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Numero do processo: 13888.904185/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 41 85 /2 00 9- 83 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 337 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.288, às fls. 86 a 89: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 77/82, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de PIS/PASEP (código de receita: 8109), Cofins (código de receita: 2172), CSLL (código de receita: 5987) e IRRF (código de receita: 1708) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 73, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 00677.03068.221205.1.3.049879, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/72, na qual alega, em síntese, que certamente havia o crédito a ser compensado, conforme informado na PER/Dcomp supra, porém, o despacho decisório não homologou a compensação declarada por erro de fato na DCTF do 2° trimestre de 2002. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo a respectiva DCTF retificadora, relativa ao 2° trimestre de 2002, DIPJ/2003 e compensações com o DARF em epígrafe, para requerer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 338 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/09/2010 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 339 4 atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 340 5 CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 341 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 342 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 343 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 344 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.398 (fls. 267 a 284), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 313 a 326, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 330 a 332. Este é o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 345 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 22/12/2005 (fls. 79 a 84), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 2º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/07/2002 e possui o valor total de R$ 36.291,36. A compensação abrange débitos de PIS, COFINS, CSRF e IRRF, no montante de R$ 686,84 (principal mais acréscimos). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 36.291,36 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 75. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF retificadora do 2° trimestre de 2002. Malgrado o intento da contribuinte, importa assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente. por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 346 11 necessariamente instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ/2003 (fls. 18/56) e a DCTF retificadora (fls. 02/17). na qual se destaca o novo valor declarado. De se lembrar que, por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nessa linha, salientese que tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de urna série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. [...] Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 347 12 impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.398. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (22/12/2005), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 348 13 Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 349 14 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 350 15 organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 351 16 exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 352 17 RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 353 18 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 354 19 (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 7). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 355 20 Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 59. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 2º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 2º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.0074, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 2º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 356 21 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 313 a 326. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 2º trimestre de 2002, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deixou de deduzir o IR retido na fonte informado na declaração original, e que se ela tivesse utilizado estas retenções teria apurado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2002, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou IRPJ a pagar na declaração retificadora, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado recolhimento a maior (na parte que excede o IRPJ a pagar informado na DIPJ/retificadora); que pelo PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074 (objeto do processo nº 13888.910975/200906) a empresa pretende compensar débitos dos trimestres de 2002 (1º, 2º e 4º) com direito creditório de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2000, e que a repercussão desse PER/DCOMP sobre o presente processo depende do que o CARF vai decidir sobre a questão que está presente em todos os processos mencionados na informação fiscal (entre eles o de nº 13888.910975/200906), relativamente à definição do coeficiente para a presunção dos lucros (8% ou 32%). Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 330 a 332, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 357 22 exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.398. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Isso já é suficiente para o reconhecimento integral do crédito pleiteado nestes autos. De todo modo, vale registrar que nesta mesma sessão de julgamento está sendo homologada a compensação contida no referido processo nº 13888.910975/200906, que Fl. 357DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.904185/200983 Acórdão n.º 1802002.472 S1TE02 Fl. 358 23 também contribui para a quitação do IRPJ do 2º trimestre de 2002. Essa outra compensação, somadas às mencionadas retenções na fonte, reforçam ainda mais o entendimento de que foi indevido o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10880.003508/00-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ,
Ano-calendário: 1999
Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁC1TA.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002
convertem-se em declaração de compensação, conforme o § 4º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente.
Numero da decisão: 9101-000.728
Decisão: ACORDAM os membros da 1° turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, Ano-calendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁC1TA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002 convertem-se em declaração de compensação, conforme o § 4º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente.
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HOMOLOGAÇÃO TÃC1TA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01.10.2002 convertem-se ern declaração de compensação, conforme o § 40, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, e se consideram homologados tacitamente, nos termos do § 5 0, após o decurso do prazo de cinco anos de sua protocolização sem manifestação da autoridade competente. relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 1° turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCUS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalnzente) Viviane Vidal Wagner - Relatora EDITADO EM: 30/11/2010 CSRF-T1 Ft I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, er te !:.!.[ C.AP.10 S ALBERTO FREITAS ;JARRETO 073:12/2010 r Vi'v!A;qE VIDAL ii! ̀...T-IIAN E. VIAL 1201I r:eal ?In 1:1. 2 nardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio los Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Ional em face de acórdão proferido pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de tTibuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, siderando homologado pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos os pedido de compensação a izados entre 01.03.2000 a 14,07.2000,. 0 ilustre relator consignou em seu voto que "o termo inicial para contagem se deu em 09/03/2000, para o primeiro Pedido de Compensação, e em :14/07/2000, para o último Por conseqüência, o termo final foi ern 09/03/2005 e em 14/07/2005, respectivamente, O Despacho Decisório Os 139/141) que indeferiu o pedido de restituição foi lavrado em 06/04/2005 No entanto, a ciência do contribuinte somente se deu em 20/1012005". Diante disso, concluiu pela homologação tácita, tendo restado a decisão PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — HOMOLOGAÇÃO TÃ CITA — DiC011 idos cinco anos do pedido de compensação formalizado pelo contribuinte e convertido em declaração de compensação, nos termos das §§ e e 5° da Lei n° 9 430/1996, com as alterações inu aduzidas pelos al t49 da Lei n° 10 637/2002 e art 17 da Lei n° 1083312003, consideram-se tacitamente homologadas as compensações declaradas, e extinto o crédito tributário, A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência com amento no art. 7°, 11, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais vado pela Portaria n° 147, de 25 06 2007, apresentando paradigma que, em caso análogo, diu que a previsão legal de homologação tácita não se aplica a pedidos de compensação entados antes de 30,10.2003, pela impossibilidade de retroatividade da legislação . rvemente à entrega do pedido Em contrarrazões, a interessada aduz que deve ser aplicada a legislação ificada aos pedidos de compensação pendentes de apreciação à época e que a autoridade inistrativa teria reconhecido a retroatividade dos efeitos da norma com a edição da çâo Normativa SRF n° 460/2004. o relatório Az I loslci ,W Au ent r, Err tr.10.enl 7, '1 eere em 11'12120 10 pCti LC; .AI3ERTO FpErcAS 0,c ETO 0.:,i2 0 C.A. au .ente em C:?.¡"12/20 I 0 IVIANE VII)1--',L WAGNER 2 V2011 cab 1-Znrsti:/io di4 Processo n° 10880.003508/00-56 Acór18o n.° 9101-00,728 F $ CSRF-11 Fl 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Constatada a divergência jurisprudencial, o recurso merece ser conhecido e apreciado. A discussão cinge-se ao alcance da norma que prevê a homologação tácita da compensação informada em pedido de compensação posteriormente convertido em declaração' de compensação, como é o caso dos autos. 0 art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, deu nova redação ao art, 74 da Lei n° 9.430/96, 1 instituindo a Declaração de Compensação (PER/DCONfP), em que a compensação procedida pelo próprio contribuinte tem o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória l de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente 0 artigo alterado teve l a seguinte configuração: Art 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passivel de restitui cão ou de ressarcimento, poderá na compensação de dibitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuigile.s administrados por aquele Órglio.(Redacão dada pela Lei n° 10.637. de 2002) Wide Decreto n°7.212, de 2010) § JC A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilkados e aos respectivos débitos compensados fincluido pela Lei n° 10.637, de 2002) ,f 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutórict de sua ulterior homologação.(7nchlido pela Lei n° 10,637, de 2002) -.I .§ 4' Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (Indada pela Lei n° 10.637, de 2002) A vigência da referida norma a partir de 10 de outubro de 2002 foi estabelecida no art. 68 da lei modificativa. Assim, a partir dessa data, os pedidos pendentes converteram-se automaticamente em declaração de compensação. Após essa alteração, novas disposições surgiram com a edição da MP no 135, ,:,:)..1.0.13,949,1319Kincilte..cns,t.M1:‘?,-_PPYI-RoargAIARTieic1P?:496c.10rec99PFWORO eelareda, como se vê: enl:r:?.. 122010 por VIDAL VIA (2,14,7..R t :2%21'; r,Io cr 3 1.3 § 52 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redacão dada pela Lei n°10.833, de 2003) j 62 A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suliciente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833. de 2003) § 72 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados fincluido pela Lei n°10.833, de 2003) 82 Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 72, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União. ressalvado o disposto no § (Inchtido pela Lei n°10.833, de 2003) Alega o recorrente que não se submeteriam os pedidos de compensação vertidos em declaração de compensação à regra do §5 0 do art_ 74 da Lei n° 9.430/96, com a ção dada pela MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, ern face do principio da xiatividade da legislação tributária. Para o deslinde da questão, faz-se mister examinar todo o sistema jurídico. A Constituição Federal, em seu art. 50, inciso XXXVI, estabelece que "a lei prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada", O principio da inça jurídica aqui consubstanciado visa manter a estabilidade das relações jurídicas. Dele decorrem os princípios previstos no capitulo destinado ao Sistema , utario, dentre eles o princif4o da irretroatividade, que reza que aos entes tributantes é o cobrar tributos "em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência que os houver instituído ou aumentado" (destaquei) (art. 150, inciso Ill , alínea a, da CF) Nesse diapasão, o Código Tributário Nacional prevê, em seus arts. 105 e 106, gra de irretroatividade da legislação tributária e suas exceções A legislação tributária -se, imediatamente, somente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, nos moldes 105 do CIN, As hipóteses excepcionais de retroatividade, em beneficio do contribuinte, previstas no art. 106 e englobam a lei expressamente interpretativa e o ato não livamente julgado quando não importe mais ern in fração, não contrarie exigência de ação missão ou comine penalidade menos severa. A questão ora posta, contudo, não se submete ao principio da irretroatividade, rip se trata de instituição de tributo sobre fatos geradores já ocorridos e sim de forma de tituição e extinção do crédito tributário . , ebte i 112'2O ALBERTO FRE:TAS"JARRETO, D3 , 121201D p,of ,.'1%.r!Aird VIDAL ahnerite. 2t Vn!AG1.:ER 4 /2011 pc; f. n° 10880 003508100-56 rdiío n..° 9101-00.728 Fl. 5 CSRF-11 FL 3 ,N1F I I Onde antes se previa a mera suspensão da exigibilidade do crédito pela entrega de Pedido de Compensação, a partir da vigência do §5 0 do art 74 da Lei no 9.430/96, insorido pelo art. 17 da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, passou-se a prever a extinção do crédito tributário pelo decurso do lapso temporal de cinco anos da data da entrega da declaração de compensação (PER/DCOMP), considerada confissão de divida No momento em que estabelecido o prazo de homologação, considerando a linha cronológica das alterações legislativas, não havia mais que se falar em pedido I de compensação convertido, mas apenas em PER/DCOMP, já que aqueles, a partir de 01.10.2002, 1 deixaram de existir como tal e passaram a ser considerados declaração de compensação, desde a data do seu protocolo, para os efeitos previstos no art, 74 da Lei n° 9 430/96, nos termos do seu §4°. O estabelecimento de prazo para homologação tácita somente se tornou possível pela atribuição à PER/DCOMP do poder de confissão de divida, necessário para exigência dos débitos indevidamente compensados. Até a edição desse dispositivo, não havia prazo para que a Administração Tributária homologasse os pedidos de compensação, os quais não representavam confissão de divida. A constituição de crédito tributário pela declaração de compensação, dessa forma, equivale ao lançamento por homologação, o qual também se extingue pelo decurso do' prazo de homologação tácita. Assim, os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação (PER/DCOMP) não apreciados até 0110.2002, representam confissão de dividal- . e o crédito tributário compensado é extinto, sob ulterior homologação da Administração no prazo de cinco anos de seu.protpcolo, Cabe registrar, por fim, que a própria Administração Tributária, através da instrução Normativa SRF no 460/2004, reconheceu o alcance daquela norma sobre os pedidos antigos, nos termos seguintes: II Art. 29. A autoridade da SRF qua não-homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intinui-lo-ti a efetuar, no prazo de trino dias, contados da ciência do despacho de não-homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados § IE Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no p>a:o previsto no caput, o débito deveici ser encaminhado à PG1W, para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no art 48. •, ! • 7 , ,Vt.! 1,(3144TNI ' Ao Cy: § 2 O prazo para homologação da compensa cão declarada pelo sujello passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensa ção. [- Art. 64, Serão considerados Declamação de Compensação, paro os efeitos previstos no art 74 da Lei 129 9.430, de 1996. com .E redação determinada peto art 49 da Lei n2 10637, de 2002, e lera- Pff.1.95 lii03, 1 -bef, `.) MT,. de ri3n..:420 I 1 pe4c F1 &A compensação que, em 1 2 de outubro de 2002, encontravam-se pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF: (destaquei) 1 6 11 t1 F Pelo exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional, erando tacitamente homologados os pedidos de compensação relacionados na decisão rr da.. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner hr. , II ' „ Aa itiadq GWER 4t.it nO6zidli j Em tidri • rxm CARCCS ALE>IIRTO FREITAS BARRET°. 0'3 , 12 1 2 ,-J1 0 pot VIVIANE Al.re.r.7!: fl'31 I Ir) por V1V17-,Nr. v15,41, i2011 Fazend:',_ 6
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Numero do processo: 16327.000173/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
PRINCIPAL. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. ART. 8º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001.
Conforme se depreende do art. 8º da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o contribuinte tem o direito de extinguir, mediante compensação, o principal da CSLL lançada de ofício. Referido direito, entretanto, não se estende à multa de ofício e aos juros de mora exigidos em conjunto com a contribuição.
Numero da decisão: 1201-001.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 PRINCIPAL. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. ART. 8º DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. Conforme se depreende do art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o contribuinte tem o direito de extinguir, mediante compensação, o principal da CSLL lançada de ofício. Referido direito, entretanto, não se estende à multa de ofício e aos juros de mora exigidos em conjunto com a contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.080, exarado pela 10ª Turma da DRJ 1 em São Paulo – SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 73 /2 01 0- 65 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 287 e ss.): Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL do ano calendário de 2006, relativamente à falta de adição de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa provisionados. No Termo de Verificação de Infração – IRPJ e CSLL reflexa (fls. 126 a 133), relata a fiscalização que a contribuinte em epígrafe, no ano de 2006, efetuou provisões a título de juros calculados sobre os valores dos tributos suspensos, tendo como contrapartidas contas de despesas, que reduziram o montante do lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL. Acrescenta que tais provisões não foram adicionadas às bases de cálculo desses tributos. Sustenta a fiscalização que essas provisões são indedutíveis, a teor do disposto no art. 41, §1º, da Lei nº 8.981/95, no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95 e nos artigos 3º e 50 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Ante os fatos acima expostos, foram lavrados autos de infração (fls. 113 a 125) para a exigência de R$ 38.070.064,40 a título de IRPJ e de R$ 13.713.863,18 a título de CSLL, acompanhados de multa proporcional e de juros de mora, totalizando R$ 107.270.405,97. Cientificada das autuações em 23/02/2010, a contribuinte apresentou em 01/03/2010, a petição de fls. 135 a 137 dirigida ao Sr. Delegado da Deinf/SPO, na qual alega que efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL com os benefícios concedidos pela Lei nº 11.941/2009. Em relação à CSLL, alega que recolheu montante inferior ao lançado, pois tem direito à compensação de 30% nos termos do art. 8º da Medida Provisória nº 1.858/99. Ressalta que o cálculo e o pagamento consideraram o referido direito à compensação. Caso a Deinf/SPO não reconheça a compensação efetuada, a contribuinte requer que a petição seja recebida como impugnação, pois o direito à compensação está expressamente previsto em lei, sendo que a autoridade autuante tinha o dever de ofício de considerar a compensação no cômputo do valor lançado nos termos do art. 142 do CTN. Em 27/06/2011, a Deinf/SPO/Dicat proferiu o despacho de fls. 238 e 239, pelo qual a parcela do crédito tributário objeto do parcelamento foi transferido para o processo nº 16327.720707/201154 (fls. 240), apensado ao presente processo. Assim, neste processo, foi mantido apenas o crédito tributário relativo à CSLL no montante de R$ 4.114.158,95, com a Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 4 3 respectiva multa proporcional de R$ 3.085.619,21, além dos juros moratórios. Ao apreciar os argumentos de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação, conforme trecho do voto a seguir transcrito (fl. 290 e ss.): Assim, dado o caráter excepcional do crédito compensável criado pelo legislador, calculado pela aplicação do percentual de 18% sobre o valor da base de cálculo negativa e das adições temporárias havidas em 31/12/1998, resta evidente que o gozo do benefício fiscal há de se efetivar dentro dos estritos termos da lei, sendo incabível interpretála de forma extensiva. O texto legal, acima reproduzido, indica que ao contribuinte que desejar gozar do benefício fiscal – que é facultativo – cumpre escriturar o crédito em seu ativo e utilizálo por ocasião da sua compensação com a CSLL em cada período de apuração. Neste diapasão, é de se concluir que o crédito compensável em questão somente pode ser utilizado para a apuração e o recolhimento tempestivo do débito de CSLL, jamais para liquidar débitos posteriormente lançados em procedimento de ofício. Destarte, é de se concluir que a compensação do crédito de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa de CSLL e sobre os valores adicionados temporariamente, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, constitui faculdade a ser tempestivamente exercida pelo contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento do débito da CSLL, não sendo admitida a referida compensação para liquidar o débito de CSLL lançado de ofício. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 295 e ss.): a) ao contrário do afirmado pela DRJ, o art. 8º da Medida Provisória nº 1.858/99 não veda a compensação do direito creditório ali estabelecido, com débito da CSLL lançado de ofício; b) a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes vai ao encontro do acima afirmado, conforme acórdão 10196.869, exarado pela 1ª Câmara em 14/08/2008, e acórdão 10515.872, lavrado pela 5ª Câmara em 27/07/2006. Ao apreciar o voluntário, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade local verificasse tanto a existência do direito creditório alegado pela interessada quanto a observância dos requisitos estabelecidos em lei para a realização da compensação. Elaborado o relatório de diligência e regularmente cientificada a interessada, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 5 4 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Compensação Pretendida De início, importante esclarecer que a Medida Provisória nº 1.85899, base normativa do direito alegado pela recorrente, foi reeditada sucessivamente até a Medida Provisória nº 2.15835/2001, a qual permanece em vigor por força do disposto no art. 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001. A interessada exerce atividade de instituição financeira, conforme art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24/07/91, cumprindo assim um dos requisitos impostos pelo art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que assim estabelece: Art. 8º As pessoas jurídicas referidas no art. 1º, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § 1º A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. § 2º A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 3º O direito à compensação de que trata o § 2º limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. Pois bem, conforme alegado pela defesa, a norma acima transcrita não veda a compensação do crédito ali descrito com a CSLL lançada de ofício, daí porque a autuada tem direito a promovêla, desde que existente o crédito e observadas as condições estabelecidas na Medida Provisória em comento. No que concerne à existência do alegado direito creditório, bem como a observância dos requisitos estabelecidos para a realização da compensação, a autoridade que realizou a diligência assim se manifestou: Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 6 5 11. Pois bem, dos elementos trazidos aos autos, o crédito correspondente a 18% da base negativa da CSLL e/ou adições temporárias acumuladas até 31/12/98, seria de R$ 447.907.892,90, como, aliás, registrado no SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, da RFB, sem que tenha a autoridade fiscal, mesmo após o encerramento do procedimento a que se refere o item precedente, promovido qualquer alteração (folhas 328 a 348); 12. No mesmo sentido, dos documentos ora anexados, particularmente o mencionado SAPLI, salta evidente inexistir em 31/12/98 qualquer valor registrado a título de base negativa da CSLL, não havendo como o interessado, com fulcro no art. 16 da Lei nº 9.065/95, dele terse aproveitado para compensar a base de cálculo da CSLL apurada em períodos posteriores; 13. De outro giro, quanto aos valores adicionados temporariamente ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL dos períodos encerrados até 31/12/98, dos quais decorreu o crédito apontado no item 11, podese também afirmar, a partir da resposta ao “Termo de Intimação”, não ter sido eles, para os propósitos da presente análise, excluídos do lucro líquido apurado no encerramento de períodos seguintes; 14. Dessa forma, com base no princípio da verdade material, dúvida não pode remanescer acerca da certeza do indigitado crédito da CSLL; 15. Por outro lado, no que diz respeito ao registro contábil do crédito em questão, a cópia do Balancete entregue ao Banco Central do Brasil para o período Jan/2013 comprova sua escrituração em conta ativa (conta COSIF nº 1899.901.000.000 1), fato esse, ademais daqueles apontados nos itens 12 e 13, suficientes, no nosso entender, para atestar a sua liquidez, embora não para convalidar os fatos decorrentes dos lançamentos contábeis reflexos em conta credora, o que, no entanto, foge ao escopo da Resolução do CARF (folha 703); 16. No tocante ao aproveitamento do crédito para compensação da CSLL dos anoscalendário 99 e seguintes, inclusive o objeto do Auto de Infração, o demonstrativo apresentado pelo interessado convalida as informações prestadas em DIPJ, assim como aquelas constantes do SAPLI, exceto pela revisão a ser procedida, caso acolhido o Recurso Voluntário em discussão (folhas 349 a 392 e 702). (...) Registrese que em razão do disposto no art. 8º, § 3º, acima transcrito, o direito à compensação limitase “ao valor original do crédito”, não alcançando a multa de ofício e os juros de mora lançados. Não custa lembrar que a multa de ofício e os juros de mora foram lançados em razão de a compensação ter sido realizada após iniciado o procedimento de ofício. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.000173/201065 Acórdão n.º 1201001.067 S1C2T1 Fl. 7 6 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a exigência do valor principal da CSLL lançada, mantendose todavia a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Deverá a autoridade local registrar no SAPLI o ajuste na conta “Saldo Crédito CSLL Decorrente BC Neg. e Adições Temp. até 31/12/1998”. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11516.005389/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM NA CAUSA.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado.
