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Numero do processo: 11829.720028/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/01/2009, 13/01/2009, 21/01/2009, 22/01/2009, 30/01/2009, 05/02/2009
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR.IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO
Nos termos da legislação de regência, a importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (Decreto lei nº 1.455/76, artigo 23, V).
DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN é decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 3402-003.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários, mantendo-se a multa objeto da presente lide à BWS Technology do Brasil e ENCOMEX Trading Comercial Importação e Exportação Ltda, respondendo, ainda, além da solidariedade entre importador e adquirente da mercadoria, o sócio direto da BWS BRASIL, Sr. GUNNAR JOHANSEN, e ERIC MONEDA KAFER sócio administrador da ENCOMEX. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral a todos os recursos. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
O Dr. Gustavo Minatel, OAB nº 210.198 (SP), sustentou pela empresa BWS Technology do Brasil Indústria de Máquinas Ltda. e pela pessoa física do Sr. Gunnar Johansen.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/01/2009, 13/01/2009, 21/01/2009, 22/01/2009, 30/01/2009, 05/02/2009 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR.IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO Nos termos da legislação de regência, a importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (Decreto lei nº 1.455/76, artigo 23, V). DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN é decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 28 /2 01 2- 91 Fl. 1297DF CARF MF 2 Recursos Voluntários Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários, mantendose a multa objeto da presente lide à BWS Technology do Brasil e ENCOMEX Trading Comercial Importação e Exportação Ltda, respondendo, ainda, além da solidariedade entre importador e adquirente da mercadoria, o sócio direto da BWS BRASIL, Sr. GUNNAR JOHANSEN, e ERIC MONEDA KAFER sócio administrador da ENCOMEX. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral a todos os recursos. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Dr. Gustavo Minatel, OAB nº 210.198 (SP), sustentou pela empresa BWS Technology do Brasil Indústria de Máquinas Ltda. e pela pessoa física do Sr. Gunnar Johansen. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 19/09/2012, para constituição de crédito tributário no valor de R$ 1.266.813,65, referente à multa prevista no § 3º do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com o art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03 conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. O caso vertente não se refere à interposição presumida, mas à simulação tendente a ocultar o real provedor dos recursos, portanto o real adquirente das mercadorias objeto da lide (encomendante predeterminado), como destacou a fiscalização às fls. 27/29 do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração (fls. 11/73). As declarações de importação registradas em 2009, pela empresa ENCOMEX TRADING BRASIL (como importador e adquirente), foram as seguintes: n° 09/00413659, 09/00471217, 09/00483827, 09/00879224, 09/00884465, 09/00905047, 09/00918483, 09/00920933, 09/01264479, 09/01529197 e 09/0153759934, e tiveram como exportador e produtor a BWS ALEMANHA (fls. 501/545). Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.298 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 1652.251, de 31/10/2013, prolatada pela 11ª Turma da DRJ em São Paulo1 (SP), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 1.105/1.129): "(...) Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração e do relatório de ação fiscal, que a autuada promoveu importações no ano de 2009, sendo selecionada para procedimentos especiais de combate à interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior. No decorrer da ação fiscal gerenciada pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF)n° 0817700.2010.000507, pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) e diligências foram realizadas, e intimações foram expedidas ao importador e a outras pessoas. Findos os procedimentos, concluiu a fiscalização que a BWS TECHNOLOGY DO BRASIL INDÚSTRIA DE MÁQ. LTDA (doravante denominada BWS BRASIL) foi ocultada em operações de importação realizadas em nome da ENCOMEX TRADING COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (doravante denominada ENCOMEX) que simulou importações em seu nome. O caso vertente não se refere à interposição presumida, mas à simulação tendente a ocultar o real provedor dos recursos, portanto real adquirente das mercadorias objeto da lide, como destacou a fiscalização às fls. 28 do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. A fiscalização baseou suas conclusões em razão das seguintes constatações que transcrevo: “A BWS TECHNOLOGY DO BRASIL INDÚSTRIA DE MÁQUINAS LTDA, CNPJ 09.179.682/000116, é uma empresa que possui em seu quadro societário a empresa alemã BWS TECHNOLOGY INTERNATIONAL GMBE (BWS ALEMANHA). Esta é a empresa fabricante de todos os produtos importados pela ENCOMEX, que posteriormente foram vendidos à BWS BRASIL. As declarações de importação registradas pela ENCOMEX n° 0900413659, 0900471217, 0900483827, 0900879224, 0900884465, 0900905047, 0900918483, 0900920933, 0901264479, 0901529197 e 090153759934, tiveram como exportador e produtor a BWS ALEMANHA. A resposta da BWS BRASIL ao Termo n° 01 – Início de ação fiscal “diligência” e intimação, referente ao MPFD 0817700.2011.005979, confirma o que todos os indícios e provas apontavam: a ENCOMEX presta serviço de importação sem a devida observação da legislação em vigor. O texto da resposta é claro (não destacado no original): (...). O contrato firmado entre BWS e ENCOMEX – “contrato de compra e venda de equipamentos industriais importados e outras Fl. 1299DF CARF MF 4 avenças” – mostra que aquela adiantaria os recursos a esta para que realizasse as importações. E os seus registros contábeis e os extratos bancários da BWS confirmam que ela efetivamente adiantou os referidos recursos: A data do contrato é 15 de dezembro de 2008. Não há selo cartorário de reconhecimento de firma.” Tendo em vista o disposto no art. 95, V, do Decreto Lei nº 37/66 (art. 603, V, do RA/2002), foi considerada responsável solidária a ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e, responsáveis nos termos do artigo 135 do CTN os abaixo indicados: Da parte da empresa BWS BRASIL: IVOR FAZZIONI – CPF 775.745.16804; Representante da BWS Alemanha, que possui participação societária na BWS BRASIL na época dos fatos; (impugnação fl. 896/912); GUNNAR JOHANSEN – CPF 126.957.22885 Sócio direto da BWS BRASIL na época dos fatos; (impugnação fl. 974/991); ULRICH PETER JOHANSEN CPF 035.570.73815 Sócio indireto da BWS BRASIL Sócio da WESTFALIA SERVICE CENTER CNPJ 03.361.309/000103, que possui participação societária na BWS BRASIL, na época dos fatos; (impugnação fl.838/856); WULF JOHANSEN 463.376.28853 sócio indireto da BWS BRASIL – sócio da WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA, CNPJ 03.361.309/000103, que possui participação societária na BWS BRASIL, na época dos fatos; (impugnação fl.949/967). Da parte da empresa ENCOMEX – CNPJ 07.069.077/ 000167; (impugnação 1.066/1.081); ERIC MONEDA KAFER CPF 292.322.99836 Sócio administrador da ENCOMEX, detentor de 99,0% das quotas; (impugnação fl. 1.006/1015); VERA LUCIA MONEDA KAFER CPF 256.816.37808; Sócia da ENCOMEX, detentora de 1% das quotas, CPF 256.816.37808; (impugnação fl.1.020/1.039); SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO – CPF 263.064.55841 Funcionária da ENCOMEX. (impugnação fl. 1.044/1.062). Constas as fls. 749 do processo “RETIFICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO AOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS” para inclusão como responsável solidária pelas infrações apontadas ao auto de infração à empresa WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA – CNPJ 03.361.309/000103. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.299 5 Devidamente intimados do Auto de Infração, os interessados apresentaram suas impugnações. Da Impugnação da BWS BRASIL A interessada BWS TECHNOLOGY DO BRASIL INDÚSTRIA DE MÁQUINAS LTDA apresentou a impugnação de fls. 917/943, em 26/10/2012, onde, em síntese do necessário alegou: todas as operações de remessa de numerário foram feitas entre contas bancárias dos envolvidos (BWS e Encomex), e houve pagamento de todos os tributos incidentes nas operações, tudo devidamente escriturado e com emissão dos respectivos documentos fiscais (notas fiscais de entrada e saída); a autuada por cometimento da infração de ocultação do verdadeiro comprador da mercadoria na operação de importação (na Dl) foi a Encomex, infração esta prevista no artigo 23, incisos IV e V do DL 1455/72 e seu parágrafo 3o (conversão da pena de perdimento em multa se a mercadoria já tiver sido consumida); não consta do Relatório Fiscal nenhuma fraude (vantagem ilícita para deixar de pagar tributo) cometida no interesse da BWS; aliás, houve afirmação de que a infração independe da intenção do agente. De qualquer forma, tal afirmação do fisco é contraditória, pois a penalidade de ocultação do real comprador mediante fraude ou simulação, é sempre uma infração dolosa, que vislumbra alguma vantagem ilícita (hipótese que não ocorreu neste processo, pelo menos no tocante à Impugnante); no caso dos autos, no tocante aos atos praticados pela Impugnante não há que se falar em fraude, pois até poderia existir fraude se as empresas pretendessem esconder algo, por exemplo, para evitar o pagamento de IPI na saída do estabelecimento do terceiro (acusação comum neste tipo de autuação). Mas como se viu, a BWS já é indústria e contribuinte de IPI, e ainda submeteu a mercadoria a operação de industrialização no país; apenas não houve pagamento de IPI pelo fato de a mercadoria estar sujeita à alíquota zero. Mas no contrato que assinou com sua cliente Andrade Açúcar e Álcool a BWS Brasil ressalvou que além do preço avençado, poderia ser cobrado IPI, se incidente na época da operação; por parte da Encomex, que comprou a mercadoria do fornecedor estrangeiro (adquirindo a propriedade) para depois revendêla à BWS, também não houve, que seja do conhecimento da Impugnante, qualquer vantagem relativa à operação comercial levada efeito; e se todos os tributos foram pagos nessas importações, e nenhuma vantagem ilícita adveio para a Impugnante, parece claro que não se concretiza a infração imputada de ocultação mediante fraude; se não houve fraude, que a fiscalização não conseguiu indicar, também não houve simulação, que o fisco tentou afirmar que Fl. 1301DF CARF MF 6 tivesse ocorrido, ao citar utilização de documento falso (mas mesmo que tivesse havido, o que se levanta apenas par argumentar, seria no tocante à Dl feita pela importadora, e fatura comercial emitida pelo exportador, documentos não preenchidos pela Impugnante). A fiscalização confundiu documento falso, com pretenso engano de preenchimento da Dl cometido pela importadora (que não interpretou que estivesse fazendo uma importação por conta e ordem de terceiros); a DI não é falsa, pois foi preenchida pelo importador, descreveu corretamente a mercadoria e deu ensejo ao recolhimento dos tributos devidos; a única acusação do Fisco é que a BWS a seu ver, é a verdadeira adquirente dos bens, porque a Trading recebeu adiantamentos, por faturamento futuro. Ocorre que muitos foram os adquirentes, na cadeia de negócios que se entabulou (e a iniciativa de fazer negócios é livre no país); e se engano houve (sem dolo ou vantagem indevida), as consequências seriam outras, que não o perdimento. As conseqüências seriam aquelas previstas nos artigos 77 a 81 da MP 215835; a legislação do Espírito Santo admite que as tradings façam o despacho em seu nome, podendo receber, em relação ao ICMS que recolhem por conta das importações, empréstimos em dinheiro de parte desse valor, que depois quitam em leilões, por 10% do valor da dívida; a infração dolosa de ocultação do real adquirente, normalmente envolve dinheiro ilícito, cuja titularidade não pode ser conhecida. Não se estará ocultando comprador no mercado interno, se a compra ocorre com emissão de Nota Fiscal e escrituração da origem dos recursos e identificação de cada comprador; é preciso ter em mente o que significa a expressão "recursos de terceiros". Devemos partir do princípio de que um comerciante só obtém dinheiro de seus próprios clientes, como regra, no exercício de sua atividade econômica. E se compra mercadorias para depois revender, só pode pagar essas compras com o que recebe dos clientes; o acobertamento teria de possuir um objetivo ilícito, que não foi apontado nem comprovado. Não há contratos comerciais entre a impugnante e o fornecedor estrangeiro; não há faturas comerciais e contratos de câmbio em seu nome; não há contrato de prestação de serviços entre a impugnante e a Trading; a partir do pagamento de adiantamento ou sinal, o capital se torna próprio da Trading, devidamente escriturado, não podendo mais ser denominado capital de terceiros (este sim, aquele cuja origem não é comprovada); a pena de perdimento não comporta solidariedade de terceiros, pois recai apenas sobre o proprietário ou coproprietários da mercadoria que além do mais são autores ou coautores na infração (só perde a propriedade quem a detém). A conversão em pena substitutiva de 100% do valor da mercadoria, não modifica Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.300 7 a essência da penalidade, e também não pode ser estendida a terceiros; é totalmente inusitado falar em solidariedade em matéria de infrações; a Pena de Perdimento não comporta solidariedade de terceiros, pois recai apenas sobre o proprietário, ou coproprietários da mercadoria, que também forem autores da infração prevista na lei. Da mesma forma, a pena substitutiva de 100% do valor das mercadorias, que tem a mesma razão de ser. A responsabilidade solidária, por outro lado, é uma forma de garantia, onde mais de uma pessoa pode ser chamada a pagar tributo ou penalidade tributária. no caso como o dos Autos, fica patente que a lei exige a análise objetiva da conduta da Impugnante para lhe imputar responsabilidade pela prática da infração. No tocante à Impugnante, conforme consta do processo, nunca houve má fé, e nenhum prejuízo foi causado à Fazenda nacional. Se constatado que o imputado não teve culpa, e que o descumprimento de norma decorre de razões que escaparam ao seu controle, a sanção não pode ser aplicada; com efeito, está sobejamente demonstrado no caso dos autos que não houve prejuízo ao erário assim como a Impugnante não teve participação direta nas atividades que resultaram na aplicação da penalidade; face ao que se expôs, solicita a Impugnante ser retirada do pólo passivo da autuação, porque não praticou a infração de inserção de informação errônea na Dl, nem agiu com dolo, conforme exige a penalidade, não tendo auferido qualquer vantagem ilícita; pede que seja analisado seu pedido de relevação da penalidade. Das Impugnações de IVOR FAZZIONI, GUNNAR JOHANSEN, ULRICH PETER JOHANSEN e WULF JOHANSEN Os Impugnantes IVOR FAZZIONI, GUNNAR JOHANSEN, ULRICH PETER JOHANSEN e WULF JOHANSEN, sócios diretos e indireto este último, da BWS BRASIL, WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA apresentaram suas impugnações com as mesmas alegações: a fiscalização se equivocou ao utilizar o artigo 135 do Código Tributário Nacional para fundamentar o arrolamento de responsáveis solidários por infração aduaneira cometida pela ENCOMEX, porque não compreendeu o sentido do artigo, que não autoriza tal procedimento; a Pena de Perdimento não comporta solidariedade de terceiros, pois recai apenas sobre o proprietário, ou coproprietários da mercadoria que também forem autores da infração prevista na lei. Da mesma forma, a pena substitutiva de 100% do valor das mercadorias, que tem a mesma razão de ser; Fl. 1303DF CARF MF 8 desde a edição da Lei 11.488/2007, o empréstimo de nome em operação de importação, com disponibilização de documentos próprios, para realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários, tem nova penalidade, de 10% do valor das mercadorias; é importante observar ainda que mercadoria objeto de pena de perdimento, está fora do campo de incidência do imposto de importação (aplicado o perdimento não há que se falar em exigência do imposto de importação, e portanto dispositivos legais sobre tributo não são aplicáveis ao assunto) nos termos do Regulamento Aduaneiro/2002; a fiscalização confundiu um caso de responsabilidade tributária por transferência (onde o responsável substitui o contribuinte, que fica excluído do polo passivo)com responsabilidade solidária; a autora da infração de não indicação na Dl de que se tratava de importação por conta e ordem de terceiro foi a Encomex, que fez a importação e preencheu e registrou a Dl. A lei aduaneira não inclui como responsável por substituição, e nem como responsável solidário, sócios de outras empresas que sequer participaram do preenchimento da Dl, nem atuaram na importação, até porque a personalidade da pessoa jurídica não se confunde com a dos sócios; requer seja retirado do pólo passivo do Auto de Infração. Da Impugnação da ENCOMEX a conclusão do A. I. é genérica e não possibilita ao ora Impugnante, detidamente impugnálo, ou seja esta eivado de incorreção formal passível de nulidade por cercear o direito de defesa do contribuinte; requer em preliminar, que a RFPF, seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal, principalmente porque será demonstrado no mérito ausência do dolo específico; de tal modo, tornase impossível a Representação de ilícito penal ao Ministério Público antes do transito em julgado da decisão administrativa por previsão expressa do art. 83 da Lei nº 9.430/96; no mérito, o ônus da prova não é da Impugnante. Se o contribuinte não realizou o pagamento de algum tributo compete exclusivamente ao fisco demonstrar que o fato jurídico tributário ocorreu. Essa demonstração há de ser inequívoca já que se constitui no fato básico para autorizar o reconhecimento da fenomenologia da incidência; sendo assim, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida “pro réu”, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, em tese, se os argumentos expostos pela empresa Autuada (ENCOMEX) não forem acolhidas em suas razões de impugnação; Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.301 9 todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer tipo de simulação, logo, não ocorreu o dano ao Erário, que todos os tributos foram pagos, que o lançamento foi feito com base apenas em indícios; em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro – que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo; somase a isso a autuação em outro Processo Administrativo Fiscal nº 11.829.720.027/201247 como responsável solidário negligencia o principio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta, ou seja, a aplicação de duas penalidades para a mesma ocorrência, decorrentes da mesma natureza; o Legislador, nunca intentou apenas duas vezes o mesmo infrator, forçoso assim, que se fosse o caso de multa autuada (ENCOMEX) só poderia responder apenas e tão somente pela cessão de seu nome, nos termos da legislação vigente (art. 727 do Regulamento Aduaneiro 2009) e também o art. 33, caput, da Lei 11.488/2007; portanto, a ora Impugnante não poderá ser apenada em duplicidade; a empresa Impugnante realizou importação por conta própria, ou seja, adquiriu as mercadorias no exterior, em seu nome, sendo responsável pelo fechamento e liquidação do contrato de câmbio com recursos próprios devidamente habilitada no Sistema Radar da Secretaria da Receita Federal do Brasil; as operações objeto da presente autuação foram realizadas integralmente com recursos próprios da Impugnante; a venda quando efetuada a empresa BWS BRASIL é caracterizada como uma operação mercantil no mercado interno, foi atribuída como uma operação de compra e venda normal (ICMS, IPI e PIS/COFINS) sobre as receitas auferidas. Não há que se falar em sonegação fiscal, quebra de cadeia no recolhimento do Imposto de Importação; a fiscalização capitulou equivocadamente a responsabilidade tributária da empresa ora Impugnante, nos termos do At. 135 do CTN, portanto, flagrante erro na capitulação legal caracterizando vício material, que acarreta na nulidade do Processo Administrativo Fiscal; é de se estranhar a “supressão” de documentos apresentados nas respostas às intimações que corroboram com esta defesa no sentido de demonstrar sua capacidade econômica, financeira e estrutural da empresa; requer seja o ora Processo Administrativo Fiscal, impugnado julgado totalmente improcedente e insubsistente; protesta pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Das Impugnações de ERIC MONEDA KAFER, VERA LÚCIA MONEDA KAFER e SHEILA TATIANA TOMAZ Fl. 1305DF CARF MF 10 MARAZZATTO Quanto aos Impugnantes da parte da empresa ENCOMEX temos: ERIC MONEDA KAFER apresentou os mesmos argumentos apresentados pela empresa ENCOMEX ; VERA LUCIA MONEDA KAFER apresentou, também os mesmos argumentos da ENCOMEX, acrescentando ainda que não restou evidenciada a incidência da referida responsabilização tributária, já que a Impugnante é detentora de tão somente 1.500 (hum mil e quinhentas) quotas das 150.000 que a empresa possui, ou seja, 1% (um por cento)da sociedade, não exercendo qualquer poder de gestão, nem tão pouco de gerência. Alegou ainda que: durante o MPF nº 0817700.2010.000507 (relativo empresa ENCOMEX) em momento algum restou comprovado que a Sra. Vera Lúcia exercia poderes de gestão, sendo está tão somente uma sócia minoritária, que servia tão somente para compor o contrato social; com relação ao MPF nº 0817700.2012.001403, a ora Impugnante sequer foi intimada para apresentar qualquer documento, estando relacionada como devedora solidária, tão somente por ser sócia minoritária da empresa ENCOMEX; as demais tipificações da responsabilidade solidária previstas nos demais incisos do art. 95, do Decretolei nº 37/1966 também não lhe é aplicável. SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO, também apresentou os mesmos argumentos da ENCOMEX, acrescentando que: não restou evidenciada a incidência da referida responsabilização tributária, já que a Impugnante era tão somente secretária particular do Sr. Erick Moneda Kafer, sócio diretor da Encomex, e em razão dessa relação de assistência pessoal, aceitou ser mandatária desse sócio da Empresa autuada, sem qualquer vínculo trabalhista, resumindose a representar seu mandante nos estritos atos a ela publicamente permitidos; os atos que praticou através do mandato público EM NENHUM MOMENTO foram realizados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social e estatuto, como restou evidenciado (ou melhor faltou evidenciar) no indigitado procedimento fiscal; em nenhum momento esse órgão fiscalizador SEQUER APONTOU a relação entre os atos infracionais e a atuação da Impugnante, ou qualquer ato em que esta tenha extrapolado seus limitados poderes ou agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, como exige o art. 135 CTN; durante todo o MPF n.