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Numero do processo: 10660.720537/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA.
A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa durante a fiscalização e na fase litigiosa, inocorre o cerceamento de defesa e é incabível a alegação de nulidade processual.
FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE.
Sendo o lançamento omissão de receita baseado na contabilidade, não há necessidade de intimação prévia ao lançamento das receitas operacionais escrituradas e não declaradas.
SIGILO BANCÁRIO.
Não há que se falar em sigilo bancário quando os extratos utilizados pelo Fisco foram fornecidos pelo próprio contribuinte.
RECEITAS NÃO DECLARADAS: CSLL.
O lançamento reflexo deve ter a mesma sorte do lançamento principal (IRPJ).
UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF.
É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof).
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. DESCABIMENTO.
Não tendo sido utilizada a Requisição de Movimentação Financeira - RMF, prevista na Lei Complementar 105/2001, para a obtenção dos extratos bancários do sujeito passivo descabe falar em sobrestamento do processo, nos termos do art. 62-A do RICARF.
PIS/PASEP. COFINS. ASPECTO TEMPORAL
Deve ser cancelado o lançamento que não observou o período de apuração mensal destas contribuições.
Numero da decisão: 1101-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takega Taga.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa durante a fiscalização e na fase litigiosa, inocorre o cerceamento de defesa e é incabível a alegação de nulidade processual. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. Sendo o lançamento omissão de receita baseado na contabilidade, não há necessidade de intimação prévia ao lançamento das receitas operacionais escrituradas e não declaradas. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em sigilo bancário quando os extratos utilizados pelo Fisco foram fornecidos pelo próprio contribuinte. RECEITAS NÃO DECLARADAS: CSLL. O lançamento reflexo deve ter a mesma sorte do lançamento principal (IRPJ). UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof). REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. DESCABIMENTO. Não tendo sido utilizada a Requisição de Movimentação Financeira - RMF, prevista na Lei Complementar 105/2001, para a obtenção dos extratos bancários do sujeito passivo descabe falar em sobrestamento do processo, nos termos do art. 62-A do RICARF. PIS/PASEP. COFINS. ASPECTO TEMPORAL Deve ser cancelado o lançamento que não observou o período de apuração mensal destas contribuições.
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A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa durante a fiscalização e na fase litigiosa, inocorre o cerceamento de defesa e é incabível a alegação de nulidade processual. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. Sendo o lançamento omissão de receita baseado na contabilidade, não há necessidade de intimação prévia ao lançamento das receitas operacionais escrituradas e não declaradas. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em sigilo bancário quando os extratos utilizados pelo Fisco foram fornecidos pelo próprio contribuinte. RECEITAS NÃO DECLARADAS: CSLL. O lançamento reflexo deve ter a mesma sorte do lançamento principal (IRPJ). UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 05 37 /2 01 3- 01 Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.652 2 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. DESCABIMENTO. Não tendo sido utilizada a Requisição de Movimentação Financeira RMF, prevista na Lei Complementar 105/2001, para a obtenção dos extratos bancários do sujeito passivo descabe falar em sobrestamento do processo, nos termos do art. 62A do RICARF. PIS/PASEP. COFINS. ASPECTO TEMPORAL Deve ser cancelado o lançamento que não observou o período de apuração mensal destas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takega Taga. Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.653 3 Relatório INDÚSTRIA DE PAPEIS PARA EMBALAGENS IRMÃOS SIQUEIRA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de JFA/MG que, por UNANIMIDADE de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 12/03/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$19.994.063,46 (imposto/contribuição, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora até o lançamento), relativos a: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ : R$11.564.151,13 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL: R$4.151.176,41 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS: R$3.515.501,94 Contribuição para o PIS/PASEP: R$ 763.233,98 A exigência tributária teve como suporte infração caracterizada pela falta de recolhimento de receitas escrituradas e não declaradas. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, extraído do Termo de Verificação Fiscal, que por bem retratar os fatos, ora transcrevo: “(...) Cotejando os valores escriturados nos balancetes mensais com aqueles lançados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e DCTF, foram apuradas as diferenças apontadas, tendo estas sido tributadas, sumariamente, através do presente auto de infração. Tais diferenças referemse a valores em contas correntes bancárias, para as quais foram criadas as subcontas 1010020.2 "BANCO DO BRASIL CTA 101494" ; 1010021.9 "BANCO DO BRASIL CTA 57439" ; 1010022.6 "BANCO ITAU CTA 24" ;1010020.2 "BANCO SICOOB CTA 514543" 1010020.2. Além também foram criadas as subcontas 1000003.6 "CAIXINHA MATRIZ"; 1000004.3 "CAIXINHA SÃO PAULO"; todas contendo valores escriturados nos Balancetes Mensais apresentados, porém excluídos dos valores declarados nas DIPJ/DCTF. Essas subcontas apresentam, basicamente, lançamentos relacionados a COBRANÇA, conforme se depreende dos extratos bancários apresentados (DOC 24 a 40) . A contrapartida de tais lançamentos ocorre na conta "DUPLICATAS A RECEBER", refletindo, inequivocamente, valores 'recebidos pela empresa a titulo de venda, porém, não declarados (DOC 16 a 18). A diferença refletida pelos saldos credores apresentados nas contas "CAIXINHAS" e "DUPLICATAS A RECEBER" é compatível com as informações contidas nas DIMOF Anos calendário 2008 e 2009. As planilhas elaboradas pela fiscalização (DOC 07 e 08) contém os detalhamentos de tais ocorrências em suas fls. 02. Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.654 4 Da análise dos extratos bancários (DOC 24 a 40) relativos às contas acrescentados na rubrica "BANCOS CONTA MOVIMENTO" (DOC 16, 17 e 18 Fls. 01, para todos), concluise que os lançamentos efetuados em tais contas referemse a movimentação de recursos originários de "COBRANÇA". Ou seja, os valores creditados nessas contas são provenientes de recebimentos de títulos, que só podem originarse de vendas não escrituradas. Portanto, foram acrescidos, na apuração da base de cálculo do Lucro Real Trimestral dos anos –calendário de 2008 e 2009, os valores lançados na subconta "CLIENTESOUTROS" nos Balancetes Mensais, não informados nas DIPJ/DCTF. (...) A ocorrência de eventos que representam ao mesmo tempo fato gerador de vários tributos implica na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários a eles vinculados. No caso em tela, relativamente a tais lançamentos, cumpre assinalar que o lançamento do IRPJ impõe as exigências fiscais dele decorrentes quanto á CSLL, COFINS e PIS/PASEP. (...) considerandose que os fatos descritos neste Termo, configuram crime contra a ordem tributária, objetivando a supressão ou redução de tributo, mediante a prestação de informação e/ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações realizadas com o fito único de sonegar impostos e contribuições, será proposta Representação Fiscal para Fins Penais através do Processo Administrativo Fiscal n° 10660.720540/201316.” A contribuinte inconformada, impugnou a exigência fiscal em 10/04/2013 (fls. 3419 a 3442), alegando em síntese que: “(...) Para que possam ser utilizados contra o contribuinte os dados da sua movimentação bancária, o RIR determina, como pressuposto indispensável, que ele seja, primeiramente, intimado a comprovar a origem, dos créditos, como se lê no seu artigo 849 (...) (...) como não houve tal intimação, ocorreu um flagrante cerceamento do direito de defesa da Impugnante, pelo que requer, preliminarmente, que seja decretada a NULIDADE DOS LANÇAMENTOS, tanto do principal como dos dele decorrentes na forma que o CARF Conselho Administrativo de Recursos Federais decidiu no Acórdão n° 10246.465 (...) (...) o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL reconheceu a utilização da movimentação bancária para obter aos valores tributados, como sendo de omissão de receita, sob n° "2.1", quando declarou: "Tais diferenças referemse a valores em contas correntes bancárias," pelo que se reitera o pedido de NULIDADE DOS LANÇAMENTOS (...) O procedimento fiscal, consistente em servirse de dados da DlMOF Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira, colide frontalmente com a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 389.808 (...) Registrese que as decisões do Plenário do STF têm força vinculante para toda a Administração Pública,(...) Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.655 5 (...) a PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL dispensou os procuradores de contestarem ou recorrerem quando a questão já tiver sido definida pelo Plenário do STF (Portaria PGFN n° 294/10, em cópia inclusa, doe.5). A efetiva quebra extrajudicial do sigilo bancário da Impugnante foi reconhecida, expressamente, pela Fiscalização, no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/04/12 (...) A INDÚSTRIA DE PAPÉIS PARA EMBALAGENS IRMÃOS SIQUEIRA LTDA impugna integralmente todos os mencionados "Balancetes de Verificação" utilizados pela Fiscalização, porque os desconhece, assim como seus valores,demonstrações, supostas conciliações e conclusões, declarando que não os firmou, nem seus prepostos o fizeram, como neles se vê, sendo, pois, todos, papéis apócrifos, por isso que discorda que sejam utilizados como "prova" contra ela. (...) a Impugnante não foi intimada para explicar a movimentação financeira, tanto a informada na DIMOF como nos extratos, não pôde esclarecer que os depósitos bancários têm origens diversas das que, por suposição, o AI generalizadamente lhes imputou. Se tivesse sido cumprido o disposto no artigo 849, § 2o , do RIR, com ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA CRÉDITO, o AI teria concluído que não podem ser considerados como sendo provenientes de vendas. Fica, pois, impugnada a generalização sumária de todos os depósitos como sendo, provenientes de vendas, sem que o Al fizesse a análise de pelo menos UM deles. (...) Mesmo que, no caso, se tratasse de faturamento efetivamente ocorrido, que não o foi e que ora se admite única e exclusivamente para argumentar, ou seja,"ad argumentandum tantum", o AI deveria ter abatido, no valor da COFINS e do PIS a recolher ( supostos saldos devedores)5 o valor dos créditos de matéria prima e de insumos, o que não foi feito, porque é impossível a fabricação de um produto acabado, sem a aquisição dos insumos necessários, sendo certo que a COFINS e o PIS são inacumuláveis. A 2a Turma julgadora rejeitou estes argumentos, em parte, exarando o Acórdão 0943.558 em 24/04/2013, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 BASE DE CÁLCULO. A receita de vendas integra a base de cálculo do lucro real. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em sigilo bancário, quando os extratos utilizados pelo Fisco foram fornecidos pelo próprio contribuinte. DIMOF. As informações contidas na DIMOF, totalizações de determinadas modalidades de operações financeiras acima de determinados limites, não comportam sigilo bancário. RECEITA NÃO DECLARADA. PIS.COFINS. CSLL Princípio de causa e efeito que impõe aos lançamentos reflexos a mesma sorte do principal (IRPJ). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.656 6 Anocalendário:2008, 2009 PIS/PASEP. COFINS.TRIBUTAÇÃO EM DESCONFORMIDADE COM O ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. Sendo mensal a ocorrência do fato gerador do PIS/Pasep e da Cofins, devem ser cancelados os lançamentos dessas contribuições quando apurados em relação a receitas trimestrais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Havendo desoneração de crédito superior a R$1.000.000,00, relativamente ao PIS e COFINS, coube recurso de ofício ao CARF. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/05/2013 (fl. 3.500), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/05/2013 (fls. 3501 a 3516), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, alegando em síntese: Ausência da intimação determinada pelo art. 849 do RIR/99 A contribuinte discorda da afirmação à fl. 08 do Acórdão recorrido, de que “o lançamento decorreu de receita de vendas registradas em balancetes mensais e não declaradas” carecendo de certeza e liquidez que se exigem dos lançamentos. Aduz que o lançamento foi feito com utilização de dados da movimentação bancária da contribuinte, asseverando ser indispensável, antes da lavratura do auto de infração, a intimação para comprovar a origem dos débitos. Ressalta que o TVF reconheceu a utilização da movimentação bancária para obter os valores tributados, como sendo de suposta omissão de receita, sob n. 2.1, quando declarou “Tais diferenças referemse a valores em contas correntes bancárias”. Que não se deve confundir a simples entrega de alguns extratos, que, a fiscalização reputa como insuficientes, com a inexistência da intimação para que a contribuinte explicasse a origem dos créditos nas contas correntes. Afirma que o Acórdão recorrido entrou em dissídio com a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relativamente ao exarado nos Acórdãos 9202002.594 e 9202002.408 e nos acórdãos do CARF n. 10709.098, 10248.796, 10517.098. Cita a súmula vinculando 29 do CARF que consolida a obrigatoriedade de intimação de todos os titulares da conta corrente para que expliquem a origem dos depósitos. Reclama que além de não ser intimada, antes da lavratura do auto de infração, da relação individualizada de cada um dos depósitos, nem depois de emitido o AI, já que o Demonstrativo de apuração da receita total, anexo ao TVF, limitouse em apontar os totais mensais, em desacordo com o disposto no artigo 287, §3o do RIR e que não sabe quais créditos em sua conta foram consideradas como sendo de suposta receita omitida. Diz que houve cerceamento do direito de defesa do direito de defesa a que se refere o artigo 59, do Decreto 70.235/72 e o artigo 12, II do Decreto 7.574/11, pelo que requer nulidade de todos os lançamentos. DIMOF: Afastamento Extrajudicial do Sigilo bancário Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.657 7 A contribuinte alega que a fiscalização, servindose de dados da DIMOF – Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira, colidiu com a Decisão do STF, no Recurso Extraordinário 389.808, que trata do sigilo de dados, que transcreve: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5o da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgãos eqüidistantes – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal.” “SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo a Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte” Afirma que a decisão do Plenário do STF têm força vinculante para toda a Administração Pública e cita as Portarias PGFN 492/2011 e PGFN N. 294/2010. Assevera que a quebra extrajudicial do sigilo bancário foi reconhecida pela fiscalização, no termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 11/04/2012 em que solicita os demais extratos bancários faltantes com a justificativa de que os extratos apresentados eram parciais e não apresentavam conformidade com os dados existentes nos bancos de dados da RFB. Alega inovação na decisão recorrida quando constou sobre a DIMOF que “essas informações registradas em declaração não implicam em quebra do sigilo”. Acrescenta que a IN RFB N. 811 de 28/01/2008 afastou o sigilo bancário da contribuinte ao permitir a identificação do titular da movimentação financeira. Transcreve parte do Regimento Interno do CARF que versa sobre o sobrestamento de julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários de mesma matéria. Balancetes de Verificação A contribuinte nega a autoria dos Balancetes de Verificação utilizados no procedimento fiscal. Afirma que os desconhece, assim como seus valores, demonstrações, supostas conciliações e declara que não os firmou, nem seus prepostos o fizeram. Diz ser papeis apócrifos e afirma que por desconhecêlos não os utilizou em sua contabilidade. Observa que só tomou conhecimento dos balancetes quando a fiscalização entregou os documentos. Impugnação de todas as bases de cálculo utilizadas Opõese também à todas as bases de cálculo utilizadas, alegando que não foi intimada para explicar a origem dos depósitos bancários; rejeita os balancetes de verificação, dizendo que não os firmou e que são apócrifos, não se constituindo em prova. Supostas omissões de receitas Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.658 8 Afirma que não tendo sido intimada para explicar a movimentação financeira, tanto a informada na DIMOF como nos extratos, não pôde esclarecer que os depósitos bancários têm origem diversas das que, por suposição o AI generalizadamente lhes imputou e que se caso a intimação tivesse ocorrido, a fiscalização teria concluído que não podem ser considerados como sendo proveniente de vendas. Por fim, reitera a impugnação e pede nulidade dos lançamentos decorrentes de CSLL, COFINS e PIS. Pede que seja mantido o que foi decidido pelo Acórdão n. 0943.558 que exonerou integralmente os lançamentos de PIS/COFINS. E ainda requer: I – os lançamentos sejam anulados, na forma dos números 1 a 1.17 deste recurso. Quando assim não seja, II – que os lançamentos sejam anulados, conforme os números “2” a “2.5” do recurso, Ou ainda III – que os lançamentos sejam cancelados, conforme o argüido nos incisos “1” até “6.4” do recurso, inclusive por cerceamento de defesa. Subsidiariamente requer, sobrestamento do que se refere aos incisos “2” a “2.5” até o trânsito em julgado do Acórdão proferido pelo Plenário do STF no Recurso Extraordinário n. 389.808. Conclui com préquestionamentos para efeito de eventual interposição tanto de Embargos de Declaração como de Recurso Especial. Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.659 9 Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O recurso é tempestivo, dele conheço. O procedimento fiscal foi iniciado em 08/02/2012 (fls. 213 e 214). O lançamento foi realizado pela apuração direta de receitas operacionais escrituradas e não declaradas. Tratamse de receitas de vendas escrituradas em balancetes mensais que não foram informadas na DIPJ ou no livro Razão. Inicialmente cabe analisar o registro feito pela contribuinte de que, segundo Regimento Interno do CARF, ficarão sobrestados os julgamentos de recursos que versam sobre sigilo bancário. Não tem razão a contribuinte. Neste procedimento, não há causa para sobrestamento do auto de infração, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, que se transcreve a seguir: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A questão submetida ao STF é relativa à quebra de sigilo bancário pelo Fisco e reconhecida como caso de repercussão geral no RE. 601.314/MG, nos termos do art. 543B do CPC, e está relacionada à argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza a autoridade administrativa a efetuar a Requisição da Movimentação Financeira dos contribuintes diretamente às instituições financeiras, mediante procedimento fiscal instaurado, quando julgar indispensáveis às apurações. Assim, não tendo sido efetuada a expedição de RMF, pois os extratos foram fornecidos pelo contribuinte, não há que se falar em sobrestamento do processo, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009. A contribuinte requer nulidade do lançamento com base na ausência de intimação prevista no artigo 849 do RIR/99, alegando também cerceamento de defesa pelo mesmo motivo. Previamente cabe analisar em quais casos cabe a intimação prévia, conforme dispõe a súmula 29 do CARF in verbis: Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.660 10 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. A previsão de intimação prévia se destina aos lançamentos com base em presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, não sendo este o objeto do lançamento do presente auto de infração. A leitura da legislação citada no auto de infração, norteadora dos lançamentos do IRPJ, da descrição dos fatos e da descrição da contabilização das receitas nos balancetes, mantidas à parte do livro Razão e da DIPJ e DCTF, mostram que o lançamento foi apurado diretamente de receitas operacionais não escrituradas e não declaradas. Vejamos, o lançamento do IRPJ foi realizado com o seguinte título: 0001 – RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS A fundamentação legal utilizada no lançamento do IRPJ é o artigo 3o da Lei 9.249/95 e artigos 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279 e 280 do RIR/99. Os demais lançamentos de CSLL, PIS e COFINS são reflexos. Decreto 3.000/99 RIR/ 99 assim dispõe: Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). Art.248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLeinº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art.277.Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades,principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Art.278.Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598,de 1977, art. 11, §2º). Art.279.A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12). Art.280.A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §1º). Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.661 11 Por sua vez a Lei nº 9.249/95 estabelece: Art. 3º A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. Consta no TVF (fl. 209) que tais diferenças referemse a: “(..) valores em contas correntes bancárias para as quais foram criadas as subcontas 1010020.2 “BANCO DO BRASIL CTA 101494”; 1010021.9 “BANCO DO BRASIL CTA 57439”; 1010022.6 “BANCO ITAÚ CTA 24”; 1010020.2 ‘BANCO SICOOB CTA 514543” 1010020.2. Além também foram criadas as subcontas 1000003.6 “CAIXINHA MATRIZ”; 1000004.3 “CAIXINHA SÃO PAULO”; todas contendo valores escriturados nos Balancetes Mensais apresentados, porém excluídos dos valores declarados nas DIPJ/DCTF.” “Essas subcontas apresentam basicamente, lançamentos relacionados a COBRANÇA, conforme se depreende dos extratos bancários apresentados (DOC 14 a 40). A contrapartida de tais lançamentos ocorre na conta “DUPLICATAS A RECEBER”, refletindo, inequivocadamente, valores recebidos pela empresa a título de venda, porém, não declarados (DOC 16 a 18)”. Como se demonstra, os lançamentos foram efetuados por omissão de receita constatada diretamente por diferença apurada entre os valores escriturados no balancete de verificação, e que não constavam no livro Razão, ambos apresentados pelo contribuinte, e que tampouco foram informados nas DIPJs ou declarados nas DCTS, e não por presunção de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996. Não havia a obrigatoriedade prévia e regular de intimar o titular da conta bancária para comprovar as origens dos depósitos bancários. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. O presente voto, portanto, é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. A meu ver, pelas razões já expostas, inexiste divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do CARF trazidos no recurso voluntário, já que os mesmos se referem a lançamentos efetuados com base em presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996. Relativamente à alegação de quebra de sigilo bancário pela utilização de dados da DIMOF, cabe ressaltar que a fiscalização não efetuou o lançamento baseada nos dados da DIMOF. Veja que nem poderia, pois os dados da DIMOF são consolidados mensalmente, não possibilitando a identificação detalhada da movimentação bancária. Apenas para comprovar, transcrevese o art. 1o da IN RFB 802/2007: Sobre a DIMOF, a IN RFB 802/2007 assim estabelece: Art. 1 º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1 º e 2 º do art. 1 º da Lei Complementar n º 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar informações semestrais, na forma e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), relativas a cada modalidade de operação financeira de que trata o art. 3 º do Decreto n º 4.489, de 2002, em que o montante global movimentado em cada semestre seja superior aos seguintes limites: I – para pessoas físicas, R$ 5.000,00 (cinco mil reais); II – para pessoas jurídicas, R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1 º As operações financeiras de que tratam os incisos II, III e IV do art. 3 º do Decreto n º 4.489, de 2002, deverão ser consideradas de forma conjunta pelas Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.662 12 instituições financeiras, para fins de aplicação dos limites de que tratam os incisos I e II do caput . § 2 º As informações sobre as operações financeiras de que trata o caput compreendem a identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços, pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), e os montantes globais mensalmente movimentados. (grifo nosso) Os dados da DIMOF foram trazidos ao procedimento fiscal, como argumentação: “A diferença refletida pelos saldos credores apresentados nas contas “CAIXINHAS” e “DUPLICATAS A RECEBER” é compatível com as informações contidas na DIMOF (...)”