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Numero do processo: 15540.720305/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTOS DE CESTAS BÁSICAS E UNIFORMES, EM PECÚNIA E SUPRESSÃO DE INTERVALO ALIMENTAR VIA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE. INOBSERVÃNCIA ÀS DIPOSIÇÕES DO ART. 123 DO CTN, BEM COMO DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91.
Os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos.
As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.426
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTOS DE CESTAS BÁSICAS E UNIFORMES, EM PECÚNIA E SUPRESSÃO DE INTERVALO ALIMENTAR VIA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE. INOBSERVÃNCIA ÀS DIPOSIÇÕES DO ART. 123 DO CTN, BEM COMO DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos. 2. As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 05 /2 01 1- 62 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados, destinadas à Seguridade Social, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (AI DEBCAD nº 37.300.5989). Compõe ainda este AI, as contribuições devidas às outras entidades e fundos: SalárioEducação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE (AI DEBCAD nº 37.300.5997). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de março de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CESTA BÁSICA. UNIFORMES. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. A inobservância das condições e limites na concessão da cesta básica e uniformes, conforme previsto na legislação específica, atribui a estas verbas o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. INTERVALO INTRAJORNADA. HORAEXTRA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social a prestação de serviços de transporte rodoviário terrestre, urbano de passageiros, municipal, intermunicipal, interestadual, fretamento e turismo, nos termos de seu Contrato Social. No regular exercício de suas atividades, a Recorrente emprega número considerável de empregados, sendo, destarte, sujeito passivo das contribuições previdenciárias, arrecadadas e administradas pelo extinto INSS. Cumpre ressaltar que, nessa condição, sempre cumpriu de forma diligente com todas as suas obrigações. Não obstante todas as características acima e, após o encerramento do procedimento de fiscalização em 01 de novembro de 2011, foram lavrados contra a recorrente os autos de infração DEBCAD nºs 37.300.5989 e 37.300.5997. Por meio desses AI, exige o Fisco o pagamento de supostos débitos referentes às contribuições previdenciárias da empresa incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados. Essas contribuições previdenciárias incidiram, segundo a Fiscalização, sobre: (i) valores pagos a título de distribuição de “Cesta Básica”; (ii) as remunerações pagas a segurados empregados para custeio de uniformes; e (iii) pagamentos efetuados pela empresa a título de indenização pela supressão do intervalo alimentar, efetuado de acordo com as Convenções Coletivas de Trabalho vigentes à época. A Recorrente impugnou os referidos autos de infração demonstrando que seu comportamento se pautou na legislação tributária aplicável, não sendo caracterizado como contraprestação aos serviços desempenhados, afastando a incidência das contribuições sociais. O valor pago a título de distribuição de cesta básica para cumprimento de convenção coletiva de trabalho não tem natureza salarial. O valor pago a título de complemento de uniforme para cumprimento de convenção coletiva não tem natureza salarial. É ilegal o lançamento fiscal sobre os valores pagos a título de indenização por intervalo alimentar, razão pela qual os presentes autos de infração deverão ser inteiramente cancelados. À vista do exposto, a Recorrente pede vênia para requerer a V.Sas., seja integralmente reformado o v. acórdão de fls. 339/348 proferido pela C. 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, cancelandose os autos de infração DEBCAD nº s 37.300.5989 e 37.300.5997, tendo em vista que os créditos previdenciários lançados não têm natureza salarial, e, portanto, não devem servir de base de cálculo para a incidência das contribuições previdenciárias. Outrossim, a Recorrente pugna, também pelo direito de realizar sustentação oral de suas razões por ocasião do julgamento do recurso, razão pela qual requer desde já seja o seu patrono, Dr. Maximino Gonçalves Fontes Neto, inscrito na OABRJ sob o nº 17.783, com escritório à Rua do Mercado, 11 – 7} andar, CEP. 20010120, intimado da data a ser designada. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão abrange as contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados, as contribuições destinadas ao financiamento dos Riscos Ambientais do Trabalho, bem como as contribuições destinadas aos denominados Terceiros, conforme dispõe o inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 39/48), ao pagar aos segurados empregados, em espécie, cestas básicas e uniformes, a empresa descumpriu a legislação que rege a matéria. Da mesma forma, a fiscalização não considerou os pagamentos relativos à supressão de intervalo alimentar como verba indenizatória, tendo em vista que a verba em questão decorre de acerto realizado entre empregador e empregado, nos termos de Convenções Coletivas de Trabalho vigentes à época da concessão do benefício. Por seu turno, o contribuinte, em seu recurso, mantendo o mesmo entendimento apresentado na impugnação, assevera que os pagamentos, em espécie, estão de acordo com a CCT vigente à época, e que não há natureza salarial nas verbas apontadas no Auto de Infração ora em discussão. No ponto, sem qualquer razão o contribuinte. No caso do pagamento de auxílio alimentação em espécie e com habitualidade, o STJ pacificou entendimento de que esse procedimento integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. De igual modo, o pagamento em pecúnia, relativamente a uniformes, também sofrerá a incidência da contribuição previdenciária. No caso do auxílio alimentação pago em espécie, ao contribuinte não se aplicará os comandos do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2001 (aprovado pelo ministro da Fazenda em 22/11/11 – DOU de 24/11/11), tendo em vista que os efeitos do referido parecer abrange somente o fornecimento de alimentação in natura, independentemente de a empresa der ou não registro no Ministério do Trabalho e Emprego (PAT). Em relação ao intervalo intrajornada (horaextra), também sem razão o contribuinte. Como já referido, o contribuinte sustenta que os pagamentos estão em consonância com as Convenções Coletivas de Trabalho e, portanto, não incidentes de contribuições previdenciárias. As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 8 7 Art. 123. Salvo disposições de leis em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas a Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Vêse, portanto, que os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Destarte, tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006224/2009-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA.
A proposição de ação judicial com o mesmo objeto após o início do litígio administrativo importa em renúncia à via administrativa, conforme art. 78 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1803-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A proposição de ação judicial com o mesmo objeto após o início do litígio administrativo importa em renúncia à via administrativa, conforme art. 78 do Regimento Interno do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
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A proposição de ação judicial com o mesmo objeto após o início do litígio administrativo importa em renúncia à via administrativa, conforme art. 78 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 62 24 /2 00 9- 84 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório FABRICIO ALESSI STEINMACHER, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/FOZ, emitido ao amparo da Informação Fiscal SEORT/DRF/FOZ nº 240/2011 (fls. 2932), que excluiu a contribuinte ao Simples, com efeitos a partir de 01/07/2009, em face de comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, atividade que não encontra amparo na sistemática do Simples. Portanto, a exclusão ao benefício ocorreu por impedimento legal e o fundamento legal para a emissão do ato a Lei Complementar 123 de 14/12/2006, art. 29, inciso VII e parágrafo primeiro. 2. Em sua defesa (fls. 3540) pede que o ato seja julgado improcedente; que, em caso de não aceitação da defesa, determinar o duplo grau de recurso administrativo e, em conseqüência a suspensão das sanções até o julgamento final; aceitar todas as provas e informações admitidas legalmente para comprovar a inaplicabilidade das sanções; e, por fim, julgar extinto o Ato Declaratório Executivo e seus efeitos de modo a permitir sua permanência no Simples. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0634.898, de 15 de dezembro de 2011 (fls. 57/63), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2009 EXCLUSÃO AO SIMPLES. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO E/OU DESCAMINHO. Comercializar mercadorias objeto de contrabando e/ou descaminho sujeita a pessoa jurídica à exclusão de ofício ao benefício do Simples Nacional. EXCLUSÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo não se presume e deve estar expresso em lei, o que impede ao Órgão Julgador receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.006224/200984 Acórdão n.º 1803002.159 S1TE03 Fl. 95 3 Ciente da decisão em 26/12/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 65), apresentou o recurso voluntário em 27/01/2012 fls. 80/83, onde reitera as alegações da inicial. Conforme termo de juntada de 27/06/2013 (fl. 79), a autoridade preparadora da unidade de origem anexou ao processo cópia de sentença judicial em ação demandada pela recorrente (fls. 80/83). É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço em parte. Trata o presente processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL (LC 123/2006), pela constatação de comercialização de mercados objeto de contrabando/descaminho. Alega a recorrente em síntese a nulidade do procedimento de exclusão do SIMPLES NACIONAL bem como deve ser atribuído efeito suspensivo ao recurso. Conforme já exposto no relatório, a recorrente intentou ação judicial na Vara Federal de Foz do Iguaçu (PR), com o mesmo objeto de acordo com o relatório e dispositivo da sentença : Tratase de ação ajuizada por Fabrício Alessi Steinmacher em face da União visando à declaração de inexistência da relação jurídicotributária que ensejou a exclusão da parte autora do Simples Nacional. Relata que em 23.08.2011 foi intimada acerca da decisão proferida no processo administrativo nº 10935.006224/200984, a qual aplicoulhe a penalidade de exclusão do Simples Nacional em razão de suposto comércio de mercadoria objeto de contrabando/descaminho, ficando a autora impedida de optar pelo regime especial pelos próximos 3 (três) anos. Alega que não lhe foi oportunizada defesa durante o trâmite do processo administrativo, sendo que somente teve ciência deste quando intimada do ato declaratório de sua exclusão. Requer, em antecipação dos efeitos da tutela, seja autorizada a continuar optando pelo Simples Nacional, bem como seja afastada a exigibilidade de eventual imposto residual decorrente da exclusão da autora do regime simplificado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 (...) Dispositivo Ante o exposto, resolvo o mérito do feito, julgando IMPROCEDENTE o pedido formulado na inicial (artigo 269, I do CPC), nos termos da fundamentação. Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios em favor do patrono do réu, os quais fixo em 10 % do valor atualizado da causa (evento 14), nos termos do art. 20, § 3º, do Código de Processo Civil. Foz do Iguaçu (PR), 16 de maio de 2013. Rony Ferreira Juiz Federal O Regimento Interno do CARF deixa claro a impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário, conforme dicção do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.017309/2001-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995
Nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. O termo inicial é a data do término do regime especial.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann; e II) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann; e II) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Recorrentes USINA MATARY E FAZENDA NACIONAL USINA MATARY E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995 DRAWBACK. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995 Nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. O termo inicial é a data do término do regime especial. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann; e II) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 73 09 /2 00 1- 26 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Trata de Recurso Especial de divergência interposto pela PGFN e pelo contribuinte, contra o acórdão proferido pelo 3º Conselho de Contribuintes. Eis a ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. A modalidade de lançamento no regime aduaneiro de drawback suspensão é por declaração. A partir da assinatura do termo de responsabilidade passaria a correr o prazo prescricional. Porém, a prescrição fica suspensa até o termo final do prazo para exportação da mercadoria beneficiada, momento a partir do qual se passará a contar o prazo de 5 anos que a Fazenda Nacional terá para exigir o imposto de importação. DECADÊNCIA. O prazo de decadência no Regime Especial de Drawback suspensão iniciase na data do fato gerador, considerado o registro da DI por se tratar de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Fluindo dentro de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, não admitindo interrrupção nem suspensão. DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.004 3 exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Foi lavrado Auto de Infração em razão do inadimplemento do compromisso de exportar firmado por meio dos Atos Concessórios 000794/ 00099, 000795/ 0000156 e 000794/00293. Por tais atos, o importador submeteu declarações de importação registradas no Porto do Recife ao regime aduaneiro especial na modalidade de drawback suspensão e, ao final do prazo estabelecido no regime, não realizou a exportação dos produtos beneficiados, de modo que se resolveu a suspensão e se tornaram exigíveis os tributos (II e IPI) e consectários. Afirma o autuante que os produtos amparados pelas citadas DIs foram importados para utilização no processo produtivo do beneficiário e posterior exportação, porém, findo o prazo estipulado, não tendo o contribuinte adotado nenhuma das providências previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 06 de março de 1985, impõese a exigência dos tributos suspensos. No Relatório anexo aos Autos de Infração (fls. 24/45), inicialmente são expendidas considerações genéricas sobre o regime de drawback, compreendendo sua definição, natureza jurídica e princípios informadores (subitem 1.1, fls. 24/28). A seguir, são expostas algumas observações gerais sobre o procedimento de comprovação perante a Secretaria de Comércio Exterior SECEX, citandose a legislação específica a respeito da matéria (subitem 1.2, fls. 28/30). No subitem 1.3 do citado Relatório (fls. 30/32) discorrese sobre o prazo de validade do drawback e as condições para alteração do regime, com base no art. 250 do Regulamento Aduaneiro; art. 4º do DecretoLei nº 1.722, de 03 de dezembro de 1979; subitem 8.11 da Consolidação das Normas de Drawback, aprovada pelo Comunicado DECEX nº 21, de 1997, e nos arts. 16 e 22 da Portaria SECEX nº 04, de 1997. O subitem 1.4 (fls. 32/35) faz alusão às infrações relativas ao drawback, destacandose o conceito de infração, estabelecido no art. 499 do Regulamento Aduaneiro, bem como as normas relacionadas a obrigações acessórias no caso de exclusão do crédito tributário, nos termos do art. 113, § 2º, e art. 175, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN. Citando o art. 325 do Regulamento Aduaneiro e o art. 10, § 3º, da Portaria SCE nº 02, de 1992, a fiscalização informa que, no preenchimento do Registro de Exportação RE, devese observar os códigos apropriados, no caso de drawback, conforme tabelas do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Aduz que no RE há campos próprios para indicação obrigatória do número do Ato Concessório ao qual a exportação está vinculada, o que visa o controle fiscal do benefício para evitar irregularidades na fruição do regime especial de drawback. Conclui, então, que não podem ser considerados idôneos, para fins de comprovação de drawback, Registros de Exportação não vinculados a Atos Concessórios. Antes de passar a descrever especificamente as infrações detectadas no caso concreto, a fiscalização discorre ainda, nos subitens 1.5 e 1.6, sobre a decadência quanto ao lançamento dos impostos incidentes nas mercadorias admitidas no regime drawback, no sentido de demonstrar que não se exauriu o prazo legal para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (fls. 35/39). Nesse sentido, sustenta que, no caso em exame, o prazo Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 decadencial obedece ao que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN, pois não houve antecipação de pagamento, ficando afastada a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Aduz que, para definir o termo inicial do prazo qüinqüenal, devese identificar a data em que houve a omissão por parte do contribuinte, nos termos do art. 149, inciso V, do CTN, já que não pode a Fazenda efetuar o lançamento de ofício sem que se configure tal omissão. Continua afirmando que somente é admissível o lançamento após configurarse o inadimplemento, o que se dá quando da comunicação do encerramento do prazo para exportação, sendo que no primeiro dia do exercício seguinte a essa providência iniciarseá o prazo decadencial (art. 173, I, do CTN). No subitem 1.7 é informada a composição do crédito tributário exigido, remetendo aos demonstrativos do Auto de Infração (fls. 66/67). Finalmente, no item 2, subitem 2.1 (fls. 67/69), a fiscalização passa a descrever os fatos relacionados ao caso concreto objeto da investigação. É feito um relato cronológico dos fatos atinentes aos Atos Concessórios nos 000794/00099, 000795/00156 e 000794/00293, informandose a data de sua emissão e dos respectivos aditivos, as importações e exportações. Quanto ao Ato Concessório no 000794/00099, o autuante afirma que os Registros de Exportação indicados pelo contribuinte no anexo ao Relatório de Comprovação não se encontram vinculados ao referido Ato Concessório, pelo que são inidôneos para comprovar o adimplemento do regime (fls. 95/163). Foram abatidos os recolhimentos efetuados pela empresa em 31/01/1997, calculandose o crédito tributário remanescente. No tocante ao Ato Concessório nº 000795/00156, como documentos comprobatórios do compromisso de exportar, foram informados pela empresa no Anexo ao Relatório de Comprovação, vários REs e as Notas Fiscais de nos 002410, 003943, 000110, 000230 e 001922 (fls. 239/275). Afirma a fiscalização que os REs encontramse vinculados ao Ato Concessório, porém as Notas Fiscais não estão vinculadas e, além disso, não houve exportação pela empresa destinatária das mercadorias, pelo que estes documentos são inidôneos para comprovar o adimplemento do regime. Por fim, no que diz respeito ao Ato Concessório nº 000794/00293, o agente fiscal informa todos os REs relacionados pela empresa, por não estarem vinculados ao Ato Concessório, reputamse inidôneos para comprovar o cumprimento do compromisso de exportar (fls. 372/427). Cientificado do lançamento em 28/11/2001, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 434/457, em 28/12/2001, alegando, em síntese, que: vencidos os prazos para as exportações, estipulados nos Atos Concessórios, fez prova do adimplemento do compromisso de exportação, junto à agência do Banco do Brasil habilitada pela SECEX, anexando ao seu relatório os REs e demais documentos necessários; a agência do Banco do Brasil, no exercício de sua atribuição legal, com base em competente análise técnica, considerou os documentos apresentados idôneos para comprovar as exportações e, portanto, adimplido o regime drawback, providenciando a baixa dos compromissos de exportação, nos termos do art. 314 do Regulamento Aduaneiro, art. 2º da Port. MEFP nº 594/92 e art. 1º da Port. DECEX nº 24/92; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.005 5 não poderia ser desconsiderado o ato administrativo regularmente praticado pela agência do Banco do Brasil habilitada pela SECEX que, no exercício de suas atribuições, deu baixa no compromisso de exportação da empresa; o art. 2º e 16 da Port. MEFP nº 594/92 atribui à SECEX a verificação do adimplemento do compromisso de exportar e a efetivação da baixa do compromisso de exportação, cabendo ao Fisco a exclusão do lançamento, nos termos do art. 3º da citada Portaria; se a autoridade competente procedeu à baixa do compromisso de exportação, concluise que as exportações foram comprovadas perante a SECEX, dandose por quitadas as obrigações principais; não pode o Fisco se imiscuir na competência conferida à SECEX, para afirmar que as exportações não foram comprovadas, sendo impróprio que a lei tenha atribuído a dois entes distintos no âmbito da Administração Pública o poder de realizar ato que tenha o mesmo objeto, ou seja, a análise e verificação do compromisso de exportação, sob pena de consagrar a insegurança jurídica; não se concebe que o poder fiscalizatório atribuído ao Fisco pelos arts. 3º e 18 da Port. MEFP nº 594/92 possa significar a autorização para desconsiderar o ato homologatório praticado pela SECEX, a não ser que o Fisco atue como corregedor da SECEX, o que não procede; o lançamento somente poderia ser efetuado se a SECEX comunicasse ao Fisco que o compromisso da exportação foi inadimplido; quanto à decadência, há uma manipulação da jurisprudência e da doutrina tendente a enquadrar o caso no art. 173, inciso I, do CTN, porém no caso dos impostos incidentes sobre a importação, cujo lançamento operase por homologação, devese atentar para a regra do art. 150, § 4º, do CTN; a aplicação do prazo de decadência pretendido pelo Fisco se dá quando o sujeito passivo omitese em realizar a quitação do tributo, deixando de recolher o que declarou; no caso, não se deixou de recolher tributo devido, o que ensejaria o lançamento de ofício, pois em razão da suspensão causada pelo Drawback, não há valor a ser recolhido, agindo o contribuinte de pleno direito; ainda que se aplique o art. 173, I, do CTN, o termo inicial do prazo de decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o fato gerador, conforme jurisprudência dos tribunais; no caso do drawback, a partir do fato gerador a Fazenda Pública pode, no prazo de cinco anos, constituir o crédito tributário com base nas declarações do contribuinte, devendo haver uma verificação do efetivo cumprimento do compromisso de exportação; calculandose os prazos decadenciais para cada importação, tendo em vista a data de ocorrência do fato gerador, tanto com base na regra do art. 150, § 4º, do CTN como na prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, observase que os prazos decadenciais têm como termo final data anterior à 23/11/2001, ocasião em que foi lavrado o auto de infração, tendo ocorrido, pois, a decadência; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 em face do princípio da legalidade, cabe à Administração aplicar a lei de ofício e não buscar analogias legais, construir teses jurídicas, questionar a aplicabilidade de normas, preocupações acometidas ao Judiciário; pelo descumprimento da obrigação acessória, qual seja, a de informar o número do Ato Concessório no RE, o Auditor Fiscal sustenta que a empresa não comprovou as exportações, o que justificaria o pagamento da obrigação principal; havendo de descumprimento de obrigações acessórias, assiste ao Fisco o direito de aplicar as penalidades cabíveis, porém no caso não há previsão legal para a imposição de punição pecuniária; não é possível admitir que o descumprimento de obrigações acessórias tenha o condão de não comprovar as exportações e que o ato da SECEX tenha sido perpetrado com erro, como se a isenção nunca tivesse existido, sob pena de ofensa ao princípio da razoabilidade e à mais elementar noção de justiça; fica desonerada a autuada da responsabilidade pela falta de exportação das mercadorias vendidas a empresas exportadoras, conforme arts. 24, VII, “a”; 40, VI, “a” e § 2º e 170 do Decreto nº 2.637/98; a multa de mora ou de ofício apresenta natureza eminentemente punitiva em que o sujeito passivo é punido pela omissão ou negligência em adimplir suas obrigações fiscais, o que não ocorreu no caso, pois antes do termo final do drawback estava amparado pelo próprio regime e após esse prazo pela presunção de regularidade do ato administrativo praticado pela SECEX; Como em momento algum agiu com o intuito de burlar o Fisco, indagase como pode ser punida com uma multa e questionase ainda se existe pena sem culpa. Em julgamento na instância a quo a Turma entendeu que o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos para a exigência dos tributos no regime de drawback suspensão seria a data limite para as exportações comprometidas por meio dos atos concessórios. Sendo assim, e considerando a data de ciência da autuação, qual seja, 28/11/2001, o colegiado declarou decaído o direito de lançar os tributos relativos aos Atos Concessórios AC 000794/ 00099 (que estabelecia o prazo limite 28/03/1996) e AC 000794/ 00293 (que estabelecia a data limite 05/03/1996), por aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Quanto ao Ato 00795/ 00156, que estabelecia o prazo limite 09/02/1997, os créditos pertinentes permaneceriam exigíveis, já que às demais matérias ventiladas pelo contribuinte no Recurso Voluntário foi negado provimento. Ambas as partes apresentaram Recurso Especial e contrarrazões. A Fazenda Nacional recorreu da decisão registrando que: 1) o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do regime de Drawback é consagrado no art. 173, inciso i do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do benefício; 2) o termo "a quo" para contagem do prazo decadencial, a ser considerado no regime drawback suspensão, deve ser aquele correspondente ao término do regime, pois impossibilita a fiscalização de exigir tributos não recolhidos no momento do desembaraço, por conseqüência do regime drawback suspensão e diante da possibilidade do compromisso assumido ser cumprido posteriormente e tempestivamente. Tal recurso foi admitido in totum pelo despacho de fl. fls. 608/610 e contraarrazoado pelo contribuinte às fls. 621/628. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.006 7 O contribuinte também interpôs Recurso Especial, que, inicialmente, foi admitido pelo despacho de fls. 808/811 apenas quanto à matéria relativa à vinculação dos atos concessórios aos registros de exportação. (Quanto a essa parte do Recurso, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões às fls. 816/822). Posteriormente, o Recurso Especial do contribuinte foi também admitido na parte em que trata da decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O presente voto foi vencido somente em relação à admissibilidade do Recurso Especial intreposto pelo contribuinte. Tanto a PGFN quanto o contribuinte interpuseram recursos especiais. O recurso da PGFN atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Passaremos ao mérito depois do exame de admissibilidade o recurso interposto pelo contribuinte. O contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls. 629 a 644), que, inicialmente, foi admitido pelo despacho de fls. 808 a 811 apenas quanto à matéria relativa à vinculação dos atos concessórios aos registros de exportação. (Quanto a essa parte do Recurso, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões às fls. 816 a 822). Posteriormente, o Recurso Especial do contribuinte foi também admitido na parte em que trata da decadência. A Procuradoria da fazenda apresentou contrarrazões quanto a essa matéria. Porém, como será demonstrado adiante não há como se admitir o recurso do contribuinte. Transcrevemos abaixo a ementa do acórdão recorrido: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. A modalidade de lançamento no regime aduaneiro de drawback suspensão é por declaração. A partir da assinatura do termo de responsabilidade passaria a correr o prazo prescricional. Porém, a prescrição fica suspensa até o termo final do prazo para a exportação da mercadoria beneficiada, momento a partir do qual se passará a contar o prazo de 5 anos que a Fazenda Nacional terá para exigir o imposto de importação. DECADÊNCIA O prazo de decadência no Regime Especial de Drawback suspensão iniciase na data do fato gerador, considerado o registro da DI por se tratar de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Fluindo dentro de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, não admitindo interrupção nem suspensão. DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO O recurso voluntário foi negado pela falta de comprovação das exportações vinculadas aos regimes concessórios. Primeiramente o contribuinte não trouxe paradigmas para a efetiva comprovação da divergência suscitada. Ele somente trouxe algumas ementas que são usadas para a defesa do mérito. Porém esse relator analisou essas ementas para que se pudesse comprovar a alegada divergência. Mesmo assim não foi possível vislumbrar semelhança fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Em todos eles se discute a obrigatoriedade ou não de se cumprir as obrigações acessórias ou mesmo a competência da DACEX versus RFB, para atestar o cumprimento do regime. O problema é que no acórdão recorrido não ficou comprovada a exportação e nos paradigmas houve a comprovação da exportação, embora houvesse o descumprimento de obrigações que a RFB considerasse imperiosas para o cumprimento do regime de suspensão temporária dos tributos. O que se busca nesse Recurso Especial é um reexame de provas para que se possa atestar uma possível exportação dos produtos vinculados ao regime. O recurso especial, na maioria dos casos, não se presta ao reexame de provas, e também o contribuinte não trouxe os paradigmas para a comprovação das divergências, nos moldes preceituados no RICAF. Assim, nego a admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. A discussão que se trava no presente Recurso Especial interposto pela PGFN é saber qual o termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo dedecadência para a Fazenda Pública exercer o direito de exigir créditos tributários não pagos, com relação a benefícios vinculados ao regime aduaneiro de Drawback suspensão. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.007 9 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.008 11 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. Estando claro que devemos aplicar ao caso o art. 173, I, do CTN, posto não haver pagamento, ainda cabe uma discussão acerca do termo inicial em caso de drawback suspensão. Nos parece lógico que o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que a fiscalização poderia efetuar o lançamento, já que não houver qualquer tipo de lançamento, até porque os tributos se encontravam com a exibilidade suspensa. Ora, o fisco somente pode agir (lançar) trinta dias depois do término do prazo suspensivo. É impossível, juridicamente falando, a autoridade fiscal efetuar um lançamento sem saber se ocorreu o fato gerador, ou seja, o descumprimento do regime. Tal fato fere a lógica jurídica mais elementar. Pelo texto legal do CTN podese depreender que houve uma condição suspensiva que é a concessão do regime. Ocorre o fato gerador quando se deixa de cumprir o regime, o que somente pode ser aferido após o término do regime. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Notas: teor dos artigos 121 e seguintes do Novo Código Civil Brasileiro, que tratam dessa questão das condições, como se segue: Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III as condições incompreensíveis ou contraditórias. Art. 124. Têmse por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boafé. O Parecer Cosit nº 53/99 segue a mesma linha: “7.1 De conformidade com os arts. 1º e 23 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, regulamentados pelos arts. 86 e 87, inciso I, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro, o fato gerador do Imposto de Importação (II) é a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, considerandose ocorrido o fato gerador, para efeito de cálculo dos impostos, na data do registro da Declaração de Importação DI. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o art. 32, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI), o fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria. 7.2 Segundo o art. 112 do RA matriz legal: art. 27 do Decreto lei nº 37, de 1966 , para fins de pagamento do II, a data do vencimento é a data do registro da DI, sendo que, no caso do Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.009 13 IPI, nos termos do art.185, inciso I, do RIPI, o imposto deverá ser recolhido antes da saída do produto da repartição aduaneira que processar o despacho. 7.3 Em cumprimento ao disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento do imposto reportase à data da ocorrência do fato gerador, assim, inadimplido o compromisso de exportação, os acréscimos legais referentes ao II serão calculados a partir da data do registro da DI, e, para o IPI, a contagem de prazo, para fins dos acréscimos legais, terá como termo inicial a data do desembaraço aduaneiro das mercadorias. 7.4 Quanto à contagem do prazo, para efeitos de decadência, observese que o Código Tributário Nacional, arts. 150, § 4º, e 173, fixa o prazo decadencial em cinco anos, e a doutrina, em geral, confirma, para todas as modalidades de lançamento a que esteja sujeito o tributo, variando contudo o termo inicial que se vincula à ciência da Fazenda Pública da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, com exceção da hipótese prevista no inciso II do art. 173 do CTN, o prazo qüinqüenal começará a fluir após o conhecimento, pelo fisco, da prática, pelo sujeito passivo, do fato imponível. 7.5 No drawback, modalidade suspensão, por ser um incentivo fiscal concedido sob condição resolutiva, não adimplido o compromisso de exportação, embora o fato gerador ocorra na data do registro da DI do respectivo despacho aduaneiro, o pagamento do crédito correspondente somente será exigido do beneficiário, após constada a sua inadimplência em relação ao compromisso de exportação assumido.(grifei). 7.6 Os créditos tributários exigíveis em decorrência de inadimplência do compromisso de exportação serão lançados somente após o vencimento do prazo para a exportação das mercadorias admitidas no regime de drawback, e não no momento do registro das DIs. E, de acordo com o art. 138 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo art. 4º do Decretolei nº 2.472, de 1988, c/c o entendimento emanado do Parecer (Normativo) Cosit nº 9/1994, itens 9 e 10, se inadimplido o compromisso de exportar, o prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, será contado a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da data do recebimento do Relatório (final) de Comprovação do Drawback, emitido pela Secex, que é órgão responsável pelo acompanhamento e a verificação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime, ou seja, terá como termo inicial o 1º dia do ano seguinte ao do recebimento, pela SRF, do citado Relatório”.(grifei) No presente caso, o término do regime se deu no fim do prazo para exportação, que foi em 05/03/1996, para o ato concessório mais antigo (000794/00293) e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28/11/2001. Somente a partir dessa data a autoridade aduaneira poderia efetuar o lançamento. Pensar de forma diferente é admitir a fiscalização e Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 possível lançamento dentro do período de suspensão do pagamento dos tributos, o que não parece razoável. Assim, não há que se falar em decadência. Em relação ao Recurso Especial do contribuinte, nego provimento por não ter sido feita a devida comprovação da exportação para fins de cumprimento do regime especial. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, conheço e dou provimento ao recurso da PGFN e nego provimento ao Recurso do Contribuinte que foi conhecido por maioria, tendo sido vencido esse relator. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.010 15 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora designada Este voto vencedor cingese, apenas, ao tema do conhecimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Com a devida vênia ao entendimento do Eminente Relator, voto no sentido de conhecer do Recurso, pois, consoante a minha análise, há comprovação da divergência. O Acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial interposto, restou assim ementado, no que tange ao tema objeto deste voto vencedor: DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. Assim, resta certo que o fundamento para a negativa de provimento ao recurso voluntário do contribuinte ocorreu porque o Contribuinte não colocou o código de exportação indicando o drawback e não fez a vinculação dos Registros de Exportação com os Atos Concessórios do Drawback. Este tema é bastante controverso no âmbito do CARF, pois há uma corrente que entende que tais irregularidades não são suficientes para impedir o aproveitamento do regime do Drawback e há a corrente que entende que tais irregularidades impedem o aproveitamento do Drawback. Aos olhos desta Conselheira, a Recorrente obteve êxito em comprovar a existência de Acórdãos que apontam o entendimento da primeira corrente acima apontada em contraposição à corrente apontada no Acórdão Recorrido. Neste sentido, anotese a ementa dos julgado paradigma colacionado: PROCESSO N° 13 502.000291/200116 SESSÃO DE 02 de dezembro de 2003 ACÓRDÃO N° 30235.851 RECURSO N° 124.359 RECORRENTE COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A RECORRIDA DRJ/SALVADOR/BA DRAWBACK (SUSPENSÃO) DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADES OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EXPORTAÇÕES REALIZADAS. O descumprimento de formalidades e obrigações acessórias, tais como a vinculação dos AC'S aos RE's, enquadramento no Siscomex, pela indicação de código de operação, etc, não é suficiente para caracterizar o inadimplemento de compromisso de exportar, fixado era Atos Concessórios de DRAWBACK. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Tendo ocorrido a exportação da mercadoria compromissada nos respectivos Atos Concessórios, em quantidade, qualidade e preço determinado, temse por resolvida a pendência, tornandose inexigíveis os tributos suspensos. RECURSO PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE. Ora, pelo cotejo dos julgados verificase que está presente a divergência, requisito necessário ao conhecimento do Recurso Especial, de tal modo que em razão da ocorrência da apresentação e demonstração da divergência, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10111.000427/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT.
Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação, classifica-se no código TEC 8525.20.13.
Numero da decisão: 3102-00.631
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
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MINISTÉRIO DA FAZENDA tiiirte CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .7°49ninit' Processo n° 10111.000427/200446 Recurso n° 343.902 Voluntário Acórdão n° 3102-00.631 – I a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2010 • Matéria II – classificação fiscal • Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação, classifica-se no código TEC 8525.20.13. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ^— Luis areei. uerra de Castro - Presidente eivjÉis-á Celso Lopes Pereira Neto - Relator EDITADO EM: 15/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza - DRJ/FOR, através do Acórdão n° 08-14.176, de 30 de setembro de 2008. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 112/119, que transcrevo a seguir: "Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: L Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 01/04, no valor total de R$ 256.285,70, incluindo encargos legais. II. Multa Regulamentar, fls. 05/07, no valor total de R$ 51.257,14. Pis/Pasep Importação e Cofias Importação, fls. 08, nos valores de RS 353,44 e RS 1.627,98, respectivamente. IV Multas sobre o Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, ,fis. 09, nos valores de R$ 265,08 e RS 1.220,99, respectivamente. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02 e 06 os lançamentos decorreram da infração indicada a seguir. I. Falta de Recolhimento. O Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI foi pago com base na aliquota de 15%, relativo a NCRI 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declarató rio Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levando-se em consideração também o acórdão da 1" turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRI, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, a qual apresenta aliquota de 20% do IPI. Portanto, cobra-se a diferença de IPI relativa à nova classificação NCM. Enquadramento legal: Arts. 2', 15, 16, 17, 21, 24, 30, 32, 34, 122, 123, 125, 127, 130, 131, 138, 200, 201, 202, 465, 466, 467, •469, 470, 471, 472, 473, 474, 476, 478 e 488 do Decreto n°4344/2002 - RIPI/2002. 2. Mercadoria Classificada Incorretamente na Nomeclatura Comum do RIercosul jtAy Kr. 2 Processo n° 10111000427/2004-46 Acórdão n°3102-00631 3-C112 1.216 O contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação, DI, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levando-se em consideração também o acórdão da I" turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DAI n°6,607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando-se o erro na classificação fiscal cobra-se a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o art. 84 da Medida Provisória n° 2.458-35/2001. Á essa multa não se aplica a redução prevista no art. 6° da Lei n° 8.218/91, conforme art. 81, IV, da Lei n° 10.833/2003. Enquadramento legal: Arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 603, inciso I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso L e ff 3°a 5°, e 684 do Decreto n° 4.543/2002; art. 84, inciso 1, da Medida Provisória n°2.158/2001. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 17/08/2004,11s. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 16/09/2004, fis. 30/51, contrapondo-se ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. Nulidade por Inépcia No que tange á descrição do fato, o auto de infração é extremamente lacónico, limitando-se a afirmar que o IPI foi pago com base na aliquota de 15%, relativo à NCM 8525.20.13, mas que a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, com a aliquota de 20% de IPI. Não especifica todavia, qual a mercadoria em tela, nem a razão explicita pela qual a NCIV1 adotada pela impugnante seria incorreta. Quanto à disposição LEGAL infringida, de menção obrigatória no auto de infração, cita o Ato Declaratório Interpretativo SRP' n°014, de 02/09/2003, quemão tem força de disposição legal e o acórdão da I° turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRI, n` 6607, de 23.04.2004, sem indicação do processo administrativo no qual foi proferido e igualmente sem força de lei; já os artigos do decreto n° 4.544/02, nos quais enquadra a exigência, cujo conteúdo é anexado a esta impugnação, não mostram qualquer relação com o fato descrito no auto de infração, o mesmo ocorrendo com os dispositivos legais citados para justificar a exigência dos acessórios com exceção do art. 16, que ratifica os fundamentos de defesa da Impugnante, dispondo que será feita a classificação - DOS PRODUTOS - de conformidade com as Regras Gerais para interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares P1I -C), todas da Nomenclatura Comum do n k tr AIERCOSUL (i'/CM), integrantes do seu texto (Decreto-lei n° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3), e não em conformidade com Atos Declaratórios Interpretativos ou com precedentes decisórios adotados no julgamento de casos especificos Diante do exposto, requer a Impugnante, em preliminar, que seja julgado nulo o auto de infração ora impugnado. No Mérito No mérito, que se discute por cautela, a exigência é totalmente improcedente; com efeito, a Impugnante importou, dos Estados Unidos da América do Norte através da Declaração de Importação n° 04/0721573-0, os equipamentos que nela assim descreveu: Descrição Detalhada da Mercadoria. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de tato e posicionamento de veículos P/N do sistema 10-11537-1, constituído por antena móvel de transmissão e recepção por satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS P/N 10- 11462-1 e acionador de veículo com tela de cristal (unidade de display) teclado P/N CV90-53152-2, e acessórios antenas móvel de transmissão e recepção por satélite de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle, receptor GPS P/N 10- J1537-I cujos os INRS são: (-) De acordo com a seção J12 "do Manual de Instalação do MCT, ou IALICT abreviatura que designa a máquina móvel acima descrita, suas características são as seguintes: O Terminal de Comunicações Móveis (DICT) é a parte móvel do sistema Omü2TRACS que é instalado no veículo do cliente. Ela dá ao motorista a habilidade de enviar mensagens para a central de despacho e recebê-las do mesmo. O LVICT também envia informação de localização para a central da Autotac MIE). O IMCT consiste nos seguintes componentes: • Unidade de comunicação-antena (ACU) - contém a antena que se comunica com o satélite e contém circuitos de operações e memória. • Dispositivo de intedatce de usuário - Este pode ser um teclado (DU), teclado expandido (EDU) ou um MVIPC, • A/IVPc - Unz computador de bordo com uma tecla sensitiva a toque, teclado integrado, microfone e alto-falante que pode rodar programas próprios ou comerciais. • Teclado (DU) - Consiste em um Teclado e um elisplay que o motorista usa para se comunicar com o despachante. •• Teclado estendido (EDU) - A versão mais nova do DU que consiste em um teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. '11}.' 4 (75, Processo n°10111.000427/2004-46 Acórdão n.°3102-00.631 3-C1T2 E 1.217 Cada IMCT tem o seu próprio endereço de unidade que é o serial number do ACU. Esse endereço é usado pelo AMC para rotear as mensagens para o veiculo correto. O endereço de unidade de um caminhão em particular vai mudar se o ACU do caminhão for trocado. O operador do IMCT usa as telas do display para criar, mandar e ler mensagens, verificar o sistema e descobrir problemas. A máquina cuja importação se constituiria no fato gerador do imposto é utilizada exclusivamente integrada a um sistema denominado OminSat, cuja função é propiciar a comunicação de mensagens e textos entre um ponto fixo e um ponto móvel, basicamente entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veículos. Informações do manual do fabricante transcritas às págs. 06/07 (fls. 35736). Encontram-se enumeradas no manual as várias funções, desempenhadas pelo Sistema, todas derivadas de Telecomunicação. Ora, é evidente que a "máquina móvel" tem destinação especifica definida, qual seja a de se integrar ao Sistema OminiSat para funcionar em conjunto, com ele constituindo um corpo único, para executar funções diferentes, mas complementares, entre as quais predomina (como principal) a de telecomunicações que caracteriza e define o sistema. A Impugnante, ao buscar o correto enquadramento fiscal da máquina importada para efeito de recolhimento dos tributos devidos, seguiu a orientação constante da seção XVI e respectivas notas da tabela de incidência do II e do IPI aprovada pelo Decreto n°4.542, de 26/12/2002, em especial as notas 3, 4 e 5, que definem os seguintes parâmetros para a identificação das posições e códigos da NCM: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracteriza monjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capitulo 84 ou do Capitulo 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. JP)\:k 5. Para aplicação destas notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 a 85. Associadas as características técnicas e a clestinação funcional da máquina importada com a orientação legal para a respectiva classfficação, codificação e tributação de acordo com a NCM adotada para efeito de incidência do IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e do IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, chega-se necessariamente ao Código 8525.20.13, que descreve aparelho com características rigorosamente iguais ao MCT, conforme se vê do respectivo texto: 8525 - APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARÁ RADIOTELEFONIA, RÁDIO TELEGRAFIA, RADIODIFUSÃO/OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CÂMARAS DE TELEVISÃO; CÂMARAS DE VIDEO DE IMAGENS FIXAS E 01.1TRAS CÂMARAS ("CAMCORDERS'). ••- 852520 — Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado. 85.25.20.1 — De telecomunicações por satélite. ••• 85.25.20.13 — Digital, para transmissão de voz ou dados operando em banda C, Ru ou L(2). Repetindo-se que o equipamento importado é uma máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto com um acessório para posicionamento de veículos através do GPS, transmitindo e recebendo mensagens por satélite, não há, data vênia, como encontrar classificação mais adequada na NO" A Impugnante já vem sendo constrangida há algum tempo pelas autoridades fiscais a adotar a classificação do equipamento na NCM por elas definida arbitrária e aleatoriamente, assim se afirmando diante da necessidade de um exame técnico da mercadoria, necessário para subsidiar os parâmetros legais orientadores da correta classificação. Na falta do exame técnico do MCT por parte das Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília, procedimento elementar para a legalidade do ato e que seria necessário e imprescindível para a exigência da alteração da NC.X1. após 10 anos de desembaraços mensais regulares envolvendo valores significativamente elevados, a Impugnante procurou a Universidade de Brasília-UnB, terceira parte independente e detentora de corpo técnico reconhecidamente com notório saber, para elaboração de laudo técnico do MCT e do Sistema OmniSAT, com vistas a-esclarecer as Autoridades .1.;\ e 117 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 1.218 Alfandegárias a classificação correta do MCT, definitivamente, de forma clara, neutra, inconteste e documental. O laudo anexo não deixa dúvidas acerca da correção do entendimento da Impugnante sobre a matéria. A defesa transcreveu às págs. 11/14 (lis. 40/43) trechos de alguns quesitos e respectivas respostas. Não bastasse o laudo, os serviços prestados pela Impugnante, através do Sistema OmmiSAT, são objeto de outorga do Minicom/Anatel, nos termos da Portaria 904/93 (doc. de fl. 53 anexo) e processos complementares, classificados na Portaria como serviços de comunicação, recolhendo a Impugnante todos os impostos de telecomunicações, tais como 1CMS, FUST, FUNTEL, TFF, TFI e outros. Ou seja, o próprio órgão máitimo regulador das telecomunicações brasileiras definiu, através do ato da outorga, portaria 904/93, que os serviços prestados pela Impugnante são de comunicação. Ressalte-se que os serviços de comunicação são prestados através do Sistema OmniSAT, do qual o MUT é parte integrante, sendo, conseqüentemente, o MC?', um equipamento de comunicação. Ainda com o objetivo de não pairar dúvidas sobre a questão, solicitou a Impugnante declarações do fabricante e fornecedor do MCT e da empresa de Auditoria Externa Independente que subscrevei, anualmente as Demonstrações Financeiras da Autotrac (docs. de fls. 54 e 55), com vistas