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Numero do processo: 10925.000024/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 288 1 287 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000024/200937 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.427 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2014 Assunto Conversão em Diligência. Recorrente JS MAQUINAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de Auto de Infração nº 37.129.2344, no qual a autoridade fiscal entendeu que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o lançamento, nestes autos, de contribuições previdências devidas sobre diferenças apuradas em pagamento efetuados a segurados empregados no período de janeiro de 2003 a junho de 2007. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a inexistência de grupo econômico, bem como a ausência de simulação entre as empresas, além de defender a sua permanência no regime simplificado de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 02 4/ 20 09 -3 7 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10925.000024/200937 Resolução nº 2301000.427 S2C3T1 Fl. 289 2 pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. A DRJ de Ribeirão Preto manteve parcialmente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais. EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES. DECADÊNCIA. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Devese lavrar o competente AutodeInfração para prevenir a decadência, tendo sua exigibilidade suspensa, enquanto não definitivamente julgado o ato excludente. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O AutodeInfração devidamente motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa, é ato administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, sendo descabida a argüição de nulidade do feito. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA EM PARTE. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplicase a regra geral disposta no art. 173, I, do CTN. EXAME DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IRREGULARIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. Se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, as contribuições devidas serão apuradas por aferição indireta, lançandose a importância que reputar devida, cabendo ao sujeito passivo o anus da prova em contrário. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. No rito do processo administrativo fiscal Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10925.000024/200937 Resolução nº 2301000.427 S2C3T1 Fl. 290 3 inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; e os depoimentos deveriam ter sido apresentados sob forma de declaração escrita, juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. Dada a existência de determinação legal expressa, as intimações são endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente e Parte” Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas Idugel Industrial Ltda. E KF Montagens Industriais Ltda ME. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. O sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente na leitura da decisão recorrida a qual se ampara em acórdão proferido nos processos administrativos originados com a impugnação da empresa (processos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861). Entendo que as decisões a serem tomadas naqueles autos, podem, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu improvimento, se for esse o caso. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal informe se os processos administrativos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861 transitaram em julgado, bem como anexe as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas, intimandose, posteriormente, o sujeito passivo a se manifestar no trintídio legal.. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726790/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação.
Recurso de Ofício não Conhecido.
Anulada Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2302-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício pela perda de objeto. Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, ao não apreciar as razões do contribuinte quanto ao resultado da diligência fiscal, consubstanciada na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Recurso de Ofício não Conhecido. Anulada Decisão de Primeira Instância.
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Recurso de Ofício não Conhecido. Anulada Decisão de Primeira Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício pela perda de objeto. Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, ao não apreciar as razões do contribuinte quanto ao resultado da diligência fiscal, consubstanciada na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 90 /2 01 1- 14 Fl. 7562DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 7563DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.507 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007. Data da lavratura dos Auto de Infração: 28/12/2011. Data da ciência dos Auto de Infração: 30/12/2011. Temse em pauta Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.365.6998 e 37.665.7013, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre salários e remunerações pagos a segurados empregados e a contribuinte individual, bem como sobre os valores pagos a cooperados de trabalho, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/66. De acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento é constituído pelos seguinte fatos geradores: a) Valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Abono, sob o código: 2290 ABONO ACORDO COLETIVO, no período de 01/2007 a 05/2007, 07/2007, 08/2007, 11/2007 e 12/2007, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas nos AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa) e 37.365.7013 (parte segurados empregados); b) Valores pagos pela empresa referente a benefício de Bolsa Estudo, concedido aos seus empregados, (salário indireto), no período de 01/2007 a 12/2007, registrados na conta contábil de Despesas: “430105 Gastos C/ Pessoal Assist. Social a Empregado”, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas nos AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa) e 37.365.7013 (parte segurados empregados); c) Valores pagos a segurados contribuintes individuais (diretores não empregados e membros do conselho de administração), a título de Participação nos Lucros, no período de 03/2007, 08/2007 e 09/2007 registrados nas contas contábeis: 0212000 – Participações de Administradores a Pagar (Passivo – Circulante) e 0490080 Participações dos Administradores (Resultado), não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas Fl. 7564DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); d) Valores creditados a segurados contribuintes individuais (presidente, diretores não empregados e vicepresidentes executivos), a título de Remuneração Complementar, no período de 01/2007 a 12/2007, registrados na conta contábil de Despesas: “430031 Gastos C/ Pessoal Remuneração Complementar Comitê Executivo”, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); e) Valores pagos a Cooperativas de Trabalho, correspondentes a notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no período de 01/2007 a 12/2007, não considerados como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); f) Remuneração paga ou creditada a segurados empregados a seu serviço, cuja atividade seja exercida em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física destes trabalhadores e permita a concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, nos termos dos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213 de 24/07/1991, no período de 01/2007 a 12/2007, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa). O crédito tributário ora em debate houvese por lançado em face das empresa baixo arroladas, em decorrência da responsabilidade solidária das empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. · Gerdau Aços Longos S.A. Coligada 07.358.761/000169 · Gerdau Aços Especiais S.A. Coligada 07.359.641/000186 · Gerdau Comercial de Aços S.A. Coligada 07.369.685/000197 · Gerdau América Latina Participações S.A. Coligada 07.430.351/000181 · Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda Coligada 87.040.598/000120 · Seiva S.A. Florestas e Indústrias Coligada 87.043.832/000173 As empresas acima indicadas foram identificadas como coligadas, mediante exame da contabilidade: Ativo Permanente Investimentos (Conta: Em Coligadas). Fl. 7565DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.508 5 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 1661/1707, 1742/1788, 1823/1869, 1904/1950; 1985/2031 e 2032/2078; As devedoras solidárias ofereceram impugnação administrativa a fls. 1627/1633; 1708/1711; 1789/1792; 1870/1873 e 1951/1954. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 2380/2387. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 4897/4903. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 4980/6381. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou uma vez mais o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controversas do lançamento, conforme Despacho a fls. 6384/6392. Em atendimento à diligência à segunda Diligência Fiscal comandada, a Autoridade Lançadora emitiu novo Relatório Fiscal Complementar a fls. 7228/7297. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo deixou transcorrer in albis no prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 7309/7345, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele excluir a remuneração complementar paga a administradores, os pagamentos a título de participação nos lucros a administradores e o adicional de SAT referente aos segurados em relação aos quais restou demonstrado fornecimento e o gerenciamento do EPI apto a reduzir a intensidade dos agentes nocivos, ratificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 7346/7354, recorrendo de ofício de sua decisão. O Devedor Principal foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/06/2013, conforme Avisos de Recebimento a fl. 7359. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário a fls. 7374/7450, alegando em preliminar de mérito que a decisão de 1ª Instância seria nula por terem sido desconsiderados os documentos apresentados nos autos pela empresa, bem como sua manifestação protocolizada em 21/01/2013, em resposta à intimação ocorrida em 20/12/2012, a qual teria sido recebida pela Fl. 7566DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 servidora Maria Dalva Souza Neves, na DRF de Belo Horizonte/MG, em 21/01/2013, e encaminhada por meio do Memo nº 0275/2012, requerendo, ao fim a declaração de nulidade da Decisão Recorrida. Os devedores Solidários, por seu turno, foram intimados da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 08/08/2013, conforme Avisos de Recebimento a fls. 7493/7500, e, insatisfeitos com a decisão proferida pelo Órgão Julgador a quo, interpuseram Recurso Voluntário a fls. 7451/7492, requerendo a declaração de nulidade da decisão de 1ª Instância ou, alternativamente, o afastamento da responsabilidade passiva solidária das recorrentes. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 7567DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.509 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 25 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência fiscal para que a Fiscalização se manifestasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 2380/2387. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 4897/4903. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 4980/6381. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou uma vez mais o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controversas do lançamento, conforme Despacho a fls. 6384/6392. Em atendimento à diligência à segunda Diligência Fiscal comandada, a Autoridade Lançadora emitiu novo Relatório Fiscal Complementar a fls. 7228/7237, do qual o Fl. 7568DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Sujeito Passivo houvese por notificado em 20/12/2012, sendolhe concedido nesta data o prazo de 30 dias, contados a partir do primeiro dia útil seguinte à ciência do Relatório Fiscal Complementar em relevo, para que, havendo interesse, apresentasse manifestação sobre os novos cálculos a ser protocolizada na agência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Conselheiro Lafaiete. O Chefe da Equipe de Processos Fiscais do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da RFB em Belo Horizonte/MG, emitiu Despacho datado de 17 de abril de 2013, a fl. 7308, onde declara que o contribuinte não apresentou novas alegações de defesa. Ante tal situação, os autos foram encaminhados à DRJ/BHE, que proferiu decisão administrativa de 1ª Instância, ora guerreada. Ocorre, todavia, que o Recorrente trouxe aos autos a demonstração de que, no dia 21 de janeiro de 2013, ou seja, dentro do prazo concedido pela RFB para a apresentação de manifestação em face do resultado da 2ª diligência, promoveu a protocolização de Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, perante a DRF/Belo Horizonte, a qual se houve por recebida pela servidora Maria Dalva Souza Neves, matr. SIAPECAD 13897, conforme carimbos de protocolo apostos na folha de rosto do referido documento, cuja cópia encontrase acostada a fls. 7443/7450 dos autos. Compulsando os autos verificamos que o documento que expressa tal manifestação não se houve por acostado aos autos. Deflui dos excertos consignados no Relatório do Acórdão guerreado, a fl. 7330, e do voto condutor, a fl. 7342, que o Órgão Julgador de 1ª Instância foi traído pela informação equivocada consignada no Despacho a fl. 7308, e pela ausência física do Documento ora em debate nos autos do processo, e proferiu o Acórdão nº 0244.