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Numero do processo: 12269.001369/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.557
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 13 69 /2 00 9- 14 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.001369/200914 Acórdão n.º 2803003.557 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.001369/200914 Acórdão n.º 2803003.557 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de pedido de revisão de acórdão do CRPS interposto contra decisão da 4ª. Câmara de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de obra de construção civil executada por NASI ENGENHARIA LTDA em razão da solidariedade entre contratante e contratado. O r. acórdão – fls 185 e ss, conclui pela procedência parcial do recurso apresentado, retificando a Notificação lavrada, com a exclusão da competência 11/98, resultando em crédito no montante de R$ 462,71. Inconformada com a decisão, apresenta pedido de revisão, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência do crédito lançado. · A recorrente, por ocasião da auditoria realizada apresentou a documentação solicitada, ainda, observou os termos das Ordens de Serviços do INSS vigentes às épocas notificadas no tocante a comprovação dos recolhimentos previdenciários regulares da parte dos empregados pela prestadora Nasi Engenharia Ltda. · O recolhimento previdenciário parte dos empregados, efetivouse de forma genérica pela prestadora, uma vez que o contrato permitia a realização de serviços prestados simultaneamente a mais de uma empresa. · Ilegalidade das contribuições previdenciárias em face do proprietário ou incorporador de construção civil, na qualidade de devedor solidário. · Requer a declaração de insubsistência da notificação lavrada. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.001369/200914 Acórdão n.º 2803003.557 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Este Colegiado tem processado os pedidos de revisão, previstos no regimento interno do Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS como Embargos de Declaração, visando assim a regular continuidade do contencioso administrativo. Precedente 35366.002907/200481 – 1ª. Turma Ordinária da 2ª. Seção. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.001369/200914 Acórdão n.º 2803003.557 S2TE03 Fl. 6 5 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Assim sendo, aplicandose o art. 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/1997, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 05/11/2003. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.001369/200914 Acórdão n.º 2803003.557 S2TE03 Fl. 7 6 poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ante o exposto, como a única competência remanescente é 08/1997, há que se reconhecer a decadência total do crédito carreado na notificação lavrada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004812/2003-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Ementa:
DECADENCIA. PIS.
No tributo apurado pela sistemática de lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos e o seu termo inicial é a data do pagamento antecipado, quando houver.
Numero da decisão: 3401-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator.
EROS NOGUEIRA - Redator designado.
EDITADO EM: 08/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator. EROS NOGUEIRA - Redator designado. EDITADO EM: 08/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 132 1 131 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004812/200372 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.639 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2014 Matéria PIS Recorrente CRYSTAL CONSTRUÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Ementa: DECADENCIA. PIS. No tributo apurado pela sistemática de lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos e o seu termo inicial é a data do pagamento antecipado, quando houver. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relator. EROS NOGUEIRA Redator designado. EDITADO EM: 08/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, CLAUDIO MONROE MASSETTI, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 12 /2 00 3- 72 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 Relatório Este processo se refere ao auto de infração de Pis/1997 (fl. 14), lavrado a partir dos procedimentos de auditoria interna de pagamentos vinculados a débitos tributários confessados nas DCTF do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário de 1997, no qual se exigiu o crédito tributário no valor total de R$ 70.922,88, resultante da soma de R$ 24.614, 16 de PIS, R$ 18.640,67 de multa de ofício e R$ 27.847,99 de juros de mora (calculado até 30/06/2003). A autuação é motivada pela constatação de falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, e falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais. Nas DCTFs referentes a esses períodos de 1997 o contribuinte informou os valores devidos a título de PIS e declarou que eles seriam quitados através do aproveitamento de crédito disponível no processo administrativo n. 10120.005033/200122 (cujo titular é o contribuinte Goiás Editorial e Industrial Ltda., CNPJ n. 00.361.342/000137). Notificada do lançamento em 09/07/2003 (AR às fl. 39), o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 2 a 5) em 07/08/2003, na qual alega, em síntese, que a autuação é indevida porque houve erro nos valores devidos a título de PIS em razão da duplicidade das declarações (DCTF) entregues à Receita Federal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília solicitou a realização de diligência para que a Fiscalização verificasse a entrega de DCTF em duplicidade e informar quais valores deveriam ser desconsiderados da exigência fiscal. Em resposta, a administração da unidade preparadora gerou a informação fiscal, cujo parecer e relatório consta às folhas 60 a 62, com a seguinte conclusão; De todo o exposto, concluise: a) há duplicidade de débitos do PIS para os meses de outubro, novembro e dezembro de 1997 os quais foram informados na DCTF complementar do 4º trimestre de 1997; b) os pagamentos disponíveis para os meses de janeiro, fevereiro, março e abril devem ser utilizados para amortizar os correspondentes débitos lançados de ofício, mantendo o saldo remanescente de R$ 35,52 (janeiro), R$ 114,05 (março e R$ 149,55 (abril); c) o presente processo deve ser encaminhado ao Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) desta Delegacia para prestar as informações acerca do processo administrativo de n.° 10120.005033/200122 – Ressarcimento de IPI (Goiás Editorial e Industrial LTDA CNPJ 00.361.342/000137) haja vista a vinculação dos débitos do Auto de Infração a esse processo; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10120.004812/200372 Acórdão n.º 3401002.639 S3C4T1 Fl. 133 3 A Respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília reconheceu os pagamentos do PIS para os meses de janeiro a abril de 1997 e a ocorrência de declarações prestadas em duplicidade nos meses do último trimestre. Ocorre que além desse fato, ela também reconheceu, como indicado na autuação, que o contribuinte não possuía o crédito para ser vinculado aos débitos lançados de PIS, de modo a serem considerados quitados. O processo administrativo n. 10120.005033/200122 não lhe assegurava esse direito creditório. O contribuinte titular deste processo – a empresa Goias Editorial e Industrial Ltda – declarou a desistência do pedido de compensação que favoreceria a empresa Crystal Construção e Empreendimentos Ltda. CNPJ n. 00.464.363/000188. Ela concluiu: “Diante informações acima, cumpre cancelar os débitos de Pis do 4º trim/97 (declarados em duplicidade), fevereiro e parcialmente os débitos de janeiro, março e abril e manter os valores originais remanescentes e totalmente os débitos dos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro, conforme tabela abaixo:” DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR – ANO CALENDÁRIO 1997 VALORES EM REAIS. Período de Apuração Valores Lançados Pagamentos Efetuados Valores Mantidos 0101/ 1997 1.134,10 1.098,64 35,52 0102/ 1997 881,17 974,13 (92,96) 0103/ 1997 1.400,25 1.286,20 114,05 0104/ 1997 1.055,14 905,59 149,55 0105/ 1997 1.090,54 1.090,54 0106/ 1997 1.060,20 1.060,20 0107/ 1997 1.399,01 1.399,01 0108/ 1997 925,22 925,22 0109/ 1997 918,53 918,53 0110/ 1997 1.050,48 1.050,48 0110/ 1997 1.050,48 1.050,48 0111/ 1997 1.201,89 1.201,89 0111/ 1997 1.201,89 1.201,89 0112/ 1997 5.122,63 5.122,63 0112/ 1997 5.122,63 5.122,63 TOTAL 24.614,16 7.375,00 4.264,56 12.974,66 “Diante do exposto, voto no sentido de julgar parcialmente procedente a impugnação para reduzir o valor principal do crédito tributário (R$24.614,16) lançado no auto de infração questionado, para R$12.974,66, sobre esse valor deverá incidir a multa de ofício e os encargos legais pertinentes.” A Ementa desse Acórdão 03052.438, da 4 ª Turma da DRJ/BSB assim dispôs: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1997 DCTF Falta de pagamentos – Processo inexistente – Débitos de Pis declarados em duplicidade. Costado [sic] mediante diligência pagamentos de débitos vinculados a débitos tributários confessados em DCTF, bem como débitos declarados em duplicidade e a inexistência do processo ali informado, é de cancelar parte dos valores lançados no auto de infração e manter os demais valores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada dessa decisão em 16/08/2013, a autuada apresentou seu recurso em 17/09/2013 onde alegou, como preliminares: · Cerceamento do seu direito de defesa pelo fato do Acórdão da DRJ não ter trazido anexo os documentos que cita (exemplo: a Informação Fiscal) que adotou como razão de decidir, razão por que pede a declaração de sua nulidade nos termos do artigo 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, e a realização de diligência para o contribuinte tomar ciência desses documentos e a reabertura de prazo para defesa. · Decadência do lançamento referente aos períodos de 1997 pela decorrência do prazo de cinco anos, tendo em vista que o lançamento fiscal se deu em 09/07/2003. · Impossibilidade do lançamento da multa de ofício porque os créditos tributários devidos foram declarados espontaneamente pelo contribuinte em suas DCTFs, devendo substituir a multa de ofício (75%) pela multa de mora (20%). · E, quanto ao mérito: “.. renova todos os argumentos apresentados em sua peça recursal anterior, mesmo porque não tendo sido fornecidos juntamente com a decisão os documentos e, sobretudo a informação fiscal utilizada cujo relatório fora utilizado como razão de decidir, o Recorrente está impossibilitado de manifestar sobre as declarações entregues à sua revelia e nem tão pouco em relação às informações relativas ao processo administrativo 10120.005033/201122.” · Ela requer cópia de todas as páginas citadas na decisão recorrida e do processo n. 10120.005033/200122, abertura de novo prazo de defesa, a declaração da extinção dos créditos tributários decaídos, a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto deste processo e a manutenção da condição que permita a expedição de Certidão Positiva com Efeito de negativa nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10120.004812/200372 Acórdão n.º 3401002.639 S3C4T1 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Considero que o recurso é tempestivo e que foram atendidos os quesitos de admissibilidade. Preliminares Decadência O julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, em 12/08/2009, pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, abençoado pela sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), pacificou o entendimento acerca do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (...). 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Como se vê, é a existência de antecipação do pagamento o que determina a aplicação do prazo de cinco anos a contar do fato gerador (aplicação do artigo 150, §4º, do CTN). Não havendo pagamento, alterase a aplicação do termo a quo passando a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Neste processo, os valores devidos dos períodos de apuração de janeiro a abril de 1997 possuíam pagamento: logo o termo a quo é a data desses fatos geradores (artigo 150, § 4º do CTN) e os valores devidos dos períodos de apuração de maio a dezembro de 1997 mantidos pelo Acórdão recorrido não possuíam pagamentos. Portanto, o termo a quo para se medir o prazo decadencial deve ser o do primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, inciso I do CTN). Sendo assim, a ciência do lançamento em 09/07/2003 é POSTERIOR àquele prazo fatal tanto para os períodos de apuração de janeiro a abril de 1997 quanto para os meses de maio a dezembro de 1997, ocorrendo a decadência suscitada pelo recorrente. Sendo assim, proponho a este Colegiado não apreciar as outras preliminares arguidas pelo recorrente e não apreciar o mérito e decidir tornar insubsistente o auto de infração pela ocorrência da decadência. É o voto. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.908541/2006-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS RECURSAIS. CARÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Carece de necessidade e interesse o recurso voluntário que pleiteia tutela já deferida na instância anterior.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3403-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(s) na votação o(s) Conselheiro(s) Domingos de Sá Filho (Relator). Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(s) na votação o(s) Conselheiro(s) Domingos de Sá Filho (Relator). Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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PETROQUISA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS RECURSAIS. CARÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Carece de necessidade e interesse o recurso voluntário que pleiteia tutela já deferida na instância anterior. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(s) na votação o(s) Conselheiro(s) Domingos de Sá Filho (Relator). Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 85 41 /2 00 6- 63 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela empresa Petrobrás Química S/A – Petroquisa com o objetivo de ver alcance maior no conteúdo da matéria decidida, que teria reconhecido os efeitos da homologação tácita. A Recorrente teria declarado em DCOMP a intenção de ver compensado débito do período de apuração de janeiro de 2002 correspondentes ao montante de R$ 66.446,01 (sessenta e seis mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e um centavo). Proferido o Despacho Decisório entendeu por bem a Autoridade Administrativa em não homologar. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade contra decisão que deixou de Homologar a compensação, quando aclarou que o intento era o aproveitamento do montante de R$ 66.446,01 para quitar um débito de R$ 20.995,93 referente ao PIS apurado em fevereiro de 2002 e R$ 45.450,08 relativo ao débito apurado em março de 2002. A alegou o recolhimento a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativamente ao período de apuração de janeiro de 2002, tendo a Interessada utilizado o valor pago a mais para quitar o PIS referente ao período de apuração de fevereiro de 2002, e, parte do que era devido em março de 2002 por meio de DCOMP em 20 de junho de 2003 (fls. 2/8). Assevera, que passado mais de 5(cinco) anos teria sido proferido o despacho decisório (fl.10) em 26 de agosto de 2008, decidindo pela não homologação das compensações, da qual tomou conhecimento em 02 de setembro de 2008 (AR fl. 08). Examinada a Manifestação de Inconformidade, restou reconhecido o decurso de prazo para homologação de compensação em razão do esgotamento do prazo de 5(cinco) anos, motivo pelo qual considerou tacitamente homologado a compensação realizada, conforme consta da Ementa do Acórdão nº 13.678 – 5ª Turma da DRJ/RJ2, de 8 de dezembro de 2010. Mesmo reconhecendo homologação tácita, entendeu o Julgador que a compensação alcançava tãosó o débito janeiro de 2002, não contemplava os débitos de fevereiro e março de 2002, visto que, a Interessada deixou de retificar a DCOMP antes do Despacho Decisório, e, vedado inclusão de débitos novos, que só revelados com a Manifestação de Inconformidade foi explanado que os débitos a serem compensados se referiam aos períodos de apuração de fevereiro e março de 2002. A matéria tratada em sede recursal se restringe a deliberação que deixou de acolher o argumento tecido na Manifestação de Inconformidade, em síntese, a compensação dos débitos apurados em fevereiro e março de 2002 não mencionados na DCOMP. Sustenta que o crédito tributário correspondente a março de 2002 também já se encontra extinto, independentemente do erro no preenchimento da PER/Dcomp, seja pelo despacho decisório, seja pelo Acórdão recorrido não era mais possível, em razão ter transcorrido o prazo de cinco anos para apreciação e homologação. É relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.908541/200663 Acórdão n.º 3403003.118 S3C4T3 Fl. 168 3 Voto Vencido Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão trazida neste processado se refere ao fato do contribuinte não ter retificado a DCOMP indicando os débitos e os períodos de apuração corretos que desejava ver compensados com crédito oriundo de pagamento a maior. No caso concreto o débito a ser compensado se referia ao período de apuração de 01 a 31 de janeiro de 2002, quando esse era o período de apuração que ocorreu o recolhimento a maior do que o devido. Em verdade o intuito do contribuinte era e é de quitar débitos apurados relativos aos períodos de apuração de fevereiro e março de 2002. Esse fato realmente só restou aclarado com a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Se reportarmos ao Despacho Decisório de fl. (10) é possível constatar que o período de apuração do crédito se refere ao janeiro de 2002, cujo pagamento aconteceu em 15 de fevereiro de 2002. De modo que, se torna claro o equivoco cometido pelo contribuinte em indicar débito a ser compensado no período em que sustenta ter pagado à maior, tenho que nesse caso tratase de erro material possível de ser sanado. A decisão hostilizada se refere ao §6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 que atribui à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Há incongruência, se deixa de acolher o argumento de que a intenção era de compensar os débitos de fevereiro e março de 2002, também não pode exigir algo que não restou declarado, nestes autos o assunto tratado gira em torno do crédito proveniente de pagamento a maior relativamente ao período de apuração de janeiro/2002. Admitindo a possibilidade exigir o crédito tributário de fevereiro e março/2002 decorrente da declaração na fase de defesa de o intento era de quitar débito apurados em fevereiro e março de 2002, essa pretensão fazendária estaria extinta pela regra da decadência, se a Fazenda deixou transcorrer o lapso temporal de cinco anos para decidir não homologar o pleito referente à compensação, o mesmo acontece com o possível crédito, decaído encontra a aspiração de exigir. Se não se pode acolher o argumento do erro no preenchimento da DCOMP, também não a de aceitar exigência tributária cuja decisão só aconteceu ao após o exaurimento do prazo decadencial, pouco importa se decorreu de declaração do contribuinte em defesa do seu direito, pois isso ocorreu depois de decorrido o lapso temporal de cinco anos. Assim, tenho que assiste razão ao contribuinte, pois a exigência só acontece após o transcurso do prazo de cinco anos. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de declarar extintos os débitos apontados em cobrança. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, redator designado Conforme relatado, a DERAT/RJ dignouse a expedir o Despacho Decisório nº 783768129 em 26/08//2008 (ciência em 02/09/2008 – A.R. fl. 9), mais de 5 (cinco) depois de formulada a DCOMP eletrônica n° 26978.00689.200603.1.3.040201. O Acórdão nº 1332.678 – 5ª Turma da DRJ/RJII, de fls. 31 a 34, reconheceu a ocorrência de homologação tácita e julgou procedente a Manifestação de Inconformidade formulada pela Petroquisa. Nada obstante o contribuinte recorreu, fl.s 49 a 54. A DERATRJ, autoridade preparadora não juntou cópia do Aviso de Recebimento da intimação do resultado de julgamento (datada de 27/01/2011, fls. 48), nem atestou a tempestividade do recurso. Nessas circunstâncias, só se pode ter como tempestivo o arrazoado protocolado em 04/03/2011. Os argumentos recursais cingemse a requere a reforma da decisão decorrida, para ser considerado como extinto o crédito tributário objeto da compensação efetuada nestes autos, desde a data de seu protocolo. Alternativa e sucessivamente, requer que seja convertido o julgamento do recurso em diligência para que seja apurado o valor que era devido a título de PIS referente aos meses de fevereiro e março de 2002, os quais foram compensados e para afastar qualquer pretensão no sentido pelo qual teria a Recorrente confessado débitos novos a título de PIS. Ora, estreme de dúvidas, o débito objeto da DCOMP nº 26978.00689.200603.1.3.040201 (PIS, cód. 81092, PA 01/2002, fls. 7) está definitivamente extinto pela via de sua compensação, tacitamente homologada. Nesse sentido, o recurso voluntário carece dos pressupostos recursais interesse e necessidade, razão pela qual não merece conhecimento. Por outro lado, recomendase que o contribuinte veicule eventuais reclamações contra cobrança pelo rito instituído pela Lei nº 9.784, de 1991, já que as mesmas não são cursáveis pelo rito do Decreto nº 70.235, de 1972. Com essas conclusões, ousando dissentir do ínclito Relator, a Turma decidiu não conhecer do recurso voluntário. Sala de sessões, em 23 de julho de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.908541/200663 Acórdão n.º 3403003.118 S3C4T3 Fl. 169 5 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 30/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10325.000193/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
MULTA AGRAVADA
O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 01 93 /2 00 7- 74 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, FRANCISCO VALBERT FERREIRA DE QUEIROZ, foi lavrado Auto de Infração, fls. 176/183, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2004 e 2005, no valor de R$ 2.686.169,28, incluídos multa de oficio agravada e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 177/179, foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 26/03/2007, fls. 186, o contribuinte apresentou impugnação, em 25/04/2007, fls. 193/199, mediante instrumento procuratório, fls. 200 e 201, a seguir parcialmente transcrita: DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO ACERCA DA INSTAURAÇÃO DE PROCESSO/MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Preliminarmente, há que se observar que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF —jamais foi remetido ao Autuado, conforme estabelece o Decreto 70.235/72 (que regulamenta o processo administrativo fiscal), bem como a Lei 9.784/99 (que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), cujos textos legais estão a seguir transcritos'. O endereço do Autuado é na Rua do Abacate, s/n, Vila Emanuela, Itinga do Maranhão/MA, conforme consta na própria DIRPF do Autuado. No entanto as notificações encaminhadas para o Recorrente foram entregues na Prefeitura Municipal de Itinga do Maranhão, conforme se verifica dos AR (aviso de recebimento) juntado aos autos, bem como pelo expediente enviados pelos correios para a DRF em Imperatriz (fls. 12/13 dos autos). Desse modo, ante a ausência de regular intimação, o princípio da ampla defesa insculpido no texto constitucional, bem como na legislação que regulamenta o processo administrativo fiscal, foi ferido de morte o que invalida o procedimento fiscal realizado contra o Autuado, devendo o mesmo ser anulado por ser medida de inteira justiça. Desta forma, deve o procedimento ser considerado nulo por padecer de vício formal, pois, a regularidade do mandado é condição sine qua non para configurar a legitimidade do auto deinfração, conforme o estabelecidas no ,55' 50 do art. 26 da Lei 9.784/99. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal é uni ato administrativo e como tal, está sujeito a vários princípios conforme estabelecido na Lei 9.784/99 que regula o procedimento administrativo no âmbito de Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 toda a Administração Pública Federal, é o que está estabelecido em seu art. 2°, cujo texto legal está abaixo colacionado, vejamos Ainda que o Procedimento Fiscal tenha um rito próprio estabelecido pelo Decreto 70.235/72, a autoridade fiscal não pode agir sem observar os preceitos legais para a prática dos seus atos. No caso em exame, o Autuado teve cerceado o seu direito de defesa, posto que não foi devidamente notificado, o que representa uma nulidade no procedimento fiscal realizado, conforme o estabelecido no art. 59 do Decreto 70.235/72, cujo texto legal está a seguir transcrito: • Para corroborar nosso entendimento juntamos decisão da DRF de Julgamento de Santarém/PA, vejamos: DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DE EMBARAÇO PARA APLICAÇÃO DO REGIME ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO O Autuado também foi enquadrado na sanção prevista no art. 33 da Lei 9430/1996. Em decorrência desta situação o Recorrente teve as multas arbitradas em percentuais acima de 100% (cem por cento), conforme o estabelecido no art. 44 da Lei 9.430/1996. Ocorre entrementes que, o Autuado não dificultou a ação fiscal, até porque sequer tinha conhecimento da mesma, haja vista que, reiterese, não foi devidamente notificado acerca do procedimento fiscal, o que vicia o mesmo. Este também é o entendimento das várias Delegacias de Julgamentos da SRF, senão vejamos: Desta forma, deve todas as multas arbitradas em decorrências da aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996 ser desconsideradas. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A autuação é decorrente de suposta movimentação financeira na conta corrente do Autuado, aqui cumprenos esclarecer o seguinte: 1. Dinheiro em conta corrente não significa renda que possa ser alcançada pelo IRPF; 2. O autuado nos anos de 2004/2005 era sócio da pessoa jurídica J.F. Q. Madeiras Ltda (CNPJ/MF 03.408.640/000123) e utilizava sua c/c pessoal para fazer toda a movimentação financeira da empresa. Os recursos depositados na c/c do Autuado foram utilizados para saldar débitos com folha de pagamento, fornecedores, contas de água e luz, bem como para o pagamento de impostos. Estes valores não podem jamais serem considerados em sua integralidade como renda, até porque, ninguém consegue ter uma atividade comercial sem que tenha custos operacionais. 3. Ademais, a pessoa jurídica 1 F. Q. Madeiras Ltda., sequer possui contacorrente. DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR PARA INCIDÊNCIA DE IRPF Conforme já sustentado nesta peça, os valores movimentados na c/c do Autuado não significam renda na acepção mais simples da expressão, ou seja, eram recursos provenientes da movimentação da empresa 1 F.• Q. Madeiras Ltda., da qual inclusive o Recorrente era sócio no período de 2004/2005. Desse Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 4 5 modo, não há que prosperar a autuação em todos os valores nela apontados, quer seja de tributo a recolher quer seja multa e juros. Dessarte, improcede a autuação do contribuinte posto que não ocorreu o fator gerador que significasse recolhimento de tributo nos valores apontados pelo auditor fiscal. DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS MULTAS APLICADAS DADA A SUA NATUREZA (CONFISCO) As penalidades impostas ao Recorrente, in casu, as multas, foram aplicadas de oficio, e devido aos seus altos valores, feriram o princípio da capacidade contributiva conjugado com outros ditames legais, os quais não foram observados pela Receita Federal. Ademais, dada a natureza de confisco da multa fiscal, em que pese ao 01, subjetivismo do tema, o STF já declarou a inconstitucionalidade dessas multas. DO PEDIDO Ante o exposto, e pelo que com certeza será suprido pelo conhecimento de Vossa Senhoria, é a presente para requerer o recebimento e processamento da presente DEFESA ADMINISTRATIVA, tendo como corolário a procedência da total mesma, declarando a nulidade do auto de infração por todos os fatos e argumentos aqui expendidos por ser medida de inteira justiça. Requer ainda, conforme o disposto no art. 16 do Decreto 70.235/72, que seja determinada a realização de diligências no sentido: a) oficiar ao Banco Central do Brasil no sentido daquela instituição informar se há alguma c/c em nome da empresa J. F. Q. Madeiras Ltda., b) que seja dado prazo para o autuado apresentar documentos comprovando pagamentos efetuados em nome da pessoa jurídica 1 F. Q. Madeiras Ltda. no período de 2004/2005; c) que seja concedido prazo para o autuado juntar novos documentos, vez que não houve regularidade na notificação do início do procedimento. Requer finalmente que qualquer intimação para o Autuado seja encaminhada para o endereço a seguir: RUA DO ABACATE, LOTES 05/06, S/N, VILA EMANUELA, CEP 65939000, ITINGA DO MARANHÃO/MA. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do tributo lançado de oficio é de cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do C'TN. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Sujeitamse à tributação os rendimentos omitidos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da ausência de intimação acerca da instauração de processo e mandato de procedimento fiscal; Da ausência de motivação para instauração do procedimento fiscal; Da não caracterização de embaraço a fiscalização para aplicação do regime especial de fiscalização; Da inexistência de omissão de rendimentos, uma vez que o recorrente era proprietário de pessoa jurídica e utilizava sua conta pessoal para fazer toda a movimentação financeira da empresa; Da não caracterização da incidência do fato gerador do IRPF; Da inconstitucionalidade da multa aplicada. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. No relativo ao suposto vício por ausência de intimação acompanho integralmente o arrazoado da autoridade de primeira instância. Observase, ainda, que os documentos relativos à ação fiscal, a saber: Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01), Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (fls. 03), Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF (fls. 05), Termo de Início de Fiscalização (fls. 08), Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 15), Termo de Intimação Fiscal e anexos (fls. 145/159), Termo de Reintimação Fiscal (fls. 161), Auto de Infração (fls. 176/183) e Termo de Encerramento (fls. 184) foram encaminhados para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte perante à RFB, conforme se vê dos Avisos de Recebimentos — AR — acostados às fls. 02, 04, 06, 10, 17, 19,160, 162, e 186, qual seja, Rua do Abacate, s/n°, Lotes 05 e 06, Itinga do Maranhão/MA. É bem verdade que consta às fls. 11/14 informação dos Correios que o objeto do registro RC752310877BR, a saber: Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Início de Fiscalização, foram entregues "no destino dia 31/10/06, para José dos Reis Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Carvalho" e que o local se tratava da "Prefeitura Municipal de Itinga". Verificase, também, que todos os AR estão assinados pela mesma pessoa, o Sr. José dos Reis Carvalho. No entanto, para a lide, não é relevante se no endereço em questão funciona a Prefeitura Municipal de Itinga ou outro estabelecimento ou, ainda, se se trata do local onde o contribuinte reside com sua família, pois, como já dito, este foi o endereço eleito pelo contribuinte perante a RFB já de longa data, inclusive. Ademais, é,de se, ressaltar. 'que apesar de o autuado negar que não recebeu os documentos relativos à ação fiscal, quando o Auto de Infração foi mandado para o mesmo endereço que os outros documentos, o contribuinte apresentou sua impugnação ao mesmo dentro do prazo legal, na qual demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal. Salientase, ainda, que nas Declarações de Ajuste Anual, exercícios 2006 e 2005, anoscalendário 2005 e 2004 (fls. 163/166 e 168/172), o contribuinte informou como domicílio fiscal o citado endereço, além de relacionar na declaração de bens das mencionadas declarações de rendimentos que à Rua do Abacate, Lotes 05 e 06, na Vila Emanuela em Itinga do Maranhão está situado um imóvel (casa residencial) de sua propriedade. Portanto, concluise que os documentos relativos à ação fiscal foram enviados para o domicílio fiscal eleito pelo impugnante junto à RFB e, em assim sendo, também não há que se falar em nulidade do lançamento por vício formal, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do Auto de Infração. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 7 11 descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 250 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: No caso em tela, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os extratos relativos às contascorrentes, de poupança, e de aplicações financeiras mantidas pelo mesmo e seus dependentes em instituições financeiras no Brasil e no exterior, nas quais movimentara recursos no período de 2004 e 2005 (fls. 08) e, posteriormente, após levantar todos os depósitos efetuados nas contascorrentes, a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados (fls. 145/159). Pelo exame dos autos, verificase que no curso da ação fiscal o contribuinte nada apresentou que pudesse comprovar a origem dos depósitos e que o fiscal autuante expurgou cheques devolvidos, estorno de débito e outros valores que não correspondiam a créditos de origem não comprovada. Destarte, e não tendo a impugnante apresentado os documentos que comprovem que o crédito em questão, teve origem em Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 operações já submetidas à tributação ou isentas, materializase a presunção legal formulada de omissão de rendimentos, por não ter sido elidida. O argumento aduzido pelo interessado, qual seja, que utilizava suas contascorrentes pessoais para fazer a movimentação financeira da pessoa jurídica J. F. Q Madeiras Ltda, não tem o condão de alterar os fatos imputados como omissão de rendimentos, mormente porque, conforme anteriormente explanado, o ônus da comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente é de sua competência e não foram trazidos aos autos elementos probantes que corroborem sua alegação. Por fim, ressaltase que consta informado na Declaração de Bens e Direitos da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2006, anocalendário 2005, que o contribuinte transferiu em setembro de 2003 as quotas de capital da empresa J. F. Q Madeiras Ltda, que lhe pertenciam, para o Sr. Paulo Gean de Abreu, o que contradiz cabalmente que os recursos depositados em suas contascorrentes nos anoscalendário seguintes tinham como origem as operações da mencionada pessoa jurídica. Vale salientar, ainda, que consta nos sistemas informatizados da RFB que, no anocalendário 2004, a pessoa jurídica J. F. G Madeiras Ltda sequer apresentou declaração de rendimentos e, no ano calendário de 2005, apresentou declaração de inatividade. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Acórdão n.º 2202002.740 S2C2T2 Fl. 8 13 objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Agravada Constatase que o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de oficio na sua forma agravada. Segundo o Termo de verificação fiscal o recorrente não atendeu alguns Termos. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a não apresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como consequência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de oficio ser reduzido de 112,5% para 75%. Da Inconstitucionalidade das Normas No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa do percentual de 112,5% para 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720243/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2010, 2011
