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Numero do processo: 11128.006874/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 74 /2 00 9- 05 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13819.002427/2002-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado em 10 de maio de 2002, decorrente do processamento da DCTF do ano calendário de 1997, exigindo crédito tributário no valor de R$ 457.521,19, relativo à falta de recolhimento da Contribuição ao PIS, diante da não comprovação de processo judicial informado em DCTF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 42 7/ 20 02 -4 0 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 12 2 Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que incorreu em erro de preenchimento das DCTF, pois o número da ação judicial é 97.00063046, e não “97.63046”, como informado; requerendo, portanto, o cancelamento do auto de infração, da multa de ofício e dos juros exigidos, por inexistir falta de pagamento do tributo, comprovando, inclusive, a incorreção no número do processo inserto na DCTF através da apresentação de certidão de objeto e pé do processo correto. Ao analisar o feito, a DRJ de Campinas verificou que, de fato, o processo judicial mencionado transitou em julgado em 02 de junho de 2000, e que, quando da ciência do lançamento em 10 de junho de 2002, já havia ocorrido o trânsito em julgado da ação judicial, autorizando a contribuinte a compensar a Contribuição ao PIS com o próprio PIS. Porém, entendeu que a discussão judicial acerca da possibilidade de compensação não é obstáculo à formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício decorrente de revisão de DCTF em que não foi possível confirmar o número do processo judicial nos sistemas informatizados, porquanto o lançamento, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que a exigibilidade do crédito esteja suspensa. Argüiu também que, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois foram objeto de discussão na ação judicial. Asseverou ainda, a DRJ, ser dispensável encaminhar previamente o processo em diligência para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito alegado, tendo em conta que, independentemente de amparo judicial e suficiência do crédito, a multa de ofício não mais prevalece em função da retroatividade benigna de legislação superveniente (art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003) Assim, a DRJ firmou entendimento no sentido de DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada, atentandose para a necessidade de verificar os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial anterior ao lançamento, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança e considerando outros débitos que tenham sido vinculados à mesma ação judicial, verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito reconhecido judicialmente, para fins de compensação com os débitos autuados. Inconformada, a contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, argüindo cerceamento do seu direito de defesa, pois recebeu o Termo de Intimação 0125/2009, de modo conjunto para os processos administrativos 13819.00184/200222 e 13819.002427/200240, requerendose a apresentação de documentos que comprovassem os recolhimentos indevidos feitos a título de PIS de acordo com os Decretos 2.445/88 e 2.449/88, bem como que se elaborasse planilha dos créditos compensados. Destacava a intimação que a ausência de apresentação dos documentos solicitados inviabilizaria a análise do mérito da defesa e redundaria na cobrança de todo o crédito tributário. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 13 3 Assim, tratou a Recorrente de apresentar toda a documentação solicitada. Porém, esta não foi sequer juntada aos presentes autos, o que importou na não apreciação, pela autoridade julgadora, daquilo que se pretendia ser tão relevante para o deslinde da questão. Requer, assim, a nulidade do acórdão da DRJ, em face da omissão quanto aos elementos probatórios trazidos nos autos pela Recorrente. Argüiu ainda que não há que se falar em concomitância entre a ação judicial referida e este auto de infração, porquanto na ação judicial o que se questionou foi a constitucionalidade do recolhimento do PIS nos moldes dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, requerendose o direito de a contribuinte se creditar de tudo o que fora recolhido a este título; e que o que se deve discutir no presente processo é se a execução do procedimento compensatório por parte da Recorrente foi feita corretamente. Destacou ainda que a autuação fiscal foi lavrada justamente por conta de suposta irregularidade no crédito indicado em face da inserção incompleta do número do processo judicial onde houve o reconhecimento desse direito. Requer, assim, que seja anulado o acórdão da DRJ. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente obteve o trânsito em julgado em 2 de junho de 2000, dois anos antes do presente lançamento, reconhecendo o seu direito de compensar os valores indevidamente pagos a título de PIS nos moldes dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 com créditos desta mesma contribuição e, com base nessa decisão judicial, exerceu o seu direito. Em face de um erro meramente formal da Recorrente, o qual restou esclarecido e comprovado no curso do processo, através da juntada da documentação requerida pela própria Administração Fazendária, a autoridade administrativa simplesmente deixou de exercer o seu dever de analisar detidamente a compensação realizada, muito embora seja o sujeito que possui competência para esse mister. Não há, deveras, como se admitir a negativa de cumprimento do teor de uma decisão judicial transitada em julgado. O Direito não abraça essa situação. E ao manter o lançamento de um débito que foi objeto de compensação autorizada judicialmente, sem que haja qualquer apreciação da regularidade do procedimento compensatório a este atrelado, estar seá diante da discrepante situação em que o pronunciamento judicial está destituído de qualquer força normativa vinculante, ao arrepio do princípio contido no artigo 5o., inciso XXXVI, da Constituição Federal. Justificar a manutenção do lançamento à prejudicialidade da questão judicial sobre a administrativa importa em admitir a cobrança de valores compensados com base em decisão judicial transitada em julgado autorizadora dessa compensação. Justificativas dessa natureza representam a vontade do agente administrativo em sobreporse às decisões judiciais, o que é defeso ocorrer. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 14 4 Portanto, partindose da premissa de que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, e que esta deve ser examinada pela autoridade administrativa (tendo em vista que tratase de atividade diretamente ligada ao lançamento tributário), é de competência privativa da autoridade administrativa a homologação do crédito compensado em declaração do contribuinte, a teor do artigo 142 do CTN. Ora, no caso presente, a decisão judicial transitada em julgado reconheceu o direito da Recorrente efetuar a compensação tributária prevista no artigo 66 da Lei no. 8.383/91, por intermédio de lançamento na escrita e anotação da compensação na DCTF entregue. Por essa razão, possui a Recorrente o direito de que sua compensação seja averiguada. Apenas após essa análise é que os débitos, caso a compensação não seja homologada, podem ser cobrados. O que se deve ter em vista, no presente processo, é se a execução da decisão judicial, pela Recorrente, foi realizada de forma regular, e, nesse caso, possui o condão de extinguir o débito compensado. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para fins de apurar o direito creditório decorrente da Ação Judicial no. 97.00063046, transitado em julgado, e havendo o direito creditório, verificar se os créditos são suficientes para a extinção dos débitos objeto do presente auto de infração. Após, abrase prazo para o contribuinte se manifestar acerca da diligência. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10665.722826/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Luiz Roberto Domingo Presidente em exercício.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Luiz Roberto Domingo – Presidente em exercício. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe (fls. 03 a 10), instruído pelos demonstrativos (fls. 11 a 22) e termo de verificação fiscal e seus demonstrativos (fls. 25 a 34), referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2010. A multa de oficio aplicada, no percentual de 75%, foi dividida em duas partes: uma calculada sobre o IPI apurado e outra sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .7 22 82 6/ 20 12 -1 3 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 4 2 Foram apuradas as seguintes infrações, conforme descrição do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal: (i) 001 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Vendas de produtos sem destaque de IPI. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas no Anexo 05 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012, do qual foram excluídas, para efeito de autuação, as de nº 28634, 28726, 38548, 40272, 40273, 50572, 54394, visto ter o contribuinte comprovado o lançamento do imposto em notas fiscais complementares. (ii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo o entendimento fiscal, após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte no procedimento fiscal, ficou caracterizado que a classificação fiscal adotada pelo estabelecimento industrial na saída do produto denominado “Laminado plano” estava em desacordo com a Tabela de Incidência do IPI – TIPI, por inobservância da Nota 1, alínea K do Capítulo 72, visto que foi indevidamente classificado como “Barras”. A classificação adotada pelo contribuinte foi amparada em laudo técnico produzido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos Anexos 01, 02 e 03 ao Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 (o anexo 03 foi modificado para exclusão de operações não caracterizadas como vendas de produção própria, conforme demonstrativo de nº01). (iii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo entendimento fiscal, ocorreu também a saída de produtos descritos como “Tarugo”, com classificação de “Barras”. Foi considerado pela fiscalização que a classificação fiscal seria 7211.1300 e 7211.1400, ambas relativas a ‘laminados planos, por estarem os produtos dentro das especificações da Nota 1, alínea K do Capítulo 72 da TIPI.. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos no Anexo 04 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 e no demonstrativo de nº 02. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 5 3 Cientificada do lançamento de ofício, a autuada, por meio dos procuradores regularmente constituídos apresentou sua impugnação, na qual, em síntese, alega que: (i) o Fisco reconstituiu a escrita fiscal, fazendo incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, conforme relação e cópias em anexo, gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04; (ii) o entendimento da fiscalização consistiria numa frontal violação ao disposto no artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 08/02/2006, que estabeleceria que as “Barras” classificadas na posição “72.14” tiveram sua alíquota reduzida a zero. Citou o resultado de um laudo de avaliação por ela solicitado junto ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. Afirma que a distinção entre ‘laminados planos’ e ‘barras chatas’, não pode se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do capítulo 72 da TIPI, por existir grande diferença entre os “Aços longos – barras chatas” e os “Aços planos”, e que, enquanto esses são utilizados na sua maioria na linha de fabricação automotiva e de eletrodomésticos, aqueles são utilizados na construção civil, o que, inclusive, teria sido o fator determinante para que o Poder Executivo tivesse reduzido sua alíquota a zero por meio do citado Decreto nº 5.697, de 2006. Socorreuse do art. 98 do Código Tributário Nacional para invocar a aplicação da Normatização da Siderurgia para paises do Mercosul, NM 182:99, que definiria “Barra chata”. (iii) quanto ao anexo 4, embora a mercadoria tenha sido descrita como ‘tarugo’, tratase de “barras chatas”, que, incorretamente, foram descritas de forma diversa (tarugos) nas notas fiscais de saída, e ratifica e reitera todos os argumentos expendidos no item anterior. (iv) quanto ao anexo 5 (infração 001), a impugnante concorda que realmente houve equívoco, incorrido quando da implantação do novo sistema de computação “SAP”. (v) contesta o lançamento da a multa de ofício, alegando confisco, e a aplicação da regra do art. 138 do CTN, por entender que mesmo que o valor do imposto não tenha sido lançado na nota fiscal, há, relativamente a cada período em que os créditos superam os débitos do imposto, uma denúncia espontânea da infração, uma vez que o valor do imposto, embora não lançado na nota fiscal, é pago por meio de abatimento dos créditos do período correspondente. A 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0943.684, de 30 de abril de 2013, por unanimidade de votos, julgando procedente o lançamento. A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde apresenta as seguintes alegações: (i) o lançamento sobre as notas fiscais canceladas, por não ter concretizado nenhuma transação comercial, não incidindo o IPI sobre as mesmas. Requer a realização de diligência para comprovação dos fatos alegados; (ii) a classificação dos produtos como “laminados planos”, afirmando que a sua Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 6 4 distinção entre “barras chatas” não poderia se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do Capítulo 72 da TIPI; e (iii) a aplicação indevida da multa prevista no caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64, no caso de IPI não lançado nas notas fiscais, mas coberto com crédito do imposto. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Preliminarmente devemos apreciar a assertiva da Recorrente, também trazidas na impugnação, de que Fisco, em sua reconstituição de ofício da escrita fiscal, fez incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, em relação aos documentos relacionadas em sua impugnação (fls. 1399 a 1401) e anexadas (fls. 1402 a 1510), gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04. Sobre tal ponto, o órgão julgador a quo assim se manifestou: Na documentação apresentada pela impugnante, só se percebem cópias de uma das vias de cada nota fiscal, com aposição de um lacônico carimbo com o dizer “cancelado”. Ora, restando ausentes as demais vias, bem como a declaração do motivo que determinou o cancelamento, não há como se aceitar a argumentação de cancelamento aduzida pela autuada. Ou seja, o cancelamento das notas fiscais em tela restaria caracterizado com a demonstração de que todas as vias das referidas notas continuaram conservadas no bloco ou sanfona de formulários contínuos, com a declaração, em todas, do motivo do cancelamento, condição que não se evidencia nos autos. Com efeito, a impugnação mostrase destituída de supedâneo jurídico probatório do cancelamento alegado pela impugnante, persistindo, então, a consideração de tais notas na reconstituição de ofício da escrita fiscal. A Recorrente alega que o cancelamento das notas fiscais emitidas eletronicamente são autorizadas pela Fazenda Estadual e sob fiscalização desta, pelo não possuía a Recorrente meios de anexar à sua impugnação os “blocos” ou “formulários contínuos” de todas as vias das referidas notas, alegando ainda que tal fato poderia ter sido constatado em procedimento de diligência fiscal. Entendo que a questão merece ser melhor esclarecida, com a efetiva apuração da ocorrência ou não do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais alegadamente canceladas. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 7 5 Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora apure a ocorrência do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais relacionadas pela recorrente às fls. 1399 a 1401 e anexadas às fls. 1402 a 1510, de forma a comprovar o efetivo cancelamento das mesmas, com análise de sua escrita fiscal e contábil, elaborando um parecer conclusivo acerca da alegação da recorrente de incidência de tributação de IPI sobre notas fiscais canceladas, e demonstrativo de cálculo, no caso de apuração de lançamento indevido. Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 24 de abril de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 13831.000495/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 31 .0 00 49 5/ 20 07 -1 1 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.076.7969, , em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 02 e seguintes, no decorrer do procedimento fiscal, foi constatado que a empresa deixou de informar nas GF1P's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A. Previdência Social , as remunerações dos contribuintes individuais, Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, período 01/2002 a 05/2007 e Anibal Ventura Gonçalves Almeida, período 01/2006 a 05/2007, ambos sócios administradores da empresa, conforme contrato social e alteração contratual. Desta forma, a empresa deixou de informar corretamente todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212 de 24/07/91, também acrescentado pela Lei n° 9.528 de 10/12/97 combinado com o art. 225, IV, § 4 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06.05.99. Como a empresa não informou as remunerações dos sócios nas GFIP's, folhas de pagamento e também não exibiu a contabilidade, as remunerações dos segurados contribuintes individuais foram arbitradas conforme prescreve o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212 de 24/07/1991; o artigo 233 do Decreto n° 3.048 de 07/05/1999 e a Instrução Normativa n°03, de 14/07/2005, artigos 596 e 597. No período de 01/2002 a 12/2003, para apurar a remuneração de Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, foram considerados os rendimentos atribuídos A sócia, informados na Declaração Anual Simplificada — PJ , exercício 2002 e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003. No período de 01/2004 a 05/2007, na ausência de outros elementos, foi considerada para a base de cálculo, a maior remuneração paga a empregados da empresa, verificada nas folhas de pagamento. Desta forma foi apurada também a remuneração do sócio Anibal Ventura Gonçalves Almeida, no período de 01/2006 a 05/2007. Os empregados que receberam as maiores remunerações e que serviram de parâmetro para a apuração das contribuições devidas foram: Junio César Ferreira, período 01/2004 a 09/2004 e Dirceu Carvalho Ramon , período 10/2004 a 05/2007. A empresa fez opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES em 21/12/1998, data de sua constituição. Em 01/01/2002 foi excluída do sistema, dado este, verificado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/10/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 33 a 34, onde alegou: Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 4 3 declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732 1 , de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. Ademais, a Impugnante, por erro do fisco, se assim é que podemos dizer, com a devida vênia, pagou os impostos pelos SIMPLES ate 12/02, contrariando a própria decisão que a teria excluído, não podendo, portanto, transferir o erro a parte mais fraca e vulnerável da relação jurídicatributária, conforme discriminado pela SRF no documento em anexo (DOC. 1). A Impugnante sempre teve um baixo faturamento.Porém, foi excluída de forma inconstitucional, porque o que era ã época um grande faturamento, acima do teto previsto, se tornou um pequeno faturamento, já no SUPER SIMPLES, demonstrando, o reclamo da população das iniquidades do sistema. Ademais, o fato de ter tido uma sócia que possuia participação em outra empresa, digase minima, sem direito a atos de gestão, comparecendo ao ato como esposa do cotista majoritário apenas para satisfazer a legislação comercial, por meio do empréstimo de nome, mantendose a unicidade e comunhão interesse familiar em comum, não demonstraria concorrência desleal, ou infração ã lei, capaz de desvirtuar o principio da igualdade, principio este fundamental e criador do SIMPLES, a ensejar a sua exclusão. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 56 a 66. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2007 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fato geradores de contribuições previdenciárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdencidrio deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de faze10 em outro momento processual. salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 5 4 No processo administrativo fiscal, considerase não formulado o pedido de diligência/perícia, quando o requerente não apresenta justificativas para o pedido ou não formula quesitos referentes aos exames desejados. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. Desnecessária perícia, uma vez que o lançamento se deu com base em descumprimento de requisitos da lei especifica. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. vedado à Administração Pública o exame da Legalidade e Constitucionalidade das Leis. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. A não correção da falta constitui óbice à concessão da atenuação/relevação da multa. Autuação Procedente com Manutenção da Multa. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 58 a 62, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. Verificase que, por medida de justiça fiscal, a r. decisão, ora guerreada deverá ser reformada integralmente em favor do contribuinte, anulandose a NFLD em testilha, tendo em vista que a matéria de direito discutida em questão no que concerne o prazo qüinqüenal para a formação do credito tributário previdenciário se extingue no prazo de 5 anos e não no de 10 anos, à partir do fato gerador do tributo Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732,de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. 2. Portanto, nulificado o ato, deixase, conseqüência, de existir a obrigação tributária exigida em tela, posto que os seus efeitos somente poderão atingir os atos futuros, à partir da nova decisão administrativa ou do novo ato declaratório excluindo a recorrente do SIMPLES, e estando a empresa inativa há mais de anos, nada mais deve ao Fisco em sede de obrigação principal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl.70. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte dos AI de Obrigação Principal lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, mas, os quais não foi possível identificar a correlação direta com o presente AI, quais sejam: DEBCAD Nº 37.076.7985, 37.076.8000, 37.076.8027, 37.076.8035 e 37.076.8051, conforme descrito do TEAF, sendo que não se identificou decisão final a respeito da mesma nos sistemas do CARF. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado da referida NFLD Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca das AIOP conexo(s). Caso as referidas AIOP já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas definitivamente deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada AI, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto de infração de obrigação acessória em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé Relatora
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 03 57 3/ 20 08 -8 8 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 13 2 No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASE indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.8,41.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos "; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 14 3 tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, noscálculos .realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a aliquota de 5%; em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 15 4 .1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680); b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.54 0066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 16 5 Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. . Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) — ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 17 6 houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908. 1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10920.906270/2012-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 70 /2 01 2- 40 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11070.001821/2006-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2002,2003,2004,2005,2006
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador.
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF).
O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício.
A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS.
A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2002,2003,2004,2005,2006 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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TERMO INICIAL. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). E REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O MPF é um ato que te natureza interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 21 /2 00 6- 50 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 915 2 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EFEITOS. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização e na prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 916 3 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A partir da Representação Fiscal para fins de Exclusão do Simples, fls. 0107, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006, fl. 439, com efeitos a partir de 01.07.2001, por embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 12, incisos II e V do art. 14 e inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Autos de Infração I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 445463 com a exigência do crédito tributário no valor de R$160.821,51 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 917 4 na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343; e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 154 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Item 2 Omissão de receitas de atividade pelo cálculo dos tributos pelo regime de tributação pelo lucro arbitrado dos valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e inciso II do art. 530, art. 532, art. 536 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 464482 com a exigência do crédito tributário no valor de R$73.080,80 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 483499 com a exigência do crédito tributário no valor de R$337.299,55 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 500519 a exigência do crédito tributário no valor de R$120.616,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 918 5 Instauração do Litígio Cientificada em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512, a Recorrente apresentou a impugnação em 26.12.2006, fls. 532637, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: As faltas supostamente verificadas que ensejaram o Ato de Declaratório de Exclusão do SIMPLES e os lançamentos dos preditos tributos, não obstante os louváveis esforços da digna Autoridade de Fiscalização, não subsistem, desmerecendo prosperar, em virtude de incontáveis aspectos, dentre esses, com destaque para os seguintes: a) nulidade da ação fiscal e do Processo Administrativo Fiscal por diversos fundamentos. b) ilicitude e nulidade da prova documental que serviu de base para os lançamentos praticados. c) ausência de fundamentos capazes de permitir a exclusão da Impugnante do SIMPLES. d) inexistência de rendimentos não oferecidos à tributação e/ou acréscimo patrimonial a descoberto, além de inviável a exigibilidade, no caso concreto, de quaisquer dos tributos lançados. e) ainda que supostamente existissem motivos para a fiscalização, não haveria créditos tributários a serem exigidos, as bases de cálculo apuradas seriam inadequadas e ilegais, além de todos os demais elementos que formam os atos administrativos impugnados, diante de vícios e ilegalidades, de modo a não procederem sob múltiplos fundamentos. f) em síntese, quanto aos motivos de fato e de direito em que se fundam as pretensões da Impugnante, esses passam pelas diversas nulidades do Processo Administrativo Fiscal, com amparo nos múltiplos fundamentos adiante alinhados, irretroatividade e do princípio da anterioridade e seus efeitos, da insubsistência dos lançamentos por afronta ao artigo 5°, caput e incisos II e LIV, combinados com artigo 170, caput e incisos I a IX (especialmente este), além do seu § único, todos da Constituição Federal, e várias outras normas jurídicas, inexistência de tributos devidos, Declarações Anuais Simplificadas incólumes e seus efeitos, imposições diversas e vedadas sobre uma mesma e única base de cálculo, comprovação da origem da receita tributada e sua declaração já realizada pela Impugnante na época correta, inexistência de lançamento válido com base em documentos obtidos sem amparo na legislação vigente, inexistência de "fato gerador" dos tributos lançados, multas (nulidades e outras questões), além de necessária exclusão ou redução, juros/taxa Selic— ilegalidades e efeitos. Essas e tantas outras questões paralelas fulminam de vez, na íntegra, o Auto de Infração em tela, juntamente como todos os lançamentos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) operados contra a Impugnante. Em relação à nulidade do lançamento, diz que o prazo de fiscalização foi excedido ilegalmente e ainda: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 919 6 A existência de vícios, por menor que se apresentem, seja no procedimento de fiscalização, seja no ato de lançamento, de natureza formal ou quanto ao conteúdo que envolvem, gera a pronta nulidade de tais atos jurídicos. [...] No nomeado Mandado de Procedimento FiscalMPF, além de outras normas lhe albergadas, foi incluído um elemento de crucial importância, sobretudo no caso em exame. Qual seja: o prazo de validade do mandato. [...] A disciplina jurídica, bem como a natureza do mencionando Mandado de Procedimento FiscalMPF, decorrem se sua própria base legal, consoante preceitos antes invocados a respeito da fiscalização e do lançamento, que, inclusive, lhe servem de fundamento legal. Aqueles como normas primárias sobre a matéria, enquanto as aludidas Portarias, em complemento e integração de tais preceitos, como normas secundárias. Nessa perspectiva, é que a natureza do retrocitado Mandado de Procedimento FiscalMPF, ao lado de sua disciplina normativa, passaram a estabelecer normas de plena eficácia e, principalmente, condições de procedibilidade para a fiscalização. Ou mais objetivamente: para a fiscalização ser considerada válida. O desrespeito a uma dessas condições que seja, e no presente caso ocorreu quanto ao prazo de execução do MPF que foi extrapolado sem correspondente prorrogação —ou, pelo menos, prorrogação válida — implica em nulidade de todos os demais atos subseqüentes praticados, de vez que ilegais e sem amparo normativo, contrapondose à inflexível legalidade a que se subordinam, enquanto partes da atividade plenamente vinculada que consiste tais práticas fazendárias. Conforme se observa dos autos, o Mandado de Procedimento FiscalMPF n° 10.1.08.002006001448, de 18 de abril de 2006, e que deu início e autorizou a fiscalização contra a Impugnante, estabeleceu como prazo máximo para sua execução, a data de "16 de agosto de 2006". A renovação de tal Mandado ou prorrogação de seu prazo, não pode ser por mais uma vez e, ainda, em elastério de tempo que supere aquele inicialmente previsto. Também não foi a Impugnante, como requisito imprescindível à validade da fiscalização e demais atos praticados pelo órgão autuante depois de tal data, notificada, na forma da lei, de uma eventual prorrogação de tal prazo. [...] Ante o exposto, requer a Vossa Senhoria se digne acolher a preliminar argüida, consoante seus termos, para reconhecer e decretar a nulidade da (i) ação fiscal em todos os seus termos ou, então, (ii) da comunicação sobre renovação e/ou prorrogação de prazo do Mandado de Procedimento FiscalMPF questionado — se houve —,bem como e independente dessa ocorrência, do processo administrativo em exame, além de todos os seus atos praticados a partir de 16 de agosto de 2006 e, ainda, especialmente, dos lançamentos praticado contra a Impugnante, em todas as suas exigências. No que se refere ao não atendimento aos pressupostos de validade do lançamento argui que: A movimentação circunstancial, transitória, efêmera e irrelevante de valores pelo contribuinte, e que à luz do Direito Financeiro até poderia ser conceituada como "receita" em acepção meramente contábil, nunca, jamais sequer como "receita" em sua acepção financeira, enquanto significante de "aumento de patrimônio", como é assente na doutrina, não exerce qualquer pertinência para o Direito Tributário. E, o que é mais importante: nunca, até por impossibilidade fenomênica ou normativa, se insere no conceito de renda, muito menos é, ou pode Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 920 7 ser, considerada como "fato