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Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente COINBRAFRUTESP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito presumido de Imposto de Produtos Industrializados – IPI, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 10 de setembro de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório DRF/Ribeirão Preto de rastreamento nº913291902, de fl.477/482, que deferiu parcialmente o valor de R$346,15, do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9363, de 13 de dezembro de 1996, solicitado no PER/DCOMP nº38.498.06837.310305.1.1.014647 (4º trimestre de 2004), no valor de R$8.080.074,98 (somatório dos créditos presumidos do 1º trimestre/2000, 1º trimestre/2001, 1º trimestre/2003, 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003, 4º trimestre/2003 e 1º trimestre/2004), fls.02/431. Por conseguinte, homologou as compensações efetuadas nos PER/DCOMP indicados no despacho decisório até o limite do crédito reconhecido, determinando a cobrança dos débitos cujas compensações foram não homologadas porque não há valor a ser restituído/reconhecido em suficiência. A DRF/Ribeirão Preto proferiu o Despacho Decisório com base no Termo de Conclusão Fiscal de fls.606/626, no qual a fiscalização constatou que a interessada apesar de exportar os produtos, não os industrializava, pois não tem e nunca teve, estrutura física para industrializar os produtos, tudo o que foi produzido foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, na convalidação dos atos praticados com embasamento na Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001, no art. 1º, § 1º, inciso II, quando o encomendante fosse contribuinte de IPI. Em seu relato, a fiscalização informou que a interessada formalizou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI e PER/DCOMP vinculados ao referido crédito, relativo aos períodos de ressarcimento dos 1º trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001, 2003 e 2004; 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003; 4º trimestre/2003, e que tais créditos decorreram de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a interessada retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir um valor de R$142.782.353,00 decorrente de estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, ano Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 828 3 calendário de 1999, que refletiu nos trimestres subseqüentes, conforme DCTF’s apresentadas até o 3º trim/2002 e DCP a partir do 4º trim/2002 até o 1º trim. 2004. Além disso, afirma que a partir das declarações e esclarecimentos prestados pela Sra Margarete Aparecida Ferraresi Alves, procuradora da fiscalizada, que trabalha na função de gerente fiscal da empresa Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S/A, CNPJ 00.831.373/000104 e chefe do departamento fiscal da Coimbra Frutesp Industrial Ltda, constatou que os empregados não estavam registrados em uma ou outra empresa, e sim em regime de grupo econômico, ambas empresas funcionavam no mesmo parque industrial e endereço, tinham o mesmo sócio majoritário (Louis Dreyfus Citrus S/Aestrangeira) e funcionários comuns, mesmo representante perante o CNPJ, o Sr. Reinaldo Roberto Sesma e todas, o mesmo contador responsável o Sr. José Reinaldo Simon da Silva. Ao responder sobre como se dava a operacionalização das atividades da fiscalizada nos anos de 2000, 2001, 2003 e 2004, a referida procuradora respondeu que as compras de insumos, vendas, transporte, recebimentos, pagamentos, exportação, escrituração comercial e fiscal eram realizadas pelos mesmos funcionários em regime de grupo econômico, pois no prédio principal estava estabelecida a empresa CNPJ 00.831.373/0001 04 e em prédio separado da indústria, o centro administrativo de dimensões de 4m por 5m, onde funcionava a ora fiscalizada. Informou ainda, que a fiscalizada realizava a compra dos insumos, emitia nota fiscal de remessa para industrialização para a empresa de CNPJ 00.831.373/000104, que realizava a industrialização do produto e quando apto a comercialização, era emitida uma nota de retorno para a fiscalizada que emitia uma nota fiscal de venda destinada a exportação. A fiscalização, a partir da auditoria realizada nos livros de entrada e saída da fiscalizada e da empresa de CNPJ 00.831.373/000104, verificou o fluxo dos insumos assim descrito: aquisição de insumos em quase sua totalidade, pela empresa objeto de fiscalização, remessa fictícia de encomenda para industrialização para empresa de CNPJ 00.831.373/0001 04, CFOP 593, recebimento dos insumos por esta com emissão de nota fiscal de entrada para industrialização por encomenda, CFOP 193, retorno fictício dos produtos industrializados, CFOP 594, e entrada fictícia dos produtos industrializados para a ora fiscalizada, CFOP 194, que permitiu concluir que tanto a entrada quanto a saída eram fictícias, porque a ora manifestante funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, mas na prática, a industrialização se dá pelo recebimento direto dos insumos na outra empresa do grupo, a Coimbra Frutesp Industrial Ltda, CNPJ 00.831.373/000104. Apesar de adquirir os insumos, não industrializava os produtos vendidos, pois tudo o que foi produzido e exportado foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, ambas que funcionavam no mesmo parque Fl. 830DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 industrial e endereço, mesmo sócio majoritário, funcionários comuns. E assim, em razão de as regras que versam sobre o crédito presumido terem caráter excepcional, interpretamse de modo literal e restrito, principalmente no que tange o art. 1º da Lei nº9.363, de 1996. Cientificada do despacho decisório de fls.477/482, em 10/03/2011, fls.483/484, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, fls.485/497, alegando que: • O pedido original apresentado pela requerente era referente a créditos decorrentes de produtos exportados ao longo do 1º trimestre/00, 1º trimestre/01, 1º trimestre/03, 2º trimestre/03, 3º trimestre/03, 4º trimestre/03, 1º trimestre/04; As mercadorias vendidas nos trimestres mencionados foram fabricadas em 1999 pela própria requerente – Coinbra Frutesp S/ACNPJ 46.347.795/000100, por força do art.2º da Lei nº9.363 os créditos pleiteados tem como base de cálculo insumos igualmente adquiridos até 31/12/1999; • O despacho decisório nº913291902 concluiu pelo reconhecimento parcial das importâncias pleiteadas e compensadas bom base no Termo de Conclusão Fiscal elaborado pelo SEFIS da DRF/Ribeirão Preto; • O trabalho fiscal afirma que não há dúvida quanto à compra de insumos por parte da empresa Coinbra Frutesp S/A, CNPJ 46.347.795/000100, e quanto às vendas para exportação, e de que se trata de créditos decorrentes de produtos acabados em estoque e não exportados referentes ao ano de 1999, contudo considera que a requerente não poderia apropriar os créditos porque não houve por parte da fiscalizada industrialização de insumos adquiridos, e tudo que é produzido decorre de industrialização por encomenda, a Coinbra Frutesp Industrial Ltda CNPJ 00.831.373/000104, mas este entendimento não pode prosperar; • As mercadorias em questão, que se encontravam em estoque na data de 31/12/1999 foram fabricadas diretamente pela requerente e não pela Coinbra Frutesp Industrial Ltda, uma vez que esta passou a exercer atividade econômica apenas em julho de 2000, e exportadas nos anos seguintes; • Ainda que os produtos em exame tivessem sido fabricados sob encomenda da requerente, somente a título de argumentação, não haveria impedimento para que apropriasse os créditos em questão, na medida em que calculados a partir de insumos por ela adquiridos; • Até 31/12/1999 as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para Coinbra – Frutesp Industrial Ltda em julho de 2000, conforme documentos que registram capitalização desta sociedade, sendo que até então ela não exercia atividades industriais; • Na "Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 1º de Julho de 2000", os acionistas da Requerente aprovaram a Fl. 831DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 829 5 proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31.07.00 (doc. 02); • Nas mesmas datas mencionadas, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social" da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (doc. 03); A partir da leitura dos documentos citados, verificase que, se as unidades industriais de fabricação de suco de laranja eram de propriedade da Requerente até 01.07.00, isso