As provas trazidas nos autos demonstram que o Sr. Daniel Pedro Morando possuía interesse no negócio e ficou com a maior parte dos bens após o esvaziamento patrimonial da empresa.
Embargos conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, em NEGAR-LHES provimento. Ausente para tratamento de saúde o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Eliza Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM NA CAUSA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. As provas trazidas nos autos demonstram que o Sr. Daniel Pedro Morando possuía interesse no negócio e ficou com a maior parte dos bens após o esvaziamento patrimonial da empresa. Embargos conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos e, no mérito, em NEGARLHES provimento. Ausente para tratamento de saúde o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Eliza Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 53 89 /2 00 7- 71 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Sr. Daniel Pedro Morando, responsável solidário nos autos do processo administrativo em julgamento, que busca anular o julgamento já realizado do Recurso Voluntário por essa mesma Colenda Turma, sob o entendimento de que não havia sido intimado pelo Diário Oficial quanto à data do julgamento. Por meio de despacho foi proposto por esse Relator que se anulasse o acórdão proferido em julgamento do Recurso Voluntário, devendo ser refeito o julgamento com a devida intimação do responsável solidário, sendo devidamente acolhido pelo ilustre Presidente desta Turma Julgadora. Refeita a intimação do julgamento do Recurso Voluntário com a inclusão do nome do responsável solidário na publicação da pauta por Diário Oficial, sendo dado a palavra no julgamento ao patrono do responsável solidário, que se manifestou realizando a devida sustentação oral, não há mais nos autos nenhuma nulidade de intimação. Nestes termos, passemos à descrição dos fatos tomando como parte do presente relatório os enunciados trazidos na decisão de primeira instância administrativa proferida pela DRJ: A pessoa jurídica acima qualificada foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou formalizada sua exclusão do Simples Federal (fl. 122), bem assim a exigência de IRPJ (fls. 432/441) e da CSLL (fls. 458/468) segundo as regras do Lucro Arbitrado, e ainda, da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 442/449 e 471/480) e da Cofins (fls. 450/457 e 483/492), todas relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme demonstrativo abaixo: (...) Conforme as DSPJ apresentadas (fls. 41 a 76), a pessoa jurídica era optante pelo Simples Federal nos anos de 2003 e 2004. O crédito tributário foi determinado a partir de base de cálculo composta da receita declarada em Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — DSPJ, e de receita omitida apurada em observância ao disposto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram arrolados como responsáveis solidários pela exigência fiscal formalizada no presente processo, os Srs. Pedro Luiz da Silva Filho e Daniel Pedro Morando. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 4 3 Registrese, a pessoa jurídica, ao tempo da fiscalização, a pessoa jurídica não mais se encontrava no endereço cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Destarte, a comunicação à fiscalizada acerca do inicio do procedimento somente se deu quatro meses após a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, com a localização do único sócio remanescente, Sr. Pedro Luiz da Silva Filho (conforme a Nona Alteração Contratual — fls. 02 a 06 do Anexo I). Paralelamente às diligências para localizar a empresa e o representante legal perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF (fls. 150 a 155 e 211 a 222) aos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú, HSBC e Banco do Brasil. Em atendimento às RMF, foram encaminhados à RFB extratos bancários e outros documentos (Anexos II e III). A fiscalização intimou diversos supermercados a apresentar cópias de notas fiscais de mercadorias adquiridas junto a CB Distribuidora, e do Livro Razão onde foram registradas as referidas compras (fls. 164 a 187). Os documentos obtidos em resposta às referidas intimações encontramse nos Anexos IV. Também foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF a OPA Factoring e Fomento Mercantil Ltda (fls. 208 a 210). Os documentos obtidos em resposta às referidas intimações encontramse às fls. 02 a 60 do Anexo IV. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 161 e 162), do qual teve ciência em 09 de maio de 2007, a contribuinte, na pessoa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, foi intimada a apresentar, dentre outros documentos: a) Atos Constitutivos e Alterações posteriores; b) Livros Diário e Razão; c) Livro Caixa; d) extratos de contas bancárias de todas as instituições financeiras onde mantinha movimentação. Em 24 de maio de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho respondeu ao Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 188 e 189), declarando que não dispunha da documentação contábil e fiscal da pessoa jurídica, e que nem mesmo havia conseguido obter os extratos bancários. Alegou que a partir de 24 de setembro de 2004 teve seu acesso à empresa impedido pelo Sr. Daniel Pedro Morando, que afirmou ser o proprietário de fato da pessoa jurídica. De posse dos extratos bancários, obtidos através das já referidas RMF, em 27 de agosto de 2007 (fls. 226 a 254) a fiscalização Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 5 4 intimou a contribuinte, na pessoa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, a comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do RIR/99, a origem dos recursos utilizados nas operações lançadas a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú e HSBC. Na intimação acima referida, a fiscalização deu ciência à contribuinte de que havia requisitado os extratos bancários diretamente as instituições financeiras, e anexou demonstrativos contendo, de forma individualizada, os lançamentos a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Real, Unibanco, Bradesco, hall e HSBC. A fiscalização também informou que nos referidos demonstrativos não foram incluídos os lançamentos que correspondem a estornos, transferências entre contas da própria contribuinte, empréstimos e financiamentos, resgates de aplicações, devoluções de cheques e coberturas de saldo devedor. Em 31 de agosto de 2007 (fls. 271 a 300), o Sr. Daniel Pedro Morando foi informado acerca do procedimento fiscal, das constatações e dos atos até então praticados pela fiscalização. Destacase a seguir, pela relevância, trecho do Termo de Intimação: Neste ato, o Senhor Daniel Pedro Morando, CPF n° 003.511.75911, toma ciência do Mandado de Procedimento Fiscal que determina a presente fiscalização em empresa na qual se CONSTATA ser sócio de fato, com poderes de gestão, utilizando seu filho, Matias Morando, CPF n° 006.193.55905, como sócio de direito, até a quinta alteração contratual, quando restou no quadro societário apenas o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, que declarou ter deixado a empresa com a respectiva contabilidade em mãos do ora intimado, proprietário do imóvel onde a empresa então operava, conjuntamente com outra empresa, também de propriedade do intimado — "Meat Plus Alimentos Ltda.". No mesmo Termo de Intimação em que foi comunicada a ação fiscal que se encontrava em andamento, o Sr. Daniel Pedro Morando foi intimado a: a) apresentar a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica; b) apresentar notas fiscais de saídas e entradas; c) comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199), a origem dos recursos utilizados nas operações relacionadas em demonstrativos anexos, lançadas a crédito nas contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú e HSBC. Em 14 de setembro de 2007, em resposta A intimação acima mencionada (fls. 339 e 340), o Sr. Daniel Pedro Morando afirmou que em nenhum momento era ou é sócio de direito ou de Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 6 5 fato da empresa CB DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, bem assim que esta providenciando a juntada de diversos documentos que corroboram a afirmativa acima. Em 24 de outubro de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho solicitou cópia dos extratos bancários da empresa (fl. 357). No atendimento da solicitação, a fiscalização concedeu novo prazo para apresentação de esclarecimentos acerca da movimentação bancária (fls. 358 e 359). Nada foi apresentado. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Em 09 de novembro de 2007, a fiscalização apresentou Representação Fiscal para Exclusão da CB Distribuidora do Simples Federal (fls. 01 a 07), com efeitos a partir de janeiro de 2003, com base no inciso V do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, por negarse a exibir livros e documentos a que está obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre sua movimentação financeira, pela utilização de interpostas pessoas no seu quadro societário e pela pratica reiterada de infrações a legislação tributária, consoante o estabelecido no artigo 14, incisos II, IV e V, da Lei n° 9.317, 05 de dezembro de 1996. Sobre a interposição de pessoas, segundo a fiscalização: [..] a despeito do que retratam formalmente os contratos sociais, constatouse que o verdadeiro adquirente da empresa "CB" (/unto com a "Chapolin') não foram, efetivamente, Pedro Luiz da Silva Filho e Matias Morando, mas Daniel Pedro Morando, pai deste. Assim comprovam as escrituras de imóveis anexas, através da quais fica evidenciada a triangulação que simulou a aquisição de empresas por interposta pessoa, como se demonstra: [...] A seguir, com base em escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003 (fls. 18 a 30), a fiscalização explica que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada no item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00 e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 7 6 A fiscalização destaca que, à época, Arnaldo Venicio de Souza, cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza). Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 08 a 15), de 1° de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das quotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. Em resumo, a fiscalização entendeu que as operações imobiliárias não ocorreram da forma como apresentada nos documentados, e as empresas CB e Chapolin foram, na verdade, adquiridas pelo Sr. Daniel Pedro Morando que, para esse fim, teria transferido ao Sr. Arnaldo Venicio de Souza dois terrenos de propriedade de sua empresa (DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda). Essa conclusão é evidenciada ao final da descrição dos fatos. Nas palavras da fiscalização (fl. 05): Indubitavelmente, quem adquiriu as participações societárias foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, Matias Morando. Para corroborar a conclusão inescapável de que o Sr. Daniel Pedro Morando era o verdadeiro sócio, constatouse que o imóvel onde funcionavam todas essas empresas (Rod. SC 401 Km 5,5, n. 5.309 — Cacupé — Florianópolis/SC) foi adquirido pelo Sr. Daniel Pedro Morando em 28/11/2003, em parte com recursos da Meat Plus, e, ainda, que esta pessoa também adquiriu da CB Distribuidora, em 19/01/2004, equipamentos utilizados por ambas, Meat Plus e CB, a saber, das câmaras frias e 156 freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios em anexo. Cabe esclarecer que, conforme destaca a fiscalização (fl. 400), a pessoa jurídica interessada no presente processo (CB Distribuidora de alimentos Ltda) e a empresa acima mencionada, denominada Meat Plus Alimentos Ltda, à época dos fatos, tinham os mesmos sócios, funcionavam no mesmo endereço, no mesmo ramo de atividade e com os mesmos produtos, compartilhando instalações, equipamentos e funcionários. O lançamento tributário contra Meat Plus Alimentos Ltda, resultante de procedimento fiscal conduzido simultaneamente com o discutido no presente processo, encontrase nos autos do processo administrativo n° 11516.005429/200784, também nesta DRJ em fase de julgamento de impugnação ao lançamento. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 8 7 Quanto à prática reiterada de infrações i legislação tributária, a fiscalização afirma que a contribuinte movimentou, no período fiscalizado, mais do que o dobro das receitas declaradas. Segundo a fiscalização, a continua movimentação financeira ocultada da fiscalização e a declaração de valores muito abaixo dos devidos constituem evidente intuito de fraude. Ressalta ainda a fiscalização que a contribuinte não apresentou quaisquer documentos relativos a sua escrituração contábil ou Livro Caixa. A exclusão do Simples Federal, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2003, foi operada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 63, de 12 de novembro de 2007, do qual Pedro Luiz da Silva Filho teve ciência em 21 de novembro de 2007, e Daniel Pedro Morando, por meio de seu procurador, em 19 de novembro de 2007 (fl. 122). DA RECEITA TRIBUTÁVEL Não tendo sido apresentadas quaisquer justificativas acerca da movimentação bancária da contribuinte, a fiscalização considerou como não comprovada a origem dos depósitos bancários relacionados nos demonstrativos de fls. 228 a 254. A partir dos depósitos considerados não justificados, e após deduzir os valores declarados pela contribuinte nas DIPJ, a fiscalização considerou as diferenças como sendo receita omitida, com base no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A demonstração da receita tributável encontrase à fl. 422. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Considerando a exclusão de oficio do Simples, a contribuinte passou a se sujeitar às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996. Conforme relatado acima, a contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal relativa aos anos de 2003 e 2004. Diante desse fato, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte com base no art. 530, inciso III, do RIR199. Na determinação dos montantes devidos, a fiscalização considerou os pagamentos efetuados pela contribuinte segundo as regras do Simples Federal (fls. 419 e 420). DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalização entendeu estarem presentes as circunstâncias previstas no art. 957 do RIR199, que ensejam a aplicação da multa de oficio qualificada de 150%. Nas palavras da fiscalização (fl. 418): Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 9 8 A contribuinte movimentou de forma continuada recursos muito superiores aos montantes declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem comprovação de origem, nos dois anos fiscalizados, em diversas instituições financeiras. Tal comportamento caracteriza o evidente intuito de fraude, conforme art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda. Mas, há, ainda, a utilização de interpostas pessoas, práticas operacionais ilícitas, flagrante confusão patrimonial entre empresas e seus dirigentes, falsidades nas informações prestadas ao fisco, dissolução irregular das empresas e tantos outros subterfúgios conforme histórico que ora se apresenta. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização relata ter constatado a ocorrência de infrações à lei, a utilização de interpostas pessoas e dissolução irregular da pessoa jurídica, além do abuso da personalidade jurídica em razão de desvio de finalidade e de confusão patrimonial. Diante de sua constatação, a fiscalização atribui a condição de responsáveis solidários a PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO (único sócio remanescente, com poderes de administração) e a DANIEL PEDRO MORANDO, que entende tratarse de sócio de fato. A conclusão da fiscalização está demonstrada nas seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal (fls. 410 e 412): Sabido é que o mero inadimplemento tributário não é hábil para justificar, de per si, a responsabilização dos sócios — administradores. Mas, repitase, o inadimplemento da obrigação tributária está acompanhado, no caso sob exame, da comprovação dos poderes dos administradores, do abuso da personalidade jurídica, da dissolução irregular das empresas e de infrações à lei. No presente caso, os atos abusivos sobejam, conforme exaustivamente se historiou e comprovou, bem como a participação de Daniel Pedro Morando na "vida" das duas empresas. DO INTERESSE E DOS PODERES DO SR. DANIEL PEDRO MORANDO Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na CB Distribuidora, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) a interposição de pessoas já descrita neste relatório, quando foram relatados os motivos para a exclusão do Simples; b) o Sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 10 9 c) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP MARTINS (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 316); d) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Os demais argumentos utilizados pela fiscalização, e que dizem respeito a fatos relacionados exclusivamente à MEAT PLUS, não serão relatados. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS Além do Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, foram também lavrados Autos de Infração em que são exigidas a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004. No caso das receitas declaradas, a fiscalização explica que não há lançamentos reflexos, tendo, por essa razão, constituído de oficio os créditos tributários em autos de infração apartados. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL No primeiro item de sua petição (I — DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, fl. 534), a impugnante referese a crédito tributário apurado com base em fatos geradores ocorridos em 2003, 2004 e 2005, quando, em verdade, o lançamento não abrange fatos ocorridos em 2005. No item II — Dos FATOS SUPERVENIENTES (fls. 535 a 537), a impugnante alega que não raras vezes quantias migravam de uma conta bancária para outra, entre as empresas MEAT PLUS, CB DISTRIBUIDORA e as pessoas físicas Pedro Luiz da Silva Filho, Daniel Pedro Morando e Matias Morando, razão pela qual a movimentação financeira não guarda relação com base de cálculo apurada pela fiscalização. Ainda no item II, a impugnante faz menção a planilhas que teriam sido protocoladas em 26 de novembro de 2007 — após, portanto, a ciência do lançamento — contendo informações sobre movimentações financeiras realizadas sucessivas vezes entre as empresas. PRELIMINARES O item III da petição é destinado a questões preliminares. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 11 10 No item III., a impugnante alega que o lançamento é nulo porque não foi fixado prazo máximo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, conforme o disposto no art. 196 do Código Tributário Nacional. E, segundo a impugnante, mesmo que tivesse fixado prazo máximo, deixou a autoridade administrativa de lavrar Termo de Prorrogação. A preliminar contida no item III.II diz respeito à responsabilidade solidária de Pedro Luiz da Silva Filho, e será relatada em momento próprio. Na preliminar III.III — DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA/VÍCIO DO LANÇAMENTO (fls. 542 e 543), em razão de a autoridade fiscal ter aplicado multa de oficio, quando, no entendimento da impugnante, deveria ter apenas proposto sua aplicação, alega a nulidade do lançamento ou, ao menos, pugna que seja declarada indevida a aplicação da multa. No seu entender, o fisco deveria se limitar a elaborar um relatório da ocorrência e leválo ao conhecimento da autoridade julgadora, quando então poderia ser efetivamente imposta a penalidade. Ainda no item III.III, citando Ruy Barbosa Nogueira, alega que as leis ordinárias e os regulamentos que atribuem aos agentes fiscais a lavratura de autos de infração com imposição de multas violam o CTN. Na preliminar III.IV, a impugnante alega que a forma de calcular os juros de mora, encargos e atualização monetária não é explicada detalhadamente nos Autos de Infração, nos demonstrativos de multa e juros e nem no Termo de Verificação Fiscal, o que representaria um erro grave. Fundamenta sua afirmação na exigência da necessária observância do aspecto formal do ato administrativo, que viabilize o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ainda no mesmo item, a impugnante afirma que deve estar expresso no lançamento o valor originário, os juros que incidem sobre o valor originário (com indicação da data a partir da qual devem ser computados e a forma de calcular), os encargos previstos na lei, a atualização monetária, e o fundamento legal dos elementos acima citados. Para a impugnante, não basta apenas mencionar a legislação e lançar números. Questiona se não haveria, no caso, a incidência de juros sobre juros, ou de multa sobre multa. No item III.V, a impugnante expõe seu entendimento sobre o instituto do lançamento tributário, para então afirmar que, no presente caso, os aspectos da hipótese de incidência não estão identificados, o que ensejaria sua nulidade. Alega que as razões legais que determinam o lançamento estão postas de forma confusa, o que acarreta cerceamento do seu direito de defesa, Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 12 11 tornando difícil a averiguação dos números lançados pelo fisco em seus cálculos matemáticos. No mesmo item, afirma que o Fisco não apresentou elementos que pudessem ensejar o referido ato fiscal e arremata, citando Paulo de Barros Carvalho, dizendo que "0 ato jurídico administrativo de lançamento será nulo, de pleno direito, se o motivo nele declarado — a ocorrência de determinado fato jurídico tributário por exemplo — inexistiu." Por fim, em item não numerado denominado DO LANÇAMENTO INSANÁVEL (fls. 546 a 548), a impugnante ataca o fato gerador e a base de cálculo do lançamento, alegando que inexistiu um levantamento correto. Afirma que não são infreqüentes as ocasiões em que o profissional do Direito Tributário se depara com autuações nas quais os fatos alegados pelas autoridades fiscais não se enquadram em hipóteses abstratamente escolhidas pelo legislador para a exigência de um tributo. Citando o art. 333 do Código de Processo Civil e ementa de julgado do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, de 18/12/1985, afirma que, para a configuração do fato gerador, compete ao poder público, de modo privativo e obrigatório, a comprovação da existência de todos os elementos componentes do fato, sob pena de mera presunção. Para a impugnante, o contribuinte não pode em hipótese alguma ser apenado por alegações decorrentes de mera presunção simples, sem provas que venham a materializar o dito lançamento tributário. QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, a impugnante primeiramente afirma que nada deve ao Fisco, tendo sido registradas e declaradas todas as movimentações financeiras, e comerciais da(s) pessoa(s) jurÍdicas(s), conforme restará evidenciado no decorrer do presente procedimento administrativo, somado a matéria indicada nos fatos supervenientes, e nas preliminares arguidas. No item IV.I, intitulado DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO, E DO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (fls. 549 a 551), a impugnante alega que não apresentou a escrituração contábil e fiscal à autoridade fiscal porque a contabilidade era controlada pelo sócio administrador de fato DANIEL MORANDO. A impugnante alega, ainda, que os extratos bancários que foram requeridos pelo Fisco, somados às notas fiscais obtidas junto a clientes, seriam suficientes para ilidir o arbitramento. A impugnante defende que o arbitramento alcançou valores muito elevados porque o "mesmo dinheiro" acabava circulando na conta das pessoas físicas e jurídicas apontadas [..] o que gerava grande vulto. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 13 12 Citando o disposto no art. 148 do CTN, afirma que a legislação tributária nacional é clara ao dispor que somente será realizado o arbitramento quanto [sic] forem omissos, ou não mereçam fé os documentos prestados pelo sujeito passivo o que tornaria inviável o arbitramento em exame, pois os documentos colhidos de terceiros [...] são fidedignos. Ainda no item IV.I, novamente afirma que não estando indicados [...] todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, o lançamento coloca também os Impugnantes em evidente hipótese de cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. O item IV.II (fls. 551 a 558) destinase a atacar a constitucionalidade e a legalidade da aplicação da taxa SELIC ao caso. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo de relatar essa parte da argumentação da impugnante. No item IV.III (fls. 551 a 558), alegando que à época dos fatos geradores era optante do Simples, a impugnante se insurge contra o lançamento fiscal efetuado segundo as regras aplicáveis aos não optantes. O item IV.IV (fls. 561 a 564) destinase a atacar a constitucionalidade das normas legais que cominam as multas fiscais em 150% ou 75%. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo também de relatar essa parte da argumentação da impugnante. No item IV.V a impugnante contesta a qualificação da multa de oficio alegando que não existem elementos probatórios acostados nos autos administrativos capazes de ensejar a aplicação furiosa de percentuais astronômicos. Entende que, caso seja admitida a procedência do crédito em discussão, seria o caso de aplicação da multa de 75%, prevista para a falta ou insuficiência de pagamento. PEDIDOS Por fim, no item V — DOS PEDIDOS, a impugnante requer o acatamento das preliminares arguidas, além de toda a matéria de mérito; pugna pela produção de todos os gêneros de provas admitidas em direito; requer que sejam acostados todos os documentos que constituíram o procedimento que originou o lançamento, dentre eles, os termos de abertura, prorrogação, diligências etc; e requer ajuntada de novos documentos tendo em vista as buscas incessantes realizadas pelo Segundo Impugnante/PEDRO LUIZ para comprovar as teses apresentadas. DA IMPUGNAÇÃO Á RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATRIBUÍDA A PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO A impugnação à responsabilidade tributária solidária do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho foi apresentada em conjunto com a impugnação da pessoa jurídica ao lançamento. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 14 13 A seguir, portanto, serão relatadas apenas as alegações relativas à responsabilidade tributária. No item II — DOS FATOS SUPERVENIENTES (fls. 535 a 537), o impugnante alega que: embora conste como sócio administrador da CB Distribuidora, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais; era responsável apenas pelas atividades comerciais da CB Distribuidora; atuava subordinado aos comandos do sócio de fato Daniel Pedro Morando; deixou de apresentar a escrituração contábil e os documentos que lhe dão suporte porque teve obstada sua entrada no imóvel onde funcionava a CB Distribuidora; sua ilegitimidade passiva é evidente, tendo sido posto para figurar nos contratos sociais como proprietário e administrador, mas efetuava atos apenas por subordinação aos comandos de Daniel Pedro Morando. No item III.II (fls. 539 a 541) o impugnante aprofundase nas alegações de ilegitimidade passiva decorrente da inexistência de solidariedade, aduzindo que: foi inserido nos contratos sociais como proprietário a administrador, mas nunca ocupou, ou teve proveitos correspondentes às prerrogativas que lhe foram atribuídas formalmente; sua responsabilidade com base no inciso III do art. 135 do CTN exige a evidente prática de atos de direção ou gerência, que, de sua parte, não estiveram presentes; a simples condição de sócio não implica a responsabilidade tributária prevista no inciso III do art. 135 do CTN; o inadimplemento da obrigação tributária não configura violação à lei apta a ensejar a responsabilidade dos sócios. No mais, o impugnante reiteradamente alega que a responsabilidade tributária deveria recair, exclusivamente, sobre Daniel Pedro Morando. DA IMPUGNAÇÃO À RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATRIBUÍDA A DANIEL PEDRO MORANDO Conforme já mencionado, em 19 de dezembro de 2007, o Sr. Daniel Pedro Morando apresenta impugnação de fls. 502 a 514. O impugnante inicia sua petição afirmando que a fiscalização não foi contundente e investigativa a ponto de demonstrar que era sócio de fato da CB Distribuidora, que praticava atos de Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 15 14 gestão na mesma, ou que teria se beneficiado com a movimentação financeira da empresa. Alega que a fiscalização manipulou as informações e datas sobre a saída de Matias Morando, seu filho, numa clara tentativa de induzir a idéia de que Matias Morando preparou de forma pré meditada a dissolução irregular da mesma. Passando para outro aspecto do relato fiscal, o impugnante afirma que a fiscalização, numa clara tentativa de caracterizar uma continuidade, uma sucessão da CB Distribuidora, relata que ao mesmo tempo em que Matias Morando saia das sociedades, seu pai Daniel Pedro Morando criava a FLORIGEL, da qual era sócio com 94% do capital e com o mesmo objeto da CB Distribuidora. No entanto, a fiscalização teria omitido o fato de que a FLORIGEL, no período em que Daniel Pedro era detentor de cotas dessa sociedade, não efetuou qualquer movimentação, não atuou no mercado, não tinha inscrição estadual, não tinha talonário de notas fiscais, e que essa informação foi prestada na declaração de inatividade à Receita Federal do Brasil. Fazendo referência a processos criminais, a que teve acesso a fiscalização, em que a suspeita dos juizes é de que Pedro Luiz da Silva Filho roubou da Perdigão e agora usa Daniel Pedro Morando como seu "laranja", o impugnante alega que para a fiscalização é justamente o contrário: Pedro Luiz da Silva Filho é "laranja" de Daniel Pedro Morando. Ou seja, a fiscalizado se apóia em processos que até agora apuraram justamente o oposto do que o apurado pela fiscalização. O impugnante alega cerceamento de seu direito de defesa em razão de não lhe terem sido disponibilizados os processos criminais citados pela fiscalização. Contesta a conclusão da fiscalização de que é o verdadeiro proprietário da empresa. Alega que a tese da fiscalização é baseada em declaração de Pedro Luiz da Silva Filho, desconsiderando documentos, particulares e públicos, atos jurídicos perfeitos e distorcendo a realidade para que ela se adequasse a sua tese. O impugnante afirma que durante todo trabalho a fiscalização não se preocupou em apurar a verdade material. Afirma que o fato de ser proprietário e locador de imóvel no qual está estabelecida a sociedade empresarial não o torna sócio da empresa locatária. Faz considerações sobre o que denominou "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização, relativa ao que, segundo a autoridade autuante, seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de interpostas pessoas: Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 16 15 43. A "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização nas folhas 14 e 18 são [sic] de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais [sic] fiscalização alega que se trata de negócio simulado e que tudo ocorreu num único dia (14 de agosto de 2003). 44. Senhores, as escrituras e os respectivos registros foram feitos na mesma data, no entanto há contrato particular lastreando tais documentos públicos. Por exemplo, o contrato de promessa de compra e venda de imóvel, datado de 05 de março de 2003 e com reconhecimento de firma datada de 04 de abril de 2003. 45. 0 que ocorre é que geralmente se procura os cartórios quando há a necessidade de se formalizar tais operações, isto pelos custos envolvidos e pelo fato de o registro público não ser obrigatório. Afirma que nunca realizou qualquer ato de administração, gestão, representação ou comércio na CB Distribuidora, não havendo nenhum documento que provasse o contrário. O impugnante afirma que não há prova de que havia confusão patrimonial entre as empresas MEAT PLUS, CB e CHAPOLIN, e seu patrimônio pessoal. Alega, por fim, que a fiscalização não comprovou o uso de recursos da CB Distribuidora para mutação de seu patrimônio. As demais alegações, que dizem respeito a fatos relacionados exclusivamente A. MEAT PLUS, não serão relatadas. A DRJ de Florianópolis entendeu pela manutenção da exclusão do Simples e pela manutenção dos lançamentos fiscais, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Nos casos de constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas e de prática reiterada de infração à legislação tributária, a exclusão do Simples surte efeitos a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 17 16 Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as circunstâncias apuradas pelo Fisco, evidenciam a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. São responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a dissolução irregular da empresa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PRORROGAÇÃO DE PRAZO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA FORMAL DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal possui código de acesso à Internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, acesse o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Eventual não fornecimento do demonstrativo de prorrogação à Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 18 17 fiscalizada não tem o condão de tornar nulo o procedimento fiscal e, consequentemente, o auto de infração, haja vista que o contribuinte pode acessar a situação do MPF na interne, por meio do código de acesso (indicado no MPF), quantas vezes necessitar, inclusive após o encerramento da ação fiscal. CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Tendo sido pela fiscalização abordadas detalhadamente as razões que levaram ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. Também descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando todos os documentos referidos pela fiscalização encontramse devidamente juntados ao processo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada em 14/06/2010 da decisão da DRJ. Apenas o responsável solidário Daniel Pedro Morando interpôs Recurso Voluntário em 10/07/2010, alegando em síntese que: a) Inicia seu Recurso afirmando que é um homem de bem empresário que nunca teve autuações fiscais em suas empresas; b) No final de 2002, decididos a se separarem de fato, o Recorrente e sua então esposa (Ana Elena Rosario Pieruccioni de Morando) colocaram à venda a casa em que moravam em Jurerê. O Recorrente foi apresentado a PEDRO, interessado na compra da casa, por intermédio de imobiliária da região; c) Em 05/03/2003, o Recorrente e PEDRO firmaram Contrato de Promessa de Compra e Venda (fls. 518/520) da casa pelo valor total de R$ 350.000,00 (trezentos e cinqüenta mil reais), no qual restou consignado a seguinte forma de pagamento (...); Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 19 18 d) A RF afirma que a venda da casa de Jurerê é simulada (transação fictícia parte de suposta "triangulação" de imóveis) e, portanto, não haveria comprovação da movimentação financeira relativa ao pagamento da mesma. Ou seja, saída de capital do patrimônio de PEDRO e entrada no patrimônio do Recorrente; e) Efetivamente houve a venda e a transferência de valores entre os patrimônios do vendedor e do comprador. Além disso, houve a transmissão da posse, passando PEDRO e sua esposa realmente a residir na casa comprada a partir do contrato; f) Conforme a DIRPF de 2004 de PEDRO, ele inclusive fez benfeitorias na casa! Ora, é o que se passa a explicar e comprovar! g) Dentre as quantias explicitadas no contrato de promessa de compra e venda está, primeiramente, o valor de R$ 105.000,00. Uma semana após a assinatura do contrato (em 12/03/2003), PEDRO pagou a quantia referida através de 3 (três) depósitos bancários no valor de R$ 35.000,00 cada. Os depósitos saíram da conta bancária do Bradesco em nome de MEAT PLUS e foram recebidas por Max, Helga e Friedrich Blaschke; h) Explicase: PEDRO era verdadeiro sócio de fato e gestor da empresa MEAT PLUS desde julho/2002, ou seja, antes mesmo de constar no contrato social como sócioadministrador (a sua entrada formal na empresa se deu apenas em 05/05/2003, conforme 28 alteração do contrato social da MEAT PLUS — fls. 18/26, do Anexo V), conforme apurou a RF. Por outro lado, o Recorrente estava comprando um terreno de Max, Helga e Friedrich Blaschke (escritura fls. 521/523). i) Portanto, PEDRO (através da MEAT PLUS) pagou ao Recorrente os R$ 105.000,00 através de depósito direto na conta de Max, Helga e Friedrich Blaschke. Assim, houve movimentação financeira e restou quitada a primeira parte do pagamento da casa. j) O Recorrente deveria receber até 10 de março a quantia de R$ 35.000,00, o que se efetivou com o pagamento em dinheiro. Portanto, houve movimentação financeira e transferência de patrimônio; k) Além disso, o Recorrente deveria receber a quantia de R$ 90.000,00, em 15 parcelas mensais de R$ 6.000,00 cada, das quais algumas foram pagas pontualmente por PEDRO (doc. 02 — extrato bancário do Recorrente) e algumas restaram inadimplidas. Mais movimentação financeira; l) Há que se esclarecer, ainda, o "saldo de R$ 120.000,00.. com pagamento do contrato n. 1500012289 do Banco Daimler Chrysler, correspondentes a 22 parcelas de R$ 5.469,25...". Explicase: na negociação da venda da casa, PEDRO queria que o Recorrente aceitasse como parte do pagamento um veiculo Mercedes Benz ML 320 (parcialmente financiado — leasing — fl. 259). m) O Recorrente, não tendo interesse no veículo mas querendo viabilizar o negócio, propôs que PEDRO trocasse o veiculo por dois de seu interesse (uma Mercedes Benz C180 e uma Mercedes Benz classe A160), que então compraria os bens, assumindo os respectivos financiamentos, o que realmente ocorreu (fls. 260/261 e doc. 03). n) A obrigação constante do contrato era a de PEDRO pagar 22 parcelas de R$ 5.469,25, que correspondiam as quitações dos contratos de financiamento dos veículos. E Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 20 19 PEDRO efetivamente depositou mensalmente na conta corrente do Recorrente os valores avençados até começo de 2004. Ou seja, o Recorrente comprou os veículos de PEDRO assumindo os financiamentos respectivos, mas constou no contrato de compra e venda da casa de Jurerê o recebimento de valores que permitiriam ao mesmo quitar os contratos. Logo, movimentação financeira e transferência de patrimônio! o) Por fim, para que não restem dúvidas de que: a) a venda da casa de Jurerê pelo Recorrente a PEDRO não foi fictícia: b) o negócio foi realizado em 05/03/2003 e não apenas em 08/2003 (conforme afirma erroneamente a RF); colacionase o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital do Recorrente em relação à referida venda do imóvel dos anos de 2003 e 2004 doc. 04) e a prova da quitação do imposto (doc. 05), inclusive da primeira parcela do imposto paga em 29/05/2003. Ou seja, não há que se falar em negócio fictício e ausência de prova de movimentação financeira ! p) Repitase: PEDRO efetivamente se mudou para a casa comprada com sua esposa, onde passaram a residir! q) Tratando do relacionamento do Recorrente com Pedro, argumento que possui 2 filhos: Matias Morando (MATIAS) e Santiago Morando. MATIAS cursava, à época, a faculdade de administração de empresas (conforme certidão em anexo — doc. 07), contando com 20 anos. PEDRO informou ao Recorrente que estava para sair da Perdigão para assumir empresa própria e sugeriu que MATIAS fosse seu sócio no pretenso "novo" negócio. r) Argumentou que: i) seria bom para MATIAS ter uma rotina de trabalho e poder ganhar experiência; ii) dominava o assunto e o mercado, de modo a ser um investimento relativamente seguro, até porque a empresa já estava em atividade e já contava com receita própria; iii) a inexperiência de MATIAS não seria problema porque toda a administração da empresa estaria sob a sua responsabilidade; iv) seria uma fonte de renda para MATIAS, que estava iniciando a sua vida profissional. s) O Recorrente ressaltou que nada conhecia do ramo alimentício, ao que PEDRO respondeu que não era necessário, já que assumiria toda a gestão do negócio e já contava com as portas abertas do mercado. t) O Recorrente levou a proposta de PEDRO a MATIAS e incentivou o filho a trilhar seus primeiros passos como empresário. Em 05/05/2003, MATIAS adquire, com recursos próprios (conforme DIRPF 2002/2004 — doc. 08), 26% das cotas sociais da empresa MEAT PLUS e passa a ser sócio cotista da mesma. Na mesma data, PEDRO formaliza a sua condição de sócio da empresa (anteriormente se utilizava de interpostas pessoas) e, mais, resta formalizada a sua condição de sócio administrador exclusivo (2ª alteração de contrato social da MEAT PLUS fls. 18/26, do Anexo V). u) Deveras, PEDRO já era o administrador de fato da empresa, inclusive com poderes nos bancos os quais a MEAT PLUS era correntista e exercendo a negociação perante os clientes. Nada mudou com a entrada de MATIAS, apenas o fato deste ser sócio cotista. Todas as decisões e atos de administração continuaram a ser exercidas exclusivamente por PEDRO! v) MATIAS não buscava resultado econômico imediato, mas aplicação prática do conhecimento adquirido na faculdade. A atividade de MATIAS, durante todo o Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 21 20 período em que esteve na sociedade, foi de controlador de estoque da câmara fria da empresa, conforme sabem todos os funcionários que trabalhavam na MEAT PLUS A. época. z) Ou seja, de janeiro de 2003 até 05 de maio de 2003, sequer MATIAS era sócio cotista da empresa MEAT PLUS, período este no qual o Recorrente apenas sabia da existência da empresa e sabia do interesse de PEDRO em ter MATIAS como sócio, nada mais! Ainda que se desconsiderasse o fato de não ter atuado em nenhum momento como gestor/administrador da sociedade e não ser sócio de fato, NO MÍNIMO, há de se reconhecer que o Recorrente não pode ser responsabilizado pelos créditos tributários em face da MEAT PLUS apurados nesse período (01/2003 05/2003)! E mais, o certo é que não fosse responsável perante terceiros (caso da RF), mas apenas junto aos antigos sócios, até o registro da alteração contratual na Junta Comercial, que apenas se deu em 09/09/2003. z.1) Tratando da questão da aquisição da CD Distribuidora, o Recorrente aponta em seu recurso a seguinte história: PEDRO, já tendo a confiança do Recorrente, informouo de uma oportunidade de negócio incrível que havia aparecido para si. Segundo palavras de PEDRO: "é o negócio da minha vida". Tratavase da aquisição da empresa CB, distribuidora da marca de sorvetes "GELOKO". Porém, havia um empecilho facilmente contornável pela boa vontade do Recorrente, segundo asseverou PEDRO. z.2) Explicase: a empresa CB era de propriedade de Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza (respectivamente, esposa e filho de Arnaldo Venicio de Souza). PEDRO não possuía dinheiro para a aquisição. Por outro lado, Arnaldo Venicio de Souza demonstrou interesse na aquisição de 2 terrenos de propriedade de DGV Empreendimentos Imobiliários Ltda. (cujo sócio majoritário era o Recorrente) que estavam à venda. Ora, PEDRO pediu ao Recorrente, seu então amigo intimo, que permutasse a casa de Jurerê pelos 2 terrenos de propriedade da DGV para que pudesse vender a Arnaldo Venicio de Souza e com o produto da venda comprar a empresa CB; z.3) Como se tratava de uma expansão do negócio, PEDRO convidou MATIAS a se juntar a ele na compra da empresa CB com o mesmo percentual que já tinha na MEAT PLUS, como sócio cotista (portanto, sem participação na gestão/administração da nova empresa adquirida). MATIAS aceitou e adquiriu as cotas representativas de 26% do capital social (DIRPF 2002/2004 — doc. 08); z.4) Resta evidente pela análise dos fatos que quem adquiriu a empresa CB foi PEDRO, não como interposta pessoa do Recorrente, mas com recursos próprios e com o intuito de administrar e fazer render o negócio. O Recorrente em NADA influenciou na compra da empresa CB, muito menos era sócio de fato da mesma, quem dirá gestor/administrador. z.5) Além disso, provase que não houve qualquer suposta "triangulação" com a venda da casa de Jurerê, que já havia sido negociada 5 meses antes de ter sido registrada através de transação real e comprovada através: a) de contrato de promessa de compra e venda com firma reconhecida; b) da movimentação financeira entre PEDRO e o Recorrente; c) do fato de PEDRO ter ido morar na casa comprada imediatamente e feito benfeitorias; z.6) Por fim, cabe esclarecer qual a relação da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda. com a CB e a MEAT PLUS. Em 28/01/2004 (registro em 21/06/2004, conforme 58 alteração de contrato social da CHAPOLIN), PEDRO adquiriu, sem Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 22 21 o conhecimento do Recorrente ou de seu filho MATIAS, através de interposta pessoa (seu pai PEDRO LUIZ DA SILVA), as cotas da empresa CHAPOLIN, então pertencentes a Arnaldo Venicio de Souza. lid fortes indícios de que PEDRO utilizava a empresa CHAPOLIN para simular negócios com as empresas CB e MEAT PLUS, principalmente forjando títulos (duplicatas) utilizados para levantar dinheiro junto a instituições financeiras (inclusive existem processos criminais em segredo de justiça que tratam do assunto contra PEDRO). Ou seja, tratavase de mais um artificio de PEDRO para aplicar golpes em terceiros, no caso, os bancos. z.7) A verdade incontestável é que PEDRO demonstra ser um foradalei, sendo necessário separar o trigo do joio no presente caso, sob pena de préjulgamentos e violação aos princípios constitucionais da igualdade, ampla defesa e contraditório (art. 5°, CF); z.8) Portanto, manifestamente equivocada a tese aventada pela RF no sentido de que o Recorrente seria o pretenso "sócio de fato" e "gestor/administrador" das empresas fiscalizadas; z.9) Não obstante, ainda que por hipótese se admitisse como verdadeira a referida tese, o Recorrente apenas poderia ser tributariamente responsabilizado a partir da compra da CB por sua pretensa interposta pessoa (no caso, PEDRO), algo ocorrido em 19/08/2003 (registro Junta Comercial — fl. 15, Volume I). Ou seja, absolutamente impossível e descabido responsabilizar o Recorrente pelos débitos tributários de 01/2003 até 19/08/2003. z.10) Afirma ainda que o relacionamento entre PEDRO e o Recorrente se estreitou desde que se conheceram. PEDRO era muito envolvente e sabia como conduzir o Recorrente. Assim, paralelamente negociação da casa de Jurerê, outros negócios foram concretizados entre os dois: i) conforme esclarecimento prestado pelo Recorrente as fls.. 360/363, este efetuou vários empréstimos a PEDRO, todos constantes da sua DIRPF de 2004 (...) e devoluções, com saldo consolidado em 13/08/2003: divida de R$ 235.000,00. z.11) Além disso, o Recorrente adquiriu um imóvel de PEDRO (fls. 262/264) no valor de R$ 105.000,00 pagos com cheque endossado de terceiro (n° OP — 446865, Ag. 440, do Banco ltaú — fl. 263 e doc. 13) — prova de movimentação financeira. PEDRO alegou que o imóvel estava quitado, mas restou ao Recorrente uma divida junto à Caixa Econômica Federal de R$ 60.816,72 (total apurado em 13/08/2003). O Recorrente pagou à CEF para liberar o imóvel doc. 14). O mesmo golpe sofreu o adquirente do imóvel vizinho a este, que comprou de PEDRO e, igualmente, saiu no prejuízo (fls. 265/267 e doc. 28). z.12) PEDRO recebia parcelas mensais de R$ 6.000,00 (seis mil reais) referentes A. venda do imóvel referido e repassava ao Recorrente, muitas vezes em dinheiro, como pagamento da parcela (de mesmo montante) que devia referente à compra da casa de Jurerê. z.13) Por fim, restavam serem pagas as parcelas do contrato de compra e venda da casa de Jurerê ainda não vencidas até 13/08/2003: i) 11 parcelas de R$ 6.000,00; ii) 18 parcelas de R$ 5.469,25; cujo total atualizado em 13/08/2003 era de R$ 164.124,00; z.14) O contrato de confissão de divida abarca todas essas três dividas acima especificadas, corrigidas até 13/08/2003. z.15) Com isso, a sua tese se resume em alegar que a gestão/administração e a representação da empresa CD era ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE exercida por PEDRO; Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 23 22 z.16) Afirma que em 2005, PEDRO recebeu a contabilidade das empresas CB e MEAT PLUS das mãos do contador Rogério Lino Silveira, representante da empresa CONTASSC, conforme declaração do contador constante das fl. 62, do Vol. I, do processo administrativo preparatório para Ação Cautelar relativo ao processo 11516.004656/200792 (doc. 01) e se negou a apresentála no presente procedimento fiscal quando intimado! Tratase de prática espúria que visa confundir o fisco e imputar falsa responsabilidade ao Recorrente; z.17) Ficou claro por todo o exposto que PEDRO sempre agiu conforme seus próprios interesses (inclusive na invenção que o Recorrente era sócio de fato das empresas fiscalizadas) e não segundo os interesses do Recorrente; z.18) Afirma ainda que por volta de março de 2004, PEDRO pediu emprestado ao Recorrente o montante de R$ 15.000,00 para o pagamento de fornecedores da MEAT PLUS e CB, pois, segundo alegou, estava com "problemas de caixa" no curto prazo e não queria atrasar os compromissos assumidos perante seus fornecedores. 