao Lançamento relativo ao anocalendário de 2004. 1.1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 249), a contribuinte – constituída em 01/06/1997 e que atua na atividade de abate de bovinos (frigorífico) e de transporte de cargas – vem realizando, desde o anocalendário 2000 opção pela sistemática de tributação do Simples, apresentando, desde então, declarações de imposto de renda compatíveis com esse regime. Em 2004 e 2005, anos focais da Fl. 729DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 fiscalização, entregou a declaração com informação de receita bruta compatível com os limites legalmente estabelecidos para aquele regime (R$ 2,4 milhões anuais ou R$ 200 mil mensais). Em 25/09/2008, em resposta à intimação da autoridade fiscal, a empresa apresentou parte dos documentos solicitados – inclusive requerimentos de extrato bancário junto aos bancos com os quais operava – e protocolou correspondência requerendo prorrogação de 30 dias para atendimento pleno ao Termo de Início de Fiscalização (fl. 07). De posse das cópias dos extratos bancários relativos às contas correntes mantidas pela empresa no período sob fiscalização, a autoridade fiscal confrontou os valores da movimentação bancária com os dados escriturados/declarados. Constatado que a escrituração apresentada não refletia a real movimentação comercial e financeira da empresa, foi formalizado, em 29/01/09, o Termo de Intimação Fiscal 002 (fl. 85), mediante o qual se solicitou à empresa esclarecimentos sobre a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representavam volume de recursos muito superiores às suas receitas declaradas. A contribuinte, após o prazo concedido para esclarecimentos, apresentou, em 12/02/2009 e 12/03/2009, listagens relativas aos valores correspondentes a transferências entre suas próprias contas correntes, abrangendo os anos de 2004 e 2005. Segundo a autoridade lançadora, todos esses valores foram devidamente confirmados mediante confronto entre os extratos e, por terem suas origens devidamente esclarecidas, retirados da listagem inicial. da Omissão de Receita A autoridade fiscal considerou, então, que “a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes, [...], e aqueles declarados à Receita Federal do Brasil, representam receitas omitidas, conforme preconiza a legislação Decreto nº 3.000/99 [sic]” (fl. 251). Caracterizada a omissão de receita, apurouse o crédito tributário resultante do cômputo dessa omissão na base de cálculo do IRPJ, conforme comando do art. 528 do mesmo Decreto. Desta forma, relativamente aos anoscalendário 2004 e 2005, foram constituídos, de ofício, os créditos correspondentes a essa receita omitida, nos montantes que compõem o demonstrativo de diferenças a tributar (fl. 174). De se registrar que, em relação ao anocalendário 2004 – período de apuração que aqui se aprecia – a autoridade fiscal constituiu os créditos aplicando as regras relativas ao regime simplificado (Simples). da Multa Qualificada Com relação à multa de ofício, entendeu o agente fiscalizador, que caberia a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no art. 957 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Assim expressou seu entendimento (destaque acrescido): Fl. 730DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 4 5 “O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei n° 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96.” (fl. 252). O crédito tributário lançado corresponde àquele reproduzido no quadro a seguir. Quadro Síntese do Crédito Tributário Lançado2004 Valores em Reais DESCRIÇÃO IRPJ CSLL PIS COFINS INSS TOTAL Principal 95.906,57 95.906,57 147.216,28 294.432,53 626.348,89 1.259.378,84 Juros 59.636,08 59.636,08 91.747,92 183.495,89 389.754,71 784.270,68 Multa 142.220,74 142.220,74 218.801,19 437.602,45 930.871,69 1.871.716,81 Total 297.547,39 297.547,39 457.765,39 915.530,87 1.946.975,29 3.915.366,33 da Exclusão do Simples A autoridade fiscal constatou que, ao computar a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes e aqueles declarados à RFB como sendo ingressos da empresa autuada, a receita bruta total da contribuinte excedeu o limite máximo permitido para enquadramento no Simples. Portanto, formalizou Representação Fiscal solicitando à autoridade competente a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005. Em conseqüência, foi editado Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n° 18 de 27/02/2009 (fl. 175) excluindo a empresa do SIMPLES, obrigandoa, a partir de 01/01/2005, a submeterse a outro regime de apuração dos tributos e contribuições federais. da Representação Fiscal para Fins Penais Por fim, a autoridade fiscal informou o seguinte: “De acordo com o estabelecido nos artigos Io e 2o da Lei n° 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, e com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal, constituise, em função do ilícito descrito no presente item, Representação Fiscal, através do processo administrativo n° 11516.000339/200969. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Este ficará apenso ao processo n° 11516.000338/200914 até que ocorra o seu desfecho na esfera administrativa.” 1.2. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada com o ato de exclusão do Simples, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 262) alegando: (i) ser nulo, por vício de origem, o ato administrativo de exclusão e (ii) insubsistência da razão motivadora da exclusão (excesso de receita bruta). A seguir detalhamse as alegações da contribuinte. a) da Nulidade do Ato Administrativo Excludente A contribuinte alega, de início, tratarse de um ato “nulo de pleno direito por violar ato jurídico perfeito”(fl. 263). Isso, porque o Ato Declaratório Executivo (ADE) excludente foi publicado em 27/02/2009, com a previsão de que a exclusão surtiria efeitos a partir de 01/01/2005. Não teria sido, pois, respeitado o princípio da irretroatividade da lei tributária. Para fundamentar tal tese, cita a Constituição Federal (CF/88, art. 150, III, a) e o Código Tributário Nacional (art. 103, I e art. 146), dispositivos normativos que, no seu entender, fundamentariam a impossibilidade de o ADE projetar seus efeitos ex tunc. Referese, também, a acórdão do Conselho de Contribuintes – atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – no qual se manifesta pela aplicação dos efeitos do ADE de exclusão somente “a partir do mês subseqüente àquele em que se procedeu à exclusão por constatação de situação excludente” (Acórdão 30334.491/2008). Arremata, a contribuinte: “Assim, mesmo que se entenda ser factível a exclusão do SIMPLES operada pelo Ato Declaratório Executivo n° 18, este somente poderá surtir seus efeitos a partir da sua publicação, não podendo se falar em exigência tributária desde 01/01/2005, seja principal ou acessória.” (fl. 264) b) da Inexistência do Excesso de Receita Bruta Em apertada síntese, a contribuinte alega que o fluxo financeiro em sua conta corrente, que por presunção legal lhe foi imputado como receita de sua atividade, referese, na verdade, a receita bruta de seus fornecedores/prestadores de serviços. Discorre, vastamente, sobre sua relação financeira/comercial com a empresa Frigorífico Mariante Ltda (doravante, MARIANTE) – domiciliada no Estado do Rio Grande do Sul – com a qual firmou contrato de fornecimento e prestação de serviços desde 01/07/2004. Elucida o seguinte: “Entretanto, os depósitos identificados pelo Fisco como "receita omitida", na verdade, são, na sua maioria, frutos de operações triangulares realizadas entre a manifestante e os frigoríficos responsáveis pelo abate e venda da carne. Nessas operações, a manifestante era responsável pelo gerenciamento das contas a pagar e a receber destes frigoríficos parceiros.” (fl. 265) Fl. 732DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 5 7 Esclarece que, por força de contrato firmado entre as partes (fl. 332/341), a contribuinte arcava com diversos custos relacionados à geração do produto final – inclusive a aquisição da matériaprima (gado bovino) – e, a título de garantia, dispunha da receita do MARIANTE. Em suas palavras: “Por este contrato, conforme item 2, a manifestante obrigavase a efetuar o pagamento (I) da matériaprima adquirida para a produção dos produtos, constituída de gado bovino, diretamente aos fornecedores, (II) da comissão devida aos compradores da matéria prima, (III) do custo com o transporte da matériaprima, ao fornecimento das embalagens necessárias ao processamento dos produtos, (IV) além do pagamento das mercadorias e dos serviços prestados pelo Frigorífico Mariante. Por sua vez, o Frigorífico Mariante se responsabilizava pelo abate do gado, o corte da carne, e o faturamento para os clientes situados fora do estado do Rio Grande do Sul, sendo responsável por todos os custos, inclusive do recolhimento dos tributos incidentes sobre a produção e faturamento (itens 5.1.1 e 5.1.2) Para garantia do pagamento das despesas com as matérias primas, nos termos do item 3.10 do contrato, o Frigorífico Mariante disponibilizava à manifestante todos os títulos cobráveis, assim entendidos as duplicatas comerciais emitidas em função do objeto do citado contrato, com exceção das vendas dos subprodutos, que pertencem ao Frigorífico Mariante, bem como as duplicatas emitidas contra a manifestante, por conta dos serviços de industrialização prestados. Dessa forma, as vendas de produtos do Frigorífico Mariante eram recebidas nas contas bancárias da manifestante, que utilizava os recursos para pagar todos os gastos de produção, especialmente a aquisição da matéria prima (gado). E isto acontecia porque a manifestante é que possuía condições financeiras de financiar o capital de giro necessário para aquisição de matéria prima, o que não conseguia ser suportado pelos frigoríficos parceiros. Além disso, a situação financeira em que se encontrava o Frigorífico Mariante era muito ruim, e, caso os recebimentos das duplicatas se dessem por sua conta bancária, certamente seriam objeto de bloqueio judicial por conta das ações trabalhistas, fornecedores, bancos, etc. Observase que, na realidade, todos os ingressos de receita das vendas realizadas pelo Frigorífico Mariante para fora do estado do Rio Grande do Sul, se deram nas contas bancárias da manifestante, sendo que estes valores não podem ser considerados como receita omitida, justamente porque já foram tributados na pessoa jurídica que efetivamente auferiu a renda.” (fl. 266/267) A contribuinte juntou, já em sede de julgamento administrativo de primeira instância, volumoso conjunto de documentos Fl. 733DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 comprobatórios – a seu juízo – da veracidade das operações pelas quais o fluxo de caixa da MARIANTE – no que se refere às vendas realizadas para fora do Rio Grande do Sul – transitava por sua conta corrente. Os documentos ora juntados ao processo foram assim agrupados e anexados: • DOC.01: Contrato de fornecimento e prestação de serviços. Tratase de cópia de contrato firmado, em 01/07/2004, entre o Frigorífico São Gregório Ltda (contribuinte autuada) e o Frigorífico Mariante Ltda. (fl. 332/341) • DOC. 02: Caixas com 5 Volumes: Volume 01 (670 documentos do mês 08/2004), Volume 02 (480 documentos do mês 09/2004), Volume 03 (590 documentos do mês 10/2004), Volume 04 (630 documentos do mês 11/2004), e Volume 05 (820 documentos do mês 12/2004). Tratase, basicamente, de coleção de cópias (i) de comprovantes de depósitos em conta corrente, (ii) de comprovantes de boletos bancários (junto com respectiva cópia de comprovante de pagamento de títulos) e (iii) de notas fiscais emitidas pela empresa Frigorífico Mariante Ltda. (cópia amostral juntada pela autoridade preparadora às folhas 351/387) • DOC. 03: Dossiês Consolidados de Veículos Expedido [sic] pelo Detran/SC. Tratase de cópia de extratos com as características básicas de veículos de carga em que, em geral, consta como proprietário atual ou anterior o Frigorífico São Gregório Ltda. (fl. 343) • DOC. 04: Documentos das Empresas Bistek, Althoff, e Ideal. Compreende cópia de Declaração das citadas empresas, na qual se consigna que as notas fiscais do Frigorífico Mariante Ltda. ali citadas foram quitadas em nome do Frigorífico São Gregório. (fl. 349) Para reforçar sua versão, a contribuinte destaca o fato de ser possível constatar, nas notas fiscais de entrada e/ou saída, que “na maioria das vezes o transporte do gado ou da carne beneficiada era realizado pela manifestante. Comprova isso, o grande número de Notas Fiscais em que constam as placas dos caminhões de propriedade da manifestante [...] conforme podem comprovar os Dossiês Consolidados de Veículos expedido pelo Detran/SC anexados” (fl. 268). Entre os elementos probatórios trazidos nesse momento ao processo, encontramse cópias de pagamentos – por boleto bancário – de duplicatas, realizados por empresa de Santa Catarina. Nesses boletos, consta como cedente a empresa impugnante/manifestante. As duplicatas a eles associadas teriam sido endossadas pela MARIANTE (e.g., documento à folha 372). Face à apresentação das provas, a contribuinte entende que restaram fragilizadas as presunções que fundamentaram o lançamento de ofício (e a exclusão). Cita acórdãos dos antigos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fl. 734DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 6 9 Fiscais nos quais se firma o convencimento de que as provas que demonstram que a presunção adotada não tem sólidos fundamentos, contaminam o lançamento de incerteza e, portanto, tal presunção deve ser afastada. Assim finaliza sua Manifestação de Inconformidade: “À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da exclusão do SIMPLES, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos, para: a.) reconhecer a preliminar de nulidade do Ato Declaratório Executivo n° 18, por verdadeira ofensa a ato jurídico perfeito, conforme a fundamentação; b.) subsidiariamente, caso se mantenha o combatido Ato Declaratório Executivo, declarar que seus efeitos só podem surtir efeitos[sic] a partir da data de sua publicação; c.) no mérito, reconhecer a inexistência de causa que justifique a sua exclusão do SIMPLES, uma vez que os valores apontados pelo Fisco não se constituem em receita auferida pela manifestante.” (fl. 271) 1.3. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO ANO DE 2004 Em sua impugnação relativa ao lançamento de ofício que abarca os períodos de apuração do anocalendário de 2004, a contribuinte apresenta suas argumentações distribuindoas por itens. O relato a seguir obedece à mesma estrutura expositiva utilizada pela contribuinte. a) da Origem das Receitas Apontadas pela Fiscalização Nesse tópico reprisase a argumentação de que a origem dos depósitos bancários utilizados como base para a presunção de omissão de receita corresponde ao faturamento de outra contribuinte, o qual, por força contratual, “cedia” à contribuinte, a título de garantia o resultado de suas vendas. As alegações são as mesmas já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, pelo que, aqui prescindese de relatálas. b) da Impossibilidade de Lançamento por Presunção – Depósitos Bancários não Podem ser Considerados Renda ou Faturamento A contribuinte se insurge contra a presunção utilizada pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento efetuado. Entende que “o cotejo entre os extratos bancários e a declaração do simples federal por si só não é suficiente para caracterizar a omissão de receita” (fl. 292). Cita, para corroborar, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes nos quais expressase entendimento que meras divergências entre registros contábeis por si só não são suficientes para caracterizar a omissão de receita. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 Afirma não ter havido comprovação da vinculação dos valores constantes em extratos bancários com operações caracterizadoras de fatos geradores dos tributos exigidos. Considerando que o fato gerador do IRPJ é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, a simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte não seria suficiente para caracterizar tão aquisição de disponibilidade. Nessa linha, assevera: “Assim é que os depósitos bancários não podem representar, por absoluta impropriedade técnica, fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro.” (fl. 294) Citase, então, texto jurídico sobre a ilegalidade de presumirse depósitos bancários como enriquecimento ilícito do agente público. In verbis: “os depósitos bancários, quando muito, podem em determinadas circunstâncias, configurar meros indícios da auferição de rendas ou de proventos de qualquer natureza, mas jamais serem presumidos como renda ou proventos para efeito de exigência de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sem uma minuciosa análise, e sem a indispensável e convincente prova por parte do Fisco.” (fl. 295) Afirma que a Súmula 182 do extinto TRF, juntamente com o art. 9º, do Decreto Lei nº 2.471, de 01/09/88, constituem base legal suficiente para o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Com respeito ao art. 42 da Lei nº 9.430/96, o entendimento da impugnante é de que seria necessário “ficar comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, é necessária a prova de que ele foi utilizado como renda consumida” (fl. 296). Cita acórdão do antigo Conselho de Contribuintes – atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – em que se determina não bastar “a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza” (fl. 297). Assim conclui o tópico: “Por tudo o que já foi exposto, resta claro que o auto de infração padece de comprovação acerca da materialização do fato gerador tributário, não podendo se sustentar em presunções de que os depósitos bancários se constituem em renda tributável, não podendo subsistir.”(fl. 297) c) do Arbitramento do Lucro Admitindo, por hipótese, a existência de omissão de receita, entende a contribuinte que, segundo o Regulamento do Imposto de Renda, o lançamento teria que se dar pela modalidade do arbitramento do lucro e não utilizandose das mesmas regras do Fl. 736DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 7 11 Simples, como foi feito pela autoridade lançadora no caso do anocalendário de 2004. A contribuinte alega que não apresentou os livros fiscais – nem ao menos o Livro Caixa – então só restaria à autoridade fiscal o lançamento com base no lucro arbitrado. Assim estaria previsto nos artigos 529 a 532 do RIR/2003. Consistentemente com os dispositivos citados, teria sido editado Ato Declaratório Normativo nº 36/94, estabelecendo que a regra de arbitramento será aplicada “no caso em que, após o decurso do prazo previsto na intimação a pessoa jurídica não obrigada à tributação com base no lucro real, deixar de apresentar o livrocaixa devidamente escriturado, quando não mantiver escrituração contábil.” Elencamse, então, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes nos quais assentase o entendimento que de que, na ausência de apresentação dos livros contábeis e/ou fiscais necessários à apuração do Lucro Real ou Presumido, é cabível o arbitramento. Entretanto – segue a contribuinte em sua alegação – “para arbitrar o lucro, é necessário primeiramente, proceder à exclusão de ofício do contribuinte do Sistema Simplificado de Tributação, pois não podem coexistir os dois regimes de tributação no mesmo período de apuração” (fl. 302). Ou seja, o procedimento correto teria sido a exclusão do regime de tributação simplificado (Simples) desde 01/01/2004 – com consequente lançamento do ano de 2004 com base no lucro arbitrado. Porém, o ato excludente estabeleceu seus efeitos somente a partir de 01/01/2005 e os lançamentos dos períodos de apuração de 2004 foram realizados no próprio regime simplificado. Requer então, “Assim, mister seja cancelado o presente auto de infração por discordância à legislação de regência, especialmente pela forma de apuração dos tributos.” (fl. 304) d) da Decadência A impugnante inconformase também com o fato de o lançamento abarcar período de apuração que se estende de janeiro a abril de 2004, o qual, a seu juízo, já estaria atingido pela decadência. Interpreta que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial seria de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Neste linha, o fisco deveria ter se manifestado – no caso do período de apuração de abril de 2004 – até abril de 2009. Nas palavras da impugnante: “Ocorre que a Notificação Fiscal foi lavrada em maio de 2009, questionando tributos relativos anteriores a abril de 2004. Ora, tratase de exigência indevida, haja vista que notifica o Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 contribuinte de tributo que já foi atingido pela decadência (CTN, art. 150, § 4º), não podendo lhe ser mais exigido.” (fl. 305) Portanto, a contribuinte considera serem inexigíveis os créditos tributários relativos a períodos de apuração anteriores a janeiro de 2004. e) da Multa Agravada Com respeito à imposição de multa qualificada de 150%, constante do Auto de Infração, a impugnante alega que não restou cabalmente comprovada a existência de dolo – condição necessária para aplicação da referida multa. Reproduz acórdãos do Conselho de Contribuintes em que se ressalta a necessidade de comprovação nos autos do evidente intuito de fraude para que prospere a exigência da multa qualificada. De acordo com a impugnante: “Os desacertos e a falta de controle da escrita contábil (inexistente) não podem ser interpretados como propositais. No caso em tela têmse declarações inexatas quanto ao montante devido, devendo ser aplicada a multa de 75%. Não é qualquer notificação fiscal que deva resultar em multa agravada. É preciso que esta "intenção" de fraudar esteja cabalmente provada pela autoridade fiscalizadora, através de provas robustas e inequívocas, não podendo se assentar em meros indícios. Diante do exposto, em caso de procedência do auto de infração, o que não se acredita, a multa aplicada ao caso deve ser aquela cabível a falta de recolhimento dos tributos, sem agravamento, em face da ausência do intuito de fraude, o qual sequer restou provado pela fiscalização.” (fls. 309/310) f) da Multa com Efeito Confiscatório Ainda em relação à penalidade, a impugnante alega que a aplicação da multa de 150% revestiria a penalidade de caráter confiscatório. Logo, estarseia diante de afronta ao princípio constitucional da vedação ao confisco, derivado do inciso XXII, art. 5º da Constituição Federal. Citase também o art. 150 da Carta Magna que possui comando específico vedando que o tributo se constitua de instrumento confiscatório. Ressalta que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina “tem entendimento firmado no sentido de que as multas pelo descumprimento de obrigações tributárias devem observar o limite imposto pelo Código de Defesa do Consumidor, qual seja 2%, [...]” (fl. 311). Portanto, requer que, em respeito ao princípio constitucional do nãoconfisco, sejam reduzidas as multa aplicadas de 150% para 75%. g) da Taxa de Juros Selic Nesse último item, a contribuinte alega não ser possível a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios devidos Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 8 13 na cobrança de tributos. Entende que o uso daquela taxa resultaria em ofensa à disposição legal que exige disposição expressa de Lei Ordinária acerca de cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias (§ 1º, art. 161 do CTN). Assim se expressa: “A leitura do artigo 161, § 1º do CTN nos informa que somente com disposição expressa de Lei Ordinária acerca de cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias, este pode ser superior a 1% (um por cento) ao mês. Cabe salientar que a Lei n° 9.065/95, ao determinar sobre o cálculo dos juros de mora não estabeleceu nova forma de cálculo, apenas adotou a utilização de taxa preexistente e de natureza remuneratória. Claro está o equívoco do legislador, que ao invés de instituir taxa de juros moratórios, consoante a Lei Complementar, quis equiparar a esta taxa de juros remuneratórios, inaplicáveis à situação de mora, em face de sua condição nitidamente recompensatória, perfeitamente caracterizada pela lei que a criou. A norma, para estar em consonância com o artigo 161, § 1º do CTN, deve traçar diretrizes de modo a assegurar ao Estado uma real indenização pelo atraso no pagamento dos tributos, contrariamente ao que acontece com a SELIC, que embora tenha a lei tratado a mesma como taxa de juros moratórios, sua função, estruturação e importância não são coincidentes.” (fl. 314/315) Entende, citando julgado do STJ divulgado em Boletim de Notícias, que a Lei 9.430/96 é inconstitucional e ilegal, ao estabelece taxa de juro muito superior a 12%. Ou seja, a contribuinte entende que, no limite, a taxa de juros aplicável seria de 12% ao ano, nos seguinte termos: “Conforme demonstrado, não encontra respaldo legal a cobrança de juros acima de 1% (um por cento), sendo, portanto, inaplicável a taxa SELIC aos débitos fiscais, devendo, mesmo no âmbito do processo administrativo, serem observados os entendimentos pacificados pela jurisprudência pátria.” (fl. 318) do Pedido Finalizando, a impugnante enumera os seguintes requerimentos, suportados por suas arguições desenvolvidas ao longo da peça impugnatória. “a.) receber a presente impugnação com todos os documentos que a acompanham e que dela fazem parte integrante, bem como seja determinado o seu julgamento em conjunto com a impugnação apresentada no processo administrativo n° 11516.000340/200993; b.) no termos do art. 16, § 4º, a, do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 3º, III, da Lei n° 9.784/99, permitir a juntada de provas antes da decisão final, ante a falta de tempo hábil para a realização da juntada com esta impugnação; Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 c.) determinar que a Receita Federal do Brasil diligencie junto aos frigoríficos contratados de modo a esclarecer se houve alguma movimentação financeira nas contas bancárias destas empresas de modo a verificar o alegado; inclusive, pesquisando administrativamente as contas bancárias da empresa MASTER SUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA., inscrita no CNPJ n° 03.530.262/000237, IE n° 121/0049896, com sede na Rua Ramiro Barcelos, n° 4845, Bairro Bandeira Branca, em São Geronimo (RS), bem como do FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA, inscrito no CNPJ n° 87.243.127/000110, com sede na Rua Ernesto Guedes, n° 82, em Vila Mariante, município de Venâncio Aires (RS) d.) reconhecer a insubsistência do Auto de Infração, face a inexistência de omissão de receitas, haja vista os recursos se não se referirem à faturamento ou receita omitida; e.) de outro modo, determinar o cancelamento do Auto de Infração pela impropriedade da sua lavratura baseado apenas em depósitos bancários sem comprovação, por falta de elementos que demonstrem a omissão de receitas no caixa da empresa; f.) em não sendo este o entendimento, determinar o cancelamento face a existência de vício insanável, vez que adotado critério incorreto na apuração do valor tributável no Simples, quando deveria haver o arbitramento do lucro; g.) sucessivamente, reconhecer a decadência em relação ao período de janeiro a abril de 2004; h) reduzir as multas d3 150% para 75% face a falta de comprovação do dolo da impugnante e ante seu caráter confiscatório (fl. 318/319) i.) em última possibilidade, que seja afastada a aplicação da taxa SELIC nos débitos apontados na combatida notificação fiscal. A 3ª Turma da DRJ Florianópolis, por meio do Acórdão 0725.918, proferiu decisão assim ementada (fls. 390): EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Excluise de ofício do Simples por determinação legal, com efeitos a partir do ano seguinte ao de ocorrência da situação excludente, a pessoa jurídica que auferir receita bruta anual acima do limite previsto na legislação de regência. OMISSÃO DE REGISTRO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os valores creditados em conta corrente bancária de sua titularidade, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de registro de receita. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 9 15 NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. DESCABIMENTO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do ADE emitido por autoridade fiscal competente, além de, na fase litigiosa do procedimento também regida pelo mesmo diploma legal terem sido observadas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando estiverem presentes elementos que inquestionavelmente denotam o dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Cientificada do aludido Acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória. Em sede de preliminar, requereu a realização de diligência, permitindo a juntada de novas provas necessárias ao deslinde da Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 questão e pesquisando as contas bancárias das empresas MASTER SUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA. e FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA., com o intuito de comprovas suas alegações de defesa. Por meio da Resolução nº 140200.124, fls. 687 e seguintes, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Da referida Resolução, transcrevo o seguinte trecho: A Fiscalização deverá intimar as empresas envolvidas, especialmente a Contribuinte autuada, para que façam prova da transferência dos valores ingressados nas contas bancárias aos alegados titulares dos recursos, bem como a efetividade da tributação. Frisese que o ônus da prova é das empresas, outrossim, dentro do escopo dessa diligência, a Fiscalização poderá realizar outros procedimentos que entender cabíveis para a solução do litígio e, ao final, deverá lavrar relatório consubstanciado e intimar a contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias. A DRF Florianópolis procedeu a diligência solicitada pelo CARF, a qual resultou infrutífera, conforme consta da Informação Fiscal de fls. 721 e seguintes: 2 – Solicitouse, em 08/08/2012, mediante Termo de Diligência Fiscal (fls. 707/708), que a contribuinte FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO, apresentasse a documentação necessária para análise das alegadas transferências de recursos com terceiros; 3 – Em sua resposta de 03/10/2012 (fls. 709/710), a empresa informa a impossibilidade de atendimento ao solicitado e sugere que as informações sejam obtidas junto às empresas MASTERSUL DISTRIBUIDORA DE CARNES E CEREAIS LTDA. e FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA; 4 – A Fiscalização [...] encaminhou, por via postal, Termo de Diligência Fiscal para as empresas citadas no item anterior (fls, 711/712 e 713/714), conforme endereços cadastrais mantidos juntos à Receita Federal do Brasil (fls. 715/716); 5 – A correspondência encaminhada para o endereço cadastral da empresa FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA retornou com a indicação, pelos CORREIOS, de “mudouse” (fls, 717). Conforme contato mantido no curso de outra ação fiscal em andamento à época (fls. 718), a correspondência foi novamente encaminhada para o endereço indicado pela contabilidade (Rua Rivaldo Azambuja Guimarães 33 Centro, Taquari – RS). A mesma foi recebida em 20/11/2012, conforme Aviso de Recebimento (fls. 719); 6 – Até a presente data, transcorridos mais de 40 dias, não houve qualquer manifestação da empresa FRIGORÍFICO MARIANTE LTDA sobre a solicitação da fiscalização; 7 – A correspondência encaminhada para o endereço cadastral da empresa FRIGORÍFICO MASTERSUL LTDA ME retornou com a indicação, pelos CORREIOS, de “não procurado” (fls. 720); Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 10 17 Desta forma, diante da incapacidade da contribuinte de comprovar as suas alegações e da impossibilidade da fiscalização de obter quaisquer outras informações junto a terceiros que viessem a corroborar a tese levantada nos autos sobre as transferências de recursos, concluímos a presente ação fiscal sem efetuar a análise solicitada pelo CARF. Entregamos, pessoalmente, uma cópia deste relatório para ciência da empresa FRIGORÍFICO SÃO GREGÓRIO LTDA, sendo que será concedido prazo de 30 dias, a contar do recebimento deste, para que a empresa manifestese a respeito. O documento de fls. 725 informa que a contribuinte não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. É o relatório. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 Voto O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Anocalendário 2004 Origem das receitas apontadas pelo Fisco Em sua peça recursal, a contribuinte reiterou sua alegação de que os depósitos ocorridos em suas contas correntes referiamse, na verdade, à receita de outros frigoríficos (Master Sul Distribuidora de Carnes e Cereais (até 07/2004) e Frigorífico Mariante Ltda (após 08/2004). A contribuinte não logrou êxito em comprovar tal alegação, seja na fase impugnatória, seja na fase recursal. Não obstante este fato, e mesmo reconhecendo que o ônus da prova competia exclusivamente à contribuinte, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu converter o julgamento em diligência, intimando a própria contribuinte, bem como as pessoas jurídicas por ela indicadas, com o intuito de comprovar as alegadas transferências de recursos, supostamente capazes de elidir a presunção de omissão de receitas. No entanto, conforme relatado, a aludida diligência resultou completamente infrutífera. Intimada a se manifestar sobre o relatório da diligência, a recorrente quedouse inerte. Diante do exposto, é forçoso admitir que o lançamento fiscal merece ser convalidado, face à ausência de comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários de titularidade da contribuinte, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Nestes termos, em relação a este tema, considero que o presente recurso voluntário não merece provimento. Possibilidade de lançamento por presunção Em sua peça recursal, a contribuinte voltou a questionar a possibilidade de se efetuar o lançamento bancário com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente, fls. 654: Assim, não pode prevalecer o lançamento de omissão de receitas fundado apenas em valores constantes de extratos bancários, especialmente quando não há efetiva comprovação da vinculação desses valores a operações ensejadoras do fato gerador do tributo exigido. Efetivamente não foram carreadas provas suficientes para tal caracterização. Tal alegação não merece prosperar. Em relação a este tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir adotadas pelo acórdão recorrido, fls. 410411: Com o advento do art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, base legal do lançamento, vigente a partir do anocalendário de 1997, nova hipótese fática foi alçada â categoria das presunções legais tributárias. A partir de 1 2 de janeiro de 1997, a existência de Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 11 19 depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente. Com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco que, para satisfazer o onus probandi a seu cargo, precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada. A existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. Ao ensejo, seguem abaixo exemplos de recentes julgados administrativos, da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, consentâneos com o ora exposto: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. [Acórdão 1º CC 10423011, sessão de 24/01/2008]. DEPÓSITO BANCÁRIO — OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 [CSRF/0400.259, sessão de 12/06/2006]. OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITO BANCÁRIO — LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO — PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO — O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do ano calendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. [CSRF/0105.312, sessão de 21/09/2005]. Tratase, portanto, de presunção legal onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Cumpre ressaltar que no presente caso, a fiscalização intimou a contribuinte a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, em montante incompatível com suas receitas declaradas. A contribuinte, por sua vez, não logrou êxito em comprovar a origem daqueles depósitos. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 As alegações trazidas ao processo, posteriormente ao encerramento da fiscalização, não tiveram o condão de desqualificar a presunção legal adotada no lançamento, conforme já demonstrado no item anterior do presente voto. Diante do exposto, em relação a este tema considero que o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Alegação da necessidade de arbitramento do lucro A recorrente, mais uma vez, contestou o procedimento do Fisco, que após verificar a ocorrência de omissão de receitas no anocalendário de 2004, procedeu ao presente lançamento com base nas regras do Simples, e não com base no lucro arbitrado. No entender da recorrente, na ausência de escrituração regular, o lançamento deveria, necessariamente, ter sido efetuado com base no lucro arbitrado, conforme arts. 529 a 532 do RIR 2003. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, dispõe o art. 24 da Lei 9.249/95 (art. 288 do RIR): Art 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Sobre o tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido, razão pela qual mais uma vez transcrevo e adoto parcialmente as suas razões de decidir, fls. 400: A regularidade do procedimento adotado pelo agente lançador deve ser aferida visavis o evento motivador da exclusão do regime simplificado de tributação e as conseqüências dele decorrentes. Do Termo de Verificação Fiscal se extrai o seguinte, relativamente à motivação da exclusão (destaque aposto): "A partir da constatação de que a receita auferida pela empresa, mediante os fatos detalhados nos itens anteriores, no ano calendário de 2004, conforme demonstrativo (fls. 174 do processo 11516.000338/200914 e fls. 181 do processo 11516.000340/200993), ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do SIMPLES, formalizou se, em 27/02/2009, Representação Fiscal solicitando à autoridade competente que a mesma fosse excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2005 (fls. 01/02 do processo 11516.000338/200914)." Portanto, segundo os elementos constantes nos autos, a autoridade fiscal constatou omissão de receita no ano calendário de 2004 em montante que sobrepujava o limiar legalmente definido para enquadramento no regime especial de tributação (Simples). Nos termos da Lei 9.317/1996, a exclusão decorrente de se auferir receita bruta acima do limite legal permitido produz efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que se incorrer no excesso, nestes termos: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 12 21 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Tendo sido excluída do Simples a partir do anocalendário de 2005, a contribuinte permaneceu submetida ao citado regime no anocalendário de 2004 — com receita bruta excedente ao limite legal. Portanto, a aplicação do art. 24 da Lei 9.249/95 mostrase condizente com a situação descrita nos autos, não lhe cabendo reparos. Diferente do pretendido pela impugnante, o evento motivador da exclusão não se relacionou com irregularidades ou eventual ausência da escrituração fiscal/contábil. Nestes termos, considero demonstrada a inocorrência de qualquer vício na apuração do valor tributável no Simples, razão pela qual considero que, neste particular, o recurso voluntário não merece provimento. Multa qualificada e caráter confiscatório Repetindo o que foi alegado na fase impugnatória, a recorrente alegou que a multa qualificada não deveria ser aplicada no presente caso, posto que a “intenção de fraudar” deve estar cabalmente comprovada pela autoridade fiscalizadora, por meio de provas “robustas e inequívocas”, não podendo se assentar em meras presunções. Sobre o tema, limitome a transcrever e adotar as brilhantes e precisas considerações contidas no acórdão recorrido, fls. 416: No presente caso, a conduta da contribuinte tinha objetivos claros: impedir o conhecimento do fato gerador dos impostos e contribuições administrados e fiscalizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e com isso, manter oculto o fato de que não recolheu espontaneamente os tributos devidos na forma da lei. O caráter doloso da omissão de receitas encontrase presente e materialmente comprovado nos autos. A demonstração do dolo pode ser efetuada por várias vias distintas, mas não há dúvidas de que uma das mais consistentes e seguras é aquela vinculada A caracterização do reiteramento da conduta ao longo do tempo e da significância dos valores subtraidos à tributação. Sim, pois enquanto o reiteramento afasta o erro involuntário, a conduta não intencional, a significação dos valores subtraidos à tributação fornece o objetivo, o motivo para o ato intencionalmente infracional. Reiteramento e significância, portanto, se complementam na conformação de um quadro no qual as possibilidades de uma conduta infracional não ter sido intencional se reduzem a zero. E assim porque uma conduta reiteradamente infracional à qual não se vislumbra proveito significativo para quem dela se Fl. 747DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 22 beneficia, desvigora a conclusão da intenção; tanto quanto a falta de reiteramento associada a um ganho significativo, mas isolado no âmbito de um conjunto expressivo de operações, igualmente reduz o grau de certeza que se pode ter quanto à intencionalidade da conduta elisiva. Discutível seria se estivéssemos diante de uma operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderseia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de ordem meramente material, passível de tributação sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, posto que, durante todos os meses de 2005, a autuada deixou de escriturar e de comprovar a origem de diversos depósitos bancários, mediante utilização de quatro contas correntes bancárias, cuja movimentação foi substancialmente (se não totalmente) subtraída à regular escrituração. No tocante à argüição de efeitos confiscatórios, esclareço que na compete à autoridade administrativa de qualquer instância, apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de normas legais regularmente inseridas no ordenamento jurídico pátrio. Sobre o tema, foi inclusive editada Súmula por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n° 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelas razões acima expostas, considero correta a qualificação da multa de ofício. Argüição de decadência A recorrente defendeu, mais uma vez, a tese de que todos os fatos geradores anteriores a abril de 2004 teriam sido alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No entanto, conforme demonstrado no item antecedente, no presente caso restou comprovada a ocorrência de dolo / fraude. Conseqüentemente, o prazo decadencial deve ser contado segundo as regras do art 173, I do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O período mais antigo da presente ação fiscal foi janeiro de 2004. Em relação aos fatos geradores ocorridos no aludido mês, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio anocalendário de 2004, razão pela qual o termo inicial do prazo decadencial foi o dia 01/01/2005. Considerando que o presente lançamento foi efetuado em 05/05/2009, constatase que nenhum fato gerador tinha sido alcançado pela decadência, na época da formalização do presente lançamento. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11516.000338/200914 Acórdão n.º 1401001.010 S1C4T1 Fl. 13 23 Taxa SELIC A recorrente, mais uma vez, questionou a aplicabilidade da taxa Selic. Em relação ao presente tema, limitome a transcrever o enunciado da Súmula 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Retroatividade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Com relação ao Ato Declaratório Executivo nº 18, que determinou sua exclusão do Simples, a recorrente contestou a produção de efeitos pretéritos, alcançando fatos geradores anteriores à data da decisão da exclusão. Sobre o tema, mais uma vez adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do Acórdão recorrido, fls. 403404: De inicio cabe destacar que é incabível a referência ao artigo 150 da Constituição Federal pois que ali se trata da irretroatividade de lei que tenha instituído ou aumentado tributo, o que não é o caso. Toda a normativa citada — tanto na fundamentação do ato administrativo de exclusão, quanto nos lançamentos constituidores dos créditos tributário — se refere a tributos com inicio de vigência em data anterior A. ocorrência dos fatos geradores. 0 citado artigo 146 do CTN, trata de estabelecer a irretroatividade no caso de modificação nos critérios jurídicos. [...] No caso em tela, não houve, por parte da autoridade fiscal ou da autoridade administrativa, mudança de interpretação ou escolha de outra alternativa também prevista em lei. Logo, não se configurou a citada "modificação introduzida, de oficio (.) nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento", conforme inscrito no artigo 146. Ademais, a Lei 9.317/1996 é inequívoca e incontroversa ao determinar o termo inicial para os efeitos da exclusão, assim estabelecendo: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 90; Portanto, o que houve foi mera constatação de que a contribuinte, assumindo o risco inerente à opção indevida, Fl. 749DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 24 enquadrouse em regime de tributação favorecido, usufruindo da redução do ônus tributário inerente a esse tratamento diferenciado. Em nenhum momento houve manifestação da administração tributária ratificando aquela opção, a qual, encontravase sujeita à posterior verificação de sua regularidade. [...] Não se encontra, assim, no ato administrativo que determinou a exclusão da manifestante, qualquer afronta à legislação vigente ou a dispositivo constitucional. Alegada inexistência de excesso de receita bruta Superada a argüição de nulidade do ato administrativo de exclusão do Simples, a recorrente argüiu a sua ilegalidade, pelo fato de o Fisco ter presumido que todos os depósitos bancários ocorridos em suas contas correntes bancárias, sem comprovação de origem, tratavamse de receitas omitidas. Tal alegação já foi anteriormente analisada no corpo do presente voto, ocasião em que se demonstrou que, no presente caso, a legislação de regência autoriza, sim, a presunção de omissão de receitas, tendo em vista a ausência de comprovação da origem de diversos valores depositados em contas correntes de titularidade da contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao presente recurso voluntário. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723139/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.415