a identificar e comprovar, respectivamente, o custo de importação do GPS embutido no preço FOR do MCT e a participação da receita gerada pelo uso do GPS na receita total de comunicação. A defesa fez às págs. 15/16 (lis. 44/45) transcrição de ambas as declarações. Está, pois, demonstrado e comprovado que, pelo critério de engenharia, com base nas características, funções, aplicações e utilidades, conforme comprovado pelo laudo emitido pela Universidade de Brasília-UnB, a função principal do MCT é a de comunicação, sendo acessória a de posicionamento viabilizada pelo GPS, bem como que o GPS é opcional no MCT. Está igualmente demonstrado e comprovado que, pelo critério económico e financeiro, conforme certificado pelas declarações do fornecedor externo do FACT, Qualcomm Incorporatece e da empresa de Auditoria Independente, Moore Stephens, a composição do GPS no custo e na receita da Autotrac é irrelevante, representando apenas 4% do custo FOR do MC?' e 11,7% do total da receita de comunicação gerada, bem como que a própria Anatel já classificou os serviços prestados pela Autotrac como de comunicação (doc. de fl. 53), sendo, conseqüentemente, o MC?', um equipamento de comunicação. , • Conclui-se, pois, que razão não assiste às Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília ao exigirem que o MCT seja classificado na N. 8526.91.00 e que a classificação correta é a que a Autotrac vem praticando há 10 anos, ou seja, a 8525.20.13. O agente fiscal, todavia, embora não explicitando a razão pela qual estaria incorreta a classificação do equipamento na NCM 8525.20.13, indicou corno correta a Nal 8526.91.00, também sem explicar porque esta seria a correta, menciona como justificativa o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, fazendo presumir que, no seu entendimento, o equipamento seria caracterizado como de rádio navegação, uma vez que é esta a espécie descrita no Código 8526.9100, por ele reputada correta. Este entendimento, no entanto, é totalmente desprovido de suporte técnico e de amparo legal. Em 04 de setembro de 2003 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n` 14, de 02 de setembro de 2003, que dispõe em seu artigo único: "Artigo único: Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul", (doc. dei?. 01) anexo. O referido Ato Declaratório teve como origem a "Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom", que dispõe, na segunda parte de seu parágrafo n° 2: "Por trinta votos (quontm de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, corno aparelho de radionavegação, considerando que desempenha a única e bem determinada fiação de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites" (docs. de fls. 02 e 03) anexo. Pela simples leitura dos instrumentos normativos acima citados, ato cleclaratorio n°14 e nota número 244, constata-se de forma clara e inconteste que o ato declarató rio ultrapassou a orientação contida na Nota, possuindo abrangência muito superior à nota que lhe deu origem, senão vejamos: Diz a Nota: "Por trinta votos (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de raclionavegação considerando que desempenha a única e bem determinada função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites", (grifou-se). Diz o Ato: os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Posítionin• Sustem — GPS) desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se ii\t' 8 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n. 3-C1T2 1.219 corno aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul ". (grifou-se) A Nota n°244 Coana/Cotac/Dinom concluiu, expressamente, que o GPS deve ser classificado na posição 8826. Não trata a nota de aparelhos ou equipamentos que façam uso ou contenham o GPS, mas do GPS em si. Essa é a única conclusão que se pode extrair do claro texto da mencionada Nota. No entanto, o Ato Declarató rio Interpretativo combatido, fundamentando-se expressamente na Nota n°244) conferiu a esta interpretação muito mais extensa, incluindo na posição 85.26 também os "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" que se trata, evidentemente, de conceito distinto. Ou seja, o ato interpretativo foi além do conteúdo da Nota, ao classificar na posição 8526.91.00 os aparelhos que fazem uso do GPS para o desempenho genérico da função de autolocalizaçã o, quando só poderia fazê-lo para os aparelhos que desempenham a função específica de autolocalização, como faz concluir a expressão "única e bem determinada função autolocalização", comida na Nota. Está demonstrada e comprovada, pois, uma inconsisténcia técnica relevante (erro mrtterial) entre o Ato Declaratório e a Nota que lhe deu origem, merecedora de imediata correção (retificação do ato), sob pena de elevados prejuízos ao contribuinte importador, como está ocorrendo com a Auto trac. Corrobora a necessidade da correção, o fato da interpretação literal do ato declaratório levar a situações inusitadas e absurdas, inclusive para abranger na classcação os aparelhos e máquinas dotados do GPS para funções acessórias e complementares das funções básicas, tais como veículos e colheitadeiras, telefones celulares (doc. de fl. 57 anexo) e outros aparelhos fabricados com o GPS embutido para fazer uso dessa tecnologia já integrada no cotidiano das atividades empresariais e até pessoais, que nem por isso são classificáveis na posição determinada pelo ato interpretativo. É importante salientar que as gritantes incorreções no Ato Declaratório Interpretativo n` 14, conduziram-no a revogação pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 22, de 20/08/2004, publicado no DOU de 23/08/2004. A ora lmpugnante vem promovendo a importação dos MCT's desde o inicio de suas opérações na década passada. Durante todo esse período, o desembaraço das importações da Impugnante ocorreu sem nenhuma contestação por parte dos fiscais da alfândega. 5‘). .11`» Também importante notar que, por diversas vezes, o desembaraço da mercadoria importada se deu através do chamado canal vermelho. Como se sabe, nesses casos o produto importado e detidamente examinado pelos fiscais alfandegários. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve às págs. 19 (fls. 48)0 art. 20 da Instrução Normativa n°206/02. A título de exemplo, a impugnante Estou às págs. 20 (fls. 49) algumas das DI's da autuada que foram submetidas a essa detida análise (canais amarelo e, em especial, vermelho) e, posteriormente, liberadas sem qualquer restrição por parte da Receita. Desta forma, verifica-se que a Autoridade Alfandegária vem, reiteradamente, mormente nos casos de canal vermelho, em que obrigatoriamente há a vistoria aduaneira da mercadoria, confirmando como corretas as classificações utilizadas pela Impugnante para a importação dos produtos em questão, tendo o presente auto sido lavrado tão somente em razão de evidente desconhecimento do Sr. Fiscal acerca do produto importado e suas características. Tamanha a incúria do Agente Fiscal, que não atentou para o fluo de que, em casos de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, como a ora debatida, haveria que se afastar pelo menos as penalidades, os juros de mora e a atualização monetária dos tributos, de acordo com o parágrafo único do artigo 100 do CTA Esse também é o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes e do C. STJ (ementas transcritas às págs. 21 -fls. 50). Do Pedido Em conclusão, nem o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, norma de qualificação hierárquica inferior, já revogado por inconsistência jurídica através do ADI número 22, de 20/08/2004, nem qualquer regra legal que sirva de parâmetro para a classificação fiscal de mercadorias na NCIVI, apresenta- se como apta para dar suporte ao auto de infração ora impugnado, pelo que requer: • I. A declaração de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado, por ausência dos requisitos legais e formais para sua subsistência; 2. Se ultrapassada a preliminar, no mérito, seja julgada improcedente a exigência, por falta de amparo na legislação tributaria, já que os documentos anexos (laudo técnico, manual do equipamento, declaração do fabricante, declaração dos auditores da impugnante e a outorga MINICOM/ANATEL expressa na portaria N° 904/93) comprovam a inexistência do fato gerador da diferença do imposto e das contribuições (PIS/COFINS), por ser tratar, na espécie, de equipamento de comunicação e não de radionavegação, como entendeu a autoridade fiscal. • 3. Para o caso de serem rejeitados os pedidos anteriores, hipótese aventada pela impugnante em atenção ao principio da 1.1).\710 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 E 1. 220 eventualidade, fica requerida a exclusão das penalidades, representadas pela atualização monetária, multas e juros, em obediência ao artigo 100, do CTN." Os membros da 3' Turma de Julgamento da DRJ/FOR decidiram, por unanimidade de votos, considerar procedeMe o lançamento, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIAS. MCT. "Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veiculas, constituído por antena móvel de pro transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veiculo com tela de cristal liquido" designado comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação e que se caracteriza como hardware transmissor com receptor incorporado, digital, de telecomunicação por satélite, em banda C, o qual é integrante do Sistema OmniSAT e faz uso do sistema GPS, classifica-se no código NCM 8526.91.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Improcerle a argüição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando o peticionante, na impugnação, demonstra pleno conhecimento da infração apontada pelo fisco. Lançamento Procedente" Irresignada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário, de fls. 130/156, ein que aduz, em resumo, que: - a matéria é absolutamente idêntica àquela discutida nos autos do Recurso Voluntário n° 130.748 e do Recurso Especial 302-130.748, ambos julgados em favor da ora recorrente, consagrando como correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte; - a discussão gira em tomo do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação (IVICT), que possui função principal de telecomunicação e função acessória de localização de veiculo, conceito absolutamente distinto de radionavegação; - a recorrente utilizou, para fins de classificação fiscal, a posição 8525.20.13 da NCM, enquanto a fiscalização entende que o equipamento deveria ser classificado na posição 8526.91.00 da NCM; -• o acórdão recorrido encontra:se em descompasso com precedente da Câmara Superior, desatende o entendimento da própria Receita Federal em Soluções de Consulta, diverge das conclusões do laudo pericial acerca do equipamento, desconsidera os demais elementos de prova trazidos aos autos e demonstra absoluto desconhecimento dos conceitos de localização e radionavegação; - a própria Receita Federal já apreciou a questão da classificação fiscal de equipamentos semelhantes ao MCT, a exemplo das Soluções de Consulta n° 212, de 25105/2005, ri) 97, de 20/0512002 e n°201, de 10/07/2007; - a função principal contida no serviço prestado pela recorrente é a telecomunicação, não havendo qualquer menção à radionavegação no Estatuto Social da Autotrac, na Portaria no Ministério das Comunicações que outorgou a permissão do serviço, nem no Ato de Autorização da ANATEL; - em virtude da prestação de serviço de comunicação, encontra-se a recorrente obrigada a recolher o ICMS, imposto este que não seria devido caso o serviço prestado fosse de radionavegação e não o de telecomunicação; - analisando-se o sistema Omnisat e sua relação com o MCT, verifica-se que todas as funções do sistema têm como fonte primária os meios de comunicação elementares utilizados, sendo relevante esclarecer que mesmo o uso do GPS só se justifica pelo fato do aparelho poder se comunicar, pois caso contrário a informação da posição ficaria restrita ao equipamento e para nada serviria; - a função principal do MCT é a telecomunicação (transmissão e recepção de dados) e não o posicionamento de veículos (que, ademais não se confunde com radionavegação); - a razão da autuação foi o Ato Dedaratório Interpretativo SRF n° 14/2003 que estabeleceu que os equipamentos que fazem uso de GPS classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da NCM; - embora o Ato Declaratório faça menção à Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244/2003, aquele flagrantemente extrapolou a conclusão da Nota, ao estender, equivocadamente, a classificação do aparelho de GPS em si para todos os equipamentos que fazem uso do GPS, tais como aviões, automóveis, celulares, relógios, etc. Por esta razão o ADI n° 14/2003 foi expressamente revogado pelo ADI n°22, de 22/08/2004; - não há controvérsia acerca do enquadramento no capitulo 85 da NCM. Acerca da posição 8525, tem-se que o laudo técnico elaborado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UnB concluiu que se trata de equipamento transceptor (transmissor e receptor), operando entre aproximadamente 4 a 6 GHz, sendo o MCT um aparelho de radiotelegrafia; - também não há dúvida sobre o enquadramento do equipamento na sub- posição 8525.20, uma vez que o laudo concluiu que o MCT trata-se de um transceptor que contém transmissor, receptor e circuitos de processamento de dados; t>12 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 E 3-C1T2 1.221 - relativamente ao enquadramento no item 8525.20.1, também atesta o laudo técnico que se trata de equipamento de telecomunicações por satélite e ainda que a função básica do MCT é transmitir e receber dados para e a partir da estação terrena de comunicação via satélite da Autotrac; - finalmente, sobre o subitem 8525.20.13, tem-se que o laudo concluiu que se trata de aparelho digital destinado à transmissão de dados, operando em banda C (4 a 6 GHz); - ainda, sobre as conclusões do laudo, tem-se que: a função básica do MCT•é transmitir e receber dados via satélite; os sinais de GPS são armazenados no MCT na forma de dados brutos, não tendo aplicação prática no veículo; o MCT possui função principal de comunicação e função acessória de captação de sinais de GPS, ou localização; a placa receptora de GPS é opcional e sua ausência não afeta a operação do equipamento; por outro lado, ausente a função de comunicação, o sistema OmniSat fica inoperante, o que significa a impossibilidade de obtenção da localização do veiculo; o MCT não possui aplicação em radionavegação; - empresa de auditoria externa atesta que a receita gerada pelo uso do GPS, chamado "pedido de posição" ou "localizáção do veiculo", equivale a 11% da receita total de comunicação da recorrente, os 89% restantes correspondem à telecomunicação pura, ou seja, envio e recebimento de mensagens; - sob o ponto de vista econômico, a declaração do fabricante do MCT atesta que a participação do GPS no custo do equipamento é de tão somente 4%, o que bem demonstra seu caráter acessório; - demonstrou-se que o equipamento em comento possui função acessória de localização de veiculos, no entanto, ainda que a localização de veículos fosse a função principal do MCT, localização e radionavegação são conceitos absolutamente distintos; - é impossível utilizar-se o MCT para navegação, já que este, mediante solicitação do cliente, tão somente indica à sua estação terrena o local tia que se encontra o veículo, não fornecendo rota ou indicação de direção Em outras palavras, o cliente ou o motorista de seu veículo jamais conseguirão utilizar o MCT como auxiliar para encontrar o seu ponto de destino. Portanto o MCT é imprestável para a radionavegação, ainda que possa ser utilizado subsidiariamente para a radio localização. É o relatório. • r7;7/7' Voto Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, Relator O recurso voluntário é tempestivo: a recorrente tomou ciência da decisão hostilizada em 14/10/2008 (AR de fls. 129) e apresentou sua peça recursal em 11/11/2008 (fls. 130). O presente litígio versa sobre a classificação fiscal de equipamentos importados pela recorrente. O equipamento encontra-se descrito na declaração de importação como "máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal", e é designado comercialmente como MCT — Terminal Móvel de Comunicação. Para este equipamento, a recorrente adotou a classificação fiscal 8525.20.13: 8525 - APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RAMO TELEFONIA, RADIOTELEGRAEL4, RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CÂMERAS DE TELEVISÃO; CAMERAS DE VIDRO DE IMAGENS FIXAS E OUTRAS CÂMERAS DE VÍDEO; CÂMERAS FOTOGRÁFICAS DIGITAIS. 8525.20 Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado. 8525.20.1 De telecomunicaÇâO por satélite 8525.20.13 Digital, para transmissão de voz de dados, operando em banda C, Ku, L ou S." A fiscalização desclassificou-os para o código NCM 8526.91.00: "8526- APARELHOS DE RADIODETECÇÃO E DE RADIOSSONDAGEM (RADAR), APARELHOS DE RADIONAVEGAÇÃO E APARELHOS DE RADIOTELECOMANDO. 8526.9 — Outros 8526.91.00—Aparelhos de radionavegação" O MCT é constituído por mais de um produto com funções distintas, que podem ser exercidas simultânea ou alternativamente, quais sejam: de telecomunicação de dados entre o veículo e a base, e de radiolocalização (determinação do posicionamento) do veículo, esta Ultima função a partir de utilização de placa GPS instalada no equipamento MCT. A Regra Geral de Interpretação n° 1 (RGI (SH) 1) estabelece que: - OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAP1TULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 5 3-CIT2 E I. 222 LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES." Portanto, as notas de Seção devem ser respeitadas na interpretação da Nomenclatura. No presente caso, observa-se que a classificação fiscal do equipamento, tanto a adotada pela recorrente quanto aquela que o fisco entende correta, encontra-se co capitulo 85, que está na Seção XVI da NCM. A Nota n°3 desta seção dispõe: "3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. "(grifei) Assim, para a correta classificação da mercadoria, é necessário determinar qual é a função principal do equipamento. Foi anexado aos autos, já em sede de impugnação, Laudo Técnico referente à verificação de funcionamento do equipamento MCT (fls. 90/103), elaborado pelo Prof. Doutor Plínio Ricardo Ganime Alves, do Departamento de Engenharia Elétrica da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Neste Laudo define-se que a função básica do MCT é "transmitir e receber dados para e a partir da estação terrena de comunicação via satélite da Autotrac, conhecida como Central de Gerenciamento de Rede (NMF)" (fls. 94). Mais adiante, o Laudo afirma que "O MCT possui duas funções distintas: a) Função principal — comunicar-se com a estação terrena de comunicação satelital da Autotrac. b) Função acessória — captar sinais dos satélites GPS e armazená-los na forma de dados brutos de latitude e longitude." (fls. 96) (grifei) Acrescenta o Laudo que "Ao desabilitar, desativar ou mesmo retirar a placa receptora GPS do MCT ele continua operante em perfeitas condições técnicas de ser instalado no veículo, e a comunicação entre o MCT e a estação terrena não é afetada; Ao manter no MCT apenas o GPS, o sistema OmniSAT fica inoperante, uma vez que a função de comunicação é a parte essencial do sistema. Sem a comunicação, o cliente não pode ordenar qualquer ação de seu interesse ao veiculo, e ainda sem a função de comunicação, todas as aplicabilidades do sistema deixam de existir, inclusive o posicionamento; "(fls. 96) E conclui que "tecnicamente, pelo critério de engenharia e concepção do MCT, sua função principal é a de se comunicar com a estação terrena de comunicação satelital da Autotrac a qual disponibiliza os dados recebidos do MCT ao cliente, e em situação inversa, transmite os dados recebidos do cliente ao MCT. Conclui-se ainda, que, - pelos mesmos motivos acima, a função do MCT de captar os sinais dos satélites GPS através da placa receptora GPS e armazená-la na forma de dados brutos de latitude e longitude é função acessória. "(fls. 97) (grifei) O Laudo ainda respalda a alegação da recorrente de que, mesmo que o GPS exercesse a função principal do equipamento, esta não seria de radionavegação e sim de simples posicionamento do veiculo (radiolocalização) uma vez que o cliente ou motorista de seu veiculo jamais conseguiriam utilizar o MCT como auxiliar para encontrar o seu ponto de destino. Vejamos o item 4.1.3 do Laudo (fls. 94/95): "4.1.3 Identificar e detalhar as funções do GPS no MUT O MCT possui placa receptora GPS. A função da placa é captar sinais dos satélites GPS e armazená-los (sempre que nova informação é recebida a anterior é descartada). Os dados estão na sua forma bruta, isto é, em latitude e longitude, ou seja, no MCT os dados não são transformados em posições geo- referenciadas (posições baseadas em estradas e cidades), bem como não existe no MCT mapas ou software que transformem os dados brutos em informações aZabadas, prontas para uso local (no veículo), tais como indicação de direção, distância percorrida, velocidade, guia de ponto de destino e indicador de caminho reverso usualmente disponibilizadas em GPS's convencionais. (...)"(grifei) O Laudo apresentado pela recorrente foi elaborado por órgão federal (Departamento da UnB) congênere ao Laboratório Nacional de Análises ou Instituto Nacional de Tecnologia, e não consta dos autos nenhum documento ou informação que comprove ou sequer alegue a improcedência daquele Laudo. Este deve ser, portanto, adotado nos aspectos técnicos de sua competência, segundo o art. 30, eaput, do Decreto n°70.235/72, verbis: "Árt. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Para fins de classificação fiscal, -portanto, deve-se considerar que a função principal do equipamento MCT é a de telecomunicação, ou seja, possibilitar a transmissão de dados entre a estação da Autotrac e o veículo. A função de radiolocalização exercida por meio do GPS é acessória. Conforme vimos anteriormente, segundo a Nota 3 da Seção XVI a mercadoria deve ser classificada de acordo com a sua principal função, que mão é de radionavegação como julgou a fiscalização e sim de telecomunicação de dados via satélite. Assim, a mercadoria em questão não se classifica no código NCM 8526.91.00, como considerou a fiscalização e sim no código NCM 8525.20.13, classificação utilizada pela empresa. A própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRE/7a RF/DIANA ti° 212, de 25 de maio de 2005, decidiu por classificar no Código NCM• .)n,..A‘ 16 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 1 1. 223 85235.20.13 um equipamento semelhante ao MCT, um rastreador de veículos, inclusive contendo um GPS. Vejamos parte da ementa desta Solução de Consulta: "Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: CÓDIGO TEC — 8525.20.13. Equipamento Transceptor(transmissor e emissor) de sinais via satélite para Comunicação de Dados Digitais, operando na "L" transmitindo e recebendo sinais dos Satélites Inmarsat D+ e ainda com receptor GPS, marca registrada N e tipo N1HL, modelo SAT-10I, fabricado por Satamatics, empregado para transmissão de dados digitais, por satélites tendo como principal objetivo o rastreamento de veículos, denominado vulgarmente e comercialmente "Rastreaclor" e tecnicamente "Transceiver", dotado de Antena. A fiscalização baseou sua autuação no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 14 de 02/09/2003, conforme se deduz do campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração (fls. 02). Na decisão recorrida, os julgadores a quo entenderam que, visto que à época da autuação vigorava o Ato Declaratório Interpretativo n° 14, de 02/09/2003, a fiscalização estava a ele vinculada e não havia como deixar de aplicá-lo. O referido Ato Declaratório estabelecia, em seu artigo único, que "Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System - GPS), desempenhando a função de autolocalizaçâo em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegaçâo ,,no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul." A decisão de primeira instância considerou que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20/08/2004, que revogou o ADI SRF n° 14/2003, na prática, ratifica o anterior: "Ato Declaratório Interpretativo SRF n°22, de 20 de agosto de 2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a fita ção de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo n° 10168.002623/2004-08, declara: Art. I° Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificam-se no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Afercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n' 14, de 2 de setembro de 2003." Peço vênia para discordar da decisão recorrida, pois a expressão "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" não é equivalente a "aparelhos de GPS ". Nem todos os aparelhos que fazem uso de GPS têm como função _a radionavegação e mesmo quando a têm, esta pode não ser a sua função principal. No presente caso, restou demonstrado que a função do GPS, no MCT não é de radionavegação e sim de simples radiolocalização e, mesmo esta, não é a função principal do equipamento e sim a de telecomunicação de dados entre o veiculo e a base da Autotrae, de tal forma que não se aplica ao equipamento em questão (MCT), o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°22/2004. Conclui-se que a mercadoria deve ser classificada de acordo com a principal função do equipamento, que é a de comunicação via satélite, no código NCM 8525.20.13, relativo a aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado (8525.20), de telecomunicação por satélite (8525.20.1), digital, para transmissão de dados, operando em banda 0(8225.20.13). • Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Celso Lopes Pereira Neto
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Numero do processo: 10855.724953/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO PARA ELETROBRÁS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de empréstimo compulsório à Eletrobrás.
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO.