0 Recorrente novamente anuiu, depositando R$ 10.000,00 na conta de Geloko Mark. e Prom. Ltda. (fl. 316) e R$ 5.000,00 na conta de AP Martins Fabr. Rec. Maq. (fl. 316). Nada além disso; z.19) Afirmou que necessitava de um "último" favor. Já que os fornecedores não confiavam mais nele, precisava de um aval. A muito custo e já com receio de não receber o que lhe era devido (apesar de ainda nem desconfiar das falcatruas praticadas por PEDRO), o Recorrente avalizou 5 cheques emitidos por PEDRO no valor de R$ 5.000,00 cada, os quais foram utilizados para o pagamento do fornecedor "TERRE Alimentos" (fl. 100, Anexo VII); z.20) Posteriormente, para pagamento da divida acima, PEDRO emitiu duplicatas da MEAT PLUS. A empresa credora (TERRE), que tinha a garantia do aval do Recorrente nos cheques, apenas aceitouas com a condição de que também contassem com a mesma garantia, razão pela qual o Recorrente avalizou as referidas duplicatas, que, posteriormente, se revelaram sem lastro; z.21) O Recorrente não possuía qualquer controle sobre as operações da MEAT PLUS ou CB, não era sócio de fato e nunca agiu como administrador/gestor ou representante das empresas fiscalizadas, portanto, avalizou as duplicatas SEM TER A MENOR NOÇÃO de que careciam de lastro! O Recorrente apenas queria que PEDRO ou a MEAT PLUS adimplissem a divida e o livrassem da responsabilidade subsidiária decorrente dos avais prestados. Atos de gestão foram praticados única e exclusivamente por PEDRO. z.22) Já temeroso no que toca ao recebimento dos valores devidos por PEDRO, o Recorrente aceitou firmar, em 19/01/2004, contrato de compra de venda de bens móveis com a CB, por meio do qual adquiriu os bens móveis ali discriminados (fls. 82/87) em troca de parte da divida que PEDRO possuía consigo. Na verdade, referido negócio jurídico aproximouse de uma compra e venda com reserva de domínio, na medida em que a CB continuou com a posse direta dos bens e restou ao Recorrente a posse indireta. Tratavase de uma forma de o Recorrente se garantir do montante que PEDRO lhe devia; z.23) Como dito acima, PEDRO ficou como depositário dos bens para que as atividades da sociedade não fossem paralisadas. Contudo, utilizandose da máfé que lhe é peculiar, PEDRO entregou em garantia ao Banco Itaú (em 07/01/2004 —doc. 24) parte dos bens outrora vendidos ao Recorrente antes de alterar o endereço da sede das empresas e abandonar os bens móveis que ainda restavam em operação (o que_prova, mais uma vez, que é um criminoso e que o Recorrente em nada gerenciava/administrava as empresas fiscalizadas). Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 24 23 z.24) Segundo a fiscalização, 2 caminhões da CB foram encontrados sendo utilizados pela FLORIGEL. z.25) Por fim, em seu longo arrazoado advogada a tese da exclusão da responsabilidade frente ao artigo 135 do CTN, que Matias não foi administrador, que ele não era sócio de fato da CD, que a culpa e responsabilidade era do estelionatário Pedro; z.26) Em seus pedidos, requereu: (a) desconstituir a situação imposta ao Recorrente de sujeito passivo solidário dos autos de infração resultantes do presente procedimento fiscal e, na seqüência, cancelar o arrolamento de bens imposto ao patrimônio do mesmo, bem como o lançamento fiscal em face de sua pessoa; (b) alternativamente, cancelar parcialmente o lançamento fiscal e excluir a responsabilidade do Recorrente em relação aos valores dos tributos apurados entre 01/2003 e 19/08/2003, data registro da alteração do contrato social da CB, já que, segundo a tese da RF, o Recorrente apenas passou a ser sócio de fato das empresas fiscalizadas a partir da aquisição por PEDRO da CB; ou ainda, no mínimo do período de 01/2003 a 01/08/2003 (data da assinatura da referida alteração do contrato social); (c) alternativamente e cumulativamente ao pedido "b" supra, cancelar parcialmente o lançamento fiscal e excluir a responsabilidade do Recorrente em relação aos valores dos tributos apurados entre 01/2003 e 09/09/2003, data do registro da alteração do contrato social da MEAT PLUS, já que, segundo a tese da RF, o Recorrente apenas passou a ser sócio de fato dessa empresa a partir da aquisição por MATIAS das cotas sociais; ou ainda, no mínimo do período de 01/2003 a 05/05/2003 (data da assinatura da referida alteração do contrato social); Juntou aos autos os seguintes documentos: 1) cópia da declaração do contador da MEAT PLUS e CB que entregou a PEDRO, em mãos, os documentos contábeis das empresas em 2005, constante das fl. 62, do Vol. I, do processo administrativo preparatório para Ação Cautelar relativo ao processo 11516.004656/200792; 2) cópia dos extratos bancários do Recorrente de 2003 no qual constam pagamentos de PEDRO referente ao contrato da compra da casa de Jurerê; 3) cópia do contrato de cessão de direitos e assunção de obrigações no qual PEDRO passa ao Recorrente o financiamento (Banco Daimler Chrysler) dos dois veículos da Mercedez Benz; 4) cópia do demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital do Recorrente em relação venda da casa de Jurerê dos anos de 2003 e 2004; Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 25 24 5) cópia dos comprovantes do pagamento do imposto decorrente da Apuração dos Ganhos de Capital referente à venda da casa de Jurerê; 6) cópia da sentença de 1° grau da Ação Penal de n° 064.02.0151784, da 1ª Vara Criminal de São José/SC, na qual consta a condenação de PEDRO por crime de apropriação indébita; 7) cópia da certidão que prova que MATIAS cursou a faculdade de administração de empresas; 8) cópia da DIRPF dos anos de 2002, 2003 e 2004 de MATIAS; 9) cópia do contrato de obrigação de fazer firmado entre o Recorrente e PEDRO em 14/08/2003; 10) cópia da retificação do contrato de obrigação de fazer referido no doc. 9; 11) cópia do cheque do Banco do Brasil n° 850255, referente a empréstimo do Recorrente a PEDRO no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais); 12) cópia do cheque do Banco do Brasil no 850346, referente a empréstimo do Recorrente a PEDRO no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais); 13) cópia dos documentos que comprovam que o Recorrente recebeu em negócio realizado com terceiro o cheque (n° OP — 446865, Ag. 440, do Banco Itaú) utilizado para o pagamento a PEDRO da compra da casa de Itaguaçu; 14) cópia do comprovante do pagamento pelo Recorrente de saldo de financiamento junto a CEF referente ao imóvel adquirido de PEDRO (casa de Itaguaçu); 15) cópia da nota promissória no valor de R$ 449.415,00 do qual consta como devedor PEDRO e avalista sua esposa, datada de 17/03/2003; 16) cópia do contrato particular de confissão de divida de 04/04/2003, no qual PEDRO confessa dever ao Recorrente a quantia de R$ 525.000,00; 17) distrato do contrato particular de confissão de divida firmado em 04/04/2003 referido no doc. 16; 18) cópias de mais de 70 cheques sem fundos recebidos pelo Recorrente de PEDRO; 19) cópia do distrato do contrato de comodato datado de 14/08/2003 firmado entre o Recorrente e PEDRO referente à casa de Jurerê; 20) cópia do contrato de aluguel firmado entre o Recorrente e PEDRO referente à casa de Jurerê; Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 26 25 21) cópia da notificação efetuada pelo Recorrente referente ao inadimplemento do contrato de aluguel firmado com PEDRO referente à. casa de Jurerê; 22) cópia da carta de apresentação que a empresa MEAT PLUS utilizava junto aos clientes assinada por PEDRO em julho de 2002; 23) cópia da carta de arrematação pelo Recorrente do imóvel sede da CB e MEAT PLUS; 24) cópia de documentos nos quais PEDRO entrega em garantia ao Banco Itaú bens vendidos ao Recorrente em razão de dividas da MEAT PLUS e CB; 25) cópia de documentos que comprovam a compra pelo Recorrente de imóvel de GILDOMAR; 26) cópia da rescisão do contrato de locação firmado entre o Recorrente e FLORIGEL, datada de 30/10/2006; 27) cópia da consulta de viabilidade feita pelo Recorrente à PMF referente ao imóvel que havia sido sede da CB e MEAT PLUS; 28) cópia do contrato particular de promessa de compra e venda entre PEDRO e Arnaldo Bigolin, no qual PEDRO afirma não constar dividas no imóvel (sendo que o mesmo tinha financiamento não quitado junto a CEF). O Recurso Voluntário interposto por Daniel Pedro Morando foi julgado por essa Colenda Turma, tendo como resultado por maioria de votos, vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, por adotar critérios diversos do Relator, especialmente quanto à falta de competência tributária dessa Corte em analisar a responsabilidade da matéria, entendemos pelo reconhecimento da responsabilidade do único recorrente. Repitase, foram opostos Embargos de Declaração pelo Sr. Daniel Pedro Morando, que entendeu pela nulidade do julgamento, pois o nome dele não constou da publicação no diário oficial da União quanto à data da realização da sessão de julgamento. Como forma de evitar qualquer nulidade ou cerceamento do direito de defesa, entendeu este Relator por realizar novamente o julgamento do Recurso Voluntário, intimando o Sr. Daniel Pedro Morando por Diário Oficial da União a comparecer em sessão de julgamento datada de 7 de novembro de 2013. Não havendo mais nenhum prejuízo ao Recorrente, visto inclusive que seu patrono constituído nos autos também está ciente do julgamento na presente data, passemos ao voto. Este é o relatório! Voto Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 27 26 Conselheiro Rafael Correia Fuso Antes de adentrar a qualquer análise do mérito dos Embargos de Declaração opostos pelo responsável tributário, cumpre deixar consignado que analisei novamente os autos e todas as provas trazidas no mesmo. A despeito do esforço semântico do ilustre e renomado patrono do Recorrente, que enalteceu em sua sustentação oral argumentos relativos à exclusão da responsabilidade do Recorrente, entendo que não vislumbro argumentos que possam modificar minha opinião já exarada nestes autos. Inicialmente, cumpre a esse Relator tratar de questão preliminar que envolve o julgamento ou o sobrestamento do presente processo, visto que a matéria sobre a quebra de sigilo bancário encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Muito se discute se seria o caso de sobrestar o julgamento, considerando o disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste E. Tribunal, ou se seria o caso de julgar o Recurso Voluntário do contribuinte atendendo o disposto na Portaria n° 1/2012, do Ministro da Fazenda, que traz os seguintes enunciados sobre o tema: Art. 1º(...) Parágrafo único – O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos a matéria recorrida, independente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Entendo, na minha modesta opinião, que a Portaria do Ministro da Fazenda interpreta a questão da repercussão geral de forma parcial, analisando apenas os primeiros casos em que o Supremo Tribunal Federal procedeu com o sobrestamento dos processos, quando estava demonstrando a forma de se realizar o sobrestamento aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais, considerando ainda os casos que já haviam sido enviados àquele Tribunal. Tanto foi assim que os procedimentos de sobrestamento, conforme dispõe o artigo 543 – B, § 1°, do Código de Processo Civil, é uma norma dirigida aos Presidentes dos Tribunais de origem, ou seja, a norma não determina o sobrestamento ao STF: § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (destaquei) Desta forma, considerar como sobrestado para fins de aplicação do disposto no artigo 62A, § 1°, do Regimento Interno do Carf apenas os processos em que o STF sobrestou por decisão expressa a matéria de forma ampla é um exagero, pois limita inclusive o próprio procedimento de processamento trazido no artigo 543B do CPC, sendo muito aquém do anseio do legislador quando dispõe: Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 28 27 Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta feita, o entendimento desse Relator é pelo sobrestamento do presente processo, visto que a matéria que fundou o lançamento fiscal está sob repercussão geral do STF, a despeito de não existir uma decisão do próprio STF sobrestando expressamente todos os demais processos, o que vem sendo feito pelos Presidentes dos Tribunais de origem. Foi feito despacho no sentido de sobrestar por esse Relator, sendo rejeitado pelo Presidente dessa Colenda Câmara que colocou em votação o processo, se julga ou não pelo colegiado, atendendo o disposto na Portaria CARF n° 1 de 3 de janeiro de 2012. Vencido o relator, curvome ao entendimento dos meus pares, visto que estamos num Estado Democrático de Direito, fundado no princípio da legalidade, e passo ao julgamento. Em razão da interposição de Recurso Voluntário apenas pelo responsável solidário Daniel Morando, que defendeu também a exclusão de seu filho Matias da responsabilidade solidária, a análise do mérito percorrerá o caminho dos fatos e do direito, adentrando aos argumentos da exclusão da solidariedade trazido nos autos. Não está em discussão nestes autos a questão da materialidade do lançamento, visto que a empresa não apresentou Recurso, e o Embargante também nada alegou sobre os lançamentos fiscais. Estamos diante apenas da análise da Responsabilidade Solidária de Daniel Pedro Morando, que busca a reforma da decisão nessa parte. A responsabilidade tributária solidária atribuída a Daniel Pedro Morando encontrase no Termo de Verificação Fiscal. Nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, a dissolução irregular da sociedade, a ocorrência de infrações à lei, e a utilização de interpostas pessoas justificam a responsabilidade solidária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 29 28 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas e direito privado. O art. 50 do Código Civil é aplicado quando se evidencia abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, hipótese em que os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. É fato incontroverso nesses autos que a responsabilidade tributária de Pedro Luiz da Silva Filho foi confirmada, tanto é que não recorreu da decisão de primeira instância administrativa. Contudo, quando tratou da questão, imputou a responsabilidade pela administração da empresa a Daniel Pedro Morando. Vejamos: Em sua impugnação à responsabilidade tributária solidária, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho alega que embora conste como sócio administrador da CB Distribuidora, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais, sendo apenas responsável pelas atividades comerciais da empresa. Afirma que atuava subordinado aos comandos do sócio de fato, Sr. Daniel Pedro Morando. Alega, portanto, ilegitimidade passiva. Na decisão da DRJ, quando analisou os fatos e provas dos autos, ficou consignado: Ao contrário do que alega, são vários os elementos trazidos aos autos pela fiscalização que evidenciam um papel do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho na administração da CB Distribuidora muito mais ativo do que a mera gerência de suas atividades comerciais. Nesse sentido, podem ser citados os seguintes atos e fatos: a) a abertura de contas bancárias da CB Distribuidora (fls. 107 e 108 do Anexo III); b) os amplos poderes para movimentar contas bancárias da empresa (fls. 65 a 71 e 103 a 105 do Anexo III); c) a assinatura de contrato de promessa de cessão de direitos da empresa ao Unibanco (fls. 84 a 88 do Anexo III); Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 30 29 d) a retirada de valores expressivos de conta corrente da empresa, mantida no Banco Bradesco, comprovada pela assinatura em recibo (fl. 114 do Anexo II); e) a assinatura de cheques da empresa, a exemplo dos cheques cujas cópias se encontram às fls. 139 a 152 do Anexo II; f) a transferência de recursos mantidos em conta da empresa, comprovada pelos documentos acostados às fls. 164 a 167 do Anexo II; g) a assinatura de duplicatas da empresa (fls. 36 a 60 do Anexo IV). Se por um lado é ponto pacífico que Pedro gerenciava a empresa, também é fato que o Sr. Daniel possuía interesse comum na empresa, visto que ao analisarmos o filme e o resultado das transações com o patrimônio, o Recorrente possuía relação jurídica e interesse jurídico e econômico nas atividades realizadas pela empresa autuada. Vejamos: Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na CB Distribuidora, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) a interposição de pessoas já descrita neste voto, viabilizada a partir de uma sequência de operações imobiliárias que teriam como real objetivo a aquisição, por Daniel Pedro Morando, de cotas das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidoras de Alimentos; b) o Sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP Martins (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 316); d) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Do que dos autos consta, restou demonstrado mais do que o interesse comum nos negócios da CB Distribuidora, refletido na interposição de pessoas e na confusão entre seu patrimônio e o da empresa. Considerando que o Sr. Daniel Pedro Morando era o verdadeiro proprietário da logística e de equipamentos essenciais à atividade exercida pela empresa, evidente é o seu poder de determinar e influenciar seus rumos. Assim, mais do Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 31 30 que sócio de fato, a fiscalização demonstrou que Daniel Pedro Morando era proprietário de fato da CB Distribuidora, senão vejamos. Como se afirmou acima, o interesse e os poderes do Sr. Daniel Pedro Morando nos negócios da CB Distribuidora é evidenciado pela propriedade de importantes equipamentos utilizados na atividade da empresa, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 173 a 179, fato citado pela fiscalização e que não foi contestado na impugnação. Pesa ainda contra o Sr. Daniel Pedro Morando o fato de ter transferido, de sua própria conta bancária, recursos para fornecedoras da CB Distribuidora. O fato de a FLORIGEL não ter realizado qualquer operação no período em que o Sr. Daniel Pedro era detentor de 94% de seu capital em nada altera a constatação da fiscalização de que caminhões ali encontrados eram os mesmos utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. A conclusão lógica que decorre dessa constatação também não restou prejudicada: caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. No entanto, mais importante é a análise do que seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora. Com base nas escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003 (fls. 18 a 30), percebese que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada noite item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00, e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 08 a 15), de 1° de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 32 31 Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das cotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. A fiscalização, após destacar que, à época dos fatos, Arnaldo Venicio de Souza era cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza), conclui que quem adquiriu as participações societárias [das empresas CB Distribuidora e CHAPOL1N Distribuidora] foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, Matias Morando. Sobre o fato o impugnante afirma que a "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização é de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais, e tenta desqualificar as conclusões da fiscalização apenas defendendo que não há nada de incomum no fato de que o registro de todas essas operações tenha ocorrido num único dia (14 de agosto de 2003). Portanto, são quatro as operações imobiliárias a serem analisadas (venda da casa; permuta da casa pelos terrenos, e duas vendas de terrenos). Embora tenham a aparência de atos isolados, os documentos acostados ao processo, e as coincidências neles reveladas, permitem concluir que não se trata de atos isolados. As escrituras comprovam que a formalização das operações ocorreu no mesmo dia, no mesmo cartório, e mais ainda, como as operações são registradas em folhas sequenciais do mesmo livro, é licito supor que as pessoas envolvidas juntas se dirigiram ao cartório. Comparando as situações individuais no inicio e ao final dessas operações, é inegável que terrenos de propriedade da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando migraram para o patrimônio do Sr. Arnaldo Venicio de Souza. Também é inegável que cotas da empresa "CB" foram adquiridas pela mesma pessoa (Pedro Luiz) que vendeu os terrenos, que eram da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando, para Arnaldo Venicio de Souza. Notase que a conclusão da fiscalização é muito convincente, e não foi suficientemente afastada pelo impugnante. Lembro que o impugnante apenas alegou que não haveria qualquer problema no fato de a formalização das operações ter ocorrido no mesmo dia. No entanto, não há nos autos, além das escrituras, qualquer comprovação de que as operações imobiliárias tenham ocorrido, efetivamente, da forma como o impugnante pretende nos fazer crer. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 33 32 Nos autos, não há nenhuma prova do pagamento que Pedro Luiz da Silva Filho teria feito a Daniel Pedro Morando pela compra da casa localizada no Loteamento Praia do Jurerê II, segundo consta da escritura, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato. Não há nos autos nenhuma prova de que o pagamento pelas cotas da CB, aos parentes do Sr. Venicio, tenha efetivamente ocorrido em moeda corrente como consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 106 a 211 do Anexo VI). Ao contrário, tudo leva a crer que o pagamento pelas cotas se deu mediante a entrega dos terrenos da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando. Também não há nos autos nenhuma prova do pagamento feito pelo Sr. Arnaldo Venicio de Souza, e pela sua empresa, em razão da compra dos terrenos. Diante de todas essas coincidências e inconsistências, permanece incólume a conclusão da fiscalização de que Daniel Pedro Morando é o real adquirente da participação societária das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de seu filho, Matias Morando, e de Pedro Luiz da Silva Filho como interpostas pessoas. Quanto às alegações de que a fiscalização teria manipulado informações, de se dizer apenas que, neste voto, procedeuse a uma análise objetiva dos fatos e dos documentos trazidos aos autos. Portanto, tendo sido demonstrado o interesse comum do Sr. Daniel Pedro Morando sobre os negócios da CB Distribuidora, de ser mantido o impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, à luz do que dispõe o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Outra circunstância contrária A lei, fartamente comprovada pela fiscalização, é a confusão patrimonial entre a empresa e os sócios (de direito e de fato), presente quando se confundem os negócios pessoais dos sócios com os da sociedade, a exemplo, no presente caso: a) do pagamento de dividas junto a fornecedores (Sorvepan e Terre Alimentos) com cheques de conta bancária (pessoa física) do sócio (fls 101 e 102 do Anexo VII); b) dos equipamentos utilizados pela CB Distribuidora, como câmaras frias e freezers horizontais, de propriedade de Daniel Morando, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora; d) do pagamento efetuado pelo Sr. Daniel Pedro Morando a fornecedoras da CB Distribuidora (fl. 316). Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 11516.005389/200771 Acórdão n.º 1201000.917 S1C2T1 Fl. 34 33 Com base no art. 50 do Código Civil, anteriormente reproduzido neste voto, podese afirmar que a confusão patrimonial é contrária à lei e ao principio da autonomia patrimonial, e sua comprovação é elemento fundamental para imputação da responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III do CTN. De se registrar também que no próprio estatuto civil, em havendo confusão patrimonial, os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica. Nestes termos, analisando as provas trazidas pelo contribuinte, conforme descritas no relatório, a despeito de buscar esclarecer e realizar um nexo com aquilo que entendeu como confusão patrimonial com a empresa e interesse comum na causa, entendo os argumentos e a retórica trazida pelo recorrente são frágeis, o que não afasta a imputação de sua responsabilidade fiscal, pois o mesmo tem interesse comum na causa. Para se chegar a essa opinião valhome do completo e profundo trabalho fiscal, enaltecido pela decisão da DRJ, conforme transcrições acima, para fins de valoração de provas trazidas nos autos. Diante do exposto, CONHEÇO dos Embargos, e, no mérito, NEGOLHES provimento. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 12585.000247/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 47 /2 01 0- 61 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 115 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 116 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 21622.87358.131008.1.1.111041, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 3º trimestre de 2006, no montante de R$ 11.573.923,04 (onze milhões quinhentos e setenta e três mil e novecentos e vinte e três reais e quatro centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/87): 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de Cofins nãocumulativa apurados no 3° trimestre de 2006, acompanhado de uma declaração de compensação. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 20/24, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento, devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. 6. Em 09/11/2011 apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade anexa às fls. 30/69, na qual alega em síntese que: 6.1 “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível”; 6.2 foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; 6.3 existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”; 6.4 os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; 6.5 o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis. 6.6 a tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; 6.7 o art. 17 da lei n° 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes sujeitos ao regime da nãocumulatividade, ainda que faturem com alíquota zero, têm direito a creditarse de Pis e Cofins; 6.8 o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins diverge em vários aspectos daqueles adotados no âmbito do IPI e do ICMS. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 117 4 7. Concluindo, requer o deferimento do creditamento pleiteado, bem como a homologação da compensação a ele vinculada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 82/87) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 95/111), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 118 5 afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 119 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 3º Trimestre de 2006, no valor de R$ 11.573.923,04. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 120 7 A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 121 8 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 122 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 123 10 Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 124 11 É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 125 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 126 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 127 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 128 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 129 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000247/201061 Acórdão n.º 3301002.339 S3C3T1 Fl. 130 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13609.720024/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Numero da decisão: 3202-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente DISTRIBUIDORA PEQUI E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Em razão do disposto no inciso II do art. 2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 24 /2 00 6- 85 Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 “ Foi lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Sete Lagoas/MG, em 14/12/2006, Auto de Infração (fls. 1.342 a 1.369) para exigir da empresa supra identificada o Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 812.621,66, ao qual foram acrescidos multa de ofício, agravada e qualificada, e, juros de mora com base na SELIC, calculados até 30/11/2006, totalizando o crédito tributário de R$ 3.119.916,24 Foram constatadas as seguintes irregularidades: 1) Falta de destaque e recolhimento do IPI incidente na nota fiscal de saída nº 008352, datada de 26/06/2003; 2) O contribuinte, equiparado a industrial, promoveu venda de refrigerantes, recebidos diretamente da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, que os industrializou sob encomenda, sem lançamento do IPI correspondente, no período de abril de 2002 a dezembro de 2004. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1370 a 1508 a fiscalização descreveu os procedimentos adotados, a constituição das diversas empresas que formariam o grupo intitulado “Del Rey”, a forma de operacionalização delas e as infrações constatadas. Especificamente quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relata que “apesar de escrituração obrigatória e de várias intimações não recebemos do contribuinte o Livro de Registro de Inventário”..., o RAIPI, bem como os livros contábeis – Diário e Razão, ou alternativamente o livro Caixa (empresa optante pela sistemática do Lucro Presumido). “...O ‘modus operandi’ das empresas do ‘Grupo Del Rey’ funciona da seguinte maneira: a Distribuidora Pequi (matriz) adquire insumos para produzir refrigerantes e remeteos para industrialização na fábrica em Ribeirão das Neves, da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda com suspensão do IPI. Após industrialização, a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda emite duas notas fiscais: 1) para a Distribuidora Pequi matriz relativa à industrialização efetuada e 2) outra nota para a Distribuidora Pequi – filial, relativa à remessa dos refrigerantes já industrializados por conta e ordem do remetente dos insumos, ou seja, a matriz da Distribuidora Pequi”. Em nenhuma dessas notas referidas há destaque de IPI. Em algumas operações a Belo Horizonte Refrigerantes enviou diretamente os produtos finais para o estabelecimento filial da Distribuidora Pequi.” “Ocorre que o estabelecimento da DISTRIBUIDORA PEQUI – FILIAL, não destacou o IPI nas saídas dos refrigerantes recebidos diretamente do estabelecimento que os industrializou na modalidade de encomenda. Portanto, o IPI é devido nas saídas dos refrigerantes industrializados sob encomenda, com remessa de insumos, recebidos diretamente do estabelecimento industrial por força do art. 33 da Medida Provisória 2.158/35, que alterou a redação do art. 4º da Lei 7798 de 1989 (e, por conseguinte, os artigos 130 do RIPI/98 e 143 do RIPI/2002). Observese que a filial é equiparada a industrial quando promove a saída de refrigerantes recebidos diretamente da indústria, que os produziu sob encomenda.” “Portanto, tendo ocorrido o fato gerador do IPI nas saídas de refrigerantes industrializados por encomenda recebidos diretamente do estabelecimento industrial e considerando que o contribuinte não destacou, nem recolheu o IPI devido nessas operações, constituímos o crédito tributário neste procedimento fiscal, conforme ‘Demonstrativo Sintético das Entradas de Refrigerantes no Período de Janeiro de 2002 a Dezembro de 2004’ (fls. 1335 a 1340), que resume os demonstrativos analíticos retro mencionados” Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.819 3 Esclarece ainda o fisco que “como a Distribuidora Pequi não possui estoque e também porque não comprovou a existência de qualquer estoque, embora intimada a fazêlo, pois não apresentou escrituração contábil, nem o livro Registro de Inventário, é de se concluir que todo o refrigerante industrializado pela Belo Horizonte Refrigerantes que entrou na Distribuidora Pequi também saiu do estabelecimento, ocorrendo, assim, o fato gerador do IPI.” (grifo nosso) Ressalta que o contribuinte foi reiteradamente intimado a comprovar os créditos, não logrando fazêlo. Foram relatados diversos procedimentos adotados na circularização com fornecedores e com pessoas ligadas ao denominado “Grupo Del Rey”, assim como os processos judiciais trabalhistas envolvendo esse mesmo grupo de pessoas físicas e jurídicas Com fulcro nos arts. 124, I, e 135 do Código Tributário Nacional (CTN) foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária de n.ºs 007 a 12 (fls. 1513 a 1524), que arrolam como responsáveis, solidária e pessoalmente, pelo crédito tributário lançado de ofício as seguintes pessoas: ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO LOURENÇO, CPF 491.102.09620; ROSILENE BICALHO, CPF 806.436.80659; MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO, CPF 023.781.97675; VANEI AFONSO DE SOUZA, CPF 525.737.02634; WANDERLEI CARDOSO DE SOUZA, CPF 053.368.18631; ROGÉRIO LUIZ BICALHO, CPF 761.465.706 30. Cientificados da autuação, os responsabilizados apresentaram impugnações constantes do volume X, às fls. 1.801 a 1.831, 1.838 a 1.868 e 1.873 a 1.959, nas quais, após aduzirem seus argumentos, ao final pedem a exclusão de suas responsabilidades tributárias ou a anulação dos autos de infração, bem como a juntada de novos documentos e aditamentos às impugnações. O contribuinte autuado também entregou impugnação, às fls. 2.125 a 2.200 (volume XI), com juntada de documentos até a fl. 2.441, na qual ao final requer: “provar o alegado pelos meios em direito admitidos, especialmente documentos e perícia, e para tanto apresenta desde já os seguintes quesitos, indicando desde já , como assistente técnico o Sr. Frederico Ferreira Pedrosa, auditor contábil do escritório Pedrosa Orsini Auditores Independentes, brasileiro, casado, contador, com escritório sito na Rua Rio Grande do Norte nº 160, sala 605, Bairro dos Funcionários, Belo Horizonte MG” Requer ainda seja anulado o lançamento ou reduzido o valor do crédito tributário, “devido a abusividade nos valores das multas.” A vista das alegações expendidas nos autos, o presente processo retornou à DRF responsável pelo lançamento, em diligência, para esclarecessem o seguinte: a) notas fiscais que não representem saídas tributadas, por ventura existentes, no Demonstrativo Analítico das Saídas de Refrigerantes no Período de Janeiro/2002 a Dezembro/2004, constante do Anexo I, b)caso haja, fazse necessário que se refaça o Demonstrativo Sintético das Saídas de Refrigerantes desse mesmo período, reconstituindose a apuração do IPI devido em cada período base (Débito/Crédito). c) tendo em vista os argumentos do impugnante e com intuito de evitarse qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa, solicitase pronunciamento Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 pormenorizado do Fisco a respeito dos créditos de IPI, previstos no § 2º do art. 143 do RIPI. Em resposta a esta solicitação a Fiscalização informou às fls. 2485/2489 que: “A filial da Distribuidora Pequi somente foi autuada em virtude das saídas de refrigerantes que ingressaram diretamente em seu estabelecimento, oriundos da fabricante Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, ou seja, foi autuada somente nas operações em que é equiparada a industrial – quando promoveu saída de refrigerantes recebidos diretamente da indústria, que os produziu sob encomenda (art. 33 da Medida Provisória 2.15835 que alterou a redação do art. 4º da Lei 7798, de 1989; art. 130 do RIPI/98 e 143 do RIPI/2002). Quando a filial recebeu refrigerantes industrializados por encomenda, em transferência da matriz e promoveu a saída desses refrigerantes, não ocorreu o fato gerador do IPI...” Afirma mais adiante que “não estão arroladas no demonstrativo quaisquer notas fiscais que não representem saídas tributadas. Todas as notas fiscais (fls. 1291/1334) referemse a entradas de refrigerantes RECEBIDOS DIRETAMENTE do estabelecimento industrializados situado em Ribeirão das Neves/MG, ou seja, da Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e que posteriormente saíram, uma vez que o estabelecimento da Distribuidora Pequi não possui estoques de mercadorias.” Portanto, concluem que não há retificações a fazer nos demonstrativos das notas fiscais objeto do lançamento da mesma forma que não encontraram créditos de IPI na forma permitida em lei . Dado ciência à empresa ela apresentou em 22/10/2007 às fls. 2.493/2.500 razões adicionais de defesa, quais sejam: que Laudo Pericial aponta erros grosseiros, como transferência simbólica como a realizada pela NF 000724, ou a devolução de produtos impróprios para consumo da NF 6610, etc. reafirmando os termos da impugnação em sua íntegra e requerendo a nulidade do auto de infração ou quando muito a redução do crédito tributário.” A DRJJuiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento (fls. 2.549/2.595 – vol. XIII), nos termos da ementa adiante transcrita: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 REFRIGERANTES FABRICADOS SOB ENCOMENDA. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do produto tanto do estabelecimento que o industrializar; como do estabelecimento encomendante, se industrial ou equiparado a industrial, ainda que para estabelecimento filial. CRÉDITO BÁSICO. O Princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e no caso específico, na entrada de refrigerantes fabricados sob encomenda. Não havendo exação de IPI nessas entradas, não há valor algum a ser creditado. Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.820 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A constituição e o uso de pessoas jurídicas para ocultar valores tributáveis, com prática de simulação absoluta e utilização de pessoas interpostas, denotam que o não recolhimento de tributos resultou de ação dolosa, caracterizando, assim, o elemento fático (“atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”) para a responsabilização pessoal versada no art. 135 do CTN. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo os elementos contidos nos autos suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade do lançamento, Às fls. 2.629/2.716 (vol.XIII), consta o recurso voluntário apresentado pela contribuinte. A contribuinte, preliminarmente, alega que o Termo de Perempção lavrado nos autos é infundado, visto o seu recurso ter sido apresentado tempestivamente. Afirma que, não obstante estar regularmente inscrita junto à Receita Federal, sem ter havido qualquer alteração do endereço no qual sempre recebeu suas intimações, a intimação da ciência do Acórdão proferido pela DRJ foi encaminhado por AR no endereço residencial do responsável pela empresa, Sr. Valdez Antônio Maciel, tendo sido a correspondência destinada a ele, razão pela qual a recebeu como se lhe tivesse sido endereçada, e não à empresa, haja vista que ele também é parte neste processo. Além disso, o AR foi recebido por terceira pessoa, que não compõe o quadro societário da empresa, nem é seu preposto ou empregado. Em razão da ausência da intimação pessoal da recorrente, requer a nulidade da decisão recorrida. Após tais considerações acerca da tempestividade de seu recurso, a contribuinte passa todo tempo a apresentar argumentos de defesa para firmar a inexistência do “grupo Del Rey”, bem como para negar o envolvimento da família Bicalho nas operações irregulares apontadas pela autoridade autuante. Alega, em síntese: que os principais indícios utilizados pela Fiscalização para caracterizar o suposto “Grupo Del Rey” foram os depoimentos colacionados no Auto de Infração lavrado. Afirma que tais depoimentos foram manipulados pela Fiscalização, que retirou as partes que não lhe interessava, violando o princípio da impessoalidade e moralidade administrativa; Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 que, mesmo após a contribuinte ter apresentado as contradeclarações feitas pelos declarantes, a DRJ,sme quaisquer argumentos válidos, preferiu manter o auto de infração e a solidariedade, negando a aplicação do art 112 do CTN; que em nenhum momento o órgão julgador apresenta os fatos que motivaram o lançamento, nem demonstra outras provas que teriam sido utilizadas para manter a exigência tributária que não os preditos depoimentos, os quais foram desconstituídos pela defesa por meio de contradeclarações firmadas em cartório ; que os Sr. Rogério Luiz Bicalho e a Sra. Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, ao contrário do afirmado pela Fiscalização, não possuem sala no galpão ocupado pela empresa Maxdrink, nem mesmo a Sra. Rosilene Bicalho trabalha na empresa T.A. Afirma que o Sr. Rogério e a Sra. Roseana freqüentam a Maxdrink vez ou outra, em razão de serem eles sócios da empresa detentora das marcas comercializadas pela Maxdrink. Informa que “quando o Sr. Rogério se dirigia ao estabelecimento da Maxdrink, era no intuito de fazer levantamentos sobre números comercializados, uma vez que o contrato de Royalty pelo uso das marcas, permite que, além de receber relatórios com quantidades vendidas e estocadas, o cedente da marca pode obter tais informações diretamente na empresa e nos seus distribuidores, tendo assim, livre acesso as dependências de estocagem para conferência de notas fiscais de entrada e saída, nunca exercendo funções administrativas.” De forma que “a finalidade pela qual os referidos senhores freqüentam a empresa que distribui os refrigerantes da marca de sua propriedade é para conferência de vendas e conseqüente apuração de valores a serem pagos para sua empresa”; que se o Sr. Rogério e a Sra. Roseana fossem sócios de fato da Maxdrink, certamente a freqüentariam com assiduidade e a Fiscalização, que tantas vezes esteve no local, os teria lá encontrado; que, “quanto ao fato levantado pela 1ª Turma Julgadora, no sentido de que em relação aos processos de marcas junto ao INPI de n° 820948535 (titular no INPI Belo Refrigerantes) e 825762022 (titular no INPI Reizinho Consultoria) teriam especificação do produto (refrigerantes) e nome do procurador (Carlos José do Santos Linhares) comuns em nada reforça a existência de grupo econômico, até mesmo porque o produto, obviamente, é o mesmo (refrigerantes) e o procurador, certamente em virtude de o mesmo ser especialista nesta área, atuando para clientes distintos”; que, quanto ao cartaz afixado na empresa Maxdrink referente à seleção de pessoal para o grupo Refrigerante Del Rey, a DRJ não fundamentou o seu entendimento; que é praxe que as pessoas e setores de empresas se coloquem como parte da marca mais conhecida que o estabelecimento comercializa, sendo assim, não há que se falar em existência de Grupo Del Rey; que o Sr. Rogério é conhecido dos funcionários da Distribuidora Pequi porque ele “efetivamente participou indiretamente, via RV Participações, do capital social da Belo Horizonte Refrigerantes. Contudo, o mesmo, à época, vislumbrou haver uma boa oportunidade na área de desenvolvimento, criação e gestão de marcas. Assim sendo, resolveu franquear as marcas por ele adquirida,s cobrando royalty pela utilização das mesmas, tendo em vista que o mercado possuía muitas indústrias de refrigerantes e produzir não era um diferencial competitivo. Desta feita, o Sr. Rogério fez por bem deixar de trabalhar com as unidades industriais, passando apenas a ceder o direito de uso de suas marcas, constituindo, juntamente com sua irmã, Roseana da Fátima Bicalho Lourenço, a empresa Reizinho Consultoria e Empreendimentos Ltda”. Afirma que, “mesmo não sendo mais proprietário da Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.821 7 fabrica de refrigerantes, o Sr. Rogério Luiz Bicalho freqüentava suas instalações pelo simples fato de ser a empresa Reizinho Consultoria e Empreendimentos Ltda. proprietária das marcas, e de poucas máquinas utilizadas pela Belo Horizonte Refrigerantes” que “é mais do que normal o sócio diretor da empresa que detém as marcas e as cede para terceiros explorar (industrializando e comercializando), freqüentar as instalações para verificar a quantidade de refrigerantes produzidas, a fim de receber os valores devidos a titulo de Royalty, bem como o estado de conservação das máquinas utilizadas na produção” que a Turma Julgadora, na mesma linha da fiscalização autuante, utilizase dos depoimentos apenas quando lhe convém, desprezando as contradeclarações, que com muito mais propriedade (declarações registradas em cartório) derrubam os fracos indícios fiscais da existência de "Grupo Del Rey"; que, “em momento algum, os declarantes apontaram o Sr. Rogério Luiz Bicalho ou qualquer outro membro da "Família Bicalho" como administradores de qualquer das empresas autuadas”. Afirma que “os declarantes, cujos depoimentos foram coletados ou obtidos em processos trabalhistas [...] apontam como "donos", mas não como administradores.” que não é estranho que o Sr. Rogério Luiz Bicalho seja devedor solidário no contrato de abertura de crédito fixo, com garantia de alienação fiduciária, firmado entre o Banco Volkswagem e a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, na compra de cewículos efetuada pela Belo Horizonte Refrigetantes. Afirma que sabendo o Sr. Rogério que a compra dos veículos aumentaria a venda de refrigerantes e, consequentemente ,o recebimento de Royalties, “[...] nada mais lógico que prestar fiança numa operação que indiretamente o beneficiaria, o que comprova não se tratar de um grupo econômico, mas sim de empresas negociando normalmente entre si”; que a habitualidade com que a Maxdrink efetuava pagamento das despesas de passagens aéreas do Sr. Rogério Luiz Bicalho também é absolutamente normal, pois a Maxdrink “ é devedora de Royalties para a Reizinho, empresa de que [o Sr. Rogério Luiz Bicalho] é sócio e administrador, e mais, este [o Sr. Rogério] tem interesse na divulgação da sua marca para possibilitar o aumento de vendas pela Maxdrink e, conseqüentemente, aumento no pagamento dos Royalties (...)” Enfim, a recorrente procura desconstituir as declarações obtidas pela Fiscalização de várias pessoas ligadas às empresas, alegando, inclusive, motivos de interesse pessoal dos declarantes para vincular o Sr. Rogério Luiz Bicalho à empresa Maxdrink e prejudicálo. Afirma a todo o tempo que as três empresas (Distribuidora Pequi Ltda, Belo Horizontes Refrigerantes Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda) são empresas completamente distintas, não havendo que se falar em grupo econômico, e que as questões apontadas pela Fiscalização, no sentido de demonstrar a estreita e incomum correlação entre as três empresas, são, na verdade, condutas absolutamente normais na prática do comércio, tendo em vista que o Sr. Rogério Luiz Bicalho tem interesse no aumento das vendas dos refrigerantes que comercializa, pois sobre ele recebe pagamento de royalties. Justifica, ainda, a estreita relação entre a Maxdrink e a Distribuidora Pequi em razão de o Sr. Vaney Afonso de Souza ser sócio administrador da Maxdrink e também sócio majoritário da Distribuidora Pequi e, de forma que, no seu entendimento, “nada mais normal, pois, que a Maxdrink, como forma de acerto com a Distribuidora Pequi, efetue o Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 pagamento do seu débito diretamente aos credores da Distribuidora Pequi(...)”