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Numero do processo: 19515.003358/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/08/2009
DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/08/2009 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido.
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FATOS GERADORES. Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/08/2009 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 58 /2 00 9- 69 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 413 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.164.7550, CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 05, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/08/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. Este processo foi juntado por apensação ao processo 19515.003355/200925, conforme Termo de Juntada de Processo, de fls. 55, reafirmado a folha, 394. O contribuinte apresentou sua defesa, em data ilegível, as fls. 57 a 66, acompanhada dos documentos, de fls. 68 a 199; 202 a 357. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 35 e 359. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1625.657 14ª, Turma DRJ/SP1, em 10/06/2010, fls. 379 a 386. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/05/2011, conforme AR, de fls. 393. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 395, remetido via postal, em 15/06/2011, conforme envelope de remessa, de fls. 408, com razões recursais, as fls. 396 a 407, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 409 e 411. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 411. É o Relatório. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 414 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, e fls. 05, apenas informa no penúltimo parágrafo, o que transcrevo a seguir. No Anexo I consta a Relação de Segurados não incluídos em GFIP. Todavia, o Acórdão de primeiro grau traz a seguinte justificativa para o lançamento. 11.1.1. Conforme relatório fiscal da infração e do Relatório Fiscal da aplicação da multa e do Anexo I — Relação dos empregados não incluídos em GRP a empresa não informou na GFIP as remunerações pagas aos empregados e as respectivas contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2004 a 12/2004, e décimo terceiro salário de 2004, fato apurado quando a empresa, regularmente intimada a apresentar as guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP para o período de 01/2004 a 12/2004, apresentou todas as guias, no entanto, constatouse que as GFIP entregues na versão 8.3 apenas contém as informações acerca de algumas contribuições, informações aquelas que retificaram as entregues anteriormente. 11.2. É conhecido que o modelo da GFIP, implementado pela versão 8.0 do SEFIP, trouxe mudanças significativas quanto à forma de geração, definindo que o empregador/contribuinte deve elaborar apenas uma GFIP única para cada chave. A chave composta por parâmetros extraídos da própria GFIP, não podendo existir mais de uma GFIP com a mesma chave. 0 conceito de GFIP única deve sempre estar associado ao conceito de chave. 11.2.1. Reiterase que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o contribuinte deve entregar uma GFIP única para cada chave, sendo que a GFIP retificadora substituiu todos os dados da anterior, com a mesma chave, conforme item 10, do Manual da GFIP/SEFIP, versão 8.4, disponível na Internet, no endereço: www.receita.fazenda.gov.br/previdência/GFIP/GFIP2Aplicativo s.htm. 11.3. A chave, em regra, é composta pelo CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 415 4 e FPAS. Para a Receita Federal do Brasil, deve haver apenas uma GFIP/SEFIP para cada chave. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave) com número de controle diferente, a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. 11.4. No caso da autuação a empresa entregou novas GFIP's contendo a mesma chave, informando apenas os valores pagos a alguns empregados assim, como a empresa informou erroneamente suas GFIP's, com a nova entrega a anterior foi retificada. 11.5. Com a retificação procedida pela empresa, temos que os valores das folhas de pagamento da empresa não foram informados em sua integralidade. Motivo pelo qual aplicouse a multa de R$ 86.396,70, como consta do Demonstrativo do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 26. As fls. 09/25 constam discriminados individualmente cada segurado empregado/contribuinte individual, bases de cálculo e valores descontados referentes a folha de pagamento da empresa, Anexo I — Relação dos empregados não incluídos em GFIP. 11.6. Consultamos o sistema do GFIP WEB e comprovamos que houve retificação pela empresa, fls. 360/378. Ou seja, o REFISC é de uma singeleza e parcimônia absoluta e não traz as justificativas do lançamento, nem se quer cita a ocorrência da apresentação de GFIP’s retificadoras e a supressão de informações de GFIP apresentadas anteriormente à GFIP retificadoras. Desta forma, a matéria tributável não está devidamente demonstrada e muito menos a ocorrência do fato gerador pela existência de diferenças e existência de divergência de informações. Aliás, ainda, que tenha havido a apresentação de GFIP para a competência XX/XXXX com base de cálculo de R$ 100.000,00 e depois seja está retificada na competência XX+2/XXXX+1, com base de cálculo de 30.000,00, com a retificadora na versão 8.0 em diante, isso não implica necessariamente em pagamento a menor, pois é de se esperar que o pagamento da GFIP na competência original já tenha ocorrido e naquela foi declarado o total da remuneração e das contribuições ou pelo menos base de cálculo maior do que na suposta retificadora. Só para constar a versão do SEFIP 8.3 passou a ser exigida apenas em 12/2006, ou seja, mais de dois anos após a primeira competência lançada e com dois anos em relação a última competência lançada. A simples retificação com redução da base de cálculo, não implica necessariamente em ausência de pagamento, quando da apresentação da primeira GFIP, isto é, a GFIP da competência, pois tal pagamento pode ter ocorrido, necessário se faz verificar a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 416 5 situação caso a caso, junto ao sistema de cobrança e controle da instituição, devendo tal circunstância estar demonstrada os autos. Nas planilhas, de fls. 09 a 14, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Quanto a planilha Construtora Lix da Cunha S/A – Contribuinte Individual, de fls. 15 e 16, não se observa esses trabalhadores na GFIP, da competência 03/2004. Nas planilhas, de fls. 17 a 25, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Por outro lado verificase das GFIP’s, de fls. 80 a 199, para o estabelecimento 46.014.635/000149, que estão ausentes as GFIP’s das competências 01/2004 e 02/2004. No que tange as GFIP’s supramencionadas, verifiquei que na competência 03/2004, ocorre a seguinte discrepância. A capa da GFIP está com cód. Rec. 908; Protocolo de Envio com cód. Rec. 908 e o corpo da GFIP com cód. Rec. 155, o que demonstra que os documentos não têm relação um com o outro. Para as GFIP’s do estabelecimento 46.014.635/000300 estão ausentes as GFIP’s de 01/2004 e 02/2004. Finalmente, algum elemento de prova surge nos autos, as folhas 360 a 378, estão anexadas extrato do Sistema GFIP/WEB – GFIP Única – Relação de trabalhadores da empresa sem tomador ou Totais das bases de cálculo por categoria. Tal situação se dá para as competências 02/2004, fls. 360 a 362; 05/2004, fls. 363 a 365; 09/2004, fls. 366, para o estabelecimento 46.014.635/000300. Para a competência 13/2004, o controle GFIP, de fls. 367 e 378, informa que não há GFIP para os dois estabelecimentos. A situação se dá para as competências 01/2004, fls. 368 e 369; 02/2004, fls. 370 e 371; 06/2004, fls. 372 e 373; 09/2004, fls. 374 e 375 e 12/2004, fls. 376 e 377, para o estabelecimento 46.014.635/000149. Entretanto, os documentos acima citado mais uma vez demonstram como já descrito que o lançamento possui mácula e pecha em sua formação, pois da comparação das planilhas citadas e que constam as folhas 09 a 25, as denominadas Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, para os dois estabelecimentos, com os extratos de GFIP’s extraídos do Sistema GFIP/WEB e referenciados, anteriormente, podese verificar, que trabalhadores listados nas planilhas como não declarados, em verdade estão declarados, pois constam dos extratos, a seguir a descrição por amostragem. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 417 6 46.014.635/000149 – comp 01/2004 – fls. 368 e 369 Antônio Gomes Silva Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 02/2004 – fls. 370 e 371 Antônio Gomes Silva Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 06/2004 – fls. 372 e 373 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Fl. 417DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 418 7 Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 09/2004 – fls. 374 e 375 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 12/2004 – fls. 376 e 377 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza Fl. 418DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 419 8 46.014.635/000300 – comp 02/2004 – fls. 360 e 362 Luiz Carlos Alves Manoel Nunes de Araújo Mauro Storer Neildo Moreira Amorim Osmar Berteli da Silva Roberto Pinoza Wanderci José Torres 46.014.635/000300 – comp 05/2004 – fls. 363 e 365 Alverindo Lima Ramos Dirceu Ferreira da Costa Edílson Cosmo Santos João Garcia Joaquim F Braga José Amaro Raymundo Jose G Carvalho Luiz Carlos Alves Manoel Nunes de Araújo Mauro Storer Neildo Moreira Amorim Osmar Berteli da Silva Roberto Pinoza Wanderci José Torres Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 420 9 Os trabalhadores acima citados e nas respectivas competência estão listados como não incluídos em GFIP, mas constam dos resumos dos Sistema GFIP/WEB juntados aos autos pela fiscalização, o que demonstram incongruência no lançamento. Não fosse isso suficiente, como dito acima, para a competência 13/2004, o controle GFIP, de fls. 367 e 378, informa que não há GFIP para os dois estabelecimentos. Nesta diapasão nunca é demais lembrar que até a versão 7.0 do SEFIP pode ser usada até 31/01/2006, mas caso a empresa se utilizase da versão 8.0 esta passava a ser obrigatória, bem como até a versão 7.0, não havia apresentação de GFIP para a competência treze, pois o décimo terceiro era declarado juntamente com a competência 12 do ano, passando a existir competência treze da GFIP a partir da versão 8.0, sendo obrigatória para o décimo terceiro de 2005 em diante ou no caso de utilização da nova versão para apresentação de GFIP anterior, mas no sistema novo. A empresa apresentou para o estabelecimento 46.014.635/000149, competência 12/2004, GFIP na versão 8.0, em diante, fls. 376 a 377, o que implica dizer que as informações da GFIP original foram suprimidas pela apresentação da GFIP na versão 8.0, conforme manual SEFIP, veja a transcrição. 1 – ORIENTAÇÕES GERAIS PARA RETIFICAÇÃO VIA GFIP/SEFIP Para a Previdência Social, a partir da versão 8.0, a retificação de GFIP/SEFIP passa a ser realizada no aplicativo SEFIP, com a emissão do “Comprovante de Declaração à Previdência”, inclusive para retificação de informações anteriores, uma vez que a entrega de nova GFIP/SEFIP substitui a anteriormente apresentada para a mesma chave. Sobre o conceito de “chave”, observar as orientações do subitem 7.2 do Capítulo I e 10.1 do Capítulo IV. O processo de retificação com entrega de nova GFIP/SEFIP é aplicado para qualquer competência igual ou posterior a 01/1999, ainda que a GFIP/SEFIP incorreta tenha sido gerada em versão do SEFIP igual ou anterior à versão 7.0 ou apresentada em meio papel. Para entrega da nova GFIP/SEFIP, deve ser utilizada versão atualizada do SEFIP. Para a Previdência, considerase retificadora toda nova GFIP/SEFIP que contenha a mesma “chave” de uma GFIP/SEFIP apresentada e com número de controle diferente, conforme disposto no subitem 10.1 do Capítulo IV. O processo de retificação passa a ser realizado por meio do conceito de GFIP/SEFIP retificadora. Para a Previdência Social cada nova GFIP/SEFIP, para uma mesma chave, substitui a anterior (sendo diferentes os números de controle). A chave é composta pelas seguintes informações, conforme o código de recolhimento da GFIP/SEFIP. Da observação da planilha de cálculo, de fls. 26, verificase que a competência 13/2004, foi incluída no cálculo da multa, mas tal inclusão é indevida, pois como dito, a empresa não apresentou GFIP, para os dois estabelecimentos na competência Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 421 10 treze/2004, conforme consta, as fls. 367 e 378, e assim a infração seria outra, isto é, a infração é a do artigo 32, inciso IV, parágrafo 4º e não a do artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, como consignado, esta é mais uma inconsistência da autuação. Entendo, que o fisco não se desincumbiu de provar a existência do crédito, com a ocorrência do fato gerador e nascimento da obrigação tributária, nos termos do artigo 333, I, da Lei 5.869/73, bem como do artigo 9º e 10, do Decreto 70.235/72, e, ainda, do artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, que lhe permitia promover a constituição do crédito pelo lançamento. De outro lado, ressalto que como esse auto de infração de obrigação acessória deriva dos lançamentos dos outros dois autos apensos, uma vez declarados a improcedência daqueles nada restaria a ser cobrado neste. Assim com esses esclarecimentos deixo de analisar todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, esse foi o motivo para não sumariar as razões recursais no relatório. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19740.000679/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSA DE ESTUDOS - NÃO-INCIDÊNCIA
Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição.