.Portanto, não cabe a alegação de quebra de sigilo bancário através da DIMOF. Os extratos bancários (fls. 2408 a 3236) foram entregues pelo contribuinte e assim devolvidos ao procurador da empresa, sr. Antonio Carlos Chagas, em 04/06/2012 (fls. 3409). Vale lembrar também que em procuração de fls. 215, datada de 24/02/2012 assinada pelo sócio gerente, Sr. Edson Siqueira foi conferido ao Sr. Antonio Carlos Chagas, poderes de representação junto ao fisco, especialmente para acompanhar o procedimento fiscal em questão. O Sr. Edson Siqueira é sócio da empresa, conforme contrato social (fls. 228). A contribuinte alega que houve inovação, em relação à IN RFB n. 811/2008, no posicionamento da decisão da DRJ, quando esta afirmou no acórdão: “Essas informações registradas em declaração não implicam quebra de sigilo”. Analisando os termos do acórdão, não visualizo confronto entre a decisão recorrida com a IN RFB n. 811/2008, que institui a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), uma obrigação acessória onde se informa de forma isolada, montante global mensalmente movimentado. Sobre a afirmação de inveracidade dos balancetes de verificação, arguida no recurso, cabe informar que no início do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada, em 06/02/2012 (fls. 212 a 214) no item 1, a “Informar o nome da pessoa que deverá acompanhar os trabalhos fiscais durante a realização deste procedimento, devidamente acompanhado da documentação legal para representação da empresa perante o Fisco (procuração e/ou contrato social); e no item 11, a apresentar os “Balancetes de Verificação levantados mensalmente”. A Intimação foi recebida por Edson Siqueira – Diretor, em 08/02/2012. Em atendimento à intimação, os balancetes foram apresentados, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal: “Ocorre que, na entrega da documentação solicitada no item 11 do Termo de Início de Ação Fiscal (Balancetes de Verificação levantados mensalmente) foram entregues Balancetes de Verificação relativos aos anoscalendário 2008 e 2009, contendo informações não condizentes com as declaradas em suas DIPJ (DOC 16 A 18).” Apenas para efeito de comparação entre as contas contabilizadas no Balancete e as contas contabilizadas no Razão, observese que a classificação do plano de contas é a mesma utilizada nos dois documentos contábeis (balancetes e Livro Razão), como mostram os exemplos abaixo, extraídos de documentos acostados ao auto. Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.663 13 Consta no TVF que as diferenças encontradas nos balancetes foram cotejadas com os extratos bancários. Atentese que a fiscalização cuidou de confrontar os valores do balancete, constando no TVF que “Tais diferenças referemse a valores em contas correntes bancárias para as quais foram criadas as subcontas (....)”. E continua: “ Essas subcontas apresentam, basicamente, lançamentos relacionados a COBRANÇA, conforme se depreende dos extratos bancários apresentados (DOC 24 a 40).” A contribuinte alega no recurso que só tomou conhecimento dos balancetes quando do encerramento da ação fiscal, por isso que imediatamente protestou, na impugnação (item 3.3 do recurso). Contrariamente do alegado, no termo de devolução de documentos datado de 12/09/2012 (fl.3410), recebido pelo diretor da empresa, sr. Edson Siqueira, no item 8, consta que foram devolvidos 08 (oito) balancetes de Verificação do período de 2007 e 2008. Ora, os balancetes foram devolvidos em setembro de 2012, o auto de infração foi lavrado em março de 2013 e a contestação da veracidade dos balancetes foi trazida à impugnação em 10/04/2013, ou seja, por volta de 8 (oito meses) depois dos balancetes serem devolvidos é que a contribuinte questionou a autenticidade dos mesmos. As alegações trazidas no item “Impugnação de todas as bases de cálculo utilizadas” de que a recorrente não foi intimada para explicar a origem dos mencionados depósitos bancários e rejeição dos balancetes de verificação, afirmandoos apócrifos e imprestáveis como prova, já foram discutidas anteriormente, por isso, deixo de apreciar. Alega também que não foi intimada para explicar a movimentação financeira, tanto a informada na DIMOF como nos extratos, e que se tivesse sido intimada com a análise individual de cada crédito, o AI teria concluído que não podem ser considerados como sendo provenientes de vendas. Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.664 14 Cabe ressaltar que como está disposto na parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”). Quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”). Referente a possíveis provas contestadoras do lançamento, não constam que foram juntadas ao processo em fase de impugnação ou recursal as provas de que o balancete não pertence à empresa. Ademais, frisese que o lançamento não foi efetuado por presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários. A omissão de vendas foi apurada de forma direta, com base nas diferenças apuradas entre a escrituração dos balancetes mensais e o escriturado nos livros Razão, DIPJ e DCTF. Com relação à CSLL, o lançamento é reflexo do lançamento principal, de IRPJ, devendo prevalecer o lançamento efetuado, pelas razões já apresentadas em relação ao IRPJ. Pelo exposto, meu voto é no sentido de negar o provimento ao recurso voluntário, no tocante ao IRPJ e à CSLL. Relativamente à exoneração dos lançamentos de PIS/COFINS por inobservância, no lançamento, dos períodos de apuração, o acórdão aponta que os lançamentos de PIS e COFINS foram constituídos em bases trimestrais, considerando receitas trimestrais, sendo que é cediço que a ocorrência do fato gerador do PIS e COFINS é mensal conforme dispõe o art. 74 do Decreto n. 4524/2002, que regulamenta as contribuições para o PIS e COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, in verbis: Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Face ao exposto, entendo correto o julgamento de 1a Instância nesta parte sob reexame, e voto para negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720537/201301 Acórdão n.º 1101001.004 S1C1T1 Fl. 3.665 15 Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10120.720985/2010-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2010
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - CSLL
Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de CSLL a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez que a autuação se deu em razão de não-homologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitido em 26/02/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010.
JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA
É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1802-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão que afastavam a multa isolada por falta de pagamentos por estimativa.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente o conselheiro: , Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008, 2010 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - CSLL Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de CSLL a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez que a autuação se deu em razão de não-homologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitido em 26/02/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
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CSLL Recorrente HOSPFAR IND E COM DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2010 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS CSLL Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de CSLL a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez que a autuação se deu em razão de nãohomologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitido em 26/02/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 09 85 /2 01 0- 61 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vencidos os conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão que afastavam a multa isolada por falta de pagamentos por estimativa. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente o conselheiro: , Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Tratam os autos do Despacho Decisório (fls. 12 a 29), que homologou em parte as compensações pleiteadas pela contribuinte, e do Auto de Infração (fls. 2 a 10), que trata da exigência tributária da multa isolada no valor de R$ 84.769,82, lançada em decorrência da compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. 1) Despacho Decisório Os presentes autos foram formalizados para dar tratamento manual às Declarações de Compensação (DCOMP) relacionadas no quadro a seguir, nas quais a contribuinte informou ser possuidora de crédito tributário de saldo negativo da CSLL referente ao exercício de 2009 – Ano calendário 2008, no montante de R$ 1.988.774,31 (um milhão, novecentos e oitenta e oito mil, setecentos e setenta e quatro reais e trinta e um centavos), conforme declarado na DCOMP retificadora 05075.798.060110.1.7.033096. DCOMP TIPO 39373.14217.310809.1.3.036200 Original 37492.98861.300909.1.3.037301 Original 25212.33622.301109.1.3.030080 Original 05075.79858.060110.1.7.033096 Retificadora 39373.14217 38966.98419.060110.1.7.034710 Retificadora 37492.98861 34827.00331.060110.1.7.030200 Retificadora 25212.33622 20083.19470.260210.1.3.039350 Original Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 497/2010 foi solicitado ao contribuinte, para constituição e ratificação de prova a seu favor, a apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras relativos às deduções de retenção na fonte de CSLL declaradas na DIPJ/2009. Analisando os documentos apresentados pela contribuinte, a Fiscalização chegou aos seguintes resultados: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 3 3 a) glosa de R$ 107.893,60, referente às deduções de Impostos e Contribuições Federais na Fonte efetuados por Órgãos Públicos declarados na DIPJ 2009, pelo fato da documentação apresentada pela contribuinte não possuir lastro em comprovantes de retenção de imposto de renda emitidos pelas fontes pagadoras, mas em documentos internos elaborados pela própria contribuinte e que, por si só, não constituem prova a seu favor (fls. 14 a 18); b) apuração de novo saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.907.182.50 (fl. 19); c) existência de crédito tributário (débito da contribuinte) a ser cobrados da contribuinte, com os acréscimos legais cabíveis, no valor original de R$ 81.591,81, correspondentes às compensações não homologadas (fl. 19); d) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007 (fls. 19 e 20), em função de ter sido verificado a existência de diferença de imposto de renda mensal pago por estimativa no valor total de R$ 81.591,81, resultante do valor declarado pela contribuinte (R$ 3.500.587,96) subtraído do valor confirmado pela RFB (R$ 3.418.996,15); e) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430, de 1996, incluídos pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009), em função da insuficiência de crédito da contribuinte para homologar integralmente as compensações pleiteadas. O valor total da compensação não homologada foi de R$ 87.947,80 (fls. 21 a 24). Com base na análise realizada, a Autoridade Fiscal competente decidiu: 1) RECONHECER EM PARTE a existência do direito creditório a favor da pessoa jurídica HOSPFAR IND. E COM. DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 26.921.908/000121, no montante originário de R$ 1.907.182,50 (um milhão, novecentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e cinqüenta centavos), concernente ao Saldo Negativo da CSLL relativo ao ano calendário de 2008, que foi utilizado para compensação de débitos discriminados nas correspondentes DCOMP e respectivas retificadoras 2) HOMOLOGAR EM PARTE as compensações efetivadas pelo contribuinte, no montante de R$ 2.064.876,12 (dois milhões, sessenta e quatro mil, oitocentos e setenta e seis reais e doze centavos) em, em valores originais, referentes aos valores compensados relacionados no quadro 09 do Despacho Decisório, com crédito de saldo negativo de CSLL, ano calendário de 2008; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 3) NÃO HOMOLOGAR as compensações efetivadas pelo contribuinte no montante original de R$ 87.947,80 (oitenta e sete mil, novecentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos), em valores originais, referentes aos valores não compensados, em razão da insuficiência do crédito de saldo negativo de CSLL; 4) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre os valores mensais no montante de R$ 40.795,91 (quarenta mil, setecentos e noventa e cinco reais e noventa e um centavos), por motivo de falta de pagamento de CSLL estimativa mensal, na época própria, com fulcro no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007); 5) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre o montante dos débitos (créditos tributários), objetos de compensações não homologadas, no valor total de R$ 43.973,90 (quarenta e três mil, novecentos e setenta e três reais e noventa centavos), conforme disposições constantes do art. 74, parágrafos 15 e 17, da Lei 9.430/96,. incluídas pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009). 