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 7309/7345, sem levar em consideração as argumentações expendidas pelo Recorrente em sua Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal. Relatório do Acórdão (fl. 7330) Conforme despacho de fl. 7.308 o sujeito passivo cientificado da informação fiscal e dos respectivos demonstrativos em 20/12/2012 não se manifestou. Voto condutor do Acórdão (fl. 7342) Verificase que o impugnante não se insurgiu quanto ao conteúdo da informação fiscal de fls. 7.228/7.237 que é conclusiva e explica as situações indicadas nos demonstrativos que discriminam os motivos da fiscalização ter decidido pela não atenuação do agente a que o empregado estava exposto. O proferimento de decisões administrativas sem a apreciação e avaliação das razões expendidas pelo Sujeito Passivo em sua Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal configurou, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede da 2ª diligência fiscal, foram absorvidas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas. Fl. 7569DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.510 9 Revelase o Direito Processual Administrativo refratário à prolação de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Dessarte, se nos afigura ter sido violado, involuntariamente, o Devido Processo Legal, eis que a Decisão de 1ª Instância foi emitida sem a oportunidade de contradita, por parte do Autuado, aos argumentos expendidos pela Fiscalização no segundo Relatório Fiscal Complementar. A situação fática retratada no presente caso, consistente na inobservância, mesmo que involuntária, ao direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão nº 02 44.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, apreciando as alegações desfraldadas na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450, profira novo decisório ao litígio em pauta. 3. CONCLUSÃO Fl. 7570DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 7571DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900462/2012-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 62 /2 01 2- 74 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900462/201274 Acórdão n.º 3803006.177 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.001744/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1302-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e Redator designado e, por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 CUSTOS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Ao restar comprovada, em parte, a efetividade de valores contabilizados a título de custos e despesas, a glosa deve ser afastada no montante correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 44 /2 00 6- 73 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 990 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e Redator designado e, por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0810.308 da 3ª Turma da DRJ/FOR, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constiluem em nomas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. BASE LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argu ição de inconsiltucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE E CONFLITO HIERÁRQUICO ENTRE LEIS. É defeso em sede administrativa discutirse sobrc a constitucionalidade ou conflito hierárquico das leis em vigor. MULTA CONFISCATÓRIA E IRRAZOÁVEL. Estando a multa devidamente previsia em lei, não cabe a discussão sobre a infringência desta a princípios constitucionais. A multa, para alcançar sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam sua cobrahça restem efetivamente desestimuladas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 991 3 É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. São devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, implica a glosa dos custos correspondentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Aplicase as exigências ditas reflexas, o que decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamenlo, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. O suposto erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamemo quando comprovado pela descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte, contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Lançamento Procedente O Termo de Constatação Fiscal a fls. 303 a 305, assim descreve os fatos apurados e as conclusões do trabalho de fiscalização: “1) A empresa opera na área de prestação de serviços de informática com o licenciamento de programas (software) e fornecimento de suporte aos clientes (soluções para o atendimento às suas necessidades especificas). 2) Esses programas são fornecidas pela sua matriz no exterior (E.U.A.), denominada "Oracle Corporation" conforme especificado no Contrato de Distribuição firmado entre a matriz e a sua subsidiária no Brasil (a Fiscalizada) em 1° de junho de 2000 (cópia em anexo). 3) A matriz denominada no contrato de "ORACORP", de acordo com a cláusula 2.2 do Artigo I, concede à ORASUB (Fiscalizada) uma licença para comercializar, promover e sublicenciar os referidos programas aos seus clientes (usuário final). 4) Para cada operação acima descrita denominada de sublicenciamento, bem como sobre a Receita de Suporte, a Fiscalizada deve pagar uma taxa igual a 58% (cinquenta e oito por cento) sobre os valores líquidos reconhecidos como Receitas de Licenciamento de Programa e Receitas Fl. 991DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 992 4 de Suporte (Parte I do Anexo 1, cláusula 5.1, fls. 24 e 01 do referido contrato). 5) O Contribuinte contabilizou como custo no Ano Calendário de 2001, na conta 3300101002 — Custo de Licença, Manutenção e Suporte o valor de R$ 157.037.680,02. Intimado em 03/11/2005, o Contribuinte informou que esses valores se referem a pagamentos por ele efetuados à empresa ligada no exterior por programas de "softwares" disponibilizados a ele pela sua matriz aqui no Brasil; que esses valores são registrados como custo pelo regime de competência, que essas operações (aquisição de softwares) estão previstas no Contrato de Distribuição na cláusula 5.1; que o referido contrato não é passível de registro nem no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e nem no Banco Central do Brasil (BC); e, finalmente, que a dedução desses valores (custo de aquisição de softwares) está prevista no Art. 278, parágrafo único do RIR/99. Acrescenta que tal entendimento está evidenciado na resposta à Consulta Formal formulada pela empresa no Processo n° 13811002437/98/35, bem como, na Decisão do Processo Administrativo n° 13808001630/9999, conforme Acórdão no 108 07.262 de 29/01/2003. 6) Quanto à resposta à intimação conforme item anterior temos a informar o seguinte: a) pela disponibilização de programas de software a Fiscalizada de acordo com a cláusula 5.1 do Contrato de Distribuição deve pagar "Taxa de Sublicenciamento", ou seja, direito autoral. b) Tratase, portanto, de direito autoral e, assim o"Contrato de Distribuição" é passível de registro tanto no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) como no Banco Central do Brasil (BC). c) O faturamento da empresa é feito pelo regime de competência pois não há menção na nota fiscal de serviços de se tratar de "simples faturamento" (exemplos em anexo). d) Como relatado no item a acima a operação prevista na clausula 5.1 não é a aquisição de software e sim o sublicenciamento de programas, pelos quais a Fiscalizada deve pagar uma Taxa de Sublicenciamento (direito autoral). e) Tratandose de direitos autorais esses custos somente seriam dedutiveis desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no Parágrafo Único do Art. 353 do RIR/99. f) Quanto aos documentos (2 e 3) juntados à resposta à intimação informamos o seguinte: f.1) a Consulta Formal efetuada pela Fiscalizada referese à incidência do IR Fonte sobre a remuneração (comissão) sobre a revenda de programas de informática nas remessas ao exterior. A resposta à consulta diz que se as remessas forem efetivamente destinadas ao pagamento de aquisições de software, ou seja, compra de mercadorias para revenda não estão sujeitas a retenção do IRFonte de que tratam os Fl. 992DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 993 5 Arts. 743 e 745 do RIR94; tratandose, no entanto, de pagamento de direitos autorais, haverá a incidência do IR Fonte. Ora, tratase, no caso, de pagamento de remuneração (comissão), portanto, de direito autoral e não de compra de mercadoria (software), havendo, portanto, a incidência do IR Fonte. f.2) no que se refere ao Acordão n° 10807.262, de 29/01/2003, tratase de provimento ao Recurso Voluntário n° 130.002 interposto pelo Contribuinte relativamente ao Auto de Infração lavrado em 09/11/99 conforme Processo Administrativo n° 13808001630/99/99. 7) Ocorre que as remessas efetuadas à matriz no período fiscalizado (Ano Calendário de 2001), como pagamento dessas taxas não foram realizadas nessas condições, ou seja, calculandose 58% (cinquenta e oito por cento) sobre os valores líquidos das Receitas de Licenciamento e Receitas de Suporte. Tais remessas foram efetuadas tendo por base os valores integrais das notas fiscais/faturas de prestação de serviços aos seus clientes emitidas nos Anos Calendários de 2000 e 2001 tomadas ao acaso e foram enviadas a título de pagamento pela "Aquisição de Softwares", tendo como recebedor no exterior a empresa "RSIB INC" e como beneficiário final a Matriz "Oracle Corporation" (exemplos em anexo). 8) Intimada, então, em 12/01/2006, a apresentar a documentação comprobatória das aquisições ou importações de software, bem como, os documentos comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do IRFonte sobre essas remessas o Contribuinte: a) não apresentou os documentos comprobatórios das aquisições ou importações de software que se referem as remessas ao exterior efetuadas para a empresa ligada "Oracle Corporation" e computadas como custo na conta 3300101002 "Custos de Licença, Manutenção e Suporte", no valor de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos). b) Não apresentou, também, demonstrativo e nem toda a documentação que comprovasse o IRFonte sobre remessas ao exterior lançadas na conta 3300101003 "Despesas com IRFonte sobre Remessas", no valor de R$ 29.530.573,63 (vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos). Cabe acrescentar que mesmo apresentada a referida documentação mas desde que as remessas tenham sido efetuadas como pagamento pela aquisição de softwares o IRRF seria indedutivel visto incidirem sobre um custo inexistente. 9) De acordo com o Contrato de Distribuição (Cláusula 5 e Anexo 1) os valores passíveis de serem remetidos à sua Matriz referemse às taxas de Sublicenciamento de Programas e outras taxas como as sobre as Receitas de Suporte, ou seja, direitos autorais sobre programas conforme definido na cláusula 2.4 do referido contrato (Direito de Propriedade Intelectual) e novamente expressamente reconhecido pela Fiscalizada no Mandado de Segurança Preventivo relativo à CIDE Fl. 993DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 994 6 (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) no Processo n° 2002.61.00.0223606, página 2, IDos Fatos e ratificado pelo TRF da 3ª Região na Certidão de Objeto e Pé de 22/04/2005 relativa à citada ação judicial. Assim sendo, os valores computados como custos na conta 3300101001Custos de Licença de Uso, Manutenção e Suporte, no montante de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos), bem como, os valores contabilizados como custos na conta 3300101003 — Despesas com Imposto de Renda retido na Fonte sobre remessas, no montante de R$ 29.530.573,63 (Vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos), serão tributados como custos não dedutiveis na apuração do Lucro Líquido e do Lucro Real, bem como, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido com fundamento nos Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR 99.”. [grifo nosso] A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 29/11/2007 (cf. AR a fls. 482) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 3625 e segs.) em 26/12/2007 (doc. a fls. 486 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, que: a) o Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser regularmente processado e julgado por este Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes; b) o auto de infração deve ser cancelado de plano, porquanto falho na descrição de suas razões; c) a Recorrente é sociedade prestadora de serviços de informática que sublicencia softwares e fornece suporte aos seus clientes; d) tendo em vista que os softwares sublicenciados pela Recorrente são de propriedade intelectual de sua controladora estrangeira, a Recorrente é obrigada, por força contratual, a pagar direitos autorais para a referida sociedade; e) não há compra de mercadorias, mas sim pagamentos de direitos autorais em função do sublicenciamento de softwares; f) como não há transferência de tecnologia (abertura do código fonte do software), o Contrato não se submete ao registro no INPI nem no BACEN; g) por essa razão, totalmente descabida a alegação no sentido de que os pagamentos ora discutidos referemse a custo de aquisição ou de produção de mercadorias, sendo que, os pagamentos de direitos autorais são dedutiveis conforme a legislação vigente. h) o Processo Administrativo n° 13808.001630/9999 faz prova a favor da Recorrente e confirma que os pagamentos feitos para a controladora estrangeira referemse a direitos autorais e não a royalties; i) a D. Fiscalização teve total acesso ao contrato e documentos que comprovam a natureza dos pagamentos; j) o fato de a Recorrente ter registrado as despesas de direitos autorais em conta denominada "Custo de Licença, Manutenção e Suporte" não poderia alterar a natureza das despesas, não podendo, portanto, as D. Autoridades Fiscais considerar tais valores como custo de aquisição de software; k) a dedutibilidade das despesas de licença de uso e comercialização de Fl. 994DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 995 7 software (direitos autorais) está sujeita à regra geral do artigo 299 do RIR/99, conforme confirmado pelas decisões do Conselho de Contribuintes; l) ainda que os valores em discussão pudessem ser considerados como custo de aquisição de softwares, o que se admite apenas a título de argumentação, não há razão para a D. Fiscalização falar em glosa, já que o custo comporia o preço do produto vendido aos cliente e estaria excluído da base de calculo do IRPJ e da CSL; m) todos os requisitos para dedutibilidade foram observados pela Recorrente, de modo que as despesas com os contratos de sublicenciamento de softwares eram dedutiveis de sua base de cálculo do IRPJ e da CSL; n) a Recorrente também comprovou a efetividade das despesas incorridas pela Recorrente no período de 2001; o) a análise conjunta do Contrato com os documentos fiscais da Recorrente traz fortes indícios (o que se verifica dos aspectos materiais, econômicos e lógicos das operações) de que as operações objeto da presente