Numero da decisão: 2301-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 79 /2 00 8- 67 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, incidentes sobre verbas que, no entendimento da fiscalização, possuem caráter remuneratório. Conforme Relatório Fiscal (fls.46), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento relativo a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos. Segundo entendimento da autoridade lançadora, o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado na isenção concedida pela alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1223.201, da 15a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 220), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 242), alegando, em síntese, que: Foram lavrados três Autos de Infração em seu nome, todos decorrentes da mesma situação fática apontada pelo fisco, e que devem ser julgados em conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Há necessidade de redução da multa, tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009. A recorrente, ao fornecer auxílioeducação, pretendia elevar a qualificação dos seus empregados, e a análise prévia, por um comitê interno, para a concessão dos auxílios em comento não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. Tal fato jamais foi constatado pela fiscalização, que se pautou, exclusivamente, no entendimento que o financiamento de cursos superiores não poderiam deixar de repercutir no pagamento da contribuição previdenciária. Não houve qualquer alegação no sentido de que tais cursos não eram oferecidos de forma isonômica a todos os funcionários da recorrente, mesmo porque consta dos autos todos os documentos que comprovam a acessibilidade do auxílioeducação a todos os empregados. Apenas eram financiados cursos que pudessem contribuir para o crescimento profissional do empregado dentro da empresa, como forma de não desvirtuar a natureza indenizatória do auxílioeducação. Restou comprovado que tal benefício foi concedido para o trabalho, e não pelo trabalho, vez que tratou, exclusivamente, de financiamento de cursos de qualificação profissional. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 2301004.005 S2C3T1 Fl. 507 3 A legislação aplicável ao caso não deve ser pautada na novel redação doa Lei 9.394/96, visto que as alterações introduzidas pela Lei 11.741/08 sobrevieram após a ocorrência dos supostos fatos geradores objeto da discussão sub examine, não podendo, portanto, retroagir. Depreendese, do entendimento externado pela jurisprudência, que a natureza indenizatória do auxílioeducação é suficiente para afastar a incidência da contribuição previdenciária, e o STJ veio dirimir qualquer dúvida acerca da interpretação da norma. A lei 10.243/2001, ao não fazer distinção entre os níveis fundamental, médio e superior, deixou clara a ausência de caráter remuneratório do pagamento de auxílio educação, razão pela qual tal parcela não deve integrar o salário de contribuição dos empregados e, conseqüentemente, não é base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, registro o que se segue. Observase que a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração por entender que os pagamentos relativos a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos, é fato gerador da contribuição previdenciária. A autoridade autuante entendeu que o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado pela isenção de que trata a alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. Já a recorrente, em sua defesa, alega que os cursos ofertados são fundamentais para a capacitação dos funcionários e crescimento destes dentro da Sociedade e, nesse sentido, estão, sim, incluídos no rol do referido dispositivo legal. Afirma que a recorrente oferece a todos os seus funcionários a oportunidade de freqüentar cursos de graduação, línguas ou pósgraduação a fim de que estes tenham condições de aprimorar suas formações e evoluir dentro da empresa, e que os cursos ofertados De fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, elencando alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de auxílio educação não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, ou os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Art 28(...) § 9o(...) t) o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (grifei) No caso presente, a fiscalização entendeu que, por ser para pagar curso superior dos empregados, os valores despendidos pela empresa não estariam isentos da contribuição previdenciária, já que não visaria a educação básica. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 2301004.005 S2C3T1 Fl. 508 5 Ocorre que as despesas com os cursos de capacitação e qualificação profissional também se enquadram nas hipóteses de isenção do dispositivo legal transcrito acima. A recorrente comprovou, nos autos, que os cursos ofertados eram para capacitar seus empregados. A decisão recorrida manteve o lançamento, argumentando que, pela Lei 9.394/96, a educação profissional não se confundia com ensino superior. No entanto, entendo que nenhum dos dispositivos legais citados no Acórdão da DRJ é no sentido de que o curso superior não se presta para capacitar profissionalmente o empregado de uma empresa. Nesse aspecto, a lei previdenciária deixa claro que, para que os valores pagos para curso de capacitação e qualificação profissional não sejam considerados como salário de contribuição, devem preencher três requisitos, simultaneamente, a saber: estarem vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não serem pagos em substituição de parcela salarial e serem acessíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso dos autos, a acusação fiscal se limita a afirmar que o curso superior não se englobar no conceito de educação básica. Em nenhum momento, do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirma que os cursos ofertados pela recorrente não estariam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, ou não eram acessíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Da mesma forma, não restou comprovado, pelo fiscal autuante, que as parcelas pagas para custear os cursos seriam para substituir salario. Verificase que a empresa foi intimada, por meio de Termo de Intimação de 15/09/2008 (fls. 70), a prestar informações sobre os critérios utilizados para o pagamento/reembolso de cursos de inglês, faculdades, MBA no ano de 2004. E, da análise dos esclarecimentos prestados pela empresa, a fiscalização apenas concluiu que os cursos ofertados não se enquadrariam nas hipóteses de isenção somente porque não se enquadram no conceito de educação básica. Observase que em nenhum momento a fiscalização afirmou que os cursos ofertados não estariam ligados à atividadefim da empresa, Entretanto, como visto, tratamse de cursos de capacitação e, nesse sentido, se enquadram na hipótese de isenção da alínea “t”, do citado art. 28. Entendo que, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores concedidos a títulos de bolsas de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 A fiscalização deve provar os fatos em que se funda o lançamento. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos deduzidos. Em face dos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do direito tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica, o que não se verifica no caso vertente. Por todo o exposto, entendo que não restou evidenciada, nos autos, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900017/2006-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/07/2003
SALDO NEGATIVO IRPJ.
O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência.
Numero da decisão: 1802-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/07/2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência.
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O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 17 /2 00 6- 81 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG (“DRJ/JFA”), que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos transcrevo parcialmente o relatório incluso na Resolução 1802000.179, desta 2ª Turma Especial, proferida em 9 de abril de 2013, a qual converteu o feito em diligência. Relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “A interessada transmitiu a DCOMP nº 29578.02598.300703.1.7.024209, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ – ano calendário 2002; A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência de saldo negativo disponível e também não homologa todos os outros PER/DCOMP vinculados ao referido crédito; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: Os pagamentos de estimativas IRPJ – ano calendário 2002, totalizaram R$4.275,52 e não R$5.698,36; Essa diferença de R$1.422,84 é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002 compensadas com saldo negativo do ano calendário 2001, conforme informado na DCTF do 4º trimestre/2002 em anexo; Os valores referentes ao IRRF que totalizaram R$18.107,06 estão todos comprovados conforme demonstrado na planilha e nos extratos anexos; Demonstra assim a existência e a liquidez do direito creditório.” Em sua decisão, a DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a defesa apresentada, reconhecendo os valores do IRRF, no montante de R$18.107,06, mas, por outro lado, não reconheceu o crédito de R$1.422,84 e, com isso, manteve a não homologação de todas as compensações vinculadas ao saldo negativo da IRPJ, do ano calendário de 2002. Isto porque, a empresa apurou em sua DIPJ, anocalendário 2002, saldo negativo de IRPJ, no importe de R$10.631,06, em função da informação de estimativas pagas no total de R$5.698,36, sendo que a informação na DIPJ de estimativas pagas, como parcela redutora do IRPJ devido, engloba aquelas recolhidas através de DARF e também àquelas extintas por compensação. Entretanto, foi confirmado como pagamentos apenas o valor de R$4.275,52, quando a contribuinte informou na DIPJ, R$5.698,36, restando claro que as estimativas compensadas, no valor de R$1.422,84, não foram reconhecidas. Em sua impugnação, a contribuinte afirma que informou na DCTF do 4º trimestre de 2002, as compensações dos meses de outubro e novembro de 2002, com crédito proveniente de saldo negativo do anocalendário 2001, demonstrando, com isso, a existência e liquidez do seu direito creditório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 4 3 Negando procedência a esse argumento, assentou a decisão recorrida que não resta dúvida de que a compensação, a partir de 1º de outubro de 2002, de estimativa de IRPJ com saldo negativo de igual tributo, já tinha que ser efetuada com a entrega de declaração específica (DCOMP), por não se enquadrar nas exceções da lei em vigor, nos termos da Lei 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei 9.430/1996. Assim, as estimativas de outubro e novembro de 2002, tiveram seus vencimentos respectivamente em 30/11/2002 e 31/12/2002 e, portanto, para compensação desses débitos já era imprescindível apresentação de DCOMP. A informação em DCTF, a partir da vigência do dispositivo legal citado, não formalizava e nem validava qualquer compensação. Somente com a entrega da DCOMP, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tal decisão está assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2003 COMPENSAÇÃO A partir de 01/10/2002, a compensação de tributos, inclusive de mesma espécie, no âmbito da RFB, regra geral, será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. SALDO NEGATIVO – IRPJ. O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ em 11/10/2001 e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário tempestivamente, em 11/10/2001, alegando, em apertada síntese: 1) reafirma ter apurado saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$10.631,06; 2) o saldo apurado foi composto pelos pagamentos das estimativas que totalizaram R$4.275,52, compensações de estimativas com saldo negativo de 2001 que totalizaram R$1.422,87 e IRRF sobre aplicações financeiras que totalizaram R$18.107,06. O valor devido de IRPJ, foi de R$13.174,39, apurando assim um saldo negativo de IRPJ, no valor de R$10.631,06; 3) a demonstração do crédito na Per/Dcomp no.29578.02598.300703.1.7.024209, foi feita de forma equivocada, sendo que os pagamentos de IRPJ do anocalendário de 2002, foi no valor de R$4.275,52 e não R$5.698,36. A diferença de R$1.422,84, é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002, que foram compensadas com saldo negativo do ano calendário de 2001, através das Dcomps no. 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.020095, enviadas em 25/11/2004, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 5 4 as quais foram homologadas, vez que passaramse mais do que 5 anos sem qualquer manifestação da Fazenda Pública; 4) demonstrada a certeza e liquidez do crédito tributário impõese o cancelamento da notificação no. 340/2011 e do Despacho Decisório no. 916003772, com a homologação da Per/Dcomp n.º 29578.02598.300703.1.7.024209. Em seu Voto, o D. Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho analisa os fatos e alegações constantes dos autos, mormente a informação segundo a qual a Recorrente teria entregado as DCOMP de nºs 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.020095 em 25/11/2004, sendo que referidas declarações constam, inclusive em sua DCTF. Prossegue informando que consultou o sistema da Receita Federal, tendo verificado que a declaração de compensação no. 13501.42697.251104.1.3.020095, encontra se homologada. Por outro lado, constatou que a declaração nº 33796.70923.251104.1.3.029877 (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), teria sido retificada e encontravase pendente de homologação. Vota, portanto, pela conversão do julgamento em diligência, para assegurar a esta Turma, a certeza quanto à homologação ou não do Perd/Comp nº 33796.70923.251104.1.3.029877 (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), por ser prejudicial ao presente processo. Em 16/05/2013, a DRF de Juiz de Fora profere despacho, em resposta à diligência, informando que a DCOMP de nº 33.796.70923.251104.1.3.029877 foi posteriormente retificada pela DCOMP de nº 38.163.80066.180806.1.7.020040, tendo sido posteriormente retificada pela DCOMP de nº 36.778.88504.081107.1.7.021969, esta última protocolada em 08/11/2007, estando todas totalmente HOMOLOGADAS no sistema da Receita Federal. É o Relatório. Passo ao Voto. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira , Relator. Com base no Relatório acima, depreendese que a questão do saldo negativo de IRPJ foi superada, restando claro que o valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ. O presente voto centrase, portanto, na questão sobre a regra de compensação através da DCOMP. Segundo a Receita Federal, a partir de 01/10/2002, a compensação de tributos, inclusive de mesma espécie, no âmbito da RFB, regra geral, deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Entendo haver neste caso, argumentos para invocarse o Princípio da Verdade Material em favor do contribuinte, uma vez ter restado claro que há nos autos elementos suficientes para análise do alegado crédito. Entretanto, mais além, erguese ainda a alegação da Recorrente de que teria, sim, efetuado a entrega das DCOMPs necessárias para fazer valer seu crédito, como requerido pela autoridade fiscal. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 6 5 A alegação da Recorrente sobre a entrega das DCOMPs não apenas foi confirmada, como também foi confirmada, através de pesquisa no sistema da Receita Federal e de Resposta à Diligência da própria DRF de Juiz de Fora, a homologação total das referidas DCOMPs. É meu entendimento que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência. No caso em questão, a própria autoridade fiscal confirmou, em resposta a diligência desta corte, a situação em questão. CONCLUSÃO Tendo em vista, portanto, que (i) há nos autos elementos suficientes para análise do alegado crédito e que (ii) evidenciouse através de pesquisa no sistema da Receita Federal e através de informação da DRF de Juiz de Fora, a homologação total das DCOMPs da Recorrente; em atendimento ao princípio da Verdade Material, bem como da Economia Processual, voto pelo recebimento do Recurso – por tempestivo – e pelo reconhecimento total do direito creditório do contribuinte. É o meu VOTO (assinado digitalmente) LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004366/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
ÁGIO - INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - EMPRESAS DO MESMO GRUPO - O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar-lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97.
A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida.