2) Auto de Infração – Multa Isolada Tratase da exigência tributária de multa de 50% no valor de R$ 84.769,82, exigida isoladamente sobre os valores mensais devidos (fls. 2 a 10), decorrente de: a) estimativas de CSLL não confirmadas, conforme art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007); b) compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010). Foram efetuados os seguintes lançamentos (fl. 7): FATO GERADOR VALOR DA MULTA 01/01/2008 R$ 3,76 01/04/2008 R$ 1.688,70 01/05/2008 R$ 3.670,60 01/06/2008 R$ 5.226,07 01/07/2008 R$ 5.417,28 01/08/2008 R$ 6.343,87 01/09/2008 R$ 3.811,29 01/10/2008 R$ 7.835,33 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 4 5 01/11/2008 R$ 6.799,02 26/02/2010 R$ 43.973,90 TOTAL R$ 84.769,82 Consta no “Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração” (fls. 5 a 7), quadros demonstrativos da base de cálculo da multa isolada aplicada. 2) Ciência A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 20/05/2011 (fl. 60) e apresentou manifestação de inconformidade / impugnação (fls. 61 a 93) em 17/06/2011. 4) Impugnação / Manifestação de Inconformidade a) Da improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais: Resumidamente, a contribuinte alega que “o lançamento da multa isolada exigida sobre diferença de IRPJ recolhido por estimativa mensal somente se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou, após o seu encerramento, se da ausência do pagamento”. Acrescenta que, se for comprovado que o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário, não seria possível lançar a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento destas estimativas em anos posteriores, o que afastaria, a aplicabilidade do disposto no art. 44, inciso II, alínea " b " da precitada Lei n° 9.430/96. Apresenta acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para ilustrar sua argumentação. b) Da improcedência da multa isolada sobre a compensação não homologada: Em síntese, a contribuinte argumenta que a aplicação da multa isolada sobre os débitos não compensados constitui nova, hipótese de infração, diferente da prevista na MP nº 472/2009, que se limitava aos casos de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado. Acrescenta que, tal multa, introduzida no ordenamento jurídico em data posterior à transmissão dos pedidos de compensação, não poderia ser aplicada ao caso em espécie, “por contrariar o princípio da irretroatividade das leis, gravado no art. 105 do Código Tributário Nacional”. Alega, que “a lei que tipifica condutas infracionais, estabelece ou majora penalidade, somente produz efeitos em relação aos fatos ocorridos durante a sua vigência, mas nunca em relação a fatos pretéritos”. Conclui que “a eficácia retroativa da referida Lei n° 12.249/2010 certamente estremecerá a segurança das relações entre o Estado e os cidadãos, bem como o legítimo direito que os contribuintes têm de não verem agravada a situação jurídica anteriormente configurada. É um desdobramento do princípio da Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 segurança jurídica”. Discute, detalhadamente, a efícácia da lei e argumenta que a multa aplicada obstaria o direito constituição de petição. c) Da não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: A contribuinte alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, requer que requer seja recebida e conhecida a presente Impugnação, por atender aos pressupostos legais, e, após, seja julgado totalmente improcedente o auto de infração ora em debate. Caso seja mantido o lançamento ou parte dele, que seja afastada a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, por inexistência de previsão legal. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília /DF), julgou improcedente a impugnação conforme decisão proferida no Acórdão nº 0350.912, de 21 de fevereiro de 2013 (fls.97/107), cientificado ao interessado em 21/05/2013, em consonância com o despacho de encaminhamento dos presentes autos ao CARF. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.97): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008, 2010 PRECLUSÃO MATERIAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, razão pela qual é mantida a decisão proferida no Despacho Decisório. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de IRPJ ou CSLL a que estava obrigada. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 5 7 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância que manteve as multas isoladas, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário em 05/06/2013 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no qual, em síntese, traz as mesmas razões alegadas na impugnação, tanto no que se refere a improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais quanto à multa isolada sobre a compensação não homologada. Assim desnecessário repetir tais alegações porque já constam do relatório acima. Também se insurge contra os juros de mora sobre as multas lançadas que não foram quitadas. Finalmente requer o provimento ao recurso, e por conseqüência o cancelamento das exigências reclamadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado trata o presente processo do Auto de Infração (fls.01/09) em que se exige multas isoladas no montante de R$ 84 769,82 em virtude das seguintes irregularidades: a) multa isolada no valor de R$ 40.795,91 decorrente de estimativas não confirmadas, no valor de R$ 81.591,81, constantes do Quadro 03 Demonstrativo (fls.25/26) integrante do auto de infração, com fundamento no art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007); e, b) multa isolada no valor de R$ 43.973,90 por compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo em DCOMPs, discriminadas no Quadro 05 Demonstrativo (fl.26) no valor de R$ 87.947,80, nos termos do art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010). Na descrição dos fatos do auto de infração consta o seguinte: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 O sujeito passivo efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme multas isoladas especificadas nos incisos IV e V do campo Decisão do Despacho Decisório n° 608/2010 DRF/GOI do Despacho Administrativo n° 10120.720387/201091, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. O inciso IV do campo Decisão retro referese à aplicação da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre a falta de pagamento de CSLL Estimativa Mensal, conforme demonstrado no Quadro 03 e fundamentado nos parágrafos 25/26 do Despacho Decisório n° 608/2010 DRF/GOI; o inciso V do campo Decisão retro, também, se refere às multas isoladas de 50% (cinqüenta por cento) sobre compensações não homologadas, conforme discriminadas no Quadro 05 e fundamentadas nos respectivos parágrafos 3 0 a 3 6 do referido Despacho Decisório n° 608/2010 DRF/GOI. Sobre a irregularidade, falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, a Recorrente alega, em síntese, que: o lançamento da multa isolada exigida sobre diferença de CSLL recolhida por estimativa mensal somente se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou após o seu encerramento, se da ausência do pagamento, for comprovado que o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário. Assim, não seria possível lançar a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento destas estimativas em anos posteriores, o que afastaria, a aplicabilidade do disposto no art. 44, inciso II, alínea " b " da precitada Lei n° 9.430/96. A Recorrente para ilustrar sua argumentação traz à colação acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que de plano não os adoto por entender que os artigos 2º e 44 da Lei nº 9.430/96 não dão margem para interpretação diferente da sua expressão literal que assim prescreve: ... Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 6 9 ... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007). ... Como se vê, a lei expressamente diz : ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido.... O que significa dizer, ainda que no final do ano calendário não exista fato gerador da obrigação tributária (base de cálculo positiva) para a apuração do tributo devido, mesmo assim, o contribuinte deve ser penalizado por haver constituído a obrigação de recolher estimativas e não o fez. Há expressa disposição legal da penalidade para a hipótese do descumprimento da obrigação tributária estimada. A lei distingue o aspecto temporal do fato gerador da obrigação do recolhimento das estimativas no curso do ano calendário e a obrigação decorrente do resultado apurado em 31 de dezembro do ano calendário. Como cediço, o fato gerador para a obrigação do pagamento das estimativas tem caráter de provisoriedade, diferente, pois, do fato gerador definitivo que somente ocorre em 31 de dezembro, razão pela qual após o término do ano calendário não se pode exigir o tributo devido por estimativa e sim, a multa isolada pela falta do recolhimento por estimativa. Inexiste ressalva legal para afastar a penalidade, caso, o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário, como pretende a Recorrente. A multa isolada exigida sobre diferença de CSLL recolhida por estimativa mensal tanto se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou após o seu encerramento, desde que constatada a ausência do pagamento, ou pagamento a menor de recolhimento destas estimativas em anos posteriores. Resta claro que o fato descrito pela fiscalização redunda em falta/insuficiência de recolhimento por estimativa, na forma do artigo 2º da Lei nº 9.430/96, que alterada pela Lei nº 11.488, de 2007 reduziu a penalidade para 50% sobre o valor mensal que deixou ser pago nos meses de 2008 e fevereiro de 2010. Com efeito, o pagamento das estimativas mensais da CSLL no curso do ano calendário, constituise em obrigação da pessoa jurídica que exerceu a opção pela forma de tributação com base no lucro real, determinado sobre base de cálculo estimada. Portanto, cabe ao contribuinte demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996. Uma vez que a obrigação de pagamento das estimativas não foi cumprida de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, estabelece a imposição de uma penalidade isolada, no percentual de 50%, para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento da CSLL, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher a CSLL, sem demonstrar que não era devida, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida no artigo 44 acima transcrito, que deve ser cumprida integralmente pelas autoridades administrativas e não pode ser afastada por esse órgão administrativo que não cabe substituir o legislador. Destarte, é de se manter a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais da CSLL, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário nessa parte. Passemos, pois, a outra irregularidade, cuja autuação se deu com fundamento no artigo 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluídos pela Lei 12.249, de 2010) por considerar a compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. A infração imputada (compensação indevida) ocorreu na data de transmissão dos PER/DCOMP nº 20083.19470.260210.1.3.039350, que, conforme mencionado na decisão recorrida (fl.104), foi transmitido pela contribuinte em 26/02/2010. Na mencionada data estava em vigor o artigo 27 da MP nº472, de 15 de dezembro de 2009 que dava a seguinte redação para o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art.27.O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ......................................................................................................... ......................... §2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: Iprevisto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1o, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ........................................................................................................................... Na conversão da MP nº 472, de 2009 na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, o mencionado dispositivo legal ( artigo 28) passou a tratar de outra matéria e o assunto “multa isolada” passou a ser tratado no artigo 62 da mencionada Lei nº 12.249, de 2010, não Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 7 11 mais alterando o artigo 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e sim, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, da seguinte forma: Lei nº 12.249/2010: Art. 62. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. ....................................................................... ............................................................................