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Numero do processo: 10680.015247/2004-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
INTIMAÇÃO. PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL
O prazo para a interposição de recursos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, quando não intimada pessoalmente, conta-se nos termos dos §§ 8o e 9o do Decreto n. 70.235/1972 (alt. pela Lei nº 11.457, de 2007).
MULTA QUALIFICADA
Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada.
DECADÊNCIA
Constatada a prática de simulação, no caso de tributos lançados por homologação não incide o prazo do § 4o do art. 150, aplicando-se o prazo previsto no art. 173, I, do CTN.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Por unanimidade de votos foi afastada a preliminar de intempestividade suscitada. No mérito, pelo voto de qualidade, recurso provido, vencidos os Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso(Suplente Convocado). Declararam-se impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e Karem Jureidini Dias, sendo substituídos, respectivamente, pelos Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator
EDITADO EM: 25/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL O prazo para a interposição de recursos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, quando não intimada pessoalmente, contase nos termos dos §§ 8o e 9o do Decreto n. 70.235/1972 (alt. pela Lei nº 11.457, de 2007). MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. DECADÊNCIA Constatada a prática de simulação, no caso de tributos lançados por homologação não incide o prazo do § 4o do art. 150, aplicandose o prazo previsto no art. 173, I, do CTN. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Por unanimidade de votos foi afastada a preliminar de intempestividade suscitada. No mérito, pelo voto de qualidade, recurso provido, vencidos os Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso(Suplente Convocado). Declararamse impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e Karem Jureidini Dias, sendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 52 47 /2 00 4- 12Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 substituídos, respectivamente, pelos Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator EDITADO EM: 25/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Contra a empresa Nova Empreendimentos Participações Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 04/10, CSL, fls. 11/15, e Multa Isolada da CSL, fls. 16/18, por ter a fiscalização constatado as seguintes irregularidades no anocalendário de 1999, descritas as fls. 06/07: (...) Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 11 de janeiro de 2005, em cujo arrazoado de fls. 313/394 contesta integralmente a exigência fiscal e a imputação da responsabilidade solidária. Em 15 de abril de 2005 foi prolatado o Acórdão n° 08.270, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, fls. 709/816, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando o lançamento restou formalizado com todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 3 3 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Rejeitase a preliminar de nulidade, por ilegitimidade passiva, porque o Fisco identificou corretamente o sujeito da obrigação tributária lançada. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA — TERMO INICIAL IRPJ Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou na falta de qualquer pagamento do tributo, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA — CSLL O prazo decadencial, no que se refere à Contribuição Social, é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. GANHO DE CAPITAL. Restando comprovada nos autos a simulação fraudulenta, realizada no intuito de dissimular a operação efetivamente ocorrida, que foi a venda de ativo operacional líquido, deve ser mantido o lançamento cuja fundamentação reside no ganho de capital apurado nessa alienação. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA E AGRAVADA. A multa de oficio qualificada e agravada, no percentual total de 225 % será aplicada sempre que houver, concomitantemente, o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; e ainda tenha o autuado deixado de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal MULTAS EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO. Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de oficio, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscaL TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL. O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente" Cientificada em 26 de abril de 2005, AR de fls. 820, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 25 de maio de 2005, em cujo arrazoado de fls. 821/861 alega, em apertada síntese, o seguinte: Em Preliminar: a) A nulidade da autuação em relação aos coobrigados. 1 a nulidade da autuação em relação aos coobrigados, em virtude de os Termos de Intimação estarem desacompanhados de qualquer documentação que pudesse indicar a que se referiam, trazendo apenas uma genérica remissão quanto aos fundamentos legais da responsabilidade imputada e o detalhamento em números do crédito tributário; 2 não houve a instauração de qualquer Mandado de Procedimento Fiscal em desfavor dos supostos coresponsáveis; 3 não foram intimados a acompanhar a fiscalização que se exercia sobre a empresa "Nova", nem a apresentar esclarecimentos e/ou documentos; 4 a despeito de estarem por todo o tempo às margens do procedimento de fiscalização, foram ao final intimados a pagar um crédito tributário que desconheciam; 5 tal conduta revela de maneira incontestável o cerceamento do direito de defesa dos Recorrentes, que subitamente são incluídos como "coresponsáveis" de uma autuação fiscal da qual sequer foram regularmente intimados a acompanhar; 6 a disponibilização dos documentos que instruem o processo administrativo a terceiras pessoas, alheia à lide, representa manifesta quebra de sigilo dos dados fiscais da empresa autuada; 7 é imprescindível a cientificação do contribuinte acerca do Mandado de Procedimento Fiscal, justamente para que este tome conhecimento das verificações que se pretendem fazer; 8 a autoridade fiscal não cuidou de observar as prescrições legais atinentes à espécie, já que os ora Recorrentes não foram notificados de coisa alguma, tomando ciência da ação fiscal, para a sua surpresa, somente após já efetuado o lançamento tributário; Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 4 5 9 todo o procedimento de fiscalização ocorreu à revelia dos Recorrentes, que estiveram impedidos de acompanhálo, mesmo porque dele não tinham maiores conhecimentos; 10 ao que tudo indica, na dúvida sobre quem deveria assumir a pretensa carga tributária, os ilustres Auditores chamaram para o processo tantas pessoas quanto quiseram, sejam físicas ou jurídicas, que em nada se confundem com a empresa autuada. Tudo isso em manifesta transgressão aos princípios basilares que devem nortear a atividade administrativa, especialmente a legalidade e a moralidade (art.37, caput, Constituição Federal). b) A ilegitimidade passiva dos coobrigados — Inexistência de responsabilidade. 1 a fiscalização criou um princípio bem peculiar neste trabalho fiscal, na dúvida de quem deveria assumir a pretensa carga tributária, chama todos para responder, sejam pessoas jurídicas como responsáveis solidários, sejam pessoas físicas como devedores substitutos; 2 tal conduta não pode prosperar, porquanto não condiz com os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, consagrados pelo sistema jurídico nacional; 3 restaram confirmados como responsáveis pelo crédito tributário, com base nos arts.124, I, e 135, IU, do CTN, os Srs. Walter Santana Arames, Ronosalto Pereira Neves, Vicente Bretz da Silva, WRV EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., VM PARTICIPAÇÕES LTDA., ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. e LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; 4 por determinação legal especifica, resta patente que a regra é a da não responsabilidade pessoal dos sóciosgerentes pelas dívidas societárias, diretriz que somente pode ser rompida validamente se derivada de um complexo de situações orientadas pelo princípio da culpa subjetiva (violação de lei, violação de estatuto ou contrato social ou excesso de mandato); 5 o critério para atribuição de responsabilidade em grau de substituição, não é meramente o fato do sócio gerir a sociedade. É preciso que o débito tributário em questão resulte de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto (art. 135 do CTN); 6 questão a ser submetida é de se saber se o não pagamento de tributos acarreta infração à lei para os fins colimados do art. 135 do CTN, como afirma o acórdão recorrido; 7 a razão irreprimível contida nesta assertiva dáse em virtude de que a obrigação de pagar o tributo ou de recolher aos cofres públicos, uma determinada quantia, é da sociedade (quem efetivamente praticou o fato hipoteticamente descrito na norma de incidência) e não do sóciogerente (administrador); Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 8 o conteúdo normativo estampado no art. 135 do CTN é de índole eminentemente excepcional, e deve ser analisado de forma restritiva, de modo a não comportar interpretação extensiva ou integração analógica (tratase de regra universal de hermenêutica, onde as exceções devem ser interpretadas restritivamente); 9 afigurase concluir que o simples inadimplemento da obrigação tributária (quando identificada) não deve merecer a amplitude hostilizada, no âmago de se amoldar à realidade descrita no art. 135 do CTN ; 10 devese enfatizar a distinção entre o que é infração à lei praticada pela empresa e infração à lei praticada pelo sócio gerente. Quer dizer, não basta, para tipificar a responsabilidade do sóciogerente, o inadimplemento da sociedade, eis que isto pode ser uma decorrência do risco natural de todo negócio, risco, aliás, pressuposto da própria natureza societária; 11 não podemos olvidar que a expressão "infração à lei" contida no art. 135 do CTN, não se refere à infração de lei fiscal, mas à infração de lei de natureza comercial. Tanto isto é verdade que a expressão está exposta ao lado das expressões "excesso de poderes" e "infração de contrato social ou estatutos", todas próprias das sociedades comerciais. Ademais, é sabido que os administradores de sociedades, além dos deveres previstos no contrato social ou nos estatutos, têm também deveres legais expressos e implícitos, previsto na legislação que rege os diversos tipos de sociedades (Código Comercial, Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Sociedades Limitadas); 12 de todo o exposto, podese depreender que aplicase ao caso a teoria da despersonificação da pessoa jurídica, amplamente agasalhada pelo direito, admitindo que a empresa, longe de ser um ente fictício, goza autonomamente de vida jurídica, podendo ser sujeito de direitos, de forma a acumular patrimônio próprio; c) A decadência do direito de efetuar o lançamento. 1 a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento em relação a fato gerador ocorrido em 19/07/1999, haja vista ser o IRPJ tributo constituído mediante lançamento por homologação, e, como tal, sujeito ao prazo qüinqüenal de decadência, previsto no §4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional; 2 merece ser fulminado pelo fenômeno da decadência o lançamento combatido, seja em relação ao IRPJ, seja em relação à contribuição reflexa. E isto independerá da regra decadencial a ser adotada, seja a do art. 150, §4°, seja a do art.173, inciso I, do mesmo Código; 3 o IRPJ (a partir de 01/01/92, por força do art. 38, da Lei n° 8.383/91) e a CSL são tributos que se constituem através da homologação da autoridade administrativa competente, enquadrandose na classificação dos chamados tributos por homologação; 4 sendo tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no qual o contribuinte tem o dever de levantar os fatos realizados, Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 5 7 quantificar o tributo devido e recolhêlo aos cofres públicos, sob a condição resolutória da ulterior homologação, aplicase a estes a regra contida no § 4°, do referido art. 150, para fins de contagem do prazo decadencial; 5 o acórdão recorrido deslocou a regra qüinqüenal de decadência prevista no § 4°, do art. 150, do CTN, para a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, alegando I) que não houve qualquer recolhimento a título de IRPJ e CSL em relação ao período lançado, 2) e que estão presentes no lançamento os pressupostos que configuram o intuito de fraude ou simulação; 6 quanto à primeira alegação, a de que não houve qualquer recolhimento a título de IRPJ e CSLL em relação ao período lançado, nada mais óbvio, posto que não poderia a Autuada recolher tributo em relação a operação que não enseja o nascedouro da obrigação tributária, visto inexistir fato gerador do IRPJ e da CSLL; 7 o objeto da homologação não é o pagamento, mas sim a apuração do valor respectivo; 8 no que tange ao segundo pretexto utilizado pela Douta DRJ/BH para deslocar a regra de decadência para o art. 173, I, do CTN, qual seja, a alegação de que estão presentes no lançamento os pressupostos que configuram o intuito de fraude ou simulação, não houve a prática de fraude pela empresa "Nova", e tampouco pelos "coobrigados"; 9 mesmo que prevaleça o entendimento adotado pela Douta DRJ, no sentido de fazer valer a regra do art. 173, inciso I, do CTN, ainda assim estaria decaído o direito da Fiscalização de efetuar o lançamento em virtude da cisão referente ao período de 01/01/99 a 27/09/99; 10 não sobejam dúvidas de que também à CSL aplicase a regra do art. 150, § 4° do CTN, especialmente por tratarse de lançamento decorrente do lançamento do IRPJ; d) Enquadramento equivocado do sujeito passivo "NOVA". 1 admitindose, pela argumentação, a procedência da tese de que os procedimentos da empresa OMS tiveram o intuito de omitir ganho de capital para a NOVA e seus sócios, sendo lhes vedada a utilização do método da equivalência patrimonial, não caberia à NOVA a mais valia relativa ao ganho de capital oriundo da perspectiva de rentabilidade futura, Goodwill; 2 disto é resultante a compreensão exata de que, em sendo admitida a tese da autoridade fazendária, outro erro seria identificado no libelo fiscal, qual seja, ilegitimidade passiva da empresa "NOVA", eis que a mesma não deve figurar no pólo passivo desta ação; 3 o raciocínio é tão simplista quanto a atribuição de alienação ou venda de empresa. Em havendo Goodwill, este só se Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 materializará com a efetiva venda ou alienação de empresa (adquirido), caberia os haveres deste Goodwill àquela que goza da perspectiva de rentabilidade futura a OMS que deveria ser o sujeito passivo deste processo, caso existisse tributo a recolher; No Mérito a) Bases equivocadas do lançamento. 1 a questão de fundo do lançamento fiscal reside na alegação de simulação fraudulenta tendo como objetivo dissimular "suposto" ganho de capital na "venda" da rede de supermercados "Mineirão" ao Grupo Carrefour; 2 a fiscalização entende que o ganho de capital auferido pela NOVA teria sido fruto da venda de Goodwill subjetivo que, incorporado ao valor de mercado da empresa revelaria a existência de um plus passível de tributação; 3 há permissibilidade jurídica para se certificar e não meramente presumir ganho de capital numa operação de subscrição de ações de forma a se identificar existência de GOODWILL? Poderia a fiscalização imputar carga tributária ao contribuinte nos casos em que ela mesma entende que é impossível a definição do instituto? Quais os meios de provas apresentados pela fiscalização para se atestar que o aumento do valor do patrimônio líquido da investida não possui relação necessária com o valor de venda da empresa no mercado? Como é que contribuinte conseguiria comprovar com documentação hábil e idônea a não contabilização de um suposto ganho intangível? 4 nos casos de simulação ou fraude, cuja conduta do agente se pressupõe dolosa, não é admitido o uso de presunção. Por se tratar de conduta subjetiva que compõe o tipo legal, as meras presunções, quando não documentalmente comprovadas, podem ensejar tributações infundadas; 5 meras presunções não constituem meio de prova adequado para a imputação de crimes contra a ordem tributária, tampouco para demonstração da existência de fraudes ou simulações; b) Detalhes operacionais. 1 a fiscalização acresceu à alegação de ganho de capital, fruto da suposta venda da rede de supermercados Mineirão a figura do Goodwill adquirido, ou seja, inferiu a idéia de que no valor pago nesta suposta venda teria sido pago o Goodwill adquirido, representado pela diferença entre o valor de mercado das ações e a expectativa de lucros ou benefícios futuros; 2 afastou a fiscalização a idéia de que a empresa NOVA ao receber de volta seu investimento da empresa OMS, não estaria apurando lucro de equivalência patrimonial (isento de tributação). Estaria, por esta sorte, gerando ganho de capital pelo Goodwill que se materializara na venda ou alienação da empresa OMS; Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 6 9 3 incorre a Fiscalização em diversos erros de natureza técnica e de certa forma em contradições imperdoáveis: 1) a uma, por ter considerado venda ou alienação, subscrição de ações; 2) a duas, por ter desconsiderado o lucro da equivalência patrimonial e admitido a existência de Goodwill adquirido somente identificado nos casos de venda ou alienação; 3) a três, por não ter considerado sequer a título de raciocínio que, em havendo venda ou alienação tal qual afirmado, a quem destinaria a mais valia pelo suposto Goodwill adquirido; c) Subscrição de ações não caracterização de venda ou alienação. 1 pretendeu a fiscalização caracterizar a existência de venda ou alienação da rede de supermercados Mineirão, para que houvesse a caracterização de ganho de capital e a conseqüente incidência de imposto de renda; 2 para isto, agregou supostos indícios da existência desta possível alienação. Mais que justificado é a insistente classificação da fiscalização, posto que, nos termos do que vimos acima, a descaracterização da alienação acarretaria conseqüências frustrantes ao labor desenvolvido pela entidade tributante, a começar pela descaracterização do Goodwill adquirido supostamente existente; 3 documento que comprovaria a suposta alienação desejada seria o Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças. Referido compromisso, de natureza eminentemente privada, reflete apenas a existência de um negócio jurídico de natureza comercial. Não tem valor fiscal e não tem como atestar a ocorrência de planejamento tributário realizado nos moldes da legislação tributária. Ademais, referido documento não se refere à venda de empresa e sim subscrição de ações; 4 a expressão "ALIENAÇÃO" utilizada no contrato, quer se referir à subscrição de ações e não a venda ou alienação de empresa. E mais, viuse, constantemente, a intenção da fiscalização em se utilizar desta expressão dandolhe sentido diverso do pretendido no contrato. Tanto isto é verdade que, todo momento, a expressão foi negritada, atribuindolhe o sentido de compra de empresa. Tratase de mais uma presunção levantada pela fiscalização que deve ser encaminhada ao limbo da inutilidade; 5 outro fato que descaracteriza a venda ou alienação é a alteração do tipo societário da empresa, deixando de ser LTDA, passando a ser uma S.A. Desta transformação, ficou estabelecido que a NOVA dispunha de 363.000, cuja representatividade correspondia a 100% das ações da OMS; 6 sem base o argumento de alienação ou venda da empresa OMS. Tanto isto é verdade que a investidora BELOPAR, após a aquisição de novas ações, passou a dispor de 25,0002 %, o que corresponderia a "um quarto" do total das ações enquanto que a Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 empresa NOVA continuaria com 74,9998 % de ações ou "três quartos". Curioso é o fato da própria fiscalização às fls. 87 reconhecer isto. Como então falar em alienação e não em subscrição? d) Equivalência Patrimonial Goodwill adquirido e Goodwill subjetivo. 1 houve uma reorganização societária da empresa OMS com a alteração do seu tipo societário, quer seja, de Limitada para S.A. Este procedimento, autorizado pela doutrina pátria, foi pautado no escólio do art. 442 do RIR/99; 2 a exegese propugnada pelo artigo revela e autoriza outra etapa, a transformação do valor nominal das ações para que a empresa pudesse se amoldar ao disposto no inciso I do artigo; 3 assim, a empresa OMS, que operava com prejuízo acumulado de R$ 40.527.822,49 e possuía Patrimônio Líquido de R$ 19.822.994,54, promoveu a emissão de novas ações sem valor nominal; 4 por esta subscrição de ações a empresa BELOPAR investiu a importância de R$ 263.823.498,70, positivando o patrimônio líquido da empresa OMS para R$ 244.000.504,15, resultado do valor subscrito pela BELOPAR, subtraído do valor do patrimônio líquido negativo da OMS; 5 com base na nova situação patrimonial, destina o ágio apurado para a conta de reserva de capital, evitando assim, a incidência de carga tributária, tal qual dispõe a letra da lei; 6 daí, a empresa NOVA, em estrita obediência ao disposto no art. 427 do RIR/99, faz aplicação do método da equivalência patrimonial. O art. 21 do Decretolei 1.598/77 declara que em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor do patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o art. 248 da Lei n° 6.404/76 apurando o lucro pela equivalência patrimonial de R$ 182.637.000,00; 7 após, a empresa NOVA declina do interesse do seu investimento na OMS e através de uma cisão parcial de redução de capital, retirase do quadro acionista. Sob este aspecto, a OMS sofre uma redução do seu capital social pelo cancelamento proporcional da quantidade de ações ordinárias e preferenciais representativas; 8 o Fisco considerou que esse aumento do valor do patrimônio líquido da investida, não possuiria relação necessária com o valor de venda da empresa no mercado, pois este corresponderia a um preço livremente pactuado e pago por ocasião de uma "alienação", que por vezes remunera o que contabilmente é conhecido por ativo intangível, mas especificamente o Goodwill Subjetivo, que não é passível de contabilização; 9 a existência desses elementos são sentidos, mas só podem ser gerenciados, de forma bastante subjetiva, pela contabilidade gerencial para fins internos, sem poder ser explicitados pela Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 7 11 contabilidade financeira por meio de suas demonstrações contábeis; 10 admite a fiscalização que só poderia constituir reserva de ágio na empresa investida se, este ágio a ela pertencesse. Como conseqüência, o foco principal da discussão deslocase ao que seria ágio na emissão de ações e ágio na aquisição de investimentos; 11 o ágio na emissão pressupõe a aquisição de ações novas, geralmente fruto de subscrição de ações com ágio, elevando o total de ações de uma empresa, enquanto que ágio na aquisição pressupõe aquisição de ações já existentes, com conseqüente redução de ações da alienanteacionária sem que haja interferência na totalidade de ações existentes; 12 no primeiro caso, a alienante poderia apurar o valor de seu investimento pelo patrimônio líquido, hipótese em que constituiria reserva de lucro considerada isenta de tributação. No segundo caso, haveria um resultado de alienação ou venda de empresa, afastando a possibilidade de equivalência patrimonial de maneira a ser privilegiada a existência de possíveis ganhos intangíveis, sujeitos ao tributo incidente sobre o ganho de capital; 13 No caso especifico destes autos a empresa NOVA está sendo tributada pela possível venda ou alienação da empresa OMS, como se ágio na aquisição de ações houvesse; 14 com a subscrição de novas ações a quantidade disponibilizada de Ações da empresa investida OMS subiu de 363.000 ações para 484.001. Como supor a existência de ágio na alienação de ações, se com o aumento da disponibilidade de ações por parte da OMS, a empresa nova permaneceu com as mesmas 363.000 ações que antecederam a subscrição pela BELOPAR? 15 não houve ágio na alienação e sim ágio na emissão de ações. Desta análise obtemperase: Porque a imputação de ágio na alienação de ações? Certamente para descaracterizar a exigência de avaliação pelo método da equivalência patrimonial. E porque descaracterizar o método da equivalência patrimonial? Para que possa ser atribuído ganho de capital pela existência de Goodwill na alienação; e) Inexistência de fraude, dolo ou simulação, ou qualquer outra conduta ilícita nos fatos envolvidos. (sic) as operações e os procedimentos empreendidos foram legais; 2 atendendo aos requisitos da Lei n° 6.404/76, inclusive quanto à obrigatoriedade de avaliar o investimento pelo método de equivalência patrimonial, foi feito o balanço para apuração do patrimônio líquido da investida, acompanhado do laudo de Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 avaliação exigido, tudo na estrita concordância com a legislação pertinente; 3 em 19/07/1999 a Organização Mineira de Supermercados S.A. procedeu ao levantamento de um balanço patrimonial especial, obrigatório, atendendo ao disposto no art. 21, da Lei n° 9.249, de 1995 e o art. 1° § I° da Lei n° 9.430 de 1996, em conseqüência do processo de cisão a que foi submetida, fato que foi dado conhecimento às autoridades fiscais, através da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF, instituída pela IN SRF 126/98 e da Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, instituída pela IN SRF 127/98; 4 a cisão obedeceu, rigorosamente, todos os ditames da legislação pertinente, especialmente os artigos 8° e 229, da Lei n° 6.404, de 15.12.1976, com as alterações da Lei n° 9.457, de 1997 e arts. 428 e 442 do RIR; 5 a "NOVA" detinha um investimento relevante, tal como definido no parágrafo único do artigo 247, da Lei n° 6.404/1976, na empresa Organização Mineira de Supermercados S.A., constituída de conformidade com a Lei das Sociedades por Ações e, na condição de controladora, estava obrigada a avaliar o seu investimento na forma do artigo 248, da citada Lei, por imposição do DecretoLei n° 1.648, de 1978 e IN 107/78, item 4. 6 nessa condição, ao se retirar da referida Organização Mineira de Supermercados S.A., procedeu à apuração do resultado de seu investimento, nos moldes do referido artigo, com base em um balanço levantado na mesma data do evento, como dispõe o inciso I, do referido artigo 248; 7 os procedimentos adotados pela "NOVA" são legítimos e praticados de conformidade com o previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei n° 6.404/1976), visando objetivos lícitos; 8 de modo absolutamente válido e lícito e, por que não dizer, corriqueiro, o preço de emissão das novas ações foi superior ao valor patrimonial contábil correspondente aos 25,002% de participação final da nova sócia (BELOPAR) no capital social da OMS; 9 isto proporciona, também de modo válido e licito para a contribuinte NOVA, um resultado positivo na equivalência patrimonial decorrente de redução na percentagem de participação do contribuinte no capital social da OMS, plenamente amparada pelo art. 428 do RIR 99, anteriormente transcrito; 10 tendo ocorrido o aumento de capital por subscrição, com alteração (redução) da porcentagem de participação da NOVA (de 100% para 74,998%) no capital social da OMS, o valor da equivalência patrimonial em uma determinada database deveria (e, de fato e corretamente, foi) computado pela porcentagem de sua nova participação (74,998%) aplicada sobre o novo patrimônio liquido (após a subscrição); Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 8 13 11 foi a diminuição da porcentagem de participação que gerou o aumento do investimento da NOVA na OMS pela equivalência patrimonial Essa diferença existente deve representar um acréscimo na conta de investimentos que, nesses casos, registrará como receita não operacional, nos exatos termos do art. 428 do RIR 99, que determina que tal valor não é tributável se ganho, nem dedutível, se perda; 12 existem limites intransponíveis à desclassificação de formas jurídicas lícitas eventualmente adotadas, mesmo que a conseqüência seja uma redução da carga tributária, que no caso foi um efeito e não causa. 13 a operação foi realizada como formalizada, atendendo as disposições legais e a natureza do contrato, e não como pretendem as autoridades fiscais, de ter ocorrido desvirtuamento da essência contratual, pois nesse caso, o Erário seria beneficiado; 14 é importante estabelecer um divisor de águas entre a economia licita, a chamada "elisão fiscal", da sonegação fiscal ou "evasão", esta normalmente obtida pela prática delituosa obtida pela prática das condutas arroladas nos arts. 1°, inciso V e 2°, Incisos, II a V, ambos da Lei n°8.137/90; 15 todas as operações tidas por "simuladas" pela D. Fiscalização encontramse devidamente comprovadas, registradas e contabilizadas, conforme depreendese até mesmo das cópias dos cheques emitidos por ocasião dos eventos societários ocorridos, 16 a evasão ou sonegação fiscal, é resultado da ação ilícita punível com pena restritiva de liberdade e multa. A expressão "sonegação fiscal" surgiu com a Lei n° 4.502/64 e foi posteriormente utilizada pela já revogada Lei n° 4.729/65, substituída pela Lei n° 8.137/91. A definição legal de sonegação fiscal dada pela Lei 4.502/64 ainda está em vigor segundo o texto do art. 453 do atual Regulamento do IPI. De acordo com o preceito citado, sonegação fiscal é o resultado de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: a) da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e b) das condições pessoais do contribuinte, susceptíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; 17 dos procedimentos acima, não são necessárias maiores digressões filosóficas para detectarmos caso típico de economia fiscal e não de evasão fiscal. Aliás esse é entendimento do Emérito professor Ricardo Mariz de Oliveira; 18 é necessária uma importante conclusão: o contribuinte tem o direito de adotar condutas que tornem menos onerosos, do ponto de vista fiscal, os negócios jurídicos que realiza. Esse direito subjetivo tem um limite que é o ordenamento jurídico e não a Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 mera vontade dos agentes fiscais. Assim, não havendo comportamento ilícito, o procedimento não pode ser censurado; 19 Na seara criminal, estarão todas as operações que se valem de qualquer tipo de fraude, como a simulação, a falsificação de livros, documentos e etc., enquanto a infração à legislação tributária ocorrerá por erro em sua interpretação. Na elisão, a forma é importante, mas, de maior importância será a justificativa do caminho escolhido pelo contribuinte para que o conduzisse ao alívio da carga tributária; 20 o que a lei penal tem em mira são as operações fingidas, que mascaram a realidade com o intuito de lograr a evasão fiscal e que no campo do direito privado são eivados de vícios da simulação a que alude o Código Civil Brasileiro. Por esta razão a lei penal tributária deve ser aplicada com extrema cautela, retirando de seu foco aquelas condutas que se baseiam na obscuridade ou lacuna da lei. Para tanto, há de se perquirir sobre a ocorrência e a intensidade o dolo, não podendo ser olvidada, ainda, à ocorrência das hipóteses de exclusão de ilicitude referidas no Código Penal; 21 não passou desapercebido que os Auditores Fiscais buscaram amparar suas cincadas conclusões na "norma geral antielisão" trazida ao direito pátrio pela Lei Complementar n° 104/2001. Digase, tal norma carece de implementação de eficácia plena, denotando sua inaplicabilidade no ordenamento em vigor, e mesmo ao conjunto de normas vigentes à época dos fatos em tela, quando a alteração do CTN nem mesmo existia; 22 ocorre que a exigência do Fisco Federal, na forma em que realizada, afigura se ilegal e inconstitucional, eis que afronta o principio constitucional da irretroatividade da lei, previsto no inciso XXXVI, do art. 5°, da CF/88, por pretender aplicar a suposto fato gerador ocorrido em 19/07/99, ou 27/09/99, conforme consignado pela própria fiscalização, a Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001; f) Não cabimento da multa qualificada. 1 o enquadramento legal apontado sugeriu a aplicação do disposto no inciso 11, pela qual a multa aplicada seria de "cento e cinqüenta por cento, nos casos de EVIDENTE FRAUDE, definido nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou crimes"; 2 a lei se refere a evidente fraude como causa motivadora do tipo legal. Implica dizer que a evidência sugerida pela lei exige comprovações irrefutáveis pautadas em documentação idônea, afastando presunções, ficções ou qualquer outro meio de prova indireta; 3 não deve prosperar com foro de juridicidade as alegações inferidas, especialmente quando em momento algum houve dissimulação de transação; 4 nos tópicos anteriores restou comprovado, à saciedade, a inexistência de dolo, fraude ou simulação nas operações Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 9 15 realizadas, sendo desnecessário repetir, aqui, tais considerações, já suficientes a afastar a aplicação qualificada das multas impingidas; g) Não cabimento da multa agravada. 