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Numero do processo: 17546.001298/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 (vigente à época).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontram-se decadentes 585 m2. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 vigente á época dos fatos geradores.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 (vigente à época). Recurso Voluntário Provido em Parte
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AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 (vigente à época). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontramse decadentes 585 m2. A deficiência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 12 98 /2 00 7- 95 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. Em consequência, no que se refere a obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência de emissão do ARO, a teor do §2º do art. 431 c.c. §3º, I do art. 435 ambos da IN SRP nº 3/2005 vigente á época dos fatos geradores. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 632 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 03/11/2005, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 14/11/2005 (fls. 51). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14/16, a DISO ex officio foi preenchida em 04/05/05, sendo emitido o ARO referente à competência maio/2005, bem como a respectiva GPS, com vencimento no 2º dia útil mês subseqüente. Em razão do não pagamento da guia, foi lavrada a presente NFLD referente ao lançamento de débito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e das destinadas a Terceiros, não recolhidas em época própria, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para a regularização da obra referente a construção residencial, conforme art. 33, §4º, da Lei 8.212/91. O Recorrente apresentou uma impugnação, alegando que adquiriu o imóvel em 19/02/1998, conforme escritura registrada perante ao 2º Cartório de Registros de Imóveis de Jundiaí. Alega o Recorrente em sua impugnação: que a área real construída é de 762 m2, conforme IPTU de 2005, juntado aos autos; que o Levantamento Aerofotogramétrico da empresa Engefoto — Engenharia e Aerolevantamentos S.A., datado do ano de 1993, demonstra que, em 1993, já havia 585 m2 de área construída, portanto, com a aplicação de redutores, só há uma área a se regularizar de 134,60 m2; juntou documentos que comprovam que a energia elétrica foi ligada em 08/1991 e a água em 12/1990. Apesar da documentação apresentada na impugnação, às fls.108, consta a informação da Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário que: 1) questiona a divergência da área informada pela Prefeitura (762,00 ou 825,00 m2); 2) desconsidera o laudo técnico apresentado não seria documento hábil para quantificar a área construída (planta aerofotogramétrica desacompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA, além de não ser de período decadencial); 3) as contas do DAE tem a observação de que foram “retiradas no DAE”; 4) que a escritura de compra e venda de 1998 não apresenta área construída no terreno de 1.000,00 m2, o que indicia que não houve construção finalizada até esta data; Fl. 633DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 5) quanto à aplicação do redutor, devem ser respeitados os critérios estabelecidos da Instrução Normativa n° 3/2005; 6) no que se refere ao enquadramento da obra, deve ser observado o artigo 439 da referida Instrução Normativa. Assim, considerou que a disparidade dos documentos apresentados impossibilitava o julgamento do processo, razão pela qual solicitouse a apresentação de novas provas que permitissem realizar a perfeita instrução do processo, tais como projeto completo de construção, IPTU de todo o período (de 1994 a 2005) e, principalmente, Certidão atualizada expedida pela municipalidade que demonstre, anoaano, a área do imóvel em questão, além de outros que o contribuinte reputar importantes para a real apuração dos fatos. Em 31/08/2006, o Recorrente apresentou protocolo de juntada de novos documentos, entretanto, anexou nova defesa a qual alega em síntese: que houve lançamento incorreto pela Prefeitura do Município de Jundiaí, da área de 825 m2, mas houve a correção para 762 m2, conforme elementos contidos em lançamentos de IPTU, não tendo ocorrido outra demolição além dos 4,65m2 informados em projeto; que o Laudo Técnico apresentado preenche os requisitos e as formalidades legais, consubstanciado no Levantamento Aerofotogramétrico do ano de 1993; que o requerente apresenta, para comprovar a decadência de parte da construção, correspondência bancária, contas de luz e planta aerofotogramétrica todo emitidos em período decadencial; que de acordo com o Laudo Técnico apresentado, existem áreas decadentes que totalizam 585,00 m2 pretendendose a regularização de 134,60 m2 de área ampliada e 4,65 m2 de área demolida; que com o advento do Código de Obras e Edificações do Município de Jundiaí, os projetos apresentados para a aprovação serão apenas do contorno dá obra; por fim, solicita novamente a expedição do cálculo dos valores que deverão ser recolhidos à título de contribuição previdenciária da obra. A DecisãoNotificação julgou o lançamento procedente, e, inconformado, o Recorrente apresentou recurso voluntário pleiteando a cobrança do valor correto, e, juntando documentos. Os autos foram encaminhados a este Conselho, que, converteu o julgamento em diligência, para que a Prefeitura esclarecesse a base de dados utilizada para emitir a certidão de fls. 567, que acusa 762 m2 de área construída. Às fls. 587 a Prefeitura esclareceu que utilizou os dados do cadastro SIIM (Sistema Integrado de Informações Municipais) e a planta genérica de valores para cálculo do valor venal para emitir a certidão de contribuinte imobiliário, que descrevem a área de 804 m2 coletada em 21/09/2000, para tributação a partir de 2001; e a área de 762 m2, área coletada em 28/07/2004, para tributação a partir de 2005. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 633 5 Voto CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI CUB. Antes de analisar o pleito de retificação de valores considerados no lançamento, cumpre salientar que a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91). Assim, o cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra ARO. No caso em tela, considerouse a competência 05/2005. Todavia, após as diligências, restou comprovado que deve haver retificação da área de construção considerada, inclusive por parte estar comprovadamente decadente. Área total. Alega a recorrente que houve lançamento incorreto pela Prefeitura do Município de Jundiaí, da área de 825 m2, mas houve a correção para 762 m2, conforme elementos contidos em lançamentos de IPTU. Na manifestação fiscal consta que: A informação é procedente, conforme demos confirmar na presente diligência, sendo realmente de 762m2 a área construída. Inexiste na prefeitura, segundo as informações obtidas junto aos servidores da Secretaria de Finanças e da Secretaria de Obras, qualquer documento ou informação referente a área E que: Não existe qualquer histórico em sistema ou documento que justifique a alteração da área de 804 m2 para 762 m2. Segundo relato dos servidores da prefeitura, ocorreram diversos casos em que houve correção da área, decorrente de medições Fl. 635DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 equivocadas feitas por alunos de colégio técnico contratados pela prefeitura na época. Portanto, o lançamento deve ser ajustado para se considerar como área construída os 762m2. Área decadente. Quanto à área decadente, afirma recorrente que o levantamento Aerofotogramétrico da empresa Engefoto, datado de 1993, demonstra que, naquela época, já havia 585m2 de área construída. Segundo a autoridade fiscal: O laudo decorrente do levantamento Aerofotogramétrico apresentado pelo contribuinte é uma prova robusta da existência de construção em período decadencial e não deve ser ignorado, apesar de não constar nos sistemas da Prefeitura qualquer área construída antes de 21/09/2000. Reforça a tese da recorrente ainda a seguinte afirmação : Comprova o contribuinte, por meio de documentos idôneos, que houve, em período decadente, pedido de ligação de água, compra de material básico de construção, inclusive telhas para a cobertura da totalidade da área construída, tudo corroborado pelo levantamento aerofotogramétrico; E ainda, que o contribuinte apresentou, para período decadencial: * memorial descritivo da obra, datado de 1990; * alvará de execução e planta aprovada, também datados de 1990; * declaração de transferência de direitos e obrigações, datada de 1998; * cópia da escritura de venda e compra, datada de 1998; * contas de água, energia elétrica, recibos de pagamentos apresentados ao administrador da obra e correspondências bancárias enviadas para o endereço da obra, todas em período decadente; * notas fiscais de materiais de construção emitidas em período decadencial; * e outros. Portanto, além da retificação da área de 825 para 762 m2, deve ainda a retificação dos autos excluir a área decadente (585 m2), tomando por base apenas a diferença que continua tendo como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do Aviso de Regularização de Obra – ARO (05/2005). Fl. 636DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17546.001298/200795 Acórdão n.º 2302003.606 S2C3T2 Fl. 634 7 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para que se considere no cálculo do montante devido a área construída de 762 m2, dos quais encontramse decadente 585 m2. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 637DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.923101/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 31 01 /2 00 9- 26 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 779 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de PIS, atinente ao período de apuração 04/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 73/77). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 79), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 81/84) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o PIS, no montante de R$23.442,90, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.103,01. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 73/77), no valor de R$339,89 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.791 (fls. 135 a 137), de 19/11/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 04 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo a recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$339,89. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 188 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 780 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 195, na data de 29/10/2013, às fls. 201 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 753, o contribuinte, às fls. 758, manifestouse acerca do relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 702 (setecentos e dois), estando, portanto apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 784DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923101/200926 Acórdão n.º 3402002.550 S3C4T2 Fl. 781 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 35287.000416/2005-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE REEMBOLSO - SALÁRIO-FAMÍLIA E SALÁRIO-MATERNIDADE - DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