Diante da ausência de omissão ou incorreção dos valores declarados em GFIP, não há como sustentar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.171-7 (multa CFL 68 - Omissão de GFIP). Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira de Araujo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de empréstimo compulsório à Eletrobrás. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO. Diante da ausência de omissão ou incorreção dos valores declarados em GFIP, não há como sustentar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 49 53 /2 01 2- 10 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.1717 (multa CFL 68 Omissão de GFIP). Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira de Araujo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 572 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 553558 contra decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 381387, que julgou totalmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob os DEBCADs nº 51.031.1717 e 51.031.1725, referentes às multas por descumprimento de obrigação acessória e isolada, respectivamente. O MPF nº 08.1.10.00.2012.00024 tinha por objetivo a verificação das compensações efetuadas em GFIP, pelo sujeito passivo, em 07/2007 a 12/2008. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 137142), em que pese a Recorrente ter sido intimada três vezes para comprovar o seu direito de efetuar a compensação, apenas apresentou duas planilhas contendo os valores compensados, os estabelecimentos e as competências. Em face da ausência de informação e comprovação do direito de a empresa compensar, tais compensações foram consideradas indevidas. Em virtude disso, a Autoridade Fiscal entendeu que restou configurado dolo, fraude e simulação, pelo que considerou o prazo decadencial para efetuar o lançamento com base no art. 173, I do CTN. Além disso, a Fiscalização entendeu que a ausência de comprovação do direito de compensar ensejou falsidade na declaração em GFIP, pelo que aplicou multa isolada de 150% sobre o total dos débitos correspondentes às GFIPs que foram entregues após a vigência da MP 449/2008, que incluiu o §10º ao art. 89 da Lei nº Lei n° 8212/91, estabelecendo, a partir daquele momento, tal medida sancionatória. Diante de tais constatações, a Autoridade Fiscal lavrou três Autos de Infrações cadastrados sob os seguintes DEBCADs: 1. DEBCAD nº 37.389.7910, através do qual lançou os valores indevidamente compensados, objeto do PAF nº 10855.724.952/201267; e 2. DEBCAD nº 51.031.1717 para a multa CFL 68 – Omissão de GFIP e DEBCAD nº 51.031.1725 para a Multa Isolada, os quais estão controlados no presente processo. Tendo sido cientificada em 30/11/2012, a Recorrente apresentou impugnação alegando: a) preliminarmente, a necessidade de retificar informação prestada decorrer do procedimento fiscal. Isso porque, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01, a Contribuinte declarou: “não propôs e não tem conhecimento da propositura por entidade filiada, de ação em face da União Federal, relativa às contribuições previdenciárias (patronal) do período entre dezembro de 2006 a dezembro de 2008, objeto da fiscalização”; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 b) que a informação reproduzida no tópico anterior seria fruto de informação equivocada prestada pelo então assessor jurídico, pois, na verdade, ela teria ajuizado, em face da União Federal, Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás e Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, Ação Ordinária de Compensação com pedido de antecipação parcial dos efeitos da tutela. Tal demanda tinha por fundamento 32 Cautelas de Ação ao Portador do Empréstimo Compulsório, instituído pela União em favor da Eletrobrás, emitidas em 16/06/72, em seu favor. c) a ausência de configuração do crime de sonegação tributária, bem como do dolo, fraude ou simulação, pois, ela teria realizado a compensação na qualidade de credora da União; d) que compensou o crédito com os débitos expressamente apontados na inicial (vencidos), mas, diante do indeferimento da tutela de urgência, passou a fazer a compensação com os débitos vincendos, com base no art. 374 do CC, deixando de realizar tal compensação desde a homologação da desistência do recurso de apelação que havia sido, por ela, interposto; e) que atuou de forma clara e transparente, utilizando informações corretas e códigos pertinentes, não omitindo informações, tampouco atuando na intenção de lesar o Fisco, de modo que, no seu entender, são incabíveis as multas por descumprimento de obrigação acessória e de ofício, objeto desse DEBCADs. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, através do acórdão nº 1441.216 (fls. 381 a 387), manteve, de forma integral, o crédito tributário constituído, destacando que: I. os débitos de contribuições previdenciárias apenas podem ser compensados com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior que o devido, conforme estabelece o art. 89 da Lei nº 8.212/91, de modo que supostos créditos utilizados pelo Recorrente não eram compensáveis com contribuições previdenciárias; II. a ação judicial ajuizada pelo Recorrente com o objetivo de compensar os mesmos créditos a débitos tributários já vencidos, que tramitava perante a Justiça Federal de Sorocaba/SP sob o nº 2006.61.10.0014772, foi peremptoriamente extinta por aquele juízo, diante da prescrição dos créditos; III. que a sentença acima se tornou definitiva após o Recorrente ter desistido, em 26/06/2008, do recurso de apelação interposto contra essa decisão; IV. que o Recorrente, mesmo ciente da impossibilidade de realizar tal compensação, aguardou a homologação tácita dos valores compensados sem ao menos retificar as GFIP’s, demonstrando a vontade dolosa de fraudar a legislação. Tendo sido cientificada do acórdão proferido pela DRJ em 29/04/2013, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário rebatendo essa decisão utilizando os mesmos argumentos trazidos na impugnação, aduzindo adicionalmente que: f) não deu continuidade ao procedimento de compensação após o trânsito em julgado da sentença, pois, embora tenha protocolado o pedido de desistência no dia 26/06/2008, o seu advogado apenas foi cientificado da Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 573 5 decisão homologatória da desistência no dia 16/01/2009, momento em que restou configurado o trânsito em julgado; g) as compensações teriam sido realizadas no período em que tramitou a ação judicial, deixando de realizálas com o trânsito em julgado da decisão; h) não restou configurado fraude, dolo ou simulação, pois a compensação foi realizada nos moldes que a Recorrente entendia juridicamente possível. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Vencido Carolina Wanderley Landim, relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente processo se refere cobrança de (i) multa isolada de 150% e (ii) multa por descumprimento de obrigação acessória, decorrentes das compensações indevidas cujos valores principais foram objeto do DEBCAD nº 37.389.7910, controlado no PAF nº 10855.724.952/201267. Passemos então à análise do cabimento de tais penalidades. No que tange à multa isolada, a Fiscalização entendeu, conforme já descrito no relatório integrante deste acórdão, que a ausência de comprovação do direito de compensar ensejou falsidade na declaração em GFIP, pelo que considerou fraudulenta a conduta da Recorrente, aplicando assim esta penalidade qualificada. No entanto, no presente caso, não enxergo a ocorrência de conduta fraudulenta, uma vez que a Recorrente não ocultou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. As contribuições previdenciárias foram informadas ao Fisco, assim como o procedimento compensatório. É tanto que foi com base nas declarações prestadas em GFIP que a Autoridade Fiscal pautou o seu lançamento. Deste modo, entendo que não restou comprovado que a Recorrente agiu dolosamente no intuito de ludibriar o Fisco, como se configuraria, por exemplo, com a apresentação de documentos/declarações com conteúdos falsos. O que ocorreu foi uma compensação indevida, circunstância da qual, por si só, não podemos presumir o dolo e atribuir um evidente caráter de fraude. Em situação análoga, esse Conselho entendeu pelo não cabimento da qualificação da multa, senão vejamos: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PERD/COMP. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. Créditos decorrentes de indébitos do empréstimo compulsório para a Eletrobrás não são compensáveis com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Pedidos de compensação de tais tributos, formulado pelo contribuinte via PERDCOMP, não ensejam multa qualificada de 150%. Remessa ex officio a que se nega provimento. CARF, Primeira Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma, Rel. Regis Magalhães Soares Queiroz, data do julgamento: 07/04/2010. Considerando que, no âmbito previdenciário, a penalidade de 75% prevista no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96, somente tem cabimento quando aplicada em dobro nos moldes do art. 89, § 10º, da Lei nº Lei n° 8212/91, aqui não há que se falar em redução da multa isolada para 75%, mas sim em cancelamento integral da penalidade por inocorrência de evidente intuito de fraude. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 574 7 Já em relação à multa por conta do descumprimento de obrigação acessória, a Autoridade Fiscal entendeu por bem aplicála com base no art. 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91. Como se sabe, tal dispositivo prevê que é cabível a multa por descumprimento de obrigação acessória quando o contribuinte deixa de apresentar a declaração ou a apresenta com incorreções ou omissões1. No caso em análise, a Recorrente apresentou a GFIP com os dados corretos, declarando os valores devidos. Se o crédito utilizado para compensação foi indevido, cabe a glosa dessa compensação e aplicada as penalidades cabíveis, mas não a imputação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, cujo suporte fático, como visto, não restou caracterizado. Logo, tampouco há que se falar na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Portanto, por todo o exposto, voto por considerar o RECURSO VOLUNTÁRIO PROCEDENTE, para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.1717 (multa CFL 68 – Omissão de GFIP) e no DEBCAD nº 51.031.172 5 (Multa Isolada). É o voto. Carolina Wanderley Landim. 1 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Considero que o voto da Ilustre Relatora, como de costume, foi muito bem fundamentado, todavia, ouso divergir de seu entendimento quanto ao afastamento da multa isolada, aplicada em razão da ocorrência de falsidade na declaração de compensação A Conselheira Carolina Landim não acolheu às conclusões do fisco acerca da existência de conduta fraudulenta do sujeito passivo, por entender que a compensação indevida, por si só, não caracteriza a fraude, principalmente tendose em conta que a empresa declarou os fatos geradores na GFIP. Pelo seu raciocínio somente caberia a aplicação da multa isolada caso o fisco demonstrasse que a empresa houvera lançado mão de documentos ou declarações falsos com intuito de ludibriar o fisco. Conforme relatado, por três vezes o fisco intimou a empresa a demonstrar a origem dos créditos utilizados na compensação, todavia, a empresa limitouse a apresentar planilhas contendo os valores compensados por estabelecimento. Em razão desta omissão do sujeito passivo, a Autoridade Fiscal aplicoulhe a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa utilizouse de créditos que não conseguiu demonstrar a origem. Ao impugnar o crédito, a autuada trouxe fato novo. Afirmou que se utilizou de créditos postulados em ação judicial ajuizada em face da União e do INSS para se compensar de valores originados de 32 Cautelas de Ação ao Portador do Empréstimo Compulsório, instituído pela União em favor da Eletrobrás, emitidas em 16/06/72, em seu nome. Acrescenta que deixou de realizar a compensação desde a homologação da desistência do recurso de apelação que havia sido, por ela, interposto. O órgão de primeira instância manteve o entendimento da auditoria, por entender que os supostos créditos mencionados na impugnação não eram compensáveis com contribuições sociais, além de que a pretensão do sujeito passivo foi sepultada pelo Judiciário após a desistência do recurso de apelação interposto pela autuada. Acrescentou o órgão a quo que a recorrente, mesmo ciente da impossibilidade de realizar tal compensação, aguardou a homologação tácita dos valores compensados sem ao menos retificar as GFIP’s, demonstrando a vontade dolosa de fraudar a legislação. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário para acrescentar que cessou as compensações após o trânsito em julgado da ação judicial, além de que inexistiu fraude posto que efetuou o processo compensatório em consonância com o direito que supunha existir. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 575 9 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não se prestarem a compensar contribuições previdenciárias, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo se tendo em conta que a empresa apresentou a declaração dos fatos geradores, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no campo compensação, posto que o sujeito passivo inseriu valores que sabidamente não possuía, para quitar as contribuições devidas. Penso que tem razão a Delegacia de Julgamento da RFB. Enxergo duas principais razões para concluir que a empresa valeuse de ardil para tentar livrarse do pagamento das contribuições. Primeiro, pelo que dispõe o art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n. 104/2001, é vedada a compensação de tributo postulada judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão que a concedeu. No caso sob enfoque, sequer a empresa obteve, mesmo que de forma precária, autorização para realizar a compensação pretendida. Não é razoável se supor que o sujeito passivo desconhece essa regra tributária e nem poderia, posto que a ninguém é dado descumprir a lei sob alegação do seu desconhecimento, conforme dispõe o art. 30 da Lei de Introdução ao Código Civil. De outra banda, há de se ter em conta que, mesmo desistindo da ação judicial que lhe supostamente lhe servia como base para não recolher as contribuições, o sujeito passivo permaneceu inerte perante a Fazenda, não quitando o tributo devido ou sequer retificando as declarações em que lançou as falsas compensações. Ao não retificar de imediato as GFIP, a empresa tentou se beneficiar da inércia do fisco, sorrateiramente aguardando o transcurso do prazo decadencial para se ver livre Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 576 11 da sua obrigação. Isso é conduta que precisa vigorosamente desestimulada, posto que causa sérios danos a realização da arrecadação tributária, com prejuízo irreparável para toda a sociedade. Neste sentido, sintome plenamente confortável para concluir com base nos elementos constantes nos autos que a empresa utilizouse do artifício de inserir declaração falsa na GFIP para deixar de recolher as contribuições lançadas. Justificase, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13982.000312/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL.
Dada a intima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes o decidido no principal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA
A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
Numero da decisão: 1401-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) acolher parcialmente a arguição de decadência, vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto; b) no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, também vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Quanto ao mérito, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira votou pelas conclusões.
Designado para redigir o voto venccedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. Dada a intima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. Impõem o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, uma vez constatadas sérias deficiências na escrituração contábil, que impedem a verificação da efetiva movimentação financeira e a determinação do lucro real. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) acolher parcialmente a arguição de decadência, vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 12 /2 01 0- 39 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Mattos e Antonio Bezerra Neto; b) no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, também vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Quanto ao mérito, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto venccedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 10891090): Tratase o presente processo de impugnação a autos de infração referente ao sujeito passivo em epígrafe. Foram lavrados os seguintes autos de infração relativos aos trimestres 1° a 4º de 2005, 1° a 4° de 2006, e 1° e 2° de 2007, tendo sido a exigência lavrada no regime do lucro arbitrado devido a contribuinte, que declarava pelo Simples, não possuir escrituração na forma exigida pela legislação comercial e fiscal. Foram objeto de lançamento os seguinte tributos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 192.165,21, acrescido de juros de mora; Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 95.313,77, acrescido de juros de mora; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 270.903,89, acrescido de juros de mora; Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 58.714,19, acrescido de juros de mora. Os lançamentos decorrem da constatação de infrações de: omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada; omissão de receitas operacionais decorrentes da venda de produtos de fabricação própria. Exigese ainda pelo presente processo multa de oficio de 75% em relação infração de omissão de receitas operacionais decorrentes da venda de produtos de fabricação própria, e multa de oficio de 150% em relação à omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada. A multa de oficio de 150% foi fixada devido à. contribuinte ter incorrido na prática de sonegação e fraude ao não escriturar em seus livros contábeis a totalidade de suas receitas auferidas, mantendo três contas bancárias a margem de sua escrituração regular durante o período fiscalizado e deixando de comprovar a origem de depósitos efetuados nestas contas que superaram a sete milhões de reais. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Além destes autos de infração, compõe o presente processo o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 043, de 23 de abril de 2010, que declara a exclusão da contribuinte supracitada do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal a partir de 01/01/2005. A contribuinte apresentou impugnação aos autos de infração, com os argumentos abaixo expostos. Inicialmente, manifesta seu interesse em efetuar o parcelamento de parte dos valores exigidos, quais sejam: IRPJ: imposto devido referente ao período compreendido os vencimentos entre 29/07/2005 e 31/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. PIS: contribuição devida referente ao período compreendido entre 15/06/2005 e 20/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. Cofins: contribuição devida referente ao período compreendido entre 15/06/2005 e 20/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. CSLL: contribuição devida referente ao período compreendido os vencimentos entre 29/07/2005 e 31/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. Defende a decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro; fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. A decadência é motivada pelo previsto no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Tendo em vista que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, já teria ocorrido a decadência de parte do crédito tributário exigido. Alega que o fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não permite a aplicação de multa de 150%. Aduz que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, deixando este elemento prestativo de configurar o cometimento de fraude ou a existência de dolo. A contribuinte colaciona a Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso, tendo o Fisco presumido a existência de fraude. Salienta que a situação econômicofinanceira do sócios é bastante reduzida, e que inexistem sinais exteriores de riqueza. A autoridade fiscal ainda não teria comprovado que os depósitos bancários. tenham resultado em disponibilidade econômica de renda e proventos. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 4 5 Defende a impossibilidade da representação fiscal para fins penais. Afirma que a autoridade fiscal descaracterizou a escrituração contábil da Contribuinte de forma sumaria, mesmo com a empresa atendendo as intimações e exigências da fiscalização. Esta medida deveria ser precedida de intimação a contribuinte para que procedesse com sua regularização, todavia este procedimento não foi efetuado. Esclarece que a atividade desenvolvida pela contribuinte demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. Contesta ainda o arbitramento levado a efeito, que desconsiderou as despesas da contribuinte, fato que resulta na improcedência do auto de infração. Salienta que a impugnante recolheu os tributos devidos a RFB no período objeto do lançamento, o que demonstraria a boafé da contribuinte. Requer, por fim, a declaração de nulidade e a improcedência dos autos de infração. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 10981099) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. Deficiências na escrituração contábil, tornandoa imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou determinar o lucro real, impõem o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para lançamentos deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento das condutas ilícitas ao longo do tempo, associado à significância dos valores subtraidos à tributação, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. INTUITO DE FRAUDE. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. APLICABILIDADE. Ê aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta da contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 12/01/2012 (fls. 1135), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 11381194, com base nos seguintes argumentos: a) Houve nulidade nas intimações efetuadas no decorrer do presente processo, tendo em vista a ausência de indicação da finalidade das mesmas, em desacordo com o disposto no art. 26, II da Lei nº 9.784/99; b) Insurgiuse contra o ato de exclusão do SIMPLES (Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n º 043, de 23 de abril de 2010), tendo em vista a inocorrência de reiteração na infração, posto que existe um único auto de infração. Ainda que fosse o caso de exclusão, tal ato não poderia produzir efeitos retroativos a 01 de janeiro de 2005, por afronta aos princípios da irretroatividade e ofensa a direito adquirido. No seu entender, o ato de exclusão somente poderia surtir efeitos a partir do exaurimento das possibilidades de defesa na esfera administrativa ou após 30 dias da sua publicação, nos termos do art. 103, II do CTN; c) Reiterou a alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. A decadência é motivada pelo previsto no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Tendo em vista que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, já teria ocorrido a decadência de parte do crédito tributário exigido. Afirmou que não houve dolo no presente caso, o que afasta a hipótese de aplicação da regra disposta no art. 173 do CTN; Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 5 7 d) Voltou a questionar a tributação realizada com base em movimentação bancária, acrescentando que o fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não autoriza, por si só, a aplicação de multa de 150%. Reiterou seu entendimento de que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, razão pela qual a ausência de escrituração da movimentação bancária não mais configura o cometimento de fraude ou a existência de dolo. Neste sentido, invocou a Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso; e) Contestou o procedimento de arbitramento do lucro, o que implicou a desconsideração das despesas da contribuinte, fato que resulta na improcedência do presente auto de infração. Salienta que a impugnante recolheu os tributos devidos a RFB no período objeto do lançamento, o que demonstraria a boafé da contribuinte. Afirmou, outrossim, que a autoridade fiscal descaracterizou a escrituração contábil da recorrente de forma sumária, sem previamente fixar um prazo para a sua regularização; f) Afirmou que a atividade desenvolvida pela contribuinte demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. Arguiu, outrossim, a inaplicabilidade do DecretoLei nº 1.648/78, uma vez que no presente caso o lucro poderia ser obtido pela adição da receita omitida à declarada. No seu entender, não poderia ser tributada mais do que 50% da receita omitida. Nestes termos, requereu a improcedência do lançamento. Alternativamente, requereu a redução da exigência, pela aplicação do art. 8º, § 6º do DecretoLei nº 1.648/78. Pleiteou a redução da multa qualificada de 150% e requereu a declaração de impossibilidade de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, tendo em vista a inocorrência de reiteração da infração. É o relatório. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade No entender da recorrente, houve nulidade nas intimações efetuadas no decorrer do presente processo, tendo em vista a ausência de indicação da finalidade das mesmas, em desacordo com o disposto no art. 26, II da Lei nº 9.784/99. Alegação desprovida de sentido, uma vez que o dispositivo legal citado pela recorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. Sobre o tema, dispõe o art. 69 da retrocitada Lei nº 9.784/99: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. De se esclarecer, por oportuno, que as intimações a que se refere a recorrente foram expedidas durante os procedimentos de fiscalização, que não se submetem ao regime do contraditório. Diante do exposto, concluo pela inexistência de qualquer causa de nulidade no presente processo, razão pela qual voto pela rejeição sumária da preliminar argüida pela recorrente. Argüição de decadência Repetindo o que foi alegado na fase impugnatória, a recorrente e sustentou a decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação ao IRPJ e à CSLL e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. No entender da recorrente, no caso em apreço o prazo decadencial deve ser contado segundo a regra prevista no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Considerando que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, entende já ter se operado a decadência de grande parte do crédito tributário constituído. Em relação a esta alegação, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 11021104: Em relação ao arguido, há que se dizer, de inicio, que, em regra e em principio, para os tributos lançados por homologação a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários esta regrada pelo parágrafo 4.° do artigo 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. [...] Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 6 9 § 4 º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, como se infere da parte final do dispositivo transcrito, a regra é excetuada nos casos em que reste “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Mas então, na comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (afastado, portanto, o parágrafo 4° do artigo 150 do CTN), como fica a disciplina da decadência? A resposta desta questão encontra na doutrina três correntes: uma afirma que, constatada a fraude, não haveria prazo decadencial correndo contra a Fazenda; outra, se posiciona no sentido de que o prazo decadencial só teria seu termo inicial quando da descoberta da prática dolosa; uma outra, por fim, baseada principalmente na constatação de que não há no Direito, em regra, relações jurídicas imprescritíveis, afirma que o afastamento do parágrafo 4.° do artigo 150 traria como conseqüência a aplicação do prazo mais largo definido no inciso I do artigo 173. Luciano Amaro (in"Direito Tributário Brasileiro", Ed. Saraiva, 2. edição, 1998, p. 385), defende esta terceira corrente por outros argumentos: A segunda questão diz respeito a ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação [...] Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos a não ver outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário nacional (arts. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado a pós a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinidamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não se ter criado a ressalva. Há de se entender, por certo, como mais consentânea com a nossa ordem jurídica, a terceira das opções postas. Com efeito, num sistema jurídico onde a prática até mesmo do mais grave dos crimes, aquele que atenta contra a vida humana, tem prazo definido para o exercício do jus puniendi, não seria razoável eleger o direito de constituição do crédito tributário como imprescritível, ou melhor dizendo, não passível de decadência. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Do mesmo modo, atentaria também contra a busca da pacificação social, da estabilização das relações jurídicas e contra a própria segurança jurídica — objetivos de primeira ordem do Direito , a eleição de uma regra que, por vias transversas, igualmente levaria a uma quase eternização do direito da Fazenda, como tal a que condiciona o inicio do curso do prazo decadencial à ciência da autoridade fiscal quanto à prática dolosa da contribuinte. Temse, assim, como primeira exceção à regra da aplicação do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, a aplicabilidade do inciso I do artigo 173 do mesmo CTN para os casos em que o dolo, a fraude ou a simulação se mostrarem presentes. Partindose para a análise do caso concreto objeto do presente processo, temse, assim, que, a teor do parágrafo 4.