° 0817700.2010.00050¬ 7 (relativo empresa ENCOMEX), em momento algum restou comprovado que a Sra. Sheila exercia poderes de gestão, sendo está tão somente uma secretária; durante o MPF 0817700.2012.001403, sequer a ora Impugnante foi intimada para apresentar qualquer documento, nem tão pouco sabia da existência do referido procedimento, estando figurando como devedora solidária pelo simples fato de ser secretária pessoal do Sr. Eric Moneda Kafersócia da empresa ENCOMEX; não gozava de poderes de gestão direta do negócio, e em se tratando de uma empresa de comércio exterior, a mesma nunca Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.302 11 contratou, não importou, não procurou clientes, não conduziu reuniões, NÃO AFERIU VANTAGENS; requer a exclusão de sua responsabilidade solidária, protestando pela juntada de provas em direitos admitidas. É o Relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/01/2009, 13/01/2009, 21/01/2009, 22/01/2009, 30/01/2009, 05/02/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (Decreto Lei nº 1.455/76, artigo 23, V). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE SUSPENSÃO DE SUA TRAMITAÇÃO. ART. 83 DA LEI 9.430/96. PEDIDO NÃO CONHECIDO. Não compete a esta instância administrativa qualquer ingerência no trâmite da representação, que, sendo peça destinada ao Ministério Público, de regra, acompanha incólume o desenrolar da lide tributária até a decisão final no processo administrativo. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN é decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Para que se possa considerar uma pessoa como sujeito passivo solidário em relação a determinada infração, é necessário que se comprove que esse concorreu, de alguma forma, para a prática da mesma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posto isto, vamos às Intimações e aos Recursos Voluntários. A Recorrente (BWS Technology do Brasil, doravante denominada de BWS BRASIL) foi regularmente intimada em 20/11/2013 às fl. 1.150, data da ciência dos arquivos no Portal eCAC. Em 03/12/2013 (fl. 1.155), apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 1.155/1.192. Fl. 1307DF CARF MF 12 A empresa ENCOMEX TRADING (doravante denominada de ENCOMEX), após devolução do ARCorreios (fl. 1.148), foi intimada por EDITAL, afixado em 02/dezembro/2013 e com vencimento em 16/janeiro/2014, conforme Edital/Alf/Secat nº 38, de 02/12/2013 (fl. 1.153). Em 11/12/2013, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1.252/1.267. O responsável Sr. GUNNAR JOHANSEN (administrador da BWS), foi intimado em 11/11/2013 (AR, fl. 1.142) e protocolou seu Recuso Voluntário em 03/12/2013, conforme fls. 1.205/1.237. O responsável solidário, Sr. ERIC MONEDA KAFER, foi intimado em 11/11/2013 (AR fl. 1.140) e apresentou seu recurso voluntário em 11/12/2013, conforme fls. 1.242/1.249. (i) Quanto ao recurso da Recorrente BWS BRASIL, reforça as seguintes razões, em resumo: solicita ser retirada do polo passivo da autuação, porque não praticou a infração de inserção de informação errônea na Dl, nem agiu com dolo, conforme exige a penalidade, não tendo auferido qualquer vantagem ilícita; também porque os artigos do CTN invocados, sobre responsabilidade tributária, não se ajustam à situação dos autos; acrescenta que a pena de perdimento (ou sua conversão em multa), aplicada à ENCOMEX não se comunica com terceiros, por ser exclusiva do proprietário da mercadoria no momento do cometimento da pretensa infração, e ainda exclusiva de quem a praticou; pede o cancelamento da autuação, porque entende que a infração indicada pelo fisco não ocorreu, visto que o "tipo" exige fraude ou simulação, ausente no caso dos autos; no máximo, houve engano de interpretação da legislação, por parte da importadora ENCOMEX, face aos fatos ocorridos. E para esse erro existe a penalidade prevista no artigo 711 do RA; o CTN, que traz diretrizes para a elaboração da lei ordinária, estabelece que as infrações são objetivas (independem da intenção do agente) quando não forem dolosas; sendo o dolo parte do "tipo" (caso da infração de que trata este processo), a responsabilidade é pessoal do agente (quem comete a infração, conforme artigo 137, do CTN); quanto ao pretenso adiantamento de recursos, reafirma que adiantamento de pagamento de mercadoria, decorrente de contrato onde existe promitente comprador, não configura a seu ver "recurso de terceiros", normalmente desvinculado de qualquer operação comercial e normalmente de origem licita. Sinal de pagamento, quando recebido formalmente pelo vendedor, decorrente de contrato de promessa de compra e venda, e sujeito à tributação (tributos internos), passa a ser recurso do comerciante que o recebe (faturamento capital de giro da empresa vendedora). O que a lei pune com o perdimento é a ocultação dolosa de terceiro cujo capital tem origem ilícita ou não comprovada; que a Pena de Perdimento é a mais gravosa da legislação aduaneira, e não poderia ter sido escolhida pelo legislador para penalizar infrações de baixo potencial ofensivo. Ela foi instituída para infrações graves, que causam grandes prejuízos, e altamente condenáveis. É o caso do contrabando e do descaminho, elencados para esse mesmo tipo de sanção; e por esse motivo que a ocultação do sujeito passivo ou do real comprador de mercadoria importada, só é punida com o Perdimento, se essa ocultação tiver ocorrido mediante fraude ou simulação, infrações onde o dolo é inerente e onde a vantagem ilícita e o prejuízo a terceiros devem estar necessariamente presentes. Sem a fraude ou simulação, estaríamos frente a um simples engano de preenchimento de documentos, ou de interpretação da legislação, para os quais há outras punições mais brandas na legislação; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.303 13 se não houver fraude nem simulação, e por decorrência um propósito de obter vantagem ilícita e prejudicar terceiros (no caso, a Fazenda Pública) não haveria justificativa para tão gravosa penalidade de perda da propriedade, por vezes substituída pela altíssima multa de 100% do valor das mercadorias; ocorre que nem sempre a fiscalização encontra dano, fraude ou simulação. E todas essas situações são necessárias para penalizar. Há uma banalização do significado dessas expressões, a ser reparada pelos Órgãos de julgamento; não havendo fraude ou simulação, a Pena de Perdimento não é cabível. Mas se por engano ou divergência na interpretação da legislação, o importador, se encontrar em uma situação fática de importação por conta e ordem ou por encomenda, e omite (por equívoco, e não por fraude) essa informação na DI, a penalidade cabível seria a prevista no artigo 711, III, e seu parágrafo 1º, I, do RA (1% do valor das mercadorias), além da exigência dos tributos internos que deixaram de ser recolhidos (IPI, PIS, COFINS.IR, etc.), com as penalidades cabíveis por falta de pagamento. É o que prevê o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. se de tudo entenderem os ilustres julgadores que a penalidade é cabível, e a responsabilidade pela pena de perdimento também se aplica à Recorrente, pede que seja analisado seu Pedido de Relevação da penalidade, com base no art. 736 do RA. (ii) A recorrente ENCOMEX BRASIL, argumenta as seguintes razões, resumidamente: Preliminarmente, requer que a RFFP, seja emitido após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal, por acreditar que não há dolo, conforme previsão expressa do art. 83 da Lei nº 9.430/96. No Mérito, aduz que a referida decisão indeferiu a impugnação apresentada pelo Recorrente, entendendo que a empresa ENCOMEX, importou mercadorias em nome de outra empresa, o que caracterizaria a interposição fraudulenta; que o ônus da prova cabe ao Fisco, portanto, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida "pro réu", ainda que solidária da ora Recorrente, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 (art. 727, do Decreto nº 6.759/09 RA), se os argumentos expostos não forem acolhidas em suas razões de Recurso. por conseguinte, há flagrante erro na capitulação legal dos lançamentos tributários que origina o presente PAF, devendo ser reconhecida a nulidade do Auto de Infração, em vista do bis in idem (vício formal na capitulação legal). em relação a solidariedade, a fiscalização capitulou equivocadamente a responsabilidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 135 do CTN, portanto, flagrante erro na capitulação legal caracterizando vício material, que acarreta na nulidade do PAF; que a solidariedade está prevista ha legislação pátria consubstanciada nos arts. 121, 124 e 136 do Código Tributário Nacional; a responsabilidade por infrações é prevista no art. 95, do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, Medida Provisória 2.15835/2001 e pela Lei 11.281/2006. Não demonstrou a Fiscalização em qual capitulação legal é a Fl. 1309DF CARF MF 14 responsabilidade da ora Recorrente, o que fatalmente impossibilita sua defesa, ocasionando seu cerceamento de defesa; Dos vícios formais que maculam o Auto de Infração: informa que foram "suprimidos" documentos que atestam e afastam a acusação de interposição fraudulenta presumida ou comprovada: os emails de negociação com diversos exportadores, passagens aéreas, passaporte do Administrador da Encomex, catálogos dos produtos negociados, contas telefônicas demonstrando as chamadas internacionais realizadas. É de estranhar que a Fiscalização aduza que não foram dados esses esclarecimentos. Na verdade o foram e principalmente consubstanciado nos documentos protocolizados. Ausência de dano aos cofres públicos em virtude da natureza das mercadorias importadas nas DI relacionadas nos autos, estão sujeitas a alíquota zero do IPI. Assim, necessário o reconhecimento de ausência de dano ao Erário. (iii) Já o responsável solidário Sr. GUNNAR JOHANSEN, que foi arrolado como solidário e alega que na época era o Administrador e não sócio da empresa BWS. conforme consta do PAF, foi firmado um contrato de compra e venda de mercadoria importada, entre a BWS e a ENCOMEX, tendo a BWS explicado á Fiscalização que na época era uma empresa embrionária e para realizar um de seus primeiros negócios no Brasil, necessitava que fossem importadas mercadorias da BWS Alemanha, para atendimento de um pedido de cliente no Brasil (vide Termo de Declaração no processo); que o único erro encontrado pela Fiscalização foi o preenchimento da DI por parte da ENCOMEX e a modalidade de importação por esta escolhida. Segundo o Fisco esta deveria ter declarado importação por encomenda, ou por conta e ordem de terceiro (sem precisar exatamente qual modalidade deveria ter sido declarada); havia no contrato com a ENCOMEX, cláusula prevendo que os custos incorridos na operação de importação seriam transferidos para a BWS Brasil, conforme iam ocorrendo, como uma espécie de adiantamento do faturamento que ocorreu logo após o desembaraço aduaneiro; que a ENCOMEX revendia a mercadoria à BWS Brasil, computando todos os custos, inclusive transporte interno, mais margem de lucro de 3%. No contrato firmado, a Encomex comprava a mercadoria do fornecedor estrangeiro, e a revendia com margem de lucro à BWS Brasil; que o fundamento legal invocado pelo Fisco para arrolálo como responsável solidário foi o artigo 135 do CTN, de forma equivocada, pois não consta do Relatório Fiscal nenhuma fraude (vantagem ilícita para deixar de pagar tributo) cometida no interesse da BWS, nem nenhum ato ilícito ou praticado com excesso de poderes pelo Recorrente. Responsabilidade na pena de perdimento e que não há solidariedade, mas coautoria. Requer, ao final, que seja analisado o pedido de Relevação da Penalidade do Perdimento no caso em apreço, tendo em vista que o Recorrente atende o que disciplina o artigo 736 do Regulamento Aduaneiro. (iv) O responsável solidário Sr. ERIC MONEDA KAFER, preliminarmente requer que a RFFP, seja emitido após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal, por acreditar que não há dolo, conforme previsão expressa do art. 83 da Lei nº 9.430/96; Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.304 15 No Mérito, alega que considera absurdas as acusações que lhe forma impostas e que o ônus da prova não cabe ao Recorrente, mas sim ao Fisco; que todas as operações foram registradas na contabilidade e que não houve nenhum tipo de simulação, todos os tributos foram pagos, mão houve adiantamento de recursos e portanto não há que se falar em dano ao Erário. que o legislador, nunca teve o intento de apenar por duas vezes o mesmo infrator (bis in idem multa da mesma natureza), que se fosse o caso de aplicação da multa respectiva, o sócio da pessoa jurídica autuada (ENCOMEX), só poderia responder apenas e tão somente pela cessão de seu nome, nos termos do art. 33, da Lei nº 11.488/2007 e art. 727 do Decreto nº 6.759, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator 1. Da admissibilidade dos recursos Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade dos Recursos voluntários apresentados, deles se tomam conhecimento. Antes de analisarmos o mérito propriamente dito da autuação, vamos apreciar algumas preliminares suscitadas pelos Recorrentes. 2. Do formato adotado para a apreciação dos recursos Ressaltese que para análise e julgamento dos argumentos apresentados nos recursos dos Recorrentes, foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. 3. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração Foi alegado em recurso, a presença de vícios formais que maculam o Auto de Infração. Alega falta de motivação, que foram "suprimidos" documentos que atestam e afastam a acusação de interposição fraudulenta presumida ou comprovada. Que há flagrante erro na capitulação legal dos lançamentos tributários que origina o presente PAF, devendo ser reconhecida a NULIDADE do Auto de Infração, em vista do bis in idem (vício formal na capitulação legal). Consta ás fls. 6/8, na descrição dos fatos da peça vestibular, "001 MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA, aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face à revenda para terceiros (o importador revendeu a terceiros). Enquadramento legal: Art. 602, 604, inciso IV, 618 e §1° do Decreto n° 4.543/02 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. Artigo 23, V, §3º, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02, combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. Fl. 1311DF CARF MF 16 Há que se destacar também, que o Termo de Verificação Fiscal/Folha de continuação do Auto de Infração é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 11/73), no seu item 8 (Das penas administrativas e dos Responsáveis), Portanto não assiste razão os Recorrentes neste tópico. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, observase que o auto de infração, teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. Todos os Recorrentes foram cientificados da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolaram seus recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Fisco não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.305 17 No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 4. Do alegado principio da boa fé A recorrente alega que não praticou a infração de inserção de informação errônea na Dl, nem agiu com dolo, conforme exige a penalidade, não tendo auferido qualquer vantagem ilícita; também porque os artigos do CTN invocados, sobre responsabilidade tributária, não se ajustam á situação dos autos. Alegou a BWS, que a lei exige a análise objetiva da conduta da Recorrente para lhe imputar responsabilidade pela prática da infração, e conforme consta do processo, nunca houve má fé. Vejase o dispositivo do artigo 136 do Código Tributário Nacional, no tópico sobre a Responsabilidade por Infrações: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, como bem pontuado pela decisão a quo, ainda agindo de boa fé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, a Recorrente não pode se furtar de sua responsabilidade. O CTN, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações tributárias, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, ou seja, desconsidera a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos à Fazenda Pública. A boa fé alegada não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boa fé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. 5. Pedido de Suspensão da Representação Fiscal p/ Fins Penais (RFFP) Fl. 1313DF CARF MF 18 Os Recorrentes requerem que a Representação Fiscal para Fins Penais seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa, quando ficará demonstrado no mérito ausência do dolo específico uma questão prejudicial ao julgamento da aplicação da multa cobrada neste processo, pelo que impõese a suspensão do caso até o fim do processo. Cabe esclarecer que, a RFFP, no caso de constatada a ocorrência de crime contra a ordem tributária, é peça destinada ao Ministério Publico Federal, na formação do juízo de acusação, como titular da ação penal que é. Não cabendo, pois, a esta instância administrativa qualquer ingerência no trâmite da representação, que, de regra, acompanha incólume o desenrolar da lide tributária até a decisão final no processo administrativo, consoante dicção do art. 83 da Lei 9.430/96. Por conseguinte, com base na Súmula CARF nº 28, não conheço do pedido de suspensão da representação fiscal. Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 6. Dos responsáveis solidários Primeiramente, fazse observar o que dispõe o art. 29 do Código Penal, acerca de concurso de pessoas: Código Penal TÍTULO IV DO CONCURSO DE PESSOAS Art. 29 – Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) De acordo com o TVF (fls. 62/64), foram os seguintes as PJ e PF, considerados responsáveis solidárias: Com base no art. 95, do DecretoLei 37, de 1966, que dispõe acerca das pessoas que respondem pelas infrações, no caso concreto, a ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e a BWS TECHNOLOGY DO BRASIL INDUSTRIA DE MAQUINAS LTDA, respondem solidariamente, por força do inciso V, do referido artigo, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835/2001. Tal dispositivo legal implicou ainda, na visão da fiscalização, a inclusão das pessoas físicas a seguir (relacionadas em tabelas nas duas primeiras páginas deste documento), pelos motivos correspondentes: (a). Eric Moneda Kafer: sócio da ENCOMEX; (b). Vera Lúcia Moneda Kafer, sócia da ENCOMEX; (c). Sheila Tatiana Tomaz Marazzatto, empregada de fato da ENCOMEX. Apesar de não ter sido registrada regularmente pela ENCOMEX, apesar de ERIC ter alegado que SHEILA seria sua secretária particular, encontraramse diversos documentos que indicam que SHEILA efetivamente trabalhava para a ENCOMEX, incluindo procuração para movimentar a conta bancária da empresa junto ao Banco do Brasil. Vide item 12.18 Documentos referentes a SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO e a ROSÂNGELA DO AMARAL ALMEIDA; (d). Ivor Fazzioni, representante da BWS ALEMANHA, que possui participação societária na BWS BRASIL na época dos fatos; (e). Gunnar Johansen, sócio direto da BWS BRASIL na época dos fatos; (f). Ulrich Peter Johansen, sócio indireto da BWS BRASIL – sócio da WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA, CNPJ 03.361.309/0001 Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.306 19 03, que possui participação societária na BWS BRASIL, na época dos fatos e (g). Wulf Johansen, sócio indireto da BWS BRASIL sócio da WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA, CNPJ 03.361.309/000103, que possui participação societária na BWS BRASIL, na época dos fatos. Pela cessão de nome para acobertar operações de comércio exterior de terceiros, a ENCOMEX, responde no PAF 11829.720027/201247. Verificase que na decisão de primeira instância, os julgadores decidiram julgar PROCEDENTES as impugnações de IVOR FAZZIOI, ULRICH PETER JOHANSEN, WULF JOHANSEN, VERA LUCIA MONEDA KAFER, SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO e da empresa WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA para AFASTÁLAS do polo passivo (responsabilidade imputada), por insuficiência de provas nos autos. "O Relatório da fiscalização não faz qualquer menção a imputação de responsabilidade desses sócios, apenas cita seus nomes como fazendo parte da sociedade, como também a empresa WESTFALIA SERVICE CENTER LTDA". É cediço que para se imputar responsabilidade solidária a há necessidade de que no auto de infração conste descrição clara dos fatos e do enquadramento legal. Por outro lado, foi julgado IMPROCEDENTES as impugnações das empresas BWS BRASIL e ENCOMEX TRADING, respondendo, ainda, além da solidariedade entre importador e adquirente da mercadoria, o sócio direto da BWS BRASIL, GUNNAR JOHANSEN, e ERIC MONEDA KAFER, este sócio administrador da ENCOMEX. O Sr. ERIC MONEDA KAFER (ENCOMEX) e Sr. GUNNAR JOHANSEN (BWS), foram considerados "pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. Isso porque de acordo com a resposta a intimação, a BWS assim respondeu: “(...) as negociações de preços da comercialização destes produtos foram feitas pessoalmente, no escritório da BWS do Brasil, entre o Sr. Gunnar Johanse, e o representante da ENCOMEX, Sr. Eric Kafer” Os julgadores decidiram que a luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966 (art. 603, I e II do Regulamento Aduaneiro), restando comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Nesse caso, ainda que os sujeitos passivos solidários possam responder pela dívida em conjunto ou isoladamente, o lançamento deve ser contra ambos, de forma que a obrigação deles fique devidamente formalizada, consoante determina a Portaria RFB nº 2.284/2010. A opção legal sobre como eles vão responder efetivamente pela dívida diz respeito à fase de satisfação do crédito. A lei dispõe que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, para satisfação do crédito tributário. Vejase a reprodução do art. 95, do Decretolei nº 37/66 (grifamos): Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 1315DF CARF MF 20 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante pre determinado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006). Na importação realizada com interposição de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como o contribuintes dos tributos e das penalidades incidentes nas operações. No entanto, as questões depende essencialmente da análise do mérito do litígio. Em verdade, tratase de perquirir a legitimidade das litigantes para compor o polo passivo da relação de direito material, no cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao pagamento da penalidade pecuniária (art. 121 do CTN), sendo impossível afirmar ou afastar essa legitimidade num exame preliminar, sem que se adentre nas questões de mérito. Ainda, no caso, foi atribuída a responsabilidade pessoal (diretores, sócios, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas), instituída pelo art. 135 do CTN, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. O Sr. ERIC MONEDA KAFER (sócio da ENCOMEX) e Sr. GUNNAR JOHANSEN (BWS), restou configurado nos autos e foram considerados "pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. 7. Do MÉRITO (Auto de Infração) Consta dos autos que o Fisco examinou as importações realizadas pela empresa ENCOMEX, e constatou que esta foi contratada para fazer importação por encomenda e/ou recebeu adiantamento de numerário para pagar importações que fez para revenda à empresa BWS BRASIL e que com ela firmara contrato de compra e venda de mercadorias importadas (contrato anexado ao processo às fls. 738/739). As importações foram declaradas pela ENCOMEX (na DI) como efetuadas por conta própria. Constatado que algumas importações foram declaradas como feitas por conta própria pela ENCOMEX (e não por conta e ordem de terceiro ou para encomendante), entendeu a fiscalização que caberia a aplicação da penalidade de perdimento, por ocultação fraudulenta do verdadeiro comprador das mesmas, consubstanciado no Decreto lei nº 1.455/76, artigo 23 §3°, e inciso V,§1°, com a redação da Lei 10.637/2002, combinado com o artigo 105, inciso VI, do Decreto lei nº 37/66. Em razão de as mercadorias já terem sido consumidas, o Fisco aplicou a pena substitutiva do perdimento, equivalente a 100% do valor das mercadorias importadas, e arrolou como responsáveis solidários, a BWS e outras pessoas físicas sócias da BWS e da ENCOMEX. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.307 21 Portanto, o cerne da lide diz respeito à aptidão de provas trazidas pelo Fisco para demonstrar que houve a infração de Dano ao Erário por "ocultação do real adquirente das mercadorias, mediante simulação", em relação às importações efetuadas pela empresa ENCOMEX, no ano de 2009. 8. Da interposição e da ocultação do real adquirente Como abordado pela decisão recorrida, percebese que são elementos essenciais para caracterizar a interposição, as seguintes situações: (i) a presença de um adquirente oculto, que negocia com o exportador, determina o que será comprado, a quantidade, preço, etc, e que arca com o ônus financeiro da operação. (ii) a presença do importador interposto, que realiza os trâmites do despacho de importação com se estivesse importando por conta própria. Pois bem. O art. 23, V, do Decreto lei nº 1.455, de 1976, assim caracteriza como hipótese de "dano ao Erário" (grifei): “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. O art. 61 da MP nº 66, de 2002, delegou à RFB a competência para editar normas complementares que permitissem a implementação dos controles referentes à interposição fraudulenta. “Art. 66 A Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editarão, no âmbito de suas respectivas competências, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei” O art. 80 da MP nº 215835, de 2001, trás a previsão legal para atuação de pessoas jurídicas na condição de importadoras por “conta e ordem de terceiros”. Ressaltese que tal MP é anterior à MP 66/2002, ou seja, quando da tipificação específica da interposição fraudulenta, os importadores por conta e ordem já dispunham de mecanismos, previstos na lei, para sua regular atuação. No âmbito da RFB, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a IN RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Vejase trechos da IN SRF nº 228/02: Art. 1º (...). § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a Fl. 1317DF CARF MF 22 verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decreto lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966.” (grifo meu) Já a IN SRF nº 225/2002, em seu artigo 1º, dispõe que o controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros, será exercido conforme o estabelecido na referida Instrução Normativa. Art. 1º (...) Parágrafo único. Entende se por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI)pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º (...). § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.308 23 (art. 23, inciso V, do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002). Portanto, resta claro na legislação aduaneira que é obrigação do importador informar na Declaração de Importação quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, nos termos do artº 3º da IN SRF 225/2002, como também é previsto no artº 3º, da IN SRF 634/2006. A legislação admite a atuação dos importadores em três diferentes modalidades de operação (direta, por conta e ordem de terceiros e para encomendante predeterminado). Nas modalidades indiretas, é necessário informar o numero do CNPJ (do adquirente ou encomendante), além da habilitação do adquirente da mercadoria, ou do encomendante prédeterminado, conforme disciplina a IN SRF 650, de 2006, que estabelece procedimentos de habilitação de importadores, entre outros. Ademais, as normas determinam que o importador e o adquirente (ou encomendante) devem firmar contrato a ser apresentado na RFB para que a vinculação ocorra e seja registrada em sistema, para fins de controle aduaneiro. No caso, em vez de selecionar no sistema SISCOMEX a opção “importação por conta e ordem”, a ENCOMEX selecionou a opção “importação própria”, em todas as declarações de importação citadas nestes autos, constituindo assim ato simulado. Por isso é importante ressaltar que no caso sob análise, não se trata de interposição presumida, nos termos do § 2º, do Decreto lei nº 1.455/76, mas de simulação, tendente a ocultar o real adquirente das mercadorias. A legislação aduaneira aponta a interposição fraudulenta como todo ato em que uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação que não realizou, interpondose entre uma parte (o Fisco) e outra (o real beneficiário responsável pela operação de comércio exterior), objetivando ocultar esta última. No DecretoLei nº 1.455, de 1976, com as alterações da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei n° 12.350, de 2010, definiuse como "dano ao Erário", a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com o perdimento das mercadorias. Isto porque consta dos autos que a ENCOMEX recebeu recursos da BWS BRASIL e registrou declarações de importação informando em campo próprio que seria importadora e adquirente da mercadoria, quando na verdade o adquirente das mercadorias seria a BWS BRASIL (empresa ocultada). Sabese que a “ocultação de pessoas”, prevista no inciso V do art. 23, por meio de fraude ou de simulação, deve ser comprovada por provas diretas ou indiretas (quadro indiciário). É necessária a prova da ocorrência da infração (materialidade) e de sua autoria, ou seja, devese provar que a importação foi efetuada em favor de terceira pessoa e que o pagamento foi feito com recurso desse terceiro (importação por conta e ordem de terceiro) ou, ainda, que houve um encomendante predeterminado, não declarado na operação. Portanto, estamos diante de “interposição comprovada de pessoas”, cuja ocultação foi provada, ou seja, sabese quem era a pessoa oculta. Fl. 1319DF CARF MF 24 Nesse contexto, tal como o “adquirente”, o “encomendante predeterminado” é responsável tributário, e, consequentemente, sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes da importação. De acordo com as provas juntadas pela fiscalização e até mesmo pelos recursos (e impugnações) apresentados pela BWS BRASIL e ENCOMEX, a segunda importava mercadorias declarando como sendo “importação por conta própria” quando na realidade já havia um encomendante predeterminado. Vejase, por exemplo, trechos das alegações da BWS BRASIL, extraídos de seu recurso: À fl. 1252:"(...) A Fiscalização da Alfândega do Aeroporto de Viracopos examinou as importações realizadas pela empresa Encomex Trading Comércio Importação e Exportação Ltda., e entendeu que esta foi contratada para fazer importação por encomenda e/ou recebeu adiantamento de numerário para pagar importações que fez para revenda à empresa BWS Technology do Brasil Indústria de Máquinas Ltda., que com ela firmara contrato de compra e venda de mercadorias importadas (conforme contrato anexado ao processo). As importações foram declaradas pela Encomex na Dl como feitas por conta própria" (grifei). À fl. 1.253: (...) Conforme consta do PAF, foi firmado um contrato de compra e venda de mercadoria importada, entre a BWS e a Encomex, tendo a BWS explicado á Fiscalização que na época era uma empresa embrionária e para realizar um de seus primeiros negócios no Brasil, necessitava que fossem importadas mercadorias da BWS Alemanha, para atendimento de um pedido de cliente no Brasil (vide Termo de Declaração no processo)". Em sede de Impugnação: "(...) na ocasião das importações, a BWS estava iniciando seus negócios no país e não tinha "know how" suficiente para promover importações, motivo pelo qual contratou com uma trading, para adquirir desta as mercadorias importadas já nacionalizadas"; "(...) por esse motivo havia no contrato com a Encomex, cláusula prevendo que os custos incorridos na operação de importação seriam transferidos para a BWS Brasil, conforme iam ocorrendo, como uma espécie de adiantamento do faturamento que ocorreu logo após o desembaraço aduaneiro". "(...) a infração prevista indicada de ocultação mediante fraude ou simulação não ocorreu, visto que inexistentes tanto a fraude como a simulação. No máximo pode ter havido engano no preenchimento da DI, por parte do importador. Trecho do Recurso do responsável solidário Sr. GUNNAR JOHANSEN, que alega que na época era o Administrador e não sócio da empresa BWS: "(...) conforme consta do PAF, foi firmado um contrato de compra e venda de mercadoria importada, entre a BWS e a Encomex, tendo a BWS explicado á Fiscalização que na época era uma empresa embrionária e para realizar um de seus primeiros negócios no Brasil, necessitava que fossem importadas mercadorias da BWS Alemanha, para atendimento de um pedido de cliente no Brasil (vide Termo de Declaração no processo); "(...) havia no contrato com a Encomex, cláusula prevendo que os custos incorridos na operação de importação seriam transferidos para a BWS Brasil, conforme iam ocorrendo, como uma espécie de adiantamento do faturamento que ocorreu logo após o desembaraço aduaneiro; Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.309 25 "(...)que a Encomex revendia a mercadoria à BWS Brasil, computando todos os custos, inclusive transporte interno, mais margem de lucro de 3%. No contrato firmado, a Encomex comprava a mercadoria do fornecedor estrangeiro, e a revendia com margem de lucro à BWS Brasil. Por outro giro, em seu recurso voluntário, assim argumenta a ENCOMEX TRADING, à fl. 1.257: "(...) Do mesmo modo, todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer tipo de simulação, logo, não ocorreu o dano ao Erário, que todos os tributos foram pagos, que o lançamento foi feito com base apenas em indícios. Ora, em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo. Além disso, o acórdão baseou sua decisão em uma afirmação da empresa BWS, de que teria havido contratação prévia dos serviços da importador, mas não há, nos autos, cópia do referido contrato, não podendo ser aceita a afirmação de uma impugnante como verdade, mormente em exclusivamente documental". No entanto, verificase nos autos, cópia do contrato firmado entre BWS e ENCOMEX, “contrato de compra e venda de equipamentos industriais importados e outras avenças” (fls. 738/739), que mostra que aquela adiantaria os recursos a esta para que realizasse as importações. A data do contrato é 15 de dezembro de 2008. Vejase reprodução de algumas cláusulas contratuais (fls. 738/739): Fl. 1321DF CARF MF 26 E os registros contábeis e os extratos bancários da BWS confirmam que ela efetivamente adiantou os referidos recursos: E mais. Na resposta da BWS BRASIL ao Termo n° 01 – Início de ação fiscal “diligência” e intimação, referente ao MPFD 0817700.2011.005979, confirma o que todos os indícios e provas apontavam: a ENCOMEX presta serviço de importação sem a devida observação da legislação em vigor (fls. 708/710). O texto da resposta é esclarecedor. Vejase trecho abaixo reproduzido: Analisando as DI apresentadas no processo, percebese que em todas elas, a ENCOMEX figura como importador e adquirente da mercadoria. Em nenhum campo da declaração é indicada a empresa BWS BRASIL como real adquirente. Também não foi feita a prévia habilitação no SISCOMEX nem tampouco apresentado à fiscalização o contrato firmado entre as importadoras e a adquirente conforme prevê a IN SRF 225/02. Desta forma, aplicando as determinações legais que regem essa matéria, restou caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros na importação. A alegação da Recorrente de que o tipo infracional exige a comprovação da fraude, vimos que ficou demonstrada a fraude na importação uma vez que ENCOMEX simulou uma importação direta quando de fato importava para um adquirente oculto e previamente determinado (a BWS). Sabese que a troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior, a BWS real importadora e os demais envolvidos, permanecessem completamente ocultos, uma vez que suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. Desta forma, conforme conclui a fiscalização em seu Relatório, os intervenientes "modificaram" as faturas comerciais apresentadas ao Fisco quando da nacionalização das mercadorias (pois teria que identificar o adquirente na Fatura comercial, Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.310 27 refletindo a transação efetivamente realizada, conforme dispõe o §2º, do art. 3º, da IN 225/2002), portanto declararam operações de comércio exterior de forma simulada, ou seja, promoveram modificações de características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, a ENCOMEX, foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. Além da simulação em si, a produção de documentos que não traduzem a realidade comercial implicam na realização de uma fraude documental. Logo, foi corretamente tipificada a infração imputada. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. Concluindo, no caso de importações efetuadas por meio de terceiros seja por conta e ordem ou por encomenda – devem ser tomadas as providências específicas previstas nos dispositivos legais para que sejam consideradas regulares (vide art. 80 da MP nº 2.15835/2000, e art. 11, parágrafo 1º, da Lei nº 11.281/2006). O descumprimento dessas providências implica o enquadramento da operação como sendo “importação própria”, possibilitando que essa conduta seja tipificada na infração de “ocultação” de pessoas envolvidas na operação de comércio exterior, com a imposição da penalidade legal. 9. Da penalidade aplicada Desta forma, caracterizada a pratica da simulação, com o objetivo de ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação das mercadorias, é cabível a pena de perdimento das mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do art. 23, V, §3º, do Decreto Lei nº 1.455, de 1976. Como restou evidente que as mercadorias foram remetidos a consumo, aplica se a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, Fl. 1323DF CARF MF 28 quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 10. Solicitação de relevação de penalidade Requer os Recorrentes que se de tudo entenderem os julgadores que a penalidade é cabível, e a responsabilidade pela pena de perdimento também se aplica aos Recorrentes, pedem que seja analisado seu Pedido de Relevação da penalidade, com base no art. 736 do RA. Não existe previsão regimental, portanto, o CARF não é competente para a análise de pedido de relevação da pena de perdimento de mercadorias. A competência para sua apreciação, atribuída originariamente ao Ministro de Estado da Fazenda através do art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969 e nos termos dos artigos 736 e 737 do Decreto n° 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), foi delegada ao Secretário da Receita Federal do Brasil, mediante a Portaria MF nº 214/79. 