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Numero do processo: 11543.001397/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RECOLHIMENTO DO IR-FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 13 97 /2 00 5- 59 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 40 a 42: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls.7 a 10, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2001, ano calendário 2000, para formalização de imposto a restituir no valor de zero. De acordo com a descrição dos fatos de fl.9 foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$3035,62. O impugnante alega que o recurso é tempestivo uma vez que o auto de infração foi enviado ao endereço antigo.Conforme informado em sua DIRPF o endereço correto seria Rua D. Pedro II, Chácara 10 CentroDomingos Martins ES. Com relação ao mérito não concorda com o lançamento uma vez que é portador de moléstia grave e solicita os valores descontados de imposto de renda retido na fonte.Solicita ainda que sejam analisadas as declarações dos exercícios de 2001 a 2005. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o contribuinte apresenta o documento de fl.14 para comprovar o imposto de renda retido na fonte. Da leitura do citado documento verificase que no campo do CPF consta outro número que não o mencionado no auto de infração. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 46 a 50, alegando em síntese que: A contribuinte/Recorrente, não pode ser penalizada, com a glosa do IRRF que pagou sobre os rendimentos da PENSÃO, para novamente serlhe imposta nova tributação, decorrente de erro cometido exclusivamente pela Fonte Pagadora, órgão da própria UNIÃO FEDERAL. Registrese, por oportuno, que se o comprovante de rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro, serviu para lançar o rendimento A tributação, mesmo com o CPF de outrem, deve servir também, para lançar o IRRF, efetivamente retido pela fonte pagadora e, esperase, tenha sido recolhido aos cofres da UNIÃO FEDERAL, prova que a contribuinte não pode produzir mas que pode ser aferida pelo órgão fiscal fazendário federal, através da DIRF anual, do to órgão governamental pagador. Isto posto, REQUER seja recebido, conhecido e provido este RECURSO e conseqüentemente REFORMADO o ACÓRDÃO n ° 1320511 2' Turma da DRJ/RJO II, lançandose a crédito da contribuinte/Recorrente, o IRRF, pelo Ministério da Defesa Exercito Brasileiro, no valor originário de R$ 3.035,62, ano calendário 2000, exercício 2001.Isto posto, REQUER seja recebido, conhecido e provido este RECURSO e conseqüentemente REFORMADO o ACÓRDÃO n ° 13 20511 2' Turma da DRJ/RJO II, lançandose a crédito da contribuinte/Recorrente, o IRRF, pelo Ministério da Defesa Exercito Brasileiro, no valor originário de R$ 3.035,62, ano calendário 2000, exercício 2001. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 4 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O presente processo trata de glosa de IRRF no valor de R$ 3.035,62, conforme indicado Comprovante de Rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa, fl. 14. Ocorre que conforme identificou a autoridade recorrida, o CPF indicado nesse comprovante não é o da contribuinte, embora o nome constante nesse formulário seja o dela. Em sede de recurso, fls. 46 a 51, a contribuinte diz que essa inconsistência no número do CPF foi um erro da fonte pagadora que incluiu equivocadamente o CPF do seu genro sem que ela possa imaginar a razão desse erro. Ainda, a recorrente apresenta Requerimento ao Ministério da Defesa – Exercito Brasileiro, solicitando a devida retificação do Comprovante de Rendimentos, fl. 52. Diante desse contexto, especialmente considerando que nos Comprovantes de Rendimentos da mesma pensão dos anos posteriores essa inconsistência do CPF da recorrente foi corrigida pelo Ministério da Defesa, fls. 54 a 56, concluo que o conjunto das provas apresentadas, representada pelos documentos supracitados são o suficiente para que se forme convicção que a retenção do IRF debatido foi mesmo retido em nome da interessada, na forma indicada no Comprovante de Rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa, fl. 14. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO do Recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 5 4 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013484/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado.
IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE.
Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados.
MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE.
A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2.
LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente.
JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62-A DO RICARF.
Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da base de cálculo os juros de mora conforme jurisprudência do STJ. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado. IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE. Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE. A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2. LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62-A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da base de cálculo os juros de mora conforme jurisprudência do STJ. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado. IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE. Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE. A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2. LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 34 84 /2 00 8- 80 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da base de cálculo os juros de mora conforme jurisprudência do STJ. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 76/83) interposto em 30 de dezembro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 65/70), do qual o Recorrente teve ciência em 06 de dezembro de 2010 (fl. 73), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 22/24, lavrada em 11 de agosto de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. APURAÇÃO. Na apuração dos rendimentos tributáveis a serem informados na declaração de ajuste anual, descabe proceder à prévia dedução de valores que a norma legal faculta serem considerados, na própria declaração, para fins de quantificação da base de cálculo tributável. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.013484/200880 Acórdão n.º 2101002.454 S2C1T1 Fl. 140 3 AÇÃO TRABALHISTA. JUROS DE MORA RECEBIDOS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão legal que reconheça direito de isenção em relação a juros de mora recebidos em face de ação trabalhista. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Eventuais despesas com ação judicial necessárias ao recebimentos dos rendimentos auferidos, para serem acolhidas, devem vir acompanhadas da respectiva prova. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 65). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 76/83, suscitando, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo por falta de motivação, uma vez que não houve omissão de rendimentos e, no mérito,: i) ter informado na sua declaração o total do valor recebido em ação trabalhista; ii) a possibilidade de dedução do IRRF do imposto apurado na declaração de ajuste anual; iii) a isenção tributária dos valores recebidos a título de juros de mora em ação trabalhista; iv) a dedutibilidade dos valores pagos devido à perícia contábil realizada na ação trabalhista; v) a dedutibilidade de 12% sobre os rendimentos tributáveis a título de despesas com previdência privada, e por fim; vi) o descabimento da aplicação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, verificada no anocalendário de 2004 Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelo art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que a preliminar se confunde com o mérito, motivo pelo qual serão analisados conjuntamente. Na realidade, todas as alegações do contribuinte têm de ser rejeitadas, com exceção daquela relativa aos juros de mora. De fato, conforme constou da decisão da DRJ,. Não obstante, quanto aos juros de mora, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante a previsão constante do art. 62A do seu regimento interno, está obrigado a observar, em suas decisões, as matérias que já foram alvo de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), exatamente como sói ocorrer no caso dos juros de mora, sobre os quais não incide imposto de renda, segundo acórdão de lavra do Ministro Teori Zavascki: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.” (STJ, Primeira Turma, REsp n.º 1.227.133, Relator Ministro Teori Zavascki, DJe de 19/10/2011) A análise do acórdão proferido pelo STJ em sede de embargos de declaração no bojo do Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, deve ser realizada com cautela. Com efeito, por ocasião do julgamento do recurso especial, a Primeira Turma do STJ, sob relatoria do Ministro Teori Zavascki, houve por bem negarlhe provimento, afirmando a não incidência de imposto de renda sobre juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla, o que motivou a oposição de embargos de declaração pela União. Ato contínuo, é sobre o acórdão relatado pelo Ministro Cesar Asfor Rocha, que recebeu parcialmente os aludidos embargos para tão somente modificar a ementa do julgado, sem, contudo, alterarlhe o resultado, que a análise deve ser empreendida, de maneira a determinar seu real e efetivo alcance. Senão vejamos. O Ministro Relator dos embargos procedeu a acurada análise dos sete votos proferidos no acórdão embargado, tendo havido três vencidos e quatro vencedores, a saber: a) Votos vencidos: a.1) Ministro Teori Zavascki: dada a natureza indenizatória dos juros moratórios, considera que há acréscimo patrimonial ao credor, tipificando o fato imponível do art. 43 do CTN. Afirma a existência no sistema de uma isenção indireta, de modo que deu parcial provimento ao recurso especial por entender que há, no caso concreto, isenção apenas quanto aos juros de mora incidentes sobre o valor do auxílioalimentação e sobre o Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.013484/200880 Acórdão n.º 2101002.454 S2C1T1 Fl. 141 5 valor das diferenças de FGTS, tendo em vista que essas parcelas estão contempladas por isenção, nos termos dos artigos 6º, incisos I e V, da Lei n. 7.713/1988, e do art. 39, incisos IV e XX, do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99); a.2) Ministro Herman Benjamin: acompanhou o Ministro Teori; a.3) Ministro Benedito Gonçalves: também acompanhou o Relator; b) Votos vencedores: b.1) Ministro Cesar Asfor Rocha: afastou a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais, em qualquer hipótese, diante da sua natureza e função indenizatória ampla; b.2) Ministro Humberto Martins: acompanhou o Ministro Cesar Asfor Rocha; b.3) Ministro Mauro Campbell Marques: negou provimento ao recurso especial por fundamentos diversos dos utilizados pelo Ministro Cesar Asfor Rocha. Entendeu que a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigente, mas que o art. 6º, inciso V, da Lei 7.713/88 trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Com base nesse referido dispositivo legal, então, reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate; b.4) Ministro Arnaldo Esteves Lima: restringiu a discussão aos juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, adotando fundamentos semelhantes aos do Ministro Mauro Campbell para configurar a aplicação de isenção à situação. Ante o exposto, os quatro votos vencedores podem ser divididos em duas correntes, ou seja, (i) a da não incidência de IR sobre juros moratórios em qualquer hipótese (Ministros Cesar Asfor e Humberto Martins), e (ii) aquela que afirma haver norma isentiva (art. 6º, V, da Lei 7.713/88), limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate (Ministros Mauro Campbell e Arnaldo Esteves Lima). A conclusão alcançada pelo Ministro relator do acórdão dos embargos foi, ipsis litteris, esta: “A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: ‘RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.’ Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Embargos de declaração acolhidos parcialmente.” [grifos nossos] Desta feita, percebese que os embargos de declaração foram acolhidos única e tãosomente para alterar o texto da ementa do julgado, tendo sido negado provimento ao recurso especial sob fundamentos distintos, mas a restrição do alcance da ementa, dela passando a constar a não incidência de IR sobre juros moratórios decorrentes de verba trabalhista percebida por meio de decisão judicial, foi proposital. Caso contrário, isto é, caso o fundamento adotado fosse mais restrito a ponto de considerar a isenção no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, os novos embargos manejados pela União teriam sido providos, e não rejeitados, tendo transitado em julgado o acórdão em epígrafe em março do corrente ano. Disso decorre, inexoravelmente, que este CARF está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos termos do art. 62A do Regimento Interno, nos exatos moldes em que proferidas, sem tentar alargarlhes o alcance e/ou conteúdo. Considerando, destarte, que no presente caso é incontestável que as verbas trabalhistas foram recebidas por força de decisão judicial, outra não pode ser a conclusão senão afirmar a não incidência de IR sobre os juros de mora, subsumindose, precisamente, ao julgado representativo da controvérsia do STJ. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto os juros de mora incidentes sobre as verbas trabalhistas. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13827.000923/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 09 23 /2 00 9- 36 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 220200.434, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 71 a 78, que reproduzo a seguir: “ANTONIO BASÍLIO, contribuinte inscrito no CPF/MF (...), inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 33/37, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 41. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP, em 08/09/2009, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/07), com ciência através de AR, em 16/09/2009 (fl. 28), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.574,66 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, (...). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2006 onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. Omissão de rendimentos decorrentes da decisão da Justiça Federal, referente honorários advocatícios R$12.197,27, recibo PREV AS E SERV S/C LTDA. CNPJ 49.902.711/000140, (empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados),e IRRF= R$ 1.594,85 deduzido dos rendimentos. (Rendimentos declarados no CNPJ:29.979.036/000140 (INSS) e não da Caixa Econômica Federal. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, apresentada, tempestivamente, em 14/10/2009, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, solicitação de retificação de lançamento acima referida, foi deferida parcialmente, mas na nova notificação foram colocados os itens de omissão de renda dos honorários advocatícios e omissão de fonte pagadora; que, a fonte pagadora já foi corrigida na SRL anterior e os honorários advocatícios da PrevAssessoria e Serviços S/C Ltda., foram colocadas como abatimento de acordo com a legislação do Imposto de Renda, sendo assim as razões para modificar, inclusive anular o lançamento efetuado, conforme o contribuinte tem por lei através da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05/10/1988, artigo 5 ° . Inciso LV Principio do Contraditória e Ampla Defesa; que, em questão aos honorários advocatícios referente a PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., a empresa acima fez a Declaração Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 80 3 comprovando os valores recebidos do Sr. Antonio Basílio, bem como consta o CNPJ da empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., que no seu código de atividade econômica consta o código 69.11701 Serviços Advocatícios. Com base na Legislação do Imposto de Renda, no que consta no item 3, conforme documento em anexo, os valores recebidos acumuladamente; que, o rendimento tributável corresponde ao total recebido no mês, inclusive correção monetária e juros, excluídas apenas as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com Advogados, quando, pagas pelo contribuinte e não indenizadas. A qual é informada na Relação de Pagamentos e Doações efetuados, constando o nome, número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário e o valor relativo as despesas com ação judicial; que, quanto a omissão da fonte pagadora, neste caso não existe omissão pois houve erro na informação da fonte pagadora, mas corrigido logo em seguida com a Solicitação de Retificação de Lançamento, conforme informe de rendimento em anexo da Caixa Econômica Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, a impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento; que o contribuinte informou na declaração de ajuste anual, como recebido do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ n° 29.979.036/000140, no anocalendário de 2006, o montante de R$ 46.094,21 (fl. 14); que, nesse valor estão incluídos os rendimentos de aposentadoria auferidos de janeiro a dezembro de 2006 (R$ 11.737,76, fl. 32) e a parte do valor pago pela Caixa Econômica Federal, em decorrência de decisão da Justiça Federal, que o contribuinte entendeu ser tributável (R$ 34.356,45); que de acordo com o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte de fl. 06, foi levantado pelo contribuinte, em março de 2006, o valor bruto de R$ 53.161,69, tendo sido retido na fonte o imposto de R$ 1.594,85; que, a fiscalização verificou que o contribuinte deduziu do valor tributável o imposto retido na fonte e ainda o compensou na apuração do saldo do imposto a pagar. Mantevese a compensação, porém, acresceuse o valor indevidamente deduzido do valor tributável; que, o interessado deduziu, ainda, do valor bruto percebido em virtude de ação judicial, o valor de R$ 5.013,12, correspondente a honorários advocatícios pagos à pessoa jurídica Belotto e Falcão Advogados Associados, CNPJ n° 03.418.996/000148, e o valor de R$ 12.197,27, pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., CNPJ n° 49.902.711/000140 (documentos de fls. 08 a 10); que o Fisco acatou a dedução do valor de R$ 5.013,12, a titulo de honorários advocatícios, apurando o valor tributável de R$ 59.886,33 (= R$ 11.737,76 + R$ Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 53.161,69 — R$ 5.013,12) e, consequentemente, a omissão de R$ 13.792,12 (= R$ 59.886,33 — R$ 46.094,21); que, não foi aceita a dedução do valor pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., em razão da falta de comprovação de sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como sociedade de advogados; que cingese o litígio ao pleito para que seja admitida tal dedução, uma vez que a referida empresa teria por atividade econômica a prestação de serviços advocatícios (código 69117/01); que observase que parte das atividades compreendidas no código "69117/01 Serviços Advocatícios" não é privativa de advogado; que, desse modo, sem a comprovação de que a empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA. é inscrita como sociedade de advogados e de que um de seus sócios atuou na ação judicial como patrono do contribuinte, não pode a importância paga a essa pessoa jurídica ser deduzida do valor tributável, por não restar caracterizada a necessidade despesa para a percepção dos rendimentos. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não pode ser deduzida do valor auferido em decorrência de ação judicial a importância paga a pessoa jurídica, a titulo de honorários advocatícios, sem a comprovação de que a empresa é inscrita como sociedade de advogados e de que um dos sócios atuou em juízo como patrono do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/04/2010, conforme Termo constante à fl. 40, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/04/2010), o recurso voluntário de fls. 41, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, sou uma pessoa leiga e não entendo de imposto de renda e nem mesmo o que pode ou não ser descontado, fiz minha declaração pessoa física exercício 2007 ano base 2006 e agora recebi o comunicado da receita federal que não poderia descontar o valor do recibo do advogado porque eu não tinha comprovante; que fiz o pagamento para a empresa: PREV. ASSESSORIA E SERVIÇOS LTDA. com CNPJ:49.902.711/000140 no valor de R$16.710,39 conforme declaração da mesma em anexo; que estou anexando o cartão do CNPJ da empresa onde explica que o ramo da atividade é serviços advocatícios; venho explicar que o valor que recebi referente verbas acumulativas, se fosse pago mensalmente não teria esse imposto; o advogado me informou que não é devido imposto nesse valor. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, tendo a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2202 00.434, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 81 5 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 71 a 78. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratase de lançamento em razão da constatação de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, decorrentes de decisão da Justiça Federal, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 8 do processo digital, esse valor corresponde ao somatório das seguintes importâncias: a) R$12.197,27, referente à participação nos honorários, pagos pelo contribuinte à empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., conforme recibo de fls. 13, e conforme declaração firmada em conjunto com BELOTTO E FALCÃO ADVOGADOS ASSOCIADOS, fls. 14, atestando o pagamento dos “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17ª vara da Justiça Federal de JaúSP”; b) R$ 1.594,85, correspondente ao do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF deduzido dos rendimentos pagos em cumprimento da decisão judicial. O motivo que ensejou a fiscalização a não aceitar o recibo e a declaração acima mencionada residiu no fato de que “empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados”. Em relação ao assunto, convém que seja examinado o teor do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: “Art. 19. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial deve ser retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento no Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1º As importâncias descontadas em folha a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, não estão sujeitas à retenção na fonte, devendo o beneficiário da pensão efetuar o recolhimento mensal (carnêleão), se for o caso. § 2º Para fins da retenção do imposto, fica dispensada a soma dos rendimentos nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contabilista, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. Portanto, ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância a remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial não se restringe apenas a “custas ou honorários periciais, ou relativas a honorários advocatícios”. Nesse sentido, observase do recibo e da declaração emitidos pela empresa citada que ficou atestado que o recebimento do valor de R$12.197,27 aconteceu em virtude dos serviços prestados no curso do processo judicial, dentre os quais destacouse “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17 0 vara da Justiça Federal de JaúSP” Uma vez conformarse à remuneração descrita no incido III, do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, anteriormente transcrita, deverá ser o valor R$12.197,27 ser excluído da base tributável a titulo de omissão de rendimentos. Conforme mencionado, o contribuinte também deduziu dos rendimentos recebidos em cumprimento à decisão judicial o valor de R$1.594,85, correspondente ao IRRF descontado na liquidação da ação judicial. A esse respeito, contudo, nenhuma contestação específica foi apresentada pelo recorrente, razão pela qual deverá ser mantido o lançamento nesta parte. A título de observação, convém ressaltar que a matéria tratada nos presentes autos não pode ser atribuída a eventual rendimento recebido acumuladamente, diante da falta de indicação expressa dessa característica no corpo da Notificação de Lançamento. Além do mais, o recorrente não contestou a forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente; sequer instruiu os autos com elementos com a discriminação da natureza e dos períodos a que se referem as verbas que compuseram o rendimento bruto recebido, ônus que lhe competiria e de cujo não cumprimento decorre a preclusão. Concluise, pois, que diante situação fática dos autos torna inaplicável o entendimento expresso no Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em exame do recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 82 7 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10735.901072/2011-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA.