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) Portanto, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, passou a ter a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) ... § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Grifei) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Dessa legislação chegase à conclusão que, para os casos simples de declaração de compensação não homologada, deve ser aplicada a multa de 50% sobre os créditos indevidamente compensados, sob os seguintes fundamentos legais: 1) desde a edição da Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009, por força do artigo 27 que alterou o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e, 2) após a conversão da mencionada Medida Provisória na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, por força do artigo 62 que em vez de alterar o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Com efeito, após tal conversão – MP nº 472/2009 na Lei nº 12.249/2010 – o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, somente se constitui em fundamento legal para a imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, 1) quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e, 2) quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicadas, respectivamente, a multa de 150% e 75%, a saber: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 8 13 § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Nesse contexto, uma vez que a autuação se deu em razão de não homologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado PER/DCOMP nº 20083.19470.260210.1.3.039350, resta aplicável a multa de 50%, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. Mantida a autuação. A recorrente também se insurge contra os juros selic sobre as multa isoladas. Quanto à formalização do crédito com os juros moratórios, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta de pagamento do crédito tributário, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A Recorrente alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. De pronto, discordo do entendimento da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. No caso dos autos, as multas foram aplicadas em razão das infrações praticadas, analisadas acima. Portanto, com a aplicação das multas pela infrações, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Conforme visto acima, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (penalidade aplicada (não paga)). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um imperioso despautério. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível concluir que, com apoio no artigo 43, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, lançada isoladamente, verbis: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese do auto de infração (fl.02) que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. A exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 1802001.896 S1TE02 Fl. 9 15 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10314.011075/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 16/10/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constitui dano ao Erário a importação realizada por conta e ordem de terceiros com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, às partes envolvidas na operação. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por tratarem-se de penalidades distintas.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 3102-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo Voto de Qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA Redator do Voto vencedor
EDITADO EM: 01/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário a importação realizada por conta e ordem de terceiros com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, às partes envolvidas na operação. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo Voto de Qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 10 75 /2 00 7- 11 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA – Redator do Voto vencedor EDITADO EM: 01/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso de ofício visa a reforma do acórdão nº 1742569 da 2ª Turma da DRJ/SP2, que entendeu pela procedência da impugnação. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Trata o presente de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, em face da infração capitulada no artigo 23 § 3° do DL 1455/76 com redação dada pelo art. 59 da Lei 10637/02, c/c com art. 81, III da Lei 10833/03. Conforme se depreende da descrição dos fatos no auto de infração: " em virtude disso, lavramos um termo de constatação de ausência de tais mercadorias amparadas pelas DI's constantes do anexo I. Diante do exposto, comprovado que a empresa WORLD LINK INTERNATIONAL LTDA entregou a consumo as mercadorias supra citadas, aplicase a multa de valor igual ao valor aduaneiro das mercadorias conforme mandamento exposto na legislação a seguir...". Intimada em 16/10/2007 (fls. 1), a interessada apresentou impugnação em 09/11/2007, juntada às fls. 31 e ss. onde alega em síntese: Irregularidades no curso da fiscalização, uma vez que contrariando o relatado no auto de infração, a empresa atendeu as intimações, apresentando a documentação solicitada; Inadequação do enquadramento legal, uma vez que em momento algum se eximiu de apresentar a documentação solicitada; Ao final requer a improcedência da ação fiscal. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.011075/200711 Acórdão n.º 3102001.463 S3C1T2 Fl. 415 3 Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a DRJ, pela improcedência do lançamento, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 16/10/2007 IMPORTADOR. SUJEIÇÃO PASSIVA. O que diferencia as infrações tipificadas no artigo 23, V, do DL 1.455/1976 e no artigo 33 da Lei 11.488/2007 é o fato de que a prevista na lei 11.488 tem como agente apenas o importador ou exportador ostensivo, ao passo que a do DL 1.455 destina se a punir o sujeito oculto, o verdadeiro responsável pela operação. Com o advento do artigo 33 da Lei 11.488/2007 deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria, a infração do artigo 23, V, do DL 1.455/1976. . Pelo mesmo motivo, não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da lei 11.488. Tal conseqüência é fruto do principio do "non bis in idem" o qual, no direito aduaneiro, está albergado nos artigos 99 e 100 do DL 37/1966. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (DL 1.455/1976, artigo 23, V). Ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação ("cede o nome"), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (lei 11.488/2007, artigo 33, caput). O parágrafo único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente "cede o nome". Se, além de "ceder o nome", a empresa não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no artigo 81, § 1 2, da Lei 9.430/1996. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 l Como o auto de infração foi lavrado posteriormente à entrada em vigor da lei 11.488, impondose a conversão da pena de perdimento ao importador, é manifesta sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso de ofício por tratar de matéria de competência da terceira seção. Observando o auto de infração, percebese que à Recorrida foi imputada sanção por dano ao erário, ao ser identificado, na importação de mercadorias, ocultação do responsável pela operação. Entretanto, a decisão recorrida acerta ao observar que, com advento do art. 33 da Lei 11.488/2007, deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria, a infração do artigo 23, V, do DL 1.455/1976. Ora, conforme dispõe o artigo 23, V, do DL 1.455/1976, o qual já foi devidamente transcrito, denotase que a finalidade de tal dispositivo é punir o verdadeiro responsável pela operação, qual seja, o sujeito oculto da mesma. Entretanto, frisese que, com o advento artigo 33 da Lei 11.488/2007, isentouse o importador ou exportador ostensivo, em coautoria, da referida infração supracitada constante do Decreto Lei desde já referido. Assim sendo, resta dizer que ao adquirente também não se admite tal punição, em posição solidária ao importador. Com o advento de tais dispositivos e com base no que foi exposto, necessário se faz observar o que dispõe o nosso Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.011075/200711 Acórdão n.º 3102001.463 S3C1T2 Fl. 416 5 Diante da norma acima, não há como não afastar a aplicação da penalidade, já que o lançamento não se encontra definitivamente julgado. Ressaltese que apesar dos fatos narrados, no caso em apreço, serem anteriores ao advento do dispositivo da referida Lei, temse que o Auto de Infração somente fora lavrado após o advento da mesma, razão pela qual é manifesta sua improcedência no caso em deslinde. Diante dos argumentos acima nego provimento ao recurso de ofício. Sala de sessões 25 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Uma vez que a decisão adotada pela Turma foi contrária ao entendimento defendido pelo insigne Relator do processo, fui designado para redigir o Voto Vencedor. Neste desiderato, peço vênia para apresentar aqui minhas razões de divergência. Entendo que a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome, não revogou nem protegeu qualquer das partes envolvidas na operação da imposição de multa no valor aduaneiro das mercadorias, por interposição fraudulenta. A Orientação Coana/Cofia/Difia sem número, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior, chega à seguinte conclusão. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. De fato, não tenho qualquer dúvida de que jamais a intenção do legislador foi no sentido cominar penalidade mais branda nos casos de interposição fraudulenta de pessoas, a qualquer um dos envolvidos na operação. Antes de tudo, é preciso entender que tratamse de penalidades que, do ponto de vista do bem jurídico tutelado, não guardam nenhuma identidade entre si. Embora decorram de uma conduta até certo ponto equivalente, uma destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica importadora, outra, a importação de mercadorias em situação irregular (conduta já sancionada antes do advento da Lei 10.637/020). Não há qualquer razão para que se cogite que o legislador tenha intentado reduzir a pena ou definir os limites da sujeição passiva ou da responsabilidade pela infração por dano ao Erário pela instituição de outra pena à pessoa que cede o nome. De fato, de se observar que em nenhum momento se disse que a multa por conversão da pena de perdimento, especificamente nos casos em que o dano ao Erário decorresse de interposição fraudulenta, deixaria de ser equivalente ao valor aduaneiro e passaria a ser de dez por cento do valor da operação, para quem quer que fosse. Seria de se perguntar por que razão o legislador teria destacado uma das ocorrências tipificadas como dano ao Erário, que sujeitam a mercadoria à pena de perdimento, para, em circunstâncias nas quais a mercadoria não pudesse ser apreendida, converter o perdimento não em valor compensatório, mas em inexpressivos dez por cento de seu valor. Creio que, fosse essa a intenção, a primeira medida deveria ser a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este deve ser necessariamente associado penalidade gravíssima de perdimento das mercadorias ou multa no valor correspondente. Por outro lado, se o objetivo fosse apenas o de excluir a responsabilidade do importador, suficiente que isso fosse expressamente consignado em lei, nunca pelo caminho da imposição de uma nova pena, sem nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra. Além do mais, as disposições legais a respeito são claras ao indicar, como consequência da aplicação da multa de dez por cento, a exclusão da hipótese de declaração de inaptidão, a teor do parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Dito dispositivo esclarece que, à hipótese prevista no caput (aplicação da multa de dez por cento pela cessão do nome) não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (declaração de inaptidão). Também não creio que, ao assim entender, estejamos negligenciando o princípio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.011075/200711 Acórdão n.