11. Do art. 727 do Decreto n° 6.759, de 2009 (art. 33 da Lei nº 11.488/2007) Bis in idem Os Recorrentes alegam que o legislador, nunca teve o intento de apenar por duas vezes o mesmo infrator (bis in idem multa da mesma natureza). Que se fosse o caso de aplicação da multa respectiva, o sócio e a pessoa jurídica autuada, no caso a ENCOMEX, só poderia responder apenas e tão somente pela cessão de seu nome, nos termos do art. 33, da Lei nº 11.488/2007 e art. 727 do Decreto nº 6.759/09. Pelo que se nota, a Recorrente se insurge contra a fundamentação dada pela decisão recorrida, afirmando que, para o litígio em questão, darseia somente a aplicação da penalidade contida no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, por acreditar que o citado dispositivo afastou a aplicação da tipificação utilizada pelo Fisco, decorrendo daí, a seu modo de ver, a nulidade da exação. Primeiramente, é importante de se ressaltar que, conforme se depreende dos autos, aqui não se está cuidando da tipificação averbada pela Recorrente, ou seja, da cessão do nome, mas, sim, ocultação do real adquirente, ou seja, interposição de terceiros. A pena de perdimento por ocultação do real adquirente, capitulada como infração no artigo 23, V, do DecretoLei n° 1.455/1976, deixou de ser imputável ao importador ostensivo, em coautoria com o real encomendante/adquirente, a partir da entrada em vigor do art. 33 da Lei n° 11.488/2007, assim disposto, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifouse). O § 1º do artigo 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, por sua vez, estabelece o que segue, in verbis: Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.311 29 Art. 81. (...). § 1º Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Verificase que antes da edição da Lei nº 11.488/2007, nos casos em que não se comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, haveria que se declarar a pessoa jurídica inapta. Essa previsão incluía, inclusive, a hipótese do § 2º do artigo 23 do Decreto lei nº 1.455/1976, como disposto no § 4º do artigo 81, da Lei nº 9.430/1996. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996. Como se vê, a Lei nº 11.488/2007, trouxe nova previsão relativamente à penalidade que possui feição de descumprimento de obrigação tributária acessória, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação acobertada. A multa capitulada no § 3º do, inciso V, artigo 23 do Decreto lei nº 1.455, de 1976, por sua vez, é exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, não mais estarem disponíveis, por não serem localizadas, terem sido consumidas ou revendidas. É de se notar que a pena de perdimento tem natureza diversa da declaração de inaptidão antes prevista. Enquanto aquela tem como objeto a pessoa jurídica, esta é de controle (administrativo) aduaneiro, incidindo sobre as mercadorias importadas em situação irregular, e seriam, portanto, perfeitamente aplicáveis simultaneamente. A Lei nº 11.488/2007, ao mesmo tempo em que determinou a não aplicação da inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária. Essa substituição de penalidade em nada altera sua natureza e, portanto, fica mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento, que, notese, não foi revogada em nenhum momento, ainda que essa pena tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. E é nesse sentido, que prevê o 3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pelo Decreto nº 7.213/2010, in verbis: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (destaquei) Fl. 1325DF CARF MF 30 E, portanto, o procedimento feito pela fiscalização está correto, pois como é consabido, não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional CTN: Parágrafo único – A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase a perfeita independência entre as infrações em comento, não cabendo se falar no afastamento da pena de perdimento, ou sua substitutiva, em face da cominação exclusiva contida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Não vislumbro acolhimento à tese da defendente acerca da eventual substituição da multa ora exigida pela multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Entendo que, na verdade, a referida propositura da Recorrente não ocasiona a nulidade deste feito, ao contrário, o robustece. 11. Conclusão Posto isto, conheço dos recursos, para negarlhes provimento, MANTENDOSE a multa objeto da presente lide à BWS Technology do Brasil e ENCOMEX Trading Comercial Importação e Exportação Ltda, respondendo, ainda, além da solidariedade entre importador e adquirente da mercadoria, o sócio direto da BWS BRASIL, Sr. GUNNAR JOHANSEN, e ERIC MONEDA KAFER sócio administrador da ENCOMEX. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.312 31 Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. 1. Com a devida vênia, ouso divergir do fundamentado voto do douto Relator do caso, Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, o que passo a fazer nos seguintes termos. 2. Como bem relatado no presente voto, o que se tem aqui é uma exigência aduaneira decorrente de uma suposta interposição fraudulenta provada (e não a presumida). Segundo consta, a empresa Encomex Trading Brasil ("Encomex") teria importado mercadorias, em seu nome, mas que, em verdade, teriam como real adquirente a empresa BWS Technology do Brasil Indústria de Máquinas Ltda. ("BWS Brasil"). Diante deste quadro, a imputouse às empresas citadas, bem como para o seus respectivos sócios, a pena de perdimento da mercadoria importada que, por não ter sido encontrada, foi substituída pela conversão em multa pecuniária. 3. Segundo a fiscalização, existem alguns fundamentos fáticos a corroborar a pretensa interposição fraudulenta. 4. O primeiro de tais fundamentos consistiria no fato de exportadora ser a empresa BWS Alemanha, i.e., a controladora da empresa nacional e real destinatária dos bens importados, a BWS Brasil. Neste termos, todos os bens importados pela Encomex já estariam previamente destinados à BWS Brasil. 5. Não obstante, um segundo motivo a corroborar a suposta interposição fraudulenta consistiria no fato de a BWS Brasil antecipar valores para a empresa Encomex, o que decorreria de um contrato de promessa de compra e venda da mercadoria importada firmado entre tais empresas. 6. Diante deste cenário, estaria provado que a empresa Encomex teria fraudulentamente importado as mercadorias aqui analisadas em nome próprio, na medida em que ocultou o real importador nesta operação, i.e., a empresa BWS Brasil. Mais do que isso, estariam em conluio com esta prática fraudulenta todos os sócios das duas empresas envolvidas. 7. Feito este breve escorço fático, o qual encontrase em perfeita sintonia com o que fora precisamente relatado no presente voto, convém agora fazer alguns contrapontos também de ordem fática, assim como algumas considerações acerca da chamada interposição fraudulenta. I. Da inexistência de interposição fraudulenta no caso decidendo 8. Insta desde já destacar que a recorrente é uma empresa controlada por uma pessoa jurídica estrangeira e que tem por objetivo precípuo promover a compra e venda de máquinas, bem como de partes e peças. Tratase, pois, de uma empresa de origem estrangeira a operar no Brasil e que, ao que tudo indica, não tinha o propósito de operar diretamente no complexo ambiente do comércio exterior, negócio este que, no país, apresenta inúmeras regras, burocracias e detalhes que demandam um profundo conhecimento daquele que opera neste nicho empresarial. Fl. 1327DF CARF MF 32 9. Logo, é natural que a empresa BWS Brasil tenha procurado uma pessoa jurídica com expertise para importar mercadorias estrangeiras em seu favor, o que a fez chegar a empresa Encomex, cujo mote específico era a importação e exportação de mercadorias. 10. Não há dúvidas, portanto, que a operação aqui analisada foi sim de importação de mercadorias pela empresa Encomex em favor da empresa BWS Brasil. Em outros termos, a mercadoria importada já estava previamente destinada para a BWS Brasil. Nesse sentido, os fatos mencionados nos parágrafos '4" e "5" do presente voto só reforçam essa ideia. 11. Em tese, tal operação sobredita não é vedada pelo ordenamento jurídico nacional. Ao contrário, é regulada juridicamente e qualificada como importação por conta e ordem, nos termos do que prevê a IN SRF nº 225, de 18/10/2002. Em outros termos, não haveria qualquer problema com a operação aqui perpetrada se a empresa Encomex tivesse tomado os cuidados formais para atribuir à presente operação a sua real natureza jurídica: a de uma importação por conta e ordem de terceiro. 12. Tecidas tais considerações, é necessário então novamente voltarse ao caso em concreto para verificar se, no presente caso, o sobredito tratamento indevido à operação de importação realizada decorreu de uma conduta fraudulenta e, portanto, dolosa, por parte dos envolvidos ou se, em contrapartida, não configurou um simples erro por parte da empresa Encomex. 13. Como visto alhures, não é qualquer interposição que autoriza a aplicação da multa prevista no §3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, mas apenas aquela interposição qualificada juridicamente como fraudulenta. Percebese, pois, que ao empregar o termo fraudulento no tipo legal, o legislador não o fez de forma aleatória, de modo a permitir que seu conteúdo pudesse ser preenchido ao bel prazer do agente administrativo no instante da verificação e constituição do suposto ato ilícito. 14. Em outros termos, se o legislador do Decretolei nº 1.455/1976 não precisou o conteúdo semântico da expressa fraudulenta, compete ao intérprete se socorrer de outras disposições presentes no ordenamento jurídico à época e que serviram de pressuposto para o emprego da citada expressão. Tal técnica interpretativa não é novidade e já está mais do que consagrada no seio do Supremo Tribunal Federal, conforme se observa do trecho abaixo transcrito do acórdão proferido no Recurso Extraordinário n. 346.0846/PR que, por analogia, aplicase ao caso em comento: (...). Quando não haja conceito jurídico expresso, tem o intérprete de se socorrer, para a reconstrução semântica, dos instrumentos disponíveis no próprio sistema do direito positivo, ou nos diferentes corpos de linguagem. Como já exposto, não há, na Constituição Federal, prescrição de significado do termo "faturamento". Se se escusou a Constituição de o definir, tem o intérprete de verificar, primeiro, no próprio ordenamento, não havia então algum valor semântico a que pudesse filiarse o uso constitucional do vocábulo, sem explicitação de sentido particular, nem necessidade de futura regulamentação por lei inferior. É que, se há correspondente semântico na ordem jurídica, a presunção é de que a ele se refere o uso constitucional. Quando u'a mesma palavra, usada pela Constituição sem definição expressa nem contextual, guarde Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.313 33 dois ou mais sentidos, um dos quais já incorporado ao ordenamento jurídico, será esse, não outro, seu conteúdo semântico, porque seria despropositado supor que o texto normativo esteja aludindo a objeto extrajurídico. (...). 15. Pois bem. voltandose ao ordenamento jurídico é possível verificar que, em matéria tributária, a fraude é conceituada pelo art. 72 da lei n. 4.502/64, in verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 16. Da leitura do sobredito dispositivo é possível concluir que a fraude pressupõe uma ação dolososa qualificada pela intenção do agente em impedir, suprimir ou retardar uma exigência tributária. Acontece que, no presente caso, inexistiu essa intenção qualificada, uma vez que, pelo que consta dos autos, todos os tributos devidos na operação de importação foram pagos pela empresa Encomex, tanto é verdade que a autuação em apreço não exige qualquer valor de natureza fiscal. Não há, portanto, a figura da fraude, o que, por conseguinte, afasta a acusação imputada aos recorrentes de terem cometido uma interposição fraudulenta. 17. Assim, a suposta simulação (meio para o cometimento da pretensa fraude) realizada entre as empresas Encomex e BXW Brasil perderia essa natureza, configurando, em última análise, um simples erro no tratamento jurídico atribuído à operação de importação aqui analisada. Ao invés de qualificar tal importação como uma operação por conta e ordem de terceiro, a Encomex a qualificou, por erro e não por fraude, como uma operação em nome próprio. 18. Desqualificado o caráter "fraudulento" da suposta interposição em análise, deve ser integralmente afastada a pretensão fiscal em benefício de todos os autuados. II. Da indevida sanção atribuída à formal importadora (empresa Encomex) 19. Caso tais considerações não fossem suficientes para afastar a pretensão fiscal em análise, o que se cogita aqui de forma hipotética, ainda sim subsistiria fundamento autônomo para afastar a exigência em apreço em relação à empresa Encomex. E isso porque, em relação à formal importadora, o art. 33 da Lei n. 11.488/2007 trouxe, ao mesmo fato pretensamente infracional, penalidade diversa (10% dez por cento do valor da operação acobertada). 20. Coaduno, pois, com o entendimento que vem sendo bem defendido pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e que está externado na sua declaração de voto do acórdão n. 3402003.146, in verbis: Este tema, que vem dividindo o entendimento dos conselheiros da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi, a meu ver, impecavelmente enfrentado pelo Conselheiro Fernando Luiz Da Gama D’Eça, no Processo n. 10314.724447/201230, Acórdão n. 3402002.362, razão pela qual tomo emprestadas suas palavras: Fl. 1329DF CARF MF 34 Por derradeiro, entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, somente aplicável ao real comprador, interveniente ou responsável pela operação de importação, oculto “mediante fraude ou simulação”. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: “Art. 100 – Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido.” Considerando que para a caracterização dos atos típicos de interposição fraudulenta “há necessidade de dois sujeitos de direito distintos” (cf. Acórdão nº 320100398 da 1ª TO da 2ª Turma da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 140.698, Proc. nº 12466 004068/200673, em sessão de 08/12/10, Rel. Cons. Alfredo Ribeiro Nogueira; cf. tb. Acórdão nº 320100.515 da 1ª TO da 2ª Câm. da 3ª Seção do CARF, Rec. n° 344.701, Proc. n° 10936.000499/200813, em sessão de 01/07/10, Rel. Cons. Luciano Lopes de Almeida Moraes), parece evidente que a única multa aplicável à Recorrente seria a de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, prevista para quem ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, caso não fosse elidida a presunção de interposição fraudulenta de terceiros pela suposta “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (art. 23, § 2º do Decretolei nº 1455/76, na redação da Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Nesse sentido já decidiu esta C. Turma como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “(...). IMPORTAÇÃO – INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA – MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.314 35 Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem.” (cf. Acórdão nº 3402002.262 da 2ª TO da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF, Proc. nº 10314.724447/201230, em sessão de 23/04/14, Rel. Gilson Macedo Rosenburg Filho) Ressalto ainda que tal entendimento em nada contradiz o quanto disposto no artigo 727, §3º do Regulamento Aduaneiro, cujo conteúdo estabelece que: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (grifei) Ora, como destacado acima, com o advento da multa 10% do valor da operação pela cessão de nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07) esta passou a ser a penalidade aplicável ao importador ostensivo. Todavia, permanece existindo e sendo aplicável a perda de perdimento como penalidade atribuída ao importador oculto, nos exatos termos do artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76. Vale dizer, a multa de 10% do valor da operação pela cessão de nome não prejudica a pena de perdimento das mercadorias na importação ou exportação, justamente como impõe do §3º do artigo 727 do Regulamento Aduaneiro. De fato, ambas as penalidades serão aplicáveis em caso de constatação de interposição fraudulenta, contudo sendo cada qual imposta para o respectivo infrator das normas aduaneiras, e não conjuntamente para um único sujeito passivo. Dessarte, concluo que à Recorrente, importadora ostensiva, não se aplica a penalidade imposta pelo artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76, mas sim aquela de 10% do valor da operação peça cessão de nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07), devendo, portanto, ser cancelada a presente autuação fiscal enquanto lhe imputa a multa equivalente à pena de perdimento das mercadorias importadas. (grifos constantes no original). 21. Também com base em tais fundamentos, seria indevida a pena de perdimento imposta em prejuízo da empresa Encomex e, por conseguinte, em relação aos seus sócios. Fl. 1331DF CARF MF 36 III. Da indevida responsabilização dos sócios das empresas autuadas 22. Por fim, também de forma subsidiária, convém destacar que a responsabilização tributária atribuída aos sócios das empresas Recorrentes é indevida. 23. Para chegarse a tal conclusão convém sublinhar que o importe exigido no presente Auto de Infração não tem natureza tributária, uma vez que tratase exclusivamente de conversão de pena de perdimento em multa em razão de pretensa infração aduaneira. Logo, as normas de regência referentes à responsabilização não são aquelas positivadas no Código Tributário Nacional, mas sim as disposições previstas nas específicas legislações aduaneiras, mais precisamente o disposto no art. 95 do Decretolei 37/66, que assim prevê: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (grifos nosso). 24. Ocorre que, ao se analisar o termo de verificação fiscal (fls. 62/63), constatase que o agente fiscal imputou às pessoas jurídicas autuadas (Encomex e BWS Brasil) responsabilização com fundamento no art. 95, inciso I do Decretolei 37/66, enquanto que, para os sócios de tais empresas, imputou responsabilização com amparo no disposto no art. 135, inciso III do CTN. 25. Entretanto, como já destacado, não se está diante de uma exigência de caráter fiscal, mas sim de uma pretensão que denota uma natureza jurídica exclusivamente aduaneira. Logo, o fundamento para a suposta responsabilização dos sócios das empresas recorrentes jamais poderia ser o disposto no art. 135, III do CTN, mas eventualmente o prescrito no art. 95, inciso I do Decretolei 37/66. Há, pois, notório erro de direito. 26 O erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre uma norma individual e concreta e seu correlato fundamento geral e abstrato. difere, portanto, do erro de fato, que é um problema intranormativo, decorrente de um erro na identificação do Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 11829.720028/201291 Acórdão n.º 3402003.868 S3C4T2 Fl. 1.315 37 fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é, v.g., a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar. 1 27. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina em destaque, consoante bem ilustra o julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (g.n.). 28. É exatamente o caso dos autos, já que a responsabilização imputada aos sócios das pessoas jurídicas não teria respaldo no art. 135, inciso III do CTN, mas eventualmente no prescrito no art. 95, inciso I do Decretolei 37/66 29. Tal erro, por sua vez, implica a nulidade da autuação em relação a tais responsabilizados. Não custa lembrar que o lançamento é ato administrativo e, como tal, deve apresentar uma motivação hígida, o que esta em perfeita sintonia com a ideia de moralidade administrativa (art. 37 da CF). Em contrapartida, não há espaço para a existência de atos administrativos de motivação duvidosa, sem sintonia com a realidade por ele tocada, sob pena de subjulgar o administrado ao exclusivo talante do agente público e não ao rigor da lei. 30. Assim, também com base em tais fundamentos, seria o caso de afastar a responsabilidade indevidamente atribuída aos sócios das empresas autuadas. 1 "in" "Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência". 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111. Fl. 1333DF CARF MF 38 31. Firme em tais fundamentos, ouso divergir do ilustre Relator do caso e seu substancioso voto para dar integral provimento aos recursos voluntários interpostos. 32. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Conselheiro. Fl. 1334DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002789/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1102-000.105
