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Numero do processo: 13007.000332/2003-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiu-se pelo sobrestamento com base no art. 62-A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 468 1 467 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13007.000332/200327 Recurso nº 259.737Embargos Resolução nº 3401000.575 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2012 Assunto PIS Embargante IPIRANGA PETROQUÍMICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiuse pelo sobrestamento com base no art. 62A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 07 .0 00 33 2/ 20 03 -2 7 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 469 2 Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela contribuinte Ipiranga Petroquimica S/A, referentes à decisão de 18.3.2010 proferida por esta câmara. Por considerar suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débito do PIS, COFINS e IRRF no valor total de R$ 381.091,15 (fl.138) com crédito do PIS nãocumulativo do 3º trimestre de 2003 (fl.139). Após verificação contábil, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades no crédito da contribuinte (fls. 157/160): 1 Falta de inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS não cumulativo, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, contrariando o art. I o da Lei n° 10.637/2002; 2 Falta de diferenciação entre os créditos oriundos de operações no mercado interno e os créditos de exportação, considerando todos os créditos como de mercado interno, o que possibilita a compensação somente com o próprio PIS dos meses subseqüentes; 3 As demais receitas foram subtraídas da base de cálculo, quando deveriam ser calculadas. Diante dessas razões, o Delegado da Receita Federal em Porto AlegreRS reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 510.221,56 e a compensação foi homologada até o limite do crédito reconhecido (fl.204). Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.247/262), alegando, em resumo, que o crédito presumido do IPI é mero redutor de gasto, não configurando receita e esse entendimento se coaduna com a jurisprudência do TRF da 4ª Região, do STJ e do Conselho de Contribuintes. A DRJ em Porto AlegreRS prolatou acórdão (fls.326/327) indeferindo o pleito da contribuinte, sob fundamentação de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil, havendo exceções somente se a lei expressamente assim determinar. Como não há lei que exclua expressamente o crédito presumido do IPI da incidência do PIS, aquele crédito compõe a base de calculo desta contribuição. A contribuinte foi intimada do acórdão em 23006/2008 (fl.350) e interpôs Recurso Voluntário em 24/07/2008 (fls.351/365), reforçando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando que, se o crédito presumido não é receita, não necessita de disposição expressa para sua exclusão da base de cálculo do PIS, haja vista a contribuição incidir somente sobre receita. Por fim, pediu a homologação integral da compensação. É o Relatório.” Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 470 3 Em 18.3.2010, esta câmara decidiu por negar o Recurso sob o fundamento de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil e que as possíveis exclusões devem estar previstas em lei, portanto não caberia a exclusão do Crédito do IPI, uma vez que não existe norma permissiva para tanto. Em 16.11.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 17.11.2011, protocolou embargo de declaração, alegando que houve omissão, em síntese, dos seguintes pontos: a) O voto vencedor não cita os argumentos do Recurso Voluntário, ou seja, os argumentos de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS representa conduta própria contraditória e, especialmente, que representará ilegal e inconstitucional exigência de Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de exportação; b) O ponto central do tema do julgamento também deixou de ser apreciado; c) Não restou analisada se a natureza jurídica do crédito presumido do IPI seria efetivamente receita; Por fim a contribuinte requer que sejam recebidos seus embargos de declaração, acolhidos e providos, inclusive para procederse ao préquestionamento da matéria para fins de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de sanar omissão: a) Quanto à análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito presumido do IPI, que entende a Embargante não se tratar de receita na linha do subcapítulo 3.4 do Recurso Voluntário; b) Sobre o fundamento de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS encontrará óbice na vedação ao venire contra factum proprium, conforme argumentado no subcapítulo 3.5 do Recurso Voluntário; c) Quanto à análise do argumento de que restariam violados o art. 5º, Inc. I, da Lei nº 10.637/02 e também o Inc. I do parágrafo 2º do art. 149 da Constituição Federal, como exposto no subcapítulo 3.6 do Recurso Voluntário. A contribuinte requer ainda que se apliquem os efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração, dandose provimento ao Recurso Voluntário e prestigiando se a jurisprudência que se encontrava pacificada no âmbito da presente turma. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 471 4 Voto Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciá los A recorrente alega que toda a matéria não foi devidamente questionada, declarando que não foi feita a análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito do IPI, que a embargante entende não se tratar de receita. Devo ressaltar que a matéria sobre se o crédito presumido de IPI integra ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº. 593.544, com repercussão geral já definida pela corte. Assim não pode o presente processo ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em conformidade com o § 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como consta no site daquele Tribunal na internet, consultado em 15 de outubro de 2012, o debate no RE nº. 593.544 (tema 504) versa sobre o seguinte: Recurso extraordinário, em que se discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I, 150, § 6º e 195, I, da Constituição Federal, a possibilidade, ou não, de o crédito presumido do IPI decorrente de exportações, instituído pela Lei 9.363/96, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Frente a todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a incidência do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Apenas após decisão transitada em julgado sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902521/2012-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/11/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 139 1 138 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902521/201245 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.517 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VIACAO CIDADE DO ACO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 21 /2 01 2- 45 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 19.401,18. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/11/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/11/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10073.902041/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 41 /2 00 9- 89 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902041/200989 Acórdão n.º 3802003.099 S3TE02 Fl. 128 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902041/200989 Acórdão n.º 3802003.099 S3TE02 Fl. 129 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18471.000511/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003
CIDE-TECNOLOGIA. CONSTRUÇÃO DE CABOS SUBMARINOS. ATIVO IMOBILIZADO. Não incide o Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE-Tecnologia sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por configurarem aquisição de ativo imobilizado.
SOFTWARE - Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de não incidência dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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CONSTRUÇÃO DE CABOS SUBMARINOS. ATIVO IMOBILIZADO. Não incide o Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDETecnologia sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por configurarem aquisição de ativo imobilizado. SOFTWARE Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de “não incidência” dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 11 /2 00 4- 82 Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por bem descrever os autos, adoto relatório de 721 e seguintes, da Resolução 310100.068, de 16/11/2009: Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Oitava Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) que julgou parcialmente procedente o lançamento da contribuição de intervenção no domínio econômico (Cide) 1 2 , acrescida de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa de ofício (75%, passível de redução) 3, vinculada aos fatos geradores do período de janeiro de 2002 a outubro de 2003. A ciência dos lançamentos se deu no dia 11 de maio de 2004. Segundo a denúncia fiscal (Termo de verificação de folhas 133 a 136 e descrição dos fatos de folhas 140 e 141.) , o contribuinte fez uso de diferentes critérios para a determinação da base de cálculo da contribuição: ora nela incluindo, ora dela excluindo, serviços técnicoprofissionais prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Consta do termo de verificação fiscal de folhas 133 a 136, que o sujeito passivo da obrigação tributária justificou somente ser devido o tributo nos casos de serviços técnicos prestados com transferência de tecnologia. Consta, também, manifestação verbal e genérica em que alega fora da incidência da Cide a aquisição de "software cópia única". Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 173 a 190 (volume I), aditadas às folhas 354 a 356 (volume III), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: a autuação referiuse a quatro grupos de operações; no primeiro, ela é que foi a beneficiária, conforme demonstrativo de fls. fsicj 175, e documentos de fls. 241/258, pois, recebeu divisas destas operações, em face dos serviços que prestou às empresas Cable and Wireless e Telefônica Argentina, não havendo que se falar em fato gerador da CIDE, pois, não se tratou de remessas para o exterior e sim, de recebimentos; no segundo, já havia recolhido a CIDE correspondente às operações, que estão demonstradas e apontadas às fls. 176, conforme comprovam os documentos de fls. [sic] 260; ... além disto, o tributo foi declarado na respectiva DCTF, que por si só, afastaria a multa de oficio, fls. 261/266; no terceiro, as operações que geraram a autuação referiramse à aquisição de imobilizado, isto é, as remessas correspondentes objetivaram a cobertura de despesas de construção de cabos submarinos pelas empresas Flag 1 Remessa de valores ao exterior (pagamentos de softwares e de outros serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior). Lei 10.168, de 29 de dezembro de 2000, artigos 2° e 3 o , com as modificações introduzidas pela Lei 10.332, de 19 de dezembro de 2001. Auto de infração às folhas 133 a 145. 2 O julgamento de primeira instância administrativa retificou a base de cálculo do tributo dela excluindo valores recebidos do exterior e considerados pela fiscalização como remessas ao exterior. 3 Enquadramento legal da multa de ofício (75%): Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 44, inciso I. Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.391 3 Telecom e Britsh Telecom PLC, conforme demonstrado às fls. [sic] 177, e comprovado pelos documentos de fls. 268/304; ... em sintonia com este entendimento está a Solução de Consulta n°. 001, de 1994, (fls. 307/309), formulada pela própria, em que a SRF declara que não incide IRRF sobre remessas de valores para a aquisição de bens integrantes do ativo imobilizado; no quarto grupo, as operações referiram se à aquisição de software; deste grupo, os elencados às fls. [sic] 181, referiramse à modalidade de "software de prateleira", aquele produzido em larga escala e de maneira uniforme, colocado no mercado para aquisição por qualquer interessado, por meio de licença ou cessão do direito de uso, sem o envolvimento do direito de distribuição e comercialização pelo adquirente do direito de uso, não envolvendo, portanto, a remuneração de direitos autorais por meio de royalties; relativamente às remessas decorrentes da remuneração pela aquisição deste tipo de software, tanto a doutrina como a jurisprudência são pacíficas no sentido de não incidência tanto do IRRF como da CIDE, dado que o referido software é considerado como um bem com natureza jurídica de mercadoria, não sendo a remessa decorrente da aquisição deste software passível de incidência da CIDE, dado que as referidas remessas não têm a natureza jurídica de royalties; o próprio Fisco, conforme item 1 da Portaria MF n". 181, de 1989, entendeu que, o pagamento de direitos autorais ocorre unicamente nos casos de aquisição de programa elaborado a partir de encomenda (cópia única) e, nos casos de cessão ou licença dos direitos de uso, onde é permitida a cópia para distribuição e comercialização no Brasil, tendo os referidos pagamentos a natureza jurídica de royalties intelectuais; ... considerando que o Decreto n". 