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Numero do processo: 10880.949434/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 34 /2 00 8- 61 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.086,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 6 5 O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721593/2016-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
EMENTA:
A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO
PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identifica-se como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deu-se com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratar-se a fase de fiscalização meramente inquisitória.
TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova.
PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, torna-se prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993.
INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indefere-se pedido para ciência em domicílio diverso.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1402-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 EMENTA: A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identifica-se como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deu-se com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratar-se a fase de fiscalização meramente inquisitória. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, torna-se prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indefere-se pedido para ciência em domicílio diverso. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EMENTA: A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identificase como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deuse com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratarse a fase de fiscalização meramente inquisitória. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 15 93 /2 01 6- 54 Fl. 2421DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, tornase prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indeferese pedido para ciência em domicílio diverso. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por BERNADETE ORSI & CIA LTDA – ME. no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que considerou IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade contra o ato de exclusão do Simples Nacional e IMPROCEDENTE a Impugnação contra os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.785 3 O presente processo administrativo fiscal trata de Manifestação de Inconformidade contra a exclusão de ofício da epigrafada do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, bem como de Impugnação ao Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), decorrente da exclusão. 2 Tendo em vista que os fatos objetos da exclusão do Simples Nacional são os mesmos da autuação nos Autos de Infração e as razões expendidas na Manifestação de Inconformidade e na Impugnação coincidem em muitos tópicos, passarei a expor as alegações constantes de ambas. 3 A contribuinte foi excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 116, de 29 de julho de 2016 (fls. 437), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, com efeitos a partir de 01/01/2010, pelas infrações abaixo transcritas do seu art.1°, incisos I e II: (...) I. Prática reiterada de infração (art. 29, V da Lei Complementar n° 123/2006); II. Falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária (art. 29, VIII da Lei Complementar n° 123/2006). (...) 4 – Em decorrência da constatação das infrações que resultaram na exclusão, o AuditorFiscal procedeu à constituição do crédito tributário do período de 1°/10/2010 a 31/12/2012 mediante Autos de Infração formalizados pelos processos administrativos fiscais n°. 10983.721.593/201654 (período de 10/2010 a 12/2012), 10983.721.939/201614 (período de 10/2010 a 06/2012) e 10983.721.940/201649 (período de 07 a 12/2012). 5 O presente processo (10983.721.593/201654) versa sobre a exclusão do Simples Nacional e sobre o lançamento do crédito tributário recalculado pelo lucro arbitrado sobre as receitas declaradas pelo Simples, conforme valores abaixo do crédito tributário na data da lavratura dos Autos de Infração, já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%: IRPJ R$ 62.487,24 (fls.901) CSLL R$ 40.932,07 (fls. 944) PIS R$22.605,84 (fls. 924) Fl. 2423DF CARF MF 4 COFINS R$ 111.615,29 (fls. 935) 6 Na representação fiscal (fls.430/433) que redundou no indigitado ato excludente, bem como no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls.863/881) relativo aos Autos de Infração, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento ponderava, em essência, como motivação para a exclusão do Simples Nacional e a autuação, a falta de escrituração de operações financeiras realizadas pela contribuinte mediante a utilização de contas bancárias em nome da empresa Pedra Brasil, CNPJ 85.382.760/000163, nos períodos de 2010, 2011 e 2012. 7 – Assim, atribuiu à mesma a cotitularidade das contas bancária em conjunto com a Pedra Brasil e o Auto Posto Batistense, CNPJ 06.151.584/000182. Em síntese, assim relata o agente fiscal (excertos da Representação Fiscal e do TVF) (...) Em procedimento fiscal de diligência, verificouse que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA utilizou, de forma contumaz, no período 20102012, contas bancárias de outra empresa denominada PEDRA BRASIL MINERACAO LTDA – ME, CNPJ 85.382.760/0001 63, para o trânsito de valores e realização de negócios em seu próprio nome e interesse, sendo considerada cotitular das citadas contas bancárias. (...) Tal movimentação financeira não foi escriturada, tampouco, como confirma a empresa, as alegadas operações de empréstimo a outra empresa considerada cotitular das contas bancárias, o AUTO POSTO BATISTENSE, CNPJ 06.151.584/000182. Nesse sentido, a empresa infringiu também o mandamento do art. 26 da Lei Complementar nº 123/2006, especificamente no seu § 2º: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. (...) Por outro lado, a Lei Complementar também especifica, em seu art. 34, que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. (...) Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.786 5 7 – Ato contínuo à exclusão, o AuditorFiscal procedeu ao lançamento com base no lucro arbitrado, pois a contribunte, segundo o mesmo, não apresentou os requisitos legais para tributação pelo lucro presumido ou real. 8 – Especificamente sobre a constatação da cotitularidade das contas bancárias entre a fiscalizada e as empresas Pedra Brasil, e Auto Posto Batistense, assim expôs o AuditorFiscal tanto na Representação Fiscal quanto no Termo de Verificação Fiscal (excertos): 2 DA COTITULARIDADE DE FATO DE CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS 15. Anteriormente à abertura deste procedimento de fiscalização, a empresa foi diligenciada em 07/0 6 e 15/06/2016 , por meio dos Termos de Intimação Fiscal 2016¬ 001363/ 1 e 2016001363/2 , respectivamente, a respeito de depósitos bancários realizados em favor da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) e de sua participação nos depósitos efetuados pela empresa CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL nas mesmas contas bancárias. 16. Após pedido de prorrogação, apresentou respostas em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, alegando em suma: • Que devido às dificuldades financeiras do AUTOPOSTO BATISTENSE, foram utilizadas contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), em vista da disponibilidade de crédito. • Que os créditos efetuados pela CREDIVELEIRO, a mando da empresa BERNADETE ORSI LTDA, nas contas da EDSON ORSI ME, referiamse ao pagamento de empréstimos que esta realizou ao AUTOPOSTO BATISTENSE. • Que tais valores provieram de empréstimos de pessoas físicas (cheques) que foram descontados na CREDIVELEIRO e posteriormente devolvidos às pessoas. • Nesse sentido, apresentou documentos consistindo em cópias de cheques de terceiros e borderôs da CREDIVELEIRO, além de depósitos realizados nas contas dos credores, supostamente a título de devolução dos valores. • Que as operações de empréstimo não foram contabilizadas na empresa. 17. Com relação às transações efetuadas junto à CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, constatouse, em diligência junto a essa empresa, que o comando para os depósitos em conta da PEDRA BRASIL (então EDSON ORSI ME) , por parte da empresa BERNADETE ORSI & CIA LTDA, partiu de Ana Claudia Orsi, sócia administradora do AUTO POSTO BATISTENSE, como mostram cópias de email junto à documentação. Fl. 2425DF CARF MF 6 18. A constatação do uso das contas da PEDRA BRASIL, pelas quais a BERNADETE ORSI LTDA fez transitar valores de seu interesse, foi ainda corroborada por diversos elementos adicionais contantes das informações bancárias da PEDRA BRASIL, dos quais a fiscalização retirou amostragem, constando do arquivo não paginável denominado "Documentos Comprobatórios": • Listagem de TED da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para cerâmica BERNADETE ORSI &. CIA LTDA • Cheques nominais da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) destinados ao AUTOPOSTO BATISTENSE, à cerâmica BERNARDETE ORSI e a Edson Orsi, assinados pelo mesmo, que também é sócio administrador da empresa. BERNARDETE ORSI & CIA LTDA contendo inclusive carimbo desta. • Pagamentos realizados para compra de imóvel junto à MEIA PRAIA empreendimentos, em nome de Maria Bernadete Orsi, sócia administradora da empresa BERNARDETE ORSI LTDA. • Endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à BERNADETE ORSI LTDA. • Cheques emitidos em favor de AGRICOPEL DERIVADOS DE PETRÓLEO, vinculados à duplicatas emitidas por BERNARDETE ORSI & CIA LTDA. Vários cheques assinados por Edson Orsi, em favor de fornecedores cuja carcterística se prestam a atender o rmao industrial e particularmente o cerâmico, todos com carimbo da Cerâmica BERNADETE ORSI: FERREIRA TINTAS, FUNDIÇÃO MECÂNICA, METALÚRGICA NANDI (equipamentos para cerâmica), INDUSTRIA SANTA APOLONIA(máquinas para indústria cerâmica), TECNOMAC MECANICA, TECNOCEL, MKRAFT. Pagamentos a empregados, como por exemplo Lucili Stank de Barros.. 19. Portanto, ficou evidente que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA usou das contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para realizar negócios em seu próprio nome e interesse (inclusive de familiares sócios), seja captando, enviando e recebendo recursos de interesse do AUTO POSTO BATISTENSE, mas também para pagamento de fornecedores, sócios e empregados, utilizandose de cheques da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), assinados por Edson Orsi. 20. A propósito, podese comentar a respeito do grau de parentesco entre os sócios administradores das empresas em foco, aspecto facilitador das operações realizadas: O sócio administrador da PEDRA BRASIL e da BERNADETE ORSI E CIA LTDA, Edson Orsi é casado com Maria Bernadete Orsi, sócia administradora desta última empresa. Com relação ao AUTO POSTO BATISTENSE, sua sócia administradora Ana Claudia Orsi Arndt é filha dos citados Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.787 7 21. Assim, há elementos suficientes que indicam a interposição da PEDRA BRASIL pela BERNADETE ORSI & CIA LTDA e o uso comum, ou seja, a cotitularidade de fato das contas bancárias no período 20102012 : •Banco do Brasil, Agência 5385, Conta 851779 . •ITAU, Agência 7433, Conta 50965 . •Coop. Cred. Nova Trento, Agência 3242, Conta 103896 . (...) 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM 24 . A Lei Complementar n° 123/2006 , em seu art. 34, especifica que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes do SIMPLES NACIONAL todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídas no sistema. 25 . Nesse sentido, o art. 42 da Lei 9.430/9 6 caracteriza como omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos associados a essas operações. 26 . Tais valores de receitas omitidas são considerados auferidos ou recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, sendo então objeto de verificação fiscal em relação à base de cálculo declarada dos tributos, e submetidos às normas de tributação específicas previstas na legislação de regência. 27 . Considerando a cotitularidade de fato já configurada, cabe trazer o conteúdo dos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9430/96 , que explicitam: § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) 28 . Conforme os Termos de Intimação Fiscal 2016001363/ 1 e 2016 001363/2 , assim como o Termo de Início da Fiscalização, a Fl. 2427DF CARF MF 8 BERNADETE ORSI LTDA teve a oportunidade de comprovar a origem dos créditos bancários das contas da PEDRA BRASIL, das quais foi considerada cotitular. 29 . Informouse também à empresa da não consideração, pela fiscalização, de transferências entre contas de mesma titularidade e valores que não constituíram receitas, bem como lhe foi possibilitada a identificação e comprovação de outras eventuais operações da mesma espécie. 30 . Nas transferências de mesma titularidade, a fiscalização buscou identificar e excluir, desde a similitude de históricos, datas e valores, depósitos bancários provenientes da própria BERNADETE ORSI LTDA e do AUTO POSTO BATISTENSE, dada sua cotitularidade. 31 . Com relação às cópias de borderôs da CREDIVELEIRO, cheques de terceiros e de depósitos realizados nas contas dos emprestadores, enviados em resposta à diligência, aparentemente destinados à devolução dos citados empréstimos, o Termo de Início comunicou à empresa que não foram apresentados documentos que comprovassem tal relação, como contratos ou equivalentes. 32 . A resposta da empresa ao Temo de Início teve como base um relatório emitido em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, buscando esclarecer as deficiências apontadas e e u as as ocorrências de depósitos bancários elencadas pela fiscalização. 33 . O relatório apresentado em resposta ao Termo de Início, em conjunto pelas duas empresas, apresenta diversas tabelas, e em suma reconhece o uso das contas bancárias da PEDRA BRASIL, solicita a retirada de transferências de mesma titularidade não detectadas pela fiscalização, assim como de valores depositados em tais contas, provenientes da CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, sob a alegação de que seriam empréstimos, porém não formalizados. 34 . Em uma segunda resposta subsequente, novamente em conjunto, houve a argumentação (em relação ao AUTO POSTO) de que "[...] a diferença entre os valores que faturou e a sua disponibilidade de caixa perfazem exatamente o montante que circulou pelas contas bancárias da PEDRA BRASIL." Repete ainda a solicitação de reconhecimento como empréstimos e requer que depósitos em dinheiro sejam considerados como efetuados pelo próprio AUTO POSTO. 35 . Devese enfatizar que o relacionamento da BERNADETE ORSI LTDA com as contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI) não se limitou ao encaminhamento ao AUTO POSTO BATISTENSE, de valores oriundos de descontos de cheques junto à CREDIVELEIRO. Como se viu no item precedente (da cotitularidade), a fiscalizada utilizou as contas também para receber valores e pagar despesas diversas, notadamente de fornecedores e inclusive de seus sócios. 