Numero da decisão: 1301-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Paulo Jakson da Silva Lucas. Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para aplicar 1% de juros sobre a multa de ofício e Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Valmir Sandri
Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Ementa: ÁGIO - INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - EMPRESAS DO MESMO GRUPO - O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar-lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Paulo Jakson da Silva Lucas. Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para aplicar 1% de juros sobre a multa de ofício e Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator documento assinado digitalmente Valmir Sandri Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.421 1 1.420 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.004366/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.297 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de outubro de 2013 Matéria IRPJ DESPESA DE ÁGIO Recorrente ZANOTTI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Ementa: ÁGIO INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EMPRESAS DO MESMO GRUPO O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusarlhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Paulo Jakson da Silva Lucas. Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para aplicar 1% de juros sobre a multa de ofício e Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 43 66 /2 01 0- 18 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.422 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Valmir Sandri Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.423 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e multa e juros isolados, relativas aos anoscalendário de 2005 a 2009, formalizadas em virtude da glosa de despesa de ágio. Os lançamentos tributários em referência tiveram por base os seguintes fundamentos: i) a despesa glosada está representada pelo denominado ÁGIO INTERNO, isto é, ágio de si próprio; ii) no contexto da reorganização societária empreendida, a ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. enquadrase como “empresa de passagem”, vez que teve como finalidade unicamente transferir o ágio à ZANOTTI S/A; iii) na operação, não ocorreu qualquer pagamento referente ao ágio, havendo tão somente reavaliação a preço de mercado e contabilização do ágio dela decorrente; iv) tanto para doutrina, quanto para a legislação tributária, os pressupostos do ágio são: a) participação societária e; b) fundamento econômico do ágio, pressupostos esses que não foram atendidos no caso vertente; e v) o reconhecimento, na contabilidade, do resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, isto é, sob a mesma vontade, representa geração artificial deste resultado. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 484/517), momento em que sustentou: a caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários; as operações realizadas tiveram propósito negocial; a forma adequada como foi feita a reavaliação das ações da ZANOTTI S/A; a efetiva ocorrência de “aquisição” de participação societária; ausência de distinção, pela legislação, entre partes dependentes ou independentes para que se aufira ganho ou perda de capital numa operação de alienação de bens e direitos a qualquer título; irrelevância da existência de fluxo financeiro para a caracterização da alienação com ganho de capital; violação, por parte da autuação, de dispositivos da legislação tributária e de vários princípios constitucionais; Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.424 4 tentativa da autoridade fiscal de aplicar as disposições do art. 116 do Código Tributário Nacional; inaplicabilidade da multa e juros isolados. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0723.605, de 25 de março de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fatos passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente de redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Ágio constituído Sobre as Quotas da Própria Empresa e Decorrente de Transação Entre Empresas Ligadas. Indedutibilidade. IRPJ. CSLL. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade e, consequentemente, o ágio delas decorrente não se enquadra na hipótese de dedutibilidade prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.425 5 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Multa de Ofício. Falta de Recolhimento. A aplicação de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor do tributo/contribuição é legítima, eis que fruto de expressa previsão legal. Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. Juros de Mora. Taxa SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Juros de Mora Exigidos Isoladamente, de Ofício, sobre Estimativas Mensais Não recolhidas. Falta de Previsão Legal. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais (de IRPJ e de CSLL), apurada em procedimento de ofício, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros de mora isolados (de ofício) uma vez que, encerrado o anocalendário, não se faz lançamento de ofício incidente sobre antecipação de imposto/contribuição então apurados pelas regras do Lucro Real Anual. Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. CSLL Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Esclareceu a Turma Julgadora de primeiro grau que, tratandose de cancelamento de exigência relativa a juros de mora, inexiste previsão para a interposição de recurso de ofício. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.426 6 Irresignada com a manutenção parcial dos lançamentos, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 873/924, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita ser indevida a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. É o Relatório. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.427 7 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Passo, pois, a apreciar os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. DECADÊNCIA Alega a Recorrente ter ocorrido caducidade do direito de o Fisco fiscalizar em 2010 a formação e contabilização do ágio, ocorrido nos anoscalendário de 2003 e de 2004. Sustenta que “não há qualquer justificativa para o fato de a auditoria fiscal, realizada de agosto a novembro de 2010, ter volvido aos anos de 2003 e 2004 para formar juízo de valor sobre atos e fatos ocorridos à época, para os quais já havia precluído o direito de auditar, haja vista ter se passado mais de 5 (cinco) anos, contados do encerramento do período de apuração do anocalendário de 2004.” Diz que o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, não ampliou o prazo decadencial para fiscalizar os fatos relativos aos documentos que devem ser conservados. Com o devido respeito, a pretensão da Recorrente revelase absurda. À evidência, o que se submete ao crivo da autoridade fiscalizadora e, por decorrência, ao prazo decadencial estampado na norma de regência, é a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a aferição da base de cálculo do tributo ou contribuição devidos. Resta lógico, portanto, que, relativamente a todo e qualquer elemento que tenha influência na determinação de um ou de outro (fato gerador e base de cálculo), deve o contribuinte manter em ordem e boa guarda os correspondentes documentos de suporte, de modo a permitir que a autoridade fiscal empreenda as verificações pertinentes. No caso vertente, a fiscalizada reduziu a base de incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por meio de registro de despesas nos anoscalendário de 2005 a 2009 e a autoridade fiscal, por meio de ato fundamentado, promoveu a glosa de referidos dispêndios, retificando o resultado fiscal apurado em cada um desses anos. Os lançamentos tributários foram efetivados em 18 de novembro de 2010 (fls. 419 e 433), por meio de ciência da fiscalizada. Tratandose, pois, de tributo e contribuição submetidos a lançamento por homologação, aplicase, para fins de decadência, as disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo de cinco anos para que a autoridade administrativa homologue o lançamento contase da data da ocorrência do fato gerador. A contribuinte fiscalizada, relativamente aos anoscalendário submetidos ao procedimento fiscal, optou pela tributação anual dos seus resultados, com base no Lucro Real, conforme indicado às fls. 05, 21, 37, 53 e 70. Assim, os fatos geradores correspondentes, nos termos parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, ocorreram em 31 de dezembro de 2005, Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.428 8 31 de dezembro de 2006, 31 de dezembro de 2007, 31 de dezembro de 2008 e 31 de dezembro de 2009, sendo que, em relação ao mais antigo dos fatos geradores em questão (31 de dezembro de 2005), o lançamento poderia ter sido efetuado até 31 de dezembro de 2010. Cumpre destacar que a tese de caducidade defendida pela Recorrente permitiria que determinado contribuinte, servindose dos mais absurdos fundamentos, engendrasse, em determinado ano, meios para reduzir as bases de cálculo de determinados tributos e contribuições, e, desde que os efeitos fiscais só fossem alcançados após cinco anos da data da elaboração do “planejamento”, nenhuma providência o Fisco poderia adotar em relação a ele, vez que a contagem do prazo decadencial tomaria por base a data do “planejamento” e não os períodos em que as bases de cálculo dos tributos foram efetivamente atingidas pelos seus efeitos. Os precedentes jurisprudenciais referenciados na peça de defesa, com a devida permissão, não autorizam concluir na linha do argumentado pela Recorrente, eis que admitir a interpretação emprestada pela autuada significa, em última análise, afastar, sem qualquer amparo, as disposições do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido. Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Resta claro que a norma legal acima transcrita não cuidou de ampliação de prazo decadencial, mas, tãosomente, de explicitar o que me parece lógico, isto é, se o contribuinte pretende em determinado período de apuração fazer repercutir na base de cálculo da exação determinado fato, deverá manter em ordem e em boa guarda os respectivos documentos de suporte, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esse período. Rejeito, assim, a tese de decadência esposada na peça recursal. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Argumenta a Recorrente que em nenhum momento a Fiscalização ou a decisão de primeira instância questionaram a efetiva realização dos atos societários que ensejaram a contabilização do ágio. Diz que sequer foi aventada a hipótese de intento doloso, em qualquer de suas formas. Afirma que não consta do Termo de Verificação Fiscal o menor questionamento quanto aos critérios para a apuração do ágio, que está amparado em laudo de avaliação econômicofinanceira. Sustenta que inexiste vedação legal ao procedimento, expressa ou tácita. Alega que, por absoluta falta de previsão legal, descabe a glosa da amortização de ágio. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 464/), extraio as seguintes informações: i) em 04 de maio de 1995, foi constituída a empresa V&F IMPORT – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., com capital social de R$ 1.000,00, que, posteriormente, teve sua razão social alterada para ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA.; ii) em 26 de maio de 1999, foi constituída a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.429 9 iii) em 31 de maio de 2000, a ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA. teve seu capital social aumentado com quotas da fiscalizada ZANOTTI S/A; iv) em 10 de outubro de 2003, a fiscalizada (ZANOTTI S/A) solicita a empresa DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES avaliação econômico financeira do seu patrimônio; v) em 31 de outubro de 2003, por conta de alteração contratual, ingressa na ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA., como sócia, a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA., o que faz com que o capital social fosse aumentado em R$ 356.734.070,00, capital esse subscrito e integralizado mediante a incorporação de 1.596.504 ações emitidas por ZANOTTI S/A; vi) em 15 de dezembro de 2004, foi assinado PROTOCOLO E JUSTIFICATIVA DE INCORPORAÇÃO da ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. pela fiscalizada (ZANOTTI S/A); vii) em 28 de dezembro de 2004, a incorporação da ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. pela fiscalizada (ZANOTTI S/A) é autorizada, momento em que esta, a fiscalizada, passa a amortizar o ágio gerado em decorrência da reavaliação do seu próprio patrimônio. Em apertada síntese, as operações que resultaram no surgimento da despesa de ágio objeto de glosa por parte da Fiscalização foram as seguintes: a fiscalizada promoveu avaliação do seu patrimônio; a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES, que detinha ações da fiscalizada, ingressa como sócia na empresa ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. com as ações da fiscalizada; a fiscalizada incorpora a empresa ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA., passando a amortizar o ágio derivado do seu próprio patrimônio. Resta fora de dúvida, portanto, que estamos diante da denominada AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO DE SI PRÓPRIO (ÁGIO INTERNO). O ágio interno em questão caracterizase pelo fato de ter sido criado por meio de processo de reorganização societária, empreendido dentro de um Grupo de empresas submetidos a uma única vontade, sem movimentação financeira de qualquer natureza e, ressalvada a redução da incidência tributária derivada da sua amortização, destituído de substância econômica. No presente caso, o Grupo econômico (do qual a fiscalizada faz parte) promoveu uma simples reorganização societária por meio da qual artificializou a criação de uma despesa, derivada da reavaliação do patrimônio de uma das empresas que o integrava, e, por meio de incorporação às avessas, fez com a que a própria empresa que teve o seu patrimônio reavaliado passasse a deduzir essa suposta despesa da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Destaco que a peça recursal apresentada pela contribuinte limitase a argumentar que os atos societários que ensejaram a contabilização do ágio não foram questionados; que não foi aventada a hipótese de conduta dolosa; e que não houve questionamento acerca dos critérios de apuração do ágio. Não traz, contudo, contrarrazões ao Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.430 10 fato de o referido ágio ter sido gerado internamente, de representar mais valia de si próprio, de ter sido gerado artificialmente, visto que decorrente de atos que, inobstante a obediência aos aspectos formais, não refletem substância econômica. A tentativa da Recorrente de enquadrar a situação que ora se aprecia à refletida no art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77, com a devida permissão, não pode ser admitida. Ali, à evidência, tratase de operação em que houve custo efetivo de aquisição, realizada entre partes independentes e dotada de substrato econômico. A mera adequação da forma à circunstância delineada pelo ato legal autorizador da dedução pretendida, à evidência, não constitui elemento suficiente para que se possa validar o procedimento adotado pela fiscalizada. Repiso: seria necessário demonstrar que custos foram incorridos e que a reorganização efetivamente objetivou alcançar interesses societários, e não simplesmente reduzir a incidência tributária. Não tenho dúvidas de que não cabe à Administração Tributária imiscuirse nas decisões tomadas em âmbito privado por Grupo Econômico de qualquer natureza. Entretanto, quando tais decisões resultam em significativo abalo no fluxo de recolhimento de tributos, deve a autoridade tributária envidar esforços para, no exercício da sua atividade fiscalizadora, verificar se os procedimentos com repercussão tributária porventura adotados encontramse em conformidade com a lei de regência. Em uma primeira análise, os procedimentos adotados pela Recorrente revelamse em conformidade com a lei. Entretanto, ao analisarmos os fatos que lhes serviram de suporte, ficam evidenciados fatores que levam à convicção acerca do artificialismo na geração da despesa com amortização de ágio. Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. A contrario sensu, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação por ela própria solicitada, fez refletir no ativo de uma empresa a ela ligada, os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma incorporação às avessas, efetivada sem que fosse despendido um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão a que chegou a Fiscalização, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almejou beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de investimento. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.431 11 É certo que não se encontram nos autos elementos capazes de justificar a exasperação da penalidade, mas isso não autoriza concluir que a conduta dolosa não esteve presente na elaboração do “planejamento tributário”. Tivesse a autoridade fiscal aprofundado suas investigações, tenho como certa a explicitação de que a intenção da fiscalizada foi de, por meio de reestruturação societária de mera aparência, impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da sua condição pessoal, suscetível de afetar o crédito tributário, eis que dissimulador da sua verdadeira capacidade contributiva. MULTA ISOLADA Sustenta a Recorrente não ser possível a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa proporcional. Em que pese o fato de o argumento da Recorrente encontrar lastro em densos pronunciamentos deste Colegiado, filiome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição em razão de apropriação indevida de despesa; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Penso que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Entendo que o simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Nessa linha, tomo por exemplo a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Argumenta a Recorrente que a exigência de juros sobre a multa não tem suporte legal. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência manifestações em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.432 12 respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.433 13 a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO unicamente para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.434 14 Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.435 15 Voto Vencedor Valmir Sandri, Redator Designado. Com a devida vênia do entendimento esposado pelo Nobre Relator do presente recurso para manter a exigência, ouso dele divergir quanto ao mérito da matéria posta a julgamento, qual seja, a glosa do ágio procedido pela fiscalização, ao argumento de que, por ter o referido ágio sido gerado internamente, de representar mais valia de si próprio, de ter sido gerado artificialmente, visto que decorrente de atos que, inobstante a obediência aos aspectos formais, não refletem substância econômica, e por isso, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. De plano, afasto peremptoriamente os argumentos acima despendidos no sentido de que, para ter guarida nas disposições dos arts. 7º. e 8º. da Lei n. 9.532/97, o ágio não poderia ter sido gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico e deveria ter havido pagamento (desembolso de caixa) para a sua constituição, bem como, a necessidade de substancia econômica, ou seja, segundo interpretação da fiscalização corroborada pelo voto vencedor, o ágio só seria dedutível se houvesse conteúdo econômico na operação e se tivesse havido pagamento em dinheiro mediante livre negociação entre partes independentes. Com a devida vênia, entendo equivocada tal afirmativa. Isto porque, a formação do ágio foi feita nos estritos limites legais previstos pelo Decretolei n. 1.598/77, o qual, em nenhum momento determinou que o ágio não possa surgir entre empresas de um mesmo grupo econômico, nem exige que para a sua formação o investimento seja feita com desembolso de dinheiro e a necessidade de substância econômica. Por ter sido a presente operação efetuada nos mesmos moldes do processo administrativo n. 16643.000392/201061, do qual fui relator, inclusive com a alegação da inexistência do ágio com base na teoria contábil, transcrevo aqui, no que interessa, os fundamentos que lá registrei para restabelecer a dedução do ágio glosado pela fiscalização, vejamos: “DO PROPÓSITO NEGOCIAL Como visto do relatório, o fundamento da autuação foi no sentido da impossibilidade de amortização do ágio quando: a) não há um pagamento em dinheiro decorrente de uma operação de compra e venda e, b) quando o ágio é gerado envolvendo pessoas jurídicas de um mesmo grupo econômico, em virtude da vedação existente na “teoria contábil”. Tem razão a Recorrente quando defende que a “ausência de pagamento em dinheiro” não é suficiente para invalidar o ágio. De fato, o ágio é conceituado na lei, ex vi do art. 385 do RIR/1999, como a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento segundo a equivalência patrimonial. A aquisição é meio legal de transmissão da propriedade e a lei não define a que título se faça, nem qual modalidade de contraprestação. Portanto, não se pode fazer uma leitura restritiva de que seja aquisição, inclusive, por ser este um vocábulo transposto da área civil, de acordo com o art. 109 do CTN, Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.436 16 devendo, portanto, ser respeitado na sua essência. Ora, a lei tributária poderá dar efeito tributário diverso aos conceitos e princípios de outros campos do saber, mas, nunca alterar a definição do termo. Ressaltese que, no caso, não é a lei, mas é a interpretação da douta autoridade fiscal que procura dar sentido restritivo diverso ao termo aquisição. É o que leciona a brilhante jurista Dra. Karem Jureidini Dias:1 “O Direito Tributário pode dar tratamento expressamente divergente a um determinado fato conceituado em outra ciência ou em outro regime jurídico. Reiteramos que a divergência é nos efeitos, como ocorre, por exemplo, com o tratamento atribuído pelo Imposto sobre a Renda ao tributo vencido e não pago em razão da suspensão da exigibilidade. De acordo com as normas contábeis, o tributo vencido e não pago é despesa e não provisão. Se é despesa, deveria afetar negativamente a base de cálculo do Imposto sobre a renda. Direito Tributário, entretanto, expressamente excepciona, do tratamento dado à despesa, o fato do tributo vencido que não foi pago em razão de certas hipóteses de suspensão de exigibilidade.” A forma de pagamento, como bem coloca o Prof. Eliseu Martins no Parecer acostado às fls. 1.531 e seguintes do processo, não impacta a relevância ou substância econômica da aquisição do ágio. Quando a lei fala em aquisição, ela quer dizer qualquer forma de transferência de patrimônio e não necessariamente só o pagamento em dinheiro. A aquisição poderá ser por permuta, dação em pagamento, doação etc. Não pode o aplicador querer limitar aonde a lei não limitou, até porque as formas de realizar negócios se encontram no campo da liberdade e autonomia privada. Aliás, recentemente, o tema foi analisado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal no julgamento do processo nº 13839.001516/200664. Na ocasião, a Turma entendeu que a expressão “aquisição” existente na legislação fiscal não pode ter seu significado reduzido à compra e venda de ações, bem como não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição de modo a excluir a subscrição de ações ou qualquer outra forma de aquisição. Não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Portanto, por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Assim, sob esse aspecto, não se vislumbra nenhuma vedação no aproveitamento do ágio quando decorrente de outro meio de aquisição que não seja a exclusiva entrega de dinheiro. Já no segundo fundamento da autuação a discussão reside na possibilidade de reconhecimento de ágio gerado em operação envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, matéria controvertida, não só no âmbito deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como dentro da própria contabilidade. Vejamos. 1 Fato Tributário: Revisão e Efeitos Jurídicos. São Paulo: Noeses, 2012, p. 161. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.437 17 Em síntese, a autuação se refere à acusação de haver dedução indevida, na apuração do lucro real, da amortização de valor de ágio interno considerado como produzido dentro do mesmo grupo econômico. Após as grandes discussões que têm acontecido sobre este tema do chamado “ágio interno”, assim considerado aquele decorrente de operações dentro de um mesmo grupo, decidi me debruçar para examinar com maior profundidade a questão, eis que até o momento, meu estudo sobre o tema era incipiente. Inicialmente, é importante salientar que o tema nada tem haver com as alterações de normas contábeis introduzidas após a Lei nº 11.638/2007 (Resolução nº CFC nº 1.157/09, CPC 15/09, CPC 18/09, ICPC 09/2009). Todavia, em razão da relevância do tema, inclusive para outros casos em julgamento nesta Turma, tratarseá da questão sob duas óticas: a) regramento anterior à edição da Lei nº 11.638/2007; b) regramento posterior à edição da Lei nº 11.638/2007. A autoridade fiscal para conseguir desenvolver o seu raciocínio e criar uma possível infração a ser penalizada, no caso, teve que fazer uso da acusação da prática de fraude, entendendo ser indedutível o ágio amortizado a partir de uma fundamentação abstrata, apontando como sendo a “teoria contábil” o lastro para a impossibilidade de se reconhecer o ágio quando a operação ocorrer dentro de um mesmo grupo econômico. Para tanto, utiliza como lastro normativo os seguintes dispositivos: Resolução CFC nº 1.157/2009 (...) 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Resolução CFC nº 750/93 Princípio do Registro pelo Valor Original Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.438 18 admitindose, tão somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada; V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos. Por sua vez, o acórdão da DRJ ora recorrido (fl. 1.263), na tentativa de buscar um fundamento de maior substância, adicionou aos dispositivos já citados pela fiscalização o item 120 da Resolução CFC nº 1.110/2007 (revogada pela Resolução CFC nº 1.292/2010), que prescrevia: (...) 120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. É importante consignar que a redação do art. 7º da Resolução CFC nº 750/93 (citados pela fiscalização e DRJ) foi alterada pela Resolução CFC nº 1.282/10 e a expressão “transações com o mundo exterior” foi suprimida do novo texto. Constatase, assim que a acusação imputada à recorrente tem como fundamento legal: a “teoria contábil”, normas contábeis posteriores ao ano de ocorrência dos fatos geradores anos de 2004 e 2005 e, a partir daí foi construído um raciocínio que levou à conclusão, pela autoridade fiscal, de que se tratava de despesa indedutível considerada como tal de acordo com o art. 299 do RIR/1999. Foram citadas, ainda, os dispositivos do art. 385 e 386 do RIR/1999 que tratam da dedução de despesa a título de ágio. É importante esclarecer que por existir na lei previsão específica para a dedutibilidade da despesa de ágio, ex vi dos arts. 385 e 386 do RIR/1999, que têm como matriz legal o art. 20 do DecretoLei nº 1598/1977 e a Lei nº 9.532/1997, devem estes dispositivos ser observados em decorrência do princípio da legalidade fiscal, pois de outra forma macularia a ordem jurídica e jurisprudência criar exigências para limitar direitos aonde a lei não restringiu, e é com este raciocínio que irei examinar o presente caso. Antes de adentrarmos ao exame da matéria, é importante fazer um paralelo do histórico sobre as regras contábeis e fiscais sobre a apuração de resultados envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, tendo em vista a interpretação da teoria contábil e o Ofício CVM 01/2007, bem como a Lei n. 11.638/2007 que introduziu no Brasil o conceito de grupo econômico. Vejamos. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.439 19 A Lei nº 11.638/2007 que introduziu no Brasil o IFRS é cristalina ao separar os dois sistemas, quais sejam, o contábil e o fiscal. Esse fenômeno vem sendo observado pela doutrina contábil e fiscal e já foi, inclusive, objeto de um recente Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. No brilhante Parecer PGFN/CAT/nº 202/2013, da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, ela adverte que, em função da neutralidade preconizada na Lei nº 11.638/2007 e a existência de um Regime Tributário de Transição, há uma clara separação entre a contabilidade societária e a contabilidade tributária, conforme podem ser observados os trechos ora transcritos: 12. O professor Ricardo Mariz nos traz esclarecedora explanação sobre o advento da Lei nº 11.638, de 2007, ao afirmar que as alterações introduzidas pelas regras de convergência da lei societária nacional às normas internacionais de contabilidade já eram esperadas, “mas o momento em que a lei foi promulgada causou surpresa, eis que não restou tempo suficiente para que os órgãos públicos e as entidades privadas se preparassem para aplicar as novas regras.” Ainda explicando o impacto que a Lei nº 11.638, de 2007, traria à tributação brasileira, o mesmo autor explica: “(...) O que se verificou, a partir da Lei nº 11.638, foi uma profunda mudança em conceitos básicos da própria contabilidade mercantil brasileira, rompendo com práticas que até então eram adotadas para a demonstração do patrimônio líquido das entidades e dos seus lucros. Tal rompimento atingiu até os Princípios Fundamentais de Contabilidade aprovados pela Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, que outrora eram chamados “princípios contábeis geralmente aceitos” e assim estão referidos no art. 177 da própria Lei nº 6.404. ....................................................... Com efeito, desde época imemorial o lucro sujeito à incidência tributária é o apurado na contabilidade comercial, a partir do qual são feitos ajustes de natureza exclusivamente fiscal, determinados pela legislação do IRPJ (e mais recente pela da CSL) com vista à quantificação das respectivas bases de cálculo. Tais ajustes, como se sabe, são os de receitas não tributáveis ou com tributação diferida, e os de custos ou despesas não dedutíveis ou com dedução diferida, assim como os dedutíveis até certo limite de valor ou sob determinadas condições, e também aqueles que recebem algum tratamento especial, inclusive a título de incentivo fiscal, procedendose, por fim, à compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Ocorre que as modificações na contabilidade, estribadas na lei nº 11.638, não mais permitem a partida, pura e simplesmente, do lucro líquido contábil, com vistas ao cálculo do lucro tributável. Isto ficou assim em virtude de que tanto as normas contábeis, inclusive e especialmente as normas jurídicas sobre Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.440 20 contabilidade refletidas na Lei nº 6.404, quanto as normas tributárias estavam construídas sobre alicerces comuns, os quais faziam com que elas caminhassem lado a lado, sem muitos conflitos, e distanciandose apenas quando as leis tributárias determinassem algum tratamento fiscal a este ou aquele componente do lucro, diferente do que figurava na contabilidade. (...)”. 13. Tornouse necessária a adoção de uma alternativa legal que preservasse a incidência tributária dos efeitos imprevistos e, até então, imprevisíveis, trazidos pela Lei nº 11.638, de 2007. Foi nesse cenário que veio a lume o Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, mediante o qual se buscava neutralidade fiscal, conforme já devidamente explicitado na Nota Técnica da RFB. 14. Com efeito, a intenção do RTT foi manter os critérios contábeis previstos na Lei nº 6.404, de 1976, antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007, de forma a que as novas regras contábeis não influenciassem a apuração dos tributos respectivos (IRPJ, CSLL, PIS/COFINS). No que concerne ao IRPJ e CSLL, tributos mais afetados diretamente pelas referidas regras, por terem como base de cálculo o lucro real, o RTT determina que o lucro a ser considerado como base para a quantificação do lucro real deve desconsiderar, para sua composição, as regras contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) ... 17. Efetivamente, os artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressamente determinam a observância, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, até que entre em vigor lei que discipline os efeitos tributários desses novos métodos e critérios contábeis, ou seja, a legislação tributária vigente nessa época permanece aplicada não sendo considerados os efeitos dos novos critérios contábeis. Dizer diferente significa dar efeito tributário às alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, o que não se pode admitir em face dos claros mandamentos da Lei nº 11.941, de 2009. ... 