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome,- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época do julgamento), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sergio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome, Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos De Lima (Presidente à época do julgamento), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Sergio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 78 9/ 20 06 -6 5 Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.077 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente notificado não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada, mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial nos casos de conduta dolosa somente iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado, e se o lançamento foi notificado antes do prazo terminal, não há que se aventar a hipótese de decadência do direito de a Fazenda Pública apurar e lançar os seus créditos. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Lançamento Procedente.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em ação fiscal direta, a empresa acima qualificada foi autuada em 07/12/2006 e cientificada em 12/12/2006, a recolher ou impugnar os Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.078 3 créditos tributários de R$ 33.555.616,58, a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 934.674,21 do Programa de Integração Social (PIS), R$ 4.313.882,10 da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e R$ 12.595.169,68 da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 30/11/2006. Apenso aos presentes autos o processo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 19515.002787/200676 com base no art.1°, inciso II da Lei n° 8.137/90. Enquadramento legal: IRPJ (fl.275), PIS (fis.281/282), COFINS (fls.288/289) e CSLL (f1.294). Conforme descrição no Termo de Verificação Fiscal de fls. 266/268, a fiscalização constatou a não comprovação, por parte da fiscalizada regularmente intimada, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em contas de depósitos mantidas junto às instituições financeiras, auferidos durante o anocalendário de 2001. Apesar de a interessada ter sido intimada pela autoridade fiscal a apresentar os livros contábeis e documentação comprobatória da origem dos recursos pouco foi apresentado ate o término da fiscalização. Para o cálculo do montante para fins de apuração da presente infração foram deduzidos os valores de recebimentos de duplicatas registrados nas contas bancos do Livro Diário, no total de R$ 4.407.532,61. Foi considerado, para fins de cálculo do valor tributável, a dedução do prejuízo fiscal de R$ 1.622.207,27 (DIPJ/2002 n° 0595557). Cientificada a contribuinte do feito, apresenta, em 21/02/2007, impugnação, de fls. 319/391, para todos os feitos, argüindo, em síntese, o seguinte: • Obteve liminar em mandado de segurança visando acesso aos presentes autos e concessão de prazo de 30 dias para a apresentação impugnação a contar do dia de vista do processo o que ocorreu na data de 18/01/2007. Dispõe, portanto, do prazo de entrega da impugnação até o dia 22/02/2007, tendo em vista que em 21/02/2007, houve ponto facultativo até as 14h; • A autoridade fiscal contrariou o disposto nos §§ 5 0 e 6° do Decreto n° 3.724/2001, ao requerer, diretamente, via RMF, as informações bancárias para fazer valer o disposto no §2° do art.44 da lei n° 9.430/96; • Não requisitou à interessada os extratos do Banco Bradesco bem como não constava no Termo 02 (fl.46) o pedido de apresentação de documentos referentes as transações efetuadas com a referida instituição financeira. Por essas razões, o ato fiscal está eivado de nulidade; Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.079 4 • Forneceu exíguo tempo para a satisfação das exigências fiscais ferindo os princípios administrativos da proporcionalidade, razoabilidade e verdade material; • Está impugnando na presente peça o Termo 07 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais (fl.265). A autoridade fiscal não tipificou nem comprovou em quais condições os referidos livros poderiam balizar o ilícito penal restringindose apenas a citar o art.71 da Lei 4.502/64; • A autoridade fiscal não comprovou o intuito de fraude que ensejasse a autuação, sendo esta feita por mera presunção; • A presente autuação não obedeceu aos princípios do contraditório e ampla defesa consagrados na Carta Magna, pois, com a impugnação do Termo 07 de Apreensão de Livros, deflagrouse o processo administrativo e os atos subseqüentes entre eles o Auto de Infração são nulos; • Deverão ser aplicados ao presente processo administrativo fiscal, os princípios norteadores da Lei n° 9.784/99 (Lei Geral do Processo Administrativo); Houve afronta dos seguintes princípios de direito administrativo: Legalidade, Proporcionalidade, Razoabilidade (tempo exíguo para a satisfação das exigências do fiscal), Justiça Tributária, Capacidade Contributiva, Contraditório e Ampla Defesa. A inobservância dos referidos princípios conduz ao ato administrativo a sua nulidade; • A taxação dos depósitos bancários fere os princípios contábeis tendo em vista que as receitas apuradas são consideradas auferidas no mês do depósito efetuado pela instituição financeira de modo que as sobras de um mês tributado se constituam em marco financeiro inicial para o período subseqüente; • A apuração da omissão de receitas deve ser apurada mês a mês numa contacorrente, numa espécie de fluxo de caixa, na qual o valor lançado em um mês passa a constituir saldo liquido disponível no mês subseqüente; • A jurisprudência confirma a ilegitimidade do lançamento de IR exclusivamente com base em depósitos bancários (não há aquisição de disponibilidade financeira nem patrimonial). Não há como tributar receitas por presunção; • Ocorreu a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram entre 01 a 12/2001 (art.150, §4° do CTN); • A multa agravada de 150% somente tem aplicação na hipótese de omissão de receitas efetuada com intuito doloso. É necessária a comprovação da prática do ato delituoso (evidente intuito de fraude) para se exigir a referida penalidade pela autoridade fiscal; Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.080 5 • Pelo fato de a infração se basear em presunção seria incabível a multa agravada; • Sofreu fiscalização pela Secretaria de Negócios da Fazenda e não se constatou diferenças significativas, o que demonstra a lisura da empresa; Deverão ser considerados e descontados do valor tributado os montantes referentes a cheques devolvidos, transferências de mesma titularidade, empréstimos bancários, saldo financeiro do exercício anterior, duplicidade de desconto de duplicatas, empréstimos de terceiros, operações financeiras de descontos para terceiros, cobertura bancária de cartão de crédito pela própria operadora de crédito, pagamento de duplicatas tendo como sacada as empresas franqueadas pela impugnante e o sistema de procedimento bancário para crédito e ajustes na conta corrente; • Há na jurisprudência entendimento de que provada significativa parcela da exigência fiscal fica elidida o restante da infração; • Há norma da SRF determinando a desconsideração de rendimentos omitidos inferiores a R$ 12.000,00 (IN SRF no 246/2002, art.3°, §1°); • Requer perícia e diligência para a elucidação dos valores exigidos pela Fiscalização. A interessada formulou os quesitos (fls.379/381); • Considera a multa aplicada confiscatória e pede sua redução para 75%, em conformidade com os princípios constitucionais, sobretudo da isonomia e vedação de tributo confiscatório; • A aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora é ilegal, pois se presta para fins remuneratório e não indenizatório. Deverá ser aplicada a taxa de 1% ao mês como prevê o art.161, §1° do CTN; • Requer a improcedência integral do presente Auto de Infração. Em vista da documentação apresentada pela requerente, esta Delegacia de Julgamento proferiu Despacho convertendo o presente processo em Diligência Fiscal (fls.886/887). Em 30/04/2008, a contribuinte obteve liminar mandado de segurança (fls.889/892) a qual determina que se aguarde a apreciação da impugnação administrativa da impetrante para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do respectivo Auto de Infração, garantida à contribuinte a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia ao contraditório e a ampla defesa. A Fiscalização, em virtude da decisão judicial, remeteu os presentes autos para esta Delegacia de Julgamento para prosseguimento." O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos impugnados, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita. Não houve menção no acórdão recorrido sobre a liminar em mandado de segurança obtida pela Contribuinte noticiada nos autos e citada pela própria Fiscalização em diligência (MS n. 2008.61.00.0000115, segundo a qual restou Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.081 6 determinado que a D. Autoridade Coatora “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis” (fls. 889/898 – destaques do original). Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 1069), verbis: TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS IMPROVIMENTO 1 Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve aterse a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximirse, em atendimento ao principio da legalidade. 2 Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial. 3 A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa. 4 Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa. 5 Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinouse, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72. 6 Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.0000115, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009). Posteriormente, este processo foi encaminhado à Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito SubJudice para manifestação Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.082 7 sobre os reflexos da citada ação judicial nesta lide administrativa. Eis o teor da manifestação de fls. 1072, verbis: “PAF encaminhado à EQAMJ conforme despacho de fl. 1071, tendo em vista existência de decisão judicial no Mandado de Segurança 2008.61.00.0000115 e considerando a devolução do presente pelo CARFDF. Verificase que a decisão liminar e sentença proferidas no Mandado de Segurança 2008.61.00.0000115 haviam sido juntadas às fls. 889 a 897. A decisão de fl. 895 é mencionadoo PAF 19515.004257/200743. Não é citado este processo. Houve Manifestação da Delegacia de Fiscalização às fls. 899/900 e posterior julgamento pela DRJ. Retornese à EQCOB/DICAT/DERATSP para prosseguimento e análise do motivo da devolução do processo pelo CARFDF, pois o contribuinte apenas juntou documentos novos relativos à ação judicial supra, que não guarda relação com o presente processo.” Em sede de recurso voluntário, a Recorrente suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto; (vi) os documentos acostados aos anexos dos processos comprovariam a origem dos recursos mantidos em conta corrente pela Contribuinte, o que, de per si, afastaria a tributação na forma em que lançada; (vii) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado linhas acima, versa o caso dos autos sobre lançamento tributário fundamentado em informações financeiras da pessoa jurídica contribuinte e dos responsáveis tributários pessoas físicas obtidas pela Fiscalização por meio de mero RMF, sem prévia autorização judicial. Nesse sentido, vejase informação fiscal contida a Fls. 47 – Termo Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.083 8 de Intimação 03, Fls. 056 – termo de intimação 05, Fls. 058 – termo de intimação 06 e Fls. 266 – termo (08) de Verificação Fiscal, nos quais a Fiscalização afirma reiteradamente ter obtido informações bancárias da Contribuinte diretamente perante instituições financeiras e ter entregue os extratos bancários obtidos por essa via à Contribuinte. Sobre o tema, este Colegiado, por maioria de votos de seus membros, vencido apenas este Relator, no julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do Processo n. 10630.720364/200721 (Resolução n. 110200.088), decidiu sobrestar o andamento dos feitos que versassem sobre a matéria citada, em decorrência do quanto disposto .Verbis: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR,o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL.Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária– o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.084 9 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração,com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B,do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontraseno artigo 543B,do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.085 10 § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplica se o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.086 11 podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B,CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre:a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B,parágrafo único, do CPC) e;b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem,para aplicação dos parágrafos do art. 543Bdo Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela (sic) em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acercado sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratasede agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96(ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARACONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.087 12 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.088 13 Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” A Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, determinou os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62AdoRegimento Interno do CARF. Uma vez que esta Turma ainda não apreciou, até o momento, nenhum caso envolvendo esta questão, e que outras Turmas de Julgamento deste Conselho possuem entendimento diverso do aqui exposto, foi colocado em pauta o presente processo para a devida manifestação dos conselheiros que a integram. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.002789/200665 Resolução nº 1102000.105 S1C1T2 Fl. 1.089 14 Tendo em vista que o sobrestamento, nesses casos, deve ser feito de ofício pelo próprio relator, nos termos do artigo 62Ado Regimento Interno do CARF, acima transcrito, a proposta que ora submeto à apreciação de meus pares é de que o julgamento do presente feito seja sobrestado até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B,do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial.” Nada obstante discorde do entendimento supra , por entender que (a) os casos apreciados pelo C. STF acima citados não se referem direta e especificamente à questão versada neste processo (inconstitucionalidade da quebra sigilo bancário de contribuinte pessoa jurídica em geral, e, notadamente, nos anoscalendários de 2002 e seguintes, em particular), o que, por princípio e definição, impediria no meu sentir a mera reprodução no caso do quanto decidido pela Suprema Corte nos citados paradigmas (causa única da conveniência e obrigatoriedade da suspensão do processo administrativo) e (b) não apresentam o requisito específico previsto na Portaria CARF n. 1/2012 (decisão proferida pelo Plenário do STF determinando a suspensão dos feitos), curvome à orientação do Colegiado e proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide “até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial”. É como voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1117DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003529/2004-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 PARTICIPAÇÃO COM MAIS DE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
Numero da decisão: 1803-001.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 PARTICIPAÇÃO COM MAIS DE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PARTICIPAÇÃO COM MAIS DE 10% DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. RECEITA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A empresa acima foi excluída de ofício do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) 462.690, de 7 de agosto de 2003 (fl. 17), como segue: Art. 1° Fica o contribuinte [..] excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. [...] Data da opção pelo Simples: 16/10/2001 Situação excludente (evento 311) Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta 'global no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 343.21.,64904 CNPJ 75.380.352/000119 Data da ocorrência: 31/12/2001 Inconformada, a interessada apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), que foi denegada, sendolhe dada ciência desta negativa em 12 de novembro de 2004, sextafeira (fl. 13). Em 15 de dezembro de 2004, apresentou a solicitação de fls. 1 a 10, em que escreve: [...]A análise realizada pela Receita Federal teve em conta as empresas Lave Love Beneficiamento Têxtil Ltda (atual Lave Love Confecções Ltda), ora impugnante, e Lave Love Lavanderia Ltda (CNPJ/MF 75.380.352/000119), e resultou na constatação da participação do Sr. Rogério David Russi (CPF/MF 343.217.649 04) na condição de sócio em ambas as empresas, na primeira delas detendo 8% [..] e segunda 92% [..] do capital social. Com base nisto, afirma que o Fisco da União haveria laborado em erro, descrevendo algumas situações hipotéticas similares à presente e tecendo considerações sobre a exegese da Lei n.° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, como segue: [...] é salutar que o aplicador da norma, ao depararse com casos concretos que suscitem sua interpretação, não extraia dela interpretações indesejadas e [..] equivocadas [...] Afirma que o correto seria Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003529/200447 Acórdão n.º 180301.371 S1TE03 Fl. 2 3 [...] fixarse como base da análise a empresa em que o sócio participa do capital social com mais de 10%, focandosea em relação às demais das quais o mesmo sócio participe com quotas que não ultrapasse a 10% do capital, e não viceversa, ou seja, focandose estas em relação àquela [...]. Alega, mencionando a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que a exclusão contraria o princípio da razoabilidade. Argumenta que a Lei n.° 9.317, de 1996, seria inconstitucional porque lhe restringiria os direitos ao contraditório e à ampla defesa, dizendo que [..] dita norma permitiu que a autoridade fiscal, mediante ato declaratório, decrete a exclusão do contribuinte do programa para só então permitir a ele insurgir se ao ato [..]. Descreve os efeitos que lhe advirão se excluída for do Sistema. Menciona e transcreve doutrina. Ao final, requer a anulação do ADE 462.690, de 2003, ou, alternativamente, que seus efeitos principiem na data do trânsito em julgado da decisão administrativa. Cumulativamente, pede que lhe seja deferida a produção de novas provas.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, se a receita bruta global ultrapassar o limite determinado pela lei.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) O Ato Declaratório Executivo não consta dos autos, não tendo sido informada a data de expedição do ADE. b) Afora uma singela menção ao art. 9°, IX, da Lei 9.317/96, como mera referência a norma abstrata que teria servido de base para o ato de exclusão, em todo os restante do processo, incluindo a decisão recorrida, o motivo foi tratado como sendo a tãosó participação de sócio com mais de 10% no capital social de outra empresa, não havendo nenhuma evidência ou comprovação de que se tenha excedido o limite de faturamento global previsto na norma de regência. c) O sócio Rogério Davi Russi possuía menos de 10% de participação societária e nesta condição não se aplicaria o dispositivo do art. 9°, IX, da Lei 9.317/96, para a exclusão do SIMPLES. d) A simples participação de sócio de empresa optante em menos de 10% do capital social de outra empresa, por si só, não determina à luz do art. 9°, IX, da Lei 9.317/96, a exclusão do SIMPLES. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 e) A situação exposta configura cerceamento ao direito de defesa e impõe a nulidade do ADE expedido, determinando a nulidade do processo a partir do referido ato declaratório executivo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/09/2007 (AR de fls. 43). O recurso foi protocolado em 19/10/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente cumpre observar que consta dos autos o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ n° 462.690, de 07 de agosto de 2003, por meio do qual a recorrente foi excluída do SIMPLES (fls. 19). Por outro lado, ao contrário do que afirma a recorrente, a descrição da situação excludente mencionou, desde o início, que o motivo da exclusão não só a participação em outra empresa com mais de 10% do capital social, mas também, e cumulativamente a superação do limite legal de receita estabelecido pela legislação. Portanto, as alegações de cerceamento de defesa não merecem prosperar. O art. 9°, IX, da Lei 9.317/96 possui o seguinte teor: “Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2o;” A simples leitura do dispositivo mencionado como fundamento legal no ato declaratório, deixa claro que o sócio que detenha mais de 10% do capital de outra empresa, somente não poderá optar pelo Simples, se a soma da receita declarada das duas empresas ultrapassar o limite previsto na legislação, no caso concreto, R$ 1.200.000,00. Os contribuintes informam sua receita à Secretaria da Receita Federal. Estas informações, declaradas pelo próprio contribuinte, alimentam os sistemas da Receita Federal. O ato declaratório foi expedido porque as duas condições foram desatendidas. O extrato de fls. 12 demonstra tal fato. Se a receita bruta das duas empresas tivesse ficado abaixo do limite de R$ 1.200.000,00 não haveria impedimento para opção pelo Simples, e a restrição não estaria sendo apontada pelo sistema da Receita Federal. Como muito bem salientado na decisão recorrida, o sr. ROGÉRIO DAVID RUSSI (CPF 343.217.64904), no anocalendário de 2000, detinha simultaneamente 8% de seu capital social e 92% do capital social de outra empresa (LAVE LOVE LAVANDERIA LTDA Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003529/200447 Acórdão n.º 180301.371 S1TE03 Fl. 3 5 CNPJ 75.380.352/000119), e o faturamento declarado de ambas as empresas superou o limite legal de R$ 1.200.000,00. Quando a empresa se constituiu – em 16/10/2001 – e fez a opção pelo Simples, um de seus sócios já detinha 92% do capital da empresa Lave Love Lavanderia Ltda. A interpretação da recorrente está equivocada quando defende a possibilidade de opção. O fato do percentual de participação na segunda empresa, ora recorrente, ser de apenas de 8% é irrelevante. O que conta é sua participação superior a 10% no capital de outra empresa, bem como a receita bruta de todas. Esta, se excede o limite estabelecido para o exercício, não pode permanecer no regime simplificado. A recorrente não anexou aos autos nenhum documento hábil a infirmar a situação detectada pela Fazenda Nacional. Os efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES retroagem à data do evento causador da exclusão, consoante art. 15, II, da Lei n.º 9.317/96, estando correto o ato declaratório que determinou a exclusão a partir do dia 01/01/2002, mês subsequente ao que foi incorrida a situação excludente. Registrese, entretanto, que quando tenha cessado a causa impeditiva, estando presentes todas as demais condições para fruição do SIMPLES, e considerandose, ainda, que os atos da empresa, declarações, recolhimentos tenham deixado clara sua intenção de opção, nada obstará que se possa considerar a sua reentrada no sistema a partir de então. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11065.900523/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