36 . Em vista das alegações e documentos do relatório conjunto enviado à fiscalização, foram tomadas as seguintes providências: • Os TED emitidos pela BERNADETE ORSI LTDA destinados às contas da PEDRA BBRASIL (EDSON ORSI ME tabela Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.788 9 "BERNADETE ORSI E CIA CONTA HSBC PARA PEDRA"), devidamente comprovados, face à cotitularidade das contas, foram excluídos da listagem de depósitos bancários. • O valor de 150 mil, relativo a TED recebido como "DEVOLUÇÃO DE VALORES EMPESTADOS PARA COMPRA DE APARTAMENTO", foi excluído pela fiscalização, após confirmação em diligência junto ao depositante. 37 . Por outro lado, a operação informada pela empresa como "Cheques reapresentados" não teve a devida comprovação, assim como a simples identificação de transferências de Maria Bernadete Orsi, Edson Orsi (sócios da BERNADETE ORSI LTDA), Argeu Neto e Ana Claudia (sócios do AUTOPOSTO) mesmo considerando declaração firmada pelos mesmos, não tem o condão de comprovar a origem e motivação de tais depósitos. 38 . Já com relação aos TED/DOC recebidos da CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL (VELEIRO COBRANCAS LTDA CNPJ 07.818.807/000185) , sob o histórico "CRED MERCANT" (TABELA CREDIVELEIRO do relatório resposta TIPF), estes foram analisados à luz da documentação enviada em resposta aos Termos de Intimação Fiscal 2016001363/ 1 e 2016001363/ 2 (diligência) e assim como os enviados no procedimento fiscal junto ao AUTO POSTO BATISTENSE: Cópias adicionais de borderôs, cheques e depósitos relacionados a operações de descontos de cheques junto à CREDIVELEIRO. Termos de Declaração de Maria Bernadete Trainotti Orsi e Edson Orsi, versando sobre sua relação de parentesco com os sócios do AUTO POSTO BATISTENSE e que emprestaram valores à empresa, sem juros, por meio de transferências bancárias. Termos de Declaração assinados por Priscila de Almeida, Grasiela B. Bosio, Fabio Ricardo Teixeira Arndt, Fernanda B. Paulista, Lucili S. de Barros, Luiz Claudio Paulista, Sheila Benvenutti do Nascimento, Jader Elesio Vargas, Valci Goreti Benvenutti do Nascimento, Vera Lucia Benvenutti Eccel, Albertina Souza do Nascimento e José Souza. a) Todas as declarações são idênticas no sentido de que alegam ter emprestado à empresa AUTO POSTO BATISTENSE, por meio de cheques prédatados descontados em empresas de fomento mercantil, sendo os valores devolvidos sem juros antes do vencimento dos cheques. 39 . Por um lado, verificandose os livros contábeis e fiscais entregues pela empresa, confirmouse a não existência de provas de que a movimentação financeira da BERNADETE ORSI LTDA com a PEDRA BRASIL tenha sido escriturada, sequer no âmbito das alegadas operações de empréstimos. Fl. 2429DF CARF MF 10 40 . Assim, considerando que não houve a escrituração das operações de empréstimo em comento, a comprovação documental deve apresentar substancial concordância dos seguintes elementos: • datas e valores, • apresentação de cópias dos cheques depositados (descontados), borderôs, declarações firmadas pelas pessoas físicas emitentes dos cheques e, as • a co rovação oc e tal a evol ção dos valores ara as es as pessoas, constituindose assim na comprovação dos alegados mpréstimos. 41. Novamente frisase que somente estar identificada a origem como sendo de operações de desconto de cheques junto à CREDIVELEIRO não é condição suficiente para comprovar os alegados empréstimos, pois que tais descontos também poderiam ter utilizados cheques originados de outras atividades, inclusive mercantis. 42. Da análise efetuada, estes foram os créditos bancários : excluídos, os quais satisfizeram os quesitos do critério mencionado (...) 43 . Dessa forma, tendo a análise dos créditos bancários da PEDRA BRASIL (à época EDSON ORSI ME/AREIA BRASIL) perpassado as informações bancárias da empresa, as respostas dos diligenciados e dos cotitulares de fato das contas bancárias (AUTO POSTO BATISTENSE e BERNADETE ORSI E CIA LTDA), a fiscalização consolidou a relação de depósitos bancários para os quais não houve a devida comprovação da origem, conforme o anexo ao presente TERMO. 44 . Como bem frisado à fiscalizada, a não comprovação da origem de tais recursos implica na caracterização de omissão de receitas, considerada no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 45 . Por outro lado, obedecendo a legislação, os valores mensais apurados de depósitos não comprovados foram divididos igualmente entre o titular e os cotitulares das contas bancárias, conforme mostra o item 5.2 deste Termo, que trata da apuração dos tributos devidos em dois períodos distintos: 201 0 a junho de 201 2 e julho a dezembro de 2012, em vista da alteração da composição societária da empresa. (...) 48 . Ocorre que, mormente a exclusão do SIMPLES NACIONAL, em consonância com o que determina o art. 32 da LC 123/06 , permita à empresa excluída optar pelo recolhimento dos tributos na forma do lucro presumido, esta sujeitase ainda, a partir do período de início da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.789 11 49 . Conforme se depreende do teor do citado Termo, foi oportunizado à empresa realizar a opção mencionada, porém informandolhe das obrigações em relação aos livros e documentos contábeis e fiscais. Também lhe foi expressamente avisado que tanto a falta de opção de regime de apuração quanto a falta de cumprimento das obrigações acessórias implicaria na adoção da sistemática do Lucro Arbitrado. 50 . Como se vê, não estão presentes na resposta da empresa os elementos obrigatórios em relação à escrituração pelo lucro presumido, em especial o registro de sua total movimentação financeirobancária, acompanhada da necessária documentação suporte. 5 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS ARBITRAMENTO DO LUCRO 51 . A autoridade tributária poderá arbitrar o lucro da pessoa jurídica, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (RIR 99) , em seu art. 530, no presente caso atendose ao inciso II: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art.1° [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou [...] 52 . De fato, como já comentado anteriormente, a escrituração da fiscalizada não está apta a identificar sua verdadeira movimentação financeirobancária, haja vista ter se utilizado de contas bancárias de terceiros, vale dizer, mantidas à margem de sua contabilidade. 53 . Ficou assim configurada, de forma cabal, a situação prescrita no inciso II do art. 53 0 do RIR, cabendo então à fiscalização a aplicação da sistemática do arbitramento do lucro, nos termos da legislação. 54 . Conforme os art. 532 e 536 do RIR/99, a base de cálculo (o lucro arbitrado) será o montante determinado pela soma do valor resultante da aplicação de percentuais variáveis, conforme o tipo de atividade operacional exercida pela pessoa jurídica, sobre a receita bruta auferida nos respectivos trimestres e, eventuais ganhos de capital, rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de receitas não abrangidas por sua atividade. Fl. 2431DF CARF MF 12 55 . Para fins de apuração do Imposto de Renda, o lucro arbitrado dos trimestres dos anoscalendário de 201 0 a 201 2 foi obtido com a aplicação, sobre a totalidade das receitas, declarada e omitida, do percentual de 9,6%, tendo em conta a atividade da empresa, para a qual a legislação determina a presunção de lucro de 8% mais o acréscimo de vinte por cento do arbitramento. 56 . Com relação à CSLL, a base de cálculo trimestral é obtida mediante a aplicação do percentual de 12% sobre o total das receitas. 57 . Na apuração pelo lucro arbitrado, PIS e COFINS passam a ser calculados na modalidade de incidência cumulativa. A base de cálculo é o total das receitas da pessoa jurídica, sem deduções em relação a custos, despesas e encargos. Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS são, respectivamente, de 0,65% e de 3%. 5.1 PROCESSO N° 10983.721593/201601 RECEITA BRUTA CONHECIDA 20102012 58 . Considerando a apuração pela modalidade do lucro arbitrado, a identificação da Receita Bruta Conhecida, nos termos do art. 532 do RIR 99, foi obtida a partir das receitas declaradas ao SIMPLES NACIONAL, nas DASN dos anoscalendário 201 0 e 201 1 e nas PGDAS do ano de 2012. 59 . Sendo assim, efetuouse o cálculo dos tributos devidos, observandose que, obedecendo ao §10 do art. 21 da LC 123/06 , foi realizada a dedução dos valores pagos no SIMPLES NACIONAL, proporcionalmente a cada tributo, conforme a tabela a seguir: (...) 60 . Desse modo, conforme os demonstrativos dos Autos de Infração dos quais faz presente Termo, foram geradas as seguintes infrações: • IRPJ RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRI • FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 61 . Com relação à multa de ofício, foi aplicado o percentual de 75%, conforme o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 , com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 . 5.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 5.2.1 PROCESSO n° 10983.721939/201614, outubro/2010 a junho/2012 Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.790 13 62 . De acordo com o exposto no título 3 deste Termo, apurouse os valores mensais de depósitos bancários não comprovados atribuídos à fiscalizada, co siderados como omissão de receitas, sendo que estão abaixo representados aqueles do período de outubro djunho de 2012 . (....) 63. Tais receitas consideradas omitidas vão computar a base de cálculo para a apuraçãor trimestral do IRPJ e da CSLL, com base no lucro arbitrado. 64 . No mesmo sentido, os valores de receitas omitidas também foram considerados como base de cálculo do PIS e da COFINS, pois a apuração dessas contribuições é decorrente dos mesmos fatos motivadores da exigência do IRPJ e da CSLL, que no caso da apuração pelo lucro arbitrado, são calculadas na modalidade de incidência cumulativa. 65 . Desse modo, os valores de impostos e das contribuições apurados estão sendo lançados de ofício, conforme os demonstrativos de apuração e autos de infração específicos, sob as seguintes infrações: (...) 74 – Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, verificase que a omissão de receitas detectada pela fiscalização se insere nas definições de sonegação e fraude. (...) 76 . Tal trama foi evidentemente ocultada, afastandose completamente de qualquer alegação de mero erro ou engano, e principalmente apostando na hipótese de uma suposta inércia do Fisco, o que de fato resultou no retardamento do conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias realmente devidas. 77 . Também existem sinais evidentes de conluio entre pessoas da mesma família. Houve a caracterização de pessoas, sócios, mandatários, diretores, que mandaram fazer, executaram ou tiveram conhecimento de atos ligados aos ilícitos. (...) 9 A fiscalizada foi cientificada do ADE de exclusão em 05/08/2016 (fls.444) e dos Autos de Infração em 28/09/2016 (fls.970), tendo apresentado manifestação de inconformidade contra a exclusão em 06/09/2016 e impugnação contra os lançamentos em 31/10/2016, com os argumentos que resumimos a seguir em seus principais aspectos. 10 Preliminarmente, requer a decadência da operacionalização da exclusão do Simples Nacional de 2010 a julho/2011, sob o argumento Fl. 2433DF CARF MF 14 de tratarse da hipótese de lançamento por homologação, a qual já teria ocorrido por força do disposto no art. 150 do CTN, “in verbis”, (...) Nesse sentido, tendo a Manifestante encaminhado todas as guias e realizado todos os pagamentos nos moldes do que dispõe a legislação do simples nacional12, operacionalizando o lançamento por homologação e, portanto, o início da contagem da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário a partir do fato gerador. Assim não pode o fisco determinar que os efeitos da exclusão do Simples Nacional darseão a partir de janeiro de 2010 porquanto decaído o direito de constituir o crédito tributário^^ j (...) 11 Requer ainda preliminarmente a nulidade do ato de exclusão pela ausência de relatório fiscal que aponte os fatos que motivaram a exclusão do Simples Nacional e cerceamento de defesa, conforme suas palavras: (...). V. DA AUSÊNCIA DE RELATÓRIO FISCAL QUE APONTE OS FATOS QUE MOTIVARAM A EXCLUSÃO DA MANIFESTANTE DO SIMPLES NACIONAL AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO: VIOLAÇÃO AO ART. 10 , III DO DECRETO N° 70.235/73 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO CERCEAMENTO DE DEFESA: (...) Ora, como se vê, o Termo de Intimação Fiscal não pode ser utilizado como fundamento à exclusão da Manifestante do Simples Nacional, porquanto serve apenas para solicitação de documentos por parte do Fisco. Ademais, quando do recebimento de tal intimação, a Manifestante encaminhou devidamente todos os documentos solicitados, tanto é que, até o momento não houve qualquer autuação fiscal. (...) O conhecimento prévio, de forma pormenorizada, das supostqas irregularidades e provas que fundamentaram a exclusão da Manifestante do SIMPLES é requisito indispensável para que se promova à ampla defesa no processo administrativo. Afinal, não havendo meios para constatação da suposta condição irregular da empresa, resta rejudicada a análise da legalidade do referido ato. (...) Inclusive, a ausência da descrição pormenorizada dos fatos que ensejaram a exclusão da Manifestante do SIMPLES é causa de nulidade do Auto de Infração, porquanto descumprido um de seus Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.791 15 pressupostos essenciais, elencados no art. 10 do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato: Segundo genericamente descrito na decisão de exclusão e, no ato de exclusão da Manifestante do regime do Simples Nacional, esta decorreu da verificação de suposta prática reiterada de infração e falta de escrituração da movimentação bancária durante o período de 2010 a 2012, com base no art. 29, V e VIII, da LC n° 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Além de não ter elencado os documentos que compõem e fundamentam o processo administrativo de exclusão e as provas que demonstram a ocorrência das situações previstas nos incisos V e VIII do art. 29 da LC 123/2006,a Fiscalização igualmente não especificou quais condutas configuraram o enquadramento da Manifestante na hipótese do inciso V (...) Quanto ao que consta na decisão de exclusão da Manifestante do Simples Nacional, verificase que esta não confere subsídios suficientes para que a Manifestante promova sua defesa de forma irrestrita, porquanto a fiscalização descreve fatos genéricos, sem, no entanto, justificalos. (...) Fl. 2435DF CARF MF 16 Por esta razão, requerse a nulidade do presente ato, eis que desacompanhado das fundamentações fáticas e jurídicas que ensejaram à exclusão I da Manifestante do Simples, impedindo de produzir sua ampla defesa ante os fatos infracionais que lhe foram imputados. (...) 