1 ainda que se admitisse a existência de fraude tal qual o apurado, seria ilegítimo impor ao contribuinte a batuta punitiva do parágrafo 2°, do art. 44, da Lei n° 9.430/96; 2 a própria fiscalização reconheceu que a prestação de informações do contribuinte acerca das "sucessivas" intimações não foi satisfatória. Ora o fato de um pedido de esclarecimentos não ser satisfatório não induz ausência de informações. São contraditórios os dizeres da fiscalização, especialmente porque em momento algum a empresa se escusou de apresentar seus livros fiscais ou contábeis ou quaisquer outros documentos solicitados; 3 a ausência de satisfatoriedade reclamada pela fiscalização, além de se amoldar a critérios subjetivos não se afina aos contornos legais vaticinados pela lei em testilha, menos ainda se tomarmos a letra fria da lei como paradigma inopinável ao efetivo cotejo da falta de esclarecimentos acerca de quais livros ou documentos deixaram de ser apresentados pela empresa. A lei se refere à ausência na prestação de informações e não ausência de prestação satisfatória; h) Cumulação indevida de penalidades (multa de oficio & multa isolada). 1além de aplicar a multa de oficio pela não tributação dos valores em foco, o auto de infração traz outra multa (isolada), como se fosse outro o fato dito ilícito merecedor de sanção; 2 é incorreto o proceder fiscal, já que o ilícito imputado (que não existe) teria sido um só, qual seja, a não tributação dos ganhos (Goodwill), sendo o não recolhimento dos valores na forma do cálculo por estimativa, a mera expressão formal da mesma conduta. A sanção aplicável à obrigação acessória (forma de recolhimento), é suplantada pela imposição da sanção pelo vislumbrado descumprimento da obrigação tributária principal; 3 essa dupla sanção não é admissivel perante os comandos constantes do ordenamento, e tem sido largamente refutada pelos tribunais administrativos; 4 a par dos defeitos insanáveis já apontados ao longo do presente recurso, resta evidente neste ponto que a imputação fiscal em debate não deve subsistir, também em função da aplicação concomitante de sanções sobre o mesmo fato dito ilícito. i) Erro na aplicação da multa isolada. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 1 os Auditores Fiscais impuseram ao contribuinte multa isolada no percentual de 225%, além do percentual de 225 % de multa agravada incidentes sobre o valor da exigência principal; 2 invocou o disposto no art. 957 do RIR, cujo conteúdo normativo com redação dada pela Lei n° 9.430/96, art. 44. Dois são os incisos que estabelecem os percentuais de multa isolada a ser imposta aos contribuintes de maneira genérica; 3 a primeira de 75% nos caso de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuando hipótese da letra b (inciso I, da Lei); 4 a segunda de 150% nos caso de evidente intuito de fraude definido nos termos dos artigos 71, 72, 73 da Lei 4.502 de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (inciso II da Lei); 5 o dispositivo é autoexplicável, ou seja, só há para o caso específico a imposição de dois tipos de percentuais, 75% para os casos previstos no inciso I, ou 150% para os casos previstos no inciso II; 6 a fiscalização não poderia ter imputado a multa isolada no percentual de 225%, por falta de respaldo legal; É o Relatório O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 27/09/1999, 31/07/1999. Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO — ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — Correto o lançamento, não existindo erro na identificação do sujeito passivo, quando o Fisco lavra o auto de infração na empresa onde foram efetuados os aportes financeiros e dirigido o ganho econômico, quando ela permanece ativa após os fatos considerados como simulados e controlada pelas pessoas físicas beneficiadas pela não tributação do ganho de capital na alienação de participação societária, onde foi constatada a irregularidade detectada pela fiscalização. IRPJ — DECADÊNCIA — O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte em 13/12/04, cabível a preliminar de decadência suscitada para o IRPJ e a multa isolada do IRPJ lançada nos meses de julho e setembro do anocalendário de 1999. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 10 17 IRPJ — O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. IRPJ — MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — INOCORRÊNCIA — SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Inconformada com a decisão que reconheceu a decadência da CSLL e do IRPJ e desqualificou a multa de ofício, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 989/1.004), o qual foi admitido (fls. 1.031/1.033) pela presidente da 2ª Câmara da 1ª SEJUL. A insurgência contra o reconhecimento da decadência da CSLL foi fundada no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscais RICSRF, uma vez que não houve unanimidade de votos a acatar a decisão. No que se refere à desqualificação da multa de ofício e ao acolhimento da decadência do IRPJ, decidida à unanimidade de votos, o pedido se baseou no art. 7º, II, do RICSRF. A Procuradoria fulcrou seus argumentos divergentes ao comparar o julgado recorrido com o paradigma: Ocorre que, enquanto a lª Turma da lª Câmara da lª Seção do CARF(antiga lª Câmara do lº CC), tratando do mesmo caso, entendeu por manter a multa qualificada diante da presença da simulação, a Câmara a quo decidiu pela desqualificação da multa, utilizando como fundamento a pacificação da jurisprudência na 2ª Turma da 2ª Câmara da lª Seção do CARF (antiga 8ª Câmara do 1° CC), dando, portando, interpretação divergente ao § 4ª , art. 150 CTN, daquela que foi dada pela decisão do acórdão paradigma e maioria dos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Entende que a multa qualificada incide no caso de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, e prossegue afirmando: Portanto, restou provado nos autos, de forma inequívoca, a intenção do contribuinte em omitir o ganho de capital auferido na venda da rede de supermercados Mineirão, simulado pela admissão de novo sócio (comprador, empresa do Grupo Carrefour) mediante subscrição de capital na empresa que estava sendo vendida (OMS), seguida de cisão societária e posterior incorporação do acervo liquido pelo antigo sócio, que apurou o resultado como sendo oriundo de equivalência patrimonial, portanto isento, com o único propósito de impedir, de forma consciente, o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador (ganho de capital) do Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, para deixar de recolher os mencionados tributos, o que sem dúvida caracteriza evidente intuito de fraude. (...) Portanto, provado, nos autos, a intenção do Recorrido em omitir o ganho de capital através da dissimulação da operação (venda da rede de supermercados Mineirão), e demonstrado que se trata de ação dolosa, ou seja, que essa omissão não decorreu de lapso ou de erro, mas de ação consciente, inclusive com ajuste doloso entre os envolvidos na simulada operação de reorganização societária montada para dissimular a efetiva transação ocorrida, há evidente intuito de fraude,. merecendo ser mantida a multa qualificada. Por tudo isso, não há se afastar a qualificação da multa de oficio lançada, e como conseqüência direta, não há como ser reconhecida a decadência relativamente a qualquer tributo lançado, vez que a conduta dolosa do Contribuinte Recorrido, transfere a contagem do prazo decadencial do Art. 150, §4º do CTN para o Art. 173, I do CTN. Ademais, quanto à decadência do IRPJ e multa isolada do IRPJ, reconhecida a simulação relativa até mesmo pela Câmara a quo, a contagem do prazo decadencial deve se dar nos termos do art. 173, I, CTN, de acordo com o comando do § 4º , art. 150, CTN, assim não procedendo, a ilustre Câmara a quo afronta a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscal, é o que se depreende do acórdão paradigma 10196.087 (cópia em anexo), da Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF (antiga lª Câmara do 1º CC), (...) (...) Nesse sentido, diante da simulação incontestável, é mister a aplicação do art. 173, I, CTN para contagem do prazo decadencial, tendo em vista a clareza da norma (§ 4º, art. 150 CTN) que ordena, no caso dos autos, que a contagem do prazo decadencial se faça nos termos do art. 173, I, do CTN. Quanto à decadência da CSLL, invoca violação ao arts. 173, I, 150, § 4º e 149, V, do CTN. Ao final, pede: 1. seja mantida a multa de oficio, em sua modalidade qualificada, tendo em vista o evidente intuito de fraude na conduta simulada do Contribuinte comprovado nos autos; 2. em conseqüência, sejam mantidos os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL e multa isolada do IRPJ, uma vez que não estão decaídos, nos termos do art. 173, I do CTN. Devidamente cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 1.038/1.058. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 11 19 Em novembro de 2010, por proposta do relator e com a anuência do presidente da CSRF, o processo foi retirado de pauta para saneamento da admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que o contribuinte alegou em suas contrarrazões que não havia nos autos documento comprobatório da data do protocolo do recurso da Procuradoria. A decisão visou, ainda, a análise de admissibilidade quanto a divergência entre os Acórdãos nºs. CSRF/0201.308 e 10614715, que decidiram quanto à decadência nas hipóteses em que não há antecipação do recolhimento do tributo pelo contribuinte. Tendo o recurso sido novamente examinado em janeiro de 2011 (fls. 1.073/1.079), o presidente da 2ª Câmara da 1ª SEJUL, deulhe seguimento. Mais uma vez cientificada, a contribuinte aditou as contrarrazões anteriores (fls. 1.088/1.103). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese à qualificação da multa (fl. 1031 1.033), o que também altera a contagem do prazo de decadência, e à contagem do prazo decadencial por conta de ausência de pagamento (análise de admissibilidade de fls. 10731079). No recurso especial a PGFN alega, sucintamente que o entendimento da decisão recorrida firmado pela Câmara a quo contraria as decisões proferidas pela la Turma da 1ª Câmara da la Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e cita o trecho da conclusão do paradigma apresentado: Presente a simulação, ainda que possa ser qualificada de relativa, dissimulando uma venda através de operações estruturadas de associação sem substrato econômico e fático, deve ser mantida a multa qualificada, o que também impede acolherse qualquer preliminar de decadência. Traz em seguida excertos da fundamentação do ac. recorrido demonstrando a divergência e cita outros acórdãos no sentido do paradigma, cita legislação e demonstra a aplicação ao fato dos autos. Salienta que “mesmo que provado o ilícito, a e. câmara a quo entendeu que somente caberia o agravamento da multa quando restasse demonstrado o "evidente intuito de fraude"”. Sustenta adiante que se trata de vontade de omitir o ganho de capital, de maneira voluntária e consciente, concluindo que há evidente intuito de fraude, merecendo ser mantida a multa qualificada. Sustenta que havendo simulação, ainda que relativa, afastase o art. 150, § 4º do CTN e cita jurisprudência. Adicionalmente salienta que o próprio acórdão recorrido reconhece que há simulação e transcreve trecho demonstrando tal fato, e volta a demonstrar a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso. Adiciona também que: Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Vale ainda ressaltar que a ressalva contida no § 40 , art. 150 CTN não faz qualquer referência aos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, apenas condiciona a comprovação de uma das hipóteses ressalvadas no § 40, art. 150 CTN (dolo, fraude ou simulação), para que a contagem do prazo seja regida pelo art. 173, I do CTN e não mais pelo § 40 , art. 150 CTN. Adiante sustenta que não havendo pagamento não se aplica o art. 150, § 4º, do CTN e traz jurisprudência e argumentos em favor da tese, inclusive judicial. Não alega o prazo de dez anos para as contribuições em virtude da Súmula Vinculante n. 8 do STF e sustenta que a aplicação do art. 173, I, faria desaparecer a decadência de todos os tributos lançados, e reitera os argumentos em relação à inexistência de pagamento. Nas contrarrazões (de fls. 1.0381.058) o contribuinte alega nas preliminares a intempestividade do recurso, e diz: Ocorre, todavia, que o Recurso Especial Fazendário, a despeito de inexistir carimbo de protocolo, data de 14 de maio de 2009, ou seja, depois de ultrapassado o prazo legal para sua interposição, sendo MANIFESTAMENTE INTEMPESTIVO A seguir alega ausência de identidade fática entre o ac. Recorrido e o paradigma, sustentado em síntese que o paradigma tem conduta muito mais grave. Aduz que o tema do não pagamento não foi prequestionado e não pode, portanto, ser objeto de recurso. A questão da intempestividade será abordada adiante, mas já adianto que entendo que em relação às outras questões entendo que foram superadas, em virtude da admissibilidade do recurso, no meu entender, ter solucionado essas questões de maneira cabal e irrefutável. No mérito o contribuinte alega que há impossibilidade de qualificação da penalidade e da conseqüente decadência do crédito tributário, aduz diversos argumentos sustentando que não estão presentes os requisitos que qualifiquem a multa para deslocar a aplicação do 150, § 4º, do CTN. Sustenta a premissa de que “sem qualificação da multa o prazo decadencial é de 05 anos a contar do fato gerador”. Sustenta que “não se verifica nos autos qualquer possibilidade de se configurar a conduta típica penal”. Assegura que “não pode ser caracterizado conluio no caso dos autos, pois não restaram comprovado quaisquer acordos entre a Recorrente e terceiros tendentes a praticar ilícitos censuráveis de forma mais severa.” Adiante cita jurisprudência do CARF em casos semelhantes que teria sido decido da mesma forma. Cita também caso de multa agravada (não objeto de recurso). Em seguida insiste que deve haver demonstração de “evidente intuito de fraude” para caracterizar a qualificação da multa e cita jurisprudência administrativa, citando também caos de multa agravada (não objeto do recurso). Em seguida reitera que "mesmo que se entenda cabível a desconsideração do planejamento tributário realizado pela Recorrida e a aplicação das penalidades decorrentes desse ato, fato considerado apenas a titulo argumentativo, não se vislumbra no presente caso o "evidente intuito de fraude" necessário para a qualificação das multas e o conseqüente deslocamento da regra decadencial para o art. 173, I do CTN. " (fl. 1.055). Argumenta adiante sobre a impossibilidade de alteração da sistemática de lançamento tributos em razão de suposta inexistência de pagamento e cita jurisprudência da CSRF. Cita a Súmula Vinculante STF n. 8 para a afastar a decadência de dez anos para a CSLL, para a qual estende os argumentos do IRPJ. Ao final reitera a arguição de intempestividade e pede que seja mantida a decisão recorrida. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 12 21 O contribuinte, no aditamento às contrarrazões (fls. 1.088 1.103) reitera o entendimento de que o recurso especial em discussão é intempestivo, e que não pode ser conhecido o tema da ausência de pagamento para efeito da decadência e no mérito traz jurisprudência do assunto. Reitera que não há dolo nas transações e que são mero ciclo societário. Reitera os argumentos anteriores e pede o improvimento do recurso da Fazenda. Posteriormente, em memoriais reforça esses argumentos e aduz também que não poderia ser acusado de dolo visto que jurisprudência do Conselho de Contribuintes aceitava as operações que estão na presente discussão, e A PGFN adita também argumentos no sentido de que seu recurso especial é tempestivo (fls. 1.1071.111), trazendo Portaria Conjunta do Conselho de Contribuintes n. 1 de 27 de abril de 2007, que alega sustentar sua posição. Passo à análise do caso. Preliminares Admissibilidade A defesa sustentou em manifestação oral, na ocasião do julgamento, que o recurso não deve ser conhecido por que os Acórdãos 10196087 e 10422250, utilizados como paradigmas quando da interposição do recurso especial, foram reformados pela CSRF. Ocorre que, sob o meu ponto de vista, isto não impede o conhecimento, pois os referidos paradigmas à época da análise da admissibilidade estavam válidos, e, portanto, a análise de admissibilidade, pressuposto do conhecimento foi correta é aplicação do princípio tempus regit actum, e é esta a previsão regimental contida no art. 15 do RICSRF, vigente à epóca da interposição do recurso, sendo esta a inteligência do seu § 5o, quando prevê que só se prestam à função de paradigmas os acórdõas não reformados pela CSRF. Além do mais há um terceiro paradigma citado no recurso especial, o Acórdão de n. 10709215, do qual não consta tenha sido reformado. Isto posto, mantenho o conhecimento do recurso especial da Fazenda. Tema da intempestividade Quando do primeiro julgamento da CSRF, nas contrarrazões (fls. 1.038 a 1.058) houve também arguição de intempestividade do recurso da Fazenda, o que motivou ao reenvio por despacho (fl. 1062 e v.) para exame complementar da admissibilidade por dois temas: a intempestividade e a questão do prazo decadencial por conta de ausência de pagamento. Na segunda análise de admissibilidade (Despacho 120000.032, de fl. 1.0731079 ) foi admitido recurso por divergência em relação ao tema da de ausência de pagamento para efeito de contagem de prazo de decadência. Quanto à questão da intempestividade, o despacho solicitou que: (ii) seja juntada aos autos cópia da peça recursal da PGFN em que conste a chancela ou registro da data de protocolo respectivo ou, alternativamente, seja certificada tal data nos autos pela Serventia do Colegiado, em cuja certidão deverá constar informação sobre quais documentos foram consultados para obtenção dessa informação. Sendo que consta da análise de admissibilidade que : "Quanto ao documento que conste a data do protocolo do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, foi Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 juntado pela Secretaria da Segunda Câmara, fl. 1063, cópia do protocolo (Relação de Movimentação recebida pela Secretaria em 18/05/2009)." O contribuinte, no aditamento às contrarrazões (fls. 1.088 1.103) reitera que, conforme as RMs (fls. 987 e 1.063), que o inicio do prazo para a Fazenda Nacional tem data em 20 de março de 2009, como atesta a RM de fl. 987, e que a sua interposição se deu em 18 de maio de 2009. Aduz diversos argumentos legais no sentido de que, de acordo com o Regimento vigente à época e o Decreto n. 70.235/72, a ciência da PGFN não é apenas pessoal, e que pode se considerada quando da remessa dos autos à PGFN, reitera o entendimento de que o recurso especial em discussão é intempestivo. Passo a analisar esta questão como preliminar. As normas de regência são o Decreto 70.235/72, art. 23, §§ 7°, 8° e 9°, e Portaria MF n°147/07 (RICC) e Regimento Interno da CSRF, vigente à época, e que tem a seguinte redação: Art. 23. Farseá a intimação: ... § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007). Portaria nº 147, de 25 de junho de 2007 (RICC): Art. 61. Atuarão junto aos Conselhos, em defesa dos interesses da Fazenda Nacional, os Procuradores credenciados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. § 1º O credenciamento farseá em ofício do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ao Presidente do respectivo Conselho. § 2º É facultado aos Procuradores da Fazenda Nacional terem vista dos autos fora da secretaria da Câmara, mediante carga registrada em controle próprio. § 3º Sob pena de nulidade, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão pessoalmente intimados dos Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 13 23 despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários aos interesses da Fazenda Nacional. Art. 62. Os chefes das Secretarias das Câmaras intimarão pessoalmente o Procurador da Fazenda Nacional credenciado, no primeiro dia do período das sessões mensais, dos acórdãos contrários aos interesses da Fazenda Nacional formalizados em data anterior. Parágrafo único. Por solicitação do Procurador da Fazenda Nacional, a intimação poderá ser feita em outro dia do período das sessões mensais. Art. 63. Caso o Procurador da Fazenda Nacional não seja intimado pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão, as Secretarias das Câmaras remeterão os autos à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para fins da intimação referida no art. 62. §1º A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional poderá requerer aos Presidentes dos Conselhos de Contribuintes que os autos sejam remetidos às suas unidades descentralizadas. §2º As Secretarias das Câmaras deverão efetuar apenas uma remessa de processos por semana, com utilização do sistema de Comunicação e Protocolo Comprot. §3º A confirmação de recebimento dos processos ocorrerá mediante a assinatura do servidor da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na Relação de Movimentação RM emitida pelo sistema Comprot, na data de sua entrega naquela repartição. §4º Compete ao servidor que receber o processo administrativo, anexar aos autos cópia da RM, com sua identificação e a data em que foi recebido. Art. 64. A remessa de processos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aos Conselhos de Contribuintes será realizada mediante movimentação no sistema Comprot. §1º Será considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo for entregue no seu destino. §2º Compete às Secretarias das Câmaras anexar aos autos cópia da RM emitida pelo Comprot, após o retorno dos respectivos processos. Art. 65. Os procedimentos previstos nos arts. 62, 63 e 64 não se se aplicam às intimações a Procurador da Fazenda Nacional dos despachos exarados pelos Presidentes das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 ... §2º Compete às Secretarias das Câmaras anexar aos autos cópia da RM emitida pelo Comprot, após o retorno dos respectivos processos. Dispositivos semelhantes aos acima transcritos traziam a Portaria Conjunta (CCs) N. 1, de 27 de abril de 2007. RICSRF Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. Assim, considerando o argumento do contribuinte que não se considere a ciência pessoal dada pela PGFN em 14 de maio de 2009 (não se aplicaria o § 7o do art. 23 do Dec. 70.235/1972), terseia a seguinte contagem, com base nas RMs e nos carimbos de recebimento: A data da formalização do Acórdão foi 06/02/2009 (fls. 932), como transcorreram mais de 40 dias os autos foram remetidos à PGFN para ciência (§ 8o do art. 23 do Dec. 70.235/1972). Data da entrega dos autos na PGFN (conforme carimbo da PGFN de fls 987, nos termos do § 30, do art. 63 do RI acima transcrito): 01/04//2009. De acordo com o § 9o, do art. 23, do Dec. 70.235/1972, ao término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria, considerase feita intimação. No caso, o prazo começa a contar dia 02/04/2009, a intimação deuse então em 1º/05/2009. O prazo para apresentação do recurso especial é de 15 dias (art. 15 do RICSRF), como a contagem que começa dia 2 de maio de 2009, venceria o prazo dia 16 de maio de 2009, que é sábado, portanto, sendo o primeiro dia útil seguinte dia 18/05/2009, segundafeira, vence o prazo nesta data, que é a data do recebimento na Secretaria, conforme RM de fls. 1.063. De acordo com o §1º do art. 64, do RICC, é a data da remessa de processos da PGFN aos Conselhos de Contribuintes, que era realizada mediante movimentação no sistema Comprot, que é considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional. Ou seja, esta data é a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo for entregue no seu destino e como consta do RM de fls. fl. 1063, é o dia 18/05/2009 – último dia do prazo. Assim, considero que não há vício de intempestividade do recurso especial interposto pela Fazenda e conheço do recurso, nos termos da admissibilidade proferida. Nas demais questões em relação à admissibilidade levantadas pelo recorrente (ausência de similitude fática entre o ac.; recorrido e o paradigma), entendo que não assiste razão ao recorrido, havendo evidente discrepância na aplicação das mesma normas em casos semelhantes cm resultados discrepantes. Do mérito. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 14 25 A questão foi guerreada e a conclusão da oitava Câmara do 1o Conselho de Contribuinte foi de houve simulação relativa, em seguida afastou a qualificação, i.e., a incidência das ocorrências previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/1963 (que tratam de sonegação, fraude e conluio), e, por conseguinte, a não aplicação do art. 173, I do CTN, entendendo contarse o prazo decandencial pelo § 4o do art. 150 do CTN. Na verdade, toda a questão diz respeito à forma como o fisco requalificou os atos praticados pelo contribuinte. Conforme a acusação fiscal isto foi feito em virtude de ter havido uma simulação, conforme se vê deflui do TVF, em especial o trecho abaixo reproduzido (fls. 160 e 161162): [...] Para enxergarmos toda a complexa operação de reorganização societária simulada para ocultar a ocorrência do fato gerador foi necessário compulsarmos os dados dos atos societários e declarações de rendimentos de todos qUe participaram dessa simulação, que tinham interesse no resultado alcançado e que, por isso mesmo, conjugaram seus esforços para que fosse produzido tal como se observou. [...] O que vemos, portanto, foi uma operação montada para ocultar motivos inconfessáveis, uma simulação. Porque os proprietários haveriam de constituir a empresa NOVA se poderiam vender diretamente o investimento da SANTA FÉ? Para que retirar a rede de supermercados da ABADIA e passála para a OMS? Qual a justificativa para movimentar esse investimento através da NOVA, fazendo com que entrasse na empresa em 01/01/99 e saísse em 19/07/99, seguido quase que imediatamente pela saída do resultado da venda do investimento em 31/07/99? E porque fazer isso tudo através de documentos e atos societários que somente adquiririam alguma publicidade após decorrido considerável espaço de tempo? Adiante, no TVF, fica claro que a acusação se baseia no art. 149, VII, do CTN, que se aplica aos casos de dolo, fraude, simulação ou falsidade, e não com base em norma antielisiva (fls. 225 e 226). E mais adiante (fls. 238239): Desse modo, os contribuintes tinham interesse na apresentação da reorganização societária como se aparenta, era seu objetivo mostrar a transferência da rede de supermercados dessa forma, o que foi previamente combinado, pois assim, com essa aparência ('quase legal', apenas do ponto de vista formal, diga se de passagem, porém uma simulação previamente acordada entre as partes), modificariam uma característica essencial da transação, o ganho de capital auferido e ocultado na alienação do controle societário (substituído pelo ajuste por aumento no valor de investimento avaliado pelo patrimônio liquido), que é o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, sendo estes os tributos que tinham, por fim último, deixar de recolher, com evidente intuito de fraude. Por conseguinte, tratase na hipótese de infração qualificada, por conformaremse os fatos à descrição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502, de 30/11/64. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 26 Há outros fatos mencionados no TFV, especialmente de que há "informação falsa sobre a transmissão de quotas de participação societária, objetivando impedir ao fisco a responsabilização dos efetivos titulares do negócio pelo crédito tributário, haja vista inclusive a situação de inadimplemento das obrigações tributárias pela empresa ABADIA e o não pagamento dos tributos relativos ao ganho de capital na venda da rede de supermercados pela NOVA." (fls. 239), mas que não são relevantes para o deslinde da questão, nesta fase de julgamento. A decisão da DRJ colocou a situação nos seguintes termos (fl. 799) : permite concluir de forma inequívoca que todo o encadeamento de atos consistentes no planejamento tributário tem apenas o efeito de um disfarce, uma maquiagem que se deu a uma operação (compra e venda dos ativos ligados à atividade varejista de supermercados), de sorte que esta adquirisse a aparência de uma outra operação com características intrínsecas diversas, a subscrição de ações com ágio. Em outras palavras, simulação. E adiante (fls. 807): Enfim, fundamentase a presente autuação na ocorrência de simulação fraudulenta. [...] [...] Todas as inconsistências apontadas pela Fiscalização evidenciam, de forma inequívoca, que as operações do planejamento tributário aconteceram apenas no papel. Logo, o lançamento não merece qualquer reparo. Ou seja, reconheceu a existência da simulação e manteve o auto de infração. Primeiramente reiterese que a acusação é de simulação, conforme esclarecido acima, com transcrições de trechos do TVF. Tal acusação foi mantida na decisão da DRJ. No julgamento do recurso ordinário, o acórdão recorrido afastou a tributação do ganho de capital, por entender haver simulação relativa (que o próprio voto vencedor reputa como “planejamento tributário ilícito”) e afastou a multa qualificada (fl. 973). O que é contraditório. Mais estranho é que na folha anterior (fl. 972) diz que (trechos do voto): Para ser considerada licita a operação efetuada, não basta que as partes tenham pactuado e queiram se submeter A disciplina dos atos, além de terem sido legais, é necessário também que sejam não lesivos ao Fisco. No caso em voga, todas as situações descritas por Ricardo Mariz de Oliveira no seu livro confirmam a simulação: a proximidade temporal dos atos praticados, todas as operações aconteceram no decorrer de horas ou dias; a ausência de motivação econômica para o aumento de capital e do ágio pago, que foi apenas um artificio para a pretendida alienação de participação societária, a conclusão de todos os atos questionados e os efeitos da cisão ocorrida e a equivalência patrimonial efetivada, Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 15 27 resultando na saída dos sócios e no desfazimento da sociedade original. Portanto, constatada a ocorrência de simulação, passo agora ao exame das preliminares suscitadas. Ou seja, o acórdão recorrido é totalmente contraditório, pois diz que reconhece a simulação e em seguida não aplica o art. 150, § 4º, in fine, do CTN. Situação que não foi resolvida por meio de embargos, mas que é de constatação inevitável em sede de análise de recurso especial que tem como objeto o acordão recorrido. Na verdade, a questão que se coloca é: a existência de simulação, e somente ela, faz incidir o art. 72 da Lei n. 4502 /1964, levando à qualificação da multa? A resposta é positiva sempre que houver o objeto for a diminuição ou supressão de tributos, mas alguns esclarecimentos se fazem necessários. A fraude a que se refere o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, é simulação, designada tradicionalmente como simulação fraudulenta ou maliciosa, isto porque tem como objetivo causar prejuízo a outrem, no caso o erário. O conceito de fraude fiscal está o art. 72 da Lei n.4.502/1964 que tem a seguinte redação: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude fiscal conforme definida no art. 72 acima transcrito é diferente da fraude civil, nos termos previstos no Código Civil, e mais ampla que a fraude stricto sensu, a exemplo daquela decorrente de falsificação de documentos fiscais. O conceito de fraude fiscal é, de fato, mais abrangente. Considerando que há ocorrência de simulação, ilícito civil previsto no art. 167 do Código Civil, que macula o negócio jurídico, que, a meu ver esta situação está claramente presente na situação sob discussão, implica fraude fiscal, pois na figura da simulação é intrínseca a existência de uma um ação ou omissão dolosa (intenção de fazer determinada coisa com determinado objetivo específico não pagar tributo), que no caso modificou uma característica essencial do fato gerador (em seu aspecto material, pois o que aparece documentalmente não sofreria tributação), para evitar o pagamento de tributos. No meu ponto de vista, existe uma máscara de reorganização societária, com transformações, aquisições e cisão, que escondem uma compra e venda de participação societária, verdadeira operação desejada pelas partes ou seja, existe simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil. Sendo que essa situação, no presente caso, é reforçada pelo modo que a ação foi encadeada, com indícios de fraude stricto sensu (que também leva à fraude fiscal). Assim, em havendo o entendimento de que há simulação, decorre daí a multa qualificada. Há diversos acórdãos do CARF neste sentido, e.g., Acórdão n.10513.069, de 26 de janeiro de 2000, Acórdão n. 0516292, de 28 de fevereiro de 2007 , Acórdão. n. 10196087, de 29 de março de 2007, e o Acórdão nº 9101000.528, de 11 de março de 2010, ca 1a T. da CSRF, cuja ementa segue transcrita: Acórdão nº 9101000.528, de 11 de março de 2010 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 28 EMENTA: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O “erro de proibição” ou erro sobre a ilicitude do fato não exclui o dolo, mas atua tão somente na dosimetria da pena, podendo isentála ou diminuíla. Inaplicável no âmbito das sanções administrativas fiscais. Ademais, in casu, incide também afigura do conluio, em virtude de que concorreram para o resultado pretendido duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas, conforme previsto no art. 73 da Lei 4.502/1964: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A existência de simulação com intenção de omitir a tributação, por si só, é suficiente para manter a multa qualificada, sem entrar na seara da fraude stricto sensu.. Considerando a sequência de atos, evidenciase claramente a ocorrência de simulação. Insisto que, no meu entendimento, há uma máscara de reorganização societária, com transformações, aquisições e cisão, que escondem uma compra e venda de participação societária, ou seja, existe simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil, sendo, portanto, passível da aplicação da multa qualificada, pois incide aqui o art. 72 da Lei 4.502/1964. Assim, comungo com a mesma opinião do recorrente de que a sequência de atos praticados pelo contribuinte, independentemente da existência de fraude stricto sensu, configura simulação e leva à desconsideração da operação "formal" para efeitos tributários e à incidência da multa qualificada. Assim no meu entender houve simulação, e em decorrência, restabeleço a multa qualificada, como a multa agravada não foi objeto de recurso, fica restabelecida em 225%. Decorrente também da simulação, se conta pelo art. 173, I do CTN, aplicandose a Súmula CARF n. 72: " Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” As alegações tardias trazidas pelo recorrente de que a jurisprudência do CC à época não tratava como simulação essas operações e que portanto não haveria dolo de sua parte, não interfere no resultado do presente julgamento, nem na aplicação da Súmula CARF. n. 72. Deixo de analisar a questão de ter ou não havido pagamento, pois esta questão resta prejudicada, no meu entendimento, pelo o deslocamento para o art. 173, I, do CTN da contagem do prazo decadencial em virtude da incidência da qualificação, conforme exposto acima. Os fatos geradores ocorreram em 1999, o prazo decadencial de cinco anos começou a contar de 1o de janeiro de 2000, e finda em 31 de dezembro de 2004. Como a ciência do auto de infração foi dada em 13 de dezembro de 2004 (fl. 19), não houve decadência. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10680.015247/200412 Acórdão n.º 9101001.942 CSRFT1 Fl. 16 29 Assim, voto por afastar a decadência e restabelecer a exigência fiscal nos termos da decisão da DRJ de Belo Horizonte, dando provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10680.724921/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Encontra-se finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CURSOS TECNICOS E DE GRADUAÇÃO OFERECIDOS A PEQUENA PARCELA DE SEGURADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