° do artigo 150 do CTN, o prazo para a Fazenda efetuar o lançamento é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a menos que tenha restado evidenciada a presença de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo de cinco anos passa a ter transcurso a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, a teor do inciso I do artigo 173 do mesmo CTN. Bem, como dos autos se infere, logrou a autoridade lançadora comprovar o intuito fraudulento da contribuinte, como se verá em item posterior deste voto, o que faz com que, desde já, se tenha como aplicável não a regra do parágrafo 4.° do artigo 150, mas a do inciso I do artigo 173. A partir desta regra, passa a ser importante, assim, identificar, no caso que aqui se tem, qual é a data que se deve ter como "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". No caso do IRPJ e da CSLL, a tributação se dá em bases trimestrais; assim, a regularidade fiscal da contribuinte relativa a um determinado trimestre, só pode ser aferida no trimestre imediatamente posterior, sendo a partir deste momento que o lançamento poderia ser efetuado. Diante deste quadro, apenas ao inicio do ano seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter ocorrido é que tem inicio o curso do prazo decadencial previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Deste modo, como no presente processo está a contribuinte se insurgindo contra o lançamento referente ao primeiro trimestre de 2005, temse que o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir do segundo trimestre de2005, o que faz com que o primeiro dia do exercício seguinte seja 01/01/2006. Quanto à Contribuição ao PIS e a Cofins, sua tributação ocorre com periodicidade mensal. Desta forma, o lançamento referente aos meses de janeiro a abril de 2005 só poderiam ter sido efetuados a partir de fevereiro, março, abril e maio de 2005, o que, de forma semelhante aos valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL, resulta em que o primeiro dia do exercício seguinte seja 01/01/2006 Tendo o curso do prazo decadencial de cinco anos seu termo inicial em 01/01/2006, percebese que só ao final de 2010 é que Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 7 11 se teve o termo final do lapso temporal, o que torna o lançamento aqui discutido — cientificado que foi à contribuinte em 14/06/2010 — perfeitamente regular à luz desta questão especifica. Assim, como se vê, do ponto de vista da disciplina da decadência relativa aos tributos exigidos neste processo, não há crédito tributário constituído a destempo. Diante do exposto, concluo que não merece prosperar a presente arguição de decadência apresentada pela recorrente. Tributação com base em depósitos bancários A recorrente, repetindo o que fez na fase impugnatória, arguiu a inexistência de sinais exteriores de riqueza, afirmando que a situação econômicofinanceira do sócios seria bastante reduzida. Sobre o tema, o acórdão recorrido foi bastante feliz ao mencionar que a necessidade de demonstração da existência de sinais exteriores de riqueza somente se fazia presente sob a égide do art. 6º, § 5º da Lei nº 8.021/90, expressamente revogada pelo art. 88 da Lei nº 9.430/96. A retrocitada Lei n° 9.430/96, por meio do seu art. 42, estabeleceu a regra de que a simples existência de depósitos bancários de origem não comprovada autoriza a presunção juris tantum de que os aludidos valores correspondem a receitas omitidas pelo titular da conta bancária. Estabelecida esta presunção, compete ao acusado demonstrar a sua improcedência, mediante a comprovação da origem dos aludidos depósitos bancários. Sobre o tema, assim me manifestou o acórdão de piso, fls. 1105: A figura da presunção legal é prevista na legislação em determinadas circunstâncias, em que o legislador reduz o ônus probatório a cargo do fisco. Assim, por exemplo, existe a presunção de ocorrência de receita omitida quando é apurada a falta de escrituração de pagamentos (RIR/99, art. 281, II); há presunção de pagamento de rendimento a pessoas ligadas ou a terceiros quando o contribuinte não comprova o beneficiário ou a causa de pagamento (RIR/99,.art. 674). No caso do art. 42 em análise, o legislador procurou imputar maior.carga probatória ao titular da conta bancária, que é afinal quem mais possui condições de esclarecer a que se devem os depósitos realizados em sua conta. Neste novo cenário jurídico; não se aplica mais o entendimento do antigo TFR: Estabelecido assirn . a distribuição do ônus probatório, é fácil verificar que as alegações da impugnante de que os depósitos bancários não correspondem a operações geradoras de renda ou acréscimo patrimonial devem estar amparadas por provas hábeis e idôneas, sem o que não poderão ser acatadas. Arbitramento do lucro Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 A recorrente afirmou que a desconsideração da sua escrituração contábil foi realizada de maneira sumária e arbitrária, não obstante o atendimento da grande maioria das intimações expedidas pela recorrente. No entender da recorrente, o arbitramento do lucro somente poderia ocorrer após a devida intimação para que a contribuinte pudesse regularizar a sua escrituração. No caso concreto, contudo, o Fisco não abriu esta oportunidade para o contribuinte. A recorrente enfatizou que o desempenho da sua atividade demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. No seu entender, tal fato acarreta a improcedência do presente lançamento. Tais alegações não merecem prosperar. Para maior clareza, considero prudente transcrever o art. 530 do Decreto nº 3000/99, que regula o procedimento de arbitramento do lucro: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 19: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Convém frisar, assim como fez o acórdão recorrido, que o arbitramento dos lucros não constitui um procedimento isolado, antecedente ou preparatório ao lançamento. O arbitramento dos lucros constitui, sim, uma decorrência dos procedimentos fiscalizatórios, quando verificada a ocorrência dos pressupostos autorizadores desta forma de apuração do lucro da contribuinte. Sobre o tema, manifestouse com clareza e precisão o acórdão recorrido, fls. 1106: Na verdade, o que há é um só procedimento a ação fiscal , no curso do qual, verificadas irregularidades nas informações e documentos fornecidos pelo contribuinte, podese chegar ao arbitramento, depois de devidamente assegurado o direito de defesa – direito este, aliás, que até mesmo por força de comandos constitucionais, deve nortear todo o feito fiscal, e não especificamente este ou aquele ato. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 8 13 A contribuinte possuía escrituração contábil bastante deficiente, conforme demonstrado pela falta de escrituração de depósitos bancários e de todas as movimentações fmanceiras mantidas junto ao Banco do Brasil S/A, Sicoob e Banco Besc S/A. Tal situação justifica a utilização da tributação pelo lucro arbitrado e a consequente adoção Receita Bruta da contribuinte como base de cálculo, deixando de ser consideradas as suas despesas. Ressaltese, por oportuno, que não se poderia cogitar da hipótese de apuração do imposto por meio do lucro real ou presumido, tendo em vista a não manutenção, pela contribuinte, de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Sobre o tema, pronunciouse com suficiente clareza o Termo de Verificação Fiscal, fls. 100, verbis: Tendo o sujeito passivo sido excluído do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2005, ficou sujeito, desde então às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, como frisado anteriormente, o que exige a manutenção de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, cuja falta de apresentação ou apresentação deficiente (contas bancárias não contabilizadas), de acordo com o art. 530, III, do RIR/99, enseja o arbitramento do lucro. Foi o que ocorreu no caso concreto. Diante do exposto, concluo que em relação a este tema, o recurso voluntário interposto pela contribuinte não merece provimento. Multa qualificada A recorrente alega que o simples fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não autorizaria a aplicação da multa no percentual de 150%. Acrescenta qte Aduz que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, razão pela qual a simples ausência de escrituração da movimentação bancária não poderia configurar a ocorrência de fraude ou dolo. Em defesa do seu entendimento, fez referência à Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso. Não assiste razão à recorrente. Em relação a este tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão de piso, fls. 1107: A majoração prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 referese à sua conduta ; aferivel, em face da legislação .tributária, no curso de sua vida cotidiana. Nestes termos, nos autos esta devidamente evidenciado que o sujeito passivo, ao longo de três anoscalendário, reiteradamente omitiu rendimentos à tributação, não tendo sido capaz de justificar um montante significativo de ingressos em suas contas bancárias, Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 quais sejam R$ 2.939.303,51 em 2005, R$ 3.530.247,50 em 2006 e R$ 957.853,74 em 2007. O que parece, razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, em que pese ter sido constatado por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários períodos base. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadr6 mais consistente acerca da aferição do dolo. Portanto, se o que se tivesse no processo fosse a demonstração de que parcelas pequenas dos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um períodobase especifico, poderseia até acatar a idéia de que houve uma conduta ,involuntária e de que, portanto, a imposição da penalidade agravada não seria. justificável. Entretanto, à luz do que dos autos consta, o quadro é bastante distinto, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos. Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir receitas, o que torna perfeitamente aplicável, sim, a multa agravada prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96. Assim sendo, considerando que a ausência de escrituração das contas bancárias configurouse como um procedimento sistemático da contribuinte, aliado ao fato de que o montante das receitas omitidas mostrouse extremamente elevado, considero claramente evidenciado o evidente intuito de fraude, fato este que autoriza a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, concluo que também em relação a este tema, o recurso voluntário não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 9 15 Em que pese as razões apresentadas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu por desqualificar a multa de ofício, pelas razões a seguir detalhadas. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, a Turma entendeu que os fatos indicados representam a mera omissão de rendimentos, não passível de imputação do dolo específico necessário à qualificação da penalidade, razão pela qual houve a redução para o patamar de 75%. Afastada a multa qualificada, e tendo havido recolhimento parcial de tributos, deve ser reconhecida, por conseqüência, a decadência parcial do crédito tributário em litígio, relativo aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação ao PIS e à Cofins Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 10 17 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10469.721561/2012-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário.
PROVA PERICIAL. Deve-se negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%.
Numero da decisão: 1103-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial, por maioria, para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado Digitalmente
Fábio Nieves Barreira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário. PROVA PERICIAL. Deve-se negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%.
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A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário. PROVA PERICIAL. Devese negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial, por maioria, para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado Digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 15 61 /2 01 2- 44 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 468 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório No Relatório Fiscal de fls. 299 a 302, certifica a autoridade fiscal que: a) a recorrente tem atividade cadastrada no CNAE: 8211300 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, e, na prática, faz intermediação de negócios, fazendo empréstimos a funcionários públicos e aposentados do INSS; b) a recorrente, em 09/09/2011, foi intimada, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar livros Caixa, Diário, Razão e de Registro de Apuração do ISS, sem prejuízo do contrato social e alterações, bem como comprovantes de retenção de IR, CSLL, PIS e COFINS. Todavia, limitouse a exibir, em 29/09/2011, livros de Registro de Apuração do ISS de 2008 e 2009, cópia de Requerimento de Empresário. Informou, contudo, que não localizou o livro Caixa, além disso, os comprovantes de retenção dos tributos solicitados não foram disponibilizados pelas fontes pagadoras; c) em 05/10/2011 informou a contribuinte, que nas dependências da empresa não encontrou livro Caixa e como optante do Simples Nacional está dispensada das retenções na fonte; d) foi solicitada ao Banco Mercantil do Brasil – BMB em 13/09/2011 a relação dos valores pagos de janeiro/2008 a dezembro/2009 à recorrente pelos serviços prestados, cópias dos contratos e nome do responsável/preposto da contribuinte, com quem eram tratados os negócios; e) o BMB apresentou em 06/10/2011 relação dos pagamentos efetuados à recorrente, cópia do contrato de prestação de serviços e informou que a contribuinte era representada por Nelle Cristina Garcia dos Santos; f) a recorrente omitiu receitas de julho a dezembro de 2008 e janeiro a dezembro de 2009, apuradas pela comparação dos valores escriturados nos Livros de Registro de Apuração do ISS e nas Declarações Anuais do Simples Nacional com os valores pagos/creditados pelo BMB, conforme relação de pagamentos efetuados e retenção do imposto de renda na fonte, notas fiscais e recibos apresentados pela fonte pagadora relativos aos anos calendário de 2008 e 2009; g) por não apresentar o livro Caixa e devido à prática reiterada de infração à legislação, foi excluída do Simples Nacional com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2008, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 5, de 16 de fevereiro de 2012, do qual foi cientificada em 23/02/2012, conforme Termo anexo, e de que poderia apresentar manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias e de que se sujeitaria às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir dos efeitos da exclusão, e que poderia optar pelo IRPJ e CSLL na forma do lucro presumido ou lucro real trimestral ou anual; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 469 3 h) foi intimada a qual a sua opção pela forma de tributação do IRPJ e CSLL para os exercícios de 2009 e 2010, apresentar livros Caixa (se optou pelo lucro presumido), ou livros Diário e Razão (se optou pelo lucro real), DCTF 1o e 2o semestres de 2098 e 2009, tendo vencido o prazo da intimação em 26/03/2012, tendo a recorrente solicitado prorrogação de prazo até 02/04/2012, que lhe foi concedida, tendo tal prazo vencido sem que a contribuinte apresentasse os livros e documentos solicitados; i) foi intimada em 02/05/2012 a apresentar talonário de notas fiscais de 2008 e 2009 e em resposta informou que “não foi possível” localizálos; j) em 21/05/2012 o BMB foi cientificado de solicitação das notas fiscais originais de aquisição de serviços prestados pela empresa N C MOURA GARCIA DOS SANTOS ME, CNPJ 03.672.214/000100, no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009; l) em resposta, o BMB apresentou, em 05/06/2012, a Relação de Pagamentos Efetuados a N C Moura Garcia dos Santos ME, e as respectivas notas fiscais e recibos, conforme relação e cópias em anexo; m) comparando os valores das notas fiscais e recibos fornecidos pelo Banco Mercantil do Brasil com os valores escriturados pela contribuinte no livro de Registro de Prestação de Serviços e nas Declarações Anuais do Simples Nacional, dos anos calendário de 2008 e 2009, constatouse que a recorrente escriturou apenas uma pequena parte do valor de cada nota fiscal/recibo, conforme TABELA 6 DIFERENÇA ENTRE OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS E OS VALORES ESCRITURADOS, REFERENTES AOS SERVIÇOS PRESTADOS AO BMB, em anexo. Em decorrência, foi lavrado o auto de infração com a fundamentação abaixo descrita: “baseado nas notas fiscais e recibos, emitidos pela contribuinte, que nos foram apresentadas pela fonte pagadora, Banco Mercantil do Brasil S/A, nos Livros de Registro de Prestação de Serviços da contribuinte e nas Declarações Anuais do Simples Nacional, dos anoscalendário de 2008 e 2009, efetuamos o lançamento constante dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com base no lucro arbitrado, conforme demonstrativos de apuração do imposto e das contribuições, que são parte dos autos, eTABELA 1 DEMOSTRATIVO DAS RECEITAS APURADAS, TABELA 2 –DETALHAMENTO DA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS 2008, TABELA 3 DETALHAMENTO DA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS 2009, TABELA 4 DEMOSTRATIVO DO IRPJ APURADO, TABELA 5 DEMOSTRATIVO DA CSLL APURADA e TABELA 6 – DIFERENÇA ENTRE OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS E OS VALORES ESCRITURADOS, REFERENTES AOS SERVIÇOS PRESTADOS AO BMB, todos em anexo, tendo sido deduzidos o imposto de renda retido na fonte, como se pode verificar no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Lucro Arbitrado, constante do auto de infração do IRPJ, assim como os pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS efetuados através de DAS (documento de arrecadação simplificada), conforme TABELAS 7 DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DOS VALORES PAGOS PELO SIMPLES 2008 e TABELA 8 DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DOS VALORES PAGOS PELO SIMPLES 2009, em anexo, e demonstrativos de apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, constantes dos respectivos autos de infração” Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 470 4 (...) “Neste processo o PIS e a COFINS foram lançados apenas sobre as receitas omitidas, como reflexo do IRPJ, tendo sido cadastrado o processo n° 10469.723843/201286, para o lançamento dessas contribuições, em relação às receitas escrituradas e não declaradas”; (...) “Considerando que a conduta praticada pela contribuinte se constitui, em tese, crime contra a ordem tributária, formalizamos o processo administrativo n° 10469.726191/201231, com a lavratura da representação fiscal para fins penais, de que trata o art. 1o. da Portaria RFB n° 2439, de 21 de dezembro de 2010, e qualificamos a multa de lançamento de ofício sobre às receitas omitidas, nos termos do art. 44, §§ 1o e 2o da Lei 9.430/96”. A recorrente ofertou impugnação, a qual foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo (fls. 354). Foi interposto Recurso Voluntário (fls. 420), com os seguintes argumentos: i) ser optante do SIMPLES NACIONAL, excluída por força do Ato Declaratório Executivo n° 5, de 16 de fevereiro de 2012, cujo efeito retroagiu a 1o de janeiro de 2008. Entretanto, o ato de exclusão foi impugnado, por meio da manifestação de inconformidade, em anexo, pendente de julgamento. A Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 determina que o ato de exclusão poderá ser impugnado pelo sujeito passivo, momento em que, o ato de exclusão só poderão gerar efeitos após decisão desfavorável contra o contribuinte, i.é., apenas após a conclusão do processo administrativo é que será possível ao contribuinte exercer seu direito de apurar o tributo utilizando outra modalidade de recolhimento tributário (lucro presumido ou real) podendo pagar o tributo no prazo de 30 dias a contar da data de intimação da decisão que confirma o ato de exclusão. Por essa razão, o ato declaratório executivo de exclusão está com seus efeitos suspensos, implicando na nulidade do arbitramento, em razão do princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; ii) há defeito no lançamento tributário vez que não motivado o lançamento de ofício com base no lucro arbitrado, visto que não desclassificada a escrita fiscal da recorrente; iii) inexistência de fundamento legal para a aplicação da multa de no percentual de 150%, pois o contribuinte entregou a obrigação acessória corrigida, como exigida pela autoridade fiscal, descaracterizando o elemento subjetivo do dolo e da intenção de fraudar o fisco federal, configurando, apenas, erro de direito. Ademais, a multa nesse patamar seria confiscatória; iv) esclarece a recorrente que a sua receita deve ser considerada com os descontos dos valores de repasse à terceiros, já que sua atividade é de intermediação, e, portanto, nem todos os valores que transitam pela sua escrita contábil constituem renda ou serviços seus”; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 471 5 v) diz ainda, sobre o seu negócio, que cabe à recorrente selecionar para as instituições financeiras os agentes (vendedores) que formam equipes de vendedores autônomos (denominados vulgarmente de pastinhas) que captam consumidores dos serviços bancários das instituições financeiras, após o que os “pastinhas” “encaminham, semanalmente, a produção aos vendedores, contratados pela contribuinte”. De posse dos documentos dos consumidores dos serviços bancários, a contribuinte averigua os dados e documentos coletados pelos agentes vendedores e pastinhas para formalizar o contrato bancário. Pela prestação de serviços de processamento de informações/dados, ganha uma comissão, sendo essa a sua receita e sua atividade é abrangida pelo sistema simplificado de recolhimento de tributos. Assim, pelo “contrato de prestação de serviços firmando com a instituição financeira, a contribuinte é obrigada a repassar comissões relativas a prestação de serviços dos agentes (vendedores sub contratados sob supervisão das instituições financeiras) e dos agentes subordinados a estes, denominado pastinhas”, mas “as instituições financeiras no intuito de simplificar os procedimentos, centralizam o pagamento das comissões pela prestação de serviços, em uma única pessoa, a contribuinte”, ocorrendo de “valores que não compõem receita ou renda da contribuinte transitam em suas contas bancárias e escrita contábil por força do contrato de prestação de serviços ... com as instituições bancárias; vi) esclarece que sua atividade é regulada por Resoluções Bacen n°.s 3.110 e 3.156, de 2003, que autorizavam, os correspondentes bancários, prestar serviços de ordens de pagamentos, pedidos de empréstimos e financiamentos, análise de crédito e cadastro, serviços de cobranças, e, atividades de processamento de dados, atuando sob as diretrizes da instituição financeira bancárias que a contrata conforme art. 2o da Resolução n°. 3.954, de 24 de fevereiro de 2011; vii) além disso, diz que a Resolução BACEN n°. 3.954/2011 enfatizando que esta “prevê que os correspondentes bancários tal como a contribuinte, atuam por conta e diretrizes da instituição bancária contratante, que assume inteira responsabilidade pelo cumprimento da legislação relativa às transações”, sendo “tais fatos ignorados pela autoridade fiscal mesmo diante dos documentos contábeis que teve acesso”, os quais “consubstanciam prova negativa do intuito de fraude”; viii) portanto, o lançamento tributário deve ser anulado face ter apurado como receitas verbas que não consubstanciam resultado de venda e/ou prestação de serviços da contribuinte, tendo a contribuinte atuado por mandato, a conta e ordem da instituição financeira”. Isto porque a autoridade fiscal entendeu como receita a soma dos valores das notas fiscais apresentadas à fiscalização; ix) conforme a recorrente, não se trata de omissão de receita, mas erro de direito do contribuinte e, sendo assim, não se aplica o art. 42 da Lei 9.430/96 que prevê que somente caracteriza omissão de receita ou rendimentos os valores para os quais não se comprove a idoneidade da origem dos recursos, fato que não se aplica aos valores pertencentes a terceiros; x) defende, aplicandose por analogia, a Instrução Normativa SRF n° 152, de 16 de dezembro de 1998, alterada pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, que dispõe que “a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente às operações com veículos usados”, o que implicaria em reconhecer que nas operações de intermediação da atividade econômica a Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 472 6 tributação se daria apenas sobre a diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição do bem ou mercadoria; xi) produção de prova pericial; e xii) pede a improcedência do lançamento de ofício, ou, no entendimento diverso, a requalificação da penalidade. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 473 7 I. PRELIMINARMENTE PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA SOBRE EXCLUSÃO DO SIMPLES O art. 142 do CTN diz que cabe à autoridade administrativa constituir o crédito tributário. De outro lado, o art. 151, do CTN, determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, entre outras hipóteses, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Veja que o art. 151, do CTN, não suspende o direito do Ente Político de constituir o crédito tributário, mas de cobrálo, na pendência do processo administrativo. Por essa razão, a existência de processo administrativo de exclusão de Simples, não tem o condão de inibir a autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142, CTN. Nesse sentido, já se pronunciou o CARF: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006, 2007 e 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica que incorrer nas hipóteses de prática reiterada dolosa de infração à legislação tributária deve ser excluída de ofício do Simples e/ou do Simples Nacional, cujos efeitos começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo não se presume, deve estar expresso em lei, o que impede à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo, descabendo recorrer ao art. 151, III do CTN, que cuida tão somente de suspensão da exigibilidade de crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITA. Mantém se o lançamento decorrente de omissão de receita de vendas de produtos apurada com base em informações fornecidas por terceiros (Mercado Livre) quando não elidida pela contribuinte. ARBITRAMENTO Justificase o arbitramento quando a contribuinte, ao ficar sujeita as regras do lucro real em face de sua exclusão do Simples, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71,1, da Lei n° 4.502/64. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO Não cabe o agravamento de multa fundamentada em não apresentação de livros obrigatórios quando o arbitramento já se deu por esse motivo. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA TRIBUTARIA Responde solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124,1 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CABIMENTO Aplicase aos autos do PIS, da COFINS e da CSLL, os mesmos fundamentos dados ao auto de IRPJ, Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 474 8 quando existir relação de causa e efeito entre os mesmos.” (Proc. nº 16004.000076/201015, Rel. GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO). Não se acolhe o pedido da recorrente. II. MÉRITO Conforme se verifica dos autos, os valores recebidos a título de prestação de serviços, espelhados nas notas fiscais emitidas pela recorrente, não foram oferecidos à tributação na sua totalidade (fls. 76/168). A recorrente diz que nem todo esse valor representaria o seu faturamento, pois nele estão contidos as comissão recebidas pelos terceiros, agenciados por ela em nome da instituição financeira contratante. Ocorre, que ainda que os valores relativos as comissão não se considerassem como integrantes da base de cálculo do SIMPLES, nenhuma prova fez quantos às comissões pagas. Não se vê, portanto, nos autos, a prova do que alega, descumprindo o art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Por essa razão, provada está a omissão de receitas. Nesse passo, é provada a omissão de receitas. Em decorrência, o art. 34, da LC nº 123/06, dispõe que todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional, se aplicam a elas. Por isso, correta a atitude do fisco de arbitrar a base de cálculo do tributo, utilizandose como critério para tanto a diferença entre as notas fiscais emitidas em favor da instituição financeira, tomadora dos serviços, e o efetivamente declarado. Portanto, mantenho o lançamento fiscal. Quanto à multa, verificase, nos autos, que a fiscalização efetuou lançamentos de ofício com multa de ofício de 75% sobre os tributos derivados das receitas escrituradas e declaradas em valores inferiores aos das notas fiscais, relativo ao confronto entre Livros de Apuração do ISS e as Declarações Anuais do Simples Nacional, as quais, de toda sorte, foram objeto de lançamentos pelo IRPJ e CSLL sobre o lucro arbitrado, em função da exclusão do Simples com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2008 e falta de apresentação pela contribuinte dos livros e documentos solicitados pela fiscalização referentes à tributação ou pelo lucro presumido (livro Caixa) ou lucro real (Diário e Razão); e lançou com multa de 150% os tributos incidentes sobre as omissões de receitas em valores para os quais a contribuinte, embora intimada, procurou afastar do conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador (art. 71 da Lei 4.502/64), caso das receitas da recorrente obtidas pelo Fisco por meio das notas fiscais exibidas pelo tomador dos serviços da recorrente. Entendo que a multa de 150% não se justifica quando se verifica simples falta de informações fiscais, razão pela qual, orientado pela Súmula deste Conselho, reduzoa ao patamar de 75%. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 475 9 Quanto à produção de prova pericial, fica também indeferida, por descumprimento do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, recebo o recurso da recorrente, para REJEITAR A PRELIMINAR ARGÜIDA e, JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE o recurso ordinário, PARA REDUZIR A MULTA APLICADA. Assinado Digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 10140.720867/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO.
