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Numero do processo: 14098.720052/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Hugo Funaro, OAB/SP nº 169.029.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Hugo Funaro, OAB/SP nº 169.029. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV contra Acórdão nº 1448.351, de 29 de janeiro de 2014, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação com a manutenção integral da exigência fiscal fustigada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 05 2/ 20 12 -1 1 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 868 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada às fls. 140 a 148, foi lavrado o auto de infração à fl. 138, em 03/07/2012, para exigir R$ 3.839.129,00 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 1.486.963,85 de juros de mora calculados até 31/07/2012, e R$ 2.879.346,77 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 8.205.439,62. Fatos, Normas e Infrações Consoante a descrição dos fatos, de fls. 139/148, aconteceu o seguinte: a) falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produtos tributados por utilização indevida de redução de alíquota do imposto, sem comprovação do direito à redução; b) recolhimento a menor do imposto em virtude do aproveitamento indevido de créditos do imposto destacado nas notas fiscais de produtos acabados recebidos em transferência de outras filiais, estando sujeito passivo submetido ao pagamento do imposto em regime especial para bebidas; c) aproveitamento indevido de créditos referentes a aquisições de concentrados da PepsiCola e de parte de “filme stretch” para fabricação de refrigerantes adquiridos com isenção de fornecedores da Amazônia Ocidental, sem a aplicação de matéria prima extrativa vegetal de produção regional na totalidade dos produtos fabricados pelos fornecedores, um dos requisitos para a fruição do crédito incentivado; aproveitamento indevido também de créditos relativos à aquisição de concentrados de frutas/tônica e rolhas metálicas para fabricação de refrigerantes, de fornecedores da Zona Franca de Manaus com isenção que não permite a manutenção do crédito pelo sistema não cumulativo, ou seja, sem pagamento do imposto na etapa anterior e não sendo o caso de crédito incentivado; d) saída de produtos acabados tributados (cervejas de malte) para outras filiais sem lançamento do imposto em virtude do uso incorreto do instituto da suspensão; e) saída de produtos acabados tributados (águas, incluídas águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizantes) para outras filiais sem lançamento do imposto em virtude do uso incorreto do instituto da suspensão. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 869 3 Os dispositivos normativos que tratam de isenção e créditos incentivados são os seguintes: a) RIPI/2002, art. 69, II: previsão apenas de isenção de IPI de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e destinados a comercialização em qualquer ponto do território Nacional; b) RIPI/2002, art. 82, III: isenção do imposto para produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, que tenham projetos aprovados no Conselho de Administração da SUFRAMA e que respeitem o processo produtivo básico (Resoluções do Conselho de Administração da SUFRAMA e Portarias Interministeriais); c) RIPI/2002, art. 175: direito ao crédito do imposto, como se devido fosse, referente aos produtos isentos (art. 82, III) apenas se forem empregados como matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 02/17, enfeixa as informações e constatações resumidas a seguir, concernentes à AMBEV CUIABÁ: 1) REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE 50% SEM CUMPRIMENTO DE REQUISITO O sujeito passivo foi intimado a apresentar os Atos Declaratórios Executivos (ADE) que condicionam do direito à fruição da redução de alíquota do imposto em 50% nas saídas de refrigerantes com suco de frutas e extrato de sementes de guaraná. Concedidas as prorrogações de prazo solicitadas, a contribuinte respondeu que os produtos atendem os padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, sendo isso suficiente para o gozo da redução de alíquota, tendo em vista a Instrução Normativa RFB nº 1.185, de 26 de agosto de 2011, e apresentou ADEs anteriores (2003) referentes aos produtos Pepsi Twist e Pepsi Twist Light. Quanto ao Guaraná Antarctica Light, reiterou que este atende os padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e apresentou ADEs antigos. Foi constatada a falta de ADE para o referido produto, tendo como justificativa a IN RFB nº 1.185, de 2011. O aludido ato normativo declara a ausência de necessidade de pedido do fabricante e reconhecimento pela SRFB da redução de alíquota para a hipótese da Nota Complementar NC (221) da TIPI, mas somente para fatos geradores Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 870 4 ocorridos após a vigência do RIPI/2010, em 15/06/2010. Os períodos de apuração em causa abrangem o ano de 2008. Foi então feito o levantamento das saídas do Guaraná Antarctica Light e a falta de lançamento do imposto, com a dedução dos valores já lançados; ou seja, foi apurada a diferença e, por consequência, a reconstituição da escrita fiscal. 2) GLOSA DE CRÉDITOS POR TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS DE OUTROS ESTABELECIMENTOS FILIAIS Durante o ano de 2008, o sujeito passivo estava sujeito ao regime tributário (sistema monofásico) de que trata a Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15833, de 2001 (RIPI/2002, art. 143), ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas de outras filiais (CFOP: 2.152) em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior. A industrialização por encomenda é exceção ao sistema monofásico, o que não é o caso. O direito ao crédito, no sistema monofásico, para os estabelecimentos filiais produtores, fica mantido somente para os insumos empregados na industrialização dos produtos transferidos para a filial em questão, não para produtos acabados. A filial adquirente, no sistema monofásico, não tem direito a crédito, pois não se trata de créditos básicos. Houve a glosa dos créditos e a reconstituição da escrita fiscal. 3) GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS – CONCENTRADOS, ROLHAS METÁLICAS E FILMES STRETCH A empresa se creditou do IPI imposto relativo a aquisições de concentrados de PepsiCola e de parte de “filmes stretch” de fornecedores da Amazônia Ocidental destinados à industrialização de refrigerantes. Apesar da isenção nas aquisições, houve a manutenção dos créditos (RIPI/2002, art. 175), ainda que sem a aplicação de matérias primas extrativas vegetais de produção regional. Também houve o aproveitamento indevido de créditos nas aquisições de concentrados de laranja, limão e tônica e de rolhas metálicas de fornecedores com a isenção prevista para as aquisições da Zona Franca de Manaus (não incentivadas, RIPI/2002, art. 69, Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 871 5 II), não sendo permitida a manutenção do crédito, pois não houve pagamento do imposto na etapa anterior. Intimado o sujeito passivo a prestar esclarecimentos, pela análise das respostas foram aceitos os créditos referentes ao concentrado de guaraná fornecido pela empresa Arosuco Aromas e Sucos Ltda., situada em Manaus/AM, sendo o extrato de guaraná uma matéria prima extrativa. Foram acolhidos, outrossim, parte dos fornecimentos de “filme stretch”, fabricados com óleo de dendê (matéria prima regional) a partir de 19/06/2008 pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., de Manaus/AM. Parte dos fornecimentos, concernente ao “filme stretch” produzido antes de 19/06/2008, conforme informado pela própria empresa Valfilm, não faz jus ao crédito incentivado de que trata o RIPI/2002, art. 175. Houve a glosa dessa parcela. Por falta de previsão legal para a manutenção de créditos, estes foram glosados no que concerne aos fornecimentos de concentrados de laranja, limão e tônica, além de rolhas metálicas, provenientes da Zona Franca de Manaus com base no RIPI/2002, art. 69, II. Quanto ao concentrado “kit PepsiCola”, os créditos não foram aceitos, pois a matéria prima regional utilizada na fabricação do produto, corante de caramelo fornecido pela empresa D.D. Williamson do Brasil Ltda. O corante de caramelo, feito a partir de açúcar de cana, é oriundo das Usinas Itamarati, localizadas no Mato Grosso, que não integra a Amazônia Ocidental. As glosas de créditos estão discriminadas no demonstrativo inserto à fl. 12, tendo sido encetada, também, a reconstituição da escrita fiscal. 4) FALTA DE LANÇAMENTO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO DE IPI – TRANSFERÊNCIAS PARA FILIAIS Foram promovidas saídas de produtos acabados (cervejas e refrigerantes do capítulo 22 da TIPI) do estabelecimento industrial para outras filiais da pessoa jurídica com a utilização indevida da suspensão de que trata o RIPI/2002, art. 42, X, e, portanto, sem o lançamento do imposto nas notas fiscais. O regime especial de bebidas (monofásico) pressupõe o pagamento uma única vez do imposto na primeira saída do estabelecimento industrial (RIPI/2002, art. 143, caput). Não há previsão, no âmbito do sistema, para suspensão do imposto na primeira saída e incidência nas saídas subsequentes. Não houve industrialização por encomenda, único caso de previsão para exceção quanto ao sistema monofásico. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 872 6 A suspensão do art. 42, X, do RIPI/2002, constitui regra geral e não se aplica ao regime especial de bebidas, que tem tributação específica. Para o cálculo do imposto devido, foi utilizada tabela de imposto por unidade da Nota Complementar NC (222) da TIPI, e foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal. 5) TOTALIZAÇÃO Os totais dos valores do imposto devido para cada infração por período de apuração (decendial e mensal) estão no demonstrativo à fl. 134. Os demonstrativos de apuração do imposto com os valores por unidade de bebida, da multa de ofício e dos juros de mora encontramse às fls. 149/157. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 05/07/2012, por via postal, conforme cópia de AR (fl. 583). Em 03/08/2012, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 587/608, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado na procuração às fls. 609 e 610, em que aduz, em síntese, que: 1. A aplicação da redução de 50% da alíquota do imposto está correta no que respeita as saídas de Guaraná Antarctica Diet, pois não há mais obrigação da expedição de Ato Declaratório Executivo com a edição da IN RFB nº 1.185/2011; apesar da afirmação em contrário da fiscalização, sendo os fatos geradores de 2008 e o RIPI em questão de 2010, o referido ato normativo, no art. 1º, inciso II, tem comando normativo (observância somente dos requisitos da Nota Complementar NC (211) para fruição da redução de alíquota: padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério e com registro no órgão competente) que alcança retroativamente os casos não julgados, conforme o CTN, art. 106, II, “b”; por outro lado, o art. 4º do mesmo ato normativo estabelece que a vigência da redução da alíquota equivale ao prazo constante do certificado emitido pelo Ministério da Agricultura (MAPA); em 2008 já havia registro do produto (nº MT05699 000207, documento anexo), conforme atestado; foi apresentado, inclusive, o ADE nº 26/1994 (documento anexo), referente à filial de Curitiba; há precedentes oriundos do CARF, trazidos a colação, a respeito do direito à redução de alíquota a despeito da ausência de ADE; 2. Quanto à glosa de créditos referentes a produtos transferidos de filiais, houve o débito do imposto nas respectivas saídas promovidas pela impugnante, uma espécie de postergação do pagamento do imposto, o que se aplica também aos casos das saídas com suspensão (pagamento do imposto nas saídas ulteriores para Fl. 748DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 873 7 terceiros, o que pode ser objeto de diligências); é indevida o procedimento da fiscalização, que caracteriza bis in idem, com a glosa dos créditos apropriados e conseqüente exigência do mesmo tributo já liquidado anteriormente e a cobrança do imposto sobre saídas em que o débito estava suspenso, com a obrigação tributária satisfeita em etapa posterior; nesse caminho, seria exigível somente eventuais acréscimos moratórios, conforme pronunciamentos do CARF; 3. Quanto aos créditos de mercadorias originárias da ZFM: 3.1. A SUFRAMA tem competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, e esta reconheceu, por meio do Ofício nº 5637/SPR/CGAPECPIN, que a PepsiCola Indústria da Amazônia Ltda. goza do benefício previsto no artigo 82, III, do RIPI/2002, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos, na fabricação de concentrados a partir de corante caramelo industrializado pela D.D. Williamson do Brasil Ltda. com base no açúcar de cana oriundo do Estado do Mato Grosso, localizado na Amazônia Legal; 3.2. Por força do artigo 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM (RIPI/2002, art. 69, II) faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. Com precedentes do STJ e do TRF da 3ª Região, há reconhecimento do direito ao crédito, nesse caso, pelo STF (RE nº 592.891/SP e RE nº 566.819/RS). Em razão disso, requer a impugnante que a autuação seja integralmente cancelada.” A DRJ, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação com a manutenção integral da exigência fiscal fustigada, em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIAS DE OUTRAS FILIAIS. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 874 8 No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental ou sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto. FALTA DE LANÇAMENTO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE 50%. FALTA DE CUMPRIMENTO DE REQUISITO. Para a utilização da redução de alíquota em 50%, de que trata Nota Complementar NC (221) da TIPI, até junho de 2010 era imprescindível o parecer prévio da SRFB mediante a expedição de Ato Declaratório Executivo. FALTA DE LANÇAMENTO. BEBIDAS ALCOÓLICAS E NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIAS PARA OUTRAS FILIAIS. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA SUSPENSÃO. No regime de tributação especial previsto para as bebidas alcoólicas e não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sem a possibilidade de aplicação da suspensão prevista para os casos gerais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 750DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 875 9 Cientificado do referido acórdão em 28 de fevereiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 10 de março de 2014 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF, pleiteando a reforma da decisão DRJ e o cancelamento da integralidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 28 de fevereiro de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 10 de março de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que o cerne da lide envolve a lavratura de Auto de Infração com a exigência de IPI, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, em decorrência da revisão da apuração do imposto por estabelecimento no período de 2008. Insurge a recorrente, quanto aos fatos, que: · A fiscalização entende que a recorrente teria cometido 4 irregularidades na quantificação do IPI, redundando uma delas na ausência da aplicação da alíquota correta às operações descritas, outra na falta de destaque do imposto na saída de mercadorias e as duas remanescentes na glosa de créditos, nos seguintes moldes: ü Adoção indevida da redução em 50% da alíquota do imposto na saída do refrigerante Guaraná Antártica Diet, devido à ausência de apresentação de ato declaratório executivo – ADE Fl. 751DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 876 10 expedido pela unidade da Receita Federal do local de domicílio do estabelecimento autuado atestando o atendimento aos padrões de identidade e qualidade reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cuja existência seria obrigatória para o período fiscalizado; ü Glosa de créditos registrados na entrada de bebidas prontas para o consumo recebidas de terceiros e de outros estabelecimentos da própria recorrente sujeitas à sistemática monofásica de apuração e recolhimento do IPI; ü Glosa de créditos apropriados na compra de insumos isentos do imposto adquiridos junto a estabelecimentos produtores instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM); e ü Ausência de lançamento a débito do imposto nas notas fiscais de remessas de mercadorias (cerveja de malte e águas) transferidas a outras filiais da recorrente, que saíram do estabelecimento autuado com a suspensão do IPI. · Foram demonstrados, em impugnação, os equívocos cometidos pela fiscalização e a consequente improcedência da autuação, a qual, todavia restou mantida pela DRJ. Passada a descrição dos fatos, quanto à aplicação da alíquota reduzida de 50% de IPI sobre o Guaraná Antártica Diet, traz a recorrente que: · O art. 65, I, do Decreto 4.544/02 assegurava o direito a redução da alíquota do imposto para os produtos objeto das “Notas Complementares NC(211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício”. · A NC (221), objeto da TIPI em vigor em 2008, autorizava a aplicação de alíquota reduzida em 50% do IPI nas saídas dos produtos classificados no código 2202.10.00 envolvendo “refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná” Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 877 11 que atendessem “aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento” e fossem registrados em órgão competente de referido Ministério; · Ao longo do procedimento fiscal, foi solicitado à recorrente que apresentasse os ADEs expedidos pela Delegacia da Receita Federal de Cuiabá, conferindo o direito a adoção da alíquota reduzida; · Houve a disponibilização em relação a todos os produtos fabricados, com exceção ao Guaraná Antártica Diet, o que fez com que a fiscalização concluísse que o estabelecimento autuado não cumpriu a condição necessária à adoção da alíquota reduzida, posto se tratar de “benefício condicional e pessoal concedido expressamente pela RFB ao contribuinte que formalizar o pedido e atender os demais requisitos previstos na legislação”. · Foi apontado, para tanto, que a dispensa da expedição do ADE, estabelecida com a edição da IN RFB 1.185/2011 envolveria apenas os fatos geradores posteriores à edição do Decreto 7.212/2010. O que para os períodos de apuração anteriores ao RIPI seria necessário o ADE para reconhecimento da dedução. Argumenta, assim, a recorrente que: · A diminuição no percentual da alíquota aplicável é conferida aos refrigerantes e refrescos que, na sua composição, contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná. Para tanto, fazse necessário o atendimento de padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA; · O objetivo da desoneração fiscal parcial é estimular a produção de refrescos e refrigerantes a partir de extrato típico de certa região do Brasil; · A necessidade de sua comunicação à Administração Fiscal existia apenas para aquela que tivessem conhecimento de que a interessada atendia aos padrões de técnicos exigidos pelo órgão competente para avaliálo; Fl. 753DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 878 12 · O ADE não constituía o direito a adoção da alíquota reduzida, mas apenas declarava a sua existência; · Com a dispensa desse ADE, houve o reconhecimento que o desconto de alíquota pode ser adotado independentemente de apresentação de pedido e reconhecimento do pleito pelo Fisco; · O art. 4º da IN 1.185/2011 determina que a redução de alíquota vigerá pelo prazo constante do certificado emitido pelo MAPA; · O refrigerante de guaraná dietético Diet Antártica se encontra registrado no MAPA sob o nº MT05699 000207; Tal atestado reconhece ainda que o registro foi concedido em 27.9.1995 e renovado em 21.11.2007, sem prazo de validade específico. O que é de rigor o reconhecimento da sua vigência em 2008. · A recorrente ainda apresentou, a título exemplificativo, o ADE 26/1994, expedido pelo Fisco à sua Filial. O documento demonstra que a Administração Tributária tinha conhecimento de que a recorrente produzia o Guaraná Antártica Diet com o aval do MAPA em outras unidades. Assim, se infração houvesse de sua parte, o que se assume apenas para fins de argumentação, seria algo meramente formal, insuficiente para alterar o direito à adoção da alíquota reduzida pelo estabelecimento de Cuiabá, haja vista que a expedição do ADE não tinha a natureza de constituir o incentivo, mas apenas de dar publicidade da sua existência. Quanto à alegação de descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico, traz a recorrente que: · A fiscalização asseverou que as bebidas prontas para o consumo recebidas pelo estabelecimento autuado de outras unidades da empresa (ou de terceiros) estariam sujeitas à tributação monofásica do IPI quando de sua saída primitiva dos estabelecimento que as fabricaram, conforme art. 4º da Lei nº 7.798/89; Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 879 13 · Por essa razão seria vedado o registro de crédito de IPI na entrada de tais produtos na filial autuada, justificando a glosa dos valores creditados nessas operações; · Embora as mercadorias de que se cuida estivessem sujeitas ao monofásico, o que ocorreu no estabelecimento autuado foi o registro de débito relativo aos produtos pronto entrados na unidade e de débito quando os mesmos foram comercializados; · O que não houve recolhimento a menor de IPI; · A DRJ seguiu essa linha de raciocínio, concluindo que não há direito ao crédito nas operações, sendo que a impugnante deveria ter agregado aos custos das mercadorias vendidas o valor do IPI destacado nas notas fiscais de transferência. O que, na sequência, observou que “(...) se a impugnante, como alegado na peça de defesa, equivocadamente destacou o imposto nas notas fiscais de revenda das bebidas, só lhes resta a via de restituição administrativa do imposto pago indevidamente, respeitando o prazo decadencial. · A fiscalização e nem a decisão recorrida negam ter havido o recolhimento do IPI na saída dos produtos, do que resulta ser matéria incontroversa nos autos; · Não é razoável impor à recorrente o ônus de pagar o IPI creditado no recebimento das mercadorias e pleitear a restituição administrativa do tributo debitado nas ulteriores saídas. Quanto à alegação de ilegitimidade da glosa de créditos de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus, argumenta a recorrente, em síntese, que: · Afirmou a fiscalização inexistir previsão legal para o registro de crédito de IPI nas aquisições de insumos feitas pela recorrente junto a fabricantes que os industrializaram na ZFM e que somente os bens produzidos a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional proporcionariam o direito de crédito ao adquirente, nos termos dos art. 82, III e 175 do RIPI · No entanto, os estabelecimento situados na ZFM são titulares de incentivo fiscal que lhes asseguram tratamento diferenciado, não Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 880 14 sendo dado à Administração interpretálo como as isenções aplicáveis às demais unidades industriais em outras regiões, por força do tratamento tributário diferenciado preconizado pelo art. 40 do ADCT; Deveria ser reconhecido o direito ao crédito do imposto atinente às mercadorias provenientes de fornecedores que a própria SUFRAMA e os fabricantes reconhecem fazerem jus ao incentivo do art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/02; · Parte dos produtos examinados pela fiscalização compreende concentrados das bebidas não alcóolicas – “kits” para a fabricação de Pepsi e Pepsi Twist – adquiridos junto a Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. Tais concentrados são fabricados a partir de extrato de caramelo, insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada no Mato Grosso, atendendo assim ao requisito de matéria prima vegetal originária da região amazônica; · A SUFFRAMA ao avaliar e aprovar o projeto apresentado pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda, reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no art. 6º do Decretolei 1.435/1975, que é justamente o fundamento legal dos art. 82, III, e 175 do RIPI/02; · O exame detido da legislação de regência revela que inexiste obrigatoriedade de que o extrato vegetal integrante da mercadoria industrializada seja típico da região amazônica, havendo a necessidade somente de que seja produzido localmente; · Antecipandose às possíveis dúvidas acerca do direito à fruição da isenção prevista no art. 6º do Decreto lei 1.435/1975, a Pepsi Cola industrial da Amazônia Ltda formulou consulta à SUFRAMA, órgão da Administração competente para avaliar esta questão; · O que, em resposta, a Autarquia confirmou o direito à fruição do benefício fiscal, concluindo que o açúcar de cana utilizado na industrialização de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas classificase como matéria prima originária de extrato vegetal regional, até porque “admitese que a matériaprima regional seja originária de cultivo” – Ofício 5637/SPR/GCAPECPIN. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 881 15 Ademais, sustenta a recorrente, em síntese, que o incentivo previsto no art. 6º do Decretolei 1435/75 é assegurado ao estabelecimento industrial que, localizado na Amazônia Ocidental adquira e empregue em seu processo produtivo matérias primas que contenham componentes agrícolas ou extrativos vegetais produzidos na Amazônia Legal, a qual é mais abrangente que a referida Amazônia Ocidental. Compulsando o conjunto de documentos que constam do processo, verifico que se trata, efetivamente, de planilhas da lavra do próprio contribuinte, inábeis para a comprovação do alegado, haja vista não se fazerem acompanhar das notas fiscais de saída em que houve o incorreto destaque de imposto, nem da escrituração fiscal necessária e indispensável para a segregação das saídas de produção própria das mercadorias adquiridas para revenda, tampouco logrei encontrar nos autos prova de que o Fisco tenha ao menos tentado identificar os débitos lançados, na esteira do que declarou o contribuinte. Sendo assim, sinto que a questão merece aprofundamento, para que se possa atestar que não se está exigindo crédito tributário indevido. O que, por conseguinte, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência à autoridade fazendária, para que: a) intime o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, inclusive naquelas realizadas com suspensão, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstitua se a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados; c) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; d) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; e) devolvase o processo, para prosseguimento do julgamento. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 14098.720052/201211 Resolução nº 3202000.354 S3C2T2 Fl. 882 16 Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 758DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.002239/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/0712001, 01/09/2001 a 30/09/2001
DEMARCAÇÃO DA MATÉRIA LITIGIOSA.