significa que até tal data a fabricação do produto citado era de sua responsabilidade. Daí porque não há razão para que seja negado o direito da própria Requerente de pleitear e aproveitar o crédito presumido garantido pela Lei n. 9.363/96; • A COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. não realizava a industrialização do produto exportado antes da conferência das unidades industriais feita pela Requerente, até porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. Como visto, anteriormente a tal oportunidade, o patrimônio da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. era composto por recursos em caixa no total de R$ 10,00, originários da capitalização inicial feita pelo seu sócio; • As assertivas expostas são confirmadas pelo protocolo que descreve as condições de capitalização da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. pela Requerente com as unidades industriais de Bebedouro e Matão, ao estabelecer que: "Em conseqüência da conferência dos estabelecimentos referidos na Cláusula 1", a atividade industrial de fabricação de produtos derivados do processamento de frutas cítricas passará a ser exercida, exclusivamente, pela INDUSTRIAL, remanescendo para a FRUTESP a atividade de produção e compra de frutas cítricas, a compra de material de embalagem, bem como a comercialização, tanto no mercado interno quanto no mercado externo dos produtos resultantes de sua industrialização" (doc. 04 – Cláusula Segunda ); • A fim de que não houvesse dúvidas acerca do início das atividades industriais da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. e do destino das mercadorias até tal data produzidas pela Requerente, o referido protocolo fixou que: (1) "A transmissão dos estabelecimentos industriais da FRUTESP para a INDUSTRIAL considerarseá concretizada no mesmo dia 1º de Fl. 832DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 julho de 2000, a partir de quando a INDUSTRIAL assumirá todas as atividades inerentes ao processo industrial" (Cláusula Quinta destacamos) e (2) "Os produtos acabados, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros insumos existentes em estoque nos estabelecimentos industriais de Bebedouro e Matão, em 30 de junho de 2000, continuarão sendo de propriedade da FRUTESP, até que sejam por ela vendidos ou transferidos para outro local" (Cláusula Sexta destacamos). A mercadoria industrializada em estoque até 31.12.1999 é identificável a partir das fichas de registro de inventário de tal período (doc. 05); • Diante o exposto, é indiscutível que até 01.07.00 a industrialização da mercadoria exportada pela Requerente foi executada diretamente por ela. Em decorrência, são descabidas as alegações da Fiscalização, no sentido de que a Requerente não tinha empregados e estabelecimentos para fabricar os produtos comercializados; • A improcedência de tais ilações é demonstrada não só pelo material antes mencionado, segundo o qual se vê que os complexos industriais de Bebedouro e Matão eram as instalações físicas em que a Requerente produzia a mercadoria exportada, mas ainda pelas fichas mensais do CAGED preenchidas por ela anteriormente à conferência das unidades industriais à COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. (docs. 06). Referida documentação indica que a atividade econômica da Requerente ("CNAE") compreendia a "produção de sucos de frutas e de legumes" e que para tanto ela detinha mais de duas centenas de trabalhadores empregados; • Como a própria Fiscalização reconheceu que a mercadoria exportada a partir da qual se requereu os créditos presumidos relacionados ao processo em referência era a existente em estoque em 31.12.1999, não há razão para se negar o aproveitamento dos valores sob o argumento de que teriam sido industrializados por terceiro; • Comprovado que o produto comercializado com adquirentes no exterior que deu origem ao pedido de crédito presumido em análise foi industrializado diretamente pela Requerente, deve ser reformado o despacho decisório e reconhecido o direito ao aproveitamento da importância pleiteada; • Na eventualidade de não ser acatado o quanto exposto no item anterior, o que se aceita unicamente a título de argumentação, ainda assim deve ser reconhecida a legitimidade do direito creditório formulado pela Requerente. Isso porque o crédito presumido em questão foi calculado, a partir de insumos de sua propriedade, que se alega (indevidamente) teriam sido remetidos a terceiro para que fossem aplicados na produção de mercadoria por ela encomendada com a finalidade de posterior exportação; • O crédito presumido do IPI instituído pela Lei n. 9.363/96 foi criado com a finalidade de ressarcir o exportador pela incidência cumulativa do PIS/COFINS sobre os insumos utilizados na fabricação das mercadorias comercializadas fora Fl. 833DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 830 7 do território nacional, tendo sido conferido ao exportador a fim de liberálos dos custos fiscais embutidos nos insumos consistentes nas contribuições PIS/COFINS agregadas ao preço de compra pago aos fornecedores para que não compusessem o valor de venda do produto exportado; • A leitura da lei nº9.363, de 1996, assegurou o aproveitamento do crédito presumido do IPI sobre a aquisição de itens que são integrados no processo produtivo da mercadoria final destinada à exportação, sendo indiferente que a industrialização seja executada diretamente pelo exportador ou contratada junto a terceiro sob sua encomenda; • Uma vez realizada a fabricação de produto com matéria prima, produto intermediário e material de embalagem de propriedade do encomendanteexportador, é garantido a este a apropriação do crédito presumido, sob pena de os insumos integrados à mercadoria por ele exportada permanecerem onerados pelo PIS/COFINS. A suposta industrialização encomendada pela exportadora e não executada diretamente por ela em nada desnaturaria o incentivo, porque a terceirização do processo industrial é prática amplamente adotada nos diversos segmentos econômicos, sendo de rigor destacar que o responsável pela sua execução não tem direito de apropriar o crédito presumido relacionado às mercadorias manufaturadas uma vez que não adquiriu os insumos utilizados e não comercializa o produto no exterior. Seguese daí que se fosse igualmente negado o crédito presumido ao exportador, nenhum dos participantes da cadeia produtiva o apropriariam, tornando "letra morta" a Lei nº 9.363/99; Segundo a legislação do próprio IPI, o responsável pela encomenda é necessariamente equiparado ao industrial, sujeitandose às mesmas obrigações que o executor da encomenda (art. 9º, IV, do Decreto n. 7.212/10 RIPI). Desse modo, se a própria regra fiscal atribui ao encomendante a condição de industrial, determinando que recolha o IPI nas operações que venha a efetuar com o material que solicitou a fabricação, não há sentido em se afirmar que não teria direito de apropriar o crédito presumido sob a alegação não participaria da cadeia produtiva do item exportado; • No caso em exame não se objetiva aproveitar crédito presumido sobre eventuais custos pagos ao fabricante para a execução da encomenda. A importância em discussão no presente processo está restrita aos insumos adquiridos pela Requerente e aplicados na fabricação da mercadoria exportada; • Não por outra razão, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente manifestado o entendimento de que a Lei n. 9.363/96 não impedia que o exportador calculasse o crédito presumido de IPI sobre a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem por ele adquirido e remetido a terceiro para a execução da Fl. 834DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 industrialização da mercadoria a seu pedido, conforme ementas que transcreve; • Requer o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade, que seja reconhecido direito creditório e as compensações realizadas na integralidade dos pedidos de compensação formulados pela Requerente. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013 e no art.2º da Portaria RFB nº1006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi transferido em 01/08/2013, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.714. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1533.708, de 9/10/2010 (fls. 715 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ESTABELECIMENTOS. AUTONOMIA. A incidência do IPI baseiase no princípio da autonomia dos estabelecimentos, ainda que integrantes da mesma empresa. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, não há previsão para inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos valores correspondentes à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, hipótese que veio a ser admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO No caso de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de crédito tributário, o contribuinte deve cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, demonstrar a existência do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 735/749, por meio do qual sustenta, depois de relatar os fatos, os mesmo argumentos já encartados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 831 9 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requer o crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a Cofins, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. A decisão proferida pela unidade de origem deferiu parcialmente o direito vindicado, ao fundamento de que, apesar de exportar os produtos, a Recorrente não os industrializava, pois nunca tivera estrutura física para industrializar os produtos, os quais resultavam de industrialização por encomenda realizada por outra empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ n.º 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. Afirmase ainda que o crédito presumido decorre de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a Recorrente retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir valor correspondente a estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, anocalendário de 1999, que, por isso, refletiu nos trimestres subsequentes. As matérias controvertidas são, portanto, duas: a primeira, se os produtos em estoque em 31/12/1999 foram ou não te industrializados pela própria Recorrente; a segunda, se, no caso de industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, permitisse ou não a inclusão dos serviços assim despendidos na base de cálculo do crédito presumido. A primeira questão foi muito bem enfrentada na decisão recorrida. Para ilustrar os motivos que, nesta parte, a fundamentaram, transcrevemse os seguintes parágrafos do voto condutor do acórdão: A interessada, em sua defesa, por outro lado, alegou que até 30/06/2000 operava diretamente os estabelecimentos de Bebedouro e Matão, no Estado de São Paulo, e que até 31/12/1999, as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para COINBRA – FRUTESP INDUSTRIAL LTDA em julho de 2000, que até então não exercia atividades industriais, porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. A empresa anexou aos autos, cópia da Procuração (fls.500/502), cópia das atas de assembléia e documentos da procuradora(fls.503/512), cópia da "Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Julho de 2000", na qual constatase que foi firmado protocolo pela Diretoria da Companhia com a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, em que Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 foram definidas condições da realização de aumento de capital naquela Sociedade e a forma de sua integralização, na qual os acionistas da requerente aprovaram a proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31/07/00, conforme cópias dos contratos de celebração de Protocolo (fls.513/515, 525/528 e 531/532). Nas mesmas datas mencionadas no parágrafo anterior, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00); cópia do Laudo de Avaliação. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (fls.516/517, 519/523 e 528/530). Contudo, a interessada não trouxe comprovação de que era detentora da planta industrial, ou lançamento da depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos até 31/12/1999 utilizadas na produção de bens, uma vez que a cópia anexadas aos autos dos anexos ao Laudo de Avaliação dos valores residuais contábeis de Bens e Direitos das Unidades de Matão e BebedouroSP da Coinbra Frutesp S/A, contendo discriminação das imobilizações tanto de Matão quanto de Bebedouro, não são suficientes para comprovar a propriedade da planta industrial e consequente industrialização (fls.518 e 530). A cópia do Protocolo firmado entre a CoinbraFrutesp S/A e a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, tratando da conferência dos estabelecimentos e transferência da atividade industrial da primeira para a segunda (fls.531/533), tampouco tem o condão de comprovar de fato qual estabelecimento industrializou o produto exportado até 31/12/1999. A empresa não logrou demonstrar, não provou durante a auditoria em seu estabelecimento, e tampouco na manifestação de inconformidade, momento por excelência de realizar o contraditório, dados consistentes e seguros da produção e nem comprovou que todo o estoque de suco de laranja exportado já estava formado desde 31/12/1999 com insumos por ela adquiridos anteriormente, e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo suco de laranja em estoque finalmente no 1º trimestre de 2004, e que, mas absurdo ainda, se apercebeu que fazia jus a um crédito presumido, após fluidos exatos cinco anos do fato gerador, em 31/03/2005, com retificadora em 22/04/2009, conforme data de transmissão do PER/DCOMP, pois o primeiro ressarcimento referese ao 1º trimestre de 2000. A interessada alegou em sua manifestação de inconformidade que juntaria aos autos as cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 832 11 GFIP, fichas mensais do CAGED, mas o fez relativamente aos períodos de janeiro/2000 em diante, entregue em 07/02/2000, fls.636/713, na qual consta o quantitativo de 279 empregados e demais guias até a competência de julho/2004. Das guias anexadas verificase que de fato no ano de 2000, a empresa efetuou recolhimento relativamente a um quantitativo aproximado de 230 empregados, até diminuição gradativa durante o ano de 2001, chegando a competência de julho/2004, sem empregado algum. Anexou ainda a cópia de Procuração (fls.633/635). Porém, quanto ao período anterior a 31/12/1999 não constam dos autos guias de recolhimento FGTS de funcionários da interessada, este, exatamente o período que importava comprovar o funcionamento da indústria. Como já dito, apesar das alegações, juntou aos autos os documentos da CoinbraFrutesp relativos aos períodos posteriores a formação do alegado estoque de suco de laranja, ou seja, de fevereiro/2001 a novembro/2001; fevereiro/2003 a agosto/2003, fevereiro/2004 a junho/2004; janeiro/2000 a outubro/2000 e dezembro/2000; janeiro/2002 a junho/2002 e setembro/2002 a outubro/2002 e dezembro/2002; janeiro/2000 a julho/2000 (fls.550/559, 561/566, 568/572, 574/584, 586/594, 596/602), o que evidencia mas uma vez a não comprovação de que foi a própria empresa que até 31/12/1999 industrializou o produto que posteriormente viria a exportar. Tais documentos entregues a partir do ano de 2000 não tem o condão de demonstrar que a empresa ora requerente à época tinha quantidade suficiente de trabalhadores para provar que os produtos foram industrializados por ela própria. A interessada apresentou as cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº04 do estabelecimento localizado em Bebedouro, onde estão registrados os estoque dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls.533/540). E ainda, as cópias: Termo de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº 01 do estabelecimento localizado em Matão, onde estão registrados os estoques dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls. 541/549). Na prática, a empresa não trouxe aos autos nenhuma prova da industrialização direta do suco de laranja, movimentação dos estoques, armazenamento, até a efetiva saída do produto para exportação dando prova da industrialização própria até 31/12/1999, como alegou que o faria. A interessada não trouxe os lançamentos dos insumos nos Livros Registro de Entrada, tampouco apresentou o Registro de Controle da Produção e do Estoque, que deveria apresentar lançamento das mercadorias em relação a quantidade, peso, volume correspondente aos produtos elaborados. (g.n.) Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 12 A falta de provas, portanto, foi o motivo pelo qual a fiscalização não considerou, como industrialização própria, os estoques de suco de laranja existentes em 31/12/1999 (nos quais utilizados insumos por ela adquiridos anteriormente) e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo produto finalmente no 1º trimestre de 2004, período a que se refere o crédito presumido pleiteado. E esta falta de provas, a nosso juízo, aqui permanece, pois, no recurso voluntário, a Recorrente apenas renovou os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade, mas trouxe aos autos apenas cópia de um Balancete de Verificação e de um Livro de Inventário, que, como é evidente, não comprovam tenha ela mesma fabricado os produtos em estoque em 31/12/1999. Todavia, esta questão parecenos irrelevante para o deslinde da questão. Isso porque, como já consolidado nesta Turma, com relação à questão envolvendo a industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, temos entendido que não há óbice para considerar os gastos assim despendidos como aptos a gerar créditos. Por comungar com os fundamentos expostos no voto proferido pelo il. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 3202001.072, de 30/01/2014), passamos a adotálo como razão de decidir, motivo pelo qual se passa a transcrevêlo: A industrialização por encomenda pode ser brevemente definida como o procedimento no qual o encomendante remete ao industrializador MP e ME ou produto semielaborado, retornando ao seu estabelecimento produto acabado ou semielaborado. Tais operações podem ocorrer por razões diversas, mas ganham relevância especialmente quando determinada etapa do processo produtivo é terceirizada. Destarte, caso certa etapa do processo de fabricação fosse realizada no estabelecimento, os custos inerentes a MP, PI e ME, na forma da Lei nº 9.363/96, autorizaria o direito ao crédito. Doutro giro, o custo de aquisição de MP, PI e ME poderia ser apropriado para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Terceirizandose a etapa de produção mediante remessa de industrialização por encomenda, cujo custo é igualmente suportado pelo encomendante, ainda, os custos de MP, PI e ME, fornecidos ou não pelo encomendante, são adicionados ao produto e repassados pelo industrializador, de modo que, inexistindo vedação legal, não há razão que ampare a pretensão de se glosar o crédito presumido de IPI calculado sobre essas operações. Sensível aos objetivos da Lei nº 9.363/96 e às razões supracitadas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado, em mais de uma oportunidade, já sedimentou o entendimento de que as operações de industrialização por encomenda autorizam o desconto de créditos presumidos de IPI, verbis: Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 833 13 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Nanci Gama. Acórdão nº 9303001.721. Julgado em 7 de novembro de 2011) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Acórdão nº 930301.623. Julgado em 29 de setembro de 2011) A mesma solução foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao enfrentar o tema: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 14 do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 834 15 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15374.901972/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 19 72 /2 00 9- 99 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de Declaração de Compensação n° 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06) apresentada em 22/02/2005, cujo crédito informado referese a pagamento a maior de IRPJ estimativa, no valor de R$ 559.551,92 relativo ao DARF arrecadado em 31/01/2005, código: 2362, período de apuração: 12/2004, no valor de R$ 979.796,22. A compensação foi considerada não homologada por meio do despacho decisório (fl. 08), tendo com o . fundamentação do ato a utilização total do crédito pleiteado na quitação do débito de valor, período de apuração e código de receita idênticos aos do recolhimento. A interessada foi cientificada em 04/03/2009 (f1.09) e apresentou manifestação de inconformidade em 03/04/2009 (fls. 10/16) alegando em síntese: que errou o preenchimento da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004; que inicialmente apurou débito de estimativa de dezembro de 2004, no valor de R$ 979.796,22; que reapurou as bases tributáveis, apurando débito no valor de R$ 420.244,30 que consta no razão e na DIPJ; que o erro no preenchimento na Declaração Fiscal não impede o reconhecimento do crédito, devendo prevalecer a boafé e o principio da verdade material; solicita prova pericial contábil; A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1239.228, de 05 de agosto de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 3 3 RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de divida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a menor de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 09/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/10/2011, no qual alega, em síntese, que: da análise da documentação contábil e das apurações realizadas pela Requerente, é possível identificar a existência de pagamento a maior de IRPJ em dezembro de 2004; ao rever a apuração da empresa, constatouse que o valor devido de IRPJ para o período era R$ 420.240,30 e não R$ 979.796,22, conforme indicado na DCTF; o resultado efetivo da Recorrente está devidamente registrado na DIPJ/2005, LALUR e balancete, motivo pelo qual deve ser reconhecido como verdadeiro; neste sentido, utilizouse a Recorrente do crédito de R$ 559.551,92 que é justamente a diferença entre a estimativa declarada na DCTF (R$ 979.796,22) e o valor declarado na DIPJ (R$ 420.244,30) para realizar a compensação tratada nos presentes autos. Portanto, o caso não é de compensação de valores recolhidos na sistemática de antecipações mensais, mas sim de pagamento indevido da estimativa apurada em dezembro de 2004; tendo apurado débito de IRPJ (dez/2004) em valor inferior ao DARF utilizado para o pagamento, o crédito gerado pela diferença entre o valor devido e aquele inicialmente apurado e pago através de DARF é passível de compensação, ainda que na vigência da IN 460/2004, motivo pelo qual o PER/DCOMP em análise deve ser homologado. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06), transmitido em 22/05/2005, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 de IRPJ, código 2362, no valor de R$ 559.551,92 (DARF: R$ 979.796,22, período de apuração: 31/12/2004, Arrecadação: 31/01/2005), com débito de IRPJestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Jan/ 2005 e VENCIMENTO: 28/02/2005, valor: R$ 291.625,35 ). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.08, emitido em 18/02/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não se conformando com o Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária do Rio de Janeiro – DERAT/Rio de Janeiro, a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega que houve erro no preenchimento da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004, pois, informou o débito da estimativa do IRPJ de dezembro de 2004 no valor de R$ 979.796,22 quando o correto seria R$ 420.244,30, em consonância com o Razão, o LALUR e a DIPJ/2005. Na decisão de primeira instância consta que a interessada utilizou o crédito pleiteado, conforme abaixo: PER/DCOMP VALOR N° PROC 40038.43685.220205.1.3.040649 288.737,97 15374.901972/200999 (sob análise) 27916.12686.280305.1.3.046001 140.652,26 15374.901973/200933 40515.76045.200405.1.3.046044 135.819,54 15374.901975/200922 TOTAL 565.209,77 O fundamento expendido na decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1239.2228, de 05 de agosto de 2011, para o indeferimento do pleito, foi que a interessada não comprova o erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2004. Todavia, a decisão recorrida destacou que, mesmo que comprovado o erro, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e só pode ser restituído/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, vejamos: ... A interessada informou que errou o preenchimento da DCTF, e apresentou apenas o razão contábil da conta IRPJ a pagar que não é elemento suficiente, deveria ser apresentado o LALUR, a Demonstração do Resultado do Exercício e outros elementos que comprovassem a apuração do IRPJ, uma vez que foi recolhido e declarado em DCTF valor superior ao que consta na DIPJ. Verificase que tratase de pagamento de estimativa, portanto, mesmo que fosse comprovado o erro, não seria permitida a restituição de tal valor em virtude do disposto no art. 10 da IN SRF n° 460/2004, vigente à época em que a Dcomp foi apresentada, abaixo transcrito: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 4 5 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Portanto, de acordo com o dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. ... O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar, pois, de fato, como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Como visto o principal fundamento para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Mediante o