. Afirma, ainda, que, sendo o Sr. Vaney padrinho de casamento da Srª Rosilene Bicalho, nada mais normal que presenteála com uma viagem de luademel, a qual foi paga com cheque da empresa Maxdrink, tendo sido este o motivo da emissão do cheque nº. 850.098, do Banco do Brasil. Aduz ser evidente a fragilidade dos fatos alegados pela Fiscalização e que inexiste qualquer grupo econômico. Afirma ser incabível a responsabilidade solidária das pessoas físicas de Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Roseana Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho. Quanto à exigência do IPI, alega, em síntese: que é incabível a exigência do IPI, vez que faz jus ao benefício fiscal de redução em 50% da alíquota referente aos refrigerantes de Guaraná, Uva, limão, tangerina e demais que utilizam extrato de frutas, consoante a Nota Complementar da TIPI n° 221; que os únicos requisitos exigidos pela NC TIPI 221 são: (i) atender aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e; (ii) estarem os produtos registrados no órgão competente daquele Ministério. Deste modo, entende que a concessão do Ato Declaratório por parte da Receita Federal é ato vinculado, eis que a empresa preenche os requisitos para a sua concessão, sendo imperiosa a necessidade de fazer jus ao beneficio previsto na NC TIPI 221; que os requisitos necessários à concessão do referido Ato Declaratório foram efetivamente comprovados pela Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., consoante, consoante expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 57 dos autos; que a atuação da Fiscalização foi arbitrária ao utilizar, como base de cálculo do IPI, o valor de todas as Notas Fiscais emitidas, tenham sido elas de venda, devolução simbólica ou retorno de industrialização, e que não se sustenta a argumentação da DRJ de que a contribuinte foi intimada a apontar algum erro no cálculo e não o fez. Afirma que comprovou as alegações constantes da impugnação por meio de laudo pericial devidamente juntado aos autos e que não foi objeto de análise pela Turma julgadora, contrariando, assim, o princípio da verdade material;. que “é clarividente a inconstitucionalidade do artigo 15 da Lei 7.789/89 e artigo 131, §3º do Decreto 4.544/02, na medida em que ambos desrespeitam a definição da base de cálculo do IPI prevista no artigo 47, inciso II, alínea a do Código Tributário Nacional, que, por força do artigo 146, inciso III, alínea a daConstituição da República, detém a competência para definir a base de cálculo do IPI, sendo, hialino, pois, que o acórdão recorrido carece de revisão também neste mister.”; que a Fiscalização simplesmente desconsiderou as determinações do §2° do artigo 143, que garante o creditamento, por parte do encomendante, do valor pago pelo estabelecimento industrializador; que a utilização de pautas fiscais para cobrança de tributo se mostra indubitavelmente inconstitucional e ilegal, à vista do ordenamento jurídico vigente. Afirma que utilização de pautas fiscais somente é cabível quando não for possível a identificação da base de cálculo real as operações; Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.822 9 que encomenda a industrialização de refrigerantes à empresa Belo Horizontes Refrigerantes e que, assim, remete ao industrializador as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens necessárias à industrialização. Por força o artigo 42, inciso VI do RIPI, essas remessas, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao remetente dos insumos, são suspensos de tributação pelo IPI. Da mesma forma, o retorno dos produtos industrializados ao estabelecimento encomendante, com destino ao comércio ou emprego em outra industrialização, também é suspenso de tributação pelo IPI; que, ao realizar o envio das préformas para sopro, com a subsequente saída das garrafas PET sopradas, não há que se falar em cobrança do IPI, uma vez que este se encontrava com a sua incidência suspensa, dada a determinação dos incisos VI e VII do artigo 42 do RIPI. Logo, o responsável pelo recolhimento do imposto é o destinatário, autor da encomenda, tão logo ele efetue a saída do produto então industrializado por encomenda, sendo improcedente o auto de infração lavrado também neste mister; que houve cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia pela DRJ; que a multas aplicada tem caráter confiscatório; que é incabível a aplicação da multa ao patamar de 225%, em face da falta dos elementos de tipificação das irregularidades pretendidas pela Fiscalização; que, em momento algum, ficou comprovado nos autos o intuito do contribuinte de fraudar o fisco, nem mesmo a ocorrência de qualquer divergência entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos sociais, de prestação de serviços, alterações contratuais, etc., relativo às empresas Belo Horizonte Refrigerantes, Maxidrink e Distribuidora Pequi, o que descarta por si só a ocorrência de simulação, sendo inaplicável a majoração das multas; que as empresas autuadas não deixaram de atender às intimações e que não se pode exigir a apresentação de documentos que as intimadas não possuem, de forma que, bem ou mal, foram prestados os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização; e que também não há qualquer irregularidade no contrato de aluguel do galpão de propriedade da Sra. Maria Torres, onde se encontra sediada a empresa Belo Horizonte Refrigerantes. Afirma que não há registro de pagamento de aluguel de 2002 a dezembro de 2006 porque foi dado prazo de carência para empresa realizar obras no local e que o valor da locação é baixo é razão da realização de benfeitorias no imóvel, pela locatária. Neste ponto, retoma a recorrente a intenção de desconstituir as provas trazidas pela Fiscalização para configurar a existência do grupo econômico, a simulação e o envolvimento da família Bicalho. Ao final, requer a anulação do lançamento de ofício e, subsidiariamente, a redução ou exclusão das multas e juros aplicados. Às fls. 2.720/2.795 consta o recurso voluntário apresentado, de forma conjunta, pelos responsáveis solidários ROGÉRIO LUIZ BICALHO, ROSEANA DE FÁTIMA BICALHO, ROSILENE BICALHO e MARIA TORRES DE FREITAS BICALHO. Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Em linhas gerais, o recurso repete os mesmos argumentos apresentados pela contribuinte quanto à inexistência do Grupo Del Rey. Procura desconstituir os depoimentos colhidos pela Fiscalização em razão dos novos depoimentos prestados em cartório pelos mesmos depoentes. Tenta demonstrar que as relações entre os responsáveis solidários e as empresas fiscalizadas se restringiam aos aspectos comerciais, não havendo qualquer envolvimento pessoal que identifique a vinculação entre as recorrentes e a autuada, não se configurando a hipótese prevista no art. 174 do CTN. Afirma que, mesmo que ficasse provada a existência de uma sociedade de fato “os Recorrentes não poderiam ser responsabilizados pessoalmente pelos débitos, eis que, em momento algum, em nenhum dos depoimentos tomados como base pela fiscalização autuante, restou consignado que o Sr. Rogério Luiz Bicalho ou qualquer outro membro da "Família Bicalho" SERIAM OS ADMINISTRADORES de qualquer das empresas autuadas”.Alega que somente os sóciosgerentes podem ser responsabilizados pelos débitos da empresa e, mesmo assim, apenas quando os atos são praticados em infração à lei ou ao contrato social, razão pela qual não haveria base legal para a responsabilização de pessoas físicas que sequer figuram como sócios quotistas da empresa autuada. Repete os mesmos argumentos da contribuinte autuada em relação à aplicação da multa. Ao final, requer a exclusão dos recorrentes do pólo passivo. Por fim, temse que, em cumprimento da diligência requerida por esta Turma julgadora, foram intimados da decisão da DRJ os responsáveis solidários VANEI AFONSO DE SOUZA e WANDERLEY CARDOSO DE SOUZA, que não apresentaram recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a empresa DISTRIBUIDORA PEQUI LTDA, para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados –IPI, bem como acréscimos legais (multa proporcional e juros de mora), no valor total de R$ 3.119.916,24 (fls.1.342/1.369). Afirma a autoridade autuante que as empresas Distribuidora Pequi Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda eram utilizadas pela empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda para simular operações de industrialização sob encomenda e comercialização dos refrigerantes por ela mesma produzidos, com evidente intuito de fraude contra a ordem tributária. Alega a autoridade autuante que a Distribuidora Pequi Ltda, juntamente com as empresas Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, seriam empresas do mesmo grupo econômico, ao qual denominou de “Grupo Del Rey”. Afirma a Fiscalização que as três empresas possuem comunhão de interesses e pertencem aos mesmos proprietários, além de efetuarem atividades complementares. Aduz que, por meio do artifício antes realizado pela empresa “Refribelô”, e, atualmente, pela Distribuidora Pequi, esta (Distribuidora Pequi) "adquiria" e enviava insumos com o IPI e ICMS suspensos para a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, para a fabricação de refrigerantes "sob encomenda". Encomenda dela própria, pois a Distribuidora Pequi, Refribelô, Maxdrink e Belo Horizonte Refrigerantes pertenceriam aos mesmos proprietários: a família Bicalho. A operação de industrialização sob Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13609.720024/200685 Acórdão n.º 3202000.928 S3C2T2 Fl. 2.823 11 encomenda proporcionava à Belo Horizonte Refrigerantes aparência de ser apenas prestadora de serviços, quando, na realidade, seria uma empresa industrial, sujeita aos impostos pertinentes na operação. Assim, o IPI [seria] devido tanto pelo estabelecimento que industrializou os refrigerantes, no caso, a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, quanto pela Distribuidora Pequi, o estabelecimento encomendante. Ambas jamais poderiam utilizarse do instituto da suspensão, pois [estariam] impedidas por lei. Apesar disso, as empresas valeram se da suspensão e não recolheram qualquer IPI na saída dos produtos industrializados, conforme estratégia das três empresas envolvidas na operação mercantil: o estabelecimento industrial, o encomendante e o distribuidor. Esses emitiram várias notas fiscais para acobertar, basicamente, a mesma operação: industrialização e comercialização de refrigerantes. Ainda segundo a Fiscalização, a atuação das três empresas seria a seguinte: “ ...a Distribuidora Pequi (matriz) adquire insumos para produzir refrigerantes e remeteos para industrialização na fábrica, em Ribeirão das Neves, da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda com suspensão do IPI. Após industrializados, a Belo Horizonte Refrigerantes emite duas notas fiscais: 1) para a Distribuidora Pequi (matriz) relativa à remessa simbólica dos insumos utilizados na industrialização por encomenda e à industrialização efetuada e 2) para a Distribuidora Pequi Ltda (filial, CNPJ 03.743.779/000204), relativa à remessa do refrigerante já industrializado por conta e ordem do remetente dos insumos, ou seja, a matriz da Distribuidora Pequi. Em nenhuma das notas fiscais referidas há destaque do IPI. Em poucos casos, a Belo Horizonte Refrigerantes remeteu os refrigerantes diretamente para a filial da Distribuidora Pequi Ltda. Por sua vez, a Distribuidora Pequi Ltda (matriz) emite uma nota fiscal de remessa dos refrigerantes para sua filial COM DESTAQUE DO IPI, mas sem nunca ter recolhido o imposto, e a filial emite uma nota fiscal de saída para a empresa distribuidora de refrigerante, em geral, para a Maxdrink Empreendimentos e Participações Ltda, SEM DESTAQUE DO IPI” Afirma ainda que “Na prática, a estratégia visou a criar aparência de que o IPI estaria suspenso e a diminuir a base de cálculo dos impostos e contribuições ali gerados, uma vez que o faturamento estaria dividido entre ela, a Maxdrink e a Pequi. Estas duas últimas não possuem bens para garantir a execução dos créditos tributários. É na fábrica de refrigerantes que estão os ativos do "Grupo Del Rey". Diante desse quadro, foi, ainda, aplicada multa agravada em 225% em razão de a contribuinte não haver atendido às intimações e pela utilização de interpostas pessoas na administração da empresa autuada, tendo sido também autuados, na condição de responsáveis solidários, as seguintes pessoas físicas: Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho, Maria Torres de Freitas Bicalho, Vanei Afonso de Souza e Wanderley Cardoso de Souza, conforme se vê dos Termos de Sujeição Passiva Solidária nºs. 007 a 012, constantes às fls. 1.513 a 1.524 (volume IX). Observase que os fatos narrados pela Fiscalização, relacionados à formação e atuação do denominado Grupo Del Rey, fundamentaram a configuração de infração à legislação referente ao IRPJ, visto que serviram de base para autuação da empresa Distribuidora Pequi Ltda referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, formando o processo Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 administrativo 13603.720076/200610, o qual já foi objeto de julgamento pela Primeira Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº. 10323.409). Naqueles autos, inclusive, foram analisadas as questões relativas à existência do referido grupo econômico e à responsabilidade solidária dos sócios das três empresas. Por outro lado, dispõe o art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ......................................................................................................... IV – demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (grifo não constante do original) Tendo em visto ser este o caso dos autos, visto o Auto de Infração do IPI encontrarse lastreado em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA, em favor da Primeira Seção de Julgamento deste CARF. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.003182/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NO MOMENTO DA IMPUGNAÇÃO. JUSTIFICAÇÃO DOS VALORES DIVERGENTES APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO. CONFIRMAÇÃO POR DILIGÊNCIA.
O auto de infração lavrado pela falta de comprovação de custos pelo contribuinte deve ser cancelado, e exonerado o crédito tributário, quando comprovados pelo contribuinte, em sede de impugnação, a origem dos custos questionados, especialmente quando confirmado por diligência a idoneidade dos argumentos e documentos colacionados no curso da ação fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
I(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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JUSTIFICAÇÃO DOS VALORES DIVERGENTES APONTADOS PELA FISCALIZAÇÃO. CONFIRMAÇÃO POR DILIGÊNCIA. O auto de infração lavrado pela falta de comprovação de custos pelo contribuinte deve ser cancelado, e exonerado o crédito tributário, quando comprovados pelo contribuinte, em sede de impugnação, a origem dos custos questionados, especialmente quando confirmado por diligência a idoneidade dos argumentos e documentos colacionados no curso da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. I(assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 82 /2 00 6- 01 Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.120 3 Relatório Tratase de recurso de ofício. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância pela DRJ/SP1, a seguir transcrito (fls. 3787/3795): Tratase de impugnação a auto de infração lavrado com fundamento em glosa de custos, em que foram constituídos créditos tributários referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor de R$ 28.986.415,46 e, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor de R$ 10.435.109,53, neles incluídos a multa e os juros moratórios devidos até 30.11.2006 (fls. 217/227). O enquadramento legal do lançamento encontra se grafado nos respectivos campos do formulário do auto de infração. O relatório fiscal que integra o presente auto de infração (fls. 207/208) consigna que a autuante intimou a fiscalizada a apresentar a documentação correspondente a lançamentos a débito em determinadas contas de Estoque, obtidas a partir dos arquivos magnéticos de seu Livro Razão, que registrariam as aquisições de matériasprimas embalagens e outros insumos de produção, destacandose o seguinte excerto: “(...). 1) CONTA RAZÃO 113.01.0001 MatériasPrimas Importadas/Comprados: Planilha 1 todos os registros relacionados nesta planilha contêm o número da nota fiscal correspondente (Referência). Elaboramos este quadro, relacionando todos os valores dos débitos e seu total, correspondentes a cada nota fiscal intimada, fazendo comparação entre esse total e o valor da nota fiscal apresentada, e apuramos que vários dos valores totais dos referidos débitos foram superiores aos valores das notas fiscais correspondentes, configurando assim majoração de custos. Planilha 2 conforme informou a fiscalizada em sua resposta de 14/12/06, os registros relacionados nesta planilha, corresponderam à entrada de mercadorias no estoque devido à sua incorporação da empresa Basf Corantes Têxteis S.A. ,apresentando apenas cópia, da Ata da Assembléia que a deliberou, deixando de os comprovar custos não comprovados. Planilha 3 constam registros referentes a esta conta, em cujos arquivos não constaram o número da nota fiscal correspondente (Referência 1); na sua resposta de 14/12/06 a empresa informou o número das mesmas (Referência 2); procedemos da mesma Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 forma da Planilha 1 acima confrontando o valor total dos débitos lançados com o valor da nota fiscal respectiva, apurando aquelas que seus valores foram inferiores aos totais dos débitos correspondentes, o que também configurou majoração de custos. 2) CONTA DO RAZÃO 113.03.0001 Mercadorias Importadas e Comprados: Planilha 4 verificamos a mesma situação da Planilha 1 para este caso, procedemos da mesma forma para com esta, apurando os valores totais do débitos que foram superiores aos valores das notas fiscais correspondentes e constatando também majoração de custos. 3) CONTA DO RAZÃO 113.0I.0003 – Embalagens: Planilha 5 alguns registros desta planilha, no arquivo magnético não constou o número da nota fiscal correspondente, mas a empresa na sua resposta, mencionada acima, informou esses números. Procedemos da mesma forma que o da Planilha 1 e apuramos os valores totais dos débitos que foram superiores aos valores das notas fiscais respectivas, 0 que configurou majoração de custos. Todas as planilhas referidas acima estão anexas ao presente termo, fazendo parte integrante do mesmo. Tendo em vista o acima mencionado, os valores em comento serão glosados, devido a custos não comprovados e majoração de custos, através de lançamento de oficio, exigindo o(s) crédíto(s) tributário(s) devido(s). RESUMO DOS VALORES MENSAIS A SEREM GLOSADOS: MÊS/2001 VALOR – R$ JANEIRO 14.193,76 FEVEREIRO 6.326.574,53 MARÇO 6.144.4803,24 ABRIL 1.174.389,49 MAIO 431.955,38 JUNHO 2.154.488,91 JULHO 14.869,35 AGOSTO 109.347,20 SETEMBRO 28.281.342,11 OUTUBRO 191.028,56 NOVEMBRO 22.182,87 DEZEMBRO 52.693,72 TOTAL 44.917.546,15 (...)’’. A diferença verificada entre os valores debitados nas contas de estoques da contribuinte e os constantes dos documentos apresentados, essencialmente notas fiscais, foi considerada majoração de custos e custos não comprovados, levando à glosa de tais valores e aos lançamentos de IRPJ e da CSLL. Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.121 5 A recorrente tomou ciência dos lançamentos por via postal em 29/12/2006 (fl. 275). Inconformada, apresentou impugnação em 30/01/2007 (fs. 277/331), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJ/SP1, nestes termos (conforme consta às fls. 3788/3792): (i) O lançamento é nulo, uma vez que contém erro de cálculo, na medida que os valores constantes das planilhas para o mês de abril somam R$ 1.113.845,65, enquanto no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração fo fixado em R$ 1.174.389,49, gerando uma diferença a maior de R$ 60.543,84; (ii) Relativamente às diferenças apontadas nos lançamentos contábeis objeto das planilhas 1, 3, 4 e 5, os lançamentos contábeis ocorridos na entrada das mercadorias são efetuados pelo custo estimado da entrada, sofrendo ajustes para o custo real médio ponderado ao final do mês, mediante lançamentos contábeis do "Tipo ML", com codificação "4700000XXX", comprovados mediante cópias de notas fiscais juntadas, relatório de controle de custos, cópia do Livro Modelo 3 de Controle de Produção e do Estoque, lançamentos do Razão; (iii) A auditorafiscal não considerou essa sistemática, nem os lançamentos de estornos e de transferência entre estabelecimentos; (iv) Em relação às diferenças apontadas na planilha 2, tratase de incorporação do acervo líquido da sociedade denominada Basf Corantes Têxteis S/A, comprovados mediante apresentação de cópia da ata da Assembléia de Quotistas que aprovou o ProtocoloJustificação de Incorporação e o Laudo de Avaliação Contábil da sociedade incorporada, cópia do balanço de transposição dos saldos incorporados, cópia da Ficha 38A da DIPJ do evento de incorporação, composição das matérias primas incorporadas ao estoque; composição dos lançamentos contábeis. Os documentos que subsidiam a impugnação foram encartados em anexos e numerados de fls. 285/3608. A DRJ/SP1, por ocasião do julgamento da Impugnação, determinou a realização de diligência (fls. 3692/3695), para que a autoridade autuante prestasse as informações abaixo relacionadas, buscando junto à contribuinte os seguintes esclarecimentos, resumidos pela instância de origem (fls. 3790/3791): “8.I. O método de custeio utilizado pela impugnante é o de 'custopadrão'? 8.2.Caso afirmativo, os lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX' que aparecem no livro Modelo 3, assim como no Razão contábil, são lançamentos de ajuste para se reconhecer o custo real de aquisição de matériasprimas? 8.3. Caso tais lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes do 'custopadrão’, verificar relativamente à Planilha 1, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matérias Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 primas, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 338, 384, 462, 457, 441, 450, 431, 453, 444, 682, 693, 691, 806, 805, 931, 986, 1038, 1059, 1150, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados às fls. 441, 431, 444, 691, 806, 1038, 1150, juntamente com os documentos constantes dos Anexos A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, 0, P, Q, R e S; 8.4. Caso tais lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX’ sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão”, verificar relativamente à Planilha 3, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matériasprimas, destacados pela contribuinte às fls. 1270, 1271 1297, 1339, 1373, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados as fls. 1297, juntamente com os documentos constantes dos Anexos U, V, X, Z, AA, AB; 8.5. Caso tais lançamentos do tipo 'ML ', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão ', verificar relativamente à Planilha 4, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matériasprimas, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 1444, 1480, 1554, 1561, 1670, 1747, 1798, 1825, juntamente com os documentos constantes dos Anexos AC, AD, AE, AF, AG, AH, A1, AJ; 8.6. Caso tais lançamentos do tipo 'ML ', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão ', verificar relativamente à Planilha 5, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de embalagens, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 1861, 1862, 1873, 1887, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados às fls. 1861, 1862, juntamente com os documentos constantes dos Anexos AK, AL AM, AN, AO, AP, AQ, AR, AS e AT; " Assim, a autoridade fiscal elaborou Relatório de Diligência juntado às fls. 3771/3775, cujas conclusões foram resumidas pela DRJ de origem, nos seguintes termos (fls. 3791/3792): “(...). II – CONSIDERAÇÕES: 3. Para se ter um desenrolar satisfatório dos trabalhos de fiscalização é necessário que haja alguma disposição da fiscalizada a colaborar, principalmente no sentido de fornecer subsídios à parte de sua contabilização, como controles e demais (sic) realizados por ela, a fim de favorecer o entendimento e análise. Quando a intimamos (fls. 51) a apresentar a documentação que deu suporte aos lançamentos elencados nas planilhas que fizeram parte dos termos de intimação acima mencionados, a empresa simplesmente apresentou notas fiscais, com valores inferiores aos lançamentos, não se preocupando em elucidar, ao menos por amostragem, alguns dos valores intimados, vindo a fazêlo somente na impugnação. Como se pode verificar, a título de exemplo, tomando por base a Nota Fiscal 000972002, Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.122 7 datada de 08/01/2001 fls. 232, na impugnação a empresa prestou esclarecimento detalhado, apresentou nota fiscal complementar, controle 'Apuração do Custo dos Processos de Importações ', cópia do Livro Modelo 3 de Controle de Produção e do Estoque, cópia do Razão. Se agisse dessa forma, quando intimada, utilizandose de amostragem, comprovaria a efetiva aquisição dos insumos e proporcionaria a formação de consenso da veracidade do lançamento e valores agregados. O mesmo aconteceu com os lançamentos da série 490000 fls. 79 no item (2), quando informou que se referiam à entrada no estoque de mercadorias, resultantes de processo de incorporação. A empresa limitouse somente a apresentar cópia da Ata da incorporação e nada mais somente na impugnação, às fls. 258 e Anexo T, apresentou os registros contábeis correspondentes e a composição das referidas matériasprimas incorporadas ao estoque. 4. As indagações do Julgador, de fls. 3617 e 3618, se pautaram, em especial nos lançamentos com codificação '47000000XXX', as quais passamos a respondêlas, conforme subitens elencados pelo mesmo: 8.1 diante dos esclarecimentos prestados/demonstrados, da documentação e cópia dos lançamentos apresentados pela empresa, todos na impugnação, não resta dúvida de que se trata de custopadrão; 8.2 os lançamentos são de ajuste para se reconhecer o custo real de aquisição de matériasprimas; 8.3, 8.4, 8.5 e 8.6 as alegações da impugnante, mediante os elementos constantes do subitem 8.1, são procedentes. 5. Quanto aos valores relativos a estorno, referidos na impugnação pela empresa, tivemos a precaução no sentido de excluílos, quando da fiscalização, conforme se pode verificar às fls. 173 deste processo, na 'Observação' aposta por nós na cópia do Razão conta 113.01.0003 Embalagens: 'Não localizamos lançamentos estornando os valores em destaque. Quanto aos valores que a empresa mencionou serem de estorno, no arquivo magnético das contas analisadas não constou o número correspondente a qual nota fiscal se referia, motivo pelo qual não foram considerados como estorno. O fato de não constar no arquivo magnético o no. da nota fiscal, pode ser observado na 'Nota' constante da Planilha 5 (fls. 158): 'Referência 2 informou número das notas fiscais através da resposta de 14/12/06,' no arquivo magnético não constaram'. Nesta impugnação demonstrou/esclareceu os referidos valores de estorno. IV CONCLUSÃO Na impugnação, a empresa apresentou justificativas e documentos relativos aos valores impugnados, tais como notas fiscais complementares, cópia de escrituração contábil, etc., Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 vindo a elucidar, a contento, os valores selecionados por esta fiscalização e objeto de autuação.” (grifos originais). A empresa contribuinte foi notificada do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização, conforme Aviso de Recebimento às fls. 3779, apresentando manifestação às fls. 3780/3783, cujos principais pontos foram aduzidos pela DRJ de origem conforme segue: (...) aduz, em resumo, que a d. fiscalização reconheceu que os documentos apresentados em impugnação são hábeis a demonstrar os custos glosados, pugnando que o auto de infração seja julgado improcedente e que seja levantado o gravame consubstanciado no “Termo de Arrolamento de Bens e Direitos”, decorrente do processo n° l95l5.002895/200720. Encerrada a fiscalização, os autos foram remetidos à 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos do Estado de São Paulo (DRJ/SP1), que julgou procedente a impugnação e exonerou integralmente o crédito tributário constituído nos autos, proferindo o Acórdão nº. 1624.628 (fls. 3787/3795), de 17/03/2010, cuja ementa merece ser transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 VALOR TRIBUTÁVEL. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. O manifesto erro material cometido no momento do cálculo dos tributos é passível de correção de ofício ou por provocação do contribuinte, não dando causa à anulação do lançamento por ausência de prejuízo à defesa. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. COMPROVAÇÃO É cancelado o auto de infração lavrado em decorrência de falta de comprovação de custos de contribuinte quando, em impugnação, são prestados esclarecimentos e juntados elementos documentais que suprem a deficiência probatória observada, anteriormente, no curso da ação fiscal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O Presidente da 1ª Turma da DRJ de São Paulo (DRJ/SP1) recorreu de ofício do acórdão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por ser caso de exoneração do crédito tributário de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). É o Relatório. Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.123 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Tratase de recurso de ofício interposto em face do acórdão proferido pela DRJ/SP1 que julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e exonerou integralmente o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. O Recurso de Ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. 1. Dos lançamentos constantes nas Planilhas 1, 3, 4 e 5 Temse que a fiscalização lavrou auto de infração devido ter realizado glosa de custos, constituindose créditos tributários referentes à IRPJ e CSLL. Isto porque, no decorrer do procedimento fiscal, houve insuficiência de apresentação documental, bem como esclarecimentos prestados pelo contribuinte, para que fosse comprovada a regularidade de “lançamentos a débito” em certas contas de estoque, as quais registraram as aquisições de matériasprimas, embalagens e demais insumos apropriados aos custos de produção da empresa contribuinte. A empresa explanou, em sua impugnação, todas as divergências existentes entre a escrituração e os documentos de suporte, bem como apresentou diversos documentos até então ausentes da fiscalização. Ou seja, as divergências que originalmente motivaram a lavratura do auto de infração foram todas explanadas e justificadas pela parte contribuinte em sede de impugnação. Tendo o contribuinte juntado muitos documentos que até então não tinham sido analisados pelo Fisco, houve a conversão do julgamento em diligência pela DRJ de origem, para que fossem analisados de forma pormenorizada tais documentos, conforme Decisão de fls. 3692/3695. Foram solicitados os seguintes esclarecimentos ao contribuinte, pela origem: “8.I. O método de custeio utilizado pela impugnante é o de 'custopadrão'? 8.2.Caso afirmativo, os lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX' que aparecem no livro Modelo 3, assim como no Razão contábil, são lançamentos de ajuste para se reconhecer o custo real de aquisição de matériasprimas? 8.3. Caso tais lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes do 'custopadrão’, verificar relativamente à Planilha 1, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matérias Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 primas, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 338, 384, 462, 457, 441, 450, 431, 453, 444, 682, 693, 691, 806, 805, 931, 986, 1038, 1059, 1150, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados às fls. 441, 431, 444, 691, 806, 1038, 1150, juntamente com os documentos constantes dos Anexos A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, 0, P, Q, R e S; 8.4. Caso tais lançamentos do tipo 'ML', com codificação '4700000XXX’ sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão”, verificar relativamente à Planilha 3, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matériasprimas, destacados pela contribuinte às fls. 1270, 1271 1297, 1339, 1373, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados as fls. 1297, juntamente com os documentos constantes dos Anexos U, V, X, Z, AA, AB; 8.5. Caso tais lançamentos do tipo 'ML ', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão ', verificar relativamente à Planilha 4, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de matériasprimas, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 1444, 1480, 1554, 1561, 1670, 1747, 1798, 1825, juntamente com os documentos constantes dos Anexos AC, AD, AE, AF, AG, AH, A1, AJ; 8.6. Caso tais lançamentos do tipo 'ML ', com codificação '4700000XXX' sejam considerados ajustes contábeis ao 'custo padrão ', verificar relativamente à Planilha 5, a correção dos lançamentos efetuados para apurar o custo real de aquisição de embalagens, à luz das alegações da contribuinte e destacados às fls. 1861, 1862, 1873, 1887, inclusive com manifestação acerca dos estornos apontados às fls. 1861, 1862, juntamente com os documentos constantes dos Anexos AK, AL AM, AN, AO, AP, AQ, AR, AS e AT; " Prestados os esclarecimentos devidos pela contribuinte, bem como analisados todos os documentos colacionados aos autos, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Diligência juntado às fls. 3771/3775, cuja conclusão foi conforme segue (relatório mencionado pela DRJ de origem, à fl. 3792): IV CONCLUSÃO Na impugnação, a empresa apresentou justificativas e documentos relativos aos valores impugnados, tais como notas fiscais complementares, cópia de escrituração contábil, etc., vindo a elucidar, a contento, os valores selecionados por esta fiscalização e objeto de autuação.(grifo não original). Dessa forma, temse que a autoridade fiscal de origem confirmou todas as explicações dadas pela impugnante sobre seu método de apuração de custos. A respeito de tal método, a DRJ de origem se manifestou no seguinte sentido (fls. 3793/3794): A contribuinte controla seus custos em tempo real e, assim, por ocasião das aquisições das matériasprimas e insumos de produção, efetua o registro do custo por um valor estimado, denominado “custo padrão”. Ao final do mês, as contas de estoque sofrem lançamentos de ajustes, mediante lançamentos Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.124 11 contábeis do “Tipo ML”, com codificação que segue o formato “4700000XXX”, de maneira a se obter o custo real médio. Essa sistemática de apuração de custos está em consonância com a legislação do Imposto de Renda, tendo a Receita Federal já se pronunciado sobre o tema mediante o Parecer Normativo CST n° 6/79, publicado no DOU de 02.02.1979, que discorreu sobre aspectos relacionados à avaliação de estoques de produtos acabados e em fabricação segundo custos apurados por sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, do qual destaco o item 3.5: 3.5 No caso em que a empresa apure custos com base em padrões préestabelecidos (custopadrão), como instrumento de controle de gestão, deverá cuidar no sentido de que o padrão incorpore todos os elementos constitutivos atrás referidos, e que a avaliação final dos estoques (imputação dos padrões mais ou menos as variações de custos) não discrepe da que seria obtida com o emprego do custo real. Particularmente, a distribuição das variações entre os produtos (em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deve ser feito a intervalos não superiores a três meses ou em intervalo de maior duração, desde que não excedido qualquer um dos prazos seguintes: (1) o exercício social; (2) o ciclo usual de produção, entendido como tal o tempo normalmente despendido no processo industrial do produto avaliando. Essas variações, aliás, haverão que ser identificadas a nível de item final de estoque, para permitir verificação do critério de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos inventários. Ademais, restaram justificadas no caso, após a realização da mencionada diligência, as diferenças entre os lançamentos contábeis objeto das Planilhas 1, 3, 4 e 5 e as respectivas notas fiscais, pelos documentos e cópias das razões contábeis juntados às folhas especificadas pela DRJ de origem na seguinte tabela por ela confeccionada, constante à fl. 3794, que abaixo segue: Planilha constante à fl. 3794 do Acórdão de origem. Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Logo, a empresa contribuinte, neste caso, em sede de manifestação de inconformidade, juntou os documentos suficientes a justificar as inconsistências encontradas no procedimento fiscal, bem como a desconstituir o lançamento tributário, o que foi confirmado pela diligência realizada nos autos, que concluiu pela veracidade dos documentos e alegações do contribuinte. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto para se manter incólume o acórdão da DRJ de origem, no qual se exonerou a contribuinte integralmente do lançamento tributário, nos termos acima lançados. 2. Dos lançamentos constantes na Planilha 2 Conforme argumentado pela DRJ de origem, os lançamentos constantes na Planilha 2, anexa ao auto de infração (fls. 260), não foram objeto da diligência realizada nos autos, já que “os documentos apresentados na impugnação foram suficientes para formar a convicção de que se tratavam de entradas de matériasprimas decorrente de incorporação do acervo líquido da sociedade denominada Basf Corantes Têxteis S/A”1. Dessa forma, não merece procedência o recurso de ofício, visto que correto o entendimento proferido pela DRJ de origem. Isso porque os documentos acostados à impugnação, referentes à Planilha 2, realmente foram suficientes para se constatar que se tratavam de entradas de matériasprimas decorrentes de incorporação do acerco líquido da sociedade Basf Corantes Têxteis S/A. Destaco que, quanto aos documentos juntados no processo pela empresa contribuinte, a DRJ de origem por bem se manifestou nos seguintes termos (fls. 3795): É de se observar que a contribuinte, durante o curso da ação fiscal, apresentou apenas uma cópia da ata da Assembleia de Quotistas que aprovou o Protocolo Justificação de Incorporação e o Laudo de Avaliação Contábil da sociedade incorporada, o que levou a auditorafiscal a considerar não comprovado tais valores, conforme consignado em nota de rodapé da Planilha 2 (fls. 212). Entretanto, junto com a peça impugnatória, a contribuinte fez juntar, além de cópia da referida ata, cópias do balanço de transposição dos saldos incorporados e a sua versão analítica, além da composição do estoque da incorporada à data do evento (Anexo T2), em que é possível identificar um valor registrado de matériasprimas de R$ 9.727.166,83. A impugnante também juntou um relatório com a discriminação dos lançamentos referentes à incorporação das matériasprimas, debitados à conta 113.01.0001, que somam R$ 9.727.166,83 (fls. 2910 e 2920), encontrandose, dentre eles, aqueles selecionados e glosados pela autoridade fiscal, de valores superiores a R$ 55.000,00, que somam R$ 2.872.573,83. Outrossim, o anexo “T” trazido aos autos por ocasião da impugnação comprovou de forma cabal a origem dos lançamentos contábeis relacionados à Planilha 02, anexa ao auto de infração, restando plenamente justificados os valores constantes na referida planilha. 1 Conforme consta à fl. 3795 do Acórdão proferido pela DRJ de origem. Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003182/200601 Acórdão n.º 1302001.594 S1C3T2 Fl. 4.125 13 Por conseguinte, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício neste ponto, mantendo integralmente o decidido pela DRJ de origem, para que seja cancelado o crédito tributário oriundo do presente processo administrativo, conforme demonstrativo colacionado à fl. 3795 pelo Juízo de origem. 3. Da conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14489.000031/2007-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/06/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARADO INTEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO DE PETIÇÃO APARTADA, NA QUAL O CONTRIBUINTE SUSCITA A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. AUSÊNCIA DE PROVA DA ALEGAÇÃO DE ERRO NA DATA DA REALIZAÇÃO DA PROTOCOLIZAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a rejeição da preliminar de tempestividade apresentada em petição apartada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/06/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARADO INTEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO DE PETIÇÃO APARTADA, NA QUAL O CONTRIBUINTE SUSCITA A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. AUSÊNCIA DE PROVA DA ALEGAÇÃO DE ERRO NA DATA DA REALIZAÇÃO DA PROTOCOLIZAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a rejeição da preliminar de tempestividade apresentada em petição apartada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/06/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARADO INTEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO DE PETIÇÃO APARTADA, NA QUAL O CONTRIBUINTE SUSCITA A PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. AUSÊNCIA DE PROVA DA ALEGAÇÃO DE ERRO NA DATA DA REALIZAÇÃO DA PROTOCOLIZAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a rejeição da preliminar de tempestividade apresentada em petição apartada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 00 31 /2 00 7- 14 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14489.000031/200714 Acórdão n.º 2803003.924 S2TE03 Fl. 217 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração – AI DEBCAD 37.108.9883, CFL.91, que objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, acrescentado pelo Lei n. 9.528, de 10.12.97, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, conforme Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafos 1. e 3., combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 44, com período de apuração de 10/2001 a 12/2002, segundo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06 a 08. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/07/2007, conforme, Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 69 a 76, recebida, em 02/08/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 77 a 144. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 138 e 139. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1219.146 10ª Turma da DRJ/RJOI, em 12/05/2008, fls. 142 a 149. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/12/2008, AR, de fls. 153. Consta, as fls. 156, a emissão de Termo de Revelia em face da não impugnação ao crédito pelo contribuinte, tal termo foi recebido pelo contribuinte, em 19/05/2009, AR, de fls. 158. Irresignada a autuada apresentou recurso voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 159 a 167, recebida, em 13/01/2009, acompanhada dos documentos, de fls. 168 a 178. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A empresa recorrente apresentou, as fls. 179 a 182, manifestação quanto a declaração de revelia, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 183 a 187. As razões dessa manifestação estão sumariadas a seguir. · alega a recorrente que o recurso foi protocolizado, em 12/01/2009, sendo assim tempestivo; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14489.000031/200714 Acórdão n.º 2803003.924 S2TE03 Fl. 218 3 · afirma, ainda, que foi surpreendida, em 19/05/2009, com o recebimento do Termo de Revelia, pois tendo seu recurso sido protocolizado dentro do prazo este é tempestivo, dizendo que a data de 13/01/2009, que consta da autenticação mecânica do protocolo esta incorreta, tendo agido em erro o órgão fiscal; · aduz que buscou esclarecimento junto a IRFB em Campo Grande e foi informada que a máquina de protocolo havia sido jogada fora e que nada poderia ser feito, sendo a data da autenticação a correta para o fisco; · assevera, ainda, que o próprio protocolo realizado, em 12/01/2009, é irregular, pois não identifica o servidor que o realizou por ausência de assinatura, o que a impede de realizar o contraditório, ampla defesa e de realizar o devido processo legal em razão da declaração de revelia; · diz, também, que caso a máquina de protocolo, ainda, existisse seria possível realizar perícia nesta a fim de comprovar o erro; · por fim, requer seja reconhecida a tempestividade do recurso e realizadas perícias e diligências necessárias para apurar que a data correta da protocolização do recurso é 12/01/2009 e não 13/01/2009, como constou. O órgão preparador reconheceu o recurso como INTEMPESTIVO, fls. 191, mas, também, reconheceu que o mesmo estava aparentemente desaparecido. Os autos subiram ao CARF, fls. 191. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14489.000031/200714 Acórdão n.º 2803003.924 S2TE03 Fl. 219 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário foi declarado intempestivo pela autoridade preparadora local, porém em petição apartada o contribuinte está contestando a declaração de intempestividade, assim essa alegação preliminar merece ser apreciada. Preliminar apresentada em petição apartada, recebimento, processamento e conhecimento. A questão da intempestividade devido a suposta falha na datação do protocolo eletrônico do recurso voluntário é sui generis. Mas, penso que cabe ao contribuinte no momento do protocolo diligenciar pela regularidade daquele, ou seja, tem o contribuinte o dever de observar se o procedimento de protocolização desenvolveuse de maneira regular e adequada e em caso contrário de imediato protestar pela regularização da situação ou ao menos promover um registro do evento de imediato junto às autoridades competentes. Verifico no presente que o contribuinte recorrente alega que o protocolo de seu recurso voluntário, se deu, em 12/01/2009, mas apenas, em 25/05/2009, depois de receber o Termo de Revelia, em 19/05/2009, foi que o contribuinte protestou alegando erro, isto é, no momento do evento da protocolização nada alegou ou reclamou o contribuinte, passados mais de cento e vinte dias deste protocolo, nada percebeu ou reclamou o contribuinte, só com o recebimento do Termo de Revelia do fisco, ainda, que indevido é que o contribuinte se deu conta do suposto erro na protocolização de seu recurso, isso é o que se infere dos autos. No entanto, a mera alegação desprovida de elementos probatórios, de que houve erro na datação do protocolo eletrônico, bem como a de que a máquina de protocolo utilizada tenha sido descartada, jogada fora, não socorre o contribuinte recorrente e não merece acolhida. Tal máquina é parte do patrimônio da receita e por consequência da União Federal, por certo classificado como material permanente e não pode simplesmente ser jogada fora, se foi substituída por outra, deve haver o competente registro e procedimento na repartição, aliás, é o que prevê o Decreto 99.658/1990, que traz as formas de desfazimento do material permanente, como exemplificam o texto a seguir transcrito. Art. 18. A inutilização e o abandono de material serão documentados mediante Termos de Inutilização ou de Justificativa de Abandono, os quais integrarão o respectivo processo de desfazimento. Art. 19. As avaliações, classificação e formação de lotes, previstas neste decreto, bem assim os demais procedimentos que integram o processo de alienação de material, serão efetuados por comissão especial, instituída pela autoridade competente e Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14489.000031/200714 Acórdão n.º 2803003.924 S2TE03 Fl. 220 5 composta de, no mínimo, três servidores integrantes do órgão ou entidade interessados. Assim sendo, entendo que era ônus do contribuinte provar a ocorrência do evento acaso existente, o que nos autos não foi feito. Outro, não é o pensamento de nossas cortes, vejase, o que algumas dizem sobre a matéria. EMEN: PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PEÇA OBRIGATÓRIA – PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL – CARIMBO DO PROTOCOLO ILEGÍVEL. 1. Não há erro material na decisão agravada, pois consta ilegível o carimbo do protocolo na peça trasladada, revelando deficiente o instrumento do agravo dirigido a esta Corte Superior. 2. A juntada posterior à interposição do agravo não supre a irregularidade, diante da preclusão consumativa. 3. Ressaltese o dever de vigilância da parte no traslado das peças formadoras do agravo de instrumento, por ser ônus do agravante zelar pela correta instrução do agravo. 4. A falta ou a ilegibilidade do carimbo do protocolo da cópia do recurso especial inviabiliza a aferição de sua tempestividade, o que obsta o conhecimento do agravo de instrumento. Precedentes. 5. Não procede a alegação de que consta no questionário da Seção de autuação de REsp a data de 17 de maio de 2006, pois o que se está afirmando como ilegível é a data da reiteração do recurso especial interposto após a publicação do acórdão que julgou os embargos de declaração, este sim completamente ilegível. Agravo regimental improvido. ..EMEN: AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 877440, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJ DATA:17/10/2007 PG:00278 ..DTPB: EMEN: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. PETIÇÃO RECURSAL ENCAMINHADA POR FACSÍMILE. AFERIÇÃO DA TEMPESTIVIDADE. DATA DO RECEBIMENTO DO DOCUMENTO, COM O DEVIDO REGISTRO, NA SEÇÃO DE PROTOCOLO DE PETIÇÕES DESTE SUPERIOR TRIBUNAL. ALEGAÇÃO DE QUE O RECURSO TERIA SIDO ENCAMINHADO DENTRO DO PRAZO. MERA AFIRMAÇÃO DO RECORRENTE, INSUFICIENTE PARA A REFORMA DA DECISÃO QUE RECONHECEU A INTEMPESTIVIDADE. 1. A aferição da tempestividade dos recursos interpostos contra decisões do Superior Tribunal de Justiça é feita com base na data do protocolo da petição na Secretaria do Tribunal. 2. Para que se coloque em dúvida a veracidade da informação referente à data em que protocolada a petição recursal, é necessário mais que a simples afirmação do recorrente de que o documento foi encaminhado dentro do prazo: cogitandose de erro de procedimento da Secretaria do Tribunal, a afirmação de que os fatos sucederam de outra forma deve ser provada pelo Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14489.000031/200714 Acórdão n.º 2803003.924 S2TE03 Fl. 221 6 recorrente, viabilizando, assim, um eventual juízo de reconsideração. 3. No caso dos autos, à míngua de prova de que a petição enviada por facsímile foi recebida nesta Corte dentro do prazo recursal, é de ser mantida a decisão que reconheceu a intempestividade do recurso. 4. Embargos de declaração rejeitados. ..EMEN:(EDAGRESP 200801822060, MARCO AURÉLIO BELLIZZE, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:29/04/2013 ..DTPB:.) EMENTA: Agravo regimental. Não há na cópia de recurso extraordinário o carimbo com a data legível de seu lançamento em protocolo. A tempestividade do recurso é pressuposto de ordem pública de seu cabimento. Por isso, é necessário que conste do traslado a peça que viabilize sua aferição, que compete a esta corte e é indispensável para o provimento ou desprovimento do agravo de instrumento. Não supre a ausência do protocolo a juntada, à petição de agravo regimental, de certidão que ateste o dia da interposição do recurso, porque o traslado deve processarse perante o tribunal a quo no prazo da interposição do agravo de instrumento, não se admitindo sua juntada posterior neste tribunal. Ademais, esta corte não está vinculada à afirmação de tempestividade feita pelo vice presidente do tribunal a quo, cujo acerto ou erro a ela compete fiscalizar. De outra parte, compete ao agravante a fiscalização da correta formação do instrumento. Não lhe aproveita, assim, a alegação de que houve falha da secretaria do tribunal a quo quanto a essa formação. Agravo a que se nega provimento. (AIAgR 493916, JOAQUIM BARBOSA, STF.) Destarte, com os esclarecimentos acima conheço da peça que alega a preliminar de tempestividade do recurso voluntário, mas não acolho a preliminar rejeitandoa em razão da falta de prova do alegado. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, tendo em vista a rejeição da preliminar de tempestividade apresentada em petição apartada. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.722974/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS.
