Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10805.721342/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIFERIMENTO DO LUCRO.
O art. 409, do RIR/99, autoriza diferir a tributação somente de parcela correspondente ao lucro da receita que se origina em contratos com entidades governamentais. A receita diferida que não corresponde ao lucro deve ser tributada.
REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E POSTERGAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PERCENTUAL DE LUCRO BRUTO/RECEITA LÍQUIDA.
Os cálculos apresentados pelo Auditor Fiscal apresentam consonância com a documentação apresentada pela contribuinte e não devem ser alterados.
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
Numero da decisão: 1302-001.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos pontos relativos aos lançamentos de IRPJ e CSLL; e b) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no ponto relativo à multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre a base estimada mensal, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Cristiane Costa e Guilherme Pollastri.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIFERIMENTO DO LUCRO. O art. 409, do RIR/99, autoriza diferir a tributação somente de parcela correspondente ao lucro da receita que se origina em contratos com entidades governamentais. A receita diferida que não corresponde ao lucro deve ser tributada. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E POSTERGAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PERCENTUAL DE LUCRO BRUTO/RECEITA LÍQUIDA. Os cálculos apresentados pelo Auditor Fiscal apresentam consonância com a documentação apresentada pela contribuinte e não devem ser alterados. IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10805.721342/2011-16
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315910
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.221
nome_arquivo_s : Decisao_10805721342201116.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10805721342201116_5315910.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos pontos relativos aos lançamentos de IRPJ e CSLL; e b) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no ponto relativo à multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre a base estimada mensal, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Cristiane Costa e Guilherme Pollastri. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5245154
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368197541888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 296 1 295 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.721342/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.221 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente LARA CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESIDUOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIFERIMENTO DO LUCRO. O art. 409, do RIR/99, autoriza diferir a tributação somente de parcela correspondente ao lucro da receita que se origina em contratos com entidades governamentais. A receita diferida que não corresponde ao lucro deve ser tributada. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E POSTERGAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PERCENTUAL DE LUCRO BRUTO/RECEITA LÍQUIDA. Os cálculos apresentados pelo Auditor Fiscal apresentam consonância com a documentação apresentada pela contribuinte e não devem ser alterados. IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 13 42 /2 01 1- 16 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos pontos relativos aos lançamentos de IRPJ e CSLL; e b) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no ponto relativo à multa isolada por falta de recolhimento dos tributos sobre a base estimada mensal, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Cristiane Costa e Guilherme Pollastri. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 297 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da redução indevida do Lucro Real por diferimento de receitas auferidas em contrato celebrado com Prefeituras, para as quais a recorrente prestou serviços. Parte destas receitas foi oferecida a tributação no exercício seguinte; outra parte, pelo que consta nos autos, até a data da lavratura do auto de infração, ainda não havia sido submetida à tributação voluntariamente pela recorrente, fato que motivou a constituição de crédito tributário correspondente ao IRPJ (R$ 3.621.351,51) e CSLL (R$ 846.856,08) – (fl. 159/174). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 148/158): (i) A recorrente, muito embora tenha entregue sua Declaração (DIPJ/2007) referente ao anoexercício de 2006 no prazo, preencheua de maneira incorreta com relação às normas de apuração do Lucro Real e determinação de IRPJ, adicional e CSLL; (ii) Atendendo as intimações, a recorrente apresentou, dentre outras documentações, uma planilha onde demonstrou os valores pactuados como contraprestação pelos serviços prestados a órgãos públicos, cujo pagamento não ocorrera na data do vencimento. Informou, ainda, que diferiu no ano de 2006 a importância de R$ 24.055.872,02, da qual R$ 15.906.252,72 foi quitada ainda em 2006. Aduz ainda que “apenas R$ 8.149.619,28 foram diferidos p/ ano seguinte, cujo custo em torno de 60% (4.889.771,56) foi indevidamente considerado em 2007” (fl. 149); (iii) Diante das informações e documentos entregues pela recorrente, o AFRFB concluiu pela existência de três situações distintas: a) DIFERIMENTO DE RECEITAS NO VALOR DE R$ 15.906.252,74, oferecidas à tributação no ano de 2006; b) DIFERIMENTO DE RECEITA NO VALOR DE R$ 8.149.619,28, para anos posteriores; c) RECEITA NÃO DECLARADA, pois da importância de R$ 8.149.619,28, a recorrente comprovou o recebimento de R$ 4.637.699,26, restando a importância de R$ 3.511.920,02 que não foi declarada/comprovada até o momento e, também, não houve demonstração de sua exigibilidade, sobre a qual deve ser exigido o IRPJ e CSLL. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (iv) O AFRFB elaborou um demonstrativo de suas constatações (fls. 133/136). Elaborou também um demonstrativo do lucro proporcional que poderia ser diferido (fls. 147), demonstrando e apurando a parcela do lucro mensal que poderia ser diferido e a receita indevidamente diferida pela recorrente; (v) Esclarece o AFRFB que para apurar a insuficiência da declaração e recolhimento de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL referente ao período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2006 desenvolveu seu trabalho em duas partes, a saber: a) na primeira parte cuidou de conferir os valores declarados em DCTF e DACON com os efetivamente recolhidos de COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, quando apurou divergências. A recorrente, em atendimento à intimação do AFRFB, apresentou DCTF Retificadoras e apresentou informações e documentos que comprovam a regularização dos débitos apontados; b) na segunda parte refez a apuração de Lucro Real e determinação de IRPJ, Adicional e CSLL do anocalendário de 2006, tendo em vista as receitas auferidas pela recorrente contemplarem o fornecimento contratado com entidades governamentais, sendo elaborados os demonstrativos já apontados (fls. 133/136 e 147). (iv) Logo, o AFRFB apontou como infrações cometidas pela recorrente, que motivaram o lançamento tributário acima apontado, as incorreções na apuração do Lucro Real e determinação do IRPJ, Adicional e CSLL do ano calendário de 2006, apurados mensalmente, decorrentes de: a) EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – por motivo de diferimento de receitas auferidas em contrato celebrado com Prefeituras, para as quais a recorrente prestou serviços, e que não foram oferecidas à tributação e não foi comprovado o início de procedimentos judiciais para o seu recebimento, mesmo intimada para tanto; a.1) RECEITA NÃO DECLARADA – a recorrente não comprovou o recebimento de R$ 3.511.920,02 e não fez prova de ter iniciado qualquer procedimento judicial ou extrajudicial para efetivação de sua cobrança, sendo o montante considerado como receita não declarada para efeito de cobrança de IRPJ e CSLL; b) REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL – POSTERGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL – a recorrente diferiu indevidamente a totalidade da receita referente aos contratos de prestação de serviços com órgãos públicos e não recebidos no período de apuração, quando deveria diferir apenas a parcela do lucro do serviço prestado computado no resultado período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse ressultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período, conforme art. 409, do RIR/99. Quanto ao IRPJ e CSLL postergados para o ano de 2007, com vencimento em 28/03/2008, o método adotado pelo AFRFB para efeito de apuração dos tributos foi o da imputação proporcional de pagamentos, conforme art. 163, c/c art. 167, da Lei 5.172/66 (CTN) e Parecer PGFN n.º 1.936/15; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 298 5 c) MULTA ISOLADA – a falta de pagamento do IRPJ, Adicional e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão e redução implica a infração sujeita à sanção por multa isolada, fundamentada pelo art. 44, §1º, inciso IV, da Lei n.º 9.430/96. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 30/06/2011 (fl. 163, 170 e 173). Na sequência, apresentou impugnação em 26/07/2011 (fl. 178/207), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 218/251): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regularmente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECEITAS DERIVADAS DE OPERAÇÕES COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO DO LUCRO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 O que o artigo 409 do RIR/1999 autoriza diferir da tributação é somente a parcela do lucro que se encontra inclusa na receita derivada de operações de empreitada com entidades governamentais, apurado este na forma dos inciso I e II, do ‘caput’ do mencionado dispositivo e não a totalidade da receita. Descumprida tal norma, impõese o lançamento dos valores indevidamente excluídos. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O nãorecolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, ‘b’, da Lei n.º 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 RECEITAS DERIVADAS DE OPERAÇÕES COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO DO LUCRO. O que o artigo 409 do RIR/1999 autoriza diferir da tributação é somente a parcela do lucro que se encontra inclusa na receita derivada de operações de empreitada com entidades governamentais, apurado este na forma dos inciso I e II, do ‘caput’ do mencionado dispositivo e não a totalidade da receita. Descumprida tal norma, impõese o lançamento dos valores indevidamente excluídos. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O nãorecolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, ‘b’, da Lei n.º 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Lançamento Procedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada da decisão supratranscrita em 07/12/2013 (fl. 258), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 07/01/2013 (fl. 260/290), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) No que diz respeito à parcela de R$ 3.511.920,02 das receitas diferidas, ao tomar como base de cálculo tributável a totalidade das referidas receitas, o AFRFB as considerou como omissão de receita, em afronta ao art. 409, do RIR/99, adotado como enquadramento legal da autuação e, também, aos critérios adotados para a tributação das demais receitas diferidas; (ii) Ficou demonstrado nos autos que a receita de R$ 3.511.920,02 não foi omitida, mas excluída na determinação do Lucro Real por força do seu não recebimento e da posterior ação judicial interposta para sua cobrança, com Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 299 7 fundamento no disposto no art. 340, II, ‘c’, do RIR/99, o que inclusive é expresso no voto condutor do acórdão da DRJ; (iii) Assim, com relação à receita de R$ 3.511.920,02, o AFRFB deveria ter tributado tão somente a parcela tida como realizada no anocalendário de 2006, ou seja, excluindo aquela passível de diferimento, e não sua totalidade, para fins de enquadrar o não oferecimento da mesma como infração ao art. 409, do RIR/99; (iv) Portanto, em relação ao auto de infração de IRPJ e CSLL reflexa lavrado com base na receita de R$ 3.511.920,02, impende reconhecer que se encontra ele eivado de vícios insanáveis, devendo ser julgado improcedente, com o cancelamento do respectivo crédito tributário constituído; (v) Relativamente à parcela de R$ 4.637.699,26 das receitas diferidas no ano calendário de 2006, não pode a recorrente concordar com os critérios adotados pelo fisco para determinação da base tributável; (vi) Como se observa dos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal, a base tributável objeto de postergação indevida do IRPJ e da CSLL reflexa para o anocalendário de 2007 foi de R$ 3.066.411,12, apurada conforme o art. 409, do RIR/99, a partir da parcela de R$ 1.571.288,14 do lucro bruto não realizado no anocalendário de 2006, calculado através das informações constantes da Ficha 06A da DIPJ/2007 entregue pela recorrente; (vii) Com efeito, tomando os valores declarados a título de Receita Operacional Bruta, de R$ 48.121,66 (linha 04), de impostos sobre vendas, de R$ 5.685.220,56 (linhas 10 a 12), e do Custo dos Serviços Prestados, de R$ 28.058.625,58 (linha 15), a autoridade autuante apurou como Lucro Bruto do período o montante de R$ 14.377.780,41, daí inferindo que o Percentual de Realização do Lucro Bruto/Receita Líquida seria de 33,88%; (viii) Consonte consta dos documentos e registros extracontábeis entregues ao AFRFB, para a prestação dos serviços do período Jun/06 a Dez/06, no montante de R$ 35.021.571,80, dos quais, repitase, decorreram os indigitados diferimentos, a recorrente incorreu em despesas de R$ 15.921.015,94, ocasionando um Lucro Bruto de R$ 19.100.555,86, implicando uma taxa de Lucro Bruto/Receitas de Serviços de 54%, o que, nos termos em que assentada a autuação, indica um Lucro Bruto não realizado no próprio anocalendário 2006 de R$ 2.550.734,59 para as receitas de R$ 4.637.699,26, recebidas tão somente no anocalendário 2007, restando como base tributável a parcela postergada no valor de R$ 2.086.964,67, e não aquela de R$ 3.066.446,75 apurada pelo AFRFB; (ix) Logo, devem ser reconhecidos os erros cometidos pela autoridade autuante, que viciaram os atos por ela praticados ao longo do procedimento fiscal, inclusive os créditos tributários do IRPJ e da CSLL reflexa lançados, declarando improcedente o auto de infração lavrado com base nas receitas diferidas de R$ 4.637.699,26; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 (x) Caso seja outro o entendimento, a recorrente pugna pelo cancelamento da multa exigida isoladamente, lançada com fundamentono art. 44, II, b, da Lei n.º 9.430/96, pois não remanesce dúvida quanto à improcedência de sua exigência de forma concomitante com as penalidades aludidas nos incisos I e II, do art. 44, da Lei n.º 9.430/96, após o encerramento do período de apuração. Colacionou jurisprudência do CARF e da CSRF no mesmo sentido; (xi) Finalizou requerendo pelo julgamento como insubsistente e o cancelamente de todo o crédito tributário de IRPJ e CSLL, referente ao ano calendário de 2006, constituído por meio dos atuso de infração em questão. Caso assim não se entenda, pugnou pela improcedência do auto de infração lavrado com base na receita diferida de R$ 3.511.920,02, por força dos erros apontados; pela revisão de ofício dos autos de infração com base nas receitas diferidas de R$ 3.511.920,02 e de R$ 4.637.669,26; e, por fim, a exoneração da multa isolada. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 300 9 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Exclusão não Autorizada na Apuração do Lucro Real. Da Receita não Declarada. A questão colocada em análise trata da exclusão indevida de receita proveniente de contratos entre a recorrente e prefeituras (Entidades Governamentais) na apuração do Lucro Real. Segundo consta, a recorrente diferiu a totalidade da receita, o que afrontaria o art. 409, do RIR/99, que apenas autoriza o diferimento da parcela correspondente ao lucro não realizado no anoexercício, observese: Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do LUCRO até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; [...] Ficou evidenciada no decorrer do processo administrativo a intenção da recorrente de diferir os valores correspondentes àquelas receitas, seja pelas manifestações desta durante o procedimento fiscal, seja pela própria documentação apresentada e declarações de ajuste anual entregues à RFB. Não cabe a argumentação da recorrente de que a receita de R$ 3.511.920,02 foi excluída na determinação do seu Lucro Real com fundamento no disposto no art. 340, II, c, do RIR/99. Vale aqui fazer uma breve análise do referido artigo para compreender o comando legal: Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: [...] II sem garantia, de valor: [...] c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; [...] Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 O artigo em destaque trata de deduções que poderão ser realizadas quando há perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da empresa superior a trinta mil reais e vencidos há mais de um ano. A ressalva no final do dispositivo exige que sejam iniciados os procedimentos para o seu recebimento, lançandoas como despesas quando da apuração do Lucro Real. No presente caso, não se configura a situação abarcada pelo texto legal, pois não houve nenhum lançamento contábil da receita tributada como despesa, pelo contrário, a receita foi diferida, ou seja, deixou de ser lançada no anoexercício em que deveria. De outro lado, a previsão legal permite a dedução da perda do crédito quando vencidos há mais de um ano, sendo impraticável que tal operação fosse realizada pela recorrente no mesmo ano em que se deu o faturamento, merecendo destaque a seguinte observação lançada no acórdão recorrido: Mais a mais, não teria sentido algum que, no mesmo ano de 2006 quando se deu o faturamento dos serviços contra a Prefeitura de São Vicente, AINDA SEM SABER SE HAVERIA INADIMPLÊNCIA daquele ente público e sem esperar que os créditos estivessem vencidos há mais de um ano (art. 340, § 1º, II, “c”, do RIR/1999), a contribuinte já fizesse a exclusão das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, reconhecendo como “despesas” o valor questionado de R$ 3.511.920,02. Assim, é incabível a argumentação da recorrente de que houve a dedução da receita de R$ 3.511.920,02 com fulcro no art. 340, do RIR/99, pois é confesso e já se demonstrou que sua intenção foi de diferir a receita não realizada no anoexercício fiscalizado. Como visto acima, a possibilidade de diferimento de receitas originadas em contratos com entidades governamentais e que não são realizadas no mesmo anoexercício está previsto no art. 409, do RIR/99 (supra). É possível observar que o texto legal concede um benefício fiscal ao contribuinte que realiza contratações com entes públicos, permitindo o diferimento da tributação do valor correspondente ao lucro proporcional à receita dessas operações quando não recebidas no anoexercício em que foram consideradas. Neste sentido, uma vez que a recorrente apresentou faturas de serviços prestados a Prefeituras inadimplidas até o fechamento do anoexercício fiscalizado, deveria ela ter considerado a receita correspondente naquele período, diferindo apenas o montante equivalente ao lucro da operação. A legislação não admite o diferimento da totalidade da receita como sustenta a recorrente, mas apenas do lucro proporcional a ela, configurando como inadequado o procedimento adotado, pois reduziu indevidamente o resultado final do exercício. A recorrente ainda admite (fls. 101) que, além de diferir indevidamente a totalidade das receitas advindas dos contratos com as prefeituras e não realizadas no período base fiscalizado, não excluiu de sua contabilidade os custos relativos a tais receitas, ou seja, reduziu ainda mais o resultado daquele exercício uma vez que aproveitou dos custos antes de oferecer a receita à tributação, prejudicando o fisco duplamente, merecendo destaque o seguinte trecho do acórdão recorrido: Entretanto, ao assim não proceder, ao contrário, ter excluído a receita e mantido os custos, na verdade a autuada acabou por ter um duplo benefício, ou seja, i) reduziu o seu lucro (base inicial para cálculo do IRPJ e da CSLL) pela mantença de tais Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 301 11 custos e, ii) retirou da tributação o valor das receitas atinentes a tais custos, ou seja, um valor “a maior” do que o que seria permitido, posto que, como se viu longamente neste voto, somente poderia ter excluído da tributação o “lucro” embutido dentro de tais receitas. Assim, ao diferir o lucro de receitas não realizadas no anoexercícios em que estas forem consideradas, deveria a recorrente observar de forma restrita o art. 409, do RIR/99, em outras palavras, deveria ter excluído da tributação apenas parcela correspondente ao lucro e não toda a receita. Portanto, não padece de nenhum vício o Auto de Infração lavrado contra a recorrente, pois sua fundamentação encontrase em consonância com a infração apresentada ao art. 409, do RIR/99. Recordese, ainda, que a receita indevidamente diferida no valor de R$ 3.511.920,02 não foi oferecida à tributação em nenhum exercício posterior. Dessa forma, voto por manter o lançamento tributário de IRPJ e CSLL sobre o valor de R$ 3.511.920,02 diferido indevidamente e não oferecido à tributação em nenhum exercício posterior. 2. Da Redução Indevida do Lucro Real. Da Postergação do Recolhimento do IRJP e CSLL Neste ponto, a recorrente se volta contra o cálculo realizado pelo AFRFB (fls. 136) para alcançar o percentual de realização da receita (lucro bruto/receita líquida), o que corresponde ao total da receita que poderia ser diferida a título de lucro não realizado no ano exercício fiscalizado. Alega a recorrente que a taxa correta de Lucro Bruto/Receita Líquida seria de 54%, apresentando os valores do período de jun/06 a dez/06 que supostamente deveriam se considerados, tais como a Receita Bruta (R$ 35.021.571,80), as Despesas (R$ 15.921.015,94) e o Lucro Bruto (R$ 19.100.55,86), concluindo que a parcela da receita postergada (diferida indevidamente) seria de R$ 2.084.964,67 e não de R$ 3.066.446,75, no que se refere ao valor de R$ 4.637.699,26 diferidos no anoexercício fiscalizado e oferecido à tributação no exercício imediatamente posterior. A recorrente fundamenta seus argumentos em “documentos e registros extracontábeis” acostados aos autos, contudo tais valores apenas são encontrados na planilha denominada “Demonstrativo Conta Diferimentos Cfe Balanço Exerc. 2006”, criada pela própria contribuinte (fls. 81). Os valores lançados na planilha supracitada, no que se refere ao Faturamento e as Despesas apresentadas entre jun/06 e dez/06, pelos quais a recorrente encontrou a suposta média do custo atribuído em patamar superior ao utilizado pelo AFRFB, não correspondem àqueles lançados em sua documentação contábil e fiscal apresentada, seja no balanço do ano exercício de 2006 (fls. 89), em que se baseia a planilha, seja na DIPJ da contribuinte (fls. 108/113) ou, ainda, nos seus livros contábeis (fls. 137/143). Não fossem suficientes os valores informados pela contribuinte não terem nenhum respaldo em seus documentos contábeis e fiscais apresentados, a planilha apresentada pelo AFRFB (fls. 136) em que apresenta o cálculo do percentual de receita que poderia ser diferido (Lucro Bruto/Receita Líquida) encontrase devidamente acompanhada da cópia do Livro Diário da contribuinte, no qual se baseou. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Os valores lançados pelo AFRFB em sua tabela (fls. 136) encontramse em consonância também com todos os valores que se demonstram nos demais documentos fiscais apresentados pela contribuinte, pelo que se conclui que o percentual de realização utilizado pelo AFRFB (de 33,88%) não merece qualquer ajuste. Inclusive, a recorrente afirma no recurso voluntário (fls. 274, parágrafo n. 38) que os valores dos quais se apropriou o AFRFB para construir sua planilha de cálculo (fls. 136) estão em harmonia com sua declaração de ajuste anual (DIPJ/2007, Ficha 06A), o que demonstra que não existem erros nos cálculos do AFRFB. Dessa forma, voto no sentido de manter o lançamento tributário no que diz respeito à receita de R$ 4.637.699,26 diferida indevidamente, reduzindo a apuração do lucro real no anoexercício fiscalizado e postergando o recolhimento do IRPJ e CSLL. 3. Da Impossibilidade da Aplicação da Multa Isolada sobre Estimativas não Recolhidas após findo o AnoExercício Fiscalizado Acerca da exigência da multa isolada após o encerramento do anocalendário, quando o contribuinte apura lucro em 31 de dezembro e recolhe o importe devido aos cofres públicos, passase a expor. Como se sabe, a multa isolada de 50% é devida pelos contribuintes que optarem pelo pagamento do IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais (art. 2º, da Lei n. 9.430/96) e incide “sobre o valor do pagamento mensal (...)” em caso de não recolhimento do tributo sobre a estimativa, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa” para a CSLL (art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96). Assim, o antecedente da regramatriz de incidência da multa isolada prevista no art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96 descreve a seguinte conduta: deixar de recolher o tributo sobre a estimativa mensal devida na forma do art. 2º da Lei n. 9.430/96. Tratase, portanto, de norma que aplica uma penalidade ao contribuinte, razão pela qual a atenção aos enunciados prescritos deve ser máxima, para que não se apene uma conduta não prevista na lei. De outro lado, não é possível interpretar a lei positivada de modo a construir normas jurídicas contraditórias entre si ou com o ordenamento jurídico, como já observou Marcos Vinícius Néder, quando da relatoria do acórdão 105139794, observese: Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). A questão é saber se cabe a multa isolada após o encerramento do período de apuração (31 de dezembro) nos casos em que o contribuinte apura lucro e realiza os Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 302 13 recolhimentos devidos em decorrência de tal evento. Antes de enfrentar o impasse, insta verificar qual o entendimento deste Conselho acerca da natureza jurídica do recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais. Para tanto, valhome de recente súmula editada por este Conselho Administrativo acerca dos recolhimentos por estimativas: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O entendimento sumulado, e, portanto, com força vinculante entre os Conselheiros do CARF (art. 72, §4º, RICARF1), guarda subjacente a noção de que as estimativas são meras antecipações do tributo. Ou seja, apenas ao final do período de apuração será possível verificar se ocorreu ou não o fato jurídico tributário (fato gerador). O fundamento legal dessa compreensão está expressamente contido na Lei n. 9.430/96, em seus artigos 2º, §3º, 282 e 303 da Lei n. 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Assim, vêse que os valores recolhidos com base nas estimativas mensais não se tratam propriamente do IRPJ e CSLL efetivamente devidos, mas sim de uma antecipação, sobre bases “estimadas”, ou por meio balanço de suspensão e redução (que apura o quanto 1 RICARF. Portaria do Ministério da Fazenda n. 256/2009. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Lei n. 9.430/96. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) 3 Lei n. 9.430/96. Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 possa ser eventualmente devido em cada período4). Do ponto de vista do Fisco, é uma antecipação de receita, uma vez que o fato gerador do IRPJ somente se dá no encerramento do exercício. Nesse sentido afirma também Marco Aurélio Greco, para quem a estimativa “tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação — e que dele não pode se distanciar — que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.891/95)”5. Logo, as estimativas não têm natureza jurídica de tributo. Este, o tributo, é um fenômeno jurídico que somente se revela em 31 de dezembro, como já esclareceu Marcos Vinícios Neder: Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). E se não são tributos, o que são as estimativas? Entendo que as estimativas se assentam em uma presunção de que o tributo será devido. Ou seja, é uma presunção de que ocorrerá o fato jurídico tributário (fato gerador) em 31 de dezembro. Ocorre que as presunções deixam de existir no encerramento do exercício, quando possível apurar o tributo devido, não sendo possível falar em “antecipações”. Os indícios fornecidos pelas presunções perdem a sua importância quando já se sabe da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Vale dizer, uma vez que já é possível saber se há ou não lucro na data de 31 de dezembro, é desimportante continuar dando relevância às presunções. Neste contexto, muitos defendem a aplicação do princípio da consunção (absorção) para argumentar que, em casos de aplicação concomitante da multa isolada e de ofício, a conduta meio (não pagamento das estimativas) ficaria absorvida pela conduta fim (não pagamento do tributo verificado em 31 de dezembro). Este entendimento encontra eco neste Conselho, que diversas vezes defendeu a sua aplicação, como afirma Marcos Vinícios Néder, citando Miguel Reale Junior: Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um 4 Lei n. 8.981/95. Art. 35. Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...). 5 GRECO, Marco Aurélio. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: RDDT, n. 76. Citado por Marcos Vinicius Neder no acórdão 105139794, CARF. Sessão 04/12/2006. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 303 15 momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". (CARF. Acórdão 105 139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). Neste sentido, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que em outras oportunidades foi defendido6: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Ac. 910100.500 da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Leonardo de Andrade Couto, j. 25 de janeiro de 2010). Não discordo que o princípio da consunção tenha aplicação em Direito Tributário, pelo contrário, entendo pela sua plena aplicação nos casos de concomitância de multa isolada e de ofício. Porém, vou mais longe, pois, admitindo a súmula n. 82 do CARF, segundo a qual as estimativas não são devidas após o encerramento exercício, entendo que também não existe fundamento jurídico para que subsista a respectiva penalidade. Explico. Recordando as observações de Paulo de Barros Carvalho, toda relação jurídica obrigacional envolve um credor (que pode exigir que algo seja feito ou entregue) e um devedor (que deve fazer ou dar algo), razão pela qual seria impróprio falar em obrigação principal ou acessória e, ainda, em obrigação tributária e crédito tributário como faz o CTN7. 6 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Recurso especial provido. (CSRF. Acórdão 0105.843. Sessão de 15/04/2008). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF. Acórdão 0105.511, sessão de 18/09/2006). 7 Assevera o autor “Em várias passagens do texto da Lei n. 5.172/66 deparamos com a estranha separação entre obrigação e crédito. Posta de lado a influência que o legislador porventura tenha sofrido da velha teoria dualista Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Desse modo, toda prestação que o contribuinte faz em favor do Fisco é uma obrigação jurídica8. No sistema das estimativas, podem ocorrer doze relações jurídicas obrigacionais: onze relativas às estimativas e uma relativa ao recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Logo, as estimativas e o recolhimento do tributo são todas obrigações jurídicas distintas entre si. Este é justamente o ponto em que se apoiam os que defendem a incidência da multa isolada após o encerramento do ano calendário e, por consequência, quando houver cumulação com a multa de ofício. Alegase que são hipóteses de incidência distintas. A premissa, contudo, está parcialmente correta, pois falha por não consignar que, embora as relações jurídicas sejam distintas entre si (e por isso a hipótese de incidência é distinta), a legislação tributária expressamente as vincula, tornandoas interdependentes. É o que se conclui da súmula n. 82, do CARF (supra), que esclareceu que a estimativa é a antecipação do próprio tributo, embora constitua uma relação jurídica autônoma. Notese que a súmula não afirma que “as estimativas não são devidas somente se houver lucro”. Na verdade, as estimativas não são devidas em qualquer hipótese, desde que encerrado o anocalendário. Contrario sensu, as estimativas são devidas antes de encerrado o ano calendário. No mesmo sentido está a corrente que defende a impossibilidade de cumular as multas de ofício e isolada, para quem as multas incidiriam sobre a mesma base de cálculo9, o que prova que são obrigações correlacionadas, embora sejam relações juridicamente distintas. Logo, encerrado o anocalendário, tem lugar apenas a multa de ofício. Surge, portanto, um marco importante que evidencia a extinção das relações jurídicas decorrentes das estimativas e o surgimento de novas relações jurídicas decorrentes da ocorrência do fato jurídico tributário: 31 de dezembro. Esta é a data em que se extingue toda e qualquer obrigação relativa às estimativas. da obrigação civil, que não vem ao caso debater aqui, a verdade é que não se pode cogitar de obrigação sem crédito ou de crédito sem obrigação. O direito de crédito é a outra maneira de nos referirmos ao direito subjetivo que o sujeito ativo tem para exigir a prestação. A ele se contrapõe o débito, como o dever jurídico atribuído ao sujeito passivo de cumprir o que dele se espera. Um e outro integram o vínculo obrigacional, na condição de elementos indispensáveis. Exista o crédito em estado de incerteza ou de iliquidez, de qualquer forma é uma realidade jurídica ínsita a toda obrigação. Soa mal, portanto, quando declara o legislador, ingenuamente, que a obrigação nasce com a realização do fato gerador, mas o crédito tributário se constitui pelo lançamento. Seria o momento de indagar: que obrigação é essa que desabrocha no mundo jurídico, sem que haja, para o sujeito pretensor, o direito subjetivo de exigir a prestação? E que liame obrigacional será esse, em que o sujeito passivo não está compelido a prestar o objeto? Teria sido melhor se o legislador se ativesse as concepção tão bem elaboradas pela Teoria Geral do Direito, substituindo esse fraseado atécnico que acaba proclamando desaparecer a parte quando se extinguir o todo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. .297 a 298). 8 Sobre a definição de obrigações, Clóvis Bevilácqua, citado por Diniz: “A mais completa dessas definições é a de Clóvis [Beviláqua]: “Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém, que, por ato nosso, ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. (...) (DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32). 9 Nesse sentido, a Cons. Susy Gomes Hoffmann: “O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações.” (CSRF. Acórdão 9101001358. 1ª Turma. Sessão 16/05/2012). Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 304 17 Recordese que qualquer relação jurídica está fadada ao desaparecimento10, por isso Clóvis Beviláqua afirma que as obrigações são “relações transitórias”11. No mesmo sentido está Venosa, para quem “a obrigação tem caráter de efemeridade”12. Existem diversas formas de extinção das obrigações (v. art. 156, CTN) e prazos para seu cumprimento (v.g. para pagamento, para prescrição e decadência, para cumprimento de um dever instrumental etc.). Respeitando as premissas adotadas, e tendo por certo que as estimativas e o tributo apurado em 31 de dezembro, embora representem relações jurídicas distintas, estão induvidosamente vinculados, devese admitir que a extinção de uma deve guardar coerência com o surgimento da outra. Nessa linha, concluo que em 1º de janeiro do ano seguinte13, independentemente de haver ou não lucro, ou mesmo de o contribuinte ter recolhido ou não o tributo apurado em 31 de dezembro, é impossível exigir a multa isolada sobre a parcela da estimativa não recolhida, tal como não é possível exigir a própria estimativa, pois se extinguem as relações jurídicas decorrentes dos fatos presuntivos (estimativas), surgindo em seu lugar novas relações jurídicas decorrentes do fato presumido (fato jurídico tributário). A superveniência do dia 31 de dezembro torna inexigível a conduta do contribuinte no que tange às estimativas, que deixam de ser devidas. Opera, por consequência lógica, “extinção da punibilidade” em face das multas isoladas. Não faz sentido admitir que a conduta do contribuinte deixe de ser obrigatória (recolher estimativas), mas o seu descumprimento ainda constitui um ilícito tributário. Seria como admitir, por exemplo, que a conduta do homicida deixe de ser um injusto penal, mas ele ainda deve cumprir a pena (nulla poena sine crimine). Observese que nem mesmo o lançamento de ofício da estimativa é possível, pois a conduta do contribuinte deixa de estar em desacordo com a legislação tributária. Ao invés de exigir a estimativa, passa a ser devido o IRPJ e CSLL eventualmente apurados. De 31 de dezembro em diante, inexiste o fato “recolher estimativas” ou “deixar de recolher estimativas”. E nem se argumente que o exemplo acima decorre das estruturas principiológicas do Direito Penal, uma vez que a necessidade de existir uma conduta ilícita para que seja imposta uma punição representa um reflexo do princípio da legalidade. É relevante recordar as lições de Luciano Amaro sobre este tema: Apesar da maior gravidade da infração criminal, e, portanto, da sanção penal (geralmente restritiva da liberdade), e não obstante esta geralmente se faça acompanhar de uma “pena acessória” nada desprezível, traduzida na reprovação social, maior do que a decorrente da sanção administrativa, há alguns princípios que são comuns aos dois campos: o princípio da legalidade dos delitos e das penas (nullum crimen, nulla poena 10 Pouquíssimas relações jurídicas têm capacidade para perpetuaremse. Um exemplo de imprescritibilidade são os crimes do art. 5º, XLII e XLIV, da Constituição Federal, e o dever de ressarcir o erário em ações de ressarcimento (v. REsp 1069779, STJ). 11 DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32. 12 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 179. 13 Quando encerrado o período de apuração. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 sine praevia lege), o princípio in dubio pro reo, a retroatividade benigna, o princípio do devido processo legal. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 439). Em suma, após 31 de dezembro, extinguese o ilícito tributário (súmula 82, CARF), razão pela qual se torna impossível exigir a sanção dele decorrente. No mínimo, deve se admitir que a base de cálculo da multa isolada (estimativa), por ser inexigível, despareceu do universo jurídico, razão pela qual não é possível calcularlhe o valor. Poderseia criticar o presente entendimento alegando que nenhuma penalidade seria imposta ao contribuinte que deixou de recolher as estimativas, consoante se obrigara perante o Fisco, e que ao final do ano apurou lucro e realizou os recolhimentos devidos. Tal sensação de impunidade não deve incentivar nenhuma consequência ao contribuinte, porque o lançamento da multa isolada (pena) é possível, desde que ocorra dentro do período de apuração. Ou seja, deve ser respeitado o prazo correto de imposição. E esta penalização, desde que aplicada dentro do prazo correto, reforça a manutenção da multa “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (ressalva da alínea “b”, inc. II, art. 44, da Lei n. 9.430/96.). Assim, a única possibilidade de aplicação da multa isolada é antes do encerramento do exercício, período em que ainda existe um ilícito tributário. A interpretação, neste caso, deve ser sistemática e lógica, sob pena de criar contradições internas no sistema jurídico. O próprio CTN autoriza que seja feita interpretação mais favorável ao contribuinte quando da interpretação das normas que aplicam penalidades: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifo não original) No presente caso, interpretase uma norma que “comina penalidade” (art. 44 da Lei n 9.430/96) para verificar tanto a natureza e extensão do fato (inc. II) quanto a graduação da penalidade (inc. IV), com a consequente análise da punibilidade do contribuinte (inc. III), como autoriza, inclusive, o Superior Tribunal de Justiça e este Conselho: (...) 2. A legislação tributária deve ser interpretada da forma mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável ou a sua graduação (art. 112 do CTN). 3. Recurso especial improvido. (STJ. REsp 908.394/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2007, DJ 10/04/2007, p. 211) (...) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 305 19 ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. (...) (CARF. Acórdão 2302001.447. Cons. Arlindo da Costa e Silva. Sessão 30/11/2011). Sobre o tema, calha reproduzir as palavras de Paulo de Barros Carvalho, quando, ao estudar o art. 112 do CTN, adverte que a dúvida acerca do ajustamento da conduta ao fato tipificado pode implicar ofensa ao princípio da legalidade: Não poderia ser de outra maneira. Vigendo no direito tributário o princípio da estrita legalidade, que traz consigo a necessidade de uma tipificação rigorosa, qualquer dúvida sobre o perfeito quadramento do fato à norma compromete aquele postulado básico que se aplica com a mesma força no campo do direito penal in dubio pro reo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 109). Ressalto que em momento algum busco exonerar o contribuinte de uma penalidade possível ou infirmar a vigência de lei federal. Pelo contrário, busco conferir a maior efetividade ao direito posto, extirpando as inconsistências e incoerências. Concluise, portanto, que a aplicação de multa isolada, por falta de recolhimento mensal sobre estimativas, importa aplicação de penalidade com base em uma obrigação que não existe no universo jurídico. Assim, entendo incabível a aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário, em razão do não recolhimento sobre as estimativas mensais, apuradas de acordo com a opção constante no art. 2º da Lei n. 9.430/96. Dessa forma, voto no sentido de exonerar o lançamento da multa isolada. 4. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, para exonerar o lançamento da multa isolada, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa isolada sob omissões nas estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores já foram objetos da multa de ofício aplicada sob o valor total devido anualmente. A recorrente alega que a multa de ofício sobre IRPJ e CSLL e multa isolada sobre as respectivas estimativas são incompatíveis, pois representam a incidência de dupla pena sobre a mesma infração. O relator do voto vencido acolhe os argumentos da recorrente fundado especialmente na aplicação do princípio penal da consunção, na impossibilidade de aplicação da multa isolada após encerrado o anocalendário e na impossibilidade de aplicação de duas penalidades para a mesma infração. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa isolada sobre as estimativas apuradas de IRPJ e CSLL decorre de expressa disposição legal. Uma das teses que sustentam o voto vencido está amparada na aplicação do princípio penal da consunção, segundo o qual a conduta mais ampla, ou mais grave, engloba ou absorve outras condutas menos amplas e, geralmente, menos graves, as quais seriam meios necessários ou instrumentais para a execução do outro crime (mais grave). Assim, existindo um ilícito penal, em que um deles (menos grave) represente apenas o meio para a consecução do delito mais nocivo, o agente será penalizado apenas por este último. Um exemplo clássico de sua aplicação no direito penal é o do crime de lesão corporal em relação ao crime de homicídio. Para se chegar ao resultado decorrente da prática do homicídio, que é a morte da vítima, é praticamente impossível que antes desse resultado ocorrer, não tenha o autor do crime também infligido à vítima lesões corporais. No entanto, tendo em vista ser crime de maior gravidade e, portanto com maior pena, o autor somente é penalizado pelo homicídio. Esta linha de raciocínio traz em seu bojo o seguinte silogismo: a falta de recolhimento da estimativa mensal (conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo) é ação preparatória para a realização de uma conduta mais grave, consistente em não recolhimento do tributo efetivamente devido e apurado ao final do exercício, quando então violarseia um bem jurídico mais importante, qual seja a efetivação da arrecadação tributária. Nesse diapasão, a conduta mais grave englobaria a menos grave, resultando na penalização apenas pela conduta mais grave, mediante a aplicação da multa de ofício sobre os valores devidos ao final do exercício. Em que pese o esmero da argumentação contida na jurisprudência trazida para fundamentar o acórdão recorrido, entendo que é necessário verificar se é de fato cabível a aplicação no caso em tela do princípio da consunção. Examino primeiramente a questão sob o aspecto fático. Com a devida vênia, não me parece que a falta de recolhimento da estimativa mensal possa ser considerada como mera preparação para o não pagamento do tributo devido ao final do exercício. O não pagamento de (pelo menos parte) do tributo devido ao final do exercício pode ocorrer Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 306 21 independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. Por outro lado, o não recolhimento das antecipações mensais ficaria simplesmente sem qualquer penalidade nos casos em que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Neste caso, não ocorrendo a conduta mais grave, segundo a tese do acórdão (falta de recolhimento do tributo devido, em face da inexistência de saldo devido), não haveria qualquer penalização pela ação menos grave (falta de recolhimento de estimativa). Mal comparando (peço vênia para voltar ao exemplo do homicídio), seria o mesmo que, naquele caso, não se consumando o homicídio o autor não ser penalizado pela lesão corporal (em caso de também ser afastada a hipótese de tentativa). Outro argumento que fundamenta a tese, e que reputo equivocado, é o que trata a obrigação de recolher o tributo antecipadamente como sendo algo de natureza distinta de tributo, o que caracterizaria a falta de seu recolhimento como uma infração menor que a do tributo apurado ao final do exercício. A definição de tributo é dada pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A obrigação instituída pelo artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito se amolda perfeitamente à definição do CTN, senão vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A definição legal dada pelo dispositivo acima citado contém todos os elementos do tributo, quais sejam: hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo e alíquota. Conquanto sejam antecipações sujeitas a ajuste no final do exercício, não resta dúvida que tais recolhimentos são tributos devidos, tanto assim que o eventual saldo favorável ao contribuinte no final do exercício se submete às regras de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou à maior, nos termos da legislação tributária. A sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Outro aspecto a ser examinado para a aplicação do princípio da consunção é se existe de fato um conflito aparente de normas, condição necessária para a sua aplicação. Mais uma vez entendo que não. As normas que regulam a aplicação das penalidades, embora tratem em ambos os casos (multa de ofício e multa isolada) da falta de recolhimento de tributos, visam disciplinar situações completamente distintas e autônomas entre si, não existindo qualquer conflito entre elas, o que impede a aplicação do princípio. Sendo autônomas as infrações, a ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, de modo que não se pode utilizar o conflito aparente de normas para a solução da questão. A obrigação de recolher as antecipações mensais não se constitui uma mera obrigação acessória e ainda que assim o fosse não seria absorvida pelo descumprimento da obrigação tida como principal (não recolhimento do tributo devido apurado ao final do exercício). A prevalecer tese oposta, também não poderia ser cobrada a multa pela falta de apresentação da declaração de rendimentos ou da DCTF, pois também esta seria uma infração menor; mero instrumento para a consecução da infração mais grave (falta de recolhimento do tributo devido), que absorveria a menor. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 307 23 As multas pelo descumprimento de obrigação acessória não se confundem com as devidas em face da obrigação principal, convertendose também em obrigação principal, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, no § 3º do art. 113, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, se não se está diante de um conflito de normas que enseje a utilização dos princípios gerais de direito para a sua correta interpretação e aplicação, o afastamento de sua aplicação amparados nesses princípios seria uma forma indireta de aferição da sua própria constitucionalidade, o que é vedado no âmbito administrativo pela lei e pela própria jurisprudência do CARF, consolidada na súmula nº 02. Dada a clareza da norma e dos fatos a ela subsumidos também não há que se cogitar do uso da interpretação mais benéfica ao acusado, prevista no art. 112 do Código Tributário Nacional. De fato, impõese no caso a interpretação sistemática da norma, para a correta aplicação das multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento da discussão, transcrevo abaixo os dispositivos questionados (em sua redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (grifei) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 Pareceme cristalino que só faz sentido a aplicação da multa isolada quando a infração é constatada após o encerramento do ano de apuração do tributo. Se fosse constatada a falta no curso do anocalendário caberia à administração tributária exigir o tributo devido (por estimativa) acrescido de multa de oficio e dos respectivos juros moratórios. Tal constatação colide frontalmente com a tese defendida no voto vencido nesta matéria de que a multa isolada só seria aplicável antes do encerramento do período de apuração. Tal proposição é materialmente impossível. Ao estabelecer a cobrança apenas da multa isolada quando detectada a falta de recolhimento da estimativa mensal, após encerrado o período de apuração, a norma visa exatamente a adequação da exigência tributária à situação fática. Senão vejamos. Se a fiscalização constata que o contribuinte deixou de recolher as antecipações mensais e já apurou o saldo de tributo devido no anocalendário (tendo recolhido este ou não), não faria sentido a norma exigir o recolhimento do tributo que fora devido por antecipação, pois já conhecido o montante efetivamente devido no exercício, sob pena de em grande parte dos casos, o tributo ser arrecadado e ato contínuo ser restituído ao sujeito passivo, o que careceria de razoabilidade. No entanto, entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas a proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que “a lei não contém palavras inúteis”. Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. A interpretação adotada pelo voto vencido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4º). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu “caixa” e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É de conhecimento geral os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.721342/201116 Acórdão n.º 1302001.221 S1C3T2 Fl. 308 25 Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferese, além da legalidade, o princípio da isonomia. Na linha da tese adotada pelo voto vencido, para se restaurar a igualdade, seria correto que o contribuinte que efetuasse o pagamento das estimativas e ao final do exercício encontrasse saldo de tributo pago à maior tivesse direito à restituição imediata e integral dos valores pagos como se indevidos fossem, inclusive com a incidência de Juros Selic desde a data de cada pagamento e não apenas a partir de 1º de fevereiro do exercício seguinte como prevê o §2º do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. Tendo sido afastada a hipótese de existência do conflito de normas que permitisse a aplicação de outros princípios gerais na interpretação da norma em discussão, cabe verificar se é possível a aplicação da equidade prevista no art. 172, inc. IV do CTN, como uma forma de abrandar os efeitos da penalidade, ao presente caso. Não se verifica qualquer situação peculiar seja quanto ao sujeito passivo, seja quanto aos fatos que possam ensejar considerações de equidade e autorizar a remissão do crédito tributário lançado regularmente. Somente a lei poderia autorizar a remissão dos valores lançados a título de multa isolada, o que não existe no presente caso. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que apenas a lei pode estabelecer as penalidades para as infrações aos seus dispositivos e também para as hipóteses de sua dispensa ou redução, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (grifei) Portanto, se a lei não prevê a dispensa ou redução das penalidades nela previstas, não cabe ao intérprete fazêlo. Por fim, examino a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um “bis in idem” sobre um mesmo fato na aplicação da multa isolada e da multa de ofício, outro argumento utilizado no voto vencido para sustentar a impossibilidade de coexistências das duas penalidades. Não vejo no presente caso como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é extremamente clara ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 Conforme já demonstrei anteriormente, também não há a alegada identidade de base de cálculo entre a multa isolada e a multa de ofício. Isto só ocorreria se fosse aceita a tese de que o limite à aplicação da penalidade é o montante de tributo apurado ao final do exercício, o que já se mostrou improcedente. De outro modo, exceto no caso do período de apuração encerrado no mês de dezembro, que pode coincidir com o resultado anual apurado (no caso de levantamento de balancete de suspensão ou redução), não há identidade entre as bases. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado “bis in idem”. Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei nº 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea “c” do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que como já foi dito não cabe no âmbito deste colegiado. Para concluir, com a devida vênia, entendo que não passa de sofisma a comparação, utilizada recorrentemente, entre a possibilidade de aplicação das multas isolada e de ofício, ora examinadas, com a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, cumulada da multa de mora, porque neste caso sim a penalidade decorre de um mesmo fato. O que diferencia a graduação e a aplicação de uma ou outra penalidade no caso é a postura do sujeito passivo. Se este purga sua inadimplência antes da ação do Fisco tem sua penalidade limitada à multa de mora; porém, se ao contrário, aguarda a ação do Fisco para a identificação da falta é apenado com a multa de ofício, mais gravosa. Mais uma vez é a lei que define qual a penalidade a ser aplicada em cada situação, diferenciando o recolhimento espontâneo do tributo, ainda que com atraso, da cobrança realizada de ofício pela administração tributária. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo a exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, nos moldes constantes do lançamento. Sala de sessões, em 05 de Novembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13561.000087/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13561.000087/2009-58
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313188
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.953
nome_arquivo_s : Decisao_13561000087200958.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 13561000087200958_5313188.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5216688
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368206979072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 48 1 47 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13561.000087/200958 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.953 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de novembro de 2013 Matéria MULTA ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente ASSOCIACAO DE PAIS E MESTRES DA ESCOLA MUNICIPAL DE 1º GRAU JOÃO PAULO II Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 56 1. 00 00 87 /2 00 9- 58 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000087/200958 Acórdão n.º 1803001.953 S1TE03 Fl. 49 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 32): Tratase de Notificação de Lançamento exigindo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com base no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, alegando que as suas informações no CNPJ ainda não estavam adequadas ao código da natureza jurídica de Unidade Executora do Programa Dinheiro na Escola, mas retificou o referido código após o envio da DCTF. Desta forma, considerandose que a impugnante, desde sua constituição, é Unidade Executora, faz jus à prorrogação do prazo até 15/02/2009, para apresentação da DCTF referente ao 1º semestre de 2008, conforme Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 31): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO. A prorrogação do prazo de entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2008 só se aplica às pessoas jurídicas cujo cadastro no CNPJ indicava o código de natureza jurídica 3093 ou 3115, especificadas no ADE RFB nº 62, de 2008, que não conseguiram transmitir a declaração devido a problemas técnicos no aplicativo que valida as declarações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 20/01/2012 (fls. 38 numeração digital ND), em 22/02/2012 apresenta a interessada Recurso de fls. 39 e 40 (ND), instruído com os documentos de fls. 41 a 43 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000087/200958 Acórdão n.º 1803001.953 S1TE03 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Conforme constou do Relatório, a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 20/01/2012 (A.R. de fls. 38 ND), tendo apresentado a sua petição recursal em 22/02/2012 (fls. 39 ND). 5. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972): Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. 6. Assim, cientificada em 20/01/2012, uma sextafeira, dispunha a Recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 21/02/2012, uma terçafeira. 7. Tendo apresentado o seu Recurso apenas em 22/02/2012, 31 (trinta e um) dias depois da ciência da decisão recorrida, e 1 (um) dia após a data final de apresentação do Recurso, está este perempto (art. 35 do PAF). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901337/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA, DE LUBRIFICANTES E DE COMBUSTÍVEIS. CUSTOS COM A GERAÇÃO DE VAPOR E COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de lubrificantes, de combustíveis e de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou de produto intermediário (Súmula CARF nº 19). Pela mesma razão também não podem integrar a base de cálculo do crédito presumido os custos com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA, DE LUBRIFICANTES E DE COMBUSTÍVEIS. CUSTOS COM A GERAÇÃO DE VAPOR E COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de lubrificantes, de combustíveis e de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou de produto intermediário (Súmula CARF nº 19). Pela mesma razão também não podem integrar a base de cálculo do crédito presumido os custos com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10783.901337/2009-76
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324139
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.337
nome_arquivo_s : Decisao_10783901337200976.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10783901337200976_5324139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5295296
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368227950592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 256 1 255 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.901337/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.337 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2013 Matéria PER Eletrônico Ressarcimento de IPI (crédito presumido) Recorrente Realcafé Solúvel do Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NEGATIVAS GERAIS. QUESTÃO JÁ ANALISADA E DEFERIDA PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. ENTENDIMENTO NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não se conhece de recurso na parte correspondente à apresentação de negativas gerais sobre questão já deferida pela primeira instância, sem a correspondente demonstração expressa, pelo sujeito passivo, de eventual divergência ou prejuízo sobre o cálculo do direito creditório reclamado (base legal: artigo 17 do Decreto no 70.235/72). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA, DE LUBRIFICANTES E DE COMBUSTÍVEIS. CUSTOS COM A GERAÇÃO DE VAPOR E COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de lubrificantes, de combustíveis e de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou de produto intermediário (Súmula CARF nº 19). Pela mesma razão também não podem integrar a base de cálculo do crédito presumido os custos com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 13 37 /2 00 9- 76 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 197/217), a qual, por unanimidade de votos, deferiu em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, no seguinte sentido: a) reconhecer, relativamente ao 1º trimestre crédito do anocalendário de 2004, o crédito presumido de IPI de R$ 119.497,30, que deduzido da quantia de R$ 63.909,40, já reconhecida no Despacho Decisório, resta deferir na presente decisão, a quantia de R$ 55.587,90. b) homologar as compensações declaradas pelo contribuinte na proporção do crédito reconhecido no presente acórdão; c) se, depois de efetivadas as compensações declaradas pelo contribuinte, restar saldo credor em favor do contribuinte, ele deverá ser ressarcido ao contribuinte. Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (saldo credor), PER nº 01378.96404.250504.1.1.017085, no montante de R$ 134.078,89. O incentivo fiscal, relativo ao 3º Trimestre do anocalendário de 2003, foi calculado sob os fundamentos das Leis nos 9.363, de 13/12/1996, e 10.637, de 30/12/2002 (regime nãocumulativo para o PIS). Ao ressarcimento, o contribuinte atrelou a DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, abaixo relacionadas, para compensar os débitos no montante de R$ 105.820,05 (valores originais): PER/DCOMP realcafe VALOR TOTAL CRÉDITO TOTAL DÉBITO / VALOR PER TIPO DOCUMENTO 23538.68839.080905.1.3.016333 132.145,10 35.672,67 Declaração de Compensação 06529.86682.210509.1.7.011067 132.145,10 51.305,42 Declaração de Compensação 42591.01392.250509.1.7.012458 312.145,10 (sic) 7.935,75 Declaração de Compensação 14124.13068.250509.1.7.015833 132.145,10 10.906,21 Declaração de Compensação Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10783.901337/200976 Acórdão n.º 3802002.337 S3TE02 Fl. 257 3 A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, combinada com procedimento fiscal para apuração do incentivo solicitado. Dos procedimentos adotados, fiscal e eletrônico, resultou o Despacho Decisório de fl. 17, com o deferimento parcial do saldo credor requerido e, consequentemente, a homologação parcial das compensações declaradas. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 132.145,10 Valor do crédito reconhecido: R$ 63.909,40 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão dos seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP 14124.13068.250509.1.7.015833. NÃO HOMOLOGO a compensação declarado no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 23538.68839.080905.1.3.016333 42591.01392.250509.1.7.012458. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 01378.96404.250504.1.1.017085. O valor deferido ao contribuinte foi consequência única e exclusiva do trabalho fiscal, uma vez que o processamento eletrônico não trouxe alterações para os cálculos realizados pela fiscalização. Foi o procedimento fiscal o responsável pelos ajustes efetuados na receita de exportação, na receita operacional bruta e nos insumos consumidos que resultou na redução do crédito presumido de IPI, deles decorrendo, diretamente sobre o incentivo fiscal, a glosa de R$ 68.235,69 lançada sobre os valores apurados pelo contribuinte. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 24/38 foram delineadas as verificações e alterações procedidas pela fiscalização. As saídas para exportação apresentadas no PER foram verificadas por amostragem mediante consulta ao sistema Siscomex, com a análise do número do DDE, da data de embarque dos produtos e do respectivo valor da receita de exportação. A receita operacional bruta foi verificada mediante consulta à DIPJ, aos Balancetes e ao Livro Registro de Apuração do IPI. Quanto aos insumos, foram glosados as aquisições efetuadas por intermédio de cooperativas, no caso, o café em grão adquirido de cooperativas, e de pessoas físicas, por tratarem de aquisições não sujeitas ao PIS e à Cofins e aquisições de pessoa jurídica inexistente. Também foram objeto de glosa os valores relativos ao consumo de energia elétrica e combustíveis, não conceituados como matériaprima ou produto intermediário; embalagens, quando destinadas ao ativo imobilizado ou uso Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 4 e consumo fora do processo produtivo; mercadorias classificadas como uso e consumo; valores lançados sem especificação. As aquisições não aceitas foram relacionadas no DEMONSTRATIVO DAS AQUISIÇÕES NÃO ACEITAS2003, à fl. 145. Cientificado do deferimento parcial de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 03/16. Preliminarmente, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sem a qual, alegou, estaria cerceado em seu direito de defesa. No mérito, o contribuinte: 1) alegou que as aquisições de insumos perante pessoas jurídicas, em face das características de seu processo produtivo, certificado com o selo ABNT NBN ISO 9001:2000, só se faz com prévia análise do banco de dados do SINTEGRA, fator que gera, em si, a presunção da perfeita regularidade operacional dos fornecedores (pessoas jurídicas). Dessa forma, à época das aquisições dos insumos, os CNPJ dos fornecedores exibiam regularidade atestada por órgão estatal; 2) apresentou planilha das divergências verificadas com os cálculos da fiscalização, mostrando numericamente que há divergência no tocante ao estoque, aos insumos adquiridos no ano, ao estoque inicial apurado, à estimativa de consumo, enfim, ao cálculo do cálculo do crédito presumido; 2) (sic) fez a defesa do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, como incentivo às exportações. Discorreu sobre o direito ao crédito presumido decorrente de aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins. No mesmo diapasão, reclamou o direito de computar na base de cálculo do crédito presumido os gastos com energia elétrica, combustíveis e com a geração de vapor e dos custos com peças e equipamentos utilizados na manutenção de instalações, máquinas e equipamentos. Iniciado exame dos autos, houve por bem a então relatora enviar o processo em diligência para nova apuração do crédito presumido, tendo em vista que, em se tratando de crédito presumido relativo ao 1º trimestre do anocalendário de 2004, admitirseia computar as aquisições efetuadas por intermédio das cooperativas na apuração do benefício. Tal foi feito, inclusive com o respectivo recálculo, consolidado à fl. 155, dando novo valor ao benefício. Sobre esse novo valor do crédito presumido, manifestouse o contribuinte, às fls. 166/168, alegando que a diligência não havia sido bem cumprida. Sobre a diligência e o mérito da contestação concluiu: Às fls. 125, o preclaro auditor fiscal diz ter cumprido o seu mister e declara que “às fls. 121, constam os valores dos créditos presumidos apurados pelo contribuinte, pela fiscalização e o valor das glosas”. Contudo, data vênia a diligência não foi bem cumprida, senão vejamos: a) houve expressa determinação para que fosse apurado o montante das aquisições de café efetuadas perante cooperativas, segregando estas aquisições, bem como, que os cálculos fossem refeitos, para acréscimo das aquisições de cooperativas; b) nas fls. 109 fezse a segregação determinada, sendo que nenhuma aquisição de cooperativas tivesse sido realizada e, c) nada obstante tenha ocorrido aquisições no período de R$ 60.742,00, o valor antes reconhecido a título de crédito presumido de R$ Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10783.901337/200976 Acórdão n.º 3802002.337 S3TE02 Fl. 258 5 63.909,41, num passe de mágica foi transformado em R$ 2.534,65 negativo, o que elevou a glosa anterior de R$ 68.235,49 para a glosa total de R$ 132.145,10. Concluindo, a glosa anterior de R$ 68.235,49, passou para R$ 132.145,10, decorrência de inconsistência de diligência fiscal, simplesmente havendo por conseqüência, uma inexplicável majoração de R$ 63.909,61, que veio a onerar a exigência fiscal, absolutamente incompatível com os princípios do processo administrativo fiscal – PAF, por isso se requer, o refazimento da diligência fiscal. No mérito, a inconformada reitera a defesa anteriormente ofertada, para inclusão na base de cálculo do benefício, dos valores de aquisições dos insumos: combustíveis, energia elétrica e das peças e partes (produtos intermediários), bem como, a correta definição de receita operacional bruta, com exclusão do café verde. Depois da realização da diligência e da respectiva manifestação do interessado, os autos retornaram à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG – DRJ/JFA/MG, para prosseguimento. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, como já dito, foram acolhidos parcialmente pela primeira instância, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, os combustíveis, materiais de manutenção de instalação, máquinas e equipamentos, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA, CONTRIBUINTES DO IPI. Em face da legislação do PIS e da Cofins, respectivamente, a partir de outubro de 1999 e janeiro de 2000, e da regulamentação do crédito presumido pela IN SRF nº 313, de 2003, não há porque excluir, da base de cálculo do incentivo, as aquisições realizadas por intermédio de Cooperativas de Produtores. Entretanto, em face da disposição contida na IN SRF nº 103, de 1997, as aquisições de cooperativa, efetuadas até 02/04/2003, não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI. 3. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS O afastamento da discussão acerca da composição da base de cálculo do crédito presumido, no tocante às aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas, em razão da conjugação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2016, de 2011, e do Despacho do Ministério da Fazenda, SN, de 13/12/2011, publicado no DOU na pág. Nº 00057, em 15/12/2011, do Ato Declaratório da PGFN nº 14, de 20/12/2011, publicado na pág. 00037 do DOU, de 22/12/2011, bem como do art. 26A, § 6º, incs. I e II, do Decreto 70.235, de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 6 06/03/1972, nas condições tratadas e atendidas nos citados atos, obriga a inserção das referidas aquisições na base de cálculo do crédito presumido de IPI. 4. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOA JURÍDICA INAPTA POR INEXISTÊNCIA DE FATO. INEFICÁCIA DE DOCUMENTOS FISCAIS. Os documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas inaptas em razão de inexistência de fato deixam de gerar efeitos tributários em favor de terceiros a partir da data especificada no ato declaratório que reconhece a INAPTIDÃO POR INEXISTÊNCIA DE FATO. Antes da data que referenda a inaptidão do fornecedor, ou seja, a data dos respectivos efeitos, é possível acatar a legitimidade de aquisições realizados pelo contribuinte que pleiteia o incentivo fiscal e, portanto, incluílas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da referida decisão em 13/10/2012 (conf. despacho de fls. 230 do processo eletrônico), a interessada, em 24/10/2012 (fls. 232), apresentou o recurso voluntário de fls. 232/251, onde reitera a legitimidade do reconhecimento do direito creditório decorrente da integralidade das aquisições de cooperativas, bem como dos gastos com energia elétrica, combustíveis, lubrificante e os custos com instalações, máquinas e equipamentos e com a geração do vapor. Contesta, ainda, a forma de apuração da receita operacional bruta, requerendo a realização de diligência para fins de verificação quanto à correção do cálculo realizado pela fiscalização. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Resumo dos fatos e admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 13/10/2012 (fls. 230). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 24/10/2012 (fls. 232), tempestivamente, portanto. Todavia, há alguns argumentos que não merecem ser apreciados, seja porque não tem influência sobre a lide, seja pelo fato de já terem sido analisados pela primeira instância e não pontualmente contestados pelo sujeito passivo. A lide decorre da inconformidade da recorrente com o reconhecimento apenas parcial do reclamado direito a créditos presumidos do IPI do 1º trimestre de 2004. A parte não reconhecida do direito arguido, já depois do deferimento parcial da manifestação de inconformidade pela primeira instância, está relacionada aos gastos com energia elétrica e com combustíveis e lubrificantes, e a custos com instalações, máquinas e equipamentos e com a geração do vapor. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10783.901337/200976 Acórdão n.