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Se a autoridade lançadora e a julgadora de primeira instância não apontaram qualquer vício nos recibos, não compete ao órgão julgador de segunda instância analisar a existência de qualquer vício para justificar o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Se a autoridade lançadora e a julgadora de primeira instância não apontaram qualquer vício nos recibos, não compete ao órgão julgador de segunda instância analisar a existência de qualquer vício para justificar o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 02 43 /2 01 2- 14 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2008, 2010 e 2011, anoscalendário 2007, 2009 e 2010, respectivamente, em decorrência de glosa de dedução de despesas médicas, com imposição de multa de 75% e juros de mora. Os valores glosados foram de R$15.467,00, R$11.550,00 e R$12.800,00, nos anoscalendário 2007, 2009 e 2010, nessa ordem (fls. 12 e 17). Referemse às seguintes despesas: Exercício 2008, Anocalendário 2007 Arlene de Fátima Rodrigues Silva (psicóloga) – R$12.230,00 Emílio Cesar Parodi (médico) – R$3.237,00 Exercício 2010, Anocalendário 2009 Arlene de Fátima Rodrigues Silva (médica) – R$11.550,00 Exercício 2011, Anocalendário 2010 Arlene de Fátima Rodrigues Silva (médica) – R$7.800,00 Ana Paula S. Paixão (fisioterapeuta) – R$5.000,00 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/19) são discriminadas despesas e razões da glosa, assim resumidas: valor elevados das despesas, apresentação unicamente de recibos e não de microfilmagem de cheques nominai ou transferências bancárias identificadas ou ordens de pagamento (fls. 18) ou faturas pagas de cartão de crédito (fls. 20) para comprovação do efetivo pagamento, conforme exigido sob amparo de que o art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 autoriza a inversão do ônus da prova da efetividade do pagamento e em precedentes deste Conselho. O mesmo Termo informa que outras despesas, relativas a Victor de Morais Gomes e Arlene de Fátima Rodrigues Silva (esta somente no exercício 2009), não foram glosadas porque , além dos recibos, foram apresentados, cheques microflimados. Na impugnação alegouse que não há na legislação uma exigência de que a única forma de comprovação da despesa seja por meio de cheque nominativo, e as despesas foram comprovadas com documentos lícitos, bem como citou precedentes judiciais. A impugnação foi indeferida sob fundamentação adiante resumida: a) o lançamento amparouse no art. 73 do RIR/1999, que autoriza inverter o ônus da prova, e na ausência de comprovação do efetivo pagamento das despesas, razão pela qual os recibos não são suficiente para a dedução; b) pagamento por meio de moeda em espécie não é o meio usual adotado pelas pessoas, principalmente quando os valores são representativos; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.720243/201214 Acórdão n.º 2802003.117 S2TE02 Fl. 447 3 c) a autoridade fiscal além da prova por meio de microfilmes de cheques nominais, também admitiu fatura paga de cartão de crédito, transferências bancárias identificadas ou ordens de pagamento, portanto não é correta a alegação de que admitiuse unicamente prova por cheque nominal microfilmado; e d) os precedentes indicados não tem efeito vinculante. O contribuinte faleceu em 13/07/2012. A ciência do acórdão ocorreu em 21/05/2013 e recurso voluntário foi interposto no dia 20/06/2013. A peça recursal é assinada pela viúva e inventariante, contendo em resumo, as alegações abaixo: 1. ausência de amparo legal para a restrição da forma de pagamento de despesas médicas; não há no direito brasileiro qualquer norma que estabeleça a comprovação do pagamento de um débito somente por meio de cheque nominativo, cartão de crédito, transferência bancária nominal ou ordem de pagamento; a regra geral é que o pagamento se comprova por meio de recibo; cita os art. 319 e 320 do Código Civil e o art. 112 do CTN; 2. é temerário e equivocado o fundamento da decisão recorrida de que não é usual o pagamento em espécie, pois esse meio de pagamento é usado para as mais variadas despesas; questiona porque não seria meio usual de pagar as sessões de fisioterapia e fisioterapia, que variavam de R$80,00 a R$200,00, cada; 2. as despesas médicas com o Dr. Emílio Cesar Paroli (ex. 2008) e com a Drª Ana Paula S. Paixão (exercício 2011) foram realizadas em benefício do contribuinte, em razão, respectivamente, de tratamento odontológico e fisioterápico, distribuídos em várias sessões e consultas pagas com dinheiro em espécie, conforme recibos já apresentados; 3. os gastos com a Drª Arlene Rodrigues Silva, psicóloga, ocorreram em benefício da recorrente e suas filhas, todas dependentes legais do contribuinte, as quais, em razão de problemas familiares, tiveram transtornos depressivos e ansiedade generalizadas, o que tornou necessária a realização de inúmeras sessões semanais de psicoterapia, individuais e/ou em grupo, durante os anos de 2007, 2008, 2009 e 2010, pagas em dinheiros, com posterior elaboração de recibo para comprovação do pagamento; 4. argumenta que não pode ser autuado sob o fundamento descrito no Termo de Verificação Fiscal de que as despesas médicas são usadas em um grande número de fraudes nos últimos anos, pois para solucionar esse problema o Estado dispõe de procedimentos criminais e prevalece o in dúbio pro réu; 5. cita precedentes deste Conselho e judiciais e princípios da segurança jurídica e da moralidade administrativa; 6. junta novamente os recibos já apresentados, cuja idoneidade e requisitos não foram impugnados pela autoridade autuadora nem pela decisão recorrida. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação no elevado valor das despesas e na falta de comprovação do efetivo pagamento por meio de microfilmagem de cheques nominais ou transferências bancárias identificadas ou ordens de pagamento ou faturas pagas de cartão de crédito. A autoridade fiscal não apontou qualquer vício nos recibos apresentados. O mesmo ocorreu com a decisão de primeira instância. Não cabe, na fase recursal, perscrutar se os recibos contém ou não qualquer vício, pois seria uma inovação não autorizada nessa instância. O núcleo da fundamentação é a inversão do ônus da prova com fulcro no art. 73 do RIR/1999. Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, §3 º ). §1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, §4 º ). §2 º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, §5 º ). Uma imperfeita compreensão desse dispositivo do RIR1999 decorre de sua leitura não contextualizada. O dispositivo não pode ser interpretado dissociado de sua matriz legal, o DecretoLei nº 5.844, de 1943, e do art. 845 do mesmo Regulamento. Vejamos primeiramente a matriz legal. É fato que o referido DecretoLei estabelece que “Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”, assim como lá está escrito que “Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte”. Por outro lado, é igualmente certo que o mesmo DecretoLei, ao disciplinar os procedimentos para o lançamento de ofício no seu art. 779, §1º dispõe que “Os Fl. 449DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.720243/201214 Acórdão n.º 2802003.117 S2TE02 Fl. 448 5 esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão”. Além disso, a interpretação do texto do Decretolei deve ser interpretada com base no ordenamento jurídico instaurado com a Constituição de 1988. Essa matéria foi inserida no RIR1999 em Capítulos diversos: a) O Capítulo I – Das deduções contém o art. 73; e b) O Capítulo IV – Do lançamento , o §1º do art. 845 que trata da revisão das declarações. Quais seriam os elementos seguros de prova, ou indícios veementes da falsidade ou inexatidão dos recibos? Não foram apontados senão os valores elevados. O que não é uma elemento seguro, notadamente pelos valores, certamente, não elevados em vários recibos, e por ser um critério dotado de alto grau de subjetivismo. Ademais, não há uma diferença entre provar pagamento e provar a efetividade do pagamento. Ou se prova o pagamento ou não se prova. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que, em tese, permitam a deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Não havendo sequer um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 450DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010695/2003-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial.
IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
A tela do sistema PER/DCOMP apresentada pela contribuinte apenas denota que a DCOMP não poderia ser transmitida antes do encerramento do período de apuração a que corresponde o débito.
COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
É desnecessário o lançamento de crédito tributário objeto de confissão de divida por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).
Numero da decisão: 1101-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto. Declarou-se impedido o Conselheiro José Ricardo da Silva. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista, e a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro José Sérgio Gomes. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na sessão de julgamento de abril/2013, fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Ana Paula Schincariol Lui (OAB/SP n. 157.658), quando ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra, bem como, temporariamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na sessão de julgamento de maço/2013, fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Rodrigo R. Leite Vieira (OAB/SP n. 181.562).
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice Presidente), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Benedicto Celso Benício Junior e Gilberto Baptista.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. A tela do sistema PER/DCOMP apresentada pela contribuinte apenas denota que a DCOMP não poderia ser transmitida antes do encerramento do período de apuração a que corresponde o débito. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. É desnecessário o lançamento de crédito tributário objeto de confissão de divida por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto. Declarou-se impedido o Conselheiro José Ricardo da Silva. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista, e a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro José Sérgio Gomes. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na sessão de julgamento de abril/2013, fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Ana Paula Schincariol Lui (OAB/SP n. 157.658), quando ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra, bem como, temporariamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na sessão de julgamento de maço/2013, fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Rodrigo R. Leite Vieira (OAB/SP n. 181.562). (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice Presidente), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Benedicto Celso Benício Junior e Gilberto Baptista.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-12-12T17:20:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-12-12T17:20:45Z; Last-Modified: 2013-12-12T17:20:45Z; dcterms:modified: 2013-12-12T17:20:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5bd62ee7-6c42-43a1-ada2-d6e7313be9b2; Last-Save-Date: 2013-12-12T17:20:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-12-12T17:20:45Z; meta:save-date: 2013-12-12T17:20:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-12-12T17:20:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-12-12T17:20:45Z; created: 2013-12-12T17:20:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2013-12-12T17:20:45Z; pdf:charsPerPage: 2316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2013-12-12T17:20:45Z | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.010695/200355 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.890 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2013 Matéria IRPJ Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. A tela do sistema PER/DCOMP apresentada pela contribuinte apenas denota que a DCOMP não poderia ser transmitida antes do encerramento do período de apuração a que corresponde o débito. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. É desnecessário o lançamento de crédito tributário objeto de confissão de divida por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto. Declarouse impedido o Conselheiro José Ricardo da Silva. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista, e a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro José Sérgio Gomes. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 06 95 /2 00 3- 55 Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 3 2 Bessa. Na sessão de julgamento de abril/2013, fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Ana Paula Schincariol Lui (OAB/SP n. 157.658), quando ausentes, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra, bem como, temporariamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. Na sessão de julgamento de maço/2013, fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Rodrigo R. Leite Vieira (OAB/SP n. 181.562). (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice Presidente), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Benedicto Celso Benício Junior e Gilberto Baptista. Relatório Cuida o presente feito de representação para análise manual do PER/DCOMP nº 15055.52905.250603.1.2.025766 (fls. 20/24), mediante o qual a interessada pleiteou a restituição do saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao primeiro trimestre do anocalendário de 2003. Mencionada representação foi formalizada em razão de liminar concedida nos autos de Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, responsável por estipular prazo máximo para a apreciação do PER (fls. 02/19). A obediência a dita ordem judicial demandou a baixa do pleito restituitório em papel, por meio dos correntes autos, em virtude da impossibilidade operacional da análise eletrônica. A d. DERAT/SPO/DIORT proferiu, nesse cenário, o despacho decisório de fls. 69/71, por via do qual indeferiu o Pedido de Restituição, uma vez que o contribuinte deixou Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 4 3 de apresentar parte dos elementos necessários à verificação da efetividade do crédito requerido – notadamente, documentos que comprovavam o oferecimento, à tributação, das receitas financeiras auferidas, de um lado, e a realidade do imposto retido pelas fontes pagadoras, de outro. A interessada foi cientificada do decisum em 11.11.2003 (fl. 73v). Em 10.12.2003, apresentou, por intermédio de procuradores (fls. 78/97), a manifestação de inconformidade de fls. 98/107, acompanhada dos documentos de fls. 108/370. Na ocasião, as ilações inconformistas focaram nos seguintes pontos: i. os elementos apresentados por ocasião da diligência fiscal solicitada pela d. DERAT/SPO/DIORT (fls. 32/35 e 56/60) seriam suficientes à comprovação do crédito pretendido. Não foram apresentados, é verdade, os balancetes e os demonstrativos de resultados analíticos, impressos e assinados por contador habilitado; acaso, contudo, a Fiscalização tivesse solicitado tais documentos na forma eletrônica, como bem autorizam o artigo 265 do RIR/1999 e a Instrução Normativa SRF n° 86/2001, não teria havido problemas para a escorreita disponibilização; ii. todos os documentos contábeis e fiscais obrigatórios estavam e estão em posse da matriz da requerente, à disposição da Fiscalização. A escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte; iii. no tocante à falta de informações relativas às retenções de IRRF, constatada a partir da base de dados da Receita Federal, é de se ressaltar que as fontes pagadoras não estavam obrigadas a apresentar DIRF’s relativas a retenções ocorridas no anocalendário de 2003. A despeito disso, anexadas estavam sendo, em primeiro grau, uma planilha relativa aos valores contabilizados a título de IRRF, tocantes ao primeiro trimestre de 2003 (fl. 335), e os extratos fornecidos pelas fontes pagadoras (fls. 336/370). Encaminhado o feito à Turma de Julgamento inferior, esta solicitou, à Delegacia de Fiscalização de São Paulo / SP, a realização de diligências (despachos de fls. 373/374, 1045/1046 e 1396). Os esclarecimentos solicitados ao contribuinte constam de expediente juntado às fls. 1061/1064, apresentado em resposta aos itens ‘c’ e ‘d’ do Termo de Intimação de fls. 1056/1057. No que tange à escrituração das receitas financeiras, correspondente ao IRRF computado na apuração do saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 2003, a Fiscalização elaborou o relatório fiscal de diligência de fls. 1887/1893, que registrou a análise procedida e apresentou a conclusão da auditoria. Às fls. 1894/1912, por sua vez, anexouse a manifestação do contribuinte a respeito do indigitado relatório, nos termos da Lei n° 9.784/1999. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 5 4 Encontramse apensados, ao presente feito, os seguintes processos administrativos, todos vinculados ao PER/DCOMP n° 15055.52905.250603.1.2.025766: Nº PROCESSO DOCUMENTO DE ORIGEM DATA TRANSMISSÃO / APRESENTAÇÃO DÉBITO(S) COMPENSADO(S) Código P.A. Valor 16306.000270/200881 PER/DCOMP n° 12661.58246.151203.1.3.025778 15.12.2003 2172 11/2003 6.527.458,19 13804.009350/200389 (*) DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 489.623,84 13804.009353/200312 DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 1.206.532,65 13804.009354/200367 DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 693.523,83 (*) O processo administrativo n° 13804.009350/200389 foi apensado ao de n° 16306.000270/200881, ao passo que este último foi apensado ao presente. O processo administrativo n° 13804.009351/200323, antes apensado a estes autos (fl. 1014), foi arquivado, em razão da extinção por pagamento do respectivo débito (conforme cópia de fls. 139/140 daqueles autos, juntada às fls. 1915/1916 destes). O adimplemento foi optado, pela interessada, em virtude de não ter sido concedida, relativamente ao citado processo, medida liminar em Mandado de Segurança pleiteada pela requerente (cópia da decisão judicial à fl. 148 do processo administrativo n° 13804.009350/200389). Quanto aos demais processos administrativos, seguem, abaixo, breves notícias de suas situações: (a) Processo administrativo nº 16306.000270/200881 Por intermédio do despacho decisório de fls. 17/19 do processo administrativo n° 16306.000270/200881, a d. DERAT/SPO/DIORT decidiu não homologar as compensações formalizadas por meio do PER/DCOMP n° 12661.58246.151203.1.3.025778, lado um, e do PER/DCOMP juntado às fls. 01/02 do processo administrativo n° 13804.009350/200389, lado outro. Assim se deu, na verdade, em função da regra contida no artigo 21, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, haja vista o fato de aludidas DCOMP’s terem sido apresentadas depois da ciência da decisão que indeferiu o Pedido de Restituição matriz. Cientificada, em 03.12.2008, por via postal (fl. 22), a interessada apresentou, em 23.12.2008, por intermédio de procuradores (fls. 29/74), a manifestação de inconformidade de fls. 23/28, no corpo da qual argumentou que, até o advento da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, não havia empecilho à entrega de Declaração de Compensação cujo direito creditório estivesse pendente de decisão administrativa definitiva. Destarte, na visão da requerente, as compensações jamais poderiam ter sido não homologadas. Acaso assim não se Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 6 5 entendesse, porém, deveria ser sobrestado o andamento do processo, até que fosse exarada decisão definitiva relativa ao Pedido de Restituição matricial. (b) Processos administrativos nº 13804.0009353/200312 e 13804.009354/200367 Nos autos dos processos administrativos n° 13804.0009353/200312 e 13804.009354/200367, a autoridade administrativa competente exarou despachos (fls. 71 daqueles autos) destinados a determinar