As despesas com cursos técnicos e de graduação não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEST/SENAT. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. RETENÇÃO.
É importante ressaltar que não obstante o órgão administrativo impeça seus Conselheiros reconhecerem a inconstitucionalidade de normas (Súmula nº 2 do CARF), competência esta exclusiva do STF (art. 102, I, a, CF/88), no presente caso, caminho em direção à ponderação de normas, estabelecendo uma hierarquia axiológica de modo a conferir a uma norma peso maior do que à outra. Neste sentido, afasto a aplicação do art. 2º, §3º, alínea a, do Decreto nº 1.007/93 por entender que a responsabilidade do tomador do serviço não pode ser tratada por norma infralegal, fazendo prevalecer a Lei nº 8.706/93.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2302-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade em dar provimento ao Recurso de Ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tickets, sem a inscrição no PAT, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição.
Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as competências até 11/2005, inclusive, pela homologação tácita exposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Auxílio-Educação, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões.
Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no que pertine às contribuições sociais para o SEST/SENAT. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Juliana Campos de Carvalho Cruz, Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontra-se finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CURSOS TECNICOS E DE GRADUAÇÃO OFERECIDOS A PEQUENA PARCELA DE SEGURADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As despesas com cursos técnicos e de graduação não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEST/SENAT. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. RETENÇÃO. É importante ressaltar que não obstante o órgão administrativo impeça seus Conselheiros reconhecerem a inconstitucionalidade de normas (Súmula nº 2 do CARF), competência esta exclusiva do STF (art. 102, I, a, CF/88), no presente caso, caminho em direção à ponderação de normas, estabelecendo uma hierarquia axiológica de modo a conferir a uma norma peso maior do que à outra. Neste sentido, afasto a aplicação do art. 2º, §3º, alínea a, do Decreto nº 1.007/93 por entender que a responsabilidade do tomador do serviço não pode ser tratada por norma infralegal, fazendo prevalecer a Lei nº 8.706/93. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade em dar provimento ao Recurso de Ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tickets, sem a inscrição no PAT, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as competências até 11/2005, inclusive, pela homologação tácita exposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Auxílio-Educação, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no que pertine às contribuições sociais para o SEST/SENAT. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA Nº 99 DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 21 /2 01 0- 93 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CURSOS TECNICOS E DE GRADUAÇÃO OFERECIDOS A PEQUENA PARCELA DE SEGURADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As despesas com cursos técnicos e de graduação não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEST/SENAT. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. RETENÇÃO. É importante ressaltar que não obstante o órgão administrativo impeça seus Conselheiros reconhecerem a inconstitucionalidade de normas (Súmula nº 2 do CARF), competência esta exclusiva do STF (art. 102, I, ‘a’, CF/88), no presente caso, caminho em direção à ponderação de normas, estabelecendo uma hierarquia axiológica de modo a conferir a uma norma peso maior do que à outra. Neste sentido, afasto a aplicação do art. 2º, §3º, alínea ‘a’, do Decreto nº 1.007/93 por entender que a responsabilidade do tomador do serviço não pode ser tratada por norma infralegal, fazendo prevalecer a Lei nº 8.706/93. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade em dar provimento ao Recurso de Ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tickets, sem a inscrição no PAT, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento as competências até Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 314 3 11/2005, inclusive, pela homologação tácita exposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica AuxílioEducação, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa como aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Por maioria de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no que pertine às contribuições sociais para o SEST/SENAT. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 09/12/2010 Data da ciência do Auto de Infração: 13/12/2010 Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.289.5131, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos (FNDE (2,5%), SENAI (1,0%), SESI (1,5%), SEBRAE (0,6%) e INCRA (0,2%)), incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, auxílio alimentação fornecido em tickets e sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, participação nos lucros paga em desacordo com a lei, não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 19/25. De acordo com a Resenha Fiscal, o Contribuinte efetuou pagamentos de valores a seus empregados, a título de participação nos lucros e resultados, baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho ACT dos anos 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007, em desacordo com as condições estabelecidas pela Lei nº 10.101/2000. O Sujeito Passivo efetuou despesas a título de Alimentação de seus empregados, não consignados em suas folhas de pagamento, as quais foram pagas em desacordo com a legislação de regência, uma vez que foram fornecidas em tickets, e não in natura, e a empresa não havia procedido à devida inscrição PAT para o período fiscalizado. A empresa contabilizou, igualmente, despesas a título de Auxílio Educação a seus empregados. Conforme ajustado no Acordo Coletivo do Trabalho – ACT, a empresa concederia ajuda de custo para a formação aos empregados matriculados em cursos técnicos e de graduação. Contudo, estabeleceuse como condição para a obtenção do benefício apenas os empregados com saláriobase máximo de R$ 3.150,00 (ACT 2005/2006) e foram oferecidas mil vagas a serem preenchidas por ordem de chegada. Assim, comprovase que a empresa limitou a participação global dos funcionários ao benefício. Logo, os pagamentos ou créditos aos funcionários foram efetuados em desconformidade com a exigência constante na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, e são considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Estão também incluídas no presente Auto de Infração, além das contribuições acima mencionadas, a contribuição patronal a cargo do tomador de serviços de transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST (alíquota de 1,5%) e SENAT (alíquota de 1,0%), conforme discriminado no Anexo VI, a fls. 26/172, as quais deveriam ter sido arrecadadas pela empresa e recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 175/207. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 315 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.186 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 227/231, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as obrigações tributárias incidentes sobre as verbas despendidas pela empresa a título de alimentação a seus empregados, com fundamento no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, e retificando o crédito tributário na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 232/238, recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 31/07/2013, conforme Avisos de Recebimento a fls. 243/248. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 249/290, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência parcial; · Que no pagamento dos valores a título de PLR foram atendidos todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000; · Que nos três acordos coletivos firmados pela Cemig com os diversos sindicatos da categoria havia regras claras a respeito do direito e da forma que seria feito o pagamento da PLR; · Que na Lei 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de programas de metas e de resultados para o cálculo da PLR. Aduz haver uma faculdade das partes de adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei; · Que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. Nada disso afeta a natureza da verba percebida: ganho não habitual e desvinculado do salário, obtido em razão dos lucros da empresa; · Afirma que em razão dos resultados positivos obtidos restou assegurado nos acordos coletivos sempre um valor mínimo a distribuir, bem como foi estipulada uma parcela extraordinária em razão do desempenho empresarial. Dessa forma, ficou demonstrado que as exigências legais foram cumpridas. Alega que o artigo 7º, XI, da CF/88 dispõe expressamente que a participação nos lucros ou resultados é desvinculada da remuneração; · Que o valor pago a título de PLR não remunera o trabalho nem configura ganho habitual; · Que a verba a título de auxílioeducação não tem natureza salarial, pois se trata de um incentivo, investimento feito pela Cemig Distribuição SA em seus funcionários, não havendo habitualidade e obrigatoriedade no pagamento de tal benefício. Diz que a ajuda de custo foi instituída nos Acordos Coletivos de Trabalho. Aduz ter cumprido o requisito da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, ‘t’, pois as vagas foram disponibilizadas a todos que possuíam salário até determinado valor, ou seja, dentro deste universo, qualquer funcionário poderia requerer o benefício; · Que inexiste determinação em lei que transfira a responsabilidade do contribuinte (o transportador autônomo) para um terceiro (empresa tomadora do serviço). Aduz haver um confronto entre as regras do CTN e a previsão regulamentar – controle de legalidade; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 · Que houve equívoco na metodologia do cálculo da penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício feito pelo Fisco; Ao fim, requer o acolhimento da preliminar de decadência; a anulação do lançamento sobre a PLR, Auxílio educação e retenção das contribuições sociais destinadas ao SEST/SENAT e o recalculo da multa de mora. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 316 7 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 31/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30/08/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega ter havido equívoco na metodologia do cálculo da penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício feito pelo Fisco. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal questão não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo Sujeito Passivo em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 317 9 dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderá ser conhecida por este Colegiado, em virtude da preclusão. Dessarte, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Afirma o Recorrente ter efetuado recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus segurados empregados, e que deixou de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 incluir na base de cálculo as parcelas referentes à participação nos Lucros e Resultados e sobre o Auxílio Alimentação por entender que tais rubricas não eram alcançadas pela tributação. Argumenta ter ocorrido a decadência de parte do lançamento, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Tendo o lançamento ocorrido em dezembro de 2010, ele somente poderia alcançar os fatos geradores posteriores a dezembro de 2005, circunstância que implicaria a decadência parcial das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2005. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 318 11 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realiza se sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação Fl. 324DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 319 13 expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não Fl. 326DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 320 15 fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301 003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. No caso presente, verificouse a ocorrência de recolhimentos antecipados de contribuições sociais relativas às competências contidas no período de apuração, conforme Conta Corrente da empresa base de dados dos sistemas informatizados da RFB. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a Fl. 328DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 321 17 concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate aos 13 dias do mês de dezembro de 2010, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2005, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e do Recurso Especial nº 973.733 – SC, na data da lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 35.289.5131, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência dezembro/2004, nos termos do art. 173, I do CTN, da mesma forma que já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro/2005, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Dessarte, sendo de janeiro/2005 a dezembro/2006 o período de apuração do crédito tributário em realce, pugnamos pela exclusão do vertente lançamento de todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2005 até novembro/2005, inclusive. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência Fl. 329DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 novembro/2005, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2005, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA PLR Alega o Recorrente que no pagamento dos valores a título de PLR foram atendidos todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Aduz que nos três acordos coletivos firmados pela Cemig com os diversos sindicatos da categoria havia regras claras a respeito do direito e da forma que seria feito o pagamento da PLR. A empresa argumenta que na Lei nº 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de programas de metas e de resultados para o cálculo da PLR. Entende haver uma faculdade das partes de adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei. O Sujeito Passivo defende que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. Nada disso afeta a natureza da verba percebida: ganho não habitual e desvinculado do salário, obtido em razão dos lucros da empresa. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum Fl. 330DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 322 19 será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Fl. 332DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 323 21 Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 324 23 durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 24 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em Fl. 336DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 325 25 localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 26 participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 326 27 DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 28 remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 327 29 Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitase às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 30 Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 328 31 competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidianamente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 32 Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 329 33 que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/00 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 34 Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. No caso em exame a Fiscalização apurou na empresa a seguinte situação: “b) Os Acordos de 2004/2005 e 2005/2006 trazem na Cláusula Septuagésima Oitava a confirmação de que não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados. Textualmente considera “que o ano de 2004 é um ano praticamente findo, e que para o mesmo não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados (...)”. O mesmo texto e mesma cláusula são repetidos para o ano de 2005. Confirmase por estas cláusulas que a empresa definitivamente não pactuou metas a serem atingidas pelos empregados. c) Os Acordos de 2005/2006 e 2006/2007 trazem nas Cláusulas Septuagésima Nona e Quinta, respectivamente, a regulamentação do pagamento da PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – DISTRIBUIÇÃO EXTRAORDINÁRIA – PRE e/ou PLRE. Através destas cláusulas a empresa buscou no “excelente desempenho empresarial” a justificação para o pagamento desta PLR Extraordinária. Mais uma vez confirmase por estas cláusulas que a empresa não pactuou metas a serem atingidas pelos empregados para o pagamento desta PLR Extraordinária. Portanto, os referidos acordos, com relação ao pagamento da PLR, foram estabelecidos apenas para estipular valores e critérios para pagamento da mesma, ficando claro, pelos acordos coletivos, que estes pagamentos ou créditos não tinham qualquer pretensão ou objetivo de incentivar os trabalhadores a alcançar ganhos de produtividade no ano a que se referiam, visto que o mesmo já havia transcorrido. No presente caso, a rubrica PLR poderia ser caracterizada como qualquer outra rubrica componente da remuneração dos segurados empregados, integrando o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos”. Compulsando os autos, verificamos que os acordos não estipulam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informam como se dará a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderá a 3% do Resultado Operacional da Cemig, com a garantia de distribuição de um montante mínimo de trinta milhões de reais em 2004, trinta e dois milhões de reais em 2005, Ou seja, mesmo que não haja lucro, haverá uma distribuição de lucros de, no mínimo, trinta milhões de reais. Inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 330 35 O valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) Parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados. b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Perdeuse no caminho ! A olhos vistos, os acordos apenas fixaram um valor a ser pago pela empresa a seus funcionários, sem qualquer vinculação a objetivos a serem alcançados no período de apuração e sem o menor viés de incentivo à produtividade ou envolvimento extraordinário efetivo dos funcionários na busca dos resultados, superiores ao usual e cotidiano. Como demonstrado, nas cláusulas dos Acordos Coletivos acima citados inexiste qualquer parâmetro de referência, o mínimo que seja, que represente uma meta, um objetivo extraordinário, um resultado a ser atingido pela empresa para que o trabalhador, a contar de então, passe a fazer jus aos lucros/resultados da empresa. Não procede a alegação recursal de que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. É possível sim, desde que a empresa especifique e detalhe previamente no acordo de PLR as condições de contorno de um fim extraordinário específico a ser atingido pelos empregados abraçados pelo plano, o qual, para ser alcançado, dependa de um empenho maior do corpo funcional da empresa, de maneira que a verba paga a título de PLR desempenhe o papel de instrumento de incentivo à consecução de tais fins. Ao contrário do entendimento do Recorrente, a inexistência de um fim extraordinário específico detalhado previamente no bojo do plano de participação nos lucros e resultados da empresa descaracteriza a natureza da PLR legal. Assim, a remuneração pelo trabalho ordinário e comum realizado pelo trabalhador é efetuada mediante salário, Instituto de Direito do Trabalho, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Atentese que a condição de habitualidade no pagamento pode ter sua primazia na caracterização de uma rubrica como salário (Instituto de Direito do Trabalho), mas é totalmente irrelevante para a qualificação de remuneração. O conceito de remuneração é muito mais abrangente e compreende não somente o salário, mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 36 quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. No caso em apreço, constatou a Autoridade Lançadora que os acordos coletivos: “a) Foram realizados e assinados no mês de novembro de cada respectivo ano, ou seja, Acordo 2004/2005 assinado em 17 de Novembro de 2004 (com pagamento da PLR em Março/2005), Acordo 2005/2006 assinado em 1º de Novembro de 2005 (com pagamento da PRE em Novembro e Dezembro/2005 e PLR em Março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de Novembro de 2006 (com pagamento da PRE em Dezembro/2006); Da forma como foram realizados os acordos, sendo assinados no final de cada ano, para cumprimento de metas dentro do próprio ano, comprova o não estabelecimento prévio do “programas de metas, resultados e prazos”; Aflora, no caso presente, que os valores pagos sob o rótulo de PLR foram estipulados unilateralmente pela empresa, na medida em vieram ao conhecimento dos empregados quando já se havia escoado 5/6 do período de mensuração dos objetivos colimados pelo plano e de avaliação dos trabalhadores no cumprimento dos fins extraordinários fixados no acordo. Aqui, os trabalhadores laboraram 84% do ano sem saber o que precisavam fazer, como precisavam fazer, quanto e quando precisavam fazer para obter o direito subjetivo a um ganho patrimonial que também não sabiam de quanto era, ou mesmo sequer se haveria algum. Além disso, ficaram às escuras os trabalhadores a respeito dos critérios e parâmetros de avaliação do seu desempenho supranormal dedicado à consecução dos fins extraordinários almejados pela empresa, que também, passados 5/6 do período de aferição, ainda não haviam sido estipulados, tampouco os elementos de aferição do cumprimento do acordado. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 331 37 Em outras palavras: A empresa conduziu a elaboração do seu plano de PLR exatamente na contramão do que prescreve a Lei nº 10.101/2000, que exige negociação prévia entre a empresa e seus empregados, que os fins extraordinários a serem alcançados pelos trabalhadores seja especificado com regras claras e objetivas nos instrumentos de acordo celebrado, o qual deve mencionar, igualmente, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins extraordinários que deverão de ser atingidos, com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. No caso em foco, tudo transcorreu na penumbra 84 % do tempo. Assim, o trabalhador não possui qualquer mecanismo objetivo apto a lhe informar e assegurar se terá ou não direito à participação nos resultados; qual será o resultado econômico de tal participação; Como se dará a apuração e a mensuração de tal resultado; o que ele trabalhador já realizou e o que ainda necessita produzir para auferir o direito subjetivo aos resultados da empresa; etc. etc. Omissão total. Que integração Capital vs Trabalho se obtém com tal Acordo ? Que incentivo à produtividade dessai de tal plano ? Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 38 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, apurou a Fiscalização que os planos de PLR acordados entre a Recorrente e os seus empregados não continham a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores. Verificou a Autoridade Lançadora que o direito ao recebimento da verba em questão dependia, tão somente, do empenho ordinário, usual e cotidiano do empregado decorrente diretamente do contrato de trabalho comum, inexistindo no plano da empresa qualquer viés de Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 332 39 incentivo à produtividade que justificasse a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, nas circunstâncias encantadoras da Lei nº 10.101/2000. Constatou, igualmente, que os acordos foram assinados em novembro do respectivo ano de apuração, violando de maneira objetiva a regra da negociação prévia, da clareza e objetividade dos fins extraordinários a serem atingidos, dos direitos substantivos dos trabalhadores e dos direitos adjetivos do acordo. Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei nº 10.101/2000, uma vez que, para receber tal benefício, basta que o trabalhador tenha trabalhado na empresa, ou seja, realize pura e simplesmente aquilo que dele se espera em razão unicamente do contrato de trabalho. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. (grifos nossos) Tais verbas ostentam, portanto, natureza plenamente remuneratória, porquanto são devidas única e exclusivamente em razão do esforço ordinário do trabalhador inicialmente previsto no contrato de trabalho, inexistindo qualquer evidência de parcela que tenha sido resultante da motivação e comprometimento de excelência do empregado na busca por melhores resultados empresariais, de maior eficiência na utilização dos fatores de produção, de redução de prazos ou de incremento de qualidade da produção, etc. O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho/Participação nos Resultados não contempla os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000. Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 40 A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Em consequência, tais valores deveriam ter sido declarados como integrantes do Salário de Contribuição nas GFIP correspondentes. 3.2. DO AUXÍLIO EDUCAÇÃO Pondera o Recorrente que a verba a título de auxílioeducação não tem natureza salarial, pois se trata de um incentivo, investimento feito pela Cemig Distribuição S/A em seus funcionários, não havendo habitualidade e obrigatoriedade no pagamento de tal benefício, tendo sido instituída nos Acordos Coletivos de Trabalho. Aduz ter cumprido o requisito previsto no art. 28, § 9º, ‘t’ da Lei 8.212/91, pois as vagas foram disponibilizadas a todos que possuíam salário até determinado valor, ou seja, dentro deste universo, qualquer funcionário poderia requerer o benefício. Razão não lhe assiste, todavia. Conforme já elucidado no item 3.1 supra, o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços, inclusive a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador. Assim, compreendese no conceito legal de remuneração o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, abraçando em sua amplitude não somente a remuneração básica, como, também, os incentivos salariais e os benefícios. Nesse cenário, a regra primária e geral importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas as hipóteses em que a própria lei expressamente excluir do campo de incidência das contribuições previdenciárias, as quais se encontram previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No caso ora em exame, verificamos que a alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham a ele tenham acesso. Deflui da redação da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a fruição do benefício fiscal ali encartado não decorre de forma automática, mas, sim, mediante o cumprimento rigoroso e concomitante das condições de gozo nela expressamente previstas. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 333 41 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711/98). Nesse panorama, para que os valores relativos ao auxílioeducação pagos pela Recorrente a seus empregados deixem de integrar o conceito legal de saláriodecontribuição, exige a lei que a benesse concedida pela Recorrente refirase a educação básica ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No caso em exame, os cursos a que se referem as verbas ora em debate são cursos de pósgraduação, os quais não se confundem com planos educacionais que visem à educação básica, tampouco com cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. No caso em exame, apurou a Fiscalização que o benefício ora em trato era destinado, tão somente, à parcela dos empregados da empresa que auferissem salário mensal não superior a R$ 3.150,00 (três mil e cento e cinquenta reais) em 2005 e R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais) em 2006. Mesmo assim, nem todos os empregados com remuneração mensal inferior ao teto citado no parágrafo precedente tinham direito ao auxílioeducação em tela, uma vez que só eram oferecidas um mil vagas, as quais eram preenchidas sucessivamente pela ordem de chegada. Ademais, além de não estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, a ajuda de custo em apreço era destinada aos empregados matriculados em cursos técnicos e de graduação, e não em educação básica, inexistindo nos autos qualquer elemento de convicção de que tais cursos técnicos e de graduação configuravamse como cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Diante de tal cenário, comprovase que a empresa limitou a participação global dos funcionários ao benefício, tornandoo inacessível a todos os empregados e dirigentes da empresa, além de não restar demonstrado que os fins almejados pelo benefício (cursos técnicos e de graduação) correspondiam aos fins idealizados pela norma de não incidência constante na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei 8.212 (educação básica, e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa). Por todo o exposto, concluise que os valores despendidos pela Recorrente para o custeio da “Ajuda de Custo Para Formação – Auxílio Educação” não se ajustam à hipótese de não incidência tributária assentada na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não atendem aos requisitos exigidos pela norma de exclusão acima citada. Nessa perspectiva, não estando albergada pela hipótese legal de renúncia fiscal em realce, há que se reconhecer que os valores pagos a título de auxílioeducação, previstos na cláusula Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 42 décima sétima dos acordos coletivos de trabalho, sujeitamse às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. 3.3. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SEST/SENAT Alega o Recorrente inexistir determinação em lei que transfira a responsabilidade do contribuinte (o transportador autônomo) para um terceiro (empresa tomadora do serviço). Aduz haver um confronto entre as regras do CTN e a previsão regulamentar – controle de legalidade. Sem razão. O Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT, entidades sem fins lucrativos e com personalidade jurídica de direito privado foram criadas pela Lei nº 8.706/93 visando à promoção social e desenvolvimento profissional dos trabalhadores do setor de transporte. Consoante disposição no art. 7º da Lei nº 8.706/93, a manutenção das atividades desenvolvidas pelo SEST e SENAT são custeadas, desde 1º de janeiro de 1994, dentre outras fontes, pelas seguintes contribuições sociais: a) Contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados, até então recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, as quais passaram a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; b) Contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento) do salário de contribuição previdenciária, em favor do SEST e SENAT, respectivamente. Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993. Art. 7º As rendas para manutenção do SEST e do SENAT, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III – pelas receitas operacionais; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 334 43 IV – pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V – por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. §1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. §2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. Visando brindar maior efetividade ao correto recolhimento das contribuições sociais a cargo dos transportadores autônomos previstas no inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/93, o §3º do art. 2º do Decreto nº 1.007/93, que dispõe expressamente sobre as contribuições compulsórias devidas ao Serviço Social do Transporte SEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, institui a obrigação acessória tributária às pessoas jurídicas tomadoras de serviços de transportadores autônomos de arrecadar as contribuições devidas por esta classe de segurados contribuintes individuais, mediante desconto das respectivas remunerações, e a de recolher aos cofres da seguridade social no prazo normativo. Decreto nº 1.007 de 13 de dezembro de 1993 Art. 1º As contribuições compulsórias previstas nos incisos I e II do artigo 7º da Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993, são devidas a partir de 1º de janeiro de 1994, às entidades e nos percentuais abaixo indicados: I ao Serviço Social do Transporte SEST: a) 1,5% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; b) 1,5% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos. II ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT: a) 1,0% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; b) 1,0% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos. Art. 2º Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4º do artigo 25 do Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. §1º O disposto no inciso I deste artigo abrange, também, as empresas de transporte de valores, locação de veículos e distribuição de petróleo. (redação dada pelo Decreto nº 1.092, de 21 de março de 1994) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 44 §2º No caso das empresas de distribuição de petróleo, as contribuições ao SEST e ao SENAT, previstas nos incisos I e II, alíneas a , do art. 1º, serão calculadas sobre o montante da remuneração paga ou creditada aos seus empregados, diretamente envolvidos com o transporte. (redação dada pelo Decreto nº 1.092, de 21 de março de 1994) §3º As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; (grifos nossos) b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar serviços a pessoas físicas. E não se desdenhe do poder normativo do Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que as disposições inscritas no Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 decorrem diretamente da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo Inciso IV do art. 84 da CF/88, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993, cujo art. 2º, §3º estatuiu a obrigação tributária acessória da pessoa jurídica tomadora de serviços de transportadores autônomos de arrecadar as contribuições devidas por estes segurados contribuintes individuais destinadas ao SEST e ao SENAT, mediante desconto das respectivas remunerações e de recolher as contribuições assim arrecadadas, no prazo e na forma previstos na legislação. Nesse viés, Assentado que o Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 335 45 Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária acessória de arrecadar e recolher, na forma e nos prazos previstos na legislação tributária, as contribuições destinadas ao SEST e SENAT devidas pelos transportadores autônomos que lhe prestem serviços, segundo as alíquotas e base de cálculo previstas no inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/93, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de arrecadar ou arrecadou em desacordo com a Lei, a teor do §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Conferindo contornos de executoriedade à Norma Regulamentar em questão, os §§ 9º e 10º da IN SRP nº 3/2005 dispõem que as contribuições a cargo do condutor autônomo de veículo rodoviário, inclusive do taxista, destinadas ao Serviço Social do Transporte SEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, devem ser descontadas das respectivas remunerações e recolhidas pelo contratante de serviços, quando se tratar de empresa ou equiparado à empresa. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3º da Lei nº 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. §1º O recolhimento dessas contribuições deve ser efetuado juntamente com as contribuições devidas pelo sujeito passivo à Previdência Social, observados os § § 2º, 6º, 9º e 10. §2º As contribuições devidas a outras entidades ou fundos podem ser recolhidas diretamente à respectiva entidade ou fundo, mediante celebração de convênio, desde que haja previsão legal. (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) §3º Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. §4º O sujeito passivo será cientificado do reenquadramento de que trata o § 3º, havendo ou não lançamento de débito sob o novo código correspondente à entidade e ao fundo para o qual deve contribuir, para, caso queira, no prazo de quinze dias, apresentar defesa contra o reenquadramento ou o lançamento, conforme o caso. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 46 §5º Na hipótese de enquadramento incorreto, será emitida Representação Administrativa, prevista no art. 615, com o objetivo de comunicar a ocorrência às entidades ou fundos que, de acordo com as atividades econômicas desenvolvidas pelo sujeito passivo são as destinatárias das contribuições, bem como àquelas que deixarão de receber a contribuição em razão do novo enquadramento. §6º A contribuição social do salárioeducação será recolhida diretamente ao FNDE a partir de 1º de janeiro de 2004, obrigatoriamente nos seguintes casos: I pelas empresas que recolheram suas contribuições diretamente ao FNDE no anocalendário de 2003, ou que, mesmo sem efetuar os recolhimentos, assumiram o compromisso de fazêlo mediante assinatura do Formulário Autorização de Manutenção de Ensino FAME para o exercício; ( II pelas empresas que tiverem processo de parcelamento em andamento junto ao FNDE; III pelas empresas cujo total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, tenha atingido o valor de, no mínimo, R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) na folha de pagamento do mês de dezembro do exercício anterior àquele previsto neste parágrafo, excluído o décimoterceiro salário, e, assim, sucessivamente a cada novo exercício. §7º Estão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação, por força do disposto no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.766, de 1998: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas na regulamentação daquela Lei; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. §8º As pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de Serviço Social Autônomo, não se sujeitam ao recolhimento de contribuições para outras entidades ou fundos, exceto as destinadas para o INCRA e para o SalárioEducação, obedecido o respectivo enquadramento no código FPAS 523 do Anexo II. §9º O condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), o auxiliar de condutor autônomo, bem como o cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, estão sujeitos ao pagamento da contribuição para o Serviço Social do Transporte SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, conforme disposto no art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, que será calculada mediante a aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III sobre a base de cálculo definida no § 2º do art. 69, ambos desta IN. §10. A contribuição referida no § 9º deverá ser: I recolhida pelo próprio contribuinte individual diretamente ao SEST/SENAT, quando se tratar de serviços prestados a pessoas físicas não equiparadas à empresa; II descontada e recolhida pelo contratante de serviços, quando se tratar de empresa ou equiparado à empresa; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 336 47 III descontada e recolhida pela cooperativa, quando se tratar de cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos. §11. Não incide contribuição para a Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha DPC sobre a remuneração paga por Empresa Brasileira de Navegação aos tripulantes de embarcação inscrita no Registro Especial Brasileiro REB, conforme estabelece a Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, regulamentada pelo Decreto nº 2.256, de 1997. §12. A Empresa Brasileira de Navegação utilizará o código FPAS 523 para os trabalhadores citados no § 11 e o código FPAS 540 para os demais, observadas as orientações do Manual da GFIP. §13. O empresário individual com receita bruta anual no anocalendário anterior de até trinta e seis mil reais fica dispensado do pagamento das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, com exceção das destinadas ao INCRA, até o dia 31 de dezembro do segundo ano subseqüente ao de sua formalização, conforme inciso III do art. 53 da Lei Complementar 123, de 2006. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) §14. Os benefícios referidos no § 13 somente poderão ser usufruídos por, no máximo, três anoscalendário, nos termos do parágrafo único do art. 53 da Lei Complementar 123, de 2006. (Incluído pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) Não procede a alegação de que inexistiria determinação em lei que transfira a responsabilidade do contribuinte (o transportador autônomo) para um terceiro (empresa tomadora do serviço), tampouco a que haveria um confronto entre as regras do CTN e a previsão regulamentar – controle de legalidade. A Constituição Federal de 1988 fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento e crédito tributários, a teor do art. 146, III, ‘b’ da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Atendendo ao comando constitucional, estatuindo normas gerais sobre obrigações tributárias, o 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 48 §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência e autonomia entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Registrese que, nos termos do §2º do art. 113 do CTN, a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (grifos nossos) I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (grifos nossos) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciam se deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.706/93, a qual se houve por regulamentada pelo Decreto nº 1.007/93, cujo art. 2º, §3º, ‘a’ fez inserir na Ordem Jurídica Nacional a obrigação acessória das empresas tomadoras de serviços prestados por condutor autônomo de arrecadar, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 337 49 mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições destinadas ao SEST e SENAT devidas por essa categoria de segurados contribuintes individuais, na forma assinalada no inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/93, e a de recolher os valores assim arrecadados, nos prazos e na forma prevista na legislação de regência. Inexiste, portanto, qualquer ilegalidade ou confronto entre as regras do CTN (artigos 96, 100, I e 113, §2º) e a obrigação acessória instituída pelo §3º do art. 2º do Decreto nº 1.007/93. Ao contrário do afirmado pelo Recorrente, o dever instrumental de retenção e recolhimento do valor retido não se configura responsabilidade solidária da empresa, mas, meramente, uma obrigação tributária acessória, como muito bem interpretado pelo Mestre Dr. Fabio Zambitte Ibrahim, citado pelo Min. Carlos Veloso no julgamento do Recurso Extraordinário RE 393.946/MG – Informativo STF nº 368, de outubro de 2004: “A obrigação de retenção e recolhimento de tributo é um facere, isto é, uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas”. Dessarte, sendo uma obrigação acessória, esta pode ser instituída mediante Decreto Presidencial, em plena concordância com as disposições assentadas nos artigos 96, 100, I e 113, §2º do CTN. Mostrase valioso enaltecer que a condição de o serviço de táxi ser ou não classificada como delegação de serviço público é irrelevante para o cumprimento da obrigação tributária acessória ora em comento. O contribuinte da exação prevista no inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/93 é o transportador autônomo, de carga ou de passageiros, o qual é classificado, para fins de Direito Previdenciário, como segurado contribuinte individual, nos termos do art. 9º, V e §15 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; l) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (...) § 15. Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros: I o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado aquele que exerce atividade profissional sem vínculo empregatício, quando proprietário, coproprietário ou promitente comprador de um só veículo; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 50 Conforme demonstrado, o motorista de taxi qualificase no conceito de transportador autônomo de passageiros, segurado contribuinte individual nos termos do art. 12, V, ‘g’ e ‘h’, da Lei nº 8.212/91. 4. DO RECURSO DE OFICIO Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.186 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 227/231, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as obrigações tributárias incidentes sobre as verbas despendidas pela empresa a título de alimentação a seus empregados, com fundamento no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, recorrendo de ofício de sua decisão. A decisão, todavia, merece reforma. No caso em arguição, a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Extraise do preceito legal acima aludido que as importâncias despendidas pela empresa em louvor à alimentação de seus trabalhadores, para se subsumir à hipótese de não incidência legal em apreço, necessitam atender, cumulativamente, a duas condições essenciais: a) Que a alimentação seja fornecida “in natura” pela empresa aos seus empregados, ou seja, pronta para consumo imediato pelos beneficiários; b) Que a alimentação fornecida esteja de acordo com os programas de alimentação do trabalhador – PAT, aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76; No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 338 51 Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 52 obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta para consumo imediato aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue pela empresa ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Como se observa, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes no caso em debate. Isto porque a empresa autuada não possuía inscrição no PAT no período de apuração, conforme demonstra o Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722919/201014, que revela que a inscrição no PAT apenas se houve por formalizada em 17/07/2008, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante tickets de R$ 390,00 até novembro/2005 e de R$ 510,00 a partir de dezembro/2005, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722919/201014, sendo certo que nas competências dezembro de cada ano cada funcionário, em regra, recebia dois tickets de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 339 53 valor bem similar (R$ 450,00 e R$ 510,00 em dezembro/2005 e R$ 500,00 e R$ 510,00, em dezembro/2006). Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza “in natura” da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que as disposições insculpidas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 não projetam efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses de fornecimento ser realizado em espécie, ou na forma de reembolso de refeição, ticket alimentação ou vale refeição. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Deve ser observado que o efeito prático que dessai do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 resumese apenas na dispensa da inscrição da empresa no PAT, somente e tão somente, nas hipóteses em que a alimentação houvese por fornecida in natura aos seus empregados, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados pronta para consumo imediato. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 54 Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales, tickets ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. Tal entendimento é esposado pelo Colendo Tribunal Superior do Trabalho, cujo verbete do Enunciado nº 241 exorta que “o vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais”. TST Enunciado nº 241 Vale Refeição Remuneração do Empregado SalárioUtilidade – Alimentação. O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 340 55 No caso em debate, além de a parcela referente à alimentação ter sido fornecida aos empregados na forma de “ticket alimentação”, conforme discriminado nominalmente, por competência, matrícula e valor, no anexo II do Relatório Fiscal, a fls. 796/4.720 do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.722919/201014, com direito a décimo terceiro e tudo, a Fiscalização apurou que, no período de lançamento do débito, a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, conforme Comprovante de Inscrição de Pessoa Jurídica Beneficiária, a fl. 4889 do PAF acima citado. Ora, a lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela “in natura” recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em vales ou ticket alimentação integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho ou em acordos coletivos, sendo impensável e inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Nessa vertente, não estando a rubrica ora em debate abraçada pela hipótese de exclusão arrolada na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, imperioso é o reconhecimento de sua integração ao conceito jurídico de Salário de Contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, sujeitandose, portanto, às obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, motivo pelo qual se conhece do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2005 até novembro/2005, inclusive, em razão da homologação tácita do crédito tributário, nos termos do §4º do art. 150 do CTN. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 56 Voto Vencedor Peço vênia para discordar do Conselheiro Relator Arlindo da Costa e Silva. De acordo com o relatório fiscal, a empresa Recorrente está sendo responsabilizada pelo pagamento da contribuição patronal devida pelo transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST (alíquota de 1,5%) e SENAT (alíquota de 1,0%), as quais não foram retidas pelo tomador do serviço e, por conseguinte, recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. Em defesa, aduziu a Recorrente que a Lei nº 8.706/93 ao dispor sobre a contribuição previdenciária a cargo do transportador autônomo não atribui a terceiro (tomador do serviço) a responsabilidade em reter e repassar ao SEST/SENAT o valor da contribuição devido pelo transportador. Mais adiante, afirmou que tal obrigação foi imposta por Decreto (nº 1.007/93), ato infralegal, em descompasso com a norma insculpida no art. 121, inciso II do CTN cujo enunciado prescritivo faculta a transferência da responsabilidade pelo adimplemento da obrigação a terceiro, mediante disposição expressa de lei. Razão assiste ao Recorrente, vejamos! De acordo com o art. 7º, inciso II da Lei nº 8.706/93, as rendas para manutenção dos SEST e do SENAT serão compostas, dentre outros, pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% e 1,0%, respectivamente, do salário de contribuição previdenciária “Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: ... II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária;” A legislação ordinária impõe aos transportadores autônomos, na condição de contribuinte, a obrigatoriedade de recolherem ao SEST e SENAT, mensalmente, o percentual equivalente a 1,5% e 1,0% do salário de contribuição previdenciária. Para o fim de regulamentar a Lei nº 8.706/93 foi criado o Decreto nº 1.007/93. De acordo com o art. 2º, §3º, aliena ‘a’ do Decreto 1007/93, as contribuições devidas pelos transportadores autônomos seriam recolhidas diretamente pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços, vejamos: “Art. 2º Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10680.724921/201093 Acórdão n.º 2302003.177 S2C3T2 Fl. 341 57 ... § 3º As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços;” A leitura sistemática do art. 7º, inciso II da Lei nº 8.706/93 com o art. art. 2º, §3º, aliena ‘a’ do Decreto 1007/93 enseja contradição em seus contextos, porquanto a responsabilidade imposta pelo Decreto não encontra previsão naquela legislação. O art. 146, inciso III, alínea ‘b’ da Constituição Federal confere à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre obrigação tributária. In verbis: “Art. 146 Cabe à lei complementar: ... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;” Mantendo pertinência com ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional (recepcionado pela Carta Republicana de 1988 como se lei complementar fosse) em seu art. 121, parágrafo único, inciso II, impôs ao terceiro (responsável), mediante expressa disposição de lei (esta, ordinária), a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária. In litteris: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: ... II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” A análise do dispositivo nos leva a concluir que somente a imposição por ato legal legitima a responsabilização de terceiro. Em nobre estudo sobre a matéria, publicado na Revista Dialética (RDDT 186:78), o Ilustre Professor Renato Lopes Becho afirmou: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 58 “Quanto ao responsável tributário, nos termos do CTN, será a pessoa cuja obrigação de pagar tributo decorra de lei. É dizer: o contribuinte é a pessoa que realiza o fato gerador, o responsável é qualquer pessoa escolhida pelo legislador...” (grifo nosso) Se ao Decreto cabe dar fiel cumprimento à lei, é certo que qualquer disposição além daquelas originariamente estabelecidas (claro, por lei), distorce a finalidade para a qual a norma regulamentar foi criada. É importante ressaltar que não obstante o órgão administrativo impeça seus Conselheiros reconhecerem a inconstitucionalidade de normas (Súmula nº 2 do CARF), competência esta exclusiva do STF (art. 102, I, ‘a’, CF/88), no presente caso, caminho em direção à ponderação de normas, estabelecendo uma hierarquia axiológica de modo a conferir a uma norma peso maior do que à outra. Neste sentido, afasto a aplicação do art. 2º, §3º, alínea ‘a’, do Decreto nº 1.007/93 por entender que a responsabilidade do tomador do serviço não pode ser tratada por norma infralegal, fazendo prevalecer a Lei nº 8.706/93. Por todo o exposto, ciente que a responsabilidade de terceiro deve ser atribuída por lei, considero indevida a obrigação imposta à Recorrente. Logo, em relação a esta rubrica, reputo inválido o lançamento. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Redatora Designada Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 10932.000641/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese a contribuinte tenha alegado que figurou como interposta pessoa, não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados na sua conta sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa na qual é funcionária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese a contribuinte tenha alegado que figurou como interposta pessoa, não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados na sua conta sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa na qual é funcionária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 06 41 /2 00 8- 62 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Auto de Infração contra a contribuinte acima qualificada, relativo ao Anocalendário 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 1.286.358,93, acrescida multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 28/11/2008. O Fisco em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, apurou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, por mais de uma vez, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizadas nessas operações. Analisando os autos confirmase que o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal (fl. 79/83), sintetiza a ação fiscal e descreve os fatos. Informa que em 28/05/2008 foi lavrado o Termo de Início do Procedimento Fiscal, cientificado o contribuinte em 02/06/2008. Em razão do não atendimento foi reintimado em 30/06/2008. Diante a omissão do contribuinte foi emitida a Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira. Com base nos dados fornecidos pelo Banco Itaú a fiscalização elaborou a planilha com a relação da movimentação efetuada a crédito na conta corrente e submeteu à apreciação do contribuinte, mediante intimação recebida em 22/09/2008. Deixando o contribuinte de comprovar a origem dos depósitos foi lavrado o auto em foco. Consta do Termo de Verificação tabelas detalhadas da movimentação bancária, do demonstrativo dos depósitos / créditos considerados no levantamento, da confrontação da movimentação contra a base de cálculo declarada, do desconto padrão, do demonstrativo de apuração do crédito tributário. Cientificada da exigência tributária em 17/12/2008 e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação em 15/01/2009 (fls. 104/105), acompanhada dos documentos de fls. 106 e seguintes. Assevera o recorrente que a autuada jamais teve a renda apontada no auto, Afirma que a autuada trabalha na loja de automóveis cujos sócios são seu pai e tio, que por orientação e determinação deles prestou favor depositando em sua conta corrente todos os cheques e dinheiro da referida empresa (BRM BUGGGY) fazendo todos os pagamentos e repassou eventual diferença para os mesmos senhores. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10932.000641/200862 Acórdão n.º 2102002.996 S2C1T2 Fl. 137 3 Afirma que caso exista infração deve ser dirigida aos proprietários da empresa, que são os responsáveis tributários, com quem teriam ficado os extratos bancários, motivo pelo qual não teria apresentado para a fiscalização. Afirma que a autuada é procuradora da empresa e requer o cancelamento do auto. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: “[...] A respeito das assertivas do impugnante, cumpre destacar que a presente tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430/1.996, que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos. [...] O dispositivo legal acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não se cogitando de meros indícios de omissão, não há como se descaracterizar a movimentação financeira como fenômeno a dar ensejo à apuração de omissão de rendimentos. Mesmo a eventual inexistência de acréscimo patrimonial que pode resultar, inclusive, da sonegação de informações por parte do contribuinte, não tem o condão de refutar a presunção legal de omissão de rendimentos, ora analisada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Verificase do exame das peças constituintes dos autos que o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, mediante documentação hábil e idônea, a origem Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 dos valores creditados na contascorrentes indicadas (Banco Itaú), valores esses que foram objetos de consolidação nos Demonstrativos, elaborados com base nos extratos bancários constantes dos autos. [...] Destarte, não comprovada a origem dos recursos, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie. [...] Assim, reconhecendo o defendente a impossibilidade da comprovação da origem das operações (pela impossibilidade de apresentar os extratos bancários), agiu acertadamente a fiscalização na lavratura do auto em foco, pelos motivos expostos nos parágrafos precedentes. [...]” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1733.232 da 11ª Turma da DRJ/SPOII em 17/08/2009. Sobreveio Recurso Voluntário, datado de 15/09/2009 (fls. 127/128), acompanhado dos documentos de fls. 129 e seguintes. Em síntese, a Recorrente arguiu que: “Em preliminar, a recorrente alega e prova , juntando o documento anexo, que é uma procuração pública, onde a mesma requerente agiu em nome e por instrução da empresa Montauto Montadora Nacional de Automóveis Ltda., (nome de fantasia BRM Buggy), cujo pai da recorrente é sócio proprietário, Sr. Roberto Oscar Martini, que é a pessoa ou empresa sobre a qual deve recair a presente autuação e débito fiscal e não para a ora recorrente, requerendo a mesma em preliminar que a presente autuação seja endereçada para a empresa supra e ou para a pessoa de Roberto Oscar Martini, pois a recorrente sempre agiu por procuração e por instruções da empresa em que trabalhou, e nunca teve proveito disso, pois sempre repassou o dinheiro para gerir a empresa supra, tudo conforme comprova a procuração anexa, esclarecendo que a presente alegação já foi feita em primeira instância, porém sem a juntada da procuração pública anexa, que comprova que a recorrente tem poderes para gestão da empresa. DO MÉRITO Caso a matéria acima aponta não seja reconhecida como preliminar e a presente autuação prossiga pelo mérito, pelos mesmos motivos acima apontados, ou seja, a recorrente alega e prova , juntando o documento anexo, que é uma procuração pública, onde a mesma requerente agiu em nome e por instrução da empresa Montauto Montadora Nacional de Automóveis Ltda., (nome de fantasia BRM Buggy), cujo pai da recorrente é sócio proprietário, Sr. Roberto Oscar Martini, que é a pessoa ou empresa sobre a qual deve recair a presente autuação e débito fiscal e não para a ora recorrente, requerendo a mesma em preliminar que a presente autuação seja endereçada para a Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10932.000641/200862 Acórdão n.º 2102002.996 S2C1T2 Fl. 138 5 empresa supra e ou para a pessoa de Roberto Oscar Martini, pois a recorrente sempre agiu por procuração e por instruções da empresa em que trabalhou, e nunca teve proveito disso, pois sempre repassou o dinheiro para gerir a empresa supra, tudo conforme comprova a procuração anexa, esclarecendo que a presente alegação já foi feita em primeira instância, porém sem a juntada da procuração pública anexa, que e comprova que a recorrente tem poderes para gestão da empresa. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: DOCUMENTO ANEXADO Está anexado a este Recurso o seguinte documento: procuração pública fornecida pela empresa Montauto para a recorrente administrar e gerir a referida empresa. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminarmente alega a contribuinte que os valores creditados na conta de depósito de sua titularidade pertencem a terceira pessoa, qual seja, a empresa MONTAUTO MONTADORA NACIONAL DE AUTOMOTORES LTDA, nome fantasia BRM BUGGY, de propriedade de seu pai Roberto Oscar Martini, CPF nº 44.783.306/000137, e de seu tio Ricardo João Martini, CPF nº 292.152.50891, acrescentando que trabalha na loja como funcionária, e que não obteve a disponibilidade dos valores, pois “apenas prestou um favor depositando em sua conta corrente todos os cheques e dinheiro recebidos pela referida empresa e fazendo também todos os pagamentos da referida empresa, inclusive pagando impostos, fornecedores, empregados, etc e repassou eventual diferença para os mesmos senhores RICARDO JOÃO MARTIN1 E ROBERTO OSCAR MARTINI, sócios proprietários da empresa (...)”. Embora tenho sido intimada diversas vezes para apresentar os extratos bancários, e posteriormente para comprovar a origem dos valores creditados na conta, sustenta Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 a contribuinte que deixou de atender às intimações por orientação e determinação dos sócios da empresa. Assim, deixando a interessada de comprovar a origem das operações (seja ou não pela impossibilidade de apresentar os extratos bancários), agiu acertadamente a fiscalização na lavratura do auto em foco. Com efeito, para que seja aplicado o preceituado pelo artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, que nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo, deve ser acostado aos autos prova inequívoca. No entanto, compulsando os autos, verificase que a contribuinte não acostou quaisquer documentos hábeis a comprovar que os valores creditados na sua conta bancária pertencem à terceira pessoa, ou seja, à empresa MONTAUTO MONTADORA NACIONAL DE AUTOMOTORES LTDA. Limitou se a interessada a acostar procuração pública, constante em fl. 109, que confere lhe poderes para gerir e administrar todas as cotas sociais da empresa supracitada. Portanto, não sendo devidamente comprovada através de documentação hábil e idônea que os valores creditados na conta bancária sob análise referemse à terceira pessoa, é der ser afastada a preliminar suscitada. No mérito, no que tange a omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas da contribuinte de origem não comprovada, respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimada para comprovar a origem dos depósitos, a contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. Nesse sentido, vale transcrever excertos da decisão a quo, que bem fundamentou acerca da presunção relativa de omissão de rendimentos: “[...] A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. [...]”. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10932.000641/200862 Acórdão n.º 2102002.996 S2C1T2 Fl. 139 7 A recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, a interessada, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêla, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na contacorrente Banco Itaú, Agência 1662, CC. 057379, valores esses que foram objetos de consolidação nos Demonstrativos, elaborados com base nos extratos bancários constantes dos autos. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira, através da requisição de movimentação bancária, de fl. 08, lançouse o crédito tributário do imposto de renda com base nas omissões de rendimentos derivadas de depósitos em conta corrente. Em suma, como já verificado em sede de preliminar, não há comprovação de que os depósitos creditados na conta bancária supracitada sejam provenientes de movimentações da empresa MONTAUTO MONTADORA NACIONAL DE AUTOMOTORES LTDA, o que evidenciaria ser a contribuinte interposta pessoa, a fim de ilidir a tributação da referida empresa. Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ, devendo ser mantida o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13982.000735/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostra-se imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais.