Reembolso é o procedimento pelo qual a Receita Federal do Brasil ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de salário-família e salário-maternidade pagos a segurados a seu serviço, atendendo-se os requisitos de apresentação de documentos necessários à instrução do processo de Requerimento de Reembolso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o Requerimento de Reembolso - conforme deferido pela Auditoria-Fiscal em procedimento de Diligência Fiscal.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE REEMBOLSO - SALÁRIO-FAMÍLIA E SALÁRIO-MATERNIDADE - DOCUMENTOS NECESSÁRIOS Reembolso é o procedimento pelo qual a Receita Federal do Brasil ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de salário-família e salário-maternidade pagos a segurados a seu serviço, atendendo-se os requisitos de apresentação de documentos necessários à instrução do processo de Requerimento de Reembolso. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 177 1 176 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35287.000416/200566 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.756 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ERONIR FERREIRA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE REEMBOLSO SALÁRIOFAMÍLIA E SALÁRIOMATERNIDADE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS Reembolso é o procedimento pelo qual a Receita Federal do Brasil ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de saláriofamília e salário maternidade pagos a segurados a seu serviço, atendendose os requisitos de apresentação de documentos necessários à instrução do processo de Requerimento de Reembolso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinandose o Requerimento de Reembolso conforme deferido pela AuditoriaFiscal em procedimento de Diligência Fiscal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 28 7. 00 04 16 /2 00 5- 66 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, apresentado contra Acórdão nº 1027.407 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 111 a 114, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A questão central é o de tratarse de Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família, no valor de R$ 1.580,23 (um mil, quinhentos e oitenta reais e vinte e três centavos) referente às competências de 10/2004 a 01/2005, às fls. 01. Às fls. 65 a 67, temse a Intimação DRF/POA/SEORT/PREV nº 3425/2009, solicitando ao contribuinte que complementasse a instrução processual com a apresentação dos seguintes documentos: 1. Livro Registro de Empregados; 2. Livro Diário e Livro Razão ou Livro Caixa e Livro Registro de Inventário, relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005, nos quais deverá estar registrada toda a sua movimentação financeira e bancária, de acordo com o que dispõe o parágrafo 1 0 do art. 7 0 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores; 3. Original e cópia legível do comprovante de entrega da Relação Anual de Informações Sociais — RAIS e seus respectivos formulários relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005; 4. Recibos de pagamento da segurada Maria Antonia Goularte Silva referentes às competências 10/2004 a 01/2005, devidamente assinados, nos quais conste, discriminadamente, o valor do saláriomaternidade e o saláriofamília; 5. Original e cópia legível da folha de pagamento das competências 10/2004 a 01/2005 dos contribuintes individuais; elaboradas na forma preceituada no Regulamento da Previdência Social — Decreto 3048/99 art. 225, parágrafo 9°; 6. Documentação, abaixo relacionada, dos dependentes da segurada empregada Maria Antonia Goularte Silva (2 cotas) para percepção do salário família: cópia da certidão de nascimento; atestado de vacinação anual para crianças de até 6 anos de idade; comprovação semestral de freqüência escolar (ano 2004 e 2005) para crianças a partir de 7 anos de idade; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 178 3 7. Declaração, sob as penas da lei, de que a solicitante não compensou em subseqüentes, nem requereu restituição em outro processo dos valores pleiteados em reembolso objeto do presente expediente; 8. Requerimento de Reembolso — RR, no qual constem as competências, objeto da solicitação, com a discriminação dos valores nos campos 16 a 19; O contribuinte, cientificado da Intimação por via postal, mediante Aviso de Recebimento — AR, recebido em 20/11/2009, não apresentou a documentação solicitada. A decisão da Unidade Local da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte indeferiu o pedido de reembolso, conforme o Despacho Decisório DRF/POA n° 008/2010, de 12/01/2010, às fls. 69 a 70, com o fundamento em que a documentação apresentada pelo Contribuinte não atende aos requisitos do reembolso em questão. A partir da intimação do DespachoDecisório em 13/01/2010, às fls. 73, a Recorrente atravessou Manifestação de Inconformidade, às fls. 75 com Anexo às fls. 76 a 109, tempestivamente em 12/02/2010, noticiando ter enviado novas GFIP para as competências 10/2004 a 01/2005, contendo as informações dos valores de saláriomaternidade e salário família. Requer, assim, "demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento", o reembolso dos valores pleiteados. Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, emitiu o Acórdão nº 0616.670, às fls. 111 a 114, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 20/01/2005 REEMBOLSO. AUSÊNCIA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. Cabe A empresa apresentar os documentos comprobatórios do direito credit6rio pleiteado, conforme especificado na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientifiquese o interessado, ressalvandolhe o direito A interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, às fls. 114, mostrou que o Recorrente , embora intimado a apresentar documentos e esclarecimentos necessários à análise do Requerimento de Reembolso, não atendeu à exigência. Nenhum documento foi apresentado no prazo estabelecido na Intimação, às fls. 65 a67. Por outro lado, foram juntadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade somente as GFIPs, às fls. 79 a 109: Concluise, assim, que a decisão questionada não merece reparo, visto que o indeferimento em apreço foi motivado pela apresentação deficiente da documentação necessária à análise da pertinência ou não do direito credit6rio requerido. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, na qual alega em síntese que: (i) apresenta os documentos comprobatórios exigidos nas folhas 113 e 114 da intimação ARF/SJO/261/2010, dentre outros a carteira de vacinação, certidão de nascimento dos dependentes, folha de pagamento do salário maternidade. (ii) Por fim seja acolhido a manifestação, de ser decidido e obter o reembolso do salário família e salário maternidade questionados. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 144. Esta Colenda Turma de Julgamento do CARF decidiu por baixar os autos em Diligência, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a Unidade Local de jurisdição da Receita Federal do Brasil informe se o Recorrente, com os documentos acostados aos autos, às fl. 120 a 143, atende ao rol de documentos e informações requeridas às fls. 65 a 67, bem como se o Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005 preenche as condições para o reembolso requerido. Em resposta à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal assim se pronunciou: 1) Em relação aos documentos relacionados, constatouse a apresentação dos recibos de pagamentos referentes às competências 10/2004 a 01/2005. Também houve a apresentação de documentos referentes a uma cota de salário família (dependente Juliana Goularte da Silva – atestado de vacinação). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 179 5 2) A empresa efetuou a retificação das GFIP referentes às competências 10/2004 a 01/2005, sem informação de pagamento de saláriofamília. 3) Cabe ressaltar que a solicitação de reembolso, constante neste expediente, limitouse a requerer o valor de R$ 1.580,23 relativo ao período de 01/10/2004 a 20/01/2005, sem discriminar os valores por competência conforme previsto na legislação que rege a matéria.(fl 01). 4) A partir dos documentos apresentados, da retificação das GFIP e da aceitação do pedido englobado e não por competência, o reembolso pode ocorrer conforme abaixo descrito: Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 144. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, apresentado contra Acórdão nº 1027.407 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, fls. 111 a 114, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A questão central é o de tratarse de Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005, às fls. 01. Às fls. 65 a 67, temse a Intimação DRF/POA/SEORT/PREV nº 3425/2009, solicitando ao contribuinte que complementasse a instrução processual com a apresentação dos seguintes documentos, com fulcro nos arts. 212, 213 e 214 da Instrução Normativa SRP 03/2005: 1. Livro Registro de Empregados; 2. Livro Diário e Livro Razão ou Livro Caixa e Livro Registro de Inventário, relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005, nos quais deverá estar registrada toda a sua movimentação Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 180 7 financeira e bancária, de acordo com o que dispõe o parágrafo 1 0 do art. 7 0 da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores; 3. Original e cópia legível do comprovante de entrega da Relação Anual de Informações Sociais — RAIS e seus respectivos formulários relativos aos exercícios fiscais de 2004 e 2005; 4. Recibos de pagamento da segurada Maria Antonia Goularte Silva referentes às competências 10/2004 a 01/2005, devidamente assinados, nos quais conste, discriminadamente, o valor do saláriomaternidade e o saláriofamília; 5. Original e cópia legível da folha de pagamento das competências 10/2004 a 01/2005 dos contribuintes individuais; elaboradas na forma preceituada no Regulamento da Previdência Social — Decreto 3048/99 art. 225, parágrafo 9°; 6. Documentação, abaixo relacionada, dos dependentes da segurada empregada Maria Antonia Goularte Silva (2 cotas) para percepção do salário família: cópia da certidão de nascimento; atestado de vacinação anual para crianças de até 6 anos de idade; comprovação semestral de freqüência escolar (ano 2004 e 2005) para crianças a partir de 7 anos de idade; 7. Declaração, sob as penas da lei, de que a solicitante não compensou em subseqüentes, nem requereu restituição em outro processo dos valores pleiteados em reembolso objeto do presente expediente; 8. Requerimento de Reembolso — RR, no qual constem as competências, objeto da solicitação, com a discriminação dos valores nos campos 16 a 19; No entanto, após o Recorrente não apresentar tal