A impugnação define as matérias sobre as quais deverá se manifestar o julgador administrativo. De tal sorte, não se toma conhecimento de arguição acerca de matéria diversa ou de pedido de produção de prova pericial só manifestado em sede de Recurso Voluntário, principalmente quando tais manifestações não se destinam a contrapor os fundamentos da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.754
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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A impugnação define as matérias sobre as quais deverá se manifestar o julgador administrativo. De tal sorte, não se toma conhecimento de arguição acerca de matéria diversa ou de pedido de produção de prova pericial so manifestado em sede de Recurso Voluntário, principalmente quando tais manifestações não se destinam a contrapor os fundamentos da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Helder Massaaki Kanarnaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Assinado Voitalinente ern 07;I0/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenliendo digilahnente ern 012010 por LUIS MARCELO GUERRA E/E, CAS I" rt0 EinitirJo ern 30/12/200 pato tOinislerio da Fazenda DI: CARI H. =173 2 Relatório Por bem descrever a matiria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdao recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de auto de infração de/Is 441 a 453 (Volume II), lavrado, contra o contribuinte em epigrafe, em decorrência de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da contribuição para o PIS, no valor total de R$1 255102,55, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/98 a 03/2001, 05/2001 a 07/2001 e 09/2001, incluidos principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 30/09/2002. 2. 0 procedimento fiscal que originou o lançamento ora questionado teve inicio em 17/05/2002, pela ciência do Termo de Intimação Fiscal de fl 04 (Volume 1). 3. No Terino de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 428 a 440 (Volume II), que faz parte da descrição dos fatos do auto de infração, consta em síntese que: 1) Nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a março de 2001, maio de 2001 a julho de 2001 e setembro de 2001 foram constatadas diferenças entre os valores declarados como devidos a título de contribuição para o PIS nas DCTF e os que seriam devidos, calculados com base na escrituração comercial e fiscal do contribuinte, que justificam o lançamento de oficio das diferengas apuradas conforme planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" constantes de jis 437 a 440; 2) Os "Valores do Principal Apurados pelo AFRF" que compõem a primeira coluna dos Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada já mencionados foram calculados Com base nos balancetes mensais apresentados pelo contribuinte (fis 108 a 427), que serviram como fonte de dados para a confecção das planilhas "Receitas de Vendas", em que se apuraram as receitas brutas mensais, e "Planilha de Valores Devidos das Contribuições para o PIS e Cofins", em que são apuradas as bases de cálculo das contribuições excluindo-se os valores de devoluções de mercadorias, custo de veículos usados (tratamento como mercadoria em consignação a partir de novembro de 1998) e de receita de veículos novos (substituição tributária a partir de julho de 2000); 3) Em virtude dos fatos acima narrados, lavrou-se o auto de infração objeto do presente processo. 4. Embasando o feito fiscal, o autuante citou no auto de infração o seguinte enquadramento legal: art. 77, inciso III do Decreto-Lei n° 5.844/43; wt. 149 da Lei n° 5,172/66; art 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art, 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n°17/73, Titulo 5, capitulo I, seção Assinado digitilmente em 0711012010 por' LUIS MARCELO GUERRA OE CASTRO Aulanticado dyilalmente em 00/1012010 por I tirS MARCELO Gt IERRA OF CASTRO Emitido em 30 1 12/2010 polo i'vlinmterio da Fazanda DF CARL: Mr. FL 474 Processo n 18471 002239/2002-11 S3-C1T2 Acórdilo 3102-00.754 Fl. 2 I, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF 142/82; arts., 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9° da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedig6 es, convalidadas pela Lei n° 9,715/98; art, 31 da lei n] 9715/98; arts. 2°, incisoL 8°, inciso I, e 9°, da Lei n°9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98 5, No que se refere à mrdta de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no Demonstrativo defi 453 (Volume II) 6 Cientificada em 24/10/2002 (11 441-Volume II), a interessada ingressou, em 22/11/2002, com a petição de ifs 468/477 (Volume III), através da qual vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: 1) cita acórdão prolatado pelo E Supremo Tribunal Federal, nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1,417, em que a Excelsa Corte entendeu não conferir o efeito retroativo imprimido et vigência da contribuição ao PIS na forma do art. 18 da Lei n°9.715/98, 2) declarada a h2constitucionalidade da expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de Outubro de 1995", nos termos da parte final do art. 18 da Lei n°9 715/98, não pode mais encontrar legitimação a apuração do fato gerador e o conseqüente pagamento da exação assim obtida sob fundamento do diploma parcialmente contaminado; 3) não tem a Lei n° 9.715/98, como diploma ordinário que é, o condão de revogar a Lei Complementar n°07/70, base da instituição do Programa de Integração Social; 4) requer a improcedência dos lançamentos em face da incompatibilidade da Lei no 9.715/98 com o texto constitucional de tal maneira que se alguma exação houvesse de ser cobrada, teria que continuar se sustentando na Lei Complementar n° 07/70, com ênfase especialmente para apuração da base de cálculo prevista no § único do seu art. 6'; 5) a lei ordinária não criou a taxa Selic, mas tão somente estabeleceu seu uso. Assim, a lei ordinária que estabeleceu o uso da Selic, está contra o art. 161, §. I° do CTN (lei complementar) que só autorizou juros diversos se a lei estatuir em contrário; 6) a taxa Selic é indevidamente aplicada como sucedáneo dos juros moratórias, quando na realidade possui natureza de juros remuneratórios, sem prejuízo de sua conotagdo de correção monetária. Cita julgado da esfera judicial para corroborar seu entendimento 7. Enz 02/12/2003, mediante despacho deft. 546-Volume III, o presente processo foi baixado em diligencia por esta turma de Assinado d gitalme»le am DV10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Auleolicado digitalmente ern 00/10,21)10 por I .LIIS MARCELO GUERRA )E CAS 1kG Emitido cm 30,12/2010 pelt) Ministerio da Fazentla 3 1' I' 1, =175 DP CARI julgamento para que a autoridade ,fiscal informasse, à vista do informado a ft. 428, item 5, a legislação que amparava, nas datas em que efetuadas, as seguintes exclusões custo dos veículos usados vendidos e eceita de veículos novos vendidos. 8 Em 02/09/2004, o presente processo retornou a esta turma de julgamento com as informações solicitadas a autoridade fiscal, conforme fl 549-Volume III Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no vat, condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observb. na ementa abaixo transcrita: Assunto. Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001 Ementa: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. 0 julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. PIS — CONSTITUCIONALIDADE - MP n° 1.212 E ALTERAÇÕES — LEI N° 9715/98 — Não cabe alegação de inexistência de/ato gerador, tuna vez que, na AD1N n° 1417-0, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional somente a parte final do art, 18 da Lei a° 9.715/98, restringindo-se a decisão ao período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996. PIS NÃO EXIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR. É assente a jurisprudência do STF' que assinala que, a contribuição expressamente autorizada pelo art 239 da Constituição, não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I, e 195, § 4 0, da mesma Carta, e, portanto, a exigência de lei complementar JUI?OS DE MORA TAXA SELIC Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SEL1C, porque se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1 0 instancia, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, alegar: a) vicio formal do auto de infração em face da insuficiente descrição do fato que pretende conferir conteúdo e motivação ao lançamento; b) insuficiência na indicação da disposição legal infringida e da que impõe a penalid de aplicada; Assinado digit -tin-lento em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Auternioado dillitaimente em M1012010 pot 1.1.31S mr,ReEt O GUERRA DE Cr;STRD Emitida Om 3012/200 polo Ministerio do Fazendo 4 DI: CA Zl: 1\11; 7(i Processo n' 18 ,171.002239/2002-11 Aeárdao n ° 310240.754 S3-C1T2 Fl. 3 c) exclusão da base de cálculo da parcela destinada A montadora dos veículos novos; d) da exclusão da base de calculo das vendas sujeitas a substituição tributária, nos termos da MP n° 1991-16 e IN SRF no 54/2000; e) exclusão da base de cálculo do valor correspondente As devoluçeies de vendas e serviços; e f) necessidade da complementação da instrução probatória, mediante a realização de perícia contábil. A recorrente fez juntar aos autos cópia do parecer do jurista Paulo de Barros Carvalho acerca da natureza jurídica dos contratos de concessão, e suas consequências para a determinação da base de calculo do PIS e da Cofins. o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Antes de adentrar na análise das ponderaçiies trazidas ao processo em sede de recurso voluntário, é preciso que se demarque a matéria sobre a qual, ex vi do art, 14 1 do Decreto n° 70,235, de1972, por meio da competente impugnação, formou-se o litígio. Revendo o relatório que deu espeque ao acórdão recorrido, pode-se concluir que a recorrente se limitou a impugnar as seguintes matérias: 1- vigência da Lei no 9.715, de 1998, tendo em vista a decisão prolatada nos autos da ADIn n° 1417-0; 2- exigência de lei complementar para instituição da contribuição; e 3- ilegalidade da taxa Ou seja, naquela oportunidade, não foi trazida ao processo qualquer ponderação acerca da higidez formal do lançamento, da base de cálculo considerada, nem muito menos pleiteada a produção de prova pericial. Consequentemente, em homenagem ao comando do art. 17 do mesmo Decreto n° 70,235, de 1972 2 penso que não se pode tomar conhecimento das matérias que Art. 14. A impugnacao da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 2 Art, 17. Considerar-se-á Mt° impugnada a matéria que rift° tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assinado citgitalmmne em 07/13/2010 pnii LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenttead? digiialmeme pm 0011012010 pm LUIS MARCELO GliaiditA DE CAS'I RO Emitida err 30/12/2010 polo MinistOrin da Fria:min 5 DF CARL-- MI: 1'1 477 somente foram trazidas ao processo em instância recursal, principalmente em razão de que não houve qualquer manifestação do julgador de piso acerca das mesmas. De se notar, finalmente, que não foram renovadas, em sede de recurso, as arguiçoes produzidas no momento da impugnação, razão pela qual também não cabe a este Colegiado tecer qualquer consideração acerca das mesmas. Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Assinada digitafinenle ern 07110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Au!cilia:ado d gifalinen(a ern 06/10/2010 poi I US MARCELO CLIEFRA CE CASTRO Einilida CM 30/12/2010 polo Minialcno do Fazonda 6
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Numero do processo: 10580.727269/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto-enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 14 DO CTN.
É rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificá-la, cuida-se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente (Contribuições - Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145). Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (as limitações constitucionais ao poder de tributar são reguladas por lei complementar) e depois especifique exceções (a regulamentação do art. 195, § 7°, pode ser feita por lei ordinária). Posição adotada pelo STF (Ag. Reg. no RE n° 428.8150). Precedente da Câmara Superior (Acórdão n° 9202-002.420, Processo n° 13016.000954/2007-70; Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 07 de novembro de 2012).
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário devendo à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, atender às disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Quanto ao mérito, restou decidido que as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto-enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário devendo à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, atender às disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Quanto ao mérito, restou decidido que as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto-enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 14 DO CTN. É rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuidase de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145). Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (as limitações constitucionais ao poder de tributar são reguladas por lei complementar) e depois especifique exceções (a regulamentação do art. 195, § 7°, pode ser feita por lei ordinária). Posição adotada pelo STF (Ag. Reg. no RE n° 428.8150). Precedente da Câmara Superior (Acórdão n° 9202002.420, Processo n° 13016.000954/200770; Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 07 de novembro de 2012). MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 69 /2 00 9- 53 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário devendo à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, atender às disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Quanto ao mérito, restou decidido que as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 191 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 161 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI) referente às contribuições sociais previdenciárias destinadas à Seguridade Social, parte patronal; incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como àquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, referente ao período de 01/2006 a 13/2007, totalizando um montante de R$1.790.210,99 (um milhão setecentos e noventa mil duzentos e dez reais e noventa e nove centavos). Os fatos geradores deste Auto de Infração referemse aos pagamentos das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujas contribuições em favor da Previdência Social, parte patronal, não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e também não recolhidas, haja vista que o contribuinte está sendo considerado como empresa normal, pois não possui Ato Declaratório de isenção previdenciária e também não o solicitou a Receita Federal do Brasil. Constam desse processo os seguintes levantamentos: Fl1 (contribuição patronal CI sem GFIP), agrega as remunerações dos segurados contribuintes individuais (PCI), não declarados em GFIP e sujeito a multa de mora de 24%; Fl2 (contribuição patronal CI sem GFIP), agrega as remunerações dos segurados contribuintes individuais (PCI), não declarados em GFIP e sujeito a multa de ofício de 75%; FP1 (contribuição patronal empregado sem GFIP), agrega as remunerações dos segurados empregados (BC), não declarados em GFIP e sujeito à multa de mora de 24%; FP2 (contribuição patronal empregado sem GFIP), agrega as remunerações dos segurados empregados (BC), não declarados em GFIP e sujeito à multa de ofício de 75%; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Destacase que sobre o valor originário das contribuições previdenciárias foi aplicada em algumas competências a multa de mora de 24%, enquanto em outras a multa de ofício de 75%, em respeito à aplicação da legislação mais benéfica, cumprindo se a determinação da alínea “c”, do inciso II, do art. 106, da Lei nº 5.172/66 (CTN – Código Tributário Nacional). DA IMPUGNAÇÃO. A empresa autuada apresentou impugnação em 15/12/2009, alegando, em síntese, que: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 169 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: Nulidade do acórdão por não constar o valor resultante da aplicação da legislação mais benéfica; Improcedência do argumento de que não faria jus à isenção em razão da não apresentação de ato declaratório de isenção previdenciária, posto que a certificação do cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91 não tem eficácia constitutiva, mas declaratória. Relativamente ao período não coberto pelo CEBAS, entende que deve ser observado o disposto no § 5° do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, na medida em que cerca de 90% (noventa por cento) dos atendimentos da recorrente ocorreria via SUS; Invoca ainda o cumprimento dos requisitos contidos no art. 14 do CTN. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 192 5 Voto CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Entidade Beneficente. Alega a recorrente a improcedência do argumento de que não faria jus à isenção em razão da não apresentação de ato declaratório de isenção previdenciária, posto que a certificação do cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91 não tem eficácia constitutiva, mas declaratória. Referese a recorrente à imunidade relativa às contribuições previdenciárias, que foi estabelecida pelo art. 195, § 7°, da Constituição Federal: Art. 195. (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A recorrente afirmar atender ao que está previsto no inciso I do art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, que estabelecia, dentre os requisitos necessários à isenção das contribuições previdenciárias, o reconhecimento da entidade como sendo de utilidade pública federal e estadual ou do distrito federal ou municipal. Olvidouse, no entanto, que caput prescreve a necessidade de atendimento cumulativo dos pressupostos indicados em seus incisos: Ocorre que, independentemente da eficácia do ato declaratório, até a lavratura do auto de infração, a recorrente não possuía Ato Declaratório de isenção previdenciária e também não o havia solicitado à Receita Federal do Brasil, contrariando o exigido pelo § 1º, do art. 55, da Lei 8.212/91 (em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores aqui considerados): Art. 55. (...) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O STJ já decidiu situação semelhante: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. CONDICIONAMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. RECURSO ESPECIAL. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 1. Se o contribuinte não deu cumprimento ao comando do artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91 em relação aos exercícios de 1997/1998 não reveste a qualidade de "isento" devendo, pois, pagar as contribuições sociais inadimplidas. 2. Às entidades cabe o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada. É do conhecimento médio de quem trilha a seara do direito tributário que, relativamente às regras de isenção, a interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN. Salientese, outrossim, a precariedade da "isenção" sob comento, ou seja, a entidade encontrase sujeita à verificação pelo INSS, do cumprimento de todas as condições legais necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção. 3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe foram cobradas, não se encontrava amparada pela isenção em face do nãocumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. 4. Recurso especial provido. (REsp 463.335/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2003, DJ 17/12/2004, p. 419) (destaques nossos) Portanto, dispondo a Lei n° 8.212/91 sobre a necessidade de requerimento do benefício fiscal ao INSS (art. 55, § 1°), o argumento da recorrente mostrase por demais superficial. Aduz ainda que, relativamente ao período não coberto pelo CEBAS, entende que deve ser observado o disposto no § 5° do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, na medida em que cerca de 90% (noventa por cento) dos atendimentos da recorrente ocorreria via SUS. Como visto no Relatório, o fundamento para o lançamento foi a falta de solicitação da isenção e não a cobertura por CEBAS. Ademais, apenas a título de argumentação, a recorrente apenas anexa documento comprobatório de sua utilidade pública municipal, sem comprovar sua utilidade pública federal, necessária para o reconhecimento de isenção, conforme art. 55 da Lei 8.212/91, bem como apresenta CEBAS válido somente a partir de 26/10/2006, não abarcando todas as competências lançadas no presente auto de infração (excluídas as competências 01/2006 a 09/2006 e maior parte da competência 10/2006). Acrescentese que, nos termos do citado § 7° do art. 195 da Constituição Federal, devem ser atendidas as exigências estabelecidas em lei. Imunidade/Isenção. Art. 14 do CTN. A recorrente invocou o cumprimento dos requisitos contidos no art. 14 do CTN. Argumenta que a imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 193 7 caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. Quanto a tal argumentação, pedimos vênia para seguir a orientação adotada pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire, relator do Recurso Especial 255.559, acórdão 9202 002.420 (processo 13016.000954/200770, Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 07 de novembro de 2012). Dispõe o Código Tributário Nacional que: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Como se vê, o regramento invocado pela recorrente referese à imunidade de impostos. Para as entidades beneficentes de assistência social, a Constituição concedeu Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 imunidade/isenção das contribuições para a seguridade social desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei. Não é verdade que o § 7º do art. 195 da Constituição, por se tratar de uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regulamentado por lei complementar (art. 14 do Código Tributário Nacional). Conforme nos ensina Leandro Paulsen, “é rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuida se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições – Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145) Não se nega que, quanto à matéria, houve o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 566.622 (tema 32), o que demonstra que não se trata de questão fechada: Recurso REPERCUSSÃO GERAL ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe074 DIVULG 24042008 PUBLIC 2504 2008 EMENT VOL0231609 PP01919 ) Tema 32 Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. No entanto, alinhase o presente voto com a posição adotada pelo próprio STF por ocasião do julgamento do Ag. Reg. no RE n° 428.8150, no qual decidiuse que os requisitos formais para a constituição e funcionamento das entidades beneficentes de assistência social são matérias que podem ser tratadas por lei ordinária: EMENTA: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 194 9 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP 00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150153) Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (lei complementar regula as limitações constitucionais ao poder de tributar) e estabeleça exceções (como a regulamentação do art. 195, § 7°, por lei ordinária). Desta forma, impõese às entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, a fim de que possam ser consideradas isentas/imunes das contribuições para a seguridade social. Portanto, a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c” não se confunde com a imunidade prevista no art. 195, § 7º , ambos da Constituição Federal. Esta incide sobre contribuições sociais para a seguridade social e aquela sobre impostos. Além disso, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, pode ser regulamentada por lei ordinária, como no caso, pela Lei 8.212/91, não havendo necessidade, nesta hipótese, de regulamentação por meio de lei complementar. Destarte, as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam – à época dos fatos geradores atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Multas. Direito Intertemporal. Alega a recorrente a nulidade do acórdão por não constar o valor resultante da aplicação da legislação mais benéfica. Não há qualquer nulidade no acórdão vergastado, até porque o valor está indicado no próprio auto de infração, mas entendemos que a retroatividade benigna não foi aplicada de maneira adequada. Vejamos. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 195 11 refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplica a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 2302003.604 S2C3T2 Fl. 196 13 (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em parte das competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911729/2009-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 29 /2 00 9- 20 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911729/200920 Acórdão n.º 3802004.225 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000282/2005-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras e as vendas do ativo.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA COFINS E DO PIS/PASEP.
A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador); II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias..
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Cássio Schappo e Demes Brito.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras e as vendas do ativo. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA COFINS E DO PIS/PASEP. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador); II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Cássio Schappo e Demes Brito.