Ementa:
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Numero da decisão: 3401-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 Ementa: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 05 23 /2 01 4- 23 Fl. 72DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 30 a 411, transmitido em 24/07/2012, invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 47.910,40, relativo ao 2o trimestre de 2012. Por meio do Despacho Decisório de fls. 22 a 28, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão em 14/04/2014 (AR à fl. 42), o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 12/05/2014 (fls. 2 a 15), alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. Em 27/08/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 47 a 52), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o procedimento fiscal é vinculado ao MPF no 10.1.07.002011 004568, o que se confirma tanto no sítio eletrônico da RFB quanto no Demonstrativo de Crédito do Despacho Decisório; (b) os débitos exigidos foram confessados pelo contribuinte, não havendo que se falar em lançamento de ofício, bastando a cobrança; (c) embora a Informação Fiscal tenha sido intitulada de Auto de Infração, seu objeto foi verificar a certeza e a liquidez do crédito postulado, verificando que este advinha de insumos empregados na fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do IPI; e (d) não gozam do direito a crédito de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação "NT" (Não Tributados) na tabela de incidência TIPI (como livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão). Cientificada do acórdão da DRJ em 05/09/2014 (AR à fl. 55), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 22/09/2014 (fls. 57 a 68), sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de préquestionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11065.900523/201423 Acórdão n.º 3401003.313 S3C4T1 Fl. 73 3 Em 22/07/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido indicado para a pauta em outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. Fl. 74DF CARF MF 4 A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.002014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11065.900523/201423 Acórdão n.º 3401003.313 S3C4T1 Fl. 74 5 tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Fl. 76DF CARF MF 6 Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722387/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que comprovem a efetividade do pagamento com relação aos serviços que lhe teriam sido prestados, devem ser mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução com despesa médica nos termos do voto do relator. Vencidos na
votação as conselheiras Rosemary Figueiroa Augusto e Miriam Denise Xavier Lazarini. Votou pelas conclusões o Conselheiro Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: Carlos Alexandre Tortato
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que comprovem a efetividade do pagamento com relação aos serviços que lhe teriam sido prestados, devem ser mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 23 87 /2 01 3- 31 Fl. 94DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução com despesa médica nos termos do voto do relator. Vencidos na votação as conselheiras Rosemary Figueiroa Augusto e Miriam Denise Xavier Lazarini. Votou pelas conclusões o Conselheiro Cleberson Alex Friess. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.722387/201331 Acórdão n.º 2401004.328 S2C4T1 Fl. 95 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0435.095 (fls. 41/45), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à comprovação de sua efetividade e de que foi em benefício do próprio contribuinte ou de dependente a ele vinculado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 30/36 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 8.784,37, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 31/32) a fiscalização informa a glosa de R$ 24.125,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Fl. 96DF CARF MF 4 Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte alegou em sua peça impugnatória que a glosa de despesas médicas é indevida em razão de terem ocorrido, efetivamente, em proveito próprio, conforme os recibos e notas fiscais que anexou aos autos. Para a DRJ/CGE, a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, os documentos acostados pelo contribuinte não faziam prova do efetivo pagamento das despesas médicas aos profissionais acima mencionados. Intimado do acórdão da DRJ/CGE em 07/04/2014 (A.R. fl. 53), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 56/59) em 29/04/2014, onde, reiterando as alegações já trazidas em sede de impugnação, menciona novos documentos como contraponto ao que foi decidido e exigido pela DRJ/CGE como comprovação suficiente das despesas médicas. São eles: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.722387/201331 Acórdão n.º 2401004.328 S2C4T1 Fl. 96 5 É o relatório. Fl. 98DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O artigo 73 § 1° do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11 § 3°) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10140.722387/201331 Acórdão n.º 2401004.328 S2C4T1 Fl. 97 7 § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a anuência do contribuinte. (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 11 § 4°) Conforme depreendese dos dispositivos supracitados, o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese, por sua vez, aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É nesse sentido que revelase equivocado o entendimento de que os recibos, por si só, são documentos hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Importante destacar que as justificativas da DRJ/CGE que corroboram o entendimento da autoridade lançadora foram as seguintes: 1) A contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas declaradas, bem como não comprovou quem foi o beneficiário dos serviços médicos. 2) A contribuinte trouxe aos autos declarações firmadas pelas profissionais Maria Fernanda Marques Soares e Regina Célia S. Ramos Capusso, onde estas afiram que os serviços foram prestados à própria contribuinte. No entanto, quanto à exigência de comprovação do efetivo pagamento, a contribuinte não trouxe nenhum documento que pudesse comprovar tal situação, permanecendo a dúvida de quem foi o responsável pelo pagamento das despesas. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe ao processo administrativo uma série de documentos a fim de atestar a veracidade dos recibos. Primeiramente, com relação às despesas médicas relativas à Dra. Maria Fernanda Marques Soares, a Recorrente apresentou extratos do Banco do Brasil Campo Grande e da UNIPRIME, onde constam cheques emitidos, que seriam relaticos aos recibos mencionados (Fls. 63/78), bem como a declaração da psicóloga, emitente dos recibos, devidamente qualificada, informando que prestou os serviços profissionais e que percebeu, ao longo do ano, R$ 7.000,00. (Fl. 79) Trazidas as provas em comento pelo contribuinte, cabe cotejálas com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para desqualificar os recibos de despesas médicas e glosar as despesas declaradas pelo contribuinte. Nesse contexto, verificando os extratos do Banco do Brasil e sua correspondência com os valores recebidos, bem como a declaração prestada pela profissional, confirmando o serviço prestado, entendo não estarem efetivamente comprovadas as despesas. Quanto às despesas relativas à Dra. Regina Célia S. R Capusso, do mesmo modo, a contribuinte simplesmente anexou em sua defesa os extratos do Banco do Brasil e da UNIPRIME Campo Grande, onde constam cheques emitidos, que seriam relativos aos recibos mencionados (Fls. 83/85), bem como a declaração da psicóloga, emitente dos recibos, Fl. 100DF CARF MF 8 devidamente qualificada, informando que prestou os serviços profissionais e que percebeu, ao longo do ano de 2010, R$ 8.760,00. (Fl. 86) Assim, não vejo força probante dos documentos a fim de afastar a glosa realizada pela autoridade fiscal em relação às despesas médicas relativas a Dra. Maria Fernanda Marques Soares e Dra. Regina Célia S. R. Capusso. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário . É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722357/2009-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 57 /2 00 9- 50 Fl. 2677DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.193.3730, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 18/11/2009, no valor de R$ 799.646,62, acrescidos de juros e multa de mora, correspondentes às contribuições previdenciárias devidas pela empresa no período 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre remunerações dos segurados da Previdência Oficial, e destinada a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE). Conforme informações contidas no relatório fiscal, os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorreram com o pagamento de valores classificados como Participação nos Lucros ou Resultados, sendo que os citados desembolsos foram efetuados em desacordo com a Lei nº 10.101/00. Ainda, os valores foram apurados na escrituração contábil, sendo que os citados pagamentos foram efetuados em periodicidade mensal conforme consta em planilha anexa ao relatório, infringindo assim o disposto no §2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. No relatório, a autoridade fiscal acrescenta que, além deste fato, a empresa também não observou o disposto no §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, pois o mesmo estabelece que, deverão constar no instrumento de negociação da PLR, regras claras quanto à fixação do direito substantivo da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Contudo, ao ser solicitado à empresa que apresentasse planilha com aferição de produtividade, foi informado que este controle não se aplica. Para os anos de 2006 a 2008, a empresa informou que entregou CDs com planilhas de aferição de produtividade, entretanto, os documentos digitais presentes nos CDs não continham informações referentes à aferição. Assim, constatouse que a empresa prevê a aferição do cumprimento das metas na convenção, mas, de fato, não as realiza. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 10166.722357/200950 Acórdão n.º 9202005.291 CSRFT2 Fl. 3 3 Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/08/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402004.228, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto na art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições previdenciárias para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3º, §3º da Lei 11.457/2007). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/09/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 10/10/2014, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 26/08/2015. Fl. 2679DF CARF MF 4 O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2402004.228, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 14/12/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 10166.722357/200950 Acórdão n.º 9202005.291 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 2657. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no patamar em que lançado pela fiscalização, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 2681DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10166.722357/200950 Acórdão n.º 9202005.291 CSRFT2 Fl. 5 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 2683DF CARF MF 8 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10166.722357/200950 Acórdão n.º 9202005.291 CSRFT2 Fl. 6 9 ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 2685DF CARF MF 10 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10166.722357/200950 Acórdão n.º 9202005.291 CSRFT2 Fl. 7 11 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Apenas esclareço que, embora pareça que a tese adotada no acórdão recorrido, que determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, porém limitandoa a 75%, ser semelhante a multa determinada no presente julgamento, o que o recorrente busca é a aplicação da tese a retroatividade benigna coforme previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória, caso essa seja aplicável (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A, conforme determinado no presente voto. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003111/2005-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2004
MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Somente podem elidir a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo de entrega de declarações, falhas comprovadamente imputáveis aos sistemas de recepção das declarações não sendo oponíveis outras causas internas ou externas não reconhecidas oficialmente pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 1803-001.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 72 1 71 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.003111/200543 Recurso nº 170.878 Voluntário Acórdão nº 180301.033 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de outubro de 2011 Matéria MULTA ATRASO DCTF Recorrente COOPERATIVA AGRIC PRODUTORES DE CANA VALE DO IVAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Somente podem elidir a aplicação de penalidade pelo descumprimento do prazo de entrega de declarações, falhas comprovadamente imputáveis aos sistemas de recepção das declarações não sendo oponíveis outras causas internas ou externas não reconhecidas oficialmente pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Fl. 78DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.003111/200543 Acórdão n.º 180301.033 S1TE03 Fl. 73 2 COOPERATIVA AGRIC PRODUTORES DE CANA VALE DO IVAI LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo sobre Auto de Infração lavrado contra a Impugnante em epígrafe, fls. 8, no qual é exigido o crédito tributário total de R$ 1.392,89 (um mil, trezentos e noventa e dois reais e oitenta e nove centavos), referente à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 4° trimestre do ano calendário de 2004. O enquadramento legal do lançamento encontrase discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do Auto de Infração, fls. 5. Regularmente cientificada e não se conformando com o lançamento, a Impugnante protocolizou impugnação tempestiva em 1° de setembro de 2005, fls. 1/4, alegando, em síntese, que no dia em que deveria ter feito a entrega da DCTF ocorreu problemas com a transmissão, gerados tanto pela Impugnante quanto pela própria Receita Federal. No dia 15/02/2005, o sistema de informática da Impugnante encontravase com problemas de operacionalização e, no período da tarde, foi o sitio da Receita Federal que não possibilitou a transmissão. Entrou em contato com a Receita Federal em Maringá e foi informado que haveria multa a pagar em razão do atraso na entrega, mas como houve problemas com outras empresas, pediu que a Impugnante aguardasse uma orientação. Após uma semana do ocorrido, em 22/02/2005, a Receita Federal convocou várias empresas para um treinamento sobre certificação digital e também foi informou que, aquelas que foram multadas por atraso decorrente de problemas no sitio da Receita Federa, deveriam recorrer, em face de motivo de força maior. Portanto, a Impugnante não agiu com culpa e, não obstante o Fisco considere a responsabilidade do sujeito passivo sob a ótica objetiva, não há como considerar a Impugnante como responsável pelo atraso. O motivo de força maior é excludente de responsabilidade, seja ela objetiva ou subjetiva, ficando claro que a força maior que gerou a mora no cumprimento da obrigação é excludente de responsabilidade da Impugnante. Por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a impugnação para o fim de cancelar o débito fiscal. A DRJ CURITIBA/PR, através do acórdão 0618.265, de 05 de junho de 2008 (fls. 60/63), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 79DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.003111/200543 Acórdão n.º 180301.033 S1TE03 Fl. 74 3 DCTF. APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA. INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE. A apresentação de DCTF após o prazo fixado na legislação caracteriza infração a uma obrigação tributária acessória e a correspondente aplicação de penalidade pecuniária ao infrator. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 20/06/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 64), apresentou o recurso voluntário em 21/07/2008 fls. 65/68, onde reitera os argumentos da inicial de que os problemas de transmissão ocasionaram a entrega intempestiva da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004, cujo vencimento original ocorreu em 15/02/2005 e o vencimento considerado no auto foi 18/02/2005 tendo a entrega ocorrido em 24/02/2005. Em seu arrazoado reitera a recorrente de que os problemas de transmissão na geração de declarações persistiram até o momento que foi possível a entrega da DCTF sendo que tal fato caracterizaria a excludente de responsabilidade. Não assiste razão à interessada. Com efeito, a dificuldade de entrega de declarações via internet desde que devidamente reconhecida pela SRFB é realmente por vias transversas excludente de responsabilidade, ocasionando via de regra a prorrogação oficial do prazo de entrega. Conforme já relatou a decisão de primeira instância, a SRFB reconhecendo os problemas na transmissão de declarações com vencimento em 15/02/2008, editou o Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 8 de abril de 2005, declarando tempestivas as declarações entregues até o dia 18/02/2005. No caso da recorrente, sua DCTF somente foi transmitida em 24/02/2005, bem além do prazo reconhecido pela Administração Tributária como período de instabilidade nos sistemas de transmissão. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10930.003111/200543 Acórdão n.º 180301.033 S1TE03 Fl. 75 4 Destarte, não é possível reconhecer a prorrogação de prazo até o momento da geração da DCTF realizado pela recorrente, devendo ser mantida na íntegra a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 81DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/10/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10120.005943/2010-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 59 43 /2 01 0- 04 Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10120.005943/201004 Acórdão n.º 9202004.798 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2083DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000045/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO ANULATÓRIA. OMISSÃO. DECADÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Ao se constatar que a matéria decadência, objeto dos embargos, é também objeto de ação anulatória perante o Poder Judiciário, descabe qualquer apreciação pelo órgão de julgamento administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM MANDADO DE SEGURANÇA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se há de cogitar de omissão da Turma Julgadora por não se manifestar acerca de alegação de concomitância com ação judicial (mandado de segurança) na situação em que essa alegação foi trazida em petição extemporânea, absolutamente carente de provas e cujo objeto não se relaciona com o objeto dos presentes autos.
