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Numero do processo: 13864.000004/2005-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF Nº 38).
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO. DISSOLUÇÃO DA EMPRESA.
Na ausência de escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, deve ser admitido como devolução do capital social a correspondente participação do contribuinte consoante patrimônio líquido consignado na última DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal.
Preliminares rejeitadas.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anos-calendários de 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF Nº 38). QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 04 /2 00 5- 92 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO. DISSOLUÇÃO DA EMPRESA. Na ausência de escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, deve ser admitido como devolução do capital social a correspondente participação do contribuinte consoante patrimônio líquido consignado na última DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 137.464,67, referente aos exercícios de 2001 e 2002, a título de imposto (R$ 56.380,84), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 42.285,63), além de juros de mora (R$ 38.798,20). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrente do trabalho sem vínculo empregatício e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 4 3 Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: A quebra do sigilo bancário aprovada pela Lei Complementar n° 105/2001, além de inconstitucional, não poderia ser aplicada retroativamente para atingir fatos anteriores a sua publicação, o mesmo valendo para a Lei n° 10.174/2001, que eliminou a vedação contida na Lei n° 9.311/1996 para a utilização dos dados da CPMF na constituição de crédito tributário. Caberia ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou a variação patrimonial a descoberto que justifique o lançamento, não podendo equiparar os meros depósitos a rendimentos. Explicou ainda que os depósitos podem ser redepositados, podem ser empréstimos e cheques devolvidos, etc. Há erro de cálculo na soma dos depósitos de março, maio, junho e agosto de 2000 (fls. 202), cabendo anular o lançamento. As cotas da Fanta Plastics lhe haviam sido doadas por seu pai antes da sua venda, por isso o seu nome não aparece na transação, apesar do crédito ter sido efetuado a seu favor. Contestou a tese do autuante de que este fato pudesse revelar variação patrimonial a descoberto. Incorreto o método utilizado pelo autuante para determinar os rendimentos pagos por pessoa jurídica com base em uma operação de distrato social devidamente comprovada. O valor das cotas lhe foi restituído pelo valor nominal. Não caberia considerar como restituível apenas o patrimônio líquido declarado pela empresa, como fez o autuante, que assim procedeu de forma arbitrária e sem qualquer embasamento legal. A 3ª Turma da DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 268/271, julgou procedente em parte o lançamento para corrigir os erros de cálculo apontados pelo interessado na soma dos depósitos de origem não comprovada, efetuados em março, maio, junho e agosto de 2000, alterando o correspondente montante de R$ 69.764,38 para 59.564,38. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 03/12/2008 (fl. 274), o interessado, representado por seu advogado (fl. 264), interpôs recurso voluntário de fls. 275/296, em 30/12/2008, no qual, em síntese, suscita, em preliminar, a ocorrência da decadência relativamente ao período compreendido pelos meses de janeiro a outubro de 2000. No mérito, alega violação do princípio da irretroatividade da lei, falta de comprovação da presunção legal, inconsistência matemática da base de cálculo apurada, existência de disponibilidades financeiras para cobertura dos depósitos considerados de origens não comprovadas pelo Fisco, conforme citada jurisprudência, e, ainda, com amparo da IN nº 246/2002. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 5 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No que tange à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 6 5 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, cujo teor é o seguinte: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado no ano calendário 2000, conforme consta da cópia da DIRPF/2001. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/2000. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 22/11/2005, não há que se falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. Em relação à alegada contagem de prazo decadencial mensal, salientese que a posição pacífica desse Conselho encontrase sumulada, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (SÚMULA CARF Nº 38). Quanto à quebra do sigilo bancário aprovada pela Lei Complementar n° 105/2001, e aplicação retroativa da a Lei n° 10.174/2001, impende registrar que o julgamento Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 7 6 de recurso especial (Resp n° 1.134.665SP), tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 8 7 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 9 8 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 10 9 no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o entendimento do STJ, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Considerando que a decisão do STJ, acima mencionada, se deu na sistemática prevista no artigo 543C do CPC, devese aplicar o mesmo entendimento ao presente processo administrativo, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. No que tange às teses defendidas relativas à tributação dos depósitos bancário e à violação de princípios constitucionais, importa esclarecer que tais matérias já estão sumuladas de forma contrária ao entendimento da recorrente, pelas Súmulas CARF nº 2 e 26, transcritas a seguir: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Por outro, verificase que, em relação aos anoscalendários de 2000 e 2001, foram considerados não justificados pela fiscalização valores inferiores a R$ 12.000,00 e cujos somatórios correspondem a R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, no anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente. Tais depósito não deverão ser considerados para efeito de determinação da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 11 10 receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Restaram, portanto, não justificados apenas dois depósitos, quais sejam: o depósito de R$ 21.000,00 efetuado no Banco Santander S/A, em 22/02/2001, e o depósito de R$ 16.700,00 efetuado no Banco BCN S/A, em 20/12/2001, cuja tributação deve ser mantida, devido a falta de apresentação de elementos de prova que lograssem afastar a correspondente omissão de rendimentos. Ressaltese que, no presente caso, grande parte dos valores creditados em contas de depósito mantidas em instituições financeiras pelo contribuinte foram considerados justificados pelo fiscal autuante, tendo em vista os dados informados nas declarações de rendimentos do sujeito passivo juntamente com os esclarecimentos e documentos por ele fornecidos, conforme consta dos documentos juntados aos autos durante o procedimento fiscal, especialmente o Termo de Verificação Fiscal de fls. 220/224. Nesse ponto, inclusive, há de se concordar com o fiscal autuante em não aceitar como justificativa os supostos valores auferidos referentes a venda de cotas de participação na empresa Fanta Plastics, dado que na documentação apresentada pelo contribuinte não aparece o nome do sr. Miguel como vendedor destas cotas. Ademais, como bem ressaltou a decisão recorrida, as alegações de que as cotas da Fanta Plastics lhe haviam sido doadas por seu pai antes da sua venda, e que por isso o seu nome não aparece na transação, está desacompanhada de provas e não podem assim servir para comprovar a origem dos depósitos a que se refere. Quanto aos rendimentos omitidos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes da dissolução da empresa NanYa Plastic Ltda, não merece reparos a decisão recorrida, pois o recorrente não apresentou a escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, conforme dispõe o art. 302 do RIR/1999. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 12 11 Assim, somente é admissível como reembolso aos seus sócios o valor constante do patrimônio líquido do balanço patrimonial constante da última DIPJ da empresa, apresentada à Receita Federal do Brasil (RFB) (fls. 188/189). Nesta DIPJ consta como patrimônio líquido da empresa o valor de R$ 573.565,51. A participação do sujeito passivo corresponde a 1/5 desse capital, portanto, equivale a R$ 114.714,10. Considerando que ele recebeu uma importância superior de R$ 180,000,00, a diferença a maior de R$ 65.285,90 deve ser considerada como rendimento tributável, conforme acertadamente entendeu a fiscalização. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11474.000249/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes.
Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito refere-se à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva
É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência.
Recurso especial do contribuinte parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado.
AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO
NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA.
Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
Numero da decisão: 9202-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do Contribuinte, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito refere-se à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência. Recurso especial do contribuinte parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do Contribuinte, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
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FAZENDA NACIONAL e SULBRASIL ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2001 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2002. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2003, com termo final em 31/12/2007. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 02/01/2007, tenho que não estaria consumada a decadência da competência 12/2001, caso se aplique a regra do art. 173, I do CTN. Ocorre que a controvérsia acerca de parcelas que devam ou não ser consideradas como antecipação de pagamento, foi dirimida pela adoção da Súmula CARF no 99. Entendo que a competência 12/2001 deva ser declarada decadente, não pelos fundamentos do acórdão recorrido e, sim, pela aplicação do art. 150§ 4°, do CTN, de acordo com o critério sedimentado da Súmula CARF no 99. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 02 49 /2 00 7- 40 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência. Recurso especial do contribuinte parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do Contribuinte, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 17 3 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301 01.827, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 10 de fevereiro de 2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, nas preliminares, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento – devido à regra decadencial expressa no art. 173, I do CTN – as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002 e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso na questão das contribuições lançadas com base nos valores relativos ao auxílio alimentação e ao seguro de vida. Seguem abaixo as suas ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, a Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 recorrente pleiteou a aplicação do art. 173, inciso I. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITAS A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida, quando habituais, estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Cabe salientar, que a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração alegando contradição/obscuridade em relação ao termo inicial do prazo decadencial ao ser reconhecida a decadência da autuação em relação à competência 12/2001. Os Embargos foram rejeitados sob o argumento de que a matéria enfrentada ali poderia ser feita em sede de Recurso Especial, que foi apresentado pela Fazenda Nacional em 30/08/2011. O apelo da Fazenda Nacional visa discutir o termo inicial do prazo decadencial fundamentado no art. 173, I do CTN. Indica como paradigma o acórdão 2401 01.759, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara, assim ementado: 240101.759 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 SALA RIO MATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por expresso determinação legal o salário maternidade é considerado salário de contribuição. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Os então Auditores Fiscais da Previdência Social detinham competência para verificação do cumprimento por parte das entidades beneficentes de assistência social dos requisitos necessários à fruição da isenção da cota patronal previdenciária. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 18 5 beneficio ao INSS, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido Argumenta que o impasse diz respeito à interpretação do art.173, I do CTN, em face do entendimento adotado pelo STJ ao julgar recurso representativo da controvérsia (Resp nº 973.733/SC Rel. Min. Luiz Fux) de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586/2010: enquanto o acórdão recorrido entende que o art. 62A do RICARF impõe a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ, o paradigma determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Afirma, porém, que, a análise detida do inteiro teor do acórdão associada ao conhecimento da jurisprudência reiterada do STJ revela que a decisão do Tribunal não colide com o disposto no art. 173, I do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Compreende que a afirmação contida no acórdão, no sentido de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I do CTN sendo certo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível” vem em resposta às razões da autarquia previdenciária que sustentava que a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN somente teria início após o decurso de 5 (cinco) anos para o lançamento por homologação, o que implicaria um prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar do fato gerador. Ressalta que o STJ, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I do CTN corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do Código Tributário. Diz que não houve decurso do prazo decadencial para a administração pública proceder ao lançamento, relativamente à competência de 12/2001, pois para esta competência a contagem do prazo decadencial somente iniciouse em 01/01/2003, findando em 31/12/2007 sendo que o lançamento de ofício pela fiscalização foi efetuado em março de 2007. Por fim, requer o provimento do recurso especial afastandose a decadência do direito de constituição do crédito tributário de 12/2001. O Despacho 2300237/2012 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões e recurso especial. Nas suas contrarrazões, argumenta que não há que se falar em alteração do posicionamento tomado no julgamento recorrido se este foi embasado seguindose postura adotada por ocasião de julgamento proferido pelo STJ no procedimento do recurso repetitivo (CPC, art. 543C). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Apresenta Recurso Especial em relação à manutenção da incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a títulos de alimentação e seguro de vida que não tenham sido atingidos pela decadência. Em relação à contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de alimentação, indica o paradigma 280301.517, cuja ementa segue abaixo: FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/N° 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação enquadrase na exceção legal prevista na alínea "t "do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. Diz que foi argumentado que, embora haja jurisprudência dominante do STJ que afaste a incidência da contribuição previdenciária para o pagamento de salários in natura, a posição do órgão julgador seguiu a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Destaca que tal posicionamento diverge do adotado na decisão do paradigma que apresenta e que este tomou por base o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 que possui a seguinte ementa: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de19 de julho de 2002, e Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Cita o art. 19, inciso II e §§ 4º e 5º da Lei nº 10.522/2002, que estabelece o seguinte: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) II – matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (...) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 19 7 § 4º A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Afirma que, desse modo, a Receita Federal estaria obrigada a rever o lançamento efetuado, posicionamento este que já deveria ter sido tomado por ocasião do julgamento ora recorrido. Acrescenta que, mesmo que não houvesse obrigação da Receita Federal em rever seu ato, ainda assim estaria configurado o dissídio necessário para cabimento do seu recurso especial ora apresentado, uma vez que, embora a decisão recorrida tenha afirmado que a “inscrição no PAT atende à proporcionalidade pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito de isenção”, a decisão paradigma deixa claro que: “O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho – PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória.” Argumenta que o cerne da questão consiste em definir se a inscrição no PAT é condição sine qua non para a isenção de contribuições previdenciárias sobre o valor pago in natura pelo empregador a título de benefício de alimentação em favor de seus empregados ou bastaria que o empregador pagasse o benefício in natura para seus empregados, conduta praticada pela Recorrente. Acredita que deve prevalecer a tese trazida no paradigma, posto que o benefício alimentação não é uma remuneração concedida ao empregado, mas sim uma indenização pelos gastos decorrentes do pagamento da alimentação fornecida aos trabalhadores. Em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre o seguro de vida, o recorrente ressalta que houve igual arbitramento sob o argumento de que este não se enquadraria na hipótese prevista no § 9º, inciso XXV do art. 214 do Regulamento da Previdência, que assim prevê: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV – o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho.” Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Neste aspecto, apresenta o paradigma 240202385, cuja ementa segue abaixo, de onde se extrai que essa exigência não é válida, posto que “não consta da Lei nº 8.212/91, mas tão somente no Regulamento da Previdência Social”. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores despendidos pelo contribuinte a titulo de seguro de vida em grupo não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias pelo simples fato de não estarem previstos em acordo ou convenção coletiva. Infere que, enquanto a CSRF não definir se é válida a exigência contida no § 9º, inciso XXV do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, deve prevalecer a tese do acórdão paradigma que é a melhor adequação ao direito. O Despacho 2300467/2013 deu seguimento ao pedido em análise em relação às duas divergências apontadas. Ciente do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando basicamente o seguinte: que para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; que ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deveria ter sido observado por ele é que o auxílioalimentação seja pago in natura, de acordo com a expressa disposição do art. 28 da Lei nº 8.212/91 e 3º da Lei nº 6.321/76, e que, portanto a alimentação paga com cartãoalimentação/em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; que deve incidir contribuição previdenciária sobre o seguro de vida em grupo – não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho – devido ao disposto no art. 214 do Decreto nº 3.265/99, e que mesmo antes do advento desse decreto incidia contribuição previdenciária sobre as parcelas referentes ao seguro de vida em grupo oferecido aos empregados pela empresa, pois essa verba possui natureza salarial, não se tratando de verba indenizatória. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 20 9 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o acórdão recorrido concluiu que não houve antecipação de pagamento. Destarte, aplicou a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contouse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, há de se esclarecer que a controvérsia restringese a competência 12/2001, considerando que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/01/2007. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 21 11 Saliento que, em situações pretéritas, ao aplicar a tese contida no já citado Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos casos em que não há antecipação de pagamento, manifesteime no sentido de que os tributos que tiveram fato gerador ocorrido em 31/12 de um determinado ano, o termo inicial da contagem, de acordo com o entendimento do STJ acima consignado, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01 do ano seguinte. Entretanto, sintome à vontade para adotar meu entendimento pessoal no sentido de que os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos ao período de 1º a 31/12 somente podem ser exigidas e lançadas a partir de janeiro do ano seguinte. Precedente do Superior Tribunal de Justiça, EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), Relator: ministro Mauro Campbell Marques: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.” Para que fique claro que o precedente supra citado aplicou a tese contida no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, colaciono trechos do voto condutor do acórdão: “Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu.” Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2001 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2002. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2003, com termo final em 31/12/2007. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 02/01/2007, tenho que não estaria consumada a decadência da competência 12/2001, caso se aplique a regra do art. 173, I do CTN. No mesmo sentido, o seguinte precedente desta 2a Turma da CSRF: "TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais e, ainda, contribuição referente a retenção de 11% (onze por cento)prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991. Todos os recolhimentos realizados pelo sujeito passivo foram relacionados pela autoridade fiscal e deles não constam qualquer antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias para o período controverso, de 11/2000 a 04/2001: i) Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04 a 47); ii) Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 110 e 111); e iii) Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados –RADA (fls. 112 a 118). Ou seja, no caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 09/05/2006, encontravamse fulminados pela decadência somente as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2000. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 22 13 Em situações pretéritas, ao aplicar a tese contida no já citado Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos casos em que não há antecipação de pagamento, manifesteime no sentido de que os tributos que tiveram fato gerador ocorrido em 31/12 de um determinado ano, o termo inicial da contagem, de acordo com o entendimento do STJ acima consignado, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01 do ano seguinte. Entretanto, sintome à vontade para adotar meu entendimento pessoal no sentido de que os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos ao período de 1º a 31/12 somente podem ser exigidas e lançadas a partir de janeiro do ano seguinte. Precedente do Superior Tribunal de Justiça, EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2000 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2001. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2002, com termo final em 31/12/2006. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 09/05/2006, tenho que não está consumada a decadência da competência 12/2000. (Acórdão no 9202002213/200767, de 10 de maio de 2011, relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Entretanto, por oportuno, transcrevo excerto do acórdão recorrido que fundamenta a aplicação do art. 173, I do CTN, em detrimento do art. 150§ 4º: "Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art.150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado." Ocorre que a controvérsia acerca de parcelas que devam ou não ser consideradas como antecipação de pagamento, foi dirimida pela adoção da Súmula CARF no 99, in verbis: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Portanto, entendo que a competência 12/2001 deva ser declarada decadente, não pelos fundamentos do acórdão recorrido e, sim, pela aplicação do art. 150§ 4°, do CTN, de acordo com o critério sedimentado da Súmula CARF no 99. Recurso Especial do Contribuinte Acerca da divergência que se refere ao fornecimento de alimentação sem adesão ao PAT, entendo demonstrado o dissídio jurisprudencial. Portanto, conheço o recurso especial do contribuinte nesta parte. De imediato fazse mister esclarecer que, no presente caso, a alimentação fornecida pelo recorrente é in natura, conforme relatório fiscal (fls 71): "2. Constituemse fatos geradores das contribuições Previdenciárias: 2.1 PAPEL DE TRABALHO PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO 2.1.1 Os fatos geradores das contribuições apuradas através desta notificação referemse a benefícios em forma de refeições fornecidos pela empresa aos segurados empregados relativos ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, porém sem a comprovação da inscrição neste programa." Acerca desta controvérsia, em decorrência de jurisprudência pacífica do STJ, a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que não comprovada a inscrição no PAT. É o que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, assim ementado: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Portanto, com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 23 15 de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Destarte, há de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias decorrentes do fornecimento de alimentação, mesmo que sem adesão ao PAT. Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Nos seguintes termos: "Portanto, são requisitos da isenção: previsão em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. In casu, a recorrente não demonstrou ter obedecido a ambos os requisitos, especialmente aquele apontado pela fiscalização, fls. 76, que se refere à disponibilização da utilidade a todos os empregados. Os pagamentos de seguro no período de 04 a 09/2005 foram efetuados somente para os empregados que trabalharam na obra denominada Bunge Alimentos S/A. Assim, correta a inclusão dos pagamento de seguro de vida na base de cálculo da contribuição previdenciária." Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva, nos seguintes termos: "A questão em tela já foi objeto de julgamento por parte deste Colegiado, o qual entende pela improcedência do lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores fornecidos a título de seguro de vida em grupo, se o único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência. Ante o exposto, voto por: i) conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e ii) conhecer em parte do recurso especial do contribuinte e, na parte conhecida, darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13819.910051/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.417
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 51 /2 01 1- 30 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 113 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 114 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.001366/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP nº 206.899.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP nº 206.899. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo previsto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, quanto a fatos geradores ocorridos entre 30/04/2005 e 31/12/2007 (fls. 266/321 – todos os números de folhas citados neste acórdão se referem à numeração do processo eletrônico). A notificação aconteceu em 26/05/2010 (fls. 275 e 289). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 36 6/ 20 10 -1 2 Fl. 5014DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.015 2 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 248/251), a Fiscalização explica que “foram detectadas divergências entre o volume de Receitas de Serviços declarados pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendários de 2005 a 2007 e aqueles indicados nas DACON dos mesmos períodos”, sendo os valores declarados em DIPJ superiores aos constantes em Dacon. As alegações do contribuinte, conforme resume o próprio Termo de Verificação Fiscal, é de que a divergência de valores entre a DIPJ e o Dacon decorreria de se ter considerado, na elaboração do Dacon, as seguintes situações (fl. 249): a) teriam sido incluídos indevidamente valores correspondentes a “variações cambiais, que nos termos do art. 90 da Lei n° 9.718, de 27.12.1998, são receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, conforme prevê o Decreto n° 5.614, de 30.07.2004”; b) não teria havido a necessária exclusão da base de cálculo das receitas de exportação, “que não estão sujeitos à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do art. 5º da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, e 6° da Lei n° 10.833, de 29.12.2003”; c) não fora devidamente computado o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo pela aquisição de “insumos utilizados na prestação de serviços, passíveis de crédito daquelas contribuições, nos termos dos arts. 3°, inciso 11, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”; e d) não teria havido a exclusão da base de cálculo de valores correspondentes a “reversões de provisões, que não integram as bases de cálculo desses tributos, a teor do disposto nos arts. 1º, § 3°, V, "b", também das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”. A Fiscalização entendeu que o contribuinte não apresentou a documentação necessária para comprovar as suas alegações, promovendo, então, o lançamento do valor da diferença de valores existentes entre a DIPJ e o Dacon. A Fiscalização circunstanciou o seguinte: Em resposta ao citado Termo de Intimação o contribuinte limitouse a apresentar cópias das folhas dos livros diário e razão referentes a tais operações, bem como as planilhas (fls. 230 a 232) nas quais justifica as diferenças apuradas na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS planilhas essas que foram utilizadas pela Fiscalização para apurar o valor do crédito tributário a ser lançado, uma vez que — as planilhas apresentadas não estão acompanhadas da documentação que teria dado suporte à contabilização das mesmas. Quanto à documentação necessária à comprovação de suas alegações, nada apresentou. Informou ainda, por meio de carta de 03 de março de 2010 (fls. 237) que "... diante do grande volume de informações solicitado por V. Sa no termo em referência, solicitamos a sua presença em nossas instalações, para que possamos apresentar os documentos necessários a atender esta Fiscalização" Fl. 5015DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.016 3 A Fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte para examinar a documentação que alegara possuir. Nesta ocasião somente foi apresentada uma DDE (Declaração de Exportação), de número 08/2042390001 — a qual foi emitida em nome da empresa CIA. BRASILEIRA DE ALUMÍNIO — CNPJ 61.409.892/000335, referente à exportação averbada em 25.02.2010. A esse respeito cabe registrar que a documentação apresentada não pertence ao contribuinte e referese a período diverso do objeto desta Fiscalização (o documento é do ano de 2010 e a presente fiscalização referese aos anos de 2005 a 2007). Para registrar os fatos aqui narrados, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de 08.04.2010. As divergências apuradas na base de calculo das contribuições decorrem — parte delas de exclusões da base de cálculo por operações isentas e parte referente a créditos que o contribuinte alegara possuir — por diversos motivos, conforme explicitado em sua correspondência de 09.11.2009 (fls. 228 e 229). Entretanto, o contribuinte não apresentou a documentação que comprovaria as operações isentas e os créditos que alegara possuir, os quais explicariam as divergências apuradas na base de calculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, apesar de ter sido regularmente intimado a fazêlo — conforme intimações de 20/10/2009 (fls. 225 e 226) e 02/02/2010 (fls. 233 e 234). (grifos editados) O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 391/413) sustentando, em síntese, o seguinte: · a decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até maio de 2005, por aplicação do art. 150, § 4º do CTN, visto que a notificação da autuação só ocorreu em 26/05/2010; · a nulidade do lançamento em razão de a Fiscalização não ter promovido a devida apuração da verdade material, explicando o seguinte: No caso dos autos, os fatos narrados pelo Fisco no termo de constatação e de verificação de irregularidades fiscais, que suportam a autuação, dão a entender que a impugnante não cooperou com as investigações. No entanto, é importante deixar consignado que a impugnante colocou toda a documentação de suporte de seus lançamentos contábeis à disposição do Fisco, além de ter destacado uma sala e um profissional para o atendimento do Sr. AFRFB no que fosse necessário às investigações. A impugnante reconhece que o volume de documentos é grande e que as suas operações, por estarem relacionadas ao transporte internacional de cargas, são complexas e demandam trabalho minucioso para sua análise. Por isso mesmo, prontificou se a colaborar com a fiscalização. Fl. 5016DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.017 4 Mas o volume de documentos e a complexidade das operações não podem justificar uma a eciação superficial, tampouco autorizam a inversão do ônus da prova no presente caso. Muito pelo contrário, a situação "sub judice", diante de suas peculiaridades, justificaria um trabalho fiscal mais detalhado e minucioso, o que definitivamente não ocorreu no presente caso. Ao desconsiderar os documentos disponibilizados e presumir a ocorrência do fato gerador com base em meras suposições, a fiscalização deixou de conferir a segurança e a certeza necessários a qualquer lançamento, fato que por si s6 justifica o seu cancelamento. · a nulidade do lançamento em razão de que as informações contidas em DIPJ não implicam confissão de dívida e não poderiam ser tomadas como base de cálculo das contribuições, pois “caso pretendesse desconsiderar as informaç`oes contidas nas DCTF’s e mps DACON’s deveria o Fisco comprovar que os valores corretos a serem considerados na apuração das bases de cálculo das contribuições em questão são aqueles prestados nas DIPJs, o que não ocorrei no caso dos autos” (fl. 399); · a legitimidade dos ajustens constantes do DACON, quais sejam: 1. Variações cambiais: Como consta nas planilhas de fls. 230/233, parte das divergências apontadas pela fiscalização decorre de variações cambiais referentes a direitos e obrigações da impugnante que foram contraídos em moeda estrangeira. A impugnante é pessoa jurídica que, dentre outras atividades, se dedica à prestação de serviços logísticos, os quais estão relacionados ao transporte internacional de cargas, tais como consolidação e desconsolidação de cargas, despachos aduaneiros, supervisão e orientação no transporte, dentre outros. No desenvolvimento regular dessas atividades, considerável parcela dos direitos e das obrigações da impugnante são contratados em moeda estrangeira e, naturalmente, em uma economia de câmbio flutuante como a brasileira, estão sujeitos a variações. Tais variações são registradas separadamente para cada contrato firmado pela impugnante no exercício das suas atividades e são lançadas diariamente na sua contabilidade, conforme atestam os documentos anexos (docs. 2 a 9). Tais lançamentos contábeis estão amparados por contratos de câmbio firmados periodicamente pela impugnante e por planilhas de controle interno. A titulo exemplificativo, a impugnante apresenta alguns desses contratos de câmbio e planilhas de controle (docs. 10 a 84), mas desde já se coloca à disposição para, caso se entenda necessário, apresentar a totalidade desses documentos. Fl. 5017DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.018 5 Uma vez comprovada a natureza de variações cambiais dos referidos ajustes, deve ser aplicada a norma inserta no art. 1º do Decreto n. 5164, de 30.7.2004, segundo o qual: "Ficam reduzidas a zero as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições". Sendo as variações cambiais sujeitas à aliquota zero, os valores a elas correspondentes não poderiam seriam incluid s nas bases de cálculo das contribuições em questão, o que justificou os ajustes efetuados. 2. Resultados atrelados a exportações: A fiscalização parece não ter compreendido que a impugnante é um agente logístico, cuja atividade está relacionada com o planejamento e o controle do transporte internacional de cargas, bem como ao seu despacho aduaneiro. Por isso mesmo, nas operações de exportação, o nome da impugnante não figura nos registros referentes correspondentes, tais como nas DDE. É o nome do exportador (vendedor das mercadorias ao exterior) que figura em tais documentos. E como já destacado, não poderia ser diferente, pois a impugnante não é efetiva exportadora de mercadorias, mas sim uma prestadora de serviços logísticos, relacionados ao transporte de internacional de cargas. Nesse contexto, a apresentação das DDE no curso do procedimento de fiscalização tinha como único intuito demonstrar que os serviços prestados pela impugnante estavam atrelados a operações de exportação. Apenas isto. Mas não é esse o fato determinante para a aplicação das normas de não incidência previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Na realidade, os valores constantes nas planilhas de fls. 230/233 deixaram de ser oferecidos tributação pela impugnante porque os clientes dos serviços logísticos, em tais casos, estão no exterior e porque a contraprestação por tais serviços implicou ingresso de divisas. Para melhor compreensão, é relevante fazer algumas considerações a respeito do modelo de negócio praticado pela impugnante. Os serviços de logística por ela prestados estão inseridos no contexto do transporte internacional de cargas. No caso dos autos, os serviços logísticos prestados pela impugnante estão relacionados a exportações de mercadorias do Brasil para o exterior. No caso em análise, o frete das mercadorias exportadas é contratado na modalidade "collect". Isto significa que o pagamento pelo transporte efetuado é de responsabilidade do adquirente da mercadoria, situado no exterior. Nestas situações, em que o frete internacional fica a cargo do adquirente das mercadorias situado no exterior, é esse adquirente que possui interesse na contratação dos serviços logísticos desenvolvidos pela impugnante. E como o pagamento pelo frete internacional é feito Fl. 5018DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.019 6 pelo adquirente no exterior, assim também ocorre com os pagamentos feitos à impugnante por conta dos seus serviços logísticos. Com base nas considerações acima, é possível concluir que o contratante dos serviços logísticos prestados pela impugnante está no exterior e o pagamento correspondente, que também fica a cargo do cliente no exterior, representa efetivo ingresso de divisas, justificando a aplicação das normas previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Para provar esses fatos, verifiquemse os jogos de documentos anexos (docs. 85 a 126), contendo exemplos de operações de exportação contratadas na modalidade "collect". Vejase que em cada um dos jogos, a impugnante incluiu conhecimentos de transporte internacional (bill of landing), documentos que são emitidos pelo transportador da carga e nos quais constam informações sobre o remetente das mercadorias (shipper), sobre o destinatário (notify party), bem como sobre a mercadoria transportada, e a modalidade de pagamento (freight collect). A impugnante figura em tais documentos como agente do transportador (agent of the carrier). Os conhecimentos de transporte indicam que o remetente das mercadorias (shipper) está no Brasil e o destinatário (notify party) está no exterior, evidenciando tratar de exportação. Além disso, todos os exemplos indicam que a operação foi contratada na modalidade "colletct", confirmando o que foi acima exposto e comprovando que o contratante dos serviços está no exterior, assim como que é o responsável pelo pagamento. Além dos conhecimentos de transporte, cada jogo acima referido também contém outros documentos que confirmam as informações contidas nos conhecimentos de transporte e evidenciam a atividade da impugnante. (grifos editados) 3. Créditos de PIS/Cofins nãocumulativo decorrentes de insumos utilizados na prestação de serviços; Tratase de despesas incorridas junto a empresas de telecomunicações, para fins de obtenção de acesso ao sistema Siscomex, utilizado pela impugnante na sua atividade de despachos aduaneiros. Além dos gastos incorridos com o aceso ao Siscomex, a impugnante também incorre em despesas relacionadas à manutenção dos softwares utilizados na prestação dos mesmos serviços de despacho aduaneiro. Por serem imprescindíveis à efetivação dos despachos aduaneiros e, mais do que isso, por estarem diretamente relacionados com a prestação de tais serviços, é inquestionável que tais gastos podem ser considerados insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n. 10637/02 e 10833/03. (...) Fl. 5019DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.020 7 As despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomexa manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a bens e serviços aplicados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida. Inquestionável, portanto, que tais despesas enquadramse no conceito de insumos previsto na legislação e podem ser utilizados como créditos na apuração das contribuições ao PIS e COFINS. Por fim, vale destacar que tais despesas estão registradas nas contas contábeis 5259015, 5120001, 5422000, cujos razões são anexados aos autos (docs. 127 a 147). Além dos lançamentos contábeis, a impugnante requer a junta das faturas emitidas pelas empresas prestadoras dos serviços, as quais suportam aqueles lançamentos (docs.127 a 147). 