º 3102001.463 S3C1T2 Fl. 417 7 Primeiro, devemos lembrar que é grande a quantidade de situações para as quais há previsão legal de aplicação de mais do que uma penalidade em vista de uma mesma ocorrência, bastando que as infrações decorrentes sejam de natureza distinta (vejase os casos de subfaturamento do preço na importação). Segundo, é preciso compreender que, desde o começo, todas as disposições legais foram sendo concebidas à luz da interpretação jurídica dada às ocorrências identificadas no mundo real, a partir do que forjaramse instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas. Um dos pontos de partida deste empreendimento foi a interpretação de lavra da Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN CAT 1.316/01, por meio da qual ficou assentado que o contribuinte do imposto é sempre a pessoa cujo nome consta no conhecimento de carga, independentemente de quem estiver efetivamente interessado na aquisição das mercadorias ou fizer as negociações prévias. Como consequência, as autuações obrigatoriamente passaram a indicar como contribuinte do Imposto a pessoa informada como importador nas declarações de importação, restando incluir o adquirente no mercado interno como solidário na operação. Por conta disso, ao aplicar a multa compensatória nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento, forçosamente identificase como contribuinte a pessoa que registrou a declaração de importação, embora pretendase apenar o verdadeiro proprietário destas mercadorias, que figura como responsável solidário. São deformações decorrentes das manobras engendradas pelos próprios infratores, que encontram resposta lenta e menos versátil na burocracia estatal, forçada à observação rigorosa dos limites definidos pela norma legal. De fato, operações simuladas sempre envolvem uma manifestação, declaração ou ação enganosa de vontade, com o fito de produzir efeito ou interpretação dos fatos diferente daquela que a verdade dissimulada indicaria, fosse ela conhecida. O infrator intenta situarse em posição extremamente vantajosa, pois se lhe acusam de ser o simulacro, defendese alegando ser o verdadeiro agente. Se, ao contrário, é considerado aquele que de fato empreendeu a ação, advoga ilegal a desconstituição da personalidade jurídica daquele que figura formalmente no polo passivo da relação tributária. Situações desta natureza precisam ser cautelosamente pensadas. A interpretação dos fatos e a aplicação do direito não podem admitir que o infrator se locuplete da simulação por ele próprio orquestrada. É neste contexto que as disposições legais devam ser consideradas e interpretadas. Nunca intentouse apenar duas vezes o mesmo infrator, tampouco reduzir a pena de perdimento para dez por cento do valor das mercadorias. Tratamse, sim, de mecanismos criados para coibir práticas ilícitas que vinham escapando ao controle estatal. Sem que se leve em consideração todos esses fatores presentes no processo de formação das regras positivadas na legislação de regência, todo o arcabouço jurídico trabalhosamente construído corre o risco de ser desarticulado por uma visão sofismada das ações legislativas levadas a efeito. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Finalmente, cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. VOTO POR DAR INTEGRAL Provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 25 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 01/05/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 28/12/2013 por R ICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722887/2011-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 28 87 /2 01 1- 25 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.198, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.722887/201125, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; ” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10945.902953/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 29 53 /2 01 1- 69 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902953/201169 Acórdão n.º 3803005.028 S3TE03 Fl. 89 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902953/201169 Acórdão n.º 3803005.028 S3TE03 Fl. 90 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902953/201169 Acórdão n.º 3803005.028 S3TE03 Fl. 91 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902953/201169 Acórdão n.º 3803005.028 S3TE03 Fl. 92 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902953/201169 Acórdão n.º 3803005.028 S3TE03 Fl. 93 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915082/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/05/2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/05/2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
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NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 82 /2 00 9- 13 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Por descrever de forma objetiva e didática os fatos e elementos contidos nos autos a permitir a sua compreensão peço vênia aos pares para adotar o relatório do acórdão recorrido. Por meio de Despacho Decisório a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou, através de procurador, longa manifestação de inconformidade. Nela faz breve descrição dos fatos, registrando, a seguir e em síntese: O Despacho Decisório deve ser anulado, porque não respeitou princípios administrativos e constitucionais. Deixou ele de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, ferindo princípios ligados à ampla defesa, contraditório e devido processo legal; A fiscalização deveria ter intimado a empresa para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito, bem como seu fundamento de validade. Não houve tal intimação, donde o ato administrativo ficou desprovido da necessária fundamentação, obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.915082/200913 Acórdão n.º 3803003.759 S3TE03 Fl. 10 3 moralidade administrativa. O Despacho Decisório é nulo de pleno direito; O Despacho Decisório extrapolou sua função precípua. Tornou se meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Ocorreu, portanto, incontestável desvio de finalidade, porquanto a interrupção do prazo de decadência do direito fazendário apenas conseqüência do ato decisório, jamais podendo ser seu objetivo; A autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o processo, ofendendo o dever de instrução prescrito no art. 7o do Decreto nº 70.235, de 1972, o que implica na nulidade do Despacho Decisório; Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tãosomente na injustificada negativa do crédito pretendido. Restou, pois, prejudicado o contraditório administrativo e, conseqüentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da empresa; O Despacho Decisório deveria exprimir o entendimento fiscal quanto ao crédito postulado, deixando claro qual o juízo de valor utilizado pelo Fisco para sua não aceitação. Somente assim poderia a empresa lançar seus argumentos em resposta à posição fiscal, configurando o contraditório administrativo. A defesa restou prejudicada, pois não dispõe a empresa das razões da não homologação da compensação declarada; O processo administrativo prima pela verdade material dos fatos, ou seja, buscase sempre o que realmente ocorreu, independentemente de suposições ou indícios. Assim, deve ser possibilitado à empresa a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo; O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira, o princípio constitucional do não confisco e os princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; Requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, com todos os seus consectários, inclusive com o cancelamento de qualquer cobrança que possa advir daquele ato administrativo. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 2ª Turma da DRJ/POA que, em sessão realizada em 20/11/2011, proferiu decisão por meio do Acórdão nº 1034. 963, cuja ementa transcrevese adiante: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 31/05/2006. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 4 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando evidenciada a inocorrência de preterição de direito de defesa, visto que o Despacho Decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O voto condutor entendeu, preliminarmente, que não houve motivação para a declaração de nulidade do despacho decisório, pois não restou evidenciada a preterição do direito de defesa, argüindo, neste sentido, que a motivação para a não homologação da compensação declarada foi devidamente explicitada pela Administração no campo 3 do referido Despacho, em que o pagamento tido como indevido foi localizado, mas já se encontrava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP. Em relação ao mérito entendeu o colegiado inexistir crédito compensável, portanto pela manutenção integral do despacho decisório e pela improcedência da manifestação de inconformidade, esclarecendo que não se tratou no caso sob análise de lançamento de ofício ou de multa isolada, não havendo se falar nas questões relativas a multas ou juros moratórios, eis que a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, não cabendolhe a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos (art. 74 da Lei nº 9. 430/96). Ciente do teor do acórdão retromencionado por meio de AR em 10/11/11 (fl. 64), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 08/12/11, conforme atesta o protocolo do órgão preparador, na ocasião reiterando de forma minudente as mesmas razões de defesa contidas na exordial quais sejam: argüição de ausência de fundamentação; desvio de finalidade; prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e, demais disso, argüiu pela nulidade do acórdão recorrido por falta de fundamentação adequada às particularidades da manifestação de inconformidade. No que atine ao mérito argüiu a interessada que a decisão recorrida, equivocadamente, teve como presunção de inexistência de crédito, transferindo o ônus da prova de sua existência para a contribuinte; que não há se falar em distribuição do ônus da prova, conforme preceituado no art. 333 do CPC, inaplicável ao procedimento administrativo; que o processo administrativo pautase pela verdade material, conforme dispõe o art. 16 do Dec 70235/72, não havendo espaços para presunções legais ou mesmo ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; que ser atingida a verdade material é nulo o processo administrativo fiscal, razão pela qual a mesma é buscada em todas as fases, independentemente de qualquer formalidade. Aduziu ao final pela legitimidade de intentar a comprovação de seu direito creditório nesta fase processual, não obstante as já vistas nulidades que macularam o processo até este ponto para, postular pela declaração de nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à origem para novo julgamento, ou, caso não seja esse o entendimento, seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendo–se a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente reforma do acórdão hostilizado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.915082/200913 Acórdão n.º 3803003.759 S3TE03 Fl. 11 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria submetida a exame e os protagonistas são os mesmos de julgamentos que recentemente participei na condição de Conselheiro, quando naquelas oportunidades acolhi e me solidarizei com a tese esposada pelo i. Conselheiro Relator, o Dr. Hélcio Lafetá Reis, pois clara, concisa e autoexplicativa. Por tais razões e pela sua aceitação unânime peço vênia aos pares para a adoção do voto proferido nos autos do processo n. 11020.915066/200921, que adiante transcrevo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 6 (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.915082/200913 Acórdão n.º 3803003.759 S3TE03 Fl. 12 7 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.915082/200913 Acórdão n.º 3803003.759 S3TE03 Fl. 13 9 As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – RelatorJ Declaração de Voto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11020.915082/200913 Interessada: D’ZAINER PLÁSTICOS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica o recorrente intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.759, de 28 de novembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em ... de novembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10830.906821/2011-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 68 21 /2 01 1- 01 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 164 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 165 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 30102.53030.300810.1.1.019535, transmitido em 30/08/2010, no valor de R$ 38.776,14, relativo ao 2º trimestre de 2007, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial e não homologação das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 11.932,66, à data da emissão do citado DDE. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Esclarece que as diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 166 4 tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 105/113, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 167 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 118 a 140, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 168 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 2º trimestre de 2007 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 46, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 169 7 A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 170 8 possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 171 9 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 172 10 Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 173 11 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906821/201101 Acórdão n.º 3801002.296 S3TE01 Fl. 174 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 11762.720066/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 13/04/2007 a 28/04/2010
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE LOJA FRANCA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO OBRIGATÓRIA. Portaria SECEX nº 36/2007 dispensa expressamente o licenciamento quando as importações são destinadas a regimes aduaneiros especiais com o caso de loja franca. Inaplicabilidade da portaria SECEX nº 10/2010.