Numero da decisão: 1301-002.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) em NÃO CONHECER do primeiro ponto embargado (decadência), por concomitância com Ação Anulatória de Débito Fiscal; e (ii) em NEGAR provimento aos embargos, quanto ao segundo ponto embargado (concomitância com Mandado de Segurança).
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO ANULATÓRIA. OMISSÃO. DECADÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Ao se constatar que a matéria decadência, objeto dos embargos, é também objeto de ação anulatória perante o Poder Judiciário, descabe qualquer apreciação pelo órgão de julgamento administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM MANDADO DE SEGURANÇA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não se há de cogitar de omissão da Turma Julgadora por não se manifestar acerca de alegação de concomitância com ação judicial (mandado de segurança) na situação em que essa alegação foi trazida em petição extemporânea, absolutamente carente de provas e cujo objeto não se relaciona com o objeto dos presentes autos.
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO ANULATÓRIA. OMISSÃO. DECADÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Ao se constatar que a matéria decadência, objeto dos embargos, é também objeto de ação anulatória perante o Poder Judiciário, descabe qualquer apreciação pelo órgão de julgamento administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCOMITÂNCIA COM MANDADO DE SEGURANÇA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não se há de cogitar de omissão da Turma Julgadora por não se manifestar acerca de alegação de concomitância com ação judicial (mandado de segurança) na situação em que essa alegação foi trazida em petição extemporânea, absolutamente carente de provas e cujo objeto não se relaciona com o objeto dos presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) em NÃO CONHECER do primeiro ponto embargado (decadência), por concomitância com Ação Anulatória de Débito Fiscal; e (ii) em NEGAR provimento aos embargos, quanto ao segundo ponto embargado (concomitância com Mandado de Segurança). (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 45 /2 01 0- 04 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 878 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.965, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 05 de abril de 2016 (fls. 778/793). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse à unanimidade no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 LANÇAMENTO EFETUADO DENTRO DO PRAZO QUINQUENAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários, se o lançamento foi efetuado dentro do prazo quinquenal. Irrelevante tratarse de glosa por compensação indevida de prejuízos fiscais, por inexistência/insuficiência de saldos a compensar. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL REDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM OUTRO PROCESSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo decisão definitiva, na esfera administrativa, em outro processo, no qual foram reduzidos os prejuízos fiscais de períodos anteriores, há que se reconhecer a procedência do lançamento, neste processo, no qual são glosadas as compensações de prejuízos fiscais acumulados, por inexistência/insuficiência de saldos a compensar. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO FISCO. LANÇAMENTO EM NOME DA SUCEDIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 879 3 Ao se constatar que o procedimento fiscal teve início antes da incorporação; que a fiscalização continuou a ser atendida no mesmo local, pelo mesmo procurador, sem qualquer comunicado acerca do evento societário; e que a alteração cadastral no CNPJ somente foi feita após a ciência do lançamento, não se há de acolher alegação de nulidade, por ter sido o lançamento feito em nome da pessoa jurídica sucedida. SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. Decisão do STJ em sede de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos Edcl no REsp nº 923.012MG. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE DESCRIÇÃO GENÉRICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que a descrição dos fatos e enquadramento legal são suficientemente claros, e que a autuada compreendeu e se defendeu especificamente da infração que lhe foi imputada, não se há de reconhecer qualquer nulidade no lançamento, por este fundamento. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 880 4 Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de omissões: (i) no que se refere ao momento inicial da contagem do prazo de decadência do direito de glosa dos saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL; e (ii) quanto à existência de concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155. (i) Quanto ao momento inicial da contagem do prazo de decadência do direito de glosa dos saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL. A alegada omissão seria quanto ao momento inicial da contagem do prazo decadencial para o questionamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, se no momento da apuração desses prejuízos e bases negativas ou, por outro lado, se no momento em que esses prejuízos e bases negativas são aproveitados para compensar tributo devido. Transcreve jurisprudência do CARF no sentido de que esse momento seria o da apuração dos prejuízos fiscais e bases negativas. A recorrente sustenta, ainda, que o acórdão embargado não se teria manifestado “sobre o fato de que os saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL estavam devidamente registrados na escrita fiscal da Embargante, ou seja, no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais, Lucro Inflacionário e Bases de Cálculo Negativas da CSLL (SAPLI) e, por isso, deveriam ter sido efetivamente glosados pelas DD. Autoridades Fiscais, o que não aconteceu nos autos do Processo Administrativo nº 18471.000656/200645. [...]”. (ii) Quanto à existência de concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155. Nas palavras da embargante: 21. A segunda omissão incorrida pelo v. acórdão de fls. 669/684 encontrase relacionada à falta de manifestação acerca da existência de concomitância entre o presente feito e o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155. 22. Conforme esclarecido em petição protocolada em 9.12.2015, a Embargante ajuizou o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155 para discutir a validade e a legalidade dos efeitos fiscais da amortização do ágio, com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura, para os anoscalendário de 2006 e seguintes. 23. Ocorre, todavia, que, na apuração dos efeitos fiscais da amortização do ágio para os anoscalendário de 2006 e seguintes, a Embargante levou em consideração os saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL apurados em exercícios anteriores, conforme se pode verificar das planilhas de cálculos para o anocalendárío de 2006 acostadas às fls. 171 e 173 do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155 (docs. n°s 3 e 4), o que proporciona a conclusão de que o objeto do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155 acaba por se confundir com o objeto do presente processo administrativo. 24. Por esse motivo, conforme previsto na Súmula CARF n° 1, "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a Fl. 880DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 881 5 apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". 25. Logo, diante da notícia de existência do Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155 e de sua concomitância com o presente feito, deveria ter o v. acórdão embargado se manifestado acerca da renúncia ou não da Embargante às instâncias administrativas, o que não ocorreu em momento algum. 26. Portanto, se faz necessário analisar a existência ou não de concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 2006.51.01.4903155, a fim de que a Embargante possa, eventualmente, interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Egrégio Conselho. Admitidos os embargos pelo Presidente da Turma, o processo foi incluído na pauta do dia 25 de janeiro de 2017. Antes do julgamento, no entanto, foi juntada aos autos pela interessada documentação (fls. 841/875) que dava conta da proposição de Ação Anulatória de Débito Fiscal perante a 15ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. O requerimento (fl. 841) que capeia a documentação pleiteia o reconhecimento de concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Anulatória nº 465624.2017.4.01.3400. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A ciência do acórdão ora embargado se deu em 21/04/2016, quintafeira (termo à fl. 801). Tendo sido os embargos apresentados em 26/04/2016, terçafeira (fl. 802), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente as omissões que pretende ver sanadas, atendendo, desta forma, o requisito regimental. A embargante requer seja reconhecida a concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Anulatória nº 465624.2017.4.01.3400. Aplicase, aqui, a súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Resta, portanto, examinar os documentos referentes à Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 465624.2017.4.01.3400, com o objetivo de verificar se há, nos presentes embargos, alguma discussão distinta da matéria veiculada no processo judicial, sobre a qual seja cabível a apreciação administrativa. De se ressaltar que a embargante não desistiu Fl. 881DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 882 6 expressamente dos embargos, tão somente solicitou o reconhecimento da concomitância, o que há de ser feito nos termos da súmula CARF nº 1, acima transcrita. Os seguintes excertos da petição inicial são esclarecedores sobre o objeto da ação e das discussões ali suscitadas. Para maior clareza, sublinhei os trechos que tratam especificamente do presente processo administrativo nº 12897.000045/201004. I. O OBJETO DA AÇÃO 1. Discutese no presente feito a validade e a legalidade da cobrança de valores relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, lançados por meio dos Autos de Infração objeto dos Processos Administrativos n°s 12897.000.045/201004, 11052.000828/201059, 11052.000.871/201014 e 11052.000.872/201069 (docs. 5 a 8), em razão do questionamento pela D. Fiscalização Federal da amortização de ágio, fundamentado em perspectiva de rentabilidade futura, conforme previsão constante dos artigos 7º e 8° da Lei n° 9.532, de 10.12.97, ("Lei 9.532/97") e dos artigos 385 e 386 inciso III, do Decreto n° 3.000, de 26.3.99, que veicula o Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"). Após sintetizar, sob sua ótica, os acontecimentos que resultaram na apuração contábil de ágio em operações societárias, a autora prossegue: IV. AS AUTUAÇÕES FISCAIS 18. Feitos esses esclarecimentos, a Autora entende pertinente descrever de forma sumarizada os motivos apresentados pela D. Fiscalização Federal para fundamentar cada uma das autuações fiscais lavradas contra a FICAP. IV. 1. AUTO DE INFRAÇÃO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 12897.000.045/201004 19. 0 Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 12897.000.045/201004 (doc. 22) foi lavrado contra a FICAP em 10.2.10 para exigência do IRPJ e da CSLL, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, decorrente de suposto excesso de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL nos anoscalendário de 2005 e 2006. De acordo com a D. Fiscalização Federal, a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL teria sido excessiva, pois a FICAP não teria expurgado os valores correspondentes à amortização do ágio contestada pela Receita Federal do Brasil nos autos do Processo Administrativo n° 18471.000656/200645. [...] V. A IMPROCEDÊNCIA DAS AUTUAÇÕES FISCAIS 26. Ocorre que a amortização do ágio realizada pela FICAP encontrase devidamente respaldada na legislação societária e tributária existentes à época da incorporação do FCP, não havendo que se falar em ausência de "propósito negocial", prática de "negócio jurídico indireto" e falta de demonstração do pagamento do ágio, como restará amplamente demonstrado a seguir. V.l A DECADÊNCIA PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 12897.000.045/201004 Fl. 882DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 883 7 27. Segundo o relato do auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 12897.000.045/201004, a FICAP teria compensado em excesso "Prejuízos Fiscais de Períodos de Apuração Anteriores e da Base de Cálculo da CSLL de Períodos Anteriores" para quitar débitos dos anoscalendário de 2005 e 2006. 28. Concluise, do teor de tal relato, que os prejuízos fiscais acumulados e as bases de cálculo negativas da CSLL supostamente compensados a maior pela FICAP foram gerados no anocalendário de 2004 ou em anoscalendário anteriores. 29. Ora, Excelência, considerando o auto de infração objeto do Processo Administrativo nº 12897.000.045/201004 foi lavrado apenas e tão somente em 10.2.2010, resta evidente a materialização da decadência do direito de o Fisco Federal glosar valores apurados anteriormente ao anocalendário de 2004, que foram informados a tempo e modo próprios à Receita Federal do Brasil pelos meios cabíveis. [...] V.2 A EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL E DE FINALIDADE ECONÔMICA [...] V.3 A INEXISTÊNCIA DE "NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO" [...] V.4 A DEMONSTRAÇÃO DO PAGAMENTO DO ÁGIO [...] V.5 A LEGITIMIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO [...] VII. A CONCLUSÃO: O PEDIDO [...] Ao final, a autora formula seus pedidos, sintetizando ao mesmo tempo os fundamentos: [...] 102. Ao final, a Autora requer seja JULGADA INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente ação anulatória de débito fiscal, cancelando os débitos tributários de IRPJ e de CSLL exigidos nos Autos de Infração objeto dos Processos Administrativos n°s 12897.000.045/201004, 11052.000828/201059, 11052.000.871/201014 e 11052.000.872/201069, tendo em vista: (i) a perda pela Fazenda Nacional do direito de constituir o crédito tributário exigido no Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 12897.000.045/201004, por força da decadência ter alcançado o anocalendário de 2004 e os anteriores; (ií) a reorganização societária implementada pela FICAP encontrarse pautada em legítimo propósito negocial e em real finalidade econômica, representando o movimento de entrada do Grupo Madeco no mercado brasileiro de fios e cabos; Fl. 883DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 884 8 (iii) não ser possível enquadrar a reorganização societária implementada pela FICAP como espécie de "negócio jurídico indireto", na medida em que não há qualquer divergência entre a estrutura adotada pela FICAP e os efeitos típicos que se pretendia alcançar com a operação; (iv) ter ocorrido o efetivo pagamento do ágio, inclusive com desencaixe de recursos financeiros, na reorganização societária implementada pela FICAP, comprovado pelo informativo disponibilizado pela CVM do Chile, pelo RDEIED do BACEN e pelo balanço patrimonial da FICAP; e (v) a amortização do ágio pela FICAP ser prática legítima, devidamente suportada na legislação societária e tributária vigentes à época, notadamente, nos artigos 7° e 8o da Lei 9.532/97 e nos artigos 385 e 386, inciso III, do RIR/99, conforme reconhecido pela melhor doutrina nacional e também pela jurisprudência mais recente de nossos Tribunais. [...] O primeiro vício alegado nos presentes embargos diz respeito à decadência. Haveria omissão do acórdão embargado acerca do momento inicial da contagem do prazo decadencial para o questionamento dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Tenho que este ponto se encontra completamente absorvido pelo processo judicial. Dos excertos acima, fica evidenciado que a autora requereu o pronunciamento do Poder Judiciário sobre a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir os créditos do presente processo administrativo. Qualquer manifestação administrativa sobre essa matéria, ainda que tão somente para integrar o acórdão embargado, seria por certo inócua, visto que há de prevalecer o quanto decidido pela via judicial. Não conheço, portanto, da primeira alegação de omissão, por concomitância com a Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 465624.2017.4.01.3400. O segundo vício alegado nos presentes embargos diz respeito à suposta omissão do acórdão embargado acerca da existência de concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155. Não há, na Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 465624.2017.4.01.3400, qualquer menção ao Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155. Os fundamentos pelos quais a autora da Ação Anulatória pretende ver seu direito resguardado não possuem qualquer ligação expressa com o referido Mandado de Segurança. Desta forma, penso que este segundo ponto dos embargos constitui matéria distinta daquela levada à consideração do Poder Judiciário na Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 465624.2017.4.01.3400. Não tendo havido expressa desistência dos embargos, a alegação merece resposta por parte deste Colegiado. Passo, então, a apreciar os argumentos da embargante. Esclareçase, em primeiro lugar, que no recurso voluntário apresentado pela interessada em 29/09/2010 (fls. 603/639) não há qualquer menção ao Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155. E, de acordo com o carimbo da petição inicial (fl. 738), sua apresentação ao Poder Judiciário terseia feito em 29/12/2006, quase quatro anos antes. O entendimento da interessada acerca de concomitância bem poderia ter sido manifestado por ocasião do recurso voluntário. Assim não sendo, não se há de falar em omissão da Turma, visto que a alegação não consta do recurso. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 885 9 Ainda que superado esse ponto, poderseia alegar (como alega a embargante) que a matéria foi trazida ao conhecimento do Colegiado em petição extemporânea (fls. 711/760), protocolizada em 09/12/2015. Eis os termos em que veiculada a discussão (fl. 717, grifos não constam do original): 8. Ainda que se entenda ser possível prosseguir a discussão acerca da validade dessa autuação flagrantemente nula, a Recorrente destaca que, com relação ao anocalendário de 2006, a discussão não deveria prosseguir nesta esfera administrativa. 9. Isso porque, conforme dito acima, as DD. Autoridades Fiscais pretendem revisar o saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL da Recorrente que tiveram origem na amortização de ágio contestada pela Receita Federal do Brasil. 