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GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de canadeaçúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras e as vendas do ativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 82 /2 00 5- 69 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA COFINS E DO PIS/PASEP. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador); II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Cássio Schappo e Demes Brito. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de setembro de 2005, apurado de conformidade com o art. 3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 205.198,86. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 73/85), procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; constatou créditos indevidos de combustíveis e lubrificantes que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; inclusão da receita financeira e da receita de bens do ativo permanente na receita do mercado interno e das notas fiscais de complemento de preço (variação cambial); créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física e créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária. Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 52.795,77, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 86/87, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 103/116. Preliminarmente, disserta sobre as informações do processo e as intimações encaminhadas. Inicialmente, defende que o óleo diesel foi utilizado “para abastecer as máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira” lhe dá direito ao crédito destas aquisições no período. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 5 4 Alega que a receita financeira do mercado interno “faz parte da receita de vendas no mercado interno” e quanto às “notas fiscais de complemento de preço”, serialhe permitido se creditar nos termos do artigo 149, da Constituição Federal. Defende que a receita de álcool exportado integram a base de cálculo na apuração não cumulativa. Afirma inaplicabilidade da IN/SRF nº 660/2006, por não ser possível a sua retroatividade e que a restrição seria ilegal e inconstitucional, pois “acarreta em uma verdadeira afronta à hierarquia das leis” e fere “o princípio da irretroatividade da lei”. Ao final, alega, no plano geral, inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004, e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 8 7 circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 9 8 intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 10 9 que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, entendo correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 11 10 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma tem decidido no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 12 11 INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 13 12 na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Sobre o rateio É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 14 13 §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Receitas financeiras e venda do ativo imobilizado Do exposto na seção anterior, concluise que as receitas financeiras e a decorrente de venda do ativo permanente incluemse na receita bruta total, ou seja, no denominador do rateio. Uma vez que se está diante de pedido de ressarcimento “mercado externo”, a relação percentual a ser aplicada aos custos, encargos e despesas comuns que dão direito a crédito obtémse da divisão da receita com as exportações pela receita bruta total, não se incluindo nas receitas de exportações as decorrentes de vendas de produtos que, nas vendas internas, submetemse à tributação pelo regime cumulativo. As receitas financeiras, nelas não se incluindo as variações cambiais originadas de exportações, tratadas abaixo, e as decorrentes de venda do ativo permanente não se incluem entre as receitas de exportação, pois são receitas do “mercado interno”. A exclusão destas receitas do total das receitas internas sujeitas ao regime não cumulativo, tendo em vista não integrarem a base de cálculo da contribuição não cumulativa1, , causa impacto no cálculo da razão entre receita interna tributada e receita bruta total, mas não afeta a razão entre receita de exportação e receita bruta total. Concluise que as receitas financeiras e as vendas do ativo não integram as receitas de exportação (numerador do rateio) e integram a receita bruta total (denominador do rateio). Gastos com combustíveis e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de 1 Segundo o art.1º, §3º, das leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, são excluídas dos faturamento, quando o tenham integrado, as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda de bens do ativo permanente. As receitas financeiras, por sua vez, não constituem receita de venda de mercadorias ou serviços, salvo nos casos de instituições financeiras. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 15 14 canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda.. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito. Devem ser canceladas as glosas efetuados pela fiscalização no cálculo dos créditos da contribuição, apuração não cumulativa, referentes às aquisições de óleo diesel, utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canade açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, tendo em vista o disposto no art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação. O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 16 15 TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 17 16 interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004: A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E a Lei nº 10.637, de 2002, determinou: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 18 17 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 19 18 Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep. “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000282/200569 Acórdão n.º 3801004.723 S3TE01 Fl. 20 19 parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador). Nas demais questões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 14485.001650/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/08/2006
PEDIDO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE PARA DESLINDE DA CONTENDA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos para novas dilações probatórias quando os elementos constantes dos autos já são suficientes para formar o convencimento do julgador.
Recurso Voluntário Negado.
O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7. da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena.
PLR. ACORDO COM MENÇÃO APENAS A ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA AFERIÇÃO DO DIREITO AO RECEBIMENTO DA VERBA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DAS METAS/CRITÉRIOS. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA.
Se o acordo para pagamento de PLR menciona apenas os indicadores, sem fixar as metas relacionadas a estes, resta descumprida a norma que determina que nos instrumentos de negociação constem as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação.
PLR. PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR.
A participação do sindicato junto à comissão instituída para trata da PLR não restou comprovada, posto que não há a indicação do ente sindical no instrumento decorrente das negociações.
Numero da decisão: 2401-003.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) por maioria de votos afastar a imputação de descumprimento de regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Kleber Ferreira de Araújo que entenderam pelo descumprimento. III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso pelo descumprimento da regra participação do sindicato na negociação de PLR.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Nos lançamentos em que os fatos geradores são os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros, não é causa de nulidade a ausência de citação no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD das normas da Lei n. 10.101/2000 que teriam sido desrespeitadas, desde de que o fisco trate da questão no Relatório Fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. AUTO APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA. O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7. da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena. PLR. ACORDO COM MENÇÃO APENAS A ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA AFERIÇÃO DO DIREITO AO RECEBIMENTO DA VERBA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DAS METAS/CRITÉRIOS. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. Se o acordo para pagamento de PLR menciona apenas os indicadores, sem fixar as metas relacionadas a estes, resta descumprida a norma que determina que nos instrumentos de negociação constem as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação. PLR. PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. A participação do sindicato junto à comissão instituída para trata da PLR não restou comprovada, posto que não há a indicação do ente sindical no instrumento decorrente das negociações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 16 50 /2 00 7- 66 Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/08/2006 PEDIDO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE PARA DESLINDE DA CONTENDA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos para novas dilações probatórias quando os elementos constantes dos autos já são suficientes para formar o convencimento do julgador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) por maioria de votos afastar a imputação de descumprimento de regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Kleber Ferreira de Araújo que entenderam pelo descumprimento. III) por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso pelo descumprimento da regra participação do sindicato na negociação de PLR. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.148 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 16.797 de lavra da 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP) (ver fls. 522 e segs. do processo em meio papel), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.033.5384. O lançamento referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, além da contribuição dos segurados. Nos termos do relatório fiscal (fls. 110 e segs.), os fatos geradores que ensejaram o lançamento foram agrupados no seguinte item de apuração (levantamento): "PLR" — PREMIO NÃO DECLARADO EM GFIP Remuneração de segurados empregados constante nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização e não declarada em GFIP (Verbas com os códigos 235 e 239 — complemento de bônus e bônus gerencial respectivamente, tendo este último inicialmente o titulo de antecipação dos resultados e lançados em sua contabilidade. Após a apresentar a legislação aplicável ao pagamento da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e da sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, o fisco assim expôs: “5.3 A empresa apresentou os Acordos de Participação nos Resultados sem regras claras • determinando as condições necessárias para a participação dos empregados nos resultados da empresa e mecanismos objetivos de aferição. Não foi apresentado planilha, nem memória de cálculo que componha e explique os valores pagos que se relacione à fixação de direitos previstos no acordo dos empregados. 5.4 Observamos que nos Acordos de Participação nos Resultados, não foram comprovadas a participação de um representante do sindicato e os mesmos foram arquivados e registrados no sindicato da categoria em datas posteriores. Pelos documentos apresentados concluise que o sindicato não participou das negociações do acordo não há ciência registrada, bem como os registros foram efetuados de forma irregular (2001/2002 firmado em 29/06/01 e não tem a data do registro, 2002/2003 firmado em 29/06/02 e registrado em 01/10/03, 2003/2004 firmado em 29/06/03 e não tem a data do registro, 2004/2005 firmado em 30/06/2004 e registrado em 08/12/05, 2005/2006 firmado em 28/06/05 e não tem a data do registro. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 5.5 Esta fiscalização concluiu que a empresa não atendeu aos pressupostos previstos da Lei 10.101 As contribuições lançadas incidem sobre as remunerações pagas aos segurados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, em desacordo com a legislação vigente. Para melhor compreensão, os fatos geradores e os valores devidos foram discriminados nos demonstrativos anexos, que são parte integrante deste relatório. Cópias dos Acordos de 2002 a 2006 encontramse anexas.” Cientificada da lavratura em 31/10/2007, a empresa ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que manteve integralmente o lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 544 e segs.), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) não há no Relatório de Fundamentos Legais do Débito a menção de qual dispositivo da Lei n. 10.101/2000 estaria sendo desrespeitado pelo sujeito passivo, de modo a justificar a tributação dos valores pagos a título de PLR; b) a ausência da mencionada fundamentação é causa de nulidade da NFLD, consoante tem entendido a jurisprudência administrativa e também a judicial (cita decisões); c) assevera que o entendimento firme e pacífico do STJ e dos Tribunais Regionais Federais é de que a PLR, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde a sua natureza salarial; d) antes mesmo de firmada a posição do STJ e da própria regulamentação dada ao tema pela MP 797/1994, o TST já havia revogado a sua Súmula n. 251, a qual dava natureza salarial às parcelas pagas com habitualidade a título de PLR; e) o entendimento da DRJ é incorreto, posto que a norma constitucional que trata da PLR tem eficácia plena, uma vez que a regulamentação diz respeito apenas a aspectos formais do seu pagamento, não podendo alterar a natureza jurídica da verba, a qual segundo a Constituição é sempre desvinculada do salário; f) somente a PLR paga em nítida afronta à lei pode sofrer incidência de contribuições, conforme se percebe de decisão do STJ colacionada; g) a jurisprudência tem manifestado o entendimento de que as partes são livres e têm total flexibilidade nas negociações coletivas que tratam da participação nos lucros ou resultados, não podendo mero requisito formal sugerido na Lei 10.101/2001 servir de fundamento para a desnaturação do pagamento feito pela empresa; h) a alegação do fisco de que os acordos firmados com os empregados seriam carentes de regras claras relativas ao pagamento da PLR não condiz com a realidade, posto que, no caso em análise, tanto o direito substantivo está claramente previsto nos acordos (o valor da participação é estabelecido em múltiplos ou proporções do salário), quanto às regras adjetivas (avaliação de desempenho individual, assiduidade, etc). Para conferir esses fatos, basta que se analise os documentos acostados com a defesa; i) a decisão recorrida ignorou as memórias de cálculo dos valores pagos, as quais foram juntadas às fls. 214 e segs; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.149 5 j) para a perfeita compreensão da lide é necessário que se analise os documentos acostados, os quais se referem a demonstrativo de lucros de fls. 174/190, os atos de escolha da comissão de empregados (fls. 203); ata de reunião para discussão do plano de participações nos resultados (fls. 204); demonstração de resultados do ano de 2006 (fls. 205); k) a DRJ pretendeu inovar nos fundamentos da lavratura, ao afirmar que a PLR da empresa seria uma espécie de prêmio, em razão de certos valores serem pagos independentemente de qualquer resultado; l) mesmo que essa afirmação fosse verdadeira e não é, o órgão de julgamento não pode acrescentar na motivação do lançamento, sob pena de nulidade de sua decisão, por cerceamento ao direito de defesa do administrado; m) o Sindicato representativo da categoria dos seus empregados participou das negociações, junto com a comissão de empregados, tendo avalizado todos os planos de PLR da empresa; n) a afirmação acima pode ser comprovada pelas cópias dos Acordos juntados aos autos (fls. 91/109), todos os planos de participação nos resultados da recorrente constam com o carimbo e a assinatura do representante sindical. Aliás, o próprio sindicato através do documento de fls. 137, confirma a sua participação nos acordos de PLR's de 2002 até 2007; o) registrese que, apesar de se tratar de um mero protocolo, sem maiores repercussões jurídicas, todos os acordos foram devidamente depositados na entidade sindical, conforme comprovado pela documentação juntada; p) o registro do acordo em data posterior a da sua assinatura, em absoluto significa que os empregados e a empresa não haviam estabelecido metas ou que não houvesse prévio conhecimento destas, mesmo porque a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo e o seu depósito para registro no sindicato; q) é de se ressaltar que, constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à recorrente seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais alterar a natureza jurídica do pagamento, fazendo com que sobre esse incidissem contribuições previdenciárias. Ao final, pede que se reconheça a insubsistência da lavratura e protesta pela juntada posterior de provas, de modo que se alcance a verdade material. É o relatório. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade Arguiu a recorrente que o lançamento é nulo pelo fato de não constar no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD a regra jurídica da Lei n. 10.101/2000 que a empresa teria violado. Asseverou que é causa de nulidade o descompasso entre o relatório fiscal e o FLD. Não tem razão a empresa. O FLD, anexo obrigatório dos lançamentos, tem por objetivo informar ao sujeito passivo a base legal que dá sustentação à lavratura. Esse relatório contempla os fundamentos que autorizam o órgão da Administração arrecadar, cobrar e fiscalizar as contribuições, além das normas fundamentam cada uma das contribuições constantes do lançamento. Ali também são mencionadas as regras legais para aplicação dos acréscimos de juros e multa e, por fim, são apresentados os fundamentos relativos aos prazos para recolhimento. As normas mencionadas são aquelas vigentes no período em que ocorreram os fatos geradores. Como se observa o FLD contempla as regras jurídicas constantes na legislação previdenciária e nas leis que dão suporte à arrecadação de contribuições para outras entidades ou fundos. Todavia, o fundamento legal que a recorrente afirma não constar desse relatório não se encontra na legislação da previdência, mas em norma reguladora do direito dos trabalhadores de participarem nos lucros ou resultados das empresas. Em acréscimo ao conteúdo do FLD, o fisco, para demonstrar que determinada verba situase no conceito de remuneração pode lançar mão de normas outras, desde que as cite expressamente no corpo do relatório fiscal. No caso sob apreciação, percebese que o fisco não se descuidou de mencionar a fundamentação que o levou a tratar os valores pagos a título de PLR como salário decontribuição. Consta expressamente no relatório fiscal a citação ao art. 2. da Lei n. 10.101/2000, cujas regras deixaram de ser atendidas e motivaram a incidência de contribuições sobre as referidas parcelas. Assim, não é certo dizer que o relatório fiscal está em descompasso com o FLD, mas que aquele é uma complementação deste. O objetivo desse complemento da base legal é apresentar ao sujeito passivo mais elementos para compreensão do lançamento. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.150 7 Essa suplementação, antes de representar vício do lançamento, é mais uma garantia de que a lavratura foi confeccionada de forma a propiciar ao contribuinte os dados necessários ao exercício do seu direito de defesa com amplitude. E não se diga que a falta da menção dos dispositivos da Lei da PLR no FLD macularia de nulidade uma futura Certidão de Dívida Ativa – CDA. Vejamos o que diz o art. 2. da Lei da Execução Fiscal (Lei n. 8.630/1980): Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros; II o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato; III a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida; IV a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo inicial para o cálculo; V a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e VI o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o valor da dívida. § 6º A Certidão de Dívida Ativa conterá os mesmos elementos do Termo de Inscrição e será autenticada pela autoridade competente. Ora, a Certidão de Dívida Ativa, no caso sob comento, conterá todos os elementos a que se refere o inciso III do § 5.º. Vejamos. A origem da dívida é demonstrada pela apresentação dos fatos geradores; a natureza diz respeito à indicação das contribuições envolvidas no lançamento e o fundamento legal da dívida são as normas que estabelecem a hipótese de incidência tributária, no caso, o pagamento de remunerações a segurados da Previdência Social. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito, não indica como as supostas omissões acarretaram prejuízo ao seu direito de defesa. Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 É desnecessário, do ponto de vista prático, anularse ou decretarse a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele de que se origina a regra segundo a qual, para que a nulidade seja reconhecida, é necessário que esta produza prejuízo. Do contrário, não se deve declarála Verificase assim que carece de razão à recorrente quando pede a nulidade da lavratura em razão de não constar no FLD dispositivos da Lei n. 10.101/2000. Como vimos a menção a estas normas no relatório fiscal é suficiente para que o sujeito passivo possa compreender o lançamento e exercer o seu direito de defesa. Autoaplicabilidade da norma constitucional que trata da PLR O art. 7. , inciso IX, da Carta Magna dispõe: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Argumenta a empresa que a parte da norma constitucional que trata da PLR uma norma de eficácia plena. Não devo lhe dar razão. Embora haja o reconhecimento da repercussão geral no STF acerca da autoaplicabilidade do referido comando n. 569.441 – RS, essa matéria já foi decidida em outro momento pelo plenário da Corte Suprema. Ali o STF reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado (RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO): EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator): ”Há três precedentes monocráticos na Corte.Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.151 9 que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim,e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP n.º 794/1994. Vêse que o entendimento acima deixa bem nítido que o comando constitucional relativo à participação nos lucros ou resultados também é norma de eficácia limitada. Falta de regras claras e objetivas para pagamento da PLR A recorrente afirma que a acusação de que seus programas de PLR não continham regras claras e objetivas é inverídica. Assevera que nos acordos firmados com seus empregados havia sim a fixação de critérios para pagamento, tais como desempenho individual e assiduidade, o que pode ser comprovado pela análise dos instrumentos de negociação e memórias de cálculos das parcelas distribuídas aos empregados. Para o órgão recorrido, não consta dos acordos a estipulação clara das metas que deveriam ser atingidas para que os empregados fizessem jus ao recebimento da PLR. Ressalta que também inexistem regras para cálculo do valor a ser pago e nem mecanismos para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do que foi acordado. Afirmase ainda que há a fixação de valores mínimos de distribuição da PLR, os quais são pagos independentemente do alcance de qualquer resultado, o que lhes dá caráter de prêmio. A DRJ sustentou que as avaliações de desempenho apresentadas não guardam correlação com as metas/critérios previstos nos acordos. Vejamos as principais cláusulas do acordo firmado em 28/06/2005 e vigente para o período de 01/06/2005 a 31/05/2006, o qual reputo mais completo em termos de apresentação de regras para pagamento da verba em questão. CLAUSULA 1.ª DA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 A DELOITTE e a comissão convencionam pelo presente instrumento uma forma de participação dos EMPREGADOS nos resultados positivos da empresa, devendo ser levado em consideração os parâmetros e critérios estabelecidos, para tornar efetiva essa participação, beneficiandose os EMPREGADOS do aumento da eficiência e da produtividade sempre que forem atingidos os objetivos previamente definidos neste acordo pelas partes. 0 presente pacto será aplicável a todas as filiais da DELOITTE existentes no território brasileiro. (...) Cláusula 3.ª Regras de Participação A participação dos EMPREGADOS no resultado da DELOITTE está condicionada aos seguintes fatores: avaliação de desempenho, a serem atingidos, absenteísmo e resultado positivo da DELOI7TE no ano fiscal de 01/06/2005 a 31/05/2006. a) 0 parâmetro a ser considerado para o corpo gerencial (gerentes técnicos e administrativos) da DELOITTE, será o resultado da avaliação da prática dos trabalhos por eles desempenhados a ser realizada pelos sócios responsáveis das diversas atividades de Consultoria, constante do objeto social da DELOITTE que cada gerente estiver vinculado. b) O parâmetro a ser considerado para os empregados de formação técnica das diversas áreas de consultoria constante do objeto social (trainee, assistente, semisenior, senior e topsenior e consultor) era o resultado da avaliação da prática de trabalho por eles desempenhados a ser realizada pelos sócios dessas áreas a que cada empregado estiver vinculado. c) 0 parâmetro a ser considerado para o corpo administrativo da DELOITTE, (excetuado os empregados enquadrados nos itens "a" e "b" supra), será o resultado da avaliação da prática de trabalho por eles desempenhada a ser realizada pelos sócios responsáveis pela área administrativa da DELOITTE. Cláusula 4.ª Avaliação de desempenho. Todos os empregados serão avaliados de acordo com o seu desempenho pessoal, levandose em consideração fatores individuais, tais como: criatividade, atendimento ao cliente, colaboração e cooperação, pontualidade, responsabilidade, etc. (...) Cláusula 6.ª Valores da distribuição. O valor a ser distribuído para cada gerente técnico e ou administrativo, a titulo de participação no resultado, corresponderá, no mínimo, a metade do seu salário vigente no mês de maio de 2006, sendo certo que esse valor será distribuído mediante a avaliação do desempenho individual do empregado, segundo os critérios estabelecidos na alínea "a" da Cláusula3.ª , Cláusula 4.ª e Cláusula 1.ª. O valor a ser distribuído para cada empregado técnico corresponderá, no mínimo, a metade do seu salário vigente no mês de maio de 2006, sendo certo que esse valor será distribuído mediante a avaliação do desempenho individual do empregado, Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.152 11 segundo os critérios estabelecidos na alínea "a" da Cláusula 3.ª , Cláusula 4.ª e Cláusula 1.ª. O valor a ser distribuído para cada empregado administrativo corresponderá, no mínimo, a metade do seu salário vigente no mês de maio de 2006, sendo certo que esse valor será distribuído mediante a avaliação do desempenho individual do empregado, segundo os critérios estabelecidos na alínea "a" da Cláusula3.ª , Cláusula 4.ª e Cláusula 1.ª. Observase da Cláusula 3.ª que as diretrizes gerais para pagamento da verba são desempenho individual, absenteísmo e resultado positivo da empresa. Na Cláusula seguinte são apresentados os parâmetros a serem considerados na avaliação de desempenho, ali são citados criatividade, atendimento ao cliente, colaboração e cooperação, pontualidade, responsabilidade, etc. Verificase que, embora o instrumento de negociação aponte os parâmetros a serem considerados na apuração do desempenho de cada funcionário para fins de pagamento da PLR, não há no corpo do acordo os indicadores e métricas necessários à aferição do valor a ser pago. Embora a empresa apresente os relatórios de avaliação de desempenho com a finalidade de pagamento da PLR, não temos como vincular os dados apresentados com o que ficou acordado entre empregados e patrões. Vejase que nesses relatórios constam os indicadores Avaliação de Desempenho; Utilização; Cumprimento das Obrigações Funcionais e Consecução de Metas. Os referidos indicadores estão vinculados a metas, as quais comparadas com o resultado realizado definem a pontuação que dará ensejo ao pagamento conforme o peso de cada indicador. Mas, será que a apresentação dos cálculos sem o correspondente respaldo no acordo supre a exigência legal? Vejamos o que dispõe o art. 2.º da Lei n. 10.101/2000, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Extraise do dispositivo que o acordo deve trazer no seu bojo as regras que presidirão o processo de pagamento da PLR. Portanto, de nada adianta a empresa apresentar os formulários de avaliação se as metas/critérios neles constantes não estão claramente expressos no acordo ou em documento por ele mencionado. É de ressaltar que o legislador quis impor não apenas a necessidade de negociação, mas determinou também que os trabalhadores pudessem aferir se o que foi negociado efetivamente estaria sendo cumprido. Por isso há sim a necessidade de que no acordo apareçam com clareza as regras que dirigem o processo de aquisição do direito ao benefício. No caso concreto, a título de exemplo, o acordo teria que indicar para qual índice de desempenho o empregado receberia o máximo de PLR previsto para o seu cargo. Isso não é possível se aferir com base apenas no instrumento de negociação. Volto da dizer, as fichas de avaliação somente tem sentido se estiverem vinculadas a regras fixadas no acordo ou em documento por ele indicado. Nesse sentido, entendo que a empresa deixou de cumprir a determinação do § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Participação do Sindicato Para o fisco a empresa não comprovou a participação do ente sindical representativo dos seus empregados nas negociações para pagamento da PLR, tendo apenas tardiamente efetuado o arquivamento dos instrumentos de negociação no Sindicato. A recorrente afirma que a participação do Sindicato pode ser comprovada pelas assinaturas nos acordos, além de que foi acostada declaração do sindicato comprovando que houve o recebimento dos instrumentos relativos ao período de 2002 a 2007. O cumprimento do § 2.º do art. 2.º da Lei da PLR foi reconhecido pela DRJ, que acatou o documento colacionado pela empresa, no qual o ente sindical declara que a empresa efetuou o arquivamento de todos os acordos do período em questão. Ocorre que o depósito dos instrumentos de negociação é mais um requisito previsto na legislação, mas essa providência não dispensa que o representante do ente sindical participe das negociações para pagamento da PLR conforme prevê o inciso do I do mesmo art. 2.º da Lei da PLR. Apreciando os autos pude observar que em nenhum dos acordos apresentados consta que houve a participação de membro do Sindicato no processo de negociação que deu ensejo ao pagamento da verba. Essa lacuna nos instrumentos apresentados levame a inferir que as assinaturas constates nesse documentos referemse efetivamente ao recebimento do acordo pelo ente sindical para fins de arquivamento. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.001650/200766 Acórdão n.º 2401003.856 S2C4T1 Fl. 1.153 13 Assim considerei descumprida tanto a norma que exige que constem dos instrumentos de negociações regras claras e objetivas quanto à fixação do direito à participação nos lucros ou resultados, como também a regra que exige a participação de representante do sindicato nas tratativas para pagamento da verba. Por essas duas razões, entendo que os programas de PLR da recorrente estão em desacordo com a lei específica, sendo cabível a incidência de contribuições, nos termos da alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência da NFLD, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir o pedido de novas dilações probatórias e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 11831.002293/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF.