31. Assim, tendose em mente que as regras contábeis instituídas pela Lei nº 11.638, de 2007, não podem gerar efeitos tributários, nem servir ao cálculo de tributos, parece claro que os lucros ou dividendos não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte são os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados segundo as normas tributárias vigentes a partir do advento do Regime Tributário de Transição (RTT), o Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.441 21 “lucro fiscal”, e, portanto, regras societárias originais da Lei nº 6.404, de 1976, anteriores à Lei nº 11.638, de 2007. Deste modo, verificamos que a própria Administração Tributária reconhece e aceita o que a doutrina pátria sempre defenderam em relação à convivência e intersecção entre as normas contábeis e as leis fiscais a partir do IFRS. Ou seja, há total separação dos sistemas contábil e fiscal, sob pena de os novos conceitos trazidos pelas novas regras, como a avaliação do patrimônio a valor justo, valor de mercado, etc., interferirem indiretamente na base de cálculo dos tributos com consequente redução na arrecadação tributária. Na realidade do caso concreto, a autoridade fiscal e a autoridade julgadora, para considerarem ter havido infração e fraude, partiram de premissas equivocadas à luz da “teoria contábil, só que esta teoria está lastreada em regras contábeis editadas em períodos posteriores aos fatos ocorridos. Aceitarse tal interpretação implicaria, de uma só vez, em macular dois princípios caros à ordem jurídica, a legalidade e a irretroatividade. Ora, se nem a lei pode retroagir, muito menos a interpretação. Assim, somente a partir do ano de 2007, com a introdução no nosso sistema jurídico da Lei 11.638/2007, é que passou a ser exigido o resultado consolidado do grupo e foi vedada, a partir de então, apenas para fins societários, a utilização do chamado ágio gerado internamente. Tudo regulado pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Tal conclusão é de fácil verificação, haja vista que a Lei nº 11.941/1999 criou o RTT exatamente para regrar essas separações de sistemas e, da simples leitura do texto legal constatase que o conceito de balanço consolidado não foi aceito pela lei fiscal, bem assim, as regras de dedutibilidade do ágio continuaram plenamente em vigor, eis que, além de não existir na lei fiscal vedação ao ágio gerado internamente dentro do grupo, a lei também não exigiu que houvesse propósito negocial ou pagamento. Portanto, se não por outros motivos, ainda que se admitisse a possibilidade de se transportar para a área fiscal a nova interpretação das regras contábeis, digase de passagem, não da lei societária, mas de pronunciamentos do CPC, aplicáveis a partir de 2010, ainda assim, pelo princípio da irretroatividade tal interpretação não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua existência. Nesse sentido, são magistrais as lições da Profa. Misabel Derzi: “E como as leis não retroagem, porque isso não é de sua natureza, das leis, não podem os Poderes Executivos, inclusive o Judiciário retroagir. O raciocínio lógico derivado será o de que os atos de tais Poderes jamais retroajam, pois jamais determinam, validamente, a invasão do passado já que a lei, à qual se vinculam, não poderá fazêlo”. Acrescenta ainda aquela jurista, “Afinal, os princípios da irretroatividade das modificações jurisprudenciais, a proteção da confiança e a boa fé objetiva são dedutíveis diretamente da Constituição da República”.2 2 DERZI, Misabel de Abreu. Modificações da Jurisprudência no Direito Tributário. São Paulo: Noeses. 2009, pp. 493 e 562. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.442 22 Devese ressaltar ainda que, com a introdução do IFRS no Brasil e a total separação da contabilidade das regras fiscais com as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009, os entendimentos contábeis e societários não poderão ser transpostos de forma irrestrita para a interpretação das regras fiscais. Aqui, mais uma vez, é importante se buscar o douto Parecer PGFN/CAT nº 202/20130: ITEM I 7. Por sua vez, o RTT foi instituído pela mencionada Medida Provisória nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, tendo como finalidade precípua promover neutralidade tributária aos efeitos contábeis decorrentes da adoção da Lei nº 11.638, de 2007 e de normas outras posteriormente editadas pela CVM com o escopo de alinhar o ordenamento normativocontábil brasileiro aos princípios e regras contábeis já internacionalmente adotadas. ... 9. Assim, buscouse, através do RTT, neutralizar os efeitos tributários associados à adoção do conjunto de normas contábeis de convergência, tendo sido tal neutralidade normativa operacionalizada através do estabelecimento de uma espécie de “âncora” no arcabouço contábil pregresso, fazendo com que, para fins de apuração do lucro real, permanecessem as pessoas jurídicas, quando sujeitas ao RTT, regidas pelos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Assim dispõem o § 1º do art. 15 e o caput do art. 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressis verbis: ... 16. Dos dispositivos constantes acima reproduzidos, o que se pode entender por adoção legal da neutralidade é irretocável: Um montante de receita contábil gerado exclusivamente pelos novos métodos e critérios contábeis não deveria, sob qualquer hipótese, ser considerada para fins tributários. Analogamente, quaisquer custos e despesas decorrentes da adoção dos novos métodos e critérios contábeis não podem ser tributariamente considerados. ITEM II 9. Esse novo modelo contábilsocietário, introduzido com mais vigor, no Brasil, pela Lei nº 11.638, de 2007, além da abordagem diferenciada dos fatos menos fiscalista, portanto, menos rígida e mais permeável a mudanças e voltada à produção de informações úteis aos usuários externos atuantes em mercados de capitais ativos tem uma abrangência ampla, e, por isso, capaz de causar um incremento ou uma defasagem na carga fiscal das empresas Também se colhe de Alexsandro Broedel Lopes que: “ (...) o processo de convergência no caso brasileiro, possui importantes elementos distintivos. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.443 23 Inicialmente, as normas internacionais foram incorporadas ao nosso ordenamento por meio da emissão de pronunciamentos técnicos, orientações e interpretações pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que em seguida foram emitidos pela CVM sob a forma de deliberações, portanto, com aplicação para todas as companhias abertas e para as companhias fechadas que optaram por seguir as normas da CVM. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) também procedeu à emissão de normativos adotando normas internacionais. Tal procedimento acabou por tornar as normas internacionais, por meio dos pronunciamentos do CPC, aplicáveis a todas as sociedades brasileiras. (Aqui em destaque o pronunciamento de pequenas e médias empresas, que é a regra relevante para as sociedades que não se enquadrem na categoria de sociedade de grande porte. (nota do autor). Procedimento semelhante de convergência às normas internacionais vem sendo paulatinamente adotado pelos reguladores responsáveis pelas instituições financeiras, entidades de previdência e seguros. Ou seja, o processo de adoção das normas internacionais de contabilidade no Brasil alcança um escopo muito maior de entidades. (...)” Daí, concluise que as disposições da Resolução CFC nº 1.157/2009 e Ofício CVM nº 01/2007, que tratam da vedação do ágio interno para fins contábeis, não podem ser transpostos para fins fiscais. Nesse sentido, valome da critica esposada pelo Ilustre Relator do Proc. Adm. n. 16682.720880/201111, Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que, ao se referir ao OfícioCircular CVM/SNC/SEP n. 01/2007(que entendeu que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio, arrematou: “Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal.” Ademais, como leciona o Professor Eliseu Martins no parecer complementar apresentado nos memoriais, que tem sido incansavelmente citado e adotado pelas autoridades fiscais como o orientador dessa nova interpretação, para fins contábeis, leciona que somente a partir do CPC 18 – 2010 é que surgiu a vedação do registro de ágio decorrente de operações envolvendo um mesmo grupo econômico. Porém, tal vedação possuiu vida curta, conforme relatado a seguir: Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.444 24 Mas, voltando à situação das normas contábeis no Brasil. Aquele intento conseguido com o Pronunciamento Técnico CPC 18 mencionado atrás, que vedou completamente o reconhecimento do lucro nas operações entre entidades do mesmo grupo, acabou tendo vida curta. Primeiramente, ele contrariava fortemente e demasiadamente toda a cultura contábil brasileira. Em segundo lugar, contrariava a prática europeia e de tantos outros países (na verdade apenas os EUA fazem a vedação na prática conforme comentado). Em terceiro, criava problemas para os sócios minoritários das entidades que de alguma forma transferiam seus ativos para outras do mesmo grupo porque, com o não reconhecimento do lucro, ficava diferido o pagamento de dividendos sobre tais resultados a tais sócios minoritários. Em quarto, porque normatizamos no Brasil algo sobre o que o próprio IASB ainda está por se posicionar. Assim, em 2012 o CPC voltou atrás e também voltaram atrás a CVM e o CFC. O CPC modificou completamente a situação e esses órgãos aprovaram a mudança. Passouse a permitir o reconhecimento do resultado em todas as transações entre partes relacionadas, com a exceção de quando a controladora é que transfere os ativos para qualquer controlada. Vejase a redação do artigo 22A (e também do 22B) do CPC 18 (R1): ... Ou seja, a vedação acabou valendo tão somente para os exercícios sociais de 2010 e 2011. Concordamos com o fato de que a CVM não gosta desses ágios, e que de fato, em alguns momentos, acabou por tomar algumas atitudes nessa direção, mas a realidade é essa: mesmo que indesejadas por alguns, essas operações envolvendo participações societárias sendo negociadas entre entidades sob controle comum jamais podem, antes de 2010, e após 2011, ser dadas como infratoras de normas legais ou infralegais contábeis brasileiras. Esse mesmo pensamento foi publicado, no ano de 2012, pelo ilustre Prof. Eliseu Martins a fim de esclarecer o verdadeiro conteúdo das suas palavras que têm sido equivocadamente interpretadas: O Fisco tem tentado consertar, por vias discutíveis, erros do próprio governo. Mas tal decreto só permitia a dedutibilidade do ágio apenas na baixa do investimento. Portanto, na prática nada de problema muito sério. Porém, com o objetivo de aumentar o valor de suas próprias empresas no processo de desestatização, o governo tomou a iniciativa que redundou na Lei nº 9.532 em 1997, onde passou a aceitar a dedutibilidade da amortização do ágio em cinco anos, desde que mediante processo de fusão, incorporação ou cisão (nenhuma lógica nessa subordinação apenas trabalho adicional às empresas). Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.445 25 Mais recentemente, com o valor dessas dedutibilidades assumindo vultosas cifras, o Fisco começou a autuar as empresas sob os mais variados argumentos: ágio interno, ou seja, derivado de negociações de participações societárias entre empresas do mesmo grupo mas nada na lei fiscal ou contábil jamais vedou isso até 2010; ausência de "custo" por não haver desembolso de caixa na aquisição, já que pagamento com emissão de ações às vezes só que jamais a contabilidade subordinou "custo de aquisição" a desembolso em caixa. (...) mas essa exigência contábil começou entre nós apenas a partir de 2010 etc. Ou seja, o Fisco vem procurando consertar, por vias na maioria das vezes muito discutíveis, os erros do próprio governo. (http://www.valor.com.br/brasil/2805590/dedutibilidadefiscal daamortizacaodoagio#ixzz2JBHo3TBX) E mais, ainda que se pudesse admitir tal possibilidade, ainda assim, por se tratarem de normas editadas nos ano de 2010, pelo princípio da irretroatividade das leis somente poderiam ser aplicáveis a partir do ano de 2010. Por outro lado, mesmo na vigência do regramento contábil e societário anterior à Lei nº 11.638/2007, já existia uma separação nas regras contábeis e tributárias, tanto é que existia o LALUR exatamente para que fossem feitos os ajustes necessários das regras contábeis às leis fiscais. No caso de transações envolvendo empresas do mesmo grupo, essa separação sempre foi patente. Conforme relatado no Parecer (complemento) do Professor Eliseu Martins, o tratamento contábil dado às transações de empresas pertencentes a um mesmo grupo sempre foi objeto de discussão na contabilidade internacional. O pano de fundo da discussão reside na necessidade ou não de apresentação de demonstração consolidadas (demonstrações individuais x demonstrações consolidadas). Para o Prof. Eliseu, nos Estados Unidos, por exemplo, só existe a apuração de resultados por meio de demonstrações consolidadas. Já no Brasil, a Lei nº 6.404/76, lei societária, sempre privilegiou a demonstração individualizada, tratando as demonstrações consolidadas como uma espécie de complemento às demonstrações individuais. Aliás, com a edição do DecretoLei nº 1.598/77 (art. 2º), foi criado, para fins fiscais, a possibilidade de tributação em conjunto de um mesmo grupo econômico, o que levaria, necessariamente, a mudança das demonstrações individuais para as consolidadas. Porém, tendo em vista os seus reflexos na redução do pagamento de tributos, a norma nunca chegou a ser aplicada, haja vista que foi rapidamente revogada pelo Decreto Lei nº 1.648/1978. Ou seja, apesar da tentativa ocorrida em 1977, nunca foi possível, para fins fiscais, aplicar as mesmas regras existentes para apuração do lucro líquido envolvendo empresas de um mesmo grupo. E é fácil se constatar qual o motivo, pois, se houvesse o acolhimento do resultado consolidado para fins fiscais no balanço do grupo, tal fato implicaria Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.446 26 necessariamente que, por exemplo, prejuízos e créditos seriam compensados dentro do grupo o que afetaria o recolhimento de tributos. Ressaltese que a lei fiscal tanto não aceita o conceito de grupo econômico que não se compensam prejuízos ou créditos entre empresas do mesmo grupo, bem como não é possível excluir de tributação ganho de capital apurado em operações envolvendo um mesmo grupo econômico. Por outro lado, para a contabilidade, tudo se computa dentro do grupo para se produzir o resultado final. Por isso, não se pode adotar dois critérios de interpretação. Por exemplo, tratandose de uma venda entre empresas do mesmo grupo, haverá resultado ou lucro a ser considerado para fins tributários? Com certeza sim! Sobre o ganho de capital deverá incidir tributação. Então, não se pode usar um critério de não admitir despesa de ágio e usar outro critério para fins de tributar resultado em relação a mesmos fatos e operações sob o mesmo argumento: tratarse de operações entre empresas do mesmo grupo. É exatamente a causa, a motivação e a finalidade que distinguem os sistemas contábil e fiscal. Dessa forma, afrontaria a moralidade e a ética que conceitos diversos e que são distinguidos pela lei possam ser utilizados de forma idêntica ou desigual ao sabor dos desejos do interprete ou aplicador. A segurança jurídica impõe ao aplicador da norma a certeza e a uniformidade de interpretação que não pode variar na dependência de arrecadar mais ou menos sob pena de gerar insegurança jurídica. O fato é que os sistemas contábil e tributário são elaborados a partir de critérios distintos para atender finalidades distintas. O direito tributário necessariamente não se restringe ao que ocorre na contabilidade ou viceversa. São sistemas diferentes. Tomese como exemplo a valoração de bens: a contabilidade exige que bens sejam avaliados a valor de mercado, preço justo, etc. e isto tem impacto sobre o resultado contábil, o patrimônio da empresa e na depreciação de bens, por exemplo. Por outro lado, a lei fiscal continua a exigir que os bens sejam considerados pelo custo de aquisição e que a despesa de depreciação somente será dedutível para fins do IRPJ e da CSLL em relação a esse valor, devendo tudo ser ajustado no LALUR. Por seu turno, o DecretoLei nº 1.598/1977, que trata da forma em que o ágio deve ser reconhecido, ainda continua vigente para fins fiscais e não foi revogado. Não obstante, em nenhum momento ele trouxe qualquer previsão, exigência ou restrição ou impediu o reconhecimento do ágio gerado intragrupo. Neste ponto, não cabe ao intérprete criar restrições não expressas na lei para impedir o uso do ágio onde o próprio legislador não estabeleceu. Noutro prisma, o fundamento apontado pela autoridade fiscal para não aceitar o ágio gerado entre empresas do mesmo grupo é que por serem partes relacionadas estaria maculada a independência de avaliação, e por isso, a mensuração dos valores da transação não seria confiável. Mais uma vez, aqui se valeu de regras contábeis posteriores aos fatos (Resolução CFC nº 1303/2010 que aprovou o NBC TG 04). Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.447 27 Nesse passo, entendo que não há na legislação fiscal qualquer vedação ao ágio gerado internamente dentro de um mesmo grupo econômico. Ao contrário, foi autorizado pelo art. 36 da Lei n. 10.637/02 (que revogou a postergação do ganho), art. 21 da Lei n. 9.249/95 (único fundamento p/ágio – expectativa de rentabilidade futura) e art. 8º. da Lei n. 9.532/97 (admitiu sua dedutibilidade na incorporação reversa). ÁGIO DERIVADO DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA (GOODWILL) GERADO INTERNAMENTE Outro fundamento adotado pela autoridade lançadora para glosar o ágio foi no sentido de que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Neste diapasão, é relevante, também, examinar que a Instrução CVM nº 247/1996 que foi citada pela autoridade fiscal como fundamento normativo que impedia o uso do ágio, mormente porque ela não veda a utilização do ágio interno, mas simplesmente não aceita o ágio sem fundamento econômico, como se pode ver: Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. ... § 5º O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos, previstos nos parágrafos 1º e 2º, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exercício, esclarecendose em nota explicativa as razões da sua existência. Entretanto, é importante lembrar que a lei fiscal nada traz sobre isso, e sendo assim, de se registrar que o contribuinte não pode ser compelido a pagar uma obrigação pecuniária que não esteja prevista na hipótese de uma lei tributária, ou, de forma contrária, ser punido por se aproveitar de redução da base de cálculo de uma obrigação tributária que esteja prevista na hipótese legal criadora de uma desoneração. De fato, a lei em nenhum momento determinou que o ágio não possa surgir entre empresas de um mesmo grupo econômico, nem tampouco exige que a aquisição do investimento seja feita com desembolso em dinheiro (art. 20 do Dec. 1.598/77), bem como, não trouxe qualquer impedimento quanto a sua amortização. Ao contrário, expressamente a autorizou (art. 7º. da Lei 9.532/97). Ocorre que, ainda que as normas contábeis pudessem ser aplicadas no presente caso, superandose questões insuperáveis como a legalidade fiscal e a irretroatividade, mesmo assim, do exame das robustas provas do processo podese concluir que aqui não se aplicam tão somente os argumentos da “teoria contábil” para a não aceitação do chamado ágio interno, mas também o propósito negocial da operação, tendo em vista que na operação está presente uma empresa estrangeira que é um terceiro independente, a qual teria o maior interesse em ser rigorosa com a concretude da operação e, o mais importante, toda operação foi acompanhada por laudos de empresas idôneas e não impugnados pela autoridade fiscal, ou seja, quer contabilmente quer pela lei fiscal, todas as operações Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.448 28 realizadas pela empresa foram e são consideradas verdadeiras, eis que foram públicas, registradas e efetivas. (.....) Logo, mesmo à luz da teoria contábil não se poderia refutar tal operação, pois nesta se identifica perfeitamente qual o propósito negocial decorrentes dos contratos formalizados e legalmente perfeitos, quais os resultados advindos da operação e a confiabilidade do respectivo custo. Em sendo assim, somente assistiria razão à autoridade fiscal se ela comprovasse que efetivamente os valores envolvidos não mereceriam fé. Porém, nesse ponto, haveria a necessidade de questionar o laudo e seus critérios de avaliação, o que, de fato, não aconteceu no curso da fiscalização. Portanto, se a autoridade fiscal que dirigiu o longo procedimento fiscal, teve acesso a todos os documentos, inclusive podendo utilizar o seu poder de intimar terceiros para obter informações, se aquela autoridade examinou detidamente os critérios do laudo e nada impugnou, ela certamente ratificou os valores constantes do mesmo. Isto é, houve comprovadamente a expectativa de rentabilidade futura como exige a lei, nos valores informados naquele laudo. (...) Aliás, a prova de que as operações entre empresas do mesmo grupo são aceitas e reconhecidas pela lei fiscal é que foram editadas as Leis nº 9.430/96 e 12.249/2010, que disciplinam respectivamente os preços de transferência e os empréstimos efetuados entre empresas de um mesmo grupo. Logo, é falacioso dizer que não existe essa possibilidade. Ora, se a lei contém previsão que aceita para fins fiscais como limitar despesas, reconhecer receitas (ganho de capital), cobrar tributos sobre deságios, não é possível concluir, com base em simples interpretação, pela impossibilidade de se reconhecer um ágio decorrente de aquisição envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico. (...). Portanto, nem mesmo podese afirmar que a operação se deu apenas entre empresas de um mesmo grupo, pois, no propósito negocial objetivado pelo plano de negócios, existia a necessidade de que houvesse uma nova avaliação das empresas, brasileira e estrangeira para que se pudesse realizar a permuta de ações negociada entre elas. Ao que parece, a autoridade fiscal tenta desenvolver um raciocínio no sentido de que as regras contábeis já traziam a vedação do reconhecimento do ágio intra grupo antes do ano de 2007, quando cita a Deliberação CVM º 29 do ano de 1996 e Resolução CFC 750/1993. Da leitura de tais diplomas podem ser retirados vários raciocínios, porém, além de se tratar de regras contábeis, elas nada contém que diga respeito diretamente à impossibilidade de consideração de operações intragrupos de empresas e à vedação do ágio interno. Pelo contrário, até então, apenas o art. 250 da Lei das S/A é que tratava do balanço consolidado entre empresas do mesmo grupo (vejase a redação original e suas posteriores alterações): Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.449 29 Art. 250. Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: I as participações de uma sociedade em outra; II os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. III – as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo não circulante que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º A participação dos acionistas controladores no patrimônio líquido e no lucro líquido do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração consolidada do resultado do exercício. § 1º A participação dos acionistas não controladores no patrimônio líquido e no lucro do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração do resultado do exercício. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo permanente, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. § 2o A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo não circulante, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. § 4º Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exercício social termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exercício da companhia, elaborarão, com observância das normas desta Lei, demonstrações financeiras extraordinárias em data compreendida nesse prazo. Salientese que a lei fiscal tentou introduzir também essa sistemática, mas o regramento foi rapidamente revogado como já anteriormente citado. Vejase a redação do DecretoLei n º 1.598/1977: Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.450 30 DecretoLei 1.598/1977 Art 2º Duas ou mais sociedades com sede no País podem optar pela tributação em conjunto, desde que satisfaçam aos seguintes requisitos: (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. ... § 5º As sociedades tributadas em conjunto (art. 2º) deverão elaborar, além das demonstrações financeiras de que trata o § 4º, e com observância das disposições da lei comercial e das normas expedidas pelo Ministro da Fazenda, demonstrações consolidadas. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art. 30 A base de cálculo do imposto das sociedades tributadas em conjunto (art. 2º) será determinada de acordo com as seguintes normas e a regulamentação expedida pelo Ministério da Fazenda: (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). I o lucro real do conjunto será o lucro líquido do exercício apurado na consolidação dos resultados de todas as sociedades (art. 7º, § 5º), ajustado nos termos do disposto no artigo 6º; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). II não serão modificadas, pelo fato da consolidação, as deduções admitidas em cada sociedade, cujos limites sejam fixados na lei em função de elementos do seu patrimônio ou das suas operações; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). III o limite de dedução de contribuições e doações poderá ser calculado com base no lucro líquido do conjunto; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). IV na determinação do lucro real poderão ser compensados os prejuízos de qualquer das sociedades do conjunto, observado o prazo previsto no artigo 65. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). Parágrafo único O imposto incide à alíquota de 32% sobre o lucro real das sociedades tributadas em conjunto. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art 64 A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito a compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. § 5º O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.451 31 real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) (Revogado pelo Decretolei nº 1.870, 1981) § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica, nos termos dos atos da operação, às sociedades resultantes de cisão e à que incorporar parcela do patrimônio de sociedade cindida. (Revogado pelo Decretolei nº 1.730, 1979) A propósito, são pertinentes os comentários do Prof. René Izoldi Ávila3 sobre essa modalidade de apuração do lucro até então vigente na época: Capítulo II Tributação de sociedades em conjunto (arts. 2º a 4º; 7º § 5º; 30 e 64 § 8º) 2.1.1. Entre as muitas novidades criadas pela Lei nº 6.404/76, estão os grupos de sociedades (arts. 265 e seguintes) e as sociedades que, embora sem formarem grupos, mantém relações de interdependência de coligação ou controle (arts. 243 e seguinte). ... 2.1.2. Enfrentando esse novo regime jurídico de sociedades que, embora continuem a constituir pessoas jurídicas independentes, caracterizam relações patrimoniais e de resultados interdependentes, o DecretoLei nº 1.598/77 criou um regime especial de “tributação em conjunto”, objeto dos dispositivos a que o título faz remissão, e que serão analisados neste capítulo. ... 2.6.2. A leitura do artigo 30 e seus incisos revela que, em linhas gerais, a apuração do resultado do conjunto é a soma dos resultados líquidos de cada uma das sociedades que o integram. O que poderá determinar, como já enfatizado o número 2.4.2 acima (ao cuidar do § 2º do artigo 4º) uma comunicação de prejuízos. Cada sociedade continuará com o direito às deduções próprias, em função do seu patrimônio e de suas operações (inciso II). Não obstante, como medida de favorecimento, as deduções e contribuições (que têm limite percentual calculado sobre resultados) poderão ter por base o resultado do conjunto (inciso III). Porém, como já mencionado, tais dispositivos do DecretoLei nº 1.598/1977 foram expressamente revogados pelos DecretosLei nºs 1.648, de 1978 e 1.730 de 1979. 3 ÁVILA, Renê Izoldi. Imposto de Renda Pessoa Jurídica – D.L. 1598 – comentado e aplicado. 1977, 2ª edição. p.61. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.452 32 Com isso, podese concluir que inicialmente era desejo do legislador fiscal pátrio introduzir a consolidação dos resultados do grupo da Lei Societária para fins fiscais, porém, posteriormente, esse mesmo legislador optou por não considerar tais disposições para fins fiscais. É cristalino, portanto, que quaisquer regras da lei societária que disponham sobre registros, raciocínios ou consolidação dos resultados ou lançamentos de operações relativos a grupos de empresas que são aplicáveis para fins societários ou contábeis não poderão ser trazidas ou aplicáveis para fins fiscais. Assim, diante da impossibilidade, para fins fiscais, da aplicação das regras contábeis que tratam da escrituração e apuração envolvendo empresas de um mesmo grupo, sobretudo após as alterações promovidas pelas Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009, bem podese concluir que o reconhecimento do ágio mesmo se tratando do chamado “ágio interno” está de acordo com os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e devem gerar todos os efeitos fiscais deles decorrentes. E também pela teoria do propósito negocial, eis que havia de fato um interesse da contribuinte ingressar no mercado externo, e para isso, fazia se necessário trazer seu patrimônio a preço de mercado, e mesmo que toda a operação fosse tão somente a economia de impostos, também é um propósito negocial, admitido pelo Direito, eis que dentre as alternativas por ele admitidas, é não ser obrigado a escolher a mais onerosa, mesmo que essa seja a sua única finalidade. Como leciona Humberto Ávila: “... a liberdade exercida pelos Contribuintes está assegurada pela Constituição e pela legislação tributária antes referida, sendo a capacidade contributiva revelada nos termos em que foram celebrados os negócios jurídicos. Não pode a autoridade fiscal negar nem a aplicação da lei tributária, nem a validade dos negócios jurídicos”. “não sendo caso dissimulação, se o particular utilizase de determinadas formas de Direito Privado, sem abusar da forma jurídica, isto é, sem destruir os seus elementos essenciais, essa utilização não pode ser desconsiderada, mesmo que a sua finalidade seja justamente a de pagar menos tributo. Mas por que isso? Simplesmente porque o princípio da liberdade de exercício da atividade econômica e o princípio da liberdade de iniciativa estão postos na Constituição, e como direitos fundamentais que são não podem ser restringidos no seu núcleo.” Sendo assim, no meu entender, não há como questionar as despesas decorrentes da amortização de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, oriundas de operações societárias ocorridas entre empresas do mesmo grupo e com conferências em ações, quando todos os requisitos legais foram devidamente obedecidos, conforme o presente caso, ainda que também tenha havido o propósito de economia de tributos. Nesse sentido, vale novamente transcrever parte do voto do Ilustre Conselheiro Alberto quando assevera que “O propósito negocial pode ser, exatamente, o de Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.453 33 realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extratributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto”. Mas não é só isso. Ainda que se parta da premissa adotada pela fiscalização, de que o reconhecimento contábil do “ágio interno” não encontra respaldo nos princípios da ciência contábil, só sendo verdadeiros os ágios gerados em aquisições de participações societárias em negócios entre partes independentes, ainda assim o lançamento não se sustentaria. É que, com ou sem respaldo na Ciência Contábil, o fato é que no período de 1º de janeiro de 2003 a 31/12/2005, esse ágio pôde ser registrado para retratar situação prevista em norma tributária específica, in casu, o art. 36 da Lei nº 10.637/20024, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, e que dispunha: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Assim, o ágio “interno” registrado no período em que vigorou a Lei nº 10.637, de 2002, não obstante em desacordo com os princípios contábeis, não pode ser impugnado pelo Fisco, por estar amparado em norma legal expressa. O ágio registrado com base nesse comando da legislação tributária tem como único efeito fiscal aquele previsto na própria norma que justificou sua contabilização. 4 Fruto da conversão do art. 99 da MP 66, de 2002 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.454 34 Ou seja, o diferimento da tributação do valor correspondente à reavaliação da participação societária conferida na integralização de capital subscrito. (...) Nos estritos termos da norma fiscal veiculada pelo art. 36 da Lei nº 10.637, na EMS Sigma Pharma Participações, essa diferença entre o valor pelo qual o investimento em EMS S/A. estava registrado em sua contabilidade e o valor do investimento em EMS Participações que o substituiu, e que corresponde ao valor do ágio registrado nesta última, não é computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo ser controlada na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), para ser tributada quando da ocorrência de um dos eventos previstos nos incisos I e II do § 1º. Logo, em julho de 2005, quando ocorreu a incorporação da EMS Investimentos pela EMS S/A., concretizouse o evento previsto no inciso I do § 1º do art. 36 (baixa do investimento), tornando obrigatória, para a EMS Sigma Pharma Participações, a tributação da valorização diferida, controlada no LALUR. Ressaltese que não é aplicável, no caso, a exceção prevista no § 2º (“não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação...”), uma vez que não ocorreu transferência da participação (EMS S/A.) ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. Assim, quando da incorporação da EMS Investimentos pela EMS S/A, caberia ao Fisco exigir de EMS Sigma Pharma Participações os tributos diferidos controlados no LALUR. Não procede, portanto, glosar as amortizações do ágio realizadas por EMS S/A nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/92, a pretexto de que tal ágio não é verdadeiro, porque sua escrituração foi expressamente autorizada pela Lei nº 10.637/96. O fato concreto é que, o registro do ágio (gerado internamente) decorre de disposição expressa e específica da legislação tributária, com o efeito tributário previsto no dispositivo legal, qual seja, o diferimento da tributação da reavaliação da participação conferida. Por fim, peço vênia novamente ao Ilustre Conselheiro Alberto para transcrever suas considerações no sentido de que “Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileira se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações interna”.” Logo, ante os fundamentos acima transcritos, no meu entender é falaciosa a conclusão de que, para que a amortização do ágio ser dedutível seria necessário demonstrar que os custos foram incorridos e que a reorganização efetivamente objetivou alcançar interesses societários, e não simplesmente reduzir a incidência tributária, ou ainda, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.455 35 modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida, pelo simples fato de que esses argumentos serem apenas uma teoria, sem qualquer amparo na legislação tributária. Dessa forma, o ágio só poderia ser considerado indevido pela fiscalização se os negócios jurídicos não tivessem ocorrido, retratado algo diverso do que efetivamente ocorreu, afastado requisitos legais e/ou preceitos de observância obrigatória ou negado a finalidade legal que justificou a sua celebração. Como nada disso ocorreu, não há como o fisco vedar sua dedução. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário da contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10920.906274/2012-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 74 /2 01 2- 28 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13656.901586/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
Ementa:
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Ementa: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 133 1 132 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.901586/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.124 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria COFINS Recorrente POSTO ESTÁDIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Ementa: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 15 86 /2 00 9- 13 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Dcomp nº 17120.54049.140905.1.3.040844 (fls. 01 a 05), cujo objeto é a compensação de débito do contribuinte com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins (PA 05/2005), efetuado em 24/06/2005, no valor de R$ 6.337,69. O valor total do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$ 690,57. A DRF/Poços de Caldas/MG emitiu em 09/06/2009, Despacho Decisório Eletrônico, por meio do qual não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte (fl. 06). O contribuinte alega em sua manifestação de inconformidade que o valor de R$ 6.337,69 foi recolhido indevidamente, e que o valor efetivamente devido da Cofins relativa a 05/2005 é de R$ 1.044,99. Afirma ainda que por um erro material deixou de retificar a DCTF relativa a 05/2005 quando da transmissão da Dcomp, mas que posteriormente efetuou a retificação da respectiva DCTF. Após análise dos autos, o presente processo foi baixado em diligência junto à DRF/Poços de Caldas/MG, por meio do Despacho, fls. 54 e 55, do qual transcrevese parte: “De uma análise dos dados armazenados nos sistemas informatizados da RFB, constatase que o valor de Cofins (PA 05/2005) apurado pelo contribuinte (conforme planilha constante de sua peça de defesa) e informado na DCTF retificadora (transmitida antes o Despacho Decisório) é divergente do informado no DACON e do declarado na DCTF original. Dessa forma, proponho o encaminhamento deste processo à DRF/Poços de Caldas/MG, para que a autoridade administrativa competente diligencie junto à empresa e verifique em sua escrituração contábil/fiscal qual o valor de Cofins efetivamente devido pelo contribuinte, se aquele declarado na Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13656.901586/200913 Acórdão n.º 3302002.124 S3C3T2 Fl. 134 3 DCTF original e recolhido aos cofres públicos, ou aquele declarado na DCTF retificadora.” Após efetuadas as verificações, a DRF/Poços de Caldas/MG exarou a Informação Fiscal de fl. 79, na qual a autoridade fiscal manifestouse pela inexistência do direito creditório pleiteado e pela não homologação da Dcomp. Ciente da Informação Fiscal em 01/03/2012, o contribuinte não se manifestou e nem apresentou qualquer razão adicional de defesa. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Conforme se depreende do relatório acima transcrito tratase de declaração de compensação tendo por base alegado crédito decorrente de pagamento de COFINS a maior realizado na competência maio de 2005. O despacho decisório não homologou a compensação por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A DCTF original foi devidamente retificada pelo Recorrente e acabou por motivar a DRJ em baixar o processo em diligência para averiguar a rela existência do credito alegado. A DRF após analisar os documentos que foram apresentados, chegou a seguinte conclusão: “O contribuinte foi intimado em 29/12/2011 a apresentar livro razão e diário e cópia das páginas que contivessem os lançamentos contábeis de COFINS apurada a pagar para o mês 05/2005, de sorte a dirimir a dúvida suscitada. Não apresentou os livros requeridos entregando somente cópia de uma página do razão conta COFINS e duas páginas do diário, sendo uma de jan/2006 (fora do período em análise) e uma com os lançamentos contábeis de parte do dia 27/05/2005 até parte do dia 31/05/2005. Ou seja, a intimação não foi atendida integralmente. Os documentos apresentados não demonstram o lançamento do valor da COFINS apurada a pagar no mês de maio/2005. Na única cópia do razão da conta COFINS apresentada aparece a informação do crédito de COFINS apurado no DACON em favor da empresa (R$ 986,98), não aparece o lançamento do valor apurado de COFINS para o mês 05/2005 (R$ 7.135,70) e aparece a informação de saldo atual da cifra de R$ 1.044,99. Ou seja, não tendo havido o lançamento, no razão da conta COFINS, do débito apurado de COFINS, para o mês 05/2005, o saldo de R$ 1.044,99 não corresponde a verdade. O valor de R$ 1.044,99 é aquele que o contribuinte informou, em face do equívoco acima, como devido em sua DCTF retificadora. Por seu turno, a informação da DCTF original guarda consonância com o DACON da empresa. No DACON a empresa informa COFINS a pagar de R$ 6.154,90 (apurado de R$ 7.135,70 menos o crédito de 980,80) e na DCTF original informa o valor de R$ 6.154,89 (diferença de um centavo). Pelo exposto, conforme livro razão da empresa, estão corretos os valores declarados no DACON e na DCTF original e está equivocada a informação da DCTF retificadora da empresa, de forma que, no caso em tela inexiste qualquer crédito em favor da empresa, e a DCOMP em questão não deve ser homologada. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13656.901586/200913 Acórdão n.º 3302002.124 S3C3T2 Fl. 135 5 Intimado sobre o resultado da diligencia, não houve manifestação da Recorrente nem apresentação de outros documentos que pudessem confrontar os argumentos expostos pela autoridade fiscal. Diante destes fatos, não há como reconhecer o direito pleiteado, motivo pelo qual NEGO PROVIMETO a Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10510.000946/2006-73
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ e OUTROS - Exercício: 2003
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF N° 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9101-000.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Valmir Sandri
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Assunto: IRPJ e OUTROS - Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF N° 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do coleado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório - voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Anto s. J1 Carlos Guid. il • Filho Ivete Malaquias Pessoa 1 Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. i I 1 I , 4 jáCARLOS ALBERT* ; a . AS B - " • - Presidente. — 411111111kielk RI - Re ator. EDITADO EM: 09 ABR 20 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, Susy Gomes Hoffman, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. _ i Relatório Com base no permissivo do arL 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n° 147/2007 a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fis 339/344) contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 330/335), que por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento, e por maioria de votos deu parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de oficio para 75% aplicáveis sobre as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O presente lançamento exige crédito tributário decorrente da constatação pela fiscalização da ocorrência escrituração a menor de notas fiscais de venda, tanto no livro caixa, quanto nos livros de apuração do ICMS e de Registros de Saída de Mercadorias, relativo ao ano-calendário de 2002, configurando omissão de receitas de atividades. A fiscalização lançou as diferenças verificadas entre as receitas mensais apuradas através do somatório das notas fiscais de vendas e aquelas informadas na DIPJ 2003, as quais serviram de base para os recolhimentos efetuados pela contribuinte do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, foram lavrados autos de infração nos seguintes valores: RS 124.117,26 de IRPJ, R$ 64.283,09 de PIS, R$ 296.692,23 de COFINS e R$ 106.264,59 de CSL, totalizando R$ 591.357,17, incluindo juros e multa, tendo como fundamentação legal os seguintes dispositivos legais: arts. 19 e 24 e § 2° da Lei 9.249/95, art. 528 do R1R/99, afta 1° e 3° da LC 7/70, art. 2°, I, 8°, I e 9° da Lei 9.715/98, arts. 2°, 3° e 8° da Lei 9.718/98 e alterações, art. 2°, §§ da Lei 7.689/88, art. 29 da Lei 9.430/96 e art. 6° da MP 1.858/99, arts. 2°, I, alínea "a", II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 Decreto n°4.524/02 Em sua impugnação de fls. 213/218, a contribuinte requer a revisão do auto de infração, pois alega que a Fiscalização não considerou os pagamentos mensais realizados por ela durante o ano de 2002 para a redução dos valores devidos, não levando a efeito os crédito existente e externado na DIPJ, e por este fato também, alega ser incorreta a aplicação da multa de 150% que em seu entender, só deve ser aplicada quando existente fraude contra o fisco e que a falta de recolhimento do imposto, por si só não indica a intenção de fraude, mas sim mera inadimplência do sujeito passivo da obrigação tributária., razão pela qual requer a redução da multa para o patamar de 75%. Sustenta ainda a nulidade do auto de infração por suposta omissão no enquadramento legal dos textos legais utilizados para sua imposição. Ao final, alega que a Fiscalização não levou em conta na aferição da base de cálculo do imposto as notas fiscais relativas às operações de vendas não realizadas e de vendas canceladas que geram créditos e diminuem o faturam ento mensal da contribuinte. A? Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador - BA julgou parcialmente procedente o lançamento por entender que não há nulidade no auto de infração, e no mérito, considerou as notas fiscais de devolução dos meses de agosto a dezembro/02 e reduziu a base de cálculo do imposto. 2 Processo n° /051.0.000945/2006-73 CSAF-T1 Acórao n.° 9101-00.549 Fl. 2 Quanto à alegação da contribuinte de que a fiscalização desconsiderou os pagamentos efetuados mensalmente no ano de 2002, a DRJ entendeu que os valores informados na OU são referentes a receitas declaradas pela empresa, não havendo qualquer relação com os valores apurados de oficio. Por fim, manteve a mulia de oficio qualificada sob o fundamento de que a contribuinte omitiu 80% das receitas apuradas no ano-calendário, restando configurada a conduta dolosa. Em recurso voluntário (312/317), requereu a contribuinte à reforma da decisão da DRJ com o conseqüente cancelamento do auto de infração ratificando as afirmações de sua impugnação, quanto à nulidade do auto pela omissão dos dispositivos legais que embasam o auto de infração, a incorreta aplicação da multa de oficio qualificada pela existência de pagamentos ao longo do ano e inexistência de fraude. Ás fls. 330/335, a Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento, e por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de oficio para 75% aplicáveis sobre as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COHNS, estando à decisão assim ementada, verbis: "EMENTA — IRPJ e outro. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não inquina de nulidade o auto de infração eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a referência a artigo do Regulamento do Imposto de Renda, quando a descrição dos fatos das infrações nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. OMISSÃO DE RECEITAS — Caracteriza-se como omissão de receitas a divergência apurada entre os valores declarados em DIPJ e as notas ficais emitidas pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA - AUSÊNCIA DE TIPICIDADE PARA SUA APLICAÇÃO - Deve ser afastada a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado o dolo por parte do sujeito passivo." Em seu recurso especial, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, sustenta contrariedade do acórdão recorrido ao disposto no art. 44, II, § 1° da Lei 9.430/96, por entender que restou evidenciado nos autos o intuito fraudulento da contribuinte, tendo em vista que o contribuinte reiteradanaente apresentou à SRF declarações omitindo informações de tributos a recolher, impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos, causa suficiente para o restabelecimento da multa de 150%. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n. 101-186/2008, fls. 346/347), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 350/356), invoca a sumula n° 14 do Primeiro Conselho, alegando, em síntese que a Fazenda Nacional em momento algum faz prova das alegações de fraude ou dolo que teria cometido a contribuinte e que é correta a redução da multa para 75% pelo colegiado a quo uma vez que - 3 houveram alguns recolhimentos e que a falta de recolhimento do imposto não constitui indicativo de intenção de fraudar o fisco. Na mesma oportunidade, a contribuinte apresentou recurso especial (fls. 361/365), com base no permissivo do art. 7°, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o acórdão proferido pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do Auto de Infração. Sustentando divergência do acórdão recorrido com o entendimento da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao decidir que "mio inquina de nulidade o auto de infração eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal ou mesmo a referência a artigo do Regulamento do Imposto de Renda, quando a descrição dos fatos das infrações nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma ampla das imputações que lhe foram feitas". Alega que no acórdão paradigma (acórdão n° 303-33.365), entendeu-se que constada insuficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal é de se reconhecer a nulidade do lançamento por vicio formal e cerceamento ao direito de defesa. Ao recurso especial da contribuinte foi negado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n. 402, fls. 380/381), ante a constatação de não estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso, uma vez que no caso do acórdão recorrido foi afastada a caracterização do cerceamento de defesa pela clara descrição dos fatos apresentada pela fiscalização enquanto no acórdão paradigma, o entendimento foi no sentido de que constatada a insuficiência na descrição dos fatos, e no enquadramento legal é de se reconhecer a nulidade do lançamento por vicio formal e cerceamento ao direito de defesa. Intimada a se manifestar (fls. 383/385), a contribuinte não apresentou recurso contra o supracitado despacho. É o relatório. • 4 Processo n° 10510.000946/2006-73 CSAF-TI Acórdão n.° 9101-00349 Fl. 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri Com base nos permissivos do art. 7 0, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MI? n°. 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fis 339/344) contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fis. 330/335), que por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento, e por maioria de votos deu parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de oficio para 75%, aplicáveis sobre -as edgências de - IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A D. Procuradoria da Fazenda Nacional apontou o dispositivo de lei que entende contrariado pelo acórdão recorrido, qual seja, o artigo 44, inciso II, § 1°, da Lei n° 9.430/96, que prescreve que a multa sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata será duplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64, ou seja, nos casos de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Como se vê, cinge-se a controvérsia à redução, pelo acórdão recorrido, da multa de oficio aplicada pela autoridade fazendária. Da análise do recurso interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, depreende-se que muito embora a mesma tenha apontado a contrariedade do acórdão recorrido em relação ao disposto no artigo 44, inciso III, § 1° da Lei 9.430/96 não restou comprovado nos • autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e neste caso não há como prosperar a exasperação da penalidade. Nesse sentido, inclusive foi editada recentemente a Súmula n° 14 do CARF, que assim dispõe: "Súmula CARF n° 19: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito defraude do sujeito passivo." O fato é que, sem outros elementos dê provas não há como caracterizar dolosa a conduta da contribuinte, eis que para que ficasse provada e caracterizada a fraude apontada pela fiscali7ação, era necessário que a mesma demonstrasse de forma cabal o evidente intuito da fraude, do dolo ou da simulação como exigido na legislação, eis que se tratam de crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, e sendo assim por se encontrar ausentes tais requisitos nos autos, entendo que não há como subsistir a exigência da imposição de penalidade qualificada por aqueles crimes, razão porque, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida s que reduziu a multa de oficio de 150% para o percentual de 75%. A vista do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. - Relator 6
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Numero do processo: 10850.908565/2011-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente. Substituto
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente. Substituto (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 56 5/ 20 11 -4 1 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 149 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 3.213,09. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 150 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 151 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 152 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 153 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908565/201141 Resolução nº 3801000.657 S3TE01 Fl. 154 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002485/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/05/2001 a 31/05/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL.