12 Quanto ao mérito propriamente dito, argumenta a contribunte a insubsistência e/ou ausência das provas apontadas, a absoluta falta de justificativas das infrações apontadas, connforme excertos abaixo mais representativos extraídos da peça contestatória: (...) VI. DOS FATOS CONSTANTES NO PRESENTE PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL: (...) Inexistindo qualquer elemento robusto de prova que demonstre a prática das infrações que deram ensejo à exclusão do SIMPLES, deixa a motivação do presente Auto de Infração ao exclusivo juízo pessoal da equipe fiscal, baseada em meras insinuações, em total desrespeito ao art. 11626, parágrafo único do CTN, o que não pode ser aceito, pois, por certo, as presunções pessoais ainda não encontram eco no direito tributário, cuja viga mestre ainda é o princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V27, e 11228, ambos do CTN. (...) Com efeito, a imputação de qualquer infração e a cominação da respectiva multa deve ser fundamentada em provas válidas que comprovem, sem sombra de dúvida, o cometimento do ilícito, sem a qual, não há que se falar em aplicação de penalidade. (...) Tendo em vista que o Agente Fiscal se desincumbiu do ônus da prova que lhe competida, conforme requer o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional31, nulo é o ato em decorrência do cerceamento do direito de defesa. (...) Desta forma resta evidente o cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório da Manifestante decorrente da ausência de provas válidas que comprovem, sem sombra de dúvida, o cometimento do ilícito que deu causa ao presente ato. A respeito do princípio acima assinalado, Paulo de Barros Carvalho também assevera: O postulado do devido processo legal, que anima a composição de litígios promovida pelo Judiciário, e que garante ampla liberdade às partes para exibir o teor de juridicidade e o fundamento de justiça das pretensões articuladas em Juízo, se aplica com assomos de princípio Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.792 17 capital também aos procedimentos administrativos e, entre eles, os que ferem matéria tributária. Devido processo legal é instrumento básico para preservar direitos e assegurar garantías, tomando derradeira do Poder Público, em problemas de cunho administrativo E com estribo nessa orientação que não se concebe, nos dias atuais, alguém ser apenado sem que lhe seja dado oferecer as razões que justifiquem ou expliquem seu comportamento. E princípio que mereceu referência aberta em nossa Carta Constitucional, consoante se vê do, in verbir. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.". Portanto, diante da ausência de provas dos fatos que ensejaram a exclusão da Manifestante do Simples Nacional, o que é indispensável à legalidade do ato, deve ser declarada a nulidade do ato que excluiu a Manifestante do Simples Nacional em decorrência do cerceamento de defesa. ^ 13 A contribuinte questiona por seu turno a titularidade das contas bancárias que o AuditorFiscal lhe imputa, nos termos abaixo representativos de sua pugna: (...) VII . DOS DEPÓSITOS REALIZADOS NA CONTA DA PEDRA BRASIL PELA CREDIVELEIRO, ORIUNDOS DE CHEQUES DESCONTADOS PELA MANIFESTANTE, A PEDIDO DESTA: Caso não se entenda pela nulidade do presente ato, o que não se acredita, importante realizar melhor análise dos argumentos trazidos pelo i. Fiscal, a fim de demonstrar a insubsistências destes. Como dito, em suas razões, o i. Fiscal afirma que a Manifestante deixou de escriturar o livro caixa, bem como, houve omissão de receita, levandose em conta as movimentações bancárias realizadas nas contas da Pedra Brasil, da qual a Manifestante seria cotitular. Nesse sentido, o Mandado de Procedimento Fiscal afirma que a Manifestante teria enviado recursos para o Auto Posto Batistense por meio das contas bancárias da Pedra Brasil. Aqui cabe esclarecer porque houve depósito de valores para o Auto Posto Batistense. No período de 2010 à 2012, a empresa Auto Posto Batistense Ltda., passava por diversas dificuldades financeiras, com atraso sistemático de suas contas, inclusive tributos. Também tinha diversas restrições de crédito o que tornava a atividade impraticável. Em virtude da Pedra Brasil, à época Edson Orsi empresa individual, possuir conta com crédito em cheque especial no . valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), seu filho (sócio do Auto Posto), solicitou permissão para utilização daquele crédito, com a finalidade de manter a sua atividade, principalmente a compra de combustível junto à distribuidora de tais produtos. Fl. 2437DF CARF MF 18 Dessa forma, o Auto Posto Batistense se utilizou do montante de crédito do referido cheque especial e passou a realizar aportes financeiros na referida conta, com a finalidade de cobrir o saldo devedor. Ocorre que, não foi possível realizar a devolução em definitivo das importâncias utilizadas do crédito e cobrir o saldo devedor a cada disponibilidade de recursos. Assim, até o momento temse a seguinte situação: Auto Posto Batistense, por conta de dificuldades financeiras, utilizase de cheque especial da Pedra Brasil, no entanto, possui dificuldade em pagar tais valores. / A fim de quitar tais valores, o Auto Posto pretendia utilizarse do "desconto mercantil" dos cheques que recebia de pessoa física junto a Crediveleiro^ No entanto, o Auto Posto não possuía cadastro com esta instituição financeira mas tão somente a Manifestante. Assim, os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Manifestante mas, repisase, não com crédito desta. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Manifestante solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Tal alegação é comprovada conforme o expresso reconhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à mtimação da Fiscalização. Com a devida vénia, não pode o agente fiscal escolher o que acata e aquilo que não acata, pois os fatos devem ser avaliados de foram imparcial. VIII. DO ENVIO DE RECURSOS PARA O AUTO POSTO BATISTENSE POR MEIO DE CONTA BANCÁRIA DA PEDRA RASIL: Como dito, a fiscalização aduz de forma genérica as razões que levaram esta a pressupor que a Manifestante é cotitular de contas bancárias da Pedra Brasil. Ainda, não indica e, tampouco individualiza os documentos que corroboram com as suas alegações, constando do processo inúmeros documentos ^discriminados e incapazes de serem vinculados as alegações do I. Fiscal. Nesse sentido, quanto à suposta alegação de que teria a Manifestante se utilizado das contas da Pedra Brasil para enviar recursos ao Auto Posto, tal alegação se mostra totalmente infundada. Como dito no item acima, ante a situação financeira do Auto Posto, e a disponibilidade da Pedra Brasil de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em cheque especial, foi que a Pedra Brasil disponibilizou valores ao Auto Posto a título de empréstimo. Portanto, o envio de recursos da conta da Pedra Brasil ao Auto Posto, diferente do que afirma o i. Fiscal, não foi realizada pela Manifestante, mas sim pela própria Pedra Brasil como forma de empréstimo de recursos ao Auto Posto. Repisase, esta alegação é comprovada conforme o expresso* econhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à intimação da Fiscalização. Com a devida Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.793 19 vénia, não pode o agente fiscal escolher o que acata e aquilo que não acata, pois os fatos devem ser avaliados de foram mparcial. IX. DA ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO DE DESPESAS COM CHEQUES DA PEDRA BRASIL: Ainda, entre as razões do i. Fiscal que balizam as indicações da cotitularidade das contas bancárias da Pedra Brasil, há a indicação de que foram realizados pagamentos de despesas da Manifestante com cheques da Pedra Brasil, endo que estes cheques teriam no verso o carimbo da Manifestante. Como já exarado, as alegações trazidas pelo Fisco para determinar a cotitularidade das contas bancárias não tem indicação das razões que levaram este a chegarem a tal conclusão, tampouco há a determinação da documentação analisada para tal assertiva. Dentre os inúmeros documentos que constam do processo de exclusão, estes chamados "documentos não pagináveis", estão diversos cheques emitidos pela empresa Edson Orsi ME, hoje Pedra Brasil. Verificase, inicialmente, que dos 416 cheques acostados à vasta documentação constate dos autos, apenas 09 (nove)34 foram emitidos à Manifestante. Destes, 05 cheques são do período de janeiro de 2010 a julho de 2011, portanto, ante a decadência, não podem ser utilizados como suporte de qualquer alegação por parte da fiscalização. Ainda, a mera emissão de cheques por parte da Pedra Brasil em nome da Manifestante não comprova a cotitularidade das contas bancárias. Ainda, dos demais cheques acostados na documentação que/ compõe o processo, inúmeros são endereçados a pessoas físicas ou jurídicas, com carimbos de terceiros. Vejamos a análise, por amostragem, de um destes cheques35 SICOOB Empresarial Número: 000740 Valor: R$ 1.075,00 Portador: Lotérica Cor da Sorte Carimbo no verso do cheque: Supermercado Gabriel Ltda. Assim, questionase, qual a indicação de que este cheque foi emitido pela Pedra Brasil para pagamento de despesas da Manifestante? Como se denota, tais cheques foram emitidos pela própria Pedra Brasil para pagamento de despesas dela própria, não havendo qualquer indicação de que tais cheques teriam ido emitidos para pagamento de despesas da Manifestante. Ademais, os poucos cheques que de fato possuem no verso o carimbo da Manifestante, não são suficientes para comprovar que foram Fl. 2439DF CARF MF 20 emitidos em favor desta, tampouco, comprovam a alegação de cotitularidade da conta. Assim, questionase o que leva o Fisco a concluir que o carimbo existente no verso do cheque em nome da Manifestante comprova que este esteja sendo utilizado para pagamento de despesas desta. X. DOS PEDIDOS: Ante o exposto, requerse seja julgada integralmente procedente a presente Manifestação de Inconformidade, determinandose o cancelamento do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 116, de 29 de julho de 2016, que excluiu a Manifestante do SIMPLES; (...) a.1) tendo escoado o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a Fazenda Pública efetuasse o lançamento, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, seja declarada a decadência do direito da Fazenda de lançar, declarandose, ainda, a extinção de qualquer crédito tributário anterior à 28/09/2011, de acordo com o art. 156, V, do Código Tributário Nacional; b.1) seja declara a nulidade do lançamento em face do ilegal arbitramento da base de cálculo realizado, sobretudo porque demonstrase desnecessário e inadequado, na medida em que a escrituração do contribuinte não revela indíciosde fraudes e/ou vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real, de modo que não demonstrase possível a utilização do regime excepcional de arbitramento quando se dispõe de outro meio de apuração para se chegar ao valor do tributo, nos termos do disposto no artigo 148 do CTN e artigo 530, inciso II do CTN; b) no mérito seja JULGADO TOTALMENTE MPROCEDENTE O LANÇAMENTO ORA QUESTIONADO; c) o reconhecimento da autenticidade dos documentos acostados com a presente defesa, nos termos do Art. 356, IV do CPC23; d) protestase pelo direito, nos termos do art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto n. 70.235/7224, de anexar posteriormente aos autos documentos que confirmem as alegações ora expedidas, ou refutem elementos levantados no curso do processo em seu desabono; e) por fim, vem requerer seja deferida a realização de perícia contábil, com fundamento nos artigos 16, inciso IV e 18 do Decreto nº 70.235/70, na medida em que restaram preenchidos os requisitos previstos na legislação, quais seja, exposição dos motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; Outrossim, requerse que todas as intimações/publicações atinentes ao presente jpfocesso sejam realizadas em nome do advogado Luiz Fernando Sachet, O/tÈ/SC 18.429, sob pena de nulidade. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.794 21 O acórdão proferido pela DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 Exclusão. Falta de escrituração da movimentação financeira. Operações financeiras mantidas à margem da escrituração configura hipótese de exclusão do Simples Nacional, porquanto não possibilita a identificação da real movimentação financeira, inclusive bancária. Exclusão. Prática Reiterada de Infração. Configura prática reiterada de infração a falta de escrituração da movimentação financeira por mais de um período de apuração, no caso, desde o período de outubro de 2010. Manifestação de Inconformidade Improcedente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 Prazo de Decadência. Dolo, Fraude. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identificase como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Arbitramento. Aplicabilidade. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Arbitramento. Contraditório. O arbitramento do lucro deuse com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratarse a fase de fiscalização meramente inquisitória. Tributações Reflexas. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Pedido de Perícia. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, tornase prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. Intimação do Sujeito Passivo. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indeferese pedido para ciência em domicílio diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta inicialmente a nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional por força do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, por ausência de relatório fiscal que aponte os fatos que motivaram a exclusão da recorrente do simples nacional, bem como a ausência de provas e documentos que sustentem a pretensão fazendária. Afirma ainda que a disponibilização dos documentos quando do acesso da Recorrente à íntegra do processo de exclusão do Simples Nacional não foi individualizada, tampouco, houve a indicação dos documentos que são basilares da suposição do fisco. Fl. 2441DF CARF MF 22 Afirma ainda que em momento algum a Fiscalização deixa clara quais foram as circunstâncias em que incorreu a Recorrente para tal constatação, na medida em que não faz qualquer alusão à complementação dos incisos I ou II do §9º do art. 29 da LC nº 123/2006. A conduta da autoridade julgadora, que simplesmente ignorou as garantias do devido processo legal9, também viola o princípio do contraditório e o direito à ampla defesa10 da Recorrente, na medida em que impede o conhecimento das provas e razões de fato e de direito que fundamentaram a decisão que a excluiu do Simples. Afirma ainda que apesar de a Fiscalização afirmar, e utilizar como fundamento de exclusão da exclusão no regime simplificado a suposta falta de escrituração de valores que esta supôs serem seus por conta da suposta cotitularidade das contas bancárias da Pedra Brasil, a Recorrente por meio das suas respostas as intimações, bem como, com a documentação acostada à Manifestação de Inconformidade apresentada, demonstrou que em verdade tais valores não eram seus, razão pela qual não houve a escrituração destes. No mérito explica que: No período de 2010 à 2012, a empresa Auto Posto Batistense Ltda., passava por diversas dificuldades financeiras, com atraso sistemático de suas contas, inclusive tributos. Também tinha diversas restrições de crédito o que tornava a atividade impraticável. Em virtude da Pedra Brasil, à época Edson Orsi empresa individual, possuir conta com crédito em cheque especial no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), sua filha (sócia do Auto Posto), solicitou permissão para utilização daquele crédito, com a finalidade de manter a sua atividade, principalmente a compra de combustível junto à distribuidora de tais produtos. Dessa forma, o Auto Posto Batistense se utilizou do montante de crédito do referido cheque especial e passou a realizar aportes financeiros na referida conta, com a finalidade de cobrir o saldo devedor. Ocorre que, não foi possível realizar a devolução em definitivo das importâncias utilizadas do crédito e cobrir o saldo devedor a cada disponibilidade de recursos. Assim, até o momento temse a seguinte situação: Auto Posto Batistense, por conta de dificuldades financeiras, utilizase de cheque especial da Pedra Brasil, no entanto, possui dificuldade em pagar tais valores. A fim de quitar tais valores, o Auto Posto pretendia utilizarse do “desconto mercantil” dos cheques que recebia de pessoa física junto a Crediveleiro. No entanto, o Auto Posto não possuía cadastro com esta instituição financeira mas tão somente a Recorrente. Assim, os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Recorrente mas, repisase, não com crédito desta, por essa razão não houve a escrituração contábil destes valores. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Recorrente solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Tal alegação é comprovada conforme o expresso reconhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à intimação da Fiscalização. Afirma ainda que dos 416 cheques acostados à vasta documentação constate dos autos, apenas 09 (nove) foram emitidos à Recorrente. Ainda, a mera emissão de cheques por parte da Pedra Brasil em nome da Recorrente não comprova a cotitularidade das contas bancárias. Ainda, dos demais cheques acostados na documentação que compõe o processo, inúmeros são endereçados a pessoas físicas ou jurídicas, com carimbos de terceiros. É o relatório. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.795 23 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. PRELIMINAR: 2.1. EVENTUAL NULIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL (ADE n. 116/2016): A Recorrente alega que a decisão que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional não descreveu adequadamente os fatos que a motivaram levando ao cerceamento de defesa e, consequentemente, sua nulidade. A mesma argumentação já havia sido apontada na impugnação e afastada na DRJ. Ocorre que, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e, posteriormente, transcritos no relatório da DRJ e neste relatório, foram devidamente apresentadas as circunstâncias que deram azo ao entendimento de que haveria cotitularidade de contas bancárias, omissão de receitas e consequente exclusão do regime do Simples Nacional. Transcrevo: 15. Anteriormente à abertura deste procedimento de fiscalização, a empresa foi diligenciada em 07/0 6 e 15/06/2016 , por meio dos Termos de Intimação Fiscal 2016¬ 001363/ 1 e 2016001363/2 , respectivamente, a respeito de depósitos bancários realizados em favor da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) e de sua participação nos depósitos efetuados pela empresa CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL nas mesmas contas bancárias. 16. Após pedido de prorrogação, apresentou respostas em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, alegando em suma: • Que devido às dificuldades financeiras do AUTOPOSTO BATISTENSE, foram utilizadas contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), em vista da disponibilidade de crédito. • Que os créditos efetuados pela CREDIVELEIRO, a mando da empresa BERNADETE ORSI LTDA, nas contas da EDSON ORSI ME, referiamse ao pagamento de empréstimos que esta realizou ao AUTOPOSTO BATISTENSE. • Que tais valores provieram de empréstimos de pessoas físicas (cheques) que foram descontados na CREDIVELEIRO e posteriormente devolvidos às pessoas. Fl. 2443DF CARF MF 24 • Nesse sentido, apresentou documentos consistindo em cópias de cheques de terceiros e borderôs da CREDIVELEIRO, além de depósitos realizados nas contas dos credores, supostamente a título de devolução dos valores. • Que as operações de empréstimo não foram contabilizadas na empresa. 17. Com relação às transações efetuadas junto à CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, constatouse, em diligência junto a essa empresa, que o comando para os depósitos em conta da PEDRA BRASIL (então EDSON ORSI ME) , por parte da empresa BERNADETE ORSI & CIA LTDA, partiu de Ana Claudia Orsi, sóciaadministradora do AUTO POSTO BATISTENSE, como mostram cópias de email junto à documentação. 18. A constatação do uso das contas da PEDRA BRASIL, pelas quais a BERNADETE ORSI LTDA fez transitar valores de seu interesse, foi ainda corroborada por diversos elementos adicionais contantes das informações bancárias da PEDRA BRASIL, dos quais a fiscalização retirou amostragem, constando do arquivo não paginável denominado "Documentos Comprobatórios": • Listagem de TED da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para cerâmica BERNADETE ORSI &. CIA LTDA • Cheques nominais da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) destinados ao AUTOPOSTO BATISTENSE, à cerâmica BERNARDETE ORSI e a Edson Orsi, assinados pelo mesmo, que também é sócioadministrador da empresa. BERNARDETE ORSI & CIA LTDA contendo inclusive carimbo desta. • Pagamentos realizados para compra de imóvel junto à MEIA PRAIA empreendimentos, em nome de Maria Bernadete Orsi, sóciaadministradora da empresa BERNARDETE ORSI LTDA. • Endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à BERNADETE ORSI LTDA. • Cheques emitidos em favor de AGRICOPEL DERIVADOS DE PETRÓLEO, vinculados à duplicatas emitidas por BERNARDETE ORSI & CIA LTDA. Vários cheques assinados por Edson Orsi, em favor de fornecedores cuja carcterística se prestam a atender o rmao industrial e particularmente o cerâmico, todos com carimbo da Cerâmica BERNADETE ORSI: FERREIRA TINTAS, FUNDIÇÃO MECÂNICA, METALÚRGICA NANDI (equipamentos para cerâmica), INDUSTRIA SANTA APOLONIA(máquinas para indústria cerâmica), TECNOMAC MECANICA, TECNOCEL, MKRAFT. Pagamentos a empregados, como por exemplo Lucili Stank de Barros.. 19. Portanto, ficou evidente que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA usou das contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para realizar negócios em seu próprio nome e interesse (inclusive de familiares sócios), seja captando, enviando e recebendo recursos de interesse do AUTO POSTO BATISTENSE, mas também para pagamento de fornecedores, sócios e empregados, utilizandose de cheques da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), assinados por Edson Orsi. 20. A propósito, podese comentar a respeito do grau de parentesco entre os sócios administradores das empresas em foco, aspecto facilitador das operações realizadas: O sócio administrador da PEDRA BRASIL e da BERNADETE ORSI E CIA LTDA, Edson Orsi é casado com Maria Bernadete Orsi, sócia administradora desta última empresa. Com relação ao AUTO POSTO BATISTENSE, sua sócia administradora Ana Claudia Orsi Arndt é filha dos citados 21. Assim, há elementos suficientes que indicam a interposição da PEDRA BRASIL pela BERNADETE ORSI & CIA LTDA e o uso comum, ou seja, a cotitularidade de fato das contas bancárias no período 20102012 : •Banco do Brasil, Agência 5385, Conta 851779 . •ITAU, Agência 7433, Conta 50965 . •Coop. Cred. Nova Trento, Agência 3242, Conta 103896 . (...) Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.796 25 Tais fatos foram comprovados por documentos juntados aos autos. A Recorrente, de sua parte, além de alegar a nulidade da autuação, não juntou qualquer prova que corroborasse suas afirmações. Entendo, assim, que o ato de exclusão seguiu os parâmetros da legalidade, não sofrendo dos vícios apontados pela Recorrente. 2.2 DA DECADÊNCIA: Ainda em sede preliminar sustenta a recorrente a ocorrência da perda do direito de lançar pelo fisco ante a ocorrência do fenômeno da decadência vez que quando realizada a autuação já transcorridos 5 anos da data da ocorrência do fato gerador. Não merece prosperar a suposta alegação de decadência, em face do disposto no art. 150, § 4º , do CTN, temse como descabida. Não seria aplicável a regra decadência prevista no § 4º, do art. 150, do CTN, haja vista o lançamento consubstanciado no auto de infração ter imputado que a recorrente atuou com flagrante dolo ao servirse de contas bancárias de interpostas pessoas, causa excludente da aplicação do citado dispositivo legal, e da conseqüente incidência da regra estabelecida pelo caput do art 173, do CTN. À luz do art. 173, I, não há que se falar de decadência, quando o lançamento deuse dentro do prazo legal. 3. MÉRITO: No mérito, a Recorrente afirma que apenas serviu como meio ( “emprestou sua conta bancária”) para que a Auto Posto Batistense, empresa sem cadastro junto à Crediveleiro, realizasse “desconto mercantil” dos cheques que recebia de pessoa física junto a esta instituição financeira. Nessa linha, sustentam que os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Recorrente mas, repisase, não com crédito desta, por essa razão não houve a escrituração contábil destes valores. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Recorrente solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Além disso, sustenta que não há provas de que os cheques emitidos pela Pedra Brasil foram utilizados para pagamento de contas da Recorrente. Nesse ponto, peço venia aos colegas Conselheiros para transcrever trecho da decisão da DRJ quando afirma que: Fl. 2445DF CARF MF 26 ...apenas a justificativa da impugnante, de premência financeira do Auto Posto Batistense, para essas operações à margem de sua escrituração contábil/fiscal, não tem o condão de modificar o caráter infracional da falta de registro dessas transações. Os Termos de declaração acostados aos autos (fls.849/862), onde várias pessoas físicas, emitentes dos cheques descontados, entre as quais, a própria sócia da fiscalizada, Maria Bernadete Trainotti Orsi, e da Pedra Brasil, Edson Orsi, onde se afirma tratarse de empréstimos, sem cobrança de juros, sem contratos registrados à época, sem comprovações de pagamentos, e sequer lastros de qualquer tipo de garantia, apenas reforçam, se já não fosse uma exigência legal, da absoluta necessidade da escrituração desses fatos econômicos/financeiras para fins de futura comprovação. Somese a isso, ainda, o fato de referidas operações fazerem parte do cotidiano operacional da fiscalizada, pois, conforme a justificativa alegada, a situação do suposto socorro financeiro à Auto Posto Batistense transcorreu de 2010 a 2012. Ainda mais, a fiscalizada não esclareceu os fortes indícios suplementares levantados pelo Agente Fiscal, entre os quais, endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à autuada, o pagamento da sua funcionária, Lucili Tank de Barros, de duplicatas do fornecedor Agricopel Derivados de Petróleo, de cheques nominais da Pedra Brasil (Edson Orsi ME) destinados a ela, assinados por Edson Orsi, seu sócio também, bem como os valores recebidos via ted(transferência eletrônica). O conjunto das operações denota claramente uma confusão econômicofinanceira na administração das três empresas envolvidas, pelo fato dos sócios constituírem um núcleo familiar. A corroborar isso, está o fato de compra de imóvel para a pessoa física de Maria Bernadete Orsi, sócia administradora da fiscalizada, com pagamento pela conta bancária da Pedra Brasil. Diante dos fatos apontados, em especial a falta da escrituração envolvendo essas transações financeiras e os parcos esclarecimentos prestados sem lastros em documentos hábeis e idôneos, há que se concluir pela cotitularidade de fato dessas contas entre a fiscaliizada, a Auto Posto Batistense e a Pedra Brasil, do que decorre a procedência da exclusão da empresa do Simples Nacional, nos termos do ADE DRF/FNS n° 116, de , de 29 de julho de 2016. Ainda em sede do Recurso Voluntário sustenta a recorrente a ilegitimidade do ao arbitramento do lucro empreendido pela autoridade fiscal. Oportuno observar que o lançamento foi realizado sob o amparo do prescrito na LC 123 que prevê expressamente tal prerrogativa nos termos de seu art. 34 cuja transcrição se faz por oportuna: "Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional." O art.42 da Lei n.9430/1996 por sua vez prescreve a omissão de receitas por movimentação bancária de origem não comprovada estabelecendo uma presunção e, portanto, Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.797 27 uma inversão do ônus da prova que a recorrente não se desincumbiu ao longo do procedimento fiscal. Os lançamentos relativos ao período de 01/10/2010 a 31/12/2012 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante Fl. 2447DF CARF MF 28 dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas restando por evidente nos autos a prática de movimentação bancária a margem da escrituração servindose, inclusive, de contas bancárias de interpostas sociedades empresárias com quadro societário de membros de uma mesma família; o que permite caracterizar, inclusive, grupo econômico conforme mais recente jurisprudência. 4. CONCLUSÃO: Assim, não assiste razão a Recorrente ao que voto por manter incólume o ADE n.116/2016 e o lançamento realizado por arbitramento com redução multa de ofício ao percentual de 75%. Ante exposto julgo por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.798 29 Fl. 2449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912042/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.779
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 04 2/ 20 11 -4 5 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.003931/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996
REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005, AINDA QUE O PAGAMENTO INDEVIDO SEJA ANTERIOR.
A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos na repetição de indébito, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 09/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 04/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (09/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência.
Para os pleitos de restituição de indébito tributário ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5 do STJ.
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE MORA. REQUISITOS. SUPERAÇÃO DE ÓBICE EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDA-DE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS Á UNIDADE DE ORIGEM DA RFB PARA ANÁLISE DA MATÉRIA DE FATO.
No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbice superado, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito.
Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora.
Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo".
Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
DIREITO CREDITÓRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1301-003.390
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância no que diz respeito à prescrição, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994, 1995, 1996 REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005, AINDA QUE O PAGAMENTO INDEVIDO SEJA ANTERIOR. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos na repetição de indébito, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 09/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 04/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (09/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5 do STJ. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE MORA. REQUISITOS. SUPERAÇÃO DE ÓBICE EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDA-DE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS Á UNIDADE DE ORIGEM DA RFB PARA ANÁLISE DA MATÉRIA DE FATO. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbice superado, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. DIREITO CREDITÓRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente CROMOS S/A TINTAS GRÁFICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996 REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005, AINDA QUE O PAGAMENTO INDEVIDO SEJA ANTERIOR. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional de cinco anos na repetição de indébito, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 09/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 04/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (09/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário ajuizados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a Tese "5+5” do STJ. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE MORA. REQUISITOS. SUPERAÇÃO DE ÓBICE EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDA DE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 39 31 /2 00 7- 39 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 243 2 DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS Á UNIDADE DE ORIGEM DA RFB PARA ANÁLISE DA MATÉRIA DE FATO. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbice superado, impõese o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, tornase mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. DIREITO CREDITÓRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância no que diz respeito à prescrição, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, proferindo despacho decisório Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 244 3 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 245 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário de 06/03/2008 (efls. 150/157 e 169/176) em face do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de 24/01/2008 ( efls. 144/146) que, ao julgar manifestação de inconformidade, indeferiu a solicitação. Quanto aos fatos, consta: que, em 17/12/2002, a contribuinte protocolizou Pedido de Restituição de multa de mora que pagara indevidamente, pois alega, em se tratando de pagamento espontâneo de débito vencido, não se justificaria a exigência dessa penalidade (denúncia espontânea) (efls. 04/12). que os demonstrativos de pagamentos indevidos de multa de mora constam dos autos: Anocalendário 1994 (efl. 15); Anocalendário 1993 (efl. 28); Anocalendário 1994 (efl. 43); Anoscalendário 1994 e 1995 (efl. 58); Anocalendário 1995 (efl. 71); Anoscalendário 1995 e 1996 (efl. 84); Anocalendário 1996 (efl. 94); e, Anoscalendário 1996 e 1997 (efl. 103). que as multas referemse aos seguintes códigos de receita: · 3279 IRRF Multa; · 3287 IPI Multa Outros; · 6138 Finsocial Multa; · 3252 IRPJMulta; · 1409 CSLL Multa; · 3074 Cofins multa de ofício; · 3020 IRPJ Multa de Ofício; · 9806 IPI Multa vinc. importação. Obs: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 246 5 (i) Primeiramente, em 24/06/2003 a Unidade de origem da RFB, a DERAT/Rio de Janeiro apreciou o pleito no âmbito do Processo nº 13707.004328/200260, indeferindoo, ponderando ser cabível a exigência da multa de mora em pagamento intempestivo (inexistência de incompatibilidade com a denúncia espontânea), não se justificando o pedido de restituição e que, além de tudo, o pedido fora protocolizado após decorrido o prazo prescricional de cinco anos (efls. 112/115). (ii) Houve, na sequência, a segregação do pedido de restituição das multas da Cofins das multas dos demais tributos, em face da organização administrativa das DRJ, conforme Representação (efls. 02 e 128). O presente processo 13707.003931/200739 passou a tratar das multas do IRRF, IRPJ, CSLL e IPI. que, discordando da decisão monocrática da DERAT/Rio de Janeiro, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, pedindo a reforma daquela decisão; que, em 24/01/2008, a 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, indeferiu o Pedido de Restituição pela prescrição quinquinal, conforme ementa e dispositivo que transcrevo (efls. 144/146), in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. O direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora, devida em razão do atraso no pagamento, não é afastada pela denúncia espontânea. Solicitação Indeferida (...) ACORDAM os membros da 3a Turma de Julgamento da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, nos termos do Relatório e do Voto que passam a integrar o presente julgado, INDEFERIR a solicitação do interessado e manter o Despacho Decisório Parecer n° 175/2003 (fls. 110/112). (...) Ciente dessa decisão em 08/02/2008 por via postal Aviso de Recebimento AR (efls. 148/149), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 06/03/2008 (efls. 150/157 ou 169/176), alegando regularidade na formação do crédito cujo ressarcimento é requerido e afronta os princípios basilares da ordem jurídica pátria quanto ao não reconhecimento do mesmo. Na sessão de 08/04/2010, o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 180300.036 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária (efls. 219/222), in verbis: (...) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 247 6 Ora, não resta dúvida da ocorrência, "in casu", do concurso, a meu ver, indissociável de competência entre as seções do CARF, cujo deslinde unificado, qual seja, em uma única decisão, não me parece possível sem afrontar regimentalmente o trâmite processual do presente recurso nesta casa. Assim, o prestígio ao regimento interno do CARF, aponta a necessidade de enfrentamento do litígio em decisões distintas nas seções do CARF. Diante do exposto, determino a conversão do feito em diligência para: • Desmembrar os autos do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n° 13808.002633/200106 em 3 (três) processos, tratando um deles da restituição relativa ao IRRF, um relativo ao IPI e o outro relativo às restituições de IRPJ e CSLL; • Cientificar a interessada acerca do feito; • Encaminhar os autos do PAF desmembrados, para que possam tramitar, à uma das Turmas das Câmaras do CARF da: (i) 2a Seção relativo ao IRRF, (ii) 3a Seção relativo ao IPI, e (iii) 1a Seção relativo ao IRPJ e CSLL (...) Na sessão de 19/10/2017, novamente o CARF converteu o julgamento em diligência, uma vez que os autos retornaram para julgamento sem a segregação de matérias por processo, como determinado na Resolução anterior. Nesse sentido, consta da Resolução nº 1301000.469 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 231/234) , in verbis: (...) De fato, a decisão deste Colegiado, com outra composição, cometeu um equívoco ao indicar o número do PAF a ser desmembrado, o qual deve ser retificado para o PAF de nº 13707.003931/200739 (os presentes autos). No mais, persiste a necessidade da diligência, nos termos acima. Isso porque, somente após a diligência nos termos aqui postos e a correta redistribuição dos autos desmembrados, cada qual para a sua Seção competente, é que este Tribunal Administrativo poderá decidir quanto as matérias discutidas no PAF, vez que esta Seção não tem competência para julgar outros tributos que não aqueles previstos em legislação pertinente. Desse modo, voto no sentido de remeter novamente os autos à DRF competente para que atenda ao que foi demandado na mencionada Resolução nª 180300.036 (219/222), proferida por este colegiado em 08.04.2010, observada a retificação do número do PAF a ser desmembrado para o de nª 13707.003931/200739. Após disso retornem os autos, já desmembrados, para julgamento neste Tribunal Administrativo, cada qual em sua Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 248 7 Seção competente para prosseguimento da apreciação da controvérsia. (...) Por fim, os autos retornaram conclusos, com as devidas providências, conforme despacho (efls. 237), in verbis: (...) REPRESENTAÇÃO DE SEPARAÇÃO PROCESSUAL O presente processo foi DESMEMBRADO em atendimento à resolução de fls.231/234, que esclarece a Resolução n°1803 00.036 (fls.219/222), que determinou a separação dos tributos em 03 processos separados. Este processo trata de IRPJ e CSLL. O processo n° 18470720411/201881 trata de IRRF. E o processo n° 18470720412/201826 tara de IPI. (...) É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 249 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. Conforme relatado, os presentes autos tratam do Pedido de Restituição de multa de mora paga quando do recolhimento a destempo do IRPJ e da CSLL, conforme demonstrativo a seguir: Demonstrativo das multas objeto deste processo (pedido de restituição): CÓDIGO TRIB/CONTR CNPJ O DARF PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO DARF VALOR ORIGINAL DO PGTO A MAIOR OU INDEVIDO 3252 33037243000153 02/08/94 02/08/94 02/08/94 168,19 6,61 1409 31/07/94 31/07/94 30/11/94 30.964,90 4.994,34 1409 31/08/94 31/08/94 29/12/94 32.855,75 5.299,31 3252 29/12/94 29/12/94 29/12/94 30.733,01 4.956,94 3252 30/09/94 30/09/94 30/01/95 38.011,99 6.130,97 3252 30/06/94 31/01/95 31/01/95 61.806,91 9.733,37 1409 30/09/94 30/09/94 31/01/95 41.698,12 6.725,50 3252 28/02/94 28/02/94 27/06/95 14,26 2,10 3252 31/05/95 31/05/95 31/07/95 14.953,66 3.297,63 3252 28/04/95 28/04/95 31/07/95 17.060,19 3.648,20 3020 31/05/96 31/05/96 07/06/96 21.212,73 5.702,35 As decisões anteriores nestes autos denegaram o pleito da contribuinte, com base na prescrição quinquinal, uma vez que o pedido de repetição fora protocolizado em 17/12/2002 , ou seja, além do prazo de cinco anos a partir da data de pagamento (efls. 04/12). A recorrente argumenta que houve denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, e que faz jus à repetição do indébito (multa de mora) com base na Tese "5+5". No que concerne a inocorrência do prazo prescricional no caso, procede, nessa parte, a irresignação da recorrente. A questão do prazo prescricional das ações ou dos pedidos de repetição de indébito tributário, desde longa data, restou resolvida pelo Supremo Tribunal Federal STF. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 250 9 Em face do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, a questão foi enfrentada, no mérito, pelo Pleno do STF, Corte Suprema guardiã da Constituição da Repúbli ca Federativa do Brasil, no RE nº 566.621/RS. Vale dizer, na sessão plenária de 04/08/2011, no RE nº 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, sob regime de Repercussão Geral, o Pleno do STF – por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos con tados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combina da dos arts.150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...) A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 251 10 (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (...) Em decorrência dessa decisão do STF, a Tese "5+5” do STJ para repetição do indébito tributário restou superada para pleitos ajuizados ou reclamados em sede administrativa a partir de 09/06/2005, ainda que relativos a pagamentos ou recolhimentos inde vidos anteriores à vigência dessa novel Lei Complementar. Por outro lado, permaneceu válida a Tese "5+5” do STJ apenas para pleitos ajuizados ou formulados administrativamente antes dessa data Por oportuno, ainda colaciono a ementa do julgado do próprio STJ que elu cidou a questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC N. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS A PARTIR DE 9.6.2005. 1. A jurisprudência do STJ alberga a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar n. 118/2005, somente incidirá sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9.6.2005. Vide o REsp 1.002.032/SP, julgado pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2. Este entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4.8.2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº.566.621/RS (acórdão não publicado), pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar n.118/2005, incidirá sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (9.6.2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Agravo regimental provido em parte. (STJ, AgRg no REsp 1215642/SC, Rel. MIN. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011). No caso, a contribuinte protocolizou o pedido de restituição em 17/12/2002 e os pagamentos discriminados no demonstrativo apresentado anteriormente foram efetuados a partir de 02/08/1994. Portanto, o pleito está a salvo da prescrição com base na Tese "5+5". Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 252 11 Superada a questão do prazo prescricional, resta a ser enfrentado, ainda, se a contribuinte atende, ou não, aos requisitos da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN e da Súmula STJ nº 360: SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aqui, cabe trazer à colação o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, entendendo que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 253 12 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Relator Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgamento 09/06/2010, DJe 24/06/2010). (...) Pois bem. Afastado o óbice da prescrição, no caso não há como analisar o mérito da lide, se a denúncia espontânea se operou ou não, pois as decisões anteriores nos presentes autos não enfrentaram matéria de fato acerca dos requisitos para configuração, ou não, da denúncia espontânea. O processo apresenta falhas na instrução, requer saneamento, ou seja, instrução probatória complementar. É ônus do contribuinte produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, porém como as decisões anteriores nos autos ficaram restritas em Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 254 13 declarar o óbice da prescrição, não enfrentaram matéria de fato e também não sanearam o processo, não converteram o julgamento em diligência, não abriram prazo para a contribuinte complementar provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado. Para efeito de configuração da denúncia espontânea (CTN, art. 138), quanto à necessidade de comprovação de que os débitos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, pagos a destempo, não estavam anteriormente declarados em obrigações acessórias, originais e retificadoras (DIRPJ, DIPJ, GFIP e em DCTF), transcrevo os seguintes precedentes do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 9303005.877 – 3ª Turma, sessão de julgamento 18/10/2017, Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 01/02/2005 DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. (Acórdão nº 3302005.487 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 24/05/2018, Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 Ementa COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE MULTA DE MORA. DCTF E Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 255 14 DIPJ ORIGINAIS E RETIFICADORAS. VALOR CONFESSADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não configura denúncia espontânea (art. 138, CTN), quando os alegados valores pagos a maior ou indevidamente constam das obrigações acessórias (DIPJ e DCTF) originais e retificadoras. Além disso, o pagamento indevido ou a maior foi efetuado após as retificações.(Acórdão nº 1302002.691 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16/03/2018, Rogério Aparecido Gil Relator). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 RECOLHIMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA. A denúncia espontânea resta configurada quando o contribuinte, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, retifica a sua declaração de débito tributário a fim de noticiar a existência de diferença a maior do débito, cuja quitação se dá concomitantemente. Desta forma, ambos os requisitos (retificação da declaração e pagamento) devem estar presentes para a configuração da denúncia espontânea (Resp nº 1.149.022/SP). Eventual pagamento de débito tributário desacompanhado da retificação da declaração não enseja a aplicação dos benefícios da denúncia espontânea, não devendo ser excluída a multa de mora.(Acórdão nº 2201004.517 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão 09/05/2018, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. ( Acórdão nº 1201002.230 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão 11/06/2018, Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 256 15 O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. (Acórdão CSRF nº Acórdão nº 9303006.586 3º Turma, sessão de 10/04/2018, Andrada Márcio Canuto Natal Relator). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações.( Acórdão nº 9303006.583 – 3ª Turma, sessão de 10/04/2018, Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator). Como já dito, a matéria fática e as provas não foram enfrentadas nestes autos pelas decisões anteriores. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não apreciaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado, pois ficaram restritas ao óbice da prescrição e, ainda, compulsando os autos constatase insuficiência de provas acerca dos fatos, o que denota existência de falhas de instrução Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13707.003931/200739 Acórdão n.