4.795, de 2002 [sic] não incluiu os contratos de licença de direitos autorais dentre aqueles sujeitos à CIDE, o Estado teria dispensado uma exigência prevista em lei; ... finalizou requerendo prazo para a juntada de declarações de seus fornecedores com o objetivo de atestar a natureza dos softwares de prateleira por ela, adquiridos. Na petição de fls. 354/356, reitera que as remessas elencadas às fls. [sic] 181 referemse à aquisição de software de prateleira, bens com natureza jurídica de mercadoria e cuja aquisição não implica no pagamento de royalties, não havendo, pois, a incidência da CIDE. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 CIDE. INCIDÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, CIDE, incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referentes a licença de uso, aquisição de conhecimentos tecnológicos, e de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Leis n°.s. 10.168 de 2000, 10.332 de 2001, e Decreto n".4.195, de 2002. Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Rio de Janeiro (RJ), recurso voluntário foi interposto às folhas 442 a 478 (volume III). Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Colocado em pauta, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 310100.068, de 16/11/2009, à repartição de origem para: a) informe se houve transferência de tecnologia na aquisição dos softwares cujos valores foram adicionados à base de cálculo da contribuição no lançamento do crédito tributário ora discutido; b) informe se os softwares adquiridos eram customizados ou não customizados; c) caso tenha havido transferência de tecnologia na aquisição desses softwares, forneça elementos fáticos dessa transferência de tecnologia; d) Informe se as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC, (cinco remessas) foram contabilizadas como aquisições de bens do ativo permanente (imobilizado) e se tais remessas são decorrentes de contratos para construção de cabos submarino. Em resposta às diligência (fls. 634 e seguintes) a recorrente demonstra que (i) não houve transferência de tecnologia na aquisição dos software; (ii) os softwares adquiridos não eram customizados; (iii) as contrapartidas foram contabilizadas no ativo fixo na conta do Razão nº 13111310 – TEC SERV. TRANSM/REDE EXT – CAB ÓPTICO”, conforme consta o plano de contas – aquisição de cabos submarinos; Para melhor explicitar o alegado a repartição de origem intimou a Recorrente 1003 e seguinte – 1383pdf para: 1 Apresentar as folhas do Livro Diário, cujas fotocópias deverão ser fornecidas devidamente autenticadas por tabelião de notas, referentes aos lançamentos no grupo contábil ativo imobilizado conta ns 13111310 — Imobilizado Técnico Serviços Transmissão Rede de Cabos Externos Cabos Ópticos, conforme informação prestada anteriormente pela interessada no presente processo, das seguintes operações relativas à aquisição de bens do ativo imobilizado (construção de cabos submarinos): 2 Com a finalidade de confirmarmos o registro contábil dos valores acima no ativo imobilizado, solicitamos que seja preparado uma conciliação dos montante remetidos liquidados nos contratos de câmbio fornecidos pela interessada, ou seja, os valores remetidos em moeda estrangeira convertidos em reais e os respectivos lançamentos refletidos no Livro Diário. Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.392 5 Destacamos que os lançamentos no Livro Diário deverão apresentar: (i) a data do registro contábil; (ii) a (s) conta (s) devedora (s); (iii) a (s) conta (s) credora (s); (iv) histórico que represente o verdadeiro significado da transação ou código de histórico padronizado, neste caso, baseado em tabela auxiliar inclusa no Livro Diário Eletrônico e (v) valor do registro contábil. 3. Apresentar os contratos firmados entre a interessada e seus fornecedores relativos à aquisição de bens do ativo imobilizado construção do sistema de cabos submarinos, incluir a tradução juramentada dos contratos firmados em outros idiomas, cujas remessas foram realizadas através dos contratos de câmbio em anexo ao presente Termo de Diligência Fiscal. 4. Apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, caso aplicável, ou documento equivalente quer demonstre a remuneração a pagar decorrente de licença de uso de software, as "invoices" emitidas pelos fornecedores com a descrição dos produtos! adquiridos, caso aplicável e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre a interessada e seus fornecedores, referentes as aquisição de softwares cópia única (softwares customizados), conforme relação preparada pela interessada e incluída na sua impugnação ao presente Auto de Infração; 5. Apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos referentes as aquisição de softwares e serviços (nãocustomizados), as Declarações de Importação (Dl) e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre a interessada e seus fornecedores, conforme relação preparada pela interessada e incluída na sua impugnação ao presente Auto de Infração; 6. Apresentar a documentação comprobatória com a descrição dos produtos e serviços adquiridos relativo às demais remessas incluídas no demonstrativo anexado ao Auto de Infração e apresentado no presente termo e não relacionadas nos tópicos anteriores. 7. Informar se em alguma das operações de aquisição relacionadas na presente intimação ocorreu à transferência de tecnologia e sua averbação no INPI, caso positivo relacionar as operações. E em Relatório Conclusivo de Diligencia Fiscal a fiscalização sintetiza o quanto solicitado pela Resolução n° 310100.068, de 16/11/2009: a) Informe se houve transferência de tecnologia na aquisição dos softwares cujos valores foram adicionados à base de cálculo da contribuição no lançamento do crédito tributário ora discutido; “O contribuinte informou, (fl. 1.041), não ter ocorrido à transferência de tecnologia e a sua averbação no INPI. Ademais, o exame da documentação fornecida pelo contribuinte e relacionada no próximo item, não revelou a negociação de transferência de tecnologia na aquisição de softwares perante seus fornecedores. No entanto, o contribuinte não forneceu a documentação relativa a um conjunto de remessas ao exterior e que estão Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 devidamente relacionadas no item “b” abaixo (relação das remessas ao exterior em anexo ao auto de infração não comprovada pelo contribuinte), dessa forma não pudemos examinar a natureza das citadas operações. b) Informe se os softwares adquiridos eram customizados ou não customizados; Quanto aos softwares adquiridos eram customizados ou não customizados a fiscalização dividiu em 3 blocos: 1 – O contribuinte afirmou ter encaminhado fotocópias autenticadas das ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, referentes à licença de uso de software, (fl. 1.257). Examinamos a documentação fornecida, (fls. 1.264/1.341), e constatamos seguinte: • O envio de cópia de todos os contratos de câmbio referentes às remessas ao exterior listadas anteriormente; • As operações realizadas junto a Open Telecommunications limited, liquidadas em 24/01/2002, 01/04/2002 e 10/04/2002 estão suportadas pelo contrato C.DCT.2 1111/01, cujo objeto descrito na cláusula primeira referese a execução de serviço de suporte técnico ao Capacity Integrator (Cl). Quanto a liquidação de 31/01/2002, não foi fornecido o contrato C.DCT. 11713/01 que detalharia o objeto do contrato; • As operações realizadas junto a Cisco Systems, Inc estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos; • A operação realizada junto a MCI Worldcom International está descrita na "invoice" e no pedido de compra, tendo como objeto o desenvolvimento de software; • As operações realizadas junto a Taylor Mckenzie estão descritas nas "invoices" e no pedido de compra, com o objeto definido' na cláusula primeira, executar serviços de manutenção do Sistema FraudView Ectel. Baseados nos documentos fornecidos pelo contribuinte, concluímos que com exceção da compra realizada junto a MCI Worldcom International que aparenta tratarse de licença de uso de software, as demais compras são provenientes de serviços técnicos especializados de suporte/manutenção de sistemas informatizados e no fornecimento de diversos materiais eletrônicos (Cisco Systems, Inc). 2 – Intimamos o contribuinte a apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, referentes à aquisição de softwares e serviços (não customizados), as Declarações de Importação (DI) e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre o contribuinte e seus fornecedores, conforme relação preparada pelo contribuinte e incluída na sua impugnação do presente processo, decorrente do auto de infração CIDE: Beneficiário Data de Liquidação Valor (R$) Real Networks 14/01/2002 540.742,50 Real Networks 25/04/2002 531.562,50 Real Networks 10/07/2002 641.475,00 Real Networks 01/10/2002 216.423,90 Critical path, Inc 10/01/2003 443.670,35 Real Networks 30/01/2003 60.319,69 Scopus Network Technologies 24/02/2003 64.530,00 Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.393 7 Vanguard Managed Solutions, LLC 19/03/2003 439.204,94 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/03/2003 58.756,32 Real Networks 10/04/2003 35.943,75 Bitway S/A 30/04/2003 43.198,50 Nortel networks 28/05/2003 593.600,31 Real Networks 26/06/2003 32.452,88 Lucent Technologies 30/06/2003 176.359,96 Vanguard Managed Solutions, LLC 30/06/2003 235.555,53 Nortel networks 28/07/2003 113.687,96 Lucent Technologies 31/07/2003 78.3 13,62 Real Networks 28/08/2003 33.153,75 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/08/2003 187. 335,79 Taylor Mckenzie, Inc 24/09/2003 1.771 .523,95 Real Networks 01/10/2003 32.445,00 Vanguard Managed Solutions,LLC 31/10/2003 52.980,20 O contribuinte somente forneceu um conjunto de pedidos de compra, (fls. 1.342/1.408), referentes na sua maioria a licenças / aquisições / fornecimentos / atualizações de softwares, incluindo a prestação de serviços técnicos especializados no suporte, manutenção e conservação de softwares e determinados equipamentos de informática. Os pedidos de compra perante o fornecedor Nortel Technologies não foram fornecidos. Quanto ao quesito formulado, ou seja, se os softwares adquiridos são ou não customizados, as cláusulas apresentadas nos pedidos de compra não nos possibilita concluir se de fato houve a customização (cópia única) ou não dos softwares (softwares de prateleira). Entretanto, o contribuinte anexou ao presente processo declarações de emissão dos seus fornecedores, (fls.863/879), atestando tratarse de aquisições de softwares não customizados. Não localizamos declaração de emissão da Bitway S/A. relativa à remessa liquidada em 30/04/2003 no valor de R$ 43.198,50. 3 Com relação às remessas ao exterior não comprovadas (fls. 137/138 do auto de infração) a partir da intimação para o contribuinte apresentar “documentação comprobatória com a descrição dos produtos e serviços adquiridos relativo às demais remessas incluídas no demonstrativo em anexo ao auto de infração (item 06 do Termo de Diligência Fiscal cientificado em 30/08/2011) e reintimação procedida através do Termo de Reintimação de Diligência Fiscal cientificado em 13/10/2011, (fls. 1.236/1.237)”, o contribuinte informou, (fl. 1.258), não possuir outros documentos para apresentar. Beneficiário Data de Liquidação Val or(R$) Cisco System, Inc 24/04/2002 1.429.858,71 Taylor Mckenzie 24/04/2002 34.132,83 Hughes Hubbard & Reed LLP 01/07/2002 85.320,00 ICS Electronics Ltd 18/07/2002 42. 