10. Neste sentido, a Recorrente destaca que o seu direito líquido e certo à redução do lucro líquido, no anocalendário de 2006 e seguintes, em virtude de a exclusão dos valores referentes às amortizações do ágio, com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura, está sendo discutida perante a Justiça Federal, nos autos do Mandado de Segurança na 2006.51.01.4903155 (doc. 2), o que violaria a Súmula na 1 desse Egrégio Conselho. [...] 11. Por relevar estrita identidade com a discussão travada nos autos do Mandado de Segurança na 2006.51.01.4903155, o reconhecimento da concomitância é medida que se impõe no presente caso. O mencionado doc. 2 se encontra às fls. 738/760. Tratase da petição inicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155, cujo pedido, ao final, é formulado como a seguir transcrito (fls. 759/760, grifos não constam do original): 91. Frisese, na oportunidade, que a Impetrante não pretende desistir da discussão instaurada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 18471.000656/200645, que envolve tão somente os anoscalendário de 2001 a 2005. Com efeito, o objeto do presente mandamus se restringe ao reconhecimento do direito à redução do Lucro Líquido, no anocalendário de 2006 e seguintes. 92. Diante disso, a Impetrante requer, com fundamento no artigo 7°, inciso 11, da Lei nº 1.533/51, seja concedida medida liminar inaudita autera parte para suspender a cxigibilídade do crédito tributário vinculado às amortizações de ágio no anocalendário de 2006 e seguintes, afastandose, assim, autuações e inscrições dos valores na Dívida Ativa da União, e garantindose a normal expedição de certidões negativas à Impetrante. 93. Além da concessão da segurança, a Impetrante esclarece que pretende efetuar o depósito judicial do montante integral não recolhido pela Impetrante a título de IRPJ e da CSLL, em virtude da exclusão dos valores referentes às amortizações do ágio do Lucro Líquido do anocalendário de 2006 e seguintes, suspendendo a exigibilidade de qualquer pretenso crédito tributário até a apreciação Fl. 885DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 886 10 do mérito do presente writ, com fundamento no artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional. 94. No mérito, a Impetrante requer seja julgado totalmente procedente o pedido para que seja concedida a segurança requerida e, com isso, seja reconhecido o direito líquido e certo à redução do Lucro Líquido, no anocalendário de 2006 e seguintes, em virtude de a exclusão dos valores referentes às amortizações do ágio, com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura da Impetrante, encontrarse expressamente autorizada na legislação do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 50, inciso LXIX, da Constituição Federal de 1988, e artigos l° e seguintes da Lei nº 1.533/51. Como se vê, o objeto do Mandado de Segurança é o direito à redução do lucro líquido, no anocalendário 2006 e seguintes, em virtude da exclusão dos valores referentes às amortizações de ágio. Ora, essa discussão (embora para anos anteriores) se deu no processo administrativo nº 18471.000656/200645. Lá é que poderia, em tese, ser invocada uma eventual concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Nestes autos se discute a suficiência ou não do estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL passíveis de compensação nos anoscalendário 2005 e 2006. Mas, observese, a impetrante faz constar expressamente de seu pedido que “não pretende desistir da discussão instaurada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 18471.000656/200645, que envolve tão somente os anoscalendário de 2001 a 2005”. Certamente por esse motivo aquele processo nº 18471.000656/200645 transitou em julgado administrativamente, com decisão de mérito, sem que haja notícia de aplicação da súmula CARF nº 01. Ressalto, ainda, que não encontro nestes autos qualquer outra peça processual referente ao Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155 além da mencionada petição inicial. Não se encontra certidão de objeto e pé atualizada, não há notícia sobre o estágio atual do processo, se ainda tramita ou não, se foi ou não concedida a liminar, se há sentença de mérito, se há algum recurso. Igualmente nenhuma notícia sobre a manifesta intenção da impetrante de efetuar depósito judicial do montante integral do tributo discutido judicialmente. Em tais condições, não há como se cogitar de omissão da Turma Julgadora por não se manifestar sobre alegação da existência de Mandado de Segurança, trazida em petição extemporânea, absolutamente carente de prova e cujo objeto, ao que se pode observar, não se relaciona a não ser muito indiretamente com o objeto dos presentes autos. Com estes fundamentos, rejeito os embargos, quanto a este segundo ponto. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por não conhecer do primeiro ponto embargado, por concomitância com processo judicial, e rejeitar os embargos declaratórios no que respeita ao segundo ponto embargado. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 886DF CARF MF Processo nº 12897.000045/201004 Acórdão n.º 1301002.209 S1C3T1 Fl. 887 11 Fl. 887DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007528/2001-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO.
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador.
Numero da decisão: 1301-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a prescrição do pedido de restituição e devolver os autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Roberto Silva Júnior manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a prescrição do pedido de restituição e devolver os autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Júnior, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Roberto Silva Júnior manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 75 28 /2 00 1- 96 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 378 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 0362.735, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, na sessão de 17 de julho de 2014, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, nos termos do relatório e voto do relator. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do segundo julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Restituição, formalizado em formulário em 28/12/2001, relativo a credito tributário de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ do anocalendário de 1995, no valor de R$ 368.829,64. Posteriormente a interessada transmitiu eletronicamente Declarações de Compensação Dcomp nº 20431.15571.191011.1.3.049000, nº 24456.98723.171111.1.3.04 0049, nº 35613.85585.151211.1.3.044108, nº 03688.11126.180112.1.3.049970 e nº 08122.14400.270112.1.3.044096, por intermédio das quais a pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente do Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ do anocalendário de 1995 pleiteado. Foi emitido Despacho Decisório nº 1.313/2012DRF/GOI, de fls. 166/180, que indeferiu o Pedido de Restituição em face de decurso do prazo decadencial para repetição do indébito e , conseqüentemente, não homologou as DCOMP apresentadas. Em virtude de compensação indevida nas DCOMP não homologadas acima relacionadas, foi emitido Auto de Infração para exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação, nos termos do artigo 74, parágrafo 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 12.249/2010, no montante de R$ 297.954,51. Cientificada em 17 de janeiro de 2013 (fl.251) dos referidos Despacho Decisório e Auto de Infração, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 255/262, em 07 de fevereiro de 2013, com base nas seguintes alegações Argumenta que a decadência alegada pela DRF contraria o entendimento do STJ, o qual nos casos de lançamento por homologação dispõe que o prazo decadencial não se iniciaria quando da simples antecipação do pagamento, mas sim só começaria a ser contado a partir da homologação do referido lançamento cujo pagamento fora antecipado. Com a edição da Lei Complementar nº 118/05, entende o mesmo STJ que tal lei não teria cunho meramente interpretativo, não sendo acolhida para os casos já em andamento, ou para fatos geradores ocorridos anteriores à edição da referida Lei Complementar. O mesmo valeria para o entendimento já expressado pelo Conselho de Contribuintes. Por fim, ressaltando restar comprovado que a decisão proferida não condiz com o entendimento do Conselho de Contribuintes e do Egrégio STJ no tocante à Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 379 3 contagem do prazo decadencial para compensação, requer que seja processada regularmente a presente manifestação de inconformidade, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96, e, ao final, julgado integralmente procedente para determinar a análise do pedido considerando o prazo decadencial de compensação de acordo com o entendimento consolidado apresentado pelo STJ. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0362.735, da 4ª Turma da DRJ/BSB, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de repetição do crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ, extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da respectiva data de extinção do crédito tributário, ou seja, do último dia do correspondente anocalendário que deu origem ao Saldo Negativo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. A apresentação extemporânea do Pedido de Restituição resulta em seu indeferimento e, conseqüentemente, da não homologação das respectivas compensações, devido a extinção do direito à repetição do indébito. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. É cabível a imposição de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de compensação indeferido ou indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 22/09/2014, pelos correios com aviso de recebimento AR (fls. 353354), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 02/10/2014 (fls 355), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído (263), pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 380 4 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. A presente discussão requer a análise do prazo prescricional para o contribuinte postular a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, e sua aplicação quando se tratar de IRPJ. O pedido de restituição foi protocolizado em 28/12/2001, e diz respeito a Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do anocalendário de 1995, no montante de R$ 368.829,64. A partir desse pedido de restituição, o contribuinte protocolizou pedidos de compensação, no final de 2011 e início de 2012, e essas compensações não foram homologadas com base no entendimento de que teria havido a decadência do direito de pleitear a restituição. A matéria foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 1.002.932), no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Assim, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. Sobre a matéria, inclusive, há a Súmula 91 do CARF, a seguir reproduzida: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” Em conformidade com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/6/2009, o entendimento consolidado no âmbito do Poder Judiciário, consubstanciado na Súmula acima transcrita, deve ser reproduzido por este Conselho, aplicandose a chamada tese dos “cinco mais cinco”. No caso vertente, o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 28/12/2001. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à prescrição e assegurar o exame da matéria de fundo pela Instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a prescrição do pedido de restituição e devolver os autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. (assinado digitalmente) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 381 5 José Eduardo Dornelas Souza Declaração de Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Com a devida vênia à exposição do I.Relator, venho expressar meu entendimento sobre a matéria. Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília, que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão da DRF de indeferir o pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ, ao argumento de que o direito creditório havia sido extinto por prescrição. Irresignada, a contribuinte alegou não ter ocorrido a perda do direito, porquanto o termo inicial do prazo de prescrição, em se tratando de tributo sujeito a lançameto por homologação, seria a data da homologação tácita, ou seja, cinco anos após o fato gerador do tributo. Em outras palavras, a recorrente invocou em seu favro a chamada tese dos "cinco mais cinco", construída pelo E. Superior Tribunal de Justiça STJ. O CARF, por força de disposição regimental, dobrouse a essa jurisprudência e editou a Súmula nº 91, cujo enunciado vai abaixo transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Sem discutir a correção desse entendimento (que seria de todo incabível em sede de processo administrativo), é importante deixar claro que ele não se aplica a todos os casos em que exista crédito do contribuinte contra a Fazenda, mas apenas às situações que envolvam pagamento indevido. O entendimento do E. STJ e, consequentemente, o do CARF não se aplicam ao caso concreto, porquanto nele não se verifica a figura do pagamento indevido a ensejar repetição de indébito; mas, sim, a situação jurídica conhecida como saldo credor de IRPJ. A figura do saldo credor, prevista na legislação do IRPJ e da CSLL, não se enquadra no conceito de indébito e não tem origem em pagamento indevido. A jurisprudência do E. STJ, com base na qual foi editada a Súmula CARFº91, construiuse em torno de demandas que envolviam pagamentos, no todo ou parcialmente, indevidos. Observese, no que interessa à matéria aqui examinada, o teor da ementa do julgamento do Recurso Especial nº 1.002.932/SP: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 382 6 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (...) 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que. na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028. do Código Civil de 2002. segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua enfiada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). (g.n.) A decisão do E. STJ, em recurso representativo de controvérsia ("repetitivo"), definiu como aplicável a regra dos "cinco mais cinco", para a prescrição do direito à restituição, aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando esta se dê por decurso de prazo. Sobressai, da leitura da ementa, que a regra é aplicável aos casos de indébito. Indébito há quando se realiza pagamento que não corresponde a uma obrigação, seja porque ela jamais existiu, seja porque, tendo existindo, já se encontrava extinta quando do pagamento. O indébito gera enriquecimento sem causa, que faz nascer imediatamente uma relação obrigacional que coloca o solvens como credor, e o accipiens como devedor da quantia erroneamente entregue. A obrigação de restituir nasce com o pagamento indevido. Diferente é a situação do saldo credor de IRPJ e de CSLL. Em primeiro lugar, saldo credor não é indébito. Indébito é o que se paga sem ser devido; é aquilo que, tendo sido entregue a alguém como pagamento, não corresponde a qualquer obrigação, rompendo, dessa forma, o equilíbrio que deve existir entre as partes (solvens e accipiens); equilíbrio esse que a restituição do indébito visa a restabelecer. No caso do saldo credor, o que existe é o resultado do ajuste que decorre da própria sistemática de apuração do tributo. De acordo com o regime de apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real anual, ao longo do período base (o ano civil), são feitas várias antecipações: algumas sob a forma de pagamentos por estimativa, outras sob a forma de incidência na fonte. Ao final do período, fazse o ajuste, que consiste em comparar dois montantes: 1) o total das antecipações, e 2) o valor do tributo apurado no período. Desse confronto, vai surgir um de três resultados possíveis: ou resultado zero, quando os montantes Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 383 7 (antecipações e débito) forem iguais; ou um saldo em favor da Fazenda (débito do tributo) ou favorável ao contribuinte, situação denominada “saldo negativo”. Essa situação (o saldo negativo), entretanto, não caracteriza indébito. Não se subsume à nenhuma das hipóteses do art. 165 do CTN. Não há antijuridiciadade no saldo negativo. Ele é uma circunstância normal e inerente à sistemática de apuração daqueles dois tributos. Repitase, o pagamento indevido é uma patologia, um desvio, um fato que rompe o equilíbrio entre quem pagou e quem recebeu. É situação antijurídica, que deve ser sanada mediante restituição. O saldo credor, ao contrário, é situação normal, inerente à própria forma de apuração do IRPJ e da CSLL, que em nada se assemelha às hipóteses previstas no art. 165 do CTN, que contempla: a) pagamento indevido, no todo ou em parte; b) pagamento indevido por erro no cálculo do tributo ou por erro em qualquer aspecto do lançamento; e c) reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Além do mais, em se tratando de saldo credor, é o próprio contribuinte quem apura o crédito e o informa à Receita Federal, podendo, nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430/1996, aproveitar de imediato o crédito para compensar com débitos do mesmo ou de outros tributos, sem que para tanto seja necessária qualquer medida por parte da Administração, seja para referendar os cálculos, seja para autorizar a compensação. Tratase de direito potestativo, exercitável tão logo se encerre o período base de incidência, o ano civil. Assim esta redigido o dispositivo legal citado: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (redação atual, dada pela Lei nº 12.844/2013: II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74) (g.n.) Se o direito já é passível de ser exercido de plano, tão logo encerrado o ano base, sem que a Administração possa opor qualquer óbice ou resistência; e se o crédito não decorre de pagamento indevido (e é apurado pelo próprio contribuinte), não há razão plausível para adotarse a tese dos cinco mais cinco ou a Súmula CARF 91, postergando o dies a quo do prazo decadencial. É importante que se diga que, na composição do saldo negativo, estão os recolhimentos por estimativa e retenções na fonte, os quais não podem ser considerados como indevidos se os débitos foram apurados nos termos da legislação aplicável. Ressaltese, por último, que nem todo direito a crédito tem origem em pagamento indevido. É o que ocorre, por exemplo, com os ressarcimentos de IPI, de PIS e de Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10120.007528/200196 Acórdão n.º 1301002.210 S1C3T1 Fl. 384 8 Cofins. O saldo negativo não é, nem decorre de indébito. Por isso, a ele não se aplica a Súmula CARF 91. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 384DF CARF MF
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