º 1301003.390 S1C3T1 Fl. 257 16 processual, necessidade de saneamento, ou seja, urge realização de instrução processual complementar para complementação de provas (cópia de DIRPJ, DIPJ e DCTF etc), ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal, poderia implicar, em tese, prejuízo à defesa (cerceamento do direito de defesa do contribuinte) em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Ora, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, supressão de instância de julgamento (julgamento dos fatos e provas apenas na última instância recursal ordinária), considerando ainda os princípios do formalismo moderado e da verdade material que norteiam o processo legal administrativo, devem ser devolvidos os presentes autos à Unidade de origem da RFB, no caso à DERAT/Rio de Janeiro, para analisar a matéria de fato e provas acerca do fato constitutivo do direito creditório reclamando. A unidade de origem da RFB deverá intimar a contribuinte a produzir prova do fato constitutivo do seu direito alegado. Portanto, superado o óbice da prescrição (afastada a prescrição), voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos do processo à Unidade de origem da RFB, no caso à DERAT/Rio de Janeiro, para que analise o mérito da lide (do pedido de repetição de indébito tributário), proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual normal (Decreto n° 70.235/72). É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 10242.000207/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-004.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 02 07 /2 00 7- 70 Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.629 2 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notifcação nº 26.401.4/0058/2006, da Seção do Contencioso Administrativo, da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Velho/RO. De acordo com o Relatório de Grupo EconômicoRGE empresas em epígrafe são solidárias pelas contribuições previdenciárias lançadas, em razão de comporem um grupo econômico de fato, com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A. O crédito foi consolidado em 22.12.2005, totalizando R$21.495,47(vinte um mil, quatrocentos e noventa e cinco reais, quarenta e sete centavos). O Frigorífico Novo Estado S/A foi regularmente notificado em 29.12.2005 (fl.1439). As demais empresas foram cientificadas. Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva de fls.14151427, alegando os seguintes fundamentos: Preliminarmente, a nulidade da NFLD por vício insanável de citação pela via postal, em desacordo com os arts. 583 e 662 da IN 03/MPS/SRP, segundo os quais, a notificação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo e na pessoa do seu representante legal, o que, no caso, não ocorreu, uma vez que a citação foi recebida por pessoa distinta; Entendimento equivocado da Fiscalização ao afirmar que as empresas Frigorífico Santa Elvira Ltda, Frigorífico Novo Estado S/A, Frigorífico Porto Ltda, Frigorífico Bonsucesso Ltda e Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda, caracterizam um grupo econômico, a partir de suposições, ilações e presunções. Inexistência de provas neste sentido; Inexistência de solidariedade. Violação ao art.265 do Código Civil; Irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, destacando a devassa fiscal, excedendo os limites da autorização fiscalizadora, a exigir a lavratura de MPF Complementar, com definição clara e precisa da ação fiscal a ser empreendida; a inaceitável verificação quanto às obrigações acessórias e a consequente lavratura dos Autos de Infrações; o equivocado entendimento para o fim de caracterizar o suposto grupo econômico; Impossibilidade do lançamento fiscal com base em notas fiscais/livros de entrada de mercadorias, requisições, recibos, romaneios e notas promissórias; Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.630 3 Inobservância quanto às regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal estabelecidas no Decreto 3.969/01 e art.196 do CTN, e quanto às regras que tratam do Relatório Fiscal previstas na Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005; Pelo exposto, requer seja julgada a insubsistência da NFLD. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 25, da Lei 8.212/91, incidentes sobre o valor do produtor rural adquirido. É válida a intimação via postal (art.662 da IN MPS/SRP n9 03/2005). O Mandado de Procedimento Fiscal constitui autorização legal para que o Auditor Fiscal fiscalize as contribuições previdenciárias e devidas aos terceiros (Decreto 3.969/2001). O grupo econômico responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias (art.30, inciso IX, da Lei 8.212/91). Cientificado do acórdão de primeira instância por edital em 14/06//2006 (fl.3.476), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 3479/3492), reiterando os mesmos argumentos trazidos por ocasião do protocolo da peça defensiva. Os responsáveis solidários também foram intimados através do mesmo edital 14/06//2006 (fl.3.476), não tendo apresentado recurso voluntário. Em face da superveniência da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, a Unidade preparadora revisou o lançamento de ofício para reconhecer a decadência parcial do presente crédito tributário. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais De início, impende ressaltar que o sujeito passivo não apresentou impugnação ou recurso ao mérito da autuação, limitandose a apresentar defesa em relação ao procedimento fiscal e à ciência do lançamento. Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.631 4 Da alegada nulidade da citação Alega a recorrente a nulidade da citação com fundamento no art. 583, VII, no art. 588, II, e 662 da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03/2005, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Pelo teor dos dispositivos normativos citados, inferese que a recorrente sustenta a irregularidade tanto na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quanto na ciência do próprio lançamento. Em relação à alegação de irregularidade no MPF, deixaremos a abordagem para o tópico específico seguinte, em que trataremos a questão de modo específico De acordo com a legislação citada pelo próprio recorrente (Instrução Normativa nº 03/2005): Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. Como se vê, não existe hierarquia ou ordem de preferência entre os meios de ciência pessoal ou por via postal. No caso concreto, a autoridade fiscal optou regularmente pela via postal, entretanto, esta restou infrutífera, eis que a recorrente não funcionava mais no endereço constante do cadastro da Previdência Social. Em face do desconhecimento do novo endereço da empresa, esta foi considerada como em local incerto e não sabido, o que ensejou a citação pela via editalícia, com base no art. 662, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Destarte, não há qualquer vício na citação capaz de macular o presente lançamento, eis que os procedimentos adotados encontram lastros na legislação vigente ao tempo da citação. Assim, afastase a preliminar de nulidade de citação arguida pelo sujeito passivo. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter sido emitido Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a fiscalização da comercialização de produção rural. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.632 5 Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Entretanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no MPF emitido. A suposta mácula alegada pelo recorrente, constou expressamente no MPF, podendo ser observado que em sua descrição sumária: “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. No que pertine a ciência do MPF, de igual modo, não existe qualquer vício. Estando a empresa estabelecida em local incerto e não sabido, plenamente regular a ciência pela via editalícia, nos termos do art. 588, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época do procedimento fiscal, verbis: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos (grifouse). Dessa forma, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito, pois, a nulidade arguida. Do Grupo Econômico Responsabilidade Solidária Cumpre salientar que o próprio sujeito passivo se defende da imputação de responsabilidade solidária decorrente da caracterização de grupo econômico a outras empresas. Referidos solidários não apresentaram recurso, carecendo a recorrente de interesse processual, uma vez que não pode defender interesses de outrem. Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.633 6 Todavia, por apego ao debate, analisaremos a questão trazida pelo recorrente no que pertine à caracterização de grupo econômico. No presente caso, restou configurada a existência de grupo econômico de fato. Restou sobejamente comprovado nos autos que os sócios da autuada figuravam apenas formalmente no contrato social da empresa, mas a administração da sociedade empresarial era exercida através de procuração pelos administradores do Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Destacou com propriedade a decisão de piso que referidos procuradores possuíam amplos e ilimitados poderes de gestão e o administravam simultaneamente aos Frigoríficos Santa Elvira, Porto e Novo Estado. A título de exemplo, destacase que Cláudio Marcia Sereia recebeu procuração do Sr. Roberto Demario Caldas para representálo junto a qualquer instituição financeira, gerir e administrar os bens, negócios e haveres do outorgante. Toda a operacionalização comercial do recorrente, desde a aquisição dos bovinos, abate e preparo de carne, vendas e distribuição, era realizada, de fato, pelos Frigoríficos Santa Elvira e Novo Estado que tinham toda a estrutura operacional, nome e capital para concretizar os negócios, embora as reses fossem adquiridas em nome do Frigorífico Bonsucesso, ora autuado. No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Destarte, correta a caracterização de grupo econômico e a consequente imputação de responsabilidade solidária às empresas coobrigadas. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negar lhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.634 7 Declaração de Voto Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Na sessão de julgamento do dia 08 de maio do ano corrente, por precaução, me declarei impedido de participar dos julgamentos dos processos em que tinham como parte o Frigorífico Santa Elvira Ltda., pois pude constatar, apenas em sessão de julgamento que, havia uma carta enviada pelo Procurador da Fazenda Nacional ao então Presidente deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazendo menção de que esta empresa seria pertencente ao Grupo JBS. Por esta razão, havia me declarado impedido, nos termos do disposto no artigo 42, § 4º do RICARF, verbis: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Na mencionada correspondência, havia menção também ao Frigorífico Novo Estado S/A. Entretanto, verificando melhor os autos, pude constatar que a causa de impedimento a que estaria sujeito, não se aplicaria, tendo em vista que a única menção/documento de que o Frigorífico Novo Estado S/A seria do Grupo JBS é a mencionada carta. Sendo assim, excetuando o fato de haver mencionada correspondência nos autos e o Grupo JBS não constar como sujeito passivo diretamente ou mesmo não haver nenhum patrono conhecido deste Conselheiro, não subsiste a causa de impedimento para julgamento do presente caso. Conclusão Diante de todo o exposto, deixo consignado que não estou impedido de participar do presente julgamento e acompanho o voto proferido pelo relator. (Assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10242.000207/200770 Acórdão n.º 2201004.582 S2C2T1 Fl. 3.635 8 Fl. 3635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904309/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 09 /2 01 0- 02 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13884.904309/201002 Acórdão n.º 3302005.756 S3C3T2 Fl. 101 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao segundo trimestre de 2002. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13884.904309/201002 Acórdão n.º 3302005.756 S3C3T2 Fl. 102 3 anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 98 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 89 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 90 a 96) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901585/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
AVERIGUAÇÃO CRÉDITO
Constitui medida de bom alvitre o retorno dos autos à unidade de origem a fim de averiguar crédito pleiteado mediante despacho decisório complementar a fim de não haver supressão de instância.
Numero da decisão: 1402-003.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para averiguação do crédito pleiteado pela recorrente, mediante emissão de Despacho Decisório complementar.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. AVERIGUAÇÃO CRÉDITO Constitui medida de bom alvitre o retorno dos autos à unidade de origem a fim de averiguar crédito pleiteado mediante despacho decisório complementar a fim de não haver supressão de instância.
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PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. AVERIGUAÇÃO CRÉDITO Constitui medida de bom alvitre o retorno dos autos à unidade de origem a fim de averiguar crédito pleiteado mediante despacho decisório complementar a fim de não haver supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para averiguação do crédito pleiteado pela recorrente, mediante emissão de Despacho Decisório complementar. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 15 85 /2 01 0- 14 Fl. 612DF CARF MF 2 Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16327.901585/201014 Acórdão n.º 1402003.413 S1C4T2 Fl. 112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente em face do despacho decisório que não homologou o direito de crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 30973.14531.230606.1.3.023257. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: 1. O interessado supra qualificado entregou por via eletrônica a declaração de compensação (PER/DCOMP nº 30973.14531.230606.1.3.023257) na qual declara a compensação de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2005. 2. Pelo despacho decisório de fls. 16, o contribuinte foi notificado em 09/11/2010 (fls. 233), que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: 3. E prossegue o despacho decisório pela conclusão do saldo negativo de IRPJ disponível ser de R$ 27.052.503,66. Sendo este crédito insuficiente para a compensação de todos os débitos vinculados foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 00396.23276.311006.1.3.027302 e não homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 05115.89056.081106.1.7.021230, 11037.46190.190310.1.3.029539 e 10143.50115.080507.1.7.025613. Restando indevidamente compensados débitos no valor principal de R$ 1.373.139,65. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou ,em 09/12/2010 (fls. 03), a Manifestação de inconformidade de fls. 03 a 09 informando e alegando, em síntese, o seguinte: 4.1 Apurou saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2005, no valor de R$ 27.877.046,55, conforme se pode verificar em sua DIPJ. 4.2 Por equívoco mencionou na DCOMP inicial apenas um dos valores de IRRF que fora retido incidente sobre juros sobre o capital próprio no valor de R$ 27.052.503,66. Fl. 614DF CARF MF 4 4.3 Em análise sumária e superficial a Autoridade Administrativa houve por bem desconsiderar os valores apontados na DIPJ do Requerente e assim considerar tão somente o valor apontado em DCOMP. 4.4 Em sede do Direito protesta primeiramente pela nulidade do despacho decisório por não ser considerado o valor declarado em DIPJ, pois os seus direitos creditórios, como o de qualquer outro contribuinte estariam nas suas declarações com este fim, quais sejam a DIPJ para o saldo negativo e a DCTF para o pagamento indevido ou a maior.A declaração de compensação teria o fito de confissão de débito, não tendo o condão de comprovar a existência de direito creditório. 4.5 Mesmo identificando crédito suficiente na DIPJ, a Autoridade preferiu desconsiderála. 4.6 Ao invés de cumprir com as finalidades precípuas da Administração, intimando o contribuinte a dar explicações sobre o fato ou, simplesmente acolhendo a sua DIPJ na íntegra, optou pelo menor valor declarado. 4.7 É papel da Administração investigar o fato e buscar a verdade material em situações como essas. O resultado do despachodecisório não se identifica com os princípios da finalidade, razoabilidade, proporcionalidade e eficiência, resultando assim em total nulidade da decisão. 4.8 Conforme decisão do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) a DIPJ seria documento hábil para comprovar o saldo negativo, salvo se sofrer ajustes em fiscalizações posteriores, o que não ocorreu no presente caso. 4.9 Ainda que se admita que a DIPJ por si só não seja suficiente para demonstração e comprovação do crédito existente o Requerente passa a demonstrar e a comprovar a existência do crédito não aprovado no despachodecisório, ou seja, a diferença entre PER/DCOMP e DIPJ. 4.10 A diferença de R$ 824.542,89 se restaria comprovada, segundo o quadro abaixo: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16327.901585/201014 Acórdão n.º 1402003.413 S1C4T2 Fl. 113 5 4.11 Os valores com a rubrica "Lançamento não identificado", não puderem ser encontrados na contabilidade da Requerente. Jà o valor de R$ 67.500,00, embora, não tenha sido feito o lançamento do valor acima, o Requerente diz provar sua existência por meio de informe de rendimentos fornecido à época pela fonte pagadora. 4.12 Protesta pela posterior juntada de outros meios de prova que se possa admitir, inclusive, pairando dúvidas sobre as retenções efetuadas contra a Requerente, que se promova diligência ao órgão preparador para que este notifique as fontes pagadoras para comprovar o quanto alegado. 4.13 Por fim, considerando restar provado a existência do direito creditório requer seja provida a Manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, homologandose o pedido de compensação em questão, em sua totalidade. A r. DRJ de São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO NÃO PLEITEADA ATRAVÉS DE PER/DCOMP. NÃO APRECIAÇÃO. Não se sujeita à apreciação, em sede de julgamento, pretenso direito creditório de saldo negativo de IRPJ, informado apenas na DIPJ e não formalizado por meio de PER/DCOMP, mormente se o contribuinte, intimado da divergência, não procedeu qualquer retificação ou prestou esclarecimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. Considerarseá não formulado o pedido de diligência que deixar de expor os motivos que as justifiquem e de formular os quesitos referentes aos exames desejados DESPACHO DECISÓRIO FUNDAMENTADO. AUTORIDADE COMPETENTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste a nulidade do despacho decisório quando o mesmo é fundamentado, assinado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, seus elementos são integralmente apreciados e é dada a oportunidade ao contribuinte de se apresentar a Manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que o crédito de saldo negativo de IRPJ estava devidamente registrado na DIPJ e que houve um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que: Fl. 616DF CARF MF 6 Em síntese, sustenta que se trata de mero erro formal, havendo no caso a disponibilidade do saldo negativo suficiente para compensar os débitos apontados em PER/DCOMP. Referido saldo negativo teria sido assim formado: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16327.901585/201014 Acórdão n.