o prosseguimento da cobrança dos passivos compensados, também em razão de as Declarações de Compensação terem sido apresentadas depois da ciência da decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (artigo 21, § 4°, da IN n° 210/2002). Ulteriormente, a mesma autoridade manifestouse, às fls. 131 de ambos os processos, para apontar erro de procedimento, em decorrência de não ter sido dada ciência, ao contribuinte, da decisão que não admitiu as Declarações de Compensação. Determinouse, então, a adoção das providências essenciais ao cancelamento das inscrições dos débitos em Divida Ativa da União. Noticiouse, ainda, nos referidos feitos (fls. 145/149 e 143/147, respectivamente), a concessão de liminar em Mandado de Segurança impetrado pela requerente, destinada a suspender a exigibilidade dos créditos tributários objeto das DCOMP’s, uma vez não ter sido dada a devida ciência das decisões já mencionadas. Às fls. 216/220 e 215/219, respectivamente, dos feitos, foram exarados despachos decisórios que consideraram não declaradas as compensações, uma vez não formalizadas, elas, por meio da utilização do programa PER/DCOMP, conforme determinação da Instrução Normativa SRF n° 360/2003. Corroborou a conclusão o fato de não ter sido apresentada prova da inviabilidade da entrega das declarações mediante emprego do referido software. Ressaltou a autoridade administrativa competente, ademais, que a impossibilidade de homologação das citadas compensações teria esteio, igualmente, na circunstância de as Declarações terem sido entregues depois do indeferimento do Pedido de Restituição inicial, ao arrepio do artigo 5° da referida Instrução Normativa SRF nº 360/2003. Facultouse ao sujeito passivo, ato contínuo, a apresentação de Recurso, sem efeito suspensivo, nos termos dos artigos 56 e 59 da Lei n° 9.784/1999. Determinouse, concomitantemente, a cobrança dos débitos indevidamente compensados, eis que já informados em DCTF. Cientificada em 04.09.2008 (fls. 220v e 223, respectivamente dos processos administrativos nº 13804.0009353/200312 e 13804.009354/200367), a interessada apresentou, em 15.09.2008, Recursos Hierárquicos, na forma da Lei n° 9.784/1999 (fls. 224/235), instruídos com os documentos de fls. 236/263. Às fls. 265/273, juntouse cópia do Oficio de Notificação expedido pela 21ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, que encaminhou cópia da liminar concedida nos Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 7 6 autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.00.0232087. Estes eram os termos da ordem judicial: “(...), defiro o pedido liminar para determinar às Autoridades Impetradas que processem os recursos interpostos na esfera administrativa nos autos dos Processos nº 13804.009289/200370, 13804.009353/2003 12 e 13804.009354/200367 como manifestações de inconformidade, nos termos do artigo 74, §§ 9° a 11° da Lei 9.430/96, atribuindo a tais recursos o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional.” Finalmente, os processos administrativos nº 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367 foram apensados ao processo administrativo n° 13807.010695/2003 55, que trata do Pedido de Restituição do crédito ao qual se vinculam as Declarações de Compensação formalizadas naqueles feitos. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo – SP I, por meio do acórdão nº 1622.428 (fls. 2070/2082), deu provimento parcial à manifestação de inconformidade oposta, assim dispondo: “Por todo o exposto, voto por considerar comprovado o crédito a restituir/compensar no montante de RS 12.145.397,17, relativo ao saldo negativo de IRPJ do 1 ° trimestre de 2003, e homologar a compensação formalizada por meio do PER/DCOMP n° 12661.58246.151203.1.3.025778, que deu origem ao Processo n° 16306.000270/200881, bem como a compensação informada na DCOMP de fls. 01 e 02 do Processo n° 13804.009350/200389, até o limite do crédito comprovado. No tocante As compensações objeto dos Processos nos 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367, voto por não tomar conhecimento da argüição de ilegalidade do artigo 4°, caput, da Instrução Normativa SRF n° 360/2003, matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, e, quanto As demais alegações, por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade.” Dito aresto assim foi ementado: Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 8 7 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 PROVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÕES. IRRF. Para efeito de determinação do saldo de IRPJ a ser restituído ou compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Verificouse a contabilização dos rendimentos correspondentes ao imposto retido na fonte deduzido na apuração do saldo negativo de IRPJ, porém comprovouse parcialmente a retenção do referido imposto pela apresentação dos informes de rendimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM LITÍGIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Durante a vigência na Instrução Normativa SRF n° 210/2002, não havia impedimento à compensação de crédito objeto de pedido de restituição pendente de decisão administrativa definitiva. Somente com a edição da IN n ° 460/2004, passou a ser vedada a compensação de crédito cujo pedido de restituição já houvesse sido indeferido pela autoridade administrativa, ainda que por decisão não definitiva. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. É desnecessário o lançamento de crédito tributário objeto de confissão de divida por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. NÃO UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 9 8 A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PROGRAMA PER/DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. A tela do sistema PER/DCOMP apresentada pela contribuinte apenas denota que a DCOMP não poderia ser transmitida antes do encerramento do período de apuração a que corresponde o débito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Notificada deste acórdão em 09.09.2009 (fl. 2084), a recorrente, insatisfeita, interpôs, em 08.10.2009, o Recurso Voluntário sob apreço, entranhado às fls. 2089/2106, por intermédio do qual foram agitadas ilações similares àquelas encampadas pela manifestação inconformista, focadas nos aspectos que ainda jaziam litigiosos. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Com o escopo de tornarmos mais didático o voto, segregaremos a exposição em tópicos, consoante segue: (i) Considerações introdutórias Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 10 9 Segundo relatado algures, o pleito em foco cuida, originalmente, de compensações aviadas por meio de 04 (quatro) diferentes Declarações de Compensações, objeto de processos administrativos ora apensados a este, da seguinte forma: Nº PROCESSO DOCUMENTO DE ORIGEM DATA TRANSMISSÃO / APRESENTAÇÃO DÉBITO(S) COMPENSADO(S) Código P.A. Valor 16306.000270/200881 PER/DCOMP n° 12661.58246.151203.1.3.025778 15.12.2003 2172 11/2003 6.527.458,19 13804.009350/200389 (*) DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 489.623,84 13804.009353/200312 DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 1.206.532,65 13804.009354/200367 DCOMP em papel 19.12.2003 3426 20/12/2003 693.523,83 Todos estes ajustes de contas se escoraram em direito creditório declarado, em princípio, como equivalente a R$ 12.146.249,80 (doze milhões, cento e quarenta e seis mil, duzentos e quarenta e nove reais e oitenta centavos), representado pelo saldo negativo de IRPJ apurado no primeiro trimestre do anocalendário de 2003, objeto de solicitação formatada por intermédio do PER/DCOMP nº 15055.52905.250603.1.2.025766, encartado às fls. 20/24 destes autos. Em primeira instância, o colegiado recorrido houve por bem dar a seguinte destinação aos pleitos restituitório e compensatórios delineados: i. PER/DCOMP nº 15055.52905.250603.1.2.025766, objeto do presente processo administrativo: do direito creditório originalmente postulado, equivalente a R$ 12.146.249,80 (doze milhões, cento e quarenta e seis mil, duzentos e quarenta e nove reais e oitenta centavos), foi reconhecido, apenas, o montante de RS 12.145.397,17 (doze milhões, cento e quarenta e cinco mil, trezentos e noventa e sete reais e dezessete centavos). As glosas perpetuadas, correspondentes ao total de R$ 852,63 (oitocentos e cinquenta e dois reais e sessenta e três centavos), não foram controvertidas pelo Recurso Voluntário sob jugo e, por isso, tornaramse, na seara administrativa, definitivas; ii. PER/DCOMP nº 12661.58246.151203.1.3.025778, objeto do processo administrativo nº 16306.000270/200881: a compensação foi homologada, até o limite disponível do crédito reconhecido; Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 11 10 iii. Declaração de Compensação objeto do processo administrativo nº 13804.009350/200389: a compensação foi homologada, até o limite disponível do crédito reconhecido; iv. Declaração de Compensação objeto do processo administrativo nº 13804.009353/200312: não se conheceu, por já serem objeto de discussão judicial (Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087), os argumentos tocantes à suposta ilegalidade do artigo 4°, caput, da Instrução Normativa SRF n° 360/2003, empregado como fundamento para que o despacho decisório entranhado à fl. 71 daqueles autos reputasse a compensação como “não declarada”. Ademais, debelaramse as ilações inconformistas que davam conta de suposta impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP à época da transmissão da Declaração. Confirmouse, por outro lado, o entendimento insurgente de que o artigo 21, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 210/2002 não obstaria a transmissão da DCOMP mesmo depois de proferido despacho decisório inaugural, ainda não tornado definitivo. Derradeiramente, ratificouse a possibilidade de cobrança coerciva dos débitos compensandos, sem necessidade de novo lançamento, eis já terem aqueles sido confessados em DCTF (informação à fl. 220 do processo administrativo em questão); iv. Declaração de Compensação objeto do processo administrativo nº 13804.009354/200367: não se conheceu, por já serem objeto de discussão judicial (Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087), os argumentos tocantes à suposta ilegalidade do artigo 4°, caput, da Instrução Normativa SRF n° 360/2003, empregado como fundamento para que o despacho decisório entranhado à fl. 71 daqueles autos reputasse a compensação como “não declarada”. Ademais, debelaramse as ilações inconformistas que davam conta de suposta impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP à época da transmissão da Declaração. Confirmouse, por outro lado, o entendimento insurgente de que o artigo 21, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 210/2002 não obstaria a transmissão da DCOMP mesmo depois de proferido despacho decisório inaugural, ainda não tornado definitivo. Derradeiramente, ratificouse a possibilidade de cobrança coerciva dos débitos compensandos, sem necessidade de novo lançamento, eis já terem aqueles sido confessados em DCTF (informação à fl. 219 do processo administrativo em questão). Do exposto, resta evidente, portanto, que o objeto de controvérsia colocado aos olhos deste colegiado se limita à situação das Declarações de Compensação encampadas pelos processos administrativos nº 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367. Cuidemos, pois, dos tópicos suscitados pela peça recursal, naquilo que se reporta a ambos os encontros de contas referenciados. Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 12 11 (ii) Da submissão, ao crivo do Poder Judiciário, dos argumentos relativos à ilegalidade do artigo 4°, caput, da Instrução Normativa SRF n° 360/2003 O pedido, em suma, que consta do Mandado de segurança, deve ser interpretado como a viabilizar a discussão admisnitrativa da demanda da contribuinte. Já em sede de recurso voluntário, a interessada pugna pelo cancelamento da decisão de 1a instância, por ter deixado de apreciar a matéria relativa à possibilidade de entrega das Declarações de Compensação por meio de formulário em papel, e no mérito invoca a aplicação dos princípios da verdade material e do informalismo, apontando falhas técnicas no sistema da Receita Federal. Não resta, pois, caracterizada a concomitância entre as esferas judicial e adminidtrativo. Dessa maneira, tomo conhecimeto do Recurso Voluntário (iii) Das justificativas para a apresentação de Declarações de Compensação sem a utilização do programa PER/DCOMP e Da segurança A conduta da autuada, em princípio, ofendeu o preceito do artigo 2º, inciso V, alínea ‘b’, da citada Instrução Normativa, in verbis: “Art. 2º O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.1, nas seguintes hipóteses: (...) IV – tratandose de Pedido de Restituição formulado por pessoa jurídica, em todos os casos em que o crédito tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, bem como naqueles em que o crédito do sujeito passivo se refira a: a) saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo a período de apuração encerrado há menos de cinco anos; Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 13 12 (...) V – tratandose de Declaração de Compensação apresentada por pessoa jurídica, caso o crédito do sujeito passivo se refira a um dos créditos mencionados nos incisos III e IV e o débito do sujeito passivo se refira a: (...) b) IRRF relacionado ao código de receita 0297, 0422, 0430, 0473, 0481, 0490, 0561, 0588, 0730, 0764, 0916, 0924, 1283, 1708, 2063, 2103, 2281, 2831, 3208, 3223, 3249, 3251, 3264, 3277, 3279, 3280, 3426, 3674, 4424, 5136, 5192, 5204, 5217, 5232, 5273, 5286, 5299, 5598, 5600, 5706, 6799, 6800, 6813, 6826, 6839, 6891, 6904, 8045, 8053, 8468, 8673, 9128, 9385, 9412, 9427, 9453, 9466 ou 9478, referente a período de apuração de 1990 ou posterior; (...)” (g.n.) Como motivação para a entrega de formulários impressos, arguiu a recorrente que a inviabilização da utilização do pertinente software se deveu a falhas técnicas deste. Precisamente, aventou que, ao tentar transmitir as DCOMP’s, em 19.12.2003, foi surpreendida com o aparecimento de mensagem de erro assim redigida: “O período de apuração deve ser menor ou igual à data de transmissão do PER/DCOMP”. Para comprovar, então, o fato contado, juntou a peticionária os correlatos ecrãs, colacionados às fls. 249 dos processos administrativos nº 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367. Tendo recorrido ao judiciário, foi cocedida segurança nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087, a qual impediu a Receita Federal de erigir hipóteses de nãodeclaração distintas daquelas previstas em lei, as DCOMP aqui em debate devem ser reconhecidas como instrumentos de confissão de dívida, na medida em que apresentadas após a Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que neste sentido determinaram. (iv) Da possibilidade de cobrança coerciva dos débitos confessados em DCTF Em terceiro lugar, antecipandose à possibilidade de o Recurso Voluntário apreçado não lograr a compensação dos débitos que restaram insolvidos, a peticionária aduziu suposta impossibilidade de a Fazenda cobrálos, via execução, sem novo lançamento de ofício. Bem, não creio que haja maiores dificuldades no trato do tema. É remansoso o entendimento de que a DCTF serve a autolançar débitos tributários, de maneira a fazer Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 14 13 prescindir novo ato de constituição. Assim é, afinal, em razão do que dispõe o artigo 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124/1984, assim redigido: “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. (...)” Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar o impedimento oposto pelo sistema PER/DCOMP à apresentação das DCOMP em 19/12/2003, e determinar que a autoridade administrativa prossiga na análise da suficiência e disponibilidade do direito creditório nelas utilizado. Em sendo o caso de homologação da compensação, deve a autoridade competente proceder à sua declaração sob condição resolutória de eventual reversão da decisão exarada na ação judicial inicialmente referida. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O I. Relator afirma, com sólidos argumentos, que há concomitância entre a demanda submetida ao crivo judicial por meio do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087 e parte da matéria veiculada em recurso voluntário. Diz que embora o pedido do mandamus não tenha se reportado à declaração de ilegalidade do art. 4o, caput, da Instrução Normativa SRF nº 360/2003, a causa de pedir a segurança é composta, justamente, da alegação sob estudo. Conseqüência disto é que o juízo da causa expressou seu entendimento favorável à ilegalidade da Instrução Normativa em referência. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 15 14 Em sustentação oral, a patrona da recorrente argumentou que, caso não apreciada a matéria nesta esfera de julgamento administrativo, de nada lhe serviria a decisão judicial no referido Mandado de Segurança, pois esta se limitaria a reconhecer a possibilidade de discussão administrativa da matéria questionada. E, de fato, este é um argumento relevante, motivo pelo qual requeri vistas dos autos. Relendo a petição inicial e a decisão judicial com mais vagar, foi possível extrair algumas nuances que conduzem a conclusão parcialmente divergente daquela adotada pelo I. Relator. Vejase, inicialmente, o trecho final da reprodução, antes apresentada, acerca da causa de pedir do Mandado de Segurança: Ora, a lei não dispõe que a compensação ‘via papel’ (sem utilização do Programa PER/DECOMP) caracteriza o reconhecimento de compensação ‘não declarada’. Portanto, não é a Administração Fazendária ou a legislação infralegal que podem dizer o contrário, sob pena de ofensa ao principio da legalidade. Sendo assim, no mínimo, as compensações foram reconhecidas como ‘não homologadas’ e, portanto, as decisões somente poderiam ser desafiadas por manifestação de inconformidade com efeito suspensivo.” É possível interpretar que a interessada argumenta que a decisão acerca da irregularidade de forma da DCOMP – em papel ou eletrônica – não pode ensejar a não declaração da DCOMP, mas sim a sua nãohomologação, passível de ser desafiada mediante manifestação de inconformidade. É certo que assim se diz sob o argumento de que não há previsão para tanto, e que a Instrução Normativa extrapolou os limites legais. Mas o que se pretende, apenas, é a transmudação do dispositivo da decisão administrativa, de nãodeclaração da DCOMP, para nãohomologação, mantidos os seus fundamentos, de sorte a permitir o acesso ao contencioso administrativo especializado regido pelo Decreto nº 70.235/72. E neste mesmo sentido é possível interpretar a decisão judicial, ao assim expressar nos parágrafos finais, antes do dispositivo da sentença: Assim, tenho que a autoridade impetrada extrapolou a atuação, mediante o alargamento ilegal das hipóteses nas quais a utilização do instituto da compensação não é permitida, criando uma figura jurídica não prevista em lei. Se a impetrante apresentou declaração de compensação de crédito passível de compensação, seu processamento só pode ser bloqueado pela ‘não homologação’ do pedido, nos termos da lei, diante da qual é cabível recurso administrativo nominado — manifestação de inconformidade —que possui efeito suspensivo e, portanto, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Vejo que ali também está expresso que a instrução normativa, como ato infralegal que é, não pode criar restrições à compensação de tributos ou ampliar o rol taxativo fixado pela lei, mas penso que assim está dito no sentido de que a Instrução Normativa não poderia ter erigido as hipóteses mencionadas como sujeitas a nãodeclaração, devendo a compensação ser admitida como formalizada e, assim, apreciada a respeito de sua viabilidade. Em suma, vislumbro aspectos que podem ser decididos por este Órgão Julgador sem ingressar na matéria submetida ao crivo judicial: a Administração Tributária pode Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 16 15 deixar de homologar compensações em virtude da falta de apresentação da DCOMP em meio eletrônico? Havia justificativa válida para apresentação da DCOMP em papel? Por sua vez, em seu recurso voluntário, a interessada pede o cancelamento da decisão de 1a instância, por ter deixado de apreciar a matéria relativa à possibilidade de entrega das Declarações de Compensação por meio de formulário em papel, e no mérito invoca a aplicação dos princípios da verdade material e do informalismo, apontando falhas técnicas no sistema da Receita Federal, invocando sua boafé, bem como apontando erro no Ato Declaratório Executivo CORAT nº 75, de 19/11/2003. Subsidiariamente aduz, ainda, a impossibilidade de se exigir o crédito tributário sem o respectivo lançamento de ofício. Assim, penso que a recorrente não discute a legalidade do artigo 4o, caput, da Instrução Normativa SRF nº 360/2003, mas apenas discorda da inadmissibilidade de suas compensações, alegando falhas técnicas no sistema e em atos administrativos da Receita Federal. Ou seja, discute os fatos que ensejaram a nãodeclaração, e esta discussão foi permitida pela decisão judicial que firmou a possibilidade, apenas, de atos de nãohomologação com base nos motivos expresso pela autoridade administrativa. Concluo, assim, que o recurso voluntário pode ser conhecido integralmente, pois não há concomitância com a matéria discutida judicialmente. Seguindo, discordo do pretendido cancelamento da decisão de 1a instância. A autoridade julgadora de 1a instância manifestouse acerca dos argumentos da interessada, declarando sua vinculação, assim como da autoridade administrativa local, aos comandos veiculados em atos normativos, e abordando as características da compensação pretendida, para concluir por sua irregularidade material, e não apenas formal. Vejase: Alega a interessada que “a DIORT não poderia ter considerado como “não declarada” a compensação realizada pela Recorrente, apenas porque não foi utilizado o sistema eletrônico PER/DCOMP, havendo claro excesso de formalismo em afronta ao princípio da verdade material e do informalismo” (fl. 228). Todavia, a referida decisão administrativa foi pautada em comando legal inserto na Instrução Normativa SRF n° 360/2003. Assinalese que não é dado à autoridade administrativa emitir juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da legislação tributária. Também os julgadores das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento estão vinculados ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, expresso em atos normativos, a teor da Portaria do Ministro da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006. Ademais, em relação à tese de ilegalidade da IN SRF n° 360/2003, ao estabelecer a necessidade de utilização do Programa PER/DCOMP, sob pena de ser considerada não declarada a compensação, há que se observar as disposições do artigo 1º, § 2º, do Decretolei n° 1.737/1979, e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, segundo os quais a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou desistência do recurso acaso interposto. Portanto, não cabe à autoridade administrativa manifestarse em relação às matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário, em respeito ao princípio da unidade da jurisdição contemplado na Carta Magna. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 17 16 Assim, relativamente à mencionada vedação estabelecida na IN SRF n° 360/2003, deverá ser aguardado o desfecho da lide instaurada na esfera judicial, para dar cumprimento à decisão judicial definitiva. Quanto ao argumento de que a impossibilidade de utilização do sistema eletrônico à época (dezembro de 2003) estaria comprovada pela tela expedida pelo programa da SRF (cópia à fl. 249 dos Processos nos 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367), não assiste razão à interessada. Observese que a citada tela não se refere aos débitos informados nas DCOMP de que tratam os autos. Entretanto, a mensagem de erro nela estampada é a seguinte: “O período de apuração deve ser menor ou igual à data de transmissão do PER/DCOMP”. De acordo com a agenda tributária divulgada por meio do Ato Declaratório Executivo CORAT n° 75, de 19 de novembro de 2003, também citado pela interessada, o período de apuração do débito que a interessada pretendeu compensar encerravase em 20 de dezembro de 2003. Desse modo, a empresa deveria aguardar ao menos um dia para transmitir a DCOMP, mas resolveu apresentála em papel no dia anterior ao do encerramento do período de apuração (19/12/2003). Assim, evidenciase que a situação analisada não se amolda à exceção prevista no artigo 3o da IN SRF n° 323/2003, citado pela defesa (fl. 228 do 13804.009353/2003 12 e fl. 229 do Processo n° 13804.009354/200367). Alega, ainda, a contribuinte que a compensação teria sido considerada não declarada, também em razão de a autoridade administrativa ter apontado a impossibilidade de compensação de crédito objeto de pedido de restituição indeferido. Todavia, os despachos decisórios recorridos, no item “12”, ressaltam que, mesmo que a Dcomp tivesse sido entregue através do Programa PER/DCOMP, não seria homologada, ante o entendimento de que a IN SRF n° 360/2003 vedava a compensação de crédito objeto de pedido de restituição indeferido, ainda que por decisão não definitiva. Essa matéria já foi apreciada neste voto, não subsistindo tal interpretação. No que tange à tese de impossibilidade de exigência do crédito objeto de compensação considerada não declarada, observese que os despachos decisórios, às fls. 220 e 219 dos Processos nos 13804.009353/200312 e 13804.009354/200367, respectivamente, determinaram a “cobrança do(s) débito(s) indevidamente compensado(s), conforme disposto no § 3o do art. 31 da IN SRF 600/05, uma vez que o débito foi confessado em DCTF (...)” (destaques da transcrição). A jurisprudência administrativa é pacífica quanto a considerar desnecessário o lançamento de crédito tributário objeto de confissão de dívida, como é o caso dos débitos informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), instituída pela Instrução Normativa (IN) n° 126/1998, que é instrumento hábil a produzir os efeitos previstos no artigo 5o, § 1o, do Decretolei n° 2.124/1984. Desse modo, na hipótese de serem afastadas as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, este poderá ser exigido com base na DCTF. No mérito, penso que o fato de a autoridade administrativa se opor a uma compensação porque não veiculada em meio eletrônico, em regra, resultaria em uma decisão correta, ainda que ensejasse a nãohomologação da compensação. Isto porque a exigência de que a DCOMP seja feita em meio eletrônico prestase a conduzir o sujeito passivo a adequar Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 18 17 sua compensação às normas legais, de modo a restringir a produção de documentos extintivos do crédito tributário que exteriorizassem compensações impossíveis. Relevante destacar que a DCOMP não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . Por tais motivos, inclusive, a legislação evoluiu para distinguir algumas hipóteses de uso indevido da DCOMP, e sujeitálas a penalidade específica e isolada, na medida em que os débitos, em regra declarados, seriam cobrados, apenas com os correspondentes acréscimos moratórios. Também sujeitou a multa qualificada aqueles que buscassem se esquivar dos controles prévios adotados pela Administração Tributária, instituídos com a finalidade de evitar a ocorrência de compensações contrárias à lei, mediante a inserção de elementos falsos para viabilizar a transmissão eletrônica das DCOMP. No presente caso, em 19/12/2003 a contribuinte pretendeu extinguir débitos cujos fatos geradores somente ocorreriam em 20/12/2003. Na medida em que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, §2o da Lei nº 9.430/96), os atos praticados pela contribuinte seriam, em tese, impossíveis, pois ainda inexistia crédito tributário a extinguir. Todavia, diz a recorrente que o dia 20/12/2003 era um sábado, e que o fato gerador do débito compensado ocorrera, efetivamente, em 19/12/2003, data da apresentação da Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 19 18 DCOMP. No sítio da Receita Federal na Internet consta o ato administrativo questionado pela interessada (http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/agenda/2003/AGEDez03.doc): Ato Declaratório Executivo Corat nº 75, de 19 de novembro de 2003 Divulga a Agenda Tributária do mês de dezembro de 2003. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, no uso de suas atribuições declara: Art. 1º As datas fixadas para pagamento de tributos e contribuições federais no mês de dezembro de 2003 são as constantes da AGENDA TRIBUTÁRIA, anexa. Art. 2º O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido pelas microempresas ME e pelas empresas de pequeno porte EPP não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Simples, relativamente aos fatos geradores ocorridos no mês de novembro de 2003, deve ser recolhido até 30 de dezembro de 2003, não se lhes aplicando os vencimentos constantes da agenda anexa, tendo em vista o disposto no art. 2º da Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, com a redação dada pelo art. 42 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003. Art. 3º O Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, recolhido sob os códigos de receita 0422, 0481, 0473, 5192, 9453, 9466, 9478, 9412 e 9427 deve ser pago na data de ocorrência do fato gerador. Art. 4º A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação de petróleo e seus derivados, gás natural, exceto sob a forma liquefeita, e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide Combustíveis), de que trata a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, deve ser paga na data do registro da Declaração de Importação, sob o código de receita 9438. Art. 5º As referências a "Entidades financeiras e equiparadas", contidas nas discriminações das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, dizem respeito às pessoas jurídicas de que trata o § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. MICHIAKI HASHIMURA AGENDA TRIBUTÁRIA MÊS DE DEZEMBRO DE 2003 Data de Vencimento: Data em que se esgota o prazo legal para pagamento dos tributos e contribuições federais. DATA DE VENCIMENTO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES CÓDIGO DARF PERÍODO DO FATO GERADOR [...] 24 Imposto de Renda Retido na Fonte Rendimentos de Capital Títulos de renda fixa Pessoa Física 8053 14 a 20/Dez/2003 Títulos de renda fixa Pessoa Jurídica 3426 " Fundo de Investimento Renda Fixa 6800 " Fundo de Investimento em Ações 6813 " Operações de swap 5273 " DayTrade Operações em Bolsas 8468 " Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 20 19 DATA DE VENCIMENTO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES CÓDIGO DARF PERÍODO DO FATO GERADOR Juros s/ remun. de capital próprio (art. 9º, Lei nº 9.249/95) 5706 " Aluguéis e royalties pagos a pessoa física 3208 " Rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador 3277 " [...] Nestes termos, débitos de IRRF decorrente de rendimentos de títulos de renda fixa auferidos por pessoa jurídica, apurados de 14 a 20 de dezembro de 2003, deveriam ser recolhidos sob código 3426 até 24/12/2003. Contudo, a interessada formalizou a extinção deste débito, mediante compensação, em 19/12/2003, sextafeira, antes de esgotado o período estipulado como fato gerador pelo ato declaratório em referência. Todavia, as retenções na fonte constituem fatos geradores individuais, que são agrupados semanalmente para vencimento único, no 3o dia útil da semana subseqüente. Não há um período de apuração semanal, até porque várias são as ocorrências que ensejam retenções, com diferentes beneficiários envolvidos. O que existe, sim, é uma escolha administrativa, refletida na lei, que dispensa o responsável tributário de informar individualmente cada uma destas retenções, bem como de recolhêlas separadamente, e permite um agrupamento mensal para declaração e recolhimento. Neste sentido é a regra geral de vencimento expressa no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 729. Está sujeito ao imposto, à alíquota de vinte por cento, o rendimento produzido, a partir de 1º de janeiro de 1998, por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou isenta (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 35). § 1º As aplicações financeiras de renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1997, terão os respectivos rendimentos apropriados pro rata tempore até essa data, e tributados às seguintes alíquotas: I quinze por cento para os rendimentos produzidos nos anoscalendário de 1996 e 1997 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 11); II as previstas na legislação correspondente aos rendimentos produzidos anteriormente a 1º de janeiro de 1996, observadas as regras para determinação da base de cálculo e demais normas então vigentes. § 2º O imposto a ser retido será representado pela soma das parcelas de imposto calculada na forma do parágrafo anterior e do imposto apurado conforme o disposto no caput deste artigo. § 3º No caso de debênture conversível em ações, os rendimentos produzidos até a data da conversão deverão ser tributados naquela data. Art 730. O disposto no artigo anterior aplicase também (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 4º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 54): I às operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como no mercado de balcão; II às operações de transferência de dívidas realizadas com instituição financeira e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; III aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 21 20 pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações; IV aos rendimentos auferidos em operações de adiantamento sobre contratos de câmbio de exportação, não sacado (trava de câmbio), em operações com export notes , em debêntures, em depósitos voluntários para garantia de instância e depósitos judiciais ou administrativos quando o seu levantamento se der em favor do depositante. Parágrafo único. O Ministro de Estado da Fazenda está autorizado a baixar normas com vistas a definir as características das operações de que tratam os incisos I e II do artigo anterior (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 6º). [...] Art. 732. O imposto de que tratam os arts. 729 e 730 será retido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 65, § 7º): I por ocasião do recebimento dos recursos destinados ao pagamento de dívidas, no caso das operações referidas no art. 730, inciso II; II por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação, nos demais casos. [...] Art. 865. O recolhimento do imposto retido na fonte deverá ser efetuado (Lei nº 8.981, de 1995, arts. 63, § 1º, 82, § 4º, e 83, inciso I, alíneas " b " e " d ", e Lei nº 9.430, de 1996, art. 70, § 2º): I na data da ocorrência do fato gerador, no caso de rendimentos atribuídos a residente ou domiciliado no exterior; II até o terceiro dia útil da semana subseqüente a de ocorrência dos fatos geradores, nos demais casos. (negrejei e sublinhei) Logo, se em 19/12/2003 o sujeito já sabia que não efetuaria pagamentos no sábado, e já reunira as demais retenções semanais a serem liquidadas e declaradas conjuntamente, o sistema PER/DCOMP não poderia impedilo de assim proceder, alegando que o fato gerador do tributo a ser recolhido não se completara. Ainda que uma retenção viesse a ocorrer em 20/12/2003, esta representaria um fato gerador independente, e poderia ser recolhida ou compensada separadamente até 24/12/2003. No mais, concordo com o I. Relator relativamente à possibilidade de cobrança dos débitos que não puderem ser compensados, se declarados em DCTF. Mas ressalvo que, como a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087 impediu a Receita Federal de erigir hipóteses de nãodeclaração distintas daquelas previstas em lei, as DCOMP aqui em debate devem ser reconhecidas como instrumentos de confissão de dívida, na medida em que apresentadas após a Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que neste sentido determinaram. Por todo o exposto, em razão da competência atribuída a este Órgão Julgador por decisão judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0232087 (que aguarda julgamento de recurso no Tribunal Regional Federal da 3a Região), o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar o impedimento oposto pelo sistema PER/DCOMP à apresentação das DCOMP em 19/12/2003, e determinar que a autoridade administrativa prossiga na análise da suficiência e disponibilidade do direito creditório nelas utilizado e, caso verificadas as condições para homologação da compensação, proceda à sua declaração sob condição resolutória de eventual reversão da decisão exarada na Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13807.010695/200355 Acórdão n.º 1101000.890 S1C1T1 Fl. 22 21 ação judicial inicialmente referida. Em caso de insuficiência do direito creditório, a cobrança dos débitos poderá ser feita com base nas DCOMP, enquanto vigente a decisão judicial antes mencionada, ou, então, mediante as informações prestadas em DCTF. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15374.724388/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. VENDA. NATUREZA DA RECEITA.
Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita não-operacional e, como tal, não integra a base de cálculo do PIS.
AÇÕES. AQUISIÇÃO E POSTERIOR REVENDA. NATUREZA DA RECEITA.
Ações adquiridas e revendidas até o final do exercício seguinte ao da aquisição deve ser escriturada no ativo circulante e a receita de sua venda é receita operacional e integra a base de cálculo do PIS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. VENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita não-operacional e, como tal, não integra a base de cálculo do PIS. AÇÕES. AQUISIÇÃO E POSTERIOR REVENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e revendidas até o final do exercício seguinte ao da aquisição deve ser escriturada no ativo circulante e a receita de sua venda é receita operacional e integra a base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. VENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita nãooperacional e, como tal, não integra a base de cálculo do PIS. AÇÕES. AQUISIÇÃO E POSTERIOR REVENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e revendidas até o final do exercício seguinte ao da aquisição deve ser escriturada no ativo circulante e a receita de sua venda é receita operacional e integra a base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 88 /2 00 9- 11 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP no qual a empresa interessada está pleiteando a restituição de PIS do PA 10/2005, e declarando a compensação de débitos seus com o crédito pleiteado. Delegado da DEMAC/RJ não reconheceu o direito creditório e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas, pelas razões constantes do Termo de Verificação Fiscal e do respectivo Despacho Decisório. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, abaixo transcrito. No ano de 2005 constituiu fundo de investimento específico denominado "Papéis Índice Brasil Bovespa PIBB II" por meio de aporte de ações de sua titularidade, ações essas que se tinham mantido no ativo permanente da instituição por pelo menos mais de um ano calendário. Uma vez definidas as condições de comercialização das cotas do fundo, aqueles investimentos adquiridos originariamente com intenção de permanência e, portanto, contabilizados no Ativo Permanente, foram transferidos para o Ativo Circulante para que as Demonstrações Contábeis da BNDESPAR refletissem de forma mais adequada e transparente a intenção de comercialização no curto prazo, manifestada na Decisão de Diretoria n.° 68/2005 (doc. 2). Em outubro de 2005, a receita originada da venda de participações societárias foi de R$ 1.859.692.864,41, dos quais R$ 1.837.034.932,77 foram gerados pela venda de ações que estavam registradas no Ativo Permanente e foram reclassificadas para o Ativo Circulante apenas para a constituição do fundo PIBB II. Em 14/11/2005 foi feito o recolhimento através de DARF de PIS não cumulativo (código de receita 6912), no montante de R$ 31.633.200,43. Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF entregue em 02/12/2005 também foi informado este valor, conforme consta do Parecer Conclusivo nº 065/2011. Tal pagamento ensejou dúvida, tendo em vista que os ativos alienados estiveram por longo período contabilizados no Ativo Permanente e que esta receita estaria excluída do conceito de "faturamento". De modo a sanar quaisquer dúvidas acerca da incidência ou não das Contribuições para o PIS e COFINS em operações de alienação de participação acionária detida por mais de um anocalendário, a BNDESPAR formalizou, em 2005, consulta à Receita Federal. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 4 3 A consulta foi respondida pela Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006, a qual concluiu que a receita decorrente da venda das respectivas participações societárias de titularidade da BNDESPAR, qualificadas como Ativo Permanente, deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por configurar receita não operacional ex vi do §3°, VI do art. 1º da Lei 10.637/2002 e do §3°, II do art. 1º da Lei 10.833/2003. Retificou os DACON referentes ao período compreendido entre outubro e dezembro de 2005, por entender que não incidiriam os mencionados tributos nas operações de alienação de ações oriundas do Ativo Permanente. Apresentou a Dcomp nº 16920.83338.260706.1.3.045100, no valor de R$ 24.375.955,00. Conseqüentemente foi formalizado o Processo Administrativo nº 15374.724388/200911, para tratamento manual da Dcomp eletrônica, tendo sido então instada a apresentar livros/documentos e arquivos digitais referentes às operações ocorridas no ano de 2005. Apresentou a documentação fiscal requerida pela RFB e informou que em consideração ao contido no art. 35, III da IN SRF nº 25/2001, considerou o PIS incidente somente sobre o valor bruto das ações que não se enquadravam no conceito de ativo permanente. O crédito apontado para fins de compensação tem sua origem em retificação. Tratase de quantia que já foi antecipada. Após a antecipação percebeuse que tal pagamento era indevido. Após as retificações dos DACON e da DCTF, o crédito tributário em questão foi constituído através de Auto de Infração (Processo nº 16682.720184/201016), que concluiu que a receita do mês de outubro/2005 decorrente da alienação de ações que estivessem contabilizadas no Ativo Circulante no momento da venda deveria integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. Efetuou depósito voluntário do montante integral do débito tributário impugnado relativo ao Auto de Infração, em 16/11/2010, que incluiu o valor atualizado de R$ 56.503.463,69 referentes ao crédito que deixou de ser homologado no Parecer nº 65/2001. Por tal motivo entende não haver multa nem juros ou correção monetária. Ainda que a Autuação Fiscal objeto do processo n.° 16682.720184/201016 não seja cancelada, fato é que um montante de R$ 31.633,200,43 foi pago antecipadamente através de DARF em 14/11/2005 e que, deste total, R$ 24.375.955,00 foram utilizados na DCOMP n° 16920.83338.260706.1.3.045100, razão pela qual a declaração de compensação deve ser homologada independentemente da impugnação ao Auto de Infração sobredito. Anexou a relação dos ativos alienados e a respectiva data de aquisição (doc. 4), de modo a comprovar a permanência dos mesmos na conta de Ativos Permanentes por mais de um ano calendário. Tais ativos, como demonstra a tabela anexa (doc. 4), foram adquiridos em datas diversas, desde setembro de 1998. Juntou se, ainda, em complemento aos saldos por detalhe destas ações e suas movimentações, os lançamentos contábeis que respaldam as transferências para o ativo circulante (doc. 5). Após a Emenda Constitucional n° 20, com a edição da Lei n° 10.637/2002, a hipótese de incidência do PIS deixou de estar limitada ao faturamento, passando a Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 5 4 abarcar "o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Esta Lei exclui a incidência do PIS sobre algumas espécies de receitas e, em relação às receitas oriundas daquela venda de participações societárias realizada pela BNDESPAR, houve dúvida se não estariam justamente abarcadas pela previsão do inciso I ou pela do inciso II do § 3o do artigo 1o da Lei n° 10.637/2002, eis que, além do fato de que tais ativos estiveram classificados no ativo permanente por mais de um anocalendário, poderseia considerar que se tratava de receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005. A intenção da BNDESPAR por ocasião da aquisição dos ativos nunca foi de especular. Tais ativos haviam sido classificados no Ativo Permanente originariamente, em razão de não haver qualquer previsão de alienação dos mesmos nos momentos das respectivas aquisições. A BNDESPAR é uma sociedade por ações, constituída em 1982, controlada integral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. O BNDES é o principal instrumento de execução da política de investimento do Governo Federal. As empresas integrantes do Sistema BNDES foram criadas com a finalidade de praticar operações que auxiliem o fomento da economia nacional ex vi do artigo 8º da Lei n.° 1.628/52 tendo como objeto a prática de atividades necessárias ao desenvolvimento da economia nacional. Sua ação é pautada nas diretrizes estratégicas formuladas em conjunto com o BNDES (principal instrumento do Governo Federal para os financiamentos de longo prazo com ênfase no estímulo à iniciativa privada nacional) e direcionada a apoiar o processo de capitalização e o desenvolvimento de empresas nacionais. Por ser uma subsidiária integral do BNDES, atua de forma aderente ao objetivo deste, que se consubstancia no desenvolvimento econômico do País. Em resumo, a BNDESPAR atua de acordo com políticas determinadas pelo Governo Federal, apoiando empresas nacionais, de forma a: (i) Fortalecer as estruturas de capital das empresas e apoiar novos investimentos na economia; (ii) Apoiar a reestruturação da indústria através de fusões e aquisições; (iii) Apoiar o desenvolvimento de empresas emergentes; (iv) Apoiar o desenvolvimento de pequenas e médias empresas; (v) Desenvolver a indústria de fundos fechados de "private equity"; e (vi) Contribuir para o desenvolvimento do mercado de capitais. A BNDESPAR desempenha atividades voltadas para o fortalecimento do mercado de capitais, dentre outras atividades previstas no artigo 4º de seu estatuto. Esse processo se dá pelo investimento em empresas nacionais através da subscrição de ações (participações societárias de caráter minoritário) e debêntures conversíveis e ainda, pelo fortalecimento e modernização do mercado de valores mobiliários. O PIBB é um exemplo desta atuação pois permitiu o fomento e a democratização do acesso do público ao mercado de capitais, um dos objetivos principais da BNDESPAR. No contexto das atividades de fomento, as operações de apoio realizadas pela BNDESPAR, via de regra, são realizadas no longo prazo, razão pela qual, as inversões em participações societárias adquiridas com intenção de permanência são Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 6 5 mantidas até o término do ano calendário subseqüente ao de sua aquisição, classificadas originariamente no subgrupo de Investimentos do Ativo Permanente. Foi com base nos aspectos acima destacados, não observados no parecer contra o qual se apresenta a presente manifestação, que foram emitidos diversos pareceres anteriores da própria Receita Federal em sentido contrário ao do despacho decisório ora recorrido. O tempo de manutenção da participação acionária nos ativos da BNDESPAR até sua alienação foi elemento determinante para que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 36/2006, concluísse que o ativo alienado preenchia os requisitos necessários para qualificálo como permanente. Cita Acórdão da DRJ de Florianópolis no qual foi aplicado o critério da temporariedade. O procedimento contábil, por si só, não tem o condão de alterar a natureza da receita (não operacional) da alienação de ativos adquiridos com intenção de permanência, os quais de fato permaneceram classificados em seu Ativo Permanente por mais de um ano calendário. Cita a conclusão da Solução de Consulta nº 71/08, da 6ª Região, que dispõe neste sentido. A decisão da Solução de Consulta acima citada ratifica as seguintes conclusões já alinhavadas na consulta específica realizada pela BNDESPAR: (i) a classificação contábil, por si só, não é determinante para definir a natureza da receita, (ii) a expectativa de permanência de um bem no ativo imobilizado por mais de 12 meses é condição para classificação no ativo permanente, o que confere natureza não operacional à receita decorrente de sua venda; e (iii) quando o bem é comercializado antes do período de 12 meses não se presume a permanência, que deve ser provada. O mesmo entendimento deve ser aplicado à alienação das ações relativas ao mês de outubro/2005, tendo em vista a identidade de operações, sendo irrelevante a reclassificação contábil. Também neste sentido, o Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 3 de 28.01.1980 (D.O.U.: 04.02.1980), citado no item 25 do Parecer Consultivo n° 80/2011, em que a Receita Federal orienta, no parágrafo 4o, que os resultados obtidos na alienação, baixa ou liquidação de bens do Ativo Permanente são considerados ganhos ou perdas de capital e, por conseguinte, classificados como Resultados Não Operacionais. O Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 41 de 03.12.1980 (D.O.U.: 07.01.1981), esclarece a relevância que tal classificação contábil assumiu para fins de apuração do imposto de renda. A definição de Investimentos e o tratamento a ser dado consta do Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 108 de 28 de dezembro de 1978 (D.O.U.: 09.01.79), referido no item 4.2.1 do PN CST n° 41 de 1980: O Parecer Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 100 de 01.12.1978 (D.O.U.: 07.12.1978) é também bastante taxativo na orientação de que bens classificados no Ativo Permanente e alienados Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 7 6 posteriormente terão as receitas decorrentes da alienação classificadas como não operacionais. Em relação à subscrição e integralização de valores mobiliários, é a própria Receita Federal que determina a classificação das receitas decorrentes da alienação de tais ativos como receita não operacional, adotando o critério da temporariedade, considerando que "além dos casos expressamente previstos na legislação, são não operacionais os resultados decorrentes de alienação, baixa ou liquidação de bens ou direitos integrantes, do ativo permanente da pessoa jurídica" (Parecer Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 114, de 01.01.1979 (D.O.U.: 11.01.1979) Através do Parecer nº 65/2011, o fisco, desconsiderando a própria Solução de Consulta para o caso específico e todo o tempo em que permaneceram no Ativo Permanente, entendeu que a receita decorrente de operação que deu origem ao crédito utilizado nas compensações não homologadas deveria ser classificada como receita operacional e, ainda, que sobre tal receita deveria incidir PIS/COFINS. O próprio Parecer Conclusivo n° 65/2011 consignou, no item 36, que "a BNDESPAR tem suas participações societárias classificadas principalmente no ativo permanente". As ações alienadas em outubro de 2005, no momento da venda, estavam classificadas no Ativo Circulante, mas foram transferidas para esse grupo meses antes, advindas do Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. O Parecer também reconhece que as participações societárias permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições. Ainda que prevalecesse o entendimento externado no parecer, o artigo 373 do Regulamento do Imposto de Renda, conjugado à Instrução Normativa n.° 1.022/2010, considera como sendo Receita Financeira as receitas de títulos vinculados ao mercado aberto, os quais, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005, são sujeitos a alíquota zero. Alienou ações negociadas na Bovespa com a finalidade de constituir um fundo de investimentos. E, que por ser uma sociedade anônima aberta com permissão para negociar títulos de sua emissão em mercado aberto de balcão organizado, se submete à Lei nº 6.404/76 e às normas da CVM no que tange aos aspectos contábeis. As participações permanentes são previstas no §3º do art. 2º da Lei nº 6.404/76. As suas participações societárias provêm de (i) conversão de debêntures em ações, (ii) aumento de capital com ações de empresas do governo e ainda, de forma residual, através de aquisição em mercado. Dado o objetivo do desenvolvimento da maioria dessas empresas, estas participações têm o caráter permanente. A classificação desses investimentos no ativo permanente decorre da própria Lei 6.404/76. Decorre ainda da Instrução CVM n° 247/96. Para esse tipo de investimento não há que se referir a caráter especulativo, dada a intenção de permanência até o desenvolvimento das empresas investidas, principal objetivo do BNDES e conseqüentemente da BNDESPAR, como extensão das atividades daquele Banco de Desenvolvimento. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 8 7 O Parecer de Orientação CVM 17/89 confirma o entendimento de que esses investimentos devem ser classificados originalmente no ativo permanente. Como especificado na DACON retificadora referente a outubro de 2005 e no item 5 da Carta AF/DEPCO/GECONT4 n° 041/2011 (fls. 474/478), somente as ações adquiridas para constituição do Fundo PIBB II que não permaneceram no ativo da BNDESPAR por mais de um ano calendário foram mantidas na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. A CVM editou a Deliberação n.° 496/2006, a qual ratificou a Norma de Procedimento Contábil n.° 27, emitida pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil Ibracon, que confere interpretação ao artigo 179 da Lei n.