gerador" de renda. Tampouco ser tida ou qualificada como "lucro" nem como "faturamento", de modo que, no caso concreto, não representa o critério material de quaisquer dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS). Essas premissas, e que antecedem ao exame de mérito quanto aos lançamentos direcionado à Impugnante, foram rotundamente desconsideradas pela ilustre Autoridade Fiscal, eivando de nulidade, ainda no plano prévio e formal, o processo administrativo ora em pauta. Não se trata apenas de uma verificação da existência ou não de "fato gerador". Tratam as questões adiante levantadas, isto sim, de violências mais amplas e de efeitos que se projetam não só sobre a existência ou não de fato gerador, mas, sobretudo, sobre a regularidade e validade do próprio Processo Administrativo Fiscal. [...] Diante dos fundamentos ora reiterados, e singelo exame dos elementos carreados nos autos, cumpre destacar, como fatores determinantes das nulidades apontadas, os seguintes: a) o procedimento administrativo (principalmente na fase de fiscalização), não observou a forma que dele se exige, isto é, com prática de atos vinculados sob a estrita legalidade, a impedir, tanto a eleição de fato gerador fictício em detrimento da Impugnante, assim como a deliberada e nefasta omissão sobre a exigência fiscal e suas causas, a fim de que, então, a Impugnante, naquela oportunidade, pudesse tanto atender às intimações lhe endereçadas, como exercer sua defesa; b) o não deferimento do prazo mínimo e necessário para que a Impugnante promovesse o atendimento, no que possível das informações e documentos lhe exigidos [...], nem fosse esclarecida, antes, tanto de que sofreria arbitramento e seria excluída sumariamente do SIMPLES, bem revela o quanto foi prejudicada em sua defesa e nos efeitos econômicofinanceiros atentatórios ao direito de propriedade nessas circunstâncias sem amparo legal perpetraram os lançamentos e demais atos sancionatórios lhe dirigidos; c) por ocasião dos lançamentos, e como ali consta, diante da precária e insuficiente descrição/motivação desse, principalmente no que tange à multa imposta e sua gradação, de vez que na aplicação de qualquer penalidade a lei determina que a Autoridade Fiscal descreva e fundamente tais aspectos, até para se aquilatar se os fatos jurídicos em que se baseia, assim como se os fundamentos/motivação para aplicação de uma penalidade mais severa efetivamente existem e se aplicam ao caso, além de que regras legais pertinem à situação jurídica versada. Nada existe nos lançamentos, nesse particular. Como conferir validade a um Processo Administrativo Fiscal nessas condições, em aberto prejuízo à Impugnante? Em suma, tais causas de nulidade, vão bem além daquelas previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72. Por força do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, para decretar a nulidade do Processo Administrativo Fiscal em referência, em todos os seus atos e termos. Atinente à ocultação e não apresentação de provas, menciona que: No caso vertente, em que os lançamentos efetuados se fundaram nos diversos documentos colhidos pela Autoridade Fazendária mediante (i) quebra indevida e Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 921 8 desnecessária do sigilo bancário e, o mais grave, (ii) de forma ilícita e sem autorização do Poder Judiciário, além de ter havido, apesar do requerimento formulado com tal objeto, (iii) a negativa de cópia do procedimento administrativo, em na época em que pleiteada. Quando passaram a ser de acesso da fiscalização ou, ao depois, integrar o procedimento fiscalizatório, e em cada uma dessas ocasiões, exigiam, sempre, em respeito aos princípios da ampla defesa, do devido processo legal e, em especial, do contraditório, a devida e prévia ciência dessa utilização à Impugnante, juntamente fornecimento de cópias do procedimento administrativo, até para que, se fosse o caso, pudesse complementálos ou contraditálos. Nada disso ocorreu. Essas omissões, infringentes da obrigação de apresentar todas as provas ao fiscalizado, e utilizadas pela autoridade fiscal, atestam a nulidade os Auto de Infração de Lançamentos lavrados, e de resto de todo o processo administrativo tributário. [...] Diante do explicitado, requer o acatamento da prefacial em referência, com a decretação da nulidade do Processo Administrativo Fiscal, em sua totalidade. Sobre a falta de prazo para execução da fiscalização e quebra do sigilo bancário, afirma que: O artigo 196 do Código Tributário Nacional fixa prazo para a ação fiscal e sua conclusão, o que jamais foi cumprido no caso vertente e, mais, tal morosidade se agravou diante da quebra indevida do sigilo bancário, razões quais pelas, também sob essa ótica, a nulidade do processo administrativo é latente, já que incorreu, pelas circunstâncias, em velada ilegalidade. Referente ao cerceamento do direito de defesa, aduz que: Também é patente o cerceamento de defesa ocorrido, em amplo prejuízo da Impugnante — veio a ser duramente sancionada —, tanto (i) por não ter recebido de forma específica e delimitada as solicitações lhe dirigidas, assim como lhe assegurado, antes, o prévio conhecimento do objeto e finalidades que as motivavam, a par das circunstâncias que poderiam aquelas legitimar, quanto (ii) ao ter negado o prazo requerido para, se tivesse então condições, e fosse o caso, atender tais solicitações, notadamente porque todas as demais que estiveram dentro de suas possibilidades e alcance foram devidamente atendidas, consoante atestam as várias informações e documentos em tantas vezes, no curso da investigação fiscal, ao Fisco levados pela Impugnante. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se digne acolher esta e as demais nulidades levantadas, uma a uma, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o Processo Administrativo Fiscal, bem como tornando insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados. Concernente à ilicitude da prova relata que o sigilo bancário tem proteção constitucional e ainda: A Impugnante teve seu sigilo bancário quebrado e violado por ato administrativo, exarado a bel talante da Autoridade Fiscal, consoante descreve o Relatório de Auditoria Fiscal que serve de sustentação aos lançamentos levados a efeitos, ao final. Pertinente à nulidade da RMF justifica que não restou caracterizada a justa causa para o procedimento e ademais: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 922 9 A Autoridade Fiscal signatária dos malsinados Mandados Administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (i) não se fizeram preceder da necessária e fundamentada decisão administrativa que suas expedições, se fosse o caso e permitisse a ordem jurídica vigente, poderiam provocar e (ii) não delimitaram as requisições promovidas estritamente às informações imprescindíveis ao objeto e necessidade da investigação fazendária em curso, permitindo, nesse excesso e desvio de finalidade, não só a obtenção de tais dados em desacordo com seus requisitos de validade, quanto verdadeira devassa na intimidade e demais direitos e garantias da Impugnante, em que pese insuscetíveis de tais transgressões nas referidas circunstâncias. [...] No caso vertente, nem um dos dois pressupostos foi atendido. Não havia processo instaurado contra a Impugnante, e sim mero procedimento fiscalizatório recém iniciado, limitado, à época, tãosomente a auditar o IRPJ. Já nessa oportunidade — nem depois — foi apresentada uma única prova de que aquele meio — quebra do sigilo — era o único possível para se atingir os objetivos fazendários. O pressuposto da indispensabilidade, portanto, também não foi atendido. [...] A requisição administrativa de movimentação financeira, ao violar tanto normas processuais como de direito material, incorre em nulidade absoluta, posto que a quebra do sigilo financeiro da Impugnante foi indevida, já que (a) órfão da imprescindível decisão autorizativa, na forma exigida pelo ordenamento jurídico, (b) limitada a mera e írrita requisição determinada por autoridade sem competência para tanto, (c) sob inexistente motivação, (d) desamparada da prévia prova de indícios por parte do Fisco de autoria e materialidade e nem sequer haver necessidade demonstrada e (e) com inobservância de várias normas constitucionais e legais, além daquelas ditadas pelo critério da proporcionalidade. Nessas circunstâncias, todos os elementos que servem de base e sustentação aos lançamentos questionados, foram obtidos, quando da quebra indevido do sigilo bancário em violação à intimidade e ao sigilo de dados, direitos tutelados constitucionalmente (art. 50, incisos X e XII, da CF), bem como em velado desrespeito à cláusula do devido processo legal (art. 5º, LV, CF), caracterizandose, portanto, como prova ilícita. [...] Respeitante à requisição e quebra do sigilo bancário para além do objeto e limites da fiscalização enfatiza que: Não obstante tenha havido requisição administrativa das informações financeiras/bancárias da Impugnante, aludida circunstância em nada confere licitude à prova que sustenta os lançamentos impugnados. Pelo contrário: conforme asseverado, a prova obtida nas referidas circunstâncias mostrase veladamente ilícita. [...] Na quebra do sigilo bancário da Impugnante não se observou a legislação que norteia a questão. [...] Ante o exposto, requer a Vossas Excelências se dignem acolher a preliminar em tela, para reconhecer e decretar as nulidades levantadas, em todos os seus aspectos e sob seus múltiplos fundamentos, fulminando por inteiro o processo administrativo, bem como decretando nulos e/ou insubsistentes os lançamentos nessas condições realizados, com base em prova ilícita, a par do reconhecimento desta mácula. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 923 10 No que diz respeito à exclusão do Simples interpreta que o ato administrativo correspondente é inválido pois: O detido exame da Representação Fiscal destinada à exclusão da Impugnante do SIMPLES e Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21 de novembro de 2006, subscrito pelo AFRF matrícula n° 8627, aquela acolhendo, com efeitos retroativos a 1° de Julho de 2001, atesta, desde já, a invalidade da exclusão promovida. Essa decorre de dois fundamentos inquestionáveis: (a) a nulidade do procedimento que levou a referida exclusão da Impugnante do SIMPLES e ao simultâneo sancionamento a partir dessa premissa, mediante arbitramento do "lucro" e lançamento dos vários tributos então considerados exigíveis, porquanto em desacordo e violência ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa e (b) a nulidade do Ato Declaratório de exclusão, por desatender requisitos essenciais que lhe seio ínsitos. A invalidade do procedimento administrativo que levou a exclusão da Impugnante do SIMPLES, por si só e por provocar a invalidade também do Ato Declaratório sob igual eiva, por derivado daquele, implica ao final, em igual conseqüência: (i) o restabelecimento da tributação pelo SIMPLES, sem solução de continuidade e, por prejudicados, (ii) a insubsistência dos lançamentos tributários dirigidos à Impugnante, desprezando esse regime jurídico de tributação ao qual submetida e sob direito subjetivo de sua titularidade. [...] Em primeiro lugar, o Ato Declaratório espancado, desbordando até mesmo da Representação Fiscal da qual deriva, se funda em suposto "não atendimento dos requisitos legais para opção [do SIMPLES]", quando tal motivo jamais foi cogitado nos autos, até porque informado pela própria permanência da Impugnante em tal sistema durante vários anos, sem jamais ter apontado qualquer desatendimento nesse plano. Até porque os sempre atendeu. De qualquer modo, ao não guardar a imprescindível congruência com a Representação Fiscal e o que consta dos autos, nem apontar em que consistiria tal desatendimento, desatende os requisitos da motivação, finalidade, formalidade e causa. Em segundo lugar, também se mostra desprovido dos requisitos da competência, motivação, formalidade e causa. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar aventada, consoante seus termos, para (i) decretar a nulidade do procedimento de exclusão da Impugnante do SIMPLES, em todos os seus termos e, independente dessa, também a nulidade do Ato Declaratório que aquela veicula e, ainda, (ii) a conseqüente nulidade e/ou insubsistência dos lançamentos tributários direcionados à Impugnante, desconsiderando sua regular situação enquanto tributada pelo Simples. A respeito dos motivos do ato de exclusão, quais sejam: embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária esclarece que não restaram caracterizados porque: Ao contrário do que sem sucesso tenciona sugerir, a Impugnante, desde o primeiro momento, mediante contínuo e intenso esforço, a cada notificação/intimação recebida foi ao Fisco e, sempre que possível, o atendeu. É incontroverso nos autos: nenhuma intimação ficou sem resposta, ainda que, por vezes, a Impugnante viesse a pelejar, no exercício regular de direito e dentro do que lhe conferem as mais comezinhas garantias constitucionais, pela necessária dilação Fl. 926DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 924 11 de prazo. Prazos aqueles, quando alvos de pleito ampliativo, totalmente inviáveis de cumprimento, seja pela exigüidade e insuficiência de tempo, seja pela ausência de especificação e clareza quanto ao objeto das pretensões que veiculavam, seja por impossíveis de atendimento diante de tais objetos, como serve de exemplo — com tamanha eloqüência — aquele concedido para que a Impugnante "justificasse" milhares de lançamentos/registros bancários, que foram vários volumes dos autos e envolvem muitos anos, inclusive de mais de uma agência, quando esta, inclusive por direito legal e constitucional incontroverso nos autos (e admitido pelo Fisco) sequer tinha e tem obrigação de manter escrituração contábil. [...] Em resumo e ao contrário da acusação esgrimada, não praticou nenhuma "irregularidade", sejam aquelas apontadas pelo Fisco ou não. Nem seriam ou são essas, de qualquer forma, eficazes e aptas o bastante para permitir a exclusão do Simples, nem a tributação mais extensa da Impugnante, por essa via inadmitida. Deverá, por conseguinte, ter restabelecida a sua permanência nesse sistema. [...] Em suma: a Impugnante jamais causou embaraço à fiscalização fazendária, nem transgrediu, em momento algum, a legislação do Simples ou qualquer outra. Muito pelo contrário: sua regularidade durante anos, sem qualquer autuação, é a prova candente do estrito cumprimento da legislação atinente ao programa simplificado de recolhimento de tributos em testilha. A improcedência da exclusão é corolário a ser respeitado, pelo que desde logo requer, conjuntamente com os demais pleitos sobre esse assunto formulados. [...] No caso em exame, com muito mais razão, a exclusão deverá ser rejeitada, posto que [...] a Impugnante nem em tal prática sequer incidiu. Diante do explicitado, requer o cancelamento da exclusão ora espancada e eventuais exigências dessa decorrentes. No que tange à falta de motivação e comprovação da ocorrência da infração acrescenta que: O Ato Declaratório em foco veicula normas restritivas de direito subjetivos assegurados à Impugnante, o que faz dele, com muito mais razão, um ato administrativo com validade condicionada à ampla, clara e precisa fundamentação. Não atendendo aludido requisito, sua nulidade é patente e, portanto, reclama pronto cancelamento. No que toca ao ônus da prova estabelece que não houve a necessária apresentação prévia do conjunto probatório por parte do Erário. Defende que, a finalidade da legislação é: [...] incentivar as pessoas jurídicas mencionadas em seus incisos com a previsão de carga tributária mais adequada e passível de atendimento, facilitação e simplificação dos procedimentos e obrigações burocráticas, protegendo as micro e pequenas empresas e retirandoas do mercado informal. [...] A sanção traduzida na exclusão da Impugnante do SIMPLES, mediante acusação de transgressão às disposições legais e normativas listadas no Ato Declaratório impugnado, não pode ser definida nessa simplista e cômoda postura. Concernente a mudança de critério jurídico de forma retroativa expõe que: Eventual exclusão da Impugnante do Simples, se confirmada, implicará sua sujeição cogente a um dos regimes de tributação previstos para o caso (lucro Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 925 12 presumido ou lucro real). Sem contar que, agora e por meio das autuações sofridas, já está sob impacto daquela mais gravosa possível: o lucro arbitrado. Essa alteração do critério jurídico a que até então compelida ao cumprimento de suas obrigações fiscais e tributárias, não pode, por força da garantia da irretroatividade das normas, além da anterioridade ao demandar o recolhimento de tributos em valores, bases de cálculos e alíquotas que até então não tinha o dever constitucional ou legal, importar em retroação. [...] Diante do explicitado, e aventando para a hipótese remota de mantida sua exclusão do Simples, requer a Impugnante, então, (a) sejam os efeitos da exclusão e conseqüente sujeição às exigências daí decorrentes, restritos ao exercício financeiro imediatamente subseqüente àquele em que sobrevier decisão final definitiva (última, depois de exaurida, na forma do Processo Administrativo Fiscal, a esfera administrativa) decretando citada exclusão ou, então, (b) a partir desta data, sempre sem incorrer em qualquer retroação. [...] Nesse contexto, impensável a pretensão esboçada pelo Fisco, qual seja a de retroagir a situação do excluído do SIMPLES à data de sua opção ou, ainda, qualquer outra que não seja àquela em que, segundo as normas do Processo Administrativo Fiscal, reflita a decisão final e definitiva na esfera administrativa. Falece, portanto, legalidade à pretensão fazendária, nos termos em que destinada à Impugnante, no tocante à alvejada retroação de efeitos ao Ato Declaratório de exclusão. [...] Diante do exposto, em caso de mantença da exclusão refutada, sejam seus efeitos aplicados, consoante pretensão pela ordem mais favorável à Impugnante, tão somente a partir (a) do exercício financeiro subseqüente àquele em sobrevinda a decisão final e definitiva pela exclusão ou, então, (b) do mês imediatamente posterior a esta ou, por último, (c) do exercício financeiro subseqüente aquele em que expedido o Ato Declaratório questionado, ou seja, no caso concreto, então a partir de 01/01/2007. Pertinente ao efeito suspensivo da apresentação regular da peça de defesa aduz que: Ratificando a procedência da presente defesa, fundamentalmente quanto ao termo inicial dos efeitos do Ato Declaratório (se mantido) e/ou à possibilidade de regularização de eventuais infringências havidas, como suficiente à permanência no Simples, a Impugnante, amparada no entendimento jurisprudencial administrativo adiante colacionado, pugna, ainda, pelo respeito ao efeito suspensivo que a presente defesa enseja [...]