Numero da decisão: 1101-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Federal; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Nacional; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO relativamente às exigências principais a partir de outubro/2008; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade a Bread King Alimentos Ltda., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 35 /2 01 0- 59 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Federal; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Nacional; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO relativamente às exigências principais a partir de outubro/2008; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade a Bread King Alimentos Ltda., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório LUCRÉCIA ALIMENTOS LTDA e BREAD KING ALIMENTOS LTDA, já qualificadas nos autos, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como contra lançamento formalizado em 01/03/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.420.313,93. Durante o procedimento fiscal dirigido à verificação dos fatos tributáveis do anocalendário 2006, a contribuinte apresentou à Fiscalização os extratos bancários de contas mantidas junto às instituições financeiras Banco SICOOB/SC Credialfa, Banco Bradesco S/A e Banco BESC S/A. A movimentação financeira junto ao Banco BESC S/A não foi escriturada no Livro Razão e apenas parte dos depósitos bancários foram associados a vendas contabilizadas diretamente na conta Caixa. Desta parcela, a autoridade fiscal recusou parcialmente a justificativa apresentada por não identificar na conta Caixa a correlação estabelecida pela contribuinte. Além disso, vários depósitos verificados na conta mantido junto ao Banco SICOOB/SC Credialfa, referentes a títulos descontados ou cobrança, foram contabilizados como depósitos efetuados por meio da conta Caixa, sem a demonstração de que houve outro lançamento em contrapartida a receitas da atividade, ainda que com trânsito pela conta Caixa. Especificamente os depósitos verificados no mês de janeiro/2006 sequer foram contabilizados. A autoridade fiscal também constatou que a conta Caixa era suprida, de forma regular e contínua, por numerários originados de saídas da conta Banco, representados por cheques compensados. Ressaltando que este procedimento é possível, desde que imediatamente seja contabilizada, também, a saída da conta Caixa correspondente ao destino dos cheques compensados, consignou que este procedimento não realizado conforme demonstrado às fls. 225, 227, 231, 237, 244, 250, 260, 267, 273, 283, 292 e 303. Ressaltando que o art. 7o, §1o da Lei nº 9.317/96 dispensa de escrituração as empresas optantes pelo Simples Federal, desde que estas mantenham Livro Caixa integrado pela movimentação bancária, a autoridade lançadora conclui que desde 01/01/2006 a escrituração da contribuinte não permite aferir a sua real movimentação financeira, em especial, a bancária, dada a manutenção de conta bancária à margem da contabilidade, acerca da qual a contribuinte não logrou comprovar a origem de parte preponderante dos recursos, bem como a escrituração de movimentação financeira desamparada de documentação de suporte e em descompasso com a realidade fática verificada pela autoridade fiscal. Em conseqüência, propõe a exclusão da empresa do SIMPLES Federal por prática reiterada de infração à legislação tributária, com fundamento no art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Totaliza em R$ 1.746.018,30 a receita omitida no anocalendário 2006, e somandoa à receita escriturada (R$ 1.987.724,40), demonstra que a pessoa jurídica Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 6 5 ultrapassou o limite legal de R$ 2.400.000,00 previsto para permanência na sistemática simplificada de recolhimentos. A Fiscalização também descreve a ocorrência de simulação/dissimulação em razão dos seguintes fatos: · Em 30/11/2006 é constituída Bread King Alimentos Ltda, tendo como sócios Nelcir Zuqui e Ernani Magalhães Rigon, este pai dos então sócios da fiscalizada – Juliano Sfoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon. A empresa criada tem o mesmo ramo de atividade da fiscalizada e é administrada por Alexandre Sfoggia Rigon, evidenciando a inobservância, pela fiscalizada, do art. 3o, §4o, inciso V da Lei Complementar nº 123/2006, que não permite a opção, pelo Simples Nacional, de pessoa jurídica cujo sócio seja administrar de outra pessoa jurídica, desde que a receita bruta ultrapasse o limite legal para permanência na sistemática simplificada de recolhimentos. · A manutenção no quadro social de Bread King Alimentos Ltda de pessoas estranhas ao regular funcionamento caracteriza interposição de pessoas e enseja a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional na forma do art. 14, inciso V a Lei nº 9.317/96 e do art. 19, inciso IV da Lei Complementar nº 123/2006; · Bread King Alimentos Ltda tem o mesmo endereço da fiscalizada, apenas que acrescido da expressão “sala 01”; o imóvel no qual funcionam foi objeto de um único contrato de locação tendo como locatária a mãe de Alexandre e Juliano Sfoggia Rigon; a identificação externa da empresa referese apenas à marca Bread King; não há separação entre os funcionários das duas empresas, que apresentam uniforme com a logomarca Bread King; a fiscalizada utiliza esta marca em sua apresentação comercial; fotografias do local de atividade evidenciam que não há separação entre as empresas; notas fiscais emitidas por Bread King são recebidas via banco tendo como cedente a fiscalizada; Bread King não possui contas contábeis referentes a instituições financeiras e a fiscalizada apresenta movimentação bancária superior a seu faturamento; e Bread King não possui capacidade operacional para produção da receita contabilizada, apresentando número ínfimo de empregados. Em conclusão, Bread King Alimentos Ltda caracteriza uma simulação, onde se procura aparentar algo que não existe (no caso duas empresas) ou de dissimulação (também denominada simulação relativa) qual seja, esconder algo que existe (uma empresa só); · Verdadeiro é que a empresa BREAD KING e a empresa LUCRECIA tratamse de uma entidade só e o objetivo desta suposta separação é manter a empresa LUCRECIA no SIMPLES (FEDERAL e NACIONAL), com o desiderato de, em especial, escusarse do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários. A aparente separação faz com que o faturamento Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 7 6 da empresa LUCRECIA se mantenha dentro dos limites permitidos aos optantes por aqueles regimes de tributação. A Fiscalização também acusa a ocorrência de sonegação, na medida em que até mesmo os valores apurados e reconhecidos contabilmente pela fiscalizada na sistemática do SIMPLES Federal, em 2006 e 2007, não foram recolhidos e, embora constassem originalmente das declarações simplificadas apresentadas, foram objeto de retificadoras anulando as informações anteriores. Assim, o contribuinte se valendo da possibilidade de retificar as suas declarações apresentou outra com informações FALSAS com a finalidade de impedir que o fisco lhe exigisse os valores efetivamente devidos a título de SIMPLES FEDERAL. As retificações promovidas em 26/09/2007 e 22/10/2007 teriam por objetivo burlar a vedação à opção do SIMPLES NACIONAL em face daqueles que possuem débitos perante o INSS ou as Fazendas Públicas (art. 17, inciso V da Lei Complementar nº 123/2006). Frente a tais circunstâncias, o Delegado da Receita Federal em Joaçaba/SC aprovou o parecer de fls. 772/791 e expediu os Atos Declaratórios Executivos nº 80/2010 e 81/2010 para exclusão da contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional. A exclusão do Simples Federal teve efeitos a partir de 01/01/2006, em razão da prática reiterada de infração à legislação tributária e constituição de Bread King Alimentos Ltda mediante interposição de pessoas. A exclusão do Simples Nacional teve efeitos a partir do ingresso da pessoa jurídica em 01/07/2007, tendo em vista o excesso de receitas, a constituição de Bread King Alimentos Ltda com interposição de pessoas, a administração desta por sócio da fiscalizada e a existência de débitos anteriores (fls. 793/794). Manifestando sua inconformidade, a contribuinte contestou a conclusão fiscal de serem indistintas as pessoas jurídicas da impugnante e da Bread King Alimentos Ltda, asseverando que a Fiscalização se fundamentou equivocadamente no fato de ambas possuírem o mesmo endereço, o mesmo objeto social e o mesmo administrador. Defendeu, ainda, que os efeitos da exclusão por excesso de receitas somente se verificariam a partir de 01/01/2007, alegando que Bread King Alimentos Ltda somente foi criada em 30/11/2006 e começou a realizar vendas significativas em 2007. Ainda, no âmbito do SIMPLES Nacional defendeu que a exclusão somente poderia operar efeitos a partir de janeiro/2010. Além da apuração de omissão de receitas no anocalendário 2006, a autoridade fiscal também identificou infrações semelhantes nos anoscalendário 2007 a 2009, muito embora nestes tenha se valido de Requisições de Movimentação Financeira para obtenção dos extratos bancários que a contribuinte, intimada, não apresentou, verificandose não só o embaraço à fiscalização, como também identificandose evidências de movimentação financeira superior a dez vezes a receita declarada. Dentre as informações recebidas, a autoridade fiscal observou que as contas bancárias mantidas junto ao Banco BESC S/A, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil S/A não constavam da escrituração da contribuinte. Intimada, a contribuinte não comprovou a origem dos depósitos bancários. Observou, ainda, que receitas contabilizadas não foram declaradas no ano calendário 2006 e até junho/2007. A partir de julho/2007 parcela ínfima foi informada na Declaração Anual do Simples Nacional. A partir das receitas apuradas o lucro foi arbitrado, considerando que a contribuinte, intimada na forma do art. 32, §2o da Lei Complementar nº 123/2006 não respondeu à intimação que exigiu manifestação expressa acerca de sua opção por um regime de tributação do IRPJ após sua exclusão. Além disso, a escrituração da contribuinte não permitia, Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 8 7 ante a manutenção de movimentação financeira à margem da contabilidade e escrituração em descompasso com a realidade fática, aferir a sua real movimentação financeira (art. 530, inciso II, alínea “a” do RIR/99). Sobre as receitas omitidas também foram exigidas a Contribuição ao PIS e a COFINS, e os pagamentos promovidos pela contribuinte na sistemática simplificada de recolhimentos foram aproveitados para reduzir as exigências. Os lançamentos foram acrescidos de multa qualificada em razão da sonegação antes descrita, bem como tendo em conta os valores significativamente inferiores aos devidos declarados de julho/2007 a dezembro/2009, já na sistemática do Simples Nacional. A Fiscalização destaca a importância das declarações prestadas e os efeitos da falsidade, caracterizadora da fraude, e recorda, ainda, que houve simulação na constituição de Bread King Ltda, como antes descrito, inclusive a justificar sua responsabilização solidária pelo crédito tributário, com fundamento no art. 124, I do CTN. Assevera que a empresa BREAD KING e a empresa LUCRECIA têm interesse comum na situação que constitui os fatos geradores dos créditos tributários ora lançados visto que restou demonstrada a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelas mesmas. Em verdade, as mesmas somente têm apensa aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação das empresas é complementar; da mesma forma restou caracterizada a confusão patrimonial (mesmas instalações, funcionários e utilização de contas bancárias), e a vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores (características de um grupo econômico de fato). Cientificadas, as pessoas jurídicas apresentaram impugnação conjunta, alegando decadência das exigências pertinentes a janeiro e fevereiro/2006; afirmando a autonomia das empresas; defendendo os efeitos da exclusão apenas a partir de janeiro/2010, ou ao menos a partir de 2007 em razão do excesso de receita bruta verificado em 2006; negando a ocorrência de simulação na medida em que Bread King foi criada em 30/11/2006 e praticamente não teve faturamento naquele ano; alegando a sujeição de suas receitas à alíquota zero no campo de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS; opondose ao arbitramento dos lucros por inexistência de fraude ou vícios que impedissem a identificação da movimentação financeira, até porque a Fiscalização teve acesso a seus extratos bancários; requerendo a exclusão do adicional de 20% para cálculo do lucro arbitrado; contestando a qualificação da penalidade e invocando a aplicação do art. 112 do CTN. A Turma de Julgamento rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 Exclusão. Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária. Configuram prática reiterada de infração à legislação tributária, prevista como hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, a manutenção de conta corrente (e de depósitos) à margem da escrituração, assim como as graves irregularidades na escrituração das contas correntes contabilizadas, por conta de terem se verificado, de forma sistemática, durante todo o anocalendário de 2006, não passível de caracterizar mero erro contábil. Efeitos. Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária. A exclusão do SIMPLES surte efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência da prática reiterada de infração à legislação tributária, in casu, desde janeiro de 2006. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 9 8 Exclusão. Constituição de Pessoa Jurídica por Interposta Pessoa. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES. Efeitos. Excesso de Receita Bruta. Como no anocalendário de 2006, a contribuinte teria ultrapassado o limite legal de receita bruta, não poderia ter permanecido no SIMPLES FEDERAL de janeiro a junho de 2007. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 Exclusão. Limite da Receita Bruta. Para efeito de enquadramento no SIMPLES NACIONAL, considerase microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no ano calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos na Lei, respectivamente, de R$240.000,00 e R$2.400.000,00. Comprovado que, no ano calendário de 2006, a empresa auferiu receitas em montante superior ao limite legal, deve ser a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL a partir de julho de 2007. Exclusão. Constituição de Pessoa Jurídica por Interposta Pessoa. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Exclusão. Existência de Débitos de Tributos Federais. Comprovado que a contribuinte possuía débitos de tributos federais, apurados em sua escrituração e informados nas declarações originais apresentadas à RFB, cuja exigibilidade não estava suspensa, mas que foram fraudulentamente desconstituídos por meio de retificadora, deve ser a sua exclusão do regime tributário simplificado. Exclusão. Escrituração que não Identifica a Movimentação Financeira. A manutenção de contas correntes à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados, configura a hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL, porque a escrituração apresentada não possibilita a identificação da real movimentação financeira, inclusive bancária. Efeitos. Como a interposição de pessoas para constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e os vícios apurados na escrituração impeditivos de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, ocorreram desde janeiro de 2007, válido o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a partir de julho de 2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 10 9 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Dolo. Fraude. Simulação. Configura fraude a constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim, impedir a incidência da norma jurídica em que previsto o limite legal de receita bruta para adesão ao regime simplificado. Configura sonegação a apresentação de declarações retificadoras única e exclusivamente para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração comercial apresentada. Responsabilidade de Terceiros, Interesse Comum. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Arbitramento. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no Lucro Arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Exercício: 2008, 2009 Omissão de Receitas. Alíquota Zero. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008, 2009 Omissão de Receitas. Alíquota Zero. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 11 10 Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. Cientificadas da decisão de primeira instância em 07/10/2013 e 04/11/2013 (fls. 1315 e 1333), a contribuinte e a responsável solidária apresentaram recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 31/10/2013 (fls. 1316/1332). Reafirmam a autonomia das empresas, na medida em que elas possuem sede própria, embora próximas, não possuem o mesmo objeto social e Alexandre Sfoggia Rigon é apenas procurador de Bread King Alimentos Ltda, e não seu administrador. Daí a impossibilidade de soma do faturamento de ambas para alcançar o limite de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional. Novamente argumentam que o excesso de receita no anocalendário só enseja a exclusão do Simples Federal a partir do anocalendário subseqüente, mas reiteram que Bread King Alimentos Ltda somente foi criada em 30/11/2006 e não realizou vendas significativas em 2006. Aduzem que também no Simples Nacional o excesso de receitas somente opera efeitos a partir do anocalendário subsquente e concluem que ainda que somadas os faturamentos de ambas as sociedades, o que se admite para efeito de argumentação, a recorrente somente poderia ser exclusa do Simples Nacional a partir de janeiro de 2010. Argúem a decadência dos créditos tributários referentes a janeiro e fevereiro/2006, em razão do disposto no art. 150, §4o do CTN, tendo em conta que o lançamento somente lhe foi cientificado em 01/03/2011. Citam doutrina em favor da aplicação daquele prazo nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Aduzem que a autuada importa farinha de trigo para utilização na fabricação de seus produtos, e que industrializa e vende no mercado nacional produtos resultantes de processo de panificação, favorecidos com alíquota zero no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Afirmam a ilegalidade do arbitramento, porque não demonstrados evidentes indícios de fraude ou vícios que impeçam a identificação da movimentação financeira de Lucrécia Alimentos Ltda. Aduzem que a fiscalizada apresentou as informações exigidas acerca de sua movimentação financeira e que o Fisco teve acesso às demais informações junto às instituições financeiras. Transcrevem doutrina acerca da finalidade do arbitramento e reportam se a jurisprudência administrativa e judicial, pleiteando a anulação do arbitramento, afastando se assim o adicional de 20% (vinte por cento) incidente sobre a base de cálculo dos respectivos tributos. Argumentam, por fim, que não houve omissão de informações, tampouco verificouse a existência de dolo, logo, não tem cabimento a qualificação da penalidade. Defendem a necessidade de prova contundente da fraude, invocam a Súmula nº 14 do 1o Conselho de Contribuintes, citam julgados deste Conselho, enfatizam que o procedimento fiscal contou com a participação espontânea das recorrentes e com a apresentação de documentos que permitiram as apurações fiscais, recordando que nos termos do art. 112 do CTN a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 12 11 Pedem, assim, a anulação dos atos de exclusão – ou, alternativamente, que a exclusão do Simples Federal somente opere efeitos a partir de janeiro/2007, e do Simples Nacional a partir de janeiro/20010 –, bem como a anulação dos lançamentos em razão dos demais argumentos deduzidos no recurso. Em 17/06/2014 foi requerida a juntada, a estes autos, de petição apresentada por Lucrecia Alimentos Ltda em 06/06/2014, na qual renuncia expressa e parcialmente ao direito em que se funda sua defesa, informando que os débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS constantes deste processo administrativo, mais especificamente o débito relativo às competências de 31/01/2006 até 30/09/2008 será incluso no parcelamento especial criado pela Lei nº 11.941/2009, cuja adesão se comprova pela cópia do pedido de parcelamento que acompanha esta petição. Conclui, assim, que o contencioso deve prosseguir unicamente em relação aos valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS exigidos para as competências de 31/10/2008 até 31/12/2009 (principal, multas e juros). Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente noticia a desistência de parte do recurso voluntário interposto em razão da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, o que retira do objeto do litígio as exigências pertinentes aos períodos de janeiro/2006 a setembro/2008. Tal circunstância, porém, não dispensa a apreciação dos argumentos opostos contra a exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, na medida em que somente é noticiada a desistência do litígio em relação aos débitos aqui constituídos no período de vigência daquela sistemática de recolhimento, mas é possível que outros tributos tenham sido lançados em razão daquela exclusão, visto que também estavam abrangido por aquela sistemática o recolhimento de contribuições previdenciárias. Assim, iniciando a apreciação do litígio a partir da exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, observase que as recorrentes defendem que o excesso de receita no anocalendário só enseja a exclusão a partir do anocalendário subseqüente, e além de antes defender que há autonomia entre Lucrecia Alimentos Ltda e Bread King Alimentos Ltda, destacam que esta somente foi criada em 30/11/2006 e não realizou vendas significativas em 2006. As recorrentes reproduzem, aqui, a mesma defesa apresentada em 1a instância, sem enfrentar a acusação fiscal de prática reiterada de infração. Por sua vez, o voto condutor da decisão recorrida, de lavra da I. Julgadora Maria Lucia Aguilera, demonstra à exaustão a procedência da acusação fiscal: Do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL Conforme Parecer Safis da DRF Joaçaba/SC a empresa teria sido excluída do SIMPLES, devido à incidência dos seguintes dispositivos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anter ior , receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 14 13 I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) IV const i tuição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista , ou o t i tular , no caso de f irma indiv idua l ; V prática re iterada de infração à leg islação tr ibutária ; De notar que a nova redação do art. 9º, incisos I e II, dada pelo art. 1º da Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006 – conversão da Medida Provisória nº 275, de 2005, teve efeito a partir de 1º de janeiro de 2006, conforme expressamente consignado no art. 5º do referido diploma legal. Diante do quadro normativo exposto, fica claro que a pessoa jurídica não poderia ter sido excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2006 diretamente por conta de apuração de receita bruta acima do limite previsto no art. 9º, II da Lei nº 9.317, de 1996, mesmo porque tal limite diz respeito expressamente ao “anocalendário imediatamente anterior”. Todavia, a fiscalização apurou irregularidades praticadas pela empresa, no ano calendário de 2006, justamente no intuito de ocultar o auferimento de receitas acima do limite legal, tais como (i) a existência de conta corrente de depósito mantida à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados (conta corrente mantida no Banco BESC S.A.), e (ii) a escrituração de movimentação financeira não amparada em documentação de suporte, e em descompasso com a realidade fática apurada (conta corrente mantida no Banco SICOOB/SC Credialfa). As condutas acima descritas de manutenção de conta corrente (e de depósitos) à margem da escrituração, e as graves irregularidades na escrituração das contas correntes contabilizadas configuram a prática reiterada de infração à legislação tributária , prevista como hipótese de exclusão de ofício no art. 14, V da Lei nº 9.317, de 1996, por conta de terem se verificado durante todo o ano calendário de 2006, e de forma sistemática, não passível de caracterizar mero erro contábil. Ademais, a constituição da Bread King foi reputada como operação simulada, efetivada apenas para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, e assim permitir que esta última permanecesse no SIMPLES, no anocalendário subseqüente, apesar de auferir receita bruta acima do limite (R$ 2.400.000,00). É verdade que a constituição da Bread King somente teria se dado em 30 de novembro de 2006. Entretanto, se confirmada a prática da simulação, tal fato é suficiente para manter a exclusão do SIMPLES no próprio anocalendário de 2006, porque comprovada a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas , conforme se verá adiante. Para demonstrar que a Bread King não era uma empresa autônoma e independente, mas apenas uma “fachada” por detrás da qual se ocultava parte do faturamento da própria Lucrecia Alimentos, a fiscalização trouxe à colação diversos fatos, que ora serão apreciados com base na documentação que integra os autos. De acordo com o Contratos Sociais apresentados, a Lucrecia Alimentos tinha por sócios Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon , até 26/10/2009, quando este último foi substituído por Sr. Edson Leandro Hochamann. Já a Bread King teria sido constituída em 30/11/2006, pelos sócios Sr. Ernani de Magalhães Rigon e Nelcir Zuqui, sendo o primeiro genitor dos sócios da Lucrecia, Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon . Apesar de serem distintos os sócios, podese dizer que existe um vínculo entre as Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 15 14 empresas devido a relação de parentesco existente entre as pessoas físicas, ainda que insuficiente para denotar qualquer irregularidade. No que diz respeito à administração dos empreendimentos, verificouse que as intimações encaminhadas à Lucrecia, assim como as correspondentes respostas da empresa teriam sido subscritas pelo Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , que teria se apresentado como administrador do empreendimento. Na alteração do contrato social da Lucrecia, datada de 26/10/2009, em que consignada a retirada do sócio Sr. Alexandre Sfoggia Rigon também foi registrado que o Sr. Juliano Stoggia Rigon teria passado a ser o administrador da empresa. Entretanto, no instrumento de mandato apresentado à fiscalização, datado de 01/11/2009 – fls. 49, a Lucrecia justamente, por intermédio do referido administrador, teria nomeado e constituído como seu bastante procurador o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , com amplos poderes de administração do empreendimento , conforme se depreende do excerto abaixo transcrito: Bastante que faz, como OUTORGANTE, a empresa LUCRECIA ALIMENTOS LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro jurídico nesta cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, na Avenida Irineu Bornhausen, nº 239 – E, Bairro Palmital, CEP 89.814650, inscrita no CNPJ 05.924.681/000106, neste ato representada por seu Administrador Sr. JULIANO SFOGGI RIGON, brasileiro, solteiro, residente e domiciliado na cidade de Chapecó SC, portador da RG 12C.3.340.471 SSP/SC e CPF nº 051.318.379,52, nomeia e constitui seu bastante procurador Sr. ALEXANDRE SFOGGIA RIGON, brasileiro, solteiro, empresário, residente em Chapecó SC, na Av. Getúlio Vargas nº 6008, Apto 701, Centro, CEP 89.801100, portador da Cédula de Identidade RG 12C.2.439.452 SSP/SC e CPF nº 736.439.049,91, para os fins especiais, e com os mais amplos gerais e ilimitados poderes, onde com esta se apresente e se necessário for, representar a Outorgante em todos os seus negócios e nas relações com terceiros, inclusive em qualquer instituição financeira, podendo assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias e movimentálas, emitir e endossar cheques, fazer retiradas mediante recibos, autorizar débitos, pagamentos e transferências, solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, receber quaisquer quantias devidas à Outorgante, a qualquer título, assinando os necessários recebidos e dando quitação; emitir, endossar e aceitar duplicatas; entregar para cobrança bancária duplicatas, assinando os necessários contratos de abertura de crédito, junto a qualquer instituição financeira, propostas e borderôs; assinar todas as correspondências da outorgante, inclusive aquelas dirigidas aos bancos dando instruções sobre títulos, autorizando abatimentos, protestos e o que mais preciso for; ajustar e receber os preços das vendas que efetuar; dar quitações totais ou parciais, assinar contratos de promessa de compra e venda; ajustar cláusulas e condições, prazos, juros, multas e eleger foros; contratar e despedir empregados, gerentes e vendedores, fixandolhes atribuições, ordenados e comissões; liquidar litígios trabalhistas, bem como fazer acordos de qualquer natureza; assinar livros e papéis fiscais, balanços e correspondências; contratar advogados, constituir procuradores, transigir, desistir, firmar compromissos, receber e dar quitações, concordar, abater, acordar, rescindir contratos de promessa de compra e venda; receber citações; representar a outorgante perante repartições Públicas Federais, Estaduais, Municipais e Autarquias, inclusive perante o INSS/FGTS, perante empresas Públicas e de Economia Mista, Caixas Econômicas e em todas as suas relações com o governo da União, Estados e Municípios em todas as suas relações, firmar documentos que se fizerem necessários, tudo assinado, declarando e requerendo; representar a outorgante em juízo ou fora dele, praticando e assinando todos os atos para o fiel cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer este, no todo ou em parte. Da mesma forma, a Bread King, em 12/01/2007, já logo após na sua constituição, em 30/11/2006, por intermédio do administrador designado no contrato social, Sr. Ernani de Magalhães Rigon, também teria nomeado e constituído seu bastante procurador o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , e novamente com amplos Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 16 15 poderes de administração do empreendimento , conforme se depreende do excerto abaixo transcrito (fls. 731): Bastante que faz, como OUTORGANTE, a empresa BREAD KING ALIMENTOS LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro jurídico nesta cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, na Avenida Irineu Bornhausen, nº 239 – E, Sala 01, Bairro Palmital, CEP 89.814650, inscrita no CNPJ 08.474.768/000109, neste ato representada por seu Administrador Sr. ERNANI DE