documentação solicitada, houve a decisão de primeira instância que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Recorrente. A seguir, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 119, com Anexo às fls. 120 a 143, toda a linha de argumentação do Recorrente está centrado no fato de ter apresentado os documentos anteriormente solicitados: (i) apresenta os documentos comprobatórios exigidos nas folhas 113 e 114 da intimação ARF/SJO/261/2010, dentre outros a carteira de vacinação, certidão de nascimento dos dependentes, folha de pagamento do salário maternidade. Em que pese esta apresentação de documentos não ter sido efetivada em sede de Manifestação de Inconformidade, às fls. 75 com Anexo às fls. 76 a 109, a mesma deve ser Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 debatida em sede de Recurso Voluntário pois o princípio da verdade material, no presente caso concreto, deve prevalecer sobre um formalismo processual administrativofiscal. Esta Colenda Turma de Julgamento do CARF decidiu por baixar os autos em Diligência, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a Unidade Local de jurisdição da Receita Federal do Brasil informe se o Recorrente, com os documentos acostados aos autos, às fl. 120 a 143, atende ao rol de documentos e informações requeridas às fls. 65 a 67, bem como se o Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família referente às competências de 10/2004 a 01/2005 preenche as condições para o reembolso requerido. Ora, o Reembolso de cotas de saláriofamília e saláriomaternidade estava previsto nos art. 212 a 214 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, conforme a redação à época dos fatos geradores: Art. 212. Reembolso é o procedimento pelo qual a SRP ressarce a empresa ou o equiparado de valores de cotas de salário família e saláriomaternidade pagos a segurados a seu serviço, observado quanto ao saláriomaternidade, o período anterior a 29 de novembro de 1999 e os benefícios requeridos a partir de 1º de setembro de 2003. § 1º O reembolso poderá ser efetuado mediante dedução no ato do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes ao mês de pagamento do benefício ao segurado, observado, quanto ao valor do saláriomaternidade, o disposto na Instrução Normativa que estabelece os procedimentos aplicáveis à área de Benefícios do INSS. § 2º Quando o valor a deduzir for superior às contribuições sociais previdenciárias devidas para o mês do pagamento do benefício ao segurado, o sujeito passivo poderá deduzir o saldo a seu favor no recolhimento das contribuições dos meses subseqüentes, sem o limite estabelecido no art. 194, observando as disposições dos arts. 193 e 221, ou poderá requerer o seu reembolso à SRP. § 3º Caso o sujeito passivo não efetue a dedução na época própria, essas importâncias poderão ser compensadas, sem o limite estabelecido no art. 194, observando as disposições dos arts. 193 e 221, ou serem objeto de requerimento de restituição. § 4º A valor das cotas de saláriofamília ou das parcelas de saláriomaternidade só poderá ser deduzido das contribuições devidas à Previdência Social, sendo vedada a dedução das contribuições arrecadadas pela SRP para outras entidades ou fundos. Seção Única Pedido de Reembolso Art. 213. O pedido será formalizado com a protocolização de requerimento em qualquer UARP da DRP da circunscrição do estabelecimento centralizador da empresa ou, quando estiver disponível, via Internet. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 181 9 Subseção Única Instrução do Processo Art. 214. Os documentos necessários à instrução do processo são os seguintes: I Requerimento de Reembolso RR, em duas vias, conforme modelo constante do Anexo X, disponível na página da Previdência Social, no endereço www.previdencia.gov.br, ou em documento diverso, desde que o requerimento contenha todas as informações exigidas no respectivo formulário; II original e cópia do contrato social e última alteração contratual que identifique os responsáveis pela administração ou pela gerência da sociedade, ou estatuto social e ata em que conste a atual diretoria da sociedade ou associação, ou o registro de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), conforme o caso; III procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, com poderes específicos para representar o requerente, se for o caso; IV GFIP das duas competências anteriores à data do protocolo do requerimento, caso as mesmas estejam incluídas no pedido. § 1º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de cotas de saláriofamília, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriofamília; II a cópia da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado a filho; III atestado de vacinação anual para crianças de até seis anos de idade; IV comprovação semestral de freqüência escolar a partir dos sete anos de idade. § 2º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de valor correspondente a salário maternidade, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriomaternidade; II o original e a cópia de atestado médico; ou III o original e a cópia da certidão de nascimento. § 3º Quando o pedido de reembolso se referir a saláriofamília e a saláriomaternidade, num mesmo requerimento, o processo deve ser instruído com os documentos citados nos §§ 1º e 2º deste artigo. (Incluído pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Nesta sentido, em resposta à Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal assim se pronunciou favoravelmente ao reembolso parcial: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 1) Em relação aos documentos relacionados, constatouse a apresentação dos recibos de pagamentos referentes às competências 10/2004 a 01/2005. Também houve a apresentação de documentos referentes a uma cota de salário família (dependente Juliana Goularte da Silva – atestado de vacinação). 2) A empresa efetuou a retificação das GFIP referentes às competências 10/2004 a 01/2005, sem informação de pagamento de saláriofamília. 3) Cabe ressaltar que a solicitação de reembolso, constante neste expediente, limitouse a requerer o valor de R$ 1.580,23 relativo ao período de 01/10/2004 a 20/01/2005, sem discriminar os valores por competência conforme previsto na legislação que rege a matéria.(fl 01). 4) A partir dos documentos apresentados, da retificação das GFIP e da aceitação do pedido englobado e não por competência, o reembolso pode ocorrer conforme abaixo descrito: Considerandose o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família solicitado pelo contribuinte no valor de R$ 1.580,23, referente às competências de 10/2004 a 01/2005, a AuditoriaFiscal concluiu pelo deferimento parcial no valor de R$ 1.428,00. Ora, posto que a matéria controvertida nos autos foi completamente esclarecida pela Diligência Fiscal, haja vista o exame da prova documental acostada aos autos, o meu entendimento é o de acompanhar a conclusão da AuditoriaFiscal pois verificados os requisitos emanados para o Reembolso de cotas de saláriofamília e saláriomaternidade conforme o previsto nos art. 212 a 214 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, na legislação à época dos fatos geradores. Portanto, prospera parcialmente a argumentação da Recorrente no sentido de se deferir o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família no valor de R$ 1.428,00. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35287.000416/200566 Acórdão n.º 2403002.756 S2C4T3 Fl. 182 11 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para se deferir o valor do Requerimento de Reembolso RR de Salário Maternidade e Salário Família no valor de R$ 1.428,00, conforme o deferido pela AuditoriaFiscal em procedimento de Diligência Fiscal. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10840.003043/2002-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada ad hoc.
EDITADO EM: 09/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada ad hoc. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada ad hoc. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 04 3/ 20 02 -8 9 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 291 ___________ Relatório O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/Ribeirão Preto nº 1419.876, de 30 de julho de 2008, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o r. Despacho Decisório da DRF de Ribeirão Preto, que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI (fls. 01), bem como a compensação a ele vinculada (fls. 02). O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comercial exportadoras desde que comprovado o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho alegando, em síntese, que competia à administração comprovar que as exportações não foram efetuadas, tendo em vista que foram apresentados à SRF o Demonstrativo de Exportação (cópia juntada às fls. 177 a 241. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10840.003043/200289 Resolução nº 3101000.158 S3C1T1 Fl. 292 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 289, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.158, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. O indeferimento do pleito pela DRJ teve por fundamento a falta de comprovação de que as exportações efetuadas pela Recorrente atenderam às condições de vendas com o fim específico de exportação. Merece transcrição o seguinte excerto da decisão recorrida: "Portanto, entendo que devem ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de serem favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei 1112 1.248/72, desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação. Este entendimento já vem sendo adotado por esta Turma de Julgamento há algum tempo, o que inclusive foi alegado pela manifestante. No entanto, outra questão também já foi pacificada: a que diz respeito ao ônus da prova em pedidos administrativos. (...) Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. Tal circunstância não restou comprovada, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente." Já em seu recurso voluntário a contribuinte alega que as exportações foram efetuadas e que não foi observado o princípio da verdade material, pois não houve qualquer discussão quanto à efetiva realização das exportações. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10840.003043/200289 Resolução nº 3101000.158 S3C1T1 Fl. 293 4 Embora o caso seja de reconhecimento de direito creditório, cujo ônus da prova compete ao contribuinte, como bem asseverou a DRJ, entendo que deva ser dada uma oportunidade à contribuinte, que afirma que as exportações foram realizadas nos termos da legislação. Por isso, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que seja aferido, pela fiscalização, o cumprimento dos requisitos do art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, ou seja, se as exportações efetuadas pela contribuinte atendem às condições de vendas com o fim específico de exportação. Nestes termos, o colegiado converteu o julgamento em diligência. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.017221/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL.