253,63 L3 Communications Corporation 04/09/2002 94.714,31 Howard Douglas Black & Co. 07/10/2002 77.754,60 Open Telecommunications Limited 18/11/2002 187.576,28 Ericsson Inc. 26/11/2002 271.1252,96 Howard Douglas Black & Co. 02/12/2002 75.671,40 Eximbank 13/02/2003 259.555,06 Thrane & Thrane A/S 10/03/2003 151.273,85 Eximbank 13/03/2003 243.656,38 Cam ara de Comercio Internacional 30/05/2003 407.495,00 Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Eximbank 13/08/2003 216.307,81 Cam ara de ComercioInternacional 22/08/2003 448.200,00 Eximbank 12/09/2003 205.994,50 Emerging Technologies Group 02/10/2003 1.105.281,00 c) Caso tenha havido transferência de tecnologia na aquisição desses softwares, forneça elementos fáticos dessa transferência de tecnologia. A resposta a este item é a mesma descrita no item a acima. d) Informe se as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC (cinco remessas) foram contabilizadas como aquisições de bens do ativo permanente (imobilizado) e se tais remessas são decorrentes de contratos para a construção de cabos submarinos. A documentação fornecida pelo contribuinte incluiu folhas do Livro Diário, cujos lançamentos finais são registrados a débito da conta contábil n° 7202000000 Instalações Técnicas, (fls. 1.075/1.235). Dessa forma, não comprovaram que as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC (cinco remessas ) foram contabilizadas como aquisições de bens componentes do ativo imobilizado, conforme classificação contábil no grupo ativo imobilizado indicada pelo próprio contribuinte. Outros subsídios fornecidos tais como as telas do sistema informatizado (sistema de contabilidade e de informações gerenciais) parecem demonstrar o registro contábil de determinadas operações e listagens com a composição de itens do ativo imobilizado, sem, contudo, comprovar o registro contábil no ativo imobilizado conta n° 13111310 Imobilizado Técnico Serviços Transmissão Rede de Cabos Externos Cabos Ópticos É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. O presente feito busca a delimitação do campo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, instituída pela Lei nº 10.168/2000, com o fim de financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo) – CIDETecnologia. A Lei estabelece que a CIDE é “devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior”. Esse era o campo de incidência originário previsto que, por conta de sua especificidade, não traria maiores controvérsias para sua identificação no universo de relações jurídicas de direito privado que as pessoas jurídicas nacionais estabelecem com pessoas residentes ou domiciliadas no exterior. Mas, posteriormente, com a edição da Lei nº 10.332/2001 e Lei nº 11.452/2007, houve ampliação do campo de incidência e exclusão expressa dos negócios jurídicos cujo objeto fosse a licença de uso ou de direitos de Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.394 9 comercialização ou distribuição de programa de computador, o que trouxe diversas dúvidas acerca dos limites jurídicos a serem estabelecidos para essa incidência, que era CIDE Tecnologia, passou a ser conhecida também como CIDERoyalties, apesar de incidir sobre muitas outras remessas ao exterior. Portanto, passo a apreciar as diversas relações jurídicas contratadas pela Recorrente com pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, explicitadas no relatório e que foram objeto da atividade fiscal consubstanciada no auto de infração, o que farei em blocos de similaridade. CIDE sobre licença de uso e aquisição de SOFTWARE Quanto à incidência da CIDE Tecnologia sobre aquisição de licenças de uso de software, meu entendimento já é de conhecimento de todos, conforme decidi no Acórdão n° 3101001.082 , de 24/04/2012, que segue: É notória a acepção que costumo ter do Direito Tributário em relação aos demais ramos do Direito. Na esteira do que ensina Paulo de Barros Carvalho, manifesteime em dissertação inédita (PUC/SP 2002): “Costumamos dizer que a relação que se pode estabelecer entre o Direito Tributário e todo o Sistema e Direito Positivo é comparável ao processo de formação de uma nuvem (o Direito Tributário) que necessita do “vapor de água” (normas jurídicas) dos rios, lagos, mares e oceanos (outros ramos do Direito) para existir, ou seja, os conteúdos e conceitos materiais captados do mundo fenomênico para criação dos tributos não são ditados e disciplinados pelo próprio Direito Tributário. Este foi construído sobre fatos jurídicos4 do Direito Privado (principalmente), de onde são retiradas as relações jurídicas sobre as quais será determinada a incidência da norma tributária. Tais relações determinarão os critérios materiais da norma de incidência e revelarão a base de cálculo do tributo. Essa relação de pertinência, do ramo do Direito Tributário, ou do subramo, para usar o termo adotado por Geraldo Ataliba, com os demais ramos do Direito, pode ser aferida em quaisquer outras relações entre os ramos do Direito. Isso reafirma e confirma que o Direito é um conjunto entrelaçado, harmônico e ordenado de normas concebidas como elementos de um sistema.” Pois bem, se estamos diante de um sistema de normas, não posso abordar a questão da licença de uso de software, sem buscar nas normas específicas a natureza jurídica do “software” e investigar como aquele que detém seu domínio se relaciona com os demais sujeitos submetidos às normas jurídicas5. 4 Não podemos deixar de citar a passagem em que Pontes de Miranda (in, Sistema de Ciência Positiva do Direito. São Paulo: Bookseller, 1ª edição Atualizada por Vilson Rodrigues Alves, 2000, Tomo II, pp. 297/298 “Para que os fatos sejam jurídicos, é preciso que regras jurídicas, isto é, normas abstratas – incidam sobre eles, desçam e encontrem os fatos, colorindoos, fazendoos “jurídicos”. Algo como a plancha da máquina de impressão, incidindo sobre fatos que se passam no mundo, posto que aí os classifique segundo discriminações conceptuais.” 5 Entendo não ser concebível que uma Relação Jurídica se estabeleça entre uma “pessoa” e um “objeto”, mas sim entre as pessoas, tendo o objeto lugar no núcleo – de interesse – da relação. Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 O Direito Intelectual está dividido em dois ramos: (i) o Direito de Autor e (ii) Direito da Propriedade Industrial, cada qual com um tratamento jurídico distinto por constituírem natureza jurídica distinta. O primeiro ramo congrega as obras intelectuais definidas como “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro” na forma do art. 7º da Lei 9.610/1998. O segundo ramo congrega as obras intelectuais definidas como invenções e modelos de utilidade, desenhos industriais, marcas, indicações geográficas, administrados pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial que conferirá a patente, registrará a marca, desenho ou designação, e registrará os contratos de licença de uso, transferência de tecnologia e de franquia. Assim é que o software, obra intelectual resultante de uma produção do conhecimento na forma de linguagem, cujas características intrínsecas se adéquam às que pudemos obter da obra acima citada, inserise no campo do Direito Autoral. A Lei n.º 9.609, de 12/02/1998, que dá ao software tratamento especial, dispõe em seu art. 1º o seguinte: Art. 1º Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê los funcionar de modo e para fins determinados. Ao tratar do regime jurídico aplicável ao software o art. 2º dispõe que “o regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei”. Portanto, não há dúvida que o software goza da proteção da legislação civil de direitos autorais e não está contemplada na legislação comercial da propriedade industrial (não suscetível ao registro no INPI, conforme art. 10, inciso V, da Lei n.º 9.279, de 14/05/1996, salvo de abertos os códigos fonte). Essa distinção em relação à natureza jurídica do software é relevante, pois a legislação da CIDE tem um traço que não pode ser desprezado, qual seja a incidência em operações no âmbito comercial. No caso dos software, em especial, a administração já manifestara a não incidência da CIDE conforme as conclusões do Parecer CONJUR/MCTPEMA n.º 72/2002, cuja ementa dispõe: Direito Tributário, Autoral e da Propriedade Industrial. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei n.º 10.168/2000. Verificação do conteúdo da norma, consoante análise sistemática do ordenamento jurídico. Interpretação estrita da lei tributária. Parecer no sentido da não incidência do tributo sobre operações de software. (Ref. Proc. n.º 01200.001981/200299) Destaco desse parecer um ponto que esclarece a questão da acepção da locução “licença de uso” – que acolho em meu voto – expedida por órgão federal tecnicamente habilitado para se pronunciar a respeito: Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.395 11 “28. A possibilidade ou não da incidência da contribuição em comento sobre os contratos de software é minudentemente analisada pela Dra. Deana Weikersheimer (5), em parecer sobre o tema. 29. Aduz a especialista, com propriedade, que das hipóteses de incidência previstas, a única que poderia ensejar alguma dúvida acerca da abrangência ou não dos contratos de software é a que trata da licença de uso. 30. No entanto, afasta a incidência da norma tributária, com esteio nos seguintes argumentos: "(iii) licença de cópia única – esta hipótese não pode se confundir com o contribuinte descrito no art. 2º da Lei n.º 10.168/2000, ou seja, pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, posto que, a licença direta de programa de computador estrangeiro tem tratamento de importação de mercadoria, determinando o desembaraço alfandegário e o pagamento de Imposto de importação e IPI sobre a mídia, caso ela esteja destacada na fatura pro forma, ou da totalidade caso o documento de cobrança seja silente." 31. O argumento supra é acolhido na presente manifestação, bem como, as demais substanciosas considerações constantes daquela peça. Não obstante, cumpre aduzir ainda uma observação destacando as possibilidades de interpretação da norma tributária. 32. A lei, ao descrever as situações ensejadoras da cobrança da exação, não deixou expressa a inserção dos contratos regidos pela lei de software em seu campo de abrangência. 33. Com efeito, valeuse o legislador da genérica fórmula "licença de uso" para determinar a hipótese de incidência. De tal expressão, não é possível inferir clara referência ao contrato previsto no art. 9º da Lei n.º 9.609/98. 34. Esse dispositivo trata do contrato de licenciamento para o uso da cópia de software. Usa para tanto, em seu parágrafo único, a expressão "licenciamento de cópia", enquanto o art. 10 referese à "remuneração do titular dos direitos de programa de computador". Tais fórmulas não foram repetidas pela lei tributária que preferiu valerse de termos como "licença de uso" e "royalties". 35. A dúvida acerca da quadratura de incidência da imposição, mais ainda restou agravada quando a MP n.º 2.15970, de 24 de agosto de 2001, ao conceder crédito referente à exação, referiu se expressamente a "royalties de qualquer natureza", excluindo assim os contratos previstos na Lei de Software. 36. Caso fosse correto que a incidência do tributo se dava também sobre tais contratos, qual a razão para a diferenciação? Estaria o legislador infraconstitucional ousando afrontar o Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Princípio da Igualdade da Lei Tributária (art. 150, II da CF/88)? 37. Não parece ser esta a interpretação mais consentânea com as regras de hermenêutica constitucional e legal, não sendo razoável atribuir à norma, intelecção que lhe atribua sentido contrário a preceito de envergadura constitucional, acarretando sua invalidade no ordenamento jurídico. 38. Acresce que, se o legislador não foi feliz (ou disse precisamente o que queria) na redação da Lei n.º 10.168/00, de forma que não se infere com clareza o seu campo de abrangência, não cabe ao intérprete conferir ao dispositivo interpretação extensiva, em detrimento da segurança jurídica e dos princípios de garantia do contribuinte. Assim sendo, a remuneração de direitos autorais relativa ao licenciamento de cópia de software ou de cessão de direitos de uso de cópia, não está abrangida pela norma tributária da CIDE, instituída pela Lei nº. 10.168, de 29/12/2000. Ademais, se não há incidência da CIDE desde sua instituição, é de reconhecerse o caráter interpretativo da Lei nº 11.452/2007. Embora discutível, o Supremo Tribunal Federal já vêm reconhecendo a possibilidade de normas puramente interpretativas, como se percebe com o julgamento recente do artigo 3º da LC 118/2005, conforme voto da Ministra Ellen Gracie: Denominase “interpretação autêntica” aquela estabelecida pela mesma fonte de produção normativa que formulou a norma jurídica interpretativa. Caracterizase tanto pela sua origem, como por vir revestida da cogência própria do instrumento legislativo utilizado. [...] Admitida, assim, a possibilidade da existência de lei interpretativa, mas com as ressalvas e com o controle a que se submete qualquer outra lei, vejamos a natureza da norma constante do art. 3º da LC 118/05 e em que extensão se pode aplicála validamente. E é exatamente neste sentido que a Lei nº 11.452/07, ao estabelecer que a CIDE “não incide sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador”, veio na verdade estabelecer uma interpretação que existia desde a instituição da CIDE. A interpretação da Lei nº 10.168/00 já estabelecia a não incidência da CIDE sobre software, a Lei nº 11.452/07 em nada acrescentou no ordenamento, veio apenas para estabelecer uma interpretação da lei anterior. Ora, se a norma reconhece a “não incidência” é de interpretarse que tal contribuição nunca incidiu. Tratase de uma norma interpretativa que esclarece que a operação não compõe o campo de incidência da CIDE. A CIDEtecnologia na forma da Lei 10.168/2000 teve sua hipótese de incidência fixada sobre a transferência de tecnologia, mas dispôs também a incidência sobre qualquer remessa de royalties. Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.396 13 Desta forma, as remessa relacionadas no quadro do item 2 do RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGENCIA FISCAL, devem ser excluídas do lançamento, a saber: Beneficiário Data de Liquidação Valor (R$) Real Networks 14/01/2002 540.742,50 Real Networks 25/04/2002 531.562,50 Real Networks 10/07/2002 641.475,00 Real Networks 01/10/2002 216.423,90 Critical path, Inc 10/01/2003 443.670,35 Real Networks 30/01/2003 60.319,69 Scopus Network Technologies 24/02/2003 64.530,00 Vanguard Managed Solutions, LLC 19/03/2003 439.204,94 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/03/2003 58.756,32 Real Networks 10/04/2003 35.943,75 Nortel networks 28/05/2003 593.600,31 Bitway S/A 30/04/2003 43.198,50 Real Networks 26/06/2003 32.452,88 Lucent Technologies 30/06/2003 176.359,96 Vanguard Managed Solutions, LLC 30/06/2003 235.555,53 Nortel networks 28/07/2003 113.687,96 Lucent Technologies 31/07/2003 78.3 13,62 Real Networks 28/08/2003 33.153,75 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/08/2003 187. 335,79 Taylor Mckenzie, Inc 24/09/2003 1.771 .523,95 Real Networks 01/10/2003 32.445,00 Vanguard Managed Solutions,LLC 31/10/2003 52.Í »80,20. Quanto à alegação da fiscalização de que “Não localizamos declaração de emissão da Bitway S/A. relativa à remessa liquidada em 30/04/2003 no valor de R$ 43.198,50”, entendo que os documentos acostados às fls. 933/946, são bastantes e suficientes para demonstrar a aquisição / renovação de licença de uso de software. CIDE sobre serviços técnicos diversos, inclusive manutenção de software Quanto às demais remessas relativas à titulo de software, em especial as intituladas como sendo serviços técnico, inclusive relativos à manutenção de softwares entendo que há incidência da CIDE, em especial no que se refere ao terceiro grupo selecionado pela fiscalização, a partir das alterações trazidas pela Lei n° 10.332/2001, no art. 2° da Lei n° 10.168/2000, que passou a dispor sobre a incidência da CIDE sobre as remessas realizadas ao exterior, conforme segue: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) Apesar de ter explanado entendimento de que o § 2º acima não teria alcance genérico, ao me deparar com a exposição de motivos da Lei n° 10.332/2001, passei a rever meu posicionamento anterior uma vez que a redação da norma teve a intenção de trazer para a CIDE o regime jurídico do Imposto de Renda Retido na Fonte, a saber: 17. Finalmente, cabe destacar as ações de estímulo à inovação visando a ampliação da competitividade empresarial no Brasil. Ao destacar dez por cento dos recursos da contribuição criada pela Lei n° 10.168, de 2000, para tal atividade o projeto que ora lhe submetemos pretende disponibilizar recursos financeiros para estimular a pesquisa cooperativa, permitir a equalização de encargos financeiros em operações de financiamento à inovação tecnológica, incentivar a participação minoritária no capital de microempresas e pequenas empresas de base tecnológica e fundos de investimento, conceder subvenção econômica a empresas inovadoras e viabilizar a Iiquidez dos investimentos privados em fundos de investimento em empresas de base tecnológica. 18. Adicionalmente, propõemse uma destinação de recursos não inferiores ao equivalente a quarenta e três por cento da receita estimada da arrecadação do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI incidente sobre os bens e produtos beneficiados com os incentivos fiscais previstos na Lei n° 10.176, de 11 de janeiro de 2001 ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, de forma a ampliar os recursos disponíveis para o estímulo à competitividade empresarial. 19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei n° 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir plenamente com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo. 20. Cabe ressaltar que esta iniciativa permitirá uma maior eficácia no controle e fiscalização da arrecadação da Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.397 15 contribuição, bem como uma maior transparência para o contribuinte dos fatos geradores da referida contribuição. 21. No mesmo sentido, destaquese a proposição de dispositivo que reitera o crédito tributário para as empresas inovadoras referente à contribuição incidente sobre royalties referentes a contratos patentes e uso de marcas, tornando mais clara a redação vigente em medida provisória em tramitação. (Diário da Câmara dos Deputados, Ano LVI, n° 150, de 09/10/2001) Pois bem, a par das eventuais irregularidade que possa conter tal alargamento da base de incidência da CIDE Tecnologia, em face da materialidade da contribuição e do quanto dispõe a Lei Complementar n° 95/1998, fato é que a norma incluída no § 2º do art. 2º da Lei n° 10.168/2000, criou uma nova Contribuição de intervenção no domínio econômico que tem materialidade idêntica a do IRRF de remessas ao exterior. Nesse diapasão os pagamentos realizados ao exterior que sejam base de incidência do IRRF também serão base de incidência da CIDE, exceção feita à “remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador” que não envolvam a transferência da correspondente tecnologia. Desta forma, afasto a incidência da CIDE dos contratos de licença de software acima referidos, mantendoa para os contratos cujos objetos são desenvolvimento de software, serviços, manutenção, etc., relacionados com a tecnologia da informação e que não se confundem com o licenciamento de software. Importante, ainda, excluir da tributação da CIDE as remessas para pagamento da CISCO Systems, Inc., em relação às quais a fiscalização constatou a partir dos documentos trazidos pela Recorrente que “As operações ... estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos”, não sendo, portanto, base de incidência da contribuição. Contratos de construção de cabo submarino As remessar que a Recorrente efetivou para o exterior que analiso, referemse aos pagamento da construção do cabo submarino. Como se percebe, tais valores são classificados como contraprestação de serviços de engenharia executados no exterior com o intuito de formação de infraestrutura necessária ao desempenho das atividades da Recorrente, ou seja, são investimentos que resultarão, ao final, na apropriação de bens que por conta de suas características devem ser considerados como ativos imobilizados. Pelo que se verifica dos registros contábeis e plano de contas da Recorrente, as remessas feitas ao exterior para pagamento da construção do cabo submarino, eram registradas na conta transitória do ativo imobilizado “7201000000 – Material Técnico” e, posteriormente, registrada na conta “1423000000 – Imobilizado em Construção”. Conforme os eventos contratuais os valores acumulados na conta “Imobilizado em Construção” eram transferidos para a conta “1421310000 – Imobilizado em Operação”, que atualmente, com a remodelação do plano de contas passou a ser a conta nº 13111310. Tudo plenamente demonstrado pelos documentos juntados aos autos. Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Assim, entendo suficientes os documentos e registros contábeis para exclusão dos pagamentos realizados à Britsh Telecom PLC, uma vez que se referem à aquisição do cabo submarino registrado em seu ativo fixo. Já em relação aos pagamentos realizados à Flag Telecom, conforme consta do relatório fiscal, “o contribuinte não forneceu qualquer documentação solicitada referente à operação Flag Telecom data de liquidação – 03/01/2002, no valor de R$ 113.314,72, portanto não comprovou o registro contábil no ativo imobilizado.”, motivo pelo qual mantenho a tributação sobre esta remessa. Notese que com a edição da Lei nº 10.332/2001, ao alterar o campo de incidência da CIDE para fazêla coincidir com o campo de incidência do IRRF, transformouse a CIDETecnologia numa contribuição acessória ao IRRF, de modo que, no meu entendimento, a CIDE passou a estar para o IRRF assim como a CSLL está para o IRPJ. A par das inconstitucionalidades perpetradas pela instituição da CIDE para o campo de incidência do IRRF, com o aumento da tributação para algumas materialidade e exclusão de parcela do IRRF do fundo de participação dos estados e municípios, o que não nos acabe aqui analisar ou julgar, na verdade, à CIDE foi atribuído o regime jurídico do IRRF, pela redação dada ao parágrafo 2o do art. 2o da Lei 10.168/2000, pela Lei 10.332/2001, ou seja, podemos dizer que, com exceção à aquisição de software, conforme ressalvado acima, toda vez que houver incidência de IRRF haverá incidência de CIDE em “serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior”. De modo que o tratamento jurídico da CIDE deverá seguir, para esses casos, o regime jurídico do IRRF. Nesse sentido a Solução de Consulta n° 01/1994, da SRRF 7ª Região, é expressa em admitir que as remessas realizadas para pagamento da construção do cabo submarino não estão sujeitas ao IRRF, portanto, seguindo adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei n° 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir plenamente com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo, onde não incidir o IRRF não incidirá a CIDE. IRRF Não incide o imposto de renda na fonte sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por não configurarem rendimentos ou ganhos de capital. Outros Contratos Quanto aos pagamentos realizados ao Bank of America Securities em 06/12/2002 e 11/12/2002, nos valores de R$ 1.127.700,00 e 779.816,91, respectivamente, que constaram da tabela anexa ao auto de infração (fls. 140/141) acolho a alegação de que integraram a apuração da contribuição recolhida em 14/03/2003, conforme DARF (fl. 314) e respectivo demonstrativo de apuração (fls.314/315), confirmados pela DCTF (fls. 316/320) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE: Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.398 17 as remessas realizadas para pagamento de licença de uso de software e aquisição de cópia única conforme mencionadas no voto acima (item 2 do relatório da fiscalização) e pagamento realizado à MCI Worldcom International está descrita na "invoice" e no pedido de compra prevista no item 1; as operações lançadas que já houve recolhimento da contribuição em 14/03/2003, conforme DARF (fl. 314) e respectivo demonstrativo de apuração (fls.314/315), confirmados pela DCTF (fls. 316/320); e as remessas relativas às despesas de construção de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais, exceção feita à remessa realizada à Flag Telecom data de liquidação – 03/01/2002; e as remessas para pagamento da CISCO Systems, Inc., em relação às quais a fiscalização constatou a partir dos documentos trazidos pela Recorrente que “As operações ... estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos” no item 1 e 3 do Relatório, não sendo, portanto, base de incidência da contribuição. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918342/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 42 /2 01 2- 01 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000308/2005-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
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PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 21/11/2005, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº (em formulário plano), de créditos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 03 08 /2 00 5- 01 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep exportação no valor de R$ 61.916,74, referente ao terceiro trimestre de 2005. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 368 a 398, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 24.682,33 em razão das seguintes irregularidades: 1Bens utilizados como insumos: glosas relativas a aquisições de pinus em toros a pessoas físicas; glosas correspondentes ás mercadorias recebidas em consignação, constatadas através do CFOP 1917, que registra mercadorias recebidas em consignação mercantil ou industrial. 2Serviços utilizados como insumos, relativo à extração de madeira. 3Despesas de energia elétrica: glosas relativas a valores não relacionados ao consumo, tais como despesas relacionadas à doação, Cosip, devolução de juros 4Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: glosas relativas a serviços de remoção de cont8ineres, desunitização, unitização, uso de pátio e posicionamento. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 e 402, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 37.234,41. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 430 a 435), o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que se fez uma interpretação equivocada do Dacon, o que teria comprometido a correta fixação das receitas relacionadas aos mercados interno e externo, pois teria incluído, para fins de cálculo da proporção, receitas não tributadas no mercado interno, tais como receita tributada à alíquota zero e receita de vendas de bens do ativo permanente. Alega também que a autoridade fazendária considerou o valor das receitas auferidas informadas na coluna "receita", mas que deveria ter considerado os valores da coluna "base de calculo"; que, assim procedendo acabou por considerar em duplicidade os valores de Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 495 3 receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Sob o item "Das mercadorias recebidas em consignação" alega que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos, restando claro que a recorrente efetivou a aquisição das mercadorias consignadas. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, apenas para acatar os percentuais do mercado externo e interno propostos pelo contribuinte. O Acórdão nº 07025.523, de 5 de agosto de 2011, fls. 454 a 460, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito das contribuições nãocumulativas para o PIS/Pasep/Cofins, na "receita bruta total" devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 486 a 491, após síntese dos fatos relacionados com a lide, recorre da manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação – CFOP 1917 e 2917, alegando ter comprovado, por intermédio de nota fiscal, que a compra das mercadorias em comento efetivamente ocorreu, motivo pelo qual entende que não há razão para que seu crédito seja glosado, uma vez que a compra é o fato necessário para caracterizar o direito ao crédito. Entretanto, se houve um equívoco na forma de utilização dos valores, essa consignação converteuse em compra, conforme comprovado pela nota fiscal de aquisição de mercadorias. Aduz que os documentos que instruem o presente processo administrativo demonstram claramente que a recorrente não fez créditos das referidas Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 aquisições por duas vezes. Como mencionado anteriormente, as remessas em consignação converteramse posteriormente em venda, operação esta que foi devidamente registrada uma única vez. Entende que a Fiscalização tem o dever de diligenciar a busca da verdade real. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 486 a 491 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07025.523, de 5 de agosto de 2011. Conforme relatado, controvertese a manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação (CFOP 1917 e 2917). A alegação recursal é de que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos. Com efeito, enquanto manifestante, o contribuinte aportou aos autos cópia das notas de saída de venda (CFOP 5111 vendas efetivas de produtos industrializados no estabelecimento remetidos anteriormente a titulo de consignação industrial ou 6112 vendas efetivas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, remetidas anteriormente a titulo de consignação industrial). Nada obstante, a decisão recorrida manteve a glosa sob a consideração de que o interessado não fez prova de que não tomou crédito o mesmo crédito novamente, por ocasião da compra das mercadorias antes recebidas em consignação. O caveat erigido pela decisão recorrida, a meu ver, é procedente. Levando em conta a sistemática adotada na auditoria fiscal de apuração do montante dos créditos por CFOP, com a emissão por National Starch & Chemical Industrial Ltda das notas fiscais nºs 2.894 e 3.350, ambas com CFOP 2.111 cópias às fls. 448 e 452 – para documentar a aquisição das mercadorias antes recebidas em consignação, o valor das mesmas passou a ser considerado na base de cálculo dos créditos. Assim, à toda prova, o mesmo valor serviu para a tomada de crédito por duas vezes. Se, excepcionalmente, o contribuinte retirou as referidas notas da base de cálculo, como alega ter feito, tocaria proválo, pois alegar e não comprovar o alegado equivale a nada alegar allegare nihil et allegatum non probare paria sunt. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 496 5 Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 497 7 jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10410.008617/2007-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 67 1 66 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.008617/200780 Recurso nº Resolução nº 2801000.178 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 22 de janeiro de 2013 Assunto IRPF Recorrente EDUARDO BATISTA JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificado foi efetuado Lançamento, fls. 07 a 11, com imposto suplementar de R$ 2.862,31, multa de ofício de R$ 2.146,73 e juros de mora de R$ 2.059,43, totalizando R$ 7.068,47, em função da omissão de rendimentos decorrente do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 32.560,36, conforme Precatório 42.022/AL, por êxito na Ação Declaratória que pleiteava 28,86% de reajuste nos vencimentos. No julgamento da Apelação Cível 345122PE que pleiteava a não incidência do imposto de renda sobre tais rendimentos, o TRF 5ª Região considerouos tributáveis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 08 61 7/ 20 07 -8 0 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 68 2 2. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 01 a 03, na qual alega, em síntese, que: 2.1. é isento do imposto de renda com base no art. 6º , inciso XIV da Lei 7.713/88, por ser portador de doença grave constatada por junta médica oficial, informada a essa instituição, de modo que ainda que receba tal crédito, não será valorado porque a isenção impede a incidência na norma no caso concreto, inexistindo fato gerador ou hipótese de incidência. Transcreve excerto de decisão judicial; 2.2. a obrigação de informar sobre o crédito é da fonte pagadora, ou seja, do TRF 5ª Região, eximindose o contribuinte a que fora endereçado o crédito, ainda mais na sua condição, pois constatada a moléstia e concedido o benefício está obrigado apenas a fazer declaração de isento; 2.3. não há embasamento legal para cobrança do "principal (imposto suplementar), muito menos das obrigações acessórias". Transcreve excerto de decisão administrativa e solicita insubsistência da cobrança. ” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 43/47, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Serão computados no cálculo do imposto de renda os rendimentos tributáveis decorrentes de ação judicial comprovadamente omitidos pelo contribuinte. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. Somente podem ser considerados isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de moléstia grave prevista em lei, inequivocamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. OPÇÃO PELA VIA AÇÃO JUDICIAL. A opção, por parte da interessado, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia tácita às instâncias administrativas sobre tal matéria. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 25/04/2011 (AR fl. 50), o interessado interpôs o recurso de fls. 51/54, em 23/05/2011. Em sua defesa, alega que independentemente de dúvidas particulares do Relator da decisão recorrida, restou provado nos autos, através de laudo pericial de junta oficial, que o contribuinte/recorrente era portador de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 69 3 moléstia grave, que lhe conferiu direito à aposentadoria por invalidez, desde 1997. Aduz que, embora os valores recebidos pelo recorrente, mediante precatório judicial, refiramse a verbas anteriores a data de sua aposentadoria por invalidez, decorrente de moléstia grave, o momento que deve ser considerado para se saber se o contribuinte é isento ou não do tributo é o da efetiva aquisição da disponibilidade econômica, nos termos do art. 43 do CTN, sendo incabível, portanto, a incidência do Imposto de Renda, quando demonstrado que à época do pagamento do precatório o impetrante fazia jus a citada isenção, nos moldes do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. Ainda argumenta que, na ocasião do recebimento do crédito haveria a incidência de 27,5% na fonte, portanto, não haveria obrigação do contribuinte em declarar, mesmo porque houvera a retenção do tributo na fonte. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 70 4 entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10730.901900/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação.
Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1102-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação. Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 19 00 /2 00 8- 41 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório A interessada apresentou DIPJ original referente ao anocalendário de 1999 apurando IRPJ no montante de R$ 18.218,80; pago em quatro parcelas: R$ 3.792,68; 5.047,23; 6.598.97 e 4.102,35. Posteriormente, retificou a Declaração informando a inexistência de imposto a pagar. Trata o presente de Per/Dcomp através do qual a interessada solicita o reconhecimento do crédito de R$ 4.102,35; correspondente a uma das parcelas do suposto pagamento indevido, e a compensação de parte desse valor com débito da Cofins referente ao mês de outubro de 2004. Foi emitido Despacho Decisório eletrônico indeferindo o pleito, em função do pagamento supostamente indevido ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do sujeito passivo, não estando qualquer crédito disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade a interessada informa que retificou a DCTF onde constava o débito de IRPJ no valor de R$ 4.102,35 e excluiu esse montante no novo documento. Informou ainda que também retificou a DIPJ correspondente ao ano calendário de 1999, com as alterações que implicaram em zerar o IRPJ informado na Declaração original. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1236.051 dando provimento apenas parcial ao pleito. Em relação ao montante mais significativo do crédito alegado, a decisão identificou que a alteração efetuada pela interessada na DIPJ, entregue com opção pelo presumido, referese à alteração no percentual de presunção utilizado de 32% para 8%. Isso porque a reclamante entendeu que prestaria serviços de natureza hospitalar e não de caráter geral, o que justificaria a alteração efetuada e o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos sob o percentual maior. No entendimento do acórdão recorrido, a interessada não teria demonstrado a prática de serviços hospitalares nos termos definidos pela legislação de regência, especialmente o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 2003; a Instrução Normativa SRF nº Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 4 3 306/2003, com alterações posteriores; e o inciso III, do § 1º, do art. 15, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art. 29, da Lei nº 11.727/2008. Em recurso dirigido a este Colegiado, a interessada sustenta que se enquadraria nas especificações do ADI 18/2003 bem como na IN/SRF 539/2005 (que alterou a IN/SRF nº 306/2003), por exercer “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia” conforme estabelecido no inciso II, do art. 27 desse ato normativo que, por sua vez, teve como base a RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) nº 50/2002 emitida pela Anvisa. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro: Leonardo de Andrade Couto O cerne da questão consiste em avaliar se a interessada exerce atividade definida como serviço hospitalar o que lhe possibilitaria, ao apurar o resultado na sistemática do lucro presumido, utilizar o coeficiente de presunção de 8% e não de 32 % aplicável aos prestadores de serviço em geral. Nesse caso, como recolheu o IRPJ apurado sob o percentual de 32% no ano calendário de 2004, teria direito ao crédito do valor recolhido a maior. Como documentos comprobatórios de suas alegações, apresenta cópia de notas fiscais emitidas em nome da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, Unimed e GEAP Fundação de Seguridade Social, fazendo referência à prestação de serviços médicos e hospitalares; um laudo médico para autorização de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade (APAC); e cópia do livro de registro de empregados com a ficha funcional de quatro funcionárias: uma recepcionista, uma auxiliar técnica, uma faturista e uma auxiliar de enfermagem. A apresentação da ficha funcional de alguns empregados teve o intuito de atestar que a recorrente não se enquadraria no art. 2º do ADI SRF nº 18/2003. Para melhor entendimento, transcrevo o referido Ato (destaques acrescidos): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, e o Processo nº 13819.000897/9921, declara: Art. 1º Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a'' da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 5 4 Art. 2º Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Tendo em vista que o inciso I, do art. 2º estabelece que não seriam considerados serviços médicos aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da empresa, a interessada quis demonstrar a presença de outros funcionários no exercício das atividades sob exame. Na ausência de outros elementos de prova, a intenção do sujeito passivo não foi bem sucedida. Importa ressaltar que a restrição imposta teve como escopo deixar clara a impossibilidade de considerar serviço hospitalar a atividade ambulatorial exercida em consultórios ou clínicas dirigidas principalmente a consultas, exames, diagnósticos e tratamentos de menor complexidade, sem a necessidade de profissionais especializados que não os próprios sócios. Daí porque, conforme estabelecido no caput e no Parágrafo Único do dispositivo em questão, a simples presença de auxiliares ou colaboradores não é suficiente para caracterizar a atividade hospitalar. Sob esse prisma, as fichas funcionais apresentadas pela recorrente, por si só, não têm qualquer força probante para atestar a prestação de serviços hospitalares. O laudo médico