Havendo omissão em relação ao conhecimento e julgamento de recurso de ofício deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente.
RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO.
A decisão recorrida verificou que houve erro na apuração da base de cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, já que a estes era aplicada, à época dos fatos, o artigo 69 § 2º da IN SRP nº 3/2006.
Numero da decisão: 2301-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a obscuridade apontada, conhecendo o recurso de ofício e negando-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF. Havendo omissão em relação ao conhecimento e julgamento de recurso de ofício deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente. RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. A decisão recorrida verificou que houve erro na apuração da base de cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, já que a estes era aplicada, à época dos fatos, o artigo 69 § 2º da IN SRP nº 3/2006.
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ARTIGO 65 DO RICARF. Havendo omissão em relação ao conhecimento e julgamento de recurso de ofício devese acolher os embargos para sanar o vício existente. RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. A decisão recorrida verificou que houve erro na apuração da base de cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, já que a estes era aplicada, à época dos fatos, o artigo 69 § 2º da IN SRP nº 3/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a obscuridade apontada, conhecendo o recurso de ofício e negandolhe provimento, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 22 93 /2 00 7- 88 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos contra v. acórdão proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o qual, em breve síntese, por unanimidade, deu provimento a recurso voluntário. Sustenta a embargante que o acórdão omitiuse em relação a análise do recurso de ofício interposto pela DRJ de São Paulo Por meio do despacho 2301326 os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Como se vê os embargos de declaração opostos buscam suprimir a omissão referente à análise do recurso de ofício interposto pela instância de origem. A r. decisão de primeira instância deu parcial provimento à impugnação haja vista ter verificado erro no cálculo das contribuições previdenciárias a devidas pelos segurados contribuintes individuais (taxistas). Assim expôs: 6.25.—Na planilha de fls. 144/145 bem como na idêntica apresentada à fl. 1030/1032 o Auditor Fiscal demonstra que a contribuição descontada dos segurados contribuintes individuais foi calculada sobre os valores do pagamento na coluna "valor pagamento" e "base de cálculo pagamento'; quando deveria ter sido calculada sobre a base de cálculo demonstrada às fls. 137/138 (04/2003 a 12/2006), que está de acordo com a forma de cálculo do salário de contribuição do contribuinte individual taxista previsto na legislação previdenciária, vide § 4° do art. 201 do Decreto 3.048/99 (com a redação dada pelo Decreto 4.032/01) e §§ 2° e Y do art. 69 da Instrução Normativa SRP n° 3/2006 que assim dispõe: (...) 6.26. Ou seja, sobre a remuneração dos serviços prestados de 04/2003 a 12/2006 pelos contribuintes individuais (taxistas) deve ser calculado 20% para ser encontrado o respectivo salário de contribuição (que é a base de cálculo para este tipo de segurados) e, sobre este valor deverá ocorrer a incidência das Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11831.002293/200788 Acórdão n.º 2301004.305 S2C3T1 Fl. 1.314 3 contribuições previdenciárias devidas pela Empresa (que foi objeto da NFLD n° 37.102.3643) e as contribuições dos segurados contribuintes individuais (taxistas) que devem ser retidas e recolhidas pela empresa (lançadas nesta notificação). Portanto, a base de cálculo deve ser idêntica em competência idêntica, o que não ocorreu nestes processos. O que se verifica nitidamente é que a r. decisão recorrida verificou que houve erro na base de cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, já que a estes era aplicada, à época dos fatos, o artigo 69 § 2º da IN SRP nº 3/2006, cuja redação é a seguinte: §2° O salário de contribuição do condutor autônomo de veiculo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no .§ 4º do art 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração de modo a suprimir a omissão apontada, CONHECENDO O RECURSO DE OFÍCIO E NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19707.000047/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62 - A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62 - A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello Trata se de Auto de Infração de fls. 01/10, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao ano calendário de 2002, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 31.166,77, incluído multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 04/2005. Segundo Descrição dos Fatos de fls.123, o lançamento decorreu das seguintes infrações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 07 .0 00 04 7/ 20 05 -6 7 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 3 2 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS – TITULAR • Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. • Omissão de rendimento recebido da pessoa jurídica Banco Bilbao Vizcaya Argentaria do Brazil S/A, CNPJ 33.870.163/000184, decorrente do trabalho assalariado. Tendo em vista que a documentação apresentada não permitiu se chegar ao valor exato do rendimento tributado, fezse uma estimativa somando se o valor líquido recebido (valor constante no extrato bancário de R$ 118.823,27) mais o valor recolhido de imposto de renda na fonte (valor constante no DARF e corroborado pela DIRF do Banco Bilbao vizcaya Argentaria do Brazil S/A, no valor de R$ 22.743.55), totalizando R$ 141.566,82. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – TITULAR • O valor da Linha 19 – Imposto Retido na Fonte – Titular, foi alterado em razão da inclusão de valor devidamente comprovado e que não havia sido informado na declaração Falta de declaração do Imposto retido na fonte recolhido pelo Banco Bilbao Vizcaya Argentaria do Brazil S/A, CNPJ: 33.870.163/000184, no valor de R$ 22.743,55, decorrente do rendimento não declarado. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS • O valor da Linha 38 – Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, foi alterado em razão da exclusão de rendimentos tributáveis na declaração, indevidamente informados na Linha 38. • Rendimento declarado erroneamente como não tributável no valor de R$ 118.823,27 quando na verdade se tratava de rendimento de trabalho assalariado, portanto, tributado. Consoante o relatório da decisão de primeira instância, o impugnante em sua defesa afirma: Valores recebidos – Tributação devidamente paga • A somatória dos valores que ampliou a base de cálculo do imposto de renda no ano base de 2002 não pode prevalecer, pois não corresponde ao que aconteceu; • Ajuizou ação trabalhista em desfavor do Banco Excel Econômico S/A, entendendo que as verbas salariais não foram pagas corretamente pelo empregador; • Com a sentença de primeira instancia obteve êxito, com apuração do montante em liquidação de sentença; • Quanto ao imposto de renda o juiz determinou que deveria ser apurado o quanto seria pago pelo pólo ativo se as verbas deferidas fossem pagas nas épocas Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 4 3 adequadas e, caso houvesse incidência, que fosse efetuado o respectivo desconto, respondendo o reclamado pelo excesso; • O banco recorreu em segunda instância e não obteve êxito, tendo sido a sentença de primeira instancia ratificada integralmente; • Na liquidação da sentença, reconheceu o magistrado como devido pelo banco ao reclamante, após os cálculos apresentados pelo perito judicial, o valor total de verbas no montante de R$ 226.145,64, dos quais R$ 140.436,96 correspondia ao principal e R$ 85.708,68 a título de juros de mora; .Do valor depositado, constatouse em 02/05/2002 haver uma parte incontroversa no total de R$ 154.257,17, logo solicitou o levantamento, que foi autorizado; Em 19/02/2003, autorizou a juíza do trabalho um novo levantamento do que tinham depósito no valor de R$ 24.138,24 ao _reclamante e o valor de R$ 1.005,35 ao contador oficial; • Até aqui se tinha, por incontroverso, os valores levantados no total de R$ 178.395,41, tendo o saldo remanescente retido na conta, pois reclamante e reclamado continuaram divergindo sobre os valores a serem pagos a título de imposto de renda que caberia a cada qual; Em decisão definitiva, devidamente transitada em julgada e válida na apuração dos valores a serem pagos a título de imposto de renda, o tribunal reconheceu delimitar a responsabilidade do exeqüente, no que tange ao imposto de renda, ao montante de R$ 35.712,36, respondendo o executado pelas diferenças devidas a este título; • Vendo o teor da decisão judicial proferida, não resta dúvida quanto ao valor a ser pago a título de imposto de renda por ele; • A sentença de mérito dispôs expressamente em relação ao imposto de renda que deverá ser apurado o quanto seria pago pelo pólo ativo se as verbas deferidas fossem pagas nas épocas adequadas e, caso haja incidência, será efetuado o respectivo desconto, respondendo o reclamado pelo excesso, uma vez que o laborista não pode ser penalizado pelo ilícito que não deu causa; • A juíza relatora concluiu que a questão referente à responsabilidade pelos juros incidentes sobre a correção monetária já transitou em julgado com a r. sentença de mérito, tendo em vista que a responsabilidade do obreiro foi limitada ao valor que seria por ele devido na época própria, respondendo o reclamado por todas as diferenças apuradas em face do não pagamento das verbas que compõem a execução; • Para dar cumprimento ao fixado na sentença o reclamante requereu do valor ainda depositado, o montante retido a maior. A MM. Juíza do trabalho determinou em 29/04/2004 o levantamento da diferença dos seguintes valores: R$ 27.699,86 e R$ 3.124,08; • Do valor levantado de R$ 211.162,29, para um deposito inicial de R$ 241.454,33, recebeu o impugnante do seu procurador o total de R$ 143.342,26, conforme recibos de depósito; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 5 4 • O saldo remanescente foi retido na conta corrente para dar cumprimento ao determinado pela sentença no que tange ao imposto de renda, que caberia ao impugnante recolher; • Quanto ao valor a ser recolhido pelo Banco, nos termos da sentença proferida, responsável pelo ilícito que deu causa, procedeu ao recolhido, conforme DARF juntados; Cumpriu com sua obrigação tributária ao ter sido retido pelo juízo trabalhista da Comarca de JaboticabalSP, o valor que corresponderia ao imposto de renda retido na fonte, acaso lhe fosse pago a época, conforme demonstrado; • Por sua vez, o Banco cumpriu com sua obrigação ao efetivar o pagamento do imposto de renda devido sobre os juros de mora aplicados sobre os valores que deveriam ter sido recolhidos à época e não foi, por única e exclusiva responsabilidade do próprio banco; • As verbas salariais recebidas sofreram a incidência da tributação, • O valor recebido em 2002, no montante de R$ 118.823,27 não foi lançado erroneamente como não tributável na declaração do imposto de renda, eis que já havia sofrido a incidência da tributação, ao ter o juízo trabalhista procedido à retenção dos valores a esse título e ao ter o banco efetivado o pagamento sobre os juros de mora; Nulidade do auto de infração • Reconheceu o magistrado que o imposto de renda a ser pago pelo impugnante deveria ser considerado como se pago a época, mês a mês, apenas sofrendo correção monetária; • Em que pese o magistrado ter considerado os fatos retroativamente, a disponibilidade econômica sobre as verbas salariais somente ocorreu com a decisão transitada em julgado; • Os valore recebidos ocorreram nos exatos termos do que fixou o juízo trabalhista e o imposto de renda pago com base em decisão judicial transitada em julgado irradiou os efeitos da coisa julgada; • Embora o pagamento do imposto de renda já acontecera, entendese que as verbas recebidas por ele são indenizatórias, logo não haveria incidência do imposto de renda, entrementes, cumpriu com sua obrigação de pagar nos termos fixados pelo magistrado; • Inexiste débito a titulo de imposto de renda estando eivado de nulidade o auto de infração; Requerimento • Requer que reconheça inexistir débito fiscal a seu cargo e declare a nulidade do auto de infração; • Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente com outros documentos constantes do Processo Trabalhista n° 03322196602915005; • Protesta pela juntada de extrato bancário da sua conta, que já foi solicitado, para comprovar os débitos efetivados em sua conta, decorrente da ação trabalhista. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 6 5 A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Campo Grande (MS), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0416.133, de 03 de dezembro de 2008, que se encontra às fls. 166/177 cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS — RESCISÃO TRABALHISTA O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial deve ser retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário, devendo tais rendimentos ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste, compensandose o imposto de renda que fora retido. RENDIMENTOS ISENTOS RESCISÃO TRABALHISTA. As verbas trabalhistas isentas de imposto sobre a renda são as indenizações por acidente de trabalho, a indenização e o aviso prévio não trabalhado pagos por despedida ou rescisão do contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido nos termos da legislação do FGTS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Lançamento Procedente A ciência de tal julgado se deu por via postal em 06/01/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 182. À vista disso foi protocolizado, em 04/02/2009, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 186/204, no qual o pólo passivo, repisa os argumentos trazidos em na peça impugnatória. A autuação versa sobre Omissão de decorrentes de ação trabalhista movida contra o Banco Excel Econômico S/A, posteriormente adquirido pelo Banco Bilbao Vizcaya Argentaria do Brasil S/A, totalizando R$ R$ 141.566,82, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 16, relativa ao ano base 2002. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, o crédito tributário lançado foi apurado com base na tabela e alíquota vigente no ano de recebimento, ou seja, 2002, sendo o cálculo do imposto a pagar apurado pelo valor global. Conforme previsto no art.56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/ 99. Entretanto, é de conhecimento deste colegiado que o STJ reconheceu a existência de repercussão geral do tema relativo ao Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente. Transcrevo a ementa: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 7 6 EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.429 SP 2009/00557226). A Portaria MF nº 586, de 2010, que altera o Regimento Interno do CARF em seu artigo 62A, assim dispõe: “Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” É cristalino que a Portaria MF 586, de 2010, introduziu a necessidade de adoção nos julgamentos do CARF das sistemáticas de Repercussão Geral (STF) e de recursos repetitivos (STJ), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, considerando que a matéria objeto deste processo versa sobre IRPF/IR sobre rendimentos recebidos de forma acumulada e sobre esta matéria, já foram encaminhados ao STF recursos representativos da controvérsia, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil, entendo que se deve, de ofício, sobrestar o julgamento do recurso voluntário objeto do presente processo. (assinado digitalmente) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19707.000047/200567 Resolução nº 2802000.082 S2TE02 Fl. 8 7 Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900666/2006-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Direito Creditório. Denuncia Espontânea.
Caracteriza a denuncia espontânea o pagamento feito a destempo, sem o acréscimo da multa de mora e sem a prévia declaração do débito.
Numero da decisão: 1801-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Direito Creditório. Denuncia Espontânea. Caracteriza a denuncia espontânea o pagamento feito a destempo, sem o acréscimo da multa de mora e sem a prévia declaração do débito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Caracteriza a denuncia espontânea o pagamento feito a destempo, sem o acréscimo da multa de mora e sem a prévia declaração do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 66 /2 00 6- 33 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH 2 SCORPIUS NORDESTE ASSESSORAMENTO DE MARKETING S/C LTDA.recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de acórdão proferido pela 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações tratadas nos autos. Em respeito à economia processual adoto relatório constante da Resolução de efls. 107 e ss: Tratase de Recurso Voluntário que pugna pela homologação de DCOMP apresentada 29/07/2003 que visa compensar crédito de IRPJ no valor de R$ 373,03 referente ao 1° trimestre de 2001. Alega a recorrente que seu crédito tem origem em pagamento efetuado em 31/07/2001 no valor de R$ 170.692,72, relativo ao 1 trimestre de 2001 com vencimento em 30/04/2001. Alega também que o valor devido no 1° trimestre de 2001, conforme DCTF retificadora apresentada em 24/07/2003 é de R$ 163.793,30. Assim, considera a recorrente fazer jus a denúncia espontânea por ter pago antecipadamente em 31/07/2001, obrigação constituída por DCTF retificadora apresentada posteriormente, em 24/07/2003. Dessa forma, haveria um crédito de R$ 373,03 decorrente da diferença entre o valor pago de R$ 170.092,72, sendo R$ 164.166,33 de principal mais R$ 5.926,40 a título de juros e o valor declarado em DCTF retificadora de R$ 163.793,30. A decisão de primeira instância não considerou a aplicação da denúncia espontânea fazendo a imputação do pagamento considerando a multa moratória como devida, de modo que dos R$ 163.793,30 de principal devidos, somente R$ 137.604,34 teriam sido pagos. Em seu Recurso Voluntário o recorrente repete os mesmos argumentos da manifestação de conformidade. Pela Resolução n° 1801000.265, de 10/09/2013, esta 1a. Turma Especial da 1a. Seção do CARF converteu o julgamento na realização de diligência para que fossem anexadas aos autos as cópias das DCTF originais e retificadoras, a fim de que fosse possível identificar possível declaração de IRPJ devido no 1° trimestre de 2001, anteriormente ao pagamento efetuado em 24/07/2003. Cumprida a diligência, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH Processo nº 10580.900666/200633 Acórdão n.º 1801002.328 S1TE01 Fl. 3 3 Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica o cerne do litígio diz respeito à caracterização, ou não, da denúncia espontânea em face do pagamento realizado em 24/07/2003, do débito com vencimento em 30/04/2001, sem o acréscimo de multa de mora. O órgão de origem e a Turma Julgadora de 1a. Instância, consideraram que o pagamento foi feito a destempo e, assim, sobre o principal, incidiriam multa e juros de mora. Feita a imputação do valor pago, restaria saldo do débito a pagar e não a restituir. Contudo, a diligência solicitada trouxe a comprovação de que o débito pago a destempo não foi previamente declarado em DCTF original, apresentada em 11/05/2001, tendo sido declarado somente com a DCTF retificadora apresentada em 15/08/2001, posteriormente, portanto, ao pagamento realizado em 31/07/2001, após o vencimento, em 30/04/2001, mas antes da declaração do débito na DCTF retificadora de 15/08/2001. É o que consta do relatório da diligência de efl. 118. Caracterizada, portanto, a denuncia espontânea, sobre o débito vencido e pago a destempo não deve incidir a multa moratória. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório invocado, no valor de R$ 373,03, que corresponde à diferença entre o valor pago, de R$ 170.092,72 e os valores devidos de principal R$ 164.166,33 e de juros R$ 5.926,40, e homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727037/2011-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte.
(assinatura digital)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinatura digital)
RICARDO MAGALDI MESSETTI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 37 /2 01 1- 19 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinatura digital) RICARDO MAGALDI MESSETTI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 836 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Comercial São Patricio S.A em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), com acõrdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” De acordo com o relatório fiscal, tratase de Auto de infração referente ao AI DEBCAD nº 37.345.6182, com valor consolidado em 13/10/2011 referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, parte da empresa, incidentes sobre as remunerações de empregados e ao AI DEBCAD nº 37.345.6166, com valor consolidado em 13/10/2011 referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social relativa à parte dos segurados. Segue descrição dos fatos apresentados pela fiscalização: “Pela análise da documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que não houve declaração em GFIP e que não foram considerados como fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias e para outras entidades e fundos os valores pagos a empregados com as seguintes rubricas: Auxílio alimentação, valores incluídos nas folhas de pagamento não declarados em GFIP, Premiação, Dissídio retroativo, Outros adicionais de férias e valetransporte pago em pecúnia.” Após devidamente intimado do lançamento em 25/07/2011 o contribuinte, apresentou impugnação tempestiva às fls. 697/717, aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade da autuação por ter apresentado o auditor relatório dos fatos genéricos, ficando a cargo da descriminação dos fatos geradores apenas a Fl. 837DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Planilha de Lançamento, em que todas as situações foram lançadas numa planilha comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi aplicado; b) que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; c) que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; d) que cumpre rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte acolheu parcialmente as razões apresentadas na impugnação da contribuinte, excluindo do lançamento os valores referentes à incidência previdenciária sobre auxílio alimentação pago em pecúnia pela recorrente (fls. 757/771). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 813/822), alegando, de forma frívola, em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso. Aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação. b) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir c) Alega que no que tange ao dissídio e as férias retroativas houve um engano do auditor fiscal, já que a CCT, em sua cláusula primeira, prevê o aumento apenas em 1/11/2008. Conclui que, portanto, inexistiu retroatividade. d) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas. reformando o acórdão impugnando. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 837 5 Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 840DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 838 7 (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO Fl. 841DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Fl. 842DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 839 9 Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Valores pagos de acordo com a Convenção Coletiva Aduz a recorrente que no tocante ao dissídio e férias retroativas, houve engano do auditor fiscal, visto que a previsão de aumento deuse somente em 01.11.2008, não havendo o que falar em retroatividade. Analisando os autos, observase que equívoco há nas alegações lançacadas pela recorrente, visto que os pagamentos realizados na competência 12/2008 com a rubrica Dissidio retroativoa análise na CCT(679/691), que foi assinada somente em dezembro de 2008, os efeitos do aumento alcançariam o dia 1/11/2008 e as diferenças seriam pagas em 12/2008. Observase, com base no DD de fls. 46/56 e no demonstrativo Anexo XII (fls. 401/450) que, corretamente, essa foi a única competência em relação a qual, a fiscalização apurou contribuições relativas à retroaçã odos efeitos do dissídio, utilizandose para tanto do código de levantamento DI nos autos. Assim, não há o que prover no presente tópico. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva Fl. 843DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 840 11 Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 845DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Fl. 846DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 841 13 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 847DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727037/201119 Acórdão n.º 2803003.777 S2TE03 Fl. 842 15 Assim, não recorrendo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 849DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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