despacho de fls.08/09, emitido eletronicamente, a DERAT/Rio de Janeiro identificou o pagamento no valor de R$ 979.796,22 para quitação de débito do IRPJ, do período de apuração de 31/12/2004, em face do que não homologou a compensação declarada. A Recorrente desde a Manifestação de Inconformidade alega que o valor do débito do IRPJ de dezembro de 2004 declarado com erro na DCTF (R$ 979.796,22) é superior ao correto informado na DIPJ/2005 apresentada após a DCTF. A Recorrente não juntou aos autos DCTF retificadora mas o demonstrativo da DIPJ/2005, em que consta o valor de R$ 420.244,30 de IRPJ a pagar relativo ao mês de dezembro/2004. Confrontandose o valor apurado demonstrado na DIPJ/2005 com o valor recolhido por meio do DARF, temse aparentemente o direito da Recorrente ao suposto crédito do recolhimento a maior de IRPJ no valor de R$ 565.209,77. Do teor da IN SRF 45 de 1998, os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL seriam objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e Declaração de Rendimentos. Do despacho da autoridade administrativa da DERAT/Rio de Janeiro (fls.08/09) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de 2004 para que se verifique o real saldo a pagar do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2004. Nesse passo, cabe a autoridade administrativa diante do PERDCOMP e dos demais elementos que dispõe (DCTF e DIPJ x DARF) e outros que entender necessários verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de IRPJ no ano calendário de 2004. Objetivamente, a motivação para o indeferimento do pleito pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, e, para que não se alegue supressão de instância, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o PERDCOMP nº 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06), seja reapreciado pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro (DERAT), em respeito à competência originária, conforme disposto no § 7o do art.74 da Lei nº 9430/96, e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 11042.720300/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO
Não merece ser conhecido Recurso Voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Numero da decisão: 3101-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 20/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RECURSO INTEMPESTIVO Não merece ser conhecido Recurso Voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 72 03 00 /2 01 1- 08 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nas operações de importação realizadas pela importadora CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, objeto das Declarações de Importação (DIs) nº 10/19990149 e nº 10/19990440, pela constatação da ocorrência de dano ao Erário fruto da ocultação do sujeito passivo ALEXANDRE MATTOS REICHERT como real adquirente, conforme disposto no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, tendo em vista a impossibilidade de sua apreensão, face à comercialização no varejo. A empresa importadora CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA compõe o pólo passivo dessa lide na condição de responsável solidária, consoante dispõe o Decretolei nº 37/1966, art. 95, incisos V, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, art. 78, dentre outros, não comportando benefício de ordem. Segundo relata a autoridade fiscal, em 10/11/2010 foram registradas as Declarações de Importação (DIs) nº 10/19990149 e nº 10/19990440, com fins de importação da mercadoria amparada pelos Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia – CRT 2010UY0095040670 e 2010UY0095040671, referentes a 857 caixas de papelão contendo a expressão “CARNE BOVINA CONGELADA SEM OSSO”, tendo em ambas sido informado como importador e adquirente da mercadoria a empresa CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Entretanto, segundo a alegação fiscal, foi constatado que os volumes e peças importadas estavam individualmente identificados, respectivamente, com a indicação do destinatário final das mercadorias, ou seja, ALEXANDRE MATTOS REICHERT (AR CARNES NOBRES), a quem efetivamente foram as mesmas repassadas integralmente. Afirma ainda a fiscalização que os recursos empregados na operação de importação foram integralmente providos pelo destinatário final da mercadoria, ALEXANDRE MATTOS REICHERT. Regularmente cientificadas do Auto de Infração lavrado, as interessadas ALEXANDRE MATTOS REICHERT e CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA apresentaram impugnações nas quais alegam que as operações em questão tratavamse de compra e venda no mercado interno, que todos os tributos incidentes foram recolhidos, não configurando a ocultação e o dano ao Erário imputado. A interessada ALEXANDRE MATTOS REICHERT afirmou ainda que o fato de constarem nas embalagens plásticas da mercadoria o seu nome comercial em destaque, ou seja, sem qualquer tipo de ocultação, não seria motivo suficiente para que a fiscalização considere irregular a importação. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0829.125, referente a sessão de julgamento ocorrida em 27 de março de 2014, na qual julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/2010 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DO INDEFERIMENTO. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11042.720300/201108 Acórdão n.º 3101001.773 S3C1T1 Fl. 4 3 Denegase o pedido de realização de diligência, por não ter a Administração Tributária que envidar esforços desproporcionais para sanar possíveis deficiências de instrução causadas pelo próprio contribuinte, mormente quando se considerar o processo apto ao julgamento. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. DO INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas em lei, ex vi do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. É consabido que a natureza do MPF é meramente gerencial, bem como subsidiária dos demais atos de fiscalização. Sendo assim, não há falar em nulidade da autuação por mácula no MPF, vez que em nada atinge a competência do lançamento tributário inerente ao cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), que tem sua origem, e não poderia deixar de ser, na lei. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive, por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/2010 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, não cabendo benefício de ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada REICHERT & STAMM ALIMENTOS LTDA foi cientificada do resultado do julgamento (Intimação às fls. 481), por via postal, em 16/04/2014 (AR às fls. 485 a 486), e apresentou seu Recurso Voluntário em 21/05/2014 (fls.490 a 496). A interessada CAURI COMERCIO EXTERIOR LTDA foi cientificada resultado do julgamento (Intimação às fls. 483), por Edital (fls. 502), por ter sido improfícua a Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 tentativa de intimação por outra via legal, nos termos do artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, e não interpôs Recurso Voluntário. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator A interessada REICHERT & STAMM ALIMENTOS LTDA foi cientificada do resultado do julgamento (Intimação às fls. 481), por via postal, em 16/04/2014 (AR às fls. 485 a 486), e apresentou seu Recurso Voluntário em 21/05/2014 (fls.490 a 496). Considerando o disposto no Decreto nº 70.235/72, o prazo para apresentação do Recurso Voluntário iniciouse no dia seguinte à data da ciência, ou seja, no dia 17/04/2014 (quintafeira) e venceu no dia 16/05/2014 (sextafeira), exceto se nas referidas datas não forem dias de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. De acordo com a lista dos feriados nacionais e pontos facultativos divulgados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para cumprimento pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, publicado no Diário Oficial da União de 06/01/2014, os dias 18 de abril (Paixão de Cristo) e 21 de abril (Tiradentes) eram feriado nacional. Os dias 17 de abril de 2014 e 16 de maio de 2014 não constaram na relação como pontos facultativos e também não eram feriados nacionais. Também não identificamos as data (17/04/2014 e 16/05/2014) como feriado municipal em Canoas/RS. Considerando que o Recurso Voluntário foi protocolado intempestivamente pelo interessado, não o conhecemos. Sala das sessões, em 12 de novembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000753/2005-67
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
GANHO DE CAPITAL.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE.