indica que a interessada está apta a efetuar diagnósticos de distúrbios oftalmológicos de indicação cirúrgica, como é o caso da catarata. Entretanto, não é suficiente para demonstrar a existência de centro cirúrgico em suas instalações e, mais importante ainda, a disponibilidade de leitos, ainda que voltados à internações de curto prazo, de forma a caracterizar a típica atividade hospitalar. Quanto às notas fiscais, o que se tem é a indicação da realização de “serviços médicos e hospitalares” sem especificação do que seriam tais serviços. Aqui também, na ausência de outros elementos de prova, não há como saber se as atividades exercidas pela recorrente se enquadariam efetivamente como serviços hospitalares, nos termos das normas que regem a matéria. Na peça recursal, a reclamante transcreve trechos da legislação destacando dispositivos onde entende que estaria albergado. No caso da IN/SRF nº 306/2003 e alterações posteriores, farei aqui o mesmo destaque: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 6 5 à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. (.....) Assim, a interessada entende que estaria enquadrada no que seriam “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4)”. Na inexistência de maiores esclarecimentos por parte do sujeito passivo, buscouse na norma regulamentadora um maior detalhamento do que seriam tais atividades. Conforme mencionado no caput do dispositivo supra transcrito, a definição almejada está contida na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002, emitida pela Anvisa que dispõe, nos termos da ementa, sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. As atividades mencionadas nos incisos e alíneas supra transcritos foram extraídas do item 2.1 da RDC e foram denominadas atribuições fim. Representam os serviços hospitalares em essência. Com maiores detalhes, nos termos da RDC, são elas: 1Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 7 6 3Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); 4Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); O item 2.2 da RDC apresenta as atividades e subatividades de cada um desses serviços. Para o serviço correspondente à atividade 4, a que o sujeito passivo entende se adequar a RDC indicou as subatividades de Patologia clínica, Imagenologia, Métodos Gráficos, Anatomia patológica e citopatologia, Desenvolvimento de atividades de medicina nuclear, Realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos, Realização de partos normais, cirúrgicos e intercorrências obstétricas, Desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes externos e internos, Desenvolvimento de atividades hemoterápicas e hematológicas, Desenvolvimento de atividades de radioterapia, Desenvolvimento de atividades de quimioterapia, Desenvolvimento de atividades de diálise, Desenvolvimento de atividades relacionadas ao leite humano, e Desenvolvimento de atividades de oxigenoterapia hiperbárica (OHB). Cada uma dessas subatividades veio acompanhada de uma descrição de procedimentos para facilitar o enquadramento do estabelecimento de saúde. Considerando que foi a interessada que trouxe à baila as disposições da RDC, é razoável supor que ela deveria ao menos tentar demonstrar o enquadramento em algumas das subatividades com a realização dos procedimentos correspondentes, bem como a adequação física para a prática dos serviços, nesse último caso em atendimento ao § 1º do art. 27, da Instrução Normativa em comento. A questão aqui sob exame deve ser dirimida sob um juízo de valoração probante no que tange à prática de serviços hospitalares pela interessada. Do até aqui exposto entendo que não foram trazidos aos autos elementos suficientes a demonstrar o alegado, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Voto Vencedor Conselheiro: Antonio Carlos Guidoni Filho Peço vênia para suscitar, de ofício, preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Conforme se constata do exame dos autos, tratase de pedido de compensação indeferido por despacho decisório eletrônico pela Receita Federal do Brasil, sob o fundamento de que os créditos de IRPJ alegados pela Contribuinte e utilizados no procedimento de compensação teriam sido utilizados para quitação de outros débitos relativos ao mesmo tributo, conforme DIPJ e DCTF (originais) entregues pela Contribuinte ao Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 8 7 Contra esse despacho, observados os limites de sua fundamentação, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argüindo em sua defesa que tais DIPJ e DCTF, consideradas pelo despacho decisório, foram por ela retificadas com a finalidade de excluir citado débito de IRPJ e, por conseguinte, de tornar evidente o crédito objeto do pleito de compensação. Ad cautelam et argumentandum, a Contribuinte apresentou justificativa superficial para a realização de tais retificações (de declarações), embora essa discussão não tivesse sido invocada como fundamento para a negativa do pedido de compensação pelo despacho decisório. Diante de tais fatos, nada obstante os limites de cognição impostos pelo despacho decisório, o acórdão recorrido passou a tratar exclusivamente da correção (ou não) das declarações retificadoras apresentadas pela Contribuinte e, por conseguinte, da existência em sentido estrito do direito creditório, sem versar sobre a validade (ou não) do despacho decisório visàvis as citadas declarações retificadoras e, especialmente, sem permitir à Contribuinte defesa quanto ao objeto das retificações, mediante intimação específica para que apresentasse documentos sobre a correção de suas providências (retificações). Notese que a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro DE 2007, que define procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, de ressarcimento e de declarações de compensação apresentados por intermédio do Programa PER/DCOMP,.estabelece que, nas hipóteses de apreciação eletrônica dos pedidos de compensação, como o caso, será lavrado termo de intimação ao contribuinte para que possam ser saneadas ou justificadas inconsistências ou irregularidades dos documentos entregues ao Fisco que justificariam o indeferimento do pedido de compensação. No caso, não houve a lavratura do citado termo de intimação. Não se nega ao Colegiado a quo o exame da procedência do pleito de compensação. Contudo, considerado o objeto do despacho decisório eletrônico (que, em última análise, delimita o contencioso administrativo) e a ausência de citada intimação prévia à Contribuinte, incumbiria ao Colegiado a quo – antes de tratar da procedência (ou não) das retificações realizadas permitir à Contribuinte, mediante intimação ou diligência, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a natureza das atividades por ela desenvolvidas e a conseqüente correção das retificações de declaração apresentadas. Do contrário, com a devida vênia, resta intuitivo o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Nesses termos, orientase voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de direito de defesa, para que outra seja proferida na boa e devida forma, permitindose à Contribuinte, no prazo de 30 dias contados da data da intimação desta decisão, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a correção das retificações de suas declarações objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 9 8 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 12897.000727/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE
A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal.
A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado.
Numero da decisão: 1302-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho, Hélio Araújo, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal. A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo e Hélio Araújo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho, Hélio Araújo, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 07 27 /2 00 9- 75 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Versa o presente processo sobre recurso de ofício interposto em face do Acórdão n˚ 1230.482, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, cuja a ementa assim dispõe: ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 INVESTIMENTO EM CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DO LUCRO APURADO PELA CONTROLADA COM O SALDO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS DA PRÓPRIA CONTROLADA. Nos termos do art. 4° da IN SRF n° 213, de 7 de outubro de 2002, o lucro apurado por controlada sediada no exterior pode ser compensado com prejuízos acumulados dessa mesma controlada, apurados a partir de 1996, sem a restrição de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz são estendidos ao lançamento reflexo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A decisão de primeira instância assim está relatada e fundamentada: “Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela Defis (RJ), referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 9.232.108,85 (fls. 92/97 e termo de verificação às fls. 85/89), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 3.339.017,45 (fls. 98/103), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 Fundamentaram as exações do IRPJ e da CSLL: o interessado não ofereceu à tributação os lucros apurados nos anoscalendário de 2005 e 2006 pela empresa controlada Granite Holdings Corporation, sediada nas Bahamas, da qual detém 100% do capital, conforme a seguir: Data Lucro US$ Taxa de venda Lucro (R$) 31/12/2005 8.992.845 2,3407 21.049.552,29 31/12/2006 7.636.567 2,1380 16.326.980,24 2.1 Nas apurações dos créditos tributários do anocalendário de 2005, os saldos de prejuízo fiscal (IRPJ — R$ 286.785,24) e da base de cálculo negativo (CSLL — R$ 286.785,24) foram compensados integralmente (fls. 95 e 101). Consequentemente, no anocalendário de 2006 apurouse compensações indevidas de prejuízos fiscais (IRPJ — fl. 15) e de base de cálculo negativa (CSLL — fl. 17), ambos no valor de R$ 10.446,7 1. 3 Ao impugnar as exigências, fls. 114/133 e documentos de fls. 134/189, o interessado alega, em síntese, que: embora a empresa controlada tenha apurado lucros nos anos de 2005 e 2006, havia prejuízos acumulados dos anos anteriores que foram compensados antes da disponibilização dos lucros, tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976); após a compensação dos lucros com os prejuízos acumulados, ainda restaram prejuízos para serem compensados com lucros futuros; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 230 3 não houve disponibilização e sim utilização destes para compensação de parte dos prejuízos acumulados nos períodos anteriores; é notória a existência da ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Confederação Nacional das Indústria CNI (Adiu 2588) que questiona o §2°, do art. 43, do CTN, alterado pela LC n° 104/2001, e o art. 74 da MP n° 2.158 35/2001, que impõe tributação automática dos lucros obtidos no exterior pela coligada ou controlada. Sendo julgada procedente a ação, a presente autuação será considerada nula; a tributação dos lucros auferidos por empresas coligadas ou controladas no exterior, pelo resultado positivo da avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, não está previsto na MP n° 2.15835, nem nas Leis nºs 9.249/1995 e 7.689/1988. 4 É o relatório. [...] 6 A autuação decorre da aplicação do inciso II, do §2°, do art. 25 da Lei n° 9.249/1995 que dispõe ser adicionado ao lucro líquido da controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real, os lucros auferidos pela empresa controlada, no caso a empresa Granite Holdings Corporation, sediada nas Bahamas. Para a CSLL, a base legal encontrase no art. 21 da MP n° 2.15835/2001. 7 Por deter a totalidade do capital da controlada, a fiscalização converteu o lucro daquela empresa, apurado nos anos de 2005 e 2006 em dólares americanos, para o real, utilizandose da taxa cambial de venda. Em momento algum foi considerado o cálculo da equivalência patrimonial. 8 Por força do art. 74 da MP n° 2.15835/2001, os lucros apurados são considerados disponibilizados ao controlador na data do balanço no qual tiveram sido apurados. A existência da ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Confederação Nacional das Indústria CNI (Adin 2588) que questiona o §2°, do art. 43, do CTN, alterado pela LC n° 104/2001, e o art. 74 da MP n° 2.15835/2001, em nada afeta o presente julgado, pois o Supremo Tribunal Federal — STF não concluiu a apreciação da causa. 9 A questão da compensação dos lucros apurados pela empresa controlada com seus prejuízos foi tratada na IN SRF n° 213, de 7/10/2002, que normatizou toda a matéria dos lucros auferidos no exterior, conforme a seguir: ‘Art. 4° É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1" Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 § 2° Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3° Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 22 não se aplica a restrição de que trata o art 15 da Lei n2 9.065, de 1995.’ (destaquei) 10 Portanto, antes da apuração do lucro da controlada no exterior a ser considerado disponibilizado ao interessado, tal lucro pode ser compensado com os prejuízos acumulados da própria controlada. 11 A tradução juramentada do relatório dos auditores aos acionistas, que trata do exame do balanço da empresa Granite Holdings Corporation por KPMG Auditores Públicos, informa que a Granite foi constituída em 27/8/1999 (fl. 59). Logo, é de se concluir que os prejuízos acumulados dessa empresa atendem ao disposto no §1°; do art. 4% da citada IN, ou seja, formaramse a partir de 1996, condição para compensação com os lucros posteriores. 12 Quanto à apuração dos lucros apurados em 2005 e 2006, cabe destacar que a fiscalização inverteu os valores. O lucro de 2005 corresponde a US$ 7.636.567 e o lucro de 2006 corresponde a US$ 8.992.845 (fls. 39/40 e 57) e não conforme citado no termo de verificação à fl. 86 e indicado no §2° acima. 13 No que se refere às compensações dos lucros com os prejuízos acumulados, o relatório dos auditores demonstram que os lucros dos anos de 2005 e 2006 foram totalmente absorvidos pelos prejuízos (fls. 39/40). 14 Diante do exposto, não há lucro a ser disponibilizado pela controlada sediada no exterior ao interessado. 15 Em decorrência, restaurandose a declaração de IRPJ, não se verifica a segunda infração que trata de compensações indevidas de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSLL). É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Com a publicação, no DOU de 20/11/2013, da Portaria MF nº 545/13, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, não há mais que se sobrestar o julgamento que envolva matéria que seja objeto de recurso extraordinário recebido no Supremo Tribunal Federal na sistemática do art. 543B do CPC e ainda pendente do trânsito em julgado. Assim sendo, não obstante o lançamento tenha se fundamentado no art. 74 da MP 2.15835/01, devemos passar a análise do mérito do recurso de ofício. No presente caso, tratase de participação da recorrente nos lucros de sua controlada sediada em país de tributação favorecida, pois, nos termos do art. 1º, VII, da IN Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 231 5 RFB 1.037/10, a Comunidade das Bahamas é considerada um país que tributa a renda por alíquota inferior a 20%. Logo, estamos diante de uma das duas situações já definitivamente julgada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, no Acórdão do RE 611.586/PR, o Informativo nº 701, disponível na página do STF na web, já comunica o que se segue: “No tocante ao RE 611586/PR, por maioria, negouse provimento ao recurso, consoante o que decidido na ADI 2588/DF. Consignouse que a empresa recorrente seria controlada e situada em “paraíso fiscal”, de modo que a legislação impugnada seria aplicável ao caso.”. Observo que se torna indiscutível a aplicação do art. 74 da MP 2.15835 à situação fática ora sub examine, com a notícia da decisão acima transcrita, pois apenas a situação inversa – negar eficácia a lei por considerála inconstitucional – é que exigiria o trânsito em julgado do recurso representativo de controvérsia, nos termos do caput do art. 62A do Anexo II do RICARF, sob pena de ofensa à Súmula CARF nº 2. Ressalto, assim, que limito a análise a seguir aduzida à situação em tela já decidida pelo STF, qual seja, uma controladora residente no Brasil e uma controlada residente em paraíso fiscal. Qualquer instrução normativa da Receita Federal que veicule matéria sob reserva legal, na parte em que desbordar da simples literalidade da norma legal de regência, nada mais é do que mera interpretação da administração tributária. Muitas das vezes, as instruções normativas da Receita Federal cumprem, extraordinariamente, a função de Decreto Regulamentador ao consolidar normas legais esparsas, estruturandoas de forma a tornar mais fácil a consulta pelos diversos operadores do Direito Tributário (auditores, advogados, contadores etc). Isso decorre do fato de que as instruções normativas percorrem um trâmite muito mais célere para sua publicação do que os Decretos, o que as torna mais aptas a acompanharem o dinamismo (volatilidade) das leis tributárias. Todavia, a força normativa dos dispositivos da Instrução Normativa como do Decreto, em matéria sob a estrita legalidade (art. 150, I, CF/88), não decorre de tal ato por si só, mas das LEIS que os fundamenta. Assim, tanto o Decreto como a Instrução da RFB só têm força normativa, em matéria sob reserva legal, quando sejam meras transcrições de normas legais em vigor (consolidações de normas legais) ou, quando dispositivos autônomos, estes se enquadrarem nos parâmetros hermenêuticos da norma legal de regência da matéria (interpretações). Com efeito, a norma jurídica, em matéria sob estrita legalidade, é apenas aquela veiculada por Lei ou Medida Provisória (observados os limites estabelecidos no § 2º do art. 62 da CF/88). Logo, os dispositivos da Instrução Normativa que desbordam da simples literalidade da norma legal não são normas jurídicas, mas meras interpretações da administração tributária, cabendo, assim, ao intérprete verificar se tal exegese encontra amparo na LEI. Tanto é assim, que o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012), no inciso II do seu art. 1º dispõe que é finalidade da Receita Federal do Brasil “interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções à sua execução”. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 É verdade que, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, este Colegiado é obrigado a observar interpretações exaradas em pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando ratificados pelo Ministro de Estado da Fazenda. Tratase, apenas, de uma regra de competência que não transforma o parecer em norma jurídica, mas apenas em uma interpretação vinculante para os órgãos do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, os julgadores da Delegacia de Julgamento da Receita Federal estão vinculados, por uma regra de competência, às interpretações exaradas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por meio de Atos Declaratórios e Instruções Normativas. Vínculo esse ao qual não está submetido o julgador do CARF, até mesmo porque é função deste Colegiado fazer o juízo de legalidade das interpretações da lei tributária feitas pela RFB. Pelo contrário, as interpretações do CARF é que podem vincular a RFB, uma vez que, por proposta do Presidente do CARF, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica de nível nacional, habilitadas à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal (art. 75 do Anexo II da Portaria MF 256/09). Notese, por igual ao já dito, que não se trata de erigir a Súmula CARF à categoria de norma jurídica, mas de mera interpretação da norma tributária vinculante à toda administração. Diante do exposto, entendo que devemos enfrentar a questão central dos autos, ou seja, se o art. 4º da IN SRF 213/02 tem amparo em lei, mas, de plano, já ressalto que ele não encontra amparo ipsis litteris nos dispositivos legais que regem a matéria em tela (tributação da participação nos lucros de controladas no exterior), logo é mera interpretação da Receita Federal, a qual deve ser objeto de juízo de legalidade por parte do julgador deste CARF, mormente por tal questão ser o fundamento da decisão recorrida. Tal análise seria desnecessária se abraçássemos a corrente doutrinária que entende que a Reserva Legal em matéria tributária deve ser observada apenas quando se agrava o ônus do contribuinte. Não me alinho com tal entendimento, pois, se o art. 150, I, da CF/88 fala apenas em instituição e majoração de tributo, o seu § 6º amplia as matérias tributárias sob reserva legal, para alcançar também, entre outras, a redução de base de cálculo. Logo, tudo antes abordado sobre os limites das normas infralegais em matéria sob reserva legal se aplica também quando as instruções normativas e os decretos estão reduzindo o ônus tributário do contribuinte. Não obstante o art. 25 da Lei 9.249/95, que introduziu a tributação em bases universais no nosso ordenamento jurídico, fale em lucros apurados no exterior, em verdade, a investidora no Brasil apura uma receita de participação nos lucros da investida domiciliada no exterior. Notese que o ordenamento jurídico brasileiro pode até tributar as receitas auferidas no exterior por uma empresa domiciliada no Brasil, mas jamais poderá tributar os lucros auferidos no exterior por uma empresa também domiciliada no exterior. Isso porque se faz necessário que determinado elemento normativo estabeleça um liame entre a situação descrita e o ordenamento jurídico que lhe será aplicável. Esse elemento normativo denominase elemento de conexão, o qual pode ser definido como “normas que indicam o direito aplicável às diversas situações jurídicas conectadas a mais de um sistema legal”1. Os mais comuns elementos de conexão são a residência e a fonte produtora da renda, mas o Direito Tributário pátrio adota ainda o critério da fonte pagadora. Por essas razões, devese tomar o termo “lucros” no art. 25 da Lei 9.249/95 como de receitas de investidoras brasileiras decorrente da sua participação nos lucros de investidas residentes no exterior. 1 DOLINGER, JACOB. Direito Internacional Privado, Renovar, p. 261. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 232 7 Ora, assim sendo, o que o art. 74 da MP 2.15835/01 alterou foi o regime de reconhecimento dessa receita de participação nos lucros quando a controlada no exterior for avaliada pela equivalência patrimonial, se não vejamos o que se segue. Notese que, se a investida no exterior é avaliada pelo custo de aquisição, a receita de participação sobre tais lucros só impactará os resultados tributáveis da investidora no Brasil quando efetivamente distribuídos, o que significa dizer que, nesta hipótese, a receita é reconhecida pelo regime de caixa, pois depende de sua realização financeira. Por sua vez, a participação nos lucros da controlada avaliada pelo MEP impacta os resultados tributáveis da controladora no Brasil no momento em que o investimento é avaliado para fins de demonstrações financeiras, antes mesmo de qualquer distribuição, razão pela qual, há uma reconhecimento pelo regime de competência, no qual a realização financeira da receita é irrelevante. Por sua vez, se uma investida no exterior, avaliada pelo custo de aquisição, experimenta um prejuízo contábil, tal resultado não impactará o resultado tributável da investidora no Brasil. A possibilidade dela, posteriormente, distribuir lucros do exercício sem compensar prejuízos acumulados dependerá do que dispuser a lei do país de sua residência. Por isso, é absurda a alegação da contribuinte, na sua impugnação (a fls. 123), que: “embora tenha havido lucros nos anos de 2005 e 2006, o contribuinte possuía prejuízos acumulados dos anos anteriores, os quais precisavam ser compensados antes da disponibilização dos lucros, tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976)”. Ora, a impugnante estava ali se referindo sobre a controlada no exterior que não é contribuinte no Brasil nem muito menos está sujeita às determinações da Lei brasileira (Lei 6.404/76). Tratase de uma argumento falacioso que a decisão recorrida, com apoio no art. 4º da IN em tela, indevidamente acolheu. Assim sendo e à míngua de qualquer lei que o fundamente, há que se indagar por que o art. 4º da IN SRF 213/02 previu a possibilidade de que prejuízos de controladas no exterior (avaliadas pelo MEP) pudessem impactar o resultado tributável das controladoras no Brasil? É certo que o legislador do DL 1.598/77 criou tratamento tributário diferenciado no caso de alienação de investidas no exterior, já que, para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do investimento avaliado pelo MEP se modifica a medida em que o patrimônio líquido da investida se altera. Ora, a lei pode estabelecer essa diferenciação e o fez, mas tal não poderia ter sido feito por atos infralegais. Na situação em tela, o art. 4º da IN SRF 213/02 criou, sem base legal, ao mesmo tempo, um elemento redutor da base de cálculo do IRPJ e CSLL e um tratamento diferenciado no caso de investida avaliada pelo MEP, razão pela qual entendo que a interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma intepretação razoável do quadro normativo legal. Saliento que, no Termo de Verificação Fiscal a fls. 87 e segs., em nenhum momento, a autoridade fiscal tratou da compensação de prejuízos de que trata o art. 4º em tela, de forma que, ao que parece, tal questão só foi ventilada como matéria de defesa da recorrente na sua impugnação, a qual, pelas razões antes expostas, não deveria ter sido acolhida. Todavia, a autoridade julgadora de primeira instância estava vinculada as interpretações da legislação Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 tributária emanadas pela autoridade máxima da Receita Federal, razão pela qual sequer emitiu qualquer juízo de legaldiade sobre a IN em questão. Contudo, tem razão a DRJ quando alega que: “Quanto à apuração dos lucros apurados em 2005 e 2006, cabe destacar que a fiscalização inverteu os valores. O lucro de 2005 corresponde á US$ 7.636.567 e o lucro de 2006 corresponde a US$ 8.992.845 (fls. 39/40 e 57) e não conforme citado no termo de verificação, à fl. 86 e indicado no §2° acima.”