º 3802002.337 S3TE02 Fl. 259 7 Com efeito, conforme ressaltado na decisão de primeira instância, foram acatadas as aquisições de pessoas físicas e a correspondente à pessoa jurídica inapta, posto que o ato declaratório da inaptidão só foi emitido posteriormente (em janeiro de 2008) ao período ao qual se refere a apuração do crédito presumido (1º trimestre de 2004). Relativamente à glosa relacionada às aquisições de cooperativas tal foi afastada pela decisão de primeira instância, que admitiu na base de cálculo do crédito presumido a quantia de R$ 60.742,00 referente às aquisições de café realizadas em janeiro de 2004, único mês em que houve compras dessa natureza. Muito embora a tese em que se alicerçou a Delegacia de Julgamento tenha sido baseada na possibilidade de inclusão das compras de cooperativas somente a partir de abril de 2003, o recurso voluntário não traz, pontualmente, eventual reflexo na base de cálculo do crédito presumido sobre o 1º trimestre de 2004, período objeto do processo e em que, como dito, foram admitidas as aquisições de cooperativas em sintonia com a tese encampada pela DRJ. Por tal razão, e considerando que, na base de cálculo do crédito, já foi deferida a inclusão de todas as aquisições de cooperativas realizadas no período, não tomo conhecimento da argumentação genérica relacionada à legitimidade das aquisições em tela. Quanto ao cálculo da receita operacional bruta, aduz a interessada que o colegiado de primeira instância não teria se pronunciado sobre a defendida apuração da receita em conformidade com os moldes da jurisprudência administrativa, segundo a qual as receitas de exportação de produtos não tributados, bem como as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, deveriam ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos (v. fls. 250/251). A aduzida omissão da primeira instância poderia ser comprovada diante do seguinte trecho que, alega a interessada, constaria do voto condutor da decisão proferida pela DRJ (conf. fls. 249/250): De acordo com a explicação dada pelo auditor fiscal encarregado das averiguações concernentes à apuração do crédito presumido pleiteado pelo contribuinte, o cálculo da receita operacional bruta está correto, pois que realizado de acordo a instruções normativas expedidas pela Receita Federal. Todavia, o excerto do voto acima colacionado não se encontra na decisão da DRJ. Referido trecho, na verdade, pertence a outro acórdão da mesma DRJ proferido nos autos do processo nº 10783.901479/200691 (acórdão nº 0940.934, de 13/07/2012), já julgado por esta Turma. Diferentemente, no presente processo a questão foi, sim, abordada pela primeira instância de julgamento que, inerente ao tema, se manifestou no seguinte sentido (v. fls. 203): Com relação à receita de exportação, o contribuinte apresenta um demonstrativo que denominou de “a demonstração financeira da divergência”, comparando receita de exportação RE calculada por ele e pela fiscalização, entre os quais há uma pequena diferença de R$ 6.464,73, que ocorre em face de a fiscalização reconhecer a RE de R$ 4.261.972,44 e o contribuinte uma RE de R$ 4.268.437,17. No entanto, no demonstrativo que apresenta, a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta é de 0,85, independentemente de se considerar o cálculo do contribuinte ou da fiscalização, quando utilizadas apenas duas casas decimais e Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 8 procedendose às necessárias aproximações. Entendo que a alegada divergência e contestação dessa forma apresentadas não representam uma manifestação efetiva contra a apuração de RE efetuada pela fiscalização. Nesse contexto, afasto o contraditório no tocante à receita de exportação, pois é a relação entre receita de exportação e receita operacional bruta que é importante e relevante na apuração do crédito presumido do IPI. Logo, como, segundo o entendimento da instância vergastada, não foi evidenciada diferença entre os resultados obtidos pelos cálculos da fiscalização e os do sujeito passivo, e considerando que a argumentação trazida pela primeira instância não foi contestada pela recorrente, entendo que a discussão em tela encontrase preclusa. Logo, dela também não tomo conhecimento. Portanto, conheço do recurso exclusivamente para apreciar a reclamada inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos gastos com energia elétrica, com combustíveis, lubrificantes e com a geração de vapor, e dos custos decorrentes da utilização de equipamentos na manutenção de instalações, máquinas e equipamentos. Dos demais argumentos não tomo conhecimento em vista ou de seu deferimento pela primeira instância, sem a correspondente demonstração pelo sujeito passivo de eventual divergência sobre o cálculo do crédito presumido inerente ao período objeto da lide, ou da não manifestação pontual da interessada sobre as questões já tratadas pela DRJ, como, aliás, exige o artigo 17 do Decreto no 70.235/72, segundo o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Dos gastos com energia elétrica, combustíveis, com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos A impossibilidade de inclusão das aquisições de energia elétrica e de combustíveis na base de cálculo do crédito presumido do IPI já está sumulada no âmbito deste Conselho, conforme teor da Súmula CARF nº 19, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Portanto, considerando o disposto no artigo 72, § 4°, do anexo II do Regimento Interno deste Conselho – que determina a adoção obrigatória das súmulas aprovadas pelo CARF – rejeito a tese da suplicante e não admito, na inclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI, os gastos com energia elétrica e com combustíveis. Na mesma toada também não poderão ser aceitos os custos com lubrificantes e com a geração de vapor, bem como os decorrentes da utilização de equipamentos na manutenção de instalações, máquinas e equipamentos Com efeito, o parágrafo único do artigo 3º da Lei n 9.363/96 determina a utilização subsidiária da legislação Imposto sobre Produtos Industrializados para a definição de “produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”, de sorte que, socorrendose na legislação do IPI, não há como conferir às rubricas referenciadas a condição de insumo do processo produtivo. Especificamente, os custos com a geração de vapor e com instalações, máquinas e equipamentos não se subsumem ao conceito de matériaprima ou ao de produto Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10783.901337/200976 Acórdão n.º 3802002.337 S3TE02 Fl. 260 9 intermediário, pois não se integram ao produto em fabricação nem são consumidos no processo produtivo ou se desgastam no contato direto com o produto, como, aliás, é tratada a questão no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação – CST nº 65, de 1979. Tal exegese está em sintonia com o artigo 164 do Regulamento do IPI à época vigente (Decreto nº 4.544, de 26/12/2002), segundo o qual os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O mesmo se diga em relação aos lubrificantes. O sujeito passivo não trouxe nenhum argumento ou prova que eventualmente pudesse enquadrar tais produtos como insumo de sua atividade produtiva. Por essa razão, entendo que também não podem fazer parte da base de cálculo do crédito presumido do IPI os gastos com a geração de vapor, com lubrificantes e com máquinas e equipamentos. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer em parte do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, negandolhe, contudo, provimento. Sala de Sessões, em 28 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003262/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E/OU OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos apresentados por não restarem configuradas as alegações de existência de omissão e/ou obscuridade no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1302-001.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos, para, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pintio Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E/OU OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos apresentados por não restarem configuradas as alegações de existência de omissão e/ou obscuridade no acórdão embargado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10820.003262/2008-91
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5310394
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.239
nome_arquivo_s : Decisao_10820003262200891.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10820003262200891_5310394.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos, para, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pintio Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5194945
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368242630656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 309 1 308 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.003262/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.239 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria IRPJ Glosa de custos Recorrente CLEALCO AÇUCAR E ALCOOL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E/OU OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos apresentados por não restarem configuradas as alegações de existência de omissão e/ou obscuridade no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos, para, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pintio Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 32 62 /2 00 8- 91 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 1302001.239 S1C3T2 Fl. 310 2 Tratase de embargos de declaração opostos por CLEALCO AÇUCAR E ÁLCOOL S/A, em face do Acórdão nº 130200.882, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 12/04/2012, com a seguinte ementa: IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. Dada a natureza e a expressividade dos valores unitários dos bens adquiridos e não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que os mesmos seriam meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros itens do seu ativo, as aquisições devem ser consideradas bens do ativo permanente, sujeitos à depreciação, não podendo ser deduzidos diretamente como custos. IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Correta a glosa de custos escriturados quando o contribuinte não apresenta os comprovantes da sua realização. A escrituração contábil e fiscal faz prova a favor do sujeito passivo, desde que esteja respaldada em documentação hábil e idônea. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ADIÇÃO EM ANO POSTERIOR. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. A adição à base de cálculo do valor excluído indevidamente no anocalendário anterior caracteriza postergação do pagamento dos tributos. CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, incidindo sobre eles a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 1302001.239 S1C3T2 Fl. 311 3 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. A imposição de multa de ofício e de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício pelo fisco decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nº 2 e 4. O colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Cientificada em 23/05/2012, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 28/05/2012, sustentando que a decisão recorrida tem pontos que precisam ser aclarados uma vez que “a conclusão se mostra incompatível com a realidade dos autos e causa prejuízo ao contribuinte”. Alega que em relação aos bens considerados como ativo permanente, tendo transcorrido mais de cinco anos até a lavratura do auto de infração, teria direito a apropriação da despesas seja por se tratar de custo direito ou pelo decurso do prazo de amortização, o que não teria sido apreciado adequadamente pelo acórdão recorrido. Alega ainda que ao fazer a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o Fisco duplicou a tributação uma vez que já tinha incluído os valores na base de cálculo no exercício em que foi aproveitado, o que teria sido reconhecido pelo próprio acórdão embargado. Assim, afirma ser necessário esclarecer sobre a duplicidade da cobrança do IRPJ e CSLL sobre esses valores, se persiste a duplicidade da cobrança ou se um dos valores deve ser estornado. Ao final, a embargante requer que seja conhecido o presente recurso para aclarar os pontos questionados, manifestandose ainda sobre o prequestionamento das matérias aventadas. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 1302001.239 S1C3T2 Fl. 312 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega a interessada, inicialmente, que em relação aos bens considerados como ativo permanente, tendo transcorrido mais de cinco anos até a lavratura do auto de infração, teria direito a apropriação da despesas seja por se tratar de custo direito ou pelo decurso do prazo de amortização, o que não teria sido apreciado adequadamente pelo acórdão recorrido. Examinando o acórdão embargado, no ponto em que discute a matéria embargada, não vislumbro qualquer obscuridade ou omissão, restando bastante cristalino e bem fundamentado o motivo do não provimento do recurso nesta parte, como se extrai do voto condutor, in verbis: A recorrente alega ainda que as aquisições dos bens ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 2003 e considerando a depreciação acelerada, por se tratar de empresa em operação durante as 24 horas do dia, temse que os bens já se encontravam depreciados, à época da autuação (23/06/2008), em aproximadamente 95% de seu montante integral, razão pela qual, caso seja mantido o auto, o direito ao crédito extemporâneo deve ser garantido e que no segundo semestre de 2008, o contribuinte já teria direito à integral apropriação dos custos. Assim, nesse momento, a conduta do contribuinte somente poderia ser punida como descumprimento de obrigação acessória e não como falta de pagamento de tributo como fez a fiscalização. Sustenta que na pior das hipóteses, seja reconhecido o direito à apropriação das despesas referentes aos equipamentos mencionados pelo Fisco, vez que já foram adquiridos há mais de cinco anos. Também não procedem esses argumentos expendidos pela recorrente. A autuação se reporta ao momento da ocorrência dos fatos geradores, no caso o ano calendário 2003. Assim o transcurso do tempo entre a data de ocorrência dos fatos geradores e a data da apuração não podem produzir efeitos retrospectivos, de forma a repercutir na base de cálculo do fato gerador apurado. O registro das quotas de depreciação na escrituração é faculdade conferida pela legislação ao sujeito passivo; porém, para a sua dedução é imprescindível que tanto os bens depreciáveis tenham sido ativados como as quotas de depreciação, que reduzem o seu valor contábil, sejam igualmente lançadas na escrituração. A ausência desses registros na contabilidade da recorrente impede que a depreciação venha a ser considerada para fins de apuração do imposto devido no anocalendário em que a falta foi verificada. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 1302001.239 S1C3T2 Fl. 313 5 Como se verifica, não há qualquer obscuridade ou omissão no acórdão quanto à matéria que necessite ser aclarada. Assim, conheço e rejeito os embargos nesta parte. No tocante ao segundo ponto, afirma ser necessário esclarecer sobre a duplicidade da cobrança do IRPJ e CSLL sobre os valores de crédito presumido de IPI, se persiste a duplicidade da cobrança ou se um dos valores deve ser estornado. Tal alegação é completamente estranha à lide até a interposição destes embargos, de sorte que não deve ser conhecido. Todo o argumento da recorrente sobre a matéria restringiuse a questionar a inclusão dos valores na base de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que se tratava de subsídio fiscal, tendo o acórdão recorrido analisado amplamente a infração identificada pelo Fisco e as razões de defesa apresentadas pela ora embargante, concluindo que a recorrente não obedeceu ao regime de competência. Assim foi corretamente penalizada pela postergação dos tributos. Destarte, não conheço dos embargos quanto ao segundo ponto. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente dos embargos interpostos, nos termos acima expostos, para, no mérito, rejeitálos. Sala de Sessões, em 06 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005747/2009-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO NÃO CONFIGURADAS. ACÓRDÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO EM RAZÃO DE APURAÇÃO INCORRETA. ERRO SUBSTANCIAL.
A anulação do lançamento fiscal por erro no procedimento de apuração, ou seja, em como promover a determinação da base de cálculo da contribuição, configura, a toda evidência, um erro substancial na aplicação do direito e não mera nulidade formal.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO NÃO CONFIGURADAS. ACÓRDÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO EM RAZÃO DE APURAÇÃO INCORRETA. ERRO SUBSTANCIAL. A anulação do lançamento fiscal por erro no procedimento de apuração, ou seja, em como promover a determinação da base de cálculo da contribuição, configura, a toda evidência, um erro substancial na aplicação do direito e não mera nulidade formal. Embargos rejeitados.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.005747/2009-29
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325825
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.505
nome_arquivo_s : Decisao_19515005747200929.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI
nome_arquivo_pdf_s : 19515005747200929_5325825.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5304643
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368244727808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 692 1 691 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005747/200929 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3403002.505 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria Processo Adminstrativo Fiscal Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTOS DE CANADE AÇUCAR, AÇUCAR E ALCOOL DO ESTADO DE SAO PAULO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO NÃO CONFIGURADAS. ACÓRDÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO EM RAZÃO DE APURAÇÃO INCORRETA. ERRO SUBSTANCIAL. A anulação do lançamento fiscal por erro no procedimento de apuração, ou seja, em como promover a determinação da base de cálculo da contribuição, configura, a toda evidência, um erro substancial na aplicação do direito e não mera nulidade formal. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 47 /2 00 9- 29 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase do lançamento de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/05/2005, 31/07/2005, 30/11/2005, 31/05/2006 e 30/04/2007 (fls. 327/342). A motivação contida nos auto de infração é a seguinte: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 349/357) a qual foi analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (DRJ), que por meio do Acórdão nº 1625.247, de 11 de maio de 2010 (fls. 436/444), manteve em parte o lançamento, sintetizando seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente há que se falar em nulidade do auto de infração se o ato for praticado por agente incompetente. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEFINIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Insustentável a alegação de falta de definição quanto ao motivo da autuação quando o auto de infração e o termo de verificação fiscal descrevem os atos praticados pela autuada que afrontam a legislação tributária e os dispositivos legais que tipificam a irregularidade que motivou a acusação fiscal. INTIMAÇÃO PRÉVIA. Se a fiscalização dispõe dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento, não há a necessidade de prev́ia intimação à contribuinte. A oportunidade para que o sujeito passivo manifeste suas contrarazões à exigência e por ocasião da apresentação da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403002.505 S3C4T3 Fl. 693 3 Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnet́icos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LEVANTAMENTO FISCAL. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS. Os dados contábeis utilizados pela fiscalização foram extraídos de arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, nos termos da IN SRF 86/2001. A alegação de que o levantamento fiscal estaria em dissonância com escrituração somente poderia ser acatada mediante provas concretas. LEVANTAMENTO FISCAL. VALOR DECLARADO NÃO COMPUTADO. Constatado erro no levantamento fiscal, que deixou de considerar o valor declarado em um dos períodos fiscalizados. Cancelase a exigência correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 451/466), o qual foi dado provimento por este Colegiado, que, por meio do Acórdão nº 3403001.821, de 25 de outubro de 2012 (fls. 648/657), anulou o lançamento por falta de motivação, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. DEFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. ADOÇÃO DE RUBRICA CONTÁBIL SEM DIFERENCIAÇÃO ENTRE OS REGIMES CUMULATIVO E NÃOCUMULATIVO E SEM COMPROMETIMENTO COM O APROVEITAMENTO CONCRETO DOS CRÉDITOS PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE. A apuração de PIS/Cofins pela diferença entre o valor escriturado e o valor declarado consiste em apurar por meio da Fl. 697DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 escrituração fiscal os valores que compõem a receita bruta ou faturamento, depois deduzindo os créditos gerados com fundamento no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.883/03, verificando como o contribuinte exerceu concretamente tal possibilidade, para assim determinarse de maneira circunstanciada e racional o valor devido destas contribuições. Nem o auto de infração, nem o termo de fiscalização e as planilhas que o integram, apresentam de maneira circunstanciada o procedimento que teria sido adotado pela Fiscalização. É inconsistente apurar o valor devido das contribuições tomando exclusivamente o encontro dos valores positivos e negativos apontados na rubrica contábil intitulada de PIS/Cofins, visto que mistura valores pertinentes aos regimes cumulativo e não cumulativo, e também porque não verifica concretamente o controle e aproveitamento dos créditos realizado pelo contribuinte, negligenciando a possibilidade de o contribuinte poder ou não aproveitar os créditos, podendo aproveitálo em períodos subseqüentes, tal como é facultado pela Lei. Recurso provido. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 657/699) alegando que nulidade é termo equívoco e, desse modo, seria necessária a especificação do seu sentido para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN. Partindo da premissa de que houve nulidade, a Fazenda Nacional entende que o erro na apuração do crédito tributário trata de nulidade por vício formal, pois seu fulcro estaria centrado na formalização do lançamento. Alega que resta também contraditório o acórdão, tendo em vista que o argumento ligado a imprecisão na descrição do fato gerador, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN, arts. 10, 11 e 59 do Decreto 70.235/72, gera nulidade por vício formal. Ao final pede o acolhimento dos embargos para que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Os embargos de declaração sustentam a existência de obscuridade do julgamento anterior, por não ter explicitado se a nulidade seria por vício formal ou material. Tal argumentação, por parte da embargante, a meu entender, não configura nem obscuridade, nem omissão, tanto mais em face da evidência de que não se está diante de mero vício formal. O vício formal se configura pela falta de atendimento de algum requisito legal de formalização do lançamento fiscal. Com efeito, um auto de infração incorreria em nulidade formal se lhe faltasse algum dos seguintes requisitos exigidos pelo art. 10 do PAF: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.005747/200929 Acórdão n.º 3403002.505 S3C4T3 Fl. 694 5 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Assim, exemplificativamente, se no auto de infração não existisse qualquer motivação fática ou fosse esquecida a indicação da fundamentação legal, se estaria diante de uma nulidade por vício formal. Mas a adoção de um procedimento equivocado para a apuração da base de cálculo, tal como foi verificado no caso concreto, configura um vício material, de substância. Não se trata, a toda evidência, de um vício formal, pertinente à formalização do crédito tributário, mas de erro substancial no trabalho de interpretação da legislação e de determinação e apuração da obrigação tributária. Ora, o vício formal apenas se configura quando o vício fica restrito à falta de atendimento dos requisitos de formalização do lançamento fiscal. Observese que tanto o vício material com o formal são apurados pela análise do instrumento formal do lançamento, ou seja, pela análise do auto de infração. Assim, por exemplo, o erro na interpretação da lei ou na sua aplicação no caso concreto, pela apuração errada da matéria tributável ou por erro na determinação da alíquota, também se traduziriam, ao mesmo tempo, em um erro (ou mesmo na falta) de motivação ou fundamentação do lançamento, que seriam vícios formais. Mas fica claro que não se estaria diante de mero um vício formal, de formalidade, mas de um vício material, de substância. No presente caso, como fica claro do acórdão embargado, não se cogita de mera falta de atendimento de formalidade, mas se está diante de falha na apuração do tributo. Voto, por isso, pela rejeição dos embargos. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 699DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000654/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
RETENÇÕES DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS. Na composição do saldo negativo de IRPJ admite-se o imposto retido em razão de serviços prestados, na parte em que demonstrado por meio de comprovantes de retenção firmados pelas fontes pagadores, mormente se os rendimentos indicados são inferiores às receitas de serviços oferecidas à tributação no período de apuração.