MAGALHÃES RIGON, brasileiro, casado, residente e domiciliado na cidade de Chapecó SC, portador da RG 701.0435 SSP/SC e CPF nº 318.987.66968, nomeia e constitui seu bastante procurador Sr. ALEXANDRE SFOGGIA RIGON, brasileiro, solteiro, empresário, residente em Chapecó SC, na Av. Getúlio Vargas nº 6008, Apto 701, Centro, CEP 89.801100, portador da Cédula de Identidade RG 12C.2.439.452 SSP/SC e CPF nº 736.439.049,91, para os fins especiais, e com os mais amplos gerais e ilimitados poderes, onde com esta se apresente e se necessário for, representar a Outorgante em todos os seus negócios e nas relações com terceiros, inclusive em qualquer instituição financeira, podendo assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias e movimentálas, emitir e endossar cheques, fazer retiradas mediante recibos, autorizar débitos, pagamentos e transferências, solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, receber quaisquer quantias devidas à Outorgante, a qualquer título, assinando os necessários recebidos e dando quitação; emitir, endossar e aceitar duplicatas; entregar para cobrança bancária duplicatas, assinando os necessários contratos de abertura de crédito, junto a qualquer instituição financeira, propostas e borderôs; assinar todas as correspondências da outorgante, inclusive aquelas dirigidas aos bancos dando instruções sobre títulos, autorizando abatimentos, protestos e o que mais preciso for; ajustar e receber os preços das vendas que efetuar; dar quitações totais ou parciais, assinar contratos de promessa de compra e venda; ajustar cláusulas e condições, prazos, juros, multas e eleger foros; contratar e despedir empregados, gerentes e vendedores, fixandolhes atribuições, ordenados e comissões; liquidar litígios trabalhistas, bem como fazer acordos de qualquer natureza; assinar livros e papéis fiscais, balanços e correspondências; contratar advogados, constituir procuradores, transigir, desistir, firmar compromissos, receber e dar quitações, concordar, abater, acordar, rescindir contratos de promessa de compra e venda; receber citações; representar a outorgante perante repartições Públicas Federais, Estaduais, Municipais e Autarquias, inclusive perante o INSS/FGTS, perante empresas Públicas e de Economia Mista, Caixas Econômicas e em todas as suas relações com o governo da União, Estados e Municípios em todas as suas relações, firmar documentos que se fizerem necessários, tudo assinado, declarando e requerendo; representar a outorgante em juízo ou fora dele, praticando e assinando todos os atos para o fiel cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer este, no todo ou em parte. Notese que em ambas as empresas o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , tinha amplos poderes de administração do empreendimento, inclusive no que tange à movimentação financeira, via instituições financeiras. Como teria restado comprovado a partir das próprias procurações apresentadas que, apesar das disposições em contrário do contrato social, o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon era de fato o administrador de ambos os empreendimentos, pelo menos a partir de 12/01/2007, já estaria afastada a possibilidade de adesão à sistemática do SIMPLES NACIONAL, por conta dos preceitos do art. 3º, §4º, V da Lei Complementar nº 123, de 2006, verbis: Art. 3º (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 17 16 (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Todavia, o relevante para a fiscalização não era a comprovação de que as empresas tinham o mesmo administrador, mas verificar se realmente se tratava de empreendimentos distintos, e não de um único empreendimento, fragmentado apenas para atendimento, de forma fraudulenta, ao limite de receita bruta previsto em Lei. Nesse aspecto, a própria fiscalização tomou o cuidado de comparar as receitas contabilizadas das empresas, demonstrando que se comprovada a ocorrência de simulação na constituição da Bread King, e somadas as receitas, não seria possível a manutenção da Lucrecia no SIMPLES: Quanto aos elementos capazes de caracterizar a autonomia ou não das empresas, foi verificado que, segundo as informações contratuais e cadastrais, ambas tinham praticamente o mesmo endereço (Avenida Irineu Bornhausen, 239E, Palmital , Chapecó/SC), sendo que a única diferença seria que a Bread King estaria estabelecida em uma sala (sala 01) no mesmo endereço . O imóvel seria alugado em nome de Jussara Sfoggia Rigon, genitora dos sócios da Lucrecia, até 26/10/2009, Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon , mais uma vez a reforçar se tratarem de empresas pertencentes aos membros de mesma família. A fiscalização compareceu ao endereço e verificou que, além de inexistir qualquer separação física, de atividades ou de funcionários entre a Lucrecia e a Bread King, a marca desta última é a que identifica o prédio para o público externo, é usada no uniforme de todos os funcionários, e como marca ou expressão comercial pela Lucrecia (conforme fotografias). As atividades das empresas praticamente idênticas também não sustentam a invocada autonomia e a independência dos empreendimentos: a Lucrecia Alimentos tem por objeto social a fabricação de produtos de panif ício, pães, bolos, confeitos , comércio, importação e exportação de gêneros alimentícios e mercadorias em geral; comércio e distribuição de equipamentos para indústria alimentícia; transportes de produtos alimentícios; enquanto a Bread King, dedicase ao comércio atacadista de pães, bolos, biscoitos e similares . Talvez o mais relevante seja a confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas identificada a partir das Notas Fiscais nº 4895 e 4890, emitida pela Bread King por conta de venda efetuada a terceiros, mas em cujo boleto de cobrança a Lucrecia Alimentos é que é identificada como cedente, ou seja, como titular do crédito (fls. 686/689). Mas não só. A fiscalização ainda demonstrou que, enquanto a Bread King não tinha qualquer conta corrente escriturada na sua contabilidade (cf. balanços patrimoniais), a Lucrecia apresentou movimentação financeira nas contas correntes Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 18 17 de sua titularidade em valores muito superiores ao faturamento contabilizado, a confirmar a informação anterior de que o faturamento da Bread King (notas fiscais) era depositado nas contas correntes da Lucrecia (a cedente dos boletos de cobrança). Foi ainda apontada a falta de capacidade operacional (recursos humanos) para que a Bread King desse conta do faturamento por ela contabilizado, conforme abaixo: Diante da robusta construção probatória da fiscalização, considerase comprovada a simulação do contrato social da Bread King, inclusive quanto aos sócios ali designados, e assim comprovada a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas , pelo que procedente o ADE de exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL. Dos efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL Conforme visto anteriormente, a exclusão do SIMPLES fundamentouse nos preceitos do art. 14, incisos IV e V da Lei nº 9.317, de 1996, e os efeitos da exclusão se encontram definidos logo a seguir no art. 15, inciso do mesmo diploma, verbis: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) IV const i tuição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista , ou o t i tular , no caso de f irma indiv idua l ; V prática re iterada de infração à leg islação tr ibutária ; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a part ir , inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos menc ionados nos inci sos II a VII do art igo anter ior . (...) In casu, apesar de a constituição da pessoa jurídica, por interposta pessoa, ter ocorrido apenas em 30/11/2006, a prática reiterada de infração à legislação tributária teve por termo inicial 01/01/2006, o que ratifica a procedência do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL editado pela autoridade competente. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 19 18 Demais disso, como no anocalendário de 2006, a contribuinte teria ultrapassado o limite legal de receita bruta, não poderia ter permanecido no SIMPLES FEDERAL de janeiro a junho de 2007. Naquele ano, além das receitas escrituradas da ordem de R$ 1.987.724,40, teria omitido receitas no valor de R$ 1.746.018,42, – apurada a partir da movimentação de recursos em contas correntes mantidas à margem da escrituração, sem comprovação da regular origem dos valores depositados (R$ 521.702,43), e em contas correntes, cuja movimentação, quando escriturada, não seria condizente com os fatos descritos nos extratos bancários (R$ 1.224.315,99) – a totalizar R$ 3.733.742,82 de receitas auferidas na atividade. Diante disso, não poderia ter permanecido na sistemática em discussão no ano calendário de 2007, tendo em conta os expressos preceitos do art. 9º, II da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006, verbis: DAS VEDAÇÕES À OPÇÃO Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) (...) Assim, por estas mesmas razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do SIMPLES Federal de 01/01/2006 a 30/06/2007. Contra a exclusão do SIMPLES Nacional a partir de 01/07/2007, as recorrentes novamente afirmam a autonomia das empresas para discordar da soma do faturamento de ambas para alcançar o limite de exclusão. Acrescentam que também no Simples Nacional o excesso de receitas somente opera efeitos a partir do anocalendário subsquente e concluem que ainda que somadas os faturamentos de ambas as sociedades, o que se admite para efeito de argumentação, a recorrente somente poderia ser exclusa do Simples Nacional a partir de janeiro de 2010. A apreciação destes argumentos também subsiste necessária, na medida em que a desistência parcial do recurso voluntário não alcançou todas as exigências aqui formalizadas após a exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/07/2007, aqui aplicados até 31/12/2009. Por sua vez, idênticas razões de defesa já foram validamente refutadas na decisão recorrida: Do ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL O ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL teria se fundamentado nos preceitos abaixo transcritos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 20 19 (...) II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário , receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendár io anter ior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. (...) Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas ; (...) VIII houver fa lta de escr ituração do l ivrocaixa ou não permit ir a ident i f i cação da movimentação f inanceira, inc lusive bancária ; (...) Além da simulação do contrato social da Bread King, única e exclusivamente, para fragmentar o faturamento da Lucrecia Alimentos, de modo a impedir que o limite legal de receita bruta fosse ultrapassado, o que já caracterizaria a hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no art. 29, IV da Lei Complementar nº 123, de 2006, e da prova de ser o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon o administrador de fato de ambas as empresas (art. 3º, §4º, inciso V do mesmo diploma legal), a fiscalização levantou outras razões para que a empresa não pudesse ter optado pela sistemática mais benéfica. De acordo com a redação do § 1º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006, vigente à data da ocorrência dos fatos geradores em questão, para efeito de enquadramento no Simples Nacional, consideravase microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 21 20 da opção estivesse compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar, ou seja, de até R$ 240.000,00 para as microempresas, e de até R$ 2.400.000,00 para as empresa de pequeno porte. Como restou comprovado, conforme visto acima, que a contribuinte teria auferido receita bruta da ordem de R$ 3.733.742,82, no anocalendário de 2006, não poderia ter optado pela sistemática em discussão no anocalendário de 2007, tendo em conta os expressos preceitos do §1º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006. A fiscalização ainda reforça tal interpretação mediante a menção aos preceitos do art. 12 da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – CGSN nº 4 de 30/05/2007 e art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007, devidamente transcritos no termo de verificação. De outro lado, apesar de haver apresentado a competente declaração, constitutiva dos créditos tributários de SIMPLES FEDERAL, e relativa aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2006, a autuada não teria efetuado qualquer dos pagamentos, e para não incidir na vedação do art. 17, V acima transcrito, procedeu à retificação de referida declaração, para zerar todos os débitos. Imperioso dizer que tais débitos se referiam a receitas declaradas e escrituradas, pelo que a retificação se revelou completamente infundada, denunciando que a única intenção da empresa era regularizar, de forma completamente abusiva, a sua situação fiscal. Afora os débitos do SIMPLES FEDERAL devidos de janeiro de 2006 até junho de 2007, da mesma forma, os débitos de SIMPLES NACIONAL foram informados nas competentes declarações em valores bem inferiores à base de cálculo (receita bruta) contabilizada pela contribuinte – fls. 474/508 do processo em papel). Diante de tal quadro fático, evidentemente que também descumprido o preceito do art. 17, V da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, tendo a pessoa jurídica usado de subterfúgio (apresentação de declarações retificadoras) para ocultar os débitos apurados para com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa. Finalmente, conforme apurado no curso do procedimento fiscal, a pessoa jurídica teria optado por manter a escrituração comercial (Livros Diário e Razão). Entretanto, foi verificado que a escrituração, relativa aos anoscalendário 2007 a 2009, continha o mesmo vício da escrituração relativa ao anocalendário 2006, que impossibilitava a identificação da real movimentação financeira: a manutenção de contas correntes à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados (contas correntes mantidas no Banco BESC S.A. – atualmente Banco do Brasil S.A. e na Caixa Econômica Federal). Configurada assim outra hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no art. 29, VIII da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Apenas esclareçase a defesa que o art. 31, inciso I da Lei Complementar nº 123, de 2006, somente se aplica aos casos em que a exclusão do SIMPLES NACIONAL se dá por opção da pessoa jurídica, e não obrigatoriamente, mediante ato de ofício (ADE), como ocorreu no caso em litígio, por ter incorrido nas situações de vedação previstas na Lei. Diante dos fatos levatantados de ofício procedente o ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Dos efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 22 21 Transcrevemse abaixo os preceitos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que fundamentaram a exclusão, e os que regulam os efeitos do ato de acordo com cada hipótese legal, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º deste artigo, será excluída do regime de que trata esta Lei Complementar, com efeitos a part ir do mês seguinte ao que incorr ida a s ituação impedit iva . (...) § 9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no ano calendário seguinte , do regime diferenciado e favorecido previsto por esta Lei Complementar para todos os efeitos legais. (...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas ; (...) VIII houver fa lta de escr ituração do l ivrocaixa ou não permit ir a ident i f i cação da movimentação f inanceira, inc lusive bancária ; (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efe i tos a partir do próprio mês em que incorr idas , impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. § 2º O prazo de que trata o § 1º deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. (...) Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 23 22 Salientese que desde que instituído o SIMPLES NACIONAL, em 1º de julho de 2007, a contribuinte já tinha incorrido em todas as hipóteses de vedação. Conforme já acima assinalado, a contribuinte sequer poderia ter optado pela nova sistemática, porque a receita bruta no anocalendário anterior ao da opção (em 2006), teria ultrapassado o limite máximo de R$ 2.400.000,00. Ademais, comprovado que o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon era o administrador de fato do empreendimento fragmentado nas pessoas jurídicas de Lucrecia Alimentos e Bread King Alimentos, praticamente desde a constituição desta última (a empresa foi constituída em 30/11/2006 e a procuração tem data de 12/01/2007) até o final do procedimento fiscal (contexto em que foram apresentadas as procurações acima referidas), válido o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, desde 01/07/2007. Da mesma forma, a interposição de pessoas para criação da Bread King (empresa artificialmente criada apenas para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos), e os vícios apurados na escrituração impeditivos de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária (falta de escrituração de contas correntes), como ocorreram desde janeiro de 2006, e persistiram até 2009, são suficientes para sustentar o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a partir da instituição do regime, em julho de 2007. Logo, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão da contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 01/07/2007. Passando ao mérito dos lançamentos aqui formalizados, as recorrentes preliminarmente argúem a decadência dos créditos tributários referentes a janeiro e fevereiro/2006, em razão do disposto no art. 150, §4o do CTN, tendo em conta que o lançamento somente lhe foi cientificado em 01/03/2011. Todavia, tais créditos tributários estão alcançados pela desistência formulada pela recorrente, mostrandose desnecessária a apreciação deste argumento de defesa. Na seqüência, as recorrentes questionam a motivação do arbitramento dos lucros, porque não demonstrados evidentes indícios de fraude ou vícios que impeçam a identificação da movimentação financeira de Lucrécia Alimentos Ltda, mormente tendo em conta que a fiscalizada apresentou as informações exigidas acerca de sua movimentação financeira e que o Fisco teve acesso às demais informações junto às instituições financeiras. Citam doutrina e jurisprudência e pedem que seja afastado o adicional de 20% (vinte por cento) incidente sobre a base de cálculo dos respectivos tributos. Esta argumentação ainda precisa ser apreciada porque, considerando a desistência parcial do recurso voluntário, restaram débitos apurados a partir de 30/09/2008 afetados pelo arbitramento dos lucros. Ocorre que, nos termos do art. 530, inciso II, alínea “a” do RIR/99, o arbitramento é pertinente quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para, no caso, identificar a efetiva movimentação financeira. Nestes termos, não basta que a Fiscalização tenha acesso à movimentação financeira do sujeito passivo, é necessário que esta esteja escriturada para que os resultados daí decorrentes prestemse como base imponível do IRPJ e da CSLL. A autoridade lançadora, por sua vez, demonstrou as contas bancárias mantidas à margem da contabilidade e, mesmo em relação àquelas escrituradas, apontou depósitos bancários de origem não comprovada. De outro lado, como bem observa a autoridade Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 24 23 julgadora de 1a instância, não houve qualquer questionamento quanto às infrações de omissão de receitas apuradas a partir da falta de comprovação da origem de recursos depositados: (i) não contabilizados, (ii) em contas correntes não contabilizadas, ou ainda (iii) contabilizados, mas cuja escrituração não era compatível com os históricos constantes dos extratos. Ademais, a fiscalizada não respondeu à intimação que lhe foi dirigida facultando a opção pela apuração do lucro presumido ou real. A opção pelo lucro presumido, por sua vez, exigiria minimamente a escrituração do Livro Caixa integrado pela movimentação bancária, de modo que a omissão da fiscalizada durante o procedimento fiscal enseja a rejeição, neste momento, da pretendida exclusão da majoração em 20% dos coeficientes aplicados sobre a receita bruta para determinação do lucro tributável. As recorrentes argumentam, também, que a autuada importa farinha de trigo para utilização na fabricação de seus produtos, e que industrializa e vende no mercado nacional produtos resultantes de processo de panificação, favorecidos com alíquota zero no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS. A defesa subsiste pertinente depois da desistência parcial do recurso voluntário, na medida em que créditos tributários aqui exigidos a partir de 30/09/2008 seriam afetados pela circunstância aventada pelas recorrentes. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, demonstrou a impossibilidade de aplicação deste benefício no presente caso: Dos lançamentos reflexos Diante da apuração de omissão de receitas, foram também lavrados os lançamentos reflexos da CSLL, PIS e Cofins, conforme previsto no art. 24 e seus parágrafos com a redação em vigor nos anoscalendário objeto de autuação (2006, 2007, 2008 e 2009), verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4º Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse ao recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, calculadas por unidade de medida de produto, não Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 25 24 sendo possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a contribuição será determinada com base na alíquota ad valorem mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º Na determinação da alíquota mais elevada, considerarseão: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – para efeito do disposto nos §§ 4º e 5º deste artigo, as alíquotas aplicáveis às receitas auferidas pela pessoa jurídica no anocalendário em que ocorreu a omissão; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – para efeito do disposto no § 5º deste artigo, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida do produto, bem como as alíquotas aplicáveis às demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Em seu favor a Impugnante afirmou que, as exigências de PIS e Cofins seriam improcedentes porque importaria farinha de trigo, e venderia, no mercado nacional, produtos resultantes do processo de panificação, tributados à alíquota zero, conforme os preceitos da Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, incisos XIV, XV e XVI, verbis: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de : (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) (...) XIV far inha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI; (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XV t rigo classificado na posição 10.01 da TIPI; e (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XVI prémisturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI. (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XIV far inha de tr igo classificada no código 1101.00.10 da Tipi; (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) XV tr igo classificado na posição 10.01 da Tipi; e (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) XVI prémisturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da Tipi. (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) De pronto, assinalese que tal preceito somente seria aplicável aos fatos geradores a partir de 28/05/2008. Ademais, para que fosse possível a sua incidência, necessário que fosse feita a prova de que as receitas omitidas e ora tributadas ex officio se originaram da venda dos produtos tributados à alíquota zero, fato dependente da apresentação das notas fiscais de venda, não escrituradas na contabilidade. Na medida em que o recurso voluntário, à semelhança da impugnação, não está acompanhado de qualquer prova documental, novamente não é possível acolher a pretensão das recorrentes. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências decorrentes da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, apuradas a partir de 01/10/2008, e não alcançadas pela desistência. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 26 25 Por fim, no que tange à multa aplicada, as recorrentes argumentam que não houve omissão de informações, tampouco verificouse a existência de dolo, logo, não tem cabimento a qualificação da penalidade. Defendem a necessidade de prova contundente da fraude, invocam a Súmula nº 14 do 1o Conselho de Contribuintes, citam julgados deste Conselho, enfatizam que o procedimento fiscal contou com a participação espontânea das recorrentes e com a apresentação de documentos que permitiram as apurações fiscais, recordando que nos termos do art. 112 do CTN a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida. O voto condutor da decisão recorrida, mais uma vez, pela excelência de sua abordagem, merece transcrição: Da ocorrência de dolo, fraude ou simulação A imputação de fraude foi feita com base em dois fatos: (i) a constituição da Bread King, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, e assim, impedir a incidência da norma jurídica em que previsto o limite legal de receita bruta para adesão ao regime simplificado; e (ii) a apresentação de declarações retificadoras única e exclusivamente para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração comercial apresentada. Ambos os fatos já foram acima analisados, mas não é excessivo fazer constar novamente. É robusta a construção probatória levantada pela autoridade fiscal acerca da ausência de autonomia e independência das atividades empresariais das duas pessoas jurídicas, com prova inclusive de confusão patrimonial entre elas. Ficou suficientemente demonstrado que, por detrás da pessoa jurídica da Bread King, não há uma atividade empresarial distinta da atividade empreendida pela Lucrecia Alimentos, inclusive com a utilização de recursos humanos e patrimoniais pertencentes a esta última. De outro lado, a retificação das declarações apresentadas para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração pela própria contribuinte, denota a conduta dolosa ou fraudulenta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É certo que, com a retificação das declarações, providência adotada para novamente simular a regularidade fiscal requerida para adesão ao regime simplificado, a pessoa jurídica teve a intenção (dolo) de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, fato a caracterizar a fraude fiscal ou sonegação. Notese ainda que em relação aos períodos em que não apresentada retificadora, observou a fiscalização que a pessoa jurídica informou receita bruta muito inferior, não apenas à apurada de ofício pela fiscalização, mas à receita bruta escriturada em seus livros, o que confirma o intuito de reduzir indevida e fraudulentamente a base de cálculo dos tributos devidos. [...] Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 27 26 Inaplicável ao caso a Súmula 14 do CARF, porque não apurada “simples” omissão de receitas, decorrente de mero erro na escrituração, mas comprovadas: (i) a simulação da constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento da autuada e assim garantir a sua manutenção no regime simplificado de tributação; e (ii) a existência de contas correntes mantidas à margem da escrituração, de depósitos não contabilizados e de depósitos contabilizados, mas cuja contabilização está em descompasso com o histórico contido no extratos, e desprovida de documentação de suporte. Definitivamente, não se trata de “simples” omissão de receitas. Registrese que não afeta a aplicação da multa qualificada o fato de a fiscalização ter tido acesso a todas as informações necessárias para determinação da base tributável, mediante a documentação apresentada pela própria Impugnante, e pelas informações prestadas pelas instituições financeiras. Na verdade, tais pressupostos fáticos teriam a ver com o agravamento da penalidade, e não com a qualificação por conta da conduta dolosa. Veja abaixo a distinta redação dos preceitos relativos às multas de ofício qualificada (art. 44, inciso I, §1º) e agravada (art. 44, inciso I, §2º), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade , nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para : (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esc larecimentos ; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou si stemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Não procede a aplicação do art. 112 do CTN, porque não há qualquer dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário também em relação à qualificação da penalidade. E, quanto à imputação de responsabilidade solidária a Bread King Alimentos Ltda, as recorrentes reafirmam, em vários momentos da defesa, a autonomia entre elas, discordando da identidade de endereços apontada pela Fiscalização, afirmando distintos os Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 28 27 objetos sociais, e alegando que Alexandre Sfoggia Rigon é apenas procurador da segunda, e não seu administrador. Mais uma vez são adotados, aqui, os fundamentos esposados pela autoridade julgadora de 1a instância para rejeitar as alegações das recorrentes: Da imputação de responsabilidade solidária à Bread King O termo de Sujeição Passiva Solidária se encontra juntado às fls. 1165/1166 e foi cientificado à interessada, assim como os lançamentos, conforme AR de fls. 1167. Fundamentou a atribuição de responsabilidade solidária à Bread King o preceito do art. 124, I, do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) De acordo com provas carreadas para o processo a Bread King foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL. Comprovada a simulação, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica – a Lucrecia Alimentos, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto (Lucrecia e Bread King), inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Considerase regularmente comprovado assim o interesse comum das pessoas jurídicas nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação tributária ora exigida exofficio. Assim, também no que tange à responsabilidade tributária imputada a Bread King Alimentos Ltda, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO à parte do recurso voluntário não alcançada pela desistência, para manter as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, com efeitos desde 01/01/2006 e 01/07/2007, respectivamente, bem como os lançamentos daí decorrentes cujos créditos tributários não foram incluídos no parcelamento especial, e a imputação de responsabilidade tributária a Bread King Alimentos Ltda. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 29 28 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11020.002216/2004-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2006