º 1402003.413 S1C4T2 Fl. 114 7 Além disso, haveria erro no preenchimento da data de vencimento do débito compensado, tendo sido parte do crédito utilizado para quitar multa de mora invés do principal, vejamos: Além disso, o crédito apontado teria sido posteriormente formalizado em PER/DCOMP em 08.11.2006: Fl. 618DF CARF MF 8 Por fim, apresenta a jurisprudência do CARF vigente há época da apresentação do Recurso Voluntário em que prevalecia entendimento de que o erro de fato no preenchimento da DCOMP não inviabiliza a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO Quanto ao mérito, decidiu a r. DRJ/SP: 8. Com relação à suposta diferença credora de R$ 824.542,89, existente entre os valores informados em DIPJ e declarados no PER/DCOMP, não cabe ao julgador administrativo apreciar pretenso direito creditório uma vez que o mesmo não foi devidamente formalizado anteriormente em instrumento próprio, qual seja o PER/DCOMP. 8.1 Esclareçase ao contribuinte não ser possível, em sede de julgamento administrativo de 1ª ou 2ª instâncias, alterarse a(s) Declaração(ões) de Compensação apresentada(s), seja em valores, seja em razão da motivação, seja para incluir novos períodos a serem analisados, sob a pena de se burlar o Fl. 619DF CARF MF Processo nº 16327.901585/201014 Acórdão n.º 1402003.413 S1C4T2 Fl. 115 9 instituto da decadência, ou mesmo de se suprimir instância administrativa competente. 8.2 Nestes termos, a alteração do crédito pleiteado na Declaração de Compensação encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF jurisdicionante do domicílio fiscal da contribuinte, estando fora da alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Ademais, conforme mencionado acima, ao manifestante foi dada a oportunidade de se retificar as declarações e o mesmo permaneceu inerte. Percebese que a r. DRJ partiu da premissa de que a diferença apontada pela Recorrente não teria sido formalizada via PER/DCOMP, o que não se coaduna com a informação veiculada no Recurso Voluntário, em que a Recorrente afirma que tais valores teriam sido formalizados através do PER/DCOMP nº 05115.89056.081106.1.7.021230. Ocorre que, o erro no preenchimento da PER/DCOMP não pode ser elemento determinante no aproveitamento de créditos pelos contribuintes, sob o risco de enriquecimento ilícito e ilegalidade por parte da administração pública. Esta só tem direito a imposto devido, não podendo se aproveitar de erro no preenchimento de obrigação acessória para impedir a compensação quando comprovado o crédito na origem. Percebase ainda que no caso em espécie, a Recorrente tratou de tentar sanar, ainda que por via oblíqua, seu erro ao apresentar novo PER/DCOMP formalizando a diferença apurada. Sobre o tema este Conselho já teve a oportunidade de se manifestar e assim decidiu: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. (Processo Administrativo nº 15374.967189/200998, Acórdão nº 1401 002.770, Data da Sessão: 26/07/2018) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. ERROS. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF O valor quitado a título de estimativas é apto a formar saldo negativo desde que o recolhimento ou a compensação sejam demonstrados mediante documentação hábil e idônea. O IRRF sobre rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica desde que o contribuinte comprove a ocorrência da retenção sobre rendimentos que lhe foram pagos, bem como que tais rendimentos foram oferecidos à tributação (Súmula CARF n. 80). Erros no preenchimento de declarações não são impedimentos para que a Administração reconheça o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP. Todavia, é necessário que tais erros sejam claramente demonstrados, por meio Fl. 620DF CARF MF 10 de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhes serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN, e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. Na ausência da documentação contábil que serviu de suporte ao preenchimento dos livros fiscais, assim como na ausência dos documentos que embasam os lançamentos contábeis, consideramse não provados os fatos e erros apontados. (Processo Administrativo nº 16327.910337/200840, Acórdão nº 1401 002.141, Data da Sessão: 19/10/2017) DCOMP. RETIFICAÇÃO. PRAZO FINAL. Em respeito ao princípio da verdade material, além das hipóteses de erro de fato ou vício material, as declarações de compensação podem ser retificadas quando apresentado fato novo comprovado nos autos, mesmo após o interessado ter sido notificado sobre a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal competente para decidir sobre o assunto. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. A declaração de compensação deve ser homologada quando comprovado por meio de DARF e demais documentos, o crédito relativo a pagamento a maior pleiteado pelo sujeito passivo. (Processo Administrativo nº 13149.000032/200323, Acórdão nº 1402 003.285, Data da Sessão: 26/07/2018) Além disso, o erro no preenchimento da PER/DCOMP não tem o condão de alterar a data de vencimento dos tributos compensados, de sorte que não há que se falar de multa de mora no presente caso, sob grave risco de afronta a legalidade. Isto posto, face ao erro de preenchimento de PER/DCOMP e presente a suficiência de crédito, voto pela reforma do r. Acórdão proferido pela DRJ de São Paulo com retorno à autoridade de origem para averiguação do crédito mediante despacho decisório complementar. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para averiguação do crédito pleiteado pela recorrente, mediante emissão de Despacho Decisório complementar. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16327.901585/201014 Acórdão n.º 1402003.413 S1C4T2 Fl. 116 11 Fl. 622DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.978970/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 70 /2 00 9- 54 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.978970/200954 Acórdão n.º 1201002.430 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.978970/200954 Acórdão n.º 1201002.430 S1C2T1 Fl. 4 3 Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.978970/200954 Acórdão n.º 1201002.430 S1C2T1 Fl. 5 4 Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.001203/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DE PIS. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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RECOLHIMENTO DE PIS. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 12 03 /2 00 6- 10 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16624.001203/200610 Acórdão n.º 3401005.332 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS do período de apuração setembro/2002, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Ocorre que no momento da formalização do Pedido de Restituição ainda estava em curso Ação Rescisória nº 2006.03.00.0084736, incidente sobre Mandato de Segurança com desfecho desfavorável transitado em julgado, cujo objeto restringiase à ampliação da base de cálculo introduzida pelo art. 3º, I da Lei nº 9.718/98. A DRF de Guarulhos/SP ao proferir o Despacho Decisório, não reconheceu do direito creditório, sem análise do mérito, com a seguinte assertiva: “Discussão judicial sobre a exigibilidade de tributo importa renúncia ao pedido administrativo de restituição”. Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.56), esclarecendo que a existência de ações judiciais não implica ter havido renúncia à esfera administrativa. Para que haja renúncia deve haver identidade de objeto, requisito essencial para que a via administrativa fique obstada. Demonstra que os pedidos são absolutamente distintos: “Na via judicial, pleiteiase o não pagamento do PIS e da COFINS com as bases de cálculos ampliadas pela Lei n° 9.718/98, enquanto no caso ora em exame o pleito é de restituição dos valores, justamente porque levaram em consideração a referida base e, por consequência, ocasionaram um pagamento maior do que o devido”. Em Primeiro Grau a 1ª Turma da DRJ/CPS ratificou inteiramente o Despacho Decisório, não reconheceu o direito creditório, indeferindo o pedido de restituição. Em grau de Recurso Voluntário a recorrente repisa todas as razões da manifestação de inconformidade e reforça sua tese: “para que haja concomitância do objeto, os três requisitos (partes, causa de pedir e pedido) devem coexistir simultaneamente. Distintos quaisquer deles, não há que se falar em identidade e, portanto, em concomitância que justifique o decreto de renúncia à esfera administrativa”. O Recurso Voluntário foi recepcionado pelo CARF, distribuído à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que proferiu o acórdão nº 3101001.130 na Sessão de 23/05/2012. Atestou que no presente caso não há elementos para que seja caracterizada a concomitância da discussão administrativa com a judicial, pois nem o pedido nem a causa de pedir nem as partes são idênticos nas demandas. Dessa forma afastaram a renúncia à via administrativa e determinaram o retorno do processo à primeira instância administrativa para apreciar as demais razões do litígio. O processo foi encaminhado ao Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT, da DRF de Guarulhos/SP, que intimou a Contribuinte para que, no prazo de 20 (vinte) dias contados do ciente, apresentasse os elementos a seguir: 1. Composição da base de cálculo da Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – do período de apuração 09/2002; Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16624.001203/200610 Acórdão n.º 3401005.332 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Documentos hábeis e idôneos dos itens que compõem a base de cálculo da Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – do período de apuração 09/2002; e 3. Livro Razão Analítico, em meio digital, das contas contábeis onde foram registrados os itens que compõem a base de cálculo da Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – do período de apuração 09/2002. Os elementos acima solicitados deverão ser juntados ao processo por meio eletrônico ou entregues juntamente com uma cópia desta intimação na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos – SEORT, das 9:00 às 12:00, localizada na Av. Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, n° 1.253 Vila Augusta CEP: 07040030 Guarulhos/SP, telefone 24257217. A Contribuinte foi declarada ciente da intimação fiscal conforme termo de fls.182, com data de emissão 24/02/2016. As fls.187 integram novo Despacho Decisório, indeferindo o pedido de restituição, devido a não comprovação da receita financeira que está compondo a base de cálculo de PIS/PASEP. Relata a autoridade fiscal que não houve até aquele momento, qualquer resposta à intimação nº 0099/2016, mas em busca nos Sistemas da Receita Federal do Brasil, encontrou o processo nº 16624.001202/200675 que trata de restituição de COFINS para o mesmo período de apuração setembro/2002. Destaca que a interessada foi intimada e reintimada a fazer prova nos mesmos termos da presente intimação, e em resposta naquele processo foi apresentado: Demonstrativo do PIS e da COFINS e ficha do Razão analítico (contas de Receitas financeiras), deixando de apresentar documentos que geraram as alegadas receitas financeiras tidas como alargamento da base de cálculo e assim elucidar a composição do faturamento que originou a base de cálculo para a apuração da contribuição do PIS e da COFINS para ratificar o pleito solicitado. Destacase que, uma vez não esclarecida a composição do faturamento que originou a base de cálculo para a apuração da contribuição do COFINS, por consequência não estaria esclarecida a composição do faturamento que originou a base de cálculo para a apuração da contribuição do PIS, já que tanto a COFINS quanto o PIS apresentam a mesma base de cálculo. Cientificado do presente Despacho Decisório a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (efls.196), reafirmando que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa. Diz que apresenta os documentos que dispõe, os quais são passiveis de comprovar a receita financeira que compôs a base de cálculo do PIS no período de 09/2002. Requer o deferimento do pedido. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16624.001203/200610 Acórdão n.º 3401005.332 S3C4T1 Fl. 5 4 Composição da base de cálculo do PIS mês 09/2002 Conta Contábil Valor Valor do PIS 513.103 16,89 0,11 513.104 1.734.018,78 11.271,12 531.401 196.777,44 1.279,05 Total 1.930.813,11 12.550,29 A Manifestação de Inconformidade foi encaminhada à 4ª Turma da DRJ/RPO que lavrou o Acórdão nº 1465.207 em Sessão de 28/03/2017, julgando improcedente e não reconheceu o direito creditório por ausência de comprovação da receita financeira que compôs a base de cálculo do PIS/PASEP do período de apuração 09/2002. Veio ao CARF novo Recurso Voluntário de fls. 225, aduzindo que o fundamento do pleito decorre do fato de ter a Recorrente, recolhido o PIS no período de 09/2002 adotando, como base de cálculo, a totalidade das receitas auferidas, em obediência à legislação então vigente (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98); que apresentou os documentos de que dispunha, os quais são passíveis de comprovar a receita financeira que compôs a base de cálculo do PIS no período de 09/2002. Conclui requerendo seja reformada a decisão recorrida e restituído os valores constantes do pedido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16624.001203/200610 Acórdão n.º 3401005.332 S3C4T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Pouco cabe acrescentar nesse conturbado processo de pedido de restituição de valores tidos como recolhidos acima dos legalmente devidos, a título de PIS/PASEP do período de apuração 09/2002. O pedido está firmado no fato de ter sido incluída na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, valores relativos a recitas financeiras determinado por dispositivo legal que veio a ser declarado inconstitucional (§1º do art. 3º da Lei 9.718/98). Sobre esse fato não há divergência, tanto fisco quanto contribuinte concordam para que seja excluída da base de cálculo do PIS/PASEP as receitas que extrapolam do conceito de faturamento. O problema aqui reside, justamente, na apresentação de prova capaz de atestar o indébito fiscal passível de restituição. A Recorrente afirma que o recolhimento do PIS/PASEP do período de apuração 09/2002 foi feito sobre uma base ilegalmente ampliada, na qual estavam indevidamente inseridas receitas financeiras. Primeiramente a Recorrente se nega a apresentar a base de cálculo e o respectivo comprovante de recolhimento no qual estava contido o valor que pretende ver restituído. A dita base de cálculo alargada por dispositivo legal declarado inconstitucional. Segundo, diz que não mais dispõe dos documentos possíveis de fazer prova dos valores lançados como receitas financeiras. Nesse caso, só a folha do razão contábil, mesmo que assinada por profissional habilitado, não torna suficiente para comprovar o indébito fiscal. Os lançamentos contábeis para fazerem prova em favor do contribuinte devem estar revestidos das formalidades legais e suportados por documentos hábeis e idôneos, como se extrai do art. 923 do Decreto nº 3.000/1999: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16624.001203/200610 Acórdão n.º 3401005.332 S3C4T1 Fl. 7 6 Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.011324/99-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995
PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO LEGAL.
Eventuais diferenças apontadas em levantamentos de origens e aplicações de recursos, envolvendo conta caixa e/ou valores em contas correntes bancárias, contabilizados ou não, não podem lastrear lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994, 1995 PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO LEGAL. Eventuais diferenças apontadas em levantamentos de origens e aplicações de recursos, envolvendo conta caixa e/ou valores em contas correntes bancárias, contabilizados ou não, não podem lastrear lançamento fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994, 1995 PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO. FLUXO FINANCEIRO. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO LEGAL. Eventuais diferenças apontadas em levantamentos de origens e aplicações de recursos, envolvendo conta caixa e/ou valores em contas correntes bancárias, contabilizados ou não, não podem lastrear lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 01 13 24 /9 9- 48 Fl. 364DF CARF MF 2 Relatório DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração o qual lhe exige a importância de R$ 224.160,02, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime do Lucro Presumido, correspondente a fatos geradores mensais ocorridos nos anos calendário de 1994 e 1995, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora à època do pagamento. Segundo consta na Descrição dos Fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre de omissão de receitas da atividade: A empresa foi autuada por omissão de receita caracterizada pelo levantamento de seu fluxo financeiro, onde foram consideradas as disponibilidades de recursos, devidamente confrontadas com as aplicações dos mesmos. Para isto, foram considerados os extratos bancários da empresa, (fls.132 a 156), as suas vendas, as suas compras e as suas despesas. A receita de vendas (folhas 157 a 163) foi extraída da DIPJ/95 e 96 (exercício Social), as suas compras (folhas 164 a 188) foram considerados os valores constantes do Livro de Apuração do ICMS. As despesas (folhas 189 a 196) foram aquelas informadas pelo contribuinte, os tributos e contribuições (folhas 157 a 163), pagos, foram considerados os valores constantes da DIRPJ /95 e 96, devidamente comprovados pelos DARF's de recolhimento (folhas 197 a 227). Por outro lado, o levantamento do fluxo financeiro resultado da juntada dos elementos acima, encontrase às folhas 054 a 131, do presente auto de infração. [...] Enquadramento Legal Arts.523, parágrafo 3º, 739 e 892, do RIR/94 Em decorrência do lançamento de IRPJ, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nas importâncias de R$ 276.367,62, R$ 6.565,93, R$ 86.600,08 e de R$ 17.932,63, respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 75% e de juros de mora à época do pagamento. A Autuada foi cientificada dos Autos de Infração em 05/10/99, pelo seu gerente Sr. Nilson Nunes e em 04 de novembro foi protocolada a Impugnação, onde, após resumir o procedimento fiscal, alegou que o levantamento contém inconsistências, com utilização de despesas em duplicidade, juntamente com as compras. Suas explicações: Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10283.011324/9948 Acórdão n.