Numero da decisão: 1101-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS. Na composição do saldo negativo de IRPJ admite-se o imposto retido em razão de serviços prestados, na parte em que demonstrado por meio de comprovantes de retenção firmados pelas fontes pagadores, mormente se os rendimentos indicados são inferiores às receitas de serviços oferecidas à tributação no período de apuração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10882.000654/2003-60
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5306070
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1101-000.976
nome_arquivo_s : Decisao_10882000654200360.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882000654200360_5306070.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5167800
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368248922112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.000654/200360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.976 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de outubro de 2013 Matéria DCOMP Saldo Negativo IRPJ Recorrente ABB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS. Na composição do saldo negativo de IRPJ admitese o imposto retido em razão de serviços prestados, na parte em que demonstrado por meio de comprovantes de retenção firmados pelas fontes pagadores, mormente se os rendimentos indicados são inferiores às receitas de serviços oferecidas à tributação no período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 06 54 /2 00 3- 60 Fl. 4606DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ABB LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as compensações vinculadas ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. A autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório alegado pela interessada porque as receitas financeiras vinculadas às retenções de imposto na fonte por ela deduzidas não foram integralmente computadas no lucro real. A autoridade julgadora de 1a instância, concordando com as alegações iniciais da interessada, converteu o julgamento em diligência para que fossem apartados, destes autos, as compensações correspondentes a outros créditos da interessada ou de sua sucedida ABB Empreendimentos Ltda, bem como para que fosse aferido, junto à escrituração comercial e fiscal da interessada, a regular contabilização dos rendimentos constantes das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Na medida em que a primeira análise realizada pela autoridade administrativa local foi insatisfatória, o julgamento foi novamente convertido em diligência, e nesta ocasião o agente fiscal responsável indicou os rendimentos oferecidos à tributação no período sob análise. Identificando retenções no montante de R$ 22.100.310,50, correspondentes aos rendimentos oferecidos à tributação pela interessada, e tendo em conta a apuração de prejuízo fiscal no anocalendário 2002, a autoridade julgadora de 1a instância reconheceu a existência de crédito no valor original de R$ 22.100.310,50, julgando parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da interessada e determinando a homologação das compensações em litígio até o limite do crédito então reconhecido. Cientificada desta decisão em 06/08/2011 (fl. 1989), a contribuinte manifestou renúncia ao recurso voluntário em 26/08/2011, por não ter interesse em discutir a não homologação da diferença de R$ 93.337,37. Requereu, assim, a devida atualização do sistema informatizado desta d. RFB, assim como a emissão de guia DARF para pagamento da integralidade do saldo remanescente devido (fls. 1995/1996). Antes desta petição, porém, fora juntado aos autos extrato emitido em 16/08/2011, apresentando a liquidação das compensações vinculadas, das quais restou débitos em aberto nos valores principais de R$ 393.397,21, 43.239,19, R$ 11.742,07 e R$ 1.830.386,80 (fls. 1991/1993). Em 30/08/2011 há declaração nos autos de que representante da interessada teriam retirado o extrato de débitos do processo (fl. 2045), bem como a renúncia ao direito de interpor recurso voluntário ao CARF, protocolado nesta Delegacia em 26/08/2011 (fl. 2046). Às fls. 2047/2053 repetese extrato de débitos idêntico ao anterior, e em 08/09/2011 a interessada interpõe o recurso voluntário de fls. 2058/2118. Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 4 3 Aduz a recorrente que seu crédito representaria o total de R$ 24.309.638,61, informado em DIPJ retificadora transmitida em 14/07/2004, e que nada foi dito acerca da parcela de R$ 2.209.328,11, embora reconhecida a regular escrituração das receitas/rendimentos informados em DIRF. Argumenta que foi intimada pela autoridade administrativa local e apresentou todos os comprovantes de recolhimentos e retenções, mas seu direito creditório deixou de ser reconhecido apenas com base na suposição de que os rendimentos de aplicações financeiras correspondentes não haviam sido oferecidos à tributação. Ressalta que as demais receitas (como as de prestação de serviços) e correspondentes retenções foram justificadas à Fiscalização, e que a autoridade julgadora de 1a instância deveria ter reconhecido todo o valor pretendido de R$ 24.309.638,61. Entende, assim, que não cabe nestes autos qualquer questionamento relativo a uma suposta inovação ou mesmo de preclusão no que concerne às alegações tendentes ao reconhecimento do direito creditório remanescente. Na seqüência, diz que o saldo negativo decorre, essencialmente, de retenções na fonte efetuadas por instituições financeiras (R$ 22.060.629,58), mas além das retenções promovidas por tomadores de serviços (R$ 39.680,92), há outros R$ 1.610.891,66 a serem considerados, e junta os correspondentes Comprovante Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda da Fonte – Pessoa Jurídica – AnoCalendário 2002, emitidos por tomadores de serviços da recorrente, numerados de 01 a 158. Invoca o princípio da verdade material, diz que a autoridade julgadora de 1a instância deveria ter analisado todas as alegações e documentos apresentados pela Recorrente, caso em que constataria que o saldo negativo era superior ao apontado em retenções pelas instituições financeiras. Pede, assim, o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação de todas as compensações apresentadas. Os documentos apresentados estão juntados às fls. 2119/2292. Na seqüência, consta comunicado da interessada ao Serviço de Fiscalização da DRF/Osasco, recepcionado em 21/10/2011, informando a apresentação de CD, contendo os arquivos do Razão do ano calendário de 2002, conforme recibo de Entrega de Arquivos Digitais (em anexo). Informação da DRF/Osasco à fl. 2299 diz que contribuinte substitui CD com arquivos digitais em fls. 1883 pelo constante em fls. 2298. O SEORT/DRF Osasco encaminha os autos a este Conselho em 01/11/2011 informando que o recurso voluntário apresentado em 08/09/2011 é intempestivo (fl. 2300). Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A correspondência enviada à interessada para ciência da decisão de 1a instância foi por ela recepcionada em 06/08/2011. Nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único do Decreto nº 70.235/72, recaindo aquela data em um sábado, a interessada somente é considerada intimada na segundafeira subseqüente (08/08/2011), iniciandose a contagem do prazo para recurso em 09/08/2011. E, encerrada esta contagem em 07/09/2011, feriado nacional a teor da Portaria nº 735/2010 do Secretário Executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o termo final do prazo para interposição do recurso voluntário seria a data em que ele foi apresentado, 08/09/2011, consoante expresso no mesmo dispositivo legal antes citado. Assim, não se verifica a intempestividade apontada pela autoridade preparadora. E, considerando que a interessada retirou a renúncia ao direito de recorrer da decisão de 1a instância, interpondo o competente recurso voluntário antes de expirado o prazo que a lei lhe defere, deve ser ele conhecido. Trata o presente processo de diversas Declarações de Compensação – DCOMP apresentadas a partir de 12/03/2003, em papel e posteriormente em meio eletrônico. No documento de fls. 01/02, a primeira compensação é vinculada à existência de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002 no valor de R$ 22.193.647,87. Em análise preliminar, a autoridade julgadora de 1a instância identificou, nestes autos, o cadastramento de débitos vinculados a compensações com outros créditos da interessada ou de sua incorporada. Requereu, assim, que a estes autos permanecessem vinculadas apenas as seguintes compensações: Débitos DCOMPfls. Nº Data CNPJ Crédito Natureza Código Vencimento Valor 8109 14/03/2003 780.638,16 1 12/03/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 14/03/2003 2.019.876,71 289/292 020605O 03/06/2003 335/338 020013R 22/03/2007 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 04/06/2003 1.310.879,94 6912 15/04/2003 872.946,52 499/500 14/04/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 15/04/2003 1.971.113,88 603/604 07/05/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 07/05/2003 1.319.078,29 6912 15/05/2003 482.458,28 707/708 13/05/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 15/05/2003 1.802.578,30 2172 12/06/2003 2.140.369,16 6912 12/06/2003 716.514,34 293/296 027184 12/06/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 8741 12/06/2003 116.977,24 297/300 028014 08/07/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 08/07/2003 1.300.785,70 303/306 020218 15/07/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 8741 15/07/2003 882.978,75 6912 15/07/2003 863.755,04 307/310 029907 15/07/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 15/07/2003 2.377.587,58 311/314 024990 06/08/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 06/08/2003 1.123.534,04 028885 13/08/2003 315/318 024299O 13/08/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 15/08/2003 2.031.780,61 Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 6 5 Débitos DCOMPfls. Nº Data CNPJ Crédito Natureza Código Vencimento Valor 339/342 027119R 08/08/2007 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 6912 15/08/2003 721.254,90 319/322 028728 15/08/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 8741 15/08/2003 84.706,54 323/326 028540 03/09/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 03/09/2003 1.239.205,73 327/330 022800 09/09/2003 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 2172 15/09/2003 1.830.386,80 331/334 022314 09/11/2006 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 1097 10/03/2003 11.742,07 020765O 28/11/2003 820/821 028562R 22/03/2007 61.074.829/000123 SNIRPJ2002 561 07/05/2003 393.397,21 Nas primeiras DCOMP apresentadas consta a indicação de que o saldo negativo nelas utilizado correspondeu, inicialmente, ao montante original de R$ 22.193.647,87 (fls. 01/02, 289/330, 499/500, 603/604, 707/708). Mas, a partir das DCOMP transmitidas em 09/11/2006, aí incluídas as retificações em 22/03/2007 das DCOMP entregues em 03/06/2003 e 13/08/2003, o direito creditório foi alterado para o montante original de R$ 24.309.683,61 (fls. 332/342 e 820/821). A autoridade administrativa local afirma, no despacho decisório, que a pretensão da contribuinte recairia sobre o saldo negativo de R$ 24.309.683,61 indicado na DIPJ nº 125813 (fls. 431/434). Ao final, deixa de reconhecêlo e não homologa as compensações porque a totalidade das receitas financeiras auferidas no anocalendário 2002 não foram oferecida à tributação. Às fls. 856/863 a autoridade julgadora de 1a instância junta a DIPJ retificadora mencionada pela interessada e referenciada no despacho decisório, indicando saldo negativo de IRPJ, para o anocalendário 2002, no valor de R$ 24.309.683,61, integralmente resultante de retenções de imposto na fonte. E, ao converter o julgamento em diligência consigna que: Desta forma, tendo em conta que a decisão recorrida abrange apenas o saldo negativo de IRPJ de titularidade da ABB Ltda. (CNPJ n° 61.074.829/000123) apurado na DIPJ 2003, no valor de R$ 24.309.683,61, devem ser apartados os autos, para somente permanecerem as compensações a ele vinculadas e abaixo relacionadas: É certo que, após o retorno dos autos, a decisão recorrida principia com relatório indicando: Tratase das declarações de compensação, em papel e eletrônicas, formalizadas pela ABB Ltda. (CNPJ nº 61.074.829/000123), na qual vários débitos teriam sido extintos por compensação, mediante a utilização de crédito oriundo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$22.193.647,87, apurado na DIPJ 2003. Mais à frente, porém, o relatório faz referência ao saldo negativo de R$ 24.309.683,61, consignando que no curso do procedimento fiscal a contribuinte apresentou os seguintes informes de rendimento para sustentar seu crédito: Fonte Pagadora CNPJ Razão Social Código Receita Rendimento Bruto IRRF Informe Fls. DIRF Fls. 33.479.023/000180 BANCO CITIBANK S.A. 5273 40.431.535,11 8.086.307,00 97/98 870870v 60.701.190/000104 BANCO ITAU S.A. 5273 26.768.650,04 5.353.729,99 99 872 60.394.079/000104 BANK BOSTONMULTIPLO S.A. 5273 22.099.546,44 4.419.909,28 100 871v Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 7 6 Fonte Pagadora CNPJ Razão Social Código Receita Rendimento Bruto IRRF Informe Fls. DIRF Fls. 60.746.948/000112 BANCO BRADESCO S.A. 6800 13.138.373,84 2.508.693,13 96 866 01.620.621/000130 ALVORADA DIST DE TÍT VAL MOB 6800 5.701.364,95 1.140.272,99 95 866 33.700.394/000140 UNIBANCO S.A. 5273 2.599.964,89 519.992,83 100 871 33.700.394/000140 UNIBANCO S.A. 6800 124.155,36 24.830,82 100 871 61.088.183/000133 BANCO WESTLB DO BRASIL S.A. 5273 34.467,74 6.893,54 101 872 110.898.058,37 22.060.629,58 Ao determinar pela segunda vez a conversão do julgamento em diligência, a autoridade julgadora de 1a instância requereu que a contribuinte fosse intimada a apresentar a documentação de suporte (contratos, extratos das aplicações, por exemplo), e a escrituração das receitas e despesas financeiras relativas às operações acima relacionadas. Atendendo ao que requerido, a autoridade diligenciante esclareceu que: Ao considerarmos unicamente as aplicações financeiras que compuseram a DIRF de 2002 e cujo montante declarado foi de R$ 110.323.051,37, segundo demonstrativo apresentado pelo contribuinte (DOC 01), a empresa auferiu no mesmo ano (regime de competência) o montante de R$ 128.594.688,95. Notese ainda, que o fato de a empresa ter contabilmente lançado os resultados líquidos de algumas operações financeiras atreladas à variação cambial fez com que o saldo da receita financeira auferida fosse artificialmente reduzido (DOC 06). Entretanto, ao se considerar as reclassificações contábeis apresentadas pelo contribuinte (DOC 07), a receita financeira que deveria constar na D1PJ como "Outras Receitas Financeiras" (linha 24/ficha 06A) sobe para R$ 157.280.968,96. Cumpre ressaltar, que o saldo de todos os ajustes decorrentes da reclassificação contábil é nulo (DOC 06, fl.02). Vale ainda destacar, que a diferença entre o total de receitas financeiras apuradas em 2002 (R$ 157.280.968,96) e o montante apurado decorrente das aplicações financeiras declaradas em DIRF (R$ 128.594.688,95) se justifica pelas demais receitas financeiras não sujeitas à retenção na fonte e por outras receitas financeiras não liquidadas no ano de 2002 mas contabilizadas pelo regime de competência. Frente a tais circunstâncias, a autoridade julgadora de 1a instância entendeu que deveriam ser admitidas as retenções de R$ 22.060.629,58 inicialmente comprovadas pela interessada, bem como as demais retenções confirmadas em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, a seguir descritas: Razão Social Código Receita Rendimento Bruto Retenção DIRF Fls. IRRF DEPTO NAC OBRAS CONTRA SECAS 6147Ret. Órg Púb 206.547,27 12.083,02 864v 2.478,57 CENTRAIS ELET. DO NORTE 1708IRRF Prest Serviços 38.392,11 575,88 865 575,88 SYMMETROS 1708IRRF Prest Serviços 799,00 11,99 866 11,99 CTEEP 1708IRRF Prest Serviços 52.353,62 860,30 867v 860,30 VOITH SIEMENS 1708IRRF Prest Serviços 22.781,46 341,72 868 341,72 LG PHILIPS 1708IRRF Prest Serviços 2.471,24 37,07 868v 37,07 SPRINGER 1708IRRF Prest Serviços 25.759,63 386,39 868v 386,39 Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 8 7 Razão Social Código Receita Rendimento Bruto Retenção DIRF Fls. IRRF CARRIER CARAIBA METAIS 1708IRRF Prest Serviços 5.126,00 76,89 869 76,89 CIA HISPANO BRASILEIRA 1708IRRF Prest Serviços 28.920,62 433,80 869 433,80 PETROBRAS 1708IRRF Prest Serviços 6.594.334,11 2.245,71 869v 2.245,71 REFINARIA DE PETR. MANGUINHOS 1708IRRF Prest Serviços 3.812,79 57,19 57,19 EMBRATEL 1708IRRF Prest Serviços 3.138.863,42 31.388,62 870v 31.388,62 SABESP 1708IRRF Prest Serviços 11.154,50 167,32 871 167,32 VOTORANTIM 1708IRRF Prest Serviços 3.600,00 54,00 871v 54,00 VOITH PAPER 1708IRRF Prest Serviços 6.435,00 96,54 872v 96,54 Subtotal Prest. Serviços 9.934.803,50 36.733,42 36.733,42 BB ADM DE ATIVOS 6800IRRF Aplic FIRF 465,58 93,10 864v 93,10 BB ADM DE ATIVOS 6800IRRF Aplic FIRF 770,35 154,06 865v 154,06 UNIBANCO 6800IRRF Aplic FIRF 72,53 14,50 867v 14,50 UNIBANCO 6800IRRF Aplic FIRF 295,68 59,10 868 59,10 UNIBANCO 6813IRRF FI Ações 98,26 19,64 865 19,64 BANESPA 3426IRRF Aplic Fin RF 501,80 100,35 872v 100,35 TELPE 3426IRRF Aplic Fin RF 0,09 0,01 866v 0,01 5706IRRF JSCP 1,03 0,15 866v 0,15 TELECENTRO 5706IRRF JSCP 52,69 7,88 867 7,88 BRASIL TELECOM 5706IRRF JSCP 95,40 14,28 867 14,28 TELEMAR 5706IRRF JSCP 39,11 5,86 869v 5,86 Subtotal Outras Aplicações Fin. 2.392,52 468,93 468,93 TOTAL 39.680,92 Daí o reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 22.100.310,50, evidenciando que a autoridade julgadora não ignorou o saldo negativo informado em DIPJ retificadora no valor de R$ 24.309.638,61, e tampouco deixou de se manifestar acerca da pretensão da interessada em torno da diferença de R$ 2.209.328,11 posteriormente acrescida ao crédito utilizado nas compensações em litígio. Em verdade, a interessada não juntou à sua manifestação de inconformidade outros comprovantes de retenção de imposto, para além daqueles apresentados à autoridade administrativa local. É certo que, instruindo a primeira DCOMP apresentada, a interessada juntou apenas os comprovantes de retenção emitidos por instituições financeiras (fls. 36/54), e, intimada a apresentar os comprovantes das retenções aproveitadas no anocalendário 2002 (fls. 59/60), apresentou elementos semelhantes aos juntados ao seu recurso voluntário, referentes às retenções informadas na Ficha 43 da DIPJ (fls. 62/280). Todavia, observando que apenas parte das receitas financeiras fora oferecida à tributação, a autoridade fiscal concluiu que não seria possível legitimar a apuração do sujeito passivo, não reconhecendo qualquer parcela do direito creditório. A partir daí, ao manifestar sua inconformidade a interessada, além de abordar a indevida vinculação de determinadas compensações ao crédito tratado nestes autos, apenas se Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 9 8 empenhou em demonstrar o reconhecimento contábil das receitas financeiras. Para além disso, limitouse a questionar a ausência de constituição do crédito tributário cobrado, e invocar sua contabilidade como prova do indébito, pedindo o reconhecimento do direito creditório de R$ 24.309.683,61 Assim, a abordagem do despacho decisório e da manifestação de inconformidade induziu a autoridade julgadora de 1a instância a centrar o litígio apenas nas retenções decorrentes de rendimentos de aplicações financeiras, mas ainda assim empenhando se em apurar, nos sistemas informatizados da Receita Federal, outras retenções que pudessem sustentar o crédito alegado, uma vez confirmada a inclusão, no lucro real, de receitas financeiras superiores às que justificariam as retenções inicialmente comprovadas. Frente a tais