Verificada a existência de obscuridade, impõe-se acolher os embargos para que seja sanada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1301-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, eliminando as obscuridades, ratificar a decisão recorrida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OBSCURIDADE RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. Verificada a existência de obscuridade, impõese acolher os embargos para que seja sanada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, eliminando as obscuridades, ratificar a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 74 /2 01 2- 18 Fl. 17173DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.173 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1301001.452, proferido pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 13/03/2014, com a seguinte ementa: NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de decadência para o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2007, considerando que o contribuinte apurou seus resultados pelo Lucro Real anual, uma vez que o lançamento foi efetivado em 28/12/2012 e o prazo final, ainda que observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, somente se esgotaria em 31/12/2013. REPASSE DE EMPRÉSTIMOS AOS SÓCIOS. DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. GLOSA. Comprovado o imediato repasse ao sóciogerente da pessoa jurídica dos empréstimos bancários tomados por esta, sem o reconhecimento de receita financeira na mesma proporção das despesas financeiras imputadas, correta é a glosa destas por se caracterizarem como desnecessárias. GLOSA DE CUSTOS. COMPRAS INEXISTENTES. Comprovada a inexistência das operações comerciais contabilizadas pela recorrente, amparadas em documentos inidôneos e a existência de Caixa 2 formado com os recursos supostamente utilizados no pagamento das compras não comprovadas, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. GLOSA. Não comprovado o erro contábil alegado para justificar a diferença identificada entre o estoque final de um ano calendário e o estoque inicial do ano calendário seguinte, correta é glosa dos valores excedentes do custo das mercadorias vendidas apurados no período. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Fl. 17174DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.174 3 A exigência da multa isolada decorre de expressa disposição legal e impõese diante da modificação da base mensal do Imposto de Renda e da CSLL devida a título de estimativas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Restando caracterizado o intuito doloso da recorrente ao inflar os seus custos de aquisição de mercadorias mediante o registro de operações fictícias e utilização de documentos fiscais inidôneos e, ainda, comprovado pela fiscalização que os recursos supostamente utilizados para o pagamento das operações comerciais eram utilizados e/ou sacados e retornavam para compor Caixa 2 da empresa, impõese a aplicação da multa qualificada sobre a infração apurada. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Comprovado que o sóciogerente foi o principal artífice de esquema criminoso que, durante anos consecutivos, utilizouse de documentos fiscais falsos e inidôneos com vistas a simular a aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica fiscalizada, no intuito de reduzir os lucros tributáveis e ocultar o desvio dos recursos para um “Caixa 2”, utilizado para pagamentos de despesas estranhas à empresa, correta a imputação de responsabilidade com base no inc. III do art. 135 do CTN. O colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, para excluir da exigência parte dos valores glosados a título de receitas financeiras e, ao recurso do responsável solidário, para limitar a imputação da responsabilidade apenas pelos tributos apurados em face da glosa de custos dos bens vendidos e/ou serviços prestados, devidos a utilização de documento inidôneos (item 7 do voto). Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 28/04/2014, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 28/05/2012, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs em 15/05/2014, embargos de declaração, sustentando que o acórdão recorrido incorreu em omissões que necessitam ser sanadas. A primeira omissão apontada teria ocorrido no dispositivo do acórdão, sustentando a embargante que: Fl. 17175DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.175 4 Primeiramente, verificouse omissão em relação ao dispositivo da ementa e o inteiro teor do julgado, nos termos do voto do ilustre Conselheiro Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado. Segue o dispositivo da ementa: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, exceto quanto à exigência da multa isolada, mantida por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier. (...)” Cotejando o dispositivo da ementa com o inteiro teor do voto do relator, resta clara a omissão e contradição, pois, por não ter especificado a matéria em que foi dado provimento ao recurso do contribuinte no dispositivo da ementa, podese entender, equivocadamente, que foi dado provimento as matérias objeto do lançamento, com exceção apenas da multa isolada. Contudo, ao analisar o inteiro teor do acórdão, verificase que foi dado provimento parcial ao recurso da empresa apenas no tocante ao item 6 do voto, que se refere à glosa de despesas financeiras, tendo em vista o decidido no voto condutor pelo provimento parcial do recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores dispostos nas tabelas concernentes aos encargos dos empréstimos tomados em 24/05/2007 e 29/06/2007. Assim, quanto às demais matérias objeto do lançamento fiscal, foi negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, considerando que é o dispositivo do acórdão que transita em julgado administrativamente, requer a União seja sanada a omissão apontada, para esclarecer o resultado do julgado e viabilizar a interposição de eventual recurso especial por divergência. A segunda omissão apontada teria ocorrido quanto ao exame da imputação da responsabilidade solidária, que não teria apontado o fundamento, no voto, para a limitação do alcance da responsabilidade pelo colegiado, asseverando que: Configurouse omissão, outrossim, na parte relativa à responsabilidade do sócio administrador. Entendeu a e. Turma: “Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Eloizo Gomes Afonso Durães, mantida apenas em relação à infração analisada no item 7 do voto condutor.” Analisando o voto condutor do julgado, não foram expostos os fundamentos fáticos e jurídicos para exclusão da responsabilidade do sócio quanto às demais matérias, e manutenção da responsabilidade “apenas quanto aos tributos devidos em decorrência da infração relativa à glosa de custos referentes à compras inexistentes, analisada no item 7 deste voto” (trecho do voto condutor do julgado). [...]. Ao final requer que os embargos sejam conhecidos e acolhidos para sanar as omissões apontadas. É o relatório. Fl. 17176DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.176 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e atendem aos pressupostos regimentais. Examinando as alegações da embargante entendo que não existem omissões no acórdão embargado, mas dada a leitura empreendida pela recorrente nos pontos por ela indicados vislumbro a possibilidade da existência de obscuridade nas situações apontadas, que merecem ser aclarados pelo colegiado. O primeiro aspecto questionado é o enunciado do acórdão que, segundo a embargante, poderá gerar interpretação dúbia quanto ao resultado do julgamento. Como bem observou a embargante, foi dado provimento parcial ao recurso da empresa apenas no tocante ao item 6 do voto condutor, que se refere à glosa de despesas financeiras. O provimento parcial quanto a esta matéria se refletiu, também, na exigência da multa isolada. Quanto às demais matérias objeto do lançamento fiscal, foi negado provimento ao recurso voluntário. Assim, para que se evite interpretação dúbia quanto ao resultado do julgamento, o enunciado do resultado deve ser alterado para: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, acordam por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o montante da glosa de despesas financeiras (conforme o item 6 do voto), e, por voto de qualidade, manter parcialmente a exigência da multa isolada, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, que votaram pelo cancelamento integral desta parte do lançamento. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Eloizo Gomes Afonso Durães, mantida apenas em relação à infração analisada no item 7 do voto condutor. Por oportuno, observo que ocorreu um lapso manifesto na conclusão da análise quanto à exigência de multas isoladas (item 9 do voto). Ao fazer remissão ao que foi decidido sobre a glosa de despesas financeiras, cujo provimento parcial deveria se refletir também no lançamento das multas isoladas, o voto condutor referiuse à análise da matéria contida no tópico 8 do voto, quando o correto seria se referir ao tópico 6 da análise. Assim, impõese retificar a conclusão constante do último parágrafo do item 9 do voto condutor para a seguinte redação: Assim, impõese dar provimento parcial ao apelo, nesta parte, para reduzir a base de cálculo das multas isoladas aplicadas em face da exclusão parcial do lançamento relativo à glosa de despesas financeiras, conforme descrito no tópico 6 deste voto. Fl. 17177DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.177 6 O mesmo lapso manifesto se deu na conclusão quanto aos lançamento reflexos, analisada no item 11 do voto condutor, que deve ser retificado para: Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso em relação à CSLL, para excluir da base de cálculo anual e da multa isolada por estimativas os valores referentes à glosa de despesas financeiras excluídas do lançamento, nos termos do item 6 deste voto. Por fim, cumpre analisar a outra alegação de omissão feita pela embargante, relativamente ao recurso voluntário do responsável solidário. A embargante alega que a omissão do acórdão, quando do exame da imputação da responsabilidade solidária do sócio, que não teria apontado o fundamento para a limitação do alcance da responsabilidade pelo colegiado. Embora tenha sido feito de forma sucinta, a decisão traz o fundamento para a exclusão da responsabilidade sobre as demais matérias, limitandoa à exigência apurada em face da glosa de despesas pela utilização fraudulenta de documentos inidôneos. É o que se extrai do voto condutor, verbis: Não obstante, entendo que a imputação restou caracterizada apenas quanto à infração relativa à glosa de custos relativos à compras inexistentes, tanto que em relação às demais infrações a fiscalização sequer aplicou a multa de ofício qualificada que requer a comprovação do intuito doloso. Assim, em consonância com o disposto na Súmula nº 430 do STJ, à míngua de outros elementos, entendo que a imputação de responsabilidade não pode subsistir quanto aos tributos devidos em face das demais infrações apuradas na autuação. Ao se referir à Súmula nº 430 do STJ este relator indicou que as demais matérias constantes do auto de infração não se amoldavam à responsabilidade imputada ao sócio (art. 135, inc. III do CTN), qual seja, aquela resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A indicação de que sequer havia sido aplicada multa qualificada em relação às demais infrações tem o intuito de revelar que tratam se de infrações de outra natureza, das quais resultou o inadimplemento dos tributos exigidos, mas que não restou indicado, nem comprovado, que decorreram da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei por parte do sócio. Assim, há que se limitar a responsabilidade áquelas situações decorrentes da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei por parte do sócio, como ficou sobejamente comprovado no caso da infração analisada no item 7 do voto condutor do acórdão embargado. Por todo o exposto, voto no sentido de que os embargos interpostos sejam acolhidos, sem efeitos modificativos, tão somente para aclarar as questões obscuras apontadas e corrigir as inexatidões matérias apontadas. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 17178DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.737 S1C3T1 Fl. 17.178 7 Fl. 17179DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13706.000202/00-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/03/1990 a 30/03/1992
Ementa:
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (art. 168, I do CTN). Aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5+5), para pedidos de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF.
Numero da decisão: 3301-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/1990 a 30/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (art. 168, I do CTN). Aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5+5), para pedidos de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 02 02 /0 0- 39 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Açougue e Mercearia Redentor Ltda. contra Acórdão n. 1320.435, de 30 de junho de 2008 (fls. 156/161), proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJOII, que manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado (R$ 2.975,76) a título de contribuição para o Finsocial. Por bem descrever os fatos, pedese vênia para adotar integralmente o relatório da DRJ, que diz: “Mediante o Despacho Decisório datado de 01/11/2001 (60/61), a autoridade competente não reconheceu o direito creditório da interessada. O pedido foi indeferido sob o argumento de que ocorreu a decadência, uma vez que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário, com base nos artigos 165, I e 168, I, da Lei n° 5.172 e no Ato Declaratório SRF n° 96/99. A interessada protocolizou, em 04/01/2002, o requerimento de fls. 62/63, no qual se limitou a afirmar que: "Conforme pesquisas realizadas nesse órgão, o referido processo encontrase pendente de apreciação ate a presente data, não obstante o disposto nos citados artigos 48/49 da Lei n° 9.784/99. Considerando que o não cumprimento do dispositivo legal citado, bem como as recentes decisões, por unanimidade, do Egrégio Conselho de Contribuintes, comunicamos a V. S° que a partir da protocolização da protocolização da presente, passaremos a compensar o valor do referido crédito (acrescido de juros SELIC), com débitos vencidos e/ou a vencer relativos a Pis, Cofins, Imposto De Renda P. Jurídica e Contribuição Social". Observouse que as considerações apresentadas pela contribuinte não apresentavam quaisquer pontos de discordância com a decisão proferida pela DIORT/DERAT/RJ. Portanto, não havia se instaurado o contraditório. Como não constava dos autos a comprovação de que a interessada tivesse tomado ciência da decisão de fls. 60/61, o processo foi encaminhado à DIORT/DERAT/RJ para que fosse confirmado se, realmente, foi dada ciência à contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000202/0039 Acórdão n.º 3301002.185 S3C3T1 Fl. 3 3 A interessada tomou ciência do despacho decisório de fls. 60/61 em 13/12/2007. Em 16/01/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 152/154, na qual contestou o despacho decisório que indeferiu seu pleito (fls. 60/61), argumentando, em síntese, que: a) conforme reiterados julgados da Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes, o "dies a quo" para aferição da decadência é 31 de agosto de 1995, data da publicação da medida provisória n° 1.110, de 30 de agosto de 1995. Tendo sido protocolado seu pedido de restituição em 25 de janeiro de 2000, ou seja, dentro do prazo; b) A Fazenda, alegando a nova interpretação dada ao inciso I, do artigo 168 do Código Tributário Nacional, pela Lei Complementar n° 18, de 09/02/2005, concluiu que não há mais qualquer dúvida que o prazo para extinção do crédito tributário do contribuinte expirouse cinco anos após o pagamento do tributo; c) Data vênia, em homenagem ao principio constitucional da segurança jurídica, ainda que os contribuintes tenham antecipado objetivamente seus direitos e deveres tributários, que, por isto mesmo só podem surgir de lei, igual para todos, irretroativa votada pela pessoa política competente. Ou seja, deve haver segurança jurídica; d) Não procede também a argumentação da Fazenda em base no entendimento do Sr. Secretario da Receita Federal, materializado através do Ato Declaratório n° 96/99, onde "estabeleceu" aquela autoridade fazendária que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário; e) Data vênia, em momento algum o Sr. Secretário da Receita Federal manifestouse sobre a perda do direito após o transcurso do prazo de 5 anos, singelamente contado, pelo julgador primário, da data do pagamento do tributo. Atevese logicamente, o Sr. Secretário, as normas contidas no CTN, as quais definem com clareza meridiana as hipóteses de extinção do crédito tributário; f) O referido ato declaratório é abrangente, sendo aplicável a situações distintas, dependendo da modalidade de lançamento a que se sujeitam os respectivos tributos. Exemplo: lançamentos por declaração (IRRT, IRPF, CSLL) — lançamentos por homologação (PIS, Cofins, Finsocial, etc); Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 g) O julgador de primeira instância deixou de observar que trata o presente processo de pedido de restituição de Finsocial, tributo sujeito a lançamento por homologação, conforme preceitua o parágrafo primeiro do artigo 150 do CTN. Ora, se o § 4°, do art. 150 do CTN estabelece que, em não havendo outro prazo fixado em lei, o crédito tributário estará extinto após: decorridos 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Se o Secretário da Receita Federal determina que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago a maior é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, parece de meridiana clareza que este prazo do contribuinte será, consequentemente, de dez anos contados do fato gerador”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento do direito pleiteado em acórdão com a seguinte com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/1990 a 30/04/1992 PEDIDO DE RESTITUICAO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do credito tributário. Solicitação Indeferida Intimado do referido acórdão em 04 de junho de 2009 (fl. 169), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 12 de junho de 2009 (fls. 170 a 176) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituições dos valores de FINSOCIAL recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis n. 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Considerando que a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir da extinção do crédito tributário, em consonância ao artigo 168, I, do CTN, e que o pedido de restituição foi protocolado pelo contribuinte em janeiro de 2000, para valores de FINSOCIAL relativos ao período de março de 1990 a março de 1992. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13706.000202/0039 Acórdão n.º 3301002.185 S3C3T1 Fl. 4 5 Considerando que o artigo 62A do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Face ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição de valores de FINSOCIAL em referência. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2014. Fábia Regina Freitas. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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