° 6.404/76, dispondo da seguinte forma: "Ativo Circulante e Não Circulante Um ativo deve ser classificado como circulante quando: a. se espera que seja realizado, ou é mantido para venda, negociação ou consumo dentro dos 12 meses seguintes à data do balanço; ou b. é um ativo em dinheiro ou equivalente, cuja utilização não está restrita." Neste sentido também dispôs a NPC nº 1 de 2002 quando previu que o bem ou direito com previsão de ser alienado em até um ano deve ser classificado no Ativo Circulante conforme a expectativa de alienação no curto prazo. A reclassificação contábil ocorreu com o único propósito de adequar as demonstrações contábeis à intenção de alienação das ações no curto prazo, fazendo com que tais ativos estivessem melhor apresentados em contas do Ativo Circulante, lhe conferindo maior transparência. A aprovação, pela CVM, da NPC 27, revela não só que o procedimento contábil adotado revelase adequado, mas também, impositivo, sob pena de, em caso de sua inobservância, a BNDESPAR vir a sofrer sanções administrativas. As ações alienadas já se encontravam classificadas no Ativo Permanente por mais de um anocalendário, tendo sido reclassificadas para o Ativo Circulante, onde permaneceram por um período inferior a quatro meses apenas para fins de apresentação nas demonstrações contábeis. Antes, a própria Lei n° 10.637/2002, que instituiu a cobrança nãocumulativa do PIS, já consignava que a tributação independeria da denominação contábil das receitas. Sendo assim, não é a forma que deverá prevalecer. A IN SRF nº 25/2001 estabeleceu critério objetivo para a classificação dos ativos para fins fiscais, considerando como Ativo Permanente toda participação societária que permanecesse no ativo da pessoa jurídica até o término do ano calendário seguinte ao da aquisição. A mera reclassificação contábil dos referidos Ativos, do Permanente para o Circulante, é questão de forma que não tem o condão de por si só descaracterizar a natureza não operacional da receita auferida e, via de conseqüência, provocar a incidência de PIS na hipótese vertente. A classificação foi feita inicialmente em Investimentos, pois não havia intenção de venda. O tempo de permanência em que as ações permaneceram na carteira da BNDESPAR, alinhado com a sua classificação no Balanço Patrimonial, fazem com que a receita obtida no momento da alienação seja considerada não operacional. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 9 8 Relativamente à interpretação dos enunciados de direito tributário e princípios constitucionais aplicáveis ao caso entende que, no caso, há uma aparente obscuridade na definição do elemento material do PIS, que levou a não homologação das declarações de compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de tal tributo. A BNDESPAR entende que deve prevalecer a sua intenção ao adquirir os ativos, alienados alguns anos mais tarde. A não homologação de tal crédito implica em ofensa ao princípio da igualdade, regulado, em matéria tributária, no CRFB artigo 150 II (isonomia fiscal ou igualdade tributária), segundo o qual é vedado aos Entes federativos instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. No caso concreto, haveria violação ao subprincípio da generalidade, no sentido de que todo contribuinte que exteriorizar idêntica capacidade contributiva deverá sofrer a mesma carga de tributação. Embora o artigo 153 §2°, I, da CRFB/88, se refira especificamente ao imposto de renda, o operador do direito deverá interpretálo de forma sistemática (lex dixit minus quam voluit), buscando a generalidade em todo o sistema tributário, em razão da isonomia, da igualdade na tributação. O Parecer Conclusivo n° 65/2011 esbarra no princípio do Nemo potest venire contra factum proprium, termo utilizado, na doutrina, por Ruy Barbosa Nogueira. De acordo com esse princípio, a Administração Pública não poderá contradizer uma decisão por ela tomada anteriormente. A Administração "não pode punir ou onerar alguém por ter seguido as instruções ou orientações ainda que o fisco as venha repudiar". Não haverá contradição entre uma vontade administrativa expectorada e uma vontade administrativa futura. Por outro lado, em razão da tipicidade fechada adotada pelo Direito Tributário brasileiro, não se pode admitir a interpretação econômica, prófisco, que vai de encontro às garantias fundamentais, ao permitir que a autoridade fazendária promova a tributação independentemente da forma adequada, sempre que houver alguma exteriorização de riqueza (remonta ao Código Tributário Alemão de 1919, vigente até 1977). Na presente hipótese, vislumbrase claramente esta interpretação econômica, típica da jurisprudência dos interesses, que não pode ser admitida em hipótese alguma, pois configura claramente um excesso de exação, constituindo ato atentatório à moralidade administrativa em matéria tributária. Se o Parecer conclui que aquela receita tem caráter especulativo, ignorando o tempo em que os ativos permaneceram classificados como Ativo Permanente, que indicam a natureza não operacional dos mesmos, por que, então, não concluiu que se tratava de receita financeira, sujeita a alíquota zero, por força do Decreto n° 5.442, de 9 de maio de 2005? A ausência de justa causa para a imposição de multa, sendo a sua aplicação configuração de violação ao art. 112 do CTN. Em caso de dúvida, em matéria de infrações e de penalidades, a regra é a da interpretação mais benigna, sendo evidente que a BNDESPAR agiu conforme a sua compreensão da Solução de Consulta SRRF/70 RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006, devendose excluir a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 10 9 A conclusão pela incidência ou não de PIS no caso depende, não meramente de sua classificação contábil, mas da verificação da real natureza da receita, se operacional ou não. Entende ser imprescindível a realização de diligência e perícia para aferição de sua real natureza ex vi do artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72, sob pena de ser considerado nulo o processo administrativo ex vi dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70235/72. Considerando que as compensações requeridas são direito do contribuinte, a BNDESPAR requer: i) que sejam juntados ao processo, os documentos que acompanham a presente Manifestação; ii) que seja concedido prazo adicional razoável, para serem juntados ao processo documentação suplementar ex vi da alínea "a" do parágrafo 4º do inciso V do artigo 16 do Decreto n°. 70.235 de 06/03/1972; iii) que seja homologada a declaração de compensação que indicou como crédito pagamento indevido de PIS, em função da alienação de valores mobiliários em outubro de 2005, porque os valores indicados para as pleiteadas compensações foram efetivamente recolhidos, conforme reconhece o presente Parecer Conclusivo, estando a questão referente ao PIS/COFINS de outubro de 2005 sendo tratada no Processo nº 16682.720184/201016, em que foi feito depósito extrajudicial; iv) subsidiariamente, caso esta Delegacia não verifique de plano que a homologação das compensações em análise independe da solução do Processo nº 16682.720184/201016, que sejam homologadas as declarações de compensação que indicaram como crédito pagamento indevido de PIS, porque o pagamento era mesmo indevido, por força do § 3o do artigo 1o da Lei 10.637/2002; v) a exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente à atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN c/c 112 do CTN; vi) seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da glosa, nos termos do art. 151, III do CTN e do § 11 do art. 4 da Lei nº 9.430/96. A 16a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1259.394, de 11/09/2013, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A alienação de participação societária com características que atendem o objeto social da sociedade integra a sua receita operacional, sujeitandose à norma de incidência da Contribuição para o Pis. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica o disposto em solução de consulta, quando esta versar sobre fato distinto daquele objeto do litígio. RESULTADO DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. RECEITA FINANCEIRA. Não se considera receita financeira o resultado de alienação de ações, quando decorrentes da atividade principal da sociedade. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 11 10 EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos objeto de compensação. DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência quando a documentação acostada aos autos for suficiente para a solução da lide. COBRANÇA. Não compete à Delegacia de Julgamento manifestarse sobre alegações contrárias à cobrança do crédito tributário não compensado. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 12/02/2014, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 06/03/2014, com recurso voluntário no qual renova os argumento da manifestação de inconformidade e rebate argumentos da decisão recorrida. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a suposto pagamento a maior de PIS do PA 10/2005, em face da inclusão na base de cálculo da exação de receita de venda de ações integrantes do ativo permanente da Recorrente. Para esse mesmo período de apuração (10/2005), a empresa recorrente apresentou PER/DCOMP relativo à Cofins, também pelos mesmos motivos e usando a mesma base de cálculo. Referido PER/DCOMP da Cofins está controlado no Processo nº 15374.724323/200958, também objeto de recurso voluntário julgado pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 3403002.628, de 27/11/2013, de relatoria do Conselheiro Alexandre Kern. Considerando a absoluta identidade de matéria entre este processo e o processo julgado pela 3ªTE, acima referido, tomo a liberdade de adotar integralmente o voto do Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 12 11 Ilustre Conselheiro Alexandre Kern, com as adaptações às citações das peças destes autos e à referência ao Acórdão nº 3302002.055, de 25/04/2013. Esclareço, inicialmente, que o lançamento de ofício objeto do processo administrativo 16682.720184/201016 guarda estreita vinculação com o crédito objeto do presente PER/DComp. Naquele processo, constituiuse crédito tributário de PIS e Cofins, referente ao período de apuração de outubro de 2005. Naquele PA, o contribuinte, ora recorrente, vendera participações societárias no valor de R$ 1.837.034.932,77, e oferecera à tributação a respectiva receita. Nada obstante, mais tarde, em face de novo entendimento sobre essa tributação, retificou o DACON e ofereceu à tributação receita de venda de participações societárias no valor de R$ 359.704.326,59. Na ação fiscal empreendida a partir dessa retificação constatou que, em outubro de 2005, o total da receita bruta de venda de ações foi de R$ 1.859.692.864,41; deste total, R$ 1.837.034.932,77 vieram da venda de ações registradas no ativo circulante, o restante, de R$ 22.657.931,64, de ações registradas no ativo permanente, da seguinte forma: OUTUBRO/2005 Receita Bruta de Venda de Ações R$ 1.859.692.864,41 ( ) Receita de Venda de Ações do Ativo Permanente R$ 22.657.931,64 = Receita Tributável de Venda de Ações R$ 1.837.034.932,77 Receita Oferecida à Tributação pela Fiscalizada R$ 359.704.326,59 Receita a Tributar de Ofício R$ 1.477.330.606,18 Como se vê, o crédito objeto da presente lide está incluído nesse lançamento de ofício. Nada obstante, o julgamento deste recurso não depende da sorte do lançamento, porquanto o crédito tributário foi depositado administrativamente. O recorrente invoca, como fundamento de seu direito creditório, a Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006 (fls. 724 a 738), segundo a qual a receita com venda de ações constantes do ativo permanente é não operacional, e por isso não deve compor a base de cálculo para a tributação de PIS/COFINS. Observase que tal consulta, nos termos de sua conclusão (itens 36 a 39) teve ineficácia parcial declarada, só sendo vinculante em relação ao disposto no seu item 39, abaixo transcrito: "39. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS." Notese que a consulta à DISIT/7ªSRRF referese expressamente à participação societária permanente formada até 6 de agosto de 2001 (item 38), frisando que sua alienação em 13 de dezembro de 2005 (item 39) tem natureza não operacional e, desta forma, não integra as bases de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins. Portanto, em relação a este item, a solução de consulta resta plenamente eficaz. Essa é a conclusão da consulta que deve ser Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 13 12 cumprida, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade administrativa e do nemo venire contra factum proprium — como argüido, a contento, pelo contribuinte em seu recurso. Todavia, a situação fática que subjaz à consulta formulada é distinta da que teria originado o direito creditório ora convertido. Enquanto lá se trata de alienações de participação societária permanente, formada em 06/08/2001, ocorridas em 13/12/2005, no presente processo, cuidase de alienações que ocorreram em outubro de 2005. O interessado, enquanto manifestante, produziu o demonstrativo de fls. 1090 a 1095, em que informa as datas de aquisição e venda dos ativos e o tempo em que os mesmo permaneceram classificados no ativo permanente. A análise desse rol permite constatar que, à exceção dos títulos Ambev / AMBV4, adquiridos em 01/02/2004; Braskem / BRKM5, adquiridos em 01/01/2004 e 01/10/2004; Caemi / CMET4; Contax / CTAX3; Contax / CTAX4; CVRD / VALE5, adquiridos em 01/08/2004; Itaú Holding / ITAU4, adquiridos em 01/02/2004, 01/03/2004, 01/04/2004, 01/05/2004, 01/06/2004 e 01/10/2005; Perdigão / PRGA4; e Sadia / SDIA4, todos os demais ativos caracterizaramse como investimento permanente, pois permaneceram em carteira, no mínimo, até o exercício seguinte ao de sua aquisição, satisfazendo o critério temporal adotado na Instrução Normativa SRF n° 25, de 6 de março de 2001. Estando registradas a operações de aquisição no ativo permanente, a receita auferida é de venda de bens do ativo permanente e deve ser excluída da base de cálculo da Cofins do período de apuração respectivo. Este foi o entendimento desta 2ª Turma Ordinária ao julgar recurso voluntário, também da ora recorrente e que trata de pleito idêntico, referente ao PA 12//2005, nos termos do Acórdão nº 3302002.055, de 25 de abril de 2013. A possibilidade aventada pela Diort/Demac/RJ de a recorrente possuir uma carteira de ações destinadas a negociação em bolsa (o que é compatível com a sua atividade) não se confunde com a também possibilidade de a recorrente possuir investimentos permanente em companhias abertas ou fechadas, também compatível com seu objeto social. O Parecer Conclusivo da Diort/Demac/RJ não prova que as ações vendidas integravam carteira de ações destinadas à venda. O caráter subjetivo do destino de uma ação adquirida (investimento permanente ou revenda) desaparece se, na virada do ano seguinte ao de sua aquisição, o título ainda permanece em poder do adquirente e registrado no seu ativo (permanente ou circulante). Se na aquisição da ação a empresa escrituroua no ativo permanente, é porque a compra foi feita como investimento permanente. Se escriturou no ativo circulante é porque pretendia revender. Se a venda se realizar até o final do ano seguinte ao da aquisição, independente da intenção do adquirente (fator subjetivo) fica provado que a aquisição foi feita para revenda e, portanto, o registro correto da aquisição é no ativo circulante. Se a escrituração foi feita no ativo permanente, deve ser feito a retificação. No entanto, se venda ocorrer após o ano seguinte ao da aquisição, não há como contestar o lançamento contábil da aquisição no ativo permanente. Nesta hipótese, a receita da venda do título é, sim, receita da venda de bens do ativo Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724388/200911 Acórdão n.º 3302002.684 S3C3T2 Fl. 14 13 permanente e, portanto, deve ser excluída da base de cálculo da Cofins. Por tais razões, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer como não operacional, decorrente da venda de ativo permanente, a receita das vendas de ações realizadas em outubro de 2005, excetuando as operações com os títulos Ambev / AMBV4, adquiridos em 01/02/2004; Braskem / BRKM5, adquiridos em 01/01/2004 e 01/10/2004; Caemi / CMET4; Contax / CTAX3; Contax / CTAX4; CVRD / VALE5, adquiridos em 01/08/2004; Itaú Holding / ITAU4, adquiridos em 01/02/2004, 01/03/2004, 01/04/2004, 01/05/2004, 01/06/2004 e 01/10/2005; Perdigão / PRGA4; e Sadia / SDIA4. Por fim, esclareçase que o valor do indébito deve ser apurado pela Receita Federal do Brasil, considerando as exclusões da base de cálculo determinadas neste acórdão. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.001561/2003-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DECISÕES JUDICIAIS. APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL
Por força do art. 62-A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN).