circunstâncias, somente houve erro na referência contida ao final da decisão recorrida, no sentido de que do valor utilizado em DCOMP (R$ 22.193.647,87) somente foi deferida a parcela de R$ 22.100.310,50), na medida em que esta informação não reflete com precisão a matéria apreciada no julgamento de 1a instância. De toda sorte, na medida em que todo o direito creditório pleiteado foi apreciado pela autoridade julgadora de 1a instância, admitese, aqui, que a parcela ora em litígio representa R$ 2.209.328,11, e não a diferença entre aquelas parcelas consolidadas ao final da decisão recorrida, no valor de R$ 93.337,37. Por estas razões, cumpre verificar se as demais retenções alegadas, no montante líquido de R$ 1.610.891,66, seriam distintas daquelas já admitidas e estariam amparadas nos correspondentes Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda da Fonte – Pessoa Jurídica – AnoCalendário 2002, emitidos por tomadores de serviços da recorrente, numerados de 01 a 158. Confrontando as parcelas que compõem o total de R$ 1.610.891,66 demonstrado à fl. 2086/2089 com os comprovantes de retenção juntados às fls. 2119/2292 constatase que a interessada aproveitouse de retenções lastreadas em comprovante que se reporta ao anocalendário 2001 (fls. 2157), bem como em razão de operações declaradas em favor de outro beneficiário (fls. 2215 e 2279). Estas retenções não podem ser admitidas na formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 porque presumidamente não guardam relação com as receitas a teor da Súmula CARF nº 80 (Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto). Ainda, observase que, relativamente às seguintes fontes pagadoras, a retenção aproveitada é superior à indicada no comprovante de retenção: · FIBRA DUPON SUDAMÉRICA S/A, CNPJ nº 00.021.096/000174 (fl. 2119) · TRITEC MOTORS LTDA, CNPJ nº 01.655.350/000159 (fl. 2131) · ULTRAFERTIL S/A, CNPJ nº 02.476.026/000136 (fl. 2137) · FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A, CNPJ nº 19.443.985/000158 (fl. 2168) · CIA VALE DO RIO DOCE, CNPJ nº 33.592.510/000154 (fl. 2185) Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 10 9 · BRASKEM S/A, CNPJ nº 42.150.391/000170 (fl. 2202) · LUK DO BRASIL EMBREAGENS LTDA, CNPJ nº 43.735.703/000170 (fl. 2212) · EKA CHEMICALS DO BRASIL S/A, CNPJ nº 43.818.418/000113 (fl. 2215) · DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 59.104.273/000129 (fl. 2241) · GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA, CNPJ nº 59.275.792/000150 (fl. 2247) · CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE, CNPJ nº 60.651.726/000116 (fl. 2251) · VOITH PAPER MAQ E EQUIPS LTDA, CNPJ nº 61.243.119/000180 (fl. 2262) Assim, nos casos acima somente será admitida a dedução do imposto retido até o montante informado nos comprovantes de retenção, conforme consolidado no demonstrativo abaixo: Fls. PA FONTE PAGADORA RENDIMENTO IRRF 2119 FIBRA DUPON SUDAMÉRICA S/A 00.021.096/000174 54.022,50 810,36 2120 DANA INDÚSTRIAS LTDA 00.253.137/000158 1.123,00 16,85 2121 CENTRAIS ELET NORTE BRASIL ELETRONORTE 00.357.038/000116 38.391,11 575,88 2122 MASISA DO BRASIL LTDA 00.606.549/000124 8.540,00 128,10 2123 PEGUFORM DO BRASIL LTDA 00.786.246/000130 68.000,00 1.020,00 2124 BENTELER COM AUTOM LTDA 00.853.157/000160 25.446,67 381,70 2125 RENAULT DO BRASIL S/A 00.913.443/000173 85.435,00 1.281,54 2126 ICOLUB IND DE LUBS S/A 00.974.369/000105 65.782,22 986,73 2127 CRYLOR IND COM FIBRAS TEXTEIS LTDA 01.008.195/000189 126.726,00 1.900,89 2128 NOKIA DO BRASIL LTDA 01.108.177/000179 1.646.373,13 24.695,59 2129 IBC DO BRASIL LTDA 01.138.846/000155 11.096,45 166,41 2130 HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA 01.192.331/000122 40.400,00 606,00 2131 TRITEC MOTORS LTDA 01.655.350/000159 31.234,00 468,51 2133 LEAR DO BRASIL LTDA 01.998.585/000143 5.463,60 81,95 2134 THYSSENKRUPP AUTOM SYST BRASIL LTDA 62.093.897/000170 2.982,50 44,74 2135 SOLVAY POLIETILENO LTDA 02.171.029/000161 1.634.208,80 20.851,05 2136 PELZER DA BAHIA LTDA 02.441.724/000104 2.598,00 38,97 2137 ULTRAFERTIL S/A 02.476.026/000136 231.737,98 2.357,11 2138 MAGNET MARELLI COFAP CIA FAB PEÇAS 02.865.246/000151 5.611,08 84,17 2139 CIA TRANSMISSÃO ENERG ELET PAUL 02.998.611/000104 57.353,62 860,30 2140 ELETRONET S/A 03.052.673/000183 203.766,34 3.056,50 2141 VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENER LTDA 03.400.080/000160 22.781,46 341,72 2142 FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA 03.470.727/000120 50.848,10 754,23 2143 BODY SYSTEMS DO BRASIL LTDA 03.513.111/000190 219.925,00 3.298,88 2144 NÃO IDENTIFICADO 03.513.203/000170 67.914,27 679,14 2145 TOYO SETAL DO BRASIL LTDA 03.554.632/000195 36.500,00 547,50 2146 PHIBRO SAUDE ANIMAL INTERN LTDA 04.076.904/000151 12.015,00 180,23 2147 EXPANSION TRANSM ENERGIA ELET S/A 04.100.850/000112 61.879,33 928,19 2148 LG PHILIPS DISPLAYS BRASIL LTDA 04.119.093/000129 2.471,24 37,07 2149 ALBERTO PASQUALINI REFAP S/A 04.207.640/000128 225.753,46 3.229,63 2150 PRIDE DO BRASIL LTDA 04.366.088/000178 89.658,00 1.344,87 2151 EMP. PARAENSE DE TRANS ENERGIA S/A 04.416.923/000180 8.652.844,04 129.792,66 2152 EMP. AMAZONENSE DE TRANSM ENERGIA S/A 04.416.935/000104 51.768.576,00 776.530,27 Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 11 10 Fls. PA FONTE PAGADORA RENDIMENTO IRRF 2153 IND COM EMBAL PAP ARTIVINCO LTDA 04.783.459/000160 57.600,00 864,00 2154 USINA ESTIVAS S/A 08.058.802/000164 30.644,82 459,69 2155 GUIMARÃES VITÓRIO E CIA 08.433.450/000180 11.700,00 175,50 2156 SPRINGER CARRIER LTDA 10.948.651/000161 25.759,63 386,39 2158 TRIKEM S/A 13.558.226/000154 13.034,63 195,51 2159 COBAFI CIA BAHIANA DE FIBRAS 13.573.332/000107 1.400,00 21,00 2160 TERMINAL QUIM ARATU S/A TEQUIMAR 14.688.220/000164 949.624,43 9.496,25 2161 SANSUY S/A IND PLÁSTICOS 14.807.945/000124 8.100,00 121,50 2162 SANTISTA TEXTIL S/A 15.082.688/000840 1.595,00 23,92 2163 CIA DE ELETRICIDADE DA BAHIA 15.139.629/000194 74.715,75 747,16 2164 SIBRA ELETROSIDERURGICA BRAS S/A 15.144.306/000199 1.960,00 29,40 2165 CARAIBA METAIS S/A 15.224.488/000108 5.126,00 76,89 2166 BAHIA CELULOSE S/A 16.404.287/000155 18.400,00 276,00 2167 MANGELS IND E COM LTDA 17.958.315/000149 6.200,00 93,00 2168 FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A 19.443.985/000158 7.611.596,54 76.115,67 2169 CERV KAISER BRASIL S/A 19.900.000/000176 30.575,28 458,60 2170 ELETRO MANGANES LTDA 21.229.604/000184 10.222,61 153,34 2171 ELSTER MEDIÇÃO DE ÁGUA S/A 21.581.509/000145 166.890,91 2.503,35 2172 CIA SIDERURGICA DE TUBARÃO CST 27.251.974/000102 51.017,95 765,28 2173 LATASA S/A 29.506.474/000191 40.244,10 603,66 2174 PETROFLEX IND E COMÉRCIO 29.667.227/000177 1.318,00 19,77 2175 PETROFLEX IND E COMÉRCIO 29.667.227/000621 8.368,36 125,53 2176 PRODUTOS ROCHE QUIM FARM S/A 33.009.945/000123 6.663,00 99,95 2177 CIMENTO TUPI S/A 33.039.223/000111 4.695,80 70,44 2178 CIA SIDERÚRGICA NACIONAL 33.042.730/000104 17.706,27 265,59 2179 ACESITA S/A 33.390.170/000189 21.693,01 325,39 2180 REFINARIA DE PET DE MANGUINHOS S/A 33.412.081/000196 3.812,79 57,19 2181 MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A 33.417.445/000120 36.847,81 440,64 2184 EMBRATEL S/A 33.530.486/000129 3.138.863,42 31.388,62 2185 CIA VALE DO RIO DOCE 33.592.510/000154 107.576,67 1.613,63 2186/2189 GERDAU S/A 33.611.500/000119 24.468,97 367,03 2190/2192 GERDAU S/A 33.611.500/000119 231.868,66 3.478,05 2198 SOEICOM S/A SOC EMPR IND COM MIN 33.920.299/000151 4.065,00 60,96 2199 CIA COREANO BRAS DE PELOT KOBRASCO 33.931.494/000187 4.031,84 60,47 2200 WM CILINDROS LTDA 35.756.055/000100 34.520,00 318,60 2202 BRASKEM S/A 42.150.391/000170 24.160.121,83 238.857,91 2203 ARACURZ CELULOSE S/A 42.157.511/000161 124.588,75 1.868,83 2204/2206 ARMAFER SERV DE CONST LTDA 42.189.050/000109 765,00 11,48 2207 YASKAWA ELETRICO DO BRASIL LTDA 42.354.407/000167 6.800,00 102,00 2208 VILLARES METALS S A 42.566.752/000164 82.000,00 1.230,00 2209 BRUDDEN EQUIPAMENTOS LTDA 43.061.654/000138 4.504,60 67,56 2210 OXICAP INDUSTRIA DE GASES LTDA 43.117.399/000106 19.952,83 299,29 2211 KVAERNER DO BRASIL LTDA 43.634.534/000182 10.247,21 153,71 2212 LUK DO BRASIL EMBREAGENS LTDA 43.735.703/000170 2.712,00 40,68 2213 SABESP CIA SANEAMENTO BÁSICO SP 43.776.517/000180 11.154,50 167,32 2214 EKA CHEMICALS DO BRASIL S/A 43.818.418/000113 120.845,57 1.812,68 2216 USINA AÇUCAREIRA GUAIRA LTDA 44.346.583/000182 2.516,47 37,75 2217 ALSTOM BRASIL LTDA 44.682.318/000175 123.842,00 1.857,63 2218 TECUMSEH DO BRASIL LTDA 45.361.425/000164 7.440,98 111,61 2219 ORSA CELULOSE PAPEL E EMBAL S/A 45.998.110/000141 7.286,00 109,29 Fl. 4615DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 12 11 Fls. PA FONTE PAGADORA RENDIMENTO IRRF 2220 RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBAL LTDA 45.989.050/001404 70.333,26 1.054,99 2221 RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBAL LTDA 45.989.050/001404 110.950,95 1.664,26 2222 AJINOMOTO INTERAM IND COM LTDA 46.377.636/000158 41.338,90 620,08 2223 MINASA TRADING INTERNATIONAL S/A 47.496.286/001001 1.730,43 25,96 2224 USINA IPIRANGA DE AÇUCAR ALCOOL LTDA 47.544.176/000178 2.455,00 36,83 2225 USINA DE LATICÍNIOS JUSSARA S/A 47.964.911/000110 6.900,00 103,50 2226 BASF S/A 48.529.407/000118 1.308,70 19,63 2227 BANDAG DO BRASIL LTDA 48.775.266/000132 2.259,69 33,90 2228 USINA MOEMA AÇUCAR E ALCOOL LTDA 49.652.290/000147 21.580,00 323,70 2229 FIBRALIN TEXTIL S/A 60.117.088/000128 935,00 14,03 2230 COLLINS & AIKMAN DO BRASIL LTDA 50.935.576/000119 1.654,97 24,82 2231 USINA DA BARRA S/A AÇUCAR E ALCOOL 51.161.495/000171 39.557,02 593,36 2232 USINA BARRA GRANDE DE LENÇOIS S/A 51.422.921/000183 349.000,00 5.235,00 2233 CITROSUCO PAULISTA S/A MATÃO 52.311.529/000128 77.850,00 1.167,75 2234 INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA 52.736.949/000158 20.530,11 307,93 2235 FORMTAP IND COM S/A 53.808.697/000198 20.000,50 300,01 2236 LWARCEL CELULOSE E PAPEL LTDA 53.943.098/000187 34.567,93 518,46 2237 EATON LTDA 54.625.819/000173 10.851,60 162,78 2238 MÁQUINAS AGRÍCOLAS JACTO S/A 55.064.562/000190 5.544,06 83,16 2239 AÇUCAREIRA BORTOLO CAROLO S/A 55.109.474/000168 3.707,00 55,60 2240 CIA PAULISTA DE FERRO E LIGAS 57.487.142/000142 6.566,00 98,49 2241 DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA 59.104.273/000129 91.908,00 1.378,62 2242 SCANIA LATIN AMÉRICA LTDA 59.104.901/000176 1.935,94 29,03 2243 MULTIBRAS S/A ELETRODOMÉSTICOS 59.105.999/000186 16.271,87 244,08 2244 TAKATA PETRI S/A 59.106.245/000140 4.000,00 60,00 2245 KARMANN GHIA DO BRASIL LTDA 59.107.797/000173 6.834,52 102,52 2246 ASBRASIL S/A 59.118.000/000133 1.014,80 15,22 2247 GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA 59.275.792/000150 206.000,34 3.089,97 2249 NESTLE BRASIL LTDA 60.409.075/000152 5.875,00 88,13 2250 VOTORANTIM CEL E PAPEL S/A 60.643.228/000121 569.465,01 8.541,97 2251 CIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE 60.651.726/000116 433.894,00 6.508,40 2252 AÇOS VILLARES S/A 60.664.810/000174 6.078,88 91,18 2255 AIR LIQUIDE BRASIL LTDA 60.830.296/000108 12.183,38 182,75 2256 HOLCIM BRASIL S/A 60.869.336/000117 5.551,69 83,27 2257 CONFAB INDUSTRIAL LTDA 60.882.628/000190 18.067,01 271,00 2258 ACTARIS LTDA 60.882.719/000125 19.352,05 290,23 2259 BELGO BEKAERT ARAMES S/A 61.074.506/000130 1.099,28 16,49 2261 SANTHER FAB PAPEL STA THEREZINHA S/A 61.101.895/000190 2.189.074,48 32.836,11 2262 VOITH PAPER MAQ E EQUIPS LTDA 61.243.119/000180 3.004.692,72 45.070,39 2263 SOLVAY INDUPADO BRASIL S/A 61.460.325/000141 11.369.193,35 143.677,38 2264 COMBUSTOL IND E COM LTDA 61.479.689/000173 6.662,19 99,93 2265 COMPANHIA JAUENSE INDUSTRIAL 61.520.607/000197 11.064,04 165,96 2266 AZUL PUBLICIDADE E PROP S/C LTDA 61.566.972/000132 19.632,53 294,50 2267 CIA NIQUEL TOCANTINS 61.594.065/000105 75.500,28 1.132,49 2268 PILKINGTON BRASIL LTDA 61.736.732/000139 7.102,30 106,53 2269 MELITTA DO BRASIL IND COM LTDA 62.000.278/000116 4.633,00 69,50 2270 RIO NEGRO COM E IND DE AÇO S/A 62.016.050/000114 2.598,00 38,97 2271 ABB LUMUS GLOBAL LTDA 62.497.656/000119 11.565,28 173,48 2272 MAZZAFERRO FIBRAS SINTÉTICAS LTDA 63.964.035/000160 1.560,00 23,40 2273 CORNING BRASIL IND E COM LTDA 64.094.154/000172 39.042,25 585,65 Fl. 4616DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 13 12 Fls. PA FONTE PAGADORA RENDIMENTO IRRF 2274 MONSANTO DO BRASIL LTDA 64.858.525/000145 8.320,00 124,80 2277 VISCOFAN DO BRASIL SOC COM INDL LTDA 65.019.655/000157 75.175,33 1.127,63 2278 RIO PARDO IND PAP E CELULOSE LTDA 67.952.630/000137 5.600,00 84,00 2280 ARMCO DO BRASIL S/A 71.586.952/000187 895,00 13,43 2281 AÇUCAR E ALCOOL BANDEIRANTES S/A 75.619.056/000128 6.015,00 90,22 2282 INPACEL IND DE PAPEL ARAPOTI LTDA 76.700.103/000126 3.950,00 59,25 2283 BERNECK AGLOMERADOS S/A 81.905.176/000194 700,00 10,50 2284 UNIVERSAL LEAF TABACOS LTDA 82.638.644/000174 2.248,52 33,73 2285 MALWEE MALHAS LTDA 84.429.737/000114 2.575,76 38,64 2286 EMP BRAS DE COMP S/A EMBRACO 84.720.630/000120 2.445,00 36,68 2287 TERMINAIS PORT PONTA DO FELIX S/A 85.041.333/000111 4.337,92 65,07 2288 BAYER CROPSCIENCE LTDA 89.163.430/000138 7.102,60 106,54 2289 KLABIN S/A 89.637.490/000145 823.024,42 12.344,69 2290 PETROQUÍMICA TRIUNFO 90.751.025/000110 1.829,42 27,44 2291 FRANGOSUL S/A AGRO AVIC INDL 91.374.561/000106 1.070,00 16,05 2292 COLORFLEX IND COM MAQ LTDA 96.251.228/000123 3.711,80 55,68 Totais 122.925.616,97 1.629.009,19 Anotese que, ressalvadas as divergências antes mencionadas, estas retenções estavam indicadas na DIPJ retificadora, conforme Ficha 43 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte), juntada ao recurso voluntário (fls. 2097/2118). Vejase, também, que tais retenções decorrem de serviços prestados pela interessada, e que no período sob análise foi declarado o montante de R$ 661.157.757,14 a título de receitas de prestação de serviços na DIPJ, sendo razoável presumir que dentre estas estão escrituradas aquelas que originaram as correspondentes retenções, no valor total de R$ 122.925.616,97. Ainda, cumpre ter em conta que a autoridade julgadora de 1a instância já reconheceu os seguintes créditos à interessada: FONTE PAGADORA RENDIMENTO IRRF CENTRAIS ELET NORTE BRASIL ELETRONORTE 00.357.038/000116 38.391,11 575,88 CIA TRANSMISSÃO ENERG ELET PAUL 02.998.611/000104 57.353,62 860,30 VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENER LTDA 03.400.080/000160 22.781,46 341,72 LG PHILIPS DISPLAYS BRASIL LTDA 04.119.093/000129 2.471,24 37,07 SPRINGER CARRIER LTDA 10.948.651/000161 25.759,63 386,39 CARAIBA METAIS S/A 15.224.488/000108 5.126,00 76,89 REFINARIA DE PET DE MANGUINHOS S/A 33.412.081/000196 3.812,79 57,19 EMBRATEL S/A 33.530.486/000129 3.138.863,42 31.388,62 SABESP CIA SANEAMENTO BÁSICO SP 43.776.517/000180 11.154,50 167,32 VOTORANTIM CEL E PAPEL S/A 60.643.228/000121 3.600,00 54,00 VOITH PAPER MAQ E EQUIPS LTDA 61.243.119/000180 6.435,00 96,54 TOTAIS 3.315.748,77 34.041,92 Assim, do total de R$ 1.629.009,19 resta a reconhecer, ainda, a parcela de R$ 1.594.967,27. Por fim, no demonstrativo de fl. 2086/2089 a contribuinte menciona que a parcela de R$ 604.270,99, referente a retenções sobre rendimentos de aplicações financeiras, não foi considerada pela Receita Federal. Isto porque, do total de retenções informadas por Deutsche Bank Investimento (DB Capital) DTVM S/A – Alvorada (CNPJ 01.721.118/000171) no valor de R$ 1.744.543,98, somente foi admitida a dedução da parcela de R$ 1.140.272,99. Fl. 4617DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.000654/200360 Acórdão n.º 1101000.976 S1C1T1 Fl. 14 13 Ocorre que o correspondente comprovante de retenção consta à fl. 2132 e nele está apontado, apenas, imposto de renda compensável no valor total de R$ 1.140.272,99, mesmo valor refletido na DIRF de fl. 866. Por sua vez, em recurso voluntário, a interessada não veicula qualquer argumento específico em relação à parcela assim glosada. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer à interessada a parcela suplementar de R$ 1.594.967,27 relativamente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2002, a qual deve ser imputada às compensações por ela declaradas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4618DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910327/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.910327/2009-41
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326418
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_13888910327200941.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 13888910327200941_5326418.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5311753
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368254164992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.910327/200941 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.233 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de fevereiro de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente XERIUM TECHNOLOGIES BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 32 7/ 20 09 -4 1 Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13888.910327/200941 Resolução nº 1102000.233 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por XERIUM TECHNOLOGIES BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, contra a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de JaneiroI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da DRF/PiracicabaSP, o qual, por sua vez, reconhecera apenas parcialmente o direito creditório reclamado, homologando as compensações declaradas até o limite do saldo reconhecido. O crédito alegado é de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 201.594,74. Inicialmente foi proferido pela DRF/Piracicaba o Despacho Decisório nº 848695198 (fls. 4 e 2631) em 07/10/2009, no qual foi reconhecido o montante de R$ 61.087,50. Na manifestação de inconformidade apresentada, arguiu o contribuinte que a DRF deveria ter considerado como pagamento para compor o crédito informado no PER/DCOMP os valores retidos de CSLL demonstrados na Ficha 54 da DIPJ/2007, referente anocalendário de 2006, e juntou uma relação dos valores de CSLL retidos na fonte, totalizando R$ 140.507,24. A DRJ proferiu o Acórdão 1237.648, em 02 de junho de 2011, declarando nulo o despacho decisório, por incongruência entre o seu resultado e a motivação, conforme ementa a seguir: FALTA DE EXAME DO MÉRITO. NULIDADE. É nulo o Despacho Decisório cujo motivo apresentado não guarde coerência lógica com o seu resultado. Seguiuse novo Despacho Decisório (DRF/PCA nº 554, fls. 97103), por meio do qual foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 61.967,13. De acordo com o Despacho, o saldo negativo reclamado, no valor de R$ 201.594,74, tem origem: (i) nas estimativas mensais de janeiro, maio, agosto, setembro, outubro e novembro de 2006, as quais foram informadas como deduzidas com CSLL retida na fonte e pagas com DARF, e (ii) dedução da CSLL devida no ajuste anual através de retenções na fonte do mesmo tributo. A CSLL retida na fonte utilizada para deduzir das estimativas mensais foi no valor de R$ 129.194,31, e, para deduzir do ajuste anual, foi de R$ 11.312,93, o que totaliza os R$ 140.507,24 de retenções que o contribuinte teria sofrido. Entretanto, nos sistemas eletrônicos da RFB (DIRF) só restou confirmado o montante de R$ 879,63, valor este que representa a parte de CSLL (1/4,65) do total retido na fonte através do código de receita 5952 (R$ 4.090,29). Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13888.910327/200941 Resolução nº 1102000.233 S1C1T2 Fl. 4 3 Em nova manifestação de inconformidade apresentada, o contribuinte reiterou os mesmos argumentos já expendidos anteriormente, apenas acrescentando que os valores demonstrados na Ficha 54 da DIPJ/2007 (retenções de CSLL), e não considerados pelo Despacho Decisório, estão em nome da Empresa HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 03.432.843/000406, que foi incorporada pela Recorrente em Jan/2006. Sobreveio então o Acórdão 1245.751, de 25 de abril de 2012, por meio do qual foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, e cuja ementa encontrase a seguir transcrita: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não seja confirmada por comprovante de retenção. CSLL RETIDA NA FONTE. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. A CSLL retida na fonte somente poderá ser compensada na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte comprovar que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. Em síntese, entendeu a Turma julgadora que a recorrente não se desincumbiu do seu ônus de provar a retenção. Consignou que, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, foi confirmada a incorporação da HUYCK em janeiro de 2006, e que foram confirmadas em DIRF algumas das retenções de CSLL de fevereiro a dezembro relativas a fontes pagadoras relacionadas na Ficha 54 da DIPJ/2007, no montante de R$ 86.555,71, contudo, não comprovou o contribuinte que a receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, motivo pelo qual não pode ser reconhecido o referido montante. E, com relação aos restantes R$ 53.071,90, caberia à interessada trazer aos autos os Comprovantes Anuais de Retenção emitidos pelas fontes pagadoras. A decisão foi tomada por maioria, restando vencido um dos julgadores, que votou pelo reconhecimento do valor correspondente às retenções de CSLL atestadas em DIRF. Cientificada desta decisão em 07.05.2012, conforme AR de fls. 245, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06.06.2012, fls. 2471059, no qual, em síntese, informa trazer os seguintes elementos para comprovar definitivamente as retenções sofridas: (i) relação dos serviços prestados pela Recorrente e por sua incorporada, a Huyck Indústria e Comércio S/A; (ii) cópias das Notas Fiscais de Serviço emitidas, consignando a retenção da CSLL; (iii) informes de rendimentos emitidos pelos tomadores de serviço, indicando os valores dos tributos retidos na fonte, inclusive a CSLL; (iv) extratos obtidos no Sistema DIRF de fontes pagadoras, comprovando que a própria Receita Federal tinha acesso a informações sobre retenções na fonte em valor muito superior aos R$ 879,63 reconhecidos pela decisão de primeira instância; (v) lançamentos contábeis que comprovam o regular registro das receitas decorrentes das prestações de serviços. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13888.910327/200941 Resolução nº 1102000.233 S1C1T2 Fl. 5 4 Argui, ainda, que autoridades julgadoras não poderiam ter deixado de considerar as retenções na fonte relativas a serviços prestados no mês de janeiro de 2006, pois a incorporação ocorreu somente em 30 de janeiro de 2006, e a recorrente somente recebeu os informes de rendimentos no encerramento do anocalendário de 2006, quando a HUYCK já havia sido incorporada pela Recorrente. Portanto, as retenções referentes a períodos anteriores à incorporação também devem ser consideradas. Finaliza requerendo o integral provimento do recurso, com o reconhecimento seu direito creditório no valor de R$ 201.597,74, e a consequente homologação das compensações a ele associadas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Cediço que, em sede de restituição/compensação, compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. As informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, e a este cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. O fisco, ao pesquisar nos seus sistemas as informações relativas às retenções de CSLL que o contribuinte alegou ter sofrido, verificou a existência de retenções em seu nome no montante de tão somente R$ 879,63, dentre um total de R$ 140.507,24 que alegava ter sofrido. Sendo muitas as empresas que supostamente teriam feito as retenções, conforme relacionado na ficha 54 da DIPJ, não seria razoável supor que quase todas tivessem simplesmente se omitido de declarar em DIRF as retenções feitas. Assim, se a pesquisa às DIRF apresentadas, nos sistemas da Receita Federal, apontou tão somente retenções de R$ 879,63, a conclusão fiscal foi a de que as alegadas retenções simplesmente não haviam ocorrido. Contudo, em sede de impugnação (a segunda impugnação, da qual originouse o acórdão recorrido), informou o contribuinte que as retenções teriam sido feitas em nome da sua incorporada, a empresa Huyck Indústria e Comércio S/A. A decisão recorrida confirma que a Huyck foi incorporada pela recorrente em janeiro de 2006. O documento de fls. 136141 (e pesquisa de fls. 165167) ratificam que o evento se deu no dia 31 de janeiro de 2006. A incorporação é evento societário do qual decorre a extinção da pessoa jurídica incorporada, nos termos do art. 227 da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976: Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13888.910327/200941 Resolução nº 1102000.233 S1C1T2 Fl. 6 5 “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (...) § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação.” Assim, afigurase no mínimo estranho que as retenções possam ter sido feitas em nome de empresa já extinta, e, neste contexto, mais do que justificável — não fosse ainda a expressa previsão legal, contida nos artigos mencionados pela decisão recorrida — de que o contribuinte demonstrasse o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, para que pudesse fazer uso das retenções sofridas para abater da contribuição devida. Em sede de recurso, conforme relatado, trouxe o contribuinte um extenso conjunto probatório, inclusive cópias das Notas Fiscais de Serviço emitidas pela HUYCK, cópias de comprovantes anuais de retenção de CSLL emitidos pelas fontes pagadoras em nome da HUYCK, e cópias simples do que seriam os lançamentos contábeis de registro, pela recorrente, das receitas dali decorrentes. O protesto da recorrente para que sejam consideradas também as retenções sofridas no mês de janeiro de 2006, não possui nenhum respaldo legal. No período anterior à incorporação, as receitas auferidas, e as retenções eventualmente sofridas, pertencem àquela pessoa jurídica. Ela é quem deveria apurar o seu resultado e o seu eventual saldo negativo de contribuição recolhida, e pleitear a sua restituição/compensação. Se a empresa escriturou corretamente suas operações, não precisa aguardar o recebimento, ao final do ano, ou no ano seguinte, do respectivo comprovante anual de retenções emitido pela fonte pagadora, para saber quais receitas auferiu, ou quais retenções sofreu. Não há como acolher, portanto, esta pretensão da recorrente. Por outro lado, considerando o teor da defesa, e das provas apresentadas, em sede recursal, quanto ao período restante (após a incorporação), voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Intime o contribuinte a apresentar os elementos de sua escrituração que comprovem o oferecimento à tributação dos rendimentos advindos das notas fiscais emitidas pela Huyck Indústria e Comércio S/A, das quais decorreram as retenções de CSLL sofridas, bem como os elementos que comprovem as próprias retenções; 2. Proceder de igual forma com relação às notas fiscais emitidas pela própria recorrente; 3. Com base nestes elementos, e em outros que entenda necessário coletar, elabore relatório conclusivo acerca do montante das retenções de CSLL sofridas: (i) pela recorrente em 2006, que correspondam a receitas por ela oferecidas à tributação; (ii) no caso das retenções sofridas pela Huyck Indústria e Comércio S/A, no ano de 2006, proceda da mesma forma, Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13888.910327/200941 Resolução nº 1102000.233 S1C1T2 Fl. 7 6 especificando, para cada retenção sofrida, em que mês foi auferida a correspondente receita que gerou a sua retenção, e se essas não foram já aproveitadas pela Huyck Indústria e Comércio S/A; 4. Do relatório lavrado, dê ciência à recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias. Com isso, retornem os autos para o competente julgamento. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008492/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, sendo certo que a condição de portador de moléstia grave deve estar comprovada em laudo, expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. COMPROVAÇÃO.
Para prevalecer a infração de omissão de rendimentos de aluguel deve restar comprovado de forma inequívoca pela autoridade fiscal que o contribuinte é o proprietário do imóvel.
DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS.
A mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que permitem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos de aluguel, no valor de R$ 24.599,80 e restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 1.995,00.
Assinado digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 08/05/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, sendo certo que a condição de portador de moléstia grave deve estar comprovada em laudo, expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. COMPROVAÇÃO. Para prevalecer a infração de omissão de rendimentos de aluguel deve restar comprovado de forma inequívoca pela autoridade fiscal que o contribuinte é o proprietário do imóvel. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que permitem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.008492/2008-11
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309575
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.534
nome_arquivo_s : Decisao_11080008492200811.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 11080008492200811_5309575.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos de aluguel, no valor de R$ 24.599,80 e restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 1.995,00. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 08/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5190226
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368310788096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 127 1 126 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008492/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.534 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Rendimentos de aluguel e despesas médicas Recorrente ANTONIO SLOMP Espólio Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, sendo certo que a condição de portador de moléstia grave deve estar comprovada em laudo, expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. COMPROVAÇÃO. Para prevalecer a infração de omissão de rendimentos de aluguel deve restar comprovado de forma inequívoca pela autoridade fiscal que o contribuinte é o proprietário do imóvel. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que permitem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 84 92 /2 00 8- 11 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão n.º 2102002.534 S2C1T2 Fl. 128 2 aluguel, no valor de R$ 24.599,80 e restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 1.995,00. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO SLOMP foi lavrada Notificação de Lançamento, fls.07/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, no valor total de R$14.880,36, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram omissão de rendimentos de aluguel recebido da Igreja do Evangelho Quadrangular, no valor de R$24.599,80; omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$12.894,40 e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$4.147,00. Inconformada com a exigência, a inventariante do espólio do contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que está assim resumida no Acórdão DRJ/POA nº 1032.209, de 22/06/2011, fls. 89/93: os rendimentos informados em DIRF pelo INSS se referem a proventos de aposentadoria isentos de tributação por ser o contribuinte portador de moléstia grave, da qual veio a falecer em 2006; os aluguéis pagos pela Igreja Evangélica Quadrangular no total de R$ 24.599,80 foram declarados por suas filhas, na proporção de 50%: Miriam Maria CPF n°s 468.887.13091 e Meris Maria Slomp CPF n° 201.825.03020, conforme declaração de rendimentos em anexo; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão n.º 2102002.534 S2C1T2 Fl. 129 3 os serviços prestados por Patrícia de Sá foram de fisioterapia, conforme recibos em anexo. A DRJ Porto Alegre considerou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido no lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/07/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 43, a inventariante do espólio do contribuinte apresentou, em 10/08/2011, recurso voluntário, fls. 97/100, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que a isenção de tributação dos portadores de doença de Parkinson, não se restringe apenas aos rendimentos de aposentadoria, mas a totalidade dos rendimentos recebidos e que a concessão da isenção não está condicionada à laudo pericial. que o imóvel locado à igreja, embora situado sobre prédio já existente e de propriedade de Antonio Slomp, tem número e acesso próprios e nunca pertenceu a Antonio Slomp. que constou do formal de partilha da esposa de Antonio Slomp que sobre o prédio de propriedade do mesmo seria construído um galpão e que este pertenceria às filhas do casal. que este galpão sempre constou da declaração de bens da filha Miriam Maria e os rendimentos de aluguel foram por ela declarados, na proporção de 50%. que a outra filha, Meris, veio a declarar posteriormente e pagou com multa os impostos atrasados. que os recibos emitidos por Patrícia Sá são relativos a despesas de terapia ocupacional, necessárias aos portadores de doença de Parkinson, e quanto ao endereço profissional, se faltou em algum recibo, é agora fornecido pela terapeuta, no documento anexo. É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão n.º 2102002.534 S2C1T2 Fl. 130 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A defesa afirma que todos os rendimentos recebidos por Antonio Slomp são isentos em decorrência de o mesmo ser portador de doença de Parkinson. A isenção pretendida pela recorrente está estabelecida no art. 6o, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Para fazer jus à isenção prevista no dispositivo legal acima mencionado dois requisitos precisam ser cumulados: os rendimentos devem ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave reconhecida por laudos médicos oficiais. Faltando um destes requisitos, não há que se falar em isenção. No presente caso, a alegação de isenção dos rendimentos recebidos por Antonio Slomp não pode prosperar tendo em vista que não consta dos autos laudo médico que comprove ser o contribuinte portador de uma das doenças elencadas no dispositivo legal acima transcrito. Acrescentese que, ainda que a condição de portador de moléstia grave restasse comprovada nos autos, somente os rendimentos de aposentadoria seriam isentos. No que tange à infração de omissão de rendimentos de aluguel a recorrente esclarece que o imóvel alugado à Igreja do Evangelho Quadrangular pertence às filhas de Antonio Slomp. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão n.º 2102002.534 S2C1T2 Fl. 131 5 Nesse ponto, importa de dizer que tratandose de omissão de rendimentos a infração deve estar perfeitamente comprovada, sendo ônus da autoridade fiscal demonstrar que de fato o contribuinte incorreu na infração que lhe é imputada. Ocorre que nos autos não existe documentação que demonstre de forma inequívoca que o contribuinte de fato tenha incorrido na infração de omissão de rendimentos de aluguel recebido da Igreja do Evangelho Quadrangular, posto que não constam dos autos o contrato de aluguel, tampouco o registro do correspondente imóvel, sendo certo que a autuação calcouse unicamente nas informações contidas na DIMOB, extrato, fls. 78. Por outro lado, consta do formal de partilha do espólio de Norma Grillo Slomp, processado no ano de 1977, fls. 106, o que se segue: Fica instituído a favor do viúvomeeeiro Antonio Slomp, o usufruto vitalício do primeiro pavimento do prédio de alvenaria sob nº 2.600, situado sobre o terreno urbano, constituindo o lote nº 18, antigo 6, da quadra 1.728, antiga letra “R”, com frente à Rua Bento Gonçalves, com 484,00 m², numeração administrativa, com frente para a Rua Bento Gonçalves, desta cidade, no quarteirão formado com as ruas Pinheiro Machado, Cel. Flores e Feijó Júnior, com um prédio de alvenaria de dois pavimentos. Acordam, por fim, que ambas as herdeiras Mirian Maria Slopm de Oliveira e Meris Maria Slomp, poderão construir sobre o prédio acima referido, um pavimento e meio cada uma, ficando com a propriedade plena dos mesmos. Já a recorrente esclarece que o imóvel alugado à Igreja do Evangelho Quadrangular é aquele construído sobre o imóvel de Antonio Slomp e que os correspondentes rendimentos de aluguel foram tributados na proporção de 50% nas Declaração de Ajuste Anual (DAA) das proprietárias, filhas de Antonio Slomp. Acrescentese que tal informação – de que o rendimento de aluguel foi declarado pelas filhas do contribuinte – foi confirmada na decisão recorrida, quando assim menciona: No caso, a tributação foi feita na proporção de 50% dos rendimentos dos aluguéis para cada filha do contribuinte: Meris Maria (R$ 12.300,00 com IRRF de R$ 734,50) e Miriam Maria (R$ 12.300,00 com IRRF de R$ 734,50), conforme se verifica às fls. 5/6. Ora, considerando que não está comprovado que o contribuinte seja de fato detentor da propriedade do imóvel que gerou os rendimentos de aluguel e diante dos esclarecimentos prestados no recurso, devese cancelar a infração de omissão de rendimentos de aluguel recebidos da Igreja do Evangelho Quadrangular. Já no que concerne à infração de dedução indevida de despesas médicas, a defesa restringe suas alegações aos valores consignados nos recibos emitidos por Patrícia Sá. De imediato, cumpre dizer que na DAA foram pleiteadas despesas médicas relativas à profissional Patrícia Sá, no valor total de R$ 2.830,00, cuja glosa foi motivada por Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão n.º 2102002.534 S2C1T2 Fl. 132 6 ausência do requisito legal (natureza do serviço prestado, falta de endereço profissional e ou qualificação do profissional). A despeito do afirmado na decisão recorrida, verdade é que a simples ausência do endereço do profissional emitente do recibo não é condição suficiente para a glosa de despesas médicas, posto que a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõe de cadastro com os endereços de todos os contribuintes, sendo certo que a indicação do endereço do profissional, por parte do contribuinte que utiliza a dedução da base de cálculo do imposto de renda, somente se faria necessária nos casos em que a autoridade fiscal não conseguisse identificar o profissional em sua base de dados cadastrais. Assim, a mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados não são, por si sós, fatos que permitam à autoridade fiscal glosar as despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Por outro lado, a dedução do imposto de renda restringese apenas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte no decorrer do anocalendário. No presente caso, os recibos trazidos pela defesa para comprovar a despesa, no valor de R$ 2.830,00, estão acostados aos autos, fls. 62/65, sendo que no recurso o endereço da profissional foi fornecido. Contudo, dentre os recibos apresentados existem dois, cuja data de emissão é do ano de 2007 (R$ 200,00 e R$ 210,00). Assim, restou comprovada a despesa médica, incorrida com a terapeuta ocupacional, no valor de R$ 1.995,00, que deve ser restabelecida. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos de aluguel, no valor de R$ 24.599,80 e restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 1.995,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903332/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária.