º 1401002.899 S1C4T1 Fl. 365 3 A impugnante à semelhança de outras empresas ao adquirir/comprar produtos, mercadorias e/ou matériasprimas, contabiliza a Nota Fiscal correspondente a "débito" da rubrica "estoque" e, em contrapartida, a "crédito" da conta "fornecedores". Ao proceder os pagamentos das Duplicatas referentes às Notas Fiscais dantes registradas, debita "fornecedores" e, lado outro, credita o "caixa" como, obviamente, não poderia deixar de ser. O que fez o Sr. Auditor: ao montar o fluxo financeiro, por erro (ou tendência), reconsiderou, no item "outros desembolsos e pagamentos apurados no período", como saída de caixa, os pagamentos anteriormente incluídos/considerados no item "compras de produtos e matériasprimas no período." Registrou, pois, em duplicidade as aplicações realizadas, ou, se preferirmos, tomou de empréstimo valores devidamente contabilizados na conta "fornecedores", o que, como corolário lógico, elevou/considerou as saídas em espécie a montantes absurdamente irreais. Ainda, na Impugnação, no item III Do Lançamento Em Exame, discorre acerca da ilegalidade do lançamento, pois não existiu fato gerador, que o documento fiscal não se amolda a lei, subvertea sob a subjetiva bandeira de omissão de receita, onde arremata que "cumprese anular a exigência em tela, seja pelo equívoco no qual se funda, seja pela inocorrência concreta da hipótese de incidência." No item IV IRRF, PIS, CSLL, COFINS Tributação Reflexa, alega que sendo insubsistente a exigência fiscal matriz, as outras serão canceladas, da mesma forma com relação aos juros e correção monetária. Por fim, solicitou a realização de perícia contábil, indicando seu perito e os quesitos que espera ver atendidos. DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO Em 15 de janeiro de 2003, a Delegacia de Julgamento de Belém (DRJ/BEL) julgou o lançamento procedente, nos seguintes termos, resumidamente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1994, 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. FLUXO FINANCEIRO. SALDO CREDOR DE CAIXA. Constatado por intermédio de ação fiscal que o sujeito passivo apresentou dispêndios superiores às receitas escrituradas, presumese a omissão de receitas em decorrência da existência de dispêndios efetuados com recursos estranhos à contabilidade. PERÍCIA Com fundamento no artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, indeferese o pedido de perícia, quando desnecessária à solução do litígio. Fl. 366DF CARF MF 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA IRRF, CSSL, PIS e COFINS Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. [...] VOTO [...] 4. De acordo com a impugnação apresentada, na elaboração do fluxo financeiro da impugnante, a fiscalização teria considerado duplamente o montante relativo a "outros desembolsos e pagamentos apurados no período'. Isto porque, supostamente, esses valores já estariam incluídos no montante relativo a "compras de produtos e matériasprimas. 5. Compulsando o processo, verificase que o montante relativo a "outros desembolsos" foi informado à fiscalização pela própria impugnante, conforme documentos às folhas 189 a 196. Os valores ali discriminados foram utilizados para apuração do fluxo financeiro e não há no processo qualquer indicativo de que essas "outras despesas" estejam incluídas no montante das compras. Neste particular, destacase que a queixante confunde "compras" com "outras despesas". Isto porque as compras estão perfeitamente segregadas no Livro de Apuração do ICMS, acostado aos autos às folhas 164 a 188. 6. Assim, não há qualquer elemento de prova que indique a superposição de "outras despesas" com "compras". Neste particular, é prudente o destaque de que no Livro de Apuração do ICMS sequer existe espaço para adição de outras despesas, mesmo porque as "compras" geram crédito de ICMS e as despesas não. Em decorrência do exposto, não há como aproveitar o argumento da queixante, no cotejo com o que foi apurado pela fiscalização. 7. Prosseguindo em sua defesa, a impugnante elaborou novo fluxo financeiro, no qual supostamente restaria comprovada a inexistência de saldo credor de caixa. Esses documentos estão acostados aos autos às folhas 281 a 284. Analisando detidamente o fluxo financeiro elaborado pela queixante, percebese que o mesmo deve ser afastado, de pronto, por ferir, frontalmente, as disposições legais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores do lançamento. As razões estão declinadas a seguir. 8. Na situação sob exame, evidente está que o fluxo financeiro elaborado pela queixante deixou de se revestir da devida forma legal ao não observar o correto período de apuração quando considerou os saldos devedores da conta caixa de períodos anteriores para compensação com os saldos credores apurados em períodos subseqüentes, transformando irregularmente o fato gerador e o período de incidência do IRPJ de mensal para anual em empresa tributada pelo regime do lucro presumido, em franca desobediência ao disposto no art. 2 o da Lei n° 8.541, de 1992, verbis: "Art. 2ºo A base de cálculo do imposto será o lucro real, presumido ou arbitrado, apurada mensalmente , convertida em Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10283.011324/9948 Acórdão n.º 1401002.899 S1C4T1 Fl. 366 5 quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR (Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°) diária pelo valor desta no último dia do períodobase." (Grifouse.) 9. Importa notar que os próprios arts. 43 e 44 da Lei n° 8.541, de 1992, fazem referência expressa a período de apuração mensal quando da apuração de receitas omitidas. Com efeito, o § 3 o do art. 43, introduzido pela Medida Provisória n° 977, de 20 de abril de 1995, menciona que o valor da receita omitida será convertida em quantidade de UFIR pelo valor desta do mês da omissão. Já o § I o do art. 44 estabelece que o fato gerador do IRRF considerase ocorrido no mês da omissão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA 10. No bojo dos argumentos da impugnante referentes à tributação reflexa, juros e correção monetária, está a improcedência do lançamento principal. Entretanto, conforme foi debatido anteriormente, o lançamento principal deve ser mantido. Da mesma forma, devem ser mantidos os lançamentos reflexos, os juros e a correção monetária (materializada com o uso da UFIR), na forma com disciplinada na legislação de regência indicada no auto de infração. PERÍCIA 11. No que se refere ao pedido de perícia, com fundamento no artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, indefiro o mesmo por ser desnecessário para a solução da lide. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão da DRJ, ingressou a Interessada com recurso voluntário, protocolado em 28/02/2003, onde, preliminarmente, requer a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa em face de que a decisão recorrida não justificou o indeferimento da solicitação de perícia. Quanto ao mérito, repete as alegações da impugnação, já relatoriadas. Recebido o recurso pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, foi o julgamento convertido em diligências, nos termos da Resolução nº 10301.778, em sessão de 16 de outubro de 2003: Permitome discordar do ilustre relator. Vislumbro a possibilidade de ocorrência do equívoco apontado pela Recorrente uma vez que constam da "Declaração de Recursos Financeiros Aplicados no Período", fls. 189 a 196, apenas valores agregados, sem o correspondente detalhamento. O fato de ela própria ter fornecido à Fiscalização tais informações não deve impedir a apuração da ocorrência da hipótese aventada. Fl. 368DF CARF MF 6 Portanto, considero necessária a realização de diligência para perfeito conhecimento dos fatos, em respeito ao princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, de tal forma a instruílo adequadamente para o julgamento. II.c Conclusão Entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em ManausAM adote os procedimentos a seguir indicados: 1) Verificar se valores relativos a uma mesma operação foram duplamente incluídos nos itens "outros desembolsos e pagamentos apurados no período" e "compras de produtos e matériasprimas no período" do fluxo financeiro (fls.54 a 131); 2) Elaborar relatório conclusivo sobre a verificação solicitada no item 1 acima e, na hipótese de alteração de valores, nova planilha de fluxo financeiro; 3) Entregar cópia dos documentos mencionados no item 2 acima à Recorrente e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie acerca deles, após o que, o processo deverá retornar para este Conselho. Em despacho a fl.329, consta que a DRJ/BEL encaminhou o processo para a DRF/MNS em 12/02/2004. Em seguida, consta nos autos uma solicitação de cópia do processo, pedido por Nilson Vasconcelos Nunes (gerente), em 03 de setembro de 2009. Após, um encaminhamento datado de 11/06/2014, na DRF/MNS para a realização das diligências demandas. Por meio do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, a Recorrente foi intimada a: A Recorrente foi cientificada e recebeu cópia deste Termo em 24/11/2016, pelo Sr. Nilson Nunes, gerente, conforme Termo de Entrega de Documentos (fl.356). Conforma consta no Termo de Encerramento de Diligência, de 13/02/2017, transcorrido mais de trinta dias e não tendo o contribuinte se manifestado, esclareceram os auditores que "encerramos esta diligência com prejuízo na análise solicitada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, devido a inércia do interessado em oferecer os elementos requeridos." Logo após, consta nos autos um AR Aviso de Recebimento, datado de 16/02/2017, assinado pelo Sr. Nilton Nunes. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10283.011324/9948 Acórdão n.º 1401002.899 S1C4T1 Fl. 367 7 Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Conforme relatoriado, pela descrição dos fatos do Auto de Infração podemos perceber que houve um levantamento mensal das origens e aplicações de recursos (um fluxo financeiro) de onde se apurou, segundo a autoridade autuante, em vários meses de 1994 e 1995, que o total das aplicações superava o total das disponibilidades do período mensal considerado. Oportuno relembrar que o fato gerador considerado pelas regras do Lucro Presumido, na época em questão (anos de 1994 e 1995), era mensal, e a declaração de rendimentos era apresentada no Formulário III. Tenho uma certa lembrança de que ocorriam autuações semelhantes, mas no âmbito da tributação das pessoas físicas, onde a diferença (negativa) apontada entre origens e aplicações de recursos era tratada como omissão de rendimentos, a título de acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos do que dispõe o art.55 do RIR/99: SEÇÃO V OUTROS RENDIMENTOS Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art.26, Lei nº 7.713, de 1988, art.3º, parágrafo 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, parágrafo 2º, inciso IV, e 70, parágrafo 3º, inciso I): [...] XIII. as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Agora, com relação às pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, relativamente a este tipo de autuação, a natureza da infração apontada, de se ver qual o enquadramento legal que foi considerado no auto de infração do IRPJ. Antes, vejamos como foi apurada a matéria tributável, por exemplo, no mês de fevereiro de 1994: Fl. 370DF CARF MF 8 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10283.011324/9948 Acórdão n.º 1401002.899 S1C4T1 Fl. 368 9 Este valor de CR$ 1.596.333,73 foi considerado como omissão de receitas, conforme consta no Auto de Infração (fls.004). Agora, vejamos qual o enquadramento legal que deu amparo ao lançamento de IRPJ. Consta no Auto de Infração IRPJ como enquadramento legal os arts.523, parágrafo 3º, 739 e 892 do RIR/94: Lucro Presumido Base de Cálculo Art.523. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de 3,5% sobre a receita bruta mensal auferida na atividade, expressa em cruzeiros reais (Lei nº 8.541/92, art.14): [...] Parágrafo 3º. Verificada omissão de receitas, os valores serão tributados na forma dos arts.739 e 892 (Lei nº 8.541/92, arts.43 e 44). CAPÍTULO V Rendimentos Diversos SEÇÃO I Omissão de Receita Art.739. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 25%, a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, a qual será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, sem prejuízo da incidência do imposto da pessoa jurídica (Lei nº 8.541/92, art. 44). Parágrafo 1º. Para efeito da incidência de que trata este artigo, considerase ocorrido o fato gerador no mês da omissão ou da redução indevida, não se aplicando o reajustamento previsto no art.796 (Lei nº 8.541/92, art. 44, parágrafo 1º). Parágrafo 2º. O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para a de seus sócios (Lei nº 8.541/92, art. 44, parágrafo 2º). Fl. 372DF CARF MF 10 Omissão de Receitas Art.892. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida (Lei nº 8.541/92, art. 43). Parágrafo 1º. O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo (Lei nº 8.541/92, art. 43, parágrafo 2º). Parágrafo 2º. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado, será considerado lucro arbitrado o valor correspondente a cinquenta por cento dos valores omitidos (DecretoLei nº 1.648/78, art.8º, parágrafo 6º). Fácil perceber que o art.523 trata de definir a base de cálculo do imposto sob as regras do lucro presumido, enquanto que os demais citados, arts.739 e 829, tratam de definir critérios para a determinação da tributação de receita omitida. No caso do art.739 (Lei nº 8.541/92, art. 44), se tratava de presunção legal de omissão de receitas em pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro real, ocasião em que seria lançado imposto de renda na fonte juntos aos sócios. No caso do art.892 (Lei nº 8.541/92, art. 43), estava se tratando de omissão material de receita, que, evidentemente, não é o caso que se tem nos autos. Estes dispositivos legais não autorizam a tributação nos termos em que apontado pela fiscalização, quando utilizouse de levantamento de fluxo financeiro e tributou a diferença (negativa) entre aplicações e origens de recursos. A decisão recorrida referese mais de uma vez a figura de saldo credor de caixa, o qual, em nenhum momento, foi objeto de citação no Auto de Infração e, se disso se tratasse, deveria constar no enquadramento legal da autuação, que seria o art.228 do Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/94): Art.228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova de improcedência da presunção (Decreto Lei nº 1.598/77, art.12, parágrafo 2º). [...] Mesmo que se fosse enquadrado neste dispositivo legal, ainda assim, ao meu sentir, estaria incorreto o lançamento, pois o procedimento fiscal adotado não tem previsão legal para fins de apuração (ou não) de saldo credor de caixa. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10283.011324/9948 Acórdão n.º 1401002.899 S1C4T1 Fl. 369 11 Valendome da obra Direito Processual Tributário Brasileiro, de James Marins, 11ª edição, pág.205, por ser oportuno: Nos termos do CTN, o lançamento, enquanto principal ato administrativo tributário, corresponde à função vinculada e obrigatória, competindo à autoridade administrativa verificar a ocorrência do evento imponível, procedendo à descrição do conceito do fato e enquadrandoo no conceito da norma jurídica tributária de modo a extrair suas consequencias jurídicas que conduzam à determinação do montante da obrigação tributária e da individualização dos sujeitos ativos e passivo da relação jurídica. Nessa tarefa, o agente administrativo deve colher, em obediência ao princípio do dever de fiscalização, a ocorrência do evento no mundo fenomênico prevista como fato imponível, que representa o evento selecionado pelo legislador como apto a gerar obrigação tributária, e descrevêlo formalmente para fins de verificar seu encaixe na descrição hipotética contida na norma jurídica tributária denominada de hipótese de incidência e daí extrair as consequencias obrigacionais previstas na norma jurídica tributária.[grifo do Relator] Daí que no recurso voluntário, devo partilhar do inconformismo da recorrente quando, de maneira acertada, após transcrever o art.142 do CTN, arrematou: O lançamento em vergasta, todavia, não reúne condição de subsistir, conquanto formalizou exigência divorciada da lei e da verdade, o que culmina por ultrajar a estrita legalidade. Deuse à mingua de fato gerador, assim compreendido nos exatos falares do art. 114, do CTN: "Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência". Deflui dessa ilação que, somente com a ocorrência do fato gerador da obrigação principal é que surge, para o sujeito ativo, o direito de receber o crédito tributário, e, para o sujeito passivo, o dever de pagálo. Mas, é mister, frisese, que se verifique o fato gerador, sem o qual não será possível oporse qualquer pretensão de natureza obrigacional. À guisa deste raciocínio, dúvida não pode remanescer: cumpre se anular a exigência em tela, seja pelo equívoco no qual se funda, seja pela inocorrência concreta da hipótese de incidência. Reiterese, por assaz elucidativo, que há, no caso, ausência de motivo (pressuposto fático do lançamento) capaz de sustentar a pretensão fiscal. Nada obstante, a pretensa omissão de receita, além do IRPJ, imputou à Recorrente a obrigação de pagar IRFonte, PIS, COFINS e CSLL. Acontece, porém, que, sendo insubsistente a exigência matriz, qual seja, relativa ao IRPJ, é de se cancelar, ipso facto, as demais, em ressonância à iterativa jurisprudência dos augustos Tribunais Administrativos. Até porque, a Recorrente levou à tributação toda a receita auferida, sem Fl. 374DF CARF MF 12 omissões, o que infirma a ilegítima presunção júris tantum. Como consectario, devese atribuir o mesmo caminho às demais pretensões fiscais, quais sejam: IR/Fonte, PIS, CSLL e COFINS, haja vista a íntima relação de causalidade (omissão de receita) entre o suporte fàtico de cada lançamento. Ademais, sendo indevido o crédito tributário formalizado, por tudo o quanto foi exposto, o mesmo destino jurídico há de ser dado aos acessórios. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelandose todas as exigências que constam em todos os Autos de Infração. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 375DF CARF MF
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