A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/03/2006 COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado.
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 72 /2 01 1- 04 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins realizado em 15/03/2006. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), cuja motivação consiste no texto padronizado que informa que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.2/4) esclarecendo que havia transmitido a Declaração de Compensação sem, no entanto, retificar o DACON e a DCTF, mas que após ter recebido o despacho promoveu a retificação de ambas as declarações, nas quais, então, teria passado a constar o valor correto da base de cálculo e do tributo efetivamente devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/II (DRJ), por meio do Acórdão nº 1337.992, de 27 de outubro de 2011 (fls. 30/32), concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade por não ter havido a apresentação da prova do direito creditório, resumindo tal entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Data do fato gerador: 15/03/2006 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 35/90) explicando que o direito de indébito decorreu de não ter apropriado os créditos de PIS/Cofins nãocumulativo correspondentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano). Apresenta os valores por meio de tabelas, no corpo do recurso, e junta as cópias do DACON e da DCTF já retificados, bem como apresenta cópias de trechos do livro razão. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901072/201104 Acórdão n.º 3403003.130 S3C4T3 Fl. 99 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 03/01/2012 (fl. 40), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 06/12/2011 (fl. 34). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de mais um dos cada vez mais numerosos casos de Despacho Decisório Eletrônico – DDE. O DDE nega homologação à compensação motivado no fato de não existir na DCTF diferença de valores entre (a) o montante do tributo declarado como devido e (b) o montante recolhido em DARF. O sistema informatizado, portanto, interpreta o fato de não haver tal diferença, entre o valor do DARF e o valor do tributo declarado na DCTF, como prova de que não existiria indébito, ou seja, que não existe o direito de crédito alegado na DCOMP. Ocorreu que na Manifestação de Inconformidade não foi informada a razão, nem apresentados os documentos necessários para a prova do indébito, o que aconteceu apenas no Recurso Voluntário, quando o contribuinte apresentou planilhas resumindo a apuração da contribuição e cópias de trechos do livro razão. Apenas se poderia acatar as provas produzidas diretamente em Recurso Voluntário se fossem elas cabais e suficientes do indébito. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, faltou a prova circunstanciada do enquadramento dos pagamentos nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Por esta razão – e ressalvado o entendimento pessoal do Relator em sentido contrário , esta Turma vem entendendo por negar provimento ao recurso voluntário. Foi isso, aliás, o que decidiu esta mesma Turma em casos idênticos, do mesmo contribuinte: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901072/201104 Acórdão n.º 3403003.130 S3C4T3 Fl. 100 5 dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defronta se com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. (Acórdão 3403002.354, PA 10735.901057/201158, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 23/07/2013) Pelas mesmas razões no presente caso, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10140.722283/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância.
ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância. ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 22 83 /2 01 2- 45 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 204 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE ALCINOPOLIS em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.008.9844, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao GILRAT. Consta do relatório fiscal que o crédito tributário lançado originase da glosa de compensações efetuadas pela contribuinte no período de 07/2009 a 09/2009, com créditos decorrentes do recolhimento de contribuições incidentes sobre o salário de detentores de cargos eletivos (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores), declaradas inconstitucionais pelo Eg. Supremo Tribunal Federal, cujo pagamento indevido deuse durante o período de 02/1998 a 02/2004. Apontou o fiscal que as glosas se justificaram na medida em que (i) aplicou em seu cálculo a capitalização dos juros (juros sobre juros), bem como (ii) apresentou apuração de valores das contribuições indevidamente recolhidas sem que tais valores tivessem correspondência com aqueles informados em GFIP e folhas de pagamento do período do pagamento indevido, havendo, portanto erro na apuração do crédito. O contribuinte fora cientificado em 10/10/2012 (fls. 107). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo 2. conforme consta acertadamente no auto de infração, ao valor pago indevidamente somase 1% (um por cento), após somamse as taxas de juros Selic do período e, por fim, mais 1% (um por cento) referente ao mês da compensação, conforme preceitua o art. 89, § 4º da Lei nº 8.212, de 1991; 3. que recorreu ao Banco Central do Brasil para apurar o quantum devido, o que pode ser facilmente comprovado mediante acesso a sítio da referida instituição bem como a realização do cálculo na calculadora do cidadão, ferramenta desenvolvida para realizar cálculos e dirimir qualquer divergência no que se refere à taxa de juros; 4. no que se refere ao erro na apuração dos valores, aduz que efetivamente em alguns meses tal equívoco pode ter ocorrido, sendo que os recolhimentos não efetuados foram realizados em meses posteriores. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5. que a remuneração do prefeito e viceprefeito são uniformes durante todo o prazo de mandato, de modo que , a remuneração tomada pelo senhor auditor em seus valores é bem superiores a efetiva remuneração dos mesmo, se tratando, portanto, da remuneração de meses acumulados e que não foram desta forma observada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente ressalto que as alegações de recurso apresentadas pelo contribuinte são exatamente a reprodução daquelas trazidas a lume em sua impugnação. No que se refere as alegações do contribuinte no sentido de que levou a efeito a aplicação de juros em conformidade com a legislação, tenho que não merecem guarida. Na análise do presente processo, verifico que o v. acórdão de primeira instância foi pontual e por demais enfático em demonstrar que a forma de cálculo adotada pela recorrente, de fato, não possuí previsão na legislação de regência. E, em contrapartida, as alegações objeto de recurso voluntário, ao revés de combaterem os argumentos adotados como fundamento de decidir pelo v.acórdão de primeira instância, apenas reproduziu a irresignação da parte que veio a ser totalmente fulminada quando do julgamento de primeira instância. Sobre o assunto, fazse necessário transcrever aquilo o que restou decidido em primeira instância: ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DA TAXA SELIC Sustenta o sujeito passivo que procedeu de forma correta à atualização de seu valor creditório por meio da utilização da ferramenta “calculadora do cidadão” disponibilizada no sítio do Banco Central do Brasil. Sustenta, ainda, que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo. Antes de adentrar no mérito dessa questão, oportuno relembrar a legislação que trata do assunto (citada pela autoridade lançadora no relatório fiscal, fl.14), Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 especificamente a Lei nº 8.212, de 1991 (os grifos a seguir são meus): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. ... Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). ... § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). ... Lei nº 9.065, de 1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial deLiquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Portanto, a sistemática da atualização dos créditos (pagamentos indevidos feitos pelo sujeito passivo) é a mesma utilizada na cobrança de débitos previdenciários vencidos, a qual deve observar o seguinte: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 206 7 · No mês de vencimento do pagamento a ser compensado e no mês da efetivação da compensação (vencimento do débito a ser compensado) incide a taxa de juros de 1% ao mês; · No período compreendido entre o mês seguinte ao do vencimento do pagamento a ser compensado e o mês anterior ao da efetivação da compensação, incidem juros pela taxa Selic acumulada mensalmente. Compulsandose os autos, notase que a autoridade lançadora trabalhou com esmero, juntando ao auto de infração inúmeros relatórios demonstrando a origem de todos os valores que implicaram a apuração dos créditos previdenciários lançados. Dentre esses relatórios, cabe citar o anexo 04 Detalhamento da taxa de juros utilizada na atualização do valor creditório (fl.74), no qual são discriminados todas as taxas mensais da Selic. Nesse mesmo relatório a autoridade lançadora também exemplifica a forma pela qual obteve a taxa de juros acumulada entre a data do pagamento indevido do crédito previdenciário e a data da efetivação da compensação de quatro períodos de apuração (fl.75). Cabe mencionar, porém, que a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou uma taxa de juros de 1%, valor maior que as taxas de juros Selic correspondente a cada um desses meses (as planilhas de fl. 164 detalham esses valores). Por conseqüência, a Selic acumulada ao final desses meses ficou superior em 0,52% ao que seria devido, implicando, por conseguinte, um valor creditório maior que o devido, o que favoreceu o sujeito passivo. Por essa razão, a autoridade lançadora deverá ser informada acerca desse fato para as providências que julgar necessárias, conforme previsto no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.237, de 1972. O sujeito passivo, por sua vez, apenas alega a correção de seus cálculos que teriam sido feitos com a ajuda de uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central do Brasil em seu sítio na internet. A título de exemplo, podemos verificar abaixo o cálculo feito pelo sujeito passivo referente ao mês de janeiro de 1999 (vide planilha de fl.39): O sujeito passivo informa a incidência de uma taxa de juros de 1% sobre o valor original, provavelmente referente ao mês do vencimento do pagamento indevido, obtendo com isso um montante de R$ 482,45. Informa depois um valor corrigido de R$ 2.039,60 sem detalhar a forma pela qual obteve esse montante. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Se porventura o sujeito passivo tomou como base o valor original de R$ 477,67 haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.561,93 (R$ 2.039,60 –R$ 477,67) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 326,99%. Por outro lado, se o sujeito passivo tomou como base o valor original acrescido de 1% haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.557,15 (R$ 2.039,60 – R$ 482,45) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 322,76%. Vale ressaltar que em ambos os casos, a taxa de juros acumulada seria muito superior ao que seria correto, conforme visto na planilhas abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC 0 JULGAMENTO E FLS. 172) Conforme já foi comentado, a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou a taxa Selic de 1%, motivo pelo qual o resultado apurado no lançamento implicou uma taxa de juros mais favorável ao sujeito passivo (fl.18), conforme é demonstrado abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC – UTILIZADA PELA AUTORIDADE LANÇADORA DE FLS. 172) Por fim, oportuno destacar que nos cálculos do sujeito passivo, houve outro erro em razão de ele ter feito incidir a taxa de juros de 1% (referente ao mês em que se deu a compensação) sobre o montante (já atualizado pela taxa de juros de 1% referente ao mês do pagamento a ser compensado e pela taxa Selic acumulada) de R$ 2.039,60 implicando, um total de R$ 2.060,00. Ou seja, incidiu a taxa de juros sobre montante de juros já acrescido ao principal, o que corresponde a técnica de capitalização por juros compostos. Vale lembrar que tanto na exigência o crédito tributário não pago no vencimento quanto na restituição dele incide a taxa de juros Selic acumulada mensalmente na forma de juros simples, ou seja, a cada mês deve incidir a taxa de juros sobre o valor originário do valor a ser pago ou restituído. No CTN há disposição nesse sentido, conforme transcrito abaixo: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (destaquei) A jurisprudência administrativa é unânime quanto à acumulação mensal da taxa Selic na forma de juros simples: CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Os consectários legais encontram respaldo em normas regularmente editadas, eficazes Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 207 9 e vigorantes, sendo aplicáveis nos casos de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido. Os juros de mora calculados com base na taxa SELIC são acumulados (= somados) e não capitalizados (=anatocismo) mensalmente, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.065/95. A multa de ofício e os juros de mora são devidos cumulativamente por força do disposto nos art. 161 do CTN e 44 da Lei nº 9.430/96. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Acórdão 20309979, 2° Conselho de Contribuinte, 3ª Câmara, j. 22/02/2005, Relator: Maria Cristina Roza da Costa) JUROS DE MORA SELIC Os juros de mora devem ser calculados por simples acumulação com base na taxa SELIC, como juros simples, ou seja, devem ser somados mensalmente, e não capitalizados, sendo vedado o anatocismo, nos termos do artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Acórdão 30239134, 3º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, j. 07/11/2007, Relator: Marcelo Ribeiro Nogueira). Com isso, demonstrase que o sujeito passivo não tem razão em suas alegações quanto à sua atualização do valor do crédito a lhe ser restituído, não merecendo reparo o lançamento nesse quesito. Com relação aos pagamentos acumulados de contribuições dos prefeitos e viceprefeitos de forma acumulada nos meses subseqüentes, fato é que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar nos autos tal situação. Conforme se verifica do relatório fiscal, na realização das glosas, foram consideradas as informações de pagamento constantes na própria escrita fiscal da contribuinte, a saber a folha de pagamentos e a própria GFIP. Ora, dessa forma, deveria a recorrente demonstrar de forma cabal a existência de crédito (pagamentos a maior) em seu favor, que superasse os montantes por ela mesmo informados, o que a toda evidência não fora efetuado. O sujeito passivo limitase a alegar que houve meses em que os pagamentos teriam sido feitos de forma acumulada, correspondendo a mais de um período de apuração. Ademais, mister ressaltar, o sujeito passivo fora intimado em sede de ação fiscal a comprovar os valores de pagamentos informados por ele nas planilhas apresentadas, não tendo atendido a intimação fiscal. (fls.30 a 65) e (fls.93 a 95). Oportuno lembrar que cabe ao sujeito passivo o ônus dessa prova (art. 16, IV e §4º do Decreto nº 70.235, de 1972), motivo pelo qual a ele caberia trazer documentos aos autos para provar que os pagamentos informados em GFIP não seriam corretos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Logo, não vejo como acolher a pretensão recursal. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007512/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior, que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 75 12 /2 00 8- 50 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Doniak Junior, que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, EVANDO MACIEL DE LIMA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, cuja ciência se deu em 20/06/2008. O valor do crédito tributário apurado é de R$2.985.063,87, e está assim constituído em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física R$1.377.192,10 Juros de Mora (calculados até 30/05/2008) R$ 574.977,70 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 1.032.894,07 Total do Crédito Tributário R$ 2.985.063,87 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidas nas Instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Demonstrativos integrantes do Auto de Infração. Enquadramentos legais às fls.175, no Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 22 de julho de 2008 (f1.285), impugnação ao lançamento, às fls.188/1997 mediante as alegações relatadas a seguir: Explica ser produtor rural, tendo como única atividade, a cria, recria e engorda de animais bovinos para comercialização. Após ter sido notificado do início dos procedimentos fiscais, teria se prontificado a atender a todos os pedidos da fiscalização, buscando providenciar os extratos bancários com os bancos envolvidos, sendo surpreendido, enquanto diligenciava, pela autuação baseada, exclusivamente, em depósitos ocorridos em suas contas bancárias. Argumenta que a falta de escrituração em livro caixa, implica arbitramento de lucro à base de 20% a ser aplicado sobre a receita bruta da atividade rural, e que o simples cotejo dos extratos bancários do contribuinte evidencia a atividade desenvolvida, ou seja, a venda de animais a frigoríficos e particulares, além de venda de bens da atividade rural. Sustenta que o fiscal teria incluído nos depósitos tributados, transferências originadas de outras contas do contribuinte, depósitos de cheques posteriormente devolvidos e estornados pelo banco, desbloqueio de depósitos feitos em cheque, etc. Relaciona os valores que acredita não serem tributáveis como depósitos bancários injustificados, sendo que R$389.690,00, seriam decorrentes de estornos de cheques depositados e devolvidos, transferências do próprio contribuinte, TED devolvida e desbloqueios de depósitos feitos em cheque; e R$4.621.635,82, pelo fato de corresponderem a receitas da atividade rural, alienações de terra nua, empréstimos contraídos e outras vendas não discriminadas. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Reitera que toda sua receita advém da atividade rural e pleiteia o direito de ter os rendimentos tributados como provenientes dessa atividade. Alega que as operações que geraram as receitas da atividade rural ficam, efetivamente, comprovadas por meio de notas fiscais, documentos de operações bancárias, escrituras e recibos colacionados ou que se fará juntar oportunamente. Afirma que as dificuldades vividas pela classe produtiva brasileira são notórias, que não teve acréscimos patrimoniais significativos, tendo, inclusive, vários cheques devolvidos por falta de fundos durante o período fiscalizado. Teria sido obrigado a tomar empréstimos com familiares, como João Rabelo Maciel, Eduardo Luis Rabelo e Eugênio Pereira Lima, que são, respectivamente, seu pai, irmão e tio. Acrescenta que não teve tempo suficiente para reunir a documentação comprobatória da atividade rural, que, inadvertidamente, deixou de arquivar. Acredita que deve ser levado em conta o fato de que os valores apenas circulavam e suas contas correntes, dado que as saídas têm a mesma magnitude das entradas, indicando que não teria havido lucros a tributar. Solicita que o prejuízo acumulado até a declaração do exercício de 2004 seja deduzido do valor tributável, como proveniente da atividade rural, do exercício 2005, e pede a juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para Os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida entendeu por bem afastar parte do lançamento: Foram excluídos depósitos referentes a cheques devolvidos nos montantes de R$10.000,00, R$10.000,00 e R$10.000,00, em 12/01/04; R$10.000,00, em 15/01/04; R$25.000,00, em 05/03/04; R$50.000,00, em 09/03/04, R$5.000,00 e R$51.000,00, em 10/03/04 e R$50.000,00, em 18/05/04, totalizando R$221.000,00 a serem estornados. Foram excluídas também transferências efetuadas pelo próprio interessado a partir de outras contas. A transferência de R$5.000,00, em11/08/04, será excluída de tributação, uma vez que há uma TED da conta do interessado no HSBC, no mesmo dia e valor (fl.72). Também foi excluído o montante de R$5.000,00, em 17/08/04, referente a uma TED enviada pelo interessado e devolvida em sua conta corrente. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 4 5 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Do valor que foi mantido, há que se deduzir da base de cálculo o valor concernente à Venda de Fazenda Santa Maria, realizada de porteira fechada, aos Sr.VANILDO JOÃO PEDRINI, CPF 673.031.88991 e NORIVAL COMANDOLLI, CPF 019.398.31920, sendo que o negócio foi realizado pelo valor de R$ 1.696.000,00, no entanto, parte desse montante, no valor de R$ 446.000,00 foi destinado ao pagamento dos animais, conforme demonstrado na impugnação, restando dedutível da base de cálculo o valor de R$ 1.250.000,00, referente à venda do imóvel rural denominado Fazenda Santa Maria. Apesar de o negócio ter sido realizado em 2003, a maior parte do pagamento foi realizada em 2004. Do valor há que se deduzir também o valor relativo à venda da Fazenda Felicidade ao Sr. Percival Santos Muniz, CPF 203.770.61115, eis que ainda que não tenha respondido à intimação feita pela Receita Federal, motivo que deu azo à negativa por parte do Julgador Singular, a cópia da escritura de compra e venda que novamente se colaciona, é prova cabal do negócio realizado, devendo ser deduzido o valor de R$ 900.000,00 da base de cálculo que incidirá o imposto. De igual modo, há que se deduzir também o valor de R$ 39.900,00 referente Venda de um trator de esteiras Fiat, Modelo AD 7, ano 1986 para o Senhor EDMAR CARLOS CHAGAS, CPF 433.978.08120, que visando suprir a falta de resposta à intimação feita pela fiscalização, o Recorrente o procurou pessoalmente, de quem obteve a declaração colacionada, confirmando o negócio, motivo pelo qual há que ser deduzido da base de cálculo. No que diz respeito aos empréstimos contraídos com familiares, como anteriormente anotado, tratase de empréstimos emergenciais, cedidos de um a outro, sem maiores formalidades. Visando comprovar efetivamente a ocorrência desses episódios, o Recorrente colaciona declarações firmadas por estes, devendo tais valores serem subtraídos da base de cálculo de seu imposto haja vista não constituíram renda do Recorrente. Quanto às receitas originárias da venda de gado para o Frigorífico FRIGOVILA Ltda, CNPJ 05.436.419/000104 no valor R$ 1.282.642,11 e Frigorífico FRIBOI, CNPJ 02.916.265/000160, estas, adicionadas à venda das benfeitorias dos imóveis acima citados, sim, constituem na base de cálculo do imposto a ser apurado para o contribuinte, tributandoo como produtor da atividade agropecuária. O valor total dos depósitos e transferências ocorridas no ano de 2004 foi de R$ 1.282.642,11 (um milhão, duzentos e oitenta e dois mil, seiscentos e quarenta e dois reais e onze centavos), destinados ao pagamento de animais bovinos adquiridos pelo Frigorífico supra mencionado junto ao Recorrente, constituindose parte de sua receita bruta. Reitera o pedido de que seja arbitrado a base de cálculo em 20% É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova. Do Mérito O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 6 9 titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: Desse modo, não basta que se esclareça quem efetuou o depósito, caso não fique clara a origem dos recursos, não são considerados como justificados sequer depósitos efetuado pelo próprio contribuinte. O simples fato de depósitos terem sido efetuados por frigoríficos ou pessoas que exercem atividade rural, não comprovam a atividade rural, mesmo porque, a título exemplificativo, o contribuinte pode ser um mero comerciante de gado, comprando e vendendo os animais. Pode, ainda, intermediar compra e venda de gado de terceiros, ganhando comissão. Nenhuma dessas operações caracteriza atividade rural e deve ser tributada na forma de legislação específica (ganho de capital no primeiro caso e tabela progressiva para as comissões no segundo). Assim, se o contribuinte quer ser tributado como produtor rural, que tem tributação menos onerosa, deve comprovar, por meio de notas fiscais, declarações das empresas, livro caixa, etc., que é, efetivamente, produtor rural, e que os depósitos efetuados na conta são advindos dessa atividade. Pelos mesmos motivos, não há como atender o pleito da defesa no sentido de aceitar os prejuízos acumulados, apurados na atividade rural, Reduzir o montante tributável. Apesar de afirmar, na defesa, que as operações que geraram as receitas da atividade rural ficam, efetivamente, comprovadas por meio de notas fiscais, documentos de operações bancárias, escrituras e recibos colacionados ou que se fará juntar oportunamente, até o momento não foram apresentados quaisquer documentos adicionais para comprovar as alegações. Assim, não há como atender o pedido de que os rendimentos sejam tributados como provenientes da atividade rural. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade de rural, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com o recurso o recorrente traz novos argumento, principalmente de que parte dos depósitos seriam da venda de fazendas. Entendo que inobstante os argumentos não há ainda elemento probante consistente, persiste a dúvida sobre a efetiva origem dos depósitos. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001026/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ATO DE CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO.
Consoante entendimento majoritário nesta Turma, o Mandado de Procedimento Fiscal é ato de controle interno da Administração, cuja ausência não torna nula os atos do processo, sobretudo quando não houve prejuízo ao contribuinte, com a ressalva do entendimento do Relator.
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. ENTREGA DOS DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. DESNECESSIDADE.
A legislação determina que os documentos que embasaram o lançamento de ofício sejam juntados aos autos de processo, não sendo necessário entregá-los ao contribuinte no momento em que se comunica a lavratura do auto de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Encontra-se adequadamente fundamentado o auto de infração que apresenta todos os dispositivos legais que embasaram a convicção fiscal.
PREJUÍZO FISCAL. LUCRO LÍQUIDO. LIMITE DE 30% DE REDUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei que limita o valor do prejuízo fiscal que pode ser deduzido do lucro líquido (súmula n. 2 do CARF), muito embora este Conselho tenha pacificado pela sua constitucionalidade (súmula n. 3 do CARF).
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA.
É irrelevante a boa-fé da contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade tributária por infrações, bem como para balizar o percentual da multa aplicado, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa que cancelavam o lançamento relativo à multa isolada.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ATO DE CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO. Consoante entendimento majoritário nesta Turma, o Mandado de Procedimento Fiscal é ato de controle interno da Administração, cuja ausência não torna nula os atos do processo, sobretudo quando não houve prejuízo ao contribuinte, com a ressalva do entendimento do Relator. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. ENTREGA DOS DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. DESNECESSIDADE. A legislação determina que os documentos que embasaram o lançamento de ofício sejam juntados aos autos de processo, não sendo necessário entregálos ao contribuinte no momento em que se comunica a lavratura do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Encontrase adequadamente fundamentado o auto de infração que apresenta todos os dispositivos legais que embasaram a convicção fiscal. PREJUÍZO FISCAL. LUCRO LÍQUIDO. LIMITE DE 30% DE REDUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei que limita o valor do prejuízo fiscal que pode ser deduzido do lucro líquido (súmula n. 2 do CARF), muito embora este Conselho tenha pacificado pela sua constitucionalidade (súmula n. 3 do CARF). IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 26 /2 00 7- 90 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOAFÉ. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante a boafé da contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade tributária por infrações, bem como para balizar o percentual da multa aplicado, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa que cancelavam o lançamento relativo à multa isolada. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 560 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão de revisão da declaração de imposto de renda do anocalendário de 2004, quando verificouse deduções indevidas de retenções/antecipações de imposto não comprovadas e suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 299.582,92), CSLL (R$ 1.680,03) (fl. 05/11). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 27/35): (i) Que a recorrente apurou estimativa mensal de IRPJ nos meses de agosto a setembro de 2004. Deste valor, deduziu indevidamente valor não comprovado a título de IRRF. Intimada a comprovar o IRRF utilizado para deduzir a estimativa, foram apresentados documentos que comprovaram parcialmente o valor deduzido; (ii) Que alegou a recorrente que o imposto de renda apurado por estimativa em 2004 foi compensado com o IRPJ a compensar originários dos períodos base de 1992 a 1998. O fiscal observou que não houve nenhum lançamento contábil que registrasse tais compensações e que, após MP 66/2002, seria necessária a entrega da Declaração de Compensação; (iii) Aponta o fiscal que os créditos de IRPJ a compensar dos anoscalendário de 1992 a 1998 foram objeto de pedido de compensação com outros débitos no auto n.º 10665.001297/9929; (iv) Assim, a partir da estimativa mensal devida, deduzindo o IRRF comprovado do ano de 2004, apurouse estimativa de IRPJ não recolhidas, conforme “quadro 01” (fls. 29), referente a setembro a dezembro de 2004. (v) O fiscal efetuou o lançamento de multa de isolada (art. 44, §1º, inc. IV, L. 9430/96); (vi) Relativamente ao IRPJ apurado no ajuste anual, a recorrente informou em sua DIPJ (ficha 12A) que o débito apurado foi integralmente deduzido com o valor IRRF recolhido antecipadamente (no valor de R$ 143.059,40). Por isto, foi também intimada a apresentar comprovantes do IRRF utilizados para deduzir o IRPJ a pagar; (vii) Que da análise das DIRF do ano de 2004 (fls. 183/201), em que consta a recorrente como beneficiário dos rendimentos, verificase que os valores retidos em 2004 (R$ 31.719,86) são bem inferiores ao valor deduzido pela recorrente em sua DIPJ; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 (viii) Que a escrituração da recorrente demonstra que nao foi recolhido o IRPJ apurado no ajuste anual (R$ 143.059,40) em função das retenções do Imposto de Renda ocorridas nos anos de 1992 a 1998 (fls. 207/229); (ix) Que a recorrente foi cientificada sobre a duplicidade da utilização do crédito citado (fls. 131/165), uma vez que os valores de IRRF dos anos de 1992 a 1998 já foram utilizados no processo n.º 10665.001297/9929. Nessa oportunidade, foi solicitado que a recorrente (a) justificasse a utilização em duplicidade dos créditos apurados em 1992 a 1998; (b) manifestarse sobre a pretensão de deduzir o IRRF retido em 2004 do débito de IRPJ apurado no ajuste anual de 2004 e da estimativa mensal; (c) apresentar declaração, se for o caso, os valores do IRRF no ano de 2004 que não foram utilizados para compensação com outros débitos; (x) Que em sua resposta (fls. 173/181) a recorrente alegou que a utilização de créditos em duplicidade se deu por falha de comunição entre o contador anterior (que fez o primeiro pedido de compensação) e o atual contador (que fez o pedido dúplice), pois o último não teve acesso nem conhecimento do pedido de restituição anteriormente apresentado, já que os valores estavam ainda no ativo da empresa. Em razão disto, deuse a dupla compensação; (xi) Quando o IRRF retido em 2004, a recorrente sustentou que pretende vê lo deduzido da estimativa mensal de IRPJ e do ajuste anual, pois não houve a compensação até aquele momento. Assim, o AFRFB substituiu o valor do IRRF informado pela recorrente (R$ 143.059,40) pelo valor do IRRF comprovadamente retido em 2004 (R$ 31.719,86), o que demonstrou a compensação indevida de R$ 111.339,54; (xii) Que verificou ainda que a recorrente deixou de contabilizar receitas financeiras (rendimentos em aplicações de renda fixa), conforme DIRF das fontas pagadoras (fls. 185/199) e comprovantes apresentados pela recorrente (fls. 99/101), sendo apurado diferenças de IRPJ e CSLL, lançadas de ofício; (xiii) Como a recorrente apresenta saldo de Prejuízos Fiscais a Compensar, bem como Base de Cálculo Negativa da CSLL, foi concedida a compensação até o limite de 30% das últimas infrações apuradas. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 14/11/2007 (fl. 315). Na sequência, apresentou impugnação em 10/12/2007 (fl. 315/431), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 437/471): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2004. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL. Verificada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa, cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. IRRF DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO. Somente é dedutível na apuração do IRPJ devido o IRRF que o contribuinte comprovar que foi efetivamente retido de seus rendimentos incluídos na base de cálculo do tributo. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 561 5 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da CSLL e do IRPJ para efeito de apurar o montante do tributo devido. Lançamento Procedente Intimada da decisão supratranscrita em 06/02/2009 (fl. 483), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 04/03/2009 (fl. 487/505), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que não houve a instauração do Mandado de Procedimento Fiscal, em desrespeito ao princípio da vinculabilidade do ato administrativo e às disposições das Portarias SRF n.º 1265/99 e 6087/05; (ii) Que há contradição nas afirmações da DRJ, pois, em primeiro momento, alega que o art. 9o do Dec. 70.235/72 não determina que seja entregue uma “cópia da documentação comprobatória [do ilícito praticado] com o lançamento”. Na sequência, afirma que “todos os elementos de prova indispensáveis seja instruídos com o auto de infração” (fls. 491). No entanto, segundo a recorrente, todos os documentos comprobatórios são indispensáveis. Assim, alega que o auto não foi instruído com os elementos de prova necessários, em afronta ao Dec. 70.235/72; (iii) Que houve erro de subsunção do fato à norma, pois o item 2 do auto de infração determina a aplicação do art. 11, §3º, da Lei 9249/95, o qual remete aos artigos 76 e 77, da Lei 8981/95, e seus vários incisos, sem que haja a referência exata a que se fundamenta o lançamento, não encontrando a recorrente o motivo e a causa de sua acusação fiscal; (iv) Que é ilegal a cobrança de CSLL e IRPJ sobre as receitas financeiras sem observar a compensação integral do prejuízo fiscal apresentado pela recorrente; (v) Que a DRJ limitouse a alegar impossibilidade de discutir a inconstitucionalidade da limitação em 30%, instituída pelo art. 42, da Lei 8.981/95 e pelo art. 15, da Lei n. 9.065/95; (vi) Juntou julgado do CARF onde a limitação de 30% na compensação de prejuízos é afastada; (v) Que a aplicação da multa isolada (50%) e da multa de ofício (75%) caracteriza o bis in idem, como já se manifestou o CARF; (vi) Que diante da demonstração de boafé da recorrente, não deveria ser aplicada multa no valor de 75%, com fulcro no art. 112, do CTN; (vii) Que em virtude do princípio da capacidade econômica e a vedação ao confisco, princípios constitucionais, deve haver revisão, anulação, e ou redução/graduação da multa imposta ao contribuinte. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Ausência de MPF Neste ponto, a recorrente alega que a fiscalização não esteve acobertada pelo Mandado de Procedimento Fiscal, consoante exigem as Portarias SRF n. 1265/99 e 6087/05. De início, anoto que a primeira intimação foi expedida em 08/06/2007 (fls. 39). Ao tempo dos fatos, vigia a Portaria RFB n. 4.066/2007, que exigia a expedição da MPF nos procedimentos de fiscalização e diligência, observese: Dos Procedimentos Fiscais Art. 2 º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD).(grifo não original) Ocorre que o art. 11 da mesma Portaria RFB n. 4.066/2007 dispensava a expedição de MPF nos seguintes casos, com a importante ressalva do seu parágrafo único: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização:[...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); [...] Parágrafo único. Na hipótese de realização de diligência, em decorrência dos procedimentos fiscais de que trata este artigo, deverá ser emitido MPFD. (grifo não original) O caso em tela teve início por meio do Termo de Intimação Fiscal datado de 08/06/2007, que objetivava realizar “procedimento de revisão da DIPJ [...], ano(s) calendário de 2004” (fls. 39). Este ato exigiu que fossem entregue documentos como LALUR, cópia do contrato social, balanços mensais de suspensão e redução, balancetes contábeis mensais, comprovantes de retenção de IRRF e de pagamento de IRPJ e CSLL, de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Exigiu ainda que ficassem a disposição para análise no estabelecimento da recorrente o livro diário e razão. Por fim, exigiu outras informações (existência de Dcomp, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 562 7 ações judiciais e indicação de pessoa para contato durante a fiscalização). Neste ponto, o objeto recursal se limita a discutir a necessidade de MPF. Compulsando os autos, verificase que o AFRFB entendeu que os atos de revisão não exigem a expedição de MPF. É o que se percebe da seguinte passagem do “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo”, que é acompanhada de uma nota provavelmente lançada pelo AFRFB (fl. 3): Ao que parece, o AFRFB seguiu o que consta no supramencionado art. 11, inc. IV, da Portaria RFB n. 4.066/2007. Todavia, deixou de observar o parágrafo único do mesmo dispositivo, que exige a expedição de MPFD caso sejam necessárias diligências em razão dos procedimentos de revisão de declaração. Neste contexto, o ato normativo administrativo defini “diligência” da seguinte forma: Art. 3 º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal:[...] II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital. (grifo não original) Portanto, não há dúvidas que a presente situação exige a expedição de MPF, o que não foi expedido/solicitado pelo AFRFB, fato que, para este Conselheiro, tem o condão de tornar nula toda a fiscalização praticada, por inobservância dos procedimentos exigidos pela própria Receita Federal do Brasil, pois se trata de ato vinculado (princípio da legalidade), cuja exigência faz nascer um novo requisito para a realização do princípio do devido processo legal na esfera do direito processual administrativo tributário. Todavia, esta Turma, por maioria, entende que o MPF é ato de controle interno da RFB, cuja ausência não importa nulidade do procedimento fiscal, nos termos do entendimento dominante, inclusive, no Conselho, observese: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 NULIDADE. MPF. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. FALTA DO ENVIO AO CONTRIBUINTE. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente. (CARF. Acórdão 1801001.722. Cons. Roberto Massao Chinen. Sessão 05/11/2013). Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 NO LANÇAMENTO. Conforme entendimento jurisprudencial já fixado neste Eg. Conselho, a presença de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, ou mesmo a sua inexistência, não possuem o condão de ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento, por se tratar de mero instrumento de controle administrativo. (...) (CARF. Acórdão 2402003.304. Cons. Lourenço Ferreira do Prado. Sessão 24/01/2013). IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tornam nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do artigo 142 do CTN. (...) (CARF. Acórdão 2101 001.784. Cons. José Raimundo Tosta Santos. Sessão 14/08/2012). Sob meu ponto de vista, o entendimento está equivocado, pois os atos normativos não deixam dúvidas de que o MPF é condicionante da validade da fiscalização praticada pelo AFRFB. Da análise dos requisitos do MPF, depreendese que este tem também o objetivo de dar efetividade ao princípio da segurança jurídica e da previsibilidade dos atos da Administração Pública, pois devem ser informado previamente ao fiscalizado o seguinte (Portaria RFB n. 4066/07): Art. 7 º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso anterior; VII o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF.[...] Notese que as informações que devem ser prestadas ao fiscalizado transbordam, em muito, os limites do simples controle administrativo dos atos do AFRFB. Em última análise, fosse este um documento destinado ao mero controle interno, não haveria a necessidade de entregálo ao fiscalizado. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 563 9 Em suma, entendo que o MPF busca garantir a publicidade dos atos de fiscalização, em cumprimento ao que determina o art. 37 da CRF/88. Tanto é assim que a Lei n. 10.174/01, pretendendo incluir o §3oA no art. 11 da Lei n. 9.311/96 para regulamentar o dever de autorização de fiscalização da SRF, foi vetado sob a seguinte fundamentação: Ademais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, por meio da Portaria SRF no1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios [moralidade, legalidade, sigilo funcional e fiscal] passou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Entretanto, como dito acima, esta Turma tem entendimento majoritário em sentido diverso, motivo pelo qual curvome ao entendimento majoritário com vistas a tornar mais célere o processamento dos reclamos dos contribuintes, com a ressalva de meu entendimento pessoal. Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 2. Dos Documentos Comprobatórios que Embasaram o Lançamento A recorrente alega que não recebeu junto com a cópia do auto de infração os documentos que comprovam a prática dos ilícitos a ela imputados, o que afronta o art. 2o, inc. III, c.c. art. 4o, inc VII, c.c. art. 12, inc. II, todos do Código de Defesa do Contribuinte de Minas Gerais (Lei Estadual n. 12.515/00). Haveria inobservância, também, ao art. 9o do Dec. 70.235/72, segundo o qual “a exigência do crédito tributário [...] deverá ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. O argumento não prospera. De início, afasto a tentativa de aplicar o Código de Defesa dos Contribuintes do Estado de Minas Gerais, uma vez que tal ato representaria indevida ingerência do Estado de Minas Gerais nos interesses da União caso se admitisse que aquele possa criar obrigações para este. No que diz respeito ao art. 9o do Dec. 70235/72, a interpretação feita pela recorrente está equivocada, pois não há necessidade de que seja entregue ao contribuinte todos os documentos que fundamentam o auto de infração quando este é notificado do lançamento. Na verdade, o dispositivo exige que conste nos autos (no processo) tais informações, observe se: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (grifo não original) Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 Ao contribuinte deve ser dado ciência sobre a lavratura do auto de infração. Após, este poderá ter conhecimento dos documentos que embasaram o lançamento de ofício por meio da consulta dos autos do processo administrativo. Esta é a determinação legal pelo fato de que a legislação pressupor que o procedimento fiscal correu de forma pública (pelo menos em face do contribuinte). Assim, não há que se falar em ofensa ao contraditório e à ampla defesa, até porque o contribuinte teve, de fato, acesso franqueado aos autos do processo, não havendo prejuízo a ser reclamado. Portanto, neste ponto, o recurso voluntário não merece prosperar, razão pela qual voto por negar provimento. 3. Do Erro na Indicação do Fundamento Legal do Auto de Infração Em resumo, a recorrente alega que o AFRFB fundamentou seu auto de infração no art. 11, §3o, da Lei n. 9.249/95. Ocorre que o referido dispositivo remete aos arts. 76 e 77 da Lei n. 8.981/95, os quais possuem “inúmeros dispositivos” (fls. 339), o que resulta em prejuízo para a defesa, a qual, se fosse contraditar todos os incisos e parágrafos, “obedeceria critérios e linhas de raciocínios diferentes” (fls. 343). Logo, considerando que o lançamento é ato vinculado, “houve erro de direito da autoridade administrativa quanto ausência de fundamentação legal” (fls. 349). De início, anoto que a referência ao dispositivo legal consta no auto de infração do IRPJ (fls. 5 e ss), fundamentando especificamente o item 2 (deduções indevidas de retenções/antecipações de imposto não comprovadas falta de recolhimento do IRPJ ajuste anual por dedução a título de IRRF não comprovada), no qual há também menção aos seguintes artigos (fls. 9/11): Item 2 do Auto de Infração do IRPJ Arts. 231, inciso III, e 943, § 2°, do RIR/99. A referência também é feita no item 3 do auto de infração do IRPJ (multas isoladas falta de recolhimento do IRPJ estimativa mensal por dedução a título de IRRF não comprovada multa isolada), no qual há também menção aos seguintes artigos (fl. 11): Item 3 do Auto de Infração do IRPJ Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n ° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66; Arts. 231, inciso III, e 943, § 2 ° , do RIR/99; No caso do item 2, os dispositivos do RIR demonstram que é possível a dedução do IRRF do imposto apurado anualmente, desde que comprovada de sua retenção. No caso do item 3, tratase da fundamentação legal da multa isolada no caso de não pagamento das estimativas mensais. Portanto, ainda que se admitisse a procedência dos argumentos da recorrente, temse que os demais dispositivos que o AFRFB incluiu no auto de infração supririam a suposta ausência de fundamentação, o que permitiria (como de fato permitiu) a ampla defesa e o contraditório. Portanto, é desnecessário aprofundar nas reclamações da recorrente. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 564 11 Neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. 4. Da incidência de IRPJ e CSLL sobre Receitas Financeiras sem a Compensação Integral do Prejuízo Fiscal (trava de 30%). A recorrente alega a inconstitucionalidade da limitação de 30% na utilização do prejuízo fiscal para fins de reduzir o lucro líquido e determinar o lucro real, consoante determinam o art. 42, da Lei 8.981/95 e pelo art. 15, da Lei n. 9.065/95. Como acontece em defesas dessa natureza, a insurgência ataca a previsão abstratamente imposto pela lei. Isto significa que a procedência do recurso implicaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito caso houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72. Ocorre que, por força da competência deste Conselheiro e do próprio CARF, tal provimento não é possível, nos termos dispostos pela súmula n. 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale consignar que outro seria o tratamento jurídico caso fosse ventilado o desajuste entre a previsão abstrata da lei e a aplicação desta pelo agente fiscal, reclamo que se inseriria perfeitamente na competência deste Conselho (art. 1o, do Anexo I da Portaria MF n. 256/2009 – RICARF). Ademais, este Conselho tem também súmula admitindo a aplicação do referido percentual para fins de compensação de prejuízo e base de cálculo negativa, observe se: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, e considerando também o entendimento sumulado sobre o tema recursal, voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. 5. Da Concomitância da Multa Isolada e da Multa de Ofício Acerca da exigência da multa isolada após o encerramento do anocalendário, quando o contribuinte apura lucro em 31 de dezembro e recolhe o importe devido aos cofres públicos, passase a expor. Como se sabe, a multa isolada de 50% é devida pelos contribuintes que optarem pelo pagamento do IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais (art. 2º, da Lei n. 9.430/96) e incide “sobre o valor do pagamento mensal (...)” em caso de não recolhimento do tributo sobre a estimativa, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa” para a CSLL (art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96). Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 Assim, o antecedente da regramatriz de incidência da multa isolada prevista no art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96 descreve a seguinte conduta: deixar de recolher o tributo sobre a estimativa mensal devida na forma do art. 2º da Lei n. 9.430/96. Tratase, portanto, de norma que aplica uma penalidade ao contribuinte, razão pela qual a atenção aos enunciados prescritos deve ser máxima, para que não se apene uma conduta não prevista na lei. De outro lado, não é possível interpretar a lei positivada de modo a construir normas jurídicas contraditórias entre si ou com o ordenamento jurídico, como já observou Marcos Vinícius Néder, quando da relatoria do acórdão 105139794, observese: Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). A questão é saber se cabe a multa isolada após o encerramento do período de apuração (31 de dezembro). Antes de enfrentar o impasse, insta verificar qual o entendimento deste Conselho acerca da natureza jurídica do recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais. Para tanto, valhome de recente súmula editada por este Conselho Administrativo acerca dos recolhimentos por estimativas: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O entendimento sumulado, e, portanto, com força vinculante entre os Conselheiros do CARF (art. 72, §4º, RICARF1), guarda subjacente a noção de que as estimativas são meras antecipações do tributo. Ou seja, apenas ao final do período de apuração será possível verificar se ocorreu ou não o fato jurídico tributário (fato gerador). O fundamento legal dessa compreensão está expressamente contido na Lei n. 9.430/96, em seus artigos 2º, §3º, 282 e 303 da Lei n. 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, 1 RICARF. Portaria do Ministério da Fazenda n. 256/2009. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Lei n. 9.430/96. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) 3 Lei n. 9.430/96. Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 565 13 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Assim, vêse que os valores recolhidos com base nas estimativas mensais não se tratam propriamente do IRPJ e CSLL efetivamente devidos, mas sim de uma antecipação, sobre bases “estimadas”, ou por meio balanço de suspensão e redução (que apura o quanto possa ser eventualmente devido em cada período4). Do ponto de vista do Fisco, é uma antecipação de receita, uma vez que o fato gerador do IRPJ somente se dá no encerramento do exercício. Nesse sentido afirma também Marco Aurélio Greco, para quem a estimativa “tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação — e que dele não pode se distanciar — que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.891/95)”5. Logo, as estimativas não têm natureza jurídica de tributo. Este, o tributo, é um fenômeno jurídico que somente se revela em 31 de dezembro, como já esclareceu Marcos Vinícius Neder: Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). 4 Lei n. 8.981/95. Art. 35. Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...). 5 GRECO, Marco Aurélio. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: RDDT, n. 76. Citado por Marcos Vinicius Neder no acórdão 105139794, CARF. Sessão 04/12/2006. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 14 E se não são tributos, o que são as estimativas? Entendo que as estimativas se assentam em uma presunção de que o tributo será devido. Ou seja, é uma presunção de que ocorrerá o fato jurídico tributário (fato gerador) em 31 de dezembro. Ocorre que as presunções deixam de existir no encerramento do exercício, quando possível apurar o tributo devido, não sendo possível falar em “antecipações”. Os indícios fornecidos pelas presunções perdem a sua importância quando já se sabe da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Vale dizer, uma vez que já é possível saber se há ou não lucro na data de 31 de dezembro, é desimportante continuar dando relevância às presunções. Neste contexto, muitos defendem a aplicação do princípio da consunção (absorção) para argumentar que, em casos de aplicação concomitante da multa isolada e de ofício, a conduta meio (não pagamento das estimativas) ficaria absorvida pela conduta fim (não pagamento do tributo verificado em 31 de dezembro). Este entendimento encontra eco neste Conselho, que diversas vezes defendeu a sua aplicação, como afirma Marcos Vinícios Néder, citando Miguel Reale Junior: Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". (CARF. Acórdão 105 139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). Neste sentido, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que em outras oportunidades foi defendido6: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo 6 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Recurso especial provido. (CSRF. Acórdão 0105.843. Sessão de 15/04/2008). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF. Acórdão 0105.511, sessão de 18/09/2006). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 566 15 critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Ac. 910100.500 da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Leonardo de Andrade Couto, j. 25 de janeiro de 2010). Não discordo que o princípio da consunção tenha aplicação em Direito Tributário, pelo contrário, entendo pela sua plena aplicação nos casos de concomitância de multa isolada e de ofício. Porém, vou mais longe, pois, admitindo a súmula n. 82 do CARF, segundo a qual as estimativas não são devidas após o encerramento exercício, entendo que também não existe fundamento jurídico para que subsista a respectiva penalidade. Explico. Recordando as observações de Paulo de Barros Carvalho, toda relação jurídica obrigacional envolve um credor (que pode exigir que algo seja feito ou entregue) e um devedor (que deve fazer ou dar algo), razão pela qual seria impróprio falar em obrigação principal ou acessória e, ainda, em obrigação tributária e crédito tributário como faz o CTN7. Desse modo, toda prestação que o contribuinte faz em favor do Fisco é uma obrigação jurídica8. No sistema das estimativas, podem ocorrer doze relações jurídicas obrigacionais: onze relativas às estimativas e uma relativa ao recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Logo, as estimativas e o recolhimento do tributo são todas obrigações jurídicas distintas entre si. Este é justamente o ponto em que se apoiam os que defendem a incidência da multa isolada após o encerramento do ano calendário e, por consequência, quando houver cumulação com a multa de ofício. Alegase que são hipóteses de incidência distintas. 