Recurso Voluntário Parcialmente Deferido.
Numero da decisão: 3302-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Paulo Guilherme Deroulede, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada
EDITADO EM: 18/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.903332/2008-55
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5321022
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.378
nome_arquivo_s : Decisao_10680903332200855.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 10680903332200855_5321022.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Paulo Guilherme Deroulede, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora designada EDITADO EM: 18/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5276200
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368313933824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.903332/200855 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.378 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria COFINS DCOMP Recorrente UNIGAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Paulo Guilherme Deroulede, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 33 32 /2 00 8- 55 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora designada EDITADO EM: 18/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase, na origem, de Declaração de Compensação de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) concernente ao mês de fevereiro de 2004, código de receita 6912, elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 12/04/2004 e que foi analisada eletronicamente, pelo batimento de informações constantes nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), culminando com a não homologação da compensação declarada, consignada em Despacho Decisório, também eletrônico, no qual indicava que o pagamento foi localizado, mas já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alegou em síntese, que no mês de fevereiro de 2004 calculou indevidamente a contribuição para o PIS como se estivesse submetido ao princípio da não cumulatividade, novidade introduzida naquela época, pela Lei 10.833. Aduz que, conforme a anexa cópia do seu livro de apuração do PIS foi aplicada, num primeiro momento, a alíquota de 1,65% sobre a receita total de R$ 7.684.857,20, apurando um débito total de R$ 126.800,14, que confrontado com os créditos totais de R$ 40.196,76, culminou no valor a recolher (sob o sistema da não cumulatividade) de R$ 86.603,38, justamente o valor recolhido e informado em sua DCTF à época. Acrescenta que, melhor analisando, percebeu que continuava submetido ao regime da cumulatividade e à alíquota anterior do PIS, de modo que refez, então, o seu livro de apuração do PIS e sobre a receita total de R$ 7.684.860,80 aplicou a alíquota de 0,65%, apurando um débito menor, de R$ 49.951,60. Argumenta que, inclusive, tentou, sem sucesso, fazer o REDARF eletrônico, no sítio da Receita Federal, alterando o código anterior do tributo 6912 para o novo código 8109. Ao final, requer se proceda de oficio.a retificação do DARF A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do Acórdão nº 0239.403, de 28 de maio de 2012, julgou Improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a decisão recorrida não merece reparos, sob o fundamento de que a interessada não comprovou o alegado erro de apuração inicial do Pis pelo o regime não cumulativo e sequer esclareceu o motivo que teria lhe dado causa. Abaixo transcrevese a ementa do referido Acórdão : “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 11 3 Data do fato gerador: 01/02/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 14/06/2012, conforme AR de efl. 71 e, discordando da mesma, ingressou, no dia 16/07/2012, com o recurso voluntário de efls. 72/170, no qual, em resumo, alega que: BREVE RESENHA DOS FATOS A não homologação se deu em decorrência de equívoco incorrido pela recorrente que calculou, declarou e pagou o PIS (PA fev /04) pelo regime não cumulativo, no valor de R$ 86.603,38.Entretanto, ao rever a origem das receitas auferidas naquela competência (decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, cujo objeto era fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços), verificou que tais receitas permaneciam submetidas ao regime cumulativo de apuração de PIS, consoante a norma prevista no art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/2003. Ao refazer a apuração do PIS para aquela competência, pelo regime cumulativo, apurou um débito de R$ 49.951,60 e, portanto, um indébito de R$ 36.651,78, utilizado como crédito para quitar o PIS do PA mar/04, por meio do PERDCOMP subjacente. Ainda alega que, no bojo da manifestação de inconformidade, reconheceu o equívoco em não ter retificado a DCTF à época e que , naquela altura, estaria impossibilitada de fazêlo. Também, tentou fazer REDARF, a fim de que o pagamento fosse alocado sob o código de cumulatividade, mas não logrou êxito. A negativa da DRJ/BHE pautouse na suposta ausência de justificativa para o erro cometido pela recorrente, bem como pelo fato de que o DACON e a DIPJ, transmitidos à época, informavam a apuração do PIS, em relação à totalidade de suas receitas, pelo regime não cumulativo.Mas, afirma, não consegue compreender essa decisão, pois que demonstrou, por meio da juntada de seu Livro de Apuração, que o crédito utilizado em DCOMP, equivalia em centavos àquele que foi verificado quando da reapuração do PIS, utilizandose de norma cogente, e não opção, que determina sejam as receitas de contratos firmadas até 31 de outubro de 2003, submetidas ao regime cumulativo.Como, também, restou demonstrado que não houve alteração da base de cálculo, igual à apresentada na DIPJ e DACON, mas, apenas erro no regime de apuração. Diz que outra prova de que o regime correto seria o cumulativo é o fato de que na DIPJ, nas competências subseqüentes, a partir de março/2004, apurou o PIS no regime cumulativo, não mais repetindo o erro. Considerando o princípio da verdade material, aduz que a decisão da DRJ/BHE não deve prevalescer. MÉRITO Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 RAZÕES para reforma do acórdão recorrido: observância ao art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003. Embora a recorrente estivesse sujeita ao regime não cumulativo, as suas receitas permaneciam submetidas ao regime cumulativo em face da norma da art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003 e das regras dos arts. 1º,2º e 4º da IN RFB 468/2004 e que o contrato atende aos requisitos exigidos.Um exame pormenorizado da DIPJ comprovaria suas alegações. O Princípio da Verdade Material. CTN. Art.147, §2º Mesmo diante dos equívocos da recorrente, seu direito ao crédito permanece hígido, devendo ser reconhecido, em observância ao princípio verdade material. No processo Administrativo, alega, buscase a verdade real, em conseqüência da legalidade tributária. Cita doutrina de James Marins. Afirma que não se pretende transferir à Administração o ônus da prova do erro material. Por isso que traz aos autos os documentos pertinentes, para que o CARF tenha condições de apreciar a compensação, que foi indeferida, automaticamente, por aspectos eminentemente formais. Diante da impossibilidade de se retificar agora a DCTF, o CARF pode reconhecer o crédito, com estribo no Art. 147 do CTN, segundo o qual, “os erros cometidos na declaração e apuráveis pelo o seu exame, poderão ser retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” Aduz que demonstrada a inexatidão material contida nas declarações transmitidas pela recorrente, bem como a efetiva existência do crédito cuja compensação foi solicitada, é medida de direito e de justiça reconhecer o direito creditório vindicado. DO PEDIDO Requer seja o recurso conhecido e provido e a reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento da validade da compensação efetuada. Sucessivamente, caso o CARF entenda imprescindível ao desfecho da lide, a recorrente pede sejam os autos baixados em diligência, para que os fiscais possam analisar, nas dependências d recorrente, todo o contrato que originou as receitas percebidas na competência fev/2004 e o crédito utilizado no procedimento compensatório. E justifica: “Isso porque, além de sua enorme extensão(em vernáculo estrangeiro), há cláusula de confidencialidade assinada pelas partes no aludido instrumento, o que impede sua juntada aos presentes autos”. E informa que, no prazo máximo de 30 dias apresentará tradução juramentada do excerto do contrato ora apresentado em vernáculo inglês. Anexa ao recurso, cópia de excerto do contrato em vernáculo estrangeiro (efl 82 a 87; cópia da DIPJ 2005, retificadora (ano base 2004) (efls 88 a 170). À efls 172 a f178 oi juntada a “tradução Jurmentada” de excerto do Contrato inicialmente apresentado em vernáculo inglês. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 12 5 Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser colhido e analisado. Pela análise dos autos, constatase, diferentemente de outros processos já julgados por esta turma, que a motivação para o julgamento de Improcedência da Manifestação de Inconformidade proferido pela DRJ/BHE não se deu pela falta de retificação da DCTF original ou mesmo pela retificação posterior ao Despacho Decisório. A motivação para tal julgamento pautouse na falta de comprovação do erro genericamente alegado e mesmo da ausência de esclarecimento acerca do motivo que teria dado causa ao motivo do erro na escolha do regime de tributação do PIS no período de apuração de fevereiro de 2004, sendo esta a questão trazida no recurso voluntário. Assim, é que, somente no recurso voluntário a contribuinte traz o esclarecimento sobre o motivo que lhe teria levado ao equívoco na tributação do Pis pelo o regime não cumulativo, quando, ao seu juízo, deveria ter sido apurado pelo o regime cumulativo, alegando que as suas receitas, naquele período de apuração, seriam decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, cujo objeto era fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços, apresentando cópia de excerto do contrato do qual, segundo alega, teria decorrido a totalidade de s sua receita , fundamentando seu entendimento na regra contida no art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003 e nas regras dos arts. 1º,2º e 4º da IN RFB 468/2004. Vêse, então, que, no recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos documento que, aparentemente, comprovaria a origem de suas receitas, os quais não foram submetidas à análise da autoridade julgadora de 1ª instância. É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei nº 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/721: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, tratase de pedido de restituição de suposto crédito a favor da contribuinte, decorrente de alegado pagamento a maior do PIS (PA fev/2004), seguido de declaração de compensação, cabendo a este o ônus da prova. Assim, a possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios e regras procedimentais que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 13 7 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). No que pertine ao processo objeto de pedido de Restituição e compensação, as normas processuais acima transcritas têm aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, verbis: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de DOU de 31.12.2008 CAPÍTULO VII DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA “Art. 66 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º A autoridade administrativa competente para decidir sobre o pedido de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou a compensação deverá se pronunciar quanto ao atendimento dos requisitos de admissibilidade da manifestação de inconformidade nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação” (grifos nossos). Portanto, o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, e é na fase da impugnação ou manifestação de inconformidade apresentada pela a contribuinte que se estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que a contribuinte deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos, não se podendo exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, quando do seu pedido de restituição, independentemente de exigência legal. A abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas só são admitidos nas situações legalmente excepcionadas, ou seja, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º do Decreto 70.235/72 acima transcrito. No caso em questão, a contribuinte não fez referência à qualquer uma dessas hipóteses. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López2 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Entretanto, tal limitação tem sido alvo de divergências no âmbito dos órgãos julgadores administrativos, haja vista a corrente de defesa de que tal limitação fere os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, além da responsabilidade de os agentes públicos zelarem pela legalidade dos atos administrativos. De fato, não há dúvidas de que o Processo Administrativo é informado pelos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material e de que no Processo Administrativo Fiscal não se pode se ater apenas à verdade formal. Mas, a busca da verdade material não deve, também, ultrapassar os limites do rito processual, sob pena de, igualmente, ferir outros princípios informadores do PAF, tais quais o da duração razoável do processo, o da necessidade de estabilização das relações jurídicas,o do duplo grau de jurisdição, etc., principalmente quando o ônus da prova cabe à contribuinte, como se dá no presente caso. Tendo em conta, porém, a questão do zelo pela legalidade do ato administrativo litigado, poderseia defender a análise de provas preclusas de alegações já efetuadas na manifestação de inconformidade. Entretanto, tal possibilidade, a meu ver, só deve ocorrer, no caso em que as provas sejam hábeis, por si só, a comprovar concludente e definitivamente as alegações já produzidas na impugnação ou manifestação de inconformidade, sem necessidade de desdobramentos processuais complementares para a sua análise, posto que assim, atrasaria de modo desmesurado o julgamento. Em caso contrário, para acatar as provas preclusas, necessitaria a demonstração, por parte da contribuinte, da ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 14 9 No caso dos autos, a contribuinte traz em sede de recurso voluntário novas alegações não oferecidas à apreciação da autoridade julgadora de 1ª instância acompanhada de novas provas (cópia de excerto de contrato firmado em vernáculo inglês e a respectiva tradução juramentada, já que se diz impossibilitada de anexar o contrato como um todo, posto que confidencial), no sentido de cientificar e comprovar que a totalidade de sua receita , advinda de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, cujo objeto era fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços, submetese ao regime cumulativo de tributação do PIS. Ambas são preclusas, posto que apresentadas quando já se encerrou a instrução processual. Portanto, convém repetir que, de acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2)competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. Não se trata aqui, portanto, apenas de provas preclusas. Mas, sim, de alegações e provas preclusas. Mesmo que se tratasse unicamente de provas preclusas relativas à alegações já oferecidas na manifestação de inconformidade, o que não é, terseia outro elemento impeditivo. É que as provas trazidas no recurso voluntário, não são suficientes, por si só, para atestar de forma contundente que a origem de sua receita no período sob litígio seria oriunda de referido contrato e, sendo assim, não são suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparadas da escrituração contábil fiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, não se admite na fase recursal do processo, posto que não cabe ao julgador, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão da contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, tais institutos não se destinam a tanto. Como é sabido, diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Neste sentido decidiram os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção, por meio do Acórdão 3403002.156, sessão de 21 de maio de 2013, sob a relatoria do eminente conselheiro Alexandre Kern, consoante ementa e trechos do voto a seguir transcritos, cuja fundamentação adoto e ratifico nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 EMENTA “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido” VOTO “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 15 11 deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito.inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.),demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. (...) Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deterse sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 16 13 A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tão somente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). (...). À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF.” Assim, diante do que foi acima exposto, não se deve conhecer de alegação nova trazida unicamente na fase recursal. E, afastandose tal alegação e respectiva prova, é de se considerar correta a decisão proferida pela 1ª instância, em face de alegações genéricas e da não comprovação da existência de crédito favorável à contribuinte. CONCLUSÃO Com essas considerações, conduzo o meu voto no sentido de não se conhecer da alegação e provas preclusos, indeferir o pedido de diligência e de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme verificase do voto vencido, a I. Conselheira Relatora entendeu pela improcedência do presente recurso em virtude de não vislumbrar que o crédito poderia ter sido concedido se houvesse sido considerada a retificação de DCTF. Argumenta a Relatora que Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 a jurisprudência da turma não se aplica in casu porque o contribuinte não teria alegado as razões que justificaram a retificação da DCTF, fazendoo apenas em sede de recurso voluntário, citese: “Pela análise dos autos, constatase, diferentemente de outros processos já julgados por esta turma, que a motivação para o julgamento de Improcedência da Manifestação de Inconformidade proferido pela DRJ/BHE não se deu pela falta de retificação da DCTF original ou mesmo pela retificação posterior ao Despacho Decisório. A motivação para tal julgamento pautouse na falta de comprovação do erro genericamente alegado e mesmo da ausência de esclarecimento acerca do motivo que teria dado causa ao motivo do erro na escolha do regime de tributação do PIS no período de apuração de fevereiro de 2004, sendo esta a questão trazida no recurso voluntário. Assim, é que, somente no recurso voluntário a contribuinte traz o esclarecimento sobre o motivo que lhe teria levado ao equívoco na tributação do Pis pelo o regime não cumulativo, quando, ao seu juízo, deveria ter sido apurado pelo o regime cumulativo, alegando que as suas receitas, naquele período de apuração, seriam decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, cujo objeto era fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços, apresentando cópia de excerto do contrato do qual, segundo alega, teria decorrido a totalidade de s sua receita , fundamentando seu entendimento na regra contida no art. 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003 e nas regras dos arts. 1º,2º e 4º da IN RFB 468/2004.” destaquei Após analisar as peças e documentos acostados aos autos, ouso divergir do entendimento apresentado pela I. Conselheira relatora. Vejo que a Recorrente trouxe em sua impugnação, ainda que de forma genérica, a razão que justifica a existência do crédito tributário e a retificação da DCTF. É certo que o recurso voluntário é bem mais específico que a impugnação, mas este fato não é suficiente para se aplicar a preclusão da apresentação do argumento trazido pela contribuinte. Ademais, a negativa ao crédito da Recorrente resultou do fato de que a DCTF original não indicou a existência do crédito pleiteado, seguido do fato de a contribuinte somente ter apresentado a DCTF retificadora, sem a comprovação efetiva do crédito alterado na retificação. É exatamente neste sentido o entendimento da maioria deste colegiado, na possibilidade de a DCTF ser retificada e de o contribuinte ter o seu crédito analisado pelas autoridades administrativas em prol da verdade material, posto que não há no ordenamento qualquer mandamento que proíba esta retificação. Na hipótese de a DCTF indicar a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins e de não ter sido constatada a impossibilidade de existência deste crédito, deve se considerar a informação fornecida pela contribuinte. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasa de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.903332/200855 Acórdão n.º 3302002.378 S3C3T2 Fl. 17 15 Assim, mero erro formal da contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. A observância de tais princípios no caso em análise, impede aos julgadores administrativos ignorar os indícios apresentados pela contribuinte, mesmo que isso não signifique a homologação da compensação pleiteada. Ressaltase que crédito alegado pela contribuinte deve ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a verificação das informações alegadas pela Recorrente, bem como a apuração do crédito tributário pleiteado. É como voto, (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000024/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Relatório
O crédito em questão refere-se ao Auto de Infração AI n. 37.128.790-1, lavrado para aplicação de multa em razão da empresa haver apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições sociais.
De acordo com o fisco, a autuada deixou de informar em GFIP o valor do produto rural adquirido de produtores rurais pessoas físicas. Além disso, ao declarar indevidamente a opção pelo SIMPLES, deixou de informar as contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais. Informa-se que a autuada fora excluída do regime tributário SIMPLES mediante o Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004 Anexo II.
A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedente as impugnação apresentada, em acórdão assim ementado:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão.
DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS.
A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma.
Impugnação Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, no qual, em resumo, foram alegados:
a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo;
b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples;
c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco.
É o relatório.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.000024/2009-13
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322606
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-000.326
nome_arquivo_s : Decisao_16004000024200913.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16004000024200913_5322606.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório O crédito em questão refere-se ao Auto de Infração AI n. 37.128.790-1, lavrado para aplicação de multa em razão da empresa haver apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições sociais. De acordo com o fisco, a autuada deixou de informar em GFIP o valor do produto rural adquirido de produtores rurais pessoas físicas. Além disso, ao declarar indevidamente a opção pelo SIMPLES, deixou de informar as contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais. Informa-se que a autuada fora excluída do regime tributário SIMPLES mediante o Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004 Anexo II. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedente as impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, no qual, em resumo, foram alegados: a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo; b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples; c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco. É o relatório.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5288140
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368320225280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 349 1 348 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000024/200913 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.326 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de novembro de 2013 Assunto REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 00 02 4/ 20 09 -1 3 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000024/200913 Resolução nº 2401000.326 S2C4T1 Fl. 350 2 Relatório O crédito em questão referese ao Auto de Infração AI n. 37.128.7901, lavrado para aplicação de multa em razão da empresa haver apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições sociais. De acordo com o fisco, a autuada deixou de informar em GFIP o valor do produto rural adquirido de produtores rurais pessoas físicas. Além disso, ao declarar indevidamente a opção pelo SIMPLES, deixou de informar as contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais. Informase que a autuada fora excluída do regime tributário SIMPLES mediante o Ato Declaratório Executivo 23, de 26 de junho de 2007, com efeitos a partir de 24 de agosto de 2004 Anexo II. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) declarou improcedente as impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, no qual, em resumo, foram alegados: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000024/200913 Resolução nº 2401000.326 S2C4T1 Fl. 351 3 a) nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa das pessoas arroladas no polo passivo; b) impossibilidade da lavratura antes do trânsito em julgado do processo relativo à exclusão da empresa fiscalizada do Simples; c) inexistência dos vínculos de solidariedade firmados pelo fisco. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000024/200913 Resolução nº 2401000.326 S2C4T1 Fl. 352 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inicialmente cabe assinalar que no AI sob cuidado está sendo aplicada multa em razão de falta de declaração na GFIP das aquisições de produto rural de pessoas físicas, assim como de erro no campo “Opção pelo Simples”. Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que, de acordo com consulta efetuada no sistema informatizado, encontrase na 1.ª Seção do CARF aguardando distribuição. Esse feito se refere a recurso da empresa autuada contra o Ato Declaratório que a excluiu do SIMPLES, processo n. 16004.000307/200795. Nesse sentido, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente ao AI que ora se julga, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que se aguarde o desfecho do processo de exclusão do sistema simplificado de recolhimento de tributos. Portanto, devem os autos ser encaminhados a origem e aguardar o transito em julgado do processo referido, para, somente então, retornar a esse colegiado para apreciação dos recursos. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