autuação de fato ocorreram, o que autoriza a dedutibilidade das despesas a elas relativas, conforme autoriza a jurisprudência administrativa; p) nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99, os registros contábeis da Peoplesoft fazem prova a favor da Recorrente, de modo que, até prova em contrário, todos os fatos são considerados válidos e toda a documentação faz prova a favor do contribuinte; q) que à CSL são aplicadas as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, observada a legislação específica quanto às alíquota e base de cálculo, assim sendo, são válidos os argumentos de fato e de direito apresentados anteriormente, que justificam a legalidade do procedimento adotado pela Recorrente, para efeitos também da CSL; s) que a multa é abusiva, pois revestese de finalidade arrecadadora, na forma de confisco; t) que os juros de mora calculado à taxa Selic deve ser cancelada; u) que indevida a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, a fls. 629 e segs., contrarrazões, nas quais alega, em apertada síntese, que: “...a glosa dos valores indevidamente deduzidos do lucro da empresa foi correta, eis que: O contribuinte firmou contratos de licença de uso de software com sua controladora sediada no exterior. O contrato de licença de uso de software é regido pelo direito autoral. As obrigações a titulo de direito autoral são remuneradas por royalties, de acordo com a legislação brasileira aplicável. A remessa de royalties ao exterior a título de licença de uso de software se enquadra, à perfeição, nas exigências previstas nos arts. 354/355 do RIR/99. A consequência de tais constatações culmina na aplicação das regras especiais previstas nos arts. 354/355 do RIR/99 em substituição à regra geral prevista no art. 299 do referido Regulamento.” Fl. 995DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 996 8 Em 04/11/2009, esta 2ª Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1302 00.027 (a fls. 751 e segs.), converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “A recorrente afirma no recurso e repetiu na tribuna que trouxe aos autos a documentação que demonstraria a regularidade das remessas. Diante da dúvida suscitada, mesmo que se ultrapasse a questão da possibilidade de dedutibilidade das citadas despesas, tornase necessário que a recorrente esclareça e demonstre com documentação hábil a existência dos referidos pagamentos. Tornase necessário, portanto, que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a Unidade preparadora tome as seguintes providências: 1) Intime a recorrente a elaborar demonstrativo dos itens objeto do contrato com a ORACORP efetivamente negociados/realizados, comprovando o seu efetivo pagamento, com documentação própria, e indicando os correspondentes lançamentos na sua escrituração contábil; 2) De posse do demonstativo e da documentação referida, conferir os lançamentos contábeis indicados e documentos apresentados pela recorrente e elaborar relatório sobre o demonstrativo, discriminando os motivos de aceitação e/ou rejeição da comprovação dos custos. Após elaboração do relatório, dar ciência a recorrente para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento ern dilgiência.”. Por meio do Termo de Verificação Fiscal a fls. 951 e segs., a autoridade preparadora respondeu à diligência nos seguintes termos: “Durante o anocalendário de 2001 foram efetuadas 8 (oito) remessas a ORACORP, conforme demonstrativo apresentado pelo contribuinte (fls. 756 a 759), constatadas por esta fiscalização através do registro em Livro Diário e respectivos recolhimentos de DARF à aliquota de 15% sobre as operações. Os contratos de câmbio apresentados são aqueles efetuados junto ao Banco de Boston em agosto, setembro, outubro e novembro de 2001 (docs: 17, 20, 23 e 26). 0 contribuinte complementou a comprovação das remessas através dos extratos bancários do Citibank (fls. 792 a 793 e 808 a 809) e Bank of Boston (fls. 838 a 845), respectivamente, sob a rubrica câmbio e débito em operação de câmbio. Portanto, sem entrar no mérito se estas despesas efetuadas são royalties, direitos autorais, licenciamento de uso e/ou preços de transferência, dedutíveis ou não, podemos constatar que o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea que comprova o custo com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior no total de R$ 110.330.785,01.”. Cientificada das conclusões da dilgência, a recorrente asssim se pronunciou (doc. a fls. 954 e segs.): Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 997 9 5. Conforme consta das respostas às intimações datadas de 15.5.2012 e 13.3.2013, a Requerente, no anocalendário de 2001, incorreu em despesas com direitos autorais à Oracorp no total de R$ 157.037.680,02, decorrentes da aplicação de 58% sobre sua receita liquida associada às operações com softwares, nos termos do Contrato de Distribuição. Sobre a remessa de tais despesas ao exterior, incide o IRF a uma aliquota de 15%, num total de R$ 29.530.573,63. Esse valor perfaz o total de R$ 186.568.262,65 apontado no Auto de Infração. 6. Ocorre que, conforme informado, a Requerente não remeteu todos esses valores exatamente no anocalendário de 2001, por uma simples questão de caixa, sendo que a parcela não remetida no anocalendário de 2001 foi remetida em anos posteriores, embora sejam referentes ao anocalendário de 2001. 7. No entanto, um total de R$ 110.330.785,01 foi remetido ao exterior para a Oracorp no anocalendário de 2001, conforme foi documentalmente e contabilmente provado pela Requerente nas respostas à intimação datadas de 15.5.2012 e 13.3.2013. A remessa para o exterior no valor de R$ 110.330.785,01 foi expressamente reconhecida pela Fiscalização no Termo de Verificacão Fiscal datado de 21.3.2013, conforme abaixo: "Portanto, sem entrar no mérito se estas despesas efetuadas so royalties, direitos autorais, licenciamento de uso e/ou pregos de transferência, dedutiveis ou não, podemos constatar que o contribuinte apresentou documentacão hábil e idônea aue comprova o custo com a taxa de sublicenciamento aeral através de remessas ao exterior no total de R$ 110.330.785,01" 8. A Requerente também apresentou documentação hábil e idônea que comprova o recolhimento do IRF incidente sobre tais remessas, sob a aliquota de 15%, comprovando um total de R$ 19.662.899,79 recolhidos a título de IRF. 9. Portanto, do total de R$ 186.568.262,65 questionado no Auto de Infração, a Requerente comprovou um total de R$ 129.993.684,80 (R$ 110.330.785,01 + R$ 19.662.899,79), valor esse que foi expressamente reconhecido pela Fiscalizacão no Termo de Verificação Fiscal de 21.3.2013, sendo, portanto, incontroverso, de modo que a parcela da exigência fiscal apurada sobre esses valores deve ser prontamente cancelada. (c) O valor não remetido no anocalendário de 2001 10. Conforme se infere da leitura do Termo de Verificação Fiscal de 21.3.2013, a Fiscalização não reconheceu a diferença de R$ 46.706.904,01 a titulo de remessa ao exterior e de R$ 9.867.673,84 a titulo de IRF incidente sobre essas remessas, em um total não reconhecido de R$ 56.574.577,85. 11. Ocorre que, conforme informado, essas despesas foram efetivamente incorridas no anocalendário de 2001 e apropriadas segundo o regime de competência no mesmo anocalendário, muito embora só tenham sido remetidas para o exterior em anoscalendários seguintes. 12. Portanto, a parte supostamente não comprovada pela Requerente representa despesas com direitos autorais de fato incorridas no anocalendário de 2001 decorrentes da aplicação de 58% sobre a receita liquida associada às operações com softwares sublicenciados da Oracorp apropriadas pelo regime de competência. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 998 10 13. Ocorre que a remessa de valores a titulo de direitos autorais para o exterior não é condição para a dedutibilidade dessas despesas pela Requerente. Nos termos do artigo 247 do Decreto no 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), o "lucro real é o lucro liquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este decreto". 14. O artigo 274 do RIR/99, por sua vez, dispõe que o cálculo do lucro liquido de cada período de apuração deve ser feito em observância à legislação comercial. Confirase: ... 17. Por conta disso, muito embora a Requerente, por uma questão de fluxo de caixa, não tenha remetido ao exterior no anocalendário de 2001 todas as quantias devidas a titulo de direitos autorais, certo é que essas quantias representaram despesas incorridas no anocalendário de 2001, de modo que devem ser incluídas no cálculo do lucro real desse mesmo anocalendário segundo determina o regime de competência. O fato de ter havido ou não a remessa dos recursos para o exterior em nada afeta a forma de contabilização e muito menos interfere na dedutibilidade da despesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal, conforme procuração a fls. 534, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, fazse mister delimitar a questão posta em julgamento. Sustenta a autuação que a operação prevista na clausula 5.1 do contrato entre a recorrente e sua controladora no exterior não é para aquisição de software e sim o sublicenciamento de programas, pelos quais a recorrente deve pagar uma Taxa de Sublicenciamento, o que qualifica como direito autoral. Vejamos, então como dispõe a aludida Cláusula 5.1, in verbis: 5.1. TAXAS DE SUBLICENCIAMENTO 5.1.A. Taxas de Sublicenciamento Geral Em contraprestação por cada Sublicenciamento de um Programa (inclusive quaisquer Modificações) concedido pela ORASUB ou por uma Subdistribuidora da ORASUB nos termos deste instrumento, a ORASUB pagará à ORACORP uma taxa igual àquela especificada na Parte I do Anexo 1. 5.1.B. Taxas de Sublicenciamento de Teste Para Sublicenciamentos de Teste pelos quais a ORASUB cobrou uma taxa a uma Sublicenciada ou Subdistribuidora, a Taxa de Licenciamento de Teste devida à ORACORP será conforme especificado na Parte 1 do Anexo 1. Se a Sublicenciada que receber um Sublicenciamento de Teste obtiver uma Sublicença perpétua, a Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 999 11 ORASUB poderá aplicar 100% (cem por cento) da Taxa de Sublicenciamento de Teste à Taxa de Sublicenciamento devida à ORACORP com relação a essa Sublicença perpétua. Sustenta a autuação que, em se tratando de direitos autorais, esses custos somente seriam dedutiveis desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no parágrafo único do Art. 353 do RIR/99, logo, como a recorrente não cumpriu os requisitos estabelecidos no art. 353 do RIR/99, a despesa é indedutível. Vejamos, então, como dispõe os dispositivos citados: “Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): [...] III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; [...] Parágrafo único. O disposto na alínea "b" do inciso III deste artigo não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, sejam averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei nº 8.383, de 1991, art. 50).” A recorrente, por sua vez, sustenta que como não há transferência de tecnologia (abertura do código fonte do software), o Contrato não se submete ao registro no INPI nem no BACEN. Então, as questões postas para serem dirimidas por este Colegiado são: a) o contrato em tela previa a transferência de tecnologia?; e b) ainda que não prevista, estava obrigado o seu registro no INPI e BACEN? Com relação à primeira questão, vale a transcrição das seguintes cláusulas do referido contrato (a fls. 211/212), in verbis: “2.4. DIREITOS DE PROPRIEDADE PROGRAMAS A ORACORP reterá todos os Direitos de Propriedade Intelectual nos Programas. Quaisquer Modificações nos Programas e na Documentação criadas pela ou para a ORASUB serão consideradas um trabalho produzido para ser alugado" nos termos da lei de direitos autorais dos Estados Unidos e serão de propriedade exclusiva da ORACORP. A ORACORP terá a titularidade de qualquer dessas Modificações, exceto em certas situações em que um cliente possa possuir Modificações segundo as Políticas Legais da ORACORP. A ORASUB neste ato cede à ORACORP todo o direito, titularidade e participação nas e os Direitos de Propriedade Intelectual relativos a qualquer dessas Modificações. A ORASUB se obriga a cooperar com a ORACORP ou sua designada e a assinar qualquer cessão adicional solicitada pela ORACORP e todos os documentos razoavelmente necessários para que a ORACORP ou sua designada assegure a proteção da Propriedade Intelectual nos países apropriados com relação a essas Modificações. A ORASUB fornecerá ORACORP cópias de todas as Modificações feitas pela ou para a ORASUB. A ORASUB fará com que seus funcionários e quaisquer terceiros dedicados ã Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1000 12 preparação de Modificações se obriguem por escrito aos termos contidos neste instrumento e não exerçam quaisquer direitos morais com relação a qualquer dessas Modificações. 2.5. TECNOLOGIA DESENVOLVIDA PELA ORASUB A ORACORP possuirá todo o direito, titularidade e participação nos Direitos de Propriedade Intelectual relativos a qualquer produto originalmente desenvolvido, adquirido ou licenciado pela ORASUB, inclusive todas as Modificações nesse produto criadas pela ou para a ORASUB ("Tecnologia da ORASUB"). Com relação à Tecnologia da ORASUB desenvolvida, adquirida ou licenciada a pedido da ORACORP, a ORACORP remunerará a ORASUB aplicável pela Tecnologia da ORASUB a titulo de serviços técnicos prestados segundo o Contrato Principal de Prestação de Serviços. A Tecnologia da ORASUB criada pela ou para a ORASUB será considerada um "trabalho produzido para ser alugado" nos termos da lei de direitos autorais dos Estados Unidos e será de propriedade exclusiva da ORACORP ou de sua designada. A ORASUB neste ato cede à ORACORP ou ã sua designada todo o direito, titularidade e participação nas e os Direitos de Propriedade Intelectual relativos à Tecnologia da ORASUB. A ORASUB se obriga a cooperar com a ORACORP ou sua designada e a assinar qualquer cessão adicional solicitada pela ORACORP e todos os documentos razoavelmente necessários para que a ORACORP ou sua designada assegure a proteção da Propriedade Intelectual nos países apropriados com relação a essa Tecnologia da ORASUB. A ORASUB fará com que seus funcionários e quaisquer terceiros dedicados à elaboração da Tecnologia da ORASUB se obriguem por escrito aos termos contidos neste instrumento e não exerçam quaisquer direitos morais com relação a qualquer parcela da Tecnologia da ORASUB. A ORASUB neste ato se obriga a divulgar e fornecer à ORACORP todos os detalhes relativos à Tecnologia da ORASUB, inclusive todos os desenvolvimentos, tecnologia, software, invenções, processos ou knowhow relacionado à mesma.”