MULTA por erro na classificação da mercadoria por ausência do destaque afastada por se desnecessário o licenciamento de importação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vice-presidente), Adriana Oliveira e Ribeiro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 13/04/2007 a 28/04/2010 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE LOJA FRANCA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO OBRIGATÓRIA. Portaria SECEX nº 36/2007 dispensa expressamente o licenciamento quando as importações são destinadas a regimes aduaneiros especiais com o caso de loja franca. Inaplicabilidade da portaria SECEX nº 10/2010. MULTA por erro na classificação da mercadoria por ausência do destaque afastada por se desnecessário o licenciamento de importação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vice-presidente), Adriana Oliveira e Ribeiro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
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INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NÃO OBRIGATÓRIA. Portaria SECEX nº 36/2007 dispensa expressamente o licenciamento quando as importações são destinadas a regimes aduaneiros especiais com o caso de “loja franca”. Inaplicabilidade da portaria SECEX nº 10/2010. MULTA por erro na classificação da mercadoria por ausência do destaque afastada por se desnecessário o licenciamento de importação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 66 /2 01 1- 85 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vicepresidente), Adriana Oliveira e Ribeiro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário com o objetivo de reformar o acórdão nº. 07 29.251 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a impugnação. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 16.244.264,27 (dezesseis milhões duzentos e quarenta e quatro mil duzentos e sessenta e quatro reais e vinte e sete centavos), referente a multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, quando exigível; e a mercadoria classificada incorretamente. Depreendese da descrição dos fatos no “Relatório de Fiscalização” do auto de infração (fls. 445 a 471), que a interessada, entre abril de 2007 e abril de 2010, registrou declarações de importação que acobertaram a entrada no país de bens que foram classificadas nas posições: (a) 2204, 2208 e 2209 da NCM, sem a devida licença de importação, sujeitando se a multa de 30%, prevista no art. 706, inciso I, letra "a", do Decreto n.6.759/2009 (RA), perfazendo o valor de R$ 16.242.900,53, (b) e na NCM 2202.90.00, sem informar o correto destaque de NCM para a mercadoria importada pela DI 09/07779454, informação esta necessária à determinação do controle administrativo apropriado, sujeitandose a multa de 1%, prevista no art. 711, inciso I, do RA, que tem como base legal o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinado com o artigo 69 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, em valor de R$ 1.363,74. As declarações de importações foram desvinculadas dos devidos licenciamentos de importação previstos no Comunicado DECEX nº 23 de 2008, Comunicado DECEX nº 012 de1997, Resolução RDC ANVISA nº 350, de 28.12.2005, Resolução RDC nº 81, de 05.11.2008 ou Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12/12/1996 e Instrução Normativa MAPA nº 040/2008. A falta do registro do destaque NCM de anuência configura a indevida classificação em detalhamentos instituídos para a perfeita identificação dos bens importados, sendo cabível, portanto, a multa administrativa prevista no artigo 711, I, do Decreto nº 6759/2009, transcrito abaixo (base legal: artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinado com o artigo 69 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003): Decreto nº 6759/2009 (Regulamento Aduaneiro) Fl. 759DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 3 3 Art.711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; (...) §2º O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior, observado o disposto nos §§ 3o a 5o (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, §1o; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, caput). §3º Na ocorrência de mais de uma das condutas descritas nos incisos do caput, para a mesma mercadoria, aplicase a multa somente uma vez. §4º Na ocorrência de uma ou mais das condutas descritas nos incisos do caput, em relação a mercadorias distintas, para as quais a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez, e corresponderá a: I um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou II R$ 500,00 (quinhentos reais), quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais). §5° O somatório do valor das multas aplicadas com fundamento neste artigo não poderá ser superior a dez por cento do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, caput). §6º A aplicação da multa referida no caput não prejudica a exigência dos tributos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 725, e de outras penalidades administrativas, bem como dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, §2º). A falta de licenciamento constitui a infração prevista no inciso I, alínea “a”, do artigo 706 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro): Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, caput e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: Fl. 760DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 pela importação de mercadoria sem Licença de Importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); e Informa a fiscalização que o presente lançamento, lavrado no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, decorre do fato de a interessada ter respondido ao Termo de Início de Ação Fiscal de 15.08.2011 no seguinte sentido: A empresa fiscalizada, informa que a Dufry, na qualidade de empresa detentora do regime especial de loja franca, encontra se desobrigada a apresentar licença não automática no curso do despacho aduaneiro; O seu representante legal ressalta a natureza das operações comerciais empreendidas pela empresa fiscalizada, informando que a mesma é concessionária de lojas franca e mencionando, outrossim, como supedâneo legal de seus procedimentos operacionais, os artigos 476 a 479 do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009), a Portaria MF nº 112/2008 e a Instrução Normativa RFB nº 863/2008; Para corroborar o seu raciocínio, o representante legal da empresa cita, ainda, a Portaria DECEX nº 08/1991 e as Portarias SECEX números 17/2003, 14/2004, 35/2006, 36/2007, 25/2008 e 10/2010 (com a redação da Portaria SECEX nº 13/2010) e Portaria SECEX nº 23/2011, que trataram, até a data de sua resposta, das questões atinentes ao despacho aduaneiro, inclusive do licenciamento das importações; d) Reproduzindo parte do artigo 13º da Portaria SECEX nº 23/2011, o representante legal da empresa afirma, peremptoriamente, que o seu parágrafo 2º também afastaria a necessidade de licenciamento das importações realizadas sob o regime de loja franca; Entendeu a fiscalização que as importações realizadas por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no Brasil devem seguir, em regra, os ditames do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) e o disposto na Instrução Normativa SRF nº 680, de 02/10/2006, que regulamenta o despacho aduaneiro de importação, e, mais especificamente, nas normas emanadas da SECEX/MDIC, Portaria SECEX nº 25/2008 e Comunicado DECEX nº 023/1998, no que concerne à exigência de licenciamento de importação, como se segue: Instrução Normativa SRF nº 680, de 02/10/2006: (...) Art. 14. A DI será registrada no Siscomex, por solicitação do importador, mediante a sua numeração automática única, seqüencial e nacional, reiniciada a cada ano. Art. 15. O registro da DI caracteriza o início do despacho aduaneiro de importação, e somente será efetivado: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 4 5 (...) II após o licenciamento da operação de importação, quando exigível, e a verificação do atendimento às normas cambiais, conforme estabelecido pelos órgãos e agências da administração pública federal competentes; Portaria SECEX nº 25, de 27/11/2008: Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: (...) III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial; (...) Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX; também disponíveis no endereço eletrônico do Ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; Art. 10. Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX e também disponíveis no endereço eletrônico do MDIC para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; Comunicado DECEX nº 23, de 24/08/98 O DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DECEX, no uso das atribuições que lhe conferem o Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, e a Portaria MICT nº 105, de 26 de abril de 1996, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Portaria SECEX nº 21, de 12 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º O item 2 do Comunicado DECEX nº 37, de 17 de dezembro de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: " Estão relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático.". Fl. 762DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Art. 2º O item 3 do Comunicado DECEX nº 37/97 passa a vigorar com a seguinte redação: "3. O licenciamento não automático, quando exigível, deverá ser providenciado anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior. Nas situações abaixo indicadas o licenciamento não automático poderá ser efetuado anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX como sujeitos a licenciamento não automático:". Art. 3º Este Comunicado entra em vigor na data de sua publicação. Destaca ainda a Resolução RDC ANVISA Nº 081/2008, que trata da necessidade do licenciamento das mercadorias importadas sob exame, quando há previsão de tratamento administrativo no SISCOMEX. Esclarece a fiscalização que não aplicou a multa nas declarações de importações posteriores à edição da Portaria SECEX nº 13/2010 por esta ter estabelecido, expressamente, a dispensa de licenciamento das importações realizadas por loja franca, independentemente de previsão de tratamento administrativo no SISCOMEX para os bens importados, mitigando, desta forma, o controle sanitário desejado pelas regras transcritas em itens anteriores. Nas operações anteriores à publicação daquele expediente (30/06/2010), porém, havendo a previsão de tratamento administrativo no SISCOMEX, por expressa previsão normativa do Ministério da Saúde/ANVISA, caberá sempre o licenciamento das mercadorias importadas sob exame. O segundo caso, para as mercadorias classificadas às posições 2204, 2208 e 2209 da NCM, por força dos Comunicados DECEX nº 12/1997 e nº 023/1998, devese obter a necessária Licença de Importação (LI), junto ao órgão anuente Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; por força das regras da Instrução Normativa MAPA nº 025/2003; atualmente tratada pela Instrução Normativa MAPA nº 040/2008. A Instrução Normativa MAPA nº 040/2008, trata, atualmente, do necessário licenciamento em apreço, fornecendo a devida base normativa para os mencionados Comunicados DECEX nº 12/1997 e nº 023/1998. A fiscalização tece considerações sobre o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/1997, que estabelece que não constitui infração administrativa ao controle das importações a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 5 7 Avalia que a norma infra legal menciona a exigência de novo licenciamento em eventual operação de importação, por força da indicação indevida do código NCM ou de destaque “ex”, isto é, a norma admite a prévia existência de licença de importação, ainda que concedida erroneamente, a ser substituída por nova licença, em virtude da mudança do código NCM ou do destaque “ex”, portanto, a norma aborda caso diverso do que ora se relata. Cientificada, a interessada defendese através das considerações destacadas a seguir. Alega que em ação de revisão aduaneira de procedimentos de importação, por décadas realizados com a anuência da SRFB, não se pode ser imposta exigência não formulada quando do transcurso das operações, pois significa flagrante violação ao artigo 146 do CTN, visto que configura evidente modificação de critério jurídico adotado. Retroação que não se pode admitir. Não se pode assentir que em 2011 seja alterado critério jurídico para se exigir licenciamento não exigido pela SRFB à época da realização das operações de importação já processadas, deferidas e concluídas nos anos de 2007 a 2010. O art. 100 do CTN, lei complementar de nível hierárquico superior ao Regulamento Aduaneiro ou às normas infra legais a que alude o termo de constatação que acompanha a autuação, no livro que trata das normas gerais de Direito Tributário, contém regra de observância necessária à apreciação do caso, ou seja, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Não se deveria afastar a aplicabilidade ao caso do ADN COSIT n° 12, de 1997, que exoneraria a defendente do pagamento da multa. Pois que seriam necessários a descrição incorreta do produto, ausência de elementos necessários à sua identificação e intuito doloso ou má fé por parte do declarante, situações que não ocorreram no presente caso. O exame das Portarias DECEX/SECEX ns. 08/1991, 17/2003, 14/2004, 35/2006, 36/2007, 25/2008 e, por fim, pela Portaria SECEX n° 10/2010, alterada pela Portaria SECEX n° 13/2010, atualmente em vigor, demonstram errônea a tese defendida pelo autor da peça fiscal básica, porquanto: (a) as lojas francas estavam dispensadas de obtenção de licenciamento até o advento da Portaria SECEX 