COFINS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. COFINS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 22 16 /2 00 4- 20 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de COFINS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (COFINS nãocumulativa), bem como compensação destes valores com débitos, conforme pedido constante nos autos, após apensação do processo nº 11020.007312/200898. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS, sendo utilizado para compensação até o limite do crédito concedido e exigido o valor dos débitos não compensados por falta de crédito por carta cobrança. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 11 3 Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1018.439, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2004 30/06/2004 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de COFINS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 44/45), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de COFINS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 1° da lei 10.833/03 determina que a base de cálculo da COFINS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: “Lei 10.833, de 29/12/2003: Art. 1 A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas á demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3 Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota O (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente, importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16112194, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 12 5 sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o COFINS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de COFINS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de COFINS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de COFINS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo da COFINS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, a saber: “Lei 10.833, de 29/12/2003. Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 13 7 Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo COFINS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do COFINS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913764/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Retificação de PERDCOMP
Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltando-se que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrar-se pendente de decisão na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1801-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Retificação de PERDCOMP Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltando-se que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrar-se pendente de decisão na esfera administrativa.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltandose que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrarse pendente de decisão na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 64 /2 00 8- 51 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorrente apresentou PERDCOMP em 23/08/2004 a fim de compensar débito de estimativa mensal de IRPJ apurada como devida no mês de junho de 2003, indicando como direito creditório a fazer frente a essa compensação, recolhimento a maior ou indevido efetuado por DARF de estimativa mensal de IRPJ apurada no mês de setembro de 1999, no valor de R$ 3.829,03. Pelo Despacho Decisório da DERAT do Rio de Janeiro/RJ (fl. 8 p. d.) a compensação foi não homologada porque o DARF indicado pela recorrente como tendo veiculado o pagamento indevido, teria sido alocado a débito no valor de R$ 3.829,03, de estimativa de IRPJ declarada como devida em DCTF no mês de setembro/2009. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada explicitou a recorrente que teria apurado créditos acumulados de IRPJ dos exercícios de 1995 a 1998, no montante de R$ 100.902,27 e que no exercício de 1999, efetuou antecipações de IR aumentando ainda mais o crédito existente, correspondentes ao montante de R$ 104.519,87, tendo apurado prejuízo fiscal nesse mesmo período. No exercício de 2000, teria apresentado imposto a pagar de R$ 48.760,76, compensado com os créditos do período de 1996 a 1998, ressaltando que nesse ano de 2000 efetuou, desnecessariamente, antecipações de impostos, já que detinha credito de exercícios anteriores. Apresentou, então, o saldo do crédito, calculado após o exercício de 2000: Créditos de 1995 a 1998: R$ 100.902,97 Crédito no exercício de 1999: R$ 104.519,87 Imposto Devido de 2000: (R$ 48.760,76) Antecipações de 2000: R$ 48.760,76 TOTAL DO CRÉDITO: R$ 205.422,84 Aduziu que no exercício de 2001, teria apurado imposto a pagar no valor de R$ 30.433,97, que por sua vez, teria sido compensado com os créditos gerados pelas antecipações efetuadas no em 1999, destacando que no exercício de 2001 e 2002, realizou antecipações de imposto nos montantes de R$ 22.880,92 e R$ 9.384,39, respectivamente, para serem compensados nos exercícios subseqüentes. Apresentou os seguintes créditos que alega possuir nos respectivos exercícios: Saldo Credito Remanescente anterior a 1998: R$ 52.141,51 Saldo Credito Remanescente 1999: R$ 74.085,90 Saldo Credito Remanescente 2000: R$ 38.973,23 Saldo Credito Remanescente 2001: R$ 22.880,92 Saldo Credito Remanescente 2002: R$ 9.384,39 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.913764/200851 Acórdão n.º 1801002.059 S1TE01 Fl. 3 3 Observou que as compensações realizadas até setembro de 2002 poderiam ser efetuadas contabilmente sem necessidade de autorização prévia da administração tributária e que teria apresentado diversas PERDCOMP em 2004 utilizando os créditos supracitados para compensar os meses de março, junho e setembro de 2003 Alerta que na data da apresentação dos PERDCOMP, os créditos não estavam prescritos, "todavia, a declaração deveria ter sido apresentada como saldo negativo” e que na época existiam muitas dúvidas em relação ao preenchimento do PERDCOMP, e que por um equívoco, o documento foi preenchido como pagamento indevido a maior. Ressaltou que os DARFs recolhidos de IR, superaram os valores devidos nos períodos de 1998 a 2002, o que lhe confere o legítimo direito à compensação do tributo do exercício de 2003. A Turma Julgadora de 1a. Instância em sintética decisão observou que a recorrente estaria a introduzir matéria nova, não examinada pela DERAT, que se refere a direito creditório referente a saldos negativos de IRPJ dos anos de 1998 a 2002, o que não integraria a lide. Assinalou que após a emissão de Despacho Decisório denegatório não é possível retificar o PERDCOM e que eventual pedido de retificação não pode ser apreciado por falta de competência do órgão julgador, devendo ser dirigido à autoridade competente. Notificada da decisão, em 08/04/2010 (AR fl. 84 p.d.) apresentou a recorrente, em 07/05/2010, o presente recurso voluntário, no qual aduz que não teria introduzido matéria nova na manifestação de inconformidade, uma vez que a origem direito de crédito indicado na manifestação de inconformidade seria exatamente a mesma declarada no PERD/COMP de que as antecipações de recolhimento mensal por estimativa efetuadas em valores maiores que o IRPJ efetivamente apurado como devido. Aduz que teria nomeado o crédito de saldo negativo em função da edição da IN SRF n º 600, de 2005, que no art. 10 determina que pagamentos a maior de estimativa devem compor o saldo negativo apurado ao final do período. Assim, pouco importaria nomenclatura dada ao direito creditório. Referese ao princípio da legalidade para concluir ser dever da fiscalização auditar as antecipações efetuadas e comparálas que os valores do IRPJ apurados ao final de cada PA, pugnando, ao final, pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Encontrase estampado no PERDCOMP analisado que a recorrente indicou, como direito creditório a amparar as compensações declaradas, pagamento indevido de estimativa de IPRJ apurada como devida no mês de setembro de 1999, efetuada por DARF. Como o DARF se encontra alocado a débito de mesmo valor, natureza e fato gerador declarado como devido em DCTF, não se reconheceu o indébito invocado. Na manifestação de inconformidade a recorrente altera completamente o seu pedido. Alega possuir saldo negativo de IRPJ acumulado nos anos de 1996 até 2002, em montante que ultrapassa R$ 190.000,00. Pretende, assim, com a manifestação de inconformidade, cujas alegações reproduz no recurso voluntário, alterar a natureza jurídica , o período de apuração e o valor do indébito. Observo que esta esfera de julgamento não tem competência regimental para apreciar pedidos de retificação de PERDCOMP. Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar tais solicitações é da DRF de jurisdição da recorrente, razão pela qual não se pode tomar conhecimento de tal pleito. Saliento, entretanto, que a legislação de regência determina que somente podem ser objeto de retificação, os PERDCOMP que ainda se encontrem pendentes de análise e não tenham sido objeto de decisão, o que não é o caso dos autos. A respeito, transcrevo os artigos pertinentes da IN SRF n º 1.300, de 2012: Art. 87. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.913764/200851 Acórdão n.º 1801002.059 S1TE01 Fl. 4 5 formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. ... Art. 107.Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. (*) destaques acrescidos. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Maria de Lourdes Ramirez Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002007/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COLEÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE INFORMÁTICA, TELECOMUNICAÇÕES E ELETRÔNICA LTDA.contra Acórdão nº 1138.185, de 14 de setembro de 2012, proferido pela 6ª Turma da DRJ/REC, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .0 02 00 7/ 20 10 -1 0 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.131 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (AI), às fls.03 a 13 do processo digital, lavrado por Auditoria da IRF Belo Horizonte MG, em razão da classificação incorreta das mercadorias importadas através de Declarações de Importação (DI) registradas na DRF/Varginha, relacionadas às fls. 04 a 12 do AI e objeto dos Demonstrativos de fls. 14 a 41 dos autos digitais. As autoridades lançadoras apuraram que a empresa importou no período investigado, outubro de 2007 a março de 2010, produtos conhecidos vulgarmente como “caixas de som para computador”, originárias da China, em modelos que variavam de acordo com o número de altofalantes por caixa de som, potência e outras características. As classificações tarifárias para estas mercadorias, de acordo com a NCM/TEC e NBM/TIPI, vigentes à época dos fatos geradores, eram: 8518.21.00 e 8518.22.00, com alíquotas do Imposto de Importação (II) de 20% e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 15%, o que dependia apenas de se caracterizarem como altofalantes únicos, montados no seu receptáculo (8518.21.00) ou altofalantes múltiplos, montados no mesmo receptáculo (8518.22.00). Salientaram as autoridades lançadoras que ambos os códigos mencionados sujeitavamse aos direitos antidumping e ao licenciamento administrativo prévio, nos termos da Resolução Camex n°25, de 2007 (alíquota específica provisória, até 13.12.2007, no valor de US$2,75/kg,) e, posteriormente, da Resolução Camex n° 66, de 2007 (alíquota específica definitiva de US$ 2,35/kg.) Nas importações promovidas pela empresa, no período investigado, foram utilizados em algumas DI os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 (corretos). Contudo na grande maioria das DI, que são objeto do presente AI, as mercadorias foram classificadas no código 8518.50.00, da NCM/TEC e NBM/TIPI então vigentes. Duas Soluções de Divergência (SD) da Coana que versam sobre os bens em questão, foram apresentadas, além de diversas Soluções de Consultas (SC), formuladas pelo próprio contribuinte à Diana/SRRF 6ª RF, que concluem pela classificação dos produtos consultados nos códigos 8518.21.00 (altofalantes únicos, montados cada um em seu respectivo receptáculo) e 8518.22.00 (alto falantes múltiplos montados no mesmo receptáculo) (8518.22), às fls.133 a 178. As autoridades lançadoras informaram, ainda, no Relatório Fiscal, que em 13 de abril de 2010, baseandose nessas SC, o interessado protocolizou alguns pedidos de retificação de DI, alterando a classificação fiscal do código 8518.50.00 para as Subposições 8518.21.00 e 8518.22,00, dependendo do número de altofalantes por receptáculo (a relação das DI retificadas consta às fls. 76 a 81 dos autos digitais). Informou, ainda, a fiscalização, no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, que o interessado deu entrada também em consultas relativas à aplicação ou não do direito antidumping, tendo sido todas consideradas ineficazes, porque questões inerentes à aplicação de direito antidumping, não se compatibilizam com o instituto da consulta. A competência para tal está atribuída à Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), nos termos dos artigos 10, 12, § 3º, e 15, inciso II, da INRFB nº 740, de 2007. Esclarecem as autoridades lançadoras que o ato de classificar equivocadamente os bens no código 8518.50.00, reclassificados para os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00, não agravou a cobrança do II ou do IPI, uma vez que as Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.132 3 alíquotas eram as mesmas, mas gerou a cobrança dos direitos antidumping e a necessidade de licenciamento não automáticos das importações. Discorreram, a seguir, sobre a necessidade de licenciamento para as mercadorias em questão, informando que, em consulta à tela de tratamento administrativo do Siscomex, para os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 existia uma anuência do Decex, sem restrições, no período de 17.07.2007 a 07.02.2008, donde concluiu a fiscalização que todas as mercadorias classificadas nesses códigos estavam obrigadas ao licenciamento não automático, nesse período. Posteriormente a anuência foi exigida apenas nos seguintes casos: Destaque 001, a partir de 07.02.2008, produto sujeito a direito antidumping (Resolução Camex nº 66/2007); Destaque 555, a partir de 17.08.2004 Produto amparado pelo inciso V, artigo 4º, do Decreto nº 5.171, de 2004 (máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, suas partes e peças de reposição, e películas cinematográficas virgens destinadas à indústria cinematográfica, audiovisual e de radiodifusão). Concluem as autoridades lançadoras que para todas as importações objeto do presente AI havia a exigência de licenciamento não automático (até 07.02.2008, de forma irrestrita e, a partir dessa data, para as mercadorias descritas na Resolução Camex mencionada). Em razão da classificação incorreta dos bens importados e por sua falta de licenciamento quando da sua reclassificação tarifária, considerando que na sua descrição, nos documentos de importação, faltaram os elementos necessários à sua perfeita identificação e correta classificação, foi lavrado o AI de fls. 03 a 13 para a cobrança de: a) multa por infração ao controle administrativo das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, no montante de R$ 1.541.631,92 (um milhão, quinhentos e quarenta e um mil, seiscentos e trinta e um reais e noventa e dois centavos), de acordo com o artigo 169, inciso I, alínea “b”, e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003; e b) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, no montante de R$ 35.684,13 (trinta e cinco mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e treze centavos), ao amparo do artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Totalizou o crédito tributário o valor de R$ 1.577.316,05 (um milhão, quinhentos e setenta e sete mil, trezentos e dezesseis reais e cinco centavos), de acordo com o Termo de Encerramento, à fl.42. Ao Auto de Infração, além dos Demonstrativos de Apuração do Crédito Tributário, às fls. 14 a 41, e do Termo de Encerramento, à fl.42, foram anexados: Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 43 a 110, além de cópia das Resoluções Camex nºs 25 e 66/2007, às fls.123 e 124, e dos extratos dos documentos referentes às importações dos produtos, às fls.183 a 465. Há que ressaltar, finalmente, que há dois Autos de Infração (AI), lavrados pela fiscalização da mesma Inspetoria (IRFBHE), contra a mesma empresa, tratando ambos de altofalantes, porém com infrações diferentes, a saber: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.133 4 1) AI objeto do presente processo, nº 10611.002007/201010, do qual constam as mesmas DI que fazem parte do outro processo; o presente lançamento versa sobre a reclassificação dos produtos importados para a cobrança de multa administrativa ao controle das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias (falta de licenciamento), e multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (classificação incorreta). 2) AI objeto do processo nº 10611.002006/201067, do qual constam as mesmas DI abrangidas pelo presente processo, que cobrem a importação de bens reclassificados pelas autoridades lançadoras; mas, além dessas DI, também constam outras, nas quais os mesmos bens foram corretamente classificados pelo importador; esse segundo AI foi lavrado para a cobrança dos direitos antidumping incidente sobre a totalidade dos bens mencionados, acrescidos da multa de ofício de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Intimado, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a sua impugnação, recebida pela DRFVarginha/ MG em 26.10.2010, às fls. 483 a 496 do processo digital, e encaminhada à IRFBHE/ MG, conforme despacho de fl.481, datado de 28.10.2010, acompanhada da seguinte documentação: Contrato Social e documentação relativa à sua representação, às fls. 494 a 508; cópia da Resolução Camex nº 66, de 2007, e do seu anexo, onde é descrito o procedimento de apuração do dumping, às fls. 509 a 513; cópia do trâmite judicial do Mandado de Segurança nº 500135396.2010.404.7208, às fls.514 a 524, que diz respeito às DI nºs 10/08249329 e 10/07622824 (de Itajaí/SC), cuja sentença se encontra às fls. 516 a 519, concedendo a segurança para a não exigência do recolhimento de direitos antidumping relativamente aos produtos constantes dessas duas DI (item 3, fl.518 do processo digital). A argumentação da defendente pode ser assim resumida: 1. Revisão das DI Alegou que a maioria das Aduanas do país, ao final do despacho aduaneiro, no desembaraço, libera produtos tais quais os importados pela empresa autuada, sem a exigência dos direitos antidumping, por entenderem que tais mercadorias se enquadram nas exceções do artigo 2º da Resolução Camex nº 66, de 2007, enquanto outras Alfândegas exigem o recolhimento, não obstante a referida exclusão estar expressa no citado artigo da norma, o que tem causada insegurança jurídica e consequente instabilidade econômica. Que algumas das DI objeto do AI foram selecionadas para o canal amarelo e o canal vermelho, tendo sido desembaraçadas sem exigência alguma, depois de examinada toda a documentação que amparava as importações. 2. Licenciamento e classificação fiscal. Multas 2.1. Falta de licenciamento. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro: Alegou a defendente que, em razão da cobrança dos direitos antidumping não prosperar, “...não há que se falar em licenciamento não automático”(fl.484); “...os produtos importados não são passíveis de aplicação de direitos antidumping, por expressa e manifesta exceção legal” (artigo 2º da Resolução Camex nº 66/2007), não cabendo, portanto, a aplicação de multa administrativa por falta de licenciamento das importações. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.134 5 Descreveu detalhadamente cada um dos modelos dos equipamentos importados (TCS3150, TCS 3252, CT683601, CT683951 e B511ME), à fl.486 do processo digital. A descrição dos equipamentos, segundo a defendente, pode ser assim resumida: sistemas de áudio, constituídos por caixa acústica amplificada com um altofalante tipo subwoofer (ou, dependendo do modelo, composto por três ou seis caixas acústicas, sendo uma amplificada com um altofalante tipo subwoofer), duas caixas acústicas satélites/laterais (ou, dependendo do modelo, cinco caixas satélites), com um único altofalante por caixa, interligados por cabos elétricos, contendo amplificador interno de alta potência, conectores para entrada de fonte externa de sinal de áudio 2.1 (ou, dependendo do modelo, 5.1), compatíveis com DVD, MP3, reprodutor de CD/DVD e microcomputadores (outros modelos apresentam também compatibilidade com MP4, vídeo games, notebooks e aparelhos de televisão); as dimensões das caixas e as potências dos equipamentos variam de acordo com os modelos; todos vêm acondicionados para venda a retalho. Arguiu que, de acordo com a Resolução Camex nº 66/2007, os produtos, objeto da investigação de dumping, foram definidos como altofalantes, montados ou não, importados da República Popular da China, classificados nos códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 da NCM, sujeitos à alíquota específica de US$ 2,35/kg. Todavia, o artigo 2º da citada Resolução excluiu da incidência dos direitos antidumping os altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não fossem de uso em automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Esses são exatamente os “sistemas de som” pela empresa importados, “...destinados a aparelhos de áudio e vídeo, quais sejam, televisões, PSP’S, MP4 players, microcomputadores, notebooks, DVD’s, etc...”, de uso exclusivo em residências, estabelecimentos comerciais ou industriais, e impossíveis de serem utilizados em automóveis e outros veículos terrestres, porque “.. além de requererem alimentação de rede elétrica com 127V ou 220V...”, precisam de tomada elétrica para o seu funcionamentos (fl.489, § 1º, 2º e 3º). Acrescentou, ainda, a impugnante que, corroborando o seu entendimento, foi prolatada Sentença no MS nº 5001.353.2010.404.7208/SC, por ela impetrado, contra ato do Delegado da RFB em Iajaí/SC, que ratificou a liminar e concedeu a segurança “...para que seja dado prosseguimento ao desembaraço aduaneiro das mercadorias da impetrante (DI 10/08249329 e 10/07622824), sem a exigência de recolhimento de direitos antidumping, medida já cumprida pela autoridade coatora, assim como que a autoridade coatora se abstenha, em futuras importações, de efetivar a mencionada exigência quanto à internalização de produtos idênticos aos mencionados nas DI 10/08249329 e 10/07622824...” Frisou, porém, que a apresentação da referida sentença tinha caráter complementar, tendo em vista referirse a outras DI, desembaraçadas em outro Porto, embora dissessem respeito a mercadorias similares e ao mesmo interessado. Ilustrou a defesa, com gravuras de alguns dos modelos dos equipamentos importados (fls.487 e 488). E concluiu, neste tópico, recorrendo ao artigo 5º, inciso II, da CF, que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 2.2. Classificação fiscal incorreta. Multa de 1%: Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.135 6 Alegou a interessada, no que toca às DI nºs 08/11384548, 08/15019950, 08/16871307, 08/18515494, 08/19047915 e 09/05921288, que a fiscalização afirmou que houve a cobrança do valor de R$ 500,00 a titulo de multa por erro de classificação tarifária, embora esse pagamento já tivesse sido feito por parte da impugnante. A fiscalização fez incidir a multa sobre cada uma das mercadorias constantes das aludidas DI, quando deveria ter sido aplicada sobre cada Adição dessas DI. Citou o artigo 711, § 4º, incisos I e II, do Regulamento Aduaneiro de 2009, que dispõe: “Art.711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (...) § 4º Na ocorrência de uma ou mais das condutas descritas nos incisos do caput, em relação a mercadoria distintas, para as quais a correta classificação na NCM seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez e corresponderá a: I um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00; ou II R$ 500,00, quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00” (Grifos acrescentados pela defendente) Apresentou, à fl.493, a tabela, a seguir reproduzida: Arguiu que a tabela mostrou o equivoco do cálculo, no AI, da multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias abrangidas pelas mencionadas seis DI. Acrescentou, ainda, no que diz respeito aos demais valores devidos, em virtude da errônea classificação (relativamente às demais DI), que a empresa impugnante demonstrou “...a boa fé procedimental que norteia todos seus atos...”, recolhendo a quantia remanescente, a titulo de "multa regulamentar", abatida, apenas, do valor demonstrado na tabela mencionada, que flagrantemente foi exigido "a maior". 3. Perícia Por todo o exposto, e considerando, ainda, que a segurança concedida no MS citado (impetrado pela empresa em Itajaí/SC) determinou que a RFB se abstivesse de perpetrar a exigência dos direitos antidumping na nacionalização de idênticos produtos, no futuro, requereu a realização de perícia técnica, para tal apresentando: os motivos, as questões a serem respondidas e o técnico credenciado Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.136 7 (fls.493 a 495), nos termos dos artigos 16, inciso IV, e 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. Encerrou a sua defesa, requerendo: a) que o órgão julgador a acolhesse para julgar improcedente o AI lavrado, relativamente à cobrança da multa administrativa por não licenciamento das mercadorias importadas, uma vez que as mesmas não se sujeitaram ao disposto na Resolução Camex 66/2007, excluídas que foram pelo artigo 2º da norma (alto falantes para aparelhos de áudio e vídeo); b) que fossem corrigidos, no AI, os valores correspondentes à multa de 1% incidente sobre o valor aduaneiro das mercadorias constantes das DI nºs 08/11384548, 08/15019950, 08/16871307, 8/18515494, 08/19047915 e 09/05921288, já recolhidos pela defendente; relativamente às demais DI, ainda no que toca a essa penalidade, que ela fosse extinta, em razão do pagamento efetivado pela interessada; c) que, em razão da controvérsia estabelecida, relativamente às características e utilização das mercadorias importadas, fosse deferido o pedido de realização de perícia, nos termos dos artigos 16, inciso IV, e 18, do Decreto nº 70.235/72.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Altofalantes montados em seus receptáculos, em diversos modelos, tamanhos e potências, próprios para uso em máquina de processamento de dados, apresentandose: um único altofalante por receptáculo e múltiplos altofalantes no mesmo receptáculo, classificamse, respectivamente, nos códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 da NCM/TEC/2007. Infração ao Controle Administrativo das Importações. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, sujeitamse à multa administrativa ao controle das importações, quando incorretamente descritas e/ou com a falta de elementos necessários à sua identificação e correta classificação tarifária na NCM/TEC, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/10/2007 a 19/01/2010 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.137 8 Classificação incorreta. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. A incorreção da classificação das mercadorias, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Revisão Aduaneira. O reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações não caracteriza alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Jurisprudência judicial. Efeitos. O alcance dos efeitos advindos de sentença judicial circunscrevese às partes envolvidas na lide e ao caso concreto julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao desamparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011.” Cientificado do referido acórdão em 7 de novembro de 2012, a interessada apresentou recurso voluntário em 6 de dezembro de 2012, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.138 9 Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Depreendendose da análise do processo, vêse que a lide envolve a notificação recepcionada pela recorrente para a promoção do pagamento de R$ 1.577.316,05, correspondente a multas fiscais, em virtude de que a importação de conjuntos de áudio da China estavam “desamparadas de licença de importação” e, também, por existir, na concepção da i. Fiscal “mercadoria classificada incorretamente na NCM”. A autuação relacionou as Di´s referenciadas no Auto de Infração em epígrafe, uma vez que a Receita Federal ao elaborar o termo de verificação fiscal entendeu serem devidas as referidas “multas”, pelas seguintes motivações: “Mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação ora exigida para todas as Declarações de Importação registradas no período de vigência da Resolução Camex 25/2007 e da Resolução CAMEX 66/2007”. “Como é sabido a Resolução Camex 66/2007 fixa a aplicação de uma medida de defesa comercial – antidumping – sobre as importações de mercadorias classificadas nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por kilograma). [...] a Coleção não recolheu os direitos antidumping ora devidos para as mercadorias importadas e como conseqüência deixou de solicitar a licença de importação obrigatória.” Em respeito à controvérsia, apresentou a recorrente recurso voluntário, a fim de reformar a decisão de primeira instância administrativa. Para melhor elucidar o cerne da questão, importante descrever os pontos trazidos pela recorrente. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.139 10 Sendo assim, quanto ao licenciamento, traz a recorrente que não há que se falar em licenciamento não automático, tendo em vista que pelo art. 9º da Portaria Secex nº 36, apenas poderia haver tal licenciamento em casos de o produto estar sujeito a medidas de defesa comercial – o que para ela não seria o caso. Quanto à aplicabilidade do direito antidumping aos amplificadores para uso em equipamentos diversos de áudio e vídeo, insurge a recorrente que: · a autoridade fazendária entendeu que os mencionados produtos provenientes da China se enquadravam no conceito de altofalantes, sujeitos ao pagamento de direito antidumping imposto pelas Resoluções CAMEX 25 e 66/2007; · a despeito de a importação das mercadorias enquadradas na subposição 8518.21.00 estarem, em regra, sujeitas ao seu pagamento, os produtos importados pela recorrente, em particular estariam em qualquer hipótese excluídos do campo de incidência dessa regra impositiva; · o direito antidumping devido na importação de mercadorias classificadas na subposição 8518.21.00 foi instituído por meio da Resolução CAMEX nº 66/2007, que assim dispôs: “Art. 1º. Encerrar a investigação com a fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por quilograma). Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, pra notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres”. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.140 11 · o Direito Antidumping é devido em regra sobre a importação de alto falantes em geral, ficando a salvo da incidência, excepcionalmente, alguns altofalantes específicos mencionados na referida resolução. · Os equipamentos importados pela recorrente não se encontram dentro do escopo da Resolução CAMEX 66/2007; · Os produtos são, assim como os home theaters, destinados ao uso em aparelhos de áudio e vídeo, não utilizáveis em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, e portanto, não sujeitos à medida antidumping, por expressa exclusão contida no art. 2º da Resolução CAMEX que estabeleceu os direitos antidumping. · Por decorrência desa suposta infração, foi lavrado auto de infração para exigir o valor dos direitos antidumping – que são atualmente discutidos no processo administrativo nº 10611.002006/201067. Ademais, traz também que o único argumento trazido pela autoridade fazendária para corroborar com a determinação de que os direitos antidumping deveriam ser recolhidos sobre as importações dos produtos objeto da presente ação fiscal, referese à suposição de que a aplicação das mercadorias importadas seria exclusiva para computadores. Clarifica a recorrente, no entanto, que as mercadorias importadas pela recorrente não se aplicam exclusivamente a computadores, como deixar transparecer a autoridade administrativa. Sendo que os produtos destinamse à utilização em quaisquer aparelhos que possuam uma entrada P2 fêmea compatível, como é o caso de MP4, Ipods, televisões portáteis e DVD players. Justifica também, trazendo a imagem dos altofalantes a que se refere: Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.141 12 Continuando, ressalta a recorrente que os computadores, notebooks e até aparelhos celulares – os smart phones, também possuem elementos processadores de dados e são, efetivamente, aparelhos de áudio e vídeo, e que nos dias atuais podem ser utilizados para assistirse a filmes, conectarse ao mundo, baixar e ouvir música e receber e transmitir imagens a qualquer lugar do planeta. O que, por conseguinte, enfatiza que para a recorrente afirmar que os computadores não podem ser classificados como aparelhos de áudio e vídeo e que estes são apenas processadores de dados é uma ignorância tecnológica que a realidade desmente por si só. Em relação à alegação da impossibilidade de revisão de classificação fiscal fundada em erro de direito, expõe a recorrente que: · O Auto de Infração exige valores a título de recolhimento de direito antidumping, juros e multa em razão das mercadorias importadas, entre 2007 e 2010, sob a premissa de que estas estariam enquadradas na normativa da Resolução CAMEX 66/2001 e que algumas delas teriam sido classificadas erroneamente no NCM 8518.40.00, e não no NCM 8518.21.00; · Mas, depois de efetuado desembaraço aduaneiro, não pe dado á Administração proceder à revisão da classificação fiscal; · A exigência de recolhimento de direito antidumping, por decorrência de suposto equivoco na classificação fiscal, em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, configura “Mudança de critério jurídico adotado pelo fisco”; · O que conclui que o Auto de Infração não pode subsistir. Quanto à multa por classificação incorreta da mercadoria invocada pela autoridade fazendária, expõe a recorrente: · A fiscalização da receita expôs que houve classificação errônea nos produtos da empresa recorrente, pelo que se faria incidir multa, conforme segue: “As mercadorias descritas como “caixa” de som amplificada” foram classificadas incorretamente na Nomenclatura Comum do Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.142 13 Mercosul na posição 8518.50.00. AS corretas classificações fiscais para os produtos são 8518.21.00, se altofalante único montado em seu receptáculo ou 8518.22.00, se altofalantes múltiplos montados em seus receptáculos.” · E, no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, ainda consta: “Em consulta ao Sistema Sinal 06 da Receita Federal do Brasil foram encontrados recolhimentos relativos a multa acima descrita para quinze Declarações de Importação. [...] Porem, não foram recolhidas todas as multas devidas para as Declarações de Importação objeto deste auto de infração, assim cobrarseá a multa referente ao erro de classificação tarifária [...]” · Mas, a incidência da multa não se pode fazer sobre todas as Di´s referenciadas no auto, conforme reza o § 4º do art. 711 do Decreto 6.759/09; · Considerando que o fiscal fez incidir a multa sobre cada uma das mercadorias, e não sobre a adição da respectiva Di´s, houve equívoco da autoridade fazendária; · Ademais, no tocante aos ouros valores devidos em virtude da errônea classificação, a empresa impugnante vem demonstrar a boa fé procedimental que norteia todos seus atos, recolhendo a quantia remanescente, a título de multa regulamentar, abatida a quantia que se exigiu a maior. Cessadas as alegações trazidas pela recorrente e depreendendose da análise do processo, bem como do acórdão proferido pela DRJ, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal do Brasil, com o intuito de se constatar a correta classificação fiscal da mercadoria importada; Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.143 14 Dentre os quesitos que deverão ser observados no laudo, devem constar, obrigatoriamente a definição de um aparelho de áudio e vídeo e se, dentre ele, se inclui os aparelhos, inclusive, computador, que o produto importado apresenta destinação; se os produto importado constantes das DI´s são de utilização em veículos automóveis, tratores e outros veículos. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 14120.000455/2008-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 04 55 /2 00 8- 39 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 84 2 Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 03/12/2008,Auto de Infração, conforme fl. 03 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2004, ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.502,38 com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou a seguinte infração (fl. 5): 1 – Dedução Indevida de Base de Calculo. Redução indevida da Base de Cálculo com deduções não comprovadas pelo contribuinte, em sua declaração de ajuste. O contribuinte foi intimado, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO MALHA IRPF/2004 de 20/10/2008, a apresentar os comprovantes de PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL, além dos comprovantes de dependência dos seis dependentes utilizados como dedução, sem atender, entretanto, à solicitação efetuada. Dessa forma, estamos lavrando o presente auto de infração, desconsiderando os valores de dedução utilizadas, referentes à pensão, no valor de R$ 6.622,68, além da exclusão dos dependentes Madalena Jacinta Rosa e Alexandre Gonçalves de Castro. (destaquei) Fato Gerador 31/12/2003. Portanto, houve glosa da pensão alimentícia e da dedução com dois dependentes, dos seis que o contribuinte havia declarado (fl. 14). O Termo de Intimação Fiscal está na folha 15, com informação do recebimento conforme sítio eletrônico dos Correios, na folha 16. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 22), onde em suma argumenta que: a) o não atendimento ao Termo de Intimação deveuse a mudança de endereço, ficando a residência provisoriamente desocupada para reforma, pelo que não tomou efetiva ciência; b) apresenta documentos que comprovam o pagamento de pensão no valor de R$ 6.622,68 e a dependência dos seis dependentes declarados. Na folha 12 consta cópia da DIRPF/2004 e na folha 24 cópia do Comprovante de Rendimentos emitida pela fonte pagadora (Ministério da DefesaExército), onde consta “pensão alimentícia” pelo valor de R$ 6.622,68 a Alesir Gonçalves de Castro, mãe de seu filho Alexandre, nascido em 03/03/1982. Na folha 27, consta cópia de determinação judicial decorrente de ação de investigação de paternidade, a fim de que seja descontado em folha de pagamento o correspondente a “20% do líquido percebido” pelo contribuinte, a partir de agosto de 1987. A Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 85 3 partir de junho de 2004, esse valor foi reduzido para R$ 230,00 mensais, conforme determinação da 4ª Vara de Família e Sucessões (fl. 28). Conhecida a manifestação pela DRJ/CAMPO GRANDE, foi assim tratada, em resumo: no que diz respeito à ausência de intimação, tal fato não acarreta a nulidade da notificação de lançamento pois a fase litigiosa, se inicia com a impugnação onde o contribuinte tem acesso à ampla defesa e ao contraditório. Tudo conforme artigo 14 do Decreto 70.235 de 6 de março de 1972. Ao ser cientificado do auto de infração, o contribuinte poderá apresentar sua defesa através da impugnação, o que foi aconteceu no presente processo e não houve qualquer prejuízo para o contribuinte. quanto á dedução com dependentes, Em relação a MADALENA JACINTA ROSA, é mãe do interessado conforme comprovado pela certidão de casamento de folha 27. Além disso, não foi localizada DIRF em nome de MADALENA e não consta nos autos nenhum outro indício de que ela tenha tido rendimentos. Assim, MADALENA JACINTA ROSA deve ser aceita como dependente. Em relação a ALEXANDRE GONÇALVES DE CASTRO, embora seja filho do interessado, não pode ser dependente, pois não pode haver concomitantemente a dedução como dependente e com despesas com pensão alimentícia judicial. Além disso, em caso de filhos de pais separados somente podem ser dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim, ALEXANDRE GONÇALVES DE CASTRO, não pode ser aceito como dependente. quanto á dedução com pensão alimentícia judicial, entendeu que resta comprovado que existe sentença judicial. Quanto aos pagamentos, o interessado não trouxe aos autos os comprovantes de rendimentos mensais para se comprovar o valor descontado referente à pensão alimentícia judicial e que os descontos estão dentro do limite de 20% dos rendimentos líquidos até o mês de maio de 2004 previsto na sentença. A partir do mês de junho é sabido que o valor passou a ser de R$ 230,00 e consta no comprovante de rendimentos e de retenção de imposto de renda retido na fonte (folha 16) um desconto suficiente para arcar com este valor. Não podendo precisar qual o valor correspondente a 20% e sabendose que é, no mínimo, R$ 230,00, este será o valor aceito. Assim, será aceito o valor de R$ 2.760,00 equivalente a 12 vezes de R$ 230,00. verificando ainda que no cálculo do imposto houvera glosa de despesas médicas e com instrução, não descritas no Auto de Infração, tratou de cancelálas. Dessa forma, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em parte a impugnação e manter o crédito tributário exigido apenas de R$ 195,64, com multa de 75%. (fl. 60). Cientificado dessa decisão em 26 de junho de 2010, conforme AR na folha 66, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/07/2010, folha 67. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – entende que está comprovado nos autos que existe sentença judicial determinando o pagamento da pensão. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 86 4 2 – contesta que o valor considerado como dedutível a título de pensão alimentícia e as alegações e fundamentações efetuadas pelo Julgador de 1ª instância nesse sentido. 3 – manifestase também quanto à glosa de despesas médicas e com instrução. Não se manifesta quanto à manutenção da glosa da dedução com o dependente ALEXANDRE, conformandose com o decidido em 1ª instância. Pede que seja acolhido seu recurso para “retificar os cálculos efetuados” e que lhe seja pago o valor de restituição pleiteado na DIRPF, “com juros e correção”. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). A controvérsia restringese à possibilidade de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, glosada da DIRPF/2004 do contribuinte recorrente. Isso porque o contribuinte, como relatado, não se manifestou quanto á glosa do dependente ALEXANDRE, uma vez que, como explicado pela decisão recorrida, sendo o mesmo beneficiário de pensão alimentícia paga pelo Recorrente, não poderia deduzilo como dependente. Também assento que em relação a glosas efetuadas relativas a despesas médicas e com instrução (v. fl 38), o Julgador de piso já as reputou indevidas, uma vez que não foram descritas no Auto de Infração e verificouse um vício, portanto, no lançamento. Então, quanto a isso, não subsiste controvérsia, a autoridade recorrida já determinou seu cancelamento. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 87 5 pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. Nesse sentido, tem se posicionado esta Turma Especial. Vejamos nos vários Acórdãos, à guisa de exemplo: 2801003.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Negado 2801003.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua ex cônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do ano calendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da ex cônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente,... 2801002.836 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 88 6 2801002.925 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de pensão alimentícia na Declaração Anual de Ajuste do alimentante é condicionado à prova inequívoca do cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. 2801002.727 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Voto (...) Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 14), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 32/43. De fato, como diz o recurso, não se discute que o pagamento tenhase dado em decorrência de determinação judicial, o que se observa na folha 27. O que persiste é a discussão em relação ao valor. Quanto importaria “20% do líquido” percebido pelo contribuinte no ano de 2003? Também assiste razão ao Recorrente quanto aponta o equívoco da Autoridade recorrida ao estabelecer como limite dedutível 12 vezes R$ 230,00, pois a redução a esse valor mensal só se deu em meados de 2004, e aqui tratase do ano calendário de 2003. Verifico que conforme o comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, cuja cópia consta da folha 24, no ano de 2003 o contribuinte percebeu R$ 36.968,40, com dedução de previdência oficial de 3.955,44, restandolhe, “líquidos”, R$ 33.012,96. Vinte por cento disso importa em R$ 6.602,59. Destaco uma diferença ínfima ao que foi declarado, R$ 6.622,68 que, no entanto, corresponde exatamente ao descontado pela fonte pagadora, como consta do comprovante emitido, o que o eximiria de qualquer penalidade sobre essa diferença. Considero que a indicação da dedução na fonte do valor da pensão serve como prova do efetivo pagamento. Assim, pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68. Assinado digitalmente Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 89 7 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13588.000203/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002
NA OCORRÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO ESTE DEVE SER CORRIGIDO COM A EMISSÃO DE NOVO ACÓRDÃO.
As inexatidões devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar clara a obrigatoriedade de elaboração de nova decisão de primeira instância, com a ciência do sujeito passivo da decisão e reabertura de seu prazo de defesa, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002 NA OCORRÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO ESTE DEVE SER CORRIGIDO COM A EMISSÃO DE NOVO ACÓRDÃO. As inexatidões devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar clara a obrigatoriedade de elaboração de nova decisão de primeira instância, com a ciência do sujeito passivo da decisão e reabertura de seu prazo de defesa, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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score : 1.0
Numero do processo: 10768.008739/99-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO JUDICIAL.
Não sendo o contribuinte parte de ação judicial em que se discute o direito de isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aplicação financeira procede o reconhecimento do direito de repetir ou compensar imposto retido de beneficiário protegido por ação judicial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 413 1 412 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.008739/9928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.066 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria IRRF Pedido de restituição Recorrente BBM FUNDO DE INVESTIMENTO FINANCEIRO 60 DIAS YIELD Recorrida FANZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO JUDICIAL. Não sendo o contribuinte parte de ação judicial em que se discute o direito de isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aplicação financeira procede o reconhecimento do direito de repetir ou compensar imposto retido de beneficiário protegido por ação judicial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 87 39 /9 9- 28 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 414 2 Relatório BBM FUNDO DE INVESTIMENTO FINANCEIRO 60 DIAS YIELD apresentou Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, fls. 01, vinculado a Pedido de Restituição, fls. 02, de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 25.699,05, recolhido em 02/12/1998, conforme Darf, fls. 03. Tal recolhimento se deu em razão da retenção do IRRF sobre rendimentos auferidos pela Fundação CESP, em decorrência de aplicações financeiras. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro indeferiu o pleito da contribuinte, conforme Despacho, fls. 39/40, sob a alegação de que o Pedido de Restituição teria sido baseado em decisão proferida no curso de processo judicial, para o qual ainda não teria ocorrido o trânsito em julgado e também porque o requerente não seria o contribuinte de fato do tributo. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 43/47, que está assim resumida no Acórdão DRJ/RJOI nº 5.227, de 17/06/2004, fls. 80/85. que a Fundação CESP é associada da ABRAPP, a qual obteve da Justiça decisão determinando que as associadas estavam eximidas, desde 10/03/1998, do recolhimento do IRRF de suas aplicações financeiras; que, em novembro e dezembro de 1998, desconhecendo a decisão, reteve e recolheu o IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos pela Fundação CESP nas aplicações realizadas em seu Fundo; que, em razão dessa retenção, a Fundação CESP requereu a devolução do valor retido e recolhido, considerando que o mesmo foi recolhido indevidamente (carta de fls. 50/51) que, em face do exposto, e com base na carta já referida, foi feito o pleito do reconhecimento do direito creditório; que tem legitimidade para requerer a compensação em questão, já que no momento em que devolveu à Fundação o valor recolhido assumiu o referido encargo financeiro, conforme comprovado pela carta da Fundação e que todas as atitudes que tomou foram realizadas com base na lei e em decisões judiciais, não podendo o mesmo ser penalizado pela impossibilidade de realizar a compensação em questão, ficando com o ônus do imposto. A autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, indeferiu o Pedido de Restituição, em suma, por entender que é vedado o reconhecimento de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 415 3 direito creditório relativo a tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/09/2004, fls. 111, a contribuinte apresentou, em 14/10/2004, recurso voluntário, fls. 114/129, cujas conclusões estão a seguir reproduzidas: VI – CONCLUSÕES E O PEDIDO 55 – Diante do acima exposto, restou demonstrado que: (i) o BBM FUNDO administra fundos de investimento, por meio do qual efetua aplicações financeiras de renda fixa e variável com valores de seus clientes. Dentre os clientes do BBM FUNDO, encontrase a Fundação CESP; (ii) a ABRAPP, associação da qual a Fundação CESP faz parte, impetrou Mandado de Segurança coletivo buscando o reconhecimento da não incidência do IRRF decorrente de aplicações financeiras em renda fixa e variável de seus associados. A liminar foi obtida; (iii) inobstante a vigência da liminar concedida, determinando a não retenção do IRRF, o BBM FUNDO efetuou retenção e recolhimento do tributo quando do pagamento, para a Fundação CESP, de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras em renda fixa e variável; (iv) os Recorrentes arcaram com o encargo econômico desse tributo, conforme inclusive foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Tais recolhimentos de IRRF foram indevidos, pois existe provimento jurisdicional vigente dando de que o tributo não deve ser pago; (v) o BBM FUNDO apresentou pedido de restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos com débitos de terceiro, no caso, do recorrente BANCO BBM S.A.; (vi) as DD. Autoridades Julgadoras indeferiram o pedido de compensação pautandose na (a) insubsistência do crédito reclamado, ao argumento de que o IRRF seria devido, independente da existência de decisão judicial em sentido contrário e (b) inexistência de decisão transitada em julgado, supostamente necessária para dar liquidez e certeza ao crédito a ser compensado nos presentes autos; (vii) contra essa decisão os Recorrentes interpõem o presente Recurso Voluntário, demonstrando que viola diversos dispositivos legais e constitucionais; (viii) encontrase vigente a liminar que reconheceu a inexistência de relação jurídica que obrigue o BBM FUNDO a recolher o IRRF sobre os pagamentos que efetua à Fundação CESP, relativos a rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e variável que administra. Todos os recolhimentos efetuados Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 416 4 a esse título são indevidos e, portanto, passíveis de compensação. (ix) o artigo 170 do CTN (vigente à época da apresentação do pedido de compensação) em momento algum aponta a necessidade de trânsito em julgado de decisão que reconheça o crédito para que se possa proceder à compensação. (x) tanto é assim, que foi editada a Lei Complementar 104/2001, para acrescentar o artigo 170A ao Código Tributário Nacional. Esse dispositivo sim aponta como requisito necessário à compensação o trânsito em julgado de decisão favorável em eventual discussão judicial que discuta o crédito. (xi) contudo, o artigo 170A do CTN não se aplica ao caso dos autos. Isso porque, a discussão judicial cm torno da imunidade dos rendimentos auferidos cm aplicações de renda fixa e variável não é travada pelos Recorrentes, mas sim pela Fundação CESP. Os Recorrentes não mantém qualquer discussão judicial sobre o tema. (xii) além disso, a Lei Complementar n° 104/2001 e, portanto, o artigo 170A no CTN, passaram a viger em 11.1.2001. O pedido de compensação em comento foi apresentado anteriormente, em 11.5.1999. Portanto, a vedação do artigo 170A do CTN não se aplica ao presente caso. (xiii) o E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA firmou o entendimento de que os valores indevidamente recolhidos antes da publicação de lei que modifique a forma de compensação deverão ser compensados com base nas regras em vigor época do recolhimento indevidamente efetuado. Em 20/09/2010, a contribuinte apresentou petição, fls. 405, onde requer a juntada aos autos de cópia do Acórdão nº 930400.143, de 05/05/2009, esclarecendo tratarse de caso análogo, relativo a outro fundo de investimento administrado pelo Banco BBM, onde reconheceuse expressamente o direito de repetição/compensação quanto ao IRRF, nos casos em que o responsável tributário não é parte na ação. É o Relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 417 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a contribuinte possui quatro processos, que tramitam neste CARF, cuja matéria de fundo é a mesma: 10768.008739/9928, 10768.008740/9915, 10768.008741/70 e 10768.008742/9932. O primeiro deles é o processo de que ora se cuida, os três seguintes foram julgados pela Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo que o segundo e o terceiro tiveram seu julgamento realizado em 11/08/2005, sob a relatoria da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, ocasião em que negouse provimento ao recurso. Já o quarto processo foi julgado em 22/02/2006 e deuse provimento ao recurso, funcionando como relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha. Digase, ainda, que no último julgado, ocorrido em 22/02/2006, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti acompanhou o relator e inclusive fez Declaração de Voto, onde esclarece as razões que a fizeram mudar de posicionamento. Acrescentese que houve recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, contudo, confirmouse a decisão assentada no Acórdão nº 10615.342, de 22/02/2006, conforme Acórdão nº 930400.143, de 05/05/2009. Da análise da matéria de que cuida estes autos, resta cristalino tratarse do mesmo caso enfrentado no Acórdão nº 10615.342, de 22/02/2006, e por concordar inteiramente com os fundamentos exarados pelo relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, peço vênia para aqui transcrevêlo, adotando suas razões de decidir para o presente caso: A empresa BBM Brady Fundos de Investimento Financeiro requereu a restituição/compensação de Imposto de Renda retido na fonte sobre aplicações financeiras realizadas pela Fundação Enersul beneficiária de proteção judicial para que dita retenção não fosse efetivada. Diante de comunicação, a respeito de tal proteção, restituiu o valor retido à beneficiária conforme atestado pelo Acórdão recorrido, recaindo contra a recorrente o ônus do valor arrecadado, assim atendido aos requisitos do art. 166 do Código Tributário Nacional, como atesta o julgamento recorrido. Ou seja, o julgamento recorrido atesta que o valor retido indevidamente tornouse ônus da BBM uma vez que reconhecido o impedimento judicial para que a retenção fosse realizada promoveu a entrega do valor retido. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 418 6 Sabidamente, a Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo n° 1, de 24.09.2002, mencionado à fl. 54, que estabelece, verbis: DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, caso o procedimento de oficio, em nome deste. O julgamento recorrido, embora reconheça que o encargo tributário pesa contra a ora recorrente, diante da pendência judicial, da qual não é parte a fonte pagadora, entendeu que deve ser dado este tratamento. Isto é, somente transitado em julgado a ação em favor das afiliadas da ABRAPP pode haver a restituição do valor ao banco. Sendo favorável à Fazenda Nacional, o BBM terá que obter junto à ENERSUL a devolução do valor. Merece destacar, que a fonte pagadora, em princípio, não poderia promover a restituição de valor já em poder dos cofres do Fisco. Vista a falha perpetrada pelo desconto indevido caberia à contribuinte ENERSUL requerer, diretamente, à Receita Federal a repetição do indébito, que poderia indeferir o pedido uma vez que a proteção judicial é para não haver retenção do imposto e não para a restituição, uma vez retido e recolhido. O Banco BBM, contudo, não sendo parte na ação judicial que discute a incidência tributária sobre as aplicações financeiras das entidades ABRAPP, tampouco em litisconsorte, encontrase em situação ímpar. Cabe, destacar acerca da não homologação de compensação realizada pelo contribuinte a edição da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, estabelece: Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em face da orientação normativa, é do conhecimento deste Conselheiro, por julgamento de processo nesta Sexta Câmara, que a Fazenda Nacional vem realizando o lançamento do valor compensado, em processo autônomo, com vistas a prevenir a Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 419 7 decadência do direito de constituir o crédito tributário inclusive com os encargos moratórios. Com o mesmo objetivo, prevenir a decadência, encontramse sob julgamento processos relativos a Imposto de Renda na Fonte que deixou de ser retido por força da liminar à ABRAPP, lançado contra entidades beneficiadas por dita medida judicial. Na situação presente, diante da orientação normativa e legal, art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, e mesmo do Parecer Normativo n° 1, sobre o valor questionado seria possível lançar sobre o mesmo fato tanto à contribuinte, com relação aos valores não retidos por força de medida judicial liminar, quanto ao responsável pelo valor compensado. Esta situação, poderia ensejar a conversão do julgamento em diligência para que fosse informada sobre a existência de lançamento de IRRF contra a ENERSUL com vistas à prevenção da decadência e, ainda, contra à recorrente a respeito da homologação indeferida. Contudo, não se enfrentaria, a meu ver, a questão principal posta no julgamento de primeira instância, qual seja, estar ou não a ora recorrente subordinada à ação judicial da ABRAPP. Nesta Câmara, em matéria idêntica, foi proferido o Acórdão n° 106 14.849, de 11 de agosto de 2005, da relatoria da Eminente Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que se decidiu por unanimidade negar provimento ao recurso tendo por razão os seguintes pontos: (...) Do exposto, observase, que no julgamento também não se deixou com toda clareza a posição da recorrente diante da ação judicial. O meu entendimento é que o BBM não sendo parte na Ação judicial não pode ser submetida ao seu resultado, para só então saber de quem deve obter de volta o valor já entregue tanto à ENERSUL posto que a Justiça definiu não caber a retenção, quanto ao Fisco, recolhido por desconhecer a situação jurídica da beneficiária da aplicação. Considero, pois, aplicável as disposições do Parecer Normativo n° 01/2002, no sentido de reconhecer que a recorrente não estava obrigada a promover a retenção do IRRF, posto amparada em decisão judicial, com base na mesma normativa, à Receita Federal cabia a constituição do crédito preventivo à decadência. Conferindose o recolhimento indevido, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, há que ser promovida a restituição a quem de direito. VOTO, no sentido de DAR provimento ao recurso. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 420 8 Ressaltese que no presente caso, também não há que se falar em legitimidade da recorrente para pleitear a restituição, conforme já assentado na decisão recorrida, fundamentada no documento, fls. 50/51, e que, conforme explicitado no relatório, aqui cuidase de IRRF sobre rendimentos auferidos pela Fundação CESP, em decorrência de aplicações financeiras. Ouso, ainda, acrescentar, que ao caso aplicase o disposto no art. 165, inciso I, do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162 nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Explicase: a recorrente incorreu em recolhimento de tributo indevido, posto que à época em que reteve e recolheu o IRRF sobre os rendimentos de aplicações financeiras da Fundação CESP, havia determinação expressa da Justiça Federal para não fazêlo. Logo, a retenção e o recolhimento foi indevido e caso a recorrente não houvesse devolvido os valores retidos e recolhidos à Fundação CESP estaria incorrendo em desobediência de decisão judicial. Logo, em razão das circunstâncias materiais do fato gerador houve recolhimento indevido passível de restituição, conforme disposto na legislação acima transcrita. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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