. Em razão do exposto, requer seja conferido e respeitado o efeito suspensivo que a presente defesa provoca, até decisão final e definitiva a respeito da exclusão debatida, afastandose os efeitos do ato administrativo que a veiculada, até referida decisão final. Respeitante à tributação mais favorável e a inviabilidade do “reformatio in pejus” sustenta que: Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher a presente impugnação, juntamente com a documentação inclusa, conferindolhe efeito suspensivo, para, ao final: (a) decretar a nulidade e/ou acatar a inconsistência e improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 23, de 21 de novembro Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 926 13 de 2006, mantendo a Impugnante no SIMPLES, sem qualquer solução de continuidade ou, em caso de entendimento diverso, (b) então, entre as alternativas nesta peça defendidas, limitar os efeitos da exclusão àquele termo inicial que se mostrar mais favorável à Impugnante, expungindo a retroação acenada e/ou exigências de qualquer natureza sobre período pretérito, bem como excluindo quaisquer penalidades e, ainda, deferindose as demais pretensões pela Impugnante nesta peça deduzidas e, outrossim, para (c) se surgir ou remanescer por força do arbitramento havido, dependendo do que doravante se decidir, situação ou possibilidade mais favorável à Impugnante que o restabelecimento do SIMPLES, então aquele manter incólume, se for o caso e em tais aspectos — mais favoráveis — e, independente dessa questão, (d) restringir a incidência e tributação pelo SIMPLES, quando e se for caso, com base no antes expendido, ao faturamento e aos percentuais acima indicados, correspondentes e aplicáveis à espécie. Relativamente à decadência dos tributos lançados aduz que “frente ao expendido, requer o cancelamento de todos os lançamentos (e respectivos importâncias) cujos "fatos geradores" precedem a 23/11/2001, porquanto fulminados pela decadência.” No que diz respeito à adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado afirma: Ante o exposto, requer a desconstituição dos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS ou, então, relativamente aos dois últimos, sejam esses, quanto à base imponivel, limitados ao percentual de arbitramento utilizado para o IRPJ (9,6%) ou, por fim, restritos e refeitos para incidir exclusivamente sobre o faturamento da Impugnante (o resultado de suas revendas de mercadorias) consoante provado nos autos ou, então, consoante provar a fiscalização, sob citada materialidade da hipótese de incidência, sem computar para tanto, à evidência, meros depósitos bancários. Atinente à nulidade e insubsistência dos lançamentos informa que: Diante dessa ingerência e atos praticados, inclusive com pleno aproveitamento e tomado como base para os lançamentos perpetrados em seguida à expedição do Ato Declaratório Executivo em comento pelos dois ilustrados Auditores Fiscais com competência para ação fiscal em referência, acabaram todos eles, por diferentes motivos, extrapolando suas respectivas competências no caso em apreço. Aquele ao intervir e participar indevidamente, porém de forma direta e decisiva, das atribuições e atos afetos com exclusividade a estes últimos, os quais eram, tão somente eles, os responsáveis pela referida investigação fiscal, tal qual consta, inclusive com referida limitação, nos Mandados de Procedimentos Fiscais e documentos correlatos contidos nos autos. Os executantes do referimento procedimento eram, igualmente, apenas referidos Auditores Fiscais. Estes últimos, diante dessa realidade, estavam impedidos de permitir a participação daquele, seja substituindo o trabalho desses, seja realizando outros afetos a eles, e ao final aproveitado para promover a autuação da Impugnante. [...] Diante do expendido, requer o acolhimento da preliminar em questão para decretar a nulidade e/ou a insubsistência dos lançamentos realizados relativamente ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com seus consectários. No que tange aos lançamentos efetivados em desacordo com as normas de regência relata que “tais esclarecimentos não se faziam necessários e, então, a quebra de seu Fl. 929DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 927 14 sigilo bancário e a busca e a apreensão realizadas foram comprovadamente frutos de excesso de poder, de arbitrariedade representativa de ilicitude”. Concernente à falta de individualização dos depósitos bancários afirma que o procedimento está eivado de ilegalidade: [...] a) não especificou a fiscalização, quais os documentos e/ou equipamentos que pretendia apreender; b) não individualizou sequer quais deles versavam sobre os tributos que iria investigar, estes nem sequer apontados, quanto mais os períodos alvos da fiscalização em relação a cada uma de tais exações; c) não declinou também a finalidade da prova e sua respectiva relação com os alvos da investigação, relativamente a cada tributo que poderia fiscalizar e d) não listou as circunstâncias pelas quais poderia, naquele momento, afirmar a existência dos documentos pretendidos [...]. No que toca à quebra do sigilo bancário além do objeto e limites da fiscalização o que gera excesso representativo de ilegalidade do qual decorre o cancelamento dos lançamentos enfatiza que: Consoante comprovam mandados administrativos de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira sob nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00 2006000026, o limite dos informações possíveis de serem endereçadas à fiscalização estava, em julho de 2006, assim fixado: a) o período objeto da fiscalização era 07/2001 a 12/2005; b) enquanto o tributo objeto da fiscalização, nesse período, era apenas o IRPJ. Porém, excedendo sem validade esses limites, a requisição realizada, a ação fiscal e os lançamentos daí decorrentes não respeitaram a restrição quanto ao tributo alvo de investigação, no período indicado. [...] Diante do expendido, requer a declaração da insubsistência, ou, então, da nulidade, de todos os lançamentos realizados nos autos do Processo Administrativo Fiscal em epígrafe ou, em caso de entendimento contrário, então daqueles que não fizeram parte do objeto da fiscalização definido pelo Mandado de Procedimento Fiscal acima indicado, com os devidos cancelamentos. A respeito da vedação de lançamento com base em depósitos bancários cita que: Além de depósitos bancários não significarem fatos geradores de quaisquer tributos, a tolher todo lançamento a partir ou com base neles pretendidos, conquanto desamparados de validade, inclusive depois da edição da Lei n° 9.430/96, posto que não serve esta para alterar os conceitos de renda — nem da realização de operações de crédito — e de fato gerador da obrigação principal colhidos nos artigos 43, 113, § 1º e 114, do Código Tributário Nacional, este com status de Lei Complementar e, portanto, prevalecentes sobre a regra veiculada na referida Lei Ordinária, ao pretender, sem aptidão, tais conceitos, inclusive o de renda, este enquanto signo representativo de necessário acréscimo patrimonial, contornar. [...] Mesmo que fosse admitida, em tese, a tributação com base nos depósitos bancários, deveria ainda o Fisco, obrigatoriamente, proceder o arbitramento da pretensa renda com base nesses e naquela supostamente consumida, com a imprescindível comprovação desta ocorrência e mais, necessariamente, então, lançar com base na situação mais favorável ao contribuinte, o que não fez, desviandose de sua atividade vinculada. [...] Fl. 930DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 928 15 Diante do expendido, e tendo havido lançamentos com base em depósitos e documentos bancários, em todos os processos administrativos antes especificados, portanto sem qualquer validade, requer a decretação de tal inconsistência, com cancelamento das respectivas exigências tributárias e seus consectários. No que concerne aos limites da competência tributária e à falta de provas para verificação da ocorrência dos fatos geradores aduz que: Depósitos bancários não são "renda", no conceito normativo desta, nem representam "lucro", muito menos "faturamento". Não se pode, ainda que através de Lei Ordinária, alterar o conteúdo e o alcance de tais conceitos, mormente para, em violência à regra do artigo 110 do Código Tributário Nacional, ampliar a competência tributária, rígida e exaustiva, outorgada à União Federal pela Carta Magna vigente. [...] Ante ao expendido, novamente requer a desconstituição dos lançamentos impugnados, por força dos citados fundamentos, em destaque a ausência de ocorrência concreta do fato jurídico correspondente à materialidade da hipótese de incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Impugnante exigido. [...] Ainda que assim não se entenda, ainda que relativamente ao IRPJ e a CSLL, dada a natureza jurídica dessas exações e correspondentes possibilidades quantificativas, se tolere o arbitramento realizado a partir de indevida e injurídica "presunção" alçada a partir de meros depósitos bancários não representativos de quaisquer "receitas" da Impugnante, é igualmente certo que os lançamentos relativos a Cofins e ao PIS, assim como a exclusão da defendente do Simples, dadas as diversidades normativas e fáticas que os cercam, comprovadamente não se sustenta. Não encontra base legal ou constitucional. [...] Meros "depósitos bancários" não são, nunca foram, nem serão faturamento. Não há competência tributária constitucional para se tributar depósitos ou movimentação bancária, pura e simplesmente. [...] Portanto, os lançamentos realizados quanto a COFINS e ao PIS, ao buscarem suporte em normas inaplicáveis ao caso versado, bem como ao tomarem meros e irrelevantes depósitos bancários como critérios material e quantitativo (base de cálculo) das referidas contribuições sociais, quedamse inconstitucionais, ilegais e, no que mais interessa, comprovadamente improcedentes, a ensejar pronta e total desconstituição. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da Cofins, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Diante do explicitado, pugna pelo afastamento da contribuição do PIS, no que exceder o conceito de faturamento, este à luz da outorga constitucional de competência prevista no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, e conjugado com o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, assim entendido como o resultado obtido da venda de mercadorias e serviços, com a exclusão dos valores correspondentes a meros depósitos bancários. [...] Fl. 931DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 929 16 O ônus de provar a realização da materialidade da hipótese de incidência (o fato jurídico em todos os seus elementos), assim como da presença dos demais substratos necessários aos lançamentos, é da fiscalização, nunca do contribuinte. E aquela, como visto, de tal encargo não se desincumbiu. A Impugnante, por sua vez, encartou aos autos farta e hábil documentação endossando suas alegações, de sorte a inviabilizar, também nesse âmbito, aludidas exigências tributárias. A conseqüência é a insubsistência dos referidos lançamentos, conforme desde já requer. Referente às exclusões a serem promovidas suscita que: Além e independente dos vários excessos nesta defesa já listados, os lançamentos incorreram em outros tantos, ora indicados. São eles: (a) falta de dedução dos valores relativos ao faturamento declarado — Declarações Anuais Simplificadas — naqueles considerados tributáveis para fins dos lançamentos do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, juntamente com a extirpação da soma de tais valores promovida em desamparo legal e verdadeiro bis in idem; (b) falta de dedução dos valores recolhidos pela Impugnante durante o período alvo dos lançamentos, sob a sistemática do SIMPLES, conforme atestam os respectivos comprovantes — Anexo F; (c) falta de exclusão, na apuração dos "depósitos bancários" tidos por não comprovados, de todos os lançamentos bancários e respectivos valores referentes às transferências entre contas/ag., cheques "internos "/administrativos/AI, depósito de cheques emitidos pela mesma pessoa jurídica, bem como aplicações financeiras e seus resgates, devidamente refletidas nos extratos bancários contidos nos autos, por não significarem qualquer acréscimo e sim mero deslocamento de valores nas contas do mesmo titular [...]. Sobre as múltiplas sanções, aplicação cumulativa com base em uma única e inaceitável presunção, afronta aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, devido processo legal, vedação ao confisco, capacidade contributiva e da legalidade tributária e readequação ao limite tolerável que se impõe procura demonstrar que: Dentre as sanções cumulativas impostas à Impugnante sobressaem: (i) arbitramento do "lucro" — e não se diga que este não tem natureza de sanção, a qual se confirma no próprio acréscimo de 20% sobre os valores devidos com base no lucro presumido, por exemplo —; na penalidade de 20% sobre a base de tributação possível por outros regimes de tributação assegurados ao contribuinte, como por exemplo o lucro real e o lucro presumido; (ii) no lançamento de vários tributos com base em mera presunção fundada em simples e irrelevantes depósitos bancários; (iii) na exclusão do SIMPLES; (iv) na imposição de tributação muito mais gravosa do que aquela resultante do SIMPLES e valores por esta sistemática plena e corretamente satisfeitos; (v) nos efeitos retroativos colimados na exclusão do SIMPLES; (vi) no Arrolamento de Bens e Direitos praticados por força de lançamentos que não se sustentam; (vii) na aplicação de multa de oficio, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores considerados devidos; (viii) na exigência da multa de oficio, mediante anatocismo, bis in idem e aplicação de penalidade sobre penalidade quando incide sobre os percentuais adotados para o arbitramento já majorados pela sanção de 20% (vinte por cento), a despeito de vedada tal prática. [...] Diante do exposto, requer o afastamento dos excessos apontados, para excluir (i) a aplicação de sanção sobre sanção — multa de 75% sobre o percentual majorado do arbitramento, (ii) a multa de oficio em questão, adotandose a de mora no equivalente a 20% sobre eventuais diferenças devidas, (iii) a penalidade de 20% por cento afeto ao arbitramento, ajustando, sem esse acréscimo, a tributação pelos percentuais do lucro presumido, se mais remanescer mais favorável que outros Fl. 932DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 930 17 pleitos defendidos pelo contribuinte, (iv) as penalidades aplicadas com base na presunção referida, (v) restabelecer o Simples, nas condições e limites sustentados pela Impugnante. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita o cancelamento do arrolamento de bens, já que o benefício da dúvida lhe é proveitoso. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer a vossas excelências se dignem acolher o presente impugnação, dandolhe provimento para: (a) acolher as preliminares argüidas, consoante seus termos e, ainda, principalmente para decretar as nulidades apontadas, uma a uma, ou, então, no mérito, (b) restabelecer o SIMPLES sem solução de continuidade e/ou alterações ou, então, acolher as demais pretensões nesse âmbito formuladas, (c) julgar na íntegra insubsistentes todos os lançamentos objeto do Auto de Infração e Lançamentos em questão, com a exclusão dos respectivos valores e tópicos nesta peça contrariados ou, caso porventura não seja esse o entendimento, (d) afastar todas as inconstitucionalidades, ilegalidades, excessos e erros declinados, com o devido ajuste de valores e delimitação da exigência fiscal em tela e seus acréscimos, consoante forma e parâmetros nesta peça indicados, (e) cancelar e/ou adequar o Arrolamento de Bens e Direitos em ocorrendo quaisquer das hipóteses acima mencionadas e, em qualquer caso, (1) se admitida mais de uma possibilidade de decisão favorável à Impugnante, prestigiar, dentre as autorizadas, aquela que lhe for mais vantajosa. Termos em que p. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: “Lançamento Procedente em Parte”: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11070.001821/200650, ACORDAM os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado: 1) Rejeitar as preliminares arguidas pelo impugnante; 2) Indeferir a solicitação da interessada, mantendo o despacho do Senhor Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo, RS, que excluiu a interessada do SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO n° 23, de 21/11/2006, considerando os efeitos da exclusão a partir de 01/11/2001; 3) Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devendo ser cancelados os seguintes valores: a) R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b) R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c) R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 931 18 d) R$3.501,40 a título de Cofins, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. 4) Julgar procedentes os lançamentos da multa de oficio no percentual de 75% e dos juros de mora regulamentares, que devem ser aplicados sobre os valores mantidos. 5) Determinar que os valores recolhidos a título de Cofins, na sistemática do Simples, do período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$849,51, sejam considerados quando da quitação da contribuição lançada, como pagos sob procedimento fiscal. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. A emissão do MPF Complementar para ampliar a abrangência da fiscalização inicialmente prevista no MPF Fiscalização não enseja nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto ri° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. A AMPLA DEFESA E O CONTRADITÓRIO Os elementos que demonstram a efetivação do devido processo legal estão presentes in casu, pois a partir da lavratura do auto de infração, foi assegurado ao contribuinte o amplo direito de defesa, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a final decisão a ser proferida na esfera administrativa. EXTRATOS BANCÁRIOS. PROVA LÍCITA Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 932 19 Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA DO PIS, DA COFINS E DA CSLL O direito de proceder aos lançamentos dessas contribuições extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os créditos poderiam ter sido constituídos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão sistemática de receitas representadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada caracterizase como prática reiterada de infração à legislação tributária, situação suficiente para exclusão da empresa do SIMPLES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do SIMPLES pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática, que, no presente caso, começa a partir de 01/11/2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO A Pessoa Jurídica excluída da sistemática do SIMPLES que não possui escrituração regular do Diário e Razão ou Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, é tributada mediante o arbitramento do lucro. OMISSÕES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da não ocorrência da infração. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 933 20 A multa de oficio é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de oficio, não podendo ser reduzida ao percentual de procedimento espontâneo. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo dispensada. LANÇAMENTOS DECORRENTES Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 10.10.2007, fl. 782, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.11.2007, fls. 783910, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. A Recorrente apresentou em 29.05.2013 o aditamento ao recurso voluntário em Petição às fls. 0108 (Anexo) suscitando que: I DO CASO CONCRETO E DAS DETERMINANTES DE INCLUSÃO EM PAUTA E DO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA REQUERENTE 1. O Processo Administrativo Fiscal em referência ingressou nesse órgão de julgamento em 09/11/2007, quando ainda denominado Conselho de Contribuintes. 2. Apesar do longo tempo transcorrido, de congregar arrolamento de bens da empresarequerente e de em seu favor ter se firmado a jurisprudência dos tribunais superiores, o Recurso Voluntário que interpôs ainda não foi incluído em pauta. Nisso, ampliamse os danos conseqüentes e sobra vedada demora no desfecho do caso, cuja solução definitiva vem ditada pelas normas de regências, elementos dos autos e disciplina normativa de atuação do CARF na situação versada, causa desta intervenção. 3. A questão central debatida nos autos reside na ilícita quebra do sigilo bancário da requerente, com obtenção de prova igualmente ilícita e outras conseqüências próprias dessa situação, das quais se destaca a nulidade dos referidos atos e provas, e com ela o direito da requerente de ser mantida no "Simples" sem solução de continuidade e ter cancelados/desconstituídos os lançamentos tributários e "créditos" neles veiculados, sob vícios insanáveis. 4. A cizânia causadora desse desiderato tem origem na invalidade dos atos fazendários praticados (especialmente a quebra do sigilo bancário e com ela a colheita de prova ilícita) com base na da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 62), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. 5. Contudo, em 15/12/2010, quando do julgamento do RE nº 389.808PR, provido por maioria de votos, o plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, em Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 934 21 decisão vinculativa do CARF, encerrou a celeuma exatamente nos termos defendidos pela requerente e a favor dela, impondo inteira observância, sem mais delongas. 6. É o que postula nesta intervenção, motivada pela falta de iniciativa do CARF em assim providenciar. II – DO DIREITO [...] 7. Esse entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF assumiu definitividade na questão em debate, quanto seus ministros, a partir de então, decidemna de forma monocrática (art. 557, do CPC). 9. Justamente por isso, em decisão monocrática publicada em março de 2011, a Min. Carmen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604. [...] 10. Desde então nada mais ha para se discutir nessa questão, e sim dever do Fisco de, com rigor e imediatamente, seguir o entendimento retro, do Supremo Tribunal FederalSTF. 11. No mais, a conveniência e o dever do CARF em respeitar, aplicar e fazer cumprir aludido entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF são incontroversos, estatuídos pelas próprias normas sob as quais opera e/ou por ele e pela União editadas nessa seara. [...] Em suma: desde o julgamento do RE nº 389.808PR deve o CARF não só observar a diretriz firmada pelo STF na questão debatida, como também deixar de aplicar as disposições da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 (em particular seu art. 6º), regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e assim também deste ato infralegal, bem como, por conseqüência, respeitar e fazer cumprir tais comandos, nos moldes e para os fins e efeitos defendidos pela requerente nesta petição e em seu Recurso Voluntário, com pretensões nessa linha pendentes de acolhimento, a ser promovido com a devida celeridade. [...] 12. Além das decisões e fundamentos antes colacionados, também amparam os pleitos da requerente, dentre outras, as normas seguintes: a) art. 125, inciso I do CPC e 5º, caput inciso I, da CF porquanto, tendo o plenário do STF decidido pela invalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pelos Órgãos fiscais, sem prévia e especifica autorização judicial, com conseqüentes ilicitude da "prova" colhida nessa situação e nulidade dos lançamentos tributários realizados com base nela, tal qual ocorre no caso concreto, a solução inescusável e definitivamente firmada é e deve ser exatamente igual para todos os contribuintes, em respeito a isonomia prevista nos referidos preceitos normativos. Portanto, a inclusão em pauta do Recurso Voluntário da requerente e correspondente e pleno provimento, nos termos antes indicados, figura imperativo, sem qualquer outra demora; h) art. 557, § 1ºA, do CPC aplicase no caso concreto para ensejar o provimento de plano do Recurso Voluntário da requerente, inclusive por decisão monocratica de lavra do digno Relator, corolário da jurisprudência definitiva do Supremo Tribunal FederalSTF (muito mais do que "jurisprudência dominante") Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 935 22 infirmar a decisão impugnada pelo referido recurso, apontando solução oposta à combatida na citada insurgência recursal; c) art. 5º , inciso LVI, da CF os atos administrativos praticados pela Receita Federal (exclusão do "Simples" e lançamentos tributários conseqüentes) com base em prova Ilícita são nulos de pleno direito, com conseqüente insubsistência deles e dos "créditos tributários" constituídos com ditos vícios; d) arts. 5º , inciso II, 37, caput e 150, inciso I, da CF em razão dos atos administrativos censurados no Recurso Voluntário, além de nulos, afrontarem todos e cada um dos invocados dispositivos constitucionais, caracterizando tributação desamparada, ilícita e insustentável, a ser de pronto cancelada; e) art. 5º, inciso LIV, da CF de vez que, por força do sustentado no Recurso Voluntário e nesta missiva, os atos administrativos impugnados e os "créditos tributários" constituídos por lançamentos também inválidos, são reprochados pelo devido processo legal, além de atentarem contra as garantias e direitos fundamentais da empresa contribuinte, em particular o direito de propriedade; f) art. 5º, inciso LXXVIII, da CF a contribuinterequerente tem a garantia constitucional da "razoável duração do processo" com os "meios" que garantam celeridade na sua tramitação, o que, por si só, confere a solução ora defendida. Vem ela obrigatória, com muito mais razão, quando a ilícita e indevida demora em sua adoção constitui causa de danos materiais e morais ampliados no tempo. III CONCLUSÃO Como demonstrado de forma sólida, farta e conclusiva, sob qualquer ângulo de análise, a solução a ser empreendida no caso concreto, com a devida brevidade, é a defendida pela Requerente. Do contrário, além de ferimento ao plexo normativo invocado, haverá afronta ao interesse público, expondo o erário a efeitos e ônus financeiros cuja ocorrência o CARF tem dever e condições de evitar. ANTE O EXPOSTO, requer a Vossa(s) Excelência(s) o recebimento desta manifestação, inclusive como aditamento ao Recurso Voluntário interposto, para, observando as normas antes colacionadas e o entendimento retro firmado pelo plenário do Supremo Tribunal FederalSTF, desde logo: (a) entranhála nos autos para que produza seus jurídicos efeitos, (b) incluir em pauta e prover aludido recurso, nos seus termos e pretensões, (c) de modo a restabelecer a permanência da requerente no "Simples" sem solução de continuidade (ou reincluíla nesse sistema de tributação, com iguais efeitos e abrangência temporal apontada) e (d) cancelar/extinguir os lançamentos tributários contra ela praticados, (e) juntamente com os "créditos tributários" por eles constituídos. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo, vale esclarecer no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF1. 1 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 936 23 A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está no Supremo Tribunal Federal (STF) em Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP de relato do Ministro Relator Ricardo Lewandowisk, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 2. Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225> .Acesso em: 09 fev.2014. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 937 24 No que se refere à possibilidade jurídica de proceder ao julgamento do recurso voluntário cabe esclarecer que os autos contêm o procedimento de acesso pela RFB aos dados da movimentação financeira da Recorrente, por meio de RMF dirigida à instituição financeira, sem prévia autorização judicial, questão esta discutida no âmbito do Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo STF 3. Com a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, foram revogados os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Por conseguinte, o efeito de sobrestar o julgamento do recurso voluntário com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte foi afastado e assim o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente aduz que os valores recolhidos a título de Simples devem ser considerados. Em relação aos valores recolhidos a título de Simples, o enunciado da Súmula CARF nº 76: “na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.” Está registrado no Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 187.744, de 17.09.2007, fls. 746781: Dos valores a serem cancelados a) decorrentes dos efeitos da exclusão do SIMPLES a partir de 01/11/2001 Como visto, os efeitos da exclusão do SIMPLES devem se dar a partir de 01/11/2001 e não a partir de 01/07/2001, como definido no Ato Declaratório Executivo (fl. 433). Assim, a receita apurada referente ao mês 10/2001, não deve integrar a base de cálculo do arbitramento do lucro do 4° trimestre de 2001, para fins de apuração do IRPJ, e, por decorrência, das contribuições do PIS, COFINS e CSLL. Os valores que devem ser cancelados são os seguintes: IRPJ — período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 9,60% x 15% = R$970,61 CSLL —período de apuração: 4° trimestre de 2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 12,00% x 9% = R$727,96 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > e <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>.Acesso em: 09 fev.2014. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 938 25 PIS —período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 0,65% = R$438,12 COFINS — período de apuração: 31/10/2001 Receita do mês 10/2001 = R$ 67.403,68 x 3,00% = R$2.022,11 b) decorrentes dos recolhimentos feitos na sistemática do SIMPLES O contribuinte alega que a autuação não deduziu os valores recolhidos sob a sistemática do SIMPLES, juntando para tanto, os comprovantes de fls. 642 a 664. A autoridade fiscal deve considerar os valores dos tributos e contribuições recolhidos referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada no curso da fiscalização, inclusive na hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES. No presente caso, como se vê dos DARF — SIMPLES anexados às fls. 642 a 664, o contribuinte recolheu 3% sobre as receitas declaradas, que segundo o art. 23, inciso I, "a" da Lei n° 9.317/96, alterado pelo art. 3° da Lei n° 9.732/98, corresponde a 1,8% (60%) a titulo de COFINS e 1,2% (40%) a titulo de INSSPatronal [no valor de R$1.479,29 relativamente ao período de novembro de 2001 a dezembro de 2004]. [...] Julgar procedentes em parte os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devendo ser cancelados os seguintes valores: a. R$970,61 a título de IRPJ, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; b. R$727,96 a título de CSLL, referente ao fato gerador do 4° trimestre de 2001; c. R$438,12 a título de PIS, referente ao fato gerador de 31/10/2001; d. R$3.501,40 a título de COFINS, referentes aos fatos geradores de 31/10/2001 a 31/12/2004, conforme demonstrado. Nesse sentido, não há mais valores a serem excluídos dos créditos tributários formalizados nos presentes autos pelo lançamento de ofício. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. A decadência é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 939 26 Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, já que há pagamento antecipado, fls. 651673, que inclusive foram considerados em sede de primeira instância de julgamento. As notificações dos Autos de Infração referentes ao quarto trimestre do anocalendário de 2001 e aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 foram efetivadas em 23.11.2006, fls. 439, 457, 475, 493 e 512. Por essa razão não há mais valores lançados alcançados pela decadência. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fl. 782) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de suas alegações. Todos esses atos estão motivados com os 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 5 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 6 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 940 27 fundamentos de fato e de direito, oportunidade em que foram observados todos os prazos legais. Ademais, antes de instaurada a fase litigiosa no procedimento não há que se falar em violação dos princípios constitucionais do processo. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça impugnatória por ter sido alcançada pela preclusão7. A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. O Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 23, de 21.11.2006 e os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador8. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 7 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 941 28 A Recorrente suscita que o MPF e o RMF de instauração do procedimento fiscal contêm vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício9. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos10. A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente pode expedir e a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) com a finalidade de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF e será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Nesse relatório deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse 9 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 10 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 942 29 de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, observado o princípio da razoabilidade. As informações, os resultados dos exames fiscais e os documentos serão mantidos sob sigilo fiscal, na forma da legislação pertinente 11. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em atendimento ao MPF 10108002006001448 (fl. 08), procedemos verificação fiscal na PAPELARIA BELLINASO LTDA (atual COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA), CNPJ 03.107.296/000132, sendo que constatamos o que a seguir será relatado. [...] Na data de 19.04.2006 a fiscalizada foi intimada no Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 09) a apresentar os documentos a seguir listados, no prazo 05 (cinco) dias úteis, previsto no § 1º do art. 19 da Lei 3.470, de 1958, com as alterações introduzidas pelo art. 71 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 [...]. Vencido o prazo, na data de 26.04.2006, a fiscalizada apresentou o Contrato Social e os DARFs. Alegando exigüidade de tempo para providenciar toda a documentação requerida, solicitou mais sessenta dias para atendimento do Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 10). [...] Esta fiscalização considerou que o prazo de 60 (sessenta) dias era exagerado, pois os documentos solicitados, por serem documentos que dizem respeito as operações da fiscalizada, deveriam estar contabilizados e de posse da fiscalizada e, portanto, serem apresentados no prazo de 05 (cinco) dias já concedidos, é o que determina a legislação citada no item 2. acima, contudo, concedemos 30 (trinta) dias de prorrogação, para entrega dos demais documentos (fl. 59). [...] Vencido o prazo da prorrogação, na data de 29.05.2006, a fiscalizada apresentou, Alteração do Contrato Social, Cartão do CNPJ e Livros Caixa de n° 03, 04, 05, 06, e 07. Tendo solicitado mais 30 (trinta) dias para apresentação dos extratos bancários, alegando dificuldades junto às instituições bancárias (fl. 60). [...] Na data de 29.06.2006 esgotouse o prazo da prorrogação solicitada, sendo que a fiscalizada não apresentou os documentos faltantes (extratos bancários), e sequer se pronunciou sobre o assunto. [...] Passados 75 dias da data da primeira intimação para que a fiscalizada apresentasse os extratos bancários, sem que tivesse apresentado, foi reintimada, na data de 03.07.2006, para que no prazo de 05 (cinco) dias úteis cumprisse a requisição (fl. 134). [...] 8. Esgotado o prazo da reintimação, a fiscalizada mais uma vez solicitou prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias (fl. 135). [...] O até aqui exposto evidencia a fiscalizada ao efetuar sucessivas e injustificadas solicitações de prorrogação de prazo, tinha objetivos meramente protelatórios e que os extratos bancários não seriam apresentados, como de fato não foram. Assim o Delegado da Receita Federal de Santo Ângelo, com fulcro no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001, requisitou diretamente às instituições financeiras (Banrisul e Bradesco) os extratos 11 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 943 30 bancários das contas correntes movimentadas pela fiscalizada no período de 01.07.2001 a 31.12.2005 (fls. 150 a 376). [...] Com base nos extratos apresentados pelas instituições bancárias, procedemos levantamento dos créditos efetuados nas contas bancárias movimentadas pela fiscalizada. Na data de 18.09.2006, a fiscalizada foi intimada a, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 377 a 421). [...] Observamos que as instituições bancárias apresentaram os extratos requisitados pela Receita Federal, nas seguintes datas e prazos: a) o Banrisul apresentou os extratos na data de 24.07.2006, 06 (seis) dias após receber a requisição; b) o Bradesco '1111 apresentou os extratos na data de 05.09.2006, 49 (quarenta e nove) dias após receber a requisição. [...] A observação do item [...] acima, objetiva demonstrar que, mesmo que, quando da intimação para apresentar os extratos bancários, a contribuinte não estivesse de posse dos mesmos, poderia têlos solicitado as instituições financeiras e os teria obtido em prazo semelhante ao que eles foram fornecidos à Receita Federal. No entanto, até a data de 18.09.2006, quando a contribuinte foi intimada para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, quando já passados 05 (cinco) meses da intimação inicial para apresentar os extratos, não os apresentou. A data de 18.09.2006 foi tomada por prazo final, pois, se naquela data a fiscalização estava intimando a contribuinte para comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, é porque já tinha obtido os extratos diretamente com os bancos. [...] Vencido o prazo, na data de 09.10.2006, a fiscalizada retomou a sua tática de solicitar prorrogações de prazo, agora, como deixou consignado no documento (fl. 422), por pelo menos mais 90 (noventa) dias. Ao usar a expressão "por pelo menos" deixou evidente que estava abrindo a possibilidade de solicitação de novas prorrogações. Solicitou também o fornecimento de cópia integral do procedimento e dos documentos que o compõem. [...] A fiscalização depois de mais uma vez esclarecer a fiscalizada sobre os prazos fixados pela legislação para apresentação de documentos e também sobre os documentos que até então compunham o procedimento, entregou a fiscalizada cópia das Requisições de Movimentação Financeira e dos Extratos Bancários apresentados pelas instituições financeiras. No mesmo documento concedeu mais 20 (vinte) dias para apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias (fls. 423 e 424). [...] Vencido o prazo, a fiscalizada, ao invés de apresentar os documentos, requereu o deferimento da prorrogação, antes solicitada, de pelo menos 90 (noventa) dias, sem apresentar nenhum documento que justificasse seu pleito (fl. 425). [...] Na data de 10/11/2006, a fiscalizada foi cientificada que a não apresentação de documentos que relativos a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias até a data de 17/11/2006, seria considerado pela fiscalização como não comprovação, dando ensejo a lançamento de ofício com fulcro no art. 42 da Lei 9.430/96. [...] Na data de 17.11.2006, portanto, 60 (sessenta) dias da intimação para que comprovasse a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, a contribuinte voltou a insistir na prorrogação por pelo menos 90 (noventa) dias, como havia solicitado no documento datado de 09.10.2006 (fl. 428). Observamos que a Fl. 946DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 944 31 fiscalizada até a presente data não apresentou nenhum documento que demonstrasse que de alguma forma vinha executando alguma ação no sentido de buscar elementos para atender a intimação da fiscalização, procedimento idêntico ao adotado quando da intimação para apresentar os extratos bancários, quando também não apresentou nenhum documento, apenas alegações. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu o MPF nº 10.1.08.002006001448, fl.12. Está registrado nas RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.002006 000026, fls. 154 e 344: Requisito, termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, as informações especificadas nesta Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, que deverão ser apresentadas ao(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil abaixo identificados, ou encaminhados a esta DRF Florianópolis, no prazo e forma especificados. Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n°3.724, de 2001. [...] Código da RMF : 65993645 [...] Código da RMF : 65700150 [...] A exatidão das informações contidas neste Requisição poderá ser verificada, por intermédio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda gov.br>, mediante a utilização do código acima informado. No presente caso, tendo em vista que a própria Recorrente expressa seu entendimento de que não apresentou os extratos bancários por estar protegida pelo sigilo bancário, estão regulares os procedimentos fiscais. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS expediu os RMF nºs 10.1.08.002006000034 e 10.1.08.00200600002 6, fls. 154 e 344 com a motivação explícita, clara e congruente e ainda precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 945 32 A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para Fl. 948DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 946 33 comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada12. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo13. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade14, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui 12 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 13 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 14 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 947 34 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Houve apresentação da escrituração obrigatória que contém deficiência que a tornou imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi reiterada intimada de todos os procedimentos fiscais, Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.08.002006001448, fl. 12, Termo de Início de Fiscalização, fl. 13, Termo de Reintimação, fl. 138, Termo de Intimação, fls. 382427, Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 520. Ainda assim não escriturou toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentou os extratos bancários solicitados e não comprovou a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 0604192906 da agência nº 037079 do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, fls. 155343 e na conta corrente nº 423807 da agência nº 32778 do Banco Bradesco S/A, fls. 346382. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 155 e 344 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, fls. 1962. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão minuciosamente individualizados no Termo de Intimação, fls. 382427 e o correspondente Termo de Prorrogação de Prazo, fl. 429430, dos quais a Recorrente foi validamente notificada e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, tampouco se houve algum valor indevidamente incluído no levantamento fiscal. O somatório dos valores mensalmente omitidos constam na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos Mês (A) Valores Creditados nas Instituições Financeiras R$ (B) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) AnoCalendário 2001 Outubro 67.403,68 830,00 66.573,68 Novembro 72.204,48 810,00 71.394,48 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 948 35 Dezembro 141.029,44 900,00 140.129,44 AnoCalendário 2002 Janeiro 72.793,39 1.100,00 71.693,39 Fevereiro 46.836,41 1.200,00 45.636,41 Março 49.553,11 1.120,00 48.433,11 Abril 82.289,28 1.085,00 81.204,28 Maio 113.755,01 1.415,00 112.340,01 Junho 75.560,39 1.386,00 74.174,39 Julho 92.174,15 1.425,00 90.749,15 Agosto 80.142,18 1.384,00 78.758,18 Setembro 84.839,12 1.412,00 83.427,12 Outubro 70.697,59 1.558,32 69.139,27 Novembro 77.176,33 1.533,45 75.642,88 Dezembro 109.256,29 1.584,20 107.672,09 AnoCalendário 2003 Janeiro 108.373,16 1.514,65 106.858,51 Fevereiro 66.637,87 1.585,00 65.052,87 Março 44.002,32 1.830,90 42.171,42 Abril 59.238,77 1.835,48 57.403,29 Maio 59.127,66 1.683,35 57.444,31 Junho 71.940,53 1.694,70 70.245,83 Julho 103.489,02 1.579,80 101.909,22 Agosto 69.719,39 1.637,15 68.082,24 Setembro 63.401,87 1.380,17 62.021,70 Outubro 54.105,73 1.397,75 52.707,98 Novembro 72.117,40 1.326,33 70.791,07 Dezembro 68.905,39 10.800,00 58.105,39 AnoCalendário 2004 Janeiro 161.397,14 1.338,90 160.058,24 Fevereiro 68.547,75 1.477,72 67.070,03 Março 153.032,98 1.239,45 151.793,53 Abril 96.634,22 1.507,10 95.127,12 Maio 110.150,46 3.362,20 106.788,26 Junho 248.551,53 3.854,30 244.697,23 Julho 154.393,52 4.131,20 150.262,32 Agosto 120.716,55 0,00 120.716,55 Setembro 91.634,02 4.471,45 87.162,57 Outubro 108.237,24 4.709,60 103.527,64 Novembro 115.722,39 4.857,06 110.865,33 Dezembro 123.242,97 5.044,77 118.198,20 AnoCalendário 2005 Janeiro 122.915,96 5.369,12 117.546,84 Fevereiro 96.660,72 5.589,08 91.071,64 Março 128.311,69 5.955,30 122.356,39 Abril 97.410,33 6.209,98 91.200,35 Maio 155.678,65 5.629,90 150.048,75 Junho 138.448,27 4.562,20 133.886,07 Julho 151.272,67 2.582,90 148.689,77 Agosto 130.304,10 2.656,20 127.647,90 Setembro 116.303,50 2.662,00 113.641,50 Outubro 157.998,68 1.921,60 156.077,08 Novembro 93.024,52 1.999,60 91.024,92 Dezembro 148.201,24 2.057,30 146.143,94 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 949 36 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 522528, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: EXCLUSÃO DO SIMPLES 18. Como a contribuinte havia exercido opção para tributação pelo SIMPLES, O Sr. Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo/RS, após análise de REPRESENTAÇÃO FISCAL — EXCLUSÃO DO SIMPLES (fls. 01 a 07), expediu o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SÃO n° 23 de 21 de novembro de 2006 (fl. 433), no qual DECLARA A EXCLUSÃO da empresa PAPELARIA BELINASO LTDA, CNPJ n° 03.107.296/000132, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de julho de 2001. 19. Em conseqüência de sua exclusão do SIMPLES a fiscalizada passa a ser tributada observando as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, como determina o art. 16° da Lei 9.317/96, abaixo transcrito: Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO 20. O art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto 3.000/, de 29/03/1999, abaixo transcrito prevê as hipóteses de arbitramento do lucro: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 17, e Lei n° 9.430, 1.996, art. 1°): II — a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 21. Na escrituração apresentada pela contribuinte (fls. 64 a 133) não há registros sobre movimentação bancária. Por oportuno transcrevemos abaixo decisão do Conselho de Contribuintes: ARBITRAMENTO — CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA — A existência de conta bancária mantida à margem dos registros da escrituração autoriza o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. 1° Conselho de Contribuintes / 2' Câmara / ACÓRDÃO 10321.263 em 11.06.2003. Publicado no DOU em 18.02.2004. 