IRPF. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
No caso de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, somente atrai a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, o pagamento que tenha conexão com o fato gerador, aperfeiçoado em 31 de dezembro do ano-calendário objeto da autuação.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 19/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APLICAÇÃO NO CARF. OBRIGATORIEDADE REGIMENTAL Por força do art. 62A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN). IRPF. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. No caso de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, somente atrai a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, o pagamento que tenha conexão com o fato gerador, aperfeiçoado em 31 de dezembro do anocalendário objeto da autuação. Recurso especial conhecido e provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 15 61 /2 00 3- 10 Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 19/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 02/06/2009, foi julgado o Recurso Voluntário nº 161.386, prolatandose o Acórdão nº 340100.110 (fls. 662 a 670), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. 0 direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada .ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto â instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.001561/200310 Acórdão n.º 9202003.245 CSRFT2 Fl. 10 3 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Descabe o pedido de perícia que não aborde questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas quanto ao lançamento, mormente quando estão presentes nos autos todos os elementos necessários .para a constituição do crédito tributário. PROVA TRAZIDA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Na busca da verdade material, devese apreciar com um grão de sal as restrições preclusivas na apreciação da prova trazida no recurso voluntário. Da apreciação de tal prova, pode o colegiado adentrar no mérito demanda ou, se for o caso, converter o julgamento em diligência, porém não se deve simplesmente arrostar uma prova que pode ter relevância para o deslinde da lide, ancorandose em restrições genéricas impeditivas da apreciação da prova, sem apreciação do caso concreto. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, analisar a documentação anexada ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Relatora), que propôs não apreciála. Designado para redigir o Voto Vencedor, com relação à questão, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer que a decadência atingiu o crédito tributário referente ao ano calendário 1997.’ Em 18/11/2009, o Contribuinte apresentou o Requerimento de Desistência Parcial de fls. 655/656, relativamente ao anocalendário de 1998, ressalvando que não renunciou no que tange ao anocalendário de 1997. Às fls. 722, a DRF no Rio de Janeiro/RJ I informa que o Contribuinte efetuou o pagamento do crédito tributário mantido. Cientificada do acórdão em 29/06/2010 (fls. 671), a Fazenda Nacional interpôs, em 1º/07/2010, o Recurso Especial de Divergência de fls. 674 a 680, visando rediscutir a questão da decadência. Ao recurso foi dado seguimento, por meio do Despacho nº 280200.112, de 15/03/2011 (fls. 681 a 684). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, a inexistência de pagamento antecipado, razão pela qual deveria ter sido aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 17/08/2011 (fls. 694), o Contribuinte Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 ofereceu, em 31/08/2011, as Contrarrazões de fls. 702 a 713, contendo os seguintes argumentos, em resumo: Do não conhecimento do Recurso Especial com relação ao anocalendário de 1997, a Turma recorrida, por unanimidade de votos, entendeu que, por ser o IRPF tributo sujeito a lançamento por homologação, deveria este ter seu prazo decadencial regrado pelo art. 150, § 4°, do CTN, de modo que o quinquênio decadencial deveria ser contado a partir da data da ocorrência do fato gerador (31.12.1997), não sendo relevante, para tal, o fato de haver ou não pagamento antecipado do tributo; segundo o acórdão recorrido, tão somente nos casos em que fosse constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não ocorre no caso, seria aplicável a regra para início do prazo decadencial prevista no art. 173, do CTN, em que os cinco anos são contados do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; não obstante, em seu Recurso Especial, a PGFN arguiu que a contagem do prazo decadencial, no caso do recorrido, somente deveria ter início a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se pautando, para tal, no art. 173, I, do CTN, pois, segundo a Recorrente, por não ter o Contribuinte efetuado o pagamento do IRPF do anocalendário de 1997 exigido no Auto de Infração, não teria sido efetuado o auto lançamento do credito tributário, situação em que, conforme defende a Recorrente, não se poderia aplicar o art. 150, § 4°, do CTN; de acordo com o § 10, do art. 67, do atual Regimento Interno do CARF, é pressuposto para o conhecimento do Recurso Especial a apresentação de acórdãos cuja tese, na data da interposição do recurso, ainda não tenha sido superada pela CSRF; caso contrário, não servirá de paradigma, independentemente de sua reforma específica; o Recurso Especial foi interposto em 1º/07/2010, coligindose como divergência jurisprudencial os Acórdãos n°s 20501.579 e 230100.253, contudo, desde 12/05/2009, por meio do Acórdão n° 910100.136, a CSRF já tinha pacificado o entendimento de que é irrelevante, para fins de aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, na contagem do prazo decadencial do lançamento relativo ao IRPF, tendo havido ou não pagamento antecipado de tributo; no mesmo sentido são os Acórdãos da CSRF nºs 910100.169, 910100.176 e 920200.632, proferidos também anteriormente à interposição do Recurso Especial, em 15/06/2009, 16/06/2009 e 12/04/2010, respectivamente; 3 tal entendimento, inclusive, já foi adotado pelo Pleno da CSRF ao proferir o Acórdão n° 990000.177, de 08/12/2009; vêse, portanto, que a tese veiculada nos Acórdãos n°s 20501.579, de 05/02/2009, e 230100.253, de 06/05/2009, coligidos pela Recorrente, já havia sido superada quando da interposição do Recurso Especial em 01/07/2010, razão pela qual não serve de paradigma, independentemente de sua reforma especifica; ante o exposto, como a Recorrente não logrou apresentar decisões divergentes cuja tese não tivesse sido superada pela CSRF, o Recurso Especial não deve ser conhecido, por não terem sido preenchidos os requisitos legais de admissibilidade. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.001561/200310 Acórdão n.º 9202003.245 CSRFT2 Fl. 11 5 Do mérito do Recurso Especial ao contrário do que afirma a Recorrente, o Contribuinte efetuou pagamentos antecipados de IRPF no períodobase de 1997, os quais foram comprovados a partir das cópias das DIRPFs por ele anexadas ao seu recurso voluntário (DOCS. 03 e 04 do Recurso Voluntário); assim, é aplicável ao IRPF por ele devido no anocalendário de 1997 a regra de decadência prevista no art. 150, § 4º , do CTN, independentemente da discussão quanto à aplicação da referida norma nos casos em que não há pagamento antecipado de tributo; não obstante, ainda que o Contribuinte não tivesse efetuado qualquer recolhimento relacionado ao IRPF do anocalendário de 1997, ainda assim teria havido a decadência, já que a contagem do prazo decadencial na forma no art. 150, § 4°, do CTN se aplica quando se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o que se caracteriza pelo fato de a legislação impor ao sujeito passivo o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, sendo irrelevante que tenha efetivamente havido o pagamento antecipado; ou seja, é o regime jurídico do tributo que determina a aplicação do § 4° do art. 150 do CTN ou do inciso I do art. 173: se a legislação impõe que, para certo tributo, o sujeito passivo efetue seu pagamento sem prévia intervenção da autoridade administrativa, o termo inicial do prazo decadencial é o fato gerador; se, ao invés, tratarse de tributo em que o lançamento precede o pagamento (como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana, por exemplo), aquele termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; o objeto da homologação não é o pagamento, mas sim a atividade do sujeito passivo que, em face de determinada situação de fato, entender existir um crédito, e lhe apura o montante, ou entende não existir crédito a ser pago, sendo descabido sustentar que a ausência de pagamento teria o “poder” de desqualificar o lançamento por homologação e, portanto, deslocar o termo inicial da decadência (cita jurisprudência); portanto, ainda que o Contribuinte não tivesse antecipado qualquer IRPF, o que se admite apenas para fins de argumentação, descabido seria o entendimento sustentado pela Recorrente, no sentido de que o prazo quinquenal de decadência, no caso, deveria ser contado a partir do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, com base no art. 173, I, do CTN, e não da ocorrência do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do mesmo código; dessa forma, deve ser integralmente mantido o entendimento do acórdão recorrido e, consequentemente, negado provimento ao Recurso Especial. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento Recurso Especial e, caso esse argumento seja ultrapassado, que seja julgado totalmente improcedente, mantendose o acórdão recorrido em sua integralidade. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que a tese nele preconizada – aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, condicionada à existência ou não de pagamento antecipado – estaria superada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época da interposição do recurso (art. 67, § 10, do RICARF). Ao contrário do que alega o Contribuinte, não há que se falar em tese superada, enquanto inexiste a obrigatoriedade de que o Colegiado se manifeste em determinado sentido. E, no caso da decadência, a única tese que deve ser obrigatoriamente aplicada é aquela defendida pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, aplicada na Instância Especial e nas Turmas do CARF, por força do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, que assim determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.001561/200310 Acórdão n.º 9202003.245 CSRFT2 Fl. 12 7 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Por oportuno, esclareçase que no julgado acima citado, proferido pelo STJ, ocorreu erro material, corrigido por meio do julgado abaixo, proferido em Recurso Especial também na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (repetitivo), que não deixa dúvida, no sentido de que o termo inicial do art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte não ao fato imponível, mas sim àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173,I, do CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJ 26/02/2010) Ainda que assim não fosse – o que se admite apenas para argumentar – a tese defendida pela Fazenda Nacional não se encontrava superada quando da interposição de seu Recurso Especial, eis que aplicada pela Terceira Seção de Julgamento, conforme pesquisa levada a cabo durante o julgamento, pelo Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Assentado que a eleição do dispositivo do CTN aplicável está condicionada à existência ou não de pagamento antecipado, resta perquirir se, no presente caso, teria havido dito recolhimento. O anocalendário objeto do recurso é o de 1997, cuja Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1998 consta às fls. 623. O seu exame permite concluir que, ao contrário do que alega o Contribuinte, não foi efetuado qualquer pagamento relativo ao ajuste anual, objeto da autuação, a saber: Imposto de Renda Retido na Fonte, CarnêLeão, Recolhimento Complementar ou Quota de Imposto de Renda Pessoa Física. Destarte, o fato gerador do tributo em questão ocorreu em 31/12/1997, portanto a exação só poderia ser lançada e exigida a partir de 1998. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º/01/1999, expirando em 31/12/2003. Considerando que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 21/03/2003 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 520), não ocorreu a decadência. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.001561/200310 Acórdão n.º 9202003.245 CSRFT2 Fl. 13 9 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à Turma de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário, apenas no que tange ao ano calendário de 1997. Registrese que, quanto à exigência relativa ao anocalendário de 1998, mantida no acórdão recorrido, já foi efetuado o respectivo pagamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10935.902402/2012-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/01/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 02 /2 01 2- 03 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.707, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 32074.15095.161107.1.2.042670, rastreamento nº 029224659, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 23.470,46, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/12/2004, efetuado em 14/01/2005, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902402/201203 Acórdão n.º 3802002.557 S3TE02 Fl. 112 3 Data do fato gerador: 14/01/2005 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902402/201203 Acórdão n.º 3802002.557 S3TE02 Fl. 113 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902402/201203 Acórdão n.º 3802002.557 S3TE02 Fl. 114 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902402/201203 Acórdão n.º 3802002.557 S3TE02 Fl. 115 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917230/2011-84
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 30 /2 01 1- 84 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 70 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 71 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 72 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 74 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917230/201184 Acórdão n.º 3801003.966 S3TE01 Fl. 75 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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