. Assim, como esta instância julgadora não tem competência para lançar, mantenho a base tributável de 2006 como constante do auto de infração a fls. 95/102, mas voto por reduzir a base tributável do fato gerador de 2005, para US$ 7.636.567.00, o que pela taxa de câmbio aplicável no TVF a fls. 88 (2,3407), monta em R$ 17.874.912,37. Por último, ressalto que deve ser excluída a multa de ofício e os juros de mora, pois, in casu, aplicase o disposto no art. 100, inciso I e parágrafo único, do CTN, in verbis: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.”. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso de Ofício, para: a) restabelecer o lançamento do item 002 do auto de infração do IRPJ, fls. 95, e correlato do auto de infração da CSLL, a fls. 101, mas reduzindo a base tributável do fato gerador de 2005 de R$ 21.049.552,29 para R$ 17.874.912,37; b) restabelecer o lançamento do item 001 do auto de infração do IRPJ, a fls. 95, e o correlato do auto de infração da CSLL, a fls. 101; c) excluir a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre os valores lançados a título de IRPJ e CSLL acima referidos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Inobstante o respeitável entendimento do Relator, inquestionavelmente autorizado a tecêlos, peço vênia para divergir acerca do afastamento do §2º do art. 4º da IN SRF 213/02, cuja redação é a seguinte: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 233 9 Art. 4 º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. (...) § 2 º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada.(...) Em apertada síntese, e com a finalidade de prover o recurso de ofício, o Relator, sustenta que o artigo supra não possui base legal, representando mera interpretação da RFB. Afirma, ainda, que a lei brasileira apenas previu o reflexo das receitas da investida no exterior nas investidoras brasileira, de modo que o reconhecimento de prejuízos seriam relevantes apenas para fins de tributação do lucro no país estrangeiro. Discordo, pois, da análise da legislação federal (art. 153, III da C.F. e 44 e 43 do CTN), pois o artigo 4º, § 2º da IN SRF 213/02 possui total respaldo e congruência com a legislação vigente. De início, destaco que o ato normativo da Receita Federal (IN SRF 213/02) integra a legislação tributária (art. 96, CTN), não podendo ser ignorada como relevante fonte de interpretação das leis em sentido estrito (emanada pelo Poder Legislativo), muito embora sua validade e eficácia estejam condicionadas às leis interpretadas (art. 153, III da C.F. e 44 e 43 do CTN). A questão que se põe neste momento é verificar se há lei que autorize o teor normativo do art. 4º, §2º, da IN SRF 213/02. Não possui qualquer relevância a constatação de que o Poder Legislativo não editou lei ordinária, autorizando que a controlada no exterior compense seus lucros e prejuízos. Isto pelo simples fato de que não existe dispositivo vendando esta conduta. Recordese que os contribuintes podem fazer tudo que a lei não proíba, enquanto a o Poder Público somente pode fazer aquilo que a lei autoriza, segundo a clássica lição de Hely Lopes Meirelles. Portanto, a ausência de vedação é muito mais significativa do que a existência de autorização em lei. Seguindo por essa trilha, notase que há vedação legal expressa no sentido de impedir que a investidora nacional compense seu lucro com os prejuízos apurado na controlada no exterior, nos termos do art. 25, §5º, da Lei n. 9.249/95 (art. 394, §8º, RIR/99), observese: Art. 25. (...) § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. Ou seja, no universo de condutas possíveis do contribuinte, a única vedação imposta pelo Poder Legislativo foi a acima transcrita, fato que já evidencia a absoluta regularidade da “interpretação” da Receita Federal constante no §2º, art. 4º, da IN SRF 213/02. Importante repisar que, neste caso, se está compensando prejuízos de controladas no exterior com seu próprio lucro, ou seja, estamos trazendo para o Brasil o real resultado (compensação de prejuízos anteriores, com o lucro do exercício – Lucro Real), consoante destaca a seguinte passagem do acórdão da DRJ: embora a empresa controlada tenha apurado lucros nos anos de 2005 e 2006, havia prejuízos acumulados dos anos anteriores que foram compensados antes da disponibilização dos lucros, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976); (grifo não original) Dessa forma, caso permaneça o entendimento contrário, impossibilitarseia que prejuízos anteriores, de empresas situadas no exterior, sejam compensados com lucros destas mesmas empresas. Situação que, na legislação caseira, é inquestionavelmente aceita. Importante destacar que a legislação nacional busca tributar apenas o lucro. E este lucro deve ser o efetivamente auferido, ou seja, devem sim ser compensados os saldos negativos, perdas patrimoniais de exercícios anteriores, sob pena de se estar tributando algo maior que o “lucro real” da Pessoa Jurídica situada no Brasil. Quando se fala em renda, elevação de riqueza, e também sobre os tributos incidentes sobre este fato gerador, precisase buscar a essência do artigo 153, III da Constituição Federal e artigo 43 e 44 do CTN, os quais empregam termos como “renda”, “produto do capital”, “acréscimos patrimoniais” etc., observese: Constituição Federal: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: III renda e proventos de qualquer natureza; Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. (grifo não original) Ao assim fazer, a legislação evita que seja tributada uma riqueza inexistente, pois é levado em consideração se o contribuinte, em período anterior, perdeu seu patrimônio (PL) e, no exercício seguinte, está apenas recompondoo. Neste caso somente se pode tributar a variação positiva entre os dois exercícios, pois este é o resultado final daquela unidade produtiva no exterior. Voltando a pergunta para a empresa Brasileira, precisamos analisar qual a real elevação patrimonial ou a riqueza da empresa Brasileira? Qual foi seu acréscimo patrimonial? Qual seu lucro? Qual equivalência patrimonial sua unidade produtiva no exterior lhe trouxe. A resposta é simples, a empresa Brasileira, somente teve a elevação do seu patrimônio após ter abatido os prejuízos que aquela unidade lhe deu nos períodos passados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 234 11 Ressalto novamente que, neste caso, tratase de compensação lucro com prejuízos da mesma unidade situada no exterior, resultado este que foi direto para o Balanço da empresa brasileira, pela equivalência patrimonial, impactando, assim, seu lucro. Todavia, referido reflexo apenas pode ocorrer em relação ao lucro efetivo auferido no exterior. Tal assertiva já é consagrada em nosso ordenamento jurídico, através de lei, adequandose aos mandamentos constitucionais e ao CTN, pois se contrário fosse não se estaria tributando o real conceito de “Lucro”. Tributar algo mais que o efetivo lucro, sem considerar o resultado negativo de exercícios anteriores, seria de forma transversa alterar a alíquota final do Imposto de Renda e da Contribuição Social, majorandolhe as bases de cálculo, hipótese em que seria tributado algo maior que o “Lucro Real”. Ante ao exposto, declaro meu voto pelo não provimento do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.728315/2010-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.448
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 15 /2 01 0- 75 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728315/201075 Acórdão n.º 2403002.448 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1531.726 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS. PREPARAÇÃO DESCONFORME COM A LEI. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na Lei Orgânica da Seguridade Social e sua regulamentação. MULTA APLICADA. PEDIDO DE RELEVAÇÃO A TEOR DO ART. 291, §1°, DO DECRETO Nº 3.048, DE 1999. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o art. 1º do Decreto nº 6.727, publicado no Diário Oficial da União do dia 13 de janeiro de 2009, foi revogado o art. 291 do Decreto nº 3.048, de 1999, que, mediante condições, admitia a relevação da multa aplicada. Considerando a data em que teve ciência da autuação o contribuinte (01/09/2010), não é possível a relevação da multa aplicada no presente AI, indeferindose solicitação nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD nº 37.289.0539, lavrado em 26/08/2010, e recebido pelo contribuinte, em 01/09/2010, conforme atesta Aviso de Recebimento – AR, às fls. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 119. Aludido AI foi lançado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que tratam o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991), e o art. 293 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 02 a 116), o contribuinte em tela, em relação ao período de apuração em epígrafe, foi autuado, em virtude de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e § 9º, do RPS. 3. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 113 a 116), embora regularmente notificado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e de Termos de Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos (TIF), cujas cópias encontramse anexadas ao AI, o contribuinte em tela apresentou folha de pagamento, de forma deficiente. Durante a auditoria fiscal, do exame da documentação apresentada, observouse que o contribuinte, ora autuado, deixou de incluir, nas folhas de pagamentos apresentadas, relativas ao período de janeiro/2008 a junho/2009, os segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços, conforme planilha ali disponibilizada. A remuneração recebida por esses trabalhadores foi detectada através da análise da documentação de Caixa e da escrituração contábil. 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. 4. Na forma do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 116), a penalidade aplicável para a infração capitulada é a prevista nos artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, combinados com o art. 283, I, “a” e art. 373, do RPS, cujo valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPSMF nº 333, de 29 de junho de 2010, corresponde a R$1.431,79 (um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos). 5. Em impugnação interposta em 01/10/2010 (fls. 121 a 143, com anexos às fls. 122 a 183), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 5.1. Em caráter preliminar, alega a peça impugnatória que, segundo relato da fiscalização, a autuação imposta se refere a omissão, no lançamento contábil, de obrigação dita acessória, nas competências de 01 a 06/2009, cuja multa tem o valor básico de R$1.431,79. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728315/201075 Acórdão n.º 2403002.448 S2C4T3 Fl. 4 5 Adiciona, nesse sentido, que a autuação imposta não se encontra devidamente motivada, ou seja, não possui clareza bastante capaz de caracterizar e sustentar a infração ali consignada, uma vez que não possui informações precisas e necessárias acerca da suposta infração, a exemplo, também, da sua fundamentação legal. Aduz que este fato impede o exercício da ampla defesa por parte do autuado, inquinando, assim, de nulidade a presente autuação. 5.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, tendo em vista o princípio da verdade material, e o espírito da lei, consubstanciado nos artigos 231, 232 e 233 do RPS, a folha de pagamento e os arquivos enviados pelo sistema, anexos à presente defesa, foram oportunamente apresentados à fiscalização, ali encontrandose todas as informações relevantes para precisar o tributo devido sob a rubrica de contribuição previdenciária. Por conseguinte, que o presente auto de infração deve ser julgado improcedente, com consequente baixa do débito nele perquirido, sob pena de ficar caracterizado o enriquecimento ilícito do Fisco. 5.3. Além das nulidades já explicitadas, requer, ante o exposto, a peça impugnatória, que seja julgado improcedente o lançamento de débito operado pela autuação em referência, com o reconhecimento, no mérito, das matérias que, no seu conjunto, importam na anulação dos termos da cobrança levada a efeito nesta oportunidade. Alternativamente, caso venha a ser o entendimento pela aplicação da penalidade, que seja a mesma relevada, como assegura o art. 291, §1°, do RPS, e, por consequência, extinto o respectivo débito. Por derradeiro, que, sob pena de nulidade prevista no art. 39, I, do Código de Processo Civil –CPC, a comunicação quanto ao resultado desta defesa aconteça no endereço profissional, ali fixado, dos patronos da contribuinte. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 8 de maio de 2013 (quartafeira) e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 7 de junho de 2013 (sexta feira). O notificado interpôs o recurso no dia 10de junho de 2013 (segundafeira), portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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