INOPONIBILIDADE AO FISCO.
O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO.
Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações
Numero da decisão: 1202-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Presidente da Turma, Carlos Alberto Donassolo, declarou-se impedido, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. O julgamento foi presidido pelo Vice-Presidente da Turma, Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do RICARF.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Vice- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 16 1 15 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720867/201103 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.176 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ Reflexos Recorrente RIBEIRÃO AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Presidente da Turma, Carlos Alberto Donassolo, declarouse impedido, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. O julgamento foi presidido pelo VicePresidente da Turma, Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do RICARF. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Vice Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 67 /2 01 1- 03 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 2 Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que indeferiu impugnação apresentada contra lançamento de ofício referente aos anos calendário de 2006 e 2007, formalizando exigências relativas ao IRPJ e a CSLL, em decorrência da suposta falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de bens do ativo permanente, gerando, com efeito, redução indevida do lucro sujeito a tributação. Cumpre consignar que a operação de alienação dos bens deuse entre as empresas SAS Empreendimentos Imobiliários (alienante) e Iaco Agrícola S/A, das quais a Recorrente é sócia controladora. De acordo com a autoridade lançadora, uma vez que a Recorrente pretendia “dar outro rumo à exploração das terras mencionadas, passando para a produção de álcool, foram criadas duas novas empresas, uma imobiliária, de compra e venda de imóvel, e a outra, usina de álcool”.1 O capital social da primeira empresa, denominada SAS Empreendimentos Imobiliários, era constituído em 90% pela Recorrente e outros 10% pela empresa SAS Administração e Participações, que segundo a autoridade administrativa, pertence ao grupo que controla a administração da Recorrente, exercido pela família Schmidt. A Recorrente integralizou sua parte no capital social da referida empresa mediante (i) transferência de 4 imóveis registrados na Comarca de CassilandiaMS; (ii) diversos bens indicados nas respectivas contas contábeis;2 e (iii) parcela em moeda corrente a ser integralizada no prazo de cento e oitenta dias. Contudo, consoante, instrumento de “Re ratificação e Consolidação do Contrato Social” de fls. 114, o segundo item foi substituído por um quinto imóvel, cujo valor de avaliação era idêntico ao dos bens substituídos. De outra sorte, a empresa SAS Administração e Participações integralizou seu quinhão no capital social da SAS Empreendimentos Imobiliários transferindo quatro imóveis urbanos localizados no município de Campo Bom, restando ainda, saldo a integralizar no prazo de 180 dias. Ademais, quanto a outra pessoa jurídica, denominada Iaco Agrícola S/A, inicialmente composta pela (i) Recorrente (95%) e pelo (ii) Sr. Tovar Schmidt (5%), convém 1 Fl. 2 do relatório fiscal. 2 Cláusula Segunda, parágrafo segundo, alínea ‘e’ do Instrumento de Constituição da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 17 3 mencionar que recebeu a inclusão de outros dois sócios; a empresa (iii) AGP Negócios e Participações, e (iv) Horamars Participações Ltda.. Assim, consoante a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Junho de 2006, foi deliberado o aumento do capital social desta empresa, e inclusão dos acionistas AGP Negócios e Participações Ltda e Horamars Participações Ltda. Com a disponibilização dos valores recebidos por meio do aumento do capital social, parcialmente integralizado, a empresa Iaco Agrícola S/A adquiriu no dia 31/01/2006, quatro dos imóveis supra mencionados, pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, e, posteriormente, dia 10/01/2007, ela também adquiriu o outro imóvel pertencente a esta. No tocante a primeira operação acima referida, cumpre consignar que os valores recebidos foram contabilizados e tributados pela sistemática do lucro presumido, regime de caixa, sendo que no mesmo dia o resultado das operações foi apurado e distribuído aos sócios na proporção de seus respectivos capitais, tendo sido descontado da sócia SAS Administração e Participações a parcela que faltava para integralizar a totalidade de seu capital social. O mesmo tratamento contábil foi dispensado após a segunda operação de compra e venda, cujo pagamento foi realizado em duas vezes, no dia 11/01/2007 e no dia 20/02/2007. Cumpre asseverar que no dia seguinte ao do primeiro pagamento, a grande maioria dos valores recebidos foram destinados para adiantamento de dividendos e pagamento de empréstimo junto a empresa Schmidt Irmãos. Quanto ao segundo pagamento, ressaltase o pagamento de PIS e COFINS efetivado pela empresa SAS Empreendimentos, e a distribuição a título de adiantamento de lucros de parte do pagamento.3 A autoridade administrativa, por sua vez, desconsiderou o tratamento contábil dedicado às operações por entender que estas foram idealizadas e realizadas com exclusivo intuito de reduzir a tributação que incidiria sobre a venda do ativo imobilizado da Recorrente, invocando a violação do artigo 187 do Código Civil, que dispõe sobre o abuso de direito, nos casos em que o ato praticado excede os limites impostos pela finalidade econômico social daquele que cometeu o ato. Neste sentido, a autoridade administrativa assevera que ao criar uma empresa de empreendimentos imobiliários, a Recorrente se beneficiou do percentual de presunção do lucro presumido, uma vez que a venda dos imóveis em foco à empresa IACO foram contabilizadas como receitas operacionais, distorcendo o percentual de presunção, que na verdade é utilizado para se aproximar da margem real para cada atividade, e não para reduzir a tributação de operações imobiliárias. A fim de reproduzir o entendimento da autoridade fiscal, convém transcrever os trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal de fls.. “Embora formalmente lícita, a integralização das terras na SAS Empreendimentos é desprovida de substância essencial ao negócio, pois a vontade Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 4 materialmente manifestada era a venda de ativo imobilizado da Ribeirão Agropecuária para novos parceiros, aos quais a própria Ribeirão se associaria na IACO, e não a constituição de sociedade capitalizada com i móveis para futura venda. Não há causa econômica na interposição da SAS Empreendimentos, pois essa em nada contribuiu para a venda das terras, conforme denota a simplicidade de seus registros contábeis, que não corroboram a existência de juma verdadeira estrutura empresarial para a compra e venda de imóveis na dimensão do aporte de capital. (...) A sequência de atos formalmente lícitos não garante que deles aparentemente decorreria. Isso porque, conforme ensina Marco Aurélio Greco4, não basta fotografar, mas sim filmar a realidade, analisando o contexto para ao final concluir pelo significado real do que aconteceu. E o contexto demonstra que o sujeito passivo é a Ribeirão Agropecuária, por ser a proprietária original das terras, a beneficiária do produto da venda e porque a operação, vista no todo, revela que a venda não se caracterizou como atividade operacional da SAS Empreendimentos, muito menos como alienação de ativo imobilizado da própria SAS. A integralização das terras pela Ribeirão não teve intenção de compor estoque para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para consecução do objeto social. Não houve fato gerador tendo como sujeito passivo a SAS Empreendimentos. Houve, sim, ganho de capital na venda de ativo permanente da Ribeirão Agropecuária, sujeito a tributação conforme o art. 418 do RIR/99.” Por tais motivos, a autoridade fiscal sustenta que “A Constituição da SAS Empreendimentos com patrimônio R$ 66 milhões com a finalidade de reduzir a tributação que incidiria sobre a venda do imobilizado da Ribeirão, aliada à sua imediata descapitalização na ordem de 90% atenta contra o disposto no artigo 197 do Código Civil”. Assim, promoveu o lançamento tributário considerando como sujeito passivo da obrigação a Recorrente (Ribeirão Agropecuária), adicionando ao lucro real dos anos calendários de 2006 e 2007 a diferença entre o valor da venda dos terrenos da SAS para a IACO e o custo da aquisição dos referidos bens pela Recorrente, formalizando a exigência de IRPJ e CSLL em decorrência do ganho de capital supostamente auferido por meio das aludidas transações. Além disso, efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais da atividade da Recorrente com o lucro não operacional relativo ao anocalendário de 2006 constatado no curso da fiscalização, bem como compensou os prejuízos fiscais acumulados até o ano calendário de 2005, nas bases de calculo de 2006 e 2007, respeitando o limite de 30%. Por fim, deduziu do lançamento os valores recolhidos pela SAS Empreendimentos Imobiliários por entender que o sujeito passivo da obrigação é a Recorrente. Em sede de impugnação, a Recorrente pleiteou o cancelamento da exigência, salientando que foi constituída na tentativa mal sucedida da Família Schmidt adentrar no ramo agropecuário, amargando seguidos prejuízos fiscais entre os anos de 1997 e 2005. Diante dessa fracassada tentativa, a Família Schmidt resolveu investir no ramo agrícola, razão pela qual criou a empresa IACO Agrícola S/A. Assim, alega preliminarmente o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária uma vez que a operação em foco foi travada entre duas empresas das quais a Recorrente possui participação societária, mas que, todavia, não realizou qualquer ato de alienação de bens para ser surpreendida por auto de infração. 4 “Planejamento Tributário, 2ª Ed. São Paulo, Dialética, 2008, pg. 123”. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 18 5 Ademais, quanto a empresa SAS Empreendimentos Imobiliário ressalta que, sempre atenta aos movimentos do mercado, certa vez a Recorrente recebeu proposta irrecusável para vender as referidas terras a um grupo italiano, assinando inclusive termo de preferência com cláusula penal no caso de eventual recuo, mas que, contudo, a venda não se concretizou,. Para comprovar o alegado, a Recorrente juntou os documentos referentes a tentativa de transação. Conquanto o negócio com os Italianos não tenha se concretizado, a Recorrente vislumbrou oportunidade na comercialização de suas terras, criando, para tanto, empresa com única finalidade referente a empreendimentos imobiliários. Aduz, ainda, que no ano de 2005, um grupo argentino também tentou adquirir as terras em questão com o intuito de constituir usina de álcool e açúcar, negócio que também não vingou devido a diversas exigências feitas pelos Argentinos. Assim, aduz “que demonstra a fragilidade da teoria construída pelo auto de infração, no sentido de que ‘o verdadeiro objetivo da Ribeirão Agropecuária era se associar à AGP e à Horamars em novo empreendimento (IACO)”, uma vez que se as mencionadas transações tivessem se concretizado a Recorrente jamais poderia se juntar com as atuais co acionistas na empresa IACO. Após novo fiasco, os grupos AGP e Horamars propuseram parceria à Recorrente, para explorar o ramo de produção de álcool e açúcar, utilizandose, para tanto, das terras que a Ribeirão integralizou quando da constituição da IACO, cujo modelo de negócio não implicava na aquisição de grandes áreas, mas sim naconstrução de uma usina, localizada na área integralizada pela Recorrente. Quanto a aquisição pela IACO das terras pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, objeto do lançamento de ofício em foco, a Recorrente alegou tratarse de uma decisão empresarial tomada em conjunto com os demais acionistas, que decidiram desembolsar valiosa quantia para concretizar a negociação, e que é perfeitamente lícito a empresa SAS alienar imóveis de sua propriedade, sobretudo por que é esse o seu objeto social. Outra situação que a Recorrente alegou para desconstituir a tese do fisco é que além dos imóveis pertencentes a SAS Empreendimentos Imobiliários, a IACO também adquiriu outras propriedades, conhecidas como São José e Fazenda Uterava. Além disso, a fim de comprovar a efetividade das operações imobiliárias da SAS, a Recorrente traz documentos demonstrando que as áreas classificadas como irrisória pela autoridade administrativa na realidade tornaramse um megaloteamento incrustado no coração de Campo Bom/RS, além de ressaltar diversos outros projetos concretizados pela empresa imobiliária. Por fim, no que tange a alegação do Fisco de que o grupo controlador da Recorrente já possuía empresa atuante no ramo imobiliário, e que não seria necessária a criação da SAS Empreendimentos Imobiliários, aduz que a empresa mencionada pelo Fisco destinase a percepção de dividendos e outras rendas de capital oriundas das sociedades em que ela detinha participação. Nesse contexto, aduz que a tese defendida pelo Fisco, no sentido de que a Recorrente agiu com abuso de direito não se sustenta não se sustenta uma vez que: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 6 (i) Ao decidir criar outras empresas a Recorrente agiu em consonância com o artigo 170 da Constituição Federal, não havendo que se falar na ilegalidade em relação a criação destas empresas; (ii) conjunto de provas que demonstram a efetividade das operações da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários; (ii) inexiste a figura do abuso de direito alegado pelo Fisco no direito tributário, não cabendo o uso de lei civil para fundamentar lançamento de ofício em razão do princípio da estrita legalidade; (iv) a SAS Empreendimentos não possuía qualquer impedimento legal para alienar bens de sua propriedade, sendo esta a sua finalidade social; (v) não se pode concordar com a interpretação extensiva, vedada em matéria fiscal, de que o percentual de presunção estabelecido pelo artigo 518 do RIR justificaria que a SAS não possuía estrutura para exercer a atividade para qual foi criada tendo em vista os demonstrativos de resultados dos anos de 2006 e 2007. No que tange a limitação da compensação prejuízos fiscais dos anos anteriores em relação aos períodos fiscalizados em 30%, alegou a Recorrente que a autoridade administrativa (i) utilizou norma inconstitucional para a realização de tal ato, porquanto viola o direito adquirido, ato jurídico perfeito além do próprio conceito de renda constitucionalmente estabelecidos; (ii) caso fosse constitucional, não poderia abranger períodos anteriores a 1995 em respeito ao princípio da anterioridade, razão pela qual o prejuízo fiscal anterior a este período deveria ter sido compensado em 100%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS manteve o lançamento em foco nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 19 7 Neste sentido, sustenta a decisão recorrida que (i) não há erro na apuração do sujeito passivo uma vez que a Recorrente é a titular da disponibilidade econômica ou jurídica (renda); (ii) em pouco mais de um ano todo o ativo imobilizado da Recorrente foi transferido para a IACO; (iii) ao contrário do que foi aduzido na impugnação, a Recorrente não pretendia deixar o ramo da agropecuária, mas sim reorientála, com agregação de novos sócios; (iv) a IACO e a SAS Empreendimentos foram constituídas na mesma data, uma com pequeno aporte de capital e a outra com valor substancial, sendo que os lucros auferidos por esta eram imediatamente repassado aos sócios, havendo nesse conjunto de operações incoerência em relação as atividades empresariais, o que demonstram a relevante motivação de economia fiscal. Ademais, assevera que (v) o curto período entre a criação da IACO e o ingresso dos novos sócios induz que o direcionamento das terras para esta já fora estabelecido desde o início já que um investimento do tamanho do aporte dos novos sócio não é decidido sem um prazo razoável para estudos, além das datas de pagamento pela aquisição das terras ocorrerem em dois períodos distintos, o que permitiu a SAS Empreendimento não fosse obrigada a declarar sua renda pelo lucro real, obtendo a vantagem da tributação pelo lucro presumido. Relativamente a (vi) efetividade das operações da empresa SAS, a autoridade julgadora a quo salienta que durante os primeiros anos de vida praticamente não existiu experiência profissional da aludida empresa, apesar do aporte de capital muito superior ao que era necessário para o início das operações, sendo que, após a transferência das terras para a IACO não há qualquer movimentação de vulto até o ano de 2010. Por fim, quanto a (vi) limitação da compensação do prejuízo fiscal aduz que foram instituídas mediante Lei, e não cabe a autoridade administrativa reconhecer inconstitucionalidade de Lei, competência exclusivamente outorgada ao Poder Judiciário. O recurso voluntário foi interposto com o fito de reverter a decisão recorrida e, consequentemente, anular o lançamento em foco, alegando, em síntese, o erro na identificação do sujeito, aduzindo que a SAS Empreendimentos Imobiliários foi quem realizou a materialidade do fato gerador, auferindo renda pela venda das propriedades, acrescentando, ainda que não se tratasse de receita operacional como alega o Fisco, o ativo imobilizado alienado seria da SAS e não da Recorrente. No tocante ao mérito aduz que tanto o relatório fiscal quanto a decisão recorrida em nenhum momento colocou em dúvida a legalidade das operações, a regularidade e a efetividade da conferência dos imóveis e de sua venda a IACO, que a Recorrente ao optar pela tributação por meio do lucro presumido apenas praticou ato previsto em lei, não podendo ser prejudicada por este motivo. Ademais, assevera que a SAS Empreendimentos realizou diversas vendas de imóveis, sobretudo no período fiscalizado (fls. 1041/1042; 1060/1062), e que a fiscalização sequer cogitou o abuso de direito em relação a tais transações. Ademais, reitera as argumentações dispensadas em impugnação quanto o contexto negocial em que se deram as operações em foco, considerando as ofertas recebidas por grupos estrangeiros no passado, bem como quanto a efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos, que continuou as operações após as transações imobiliárias em foco, acrescentando que o ônus da prova em relação a tese da autoridade administrativa caberia ao Fisco, que não logrou êxito em sua tentativa. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 8 Além disso, reitera as alegações concernentes a inconstitucionalidade da limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais, bem como a compensação em 100% dos prejuízos fiscais dos anos calendários anteriores a 1995, corrigidos pela taxa SELIC. A Fazenda Nacional apresentou suas contra razões de recurso voluntário, pleiteando a manutenção da decisão recorrida ante a (i) correta identificação do sujeito passivo, porquanto a preliminar confundese com o mérito, e, se considerado o planejamento abusivo, logo o critério pessoal estará correto; (ii) o que houve foi uma verdadeira venda de bens do ativo imobilizado, utilizandose uma empresa de passagem (SAS), o que não passou de uma manobra para evitar o ganho de capital que incidiria se a Recorrente tivesse vendido os bens diretamente, o que fica ainda mais claro se analisados os aspectos temporais e coincidências das operações; (iii) não há que se falar na efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos visto que a Recorrente jamais quis os efeitos societários de uma empresa de compra e venda de imóveis, uma vez que ao fim das vendas em questão, a referida empresa restou praticamente descapitalizada em razão da distribuição dos dividendos, ao passo que nos anos posteriores ela sequer teve o faturamento declarado. Por fim, quanto a limitação das compensações, aduz o Fisco que os Tribunais Administrativos não são competentes para julgar a constitucionalidade de Leis, nos termos da súmula 2 do CARF, bem como já ser pacífico na jurisprudência administrativa e judicial a limitação de 30% da compensação dos prejuízos fiscais a partir do exercício de 1995, acumulados até 31/12/1994. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre analisar a preliminar arguida, referente ao erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária em foco, uma vez que, segundo as razões do recurso em apreço, as operações que motivaram o lançamento foram celebradas por outras pessoas jurídicas, e não pela Recorrente. Nessa esteira, de acordo com a Recorrente, é incontroverso o fato de que foi a empresa SAS Empreendimentos que alienou os imóveis à empresa IACO S/A, e, portanto, foi ela quem auferiu renda por ocasião destas alienações, sendo que, ainda que se reconhecesse o abuso de direito, ou recolhimento a menor do tributo, a responsabilidade teria de recair, necessariamente, sobre a empresa alienante. Todavia, analisando o contexto em que as operações foram realizadas, cumpre esclarecer algumas situações cruciais para o enfrentamento da matéria, haja vista que os imóveis alienados pertenciam anteriormente à Recorrente. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 20 9 Tal circunstância, por si só, não configura, qualquer hipótese de responsabilização tributária à Recorrente, mas no caso concreto, as evidências trazidas aos autos permitem atribuir a obrigação tributária decorrente do ganho de capital pela alienação dos imóveis à Recorrente. O lançamento guerreado parte da premissa de que o sujeito passivo da obrigação tributária é a Recorrente, desconsiderando o efeito fiscal sobre a operação realizada entre as empresas criadas por ela. De tal sorte, para se concluir pela sujeição passiva da Recorrente é preciso analisar o mérito de tal desconsideração, realizada pela autoridade fiscal,ou seja, se reconhecida que não houve abuso de direito, de fato, exsurge válida a arguição preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, e, ao contrário, prevalecendo o entendimento que se configurou o abuso de direito, patologicamente, não procede a arguição preliminar em comento. Em razão do exposto, devese volta mais adiante, após apreciação do mérito, à presente análise sobre procedência, ou não, do argumento de erro de identificação do sujeito passivo. Ademais, considerando a necessidade de enfrentar outra preliminar arguida, ressaltase a correta interpretação conferida pela autoridade fiscal na aplicação da norma tributária. Neste sentido, não se vislumbra qualquer violação ao artigo 142, do CTN, uma vez que a autoridade administrativa preencheu os requisitos do mencionado dispositivo da seguinte forma: Verificou a ocorrência do fato gerador e identificou o sujeito passivo da obrigação tributária ao imputar à Recorrente a obrigação tributária incidente em decorrência do ganho de capital auferido pelas alienações em foco; Consequentemente identificou a matéria tributável ao enquadrar o fato jurídico na disposição do artigo 418 do RIR, calculando o montante do tributo indevido após realizar a compensação dos prejuízos fiscais anteriores; Por fim, propôs a aplicação da penalidade cabível ao imputar a multa de ofício prevista pelo artigo 44 da Lei 9.430/1996; Superada uma das preliminares, cumpre examinar o mérito do lançamento em questão. A autoridade administrativa considerou o abuso de direito para justificar o lançamento, ressaltando que a criação das empresas configura abuso de direito. Abuso de direito é instituto previsto no artigo 197 do Código Civil, o qual dispõe que “também comete ato ilícito titular de direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico e social, pela boa fé ou pelos bons costumes”. Sobre esse aspecto, a despeito da alegação da Recorrente relativa a violação do artigo 110 do CTN , cumpre salientar que a figura do abuso de direito encontrase positivada na parte geral do Código Civil, e, portanto, sua aplicação como parâmetro da aplicação da lei tributária, como realizado pela autoridade administrativa, observa a disposição do artigo 109 do referido Código, o qual prescreve que os “princípios gerais de direito privado Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 10 utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários”. Assim, considerando o dispositivo acima mencionado, cabe destacar o posicionamento de Silvio Rodrigues sobre a figura do abuso de direito: “As faculdades são conferidas ao homem tão só para a satisfação dos de seus interesses legítimos. Se há interesses legítimo, não há abuso e o titular pode responder vitoriosamente, à vítima lesada por seu ato, feci, sed jure feci. Se tal interesse não se apresenta, o ato é abusivo. Josserand fornece numerosa relação de julgados de tribunais franceses e belgas acolhendo referida concepção e condenando por abusivo o ato praticado pelo titular no exercício de seu direito, em vista de não ser o ato provocado por um interesse respeitável. Acredito que a teoria atingiu seu pleno desenvolvimento com a concepção de Josserand, segundo a qual há abuso de direito quando ele não é exercido de acordo com a finalidade social para a qual foi conferida, pois, como diz esse jurista, os direitos são conferidos ao homem para serem usados de uma forma se acomode ao interesse coletivo, obedecendo sua finalidade, segundo o espírito da instituição”5 Tal conceito, uma vez exercido pelo contribuinte um direito aparentemente legítimo, mas, tendo sido este direito levado a efeito, pelas circunstâncias fáticas relevantes do caso, com o intuito por si ou majoritariamente de somente reduzir ou afastar a incidência tributária prevista em lei, é cabível tal entendimento de que contribuinte agiu com evidente abuso de direito, e, portanto, deverá ser aplicada no caso concreto a legislação “desvirtuada” pela pratica abusiva. Destarte, a autoridade fiscal agiu desta forma ao fundamentar a aplicação do artigo 418 do Decreto 3.000/1999 no abuso de direito praticado pela Recorrente, nos termos do artigo 187 do Código Civil. E não há que se falar em violação da legislação tributária nos casos em que o instituto em questão é utilizado fundamentar a aplicação da norma individual em concreta pela autoridade fiscal. Neste sentido, o professor Marco Aurélio Greco ensina que “abuso de direito e fraude à lei são figuras voltadas às qualidades que cercam determinados fatos, atos ou condutas realizadas, que lhes dão certa conformação á vista das previsões legais. Afirmar que houve abuso ou que o comportamento de alguém se deu em fraude à lei não significa ampliar ou modificar o sentido ou o alcance da lei tributária. Significa, apenas, identificar, nos fatos ocorridos, a hipótese legal, neutralizando o ’excesso’ ou afastando a ’cobertura’ que se pretendeu, para tentar escapar da incidência da Lei.”6 Ainda sobre o abuso de direito em relação ao direito tributário, cumpre trazer à baila o ensinamento do mencionado jurista: “Neste segundo plano, estas categorias são aplicáveis ao direito tributário independente de lei expressa que as preveja. De um 5 RODRIGUES, Silvio. Direito civil, parte geral. Saraiva. 34ª Ed. Pág. 320. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. Dilética. Pág. 420. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 21 11 lado, porque não interferem com a legalidade e a tipicidade, posto que situadas no plano dos fatos e não das normas; de outro lado, porque são categorias gerais do Direito. O abuso é corolário do uso regular do direito, pois há décadas já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça seu perfil objetivo.” 7 Portanto, reiterese, revelase correto o enquadramento legal realizado pela autoridade fiscal sobre fato jurídico tributário em evidência, uma vez que, em que pese a alegação de que a empresa foi criada com finalidade imobiliária, as evidencias trazidas aos autos demonstram que a criação das empresa SAS Empreendimentos tinha por finalidade inicial exclusivamente a redução do impacto da tributação incidente sobre a transferências dos imóveis, originalmente pertencentes a Recorrente. Ou seja, inicialmente a Recorrente poderia ter feito a operação de venda direta, vale dizer, junto a possível interessado na exploração rural ou mesmo, para a IACO, como negócio que necessitaria de imóvel para seu estabelecimento operar a usina projetada. Em suma, se não existisse alternativa viável operacional e comercialmente, certamente a utilização de empresa imobiliária seria indispensável e necessária, afastando a configuração abusiva, mas que não é o caso em questão. Assim, analisado o contexto em que as alienações ocorreram, é possível identificar a criação da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários pela Recorrente, que possui a ampla maioria das quotas societárias, tendo sido transferido, à título de integralização de capital social, grande parte do ativo imobilizado da Recorrente a aquela. Concomitantemente, a Recorrente criou outra empresa, IACO S/A, inicialmente em conjunto com um de seus sócios, Sr. Tovar Schmidt. Para custear a aquisição das ações desta segunda empresa, a Recorrente transferiu outro quinhão de seu ativo imobilizado. Assim, após criar as duas empresas, a Recorrente transferiu praticamente todo o seu ativo imobilizado a título de integralização de capital social. Relevante reconhecer os fatos descritos pela fiscalização quando constata que a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários possuía por atividade econômica a comercialização de imóveis, e que, seis meses após sua criação alienou parte dos bens que constituíam o capital social pelo valor aproximadamente dez vezes maior do que o valor de aquisição quando da integralização do capital social da referida empresa, e, no mesmo dia em que operaramse os pagamentos, a SAS Empreendimentos Imobiliários distribuiu o resultado aos seus sócios, isto é, à Recorrente, e ao Sr. Tovar Schmidt, sócio da Recorrente e da SAS Empreendimentos Imobiliários, o que, salvo melhor juízo, certamente revelou o interesse inicial da constituição da empresa imobiliária, qual seja, reduzir, via essa empresa, a carga tributária da Recorrente, posto que se fizesse a operação direta, teria que tributar ganho de capital ,como aqui lançado de ofício, não obstante a empresa SAS tenha realizado novas operações na gestão de seu ativo ou negócios imobiliários. Ademais, a SAS Administração seis meses depois realizou outra transação imobiliária. Novamente o valor do bem alienado supera em dez vezes o custo da aquisição do bem integralizado no capital social. Desta vez o resultado da operação foi (i) transferido aos sócios á título de adiantamento de dividendos, (ii) repassada a empresa Schmidt Irmãos, pertencente ao grupo Schmidt, (iii) permanecendo no caixa da empresa, uma pequena 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. Dilética. Pág. 420. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 12 proporção do valor correspondente ao resultado da venda, do qual boa parte fora destinado para o pagamento de PIS e COFINS que a empresa alienante entendeu ser devido. Reiterese, portanto, que em um ano os imóveis integralizados no capital social da empresa fundada pela Recorrente valorizaram praticamente dez vezes o custo da aquisição. Outra peculiaridade das operações é que a adquirente dos imóveis e coincidentemente a outra empresa criada pela Recorrente, a IACO S/A, criada no mesmo dia da empresa alienante. Vislumbra, no caso concreto, diversas circunstâncias societárias e operacionais da SAS Empreendimentos que indicam a realização de planejamento no sentido de reduzir exclusivamente o impacto da tributação incidente sobre a transferências do ativo imobilizado da Recorrente para a empresa IACO S/A. Tais situações foram devidamente contempladas pela decisão recorrida, podendo ser listadas da seguinte forma: Em pouco mais de um ano, praticamente todo o ativo imobilizado da Recorrente havia sido transferido para a empresa IACO Agrícola; seja pela integralização do capital social diretamente realizada pela Recorrente, seja pela aquisição pela IACO, dos imóveis que a Recorrente havia transferido para a empresa alienante; A Iaco e a SAS Empreendimentos foram constituídas na mesma data. A primeira recebe um pequeno aporte de capital e a segunda, um valor bem substancial. No mínimo, é estranho que a primeira não receba as terras com que iria laborar para a produção de cana de açúcar e álcool, enquanto a segunda as recebe (sob a alegação de que serviriam para o redirecionamento de negócios do grupo empresarial para o ramo imobiliário) para logo vendê las à primeira, mediante pagamento com recursos aportados pelos novos sócios. E mais: os recursos recebidos ao final pela SAS Empreendimentos são de imediato repassados aos sócios, prevalentemente como dividendos. Há nesse conjunto de operações uma incoerência entre as atividades empresariais, processadas entre partes interdependentes, articuladas em conexão temporal apropriada e com relevante motivação de economia fiscal; Há elementos nas operações que demonstram a conexão temporal entre os negócios praticados, a fortalecer a presunção de ocorrência do abuso de direito. Um deles é o período relativamente curto em que houve o ingresso dos novos sócios na Iaco, após a constituição da sociedade. Tal observação induz à conclusão de que o direcionamento das fazendas para a Iaco já fora estabelecido desde o início, já que um investimento de R$ 66 milhões normalmente não ocorre sem haver um prazo razoável para estudos de viabilidade econômica. O outro indício é a efetivação do pagamento das terras pela Iaco em dois períodos de apuração tributária, permitindo que a SAS Empreendimentos não fosse obrigada a declarar pelo lucro real e obtivesse, no caso, vantagem financeira com a tributação pelo lucro presumido; Além disso, a Recorrente alega que após as mencionadas transações a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários continuou a exercer suas operações no mercado imobiliário, numa tentativa de justificar a efetividade da criação da empresa utilizada para transferir o ativo da Recorrente para a empresa IACO S/A. Tal assertiva pode ser facilmente desconstituída pelo fato de que a DIPJ bem como o livro diário da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários revelam que não houve receita operacional nos anos de 2008, 2009 e 2010, como bem asseverado pela decisão de primeira instância, a fls. 1.170: Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 22 13 “A tese fiscal ganha relevo quando se concebe que a existência operacional da SAS Empreendimentos não teve ganhou corpo nos primeiros anos de vida. Apesar de constituída no início de 2006 e com um aporte de capital muito superior ao que seria necessário para suas operações (ao contrário da Iaco, que iniciou com menor aporte de capitais), essa sociedade empresária não teve outras operações de vulto além das terras vendidas à Iaco até o final de 2010: as DIPJ e livro diário revelam inexistir receita operacional em 2008, 2009 e 2010. As vendas à Iaco foram registradas com simplicidade contábil e as respectivas receitas foram quase todas transferidas prontamente aos seus sócios como dividendos (isentos) ou como empréstimos a pessoas ligadas, evidenciando a inexistência de propósito negocial na capitalização da SAS Empreendimentos.” Além disso, destacase o fato de que a Recorrente possui grande participação no capital social da empresa IACO e da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários. De certo modo, mesmo após a entrada das acionistas AGP Negócios e Participações, e (iv) Horamars Participações Ltda, a Recorrente possuía grande participação societária na empresa adquirente, o que justifica o vultoso preço oferecido pela compra dos bens. Portanto, considerando os elementos e circunstâncias fáticas acima descritas, salvo melhor juízo, evidenciase a caracterização do abuso de direito praticado pela Recorrente ao realizar as operações acima explanadas com intuito específico de reduzir a carga tributária que incidiria sobre as operações de transferências imobiliárias de sua efetiva titularidade. A jurisprudência deste Conselho também já se manifestou em outras oportunidades favoravelmente a utilização do instituto do abuso do direito para desconstituir negócios jurídicos formalmente legítimos, mas que formalizados em detrimento da legislação tributária. Neste sentido, cumpre trazer à baila o voto do Ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez, proferido no acórdão 10195.552: Concordo com a ilustre Conselheira Sandra Faroni no sentido de que não existe ilicitude quando o administrador se empenha na busca de uma direção menos onerosa em matéria de tributos, mesmo que a procura de uma economia tributária seja a razão principal dessa via. Se isso não fosse verdadeiro, teríamos que concluir que o contribuinte estaria sempre obrigado a pagar o imposto pela forma mais elevada. Aliás, na atividade empresarial, a procura da redução da carga tributária trata se de uma necessidade do administrador, ao qual se incumbe tomar conta do patrimônio social com o maior cuidado e interesse. Porém, a questão maior localizase exatamente em se conhecer se as condições para tanto utilizadas são lícitas ou não sob o ponto de vista da lei fiscal. Luciano Amaro, em sua obra "Direito Tributário Brasileiro", expõe que a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam. As partes querem, por exemplo, realizar uma compra e venda, mas formalizam (simulam) uma doação, ocultando o pagamento do preço. Ou, ao contrário, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 14 querem este contrato, e formalizam o de compra e venda, devolvendose (de modo oculto) o preço formalmente pago. Define também aquele autor o chamado abuso de direito. Se o direito é utilizado para atingir fins civis ou comerciais que normalmente a ele estão associados, seu exercício não é questionado. O mesmo não se daria quando o direito fosse exercido com o objetivo de obter vantagem fiscal que, de outro modo, não se teria; nessa perspectiva, estaríamos diante do abuso do direito, e o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam da questionada conduta. Marco Aurélio Greco alinhase entre aqueles que censuram o abuso de direito, sustentando que, se a "finalidade exclusiva" de um determinado ato é pagar menos imposto, estaríamos diante de um abuso do direito, não oponível ao Fisco. A elisão e a evasão se diferenciam por uma tênue linha divisória e muitas vezes pouco perceptível entre o planejamento tributário lícito e a sonegação criminosa. O propósito de estudo desses conceitos depende de uma avaliação de conduta que tem o contribuinte para organizar seus negócios de modo a reduzir a incidência tributária. Porém, esse espaço mais ou menos bem delimitado não é infinito, como também o conjunto de ações ou movimentos para alcançar o fim desejado não são ilimitados. O limite fundamental que se impõe ao contribuinte quando planeja a sua economia tributária é o da validade e da consistência dos atos jurídicos que pretenda praticar. Assim, se, de um lado, há que se reconhecer o direito do agente em planejar seu negócio de modo economicamente mais vantajoso, utilizandose de formas jurídicas alternativas e legais para atingir o mesmo fim, não é aceitável o abuso de direito para lograr o mesmo fim. Aquele que pratica determinado ato jurídico com a finalidade única e exclusiva de fugir ao tributo, está abusando das formas jurídicas. Hermes Marcelo Huck, em seu artigo Evasão e Elisão no Direito Tributário Internacional, afirma que: “Muito embora não haja no Brasil, a exemplo de outros países, uma espécie de norma geral tributária permitindo a desconsideração do ato jurídico julgado abusivo e a tributação do resultado econômico alcançado pelo agente, não se pode negar que o planejamento tributário, quando estruturado por uma construção elisiva, mas sem qualquer finalidade negociai senão a da economia fiscal, pode ser taxado como forma de abuso de direito, sujeitando se à desconsideração para efeitos fiscais.” O autor estabelece que é necessária a existência de uma finalidade negociai para o ato praticado, não podendo subsumirse no mero exercício de imaginação destinado a reduzir ou eliminar impostos que, de outra forma, seriam devidos. Na realidade, o procedimento foi articulado a partir de um planejamento tributário, o qual foi construído com abuso da norma de direito, operação pela qual as empresas transacionaram os bens que pretendiam, porém, deixaram de oferecer à tributação o resultado devido. Assim, o Fisco deve exigir o tributo que deixou de ser recolhido, de acordo com os termos constantes no auto de infração. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 23 15 Portanto, de acordo o entendimento destacado é possível desconsiderar , para fins fiscais, operações realizadas de acordo com a legislação, e, portanto, lícitas, tendo em vista o fato de que estas operações foram na verdade celebradas com o intuito primordial de reduzir a carga tributária incidente sobre a operação que naturalmente deveria ocorrer. Portanto, no caso concreto, a autoridade fiscal acertadamente desconsiderou o efeito fiscal perante a transação realizada entre as empresas SAS Empreendimentos e IACO, revelando a verdadeira e real operação como sendo entre a Recorrente e a empresa agrícola, IACO, aplicando a tributação decorrente do artigo 418 do RIR sobre o ganho de capital auferido pela alienação dos bens. Ao realizar a apuração do montante devido, a autoridade administrativa promoveu a compensação dos prejuízos fiscais obtidos nos anos calendários anteriores, limitados a 30%. A Recorrente, por sua vez, pleiteia a compensação do valor integral dos prejuízos fiscais apurados, alegando ser inconstitucionais os dispositivos utilizados pela autoridade fiscal para limitar a compensação. Todavia, é preciso levar em consideração que o CARF não é órgão competente para decidir ou afastar a constitucionalidades das leis, as quais adentram no ordenamento jurídico, gozando de presunção de constitucionalidade. Neste sentido, cumpre trazer à baila o enunciado da Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Destarte, considerando que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 encontramse plenamente vigentes perante o ordenamento jurídico, e considerando que a atividade da autoridade administrativa deve ser vinculada à lei, a autoridade fiscal procedeu corretamente ao aplicar a lei vigente para poder realizar a apuração do débito. Portanto, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, negase provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 16 Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001004/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Depósitos bancários. Sigilo. Sobrestamento Recorrente SERGIO RAMOS CAIADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma da DRJ de Brasília/DF que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2002 sobre glosa de despesas escrituradas em LivroCaixa e omissão de rendimento caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, com redução da multa isolada de 75% para 50%, pela alteração da Lei n. 11.488/2007, em Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVROCAIXA. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. JUROS DE MORA. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (CTN) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento. Lançamento Procedente em Parte. O Auto de Infração a fls. 352/367, referente ao exercício 2002, anocalendário 2001, decorre da revisão da Declaração de ajuste, com apuração das seguintes infrações: 001 Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamen1e (Ajuste Anual) dedução indevida de despesas de livro caixa; 002 Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (carnê leão) dedução indevida de despesas de livro caixa; Fl. 771DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 3 3 003 Depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário com origem não comprovada; 004 Multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. A decisão recorrida de fls. 522 sgts, manteve autuação, pela falta de contestação da glosa das despesas escrituradas no livro caixas e falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, reduzindo a multa isolada de 75% para 50% pela alteração da Lei n. 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 44, inciso II, alínea "a", da Lei n" 9.430/1996. O Recurso Voluntário a fls. 565 e sgts., sustenta preliminar de vicio do lançamento por tributar 100% da omissão de rendimentos com 27%, quando o Recorrente autuado somente possui atividade rural, cuja base de calculo é a receita menos despesas ou no máximo, de 20% da receita bruta. No mérito sustenta que as despesas glosadas do livro caixa foram tributadas de forma totalmente indevida, como sendo rendimento sujeito ao carne leão, quando caberia apenas glosa da despesa. Tocante a omissão de rendimento sustenta que exerce exclusivamente atividade rural, os depósitos decorrem dessa atividade, sendo que a fiscalização desconsiderou toda a receita para tributar como omissão de rendimento decorrente dos depósitos bancários não comprovados. Pede aproveitamento de sobras de recursos de um mês em outro ou justificativa do dispêndio. Traz planilhas de demonstrativos, com documentos, para justificar a origem dos depósitos bancários. Reitera as razões da impugnação. É o relatório. Voto. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve parte do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, redução da multa isolada, sobre glosa de despesas escrituradas no LivroCaixa e omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante a entrega pelo contribuinte de parte dos extratos bancários (fls. 15 e sgts. e 356) e mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras (fls. 52 e 356). O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconhecer a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 5 5 O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 6 6 DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe 158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE Fl. 775DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 7 7 MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11831.003931/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1992 a 01/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
COFINS. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. SUMULA 276 STJ. VINCULAÇÃO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. PERÍODO ANTERIOR A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELO ART. 56, DA LEI N° 9.430/96.