22. Dessa forma impõese o ARBITRAMENTO DO LUCRO, com fulcro na alínea "a", do inciso II, do art. 530, do RIR199. QUANTIFICAÇÃO DAS RECEITAS DA FISCALIZADA 23. Como a fiscalizada, mesmo após decorridos mais de 60 (sessenta) dias da intimação, não logrou comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, limitando a solicitar prorrogações, sem apresentar uma justificativa Fl. 952DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 950 37 válida para tanto, esta fiscalização, em atenção ao prescrito no artigo 42 da Lei 9.430/96, a seguir transcrito, elaborou o demonstrativo abaixo, que evidencia os valores das receitas utilizados no lançamento de oficio: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] 24. No demonstrativo acima os valores da coluna "CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS", correspondem aos créditos líquidos mensais, assim, os valores que foram creditados e depois estornados, não compõem o valor da coluna. Os créditos e os estornos estão discriminados nas planilhas de fls. 380 a 421. 25. Os valores da coluna "RECEITAS OMITIDAS", correspondem aos créditos bancários não comprovados, diminuídos dos valores declarados pela fiscalizada em suas Declarações Anuais Simplificadas. 26. Observamos que as RECEITAS DECLARADAS, foram declaradas no SIMPLES e, como a fiscalizada foi excluída do SIMPLES, o Arbitramento dos Lucros, além das RECEITAS OMITIDAS também incidiu sobre as RECEITAS DECLARADAS. Obs: No curso dos trabalhos, na data de 09.10.2006 (vide fls. 434 a 437) a fiscalizada promoveu as seguintes alteração cadastrais: a) Nome Empresarial de PAPAELARIA BELLINASO LTDA para COMÉRCIO DE VEÍCULOS BELLINASO LTDA; b) Atividade Econômica de COMÉRCIO VAREJISTA DE ARTIGOS DE PAPELARIA para COMÉRCIO A VAREJO DE AUTOMÓVEIS; c) Endereço de RUA BORGES DE MEDEIROS, 289 para RUA SOUZA LOBO, 401. Por esse motivo o Nome Empresarial e o Endereço constantes do Auto de Infração diferem dos constantes nos demais documentos do processo (MPF, Termo de Inicio de Fiscalização, Termos de Intimação). O coeficiente de Arbitramento dos Lucros utilizado no Auto de Infração é o previsto para a Atividade Econômica exercida na época da ocorrência das infrações apuradas qual seja COMÉRCIO VAREJISTAS DE ARTIGOS DE PAPELARIA. Não há que se falar em ocorrência do fato gerador fictício. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificase assim a relevância da quantia que foi efetivamente omitida da tributação no período. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 951 38 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês15. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200916 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF17. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos18. 15 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 16 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 18 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 952 39 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente afirma que deve ser afastada a exclusão do Simples e seus efeitos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Tem cabimento no caso em que a pessoa jurídica incorrer em embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado e ainda por prática reiterada à legislação tributária. A exclusão surte efeito a partir do mês da ocorrência do fato. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas 19. Consta na Representação Fiscal de Exclusão do Simples, fls. 0411, cujas informações estão comprovadas nos autos: 1. Na data de 19/04/2006, o contador e procurador da empresa foi cientificado do início da fiscalização, ocasião em que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 10108002005001448 (fl. 08) e do Termo de Início de Fiscalização (fl. 09). Chamou a atenção desta fiscalização o fato de que no endereço da empresa existe uma residência , não havendo nenhuma identificação de empresa. 2. Na data de 26/04/2006 a empresa apresentou DARFs de julho/2001 a dezembro/2005 e o Contrato Social da empresa. Na mesma data solicitou prorrogação de prazo para apresentação do restante da documentação solicitada no Termo de Início de Fiscalização (fl. 10). Foi concedida, por esta fiscalização, a prorrogação de prazo solicitada. 3. Na data de 29/05/2006 a contribuinte fiscalizada apresentou a Alteração do Contrato Social, o cartão do CNP) e os livros Caixa números 03, 04,05, 06 e 07(fl. 60). Não apresentou, no entanto, os extratos bancários, solicitando nova prorrogação de 30 dias para apresentálos. Os extratos bancários foram solicitados tendo em vista 19 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 953 40 que a análise da CPMF evidencia substancial movimentação bancária no período fiscalizado. 4. No dia 03/07/2006 reintimamos a contribuinte para apresentação dos extratos bancários. No dia 07/07/2006 a mesma solicitou mais 30 dias para disponibilização dos extratos. Cabe ressaltar que, desde o início da fiscalização até o dia 03/07/2006 transcorreram 79 dias, tempo suficiente para que fossem providenciados os extratos bancários solicitados. 5. No dia 18/07/2006, exatamente 90 dias após o início da fiscalização, e não tendo a contribuinte apresentado os extratos bancários, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira aos Bancos Banrisul e Bradesco. Ressaltese que o Banrisul enviou os extratos no dia 24/07/2006 e o Bradesco enviou no dia 05/09/2006, 49 dias após a emissão do RMF. Visto que os bancos enviaram os extratos bancários num prazo bastante inferior aos 90 dias concedidos ao contribuinte fiscalizado, comprovase a intenção do mesmo de obter sucessivas prorrogações com o fim de protelar a fiscalização. 6. Com base nos extratos bancários apresentados pelos bancos foi elaborado um demonstrativo dos créditos em conta bancária. O contribuinte foi intimado, no Termo de Intimação nº 002 a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados na conta corrente. Cabe ressaltar que a movimentação financeira não foi escriturada no Livro Caixa da empresa. 7. Na data de 09/10/2006 a empresa protocolou pedido de prorrogação de prazo de 90 dias para atender às solicitações do Termo de Intimação nº 002. Apesar de considerar suficiente os 20 dias de prazo concedidos na referida intimação, esta fiscalização concedeu prorrogação de prazo de mais 20 dias para apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem a movimentação financeira nas contas correntes bancárias mantidas pela empresa. 8. No dia 01/11/2006 a empresa fiscalizada protocolou novo pedido de prorrogação de prazo, pedido este indeferido por esta fiscalização. O sucessivo pedido de prorrogação de prazos, sem apresentação de documentação hábil e idônea somente pode ser interpretado como protelação. Fosse diferente disto, os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização seriam apresentados no prazo concedido na primeira prorrogação ao referido termo, visto que os bancos responderam ao RMF expedido pela Receita Federal em prazo bem inferior aos 90 dias que a contribuinte teve para apresentar os extratos. Mesmo assim esta fiscalização concedeu nova prorrogação, de 15 dias, para o contribuinte apresentar os documentos solicitados. 9. Transcorridos os 15 dias da nova prorrogação, novamente o contribuinte protocolou pedido de prorrogação de prazo. Não apresentou também os documentos de receitas, custos e despesas requisitados por esta fiscalização no Termo de Intimação. .Diante disto, consideramos como não comprovados os valores dos créditos em conta bancária [...]. Portanto, do exposto acima, evidenciamos que o contribuinte fiscalizado praticou as seguintes irregularidades: ao não escriturar a movimentação financeira no Livro Caixa da empresa, infringiu o § 1º do art. 7° da Lei 9.317/96. ao não apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Início de Fiscalização, incorreu no inciso II do art. 14 da Lei 9.317/96. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 954 41 ao não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta corrente, omitiu receitas em todos os meses fiscalizados, incorrendo do inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96. No presente caso, a exclusão deuse de ofício, uma vez que comprovadamente a Recorrente incorreu em embaraço à fiscalização e prática reiterada de infração à legislação tributária com efeito a partir do mês da ocorrência do fato, ou seja, 01.07.2001. Em conformidade com a decisão de primeira instância de julgamento o lançamento tem o período de apuração inicial em 01.10.2001 e por essa razão os efeitos devem ser a partir de 01.11.2001. Restou comprovada a motivação do ato de exclusão em relação ao embaraço à fiscalização e à prática reiterada de infração à legislação tributária, cujo efeito surtiu a partir do mês da ocorrência do fato por não escriturar toda a movimentação financeira no Livro Caixa, não apresentar os extratos bancários solicitados e não comprovar a origem dos recursos movimentados em conta de depósito, omitiu receitas em todos os meses objeto da ação fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso20. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade21. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 22.. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. A Recorrente argui que o arrolamento de bens não poderia ser promovido. 20 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 22 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001821/200650 Acórdão n.º 1801001.887 S1TE01 Fl. 955 42 Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos nos estritos termos normativos, não cabendo ao CARF pronunciarse sobre esse procedimento23. Ademais, o arrolamento de bens está formalizado no processo 11070.001849/200697 que se encontra no Seção de Controle e Acompanhamento Tributário desde 18.12.200624. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 23 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 24 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=11070001849200697> . Acesso em 05 fev.204. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11030.904376/2012-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 76 /2 01 2- 04 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 30/11/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904376/201204 Acórdão n.º 3801003.190 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10916.720029/2012-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/01/2008, 30/01/2008, 21/05/2008, 08/06/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 72 00 29 /2 01 2- 94 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10916.720029/201294 Acórdão n.º 3801003.264 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 18471.000819/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 26/03/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte anteriormente identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, abrangendo os períodos de apuração (PA) 03/1999 a 12/2004, no valor (principal) de R$ 66.301,97, com multa de ofício de 75% no valor RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 81 9/ 20 05 -1 7 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.192 2 de R$ 49.726,18, e juros de mora, calculados até 30/06/2005, no valor de R$ 28.912,87, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 144.941,02, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro (Defic/RJO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acostado à inicial. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 270/274, bem como no Termo de Verificação de fl. 268, a AFRF autuante informa que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados, tendo em vista que o contribuinte contabiliza a crédito da conta “Custo de Vendas” os valores recebidos da montadora General Motors do Brasil Ltda GMB, a título de bônus, não os destacando, portanto, em conta específica de receita, e também não os incluindo na base de cálculo do PIS, acarretando recolhimento a menor da contribuição, e ainda que: passaram a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, trazendo em seu artigo 3o o amplo conceito de faturamento/receita bruta, e, desse modo, os valores relativos aos bônus escriturados a crédito na rubrica “3.1.2Custo” devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS;reiteradas decisões administrativas quanto à incidência das contribuições sobre os bônus; • A título de exemplo, podemos verificar (fls. 85/89) a compra de mercadoria efetivada em 2002, cujo pagamento se deu no exercício seguinte, sendo que, para citada operação, observase que o contribuinte já havia debitado o seu custo no resultado apurado em 2002, e o valor do bônus foi recebido em 2003, em operação e momento distintos; • A ação de fiscalização abrange o período de 03/01/99 a 31/12/2004 e os valores que serviram de base de cálculo do presente lançamento de crédito tributário são os constantes do Demonstrativo 01, extraídos do Livro Razão, bem como o Demonstrativo 02, que indica as receitas em totais mensais (fls. 90 a 257); • tendo em vista a quantidade de fotocópias a serem extraídas dos vários Livros Razão, e por estas não ficarem legíveis, o que dificultaria a sua leitura (v. fls. 258/267), elaborouse os Demonstrativos 01 e 02 acima citados, cujo teor é a transcrição fiel do escriturado no Livro Razão, tendo sido os mesmos Demonstrativos devidamente cientificados ao contribuinte. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da contribuição ao PIS (fls. 272/274), cientificado ao contribuinte em 11/07/2005 (v. fl. 269), consistiu no no art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. Io e 3o, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. Io, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; arts. 2°, inciso I, 8o, inciso I, e 9o, da Lei n° 9.715/98; arts. 2o e 3o da Lei n° 9.718/98; arts. 2o, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3o, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/2002. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.193 3 4. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 287. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 09/08/2005, a impugnação juntada às fls. 300/327, e documentos anexos (cópia) de fls. 328/715 (Auto de Infração, fls. 328/348; sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 99.00612663/RJ, fls. 349/362; alteração e consolidação de contrato social, fls. 363/374; procuração e 'carteira de identidade dos representantes da empresa, fls. 375/378; Roteiro de Tributação do PIS/COFINS e Lei n° 10.637/2002, fls. 379/416; Campanhas de Incentivo de Vendas no Varejo, fls. 417/473; Notas Fiscais de Compras da concessionária à montadora, Notas Fiscais de Vendas da concessionária a seus clientes, boletos bancários e operações de pagamento de veículos ao fabricante/GM Factoring, fls. 474/476, fls. 482/649 e fls. 662/715; Diário Geral, fls. 477/481; Razão Contábil, fls. 650/661), com as alegações abaixo resumidas: 5.1. a autoridade fiscal aponta como tributável pelo PIS e COFINS os valores de bônus lançados na contabilidade em contacusto de veículos, concedidos pela fábrica à revendedora, sem se preocupar em analisar e provar o auferimento de receita; muito embora a Lei n° 9.718/98 tenha alterado a regra de tributação das contribuições sociais não quer dizer que se possa distorcer os dados e a realidade negociai, cobra _ as contribuições sobre “receita fictícia”; 5.3. ademais, ainda que, por hipótese, existisse uma receita, não esteve presente 'ra1 e a lavratura do Auto de Infração, a perda de espontaneidade do contribuinte, e a Possibilidade de exigência desses créditos, pois possuía o ora impugnante provimento judicial concedido em Mandado de Segurança, impedindo o recolhimento de PIS e COFINS sobre “outras receitas”, e que surtia efeitos na data da lavratura do Auto de Infração, em 11/07/2005; 5:4. o Auto de Infração é completamente nulo e improcedente, inúmeros são os fatos e provas juntados com a presente defesa, que comprovam a impossibilidade de considerar o bônus como receita tributada pelo PIS e a COFINS; 5.5. a conclusão de que a empresa obteve auferimento de receita se dá pela análise imprecisa e superficial que a fiscalização fez apenas da conta custo de vendas, mas o relato e os dados que aponta são incompreensíveis e nem de longe chegam a descrever as operações que teriam dado ensejo ao ilícito fiscal, não tendo sido checadas as Notas Fiscais dos veículos de entrada, saída, ou mesmo sido verificado qual a natureza jurídica do bônus; 5.6. se a fiscalização entendeu que o bônus sobre os veículos novos seria uma receita recebida pelo impugnante, a princípio não poderia se limitar a indicar como prova meros lançamentos contábeis, que nada demonstram quanto à materialidade do tributo, e que, além de tudo, conforme