7 Assevera o autor “Em várias passagens do texto da Lei n. 5.172/66 deparamos com a estranha separação entre obrigação e crédito. Posta de lado a influência que o legislador porventura tenha sofrido da velha teoria dualista da obrigação civil, que não vem ao caso debater aqui, a verdade é que não se pode cogitar de obrigação sem crédito ou de crédito sem obrigação. O direito de crédito é a outra maneira de nos referirmos ao direito subjetivo que o sujeito ativo tem para exigir a prestação. A ele se contrapõe o débito, como o dever jurídico atribuído ao sujeito passivo de cumprir o que dele se espera. Um e outro integram o vínculo obrigacional, na condição de elementos indispensáveis. Exista o crédito em estado de incerteza ou de iliquidez, de qualquer forma é uma realidade jurídica ínsita a toda obrigação. Soa mal, portanto, quando declara o legislador, ingenuamente, que a obrigação nasce com a realização do fato gerador, mas o crédito tributário se constitui pelo lançamento. Seria o momento de indagar: que obrigação é essa que desabrocha no mundo jurídico, sem que haja, para o sujeito pretensor, o direito subjetivo de exigir a prestação? E que liame obrigacional será esse, em que o sujeito passivo não está compelido a prestar o objeto? Teria sido melhor se o legislador se ativesse as concepção tão bem elaboradas pela Teoria Geral do Direito, substituindo esse fraseado atécnico que acaba proclamando desaparecer a parte quando se extinguir o todo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. .297 a 298). 8 Sobre a definição de obrigações, Clóvis Bevilácqua, citado por Diniz: “A mais completa dessas definições é a de Clóvis [Beviláqua]: “Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém, que, por ato nosso, ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. (...) (DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32). Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 16 A premissa, contudo, está parcialmente correta, pois falha por não consignar que, embora as relações jurídicas sejam distintas entre si (e por isso a hipótese de incidência é distinta), a legislação tributária expressamente as vincula, tornandoas interdependentes. É o que se conclui da súmula n. 82, do CARF (supra), que esclareceu que a estimativa é a antecipação do próprio tributo, embora constitua uma relação jurídica autônoma. Notese que a súmula não afirma que “as estimativas não são devidas somente se houver lucro”. Na verdade, as estimativas não são devidas em qualquer hipótese, desde que encerrado o anocalendário. Contrario sensu, as estimativas são devidas antes de encerrado o ano calendário. No mesmo sentido está a corrente que defende a impossibilidade de cumular as multas de ofício e isolada, para quem as multas incidiriam sobre a mesma base de cálculo9, o que prova que são obrigações correlacionadas, embora sejam relações juridicamente distintas. Logo, encerrado o anocalendário, tem lugar apenas a multa de ofício. Surge, portanto, um marco importante que evidencia a extinção das relações jurídicas decorrentes das estimativas e o surgimento de novas relações jurídicas decorrentes da ocorrência do fato jurídico tributário: 31 de dezembro. Esta é a data em que se extingue toda e qualquer obrigação relativa às estimativas. Recordese que qualquer relação jurídica está fadada ao desaparecimento10, por isso Clóvis Beviláqua afirma que as obrigações são “relações transitórias”11. No mesmo sentido está Venosa, para quem “a obrigação tem caráter de efemeridade”12. Existem diversas formas de extinção das obrigações (v. art. 156, CTN) e prazos para seu cumprimento (v.g. para pagamento, para prescrição e decadência, para cumprimento de um dever instrumental etc.). Respeitando as premissas adotadas, e tendo por certo que as estimativas e o tributo apurado em 31 de dezembro, embora representem relações jurídicas distintas, estão induvidosamente vinculados, devese admitir que a extinção de uma deve guardar coerência com o surgimento da outra. Nessa linha, concluo que em 1º de janeiro do ano seguinte13, independentemente de haver ou não lucro, ou mesmo de o contribuinte ter recolhido ou não o tributo apurado em 31 de dezembro, é impossível exigir a multa isolada sobre a parcela da estimativa não recolhida, tal como não é possível exigir a própria estimativa, pois se extinguem as relações jurídicas decorrentes dos fatos presuntivos (estimativas), surgindo em seu lugar novas relações jurídicas decorrentes do fato presumido (fato jurídico tributário). A superveniência do dia 31 de dezembro torna inexigível a conduta do contribuinte no que tange às estimativas, que deixam de ser devidas. Opera, por consequência lógica, “extinção da punibilidade” em face das multas isoladas. 9 Nesse sentido, a Cons. Susy Gomes Hoffmann: “O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações.” (CSRF. Acórdão 9101001358. 1ª Turma. Sessão 16/05/2012). 10 Pouquíssimas relações jurídicas têm capacidade para perpetuaremse. Um exemplo de imprescritibilidade são os crimes do art. 5º, XLII e XLIV, da Constituição Federal, e o dever de ressarcir o erário em ações de ressarcimento (v. REsp 1069779, STJ). 11 DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32. 12 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 179. 13 Quando encerrado o período de apuração. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 567 17 Não faz sentido admitir que a conduta do contribuinte deixe de ser obrigatória (recolher estimativas), mas o seu descumprimento ainda constitui um ilícito tributário. Seria como admitir, por exemplo, que a conduta do homicida deixe de ser um injusto penal, mas ele ainda deve cumprir a pena (nulla poena sine crimine). Observese que nem mesmo o lançamento de ofício da estimativa é possível, pois a conduta do contribuinte deixa de estar em desacordo com a legislação tributária. Ao invés de exigir a estimativa, passa a ser devido o IRPJ e CSLL eventualmente apurados. De 31 de dezembro em diante, inexiste o fato “recolher estimativas” ou “deixar de recolher estimativas”. E nem se argumente que o exemplo acima decorre das estruturas principiológicas do Direito Penal, uma vez que a necessidade de existir uma conduta ilícita para que seja imposta uma punição representa um reflexo do princípio da legalidade. É relevante recordar as lições de Luciano Amaro sobre este tema: Apesar da maior gravidade da infração criminal, e, portanto, da sanção penal (geralmente restritiva da liberdade), e não obstante esta geralmente se faça acompanhar de uma “pena acessória” nada desprezível, traduzida na reprovação social, maior do que a decorrente da sanção administrativa, há alguns princípios que são comuns aos dois campos: o princípio da legalidade dos delitos e das penas (nullum crimen, nulla poena sine praevia lege), o princípio in dubio pro reo, a retroatividade benigna, o princípio do devido processo legal. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 439). Em suma, após 31 de dezembro, extinguese o ilícito tributário (súmula 82, CARF), razão pela qual se torna impossível exigir a sanção dele decorrente. No mínimo, deve se admitir que a base de cálculo da multa isolada (estimativa), por ser inexigível, despareceu do universo jurídico, razão pela qual não é possível calcularlhe o valor. Poderseia criticar o presente entendimento alegando que nenhuma penalidade seria imposta ao contribuinte que deixou de recolher as estimativas, consoante se obrigara perante o Fisco, e que ao final do ano apurou lucro e realizou os recolhimentos devidos. Tal sensação de impunidade não deve incentivar nenhuma consequência ao contribuinte, porque o lançamento da multa isolada (pena) é possível, desde que ocorra dentro do período de apuração. Ou seja, deve ser respeitado o prazo correto de imposição. E este penalização, desde que aplicada dentro do prazo correto, reforça a manutenção da multa “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (ressalva da alínea “b”, inc. II, art. 44, da Lei n. 9.430/96.); Assim, a única possibilidade de aplicação da multa isolada é antes do encerramento do exercício, período em que ainda existe um ilícito tributário. A interpretação, neste caso, deve ser sistemática e lógica, sob pena de criar contradições internas no sistema Fl. 575DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 18 jurídico. O próprio CTN, em seu art. 11214, autoriza que seja feita interpretação mais favorável ao contribuinte quando da interpretação das normas que aplicam penalidades. No presente caso, interpretase uma norma que “comina penalidade” (art. 44 da Lei n 9.430/96) para verificar tanto a natureza e extensão do fato (art. 112m inc. II, CTN) quanto a graduação da penalidade (art. 112, inc. IV, CTN), com a consequente análise da punibilidade do contribuinte (art. 112, inc. III, CTN), como autoriza, inclusive, o Superior Tribunal de Justiça e este Conselho: (...) 2. A legislação tributária deve ser interpretada da forma mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável ou a sua graduação (art. 112 do CTN). 3. Recurso especial improvido. (STJ. REsp 908.394/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2007, DJ 10/04/2007, p. 211) (...) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. (...) (CARF. Acórdão 2302001.447. Cons. Arlindo da Costa e Silva. Sessão 30/11/2011). Sobre o tema, calha reproduzir as palavras de Paulo de Barros Carvalho, quando, ao estudar o art. 112 do CTN, adverte que a dúvida acerca do ajustamento da conduta ao fato tipificado pode implicar ofensa ao princípio da legalidade: Não poderia ser de outra maneira. Vigendo no direito tributário o princípio da estrita legalidade, que traz consigo a necessidade de uma tipificação rigorosa, qualquer dúvida sobre o perfeito quadramento do fato à norma compromete aquele postulado básico que se aplica com a mesma força no campo do direito penal in dubio pro reo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 109). Ressalto que em momento algum busco exonerar o contribuinte de uma penalidade possível ou infirmar a vigência de lei federal. Pelo contrário, busco conferir a maior efetividade ao direito posto, extirpando as inconsistências e incoerências. Concluise, portanto, que a aplicação de multa isolada, por falta de recolhimento mensal sobre estimativas, importa aplicação de penalidade com base em uma obrigação que não existe no universo jurídico. Assim, entendo incabível a aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário, em razão do não recolhimento sobre as estimativas mensais, apuradas de acordo com a opção constante no art. 2º da Lei n. 9.430/96. Dessa forma, voto no sentido de exonerar o lançamento da multa isolada. 6. Da Multa de Ofício de da BoaFé da Recorrente A recorrente reclama a aplicação do art. 112 do CTN para fazer ponderações sobre a interpretação da lei e sobre sua boafé, objetivando afastar a multa de ofício (75%). 14 CTN. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifo não original) Fl. 576DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 568 19 Pugna, também, pela revisão pela revisão do lançamento, para que este seja balizado pelos princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Os argumentos não prosperam. Isto porque as infrações à legislação tributária têm caráter objetivo e não dependem da intenção do contribuinte, nos termos do art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em outras palavras, ainda que o contribuinte não tenha tido a intenção de infringir a legislação tributária (por exemplo, caso sua conduta seja guiada pela simples ignorância da lei), é impossível afastar a sua responsabilização pelos atos cometidos, em razão do que dispõe o art. 136 do CTN. Nesse sentido tem se posicionado este Conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2010 Ementa: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOAFÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA. A boafé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente, uma infração tributária. [...] (CARF. Acórdão 3403002.417. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz. Sessão 20/08/2013). Demais disso, a recorrente reclama a aplicação do princípio da vedação ao confisco e da capacidade contribuitiva para que seja revisado o lançamento. Todavia, consoante exposto no item 4 (supra), o recurso voluntário acaba por atacar a previsão em abstrato da norma, razão pela qual incide a súmula n. 2 do CARF, a qual impede que os membros deste Conselho declarem a inconstitucionalidade da lei tributária. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 7. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntária, para afastar apenas a multa isolada. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 577DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 20 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa isolada sob omissões nas estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores já foram objetos da multa de ofício aplicada sob o valor total devido anualmente. A recorrente alega que a multa de ofício sobre IRPJ e CSLL e multa isolada sobre as respectivas estimativas são incompatíveis, pois representam a incidência de dupla pena sobre a mesma infração. O relator do voto vencido acolhe os argumentos da recorrente fundado especialmente na aplicação do princípio penal da consunção, na impossibilidade de aplicação da multa isolada após encerrado o anocalendário e na impossibilidade de aplicação de duas penalidades para a mesma infração. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa isolada sobre as estimativas apuradas de IRPJ e CSLL decorre de expressa disposição legal. Uma das teses que sustentam o voto vencido está amparada na aplicação do princípio penal da consunção, segundo o qual a conduta mais ampla, ou mais grave, engloba ou absorve outras condutas menos amplas e, geralmente, menos graves, as quais seriam meios necessários ou instrumentais para a execução do outro crime (mais grave). Assim, existindo um ilícito penal, em que um deles (menos grave) represente apenas o meio para a consecução do delito mais nocivo, o agente será penalizado apenas por este último. Um exemplo clássico de sua aplicação no direito penal é o do crime de lesão corporal em relação ao crime de homicídio. Para se chegar ao resultado decorrente da prática do homicídio, que é a morte da vítima, é praticamente impossível que antes desse resultado ocorrer, não tenha o autor do crime também infligido à vítima lesões corporais. No entanto, tendo em vista ser crime de maior gravidade e, portanto com maior pena, o autor somente é penalizado pelo homicídio. Esta linha de raciocínio traz em seu bojo o seguinte silogismo: a falta de recolhimento da estimativa mensal (conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo) é ação preparatória para a realização de uma conduta mais grave, consistente em não recolhimento do tributo efetivamente devido e apurado ao final do exercício, quando então violarseia um bem jurídico mais importante, qual seja a efetivação da arrecadação tributária. Nesse diapasão, a conduta mais grave englobaria a menos grave, resultando na penalização apenas pela conduta mais grave, mediante a aplicação da multa de ofício sobre os valores devidos ao final do exercício. Em que pese o esmero da argumentação contida na jurisprudência trazida para fundamentar o acórdão recorrido, entendo que é necessário verificar se é de fato cabível a aplicação no caso em tela do princípio da consunção. Examino primeiramente a questão sob o aspecto fático. Com a devida vênia, não me parece que a falta de recolhimento da estimativa mensal possa ser considerada como mera preparação para o não pagamento do tributo devido ao final do exercício. O não pagamento de (pelo menos parte) do tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 569 21 contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. Por outro lado, o não recolhimento das antecipações mensais ficaria simplesmente sem qualquer penalidade nos casos em que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Neste caso, não ocorrendo a conduta mais grave, segundo a tese do acórdão (falta de recolhimento do tributo devido, em face da inexistência de saldo devido), não haveria qualquer penalização pela ação menos grave (falta de recolhimento de estimativa). Mal comparando (peço vênia para voltar ao exemplo do homicídio), seria o mesmo que, naquele caso, não se consumando o homicídio o autor não ser penalizado pela lesão corporal (em caso de também ser afastada a hipótese de tentativa). Outro argumento que fundamenta a tese, e que reputo equivocado, é o que trata a obrigação de recolher o tributo antecipadamente como sendo algo de natureza distinta de tributo, o que caracterizaria a falta de seu recolhimento como uma infração menor que a do tributo apurado ao final do exercício. A definição de tributo é dada pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A obrigação instituída pelo artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito se amolda perfeitamente à definição do CTN, senão vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 22 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A definição legal dada pelo dispositivo acima citado contém todos os elementos do tributo, quais sejam: hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo e alíquota. Conquanto sejam antecipações sujeitas a ajuste no final do exercício, não resta dúvida que tais recolhimentos são tributos devidos, tanto assim que o eventual saldo favorável ao contribuinte no final do exercício se submete às regras de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou à maior, nos termos da legislação tributária. A sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Outro aspecto a ser examinado para a aplicação do princípio da consunção é se existe de fato um conflito aparente de normas, condição necessária para a sua aplicação. Mais uma vez entendo que não. As normas que regulam a aplicação das penalidades, embora tratem em ambos os casos (multa de ofício e multa isolada) da falta de recolhimento de tributos, visam disciplinar situações completamente distintas e autônomas entre si, não existindo qualquer conflito entre elas, o que impede a aplicação do princípio. Sendo autônomas as infrações, a ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, de modo que não se pode utilizar o conflito aparente de normas para a solução da questão. A obrigação de recolher as antecipações mensais não se constitui uma mera obrigação acessória e ainda que assim o fosse não seria absorvida pelo descumprimento da obrigação tida como principal (não recolhimento do tributo devido apurado ao final do exercício). A prevalecer tese oposta, também não poderia ser cobrada a multa pela falta de apresentação da declaração de rendimentos ou da DCTF, pois também esta seria uma infração menor; mero instrumento para a consecução da infração mais grave (falta de recolhimento do tributo devido), que absorveria a menor. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 570 23 As multas pelo descumprimento de obrigação acessória não se confundem com as devidas em face da obrigação principal, convertendose também em obrigação principal, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, no § 3º do art. 113, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, se não se está diante de um conflito de normas que enseje a utilização dos princípios gerais de direito para a sua correta interpretação e aplicação, o afastamento de sua aplicação amparados nesses princípios seria uma forma indireta de aferição da sua própria constitucionalidade, o que é vedado no âmbito administrativo pela lei e pela própria jurisprudência do CARF, consolidada na súmula nº 02. Dada a clareza da norma e dos fatos a ela subsumidos também não há que se cogitar do uso da interpretação mais benéfica ao acusado, prevista no art. 112 do Código Tributário Nacional. De fato, impõese no caso a interpretação sistemática da norma, para a correta aplicação das multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento da discussão, transcrevo abaixo os dispositivos questionados (em sua redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 24 Pareceme cristalino que só faz sentido a aplicação da multa isolada quando a infração é constatada após o encerramento do ano de apuração do tributo. Se fosse constatada a falta no curso do anocalendário caberia à administração tributária exigir o tributo devido (por estimativa) acrescido de multa de oficio e dos respectivos juros moratórios. Tal constatação colide frontalmente com a tese defendida no voto vencido nesta matéria de que a multa isolada só seria aplicável antes do encerramento do período de apuração. Tal proposição é materialmente impossível. Ao estabelecer a cobrança apenas da multa isolada quando detectada a falta de recolhimento da estimativa mensal, após encerrado o período de apuração, a norma visa exatamente a adequação da exigência tributária à situação fática. Senão vejamos. Se a fiscalização constata que o contribuinte deixou de recolher as antecipações mensais e já apurou o saldo de tributo devido no anocalendário (tendo recolhido este ou não), não faria sentido a norma exigir o recolhimento do tributo que fora devido por antecipação, pois já conhecido o montante efetivamente devido no exercício, sob pena de em grande parte dos casos, o tributo ser arrecadado e ato contínuo ser restituído ao sujeito passivo, o que careceria de razoabilidade. No entanto, entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas a proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que “a lei não contém palavras inúteis”. Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. A interpretação adotada pelo voto vencido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4º). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu “caixa” e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É de conhecimento geral os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 571 25 Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferese, além da legalidade, o princípio da isonomia. Na linha da tese adotada pelo voto vencido, para se restaurar a igualdade, seria correto que o contribuinte que efetuasse o pagamento das estimativas e ao final do exercício encontrasse saldo de tributo pago à maior tivesse direito à restituição imediata e integral dos valores pagos como se indevidos fossem, inclusive com a incidência de Juros Selic desde a data de cada pagamento e não apenas a partir de 1º de fevereiro do exercício seguinte como prevê o §2º do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. Tendo sido afastada a hipótese de existência do conflito de normas que permitisse a aplicação de outros princípios gerais na interpretação da norma em discussão, cabe verificar se é possível a aplicação da equidade prevista no art. 172, inc. IV do CTN, como uma forma de abrandar os efeitos da penalidade, ao presente caso. Não se verifica qualquer situação peculiar seja quanto ao sujeito passivo, seja quanto aos fatos que possam ensejar considerações de equidade e autorizar a remissão do crédito tributário lançado regularmente. Somente a lei poderia autorizar a remissão dos valores lançados a título de multa isolada, o que não existe no presente caso. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que apenas a lei pode estabelecer as penalidades para as infrações aos seus dispositivos e também para as hipóteses de sua dispensa ou redução, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (grifei) Portanto, se a lei não prevê a dispensa ou redução das penalidades nela previstas, não cabe ao intérprete fazêlo. Por fim, examino a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um “bis in idem” sobre um mesmo fato na aplicação da multa isolada e da multa de ofício, outro argumento utilizado no voto vencido para sustentar a impossibilidade de coexistências das duas penalidades. Não vejo no presente caso como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é extremamente clara ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 26 Conforme já demonstrei anteriormente, também não há a alegada identidade de base de cálculo entre a multa isolada e a multa de ofício. Isto só ocorreria se fosse aceita a tese de que o limite à aplicação da penalidade é o montante de tributo apurado ao final do exercício, o que já se mostrou improcedente. De outro modo, exceto no caso do período de apuração encerrado no mês de dezembro, que pode coincidir com o resultado anual apurado (no caso de levantamento de balancete de suspensão ou redução), não há identidade entre as bases. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado “bis in idem”. Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei nº 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea “c” do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que como já foi dito não cabe no âmbito deste colegiado. Para concluir, com a devida vênia, entendo que não passa de sofisma a comparação, utilizada recorrentemente, entre a possibilidade de aplicação das multas isolada e de ofício, ora examinadas, com a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, cumulada da multa de mora, porque neste caso sim a penalidade decorre de um mesmo fato. O que diferencia a graduação e a aplicação de uma ou outra penalidade no caso é a postura do sujeito passivo. Se este purga sua inadimplência antes da ação do Fisco tem sua penalidade limitada à multa de mora; porém, se ao contrário, aguarda a ação do Fisco para a identificação da falta é apenado com a multa de ofício, mais gravosa. Mais uma vez é a lei que define qual a penalidade a ser aplicada em cada situação, diferenciando o recolhimento espontâneo do tributo, ainda que com atraso, da cobrança realizada de ofício pela administração tributária. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo a exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, nos moldes constantes do lançamento. Sala de sessões, em 04 de Dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator designado. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10880.721650/2011-49
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO
Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos ACATAR a preliminar de tempestividade do recurso voluntário e, por maioria, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. Recurso Negado.
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CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos ACATAR a preliminar de tempestividade do recurso voluntário e, por maioria, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 50 /2 01 1- 49 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 92/97) referente ao exercício de 2007, ano calendário de 2006, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 472.775,56, sendo: R$ 163.669,45 de imposto de renda; R$ 245.504,17 de multa proporcional e R$ 63.601,94 de juros de mora (calculados até 31/01/2011), decorrente de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, em face dos valores creditados em sua conta bancária no ano de 2006, cuja origem dos recursos utilizados nas operações não teria sido comprovada mediante documentação hábil e idônea. A decisão de 1ª instância acolheu parcialmente a Impugnação para alterar o lançamento, excluindo da tributação os valores cujas origens foram comprovadas, por não se tratarem de omissão de rendimentos, o valor de R$ 1.410,00 (fl. 384), bem como afastou a multa qualificada (fl. 383). AR devolvido sem cumprimento em 25/07/2011, com anotação de informação do porteiro Robson Jesus de que o contribuinte ora recorrente havia se mudado (fl. 389). Edital de intimação em 05/09/2011 (fl. 390) e pedido de cópia integral do processo em 09/12/11, com entrega das cópias na mesma data. Recurso Voluntário de fls. 396 e seguintes interposto pela via postal em 03/01/2012 (394), no qual o contribuinte ora recorrente defende o processamento de seu recurso, asseverando que o carteiro teria consignado declaração falsa no documento postal de fl. 389, no tocante à sua mudança de endereço e que, por isso, não foi cientificado da decisão de primeira instancia naquela ocasião. Para empregar veracidade à sua afirmação, anexa declaração firmada por Robson de Jesus Araújo, no sentido de que o recorrente, jamais se mudou do prédio e que a informação consignada no AR não corresponderia à realidade (fl. 432). Anexa, também, fatura de energia elétrica do mês de dezembro de 2011 (fl. 433) e escritura pública apontando a titularidade do apartamento localizado no endereço indicado como sendo seu domicílio. Além da questão preliminar de tempestividade, com vistas a obter a reforma do julgado, alega em síntese a ausência de motivação na qualificação da multa, que a origem dos rendimentos já teria sido apontada na própria DIRPF, bem como que a fiscalização teria deixado de considerar valores lançados no ano anterior. Alega violação de sigilo bancário, lançamento de imposto com base em renda presumida e faz considerações sobre o dever de fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 120 3 Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Conheço do recurso por tempestivo. É evidente que a declaração constante do AR, no sentido de que o contribuinte “mudouse” não corresponde à verdade. A declaração juntada e assinada pelo porteiro Robson Jesus é suficiente, em meu entendimento, para reconhecer a tempestividade do recurso e afastar a intimação por edital realizada. O dever do contribuinte se restringe a manter seus dados cadastrais atualizados perante a Receita Federal. Não é razoável que em decorrência de declaração falsa de porteiro de prédio ou de má compreensão de informação pelo carteiro responsável pelo cumprimento do AR, o contribuinte sofra a intimação por edital. Ressalto o “sofra”, justamente por se tratar de modalidade de intimação supletiva e ficta. Posto isso, comprovado o domicílio fiscal do contribuinte e a informação errônea constante do AR, e em prol do princípio da ampla defesa e contraditório, informadores do processo administrativo tributário, aplico subsidiariamente o parágrafo primeiro do artigo 214 do CPC e conheço do recurso por tempestivo. Nesse sentido, acórdão n. 220200.396 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária da 2 Seção de Julgamento do CARF (v.u.), relatora a conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga: AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. Superada questão preliminar quanto a tempestividade, aprecio a viabilidade do julgamento do mérito do recurso, dada a matéria de fundo tratar de omissão de rendimentos em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelo contribuinte após intimação fiscal (fl. 3), realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2006 exercício 2007, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte (fl. 24), sem necessidade de expedição de RMF, com fundamento nos artigos 927 e 928 do RIR, o que afasta qualquer discussão sobre eventual “espontaneidade” na entrega de informações protegidas pelo sigilo de dados. A entrega à autoridade fiscal após regular intimação, sem a expedição de RMF nada tem de espontâneo. Apenas adia a obtenção de tais informações pela RFB, através da expedição de RMF às instituições financeiras. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42, da lei n° 9.430/96. Logo de início, verifico vício insanável na ação fiscal, de modo a tornar o lançamento ora sob julgamento, nulo, por vício na colheita de provas. Explico e fundamento. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei n.º 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo depósitos bancários sem origem identificada. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a Constituição aos enunciados legais relacionados, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para o acesso ao sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) O Supremo Tribunal Federal, portanto, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF/88. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 121 5 REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema adotou técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de interpretação específica, de modo a tornar os enunciados legais analisados compatíveis com a Constituição. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídico dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da “interpretação conforme” para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF já se pronunciou no mesmo sentido. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das informações obtidas junto às instituições financeiras por meio do acesso aos dados bancários sem prévia autorização judicial ou do(s) titular(es) das contas bancárias. Por fim, decisão do TRF da 3ª Região, tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 122 7 (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido e interpretado pelo STF. Se vencido quanto à preliminar de nulidade, passo à análise do mérito do recurso interposto. De início, esclareço que apesar de se insurgir em sede de Voluntário contra a qualificação da multa, esta já foi excluída pela DRJ. Logo, nada há a ser decidido quanto a esse ponto. De igual modo, o recorrente discorre longamente sobre a ação fiscalizadora, sem apontar de modo claro e direto, quais seriam os vícios a nulificar a ação fiscal. Somente então, busca justificar os depósitos bancários considerados pela fiscalização como rendimentos omitidos. Em primeiro lugar, de acordo com o decidido pela DRJ, descabe a assertiva de que deve ser comprovada a utilização dos valores depositados de forma a evidenciar aumento de patrimônio e os chamados sinais exteriores de riqueza para que se efetue lançamento com base em depósitos bancários. Esse é, inclusive, o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim dispõe em sua Súmula CARF n.º 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” De igual modo, improcedente a preliminar de nulidade pela ilegalidade da ausência da juntada do Relatório Circunstanciado, a que se refere o artigo 4º, §§´s 5º e 6º do Decreto 3.724/2001. Alega o recorrente que as suas informações bancárias foram obtidas sem a observância do disposto no Decreto n. 3.724/2001 e Portaria SRF n. 180/2001, dispositivos estes responsáveis pela necessária observância de procedimento e decisão devidamente motivada e fundamentada, com o fim de verificar a legalidade do procedimento de acesso a informações bancárias por ato de autoridade administrativa. Entretanto, pelo que se verifica dos autos, por se tratar de entrega de extratos bancários pelo próprio contribuinte, não há Relatório Circunstanciado a fundamentar a expedição de RMF. No mérito, o recorrente alega ser sócio de pessoa jurídica e produtor rural, sem, entretanto, individualizar os depósitos e comprovar a natureza dos rendimentos. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 A eventual compatibilidade entre os valores declarados em sua DIRF e os valores depositados em contas de sua titularidade, não é suficiente para desconstituir a presunção de omissão de receita fundada no artigo 42 da lei n. 9.430. No mais, a mera indicação de valores declarados que em tese possam justificar os depósitos de origem não comprovada, sem a indicação de datas e valores, ao menos aproximada, de igual modo, não são suficientes para ilidir acusação fiscal. Posto isso, conheço e nego provimento ao recurso voluntário interposto. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 474DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12689.000086/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 00 86 /2 00 9- 12 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 14041.001334/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que tenham sido objeto de pagamento, com 150, §4º , é de cinco anos a partir do fato gerador.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL.
Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen que não estavam escriturados por serem objetos de contratos de arrendamento mercantil.
PREJUÍZO FISCAL.BASE NEGATIVA DA CSLL.COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO - A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal, limitados a 30% do lucro real no caso do IRPJ e do lucro líquido ajustado em relação à CSLL.
IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO.
O sujeito passivo logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, em sede de diligência, razão pela qual é devida sua dedução do imposto devido apurado.
Numero da decisão: 1401-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER a decadência para os três primeiros trimestre de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL; até novembro de 2003 em relação às contribuições sociais; e, no mérito, EM NÃO CONHECER em parte do recurso, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Marcelo Baeta Ippolito que conheciam da matéria por entenderem se tratar de matéria de ordem pública. E, na parte conhecida, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1)Para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; 2)Aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite dos saldos previstos nos termos da diligência, sendo a trava de 30% ajustada pela nova base de cálculo ajustada pelo voto; 3)Aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, esses nos termos do resultado de diligência para o IRPJ e CSLL, mas estendendo esse aproveitamento para as retenções do PIS e Cofins, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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OCORRÊNCIA. • O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que tenham sido objeto de pagamento, com 150, §4º , é de cinco anos a partir do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen que não estavam escriturados por serem objetos de contratos de arrendamento mercantil. PREJUÍZO FISCAL.BASE NEGATIVA DA CSLL.COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal, limitados a 30% do lucro real no caso do IRPJ e do lucro líquido ajustado em relação à CSLL. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. O sujeito passivo logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, em sede de diligência, razão pela qual é devida sua dedução do imposto devido apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER a decadência para os três primeiros trimestre de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL; até novembro de 2003 em relação às contribuições sociais; e, no mérito, EM NÃO CONHECER em parte do recurso, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Alexandre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 34 /2 00 8- 94 Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.783 2 Antonio Alkmim Teixeira e Marcelo Baeta Ippolito que conheciam da matéria por entenderem se tratar de matéria de ordem pública. E, na parte conhecida, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1)Para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; 2)Aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite dos saldos previstos nos termos da diligência, sendo a trava de 30% ajustada pela nova base de cálculo ajustada pelo voto; 3)Aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, esses nos termos do resultado de diligência para o IRPJ e CSLL, mas estendendo esse aproveitamento para as retenções do PIS e Cofins, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.784 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), consubstanciados nos autos de infração às fl. 02/38, referentes aos anos calendários 2003 e 2004, com crédito tributário total de R$ 3.759.216,09, assim distribuídos: IRPJ R$ 2.380.916,65; CSLL R$ 895.768.39; Cofins R$ 370.549,73; PIS R$ 111.981,32. Consoante descrição dos fatos contida nos autos de infração e no Relatório de Verificação Fiscal (RVF) às fl. 528/530 (parte integrante daqueles), foram verificadas as seguintes irregularidades: Glosa de despesa apropriada a maior Ano 2003 Em resposta à intimação, o sujeito passivo respondeu por escrito anexando contratos de arrendamento mercantil (leasing) com a Volkswagen do Brasil referentes a 24 veículos e respectivas notas fiscais (fl. 65/99). Além disso anexou planilha indicando a aquisição total de 69 veículos em 2003 (fl. 61/62). Relativamente aos veículos adquiridos objeto de leasing, foram pagas três prestações mensais de cada contrato: 3 x (R$ 3.517,44), 3 x (R$ 6.322,59) e 3 x (R$ 7.023,87), totalizando R$ 50.591,70; sendo que foi contabilizado na conta Arrendamento Mercantil (fl. 46) o valor de R$ 249.738,00, superior à despesa efetiva em R$ 199.146,30. Este excedente foi glosado pela autoridade fiscal. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL; Omissão de receitas caracterizada pela ausência de escrituração de bens de natureza permanente (veículos) adquiridos junto à Volkswagen do Brasil nos anos 2003 e 2004 1) 2003 Conforme expediente da Volkswagen do Brasil, em resposta ao Termo de Diligência Fiscal de 15/06/2008, e a resposta do contribuinte acima mencionada,, a empresa adquiriu veículos no montante de R$ 1.488.693,67. Desse valor foram contabilizados apenas R$ ,215.057,26 na conta Veículos (fl. 47), caracterizando a falta de contabilização de bens do ativo permanente no valor de R$ 1.273.636,41, sendo devido o lançamento por omissão de receita neste montante; 2) 2004 Com referência aos 58 veículos adquiridos em 2004 no montante de R$ 1.555.031,07, confirmados pela Volkswagen do Brasil, conforme fl. 174/1777, o contribuinte não prestou esclarecimentos satisfatórios quanto à falta de escrituração dos mesmos no ativo permanente, sendo devido o lançamento de omissão de receita Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.785 4 nesse montante. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexos de CSLL, PIS e Cofins; Falta de declaração do lucro operacional apurado na contabilidade da empresa a narração dos fatos foi a seguinte: "Na DIPJ do anocalendário 2003, a empresa apresentou todos os itens zerados, porem verificando na contabilidade Demonstração de Resultado as fls constatouse que a .empresa obteve lucro no período no valor de R$ 1.106.461,19. (Lucros não declarados)" (grifo no original). Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 03/12/2008, o sujeito passivo apresentou uma impugnação para cada lançamento em 02/01/2003, conforme segue: fl. 531/541 (CSLL), instruída com os documentos às fl. 542/636; fl. 637/645 (Cofins), instruída com os documentos às fl. 646/689; fl. 690/698 (PIS), instruída com os documentos às fl. 699/742; e fl. 743/753(IRPJ), instruída com os documentos às fl. 754/849. O teor das impugnações está resumido a seguir: IRPJ Ano 2003 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente a autoridade fiscal considerou contabilizado apenas o montante de R$ 215.057,26 do valor total de veículos adquiridos, lançando omissão de receita de R$ 1.273.636,41. Entretanto, às fl. 209, 666 e 667 do Razão estão os lançamentos equivalentes às aquisições de 26 veículos Kombi e 24 veículos Gol adquiridos nos meses de agosto e setembro de 2003, conforme relação da Volkswagen, cujas contrapartidas estão registradas como exigibilidade na conta n° 2.1.1.01.020, às fl. 414, 417 e 427 do Razão. Ainda às fl. 209 e 661 estão contabilizadas as outras aquisições distantes na relação da *Volkswagen. Elaborou o demonstrativo à fl. 533 onde estão indicados todos os valores registrados contabilmente, totalizando R$ 1.031.157,16, que deverá ser desconsiderado do montante tributado no auto de infração como omissão de receitas; Falta de declaração de lucro operacional a fiscalização considerou como não declarado o lucro contábil de R$ 1.106.461,19 constante na Demonstração de Resultado à fl. 589 do Diário, tendo em vista que a DIPJ foi entregue zerada. Contudo, mesmo diante do erro da DIPJ, a forma de apuração do lucro foi trimestral, conforme balancetes trimestres em anexo (fl. 754/804). Do lucro líquido foram excluídos os valores não recebidos provenientes de faturas emitidas contra a Presidência da República, no total de R$ 1.979.208,87, consoante o disposto no art. 409 do RIR/99. Os lucros apurados nos 2o, 3o e 4o trimestres foram compensados com o prejuízo fiscal/base negativa apurado no Io trimestre. Apurados o imposto sobre os valores dos lucros após a compensação, o saldo a pagar foi "compensado" (deduzido) com as retenções realizadas pelos órgãos públicos. Elaborou o demonstrativo à fl. 534 indicando o exposto. Os valores apurados de IRPJ em cada trimestre foram devidamente apropriados na contabilidade, conforme fl. 284, 285, 423, 585 e 584 do Diário. Então, visto que a contabilidade registrou os valores apurados a título de IRPJ, não procede a autuação aplicada, Glosa de despesas matéria não contestada Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.786 5 Ano 2004 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente do montante de R$ 1.555.031,07, considerado omitido pela autoridade fiscal, deve ser excluído o valor de R$ 136.430,82, uma vez que as fl. 207, 208 e 212 do Razão possuem escrituração de parte das aquisições em abril, julho e agosto. Todos os veículos alcançados pela fiscalização foram adquiridos pela modalidade financeira leasing, no entanto os lançamentos não foram todos identificados em vista de que os contratos não foram localizados. Contudo, no decorrer da fiscalização solicitou as bancos o encaminhamento de cópia dos referidos documentos, conforme cópias das solicitações em anexo. Tais solicitações não foram atendidas em tempo hábil, mas os documentos serão anexados posteriormente. Como prova trouxe também cópias dos DUT de alguns veículos; Inconstitucionalidade da Multa de oficio alegou a inconstitucionalidade da multa de75%, pleiteando sua redução para 20%. No ano 2003, do valor tributável total considerado pela autoridade fiscal no lançamento, qual seja, R$ 2.579.243,90, restou impugnado o valor de R$ 2.137.618,35, havendo um valor não contestado de R$ 441.625,55, No ano 2004, o valor tributável do lançamento foi R$ 1.555.031,07, sendo impugnado R$ 136.430,82, restando um valor não contestado de R$ 1.418.600,25; Parte destes valores tributáveis não contestados devem ser compensados com o saldo não utilizado do prejuízo apurado no Io trimestre de 2003 (apurado no balancete em anexo), conforme demonstrativo à fl. 749. O imposto devido apurado com base na diferença do valor tributável após compensação, acrescido de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com o imposto retido na fonte por órgãos públicos (conforme anexo II fl. 805/807). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de IRPJ, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento; CSLL Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada em 2003 e 2004, a falta de declaração do lucro operacional apurado em 2003 e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 592). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de CSLL, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. PIS Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 700). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de PIS, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.787 6 Cofins Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável, não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 647). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de Cofins a recolher no montante de apenas R$ 144.803,61, conforme planilha à fl. 644. Razão pela qual é parcialmente procedente o lançamento. Requer a juntada posterior de documentos que se mostrarem necessários; É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE, por maioria de votos, os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 GLOSA DE DESPESAS. Matéria não impugnada. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen cuja escrituração o sujeito passivo logrou comprovar quando da impugnação. FALTA DE DECLARAÇÃO DE LUCRO OPERACIONAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. Não pode conviver em um mesmo lançamento a apuração do lucro real trimestral com a apuração anual. As infrações relativas à omissão de receitas e glosa de despesas foram corretamente lançadas considerando fatos geradores trimestrais, haja vista que o sujeito passivo não fez a opção pela apuração anual nos termos da lei. Em vista disso, não poderia ter sido incluído em 31/12/2003 o lucro operacional não declarado referente a todo o anocalendário, ou seja, adotandose a forma de apuração anual apenas para esta infração. Houve erro na identificação do fato gerador, violando o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.788 7 nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, razão pela qual não é devida sua dedução do imposto devido apurado. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O processo foi baixado em diligência por esta Turma. A referida diligência resultou no relatório de fls. 3.752 e demais documentos que o acompanha, em que a auditoria fiscal retifica as bases de cálculos apuradas, mediante o aproveitamento dos prejuízos fiscais anteriores, assim como aproveita os tributos retidos, sendo que a Contribuinte foi intimada em 10/12/2013 das informações decorrentes da diligência empreendida, sendo instada para, em 30 (trinta) dias apresentar resposta. A Recorrente insurgese parcialmente (fls. 3758/3775) contra o resultado de diligência de fls. 3752. Reitera suas razões impugnatórias em relação à omissão de receita. Propugna pelo acolhimento parcial da decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Alude pela primeira vez, erro no critério temporal da apuração do PIS e da COFINS. Insurge se contra o não aproveitamento do IRRF de um período trimestral para o outro. É o relatório. Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.789 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide A autuação se deveu ao cometimento de 3(três) infrações: Glosa de despesas Omissão de receitas por falta de contabilização de veículos no Ativo permanente (2003/2004) Falta de declaração do lucro operacional escriturado Estão fora da lide 2(duas) infrações: A primeira infração, glosa de despesas, pois tal e matéria não foi contestada desde a fase impugnatória, razão pela qual resta considerála fora da lide. A última infração também não faz mais parte da lide, uma vez que a DRJ canceloua. Portanto, restou para se analisada apenas a matéria relacionada à omissão de receitas. DECADÊNCIA Decadência é matéria de ordem pública daí porque passo a analisar o pedido da Recorrente que foi enunciado apenas na sua manifestação de inconformidade contra o retorno de diligência. Em relação à decadência, faço uso da tese jurisprudencial adotada pelo STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento ou diante de fraude, dolo o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ, que na essência foi seguida pela DRJ para todos os impostos, inclusive para o caso que se cuida, o IRRF: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.790 9 PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.791 10 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A Recorrente em síntese pleiteia a decadência, baseandose apenas na aplicação da regra do art. 150, §4º, do CTN. No caso concreto, houve pagamentos o que se constata através dos fontes (imposto retido por órgãos públicos). Uma vez admitida a premissa de que houve pagamentos, (ciência em 03/12/2008), pela regra do art. 150, §4º, do CTN acolhese parcialmente a decadência do IRPJ e CSLL para o 1º , 2º e 3º trimestres de 2003. Em relação às contribuições sociais cujos fatos geradores são mensais, acolhese parcialmente a decadência para o período de janeiro a novembro de 2003. 1) OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE VEÍCULOS NO ATIVO PERMANENTE 2003 E 2004 Conforme consta dos autos, entende a fiscalização que a Recorrente teria deixado de lançar em sua contabilidade no Ativo Permanente 69 (sessenta e nove) veículos "adquiridos" em 2003 e 58 (cinquenta e oito) em 2004 da Volkswagen do Brasil, o que levaria à presunção de omissão de receita. Para afastar essa acusação, a Recorrente apresentou a petição de fls. 2.495 e demais documentos que a acompanha, visando comprovar que 24 (vinte e quatro) destes veículos teriam sido "adquiridos" da VW do Brasil mediante arrendamento mercantil (leasing), e outros 30 (trinta) veículos adquiridos do Banco Safra, e por isso mesmo inexistiria obrigação para sua escrituração em contas do ativo permanente afastando, desse modo, o pressuposto básico da acusação de omissão de receita. A decisão de piso, abaixo reproduzida em parte, em síntese tenta demonstrar que os referidos contratos de Leasing se referem a outros veículos que não os considerados pela autoridade fiscal como não escriturados. Porém, como foi acolhido a decadência para os três primeiros trimestres de 2003, a matéria será tratada apenas no escopo envolvendo o 4a trimestre de 2003 em diante, senão vejamos: Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.792 11 A autoridade fiscal considerou que nenhum veículo adquirido em 2004 foi escriturado no ativo permanente, considerando omitido todo o montante de R$ 1.555.031,07, conforme demonstrativo à fl. 42, (..). A análise dos fundamentos da autoridade fiscal e do contribuinte por mim efetuada seguirá a sequência dos anoscalendário, ou seja, primeiro tratarei dos lançamentos referentes a 2003, para, após, passar ao ano 2004. Ressaltese que o entendimento aqui proferido aplicase aos lançamentos de IRPJ e seus reflexos de PIS, Cofins e CSLL. (...) Por fim, no quarto trimestre está escriturado em outubro um total de R$ 215.057,26, reconhecido pela própria autoridade fiscal, que não o tributou como receita omitida, excluindoo do montante total de veículos vendidos informados pela Volkswagen. Há também um registro de R$ 350.000,00, efetuado em 30/12/2003, cujo histórico indica ser ajuste de saldo, que, portanto, não se refere a registro de veículo adquirido. Logo, tal montante não pode ser excluído do valor tributável considerado pela autoridade fiscal. Acertado o lançamento para este período de apuração, Para o 4a trimestre de 2003, nada a reparar na decisão de piso, uma vez que nada foi lançado no 4a trimestre referente à essa infração, conforme tabela às fls. 278 abaixo reproduzida, bem assim auto de infração fls. 207. Matriz Filial Total 1° Trimestre 26.941,77 0,00 26.941,77 2ª Trimestre 297.019,20 0,00 297.019,20 3o Trimestre 949.675,44 0,00 949.675,44 4o Trimestre 0,00 0,00 0,00 TOTAL 1.273.636,41 0,00 1.273.636,41 Fonte: Planilha encaminhada pela Wolkswagen do Brasil Ind de V. Automotores Ltda Obs: Valores lançados por trimestre conforme N.Fiscais fls. 69/99 Em relação ao ano de 2004, a DRJ assim manteve o lançamento: Ano 2004 Em relação ao ano 2004 o sujeito passivo alegou que escriturou parte das aquisições em abril, julho e agosto, em um total de R$ 136.430,82, e que tais lançamentos constam nas fl. 207, 208 e 212 do Razão. As cópias do Razão estão às fl. 847, 848 e 849. Em tais páginas do Razão, além de não haver qualquer indicação do número da conta a que se referem os lançamentos contábeis, estes possuem históricos que indicam que são registros de despesas com consórcio e despesas com leasing, mas não registros em ativo permanente. Então, a meu ver, tais documentos não servem como prova de escrituração de veículos em conta de ativo permanente. Não bastasse isso, há outro fato que solapa a argumentação do sujeito passivo de forma incontestável. Conforme os balancetes por ele carreados aos autos em fase de impugnação, anexados às fl. 779/804, a conta do ativo permanente referente a Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.793 12 veículos não foi acrescida de qualquer montante durante o ano de 2004. Tal fato pode ser verificado especificamente às fl. 780, 786, 792 e 798. Ora, se o próprio sujeito passivo afirma, em balancete por ele elaborado para sua defesa, que não houve qualquer registro na conta Veículos durante o ano 2004, não resta qualquer dúvida de que os lançamentos nas páginas do Razão referidas anteriormente não tratam da conta Veículos. Em vista disso, cabe considerar que o sujeito passivo não comprovou a escrituração do montante de R$ 136.430,82, não havendo, em consequência, qualquer ajuste a ser feito no lançamento para este período de apuração. Essa infração foi assim distribuída temporalmente e por matriz/filial: Tabela 1 Matriz Filial Total 1o trimestre 436.070,34 0,00 436.070,34 2o trimestre 34.417,87 102.139,20 136.557,07 3o trimestre 227.220,25 599.115,48 826.335,73 4o trimestre 156.067,93 0,00 156.067,93 TOTAL 853.776,39 701.254,68 1.555.031,07 Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.794 13 Tabela 2 Relação de veículos que fizeram parte autuação referente a 2004 Nota Fiscal Emissão Valor Código Descri ção Cor Modelo Chassi 24.037 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8VGAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X14T083495 24.039 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X34T083997 24.040 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL -2004- 9BWCA05X44T083037- 24.041 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T084567 24.045 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T084987 33.731 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T099576 33.734 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T099626 33.736 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T099730 34.284 18/2/2004 29.981,61 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X74T100138 34.494 18/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T100358 34.608 19/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T100936 43.618 15/3/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T112865 43.954 28/2/2004 25.806,42 3X23A4 SANTANA 1.8 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAC03X94P002482 44.083 16/3/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T113240 46.616 11/3/2004 32.433,63 3X23C4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X84P003889 53.883 29/3/2004 34.179,60 9A22K4 POLO SEDAN 1.6 GAS. CINZA BÁLTICO 2004 9BWJB49N94P023431 83.552 22/6/2004 34.417,87 3X23C4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X34P005906 84.174 24/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X64P008697 84.543 24/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X14P008736 84.660 25/6/2004 25.534,80 7X21Al KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004- 9BWGB07X34P008785 85.228 28/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07XX4P008833 Total PROVADO 2o Trim 76.604,40 87.416 6/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X74P009082 87.666 7/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X64P009140 87.763 7/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X94P009164 Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.795 14 OBS: Nos Registros negritados acima, o contribuinte no aditivo ao seu Recurso voluntário conseguiu provar que se tratava de Leasing. O contribuinte em seu recurso aperfeiçoa sua defesa trazendo provas (aditivo ao recurso) de que alguns veículos apesar de adquiridos por compra e venda, foram objetos subseqüente de arrendamentos mercantis, desbrigandoo assim da escrituração dos mesmos no ativo imobilizado. De fato, em regra geral, o fato de um veículo que compõe o acervo patrimonial do contribuinte não estar escriturado em seu ativo imobilizado conduz à omissão de receitas, porém se o contribuinte prova que a aquisição se deu por meio de contrato de arrendamento mercantil, então a falta desse registro, não mais pode conduzir àquela ilação, uma vez que o arrendamento mercantil deve ser considerado como custos ou despesas operacionais, não sendo, portanto, escriturados no ativo permanente como comanda o dispositivo legal abaixo colacionado do RIR/99: Art. 356. Serão consideradas, como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária, as contraprestações pagas ou creditadas por força de contrato de arrendamento mercantil (Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, art. 11). O contribuinte no seu aditivo ao recurso voluntário em relação ao ano calendário de 2004, só consegui colacionar provas vinculando os veículos constantes da tabela acima nos casos em que o registro está em negrito. Nota Fiscal Série Emissão Valor Código Descrição Cor Modelo Chassi Estabelecimento 024.037 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X14T0834 95 59.104.422/002446 024.039 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X34T0839 97 59.104.422/002446 024.040 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X44T0830 37 59.104.422/002446 024.041 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T0845 67 59.104.422/002446 024.045 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T0849 87 59.104.422/002446 033.731 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T0995 76 59.104.422/002446 033.734 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T0996 26 59.104.422/002446 033.736 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T0997 30 59.104.422/002446 034.284 31 18/02/2004 29.981,61 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X74T1001 38 59.104.422/002446 034.494 31 18/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T1003 58 59.104.422/002446 034.608 31 19/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T1009 36 59.104.422/002446 043.954 44 28/02/2004 25.806,42 3X23A4 SANTANA 1.8 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAC03X94P0024 82 59.104.422/005704 046.616 44 11/03/2004 32.433,63 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X84P0038 89 59.104.422/005704 043.618 31 15/03/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T1128 65 59.104.422/002446 044.083 31 16/03/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T1132 40 59.104.422/002446 053.883 44 29/03/2004 34.179,60 9A22K4 POLO SEDAN 1.6 GAS. CINZA BÁLTICO 2004 9BWJB49N94P02343 1 59.104.422/005704 1° Trim 436.070,34 083.552 44 22/06/2004 34.417,87 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X34P0059 06 59.104.422/005704 2° Trim 34.417,87 095.617 44 04/08/2004 33.936,17 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. CINZA COSMOS 2004 9BWAE03XX4P0064 68 59.104.422/005704 097.142 44 10/08/2004 42.596,44 9A23L4 POLO SEDAN 2.0 GAS. CINZA BÁLTICO 2005 9BWJE09N95P00162 5 59.104.422/0057 04) 111.402 31 20/09/2004 19.477,35 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2005 9BWCA05X55T0356 14 59.104.422/002445 111.546 44 23/09/2004 42.904,37 9A23L4 POLO SEDAN 2.0 GAS. CINZA BÁLTICO 2005 9BWJE49N65P01063 1 59.104.422/00570$ Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.796 15 No caso a prova se caracteriza por declarações das empresas de arrendamento mercantil atestando que o veículo em referência foi objeto de arrendamento mercantil, apesar de terem sido adquiridos da Wolksvagen. O ateste possui o seguinte modelo: Recibo de Venda Recebemos a importância de R$ 14 .128,49 ( QUATORZE MIL E CENTO E VINTE E OITO REAIS E QUARENTA E NOVE CENTAVOS) em pagamento do bem abaixo caracterizado, no estado em que se encontra e conforme examinado pelo comprador, objeto que foi do contrato de arrendamento mercantil a seguir especificado: Contrato n2 : 75.072.2932 Vendedor : SAFRA LEASING SA ARR MERCANTIL Endereço : AV. BRASIL, 78 POA SP CNPJ : 62.063.177/000194 41/ Comprador : VIP SERVICE CLUB LOCADORA LTDA Endereço : AER ST LOCADORA LT 12 LAGO SUL BRASILIA DF CNPJ/CPF : 02.605.452/000122 Características do bem CHASSIS 9BWGB07)(53P015915 : MARCA VW MODELO KOMBI TIPO KOMBI ANO 2003 COR BRANCA PLACA JGM8709 RENAVAM 811568687 (...) Declaração de Venda Declaramos para fins de obtenção do Certificado de Propriedade junto ao órgão de trânsito competente, que o veiculo acima descrito, foi objeto de arrendamento mercantil, conforme contrato acima citado. (...) Da mesma forma que a DRJ fez não se pode aceitar a prova incompleta feita pela Recorrente em sede impugnatória, onde colacionou alguns registros contábeis tentando demonstrar a existência de despesas com leasing. É que nesses casos ela não trouxe os elementos probantes que lastreariam essa prova (contratos, recibos). Faz referência ao número do contrato no registro contábil, mas não os traz para que se possa pelo menos vinculálo aos chassis dos veículos que entraram no rol da atuação. A prova nesse caso é ônus do contribuinte e não se pode alegar que não foi lhe fornecido tempo suficiente para fazêlo, dado o lapso de tempo que transcorreu entre o início de fiscalização, a apresentação de recurso e contrarrazões ao retorno de diligência. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso nesse item para excluir da base de cálculo do lançamento no anocalendário de 2004, os valores de R$ 232.134,39, sendo que R$ 76.604,40 para o 2o trimestre de 2004 e R$ 155.529,99 para o 3o trimestre de 2004. A autoridade executora desse acórdão deve fazer os ajustes necessário em relação ao aproveitamento de prejuízos e base negativa da CSLL (trava de 30%) e compensação do IRRF constante do resultado de diligência. 1.1) Aproveitamento das compensações limitadas a 30% Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.797 16 A esse respeito, a Contribuinte defendeu a utilização dos seus estoques de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, não considerados pela Autoridade Fiscal quando da apuração da base de cálculo. A DRJ, negou esse aproveitamento em função da falta de demonstração dessa vontade na Declaração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. Divirgi da posição adotada pela DRJ, pois a jurisprudência administrativa é pacífica no sentido do aproveitamento de ofício, se houver, de saldo de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas, independente da opção ter sido expressa na declaração de rendimentos. É que a lei não distingue entre o lucro tributável declarado e o apurado em lançamento suplementar, podendo ambos, portanto, serem alvos da compensação de prejuízos fiscais, caso o contribuinte aceite. Neste sentido há ampla jurisprudência administrativa, a exemplo das ementas a seguir trasladadas: COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A ação fiscal deve levar em conta, ao proceder o lançamento de ofício, os prejuízos declarados pelo contribuinte, compensandoos. A compensação independe de opção na declaração de rendimentos." (Ac. 1° CC 10177.400/87 Resenha Tributária, Jurisprudência do IR, Vol. 1.21, pág. 50) "PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal." (Ac. 1º CC 10319820/98) Outrossim, a declaração de rendimentos foi entregue zerada não sendo possível nessa situação indicar o aproveitamento de prejuízos. Do exposto, o presente processo seguiu para diligência, de forma que os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação e limitados a 30% do lucro líquido ajustado, o fossem a partir de investigação do Sapli e do Lalur. O Relatório de Diligência Fiscal cumpriu esse desiderato, de forma que quanto a esse aspecto dou provimento parcial ao recurso para considerar o aproveitamento desses prejuízos e bases negativas (com a trava dos 30%), nos moldes feitos pela fiscalização nos relatórios de fls. 3751/3754. Aproveitamento do IR Fonte do período autuado Outrossim, o sujeito passivo pleiteou também a dedução do IRPJ e da CSLL devidos apurados com base na diferença do valor tributável após compensação com o imposto Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.798 17 e a contribuição retidos na fonte por órgãos públicos. Tal matéria também foi submetida à diligência. .Muito embora a fiscalização tenha se queixado de que a Recorrente não cumpriu com todas as solicitações feitas à mesma na tentativa de investigar a veracidade das referidas retenções, terminou por se utilizar dos meios de que dispunha e aproveitouas nos moldes do Relatório Fiscal de fls. 3751 e tabelas de fls. 3753 e 3754. A Recorrente em sua manifestação de inconformidade de fls. 3758/3775 contra o retorno de diligência acata apenas parcialmente o procedimento da fiscalização. Aduz que a mesma não fez a compensação de ofício dos IRRF de um trimestre para o outro. Porém, vejo que o pedido da Recorrente extrapola o escopo da diligência e pleiteia algo fora da competência da fiscalização. Como não existe pedido de compensação de imposto retido na fonte, na verdade a Recorrente pleiteia que se apure o saldos negativos de cada trimestre e faça a compensação dos mesmos. Ora, mas essa compensação é direito da pessoa jurídica que pode ser exercido ou não e tem todo um procedimento para fazêlo, principalmente após a instituição do novo regime de compensações inaugurado pela sistemática da PER/Dcomp. Toda e qualquer compensação precisa estar declarada previamente em uma Dcomp, o que não aconteceu. Outrossim, embora não tenha sido pedido no escopo da diligência, na mesma linha de raciocínio, dou provimento parcial para reconhecer as retenções de PIS e Cofins retidos nas mesmas fontes em que foram reconhecidos as retenções do IRPJ e CSLL (Órgãos públicos) que deverão ser excluídos do crédito tributário em cada período. Portanto, dou provimento parcial ao aproveitamento das retenções nos termos do resultado de diligência constante nas tabelas de fls. 3753 e 3754, estendido na forma do parágrafo anterior. Alegação de erro no fato gerador do PIS/COFINSPRECLUSÃO A Recorrente na fase impugnatória bem assim no seu recurso não se insurgiu quanto a erro no fato gerador das contribuições. Apenas nas contrarrazões ao retorno de diligência que o faz. Portanto, considero tal matéria preclusa e não conheço de suas razões. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.799 18 Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada,. Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Portanto, mantenho a multa de 75%. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, acolher a decadência para os (3) três primeiros trimestres de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL e até novembro de 2003 em relação às contribuições socias, e, no mérito, não conheço em parte do recurso, em face da preclusão e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite de 30% nos termos da diligência; bem assim o aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, sendo estendidos o aproveitamento também para o PIS e Cofins na sistemática não cumulativa, esses dois últimos provimentos nos termos do resultado de diligência e considerando o ajuste feito na base de cálculo. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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