Para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção da COFINS para as sociedades civis de profissão regulamentada, independendo do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ nas reiteradas decisões que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, posteriormente revogada, porém, por motivação diversa relativa à hierarquia das leis.
PER/DCOMP. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 74, §5º, DA LEI Nº 9.430/96.
O poder Público dispõe do prazo de 05 anos, contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, para apreciar o pleito, sob pena de homologação tácita, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96.
REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.
Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário e reconhecida a inexistência de condicionante ao regime de tributação do lucro, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3402-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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J. A. PINOTTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1992 a 01/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62A, DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considerase válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastandose a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62A, do RICARF. COFINS. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. SUMULA 276 STJ. VINCULAÇÃO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. PERÍODO ANTERIOR A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELO ART. 56, DA LEI N° 9.430/96. Para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção da COFINS para as sociedades civis de profissão regulamentada, independendo do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ nas reiteradas decisões que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, posteriormente revogada, porém, por motivação diversa relativa à hierarquia das leis. PER/DCOMP. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 74, §5º, DA LEI Nº 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 39 31 /2 00 2- 73 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 O poder Público dispõe do prazo de 05 anos, contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, para apreciar o pleito, sob pena de homologação tácita, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário e reconhecida a inexistência de condicionante ao regime de tributação do lucro, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitandose a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 501 3 Relatório Tratase de pedido de restituição no montante de R$ 301.959,98, decorrente de recolhimentos de COFINS tidos por indevidos em virtude da isenção prevista no art. 6º, II da LC 70/91, que o contribuinte sustenta que não foi revogada pelo art. 56, da Lei n° 9.430/96. O contribuinte pede a compensação dos referidos pagamentos indevidos, atualizados pela taxa SELIC, com tributos vincendos administrados pela SRF. Por meio de Despacho Decisório de fls.253/264 a DRF/SP indeferiu o pedido de restituição e não homologou as Declarações de Compensação versando acerca de decadência, revogação de isenção de COFINS por lei ordinária, competência constitucional do Poder Judiciário para aplicação da lei e isenção de COFINS à sociedade civil de profissão legalmente regulamentada. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com a referida decisão em 08/10/2008 (AR de fl. 266) o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde, inicialmente, destaca que a manifestação apresentada tem o condão de suspender a exigibilidade dos créditos discutidos, até a decisão final em esfera administrativa. Quanto à decadência, alega que seus termos devem ser reformados, pois que teria o direito de obter a restituição dos valores recolhidos indevidamente no período de dez anos anteriores ao protocolo do pleito administrativo de restituição/compensação, datado de 28/06/2002. Aduz que os argumentos utilizados no despacho decisório seriam inaplicáveis ao caso em discussão, uma vez que se utiliza de interpretações baseados no DecretoLei nº 2.397/1987, enquanto que o inciso II, do art. 6º, da LC 70/91 determina a isenção da COFINS às sociedades civis de que trata o art. 1º, do referido DecretoLei, sem trazer como condição o regime de tributação do lucro, apenas arrolando as espécies de sociedades. Ressalta, ainda, que é dever da Administração analisar os pleitos por ela formulados, inclusive aqueles relacionados à inconstitucionalidade de normativos. Ao fim requer a suspensão da exigibilidade dos valores apresentados, bem como que sejam considerados improcedentes os termos do despacho decisório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), proferiu o Acórdão de nº. 1624.845, considerando a manifestação de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 inconformidade parcialmente procedente e não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O direito de requerer restituição restituição por conta de eventuais pagamentos feitos indevidamente ou a maior que o devido extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado no que toca a lançamento por homologação ex vi art. 150, §§ 1º e 4º da Lei nº 5.172/66 e alterações posteriores. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DA RENDA. PERÍODO ANTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO, INOCORRÊNCIA. As sociedades de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, para fazer jus à isenção da COFINS, dependem do regime de tributação da renda por elas adotado. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. PERÍODO POSTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. No que toca às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, não cabe mais falar em isenção da COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, em observância à disposição expressa contida no art. 56 da Lei nº 9.430/96. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe ser apreciado, no âmbito administrativo, alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, afora hipótese prevista no art. 26A do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescritos pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores. Após o transcurso desse prazo, não se admite que a Administração Pública pretenda não homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Não Reconhecido.” No que tange ao pedido do contribuinte, no sentido de obter a restituição dos valores indevidamente recolhidos no período de dez anos anteriores ao protocolo do pleito administrativo de restituição/compensação datado de 28/06/2002, a DRJ utilizou o art. 168, do Fl. 503DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 502 5 CTN, para restringir a 05 anos anteriores ao pedido o que poderia ser restituído. Com base na doutrina e legislação, destaca a improcedência da “tese dos dez anos”, vez que o direito de pedir a restituição decairia em 05 anos da extinção do crédito tributário, e, em sendo tributo sujeito a lançamento por homologação, considerase extinto o crédito com o pagamento antecipado. Finaliza a discussão acerca de decadência aduzindo que o início da contagem do prazo decadencial se dá conforme o AD SRF nº 96/99, portanto encontrase extinto o direito de pleitear os pretensos indébitos realizados até 28/06/1997. No tocante ao gozo da isenção de COFINS para períodos anteriores a abril de 1997, entendeu a DRJ que ela deixou de existir pelo fato do contribuinte ter optado por submeter a tributação dos lucros por um dos regimes da pessoa jurídica, com o que deixou de gozar da isenção pois ela existia no pressuposto de que referidas sociedades eram apenas uma extensão das atividades das pessoas físicas. Quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, utiliza se de legislação e jurisprudência para ressaltar que não há mais que se falar em isenção de COFINS para sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada. Aduz que em virtude do caráter vinculado da atividade fiscal, não lhe cabe questionar legalidade ou constitucionalidade de comando legal, prerrogativa privativa do Poder Judiciário. Deve, portanto, limitarse na aplicação da norma, sem emitir juízo de valor acerca de sua validade. No tocante à homologação tácita, tendo por base o disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, conclui que no momento em que foi dada ciência da não homologação à contribuinte, ou seja, 08/10/2008, já havia transcorrido o prazo legal para homologação das declarações de compensação nas datas expostas à fl. 446 – numeração eletrônica, ocorrendo, portanto, a homologação tácita destas. Ressalta, entretanto, que a lei não prevê homologação do direito creditório ao qual estaria vinculada a declaração de compensação e, assim, eventual crédito remanescente é passível de apreciação e indeferimento por parte da autoridade administrativa. Assim, devido ao transcurso do prazo de 05 anos, a autoridade competente fica impedida de apreciar as compensações declaradas antes disso, restando o dever de apreciar o direito creditório pretendido, no que tange sua existência e correção de seus valores. Ao final, votou no sentido de dar provimento parcial a manifestação de inconformidade e pela procedência da decisão a quo, que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as declarações de compensação a este vinculadas, exceto no que toca a declarar tacitamente homologadas as declarações de compensação elencadas à fl. 448 – n.e. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 12/05/2010, conforme Aviso de Recebimento de fl. 450 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 09/06/2010, Recurso Voluntário a este Conselho. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Inicia seu recurso destacando a necessidade de ampliação das compensações tacitamente homologadas, uma vez que a autoridade julgadora teria deixado de considerar diversas compensações apresentadas entre agosto e dezembro de 2002, elencados no item 7, a, b, c e d do recurso apresentado (fls. 467/468 – n.e.). Volta a invocar, assim como o fez na manifestação de inconformidade, a “tese dos cinco mais cinco”, para sustentar a inexistência da decadência do seu direito de requerer a restituição/compensação dos períodos de apuração 04/1994 a 12/2000. Reitera a impossibilidade da LC 118/05 retroagir, sendo aplicável tão somente à novos fatos geradores do direito à repetição de indébito que surgirem a partir da sua vigência, ou seja, dia 09/06/2005, voltando a destacar que a norma aplicável permite a repetição do indébito relativo aos pagamentos havidos nos 10 anos anteriores ao pedido. Quanto ao não reconhecimento da isenção da COFINS referente ao período anterior ao mês de abril de 1997, entende que o art. 6º, II da LC 70/91, ao estabelecer a referida isenção e referirse às sociedades de que tratou o DecretoLei n° 2.397/87, estava referindo às sociedades civis de profissão regulamentada, e não à forma de tributação ali estabelecida para as sociedades civis; colaciona, ainda, a Súmula 276 do STJ, para dar maior ênfase a sua alegação. No que tange o período posterior à pretensa revogação da isenção, ou seja, a partir de abril de 1997, volta a destacar que seria aplicável a isenção ao referido período, uma vez que norma de lei complementar não poderia ser revogada por mera lei ordinária, sendo que após todo o exposto requer a ampliação do reconhecimento das homologações tácitas, bem como a reforma do acórdão reconhecendose o direito creditório, deferindo e homologando as compensações almejadas integralmente. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 499 (quatrocentos e noventa e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 503 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Por objetividade e para melhor compreensão dos entendimentos que perfilham o julgado, passo a abordar, separadamente, as matérias em discussão: 1. Decadência da Restituição Tributária quanto a pagamentos realizados há mais de 05 anos anteriores ao Pedido: Tratando especificamente da questão debatida nos autos, por força do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, a solução dada ao caso deverá refletir àquela já decidida pelo Supremo Tribunal Federal em caso de repercussão geral ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em matéria infraconstitucional, reproduzindo o entendimento pacificado pelos Egrégios Tribunais. Lembremos que havia uma posição pacificada na jurisprudência do STJ quanto ao prazo de 10 anos para a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevidos a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando então, veio a lume a Lei Complementar nº 118, de 2005, que expressamente passou a prever que esse prazo seria de 05 anos do pagamento indevido (art. 3º), pretendendo, inclusive, aplicar referidos ditames a pagamentos feitos anteriormente à edição da referida legislação, ao inserir redação no art. 4o, em que afirmara que essa norma teria caráter meramente interpretativo. Essa atribuição de caráter interpretativo do artigo 3º da Lei Complementar nº. 118/2005, trazida pela redação do inconstitucional artigo 4º (segunda parte) da mesma Lei, trouxe ao meio jurídico a discussão acerca da aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário, confrontando contribuintes e Fisco na busca por seus direitos em face da consideração do princípio da segurança jurídica. Ao passo em que os Tribunais de todo o país deram à Lei Complementar nº 118/2005 a interpretação de que a redução do prazo ali estipulada era válida e aplicavase desde a edição da lei, considerando ainda o caráter retroativo trazido pelo “efeito interpretativo” de seu artigo 3º, os contribuintes consideraram ofendido o princípio da irretroatividade da norma, sendo inconstitucional o dispositivo que determinava o caráter interpretativo do artigo 3º, considerandose o prazo prescricional aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador. Foi para apaziguar esse conflito que o v. Acórdão proferido pelo Pretório Excelso, em apertada síntese, considerou descaracterizado o caráter interpretativo da norma sob debate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, segunda parte, e atribuindo ao artigo 3º da mesma Lei Complementar o status de nova norma, ressalvando a aplicação da mesma à relevância das situações jurídicas já existentes. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 A ementa do julgado considerado como norte na solução de discussões que versem sobre a mesma matéria restou assim consignada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA – NECESSIDADE DE OBSERVANCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DE PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, §4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implica inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata as pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção e confiança e de garantia de acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08 (sic.), que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco, impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/058, considerandose válida a aplicação do novo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 504 9 prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF RE. 566.621. Rel. Ministra Ellen Gracie. Dt. Jul. 04/08/2011. Dta. Publ. 11/10/2011). Para direcionar a conclusão que o caso concreto irá receber a partir da aplicação do julgado do STF, é necessário avaliar se o direito pleiteado pelo contribuinte se subsume ao entendimento exarado no Acórdão quanto aos seguintes aspectos abordados pela decisão: 1. Pretensões deduzidas tempestivamente, à luz do prazo aplicável na data da publicação da Lei (tese dos 5 + 5 anos, como comumente convencionouse chamar); ou 2. Pretensões deduzidas em até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da Lei, ou seja, até 09.06.2005. Da análise dos autos, verificase que a situação do contribuinte interessado repousa na hipótese de nº “1” acima exposta, pois que o protocolo do Pedido de Restituição ora analisado foi efetuado muitos anos antes da edição da Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente em 28 de junho de 2002. Verificado que a Lei Complementar nº 118/2005 foi publicada em 09/02/2005, bem como, à constatação do fato de que a recorrente apresentou seu pedido de restituição muito antes de sua edição, ou mesmo do transcurso de sua vacatio legis (até 09/06/2005), emerge clara a conclusão de que a decisão proferida pelo Pretório Excelso abarca com a contagem do prazo de 10 anos para o pedido de restituição apresentado em período “tempestivo”, qual seja, até a publicação da Lei Complementar já mencionada, ou ainda, se pretendida em tempo de seu prazo de vacância. Outro trecho do referido julgado é expresso em esclarecer a situação posta à baila nestes autos: “Estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, temse de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal resta resguardado pela proteção à confiança.” Assim sendo, quanto a essa matéria afasto a decadência declarada na decisão recorrida, para considerar tempestivo o pleito do contribuinte à restituição quanto aos fatos geradores anteriores aos 10 anos da data do protocolo do pedido sob análise. 2. Isenção das sociedades civis de profissão regulamentada no período anterior a abril/1997: Neste ponto, há que se concordar com a contribuinte, uma vez que o inciso II, do art. 6º, da LC nº 70/91 estabelece a isenção de COFINS às sociedades civis de profissão Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 regulamentada, tratadas pelo DecretoLei 2.397/87, não fazendo menção à forma de tributação adotada pelas mesmas. Para sustentar tal entendimento, fazse necessário colacionar a Súmula 276 do STJ: Sumúla 276. “As sociedade civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado.” (grifouse) Resta claro, portanto, que a pretensa isenção de COFINS pleiteada pela contribuinte é justa, não se fazendo necessária a comprovação do regime tributário exigido pela decisão a quo, a qual negou o direito ao indébito perseguido pelo contribuinte, por considerar que o mesmo não possuía o regime de tributação necessário à concessão da isenção (que deveria ser a tributação dos resultados na pessoa física). A análise da decisão da DRJ dá conta de que a isenção da COFINS para referido período foi rejeitada sob o fundamento de que o instituto deixou de existir pelo fato da Recorrente ter optado por submetido a tributação dos lucros por um dos regimes da pessoa jurídica, fato que faz com que deixasse de gozar da isenção da COFINS, pois que esta somente existiria pelo “espírito” de que referidas sociedades civis de profissão regulamentada eram apenas uma extensão das atividades das pessoas físicas. Não penso assim. Na realidade a isenção foi concedida expressamente pela Lei Complementar, que regulou inteiramente a matéria relativa à COFINS, e que previu apenas a vinculação ao faturamento, nem nada mencionar o regime de tributação do lucro, pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, e não há como condicionar a isenção de um tributo, por correlacionamento à tributação de um outro tributo, baseado apenas numa análise “teleológica”, ou por mera analogia. Neste sentido, sendo a questão alvo de decisão sedimentada por Súmula de Tribunal Superior (STJ), tenho como simples a solução da controvérsia neste tocante, pelo que, respeitado o fato de que a Autoridade preparadora deverá verificar os recolhimentos ditos como indevidos – bem como seu quantum, é de se reconhecer o direito à isenção de recolhimento da COFINS pelo sujeito passivo, independentemente do regime de tributação adotado pela mesma, nos termos do que determina o art. 62A, do Regimento Interno desta Casa. Não se desconhece que referida Súmula do STJ foi revogada em virtude de posterior decisão do Plenário do Pretório Excelso (STF), razão pela qual, se limite o período do indébito pleiteado pela recorrente até o início da vigência da Lei 9.430/96 que revogou a isenção da COFINS que vinha veiculada no inciso II, do art. 65º da LC 70/91. Todavia, para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção e isto independia do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ na revogada Súmula 276, já citada. Portanto, o pleito do contribuinte cingese ao período compreendido entre a data do pedido e a data de entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 e o óbice do regime de apuração do lucro é afastado pelo entendimento jurídico emanado da Súmula 276 do STJ, que embora revogada, o fora, sabidamente, pelo fato de ter entendido o STF que a LC n° 70/91 era materialmente uma Lei Ordinária, e, como tal, estava apta a ser revogada pela Lei n° 9.430/96 que formalmente era uma Lei Ordinária, não havendo falarse em hierarquia entre tais normas em razão da especialidade em função da competência da matéria. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 505 11 Desta forma, a discussão que culminou na subseqüente revogação da Súmula 276 do STJ, pela decisão Plenária do STF, centrouse na questão da hierarquia das Leis, não afetando o regime de tributação o lucro como condicionante ao gozo do direito à isenção. Ante o exposto, afastase o referido óbice, para que seja analisado o pleito de restituição, sem aplicarse o condicionante do regime de tributação do lucro. 3. Isenção das sociedades civis de profissão regulamentada no período posterior a abril/1997: Diferente do que ocorre para o período anterior a abril de 1997, uma vez que o art. 56 da Lei nº 9.430/96 revogou a isenção concedida pela LC n° 70/91, para o período subseqüente o direito aplicável não é o mesmo. Quanto à possibilidade de revogação da isenção de COFINS concedida às sociedade civis de prestação de serviços profissionais, o STF firmou seu posicionamento neste sentido: “E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA COFINS MODALIDADE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL OUTORGA DE ISENÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR (LC Nº 70/91) MATÉRIA NÃO SUBMETIDA À RESERVA CONSTITUCIONAL DE LEI COMPLEMENTAR CONSEQÜENTE POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA (LEI Nº 9.430/96) PARA REVOGAR, DE MODO VÁLIDO, A ISENÇÃO ANTERIORMENTE CONCEDIDA PELA LC Nº 70/91 INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO CONSTITUCIONAL A QUESTÃO CONCERNENTE ÀS RELAÇÕES ENTRE A LEI COMPLEMENTAR E A LEI ORDINÁRIA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO HIERÁRQUICONORMATIVO ENTRE A LEI COMPLEMENTAR E A LEI ORDINÁRIA ESPÉCIES LEGISLATIVAS QUE POSSUEM CAMPOS DE ATUAÇÃO MATERIALMENTE DISTINTOS DOUTRINA PRECEDENTES (STF) RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO” (RE 573.255AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJ 23.5.2008). Assim, restou decidido pelo Supremo Tribunal a inexistência de hierarquia de leis no ordenamento jurídico brasileiro, devendo prevalecer a competência especifica relativa a cada espécie normativa. Neste sentido, ensina Celso Ribeiro Bastos, em seu livro Curso de Direito Constitucional: “Não existe hierarquia entre as espécies normativas elencadas no artigo 59 da Constituição Federal. Com exceção das Emendas, todas as demais espécies se situam no mesmo plano. A lei complementar não é superior à lei ordinária, nem esta é superior à lei delegada, e assim por diante. O que distingue uma Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 espécie normativa da outra são certos aspectos na elaboração e o campo de atuação de cada uma delas.” Sob tais fundamentos, e em respeito ao que emana da Corte Suprema, não há que se falar em impossibilidade de revogação de norma da LC 70/91, pelo art. 56 da Lei 9.430/96, sob a pretensa alegação de que lei ordinária não pode revogar norma de lei complementar, devendose, em cumprimento do art. 62A, do RICARF, simplesmente aplicar referido entendimento, de modo que a partir de abril de 1997, falece o pedido de substrato jurídico e deve ser indeferido. 4. Da homologação tácita das compensações: Analisando, por fim, a questão trazida pelo sujeito passivo na qual aduz que, mais precisamente, 04 (quatro) declarações de compensação protocolizadas entre agosto e setembro de 2002 deixaram de ser abrangidas pela “acertada” decisão da DRJ, tenho, conforme os próprios documentos acostados pelo contribuinte em seu recurso, que resta comprovado que os referidos pedidos foram protocolizados dentro do período na qual a própria DRJ entendeu como passível de homologação tácita (pelas razões naquele Acórdão já esposadas), bem como, de que as citadas compensações, se referem ao Pedido de Restituição aqui discutido. Não é claro, e nem ficou expressamente mencionado, o porquê dessas 04 (quatro) declarações de compensação não especificamente citadas pela Instância de Julgamento a quo no voto do acórdão recorrido, todavia, conforme mencionado, estando os documentos trazidos pelo contribuinte, hábeis a comprovar que se referem ao pedido de restituição aqui debatido, bem como de que estão as mesmas dentro do prazo considerado como “de homologação tácita”, ou seja, antes de Out/2003 – como expressamente consignado no voto da DRJ , há de receberem o mesmo destino das outras compensações já analisadas por aquela Delegacia de Julgamento, e pelos mesmos fundamentos. Assim, devem, nos mesmos termos do que lá já foi fundamentado, serem consideradas homologadas tacitamente, eis que incide na espécie o §5, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, pelo transcurso do prazo superior a 05 anos entre a transmissão ou protocolo das declarações de compensação e a data da ciência do despacho que as analisou. 5. Do retorno dos autos à Instância “a quo”: Na esteira das considerações acima, em face do afastamento da decadência do pedido de restituição ora reconhecido e da inexistência da condicionante relativa ao regime de tributação do mesmo, tenho que o feito deva retornar à instância “a quo” a fim de que seja analisado o mérito do pedido de restituição, para que se aquilate a existência de crédito a restituir ou compensar, quanto a existência do indébito pleiteado, legitimidade, montante e disponibilidade dos créditos (descontadas as compensações já homologadas tacitamente). Assim, para se evitar a supressão de instância e, consequentemente, o cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo – que possui o direito subjetivo de ter todos os fatos analisados em duas instâncias de julgamento administrativo , tenho que o afastamento da decadência e a solução quanto ao também afastamento da condicionante considerada pela DRJ (quanto ao regime para gozo da isenção), deve conduzir ao retorno do julgamento à instância “a quo”, que pode determinar a realização dos cálculos pertinentes, se o caso, a fim de aquilatar a liquidez, certeza, exigibilidade, assim como a existência, legitimidade e montante dos créditos restituiendos, excedentes àqueles que devam ser imputados às compensações já tacitamente homologadas. Dispositivo: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 506 13 Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos das exposição anterior. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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