E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 195 1 194 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13401.000753/200567 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.369 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOAO SILVA GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 07 53 /2 00 5- 67 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 196 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 09, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (TRPF), relativamente ao ano calendário de 2002, no valor total de R$ 10.465,27 (dez mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e vinte e sete centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/09/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 24.763,96 (vinte e quatro mil, setecentos e sessenta e três reais e noventa e seis centavos). 2. Foi expedido o Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 48 e 49, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar documentação referente is deduções efetuadas, aos rendimentos auferidos e aos bens declarados no anocalendário de 2002, além de comprovação da alienação de imóvel e do respectivo pagamento de ganhos de capital, no mesmo período. 0 contribuinte, em atendimento, apresentou os documentos relacionados às. fls. 54 a 58 e 143, anexados is fls. 59 a 141 e is fls. 144, entre os quais a certidão imobiliária referente à aquisição da Fazenda Poço Comprido, em 11/09/1989 (fls. 144) e a escritura pública de retificação e ratificação, relativa à alienação do mesmo imóvel (fls. 125 a 128). 3. Consta, ainda, do processo, o oficio de fls. 139 e a escritura pública de compra e venda de fls. 140 e 141, obtida pela autoridade fiscal em procedimento de diligência junto ao Cartório e Notas e Registros de Porto Calvo, Alagoas. 4. A fiscalização, de posse dos elementos coletados no curso da ação fiscal, procedeu à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido apurada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 05 e 06: 4.1 omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos (omissão no valor de R$ 69.768,53, fato gerador em 31/03/2002). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 197 3 5. Ciência do lançamento em 25/10/2005, conforme aviso de recebimento de fls. 146. 6. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 22/11/2005, a impugnação de fls. 148 a 156, juntamente com a documentação de fls. 157 a 160, alegando, em síntese: 6.1 — que o bem objeto da apuração dos ganhos de capital Fazenda Poço Comprido, com área de 80 hectares, foi adquirido em 17/10/1989, por NCZ$ 20.000,00, conforme certidão do Cartório de Notas e Registros de Porto Calvo, AL; 6.2 — que, em 1992, este bem foi alienado ao Sr. Domingos Barreto da Silva, CPF 019.546.60472, e à Sra. Maria de Lourdes Mendes Silva; 6.3 — que, em 07/03/2002, o Sr. Domingos Barreto da Silva vendeu a mesma propriedade à Sra. Dulce da Rocha Barros Palmeira, CPF 925.493.65453, por R$ 200.000,00; 6.4 que seu nome constou, equivocadamente, como alienante, na declaração de operações imobiliárias, DOI, do Cartório, conforme se pode verificar da escritura pública de retificação e ratificação, lavrada em 09/08/2005; 6.5 que lançamento encontrase decadente, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, CTN, visto que a alienação do imóvel ocorreu em 1992. Logo, o tributo poderia ter sido lançado em 1992 e, no entanto, a notificação ao sujeito passivo se deu apenas em 25/10/2005. Que, segundo a regra prevista no CTN, o prazo decadencial teve inicio em 1992 e término em 1996; 6.6 que a cobrança da taxa de juros Selic é inconstitucional, visto que sequer foi instituída por meio de ato legal, em desconformidade com o art. 150, I, da ConstituiçãoFederal; 6.7 que a multa de oficio, aplicada no percentual de 75% é inconstitucional posto que confiscatória, em afronta ao previsto no inciso IV do art. 150 da constituição Federal; 6.8 por fim, pede seja declarado nulo o auto de infração e seja acolhida a impugnação, protestando pela produção de novas provas que se façam necessárias. É o Relatório.” Passo adiante, em 07 de Agosto de 2008, através do Acórdão 1123.327 a 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 198 4 GANHO DE CAPITAL. PROPRIETÁRIO. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa fisica que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos de que seja proprietário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. A contagem do prazo decadencial, não havendo qualquer pagamento antecipado a homologar, regerseá pelo art. 173, 1, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INSTRUÇÃO DA PECA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS. PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os princípios constitucionais tributários, a exemplo ,do Principio da Proibição do Confisco, são limitações impostas pelo legislador constituinte ao legislador ordinário. Não se Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 199 5 encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da observância desses princípios, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia. Lançamento Procedente Cientificado em 02/09/2008 (fl. 178), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/10/2008 (fls.179 à 186), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares a serem analisadas. No mérito passamos a analisar de per si cada um dos tópicos trazidos pelo recorrente: a) DO GANHO DE CAPITAL No presente tópico, como bem pontuou em esmiuçada análise a DRJ/Recife, o recorrente elege como pedra de toque de seu direito, uma escritura pública de transferência imobiliária de retificação e ratificação, que não foi por si (Domingos Barreto da Silva) nem por sua esposa assinada na qualidade de alienantes, nem pela suposta adquirente (Dulce da Rocha Barros Palmeira) e em conseqüência, não foi registrada pelo Registro de Imóveis, único documento apto a comprovar a ratificação e retificação da transação anteriormente efetuada de alienação da propriedade imobiliária pretendida pelo recorrente. Há declaração do próprio Tabelião de Porto Calvo/AL, informando que não foi registrada referida Escritura (fl. 128) Referido documento, apócrifo, não pode ser considerado juridicamente válido, nem irradiar quaisquer direitos no mundo jurídico, não sendo possível afastar, com meros argumentos, fatos jurídicos anteriormente comprovados através de documentos regular e formalmente emitidos, que foram levados em consideração pela fiscalização. Existe ainda do conjunto probatório do processo, DOI – Declaração de Operações Imobiliárias emitida e recolhida em nome do ora recorrente, tendo este como alienante dos bens. (tópico 20.1 do Voto da DRJ) Desta forma, havendo sido comprovada através dos documentos constantes do presente processo, a alienação, pelo recorrente, em 07/03/2002, da Fazenda Poço Comprido, conforme escritura pública de fls. 63 a 64 e 140 a 141, deve ser mantido hígido o lançamento, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 200 6 ex vi, do artigo 117 do Decreto 3.000/1999, referente à tributação dos ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos: b) DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADES. Tendo sido apurado pela fiscalização imposto a recolher pelo recorrente decorrente do não oferecimento (omissão) de ganho de capital apurado, devida é a aplicação da multa de ofício ex vi do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que deve ser observada por este Colegiado, não havendo que se falar em em caráter confiscatório da aplicação da penalidade, eis que aplicada referida penalidade como sanção por ato ilícito, não havendo aplicabilidade do principio de não confisco in casu, estando referida multa de acordo com a gradação legal, de 75%. Quanto a correção monetária pela taxa SELIC, destaquese que foi instituída pelos regramentos contidos na Lei n° 9.065, de 20/06/1995, e hoje tem fundamento na Lei n° 9.430/1996 e a argüição de sua constitucionalidade somente pode ser objeto de análise e controle pelo Poder Judiciário, sendo por outro lado, como antedito, legal sua aplicação. Quanto as demais argüições, refoge a este Colegiado competência para análise e manifestação quanto a constitucionalidade ou não de norma tributária (competência esta restrita ao Poder Judiciário), mas tão somente a sua aplicação. Neste sentido Súmulas 2 e 4 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 201 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13857.001110/2008-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.871