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Arnaldo Conceição Júnior.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Arnaldo Conceição Júnior. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Arnaldo Conceição Júnior. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 13 9/ 20 11 -5 3 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 355 ___________ Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por WDL TEXTIL LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. 2. De acordo com o relatório fiscal (ff. 11/19) o lançamento tem por objeto as contribuições previdenciárias devidas pela empresa WDL Têxtil Ltda sucessora de Delara Brasil Ltda, correspondentes a prólabore, bem como multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e §§ 3º e 9º da Lei nº 8.212 de 1991, referente ao período de 11/2007 a 12/2007. 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 89/94). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. INOCORRÊNCIA. PRÓLABORE. Diante da inexistência de lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente paga indevidamente a titulo de lucros distribuídos ao sócio administrador tem natureza jurídica de pró labore. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 78/87), no qual aduz em síntese: a) que o acórdão vergastado inovou na fundamentação do auto de infração para manter válido o lançamento que em nenhum momento fez menção ao fundamento legal que ampara a presunção equivocada de que o lucro distribuído pela recorrente seria um “prólabore”; b) alega que não houve “reavaliação de cártulas”, cuja denominação é equivocada, já que se trata de atualização monetária; c) esclarece que a empresa Delara Brasil Ltda, que foi sucedida pela recorrente, adquiriu cártulas representativas de Obrigações da Eletrobrás, com a esperança de que as mesmas pudessem ser utilizadas para fins de compensação tributária, tendo sido esta aquisição precedida de todas às Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723139/201153 Resolução nº 2301000.415 S2C3T1 Fl. 356 3 cautelas exigidas, como a obtenção de laudos e, principalmente, o oferecimento à tributação da subsequente atualização do valor destes ativos; d) sustenta que parcelou todos os seus débitos para com a Fazenda Nacional nos termos da Lei nº 11.941/2009, e vem adimplindo regularmente com suas obrigações. 5. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Para caracterizar o débito analisado no procedimento fiscal, o auditor consignou que a empresa durante o anocalendário 2007 distribuiu aos sócios valores além do disponível na conta “Lucros Acumulados”, deixando a empresa com recursos insuficientes para fazer frente a dívidas tributárias. 3. Narra ainda a peça introdutória que a empresa possuía recursos para saldar suas dívidas tributárias, mas repassou grande parte de seus ativos aos sócios e não deixou suporte financeiro para a quitação dos débitos. 4. A Lei n.º 8.212/91, ao impor a regra de vedação à distribuição dos lucros, não conceituou a palavra débito. É bem verdade que o art. 33, parágrafo 7º, assevera que uma das formas para a constituição do crédito da seguridade social é a confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. 5. O contribuinte sustenta em seu Recurso que o acórdão recorrido não mencionou o fato de a recorrente ter aderido ao parcelamento previsto na a Lei 11.941/09. (f. 142). Alega ainda falta de análise das razões de defesa da recorrente. 6. A decisão a quo citou (f. 120) que: “As alegações de ter a Delara Brasil Ltda aderido ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, e de não ter utilizado dos títulos para compensação inicialmente pretendida não tem o condão de afastar a caracterização de distribuição de prólabore no ano de 2007, uma vez que não alterara a constatação da inexistência de lucros acumulados ao sócio administrador (....)”. 7. Desta feita, considerando o acima exposto e observando o princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo que o presente processo deva ser reencaminhado para a primeira instância para que o fisco traga informações complementares que possibilite a Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723139/201153 Resolução nº 2301000.415 S2C3T1 Fl. 357 4 averiguação da existência ou não da adesão ao parcelamento pelo contribuinte, ante ao posicionamento sobre a questão exposto no acórdão recorrido. 8. Contudo o histórico trazido pelo contribuinte acerca da concretização da adesão do contribuinte ao parcelamento pela Lei 11.941/2009 carece ser melhor investigado, a fim de não gerar dúvidas quanto ao efetivo prosseguimento do processo de formalização do débito fiscal. 9. Assim, por se tratar de ponto essencial à decisão deste Colegiado, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência para que o fisco traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pelo contribuinte. 10. Após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência ao contribuinte para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. CONCLUSÃO 11. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, em seguida, converter o seu julgamento em diligência para que o fisco preste os esclarecimentos sobre as seguintes questões: a) traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pelo contribuinte; b) se possível informar os períodos e valores do parcelamento, e, se na época do fato gerador da autuação fiscal existiam débitos do contribuinte com a Fazenda. 12. Desta forma, uma vez realizada a diligência, devese abrir vistas ao contribuinte para manifestação nos autos, caso queira, e, após, sejam devolvidos os autos para novo voto e posterior julgamento do Colegiado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721262/2011-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. ABRANGÊNCIA A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bem-estar correspondente a fase em que o individuo laborava. Não há violação ao art. 28, § 9º, p da Lei n ° 8.212/1991, o fato de haver aportes suplementares por parte do empregador, à fim de manter o padrão de vida ostentado pelo beneficiário quando da época em que laborava.
A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo, sem que a própria lei o tivesse criado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência no período de 01/2006 a 09/2006, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari. O conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. Declarou impedido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. ABRANGÊNCIA A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bem-estar correspondente a fase em que o individuo laborava. Não há violação ao art. 28, § 9º, p da Lei n ° 8.212/1991, o fato de haver aportes suplementares por parte do empregador, à fim de manter o padrão de vida ostentado pelo beneficiário quando da época em que laborava. A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo, sem que a própria lei o tivesse criado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência no período de 01/2006 a 09/2006, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari. O conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. Declarou impedido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721262/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.310 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. ABRANGÊNCIA A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. Não há violação ao art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, o fato de haver aportes suplementares por parte do empregador, à fim de manter o padrão de vida ostentado pelo beneficiário quando da época em que laborava. A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo, sem que a própria lei o tivesse criado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 62 /2 01 1- 20 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência no período de 01/2006 a 09/2006, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari. O conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. Declarou impedido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 1015/1097, interposto em face do Acórdão nº. 1641.417, fls. 923/983, que julgou procedente o lançamento para manter o crédito tributário exigido nos AI DEBCAD: 37.360.9493 (Parte Empresa), 37.360.9507 (Terceiros) e 37.360.9485 (Obrigações acessórias – art. 32, IV), no valor de R$ 6.675.107,16 (seis milhões seiscentos e setenta e cinco mil cento e sete reais e dezesseis centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2006 a 12/2008, tendo a ação fiscal sido iniciada em 19/01/2011, a partir do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0816600.2010.00594 e sido notificado o contribuinte em 20/10/2011, conforme Relatório Fiscal de fls. 133/146. A auditoria fiscal verificou aportes em contas de previdência complementar que foram considerados como salário de contribuição por não terem sido observados os dispositivos da Lei Complementar 109 de 29/05/2001, em especial o art. 16 pois não teria havido o oferecimento do plano de previdência privada a todos os empregados da empresa instituidora ou patrocinadora do plano. O contribuinte foi intimado, durante a ação fiscal, a apresentar as Atas de Assembléias Gerais, de Reuniões de Diretoria e de Reuniões de Conselhos. Através do sítio eletrônico do Banco Bradesco S.A., verificouse a existência de um Comitê de Remuneração da Organização Bradesco da qual o recorrente faz parte. O comitê é composto por 03 (três) a 05 (cinco) membros, e a linha geral de atuação deles é estabelecer uma remuneração dos administradores com base em resultados e performances tanto da empresa, como individuais. Da análise das atas de reunião do Comitê de Remuneração e das Atas das Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias, constatouse que as reuniões do comitê, definindo os valores a serem pagos aos administradores estatutários do Banco Bradesco S/A, através de previdência privada eram feitas sempre antes das Assembléias Gerais, ou seja, os valores seriam definidos pela cúpula da direção da Organização Bradesco, e apenas ratificados nas Assembléias. Segundo a fiscalização foram encontrados dois planos de previdência complementar: a) Plano I de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresas, disponível à totalidade de seus empregados e diretores desde 20/06/1985, e um outro; b) Plano de Benefícios Suplementares na modalidade PGBL, disponível apenas para Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e Assessor da Diretoria de acordo com o 6º e 6ºA do Termo Aditivo, de 30/07/1999 e 01/12/2001. A empresa apresentou planilhas com valores dos aportes realizados nas contas e, a partir destes documentos, fl. 143, o auditor fiscal considerou que,: 25 – A empresa apresentou os aportes feitos por ela como instituidora de maneira individual para os elegíveis ao plano PGBL – EMPRESARIAL. Planilhas com valores seguem em anexo. Da análise do material apresentado pelo contribuinte, e com a constatação da ordem de grandeza dos aportes, esta Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 fiscalização entendeu relevante fazer uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar supramencionados e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho informados na DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) da Bradesco Seguros S/A nos mesmos períodos. Das verificações efetivadas por esta fiscalização, constatouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais. Segue, a título exemplificativo, quadro comparativo entre os aportes feitos pelo contribuinte na previdência complementar e os valores recebidos como rendimento do trabalho de alguns diretores estatutários: (...) O fiscal também informa que a recorrente afirmou que os participantes do plano em gozo do benefício continuaram a receber os aportes da empresa nas suas contas e trouxe a conclusão de que os aportes não teriam finalidade previdenciária, fl. 143, in verbis: 27 ... Portanto, se o contribuinte continua a fazer aportes suplementares nas contas dos participantes já em gozo de benefício, e segundo o regulamento do plano, os participantes nesta situação deveriam relacionarse diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, concluise que os aportes devem ter outra finalidade que não a previdenciária. Outro dos motivos para descaracterizar os aportes como de previdência privada, é o fato de haver sido verificado nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, resgates de previdência privada em valores substanciais, sempre em janeiro, realizados pelos participantes do suposto plano que apenas incluía a alta cúpula da empresa, em valor equivalente aos aportes realizados pela empresa. Ao final, fl. 144, arremata: 32 – Por outro lado, a fiscalização entendeu que: O artigo 16 da Lei Complementar 109/2001 e o artigo 28, parágrafo 9º, alínea p da Lei 8.212/91 obrigam o oferecimento dos planos a todos os empregados e dirigentes, portanto o plano empresarial oferecido apenas a seus dirigentes contraria a legislação; O artigo 10 da Lei Complementar 109 obriga que tanto os requisitos de elegibilidade, como a forma de cálculo de benefícios, sejam claros e constem do regulamento do plano de benefícios, portanto o critério unilateral de elegibilidade contraria a legislação; O artigo 19 da Lei Complementar 109 define objetivamente a finalidade das contribuições para os planos de previdência: prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, portanto o critério unilateral de elegibilidade contraria a legislação; Apesar do contribuinte declarar que o pagamento dos aportes na previdência privada levou em conta cálculos atuariais, a não apresentação das memórias de cálculo, somada aos fatos de os Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 4 5 aportes serem realizados de forma habitual, mensalmente, com valores constantes, em ordem de grandeza parecida com a própria remuneração do trabalho, realizados a participantes do plano em gozo de benefício e ainda os resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes e com coincidência de data entre os participantes, dão robustez probatória à caracterização destes, como verbas remuneratórias; Por todo o conjunto de argumentos e provas, os valores pagos a este título devem ser considerados como salários de contribuição, considerandose pagamentos a contribuinte individual quando pago aos diretores estatutários e salário quando pago a segurados empregados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe, conforme instrumento de fls. 177/197. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, DRJ/SP1, prolatou o Acórdão n° 1641.417, fls. 923/983, julgando improcedente a impugnação para manter o crédito tributário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, destinadas à Seguridade Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GFIP. A empresa é obrigada a declarar em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) os dados relacionados aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, via de regra o prazo decadencial a ser aplicado no caso das contribuições previdenciárias, é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, sendo aplicado o prazo decadencial do artigo 150, §4º, do CTN somente quando o sujeito passivo apura o valor devido, Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 presta informações ao fisco e antecipa o pagamento de contribuições, mesmo que parcialmente. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PREVIDÊNCIA PRIVADA SEM AMPLITUDE DE COBERTURA. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gratificações. Considerase salário de contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela empresa relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL DE 2,5%. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento da contribuição adicional de 2,5% (dois vírgula cinco por cento) sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora ou de ofício. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SOBRESTAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga à administração impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito lançado. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 5 7 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPUGNAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva do processo administrativo fiscal suspende a exigibilidade do crédito tributário. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 1015/1097, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º; 2. A improcedência do lançamento em razão do atendimento de todas as condições constitucionais, legais e infralegais para a exclusão do plano de previdência complementar do salário de contribuição, uma vez que o real motivo que ensejou o lançamento e a r. decisão recorrida é o fato de que, embora o plano de previdência privada complementar da Recorrente se aplique a todos os empregados e diretores, são previstos aportes suplementares para diretores estatutários e superintendentes executivos, em maior percentual que para os demais empregados. 3. A adequação com a Constituição Federal; 4. A base de cálculo das contribuições previdenciárias tem que ter como ponto de partida a contraprestação do trabalho; 5. A imunidade do art. 202, parágrafo 2º da CF/88; 6. Tratase de plano único com benefícios diferenciados para diretores estatutários e superintendentes executivos e não dois planos independentes e distintos; 7. O fato de o plano ser extensivo a todos não significa a equivalência de suas prestações; 8. O resgate nas condições efetuadas é um direito dos participantes; 9. A impossibilidade da exigência do adicional de 2,5% das instituições financeiras; 10. Requer o recálculo da multa; 11. A ilegalidade da exigência de juros sobre a multa; Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 12. A imprestabilidade da SELIC É o relatório. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.990 e 1015, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebese que a auditoria busca constatar as diferenças de contribuições declaradas ou não em GFIP e seu respectivo recolhimento. A DRJ ao analisar a questão nas fls. 950/952, utiliza a tese da análise por rubrica e, por não ter o contribuinte declarado e recolhido os valores específicos relativos aqueles aportes em previdência privada complementar, deveria se aplicar o art. 173, I do CTN. No entanto, não merece prosperar o entendimento, conforme acima explicitado. Também, percebese das fls. 1099/1252, a presença de Guias de pagamento, GPS, para todo o período compreendido pela decadência. O Auto de Infração abrange o período de 01/2006 a 12/2008, tendo a ação fiscal sido iniciada em 19/01/2011, a partir do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0816600.2010.00594 e sido notificado o contribuinte em 20/10/2011, conforme Relatório Fiscal de fls. 133/146. Portanto, tendo em vista o disposto no art. 33, parágrafo 7º da Lei 8.212/91, o crédito é apenas constituído por meio da notificação de lançamento ao contribuinte, tenho por ocorrida a decadência do período de 01/2006 a 09/2006. DO MÉRITO DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Analisando as provas dos autos, assim como as alegações do recurso, entendo que assiste razão ao recorrente. A Lei 8.212/91 em seu art. 22, I trás a contribuição à cargo da empresa de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês: Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 7 11 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No entanto, o art. 28, parágrafo 9º trás as exclusões do conceito de salário de contribuição, excetuando assim a incidência de contribuição previdenciária, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Portanto, conforme se percebe da norma acima, os valores pagos a título de previdência complementar não integram o conceito, desde que disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes, observado no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Cumpre lembrar que não se trata aqui de mera isenção, mas sim, de verdadeira imunidade, presente no art. 202 da Constituição Federal, in verbis: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) A previdência complementar pode ser conceituada conforme as palavras de Wladimir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário,4ª Ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 1256: Estruturalmente, cuidase de um conjunto de operações econômicofinanceiras, cálculos atuariais, práticas contábeis e normas jurídicas, empreendidas no âmbito particular da sociedade, inserida no Direito Privado, subsidiária do esforço estatal, de adesão espontânea, propiciando benefícios adicionais ou assemelhados, mediante recursos exclusivos do protegido (aberta e associativa), ou divididos os encargos entre o empregado e o empregador, ou apenas de um deste último (fechada). É ela similar a previdência comum, modalidade securitária, socialmente considerada, com prêmio (contribuição) e indenização (prestações), com período de carência e contingência protegida (evento determinante), segurado e seguradora. Cobre necessidades ou riscos fixados na lei, conforme o caso, impondo como condição a presença de requisitos. (Martinez, op cit, p. 333). No caso concreto, percebese que não existem, concretamente, dois planos benefícios, mas apenas um único, com um aditivo ampliando os benefícios a outras pessoas de escalão gerencial na hierarquia da empresa. Existe na verdade o Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo – Plano II – do tipo Plano Gerador de Benefícios Livros – PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade Contribuição Variável que é o que substituiu o Plano I. O referido plano foi aprovado pela SUSEP, com número de processo citado pelo recorrente, qual seja, Processo 10.003048/01/23, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa além de benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (6º e 6ºA Termo Aditivo), fls. 101 a 113. Nele consta que: as contribuições ao PGBL serão suportadas pela Instituidora e pelo participante (clausula 3.3.); a instituidora fará contribuições mensais ao PGBL, individualizadas a cada participante (clausula 3.3.1.); O participante fará contribuições ao PGBL semestralmente, no percentual de 10% do valor da gratificação semestral que lhe for atribuída pela instituidora (clausula 3.3.2); Durante o período de diferimento, o participante Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 8 13 poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante (Cláusula Quarta Do Resgate). O 'Convênio de Adesão ao Plano I DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PARA EMPREGADOS E DIRIGENTES DE EMPRESA', documento inicial de instituição do plano encontrase nas fls. 673/684, e é extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa (não sendo o objeto da autuação) sem qualquer ressalva, conforme se percebe do Art. 2º do convênio. Diante disso, entendo por estar preenchido o requisito da disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa, de plano de previdência privada, uma vez que, conforme acima exposto, a legislação apenas exige que haja um plano nesse sentido e que ele seja extensivo a totalidade de empregados e dirigentes, dando uma regra apenas quantitativa, horizontal, do conjunto de integrantes daquela empresa, e não um aspecto qualitativo, vertical, do valor do benefício. A Câmara Superior de Recursos Fiscais em caso que tratava de assistência médica, que possui o mesmo requisito da previdência privada, julgou no Processo Administrativo n. 35318.001033/200509, Recurso n. 246.376, Acórdão 920200.295, 2ª Turma, que a legislação traz exclusivamente a necessidade de ser extensivo à totalidade de empregos e dirigentes e que a exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados é de cunho subjetivo do intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação. Em arremate a este entendimento, trazendo para o campo da Previdência Privada, é relevante trazer à lume, julgado da 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária, cujo trecho relevante da ementa segue abaixo transcrito: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA Verificase que em relação ao plano de benefícios, não exige a legislação de regência (Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001), no caso das entidades abertas, que esse seja extensível a todos os empregados, tal como previsto para as entidades fechadas. Ainda que assim não fosse, constatase que o plano de previdência ofertado pela autuada, nos termos do 28, § 9º, alínea “p” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, é extensível a todos os segurados. (...) Recurso Voluntário Provido Em Parte. (CARF. Segunda Seção de Julgamento. Processo n. 10909.006800/200820, Acórdão n. 2301003.394 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 13 de março de 2013. Relator do Voto Vencedor: Conselheiro Adriano Gonzales Silvério) Elucidares são as palavras do Conselheiro do Adriano Gonzales Silvério, in verbis: Em relação ao plano de benefícios da entidade fechada, determina o artigo 16 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 que esses devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores, equiparandose a empregado, para efeitos dessa Lei, os gerentes, diretores, Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes. Mais adiante a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, estabelece no Capítulo IV, artigo 36 as características de uma entidade aberta de previdência: “Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.” Ao contrário da entidade fechada, a entidade aberta é acessível a qualquer pessoa física, não ficando restrita a empregados da entidade instituidora, por exemplo. Ademais, em relação aos benefícios instituídos pelas entidades abertas determina o artigo 26 da Lei Complementar em comento: (...) Verificase que em relação ao plano de benefícios, não exige a legislação de regência, no caso das entidades abertas, que esse seja extensível a todos os empregados, tal como previsto para as entidades fechadas. (...) Contudo, vale registrar que ainda sob a ótica da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em especial o seu artigo 28, § 9º, alínea “p” exige que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, tem que ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes para que não seja alvo das contribuições previdenciárias. No caso dos autos o plano de previdência estava disponível a todos os segurados empregados da recorrente, havendo apenas diferenças no modus operandi do benefício, de acordo com o cargo ocupado pelo empregado de forma que quem ganha menos contribui menos ou até mesmo não contribui, o que revela o prestígio ao princípio da razoabilidade. A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo supra, sem que a própria lei o tivesse criado. Por essas razões entendo que o plano de previdência complementar instituído pela recorrente atende a legislação e, por isso, não pode acrescer a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não obstante o julgado acima, matéria similar já foi apreciada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão 9202.002.265, prolatado nos autos do processo n. 36202.002312/200541, em 08/08/2012, de relatoria do conselheiro Elias Sampaio Freire que conclui que o plano de previdência privado objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava, independentemente de quanto recebia ou classe social ocupada. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 9 15 No julgado, verificouse que a disponibilização de plano de previdência complementar somente aos empregados e dirigentes que percebam remuneração superior ao limite máximo do salário de contribuição do RGPS, não configura violação a exigência de que o referido plano seja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Colacionase a seguir a ementa do julgado: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS. A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal. A interpretação restritiva, aplicada nas hipótese de imunidade tributária, não reduz o campo da norma, mas determinalhe as fronteiras exatas. Não conclui de mais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídico sociais que influíram em sua elaboração. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. A finalidade precípua da previdência complementar é a de complementar os benefícios de aposentadoria daqueles que auferem remuneração superior ao limite imposto para o RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão n. 9202.002.265, Processo n. 36202.002312/200541, Sessão de 08/08/2012, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire) Quanto ao resgate, a Lei 109/01, estabelece os seguintes parâmetros: Art. 8o Para efeito desta Lei Complementar, considerase: I participante, a pessoa física que aderir aos planos de benefícios; e Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 II assistido, o participante ou seu beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada. **************************************************** Art. 14. Os planos de benefícios deverão prever os seguintes institutos, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador: (...) III resgate da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, descontadas as parcelas do custeio administrativo, na forma regulamentada; e **************************************************** Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para plano de benefício de entidade fechada, e ao resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou parcialmente. O resgate é possível, não havendo portanto a desvinculação dele com o regime da previdência complementar, que é regulado inclusive pela SUSEP, conforme disposto em Resolução CNSP, n. 6/97, art. 11 e n. 139/05, art. 56, conforme abaixo se colaciona: Art. 11 – A SUSEP regulamentará: a) A forma de cálculo e de pagamento do resgate a ser oferecido, obrigatoriamente, a qualquer tempo, durante o prazo de diferimento, inclusive no caso de morte ou invalidez do participante; b) O prazo de carência a partir da data de adesão ao plano, para efetivação de pagamento de pedido de resgate; e c) O prazo que intermediará pedidos de resgate de um mesmo participante. *************************************************** Art. 56. Durante o período de diferimento, e na forma regulada pela SUSEP, será permitido ao participante resgatar os recursos da provisão matemática de benefícios a conceder. (...) Parágrafo 4º. Os recursos correspondentes a cada uma das contribuições das pessoas jurídicas no plano de previdência somente poderão ser resgatados após período de carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição. Razão do exposto, e da norma regulamentar acima, do órgão competente para tal, não há que se falar em desvinculação da característica de previdência, para figurar como de caráter salarial. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721262/201120 Acórdão n.º 2403002.310 S2C4T3 Fl. 10 17 Com relação à alegação de que funcionários já em gozo de benefício do RGPS, de filiação compulsória, estariam percebendo aportes de planos privados, isto também não é apto a desvirtuar a natureza de previdência privada dos aportes realizados. Não há qualquer dispositivo legal que impeça que empregados já em gozo de benefício do RGPS, venham a investir em previdência complementar privada. Por todas estas razões, não subsistem motivos para manutenção da autuação fiscal. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o recurso voluntário para preliminarmente, reconhecer a decadência no período de 01/2006 a 09/2006, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN e, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10860.901348/2008-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.116
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 01 34 8/ 20 08 -1 3 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 241 2 Relatório Tratase de análise de PER/DComp nos quais se informou como direito creditório saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário 2004. O PER/Dcomp nº 05868.72792.290905.1.3.036001, com demonstrativo de crédito, foi transmitido em 29/9/05 (fl.8). O Despacho Decisório (fl.07), emitido em 26/8/08 e cientificado ao contribuinte em 29/8/08 (fl.12), teve o seguinte teor: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 31.549,61 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 45.325,33. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: ..... Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008: PRINCIPAL MULTA JUROS 32.058,61 6.411,70 14.075,36 (...)” (destaquei) Dos autos constam três intimações fiscais (fls.1, 3 e 5), cientificadas ao contribuinte em 6/3/07 e 10/9/07 e 5/3/08 (fls.2, 4 e 6). As duas primeiras tiveram o seguinte teor: “O valor do saldo negativo informado é diferente do apurado na DIPJ, e o(s) débito(s) por estimativa informado(s) na DIPJ é (são) diferente(s) do(s) valor(es) declarado(s) na(s) DCTF correspondente(s). A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2005 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 45.325,33 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo: R$ 31.549,61 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 73.094,89 (somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 43 a 50) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 242 3 Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 31.549,61 (Somatório das Informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros trib. Estimativas anocalendário: 2004 ESTIMATIVAS DIVERGENTES PERÍODO DE APURAÇÃO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL MAIO JUNHO VALOR DIPJ (R$) 6.531,92 5.082,23 6.566,15 VALOR DCTF (R$) 6.720,78 5.224,68 6.719,96 PERÍODO DE APURAÇÃO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO VALOR DIPJ (R$) 6.263,99 VALOR DCTF (R$) 3.721,70 Em relação ao valor do saldo negativo e crédito demonstrado, solicita se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Quanto aos débitos por estimativa, retifique a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras. Base legal: art.6º, Parágrafo 1º, inciso II e art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005.” Na última intimação, a divergência entre as estimativas declaradas em DIPJ e DCTF limitouse ao mês de julho de 2004, no valor acima mencionado. De acordo com o “Detalhamento da Compensação” (fls.8/10), não se reconheceu qualquer valor a título de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário 2004. A Quarta Turma da DRJ Campinas (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade para “reconhecer o direito creditório no montante de R$5.053,11, em valores originais referidos a 31/12/2004, homologandose as compensações pretendidas até o limite do crédito reconhecido”, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.166/171): DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. Injustificável admitir, na formação do saldo credor ao final do período anual, estimativas que foram vinculadas a compensação com saldo credor que seria formado pelas próprias estimativas apontadas como débito. ESTIMATIVAS PAGAS. Verificada a vinculação de estimativas a pagamentos confirmados nos sistemas informatizados, admitese tais valores como redução da contribuição social apurada ao final do período de apuração e na formação do saldo negativo. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 243 4 RETENÇÃO NA FONTE. Confirmada em DIRF a retenção do valor pretendido e inexistente nos autos motivação para desconsiderálo, admitese tal antecipação na formação do saldo credor ao final do período. Devidamente cientificado em 17/11/10 (fl.182), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 17/12/10 (fls.183/188), in verbis: “[...] Quanto às compensações efetuadas pelo PER/DCOMP referente ao período de janeiro a março/2004 (1° trimestre) e abril a junho de 2004 (2° trimestre), relata o D. Julgador primário (fls.61 dos autos e fls.7 da r. decisão) que tais compensações foram efetuadas através de saldo negativo tido fictício da CSLL, ou seja, com os valores das próprias estimativas compensadas em cada trimestre, saldo referente à 31.12.2004. Cabe lembrar aos Membros Julgadores desse Conselho, que o D. Julgador primário ao analisar as compensações efetuadas novamente se equivocou como também a RFB, sendo certo que o valor utilizado nas compensações efetuadas é o saldo negativo da Contribuição Social do encerramento do anocalendário de 2003, ou seja, o saldo de balanço em 31.12.2003, como consta da DIPJ / 2004 no valor de R$ 40.272,85. Às. Fls. 8 da r. decisão fls.61v. dos autos o D. Julgador primário declara que os crédito decorrem de seus próprios débitos, mais adiante, admitese como dedução na ficha 17 da DIPJ anocalendário de 2004, somente os períodos de julho a novembro de 2004, quitados por pagamento no total de R$ 31.549,61, mais uma vez o D. Julgador equivocase, pois os valores compensados de janeiro a junho de 2004, (1° e 2° trimestre) foram pagos através da compensação efetuadas com o saldo negativo da CSLL de 31.12.2003 como acima mencionado. Fica claramente demonstrado que as compensações efetuadas foram realizadas por apresentar saldo negativo em 31.12.2003 e não como relata RFB e decisão ora atacada. Portanto, a recorrente dentro do Processo n° 10860.901.348/200813 informou a necessidade de efetuar a retificação da Per/ Dcomp referente ao Saldo Negativo da Contribuição Social em 31/dezembro/2004 nos valores de R$ 31.549,61, para R$ 45.325,33 conforme consta DIPJ Ficha 17 pag.16 (cópia anexa) e descrito no Despacho Decisório constante dos autos. Assim, diante da retificação do valor do saldo negativo Contribuição Social de 31.12.2004, elaboramos o demonstrativo abaixo: ..... As fls.62v. dos autos e fls.10 da r. decisão o D. Julgador primário refaz o demonstrativo da composição do saldo negativo apurado na DIPJ, anocalendário de 2004, sem considerar o período de janeiro a junho de 2004, cuja compensação como já dito foi efetuada através do saldo negativo da CSLL de 31.12.2003, desta forma deveria constar o valor de R$ 71.821,83 e não R$ 31.549,61 cujo saldo negativo seria de R$45.325,33 conforme consta do quadro demonstrativo acima. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 244 5 Diante da explanação acima, concluímos que possíveis equívocos na elaboração das PER/DCOMPs, poderiam ter ocorridos, tão somente com referência a datas e não valores, os quais existem e correspondem a verdade fática, e põem ser objeto de compensação. Com efeito, confirmando o valor de R$ 45.325,33 como saldo negativo da Contribuição Social do anocalendário de 2004 (31.12.2004), passamos a elaborar os demonstrativos de compensações efetuadas dentro dos processos 10860.901346/200816 e 10860.901347/200861 mencionados na r. decisão: ..... Pelo demonstrativo acima, notase que a recorrente não utilizou o total do saldo negativo da Contribuição Social do anocalendário de 2004, restando ainda o valor de R$ 13.266,72, o que desde já protesta pela sua compensação.” (destaquei) Ao final, o Recorrente, além de requerer a homologação das compensações, requereu o cancelamento da cobrança dos débitos, inclusive dos relacionados aos processos nº 10860.901346/200816 e 10860.901347/200861. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Notase que em sua manifestação de inconformidade, apresentada perante a primeira instância, o contribuinte detalhou a composição do saldo negativo nos seguintes termos (fls.13/17): “[...] A Receita Federal do Brasil, buscou em seus Controles de Conta Corrente, pagamentos que pudessem justificar os valores de R$45.325,33 CSLL, compensados no anocalendário de 2005. Acontece porém, por falha administrativa a empresa manifestante, deixou de apresentar na PER/DCOMP que acusasse tais compensações, conforme demonstrativo abaixo: CSLL Estimativa Jan/2004 (Per/Dcomp) 6.720,78 Estimativa Fev/2004 (Per/Dcomp) 5.244,68 Estimativa Mar/2004 (Per/Dcomp) 6.719,96 Estimativa Abr/2004 (Per/Dcomp) 6.617,96 Estimativa Mai/2004 (Per/Dcomp) 7.034,65 Estimativa Jun/2004 (Per/Dcomp) 5.411,90 Estimativa Jul/2004 (Per/Dcomp) 2.542,29 Estimativa Jul/2004 (Darf)) 3.721,70 Estimativa Ago/2004 (Darf) 7.496,64 Estimativa Set/2004 (Darf) 6.965,00 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 245 6 Estimativa Out/2004 (Darf) 6.789,36 Estimativa Nov/2004 (Darf) 6.576,91 71.821,83 CSLL Ret. Fonte p/ Outras PJ (Lei n. 10.833/2003) 1.273,06 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL EM 31/DEZ/2004 27.769,56 CSLL A RECUPERAR () 45.325,33 Estimativa Jan/2005 (Per/Dcomp) 5.770,90 Estimativa Fev/2005 (Per/Dcomp) 5.830,94 Estimativa Mar/2005 (Per/Dcomp) 6.325,61 Estimativa Abr/2005 (Per/Dcomp) 3.088,91 Estimativa Mai/2005 (Per/Dcomp) 4.782,43 Estimativa Jun/2005 (Per/Dcomp) 3.231,10 Estimativa Jul/2005 (Per/Dcomp) 3.028,72 Diferença Existente () 13.266,72 [...]” Por sua vez, a Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP) procedeu à “...verificação de consistência dos dados disponíveis nos sistemas de processamento da RFB, segundo o critério adotado na análise automática do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) em litígio, em confronto às informações constantes das DCOMP formalizadas pela contribuinte, cujas compensações restaram não homologadas nos autos.” Foram confirmados os recolhimentos referentes às estimativas de julho a novembro de 2004, que totalizaram R$ 31.549,61. Quanto às estimativas de janeiro a junho de 2004, teriam sido objeto de compensação mediante as DCOMP nº 26583.62424.110504.1.3.03.2333 e 20330.60776.110804.1.3.03.6295. Em primeira instância, constatouse que em tais declarações foram informados como direito creditório saldos negativos de CSLL apurados nos mesmos 1º e 2º trimestres de 2004, o que era incompatível com a opção de apuração anual, tendo sido acolhido o pleito de cancelamento: “Tendo em conta que as estimativas de janeiro a junho não foram regularmente amortizadas, mas indicadas como débito nas DCOMP nos 26583.62424.110504.1.3.03.2333 e 20330.60776.110804.1.3.03.6295, cujos créditos decorrem de seus próprios débitos, evidenciando a excepcionalidade deste caso e a ocorrência de erro manifesto, dada a impossibilidade de as estimativas não quitadas porque compensadas, gerarem crédito para compensação das próprias estimativas, impõese admitir o pleito da interessada de cancelamento das referidas DCOMP e, em consequência, que não se considere seus valores na formação do saldo credor apurado ao final do período e analisado no presente processo.” Sendo a importância de R$ 1.273,06, declarada a título de “CSLL Ret. Fonte p/ Outras PJ”, confirmada, reconheceuse o saldo negativo de R$ 5.053,11 e a consequente homologação das compensações até tal limite: “Assim, partindo dos dados coletados nos sistemas da RFB e demonstrados nas tabelas supra, refazse a composição do saldo negativo apurado na DIPJ, anocalendário 2004, tendo em conta os valores declarados em DCTF, como segue: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 246 7 CSLL devida 27.769,56 () CSLL mensal por estimativa 31.549,61 () retenções da fonte 1.273,06 (=) Saldo negativo de CSLL 5.053,11 [...]” Vêse, portanto, que à luz das declarações apresentadas pelo contribuinte as extinções das estimativas de janeiro a junho de 2004 não se confirmaram, tendo sido esta a razão do não reconhecimento integral do saldo negativo. Acrescentese que no acórdão da DRJ determinouse à unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o cancelamento daquelas DCOMP, objeto dos processos nº 10860.901347/200861 e 10860.901346/200816, exatamente “...para que os débitos de estimativas de janeiro a junho/2004 nelas veiculados não se tornem passíveis de integrar saldo credor aqui tratado”. Conforme relatado, no recurso voluntário informouse que a origem do direito creditório para a compensação de tais estimativas seria, na realidade, o saldo negativo apurado ao final do anocalendário 2003, no valor de R$ 40.272,85, conforme DIPJ (fl.189). Notese que as estimativas de janeiro a julho de 2004, declaradas como extintas por compensação, totalizaram R$ 37.729,93: Mês Valor (R$) Janeiro 6.720,78 Fevereiro 5.224,68 Março 6.719,96 Abril 6.617,96 Maio 7.034,65 Junho 5.411,90 Julho 2.542,29(*) Total 37.729,93 (*) parcela objeto de compensação Considerando o saldo negativo de CSLL ao final do anocalendário 2003, informado na DIPJ/2004, em tese suficiente para extinguir as estimativas de janeiro a julho (parcial) de 2004, não se descarta o cometimento de erro por parte do contribuinte ao preencher as DCOMP. Frisese que a RFB, quando do julgamento em primeira instância, reconheceu, ao constatar que o contribuinte informara que os créditos decorreriam dos próprios débitos, “...a ocorrência de erro manifesto”. Por outro lado, a simples informação na DIPJ a respeito da apuração do saldo negativo não é suficiente para o reconhecimento do direito creditório, dada a necessidade de apuração de sua certeza e liquidez, como exige o art.170 do Código Tributário Nacional. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10860.901348/200813 Resolução nº 1103000.116 S1C1T3 Fl. 247 8 É importante observar que, coerentemente, a alegação da defesa deveria ser apreciada nos processos nº 10860.901346/200816 e 10860.901347/200861, que trataram exatamente da compensação das estimativas de janeiro a março/2004 e de abril a junho/2004, respectivamente, restando nos presentes autos aplicar as respectivas decisões. Porém, de acordo com a decisão de primeira instância, as Dcomp foram canceladas, de forma que não há outra saída senão, a partir da confirmação do cometimento de erro por parte do contribuinte, trazer a discussão para os autos ora sob julgamento. Sendo assim, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, e considerando as particularidade do caso acima relatadas, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) verifique a liquidez e certeza do saldo negativo apurado de CSLL apurado ao final do ano calendário 2003, inclusive se não foi empregado em outras compensações, bem como se o quantum disponível é suficiente para a extinção das estimativas de janeiro a julho (parcial) de 2004; b) explicite o valor do saldo negativo de CSLL ao final do anocalendário 2004, passível de restituição/compensação; b) elabore relatório circunstanciado sobre as providências adotadas; c) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar contrarrazões em face do relatório no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; d) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10930.721103/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2012
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2012 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 67 1 66 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.721103/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.751 – 1ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente VILELA VILELA & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2012 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 11 03 /2 01 2- 10 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 68 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 21, com a exigência do crédito tributário no valor de R$73.484,49 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 24.02.2012 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de março do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 20.05.2011. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0220, com as alegações a seguir transcritas: II. PRELIMINARMENTE II.I INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.426/02 INFRINGÊNCIA ART. 146, III, "B" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL OBRIGAÇÃO INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. Obrigação em matéria tributária ter que ser instituída por lei complementar. Competência tributária, nos termos do art. 7° do CTN, é indelegável, e a CF/88 dispôs que a competência para legislar sobre matéria tributária é do Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 69 3 Congresso Nacional. Refere que, nos termos do art. 146, inciso III, letra 'b', da CF, somente a lei complementar pode estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, portanto somente lei stritu sensu pode estabelecer penalidades para ações ou omissões contrárias à legislação tributária, conforme dispõe o art. 97, inciso V. do CTN, ou seja, a CF diz que para se cobrar algo de um contribuinte em matéria tributária no caso, obrigação deve ser instituída por lei complementar. Ora, a lei 10.426, de 20/04/2002 não é complementar e sim ordinária, a obrigação por ela instituída infringiu o artigo 146, III, b da Constituição Federal, portanto é inconstitucional. Leis complementares e normais gerais não se confundem, embora, muitas vezes, sejam utilizadas equivocadamente como sinônimas. A lei é ente legislativo, a norma, ente lógico. Uma das finalidades da lei complementar é introduzir as Normas Gerais do Direito Tributário no sistema jurídico, outra é dispor sobre os institutos, categorias e formas jurídicas, porque a matéria que ela veicula são de importância capital no sistema jurídico em geral e especialmente no tributário, como se vê nos institutos do crédito, da prescrição, decadência, base de cálculo, contribuintes e lançamento, entre outros. [...] II. II MULTA CONFISCATORIA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V DA CF/88 A multa fixada no presente auto de infração é excessiva e desproporcional. [...] 0 atraso na entrega da DCTF, ainda que caracterize um ilícito legislação fiscal que estipula prazo para a entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não apresentará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. Diante do exposto, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não considerar como base o valor do tributo declarado, pelo fato de não haver dispositivo legal que prescreva tal exigência. É necessário um vinculo de proporcionalidade e razoabilidade entre o ilícito e a pena cominada em lei. [...] II.III MULTA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A simples existência de dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega de DCTF, calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida. Isto porque, se é verdade que o ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais, não é menos verdade que este mesmo ato deverá, antes de mais nada, observar as normas e princípios constitucionais vigentes. [...] O mesmo se diga quanto ao principio da razoabilidade, também muito caro ao ordenamento constitucional brasileiro, que igualmente encontra amparo na concepção de Estado Democrático de Direito. [...] Como vedação ao arbítrio do legislador, o principio da proporcionalidade [...], determina que este, em seu mister, deve conduzir a produção legislativa em harmonia com todo o sistema jurídico, havendo ainda que cuidar para que o fim pretendido pela norma (bem jurídico tutelado) seja atingido através de meios menos gravosos ao ordenamento e aos direitos e garantias dos cidadãos. [...] Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 70 4 Não observando os princípios constitucionais„ ainda que o poder legislativo estabeleça por lei determinada conduta ou sanção, esta poderá ser considerada inválida. Assim, o atraso na entrega da DCTF , não representa falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento, não trazendo qualquer prejuízo ao Erário Federal, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. [...] Aliás, como já foi dito, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado. Razoável e legal, na legislação vigente, a aplicação de multa de mora ou de multa de oficio para tributo não pago, com base em um percentual do imposto devido, já que a Fazenda estará privada do ingresso da receita, causandolhe prejuízos ao Erário. Já no tocante as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, tal medida não deve ser aplicada, pois se trata sancionar a obrigação de entrega, e não pela falta de recolhimento de tributo. [...] Afinal, embora a multa por descumprimento de obrigação acessória não seja tributo (mas sanção), o CTN expressamente os equipara, pois as multas, quando aplicadas, tornamse igualmente obrigações tributárias principais (art. 113, § 4° do CTN). Assim sendo, o princípio do não confisco encontra abrigo também para os casos de multas oriundas de obrigação acessória. [...] II. IV. AUTO DE INFRAÇÃO VICIO FORMAL Assinatura Eletrônica / Digital Desde que os meios informatizados, se tornou um meio interativo capaz de realizar transações comerciais, ser meio eficaz de acordos, via de comunicação entre pessoas civis e jurídicas, que a questão da segurança sempre esteve como elemento garantidor do sucesso dessas atividades e, em função deste elemento, ressurgiram os modos de cifrar as mensagens, de forma que apenas o remetente e o receptor possam ter acesso ao teor dos documentos envolvidos através de um meio técnico absolutamente pessoal para o sucesso dessas relações. [...] Ocorre que conforme discorremos acima, esta assinatura digital que se apresenta de forma cifrada não é a mesma assinatura que temos conhecimento, já que não guarda com esta as necessárias semelhanças capazes de equiparálas. [...] Entendemos que a firma que a lei se refere é a assinatura que pode ser arquivada nos Cartórios e comprovada por meios grafológicos e não uma simbologia que não possui as características de uma marca pessoal aposta em um documento físico. [...] Assinatura é ato pessoal, físico e intransferível. Dado codificado digital é uma seqüência de bits, representativos de um fato, registrados em um programa de computador. [...] III. MÉRITO III.I. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 71 5 A palavra denúncia no art. 138 do Código Tributário Nacional, é a comunicação feita espontaneamente pelo infrator da legislação tributária autoridade competente, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração. Essa denúncia é configurada pela espontaneidade do infrator ao fazer tal comunicação anterior a qualquer procedimento administrativo, ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A exclusão da responsabilidade do infrator, e conseqüentemente de sua punibilidade, é o efeito da denúncia espontânea da infração. 0 legislador pretendeu estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiou o contribuinte que, por qualquer razão, resolve regularizar a sua situação fiscal e para isto procura a autoridade administrativa competente espontaneamente. No caso em tela, a Impugnante apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fora do prazo devido, porém anterior a qualquer intimação por parte da autoridade administrativa competente. Configurase, denúncia espontânea. [...] Entender que o art. 138 do Código Tributário Nacional não se aplica ao simples descumprimento de obrigações acessórias, nem ao simples atraso no pagamento, obrigação principal, nos leva a entender que a denúncia espontânea somente seria aplicável nos casos de descumprimento de ambas as obrigações. Pois, não é razoável garantir o estimulo ao referido dispositivo apenas para os casos de infrações mais graves, onde a Administração Tributária encontrase menos aparelhada para formular a exigência do tributo, e por isso o prêmio poder ser considerado mais necessário, do ponto de vista do interesse da arrecadação, não é menos certo que concedêlo somente aos contribuintes que se encontram na total inadimplência constitui evidente estimulo Aqueles que vêm cumprindo a lei, embora parcialmente, para que passem ao inadimplemento total. Portanto, a denúncia espontânea aplicase tanto a infrações da obrigação tributária principal (que têm por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária) como à obrigação acessória (prestações positivas ou negativas exigidas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 0 texto legal não faz qualquer menção ao tipo de infração, abrangendo a todos, atingindo em conseqüência as infrações substanciais e formais. 0 artigo em pauta aplicase indistintamente a qualquer infração da legislação tributária. [...] Portanto, ocorrendo denúncia espontânea, nenhuma penalidade deverá ser imposta ou exigida do contribuinte. Esta é a melhor inteligência do art. 138 do CTN. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante do exposto, requer que seja recebida e dado provimento a IMPUGNAÇÃO apresentada na preliminar ou mérito, e, se "a absurdum" mantida a exigência fiscal, que seja reduzida o valor da multa para R$500,00, com a devida redução de 50%. N. Termos, pede e espera deferimento Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 72 6 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0639.847, de 20.03.2013, fls. 3540: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Notificada em 11.04.2013, fl. 43, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2013, fls. 4563, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 73 7 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (a) a qualificação do notificado, (b) o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação, (c) a disposição legal infringida e (d) a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico2. Examinando a peça de defesa a Recorrente fez tãosomente a descrição do procedimento de assinatura normal e de assinatura digital nos atos administrativos. Em relação à assinatura, na presente Notificação de Lançamento emitida por processo eletrônico essa formalidade é prescindível, em conformidade com a legislação de regência. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 74 8 aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 75 9 No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 76 10 (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 24.02.2012 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de março do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 20.05.2011. A multa isolada formalizada na presente Notificação de Lançamento está calculada no percentual de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) com 50% (cinqüenta por cento), pois a DCTF foi apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Por falta de permissivo legal não tem cabimento a aplicação da multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais). A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.721103/201210 Acórdão n.º 1801001.751 S1TE01 Fl. 77 11 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10120.722944/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA. MUDANÇA DE OPÇÃO. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO.
Sendo um opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação como é o caso do lucro real, isso configura o exercício de uma opção, e não um erro, mormente quando se alega que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
É de se manter a multa qualificada, quando não se confirmam as alegações apresentadas na impugnação, de que a infração reiteradamente praticada que motivou a qualificação seria decorrente de mero equívoco cometido pelo sujeito passivo.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática.