art. 923 do RIR, fazem prova a favor do contribuinte; 5.7. ao Fisco cabe, consoante art. 924 do RIR, a apresentação das provas dos fatos que dão origem aos seus lançamentos, e, nesses Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.194 4 termos, deveria a fiscalização descrever efetivamente a entrada de um bem econômico, o acréscimo patrimonial recebido, demonstrar e apurar o recebimento concreto de receita, sendo que o presente Auto de Infração não traz sequer a descrição da situação concreta que pudesse configurar fato gerador das contribuições; 5.8. as contas de custo de vendas estão regularmente escrituradas e os lançamentos apontados dos bônus são meros ajustes do preço das mercadorias, não representando recebimento de receitas; 5.9. o ajuste do preço da mercadoria é lançamento obrigatório e correto, posto que o veículo é objeto de Campanha Promocional da GM do Brasil (GMB) e tem o preço reduzido, ou seja, o valor líquido de seu.custo subsiste pelo saldo, sendo que esses meros ajustes contábeis nada provam quanto ao auferimento de receita; 5.10. a afirmação da fiscalização, dando conta de que a compra do veículo é efetivada em um momento e o bônus é recebido em outro, revela falta de conhecimento das operações e dos aspectos negociais; 5.11. o bônus é dado pela montadora ao fabricante na compra do veículo, mediante Campanhas específicas, e é quitado pela revendedora não no momento em que entra no estoque, mas somente depois de revendido ao consumidor final, pagandoo à fábrica com o abatimento de seu preço; as partes podem ajustar condições ao contrato de compra e venda, a teor do que dispõe o ^ 3° Civil, e, por isso, a montadora e a rede de distribuição são livres para ajustar os preço das mercadorias, ainda que calculados depois de sua entrega, não autorizando à fisc' \ç«u Concluir que o bônus seria nova receita o fato dele (bônus) ser concedido como desconto fora da Nota Fiscal de compra; esquecese ainda a fiscalização de todas as peculiaridades de tributação nuw cercam as operações de compra de veículos novos a que é ligado o bônus, tais como: as vendedoras encontramse sujeitas ao recolhimento antecipado das contribuições desde o ano de 2000 (MP 1.99115/2000 substituição tributária), e, com a edição da Lei n° 10.635/2002 passaram a se sujeitar à tributação monofásica na compra de veículos novos, também com a retenção antecipada dos valores das contribuições, que se perfazem sobre o total calculado/presumido, não havendo qualquer dedução dos valores referentes ao bônus; o contribuinte, além de se sujeitar ao recolhimento antecipado das contribuições sobre base presumida o que faz recair os tributos sobre descontos abatidos posteriormente (embora eles não representem receita) ainda por cima é compelido a novo recolhimento pela fiscalização, considerando o bônus como receita nova, de forma dúplice; muito embora o art. 3o da Lei n° 9.718/98 tenha ampliado o conceito de faturamento para receita bruta, tal fato não autoriza a fiscalização deixar de provar que a empresa efetivamente recebeu uma receita, simplesmente verificando o Livro Razão que lhe fora remetido, concluindo superficialmente que os lançamentos na “Conta Custo” seriam receitas; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.195 5 a fiscalização não apurou a conduta do auferimento, não analisou as operações de compra dos veículos e a forma como é estipulado o bônus; o Auto de Infração foi elaborado sem prova concreta de nada, o que se mostra contrário à intenção do legislador, pois o adjetivo “auferida” traduz a ideia de algo novo que é recebido, transformado em bem econômico como um acréscimo ou prestação já satisfeita, e, portanto, os lançamentos corretamente escriturados de redução de custos nem de longe poderiam provar ou representar o ingresso de uma receita passível de tributação, sendo nula a autuação com base nos mesmos, existindo inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes, anulando autos de infração onde não existe a tipificação do ilícito, a descrição exata de sua materialidade, bem como erros, distorções dos fatos e ausência de provas; a fiscalização concluiu pela infração por duplo indício primeiro, apenas pelas contas de custos, supondo de forma imprecisa que o bônus seja receita nova; segundo, supõe a presença dessas receitas, mas não demonstra sua concreta obtenção o que é desautorizado pelo Decrcto n° 45.479, art. 59 e Lei n° 9.784/99, art. 2o, que exige comprovação dos fatos ilícitos e provas concretas de sua ocorrência, devendo o Auto de Infração ser declarado nulo, por violação à tipicidade, ampla defesa, não tendo o contribuinte sequer a obrigação de provar o contrário, uma vez que o ônus da prova da constituição do lançamento cumpre à fiscalização; além disso, o impugnante moveu Mandado de Segurança para outros fins, alheios ao bônus, no qual obteve sentença favorável, que suspendeu a exigibilidade do recolhimento do PIS e COFINS sobre “outras receitas”, pela ampliação do conceito de faturamento "’promovido pela Lei n° 9.718/98, sendo que, na data da autuação fiscal, 11/07/2005, ^;Tv a produção desses efeitos, que se operam até hoje, sendo o Acórdão posterior de 21x; 6/2005, submetido a embargos de declaração; assim, lavrado em 11/07/2005, o Auto de Infração é completamente nulo, '^ii na constituição do crédito como na imposição de multa e juros, pois a autoridade fiscal deveria fundamentar a autuação no art. 3o da Lei n° 9.718/98, se existia, à época do lançamento, sentença que suspendia os efeitos da norma; embora o bônus nada tenha a ver com “outras receitas auferidas pelo contribuinte”, nos termos da ampliação da base prevista no art. 3o, há vício formal na lavratura do Auto de Infração, pois a fiscalização estaria impedida de exigir o tributo do impugnante com base na ampliação do conceito de faturamento, com a constituição dos lançamentos e imposição de multa e juros, sob a égide de provimento judicial; no mérito, o Auto de Infração também deve ser considerado improcedente, uma vez que não representa o bônus receita a ser tributada pelo PIS e COFINS; O impugnante, assim como a totalidade da rede de distribuidoras GMB, mantém com a fábrica contrato de concessão comercial, Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.196 6 objetivando a compra e venda dos veículos novos, peças e acessórios, ou seja, as montadoras vendem os veículos novos às distribuidoras, as quais se comprometem a comercializálos junto aos consumidores finais; como implemento para o comércio de veículos, devido às altas de juros e aumento dos preços, as montadoras de todo o País concedem descontos à rede de distribuidoras, com o abatimento do preço de custo do veículo, que se perfaz no momento em que o mesmo for revendido, e houver a quitação de sua compra junto ao fabricante GM/Factoring; a concessão do bônus é dada de forma notória, por intermédio de Campanhas Promocionais veiculadas a toda a rede de distribuidoras, e não somente a uma ou outra empresa, sendo previamente estipulada pelo fabricante, tendo em vista determinados modelos de veículos e marcas, o que acaba por minimizar a alta dos preços; graças ao bônus obtido, que reduz o custo do veículo, as revendedoras negociam com os consumidores finais em melhores condições, repassando integralmente por intermédio de campanhas promocionais o seu montante, sendo que, na totalidade das Campanhas Publicitárias que comumente são encontradas na mídia e em jornais especializados, são feitos anúncios incentivando a compra pelos consumidores de determinadas marcas de veículos, com o oferecimento de bônus; assim, pela sistemática negociai na concessão do bônus, é fácil verificar a incoerência do Auto de Infração, e a tributação sobre “receita fictícia”, até mesmo porque, a princípio, a revendedora quando adquire determinadas marcas de veículos, já sabe que sobre os mesmos ocorrerá a redução do preço, sendo esses ajustes pré determinados pela GMB e a rede de distribuição; 5.28. o bônus não pode figurar como uma receita, já que o impugnante pagou um preço menor pelo mesmo, na data de sua quitação, representando, de outro modo, uma redução do custo da mercadoria comprada, e os lançamentos correspondentes significam mero ajustamento dos preços, corretamente indicados na contabilidade, devendo ser assim tratados pela fiscalização; 5.29. o preço da mercadoria foi ajustado pelo desconto lançado, não havendo sobrt, nesmo o surgimento de qualquer fato passível de tributação; 5.30. sob a forma demonstrativa (devido ao grande número de documentos), a ’tnpugnante prova com os anexos que junta à impugnação, compras efetuadas sob Campanhas ia montadora, nas quais se concedeu o bônus, ocorridas de 2002 a 2004, sendo que, pelos citados documentos, observase o abatimento do preço de compra do veículo no momento de seu pagamento à montadora/GM Factoring, após a efetivação da revenda, provando inexistir qualquer tipo de ingresso;^ 5.31. como se vê, não há coerência para os lançamentos do bônus pela fiscalização, que representam meros ajustes de preço, jamais podendo configurar receita, ferindo o lançamento fiscal, portanto, os princípios da legalidade e da capacidade contributiva; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.197 7 5.32. ainda que, por hipótese, o bônus fosse concedido ou efetivado depois do pagamento do veículo pelo preço normal, através de devolução de valor, nem assim poderia ser configurado o ingresso de receita, porquanto esta não se confunde com a mera movimentação de valores; 5.33. se, por hipótese, houvesse uma devolução do valor do desconto, da mesma forma ocorreria o reajustamento do preço da mercadoria, sem o ingresso de receita nova, posto que ele não corresponde a qualquer valor de troca, e sim e apenas a redução do preço; 5.34. a tributação da receita bruta, sem a exclusão dos descontos, implica tributar “receita fictícia”; 5.35. como reforço à ausência de tributação sobre qualquer valor que reduza o custo da mercadoria, mencionase o ADI 25/2003 da SRF, que dispõe expressamente não incidir a COFINS sobre os valores que retomam à empresa, como recuperação de tributos; 5.36. contradizendo as afirmações equivocadas do Auto de Infração, menciona se a existência de acórdãos que atestam a impossibilidade de configuração de receita sobre parcela de redução de custo, ou de desconto; 5.37. além disso, a tributação do PIS e da COFINS nas operações com veículos novos, desde o ano de 2000, por intermédio da edição da MP n° 1.99115/2000, dáse de forma diferenciada, segundo o regime de substituição tributária, com a retenção antecipada dos valores devidos pelo impugnante, no momento de sua compra; 5.38. ao adquirir o veículo por intermédio de Nota Fiscal emitida pela montadora, é incluído expressamente em seu bojo a retenção antecipada de PIS e COFINS, calculados pelo seu preço normal, sem considerar o bônus, o que faz com que as contribuições incidam sobre o seu montante (do bônus), sem representar receita ou valor de troca de mercadoria; 5.39. ainda que o veículo novo tenha o preço de compra ajustado pelo valor líquido com o abatimento do bônus, o impugnante sofre a retenção desses tributos acima do que realmente deveria pagar, pois o PIS e COFINS incidem antecipadamente, ignorando esses abatimentos M como se pode provar por Notas Fiscais que deveriam ser excluídos de sua base de cálculo, se verificando o despropósito da autuação fiscal, pois além da empresa ter recolhido contribuições sobre parcela que não representou receita, a fiscalização, desprovido completamente as provas de que houve a inclusão do bônus na base de cálculo, pretende tributar novamente o bônus como nova receita, em total erro; 5.40. posteriormente, com o estabelecimento, a partir de 01/11/2002, do regime monofásico, que consiste em cobrar do fabricante/importador o PIS/COFINS devidos em todas J.S fases da cadeia produtiva, se houve recolhimento antecipado a cargo do fabricante/importador sobre o total do preço da mercadoria, e se o preço da mercadoria foi reduzido pela concessão do bônus, restaria um Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.198 8 crédito em favor do contribuinte, pois a base de cálculo real da operação foi menor; 5.41. além disso, com o estabelecimento do regime monofásico, o valor de aquisição (custo) dos bens e serviços não pode ser utilizado como crédito para compensação com PIS/COFINS devido sobre a receita de venda, ainda que tenham sido onerados pela alíquota de 9,25% pagos pelos fabricantes/importadores aos fornecedores de bens e serviços necessários à fabricação dos produtos sujeitos ao regime monofásico, já que as receitas obtidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, com a venda dos produtos abrangidos pela incidência monofásica, já se encontram sendo integralmente tributadas pelo PIS/COFINS no fabricante ou importador (à alíquota de 12,5%), sendo tributadas posteriormente nas concessionárias à alíquota zero; 5.42. isto nos mostra a incoerência do raciocínio da autoridade fiscal, que desprezou toda a sistemática de tributação existente na compra dos veículos novos, provocando a duplicidade na tributação do PIS e COFINS, o que não é admitido pelos tribunais administrativos; 5.43. diante do exposto, o impugnante vem requerer que se declare a total nulidade do Auto de Infração, uma vez que não houve prova ou indício do ilícito fiscal, não tendo mesmo existido qualquer investigação nesse sentido, além de não ter sido respeitado os efeitos da medida judicial existente em favor da empresa, que impedia o lançamento e cobrança de multa e juros; em não sendo acatadas as preliminares arguidas, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, uma vez que o bônus não é receita para fins de tributação do PIS/COFINS, representando mero ajuste do preço da mercadoria, e, ainda, pelo fato de que o impugnante não poderia ser submetido à tributação em parcela redutora do custo, em que já houve a retenção antecipada das contribuições. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu a defesa da empresa, conforme Decisão DRJ/RJOII nº 16.703, de 27/07/2007: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. CONCESSIONÁRIAS DE VEÍCULOS. Receitas auferidas a título de bônus sobre a venda de veículos novos, por pagamento nos prazos contratados com o fabricante, compõem a base de cálculo do PIS. LANÇAMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.199 9 Na constituição de crédito tributário que não esteja com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial vigente à ocasião do lançamento, é cabível a aplicação da multa de ofício. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente Intimado da decisão, o contribuinte apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, discutese nos autos a base de cálculo do PIS, onde a autoridade lançadora entendeu que os bônus pagos pelas montadoras às concessionárias devem ser tributados por aquela contribuição. A base do lançamento é clara, como vemos das fls. 69 do v2: Em procedimento de verificação dos valores escriturados e ou pagos,relativamente às contribuições do PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS e da CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS, constatamos que o contribuinte não incluiu nas bases de cálculo dessas contribuições os valores referentes aos Bônus auferidos da montadora General Motors do Brasil Ltda.,que foram escriturados a crédito da conta contábil Custo das Vendas. Intimado, o contribuinte afirma, entre outras alegações, que "o bônus não é receita e sim redução de custo, que é integralmente repassado ao consumidor (....) Com a edição da Lei 9.718/1998, as contribuições em questão passaram a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, trazendo em seu art. 3º o amplo conceito de faturamento/receita bruta, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela empresa e a classificação contábil adotada para as receitas (operacionais e não operacionais). (grifo nosso) Comprovado, então, que o lançamento se deu única e exclusivamente com base na majoração da base de cálculo do PIS realizado pela Lei n.º 9.718/98. Entretanto, há notícia de que a recorrente discutiu este tema judicialmente. Ocorre que, nos autos, não consta qual a decisão tomada naquele processo judicial, informação relevante para a solução da lide. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a recorrente junte aos autos cópia das decisões preferidas nos autos do Mandado de Segurança n° 99.00612663/RJ, bem como certidão narratória deste. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18471.000819/200517 Resolução nº 3201000.462 S3C2T1 Fl. 1.200 10 Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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