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 11 10 /2 00 8- 25 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1233.007 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, através da auto de infração, DEBCAD 37.192.3301, no montante de R$65.881,38 (sessenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e um reais e trinta e oito centavos), que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 13/10/2008 de R$124.938,08 (cento e vinte e quatro mil, novecentos e trinta e oito reais e oito centavos), referente a contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratuais prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho médico e odontológico, no período de 01/2004 a 12/2004, não recolhidas e não declaradas em GFIP. 2. De acordo com o Relatório Fiscal: 2.1. Os serviços foram prestados por cooperados intermediados pela Unimed São Carlos Cooperativa de Trabalho Médico e Uniodonto de São Carlos Cooperativa de Trabalho Odontológico. 2.2. "Os elementos que serviram de base para este levantamento foram as faturas de serviços emitidas pelas cooperativas de trabalho, (...) cujas cópias encontramse anexas a este relatório, exceto a de n° 113688/04, sendo o valor da mesma apurado pela contabilidade ". 2.3. 0 lançamento é composto dos seguintes fatos geradores devidamente separados por levantamentos, conforme segue: L1 Valores pagos A Unimed São Carlos Cooperativa de Trabalho Médico. L2 Valores pagos A Uniodonto de São Carlos Cooperativa de Trabalho Odontológico. 2.4. Considerouse como base de cálculo "os valores destacados nas faturas como serviços pessoais em relação ás faturas emitidas pela Unimed São Carlos. Para os serviços prestados pela cooperativa odontológica, a base de cálculo foi apurada pelo percentual de 60% do valor da fatura". Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 2.5. "A situação descrita, em tese, configura o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação a autoridade competente para providencias cabiveis". Da Impugnação 3. Inconformada com auto de infração que tomou ciência pessoal em 13/11/2008 (fls. 01), a empresa contestou o lançamento em 13/11/2008, através do instrumento de fls. 136/212, argumentando em síntese: Da inaplicabilidade do artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 3.1. "A UNIMED, pessoa jurídica, se constitui como sendo uma empresa de Medicina de Grupo... Não pode, em hipótese alguma, ser considerada uma Cooperativa de Trabalho, afastando, indubitavelmente, a incidência do disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8212/91". Da improcedência da autuação 3.2. Alega que o inciso IV, do artigo 22, da Lei 8212/91, "ao estabelecer a contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de Serviços ofende o dispositivo constitucional contido no artigo 195, da Constituição Federal". 3.3. 0 presente auto de infração não se ateve ao mencionado dispositivo constitucional amparandose em uma Lei Ordinária (Lei 8212/91). 3.4. "A guisa de esclarecimento e dar transparência ao "modus operandi" do SINDSPAM, da UNIMED e do SERVIDOR PÚBLICO, o Impugnante explicita que apenas intermedia o relacionamento entre as partes, recebendo da Prefeitura o numerário que já tiver sido descontado em holerite do funcionário público municipal e, ato continuo, repassandoo Cooperativa de Serviço Médico". Do pedido 3.5. Requer a improcedência do lançamento contido no presente auto de infração. 4. Cumpre esclarecer que este processo foi encaminhado à DRJ/RJ I para julgamento, tendo em vista o disposto no art. 10 e anexo único da Portaria RFB n° 1.036, de 05/05/2010. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 4 5 · Da inaplicabilidade da norma contida no artigo 22, inciso iv, da lei n° 8.212/91. · a UNIMED e a UNIODONTO não podem, em hipótese alguma, ser consideradas Cooperativas de Trabalho · Mesmo que fossem consideradas "Cooperativas de Trabalho", o que se cita apenas "ad argumentandum", ainda, assim, o RECORRENTE não seria o responsável pelo recolhimento do tributo, haja vista o seu relacionamento jurídico com ambas e, principalmente, porque somente intermedia o repasse do numerário à UNIMED e à UNIODONTO, debitado nos holerites dos SERVIDORES pela PREFEITURA DE SÃO CARLOS. · Há a impossibilidade de incidência de Contribuição Social sobre Serviços prestados por Pessoas Jurídicas, sob pena de ocorrer violação literal do disposto no artigo 195, 1, letra "a" da Carta Magna · A recorrente agindo, apenas e tão somente, como intermediário entre os SERVIDORES MUNICIPAIS e as Cooperativas UNIMED e UNIODONTO, jamais poderá ser compelido a arcar com qualquer anus financeiro por tal serviço, que visa, sobretudo, facilitar o relacionamento entre as partes, sendo injusta, inadmissível, alem de não incidente por falta de amparo legal, a imposição de tal obrigação. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme Relatório Fiscal, o Auto de Infração foi lavrado pela falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho para a recorrente. 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração de obrigações Principais de contribuições devidas a Seguridade Social, correspondentes a parte devida da empresa, por contratação de cooperativa de trabalho. 2. Os valores consolidados neste Auto de Infração encontramse relacionados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, em anexo, e referemse ao seguinte levantamento: 3. Levantamento L1 — valores pagos a Unimed Sao Carlos Cooperativa de Trabalho Médico. Levantamento L2 — Valores pagos a Uniodonto de São Carlos — Cooperativa de Trabalho Odontológico. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 5 7 Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16624.001158/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, devolver os autos à unidade de jurisdição para cumprimento cabal da Resolução nº 1801-000.331, deliberada em 03 de junho de 2014, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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score : 1.0
Numero do processo: 10850.909112/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 12 /2 01 1- 31 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 193 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 125,68. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/01/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 194 3 Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 05/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722638/201371, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2002 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 195 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 18/06/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/07/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 196 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 197 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 198 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 199 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001732/2006-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DESPESAS COMPENSÁVEIS. FALTA DE PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO.
Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manter-se o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
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DESPESAS COMPENSÁVEIS. FALTA DE PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO. Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manterse o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 17 32 /2 00 6- 80 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 82 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: 0 contribuinte supra identificado foi autuado por utilizar em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do exercício de 2003, anocalendário de 2002, deduções a titulo de Livro Caixa aplicadas a rendimentos de aluguel pago por pessoa jurídica. Informa o enquadramento legal na fl. 40 e que o valor do IRRF foi declarada a maior. Em decorrência disto, o contribuinte deixou de ter saldo de imposto a restituir e passou a ter Imposto Suplementar após a revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, no valor de R$3.521,47 (três mil, quinhentos e vinte e um reais e quarenta e sete centavos). 0 autuado recebeu a autuação em 25/10/2006 e apresentou defesa alegando em síntese que, apesar do abatimento ter sido feito no “Quadro das Deduções" na linha correspondente ao titulo "Livro Caixa", tratase de compensação de despesas efetuadas que visão manter a fonte pagadora como geradora de emprego e renda (f1.03). Aduz que a pessoa jurídica ao declarar na DIRF os pagamentos efetuados a pessoas físicas o faz pelo valor efetivo, destacando o Imposto de Renda Retido sem deduzir despesas como água, luz, impostos e condomínio. Alega que o abatimento prévio das despesas coloca o contribuinte na condição de sonegador e que os programas de computador não podem avaliar a pertinência do uso de Livro Caixa nos abatimentos, devendo a Receita Federal criar formulário com titilo “abatimento" no lugar de "Livro Caixa" para evitar interpretações equivocadas. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria RFB n° 222/2008, de 12 de fevereiro de 2008, veio o processo para julgamento nesta DRJ. A DRJ/Santa Maria julgou procedente o lançamento (fls. 55/58), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE LIVRO CAIXA DEDUÇÕES DE ALUGUEIS Não é permitida a dedução a titulo de Livro Caixa de rendimentos de aluguéis ou qualquer outro que não decorra das despesas necessária à percepção dos rendimentos do trabalho nãoassalariado. São dedutíveis dos rendimentos de aluguéis os valores pagos de impostos, taxas, emolumentos e despesas de condomínio quando suportados exclusivamente pelo locador. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 83 3 Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o Recurso de fls. 69/71, alegando que o uso do "Livro Caixa" é quase uma obrigação nas suas condições, pois os imóveis nem sempre estão 100% locados, gerando renda como pressupõe o regulamento do IR. e ainda exige despesas de manutenção para a sobrevivência do próprio bem gerador da renda, que também é acolhido pelo principio da preservação da fonte de renda. Diante do exposto acima requer a extinção definitiva do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem esclareceu a decisão recorrida, não é admitida a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa do rendimento de alugueis. Somente são admitidas as deduções do artigo 632 do RIR, efetivamente suportadas pelo locador, dispensada a escrituração do Livro Caixa mas necessária a comprovação através de documentos idôneos. Entretanto, no presente caso, não há como admitir dedução alguma de valores sobre aluguéis recebidos, uma vez que não foram carreados aos autos comprovantes de pagamentos de impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produziu o rendimento; despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e despesas de condomínio, cujos encargos teriam sido suportados pelo locador. tenha suportado estes encargos. Assim, não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manterse o lançamento. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 84 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16327.000115/2006-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
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DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 15 /2 00 6- 55 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/01/2006, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre abril de 2003 e setembro de 2003. Segundo a descrição dos fatos de fl. 08, foi relatado o seguinte: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Em maio de 2003, foi lavrado auto de infração referente ao PIS protocolado sob nº 16327.001921/200306 que abrangeu o período compreendido entre 01/1996 a 03/2003. No presente auto, constituímos o crédito tributário referente ao período de abril/03 a outubro/03, pois estes períodos encontram se declarados na DCTF como suspensos. 0 contribuinte vem depositando judicialmente os valores no MS 94.00176392, com i pedido para depositar o PIS ate o termino da ação judicial. Foi concedida liminar em 10/08/1994, mas posteriormente sentença denegatória foi exarada em 17/06/1996, sendo o, recurso recebido apenas no efeito devolutivo em 05/08/1996. Os autos encontramse no Supremo Tribunal Federal desde 28/06/99 aguardando apreciação de Recurso, Extraordinário. No referido processo o contribuinte contesta o disposto na EC 01/94, no entanto, após isso houve a edição da EC 10/96, da EC 17/97 e a partir de fevereiro de 1998 houve mudança na base de cálculo através de lei ordinária. Assim, entendemos que os créditos tributários lançados no presente auto de infração não estão amparados pela medida judicial mencionada e lavramos o presente auto de infração exigível e com multa de oficio. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que existem períodos no auto de infração que já foram julgados no processo 16327.001921/200306. Disse que o crédito tributário está com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN, em razão dos depósitos judiciais efetuados no âmbito do MS 94.0017639. A concessão da liminar suspendendo a exigibilidade ocorreu em 10/08/94, antes do início do procedimento de fiscalização. Embora o Mandado de Segurança trate da EC 01/94, seus efeitos se prorrogam até os recolhimentos atuais, sendo que as normas supervenientes, EC 10/96, 17/97 e Lei 9.701/98, apenas prolongaram a exigência, sem alterar o arquétipo da exigência. Atacou o lançamento dos juros de mora e da multa de ofício. A fiscalização imputou o valor total do depósito efetuado a períodos de apuração já alcançados pela decadência. A fiscalização deveria ter desconsiderado o período decaído, o que faria o período de maio de 2001 a março de 2002 se deslocar para setembro de 2001 a março de 2002, conforme planilha anexa. Solicitou o julgamento em conjunto com o processo 16327.000114/200619. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000115/200655 Acórdão n.º 3403003.533 S3C4T3 Fl. 3 3 Por meio do Acórdão 19.735, de 03 de dezembro de 2008, a DRJ São Paulo afastou a preliminar de lançamento em duplicidade e, no mérito, considerou que os débitos encontravamse com a exigibilidade suspensa e excluiu do lançamento os juros de mora e a multa de ofício, em julgado que recebeu a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. PERÍODO DE LANÇAMENTO JULGADO EM OUTRO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. Comprovado carecer de fundamento a alegação de o período lançado ter sido objeto de julgamento em outro processo, deve se prosseguir com o exame das questões de mérito arguidas. DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONSIGNAÇÃO DE JUROS DE MORA. DESNECESSIDADE. Por serem repassados para a Unido no vencimento do tributo, independentemente de qualquer formalidade, os depósitos judiciais fazem desnecessária a consignação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Suspensa a exigibilidade do tributo, con figurase hipótese de lançamento para prevenir a decadência, em que não cabe lançamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte Conforme informação da autoridade administrativa (fl. 246), o contribuinte foi notificado do Acórdão de primeira instância em 05/02/2009, tendo apresentado o recurso voluntário em 06/03/2009. Alegou o contribuinte que o débito está com a sua exigibilidade suspensa, em razão dos depósitos judiciais e requereu a suspensão da cobrança, até que sobrevenha decisão definitiva no processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos, a DRJ São Paulo já excluiu a multa de ofício e os juros de mora, por entender que o débito encontrase com a exigibilidade suspensa no âmbito do processo judicial 94.00176392. Em sede de recurso voluntário, a defesa solicita a suspensão da cobrança até que sobrevenha o desfecho da referida ação judicial. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Quanto à suspensão da cobrança, a decisão de inscrever ou não os débitos ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. À luz desses dispositivos legais, não cabe a este colegiado decidir por aquela suspensão em sede de recurso voluntário. A uma por falta de competência legal. A duas porque a exigibilidade do crédito tributário já está suspensa em virtude do efeito suspensivo dos recursos administrativos no âmbito do PAF. A três, porque em face da presente decisão ainda existem recursos que podem ser manejados pelo contribuinte. E a quatro, porque este colegiado não pode se manifestar sobre hipótese futura que pode, inclusive, nem se concretizar, uma vez que o resultado do processo judicial 94.00176392 é prejudicial a este processo administrativo. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904690/2009-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/02/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/02/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 46 90 /2 00 9- 23 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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