Numero da decisão: 1401-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões no que concerne a multa qualificada.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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REIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. MUDANÇA DE OPÇÃO. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO. Sendo um opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação como é o caso do lucro real, isso configura o exercício de uma opção, e não um erro, mormente quando se alega que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É de se manter a multa qualificada, quando não se confirmam as alegações apresentadas na impugnação, de que a infração reiteradamente praticada que motivou a qualificação seria decorrente de mero equívoco cometido pelo sujeito passivo. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 29 44 /2 01 2- 71 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 437 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões no que concerne a multa qualificada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 438 3 Relatório Tratase de analisar recurso voluntário perante Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 192/244, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, incluindo juros de mora e multa proporcional qualificada, no montante de R$ 618.016,83: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 159.155,93 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 458.860,90 De acordo com a descrição dos fatos, nos anoscalendário fiscalizados a contribuinte apresentou DIPJ e DCTF em que apurou valores a recolher que foram calculados a partir de receitas de vendas e de prestação de serviços inferiores às registradas em sua escrituração comercial e fiscal, motivando o lançamento de ofício para exigir o imposto e a contribuição devida sobre as receitas omitidas, conforme planilha de cálculo à fl. 189, integrante dos autos. Diante da prática reiterada por dois anos consecutivos, com o objetivo de reduzir os montantes devidos, conduta que se coaduna com o previsto no art. 71, inciso I, da Lei n°. 4.502, de 1964, autor do procedimento entendeu aplicável a multa de ofício qualificada de 150% e formalizou Representação Fiscal para Fins Penais nos autos do processo identificado sob o n°. 10120.723077/201291, apenso. De outra parte, por considerar a prática destes atos contrária à lei, foi responsabilizado o sócioadministrador à época da ocorrência dos fatos geradores, SR. SÁVIO GOMES DO NASCIMENTO, com suporte legal no art. 135, III, do CTN, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de imagem reproduzida às fls. 190/191. Cientificados das exigências por via postal em 28/03/2012 (AR reproduzidos às fls. 247/248), a autuada e o sócioadministrador responsabilizado solidariamente apresentaram em 25/04/2012 petição impugnativa conjunta, acostada às fls. 254/366, contrapondose ao procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados. Segundo afirma a impugnante, a causa fundamental das discrepâncias detectadas pelo Fisco se deve ao fato de que cometeu erro ao efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL utilizando os códigos de receita da tributação pelo lucro presumido, quando, na realidade, optou pela tributação com base no lucro real, como se observa nas DIPJ dos anoscalendário de 2008 e 2009. Ainda mais, a partir da publicação da IN 104, de 1998, a receita bruta também poderá ser considerada pelo regime de caixa, o que afasta a possibilidade de apurar o IRPJ e a CSLL devida apenas com base na receita de prestação de serviços escriturada no Livro Razão. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 439 4 Dessa forma, nem a autuada nem o responsável solidário tiveram a intenção de burlar a legislação ou recolher menos que o devido, pois no regime do lucro real são permitidas as deduções admitidas em lei, informadas em suas DIPJ. Conseqüentemente, não há razão de ser para a alegação do Fisco de que teria prestado falsas declarações, o que afasta a imposição da multa estampada nos autos de infração, aplicadas em seu grau máximo. Em outra hipótese, a elevação da multa também não se justifica, eis que a autuada respondeu às intimações formuladas, mas, por culpa dos Correios ou do responsável pelo recebimento, as informações prestadas não chegaram ao conhecimento do autor do feito. Eventualmente, se não acatados seus argumentos, requer que dos valores exigidos sejam compensados os valores pagos sob as rubricas do lucro presumido, sob pena de configurarse enriquecimento sem causa. Por fim, requer que todas as publicações sejam endereçadas ao advogado que subscreve a petição impugnativa, reservandose o direito de produzir outras provas necessárias, cujo rol será apresentado oportunamente. A petição trouxe a instruíla os recibos de entrega das DIPJ e DCTF relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009, bem como os DARF recolhidos. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa a baixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. ALEGAÇÃO DE ERRO. INEXISTÊNCIA. Inaceitável o argumento de que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. É de se manter a multa qualificada, quando não se confirmam as alegações apresentadas na impugnação, de que a infração reiteradamente praticada que motivou a qualificação seria decorrente de mero equívoco cometido pelo sujeito passivo. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DE MANDATÁRIO. A legislação processual não prevê a realização da intimação no domicílio profissional do mandatário, quando este representa o sujeito passivo na impugnação. PROVAS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 440 5 A legislação reserva ao sujeito passivo o direito de apresentação de provas na impugnação, ficando precluso fazêlo em outro momento processual, salvo nos casos excepcionais expressamente admitidos. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório Fl. 440DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 441 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Delimitação da Lide O Termo de responsabilidade tributária onde foi arrolado o Sr. Sávio Gomes do Nascimento está fora da lide, uma vez que o mesmo não compareceu aos autos para se defender a respeito dessa atribuição de responsabilidade tributária. Mérito Conforme relatado, tratase de autos de infração (IRPJ e CSLL) onde fora constatada diferenças entre o que foi escriturado nos livros fiscais e o declarado em DIPJ e DCTF, conforme tabela a baixo: S Gomes & M Reis Ltda. Receitas de Combustíveis Mensal RAICMS Trimestral RAICMS DIPJ Receitas de Diferenças a Lançar Receitas DIPJ Diferenças Valores a Deduzir da Período CFOP 5.656 CFOP 5656 (1) Combustíveis (2) (3 = 1 2 ) CSLL (Coef. 12%) (4) CSLL/IRPJ (5=42) CSLL Lançada (9%x(5)) jan/2008 R$760.399,24 R$2.034.104,94 R$248.056,38 R$1.786.048,56 fev/2008 R$663.996,01 mar/2008 R$609.709,69 abr/2008 R$824.919,00 R$2.097.647,02 R$165.897,60 R$1.931.749,42 mai/2008 R$658.674,94 jun/2008 R$614.053,08 jul/2008 R$733.059,28 R$2.016.659,03 R$112.452,70 R$1.904.206,33 ago/2008 R$627.316,57 set/2008 R$656.283,18 out/2008 R$737.156,78 R$2.179.223,38 R$198.659,70 R$1.980.563,68 nov/2008 R$702.952,27 dez/2008 R$739.114,33 jan/2009 R$723.480,45 R$2.008.422,59 R$100.298,60 R$1.908.123,99 R$144.659,10 R$44.360,50 R$3.992,45 fev/2009 R$617.722,89 mar/2009 R$667.219,25 abr/2009 R$618.137,73 R$1.943.462,70 R$155.788,60 R$1.787.674,10 R$188.988,30 R$33.199,70 R$2.987,97 mai/2009 R$634.359,92 jun/2009 R$690.965,05 jul/2009 R$610.205,92 R$1.777.945,60 R$149.361,30 R$1.628.584,30 R$174.654,30 R$25.293,00 R$2.276,37 ago/2009 R$543.119,18 set/2009 R$624.620,50 out/2009 R$657.642,38 R$1.968.852,14 R$83.908,60 R$1.884.943,54 R$146.891,30 R$62.982,70 R$5.668,44 nov/2009 R$611.891,39 dez/2009 R$699.318,37 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 442 7 Cabe salientar que o contribuinte declarou nas DIPJ e DCTF, nos dois anos autuados, que optara pela tributação com base na sistemática do lucro presumido. Na fase inquisitiva não prestou esclarecimentos à fiscalização com relação a enorme discrepância entre receitas declaradas por uma lado para o fisco estadual nos livros fiscais e Fisco Federal através das respectivas DIPJs. A Recorrente declarou ao Fisco Federal uma média abaixo de dez por cento do que declarara ao Fisco Estadual. Em sede impugnatória e agora recursal, se utiliza como único argumento de defesa o fato de seu contador ter cometido erro ao indicar o regime de tributação. Segundo ela, a diferença se justificaria pelo fato de na prática ter optado pelo lucro real e não pelo lucro presumido, a despeito de ter indicado nas DIPJ e DCTF o regime do lucro presumido e ter recolhido os DARF com o código de receita relacionado ao lucro presumido, conforme manda a legislação. Ora, não tem lógica nenhuma a sua argumentação. Em primeiro lugar, à luz do Direito, a opção pelo lucro presumido é irretratável ao longo do ano e se confirma com os recolhimentos de DARF com o código correspondente, como foi o caso. Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º). § 2º Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º ). § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). § 5º O imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). Nem se alegue ainda que informara às DIPJ pelo lucro real, como acontece no mais das vezes, pois apresentara as DIPJ de fls. 139/170, indubitavelmente pelo lucro presumido. E para não restar mais dúvidas ainda informara as DCTF também como estando pelo lucro presumido.Portanto, o regime de tributação eleito pela contribuinte nos anos calendário de 2008 e de 2009 foi indubitavelmente o do lucro presumido, e foi em cima desse regime que se deu a tributação da diferença de receitas não declaradas. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 443 8 Segundo, mas quem sabe até mais importante, esse arrazoado nem mesmo justifica a enorme discrepância na declaração das receitas, mesmo se esforçando para alegar que no regime de lucro presumido as receitas poderiam ser declaradas pelo regime de caixa. A esse respeito a DRJ refuta inexoravelmente essa justificativa sem que em sede recursal a Recorrente se dê ao trabalho de escrever uma única linha a fim de refutála. Por pertinente, adoto então as razões de decidir da DRJ a esse respeito: Outra argumentação que igualmente desmorona, à luz das peças probatórias constantes dos autos, é a de que também a discrepância se deveria à circunstância de a empresa utilizar o regime de caixa no reconhecimento de suas receitas e a fiscalização ter considerado o regime de competência, baseandose na receita de prestação de serviços escriturada no Razão. As páginas do livro Razão mostram que as receitas da espécie foram todas escrituradas na rubrica 3.1.02.001(111) SERVIÇOS PRESTADOS À VISTA, o que é suficiente para sepultar a justificativa da impugnante. É certo que desde a edição da IN SRF n°. 104, de 1998, admitiuse que a pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido adotasse o critério de reconhecimento de suas receitas pelo regime de caixa, mas apenas na hipótese ocorrer o recebimento a prazo ou em parcelas, o que por óbvio, não se aplica às operações à vista, como as retratadas no livro Razão examinado pela fiscalização. Aliás, neste aspecto, não há como passar despercebido o detalhe de que a defesa peca por incoerência, na medida em que é inaugurada com a afirmação de que a impugnante seria tributada pelo lucro real, e, em seguida, invoca um dispositivo normativo aplicável exclusivamente ao regime do lucro presumido. Por consectário, não se sustenta a justificativa de que as insuficiências de recolhimento detectadas nasceram de mero lapso ou procedimento equivocado do sujeito passivo, e, uma vez refutada esta explicação, impõese a aplicação da multa qualificada, que, convém esclarecer, não se trata de penalidade majorada por falta de atendimento a intimação do Fisco, mas pela prática reiterada de apresentar declarações inverídicas com o escopo de reduzir o recolhimento do tributo e da contribuição devida. Por fim, sempre adotei a linha de entendimento de que diante de uma opção legal, a sua escolha espontaneamente não se constitui em erro, mas mera opção. A não indicação de regime pelo lucro real, assim como, por exemplo, o não aproveitamento dos prejuízos fiscais, não configuram erros, pois são opções dentro do sistema perfeitamente possíveis. E se é uma opção perfeitamente possível não há maneira de se demonstrar que o não exercício desse direito foi um erro, a não ser com uma carga de prova muito grande por parte do interessado, o que de fato não aconteceu. Concluise portanto que, se houve opção equivocada da autuada, e ela não efetuou opção diferente, em momento e condições oportunas, não o pode fazer agora, após o lançamento de ofício. Também não muda a ordem das coisa o fato de ter alegado que os DARF foram recolhidos em periodicidade trimestral. Ora, o lucro presumido também tem periodicidade trimestral e foi essa periodicidade que adotou em suas respectivas declarações. Logo tal fato não prova nada. Em relação aos valores recolhidos sob o regime de lucro presumido cujo aproveitamento se requer, na apuração das exigências lançadas de ofício, também não cabe Fl. 443DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 444 9 melhor sorte à Recorrente, uma vez que fora autuada por diferenças entre o escriturado e declarado. Ou seja, a base de cálculo foi constituída tão somente de omissões de receitas e os valores recolhidos não podem ser compensados, pois estão ligados às bases efetivamente declaradas e que estão fora da autuação. Portanto, mantenho o lançamento a esse respeito. .MULTA QUALIFICADA – 150% Segundo descrição dos fatos no auto de infração: (...)A aplicação da multa de 150% devese ao fato de que o contribuinte prestou declarações com informações falsas à Receita Federal (DIPJs) por dois anos consecutivos (2008 e 2009), já que sua escrituração contábil e fiscal registrava valores de receitas bem superiores às declaradas, com o fim de reduzir o montante dos tributos devidos (IRPJ e CSLL), conduta esta que se coaduna ao art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, o que implica a qualificação da multa.(...) Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que, por si só, caracterizaria ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Tenho pautado os meus votos no sentido de que a “prática reiterada” de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Cabe salientar ainda que a partir da nova redação do art.44 da Lei n° 9.430/96, conferida definitivamente pela Lei n° 11.488/07, essa tese ganha até mais força, pois pela nova redação seria suficiente para a qualificação da multa de ofício a caracterização, em tese, de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, não mais substindo a necessidade de provar ”evidente intuito de fraude”. Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários períodos de apuração (dois anos) ocultou do Fisco Federal o Fl. 444DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.722944/201271 Acórdão n.º 1401001.052 S1C4T1 Fl. 445 10 efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, deixando de declarar valores expressivos de receitas,. E não se alegue que o caso não comportaria a consciência do ilícito praticado. Embora não seja o caso aqui de se rediscutir o mérito, como ficou bem demonstrado no presente voto a defesa não logrou êxito em sensibilizar minimamente o convencimento de que a grande discrepância de tributação se deveu a mero erro de fato na indicação do regime de tributação. Dessa forma, a prática de omitir receitas de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Nesse contexto, de fato não se pode imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. CSLL. Lançamento reflexo Por fim, tendo se em vista que, quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, fato motivador foi o mesmo relativo ao IRPJ, aplicase a esse assunto as razões esposadas no voto relativas ao IRPJ. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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