As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
Numero da decisão: 3401-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Fernando Marques Cleto Duarte e a Conselheira Angela Sartori, designado o Conselheiro Fenelon Mosocoso de Almeida (Suplente). No mérito, por unanimidade, deu-se provimento ao recurso.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Fez sustentação pela recorrente dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/05/2001 a 31/05/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Fernando Marques Cleto Duarte e a Conselheira Angela Sartori, designado o Conselheiro Fenelon Mosocoso de Almeida (Suplente). No mérito, por unanimidade, deu-se provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Fez sustentação pela recorrente dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632
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IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Fernando Marques Cleto Duarte e a Conselheira Angela Sartori, designado o Conselheiro Fenelon Mosocoso de Almeida (Suplente). No mérito, por unanimidade, deuse provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonça, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 24 85 /2 00 1- 11 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 2 Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Fez sustentação pela recorrente dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632 Relatório Trata o presente processo de pedidos de compensação (fls.03/07) de débitos da COFINS dos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1999 e março de 2001 da empresa Ciba Especialidades Químicas Ltda. (parte neste processo), com créditos da empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio (terceiro), protocolados em 30/05/2001. O crédito tem origem em decisão judicial no Mandado de Segurança nº 98.00166580, que tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciário de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001, conforme informação de fl. 154. O direito ao ressarcimento foi reconhecido administrativamente no Processo nº 10735.000001/9918 (fls.08/11). Contudo, a PFN entrou com ação rescisória para desconstituir a decisão judicial do MS nº 98.00166580, questionando o prazo decadencial para o reconhecimento do crédito. Por essa razão, a autoridade fiscal entendeu que o reconhecimento administrativo do crédito deixou de ser válido e indeferiu o pedido a compensação (fls.154/157). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 206/219), mas a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve o indeferimento, ao proferir acórdão (fls. 362/375) com a seguinte ementa: “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS, ANTERIORES A 1°/10/2002. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS BASEADOS EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA PARCIALMENTE PROCEDENTE. INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INDEFERIMENTO. l. Os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregues antes de 1°/10/2002, não se caracterizam como Declarações de Compensação por expressa disposição legal, não se lhes aplicando o previsto no §5°, do art. 74, da lei n° 9.430, de 1996. E, em assim sendo, a homologação tácita não alcança referidos pedidos. 2. São vedadas as compensações baseadas em créditos decorrentes de ação judicial cujo trânsito em julgado foi parcialmente rescindido, retirando de tais créditos os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo caput do art. 170 do Código Tributário Nacional. (...) PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário Fl. 454DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 13808.002485/200111 Acórdão n.º 3401002.465 S3C4T1 Fl. 454 3 positivado. 2.A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 23/06/2010 (fl.383) e interpôs recurso voluntário em 23/07/2010 (fls.385/401) com as alegações resumidas abaixo: 1 A autoridade administrativa demorou sete anos para analisar o pedido de compensação da Recorrente. Assim, deve ser reconhecida a homologação, vez que o prazo para que a compensação seja analisada é de cinco anos; 2 Em 25/02/2010, a Ministra Cármen Lúcia, do STF, proferiu decisão nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790 suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758; 3 Com a suspensão da ação rescisória, caiu por terra a fundamentação do despacho decisório de que faltam liquidez e certeza no crédito; 4 Ad argumentandum, por força do art. 489, do CPC, o ingresso de ação rescisória não é motivo para o impedimento da decisão proferida no MS nº 98.00166580; Ao fim, a Recorrente pediu a homologação das compensações apresentadas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende compensar seus débitos com créditos de terceiros, oriundos de ação judicial, contudo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito, sob a justificativa de que a existência de ação rescisória na qual a Fazenda busca cancelar a decisão judicial que reconheceu os créditos retira a liquidez e certeza dele. Mantido o indeferimento pela DRJ, a Recorrente, através de recurso voluntário, devolve as seguintes matérias para apreciação deste Fl. 455DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 4 Conselho: homologação tácita de sua compensação e existência de liquidez e certeza do crédito, haja vista a suspensão da ação rescisória. 1 Da homologação tácita da compensação A Recorrente alega que a Administração Pública demorou mais de sete anos para apreciar o seu pedido de compensação, de modo que ocorreu a homologação tácita. Nesse ponto, a Recorrente tem razão. Os pedidos de compensação foram protocolado em 30/01/2001 (fls.3, 5, 6 e 7), enquanto o despacho decisório foi proferido somente em 22/02/2008 (fl.157), isto é, mais de sete anos depois do protocolo do pedido, conforme alegado pela Recorrente. Nesse caso, cabe a aplicação do §4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.637/02, que assim dispõe: “§ 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Da leitura da norma transcrita acima, temse que os pedidos de compensação que estavam pendentes de análise quando entrou em vigor o §4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, passaram a ser considerados declarações de compensação. Por sua vez, o § 5º, também do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, estabelece que o prazo para a homologação da compensação declarada é de cinco anos, a contar da data do protocolo, in verbis: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Ultrapassado o prazo de cinco anos, se a autoridade fiscal não tiver se pronunciado, ocorrerá a homologação tácita da compensação. Nessa linha está consolidada a jurisprudência administrativa: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Conforme o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação. Ultrapassado esse prazo a declaração fica homologada tacitamente, e não é mais possível exigir, no âmbito do processamento da declaração de compensação, qualquer parcela do débito que tenha sido nela incluído”. (CARF. 1ª SJ. 2ª TE. Rel. Cons. José de Oliveira Ferraz Corrêa, 09/07/2013). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 13808.002485/200111 Acórdão n.º 3401002.465 S3C4T1 Fl. 455 5 “MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM A PARTIR DA TRANSMISSÃO DA DCOMP. LEI Nº 9.430/96, ART. 74, § 5º. Nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, o prazo para homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) é de cinco anos, contado da data da transmissão, e não da aquisição do direito creditório. DECISÃO AMPARADA EM PRONUNCIAMENTO DE OUTRO PROCESSO. POSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Decisão administrativa pode ser motivada em fundamentos de outro processo semelhante do mesmo contribuinte, que passam a integrála, como previsto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal”. (CARF. 3ª SJ. 4ª Cam. 1ª TO. Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, 27/06/2013) Portanto, como foram ultrapassados os cinco anos sem que a autoridade administrativa apreciasse o pedido de compensação, deve ser reconhecida a homologação tácita das compensações apresentadas pela Recorrente. 2. Do reconhecimento do crédito judicialmente Ultrapassada a primeira matéria, cabe a apreciação da segunda, que trata do reconhecimento do direto creditório por decisão judicial. Conforme consignado no relatório, o crédito tem origem em decisão judicial de Mandado de Segurança, o qual transitou em julgado. Posteriormente, a Fazenda ingressou com uma ação rescisória a fim de desconstituir a decisão da ação mandamental. Todavia, a ação rescisória foi extinta sem julgamento do mérito. Sobreveio outra decisão judicial, nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790, suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758. A Reclamação Constitucional foi julgada procedente e a ação rescisória transitou em julgado sem resolução do mérito. Diante desse contexto, não há dúvida da validade da decisão judicial do Mandado de Segurança nº 98.00166580, o qual tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001. Levando em consideração que as esferas administrativas são submetidas às decisões judiciais, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que, em Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA 6 cumprimento à decisão judicial que reconheceu a existência do crédito, seja apurado o quantum do crédito existente e sejam efetuadas as compensações até o valor apurado. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e declarar o direito ao crédito já reconhecido judicialmente, de modo que os autos devem retornar à delegacia de origem para que seja cumprida a decisão judicial. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso, Redator designado Nada obstante a posição do nobre relator, no sentido de não acompanhar o entendimento externado pela decisão recorrida no que tange a preliminar de homologação tácita, com todo o respeito, faço uma leitura dissonante, concluindo que o mesmo deve prevalecer, diante dos irrefutáveis fundamentos jurídicos apresentados, como passo a demonstrar. Concluiu a decisão recorrida que os documentos ora examinados, intitulados Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros não se caracterizam como Declarações de Compensação por expressa vedação legal e, em assim sendo, a homologação tácita não os alcança. Entendeu a decisão ora contestada que, mesmo havendo decorrido o prazo de 05 (cinco) anos entre a protocolização dos formulários de fls. 01/04, em 30/01/2001, e a ciência do Parecer Seort n° 53, de 2008 e respectivo despacho decisório, em 27/02/2008, as compensações pleiteadas não se sujeitam à homologação tácita, tendo em vista que os referidos pedidos não se transformaram em Declaração de Compensação, à luz da legislação de regência. Acompanho a decisão recorrida no sentido de adotar o entendimento manifestado pelo Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, concluindo que os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis n°s 10.6371/02 e 10.8331/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, não se afigurando correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação com créditos de terceiros em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. Não cabe, portanto, a aplicação do §4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.637/02, nem a conseqüência da homologação tácita prevista no §5º, do mesmo artigo, com redação dada pela Lei nº 10.833/03. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Processo nº 13808.002485/200111 Acórdão n.º 3401002.465 S3C4T1 Fl. 456 7 Com estas considerações, voto por afastar a preliminar de homologação tácita. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 459DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Numero do processo: 11080.004801/2008-83
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RECEBIMENTO DE RENDIMENTOS EM MAIS DE UM ANO-CALENDÁRIO. RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE. RECOLHIMENTO DO IRRF DE FORMA UNIFICADA NO EXERCÍCIO EM QUE PAGA A ÚLTIMA PARTE DOS RENDIMENTOS. RATEIO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO COM BASE NA PROPORÇÃO DOS RENDIMENTOS QUE COMPUSERAM A BASE DE CÁLCULO EM CADA EXERCÍCIO.
O valor possível de compensação é aquele comprovadamente retido e não o valor recolhido por parte da fonte pagadora. Como os rendimentos foram recebidos em dois exercícios e o recolhimento do IRRF se deu, de forma unificada e em valor atualizado, somente no último exercício, a compensação do IRRF se dá conforme a proporção dos rendimentos levados à tributação em cada ano-calendário.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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RECEBIMENTO DE RENDIMENTOS EM MAIS DE UM ANO CALENDÁRIO. RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE. RECOLHIMENTO DO IRRF DE FORMA UNIFICADA NO EXERCÍCIO EM QUE PAGA A ÚLTIMA PARTE DOS RENDIMENTOS. RATEIO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO COM BASE NA PROPORÇÃO DOS RENDIMENTOS QUE COMPUSERAM A BASE DE CÁLCULO EM CADA EXERCÍCIO. O valor possível de compensação é aquele comprovadamente retido e não o valor recolhido por parte da fonte pagadora. Como os rendimentos foram recebidos em dois exercícios e o recolhimento do IRRF se deu, de forma unificada e em valor atualizado, somente no último exercício, a compensação do IRRF se dá conforme a proporção dos rendimentos levados à tributação em cada anocalendário. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 48 01 /2 00 8- 83 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de notificação de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, com redução do valor a restituir de R$22.815,42 para R$1.146,16, decorrente de glosa de R$28.361,65 compensado a maior a título de Imposto Retido na Fonte (IRRF) referente a rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista. A autoridade fiscal consignou que o valor correto é de R$15.364,47 (fls. 15). Na impugnação o contribuinte alegou que o valor de IRRF considerado na autuação corresponde somente ao valor incontroverso liberado em 2001, quando o correto é computar o recolhimento ocorrido em 29/10/2003 (R$95.462,11) menos o valor descontado em 2001 (R$51.735,99). A impugnação foi indeferida por acórdão que adotou como fundamento a falta de previsão legal para compensar no anocalendário 2003 a parcela efetivamente paga em 2003 (incluída no valor de R$95.462,11) que decorre da atualização do imposto retido e não recolhido na época devida. Foi requerida prioridade de tramitação prevista na Estatuto do Idoso. Os argumentos recursais são idênticos aos desenvolvidos na impugnação. A Turma julgadora considerou que a discussão estava vinculada à forma de apurar o imposto nos casos de rendimentos pagos de forma acumulada. Destarte, o julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.157, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Já admitido o recurso, passase ao exame de mérito. Não está em litígio a formação da base de cálculo nem a apuração do imposto devido no anocalendário. Pelo contrário, em preliminar o recorrente afirma que a base de cálculo está correta. Destarte, não havendo decisão do STF sobre o tema que motivou o sobrestamento, cabe ao Colegiado deliberar unicamente sobre a matéria litigiosa: o valor de IRRF que o contribuinte tem direito de compensar no anocalendário 2003. O valor possível de compensação é aquele comprovadamente retido e não o valor recolhido por parte da fonte pagadora. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004801/200883 Acórdão n.º 2802002.889 S2TE02 Fl. 331 3 Digase mais, é o valor retido correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo do respectivo anocalendário. Essa distinção deve ser destacada porque o argumento do recorrente parte do valor recolhido pela fonte pagadora em 29/10/2003, conforme consta do DARF de fls. 310, sendo que esse valor não corresponde somente ao valor retido relativos aos rendimentos recebidos no mesmo anocalendário. Como demonstrado pela autoridade fiscal (fls. 5), o valor recolhido pela fonte pagadora, em 29/10/2003, foi apurado sobre o total dos rendimentos da ação trabalhista atualizados até 29/10/2003, não corresponde ao imposto efetivamente retido, e sim ao imposto retido sobre a parcela recebida em 2001 e sobre a parcela de 2003 acrescido da atualização. A autoridade fiscal chegou ao valor do imposto retido a partir da base de cálculo de R$348.673,43 (montante da ação trabalhista). Assim, concluiu que a diferença entre o valor do imposto retido sobre o total e o valor da retenção já compensado em 2001, ambos atualizados para a data de 16/09/2002, conforme os cálculos judiciais, é de R$15.364,47, este sim o valor que pode ser compensado no anocalendário 2003. A tese do contribuinte é: computar o recolhimento recolhido em 29/10/2003 (R$95.462,11) menos o valor descontado em 2001 (R$51.735,99). A diferença em relação ao entendimento da autoridade fiscal é que esta levantou a diferença entre o valor retido sobre o total e o retido em 2001, a partir de uma proporcionalidade entre as bases de cálculo dos anos de 2001 e 2003. Este entendimento foi ratificado pelo acórdão de primeira instância. O entendimento da Fiscalização está correto, pois somente a apuração proporcional que tem como parâmetro o valor dos rendimentos em cada anocalendário pode definir o correspondente valor de imposto retido na fonte que pode ser deduzido em cada ano calendário. Exegese do inciso V do art. 12 da Lei 9.250/1995. Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;(grifos acrescidos) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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