. Prima facie, tais cláusulas podem levar à conclusão de que há transferência de tecnologia pela controladora para a contralada no Brasil, para que esta possa promover as modificações de que tratam as cláusulas acima. Todavia, fazse necessário aprofundarmos na análise, para trazermos à baila o art. 211 da Lei 9.279/96, o qual assim dispõe: “Art. 211. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro.”. Disso não desborda o art. 11 da Lei 9.609/98, posteriormente editada para disciplinar especificamente a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País, se não vejamos: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1001 13 Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do códigofonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Respondida, assim, parcialmente, a segunda questão posta, ou seja, somente os contratos que impliquem em transferência de tecnologia são, por lei, obrigados a serem registrados no INPI. Ocorre que, com base no disposto no art. 211 da Lei 9.279/96, o INPI divulga, na sua página da web1, o seguinte: “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software).”[grifo nosso] Ora, a customização de um software significa introduzir modificações que o tornem aderente às necessidades particulares de uma empresa ou linha de negócio, como também um esforço de implementação. Da leitura das clásulas contratuais acima, não fica claro que as modificações possíveis de serem feitas no software vão mais longe do que uma mera customização, razão pela qual, concluo que a transferência de conhecimento para realizar modificações no software em tela não é considerada pelo INPI como transferência de tecnologia. Cabe, agora, perquirir se o contrato em tela estava obrigado a ser registrado no Banco Central do Brasil. Ora, essa exigência está expressamente prevista no art. 50 da Lei 8.383/91, o qual não a limita para as hipóteses em que há transferência de tecnologia, como foi feito por lei posterior para a averbação no INPI. Ao que me parece, tal exigência reside apenas 1 http://www.inpi.gov.br/portal/artigo/contrato_de_tecnologia_1351692514525#2 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1002 14 no fato de que o beneficiário do pagamento é residente no exterior. Logo, estaria correto o autuante que a despesa não seria dedutível, já que a recorrente não registrou o contrato no BACEN. Todavia, entendo que o enquadramento feito pelo autuante não está correto, pois é conferido o regime dos direitos autorais à propriedade de software, se não vejamos como dispõe o art. 2º da Lei 9.609/98, in verbis: “Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei.”. Ora, assim sendo, não há falar que a cláusula 5.1 do contrato esteja tratando de royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, como dispõe o inciso III do art. 353 do RIR/99 (citado no Termo de Constatação Fiscal), cuja base legal é a alínea “e” do art. 71 da Lei 4.506/64. Essa diferenciação entre os royalties exploração de direitos autorais e os royalties de pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio fica evidente no art. 22 da própria Lei 4.506/64, in verbis: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Assim, por força do art. 2º da Lei 9.609/98, os royalties em tela se enquadram na hipótese da letra “d”do art. 22 da Lei 4.506/64, de tal sorte que a situação fática deveria ter sido enquadrada no inciso I do art. 353 do RIR/99, cuja base legal é a alínea “d” do art. 71 da Lei 4.506/64, o qual assim dispõe: “Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; [...]” Ora, esse era o enquadramento legal que deveria ser dado pelo autuante à situação fática ora em julgamento, pois, se assim tivesse fundamentado o auto de infração, seria irrelevante a prova dos pagamentos providenciada por esta Turma de julgamento, já que os valores seriam indedutíveis. Todavia, o autuante insistiu que se tratava de aquisição de softwares não comprovadas, tanto que, no item 8 do TCF a fls. 304/305, faz seus considerandos para, então, aplicar o seguinte enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300, do RIR/99, se não vejamos: “7) Ocorre que as remessas efetuadas à matriz no período fiscalizado (Ano Calendário de 2001), como pagamento dessas taxas não foram realizadas nessas condições, ou seja, calculandose 58% (cinqüenta e oito por cento) sobre os valores líquidos das Receitas de Licenciamento e Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1003 15 Receitas de Suporte. Tais remessas foram efetuadas tendo por base os valores integrais das notas fiscais/faturas de prestação de serviços aos seus clientes emitidas nos Anos Calendários de 2000 e 2001 tomadas ao acaso e foram enviadas a titulo de pagamento pela "Aquisição de Softwares", tendo como recebedor no exterior a empresa "RSIB INC" e como beneficiário final a Matriz "Oracle Corporation" (exemplos em anexo). 8) Intimada, então, em 12/01/2006, a apresentar a documentação comprobatória das aquisições ou importações de software, bem como, os documentos comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do IRFonte sobre essas remessas o Contribuinte: a) não apresentou os documentos comprobatórios das aquisições ou importações de software que se referem as remessas ao exterior efetuadas para a empresa ligada "Oracle Corporation" e computadas como custo na conta 3300101002 "Custos de Licença, Manutenção e Suporte", no valor de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos). b) Não apresentou, também, demonstrativo e nem toda a documentação que comprovasse o IRFonte sobre remessas ao exterior lançadas na conta 3300101003 "Despesas com IRFonte sobre Remessas", no valor de R$ 29.530.573,63 (vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos). Cabe acrescentar que mesmo apresentada a referida documentação mas desde que as remessas tenham sido efetuadas como pagamento pela aquisição de softwares o IRRF seria indedutivel visto incidirem sobre um custo enexistente. 9) De acordo com o Contrato de Distribuição (Cláusula 5 e Anexo 1) os valores passíveis de serem remetidos à sua Matriz referemse às taxas de Sublicenciamento de Programas e outras taxas como as sobre as Receitas de Suporte, ou seja, direitos autorais sobre programas conforme definido na cláusula 2.4 do referido contrato (Direito de Propriedade Intelectual) e novamente expressamente reconhecido pela Fiscalizada no Mandado de Segurança Preventivo relativo à CIDE (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) no Processo n° 2002.61.00.0223606, página 2, I Dos Fatos e ratificado pelo TRF da 3' Região na Certidão de Objeto e Pé de 22/04/2005 relativa à citada ação judicial. Assim sendo, os valores computados como custos na conta 3300101001 Custos de Licença de Uso, Manutenção e Suporte, no montante de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinqüenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos), bem corno, os valores contabilizados como custos na conta 3300101003 — Despesas com Imposto de Renda retido na Fonte sobre remessas, no montante de R$ 29.530.573,63 (Vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos), serão tributados como custos não dedutiveis na apuração do Lucro Liquido e do Lucro Real, bem como, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido com fundamento nos Arts. 249, inciso 1, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR 99. E, para constar e produzir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal e do qual o Contribuinte receberá uma das vias. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1004 16 Ora, da leitura do trecho acima fica claro que a autuação se baseou na falta de apresentação de documentos comprobatórios da aquisição de software, logo, entendo que não pode essa instância julgadora, agora, assumir que não se trata de aquisição de softwares e mesmo assim manter o lançamento sobre a parte não comprovada, por se trata de evidente aperfeiçoamento do lançamento, o que extrapola a competência legal do CARF. Ademais, como já salientado, a situação ora tratada devia ter sido enquadrada no art.353, I, do RIR/99, o que tornaria a despesa/custo indedutível de plano. Diante de tal constatação, concluo que o lançamento deva ser cancelado, pois não cabe a esta instância julgadora determinar às autoridades lançadoras o critério jurídico que devam adotar no lançamento. Já que o Termo de Constatação Fiscal é parte integrante do lançamento tributário, como expressamente registrado no auto de infração, fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender às conclusões deste julgado, significaria um possível novo lançamento e não apenas uma correção de base de cálculo. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Por essas razões, entendo que não é o caso de se baixar o processo em diligência, mas de cancelamento do lançamento tributário. Caso vencido no mérito, passo a análise dos outros pontos de defesa. Em observância ao disposto na Súmula CARF nº 2 deixo de apreciar a questão relativa a abusividade da multa de ofício e, com base na Súmula CARF nº 4, deixo de mantenho a incidência dos juros de mora calculado pela taxa Selic. No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1005 17 art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, mas, caso vencido no mérito, voto por manter os juros sobre a multa de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1006 18 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Entendeu o ilustre Relator que teria havido alteração no critério jurídico do lançamento, motivo pelo qual conduziu seu voto para o afastamento integral da exigência. Com a devida vênia, o exame dos autos aponta em outra direção. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 391/393) descreve os procedimentos do Fisco e as tentativas de identificar e comprovar a natureza e efetividade dos dispêndios de R$157.037.680,02, contabilizados como “Custos de Licença, Manutenção e Suporte”, e R$29.530.573,63, contabilizados como “Despesas com IRFonte sobre remessas”. Acerca da natureza dos custos, a resposta da então fiscalizada foi de que se trataria de aquisição de software para revenda no mercado brasileiro (vide resposta à intimação à fl 259). Por considerar que o contrato então apresentado não cuidava de aquisição de software, e que os demais documentos apresentados no curso da fiscalização, em resposta às diversas intimações (fls. 199, 201, 261), não seriam hábeis à comprovação da efetividade dos custos e despesas sob exame, foi lavrado o auto de infração aqui discutido. De se observar que o fundamento da autuação foi a falta da comprovação da efetividade dos custos/despesas, e que não há qualquer menção ao art. 353 do RIR/99 no Termo de Verificação Fiscal nem no auto de infração. Tão somente os artigos gerais sobre dedutibilidade de despesas, em especial o art. 300 do RIR/99. Na impugnação, o contribuinte altera o que havia afirmado durante o procedimento de fiscalização, e passa a sustentar que os valores glosados se referem ao pagamento de direitos autorais, e que o contrato não se submete ao registro no INPI e BACEN por não haver transferência de tecnologia. O julgador de primeira instância, entretanto, não obstante tenha tecido comentários sobre tratarse efetivamente de direitos autorais, manteve a autuação diante da falta de comprovação dos custos. Do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 472) se extrai o parágrafo a seguir transcrito, esclarecedor sobre o fundamento da decisão de primeira instância, absolutamente coerente com o fundamento do lançamento. Intimado a comprovar, por meio de documentação hábil, os comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do 1RFonte sobre essas remessas o Contribuinte, não logrou comproválas durante a fase inquisitória, conforme Termo de Constatação acima citado, ou mencionar que se referiam a remessa de DIREITOS AUTORAIS. Já na fase impugnatória não comprova ter remetido o percentual de 58% a que teria direito a ORACORP. Ao iniciarse o julgamento do recurso voluntário interposto, em um primeiro momento, o Colegiado sentiu a necessidade de complementação das informações dos autos. Assim, deliberou pela realização de diligência (Resolução nº 130200.027, de 04/11/2009, às fls. 751/761) para que “a recorrente esclareça e demonstre com documentação hábil a existência dos referidos pagamentos”, inclusive apontando a correspondência dos demonstrativos e documentos com os lançamentos contábeis (fl. 761). O contribuinte foi, então, intimado nestes termos (fl. 770). Elaborar demonstrativo dos itens objeto do contrato com a ORACORP efetivamente negociados/realizados, comprovando o seu efetivo pagamento, com documentação própria, e indicando os correspondentes lançamentos na sua escrituração contábil. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1007 19 A resposta (fls. 772 e segs, complementada posteriormente à fl. 855), a princípio, somente comprova as remessas no anocalendário 2001 (oito remessas, R$110.330.785,01 + R$19.662.899,79 de IRRF). Não traz o vínculo entre esses valores e as notas fiscais de licenciamento de software, calculando os 58% previstos em contrato. A AuditorFiscal encarregada da diligência insistiu (nova intimação à fl. 864), determinando que fossem discriminadas as bases das remessas. Nova resposta foi apresentada, à fl. 866 e segs. Desta feita foram discriminadas as bases e o cálculo dos 58% previstos contratualmente. Mas somente são comprovadas remessas de R$110.330.785,01 (com saldo remanescente (a remeter) de R$44.454.299,96), vide quadro à fl. 869. A AuditoraFiscal examinou as respostas e documentos apresentados, e elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 951 e segs. Suas conclusões: foram comprovados custos com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior no total de R$110.330.785,01. A AuditoraFiscal não se refere ao saldo a remeter. Como se vê, desde o princípio as discussões giraram em torno da efetiva comprovação dos valores contabilizados como custos/despesas, a reduzir o resultado tributável. A discussão acerca da natureza dos gastos, se aquisição de softwares ou royalties, foi introduzida por iniciativa do contribuinte, na impugnação ao lançamento, mas não adquiriu maior relevância posto que, como visto, o acórdão recorrido não se valeu desse fundamento para sua decisão. O julgamento do presente recurso deve, então, seguir na mesma linha, ou seja, verificar se os custos/despesas glosados estão efetivamente comprovados nos autos. Para tanto, o demonstrativo do próprio contribuinte (fl. 869), validado pela diligência determinada por este Colegiado (fls. 951/952), contém as informações indispensáveis. Restam comprovados custos de R$154.785.084,97 com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior. Esse total corresponde a R$110.330.785,01 + R$44.454.299,96 (ou a R$119.400.891,90 + R$35.384.193,07). O saldo de R$35.384.193,07 trazido do AC 2000 seria mera postergação de despesa, sem efeito tributário, e pode ser deduzido. De se observar que não foi questionado pela AuditoraFiscal. O saldo remanescente de R$44.454.299,96, apesar de não remetido no anocalendário 2001, é claramente custo incorrido, dedutível segundo o regime de competência. Além do valor acima, também está comprovada despesa de R$19.662.899,79, correspondente ao imposto de renda na fonte incidente sobre os valores efetivamente remetidos no anocalendário 2001. Esclareçase que o imposto na fonte que viria a incidir sobre o saldo remanescente ao final do anocalendário 2001 não foi incorrido no encerramento do período de apuração, portanto indedutível. Chegase, assim, ao total de custos/despesas comprovados de R$174.447.984,76. Esse é o valor da glosa que deve ser afastada, conclusão que se estende ao lançamento reflexo de CSLL. Nos demais aspectos do litígio, a Turma acompanhou o voto do ilustre Conselheiro Relator. Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para retirar do valor glosado o montante comprovado de R$174.447.984,76. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1008 20 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10940.002060/2008-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 20 60 /2 00 8- 66 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 48 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio de Notificação de Lançamento de fls. 09/12, exigese do contribuinte R$ 4.312,59 de imposto suplementar, R$ 3.234,44 de multa de oficio de 75% e R$ 545,97 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até junho de 2008. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 11, referese à constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica quando confrontado com o informado pela finte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ), na base de cálculo relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Cientificado do lançamento em 07/08/2008 (fl.18), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/09/2008, a impugnação de fls.01/05, instruída com os documentos de fls. 06/07, onde alega em síntese que: 1. Os rendimentos considerados omitidos são resultado de ação revisional movida contra o INSS, processo n° 2003.70.09.0118252, que buscou o recebimento de diferenças decorrentes do incorreto cálculo efetivado pelo órgão para deferimento de sua aposentadoria; 2. A jurisprudência sobre o assunto é pacifica no entendimento de que valores obtidos através de ações revisionais não são passíveis de tributação, pois, se tivessem sido pagas no momento oportuno, mês a mês não atingiriam o valor do imposto de renda (cita jurisprudência sobre o assunto); 3. Tais rendimentos tem natureza indenizatória, conseqüentemente não podem ser tributados. Ao final, requer: 1. Seja assegurado ao Impugnante o implemento de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive admissão das provas documentais através de fotocópia do processo revisional, outras que surgirem na decorrência do trâmite processual, provas testemunhais cujo rol será apresentado oportunamente, provas periciais, etc; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 49 3 2. ... que todos os atos administrativos interligados Notificação de Lançamento (sic) ora impugnado, doravante realizados, sejam acompanhados pelo impugnante; 3. Seja cancelada a presente notificação de lançamento.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 23/28, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos A tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. A incidência do imposto de renda abrange a renda e os proventos de qualquer natureza, independentemente da denominação da receita ou do rendimento, conforme previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. Não estando relacionado em nenhuma das hipóteses legais de exclusão da incidência do imposto, há que se considerar tributável a percepção desta verba. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. INTERPRETAÇÃO. A isenção necessita de previsão em lei especifica do ente político tributante (Constituição Federal de 1988, art. 150, § 6°) e a sua outorga deve ser interpretada literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo Aquela objeto da decisão. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRECLUSÃO. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 50 4 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/09/2011 (AR fl. 31), o interessado interpôs o recurso de fls. 32/37, em 13/10/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução 2801000.199, às fls. 42/46, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE nº 614.406). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial movida contra o Instituto Nacional do Seguro Social, objetivando a revisão de benefícios previdenciários, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 51 5 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722089/2011-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.
A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 81 1 80 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.722089/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.074 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria MULTA DACON Recorrente AVIVAR ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 89 /2 01 1- 60 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor de R$ 29.306,57, aplicada em razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON relativo a dezembro de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009 (fl. 20). O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º, III, b, do Decreto nº 70.235, de 1974. O autuado apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 2/9, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN; ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade; iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização; iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa; v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0241.611, de 29 de novembro de 2011(fls. 56), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722089/201160 Acórdão n.º 1803002.074 S1TE03 Fl. 82 3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 32), o autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 33/43), em que afirma que a decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é de R$ 147.690,28 e não de R$ 293.065,70, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais, reafirma os argumentos apresentados na impugnação. A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de apreciar a alegação de erro material no cálculo da multa exigida e a anulou, para que outra fosse proferida e também fossem anexados os documentos que deram suporte à decisão atacada, conforme o Acórdão nº 1803001.581, de 7 de novembro de 2012 (fls. 46/49). Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão nº 0241.611, de 29 de novembro de 2011 (fls. 56/60), em que afirma, in verbis: Data vênia, não houve preterição do direito de defesa, pois os documentos que deram suporte à decisão são declarações do próprio contribuinte. Em atendimento ao acórdão do CARF, foram anexados ao processo: Dacon, fls. 55 e DCTF, fls. 54. A informação do valor em DCTF prestase apenas a confirmar o valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento. Por obvio que os valores devem ser iguais. Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada. Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no bojo de novo recurso voluntário encontrado às fls. 66/77, apresentado em 13/02/2013. Nesse giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que ensejou a anulação da primeira decisão, permanecendo o erro material na formulação da exigência e o cerceamento do seu direito de defesa. Ademais, repete os argumentos já apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. ERRO MATERIAL O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida. Afirma que o valor declarado no Dacon foi R$ 147.690,28 e é este que deve ser usado como base para o cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 293.065,70. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Todavia, o auto de infração em análise diz respeito ao Dacon referente a dezembro de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 55, o referido Dacon, em que consta o valor devido de R$ 293.065,70, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado. Assim, conforme os documentos acostados nos autos, o valor exigido foi calculado corretamente. Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece de fundamento fático. II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a falta de apreciação de alegado erro material, ocorrido na sua primeira decisão, o que estaria causando cerceamento do seu direito. Entendo de forma diversa, pois a decisão guerreada nega a ocorrência do vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele declarado pelo contribuinte, tanto no Dacon em tela quanto na correspondente DCTF. Esses documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 55 e 56. Ademais, a questão fática em tela é o correto valor declarado pelo contribuinte em seu Dacon e, quanto a isso, o debate foi exaurido de ambas as partes e demonstrada a corretude do lançamento, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a possibilidade de argumentação do interessado. Assim, afastase também essa preliminar. III. ESPONTANEIDADE O contribuinte entende que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante art. 138 do CTN. Todavia, a denúncia espontânea prevista no dispositivo legal supracitado aplicase somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias, como o presente caso de multa pelo atraso na entrega de declarações. Esse entendimento foi pacificado na presente Corte por meio da Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude. IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722089/201160 Acórdão n.º 1803002.074 S1TE03 Fl. 83 5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e da equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada. O recorrente não questiona a existência de previsão legal para a multa aplicada. Portanto, ao afirmar a inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a inconstitucionalidade da lei que a prevê. Todavia, é defeso ao colegiado julgador administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse entendimento também foi pacificado na jurisprudência administrativa, por meio da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V. TAXA SELIC O recorrente também se levanta contra a aplicação da taxa Selic para a atualização de tributos, considerando a natureza dessa taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Todavia, a aplicação da taxa Selic para o cálculo de juros sobre créditos tributários tem previsão expressa no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, o que levou este Tribunal Administrativo a pacificar seu entendimento na Súmula CARF nº 04, que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA Por fim, o recorrente propugna pela necessidade de notificação prévia do contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa. A notificação prévia para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade. Conforme as normas tributárias, o auto de infração em tela é gerado eletronicamente pelo mesmo software que gera a declaração, no exato momento de sua transmissão à Administração Tributária. Isso é possível porque o atraso é infração de conhecimento imediato, no momento da referida transmissão. Portanto, não há motivo suficiente para se criar um procedimento intermediário de notificação. Também não haveria proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 O contribuinte traz elementos retóricos para defender a sua posição, mas deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência também pacificou essa questão, no sentido de afirmar a desnecessidade dessa notificação, conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, também afasto esse argumento. VII. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002730/00-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPROVADA A FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Se comprovado que, no período da autuação, não houve pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep, a cobrança dos valores lançados deve ser mantida.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 3102-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPROVADA A FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Se comprovado que, no período da autuação, não houve pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep, a cobrança dos valores lançados deve ser mantida. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 27 30 /0 0- 76 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 28/50), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.848.758,15, sendo de R$ 1.332.602,69 de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses janeiro a setembro de 1995 e novembro de 1995 a dezembro de 1999, R$ 999.451,79 de multa de ofício e R$ 516.703,67 de juros de mora (calculados até 29/2/2000). No Termo de Constatação e Verificação de fl. 27, a autoridade fiscal relatou que o motivo do lançamento fora a falta de (i) recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep dos mencionados meses e (ii) de entrega das DCTF do citado período. Esclareceu ainda que foram considerados na apuração da base de cálculo: a) os valores da autuação realizada pela fiscalização da DRF de Maringá, relativa aos meses de agosto a dezembro de 1998 (fls. 20/26); e b) os valores dos meses de janeiro a dezembro de 1995, inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Em sede de impugnação (fls. 58/64), a autuada alegou: a) a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970, com base no argumento de que a base de cálculo da referida Contribuição, definida na referida LC, fora alterada pelos Decretos Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, declarados inconstitucionais pelo STF e que perderam a vigência e eficácia, a partir da vigência da CF/1988, logo, em razão da vedação do efeito repristinatório determinado no art. 2º, § 3º, da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), estaria revogada as disposições sobre base de cálculo previstas na citada LC, que somente poderia ser instituída mediante nova lei complementar, consoante art. 195, § 4º, combinado com o disposto no art. 154, I, da CF/1988; b) não foram considerados na autuação os valores já autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, nem os inscritos na DAU pela Procuradoria da Fazenda Nacional, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1995. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 508/513), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1999 Ementa: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, “ex vi legis”. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13807.002730/0076 Acórdão n.º 3102002.212 S3C1T2 Fl. 101 3 tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Em 17/9/2003, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fls. 516/519). Inconformada, em 10/10/2009, protocolou o recurso voluntário de fls. 525/530, no qual reafirmou as razões de defesa aduzidas na impugnação. Em aditamento, na eventualidade de não ser declarada a improcedência da autuação, requereu (i) a remissão da multa aplicada, pois não houve dolo, máfe ou simulação da parte da recorrente e (ii) a conversão do julgamento em diligência, com vista à realização de perícia contábil. Em face da falta de arrolamento de bens, foi negado seguimento ao recurso (fls. 531/534) e, em seguida, os débitos inscritos em DAU (fls. 541/601). Na sequência, por meio do Despacho de fl. 602, em obediência à Súmula Vinculante nº 211 do Supremo Tribunal Federal, e nos termos do Parecer PGFN/CPJ n° 891, de 2010, foi determinado o retorno do crédito à fase administrativa de julgamento, cancelada a inscrição na DAU (fls. 603/604). Por fim, em 8/8/2013, em atenção ao Despacho de fl. 606, os autos foram enviados a este Conselho, para fim de apreciação do recurso voluntário interposto pela autuada. Na sessão de fevereiro de 2014, mediante sorteio, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, no entanto, deve ser parcialmente conhecido, pelas razões a seguir aduzidas. A controvérsia cingese a questões atinentes (i) à ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970, norma criadora da Contribuição para o PIS/Pasep e (ii) à não exclusão dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep já lançados e inscritos na DAU. Da ilegalidade e inconstitucionalidade da norma instituidora da Contribuição para o PIS/Pasep. Inicialmente, é pertinente esclarecer que, por ser norma infraconstitucional de maior hierarquia, em consonância com o princípio da hierarquia das normas, o parâmetro de legitimidade da lei complementar sempre será a Constituição. Assim, é imprópria a alegação de ilegalidade do citado diploma legal, suscitada pela recorrente, haja vista que o parâmetro de legalidade é aferido com base com base no contejo entre o ato infralegal e a lei, com a finalidade de aquilatar a compatilidade daquele com esta. Logo, em relação a esse ponto, fica evidenciado que, sob ponto vista jurídico, a única alegação relevante para o deslinde da presente lide é aquela atinente à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 7, de 1970. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Acontece que, nos termos do caput do art. 26A1 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972, doravante denominado de PAF, a constitucionalidade de norma legal vigente tratase de matéria expressamente vedada ao conhecimento desta instância administrativa de julgamento. Aliás, tal atribuição é reservada, com exclusividade, aos órgãos de julgamento do Poder Judiciário. No mesmo sentido, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase também expressamente determinada no art. 622 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e afirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, não se toma conhecimento dos argumentos suscitados pela recorrente acerca da inconstitucionalidade da referida Lei Complementar. Da cobrança de débitos já lançados e inscritos em dívida ativa. A recorrente alegou que os valores já autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, e os inscritos na DAU pela Procuradoria da Fazenda Nacional, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 1995, não foram excluídos na presente autuação. Não assiste razão à recorrente. A uma, porque não apresentou nenhuma prova do que alegou, sequer uma planilha que evidenciasse a cobrança dos referidos débitos. A duas, porque há nos autos documentação hábil e idônea (fls. 130/242), que corroboram a informação da autoridade fiscal (fls. 243/245), no sentido de que tais valores não fizeram parte da presente autuação. Com efeito, compulsando os documentos de fls. 130/242, verificase que os mencionados valores foram excluídos do questionado Auto de Infração. No que tange aos 1 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 2 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 612DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13807.002730/0076 Acórdão n.º 3102002.212 S3C1T2 Fl. 102 5 valores débitos inscritos na DAU, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 1995, discriminados nos extratos de fls. 130/132, com base no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos (fls. 28/32) e Demonstrativo de Apuração (fls. 37/41), que integram o citado Auto de Infração, confirmase que todos os valores inscritos foram deduzidos dos débitos lançados. Em relação aos valores autuados pela DRF/Maringá, referente aos meses de agosto a dezembro de 1998, também não procede a alegação da recorrente, uma vez que do valor da base de cálculo da matriz mais o valor da base de cálculo da filial, incormados na DIPJ 1999 (fls 183/187), menos os valores da base de cálculo lançados no auto de infração da lavra da fiscalização da DRF/Maringá (fls. 23/24) corresponde, exatamente, aos valores da base de cálculo., dos referidos meses, lançados no Demonstrativo de Apuração (fl. 40), que integra o vergastado Auto de Infração. Tais valores encontramse discriminados, de forma consolidada, no Demonstrativo de fl. 244. Por todas essas considerações, rejeitase a presente alegação. Dos pedidos de perícia contábil e de remissão da multa. Na eventualidade de não ser declarada a improcedência da autuação, a recorrente requereu (i) a remissão da multa aplicada, pois não houve dolo, máfe ou simulação da sua parte e (ii) a conversão do julgamento em diligência, com vista à realização de perícia contábil. O pedido de remissão em destaque não tem amparo legal, consequentemente, propõese o seu indeferimento. Deveras, nos termos do art. 172 do CTN, a remissão total ou parcial do crédito tributário depende de autorização legal e deve ainda atender as condições elencadas nos incisos I a V do citado art. 172. No que concerne ao pedido em tela, sabidamente, não existe lei autorizativa e a ausência de dolo, máfe ou simulação não se inclui em nenhuma das referidas condições relacionadas nos incisos do referido preceito legal. Ademais, com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), por falta de pagamento, tem natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN, a inexistência de dolo, máfe ou simulação não tem qualquer efeito na sua aplicação ou graduação. Com respaldo no art. 16, § 1º, do PAF, considerase não formulado o citado o pedido de realização de perícia contábil, pois não atende os requisitos do citado art, IV. Além disso, a perícia contábil requerida é totalmente prescindível, uma vez que há nos autos documentos suficientes para fim comprovação das situações fáticas objeto da questionada autuação. Logo, também por esse motivo, com amparo no art. 18 do PAF, a perícia deve ser rejeitada. Por todas essas razões, os presentes pedidos devem ser rejeitados. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por conhecer, parcialmente, o recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10480.722217/2010-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano-calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo anocalendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 17 /2 01 0- 52 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 433 2 Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0309, com a exigência do crédito tributário no valor de R$120.384,74 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2006. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 530 e art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1016 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.764,69 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 434 3 dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 1723 com a exigência do crédito tributário no valor de R$183.529,98 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 2429 a exigência do crédito tributário no valor de R$65.729,39 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 170380, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: 2. DA IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS NO CASO EM SUB EXAMINE Consoante brevemente exposto no tópico acima, imperioso apontar alguns vícios patentes que findam por infirmar as pretensões do ente fiscal traduzidas na lavratura do presente Auto de Infração, decorrente do MPF N. 0410100/00074/10. Reiterase que, no caso em foco, entremostrase incabível o manejo de presunções, dentre as quais, cumprese mencionar, o instituto do arbitramento de lucro. Explicase: O arbitramento de lucro, [...] mediante desclassificação de escritura contábil é uma medida extrema, a ser adotada na impossibilidade de apuração de base de cálculo do Imposto na situação presentemente tratada, do IRPJ referente ao exercido de 2006. Com base na premissa acima esposada excepcionalidade do arbitramento no caso do Auto de Infração sob açoite, devese mencionar que, apenas, a entrega de livros fiscais não é argumento suficiente para viabilizar a utilização o instituto do arbitramento de pretenso lucro. A titulo de ratificação deste posicionamento, remete se este douto Juízo Administrativo ao Acórdão n. 10807.265/2003, lucidamente emanado pelo 1º Conselho de Contribuintes (D.O.U. 27032003). Vejase que a entrega do Livro Registro de Apuração do ICMS já fornecia dados suficientes para o Fisco efetuar sua cobrança com base na sistemática legalmente prevista para a tributação do IRPJ "lucro real". Pouco importa, pois, que o contribuinte ora peticionante não tenha apresentado, em um primeiro momento, o seu Livro Diário, Vejase, neste mister que, à época da fiscalização derivada do MPF em comento, o ente tributante tinha informações precisas por meio das quais poderia ter apurado corretamente o lucro Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 435 4 real da Impugnante. Os próprios autos da Representação Fiscal de Exclusão do Simples (doe. 02) movida contra a peticionante permitem afirmar que a Fazenda, à luz da documentação tempestivamente entregue, estava munida de informações suficientes. Passadas as considerações retro, no Auto de Infração ora combatido, um vício sobressai solar, qual seja: A POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO IN CASU DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL. Insistese em reiterar o vício acima, doutos julgadores, por uma razão muito simples: ao realizar o arbitramento do lucro, não poderia a Auditora Fiscal glosar o total dos custos ou despesas operacionais da Impugnante, algo perfeitamente factível quando da apuração do lucro real. Cometeu equívocos, destarte, o Fisco, cuja ação desastrada finda por comprometer a liquidez e certeza do lançamento realizado. Ratificando tal entendimento, as Delegacias de Julgamento Fiscal, por todo o País, têm dado provimento às impugnações dos contribuintes, envolvendo a matéria debatida. [...] À guisa de conclusão, necessário asseverar que as formalidades só merecem ser observadas sob um aspecto instrumental, ante o caráter teleológico de que se veste o Direito. Acaso um direito, destarte, reste evidenciado a despeito do cumprimento de qualquer formalidade por parte do seu titular, deve ser, pois, tal formalidade desprezada. Neste sentir, imperioso mencionar o compromisso do Ordenamento Jurídico como um todo incluamse as regras relativas aos procedimentos administrativos com a preservação da verdade material. [...] Com o fito de comprovar os seus custos e despesas operacionais, dedutíveis para fins de apuração de lucro real (os quais foram desconsiderados pela fiscalização, quando do arbitramento, na esteira dos parágrafos antecedentes, permitese a Impugnante acostar o Livro de registro de entrada e saída em anexo [...] do qual o Fisco já tinha conhecimento. [...] Reiterese, enfim, que a eleição do arbitramento in casu como alternativa a efetiva apuração do lucro real, configura media arbitrária da Administração Tributária e, portanto, lesiva ao contribuinte não merecendo, de qualquer modo, prosperar. Repousa aí a necessidade de negar provimento ao Auto de Infração ora combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante todos os argumentos supra elencados, conta a Impugnante com a argúcia desta Delegacia de Julgamento Fiscal a fim de não ver seu patrimônio desarrazoadamente comprometido. Requerse, destarte, a esse C. Órgão Julgador que se digne a dar procedência total à presente IMPUGNAÇÃO, determinando, por conseguinte, a anulação do r. Auto de Infração. Caso não se entenda ser o presente caso hipótese de anulação do Auto, merece este julgue improcedente, em razão dos equívocos anteriormente mencionados. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 436 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1141.301, de 29.05.2013, fls. 385389: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Notificada em 29.07.2013, fl. 396, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.08.2013, fls. 398409, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: 3. A EVIDÊNCIA DO BOM DIREITO DA RECORRENTE À ANULAÇÃO DOS 4 AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DO MPF N. 0410100/00074/10 Em que pese o notório saber dos julgadores administrativos que compõem a 3a Turma da DRJ/REC, findaram estes por não apreciar, corretamente, permissa máxima venia, os principais argumentos, outrora, ventilados pela atual Recorrente em sua Impugnação, quais sejam: A REAL POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO, NO CASO VERTENTE, DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL DA BRPLAST, NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006, ANTE A DOCUMENTAÇÃO FORNECIDA, PELA EMPRESA, NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. A COMPLETA IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS, NOS PATAMARES CONSIGNADOS NOS 4 AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DO MPF N. 0410100/00074/10, OS QUAIS FINDARAM POR SER IRRAZOAVELMENTE CONVALIDADOS, PELA 3ª TURMA DA DRJ/REC, EM SEDE DO ACÓRDÃO 1141.301, ORA CONSPURCADO. Passase, então, à exposição pontual, à luz do caso vertente, de cada uma das premissas acima, a fim de que esta instância ad quem, exercendo a razoabilidade que lhe é peculiar, finde por: (i) anular os 4 autos de infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10; Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 437 6 (ii) alternativamente, determinar o reexame dos documentos apresentados pela empresa, para fins de computo de seus lucros o mais próximo possível da realidade. 3.1 A IMPOSSIBILIDADE DO ARBITRAMENTO UTILIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL Primeiramente, fazse mister salientar a impossibilidade de se aplicar, ao caso, o instituto do arbitramento de lucros da BRPLAST, ensejando a utilização de presunções com vistas a amparar a arbitrária tributação que foram imposta à empresa no caso vertente. Como é sabido, doutos julgadores, o arbitramento é medida de caráter excepcionalíssimo, e somente deve ser adotada ante a completa impossibilidade de apuração da base de cálculo do tributo a ser cobrado de um contribuinte. Tanto é assim, que dita técnica de arbitramento modalidade excepcional de lançamento do crédito tributário deverá obedecer, obrigatoriamente, a três requisitos, previstos no art. 148 do CTN, sob pena de nulidade: (i) Serem omissas e/ou não merecerem fé as declarações prestadas pelos contribuintes fiscalizados; (ii) Serem omissos e/ou não merecerem fé os esclarecimentos prestados pelos contribuintes fiscalizados; (iii) Serem omissos e/ou não merecerem fé os documentos prestados pelos contribuintes fiscalizados. Ocupouse, corretamente, o legislador pátrio, contudo, em garantis àqueles que forem submetidos à cobrança de tributos arbitrados, avaliação contraditória. E tal avaliação contraditória, doutos julgadores, irrazoavelmente, não se verificou no caso em foco, apesar de toda a documentação fornecida, pela BRPLAST, à fiscalização. Como se verifica no bojo dos 4 autos de infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, presentemente conspurcados, os valores, neles carreados foram obtidos, pelo Fisco, a partir do Livro Registro de Apuração do ICMS da empresa. Ocorre, porém, que, apesar de ter tido o fiscal autuante acesso à parte dos custos incorridos, pela BRPLAST, para fins do regular desempenho das vendas que constituíram a base de cálculo de seu lucro arbitrado, tais custos parcialmente indicados em tal Livro Registro de Apuração do ICMS nas colunas referentes às entradas de matériaprima, por exemplo não foi, equivocadamente, computado, em entendimento que, arbitrariamente, muito beneficia o Erário. É evidente, doutos julgadores, que, com base nas entradas e saídas de uma empresa, poderia, por aproximação quase que real, o fiscal autuante ter apurado o efetivo lucro da mesma, no período fiscalizado, com base na sistemática do lucro real. Isto porque, tomandose por base, no caso em tela, por exemplo, as colunas referentes às entradas no mês de dezembro de 2006, até os custos com energia elétrica (despesa operacional), suportados pela BRPLAST, poderiam ter sido levados em consideração. Preferiu, contudo, por arbitrária comodidade, o fiscal autuante valerse da modalidade de arbitramento, aplicando, sobre o valor total das vendas da atual Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 438 7 peticionante, no segundo semestre de 2006, um único percentual, previsto em lei como presuntivo de lucro. Tratase de entendimento que, longe de atender aos ditames da verdade material a que deve obediência a Administração Fiscal, sequer respeita os imperativos da capacidade contributiva, como se verá no tópico seguinte. [...] Com base nas premissas acima esposadas excepcionalidade do arbitramento e idoneidade dos documentos postos à disposição do fiscal autuante necessário salientar, doutos julgadores, que o argumento utilizado no Acórdão ora açoitado, de que a Recorrente não apresentou a sua escrituração contábilfiscal, não deve permissa venia, prosperar. Mais ainda, registrase que a Administração Fazendária deve, a todo tempo, buscar a verdade material e, caso haja elementos suficientes para a configuração desta, não pode se valer, por qualquer razão, da figura do arbitramento. E, no caso verte, pouco importa que a Recorrente não tenha apresentado o seu Livro Diário, eis que a mesma documentação considerada idônea, pelo fiscal atuante, para computo do valor das suas vendas, igualmente, servia à determinação dos seus custos, dando azo à possibilidade de apuração da base de cálculo (lucro real) sobre a qual, efetivamente, deveria ter incidido o IRPJ e a CSLL, devidos no segundo semestre de 2006. Resta claro e evidente, portanto, que a autoridade fiscal, na situação em foco, à luz da documentação utilizada para fins do arbitramento, ora questionado, estava munida de informações suficientes para valerse do lançamento tributário com base na sistemática do lucro real; jamais, na do lucro arbitrado, que, aqui, fora utilizado como penalidade. 3.2 A REAL POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO, NO CASO VERTENTE, DOS VALORES REFERENTES AO LUCRO REAL. À guisa de complementação dos argumentos esposados no tópico antecedente, alguns outros esclarecimentos, quanto aos vícios procedimentais incorridos no caso em tela, merecem ser submetidos ao crivo de Vossas Senhorias. Como é sabido, o processo administrativo fiscal deve se pautar no Princípio da Verdade Material. Isto significa que os agentes fazendários, ao procederem às atividades de fiscalização dos contribuintes, devem, exaustivamente, buscar a realidade dos fatos. De igual modo, os julgadores fiscais, institucionalmente, são obrigados a perquirir além do que está posto nos autos de dado processo administrativo para, efetivamente, constatar a realidade que circunscreve a situação de fato posta no caso. [...] Clara é a finalidade do dispositivo acima: o julgador deve buscar, a todo tempo, a verdade material dos fatos, alvo de tributação, podendo, inclusive, promover diligências neste sentido. [...] Destarte, ante as considerações retro, insta salientar os vícios que maculam os 4 Autos de Infração [...] o MPF n. 0410100/00074/10, no que diz respeito à aplicação do arbitramento, quando era possível, in casu, ante a documentação ofertada à fiscalização, o computo das vendas, das despesas com matéria prima, energia elétrica etc, da BRAPLAT; valores estes que bem se prestavam à apuração de seu lucro real. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 439 8 O Acórdão ora vergastado, por convalidar os equívocos em que incorrera a fiscalização, desrespeita, pois, frontalmente, os princípios da verdade material e da capacidade contributiva, daí porque os seus termos não devem ser acolhidos por esta douta instância ad quem. Ao glosar o total dos custos e / ou das despesas operacionais da Recorrente os quais eram passíveis de conhecimento ante os livros de apuração do ICMS, entregues, pela BRPLAST, à fiscalização a autoridade Fiscal não, equivocamente, deixou de verificar aquilo que, exatamente, compõe a realidade para, in casu, penalizar o contribuinte com autuação plasmada no campo das presunções. [...] 3.3 POR CAUTELA OS LIMITES PARA O ARBITRAMENTO DOS LUCROS DA RECORRENTE NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006 Dos esclarecimentos contidos no tópico antecedente, doutos julgadores, chegase, inegavelmente, a uma conclusão: se as saídas indicadas no Livro de Apuração de ICMS da BRPLAST, no ano de 2006, eram dignas de fé, também o eram as entradas (custos e /ou despesas com eletricidade e matérias primas e.g.), neste contidas. Consequentemente, haveria como o fiscal autuante apurar o lucro real da empresa no período. Por outro lado, importa argumentar que, não sendo críveis ditos registros de entrada, também não o seriam os registros de saídas, indicados em tal Livro de Apuração de ICMS, o qual fora utilizado na autuação fiscal em foco. Ocorre que para o caso previsto no parágrafo imediatamente acima, a legislação pátria prevê, especificamente, sistemática de apuração do lucro arbitrado, a qual, igualmente, restou inobservada pela Administração Tributária na hipótese destes autos. [...] Não poderia, portanto, no caso em apreço, a autoridade fiscal ter se pautado somente nos documentos estaduais que demonstravam, supostamente, a receita bruta da empresa, olvidandose das despesas e custos operacionais em que esta incorrera no último semestre de 2006. Neste sentido, importa perceber que o percentual de 9,6%, genericamente utilizado no caso vertente, discrepa em muito da real lucratividade da empresa em foco, a qual, como é sabido, foi excluída do Simples Nacional, no ano de 2006, por ter o seu faturamento ultrapassado, muito pouco, em tal ano, os limites previstos em lei para as pequenas empresas, à época, R$2.400.000,00. [...] 4 A BASE DE CÁLCULO INCONSTITUCIONAL QUE FORA UTILIZADA, COMO FATURAMENTO DA RECORRENTE, PARA FINS DE COBRANÇA DE PIS E COFINS NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2006 [...] Omitiuse, porém, a instância de julgamentos a quo de tratar de uma importante premissa que havia sido ventilada, outrora, pela atual Recorrente, em suas Impugnações voltadas à cobrança de PIS e de COFINS em 2006: a base de cálculo inconstitucional que fora utilizada, pela autoridade fiscal para fins de apuração de tais contribuições. [...] Assim, o método de apuração de PIS e COFINS, utilizado, no caso, pela autoridade autuante, que findou por incluir um imposto de competência estadual na base de cálculo de contribuições exigidas pela União Federal, além de onerar inconstitucionalmente o sujeito passivo ora peticionante, padece de qualquer previsão constitucional o que confere flagrante traço de ilegitimidade aos Autos de Infração, decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, voltados a tais contribuições; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 440 9 Autos de Infração estes cuja iliquidez e consequente nulidade deverá ser atestada por esta instância ad quem. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Em razão de tudo o quanto se expôs, requerse que douta instância ad quem, exercendo a razoabilidade que marca as suas decisões: Reforme o decisum a quo, reconhecendo, enfim, a absoluta nulidade dos 4 Autos de Infração decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, os quais se estendeu o mesmo julgamento do Processo Administrativo n. 10408.722217/201052, ante os inúmeros vícios procedimentais que o maculam. Consequentemente, exima o contribuinte de quaisquer ônus (tributários e / ou penais) advindos dos 4 Autos de Infração em foco. Caso não prosperem os pedidos anteriores, determine, ao menos, a nulidade dos Autos de Infração, voltados à cobrança e de PIS e de COFINS, decorrentes do MPF n. 0410100/00074/10, eis que lavrados com fulcro em base de cálculo (majorada) inconstitucional. Alternativamente aos pedidos supra, determine o reexame dos documentos apresentados pela empresa, ante a real possibilidade de obtenção, no caso, do lucro e do faturamento da BRPLAST, no período fiscalizado o que deverá ser feito com amparo na verdade material, a qual deverá nortear os processos administrativo fiscais. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 441 10 atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o MPF de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 442 11 ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício2. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos3. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil Recife/PE expediu o MPF nº 0410100/00074/2010 indicado nos Termos Fiscais de fls. 3747. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas apurada com base no lucro arbitrado, defendendo que deveria ser adotado de ofício o regime de tributação com base no lucro real. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 3 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 443 12 A autoridade administrativa procedeu regularmente à fiscalização lavrou os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas, nos termos do art. 196 do Código Tributário Nacional. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Temse que toda a pessoa jurídica é obrigada a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades fiscais no exercício de suas funções e não pode eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da RFB5. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas 5 Fundamentação legal: art. 197 do Código Tributário Nacional, art. 123 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 2º do DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979 e art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 444 13 operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 4883 e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 96122, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236, e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2006 Período 2006 (A) Receita Bruta Apurada de Ofício R$ (B) Receita Bruta Declarada (C) Receita Bruta Omitida R$ (D) 3º Trimestre 1.142.178,49 0,00 1.142.178,49 4º Trimestre 1.705.776,36 0,00 1.705.776,36 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 3236, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: HISTÓRICO 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 445 14 Em 25/02/2010 foi iniciada a ação fiscal, tendo sido a empresa intimada a apresentar os livros e documentos fiscais que serviriam de base aos trabalhos de auditoria fiscal, no prazo de 20 (vinte) dias. Em 23.03.2010 foi a fiscalizada novamente intimada a apresentar todos os elementos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal e até então não apresentados. Em atendimento, a fiscalizada encaminhou cópia do Livro Registro de Apuração de ICMS, Livro de Entradas e Livro de Saídas, relativos ao período de julho a dezembro de 2006. Diante disto foi a fiscalizada intimada em 10.06.2010, através do Termo de Constatação Fiscal n° 001, a informar a data do início de suas operações comerciais e se houve operações de vendas de mercadorias no período de janeiro a junho de 2006 e, em caso positivo, apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao citado período. Foi ainda a fiscalizada intimada a informar a esta fiscalização se possui escrituração contábil relativa ao ano de 2006. Em caso positivo, apresentar os livros de sua escrituração contábil. Em caso negativo, apresentar o livro caixa relativo à suas operações comerciais no ano de 2006. Em 26.06.2010 foi a fiscalizada novamente intimada, através do Termo de Constatação Fiscal n° 002 a informar a esta fiscalização a data de início de suas operações comerciais e se houve operações de vendas de mercadorias no período de janeiro a junho de 2006, bem como a informar se possui escrituração contábil para o referido ano, apresentando os livros contábeis e fiscais correspondentes. Até a presente data a fiscalizada não respondeu aos questionamentos formulados através dos Termos de Constatação Fiscal n° 001 e 002. AUDITORIA Analisando o Contrato de Constituição da empresa, verificamos que a mesma teve seu Instrumento de Constituição lavrado em 07.08.2003 e registrado na JUCEPE em 15.08.2003. Por outro lado, consultando o sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil, verificamos as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica foram apresentadas nos anos de 2003 e 2004, exercícios de 2004 e 2005 como INATIVA. Relativamente ao ano de 2005, a fiscalizada apresentou a declaração como SIMPLES, porém totalmente "zerada", isto é, sem qualquer informação de valor. Consultando o Sistema Sinal da Receita Federal do Brasil (consulta pagamento), tela anexa, relativamente ao período de 01.01.2003 a 31.12.2006, verificamos que não foi efetuado qualquer pagamento relativo a tributos ou contribuições administrados pela SRFB. Analisando os livros fiscais apresentados a esta fiscalização (Apuração de ICMS, Entradas e Saídas de Mercadorias), verificamos que a empresa auferiu no período de julho a dezembro do ano calendário de 2006, receita bruta no montante de R$2.847.954,85. Segundo dispõe o inciso II do Artigo 9º da Lei 9317/96, não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de Empresa de Pequeno Porte, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil reais). De acordo com o art.13, inciso II, alínea b, da Lei 9.317/96, com redação dada pela Lei 11.307/2006, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação da pessoa jurídica ou de ofício quando ultrapassado, no ano calendário de início de Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 446 15 atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. De acordo com o art.14, inciso I da Lei 9.317/96, a exclusão de ofício será obrigatória, nas formas do inciso II e parágrafo 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica. Segundo o inciso m do Artigo 15, a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do início da atividade da pessoa jurídica. Assim, considerando que a empresa esteve Inativa nos anos de 2003 e 2004 e que em 2005 apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica "Zerada", verificamos que o valor da receita bruta auferida no período de julho a dezembro de 2006 (ano de início de suas atividades) é bastante superior ao limite permitido para sua permanência no sistema SIMPLES, tendo ultrapassado inclusive como empresa de pequeno porte, conforme pode ser verificado no "Levantamento da Receita" ano 2006, anexo ao presente. Conforme relatado no item Auditoria do presente termo, foi constatado que a pessoa jurídica iniciou suas atividades comerciais em julho de 2006 e neste mesmo ano já ultrapassou o limite de receita bruta permitido pela Lei 9.317/96, art. 2o, inciso O, alterado pela Lei 11.307/06, art. 1o, e não cumpriu o disposto nos arts. 12 e 13, inciso II, alínea "b", da Lei 9.317/96. Neste sentido, a empresa acima qualificada foi desenquadrada do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, através do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 198, de 23.08.2010, conforme Processo Administrativo n° 14774.000049/201004, com efeitos a partir de 01/07/2006 [e findo na esfera administrativa]. De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/96 "a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas". Neste sentido, em 26.08.2010 o contribuinte foi cientificado da sua exclusão do SIMPLES, recebendo naquela data cópia do Ato Declaratório Executivo n° 198 de 23.08.2010, publicado no DOU de 24.08.2010, tendo sido, ao mesmo tempo, intimado de acordo com a determinação contida no art. 16 da Lei 9.317/96, a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, sua escrita contábil e fiscal relativa ao ano calendário de 2006, elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais e revestidos das formalidades legais que os tomem aptos para determinar o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos pelo regime de tributação com base no Lucro Real. Na impossibilidade de fazêlo informar por escrito. Transcorrido o prazo estipulado no Termo de Ciência e Intimação Fiscal, até a presente data a fiscalizada não apresentou sua escrituração contábil relativa ao ano de 2006, nem qualquer justificativa para sua não apresentação. Em virtude da falta de elementos que permitissem a apuração do lucro real da fiscalizada, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, esta fiscalização, efetuou o arbitramento do lucro da empresa, no ano de 2006, nos termos do artigo 47 inciso III da Lei 8.981/95 c/c o artigo 530, inciso III do RIR/99, tomando por base os valores das receitas escrituradas em seus livros fiscais, conforme apuradas no Demonstrativo "Levantamento da Receita " anexo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 447 16 Diante do exposto, serão lavrados a seguir, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos, tendo como forma de tributação o arbitramento do lucro, para instruir a cobrança do crédito tributário correspondente. Esta fiscalização extraiu cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS relativo ao ano de 2006, e anexou ao presente processo. A lavratura destes autos de infração não restringe o direito da Fazenda Nacional de apurar outras irregularidades não detectadas na auditoria que ora se encerra, nos termos acima descritos. Não pode, portanto, ser entendido este termo como forma de quitação com relação ao período examinado, nem como qualquer óbice a que se realize um outro exame sobre o mesmo período. Este Termo é parte integrante dos Autos de Infração a seguir lavrados. Há de se salientar que em estrito cumprimento à legislação vigente e pelas características da operação determinada e realizada, a presente ação fiscal não se aprofundou na análise de outros elementos, por não lhe ter sido determinado, ficando ressalvado o direito de a Fazenda Nacional constituir créditos tributários relativamente a fatos ora não contemplados. As informações contidas no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 96 122, escriturado pela própria Recorrente é prova lícita que pode ser utilizada como evidência incontroversa da receita bruta por ela auferida no anocalendário de 2006. A divergência entre os valores das receitas escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS e aqueles informados na DSPJ, fls. 4883, caracteriza omissão de receitas quando não infirmada pela Recorrente. Ainda pela própria natureza do regime de tributação com base no lucro arbitrado não tem cabimento a dedução de despesas por vedação legal. Além disso a base de cálculo dos tributos está correta e foi calculada a partir do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária. O Livro Registro de Apuração de ICMS foi apresentado pela Recorrente, o que reforça o exame aprofundado para fins de apuração do ilícito tributário e a sua justa causa. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque o referido Livro Registro de Apuração de ICMS é de pleno conhecimento da Recorrente, que aliás, o escriturou com base nas informações contidas em seus assentos contábeis. Assim, diferente do entendimento da Recorrente não houve qualquer arbitrariedade na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, que foram levados a efeito nos estritos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. No presente caso também não houve presunção na apuração da omissão de receitas, já que a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício baseouse em provas diretas, em face das quais a Recorrente foi validamente cientificada para se defender. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 448 17 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em relação ao Auto de Infração PIS, a legislação citada ( art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) e atinente ao Cofins o enquadramento legal mencionado (parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002) estavam válidos no ordenamento jurídico à época da ocorrência dos fatos geradores, em conformidade com o art. 144 do Código Tributário Nacional. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 9. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.722217/201052 Acórdão n.º 1803002.171 S1TE03 Fl. 449 18 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10283.900221/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte
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ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 02 21 /2 00 9- 51 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 60 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0121.947 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 42 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 17.02.2005, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 15.120,19. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 05.03.2009 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 03.04.2009, manifestação de inconformidade (fl. 10/11) na qual alega: ‘1. A Manifestante é empresa devidamente estabelecida na Zona Franca de Manaus, gozando dos incentivos exercendo atividades no Pólo Industrial de Manaus desde 1985. 2. Dentre as atividades que exerce, destacase a industrialização e comércio de componentes de metal, alumínio e magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos, para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios. 3. Dentro deste contexto, a Manifestante é industria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante a utilização de matériaprima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 61 3 4. Após o processo produtivo, a Manifestante comercializa as partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero. no que diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social PIS COFINS. 5. Nos anos de 2001 e 2003 foi feito recolhimento a maior do que o calculado na Declaração de ajuste, ficando assim a empresa com imposto a pagar negativo, ou seja, a restituir na DIPJ de 2002 Anocalendário 2001 e de 2003 Anocalendário 2002 conforme pags. 13 e 18 da DIPJ (COPIA EM ANEXO, juntamente com os recibos de entrega e mais as PER DCOMPs e as cópias dos Darfs de pagamentos). Logo o valor recolhido foi maior que o devido. E assim podendo ser utilizado para a compensação, restando, à Manifestante, a opção de formular a PER DCOMP de compensação do valor pago indevidamente que lhe é de direito”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 06/06/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0121.947 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 08/07/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 46), a METALFINO DA AMAZONIA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0121.946, recorre em 08/08/2011 (fls. 47 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 62 4 Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2002, conforme DARF recolhido em 30/09/2002. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância e ratificada pelo Acórdão nº 0121.947 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas nºs 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, ao qual rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10283.900182/200991 na sessão de dezembro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.600, que teve a seguinte ementa “verbis”: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900221/200951 Acórdão n.º 1803001.977 S1TE03 Fl. 63 5 O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.”. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 10425.720038/2010-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 38 /2 01 0- 45 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de PIS apurado no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao quarto trimestre de 2005. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 225 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente aos débitos declarados na DCOMP, as compensações não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS (próprio), que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, que é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (art. 1º, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002). RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE BENS E SERVIÇOS. CONCEITO LEGAL. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 8.981/95). ICMS. “DESTAQUE” MERAMENTE INFORMATIVO. O ICMS ao contrário do IPI, por disposição legal (art. 13, § 1º e inciso I da Lei Complementar nº 87/96), incide “por dentro” do valor da mercadoria e não é cobrado de forma destacada do comprador, constituindo a informação do seu valor na Nota Fiscal mera indicação para fins de controle. Cientificada da decisão em 17 de dezembro 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 08 de janeiro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 226 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720038/201045 Acórdão n.º 3803006.160 S3TE03 Fl. 227 7 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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