4. Reversão de provisões. Finalmente, consta nas planilhas de fls. 230/233 que uma parcela das divergências apontadas pelo Fisco corresponde a reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela impugnante, e que estão contabilizadas na conta 4211009 "despesas provisionadas de fretes e agregados". A análise das copias dos referidos lançamentos contábeis (doc.148) não deixa dúvida de que se trata de reversões de provisões, as quais não integram as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, conforme prevêem expressamente os art. 1 0, parágrafo 3°, inciso V, "b", também das Leis n. 10637/02 e 10833/03, "in verbis": (...) A norma é clara e não dá margem a dúvidas. As reversões de provisões não integram a base de cálculo das contribuições. Sendo as diferenças apontadas pela fiscalização decorrentes de tais reversões, forçoso reconhecer que não há base legal para exigência fiscal. No mais, argumenta a contribuinte que “reconhece que o procedimento por ela adotado para fins de realização dos referidos ajustes não é o mais adequado do ponto de vista formal, pois os respectivos valores deveriam ter sido lançados em campos específicos contidos no DACON e não ajustados no valor da receita bruta auferida, mediante adições e exclusões. Entretanto, não se pode perder de vista que os ajustes efetuados pela impugnante são autorizados pela legislação, de tal sorte que, quando muito, o procedimento adotado pela impugnante decorre de erro no preenchimento dos DACON's, os quais por si só, não justificam qualquer exigência fiscal” (fl. 406). Também sustenta que seria ilegal a pretensão de aplicar juros sobre a multa de ofício, por não existir amparo legal para tanto (fl. 412). Com a Impugnação, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: · fls. 416/1401 cópia do Livro Razão, com os registros das contas 3011046 – VARIAÇÃO CAMBIAL – ATIVA e 4011052 – VARIAÇÀO CAMBIAL – PASSIVA; · fls. 1402/2700 – demonstrativos e cópias de contratos de câmbio; Fl. 5020DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.021 8 · fls. 2701/3145 – demonstrativos e cópias de conhecimentos de transporte; · fls. 3146/4763 cópia do Livro Razão, com os regitros das contas 401103 – DESPESAS DIVERSAS, 5259015 – SISCOMEX X25, 5120001 – SERVIÇOS DE TERCEIROS – P. JURIDICA, 4211089 – DESPESAS PROVISIONADAS DE FRETES E AGREGADOS, e demonstrativos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1627.608, de 4 de novembro de 2010 (fls. 4777/4803), julgou procedente em parte a impugnação, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar sobre nulidade, se os autos de infração foram lavrados em consonância com os pressupostos legais. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA.PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. INTIMAÇÕES AO PROCURADOR. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal preceitua que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio devem ser feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Destarte não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas Fl. 5021DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.022 9 financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados do PIS por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. Fl. 5022DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.023 10 VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à. alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ. Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior e que teria representado ingresso de divisas deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova acerca de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial foi apenas para o reconhecimento da decadência parcial do lançamento. Fl. 5023DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.024 11 O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4.815/4.852), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de Primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. No mérito, reitera os mesmos fundamentos da impugnação, apresentando laudo técnico emitido pela Pricewaterhousecoopers (fls. 4855/4867), cujas análises e conclusões transcreve na petição de recurso, em reforço à sua argumentação. A propósito das diferenças correspondentes à variação cambial, o Recorrente cita o seguinte trecho do laudo técnico: '(.„) Os documentos hábeis para comprovar essas operações são os contratos de câmbio firmados, periodicamente, e mantidos em arquivo por KN. A totalidade dos contratos de câmbio está à disposição, nos arquivos de KN, sendo que cada contrato é objeto de registro contábil específico, bem como a correspondente variação cambial, apurada diariamente. Examinamos todos os lançamentos a débito e a crédito das contas de variação cambial, objeto da autuação fiscal, no período de março de 2005 o dezembro de 2007, nos Livros Razão mantidos por KN. Os saldos de variação cambial foram identificados através da soma' dos lançamentos devedores e credores nos Razões contábeis; os saldos, credores e devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e â COFINS. (...) Com base na metodologia por nós adotada concluímos que o montante de ajuste efetuado por KN. na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, a título de variação cambial, corresponde a valores contabilizados a esse mesmo titulo, variação cambial de direitos e obrigações em moeda estrangeira, na contabilidade'. No que se refere à receita de exportação de serviços, é citado o seguinte trecho do laudo: 'Ao desenvolver serviços de logística relacionados ao transporte internacional de cargas, KN efetua operações de exportação na modalidade collect ou seja. o pagamento pelo serviço de transporte é de responsabilidade do contratante, que. no caso. está situado fora do Brasil, ou seja, residente ou domiciliado no exterior, e que. nas circunstâncias, efetua remessa financeira ao Brasil para liquidar sua obrigação, representando efetivo ingresso de divisas. O valor recebido por KN é remuneração decorrente de exportação de serviços. (...) Como a quantidade de operações desse tipo foi elevada, e tendo em vista o período sob análise ser abrangente, foi acordado que nossos trabalhos seriam desenvolvidos com base em critério de amostragem, Fl. 5024DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.025 12 aceito cientificamente, para as operações ocorridas no período, que representou parcela significativa do total da receita de exportação, a sabei. (...) Com base nos itens por nós selecionados. KN apresentou a documentação que suportou os valores informados como receita do exportação, quais sejam: • Registros contábeis; • Conhecimentos de transporte internacional, tanto aéreo (AWB 'airway bill´) quanto marítimo (BL – bill of landing´); • Faturas comerciais (commercial invoices ou invoices); e • Cópia das telas de registro (files) dessas operações, no sistema da KN, demonstrando as receitas e custos por operação. Os dados informados nas planilhas suporte dos valores considerados como receitas de exportações, tais como números do file e da invoice. registros do AWB ou BL, unidade KN destinatária na operação, dados do emitente e saldo da operação (isto é, receita diminuída dos custos incorridos), foram cruzados com os documentos fornecidos para a amostra selecionada, a fim de identificarmos a coerência e correção das informações nessas planilhas. Os seguintes dados foram extraídos dos documentos acima citados: (i) conhecimentos de transportes internacionais (emitidos pelo transportador da carga): remetente das mercadorias, destinatário, agente do transportador (a própria KN). descrição do bem transportado, a modalidade de transporte contratada (no caso. o chamado collect; e a forma de pagamento; (ii) demais documentos: informações necessárias a comprovar a integridade dos procedimentos adotados pela KN em suas operações e nos registros das mesmas". O Recorrente destaca, então, a conclusão do laudo, de que “os documentos analisados são aptos a demonstrar que as operações correspondem, efetivamente, a serviços prestados para contratantes residentes ou domiciliados no exterior cujo pagamento representou ingresso de divisas", bem como que, "considerando os objetivos da análise amostral desenvolvida, é possível concluir que a qualidade da documentação, a natureza dos ajustes e adequação dos valores registrados a título de receitas de exportação podem ser aplicadas e estendidas á totalidade das receitas dessa natureza, deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. no período em questão, no montante global de R$ 33.091.400,00. Quanto ao direito de crédito pela aquisição de insumos utilizados na prestação de serviços, o Recorrente alega que “as despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomex e com a manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a serviços aplciados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem Fl. 5025DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.026 13 o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida” (fl. 4840) e que o referido laudo técnico concluiu pela idoneidade da documentação e pela qualificação dos valores como “gastos com manutençào de softwares e com serviços de telecomunicações para provimento de acesso ao Siscomex” (fl. 4810). A propósito da reversão de provisões, o Recorrente explicou o seguinte: A fim da eliminar qualquer dúvida a respeito dos procedimentos adotados pela recorrente quanto as referidas provisões, a seguir será explicitado o critério pelo qual estas provisões são constituídas e. posteriormente, revertidas Vejamos A partir do ano de 2003. seguindo procedimentos estabelecidos de maneira uniforme para todas as empresas do grupo Kuehne Nagel espalhadas pelo mundo, a recorrente passou a constituir provisões para despesas relacionadas com fretes contratados junto a terceiros (fornecedores) O procedimento adotado era o seguinte: uma vez fechado determinado contraio de transporte, mas antes do recebimento da respectiva cobrança, a recorrente reconhecia em sua contabilidade provisões para as despesas relacionadas a tal negócio. Os lançamentos efetuados tem inquestionável natureza de provisão, haja vista que eram registrados contabilmente antes do incurso efetivo na respectiva obrigação, contraída junto aos terceiros. Uma vez concretizada a obngação referente ao transporte efetuado, a provisão anteriormente constituída deixava de existir, sendo baixada na contabilidade, dando lugar ã despesa efetiva correspondente Considerando que a recorrente praticava mensalmente milhares de operações dessa natureza, a cada mes ela baixava a totalidade do saldo das provisões constituídas no mês anterior e. posteriormente, as lançava novamente com base no saldo final das provisões do mês corrente Esse tem sido o procedimento contábil adotado mensalmente em relação às provisões desde o ano de 2003 até os dias atuais. Argumenta que, diante de tal procedimento, não pode haver dúvida de que tais reversões não podem integrar a base de cálculo das contribuições, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 3º, V, “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acrescenta, para corroborar tal afirmativa, a transcrição do seguinte trecho do laudo técnico: "Parte das divergências apontadas pelo agente fiscalizador decorre de reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela KN. Referidas reversões foram identificadas por meio dos lançamentos descritos nos Razões contábeis, fornecidos pela KN, da conta de resultado 4211009 'despesas provisionadas de fretes e agregados'. (...) Dessa forma, concluímos que os saldos apresentados correspondem, efetivamente, a reversões de provisões operacionais e não representaram ingresso de novas receitas. Os saldos, credores e Fl. 5026DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.027 14 devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e à COFINS. Adicionalmente, entendemos que os Razões contábeis fornecidos foram hábeis e suficientes a comprovar os lançamentos efetuados, de forma que não identificamos divergências de valores ou inconsistências de informações nesses documentos que encontramse devidamente anexados a este laudo (Doc's 16. I7e18)". Reitera, enfim, a alegação de que não existe amparo legal que autorize a aplicação de juros sobre a multa de ofício. É o relatório Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 25/05/2011 (fl. 4815), dentro do prazo de 30 dias da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 25/04/2011 (fl. 4811). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma ao acórdão da DRJ, conheço do recurso. O extenso material probatório apresentado com a Impugnação somado ao laudo técnico apresentado com o Recurso Voluntário convencemme da necessidade de conversão do julgamento em diligência. O Recorrente sustenta, no mérito, (1) ter direito à aplicação da alíquota zero em relação a receitas de variação cambial, (2) a não incidência das contribuições em relação às receitas de exportação, (3) ter direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo em relação à aquisição de insumos para utilização na prestação de serviços e (4) a necessidade de exclusão da base de cálculo de valores que corresponderiam à reversão de provisões. Quanto à variação cambial, tanto o acórdão da DRJ como o laudo apresentado pelo contribuinte apresentam os valores de variação cambial em valor total consolidado para o ano. O acórdão da DRJ, para desqualificar a prova apresentada pelo contribuinte, diz que os valores totais de alguns anos eram valores negativos. Ou seja, colocou em cheque a prova, insinuando que o valor negativo resultante da variação ocorrida ao longo do ano conduziria à conclusão de que não teria havido receita. O contribuinte, por sua vez, empenhase em contestar o argumento, dizendo que, diferente do que alega a DRJ, o valor de um destes anos não seria negativo, mas positivo. Também o laudo, apresentado pelo contribuinte, trabalha a partir dos valores anuais. Ocorre que se está tratando de PIS/Cofins, cujo fato gerador é mensal. Fl. 5027DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.028 15 Interessa saber, por isso, se as provas são capazes de demonstrar quais são os valores que, em relação a cada mês, correspondem exclusivamente a valores de variações cambiais (de ativos e passivos), por se referirem a direitos e obrigações fixados em moedas estrangeiras. O mesmo ocorre em perspectiva mais ampla: é necessário saber, em primeiro lugar e antes de tudo, se o valor adotado como base de cálculo pelo lançamento, em cada mês, efetivamente corresponde ao somatório do valor correspondente a cada um dos 4 fundamentos de mérito acima referidos – (1) alíquota zero, (2) receita de exportação, (3) crédito pela aquisição de insumo utilizado na produção e (4) reversão de provisões. Ou seja: (A) é possível identificar nos valores que foram apresentados pelo contribuinte e utilizado pela Fiscalização como base de cálculo do lançamento (fls. 233/235; 247; 252/265) quais valores corresponderiam aos referidos 4 fundamentos de direito? O lançamento foi realizado pela Fiscalização como decorrência da glosa destes 4 fundamentos de direito? Qual o procedimento adotado pela Fiscalização? É possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês? De outro lado, (B) os valores que o recorrente apresenta depois, em suas defesas (impugnação e recursos), para cada um dos 4 fundamentos de direito, se somados chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento? Mais precisamente, parece necessário socorrerse da Delegacia de origem também para (C) conferir e informar se os valores mensais apresentados a título de “variação cambial”, inseridos na base de cálculo das contribuições, correspondem ao valor mensal da conta 3011046 – VARIAÇÃO CAMBIAL – ATIVA ou da conta 4011052 – VARIAÇÃO CAMBIAL – PASSIVA, ou do resultado do confronto destas contas; Quanto à exclusão da receita de exportação, verificase que o contribuinte sistematicamente se refere a elas com o termo “resultados” da atividade de exportação. Isto, talvez, porque alguns documentos demonstram que a empresa brasileira realiza encontros de contas sistemáticos com a controladora estrangeira, cujo efeito prático parece ser o de que apenas o valor da diferença positiva é remetido ao Brasil. Percebese, ainda, que todos os ingressos são feitos por outras “KUEHNE+NAGEL” de outros países. São apresentados contratos de câmbio que demonstram o recebimento de valores do exterior, ou seja, o ingresso de moeda estrangeira. O laudo apresentado pelo contribuinte conclui o seguinte: Fl. 5028DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.029 16 (...) (...) A respeito destas receitas de exportação, requerse à Delegacia de origem (D) confirmar se na contabilidade do contribuinte os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos. Quanto aos alegados insumos aplicados na prestação de serviços, requerse à Delegacia de origem que (E) a partir dos documentos existentes nos autos, ou de outros que entenda ser o caso de solicitar ao contribuinte, determine os valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: serviço de manutenção de softwares, internet, acesso ao siscomex etc, fazendo todas as considerações que entenda cabíveis. Quanto à reversão de provisões, o laudo apresentado pelo contribuinte apurou e concluiu o seguinte: (...) Fl. 5029DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.030 17 A este respeito, requerse à Delegacia de origem que (F) verifique e confirme se o funcionamento da conta ocorre da forma como narrada pelo contribuinte, ou seja, se é possível identificar que as referidas reversões foram ou não contabilizadas como receita anteriormente. Entendo, enfim, pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem realize as providências enumeradas nas letras de A a F, acima indicadas, sem excluir outras verificações e conclusões que entenda pertinentes. Para a realização da diligência, a Autoridade da Delegacia de origem pode intimar o contribuinte a apresentar os documentos que entender necessários, ou ainda, promover a verificação in loco, devendo ao final lavrar um termo final de diligência. Deste termo final de diligência, deve ser intimado o contribuinte para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 15 (quinze) dias. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 5030DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10508.000803/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007
MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF.
Recurso Voluntário Negado.
A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR. INCLUSÃO DE SEGURADOS EM PLANO DIFERENCIADO NEGOCIADO SEM A PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre as parcelas pagas a grupos de empregados contemplados em plano de PLR diferenciado, que não tenha sido objeto de negociação por comissão integrada por representante do sindicato representativo dos empregados.
CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA.
Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco refere-se a multa de mora quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e multa de ofício a que decorreu da legislação atual. Considerando-se que foi efetuado o comparativo, competência a competência, para aplicação da multa menos gravosa, inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de multa de mora e multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de sobrestamento. II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir a multa das competências 04 e 05/2007. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NÃO INCLUSÃO NO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. Não foram consideradas as alegações para exclusão da contribuição ao INCRA, posto que o lançamento de que trata este processo não contempla o referido tributo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. INCLUSÃO DE SEGURADOS EM PLANO DIFERENCIADO NEGOCIADO SEM A PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre as parcelas pagas a grupos de empregados contemplados em plano de PLR diferenciado, que não tenha sido objeto de negociação por comissão integrada por representante do sindicato representativo dos empregados. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco referese a “multa de mora” quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e “multa de ofício” a que decorreu da legislação atual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 08 03 /2 01 0- 97 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Considerandose que foi efetuado o comparativo, competência a competência, para aplicação da multa menos gravosa, inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de “multa de mora” e “multa de ofício”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de sobrestamento. II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir a multa das competências 04 e 05/2007. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 382 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 27.905 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.302.7796. O crédito em questão visa à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, cujos fatos geradores foram os pagamentos a segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados (levantamentos GR e GR1) em desconformidade com a legislação de regência. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e segs., a empresa paga à maioria dos seus empregados a rubrica PR, a qual, por estar em consonância com a Lei n. 10.101/2000, não foi objeto do lançamento. Todavia, verificouse também o pagamento da verba denominada GPR (participação nos resultados dos gestores), esta disponibilizada apenas aos funcionários lotados na área administrativa. Afirma o fisco que a verba GPR é decorrente de regras que não foram objeto de negociação entre patrão e empregados, uma vez que o Sindicato representativo das categorias dos trabalhadores sequer foi convidado a participar das negociações para definição das normas que regem o pagamento da referida parcela. Ressaltase ainda que o acordo para pagamento da GPR não é público e não contém regras objetivas conforme exige a Lei da PLR. Segundo o fisco, esta verba é paga juntamente com o IPL (índice de longo prazo), o qual é repassado aos funcionários com mais de três anos de serviço na empresa e proporcionalmente as metas estabelecidas no GPR. O IPL consiste em um número de salários anuais do empregado. Segundo o fisco, a análise documental revelou que sequer as regras do GPR são cumpridas. Para comprovar esta assertiva, apresenta exemplo de segurado que recebeu a verba em montante superior às regras constantes do programa. Assim, as verbas pagas a título de GPR e IPL foram consideradas remuneração e, portanto, sujeitas a incidência das contribuições. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 07/12/2010, o sujeito passivo ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformada, a empresa interpôs recurso, fls.316 e segs., no qual, em apertada síntese, apresentou os argumentos abaixo. Com base no § 1. do art. 9. do Decreto n. 70.235/1972, apresenta recurso único contras os acórdãos n. 1527.904 e 1527.905. Pugna pela tempestividade do recurso e faz um apanhado dos principais fatos do processo. Assevera que a contribuição ao INCRA é inexigível, pelos seguintes motivos: a) foi extinta pela Lei n. 7.787/1989; b) não há previsão desta contribuição nas leis previdenciárias; c) a contribuição em tela não pode ser considerada como de intervenção no domínio econômico, posto que não foi recepcionada pela Emenda Constitucional EC n. 33/2001. A seguir, passa a tratar da legislação aplicável à PLR. Sustenta que não desvirtuou o instituto da participação nos lucros ou resultados, sendo indevidas as contribuições constantes do lançamento guerreado. Garante que o programa de metas dos funcionários executivos decorre de negociação sindical, uma vez que o representante do SINDICELPA/BA, ao assinar o “Acordo de Participação nos Resultados de 2007”, concordou com o tratamento em separado da verba denominada GPR. Menciona as Cláusulas 2.2 e 2.2.1 do citado acordo, as quais fariam expressa referência ao Programa de GPR. Advoga que, caso se considere a ausência do Sindicato na definição das regras do GPR, devese ter em conta que a regra de participação do ente sindical, prevista no inciso I do art. 2. da Lei n. 10.101/2000, vem sendo mitigada pelos tribunais pátrios , quando se constata que o escopo do programa de PLR foi alcançado. Apresenta precedentes do TRF – 4.ª Região e do STJ. A interpretação mais adequada deste dispositivo é que os planos formulados unicamente pela empresa são válidos, desde que não se sobreponham a eventual norma coletiva de trabalho. Defende que não há legitimidade da Receita Federal do Brasil para desqualificar os pagamentos de PLR, com a nítida intenção de tributar a verba. Ao contrário do que afirma a auditoria, a documentação colacionada demonstra que o Programa de PLR específico para os gestores da recorrente é periódico e se submete à revisão anual das respectivas regras. Aduz que mera leitura do Manual de GPR revela a existência de regras claras, precisas e objetivas do programa, inclusive com notas e graus de avaliação final dos empregados gestores, assim como a correspondente participação nos lucros, tudo observando as metas préestabelecidas no início do respectivo exercício. A seguir passa a mencionar as regras. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 383 5 Menciona decisão da 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF que entendeu não ser incidente a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PLR quando observado que os pagamentos atenderam a finalidade prevista na Lei n. 10.101/2000. Segundo esta decisão, o fato de serem pagos percentuais distintos a categorias de empregados não desnatura o plano. Também não se aceitou a tributação da PLR em razão do seu valor superar o salário anual do empregado. A verba denominada IPL é uma complementação da PLR paga aos gestores da empresa, cujas regras são as mesmas previstas para a distribuição da GPR, apenas com restrição do seu pagamento para trabalhadores com menos de três anos com a empresa. Assim, descabe a conclusão do fisco de que a citada verba seria uma espécie de gratificação por tempo de serviço. Menciona as regras para o seu pagamento constantes no Manual da GPR. A possibilidade de pagamento da parcela IPL é aferida anualmente, mas o seu pagamento somente se dá após o terceiro ano, de modo a evitar a evasão precoce dos funcionários bem avaliados nos primeiros anos de vínculo com a recorrente. Essa sistemática não é vedada pela Lei da PLR. Apresenta parâmetros utilizados no cálculo da PLR do seu então Diretor Presidente, Sr. Renato Guerron, para demonstrar que está equivocada a afirmação do fisco de que o pagamento não teria observado as regras do Manual da GPR. Apresenta outro precedente do CARF em que foi expresso o entendimento de que, embora deva ser prestigiada a relevância das regras claras e objetivas, esta exigência deve ser sopesada com a finalidade que o programa visa atingir. O inciso XI do art. 7. da Carta Magna, desde a sua promulgação, possui plena eficácia em relação à participação nos lucros, principalmente quanto à impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. Apresenta acórdão proferido pelo TRF – 2.ª Região. Sobre a eficácia plena do dispositivo constitucional acima citado, enfatiza que o STF reconheceu a repercussão geral do tema no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS. Por esse motivo, a aplicação do art. 62A da Regimento Interno do CARF exige que o julgamento do presente recurso seja sobrestado até a decisão final da Corte Suprema sobre a matéria. O entendimento do acórdão recorrido privilegia a legislação infraconstitucional em detrimento da efetividade do texto constitucional, o que não pode ser admitido. Assevera que a rígida interpretação da Lei da PLR, a ponto de ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre esta verba pelo simples descumprimento de formalidade, também viola o art. 218, § 4. , da Constituição, posto que representa um desestímulo para que as empresas permitam a participação dos trabalhadores nos seus resultados. Argumenta que a jurisprudência pátria se apresenta clara no sentido de que a norma constitucional é imperativa quanto à desvinculação da participação nos lucros ou Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 resultados dos salários dos trabalhadores, não podendo prevalecer o entendimento da DRJ quanto à tributação da verba GPR. Sustenta ser ilegítima a aplicação cumulativa de multa de mora e multa de ofício. Cita precedente do CARF. Ao final, postula pelo recebimento do recurso no efeito suspensivo e pede a declaração de insubsistência dos lançamentos. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 384 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição ao INCRA A incidência da contribuição ao INCRA não será tratada na análise do presente recurso, uma vez que o processo em tela se refere apenas às contribuições patronais para a Seguridade Social. Incidência de contribuições sobre a PLR Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao defender tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que as normas previstas na Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer normatização infraconstitucional que venha a lhe impor restrições, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Diante da tese de inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por desconformidade com a Lei Maior. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 385 9 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Assim, partindose do pressuposto que os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 que tratam da participação nos lucros e resultados das empresas por seus empregados são constitucionais, vejo que a tese da impossibilidade jurídica de incidência de contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, independentemente da observância das citadas leis, não pode ser acolhida por este colegiado. Sobrestamento do feito Invocando os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF, o sujeito passivo requer o sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da repercussão geral no STF. O pedido de sobrestamento não tem mais amparo legal. É que a Portaria MF n. 545, de 18/11/2013 (DOU 20/11/2013), revogou os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. As regras da nova Portaria por serem de direito processual têm aplicação imediata, afastando a pretensão do sujeito passivo de ter o feito sobrestado. A verba GPR 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Para decidirmos acerca da incidência de contribuições sociais sobre os valores repassados aos empregados da autuada a título de “Gestão de Resultados – GPR” e Índice de Longo Prazo – ILP”, iniciemos por analisar a forma como se dava o pagamento das verbas. Consta dos autos, fls. 98 e segs., Acordos de Participação nos Resultados para 2006 e 2007, os quais foram firmados entre a autuada e comissão de empregados, com assistência do representante do Sindicato destes. Sobre os valores pagos nos termos desses acordos, não houve tributação, tendo o fisco considerado que foram atendidas as exigências legais. Os valores tomados como saláriodecontribuição dizem respeito aos pagamentos efetuados a empregados, cujas regras não constavam nos citados acordos, os quais excluíam determinados trabalhadores, como se pode ver das seguintes cláusulas: “2.2 Estão excluídos da abrangência deste acordo, os empregados: que compõem o grupo gerencial, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.2.1 Entendese como grupo gerencial os empregados posicionados na grade 16 e acima, incluindo os coordenadores posicionados na grade 15.” A esses trabalhadores integrantes do grupo gerencial, a participação nos resultados se dava mediante o pagamento das parcelas denominadas GPR e ILP, cujas regras de aquisição do direito encontramse explicitadas na Cartilha GPR, fls. 66 e segs. Para o fisco esses pagamentos contrariam os ditames da Lei n. 10.101/2000, posto que decorreram de regras que não foram acordadas entre patrão e empregados. Aduziu ainda o fisco que não há regras claras e objetivas para o seu pagamento. Diante dessa conclusão, foram exigidas as contribuições incidentes sobre as parcelas GPR e ILP. A empresa advoga que esses pagamentos receberam a chancela do Sindicato dos empregados, posto que são mencionados no acordo geral da PLR, onde há cláusulas específicas tratando dos mesmos. Afirma ainda a autuada que: “63. Numa breve e simples leitura do Manual de GPR da Impugnante identificamse regras claras, precisas e objetivas do programa, inclusive com critérios, notas e graus de avaliação final dos empregados gestores, assim como a correspondente participação nos lucros, tudo observando as metas preestabelecidas no início do respectivo exercício. 64. O item 3 do Manual apresenta o processo de execução da GPR com 5 (cinco) etapas, conforme adiantado linhas acima: (i) contratação de metas; (ii) acompanhamento e revisão; (iii) avaliação de resultados; (iv) consolidação pelo comitê de Diretoria e Recursos Humanos; e (v) pagamento da remuneração variável.” Quando me deparo com o documento de fl. 292, onde consta a memória de cálculo da remuneração variável de curto e longo prazo (GPR e ILP) para o Diretor Presidente Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 386 11 da empresa, fica clara a existência da meta individual e da meta empresa, as quais eram compostas de diversos critérios. Sobre essa questão, inclusive, observo que não devo dar razão ao fisco acerca da descaracterização dos pagamentos em razão do suposto erro no pagamento das verbas GPR e ILP ao Diretor Presidente. A uma porque não se poderia desconsiderar o plano como um todo em razão de um valor individual estar em desconformidade com as regras, a duas porque a justificativa apresentada pela empresa mostrase plausível, uma vez que havia normas internas possibilitavam o pagamento de ILP proporcional para os casos de desligamento do empregado antes de completada a carência, nos casos em que a quebra do vínculo se dava por iniciativa da empresa. Essa circunstância não foi levada em conta pela autoridade lançadora. Não concordo com o fisco quando afirma que as regras não são claras e objetivas, posto que a Cartilha GPR contém todos os contornos relativos a essa remuneração variável. São apresentados os indicadores a sua influência na composição do benefício, as metas e as regras para pagamento das parcelas. O fato das regras conterem indicadores que levam em conta a avaliação individual do empregado não significa que estas seriam subjetivas. Na verdade a regra é objetiva, todavia a avaliação é que pode levar em conta fatores subjetivos do avaliador. Por exemplo, ao definir a “liderança” como um fator a ser avaliado, buscase premiar os gestores que conseguem obter de seus subordinados o comprometimento necessário ao sucesso da empresa. Assim, embora esse seja um critério qualitativo, não deixa de ser objetivo. Todavia, embora entenda que os pagamentos das verbas GPR e ILP atendem aos ditames da Lei n. 10.101/2000, quanto à existência de regras claras e objetivas necessárias a percepção do benefício, não posso deixar de dar razão ao fisco quanto ao fato dessas regras e critérios não terem sido negociados entre a empresa e os seus trabalhadores. Da Cláusula 23.ª do Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre a autuada e o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão, Cortiça, Artefatos de Papel, Madeira e Assimilados do Estado da Bahia – SINDICELPA/BA para o período de 2006 a 2008, observase que seria obrigação da empresa formar comissão, com participação de representante do Sindicato, para estabelecer os planos, estudos e formas de se apurar a participação dos empregados nos lucros e/ou resultados da Empresa (ver fls. 239 e segs.). De acordo com os autos, houve a formação da comissão, com representante sindical, para definição do pagamento da PLR aos empregados em geral, todavia, essa mesma providência não foi adotada para os empregados de nível gerencial. A tese da empresa é que o fato do Acordo da PLR prevê a sua não aplicabilidade aos empregados com cargos de gestão e assemelhados seria suficiente para comprovar que houve a participação do sindicato dos empregados, posto que ele teria concordado com o tratamento diferenciado. Pareceme que não foi esse o objetivo do legislador. O “caput” do art. 2. da Lei n. 10.101/2000 prevê a obrigatoriedade da negociação em convenção ou acordo coletivo de trabalho ou com comissão escolhida pelas partes, que deve ser integrada por representante do sindicato da categoria. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ora, se a negociação efetuada no âmbito da comissão expressamente prevê a exclusão de determinada categoria de empregados, para os excluídos teria que ser formada outra comissão, esta também integrada pelo representante do ente sindical. De fato, a Lei não exige que seja feito a mesma negociação para todos os empregados, mas é exigência legal que todas as regras atinentes ao pagamento da PLR siga o procedimento predeterminado, qual seja convenção, acordo ou comissão, sendo que esta deve obrigatoriamente contar com representante do sindicado dos trabalhadores. Não se mostra plausível a alegação da empresa de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8. da Carta Magna, o qual se reporta ao sindicato como legítimo defensor dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Assim, por não ter sido objeto de negociação nos termos do art. 2. da Lei n. 10.101/2000 os valores pagos aos empregados da recorrente a título de GPR e ILP devem sofrer a incidência de contribuições sociais. Cumulação multa de ofício e multa de mora Consoante o relatório fiscal, na aplicação da multa o fisco efetuou o comparativo entre a multa calculada conforme a legislação vigente na ocorrência dos fatos geradores e aquela fixada com base na legislação atualmente em vigor. Esse procedimento foi adotado em obediência à previsão da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, que determina a aplicação da norma ao fato pretérito quando esta comine penalidade menos severa que aquela vigente ao tempo da sua prática. Analisando o anexo de fl. 25, verificase que para as competências 01,02 e 03/2007 prevaleceram as disposições do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (vigente à época dos fatos geradores), com imposição de multa de 24% e para as competências 04 e 05/2007, a multa prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 (norma atual) mostrouse mais benéfica, tendo sido aplicada. Na apresentação do valor consolidado da multa o fisco denominou de “multa de mora” o valor calculado conforme a legislação anterior (competências 01, 02 e 03/2007), o qual totalizou o montante de R$ 182.674,08. A “multa de ofício” corresponde às competências 04 e 05/2007 e assumiu o valor de R$ 12.431,18. Esta foi calculada conforme a legislação atualmente em vigor. Esses valores podem ser facilmente visualizados na capa do AI, fl. 02, e no Discriminativo do Débito, fls. 05 e segs. Assim, descabe o argumento da empresa de que teria havido aplicação cumulada de “multa de mora” e “multa de ofício”. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 387 13 Conclusão Voto por indeferir o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 36624.011123/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.774
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco André Ramos Vieira. Declarou-se impedido o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes.
Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc e Presidente (na data da formalização do acórdão)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. O Conselheiro Thiago D' Ávila Melo Fernandes julgou-se impedido.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53. Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco André Ramos Vieira. Declarouse impedido o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc e Presidente (na data da formalização do acórdão) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 11 23 /2 00 6- 80 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. O Conselheiro Thiago D' Ávila Melo Fernandes julgouse impedido. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 302 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Previdência Social em 15/05/2006, onde constatouse violação ao disposto no art. 22 da Lei n. 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, em razão da empresa acima identificada ter deixado de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença “ e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Mediante a configuração da infração foi aplicada multa de acordo com o art. 286 do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, o qual se transcreve in verbis: Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. § 2º... § 3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos art. 290 a 292. Quanto à infração de não comunicação de acidente de trabalho foi estipulada multa no valor de R$ 560,00, porém a empresa incorreu em situação agravante qual seja, “reincidência genérica” que decorreu da lavratura do Auto de Infração nº 35.591.9435, em 26/05/2003. Em relação a reincidência aplicouse o Decreto nº 3.048 – de 06 de Maio de 1999, nos seguintes termos: “Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a Gradação da multa, ter o infrator: IV... V – incorrido em reincidência. Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 III... IV – a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts 283 e 286, conforme o caso”. Como consequência da agravante identificada, o Auto de Infração teve seu valor elevado em duas vezes, sendo a multa aplicada no valor de R$ 1.120,00. A empresa contestou o auto de infração, apresentando impugnação fora do prazo de defesa, protocolo às fls. 28 e 30 e despacho às fls. 29; razões ás fls. 30/46 e documento às fls. 47/207, alegando, síntese: a) Conforme consta inclusive do relatório fiscal, a empresa apresentou defesa por não concordar com o nexo causal entre o exercício da atividade laboral e o tipo de lesão sofrida pela empregada, juntando atestados médicos de afastamentos que demonstram os motivos dos afastamentos e que a segurada empregada não sofreu qualquer “acidente de trabalho”; b) Narra a atividade da empregada, que não é causa de lesões, bem como menciona e junta reclamações trabalhistas de outras empregadas que trabalhavam nas mesmas condições da empregada Sandra, sendo que todas foram julgadas improcedentes com perícia concluindo pela não existência de nexo técnico; c) Relata o histórico de afastamentos da segurada Sandra e conclui que não há nexo técnico com o trabalho que realizava na empresa, razão pela qual, não tenho sofrido qualquer acidente do trabalho nem doença profissional, não foi emitido CAT, o que seria até uma lesão ao INSS; d) Alerta para o que pode ser um abuso de direito, transcreve artigo de perito do INSS publicado em jornal sobre concessão indevida de benefícios, acrescentando sua opinião no mesmo sentido. Reafirma que não emitiu o CAT por discordar do deferimento do auxílio doença acidentário, sem nexo causal, tendo apresentado defesa com seu inconformismo; e) Acrescenta que a segurada Sandra ingressou com reclamação trabalhista, proc. 50/04 com trâmite pela 2ª Vara do Trabalho de Bauru, na qual foi realizada perícia que concluiu que as lesões encontradas não são compatíveis com a atividade laboral e afinal a ação foi julgada totalmente improcedente, conforme transcrito e documentos juntados (inicial da reclamação trabalhista, fls. 73/95 em 13/01/04; laudo pericial, fls. 96/105, em 10/06/05; sentença, fls. 106/116, em 07/04/06), do que conclui requerendo a revisão da multa aplicada e a concessão do benefício; f) Alega nulidade no procedimento por ausência de infração, não sendo razoável nem justificável a autuação, pois a não emissão do CAT teve razão justa e foi justificada; tendo sido provocada a inexistência do nexo entre a doença e a atividade exercida, não se justifica a aplicação da multa com acolhimento das alegações apenas da empregada segurada, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa e assim, o auto de infração não preenche os requisitos legais e pressupostos dos atos administrativos, bem como motivação fática, devendo ser anulado; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 303 5 g) Acrescenta que o auto de infração está fundado em presunção, faltalhe motivação, não pode subsistir validamente, transcrevendo doutrina sobre o tema; h) Reafirmando que a empresa discordava da conversão do auxílio doença em auxílio doença acidentário, tendo apresentado defesa e, portanto, não emitido o CAT; discorda da multa aumentada pela reincidência genérica e acrescenta que não foi provada a recusa em emissão do CAT, pelo contrário, através da decisão na reclamação trabalhista foi demonstrado que não existe nexo de causalidade entre a doença e a atividade exercida; Por fim, conclui requerendo a decretação da nulidade do auto de infração ou sua total improcedência. Restaram os autos conclusos à Delegacia da Receita Previdenciária, que proferiu Decisão Notificação (fls. 212/216) julgando procedente o Auto de Infração nos seguintes termos: “De tudo que consta do presente processo, acima relatado, concluise que o INSS através de perícia médica oficial reconheceu a doença do trabalho da empregada e concedeu o benefício de auxílio doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo, a empresa Autuada, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho á Previdência Social, nos termos da legislação mencionada, a saber, art. 22, §§ 2º e 3º da Lei 8.213/91 e art. 336 do Decreto 3.048/99. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no artigo 286, caput e § 3º c/c art. 290, V e 292, IV, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, conforme detalhado no relatório fiscal da multa aplicada, fls. 17/18. Dessa forma, o presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do Art. 33 da Lei nº 8.212/91 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99.” Sendo assim a Delegacia da Receita Previdenciária rejeitou as argumentações suscitadas pela impugnante e declarou o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário no montante de R$ 1.120,00 (um mil cento e vinte reais), consolidado em 15/05/2006. Não se conformando com a decisão, YAKULT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, recolheu 30% da exigência fiscal nos termos da Lei nº 8.213/91 e Lei nº 9.639/98, tendo em vista a interposição de Recurso às fls. 226/243. Em suas razões recursais a recorrente aduz que, a aplicação da multa, com apenas suposições e acolhimentos das alegações da segurada Sandra, fere frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, que as provas apresentadas demonstram cabalmente a inexistência de nexo de causalidade da doença que a segurada Sandra é portadora e das atividades exercidas na empresa autuada. Alega ainda que, o agente fiscalizador, em nenhum momento provou que a recusa da emissão do CAT por parte da empresa autuada, foi injustificada ou protelatória. E conforme aduzido o Poder Judiciário, através do devido processo legal (reclamação trabalhista), atendendo os princípios constitucionais de ampla Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 defesa, igualdade, de não discriminação, etc., já decidiu que não existe nexo de causalidade entre a doença que a segurada Sandra é portadora e a atividade exercida na empresa autuada. Finaliza o contribuinte pugnando pelo provimento do recurso e pela decretação da nulidade do auto de infração ou sua total improcedência. A Previdência Social apresentou contrarazões (fls. 258/264) onde afirma que o Auto de Infração em questão encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do Art. 33 da Lei nº 8.212/91 e Art. 293 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, devendo portanto ser mantido, assim como a Decisão de fls. 212/216. Reafirma ainda que restou devidamente comprovado no presente processo que o INSS através de perícia médica oficial, constatou a doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo, a empresa Autuada, ora Recorrente, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho à Previdência Social, nos termos da legislação pertinente. Por fim requereu a improcedência do recurso. A 5ª Câmara de Julgamento do então Segundo Conselho de Contribuintes entendeu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, determinando que os autos fossem remetidos à Delegacia da Receita Federal, em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com o propósito de juntar aos autos informações do andamento do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP. Os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal, onde realizaramse as diligências requeridas (fls. 276 a 288), tendo posteriormente o contribuinte sido informado de seu resultado (fls. 293/294), porém, restou silente. Autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 304 7 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso foi interposto tempestivamente.Pressuposto de admissibilidade superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. 1 DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA E DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Como dito alhures, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolveu, em 20/11/2007, converter, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência para que [fls. 271]: [...] Da leitura do relatório, verificase que a empresa Recorrente foi autuada em razão de ter deixado de comunicar acidente de trabalho CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença” e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Em contraposição, a Recorrente colacionou cópia de reclamação trabalhista ajuizada pela Sra. Sandra Aparecida da Cruz em face da primeira [fls. 7395], onde afirma, em síntese, ter adquirido LER – Lesão por Esforço Repetitivo por conseqüência do trabalhado que exercia; (ii) laudo pericial judicial [fls. 95106], da lavra do Dr. Aron Wajngarten, médico inscrito no CRM/SP n. 43.552, que concluiu pela inexistência de nexo de causalidade entre a atividade então desenvolvida e a doença constatada; e (iii) sentença prolatada nos autos do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP [fls. 106116], que julgou improcedentes os pedidos deduzidos na inicial da reclamação trabalhista movida por Sandra Aparecida da Cruz. Diante de a oposição de entendimentos – administrativo e judicial , entendo necessário para o julgamento da presente peleja administrativa a prestação de alguns esclarecimentos indispensáveis: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 (i) os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para que seja juntada aos autos informação do andamento do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP e as decisões judiciais posteriores; (ii) intimese o sujeito passivo para, querendo, manifestese em relação a informação processual; (iii) após à realização desses procedimentos, devem os autos serem remetidos a esta 5ª Câmara para julgamento, ressalvado o disposto no §2º, do art. 308, do Decreto n. 3.048/99. Em atenção à diligência, a i Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou cópia dos andamentos da reclamatória e recursos interpostos pela Sra. Sandra Aparecida da Cruz, tendo concluído no seguinte sentido [fl. 288]: [...] 2. Em consulta ao sítio do TRT 15 – 15ª Região, verificouse que o juízo a quo denegou seguimento do recurso ordinário interposto pela reclamante contra a sentença que lhe fora desfavorável (fl. 284). Contra tal denegação foi interposto Agravo de Instrumento, ao qual foi dado provimento (fl. 279), sendo, em consequência, processado o aludido recurso ordinário. 3. Em seguida, o Tribunal julgou o recurso ordinário, negado lhe provimento e mantendo integralmente a decisão proferida em primeiro grau (fl. 282). Os autos do processo foram encaminhados à vara de origem, estando os mesmos na iminência de serem arquivados (fl. 283). Nesse sentido, restou claro que a sentença judicial mantevese inalterada, ou seja, a pretensão da Sra. Sandra Aparecida da Cruz em face da Yakult [fls. 7395] foi julgada improcedente, pois, conforme laudo pericial judicial [fls. 95106], da lavra do Dr. Aron Wajngarten, médico inscrito no CRM/SP n. 43.552, inexistiu nexo de causalidade entre a atividade então desenvolvida e a doença constatada [LER – Lesão por Esforço Repetitivo]. É certo que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra “Curso de Direito Processual Civil”, Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: “A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido.” Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 305 9 A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NFLD – DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado” (Acórdão CARF nº 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Portanto, tendo sido afastada pelo Judiciário o nexo de causalidade, não prospera a acusação fiscal por violação ao disposto no art. 22 da Lei n. 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, em razão da empresa acima identificada ter deixado de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz. CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento e, no mérito, pelo PROVIMENTO do recurso voluntário interposto. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Voto Vencedor A presente autuação pautouse na falta de Comunicação de Acidentes de Trabalho a qual se encontrava obrigada a autuada por força do contido no art. 22 da Lei nº 8.213/91, combinado com o art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º A comunicação a que se refere o § 2º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §4º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas neste artigo. §5o A multa de que trata este artigo não se aplica na hipótese do caput do art. 21A. (Incluído pela Lei nº 11.430, de 2006) Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. (grifos nossos) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 306 11 §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, ou quando se tratar de segurado especial, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §4º A comunicação a que se refere o § 3º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §5º A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social poderá autuar a empresa que descumprir o disposto no caput, aplicando a multa cabível, sempre que tomar conhecimento da ocorrência antes da autuação pelo setor de fiscalização. (Revogado pelo Decreto nº 3.265/99) §6º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela previdência social, das multas previstas neste artigo. O Ministério do Trabalho e Emprego instituiu Normas Regulamentadoras, citadas no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho, as quais são de observância obrigatória pelas empresas públicas e privadas, bem como pelos órgãos públicos da administração direta e indireta que possuam empregados regidos pela CLT. O não cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho sujeita o empregador à aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente, sendo certo que a recusa injustificada do empregado ao cumprimento de suas obrigações com a segurança do trabalho constitui ato faltoso. A Norma Regulamentadora nº 7, estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, e, de acordo com o item 7.4.1 da NR7, o PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissional, compreendendo avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional e exame físico e mental, além de exames complementares, realizados de acordo com os termos específicos tratados na NR citada. Quando constatada através de exames médicos a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, ou sendo verificadas, através dos exames constantes dos Quadros I e II, e do item 7.4.2.3 da NR7, alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, cabe ao médicocoordenador ou encarregado da empresa solicitar a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho e orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. NR 7 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 7.4.8 Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I (apenas aqueles com interpretação SC) e II, e do item 7.4.2.3 da presente NR, mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (grifos nossos) b indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; (grifos nossos) d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. No caso em tela, apesar de estar obrigada, por força do preceito inscrito no item 7.4.8 da NR7, a comunicar, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional, ou alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, a empresa deixou de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, com relação à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença “ e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Restou devidamente comprovado no presente processo que o INSS através de perícia médica oficial, constatou a doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo a Recorrente, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho à Previdência Social, nos termos da legislação vigente. A interposição de reclamação trabalhista por parte da segurada, não ilide a obrigação da empresa em comunicar o acidente de trabalho, na forma prescrita pelo artigo 22 da Lei n° 8.213/91, c/c artigo 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Tal obrigação não se configura como uma faculdade da empresa, mas se traduz numa obrigação acessória de observância compulsória, sujeitando o infrator às sanções expressamente fixadas na legislação previdenciária., mais precisamente à penalidade administrativa de cunho pecuniário prevista no art. 286 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 307 13 Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. §1º Em caso de morte, a comunicação a que se refere este artigo deverá ser efetuada de imediato à autoridade competente. §2º A multa será elevada em duas vezes o seu valor a cada reincidência. §3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos arts. 290 a 292. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.002609/2006-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE PRÉVIA HABILITAÇÃO.
Nos termos das IN SRF nºs 517/2005 e 600/2005, os pedidos de compensação de indébitos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado tem como requisito a prévia habilitação dos créditos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora, vencido o conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo,
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COFINS Recorrente FEBERNATI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE PRÉVIA HABILITAÇÃO. Nos termos das IN SRF nºs 517/2005 e 600/2005, os pedidos de compensação de indébitos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado tem como requisito a prévia habilitação dos créditos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora, vencido o conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 09 /2 00 6- 89 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que a decisão judicial que se pretendia executar não alcançou parte do período de apuração incluído no pedido de restituição em análise. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Trata o presente processo de análise de direito creditório decorrente de ação judicial (processo n° 96.00121133), transitada em julgado em 05/03/2001, e de declarações de compensação apresentadas com base nessa demanda. Referida ação reconheceu a inconstitucionalidade das majorações das alíquotas de Finsocial, autorizando a interessada a implementar compensações dos valores recolhidos indevidamente com débitos da contribuição para a Cofins. Os créditos deveriam ser atualizados pelo BTN, expurgos inflacionários do IPC, INPC (março a dezembro de 1991), UFIR (jan/92 a dez/95), e, a partir de 01/01/1996, apenas a taxa Selic (fls.35). A DRF Novo Hamburgo proferiu o Parecer SACAT/DRF/NHO n° 508/2006 (fls.64/66), onde informa que a interessada, em cumprimento ao disposto no art. 51 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 600/2005, formalizou Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, o qual foi deferido (Despacho DRF/NHO n° 501/2006 fls.08/09). Ressalva que a decisão judicial determina que a compensação deva ser feita com os valores constantes nos DARF's acostados à petição inicial. Assim, o cálculo ficou limitado aos períodos setembro de 1989 a setembro de 1991, conforme os comprovantes (DARF's) juntados pelo contribuinte (fls.51/59). Esclarece que as bases de cálculo utilizadas foram obtidas a partir dos DARF's apresentados. Aponta diferenças nos cálculos da interessada (fls.48/50), uma vez que foram incluídos valores relativos aos períodos outubro de 1991 a março de 1992, e as bases de cálculo divergem nos períodos de 01/1991 a 05/1991 daquelas constantes das guias de recolhimento apresentadas. Reconhece como legítimo o crédito de Finsocial no valor de R$ 209.269,07, atualizado até 01/01/1996, sendo que a partir daí deverão incidir juros equivalentes à taxa Selic. No cálculo apresentado pela interessada (fls.48/50), os valores atualizados até 01/01/1996 perfazem o montante de R$ 274.940,84, incluído o montante relativo ao período 10/1991 a 03/1992. Foram enviadas Declarações de Compensação (DCOMPs fls.68/103) as quais foram homologadas pela DRF de origem (fls.112). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.115/123), discordando do montante creditório apurado pela DRF de origem. Pondera que apesar de não ter juntado as guias de recolhimento referentes aos períodos 10/91 a 03/92 esses teriam sido efetivamente recolhidos por meio de parcelamento (processo n° 11080.002714/9443) . Alega que Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 11 3 impetrou outra demanda judicial (processo n° 91.00101117 fls.), onde teria sido reconhecido que o Finsocial fosse recolhido à alíquota de 0,5%, no período de 09/89 a 03/92, condenando a União a devolver os valores pagos a maior, acrescidos de correção monetária e juros de mora. Assim, acredita estar exercendo direito garantido e assegurado por lei e pelas decisões judiciais proferidas nos processos citados, ao incluir em seu cálculo o montante relativo aos períodos 10/1991 a 03/1992. Alega que existem disparidades, em quase todos os períodos de apuração, entre os valores encontrados pela DRF e aqueles que foram por ela apurados. Cita como exemplo o período 12/89, onde apurou R$ 11.014,03 e a DRF, em contrapartida, encontrou R$ 9.291,77. Afirma que utilizou os índices de correção concedidos pelo Poder Judiciário e, as diferenças encontradas pela DRF não teriam sido justificadas. Pondera ainda que o cálculo elaborado pela Receita Federal teria deixado de considerar os recolhimentos efetuados em atraso, limitandose a apurar o montante pela base de cálculo do tributo. Anexa os documentos de fls.124/235, requerendo que seja permitida a complementação dessa documentação. Junta às fls. 236/365, o restante dos documentos. Por fim, solicita a produção de perícia com o intuito de apurar a origem das diferenças verificadas entre o cálculo por ela elaborado e o confeccionado pela Secretaria da Receita Federal. A DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que a decisão judicial que se pretendia executar não alcançou parte do período de apuração incluído no pedido de restituição em análise: AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA – A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. PEDIDO DE PERÍCIA Prescindível a realização de perícia quando os fatos já estiverem esclarecidos ou não forem necessários ao deslinde do processo. Com efeito, nos termos da autoridade julgadora “não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica a interessada de cada uma delas (período abrangido por uma decisão e índices de correção concedidos por outra)”. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo as razões da sua manifestação de inconformidade. Num primeiro momento, este processo foi distribuído neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o Relator Nilton Bartoli, que à época compunha a 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção, o qual determinou a conversão do julgamento em diligencia, nos seguintes termos: Destarte, atento aos princípios da efetividade processual, da verdade material e, fulcrado no artigo 18, §3° do Regimento interno desta Casa, converto o julgamento em diligência a fim de que os autos sejam enviados a repartição de origem para que o contribuinte Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 seja intimado a juntar aos autos cópia de seu pedido de desistência processual da ação judicial n° 91.00.101125 , bem como a respectiva homologação judicial de sua renúncia. Devidamente intimado, o contribuinte juntou aos autos cópia do pedido de desistência e homologação judicial constantes nos autos do processo n.91.00.101125. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se restringe à definição da possibilidade de o contribuinte “executar” administrativamente, via declarações de compensação, os comandos relativos a duas ações judiciais, transitadas em julgado, nas quais, em última análise, se discutiu o mesmo direito creditório. Isso porque a ora Recorrente ingressou com duas medidas judiciais e obteve dois comandos, transitados em julgado, para afastar a exigência de Finsocial à alíquota superior a 0,5%: (i) Ação Ordinária Declaratória da Inconstitucionalidade da majoração da alíquota de 0,5% do FINSOCIAL (fls. 194/199 e 202), protocolada sob o n° 91.00.101125, apelação n° 93.04.101050, na qual foi declarada a inconstitucionalidade pretendida pelo contribuinte, relativa ao período de setembro/1989 a março/1992, cujo trânsito em julgado ocorreu em 25.04.1994 (fl.235); e (ii) Ação Ordinária Declaratória da Inconstitucionalidade da majoração da alíquota de 0,5% do FINSOCIAL e do Direito de Compensar os pagamentos a maior da alíquota de 0,5% a título do FINSOCIAL com débitos da COFINS, protocolada sob o n° 96.00121133, apelação n° 97.04.627319, na qual o contribuinte obteve o direito de compensar o FINSOCIAL com débitos da COFINS, relativo ao período de setembro/1989 a setembro/1991, cujo trânsito em 27/03/2001 (fl.43). De acordo com autoridade julgadora “não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica a interessada de cada uma delas (período abrangido por uma decisão e índices de correção concedidos por outra)”. O contribuinte, por sua vez, sustenta que o cálculo do seu direito creditório deveria contemplar o período compreendido nas duas ações e não apenas do processo nº 96.00121133. Isso porque, no seu entendimento: (i) ajuizou as ações ordinárias de n°s 91.00.101125 e 96.00.121133, as quais foram julgadas procedentes para fins de declarar a inconstitucionalidade das majorações de alíquota da contribuição para o Finsocial acima de 0,5%; (ii) na ação n° 91.00.101125 restou assegurado o direito de reaver e na ação n° 96.001121133 restou assegurado o direito de compensar os valores recolhidos a maior com contribuições da COFINS; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 12 5 (iii) por um equívoco, habilitou somente o crédito referente ao processo de n° 96.001121133 tendo, entretanto, procedido nas compensações com o crédito decorrente do período total que lhe fora deferido: 09/89 a 03/92; (iv) os valores relativos ao Finsocial dos períodos de 09/89 a 03/92, foram recolhidos através do parcelamento n° 11080002714/9443, conforme documentos já anexados à impugnação; (v) a decisão a quo não procede na medida em que não admite a utilização dos créditos decorrentes da ação n° 91.00.101125 para fins de compensação, pelo fato destes não terem sido previamente habilitados pela SRF; (vi) o argumento da DRJ de que "a referida ação judicial (91.00.101125) não tratou de compensação e sim de restituição" não prospera uma vez que a decisão proferida nesta ação, por si só, já é suficiente para conferir ao sujeito passivo a possibilidade de formular pedido administrativo de restituição ou compensação; (vi) a justificativa de que não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica de cada uma não prospera, pois tal conduta não foi adotada e, ainda que existam duas decisões a respeito do mesmo tema, se pode sim utilizar as duas naquilo em que não conflitarem entre si e observandose a que transitou em julgado primeiro; (vii) a solução da controvérsia entre ambas as decisões está no plano da eficácia da coisa julgada e da regra de conexão e, neste caso, a decisão proferida no processo n° 91.00.10112 5 transitou em julgado antes da decisão proferida no processo n° 96.0012113 3; (viii) em ambas as decisões houve pronunciamento de mérito a respeito da constitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial, bem como tendo transitado em julgado primeiro a decisão do processo n° 91.00.101125, temse que esta prevalece sobre a decisão proferida naquela, aplicandose, também, naquilo em que não conflitarem, o julgado n processo n° 96.00121133 , dado o fato de que em ambas as demandas houve a cognição ampla sob o rito ordinário; (ix) ao ser negado a aplicação do decidido no processo n° 91.00.101125, ocorre a violação da coisa julgada, ofendendo o disposto no art. 467 do CPC e o disposto no art. 5º, XXXVI, da CF. Pois bem. A princípio não vislumbramos qualquer impedimento para o contribuinte executar, na via administrativa, os comandos relativos às duas sentenças judiciais, transitadas em julgado, sobre a mesma matéria. Não se nega que tal procedimento possa despertar certa estranheza num primeiro momento, tendo em vista que, nos termos da lei processual, o manejo de duas ações com o mesmo objeto deve implicar o reconhecimento de litispendência pelo Poder Judiciário. Ocorre que o julgador administrativo, nos processos relativos a declarações de compensação de créditos tributários reconhecidos por sentença transitada em julgado, está adstrito a executar os comandos proferidos pelo Poder Judiciário, não lhe cabendo tecer qualquer juízo de valor a respeito do acerto ou não de tais decisões. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Assim, a procedência ou não da pretensão da ora Recorrente requerer exclusivamente a verificação da observância, no caso concreto, dos requisitos determinados pela legislação para a compensação de créditos reconhecidos judicialmente. É o que passamos a analisar. A compensação administrativa de créditos tributários reconhecidos pelo Poder Judiciário é disciplinada pela Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Ao exercer a competência regulamentar que lhe foi outorgada por referido enunciado normativo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa SRF nº 517/05, que era a vigente à época dos autos, nos seguintes temos: Art. 3 º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1 º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo Único desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e V – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 13 7 hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2 º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1 º , o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4 º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3 º , será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5 º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a IV do § 2 º ; ou II as pendências a que se refere o §3 º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6 º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. § 7º A apresentação da Declaração de Compensação, do Pedido Eletrônico de Restituição e do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, na hipótese prevista no caput, fica condicionada à informação do número do processo administrativo no qual tenha havido o deferimento do pedido de habilitação do crédito. Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, inferese que, em regra, o sujeito passivo terá que observar alguns requisitos fundamentais para exercer o seu direito creditório pela via administrativa, tais como: (i) comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da renúncia da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução; (ii) efetuar o pagamento das custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios; (iii) realizar o prévio pedido de habilitação. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que, compulsando os autos verificase que a ora Recorrente realizou o prévio pedido de habilitação apenas do crédito reconhecido no Processo nº 96.001121133 . Tratase, inclusive, de fato incontroverso tendo em vista que a própria Recorrente declarou expressamente que “por um equívoco, habilitou somente o crédito referente ao processo de n° 96.001121133 tendo, entretanto, procedido nas compensações com o crédito decorrente do período total que lhe fora deferido: 09/89 a 03/92”. Sendo assim, mesmo entendendo que, a princípio teria a Recorrente direito a compensar o crédito relativo ao período total que lhe fora deferido nas duas ações judiciais que manejou 09/89 à 03/92 –, como, em relação ao Processo nº 91.00.101125 não observou o procedimento prescrito para tal, na medida em que não apresentou o prévio pedido de habilitação, não há como homologar a compensação dos créditos reconhecidos apenas nesta ação judicial. Por fim, devese ressaltar, ainda, que além de não ter apresentado prévio pedido de habilitação do crédito reconhecido no Processo nº 91.00.101125, em todas as declarações de compensação transmitidas fez constar apenas o Processo nº 96.001121133 como origem do débito, o que igualmente impede esta autoridade julgadora de reconhecer o direito creditório relativo ao Processo nº 91.00.101125, sob pena de julgamento extra petita. Postas essas razões jurídicas, verifico que a decisão recorrida não merece reparos. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12719.001705/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/10/2009, 09/10/2009, 30/10/2009, 04/11/2009, 17/12/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação (Decreto-Lei nº 1.455/76, artigo 23, V), e à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007.
RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL. FALTA DE OBJETO.
Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação (única matéria decidida), a decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL. FALTA DE OBJETO. Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação (única matéria decidida), a decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 17 05 /2 01 0- 17 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 26/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigir crédito tributário referente a multa substitutiva à pena de perdimento e à multa por cessão de nome, previstas no art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76 e no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, respectivamente. Pela descrição dos fatos constante do Relatório de Ação Fiscal, a Fiscalização concluiu que: a empresa Da Vinci efetuou cinco operações de importação de porcelanato por encomenda da empresa Ceramus Bahia nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a empresa Da Vinci declarava importar o porcelanato em nome próprio, ocultando a condição da empresa Ceramus Bahia de encomendante e real destinatária das mercadorias, nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a verdadeira responsável pelas operações de importação relativas As DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 é a empresa Ceramus Bahia, uma vez que dela dependeu a aprovação das amostras encaminhadas para a consolidação das operações. a conduta da empresa Da Vinci configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado, a importação por encomenda, permaneceu oculto. houve prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no registro das declarações de importação sob fiscalização. as empresas Da Vinci (importadora) e Ceramus Bahia (encomendante) não cumpriram os requisitos estabelecidos na IN SRF n° 634, de 2006, para a realização de importações por encomenda. Portanto, as importações relacionadas as DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 foram irregulares. Considerando todos os fatos relatados, concluise finalmente que a empresa Da Vinci ocultou o verdadeiro destinatário das Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 4 3 mercadorias importadas por meio das DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121, a empresa Ceramus Bahia S.A, configurando a prática da ocultação do real comprador e responsável pela operação, mediante simulação, por meio de prestação de informação falsa nestas declarações de importação. Tempestivamente, a contribuinte Da Vinci Brasil Ltda ME insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 447/463, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: Primeiramente, não realiza importações "por conta e ordem" como indica a fiscalização. Consta, isso sim, como adquirente em diversas importações "por conta e ordem" realizadas por outras tradings. É que, por questões administrativas, utiliza, muitas vezes, os serviços de outras tradings, que importam mercadorias por conta e ordem. Assim, resta ainda mais claro que a autuada se dedica ao comércio de mercadorias importadas já que figura como adquirente em tantos outros processos nos quais não consta como importadora, indicando documentos em anexo para comprovar tal alegação; já quanto às importações por conta própria, não se trataram de exceção às operações normalmente realizadas pela Impugnante. Apresentase em anexo comprovantes de outros processos de importação realizados por conta própria, tanto em 2009, como no corrente ano (importação de material esportivo e de tecidos). Cai por terra, assim, a alegação da autoridade fiscal, de que a Impugnante nunca havia realizado importação por conta própria; também tem forte atuação no ramo da exportação, conforme demonstram os documentos em anexo. Assim, resta mais do que demonstrado que não se constitui numa mera prestadora de serviços, e que o seu foco principal é o comércio tanto de produtos importados, como também exportando produtos brasileiros; conforme se observa às fls. 58104 do presente processo, foi amplamente demonstrada a capacidade econômica da impugnante. Da mesma forma, a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, bem como sua subsidiária Ceramus Bahia S.A., são empresas de grande porte, tendo total capacidade financeira para realizar importação caso desejem, não havendo qualquer motivo para que o fizessem de forma oculta. No caso, sequer haveria qualquer beneficio fiscal para tanto. a partir do momento em que a Impugnante firma contrato de compra e venda de produtos junto a seu fornecedor no exterior, esta já sabe que produto e em que quantidade terá disponível para venda interna. Ora, não há necessidade de que o produto seja primeiro nacionalizado, estocado, para só então a empresa Impugnante dar início às negociações com seus clientes, internamente. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 5 4 o fato de a Impugnante negociar internamente com seus clientes os produtos que já comprou junto a seu fornecedor no exterior, antes mesmo de estes estarem embarcados, em nada altera a natureza da importação direta. No caso em destaque, quando o fabricante estava com parte da mercadoria pronta para o embarque, a Impugnante já pode solicitar que uma parcela dessa mercadoria fosse destinada ao porto de Salvador/BA, com vistas a atender a sua cliente com sede naquele Estado. seria por encomenda a importação se a empresa Ceramus Bahia S.A. tivesse procurado a ora Impugnante, indicado o produto que queria e solicitado que esta o encomendasse junto ao fornecedor. Não foi o caso. quanto ao fato de a empresa Eliane ter verificado amostras do produto, isso em nada constitui "indício" de importação realizada por encomenda. Tendo a empresa Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, grande conhecimento do segmento e padrões de qualidade, a mesma prestou tal serviço à ora Impugnante, que não possui pessoal qualificado ou knowhow para proceder este tipo de verificação. Novamente, tal fato não tem o condão de modificar o tipo de importação realizada, que estava revestido de todos os requisitos legais para tanto. importantíssimo observar que todo o processo de desembaraço aduaneiro correu normalmente. Ora, o processo de desembaraço aduaneiro e nacionalização da mercadoria é fiscalizado de perto pelas autoridades fiscais. Portanto, a importação já havia sido submetida à análise da fiscalização, que nada acusou; a mercadoria foi regularmente nacionalizada. não houve qualquer beneficio fiscal para qualquer uma das empresas (inclusive, o IPI para os produtos importados está zerado), todos os tributos foram devida e integramente recolhidos, não se trata de contrabando ou descaminho de qualquer natureza, nem de lavagem de dinheiro. Notese que a Sra. Auditora Fiscal não aponta com clareza sequer mínima a possibilidade de ocorrência de qualquer desses resultados, permanecendo no campo das possibilidades. não logrou êxito a autoridade fiscal em apontar com clareza e certeza qualquer ilicitude, muito menos alguma infração de gravidade suficiente a fazer incidir a pena de perdimento da mercadoria importada, transformada em multa. por fim, considera que, estando o auto de infração embasado em fundamentos frágeis, meras alegações da autoridade fiscal, insuficientes para a configuração de qualquer tipo de fraude como pretende o auto sustentar, impõese que seja afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria importada, ante a desproporcionalidade da medida. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 6 5 A Ceramus Bahia S/A, como responsável solidária da multa substitutiva ao perdimento, foi cientificada em 23/06/2010 e apresentou impugnação no dia 29/07/2010, cujas razões foram sintetizadas pela decisão recorrida nos seguintes termos: em preliminar de tempestividade, informa que tomou ciência somente em 30/06/2010, através da Da Vinci Brasil LTDA, uma vez que a remessa feita pelos Correios não chegou às suas mãos. jamais procurou a Da Vinci Brasil para que esta lhe prestasse serviços, operacionalizando importações por encomenda. No caso, foi a Da Vinci Brasil que procurou a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, empresa da qual a impugnante é coligada, para lhe oferecer os produtos que comercializa, que tem procedência estrangeira. em momento algum, teve qualquer ingerência nas operações realizadas pela empresa Da Vinci Brasil no exterior. Todas as compras foram realizadas no mercado interno, estando as mercadorias adquiridas pela impugnante já nacionalizadas no momento do recebimento pela impugnante. tendo havido interesse por parte das adquirentes, a Da Vinci Brasil comprometeuse em disponibilizar a mercadoria adquirida pela ora impugnante no EADI Salvador/BA, como efetivamente foi feito, tendo então seguido para os depósitos da Impugnante. A relação estabelecida entre a impugnante e a Da Vinci Brasil não se enquadra em nenhum dos casos dos incisos do art. 95, acima transcritos. Isso porque a Impugnante não contribuiu, nem interferiu de qualquer forma nos processos de importação da mercadoria, bem como não a encomendou junto Da Vinci Brasil. se a penalidade aplicada tem como fato gerador a ocultação do real importador, por certo que a Impugnante não pode responder em qualquer hipótese. Como já dito, a Impugnante apenas adquiriu mercadorias da Da Vinci Brasil, já no mercado interno, tendo a oferta de tais produtos partido desta empresa, que os vendeu também para a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos. as empresas intimadas não foram formalmente acusadas e sequer investigadas quanto à prática dos delitos ali listados como "possíveis objetivos". Assim, o relatório de ação fiscal ficou apenas no campo das possibilidades, sem constatar qualquer ilegalidade concreta, de forma que não pode a Impugnante ser condenada com base em simples suposições, muito menos a pagar quantia tão significativa. por fim, requer que seja considerada tempestiva a impugnação para ao fim anular o auto de infração combatido. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 7 6 A DRJ em Fortaleza CE manteve o lançamento, não conheceu da impugnação apresentada pela empresa Ceramus Bahia S/A, por intempestiva, nos termos do Acórdão no 0827.482, de 29/10/2013, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/10/2009, 09/10/2009, 30/10/2009, 04/11/2009, 17/12/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). CESSÃO DE NOME. OCORRÊNCIA. A defendente não comprovou a importação por conta própria, mantendose a caracterização da ‘Cessão de Nome’ na operação de importação objeto de autuação, devendo ser mantida a referida multa estabelecida na legislação de regência. IMPUGNAÇÃO FORA DO PRAZO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada depois de 30 (trinta) contados da data em que foi feita a intimação da exigência, por via postal, recebida no domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. Ciente da decisão de primeira instância em 13/11/2013, conforme AR, a empresa Da Vinci Brasil Ltda ME interpôs recurso voluntário em 09/12/2013, no qual repisa os argumentos da impugnação. Também ciente da decisão de primeira instância em 14/11/2013, conforme AR, a empresa Ceramus Bahia S/A interpôs recurso voluntário em 16/12/2013, no qual também repisa os argumentos da impugnação e não se manifesta sobre as razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação apresentada por ela Ceramus Bahia S/A. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado pela empresa Da Vinci Brasil Ltda ME é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Quanto ao recurso voluntário apresentado pela empresa Ceramus Bahia S/A, embora tempestivo, não merece ser conhecido pelas seguintes razões: 1º) Não se estabeleceu litígio sobre a nomeação da Ceramus Bahia como responsável solidária, posto que a sua impugnação foi apresentada fora do prazo legal e o acórdão recorrido dela não conheceu, conforme dito expressamente: A impugnação apresentada pela DA VINCI BRASIL LTDA atende aos requisitos de admissibilidade e dela tomo conhecimento para analisar as razões trazidas pela impugnante. Por sua vez, a impugnação interposta pela Ceramus Bahia S.A. não pode ser conhecida, uma vez que apresentada intempestivamente, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que não se instaura a fase litigiosa do procedimento, em relação a esta interessada, o que implica na declaração da sua revelia, conforme art. 21 do Decreto 70.235/72 (PAF). A solidária alega que tomou ciência somente em 30/06/2010, através da Da Vinci Brasil LTDA. No entanto, o aviso de recebimento constante da fl. 444 comprova que a ciência deuse no domicílio tributário do contribuinte, na data de 23/06/2010, em consonância com o estatuído pelo art. 23, II do PAF, sendo esta a data de ciência a ser considerada para contagem do prazo de interposição de impugnação, que expirou em 23/07/2010, não devendo, portanto, ser acatada a preliminar de tempestividade, posto que a impugnação foi protocolada somente em 29/07/2010, seis dias após a expiração do prazo legal. Observe, contudo, que a impugnação tempestiva por parte de um dos sujeitos passivos suspende a exigibilidade do crédito em relação ao seu solidário, até que cesse os efeitos da medida que conceda tal suspensão. 2º) no recurso voluntário a empresa Ceramus Bahia não contesta a decisão da Turma de Julgamento da DRJ de rejeitar a preliminar de tempestividade da impugnação e de não conhecer da dita impugnação. É irrefutável a prova contida nos autos de que a ciência do auto de infração ocorreu no dia 23/06/2010 e não no dia 30/06/2010, como alegara a Ceramus Bahia S/A. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 9 8 Portanto, no recurso voluntário apresentado pela empresa Ceramus Bahia S/A não há contestação do que foi decidido pelo acórdão recorrido. Inexistindo objeto, não há como conhecer do referido recurso. Isto posto, e em sede de preliminar, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela empresa Ceramus Bahia S/A. Passemos, então, ao exame das razões do recurso voluntário apresentado pela empresa autuada: Da Vinci Brasil Ltda. A autoridade lançadora resume as infrações apuradas nos seguintes termos: a empresa Da Vinci efetuou cinco operações de importação de porcelanato por encomenda da empresa Ceramus Bahia nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a empresa Da Vinci declarava importar o porcelanato em nome próprio, ocultando a condição da empresa Ceramus Bahia de encomendante e real destinatária das mercadorias, nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a verdadeira responsável pelas operações de importação relativas às DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 é a empresa Ceramus Bahia, uma vez que dela dependeu a aprovação das amostras encaminhadas para a consolidação das operações. a conduta da empresa Da Vinci configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado, a importação por encomenda, permaneceu oculto. houve prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no registro das declarações de importação sob fiscalização. as empresa Da Vinci (importadora) e Ceramus Bahia (encomendante) não cumpriram os requisitos estabelecidos na IN SRF n° 634, de 2006, para a realização de importações por encomenda. Portanto, as importações relacionadas as DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 foram irregulares. Considerando todos os fatos relatados, concluise finalmente que a empresa Da Vinci ocultou o verdadeiro destinatário das mercadorias importadas por meio das DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121, a empresa Ceramus Bahia S.A, configurando a prática da ocultação do real comprador e responsável pela operação, mediante simulação, por meio de prestação de informação falsa nestas declarações de importação. Em conseqüência, foi aplicado as multas previstas no § 3º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76 e no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 10 9 A empresa recorrente alega que tinha capacidade financeira para realizar operação de importação por conta própria e que essa não foi a única operação desse tipo por ela realizada. Diz, também, que a partir do momento em que firma o contrato de compra e venda de produtos junto a seu fornecedor estrangeiro já pode negociar internamente com seus clientes e mais, no caso em tela, o desembaraço da mercadoria ocorreu normalmente. Conforme disse a decisão recorrida, o elemento central para a caracterização da interposição fraudulenta foi as negociações antecedentes à chegada da mercadoria no Brasil, como a escolha das amostras, submetidas anteriormente a Eliane S.A, além da coincidência das datas de emissão das notas fiscais de entrada e saída e a indicação do porto de chegada. Conforme se vê do resumo dos fatos que levaram à autuação, acima reproduzido, também não foi determinante para caracterizar a infração (ocultação do real importador) o fato de a Recorrente ter ou não realizado (anteriormente ou posteriormente) importação por conta própria de outras mercadorias ou de não ter capacidade financeira para realizar a operação. Aliás, a capacidade financeira foi reconhecida pela Fiscalização. Os argumentos da Recorrente nesse sentido não lhe socorre. Da mesma forma, também não se aplica ao caso o argumento da Recorrente de que, uma vez adquirido produto no exterior, pode negociar o mesmo antes da sua nacionalização. Sobre esse fato, disse a decisão recorrida: É comercialmente aceitável o argumento de que as negociações no mercado interno podem se dar após o embarque de mercadorias no exterior e antes da sua chegada no Brasil. Porém o que se verifica no caso é que as negociações se deram mesmo antes do fechamento do contrato entre o importador brasileiro e o exportador estrangeiro, caracterizando, efetivamente, a existência de um encomendante anterior à realização da importação, não importando quem, de fato, iniciou as tratativas, se a compradora ou a vendedora. Também em nada afeta a operação realizada pela Recorrente o fato de o desembaraço aduaneiro das mercadorias ter ocorrido normalmente, uma vez que as atribuições da Fiscalização não se encerram no momento do desembaraço, conforme bem disse a decisão recorrida. Quanto à prova trazida pela Fiscalização de que a validade dos contratos de compra e venda com o fornecedor estrangeira dependia da aprovação, pela Eliane S/A, das amostras fornecidas pelo exportador, argumenta a Recorrente, em resumo, o seguinte: quanto ao fato de a empresa Eliane ter verificado amostras do produto, isso em nada constitui "indício" de importação realizada por encomenda. Tendo a empresa Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, grande conhecimento do segmento e padrões de qualidade, a mesma prestou tal serviço à ora Impugnante, que não possui pessoal qualificado ou knowhow para proceder este tipo de verificação. Novamente, tal fato não tem o condão de modificar o tipo de importação realizada, que estava revestido de todos os requisitos legais para tanto. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 11 10 A Recorrente tenta colocar a empresa Eliane S/A como uma simples prestadora serviço nessa operação, pelo knowhow que possui. O serviço realizado foi escolher o tipo de cerâmica que atenderia ao cliente da Recorrente, a Ceramus Bahia S/A. Esse argumento é completamente falacioso pelas seguintes razões: primeiro, porque a Recorrente não apresentou nem o contrato de prestação de serviço de assessoria técnica e nem a nota fiscal relativa ao serviço prestado pela Eliane S/A; segundo, a Eliane S/A e a Ceramus Bahia S/A são coligadas e, portanto, tinham interesse comum na operação de importação da mercadoria; terceiro, os contratos com o fornecedor estrangeiro comprovam que a realização do negócio dependia da aprovação prévia, pela Eliane S/A, das amostras das cerâmicas que foram importadas pela Recorrente; e quarto, foi a Eliane S/A quem efetuou o ressarcimento do ICMS antecipado pago pela Recorrente na simulada operação de venda das cerâmicas importadas para a Ceramus Bahia S/A, comprovando o interesse e o envolvimento direto dela na operação. Mesmo que se admitisse como verdadeira a afirmação da Recorrente, acima reproduzida, o serviço prestado pela Eliane S/A consiste em escolher o tipo de cerâmica que a atendesse à Ceramus Bahia, a quem se destinava a mercadoria. Portanto, mesmo nessa hipótese, houve a escolha prévia de uma mercadoria específica, para um cliente específico. Não houve, portanto, a compra de uma mercadoria e posterior revenda para a Ceramus Bahia, como alega a Recorrente. Também não procede o argumento da Recorrente de que não houve qualquer benefício fiscal para qualquer uma das empresas envolvidas. Isso não é verdade porque na operação apurada pelo Fisco, onde ficou provado a simulação de importação direta, uma das conseqüências dessa simulação é que o adquirente da mercadoria (Ceramus Bahia) perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial, posto que passa à condição de comerciante de mercadoria importada por terceiros. Por evidente, nesse caso, como a operação de compra e venda da mercadoria importada foi simulada, o seu preço foi arbitrado pelas partes. Em consequência, o “preço de compra e venda” assim estabelecido é sempre inferior ao preço de venda praticado pelo real importador (Ceramus Bahia) no mercado interno. Com essa simulação, a base de cálculo do IPI foi reduzida e, conseqüentemente, o valor recolhido a título de IPI foi inferior ao devido, com evidente prejuízo para os cofres da União. Portanto, o despacho aduaneiro da operação de importação por encomenda, realizada pela Recorrente, não obedeceu às disposições do art. 106, § 1º, inciso I, do Regulamento Aduaneiro e da Instrução Normativa da RFB nº 634/2006, enquadrandose na hipótese prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76 e, conseqüentemente, também na hipótese do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão do nome, uma vez que a Recorrente ocultou o nome do encomendante predeterminado). Por fim, ratifico e adoto, como se aqui estivessem escritos, todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 12 11 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10930.002278/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITE DO LITÍGIO.
O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defender-se unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO
In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da ex-cônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2802-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 16/7/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITE DO LITÍGIO. O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defender-se unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da ex-cônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. Recurso parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 16/7/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
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LIMITE DO LITÍGIO. O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da excônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 22 78 /2 00 9- 11 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 2 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 16/7/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que considerou parcialmente procedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 6/8, na qual se exige R$ 6.722,92 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 5.042,19 de multa de ofício de 75%, além de acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2006, ano calendário de 2005. A infração se referese: Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 27.274,39, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Pela falta de comprovação de forma irrefutável do efetivo pagamento, vale dizer, do trânsito dos recursos financeiros, único meio factível de comprovação (cheques nominais compensados, DOC, TED, depósitos identificados, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 597 3 transferências bancárias identificadas, etc, coincidentes em datas e valores) relativamente aos beneficiários CPF 044.546.18453 no valor de R$ 6.370,00 (médico); CPF 581.481.91115 no valor de R$ 1.400,00 (psicólogo); CPF 143.273.92472 no valor de R$ 1.800,00 (dentista); CPF 540.262.61972 no valor de R$ 7.012,00 (dentista); CNPJ 60.840 .055/000484 no valor de R$ 1.510,36; OUTROS MOTIVOS: referente aos planos de saúde CNPJ 75.222.224/000147 valor de R$ 4.632,99, pela falta de discriminação dos participantes no plano; CNPJ 76.767.219/000182 valor de R$ 1.048,04 relativo a parcela de AMÉLIA DE LOURDES DE ALMEIDA não relacionada como dependente na DAA; CPF 110.807.10159 no valor de R$ 750,00, dentista com consultório no Mato Grosso MS; CNPJ 04.769.476/000142 no valor de R$ 200,00 por tratarse de clinica no Mato Grosso MS; CNPJ 15.939.861/000107 no valor de R$ 250,00 por tratarse de laboratório no Mato Grosso MS todos sem discriminação do paciente atendido; CNPJ 60.840.055/000484 no valor de R$ 1.551,00 relativo a parcela de RITA REGINA ROCHA não relacionada como dependente na DAA. CPF 668.527.57820 no valor de R$ 750,00 profissional sem inscrição no CRO. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial.Glosa do valor de R$ 34.800,00, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Em 1998 os filhos do casal já contavam com mais de 15 anos de idade +22 anos em 2005. Por força do art. 16 da Lei n° 6.515/1977, as disposições do acordo de separação consensual homologado judicialmente relativas à guarda e à prestação de alimentos aos filhos menores somente se estendem aos filhos maiores inválidos. Eventuais repasses financeiros efetuados pelos pais aos filhos após o atingimento de sua maioridade decorrem de liberalidade, e não de cumprimento do acordo judicial, uma vez que este não mais obriga o genitor. É irrelevante a circunstância de ser ou não o filho maior estudante universitário Apresentada Impugnação de fls. acompanhada dos documentos de fls. 9/40, a ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que: 10. O contribuinte não impugnou a glosa de despesas médicas, no valor de R$ 15.050,15, dessa forma, é de se considerar essa parte do lançamento, conforme o disposto no art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não litigiosa. 11. O peticionário alega que faz prova que suportou o ônus financeiro de R$ 7.012,00 com o profissional João Luiz Ayres Bordin, CPF nº 540.262.61972, pois juntou cópia dos recibos de fl. 09 e 12 e as cópias dos correspondentes cheques de fls. 10 e 11 e 13 e 14. 12. No entanto, nos recibos não constam os beneficiários por tal tratamento. 13. De fato, a legislação tributária concede ao contribuinte por ocasião da declaração anual de ajuste a possibilidade de utilizar na apuração de sua Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 4 base de cálculo do imposto de renda, como dedução, despesas de saúde incorridas durante o ano calendário. 14. A legislação ainda exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. [...] 15. Percebese que a Lei 9.250/95, no §2°, III, do artigo 8°, reforça que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limitasse a pagamentos comprovados. 16. Os recibos de fls. 09 e 12 apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor. 17. Logo, este tópico da defesa deve ser indeferido, por ausência de prova cabal. 18. Sobre a despesa de R$ 1.551,00 com Fleury S/A, não há na prova acostada aos autos (fl. 30) a especificação de qual é a atividade realizada por essa empresa. Consta somente que houve a percepção da sobredita importância pela prestação de serviços ao contribuinte. Não há como se considerar que esta seja uma prova hábil para o que o contribuinte pretende comprovar, restando, também, indeferido este tópico. 19. Já sobre o gasto de R$ 2.911,24 pagos ao Plano de Saúde Unimed, CNPJ nº 75.222.224/000147, os recibos discriminados por beneficiário de fls. 16 a 26, frente e verso, tem força probatória suficiente para respaldar este tópico da defesa, que, por isso, se defere. 20. Por fim, a pensão alimentícia que o contribuinte diz ter origem na ordem judicial emanada no bojo do processo nº 97.00102033 da 4ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande às fls. 33 a 40 não está comprovada que foi suportada pelo contribuinte no decorrer do ano de 2005, pois a referida ordem foi prescrita em 21/12/1998 (fls. 39 e 40) e não há nos autos prova capaz de convencer o julgador de sua eficácia no ano calendário em questão, como, à guisa de exemplo, uma certidão de objeto e pé do mencionado processo, ou cópia da DIRPF ano base 2005 de sua ex esposa, Maria José de Almeida (CPF não informado). 21. Portanto, cabe o indeferimento deste tópico, por falta de documentação hábil para fazer prova. Em 22 de janeiro de 2013, este colegiado, por meio do Acórdão nº 2802002.061, de lavra do ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, por unanimidade de votos, ANULOU PARCIALMENTE a decisão proferida pela DRJ, para que esta se manifeste expressamente sobre o pedido de reconhecimento da dedutibilidade do valor de R$ 750,00, a que se refere o item 06 do relatório do acórdão (fl. 172). A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba(PR), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 0641.048, 16 de maio de 2013, que se encontra às fls. 220225/, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 598 5 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS DE INSTRUÇÃO E DEPENDENTES. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas e a pensão alimentícia judicial, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO. Não cabe retificação da declaração de ajuste, se não comprovado o erro de fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 13/06/2013, consoante o AR de fl. 228. À vista da decisão, foi protocolizado, em 21/06/2013, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.238/243, no qual a recorrente, com vistas a obter a reforma do julgado, alega que: a) Nas razões de Voluntário, o Recorrente alega: a) COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DAS DESPESAS MÉDICAS: Assevera que efetivamente pagou: A) R$ 7.012,00 ao beneficiário João Luiz Ayres Bordin CPF nº. 540.262.61972, por conta de serviços prestados aos seus dependentes , relacionados em sua Declaração de Ajuste.Remetese aos comprovantes acostados neste processo, recibos e cheques, às fls. 13 à 18 para assegurar que o pagamento foi realizado. B) R$ 1.551,00 à empresa beneficiária Fleury S/A CNPJ 60.840.055/000484, cuja atividade trata se de Laboratório de Análises Clínicas conforme o respectivo código de pagamento informado. Remetese aos comprovantes acostados neste processo, recibo e cheque, às fls. 48 à 50. C) R$ 750,00 atribuídos ao CPF 688.527.57820, os quais nem sequer fizeram parte das deduções na Declaração de Ajuste sendo desconhecido pelo contribuinte. Assegura que os comprovantes das despesas, bem como a devida prova dos desembolsos, já fazem parte do presente processo que ora é recorrido bastando este colegiado analisálos. b) DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DA PENSÃO E AUSÊNCIA DA PARTILHA DE BENS Ressalta que no que tange à PENSÃO ALIMENTÍCIA, uma vez confirmada a sua destinação para a alimentanda Sra. Maria José de Almeida CPF 609.723.51191, sua ex cônjuge, fls. 51 à 58, restou ainda a circunstância da subsistência da obrigação e a fim de satisfazer então a dúvida ora suscitada pelo r. relator, ou seja, prova de continuidade de pagamentos durante o ano de 2005, bem como o questionamento quanto a ocorrência ou não da partilha de bens, da qual dependeria o encerramento da obrigação. Junta ao presente recurso, os documentos, abaixo relacionados, visando provar que não houve encerramento da obrigação: 1. Certidão emitida pela 4a Vara de Família da Comarca de Campo GrandeMS, dando conta não existir cumprimento da partilha de bens Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 6 entre ele e a excônjuge, fato este que ainda culmina na continuidade da obrigação de "Alimentos" conforme decisão judicial, às fls. 191; 2. cópia dos comprovantes de depósitos em conta corrente por ele realizados à alimentanda (does.2, 3 e 4) que comprovam o efetivo pagamento às fls. 192 à 194 ;e por último, cópia dos DARF's referentes ao Carne Leão recolhidos pela alimentanda (does. 5 à 17) em função de tais rendimentos serem tributáveis na sua declaração, prova da efetividade dos pagamentos e da natureza do rendimento, fls. 195 à 207; Finaliza requerendo: 1. o provimento do presente Recurso Voluntário a fim de que seja admitida a dedutibilidade da pensão alimentícia paga à exconjuge Maria José de Almeida, no importe de R$ 34.800,00 e consequentemente, seja corrigido o valor do Imposto Suplementar lançado conforme Demonstrativo de Débito nº. SACAT 903/2011; 2. acolhimento do total das despesas médicas glosadas, e impugnadas, qual seja R$ 12.224,24 e não tão somente R$ 2.911,24 conforme o deferimento parcial da DRJ; 3. .que o presente processo administrativo seja baixado em diligência para saneamento do feito, nos termos do art. 16, IV, da Lei n° 70.235/72. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente cumpre ressaltar que versam os autos sobre Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 6/8, na qual se exige R$ 6.722,92 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 5.042,19 de multa de ofício de 75%, além de acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2006, ano calendário de 2005. O Acórdão nº 2802002.061, proferido em 22 de janeiro de 2013, pela 2ª TE 2ª Seção, 2ª Câmara, de lavra do ilustre conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, anulou parcialmente a decisão de primeira instância, retornando os autos a DRJ CURITIBA PR, para que manifestação expressa sobre o pedido de reconhecimento da dedutibilidade do valor de R$ 750,00, a que se refere o item 06 do relatório do acórdão (fl. 172). No novo Acórdão, fls. 220/225, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA(PR) nº 0641.048, de 16 de maio de 2013, por unanimidade de votos, foi considerado improcedente a impugnação, no tocante à arguição da despesa médica de R$750,00, sob o seguinte argumento: “19. Mas mesmo que o contribuinte tivesse trazido aos autos a prova da aludida despesa médica de R$ 750,00, este órgão colegiado não teria competência para tal julgamento, pois se trataria de retificação da DIRPF 2006, como o próprio impugnante deixou transparecer em sua defesa, e da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 599 7 análise da Declaração de Ajuste correspondente, fls. 60 a 64 (numeração digital), temse que tal despesa não constou da mencionada DIRPF. 20. O art. 147, §1o, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) e o Decret6 nº 70.235/72, assim dispõem “Art. 147(...) §1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributos, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”(Grifouse) Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. 21. Dessa forma, vêse que a pretensão do sujeito passivo, nesta fase processual, é uma tentativa de retificar a Declaração de Ajuste Anual (DAA) para reduzir o tributo devido, apurado em procedimento de ofício, não restando a este órgão julgador a análise de tal questão. 22. O impugnante não fez prova do erro de fato, portanto, não haveria como se conhecer a pretensão do contribuinte. Assim, após refeitos os cálculos o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de 6/8, ficou assim constituído: a) Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, no valor R$ 5.922,34, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. No voluntário o recorrente não contesta a glosa do valor de R$750,00. Diligência/Perícia O contribuinte requer a realização diligência, porém, conforme se verifica na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontramse nos autos. Como se sabe, vigora no processo administrativo fiscal federal o princípio do livre convencimento motivado, cabendo ao julgador o deferimento das provas que entender necessárias ao regular deslinde da controvérsia. Neste sentido, aliás, é expressa a disposição contida no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 8 “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Ademais, o deferimento de diligência é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção, Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. No tocante ao mérito, o litígio cingese:, na comprovação das seguintes glosas: · Despesas Médicas no valor de R$ 7.012,00 com o profissional João Luiz Ayres Bordin, CPF nº 540.262.61972, · Despesa Médica no valor de R$ 1.551,00 com Fleury S/A; · Pensão alimentícia no valor de R$ 34.800,00 Pelo que consta da decisão de primeira instância, a dedução das despesas médicas e a dedução da pensão alimentícia, não foram aceitos pelos seguintes fundamentos: · Os recibos de fls. 09 e 12 – Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor; · Sobre a despesa de R$ 1.551,00 com Fleury S/A, não há na prova acostada aos autos (fl. 30) a especificação de qual é a atividade realizada por essa empresa. Consta somente que houve a percepção da sobredita importância pela prestação de serviços ao contribuinte. Não há como se considerar que esta seja uma prova hábil para o que o contribuinte pretende comprovar, restando, também, indeferido este tópico. · Por fim, a pensão alimentícia que o contribuinte diz ter origem na ordem judicial emanada no bojo do processo nº 97.00102033 da 4ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande às fls. 33 a 40 não está comprovada que foi suportada pelo contribuinte no decorrer do ano de 2005, pois a referida ordem foi prescrita em 21/12/1998 (fls. 39 e 40) e não há nos autos prova capaz de convencer o julgador de sua eficácia no ano calendário em questão, como, à guisa de exemplo, uma certidão de objeto e pé do mencionado processo, ou cópia da DIRPF ano base 2005 de sua ex esposa, Maria José de Almeida (CPF não informado). Portanto, cabe o indeferimento deste tópico, por falta de documentação hábil para fazer prova. Vejamos, Em relação às deduções de despesas médicas, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 600 9 a) os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Assim, não há dúvidas que os pagamentos dos serviços médicos são dedutíveis. Entretanto, importa ressaltar que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador.Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Em relação às deduções com despesa médicas, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis da base de cálculo do imposto devido os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitase a pagamentos especificados e comprovados (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 10 Certo é que para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, torna se indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Feitas estas considerações passo a analisar a documentação apresentada: § Fls. 30, recibo no valor de R$ 1.551,00 – emitido pela empresa Fleury S/A, concordo com a decisão de primeira instância uma vez que não há na prova acostada aos autos sobre especificação de qual é a atividade realizada pela empresa emitente do recibo. § Fl. 09 e 12 – Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, deixo de acatar os documentos apresentados, tendo em vista que foram emitidos em desacordo com o Art. 8º, parágrafo 2º III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,ou seja, falta de endereço do prestador do serviço. Ressalto que o recorrente teve a oportunidade de sanear os vícios apontados nos recibos, mas limitouse a apenas alegar, sem, no entanto, apresentar os elemento de prova que pudessem socorrer suas alegações. Quanto à pensão alimentícia conforme consta na certidão passada pelo Poder Judiciário do Estado do Mato Grosso do Sul, fls. 101, está comprovado ser devida aos filhos do casal, com o depósito mensal de 30(trinta) salários mínimos até o dia 10 (dez) de cada mês, em conta bancária em nome da representante dos menores. Os recibos de depósitos fls. 192/194, comprovam o pagamento de R$34.400,00. Destarte, a certidão de fls. 101, c/c os comprovantes de depósitos fls. 192/194, atendem as exigências a que se refere o artigo 78 do RIR (lei n.º 9.250/95, art. 4º, inciso II) para fins de reconhecimento do direito à dedutibilidade dos valores pagos, ou seja R$34.400,00. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para restabelecer a dedução da despesa com Pensão alimentícia no valor de R$ 34.400,00 (Trinta e quatro mil e quatrocentos reais). (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Voto Vencedor Não obstante o merecido respeito dedicado à argumentação da Conselheira Relatora, encaminho meu voto em outros termos. 1. Despesa médica com Fleury S/A Quanto à glosa da despesa com Fleuy S/A, devese primeiramente anotar que o valor declarado foi de R$3.061,36 (fls. 43) e a glosa foi de R$1.510,36 e não de R$1.551,00. Explicase o recibo de fls. 30 foi aceito. O valor glosado referese à diferença entre o quanto foi declarado e o que foi comprovado com o recibo de fls. 30. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 601 11 E na descrição dos fatos foi explicado que se referiu à parcela de Rita Regina Rocha que não foi relacionada como dependente na Declaração de Ajuste Anual. Desde a impugnação, a defesa limitase ao valor de R$1.551,00, de forma que não há litígio em relação ao valor glosado. Neste caso não é possível restabelecer a dedução devido à preclusão. 2.Despesa médica com Luiz Ayres Bordin Relativamente à despesas com Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, verificase que o lançamento ocorreu por falta de comprovação do efetivo pagamento (fls. 7). Devese concluir que o recibo fora analisado na fase de fiscalização e nenhum óbice formal foi anotado pela autoridade fiscal. Na impugnação os recibos são apresentados acompanhados de cheques nominativos, porém em nome de Cristina Menezes Bordin. A identidade de sobrenomes não pode ser de todo ignorada. A decisão de piso analisou os recibos de fls. 9 e 12 e concluiu que “apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor”. Considerouse que os recibos não são “prova cabal” da despesas e apontouse novo fundamento para não admitir a dedução, sem qualquer apreciação dos cheques acostados às fls. 10/11 e 13/14. Ocorre que a legislação faculta ao contribuinte, “na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento” (art. 8º, §2º, inciso III da Lei 9.250/1995). A relatora não admite os recibos por lhes faltar o endereço. E que dizer dos cheques? Em que pese seja sensível à preocupação dos eminentes julgador de primeira instância e Conselheiros, tomo como premissa que o princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice a falta de endereço é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Outrossim, ainda que os cheques não tenham sido preenchidos com o nome do profissional emitente dos recibos, é inegável que pagamento houve. Nas circunstâncias acima descritas, podese considerar que, se a falta do recibo permitiria a prova do pagamento com cheque nominativo, a sua presença nos autos com deficiência unicamente quanto à falta do endereço não tida como óbices até a primeira instância, torna razoável considerar o conjunto probatório (recibos mais cheques) como hábeis a comprovar o pagamento das despesas de R$7.012,00. 3. Pensão alimentícia. A glosa de R$34.800,00 de pensão alimentícia fundamentouse no fato de que os filhos alimentandos já contavam mais de 22 anos em 2005 e que de acordo com o art. 16 da Lei 6.151/1977, as disposições do acordo de separação consensual homologado Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 12 judicialmente somente se estendem aos filhos maiores inválidos, de forma que eventual repasse financeiro do pai para os filhos após a maioridade é mera liberalidade, sendo irrelevante que o filho seja estudante universitário. Na impugnação, o contribuinte demonstrou que a pensão é paga à excônjuge (Maria José Almeida Ribeiro) devido a sentença em ação de divórcio litigioso (fls. 33/40). Demonstrou portanto que o fundamento do lançamento estava equivocado. Qual seria o fundamento para não excluir do lançamento esta infração? A DRJ considerou que o contribuinte não comprovou que estava obrigado a cumprir a sentença no ano de 2005, pois fora ela proferida em 1998. Essa exigência (certidão de objeto e pé) não é praxe no processo administrativo, não houve essa exigência na fase de fiscalização e nem foi este o fundamento do lançamento. Desta forma, neste caso concreto, não é razoável tal rigor na fase contenciosa. Percebese que a sentença estipulava a obrigação de pagar 30 salários mínimos em favor dos filhos do casal e de 10 salários mínimos a favor do excônjuge, ambos depositados em conta bancária da excônjuge, na mesma data (dia 10 de cada mês, fls. 34). A pensão a favor da exesposa decorreria da impossibilidade, naquela ocasião, da partilha dos bens que permaneceriam em condomínio e administrados pelo varão. A partilha seria resolvida na fase de execução (fls. 34). O recurso voluntário é acompanhado de cópia de depósitos em conta corrente, dos DARF correspondentes ao carnêleão da alimentanda e certidão emitida pela 4ª Vara de Família de Campo Grande que noticia não existir cumprimento da partilha de bens. A certidão (numeração digital 191) indica ainda não ter ocorrido a partilha, o que permite dar crédito à alegação do recorrente acerca da continuidade da obrigação de pagar a pensão. Os comprovantes de depósito na conta da excônjuge somam R$34.400,00 (8 x 3.000,00 mais 4 x 2.600,00). O valor declarado e glosado foi de foi de R$34.800,00. No ano de 2005 o salário mínimo era de R$260,00 até abril e R$300,00 de maio a dezembro, conforme Medida provisória 182/2004 e Lei 11.164/2005, respectivamente. Está comprovado que o pagamento à excônjuge decorreu de sentença judicial, que ela era a própria beneficiária e não os filhos, que foi efetuado no valor de R$34.400,00 correspondente ao quanto fixado na sentença. Devese restabelecer a dedução no importe de R$34.400,00. Acompanho a relatora quanto ao item diligência/perícia. Portanto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer dedução de R$7.012,00 e de R$34.400,00, relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000154/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e § 5º, da Lei nº 8. 212/91.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A a Lei n° 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32-A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e § 5º, da Lei nº 8. 212/91. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e § 5º, da Lei nº 8. 212/91. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 54 /2 00 8- 14 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 255 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 256 3 Relatório 1. Tratase de Recurso voluntário interposto por KOLETA AMBIENTAL LTDA, em face de acórdão pela delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que por unanimidade de votos, deu parcial provimento á impugnação mantendo parcialmente o crédito tributário, com as adequações necessárias á obediência da retroatividade da multa mais benigna. 2. A autuação se refere ás obrigações acessórias sob o entendimento de que a contribuinte teria deixado de declarar em GFIP e omitido informações à Previdência Social sobre todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (art.32, § 5º,da lei nº 8.212/91). 3. A contribuinte foi cientificado da constituição do crédito tributário e por não se conformar, apresentou impugnação fls. 30/34. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pela contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RETIFICAÇÃO Retificase auto de infração quando a impugnação demonstra que foram incluídos valores indevidamente no cálculo da multa. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. RELEVAÇÃO. Se o autuado corrige a falta dentro do prazo de impugnação, é primário e não há circunstância agravante, faz jus à revelação da multa aplicada em relação à competência integralmente corrigida. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 257 4 PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 5. Intimado da decisão da instância a quo, em 25/04/2013, conforme se faz aviso de recebimento da ECT de fls.202, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.203/215, alegando em síntese que: a) a decisão da impugnação não foi precisa quando computou o prazo de 5 anos para a decadência parcial do débito constituído pretendendo aplicar isoladamente o artigo 173, I, do CTN, sendo que a autuação encontrase atingida pela decadência em relação ao período de 07/2001 a 12/2001 pois se passaram 5 anos entre o lançamento da autuação e o fato gerador. b) aduz que a decisão recorrida retificou apenas a competência 03/2002, oportunidade em que a multa foi relevada, em relação às competências 09/2001, 11/2001 a 02/2001, alegando que as correções foram parciais, restando omitidas informações de contribuintes individuais. Entretanto, a recorrente retificou todas as GFIP’s apontadas inserindo as informações que entedia pertinente, para se aplicar o disposto no artigo 291, do decreto 3.048/99, anulando integralmente a autuação. c) em relação à aplicação da multa, a situação descrita levava a lavratura de, no mínimo, duas autuações, entretanto o acórdão declarou que deveria “realizar um cotejo entre os valores da multa aplicada no presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, com as multas aplicadas nas NFLD’s nº 37.051.7695 e 37.051.768”. Entretanto, no presente caso, por se tratar de infração por descumprimento de obrigação acessória, a multa aplicada deve ser aquela prevista no artigo 32A, da lei nº 8.212/91 e não a prevista no artigo 44, da lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 6. Ao final, requer seja reformada a decisão recorrida, a fim de que seja reconhecida a total nulidade da autuação ora em debate. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 258 5 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 259 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA 2. O AI foi lavrado em relação ao período de 07/2001 a 12/2001, tendo o recorrente tomado ciência em 19/12/2006. O recorrente insurgese contra o referido lançamento argumentando que, tendo em vista que o Supremo reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 e expediu a Súmula Vinculante nº8, o prazo decadencial deveria obedecer ao art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que as contribuições são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, a obrigação acessória deve seguir o mesmo prazo decadencial da obrigação acessória. 3. Razão não assiste à Recorrente, na medida em que, as obrigações acessórias, malgrado o nome, é autônoma em relação à obrigação principal, sendo, inclusive, prescindível a existência da obrigação de pagar, mesmo assim, prevalecendo a obrigação de fazer ou não fazer. 4. A obrigação de acessória é instrumental, uma vez que a sua função é fiscalizar e apurar a existência da obrigação principal, o que justifica o seu caráter de “instrumentalidade”. Dessa forma, é forçoso reconhecer que o prazo decadencial da obrigação acessória é o mesmo da obrigação principal. 5. No caso em tela, a discussão trazida aos autos gravita na órbita de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, que tem o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, que fixa como termo a quo a data da ocorrência do fato gerador, para que seja realizado o lançamento. 6. Contudo, o fato de o contribuinte não apresentar declaração e não recolher antecipadamente o tributo gera para a Fazenda Pública o poder/dever de proceder o lançamento de ofício, passando o prazo decadencial a ser regulado pelo art. 173, I, do CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” 7. O presente entendimento encontrase em sintonia com o do Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstrado no julgado abaixo: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 260 7 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 173, I, DO CTN. MULTA. APLICAÇÃO RETROATIVA. ART. 106 DO CTN. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA283/STF. ART. 195, § 7º, DA CF/88. IMUNIDADE. EXTENSÃO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. Não havendo pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial de 5 anos para a constituição do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido constituído, consoante o art. 173, I, do CTN. Precedentes. 2. Quanto à alegada violação do art. 106 do CTN, a agravante deixou de impugnar fundamento suficiente do aresto recorrido, segundo qual a multa que se pretende aplicar, supostamente mais benéfica, diz respeito a débitos ainda não incluídos em notificação fiscal de lançamento, o que não é o caso dos autos. Incidência da Súmula283/STF. 3. A discussão em torno da extensão da regra de imunidade do art. 195, § 7º, da CF/88, não pode ser examinada em recurso especial. 4. Agravo regimental não provido. (STJ AgRg no REsp: 1257207 SC 2011/01233190, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 25/09/2012, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/10/2012) 8. Assim, do acórdão, colacionado não vislumbro motivo ensejador de reforma. DO CANCELAMENTO DA MULTA ACESSÓRIA 9. O recorrente alega que retificou todas as GFIP’s “apontadas como irregularidades inserindo as informações que entendia pertinente” e que, portanto, a multa aplicada deveria ser cancelada. 10. Entendo ser desarrazoado o pleito da recorrente, uma vez que a correção da falta foi parcial, sendo correta a aplicação da multa. DA RETROATIVIDADE BENÉFICA 11. O acórdão recorrido, apesar de reconhecer que a norma posterior é mais benéfica ao contribuinte, ao analisar a questão da multa, o acórdão recorrido negou provimento à pretensão da empresa, sob a seguinte alegação: “Ocorre, contudo, que as multas, de acordo com a legislação anterior, são definidas conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada definitivamente. Assim, durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte, de acordo com o art. 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à MP Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 261 8 449/2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento, impedindo que a compensação seja realizada antes desse fato.” 12. O art. 5º, I, da Constituição Federal, dispõe que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” 13. Sendo assim, entender que a comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN, só é possível quando o contribuinte requerer a liquidação para pagamento, fere frontalmente o Estado Democrático de Direito, uma vez que cria obrigação inexistente em lei, observando que, além do direito acima aduzido, as obrigações tributárias devem pautarse na estrita legalidade. 14. Sendo assim, neste ponto, acolho o pleito da recorrente para determinar a aplicação da multa mais benéfica, em honra à exceção ao princípio da retroatividade da norma, se mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN. CONCLUSÃO 15. Pelo exposto, conheço do presente recurso voluntário e voto pelo seu provimento parcial, para, no mérito, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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