10/2010, que em tese "revogou" tal dispensa, ao inovar em algumas situações específicas dispostas no § 2° ; (b) verificado o equívoco, a autoridade administrativa imediatamente confirmou a dispensa ao licenciamento editando a Portaria SECEX n° 13/2010, excluindo as Lojas Francas da até então novel exigência, à demonstração de nunca haver sido o objetivo da norma infra legal exigir a Licença de Importação para as atividades aduaneiras praticadas pelas lojas francas; os produtos recebidos do exterior por loja franca são admitidos em Fl. 764DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 consignação, ou seja, permanecem em recinto alfandegado até a venda nas lojas de desembarque, que pela legislação inerente à loja franca, recebe tratamento de bagagem acompanhada, nos termos do inciso III, art. 10 da Portaria MF n° 112/2008 (logo, não há sentido a exigência de LI para tratamento de bagagem acompanhada) ou; a venda nas lojas de embarque, que pela legislação inerente à loja franca, recebe o tratamento de reexportação, já que o bem sequer ingressa em território nacional, mantendose em área alfandegada. No que concerne ao suposto atentado à saúde pública nacional, informa que a ANVISA e o DIPOV não são alijados de exercer fiscalização em processos de importação análogos a "ação de revisão aduaneira" em razão da existência ou não registro de destaque de NCM de anuência, como comprovam os documentos, anexos, demonstrativos da realização de fiscalizações regulares anteriores à liberação de cargas. Colaciona à defesa jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e decisões da 1º e 2º Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis supostamente contrárias à aplicação da multa proposta na autuação em situações análogas à ora examinada. Afirma que multa a que a autuação alude é especificamente aplicável para infrações ocorridas em operações em regime comum de importação. Esclarece que em contexto de dúvida, a regra inserta no art. 112 do CTN reduziria o esforço de imposição de multa por suposta infração ao controle de importações. Ora que na hipótese em exame, todas as importações alcançadas pela ação de revisão fiscal dizem respeito a regime aduaneiro especial. Afirma que se fosse o registro de destaque essencial à identificação das mercadorias, não teria a administração o dispensado expressamente no mínimo a partir da edição da Portaria SECEX nº 13/2010. Com efeito, a legislação nem poderia prever a obrigatoriedade de licenciamento de importação, pelo simples fato de que o próprio ordenamento jurídico, como restou demonstrado, prevê a dispensa de licenciamento de importação para a impugnante. Ademais, Administração Pública obedecerá, dentre outros,aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência não podendo agir senão nos estritos termos da lei, de acordo com o disposto na Lei n. 9784, de 29 de janeiro de 1999. Requerse o reconhecimento da completa insubsistência do presente AUTO, com o seu conseqüente cancelamento. Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DRJ, por manter o lançamento nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 765DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 6 9 Período de apuração: 13/04/2007 a 28/04/2010 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE LOJA FRANCA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DO SISCOMEX. Nas operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial de Loja Franca exigese o Licenciamento Não Automático para produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX. Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresente Recurso Voluntário, cujo escopo é a reforma do Acórdão recorrido e a decretação da insubsistência da autuação, nesse passo, em apertada síntese a recorrente argumenta que: A) a Autoridade Fiscal pretende apenar a Recorrente com multa por infração administrativa e multa regulamentar, as quais somadas atingiriam o valor de R$: 16.244.264,27 (dezesseis milhões, duzentos e quarenta e quatro mil, duzentos e sessenta e quarto reais e vinte e sete centavos), com base na premissa de ser exequível a exigência de Licenciamento de Importação, para as operações contempladas no Auto; B) a Autuante teria reconhecido a exatidão das mercadorias objetos das DI’s relacionadas e também haveria acatado a classificação tarifária exposta pela Recorrente; C) durante os anos de 2007 a 2010, as importações teriam sido realizadas diante das Autoridades Aduaneiras, sem que estas tivessem reclamado o referido Licenciamento; D) somente em ação de revisão aduaneira, a Autuante passou a exigir os Licenciamentos de Importação, relativos as operações contempladas nos autos, afirma ainda que o órgão exator reconhece que tal exigência perdeu valia com a edição da portaria 13/2010 da SECEX; E) a supracitada postura da Autoridade Fiscal, seria uma tentativa de aplicar a fatos geradores pretéritos efeitos pecuniários decorrentes de modificação de critério jurídico, o que em seu sentir, violaria a regra insculpida no artigo 146 do CTN; F) na hipótese de ser posto em efeito, o pleito do Órgão Exator, tal conjectura representaria a imposição de penalidade por revisão aduaneira de operações realizadas segundo as práticas que seriam reiteradamente admitidas pela RFB, o que em seu perceber, destoaria do mandamento capitulado pelo artigo 100, inciso III e p.único do CTN; G) ante o que fora exposto em sede de defesa e em respeito ao que dispõe o instrumento normativo ADN COSIT n.º 12/1997, se revelaria inaplicável, ao caso em tela, a multa do artigo 706, I, alínea “a”, do R.A; H) a multa capitulada pelo artigo 706, I, alínea “a”, do R.A, não teria o poder de incidir nas suas operações aduaneiras, porque estas teriam sido realizadas sob regime Fl. 766DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 aduaneiro especial de loja franca, em seu perceber, tal elemento normativo só teria o condão de incidir em operações realizadas sob o regime comum de importações; I) a multa capitulada pelo artigo 711, I, do R.A, careceria de sustentação, em virtude de ter sido elucidado no processo o assunto pertinente a descrição das mercadorias importadas e sua respectiva classificação tarifária; J) na hipótese de ser julgado procedente o pleito da Autoridade Fiscal, a exigibilidade das multas sucumbiria diante da aplicação do princípio da retroatividade benigna, em seu sentir portaria n.º 13/2010 do SECEX poderia ser aplicada no caso. É o relatório Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado o presente recurso visa a reforma da decisão recorrida que manteve o lançamento o qual imputou ao contribuinte a multa de 30%(trinta por cento) por ausência de licença de importação e a multa de 1%(um por cento) por não informar o correto destaque do NCM, como as respectivas sanções foram impostas em relação a importações realizadas entre abril de 2007 e abril de 2010, e a recorrente defenda que não estaria obrigada ao referido licenciamento, cabe analisar a legislação aplicável a época, especialmente o Regulamento Aduaneiro. O Regulamento Aduaneiro em vigor até maio de 2002 aprovado através do decreto nº 4.543/2002 e em seu Capítulo XIII estabelece as diretrizes sobre o regime aduaneiro especial da “loja franca” disciplinando a matéria entre os arts. 424/427 e a partir de maio de 2009 entre os arts. 476/479 através do novo regulamento aprovado a partir do decreto nº 6.759/2009. O art. 427 do Regulamento de 2002, estabeleceu a competência do Ministro da Fazenda para expedir normas complementares para disciplinar o regime aduaneiro especial, assim foi editada a IN nº 680 de outubro de 2006, que em seus art. 1º, 2º e 15º, assim definiu: “Art. 1º A mercadoria que ingresse no País, importada a título definitivo ou não, sujeitase a despacho aduaneiro de importação, que será processado com base em declaração formulada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), salvo exceções previstas nesta Instrução Normativa ou em normas específicas. (...) § 2º Sujeitamse, ainda, ao despacho aduaneiro de importação, independentemente do despacho a que foram submetidas por ocasião do seu ingresso no País, as mercadorias de origem estrangeira que venham a ser transferidas para outro regime aduaneiro especial ou despachadas para consumo. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 7 11 Art. 2º O despacho aduaneiro de importação compreende: I despacho para consumo, inclusive da mercadoria: a) ingressada no País com o benefício de drawback; b) destinada à ZFM, à Amazônia Ocidental ou a ALC; c) contida em remessa postal internacional ou expressa ou, ainda, conduzida por viajante, se aplicado o regime de importação comum; e d) admitida em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, na forma do disposto no inciso II, que venha a ser submetida ao regime comum de importação; e II despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, de mercadoria que ingresse no País nessa condição.” “Art. 15. O registro da DI caracteriza o início do despacho aduaneiro de importação, e somente será efetivado: (...) II após o licenciamento da operação de importação, quando exigível, e a verificação do atendimento às normas cambiais, conforme estabelecido pelos órgãos e agências da administração pública federal competentes;” (grifouse) Em linhas gerais, percebese que o registro da DI deve ser procedido do licenciamento da importação, entretanto por se tratar a loja franca cabe analisar a legislação especifica aplicada ao caso, para tanto foi editada a portaria SECEX nº 36/2007, que assim disciplinava sobre o licenciamento das importações: CAPÍTULO III DO LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES Seção I Do Sistema Administrativo Art. 6º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 768DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); III sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial alfandegado; Ora, vêse que a norma acima dispensa expressamente o licenciamento quando as importações são destinadas a regimes aduaneiros especiais com o caso de “loja franca”, entretanto o lançamento tem como fundamento as alterações surgidas a partir da portaria nº 10 de maio de 2010, nos termos do seu art. 8, que assim disciplina: “Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: (...) III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial; § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no §1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa.” Até então, independentemente do produto importado, as lojas francas estavam dispensadas de licenciamento de importação, entretanto a partir da norma acima, fica afastada a dispensa do LI para determinados produtos. Acontece que em seguida foi publicada a portaria SECEX nº 13 de junho de 2010, que alterou o § 2 da portaria nº 10/2010, a qual passou a ter a seguinte redação: “§2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas nos incisos I a II e IV a XV do § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa.” (grifouse) Com a mudança a lojas francas ficaram mais uma vez desobrigadas ao procedimento de licenciamento. Como o caso dos autos compreende o período de abril de 2007 a abril de 2010, sequer cabe pensar em aplicar a primeira versão da portaria SECEX nº 10/2010 de maio Fl. 769DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11762.720066/201185 Acórdão n.º 3102002.070 S3C1T2 Fl. 8 13 de 2010, prevalecendo portanto a portaria nº 36/2007 que expressamente dispensava o licenciamento de importação para as hipóteses de lojas francas. A recorrente também procura afasta a multa imputada por não apresentar corretamente o destaque de NCM para a mercadoria importado pela DI nº 09/07779454, imputada com fundamento no inciso I do art. 711 do Regulamento Aduaneiro, o qual assim define: Art.711.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria : Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; A norma acima deve ser aplicada quando ocorra o erro na classificação da mercadoria que importe na sua não identificação, ora a ausência do destaque é hipóteses da aplicação da sanção, acontece que no caso dos autos, como demonstrado nas razões acima a recorrente não está obrigada a realização do licenciamento de importação e, portanto não há como impor a multa por falta do registro do destaque. Por todo exposto dou provimento ao recurso voluntário, para afastar o lançamento do crédito tributário. Sala de sessões 23 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 770DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 24/01/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10940.903163/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 63 /2 00 9- 26 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 07173.80156.230806.1.7.044852, devido à inexistência de crédito de R$ 146,39 para efetuar a compensação pretendida de R$ 220,81, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903163/200926 Acórdão n.º 3801002.593 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10950.907743/2011-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 43 /2 01 1- 98 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907743/201198 Acórdão n.º 3803005.174 S3TE03 Fl. 80 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/12/2001 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907743/201198 Acórdão n.º 3803005.174 S3TE03 Fl. 81 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907743/201198 Acórdão n.º 3803005.174 S3TE03 Fl. 82 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907743/201198 Acórdão n.º 3803005.174 S3TE03 Fl. 83 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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