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 72 21 /2 00 8- 17 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 167 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/FOR (Fls. 85), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza de Pessoa Física – IRPF relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, por meio da qual houve ajuste do saldo do imposto a pagar declarado de R$ 4.514,12 para saldo de imposto a pagar apurado no valor de R$ 14.557,98, o que resultou em um imposto suplementar de R$ 10.043,86. Esse valor foi acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo totalizado R$ 21.264,85. Conforme consta na Notificação de Lançamento, apesar de regularmente intimada, a contribuinte não atendeu a intimação, motivo pelo qual foram glosados os seguinte valores: R$ 1.272,00, deduzido a título de dependente; R$ 21.445,40, deduzido a título de despesas médicas; R$ 13.805,71, deduzido a título de Previdência Privada/FAPI. A ciência da Notificação de Lançamento se deu por edital, no dia 26/05/2008, tendo em vista a tentativa improfícua da intimação pelos Correios. Em 21/10/2008, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Somente teve ciência da existência da Notificação de Lançamento, bem como de que os Correios não teriam localizado o seu endereço residencial, quando necessitou de uma Certidão Negativa de Débito – CND e não foi possível emitila. Constatou, então, que o número do seu endereço informado na sua Declaração de Ajuste Anual estava errado, constava 1220, quando o correto é 1222. Tal fato explica por que ela deixou de apresentar em tempo hábil as comprovações solicitadas. Convencida de que as declarações estavam corretas, não tomou ciência também do edital que a convocou para prestar esclarecimentos. Identificou também que se equivocou ao informar o dia 26/06/1971 como data de nascimento de sua mãe, quando o correto é 26/06/1917; Pede que seja recebido o seu requerimento para que sejam efetuadas as retificações cabíveis: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 168 3 a) sejam completamente consideradas as deduções com dependente, despesas médicas e Previdência Privada e FAPI, todas amparadas nos documentos que junta; b) dispensa da multa de ofício e dos juros de mora, por não ter havido dolo ou máfé. A contribuinte pede prioridade de atendimento com base no Estatuto do Idoso. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem não conhecer a impugnação por intempestiva, em decisão que restou assim ementada: ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação com argumento em prol da sua tempestividade não acatado pela autoridade julgadora não instaura o contencioso administrativo com respeito às demais questões, uma vez que deixa de ser atendido requisito essencial para a sua admissibilidade. Cientificada em 03/05/2012 (Fls. 94), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 30/05/2012 (fls. 96 a 117), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e acrescentando em síntese: (...) 3. DO DIREITO. 3.1 Mister se faz rebater especificamente as infrações apontadas pelo Fiscal de forma a comprovar a insubsistência do lançamento de ofício: • Dedução Indevida de Dependente; • Dedução Indevida de Despesas Médicas; • Dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI. (...) 3.4 Oportuno destacar o EQUÍVOCO DO FISCAL em face de ter glosado o valor R$ 1.272,00 com dependentes, tendo em vista que a Lei nº 9.250/95 (redação vigente em 2004) considera como despesa dedutível com lei. jente o valor de R$ 1.080,00 por cada dependente. 3.5 No presente caso, temse que a mãe da Recorrente era dependente da mesma. A Sra. Alba Monteiro Vieira Lima, nascida em 26/06/1917 (documento de identidade já anexado nos autos), faleceu com 87 anos em 19/07/2004 (certidão de óbito já anexada aos autos) de insuficiência de múltiplos órgãos, insuficiência respiratória, câncer de pulmão e infecção sistêmica. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 169 4 3.6 Oportuno destacar que não obstante a Recorrente ter informando em sua Declaração de Rendimentos do ano calendário de 2004 que a data do nascimento de sua mãe era 26/06/1971; é fato inconteste que sua mãe nascera no ano de 1917. Verificase claramente que o equívoco de digitação da Recorrente não tem o condão de se sobrepor à realidade, até porque a Recorrente nasceu em 24/10/1947 e jamais poderia ter uma mãe natural nascida em 1971. (...) 3.10 Observase que a Sra. Alba Monteiro Vieira Lima que em 2004 tinha 87 anos, acometida com câncer de pulmão, não auferia nenhum tipo de rendimento. 3.11 Assim, constatase que o EQUÍVOCO DO FISCAL em ter glosado o valor R$ 1.272,00 a título de dependentes, quando deveria ter glosado somente o excedente ao valor de R$ 1.080,00, isto é, o valor de R$ 192,00, não merece ser mantido. 3.12 Diante da comprovação da glosa indevida, requer que seja considera como despesa dedutível com dependente o valor de R$ 1.080,00. (...) 3.15 Analisando a Declaração de Rendimentos, denota se que no quadro de Pagamentos e Doações Efetuados, consta entre outros, os pagamentos efetuados em 2004 aos médicos, efetuados, no anocalendário, a médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, detalhando especificamente o código, o nome do beneficiário, o CPF e o CNPJ e o valor pago,(...) (...) 3.17 Oportuno destacar que as despesas acima lançadas •»elo contribuinte tiveram a identificação com o respectivo CPF e CNPJ dos profissionais médicos e hospitais, motivo pelo qual poderia ter a Receita Federal facilmente detectado nas Declarações de Rendimentos ou DIPJ dos beneficiários os valores relativos às deduções da Recorrente. (...) 3.25 Oportuno destacar que a Recorrente comprova os pagamentos efetuados para a Previdência Privada, CAPEF Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (documento em anexo), observando o limite a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do impcfèto devido na declaração de rendimentos. (...) 3.27 Não obstante o valor de R$ 19.006,17, verificase claramente que a Recorrente observou o percentual de 12% Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 170 5 (doze por cento) do total dos rendimentos R$ 115.047,60, resultando no valor de R$ 13.805,71, consoante declarado no código 13 nos Pagamentos e Doações Efetuados em sua Declaração de Rendimentos, anocalendário de 2004. 3.28 Ressaltase ainda que o código 13 no ano de 2004 é atribuído às contribuições a entidades de previdência privada e o código 14 para as contribuições a FAPI. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Inicialmente, passo a analisar as condições de admissibilidade do recurso interposto. A ciência da Notificação de Lançamento se deu por edital, no dia 26/05/2008, tendo em vista a tentativa improfícua da intimação pelos Correios. Em 21/10/2008, a contribuinte apresentou impugnação. De pronto a DRJ julgou a impugnação intempestiva. A recorrente, por sua vez, apresentou recurso voluntário, onde somente reitera as alegações da impugnação, a qual sequer foi apreciada no julgamento de primeira instância, dada a sua reconhecida intempestividade. Com efeito, convém reproduzir a norma que aborda a matéria questionada pelo recorrente, o art. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade, o que não ocorre no caso em análise. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 171 6 Da mesma forma entendeu o Superior Tribunal de Justiça – STJ ao julgar, em 05 de abril de 2011, o Resp 1240018 – SC, de relatoria do Ministro Humberto Martins no tocante a questão de nuance idêntica. “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.A RTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. 2. O tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. 3. Depreendese da interpretação dos art. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio caso próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso Especial Improvido.” Dessa forma, dada a jurisprudência pacífica, tanto no conselho quanto no STJ, entendo ter sido correta a decisão recorrida, que não conheceu a impugnação, posto que, de fato, o litígio administrativo só se instaura com a impugnação apresentada tempestivamente. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10380.017221/200817 Acórdão n.º 2801003.867 S2TE01 Fl. 172 7 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 10976.000184/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Correto o lançamento para constituição de crédito tributário com base na diferença entre os valores escriturados e os declarados ao Fisco Federal, estes em montantes muito inferiores àqueles.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA.
Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, que desqualificava a multa de ofício. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Leonardo Mendonça Marques.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o lançamento para constituição de crédito tributário com base na diferença entre os valores escriturados e os declarados ao Fisco Federal, estes em montantes muito inferiores àqueles. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO COM VALORES MUITO MENORES. CONDUTA SISTEMÁTICA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, na situação em que o contribuinte entregou declaração (DSPJ) com valores de receita bruta muito menores do que aquelas efetivamente auferidas em todos os meses do ano, de forma sistemática, o que leva à conclusão do intuito doloso de ocultar da autoridade fazendária o conhecimento dos fatos geradores tributários. O procedimento fiscal se baseou em prova direta de omissão de receitas, não se cuidando, no caso em tela, de presunção legal. Caracterização da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 84 /2 00 8- 08 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 312 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo, que desqualificava a multa de ofício. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório EMBRATELAS EMPRESA BRASILEIRA DE TELAS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0219.168, de 18/09/2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito (grifos no original). I DA AUTUAÇÃO Contra a sociedade acima qualificada foi lavrado auto de infração para exigência do Irnposto de Renda Pessoa Juridica Simples. Em decorrência deste, foram também lavrados autos de infração para exigência da contribuição para o Programa de Integração Social Simples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples, do hnposto sobre Produtos Industrializados Simples, e da Contribuição para Seguridade Social INSS Simples, todos referentes aos períodos apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2004. O total do crédito tributário constituído é de R$ 1.054.716,65, (um milhão, cinqüenta e quatro mil, setecentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos), Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 313 3 incluídos o principal, multas e juros de mora, estes calculados até 30/06/2008. Os valores apurados encontramse discriminados a seguir. [quadro à fl. 251] De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 80/85), constatouse que, por ser contribuinte do IPI, a sociedade está sujeita ao recolhimento do Simples com percentuais acrescidos de meio ponto. No desenvolvimento dos trabalhos, foi apurada diferença de base de cálculo em razão de divergências entre os valores informados como receita de vendas na Declaração Anual Simplificada e os valores consignados nos Livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS e, subsidiariamente, no Livro Caixa. Apurouse, ainda, insuficiência de recolhimento, uma vez que, embora tenha declarado parcialmente suas receitas conforme já explicitado , a fiscalizada não recolheu integralmente os valores devidos em relação às receitas declaradas. No referido Termo de Verificação Fiscal, consta minuciosamente explicitada a descrição dos fatos, e nos autos de infração de fls. 03/77, foi demonstrada a insuficiência do pagamento do Simples e detalhada a metodologia de cálculo dos impostos e das contribuições devidas, além da fundamentação legal das exigências. Em relação à insuficiência de recolhimento, foi aplicada multa de 75%, e com referência à diferença de base de cálculo, a aplicação da multa de oñcio de 150% se deu, nos termos do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, para os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, em razão de a fiscalizada ter prestado, durante todo o anocalendário de 2004, declaração sabidamente falsa à autoridade fazendária, com a intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. II DA IMPUGNAÇÃO 1. Das infrações apuradas Cientificada dos autos de infração e do Tenno de Verificação Fiscal em 11 de julho de 2008 (fls. 23, 33, 43, 54, 63, 74, 78 e 85), a interessada apresentou, em 7 de agosto de 2008, manifestação de inconformidade (doc. de fls. 201/221), com as seguintes alegações. O lançamento está fundamentado unicamente na falsidade dos dados constantes da declaração anual simplificada e na conseqüente sonegação de dados e do pagamento dos tributos devidos em razão do confronto com os livros fiscais da empresa, “o que culminou com o entendimento de que a prática teve cunho doloso”. Entretanto, tal acusação não corresponde à realidade dos fatos, pois tais dados conferem com o faturamento da empresa e com os valores escriturados nos livros de Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS. “A única divergência apresentada e que não diz respeito à sonegação de dados, diz respeito ao fato de, na declaração do Demonstrativo Geral da Receita Bruta ocorreu um equívoco, sendo os valores informados apenas com base nos recolhimentos efetuados ”. A sociedade alega estar passando por “sérias dificuldades financeiras em razão da própria conjuntura do mercado e da economia do País naquela época, Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 314 4 quando não conseguiu recolher os tributos na forma devida”, o que não pode levar à conclusão de que o recolhimento a menor implicaria sonegação de dados ou apresentação de declaração falsa, nem que foi dolosa a conduta da interessada, uma vez que “todos os dados relativos ao faturamento da empresa estão inseridos na declaração de IR apresentada no momento próprio determinado pela legislação”, e que “os valores apurados na autuação foram encontrados nos livros fiscais da empresa”, e estão “devidamente lançados na declaraçao do Imposto de Renda apresentada em 31/05/2005, recibo 09.43.57.67.3415, ou seja, os dados sempre estiveram à disposição do fisco, bastando que ele, por simples conta matemática lançasse a diferença e iniciasse a sua cobrança nos moldes determinados pela legislação”. Lembra que todos os documentos utilizados na autuação foram fornecidos pelo contribuinte, que não criou nenhum empecilho à fiscalização. Dessa forma, a irregularidade poderia, quando muito, ser considerada evasão fiscal, por não ter havido caracterização de dolo nem de fraude. Para que ficasse caracterizado o dolo, seria indispensável a comprovação do elemento subjetivo, ou seja, a intenção de adulterar os dados infonnados ao Fisco, prova que inexiste nos autos. Como o dolo e a fraude não podem ser presumidos, seria descabida a qualificação da penalidade de oficio. Acrescenta que pelo fato de toda a acusação se fundar no campo da suposição, a solução deve ser a mais favorável ao acusado, nos termos do art. 112, II, do CTN. Argumenta que a palavra dolo foi utilizada impropriamente na tipificação adotada pelo Fisco, e que, além de não ter ficado caracterizada a intenção, também não foi evidenciado o objetivo da fraude. Entende que a norma legal deve ser interpretada de fonna restritiva e aplicada somente nos casos em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente, porquanto o simples retardamento ou redução do imposto a pagar, por si só, não corresponde à hipótese legal. Cita e transcreve jurisprudência administrativa. Conclui que, por não ser possível alterar a tipificação da infração após a lavratura da autuação fiscal, a multa deve ser excluída do auto de infração, por falta de amparo legal. 2. Dos juros cobrados Relata que a grave situação econômica pela qual o país passa fez com que, nos últimos anos, o comércio e a representação comercial perdessem quase a totalidade do seu mercado de trabalho, e que é descabida a cobrança de juros com base na taxa Selic, porquanto não se trata de “indenização da União pelo pagamento intempestivo de tributos, mas hedionda remuneração dos cofres públicos”. Entende que os juros de mora não podem remunerar os cofres públicos, mas tãosomente indenizálos por prejuízos advindos por pagamentos extemporâneos. Cita e comenta doutrina e jurisprudência. Acrescenta que, mesmo considerada como taxa de juros, a taxa Selic permanecerá na ilegalidade, já que o art. 192, § 3° da Constituição Federal dispõe que as taxas de juros não ultrapassarão doze por cento ao ano, e o Código Tributário Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 315 5 Nacional, em seu art. 161, § 1°, veda a cobrança de juros superior a 1% ao ano. Ressalta que não basta a indicação, em lei ordinária, da forma de cálculo, mas que a mesma esteja prevista em lei. 3. Da multa qualificada Questiona a cobrança de multa de 150% sobre o valor da base de cálculo do tributo não recolhido em tempo hábil, por considerála ilegal e inconstitucional, ao afrontar os princípios da vedação ao confisco (art. 150, IV, da CF/88), da legalidade do ato administrativo (art. 37, caput, da CF/88), com desvio de finalidade da multa e abuso de poder. Acrescenta que a multa confiscatória ofende a livre iniciativa e a atividade da empresa, por cercearlhe o direito de exercêlas (arts. 5°, XIII e 17°, caput, ambos da CF/88). Cita e comenta jurisprudência judicial. 4. Do Pedido Requer que se declare inexistente o débito ora cobrado, inclusive no que diz respeito à multa de 150%, e que seja declarada inconstitucional a aplicação da taxa Selic, reduzindose o percentual aplicado para 1% ao mês, bem como a redução das multas aplicadas. [...] A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0219.168, de 08/09/2008 (fls. 249/259), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. A constatação de diferença entre a receita bruta informada na declaração simplificada e a receita de vendas consignada nos livros ficais autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 316 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados à constitucionalidade ou à legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. LEGISLAÇÃO TR1BUTÁR1A A doutrina e a jurisprudência, por via de regra, não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração federal. Ciente da decisão de primeira instância em 29/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 260, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 278. No recurso interposto (fls. 278/297), após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada combate o entendimento de que teria apresentado declaração falsa à autoridade fazendária. Sustenta que sequer teria sido examinada sua argumentação no sentido de que a ficha 04, anexa à declaração de rendimentos, conteria valores exatamente iguais aos apurados pelo Fisco. Ademais, tais valores seriam rigorosamente iguais àqueles encontrados em seus livros fiscais. Com isso, entende demonstrado que não existe declaração falsa, mas tão somente divergência no Demonstrativo Geral de Receita Bruta, preenchido com base nos recolhimentos efetuados. Tal fato não constituiria sonegação. A recorrente retoma a argumentação trazida em sede de impugnação, no sentido da inexistência de ato doloso de sua parte. Colaciona jurisprudência administrativa que entende aplicável. Conclui com pedido de cancelamento da multa de ofício, por falta de amparo legal. Na sequência, a recorrente repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, seus argumentos acerca da impossibilidade da cobrança de juros com base na taxa SELIC e sobre o caráter confiscatório da multa de 150%. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Cumpre examinar, inicialmente, a reclamação da recorrente de que sequer teria sido apreciado seu argumento de impugnação, “no sentido de que a ficha 04, anexa à Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 317 7 declaração do Imposto de Renda da Recorrente contém os valores exatamente iguais aos apurados pelo fisco”. Do exame dos autos, constato que a queixa não procede. A uma, porque a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou, sim, esse argumento, e concluiu que “em nenhuma das fichas da declaração simplificada a impugnante informou os mesmos valores consignados como receita nos livros fiscais” (fl. 255). O zelo do relator chegou ao ponto de elaborar tabela na qual faz a comparação, mês a mês, e por total anual, entre a receita bruta informada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e aquela escriturada nos livros fiscais, calculando ainda o percentual da primeira em relação à segunda. A tabela, à fl. 255, é abaixo reproduzida. DIFERENÇAS ENTRE AS INFORMAÇÕES PRESTADAS (EM REAIS) RECEITA BRUTA INFORMADA NA DSPJ RECEITA DE VENDAS INFORMADA NOS LIVROS FISCAIS PERCENTUAL MÊS A B C = A / B JAN 35.800,00 224.852,41 15,9% FEV 65.250,00 193.915,85 33,6% MAR 60.118,00 270.322,01 22,2% ABR 58.150,00 267.959,92 21,7% MAI 51.250,00 330.203,85 15,5% JUN 58.402,24 332.293,41 17,6% JUL 57.330,65 389.786,00 14,7% AGO 62.420,00 325.880,26 19,2% SET 58.050,00 464.093,98 12,5% OUT 55.504,00 384.738,73 14,4% NOV 56.140,00 384.353,45 14,6% DEZ 71.250,00 457.116,80 15,6% TOTAL 689.664,89 4.025.516,67 17,1% A duas, porque o exame dos documentos acostados aos autos conduz à mesma conclusão. Às fls. 107 e segs. se encontra cópia da DSPJ apresentada à Administração Fazendária pela interessada. De especial interesse, a ficha 04A – Demonstração das Receitas e Simples a Pagar, às fls. 109/120, apresenta os mesmos valores de receita bruta mensal da coluna A da tabela acima, totalizando no ano R$ 689.664,89. Por outro lado, o Fisco teve o cuidado de relacionar, mês a mês, as receitas escrituradas no Livro Registro de Saídas (tabela 01, fl. 125), no Livro de Registro de Apuração do ICMS (tabela 02, fl. 127) e no Livro Caixa (tabela 03, fl. 129), com valores idênticos entre si e coincidentes com aqueles da coluna B da tabela acima. Em nenhum O lançamento foi feito pela diferença entre os valores escriturados e os declarados (tabela 05, fl. 131), pelo que o argumento da recorrente se mostra claramente protelatório e deve ser rejeitado. Na verdade, o acima exposto se volta contra a recorrente. Resta evidenciado que a interessada auferiu receitas em montantes muito superiores àqueles declarados ao Fisco Federal. Em média, as receitas declaradas constituíram meros 17,1% das receitas auferidas (R$ 689.664,89 contra R$ 4.025.516,67), e as diferenças se verificaram em todos os meses do ano, de modo sistemático, oscilando entre um mínimo de 12,5% e um máximo de 33,6%. Não se trata de presunção de omissão de receitas, mas de prova direta, extraída das notas fiscais e dos Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 318 8 livros fiscais da recorrente, corretamente declarada ao Fisco Estadual, mas declarada em valores muito inferiores ao Fisco Federal. Ao efetuar o lançamento, o Fisco qualificou a multa, por entender presente o intuito doloso de sonegar, a teor do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Eis como foi justificada a qualificação da multa (Termo de Verificação Fiscal, fl. 85): Em síntese, portanto, ficou sobejamente demonstrado que a fiscalizada emitiu as notas fiscais de saída, escriturouas no livro adequado (LRS), apurou os valores totais das receitas de vendas quando da escrituração do Livro de Registro de Apuração do ICMS e, apesar de tudo, sistematicamente ao longo de todo o ano de 2004 recolheu os valores devidos aos cofres públicos em montantes muito inferiores aos que sabia serem os corretos. Salientese, por fim, que quando da apresentação da Declaração Anual Simplificada em 31/05/2005, fl. 106, novamente a fiscalizada incidiu em conduta não condizente com a correção exigida, uma vez que prestou declaração sabidamente falsa à autoridade fazendária, com intenção, segundo entendimento desta fiscalização, que não poderia ser outra senão eximirse parcialmente do pagamento de tributos. [...] A prática sistemática, adotada por meses consecutivos, de recolher valores a menor, muito embora com perfeito conhecimento dos montantes corretos, para finalmente apresentar declaração igualmente a menor, e portanto falsa, formam o elemento subjetivo da conduta dolosa, subsumindose perfeitamente ao tipo previsto para a sonegação. O dolo, no caso, deve ser extraído da situação concreta e da conduta da interessada à época dos fatos geradores. A repetição, mês a mês, do pagamento de valores muito inferiores aos sabidamente devidos afasta completamente a possibilidade de erro involuntário. A apresentação, ao final do exercício, de declaração à Administração Fazendária contendo valores compatíveis com aqueles recolhidos, revela a intenção de impedir ou, ao menos, dificultar que aquela autoridade tomasse conhecimento dos fatos geradores tributários em sua verdadeira grandeza e valores. Para esse fim, considero irrelevante que a escrituração contivesse os valores corretos das receitas auferidas, visto que isso somente estaria ao alcance dos olhos do Fisco na hipótese de fiscalização, o que afinal veio a ocorrer, certamente para desgosto da contribuinte. Foi nessa linha de raciocínio que o julgador em primeira instância manteve a multa qualificada, o que também aqui faço, negando provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10976.000184/200808 Acórdão n.º 1302001.604 S1C3T2 Fl. 319 9 Finalmente, a recorrente se insurge contra a cobrança de juros com base na taxa SELIC e tece considerações sobre o alegado caráter confiscatório da multa de 150%, violando garantias constitucionais. Sobre tais matérias, releva trazer à colação o teor das Súmulas CARF nº 4 e nº 02, de aplicação obrigatória por este Colegiado, diante do que maiores comentários se tornam desnecessários. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/12/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11442.000203/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 03 /2 01 0- 01 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000203/201001 Acórdão n.º 3301002.422 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.728132/2010-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS.
Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional.
Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005.
MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO.
Deve-se desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão do agravamento da multa de oficio.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005. MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO. Deve-se desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728132/201050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.593 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VITORIA S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005. MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 32 /2 01 0- 50 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão do agravamento da multa de oficio. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1530.569, fls. 441/452, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.201.9331, referente ao período de 01/2008 a 06/2009, e almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais, cuja responsabilidade de retenção e recolhimento é de responsabilidade da entidade desportiva que celebra diretamente o contrato de prestação de serviços, não declaradas em GFIP. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 88/103, o contribuinte é sociedade anônima de capital fechado que tem por objeto difundir, aprimorar e gerir atividades de futebol, conforme estatuto registrado na JUCEB. Declara também que o Vitória S.A. contém dois estabelecimentos. No 0001 (matriz) estavam alocados os empregados da antiga Sede e Diretoria e no estabelecimento 0002 (filial) estavam alocados todos os atletas, a comissão técnica e os empregados da Toca do Leão. Todos os empregados foram transferidos para o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000159, a partir de 01/07/2009, apesar da desfiliação da FBF – Federação Baiana de Futebol ter ocorrido em 19/02/2009. Portanto, afirma que o Vitória S.A. ao efetuar sua desfiliação da FBF em 19/02/2009 perdeu a condição de clube de futebol profissional passando a contribuir para a Previdência Social como empresa em geral, classificada no FPAS 566. Essa conclusão decorre do disposto no art. 257 da IN n. 971/2009 que afirma que Ocorrendo a desfiliação da respectiva federação, mesmo que temporária, deixa de ocorrer à substituição referida no art. 249, caso em que o clube de futebol profissional passará a efetuar o pagamento da contribuição patronal na forma e no prazo estabelecido para as empresas em geral, devendo a federação comunicar o fato ao CAC ou AFR jurisdicionante de sua sede. Da mesma forma seria a redação do art. 336 da IN SRP n. 03/2005. Dois são os levantamentos referentes ao presente AI. QM e QM2, que referemse às contribuições da empresa incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços na qualidade de quadro Móvel dos Jogos, relativas ao período de 01/2008 a 06/2009, não recolhidas e não declaradas em GFIP. Os valores foram apurados nos respectivos Boletins Financeiros dos jogos – borderô financeiro e estão contabilizadas pela totalização na conta 3.1.3.07.003 – Despesas com Jogos. Quadro móvel é o conjunto de profissionais diretamente envolvidos na realização do evento desportivo, compreendendo: árbitros, bandeirinhas, fiscais, delegados, arrecadadores, bilheteiros, porteiros, seguranças, observadores, maqueiros, gandulas, entre outros. Todos os fatos geradores por não terem sido declarados nas GFIP ensejaram a lavratura do AI com multa de 75% sobre o valor das contribuições apuradas e a aplicação de multa de ofício agravada em 50% apenas a partir de 12/2008, sobre o valor das contribuições Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 apuradas uma vez que intimada, a empresa não prestou todos os esclarecimentos e informações solicitadas até a data do lançamento (parágrafo 2º do art. 44). Para as competências de 01/2008 a 11/2008 aplicouse a multa de 24%. O Auditor ainda arrolou como solidário em razão da caracterização de Grupo Econômico, o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000110. Vários foram os argumentos para o fiscal caracterizar o grupo econômico, dentre eles: a) Após alteração contratual do contribuinte principal, foi promovida constituição de entidades interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas; b) O grupo utiliza alternada ou concomitantemente os mesmos empregados, os mesmos espaços, os mesmos atletas, havendo confusão patrimonial, inclusive com relação à pagamento de despesas e transferências; c) As entidades se alternam na filiação à FBF; d) Ambas possuem o mesmo endereço, na Av. Artemio Castro Valente, 1 – Canabrava – Salvador – Bahia – Toca do Leão; e) O exercício da administração pelos mesmos diretores. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa Vitória S.A. contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 346/381. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 1530.569, fls. 441/452, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. EXIGÊNCIA. NÃORECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço. O atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 4 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Incide taxa SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, as quais estão previstas na legislação específica. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA, DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS E DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. De acordo com o PAF, salvo condições ali expressas, a prova documental será apresentada na impugnação, ficando precluso o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Vitória S/A., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 462/498, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do acórdão uma vez que somente após a CBF ter regularizado os registros, substituindo a gestão e administração da prática do Futebol Profissional para o Esporte Clube Vitória, é que foi liberado o Vitória S.A., das obrigações previdenciárias de seus segurados e dela própria, que deuse apenas em 01/07/2009; 2. A autuação não é clara; 3. É necessária a realização de perícia para demonstrar que a FBF quitou as contribuições sob exigência Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 4. Impugna a contribuição a terceiros em especial SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA por não enquadrarse na área de atuação das respectivas atividades; 5. O enriquecimento ilícito do Estado; 6. A necessária análise dos princípios constitucionais para o presente caso; 7. A inaplicabilidade de juros capitalizados e a Taxa Selic Concomitante; 8. A Confiscatoriedade da multa É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fls. 460 e 462, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DE FALTA DE CLAREZA – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Uma análise superficial da autuação é suficiente para evidenciar a clareza na descrição dos fatos e nos fundamentos legais. O Auto de Infração faz expressa menção aos dispositivos legais infringidos, constantes no Relatório Fiscal. Ademais, o Relatório Fiscal consignou detalhadamente os levantamentos que compõem o processo em epígrafe, narrando as razões fáticas e legais, não vislumbrando, pois, qualquer restrição ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Portanto, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência de menção ao dispositivo legal infringido ou de clareza na descrição dos fatos. QUADRO MÓVEL – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Em que pese, para a fiscalização, a ocorrência de desfiliação por parte da empresa, tal fato é irrelevante para o deslinde da presente controvérsia eis que tal fato afeta tão somente ao recolhimento das contribuições referentes a cota patronal, conforme dispõe o § 6º do art. 22, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Portanto, quanto às demais contribuições devidas pelas associações desportivas, impõese o recolhimento na forma das empresas em geral, sendo devidas, pois, as contribuições dos segurados contribuintes individuais, a serem retidas e recolhidas pela entidade desportiva, nos termos do art. 4º, da Lei nº 10.666/03, a seguir transcrito: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O Quadro Móvel é composto por profissionais que estão diretamente envolvidos na realização do evento desportivo, a exemplo de árbitros, gandulas, porteiros, etc. Considerados contribuintes individuais, o recolhimento de suas contribuições previdenciárias, ante as peculiaridades das entidades desportivas, encontrase regulamentada no art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005, in verbis: Art. 323. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições sociais será: (...) V do contratante dos profissionais que compõem o quadro móvel do espetáculo, podendo ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Vêse, pois, que a responsabilidade pelo recolhimento está diretamente relacionado ao contratante dos serviços prestados, podendo, inclusive, ao clube de futebol profissional lhe ser imputada a responsabilidade acaso verifique que este foi o contratante direto com o contribuinte individual. No exame dos documentos da entidade desportiva, a fiscalização verificou dentre os Boletins Financeiros dos jogos, a composição do Quadro Móvel da Vitória S/A, com a discriminação dos profissionais diretamente contratados por ela, quando dos jogos em que a entidade deteve o mando de jogo. Vêse, pois, que, quando contratante direta, não há responsabilidade subsidiária, tampouco solidária dos demais entes aptos a contrair tais contratos. Uma vez contratante, a ela lhe incumbe o dever de retenção e recolhimento das contribuições dos segurados individuais, razão pela qual não há que se afastar a incidência das contribuições previdenciárias. Ademais, tendo em vista que a Federação Brasileira de Futebol não possui responsabilidade sobre o recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais diretamente contratados pela entidade desportiva, descabe o pedido de perícia formulado para tal fim. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente alega, dentre os argumentos elencados, a violação a princípios constitucionais, além da multa revestirse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 6 9 Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF 03 a SELIC é aplicável, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, foi aplicada a taxa SELIC como índice de atualização monetária, a ser cumulado com os juros de mora. Cuidamse de institutos distintos, conforme se vê acima, razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na aplicação da referida taxa em matéria tributária. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Relata a autoridade fiscal que a empresa deixou de apresentar, apesar de devidamente intimada através do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 08, de 14/06/2010, a relação de todos os contribuintes individuais que fizeram parte do quadro móvel constante dos Boletins Financeiros dos jogos emitidos pela CBF e FBF, com todas as remunerações percebidas no mês. A não apresentação dos referidos documentos foi suprida através da coleta de informações através dos Boletins Financeiros em que a entidade desportiva teve o mando de jogo nos sites da Confederação Brasileira de Futebol – CBF e Federação Baiana de Futebol – FBF. Nesse ponto, a fiscalização esclarece que as despesas contidas nos referidos Boletins Financeiros dos jogos encontramse contabilizadas pela totalização na conta 3.1.3.07.003 – Despesas com Jogos. A informação solicitada pela autoridade fiscal, então, foi verificada através do exame da contabilidade da entidade desportiva, não causando embaraço à fiscalização uma vez que foi possível mensurar a base de cálculo sem recorrer a métodos excepcionais, tais como a aferição indireta. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Vêse, pois, que não houve qualquer embaraço à fiscalização. A jurisprudência deste Conselho tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável nos casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgado os artifícios postos pelo sujeito passivo. No caso concreto, percebese das fls. 59 e seguintes do auto de infração, especificamente o TIF nº 08, fl. 69, que o contribuinte respondeu efetivamente a todos as intimações, apresentando os documentos solicitados e prestando declarações explícitas, deixando apenas de discorrer acerca de um ponto específico de uma das intimações, que não causou qualquer prejuízo ao desenrolar da fiscalização. Nesse sentido, destaco a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, à respeito do tema, in verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (CARF Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; Processo 10746.000457/200677, Acórdão 9101001.468, 1ª turma, Sessão de 16 de agosto de 2012, Relator Conselheiro José Ricardo da Silva) **************************************************** IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 MULTA. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Somente nos casos dispostos no Art. 44 da Lei 9.430/1996 é que a legislação determina o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (CARF Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, Processo n. 11080.003205/200371, Acórdão 9202001.949, 2ª Turma, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator Designado, Marcelo Oliveira) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 7 11 Em razão de todo o exposto, entendo por afastar o agravamento da multa por não atendimento à fiscalização, uma vez que a omissão de esclarecimento de um ponto específico de um termo de intimação que em nada prejudicou o lançamento, devido ao completo atendimento à fiscalização dos demais assuntos e documentos. RECÁLCULO DA MULTA Com relação à aplicação da multa, mister tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720673/2007-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
Ementa:
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS-ART. 62-A DO RICARF. O E. STF pacificou a matéria sob o entendimento de que a cessão de créditos do ICMS, provenientes de aquisições de insumos para exportações não detém natureza jurídica de faturamento. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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O E. STF pacificou a matéria sob o entendimento de que a cessão de créditos do ICMS, provenientes de aquisições de insumos para exportações não detém natureza jurídica de faturamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 06 73 /2 00 7- 42 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 104/116, admitido pelo Despacho nº 3200192 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/3ª Seção (fl. 120/122), datado de 19.12.2012, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 3202000.498 (fls. 86/102), que deu provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. O Acórdão traz a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Deve ser mantida a homologação da compensação declarada pela contribuinte quando há crédito suficiente para tanto. Recurso voluntário provido. Em seu recurso de divergência a Fazenda Nacional pleiteia a reforma do julgado por entender que tanto o PIS quanto a COFINS têm como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas, respeitadas as devidas exclusões legais. Considera que a cessão de créditos de ICMS a outras pessoas jurídicas com a finalidade de recebimentos de vantagens patrimoniais caracteriza disponibilidade financeira e patrimonial e, por se enquadrar no conceito de faturamento, deve ser incluída na base de cálculo da COFINS. Ao decidir que a cessão de créditos de ICMS não constitui receita e, portanto, encontrase fora do campo de incidência da contribuição, entendeu a recorrente que o colegiado deu interpretação equivocada ao 1º d§o art. 1º da Lei nº 10.637/2002. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 9303003.232 CSRFT3 Fl. 141 3 Na mesma toada, defende a ora recorrente que o art. 1º, §3º do referido diploma legal, não excluía, à época, as operações originadas pela cessão de direitos em troca de insumos utilizados na industrialização. Nesse sentido, o pleito é para que o Recurso Especial aviado seja reconhecido e provido no mérito, reformando o Acórdão guerreado. Contrarrazões fls. 129/132. Pleiteia o contribuinte a manutenção do decisum vergastado, sustentando que o princípio da nãocumulatividade do ICMS garante que os saldos credores que forem acumulados nas operações de exportação podem ser imputados pelo devedor a qualquer estabelecimento seu no Estado. Havendo saldo remanescente, o art. 25, §1º, da Lei Complementar 87/96 garante a transferência do crédito a outros contribuintes do mesmo Estado. Argumenta que as operações de venda de mercadorias para o exterior são imunes ao ICMS, PIS e COFINS. Em conseqüência disso, as receitas obtidas pelo exportador também ficariam imunes às contribuições sociais. Por entender, ainda, que a transferência de saldo credor de ICMS não corresponde a um ingresso de recurso nem pode ser considerada receita, pleiteia a manutenção do julgado e o acolhimento de suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente litígio instaurase em razão de ser reconhecida ou não a inserção na base de cálculo da COFINS valores decorrentes de cessões de créditos de ICMS vinculados às receitas de exportação cessões essas autorizadas pela LC 87/96. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 4 Conveniente lembrar que as operações que destinem mercadorias ao exterior são imunes a incidência do ICMS e ainda, está garantido pela CF/88 a manutenção e aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores, fato que contribui para a formação de acúmulo de créditos desse tributo. Inicio posicionamento com fundamento no voto do Ministro Ricardo Lewandowski sobre a matéria no RE 240785/MG de 08.10.2014, no sentido de que a natureza jurídica da cessão de crédito do ICMS não permite entendêlo compondo o patrimônio da empresa nem tampouco como sendo uma renda própria ou mesmo faturamento. A ampla maioria dos Ministros do E. STF quando desse julgamento, reconheceu o direito dos exportadores de excluírem da base de cálculo do PIS/COFINS os valores recebidos a título de ICMS por conta da cessão de créditos decorrentes de exportação. Constato, também na ementa do RE 606107/RS da relatoria da Ministra Rosa Weber o seguinte excerto: “.........IV O art. 155, §2º, X, “a” da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos – imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do impsto cobrado nas operações e prestações anteriores. Não incidem , pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional.” Assim sendo, o atual momento jurisdicional não se coaduna com o entendimento da Fazenda Nacional quando pretende exigir transferências de créditos do ICMS na base de cálculo da COFINS o que me faz votar pelo improvimento deste Recurso Especial. Sala das Sessões, 27 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007930/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62-A do anexo II do Regimento Interno do CARF.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62-A do anexo II do Regimento Interno do CARF. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007930/200823 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3101000.293 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de agosto de 2013 Assunto PIS/COFINS Recorrente IPA IND. DE PROD. AUTOMOTIVOS RGS LTDA Recorrida UNIÃO FEDERAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel. RELATÓRIO Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 253 versos a 254 dos autos emanados da decisão DRJ/POA através do voto do relator José Luiz Feistauer de Oliveira, nos seguintes termos: “Tratase de impugnação contra autos de infração relativos a insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls. 152 a 162. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 07 93 0/ 20 08 -2 3 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 4 2 0 interessado discorda do lançamento, pois entende que sua receita, auferida com a venda de autopeças listadas nos Anexos da Lei n° 10.485/2002, estaria sujeita a alíquota zero das Contribuições para o PIS e a Cofins. Afirma que o presente caso se trataria de industrialização por encomenda, rebatendo as considerações do relatório fiscal com documentos anexados onde procura evidenciar que a empresa encomendante forneceria um dos componentes do seu produto final. Considera, também, que o simples fato da empresa encomendante ser uma empresa montadora de automóveis não inibiria a configuração da hipótese legal, pois entende que a condição legalmente imposta diria apenas que os adquirentes das autopeças vendidas pela encomendante devam necessariamente ser atacadistas, varejistas ou consumidores finais. 0 que seria diferente de exigir que o próprio encomendante seja atacadista, varejista ou consumidor final. Assim, sustenta que bastaria uma declaração da empresa encomendante, firmando um compromisso quanto a destinação adequada dos produtos encomendados, para que se considerem atendidos, pela perspectiva da empresa executora, os requisitos do Art. 10, inc. III da Lei n° 11.051/2004. Cita e transcreve o Art. 52 da IN/SRF n° 594/2005, o qual afirma ser aplicável aos fatos aqui discutidos. Entende que, na verdade, não caberia qualquer exigência relativa a destinação do produto pela encomendante para que vigore a redução a zero das alíquotas das Contribuições para o PIS e a Cofins. Transcreve soluções de consulta proferidas por unidades da RFB para embasar seus argumentos. Conclui, então, que estariam cumpridos ambos os requisitos legais necessários à aplicação da alíquota zero para as Contribuições nas vendas que realizou em 2005. Defende também que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não pode ser considerada como receita, pois se trataria da única alternativa legal para aproveitamento dos mesmos e tais transferências se dariam por valor igual ou inferior ao nominal. Acrescenta que tal operação de cessão de créditos de ICMS seria um negócio jurídico sem repercussão positiva em seu patrimônio líquido. Para embasar seus argumentos, cita e transcreve jurisprudência administrativa cujo entendimento seguiu o mesmo sentido de sua manifestação. Contesta, por último, a parcela relativa ao rateio de créditos proporcionalmente entre as receitas no mercado interno e externo. Defende que, ao contrário do procedimento de auditoria fiscal adotado, a totalidade dos créditos lhe sejam apropriáveis. Argumenta que as receitas de exportação devam ser somadas as receitas no mercado interno sujeitas a não cumulatividade, comparativamente a receita bruta total pois afirma que no período auditado não auferiu receitas no mercado interno sujeitas a apuração cumulativa das Contribuições. Para embasar tal argumento, cita e transcreve a ementa de uma solução de consulta proferida pela DISIT da SRRF na 7 RF. Ao final, reitera sinteticamente seus argumentos, requer o recebimento da presente impugnação e pede seu provimento integral com o cancelamento do auto de infração impugnado.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1026.511 de fls. 253 traz a seguinte ementa: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 5 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. As alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins aplicáveis a pessoa jurídica executora de industrialização por encomenda ficam reduzidas a zero, nos casos previstos no Art. 10 da Lei 11.051/2005, com redação dada pela Medida Provisória n° 252, de 15 de junho de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexiste autorização legal expressa para a soma das receitas de exportação as receitas sujeitas a incidência nãocumulativa das Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, na determinação da relação percentual existente entre o somatório destas receitas e a receita bruta total, quando o contribuinte optar pelo método de rateio proporcional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.261 a 277) recorrendo das seguintes acusações restantes na decisão recorrida: . indevida nãoinclusão, às respectivas bases de cálculo, de supostas receitas auferidas com a cessão onerosa de créditos acumulados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, devido à unidade federativa; e. apropriação de créditos sem consideração ao necessário rateio proporcional às receitas de exportação e de mercado interno. E depois de longas alegações, em síntese apresenta as seguintes conclusões: (a) do ponto de vista jurídico e contábil, "receita" se define como um implemento de caráter positivo no patrimônio líquido do sujeito de direitos e pode viabilizarse seja pelo acréscimo ou pela valorização de direitos, seja para supressão ou redução de obrigações; (b) a cessão de direitos de crédito de ICMS, principalmente quando esta seja a única alternativa legalmente admitida para aproveitálos, caracteriza mera substituição de direitos e, porque não tem sequer potencialmente impacto no patrimônio líquido do cedente, não se constitui em fonte de receita; c) adequadamente interpretados, os arts. 3º, §§ 7º e 8º e 6º, §§ 1º e 3C da Lei nº 10.833/03 admitem a apropriação de créditos proporcionais às receitas de exportação, sob o método do rateio proporcional. E finalmente requer: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 6 4 Seja recebido o seu Recurso Voluntário em seus regulares efeitos e, Provido, para o fim de, reformando parcialmente o r.acórdão recorrido, cancelar integralmente o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Quanto a primeira acusação remanescente na decisão recorrida, ou seja, tributação das cessões de crédito de ICMS pelo PIS e COFINS não cumulativos, acredito ser o caso de sobrestamento até a publicação do acórdão pelo STF, nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF. É como voto. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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